RUBENS FRANCISCO TORRES

O USO DA COR NOS AUDIOVISUAIS: ANÁLISE SEMIÓTICA NA RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Bacharelado em Biblioteconomia e Ciência da Informação, do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos, como exigência parcial para obtenção do Título de Bacharel, sob a orientação da Profª. Dra. Nádea Regina Gaspar.

SÃO CARLOS 2010

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Torres, Rubens Francisco O uso da cor nos audiovisuais: análise semiótica na recuperação da informação / Rubens Francisco Torres. ─ 2010. 75 p.:il. Orientadora: Profª. Dra. Nádea Regina Gaspar. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade Federal de São Carlos, 2010. 1. Cor. 2. Análise semiótica - Cor. 3. Análise documentária - Audiovisuais. 4. Tim Burton - Filmes. I. Título.

do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos. Arthur Autran Franco de Sá Neto Profª. Nádea Regina Gaspar.RUBENS FRANCISCO TORRES O USO DA COR NOS AUDIOVISUAIS: ANÁLISE SEMIÓTICA NA RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Bacharelado em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Banca examinadora: Profª. Dra. como exigência parcial para obtenção do Título de Bacharel. sob a orientação da Profª. Dr. Mônica Baltazar Diniz Signori SÃO CARLOS 2010 . Nádea Regina Gaspar Prof. Dra. Dra.

Onofre e Odete Torres. .DEDICO este trabalho àqueles que mais me incentivaram e acreditaram nos meus estudos: Deus e meus pais.

Marcelo e Roberta. Aos meus amigos de alojamento. por ter-me mostrado o caminho a percorrer. A Cristo e Maria que ouviram meu desabafo nos momentos mais difíceis. Janaína. em especial Roberto. Aos meus amigos de Minas Gerais. Agradeço a todos os professores do DCI. . A todos os meus amigos da BCI-UFSCar. em especial da minha turma 06. Laura. Sheila e Cássia que muito me ajudaram para a realização desse trabalho. Dany Oliveira. que torceram e deram todo o apoio possível ao meu trabalho. Hellen. Douglas Prado. A São Francisco de Assis que me mostrou toda a beleza das cores espalhada por esse nosso mundo. À minha orientadora. Silvia. Dra. Profª.AGRADECIMENTOS Aos meus familiares e à minha irmã Rosângela pelo apoio ao longo de todo o caminho percorrido. do Bloco 19. que muito contribuíram com meu trabalho me ouvindo e incentivando diariamente. em especial Didi e Alexandre. E à Biblioteca Comunitária da UFSCar que me ajudou com a aquisição dos livros que enriqueceram este trabalho. Douglas Madson. que tornaram meus últimos quatro anos muito mais felizes. Larissa. que me apresentaram à Biblioteconomia e Ciência da Informação e me incentivaram a desbravar novos caminhos dessa profissão fantástica. Nádea Regina Gaspar. Aos amigos Renan.

Viver ultrapassa todo o entendimento. Mergulhe no que você não conhece. sem querer a resposta. Não se preocupe em "entender". Guimarães Rosa A vida tem a cor que você pinta. como estou perguntando. Mário Bonatti . sossega e depois desinquieta. Pergunte. aperta e daí afrouxa. O que ela quer da gente é coragem.Renda-se como eu me rendi. como eu mergulhei. Clarice Lispector O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria.

Aplicou-se essa teoria na análise de filmes do diretor norte-americano Tim Burton. e particularmente ao da cor. . revela significados em obras audiovisuais e se ele pode ser utilizado na análise e recuperação da informação dessas obras. Palavras-chave: Semiótica. no que diz respeito ao uso da imagem. a cor. Imagem. Cor. Tim Burton – Filmes. para demonstrar de que modo ela pode ser utilizada pela Ciência da Informação como instrumento de análise da informação audiovisual. Foram selecionados os seguintes filmes: “Edward mãos de tesoura” (1990). Para tanto.RESUMO O presente trabalho teve como objetivo averiguar se um elemento da linguagem visual. Análise documentária. que apresenta características pessoais de direção e utiliza a cor como ferramenta importante na narrativa de seus filmes. e procurou-se destacar quais as cores mais significativas utilizadas por ele. “Peixe grande e suas histórias maravilhosas” (2003) e “A Noiva Cadáver” (2005) e a partir deles realizou-se a descrição do uso das cores e suas relações com a narrativa. recorreu-se à teoria semiótica greimasiana.

Otro aspecto importante de la investigación fue demostrar que los fundamentos de la teoría del imagen.se intentó poner en destaque los colores más importantes que Burton ha utilizado.que tiene características particulares de liderazgo y utiliza el color como una herramienta importante en la narración de sus películas . Imagen. como el color. después del análisis de las películas del director estadounidense Tim Burton . Para tanto.Películas. revela el sentido en obras audiovisuales y si se puede utilizarlo en la recuperación de información de tales obras. utilizando el análisis semiótico como apoyo. Análisis documentária. Las siguientes películas fueron seleccionadas: "Edward Scissorhands" (1990). del color y de la teoría semiótica pueden ser utilizados por las ciencias de la información como herramientas para el análisis de la información audiovisual. Tim Burton . "Big Fish" (2003) y "Corpse Bride" (2005) y a partir de ellos se realizó una descripción del uso de colores y sus relaciones con la narrativa. Palabras-clave: Semiótica.RESUMEN El presente trabajo tuvo como objetivo averiguar si un elemento del lenguaje visual. .

...........................LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Síntese subtrativa das cores .................................................................40 ........................... 38 Figura 2 – Síntese Aditiva das cores...............................................................................................39 Figura 3 – Círculo cromático ...........................

.....64 Quadro 4 – Oposições básicas em “A Noiva Cadáver” ...............................................................70 ...................................... 55 Quadro 2 – Oposições básicas em “Peixe grande” ............. 69 Quadro 5 – Oposição liberdade versus opressão .....LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Oposições básicas em “Edward mãos de tesoura” .........................................................................................63 Quadro 3 – Oposição morte e vida em “Peixe grande” .....................................

..............14 2 OBJETIVOS: GERAL E ESPECÍFICOS...........2 Objetivos Específicos .......................................................................................................................................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .2...... 44 5..............................................2 Preto...2.....................................................4..............................4............................2................................1 Objetivo Geral ..........4.........46 .........16 2.......................................................................................1 Sensações acromáticas ........................................4......................................................................................................1 Vermelho .................................17 4 SEMIÓTICA ...................................................................44 5......44 5................2.....................................2 Sensações Cromáticas........................................2.......................2 Laranja .................. 31 5...........................................................................3 Utilização da cor na comunicação .......................................................................................................4....................................................................... princípio subtrativo e aditivo.....43 5.........1............................................................................................44 5.................................................................................1........................45 5......... 37 5....................42 5............30 5.......................40 5....................1 Percepção das cores....46 5...................16 3 A IMAGEM ............................16 2...................................................................4 Significados culturais e psicológicos das cores... Valor e Croma......................26 5 A COR.......................................................................36 5.................................................................................................2 Características das cores .....................................1 Branco ......2.....................................................4.......43 5.........................4.................1 Matiz...4.................................................................3 Círculo Cromático.................................45 5........................................................................................................4 Verde.....3 Amarelo ..........................................................................................2........36 5...........................................2 Cores primárias............5 Azul ..........................................4..........2................

.....2..................2 Análise do percurso narrativo ................................................3..........57 6.................................................................................................................................3.....2............................2................50 6................................................................3 Análise da cor........................1.....1 Resumo do enredo ...............................69 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................47 6......50 6...............................................1..................... 47 6.........................72 ..............2............. 55 6...2.......................71 8 REFERÊNCIAS..............50 6.................................................3 A Noiva Cadáver .1 Resumo do enredo ..................2 Análise do percurso narrativo................2..............63 6............1 Resumo do enredo ...1 Tim Burton..............................................2...........................................54 6..................................................................2........................1..........2 Resultados das análises dos filmes analisados .....................................6 ANÁLISE DAS CORES NOS FILMES DE TIM BURTON ................61 6................................65 6......2................................................................................................................2 Análise do percurso narrativo ................................................................................... 65 6..............1 Edward mãos de tesoura.....................3 Análise da cor..................2.................3 Análise da cor ........................2..........................2.......................................2.....................67 6...................................2.........................2 Peixe Grande e suas histórias maravilhosas...................3...........................2...............57 6...................

Para tanto. que propõe análise sobre as cores. O objetivo desse trabalho é averiguar se um dos elementos da linguagem visual. É importante por isso que a ciência da informação desenvolva metodologias apropriadas para a recuperação dessas informações geradas pelas mídias eletrônicas. considerando-se ainda que os ‘estoques de informação’ abrigam-se em um espaço social e resultam dele. aplicamos os conceitos semióticos na análise e descrição fílmica das obras cinematográficas dirigidas por Tim Burton. são ignorados nas análises tradicionais. ao trabalho de recuperação dos textos e das informações necessitados e buscados pelos usuários-leitores. consequentemente. principalmente aquelas que são realizadas por profissionais da informação que trabalham diretamente com mídias audiovisuais. os planos imagéticos. O conhecimento teórico de como analisar esses elementos facilitaria ao profissional da informação proceder ao processo de análise de obras audiovisuais e. sujeito a um contexto situacional. Elementos da imagem são importantes para aferir a relação que o filme desperta com o seu público. Outro aspecto importante do presente trabalho é demonstrar que fundamentos da teoria semiótica. os sons. nomes e palavras-chaves. Grande parte das análises e consequentemente das buscas realizadas para localizar esses materiais são feitas por meio do título. Cordeiro e Amâncio (2005) afirmam que a análise de filmes resulta de um processo comunicacional (social) interativo e. da mesma maneira como são realizadas as análises e a busca em documentos escritos. ROBLEDANO ARILLO. Essas análises têm se mostrado insuficientes. ou seja. pois a tendência é que se aumente cada vez mais o fluxo de informações dessa natureza e que elas se tornem cada vez mais importantes e necessárias tanto por profissionais da área quanto pelos usuários em geral. como a cor. podem ser utilizados e adaptados para a ciência da informação como instrumentos de análise da informação audiovisual. dentre outros. “Há nos documentos audiovisuais muitos elementos formais que afetam o seu significado” (MOREIRO GONZÁLEZ. portanto. 17). como a cor.14 1 INTRODUÇÃO Um dos grandes desafios da Ciência da Informação é a análise e recuperação da informação em obras audiovisuais. 2003. pois elementos visuais importantes. p. revela significado em obras audiovisuais e possa vir a ser utilizado na recuperação da informação dessas obras. Ele é um cineasta norte-americano que .

descritas no próximo tópico. foram identificadas as cenas em que a cor fornecia mais material para estudo. Foram analisados. assim. demonstrando que um diretor cinematográfico utiliza-se de diversos elementos visuais na criação de suas obras e que eles se repetem ao longo de sua filmografia. Isso indicou quais filmes a serem analisados para um trabalho desta natureza. procurando destacar quais as cores mais significativas utilizadas pelo diretor ao longo das narrativas e os filmes que possibilitariam uma análise mais aprofundada.15 apresenta características próprias e pessoais de direção. partindo-se então para a descrição do uso dessas cores e suas relações com a narrativa. comprovar que é possível utilizar um elemento como a cor como auxílio para a recuperação da informação em obras audiovisuais. observando-se o que ela dizia sobre cores. Foram selecionados. “Peixe grande e suas histórias maravilhosas” ("Big Fish". e inicialmente. então. 2005). Conforme se estudava a teoria semiótica. foi realizada uma avaliação dos filmes de Tim Burton. além dos tradicionais elementos utilizados pela ciência da informação. . os filmes dirigidos por Tim Burton no período entre 1985 a 2005 e realizado um levantamento bibliográfico sobre teorias da imagem. 2003) e “A Noiva Cadáver” ("Corpse Bride". Também se espera mostrar com este trabalho a importância da ciência da informação buscar aporte teórico e metodológico em outras teorias da linguagem. com este trabalho. servindo assim como referencial para importantes operações analíticas da recuperação de informações. A seguir. da cor e da semiótica que possibilitassem o levantamento de aspectos importantes sobre o uso da cor em obras audiovisuais. os seguintes filmes: “Edward mãos de tesoura” ("Edward Scissorhands". 1990). após uma análise mais crítica. utilizando-se para isso os fundamentos teóricos da análise semiótica greimasiana. para desenvolver uma teoria própria de recuperação da informação em mídias audiovisuais e aplicá-la em seu trabalho de análise e indexação documental. Espera-se.

. demonstrando sua aplicabilidade. 2. a cor. b) demonstrar quais os fundamentos que a teoria semiótica propõe para a análise sobre as cores e que podem ser utilizados e adaptados para a ciência da informação como instrumentos de análise e recuperação da informação audiovisual. c) analisar aspectos do conceito de cor em alguns filmes de Tim Burton. revela significado em obras audiovisuais e possa vir a ser utilizado na Ciência da Informação para efeito da recuperação da informação dessas obras. sob o ponto de vista da teoria semiótica.2 Objetivos Específicos a) Compreender aspectos sobre a análise da imagem.1 Objetivo Geral O objetivo desse trabalho é averiguar se um dos elementos da linguagem visual.16 2 OBJETIVOS: GERAL E ESPECÍFICOS 2.

] Reconhecer uma imagem é um processo instantâneo. e causa menos esforço.. na TV. acabamos simplificando o significado das imagens em geral e descartando elementos e informações importantes que passam despercebidos inicialmente. A escrita é informação . O mundo em si é uma grande imagem e por isso o homem se tornou hábil em reconhecer e interpretar rapidamente o significado do que vê. em nossas roupas. nos desenhos artísticos. Nossos olhos assim que captam uma imagem já a lança em nosso cérebro que processa o reconhecimento e faz as associações necessárias para que entendamos o que aquela imagem representa. dois tipos de imagens: aquelas traduzidas por traços artesanais. Esse processo é bem mais rápido do que a decodificação dos signos escritos. Ela é instantânea. por exemplo. tendo em vista a análise imagética. Faz-se necessária uma tomada de consciência dessa presença maciça. e nos prendemos apenas a seus sentidos mais básicos e instintivos. Desde que nascemos somos bombardeados por imagens dos mais diversos tipos. por todos os lugares por onde o homem transita. p. na internet. Por essa facilidade. certamente. p. estabelecemos com as imagens relações visuais pouco significativas [. que podem revelar situações emocionais dessa mulher representada. Por exemplo. Imagens são informações recebidas.]. ninguém precisa de educação formal para ‘entender a mensagem’. verdadeiras assinaturas do pintor. e as automáticas e mecânicas. fato esse que acelerou nosso processo de reconhecimento delas. 34) considera que a imagem ocupa um espaço considerável no cotidiano do homem contemporâneo [. Essa pessoa entende que a imagem representa uma mulher e sua interpretação pode acabar por aí.17 3 A IMAGEM A imagem está muito presente em nossas vidas. Também Buoro (2002. Desde a pré-história a humanidade sente a necessidade de reproduzir o que vê do mundo nos mais variados meios de comunicação e suportes. na imprensa.. no cinema. Neiva Júnior (1994. ela está nas propagandas.. pois. enfim. podem passar despercebidos ou apenas ser reduzido a sentidos simples como “mulher triste” ou “mulher alegre”.. Elementos como a cor e forma. uma pessoa vê uma imagem que reproduz um quadro em que aparece o rosto de uma mulher. 59) afirma que: “existem. pressionados pela grande quantidade de informação. que só foram possíveis a partir da invenção da fotografia”.

cores e outros elementos visuais em simultaneidade. de modo codificado.18 percebida. 2005. grifo do autor). segundo Santaella e Nöth (2005). 38). como segue. de acordo com Joly (1996. dão uma impressão de semelhança com a realidade jogando com a analogia perceptiva e com os códigos de representação herdados da tradição de representação ocidental.] que o que se chama “imagem” é heterogêneo. como representações mentais. formas. quando explicita seu entendimento sobre a mensagem visual. O primeiro é o domínio das imagens como representações visuais: desenhos. Para Neiva Júnior (NEIVA JR. holo e infográficas pertencem a esse domínio. que produz o sentido que aprendemos a decifrar mais ou menos conscientemente e que uma observação mais sistemática vai ajudar a compreender melhor. imaginações. p. p. Os signos icônicos e os signos plásticos são então considerados como signos visuais. mas também signos plásticos (cores. (MCCLOUD. é: [. 49. gravuras. como a cor. Ambos os domínios da imagem não existem separados. 1995. “a imagem é basicamente uma síntese que oferece traços. só então emerge novamente a totalidade”. p. afirma que: Dentro da mensagem visual. fotografias e as imagens cinematográficas. textura) e a maior parte do tempo também signos linguísticos (linguagem verbal). 05). pois estão inextricavelmente ligados já na sua gênese. Após contemplar a síntese é possível explorá-la aos poucos. Imagens. Também Joly. fantasias. pinturas. composição interna. p. signos que representam o nosso meio ambiente visual.. imagens aparecem como visões. 75) Existem dois tipos de imagens. as formas. mas outras são compostas por diversos signos que necessitam de uma atenção e análise maior para se conseguir identificar o seu sentido. O princípio básico da imagem. Finalmente. NÖTH. congrega em si diversos elementos que se cruzam e se inter-relacionam. analógicos). 1994.. Entender o que é uma imagem e como se dá nossa relação com ela é um primeiro caminho para se entender melhor o que ela tem a nos dizer. ao mesmo tempo distintos e complementares (JOLY. deste modo. 1996. a composição e a textura. Neste domínio. A imagem. sua interação. esquemas. 15) . O segundo é o domínio imaterial das imagens na nossa mente. televisivas. em geral. p. vamos distinguir os signos figurativos ou icônicos. Não há imagens como representações visuais que não tenham surgido de imagens na mente daqueles que as produziram. É sua relação. que. Isto é. modelos ou. as imagens de representações materiais e as imagens imateriais. são objetos materiais. É preciso conhecimento especializado para decodificar os símbolos abstratos da linguagem. reúne e coordena dentro de um quadro (ou limite) diferentes categorias de signos: “imagens” no sentido teórico do termo (signos icônicos. vamos designar com o termo signos plásticos os componentes propriamente plásticos da imagem. do mesmo modo que não há imagens mentais que não tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos visuais (SANTAELLA. Algumas imagens possuem fácil assimilação. nesse sentido. O mundo das imagens se divide em dois domínios.

