Você está na página 1de 3

13.

ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DA COMARCA DE MOSSORÓ


Alameda das Imburanas, nº 850, Presidente Costa e Silva – CEP: 59.625-340, Mossoró – RN (84-
33153350/33153345)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA CRIMINAL DA


COMARCA DE MOSSORÓ/RN

MANIFESTAÇÃO MINISTERIAL

Auto de Prisão em Flagrante


Processo nº 0105212-24.2018.8.20.0106

I – DO RELATÓRIO

Trata-se de Auto de Prisão em Flagrante lavrado em desfavor de VICTOR


MATHEUS DOS SANTOS COSME, autuado pela prática dos delitos insertos no artigo 33 da
Lei 11.343/2006 e artigo 278 do Código Penal, no dia 04 de junho de 2018, por volta das
10h30min, na Rua Professor Aristides Novis, s/n, Malvinas, Mossoró-RN.
A defesa atravessou pedido de liberdade provisória.
Autos com vista ao Ministério Público para manifestação acerca da necessidade ou
não da conversão do flagrante em preventiva.
É, em síntese, o relatório.

II – DA FUNDAMENTAÇÃO

De início, amolda-se a prisão em flagrante ao previsto no artigo 302, I, do Código


de Processo Penal (flagrante próprio).
Conforme termo de exibição e apreensão de fl. 10, encontrou-se com o indigitado:
2g (dois gramas) de “COCAÍNA”; 430g (quatrocentos e trinta gramas) de “MACONHA”;
diversos sacolés plásticos; uma balança; 14 (quatorze) vidros pequenos contendo substância
nociva a saúde (LOLÓ).

1/3
O flagrante foi homologado por decisão de interlocutória.
Assentadas estas premissas, passa-se a opinar sobre a necessidade de custódia
preventiva do flagranteado.
Reza o artigo 310 do Código de Processo Penal:

“Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente: I - relaxar a
prisão ilegal; ou II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas
cautelares diversas da prisão; III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança”. (Grifos
acrescidos).

Em seu artigo 312, o mesmo diploma legal prescreve que:

“a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por
conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova
da existência do crime e indício suficiente de autoria”. (Grifos acrescidos).

E, ainda, prossegue o artigo 313:

“Nos termos do artigo 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva:
I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II
- se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o
disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código
Penal”.

Nesse passo, é de todo oportuno trazer à baila o entendimento de Paulo Rangel:

“(...) a prisão preventiva previstas nos arts. 311 usque 316 do CPP é uma modalidade de prisão
cautelar de natureza processual e deve sempre (e unicamente) ser decretada pelo Juiz.
(…) a comprovada, e não apenas a alegada, necessidade é o que fundamenta a existência da prisão
preventiva. Em verdade, não só da prisão preventiva, mas de toda e qualquer prisão antes da pena.
No caso da preventiva, essa necessidade será verificada na análise dos pressupostos do fumus boni
iuris e no periculum in mora.”1

Na espécie, a materialidade e a autoria encontram assento: (a) nas declarações


prestadas pelas testemunhas ERALDO ALVES DA SILVA e RUBENS MIRANDA JÚNIOR,
policiais responsáveis pelo flagrante; (b) no auto de exibição e apreensão juntado aos autos; (c)
no laudo de constatação provisória de substância entorpecente.
Presente, pois, o fumus comissi delicti.
Quanto ao periculum libertatis, justifica-se a custódia cautelar, in casu, com
1 Rangel, Paulo. Direito Processual Penal. 22ª edição. 2014. pg.801

2/3
fundamento na garantia da ordem pública (art. 312 do CPP) e no artigo 313, I, do Código de
Processo Penal, visto que o crime de tráfico de drogas prevê pena máxima de 15 (quinze) anos.
Neste sentido:
PROCESSUAL PENAL E PENAL. HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. TRÁFICO DE
DROGAS. QUANTIDADE DE DROGA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. ILEGALIDADE.
AUSÊNCIA. HABEAS CORPUS DENEGADO.
1. Apresentada fundamentação concreta para a decretação da prisão preventiva, evidenciada na
expressiva quantidade da droga apreendida, qual seja, 1.092g de maconha e 60g de cocaína, além de
uma balança de precisão e outros materiais para o fracionamento e armazenamento dos
entorpecentes, não há que se falar em ilegalidade do decreto de prisão preventiva.
2. Habeas corpus denegado. (HC 419.337/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA,
julgado em 21/11/2017, DJe 01/12/2017)(grifou-se)

De acordo com a jurisprudência dominante, a necessidade de acautelamento da


ordem pública restará evidenciada caso existam dados objetivos acerca da contumácia delitiva
por parte do agente delituoso ou da gravidade concreta dos crimes por ele praticado, de modo
que revelem periculosidade social.
Na espécie, no momento do flagrante, o investigado tinha em depósito, para fins de
comercialização drogas e substância nociva a saúde, além de apetrecho utilizado para auxiliar a
narcotraficância. Demonstrando assim que o investigado exerce o tráfico de drogas.
Impende destacar, ainda, que, não há nos autos comprovação trabalho e residência
fixa do indigitado.
Amplamente justificada, neste contexto, a conversão do flagrante em prisão
preventiva.

III – DO PEDIDO

Ante o exposto, amparado nas razões supra, o Ministério Público do Estado do Rio
Grande do Norte, por meio da 13ª Promotoria de Justiça, opina pela conversão da prisão em
flagrante do autuado em prisão preventiva.
Pede deferimento.
Mossoró, 06 de junho de 2018.

3/3