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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

CONTEÚDO
INTRODUÇÃO
Objetivos do Módulo________________________________________________________ 1
SEÇÃO 1 - A MATÉRIA OS EFEITOS DA PRESSÃO
Objetivos ________________________________________________________________ 3
Átomos, Moléculas ________________________________________________________ 3
Estados da Matéria ________________________________________________________ 5
Efeitos da Pressão __________________________________________________________ 7
Revisão 1 ________________________________________________________________ 8
SEÇÃO 2 - FATORES QUE AFETAM O DESEMPENHO DA LINHA
Objetivos ________________________________________________________________ 11
Propriedades e Características dos Líquidos______________________________________ 11
Massa e Peso ______________________________________________________________ 12
Viscosidade ______________________________________________________________ 13
Massa Específica __________________________________________________________ 14
Densidade ________________________________________________________________ 18
Revisão 2 ________________________________________________________________ 19
SEÇÃO 3 - PONTO DE FLUIDEZ, COMPRESSIBILIDADE,
PRESSÃO DE VAPOR E SOLUBILIDADE
Objetivos ________________________________________________________________ 23
Ponto de Fluidez __________________________________________________________ 23
Compressibilidade __________________________________________________________ 24
Pressão de Vapor __________________________________________________________ 24
Solubilidade ______________________________________________________________ 25
Revisão 3 ________________________________________________________________ 27
SEÇÃO 4 - OS EFEITOS DA TEMPERATURA E DA PRESSÃO SOBRE OS LÍQUIDOS
Objetivos ________________________________________________________________ 31
Introdução ________________________________________________________________ 31
Expansão Térmica __________________________________________________________ 32
Volatilidade ______________________________________________________________ 33
Ponto de Fulgor ____________________________________________________________ 34
Características Especiais do GLP ______________________________________________ 34
Revisão 4 ________________________________________________________________ 35
RESUMO____________________________________________________________________ 37
GLOSSÁRIO ________________________________________________________________ 39
RESPOSTAS ________________________________________________________________ 41
NOTA IMPORTANTE
A tecnologia é usada pelos operadores de oleodutos para alcançar objetivos
específicos de seu trabalho. O objetivo central do Programa de Treinamento de
Operadores de Centro de Controle é o de promover um entendimento da
tecnologia usada pelos operadores de oleodutos no seu dia a dia. Este programa
de treinamento cobre os aspectos tecnológicos relacionados diretamente com o
trabalho dos operadores, fornecendo informações de aplicação imediata.
As informações constantes nos módulos de treinamento são basicamente
teóricas. Uma base de informações teóricas è o correto entendimento de alguns
conceitos principais, facilita a compreenção da tecnologia e sua aplicação no
contexto de um sistema de oleodutos. Foi feito o máximo esforço na
apresentação de somente princípios científicos puros. Entretanto em alguns
casos algumas relações empíricas foram necessárias de modo a aproximar
ao máximo os resultados puramente científicos das observações práticas. A
prioridade mais importante no desenvolvimento dos materiais do programa
de treinamento de operadores foi o seu máximo aproveitamento pelos
operadores em suas tarefas diárias.

PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS


Introdução ao Comportamento dos Fluidos

© 1995 IPL Technology & Consulting Services Inc.


Reproduction Prohibited (June 1995)

IPL TECHNOLOGY & CONSULTING SERVICES INC.


7th Floor IPL Tower
10201 Jasper Avenue
Edmonton, Alberta
Canada T5J 3N7
Telephone +1 - 403-420-8489
Fax +1 - 403-420-8411

Reference: 1.1 PB Liquid Properties Sep 1997


DICAS DE ESTUDO
As dicas de estudo a seguir são sugeridas para tornar a aprendizagem dos
módulos mais efetiva.
1. Tente manter cada período de estudo curto, porém concentrado (de dez a
quarenta e cinco minutos). Se você determinar seu tempo de estudo de
forma a estudar ao longo dos cinco dias da semana um período total de duas
horas por dia, divida seus períodos de estudo em blocos com dois a cinco
minutos de intervalo. Lembre-se de que geralmente uma semana de estudo
individual substitui 10 horas de presença na sala de aula. Por exemplo, se
você tiver um bloco de estudo individual de três semanas, ele contará como
30 horas de estudo, para se manter atualizado com a maioria dos programas
de aprendizagem.
2. Quando você estiver estudando, procure fazer ligações entre os capítulos
e as tarefas. Quanto mais ligações você fizer, melhor você se lembrará
das informações.
3. Há testes individuais no final de cada módulo. Geralmente a execução
destes testes aumenta sua capacidade de lembrar das informações.
4. Quando estiver lendo uma seção ou módulo, dê uma folheada ou faça uma
breve olhada no mesmo antes de começar uma leitura detalhada. Leia a
introdução, a conclusão e as perguntas do final de cada seção. Depois, como
tarefa separada, estude todos os títulos, quadros, figuras e legendas. Depois
desta excelente técnica de previsualização, você estará familiarizado com
sua tarefa de leitura. A leitura prévia é então seguida de uma leitura detal-
hada. A leitura detalhada reforça o que já foi estudado e também põe a
matéria em destaque. Enquanto estiver fazendo a leitura detalhada, pare no
final de cada subseção e se pergunte "O que eu acabei de ler?"
5. Outra técnica de estudo útil é escrever suas próprias perguntas baseadas nos
seus apontamentos de estudo e/ou nos títulos e subtítulos do módulo.
6. Quando estiver na sala de aula fazendo apontamentos, por favor siga esta
técnica. Guarde a página da esquerda para suas observações pessoais, idéias
ou áreas que deseja esclarecer. Importante, grave as perguntas que o seu
instrutor fizer - provavelmente você as encontrará na prova final.
7. Faça revisão. Faça revisão. Faça revisão. Aproveitar oportunidades para
rever a matéria aumentará sua capacidade de lembrá-la.
8. Usando fichas de arquivo, você pode identificar rapidamente áreas que você
precisa revisar ou se concentrar antes da prova. Comece intencionalmente
fazendo fichas no final de cada seção de leitura. Quando se deparar com
uma palavra nova, escreva-a de um lado da ficha. No outro lado, escreva
sua definição. Isto se aplica a quase todos os módulos. Por exemplo,
símbolos químicos/o que ele significa; estação terminal/definição; uma
sigla/seu
significado. Uma vez que você tenha compilado as fichas e estiver se
preparando para a prova, misture as fichas com a palavra termo voltada para
cima. Passe por cada ficha para ver se você sabe o que está no seu verso.
Por que gastar tempo desnecessário nos significados ou conceitos que você
já sabe? As fichas que você não souber identificam as áreas que você
precisa rever.
9. Além disso, estes módulos possuem instrumentos de aprendizagem
específica incorporados para auxiliar na compreensão e revisão da matéria.
Os termos aparecem em negrito e foram acrescentados ao glossário. Para
comparar as referências sobre o significado de um termo, há os números das
páginas junto às definições do glossário, identificando onde o termo ou
explicação apareceu pela primeira vez no texto. As definições do glossário
que não possuem os números das páginas são também importantes para a
compreensão, mas são plenamente explicadas em outro módulo.
PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 1