13).. apud Aumont (1995. 1996. p.. 1994. Gombrich diz que “a imagem tem por função primeira garantir. a imagem é. Fazemos associações mentais com o que conhecemos do mundo para compreender uma imagem. As imagens imateriais são aquelas que formamos em nossa mente quando pensamos ou sonhamos. as imagens materiais primeiro são pensadas por meio de imagens imateriais e estas se originam das imagens que observamos no mundo. p. dizemos que a imagem é lida. autônoma.. p. Por ter em comum com a língua essa propriedade de referência. As formas que se oferecem visualmente para nossa descoberta e sutileza são bem outras (NEIVA JR..].. reforçar. como dito. são todas aquelas imagens que estão presentes no mundo e podem ser vistas pelo homem. 78-79) esclarece: Seguiremos a reflexão de Rudolf Arnheim (1969): [.19 As imagens de representações materiais. mas os elementos da leitura visual não são os mesmos que os dos atos da fala. . A imagem adquire. uma “imagem” é antes de mais nada algo que se assemelha a outra coisa (JOLY. Elas estão relacionadas porque uma depende da outra. Existe uma relação muito forte entre a imagem e o mundo e as imagens podem assumir valores diferentes de acordo com o que representam. então.. Se a nomenclatura antecede a representação. antes de mais nada. A lógica da imagem exige que sua representação seja feita a partir desse esquema que reformula a experiência visual. como também afirma Neiva Júnior.. apud AUMONT. procuramos identificar esse algo que ela busca representar. 81). b) Um valor de símbolo: a imagem simbólica é a que representa coisas abstratas (‘de um nível de abstração superior ao das próprias imagens’). 78-79). natural ou fabricada. p.].] (AUMONT. uma imagem serve de signo quando representa um conteúdo cujos caracteres não são visualmente refletidos por ela. c) Um valor de signo: para Arnheim. Neste sentido. como também explicita Joly: o ponto comum entre as significações diferentes da palavra “imagem” (imagens visuais / imagens mentais / imagens virtuais) parece ser. p. 1995. Material ou imaterial. o da analogia.] a) Um valor de representação: a imagem representativa é a que representa coisas concretas (‘de um nível de abstração inferior ao das próprias imagens’) [. 1995. grifo da autora). sua autonomia é restrita e contrabalançada pela necessidade de assimilá-la ao objeto [. a faculdade possível de apontar para as coisas. por natureza. leitores e analistas das mesmas. 38. O exemplo característico continua a ser o das placas de sinalização [. reafirmar e explicitar nossa relação com o mundo visual: ela desempenha papel de descoberta do visual” (GOMBRICH. Gombrich. visual ou não.. A imagem busca representar algo e nós.

a ponto de se confundirem as duas. da noção de arte. de símbolos religiosos [. b) O modo epistêmico. [E] essa função da imagem é hoje indissociável. também são elementos importantes na análise.. e a ponto de uma imagem que visa obter um efeito estético poder se fazer passar por imagem artística (vide a publicidade. pois cada pessoa recebe as informações de uma forma.20 Uma imagem figurativa. principalmente porque. da imagem e da arte. Mas as imagens não são fechadas em um único tipo de valor. a oferecer-lhe sensações (aisthésis) específicas [. A imagem traz informações (visuais) sobre o mundo. A imagem é destinada a agradar seu espectador. . simbólicas ou sígnicas em conjunto. é preciso ter um conhecimento básico: a) do funcionamento da visão humana. p. ou quase. apesar das imagens serem representações da realidade. b) depois é preciso entender como o cérebro recebe essas informações e interpreta de acordo com a personalidade do sujeito. pois traços da cultura e modo de vida pessoal interferem na compreensão imagética. inclusive em alguns de seus aspectos nãovisuais [. para ser mais exato. c) O modo estético.. em que essa confusão atinge o auge) (ARNHEIM. Inicialmente as imagens serviram de símbolos. Além desses valores. uma mesma imagem pode ser uma combinação desses valores.. uma mesma imagem pode apresentar uma combinação de funções.]. A partir dessas definições. 1995. com características representativas. que represente algo do mundo real. do dispositivo.]. como ela decodifica o que vê e como ela realiza essa decodificação. Aumont (1995) sugere que a análise da imagem pode ser dividida em cinco aspectos: a parte do olho. c) entender como as imagens são produzidas e as diferentes características dos diversos materiais usados para isso. como uma pintura abstrata.. o que mostra a complexidade de se analisar uma imagem e a riqueza de informações que ela carrega em si. apud AUMONT. que pode assim ser conhecido. Essas funções também não são estanques. Assim. 1969. do espectador. as imagens também assumem três tipos de funções: a) O modo simbólico. é mais facilmente interpretada do que uma imagem não figurativa.. elas nunca são legitimamente iguais com o que representam e também possuem diferenças entre si. Já uma imagem com função de signo é preciso um aprendizado para se assimilar seu significado.. mesmo que representem a mesma coisa.]. 79-80).

O resultado é a composição. 1997.] depende da resposta do espectador. desde tempos memoráveis.. ou o porquê ela foi criada e o que se espera das pessoas que irão observá-la. a intenção do artista. possível de ser desenhado por compasso e entendido como o conceito círculo (NEIVA JR. finalmente. O processo de percepção de uma imagem inicia-se no olho humano por meio do sentido da visão. os elementos que estão nela e a formam.. Sentimentos. relacionamos interativamente esses elementos.. Na criação de mensagens visuais. a definição. que é o mesmo em todas as pessoas. o funcionamento mecânico. e) finalmente. 1994. Há o objeto. que também a modifica e interpreta através da rede de seus critérios subjetivos. É seu input [. Esses cinco aspectos são importantes para se chegar ao entendimento do significado de uma imagem. entre todas as pessoas – o sistema físico das percepções visuais. do fotógrafo ou do designer. o conhecimento e o entendimento. hábitos. 1997. p. 31). existe o círculo. a representação e.21 d) outra característica importante para a análise imagética é entender as características da imagem em si. o aparato sensorial através do qual vemos (DONDIS. temos em vista um significado. que nomeamos pela palavra círculo. p. texturas. como se pode observar em Platão. o significado não se encontra apenas nos efeitos cumulativos da disposição dos elementos básicos. Um só fator é moeda corrente entre o artista e o público. Colocando em termos mais simples: criamos um design a partir de inúmeras cores e formas. A discussão sobre o significado de uma imagem não é nova. 27). Essa discussão se fez presente na história do conhecimento humano. 30). exceto naquelas que . como pode evidenciado por Neiva Júnior: Para Platão. mas também no mecanismo perceptivo universalmente compartilhado pelo organismo humano. Características pessoais também participam do processo de entendimento e significado de uma imagem. tons e proporções relativas. cultura. p. depois o nome. a imagem é um grau do processo de conhecimento. O significado [. sensações. é preciso levar em consideração a função e objetivo da arte e entendê-la por meio da estética. que foi um dos primeiros filósofos a refletir sobre o que seria o sentido de uma imagem e o relacionou com o processo de conhecimento humano. e. habilidades e relações sociais participam desse processo e podem criar significados múltiplos de uma mesma imagem.. definido como a equidistância da circunferência ao centro. os componentes psicofisiológicos do sistema nervoso.] (DONDIS. Por exemplo. na verdade.

. essas regularidades referem-se a três características da luz: sua intensidade. é um dos elementos que incide na análise da imagem. p. 1994. É por meio da visão que captamos tudo o que está presente no mundo e a luz é parte fundamental desse processo de percepção visual. 30). 58).. aqui. 1973. na visão. apud NEIVA JR. regras de transformação naturais (nem arbitrárias. [.] [e] pode-se dizer que a visão resulta de três operações distintas (e sucessivas): operações ópticas. A luminosidade. em etapas sucessivas. quando diz que. Dependemos. [.]. que nosso sistema visual é capaz de localizar e interpretar certas regularidades nos fenômenos luminosos que atingem nossos olhos. p. 18).]o ato de ver envolve uma resposta à luz. da luz para ver imagens. 34). p. torna-se visível” (KLEE. Variações na iluminação modificam o processo de percepção visual e ainda podem provocar . 1994. . p. de uma informação que nos chega por intermédio da luz que entra em nossos olhos. o processo de visão humana se dá da seguinte forma: Para que uma imagem seja visível é preciso que três etapas sejam cumpridas: .] um processo que emprega diversos órgãos especializados. 22). esta é codificada – em um sentido que não é o da semiologia: os códigos são. a imagem. o elemento mais importante e necessário da experiência visual é de natureza tonal [. Falar de codificação da informação visual significa. pois “a visão é [. 1995.a luz é transmitida para o olho.a luz espalha-se diferencialmente pelas superfícies a serem percebidas.a luz constitui-se num foco. a percepção visual é o processamento. “A imagem não reproduz o visível. formando-se. p. A percepção de uma imagem não é apenas uma reprodução do mundo exterior. 1997. seu comprimento de onda. O que a luz nos revela e oferece é a substância através da qual o homem configura e imagina aquilo que reconhece e identifica no meio ambiente (DONDIS... Como toda informação. então. Em essência. 1994. químicas e nervosas” (AUMONT.. eles acabam desenvolvendo outros sentidos e suas imagens mentais também são formadas por estímulos sensoriais diferentes. portanto. Pessoas com problemas visuais que afetam sua visão não percebem o mundo e o compreendem da mesma maneira dos que vêem. Basicamente. nem convencionais) que determinam a atividade nervosa em função da informação contida na luz. sua distribuição no espaço (AUMONT. Aumont (1995) esclarece isso. 15).22 possuem algum tipo de problema visual. Em outras palavras. . 1995.. p. pois deles não provêm” (NEIVA JR. “As imagens são autônomas em relação aos objetos. como esclarece Dondis (1997). A luz ao entrar no olho humano passa por transformações químicas que permite decodificar essa informação em impulsos nervosos que são enviados ao cérebro humano.. pois.. O mundo é uma imagem (NEIVA JR. assim.

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estímulos diferentes entre si. Na mente humana, todos estes estímulos são recebidos e decodificados, devolvendo ao espectador o seu entendimento do que aquela imagem representa.
[A] parte do olho induz, automaticamente, a considerar o sujeito que utiliza esse olho para olhar uma imagem, a quem chamaremos [...] de espectador. Esse sujeito não é de definição simples, e muitas determinações diferentes, até contraditórias, intervêm em sua relação com uma imagem: além da capacidade perceptiva, entram em jogo o saber, os afetos, as crenças, que, por sua vez, são muito modelados pela vinculação a uma região da história (a uma classe social, a uma época, a uma cultura). Entretanto, apesar das enormes diferenças que são manifestadas na relação com uma imagem particular, existem constantes, consideravelmente trans-históricas e até interculturais, da relação do homem com a imagem em geral (AUMONT, 1995, p. 77).

Uma característica das imagens é que elas são únicas. Uma imagem nunca é o que ela representa e mesmo duas imagens semelhantes não são a mesma coisa. Mesmo que se imprima uma mesma foto em várias folhas de papel, cada foto possui uma característica própria. Além disso, pequenas variações nos tons e nas tintas usadas na impressão já modificam a imagem.
Uma menina não é uma representação de sua irmã gêmea; uma palavra impressa não é imagem de outra palavra impressa com o mesmo tipo; duas fotografias da mesma cena, mesmo que as cópias tenham sido feitas a partir do mesmo negativo, não são imagens uma da outra (GOODMAN, 1979, APUD NEIVA JR, 1994, p. 10).

A fotografia e o cinema são exemplos interessantes para se entender essa característica das imagens. Uma fotografia ou filme não capturam ou absorvem nada do objeto registrado, elas captam um registro de feixes de luzes que refletiram o objeto e atingiram a câmera no instante da fotografia ou filmagem. E esses feixes também nunca serão os mesmos, o que modifica, por exemplo, a foto, mesmo uma fotografia tirada com poucos segundos de diferença.
Na representação visual, o sinal figura em lugar de objetos do mundo visível, e estes nunca podem ser dados tais como são. Qualquer quadro, por sua própria natureza, permanece como um apelo à imaginação visual; e tem de ser suplementado a fim de ser compreendido. Essa é apenas uma outra maneira de dizer que uma imagem não pode representar mais do que aspectos do seu protótipo; se fizesse mais que isso, seria um duplo (GOMBRICH, 1995, p. 255).

Entre espectador e imagem, deste modo, ocorrem dois processos: o reconhecimento e a rememoração.
Reconhecer alguma coisa em uma imagem é identificar, pelo menos em parte, o que nela é visto com alguma coisa que se vê ou se pode ver no real. É, pois, um processo, um trabalho, que emprega as propriedades do

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sistema visual. Gombrich insiste, ademais, no fato de que esse trabalho de reconhecimento, na própria medida em que se trata de re-conhecer, apóiase na memória ou, mais exatamente, em uma reserva de formas de objetos e de arranjos espaciais memorizados: a constância perceptiva é a comparação incessante que fazemos entre o que vemos e o que já vimos (AUMONT, 1995, p. 82).

Vemos uma imagem e reconhecemos nela objetos e formas do mundo real graças à nossa memória e ao aprendizado. Muitas imagens podem representar coisas que não existem realmente, mas nosso conhecimento de formas, texturas, signos e elementos visuais permitem reconhecer os elementos representados.
O reconhecimento proporcionado pela imagem artística faz parte, pois, do conhecimento; mas encontra também as expectativas do espectador, podendo transformá-las ou suscitar outras: o reconhecimento está ligado à rememoração (AUMONT, 1995, p. 83).

Já a rememoração retoma elementos que são conhecidos, que podem ser ações ou características básicas como comer, andar, voar, realeza, família, entre outros, e que se relacionam com coisas e situações que conhecemos. Reconhecemos isso ao analisar uma imagem e produzimos a significação a partir desses “esquemas” identificados, como novamente ressalta Aumont (1995).
O instrumento de rememoração pela imagem é o que se pode, genericamente, chamar de esquema: estrutura relativamente simples, memorizável como tal além de suas diversas atualizações. [...] Vamos citar um bastante conhecido: a arte egípcia da época faraônica, em que uma imagem particular nada mais é do que uma combinação de imagens parciais que reproduzem da maneira mais literal possível esquemas típicos (escriba sentado, escriba de cócoras, divindades, figura do faraó etc), eles mesmos convencionalmente vinculados ao seu referente real (AUMONT, 1995, p. 84).

Cabe ao analista dissecar todas essas características das imagens para tentar compreendê-la. Como vimos, a imagem é diferente da escrita, exige procedimentos específicos de análise, que é preciso: • • • •

Aplicar alguma teoria na análise prática; Ter critérios conceituais bem definidos para selecionar o material, ou corpus de análise; Equipamentos específicos, que variam, dependendo do tipo de imagem a ser analisada; Paciência, tempo e dedicação. Isso é ressaltado por Joly (1996), quando indica que,

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o trabalho do analista é precisamente decifrar as significações que a “naturalidade” aparente das mensagens visuais implica. “Naturalidade” que, paradoxalmente, é alvo espontâneo da suspeita daqueles que a acham evidente, quando temem ser “manipulados” pelas imagens (JOLY, 1996, p. 43).

As imagens, assim, “escondem” muito mais do que aquilo que vemos nelas. Existe um universo de informações a ser explorado. Identificar essas informações e as relacionar são trabalhos essenciais de um analista de imagens. No próximo tópico será especificada uma das características da imagem, a cor. Para tanto, valemo-nos da teoria semiótica.

