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Amanda Calefi Nogueira 1

PROBLEMA 3 – REPRODUÇÃO
1) Caracterizar a fisiologia do ato sexual masculino e feminino.
 Ato Sexual Masculino
 Estimulação Neuronal para o Desempenho do Ato Sexual Masculino
Glande do pênis → fonte de sinais sensoriais neurais mais importante para iniciar o ato → contém um sistema
de órgãos terminais sensoriais especialmente sensível, que transmite a sensação sexual para o SNC.
 A massagem da glande estimula os órgão terminais sensoriais, e os sinais sexuais, por sua vez, cursam pelo
nervo pudendo e, então, pelo plexo sacral para a região sacral da medula espinhal, ascendendo para áreas
não definidas do cérebro.
 Os impulsos também podem entrar na medula espinhal a partir de áreas adjacentes ao pênis (estimulação
do epitélio anal, do saco escrotal e de estruturas perineais) → contribuição para estimular o ato sexual.
 As sensações sexuais podem se originar até mesmo em estruturas internas (áreas da uretra, bexiga,
próstata, vesículas seminais, testículos e canal deferente) → uma das causas do impulso sexual é o
enchimento dos órgãos sexuais com secreções.

 Elemento Psíquico do Estímulo Sexual Masculino


Estímulos psíquicos apropriados podem aumentar, em muito, a capacidade da pessoa de realizar o ato sexual →
o simples pensamento sobre sexo, ou sonho, pode iniciar o ato sexual masculino, culminando com a ejaculação.
 Emissões noturnas → ocorrem durante os sonhos de muitos homens durante alguns estágios da vida sexual,
especialmente na adolescência.

 Integração do Ato Sexual Masculino na Medula Espinhal


O ato sexual masculino resulta de mecanismos reflexos inerentes integrados na medula espinhal sacral e lombar
tais mecanismos podem ser iniciados por estimulação psiquica proveniente do cerebro, ou da estimulação sexual
real dos orgãos sexuais, mas geralmente é a combinação de ambas.

 Estágios do Ato Sexual Masculino


I. Ereção Peniana – o papel dos nervos parassimpáticos
É o primeiro efeito do estímulo sexual masculino e o grau de ereção é proporcional ao grau de estimulação, seja
psíquico ou físico.
É causada por impulsos parassimpáticos que passam da região sacral da medula espinhal pelos nervos pélvicos
para o pênis → essas fibras nervosas parassimpáticas liberam NO e/ou VIP, além da ACh → o NO ativa a guanilil
ciclase, causando maior formação de GMPc → relaxa as artérias do pênis e as malhas trabeculares das fibras
musculares lisas no tecido erétil dos corpos cavernosos e corpos esponjosos na haste do pênis → aumenta o fluxo
sanguíneo, causando liberação de NO das células endoteliais vasculares e posterior vasodilatação..
Tecido erétil → consiste em grandes sinusoides cavernosos que normalmente não contém sangue, mas que se
tornam tremendamente dilatados quando o fluxo sanguíneo arterial flui rapidamente para ele sob pressão,
enquanto a saída venosa é parcialmente ocluída.
 Também são envolvidos por camada fibrosa espessa, especialmente os dois corpos cavernosos.
Ereção → a pressão elevada dentro dos sinusoides provoca o enchimento do tecido erétil em tal extensão que o
pênis fica duro e alongado.

II. Lubrificação é função parassimpática


Impulsos parassimpáticos durante a estimulação sexual → além de promover a ereção, induzem a secreção
mucosa pelas glândulas uretrais e bulbouretrais.
 Esse muco flui pela uretra auxiliando a lubrificação durante a relação sexual.
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A maior parte da lubrificação do coito é fornecida pelos órgão sexuais femininos → sem lubrificação satisfatória,
o ato sexual masculino dificilmente é satisfatório porque o intercurso não lubrificado produz sensações dolorosas e
irritativas que inibem as sensações de excitação sexual.

III. Emissão e Ejaculação são funções dos nervos simpáticos


São o clímax do ato sexual masculino → quando o estímulo sexual fica extremamente intenso, os centros reflexos
da medula espinhal começam a emitir impulsos simpáticos que deixam a medula (T12-L2) e passam para os órgãos
genitais por meio dos plexos hipogástrico e pélvico → início da emissão precursora da ejaculação.
 Emissão
Começa com a contração do canal deferente e da ampola promovendo a expulsão dos espermatozoides para a
uretra interna.
As contrações da camada muscular da próstata, seguida pela contração das vesículas seminais, expelem os
líquidos prostático e seminal também para a uretra, forçando os espermatozoides para frente.
Todos esses líquidos se misturam na uretra interna com o muco já secretado pelas glândulas bulbouretrais
formando o sêmen.
 Ejaculação
O enchimento da uretra interna com sêmen provoca sinais sensoriais que são transmitidos pelos nervos
pudendos para as regiões sacrais da medula espinhal → sensação de plenitude súbita nos órgãos genitais internos.
Esses sinais sensoriais promovem as contrações rítmicas dos órgãos genitais internos e contrações dos músculos
isquiocavernoso e bulbocavernoso → compressão das bases do tecido erétil peniano → aumentos rítmicos e
ondulatórios da pressão do tecido erétil, dos ductos genitais e da uretra, que ejaculam o sêmen da uretra para o
exterior.
Ao mesmo tempo, contrações rítmicas dos músculos pélvicos, e mesmo de alguns músculos do tronco, causam
movimentos de propulsão da pélvis e do pênis → auxilia a propelir o sêmen para os recessos mais profundos da
vagina.
Período de emissão e ejaculação → é chamado de orgasmo masculino.
No final, a excitação sexual masculina desaparece quase inteiramente, em 1 a 2 minutos, e a ereção cessa →
resolução.

