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9

Edições da-ABM

1 a - 1959
2 a - 1965
3 a - 1971
4 a - 1977
1 9 7 9 (2- i m p r e s s ã o )
1981 (3-impressão)
5 a - 1982
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1987 ( 3 impressão)
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6 a - 1988
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Ficha Catalográfica / Cataioguing Card

Chiaveririi, Vicente
Aços e Ferros Fundidos : características gerais, tratamentos térmicas,
principais tipos / Vicente Chiaverini. — 7.ed.ampl e rev. — São Paulo,
Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais, 2005.

Bibliografia.
À minha esposa e aos meus filhos
1 .Aço 2. Ferro Fundido 3. Ferro Fundido - Metalurgia I. Titulo

CDD - 669.1

índices para catálogo sistemático:

1. A ç o : Metalurgia: Tecnologia 669.1


2. Ferro Fundido : Metalurgia: Tecnologia 669.1

Proibida reprodução, m e s m o parcial a por qualquer processa, sem autorização


expressa d a A s s o c i a ç ã o Brasileira de Metalurgia e Materiais - A B M

Direitos autorais desta edição r e s e r v a d o s à

Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais


R u a Antonio Comparato, 2 1 8 - Campo Belo - 0 4 6 0 5 - 0 3 0 São Paulo - SP
Tel. 55 (11) 5 5 3 6 4 3 3 3 - Fax: 55 (11) 5 0 4 4 - 4 2 7 3

ASSOCA
I ÇÃO JRAS1UIM
5h#

I m p r e s s o no B r a s i l
2005

ISBN 83-36778-48-6

9 7B85fió 778483
li
VICENTE.CHIAVERINI
E n g e n h e i r o Civil e M e t a l u r g i s t a ; S ó c i o H o n o r á r i o d a A B M ;
Professor Titular da Escola Politécnica d a
Universidade de São Paulo

#
m

OS E FERROS FUNDI!
CARACTERÍSTICAS GERAIS
m TRATAMENTOS TÉRMICOS
PRINCIPAIS TIPOS

AGRADECIMENTOS 669.1 C532a 7.ed.-1996


m m Autor: Chiaverini, Vicente, 1914-
T í t u l o : A ç o s e ferros f u n d i d o s : carac
m m , A Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais - ABM 380975

31: :
agradece o importante apoio cultural, oferecido pelas empresas Ex.l CAR
«887

A r m c o do Brasil S.A, Companhia Siderúrgica de Tubarão e


Usiminas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A,
que viabilizaram a edição desta obra. 7 a Edição
a m p l i a d a e revista

lises
m ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA

DE METALURGIA

m ABM 1 MATERIAIS

** •
W: "

P r o d u ç ã o Gráfica:
Estúdio Jl de Artes Gráficas S/C Ltda
SÃO PAULO
Rua Camanducaia, 100 - C a m p o Belo
Tel.: (011) 530-5589/530-2953/530-7321 - São Paulo - SP 2005
1 3 edição e m "Geologia e Metalurgia" n a 11,1955

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1 a - 1959
2 a - 1965
3 a - 1971
4 a - 1977
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1998 (2 a impressão)
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Ficha Catalográfica / Cataloguing Card

Chiaveririi, Vicente
Aços e Ferros Fundidos : características gerais, tratamentos térmicos,
principais tipos / Vicente Chiaverini. — 7.ed.ampl e rev. — São Paulo,
Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais, 2005.

Bibliografia.
À minha esposa e aos meus filhos
1. Aço 2. Ferro Fundido 3. Ferro Fundido - Metalurgia I.Titulo

CDO-669.1

índices para catálogo sistemático:

1. Aço : Metalurgia: Tecnologia 669.1


2. Farra Fundido : Metalurgia: Tecnologia 669.1

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expressa da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais - ABM

Direitos autorais desta edição reservados à

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Tel. 55 (11) 5 5 3 6 4 3 3 3 - Fax: 55 (11) 5 0 4 4 - 4 2 7 3

I «sacudia WASiiaiA
Di HETA138GIA
ABM 1 M AT E i I A 1 5

I m p r e s s o no B r a s i l
20.05

ISBN 85-a6778-4a-6
Aços E FERROS FUNDIDOS

ÍNDICE

PREFÁCIO DA P R I M E I R A EDIÇÃO 15

PREFÁCIO DA S É T I M A EDIÇÃO 17

INTRODUÇÃO : 19

I - D E F I N I Ç Õ E S , D I A G R A M A DE E Q U I L Í B R I O F E R R O - C A R B O N O . EFEITO DOS
ELEMENTOS D E L I G A S O B R E A S LINHAS DETRANSFORMAÇÃO 21
1. Definições 22
2. A l o t r o p i a d o ferro puro 22
3. D i a g r a m a d e equilíbrio Fe-C 23
3 . 1 . Transformações que ocorrem entre 0 e 2,11 % de carbono 26
3.2. A l g u n s aspectos do f e n ó m e n o de solidificação dos aços 30
4. Propriedades dos constituintes do aço e s u a influência sobre os característicos
m e c â n i c o s destes 32
5. Efeito d o esfriamento e do a q u e c i m e n t o sobre a posição das linhas de
transformação 35
6. Efeito d o s elementos de liga sobre o diagrama de equilíbrio Fe-C 36

II - E F E I T O D A V E L O C I D A D E DE E S F R I A M E N T O S O B R E A T R A N S F O R M A Ç Ã O DA
AUSTENITA. DIAGRAMA'TRANSFORMAÇÃO-TEMPO-TEMPERATURA" . 41
1. Efeito d a velocidade de esfriamento sobre a transformação d a austenita 42
2. T r a n s f o r m a ç ã o isotérmica. C u r v a T T T ou e m C (também c h a m a d a em S) 42
3. Constituintes resultantes da transformação d a austenita e s e u s característicos 46
4. C u r v a s T T T p a r a a ç o s h i p o e u t e t ó i d e s e h i p e r e u t e t ó i d e s 47
5. T r a n s f o r m a ç ã o em resfriamento contínuo 47
6. Efeito d a secção da peça 51

III - F A T O R E S Q U E AFETAM A P O S I Ç Ã O DAS CURVAS DO D I A G R A M A TTT.


ENDURECIBILIDADE OUTEMPERABILIDADE 53
1 . Fatores que influem na posição d a s curvas T T T 54
2. Austenita retida ou residual 59
3. Endurecibilidade ou temperabilidade 63
4. Avaliação d a temperabilidade 64
5. M e d i d a d a temperabilidade 65
5 . 1 . Método de Grossmann 65
5.2. Método de Jominy i 67
6. Fatores que afetam a temperabilidade 70
7. Importância prática da temperabilidade. Faixas de temperabilidade 72"
8. Novo m é t o d o d e traçado de curvas de resfriamento 77

IV - T R A T A M E N T O T É R M I C O DOS A Ç O S : R E C O Z I M E N T O , N O R M A L I Z A Ç Ã O ,
T Ê M P E R A E REVENIDO; COALESCIMENTO 81
1. introdução 82
2. Fatores de influência nos tratamentos térmicos 82
2 . 1 . Aquecimento 83
2iTempodepermanênciaàtemperaturadeaquecimento 83
2.3. Resfriamento 83
2.4. A t m o s f e r a do forno 86
3. Recozimento 87
3 . 1 . Recozimento total ou pleno 87
3.2. Recozimento isotérmico o u cíclico : 91
3.3. Recozimento para alívio de tensões ou sub-critico 93
3.4. Esferoidização 93
3.5. Recozimento em caixa 96

7
Aços E FERROS FUNDIDOS
Aços E FERROS FUNDIDOS

K - A Ç O S - C A R B O N O E A Ç O S - L I G A . C L A S S I F I C A Ç Ã O E P R O P R I E D A D E S M E C Â N I C A S .... 175
4. Normalização - *
1 . S i s t e m a de classificação dos a ç o s 176
5. T ê m p e r a - ?j
2. Inclusões não-metálicas 177
6. Revenido —- 1 0 3

3. Propriedades_mecânicasdosaços-carbono 182
6 . 1 . Fragilidade de revenido 106
4. Importância e limitações dos a ç o s - c a r b o n o 185
6.2. Transformação da austenita retida - 107
5. Aços-liga; efeitos dos elementos d e liga; propriedades m e c â n i c a s 187
7. Coalescimento 108
5 . 1 . Tendência d a distribuição d o s elementos de liga nos a ç o s recozidos 188
V - AUSTÊMPERA, MARTÊMPERA E OUTROS TRATAMENTOS TÉRMICOS „ 109 5.2. Efeito dos elementos d e liga s o b r e a ferrita 188
1. Introdução — 110 5.3. Efeito dos elementos de liga nos carbonetos 188
5.4. Efeito d o s elementos de liga n a forma de inclusões não-metálicas 189
2. Austêmpera 110
5.5. Efeito dos elementos d e liga n a forma de compostos intermetálicos 190
3. Martêmpera - 114
4. Patenteamento 115 5.6. Efeito dos elementos de liga n a f o r m a de partículas metálicas dispersas 190
5. Endurecimento por precipitação : 115 6. Efeito d o s elementos de liga n a f o r m a ç ã o d a austenita e na s u a transformação 190
7. Efeito d o s elementos de liga n a f a i x a de temperaturas de f o r m a ç ã o da martensita 191
VI-TÊMPERASUPERFICIAL . 117 8. Efeito d o s elementos de liga no revenido 192
1. Introdução 118 9. Recapitulação dos efeitos dos e l e m e n t o s de liga nos aços 192
2. T ê m p e r a por chama - 120 10. Classificação dos aços-carbono e d o s aços-liga 200
3. T ê m p e r a por indução : 122 1 0 . 1 . Classificação de acordo c o m a composição química 200
10.2. Classificação de acordo c o m a estrutura 201
4. T ê m p e r a p o r l a s e r 126
10.3. Classificação de acordo c o m a aplicação 201
5. T ê m p e r a porfeixe eletrõnico 126
.6. Revenido dos aços temperados superficialmente 126
7. A ç o s recomendados na t ê m p e r a superficial 127 X - A Ç O S PARA F U N D I Ç Ã O 203
1. Introdução ; 204
8. Conclusões 127
2. C o n s i d e r a ç õ e s a respeito d o projeto 204
2 . 1 . F o r m a d a peça 204
VII - T R A T A M E M T O S T E R M O - Q U Í M I C O S 129
2.2. E s c o l h a das espessuras d a s paredes 205
1. Definições .'. 130
.2.3. E s p e s s u r a s de membros e nervuras 205
2. Cementação 130
2.4. Prevenção de defeitos c a u s a d o s pela contração 205
2 . 1 . Considerações gerais s o b r e a cementação 132
2.5. Condições de vazamento e m o l d a g e m 206
2.2. Cementação a alta t e m p e r a t u r a •. 132
3. Tipos d e aço para fundição 206
2.3. Reações fundamentais d a cementação 133
3 . 1 . Aços-carbono para fundição 207
2.4. Processos de c e m e n t a ç ã o 134
3.2. Aços-liga para fundição 211
2 . 4 . 1 . Cementação s ó l i d a o u e m caixa 134
3.3. Aços-ligas para fundição c o m mais de um elemento de liga 213
2.4.2. Cementação a g á s 137
4. T r a t a m e n t o térmico das aços p a r a fundição 214
2.4.3. Cementação líquida 140 5. Soldabilidade dos aças para fundição 215
2.5. Cementação sob vácuo 142
2.6. Cementação a i o n p l a s m a 142 XI - A Ç O S E S T R U T U R A I S 217
2.7. Tratamentos térmicos d a cementação 143 1. Introdução 218
3. Nitretação 144 2. A ç o s - c a r b o n o para estruturas 218
3.1. Nitretaçãoagás 144 3. A ç o s d e alta resistência e baixo teor e m ligas 220
3.2. Nitretação líquida o u e m b a n h o de sal .„ 147 3 . 1 . Tipos de aços de alta resistência e baixo teor em ligas 223
3.3. Nitretação liquida sob p r e s s ã o 150 3.2. Aplicações •' 232
3.4. lonitretação ou plasmanitretação 150 4. Conclusões 233
4. Cianetação 152
5. Carbonitretação : 153 XII - A Ç O S P A R A T R I L H O S 235
5 . 1 . Carbonitretação a p l a s m a - - 154
5 . 2 . Carbonitretação ferrítica 154 XIII - A Ç O S PARA P R O D U T O S P L A N O S 239
5.3. Sulfocarbonitretação g a s o s a 154 1. Introdução ; 240
6. Boreiação 155 2. Aços-carbono 240
3. Problemas de fabricação 246
VIII - P R Á T I C A D O S T R A T A M E N T O S T É R M I C O S 157 4. Propriedades das chapas de aço 246
1. Generalidades _ — 158 5. Defeitos das chapas de aço 247
2. Equipamentos e acessórios 158 6. Tratamento das chapas .... 249
2 . 1 . Ferramentas e dispositivos manuais 158 7. C h a p a s e tiras de aço de baixo carbono modificado 249
2.2. F o m o s 158 8. Revestimentos de chapas de aço 250
2.3. Condições de aquecimento "rô4 9. Aços-liga para produtos planos '. 251
2.4. Avaliação da temperatura ~ 164 10. C h a p a s grossas de aço 252
2.5. Preservação d a superfície _ 165
3. A t m o s f e r a s controladas 165 XIV - A Ç O S P A R A T U B O S 253
3 . 1 . Potencial de carbono e s e u controle 168 1. Introdução 254
4. M e i o s de resfriamento 17-1 2. Tipos d e tubos e de aços para t u b o s 255
5. Defeitos e distorções durante o tratamento térmico 172
5 . 1 . Mudanças dimensionais 172 XV - A Ç O S P A R A B A R R A S , A R A M E S E F i O S 261
5.2. Falhas 173 1 . Introdução 262
6. S e g u r a n ç a 173 2. Barras '. 262
7. Conclusões 174 3. Fios e a r a m e s 263

9
A ç y E FERROS FUNDIDOS Aços E FERROS FUNDIDOS

& 4. T i p o s de arames; aços e t r a t a m e n t o s correspondentes 265 8.4. A ç o s semi-rápidos 338


8.5. A ç o s grafftícos 339
5. Aplicações
9. Aços-ferramenta para trabalho a frio 339
10. A ç o s p a r a trabalho a quente 346
XVI - A Ç O S P A R A MOLAS
. 1 . Introdução pz 11. A ç o s rápidos 351
11.1. Composiçãodosaçosrápidos 351
2. Fabricação e composição q u í m i c a
11.2. Propriedades dos aços rápidos 357
3. M o l a s helicoidais 276
11.3. Estrutura, curva de transformação isotérmica e t r a t a m e n t o s térmicos
4. Molas "semi-elípticas" 2 8 8

d o s aços rápidos 359


5. Conclusões - t ^
1 1 . 3 . 1 . Tratamento térmico dos aços rápidos 366
3

6. A ç o s alternativos para m o l a s
11.3.2. Tratamento subzero 368
2 8 8

XVII - A Ç O S DE USINAGEM F Á C I L 2 8 9
11.3.3. Têmpera para formação de bainita 368
1 . Introdução 2 9 9
11.3.4. Nitretação dos aços rápidos 369
2. Fatores metalúrgicos que influenciam a usinabilidade 290 11.4. A ç o s rápidos fundidos 369
3. Tipos de aços de usinagem fácil 291 11.5. Tratamentos superficiais e m aços para ferramentas 369
3 . 1 . Tipos com inclusões não-metálicas 291 12. Conclusões •. 371
3.2. Tipos com introdução d e c h u m b o 295
3.3. Outras adições 2 9 5
XXII - A Ç O S R E S I S T E N T E S A O D E S G A S T E 373
4. Encruamento dos aços d e u s i n a g e m fácil 2 9 8
1. Introdução 374
2. Aços-manganêsausteníticos 376
XVIII - A Ç O S PARA C E M E N T A Ç Ã O 2 9 9
2 . 1 . Tratamento térmico dos aços Hadfield 377
1. Seleçãodoaço 3 0 0
2.2. A d i ç ã o de outros elementos de liga no aço Hadfield 378
1.1. Meio de esfriamento 3 0 0
2.3. Características gerais dos aços-manganês tipo Hadfield 378
1.2. Tipo e grau de tensões 3 0 9

2. A ç o s para cementação 3 9 2
XXIII - A Ç O S R E S I S T E N T E S À C O R R O S Ã O 381
2 . 1 . Aços-carbono para c e m e n t a ç ã o 302 1. Introdução 382