Greimas. das teorias científicas ou dos mitos [. por ela conceber “o sentido como um processo gerativo. como objeto da comunicação que se estabelece entre um destinador e um destinatário (BARROS.. Cada uma com particularidades distintas. A transmissão de significados constitui o fluxo intersubjetivo pelo qual circula a cultura. adotou-se neste trabalho a compreensão da “semiótica que tem por objeto o texto. grifo da autora). apresenta dois planos: o plano de expressão. o mundo do real ou do imaginário. que é a materialidade do texto. Deste modo. 21). p. 2007. p. como segue. J. fotografias. 31). Um texto. o que justifica análises diversas. Para a definição de texto. e é preocupada em compreender o texto e analisar a sua estrutura. Para o presente trabalho. o que há de concreto. arquitetura e as mais diversas formas de expressão humana são exemplos de textos e são passíveis de análise pela semiótica. por esse prisma. que é um estrato abstrato. Segundo Fontanille (2007. 2007. peças publicitárias. 2007. Epstein justifica e relaciona os significados à cultura. 1999. Já. ou melhor. Existem várias escolas que fundamentaram as teorias semióticas. percebido ou compreendido. um ramo das ciências da linguagem. músicas. procurando pelo significado. p. concordamos com Barros (2007) quando diz: Um texto define-se de duas formas que se complementam: pela organização ou estruturação que faz dele um “todo de sentido” [análise estrutural do texto]. 7. 7). a significação “é o produto organizado pela análise”. procura descrever e explicar o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz” (BARROS. p. 12).] é mediado de homem a homem por entes concretos capazes de impressionar nossos sentidos: os signos (EPSTEIN. em um percurso que vai do mais simples e abstrato ao mais complexo e concreto” (PIETROFORTE. o real sentido. a da Escola de Tartu e a desenvolvida por A.26 4 SEMIÓTICA A Semiótica é uma área de estudos da Teoria da Significação. entre elas destacamos a de Charles Peirce. p. filmes. Livros. pinturas. esculturas. e o plano de conteúdo. A experiência vivida.. . optou-se pelo entendimento dos conceitos da semiótica greimasiana.

morte. de modo que a sombra refira-se à morte. organiza-se a narrativa. uma forma da expressão é articulada com uma forma de conteúdo. 2007. d) no segundo patamar. em muitos outros. ao que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz. e) o terceiro nível é o do discurso ou das estruturas discursivas em que a narrativa é assumida pelo sujeito da enunciação.9) define o percurso gerativo de sentido da seguinte maneira: a) o percurso gerativo do sentido vai do mais simples e abstrato ao mais complexo e concreto. A análise semiótica deverá resultar de um fazer interpretativo do sujeito leitor. por exemplo. denominado nível narrativo ou das estruturas narrativas.] A semiótica estuda a significação. 21).. ele passa a ‘fazer sentido’. O plano de conteúdo refere-se ao significado do texto. ou seja. não-verbal ou sincrético (PIETROFORTE. p. p. 2007. recebe o nome de nível fundamental ou das estruturas fundamentais e nele surge a significação como uma oposição semântica mínima. apoiando-se para isso no percurso gerativo de sentido utilizado pela semiótica [. como na conversação. 42). Em muitos textos o plano de expressão funciona apenas para a veiculação do conteúdo. p. O plano de expressão referese à manifestação desse conteúdo em um sistema de significação verbal. pois. 11). utilizando para isso um percurso gerativo de sentido. via semiótica. p. Quando isso acontece. muito embora o sentido do texto dependa da relação entre os três níveis. que procura reconhecer como são construídos os sujeitos. assim. movimentando-se em três patamares: o nível fundamental. e a luz à vida” (PIETROFORTE. pode ser definido como uma relação entre um plano de expressão e um plano de conteúdo. por sua vez. ao que designamos [. Uma pintura em que o conteúdo é articulado de acordo com a categoria semântica vida vs.. p. podendo cada uma delas ser descrita e explicada por uma gramática autônoma. examinar e relacionar o plano de expressão de um texto com o seu plano de conteúdo. sombra. respectivamente. A análise semiótica busca. do ponto de vista de um sujeito.] ‘mundo exterior’ e ‘mundo interior’” (FONTANILLE... que correspondem. 43). No entanto. num processo que se encaminha do simples ao complexo. a mais simples e abstrata. 2007. Pietroforte (2007) exemplifica esses planos. que é definida no conceito de texto. b) são estabelecidas três etapas no percurso. como se costuma dizer em semiótica. o nível narrativo e o nível discursivo (BUORO. 2002.. .. por exemplo. Fontanille (2007) também explana sobre as dimensões de análise da linguagem. O texto. os valores e a significação da imagem. justificando-as sob o ponto de vista dos planos de expressão e de conteúdo: “uma linguagem é a articulação de ao menos duas dimensões chamadas plano de expressão e plano de conteúdo. c) a primeira etapa do percurso. pode ter sua expressão formada de acordo com uma categoria plástica luz vs. Tal percurso configura-se.27 [. os percursos. e essa relação é chamada de semi-simbólica.]. Barros (2007.

Para que um sujeito comece seu percurso da ação ele precisa ser manipulado para isso (PIETROFORTE. 134-135) define três dimensões que devem ser levadas em consideração na análise: A dimensão eidética incorpora todos os elementos que estruturam as configurações visíveis [... p.] define-se como um enunciado de fazer que rege um enunciado de estado. 12 e 13) “[. p. p..]. diz respeito ao brilho das gradações tonais e à saturação. ou seja. se esses diferentes tipos de signos têm uma especificidade e leis próprias de organização. analisar e identificar essas relações. estados e transformações”. 2002. No entanto. entre outras múltiplas gradações sutis. denominado programa narrativo de base.. 1996. um saber-fazer e um poder-fazer. provocando percepções de superfícies opacas/brilhantes. por mais variados que possam ser.. por meio dos programas de uso.]”. O acesso a essa dimensão é fornecido pela luz que incide sobre os objetos e os circunda. claras/escuras. então. a competência necessária para tal [. grifo do autor). contudo.20.. à análise da cor. entre outras (BUORO. 29).. ao semiótico... contrastes e escalas tonais. Além disso. especificamente. Os programas de uso.. para realizá-lo. Cabe. Há mais dois percursos narrativos: o da manipulação e o da sanção. superior/inferior. que se refere à pureza da cor. Pietroforte (2007) esclarece sobre o “programa de base”: Realizar o programa de base é chamado pela semiótica performance. A articulação entre competência e performance define o que a semiótica chama percurso narrativo de ação. A dimensão topológica trabalha a organização do todo da composição. A segunda (cor) promove aumento ou esvaziamento da tensão [.. complementaridades. grifo da autora) afirma que “o programa narrativo [. Segundo Pietroforte (2007.]. p. A primeira (luz) não afeta os valores tonais constitutivos. são formalizados pela semiótica como representantes de um saber ou um poder. e programas narrativos subordinados ao principal. o que quer dizer que os elementos do conteúdo só adquirem sentido por meio das relações estabelecidas entre eles [. define uma outra ordem de qualidade. A dimensão cromática rege a cor em suas oposições. Buoro (2002. 134-135). articula os elementos eidéticos e cromáticos no espaço da obra. e. processos de significação particulares (JOLY. Integra. 16-17. regendo posições e orientações como alto/baixo. Barros (2007. p.28 No nível narrativo. . No que diz respeito à análise semiótica de imagens..]. portanto... existe um programa narrativo principal.].] o sentido é definido pela semiótica como uma rede de relações. O trabalho do semiótico vai consistir mais em tentar ver se existem categorias de signos diferentes. denominados de programas narrativos de uso. o sujeito narrativo precisa adquirir. 2007. relativos à performance[.

29 Na dimensão eidética. assim. . No próximo tópico veremos com mais detalhes elementos da semiótica que especificam as cores. a dimensão cromática nos mostra as sensações cromáticas e acromáticas presentes e a dimensão topológica configura a organização da composição e mostra as orientações e direções dos elementos. identificamos os elementos presentes na imagem. Todas essas informações fazem parte do plano de expressão da imagem e estão intimamente relacionadas com o plano de conteúdo da mesma. material central nas análises deste trabalho.

verde. A cor representa uma ferramenta poderosa para a transmissão de ideias. vem de épocas remotas. azul. criação de cenários e comunicação visual sabem disso. Com base no trabalho de Newton. p. Devido a sua complexidade. fotográfico ou cinematográfico. seja no projeto arquitetônico. despertando atenção no corpo. O filósofo Aristóteles considerava a cor como propriedade inata dos objetos e ela seria resultado do enfraquecimento da luz branca. a cor é estudada em diversas áreas do conhecimento como nas artes. Com as descobertas sobre a ótica que ocorreram no século XVII. já que. Guimarães (2004) afirma que as teorias formuladas nessas áreas não se invalidam umas às outras e é importante que se reconheça essa natureza interdisciplinar da cor para poder estudá-la. anil e violeta. Ludwig Wittgenstein entende a cor como um conceito construído em uma linguagem. 11). surgiram novas descobertas sobre a cor. Já. 2004. Ela nos cerca constantemente e é capaz de influenciar as pessoas mesmo que inconscientemente. todos aqueles que trabalham com imagem. entre outras. “um objeto vermelho pode ser destruído. o vermelho. Guimarães (2004) associa a cor à informação visual: . psicologia. a cor seria uma espécie de instrumento. O autor afirma ainda que a preocupação sobre o que é cor e como ela atua no homem. filosofia. amarelo. p. atmosferas e emoções. mas o vermelho não pode ser destruído e por isso o sentido da palavra ‘vermelho’ é independente da existência de um objeto vermelho” (WITTGENSTEIN apud GUIMARÃES. Finalmente. Diversos teóricos já realizaram estudos sobre as características da cor e sua relação com o homem ao longo da História. a tese de que a cor de um corpo se daria pela absorção e reflexão de feixes de luz. gráfico. alaranjado. industrial (design). 15). 2006. sutil ou progressiva. virtual (digital). cenográfico. Isaac Newton realizou um estudo sobre refração da luz e decompôs a luz branca em sete cores. fisiologia. seja nas artes plásticas (BARROS. Newton passou a defender. e pode captar a atenção do público de forma forte e direta. A COR A cor é um elemento visual muito importante na vida do homem.30 5. comunicação. então. para Immanuel Kant e Wassily Kandinsky. Goethe elaborou uma doutrina sobre as cores e definiu que a cor seria uma ação executada pela luz na visão.

então. Cores despertam inúmeras sensações e reações no homem. PEREZ. por exemplo. deste modo. Outros. elas despertam emoções e sensações. o cérebro) do nosso vetor imaginário dos conceitos da cor: A cor é uma informação visual. BASTOS. grifo do autor). químicas. p. Dondis (1997. ou a contestação negra dos ‘punks’” (TISKIFRANCKOWIAK. biológicas. para expressar e dizer ao mundo como se ‘é’. com base no que foi apresentado até agora. Outro teórico a vê como linguagem: “A cor é uma espécie de linguagem muda. que subsidiarão posteriormente a análise. o órgão da visão. além dos aspectos puramente fisiológicos (FARINA. p. 12. que não podem ser desprezadas. ao mesmo tempo em que sofre influência da cultura tornandose símbolo. A partir daí. a cor está amplamente relacionada com os nossos sentimentos (aspectos psicológicos). Daí a razão do espalhafato despreocupado dos jovens. percebida pelos olhos e decodificada pelo cérebro (GUIMARÃES. 02).31 Visto. 2004. serão destacados a seguir elementos essenciais da cor. 2006. observam a cor relacionando-a aos sentimentos. o que gera inúmeras relações no cérebro do homem. p. a utilização da cor na comunicação. psicológicas e culturais. 64). . tendo em vista: a percepção das cores. como linguagem. Vamos a eles. que a reconhece. na análise. 145). os significados culturais e psicológicos das cores. a luz. podemos esboçar uma definição que consubstancie todos os componentes (o objeto. 1991. 5. as características das cores. cultura e aspectos fisiológicos: Explicar o que representamos com a cor e por que representamos é um problema muito mais complexo do que aparenta. De fato. p. iniciando pela sua percepção no olho humano. a vê como informação: “a cor está. causada por um estímulo físico. Tomando-se. Vários autores a defendem e tentam explicá-la. a cor como fundamento signico para este trabalho. impregnada de informação. e é uma das mais penetrantes experiências visuais que temos todos em comum”. ainda. de fato. que a ideia de cor depende da definição dada pela área de sua aplicação.1 Percepção das cores A cor apresenta características físicas.

uma sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão” (PEDROSA. mas ‘em’ nossa percepção”. p. 19). De acordo com Farina. funcionando como decifrador do fluxo luminoso. p. naquele entram. grifo dos autores). Deste modo. podemos citar o fato de um lençol branco nos parecer sempre branco.. (PEDROSA. 2008. 2006. Ela é.] a luz de uma dada cor afetará diferentes cores de um quadro de modo . BASTOS. receptor/intérprete – cérebro do indivíduo. A luz interfere profundamente na sensação que temos das cores. tendo um significado próprio. E é construtiva. 18). da seguinte maneira: emissor – objeto. de construir uma linguagem própria que comunique uma ideia (FARINA. p. tão-somente.. cuja superfície reflete a luz. tem valor de símbolo e capacidade. tanto sob a luz violácea de mercúrio. afirma que “a cor – bem como a luminosidade – não está ‘nos objetos’. os dados psicológicos que alteram substancialmente a qualidade do que se vê. é a sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão. como tão violáceo quanto a luz de mercúrio que o ilumina. um primeiro conceito importante que devemos saber sobre a cor é que ela não é uma característica própria dos elementos do mundo. pois “a cor não tem existência material. quando iluminado por ela. 1982. quando em realidade ele é tão amarelo quanto a luz incandescente. decodificador – aparelho visual do indivíduo. 13. mas sim uma percepção visual da luz que nos cerca. Se neste entram apenas os elementos físicos (luz) e fisiológicos (o olho). portanto. pois. é possível fazer um paralelo entre a existência da cor e a Comunicação. Perez e Bastos (2006. p. mensagem – cor. p. a cor exerce uma ação tríplice: a de impressionar. Por exemplo. agindo como estímulo) e o olho (aparelho receptor. Pedrosa (1982) também compartilha da visão de Aumont (1995) quando diz: A cor não tem existência material: é apenas sensação produzida por certas organizações nervosas sob a ação da luz – mais precisamente. É importante ressaltar que existe uma diferença entre percepção e sensação da cor. grifo do autor). 1982. à existência de dois elementos: a luz (objeto físico. 60. PEREZ. canal – raio de luz. decompondo-o ou alterando-o através da função seletora da retina) (PEDROSA. além dos elementos citados. O fenômeno da percepção da cor é bastante mais complexo que o da sensação. É sentida: provoca uma emoção. Já Aumont (1995. portanto. “[. 17.32 Sobre o indivíduo que recebe a comunicação visual. a de expressar e a de construir. grifo do autor). Seu aparecimento está condicionado. codificador – condições físicas do objeto para refletir a luz. 25). p. A cor é vista: impressiona a retina.

como também um valor informativo específico. correspondentes respectivamente a azulvioleta.440 μ . 26). 2006.. Ela deverá. 1997. Além do significado cromático extremamente permutável da cor. que participam do processo de percepção da cor e que são importantes para se entender esse fenômeno. isto é. 335). 61). Sua dispersão. 1979. existem outros fatores.535 μ e 0. Além dessas características físicas e biológicas. BASTOS. p.. Com isso.] (uma cor próxima a outra muda a percepção de ambas)” (ARNHEIM. possui receptores que se localizam na retina e que permitem a percepção das cores. “[. 19). não tem cor. A percepção da cor é devida à atividade de três variedades de cones retinianos. portanto. p. p. da retina ao córtex. A fisiologia do olho também possui um papel importante no processo de sensação da cor.. 2004. esses comprimentos de onda são de 0. A cor não apenas tem um significado universalmente compartilhado através da experiência. a dispersão da luz. PEREZ. [.. ser recebida pela nossa visão e atualizada pela percepção e interpretação da sua materialidade” (GUIMARÃES.] o fato é que revelamos muitas coisas ao mundo sempre que optamos por uma determinada cor (DONDIS. Nosso sistema ocular.33 diferente [. e que esta é uma das dimensões essenciais de nosso mundo visual (AUMONT. não-daltônica. adquirindo maior importância ou perdendo-a irremediavelmente” (MOTTA. Todas as cores que não percebemos estão presentes na luz branca. ela tem grande força e pode ser usada com muito proveito para expressar e intensificar a informação visual. 1997.. p. A luz branca.] certos agrupamentos de células. origina o fenômeno do cromatismo. 0.. cada um de nós tem suas preferências pessoais por cores específicas [. que representa a absorção total de todas as cores... para isso. ou seja. Fora dessa faixa as ondas não são percebidas pelo homem. são especializados na percepção da cor. em que cada um é sensível a um comprimento de onda diferente (para uma pessoa normal. A luz branca possui todas as diferentes cores que conhecemos dentro do espectro de 380 a 760 milimícrons do comprimento de onda que é percebido pelo ser humano. acromático. 65-66). Como a percepção da cor é o mais emocional dos elementos específicos do processo visual.565 μ . o branco que percebemos é.] as cores valem sobretudo pela coloração vizinha. 1995. “A informação cromática quando é emitida ainda não constitui um signo. p. a negação de todas elas (FARINA. portanto. como os pessoais. isto é. p. 80). O mesmo diremos do preto. que se dá através dos significados simbólicos a ela vinculados. verde-azul e verde-amarelo). .

