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Estrutura interna da Terra

Métodos de estudo do interior da Terra


Desde sempre que o Homem se questionou como seria o interior do planeta. O conhecimento do interior da Terra tem vindo a beneficiar do
contributo de várias ciências e do desenvolvimento tecnológico, estando em constante evolução, como reflexo do carácter dinâmico da ciência.

Os métodos que permitem o conhecimento da estrutura interna da Terra classificam-se em:


métodos diretos
 são obtidos através da observação direta
Métodos diretos Métodos indiretos
dos materiais (rochas) e dos fenómenos
1. Paisagens
geológicos provenientes do interior da terra. Sismologia – estudo das
geológicas e
 Fornecem informação sobre camadas ondas sísmicas
afloramentos
superficiais da Terra (primeiros km de
Astrogeologia – estudo
profundidade) 2. Vulcanismo
dos astros e meteoritos
métodos indiretos Geomagnetismo – estudo
3. Sondagem
do campo magnético
 obtêm-se do estudo indireto da Terra
4. Exploração mineira ...
através de cálculos teóricos, mas que
permite obter informações acerca das camadas mais profundas localizadas a vários milhares de
quilómetros de profundidade, inacessíveis ao Homem.
 Estudam zonas profundas da Terra.

Modelos de estrutura interna da Terra


Com base nos conhecimentos obtidos através dos
métodos diretos e indiretos, foi possível estabelecer
modelos científicos da estrutura interna da Terra,
que apresentam o planeta dividido em camadas
concêntricas com propriedades físicas e
composições distintas.

O modelo geoquímico baseia-se na


composição química dos materiais que constituem
o interior da Terra, e considera a existência de três
camadas: crosta, manto e núcleo.
O modelo geofísico tem em consideração as propriedades físicas dos materiais e estabelece a
existência de cinco camadas: litosfera, astenosfera, mesosfera e endosfera.
A importância dos fósseis para a reconstituição da história da Terra
Fósseis
O estudo das rochas e, principalmente dos fósseis, permite conhecer esses acontecimentos e fazer
uma reconstituição da história da Terra.
Os fósseis são os restos materiais de antigos organismos ou as manisfestações da sua atividade, que
ficaram mais ou menos bem conservados nas rochas frequentemente sedimentares, ou em gelo ou âmbar.
ou em outros fosseis.
A paleontologia é a ciência que se dedica ao estudo dos fósseis.
Paleontologo - cientista que estuda fósseis.

Tipos de fosseis:
1. Somatofosseis Restos de animais ou plantas Ex. conchas, dentes, carapaças, folhas ….,
(corpo + fóssil) ossos
2. Icnofósseis Vestígios ou marcas deixados pelos Ex. Pegadas, tocas ou cavidades de
(vestígio + fóssil) seres vivos, que ficam preservados alojamentos, gastrólitos (rochas de pequenas
ou marcados nas rochas dimensões que facilitavam a digestão),
- são formados por mineralização coprólitos (escrementos); Cascas de ovos
ou moldagem
Fossilização – conjunto ou processos físico-químicos e
biológicos que conduzem à formação de fosseis. É um
processo lento e complexo que exige determinadas condições,
tanto do meio como do ser vivo envolvido.
- condições biológicas – existência de partes duras, como
conchas ou dentes.
- condições físicas e químicas do meio – um meio que após a
morte do ser vivo, rapidamente o abrigue dos fatores
ambientais(oxigénio) e dos seres vivos (decompositores). A
deposição do material sobre o ser vivo deve ser material fino e
impermeável.
- Temperaturas baixas – a falta de oxigénio; o soterramento
rápido com sedimentos;

Processo de fossilização
1- Moldagem – caracterizado pela ausência do organismo, o qual fica Etapas do processo de
representado na rocha por um molde, que pode ser interno ou externo. moldagem
Permite a reprodução da morfologia do ser vivo, ou parte deste 1. Morte do organismo.
2. Enterramento do organismo
Molde interno – mostra a estrutura ou a morfologia da parede interna em sedimentos finos.
do ser vivo. 3. Compactação dos
Molde externo – ficam representados os sedimentos, os pormenores sedimentos
da morfologia externa do ser vivo. 4. Dissolução do organismo;
Contramolde do molde interno – fóssil coberto por sedimentos que 5. Registo da forma do
regista a morfologia interna em relevo negativo organismo nos sedimentos;
Contramolde do molde externo - fóssil com relevo positivo, que
representa aspetos da morfologia externa do ser vivo.
Impressões – moldes externos de estruturas orgânicas muito finas,
como nervação de folhas, penas ou asas de insetos, que ficam
marcadas na rocha.

2- Minerialização – processo frequente de conservação parcial, em que


as peças esqueléticas do organismo são substituídas por substâncias
minerais
Etapas do processo de moldagem
1. Após a morte do ser vivo, ocorre a deposição de sedimentos e a
destruição das partes moles;
2. Posteriormente, dá-se a substituição das partes esqueléticas por
substâncias minerais.
Tipo de fossilização Descrição
Preservação das partes duras e moles do ser vivo – processo pouco frequente em
3- Conservação ou que o organismo, ou parte dele, é conservado por ação de materiais que o isolam do
Mumificação contacto com o meio, impedindo a sua decomposição.
Ex. inseto em âmbar ou mamute preservado no gelo.
Substituição de partes do ser vivo ou marcas da sua atividade por substâncias
Mineralização minerais.
Ex. troncos de árvores, ovos ou esqueletos petrificados.
A forma do corpo, parte do corpo ou marcas da atividade do ser vivo ficam marcadas
Moldagem nas rochas.
Ex. moldes internos e externos de trilobites e amonites, pegadas, rastos.

