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DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL - 2015

Direito Administrativo
Romoaldo Goulart

CERS Com o passar dos tempos, com o


DIREITO ADMINISTRATIVO desenvolvimento da sociedade, foram
DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2015 surgindo teorias volitivas com o objetivo de
PROF. ROMOALDO GOULART justificarem a necessidade do Estado
responder pela prática de seus atos.
10 encontros (DELEGADO DE POLÍCIA – Entre as principais teorias podemos apontar a
2015) da irresponsabilidade, a do mandato, a da
representação e a teoria do órgão, esta,
Aula 10 - Responsabilidade civil do Estado, presente nos dias atuais.
Princípios do Processo Administrativo (Lei n.° Pela teoria da irresponsabilidade, como o
9.784/99). próprio nome já leva a observar, o Estado por
nada responde. Trata-se da época dos
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO Estados absolutistas, prevaleciam os poderes
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO do Rei. Prevalecia a teoria do direito divino e a
máxima de que “o rei não erra” (the king do not
- CONCEITO wrong). Cabendo, desta forma, a cada um na
- TEORIAS sociedade arcar com o seu próprio prejuízo.
. VOLITIVA - MANDATO - REPRESENTAÇÃO Pela teoria do mandato, o agente público
- ÓRGÃO recebia uma espécie de procuração para agir
. IRRESPONSABILIDADE em nome do Estado. Veja que essa teoria
. CIVILISTA - RESPONSABILIDADE esbarra em sua própria natureza, pois se o
SUBJETIVA Estado não tem vontade ,as sim seus agentes,
. ADMINISTRATIVISTAS como poderia “passar” uma procuração a
- RESPONSABILIDADE OBJETIVA eles?
- RISCO - INTEGRAL A teoria da representação conseguia, ainda,
- RESPONSABILIDADE OBJETIVA ser pior, pois o Estado era considerado um
- RISCO - ADMINISTRATIVO absolutamente incapaz. Ora, não podemos ter
- ART. 37 § 6º, CF/88 - RESPONSABILIDADE o Estado comparado a um menor de idade,
DO ESTADO POR ATOS JUDICIAIS absolutamente incapaz.
- RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR Então surge a teoria do órgão. Por esta teoria,
ATOS LEGISLATIVOS o Estado utiliza de instrumentos capazes de
- JURISPRUDÊNCIA SOBRE representar a sua vontade. De forma que, a
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO vontade para a prática do ato é do Estado.
Devendo, assim, este responder pelos seus
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO atos. Por essa teoria, então, temos os órgãos
como instrumentos pelos quais o Estado age,
Conceito - Refere-se a obrigação que tem o fazendo com que os atos praticados sejam das
Estado de indenizar em decorrência de dano pessoas nas quais os órgãos fazem parte.
causado por seu agente, quando no exercício Logo, cabendo a pessoa responder pela
de uma função pública. prática do ato e não seus órgãos.
Quando se fala em responsabilidade civil, tal
assunto advém do Direito Civil, como As teorias foram sendo desenvolvidas com o
obrigação de indenizar. Tal fato advém de Lei, objetivo de melhor identificar a
contrato ou, até mesmo, da prática de ato responsabilidade do Estado e, desta forma,
ilícito, como situações comuns de fazer com que ele venha a indenizar os danos
responsabilidades. decorrentes de suas ações.
No passado, a história revela que o Estado por Em torno disso, surgem, então, teorias
nada respondia, ora por ser tratado como uma civilistas e teorias administrativistas.
mera ficção, ora em decorrência da própria Na teoria civilista trata da chamada
posição do Estado, superior na sociedade, responsabilidade subjetiva, ou seja, devendo
tendo seus atos estabelecidos como atos de ser demonstrado o elemento subjetivo do tipo,
soberania. Em sendo assim, por nada nada mais que, demonstrar se houve culpa ou
respondendo. dolo na conduta praticada.