 Ato Sexual Feminino


I. Estimulação do ato sexual feminino
Assim como ocorre no ato sexual masculino, o desempenho bem-sucedido do ato sexual feminino depende tanto
de estimulação psíquica, quanto de estimulação sexual local.
Pensamentos sexuais → podem levar ao desejo sexual feminino → ajuda bastante no desempenho do ato sexual.
 Esse desejo se baseia nos impulsos psicológico e fisiológico, muito embora o desejo aumente de fato em
proporção ao nível de hormônios sexuais secretados.
 O desejo também muda durante o ciclo menstrual → atinge seu pico na época da ovulação → níveis
elevados de estrogênio durante o período pré-ovulatório.
A estimulação sexual local na mulher ocorre quase da mesma maneira que no homem → a massagem e outros
tipos de estimulação da vulva, vagina e outras regiões perianais podem criar sensações sexuais.
 A glande do clitóris é especialmente sensível ao início das sensações sexuais.
Os sinais sensoriais, assim como no homem, são transmitidos aos segmentos sacros da medula espinal pelo nervo
pudendo e do plexo sacro → esse sinais, quando entram na medula espinhal, são transmitidos ao cérebro.
 Reflexos locais integrados na medula espinhal sacra e lombar são parcialmente responsáveis por algumas
das reações nos órgãos sexuais femininos.
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II. Ereção e Lubrificação Femininas


Tecido erétil → localizado em torno do introito e estendendo-se até o clitóris → assim como o do pênis, é
controlado pelos nervos parassimpáticos que passam pelos nervos erigentes, desde o plexo sacro até a genitália
externa.
Fases iniciais da estimulação sexual → sinais parassimpáticos dilatam as artérias do tecido erétil, decorrente da
liberação de ACh, NO e VIP nas terminações nervosas → permite rápido acúmulo de sangue no tecido erétil, de
maneira que o introito se contrai ao redor do pênis → ajuda o homem a obter estimulação sexual suficiente para
ocorrer a ejaculação.
 Sinais parassimpáticos também passam para as glândulas bilaterais de Bartholin, localizadas sob os grandes
lábios → secreção instantânea de muco no introito, responsável por grande parte da lubrificação durante o
ato sexual, muito embora ela também seja provida pelo muco secretado pelo epitélio vaginal e pequena
quantidade pelas glândulas uretrais masculinas.
 Essa lubrificação é necessária durante o intercurso → estabelece sensação massageadora satisfatória, em
vez de reação irritativa (pode ser provocada ela vagina ressecada).
 Sensação massageadora → estímulo ideal para evocar os reflexos apropriados que levam ao clímax
masculino e feminino.

III. Orgasmo Feminino


Quando a estimulação sexual local atinge sua intensidade máxima e, especialmente, quando as sensações locais
são favorecidas por sinais de condicionamento psíquico apropriados do cérebro são desencadeados reflexos que
levam ao orgasmo feminino (clímax feminino).
Orgasmo feminino → análogo à emissão e à ejaculação no homem →pode ajudar a promover a fecundação.
 Sabe-se que a mulher é de certa forma mais fértil quando inseminada pelo intercurso sexual normal do que
por métodos artificiais → importância fundamental do orgasmo.
Durante o orgasmo → músculos perineais da mulher se contraem ritmicamente em decorrência de reflexos da
medula espinhal semelhantes aos que causam a ejaculação no homem → é possível que esses reflexos aumentem a
motilidade uterina e da tuba durante o orgasmo → ajuda a propelir os espermatozoides para o útero.
 Além disso, o orgasmo parece causar a dilatação do canal cervical por até 30 minutos → facilita o transporte
do espermatozoide.
O ato sexual faz com que a hipófise anterior secrete ocitocina → provável que tal efeito seja mediado pelos
núcleos amigdaloides do cérebro e, em seguida, do hipotálamo para a hipófise → a ocitocina causa mais
contrações rítmicas do útero.
Além dos possíveis efeitos do orgasmo na fertilização, as sensações sexuais intensas que se desenvolvem
durante o orgasmo também chegam ao cérebro e causam tensão muscular intensa no corpo inteiro → depois do
clímax, essas sensações dão lugar, durante alguns minutos, à sensação de satisfação caracterizada por relaxamento
tranquilo (resolução).

2) Descrever o eixo hipotálamo-hipófise-testículos.


O hipotálamo controla a função testicular por meio da secreção intermitente de GnRH, que por sua vez estimula
a hipófise a liberar, no mesmo ritmo, o LH e o FSH → ambas as gonadotrofinas atuam diretamente nos testículos e
controlam tanto a espermatogênese como a produção de hormônios.
O GnRH é secretado durante poucos minutos, intermitentemente, a cada 1 a 3 horas → a intensidade desse
estimulo hormonal é determinada de duas maneiras:
I. Pela frequência desses ciclos de secreção.
II. Pela quantidade de GnRH liberado em cada ciclo.
A secreção de LH pela hipófise é também cíclica, seguindo quase fielmente o padrão de liberação pulsátil do
GnRH.
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A secreção de FSH aumenta e diminui apenas


ligeiramente cada flutuação da secreção de GnRH →
muda mais lentamente em período de muitas horas,
em reposta a alterações a longo prazo no GnRH.
O FSH estimula o crescimento testicular durante a
puberdade e aumenta a produção de uma proteína
ligadora de androgênios (ABP) pelas células de Sertoli
→ assegura altas concentrações locais de
testosterona, um fator imprescindível para a
espermatogênese normal.
Também estimula a atividade da aromatase nas
células de Sertoli → favorece a produção local de
estradiol.
Indiretamente, a maturação das células de Leydig
e sua produção de androgênios também podem ser
influenciadas pelo FSH, que modula os efeitos do LH
por intermédio de fatores autócrinos e parácrinos.
A Produção e maturação dos espermatozoides
requerem a presença e a ação combinada das duas
gonadotrofinas → em homens com supressão da
produção de LH e FSH, a espermatogênese cessa na
sua fase inicial e nem mesmo espermatócitos são
formados.

 Regulação da produção de testosterona pelo


LH
Testosterona → secretada pelas células
intersticiais de Leydig nos testículos, mas apenas
quando estas são estimuladas pelo LH, aumentando
sua quantidade em proporção direta à de LH
disponível.
Obs.: células de Leydig maduras são encontradas
normalmente nos testículos de criança, durante
poucas semanas após o nascimento, mas
desaparecem até 10 anos de idade.
A testosterona secretada pelos testículos em
resposta ao LH tem o efeito recíproco de inibir a
secreção de LH pela hipófise anterior → a maior parte
dessa inibição, provavelmente resulta do efeito direto
da testosterona sobre o hipotálamo, reduzindo a secreção de GnRH → reduz, assim, a secreção de LH e FSH pela
hipófise anterior→ reduz a secreção de testosterona pelos testículos.
Sempre que houver secreção elevada de testosterona haverá esse efeito de feedback negativo.
Obs.: o LH atua nas células de Leydig por meio do segundo mensageiro AMPc → estimula a mobilização de
colesterol a partir de ésteres colesteril e sua conversão à pregnenolona.