INTRODUÇÃO
O Conhecimento das características e das propriedades dos líquidos e gases é
crítico para o trabalho dos Operadores de Centros de Controle (OCC). Cada
líquido no oleoduto possui propriedades próprias que afetam a vazão e a
pressão do produto. Quando tipos diferentes de líquido se deslocam ao longo
do oleoduto, a vazão e a pressão se modificam. Para manter a estabilidade da
linha e evitar acidentes, o OCC deve antecipar as mudanças na vazão e na
pressão e ajustar a pressão no oleoduto.

Este módulo está dividido em quatro seções. A primeira seção apresenta uma
revisão das propriedades básicas da matéria, como átomos e moléculas. As
seções seguintes discutem as propriedades dos líquidos que influenciam o
processo de tomada de decisão no Centro de Controle.

OBJETIVOS DO MÓDULO
Após concluir este módulo, você será capaz de:
• Explicar as propriedades dos sólidos, líquidos e gases
• Explicar os efeitos da pressão sobre os líquidos
• Explicar como as seguintes propriedades dos líquidos afetam a operação
do oleoduto:
- massa e peso
- massa específica
- viscosidade
- fluidez
- densidade
- ponto de fluidez
- compressibilidade
- pressão de vapor
- solubilidade
- expansão térmica
- volatilidade
- ponto de fulgor

PRÉ-REQUISITO:
Nenhum

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 3

SEÇÃO 1

A MATÉRIA E OS
EFEITOS DA PRESSÃO
OBJETIVOS
• Definir o termo matéria
• Explicar a diferença entre átomos e moléculas
• Explicar as características que definem cada um dos estados da matéria
• Explicar o efeito da pressão sobre o ponto de ebulição de um líquido

ÁTOMOS, MOLÉCULAS
O termo matéria se refere a qualquer tipo de substância. Toda matéria é
formada por átomos. Pensa-se dos átomos como as unidades fundamentais do
universo. Os átomos são formados de pequenas partículas chamadas elétrons,
prótons e nêutrons. Cada elétron de um átomo possui uma carga negativa,
enquanto que cada próton possui uma carga positiva. A terceira partícula, o
nêutron, não possui carga.

A quantidade de combinações das cargas negativas e positivas em cada átomo


pode fazer com que dois ou mais átomos se combinem, ou se liguem, para
formar uma molécula. As moléculas formadas por diferentes combinações de
átomos formam uma variedade de substâncias encontradas no mundo. As
moléculas comuns de hidrocarbonetos são formadas por átomos de hidrogênio e

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4 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

de carbono, ligados de uma forma específica. Por exemplo, o etano é diferente


da água porque as moléculas do etano são formadas por uma combinação
diferente de átomos. O etano é formado por dois átomos de carbono e seis
átomos de hidrogênio, enquanto a água é formada por um átomo de oxigênio e
dois átomos de hidrogênio.

Figura 1-1
Molécula de Água (H20 )
A água (H2O) é uma molécula muito comum e consiste
Oxigênio em dois átomos de hidrogênio ligados a um único átomo
de oxigênio.

Hidrogênio Hidrogênio

Hidrogênio Hidrogênio

Hidrogênio Hidrogênio

Carbono Carbono

Hidrogênio Hidrogênio

Figura1-2
Molécula de Etano
O Etano (C2H6) é uma molécula comum de hidrocarboneto que consiste em
dois átomos de carbono e seis átomos de hidrogênio.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 5

ESTADOS DA MATÉRIA
As substâncias geralmente são formadas por moléculas. Algumas substâncias
são formadas por um único tipo de átomo, porém mesmo nessas substâncias os
átomos normalmente se combinam na forma de moléculas. Por exemplo, o gás
oxigênio é oxigênio puro, mas os átomos de oxigênio se combinam em pares
(O2). Da mesma forma que os átomos se mantém unidos por atração elétrica
para formar as moléculas, as moléculas se unem em grupos devido à atração
elétrica existente entre elas.
Às vezes as ligações entre as moléculas podem ser perdidas. Por exemplo, à
temperatura ambiente, a água (H2O) é um líquido. Porém, se a água for
aquecida, a energia do calor faz com que as moléculas se movimentem com
mais rapidez. Isto faz com que as ligações entre as moléculas da água se
distendam. Se a água for aquecida a 100°C à pressão atmosférica, as moléculas
absorverão energia suficiente para romper as ligações entre elas completamente.
As moléculas de água são liberadas para se espalhar aleatoriamente. O estado
da água agora é gasoso. Este processo é conhecido como vaporização. As
moléculas de água não modificaram sua estrutura atômica. Tanto a água quanto
o vapor de água são formados pelas mesmas moléculas de H2O. A única
diferença entre a água e o vapor de água é que as moléculas de H2O ficam mais
distantes umas das outras.
Se a água for resfriada, as moléculas de água perdem energia. À medida que as
moléculas perdem energia, se tornam menos capazes de se movimentar no
sentido contrário ao da atração das ligações entre elas, de forma que são
puxadas para mais perto umas das outras. Quando a água é resfriada a 0°C à
pressão atmosférica, as moléculas de água se atraem umas às outras e a
substância se torna sólida. A água sólida (gelo) é formada pelas mesmas
moléculas de H2O que a água líquida e que o vapor de água. A única diferença
entre o gelo e a água é que as moléculas de H2O no gelo estão muito mais
próximas umas das outras.

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6 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

Toda matéria existe em um dos três estados:


• sólido
• líquido
• gasoso
Os sólidos possuem forma e volume definidos. Alguns exemplos de sólidos são
troncos de madeira, cubos de gelo e barras de ouro.

