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MKT-MDL-05

Versão 00

MATEMÁTICA
Aula 06: Números Complexos
Prof. Felipe Mota
prof.felipem@hotmail.com
Números Complexos

• A invenção dos números complexo se deu através da


necessidade de se resolver raízes de números
negativos (por exemplo: −4 ; −25 ; −36 ),
situação é recorrente quando se resolve equações do
2º grau utilizando a fórmula de Bháskara.
Números Complexos

• O conjunto dos números complexos é indicado por C e


composto por todos os pares ordenados (x, y), em que
𝑥 ∈ 𝑅 e 𝑦 ∈ 𝑅 , para os quais valem as seguintes
definições:

• Igualdade: 𝑎, 𝑏 = 𝑐, 𝑑 𝑎=𝑐 𝑒 𝑏=𝑑


• Adição: 𝑎, 𝑏 + 𝑐, 𝑑 = (𝑎 + 𝑐, 𝑏 + 𝑑)
Exemplo: −1, 2 + 3, 4 = −1 + 3, 2 + 4 = (2,6)
• Multiplicação: 𝑎, 𝑏 ∙ 𝑐, 𝑑 = 𝑎𝑐 − 𝑏𝑑, 𝑎𝑑 + 𝑏𝑐
Exemplo: 1, 2 ∙ 3, 1 = 1 ∙ 3 − 2 ∙ 1, 1 ∙ 1 + 2 ∙ 3 = (1, 7)
Números Complexos

O par ordenado (0, 1) recebe o nome de unidade imaginária


e é representado por i. Assim:

𝑖 ∙ 𝑖 = −1 𝑖 2 = −1
e dizemos que 𝑖 é uma raiz quadrada de – 1.

• Usando a definição da multiplicação entre pares


ordenados, observamos o que ocorre ao
multiplicarmos o par ordenado (0, 1) por ele mesmo:
0, 1 ∙ 0, 1 = 0 ∙ 0 − 1 ∙ 1, 0 ∙ 1 + 1 ∙ 0 = −1, 0 = −1
Números Complexos

• Como um número complexo é um par ordenado de números


reais é possível estabelecer uma correspondência entre um
número complexo 𝑧 = (𝑎, 𝑏) e um ponto 𝑃 (𝑎, 𝑏) de um
plano. O ponto P é chamado de imagem ou afixo de z.

Este plano recebe o nome de


plano de Argand-Gauss, ou plano
complexo. O eixo horizontal
recebe o nome de eixo real
(indica-se por Re(z)) e o eixo
vertical recebe o nome de eixo
imaginário (indica-se por Im(z))
Números Complexos

• Exemplo 6.1 Representar no


plano de Argand-Gauss os
afixos dos seguintes números
complexos:
• 𝑧1 = (4,6)
• 𝑧2 = (−3, −1)
• 𝑧3 = (−2,4)
• 𝑧4 = (0,5)
• 𝑧5 = (5, −2)
• 𝑧6 = (0,6)
Números Complexos

• Além das representações gráfica e como par


ordenado, os números complexos podem ser escritos
através de uma expressão denominada forma
algébrica de z, onde a parte real de z é indicada
por 𝑥 = 𝑅𝑒(𝑧) e a parte imaginária de z é indicada
por 𝑦 = 𝐼𝑚(𝑧).
𝑧 = 𝑥 + 𝑦𝑖
Números Complexos

• Exemplo 6.2. Determinar o valor do número real k


para 𝑧 = (𝑘 − 2) + 4𝑖 seja imaginário puro.
Números Complexos

• Exemplo 6.2. Determinar o valor do número real k


para 𝑧 = (𝑘 − 2) + 4𝑖 seja imaginário puro.
𝑅𝑒 𝑧 = 𝑘 − 2
• Temos
𝐼𝑚 𝑧 = 4 ≠ 0

• Para que seja imaginário puro, a parte real Re(z) deve ser
igual a zero e a parte imaginária Im(z) deve ser diferente
de zero. Assim, fazendo 𝑘 − 2 = 0, temos 𝑘 = 2.
• Como Im(z) já é diferente de zero e não depende de k, se
𝑘 = 2, então 𝑧 = 4𝑖 é imaginário puro.
Números Complexos