o sentir de uma época (MOTTA. etc. Mas a teoria da associação não é. estritamente relacionado com a vida vegetativa e emocional. sede e sexo. a cor oferece um vocabulário enorme e de grande utilidade para o alfabetismo visual” (DONDIS. sua identidade é estabelecida por relações. Assim. Além dessa característica biológica. 1997. acontece no sistema límbico. p. BASTOS. 358). os gregos e os renascentistas cuidaram mais da forma. presidente da Academia Alemã de Ciência da Cor e fotobiólogo da Universidade de Alberta. e os mais intelectualizados conferem primado à forma. p. nas culturas e nas artes de todos os povos ao longo da História do homem. Estes órgãos regulam o sistema endócrino e as funções dos sistemas nervosos simpático e parassimpático. p. no Canadá. “[. Os artistas da Idade Média foram coloristas.] cada uma das cores também tem inúmeros significados psicológicos. mais esclarecedora do que em outras áreas. Ela também é carregada de expressividade e está inserida de forma muito profunda na sociedade. p. pois uma cor pode mudar o seu significado em contextos diferentes. Henry Delacroix observou que povos e períodos espiritualizados atribuem maior importância à cor. Por este motivo. 2006. conhecer o contexto é sempre determinante para se entender o uso de uma cor. 84). Admite-se. As respostas emocionais de ódio. O efeito da cor é demasiadamente direto e espontâneo para ser apenas o produto de uma interpretação ligada ao que se percebe pelo conhecimento (ARNHEIM. criando alegria ou tristeza. amor. baseado nos estudos de Harold Wohlfarth. As cores podem produzir impressões. é amplamente aceito que a expressividade se baseia na associação [. mas ninguém sabe como tal expressividade ocorre. 64). pineal e hipotálamo. equilíbrio ou desequilíbrio. influenciando. associativos e simbólicos. dor e desprazer têm origem no grupo de núcleos que formam o sistema límbico. Conforme afirma Arnheim (1997). calor ou frio. estimular sensações e alterar nossa percepção do mundo em geral. p. assim.. .. intervêm em nossa vida. assim. PEREZ. A cor reflete. exaltação ou depressão. atividade ou passividade. como a fome. a interferência fisiológica e psicológica das cores é uma realidade. Ninguém nega que as cores carregam intensa expressividade. 1997.]. Uma dessas características é a psicológica. 02). pois a cor permite modificar comportamentos humanos. ordem ou desordem. sensações e reflexos sensoriais de grande importância.. na consciência e em nossos impulsos e desejos (FARINA. tanto de caráter fisiológico como psicológico. A energia eletromagnética da cor interage com as glândulas pituitária. porque cada uma delas tem uma vibração determinada em nossos sentidos e pode atuar como estimulante ou perturbador na emoção. As cores influenciam o ser humano e seus efeitos. como diz os autores abaixo. neste caso. antes de sua interpretação intelectual. 96).34 Tiski-Franckowiak (1991. afirma que: A primeira sensação de cor.. 1979. em realidade.

brilho e felicidade (BUSSELE. lembra a neve recém-caída. Finalmente o verde das árvores sob o céu azul – oferecendo frutas. Na Europa. uma cor de tristeza. 78). é ligado à ausência de luz e calor à noite. usadas universalmente como sinal de perigo e aviso de cautela. v. Além de não existir qualquer teoria de aceitação geral quanto aos motivos de uma determinada cor inspirar certos sentimentos. 78). ao se casar. trajes brancos. tampouco são os mesmos sentimentos universalmente associados às mesmas cores. A única situação que parece ser simbolizada pela mesma cor (vermelho) em todas as culturas é a de perigo (BUSSELE. para alguns povos simboliza o luto. 12. o vermelho do sangue.U. como. os amarelos e laranjas.A. o negro. Na psicologia e psicanálise existem estudos que procuram entender porque o homem criou essas associações das cores. por tradição. G. O que está presente na maioria das culturas são os conceitos mais primitivos de associação das cores com elementos da natureza. Cada uma delas possui uma associação (o branco e preto apresentam relações opostas como bondade/maldade e o vermelho 1 JUNG. associado à morte e ao sofrimento. com nuances vermelho-alaranjadas. os Ndembus. E. as pessoas enlutadas usam roupas negras. que possuem apenas três termos para designar cores e que representam as cores branca. 1977. O negrume da noite esconde o desconhecido e o inimigo oculto nas sombras. p. colinas. C. como enfatiza Bussele (1977). O branco. as moças vestem-se de escarlate. por exemplo. os verdes e azuis evocam a tranqüilidade encontrada em bosques. criam uma impressão de calor. e as noivas. vermelha e preta. principalmente as associações entre cores e sentimentos.35 O significado das cores pode modificar em povos diferentes. dando origem a simbologias e 1 significados psicológicos que funcionam como arquétipos : o sangue. a tristeza e o reino das trevas. 78). o fogo nas matas. Estas cores são excitantes e despertam emoções fortes. 1991. na Índia. o marrom da terra e o verde das plantas. à ideia de perigo. As experiências do homem com as cores foram bastante profundas e significativas durante o processo civilizatório. vermelho. porém. p. Turner (1966) apresenta o exemplo de uma tribo da África Central. 1977. Existem tradições específicas que associam uma determinada cor a conceitos diferentes do que o estabelecido em outra tradição. local para descanso e material para abrigo – faz com que estas duas cores sejam calmantes e equilibradoras do sistema nervoso humano. as pesquisas e o interesse pelas cores. Os exemplos citados justificam plenamente o estudo. ou ausência de luz. p. do ponto de vista psicológico e profissional de qualquer área (TISKI-FRANCKOWIAK. cores do sol e do fogo.. O negro. símbolo de pureza. et al. 1953. . o azul do céu e do mar. os hindus comparecem aos funerais vestidos de branco. Talvez algumas das reações emocionais à cor sejam condicionadas pelas cores encontradas na natureza. campinas e lagos. Collected Works: Psychology and Alchemy.: Pantheon Press. e.

como exposto. esse estímulo denomina-se matiz. azul e demais ..]. Matiz ou croma é a cor em si. e foi sempre a preferida pelos artistas populares e pelas crianças [. quase primitiva. 34) “Matiz [é a] variedade do comprimento de onda da luz direta ou refletida.. que vale agora. Apresentamos a seguir a definição de alguns desses conceitos. É preciso ter cuidado com o uso desses termos. Mas. Segundo Pedrosa (2008. e a sensação provocada por ele é que recebe o nome de cor. do claro ao escuro. A segunda dimensão da cor é a saturação [croma].]. é o que determina o que conhecemos por azul. a rigor. do matiz ao cinza..1 Matiz. Esses conceitos foram desenvolvidos e aperfeiçoados por artistas e outros profissionais que trabalham com cores ao longo de vários séculos até hoje. Para Guimarães (2004. 1997. utilizamos os conceitos tal como entende Guimarães (2004) e Pedrosa (2008). observar com atenção as características que as compõe. etc. A terceira e última dimensão da cor é acromática [valor]. A percepção das cores é tão significativa. e existe em número superior a cem [. É o brilho relativo. a palavra cor tanto designa a sensação cromática. A cor tem três dimensões que podem ser definidas e medidas.. o matiz (também conhecido como tom). p.). pois existem diversas definições e nomenclaturas para eles em autores diversos. p. amarelo relaciona-se com vermelho.36 são ambivalentes). seria “a própria coloração definida pelo comprimento de onda. A cor saturada é simples. Valor e Croma Matiz. percebida como vermelho. verde etc”. As cores para eles são muito importantes como elementos sagrados e presentes em seus rituais. Todas as outras cores são relacionadas a estas (o azul assimilado ao preto. Para o presente trabalho. como o estímulo (a luz direta ou o pigmento capaz de refleti-la) que a provoca. que é a pureza relativa de uma cor. 5.2. Valor e Croma são três propriedades que podem ser percebidas e medidas nas cores.20) busca também designar a cor: Em linguagem corrente. amarelo. 65-66). 54). p.2 Características das cores Existem diversos conceitos importantes definidos sobre a natureza das cores. p. 5. das gradações tonais ou de valor (DONDIS. vermelho. amarelo. Esses conceitos representam características das cores que podem ser percebidas e trabalhadas pelo homem. Pedrosa (2008.

76). passando por Plínio. o Valor (também denominado luminosidade ou brilho) está relacionado com a luminosidade. desde a antiguidade. É por meio de tons e matizes. Além do matiz. p. em qualquer composição bem organizada. Outra característica importante do ato perceptivo da cor é o croma. também se faz necessário compreender as cores primárias. Estágio em que o vermelho apresenta-se mais vermelho. De acordo com Pedrosa (2008. o verde mais verde. Já. 336).37 resultantes das misturas dessas cores”. equidistante do azul e do amarelo. o amarelo mais amarelo. caracterizando as cores. “[. Mais intensa. 2004. valor e croma é importante para se realizar um trabalho visual bem organizado e harmônico. . no que diz respeito aos princípios subtrativo e aditivo. segundo Bussele (1977.] ou o quanto a cor se aproxima do branco ou do preto” (GUIMARÃES.2. que. Isaac Newton e Goethe. pois. radiante. 1997. 35). Esse é um conceito que foi se desenvolvendo ao longo de toda a história do homem. p. princípio subtrativo e aditivo As cores primárias seriam aquelas principais das quais nasceriam todas as demais. a cor se aproxima do cinza. 54). o Valor são “termos utilizados para designar o índice de luminosidade da cor”. bem como sua claridade e saturação. Conhecer bem o matiz. 5. Leonardo Da Vinci. o matiz. p. contribuindo para a mensagem que se deseja passar. p. “a cor define a forma e transmite emoções e estados de espírito”. percebida como intensidade da cor. Para Pedrosa (2008. o azul mais azul”. são estabelecidos de tal modo que todas as cores juntas se estabilizam mutuamente num todo equilibrado (ARNHEIM. a cor se mostra mais viva. valor e croma.2 Cores primárias. p. 35). lugar e tamanho de qualquer área de cor. menos intensa.. croma “refere-se à saturação. com Aristóteles.. O croma se relaciona com o grau de intensidade de uma cor.

que se chegou à definição de uma tríade primária para as cores pigmento: formadas pelas cores púrpura. em um processo conhecido como princípio subtrativo. o preto apresenta um tom marrom-escuro. azul-esverdeado (posteriormente denominados por magenta e ciano. para se obter um tom preto mais puro. respectivamente) e amarelo (Figura 1). p. Suas cores secundárias são: o azul. 97-98). na impressão. Guimarães (2004) mostra que foi no século 18. por esse motivo. físicos e artistas. p. p.72).38 As cores primárias são objeto de controvérsia entre os teóricos. ciano e amarelo. que as distinga das outras (TISKI-FRANCKOWIAK. As gráficas e impressoras modernas utilizam esse princípio para a impressão de imagens. combinando esses três pigmentos mais o preto. Bussele (1977. amarelo e azul são consideradas por alguns como primárias pela pureza e distinção das demais. o verde e o vermelho. Síntese subtrativa das cores Magenta Amarelo Ciano Cor-pigmento Figura 1 – Síntese subtrativa das cores Fonte: GUIMARÃES (2004. A combinação desses três pigmentos puros resulta no preto. A partir da combinação dessas cores é possível se obter todas as outras. Elas não podem ser produzidas pela mistura de outras. Argumentam os físicos que esta qualidade ‘primária’ é um fenômeno inteiramente perceptual. 65). O vermelho. nada existindo ao longo do comprimento das ondas físicas de luz que correspondem às cores primárias. mas formam toda a gama de tonalidades conhecidas. esclarece: . com contribuição de Goethe. porém. 1991. As relações colorísticas são regidas pelas primárias. com o trabalho do gravador alemão Jackob Christof Le Blon. pois não há base concreta para a sua classificação. os impressores adotaram também o uso do preto na combinação do magenta.

o ciano e amarelo (as cores-luz secundárias são as mesmas primárias das cores-pigmento e vice-versa). Podem-se se somar as luzes vermelha. O amarelo subtrai o azul. 1977. p. cinema e monitores. e cria várias cores. em 1861 (BUSSELE. p. Sir James Clerk-Maxwell. As três cores básicas da síntese aditiva são o azul. Os filtros usados com esse método têm as cores amarelo. Bussele (1977) explica sobre o princípio aditivo das cores. . 72). isolou o que hoje chamamos de os três aditivos primários”. denominadas ‘primárias subtrativas’ porque cada uma delas tem a capacidade de bloquear ou subtrair da luz uma das cores primárias aditivas. Suas cores secundárias são o magenta. filtrando aquelas não incluídas na cor desejada. 186) “a tecnologia da reprodução em cores foi prevista em 1861. que corresponde a combinação das cores-luz. inclusive a branca.39 Ao invés de começar com três fontes coloridas de luz. por exemplo. quando o físico escocês. 1977. o método subtrativo recorre a uma única luz branca. feita por James Clerk Maxwell. Graças ao conhecimento dessa propriedade aditiva é que foi possível o desenvolvimento dos televisores. 65). verde e vermelho (Figura 2). 72). A combinação dessas três cores resulta na luz branca. magenta e ciano. Síntese aditiva das cores Verde Azul Vermelho Cor-luz Figura 2 – Síntese aditiva das cores Fonte: GUIMARÃES (2004. p. O princípio aditivo foi usado como base da demonstração original sobre a viabilidade da fotografia colorida. verde e azul – consideradas as três cores primárias básicas -. p. como segue. para que elas produzam qualquer outra cor. Além desse processo. o magenta subtrai o verde e o ciano subtrai o vermelho (BUSSELE. existe também a síntese aditiva das cores. De acordo com McCloud (1995.

colocadas uma ao lado da outra. como se observa acima.3 Círculo Cromático Uma forma de se classificar as cores é por meio do Círculo Cromático. em que as cores complementares estão posicionadas uma em frente à outra e as cores próximas se harmonizam (Figura 3). no sentido da luz”. As cores adjacentes se harmonizam e as complementares (uma em frente à outra) tendem a contrastar” (BUSSELE. 73). bem como. p.. o matiz. 1977.. p. são de suma importância. 1997. sua frieza ou calor. valor e croma. mas. as cores primárias e seus princípios subtrativo e aditivo. tal importunidade ou distância.]. além deles há de também se considerar o círculo cromático. há algo incompleto em toda e qualquer cor em particular [.40 Na característica das cores. 346). “A relação existente entre as cores é representada nesta roda de cores.80): “cores complementares são aquelas que. 66). dando a entender que. p.2. se complementam naturalmente. p. . Como assinala Motta (1979. Círculo Cromático Figura 3 – Círculo Cromático Fonte: GUIMARÃES (2004. 5. nos afeta unilateralmente e aponta por sua mera presença para a existência de uma contraparte que poderia restabelecer o equilíbrio em nossa experiência visual (ARNHEIM. O caráter único dessa cor. O círculo cromático revela a variedade de cores que podem ser produzidas.

As cores complementares podem ser combinadas para gerar o que se conhece como contraste. Por exemplo.82): “tons frios e tons quentes são termos empregados na linguagem dos ateliers para designar a tendência das cores em provocar a sensação de frio ou de calor”. dependendo do contexto colorístico circundante (TISKI-FRANCKOWIAK. Podemos dizer que um bom contraste favorece a nitidez de contornos diferenciando a figura do fundo [. pode utilizar a cor vermelha para contrastar e destacar algum elemento.. uma imagem que representa uma floresta. podem ser considerados como cor intermediária. ajudam na memorização dos detalhes e na distinção dos mesmos no espaço. p. formados por um tom quente e outro frio. o azul afastar-se-á.. 1991. verificar-se-á que o amarelo parecerá vir à frente. Uma cor busca completar a outra buscando um equilíbrio na composição. “são assim chamadas. O contraste é definido como oposição entre coisas. O jogo das cores quentes e frias faz com que o espaço tenha vibrações rítmicas de profundidade. pelo fato de uma cor servir de complemento à outra. distância e tridimensionalidade (TISKI-FRANCKOWIAK. os azuis são frios. ora como frias. 82).]. 122). é reentrante.. Observando o círculo cromático vemos.. portanto. as cores compreendidas entre o matiz verde e o violeta seriam os frios. Genericamente. exatamente. pelo sucessivo avanço e recuo das cores. O círculo de cores é dividido hipoteticamente em duas metades: cores frias e cores quentes [. azuis e verdes. por exemplo. Os verdes. p. Outros teóricos também buscaram definir as cores frias e quentes. Os contrastes chamam a atenção em primeiro lugar. que o azul é complementar ao laranja (se encontram do lado oposto no círculo). os vermelhos e os amarelos são quentes. p. como ressalta Motta (1979. 1979. É como se houvesse uma tensão entre elas e sua combinação restabelecesse o equilíbrio. é saliente. . Os matizes compreendidos na faixa entre amarelo e magenta no círculo cromático seriam as cores quentes. Existe também o conceito de cores quentes e frias. 1991. 119). 1991. avançando ou recuando no espaço. Já. faixas amarelas. com a cor verde e seus matizes próximos se sobressaindo. como segue.41 As cores complementares. e o verde permanecerá entre os dois (MOTTA. sugerem profundidade. como uma pessoa que apareça na composição. No tocante a cores. p. p. Colocando-se em linha. mesmo que somente em forma de reflexos ou pós-imagem” (TISKI-FRANCKOWIAK.]. 97-98). Cada uma delas se distingue dentro de sua própria gama de tons quentes e frios e serão vistas ora como quentes. uma cor tem a finalidade de fazer sobressair àquela figura ou o elemento a ser destacado.

