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Pavimentos Aligeirados de Vigotas Pré-


esforçadas

Technical Report · June 2003


DOI: 10.13140/RG.2.1.2131.5041

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Jorge de Brito
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INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

MESTRADO AVANÇADO EM CONSTRUÇÃO E


REABILITAÇÃO

CADEIRA DE CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

PAVIMENTOS ALIGEIRADOS DE VIGOTAS PRÉ-


ESFORÇADAS

Jorge de Brito

Junho de 2003
ÍNDICE

1. Introdução 1
2. Soluções tradicionais de pavimentos 4
2.1. Soluções tradicionais 4
2.2. Soluções não tradicionais em betão 6
3. Pavimentos de vigotas de betão pré-esforçado 14
3.1. Elementos constituintes 14
3.2. Campo de aplicação 16
3.3. Vantagens e desvantagens 16
4. Processo de fabrico 18
4.1. Armazenamento e dosagem dos agregados 18
4.2. Limpeza das pistas 18
4.3. Colocação dos fios de aço 19
4.4. Aplicação do pré-esforço 21
4.5. Moldagem 22
4.6. Cura 23
4.7. Transmissão do pré-esforço dos fios para o betão 24
4.8. Corte das vigotas 25
4.9. Levantamento, transporte e armazenamento das vigotas 26
4.10. Fabrico dos blocos de cofragem de betão 27
4.11. Patologia na fase de fabrico 28
4.11.1. Resistência do betão à compressão 28
4.11.2. Pré-esforço nas vigotas 29
4.11.3. Posicionamento das armaduras 30
4.11.4. Outras falhas 31
4.11.5. Reutilização de vigotas defeituosas 31
5. Controlo de qualidade no fabrico 33
5.1. Exigências que os elementos constituintes dos pavimentos devem satisfazer 34
5.1.1. Vigotas 34
5.1.2. Blocos de cofragem 35
5.1.3. Betão complementar 36
5.1.4. Armadura de distribuição 36
5.1.5. Recepção em obra dos elementos prefabricados 37
5.2. Exigências funcionais 37
5.2.1. Segurança estrutural 37
5.2.2. Durabilidade 38
5.2.3. Resistência ao fogo 38
5.2.4. Isolamento térmico 39
5.2.5. Estanqueidade 40
5.2.6. Isolamento acústico 41
5.2.7. Regras complementares 42
5.3. Ensaios laboratoriais 43
5.3.1. Ensaios de flexão 44
5.3.2. Ensaios de penetração 46
5.3.3. Ensaios de solidarização 46
5.3.4. Ensaios de choque 47
6. Montagem em obra 48
7. Disposições construtivas e de projecto 53
7.1. Armadura de distribuição 53
7.2. Tarugos 53
7.3. Apoios com continuidade estrutural 53
7.4. Apoios sem continuidade estrutural (simples) 54
7.5. Paredes divisórias 55
7.6. Cargas suspensas 56
7.7. Aberturas 56
7.8. Consolas 56
7.9. Apoios em suspensão 58
8. Dimensionamento de pavimentos não tradicionais 59
8.1. Introdução breve sobre acções e combinações de cálculo 59
8.2. Cálculo de lajes aligeiradas de vigotas pré-esforçadas 61
9. Bibliografia 67
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Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito

PAVIMENTOS ALIGEIRADOS DE VIGOTAS PRÉ-ESFORÇADAS

1. INTRODUÇÃO

A pré-fabricação, total ou parcial, segundo métodos industriais de fabrico em série, surgiu


como alternativa às soluções betonadas in-situ, trazendo vantagens na redução dos tempos de
execução, nos custos de mão-de-obra, na qualidade final dos elementos e no aligeiramento
estrutural (Fig. 1). No entanto, requer, para ser viável e efectiva, dois factores importantes:
uma perfeita coordenação modular entre os diversos elementos e uma produção
suficientemente grande que permita a amortização das instalações dispendiosas, necessárias
para o fabrico dos vários elementos.

Fig. 1 - Construção modulada (à esquerda) e montagem de elementos pré-fabricados para


execução de paredes exteriores (ao centro e à direita)

Pode-se dizer que o conceito de “pré-fabricação” já vem do tempo dos egípcios e dos
romanos (Fig. 2, à esquerda), pois estes construíam com elementos previamente executados e
depois montados em obra. Hoje em dia, a indústria de elementos pré-fabricados para
pavimentos e coberturas de edifícios de habitação de pequena a média escala, iniciada em
Portugal nos anos 40, sem sido dominada pela produção de vigotas pré-esforçadas (Fig. 2, à
direita) e abobadilhas cerâmicas ou de betão. Contudo, existem outras tipologias de elementos
pré-fabricados, tais como as vigotas de betão armado, as pranchas de betão armado e de betão
pré-esforçado, e as pré-lajes vazadas e de betão armado. Relativamente aos materiais
utilizados em elementos de aligeiramento, tem-se as abobadilhas de barro vermelho, os blocos

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de betão leca (argila expandida) e, mais raramente, os blocos de betão normal ou de betão
celular autoclavado.

Fig. 2 - Exemplo arcaico de pré-fabricação (à esquerda) e vigotas de betão pré-esforçado (à


direita)

Este documento pretende servir de apoio aos alunos do Mestrado Avançado em Construção e
Reabilitação do Instituto Superior Técnico na Cadeira de Construção de Edifícios. Foca parte
do capítulo dessa mesma cadeira dedicado às soluções não tradicionais de pavimentos e
escadas que, tal como toda a restante matéria, se restringe fundamentalmente aos edifícios
correntes. Dentro deste capítulo, insere-se nos pavimentos pré-fabricados aligeirados à base
de vigotas de betão pré-esforçado (e, com menor ênfase, armado) e elementos de
aligeiramento cerâmicos ou de betão. De fora ficam outras soluções de pavimentos não
tradicionais total ou parcialmente pré-fabricadas, como as pranchas vazadas e as pré-lajes,
tratadas em documentos independentes, respectivamente [1] e [2].

A elaboração deste documento não resultou de investigação específica sobre o tema efectuada
pelo seu Autor mas sim de alguma pesquisa bibliográfica, da consulta dos profissionais do
sector e de monografias escritas realizadas por alunos do Instituto Superior Técnico, na
Licenciatura em Engenharia Civil e no Mestrado em Construção. Assim, muita da informação
nele contida poderá também ser encontrada nos seguintes textos, que não serão citados ao
longo do texto:

 Filipe Lopes, “Estruturas de Edifícios Prefabricados. Soluções Não Tradicionais. Vigotas

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Pré-Esforçadas”, Monografia apresentada no 12º Mestrado em Construção, Instituto


Superior Técnico, 2003, Lisboa;
 António Hipólito, Nuno Chang Ho, Ricardo Luís e Rui Godinho, “Pavimentos Não
Tradicionais: Soluções à Base de Vigotas de Betão Armado e de Betão Pré-Esforçado”,
Monografia apresentada na Licenciatura de Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico,
1998, Lisboa;
 Inês Pinto, Pedro Gama, Rui Dias e Helena Correia, “Soluções Não Tradicionais de
Pavimentos à Base de Vigotas de Betão Armado e Pré-Esforçado”, Monografia
apresentada na Licenciatura de Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, 2000,
Lisboa;
 Jorge Marques, José Rino, Nuno Sousa e Rodolfo Serrano, “Pavimentos Não Tradicionais
de Vigotas Armadas e Pré-Esforçadas”, Monografia apresentada na Licenciatura de
Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, 2000, Lisboa;
 António Quintão, Isabel Correia e Teresa Santo, “Pavimentos Não Tradicionais: Soluções
à Base de Vigotas de Betão Armado e Pré-Esforçado”, Monografia apresentada na
Licenciatura de Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, 2001, Lisboa;
 Filipe Maurício, João Fonseca e Luís Godinho, “Pavimentos Não Tradicionais de Vigotas
Armadas e Pré-Esforçadas”, Monografia apresentada na Licenciatura de Engenharia Civil,
Instituto Superior Técnico, 2002, Lisboa.

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2. SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS DE PAVIMENTOS

2.1. SOLUÇÕES TRADICIONAIS

As soluções tradicionais de pavimentos (betonadas in-situ) são fundamentalmente de dois


tipos: as lajes vigadas maciças (Fig. 3) e as lajes fungiformes (Fig. 4).

Fig. 3 - Laje maciça vigada corrente (em cima) e laje maciça nervurada (em baixo)

 0.15 m

 0.225 m

Fig. 4 - Lajes fungiformes: maciças (em cima), aligeiradas com moldes recuperáveis (ao
meio) e recuperáveis com moldes perdidos (em baixo)

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As lajes vigadas maciças tradicionais são elementos resistentes horizontais ou quase, sem ali-
geiramento, apoiados em vigas ou paredes e betonados in-situ, em que uma das dimensões, a
espessura normalmente constante, é muito inferior às restantes. Do seu campo de aplicação
constam: os vãos pequenos a médios; os pavimentos em que existem cargas concentradas não
negligenciáveis aplicadas no pavimento; as configurações irregulares em planta; os pavimen-
tos em regiões sísmicas e edifícios de médio a grande porte. Sobretudo em pontes e viadutos,
recorre-se bastante a lajes maciças nervuradas, em que as nervuras funcionam como vigas.

As lajes fungiformes são elementos resistentes horizontais, apoiados directamente em pilares


ou paredes, em que uma das dimensões, a espessura que é constante, é muito inferior às
restantes. São solução de pavimento para vãos médios a grandes (escritórios, comércio,
armazéns), quando existem elementos resistentes verticais não alinhados ou se pretende maior
liberdade de colocação de divisórias ou tectos planos.

Podem ser maciças ou aligeiradas e, dentro destas, de moldes recuperáveis ou perdidos. As


primeiras são uma solução económica para vãos de 5 a 7 m, podendo, com pré-esforço,
chegar a vãos superiores a 12 m. O comportamento é menos bom às acções sísmicas
(necessidade de recorrer a paredes resistentes). As segundas e terceiras são uma solução
económica para vãos de 6 a 10 m, podendo, com pré-esforço, atingir mais de 20 m. O
comportamento é menos bom às acções sísmicas ainda que um pouco melhor que o das lajes
fungiformes maciças. Os moldes recuperáveis são geralmente plásticos. Os moldes perdidos
são normalmente de betão leve, podendo também ser vazados (as soluções de moldes de
cartão são inadequadas).

O problema do punçoamento pode ser resolvido recorrendo a lajes de espessura não constante
seja através de um capitel (Fig. 5, à esquerda) ou de um espessamento localizado (Fig. 5, à
direita). O recurso a estas soluções permite aumentar os máximos vãos para os quais é econó-
mico recorrer a lajes fungiformes de betão armado: 8 m para maciças e 12 m para aligeiradas.

Os principais problemas das lajes fungiformes estão associados às dimensões reduzidas dos a-
poios (pilares) em relação aos vãos das lajes. Daí advém uma concentração de esforços e
armaduras junto aos pilares, o perigo do punçoamento das lajes, uma deformabilidade muito

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acentuada das lajes para acções gravíticas e o seu comportamento menos bom às acções
sísmicas.

Fig. 5 - Capitel (à esquerda) ou espessamento (à direita) de laje fungiforme junto a pilar

2.2. SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS EM BETÃO

As lajes vigadas não tradicionais são elementos resistentes horizontais ou quase, normalmente
aligeirados, apoiados em vigas ou paredes e parcial ou totalmente pré-fabricados, em que uma
das dimensões, a espessura que é constante, é muito inferior às restantes. Do seu campo de
aplicação constam: vãos pequenos a médios e configurações regulares em planta de edifícios
de pequeno porte.

