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RESUMO - Pastoralismo, nativismo, bucolismo; - Sousândrade - Adolfo Caminha

- Expressões em latim.
PRINCIPAIS AUTORES Prosa  Parnasianismo: segunda metade do séc. XIX
 A Literatura do Brasil : século XVI - Claudio Manoel da Costa; - Joaquim Manoel Macedo
LITERATURA INFORMATIVA - Tomás Antônio Gonzaga; - Manoel Antônio de Almeida CONTEXTO HISTÓRICO
- Sobre o Brasil, para os europeus; - Basílio da Gama; - José de Alencar - Contemporâneo do Realismo/Naturalismo
- Cartas, realatórios, documentos, mapas; - Santa Rita Durão. Teatro CARACTERÍSTICAS
- Carta de Pero Vaz. - Martins Pena - Perfeição formal;
LITERATURA JESUÍTICA  O Romantismo: século XIX - Impassibilidade;
- Informativa em geral;  Realismo: segunda metade do séc. XIX - Fazer poético;
- Padre Anchieta, seu teatro e poesia. CONTEXTO HISTÓRICO - Poesia descritiva sem conteúdo;
TEATRO DE ANCHIETA - Revolução da Imprensa e ascenção do romance; CONTEXTO HISTÓRICO - Vocabulário nobre;
- Mistura de elementos europeus com a realidade;
- Vinda da Família Real para o Brasil (em 1808); - Manifesto comunista (1848); - Objetividade.
- Indígena.
- Independência do Brasil (em 1822). - Determinismo, Evolucionismo, Psicanálise; PRINCIPAIS AUTORES
CARACTERÍSTICAS - Abolição da escravidão (1888); - Olavo Bilac
 O Barroco: século XVII - Individualismo; - Decadência da monarquia. - Raimundo Correia
CONTEXTO HISTÓRICO - Subjetivismo; CARACTERÍSTICAS - Alberto de Oliveira
- Contrarreforma; - Verso livre e verso branco; - Literatura de combate social;
- Renascimento. - Sentimento de nacionalidade; - Crítica à burguesia, ao adultério e ao clero;  Simbolismo:
CARACTERÍSTICAS - Culto à natureza. - Análise psicológica dos personagens; CONTEXTO HISTÓRICO
- Conflito entre corpo e alma; PRINCIPAIS AUTORES - Objetividade, temas contemporâneos. - Virada do século
- Passagem do tempo; Poesia PRINCIPAIS AUTORES - Fundação da Academia Brasileira de Letras
- Cultismo e conceptismo; - Machado de Assis CARACTERÍSTICAS
- Figuras de linguagem. 1a Geração Romântica: Nacionalista ou Indianista - Desmistificação da poesia;
PRINCIPAIS AUTORES - Gonçalves de Magalhães  Naturalismo: segunda metade do séc. XIX - Sinestesia;
- Bento Teixeira; - Gonçalves Dias CARACTERÍSTICAS - Musicalidade;
- Gregório de Matos Guerra; - Araújo Porto-Alegre - Desdobramento do Realismo; - Preferência pela cor branca;
- Padre Antonio Vieira. - Retratam pessoas marginalizadas pela sociedade; - Sensualismo;
2a Geração Romântica: Mal do Século - O Naturalismo é fruto da experiência; - Pessimismo;
 O Arcadismo: século XVIII - Álvares de Azevedo - Análise biológica e patológica das personagens; - Dor e revolta.
CONTEXTO HISTÓRICO - Casimiro de Abreu - Determinismo acentuado; PRINCIPAIS AUTORES
- Iluminismo; - Junqueira Freire - Zoomorfismo. - Cruz e Souza
- Lutas pela independência do Brasil. - Fagundes Varela PRINCIPAIS AUTORES - Alphonsus de Guimaraens
CARACTERÍSTICAS - Aluísio Azevedo
- Modelo greco-romano e renascentista; 3a Geração Romântica: Condoreira - Raul Pompéia  Pré-modernismo: século XIX e XX
- Mitologia pagã; - Castro Alves
CONTEXTO HISTÓRICO  Poesia 30/45 – ruma para o universal. achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais
- Guerra do Contestado; Carlos Drummond de Andrade faz poesia de Descarto-me da tronga, que me chupa, passos: Exiit seminare. (...) Ora, suposto que a
- A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana; tensão ideológica. Corro por um conchego todo o mapa, conversão das almas por meio da pregação depende
- A revolta da Vacina.  Fases de Drummond: O ar da feia me arrebata a capa, destes três concursos: de Deus, do pregador e do
CARACTERÍSTICAS  – Eu maior que o mundo – poema, humor, piada. O gadanho da limpa até a garupa. ouvinte, por qual deles devemos entender a falta? Por
- Convivem juntas duas tendências: – Eu menor que o mundo – poesia de ação. Busco uma freira, que me desemtupa parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por
1. Conservadora: sobrevivência da mentalidade – Eu igual ao mundo – poesia metafísica A via, que o desuso às vezes tapa, parte de Deus? (...)