#
2.2. Aços-liga de baixo t e o r e m liga 302 .1.1. Corrosão atmosférica 382
2.3. Aços-liga de alto teor e m liga 3 0 3
1.2. Corrosão no solo 382
3. Seleção do tratamento térmico .: 3 9 3
1.3. Corrosão è m água doce 384
1.4. Corrosão e m água salgada^ 384
XIX - A Ç O S PARA NITRETAÇÃO 305 2. Princípios d e proteção à corrosão 386
1 . Introdução - 3 9 6
3. Contribuição do cromo 386
2. A ç o s para nitretação 3 9 6
4. Fatores de que depende a passividade dos aços resistentes à corrosão 388
4 . 1 . Composição química 388
XX - A Ç O S P A R A MANCAIS 3 9 9
4.2. Condições de oxidação 389
1. Introdução 3 1 9
4.3. Suscetibilidade à corrosão localizada 389
2. A ç o s para mancais 310 4.4. Suscetibilidade à corrosão intergranular 389
3. A ç o s para mancais para fins especiais 311 4.5. Outros fatores 392
5. Classificação e constituição dos a ç o s inoxidáveis 394
XXI - A Ç O S PARA F E R R A M E N T A S E MATRIZES 313 5 . 1 . Efeito do cromo 394
1 . Introdução 314 5.2. Efeito do níquel 396
2. Característicos fundamentais dos aços para ferramentas e matrizes 314 6. A ç o s inoxidáveis martensíticos 397
2.1. Durezaàtemperaturaambiente — 314 6 . 1 . Propriedades e aplicações d o s aços inoxidáveis martensíticos 401
2.2. Resistência ao desgaste 314 6.2. Tratamentos térmicos dos a ç o s inoxidáveis martensíticos 401
2.3. Temperabilidade , - - 314 7. A ç o s inoxidáveis terríficos 403
2.4. Tenacidade 315 7 . 1 . Propriedades e aplicações d o s aços inoxidáveis ferríticos 406
2.5. Resistência mecânica 315 7.2. Tratamentos térmicos dos a ç o s inoxidáveis ferríticos 407
2.6. Dureza a quente 316 8. A ç o s inoxidáveis austeníticos 409
2.7. Tamanho de grão 316 8 . 1 . Propriedades e empregos d o s aços inoxidáveis austeníticos 409
2.8. Usinabilidade 31 7 8.2. Tratamento térmico dos aços inoxidáveis austeníticos 413
3. Condições que permitem atingir os requisitos exigidos nos aços 8 . 2 . 1 . Solubilização 413
p a r a ferramentas e matrizes 317 8.2.2. Alívio de tensões 413
3 . 1 . Composição química 317 8.2.3. Estabilização 415
3.2. Tratamento térmico 319 8.2.4. Tratamentos termo-químicos 415

#
4 . Classificação e seleção d o s aços para ferramentas e matrizes 320 9. A ç o s inoxidáveis duplex 415

ir
5. A ç o s temperáveis em á g u a 321 10. A ç o s inoxidáveis endurecíveis p o r precipitação 417
5 . 1 . Tratamentos térmicos dos aços temperáveis e m á g u a 323 11. A ç o s nitrônicos .'. 418
5.2. Aplicações dos aços temperáveis em água 326 12. Peças fundidas de aço resistente à corrosão 419
6. A ç o s resistentes ao c h o q u e 326 13. Novos desenvolvimentos no c a m p o dos aços inoxidáveis 421
6 . 1 . Aplicações dos aços resistentes ao choque ao silício 328 14. Usinabilidade dos aços inoxidáveis 423
7. Aços-ferramenta para m o l d e s 333 15. Conclusões 423
7 . 1 . Aplicações dos aços-ferramenta para moldes 334
8. Aços-ferramenta para fins especiais 334 XXIV - A Ç O S R E S I S T E N T E S AO C A L O R : 425
8 . 1 . Aços-ferramenta tipo "matriz" 335 1. Introdução 426
8.2. Aços ao tungsténio p a r a acabamento 335 1.1. R e s i s t ê n c i a à c o r r o s ã o e à o x i d a ç ã o a a l t a s t e m p e r a t u r a s 426
8.3. Aços de alto carbono e baixo teor em liga 338 1.2. Resistência à fluência 428

10 11
A ç o s E FERROS FUNDIDOS
Aços E FERROS FUNDIDOS

XXX - F E R R O S F U N D I D O S C I N Z E N T O S 515
1.3. Expansão térmica — 428 1. Introdução 516
1.4. Estabilidade estrutural - 4 2 8 2. Classificação dos ferros fundidos cinzentos 516
2. Elementos de liga nos aços resistentes ao calor — 429 3. Propriedades dos ferras fundidos cinzentos 519
3. T i p o s de aços resistentes a o calor 431 4 . A p l i c a ç õ e s do-ferro fundido cinzento 526
4. A ç o s fundidos resistentes a o c a l a r - 4 3 8
5. E l e m e n t o s d e liga nos ferros fundidos cinzentos 526
5. Conclusões 4 3 8
5 . 1 . Efeitos dos elementos de liga 526
5.2. F e r r o s fundidos cinzentos d e baixo teor de liga ... 528
XXV - A Ç O S PARA FINS E L É T R I C O S E M A G N É T I C O S 441 5.3. Ferros fundidos de alto teor e m liga 530
1. Introdução - 4 4 2 6. T r a t a m e n t o s térmicos dos ferros fundidos cinzentos ... 534
2. Magnetismo 4 4 2
6 . 1 . A l i v i o d e tensões o u envelhecimento artificial 534
2 . 1 . Intensidade de m a g n e t i z a ç ã o e indução magnética 442 6.2. Recozimento 537
2.2. Intensidade de saturação 4 4 3
6.3. Normalização 538
2.3. Permeabilidade 4 4 3
6.4. T ê m p e r a e Revenido 538
2.4. Suscetibilidade 4 4 3
6.5. Tratamentos isotérmicos 541
3. Propriedades magnéticas d a matéria 4 4 3
6.6. Endurecimento superficial 541
3 . 1 . Domínios ferromagnéticos 4 4 6

3.2. C u r v a de magnetização 4 4 8
XXXI - F E R R O S F U N D I D O S MALEÁVEIS 545
3.3. Características das c u r v a s de magnetização 443 1. Introdução : ; 546
3.4. Anisotropia dos materiais magnéticos 450 2. Processos de maleabilização 546
3.5. Efeito de inclusões, fisuras e constituintes não m a g n é t i c a s 450 2 . 1 . Maleabilização por descarbonetação 546
3.S. Influência d a temperatura nas propriedades ferromagnéticas 450 2.2. Maleabilização por grafitização 547
3.7. Magnetoestricção 450 3. Propriedades do ferro fundido maleável 548
4 . Metais e ligas para a indústria elétrica 4 5 2
4. Maleável perlítico 549
4 . 1 . Materiais magneticamente moles 453 5. Outros característicos dos ferros fundidos maleáveis . 550
4.2. Materiais com permeabilidade constante 453 6. Aplicações do ferro fundido maleável 553
4.3. Materiais para ímãs p e r m a n e n t e s .• 459
XXXII - F E R R O S F U N D I D O S DE GRAFITA C O M P A C T A D A 555
XXVI - A Ç O S U L T R A - R E S I S T E N T E S E A Ç O S C R I O G Ê N I C O S 463 1. Introdução 556
1. Introdução 4 6 4 2. Propriedades : 556
2. A ç o s ultra-resistentes 464 3. Aplicações 557
2 . 1 . A ç o s "maraging" 4 6 7

2.2. Conclusões 469 XXXIII- F E R R O S F U N D I D O S DÚCTEIS O U N O D U L A R E S . 559


3. A ç o s criogênicos 469 1. Introdução 560
3 . 1 . Temperatura de transição 473 2. Processo d e fabricação do ferro nodular 560
3. Tratamentos térmicos do ferro nodular 562
XXVII - A Ç O S SINTERIZADOS 477 3 . 1 . Alívio d e f e n s õ e s 562
1 . Introdução - — 4 7 3 3.2. R e c o z i m e n t o 562
2. Produção de peças sinterizadas d e ferro e aço - 4 7 8 3.3. Normalização 562
2 . 1 . Seleção da matéria p r i m a 4 7 8 3.4. T ê m p e r a e Revenido 562
2.2. Compressão 4 7 9 3.5. A u s t ê m p e r a 562
2.3. Sinterização *. ~ 4 7 9 3.6. T ê m p e r a superficial. 563
2.4. Recompressão au calibragem 4 7 9 4. Especificações e propriedades d o ferro fundido nodula 563
2.5. Acabamento — 9
4 7 5. Ferro fundido nodular ligado _ 571
2.6. Alternativas do processo de sinterização de p e ç a s d e ferro e aço 481 5.1.Aplicações _ 571
2.7. Forjado sinterizado .'. r 482 6. Conclusões 574
2 . 8 . Considerações sobre o projeto de peças sinterizadas d e aço 485
3. T i p o s d e f e r r o e aço sinterizado, suas propriedades e aplicações 485 BIBLIOGRAFIA 575
4. A ç o s para ferramentas sinterizadas 486
ÍNDICEANALÍTICO _ 583
XXVIII- F E R R O S FUNDIDOS - G E N E R A L I D A D E S 493
1. Introdução 494
2. Definições —- 494
3. D i a g r a m a de equilíbrio Fe-C p a r a a faixa correspondente a o s ferros fundidos 495
4. D i a g r a m a de equilíbrio Fe-C-Si 498
5. Fatores que influem na estrutura do ferro fundido 500 .
5 . 1 . Composiçãoqufmica '. •• • 501
5.2. Velocidade de resfriamento _ — 501
6. C o m p o n e n t e s estruturais d o s ferros fundidos 502
7. Fatores outros que influem n o s característicos de grafitização dos ferros fundidos 504

XXIX - F E R R O S FUNDIDOS B R A N C O S 507


1. Introdução 508
2. Efeito dos elementos de liga 509
3. Tratamentos térmicos 511
4 . Aplicações típicas do ferro f u n d i d o branco ou coquilhado 512

13
12
Aços s FERROS FUNDÍDOS

PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO

D s v e - s e c e r t a m e n t e considerar u m privilégio ser convidado p a r a escrever o prefácio d e


u m livro. Isso é p a r t i c u l a r m e n t e v e r d a d e neste caso, visto q u e c o n h e ç o o autor d e s t e livro
desde 1 9 4 4 , q u a n d o realizei m i n h a p r i m e i r a visita ao Brasil e lá encontrei o maravilhoso
grupo de j o v e n s engenheiros q u e - c o m o era evidente m e s m o n a q u e l a ocasião - e s t a v a m
destinados a d e s e m p e n h a r u m papel dos mais importantes n a industrialização do Brasil,
onde o d e s e n v o l v i m e n t o da indústria d e ferro e aço era e c o n t i n u a r á a ser o mais b á s i c o .
O Dr. V i c e n t e C h i a v e r i n i e r a u m d o s m a i s a t i v o s e i m p o r t a n t e s d a q u e l e g r u p o . Volta
R e d o n d a e s t a v a então quase pronta p a r a iniciar a sua p r o d u ç ã o . A ciência m e t a l ú r g i c a e a
e n g e n h a r i a a p r e s e n t a v a m - s e e m e s t a d o a l t a m e n t e g e r m i n a t i v o . O Instituto de Pesquisas
T e c n o l ó g i c a s , u m a o r g a n i z a ç ã o e m q u e o Dr. A r y T o r r e s e Dr. A d r i a n o M a r c h i n i t i n h a m d e -
s e m p e n h a d o p a p é i s dos mais essenciais, estava em processo d e renovação e c r e s c i m e n t o .
Visitantes e r a m c o n v i d a d o s do exterior p a r a trazer ao Brasil o m e l h o r d o s e u c o n h e c i m e n t o
e experiência d e países mais altamente industrializados. Foi o a n o em que se f u n d o u a
Associação Brasileira de Metais, o r g a n i z a ç ã o que tanto c o n t r i b u i u p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o e
o crescimento d a tecnologia metalúrgica no Brasil. Através dos a n o s , desde então, a A . B . M .
continuou a crescer e a exercer u m a influência cada vez mais importante sobre o d e s e n v o l -
vimento industrial do Brasil e agora, n a s u a sabedoria, entra, c o m e s t e trabalho, no c a m p o d a
publicação de livros.
Livros d e s e m p e n h a m u m a parte vital no desenvolvimento d e u m a indústria, u m a parte
muito m a i o r d o q u e m u i t o s j u l g a m . O s livros registram o q u e é c o n h e c i d o , eles s e r v e m p a r a
instruir o j o v e m e s t u d a n t e e p a r a g u i a r s e u c o l e g a mais v e l h o n a i n d ú s t r i a . A s s i m t e m s i d o
através d e t o d a a história. Os f a m o s o s livros d e Agrícola, T a m m a n n , D e s c h , Jeffries e A r c h e r ,
entre m u i t o s , s ã o u m t e s t e m u n h o e l o q u e n t e disso. O s livros r e g i s t r a m o m e l h o r e o mais
certo d o c o n h e c i m e n t o h u m a n o ; p o r s u a s o m i s s õ e s , eles m o s t r a m , c o m muito m a i s a u t o r i d a -
d e , q u a i s a s l a c u n a s d o c o n h e c i m e n t o q u e e x i g e m m a i o r a t e n ç ã o . E, c o m a ê n f a s e q u e t o d o s
os b o n s livros c o l o c a m os f u n d a m e n t o s d a m a t é r i a de q u e t r a t a m , eles auxiliam a i n d ú s t r i a a
se estabelecer s o b r e u m a base firme para maior rendimento n u m a economia sadia.
A s s i m é e s t e livro, escrito p o r u m d o s m a i s c a p a z e s e e m p r e e n d e d o r e s metalurgistas
b r a s i l e i r o s . A i n d ú s t r i a d o f e r r o e d o a ç o é u m a i n d ú s t r i a d a s m a i s b á s i c a s . Tal t e m s e v e r i f i -
c a d o d u r a n t e s é c u l o s . O s v e l h o s a l e m ã e s c o s t u m a v a m d i z e r "quem possui ferro é rei"; e o
país, a i n d a m e s m o nestes dias d e a d i a n t a m e n t o tecnológico q u a s e fantástico, q u e t e m uma
indústria d e ferro e aço grande e eficiente, apresenta a mais s e g u r a base para u m a c o n t í n u a
rndusSiaízaçãa.
O d e s e r t v o t v i m e n t a e a p e s q u i s a i n d u s t r i a l d o ferro' e d o a ç o p r o g r e d i r a m c o m u m a r a p i -
dez quase espantosa - sobretudo para aquele que gostaria de ser inteiramente competente
no c a m p o . A q u i b o n s livros r e p r e s e n t a m u m auxílio i m e n s o , t a n t o p a r a estudantes - e e s t e
livro é d e s t i n a d o a t o r n a r - s e livro d e t e x t o p a r a a E s c o l a P o l i t é c n i c a d e S ã o P a u l o - c o m o p a r a
e n g e n h e i r o s e m p e n h a d o s n a v i d a p r á t i c a . Ele é d e d i c a d o a o e s t u d o dos a ç o s - c a r b o n o e
aços-liga. A b r a n g e e s s e s assuntos d a m a i s alta importância à m e t a l u r g i a física de t o d o s o s
a ç o s . O a s s u n t o "aços-carbono e aços-liga" não é absolutamente simples, mas está a b o r d a -
d o n e s t a p u b l i c a ç ã o d e tal m o d o a s e r d a m a i o r u t i l i d a d e p o s s í v e l . D e v e - s e e s p e r a r q u e

15
A ç o s E FERROS FUNDIDOS Aços E FERROS FUNDIDOS

O
e s f o r ç o s c o m o este p o s s a m s e r r e p e t i d o s , de m o d o q u e a industrialização r e a l m e n t e notável
do Brasil p o s s a colher de m o d o c r e s c e n t e o inigualável b e n e f í c i o q u e tais livros t r a z e m a u m a
i n d ú s t r i a e a u m a n a ç ã o . O a u t o r , Dr. V i c e n t e C h i a v e r i n i , a A . B . M . e o Dr. A . M a r c h i n i , q u e
p a t r o c i n a r a m a publicação d e s t e livro, d e v e m ser e f u s i v a m e n t e c u m p r i m e n t a d o s ; neste es-
forço eles merecem o apoio e o aplauso da Nação.

ROSEHT R MEHL
Diretor do "Metals Research Laboratory"
do "Camegie instituía of Technology".