As soluções não tradicionais de pavimentos em betão compreendem:

a) à base de vigotas (Fig. 7, à esquerda) de betão pré-esforçado (Fig. 6):


 com blocos vazados de betão de densidade normal;
 com blocos vazados de betão leve (Fig. 7, ao centro);
 com blocos maciços de betão leve;
 com blocos vazados cerâmicos (Fig. 7, à direita);
b) à base de vigotas (de geometria idêntica às de betão pré-esforçado ou como na Fig. 9) de
betão armado (Fig. 8):
 com blocos vazados de betão de densidade normal;
 com blocos vazados de betão leve;
 com blocos maciços de betão leve;
 com blocos vazados cerâmicos;

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Betão complementar (colocado in-


situ)

Vigota pré-esforçada

Abobadilha cerâmica

Fig. 6 - Laje de vigotas de betão pré-esforçado

Superfície rugosa para


facilitar a aderência 1Ø

Fig. 7 - À esquerda, vigota de betão pré-esforçado, ao centro, blocos vazados de betão leve e,
à direita, bloco vazado cerâmico

Fig. 8 - Pavimento à base de vigotas de betão armado com treliças (“treillis”) metálicas e
abobadilhas de betão normal

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Fig. 9 - Vigota-tipo com treliças metálicas (à esquerda) e pormenor da treliça (à direita)

c) à base de pranchas cerâmicas (Fig. 11) pré-esforçadas (Fig. 10):


 com blocos vazados cerâmicos;

Fig. 10 - Pavimento à base de pranchas cerâmicas pré-esforçadas com abobadilhas cerâmicas

Fig. 11 - Pranchas cerâmicas tipo

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d) utilizando pranchas vazadas (Fig. 13) de betão pré-esforçado (Fig. 12);


e) utilizando pranchas vazadas (Fig. 15) de betão armado (Fig. 14);

Fig. 12 - Pavimento à base de pranchas vazadas de betão pré-esforçado

Fig. 13 - Pranchas-tipo de betão pré-esforçado

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Fig. 14 - Pavimento à base de pranchas vazadas de betão armado

Fig. 15 - Pranchas-tipo de betão armado

f) utilizando pré-lajes (Fig. 17, à esquerda), armadas ou pré-esforçadas:


 maciças (Fig. 16);
 aligeiradas: com blocos vazados de betão
com blocos vazados de betão leve;
com blocos maciços de betão leve;
com blocos vazados cerâmicos (Fig. 17, à direita);

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com blocos vazados de cartão;


com blocos vazados de materiais sintéticos (“esferovite”).

Treliça

Betão complementar
(colocado in-situ)

Pré-laje

Fig. 16 - Pré-laje maciça

Fig. 17 - À esquerda, pré-laje e, à direita, bloco vazado cerâmico

A abobadilha cerâmica (solução mais tradicional em Portugal) diminui o peso específico das
lajes aligeiradas, funcionando também como cofragem perdida. Pode ser substituída por blo-
cos vazados de betão normal ou leve (celular autoclavado tipo Ytong ou com argila expandida
tipo Leca) ou por blocos maciços de betão leve, tanto nas soluções à base de vigotas de betão
armado e pré-esforçado como nas com pranchas cerâmicas pré-esforçadas (nas pré-lajes
aligeiradas, os blocos de aligeiramento têm uma geometria ligeiramente diferente). O betão
complementar forma uma lâmina de compressão e é armado com uma rede electrossoldada.

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Por sua vez, as vigotas pré-esforçadas podem ser substituídas por pranchas cerâmicas pré-
esforçadas (Fig. 11), vigotas de betão armado idênticas às pré-esforçadas ou com treliças
metálicas (Fig. 9), pranchas vazadas (também designadas por lajes alveolares) de betão
armado (Fig. 15) ou pré-esforçado (Fig. 13), sendo que nestas duas últimas soluções não há
blocos de cofragem.

Na solução de pré-laje, a armadura principal (ordinária ou de pré-esforço) vem já incorporada


na pré-laje tendo a treliça (Fig. 16) essencialmente uma função de solidarização com o betão
complementar.

A competitividade de todas estas soluções não tradicionais está associada à repetitividade,


rapidez e diminuição da mão-de-obra. Por outro lado, em termos apenas de materiais
empregues, são geralmente mais caras.

Em termos puramente estruturais, todas estes soluções não tradicionais correspondem a


modelos de cálculo unidimensionais (lajes “armadas numa só direcção”, a dos elementos pré-
fabricados) e não garantem (à excepção das pré-lajes) de forma efectiva a continuidade sobre
os apoios. Por essas razões, correspondem a peças muito deformáveis que têm problemas logo
para vãos médios. Do ponto de vista sísmico, não são geralmente a melhor escolha.

Finalmente, a possível existência de juntas de betonagem menos bem executadas é uma


origem de problemas em termos de durabilidade, funcionalidade e conforto.

Por razões económicas, de estandardização e de nível de desempenho, as soluções à base de


vigotas de betão armado, pranchas cerâmicas pré-esforçadas, pranchas vazadas de betão
armado e pré-lajes com treliças metálicas estão hoje em desuso ou a caminho de o estar.

Deve ainda acrescentar-se uma outra utilização muito corrente das vigotas (geralmente as pré-
esforçadas): como madres, varas, ripas ou contra-ripas em coberturas de elementos
descontínuos, tanto apoiadas em asnas no sistema clássico (Fig. 18) como em muretes de
alvenaria de tijolo sobre lajes de esteira em desvãos não habitados (Fig. 19).

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Madres (vigotas
pré-esforçadas)

Asnas

Fig. 18 - Estrutura secundária de vigotas em cobertura clássica

Ripas de betão armado

Madres (vigotas pré-esforçadas)

Muretes de alvenaria de tijolo

Laje de esteira

Fig. 19 - Sistema de apoio de telhas com recurso a vigotas em desvão não habitado

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3. PAVIMENTOS DE VIGOTAS DE BETÃO PRÉ-ESFORÇADO

Estes pavimentos são, como se referiu atrás, constituídos por vigotas pré-fabricadas de betão
pré-esforçado, onde assentam os blocos de cofragem, permitindo o aligeiramento do pavimen-
to. Após a colocação destes elementos em obra, é aplicado uma armadura de distribuição e
uma camada de betão complementar, com função resistente e de solidarização do conjunto.

O seu funcionamento estrutural é comparável ao de uma laje maciça tradicional com


armadura resistente unidireccional, sendo indispensável a necessária aderência entre o betão
complementar e as vigotas.

3.1. ELEMENTOS CONSTITUINTES

São os seguintes os elementos constituintes de um pavimento de vigotas de betão pré-


esforçado:

 vigotas (Fig. 20, à esquerda);


 fios de aço (Fig. 20, ao centro);
 abobadilhas / blocos de cofragem (Fig. 20, à direita);
 armadura de distribuição (Fig. 21, à esquerda);
 betão complementar (Fig. 21, à direita).

Fig. 20 - À esquerda, vigotas pré-esforçadas, ao centro, fios de aço de pré-esforço e, à direita,


bloco de cofragem cerâmico

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Fig. 21 - À esquerda, armadura de distribuição e, à direita, betão complementar

As vigotas são pré-fabricadas, de betão pré-esforçado por fios de aço aderentes. O betão é
cimento portland normal, com características de resistência elevadas (da classe B45 ou
próxima). Os agregados podem ser calcários, basaltos, calhaus rolados, granitos e areias.

Os fios de aço utilizados no pré-esforço pertencem às classes Rm 1670 e Rm 1770, com


diâmetros de 3.2, 4 e 5 mm (consoante o fabricante e o tipo de vigota; à semelhança do
número e posicionamento dos fios na vigota - Fig. 22). O aço de pré-esforço, homologado
pelo LNEC, satisfaz à classe 1770 de baixa relaxação, de acordo com a ENV 138/79.

Fig. 22 - Diferentes tipos de vigota para um mesmo fabricante

As abobadilhas ou blocos de cofragem utilizados são geralmente vazados (a excepção são os


em betão autoclavado) e têm formas de extradorso curvas ou poligonais, e ressaltos laterais
para apoio nos banzos das vigotas. Os materiais mais utilizados são as abobadilhas de barro
vermelho, os blocos de betão leve (Leça - argila expandida) e, menos comuns, os blocos de
betão normal ou de betão celular autoclavado.

O betão complementar é aplicado em camada contínua de espessura variável, mas nunca


inferior a 30 mm, incorporando uma armadura de distribuição, normalmente uma rede

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electrossoldada (malhasol). O betão complementar é de cimento portland normal com uma


dosagem mínima de 300 kg de cimento por m3 de betão e com características de classe não
inferior a C20/25 ou B25. A dimensão máxima dos agregados deve permitir o preenchimento
fácil e completo dos espaços entre as vigotas e os blocos de cofragem.

3.2. CAMPO DE APLICAÇÃO

A aplicação dos pavimentos de vigotas pré-esforçadas é essencialmente em edifícios de


pequeno a médio porte, nomeadamente em altura (Fig. 23, à esquerda), geralmente de
habitação (Fig. 23, ao centro) ou com ocupação e utilização semelhante, por representarem
uma enorme economia de tempo de execução e não necessitarem de uma mão-de-obra muito
especializada. A utilização deste tipo de pavimento é condicionada nos casos em que existam
cargas concentradas, em zonas sísmicas para edifícios de médio a grande porte ou quando o
vão é superior a 5 a 6 m devendo ser objecto de estudo adequado.

Fig. 23 - Edifícios com pavimentos de vigotas pré-esforçadas (à esquerda e ao centro) e


vigotas pré-esforçadas em cobertura de edifícios (à direita)

Como referido acima, uma outra aplicação das vigotas pré-esforçadas é na estrutura de
suporte de revestimentos descontínuos em coberturas de edifícios (Fig. 23, à direita).

3.3. VANTAGENS E DESVANTAGENS

O Quadro 1 resume as vantagens e desvantagens dos pavimentos de vigotas de betão pré-


esforçado relativamente aos pavimentos tradicionais.

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Quadro 1 - Vantagens e desvantagens dos pavimentos de vigotas de betão pré-esforçado


VANTAGENS DESVANTAGENS
Quando sujeitos a vãos e sobrecargas Contraventamento horizontal menor, apesar da camada
idênticos, apresentam um peso próprio de betão complementar contínua com armadura de
mais baixo, permitindo o aligeiramento da distribuição e da solidarização por cintas armadas dos
superstrutura (vigas, pilares e fundações) apoios e bordos laterais dos painéis de pavimento (pelo
tanto em termos de acções verticais como que se desaconselha a sua utilização para edifícios de
horizontais (sismo) médio a grande porte em zonas fortemente sísmicas)
Dispensam a quase totalidade da cofragem Heterogeneidade dos pavimentos, que diminui a resis-
(excepto nas lajes em consola, as quais tência global mas que pode ser melhorada tal como
devem ser maciçadas na totalidade acima descrito
da sua extensão, e junto aos apoios nas A descontinuidade do paramento inferior dos
restantes lajes), exigindo apenas a monta- pavimentos pode dar origem ao aparecimento de
gem de escoramento das vigotas fendas ao longo das juntas entre vigotas e blocos de
cofragem; este risco pode ser limitado desde que se
armem localmente as camadas de argamassa de
revestimento e acabamento dos tectos com faixas de
fibras têxteis ou de rede metálica, mas não dispensa o
recurso a revestimentos inferiores
Economia em mão-de-obra (na cofragem O suporte de eventuais cargas de equipamentos ou de
e na pormenorização das armaduras), instalações a suspender dos tectos, dada a limitada
desde que o transporte das vigotas da resistência dos blocos de cofragem, tem de ser
fábrica para o estaleiro não as onere assegurado por peças apropriadas incluídas no
excessivamente pavimento durante a sua execução
Montagem simples (o peso máximo a ma- A relativa leveza dos pavimentos aligeirados contraria
nusear ainda permite que a totalidade das a capacidade de isolamento à transmissão de ruídos
operações seja manual) e rápida aéreos entre andares
Dada a existência de elementos vazados Difícil adaptação a pavimentos que não sejam
na sua constituição, proporcionam um me- rectangulares em planta
lhor isolamento térmico entre andares Para que estes pavimentos sejam competitivos, não
convém que existam vãos muito diferentes no edifício
Por serem simplesmente apoiados em ambos os
bordos, estes pavimentos têm flechas a longo prazo
muito condicionantes (ver item seguinte)
Não resistem a momentos flectores negativos, podendo
no entanto conferir-se essa resistência através da
execução de faixas maciças de betão armado que
envolvam as vigotas, nas zonas sujeitas às acções
desses momentos, com a espessura do pavimento e
com a armadura superior adequada
Os pavimentos aligeirados e pré-esforçados têm pior
comportamento face a incêndios (devido à sua menor
massa específica e a os fios pré-esforçados não
recuperarem as suas características após o aquecimento
a temperaturas elevadas)
Em terraços e telhados, estes pavimentos exigem um
sistema de impermeabilização de elevada qualidade e
durabilidade porque permitem a circulação de água no
seu interior

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Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito

4. PROCESSO DE FABRICO

As vigotas são fabricadas por um sistema mecanizado, sendo a sua moldagem feita, sem
moldes fixos, sobre uma plataforma de betão, ao longo da qual se descola um dispositivo
mecânico de distribuição, moldagem lateral e compactação do betão por vibração.