positivista, agnóstica e liberal.  Poetas espiritualistas: Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
Destacou-se: Euclides da Cunha – Obra: Os Sertões – Cecília Meireles – herdeira do Simbolismo. Que as cartas lhe dão sempre com chalupa. Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal
(miséria e subdesenvolvimento nordestino). – Jorge de Lima – Invenção de Orpheu. Que hei de fazer, se sou de boa cepa, contra as de Holanda (1640):
2. Renovadora: incorporação de aspectos da realidade – Vinícius de Moraes – Soneto da Fidelidade. E na hora de ver repleta a tripa,
brasileira. Darei por quem mo vase toda Europa? Neste sermão, o padre incita os seguidores a reagir
Destacaram-se: – Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo TERCEIRA FASE Amigo, quem se alimpa da carepa, contra as invasões Holandesas, alegando que a
Quaresma (a vida urbana e as transformações de início CONTEXTO HISTÓRICO Ou sofre uma muchacha, que o dissipa, presença dos protestantes na colônia resultaria em
de século). - A Redemocratização do Brasil; Ou faz da mão sua cachopa. uma série de depredações à colônia. Leia um trecho do
– Monteiro Lobato – livro de contos Urupês (a miséria - A ditadura militar no Brasil. sermão:
do caboclo, a decadência da cultura cafeeira). Obs.: Foi AUTORES Soneto a Nosso Senhor Se acaso for assim — o que vós não permitais — e está
Monteiro Lobato quem criticou a exposição da pintora – Guimarães Rosa – Neologismo – Obra: Grande Sertão determinado em vosso secreto juízo, que entrem os
Anita Malfatti, chamando-a de “Paranóia ou Veredas. Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, hereges na Bahia, o que só vos represento
Mistificação”. – Clarice Lispector – Introspectiva – Obra: Laços de Da vossa alta clemência me despido; humildemente, e muito deveras, é que, antes da
– Graça Aranha, Canaã (imigração além do Espírito Família, onde a autora procura retratar o cotidiano Porque quanto mais tenho delinquido execução da sentença, repareis bem, Senhor, no que
Santo). monótono e sufocante da família burguesa brasileira. Vos tem a perdoar mais empenhado. vos pode suceder depois, e que o consulteis com vosso
Poeta representante: Augusto dos Anjos – Obra: Eu e – João Cabral de Melo Neto – poeta de poucas palavras. coração enquanto é tempo, porque melhor será
outras poesias. Obra de maior relevância literária: Morte e Vida Se basta a voz irar tanto pecado, arrepender agora, que quando o mal passado não
Severina. Tem intertextualidade com o teatro A abrandar-vos sobeja um só gemido: tenha remédio. Bem estais na intenção e alusão com
 Modernismo: século XX Vicentino. Que a mesma culpa que vos há ofendido, que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que
Vos tem para o perdão lisonjeado. tenho para o dizer. Também antes do dilúvio estáveis
PRIMEIRA FASE vós mui colérico e irado contra os homens, e por mais
CONTEXTO HISTÓRICO Gregório de Matos Se uma ovelha perdida e já cobrada que Noé orava em todos aqueles cem anos, nunca
- Fundação do Partido Comunista Brasileiro; Glória tal e prazer tão repentino houve remédio para que se aplacasse vossa ira.
- A Revolução de 1930. À mesma d. Ângela Vos deu, como afirmais na sacra história. Romperam-se enfim as cataratas do céu, cresceu o mar
CARACTERÍSTICAS até os cumes dos montes, alagou-se o mundo todo: já
- Poesia nacionalista; Anjo no nome, Angélica na cara! Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada, estaria satisfeita vossa justiça, senão quando ao
- Espírito irreverente, polêmico e destruidor. Isso é ser flor, e Anjo juntamente: Recobrai-a; e não queirais, pastor divino, terceiro dia começaram a boiar os corpos mortos, e a
Movimento contra. Ser Angélica flor, e Anjo florente, Perder na vossa ovelha a vossa glória. surgir e aparecer em multidão infinita aquelas figuras
- Anarquismo, luta contra o tradicionalismo; Em quem, senão em vós, se uniformara: pálidas, e então se representou sobre as ondas a mais
- Paródia, humor; Padre Antônio Vieira triste e funesta tragédia que nunca viram os anjos, que
- Liberdade de estética; Quem vira uma tal flor, que a não cortara, Sermão da Sexágésima (1655): homens que a vissem, não os havia.