• Exemplo 6.3. Resolver em C as seguintes


equações:
a) 𝑥 2 + 25 = 0
b) 𝑥 − 8𝑥 + 25 = 0
2
Números Complexos

• Exemplo 6.3. Resolver em C as seguintes


equações:
a) 𝑥 2 + 25 = 0
De 𝑥 2 + 25 = 0, vem 𝑥 = ± −25
• Como (±5𝑖)2 = (±5)2 ∙ 𝑖 2 = 25 ∙ −1 = −25, temos:
𝑥 = ±5𝑖
• Assim, 𝑆 = {−5𝑖, 5𝑖}.
Números Complexos

• Exemplo 6.3. Resolver em C as seguintes


equações:
b) 𝑥 2 − 8𝑥 + 25 = 0
𝑥 2 − 8𝑥 + 25 = 0
∆= 64 − 4 ∙ 1 ∙ 25 = 64 − 100 = −36
• Como (±6𝑖)2 = (±6)2 ∙ 𝑖 2 = 36 ∙ −1 = −36, temos:
8 ± −36 8 ± 6𝑖
𝑥= = = 4 ± 3𝑖
2 2
• Assim, 𝑆 = {4 + 3𝑖, 4 − 3𝑖}.
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Seja 𝑧 = 𝑎 + 𝑏𝑖 a forma algébrica de um número complexo


cujo afixo ou imagem geométrica é o ponto 𝑃(𝑎, 𝑏).
• Unindo P à origem O, obtemos o segmento 𝑂𝑃 . O
triângulo PQO é retângulo em Q. Assim, aplicando
Pitágoras, temos:
(𝑂𝑃)2 = (𝑂𝑄)2 +(𝑃𝑄)2 = 𝑎2 + 𝑏 2
𝑂𝑃 = 𝑎2 + 𝑏 2

A medida de 𝑂𝑃 é chamada módulo de


um número complexo, e a indicamos
por |z| ou 𝝆 (letra grega “rô”).
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Exemplo 6.4. Calcular o módulo de 𝑧1 = 4𝑖, 𝑧2 = −3,


𝑧3 = 2 + 2𝑖 e 𝑧4 = −3 − 2𝑖.
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Exemplo 6.4. Calcular o módulo de 𝑧1 = 4𝑖, 𝑧2 = −3,


𝑧3 = 2 + 2𝑖 e 𝑧4 = −3 − 2𝑖.
• Os afixos dos números complexos dados são,
respectivamente, A(0,4), B(-3,0), C(2,2) e D(-3,-2),
conforme indicado no plano complexo abaixo:
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Exemplo 6.4. Calcular o módulo de 𝑧1 = 4𝑖, 𝑧2 = −3,


𝑧3 = 2 + 2𝑖 e 𝑧4 = −3 − 2𝑖.
• A distância entre A e a origem é de 4 unidades; logo 𝑧1 = 4.
• A distância entre B e a origem é de 3 unidades; logo 𝑧2 = 3.
• A distância de C até a origem pode ser obtida aplicando o
teorema de Pitágoras no triângulo I:
𝑂𝐶 2 = 22 + 22 → 𝑂𝐶 2 = 8 → 𝑂𝐶 = 2 2 → 𝑧3 = 2 2
• A distância entre D e a origem pode ser obtida aplicando o
teorema de Pitágoras no triângulo II:
𝑂𝐷2 = 32 + 22 = 9 + 4 → 𝑂𝐷 = 13 → 𝑧4 = 13
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• O ângulo 𝜃 formado pela semirreta 𝑂𝑃 e pelo


semieixo real positivo, tomado a partir desse
semieixo no sentido anti-horário, é chamado de
argumento de z. O ângulo 𝜃 tal que 0 ≤ 𝜃 < 2𝜋
recebe o nome de argumento principal de z.
• Tomando novamente o triângulo PQO podemos
escrever as relações:

𝑃𝑄 𝑏 𝑂𝑄 𝑎 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑏
𝑠𝑒𝑛𝜃 = = 𝑐𝑜𝑠𝜃 = = 𝑡𝑎𝑛𝜃 = =
𝑂𝑃 𝜌 𝑂𝑃 𝜌 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑎
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Exemplo 6.5. Vamos determinar o argumento


1 3
principal de 𝑧 = + 𝑖.
2 2
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Exemplo 6.5. Vamos determinar o argumento


1 3
principal de 𝑧 = + 𝑖.
2 2
1 3
• O afixo de 𝑧 é 𝑃 , .
2 2
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Exemplo 6.5. Vamos determinar o argumento


1 3
principal de 𝑧 = + 𝑖.
2 2
• O módulo de 𝑧 é calculado como segue:
2 2
2
1 3
|𝑧| = + → |𝑧|2 = 1 → 𝑧 = 1
2 2
3
2 3
𝑠𝑒𝑛 𝜃 = = 𝜋
1 2 → 𝜃 = 60° 𝑜𝑢
1 3
2 1
cos 𝜃 = =
1 2
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• O conjugado de um
número complexo é
indicado por 𝑧 e
definido por 𝑧 = 𝑎 − 𝑏𝑖
• Isto é, 𝑧 é obtido de 𝑧
trocando-se o sinal de
sua parte imaginária.
Geometricamente, os
afixos de 𝑧 e 𝑧 são pontos
simétricos em relação ao
eixo real.
Números Complexos
Módulo, argumento e conjugado

• Das relações entre 𝑧 e 𝑧, podemos escrever as seguintes


propriedades para o conjugado de um número
complexo:

𝑧=𝑧 𝑧∈𝑅

• Se 𝑧 = 𝑎 + 𝑏𝑖 temos: 𝑎 + 𝑏𝑖 = 𝑎 − 𝑏𝑖 𝑏 = −𝑏 𝑏=0
e, portanto, 𝑧 é um número real.

𝑧1 + 𝑧2 = 𝑧1 + 𝑧2
OPERAÇÕES COM NÚMEROS
COMPLEXOS
Operações com Números Complexos

• Para realizar a adição de números complexos,


devemos somar separadamente as partes real e
imaginária dos números complexos que fazem parte
da soma. Assim, sendo 𝑧1 = 𝑎 + 𝑏𝑖 e 𝑧2 = 𝑐 + 𝑑𝑖 ,
temos:
𝑧1 + 𝑧2 = 𝑎 + 𝑏𝑖 + 𝑐 + 𝑑𝑖 = 𝑎 + 𝑐 + 𝑏 + 𝑑 𝑖
• Analogamente, para a subtração 𝑧1 − 𝑧2 , temos:
𝑧1 − 𝑧2 = 𝑎 + 𝑏𝑖 − 𝑐 + 𝑑𝑖 = 𝑎 − 𝑐 + 𝑏 − 𝑑 𝑖
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.6. Observe as operações seguintes:


• 2 + 3𝑖 + −4 + 5𝑖
• 4 − 5𝑖 − 2 + 𝑖
• 7 + 3𝑖 − 5 − 3𝑖 + 4 − 7𝑖
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.6. Observe as operações seguintes:


• 2 + 3𝑖 + −4 + 5𝑖 = 2 − 4 + 3 + 5 𝑖 = −2 + 8𝑖
• 4 − 5𝑖 − 2 + 𝑖 = 4 − 2 + −5 − 1 𝑖 = 2 − 6𝑖
• 7 + 3𝑖 − 5 − 3𝑖 + 4 − 7𝑖
= 7 + 3𝑖 − 5 + 3𝑖 + 4 − 7𝑖 = 6 − 𝑖
Operações com Números Complexos