4.1. ARMAZENAMENTO E DOSAGEM DOS AGREGADOS

Os agregados são colocados, separadamente, em “silos” consoante a sua calibragem (Fig. 24,
à esquerda). Através de tapetes rolantes (Fig. 24, 2º a partir da esquerda), os agregados
doseados e o cimento, também armazenado em silos (Fig. 25, à esquerda), são transportados
para uma betoneira (Fig. 24, 2º a partir da direita) para a execução do betão, controlada
através de um sistema centralizado (Fig. 25, ao centro). Já na fase de moldagem, o betão é
enviado através de baldes (Fig. 25, à direita) que se deslocam suspensos de pontes rolantes até
à máquina de moldagem das vigotas.

Fig. 24 - Da esquerda para a direita, silos de agregados, tapetes rolantes para transporte de
agregados, betoneira e limpeza manual das pistas

4.2. LIMPEZA DAS PISTAS

O tratamento das superfícies das pistas ou mesas tem por objectivo evitar que as bases das
vigotas adiram às pistas. Esta limpeza, antigamente feita por métodos manuais (Fig. 24, à
direita), é hoje feita através de uma máquina (Fig. 27, à esquerda) que possui um par de
escovas rotativas cilíndricas, eliminando qualquer tipo de detritos.

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Fig. 25 - À esquerda, silos de armazenamento de cimento, ao centro, central de comando da


execução do betão e, à direita, baldes para transporte do betão para a máquina de moldagem
das vigotas

As superfícies não revestidas são tratadas com produtos sólidos, como pó de pedra calcária,
pó ou granulado fino de tijolo e cal apagada, em pó ou em leite. Depois, ou no caso das
superfícies revestidas, o produto líquido utilizado é o óleo de descofragem misturado com
água (Fig. 26). Este será aplicado nas mesas através de um regador, pulverizador, ou
dispositivo espalhador colocado na frente da máquina, numa quantidade suficiente e tendo o
cuidado do excesso, pois irá prejudicar a aderência aço-betão no pré-esforço.

Fig. 26 - Aplicação do óleo descofrante na pista

4.3. COLOCAÇÃO DOS FIOS DE AÇO

Os fios encontram-se enrolados em bobines especiais (Fig. 27, ao centro) junto às mesas de
moldagem (Fig. 27, à direita), sendo estendidos ao longo das mesas por processos manuais ou
mecânicos (Fig. 28, à esquerda), até à extremidade oposta onde são fixados nas cabeças de

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fixação (maciços de amarração), com a forma da vigota (Fig. 28, ao centro). Neste processo,
deve-se evitar a lubrificação acidental dos fios com o óleo de descofragem. Na extremidade
onde se encontram as bobines (Fig. 28, à direita), a fixação é feita nos macacos hidráulicos,
que irão aplicar o pré-esforço nos fios.

Fig. 27 - Máquina para limpeza das pistas (à esquerda), armazenamento dos fios de aço (ao
centro) e mesas / pistas de montagem (à direita)

Fig. 28 - Máquina para puxar os fios de pré-esforço (à esquerda), cabeças de fixação dos fios
de aço (ao centro) e extremidade a partir da qual os fios são esticados (à direita)

Geralmente, a fixação é feita individualmente para cada fio através de cunhas cónicas de aço
de alta resistência (Fig. 28, à direita), com superfície estriada, as quais actuam dentro de um
pequeno cilindro de aço formando um conjunto, previamente enfiado nos fios e que encostam
aos dispositivos de apoio, ligados à plataforma das mesas de moldagem. Estes dispositivos
podem ser vigas Grey ou perfis I, solidamente apoiados em troços de viga do mesmo tipo que,
por sua vez, estão fixos às plataformas das mesas de moldagem através de parafusos e porcas
de grande diâmetro (Fig. 28, à direita). Este sistema permite a comunicação gradual do pré-
esforço dos fios às vigotas.

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4.4. APLICAÇÃO DO PRÉ-ESFORÇO

O pré-esforço é aplicado com recurso a um macaco hidráulico (Fig. 29, à esquerda),


accionado electricamente, no qual se pode medir o alongamento dos fios e controlar, por
manómetro, a força a aplicar de acordo com a tensão de pré-esforço prevista. O pré-esforço
pode ser aplicado individualmente a cada fio, a dois fios simétricos, a todos os fios de uma
vigota ou a todos de uma mesa de moldagem.

No processo de aplicação do pré-esforço nos fios, coloca-se, antes do início da mesa de mol-
dagem, um painel metálico (Fig. 29, ao centro) com o objectivo de proteger os operários que
executam o pré-esforço. Esta protecção justifica-se pelo facto de, aquando da execução do
pré-esforço dos fios, poderem ocorrer acidentes que levem à quebra de um ou mais cabos, que
provocam o seu movimento descontrolado.

A verificação da força a aplicar é feita por leitura da pressão indicada no manómetro do


macaco hidráulico. Para tal, os macacos possuem uma tabela que permite saber a força
aplicada em função da pressão indicada no manómetro. Podem, no entanto, ocorrer erros
devidos a má calibração do aparelho, a fugas de óleo por envelhecimento ou desgaste dos
retentores do êmbolo dos macacos ou ainda por atrito dos fios. Em alguns casos, os macacos
possuem um sistema automático que cessa a aplicação da força assim que seja atingido o
valor pretendido. Em alternativa, pode-se medir o alongamento sofrido pelos fios, mas este
método também está sujeito a erros (variações no módulo de elasticidade do aço e erros na
medição do alongamento ou do comprimento inicial dos fios).

Fig. 29 - À esquerda, macaco hidráulico para aplicação do pré-esforço, ao centro, painel


metálico de protecção e, à direita, máquina de moldagem e deposição do betão na mesma

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4.5. MOLDAGEM

A moldagem é realizada através de uma máquina, que se desloca sobre carris paralelos às
mesas de montagem, constituída por um corpo principal (Fig. 29, à direita), na base do qual se
encontram incorporados os moldes das vigotas (Fig. 30, à esquerda). Superiormente, a
máquina possui uma tremonha para armazenamento do betão, que para lá é transportado por
baldes suspensos de pontes rolantes e é enviado posteriormente para os moldes situados
inferiormente (Fig. 30, 2º a contar da esquerda). A tremonha possui um conjunto de pás
rotativas que permitem o remeximento do betão com o objectivo de evitar a segregação do
mesmo, causada pelas operações de lançamento do betão da betoneira para o balde, transporte
por ponte rolante e descarga do balde para a tremonha de alimentação da máquina. O betão
tem de ter uma consistência tal que se aguente na forma que o processo de extrusão lhe dá,
sem necessidade de confinamento lateral (moldes, hoje caídos em desuso pelo seu baixo
rendimento, que eram metálicos e constituídos por troços desmontáveis).

Instalado na parte da frente da máquina, encontra-se um chassis que contém os guia-fios (Fig.
30, 2º a contar da direita). Os guia-fios são em geral constituídos por hastes verticais dispondo
de parafusos de fixação, nas quais existem pequenas hastes transversais onde são suspensos
os fios de pré-esforço. A deslocação das hastes verticais permite fixar os fios às cotas
previstas e evitar erros de fabrico.

Fig. 30 - Da esquerda para a direita, moldes das vigotas na base da máquina de moldagem, apli-
cação do betão na base da tremonha da máquina de moldagem, guia-fios e cabo e tambor rotativo

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A deslocação da máquina de moldagem processa-se por meio de um cabo que está fixo no
topo da mesa de moldagem e num tambor rotativo acoplado à máquina (Fig. 30, à direita). O
fio, ao ser enrolado no tambor provoca o movimento da máquina. O processo de moldagem
das vigotas, em grupos de 10, numa pista com 120 m, demora cerca de 1 h e 45 mins.

4.6. CURA

Depois de moldadas, as vigotas permanecem nas mesas de fabrico onde sofrem um processo
de cura, que tanto pode ser natural (Fig. 31, à esquerda) como acelerado, até que o betão
atinja as resistências mínimas exigidas para que possa suportar a transmissão do pré-esforço
dos fios. Se a cura for natural, as mesas são regadas abundantemente durante 4 a 7 dias,
dependendo da temperatura e do grau de humidade atmosférica, podendo no Verão colocar-se
uma cobertura plástica que impeça a evaporação da água. O recurso a água aquecida antes da
betonagem para acelerar a presa não é aconselhável por conduzir a betões de menor
resistência.

Quando a cura é feita através de tratamento a vapor aquecido, o tempo de cura baixa para 24 a
48 h, por aumentar o efeito de presa. Os procedimentos para este tratamento são os seguintes:

 após a moldagem das vigotas, são colocados tubos montados em cavaletes metálicos, para
canalização do vapor de água, ao longo de todas as mesas;
 sobre a tubagem e cobrindo totalmente as mesas de moldagem, coloca-se uma superfície
vedante e termicamente isolante, em geral constituída por oleados;
 proveniente de uma caldeira aquecida a temperatura conveniente, o vapor de água é
introduzido no interior das tendas à pressão de 2.9 MPa, através da tubagem de admissão;
 o aquecimento processa-se de forma gradual durante cerca de 5 h até atingir a temperatura
máxima de 60 / 70 ºC, a qual é mantida cerca de 2 a 4 h e controlada por termómetros
colocados a intervalos regulares ao longo das mesas;
 segue-se a suspensão da entrada de vapor e o arrefecimento até à temperatura inicial; este
processo demora cerca de 9 h;
 se forem adicionados aditivos próprios à amassadura do betão, o tempo de cura pode ser
reduzido mais ainda, obtendo-se um rendimento maior.

