Você está na página 1de 29

UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES

GRUPO EDUCA MAIS BRASIL

PÓS GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ANDRESSA COSTA

OS RISCOS DE TRABALHO EM ALTURA NO PERÍODO DE


ENTRESSAFRA EM UMA USINA DO SETOR
SUCROENERGÉTICO

Tangará da Serra

2018
ANDRESSA COSTA

OS RISCOS DE TRABALHO EM ALTURA NO PERÍODO DE


ENTRESSAFRA EM UMA USINA DO SETOR
SUCROENERGÉTICO

Monografia apresentada para obtenção do título de


Especialista no Curso de Pós Graduação em Engenharia
De Segurança do Trabalho, Universidade Cândido Mendes,
Orientador: Prof. Roger Valentim Abdala

Tangará da Serra

2018
TERMO DE APROVAÇÃO

OS RISCOS DE TRABALHO EM ALTURA NO PERÍODO DE


ENTRESSAFRA EM UMA USINA DO SETOR
SUCROENERGÉTICO

Banca examinadora:

TANGARÁ DA SERRA

2018
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por me proporcionar saúde, e iluminando meus


caminhos para que continue sempre lutando para me tornar uma pessoa e uma
profissional melhor.

A minha família e amigos por estarem sempre ao meu lado e torcendo pelo meu
crescimento e não permitirem que eu desanime.

Aos meus colegas de trabalho e gerentes que depositaram confiança em mim e sempre
me incentivaram a buscar aperfeiçoamento.
RESUMO

No período de entressafra de uma usina produtora de açúcar e etanol, a empresa fica


exclusivamente com atividades de manutenção em área industrial. Nesse período, de
aproximadamente quatro meses não há produção e ocorre intenso fluxo de pessoas,
empresas terceirizadas são contratadas para serviços de manutenções. Neste intervalo
muitos trabalhos são realizados em altura e o risco de acidentes aumenta.

Este trabalho aborda a performance da Segurança e Saúde do trabalho com as situações


de risco de trabalho em altura na planta industrial durante a entressafra no setor
sucroenergético com objetivo de realizar uma análise das práticas utilizadas para trabalho
em altura nas atividades de manutenção dos equipamentos industriais no período de
entressafra.

Palavras – chave: Setor Sucroenergético, Trabalho em altura, Segurança do trabalho

ABSTRACT

In the off-season of a sugar and ethanol production plant, the company is exclusively
engaged in maintenance activities throughout the industry. In this period, of approximately
four months there is no production and there is intense flow of people, outsourced
companies are contracted for various maintenance services. In this interval many jobs are
performed in height and the risk of accidents increases.
This paper deals with the performance of Safety and Health of work with high - risk working
situations in the industrial plant during the off - season in the sugarcane industry with the
objective of performing an analysis of the practices used to work at height in the activities
of maintenance of industrial equipment in the off period.

Keywords: Sugar - energy sector, work at height, Safety at work


LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Modelo de Análise de risco da tarefa ....................................................................................13


Figura 2: Modelo de Permissão de trabalho .........................................................................................15
Figura 3: Exemplo de cinto tipo paraquedista.......................................................................................17
Figura 4: Exemplos de cintos tipo abdominal. ......................................................................................18
Figura 5: Exemplo de talabarte ...............................................................................................................18
Figura 6: Exemplos de trava quedas......................................................................................................19
Figura 7: Exemplos de mosquetões. ......................................................................................................20
Figura 8: Exemplo de dispositivo de ancoragem. Gancho de ancoragem.......................................20
Figura 9: Exemplo de capacete com jugular. ........................................................................................21
Figura 10: Exemplo de luvas. ..................................................................................................................22
Figura 11: Operários realizando atividades em tubulação. ................................................................23
Figura 12: Operários trabalhando na moega de torta. ........................................................................24
Figura 13: Operário trabalhando na caldeira. .......................................................................................24
Figura 14: DDS realizado na oficina de manutenção mecânica. .......................................................26
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Empregados e profissionais da Segurança do Trabalho na entressafra ........................23


Tabela 2: Dados do questionário aplicado aos responsáveis da Saúde e Segurança do Trabalho
......................................................................................................................................................................25
Tabela 3: Modelo do questionário aplicado aos trabalhadores que exerceram trabalhos em
altura............................................................................................................................................................26
Tabela 4: Resultados das entrevistas ....................................................................................................27
8