• Para realizar a multiplicação de números complexos,


escrevemos os números na forma algébrica e usamos
a propriedade distributiva:
2
𝑎 + 𝑏𝑖 ∙ 𝑐 + 𝑑𝑖 = 𝑎𝑐 + 𝑎𝑑𝑖 + 𝑏𝑐𝑖 + 𝑏𝑑𝑖
• Como 𝑖 2 = −1, temos:
𝑎 + 𝑏𝑖 ∙ 𝑐 + 𝑑𝑖 = 𝑎𝑐 + 𝑎𝑑𝑖 + 𝑏𝑐𝑖 − 𝑏𝑑
= 𝑎𝑐 − 𝑏𝑑 + 𝑎𝑑 + 𝑏𝑐 𝑖
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.7. Vamos efetuar as seguintes multiplicações:


• 4 + 3𝑖 ∙ 2 − 5𝑖
• 2𝑖 ∙ 1 − 𝑖 ∙ 3 + 2𝑖
• 2𝑖 + 2 ∙ 3 + 2𝑖
2
• 4 + 3𝑖 = 42 + 2 ∙ 4 ∙ 3𝑖 + 3𝑖 2
= 16 + 24𝑖 + 9𝑖 2
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.7. Vamos efetuar as seguintes multiplicações:


• 4 + 3𝑖 ∙ 2 − 5𝑖 = 8 − 20𝑖 + 6𝑖 − 15𝑖 2
= 8 − 14𝑖 + 15 = 23 − 14𝑖
• 2𝑖 ∙ 1 − 𝑖 ∙ 3 + 2𝑖 = 2𝑖 − 2𝑖 2 ∙ 3 + 2𝑖
= 2𝑖 + 2 ∙ 3 + 2𝑖
• 2𝑖 + 2 ∙ 3 + 2𝑖 = 6𝑖 + 4𝑖 2 + 6 + 4𝑖 = 2 + 10𝑖
2
• 4 + 3𝑖 = 42 + 2 ∙ 4 ∙ 3𝑖 + 3𝑖 2
= 16 + 24𝑖 + 9𝑖 2
= 26 + 24𝑖 − 9 = 7 − 24𝑖
Operações com Números Complexos

• Sejam dois número complexos 𝑧1 = 𝑎 + 𝑏𝑖 e 𝑧2 = 𝑐 +


𝑑𝑖, com 𝑧2 ≠ 0, para realizar a divisão de 𝑧1 por 𝑧2 ,
devemos multiplicar tanto o numerador quanto o
denominador pelo conjugado do denominador, assim:

𝑧1 𝑧1 𝑧2 (𝑎 + 𝑏𝑖) ∙ (𝑐 − 𝑑𝑖)
= ∙ =
𝑧2 𝑧2 𝑧2 (𝑐 + 𝑑𝑖) ∙ (𝑐 − 𝑑𝑖)
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.8. Façamos as seguintes divisões:


3+𝑖 3+𝑖 2−𝑖
• = ∙
2+𝑖 2+𝑖 2−𝑖
3𝑖 3𝑖 4+𝑖
• = ∙
4−𝑖 4−𝑖 4+𝑖
2−5𝑖 2−5𝑖 −𝑖
• = ∙
𝑖 𝑖 −𝑖
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.8. Façamos as seguintes divisões:


3+𝑖 3+𝑖 2−𝑖 6−3𝑖+2𝑖−𝑖 2 7−𝑖 7 1
• = ∙ = = = − 𝑖
2+𝑖 2+𝑖 2−𝑖 22 −𝑖 2 4− −1 5 5

3𝑖 3𝑖 4+𝑖 12𝑖+3𝑖 2 −3+12𝑖


• = ∙ = =
4−𝑖 4−𝑖 4+𝑖 4 2 −𝑖 2 17
2−5𝑖 2−5𝑖 −𝑖 −2𝑖+5𝑖 2
• = ∙ = = 5 − 2𝑖
𝑖 𝑖 −𝑖 −𝑖 2
Operações com Números Complexos