 Regulação da espermatogênese pelo FSH e pela Testosterona


O FSH liga-se a receptores específicos associados às células de Sertoli nos túbulos seminíferos → permite que
essas células cresçam e secretem várias substâncias espermatogênicas.
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A testosterona que se difunde das células de Leydig nos espaços intersticiais para os túbulos seminíferos também
tem efeito trófico intenso sobre a espermatogênese.
Quando os túbulos seminíferos deixam de produzir espermatozoides, a secreção de FSH pela hipófise anterior
aumenta acentuadamente. Inversamente, quando a espermatogênese ocorre muito rapidamente, a secreção de
FSH diminui.
 Acredita-se que esse efeito de feedback negativo sobre a hipófise seja causado pela secreção de inibina
pelas células de Sertoli → esse hormônio tem efeito direto intenso sobre a hipófise anterior, inibindo a secreção
de FSH e, possivelmente, efeito discreto sobre o hipotálamo, inibindo a secreção de GnRH.

3) Descrever a testosterona.
Os testículos secretam muitos hormônios sexuais masculinos chamados, coletivamente, de androgênios →
testosterona, di-hidrotestosterona, androstenediona, desidroepiandrosterona (DHEA) e seu sulfato (DHEAS).
 A testosterona é mais abundante que os outros, às vezes considerada como o hormônio testicular mais
importante, embora a maioria dela, se não toda, é por fim convertida no hormônio mais ativo, a di-
hidrotestosterona, nos tecidos-alvo que expressam a enzima 5α-redutase, como a próstata e o folículo
polissebáceo.
É produzida nas células intersticiais de
Leydig, situadas no interstício entre os
túbulos seminíferos → 20% da massa dos
testículos adultos → essas células são
praticamente inexistentes nos testículos
durante a infância , porém são numerosas
nos recém-nascidos do sexo masculino nos
primeiros meses de vidas e no homem adulto
após a puberdade, épocas em que os
testículos secretam grande quantidade desse
hormônio.

 Síntese e secreção
No homem, as principais fontes de
androgênios são a adrenal e os testículos →
em ambos os locais de síntese, a molécula
precursora dos androgênios é o colesterol,
que pode ser captado do plasma por meio de
endocitose de lipoproteínas ou sintetizado na
própria glândula.
A transformação do colesterol em
testosterona requer cinco etapas, todas elas
catalisadas por enzimas.
A clivagem da cadeia lateral do colesterol
ocorre na mitocôndria, enquanto as demais
reações, no retículo endoplasmático.
A testosterona produzida nas células de
Leydig é secretada no fluido dos túbulos
seminíferos e nos capilares intersticiais, de
onde atinge a circulação sistêmica para posteriormente exercer seus efeitos endócrinos.

 Transporte e Metabolismo
Um homem adulto normalmente produz por dia cerca de 5 a 9 mg de testosterona → circula, em grande
proporção, acoplada à proteína ligadora de hormônios sexuais (SHBG) e à albumina.
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Apenas cerca de 2% da testosterona circulante ficam disponíveis na forma livre → é captada pelas células-alvo e,
à medida que isso ocorre, novas moléculas do hormônio se desprendem das proteínas ligadoras e recompõem o
estoque de testosterona livre.
A maior parte da testosterona é metabolizada na forma de glucuronídeo de testosterona e 17-cetoesteroides,
dotados de pouca ou nenhuma ação androgênica, que são excretados na urina.
Uma pequena quantidade de testosterona (menos que 1%) é convertida em estradiol por ação da aromatase,
seja nas próprias células de Leydig, seja nas células de Sertoli, que secretam o estrogênio no fluido tubular ou no
sangue periférico. Regiões do SNC, tecido adiposo, tecido ósseo e próstata também são ricos em aromatase e
produzem estradiol.
Contudo, o principal derivado da testosterona é a DHT, resultante de sua conversão pela 5α-redutase em
tecidos-alvo específicos.

 Mecanismo de ação
Assim como outros hormônios esteroides, os androgênios exercem seus efeitos por meio de receptores
nucleares, que são fatores de transcrição e regulam a produção de mRNA de genes-alvo, por mecanismo
dependente da ligação com o hormônio.
A partir da ligação do androgênio ao seu receptor, ocorre uma modificação conformacional que resulta na
dissociação do receptor de proteínas de choque térmico (hsp). O complexo hormônio-receptor forma, então, um
homodímero com outra molécula hormônio-receptora de androgênio e interage com uma série de coativadores ou
correpressores para constituir um complexo transcricional ativado.
Este complexo irá acoplar-se a uma região aceptora no DNA da célula-alvo, denominada elemento responsivo
aos androgênios e composta por uma sequência específica de nucleotídeos.
O processo resulta no recrutamento de uma RNA polimerase e na transcrição (mRNA) e posterior tradução
(proteína) de genes específicos, que serão o alvo preciso da ação androgênica.
De maneira geral, a testosterona pode:
I. Ativar o receptor citosólico de andrógeno (ARc), levando à efeitos genômicos → DHT
II. Agir através de receptor membranar próprio de andrógenos (ARm) para efeitos não genômicos →
estrogênio

 Efeitos Fisiológicos
→ Em geral
A testosterona é responsável pelas características que diferenciam o corpo masculino.
Mesmo durante a vida fetal, os testículos são estimulados, pela gonadotrofina coriônica proveniente da placenta,
a produzir quantidades moderadas de testosterona por todo o período de desenvolvimento fetal e por 10 semanas
ou mais após o nascimento; praticamente não é produzida testosterona durante a infância até aproximadamente a
idade de 10 a 13 anos.
Então, a produção de testosterona aumenta rapidamente sob o estimulo dos hormônios gonadotróficos da
hipófise anterior no inicio da puberdade, permanecendo assim pela maior parte do resto da vida, diminuindo
rapidamente após os 50 anos e caindo para 20% a 50% dos Valores máximos aos 80 anos.

