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Mestrado em Ensino de Música

Ano Lectivo 2013/2014

Keith Swanwick

Nasceu em Inglaterra na década de 30, professor de


Educação Musical no Instituto de Educação da Universidade
de Londres, é um dos mais importantes e destacados
investigadores da actualidade, no âmbito da Educação
Musical. Seu trabalho desenvolve-se no sentido de alargar o
âmbito científico e pedagógico do ensino da música aplicando nele os resultados das
investigações feitas nos domínios da psicologia, da sociologia e da estética. Desta
forma, Keith Swanwick, debruçou-se sobre a questão do desenvolvimento musical no
ser humano, tentando solucionar questões curriculares nos cursos oficiais de música
ingleses. Seu trabalho não é pioneiro, mas vem acrescentar às teorias de
desenvolvimento clássicas, ideias originais, elaboradas a partir de constatações
fundamentadas na sua prática docente e nas suas pesquisas.

Suas investigações

Com o intuito de verificar cuidadosamente a prática musical curricular, Swanwick


(1988) realizou um estudo em 60 escolas, entre 1985 e 1987. Tal estudo permitiu
detectar uma grande variedade de actividades nas salas de aula, as quais pareciam ser
determinadas pelos princípios teóricos e pedagógicos de cada professor. Não existia,
portanto, continuidade e sistematização na prática curricular do ensino de música nas
instituições de ensino.

Fundamentos da Didáctica da Música: Keith Swanwick – Docente António Pacheco, Novembro 2013. 1
A partir da diversidade de propostas de aprendizagem realizadas nas aulas de música,
Swanwick (1988) verificou que tais actividades poderiam ser classificadas em:
«tradicional» ou centrada na matéria, «progressista» ou centrada na criança e a
«multicultural».
A teoria tradicional de educação caracteriza-se pelo predomínio do ensino dirigido,
onde o professor transmite ao aluno informações, referentes a determinados assuntos, os
quais devem ser memorizados. É da responsabilidade do professor a selecção do que,
como e quando o aluno vai aprender, bem como a selecção do material pedagógico. Não
se questiona o porquê de tal aprendizagem.
Contrapondo-se à teoria tradicional, a «progressista» valoriza a auto-educação,
preocupando-se mais com os processos mentais e habilidades cognitivas do que com a
organização racional dos conteúdos (Libâneo, 1987). O ensino é centrado no aluno e no
grupo, ressaltando-se o desenvolvimento das aptidões individuais. Volta-se para a
compreensão da natureza psicológica da criança, pois suas necessidades e interesses são
importantes para que ela se adapte com facilidade ao meio. O professor agora tem o
papel de auxiliar o desenvolvimento livre e espontâneo da criança, atentando também
para manter um relacionamento positivo com o aluno.
A terceira teoria da educação musical citada e identificada por Swanwick (1988) é a
teoria multicultural. Esta teoria está relacionada com a diversidade cultural encontrada
nas sociedades, do crescimento da migração e imigração das mais diversas culturas e do
desenvolvimento dos meios de comunicação. Não há dúvida de que as preferências
musicais são sinais culturais, e os processos de rotular a música e de colocá-la dentro de
um contexto de aprovação social são universais e podem ser encontrados dentro de
qualquer categoria de tradições ocidentais clássicas ou folclóricas. Consequentemente, a
fusão da música com a cultura e o estilo de vida em geral dá-se de acordo com os
costumes culturais óbvios, ou seja, costumes e práticas religiosas, políticas ou de
qualquer outra categoria (Swanwick, 1988).
De acordo com esta linha de pensamento multicultural, o papel da educação é evitar,
ou pelo menos reduzir, a rotulação e a estereotipação cultural através de um maior
contacto com diferentes manifestações musicais, fazendo com que os alunos vivenciem
experiências construídas a partir de elementos independentes de vinculação cultural. A
principal tarefa do professor refere-se à escolha do repertório. Conforme Swanwick
(1988), o educador tem a responsabilidade de tornar familiares aos estudantes as
diferentes convenções estruturais presentes nos diversos idiomas musicais, ou seja,
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mostrar como as ideias musicais podem ser estabelecidas e transformadas através dos
diversos modos de repetição e contraste.