PREFACIO DA SÉTIMA EDIÇÃO

Apesar de todo o progresso tecnológico, no campo da mídia, ainda há pessoas que se


dedicam a e s c r e v e r livros. Serão elas s o n h a d o r a s ? A o contrário: s ã o e x t r e m a m e n t e realis-
tas. Elas s a b e m q u e , apesar da E n c i c l o p é d i a Britânica j á estar disponível em u m único
disquete de c o m p u t a d o r e que os a v a n ç o s tecnológicos r e c e n t e s p o d e m ser a c e s s a d o s v i a
Internet, a i n d a n ã o h á o q u e s u b s t i t u a a s o b r a s básicas, a q u e l a s q u e f o r n e c e m as f e r r a m e n -
tas n e c e s s á r i a s p a r a que o c o n h e c i m e n t o , e m sentido m a i s p r o f u n d o , seja a l c a n ç a d o e
consolidado.
Dentro d e s s e c o n t e x t o , as o b r a s d i d á t i c a s c o n t i n u a m d e s e m p e n h a n d o u m papel f u n d a -
mental. Este livro, e m s u a sétima e d i ç ã o , c u m p r e esta f i n a l i d a d e . Mela, o A u t o r procurou
atualizar alguns capítulos, com b a s e e m n o v o s dados e d e s e n v o l v i m e n t o s mais r e c e n t e s ,
abrangendo os dois mais importantes p r o d u t o s siderúrgicos - a ç o s e ferros fundidos.
V o l t a m o s a l e m b r a r a s p a l a v r a s d o p r o f e s s o r Dr. R o b e r t F. M e h l , q u e p r e f a c i o u a p r i m e i r a
edição d e s t a o b r a : "Livros d e s e m p e n h a m u m a parte vital no d e s e n v o l v i m e n t o d e u m a i n d ú s -
tria, u m a p a r t e m u i t o m a i o r d o q u e m u i t o s j u l g a m " .
C o m p l e m e n t a m o s as palavras d o p r o f e s s o r Mehl: "Livros d e s e m p e n h a m u m p a p e l f u n -
damental na f o r m a ç ã o dos engenheiros, capacitando-os a enfrentar a vida profissionai c o m
elevado nível d e excelência".
O Autor d e v e orgulhar-se da receptividade alcançada por e s t a o b r a no decorrer d o s a n o s ,
sendo motivo d e s a t i s f a ç ã o para a A s s o c i a ç ã o Brasileira de M e t a l u r g i a e Materiais - A B M t e r
patrocinado s u a publicação e incentivado s u a atualização.
A A B M , através de seus Cursos, Seminários e publicação de obras metalúrgicas
especializadas, c o n t i n u a contribuindo d e m o d o efetivo p a r a o a p r i m o r a m e n t o d a m e t a l u r g i a
brasileira e d e s e u s especialistas. S e m esquecer, é claro, q u e o m u n d o evolui e q u e essa
evolução atinge t a m b é m os meios d e c o m u n i c a ç ã o .
Acompanhando estes e prestigiando obras fundamentais, editadas por"muitos sncs,
acreditamos estar prestando um serviço permanente de f o r m a ç ã o e atualização às diversas
gerações de e n g e n h e i r o s e especialistas, q u e m a n t ê m aceso o farol do conhecimento, r e p r e -
sentado por e s t a entidade.

S ã o P a u l o , o u t u b r o de 1 9 9 5

André Musetti
PRESIDENTE DA A B M

16 17
A ç o s E FERROS FUNDIDOS

INTRODUÇÃO

A s ligas f e r r o s a s s ã o as mais utilizadas dentre todas as ligas metálicas.


O f e r r o é u m m e t a l d e fácil p r o c e s s a m e n t o , a b u n d a n t e n a c r o s t a t e r r e s t r e e c a r a c t e r i z a - s e
por ligar-se c o m m u i t o s outros e l e m e n t o s m e t á l i c o s e n ã o - m e t á l i c o s , o principal d o s q u a i s é
o carbono.
O característico polimórfico do ferro é outro fator i m p o r t a n t e que explica a s u a ampla
utilização e m t o d o s os setores d a e n g e n h a r i a e da indústria. E s s a propriedade p e r m i t e q u e
as l i g a s f e r r o s a s s e j a m s u b m e t i d a s a o p e r a ç õ e s d e t r a t a m e n t o t é r m i c o q u e m o d i f i c a m p r o -
f u n d a m e n t e a s s u a s propriedades m e c â n i c a s e possibilita s u a aplicação sob as m a i s v a r i a -
das condições d e serviço.
A c r e s c e n t a - s e a esses fatos, o c o n s t a n t e progresso que e s t á o c o r r e n d o no a p e r f e i ç o a m e n -
to d a s t é c n i c a s d e p r o d u ç ã o , v i s a n d o o b t e r l i g a s f e r r o s a s c a d a v e z m a i s " l i m p a s " e c o m p r o p r i -
edades m e c â n i c a s superiores e m e l h o r e s resistências à corrosão, oxidação, desgaste, etc.
A c o r r e i a a p l i c a ç ã o d a s ligas f e r r o s a s e x i g e u m c o n h e c i m e n t o a d e q u a d o d o s s e u s c a r a c -
terísticos e s t r u t u r a i s e m e c â n i c o s e d o s f a t o r e s que p o d e m a f e t á - l o s , des de as c o n d i ç õ e s d e
f a b r i c a ç ã o , o s e l e m e n t o s de l i g a b á s i c o s o u e s p e c i a l m e n t e a d i c i o n a d o s , até o s e f e i t o s d o s
tratamentos t é r m i c o s a que são geralmente submetidos.
E m p r i n c í p i o , p o r t a n t o , as p r o p r i e d a d e s d a s ligas f e r r o s a s d e p e n d e m d o s s e g u i n t e s f a t o r e s :
- composição química
- microestrutura
- condições de processamento
Q u a n t o à c o m p o s i ç ã o q u í m i c a , o e l e m e n t o d e liga b á s i c o é o c a r b o n o q u e i n f l u i n a e s t r u -
t u r a d o m a t e r i a l e, e m c o n s e q u ê n c i a , n a s s u a s p r o p r i e d a d e s . O s o u t r o s e l e m e n t o s d e l i g a ,
quer provenientes d a s matérias primas, quer especialmente adicionados em p e q u e n a s ou
altas q u a n t i d a d e s , m o d i f i c a m t a m b é m a estrutura, as p r o p r i e d a d e s m e c â n i c a s e podem
ainda conferir característicos especiais, c o m o propriedades elétricas e magnéticas, r e s i s t ê n -
cias à c o r r o s ã o , o x i d a ç ã o , d e s g a s t e , e t c .
A s c o n d i ç õ e s d e f a b r i c a ç ã o , c o m o f u n d i ç ã o , c o n f o r m a ç ã o m e c â n i c a a frio e a q u e n t e e
tratamentos complementares, como tratamentos térmicos e termoquímicos, t a m b é m afe-
i a m , e m m a i o r o u m e n o r g r a u , a e s t r u t u r a das ligas f e r r o s a s e, e m c o n s e q u ê n c i a , suas
propriedades.
A b a s e d o e s t u d o d a s ligas f e r r o s a s é, p o i s , o c o n h e c i m e n t o d a s u a e s t r u t u r a , a q u a l e s t á
diretamente r e l a c i o n a d a ao e s t u d o d o " d i a g r a m a de equilíbrio" d e s s a s ligas.
Esse c o n h e c i m e n t o é fundamental, porque o diagrama de equilíbrio permite determinar,
nas c o n d i ç õ e s d e resfriamento e x t r e m a m e n t e lento, quais os constituintes estruturais q u e s e
f o r m a m a partir d o estado líquido, e m f u n ç ã o do teor de c a r b o n o , constituintes e s s e s que
determinam as propriedades das ligas.
Essas microestruturas, nas c o n d i ç õ e s de resfriamento lento, s ã o a s que s e f o r m a m nas
peças fundidas e nas peças c o n f o r m a d a s a quente ou recozidas. Se a v e l o c i d a d e de
resfriamento for a u m e n t a d a , r o m p e - s e o equilíbrio, e as estruturas deixam de ser n o r m a i s , o
que a c o n t e c e t a m b é m c o m as p r o p r i e d a d e s mecânicas.
E m r e s u m o , o p o n t o de partida p a r a o e s t u d o e o c o n h e c i m e n t o das ligas f e r r o s a s é o
conhecimento e a interpretação d a d i a g r a m a de equilíbrio F e - C , c o m o se v e r á p a r t i r do
primeiro capítulo desta obra.

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DEFINIÇÕES. DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO FERRO-CARBONO
A ç o s E PERROS FUNDIDOS

A c a d a t r a n s f o r m a ç ã o alotrópica c o r r e s p o n d e um d e s p r e n d i m e n t o de calor latente de


1 . Definições-O aço é u m a liga de n a tu re za r e l a t i v a m e n t e c o m p l e x a e s u a definição não
fusão, c o m o aliás o c o r r e quando o f e r r o líquido solidifica. A s s i m , durante a solidificação e por
é s i m p l e s , v i s t o q u e , a rigor o s a ç o s c o m e r c i a i s n ã o s ã o l i g a s b i n á r i a s : d e f a t o , a p e s a r d o s
ocasião d a s transformações alotrópicas, verificam-se m u d a n ç a s de energia que causam
s e u s principais elementos d e liga s e r e m o ferro e o c a r b o n o , eles c o n t ê m s e m p r e outros
descontinuidade nas curvas de resfriamento e aquecimento, q u e s ã o traduzidas g r a f i c a m e n -
e l e m e n t o s secundários, presentes devido aos processos de fabricação. Nestas condições, a
te q u e r c o m o u m a "parada" a u m a temperatura constante, q u e r como u m a modificação na
definição adotada nesta o b r a é a seguinte:
inclinação d a c u r v a (fig. 1). C o m o e s s a s p a r a d a s f o r a m d e t e r m i n a d a s pelo f r a n c ê s Le

" A c o é a liga f e r r o - c a r b o n o c o n t e n d o g e r a l m e n t e 0 , 0 0 8 % até a p r o x i m a d a m e n t e 2 , 1 1 % C h a t e l i e r e m p r i m e i r o lugar, a t e r m i n o l o g i a o r i g i n a l c o n t i n u a s e n d o u s a d a p a r a i n d i c á - l a s . A

de c a r b o n o , além de certos e l e m e n t o s residuais, resultantes dos processos d e fabricação". o c o r r ê n c i a d e u m a p a r a d a é i n d i c a d a p e l a l e t r a " A " (do f r a n c ê s " a r r ê f ) . S e a t r a n s f o r m a ç ã o
ocorrer no r e s f r i a m e n t o utiliza-se c o m o índice a letra Y ( " r e f r o i d i s s e m e n t " ) ; s e o c o r r e r d u r a n -

O l i m i t e inferior a 0 , 0 0 8 % c o r r e s p o n d e à m á x i m a s o l u b i l i d a d e d o c a r b o n o n o f e r r o à t e m - te o a q u e c i m e n t o , o índice é a letra "c" ("chauffage"). A rigor o s p o n t o s A c e A r n ã o c o i n c i d e m

p e r a t u r a ambiente e o limite superior 2 , 1 1 % c o r r e s p o n d e à m á x i m a q u a n t i d a d e de carbo- exatamente, a n ã o s e r que as v e l o c i d a d e s de resfriamento e a q u e c i m e n t o sejam e x t r e m a -

no q u e s e dissolve no ferro e q u e ocorre a 1148°C(*). mente o u i n f i n i t a m e n t e lentas, e n t ã o , t e r - s e - i a u m a única t e m p e r a t u r a de equilíbrio e A c e A r

E s s a q u a n t i d a d e m á x i m a d e 2 , 0 % (ou 2 , 1 1 % c o n f o r m e s e v e r i f i c a n o d i a g r a m a d e equilí- c o i n c i d i r i a m c o m A e (fig. 1 ) .

brio) d e p e n d e , por outro l a d o , d a p r e s e n ç a ou n ã o n o s a ç o s de e l e m e n t o s d e liga ou d a


p r e s e n ç a dos elementos residuais e m teores superiores aos normais. Nessas condições será
n e c e s s á r i o , p a r a s e t e r u m a d e f i n i ç ã o m a i s p r e c i s a , c o n s i d e r a r dois t i p o s f u n d a m e n t a i s d e a ç o :

- aço-carbono ou "liga f e r r o - c a r b o n o c o n t e n d o g e r a l m e n t e 0 , 0 0 8 % até c e r c a d e 2 , 1 1 % de


c a r b o n o , a l é m de certos e l e m e n t o s residuais resultantes d o s processos d e fabricação";
- aço-liga ou "aço-carbono que contém outros elementos de liga ou apresenta os elemen-
tos residuais em teores acima dos que são considerados normais".

O primeiros podem ser subdivididos e m :


• a ç o s de baixo teor de c a r b o n o , c o m C inferior a 0 , 2 %
« a ç o s d e médio c a r b o n o , c o m C entre 0,2 e 0 , 5 %
• a ç o s d e alto t e o r d e c a r b o n o , c o m C a c i m a d e 0 , 5 %

O s aços-liga, por s u a v e z , p o d e m ser divididos e m 2 grupos:


• a ç o s de baixo teor d e ligas, c o m elementos d e liga a b a i x o de 8 %
• a ç o s d e alto t e o r d e l i g a s , c o m e l e m e n t o s d e l i g a a c i m a d e 8 %

2. Alotropia de ferro puro - O ferro é um m e t a l q u e se caracteriza p o r apresentar


v á r i a s f a s e s alotrópicas. (fig. 1). A t e m p e r a t u r a o u p o n t o de f u s ã o do f e r r o é 1538°C;
abaixo dessa temperatura, o ferro cristaliza de acordo com um reticulado cúbico
centrado e a forma alotrópica correspondente é c h a m a d a "delta". Essa forma persiste
estável até que se alcance a temperatura de c e r c a de 1394°C; nesse instante, ocorre
u m a redisposição e s p o n t â n e a d o s á t o m o s e f o r m a - s e u m novo reticulado - o cúbico de
f a c e c e n t r a d a q u e c o r r e s p o n d e à f o r m a a l o t r ó p i c a d o f e r r o c h a m a d a d e "gama". Decli-
n a n d o mais a temperatura a cerca de 912°C, ocorre n o v a transformação alotrópica, com TEMPO
n o v o rearranjo atómico, v o l t a n d o o reticulado a readquirir a forma cúbica c e n t r a d a ; essa
f o r m a alotrópica é c h a m a d a "alfa". Abaixo de 9 1 2 ° C , não ocorre mais q u a l q u e r rearranjo Rg. 1 - Representação esquemática das transformações alotrópicas d o ferro, mostrando-se à direita,
curvas de resfriamento e aquecimento c o m a nomenclatura usualmente empregada para indicar os vários
a t ó m i c o . Não surge, pois, n e n h u m a nova forma alotrópica. Entretanto, a c e r c a de 770°C
pontos em que ocorrem as transformações e as várias fases presentes.
verifica-se uma outra transformação, ou seja o ferro começa a comportar-se
f e r r o m a g n e t i c a m e n t e . A t e m p e r a t u r a de 7 7 0 ° C c o r r e s p o n d e o ponto c h a m a d o de "ponto
Curie" e a transformação ocorre devido não a u m rearranjo atómico, m a s sim a um A f i g u r a 1 i n d i c a t a m b é m a s t r a n s f o r m a ç õ e s c o r r e s p o n d e n t e s a o "ponto Curie".
rearranjo dos *spins" (**) d o s elétrons de c a d a á t o m o . Q u a n d o a esse f e n ó m e n o se É i m p o r t a n t e assinalar, d e s d e j á , q u e a f o r m a alotrópica g a m a de ferro t e m capacidade
c o n s i d e r a v a corresponder u m a n o v a f o r m a alotrópica, o ferro era c h a m a d o d e "beta". de dissolver u m a apreciável q u a n t i d a d e d e c a r b o n o , ao p a s s o q u e o m e s m o não o c o r r e c o m
a f o r m a alotrópica alfa, que só p o d e m a n t e r e m solução q u a n t i d a d e s mínimas ou d e s p r e z í -
(') O valor de 2,11% adotado para limite de solubilidade do carbono no ferro ê de conformidade com o v e i s d e c a r b o n o , c o m o aliás s e v e r á m a i s a d i a n t e .
diagrama de equilíbrio Fe-C da abra "Metallography, Structure and Phase Diagrams" volume 8, do Metais
Handbook.
3. Diagrama de equilíbrio Fe-C- É i m p r e s c i n d í v e l p a r a o c o n h e c i m e n t o perfeito d o s a ç o s , o
(**) Os elétrons possuem um movimento magnético e podem ser visualizados com piões girando em tomo de estudo d o s e u diagrama de equilíbrio. A figura 2' 11 mostrado d i a g r a m a d a liga binária F e - C , p a r a
~um eixo que passa pelo seu centro. Visto que uma carga elétrica girante cria um campo eletromagnético,
os elétrons podem ser imaginados como pequenos ímãs e concebidos como piões que giram; eles podem teores d e c a r b o n o a t é 6 , 7 % . E s s e d i a g r a m a ' é g e r a l m e n t e r e p r e s e n t a d o até 6 , 7 % d e c a r b o n o ,
girar para a esquerda ou para a direita: dlz-se então que possuem "spin"positivo ou negativo. porque este e l e m e n t o forma c o m o ferro o c o m p o s t o F e C q u e c o n t é m , aproximadamente, 6 , 7 %
3