Não existe.42 Mas. a combinação das cores vai depender do objetivo que a composição deseja alcançar. e o círculo cromático. p. [. Na área da comunicação. ensinada. o interesse sobre seu estudo cresceu muito nas últimas décadas. A cor por si só não tem a força para produzir diretamente a sensação de temperatura”. em grande parte.. Assim. fórmulas prontas para se utilizar a cor em uma composição. oferecem subsídios ao analista que trabalhará sob o ponto de vista da semiótica. Não obstante. Na realidade. 116). O homem reage a ela subordinado às suas condições físicas e às suas influências culturais. PEREZ. por exemplo. como a luz. mas pode ser uma ótima escolha para se destacar uma mensagem publicitária. p. 2006. 72).] não pode ser resolvido arbitrariamente. Mesmo assim. É preciso conhecer bem as propriedades das cores e as principais sensações que elas despertam. p. Perez e Bastos (2006. Seu domínio abre imensas possibilidades aos que se dedicam ao estudo dos inúmeros processos de comunicação visual. 14). ou até mesmo ser ignoradas (BUSSELE. As características das cores. pois já foi possível perceber a sua importância dentro da comunicação. O impacto emocional das cores em diversas combinações ou justaposições vai depender. Uma combinação entre cores complementares pode ficar conflitante ao se pintar um cômodo de uma residência. as generalizações que se costumam fazer sobre as cores que ‘combinam’ e cores que ‘não combinam’ devem ser encaradas com certas restrições. 81) explica que “ela é uma sensação associativa e intermediada pelos códigos de linguagem.] Essa sintaxe rege os elementos que constituem a mensagem plástica: a cor possui. as cores primárias e seus princípios subtrativos e aditivos.3 Utilização da cor na comunicação Farina. Contudo.. leis que definem a sua utilização (FARINA. para observá-las e analisá-las. o movimento. bem como. ela possui uma sintaxe que pode ser transmitida.. essa classificação em quente ou frio não se refere à temperatura física. com base apenas na percepção estética e no gosto pessoal”. É o que será destacado a seguir. . o peso. tendo em vista o matiz.. principalmente no jornalismo e publicidade. 1977. valor e croma. BASTOS. isto é. faz-se necessário também compreender a utilização da cor no processo comunicacional. a cor é uma linguagem individual. de cada observador. 5. esboçadas acima. Guimarães (2004. assim. afirmam que “podemos constatar que o uso da cor. o equilíbrio e o espaço. p. [.

às vezes. pois só tem compromisso com sua verdade interna. deve ajudar na clareza da mensagem a ser transmitida. o que deve ser aproveitado como instrumento técnico. Como vimos. Ainda resta esboçar os significados culturais e psicológicos das cores. Perez e Bastos (2006). O uso da cor na comunicação. a cor tem uma função bem definida e específica.4 Significados culturais e psicológicos das cores Será realizada. por ser o branco a soma de todos os comprimentos de onda e o preto a ausência de luz. 96). a seguir. 5. . A cor. e ele diz também que ela possui três classes de efeitos e valores: efeito simbólico.43 O uso das cores difere muito entre a comunicação e as artes plásticas em geral. É apenas uma amostra para servir de guia. Na comunicação. pois o objetivo entre elas é diferente. 5. p. além de carregar diversas informações por si só. relação de atividades e elementos que um diretor utiliza para realizar o seu filme) e faz parte do projeto de imagem do filme. fisiológico e psicológico. O artista é absolutamente livre para se expressar.4. o que facilita o trabalho do cineasta em contar uma história. no que diz respeito às sensações acromáticas e cromáticas. Pastoureau (2005) e Varichon (2005). No cinema. Tecnicamente. uma pequena compilação dos significados culturais e psicológicos gerais das cores.1 Sensações acromáticas As sensações acromáticas são o preto. senão ela perde sua força. é importante para a mise-en-scène (colocação em cena. o cinza é a mistura entre o preto e o branco. É o que se destacará abaixo. Tiski-Franckowiak (1991. baseado no trabalho e pesquisas de Farina. não são denominadas como cores. Já. como exposto. A cor. do mesmo modo. a cor pode despertar e representar sensações e sentimentos. Aumont (1997) afirma que a cor deve funcionar na expressão. argumentam a respeito disso: O emprego das cores é diferente nas artes e na comunicação social. cinza e branco. compõe as características das cores na “leitura” fílmica. cria o clima desejado e fala por si só.

É a cor que representa o sexo.1 Branco Varichon (2005) define o branco como a luminosidade por excelência. p. o vermelho é uma cor rica em simbolismos e que fascina o homem desde a pré-história.2 Preto Pastoureau (2005) afirma que o preto é a cor da morte. da carência afetiva e da solidão. Em algumas culturas é a cor da fertilidade e da vida. p. É a cor da vida interior sombria e depressiva. BASTOS. 5. sendo a cor dos anjos e elementos sagrados como o cordeiro e a pomba. 98). PEREZ. Pastoureau (2005) diz que chamar o vermelho de cor é . BASTOS. solidão e melancolia.4. verde e azul. renúncia e penitência.2 Sensações Cromáticas São as cores propriamente ditas.4. por remeter à luz. podendo provocar desespero. Ele sempre esteve relacionado com o sagrado e espiritual. 2006. de falta de liberdade. o branco é a cor mais irritante justamente por ser a soma de todos os comprimentos de onda. a fertilidade. dentro da cultura ocidental. 97).1. paz e limpeza. culpa e desonestidade. modernidade e autoridade (por exemplo.1 Vermelho Segundo Varichon (2005). medo e sentimento de prisão. por estar associada ao leite e ao esperma. Também é a cor da elegância. nos árbitros de futebol e juízes). Cor utilizada em religiões representando austeridade.4.1. como explicitam os autores abaixo: Remete também a algo incorpóreo. amarelo. O branco é a cor do vazio interior.2. as paredes dos ambulatórios e os quartos não devem ser totalmente brancos (FARINA. Apesar de possuir tantos aspectos positivos associados. Morte. laranja. “A cor preta é a ausência de luz e corresponde a buscar as sombras e a escuridão. PEREZ.44 5. destruição. tremor estão associados a ela” (FARINA. Na Bíblia Sagrada o branco é o emblema do divino.4. haja vista que a exposição prolongada de sujeitos em ambientes totalmente brancos tende a acentuar neles caracteres esquizóides. 5. Segundo recomendação da Organização Mundial de Saúde para as Instituições Hospitalares. virilidade e perigo. Renúncia. a cor dos fantasmas e espíritos. 5. 2006. A seguir apresentaremos as definições de cinco delas: vermelho.

BASTOS. dominação. fogo.. da inveja. raios solares. Associação afetiva: desejo.2. 5. locomoção. tanto que em várias línguas o termo vermelho e cor possuem o mesmo significado. a primeira de todas as cores para o homem. 2005). agressão.2. e privilegiavam as associações com o sentido do gosto: o gosto ‘traiçoeiro’ do limão. representava a discórdia e todas as desgraças em conseqüência [.4. do dinamismo. da matéria e do materialismo. excitabilidade. luminosidade. espontaneidade. PEREZ. o carmim. senso de humor (FARINA. 99).. diferente da doçura da laranja. prazer. “O amarelo é um pouco mais frio do que o vermelho e remete à alegria. energia. e chamamos a cor de carmesim [do árabe: qirmezi (vermelho bem vivo ou escarlate)]. PEREZ.]. 79-84). 100). operacionalidade. outono. festa. força.. o adultério num sentido espiritual [.. p. A maçã dourada era. do fogo. 2006. aurora. cor arquétipa.3 Amarelo Varichon (2005) nos mostra que o sol é a principal associação da cor amarela e é a cor mais paradoxal. perigo. luz. Associação material: ofensa. poder. advertência.4. inseto (a cochonilha)]. apresenta algumas características da cor amarela: As linguagens divina e sagrada designavam pelas cores o ouro e amarelo a união da alma a Deus e. euforia.2 Laranja É uma cor sedutora e que remete à saúde e vitalidade (PASTOUREAU. 101). pôr-do-sol. por ela ser considerada a cor por excelência. de encontro (FARINA. O Amarelo se tornou a cor do ciúme. dureza. tentação. Os rabinos consideravam o amarelo ‘palidez’ em vez de ‘vivacidade’. robustez. p.45 praticamente um pleonasmo. É também a cor da criatividade. ação. do sangue. dinamismo. 5. p.]. PEREZ. calor. O teórico e cineasta Einsestein (1990. para os gregos.]. Sua reputação negativa na Idade Média foi formada pela soma de alusões associativas e não mais estritamente pela cor. da traição [.]. laranja [fruta]. p. da guerra. competição. mas. o símbolo do amor e da concórdia.. por oposição. Vermelho nos vem do latim vermiculus [verme. 2006. Os árabes viam nesta cor ‘lividez’ em vez de ‘brilho’. do erotismo. BASTOS. Desta se extrai uma substância escarlate. 2006. como a riqueza e a exclusão social. BASTOS. do amor. sexualidade. . chama. impulsividade” (FARINA. Simboliza uma cor de aproximação. da paixão e a tudo que é relacionado a esses temas.. Fora a cor associada ao amor libertino [.. por oposição. pois pode representar situações contrárias. Há uma razão especial para o cristianismo ver o amarelo com suspeição. É a cor da sedução..

Na Turquia e Ásia Central é a cor do luto. nos filmes de Tim Burton.5 Azul Pastoureau (2005) afirma que o azul é apontado como uma das cores preferidas pelas pessoas em países ocidentais. BASTOS. Na Ásia. 2006. Diante do exposto sobre as cores. folhagem e a própria ‘verdura’ – de modo tão firme quanto o é com os símbolos da morte e decadência – musgo. Mistura do amarelo e azul. O verde.2. PEREZ. drogas. descanso. p. contém a dualidade do impulso ativo e a tendência ao descanso e relaxamento.4. libertinagem. como afirma Eisenstein (1990. inteligência. no próximo tópico iniciaremos as análises. suas radiações acalmam as dores nevrálgicas e resolvem alguns casos de fatiga nervosa. limo.4. é calmante e tranquilizadora. Na Índia. p. PEREZ.4 Verde Pastoureau (2005) diz que o verde é uma cor ambivalente e pode representar o destino. paz. É a cor do infinito. infidelidade e transgressão. É a cor da natureza. da evasão e fuga da realidade. Na China. sofisticação. 102). profundidade e está de acordo com a idéia de liberdade e de acolhimento. 101). Pode ter conotação de nobreza (sangue azul). confiança. inspiração. o dinheiro. do frio. da água e da aristocracia. Também é a cor da juventude. etc. É também a cor da paz.2. e as sombras no rosto de um cadáver”. das plantas. segurança. O azul escuro também apresenta um componente de densidade (o mar profundo e denso tende a ser azul escuro) (FARINA. ela representa a pureza e a castidade da Virgem Maria na cultura Cristã. insônia. 5. 2006. Cor da fidelidade e da humildade. das coisas naturais e saudáveis (como legumes e verduras). O azul-escuro indica sobriedade. a chance e o azar. segundo Varichon (2005). a liberdade e a esperança. Outros autores também qualificam o significado do verde. dos sonhos. é a cor da abjeção e também do luto. (FARINA. 79) remete “aos símbolos da vida – jovens brotos de folhas. via cor. é associada a tormentas e evocação de espíritos e anúncio de morte. É um sedativo que dilata os vasos capilares e tem efeito de reduzir a pressão sanguínea. BASTOS. a permissão. o azul é uma cor cercada de conotações negativas. recolhimento.46 5. Designa infinito. . vícios. p. da distância.

e seguiu para realizar um filme homenagem a um diretor que ele admira desde a infância. tendo em vista a cor como material importante para a narrativa fílmica. gostou do seu trabalho e o convidou para dirigir seu filme “As grandes aventuras de Pee-Wee” (1985). que fez bom sucesso com o público.1 Tim Burton Tim Burton é um cineasta norte-americano nascido em 25 de agosto de 1958. A Disney não aprovou. A seguir ele realizou a continuação de Batman. “Peixe grande e suas histórias maravilhosas” (2003) e “A Noiva Cadáver” (2005). Em um primeiro momento. Com o avanço da pesquisa. Começou a trabalhar com cinema em 1980 quando conseguiu uma bolsa dos estúdios Disney para estudar no California Institute of the Arts e logo começou a trabalhar na Disney. junto com a equipe de arte. um famoso humorista americano. foi realizada uma nova avaliação desses filmes. Após a boa aceitação desse filme. Burton conseguiu realizar um filme mais autoral em “Edward mãos de tesoura” (1990) e teve grande aceitação de público e crítica. Nessa época realizou dois curtas de animação com temática mais adulta que infantil e um tom mais sombrio. Esses três filmes sintetizam o uso da cor pelo diretor e os principais recursos que ele emprega para isso. “Batman – O retorno” (1992). 6. e então três deles foram selecionados para a análise: “Edward mãos de tesoura” (1990). Depois apresentamos o resultado das análises dos três filmes selecionados. Seu próximo filme foi “Batman” (1989) e também atraiu um grande público e teve um ótimo rendimento financeiro. A seguir. seis filmes se mostraram mais ricos para uma análise mais aprofundada e que representavam bem o percurso da paleta de cores de Tim Burton ao longo de sua carreira.47 6 Análise das cores nos filmes de Tim Burton Analisamos inicialmente os filmes dirigidos por Tim Burton no período entre 1985 a 2005 para identificar aqueles que poderiam contribuir melhor para a análise do uso da cor em suas narrativas. “Ed . Com o sucesso conquistado. mas Paul Reubens. os filmes que ele dirigiu e sua relação com as cores. Burton foi convidado para dirigir “Os fantasmas se divertem” (1988). apresentamos um pequeno histórico sobre a carreira de Tim Burton.

como em “Os fantasmas se divertem” e “A Noiva cadáver”. a vontade de sair da realidade e mergulhar em um mundo mágico e misterioso. a cor azul aparece logo na abertura. O uso da cor em seus filmes foi se modificando ao longo de sua filmografia e é possível dividir sua carreira em dois períodos. “Peixe Grande e suas histórias maravilhosas” (2003). elementos que misturam curvas e retas e o tom sombrio da narrativa. Burton se envolveu. Em praticamente todos os seus filmes. havia um personagem destituído de cores e que vive em um mundo monocromático até que outros personagens o levam a entrar em . porém este filme teve recepção morna da crítica e público. É também um indicador de pureza. também seria outra homenagem. então. Essa combinação nos passa uma sensação de frieza e distanciamento e é muito usada quando relacionada com a morte. é a cor que marca a subjetividade. como dito anteriormente. considerado o pior diretor de todos os tempos. mas que foi cancelado após meses de trabalho já iniciado. Seus filmes seguintes foram: “Planeta dos Macacos” (2001). como o ator Johnny Depp e o músico Danny Elfman. seu próximo filme. que também influenciou muito na criação de seu estilo. não conseguiu aprovação do público. Ele conseguiu se recuperar dessa fase mais difícil com “A lenda do cavaleiro sem cabeça” (1999). Analisando sua filmografia é possível identificar que as cores mais usadas por Tim Burton são: o azul. inocência ou ingenuidade. Em seus primeiros filmes. dando o caráter de subjetividade. em que se observa que ele passa de uma representação da visão do mundo mais objetiva para uma representação do interior das personagens. Apesar de ter tido uma ótima aceitação da crítica. “A Noiva cadáver” (2005) e “Sweneey Todd – O barbeiro demoníaco da Rua Fleet” (2007). “Marte Ataca” (1996). versão do clássico livro infantil de Lewis Carroll e filmado com tecnologia 3D. Uma das características que mais marcam o trabalho do diretor é o uso de diversas cores. com um projeto de uma nova versão de “Superman”. acompanhado das sensações acromáticas brancas e pretas. “A fantástica fábrica de chocolates” (2005). A cor é um elemento importante nos filmes de Tim Burton e que apresentam sempre um grande destaque. sempre acompanhada da cor preta. Ele também costuma repetir parcerias com atores e profissionais que trabalham com ele. desta vez ao cinema de ficção científica da década de 50 e 60.48 Wood” (1994). o estilo gótico. O azul. Seu último trabalho é o filme “Alice no país das maravilhas”. o vermelho e o verde. entre outros.