Sumário
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 9
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................................................................... 9
2.1. CENÁRIO DO SETOR SUCROENERGÉTICO NO BRASIL ........................................ 9
2.2. ACIDENTE DE TRABALHO NO BRASIL ....................................................................... 10
2.3. NR-35 TRABALHO EM ALTURA ..................................................................................... 10
2.4. ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO – APR ................................................................... 12
2.5. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) CONTRA QUEDAS .............. 16
2.5.1. CONCEITO .................................................................................................................. 16
2.5.2. PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL ADEQUADOS
PARA TRABALHO EM ALTURA ............................................................................................. 16
2.5.2.1. CINTO DE SEGURANÇA TIPO PARAQUEDISTA ....................................... 16
2.5.2.2. CINTURÃO TIPO ABDOMINAL ....................................................................... 17
2.5.2.3. TALABARTE........................................................................................................ 18
2.5.2.4. TRAVA QUEDAS................................................................................................ 19
2.5.2.5. MOSQUETÕES .................................................................................................. 19
2.5.2.6. DISPOSITIVO DE ANCORAGEM ................................................................... 20
2.5.2.7. CAPACETE COM JUGULAR ........................................................................... 21
2.5.2.8. LUVAS .................................................................................................................. 21
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................................................. 22
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................... 28
5. REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 29
9

1. INTRODUÇÃO

No setor sucroenergético após término da safra a produção cessa e dá-se início aos
procedimentos de manutenção em toda indústria que dura aproximadamente quatro
meses para que nova safra inicie. A entressafra é composta por diversas atividades
de manutenção tais como serviços mecânicos, de caldeiraria, elétrica, soldagem, civil
e muitos deles são realizados em altura. Essas atividades estão sujeitas a riscos
principalmente à medida que a safra se aproxima onde pressão de iniciar a moagem
aumenta. Desta forma, uma abordagem sobre o trabalho em altura se faz importante
visto que nesse período há grande risco de acidentes nas usinas.

Diante disso, a NR35, Norma Regulamentadora para trabalho em altura, estabelece


os requisitos mínimos e as medidas de proteção, envolvendo o planejamento, a
organização e a execução, de forma a garantir a segurança e a saúde dos
trabalhadores envolvidos direta e indiretamente com esta atividade (BRASIL, 2012).

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. CENÁRIO DO SETOR SUCROENERGÉTICO NO BRASIL

O Brasil é reconhecido e elogiado mundialmente pelo forte componente renovável de


sua matriz energética. Hoje, mais de 40% de toda a energia utilizada no país vem de
fontes renováveis. O setor sucroenergético tem papel-chave nesse quadro: a cana-
de-açúcar, matéria-prima para a produção de etanol e bioeletricidade, é a segunda
maior fonte de energia renovável do País, representando quase 16% na matriz
energética nacional. (UNICA, 2016).

O setor sucroenergético conta com cerca de 380 unidades produtoras e mais de 1.000
municípios vinculados à atividade no País, gerando mais de 950 mil empregos formais
diretos no setor produtivos e 70 mil produtores rurais de cana-de-açúcar
independentes. (UNICA, 2016)
10

Sua participação no PIB (Produto interno Bruto) nacional de aproximadamente US$


40 bilhões (equivalente a 2% do PIB brasileiro). Valor bruto anual movimentado pela
cadeia sucroenergética supera US$ 100 bilhões. Maior produtor e exportador mundial
de açúcar (respondendo por 20% da produção e por 40% da exportação global) e o
segundo maior produtor de etanol do mundo. Frota corrente de 26 milhões de
automóveis flex (equivalente a 70% da frota de veículos leves do Brasil), aqueles
habilitados a utilizar qualquer combinação de gasolina e de etanol. Redução das
emissões de gases de efeito estufa (GEE) em mais de 350 milhões de toneladas de
CO2 e desde o lançamento dos veículos flex fuel. Etanol e bioeletricidade, em
conjunto, figuram como a primeira fonte de energia renovável do País (17% da matriz
nacional), com um potencial de produção de energia elétrica equivalente a mais de 4
usinas de Belo Monte. (UNICA, 2016).