22 23
A ç o s £ FERROS FUNDIDOS DEFINIÇÕES, DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO FERRO-CARBQNO C-^

d e c a r b o n o . P o r outro l a d o , p o u c o o u n a d a s e c o n h e c e a c i m a d e s s e teor; n a realidade, acima de


" o
fosse, não d e v e r i a ocorrer qualquer m u d a n ç a de fase c o m o t e m p o ; verificou-se, entretanto, -
4,0% a 4 , 5 % d e c a r b o n o , e s s a s ligas a p r e s e n t a m p e q u e n a o u n e n h u m a i m p o r t â n c i a c o m e r c i a i .
que, m e s m o e m l i g a s F e - C r e l a t i v a m e n t e p u r a s (isto é, c o m b a i x o t e o r d e e l e m e n t o s r e s i d u - C )
A s c o n s i d e r a ç õ e s iniciais a s e r e m feitas s o b r e o d i a g r a m a F e - C s ã o a s s e g u i n t e s :
ais) m a n t i d a s d u r a n t e a n o s a t e m p e r a t u r a s e l e v a d a s ( d a o r d e m d e 7 0 0 ° C ) o F e C p o d e s e
3 f \
decompor e m f e r r o - e carbono, este último na forma de grafita' . Rigorosamente, pois, o 2 1 ^
• O referido d i a g r a m a c o r r e s p o n d e a liga b i n á r i a F e - C a p e n a s : os a ç o s comerciais,
d i a g r a m a d a f i g u r a 2 d e v e s e r c o n s i d e r a d o d e e q u i l í b r i o m e t a e s t á v e l ; o equilíbrio estável Fe- (~'\
e n t r e t a n t o , não são de fato ligas binárias, pois n e l e s estão presentes s e m p r e elementos
grafita no d i a g r a m a d a figura 2 é r e p r e s e n t a d o pelas linhas p o n t i l h a d a s , logo a c i m a das
residuais devido aos p r o c e s s o s de f a b r i c a ç ã o , tais c o m o fósforo, e n x o f r e , silício e
linhas P S K , S E e ECF. 0
manganês. A presença desses elementos nos teores normais pouco afeta, contudo, o
- O p o n t o A c o r r e s p o n d e a o p o n t o d e f u s ã o d o f e r r o p u r o , i s t o é, 1 5 3 8 ° C e o p o n t o D,
diagrama Fe-C.
ainda impreciso, ao ponto de fusão d o F e C . 3 C. )
- A parte s u p e r i o r d o d i a g r a m a , c o n s t i t u í d a pelas linhas A C , A D , A E e ECF, c o r r e s p o n d e , ^
0' às r e a ç õ e s q u e o c o r r e m na p a s s a g e m d o e s t a d o líquido a o s ó l i d o ; e x a m i n a n d o - s e a g o r a a ^ '
t 600
1 r J parte i n f e r i o r d o d i a g r a m a , c o n s t i t u í d a p e l a s l i n h a s G S , S E e P S K , v e r i f i c a - s e s u a s e m e l h a n - Ç \
[ 536
[ 5 ^ /
v^Llquido
, - 0 , 5 3 % C
+ F«o
/ ça com a p o r ç ã o superior. Essa parte do d i a g r a m a c o r r e s p o n d e às reações que o c o r r e m no
/ / estado s ó l i d o . . .0
0,0 9 % /
Líq ui lo / L í q u i d a - 0 p o n t o C , n a p o r ç ã o s u p e r i o r d o d i a g r a m a , a 1 1 4 8 ° C , i n d i c a a p r e s e n ç a d e u m liga ^.
^Fíd N^.
, A uai e niiò"-^.
+• eutética, com 4 , 3 % de carbono q u e é, p o r t a n t o , a d e m a i s baixo ponto de fusão ou ( )
\ F « r r o J \ / G r a f i t a
solidificação.
/
/
- Existe correspondência visível entre os pontos C e S, este último da porção inferior do \
í \u atónita 1
:' - 4 , 2 6 % c __ —• diagrama. Por esse motivo, o ponto S e c h a m a d o ponto eutetóide. Como se vê, S f\
\ £ - 2 . 0 8 %' " 5 4 ° — — " " " L í g u i d o * Fo.fi corresponde a 0,77% de c a r b o n o ; as ligas c o m essa composição são chamadas ^
^ E - Z, M % C J 14 3 C - 4 , 3 0 /oC eutetóides. £~J'
Cf» Ir) //
a

// - O ferro p u r o , c o m o se s a b e , a p r e s e n t a - s e até 9 1 2 ° C s o b a f o r m a alotrópica alfa (a) ;'


// e à p a r t i r d e 9 1 2 ° C a t é 1 3 9 4 ° C n o e s t a d o a l o t r ó p i c o g a m a (y). Essas formas alotrópicas \ }
1 000 //
Ferríta se c a r a c t e r i z a m por p o s s u í r e m reticulados cristalinos d i f e r e n t e s : o ferro a, reticulado .
O Austenita + F « j C '
Austenita cúbico de c o r p o centrado e o ferro y, reticulado cúbico de face centrada. A principal C .'
9i a
consequência d e s s e fato, de grande importância prática nos tratamentos térmicos das /- ^ .
2
K '/3' - o , s a % c
l i g a s f e r r o - c a r b o n o , é a s e g u i n t e : o ferro gama pode manter em solução o carbono, ao ^ •
<C SOO
<d passo que o ferro alfa não(*). A s o l u ç ã o sólida do c a r b o n o do ferro y é c h a m a d a r^>.
d)
— Tg m p r at u r a C u r i e 7 7 0 ° „

austenita. E s s e constituinte, p o r t a n t o , no d i a g r a m a de equilíbrio Fe-C, s o m e n t e aparece


\
0 77 % c » 7 J 7 »
O. a temperaturas elevadas. /-
% 0
£ i v p
x o,o2ta - E n t r e t a n t o , a solubilidade d o c a r b o n o no ferro g a m a n ã o é ilimitada. Ela é m á x i m a a
i *
i Ferri ta
1 (Fa*) 1148°C e c o r r e s p o n d e a 2 , 1 1 % de c a r b o n o . À m e d i d a que c a i a temperatura a partir de O
1148°C, a q u a n t i d a d e de carbono s o l ú v e l no ferro g a m a t o m a - s e c a d a vez menor, até q u e a s' \
C(Í Fl C
7 2 7 ° C ela é a p e n a s 0 , 7 7 % . N o d i a g r a m a d a f i g u r a 2 esse fato é indicado pela l i n h a S E C F . >-'*
Assim, n a faixa c o m p r e e n d i d a entre a linha S E C F e a linha S K estão presentes d u a s f a s e s : f\
ferro g a m a e c a r b o n o , o primeiro s o b a f o r m a de austenita e o segundo sob a f o r m a de •
c a r b o n e t o d e f e r r o ( c h a m a d o d e cementita). ( _)
- Por outro lado, o carbono afeta a temperatura de transformação alotrópica gama-

— — • E q u i l í b r i o Farra - F33C
alfa no r e s f r i a m e n t o (e, p o r t a n t o , a t e m p e r a t u r a d e e x i s t ê n c i a d a a u s t e n i t a ) : o a u m e n t o /
de c a r b o n o , a partir de 0%, a b a i x a p a u l a t i n a m e n t e a t e m p e r a t u r a d e s s a t r a n s f o r m a ç ã o ^
até q u e , p a r a 0,77 de c a r b o n o , ela é d e 7 2 7 ° C . A b a i x o d e 7 2 7 ° C , nas c o n d i ç õ e s de ^ >'
esfriamento m u i t o lento' para o d i a g r a m a n o r m a l Fe-C, e m n e n h u m a hipótese, existirá r'\
Q ferro g a m a o u a u s t e n i t a . No d i a g r a m a d a figura 2, tal fato é i n d i c a d o pela l i n h a P S K . ^
1
Entre t e o r e s de carbono muito baixos e 0 , 7 7 % de c a r b o n o ( p o n t o S) n ã o s ó o c o r r e ( \
3,0 4,0
abaixamento d a temperatura de transformação alotrópica gama-alfa, como t a m b é m se
% Carbono verifica a e x i s t ê n c i a s i m u l t â n e a das d u a s f a s e s - g a m a ou a u s t e n i t a e alfa. Isso significa ( J Ê
que, para os teores de carbono muito baixos até 0 , 7 7 % d e carbono, a t r a n s f o r m a ç ã o J „
Fig. 2 - Diagrama de equilíbrio F e - C
gama-alfa, c o m a q u e d a de t e m p e r a t u r a , é paulatina e n ã o instantânea e s o m e n t e a

O"
7 2 7 ° C ela s e p r o c e s s a i n s t a n t a n e a m e n t e . A linha G S m a r c a , p o r t a n t o , o início d a t r a n s -
• A parte superior do d i a g r a m a , e m t o m o do ponto A, m o s t r a u m a reação d e n a t u r e z a espe- formação d o ferro g a m a em ferro-alfa e a linha PS o s e u f i m : entre G S e P S existem
c i a l , c h a m a d a peritética, a qual entretanto, não apresenta qualquer importância comercial. s i m u l t a n e a m e n t e as duas fases g a m a e alfa. • Ç^f.
• , 0 d i a g r a m a equilíbrio F e - C é, d e fato, u m d i a g r a m a F e - F e C , visto q u e a e x t r e m i d a d e 3

d i r e i t a d o m e s m o c o r r e s p o n d e a 6 , 7 % de c a r b o n o q u e é a c o m p o s i ç ã o do c a r b o n e t o de ferro
F e C . P o r o u t r o l a d o , n ã o s e t r a t a a rigor d e d i a g r a m a d é e q u i l í b r i o e s t á v e l . D e f a t o , s e a s s i m
3
(*) Na realidade, o ferro alfa pode manter em solução uma pequena quantidade de carbono (0,008% à
temperatura ambiente), tão pequena, que pode ser desprezada ém primeira aproximação.
O
O
24 25
n
••
Aços E FERROS FUNDIDOS

t e ó r i c a entre os dois principais produtos siderúrgicos:


.

- O t e o r d e 2 , 1 1 % d e c a r b o n o , c o r r e s p o n d e n t e a o p o n t o E, é a d o t a d o c o m o separação
DEFINIÇÕES. DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO FERRO-CARBQNO

'# a ç o s - teores carbono até 2 , 1 1 % ;


ferros fundidos - teores d e carbono acima de 2 , 1 1 % .
I too qujdo
s | 0,53 •/. C 1 L í q l ido
I 33»

- A solubilidade d o c a r b o n o e m ferro alfa n ã o é d e f a t o nula. À t e m p e r a t u r a ambiente, 1493*


~ iI H
I40O
c e r c a d e 0,008% de c a r b o n o s e dissolve no ferro alfa e essa quantidade a u m e n t a c o m a


Líquido •+ \u4t«fV fã
t e m p e r a t u r a até que a 7 2 7 ° C , 0 , 0 2 % de carbono p o d e m s e dissolver n o ferro alfa. Dessa
1
t e m p e r a t u r a até 9 1 2 ° C , h á d e c r é s c i m o n o v a m e n t e d a solubilidade s ó l i d a d o carbono no
ferro alfa. Esses fatos s ã o representados no gráfico d a figura 2 pela linha Q P e P G . Devido
- 2,01 *4
a e s s a solubilidade s ó l i d a d o c a r b o n o no ferro alfa, c o s t u m a - s e muitas v e z e s considerar 1154*
^ /
c o m o a ç o s as ligas d e f e r r o - c a r b o n o com carbono d e 0,008% até aproximadamente
1>7 1148*
2 , 1 1 % . A t é 0 , 0 0 8 % d e c a r b o n o , o p r o d u t o s i d e r ú r g i c o s e r i a c h a m a d o ferro comercialmente t Aul tenit a
#
C 1 -t 1 «V
puro. "1" (F
•n
- A l i n h a G S q u e , n o r e s f r i a m e n t o , i n d i c a o i n í c i o d a p a s s a g e m d o f e r r o g a m a a f e r r o alfa i
é representada pela linha A ; a linha PSK, abaixo d a q u a l não pode existir ferro g a m a , é
3
Ur 1 Vu*t«n to


representada porA,; a linha E S , indicativa d a solubilidade m á x i m a do carbono no ferro gama, O 0 «ratur q Cur « -770" Aurt C

•#
y
o
iín + i 1 / X
é representada por A . E s s a s l i n h a s s ã o c h a m a d a s t a m b é m linhas de transformação, por- 03 l
Time
c m


i
q u e a o s e r e m atingidas, quer n o esfriamento, q u e r n o aquecimento, t ê m início o u terminam
i m p o r t a n t e s t r a n s f o r m a ç õ e s e s t r u t u r a i s n o e s t a d o s ó l i d o . A z o n a l i m i t a d a p o r e s s a s l i n h a s é,
H
3 U
* • v • • • 3' -0,£
u.
-11 _7jLt
p o r e s s a m e s m a r a z ã o , c h a m a d a d e zona crítica{*).
O. P <«. fxil S - 0 . 7 7 7» . V. 727' C
- E m resumo: entre as linhas A G , G S , S E e E A , a fase sólida q u e e s t á presente é
austenita; entre as linhas G Q , G R e P Q , a fase s ó l i d a p r e s e n t e é ferro alfa ( t a m b é m c h a m a d o
E "o.
021 8 1. I"C *!
«00

*
ferrita); entre as linhas G S , G P e P S d e u m lado e S E , E C F e S K d e outro, e x i s t e m a i s d e u m a F«rri
fase sólida e m processo de transformação; a abaixo d a linha P S K até a t e m p e r a t u r a ambien- (F«¥
t

j
te, estão presentes as f a s e s sólidas resultantes d a s transformações verificadas n a zona — 1 —

1
crítica e formadas e m caráter definitivo.
F«r 0 o< y F«j p
C o m o s e processam essas transformações e quais a s fases, resultantes n o caso das
ligas até 2 , 1 1 % de c a r b o n o ? Esse estudo é facilitado, ampliando-se, no d i a g r a m a d a figura 2, í
a e s c a l a d a z o n a c o r r e s p o n d e n t e a o s aços (fig. 3 ) .
!
- caUILÍORIO FERRO - «APITA
- EQUILÍBRIO r t R B O - r S j C
1
3 . 1 . Transformações que ocorrem entre 0 e 2,11% de carbono - Os aços c o m 0,77% de \
c a r b o n o s ã o c h a m a d o s eutetóides: os que a p r e s e n t a m carbono abaixo d e 0 , 7 7 % são cha- ! 1
m a d o s hipoeutetóides e os q u e apresentam carbono entre 0,77% e 2 , 1 1 % s ã o chamados
-\~
hipereutetóides.
C o n s i d e r e - s e o e s f r i a m e n t o d e u m a ç o h i p o e u t e t ó i d e c o m 0,3 d e c a r b o n o p o r e x e m p l o . A o -Li 1
3§ a t r a v e s s a r a l i n h a "solidus", ele está inteiramente solidificado, n a forma de u m a solução sólida
perfeita - austenita - e a s s i m p e r m a n e c e r á até atingir o limite superior d a z o n a crítica, linha A j ,
O*