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Assim, na responsabilidade subjetiva o Estado Estado ou, até mesmo, atenuam essa
passa a responder por suas condutas, todavia, responsabilidade.
o interessado terá que provar se o Estado agiu São situações que afastam a responsabilidade
com dolo ou culpa para o resultado de uma do Estado, na teoria do risco administrativo:
ação danosa. Deve, então, haver a conduta do Culpa exclusiva da vítima, caso fortuito e força
estado, o resultado danoso com a prática do maior.
ato e a prova de que o Estado agiu com culpa A situação que atenua a responsabilidade do
ou dolo para a ocorrência daquele resultado. Estado, na teoria do risco administrativo é a
Tal teoria, a da responsabilidade subjetiva, chamada Culpa concorrente. Tal ocorre,
hoje é utilizada apenas como exceção, ou seja, quando tanto o Estado, quanto a parte
no caso da falta do serviço. Imaginemos que prejudicada deram causa a ocorrência do
um carro venha a cair em um buraco na dano. Em casos como esse, soma-se o
estrada, em decorrência da falta da prejuízo de divide-se as despesas.
manutenção que deveria ter sido feito, mas A responsabilidade civil do Estado, nos termos
não foi. No caso apresentado, que tiver o de hoje, encontra-se seu fundamento legal na
prejuízo pela falta do serviço terá que própria Constituição Federa de 1988, que em
demonstrar que o Estado agiu com culpa a fim seu art. 37, §6°, assim diz:
de que possa ter reparado o prejuízo.
O que se mostrou, na prática, foi a dificuldade Art. 37. A administração pública direta e
para que as pessoas do povo pudessem indireta de qualquer dos Poderes da União,
provar que o Estado agiu com culpa ou dolo, dos Estados, do Distrito Federal e dos
até mesmo porque, o Estado, a administração Municípios obedecerá aos princípios de
pública, por diversas vezes, não dar o acesso legalidade, impessoalidade, moralidade,
devido aos cidadãos a fim de que os mesmos publicidade e eficiência e, também, ao
tomem posse de documentos, informações a seguinte: (Redação dada pela Emenda
fim de fazerem valer seus direitos, a fim de Constitucional nº 19, de 1998)
demonstrar condutas indevidas praticadas
pelo governo. § 6º - As pessoas jurídicas de direito público e
Em decorrências dessas situações, surge as as de direito privado prestadoras de serviços
teorias administrativistas. Nesta, a públicos responderão pelos danos que seus
reponsabilidade a ser tratada é a chamada agentes, nessa qualidade, causarem a
responsabilidade objetiva. terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ou
Na responsabilidade objetiva não tem a culpa.
importância o elemento volitivo do tipo, ou seja,
a ideia de dolo ou culpa não é discutida nessas Decorre do §6° acima que a responsabilidade
situações. Em tal teoria, basta comprova a objetiva não é só do Estado, mas da pessoa
ação do Estado, o dano e o vinculo entre a jurídica de direito público e das de direito
ação estatal e o resultado danoso, é o que privado que estejam na prestação de serviços
chamamos em prova de nexo causal ou nexo públicos. Dessa forma, alcança, inclusive,
de causalidade. particulares que estejam prestando serviços
Todavia, na teoria administrativista, temos que públicos, como é o caso das concessionárias
falar na teoria do risco integral e na teoria do e permissionárias de serviços públicos, por
risco administrativo. exemplo.
Perla teoria do risco integral, o Estado sempre
responderá pelo dano ocorrido, Responsabilidade Civil pelos atos Legislativos
independentemente de qualquer outro
elemento. Em sendo assim, no risco integral, Em regra, o Estado não responde pelos atos
não há nenhuma situação que afaste a Legislativos (Leis em geral), pois são tidos
responsabilidade do Estado, ele sempre como atos de Soberanias, atos próprios de
responderá. Estado.
Pela teoria do risco administrativo, há Quando se fala em regra, é claro, já temos que
situações que afastam a responsabilidade do pensar nas exceções, pois é o que as bancas

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gostam de tratar em suas provas. Assim, Todavia, a doutrina e a jurisprudência tem


temos com exceções a esta regra, os atos admitido responsabilizar o Estado pelos ATOS
legislativos constitucionais danosos (Lei de JUDICIAIS, como no caso do art. 5°, inciso
efeito concreto) e as Leis Inconstitucioanis. LXXV, que assim diz:
Os atos legislativos constitucionais danosos Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
(Lei de efeito concreto), assim, danosos a uma distinção de qualquer natureza, garantindo-se
pessoa ou a um grupo resumido, trata-se do aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
que se chama de Lei de efeito concreto. A Lei no País a inviolabilidade do direito à vida, à
tem que ter caráter abstrato e ora, liberdade, à igualdade, à segurança e à
efetivamente, vai trazer um dano, mas a ser propriedade, nos termos seguintes:
suportado por toda a sociedade. A partir do (...);
momento em que é suportado apenas por um LXXV - o Estado indenizará o condenado por
cidadão ou determinado grupo apenas, esta erro judiciário, assim como o que ficar preso
Lei, em verdade, funciona como um ato além do tempo fixado na sentença;
administrativo. Em sendo assim, cabendo
indenização aos lesados pelo ato. Tem sido Vale, ainda, observar que o Estado deverá
defendida esta tese pelas bancas e na entrar com ação regressiva contra seu agente
doutrina, confome indica Maria Di Pietro, que que vier a causar o dano suportado pela
assim diz: Administração pública. Trata-se de um poder-
dever do Estado, não podendo abrir mão, em
“Com relação às leis de efeitos concretos, que regra, de cobrar do agente, em decorrência do
atingem pessoas determinadas, incide a princípio da indisponibilidade.
responsabilidade do Estado porque, como elas
fogem às características da generalidade e JURISPRUDÊNCIAS – RESPONSABILIDADE
abstração inerentes aos atos normativos, CIVIL DO ESTADO
acabam por acarretar ônus não suportado
pelos demais membros da coletividade. A lei STF - AG.REG. NO RECURSO
de efeito concreto, embora promulgada pelo EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE
Legislativo, com obediência ao processo de 811133 SP (STF)
elaboração das leis, constitui, quanto ao Data de publicação: 18/06/2014
conteúdo, verdadeiro ato administrativo, Ementa: AGRAVO REGIMENTAL
gerando, portanto, os mesmos efeitos que este NORECURSO EXTRAORDINÁRIO COM
quando cause prejuízo ao administrado, AGRAVO.
independentemente de considerações sobre a ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE C
sua constitucionalidade o não.” IVIL DO ESTADO. CONTROVÉRSIA SOBRE
A EXISTÊNCIA DE NEXO DE
Os atos legislativos inconstitucionais – A CAUSALIDADE. SÚMULA N. 279 DO
sociedade está sujeita as normas, porém SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO
constitucionais, de forma que, os REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA
inconstitucionais que vierem a causar dano, PROVIMENTO.
este, deverá ser indenizado.
STF - AG.REG. NO RECURSO
Responsabilidade civil do estado por atos EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE
judiciais 803117 MS (STF)
Data de publicação: 05/05/2014
Em regra o Estado também não responde Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO
pelos atos judicias, uma em decorrência da RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM
Soberania, trata-se de ato próprio do Estado, AGRAVO.
outra, em decorrência de que os atos judicias, CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE
em regra, cabem recurso. Assim, caso a CIVIL DO ESTADO. PRISÃO.
pessoa não concorde com a decisão judicial, IMPOSSIBILIDADE DO REEXAME DE
poderá recorrer. PROVAS. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO

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REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA dapenitenciária. Agravo regimental


PROVIMENTO. desprovido.
Encontrado em: /5/2014 AGUARDANDO
INDEXAÇÃO MARA KELLY DORNELES DA STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO
SILVA. LUIZ DO AMARAL E EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp
OUTRO(A/S). ESTADO DE MATO 34730 RJ 2011/0187787-3 (STJ)
GROSSO... DO SUL. PROCURADOR-GERAL Data de publicação: 25/11/2013
DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL DO E
AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO STADO. ACIDENTE. DANO MORAL.
COM AGRAVO ARE 803117 MS (STF) Min. QUANTUM INDENIZATÓRIO. A teor da
CÁRMEN LÚCIA iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça, a alteração, pela instância especial,
STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO dos valores fixados a título indenização por
EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp dano moral somente é possível quando
146370 PR 2012/0031522-5 (STJ) irrisórios ou abusivos - circunstâncias
Data de publicação: 14/05/2013 inexistentes na espécie. Agravo regimental
Ementa: ADMINISTRATIVO. RESPONSABIL desprovido.
IDADE CIVIL DO ESTADO. São
imprescritíveis as ações de reparação de STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO
dano, quando este resulta de motivação EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp
política. Agravo regimental desprovido. 92726 RJ 2011/0287724-8 (STJ)
Data de publicação: 30/11/2012
STJ - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM Ementa: ADMINISTRATIVO. RESPONSABIL
RECURSO ESPECIAL EREsp 1137354 RJ IDADE CIVIL DO ESTADO. DANO MORAL.
2010/0019963-1 (STJ) Indenização razoável. Agravo regimental não
Data de publicação: 08/03/2013 provido.
Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL DO E
STADO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. As STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO
açõespropostas contra a Fazenda Pública EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp
estão sujeitas ao prazoprescricional de cinco 139358 SP 2012/0030135-1 (STJ)
anos. Embargos de divergência providos. Data de publicação: 04/12/2013
Ementa: ADMINISTRATIVO. RESPONSABIL
STJ - AGRAVO REGIMENTAL NOS IDADE CIVIL DO ESTADO. ERRO MÉDICO.
EMBARGOS DE DIVERGENCIA EM DENUNCIAÇÃO DA LIDE. FACULDADE. Nas
RECURSO ESPECIAL AgRg nos EREsp demandas em que se discute
1241640 RS 2012/0082911-4 (STJ) a responsabilidade civil do Estado, a
Data de publicação: 17/04/2013 denunciação da lide ao agente causador do
Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL DO E suposto dano é facultativa, cabendo ao
STADO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. As magistrado avaliar se o ingresso do terceiro
açõespropostas contra a Fazenda Pública ocasionará prejuízo à economia e celeridade
estão sujeitas ao prazoprescricional de cinco processuais. Agravo regimental não provido.
anos. Agravo regimental não provido.
STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO
STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp
EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp 335029 RJ 2013/0128078-3 (STJ)
21934 GO 2011/0081967-9 (STJ) Data de publicação: 23/10/2013
Data de publicação: 18/03/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL.
Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL DO E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE C
STADO. NEXO CAUSAL. Há induvidoso IVIL DOESTADO. DANOS MORAIS. SÚMULA
nexocausal entre N. 7/STJ. 1. Não há como se revisar as
a responsabilidade do Estado pela premissas fáticas de julgamento que
incolumidade de quemestá recolhido à prisão determinou pagamento de indenização ante a
e seu assassinato nas dependências "intensa gravidade das lesões experimentadas

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pelo autor" em queda sobre área que deveria


ter sido objeto de proteção pela
Municipalidade. Inteligência da Súmula 7/STJ.
2. Agravo regimental a que se nega
provimento.

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