Os líquidos possuem volume fixo, mas não têm forma própria. Os líquidos
assumem a forma do recipiente em que se encontram. Alguns exemplos de
líquidos são a água, o mel e o óleo cru.

Os gases não possuem nem forma, nem volume definidos, assumindo a forma e
o volume do recipiente em que se encontram contidos. Alguns exemplos de
gases são propano, oxigênio, hélio, e sulfeto de hidrogênio.

Figura 1-3 Os Três Estados da Matéria


As diferenças entre os três estados da matéria são fáceis
de compreender se visualizarmos as moléculas como
rolamentos de esferas. Os "rolamentos de esferas" em um
Gás
sólido estão dispostos de forma compacta. Em um líquido, Gas
elas estão ainda em contato, mas se deslocam em volta
umas das outras livremente. Em um gás, as moléculas
estão longe umas das outras e podem se mover livremente
no espaço.

Sólido
Solid Líquido
Liquid

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 7

EFEITOS DA PRESSÃO
Pressão é a quantidade de força exercida sobre uma unidade de área de uma
substância. Ela afeta a quantidade de energia necessária para solidificar ou
vaporizar a matéria. Se a pressão exercida sobre uma substância aumenta, as
moléculas da substância são pressionadas para mais perto umas das outras. Elas
precisam de mais energia para se afastar ou romper a atração que as mantém
unidas. Da mesma forma, se a pressão a que uma substância está submetida
diminui, as moléculas da substância não são comprimidas para tão perto umas
das outras. As moléculas precisam então de menos energia para se afastar ou
romper a atração que as mantém unidas. Por exemplo, a água ferve a 100°C.
Porém, este ponto de ebulição se refere à água ao nível do mar, onde ela está
sob uma pressão atmosférica específica (101.3 kPa). No cume de uma
montanha, onde a pressão atmosférica é menor, as moléculas de água estão a
uma pressão atmosférica mais baixa. Elas não precisam de tanta energia para
romper as ligações existentes entre elas. O ponto de ebulição da água a uma
elevação superior ao nível do mar pode chegar, portanto, a 98°C.

A distância entre as moléculas nos gases é tão grande que as moléculas ficam
livres das ligações entre elas. As moléculas se espalham randomicamente até
atingir as paredes do recipiente que as contém, sejam as paredes de uma jarra ou
de uma sala. Os gases se expandem continuamente para preencher o recipiente
em que estão contidos.

Os produtos como o óleos crus pesados e a gasolina são líquidos às


temperaturas e pressões normais. Alguns produtos refinados, como o butano e
o propano, se vaporizam às temperaturas normais do oleoduto, a menos que
sejam mantidos sob pressão. O GLP (Gás Liqüefeito de Petróleo) se vaporiza à
temperatura típica de um duto se a pressão no oleoduto for inferior a cerca de
15 kgf/cm2 . Se o GLP não for mantido sob esta pressão mínima constante, ele
se transformará em gás (vapor).

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8 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

? REVISÃO 1

1. O termo matéria se refere a . . .


a) um sólido.
b) um líquido.
c) um gás.
d) qualquer tipo de substância.

2. Uma molécula é . . .
a) um próton, um nêutron, e um elétron.
b) um gás, um líquido, ou um sólido.
c) um grupo de átomos que se mantém unidos pelas ligações entre si.
d) o ponto de ebulição da água.

3. Os três estados da matéria são . . .


a) leve, médio, pesado.
b) átomo, molécula, composto.
c) sólido, líquido, gasoso.
d) lento, médio, rápido.

4. Uma substância que possui volume constante em um


recipiente aberto, mas que não possui forma própria é
denominada um . . .
a) sólido.
b) líquido.
c) gás.
d) molécula.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 9

?
5. Se for aplicada pressão sobre um líquido, o ponto de
ebulição do mesmo...
a) permanece o mesmo.
b) aumenta.
c) diminui.
d) varia.

6. Se a pressão no oleoduto cair para 3 Kgf/cm2, o GLP


no oleoduto...
a) vaporizará.
b) se liqüefará.
c) interromperá seu fluxo.
d) explodirá.

7. Uma modificação no estado da matéria está sempre


associada a uma mudança em...
a) a quantidade de moléculas.
b) o tamanho das moléculas.
c) energia.
d) a estrutura molecular.

As respostas estão no final deste Módulo.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 11

SEÇÃO 2

FATORES QUE AFETAM O


DESEMPENHO DA LINHA
OBJETIVOS
• Definir os termos massa e peso
• Definir o termo viscosidade
• Explicar como a viscosidade afeta o movimento dos líquidos
no oleoduto.
• Definir o termo fluidez
• Definir o termo massa específica
• Explicar como a massa específica afeta o movimento dos líquidos
no oleoduto.
• Definir o termo densidade

PROPRIEDADES E
CARACTERÍSTICAS
DOS LÍQUIDOS
As propriedades físicas dos líquidos se combinam para definir suas
características. Os tipos de líquidos transportados por um oleoduto têm um
impacto sobre o projeto do sistema e sobre as condições de operação. Os óleos
pesados não fluem com a mesma facilidade que os óleos leves. Os óleos
pesados exigem uma pressão mais alta e mais bombas para vencer a perda por
atrito de um oleoduto. Os projetistas devem levar em consideração o
comportamento do líquido no oleoduto quando escolhem o diâmetro do duto, as

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12 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

espessuras das paredes, o espaçamento entre as estações intermediárias, o


equipamento de bombeamento, as necessidades de potência, as pressões de
operação e os procedimentos operacionais. As propriedades físicas de um
líquido afetam suas características de escoamento. As características de
escoamento são então levadas em consideração para otimizar o diâmetro, o
traçado as e as pressões de trabalho dos oleodutos.

MASSA E PESO
Massa e peso não são a mesma coisa. A massa é definida como a quantidade
de matéria que um objeto contém. A unidade de massa padrão do SI (Sistema
Internacional ou métrico) é o quilograma (kg).