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4.7. TRANSMISSÃO DO PRÉ-ESFORÇO DOS FIOS PARA O BETÃO

Depois de o betão atingir a resistência mecânica necessária regulamentarmente, cerca dos 20


MPa, procede-se à transmissão do pré-esforço dos fios ao betão das vigotas. Essa transmissão,
nunca de modo brusco ou descuidado, pode ser efectuada por dois processos:

1. por libertação (afrouxamento) gradual do pré-esforço dos fios de aço (Fig. 31, ao centro);
para tal e com recurso a uma chave especial (Fig. 32, à esquerda), vão sendo
desapertados os parafusos, em que se apoiam as vigas metálicas de fixação dos fios,
existentes no topo da mesa, do lado da aplicação do pré-esforço; existe também a
hipótese de realizar esta operação com um mecanismo hidráulico, em que o quadro
metálico a que estão fixos os fios é deslocado gradualmente do lado contrário ao da
aplicação do pré-esforço (Fig. 31, à direita); aquando da libertação das cavilhas que
prendem o quadro, observa-se um pequeno deslocamento inicial após o que o processo é
controlado pelo macaco hidráulico;
2. por corte das vigotas ou dos fios, utilizando, geralmente, uma serra de disco com ponta
de diamante, arrefecida a água (Fig. 32, ao centro) ainda que também possa ser feito
manualmente (Fig. 32, à direita).

Fig. 31 - Cura natural das vigotas (à esquerda) e transmissão do pré-esforço para as vigotas
por afrouxamento dos fios do lado de aplicação do pré-esforço (ao centro) ou do lado oposto
(à direita)

Após a transmissão do pré-esforço às vigotas, o valor a utilizar nas aplicações será sempre
inferior ao inicialmente transmitido devido às perdas que ocorrem sempre no processo. As
perdas de pré-esforço podem ser devidas ao escorregamento dos fios nos dispositivos de

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fixação ou por lubrificação acidental dos fios (que deslizam no interior do betão das vigotas)
aquando da sua colocação sobre a mesa.

Fig. 32 - Chave para afrouxamento (à esquerda), máquina de corte das vigotas e fios (ao
centro) e corte manual dos fios nas extremidades (à direita)

4.8. CORTE DAS VIGOTAS

Após a transmissão do pré-esforço, as vigotas são cortadas com os comprimentos correspon-


dentes às encomendas (marcados manual - Fig. 33, à esquerda - ou automaticamente - Fig. 33,
à direita), com o auxílio de maçaricos oxiacetilénicos ou de uma serra de disco de pontas de
diamante, existente numa máquina de corte (Fig. 34, à esquerda). Esta desliza ao longo da
pista, dispõe de um leitor laser com um erro máximo de 3 mm e de um enrolador para
alimentação de água, cortando um conjunto de vigotas em comprimentos previamente
definidos. Nos casos que se tenha removido o betão enquanto fresco na zona de corte (Fig. 33,
à direita), utiliza-se como ferramenta de corte ferramentas manuais (Fig. 32, à direita).

Fig. 33 - Marcação manual (à esquerda) e automática (à direita) do comprimento das vigotas


antes do seu corte

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Fig. 34 - À esquerda, máquina de corte de vigotas, ao centro, vigotas separadas fisicamente


por remoção de betão fresco e, à direita, vigotas cortadas

4.9. LEVANTAMENTO, TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO DAS VIGOTAS

Após o corte (Fig. 34, à direita), as vigotas são levantadas em grupos das mesas de moldagem
por meio de um quadro suspenso numa ponte rolante (Fig. 35), ou individualmente através de
travessas metálicas de secção I, munidas de pendurais com pinças nas suas extremidades, ou
mesmo manualmente (hoje em desuso). Os quadros utilizados possuem pinças de fixação em
número igual ao de fiadas de vigotas em cada mesa que permitem o seu transporte.
Posteriormente, as vigotas são transportadas para a zona de armazenamento (Fig. 36, à
esquerda), através de empilhadoras (Fig. 36, ao centro). São catalogadas e dispostas em
grupos, consoante o comprimento e a forma (Fig. 36, à direita). Devem ser colocadas umas
por cima das outras, separadas por ripas de madeira, colocados transversalmente. Estes apoios
não devem ser distanciados mais do que 5 m e os extremos em “consola” devem ter, no
máximo, 50 cm.

Fig. 35 - Fases do levantamento e transporte das vigotas das mesas de montagem

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Fig. 36 - Zona de armazenamento das vigotas (à esquerda), empilhadora para transporte das
vigotas (ao centro) e vigotas armazenadas umas sobre as outras (à direita)

Durante o transporte e armazenamento, as peças deverão ser mantidas na posição de


moldagem (“T” invertido) de modo a ser aproveitado o efeito de contra-flecha; caso contrário,
as vigotas podem ficar danificadas ou até mesmo partirem-se.

4.10 FABRICO DOS BLOCOS DE COFRAGEM DE BETÃO

Tal como nas vigotas, a limpeza das pranchas é efectuada de maneira a evitar que as bases
dos blocos a elas adiram e é aplicado um óleo descofrante emulsionado. Existem dois
processos de fabrico: um é feito através de uma máquina móvel que funciona autonomamente
no exterior (Fig. 37, à esquerda) e o outro é um conjunto de máquinas fixas (Fig. 37, ao
centro) que trabalham dentro de um pavilhão.

Fig. 37 - Fabrico dos moldes de betão por processos alternativos (máquina móvel, à direita, e
fixa, ao centro, com respectiva central de controlo e comando, à direita)

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Normalmente, o fabrico inicia-se com a colocação dos moldes nas respectivas pranchas, onde
irão ser executados os blocos (Fig. 38, à esquerda e ao centro). De seguida, procede-se à
colocação do betão, preparado em central própria, nos moldes e à vibração dos blocos. Todo o
processo funciona autonomamente em ciclo fechado, apenas com um controlador, através de
uma central (Fig. 37, à direita).

Depois de betonados e vibrados, os blocos são inspeccionados, excluindo-se aqueles que


apresentam fendas ou deformados. Esta inspecção é feita por um operário especializado (Fig.
39, à esquerda). Todo o bloco com defeito é retirado imediatamente, de modo a garantir a
qualidade do produto. Após a inspecção, os moldes são envolvidos em materiais herméticos,
de modo a preservar a humidade e temperatura. De seguida, são transportados (Fig. 38, à
direita) para lugar próprio para repousar até fazerem presa e atingirem a sua resistência
normal, normalmente cerca de 24 a 48 h.

Quando os blocos atingem a sua resistência normal são descobertos e empilhados, para serem
envolvidos por plástico, de modo a garantir a sua estabilidade na palete. Finalmente, seguem
para o estaleiro onde irão aguardar em stock (Fig. 39, à direita) até serem transportados para
obra.

Fig. 38 - Fases do fabrico dos blocos de cofragem de betão

4.11. PATOLOGIA NA FASE DE FABRICO

4.11.1. Resistência do betão à compressão

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Um dos principais problemas na produção de vigotas está no emprego de betões de elevada


resistência, geralmente de classes elevadas (B45 ou similar). Existe, sobretudo, a dificuldade
de garantir um adequado controlo de qualidade. Este problema está relacionado com a falta de
produção nacional de cimentos apropriados as estas classes de betão e ainda com a
dificuldade dos produtores em adquirir agregados com características convenientes. Por este
facto, existe uma variação ligeira do betão das vigotas, não correspondendo a uma
significativa diminuição da capacidade de resistência dos pavimentos.

Fig. 39 - Inspecção (à esquerda) e armazenamento (à direita) dos blocos de cofragem de betão

A utilização de betões de classe de resistência mais elevada permite maior rendimento no


fabrico de vigotas, porque reduz o intervalo de tempo entre a moldagem e a transmissão do
pré-esforço. A qualidade do betão tem influência nas perdas de pré-esforço.

4.11.2. Pré-esforço nas vigotas

As deficiências de pré-esforço devem-se a duas causas: aplicação incorrecta do pré-esforço ou


perdas excessivas de pré-esforço. A primeira resulta da existência de deficiências nos
sistemas de aplicação de pré-esforço aos fios ou da necessidade de reduzir as tensões iniciais,
tendo em conta as fracas resistências dos betões na altura de transmissão do pré-esforço às
vigotas. Quanto às perdas excessivas de pré-esforço, são devidas a várias razões:

 fraca qualidade do betão;


 deficiências nos sistemas de ancoragem;

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 existência de escorregamentos dos fios na altura da transmissão do pré-esforço ao betão


das vigotas.

Um deficiente pré-esforço instalado nas vigotas conduz a uma redução das tensões de com-
pressão das vigotas, em relação às previstas. Esta situação regista-se com maior incidência
nas zonas superiores e, em casos extremos, podem inclusivamente verificar-se tensões de
tracção nessas zonas. Devido a este aspecto, durante as operações de manuseamento,
transporte e montagem em obra, poderão aparecer vigotas fissuradas ou mesmo partidas, pelo
facto de nas referidas operações elas serem submetidas a acções que geram tensões de tracção
não compensadas pelas fracas tensões de compressão devidas ao pré-esforço deficiente.

O pré-esforço em excesso apresenta implicações maiores na fase de fabrico das vigotas. Em


situações extremas, poderão ocorrer dois tipos de rotura:

 a rotura dos fios na altura de aplicação do pré-esforço, se as tensões de tracção aplicadas


ultrapassarem as tensões de rotura dos aços;
 a rotura do betão, em especial nas vigotas mais pré-esforçadas e de menor secção, sempre
que as tensões iniciais sejam superiores às de rotura do betão das vigotas na altura da
transmissão do pré-esforço.

Podem ainda ocorrer desequilíbrios entre o pré-esforço efectivamente aplicado nos fios
inferiores e entre os inferiores e os superiores.

4.11.3. Posicionamento das armaduras

O posicionamento deficiente dos fios pré-esforçados pode dar origem a vigotas com
características inadequadas. As consequências do mau posicionamento são:

 ausência ou redução do recobrimento das armaduras;


 descida dos fios que se traduz num aumento de contra-flechas e na redução das tensões de
compressão nas zonas superiores das vigotas;
 subida dos fios que leva à redução de contra-flecha ou mesmo à sua anulação;

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 existência de desvios de fios na horizontal que provoca desalinhamento nas vigotas o que
conduz a dificuldades durante a montagem em obra dos elementos prefabricados.

4.11.4. Outras falhas

Em fábrica, são possíveis outras falhas em vigotas resultantes do seu processo de fabrico:
 pisar-se a vigota, quando esta ainda não tem consistência suficiente (Fig. 40, à esquerda);
 fracturar-se a vigota ao pegar o conjunto das vigotas com a empilhadora (Fig. 40, à
direita);
 falhas na moldagem (Fig. 41, à esquerda);
 rega com demasiada pressão para o betão fresco (Fig. 41, à direita);
 deixar-se cair a vigota;
 faltar betão ou este demorar muito tempo a chegar à máquina;
 entre outras (Fig. 42, à esquerda).

Fig. 40 - Defeitos de fabrico em vigotas

Fig. 41 - Defeitos de fabrico em vigotas

4.11.5. Reutilização de vigotas defeituosas

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As vigotas defeituosas poderão ser utilizadas para postes de vedação, bem como, depois de
cortadas em troços de pequena dimensão (Fig. 42, à direita), em enchimentos inferiores às
fundações, em substituição das pedras de grande porte.

Fig. 42 - Vigotas com defeitos (à esquerda) e reaproveitamento de vigotas defeituosas (à


direita)

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5. CONTROLO DE QUALIDADE NO FABRICO

Em Portugal, a garantia de qualidade dos pavimentos executados com vigotas pré-fabricadas,


é assegurada pelo LNEC, através de estudos e revisões periódicas das homologações. Os
Documentos de Homologação definem as características e estabelecem as condições de
execução e de emprego dos pavimentos aligeirados de vigotas prefabricadas de betão pré-
esforçado, blocos de cofragem e betão complementar moldado em obra. Não pretendem ser
um certificado de garantia de qualidade dos pavimentos a que se referem. Têm como
finalidade a correcção dos erros de concepção dos pavimentos e a uniformização das bases de
dimensionamento estrutural, assim como a verificação da capacidade de produção, por parte
dos fabricantes. São os seguintes os aspectos analisados:

 execução do pavimento, incluindo a verificação das características dimensionais e de


conformação e natureza dos respectivos materiais;
 verificação analítica da capacidade resistente dos pavimentos;
 condições de fabrico, incluindo a verificação experimental das características mecânicas
dos elementos constituintes dos pavimentos e dos materiais empregues.