• Seja i a unidade imaginária, calculando 𝑖 𝑛 para


alguns valores naturais de n, temos:
Operações com Números Complexos

• Como vemos, os resultados de 𝑖 𝑛 (𝑛 ∈ 𝑁) , com o


expoente n variando, repetem-se de quatro em quatro
unidades. Assim, temos as seguintes situações possíveis:
• 1ª O expoente 4n representa os números que são
divisíveis por 4.
𝑖 4𝑛 = (14 )𝑛 = 1
• 2ª O expoente 4𝑛 + 1 representa os números que,
divididos por 4, deixam resto 1.
𝑖 4𝑛+1 = 𝑖 4𝑛 ∙ 𝑖 1 = 1 ∙ 𝑖 = 𝑖
Operações com Números Complexos

• 3ª O expoente 4𝑛 + 2 representa os números que,


divididos por 4, deixam resto 2.
𝑖 4𝑛+2 = 𝑖 4𝑛 ∙ 𝑖 2 = 1 ∙ −1 = −1
• 4ª O expoente 4𝑛 + 3 representa os números que,
divididos por 4, deixam resto 3.
𝑖 4𝑛+3 = 𝑖 4𝑛 ∙ 𝑖 3 = 1 ∙ −𝑖 = −𝑖

Assim, para calcular 𝑖 basta calcular 𝑖 , sendo 𝑟 o resto


𝑛 𝑟

da divisão de 𝑛 por 4.
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.9. Vamos calcular 𝑖 21 , 𝑖 46 e (−𝑖)28 .


a) 𝑖 21
b) 𝑖 46
c) (−𝑖) 28
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.9. Vamos calcular 𝑖 21 , 𝑖 46 e (−𝑖)28 .


a) 𝑖 21
Dividindo 21 por 4:

b) 𝑖 46
Dividindo 46 por 4:
Operações com Números Complexos

• Exemplo 6.9. Vamos calcular 𝑖 21 , 𝑖 46 e (−𝑖)28 .


c) (−𝑖)28
Inicialmente notemos que:
28 28 28 28 28
(−𝑖) = (−1 ∙ 𝑖) = (−1) ∙ 𝑖 =𝑖
Como 28 é divisível por 4, temos:
(−𝑖)28 = 𝑖 28 = 𝑖 0 = 1
FORMA TRIGONOMÉTRICA
(OU POLAR)
Forma Trigonométrica (Ou Polar)

• Seja 𝑧 = 𝑎 + 𝑏𝑖 ≠ 0 a forma algébrica de um número complexo,


vimos que o argumento 𝜃 satisfaz:
𝑏
𝑠𝑒𝑛𝜃 = 𝑏 = 𝜌 sen 𝜃
𝜌
𝑎
𝑐𝑜𝑠𝜃 = 𝑎 = 𝜌 cos 𝜃
𝜌

• Substituindo tais valores na fórmula algébrica temos:


𝑧 = 𝑎 + 𝑏𝑖 = 𝜌 ∙ cos 𝜃 + 𝜌 ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜃 𝑖 = 𝜌(cos 𝜃 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜃)
Essa expressão recebe o nome de forma polar ou
trigonométrica de um número complexo, e é muito útil para
realizar operações de potenciação e radiciação em C.
Forma Trigonométrica (Ou Polar)

• Sejam dois números complexos:


𝑧1 = 𝜌1 cos 𝜃1 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜃1 𝑒 𝑧2 = 𝜌2 (cos 𝜃2 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜃2 )
• Desenvolvendo a multiplicação 𝑧1 ∙ 𝑧2 , obtemos a
expressão:
𝑧1 ∙ 𝑧2 = 𝜌1 𝜌2 [cos 𝜃1 + 𝜃2 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 (𝜃1 + 𝜃2 )]
𝑧1
• Desenvolvendo a divisão na forma trigonométrica,
𝑧2
temos:
𝑧1 𝜌1
= [cos 𝜃1 − 𝜃2 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 (𝜃1 − 𝜃2 )]
𝑧2 𝜌2
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.10. Sendo 𝑧1 = 4(cos 60° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 60°) e