Peso é a medida da força gravitacional exercida sobre um objeto. O peso é


medido por uma unidade denominada Newton (N), que descreve a massa de um
objeto multiplicada pela aceleração da gravidade.
Força da Gravidade = massa [m] x aceleração da gravidade [g]

kg x m2 = kg •2 m = N
s s
Um Newton portanto eqüivale a um kg . m/s2.
Por uma questão de conveniência, a massa de um objeto sobre a superfície da
Terra é igualada ao peso do objeto, de forma que a medida da massa de um
objeto e a medida do peso são geralmente equivalentes. Quando nos
deslocamos para fora da superfície terrestre, a diferença entre a massa e o peso
se torna mais aparente. Imagine uma pessoa cuja massa é 54 kg na superfície da
terra. Se a pessoa for para a lua, onde a força da gravidade é 1/6 em relação à
da Terra, sua massa não vai se modificar. Uma pessoa cuja massa de 54 kg pesa
529,2N na terra, onde a aceleração da gravidade é de 9,8 m/s2:

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 13

Gravidade (peso) = massa x aceleração

= 54 kg x 9,8 m/s2

= 529,2 N

Na lua, onde a aceleração da gravidade equivale a 1,6 m/s2, a mesma pessoa


com uma massa de 54 kg pesa 86,4 N:

Gravidade (peso) = massa x aceleração

= 54 kg x 1,6 m/s2

= 86,4 N

VISCOSIDADE
No dia-a-dia, a massa específica e a viscosidade são os fatores mais importantes
que afetam a operação de uma linha. Elas contribuem na maioria das mudanças
de pressão da linha, e conseqüentemente, na maior parte das ações do OCC para
controlar o movimento do líquido no oleoduto.

A viscosidade é definida como a propriedade de um líquido que descreve sua


resistência a fluir, ou, como a medida do atrito interno do líquido. Um líquido
com viscosidade alta não fluirá com a mesma facilidade que um líquido com
viscosidade baixa. O mel, por exemplo, possui uma viscosidade mais alta do
que a água, tende a mudar de forma com menos facilidade e a fluir muito mais
devagar do que a água.

A viscosidade e a massa específica não estão relacionadas. Dois líquidos podem


ter a mesma massa específica, mas apresentar viscosidades diferentes. Por
exemplo, o mercúrio é bastante denso, mas possui baixa viscosidade. A energia
necessária para vencer o atrito de um oleoduto representa um dos custos mais
significativos na sua operação.

Quando o líquido se move ao longo de um oleoduto, há atrito entre o líquido


que está na parede do oleoduto e a própria parede. Este atrito diminui a
velocidade do líquido ao longo da parede do oleoduto. Quanto mais alta for a

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14 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

viscosidade de um líquido, mais atrito ele produzirá contra a parede do


oleoduto.

A fluidez é o oposto da viscosidade. Enquanto a viscosidade é a propriedade de


um líquido que descreve sua resistência a fluir, a fluidez é a capacidade do
líquido de fluir. Um líquido com viscosidade alta também pode ser dito de
baixa fluidez, e reciprocamente, um líquido com baixa viscosidade também
pode ser dito de alta fluidez.

Figura 1-4
Queda de Pressão Devido à Viscosidade
Pressão

Estação A Estação B
Sentido do Fluxo

A Figura 1-4 mostra a pressão na linha entre duas estações de bombeamento A e


B. A pressão inicial em A é ditada pela pressão de sucção necessária em B e
depende da massa específica do líquido. A pressão cai entre as duas estações
devido ao atrito retorno do fluido (viscosidade) e a atrito do fluido com as
perdas do oleoduto.

MASSA ESPECÍFICA
A massa específica é definida como a massa de uma substância em proporção
ao volume e é designada pela letra grega r(rho). Para calcular a massa
específica, use a equação abaixo:
massa (M) [kg]
Massa específica (r) =
Volume (V) [m2]

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 15

A água a 4°C, por exemplo, possui uma massa específica de 1000 kg/m3. Isto
significa que a 4°C um volume de 1 m3 de água possui uma massa de 1000 kg:
massa (kg)
r =
volume (m3)

100 kg
r =
1 m3

r = 1000 kg/m3

Suponha que um tanque contém 630 m3 de um óleo cru pesado com uma massa
de 579 600 kg. A massa específica, então, é:
massa (kg)
r =
volume (m3)

5796 kg
r =
63 m3

r = 920 kg/m3

Quando se diz que o chumbo é "mais pesado" do que a água, ou se fala de óleos
crus "leves" e "pesados", está se falando da massa específica das substâncias.
Para ilustrar a massa específica, imagine dois recipientes que possuam o mesmo
volume. O primeiro recipiente está cheio de água e o segundo recipiente está
cheio de chumbo. O chumbo possui uma massa específica mais alta do que a
água, o que significa que o recipiente que contém chumbo contém mais massa
do que aquele que contém água

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16 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

Água

Chumbo
Figura 1-5 Volumes Iguais de Chumbo e Água
Apesar do chumbo e da água possuírem o mesmo volume, o chumbo tem mais
massa do que a água.

A água é menos densa do que o chumbo. Um volume maior de água do que de


chumbo se faz necessário para obter a mesma massa.
A força ou energia necessária para colocar e manter um líquido em movimento
está relacionada à massa e à massa específica do mesmo. Um óleo cru pesado,
por exemplo, exige mais energia para subir um plano inclinado do que um óleo
cru leve menos denso.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 17

Chumbo Água
Figura 1-6 Massas Iguais de Água e Chumbo.
Como a água é menos densa do que o chumbo, se faz necessário um volume
maior de água para igualar a massa de um volume menor de chumbo.

low
P high

Descarga

Sucção

Petróleo Pesado

low
P high

Descarga

Sucção

Petróleo Leve

Figura 1-7 - Bombeamento de óleo pesado


É necessária mais força ou energia para mover um óleo pesado para um nível
mais alto. Devido ao óleo pesado possuir maior massa específica do que o óleo
leve, a bomba irá trabalhar mais pesado, produzindo maiores pressões, e
consumindo mais quilowatts de potência.

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18 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

DENSIDADE
Os termos massa específica e densidade são freqüentemente usados
indistintamente, mas eles não possuem o mesmo significado. A massa
específica é a massa por unidade de volume. A Densidade (sG) compara a
massa específica de qualquer líquido à massa específica da água, estando
ambos à temperatura de referência de 15°C. Os OCC devem compreender a
relação entre a massa específica e a densidade, porque é freqüentemente
necessário fazer a conversão de uma para a outra.

