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V. SI P PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRATICA
REGISTRADO(A) SOB N°
54
ACÓRDÃO II Hlll lllll lllll lllll lllll ijiii lllll llll llll
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Argüição de
Inconstitucionalidade n° 994.07.077895-5, da Comarca de Presidente
Prudente, em que é suscitante 15* CÂMARA DE DIREITO PUBLICO DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO.

ACORDAM, em Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São


Paulo, proferir a seguinte decisão: "JULGARAM PROCEDENTE O
INCIDENTE. V.U.", de conformidade com o voto do Relator, que
integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores MARCO CÉSAR


MÜLLER VALENTE (Presidente) , LUIZ TÂMBARA, SOUSA LIMA, BARRETO
FONSECA, CORRÊA VIANNA, LAERTE SAMPAIO, ARMANDO TOLEDO, JOSÉ
SANTANA, JOSÉ REYNALDO, MAURÍCIO VIDIGAL, BORIS KAUFFMANN, CAUDURO
PADIN, GUILHERME G. STRENGER, RENATO NALINI, CAMPOS MELLO, ROBERTO
MAC CRACKEN, RIBEIRO DOS SANTOS, XAVIER DE AQUINO, FERREIRA
RODRIGUES, ROBERTO BEDAQUE, OCTAVIO HELENE, JURANDIR DE SOUSA
OLIVEIRA e SOUZA GEISHOFER.

São Paulo, 21 de Julho de 2010.

MARCO CÉSAR MULLER VALENTE


Presidente

BORIS KAUFFMANN
Relator
1

PODER J U D I C I Á R I O
SÃO PAULO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


ÓRGÃO ESPECIAL

Arguição de Inconstitucionalidade 9 9 4 . 0 7 . 0 7 7 8 9 5 - 5
Suscitante - 1 5 a Câmara de Direito Público

VOTO 18.009

Arguição de Inconstitucionalidade. Lei n° 5.875,


de 2 7 / 1 2 / 2 0 0 2 , do município de Presidente
Prudente, que instituiu a Contribuição de
Iluminação Pública. Contribuição que, além do
custeio do serviço prestado, destina-se também
ao melhoramento futuro desse serviço. Destinação
não alcançada pela autorização do art. 249-A da
CF. Contribuição progressiva estabelecida segundo
o consumo individual de energia elétrica do
contribuinte e sua atividade. Inadmissibilidade.
Impossibilidade da progressividade. Inconstitu-
cionalidade reconhecida.

1. No julgamento de apelação interposta contra sentença


que, em ação objetivando a anulação de lançamento fiscal, acolheu
em parte o pedido para afastar a exigência do IPTU acima de 3 % ,
feita pela Municipalidade de Presidente Prudente em relação aos
dois imóveis apontados na inicial, bem como a cobrança da
contribuição de iluminação pública, com condenação à restituição do
indébito, a d. 15 a Câmara de Direito Público, após não conhecer do
reexame necessário, reconheceu a inconstitucionalidade da Lei
Municipal n° 5.875, de 27 de dezembro de 2002, e, em
conseqüência, suspendeu o julgamento para que, nos termos da
2

Súmula Vinculante n° 10, do c. Supremo Tribunal Federal, fosse a


arguição submetida a este Órgão Especial (fls. 224/229).

A d. Procuradoria Geral de Justiça, em parecer


subscrito pelo Subprocurador-Geral de Justiça Dr. Maurício Augusto
Gomes, apoiando-se em precedentes deste Órgão Especial, opinou
pelo acolhimento da arguição (fls. 235/244).

2. Introduzido pela Emenda Constitucional n° 39, de 19 de


dezembro de 2002, dispõe o art. 149-A da Constituição Federal:

Art. 149-A. Os Municípios e o Distrito Federal


poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis,
para o custeio do serviço de iluminação pública, observado
o disposto no art. 150, I e III.
Parágrafo único. É facultada a cobrança da
contribuição a que se refere o "caput", na fatura de
consumo de energia elétrica.