- Verso livre sem uso da métrica; De verde pé, da rama fluorescente;
- Linguagem coloquial. E quem um Anjo vira tão luzente, O sermão, dividido em dez partes, é conhecido por Sermão de Santo Antônio (1654):
AUTORES Que por seu Deus o não idolatrara? tratar da arte de pregar. Nele, Padre Antônio Vieira
- Mário de Andrade – Obra: Pauliceia desvairada condena aqueles que apenas pregam a palavra de Deus Também conhecido como "O Sermão dos Peixes", pois
(Prefácio Interessantíssimo) Se pois como Anjo sois dos meus altares, de maneira vazia. Para ele, a palavra de Deus era como nele o padre usa a imagem dos peixes como símbolo
– Oswald de Andrade – Obra: Manifesto antropofágico Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda, uma semente, que deveria ser semeada pelo pregador. para fazer uma crítica aos vícios dos colonos
/ Pau-Brasil Livrara eu de diabólicos azares. Por fim, o padre chega à conclusão de que, se a palavra portugueses que se aproveitavam da condição dos
– Manuel Bandeira – Obra: Libertinagem de Deus não dá frutos no plano terrreno a culpa é única índios para escravizá-los e sujeitá-los ao seu poder.
Mas vejo, que por bela, e por galharda, e exclusivamente dos pregadores que não cumprem Leia um trecho do sermão:
SEGUNDA FASE Posto que os Anjos nunca dão pesares, direito a sua função. Leia um trecho do sermão: Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os
CONTEXTO HISTÓRICO Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda. Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que "saiu o pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da
- A Era Vargas; pregador evangélico a semear" a palavra divina. Bem terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O
- Lampião e o cangaço no sertão. Triste Bahia parece este texto dos livros de Deus ão só faz menção efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra
CARACTERÍSTICAS do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos
- Destaca-se a prosa regionalista nordestina (prosa Triste Bahia! no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão- nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a
neorrealista e neo-naturalista). ó quão dessemelhante nos de contar os passos. (...) Entre os semeadores do causa desta corrupção? (...) Enfim, que havemos de
AUTORES Estás e estou do nosso antigo estado! Evangelho há uns que saem a semear, há outros que pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao
– Graciliano Ramos – representante maior, criador do Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante. semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes:
romance psicológico nordestino – Obras: Vidas Secas; vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar o
São Bernardo. A ti tricou-te a máquina mercante, sem sair, são os que se contentam com pregar na Pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de
– Jorge Amado – Obras: Mar Morto; Capitães da Areia. Que em tua larga barra tem entrado, Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. converter. Mas esta dor é tão ordinária, que já pelo
– José Lins do Rego – Obras: Menino de Engenho; Fogo A mim foi-me trocando e, tem trocado, Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a costume quase se não sente (...) Suposto isto, para que
Morto. Tanto negócio e tanto negociante. semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão- procedamos com clareza, dividirei, peixes, o vosso
– Rachel de Queiroz – Obra: O Quinze. lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as
– José Américo de Almeida – Obra: A Bagaceira Necessidades Forçosas da Natureza Humana passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá,
vossas atitudes, no segundo repreender-vos-ei os Tiraram-me o casal, e o manso gado, Se eu morresse amanhã,viria ao menos "Nos áureos tempos, nos jardins da América
vossos vícios. (...) Nem tenho, a que me encoste, um só cajado Fechar meus olhos minha triste irmã; Infante adoração dobrando a crença
Minha mãe de saudades morreria Ante o belo sinal, nuvem ibérica
Basílio da Gama Gonçalves Dias Se eu morresse amanhã! Em sua noite a envolveu ruidosa e densa.