Assim sendo, o documento de homologação deve englobar os seguintes aspectos:

 designação comercial e fabricante;


 descrição sumária do pavimento ou dos pavimentos;
 tipo estrutural;
 materiais e elementos constituintes;
 representação gráfica do conjunto e dos detalhes;
 dimensões gerais e dos elementos constituintes;
 quantidade dos materiais e peso;
 recomendações de execução;
 conclusão do exame das condições de fabrico e de aplicação em obra;
 resumo e interpretação dos resultados dos ensaios realizados;
 definição dos dados e das regras de cálculo para o dimensionamento;
 compilação, em tabelas ou ábacos, dos resultados do dimensionamento;

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 indicação das condições ou das reservas de aplicação e de emprego recomendadas;


 regras e ensaios de recepção;
 decisão de homologação.

5.1. EXIGÊNCIAS QUE OS ELEMENTOS CONSTITUINTES DOS PAVIMENTOS DEVEM SATISFAZER

5.1.1. Vigotas

As vigotas de betão pré-esforçado deverão estar isentas de defeitos aparentes tais como fendas
ou chocos de betonagem. A sua superfície deverá ter rugosidade suficiente para garantir uma
boa ligação ao betão complementar do pavimento.

No comprimento das vigotas, é admitido um desvio de 2 cm em relação ao inicialmente


estipulado (tolerância), por excesso ou por defeito. As dimensões transversais das vigotas não
devem ter variações superiores a 5 mm em relação às dimensões previstas. Os fios da
armadura de pré-esforço não devem apresentar, relativamente à localização prevista, desvios
verticais superiores a 3 mm e horizontais que excedam 5 mm.

A curvatura lateral das vigotas não deve exceder 1/500 do comprimento nem 10 mm. As
vigotas, em condições normais de apoio e sob a acção apenas do seu peso próprio, devem
apresentar contra-flecha de valor não superior a 1/300 do vão.

Todas as vigotas que não satisfaçam alguma das condições atrás referidas, deverão ser
consideradas defeituosas e, como tal, recusadas.

Nos casos em que se encomende elevada quantidade de vigotas, é conveniente a realização


dos seguintes ensaios, de acordo com as directivas comuns UEATc:

 determinação da tensão de pré-esforço efectiva, num mínimo de três vigotas, de modo a


verificar-se se estão conforme os valores previamente fixados;
 determinação das características mecânicas do aço empregue, que devem satisfazer os
valores mínimos previamente fixados, sendo dispensada no caso de aços homologados;

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 ensaios de fragilidade realizados sobre duas vigotas, uma das quais na sua posição normal
de uso e outra rodada de 90º em relação a essa posição;
 determinação, por amostragem, do peso das vigotas por metro linear.

No Quadro 2, são listados os ensaios susceptíveis de serem efectuados ao betão e agregados


(Fig. 43) das vigotas.

Quadro 2 - Ensaios dos materiais das vigotas

BETÃO AGREGADOS

TRABALHABILIDADE TEOR DE ÁGUA SUPERIOR E TOTAL (NP-956/957)


(SLUMP)
TEMPERATURA ANÁLISES GRANULOMÉTRICAS (NP-1379)
RAZÃO ÁGUA / CIMENTO MASSA VOLÚMICA E ABSORÇÃO DE ÁGUA EM BRITAS (NP-581)
COMPRESSÃO CUBOS (15 x 15) BARIDADES (NP-955)
ABSORÇÃO DE ÁGUA EM AREIAS (NP-954)
MASSA VOLUMÉTRICA DE AREIAS - F. CHAPMAN
MATÉRIA ORGÂNICA (NP-85)
PARTÍCULAS MUITO FINAS E MATÉRIAS SOLÚVEIS (NP-86)

Fig. 43 - Máquina de ensaio de cubos à compressão (à esquerda), laboratório de ensaio dos


agregados (ao centro) e cubos imersos em água (à direita)

5.1.2. Blocos de cofragem

Em pavimentos de espessura muito elevada, usam-se em alguns casos blocos cerâmicos de 25


e 32 cm complementados com tijolos furados de alvenaria, assentes sobre blocos de

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cofragem. Estes blocos desempenham função de cofragem perdida mas têm de satisfazer
determinadas exigências dimensionais e serem compatíveis com as cargas que actuam no
pavimento.

Os desvios máximos entre as dimensões dos blocos e os respectivos valores nominais deverão
ser de 3%, com o mínimo de 5 mm e o máximo de 10 mm. A largura do ressalto para apoio
nas vigotas não deverá diferir mais de 2 mm do respectivo valor nominal. Os blocos devem
ser isentos de fendas ou fracturas. Deve-se determinar, por amostragem, o peso dos blocos.

No que se refere à resistência dos blocos, estes devem satisfazer, em condições normais de
colocação em obra, cargas concentradas mínimas cujos valores são:

 490 N quando não se prevê circulação sobre os blocos;


 2450 N reproduzindo o apoio duma prancha para o transporte do betão, quando se pode
circular sobre os blocos.

As citadas cargas de ensaio são aplicadas sobre o meio do bloco quando este não possui septo
central. No caso contrário, a carga é aplicada a meio da distância entre este e o septo vizinho.

5.1.3. Betão complementar

O betão complementar deverá ter as características indicadas em 3.1.

5.1.4. Armadura de distribuição

Os pavimentos devem comportar uma armadura de distribuição constituída por varões


dispostos nas direcções longitudinal e transversal, distanciados no máximo de 25 cm na
direcção transversal às vigotas e 35 cm na direcção das vigotas.

Os pavimentos de vão superior a 4 m devem possuir, para além da armadura de distribuição,


nervuras transversais contínuas de betão armado (normalmente designadas por tarugos)
espaçadas de 2 m. A largura destas nervuras deverá ser no mínimo de 10 cm e a sua armadura

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deverá ser constituída, no mínimo, por dois varões colocados imediatamente acima das
vigotas, com secção por metro de largura, pelo menos igual à metade da secção da armadura
mínima exigida para a armadura de distribuição. As nervuras têm a função de aumentar a
rigidez do pavimento na direcção perpendicular à das vigotas.

5.1.5. Recepção em obra dos elementos prefabricados

Por vezes, a fiscalização de obras decide pela realização de ensaios de recepção sobre os
elementos prefabricados constituintes dos pavimentos, que devem chegar à obra claramente
identificados. Os ensaios a realizar serão para:

 verificar as dimensões das vigotas e o posicionamento dos fios;


 verificar a tensão de pré-esforço instalada nos fios;
 verificar as características mecânicas do aço empregue;
 verificar as dimensões e a massa dos blocos de cofragem;
 verificar a capacidade resistente dos blocos.

5.2. EXIGÊNCIAS FUNCIONAIS

5.2.1. Segurança estrutural

Os pavimentos no conjunto, ou qualquer dos seus elementos constituintes, devem poder


suportar com suficiente segurança, em relação à rotura, à fissuração e deformações
excessivas, todas as cargas de peso próprio e dos elementos de construção que neles se
apoiem, e todas as sobrecargas distribuídas ou concentradas resultantes da sua ocupação
normal. Em geral, esta segurança encontra-se verificada se forem seguidos e respeitados todos
os critérios, recomendações e normas produzidas pelos organismos internacionais e pelos
regulamentos nacionais.

Os pavimentos deverão ser constituídos de modo a garantirem uma boa solidarização


transversal para repartir as cargas concentradas e evitar fissurações no sentido do vão.
Deverão também suportar, sem qualquer inconveniente, as tensões interiores provocadas por

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dilatação e contracção dos elementos constituintes sob a acção das variações higrotérmicas.
As ligações entre os diferentes elementos constituintes do pavimento não deverão ser
afectadas pelas variações higrotérmicas.

Os pavimentos pré-fabricados de vigotas pré-esforçadas não devem ser utilizados em zonas


de alta sismicidade, porque são pouco resistentes na direcção perpendicular à das vigotas pré-
esforçadas não contribuindo, portanto, para a estrutura resistente do edifício no caso de um
sismo a actuar preferencialmente nessa direcção. Os pavimentos, sendo elementos
constituintes dos edifícios, devem respeitar as regras do Regulamento de Segurança e Acções
para Estruturas de Edifícios e Pontes.

5.2.2. Durabilidade

Os pavimentos que tenham utilização e conservação normais devem satisfazer todas as regras
de qualidade atrás referidas, durante um período não inferior a 50 anos.

Os trabalhos de conservação e reparação de pavimentos não devem ser nem demasiado caros
nem excessivamente demorados. Os trabalhos de reparação não poderão admitir-se senão para
elementos secundários do pavimento ou para os seus acabamentos. Não serão permitidos
reparações de elementos estruturais dos pavimentos.

5.2.3. Resistência ao fogo

As exigências a satisfazer constam no Regulamento de Segurança Contra Incêndios em Edi-


fícios de Habitação. Os pavimentos, incluindo os seus revestimentos de piso e de tecto, devem
ter uma resistência ao fogo de acordo com as normas relativas ao assunto, nomeadamente no
que diz respeito à rapidez do desenvolvimento do sinistro e à estabilidade da obra. Além
disso, os pavimentos devem comportar-se de modo a permitir a fuga dos ocupantes e a
evacuação dos doentes e/ou inválidos sem risco de acidentes devido ao desabamento do
pavimento ou dos seus materiais constituintes, ou à projecção dos seus materiais.

Se não existirem outras regras a esse respeito, os pavimentos devem resistir à acção do fogo

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durante os prazos seguintes (retirados de UEATc):

 15 mins em habitações individuais isoladas ou geminadas;


 30 mins em habitações individuais em banda e habitações de 2 andares acima do piso
térreo;
 60 mins nos edifícios de habitação ou com ocupação semelhante com mais de 2 andares,
nos quais o nível do último andar habitado esteja situado a menos de 28 m do terreno
acessível às escadas de bombeiros;
 90 mins para os outros casos.

No caso específico de pavimentos de vigotas de betão pré-esforçado e blocos de cofragem, os


elementos constituintes são da classe de reacção ao fogo M 0 (não combustíveis).

No que se refere à resistência ao fogo, estes pavimentos poderão ser classificados nas classes:

 CF 30 desde que apresentem um revestimento na face inferior de 15 mm de espessura


mínima de argamassa de cimento e areia ou de cimento cal e areia;
 CF 60 desde que apresentem um revestimento na face inferior com uma espessura mínima
de 15 mm de argamassa de cimento e inertes leves (vermiculite, perlite ou fibras
minerais).

Estes valores de resistência ao fogo só poderão ser utilizados se se garantir um momento


negativo resistente nos apoios não inferior a 15% do momento resistente último de cálculo.

De referir que os bordos de pavimentos que confinam com fachadas cortina possuem um junta
aberta que deve ser correctamente vedada para evitar a propagação de incêndios entre
andares.

5.2.4. Isolamento térmico

Um pavimento prefabricado garantir termicamente:

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 um isolamento suficiente relativamente ao meio exterior, quando os pavimentos são


utilizados em terraços ou sobre passagens abertas e varandas envidraçadas;
 um isolamento térmico suficiente relativamente à caixa-de-ar quando, nos andares térreos
dos edifícios, os pavimentos limitam um espaço inferior ventilado;
 um razoável isolamento térmico para reduzir as trocas de calor entre locais com e sem
instalação de aquecimento ou de condicionamento de ar.

Os valores de isolamento térmico a exigir são fixados pelo Regulamento das Características
de Comportamento Térmico dos Edifícios.