A realidade seria assim colorida e se mostraria uma farsa. existe uma outra realidade que é exageradamente colorida e que exibe muito mais vida e dinamismo. em “A Noiva cadáver” é o mundo dos mortos. em “Edward Mãos de Tesoura” o personagem de Johnny Deep utiliza roupa negra. tem a pele pálida e mora em um castelo escuro. praticamente sem nenhuma cor. que tenta introduzi-lo na sociedade. Em “A fantástica fábrica de chocolate” essa realidade é o interior da fábrica. “A Noiva cadáver” e “Sweneey Todd”. grifo do autor) seus primeiros “filmes partiam. Por exemplo. em sua construção visual. não possui cores.. Se antes ele partia de um indivíduo que passa a ser observado por uma sociedade. De acordo com Andrade (2008). ela não aceita quem é diferente. Essa utilização das cores se modifica significativamente em seus últimos filmes. nossa atenção recairá sobre os três filmes escolhidos para a análise. mas sim como terreno para resolução das pendências reais. sendo que. a partir de Peixe Grande é o sujeito quem olha para o mundo”. e em “Sweneey Todd” são os sonhos. nos filmes. Ele então recebe a visita de uma moradora da cidade próxima que é vendedora de cosméticos e ela o leva para a cidade. Como a realidade é fria. que está no plano da imaginação. em seu interior.49 contato com a cor.]. . além de tons de cinza e marrons. agora é a cidade que passa a ser vista por um indivíduo que a nega e procura escapar para uma outra realidade.. Agora é a cidade que é fria e escura. No próximo tópico. essa aceitação só pode ocorrer no mundo dos sonhos. de olhares da sociedade sobre certas figuras [. o sonho vem não como possibilidade de fuga. Essa cidade é toda colorida e seus moradores usam diversas cores. Paralelamente. Isso pode ser observado em filmes como “A fantástica fábrica de chocolate”. Segundo Andrade (2008. pois acabam perseguindo o personagem a partir do momento em que este não consegue se enquadrar aos seus padrões.

pois percebe que ele é uma boa pessoa. mas acaba se compadecendo de sua situação. Edward passou a viver sozinho nessa mansão.1 Edward mãos de tesoura McMahan (2006) afirma que “Edward mãos de tesoura” (1990) é o filme que até hoje define o diretor no imaginário das pessoas e que possui a estrutura de um conto-de-fadas em sua narrativa.1. Conta a história de um jovem que possui tesouras no lugar das mãos e que foi criado sozinho por um inventor louco. por causa das lâminas de suas tesouras.2 Resultados das análises dos filmes analisados 6. que se compadece de sua situação e o leva para viver com sua família. Ela o apresenta para o marido e o filho pequeno. Num primeiro momento. que passam a temê-lo e anseiam por expulsá-lo de lá.50 6.1 Resumo do enredo O filme se inicia com uma senhora idosa que conta uma história para sua neta que tenta dormir. Peg Boggs. Esse inventor faleceu antes de terminar a criação de Edward. Certo dia. um dos inventos de um inventor que morava em uma mansão isolada. 6. Ele é descoberto por uma moradora da cidade. Edward é muito tímido. . Edward se apaixona pela filha da mulher que o acolheu e esse amor acaba gerando a ruína da relação dele com os moradores da cidade. mas elas o acham estranho e muito diferente. conhece Edward. que se sente assustado com sua presença. em uma mansão isolada perto de uma pequena cidade. após a morte de seu pai/inventor. sem nenhum contato com o mundo externo. as pessoas da cidade até procuram fazer amizade com o rapaz.2. Ele usa roupas de couro preto e possui o rosto pálido e cheio de cicatrizes. que eram substituídas por tesouras. Essa história é a vida de Edward mãos de tesoura. calado e envergonhado. uma revendedora de produtos de beleza e moradora da pequena cidade onde fica a mansão. por isso ele ficou sem mãos.2. na verdade. Peg o leva para sua casa e promete cuidar dele e de suas cicatrizes. Edward era. Ela também sente medo dele num primeiro momento. Ela. que aceitam a presença dele em casa. então. resolve visitar o local para ver se mora alguém e se há algum cliente por lá.

mas ela só tem olhos para Jim. mas Peg tenta preservá-lo. que é o de cortar belos arbustos em formato de animais e coisas. enquanto todos dormem. Depois eles descobrem que ele também sabe fazer belos cortes nos pelos de cães e todos ficam interessados em cortar os pelos de seus cães com ele. Entre as várias perguntas feitas. Edward também se assusta e acaba furando o colchão d’água com suas lâminas. mas Peg sempre tenta motivá-lo e o ajuda como pode. o apresentador volta a questionar Edward se ele tem alguma mulher especial em sua vida. Edward se sente atraído por ela. Logo as moradoras da cidade ficam sabendo que Peg levou um rapaz estranho para casa e ficam curiosas para saber quem é. que viajou com o namorado e amigos. Kim. acaba desmaiando. sem ação. As vizinhas ficam ainda mais curiosas para conhecê-lo e acabam marcando um churrasco com a família para apresentá-lo à cidade. Peg e Edward vão a um programa de auditório onde respondem perguntas da platéia sobre a vida dele. se assusta e grita desesperada pelos pais. Kim Boggs. Finalmente. Ele recebe o convite de várias pessoas para que corte os arbustos de suas casas também. O marido e filho de Peg descobrem que Edward possui um talento. Enquanto isso. Edward começa a cortar os arbustos dos moradores da cidade. Ela vai para o seu quarto e não percebe a presença de Edward que dorme em sua cama. assistem ao programa em casa e ao ouvirem essa pergunta. seu namorado. Kim.51 Peg ainda mostra para Edward fotos de sua filha adolescente. Quando ela o vê. Edward sente muita dificuldade em se adaptar na sua nova realidade. Certo dia. percebem que a habilidade de Ed pode ser usada para cortar cabelos e as mulheres da cidade cortam seus cabelos com ele. e não consegue realizar atividades simples como se vestir e comer. e vê Ed apenas como uma pessoa com problemas que precisa de ajuda. Ao ver as fotos. irmão de Kim. já que ele não tem família. Tarde da noite. Ela os repreende. Ao tentar pegar o microfone para responder. Edward se sente mais atraído por Kim. Jim e Kevin. No dia seguinte. a filha adolescente. uma mulher questiona se ele tem namorada e ele fica calado. ele acaba cortando os fios . chega sem avisar a família. Os pais acalmam Kim e contam quem ele é e que viverá com eles. Os moradores são simpáticos com ele. mas acaba sendo apresentada ao Ed. que de tão nervoso. Jim e Kevin insinuam que Kim seria a namorada dele. A cada dia que passa. mesmo fazendo várias piadas com a sua situação. Ela ainda se sente um pouco assustada.

Joyce. Mesmo relutando. mas acaba preso sozinho dentro dele. sente uma forte atração sexual por ele. Ela o vê esculpindo um enorme anjo de gelo e as lascas caem como neve para todos os lados. Enquanto isso. se compadecendo de Edward. Ele não conta a verdade nem para a polícia e nem para a sua família. furando e rasgando as paredes da casa. leva Edward para conhecer o lugar onde ela pretende abrir um salão de beleza em sociedade com ele. Kim escuta o barulho das lâminas de Edward vindo do quintal e vai atrás para descobrir o que ele está fazendo. invadem a casa de Jim e Edward abre a porta onde fica o cofre. Edward só sai quando a polícia chega e o acaba prendendo. A polícia acaba o liberando e a população da cidade começa a sentir medo dele. dizendo que o que ele fez não era certo. Jim é . O marido de Peg tenta ensinar noções de ética para ele. Ela não se importa. Jim deseja comprar um carro e por isso deseja invadir esse quarto para pegar o dinheiro e ele sabe que Ed consegue abrir portas facilmente. Kim se desespera e tenta ficar para ajudar Ed. todos vestidos de preto. Certa noite. onde seu pai esconde um cofre com o dinheiro da família e que não deixa Jim entrar. Peg prefere ignorar esses boatos e começa a iniciar os preparativos para o Natal. que assumem uma postura de pai e mãe de Edward. mas ao tentar ter uma relação com Ed. criando mentiras sobre ele. que acaba ferindo sem querer Kim na mão. Kim acaba concordando e convence Edward a participar da invasão. sentindo a neve. Eles. na verdade. e Peg diz que eles o ajudarão a aprender a viver em sociedade. Jim e Kevin riem da situação dele e Kim fica nervosa com os dois. tentando explicar que sua ação fora errada e que não deveria repetir isso. Kim pergunta a ele se está bem. levando-a embora na Kombi com os amigos. Joyce aproveita e diz que Edward é perigoso e até já havia tentado estrupá-la. Peg e o marido. Ao chegar em casa. Jim tenta convencer Kim a usar Edward para abrir a porta de um cômodo de sua própria casa. Depois ela briga com o namorado. juntos com os amigos de Kim.52 provocando um curto-circuito que o faz cair de costas da cadeira. ele foge assustado e conta tudo o que aconteceu para a família Boggs. Ao ver os dois juntos. Sem que Ed a veja. Jim chega de repente e dá um grito que assusta Edward. As vizinhas acabam descobrindo que ele rasgou as paredes da casa e começam a espalhar umas as outras. uma das vizinhas de Peg. Ed sente raiva e ciúme. conversam com ele. mas Jim não deixa e a pega pelos braços. Em outro dia. Ela. Kim começa a rodar e dançar. enquanto ajuda a mãe a enfeitar a árvore de Natal. mas Jim começa a dizer que Ed atacou Kim.

Ao se virar para Jim. Ed salva o menino. Ela pede que ele a abrace e ele diz que não pode e se afasta para perto da janela. No caminho ela pega uma velha lâmina e ao ver os moradores da cidade no jardim. Jim começa a bater em Edward até que uma das lâminas o fere. que está bêbado com ele procurando por Edward. até que Kim o acerta com um pedaço de madeira e o ameaça de morte. Edward tenta ajudála. A polícia chega e Kim pede que ele fuja. lhe dá um tapa no rosto e a joga para longe. ela diz que Jim e Edward estavam mortos e a prova da morte de Edward eram as lâminas que ela carregava consigo. Depois que o policial se vai. porém. diz que o ama e sai correndo em direção à saída. mas Jim tenta impedir. afirmando que depois desse . tocando em seu rosto com suas lâminas e o ferindo. Ed observa as mãos quebradas e se aproxima do pai. Kim tenta impedi-lo. Ele começa a depredar coisas da cidade ao longo do caminho e a polícia é chamada. Ao ver a polícia. Ele. Ele olha então para suas lâminas vermelhas de sangue. Ed relembra o dia em que o pai/inventor lhe mostrou suas mãos humanas que haviam ficado prontas e que seriam colocadas nele. Edward se encontra transtornado. o expulsa de casa. a população resolve ir atrás de Edward. Ed sai sem rumo pela rua e Kim. rasga sua camisa branca e volta a ficar apenas com sua antiga roupa de couro. mas ele acabou falecendo nesse momento. O policial vai atrás e atira para o alto. ao saber o que Jim fez. gritando para que ele não volte. ele concorda e corre em direção à sua antiga mansão abandonada. mas isso faz com que ele dê um tiro para o alto e parte do telhado cai sob a cabeça de Ed. Nesse momento. Os vizinhos se aproximam e acham que ele está atacando Kevin. As mãos caem e se quebram no chão. Jim então começa a espancá-lo com um pedaço de metal. Kim vai até ele e o abraça. Jim chega de repente e dá um tiro tentando acertar Edward. O policial diz para a população que está tudo resolvido e que eles podem ir embora. mas acaba ferindo-o sem querer no rosto. Ed acaba o ferindo na barriga com sua lamina e ele cai morto da janela no jardim da mansão. que o beija na boca. Durante o abraço. Kim chega primeiro e procura por ele no segundo andar da mansão. O abraço só termina quando Edward percebe que Kevin está na rua e corre o risco de ser atropelado pela Kombi do amigo de Jim. finalizando a narrativa.53 agressivo com Ed e pede aos gritos que ele se afaste dela. usando as lâminas de Ed como arma. Edward então se despede de Kim. voltamos a ver a senhora idosa do começo do filme que conta essa história para a neta. Ed volta para casa e reencontra Kim.

ela se entrega a esse sentimento e depois disso rompe definitivamente com o namorado e se alia a Edward. inicia a história disjunto de seu pai. ela acredita que ele ainda esteja vivo. mesmo não sabendo como. mas Edward deseja conquistá-la. com a vida social e com as obrigações sociais e éticas. Ele aceita a manipulação que ela faz com ele a pedido do namorado Jim. A menina fica curiosa em saber como ela sabe dessa história e a avó diz que sabe porque viveu esta história. Ela já tem um namorado e está conjunta com ele. assim. que está conjunta com a sociedade de sua cidade. por isso sente-se no dever de ajudá-lo. Sendo assim. até o momento em que ela o vê esculpindo gelo. Mas o amor que ele sentia pelo pai e que se perdeu só é realmente substituído quando ele conhece e se apaixona por Kim. o papel do pai/inventor falecido.1. ela tenta tornar Edward conjunto com sua família. Apesar do roubo ter terminado mal para Edward. percebe essa disjunção de Edward e propõe a ele uma nova vida. Edward aceita essa nova vida oferecida por Peg e confia plenamente nela. Edward ajuda porque acredita que aceitando essa manipulação de Kim. substituindo. Com o tempo esse sentimento vai enfraquecendo e ela passa a sentir cada vez mais carinho por ele e menos pelo namorado. Ela sente pena da situação dele.54 dia ela nunca mais o viu. ele estará mais próximo de ficar conjunto com o amor dela. todo o processo faz com que Kim realmente se aproxime ainda mais dele e sinta interesse amoroso por ele. Aos poucos. que ele desconhece. dando a entender que ela é a Kim. sentindo medo e estranhamento. de certa forma.2. O filme termina mostrando então Edward cuidando do jardim de sua mansão que está bem cuidado e colorido. ele também está disjunto da sociedade. desde que Edward apareceu. Kim conta para a neta que na cidade nunca nevou. com um céu muito azul ao fundo. sua única relação social. Peg Boggs. A conjunção entre os dois só acontece quando Edward evita . Kim inicia seu programa narrativo totalmente disjunta de Edward. por isso. neva todos os anos e. Ela é uma espécie de mentora e mãe. percebemos que Edward. Nesse momento. para que ele ajude no roubo.2 Análise do percurso narrativo Analisando as relações entre os sujeitos desse filme. o personagem principal. mas que. Ela vai se desconectando da relação com o namorado e vai se conectando cada vez mais com Ed. 6.

mas o amor continua conjunto na fantasia. é marcado pelo uso do preto e branco. É nesse momento que Edward relembra seu amor pelo pai/inventor que é semelhante ao amor que sente pela Kim. A seguir ele acaba sendo expulso da cidade. A partir de então suas vidas se tornam disjuntas na realidade. são simbolizados pelas sensações acromáticas (branco e preto).* Excluído vs.** Sensações acromáticas vs. As categorias. ele o fere no rosto.1. A mansão onde Edward mora. mente para a cidade afirmando que ele está morto. No último contato entre Ed e Kim ela o beija e reafirma seu amor por ele.2. excluído e diferente. que só reforça a sensação de frieza e isolamento das sensações acromáticas.C. Ele sente-se responsável pela morte do pai e de certa forma teme que também machuque a Kim.E. Uma das poucas cores que aparece nesse ambiente é o azul bem escuro. é um lugar escuro e praticamente sem cores. Temos duas oposições importantes nesse texto. Quadro 1 – Oposições básicas em Edward mãos de tesoura P.55 abraçá-la e ela vai atrás dele e o abraça. 6. relacionado também com a oposição normal versus diferente (Quadro 1). Sensações cromáticas * Plano de Conteúdo **Plano de Expressão No Plano de Expressão (PE) encontramos essas oposições expressas pelo uso das cores. Normal P. voltando novamente ao seu estado inicial. e é simbolizado pela neve que passa a cair na cidade todos os anos e Kim acredita ser pelo trabalho de Edward. que é a relação excluído versus incluído. e lembra que quando tentou fazer um carinho no pai/inventor já morto. Para protegê-lo. Kim o ajuda e impede que o namorado o mate. Incluído Diferente vs. solitário. Esse é o momento pleno de sentimento e entrega entre os dois. Edward .3 Análise da cor Esse é um dos filmes do início da carreira de Tim Burton e é um dos primeiros em que a cor apresenta um papel importante na narrativa.

Somente uma regata que ela usa por baixo dessas roupas é branca. as cores vão sumindo e dando lugar ao branco. são simbolizadas pelo uso de diversas cores e expressas nas casas coloridas da cidade. Essa cena expressa que internamente Kim já se sente atraída e apaixonada por Ed. ela usa uma camisa verde listrada. Kim vai falar com ele e dessa vez usa uma camisa amarelo claro e uma saia branca. quando ela se despede do namorado na Kombi e depois vê Edward pela primeira vez. nos gramados verdes e céu azul. As cores vão enfraquecendo e o branco tomando lugar em sua vestimenta. Há uma cena marcante que expressa bem a tentativa de Peg em incluir Edward na vida social. pois tanto as rosas verdadeiras quanto as rosas da estampa já antecipam o momento de conjunção entre os dois que ocorrerá no futuro e que será expresso pelas cores vermelha e branca. ela assume plenamente seu amor por ele e veste um vestido completamente branco. ela usa roupas coloridas. depois de ser preso por ter ajudado Jim e Kim no plano do roubo. Outro uso importante da cor no filme é o da roupa da Kim. Só que a blusa que ela veste é marrom e possui estampas de rosas vermelhas e cor-de-rosa. É como se ela tentasse apagar sua palidez introduzindo novas cores em sua vida. Simbolicamente ela tenta “colorir” o acromático Edward. quase branca. Logo após Edward voltar da polícia. quando ela tenta apagar as marcas de cicatrizes dele com produtos de beleza em seu rosto. Os moradores usam as mais variadas cores em suas roupas e sempre variam essas cores. ele usa uma roupa preta de couro e tem a pele muito pálida.56 também é destituído de cores. assim como suas casas. junto com uma calça bege. ela aparece novamente usando roupas coloridas. Já. assim como os outros moradores e o namorado. Logo depois desse acontecimento. Na primeira cena em que ela aparece. nas roupas dos moradores. que marca a transição da conjunção dela com Jim para Edward. À medida que ela vai se afeiçoando por Edward. Ou seja. ela usa uma saia-macacão laranja junto com uma camisa e tênis branco. um casaco e tênis laranja e calça e meias azuis. as categorias incluído e normal. A próxima cena em que eles voltam a se encontrar é quando ela o observa cortando o gelo. No dia em que ela assiste Ed no programa de TV. quando ela observa Edward ao longe podando um pé de rosas brancas e vermelhas. que continua até o último momento que . Nesse momento.