→ Efeitos sobre o desenvolvimento fetal


A testosterona, secretada inicialmente pelas saliências genitais e posteriormente pelos testículos fetais, é
responsável pelo desenvolvimento das características do corpo masculino, incluindo a formação de um pênis e de
um saco escrotal, em vez de um clitóris e uma vagina.
Ainda, a testosterona induz a formação da próstata, das vesículas seminais e dos ductos genitais masculinos,
enquanto, ao mesmo tempo, suprime a formação dos órgãos genitais femininos.

→ Efeito na descida dos testículos


Estimulo para a descida dos testículos é a testosterona, indicando mais uma vez que a testosterona é um
hormônio importante para o desenvolvimento sexual masculino durante a vida fetal.
Se um menino nasce com os testículos normais, mas que não desceram para o saco escrotal, a administração de
testosterona frequentemente faz com que eles desçam de modo habitual, caso os canais inguinais sejam
suficientemente largos para permitir a passagem dos testículos.
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→ Efeito sobre o desenvolvimento das características sexuais adultas primárias e secundárias


Após a puberdade, quantidades crescentes de secreção de testosterona fazem com que o pênis, saco escrotal e
os testículos aumentem de tamanho em aproximadamente oito vezes antes dos 20 anos.
Além disso, a testosterona induz o desenvolvimento das características sexuais secundarias masculinas,
começando na puberdade e terminando na maturidade.

→ Efeito sobre a distribuição de pelos corporais


Induz o crescimento de pelos (1) sobre o púbis, (2) para cima ao longo da linha alba do abdome, algumas vezes
até o umbigo ou acima, (3) na face, (4) geralmente no tórax, e (5) menos frequentemente em outras regiões do
corpo, tais como as costas.
A testosterona também faz com que os pelos de outras partes do corpo tornem-se mais abundantes.

→ Calvice
Reduz o crescimento de cabelos no topo da cabeça – um homem que não tem os testículos funcionais não se
torna calvo.
Entretanto, muitos homens viris nunca ficam calvos, porque a calvície é resultado da herança genética para o
desenvolvimento de calvície e sobreposta a esta herança genética, grandes quantidades de hormônios androgênicos.
Uma mulher que tem a herança genética apropriada e que desenvolve um tumor androgênico de longa duração
torna-se calva do mesmo modo que um homem.

→ Efeitos sobre a voz


Produz hipertrofia da mucosa laríngea e alargamento da laringe.
Estes efeitos produzem inicialmente uma voz relativamente dissonante, “rachada”, mas esta gradualmente
transforma-se em uma voz masculina típica do adulto.

→ Efeitos sobre a derme


Aumenta a espessura da pele de todo o corpo e aumenta a “rigidez” dos tecidos subcutâneos.
A testosterona aumenta também a taxa de secreção das glândulas sebáceas do corpo, e pode ter como
resultado a acne.
Assim, esta é uma das características mais comuns da adolescência masculina, quando o corpo esta sendo
exposto pela primeira vez a quantidades elevadas de testosterona.
Após muitos anos de exposição, a pele geralmente adapta-se a presença deste hormônio de modo a superar a
acne.

→ Efeitos sobre as proteínas


Uma das características masculinas mais importantes é o desenvolvimento da musculatura apos a puberdade,
com um aumento de cerca de 50% de massa muscular em relação às meninas.
Isto esta associado a um aumento da quantidade de proteína também em regiões não-musculares do corpo.
Muitas das alterações da pele devem-se a deposição de proteínas, e as alterações na voz também resultam
parcialmente dessa função anabólica proteica da testosterona.

→ Efeitos sobre a gordura


A testosterona exerce ações importantes sobre os níveis circulantes de colesterol elevando as lipoproteínas de
baixa densidade (LDL) e reduzindo as de alta densidade (HDL).
Também favorece o acúmulo de gorduras na parte superior do corpo, no abdome e nas vísceras.

→ Efeitos sobre o metabolismo basal


A quantidade normal de testosterona secretada pelos testículos durante a adolescência e no inicio da vida adulta
aumenta a taxa de metabolismo em 5% a 10% acima do valor esperado caso os testículos não fossem ativos.
A taxa metabólica aumentada possivelmente é resultado do efeito da testosterona sobre o anabolismo
proteico, aumentando a quantidade de proteínas – especialmente das enzimas - e, assim, aumentando a atividade
de todas as células.

→ Efeito sobre as hemácias


Quando quantidades normais de testosterona são injetadas em um adulto castrado, o numero de hemácias por
milímetro cubico de sangue aumenta em 15% a 20%.
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O homem médio, também, tem aproximadamente 700.000 hemácias por milímetro cubico a mais do que uma
mulher média.

→ Efeitos sobre o equilíbrio hidroelétrico


Testosterona também possui o efeito de reabsorver sódio, mas em menor grau, quando comparada aos
mineralocorticoides adrenais.
No entanto, no homem apos a puberdade os volumes sanguíneos e do liquido extracelular aumentam em 5% a
10% em relação ao peso corporal.

4) Descrever os componentes do aparelho reprodutor masculino e os componentes do sêmen.


 Aparelho Reprodutor Masculino
As funções reprodutoras masculinas podem ser divididas em três subdivisões:
1. Espermatogênese
2. Desempenho do ato sexual
3. Regulação das funções reprodutoras masculinas por vários hormônios.

 Órgãos internos
Podem ser divididos em três grupos:
1. Gônadas (testículos);
2. Ductos: epidídimo, ducto deferente e ducto ejaculatório;
3. Glândulas acessórias: vesículas seminais, próstata e glândulas bulbouretais.

 Testículos
São homólogos aos ovários na mulher.
São órgãos ovais de cerca de 5 cm de comprimento localizados dentro da cavidade abdominal no período fetal
→ dois meses antes do nascimento eles deixam o abdome e descem para o escroto.
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Cada testículo tem forma ovoide, com o grande


eixo quase vertical, e ligeiramente achatado no
sentido lateromedial, do que decorre apresentar
duas faces, duas bordas e duas extremidades → as
faces são lateral e medial, as bordas anterior e
posterior e a extremidades superior e inferior.
Possuem duas camadas: a externa chamada
túnica vaginal e a interna chamada túnica
albugínea.
Septos fibrosos estendem-se para dentro do
testículo dividindo-o em cerca de 250 lóbulos →
cada lóbulo possui de 1 a 3 túbulos enovelados
chamados túbulos seminíferos.
As células reprodutoras masculinas encontram-
se dentro desses túbulos em diferentes fases de
desenvolvimento.
Além das células reprodutoras, células
nutridoras dos espermatozoides e de suporte
chamadas células de Sertoli são encontradas nos
testículos.
As células de Leydig estão distribuídas nos
testículos e são responsáveis pela produção dos
hormônios masculinos.