X
0,4 O,»
( 0 , 3 % )
0,9 1,0 1,3 I 1,4

Yli.i-1
1,« M *•* *' S

n o p o n t o x . E s s a a u s t e n i t a c o n t e r á 0 , 3 % d e c a r b o n o d i s s o l v i d o s n o ferro g a m a e s e a p r e s e n -
3 % Carbono
t a r á n a f o r m a d e cristais c o m r e t i c u l a d o s c ú b i c o d e f a c e c e n t r a d a . S e f o s s e p o s s í v e l s e u e x a m e
Fig. 3 - Diagrama de equilíbrio Fe-C para teores de carbono entre 0% e 2,11 %
a o m i c r o s c ó p i o , este constituinte s e mostraria p a r e c i d o c o m o ferro puro. A o atingir o ponto x 3

o ferro g a m a c o m e ç a a s e t r a n s f o r m a r e m ferro alfa, o qual, c o m o não p o d e m a n t e r e m solução


s e n ã o u m teor mínimo de carbono, se separa o c a s i o n a n d o , e m consequência, u m enriqueci-
dente a o ponto é d a d a pela intersecção d a horizontal, p a s s a n d o p o r x c o m as linhas G P d e 2

m e n t o d e carbono n a austenita remanescente. P a r a q u e o c o r r a nova m u d a n ç a d e s t a austenita


u m l a d o G S d e o u t r o . V ê - s e c l a r a m e n t e q u e o ferro a l f a ( o u ferrita) separado apresenta u m a
n ã o t r a n s f o r m a d a s e r á , p o r t a n t o , n e c e s s á r i o u m rerjaixarnenlD u t t e a o r d e t e m p e r a t u r a . S u p o -
pequena p o r c e n t a g e m de carbono, a o passo q u e a austenita restante se enriquece paulatina-
n h a - s e q u e s e t e n h a a t i n g i d o o p o n t o Xj. N e s s e p o n t e , r n a i s fero g a n a terá s e t r a n s f o r m a d o
mente d e carbono.
e m alfa, q u e se separa o c a s i o n a n d o ainda m a i o r enriquecimento d e c a r b o n o d a austenita
À m e d i d a q u e o esfriamento p r o s s e g u e , s e p a r a - s e c a d a v e z mais ferrita, c u j a c o m p o -
r e m a n e s c e n t e . A exata c o m p o s i ç ã o das duas f a s e s e m equilíbrio, à t e m p e r a t u r a correspon-
sição p e r c o r r e a linha G P e a a u s t e n i t a restante se e n r i q u e c e d e carbono, p e r c o r r e n d o a
linha G S . A 7 2 7 ° C , n o ponto x , d a l i n h a inferior A , d a z o n a c r í t i c a , o a ç o consistirá d e u m a
certa q u a n t i d a d e d e ferro alfa ou f e r r i t a e d e u m a certa q u a n t i d a d e d e austenita r e s i d u a l
(") A maioria das obras da metalurgia faz distinção entre as linhas de transformação para esfriamento lento
a p a r a aquecimento lento porque de fato, sobretudo em tomo da "transformação eutetóide", verifica-sa c o m t e o r d e c a r b o n o igual a 0 , 7 7 % . E m outras p a l a v r a s ; a 7 2 7 ° C , o a ç o c o m 0 , 3 % d e
um deslocamento das linhasA eA para cima da posição média de equilíbrio no caso de aquecimen-
1 m
carbono, a p r e s e n t a r á a m á x i m a q u a n t i d a d e de ferrita q u e p o d e r i a s e separar e o r e s t a n t e
to, e para baixo no caso de esfriamento, como está indicado na figura 12. será constituído de austenita c o m 0 , 7 7 % de carbono. N e s s e instante, entretanto, o ferro

26 27
DEHMÇÕES. DIAGRAMA DE EQUCLIBRIO FERRO-CARBONO
Aços E FERROS FUNDIDOS

g a m a d a a u s t e n i t a p a s s a a f e r r o alfa, pois a b a i x o d e 7 2 7 ° C n ã o p o d e m a i s e x i s t i r ferro n a


f o r m a alotrópica g a m a .
A transformação d a a u s t e n i t a r e m a n e s c e n t e e m ferro alfa ao s e r a t i n g i d a a t e m p e -
r a t u r a de 7 2 7 ° C é b r u s c a e repentina, de m o d o q u e os constituintes q u e resultam da
t r a n s f o r m a ç ã o - ferro a l f a o u ferrita de u m l a d o e c a r b o n o n a f o r m a d e F e C d o outro - 3

n ã o t ê m tempo de a s s u m i r e m posições perfeitamente distintas: a ferrita e o Fe C 3

(cementita) que n e s s a c o n d i ç õ e s se f o r m a m , d i s p õ e m - s e de um m o d o característico,


aparentemente em lâminas extremamente delgadas, distribuídas alternadamente,
muito próximas umas das outras e perceptíveis ao microscópio somente mediante
grandes ampliações.
O r i g i n a - s e a s s i m u m n o v o c o n s t i t u i n t e d e f o r m a l a m e l a r t í p i c a , c h a m a d o perlita (fig. 4 ) .
A b a i x o de 727°C, até a t e m p e r a t u r a , prosseguindo-se no esfriamento lento, não se nota
m a i s qualquer alteração estrutural. Em resumo, os a ç o s hipoeutetóides o u c o m teor de
c a r b o n o a t é 0 , 7 7 % s ã o c o n s t i t u í d o s à t e m p e r a t u r a a m b i e n t e d e ferrita e p e r l i t a (fig. 5 ) .
H a v e r á t a n t o m a i o r q u a n t i d a d e d e ferrita q u a n t o m e n o s c a r b o n o o aço c o n t i v e r e tanto m a i o r
q u a n t i d a d e de perlita q u a n t o m a i s se aproximar o a ç o d o ponto eutetóide. A l i á s , para s e
e s t i m a r a constituição e s t r u t u r a l d e s s a liga c o m 0 , 3 % d e c a r b o n o , b a s t a r á a p l i c a r a c o n h e c i -
d a "regra da alavanca":

% d e ferrita ( c h a m a d a p r o e u t e t ó i d e ) = 100 X °'Q 0 = 61,0%


Fig. 4 -Aspecto micrográfico da perlita.Ataque c o m reativo de nital em aço eutetóide esfriado lentamente.
Ampliação: 1.000 v e z e s . Nota-se a estrutura lamelar, as linhas escuras representando a cementita e as
linhas brancas a ferrita, a qual, na realidade, é u m a fase contínua no f u n d o . C o m pequenas ampliações,
% d e perlita = 100 X " ° = 39,0% da ordem de 1 0 0 o u 200 vezes, a presença do constituinte perlita é evidenciada por uma área escura,
visto que a constituição lamelar não é visível c o m e s s e s aumentos.

A liga c o m teor de c a r b o n o entre O e Q ou o ferro comercialmente puro, após a


s o l i d i f i c a ç ã o apresentará a s o l u ç ã o sólida a u s t e n i t a até atingir a linha de t r a n s f o r m a ç ã o A . 3

A t é a l i n h a G P o ferro comercialmente puro será constituído de austenita e d a linha GP até


a t e m p e r a t u r a ambiente d e ferrita.
S u p o n h a - s e , agora, o e s f r i a m e n t o de u m a ç o h i p e r e u t e t ó i d e por e x e m p l o c o m 1,3% d e
c a r b o n o . Esse aço t a m b é m s e r á exclusivamente c o n s t i t u í d o de austenita, d e p o i s d e atraves-
s a r a l i n h a "solidus", até a t in g ir o limite superior d a z o n a crítica, linha A , n o p o n t o ys.
E s s a linha, c o m o s e v i u , m a r c a o limite d a s o l u b i l i d a d e s ó l i d a do c a r b o n o n o ferro g a m a .
P o r t a n t o , ao ser a t r a v e s s a d a , c o m e ç a a haver s e p a r a ç ã o de carbono, n a f o r n i a de Fe C3

[cementita) c o m 6,7% de c a r b o n o ; e s s a cementita v a i s e localizar nos c o n t o r n o s dos grãos


d e a u s t e n i t a . Esta, e m c o n s e q u ê n c i a , se e m p o b r e c e d e c a r b o n o , e p a r a q u e h a j a ulterior
separação de Fe C é necessário um abaixamento de
3 temperatura
A u m a t e m p e r a t u r a c o r r e s p o n d e n t e a o p o n t o yz ( f i g . 3 ) , a s f a s e s e m equilíbrio são
c e m e n t i t a (ponto y" ) e austenita c o m a c o m p o s i ç ã o correspondente ao p o n t o y ' 2 .
2

A m e d i d a , pois, que o esfriamento p r o s s e g u e , verifica-se contínua s e p a r a ç ã o da


c e m e n t i t a e a austenita restante percorre a linha E S e m p o b r e c e n d o - s e c o n s t a n t e m e n t e de
carbono.
A o atingir-se, no esfriamento, a temperatura d e 7 2 7 ° C , tem-se de u m lado F e C e d e 3

o u t r o a u s t e n i t a c o m c o m p o s i ç ã o equivalente a o p o n t o e u t e t ó i d e , isto é, 0 , 7 7 % d e c a r b o n o .
N e s s e m o m e n t o , todo o ferro g a m a passa brusca e repentinamente a aifa e a austenita
r e s t a n t e adquire a f o r m a l a m e l a r d a perlita. A s s i m , a b a i x o de 7 2 7 ° C , a t é a temperatura
a m b i e n t e , os aços hipereutetóides serão constituídos d e periita e cementita (fig. 6).
T a m b é m a q u i , a p l i c a n d o - s e a "regra da alavanca", ter-se-á a composição estrutural seguinte: Fig. 5 - A s p e c t o micrográfico de um aço hipoeutetóide esfriada lentamente.Ataque: reativo d e nital.
Ampliação: 2 0 0 v e z e s . A s áreas brancas s ã o de ferrita e as áreas escuras s ã o de periita, cuja estrutura
% de cementita ( c h a m a d a proeutetóide) = 100 X " °'IZ = 9,0% lamelar não é evidenciada por s e tratar de ampliação relativamente pequena.

6,67 - 0,77
Finalmente u m aço eutetóide, depois d e inteiramente solidificado, não sofrerá q u a l q u e r
% d e perlita = 100 X " 1^ = 91,0% transformação até atingir a temperatura d e 7 2 7 ° C , m o m e n t o e m q u e toda a austenita p a s s a r á
0 , 0 / - U,//
bruscamente a periita. Nessas c o n d i ç õ e s , u m aço çom c o m p o s i ç ã o correspondente exata-

28 29
Aços E FERROS FUNDIDOS DEFINIÇÕES. DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO FERRO-CARBQNO

m e n t e à d o p o n t o e u t e t ó i d e s e r á - c o n s t i t u í d o à t e m p e r a t u r a a m b i e n t e e x c l u s i v a m e n t e d e perlita
(fig. 4 ) . A c o m p o s i ç ã o e s t r u t u r a l d a periita, d e t e r m i n a d a p e l a "regra da alavanca" é a seguinte:

6,67 - 0,77 .
% d e ferrita = 1 0 0 X 6,67- 0 = 8 8 l 5 / °

% de cementita = 100 X - ° ' ^ " ° = 11,5%

E m resumo, a constituição estrutural à t e m p e r a t u r a ambiente d a s ligas ferro-carbono de


0 % a t é 2 , 1 1 % de c a r b o n o , e s f r i a d a s l e n t a m e n t e a partir de t e m p e r a t u r a s a c i m a da z o n a
crítica, é a seguinte: •

- ferro comercialmente puro - ferrita


- aços hipoeutetóides ( a t é 0 , 7 7 % d e C) - ferrita e periita
- aços eutetóides ( 0 , 7 7 % d e C) - perlita
- aços hipereutetóides ( 0 , 7 7 a 2 , 1 1 % C ) - perlita e cementita

Fig. 7 - Aspecto micrográfico d e ferro comercialmente puro. A t a q u e : reativo de água


régia.Ampliação: 200 vezes. •

Fig. 6 -Aspecto micrográfico de u m aço hipereutetóide esfriado lentamente.Ataque: reativo de picral.


A m p l i a ç ã o : 200 v e z e s . A c e m e n t i t a está disposta e m t o m o dos grãos de periita, f o r m a n d o u m a rede.

O s a ç o s hipoeutetóides apresentarão tanto m a i o r quantidade de ferrita q u a n t o menos


c a r b o n o contiverem e os a ç o s hipereutetóides tanto maior quantidade de cementita quanto
m a i s se aproximarem do teor 2 , 1 1 % de carbono.
A s figuras 7 e 8 m o s t r a m alguns outros a s p e c t o s mícrográficos de ligas F e - C . A primeira
( f i g . 7 ) r e f e r e - s e a f e r r o c o m e r c i a l m e n t e p u r o e a s e g u n d a (fig. 8) a a ç o h i p o e u t e t ó i d e c o m
aproximadamente 0,3% de carbono.

3 . 2 . Alguns aspectos do fenómeno de solidificação dos aços - C o n s i d e r e - s e , p o r e x e m p l o ,


Fig. 8 -Aspecto micrográfico d e aço hipoeutetóide c o m aproximadamente
u m a ç o c o m 0 , 5 % C e m p r o c e s s o d e s o l i d i f i c a ç ã o ' ' (fig. 9 ) . A o resfriar e s s e a ç o a partir d o
3

0.3% de carbono:Ataque: reativo de nital.Ampliação: 2 0 0 vezes.


e s t a d o l í q u i d o , ele e n c o n t r a r á a l i n h a liquidus n o p o n t o L, q u a n d o c o m e ç a m a s s f o r m a r cristais
m i s t o s s ó l i d o s , c u j a c o m p o s i ç ã o c o r r e s p o n d e a o p o n t o S, n a l i n h a solidus. N e s s e ponto, t e n -
s a , p o i s , e m equilíbrio c o m o s c r i s t a i s m i s t o s s ó l i d o s f o r m a d o s , u m r e s í d u o l í q u i d o d e c o m p o - N e s s e p o n t o i nt er v ém u m f e n ó m e n o c o m p l e x o de d i f u s ã o e s t u d a d o , entre o u t r o s , p o r
s i ç ã o L S e a t e m p e r a t u r a b a i x a r m a i s - até M , p o r e x e m p l o - s e p a r a r - s e - ã o n o v a s q u a n t i d a d e s R o p z e b o o m , Giolitti, Fick, M e h l , K i r k w o o d , Kirkaldy.
d e cristais mistos sólidos, c o m composição variando entre Se S, a o p a s s o q u e n o líquido A difusão d e p e n d e da mobilidade a t ó m i c a , sendo pois, m u i t o mais rápida nas s o l u ç õ e s
r e m a n e s c e n t e a c o m p o s i ç ã o p a s s a r á de L a L v v a l e n d o , e m particular, a r e l a ç ã o : líquidas do q u e n a s sólidas, pois e n q u a n t o n a s primeiras ela s e d á e m u m período d e t e m p o
curto, n a s s o l u ç õ e s sólidas ela e x i g e u m t e m p o muito m a i o r e o s s e u s efeitos s ã o , n a reali-
, q u a n t i d a d e de cristais m i s t o s _ M,!,
d a d e , l i m i t a d o s a p e q u e n a s d i s t â n c i a s . P o r o u t r o l a d o , a m o b i l i d a d e a t ó m i c a e, p o r t a n t o , a
quantidade de m a s s a líquida ~MjS|~ difusão s ã o f u n ç õ e s da t e m p e r a t u r a .

30 31
Aços E FERROS FUNDIDOS DEFINIÇÕES. DIAGRAMA DE 'Eojmiwmo FEXRO-CASBCNO O

A s s i m , no caso d a l i g a F e - C e m e x a m e (fig. 9), a difusão d e p e n d e r á , a l é m d a t e m p e - e apresenta u m a estrutura de grãos poligonais irregulares; p o s s u i b o a resistência m e c â n i c a
r a t u r a , d a duração ou d a v e l o c i d a d e de r e s f r i a m e n t o . A d m i t i n d o q u e e s t a s e j a suficiente- e apreciável tenacidade; é não m a g n é t i c a .
m e n t e lenta, os r e s í d u o s líquidos, devido à m a i o r mobilidade a t ó m i c a , t e r ã o t e m p o de A femfa ( d o l a t i m Jerrum') é ferro no estado alotrópico alfa, c o n t e n d o e m s o l u ç ã o t r a ç o s
c o l o c a r - s e em equilíbrio entre si e com as z o n a s periféricas dos cristais mistos de c o m - de c a r b o n o ; a p r e s e n t a t a m b é m u m a e s t r u t u r a d e grãos p o l i g o n a i s irregulares; p o s s u i b a i x a
p o s i ç ã o S , e de a s s u m i r e m u m a c o n c e n t r a ç ã o u n i f o r m e um p o u c o s u p e r i o r ao ponto L r dureza e baixa resistência à tração, c e r c a d e 28 k g f / m m (270 M P a ) , m a s excelente resistên-
2

A m a s s a solidificada, entretanto, será constituída de uma série c o n t í n u a de cristais- cia a o c h o q u e e e l e v a d o a l o n g a m e n t o .