𝑧2 = 3(cos 240° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 240°), podemos obter 𝑧1 ∙ 𝑧2
como segue:
𝑧1 ∙ 𝑧2 = 4 ∙ 3[cos 60° + 240° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 60° + 240° ]
• Isto é: 𝑧1 ∙ 𝑧2 = 12(cos 300° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 300°)
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.11. Dados 𝑧1 = 6(cos 120° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 120°) e


𝑧1 𝑧2
𝑧2 = 2(cos 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 30°) , vamos obter e na
𝑧2 𝑧1
forma algébrica.
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.11. Dados 𝑧1 = 6(cos 120° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 120°) e


𝑧1 𝑧2
𝑧2 = 2(cos 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 30°) , vamos obter e na
𝑧2 𝑧1
forma algébrica:
𝑧1 6
= [cos 120° − 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 120° − 30° ]
𝑧2 2
𝑧1
= 3(cos 90° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 90°)
𝑧2
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.11. Dados 𝑧1 = 6(cos 120° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 120°) e


𝑧1 𝑧2
𝑧2 = 2(cos 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 30°) , vamos obter e na
𝑧2 𝑧1
forma algébrica:
𝑧1
• Na forma algébrica, temos: = 3𝑖
𝑧2
𝑧2 2
= [cos 30° − 120° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 30° − 120° ]
𝑧1 6
𝑧2 1
= [cos −90° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 −90° ]
𝑧1 3
𝑧2 1
• O seja, = − 𝑖.
𝑧1 3
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• O cálculo da potência de 𝒛𝒏 , 𝑛 ∈ 𝑁 e 𝑧 ∈ 𝐶 , fica


muito trabalhoso quando escrevemos 𝑧 na forma
algébrica. No entanto, utilizando a expressão para o
produto na forma trigonométrica para 𝑧 = 𝑧 ∙ 𝑧 ∙ 𝑧 ∙
𝑛

𝑧 ∙ 𝑧 ∙ ⋯ ∙ 𝑧 , encontramos a equação abaixo,


conhecida como 1ª Fórmula de Moivre.

𝑛 𝑛
𝑧 = 𝜌 ∙ [cos(𝑛𝜃) + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝑛𝜃 ]
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.12. Se 𝑧 = 4(cos 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 30°), qual é o


valor de 𝑧 8 ?
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.12. Se 𝑧 = 4(cos 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 30°), qual é o


valor de 𝑧 8 ?
• Pela Fórmula de Moivre, temos:
𝑧 8 = 48 [cos 8 ∙ 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 8 ∙ 30°) = 48 (cos 240° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 240°)
• Da trigonometria, sabemos que:
1
cos 240° = − cos 60° = −
2
3
𝑠𝑒𝑛 240° = −𝑠𝑒𝑛 60° = −
2
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.12. Se 𝑧 = 4(cos 30° + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 30°), qual é o


valor de 𝑧 8 ?

• Daí, temos:
1 3 1 3
𝑧 8 = 48 − + 𝑖 ∙ − = 216 − −𝑖
2 2 2 2
= 215 (−1 − 𝑖 3)
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Seja 𝑧 um número complexo, dizemos que 𝑧𝑘 é uma


raiz enésima de 𝑧 se (𝑧𝑘 )𝑛 = 𝑧.
• Encontrar as raízes enésimas de 𝑧 significa
determinar 𝑧𝑘 = 𝑟 ∙ (cos 𝜔 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜔) tal que (𝑧𝑘 ) =
𝑛

𝑧 . Escrevendo essa última igualdade na forma


trigonométrica, temos:

[𝑟 ∙ cos 𝜔 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜔 ]𝑛 = 𝜌 ∙ (cos 𝜃 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜃)


Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Pela primeira fórmula de Moivre:

𝑟 𝑛 ∙ cos 𝑛𝜔 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝑛𝜔 = 𝜌 ∙ (cos 𝜃 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜃)