2.2. ACIDENTE DE TRABALHO NO BRASIL

De 2012 a 2017, foram quase 4 milhões de acidentes e doenças do trabalho gerando


um gasto maior que R$ 26 bilhões somente com despesas previdenciárias e 315
milhões de dias de trabalho perdidos (MPT,2018). Estima-se que o país perde R$ 264
bilhões, anualmente, com acidentes e doenças do trabalho, o que corresponde a 4%
do Produto Interno Bruto (Luís Fabiano Assis, 2018).

2.3. NR-35 TRABALHO EM ALTURA

“Esta norma estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o


trabalho em altura, envolvendo o planejamento, a organização, e a execução, de
forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou
indiretamente com esta atividade”. (Brasil, 2012).
De acordo com a norma, “considera-se trabalho em altura toda atividade executada
acima de 2,00 m (dois metros) do nível inferior, onde haja risco de queda”.
Muitos dos acidentes do trabalho em altura são decorrentes do não atendimento de
normas de segurança em especial a NR 35. Grande número desses acidentes pode
ser evitado se medidas preventivas forem tomadas. A prevenção é fundamental nos
ambientes de trabalho, e a NR 35 trata desse assunto.

Entre as medidas previstas na norma regulamentadora citada, estão as seguintes:


11

 Promover a realização das medidas de proteção adequadas, sendo que a


seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de
proteção coletiva e individual precisam acatar orientações dos fabricantes,
princípios da redução do impacto e dos fatores de queda e normas técnicas
vigentes;

 Executar a análise de risco antes que a atividade tenha início;

 Expedir permissão de trabalho para atividades que não sejam de rotina;

 Criar um procedimento operacional para atividades de rotina de trabalho em


altura, que terá que ser documentado, conhecido, entendido e divulgado pelos
trabalhadores que realizam o trabalho e pelas pessoas nele envolvidas;

 Proporcionar a realização de prévia avaliação das condições do local de


trabalho para implementar e planejar as ações e medidas de segurança
aplicáveis não contempladas no procedimento operacional e na análise de
risco;

 Elaborar uma sistemática de autorização dos empregados para trabalho em


altura,
 Garantir a supervisão do trabalho e a organização e arquivamento da
documentação característico para disponibilização, quando for necessário, à
Inspeção do Trabalho;

 Capacitar os trabalhadores por meio de treinamento periódico prático e teórico


com carga mínima de 8 horas;

 Efetivar exames médicos voltados às patologias que possam originar queda de


altura e mal súbito, levando em conta também os fatores psicossociais;

 Interromper o trabalho caso ofereça condição de risco não prevista;

 Conceder equipe para respostas em caso de emergências para trabalho em


altura com os recursos exigidos.
12

2.4. ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO – APR

A análise preliminar de risco é uma ferramenta muito importante na gestão de


segurança do trabalho. Afinal, qualquer imprevisto ou acidente com o trabalhador,
quando este está a muitos metros do chão, tende a ser muito mais grave e prejudicial.
De acordo com a Norma regulamentadora NR-35 Trabalho em altura, todo trabalho
em altura deve ser precedido de Análise de Risco (Brasil, 2012).
De acordo com a norma, a Análise de risco considera:
1. O local em que os serviços serão executados e seu entorno;
2. O isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho;
3. O estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem;
4. As condições meteorológicas adversas;
5. A seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas
de proteção coletiva e individual, atendendo às normas técnicas
vigentes, às orientações dos fabricantes e aos princípios da redução do
impacto e dos fatores de queda;
6. O risco de queda de materiais e ferramentas;
7. Os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos;
8. O atendimento aos requisitos de segurança e saúde contidos nas
demais normas regulamentadoras;
9. Os riscos adicionais;
10. As condições impeditivas;
11. As situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros
socorros, de forma a reduzir o tempo da suspensão inerte do
trabalhador;
12. A necessidade de sistema de comunicação;
13. A forma de supervisão.
 Para atividades rotineiras de trabalho em altura a análise de risco pode estar
contemplada no respectivo procedimento operacional;
 Os procedimentos operacionais para as atividades rotineiras de trabalho em
altura devem conter, no mínimo:
1. As diretrizes e requisitos da tarefa;
2. As orientações administrativas;
3. O detalhamento da tarefa;
13

4. As medidas de controle dos riscos características à rotina;


5. As condições impeditivas;
6. Os sistemas de proteção coletiva e individual necessários;
7. As competências e responsabilidades.