Nos pavimentos de vigotas pré-esforçadas usam-se, por ordem decrescente de importância,


blocos de cofragem de cerâmica de barro vermelho, de betão de inertes leves, de betão normal
ou de betão autoclavado. As vigotas são de vários tamanhos, sendo os mais usados aqueles
cuja largura varia entre 110 e 120 mm.

Um estudo que o LNEC levou a cabo sobre caracterização térmica de pavimentos pré-
fabricados permitiu chegar às seguintes conclusões:

 para uma dada geometria dos blocos de cofragem, as variações devidas ao aumento da
espessura da camada de betão de 3 para 5 cm são irrelevantes do ponto de vista de
isolamento térmico;
 para uma de altura de pavimento e desde que se mantenha o número de fiadas de furos dos
respectivos blocos segundo a direcção do fluxo térmico, as variações devidas ao aumento
da largura da base dos blocos levam ao aumento da resistência térmica dos pavimentos;
 desde que se mantenha o número de fiadas de furos dos blocos segundo a direcção do
fluxo, o aumento de altura do pavimento leva a um aumento de resistência térmica do
mesmo;
 para a mesma altura de pavimento, se se aumentar o número de fiadas de furos dos blocos,
observa-se um aumento da resistência térmica do pavimento.

5.2.5. Estanqueidade

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Os pavimentos pré-fabricados entre andares, devem ter acabamentos apropriados conforme as


suas utilizações, possuindo suficiente estanqueidade às águas de lavagem ou aos derramamen-
tos acidentais de curta duração. Um terraço deverá ter estanqueidade suficiente de modo a
proteger os locais cobertos das águas pluviais, da neve, do vento, das poeiras e dos insectos.
Uma passagem aberta ou varanda envidraçada, uma vez devidamente acabada, deverá ser
estanque às águas de lavagem, aos derramamentos acidentais de curta duração e à penetração
do vento, dos insectos e das poeiras.

Os pavimentos devem ter estanqueidade suficiente de modo a não danificarem as ligações


entre elementos constituintes. Esses danos poderão ser dos mais variados, desde a corrosão
das armaduras até à fissuração do pavimento.

5.2.6. Isolamento acústico

O principal problema que se põe relativamente ao isolamento sonoro de pavimentos diz


respeito à transmissão de ruídos de percussão, não podendo esquecer-se o aspecto da
transmissão de ruídos aéreos.

A “lei das massas” (Fig. 44) quantifica o isolamento sonoro a sons aéreos. Os pavimentos pré-
fabricados de vigotas pré-esforçadas são bastante mais leves, pelo que têm um pior
isolamento acústico comparado com o dos pavimentos tradicionais. No entanto, deve ter-se em
conta que a “lei das massas” se aplica a meios homogéneos. No caso de pavimentos de
vigotas, a existência de blocos de aligeiramento conduz a que se possam verificar ligeiras
reduções dos valores de I a que serão tanto maiores quanto maiores forem os blocos de
aligeiramento utilizados.

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Fig. 44 - Expressão gráfica da “lei das massas”

Os pavimentos devem:

 garantir, pelo seu próprio peso ou por uma constituição especial, um isolamento acústico,
à transmissão de ruídos aéreos, suficiente para impedir o incómodo dos ocupantes, em
condições normais de utilização dos locais habitados (Quadro 3);
 evitar, através da natureza e/ou da disposição dos revestimentos de piso, a propagação dos
ruídos de percussão que possam incomodar os ocupantes, em condições normais de
utilização dos locais habitados (Quadro 3);
 ter uma constituição, de modo a que não se crie nenhum ruído, no próprio pavimento, em
consequência da utilização normal.

Quadro 3 - Isolamento acústico conferido pelos pavimentos


Ia - Ip
TIPO DE PAVIMENTO
(I a , dB)
(I p , dB pit.)
Laje de betão não revestida (espessuras correntes) 135
Laje de betão revestida com tacos de madeira 120
Laje de betão com lajeta flutuante revestida com tacos de madeira 115
Pavimento de vigotas pré-esforçadas com blocos de cofragem e 125
betão complementar
Laje de betão com piso flutuante de madeira 117

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5.2.7. Regras complementares

O processo de fabrico dos elementos constituintes dos pavimentos não deve encerrar riscos
incomportáveis com as regras de segurança correntes. Os elementos devem ser fabricados de
modo a apresentarem características e qualidade com uniformidade satisfatória. Deve-se ter
em especial atenção:

 a qualidade dos betões;


 as características dos aços;
 as tolerâncias aceitáveis na moldagem dos elementos;
 as condições de endurecimento dos betões.

O processo de montagem dos pavimentos não deve oferecer riscos para os operários. Todos
os elementos constituintes do pavimento devem suportar as acções decorrentes do processo de
montagem sem se danificarem. Os sistemas de elevação e de colocação dos elementos devem
ser tais que não apresentem riscos de queda dos elementos durante a montagem.

Os sistemas de escoramento provisório do pavimento e de circulação para montagem devem


ser concebidos de modo a preservarem a segurança dos operários e o bom estado dos
elementos. Os pavimentos devem ser executados sem dificuldades excepcionais, de tal modo
que a sua qualidade seja independente de condições especiais quer de situações dos estaleiros
quer de especialização particular dos operários.

Os pavimentos devem ser executados de modo lógico com uma utilização racional dos
elementos constituintes. Não devem existir desperdícios inúteis nem dificuldades
excepcionais de execução.

5.3. ENSAIOS LABORATORIAIS

Os ensaios laboratoriais permitem a verificação do dimensionamento analítico e a validade


das hipóteses de cálculo. A verificação experimental de resultados obtidos por via analítica é
sempre um bom critério pois permite corrigir erros e apurar resultados. No caso dos

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pavimentos pré-fabricados, os ensaios são realizados sobre protótipos do pavimento com


revestimento de acabamento da face inferior. São utilizados 4 protótipos do pavimento, cada
um com vão teórico de 4.2 m e largura mínima de 1.2 m, contendo, no mínimo, 3 ou 5
vigotas.

O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) efectua os ensaios com o objectivo de


aferir as qualidades das vigotas de betão pré-esforçado. Realizam-se ensaios ao pavimento de
flexão, solidarização, choque, penetração, comportamento sob a acção do fogo, higrotérmico,
acústico e de durabilidade e pode submeter-se ainda os elementos individualmente a ensaios
(Figs. 45 e 46): as vigotas a ensaios de flexão, de fragilidade de determinação do pré-esforço
das armaduras e de verificação das suas características geométricas (Figs. 47 e 48) e físicas;
os blocos de cofragem à verificação da sua resistência mecânica e das suas características
geométricas (Fig. 49) e físicas. Finalmente, podem-se ainda verificar as características dos
materiais empregues (aço e betão).

Fig. 45 - Sequência da determinação do pré-esforço numa vigota: execução de dois roços no


betão, colocando a armadura a descoberto; marcação de um ponto de referência em cada roço
e medição da distância entre os 2 pontos com um alongâmetro; remoção do betão envolvente
e corte das armaduras incluindo o provete resultante o troço compreendido entre os 2 pontos;
carregamento monotónico do provete à tracção, fazendo aumentar a distância entre os dois
pontos; o pré-esforço corresponde à força medida quando a distância entre os 2 pontos for
igual à registada quando a armadura se encontrava envolvida pelo betão

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Fig. 46 - Sequência do ensaio à flexão de uma vigota: a vigota, apoiada em 2 apoios, deve ter
no mínimo 4 m de comprimento; as forças são incrementadas monotonicamente até à rotura; a
máxima força registada corresponde à carga de rotura

5.3.1. Ensaios de flexão

Os pavimentos de ensaio, apoiados livremente nas duas extremidades, são submetidos à


flexão produzida por duas cargas aplicadas a uma distância dos apoios igual a ¼ do vão e
distribuídas por toda a largura dos pavimentos. As cargas são aplicadas em ciclos de carga e
descarga, aumentando em cada ciclo a carga máxima de ¼ da carga de serviço, sem esquecer
que já se encontram aplicadas as cargas resultantes do peso próprio do pavimento e do
revestimento do tecto.

Fig. 47 - Verificação das características geométricas das vigotas

Fig. 48 - Verificação do posicionamento dos fios de pré-esforço

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Fig. 49 - Verificação das características geométricas dos blocos de cofragem

Durante os ensaios, medem-se as flechas máximas e residuais a meio vão. Os ensaios são
levados até à rotura, verificando-se a carga correspondente ao início da fissuração e
registando e medindo a abertura das fissuras em cada patamar de carga. Anota-se a carga de
rotura, considerando como equivalente à rotura uma flecha de 1/10 do vão.

O ensaio abrange, no mínimo 2 protótipos de pavimento, dos quais um já deverá ter sido su-
bmetido ao ensaio de choque. Nos casos em que se preveja a actuação de esforços transversos
importantes, deverá ser ensaiado mais um protótipo sob a acção de um sistema de cargas mais
próximo dos apoios. Isto permite a predominância do esforço transverso nessa zona.

5.3.2. Ensaios de penetração

Este ensaio consiste na aplicação, em pontos do pavimento onde se julgue que a resistência à
penetração é pior, de uma carga aumentando cada vez de 100 kgf e indo até 500 kgf em
sucessivos ciclos de carga e descarga. Esta carga é aplicada por meio de um cilindro de aço
com 2.5 cm de diâmetro.

Durante o ensaio, medem-se as penetrações permanentes do cilindro. O ensaio é considerado


satisfatório se não houver rotura. São efectuados pelo menos três ensaios.

5.3.3. Ensaios de solidarização

Sempre que esteja prevista a actuação de cargas localizadas (concentradas ou distribuídas


linearmente), dever-se-á realizar um ensaio de solidarização. Este tipo de ensaio é realizado
sobre um protótipo do pavimento que sofre a aplicação de uma carga, na vigota central,
equivalente à soma da carga de cálculo equivalente a um troço entre eixos de vigotas e uma

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sobrecarga convencional de 300 kgf por metro linear de vigota. Esta carga é reproduzia por 2
cargas concentradas, cada uma com o valor de metade da carga total, a actuar a uma distância
dos apoios igual a ¼ do vão.

São efectuados ensaios de carga e descarga do mesmo modo que no ensaio de flexão. Durante
os ensaios, que são levados até à rotura, medem-se as flechas máximas e residuais a meio vão,
da vigota central, das vigotas vizinhas e das vigotas extremas. Verifica-se ainda a carga
correspondente ao início da fissuração e mede-se a largura das fissuras existentes em cada
patamar de carga. Anota-se a carga de rotura.

O ensaio é considerado satisfatório quando se verifiquem as condições seguintes:

 a flecha a meio vão da vigota central não ultrapassa 1/400 do vão para a carga de serviço;
 a largura das fissuras não ultrapassa 0.2 mm;
 o coeficiente de segurança em relação à rotura tem o valor mínimo de 2.

O ensaio de solidarização é realizado com um protótipo previamente submetido ao ensaio de


choque.

5.3.4. Ensaio de choque

Os protótipos de pavimentos a ensaiar, apoiados como para os ensaios de flexão e


solidarização, são submetidos ao choque produzido pela queda a meio vão e meia largura de
um saco de lona cheio de areia, pesando 30 kgf. As alturas de queda têm incrementos de 30
cm a partir da altura inicial que é de 30 cm. O saco é cilíndrico, com um diâmetro de 25 cm.
Os ensaios são conduzidos até uma altura de queda de 3 m.

Durante os ensaios, medem-se, a meio vão do pavimento, a flecha máxima no momento do


choque e a flecha permanente. O ensaio realiza-se sobre dois protótipos. Depois do ensaio ao
choque, um dos protótipos sofre um ensaio de flexão ao passo que o outro é submetido ao
ensaio de solidarização.

