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Robson da Silva Gomes

A Repressão dos instintos e sua relação com os ideais ascéticos em Nietzsche

Em quantas situações e momentos da vida o ser humano se sente enclausurado,


perdido e reprimido? Muitas vezes o indivíduo se “castra” para que o bem coletivo seja
preservado. Com frequência o indivíduo oculta seus desejos e instintos em lugares
sombrios da alma para agir de acordo com a moral da sociedade. É esse tipo de atitude
repressiva e reguladora que Friedrich Nietzsche critica no homem moderno e dessarte
afirma veementemente que este homem está doente. Nietzsche assevera ainda que o
homem moderno e niilista deixa que seus instintos básicos se atrofiem a ponto de
aniquilar e reprimir suas necessidades vitais. Tal crítica Nietzsche fazia ao homem da
sociedade de seu tempo - Alemanha - pois era inegável a sensação de mal estar
enraizada na sociedade. Já que perpetuava os sentimentos de vingança e ressentimento
que não podia mais ser manifestada no homem e assim toda essa gama de sentimentos
aglutinada com depressão, neuroses e uma extrema falta de sentido na vida eram os
causadores dessa sociedade doentia.
Pois se o homem é um animal doente e sua doença é a falta de sentido no
mundo. Este sentido é aquilo que irá dar razão para o sofrimento. O sentido que o
sofrimento adquire, contudo, anula o sofrimento causado pela falta de sentido que ele
tinha, assim nasce o ascetismo que é uma tentativa de cura, é a tentativa de o sofredor
manter-se vivo, criando algum significado para o mundo que o cerca. O ascetismo diz
para o sofredor que o sofrimento é sua vitória.
E é essa tentativa de cura através do ideal ascético que Nietzsche condenava
principalmente o judaico-cristão, pelas intenções e pelos resultados que alcançaram: a
reviravolta dos valores e de tudo o que era nobre passou a ser vil e vice-versa. Os judeus
que eram um povo de escravos, de pessoas "fisiologicamente deformadas e
desgraçadas" que conseguiram impor como base da cultura, principalmente ocidental,
os seus valores de escravos levando para a degeneração dos instintos vitais.
Para Nietzsche a filosofia é a verdadeira cura da doença do homem e deve ser
baseada nos afetos, nas paixões e desejos, que contempla o individualismo, a força, a
abundância e os instintos de vida. Para ele, é necessário deixar a atitude estática, teórica
e contemplativa, e assumir uma atitude prática que se enraíza na vida, um ato de
libertação de toda subjugação, de toda moral, de toda deformação e de tudo aquilo que
nos prende a religiões, grupos ou ideologias.