Figura 1: Modelo de Análise de risco da tarefa


Fonte: Disponibilizada por Usinas Itamarati S/A

Numa usina sucroenergética na entressafra muitas atividades que são realizadas em


altura não são rotineiras, e as atividades diferem de entressafra para outra pois os
equipamentos passam por manutenções de acordo com a necessidade naquele
momento após uma avaliação. Neste caso a NR 35 recomenda também elaborar
Permissão de trabalho.
14

 “As atividades de trabalho em altura não rotineiras devem ser previamente


autorizadas mediante Permissão de Trabalho.” (Brasil, 2012).
 “A Permissão de Trabalho deve ser emitida, aprovada pelo responsável pela
autorização da permissão, disponibilizada no local de execução da atividade e,
ao final, encerrada e arquivada de forma a permitir sua rastreabilidade.” (Brasil,
2012).
 A Permissão de Trabalho deve conter:

1. Os requisitos mínimos a serem atendidos para a execução dos


trabalhos;
2. As disposições e medidas estabelecidas na Análise de Risco;
3. A relação de todos os envolvidos e suas autorizações.

 “A Permissão de Trabalho deve ter validade limitada à duração da atividade,


restrita ao turno de trabalho, podendo ser revalidada pelo responsável pela
aprovação nas situações em que não ocorram mudanças nas condições
estabelecidas ou na equipe de trabalho” (Brasil, 2012).
15

Figura 2: Modelo de Permissão de trabalho


Fonte: Disponibilizada por Usinas Itamarati S/A
16

2.5. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) CONTRA QUEDAS

2.5.1. CONCEITO

A utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI) é de extrema importância


para segurança e saúde dos trabalhadores e obrigatória nas atividades onde não for
possível evitar o trabalho em altura. Equipamento de proteção individual (EPI) deve
ser utilizado somente como último recurso (Cabrelon, 2014).
A NR 6 dispõe sobre os Equipamentos de Proteção Individual. As empresas são
obrigadas a fornecer aos seus empregados equipamentos de proteção individual,
destinados a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador. O Equipamento
de Proteção Individual (EPI) deve ser entregue gratuitamente, e a entrega deverá ser
registrada. (Delbono, 2013).
Todo equipamento deve ter o Certificado de Aprovação (CA) do Ministério do Trabalho
e Emprego e a empresa que importa Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)
também deverá ser registrada junto ao Departamento de Segurança e Saúde do
Trabalho, existindo para esse fim todo um processo administrativo. (Delbono, 2013).

2.5.2. PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL


ADEQUADOS PARA TRABALHO EM ALTURA

2.5.2.1. CINTO DE SEGURANÇA TIPO PARAQUEDISTA

EPI objetiva proteção contra queda em altura ou riscos de queda.


O cinturão (ou cinto) de segurança tipo paraquedista segue a NBR 15836. Quando
fixado ao corpo do trabalhador distribui as forças de sustentação e de parada sobre
as coxas, cintura, peito e ombros. Assim, proporciona o mínimo de impacto ao corpo
do usuário. É fabricado em material sintético como o nylon e o poliéster. O uso do
polipropileno está proibido. Deve atender a ensaios dinâmicos e estáticos que
simulam uma queda dentro da pior situação possível. Usado acima de dois metros de
altura e em outras situações, nas quais é necessária a movimentação do trabalhador
em um mesmo nível. O ponto seguro de fixação do talabarte não deve fazer parte da
estrutura que serve de apoio para o trabalhador. (Superguianet, 2018).
17

Figura 3: Exemplo de cinto tipo paraquedista

Fonte: SuperEpi (2018)

2.5.2.2. CINTURÃO TIPO ABDOMINAL

O cinturão (ou cinto) de segurança tipo abdominal não protege contra quedas e sim
limita distância e posicionamento. O cinturão tem fitas com comprimento ajustável por
meio de fivelas. É fabricado em couro ou em material sintético como poliéster. Fixado
ao corpo do usuário, é dotado de, no mínimo, duas argolas nas partes laterais. Essas
servem para fixação do talabarte. As ferragens (argolas, fivelas, mosquetões) podem
ser de aço forjado, aço inoxidável ou de ligas metálicas. Segue a NBR 15835 e deve
ser marcado com o pictograma. Sustenta o trabalhador na posição vertical ou na
situação estática e seu uso deve ser associado ao cinto paraquedista. (Superguianet,
2018).
18

Figura 4: Exemplos de cintos tipo abdominal.