 Epidídimo
É a primeira porção do sistema de ductos do
testículo → tubo enovelado que se localiza na
parte posterior do testículo e tem cerca de 5 m de comprimento.
Ele apresenta uma dilatação superior que ultrapassa o polo superior do testículo, que é denominada cabeça; um
seguimento intermediário que é o corpo e inferiormente, uma porção mais estreitada, que é a cauda do epidídimo.
Na cabeça do epidídimo, os dúctulos eferentes dos testículos continuam por dúctulos novamente muito
tortuosos que em seguida vão se anastomosando sucessivamente para constituir um único tubo que é o ducto do
epidídimo → este ducto é tão sinuoso que ocupa um espaço de aproximadamente dois centímetros de
comprimento, quando na realidade ele tem seis metros de extensão.
Inferiormente, a cauda do epidídimo, tendo no interior o ducto do epidídimo, encurva-se em ângulo agudo para
trás e para cima, dando seguimento ao ducto deferente → é justamente nessa curva constituída pela cauda do
epidídimo e inicio do ducto deferente que ficam armazenados os espermatozoides até o momento do ato sexual, em
que são levados para o exterior.
A primeira porção do ducto deferente é mais ou menos sinuosa e ascende imediatamente por trás do epidídimo.
Tanto o testículo como o epidídimo e a primeira porção do ducto deferente são diretamente envoltos por uma
membrana serosa que é a túnica vaginal. Assim como a pleura ou o pericárdio, a túnica vaginal apresenta um folheto
que envolve diretamente aqueles órgãos, sendo denominado lâmina visceral.

 Ducto deferente
Cada ducto deferente é uma continuação do epidídimo e é considerado o ducto excretor do testículo.
Se estende do testículo, passa pela região inguinal, dentro do funículo espermático - uma estrutura que contém,
além do ducto, nervos, vasos sanguíneos e linfáticos – e se dirige até a vesícula seminal, após cruzar a bexiga e o
ureter, onde se une ao ducto da vesícula seminal para formar o ducto ejaculatório.
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 Ducto ejaculatório
É um fino tubo, par, que penetra pela face posterior da próstata atravessando seu parênquima para ir se abrir,
por um pequeno orifício, no colículo seminal da uretra prostática, ao lado do forame do utrículo prostático.
Estruturalmente o ducto ejaculatório assim como a vesícula seminal, tem a mesma constituição do ducto
deferente, apresentando três túnicas concêntricas: adventícia, muscular e mucosa.

 Vesículas seminais
São duas pequenas bolsas membranosas lobuladas formadas por um tubo enovelado sobre si mesmo que se
localizam posteriormente a bexiga, obliquamente acima da próstata, que elaboram um líquido para ser adicionado
na secreção dos testículos → contendo frutose, prostaglandinas, proteínas de coagulação, ácido cítrico → sua
natureza alcalina ajuda a neutralizar o ambiente ácido da uretra masculina e do TG feminino.
O tubo de cada vesícula se liga ao ducto deferente para formar o ducto ejaculatório.
Tem cerca de 7,5cm de comprimento.
Durante o processo de emissão e de ejaculação, cada vesícula seminal esvazia seu conteúdo no ducto
ejaculatório, imediatamente após o canal deferente ter despejado os espermatozoides→ isso aumenta muito o
volume do sêmen ejaculado.
Obs: a frutose e outras substâncias no líquido seminal têm valor nutritivo considerável para os espermatozoides
ejaculados, até o momento em que um espermatozoide fertilize o óvulo.
Acredita-se que as prostaglandinas auxiliem na fertilização de duas maneiras:
1. Reagindo com o muco cervical feminino, tornando-o mais receptivo ao movimento do espermatozoide;
2. Possivelmente induzindo contrações peristálticas reversas para trás, no útero e nas tubas uterinas, movendo
os espermatozoides ejaculados em direção aos ovários.

 Próstata
É um corpúsculo cônico do tamanho de uma castanha localizado inferiormente a bexiga.
Sua base está encostada no colo da bexiga e a primeira porção da uretra perfura-a longitudinalmente pelo seu
centro, da base ao ápice.
O parênquima é ocupado por células glandulares distribuídas em tubos ramificados, cuja secreção é drenada
pelos ductos prostáticos, os quais em número que gira em torno de vinte, se abrem na superfície posterior do
interior da uretra, de cada lado do colículo seminal.
A próstata secreta líquido fino, leitoso, que contém cálcio, íon citrato, íon fosfato, uma enzima de coagulação e
uma pró-fibrinolisina.
Durante a emissão, a cápsula da próstata se contrai simultaneamente com as contrações do canal deferente, de
modo que o líquido fino e opaco da próstata seja adicionado ao sêmen.
Leve alcalinidade característica do líquido prostático pode ser muito importante para a fertilização bem-sucedida
do óvulo, uma vez que o líquido do canal deferente é relativamente ácido, possibilitando a presença de ácido cítrico
e de produtos finais do metabolismo do espermatozoide e, em consequência, auxiliando a inibir a fertilidade do
espermatozoide. As secreções vaginais femininas também são ácidas.

 Glândulas bulbouretrais
As glândulas de Cowper, são duas do tamanho de uma ervilha, localizadas inferiormente a próstata de cada lado
da uretra. Elas produzem uma secreção mucosa lubrificante anterior à ejaculação, que também faz parte do sêmen.

 Uretra masculina
A uretra masculina é um órgão tubular responsável pelo transporte tanto do sêmen quanto da urina. Estende-
se da bexiga até a extremidade distal do pênis.
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 Órgãos externos
 Escroto
É uma bolsa localizada posteriormente ao pênis e sustentada pelo púbis.
É uma continuação da parede abdominal e é dividida por um septo em dois sacos → cada um com um testículo e
epidídimo.
Espalhadas pelo tecido subcutâneo estão fibras musculares lisas que se contraem em resposta a uma redução
da temperatura corporal ou ambiente, dando ao escroto uma aparência enrugada → esta contração faz com que os
testículos fiquem encostados no períneo, onde absorvem o calor do corpo e mantém uma temperatura compatível
para os espermatozoides.
 Em condições normais de temperatura as fibras relaxam e o escroto fica pendente e livre de rugas.