Uma vez mais, massa específica é a massa de uma substância dividida pelo seu
volume. Se o volume de um óleo leve for 25 m3 e sua massa 15 750 kg, sua
massa específica será 15 750 / 25 = 630 kg/m3. A temperatura padrão usada na
indústria petroleira é 15°C à pressão atmosférica de (101.3 kPa). A massa
específica da água pura a 15°C é 999, 1 kg/m3. A densidade do óleo cru em
relação à água a 15°C seria:

massa específica do óleo cru a 15º C


sG =
massa específica da água a 15º C

630 kg/m3
sG =
999,1 kg/m3

sG = 0,631

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 19

REVISÃO 2 ?
1. Massa é definida como a. . .
a) medida da força da gravidade exercida sobre um objeto.
b) massa específica de um objeto.
c) quantidade de matéria em um objeto.
d) quantidade total de espaço que um objeto ocupa.

2. Peso é definido como a...


a) medida da força da gravidade exercida sobre um objeto.
b) massa específica de um objeto.
c) quantidade de matéria em um objeto.
d) uantidade total de espaço que um objeto ocupa.

3. A massa específica é a massa de uma substância em


relação à/ao . . .
a) volume.
b) peso.
c) viscosidade.
d) densidade.

4. O termo viscosidade se refere à capacidade de um líquido se. .


a) expandir.
b) dissolver.
c) vaporizar.
d) resistir o fluxo.

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20 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

? 5. Um produto com alta fluidez possui . . .


a) baixa resistência ao fluxo.
b) alta massa específica.
c) baixo volume.
d) alta resistência ao fluxo.

6. O termo densidade se refere a . . .


a) a massa específica de um substância a 0°C.
b) a massa específica de um líquido a 15°C comparada à massa específica
da água a 15°C.
c) o volume de um líquido a 15°C comparado ao volume da mesma massa
de água a 15°C.
d) a massa específica de uma substância a 15°C.

7. Se um produto a 15°C apresenta uma massa específica de


700 kg/m3, a densidade do produto é . . .
a) 0,350
b) 3,50
c) 7,01
d) 0,701
8. Como se pode comparar a massa de uma substância na lua
à sua massa na terra?
a) maior na lua
b) maior na terra
c) a mesma
d) depende da substância

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 21

9. Um tanque contendo 500 m3 de uma mistura com massa de


412 500 kg tem uma massa específica de . . .
?
a) 500 kg/m3.
b) 804 kg/m3.
c) 825 kg/m3.
d) 525 kg/m3.

10. Um líquido com viscosidade alta . . .


a) terá uma massa específica alta.
b) mudará de forma rapidamente.
c) terá fluidez alta.
d) terá um fluxo lento.

As respostas estão no final deste Módulo.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 23

SEÇÃO 3

PONTO DE FLUIDEZ,
COMPRESSIBILIDADE, PRESSÃO
DE VAPOR E SOLUBILIDADE

OBJETIVOS
• Definir o termo ponto de fluidez
• Definir o termo compressibilidade
• Definir o termo pressão de vapor
• Definir o termo solubilidade

PONTO DE FLUIDEZ
O ponto de fluidez de um líquido é a temperatura mais baixa à qual o líquido
ainda escoará ou fluirá. Quando óleos crus são resfriados abaixo dos seus
pontos de fluidez, eles se congelam e não fluirão ao longo do oleoduto a menos
que se aplique uma pressão extra. Apesar de que um óleo cru pesado possa estar
em um estado de congelamento ou "plástico" abaixo de 3°C, ele ainda pode
fluir, se receber suficiente energia de bombeamento. Para economizar energia, a
temperatura do produto deve ser mantida acima do ponto de fluidez. Os
depressores do ponto de fluidez são substâncias químicas que misturadas aos
óleos crus diminuem o ponto de fluidez, de forma a permitir o seu
bombeamento em baixas temperaturas.

O óleo cru pode ser bombeado a temperaturas abaixo do ponto de fluidez, mas
isto exige mais energia. Apesar de não haver uma modificação significativa na
massa específica abaixo do ponto de fluidez, será necessária mais força para
vencer a viscosidade do produto.

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24 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

COMPRESSIBILIDADE
Compressibilidade é a extensão à qual um líquido pode ser comprimido. Da
mesma forma que todos os tipos de matéria, os líquidos podem ser comprimidos
se submetidos à pressão suficiente. Apesar das moléculas em um líquido
estarem próximas, as moléculas podem ser espremidas para ficarem ainda mais
perto se for aplicada pressão ao líquido. Uma mudança na pressão aplicada a
um líquido modifica o seu volume. O aumento da pressão diminui o volume do
líquido e a diminuição da pressão aumenta o volume do líquido. Por exemplo, o
GLP (Gás Liqüefeito de Petróleo) pode se expandir e se contrair
aproximadamente de 1% a 2% a 15°C, dependendo da quantidade de pressão
aplicada. É importante saber o quanto um líquido é capaz de se comprimir a
uma determinada pressão, de tal forma que o volume possa ser ajustado à
pressão padrão. A expansão e a compressibilidade do GLP são considerações
operacionais importantes no sistema de oleodutos. O GLP deve ser mantido a
uma pressão suficiente para permanecer liqüefeito.

PRESSÃO DE VAPOR
Pressão de vapor é definida como a pressão acima da qual o líquido não
vaporizará mais. É a pressão que mantém o líquido e seu vapor em equilíbrio a
uma dada temperatura.

Os líquidos que, da mesma forma que a água, são formados de um única


substância possuem pressões de vapor fixas a uma determinada temperatura. Os
líquidos como a gasolina e condensados são formados de vários componentes
diferentes. Cada um destes componentes possui uma pressão de vapor distinta.

A pressão de vapor aumenta exponencialmente com a temperatura. A Pressão


de Vapor Reid representa a pressão de vapor de um líquido à temperatura padrão
de 37.8°C. Um líquido com pressão de vapor alta, vaporiza facilmente. É
importante manter um produto como o GLP sob uma pressão mínima para
mantê-lo sempre no estado líquido. Quando a temperatura do solo próximo ao
oleoduto aumentar (como no verão em climas muito quentes, por exemplo), será
necessária uma pressão maior para evitar que o líquido vaporize.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 25

SOLUBILIDADE
Solubilidade é a capacidade de uma da substância ser dissolvida. O açúcar, por
exemplo, se dissolve rapidamente na água, portanto ele tem solubilidade alta em
relação à água. A maioria dos óleos crus e dos derivados de petróleo se
dissolvem facilmente uns nos outros, motivo pelo qual o OCC deve manter os
líquidos escoando com uma vazão acima da velocidade crítica recomendada.
Quando o fluxo de um líquido está acima da velocidade crítica, o líquido
próximo ao centro do tubo não se move adiante do resto do líquido e se dissolve
com o próximo líquido do oleoduto.