Fonte: SuperEpi (2018)

2.5.2.3. TALABARTE

O talabarte faz a ligação ao ponto de fixação seguro. São cordas, fitas, cabos de aço,
dentre outros tipos possíveis de matéria-prima, providos de ganchos com os quais se
faz a conexão entre o cinturão e o ponto de ancoragem. É obrigatório o uso de
absorvedor de energia para talabartes de retenção de queda maiores do que 90 cm.
Normas: Talabarte NBR 15834 e Absorvedor NBR 14629. Utilizados para ligar os
usuários a um ponto de ancoragem, possibilitam que se posicione ou se locomova da
melhor maneira possível numa estrutura. Podem ser reguláveis ou não.
(Superguianet, 2018).

Figura 5: Exemplo de talabarte

Fonte: SuperEpi (2018)


19

2.5.2.4. TRAVA QUEDAS

O trava-quedas é usado com cinturão de segurança tipo paraquedista. O trava-quedas


deslizante é acoplado a uma linha de vida vertical e se desloca em uma linha de
ancoragem flexível ou rígida. A flexível pode ser composta de cabo de aço ou de corda
de material sintético, e a rígida por um trilho de aço. O trava-quedas retrátil é composto
por um cabo de aço ou fita enrolada, que se estende ou se retrai através de uma mola,
conforme a locomoção vertical. Tem movimentação retrátil de seu cabo de aço ou fita
sintética. Ao sofrer um impacto, o dispositivo trava automaticamente e impede a
movimentação. (Superguianet, 2018).

a) Trava quedas para cordas b) Trava quedas retrátil

Figura 6: Exemplos de trava quedas.

Fonte: SuperEpi (2018)

2.5.2.5. MOSQUETÕES

Os mosquetões são utilizados para conectar materiais de salvamento (cordas, fitas,


grampos, etc.) e objetiva evitar acidentes com cordas que possam se soltar ou
deslizar.
20

Figura 7: Exemplos de mosquetões.

Fonte: SuperEpi (2018)

2.5.2.6. DISPOSITIVO DE ANCORAGEM

A ancoragem é regulamentada pela NBR 16325 e este EPI é muito importante para
trabalho em altura permitindo que o trabalhador permaneça ancorado durante a
atividade e descida.

Figura 8: Exemplo de dispositivo de ancoragem. Gancho de ancoragem.

Fonte: Leal Equipamentos de Proteção (2018)


21

2.5.2.7. CAPACETE COM JUGULAR

O capacete de segurança reduz os efeitos de impactos de objetos na cabeça e diminui


a possibilidade de ferimentos. É composto por casco e suspensão. O primeiro
geralmente é produzido em polietileno de alta densidade ou ABS. Já a suspensão tem
a carneira, em geral, de polietileno de baixa densidade, e coroa, do mesmo material
ou de tecido. (Superguianet, 2018).

Figura 9: Exemplo de capacete com jugular.

Fonte: SuperEpi (2018)

2.5.2.8. LUVAS

As luvas de segurança protegem as mãos dos trabalhadores contra riscos mecânicos


- como abrasão, corte e perfuração, riscos químicos e riscos biológicos - como fungos
e bactérias. Devem-se avaliar os riscos e atividades desenvolvidas. O tamanho da
mão do usuário também deve ser considerado. No mercado, há vários tipos de
materiais, texturas e tamanhos. As novidades estão voltadas mais para a tecnologia
na construção da luva do que necessariamente a novas fibras. Existe uma
preocupação ergonômica e em se associar diferentes tipos de proteção, por exemplo,
mecânica e química. Desenvolvem-se luvas que favorecem o manuseio de pequenas
peças e ao mesmo tempo protejam da contaminação química. (Superguianet, 2018).
22

Figura 10: Exemplo de luvas.