 Pênis
É o órgão masculino da cópula e é uma estrutura flácida quando não estimulada.
É ligado ao arco pubiano, localizado a frente do escroto e é composto por três colunas longitudinais de tecido
erétil capaz de aumentar de tamanho quando repleto de sangue.
Duas das três colunas longitudinais são chamadas corpos cavernosos, localizadas dorsalmente, formam a maior
parte do pênis → são divididos em espaços cavernosos recobertos por endotélio e constituem os seios sanguíneos.
A outra coluna é conhecida como corpo esponjoso e está situada ventralmente no pênis → sua extremidade
distal se expande subitamente para formar a glande do pênis onde se localiza o óstio (abertura) da uretra.
 O corpo esponjoso inicia-se posteriormente por uma expansão mediana situada logo a baixo do diafragma
urogenital, que recebe o nome de bulbo do pênis.
Tanto os corpos cavernosos como o corpo esponjoso são envoltos, cada um deles, por uma membrana conjuntiva
denominada, respectivamente, de túnica albugínea do corpo cavernoso e do corpo esponjoso.
O interior destes três elementos tem um aspecto esponjoso que decorre da existência de inúmeras e finas
trabéculas que se entrecruzam desordenadamente. Entre essas trabéculas permanecem espaços que podem admitir
maior quantidade de sangue, tornando o pênis um órgão erétil. As artérias e veias do pênis penetram ou saem ao
nível do bulbo e ramos do pênis, ocorrem longitudinalmente em seu dorso fornecendo ramos colaterais em todo o
percurso.
A pele do pênis e do escroto são mais finas e pigmentadas que do resto do corpo → terminalmente ela dobra-se
sobre si mesma e projeta-se sobre a glande formando o prepúcio (pele fina e deslizante localizada na parte livre
pênis) → pode ser removido em recém-nascidos em um procedimento simples chamado circuncisão.

 Sêmen
Ejaculado durante o ato sexual masculino, o sêmen é composto por:
 Líquido e espermatozoides do canal deferente (10%),
 Líquido das vesículas seminais (60%),
 Líquido da próstata (30%),
 Pequenas quantidades de líquido das glândulas mucosas, especialmente das bulbouretais.
A maior parte do sêmen é composta de líquido da vesícula seminal, que é o último a ser ejaculado e serve para
arrastar os espermatozoides ao longo do ducto ejaculatório.
pH médio → 7,5 → tendo o líquido prostático alcalino mais do que neutralizado a ligeira acidez das outras partes
do sêmen.
O líquido prostático da aparência leitosa ao sêmen, e os líquidos das vesículas seminais e das glândulas mucosas
dão a ele a consistência de muco.
Enzima coaguladora do líquido prostático → faz com que o fibrinogênio do líquido da vesícula seminal forme
coágulo fraco de fibrina → mantém o sêmen nas regiões profundas da vagina.
Esse coágulo é dissolvido nos próximos 15 a 30 minutos devido a sua ruptura pela fibrinolisina formada da
profibrinolisina prostática.
Amanda Calefi Nogueira 12

Nos primeiros minutos após a ejaculação, o esperma permanece relativamente imóvel → viscosidade do
coágulo.
Embora os espermatozoides possam viver por muitas semanas nos ductos genitais masculinos → uma vez
ejaculados no sêmen, sua expectativa máxima de vida → somente 24 a 48 horas, à temperatura corporal.
Em temperaturas mais baixas, entretanto, o sêmen pode ser estocado por várias semanas e, quando abaixo de -
100ºC, os espermatozoides têm sido preservados por anos.

5) Descrever espermatogênese e espermiogênese.


O processo de espermatogênese, através do qual as espermatogônias dão origem aos espermatozoides, é dividido
em três fases:
1. Espermacitogênese → diferenciação das
espermatogônias em espermatócitos primários.
2. Meiose → divisão de redução por meio da qual
espermatócitos primários diploides reduzem seu conteúdo
cromossômico, formando espermátides haploides.
3. Espermiogênese → transformação de espermátides
em espermatozoides (gametas).
A maioria das células que compõem o espesso epitélio
seminífero é de células da linhagem espermatogênica em
diferentes estágios de maturação → as espermatogônias
estão localizadas no compartimento basal, enquanto os
espermatócitos primários, secundários, as espermátides e os
espermatozoides ocupam o compartimento adluminal.

 Fatores hormonais que estimulam a


espermatogênese:
1. Testosterona → secretada pelas células de Leydig,
localizadas no interstício do testículo, é essencial para o
crescimento e a divisão das células germinativas testiculares,
que se constituem no primeiro estágio da fomração do
esperma.
2. LH → secretado pela hipófise anterior, estimula as
células de Leydig a secretar testosterona.
3. FSH → também secretado pela hipófise anterior;
estimula as células de Sertoli; sem essa estimulação, a
conversão das espermátides em espermatozóides não ocorre.
4. Estrogênios → formados a partir da testosterona pelas
células de Sertoli, quando são estimuladas pelo hormônio
folículo-estimulante, são também provavelmente essenciais
para a espermiogênse.
5. GH → é necessário para controlar as funções
metabólicas basais dos testículos. O hormônio de crescimento,
especificamente, promove a divisão precoce das
espermatogônias; em sua ausência, como no caso dos anões hipofisários, a espermatogênese é severamente
deficiente ou ausente, causando assim, infertilidade.

 Espermacitogênese
Diferenciação das espermatogônias → pequenas células germinativas diploides, situadas sobre a lâmina basal e
que, após a puberdade, são influenciadas pela testosterona a entrarem no ciclo celular. São divididas em três
categorias:
1. Espermatogônias do tipo A escuras → são pequenas células em formato de cúpula; possuem núcleos ovais
achatados, com abundante heterocromatina, o que dá um aspecto denso ao núcleo; são células de reserva que não
entraram no ciclo celular, mas que podem fazê-lo; quando elas sofrem mitose, formam espermatogônias do tipo A
escuras adicionais, assim como espermatogônias tipo A pálidas.
Amanda Calefi Nogueira 13

2. Espermatogônias do tipo A pálidas → são idênticas às espermatogônias do tipo A escuras, exceto que seus
núcleos apresentam abundante eucromatina, o que lhes dá uma aparência clara; apresentam apenas algumas
organelas; são induzidas pela testosterona a proliferar e dar origem, por mitose, a espermatogônias do tipo A
pálidas adicionais e espermatogônias do tipo B.
3. Espermatogônias do tipo B → semelhantes às do tipo A pálidas, mas geralmente seus núcleos são
arredondados; também se dividem mitoticamente para dar origem aos espermatócitos primários.