mistos cuja concentração varia de aproximadamente S, nas c a m a d a s p e r i f é r i c a s até S A cementita ( d o latim "caementum") é o carboneto de ferro F e C contendo 6 , 5 7 %
3 de
e m d i r e ç ã o ao centro d o s cristais. Nestes, a d i f u s ã o m a i s lenta fará c o m q u e o d e s l o c a - carbono; muito dura (na escala Moh's ocuparia a p r o x i m a d a m e n t e o lugar do feldspato),
m e n t o ou migração do c a r b o n o d a parte e x t e r n a p a r a a interna se dê c o m a velocidade quebradiça, é responsável pela e l e v a d a dureza e resistência d o s aços de a t o carbono,
m e n o r do que a própria solidificação, de m o d o q u e , enquanto as c a m a d a s externas assim c o m o p e l a s u a m e n o r d u c t i l i d a d e . P o s s u i estrutura c r i s t a l i n a o r t o r õ m b i c a
readquirirão rapidamente o carbono migrado em direção à parte interna, as camadas A perlita ( n o m e devido à "nuance" de cores de m a d r e p é r o l a que esse constituinte
internas não conseguirão atingir a concentração S v a não ser q u e se parasse a frequentemente a p r e s e n t a ao m i c r o s c ó p i o ) é a mistura m e c â n i c a de 8 8 , 5 % d e ferrita e
solidificação. 11,5% d e c e m e n t i t a , n a f o r m a d e l â m i n a s finas (de e s p e s s u r a r a r a m e n t e s u p e r i o r a um
milésimo de milímetro) dispostas a l t e r n a d a m e n t e . A s p r o p r i e d a d e s mecânicas d a periita são,
portanto, i n t e r m e d i á r i a s entre as d a ferrita e d a cementita, d e p e n d e n d o , entretanto, d o t a m a -
nho d a s p a r t í c u l a s d è c e m e n t i t a . S u a resistência à t r a ç ã o é, e m m é d i a , 7 5 k g f / m m 2 (740
MPa). A p r o p o r ç ã o d e periita n u m a ç o c r e s c e de 0 % p a r a ferro a t é 1 0 0 % para a ç o e u t e t ó i d e
(0,77% de carbono), de modo que u m a ç o c o m 0,5% de c a r b o n o , por exemplo, a p r e s e n t a r á
cerca de 6 5 , 0 % d e perlita.
A t r a n s f o r m a ç ã o d a austenita e m perlita contendo ferrita e c e m e n t i t a é típica d e m u i t a s
reações no interior de sólidos, o u s e j a c o m e ç a nos contornos d o s grãos e p r o s s e g u e em
direção ao s e u c e n t r o , o q u e é d e s e e s p e r a r pois os á t o m o s n o s c o n t o r n o s d o s grãos
apresentam m a i o r e s energias que os á t o m o s dentro dos g r ã o s .
D i g a - s e d e p a s s a g e m , q u e o s c o n t o r n o s d o s g r ã o s não s ã o a s ú n i c a s localizações d e á t o m o s
de e n e r g i a m a i s e l e v a d a , pois os á t o m o s e m t o m o d o s d e f e i t o s " e m p o n t o " o u " e m l i n h a " a p r e -
s e n t a m t a m b é m e n e r g i a extra e p o d e m s e r v i r d e localização p a r a a n u c l e a ç ã o d e r e a ç õ e s (*).
Por outro l a d o ; as p r o p r i e d a d e s d a p e r l i t a d e p e n d e m mui t o d a e s p e s s u r a de s u a s l a m e l a s
e e s t a , p o r s u a v e z , d a v e l o c i d a d e d e s u a f o r m a ç ã o . A s u a e s p e s s u r a é, e n t r e t a n t o , l i m i t a d a
pela d i s t â n c i a a t r a v é s d a qual o c a r b o n o , n o t e m p o d i s p o n í v e l , s e d i f u n d e .
O u t r o f a t o i m p o r t a n t e a ressaltar é o s e g u i n t e : n u m a ç o h i p o e u t e t ó i d e , c o m t e o r d e c a r b o n o ,
portanto, i n f e r i o r a 0 , 7 7 % , o r e s u l t a d o d o r e s f r i a m e n t o lento é, c o m o s e v i u , a f o r m a ç ã o d e u m a

Fig. 9 - Esquema d e solidificação de uma liga (exemplo indicado: liga Fe-C c o m 0 , 5 % C ) . certa q u a n t i d a d e d e ferrita ( c h a m a d a p r i m á r i a o u proeutetóide) a t é q u e a a u s t e n i t a r e m a n e s c e n -
te se t r a n s f o r m e e m perlita. A s s i m a e s t r u t u r a resultante c o n t é m q u a n t i d a d e s d e ferrita e p e r i i t a
Continuando o resfriamento, repetem-se os m e s m o s f e n ó m e n o s ; assim o último resíduo que p o d e m s e r p r e v i s t a s . A d i s t r i b u i ç ã o d e s s e s m i c r o c o n s t i t u i n t e s d e p e n d e d o t a m a n h o d e g r ã o
q u e solidifica deveria ter a concentração L n e a m a s s a solidificada a c o m p o s i ç ã o S . Na
n de a u s t e n i t a , p o r q u e a n u c l e a ç ã o d a f e r r i t a p r i m á r i a ocorre n o s c o n t o r n o s d o s g r ã o s .
r e a l i d a d e , porém, a c o n c e n t r a ç ã o média do c a r b o n o n a m a s s a cristalina s e r á m e n o r ; portan- O m e s m o p o d e s e r dito e m r e l a ç ã o à c e m e n t i t a p r i m á r i a , s e o a ç o f o r h i p e r e u í e t ó i d e .
t o a r e t a MM m - c o r r e s p o n d e n t e à l i g a e m e x a m e - e n c o n t r a r á a l i n h a so/idus a u m a tempe- A ferrita f o r m a u m "rendilhado" n o s c o n t o r n o s de g r ã o s d e a u s t e n i t a , e m cujo i n t e r i o r s e
r a t u r a i n f e r i o r à real ( p o n t o S ' ) e a c o n c e n t r a ç ã o e m c a r b o n o d o ú l t i m o r e s í d u o l í q u i d o s e r á
n forma a perlita.
m a i o r ( p o n t o L' ). n Se o resfriamento, entretanto, s e acelerar, de modo a s e atingir u m a temperatura mais
Assim, pois, os cristais mistos, além de apresentarem concentração de carbono baixa antes q u e o c o r r a nucleação d a ferrita primária, a periita p o d e s e f o r m a r até c o m t e o r e s
c r e s c e n t e à medida que a temperatura cai, a p r e s e n t a r ã o concentrações decrescentes de ca r bono d a o r d e m de 0 , 4 % , o q u e p o d e s e r c o m p r e e n d i d o p e l o e x a m e d a f i g . 1 0 .
d a periferia p a r a o c e n t r o ; as c o n c e n t r a ç õ e s p e r i f é r i c a s s ã o as c o r r e s p o n d e n t e s à linha D e f a t o , c o n s i d e r e - s e u m a ç o c o m t e o r d e c a r b o n o d a d o p e l a r e t a S, s e n d o n a f i g u r a , E
SS n e as concentrações dos núcleos centrais s e r ã o representadas pela S S " , resultan- n o p o n t o e u t e t ó i d e . A c i m a d e 7" , a f a s e e s t á v e l é a a u s t e n i t a ; d e 7" a T e x i s t e e q u i l í b r i o e n t r e
A A a

do, então, para a c o m p o s i ç ã o média dos cristais a linha SS' . Em r e s u m o , os n últimos a austenita e ferrita; entre T e T a c e m e n t i t a é m e n o s estável d o q u e a austenita e, p o r t a n t o ,
B 0

c r i s t a i s t e r ã o j u s t a m e n t e a c o m p o s i ç ã o m é d i a S' n e o último resíduo solidificado a c o m - não p o d e n u c l e a r a p a r t i r d e l a ; a s s i m , f o r m a - s e f e r r i t a a t é q u e a c o m p o s i ç ã o d a a u s t e n i t a


posição A. c r u z e a l i n h a EC, l i n h a e s s a q u e d e f i n e a s c o n d i ç õ e s p a r a a c s m e n H a e s t a r su eguffibrio
R e s u l t a , de tudo i s s o , q u e os cristais s e p a r a d o s a t e m p e r a t u r a s d e c r e s c e n t e s serão c o m a a u s t e n i t a . S e a t e m p e r a t u r a e s t i v e r a b a i x o d e 7" , a c e m e n í n a p e d e r u c e s r
c raecã^s-
c o n s t i t u í d o s d e estrias de composição, de e s p e s s u r a d e c r e s c e n t e c o m o a b a i x a m e n t o da mente e e n t ã o s e f o r m a a perlita, a q u a l , d e s s e m o d o , terá m a i s ferrita e m e n o s c e m e n t f t a d o
temperatura. que rigorosamente d e v e r i a ter (ou s e j a d o q u e a periita e u t e t ó i d e q u e t e o r i c a m e n t e d e v e r i a
ter-se f o r m a d o ) e s e r á mais m o l e .
4 . Propriedades dos constituintes dos aços e sua influência sobre os característicos mecâni-
cos destes - O s c o n s t i t u i n t e s b á s i c o s d o s a ç o s s ã o , p o i s , a u s t e n i t a , ferrita, c e m e n t i t a e perlita.
(*) Pornucleação designa-se o fenómeno correspondente ao início de formação de núcleos, ou seja das
A austenita (do n o m e d o m e t a l u r g i s t a inglês R o b e r t s - A u s t e n ) , n o s a ç o s - c a r b o n o co- primeiras partículas estáveis capazes de iniciara recrístalização de uma fase ou o crescimento de uma
m u n s , s ó é.estável a c i m a d e 7 2 7 ° C ; consta de u m a s o l u ç ã o sólida de c a r b o n o n o f e r r o g a m a nova fase.

32 33
Aços E FERROS FUNDIDOS DEFINIÇÕES. DIAGRAMA DE EQUHJERIO FERRO-CAKBONO

os a e s t r u t u r a p e r l í t i c a é a m a i s r e s i s t e n t e d a s q u e o s a ç o s e s f r i a d o s l e n t a m e n t e a p r e s e n -
tam; h a v e n d o c e m e n t i t a e n v o l v e n d o g r ã o s d e periita e s e n d o a c e m e n t i t a u m constituinte d e
grande d u r e z a , é de esperar que haja u m a u m e n t o d a resistência nos aços hipereutetóides;
esse a u m e n t o , e n t r e t a n t o , não é m u i t o s e n s í v e l , c o m o a c u r v a m o s t r a , visto q u e a p r ó p r i a
alta d u r e z a e c o n s e q u e n t e m e n t e e x c e s s i v a f r a g i l i d a d e d e c e m e n t i t a p o d e m , a p ó s u m a c e r t a
quantidade, afetar desfavoravelmente a resistência mecânica do aço.

Fig. 10 - Limite para f o r m a ç ã o d a perlita.

Devido aos característicos mecânicos dos constituintes dos aços, a s p r o p r i e d a d e s m e c â -


nicas destes quando esfriados lentamente, variam d e acordo com a proporção daqueles
constituintes. A s s i m , ferro c o m e r c i a l m e n t e puro, constituído só de ferrita, a p r e s e n t a - s e mole,
d ú c t i l , p o u c o r e s i s t e n t e à t r a ç ã o e c o m alta r e s i s t ê n c i a a o c h o q u e ; à m e d i d a q u e o t e o r d e
c a r b o n o c r e s c e , ' a u m e n t a m o s v a l o r e s r e p r e s e n t a t i v o s d a r e s i s t ê n c i a m e c â n i c a , i s t o é, o
limite de escoamento, o limite de resistência à tração e à dureza, ao p a s s o q u e caem os
v a l o r e s relativos à d u c t i l i d a d e , c o m o a l o n g a m e n t o , e s t r i c ç ã o e r e s i s t ê n c i a a o c h o q u e . A T a -
bela 1 ( 4 ) d á valores o b t i d o s p a r a a l g u m a s p r o p r i e d a d e s - m e c â n i c a s , e m f u n ç ã o d o teor de
c a r b o n o d e a ç o s n o e s t a d o r e c o z i d o , isto é, e s f r i a d o s l e n t a m e n t e d e t e m p e r a t u r a s a c i m a d a
z o n a crítica.
P o s t o s e m g r á f i c o s o s v a l o r e s d o limite d e r e s i s t ê n c i a à t r a ç ã o , d o a l o n g a m e n t o e d a
d u r e z a Brinell q u e s ã o o s d a d o s m a i s r e p r e s e n t a t i v o s d a s p r o p r i e d a d e s m e c â n i c a s d o s m e -
tais, pode-se obter três c u r v a s médias, c o m o e s t á indicado na figura 1 1 , q u e n o s mostra, de
u m m o d o m a i s n í t i d o , a i n f l u ê n c i a d o t e o r d e c a r b o n o s o b r e as p r o p r i e d a d e s m e c â n i c a s d o s
a ç o s esfriados l e n t a m e n t e . Verifica-se que as c u r v a s de dureza Brinell e de resistência à
t r a ç ã o são a p r o x i m a d a m e n t e paralelas. E v i d e n t e m e n t e , as três curvas p o d e m sofrer deslo-
c a m e n t o s sensíveis p a r a v a l o r e s superiores e i n f e r i o r e s , pois outros f a t o r e s , a l é m do teor d e
c a r b o n o , e n t r a m e m j o g o t a m b é m . E s s e f a t o é i n d i c a d o n a f i g u r a 11 p e l a s á r e a s h a c h u r a d a s .
A c u r v a relativa a o s l i m i t e s d e resistência à t r a ç ã o m o s t r a q u e os m á x i m o s v a l o r e s para
Fig. 11 - Influência do teor de carbono s o b r e as propriedades de aços-carbono esfriados lentamente.
e s s a propriedade o b t ê m - s e logo a c i m a da c o m p o s i ç ã o eutetóide, p e r m a n e c e n d o os m e s -
m o s a s e g u i r p r a t i c a m e n t e c o n s t a n t e s e p o d e n d o m e s m o s o f r e r u m a c e r t a q u e d a . Tal f a t o D e v i d o à i n f l u ê n c i a d o c a r b o n o s o b r e a d u r e z a do a ç o , c o s t u m a - s e c o n s i d e r a r o s s e g u i n -
c o m p r e e n d e - s e facilmente, pois basta lembrar q u e , devido aos seus característicos própri- tes tipos d e a ç o s - c a r b o n o :

TABELA 1 - aços doces - c o m carbono entre 0 , 1 5 % e 0,25%


P r o p r i e d a d e s m e c â n i c a s de a ç o s e s f r i a d o s l e n t a m e n t e e m f u n ç ã o d o t e o r d e c a r b o n o - aços meio-duros - com carbono entre 0,25% e 0,50%
Limite d e - aços duros - c o m carbono entre 0 , 5 0 % e 1,40%
Limite de Alguns autores subdividem ainda e s s a classificação:
resistência Alongamento Dureza
Carbono escoamento Estricção
à tração em 2 " - aço extradoce - com carbono inferior a 0,15%
% Brinell
kgf/mm 2 MPa kgf/mm 2 MPa % - aço doce-- c o m carbono entre 0 , 1 5 % e 0 , 3 0 %

0,01 12,5 125 28,5 275 47 71 - aço meio-doce - com carbono entre 0,30% e 0,40%
90
0,20 25,0 250 41,5 405 37 64 115 - aço meio-duro - com carbono entre 0,40% e 0,50%
0,40 31,0 300 52,5 515 30 48 145 - aço extraduro - c o m carbono entre 0 , 7 0 % e 1,20%
0,60 35,0 340 67,0 660 23 33 190
0,80 36,5 355 80,5 785 15 22 220 5 . Efeito do esfriamento e do aquecimento sobre a posição das linhas de transformação
1,00 36,5 355 75,5 745 22 26 195 - O s d i a g r a m a s v i s t o s ( f i g s . 2 e 3) e a s t r a n s f o r m a ç õ e s q u e f o r a m a n a l i s a d a s s ã o para
* 1,20 36,0 350 71,5 705 24 39 200 esfriamento lento; p a r a aquecimento lento, as m e s m a s t r a n s f o r m a ç õ e s ocorrem e m s e n t i -
1,40 35,0 340 69,5 685 19 25 215 do i n v e r s o ; e n t r e t a n t o , a p o s i ç ã o d a s l i n h a s críticas é l i g e i r a m e n t e diferente. A f i g u r a 12

34 35
Aços E FERROS FUNDIDOS DEFINIÇÕES. DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO FERRO-CARBQNO

m o s t r a os deslocamentos q u e ocorrem às t e m p e r a t u r a s prováveis de equilíbrio, nas con- tomá-la inexistente. A zona austenítica é totalmente c i r c u n d a d a por um c a m p o de duas
d i ç õ e s práticas de a q u e c i m e n t o e esfriamento. A s designações A e c A sào,
r c o m o se viu, fases: "alfa m a i s g a m a " ou " g a m a m a i s delta", o qual não é interrompido por compostos
originadas de: intermetálicosf) ou soluções s ó l i d a s n o s elementos de liga. E x e m p l o s : silício, cromo,
molibdênio, fósforo, vanádio, titânio, a l u m í n i o .
c = 'chauffagef, p a r a ciclos normais de a q u e c i m e n t o .
r= "refroidissemenf, p a r a ciclos normais de esfriamento.

Liquido L
P.F — , +L

A 4

cr

A 3

\ \

TIPO A-l

Fig. 12 - Influência do aquecimento e esfriamento sobre as temperaturas de transformação n a liga Fe-C.