O Uruguai - Canto IV I-Juca Pirama
(...) (...) Quanta glória pressinto em meu futuro! "Cândidos Incas! Quando já campeiam
Cansada de viver, tinha escolhido No meio das tabas de amenos verdores, Que aurora de porvir e que amanhã! Os heróis vencedores do inocente
Para morrer a mísera Lindóia. Cercadas de troncos — cobertos de flores, Eu pendera chorando essas coroas Índio nu; quando os templos s'incendeiam,
Lá reclinada, como que dormia, Alteiam-se os tetos d’altiva nação; Se eu morresse amanhã! Já sem virgens, sem ouro reluzente,
Na branda relva e nas mimosas flores, São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Tinha a face na mão, e a mão no tronco Temíveis na guerra, que em densas coortes Que sol! que céu azul! que dove n'alma "Sem as sombras dos reis filhos de Manco,
De um fúnebre cipreste, que espalhava Assombram das matas a imensa extensão. Acorda a natureza mais loucã! Viu-se... (que tinham feito? e pouco havia
Melancólica sombra. Mais de perto Não me batera tanto amor no peito, A fazer-se...) num leito puro e branco
Descobrem que se enrola no seu corpo São rudos, severos, sedentos de glória, Se eu morresse amanhã! A corrupção, que os braços estendia!
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge Já prélios incitam, já cantam vitória,
Pescoço e braços, e lhe lambe o seio. Já meigos atendem à voz do cantor: Mas essa dor da vida que devora "E da existência meiga, afortunada,
Fogem de a ver assim, sobressaltados, São todos Timbiras, guerreiros valentes! A ânsia de glória, o dolorido afã... O róseo fio nesse albor ameno
E param cheios de temor ao longe; Seu nome lá voa na boca das gentes, A dor no peito emudecera ao menos Foi destruído. Como ensanguentada
E nem se atrevem a chamá-la, e temem Condão de prodígios, de glória e terror! Se eu morresse amanhã! A terra fez sorrir ao céu sereno!
Que desperte assustada, e irrite o monstro, (...)
E fuja, e apresse no fugir a morte. (...) Casimiro de Abreu
Porém o destro Caitutu, que treme Da tribo pujante, Meus oito anos Joaquim Manuel de Macedo
Do perigo da irmã, sem mais demora Que agora anda errante Epílogo (A Moreninha)
Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes Por fado inconstante, Oh que saudades que tenho A chegada de Filipe, Fabrício e Leopoldo veio dar ainda
Soltar o tiro, e vacilou três vezes Guerreiros, nasci; Da aurora da minha vida, mais viveza ao prazer que reinava na gruta. O projeto
Entre a ira e o temor. Enfim sacode Sou bravo, sou forte, Da minha infância querida de casamento de Augusto e d. Carolina não podia ser
O arco e faz voar a aguda seta, Sou filho do Norte; Que os anos não trazem mais um mistério para eles, tendo sido, como foi, elaborado
Que toca o peito de Lindóia, e fere Meu canto de morte, por Filipe. de acordo com o pai do noivo, que fizera a
A serpente na testa, e a boca e os dentes Guerreiros, ouvi. Que amor, que sonhos, que flores, proposta, e com o velho amigo, que ainda no dia
Deixou cravados no vizinho tronco. Naquelas tardes fagueiras, antecedente viera concluir os ajustes com a senhora d.
Açouta o campo co’a ligeira cauda (...) A sombra das bananeiras, Ana e portanto, o tempo que se gastaria em explicações
O irado monstro, e em tortuosos giros Eu era o seu guia Debaixo dos laranjais. passou-se em abraços.
Se enrosca no cipreste, e verte envolto Na noite sombria, — Muito bem! Muito bem! disse por fim Filipe; quem
Em negro sangue o lívido veneno. A só alegria Como são belos os dias pôs o fogo ao pé da pólvora fui eu, eu que obriguei
Leva nos braços a infeliz Lindóia Que Deus lhe deixou: Do despontar da existência Augusto a vir passar o dia de Sant’Ana conosco.
O desgraçado irmão, que ao despertá-la Em mim se apoiava, Respira a alma inocência, — Então estás arrependido?...
Conhece, com que dor! no frio rosto Em mim se firmava, Como perfume a flor; — Não, por certo, apesar de me roubares minha irmã.
Os sinais do veneno, e vê ferido Em mim descansava, Finalmente para este tesouro sempre teria de haver
Pelo dente sutil o brando peito. Que filho lhe sou. O mar é lago sereno, uni ladrão: ainda bem que foste tu que o ganhaste.
Os olhos, em que Amor reinava, um dia, O céu um manto azulado, — Mas, meu maninho, ele perdeu ganhando...
Cheios de morte; e muda aquela língua (...) O mundo um sonho dourado, — Como?...
Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes "Tu choraste em presença da morte? A vida um hino de amor! Estamos no dia 20 de agosto: um mês!
Contou a larga história de seus males. Na presença de estranhos choraste? (...) — E verdade! Um mês!... exclamou Filipe.
Nos olhos Caitutu não sofre o pranto, Não descende o cobarde do forte; — Um mês! ... gritaram Fabrício e Leopoldo.
E rompe em profundíssimos suspiros, Pois choraste, meu filho não és! Castro Alves — Eu não entendo isto, disse a senhora d. Ana.
Lendo na testa da fronteira gruta Possas tu, descendente maldito O Livro e a América Minha boa avó, acudiu a noiva, isto quer dizer que,
De sua mão já trêmula gravado De uma tribo de nobres guerreiros, (...) finalmente, está presa a borboleta.
O alheio crime e a voluntária morte. Implorando cruéis forasteiros, Por isso na impaciência — Minha boa avó, exclamou Filipe, isto quer dizer que
E por todas as partes repetido Seres presa de vis Aimorés. Desta sede de saber, Augusto deve-me um romance.
O suspirado nome de Cacambo. Como as aves do deserto -- — Já está pronto, respondeu o noivo.
Inda conserva o pálido semblante (...) As almas buscam beber... — Como se intitula?
Um não sei quê de magoado e triste, "Um amigo não tenhas piedoso Oh! Bendito o que semeia A Moreninha.
Que os corações mais duros enternece Que o teu corpo na terra embalsame, Livros... livros à mão cheia...
Tanto era bela no seu rosto a morte! Pondo em vaso d’argila cuidoso E manda o povo pensar! José de Alencar
Arco e frecha e tacape a teus pés! O livro caindo n'alma Capítulo II (Iracema)
Tomás Antônio Gonzaga Sê maldito, e sozinho na terra; É germe -- que faz a palma,
Lira XV Pois que a tanta vileza chegaste, É chuva -- que faz o mar. Além, muito além daquela serra, que ainda azula no
Que em presença da morte choraste, (...) horizonte, nasceu Iracema.
Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro, Tu, cobarde, meu filho não és." Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os
Fui honrado Pastor da tua aldeia; Sousândrade cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos
Vestia finas lãs, e tinha sempre Álvares de Azevedo Guesa Errante que seu talhe de palmeira.
A minha choça do preciso cheia. Se eu morresse amanhã! (...)
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a GAINER – Conforme; falta ainda alguma dinheira. Eu Morte à gordura! Pneumotórax
baunilha recendia no bosque como seu hálito queria fazer uma empréstima. Se o senhor quer fazer Morte às adiposidades cerebrais!
perfumado. seu capital render cinqüenta por cento dá a mim Morte ao burguês-mensal! Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem para acabar a maquina, que trabalha depois por nossa ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi! A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse,
corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua conta. Padaria Suíça! Morte viva ao Adriano! tosse, tosse.
guerreira tribo da grande nação tabajara, o pé grácil e FELÍCIO (à parte) – Assim era eu tolo... (Para Gainer:) "–Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
nu, mal roçando alisava apenas a verde pelúcia que Não sabe quanto sinto não ter dinheiro disponível. Que –Um colar... –Conto e quinhentos!!! Mandou chamar o médico:
vestia a terra com as primeiras águas. bela ocasião de triplicar, quadruplicar, quintuplicar, Mas nós morremos de fome!" — Diga trinta e três.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da que digo, centuplicar o meu capital em pouco! Ah! — Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, GAINER (à parte) – Destes tolas eu quero muito. Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma! Oh! — Respire.
mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da FELÍCIO – Mas veja como os homens são maus. purée de batatas morais!
acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos Chamarem ao senhor, que é o homem o mais Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas! — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros filantrópico e desinteressado e amicíssimo do Brasil, Ódio aos temperamentos regulares! e o pulmão direito infiltrado.
ameigavam o canto especulador de dinheiros alheios e outros nomes mais. Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia! Ódio à — Então, doutor, não é possível tentar o
Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, GAINER – A mim chama especuladora? A mim? By God! soma! Ódio aos secos e molhados! [pneumotórax?
como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Quem é a atrevido que me dá esta nome? Ódio aos sem desfalecimentos nem [arrependimentos, — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango
Enquanto repousa, empluma das penas do gará as FELÍCIO – É preciso, na verdade, muita paciência. sempiternamente as mesmices convencionais! De mãos [argentino.
flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, Dizerem que o senhor está rico com espertezas! nas costas! Marco eu o compasso! Eia! Dois a dois! (Manuel Bandeira)
pousado no galho próximo, o canto agreste GAINER – Eu rica! Que calúnia! Eu rica? Eu está pobre Primeira posição! Marcha!