 Divisão Meiótica dos Espermatócitos


Assim que os espermatócitos primários são formados, eles migram do compartimento basal para o adluminal.
À medida que estas células migram por entre as células de Sertoli adjacentes, elas formam zônulas de oclusão
com as células de Sertoli, ajudando a manter a integridade da barreira hematotesticular.
Os espermatócitos primários são as maiores células do epitélio seminífero, possuem grandes núcleos com
aparência vesiculosa, cujos cromossomos estão em vários estágios de condensação → logo após sua formação,
duplicam seu DNA para alcançar o conteúdo 4n; entretanto o número de cromossomas permanece constante (2n).
Primeira divisão meiótica → o conteúdo de DNA é dividido (2n) entre cada célula-filha e o número de
cromossomos é reduzido para o número haploide (n).
A prófase I dura 22 dias e envolve cinco estágios:
1. Leptóteno → os cromossomos começam a se condensar, formando longos filamentos.
2. Zigóteno → ocorre o pareamento dos cromossomos homólogo e inicia-se a formação do complexo sinap.
3. Paquíteno → uma condensação adicional resulta em cromossomas curtos, espessos, reconhecidos como
tétrades. O processo de formação do complexo sinaptonêmico está completo e ocorre crossing-over.
4. Diplóteno → formação dos quiasmas entre cromossomos homólogos.
5. Diacinese → estágio de transição para a metáfase I.
Na metáfase I os pares de cromossomos homólogos se alinham na placa equatorial.
Na anáfase I os membros de cada par se afastam e migram para polos opostos da célula.
Por fim, na telófase I → as células-filhas se separam (embora uma ponte citoplasmática permaneça entre elas),
formando dois espermatócitos secundários.
Como os cromossomos homólogos são segregados durante a anáfase, os cromossomos X e Y são divididos entre
espermatócitos secundários distintos, formando definitivamente espermatozoides que possuem um cromossomo X
ou Y. Sendo assim, é o espermatozoide que determina o sexo cromossômico (genético) do futuro embrião.
Segunda divisão meiótica → o conteúdo de cada nova célula-filha é reduzido para haploide (DNA 1n), enquanto
o número de cromossomas permanece sem alteração (n).
Espermatócitos secundários → células relativamente pequenas, com vida curta; contêm DNA 2n, não replicam
seus cromossomos e, rapidamente, entram na segunda divisão meiótica formando duas espermátides haploides.
Durante a mitose das espermatogônias e a meiose dos espermatócitos, a divisão celular ou cariocinese é
acompanhada por uma citocinese modificada → à medida que cada célula se divide formando duas células, uma
ponte citoplasmática permanece entre elas, mantendo-as presas uma à outra. Como esta divisão incompleta ocorre
durante vários eventos mitóticos e meióticos, ela resulta na formação de um sincício de células, um grande número
de espermátides que estão conectadas umas às outras. Esta ligação permite que as células se comuniquem,
sincronizando suas atividades.

 Espermiogênese
É a transformação das espermátides → pequenas células arredondadas e haploides, partes da progênie de uma
única espermatogônia tipo A pálida, e estão ligadas umas às outras através de pontes citoplasmáticas.
Elas formam pequenos grupos e ocupam uma posição próxima ao lúmen do túbulo seminífero. Apresentam um
abundante RER, numerosas mitocôndrias, e um Aparelho de Golgi bem desenvolvido.
 Durante sua transformação em espermatozoides, elas acumulam enzimas hidrolíticas, reorganizam e
reduzem o número de suas organelas, formam um flagelo e um aparato associado derivado do citoesqueleto, e se
desfazem de parte do seu citoplasma. Este processo de espermiogênese é subdividido em quatro fases:
1. Fase de Golgi → enzimas hidrolíticas são formadas no REG, modificadas no aparelho de Golgi e
acondicionadas pela rede trans-Golgi em pequenos grânulos pré-acrossômicos delimitados por membrana.
Amanda Calefi Nogueira 14

Estas pequenas vesículas fundem-se umas às outras


formando uma vesícula acrossômica que entra em contato
com o envoltório nuclear, ligando-se a ele e estabelecendo
assim o polo anterior do espermatozoide em
desenvolvimento.
À medida que esta vesícula esta sendo formada, os
centríolos deixam as imediações do núcleo, e um deles
participa da formação do axonema do flagelo. Após o início
da formação dos microtúbulos, os centríolos retornam para
as proximidades do núcleo de modo a auxiliar na formação
da peça de conexão, uma estrutura que circundará os
centríolos.
2. Fase de capuz → a vesícula acrossômica aumenta de
tamanho e a sua membrana envolve parcialmente o núcleo.
Conforme esta vesícula cresce até alcançar o seu tamanho
final, ela passa a ser denominada de acrossoma (capuz
acrossômico).
3. Fase acrossômica → é caracterizada por várias
alterações na morfologia da espermátide:
 O núcleo torna-se condensado, a célula se alonga e
as mitocôndrias mudam de localização.
 Os cromossomos tornam-se altamente condensados
e compactados, o volume diminui, diminuindo também o volume do núcleo → este por sua vez, torna-se
achatado e assume sua morfologia específica.
 Os microtúbulos se reúnem formando uma estrutura cilíndrica, a manchete, que auxilia no alongamento da
espermátide. À medida que o citoplasma em alongamento alcança os microtúbulos do axonema do flagelo,
os microtúbulos da manchete se dissociam. Seu lugar é ocupado pelo ânulo, uma estrutura elétron-densa,
semelhante a um anel, que delimita a junção da peça intermediária com a peça principal do espermatozoide.
 As mitocôndrias formam uma bainha ao redor do axonema da peça intermediária da cauda do
espermatozoide. Durante a formação da bainha mitocondrial e do alongamento da espermátide, formam-se
nove colunas de fibras densas externas ao redor do axonema → estas fibras estão aderidas à peça de
conexão formada durante a fase de Golgi. Depois do seu estabelecimento, as fibras tornam-se envolvidas
por colunas, uma série de estruturas densas, semelhantes a anéis, conhecidas como bainha fibrosa.
4. Fase de maturação → é caracterizada pela eliminação do citoplasma da espermátide, consequente
rompimento do sincício e liberação dos espermatozoides individuais da grande massa celular. Os restos
citoplasmáticos são fagocitados pelas células de Sertoli e os espermatozoides livres são liberados no lúmen dos
túbulos seminíferos (espermiação).
 Os espermatozoides recém-formados são imóveis e incapazes de fertilizar um ovócito; ganham mobilidade
quando passam através do epidídimo; somente depois de entrarem no sistema reprodutor feminino é que tornam-
se capacitados.