O filho acha que tudo é mentira e que o pai nunca lhe conta nada que seja verdadeiro. quase preto. que acaba brigando com o pai por conta delas.2.57 vivenciam juntos e onde acontece o primeiro e único beijo dos dois. pois nunca mais se viram. que o pai contava para todos em todas as reuniões sociais de que participavam. Todos adoravam as histórias de Ed e sentiam curiosidade em ouvi-las. Depois dessa briga. 6. Ele descobriu que o peixe só se deixava pegar por quem lhe oferecesse ouro.2 Peixe Grande e suas histórias maravilhosas Peixe Grande é um filme que conta a história de Edward Bloon. que simboliza o amor entre eles. Havia um peixe em um rio que pescador nenhum conseguiria pescar e que ele se sentia desafiado a pegar esse peixe. que indica o fim do branco e a representação de conjunção presencial com Edward. e um colete azul escuro. Ed foi ao rio e ofereceu a aliança ao peixe que aceitou e deixou ser pego. seu vestido fica manchado de sangue. No dia do nascimento de Will. Nesse momento final. O filho de Ed cresceu ouvindo essa história. sinaliza essa sua condição de disjunção com Edward. um contador de histórias que vive uma relação difícil com seu filho Will Bloon. Eles brigam e passam anos sem se falar. retomando o simbolismo das lâminas manchadas pelo sangue do pai/inventor de Edward e sinalizando a condição de disjuntos na realidade e ao mesmo tempo conjuntos na fantasia. Ela usa um vestido vermelho. eles ficam três anos sem se falarem. Ele vai atrás do pai e tenta descobrir quem é o pai de verdade por trás se suas histórias fantasiosas.1 Resumo do enredo O filme começa com a história que Edward conta para todos sobre como foi o dia do nascimento de Will. Will não aguenta ouvir as histórias fantasiosas sobre a vida do pai e acha que ele é um mentiroso e que cresceu sem conhecer quem era o pai de verdade. menos o filho.2. A cor escura simboliza quase uma espécie de luto entre o amor dos dois. Edward se sentia feliz e devolveu o peixe ao rio. 6. Finalmente. mas nunca deixaram de se amar. conversando com a neta.2. . até o dia em que Will descobre que o pai está com câncer e pode morrer a qualquer momento. a roupa de Kim já idosa.

Edward. mostrando a vida do pai. que lhe conta a história de um peixe mágico que vive no rio. O filme passa então a contar duas histórias. Essas informações não o ajudam a saber quem ela é e nem onde mora. No meio do caminho eles se separam. que eram o nome da moça e onde ela estudava. ela o avisa que não pode aceitar seu amor por já . Ele encontra onde ela mora e se declara apaixonado por ela. Ed se despede da população e parte com Karl. mas mesmo assim ele começa a nos contar como foi a vida do pai. apenas Sandra. prometendo retornar um dia. do mesmo modo que ouvira do pai. Edward escolhe o caminho mais perigoso e sinistro. Ele vai e descobre que o monstro é na verdade um homem grande demais. porque acha que a cidade é pequena demais para eles e para sua ambição pessoal. desde que chegaram por lá. uma verdadeira celebridade local. todos gostam de viver ali e nunca a deixam. Ele convence Karl a deixar a cidade e diz que vai com ele. e a esposa de Will é quem dão atenção ao velho pai. Edward nasceu em uma pequena cidade e era muito querido por todos lá. Nesse circo ele vê Sandra rapidamente e se apaixona por ela. porém. porém ele fica feliz mesmo assim. que está deitado em seu quarto com a esposa de Will. Uma no presente. mas não consegue chegar perto dela. o filho continua reticente com relação às histórias do pai. Ed logo faz amizade com todos. mas só lhe dará informações sobre ela se ele aceitar trabalhar para ele de graça. É uma cidade linda e colorida. Certa noite. esposa de Edward. que levara o amigo Karl para tentar trabalhar por lá. como o pai contava em suas histórias. em especial com um poeta e uma garotinha chamada Jenny. mas resolve partir. Ele diz que havia acabado de deixar Spectra quando descobriu um circo. Ele deixa o circo e parte atrás de Sandra. apareceu um terrível monstro que passou a assustar a população e Ed se ofereceu a ir atrás do monstro e o expulsar da cidade. Ele aceita e passa três anos trabalhando ali e recebendo pequenas informações sobre a moça. Em uma noite. Ed vive bem e feliz ali.58 O filho só volta a visitar os pais e a falar com o pai quando descobre que ele está com câncer e pode falecer. ele acaba recebendo as informações mais importantes. Will acredita que nunca se viu refletido no pai. conta para ela como foi que conheceu Sandra. mostrando o filho tentando descobrir quem é o pai de verdade e outra no passado. Certa vez. O dono do circo diz que conhece a moça. No presente. em troca das informações. chamado Karl. que o leva a uma pequena comunidade chamada Spectra. quando descobre que o dono do circo é um lobisomem e o ajuda.

dizendo que irá se casar com Edward. O pai retruca dizendo que sempre lhe contou tudo sobre sua vida e que era um contador de histórias. Ed não revida porque havia prometido a Sandra e ela consegue encerrar a briga. então. porque Edward foi convocado para servir no exército. então. Ela sofre por quatro meses e quando está quase recuperada da dor. ele enche seu quintal de lírios amarelos. Só que eles não puderam se casar. Entre esses documentos. Will e as outras duas mulheres começam a revirar coisas velhas de Ed. Na última. ele passou a aceitar as missões mais difíceis e perigosas. Em um desses trabalhos. que sempre foi a mesma pessoa desde que nasceu e que o problema era com o filho. não com ele.59 estar comprometida e que seu noivo era um antigo colega de escola de Bloon. Mas Edward não desiste e passa a fazer diversas declarações de amor para ela. A mulher de Will diz a ele que achou a história de amor de seus pais linda. Ali ele começa a encontrar documentos que mostram que nem tudo que o pai contava eram mentiras. Jenny. já adulta. Edward diz. como o fato de ter servido no exército. e eles finalmente se casam. ele volta. devido ao enorme tempo que ele passava fora de casa. Ele conhece. Ela então começa a contar a história da segunda vez que Ed esteve em Spectra. Nessa segunda ida. ele encontrou a cidade praticamente acabada e já sem a cor e vida de antes. Ela questiona se ele realmente ama o pai e Will diz que sempre desconfiou que o pai traia sua mãe e possivelmente deveria ter outra família. Ele teria que passar três anos servindo e. guardadas em um velho e bagunçado escritório. e tenta descobrir se ela já teve um caso amoroso com o pai. o que encerra a conversa dos dois. devolve a aliança para o noivo e termina o relacionamento dos dois. O filho discorda e diz que tudo são mentiras e fantasias e que se sentia um idiota ouvindo-as. O noivo de Sandra o vê e o espanca. O filho tenta novamente dizer para o pai que não o conhece de verdade e que queria saber como foi sua vida de verdade. Will encontra alguns papéis de escritura da cidade de Spectra e resolve ir até lá. devido à criação de uma estrada que a ligava até a cidade grande. mas para ele tudo é mentira. Ela o aconselha a conversar com o pai. quando Will ainda era criança. um rapaz que não gostava dele por ser tão popular e ele não. fato que foi confirmado pela mãe. ele ficou incomunicável por muito tempo e o exército acredita que ele faleceu em combate e avisa à Sandra. passando por ali perto. Isso fez falir com os negócios da . para reduzir ao máximo esse tempo.

Mesmo com a recusa dela. . porque ela era única para ele. O pai é sepultado e depois todos relembram suas histórias. O pai acorda durante a madrugada e pede ao filho que lhe conte como é a história de sua morte. Jenny se descobre apaixonada por ele e tenta beijá-lo. onde eles fugiriam do hospital no dia seguinte e iriam em direção ao rio. o médico da família conta para Will como foi seu nascimento de verdade e que foi algo muito trivial e comum. Jenny se conforma e aceita assinar a escritura doando sua casa para Ed. Will. o filho pega o pai pelos braços e vê que todas as pessoas que passaram pela vida do pai estão ali. afirmando que. exceto Jenny. Após concluir as reformas e devolver as casas aos moradores. onde Sandra está esperando por eles. Ao chegarem na margem do rio. Durante o velório. Ele diz que a história verdadeira era sem graça e que se pudesse escolher entre essa história e a história fantasiosa sobre um peixe.60 cidade e muita gente começou a ir embora. O filho entra no rio com o pai. Ao terminar a história o pai falece. sua família era a sua realidade e todo o resto era faz-de-conta para Edward. Will descobre que o pai piorou e foi para o hospital. e ninguém está triste. Will repassa essas histórias ao seu filho no futuro. enquanto a mãe e sua esposa voltam para casa para descansar. Ed se despede dela e tira uma aliança da boca. com a ajuda financeira de amigos que o haviam ajudado a se enriquecer no passado. Ele começa a narrar uma história fantástica. Jenny afirma a Will que seu pai nunca traíra sua mãe. um pouco sem jeito diz que vai tentar. mas ele não aceita. e criou um documento no qual as pessoas doavam suas casas para ele. desde que a mantivessem como no passado. então. Todos aceitaram. Ed foi embora e nunca mais voltou lá. O filho o leva até o meio do rio e o solta nas águas. Will conhece as pessoas que passaram pela vida de seu pai e vê que elas realmente existiram. comprar toda a cidade. onde se transforma em um peixe e vai embora. bem ao modo do seu pai. Ele vai para lá para passar a noite com o pai. Edward resolveu. Durante a noite. devolvendo para ela. ele não desiste e reforma sua casa. preferiria a fantasia. alegando que só ama Sandra. para se despedirem dele. são pelas histórias que o homem se torna imortal. Ao retornar para casa. com a promessa de que ele as reconstruiria e que devolveria a todos.

61 6.2. em que o filho tenta descobrir quem é o pai de verdade e esse vivencia a proximidade da morte. Ao encontrá-la. mas ele só aceita viver ali porque se apaixona por uma bela garota desconhecida e que o dono do circo conhece. Após três anos de trabalho.2. na tentativa de deixar Sandra disjunta do noivo e conjunta com ele. Edward não desiste e inicia uma série de seduções. prometendo que um dia retornará. se não aceitar. Will encontra-se conjunto com a mãe e a esposa e é por meio delas que ele tenta se aproximar do pai. encontramos um sujeito que vive conjunto com uma sociedade que gosta dele e o admira. Só que esse sujeito resolve deixar essa realidade. a mensagem amorosa desenhada no céu com um avião e o momento em que ele enche a frente de sua casa de lírios amarelos. De início ele até aceita essa manipulação. pois a acha pequena demais e parte para uma nova vida. e outro que se passa no passado e narra a história fantasiosa sobre a vida do pai. terá as informações.2 Análise do percurso narrativo Em “Peixe grande” encontramos um sujeito (filho) totalmente disjunto de outro sujeito (pai) e essa disjunção e as tentativas do filho em retomar a conjunção com o pai é presente até o final da narrativa. um que narra o presente dos actantes. Spectra. o dono do circo propõe um contrato. É um lugar ainda menor do que os outros. Ele faz essa promessa para manter a conjunção com o povo dessa cidade e para não os perder. O próximo lugar que ele vai viver é no circo. Nesse último momento. que o seduz para uma vida feliz e despreocupada. e acredita que ali é um ótimo lugar para se viver. Existem dois percursos narrativos distintos acontecendo simultaneamente em “Peixe Grande”. descobre que ela é noiva de outro rapaz e por isso não pode aceitar se casar com ele. em que Edward passaria a trabalhar para ele em troca de informações sobre a moça. o contrato é encerrado e o dono do circo finalmente lhe diz onde encontrar a moça. mas não revela a ele quem ela é. o . O filme nos mostra três dessas seduções: o slide com mensagem amorosa para ela. Ed aceita essa intimidação por estar completamente apaixonado e por acreditar que deve fazer isso para encontrar o seu amor verdadeiro. mas rompe essa sedução retornando a sua jornada. não terá. Na narrativa do passado. Ele deixa o circo e parte para conquistar Sandra. No caminho ele encontra uma cidade pequena. Para que ele saiba as informações sobre a vida da moça. Se ele aceitar.

concretizando. Nesse momento. ele não se conforma com as histórias fantasiosas e acredita que existam coisas escondidas sobre a vida do pai. É a primeira vez que o filho entra em contato com algum lugar das histórias do pai. conjunta com ele. ele começa a perceber que o pai viveu realmente aquelas histórias. o filho tenta de todas as maneiras manipular o pai para descobrir a verdade. mas o pai não aceita essas manipulações e afirma que tudo o que há para se saber sobre sua vida. mas conversando com Jenny ele começa a perceber que as histórias. Ela só volta a se acalmar quando finalmente ele volta e se casam. Ele vê que o lugar possui diferenças com o lugar que o pai narrava. tornando-se assim.62 noivo aparece. mas ele não aceitou a sedução. e só o que ele fez foi tornar as narrativas mais belas e fantasiosas para alegrar a quem contasse. o filho tenta de todas as maneira conhecer quem é o pai de verdade. após Edward servir ao exército e vivenciar diversas situações perigosas. o médico lhe conta como foi que ele nasceu de verdade e contrasta com a história fantasiosa. Sandra rompe definitivamente com o noivo e aceita o pedido de casamento com Ed. Will aceita esse pedido e narra a história da morte do pai de forma fantasiosa. Jenny afirma que já foi apaixonada por seu pai e o tentou seduzir. ele já havia contato. Ele realmente possuía um amor incondicional por Sandra. onde encontra Jenny. e Jenny afirma para Will que seu pai nunca a trairia. Mas Will só tem a certeza disso ao descobrir um fato verdadeiro de sua vida. Com essa ação. o filho está balançado com os seus sentimentos em relação ao pai. essa conjunção que permanece durante toda a vida dos dois. A conjunção definitiva entre pai e filho se dá quando o pai acorda durante a madrugada e pede ao filho que lhe conte como será sua morte. No presente. quando. deste modo. provoca e agride Edward. possuíam um fundo de verdade. Depois de um tempo sem notícias. afirmando que essa é melhor. no leito hospitalar onde o pai está. o exército avisa Sandra de que ele possivelmente faleceu em combate e ela sofre com essa possibilidade de disjunção com o ser amado. Ele encontra as escrituras de Spectra e resolve ir até esse lugar. Porém. essa conjunção só ocorre muito tempo depois. eles se tornam conjuntos e o filho passa a assumir a figura de contador de histórias do . Will encontra antigos documentos do pai que sinalizam que algumas coisas das histórias do pai podem ser verdadeiras. Numa conversa entre os dois. por mais fantasiosas que parecessem. Nesse momento. Depois dessa conversa.

Mentira P. vermelho e azul.Oposições básicas em Peixe grande P. ela sempre usa uma roupa vermelha.2. ela já está mais conformada. No primeiro. principalmente com as cores verde. Vida. amarelo. quando ele falece realmente. * Plano de Conteúdo **Plano de Expressão Já. No velório. tendendo ao branco.63 pai. e um vestido branco com múltiplos quadradinhos de um vermelho mais claro. C. Quadro 2 . O segundo momento de morte ocorre no final. quando recebe a notícia de que ele morreu em guerra. Na realidade. a fantasia e a mentira são retratadas com cores vivas e puras. derivada de uma oposição maior de: verdade versus mentira. ela usa um terno vermelho combinado com uma blusa preta.3 Análise da cor O plano de conteúdo de “Peixe grande” sinaliza uma oposição: realidade versus fantasia. vermelha e azul (Quadro 2). São dois os momentos de morte. no plano de expressão. o problema era que ele. Com quatro meses. Na fantasia. No momento da notícia. em que estão disjuntos na realidade. quando Will conhece as pessoas que o pai conviveu. . amarela. Fantasia Verdade vs. ela usa um vestido todo vermelho ao se despedir do marido no rio.* Realidade vs.2. por isso o seu vestido assume um vermelho mais claro. ela fica transtornada e isso é marcado no vermelho vivo de seu vestido. quando ele volta. o filho. ele finalmente aceita as histórias fantasiosas e percebe definitivamente que o pai sempre foi sincero. não o compreendia. 6. e as cores assumem um papel importante para sinalizar isso no plano de expressão. após sua morte de verdade. o discurso da relação entre Sandra e Edward é orientado pela categoria semântica fundamental Morte vs.** Cores frias e apagados vs. Cores vivas: verde. Enquanto a realidade e a verdade assumem cores frias e com tons apagados (mesmo cores quentes que aparecem no presente são esfriadas por meio da saturação). Nos momentos em que Sandra vivencia a morte do marido. E. ela usa um vestido vermelho vivo.

