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Eu, Robô - 18/11/2004

Tecnologia X Humanidade

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Você entra no elevador e ele trava antes de chegar ao andar desejado. Durante
vários minutos algumas pessoas ficam presas no elevador. Uma delas,
claustrofóbica, começa a passar mal. Um dos ocupantes do elevador tem a idéia de
tentar abrir a porta à força para conseguir uma brecha pela qual entre um pouco de
ar fresco. Forçam os mecanismos e, depois de muito esforço, as portas se abrem.
Estamos entre dois andares, devemos ou não sair?

As escadas rolantes do shopping center deixam de funcionar. A assistência técnica


é convocada as pressas e se esforça ao máximo para consertar os mecanismos o
mais rapidamente possível. Estranhamente nada parece estar quebrado, fora do
lugar ou queimado. Os acionamentos eletrônicos são averiguados e chega-se a
conclusão de que o problema pode ser algum erro na programação...

Os aparelhos de ar condicionado de um enorme prédio de escritórios no centro de


uma das mais importantes cidades comerciais do mundo começam a funcionar por
conta própria e, em alguns minutos praticamente congelam o prédio inteiro
provocando a necessidade de uma evacuação das salas com o auxílio do corpo de
bombeiros e da polícia.

O que está acontecendo? As máquinas parecem ter endoidecido e, ao invés de


responderem aos comandos dos homens, estão agindo por contar própria,
passando a funcionar em horários em que não são requisitadas, criando condições
inóspitas ou inadequadas para o trabalho e a permanência de seres humanos numa
determinada localidade, dando choques em pessoas que tentam consertar seus
circuitos, mutilando técnicos que encaminham consertos...

A possibilidade de uma revolta das máquinas é um dos temas recorrentes da


literatura e do cinema quando se trata de ficção científica. Não precisamos ir muito
longe para lembrar do clássico “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, do genial Stanley
Kubrick, de “A.I. – Inteligência Artificial”, do premiado Steven Spielberg ou ainda
de “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, do perfeccionista Ridley Scott
(poderíamos ainda mencionar “O Exterminador do Futuro”, de James Cameron e
“Westworld”, dirigido por Michael Crichton).

Isso para falar somente dos filmes, mas é impossível abordar tal perspectiva e
assunto sem falar da literatura (de onde muitas dessas histórias contadas pelos
filmes foram retiradas). Nesse aspecto vale destacar o trabalho de Phillip K. Dick
(autor dos contos que inspiraram “Blade Runner” e “Inteligência Artificial”) e Issac
Asimov, considerado pelos experts no assunto como um dos maiores autores e
estudiosos do gênero.

“Eu, Robô” baseia-se numa história criada e contada com maestria por Asimov.
Nela ficamos conhecendo as leis que regem a relação entre os homens e os robôs.
Legislação essa que nos tempos atuais tem entrado em discussão a partir do exame
das relações entre os homens e os computadores (e a internet). Código de leis que
ainda não existem, mas que tacitamente estão inseridos na cabeça de cada um de
nós quando parecemos exigir que todas as nossas máquinas funcionem dentro de
conformes que estabelecemos ou ainda de exigências que criamos, mas nem
sempre isso acontece, não é?

O Filme

Andar nas ruas e se deparar com robôs é a situação mais normal do mundo, pelo
menos no ano de 2035. As pessoas convivem com essa situação como hoje o
fazemos ao ligar nossos computadores ou ao acessarmos a internet. Não há
grandes novidades, tudo parece parte do cotidiano, tudo é corriqueiro. Para todas
as pessoas, menos para o detetive Del Spooner (Will Smith, à vontade no papel),
que não consegue relaxar na presença desses seres cibernéticos.

Nem mesmo a existência de leis que regem a convivência entre seres humanos e
robôs, que teoricamente constituem os primeiros registros instalados na memória
dessas máquinas, deixa Spooner tranqüilo. E o pior é que ele parece sozinho nessa
angústia, ninguém sequer sonha com a possibilidade de uma rebelião dos robôs, ou
mesmo com panes nos sistemas que controlam seus cérebros eletrônicos e que
ocasionem disfunções que podem causar problemas à humanidade.