• Devemos ter: 𝑟 𝑛 = 𝜌 → 𝑟= 𝑛
𝜌

cos 𝑛𝜔 = cos 𝜃 𝜃 2𝜋
𝑛𝜔 = 𝜃 + 𝑘 ∙ 2𝜋 𝜔 = +𝑘∙ ;𝑘 ∈ 𝑍
𝑠𝑒𝑛 𝑛𝜔 = 𝑠𝑒𝑛 𝜃 𝑛 𝑛
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Vamos obter os valores de 𝑘 de modo que 𝜔 resulte e um


valor entre 0 e 2𝜋:
𝜃
𝑘 = 0 𝜔 = (∗)
𝑛
𝜃 2𝜋
𝑘=1 𝜔= +
𝑛 𝑛
𝜃 2𝜋
𝑘 =2 𝜔 = +2∙
𝑛 𝑛
⋮ ⋮ ⋮
𝜃 2𝜋
𝑘 =𝑛−1 𝜔 = + 𝑛−1 ∙
𝑛 𝑛
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

𝜃 2𝜋 𝜃
• Se 𝑘 = 𝑛 , obtemos 𝜔 = + 𝑛 ∙ = + 2𝜋 , que é
𝑛 𝑛 𝑛
congruente ao valor obtido em (∗).
• Desse modo, para obtermos os valores de 𝑧𝑘 basta
atribuir a 𝑘, sucessivamente, os valores: 0,1,2, … , 𝑛 − 1.

Esse resultado é conhecido como a 2ª Fórmula de Moivre.


Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.13. Quais são as raízes quadradas de


2𝑖?
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.13. Quais são as raízes quadradas de


2𝑖?
• 1º Passo: obtemos a forma trigonométrica de 𝑧 = 2𝑖
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.13. Quais são as raízes quadradas de


2𝑖?
• 2º Passo: Devemos determinar 𝑧𝑘 = 𝑟 ∙ (cos 𝜔 +
𝑖 𝑠𝑒𝑛 𝜔) tal que 𝑧𝑘 = 𝑧, isto é:
2
𝜋 𝜋
𝑟 2 ∙ cos 2𝜔 + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 2𝜔 = 2 ∙ (cos + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 )
2 2
• Daí:
2
𝑟 =2 𝑟= 2
𝜋 𝜋
• 2𝜔 = + 𝑘 ∙ 2𝜋 𝜃 = + 𝑘𝜋; para 𝑘 = 0,1
2 4
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.13. Quais são as raízes quadradas de


2𝑖?
• Assim, as raízes quadradas de 2𝑖 são:
𝜋
𝑘 = 0 𝜃 = ;𝑟 = 2
4
𝜋 𝜋 2 2
𝑧0 = 2 ∙ cos + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 = 2∙ +𝑖 =1+𝑖
4 4 2 2
𝜋 5𝜋
𝑘 =1 𝜃 = +𝜋 = ;𝑟 = 2
4 4
5𝜋 5𝜋 2 2
𝑧1 = 2 ∙ cos + 𝑖 𝑠𝑒𝑛 = 2∙ − −𝑖 = −1 − 𝑖
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.13. Quais são as raízes quadradas de


2𝑖?
• 3º Passo: Interpretação geométrica:
Representando os afixos de 𝑧0 e
𝑧1 no plano complexo, obtemos
os pontos 𝑃0 (1,1) e 𝑃1 (−1, −1).
Forma Trigonométrica (Ou Polar)
Operações na forma trigonométrica

• Exemplo 6.13. Quais são as raízes quadradas de


2𝑖?
• Os pontos 𝑃0 e 𝑃1 são
diametralmente opostos de
uma circunferência de
centro na origem e raio 2.
2𝜋
• Somando =𝜋 ao
2
𝜋
argumento de 𝑧0 ,
4
obtemos o argumento de
5𝜋
𝑧1 = .
4
Referências

• IEZZI, Gelson; DOLCE, Osvaldo; DEGENSZAJN, David;


PÉRIGO, Roberto; Matemática Volume Único. 5ª Edição.
Editora Atual, São Paulo, 2006.