Da mesma forma como Tim Burton realizou em “Edward mãos de tesoura”. O . como se estivesse pensando em Edward. representando a nova conjunção com Ed. O branco inicial. simbolizando o amor dele por ela. O pijama que Edward usa durante todo o tempo em que está doente é azul bem claro. O azul assume. Quadro 3 – Oposição morte e vida em “Peixe grande” P. A cor também é muito importante no momento em que Edward vê Sandra pela primeira vez no circo. e ele tenta se aproximar dela. vai desaparecendo e dando lugar a um azul forte e marcante. quando ela aceita se casar com ele. Na última sedução ela usa um vestido azul. e isso é representado no plano de expressão pelas cores de sua roupa. que representa a conjunção com o noivo. o sonho de um amor verdadeiro.64 Já. Essas cores são repetidas no ambiente.** * Plano de Conteúdo **Plano de Expressão Morte vs. em que celebram o amor. Azul Outro momento no filme em que a cor assume uma função importante no plano de conteúdo é no momento de sedução de Edward tentando conquistar Sandra. representando a idealização. a característica da vida plena. ela sempre usa uma roupa azul. C. Ela está aérea. representando o amor que sente instantaneamente por ela. ela usa uma blusa muito parecida.* P. só que não é mais branca e sim azul escura e as bolinhas são brancas. O tempo para. O vermelho aqui sinaliza que ela está começando a gostar dele. ela usa um vestido azul. não prestando atenção na aula. Ela usa um vestido azul. após a sua última declaração de amor. Na cena seguinte. E. quando Ed está em uma banheira cheia d’água e ela entra junto e o abraça. Vida Vermelho vs. Na primeira sedução ela usa uma blusa branca com bolinhas vermelhas. Por exemplo. Em outro momento. vê-se aqui a transformação de Sandra deixando de ser conjunta com o noivo e passando a se tornar conjunta com Ed. reafirmando esses sentimentos. os momentos em que eles estão conjuntos. ela usa um vestido azul e ele um terno todo azul que só possui um detalhe em vermelho na gravata. reafirmando o amor entre um e outro. Quando eles se conhecem ela usa uma roupa branca. Edward usa uma camisa vermelha. assim. a felicidade alcançada (Quadro 3). eles já idosos.

Eles marcaram de se encontrar no cemitério. até conseguir pegá-lo e levá-lo ao mundo dos mortos. quando viva. acaba colocando fogo na saia da sogra sem querer. na véspera de seu casamento verdadeiro. para treinar os votos. se apaixonou por um rapaz e sua família não aceitou o casamento. então. por isso a roubou e a assassinou. não a amava. Ela só encontraria descanso quando finalmente encontrasse um marido para se casar com ela. com várias referências sinistras. fazendo com que ela fugisse de casa para viver com ele. alguns adereços e roupas de algumas pessoas e artistas são vermelhos e todo o fundo é preenchido de azul. coloca a aliança em um galho que se revela ser um esqueleto de uma Noiva Cadáver. Lá as famílias acertarão os detalhes do casamento. Victor vai sozinho para a rua e segue em direção à floresta. Ela o leva. cheio de criaturas esqueléticas e estranhas.3.3 A Noiva Cadáver A “Noiva cadáver” é um filme de animação realizado com a técnica de stop motion e que conta a história de um rapaz que acaba se casando sem querer com uma morta.2. para viver no mundo dos mortos e ele passa a tentar voltar para seu mundo. . 6. para casar com a mulher que ama e evitar que ela se case com outro. acabando por deixar a aliança cair e ao tentar pegá-la. com suas famílias presentes. Victor descobre que a Noiva. que é um lugar colorido e animado. Victor foge de medo e ela o segue. gerando muita confusão. 6. Também aparece um misterioso Lorde Barkis Bitten para assistir ao ensaio. então. Victor fica todo desajeitado e atrapalhando. e queria apenas seu dinheiro. Quando Victor conhece Victória eles se apaixonam de verdade e ficam felizes. onde eles simularão os votos para o pároco da cidade. A família do jovem Victor o leva para conhecer a família de sua noiva. O rapaz. O padre diz que o casamento não poderá acontecer enquanto o noivo não aprender a fazer os votos corretamente. Lá. Victória. vão para o ensaio do casamento.65 picadeiro. Quando consegue. que resolvem casar seus filhos acreditando que isso fará com que eles saiam da falência. na verdade.1 Resumo do enredo O filme mostra duas famílias. a cortina. que. Eles.2. na verdade. é um negócio financeiro para eles. Essa sai da terra e diz aceitar se casar com ele.

Ela tenta pedir ajuda ao pároco. Victor pede que ela primeiro espere-o para conversar e explicar aos seus pais sua situação. o velho sábio e a minhoca procuram pela noiva para contar a ela que existe uma complicação em seu casamento. Lorde Barkis aproveita a situação e se oferece para se casar com Victória. A minhoca. pois . mas não pode fazer nada para evitar. Então. A Noiva fica triste e briga com ele. chorando. Victor descobre que esse novo morto era o cocheiro de sua família. Ela procura um velho sábio para descobrir uma forma de ela conseguir ir para o mundo dos vivos. quebrando um ovo neles de onde sai uma fumaça amarela que os leva para o mundo dos vivos. tentam consolá-la e dizem que ela não pode se desanimar e nem desistir do seu amor. antes de a apresentar. e isso os aproxima. retornando ao mundo dos mortos.66 Enquanto isso. mas ela não acredita. junto com uma aranha. mas a Noiva Cadáver invade o quarto nesse momento e o tira de lá. Victor então diz que ela precisa conhecer seus pais e ela concorda. mas precisam descobrir um modo para fazer isso. e esse velho a ajuda com um feitiço. que fica muito triste. Ele tenta explicar que não pode ficar ali. Ele diz que a ama e que quer se casar. Ela o deixa e se isola. dirige-se para a casa de Victória. Eles tocam pianos juntos. Lorde Barkis tenta se aproximar da família dela e avisa para eles e para a família de Victor que ele foi visto com uma mulher misteriosa e desapareceu com ela depois disso. No mundo dos mortos. Victor tenta fugir da Noiva Cadáver e do mundo dos mortos. Ele vai para a cidade. Victor tenta se desculpar com a noiva. onde invade o quarto dela pela janela. mas na verdade. Victória conta para sua mãe que Victor se casou com uma morta. que também não leva em consideração essa história. apesar de ela estar muito triste. Ela concorda e fica na floresta aguardando. Ele diz que é um homem muito rico e isso é o suficiente para eles aceitarem esse casamento e logo avisam à filha. Lorde Barkis e Victória ensaiam os votos e tudo ocorre perfeitamente. mas ela insiste que ele é seu esposo agora e que ali é seu lugar. São interrompidos com a notícia que um novo morto chegará ao local. Enquanto isso. ele vivo e ela morta. que vive em sua consciência e é como uma consciência para ela. sem se falarem. mas não consegue. na casa de Victória. Ele tenta explicar que não podem ficar juntos porque eles são diferentes. e ele conta que Victória agora está prometida a outro homem. A família de Victória diz para a família de Victor que só haverá casamento se o noivo aparecer até o amanhecer.

2. Barkis ameaça Victória de morte e depois trava uma luta de espada com Victor. O único jeito de mudar isso seria Victor aceitar morrer e repetir os votos com ela. por ela estar morta e ele não. que vai até o altar. Os moradores vivos da cidade se assustam com a chegada deles. porém ele acaba bebendo do veneno achando que é uma bebida comum e morre. pois é o mesmo homem que a seduziu e a assassinou no passado. a Noiva se coloca na frente e evita que Barkis o mate. A Noiva chama. no caso dos dois.2 Análise do percurso narrativo . impedindo que ele beba da taça. mas ela avisa que não há dote. A Noiva coloca o veneno na taça de Victor. que improvisa sua espada com um garfo. mas vê Victória e não consegue concluir os votos. se desfaz em inúmeras borboletas azuis que voam na direção da lua. ela já os separou.67 ele é válido somente enquanto a morte não os separar e. A Noiva diz que nunca poderia pedir isso a ele. Ela diz que o ama e por isso não pode permitir que ele se mate por ela. por Victória. Ela pega a espada e diz para ele ir embora. A Noiva cadáver. Todos se preparam e seguem em marcha para o mundo dos vivos. Nesse momento. 4. Ela devolve a aliança. Quando o Lorde está prestes a matá-lo. sob a luz da lua cheia. então. A Noiva diz para Victor que ele manteve a sua promessa e por isso a libertou. que acaba parando nas mãos de Victória. Ele convida todos os mortos para o seu casamento e avisa que será no mundo dos vivos. Os mortos se reúnem na igreja para a cerimônia de casamento de Victor com a Noiva Cadáver. escondida. Diz que seria um erro para ela roubar os sonhos dele só porque teve seus sonhos roubados por outro. mas o Lorde desdenha dela. que está junto com Victor. então.3. O Lorde propõe a Victória que eles aproveitem a confusão e fujam com o dinheiro do dote. pois seus pais estão falidos. pelos outros falecidos. o Lorde invade a igreja. mas Victor aparece dizendo que escutou tudo e que aceita morrer para se casar com ela. e a Noiva a entrega ao Victor. pois ele não tem dinheiro. pois ele não é dela. Victória assiste ao casamento de longe. reconhece o Lorde. toma Victória pelas mãos e diz que não permitirá que eles fiquem juntos. mas o susto acaba quando começam a reconhecer nesses mortos a figura de entes queridos já falecidos. A Noiva. o que o desagrada. sendo levado para o mundo dos mortos. caminha em direção à porta da igreja e joga o buquê para traz. no passado.

tanto de Victória quanto da noiva. Victor é o objeto de valor. Enquanto isso. Ela diz que como ama Victor ela não se sente capaz de pedir uma coisa dessas para ele. é anulado. pois ela está morta e ele está vivo. mas na verdade.68 Em “Noiva Cadáver” encontramos o sujeito Victor que se apaixona por Victória. As únicas pessoas a quem pode recorrer. A Noiva também não possui a capacidade de conseguir conquistar o amor de Victor. mas ele. sua mãe e o padre. o casamento entre os dois. a Noiva descobre que existe a possibilidade de Victor anular o casamento. A noiva se torna conjunta com ele e o leva a morar com ela no mundo dos mortos. mas ambas estão disjuntas dele e não sabem como devem fazer para reverter isso. Ela acaba sem ação e aceita se casar com o novo noivo escolhido por sua família. Porém. as famílias aprovam a relação e eles se apaixonam ao se conhecerem. A situação se complica quando Victor acaba se casando sem querer com a Noiva Cadáver. seu objeto de valor emocional. Ele a manipula ao voltar para o mundo dos vivos com a desculpa de conhecer seus pais. pois pela lei eles não podem ficar juntos. Aparentemente tudo está certo para a conjunção dos dois. O único modo do casamento não ser anulado é Victor ficar disjunto da vida e casar novamente com ela. na tentativa de se desculpar com ela pelas coisas que disse. mas logo descobre ser uma farsa e o leva imediatamente para o mundo dos mortos. Nesse momento. afirmando que essa era a nova vida de Victor. Ela fica muito triste por perceber que não consegue fazer com que Victor se torne conjunto a ela. ele descobre que Victória irá se casar com outro. mas ele escuta tudo e aceita a proposta. Ele se desespera com a possibilidade de perder seu objeto de valor e tenta quebrar o contrato estabelecido com a noiva. que selaria definitivamente a conjunção entre ambos. A Noiva aceita. desde que o casamento seja no mundo dos vivos. devido aos erros de Victor durante o ensaio dos votos. Victória se sente incapaz de tomar qualquer atitude porque ela não está capacitada para tentar resgatar Victor e não sabe quem a possa ajudar. não aceitam ajudá-la e nem consideram seu pedido. . ele quer voltar a ver e falar com Victória. acaba se aproximando e se afeiçoando a cadáver. Ele também não se sente capacitado a evitar esse casamento e não sabe como também anular o seu casamento com a Noiva e acaba também ficando sem ação.

Assim. Quadro 4 .2. é contrário ao que a cultura ocidental entende como cores da vida e da morte.3. pois Victor cumpriu sua promessa de que se casaria com ela. indicando os dois planos de ação da história. O outro plano é o mundo dos mortos. cores que tradicionalmente . Já. 6. como ela ficou no passado. em “Noiva Cadáver” é representada por sensações acromáticas e também a azul escuro.Oposições básicas em A Noiva Cadáver P. do mundo dos vivos.** Preto. isolamento e tristeza. A vida. mas não faz nada para impedir. repleto de cores vivas. cinza e azul escuro vs. Ao declarar seus votos. mas fica conjunta com a liberdade de sua alma.69 Eles se preparam e vão para a igreja do mundo dos vivos confirmar esse novo contrato. C. pois ele acaba morrendo. que é acromático e com tons azul escuro. Cores vivas: azul. união e alegria. vermelho. amarelo e verde * Plano de Conteúdo **Plano de Expressão Porém. Victória. magenta. Victória fica sabendo do casamento e vai até lá para ver a celebração. a Noiva vê Victória e não permite que Victor tome o veneno. o uso da cor. Essa oposição: mundo dos vivos versus mundo dos mortos. advém da oposição maior: vida versus morte (Quadro 4). Morte Mundo dos vivos vs.* Vida vs. E. e só não casou por ela não permitir que isso ocorresse. além de deixar outra moça infeliz. e isso cria um clima de frio. branco. Victor fica livre para entrar em conjunção com seu objeto de valor. Mundo dos mortos P. gerando um clima de calor. a Noiva fica disjunta de Victor. ciano. e essa também fica livre do compromisso de se casar com o novo noivo.3 Análise da cor A cor assume um papel importante nesse filme. Um dos planos é o da realidade. que é todo colorido. Seu amor por Victor não permite que ela o deixe perder a conjunção com algo tão importante como a vida. nesse caso.

Já. que o homem. a fantasia é o lugar onde o homem vive em plenitude. sendo ignorada e rejeitada pelas pessoas. é que a realidade é na verdade. e é retomada no final. assim como liberta a borboleta na cena inicial. regida por leis que engessam o homem e que o privam da liberdade. assim como uma borboleta. A oposição liberdade versus opressão é indicada sutilmente na primeira cena do filme. também é frágil e ele pode acabar a qualquer momento se for atacado por outros. indica também. quando a Noiva se desfaz em várias borboletas. o estado em que o homem se encontra livre para fazer o que quiser e como quiser. C. é o lugar onde o céu é mais azul. pode amar e não ter medos. Já. Opressão Azul vs. onde uma borboleta azul é libertada por Victor e voa livremente pela cidade escura e acromática. Quadro 5 – Oposição liberdade versus opressão P. algo morto. Branco .70 representam a morte. a grama mais verde e as cores são abundantes. pois a noiva se transforma nelas no final. mas.** * Plano de Conteúdo **Plano de Expressão Liberdade vs. representam a liberdade plena. E. cumprindo com sua promessa. o que normalmente é utilizado para representar a vida. É onde o homem pode ser livre de verdade. justamente por essa fragilidade e pela leveza do seu vôo.* P. são amigos e se dão bem. No filme. A fantasia é a idealização de uma vida perfeita e plena para o homem. pois ele liberta sua alma. pois ela está presa à necessidade de se casar com alguém. sem graça. representam o seu estado de opressão. Essa cena inicial resume o desfecho da relação entre Victor e a Noiva. a morte é representada com cores alegres e vibrantes. para ter sua alma livre (Quadro 5). O que Tim Burton quer mostrar nesse filme (ele começou a fazer isso à partir de “Peixe grande” e vem seguindo essa linha até os seus últimos filmes). A borboleta na cor azul representa a liberdade total do homem. enquanto o branco do seu vestido e ossos também brancos. a cor azul das borboletas. um lugar onde todos são iguais. Antigas tradições associam o simbolismo da borboleta com a alma humana.

também poderiam ser importantes para usuários comuns. no caso. como a da semiótica imagética. principalmente para pessoas que trabalham diretamente com imagens. como a cor. vida e morte. é extremamente significativo e contém informações que revelam inúmeros sentidos. como a Biblioteconomia e Ciência da Informação pode utilizar teorias de outras áreas do conhecimento. Para tanto. para se obter uma melhor análise do documento. mostrar que um elemento da linguagem visual. Além disso. e liberdade e opressão. para realizar análises documentárias de imagens e textos audiovisuais. Os resultados das análises poderiam ser utilizados na recuperação desses filmes. observa-se que teorias de outras áreas do conhecimento podem se unir e ser aplicadas às teorias da Ciência da Informação. e como resultado foram obtidas informações bastante significativas. tendo em vista a cor. em análises utilizadas tradicionalmente pela área em questão.71 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho procurou mostrar. pois eles tratam de temas universais do homem. que talvez passassem despercebidas. na forma de informações veiculadas e disseminadas. . sinteticamente. e que sua análise pode ser utilizada na recuperação de materiais imagéticos. fílmico. Sendo assim. assim. As próprias oposições básicas levantadas por meio da análise semiótica poderiam ser utilizadas como palavraschave para a recuperação desses materiais audiovisuais. como: relação entre pai e filho. a análise recaiu em três filmes de Tim Burton. Conseguimos. filmes e cores. os resultados da pesquisa.

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