Importância dos fósseis


1. permitem-nos conhecer os
seres vivos do passado, os
ambientes em que viveram
e a sua evolução;
2. permitem-nos conhecer a
datação das rochas em que
se encontram ;
3. contribuem para a
reconstituição da história da
Terra;

Os fósseis de idade permitem


datar as rochas e os eventos
geológicos em que se encontram.
(Ex. Fossil trilobite). Estes fósseis
devem reunir as características:
1- terem vivido durante um
curto período de tempo
geológico;
2- terem abrangido uma
grande área de dispersão
geográfica;
3- terem existido em
abundância.

Os fósseis de fácies permitem


determinar as condições
ambientais em que se formaram
(paleoambientes). São organismos
sedentários – ex. corais
Fósseis de transição – são fósseis
de seres que apresentam
características de dois grupos de
organismos atualmente distintos. Ex.
fóssil de archaeopteryx que
apresenta características de ave
(penas e assas) e de réptil (dentes e
prolongamento da coluna vertebral na
cauda)

Existem plantas como o ginko e as


cicas designados por fósseis vivos
porque se mantiveram
praticamente inalteradas na sua forma ao longo de milhões de anos, comprovando as suas excelentes
adaptações aos variados ambientes que existiam na Terra.
Etapas da história da Terra

O tempo geológico corresponde a toda a história da Terra,


desde a sua formação até à atualidade, sendo a escala utilizada
o milhão de anos, normalmente abreviado para M.a..

Com base no estudo das rochas, principalmente das que contêm


fósseis, os cientistas elaboram calendários que marcam os
acontecimentos da história da Terra, designados por tabelas
cronoestratigráficas. Esta escala divide-se
em Éons, Eras, Períodos, Épocas e Idades.

Ao longo do tempo geológico verificaram-se fenómenos de glaciações, regressões e transgressões


marinhas, mobilidade de massas continentais, vulcanismo intenso e ainda queda de meteoritos, que
tiveram repercussões sobre o meio ambiente e sobre os seres vivos. Através do estudo dos fósseis,
verifica-se desde o Pré-Câmbrico até à Era Cenozoica a ocorrência de extinções, sucedidas de episódios
de evolução das espécies, denotando-se um aumento da diversidade e complexidade dos seres vivos.

Princípios fundamentais da Geologia – permite estabelecer a idade relativa das formações geológicas
1- Principio das causas atuais(uniformitarismo) – “O presente é a chave do passado” admite que os
processos geológicos que hoje se desenvolvem e observam ocorrem sempre de igual modo ao longo
dos tempos.
2- Principio da horizontalidade inicial – indica-nos a deposição dos sedimentos, caso não ocorram
perturbações , processa-se de forma a originar estratos horizontais.
3- Principio da sobreposição de 4- Principio da identidade paleontológica – determina que
estratos – se não ocorreu os estratos que contenham a mesma associação de fósseis
deformação, a camada sedimentar são da mesma idade .
mais moderna sobrepõe-se à mais
antiga

Datação relativa e datação radiométrica das rochas


A construção de tabelas cronoestratigráficas exige uma datação dos acontecimentos ocorridos ao longo da história da Terra,
podendo esta ser realizada através dos métodos de datação relativa e radiométrica ou absoluta.

A datação radiométrica permite determinar a idade exata das rochas, através de métodos complexos
que utilizam a radioatividade de certos minerais. A idade da Terra foi determinada através deste método.

O método de datação relativa consiste em


atribuir uma idade às rochas
por comparação com outras, baseando-se
principalmente em dois princípios
geológicos:
princípio da sobreposição dos estratos –
defende que cada estrato é mais antigo do que os
que estão por cima e mais recente dos que estão por
baixo;
princípio da identidade paleontológica – que
considera que todas as rochas que contêm o mesmo
grupo de fósseis de idade apresentam a mesma
idade, mesmo que se encontrem em locais
afastados.
Como ordenar os acontecimentos que marcam a história da Terra?

A passagem de uma Era para outra deve-se a grandes acontecimentos biológicos e/ou
geológicos, como os seguintes:
Extinções em massa –
desaparecimento de grande número
de espécies ao mesmo tempo;
Glaciações – períodos de
arrefecimento da Terra; Aquecimentos
globais – períodos de aumento da
temperatura média da Terra;
Regressões – recuo do mar em
relação à linha de costa;
Transgressões – avanço do mar
sobre a linha de costa.

Causas da extinções em massa


1. Alterações climáticas;
2. Variações do nível médio de águas dos mares (transgressões ou regressões marinhas);
3. Vulcanismo intenso
4. Movimentos dos continentes
5. Impacto de meteoritos
6. Atividade humana