Figura 1-8 Substâncias que Saem de uma


Solução
A solubilidade é influenciada pela pressão e pela
temperatura. Ocorrerão modificações na mistura
devido às mudanças de pressão ou temperatura.
Devem ser tomadas precauções para evitar ou
controlar estas modificações.

Durante o resfriamento, qualquer substância


dissolvida no óleo cru será separada da solução e
se precipitará para o fundo do recipiente. Estas
substâncias incluem parafina, asfalto e água.

Muitas substâncias são solúveis em produtos que se deslocam no oleoduto.


Água, parafina e asfalto, por exemplo, são solúveis em óleo cru. A solubilidade
de uma substância diminui com a queda de temperatura. Quando um óleo sai
do solo, ele contém dissolvido em si impurezas como água, asfalto e outras
substâncias. À medida que o óleo esfria e fica em repouso, estas impurezas se
separam da solução na forma de suspensão e se precipitam no fundo do
recipiente. Estes depósitos são então denominados sedimento básico e água
(BS&W) e devem ser removidos antes de que o óleo entre no oleoduto. O
resfriamento natural e a decantação podem ser lentos na separação de BS&W.

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26 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

O óleo geralmente é tratado em estações de tratamento especiais para acelerar o


processo. Calor, precipitadores eletrostáticos e agentes químicos são então
usados para separar os sedimentos e a água do óleo.

Alguns óleos crus contêm parafina, parafina pesada ou materiais asfálticos


mesmo depois do tratamento. Estes materiais podem ficar depositados nas
paredes do oleoduto, prejudicando o escoamento e devem ser raspados.

Os óleos crus também podem conter compostos de enxofre dissolvidos. O


sulfeto de hidrogênio (H2S) é o mais perigoso dentre esses compostos e faz com
que o óleo fique com a característica de odor desagradável. Os cheiro, os óleos
crus que contém H2S são denominados óleos crus corrosivos.
ADVERTÊNCIA: O H2S é altamente tóxico mesmo em baixas concentrações.
A separação do H2S do óleos crus através da vaporização constitui uma
ameaça séria para a vida humana e animal. Qualquer indivíduo que
trabalhe diretamente com óleos crus deve estar completamente
familiarizado com a legislação do governo e com a política da empresa
com relação a práticas seguras de trabalho em áreas onde há presença de
H2S. O H2S, em combinação com a água, forma o ácido sulfúrico
(H2SO4) – uma substância altamente corrosiva. Se ele ficar depositado,
pode corroer um duto. A corrosão leva a um acúmulo de crosta nas
paredes do oleoduto, reduzindo a vazão. Em pontos onde a parede do
duto esteja mais tencionada pode ocorrer também a “Corrosão sob
pressão na presença H2S”, que pode levar ao rompimento do duto. A
forma mais efetiva de controlar a corrosão é assegurar-se de que o óleo
esteja sempre acima da velocidade crítica, a qual mantém a água em
suspensão.

CUIDADO: O H2S é altamente tóxico mesmo em pequenas concentrações. O


H2S separado dos óleos crus através da vaporização é uma ameaça séria
à vida humana e animal. Qualquer um que trabalhe diretamente com
óleos crus corrosivos deve estar completamente familiarizado com as
regulamentações governamentais e com as práticas de segurança do
trabalho da PETROBRÁS.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 27

REVISÃO 3 ?
1. O termo ponto de fluidez se refere a. . .
a) a pressão mais alta sob a qual o líquido é capaz de escoar.
b) a pressão mais baixa sob a qual o líquido é capaz de escoar.
c) a temperatura mais baixa à qual o líquido é capaz de escoar.
d) a temperatura mais alta à qual o líquido é capaz de escoar.

2. O termo pressão de vapor se refere à pressão. . .


a) acima da qual um gás não se condensará.
b) acima da qual um líquido não se vaporizará mais.
c) sob a qual um líquido aquecido a 100°C entrará em ebulição.
d) abaixo da qual um líquido não se vaporizará mais.

3. O termo compressibilidade se refere à tendência de um


líquido a __________ quando sujeito a pressão alta.
a) aumentar seu volume
b) reduzir seu volume
c) aumentar sua temperatura
d) reduzir sua temperatura

4. O termo solubilidade se refere à capacidade de um/uma . . .


a) substância ser dissolvida.
b) substância dissolver outra substância.
c) gás de fluir.
d) líquido de fluir.

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28 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

? 5. Para evitar que materiais dissolvidos em um produto se


separem e corroam as paredes do duto deve-se. . .
a) manter a vazão baixa.
b) usar a pressão tão alta quanto possível para manter o produto escoando
o mais depressa possível.
c) manter a vazão acima da velocidade crítica.
d) variar a vazão de lenta para rápida e de rápida para lenta.

6. Os óleos crus são denominados “corrosivos” quando contém . .


.
a) H2O.
b) sedimentos.
c) O2.
d) H2S.

7. O H2S é. . .
a) tóxico mesmo em pequenas quantidades.
b) corrosivo ao aço na presença de água ou tensões.
c) dissolvido nos óleos crus corrosivos.
d) todos os itens acima.

8. Espremer uma bola de encher com água até ela estourar seria
uma demonstração da propriedade de . . .
a) pressão de vapor.
b) condensação.
c) compressibilidade.
d) Pressão de Vapor Reid.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 29

9. É importante manter o óleo cru acima do seu ponto de


fluidez porque. . .
?
a) ele exige menos energia para ser bombeado
b) a temperaturas mais baixas, ele se congela e se transforma em plástico.
c) do contrário, não fluirá.
d) a temperaturas mais baixas, ele possui viscosidade mais baixa.

10. Acrescentar sal à água é um exemplo de . . .


a) viscosidade.
b) compressibilidade.
c) volatilidade.
d) solubilidade.