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6. MONTAGEM EM OBRA

A montagem em obra destes pavimentos aligeirados (Fig. 50, à esquerda) passa por uma
sequência de operações:

 transporte para a obra das vigotas (Fig. 50, ao centro) e blocos de cofragem e respectivo
armazenamento no local (Fig. 51);
 nivelamento dos apoios para o assentamento das vigotas (as vigotas poderão ser apoiadas
na cofragem das vigas ou cintas);
 montagem de escoramento provisório, para o apoio intermédio das vigotas (Fig. 50, à
direita); este escoramento tem de ser disposto de modo a evitar esforços de flexão,
capazes de provocar fendilhação das vigotas, na sua face inferior e superior; os intervalos
entre escoras, recomendados pelos fornecedores, variam entre 1.5 e 2.5 m;

Fig. 50 - Aspecto geral da montagem de um pavimento de vigotas (à esquerda), transporte das vi-
gotas para obra (ao centro) e escoramento provisório das vigotas (à direita, vigotas com
treliças)

Fig. 51 - Armazenamento em obra das vigotas e blocos de cofragem cerâmicos

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 montagem das cofragens junto aos apoios dos pavimentos (maciçamento mínimo
aconselhado para cada lado: 40 cm; em apoios com continuidade, este comprimento
poderá aumentar significativamente), para moldagem das vigas principais (Fig. 52, à
esquerda) e ao longo das nervuras transversais, para moldagem dos tarugos (Fig. 52, 2º a
partir da esquerda); adjacentemente a um vão em balanço, a laje deve ser maciçada (e logo
cofrada) num comprimento igual ao do vão da consola (independentemente de as vigotas
estarem orientadas segundo o vão da consola ou perpendicularmente a este);
 colocação das vigotas, paralelamente entre si (Fig. 52, à direita), evitando o seu transporte
numa posição invertida em relação à final; o acerto do seu afastamento é feito por meio de
blocos de cofragem junto aos apoios (Fig. 52, 2º a contar da direita) e de forma a não
interferir com a armadura das vigas; pode haver necessidade de se fazer um acerto
geométrico, por modificação da largura dos blocos de cofragem, introdução de vigotas
lado a lado, maciçamento ou outro meio que se julgue conveniente; a entrega das vigotas
nos apoios deve ser de pelo menos 10 cm (Fig. 52, 2º a contar da direita); vigotas com
curvatura excessiva devem ser rejeitadas; sob paredes divisórias particularmente pesadas,
devem-se colocar 2 vigotas encostadas, a fim de conferir maior resistência;

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Fig. 52 - Da esquerda para a direita, cofragem das vigas principais e zonas de apoio, cofragem
e escoramento dos tarugos, acerto do afastamento das vigotas nos apoios com os blocos de
cofragem e vigotas paralelas entre si

 colocação dos blocos entre vigotas (Fig. 53, à esquerda), apoiados nos banzos (ressaltos)
destas, com eliminação das filas de blocos correspondentes às faixas maciças do pavimen-
to (Fig. 53, ao centro); também aqui poderá haver necessidade de um acerto geométrico;
na zona dos apoios, para evitar um alinhamento recto na ligação da faixa maciça à zona
aligeirada do pavimento, mais propício ao aparecimento de fissuras, convém que o
número de blocos colocados seja alternado de intervalo para intervalo; os blocos podem
ser inseridos a partir do piso inferior, anteriormente terminado, aproveitando o espaço
deixado livre entre vigotas; os últimos blocos do painel, junto aos apoios, podem ser
inseridos por cima;
 disposição da armadura de distribuição prevista no documento de homologação na
camada de betão complementar (Fig. 53, à direita), directamente sobre os blocos de
cofragem e as vigotas; colocação da armadura das nervuras (tarugos) transversais e das
armaduras dos apoios, quando previstas;

Fig. 53 - Da esquerda para a direita, colocação dos blocos de cofragem, espaço entre os
blocos para um tarugo e colocação da armadura de distribuição

 instalação de passadiços para trânsito de pessoal e transporte de betão (pranchas de


madeira), a fim de evitar a circulação sobre os blocos de cofragem (Fig. 55, à esquerda),
cuja resistência nominal a meio vão é apenas de 0.5 kN);
 rega abundante das vigotas e dos blocos de cofragem (Fig. 54), precedendo a betonagem,
com vista a evitar a dessecação e melhorar a aderência do betão complementar;

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 preparação do betão em obra (Fig. 55, ao centro) ou recurso a betão pronto (Fig. 55, à
direita);
 lançamento (Fig. 56, à esquerda), espalhamento (Fig. 56, ao centro), compactação /
vibração (Fig. 56, à direita) e regularização (Fig. 57, à esquerda) do betão complementar,
tendo o cuidado de assegurar a sua perfeita aderência às faces expostas das vigotas e a
manutenção da espessura prevista da camada de betão acima dos blocos (nem demais nem
de menos); devido à natural fragilidade da estrutura, durante a sua fase de execução,
estará restringido o uso de meios de compactação (limitados a vibradores e réguas
vibradoras de pequena potência), o que exige especial cuidado na condução da betonagem
(Fig. 57, ao centro e à direita);

Fig. 54 - Rega das vigotas e blocos de cofragem antes da betonagem

Fig. 55 - Operário apoiado directamente sobre os blocos de cofragem (à esquerda), betão


amassado em obra (ao centro) e camião com unidade de bombagem de betão (à direita)

 manutenção da humidade do betão em obra, durante os primeiros dias do endurecimento,


por meio de rega (Fig. 58) ou de recobrimento, conservado humedecido, da superfície
betonada; a extensão e duração destes cuidados dependerão naturalmente das condições
de temperatura e humidade ambientes;
 após o betão complementar ter adquirido a resistência suficiente, podem ser retiradas as
cofragens e escoramentos da laje (Fig. 59).

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Fig. 56 - Lançamento (à esquerda), espalhamento (ao centro) e vibração (à direita) do betão


complementar

Fig. 57 - Regularização do betão complementar (à esquerda) e zonas recém betonadas, tanto


junto aos apoio (ao centro) como sobre as vigotas (à direita)

Fig. 58 - Cura do betão complementar por rega

Fig. 59 - Laje descofrada e sem escoramento, pronta a ser carregada (à esquerda) e já em fase
de acabamentos pela face inferior (à direita)

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7. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS E DE PROJECTO

7.1. ARMADURA DE DISTRIBUIÇÃO

Nestes pavimentos, deve-se dispor de uma armadura de distribuição (Fig. 60, à esquerda),
constituída por varões dispostos nas duas direcções, integrada na camada de betão
complementar. Na direcção perpendicular à das vigotas, as secções mínimas da armadura de
distribuição deverão ter um com espaçamento máximo de 250 mm, enquanto que, na direcção
das vigotas, o espaçamento pode ser maior, mas não excedendo os 350 mm. Esta armadura
deve ser prolongada até às cintas ou vigas de solidarização e apoio das vigotas.

7.2. TARUGOS

A armadura dos tarugos (Fig. 60, ao centro) ou nervuras transversais deverá ser constituída,
no mínimo, por dois varões colocados imediatamente acima das vigotas (Fig. 60, a direita).

Fig. 60 - Armadura de distribuição (à esquerda), tarugo (ao centro) e respectiva


pormenorização (à direita)

7.3. APOIOS COM CONTINUIDADE ESTRUTURAL

Deverão ser considerados maciçamentos junto aos apoios de continuidade (numa extensão
superior àquela que, de acordo com o dimensionamento, ocorrem momentos negativos) e
armadura principal sobre e perpendicularmente aos mesmos para conferir resistência a esses
mesmos momentos (Fig. 61). A betonagem dessas faixas faz-se nos intervalos entre vigotas
deixados livres pela não colocação de fiadas de blocos de cofragem.

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Fig. 61 - Apoio de continuidade em viga

7.4. APOIOS SEM CONTINUIDADE ESTRUTURAL (SIMPLES)

Mesmo nos apoios que, para efeito de cálculo, não conferem qualquer encastramento à laje,
deverá ser colocada uma armadura superior para controlo de fendilhação (a armadura de dis-
tribuição é em geral suficiente para este efeito), resultante dos esforços de tracção que sempre
se verificam em condições normais de serviço devido à restrição à rotação nos apoios, e ser
considerado um maciçamento de cerca de 40 cm para cada um dos lados das faces da viga
(Fig. 62). Embora menos aconselhável, a opção de não maciçar é muito corrente (Fig. 63).

Fig. 62 - Apoios simples com maciçamento

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Fig. 63 - Apoios simples sem maciçamento

A armadura deverá ser constituída por varões dispostos na direcção das vigotas com um
comprimento mínimo, a partir da face do apoio, igual a 1/10 do vão livre do pavimento e com
secção, por metro de largura, não inferior à da armadura de distribuição recomendada. Os
varões integrados na camada de betão complementar deverão ser convenientemente
amarrados nas cintas ou nas vigas em que as vigotas se apoiam.

7.5. PAREDES DIVISÓRIAS

Estes pavimentos podem ser considerados com condições estruturais que permitam ter em
conta as acções resultantes de paredes divisórias, desde que essas acções sejam consideradas
actuando nas suas condições reais, o que implica, na zona das divisórias, um reforço da
armadura de distribuição. No entanto, sempre que as paredes divisórias se encontrem na
direcção das vigotas, o reforço da armadura de distribuição ser complementado com a
colocação de vigotas suplementares dispostas a par das previstas para o pavimento (Fig. 64, à
esquerda).

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7.6. CARGAS SUSPENSAS

Os blocos de cofragem não possuem resistência suficiente para suportar eventuais acções
resultantes de equipamentos ou instalações pesados a suspender dos tectos. Essa suspensão
tem de ser assegurada por peças apropriadas incluídas no pavimento durante a sua execução.
Para tal, poderão ser usadas pequenas lajetas de betão armado apoiadas em duas vigotas
contíguas e substituindo blocos de cofragem, às quais se encontram ligados ganchos de
suspensão dos equipamentos a fixar na parte inferior dos pavimentos.

7.7. ABERTURAS

A execução de aberturas (Fig. 64, à direita) com interrupção de vigotas é possível, desde que
se adoptem disposições construtivas especiais (Fig. 65), como por exemplo, nervuras
transversais devidamente dimensionadas onde as vigotas interrompidas possam ser
devidamente apoiadas. A adopção destas disposições deve ser convenientemente justificada.
A execução de aberturas conseguidas pela eliminação de um ou mais blocos de cofragem
entre duas vigotas consecutivas não necessita, em geral, de verificação de segurança
complementar, a menos que essas aberturas possam condicionar a capacidade resistente do
pavimento.

Fig. 64 - Vigotas a par sob futura parede divisória pesada (à esquerda) e abertura num
pavimento (à direita)

7.8. CONSOLAS

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O facto de estes pavimentos terem aligeiramentos na sua face inferior, implica que estes não
possam resistir a momentos negativos elevados, a não ser que sejam maciçados. No entanto, é
possível estabelecer a sua ligação a consolas maciças, onde esses momentos ocorrem, desde
que adoptem as disposições construtivas adequadas (Fig. 66).

CORTE B-B

CORTE A-A

Fig. 65 - Disposições construtivas adequadas numa abertura com interrupção de vigota(s)

Armadura principal superior (prolongada


para o interior do pavimento de um com-
primento idêntico ao do vão da consola)

Deve ser maciçada para


o interior do pavimento
uma largura idêntica ao
vão da consola

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Fig. 66 - Disposições construtivas adequadas na ligação de uma consola a um pavimento de


vigotas pré-esforçadas

7.9. APOIOS EM SUSPENSÃO

Quando os pavimentos apoiam em viga invertida, é necessário garantir o apoio das vigotas na
fase construtiva: nos varões longitudinais inferiores da viga (Fig. 67, à esquerda) ou na
cofragem inferior da viga (Fig. 67, à direita).

