ASPECTOS GERAIS DO
DIREITO DE FAMÍLIA
Direito Civil VII - Famílias
CONCEITO DE “FAMÍLIA”
CONVENÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA
(Decreto n. 99.710/1990)
Família é o núcleo fundamental da sociedade e meio
natural para o crescimento e bem-estar de todos os seus
membros e, em particular, as crianças.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial
proteção do Estado.
(Casamento, união estável, pais e seus descendentes)
ESPÉCIES
DE
FAMÍLIA
FAMÍLIA MATRIMONIAL
Art. 1.596. Os filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por
adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer
designações discriminatórias relativas à filiação.
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os
filhos:
I – nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a
convivência conjugal; II – nascidos nos trezentos dias subsequentes à
dissolução da sociedade conjugal, por morte, separação judicial,
nulidade e anulação do casamento; III – havidos por fecundação
artificial homóloga, mesmo que falecido o marido; IV – havidos, a
qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes
de concepção artificial homóloga; V – havidos por inseminação
artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.
família informal
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 226, § 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida
a união estável entre o “homem e a mulher”* como entidade
familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
* ADI 4277 - União Homoafetiva
CÓDIGO CIVIL
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união
estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência
pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de
constituição de família.
FAMÍLIA MONOPARENTAL
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 226, § 4º Entende-se, também, como entidade
familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e
seus descendentes.
Mas a CF ainda vincula família ao “parentalismo”.
FAMÍLIA ANAPARENTAL
FAMÍLIA RECONSTITUÍDA
Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro
pelo vínculo da afinidade.
§1º O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos
descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro.
§2º Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do
casamento ou da união estável.
Lei de Registros Públicos - Lei n. 6.015/1973
Art. 57, §8º O enteado ou a enteada, havendo motivo ponderável e na
forma dos §§ 2o e 7o deste artigo, poderá requerer ao juiz competente
que, no registro de nascimento, seja averbado o nome de família de seu
padrasto ou de sua madrasta, desde que haja expressa concordância
destes, sem prejuízo de seus apelidos de família.
FAMÍLIA PARALELA
Art. 1723, §1º A união estável não se constituirá se ocorrerem os
impedimentos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso
VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou
judicialmente.
Art. 1.521. Não podem casar:
(...)
VI - as pessoas casadas;
(...)
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher,
impedidos de casar, constituem concubinato.
UNIÃO POLIAFETIVA
FAMÍLIA EUDEMONISTA
FAMÍLIA HOMOAFETIVA
FAMÍLIA NATURAL
FAMÍLIA EXTENSA OU AMPLIADA
FAMÍLIA SUBSTITUTA
Art. 28. A colocação em família
substituta far-se-á mediante
guarda, tutela ou adoção,
independentemente da situação
jurídica da criança ou
adolescente, nos termos desta Lei.
PRINCÍPIOS DO DIREITO DE FAMÍLIA
● Dignidade da Pessoa Humana
● Liberdade ou Não Intervenção
● Igualdade entre filhos
● Igualdade entre cônjuges/companheiros
● Solidariedade
● Afetividade
● Proteção ao idoso
● Proteção à criança e adolescente
● Função social da família
Dignidade da Pessoa Humana
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
(...)
III - a dignidade da pessoa humana;
Art. 226, §7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e
da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão
do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e
científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma
coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade
e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão.
Liberdade ou Não Intervenção
Art. 226, §7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e
da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão
do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e
científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma
coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
Art. 1.513. É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou
privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família.
Art. 1.565, §2º O planejamento familiar é de livre decisão do casal,
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros
para o exercício desse direito, vedado qualquer tipo de coerção por
parte de instituições privadas ou públicas.
Igualdade entre filhos
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)
Art. 227, §6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou
por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas
quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
Igualdade entre cônjuges/companheiros
Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base
na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.
Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a
condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da
família.
§ 1 o Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o
sobrenome do outro.
Solidariedade
Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base
na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.
Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:
I - fidelidade recíproca;
II - vida em comum, no domicílio conjugal;
III - mútua assistência;
IV - sustento, guarda e educação dos filhos;
V - respeito e consideração mútuos.
Afetividade
A afetividade, atualmente, é o princípio que fundamenta o
direito das famílias.
Mesmo não constando a expressão afeto do CF/88 como sendo um
direito fundamental, pode-se afirmar que ele decorre da
valorização constante da dignidade humana e da
solidariedade.
O vínculo familiar constitui mais um vínculo de afeto do que
um vínculo biológico. Assim surge uma nova forma de
parentesco civil, a parentalidade socioafetiva.
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e
familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero
que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico
e dano moral ou patrimonial:
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de
convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar,
inclusive as esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada
por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por
laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor
conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de
coabitação.
Proteção ao idoso
Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de
amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na
comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e
garantindo-lhes o direito à vida.
§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados
preferencialmente em seus lares.
§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a
gratuidade dos transportes coletivos urbanos.
Proteção À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado
assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta
prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade
e opressão.
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da
proteção integral de que trata esta Lei,
assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social,
em condições de liberdade e de dignidade.
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em
geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade,
a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Função social da família
A sociedade muda, a família se altera e o Direito deve
acompanhar essas transformações.
Numa perspectiva constitucional, a funcionalização social da
família significa o respeito ao seu caráter eudemonista,
enquanto ambiência para a realização do projeto de vida e de
felicidade de seus membros, respeitando-se, com isso, a dimensão
existencial de cada um.