As respostas estão no final deste Módulo.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 31

SEÇÃO 4

OS EFEITOS DA TEMPERATURA
E DA PRESSÃO SOBRE OS
LÍQUIDOS

OBJETIVOS
• Definir o termo expansão térmica
• Explicar como a expansão térmica afeta a medição dos líquidos que escoam
através do oleoduto
• Definir o termo volatilidade
• Definir o termo ponto de fulgor
• Descrever as propriedades e o comportamento do GLP (Gás Liqüefeito de
Petróleo) no oleoduto

INTRODUÇÃO
Todas as propriedades dos líquidos e suas características de fluidez são afetadas
pela temperatura. Lembre-se de que a atividade molecular nos líquidos aumenta
com a elevação da temperatura. À medida que a temperatura aumenta:

• volume de um líquido aumenta


• densidade de um líquido diminui
• os líquidos acabam vaporizando

O aquecimento do óleo cru melhora suas características de fluidez. Três tipos


de atrito podem aumentar a temperatura de um líquido dentro do oleoduto.

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32 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

• atrito da linha
• atrito na bomba
• atrito da válvula de controle da pressão (PCV)
Se um óleo cru passar através de várias bombas e por muitas PCV's no seu
percurso pelo oleoduto, o atrito causado por estes equipamentos aumentará a
temperatura do óleo cru significativamente. Da mesma forma, o atrito é
causado quando o óleo cru raspa contra a parede interna do oleoduto. Como o
atrito está relacionado com a velocidade, quanto mais rápido o líquido se deslo-
car, mais calor será produzido devido ao atrito.

EXPANSÃO TÉRMICA
Expansão térmica é a propriedade dos líquidos se expandirem à medida que a
sua temperatura aumenta. Por haver muitas fontes de calor no oleoduto, com
freqüência chega ao destino um volume de óleo cru maior do que foi
originalmente enviado. A massa de óleo cru não se modificou - ainda existe a
mesma quantidade de óleo cru chegando ao ponto de destino, porém ele ocupa
mais espaço. Por exemplo, a menos que o volume seja corrigido para um
padrão de 15°C para calcular a expansão e a contração térmicas, uma batelada
pode começar no princípio do oleoduto com um volume de 40 000 m3 e chegar
ao seu ponto de destino com um volume de 40 300 m3.

O resfriamento também afeta o volume. O óleo cru pode ser resfriado pela
temperatura baixa do solo à medida que passa pelo oleoduto. Se o líquido não
passar através de muitas bombas no seu percurso, sua temperatura cai e, por
isso, seu volume diminui.

Se um óleo cru não puder se mover no oleoduto e a sua temperatura aumentar, a


pressão aumentará porque o óleo cru não tem espaço para se expandir. Poderá
ocorrer uma ruptura em trechos isolados da linha se a temperatura aumentar e
não houver válvulas de alívio térmico. Especialmente o tubo sem uma
flexibilidade adequada.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 33

A massa específica e a temperatura de um líquido devem ser determinadas


quando ele entra no oleoduto. O volume das bateladas se expande com a
elevação da temperatura e se contrai com seu declínio. Os valores observados
para densidade e massa específica são corrigidos para os valores padrão da
indústria petrolífera a 15°C. É importante determinar a quantidade exata de um
derivado de petróleo à temperatura padrão para ter certeza de que a transferên-
cia de custódia entre duas empresas está correta.

A expansão e a contração devido às variações de temperatura devem ser


corrigidas para 15°C para estabelecer seu verdadeiro volume a cada vez que
uma batelada muda de mãos. 9 0

8 0

7 0

6 0

Figura 1-9 Termodensímetro 5 0

4 0
Um termodensímetro é usado para determinar a temperatura e a densidade
3 0

dos derivados de petróleo. 2 0

1 0

VOLATILIDADE
A Volatilidade é a tendência de uma substância a vaporizar. Quanto maior a
sua volatilidade, mas rapidamente o líquido vaporiza. Um líquido em um
recipiente aberto gradativamente se transforma em vapor quando exposto à
atmosfera. Se uma pequena quantidade de álcool (que possui volatilidade alta)
for exposta ao ar, vaporizará rapidamente. O óleo diesel precisa de um período
maior para vaporizar, enquanto a água, que possui uma volatilidade mais baixa,
vaporiza ainda mais lentamente.

Os seguintes valores de Pressões de Vapor Reid sugerem líquidos de volatili-


dade baixa, média e alta:

Volatilidade baixa (diesel, querosene): Menos que 0,08 kgf/cm2


Volatilidade média (gasolina): De 0,08 a 0,4 kgf/cm2
Volatilidade alta (óleos crus): Mais que 0,4 kgf/cm2

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34 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

PONTO DE FULGOR
Ponto de fulgor é a temperatura à qual o líquido libera uma quantidade
suficiente de vapor que em mistura com o ar que pode se inflamar na presença
de uma chama. Um líquido com volatilidade alta possui ponto de fulgor baixo e
um líquido com volatilidade baixa possui ponto de fulgor alto. Por exemplo,
um líquido muito volátil e inflamável como o GLP possui um ponto de fulgor
baixo.

CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS DO GLP


O GLP, gás liqüefeito de petróleo na sua forma líquida (uma mistura
principalmente de propano e butano com quantidades limitadas de
condensados), por definição significa gás natural liqüefeito. No oleoduto, o
GLP é mantido sob pressão alta no estado líquido e é altamente volátil. Quando
a pressão que mantém o GLP liqüefeito cai abaixo da pressão de vapor, o GLP
imediatamente se transforma em gás. Este gás tem um volume 200 vezes maior
do que o do líquido, sendo extremamente inflamável. É obrigatório que o GLP
seja mantido a pressão suficiente para não vaporizar.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 35

REVISÃO 4 ?
1. O termo expansão térmica se refere à propriedade de um
líquido de ________ quando a temperatura aumenta.
a) aumentar de volume
b) diminuir de volume
c) aumentar de densidade
d) diminuir em viscosidade

2. A temperatura padrão para o cálculo do volume é . . .


a) 0°C.
b) 15°C.
c) 45°C.
d) 100°C.

3. A tendência de uma substância a vaporizar é denominada . . .


a) massa específica.
b) ponto de fulgor.
c) volatilidade.
d) pressão de vapor.

4. Um produto com pressão de vapor alta possui um ponto de


fulgor________ .
a) baixo
b) variante
c) alto

5. O ponto de fulgor do GLP é . . .


a) baixo.
b) médio.
c) alto.
d) variante.

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36 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

? 6. A temperatura de um líquido no oleoduto é elevada por . . .


a) a expansão do produto.
b) uma volatilidade maior.
c) o atrito da linha.
d) pressões de vapor mais altas.

7. Quanto mais rápido um óleo cru se deslocar. . .


a) mais calor é produzido.
b) menos ele vaporizará.
c) mais a massa aumenta.
d) menor volume ele possui.