Elaboração da sua teoria

Tendo como premissa a convicção de que a aprendizagem musical, assim como


qualquer outro ramo do conhecimento, deve obedecer a etapas sucessivas (Piaget - o
conhecimento dá-se por etapas sucessivas e é construído pelo indivíduo), consoantes
com o nível de amadurecimento psicológico do indivíduo, Swanwick fez um mapa do
progresso desse conhecimento, estudando um grupo de estudantes na faixa entre os 3 e
os 14 anos. Essas crianças, todas alunas de três escolas em Londres, eram oriundas de
diversos grupos étnicos e culturais – crianças de origens asiáticas, das Antilhas,
africanas e sul e norte da Europa. Durante quatro anos, Swanwick fez gravações de
composições feitas por estas crianças, num total de 745 composições de um universo de
48 estudantes. Este estudo foi feito dentro do conceito de «oficinas de música», dando
prioridade a uma visão apelidada pelos seus defensores de linha «criativa» do ensino
musical. Dentro desta óptica, encontram-se John Paynter e Murray Schafer. O professor
deve preocupar-se em desenvolver a criatividade e a improvisação, utilizando para isso
todo e qualquer material sonoro disponível.
A partir do seu estudo, Swanwick elaborou a sua «Teoria Espiral de
Desenvolvimento Musical». Para representá-la, elaborou um gráfico em forma de
espiral. Através deste, Swanwick mostrou os níveis de desenvolvimento, relacionados
com a idade das crianças «compositoras» envolvidas no estudo.
Enfoque em quatro territórios:
1º - o material: dividiu em dois níveis - o sensorial e o manipulativo e diz respeito às
crianças de 0 a 4 anos;
2º - a expressão: compreende crianças na faixa dos 5 aos 9 anos;
3º- a forma: dividiu em – especulativo e idiomático, e diz respeito às crianças de 10 a
15 anos;
4º - o valor: dividiu em - simbólico e sistemático, crianças com 15 anos ou mais.
A partir desta teoria, Swanwick propôs um processo de aprendizagem baseado num
modelo ao qual chamou de «C.L.A.S.P.». O modelo consiste em trabalhar os conteúdos
de maneira vinculada, para justamente favorecer o desenvolvimento cognitivo de forma
integral e não fragmentada.
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Bases da sua metodologia e pedagogia

Swanwick tem uma abordagem expressionista dos objectivos da sua pedagogia.


Segundo a sua perspectiva, a música é uma forma de cada um manifestar os seus
sentimentos. A sua preocupação centra-se no desenvolvimento de uma educação
estética capaz de privilegiar o relacionamento humano e que contribua para um
crescimento harmonioso de todos.
De acordo com os seus estudos desenvolvidos, Swanwick adoptou uma metodologia
baseada em três tipos de actividades: composição, audição e interpretação/execução, -
Composition, Audition, Performance (C A P) -, acrescentando mais dois parâmetros:
estudos literários – Literature Studies (L) e aquisição de competências – Skill
Acquisition (S).
Composição: qualquer forma de invenção musical, desde que implique a junção de
sons de uma maneira expressiva, incluindo a improvisação; Audição: consiste em
assistir à apresentação de uma música sentindo-se membro de uma «audiência» e não
apenas como simples ouvinte, ou seja, concentrar toda a atenção no que se ouve, seja na
rua, numa discoteca ou através da rádio, tornando-se um ouvinte empenhado;
Interpretação/Execução: envolve capacidade técnica, dependente de preparação anterior
geralmente, o sentimento do risco de que não se chegue a manifestar a característica
especial daquela música, e a sensação de se ter uma audiência, por mais pequena e
informal que possa ser. Estudos literários: de partituras, registos de acontecimentos
musicais, literatura de carácter histórico e crítico sobre música e literatura musicológica.
Aquisição de competências: de percepção auditiva, de fluência na escrita e na leitura, de
controlo técnico, de execução em conjunto. A composição, audição e desempenho
pertencem à categoria de actividades de avaliação estética; a literatura musical e a
aquisição de competências são actividades que cimentam as anteriores. Neste sentido
são 5 parâmetros desenvolvidos por Swanwick: C L A S P (Amado, 1999).
Para Swanwick todo e qualquer conceito a ensinar deve passar pela realização de
actividades de composição, audição e desempenho, sendo estas apoiadas pelos estudos
literários sobre o conceito e aptidões relacionadas com o conceito. A improvisação deve
estar sempre presente no ensino da música para proporcionar aos alunos experiências
ricas e criativas que lhes desenvolvam o sentido estético.

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Bibliografia

SWANWICK, Keith. (1979). A Basis for Music Education. Londres: Routledge.

SWANWICK, Keith. (1988). Music, Mind and Education. Londres: Routledge.

SWANWICK, Keith. (1994). Musical Knowledge: Intituion Analysis and Music


Education. Londres: Routledge.

EDIÇÕES MAIS RECENTES

SWANWICK, Keith. (1990). Music, Mind and Education. Londres e Nova York:
Routledge.

SWANWICK, Keith. (1992). A Basis for Music Education. Londres: Routledge.

Bibliografia de Apoio

AMADO, M. L. (1999). O Prazer de Ouvir Música – Sugestões pedagógicas de


audições para crianças. Lisboa: Caminho.

MATEIRO, T. de A. N. (S/D). Educação Musical nas Escolas Brasileiras:


Retrospectiva Histórica e Tendências Pedagógicas Atuais. Retirado em Outubro, 05,
2008, http://www.ceart.udesc.br/Revista_Arte_Online/Volume/artteresa.htm

LIBÂNEO, José Carlos. (1987). Democratização da escola Pública: A Pedagogia


Crítico-Social dos Conteúdos. 5ª ed. São Paulo: Loyola.

O desenvolvimento musical segundo Swanwick (2000, 28 de Fevereiro). Retirado em


Outubro, 05, 2008, cafemusic.com.br.

www.scribd.com/doc/6314884/Correntes-Pedagogicas-Contemporaneas-I-Text...
consultado em Abril, 04, 2009.

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