Fonte: SuperEpi (2018)

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Na empresa verificou-se a presença constante da equipe Segurança do trabalho


constituída na área industrial por um Engenheiro de Segurança do trabalho, três
técnicos de segurança, um bombeiro, um médico do trabalho, um enfermeiro e um
técnico de enfermagem. No período de entressafra o quadro de empregados aumenta
principalmente os serviços terceirizados, exigindo assim contratação de mais
profissionais na área de segurança obedecendo as exigências da Norma
Regulamentadora – NR4. Com relação a utilização de andaimes e pontos de
ancoragem, estas atividades são inspecionadas e acompanhadas pelo técnico de
segurança, realizadas Análise de Risco da Tarefa.

A respeito das empresas que são terceirizadas contratadas para serviços temporário,
comum nesse período, cada empresa contraparte oferece um número de técnicos de
segurança de acordo com número de trabalhadores e em comum acordo com a
empresa contratante, que exige um técnico de segurança para cada 50 empregados.
Todos em empregados contratados nesse período devem possuir certificação de
treinamento de NR 35.
23

Tabela 1: Empregados e profissionais da Segurança do Trabalho na


entressafra
Empresas Nº efetivo de Nº Nº técnicos
terceirizadas empregados empregados de
na das próprios da segurança
entressafra empresas Usina das
terceirizadas empresas
terceirizadas
Usinas - 399 3
Itamarati
Empresa 100 - 1
contratada 1
Empresa 100 - 2
contratada 2
Empresa 43 - 1
contratada 3
Fonte: A Autora, 2018.

Figura 11: Operários realizando atividades em tubulação.

Fonte: Usinas Itamarati (2018)


24

Figura 12: Operários trabalhando na moega de torta.

Fonte: Usinas Itamarati (2018)

Figura 13: Operário trabalhando na caldeira.

Fonte: Usinas Itamarati (2018)

Através de um questionário com os profissionais responsáveis pela segurança


industrial foi constatado que a empresa analisada fornece os equipamentos de
proteção individual (EPI) para todos os operários. Tais equipamentos informados
foram: cinturão de segurança; dispositivo trava-quedas; óculos de segurança; luvas e
botas; e cabo de segurança. As retiradas dos EPI’s são registradas por sistema
25

eletrônico pela empresa como comprovante do fornecimento como recomenda a NR-


6.

Tabela 2: Dados do questionário aplicado aos responsáveis da Saúde e


Segurança do Trabalho
Empres Forneciment Realizaçã Orientação Permissõe Exigência Realizaçã
a o de EPI o de e s de do uso de o de DDS
Análise de treinament trabalho EPI dos
risco da o sobre empregado
tarefa uso s
adequado
Usinas
Itamarat Sim Sim Sim Sim Sim Sim
i
Fonte: A Autora, 2018.

Antes de cada atividade é realizado um acompanhamento e liberação pelo técnico de


segurança no qual é responsável também por informar ao trabalhador possíveis riscos
que estão expostos e inspecionar o cumprimento das normas.

Com relação ao método de informações que são repassados para os empregados


sobre segurança, foi verificado a realização do DDS (Diálogo Diário de Segurança)
com objetivo de conscientizar os colaboradores com as práticas de segurança e sobre
as atividades a serem realizadas.
26

Figura 14: DDS realizado na oficina de manutenção mecânica.

Fonte: Usinas Itamarati (2018)


Foi realizada uma entrevista com um grupo de empregados que realizaram trabalhos
em alturas na entressafra com objetivo de analisar o nível de conhecimento e
interação com a segurança os riscos de trabalho em altura. Foram realizadas
entrevistas com grupo de 50 pessoas que realizaram algum tipo de trabalho em altura
na entressafra 2017/2018.