 Ciclo do epitélio seminífero


Uma análise cuidadosa do epitélio seminífero humano revela seis possíveis associações características dos tipos
celulares em desenvolvimento, conhecidas como os seis estágios da espermatogênese, porque eles correspondem
às transformações que ocorrem na formação dos espermatozoides. Cada intervalo de 16 dias é denominado como
um ciclo do epitélio seminífero, e o processo de espermatogênese necessita da passagem por quatros ciclos, ou 64
dias. A análise de cortes seriados de um simples túbulo seminífero revela que o mesmo estágio do epitélio continua
a reaparecer em distâncias específicas ao longo da extensão do túbulo. A distância entre dois estágios idênticos do
epitélio é denominada onda do epitélio seminífero. Portanto, em humanos, existem seis ondas repetidas do epitélio
seminífero, correspondendo aos seis estágios.

 Resumo
Células germinativas primordiais → células germinativas que estão presentes na gônada masculina desde o
nascimento.
Durante a infância → dividem-se lentamente por mitose e dão origem a espermatogônias.
Amanda Calefi Nogueira 15

Época da puberdade → cada testículo tem aproximadamente 6 milhões de espermatogônias.


A partir de então essas células começam a se diferenciar → cada espermatogônia dá origem a 16 espermatócitos
primários, que por sua vez, entram em meiose e geram, cada um, quatro espermátides.
A etapa final da espermatogênese denomina-se espermiogênese e consiste na transformação de espermátides
arredondadas em espermatozoides maduros → isso se dá pelo reposicionamento do núcleo da célula, que passa do
centro para as extremidades, onde surgirá a cabeça do espermatozoide, e também pelo aparecimento do flagelo.
Essa transformação celular leva cerca de 70 dias, sendo seguida pelo amadurecimento dos espermatozoides
durante seu trajeto pelo epidídimo até os ductos ejaculatórios, ao longo de outros 14 dias.
Ao alcançar os ductos ejaculatórios, são enriquecidos pelas secreções das vesículas seminais, compostas
principalmente de frutose e prostaglandinas.
Finalmente, quando o sêmen chega à uretra prostática, produtos do fluido prostático são lançados ao sêmen →
o fluído seminal nessa etapa irá conter ainda zinco, espermina, ácido cítrico e fosfatase ácida.

6) Discutir a diferenciação sexual cromossômica.


Depois da formação do espermatozoide maduro, metade deles carrega em seu genoma o cromossomo X
(feminino) e metade carrega o cromossomo Y (masculino).
O sexo cromossômico do indivíduo é determinado no momento da fecundação.
Se um cromossomo X de um espermatozoide combinar-se com o cromossomo X do ovócito secundário, gera-se a
combinação XX → nascerá uma criança do sexo feminino (46,XX).
Já se um cromossomo Y de um espermatozoide combinar-se com o cromossomo X do ovócito secundário, gera-
se, então, a combinação XY → nascerá uma criança do sexo masculino (46, XY).
As células de Sertoli tem um papel endócrino importante → durante o desenvolvimento embrionário, elas
produzem o hormônio antimülleriano (AMH), que induz a regressão dos ductos müllerianos embrionários,
programados para originar o trato reprodutor feminino.

 Diferenciação gonadal masculina


Evento inicial → formação dos testículos → o desenvolvimento dos cordões seminíferos é o primeiro evento.
Os cordões que estão na região medular ramificam-se e anastomosam-se, formando a rete testis.
As células germinativas desta fase (espermatogônias) são circundadas precocemente pelas células somáticas que
formam o cordão seminífero → são as células precursoras das células de Sertoli.
Amanda Calefi Nogueira 16

Outro tipo celular que se diferencia na formação do testículo é o das células intersticiais, ou células de Leydig →
se originam das células mesenquimais localizadas entre os cordões seminíferos.
As células de Sertoli começam a produzir, então, o AMH, causando a regressão dos ductos de Müller.
As células de Leydig produzem testosterona, hormônio masculino que induz a diferenciação masculina da
genitália interna e externa → induz a diferenciação dos Ductos de Wolff em vesículas seminais, epidídimo e ductos
deferentes.

 Diferenciação gonadal feminina


O desenvolvimento do ovário ocorre mais tardiamente que o dos testículos.
Assim como nos testículos, os cordões sexuais primitivos são formados a partir do epitélio celomático → estes
cordões chegam a formar uma rete ovarii rudimentar, que se desintegra em pequenos ninhos, cada um com um
gonócito (oogônias), circundado por células do epitélio celomático, semelhante as células de Sertoli → folículos
primordiais.
As oogônias são capazes de se mover entre as células somáticas, diferentemente do que ocorre nos testículos.
A ausência dos hôrminios antimülleriano e testosterona faz com que os ductos de Müller se desenvolvam,
originando as estruturas da genitália interna feminina (trompas, útero e terço superior da vagina) e os ductos de
Wolff regridam.

Sexo Genético Célula indiferente

XY XX
Gene SRY

Fator determinante testicular


Sexo Testículos (TDF) Ovários
Gonádico

Cél. Sertoli Cél. Leydig

Hormônio Testosterona Sem hormônio antimülleriano


Antimülleriano Sem testosterona

Desenvolvimento do
Regressão do Ducto de Wolff
Ducto de Müller
Sexo
Trato Genital Masculino Trato Genital Feminino Fenotípico
e genitália externa e genitália externa