Afinal de contas as regras são bem simples e, como qualquer criança consegue
memorizá-las com a maior facilidade, todos passam a acreditar que os avanços
tecnológicos constantes e acelerados garantem, a cada nova geração de andróides,
uma maior proximidade da infalibilidade por parte desses equipamentos.

Mas será isso possível em se tratando de máquinas e sistemas criados por seres
humanos, dotados de grandes habilidades e conhecimentos, mas também passíveis
de erros e comportamentos instáveis? Quando ocorre um crime em que as
evidências apontam para a ação de um robô, ninguém parece disposto a apoiar tal
tese, mesmo que as pistas apontem nessa direção. Ninguém exceto o detetive
Spooner...

Quem disse que um filme de ação não pode ser, ao mesmo tempo, inteligente e
instigante? Assistam e confiram.
Obs. É evidente que a obra de Issac Asimov tem muito mais detalhes e
possibilidades, por esse motivo o ideal é a leitura da mesma antes que se assista
ao filme.

Aos Professores

1- O primeiro e mais importante passo a ser dado para realizar um trabalho com
filmes de ficção científica é vencer as barreiras e preconceitos em relação a eles.
Muito daquilo que hoje parece apenas fruto da imaginação de escritores e
roteiristas provavelmente fará parte do amanhã da humanidade. E esse é o
primeiro passo a ser dado ao se utilizar um filme como “Eu, Robô” com seus
alunos. Inicie uma atividade em que os alunos se programem para assistir alguns
clássicos da ficção científica dos anos 1950, 1960, 1970 ou 1980 e tentem verificar
o que naquelas películas era apenas projeção para o futuro e o que se tornou
realidade nas décadas seguintes...

2- Ler Issac Asimov é tão importante quanto ler os maiores expoentes da literatura
brasileira e mundial. Pode parecer um exagero para alguns puristas que ainda
restringem o estudo da literatura a Machado de Assis ou William Shakespeare,
entretanto, é de fundamental importância que sejam inseridos nos programas
escolares de leitura uma nova bibliografia, sintonizada com as modificações pelas
quais o mundo passou, atualizada com o desenvolvimento tecnológico e propositora
de uma análise das novas relações que regem o planeta. Proponha a leitura do livro
“Eu, Robô” e, a partir da mesma, comparações entre o que foi lido e o que foi
assistido, análises das leis da robótica, revisões da história (com a conseqüente
criação de outros encaminhamentos),...

3- Que tal fazer um levantamento quanto às pesquisas que estão sendo feitas
mundo afora (em especial nos maiores e mais importantes laboratórios mundiais,
localizados no Japão e nos Estados Unidos) quanto ao aperfeiçoamento da robótica?
Como serão os robôs com os quais poderemos estar convivendo em 2035? Será
que eles realmente passarão a fazer parte do cotidiano das pessoas? Procurem
informações em revistas científicas, internet, centros de pesquisa que trabalhem
nessa área em nosso país,...

4- Caminhando na direção contrária de toda essa proposição tecnológica e


futurista, proponha aos estudantes que descubram como era a vida antes do
advento da maior parte dos equipamentos com os quais estão acostumados a viver.
Dos computadores as geladeiras, da televisão aos CD players, da comida
instantânea aos antibióticos, entre tantos outros recursos, estamos acostumados
com muitas facilidades. Como era a vida de nossos avós e bisavós, que na maior
parte dos casos jamais chegaram a pensar na existência dessa tal de internet?