6 . Efeito dos elementos de liga sobre o diagrama de equilíbrio Fe-C- C o m o s e viu, o ferro
e x i s t e e m d u a s f o r m a s a l o t r ó p i c a s - alfa e g a m a - e s t á v e i s e m d i f e r e n t e s f a i x a s d e t e m p e r a -
t u r a s . Essas formas s e caracterizam por p o d e r e m manter em solução sólida, dentro de
a m p l a f a i x a de teores, v á r i o s e l e m e n t o s de liga q u e p o d e m participar d a c o m p o s i ç ã o dos
aços. A s diferentes solubilidades dos vários elementos de liga n e s s a s duas formas
a l o t r ó p i c a s d o ferro l e v a m a m o d i f i c a ç õ e s n a s f a i x a s d e t e m p e r a t u r a s e m q u e a c o r r e m a s
t r a n s f o r m a ç õ e s estruturais d o s a ç o s . Se no ferro puro, a m u d a n ç a de alfa à g a m a ocorre e m
u m a ú n i c a t e m p e r a t u r a ( 9 1 2 ° C ) , a p r e s e n ç a d e q u a l q u e r e l e m e n t o a d i c i o n a l - c o m o , aliás, j á
s e v i u p a r a o caso do c a r b o n o - cria u m a faixa de t e m p e r a t u r a mais ou m e n o s estreita, n a
q u a l a m b a s as formas a l o t r ó p i c a s p o d e m coexistir e m equilíbrio. Esta c i r c u n s t â n c i a origina
tipos característicos de m o d i f i c a ç õ e s nas t e m p e r a t u r a s de transformação d a s ligas de ferro,
o q u e e s t á i l u s t r a d o n a fig. 1 3 q u e m o s t r a o s p o s s í v e i s t i p o s d e d i a g r a m a s d e e q u i l í b r i o d a s
ligas d e ferro B .
O s diagramas da f i g u r a d i v i d e m os elementos de liga e m dois g r u p o s : tipo A, correspon-
d e n t e s a o s eiemerrtos estabilizadores da austenita e o t i p o B, c o r r e s p o n d e n t e s aos
e s t a b i l i z a d o r e s da ferriia. F o r e x e m p l o , u m e l e m e n t o d e liga estabilizador d a a u s t e n i t a tende-
rá a a u m e n t a r a faixa d e te-mperaturas na qual a austenita é estável.
D e r i r c d o s fccs A = EL p c d e - s e c o n s i d e r a r a s e g u i n t e c l a s s i f i c a ç ã o d o s e l e m e n t o s d e l i g a :
Tipo-A-1 - cs d e m e n t e s d e liga alargam a faixa d e temperaturas para austenita estável, TIPO B -1
abaixando a transformação aifa-gama e aumentando a temperatura de transformação
g a m a - d e l t a . Exemplos: m a n g a n ê s , níquel, cobalto. Fig. 13 - Dois tipos possíveis - A e B - e as correspondentes subdivisões I e ll de diagramas V,<
Tipo-A-ll - m e s m o q u e a d i v i s ã o I, p o r é m o s c o m p o s t o s ricos em ferro (ou as soluções de equilíbrio para ligas de ferro.
s ó l i d a s no elemento de liga) t o m a m - s e estáveis, a c o m p o s i ç ã o a v a n ç a n d o s o b r e as fases
alfa o u delta. Exemplos: c a r b o n o , cobre, zinco, nitrogénio. ("/'Composto intermetálico" e' "um composto de dois ou mais metais com estrutura cristalina característica
Tipo-B-I-as elementos d e liga estreitam a faixa d e temperaturas da a u s t e n i t a estável até e que pode apresentar uma composição definida ou uma faixa de composições correspondente a uma "V*
solução sólida". O

36
37
DEFINIÇÕES. DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO FERRO-CARBQNO
A ç o s E FERROS FUNDIDOS

Tlpo-B-Il - mesma q u e a divisão I, p o r é m com o aparecimento de compostos


intermetáiicos ou constituintes outros que s o l u ç õ e s d e ferro alfa e ferro g a m a , interrom-
p e n d o a "lupa" c o m s u a z o n a envolvente de d u a s f a s e s . Exemplos: tântalo, zircônio, boro,
enxofre, nióbio.
D e s s e s elementos d e liga, o cromo t e m u m c o m p o r t a m e n t o especial, p o i s s e até 7 a 8 %
a b a i x a a faixa de t e m p e r a t u r a d e transformação a l f a - g a m a , c o m a u m e n t o s ulteriores verifi-
c a - s e o contrário. Entretanto, o abaixamento d a t e m p e r a t u r a de t r a n s f o r m a ç ã o gama-delta
n a f a i x a de 8 % C r é m a i s r á p i d o do que o d a t r a n s f o r m a ç ã o a l f a - g a m a , p o d e n d o - s e , pois, de
fato afirmar que o c r o m o estreita uniformemente a faixa de estabilidade d a austenita(*).
O s efeitos de a l g u n s e l e m e n t o s de liga s o b r e a s linhas de t r a n s f o r m a ç ã o d o d i a g r a m a d e
equilíbrio Fe-C estão i n d i c a d o s nas figuras 14 e 15.
D e f a t o , a ação dos elementos de liga sobre as linhas de transformação p o d e ser enca-
r a d a s o b os três a s p e c t o s seguintes:
- efeito sobre a c o m p o s i ç ã o do eutetóide;
- efeito sobre a t e m p e r a t u r a do eutetóide;
- efeito sobre o c a m p o austenítico.
O s d o i s p r i m e i r o s e f e i t o s e s t ã o s i n t e t i z a d o s n a f i g u r a 1 4 , o n d e s e v ê q u e t o d o s os e l e -
m e n t o s de liga a n a l i s a d o s ' ' t e n d e m a diminuir o t e o r d e c a r b o n o do e u t e t ó i d e , a o passo q u e
6

s o m e n t e o níquel e o m a n g a n ê s t e n d e m a diminuir a t e m p e r a t u r a d o e u t e t ó i d e , todos os


outros apresentando t e n d ê n c i a oposta.
O terceiro efeito - s o b r e o c a m p o austenítico - e s t á s i n t e t i z a d o na f i g u r a 1 5 , p e l a ação d o s
e l e m e n t o s manganês, c r o m o , molibdênio e silício' '. 7

Verifica-se que o m a n g a n ê s , e m teores c r e s c e n t e s , abaixa a t e m p e r a t u r a d o eutetóide,


a l é m de diminuir o s e u t e o r d e carbono; u m t e o r a d e q u a d o de m a n g a n ê s p o d e r á , por e xe m -
plo, produzir estrutura i n t e i r a m e n t e perlítica s o m e n t e c o m cerca de 0 , 3 % de carbono. O
c r o m o , molibdênio e silício c o m p o r t a m - s e de m o d o contrário ao m a n g a n ê s n o q u e se refere
à i n f l u ê n c i a sobre a t e m p e r a t u r a do eutetóide; q u a n t o à influência s o b r e o t e o r d e c a r b o n o do
e u t e t ó i d e , a t e n d ê n c i a é i d ê n t i c a à do m a n g a n ê s . T o d o s eles, c o m o se v ê , c o m e x c e ç ã o do
m a n g a n ê s , contraem o c a m p o austenítico, t e n d e n d o a tornar o aço q u a s e q u e inteiramente
ferrítico.
C o n v é m o b s e r v a r q u e e s s a p r o p r i e d a d e d e c e r t o s e l e m e n t o s d e l i g a , c o m o o M n , o Cr, o 1600
y
Mo, o Si, o Ni, o Ti, etc. d e produzirem! u m a estrutura eutetóide a p r e s e n t a n d o u m teor de 1400

c a r b o n o c o m p a r a t i v a m e n t e b a i x o é muito i m p o r t a n t e . D e fato, a liga e u t e t ó i d e é de grande 1300


y

r e s i s t ê n c i a m e c â n i c a ; c o m o a d u r e z a e a f r a g i l i d a d e c r e s c e m c o m a p o r c e n t a g e m d e F e C, 1200

/ ? ~
é evidente que se s e p u d e r obter u m a estrutura resistente, inteiramente perlítica, mediante
i n t r o d u ç ã o de e l e m e n t o s d e liga n u m aço c o m m e n o r t e o r de carbono, e s s a estrutura será
t a m b é m mais mole e m e n o s frágil, ou seja, mais t e n a z do que a estrutura s e m e l h a n t e num
1100

1000

300
- 0 3fi%MN
A
• 4Jfíf
Mn
— 6,5%Mn
y
f -
/
1 í? Jí
f-
li ' /
' o-
/
A Cf".
aço-carbono comum. -9,6% y ú r y*"
800
&y
^ 600
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1
1,2 1,4 1,6 1,8 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,í
% de carbono

A
• /
1? V --- i
A? / \ /

(") A análise dos diagramas apresentados na Fig. 13 deve ser feita com grande cuidado, principalmente
i >

•^y
A y -
y
€*
' 1
porque a maioria dos aços, quando aqpecidos e esfriados, de fato se transformam a temperaturas muito
afastadas das de equilíbrio, devido a suas velocidades de reação muito lentas nas proximidades dessas
temperaturas. Além disso, é difícil predizer, a partir de qualquer diagrama de equilíbrio, as estruturas
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
r
1,2 1,4 1.6 1,8 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,£
% de carbono
resultantes, o que é um inconveniente pois o conhecimento realmente valioso em relação aos sistemas
de ligas é o relacionado com suas estruturas. Fig. 16 - Efeito de certos elementos de liga sobre o c a m p o austenítico.

38 39
EFEITO DA VELOCIDADE DE ESFRIAMENTO SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DA AUSTENTTA

EFEITO DA VELOCIDADE DE
ESFRIAMENTO SOBRE A
TRANSFORMAÇÃO DA
AUSTENITA. DIAGRAMA
TRANSFORMAÇÃO - TEMPO -
TEMPERATURA"

41
Aços E FERROS FUNDIDOS EFELTO DA VELOCIDADE DE ESFRIAMENTO SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DA AUSTENTTA

1 . Efeito da velocidade de esfriamento sobre a transformação da austenita - O diagrama mesmo t e m p o através de toda a s u a secção) são aquecidos a u m a temperatura a c i m a d e z o n a
d e equilíbrio e s t u d a d o e, p o r t a n t o , a localização d a z o n a crítica c o m o a p a r e c e n a s figuras 2 critica d e m o d o a a d q u i r i r e m estrutura i n t e i r a m e n t e austenítica; e m s e g u i d a s ã o m e r g u l h a d o s e m
e 3, s ã o para condições d e esfriamento muito lento. O s constituintes resultantes d a transfor- um b a n h o l í q u i d o (de c h u m b o f u n d i d o o u s a l f u n d i d o ) , a u m a t e m p e r a t u r a abaixo d a linha inferior d a
m a ç ã o d a austenita - ferrita, cementita e periita - d e acordo c o m s u a quantidade relativa, z o n a critica (Unha A , ) e aí m a n t i d o s p a r a q u e p o s s a m s e r o b s e r v a d o s o s t e m p o s n e c e s s á r i o s p a r a
permitem uma variação nas propriedades mecânicas doa aços, conforme se p ô d e observar que a a u s t e n i t a s e t r a n s f o r m a e m s e u s p r o d u t o s normais. O p r o c e s s o d a t r a n s f o r m a ç ã o p o d e s e r

n a s c u r v a s da f i g u r a 1 1 . E s s e efeito d o s c o n s t i t u i n t e s obtidos pela d e c o m p o s i ç ã o lenta d a acornparíbado o u p e l a m e d i d a d e c e r t o s característicos físicos, c o m o v o l u m e o u d u r e z a , o u p e l o

a u s t e n i t a sobre as p r o p r i e d a d e s mecânicas d o s a ç o s , e m b o r a apreciável, e s t á longe de se exame d a m i c r o e s t r u t u r a , c o m o e s t á i n d i c a d o e s q u e m a t i c a m e n t e n a figura 17. A m e d i d a d e s s a s

comparar, entretanto, ao efeito que pode ser conseguido pelo rápido esfriamento da p n ^ j f i e d a d e s o u o e x a m e d a m i c r o e s t r u t u r a s ã o feitos nos c o r p o s d e p r o v a esfriados e m á g u a o u
salmoura d e p o i s d e m a n t i d o s o s t e m p o s p r e v i s t o s à t e m p e r a t u r a a b a i x o d a crítica c o n s i d e r a d a .
austenita.
D e fato, a formação d a ferrita e da cementita - c o n s e q u e n t e m e n t e d a perlita - exige a m u d a n -
ç a d o reticulado cristalino d o f e r r o , a s s i m c o m o o m o v i m e n t o d e á t o m o s , p o r d i f u s ã o , através d a
a u s t e n i t a sólida; t a i s m o d i f i c a ç õ e s l e v a m t e m p o . E m c o n s e q u ê n c i a s e f o r a u m e n t a d a a v e l o c i d a -

/
500 "C
de de esfriamento d a austenita, ou seja s e o a ç o for esfriado mais r a p i d a m e n t e , não haverá
t e m p o suficiente p a r a u m a c o m p l e t a m o v i m e n t a ç ã o a t ó m i c a e a s r e a ç õ e s d e t r a n s f o r m a ç ã o d a
a u s t e n i t a s e m o d i f i c a m , p o d e n d o m e s m o d e i x a r d e f o r m a r - s e os c o n s t i t u i n t e s n o r m a i s - c o m o a
perlita - e surgirem n o v o s constituintes de g r a n d e i m p o r t â n c i a para a aplicação d o s aços.
Pode-se exprimir tais fatos, quando se a u m e n t a a velocidade de esfriamento d a austenita
/
no d i a g r a m a Fe-C, c o m o resultando n u m a alteração de posição d a z o n a crítica, traduzida
p e l o g r a d u a l a b a i x a m e n t o d a s linhas de t r a n s f o r m a ç ã o A 3 eA v o qual p o d e atingir a centenas
d e g r a u s . A rigor, o q u e s e v e r i f i c a n ã o é u m r e b a i x a m e n t o d a z o n a c r í t i c a , m a s s i m u m a t r a s o
n o início das t r a n s f o r m a ç õ e s , devido a u m a i n é r c i a p r ó p r i a de certos f e n ó m e n o s físicos.
S e j a um aço eutetóide. E s s e aço apresenta u m a única temperatura crítica a 7 2 7 ° C (A 3 e
A, se confundem). Abaixo dessa temperatura tem-se só perlita, e m condições de
esfriamento extremamente lento. Com velocidades de esfriamento cada v e z maiores, a t e m -
p e r a t u r a crítica d e t r a n s f o r m a ç ã o - que s e r i a n e s s e c a s o indicada por A r , - é c a d a v e z m a i s
0,1 1 10 100
baixa. O produto que resulta d a transformação n e s s a s condições, até u m a certa velocidade
Tempo, em seg.
d e esfriamento, ainda é perlita, com característicos estruturais e p r o p r i e d a d e s que depen-
dem, contudo, d a v e l o c i d a d e de esfriamento. A o s e atingir u m a c e r t a v e l o c i d a d e , a u m a
H g . 16 - C u r v a da reação isotérmica representativa da transformação d a austenita em perlita.
t e m p e r a t u r a mais baixa, a p a r e c e junto c o m a precedente, uma nova transformação, dando
o r i g e m a u m c o n s t i t u i n t e c o m p l e t a m e n t e d i f e r e n t e - a "martensita". Dentro d e u m a certa faixa
de velocidade de esfriamento há, portanto, f o r m a ç ã o simultânea de dois constituintes -
perlita e martensita. Finalmente, para u m a certa velocidade de esfriamento, desaparece
T=Transforrnação
inteiramente a primeira transformação e cessa, portanto, a formação d a perlita; permanece A=Austeníta
só a segunda transformação, tendo como produto resultante a martensita. À velocidade dé M=Martensita
100% E= Esfriamento
esfriamento em que isso a c o n t e c e dá-se o n o m e de velocidade crítica de esfriamento, de A PT=Praduto da
transformação
g r a n d e importância no e s t u d o dos tratamentos t é r m i co s dos aços, c o m o s e v e r á mais adian- (A,)
te. E m resumo, c o m v e l o c i d a d e s maiores q u e a v e l o c i d a d e crítica d e e s f r i a m e n t o , só se
v e r i f i c a a f o r m a ç ã o d o c o n s t i t u i n t e martensita, cujas propriedades serão estudadas posteri-
0%T 25 % T 50 % T 75 % T 100 % T
o r m e n t e e que d e s e m p e n h a papel de relevo n o s t r a t a m e n t o s térmicos d o s a ç o s .
100%A 75%A S0%A 25%A 0%A
0%PT 25%PT 50%PT 75%PT 100%PT
2 . Transformação isotérmica. Curva TTT ou em C (também chamada em S) - O s f e n ó m e -
n o s q u e ocorrem q u a n d o o a ç o é esfriado a diferentes velocidades de e s f r i a m e n t o são m e -
lhor compreendidos pelo estudo da transformação isotérmica d a a u s t e n i t a e m perlita, e m
diversas temperaturas a b a i x o de 727°C, ou seja pelo esfriamento rápido d e u m a ç o eutetóide
até u m a temperatura abaixo de 727"C, m a n t e n d o - s e a seguir essa t e m p e r a t u r a constante
a t é q u e toda a t r a n s f o r m a ç ã o d a austenita se p r o c e s s e . A transformação e m perlita o b e d e -
c e r á a u m a curva de r e a ç ã o isotérmica, c o m o a i n d i c a d a n a figura 15. n a q u a l s e considerou
t Temperatura
u m resfriamento brusco d a austenita a 600°C, por exemplo.
{ ambiente
100%M 75%M 50%M 25%M 0%M
A primeira pesquisa experimental no sentido d e determinar as relações e x i s t e n t e s entre a 0%PT 25%PT 50%PT 75%PT 100%PT
v e l o c i d a d e d e e s f r i a m e n t o e a s t r a n s f o r m a ç õ e s q u e o c o r r e m a t e m p e r a t u r a s c o n s t a n t e s foi realiza-
d a p o r Davenport e B a i n , o r i g i n a n d o - s e d e s s e s e s t u d o s o d e s e n v o l v i m e n t o d o s c o n h e c i d o s dia-
(6)

g r a m a s d e t r a n s f o r m a ç ã o i s o t é r m i c a , de g r a n d e v a l o r prático p a r a a c o m p r e e n s ã o e a realização T e m p o a u m a temperatura c o n s t a n t e


d o s t r a t a m e n t o s t é r m i c o s n o s a ç o s . O estudo e x p e r i m e n t a l consiste no s e g u i n t e : c o r p o s de p r o v a
H g . 17 - Representação esquemática do progresso da transformação d a austenita, a u m a
d e a ç o d e p e q u e n a s d i m e n s õ e s (para que, q u a n d o e s f r i a d o s r a p i d a m e n t e , o e s f r i a m e n t o s e d ê a o
temperatura constante abaixo da crítica.