Tabela 3: Modelo do questionário aplicado aos trabalhadores que exerceram


trabalhos em altura.
Empregados
Questionário de pesquisa que realizam
trabalhos em
altura
1 Possui conhecimento de trabalho em altura? Sim

2 Recebeu treinamento e capacitação de NR 35? Sim

3 Recebe informações sobre os riscos das tarefas? Sim

4 Tem conhecimento sobre EPI’s para trabalho em altura? Sim

5 Recebe os EPI’s? Sim

6 Utiliza todos EPI’s para trabalhos em altura? Sim


27

7 Os EPI’s fornecidos possuem aprovação CA? Sim

8 Realizam medição de pressão arterial antes de realizarem as Sim


atividades em altura?
Fonte: A Autora, 2018.

Tabela 4: Resultados das entrevistas


Número de empregados entrevistados: 50 SIM NÃO

1 Possui conhecimento de trabalho em altura? 50

2 Recebeu treinamento de NR 35? 50

3 Recebe informações sobre os riscos das tarefas? 39 11

4 Tem conhecimento sobre EPI’s para trabalho em altura? 46 4

Continuação: Resultados das entrevistas

5 Recebe os EPI’s? 50

6 Utiliza todos EPI’s para trabalhos em altura? 45 5

7 Os EPI’s fornecidos possuem aprovação CA? 50

8 Realizam medição de pressão arterial antes de realizarem as 43 7


atividades em altura?
Fonte: A Autora, 2018.

Dos entrevistados, todos afirmaram que possuem conhecimento em trabalho em


altura e receberam treinamento de NR 35, 78% dos entrevistados recebem
informações sobre os riscos das tarefas, 92% conhecem todos EPI’s para trabalho em
altura, 8% desconheciam alguns equipamentos, 100% receberam os EPI’s
necessários para realização dos serviços executados com aprovação CA, 90% utilizou
nesse período todos EPI, e 86% realizou medição da pressão arterial antes de
executarem as tarefas (prática exigida pela empresa).
28

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na indústria do setor sucroenergético há elevado risco de acidentes devido a


complexidade do processo produtivo e grande demanda de manutenções de
maquinários exigidas pelo processo. Na entressafra esse risco se torna maior em
virtude do aumento do fluxo de pessoas, maior responsabilidade e cobrança quanto
as manutenções de toda planta industrial e prazos de liberação dos equipamentos
para início de safra. Apesar dos riscos pode-se observar de maneira positiva o avanço
conquistado no campo da Segurança e Saúde do trabalho.

Durante o período de entressafra, que durou 117 dias, verificou-se constante


preocupação dos profissionais da área juntamente com os gestores que atuaram
diretamente na prevenção de acidentes fiscalizando e proporcionando suporte às
práticas de segurança. Observou-se fiscalização quanto uso dos EPI’s, a fiscalização
e acompanhamento das atividades, aplicação e registros e Análises de Riscos das
tarefas e existência de DDS.

Com relação ao número de técnicos de segurança verificou-se um défice na Empresa


2. Não foi constatado o número de técnicos de segurança de acordo com o
dimensionado e o número total de empregados.

Quanto ao questionário aplicado os resultados mostraram-se satisfatórios, ou seja, de


maneira geral os empregados possuem conhecimento e treinamento da NR 35,
recebem os EPI’s adequados e são submetidos a constante fiscalização ao
cumprimento das normas técnicas.
29

5. REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 35 – Trabalho em altura. 2012

UNICA. União da indústria de cana-de-açúcar. Setor sucroenergético no Brasil –


Uma visão para 2030, São Paulo, 2016.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. Observatório Digital de Saúde e Segurança


do Trabalho. Brasília,2018. Disponível em:
http://portal.mpt.mp.br/wps/portal/portal_mpt/mpt/sala-imprensa/mpt-noticias acesso
em 05/03/2018

GUIA TRABALHISTA. Disponível em:


http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr35.htm. Acesso em 22/03/2018

CABRELON. Jéferson. Apostila Prevenção e Controle de Riscos em Máquinas,


Equipamentos e instalações. São Paulo – SP, 2014

SUPERGUIANET. Disponível em: http://www.superguianet.com.br/saude-e-


seguranca-dotrabalho/protecao-contra-quedas. Acesso em 30/03/2018.

SUPEREPI. Disponível em: https://www.superepi.com.br/pesquisa/?p=ancoragem.


Acesso em: 02/04/2018

LEAL EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. http://www.leal.com.br/trabalho-em-


altura/dispositivo-de-ancoragem/gancho-go/gancho-go. Acesso em 02/04/2018