No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade


n° 177.388-0/7-00, ocorrido em 4 de novembro de 2009, suscitou-
se interessante questão acerca da constitucionalidade da própria
Emenda Constitucional n° 39/2002, lembrando o Des. Laerte
Sampaio que a taxatividade da enumeração dos tributos pelo
constituinte originário impediria a criação, pelo constituinte
derivado, desta nova exação.

Todavia, este fundamento acabou superado com base


no reconhecimento, pelo c. Supremo Tribunal Federal, contra apenas
o voto do Min. Marco Aurélio, da higidez do dispositivo introduzido
(Recurso Extraordinário 573.675-0). Reconheceu-se, por maioria de
votos, a inconstitucionalidade da Lei n° 500, de 9 de agosto de
2007, do município de Ilhabela, em razão da violação do princípio da
isonomia tributária.
3

Outro precedente, mais específico com o fundamento


desenvolvido pelo contribuinte, resultou do Incidente de
a
Inconstitucionalidade n° 177.333.0/7-00, suscitado pela 9 Câmara
de Direito Público em relação à Lei n° 3.836/2002, do município de
Catanduva. À unanimidade, relator o Des. Paulo Travain, assentou-
se:

INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE - Contribuição


para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP).
Art. 149-A da CF, inserido pela EC 39/02, que cria nova
espécie tributária, não contrariando qualquer cláusula
pétrea - Constitucionalidade reconhecida.

INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE - Contribuição


para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP) -
Lei Municipal que estabelece finalidade distinta da
constitucionalmente prevista - Base de cálculo estabelecido
com fundamento no consumo individual de energia elétrica
- Fixação de alíquotas progressivas - Inadmissibilidade -
Ofensa ao art. 149-A da CF e ao princípio da isonomia -
Inconstitucionalidade reconhecida - Incidente parcialmente
procedente.

Destaca-se, nesta oportunidade, trecho do voto do


relator:

Este C. Órgão Especial já assentou


entendimento segundo o qual o critério de quantificação
adotado (arts. 4 o e 5 o ), com base no consumo individual de
energia elétrica "não se presta ao atendimento da justiça
tributária, porquanto necessários outros elementos, tais
como rendimentos e atividades econômicas desenvolvidas
pelo contribuinte" (ADin n. 168.128-0/0-00 - rei. Des.
Mathias Coltro). Além de não atender a capacidade
contributiva, a lei local estabelece progressividade não
prevista na constituição. De fato, a contribuição para o
custeio de iluminação pública nnão admite a adoção de
alíquotas progressivas, posto não refletirem a real utilização
da iluminação do contribuinte, conferindo, ao contrário,
tratamento desigual àqueles que se beneficiam da
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iluminação na mesma medida" (TJSP - Adin n.


165.311.0/4-00 - rei. Des. Armando Toledo).

Há, ainda, outros precedentes, como, por exemplo, a


ADin 164.055.0/8-00, de Itaquecetuba, rei. Des. Celso Limongi, e a
ADin 158.820.0/0-00, de Nipoã, rei. Des. José Reynaldo.

Exatamente esse vício inquina a lei municipal de


Presidente Prudente. Além de incluir, na sua destinação, o
"melhoramento do serviço de iluminação pública", em
desconformidade com a previsão constitucional de custeio do serviço
já prestado, estabeleceu, no parágrafo único do art. 4o, a
progressividade das alíquotas, segundo o consumo individual de
energia elétrica do contribuinte e a natureza da atividade por ele
desenvolvida.

Na esteira dos precedentes indicados, não há como se


deixar de reconhecer a inconstitucionalidade da Lei n° 5.872, de 27
de dezembro de 2002, do município de Presidente Prudente.

3. Acolhe-se a arguição.

- # :
"^-Relator