8. A quantidade exata de um derivado de petróleo à


temperatura padrão deve ser conhecida . . .
a) para determinar a temperatura ambiente.
b) porque o produto pode se expandir e se contrair.
c) para determinar o ponto de fluidez.
d) para poder ajustar a volatilidade.

9. O ponto de fulgor de um óleo cru é _____ em relação


ao do GLP.
a) alto
b) baixo
c) médio
d) não existente

10. Se o GLP não for mantido sob pressão ele é um . . .


a) sólido.
b) líquido.
c) gás.

As respostas estão no final deste Módulo.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 37

RESUMO
• Os átomos consistem de elétrons, que possuem carga negativa, prótons, que
possuem carga positiva e nêutrons, que não possuem carga elétrica. Os
átomos podem se combinar para formar moléculas.

• Um sólido possui tanto forma quanto volume definidos. Um líquido possui


volume fixo, mas não possui forma própria. Um gás não tem nem forma nem
volume definidos.

• A pressão afeta a quantidade de energia necessária para solidificar ou


vaporizar a matéria. Pressões altas dificultam que a matéria vaporize;
pressões baixas dificultam que a matéria se solidifique.

• Se a pressão exercida sobre um líquido aumenta, o ponto de ebulição desse


líquido aumentará.

• As bombas precisam de mais energia para bombear óleo cru pesado para um
nível mais alto do que para bombear um óleo cru leve, com as mesmas perdas
devido ao atrito. A energia de bombeamento depende tanto do perfil da
elevação planialtimétrico quanto das perdas devido ao atrito.

• A viscosidade determina a perda de energia entre estações de bombeamento,


enquanto que a massa específica afeta a pressão da bomba.

• A massa específica (r) é a massa (M) de uma substância dividida pelo seu
volume (V): r = M/V.

• A densidade compara a massa específica de qualquer líquido à massa


específica da água, estando ambos à temperatura de referência de 15°C.

• Para economizar energia, os produtos devem ser mantidos a temperaturas


acima dos seus pontos de fluidez.

• Os líquidos podem ser comprimidos. Uma mudança na pressão produz uma


modificação no volume do líquido.

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38 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

• A pressão de vapor afeta a quantidade de pressão necessária para bombear


determinados tipos de produtos como o GLP. Estes produtos devem sempre
ser mantidos a pressões acima da pressão de vapor para evitar a sua expan-
são acidental e potencialmente perigosa.

• Os óleos crus geralmente possuem sedimentos e água dissolvidos neles. Estas


substâncias, como a parafina ou os materiais asfálticos, podem se depositar
nas paredes do oleoduto, prejudicando o escoamento.

• O H2S é altamente tóxico. Qualquer indivíduo trabalhando com óleos crus e


gás corrosivos deve estar plenamente familiarizado com as leis
governamentais e com a política da empresa com relação às práticas seguras
de trabalho nas áreas a eles destinadas.

• O volume de um líquido aumenta com a elevação da temperatura. Os


volumes dos líquidos devem sempre ser corrigidos para o volume à
temperatura padrão de 15°C.

• A volatilidade de um líquido é sua tendência a vaporizar quando


exposto ao ar.

• Um líquido com pressão de vapor baixa possui um ponto de fulgor alto,


enquanto que um líquido com pressão de vapor alta possui um ponto de
fulgor baixo.

• O GLP (Gás Liqüefeito de Petróleo) é mantido na forma líquida no oleoduto


pela pressão alta.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 39

GLOSSÁRIO
Atrito de um Fluido A medida do atrito interno de um líquido.
Também denominado “viscosidade”, é a
propriedade do líquido que descreve sua
resistência a fluir.

Compressibilidade A extensão à qual um líquido pode


ser comprimido.

Densidade Compara a massa específica de qualquer líquido à


massa específica da água com ambos à
temperatura de referência de 15°C.

Depressores Substâncias químicas que diminuem o ponto de


fluidez dos óleos crus.

Expansão Térmica Uma propriedade dos líquidos que define que à


medida que a temperatura aumenta, seu volume
aumenta, e sua densidade diminui.

Fluidez A capacidade de um fluido de fluir.

Massa A quantidade de matéria que um objeto contém.

Massa específica A massa de um objeto por unidade de volume.

Matéria Qualquer tipo de substância.

Óleo Cru Corrosivo Óleo contendo sulfeto de hidrogênio altamente


tóxico (H2S). Ele possui um odor desagradável
característico. Peso A medida da força da
gravidade exercida sobre um objeto.

Ponto de fluidez A temperatura mais baixa à qual um líquido


escoará ou fluirá.

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40 PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS

Ponto de fulgor A temperatura à qual um líquido libera vapor


que em mistura com o ar pode se inflamar na
presença de uma chama.

Pressão A quantidade de força (F) exercida sobre uma


unidade de área (A) de uma superfície.

Pressão de Vapor A pressão acima da qual um líquido não


vaporizará mais. É a pressão que mantém
um líquido e seu vapor em equilíbrio a uma
dada temperatura.

Sedimentos Básicos Impurezas no óleo cru tais como areia, água,


asfalto e outras

Sedimentos e Água (BS&W) substâncias que aparecem em suspensão ou


solução e depois se depositam no fundo do
recipiente quando o óleo esfria.

Solubilidade A capacidade de uma substância ser dissolvida.

Velocidade Crítica A velocidade de um líquido no oleoduto abaixo


da qual os materiais dissolvidos e em suspensão
se depositam no tubo. (Esta velocidade é
diferente da velocidade crítica que define a
transição do escoamento laminar ao turbulento
conforme discutido no Módulo 2.)

Viscosidade A propriedade de um líquido que descreve sua


resistência a fluir, ou, a medida do atrito interno
de um líquido. É às vezes denominado atrito de
um fluido.

Volatilidade A tendência de uma substância a vaporizar.

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PROPRIEDADES DOS LÍQUIDOS 41

RESPOSTAS
REVISÃO 1 REVISÃO 3
1. d 1. c
2. c 2. b
3. c 3. b
4. b 4. a
5. b 5. c
6. a 6. d
7. c 7. d
8. c
9. a
10. d

REVISÃO 2 REVISÃO 4
1. c 1. a
2. a 2. b
3. a 3. c
4. d 4. a
5. a 5. a
6. b 6. c
7. d 7. a
8. c 8. b
9. c 9. a
10. d 10. c

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