Fig. 67 - Disposições construtivas adequadas para apoios em suspensão

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8. DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTOS NÃO TRADICIONAIS

O dimensionamento de pavimentos não tradicionais é baseado fundamentalmente nos respe-


ctivos documentos de homologação do LNEC, onde se encontram tabelas de cálculo devida-
mente estruturadas para o efeito. De acordo com o REBAP e o RSA., o dimensionamento
deve ter em conta os vários estados limite, últimos e de utilização. De entre estes, salientam-
se em especial o estado limite de flexão e esforço transverso e os estados limite de
deformação e fendilhação. Em princípio, dever-se-ia ter em conta o momento de
descompressão da estrutura, mas nos últimos anos o LNEC tem omitido este requisito, o que
indica que talvez as outras exigências sejam mais condicionantes no dimensionamento dos
pavimentos.

8.1. INTRODUÇÃO BREVE SOBRE ACÇÕES E COMBINAÇÕES DE CÁLCULO

No sentido de clarificar a apresentação feita mais adiante do processo de dimensionamento


das lajes de vigotas pré-esforçadas, apresenta-se de seguida e de uma forma muito resumida
uma introdução sobre acções e combinações de cálculo, tal como se encontra expressa no
RSA.

- Definição das acções (verticais) nas lajes:

- Cargas Permanentes (G):

- p.p. das lajes: maciças / pré-lajes 25 kN/m3 x espessura total;


vigotas valor tabelado (válido para as
zonas não maciçadas)

- revestimentos: função da utilização prevista para o compartimento


valores correntes habitação: 1.5 a 2.0 kN/m2
escritórios: 1.0 a 1.5 kN/m2
terraços: 2.0 a 2.5 kN/m2
laje de esteira: 0.5 kN/m2

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cobertura aligeirada (+ muretes): 1.0 a 2.5 kN/m2

- paredes divisórias interiores: função da espessura média das paredes


(art.º 15 do RSA) valores correntes: 1.5 a 2.5 kN/m2 (habitação)

- Cargas Variáveis (Q):

- sobrecargas de utilização função da utilização do compartimento


(art.º 35 do RSA) valores correntes: habitação: 2.0 kN/m2
escritórios: 3.0 kN/m2
lojas: 4.0 kN/m2
estacionamentos: 3.0 a 5.0 kN/m2
escadas: 3.0 ou 5.0 kN/m2
terraços acessíveis: 2.0 kN/m2
coberturas em telhado: 0.3 kN/m2

- equipamento fixo de grande porte a definir caso a caso

- Definição das combinações de acções:

- 1) Combinações fundamentais (Estados limite últimos associados normalmente à


garantia da resistência):

Sd = g x SG + q x SQ

S d - valor de cálculo do esforço actuante


S G - esforço devido às cargas permanentes
S Q - esforço devido às cargas variáveis
 g = normalmente 1.5 (art.º 9 do RSA)
 q = normalmente 1.5 (art.º 9 do RSA)

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- 2) Combinações quase-permanentes (Estados limite de utilização associados


normalmente à garantia da não descompressão em peças pré-esforçadas):

S qp = 1.0 x S G +  2 x S Q

S qp - valor quase-permanente do esforço actuante


2 = habitação: 0.2 (art.º 35 do RSA)
escritórios e lojas: 0.4
terraços e coberturas em telhado: 0.0

- 3) Combinações frequentes (Estados limite de utilização associados normalmente à


limitação de fendilhação e deformação):

S f = 1.0 x S G +  1 x S Q

S f - valor frequente do esforço actuante


1 = habitação: 0.3 (art.º 35 do RSA)
escritórios e lojas: 0.6
terraços e coberturas em telhado: 0.0

- 4) Combinações raras (Estados limite de utilização em circunstâncias menos


correntes):

S r = 1.0 x S G + 1.0 x S Q

S r - valor raro do esforço actuante

8.2. CÁLCULO DE LAJES ALIGEIRADAS DE VIGOTAS PRÉ-ESFORÇADAS

A verificação aos estados limite últimos é feita comparando os valores de cálculo resistentes
com os valores de cálculo actuantes devidos às combinações fundamentais de acções (art. 9º
do RSA), em termos de momentos flectores e esforço transverso:

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M Sd  M Rd VSd  VRd

A condição de verificação ao estado limite de fendilhação (E.L.F.) é efectuada comparando o


valor do momento resistente, M fctk (fornecido nas tabelas), com o momento actuante devido à
combinação de acções definidas de acordo com o art.º 12 do RSA. Nos documentos de
homologação, considerou-se conveniente substituir no E.L.F. a largura de fendas pelo limite
de formação de fendas.

O estado limite de deformação (E.L.D.) é verificado comparando os valores da flecha devido


à combinação frequente de acções (G +  1 .q) com o limite máximo estabelecido no REBAP
(art.º 72). Utiliza-se ainda o factor de rigidez em flexão para verificação do E.L.D.,
correspondendo ao produto do módulo de elasticidade pela inércia de uma secção de largura
unitária, tendo em consideração o efeito de fendilhação e do betão entre fendas. A flecha
instantânea, a 0 , é assim calculada através da expressão (com k = 5/384 e as restantes variáveis
identificadas mais adiante):

pf l4 l
a0  k  
EI 400

A flecha a longo prazo, a c , obtém-se multiplicando a flecha instantânea pelo seguinte factor
(cujas variáveis se encontram identificadas mais adiante):

MG
1 
Mf

Esta expressão é o resultado da importância das cargas permanentes na deformação do


pavimento. O coeficiente de fluência toma o valor de 2.0 (valor baixo), devido ao facto do
peso próprio da laje de vigotas ser relativamente baixo em relação a outras lajes.

As lajes de vigotas funcionam sempre como armadas numa só direcção, estando essencial-
mente concebidas para a resistência a momentos flectores positivos, o que indica que o

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melhor modelo é à partida o de viga simplesmente apoiada, que implica o momento máximo
de pl2/8.

Assim sendo, é a seguinte a sequência de cálculo de uma laje de vigotas pré-esforçadas:

1) Pré-dimensionamento (semelhante ao de lajes maciças vigadas armadas numa só direcção):


h = l / 25 a 30 em que h é a espessura total da laje e l o seu vão (distância entre apoios)

2) Selecção do tipo de lajes de vigotas a utilizar (documento de homologação - Fig. 68)

3) Idealização da orientação das lajes (normalmente segundo o menor vão, mas tendo em
conta a necessidade de garantir um diafragma rígido minimamente eficaz em ambas as
direcções); o modelo deve ser o de laje simplesmente apoiada

4) Definição das acções (é preciso fixar uma espessura da laje - Fig. 68; a determinação do
peso próprio pode ser um processo iterativo)

5) Determinação dos esforços devidos a cada acção (cargas permanentes e variáveis)


- laje simplesmente apoiada: M+ máx. = pl2 / 8; V máx. = pl / 2
- laje em consola M- máx. = pl2 / 2; V máx. = pl

6) Determinação dos seguintes esforços combinados:


- momentos flectores (máximo positivo):
- combinação fundamental: M Sd
- combinação frequente: M f
- esforços transversos (junto aos apoios):
- combinação fundamental: V Sd

7) Selecção da laje de vigotas a utilizar (é preciso alguma experiência - Fig. 68); nesta
selecção, o que é preciso é combinar os três seguintes elementos: a vigota (cujas
dimensões e armadura variam), a abobadilha cerâmica ou não (cujas dimensões variam,

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influenciando o espaçamento entre vigotas) e o betão complementar (cuja espessura


mínima também pode variar)

tipo de
espessura total máxima
tipo de bloco e mínima [cm]

Fig. 68 - Exemplo de tabela de cálculo de pavimento de vigotas pré-esforçadas (extraído do


respectivo documento de homologação)

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8) Verificação dos seguintes estados limite nas diversas secções condicionantes:


- M Sd  M Rd (valor tabelado - Fig. 68)
- V Sd  V Rd (valor tabelado - Fig. 68)
- M f  M fctk (valor tabelado - Fig. 68)
- a 0 x (1+ M G / M f x )  l / 400
em que M G - momento devido às cargas permanentes
 - coeficiente de fluência (adoptar 2.0)
l - vão de cálculo
a 0 - flecha instantânea devida à carga frequente p f
- laje simplesmente apoiada: a 0 = 5/384 x p f x l4 / E I (valor tabelado - Fig.
68)

NOTA: Se algum estado limite não for cumprido, volta-se ao passo 7 para outra laje de
vigotas; caso contrário, resta adoptar uma armadura superior (em toda a extensão do
pavimento) perpendicular às vigotas (geralmente uma malha electrossoldada) de acordo com
o prescrito nas tabelas de dimensionamento (em que é designada de armadura “de
distribuição”); paralelamente às vigotas, os varões (ou fios) podem ser mais espaçados.

9) Determinação da armadura superior nas consolas (cálculo de uma secção de betão armado
normal):
-  = |M Sd | / d2 x f cd
em que  - momento flector reduzido
d - altura útil da armadura superior  h - 0.025 m
f cd - valor de cálculo da tensão de rotura do betão à compressão
(13.3 MPa para o B25 e 16.7 MPa para o B30)
-    x (1 + ) (as tabelas fornecem um valor mais exacto)
em que  - percentagem mecânica da armadura
- A s =  x d x f cd / f syd
em que A s - área da armadura superior principal

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f syd - valor de cálculo da tensão de rotura do aço à tracção (348


MPa para o A400)
- A dis  0.20 A s
em que A dis - área da armadura superior de distribuição

10) Determinação da armadura de distribuição do betão complementar:


- A s,dis  0.2 A sp.vigotas f spyd / f syd
em que A s,dis - área da armadura superior de distribuição
A sp.vigotas - área de armadura de pré-esforço, por metro de
largura
f spyd - valor de cálculo da tensão de rotura do aço de pré-esforço
- em alternativa, ver valor tabelado (Fig. 68)

Apesar de a sequência de cálculo apresentada acima apontar apenas para a consideração do


modelo de laje simplesmente apoiada em ambos os apoios, é possível calcular lajes de vigotas
pré-esforçadas tendo em conta de forma explícita algum grau de encastramento nos apoios
(apoios de continuidade). Para que isso seja possível, é necessário verificar as seguintes
condições:

 nos apoios em que se pretende ter em conta alguma capacidade resistente a momentos
negativos, é necessário maciçar, para ambos os lados, um comprimento de laje igual à
zona em que, de acordo com o cálculo, poderão ocorrer momentos negativos acrescido do
valor de translação e do comprimento de amarração previstos no REBAP (art.º 92º e art.º
81º, respectivamente);
 nesta zona é necessário colocar uma armadura superior que garanta a resistência a
momentos negativos de que se pretende tirar partido, assim como a respectiva armadura
de distribuição;
 tanto de um lado como do outro do apoio, as vigotas deverão estar orientadas segundo a
direcção correspondente aos momentos negativos considerados.

Neste caso, e através de uma redistribuição de esforços, é possível determinar o máximo mo-
mento flector positivo na zona do vão, assim como os esforços transversos nos apoios,

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compatíveis e equilibrados com os momentos negativos considerados nos apoios. Isto permite
alguma economia ao nível do pavimento a utilizar, mas é sobretudo em termos do estado
limite de deformação, particularmente condicionante neste tipo de pavimentos para vãos
superiores a 4.5 / 5 m num modelo simplesmente apoiado, que se consegue vantagens
significativas.

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9. BIBLIOGRAFIA
9B

[1] Brito, Jorge de, “Pavimentos Aligeirados de Pranchas Vazadas”, IST, Lisboa, 2003.
[2] Brito, Jorge de, “Pavimentos Pré-fabricados com Pré-Lajes”, IST, Lisboa, 2003.

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