A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto com minhas projetos pra bem do Brasil. Todos para a Central do meu rancor inebriante Ódio e Quadrilha
dela As vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a FELÍCIO (à parte) – O bem do brasileiro é o estribilho insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao
virgem pelo nome; outras remexe o uru te palha destes malandros... (Para Gainer:) Pois não é isto que burguês de giolhos, João amava Teresa que amava Raimundo
matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos dizem. Muitos crêem que o senhor tem um grosso cheirando religião e que não crê em Deus! que amava Maria que amava Joaquim
fios do crautá , as agulhas da juçara com que tece a capital no Banco de Londres; e além disto, chamam-lhe Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico! que amava Lili que não amava ninguém.
renda, e as tintas de que matiza o algodão. de velhaco. Ódio fundamento, sem perdão! João foi para os Estados Unidos, Teresa para o
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. GAINER (desesperado) – Velhaca, velhaca! Eu quero convento, Raimundo morreu de desastre,
Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua mete uma bala nos miolos deste patifa. Quem é estes Fora! Fu! Fora o bom burguês!... Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou
vista perturba-se. que me chama velhaca? (Mário de Andrade) com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na
Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro FELÍCIO – Quem? Eu lho digo: ainda não há muito que o [história
estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da Negreiro assim disse. No meio do caminho (Carlos Drummond de Andrade)
floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam GAINER – Negreira disse? Oh, que patifa de meia-cara...
o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Vai ensina ele... Ele me paga. Goddam! No meio do caminho tinha uma pedra
Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. FELÍCIO – Se lhe dissesse tudo quanto ele tem dito... Tinha uma pedra no meio do caminho
GAINER – Não precisa dize; basta chama velhaca a mim Tinha uma pedra
Martins Pena pra eu mata ele. Oh, que patifa de meia-cara! Eu vai No meio do caminho tinha uma pedra.
Os dois ou o inglês maquinista (trecho) dize a commander do brigue Wizart que este patifa é Nunca me esquecerei desse acontecimento
meia-cara; pra segura nos navios dele. Velhaca! Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
CENA VII - Felício e Gainer Velhaca! Goddam! Eu vai mata ele! Nunca me esquecerei que no meio do caminho
FELÍCIO – Estou admirado! Excelente idéia! Bela e Oh! (Sai desesperado.) Tinha uma pedra
admirável máquina! Tinha uma pedra no meio do caminho
GAINER (contente) – Admirável, sim. ODE AO BURGUÊS No meio do caminho tinha uma pedra.
FELÍCIO – Deve dar muito interesse. Pauliceia Desvairada (Carlos Drummond de Andrade)
GAINER – Muita interesse o fabricante. Quando este
máquina tiver acabada, não precisa mais de cozinheiro, Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
de sapateira e de outras muitas ofícias. o burguês-burguês!
FELÍCIO – Então a máquina supre todos estes ofícios? A digestão bem-feita de São Paulo!
GAINER – Oh, sim! Eu bota a máquina aqui no meio da O homem-curva! o homem-nádegas!
sala, manda vir um boi, bota a boi na buraco da O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é
maquine e depois de meia hora sai por outra banda da sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
maquine tudo já feita. Eu insulto as aristocracias cautelosas!
FELÍCIO – Mas explique-me bem isto. Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
GAINER – Olha. A carne do boi sai feita em beef, que vivem dentro de muros sem pulos;
em roast-beef, em fricandó e outras muitas; do couro e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
sai sapatas, botas... para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
FELÍCIO (com muita seriedade) – Envernizadas? e tocam os "Printemps" com as unhas!
GAINER – Sim, também pode ser. Das chifres sai Eu insulto o burguês-funesto!
bocetas, pentes e cabo de faca; das ossas sai marcas... O indigesto feijão com toucinho, dono das [tradições!
FELÍCIO (no mesmo) – Boa ocasião para aproveitar os Fora os que algarismam os amanhãs!
ossos para o seu açúcar. Olha a vida dos nossos setembros!
GAINER – Sim, sim, também sai açúcar, balas da Porto e Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
amêndoas. Mas à chuva dos rosais
FELÍCIO – Que prodígio! Estou maravilhado! Quando o êxtase fará sempre Sol!
pretende fazer trabalhar a máquina?