Ficha Técnica

Eu, Robô
(I, Robot)
País/Ano de produção: Estados Unidos, 2004
Duração/Gênero: 115 min., Aventura/Ficção Científica
Direção de Alex Proyas
Roteiro de Akiva Goldsman e Jeff Vintar, baseado na obra de Issac Asimov
Elenco: Will Smith, Bridget Monayhan, Bruce Greenwood, Chi McBride,
Alan Tudyk, James Cromwell, Emily Tennant, Peter Chinkoda.

Links

Estrutura Curricular
MODALIDADE / NÍVEL DE ENSINO COMPONENTE CURRICULAR
Ensino Fundamental Final Ciências Naturais
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

O aluno aprenderá sobre as implicações sociais e éticas da convivência dos robôs com seres humanos.
Duração das atividades

03 h/a
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Noções básicas das dimensões formadoras do ser humano: aspectos biológicos, sociais,
emocionais, psíquicos, entre outros.
Estratégias e recursos da aula
Texto introdutório
Robôs com ética
Em 1942, o escritor de ficção científica Isaac Asimov listou três leis fundamentais da robótica para
que os humanos sobrevivessem em um mundo repleto de robôs:

1. Um robô não pode causar mal a um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano
sofra algum mal.
2. Um robô deve obedecer às ordens dadas por um ser humano, a menos que essas ordens entrem
em conflito com a Primeira Lei.
3. Um robô deve proteger a própria existência, desde que essa proteção não entre em conflito com
a Primeira e a Segunda Leis.
Mais de 60 anos depois, as leis voltaram a ser atuais porque há muita gente séria dizendo que essas três
leis são o único jeito de garantir um mundo seguro daqui para a frente.
No Primeiro Simpósio de Ética para Robôs realizado em janeiro, na Itália, cientistas de todo o mundo
discutiram como será a convivência entre humanos e robôs e chegaram à conclusão de que implantar as
três leis de Asimov é uma medida urgente.O plano dos cientistas é evitar que os mesmos robôs capazes
de tornar nossa vida mais confortável sejam usados para o mal. Afinal, colocá-los para combater em
guerras, espalhar vírus ou praticar atos terroristas seria apenas um detalhe de reprogramação. Mas existe
um perigo que nem Asimov previu: a convivência nos deixará tão sedentários e acomodados que não
poderemos mais nos defender.
(Extraído e adaptado da Revista Superinteressante – Edição 203 agosto/2004)
Apresentação do filme: EU, ROBÔ

DADOS TÉCNICOS:
Ano de lançamento ( EUA ): 2004
Direção: Alex Proyas
Elenco: Will Smith , Bridget Monayhan , Bruce Greenwood , Chi McBride , Alan Tudyk
Duração: 01 h 55 min
SINOPSE:
O filme EU, ROBÔ retrata uma sociedade em que homem e máquinas convivem lado a lado. Em 2035, o
mundo vive dependente de robôs sendo usados constantemente como prestadores de serviços aos
humanos. Os robôs possuem um código de programação chamado Lei dos Robóticos, que impede que
façam mal a um ser humano. No entanto, quando um cientista aparece morto, um robô é o principal
suspeito. O detetive Spooner (Will Smith) é chamado a investigar a possibilidade dos robôs terem
encontrado um meio de quebrarem a Lei dos Robóticos, o que poderá permitir que eles dominem o
mundo.
QUESTÕES PROPOSTAS AOS ALUNOS:
1.Justifique o título do filme.
2.Escreva o seu entendimento sobre esta frase contida no texto inicial: “...a convivência nos deixará tão
sedentários e acomodados que não poderemos mais nos defender”.
3.Cite uma cena do filme em que a relação homem-robô é positiva e uma em que ela revela-se negativa.
4. Busque o significado do termo ROBÓTICA.
5. Explique porque é urgente a implantação das leis da Robótica?
6.Em sua opinião, você acha que o homem poderá ser substituído por robôs?
Justifique.
Avaliação

O professor, por meio das respostas, poderá verificar se houve a apropriação de conhecimentos
importantes à construção de uma postura ética frente à uma temática desafiadora.
Opinião de quem acessou
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