42 43
EFEITO DA VELOODADE DE ESFRIAMENTO SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DAAUSTENTTA
A ç o s e FERROS FUNDIDOS

A s s i m , a c e r c a d e 2 0 0 ° C , u m n o v o c o n s t i t u i n t e , c h a m a d o martensita e cujos caracterís-


P a r a facilitar o e s t u d o , p o d e - s e c o n s i d e r a r i n i c i a l m e n t e u m aço e u t e t ó i d e , v i s t o q u e p a r a ticos s e r ã o v i s t a s m a i s a d i a n t e , a p a r e c e i n s t a n t a n e a m e n t e , e m p o r c e n t a g e n s crescen-
ele s ó existe u m a t e m p e r a t u r a de transformação - 7 2 7 " C - e resulta s o m e n t e u m produto de tes, a partir d e M até constituir, à t e m p e r a t u r a c o r r e s p o n d e n t e a M
t r a totalidade do
t r a n s f o r m a ç ã o - a perlita. produto de t r a n s f o j m a ç ã o O - A f o r m a ç ã o de martensita, e m f o r m a de agulhas, c o m o s e
Tomando corpos de prova desse aço, depois de convenientemente austenizados são verá posteriormente, através de uma reação c h a m a d a comumente de "reação
eles mergulhados n u m b a n h o de chumbo a u m a t e m p e r a t u r a de, por e x e m p l o , 680°C e aí martensítica" d á - s e por cisalhamento e m certas regiões do cristal do constituinte original
m a n t i d o s durante t e m p o d e t e r m i n a d o , 10, 1 0 0 , 2 0 0 , 5 0 0 , etc. s e g u n d o s . C o m o houve um e não d e p e n d e d e u m movimento extenso de átomos, c o m o nos fenómenos de difusão.
esfriamento brusco da t e m p e r a t u r a de austenização a 680°C, a austenita p e r m a n e c e u está-
vel, m a s ela t e n d e r á a t r a n s f o r m a r - s e no s e u p r o d u t o d e t r a n s f o r m a ç ã o - perlita, no caso e m
estudo - com o tempo.
Decorrido o tempo d e s e j a d o , os corpos de p r o v a s ã o mergulhados e m á g u a ou salmoura
e as propriedades são m e d i d a s ou a estrutura o b s e r v a d a para verificar o andamento da
t r a n s f o r m a ç ã o . No caso d o e x a m e de estrutura, a transformação é a c o m p a n h a d a ao micros-
c ó p i o p e l a a v a l i a ç ã o d o p r o d u t o r e s u l t a n t e d a t r a n s f o r m a ç ã o n o r m a l d a a u s t e n i t a , i s t o é, p e l a
avaliação da quantidade d e perlita presente, Verifica-se q u e a formação d a perlita à tempe-
r a t u r a c o n s i d e r a d a é p r o g r e s s i v a , i s t o é, as a m o s t r a s e s f r i a d a s e m á g u a d e p o i s d e m a n t i d a s
a 6 8 0 ° C , durante t e m p o s diferentes, mostram quantidades crescentes de perlita para tem-
p o s crescentes de p e r m a n ê n c i a a essa temperatura.
R e p e t i n d o - s e a e x p e r i ê n c i a , i s t o é, m e r g u l h a n d o - s e n o v a s a m o s t r a s d o m e s m o a ç o d e -
pois de c o n v e n i e n t e m e n t e austenizados, e m b a n h o s d e c h u m b o fundido m a n t i d o s a outras
t e m p e r a t u r a , t e m - s e u m a s é r i e de t e m p o s os q u a i s m a r c a m , para as várias t e m p e r a t u r a s , o
início e o fim da t r a n s f o r m a ç ã o .
P o d e - s e a s s i m c o n s t r u i r u m d i a g r a m a "temperatura-tempo" onde, para c a d a temperatu-
ra, s e t e m u m a i n d i c a ç ã o d a p o r c e n t a g e m d e t r a n s f o r m a ç ã o e m f u n ç ã o d o t e m p o . Esse
d i a g r a m a é c h a m a d o d e "transformação isotérmica" ou "a temperatura constante".
. N e s s e diagrama, e m q u e o tempo é levado e m e s c a l a logarítmica, m a r c a - s e para cada
t e m p e r a t u r a o s p o n t o s d e i n í c i o d e t r a n s f o r m a ç ã o d a a u s t e n i t a (isto é, q u a n d o c o m e ç a a s e
f o r m a r perlita) e os p o n t o s d e f i m de t r a n s f o r m a ç ã o ( q u a n d o se tem t o d a a a u s t e n i t a t r a n s -
f o r m a d a e m perlita). P a r a facilitar o e x a m e m i c r o g r á f i c o , c o n v e n c i o n o u - s e a d o t a r p a r a início
d e t r a n s f o r m a ç ã o o p o n t o c o r r e s p o n d e n t e à f o r m a ç ã o de 0 , 5 % de periita e p a r a fim d e
t r a n s f o r m a ç ã o o ponto c o r r e s p o n d e n t e à f o r m a ç ã o d e 9 9 , 5 % de perlita.
T e m - s e assim no d i a g r a m a u m a série de p o n t o s d e j n í c i o e de fim d e t r a n s f o r m a ç ã o , os
q u a i s l i g a d o s e n t r e s i o r i g i n a m d u a s c u r v a s c o m a f o r m a C (fig. 1 8 ) . E s s a s c u r v a s são
chamadas "em C" o u "TTT" (tempo-temperatura-transformação). São t a m b é m chamadas
"em S", d e v i d o à f o r m a q u e a s p r i m e i r a s c u r v a s d e t e r m i n a d a s p . o r D a v e n p o r t e B a i n a p r e s e n -
t a v a m . Estudos posteriores modificaram sua forma, q u e se aproxima mais d e u m C,
O e x a m e dessas c u r v a s , p a r a o aço eutetóide e m estudo, revela o s e g u i n t e :

a) a linha horizontal, n a parte superior do d i a g r a m a , r e p r e s e n t a a l i n h a inferior d a z o n a


c r í t i c a , isto é, a l i n h a A ; à temperatura de 7 2 7 ° C ;
b) a linha e m f o r m a d e ' C m a r c a d a I define o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a q u e a t r a n s f o r m a ç ã o
d a austenita em perlita s e inicie;
c) a l i n h a t a m b é m e m f o r m a d e C e m a r c a d a F d e f i n e o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a q u e a
t r a n s f o r m a ç ã o d a a u s t e n i t a e m perlita se c o m p l e t e ; 1 2 4 8 15 30 1 2 4 8 15 30 1 2 4 3 15

d) a t r a n s f o r m a ç ã o d e m o r a p a r a s e iniciar e p a r a s e c o m p l e t a r , à t e m p e r a t u r a l o g o a b a i x o , Segundos Minutos Horas —


d a crítica; e m outras p a l a v r a s , a velocidade d e t r a n s f o r m a ç ã o é baixa inicialmente;
e) a d e m o r a para a t r a n s f o r m a ç ã o se iniciar e se c o m p l e t a r é c a d a v e z m e n o r à m e d i d a T e m p c e m escala logarítmica
q u e d e c r e s c e a t e m p e r a t u r a , até q u e , a c e r c a d e 5 5 0 ° C , t e m - s e o m a i s r á p i d o início d e
transformação; Fig. 18 - Representação esquemática do d i a g r a m a de transformação isotérmica de um aço eutetóide.
f) a b a i x o d e 5 5 0 ° C , a u m e n t a n o v a m e n t e o t e m p o p a r a q u e a t r a n s f o r m a ç ã o s e i n i c i e , a o
m e s m o iempo que a v e l o c i d a d e de transformação decresce;
g ) f i n a l m e n t e , à t e m p e r a t u r a d e c e r c a d e 2 0 0 ° C , a l i n h a M, e m a i s a b a i x o d a l i n h a M,
i n d i c a m o a p a r e c i m e n t o d e outro tipo d e t r a n s f o r m a ç ã o , a qual t e m l u g a r instantanea- [') A rigor, a formação da martensita não deveria ser representada no diagrama de transformação
m e n t e independente, portanto, do tempo. A faixa d e temperaturas entre as quais ocorre isotérmica, pois independe do tempo, isto é, essa formação se dá com a queda da temperatura, prosse-
e s s a transformação, t o t a l m e n t e diferente da i n d i c a d a pelas curvas e m C, é d e /W, a M r
gue à medida que esta cai, mas estaciona se ela á mantida constantemente.

45
44
Aços E FERROS FUNDIDOS EFEITO DA VELOCIDADE DE ESFRIAMENTO SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DA AUSTENTTA

a Constituintes resultantes da transformação da austenita e seus característicos - Os 4 Curvas TTT para aços hipoeutetóides - O s aços que n ã o os eutetóides apresentam
constituintes resultantes d a transformação d a austenita nas diferentes faixas d e temperatu- c u r v a s e m "C"diferentes; n o t a - s e n e l a s , e m p r i m e i r o lugar, m a i s u m a l i n h a h o r i z o n t a l - A , ( f i g .
ras aparecem na seguinte sequência: 19 e f i g . 2 0 ) , a q u a l r e p r e s e n t a a t e m p e r a t u r a c r i t i c a inferior. A f i g u r a 1 9 ' ' é a c u r v a e m
1 0 C
para u m a ç o h i p o e u t e t ó i d e e n e l a p o d e s e r verificado t a m b é m o a p a r e c i m e n t o de o u t r a l i n h a
a ) L o g o a b a i x o d e A,, z o n a e m q u e a v e l o c i d a d e d e t r a n s f o r m a ç ã o é m u i t o b a i x a , f o r m a - i n d i c a d a p o r F. E s s a l i n h a i n d i c a a s e p a r a ç ã o i n i c i a l d a f e r r i t a q u a n d o o a ç o e n t r a , d u r a n t e o
s e perlita lamelar, de granulação grosseira e de baixa dureza (Rockwell C de 5 a 20); esfriamento l e n t o , n a z o n a crítica. A f i g u r a 20 é para u m a ç o h i p e r e u t e t ó i d e e n e l a s e n o t a
b) à m e d i d a q u e a t e m p e r a t u r a c a i , n a s p r o x i m i d a d e s d o c o t o v e l o d a c u r v a , e m t o m o d e t a m b é m u m a l i n h a i d ê n t i c a à d a figura, a n t e r i o r , d e s i g n a d a a g o r a p o r C , i n d i c a n d o a s e p a r a -
(

5 5 0 ° C , a periita q u e s e f o r m a adquire t e x t u r a c a d a v e z mais fina e d u r e z a c a d a vez mais ção inicial d a c e m e n t i t a q u a n d o e s s e a ç o p e n e t r a , n o e s f r i a m e n t o , n a z o n a c r í t i c a .


e l e v a d a , Rockwell C d e 3 0 a 40, o u c e r c a d e 4 0 0 Brinell. P a r a d i f e r e n c i á - l o de perlita
l a m e l a r n o r m a l , e s s e c o n s t i t u i n t e é c h a m a d o d e perlita fina (o t e r m o a n t i g o u s a d o p a r a
designá-lo é troostita). É a forma mais dura da perlita e a que apresenta as lamelas mais 1000
finas. A espessura d a s l a m e l a s é tão p e q u e n a , q u e dificilmente elas s ã o perceptíveis áo
microscópio;
c) à temperatura entre 5 5 0 ° C e 2 0 0 ° C , n o v a m e n t e há n e c e s s i d a d e d e u m t e m p o mais
longo para se iniciar a transformação d a austenita. N e s s a faixa de t e m p e r a t u r a s o produ-
to de transformação resultante varia de aspecto, d e s d e um a g r e g a d o d e ferrita e m forma
d e p e n a e carboneto d e ferro muito fino, e m t o r n o d e 4 5 0 ° C , até u m c o n s t i t u i n t e em f o r m a 700
de agulhas c o m coloração escura (em t o m o d e 2 0 0 ° C ) . Todas essas estruturas são hoje
o
d e s i g n a d a s c o m o n o m e d e bainita(*) e s u a d u r e z a v a r i a d e 4 0 a 6 0 R o c k w e l l C;
SS 600
d) finalmente, na f a i x a d e t e m p e r a t u r a s d e M, ( e m t o m o de 2 0 0 ° C ) a M (em t o m o de
100°C) forma-se u m constituinte novo, totalmente diverso dos anteriores, cuja formação
S. 500
d e p e n d e e x c l u s i v a m e n t e d a t e m p e r a t u r a - a martensita. Sua aparência e f o r m a são se- £
m e l h a n t e s à s d a b a i n i t a , i s t o é, a p r e s e n t a - s e e m a g u l h a s , m a s c o m c o l o r a ç ã o m a i s c l a r a . • (2
400
Devido a esse aspecto é frequentemente c h a m a d a acicular.

A verdadeira n a t u r e z a d a martensita não foi c o n v e n i e n t e m e n t e e x p l i c a d a durante muito


t e m p o . Sabendo-se que a estrutura martensítica dos aços temperados é magnética, chega-
s e à conclusão que o reticulado d a martensita a s s e m e l h a - s e ao do ferro alfa. P o r outro lado, aoo
f i c o u p r o v a d o e x p e r i m e n t a l m e n t e , d e s d e há m u i t o t e m p o ' ' , q u e a r e s i s t i v i d a d e elétrica d a
9

m a r t e n s i t a é c o n s i d e r a v e l m e n t e mais alta que a d o s c o n g l o m e r a d o s f e r r i t a - c e m e n t i t a , q u a l -


q u e r q u e seja o s e u g r a u d e d i s p e r s ã o . C o m o v a l o r e s elevados de r e s i s t i v i d a d e elétrica s ã o
característicos de soluções sólidas, poderia parecer que a martensita seria u m a solução j l i I_ j i i L
s ó l i d a de carbono no ferro alfa, que, por s u a v e z , c o m o se sabe, só d i s s o l v e quantidades 1 2 4 8 15 30 1 2 4 8 15 30 1 2 4 8 15
m í n i m a s de carbono. Tais a p a r e n t e s c o n t r a d i ç õ e s , p o r longo t e m p o , l e v a n t a r a m dúvidas
q u a n t o à natureza da martensita. Atualmente, entretanto, admite-se definitivamente a forma- Segundos Minutos
ç ã o d a martensita c o m o u m a reação por c i s a l h a m e n t o , através de planos cristalográficos, de Tempo e m escala logarítmica
m o d o t ã o rápido q u e n ã o p o d e s e r evitada m e s m o p o r resfriamento r á p i d o . E s t e resfriamento
r á p i d o t r a n s f o r m a e m alfa a f o r m a alotrópica d o ferro, a qual retém a s l â m i n a s estreitas e Fig. 19 - Diagrama de transformação isotérmica para u m a ç o hipoeutetóide.
a l o n g a d a s de a u s t e n i t a p r o v e n i e n t e s do c i s a l h a m e n t o , as q u a i s . s ã o r e a l m e n t e lâminas de
martensita que s e a p r e s e n t a m , e m microsecções, c o m o aspecto de a g u l h a s longas e finas.
C o m p a r a n d o a s f i g u r a s 19 e 2 0 , v e r i f i c a - s e m a i s o s e g u i n t e : o a u m e n t o d o t e o r d e c a r b o -
D e s e n v o l v e m - s e , c o m o s e d e v e r i a esperar, t e n s õ e s internas apreciáveis.
no t e n d e a d e s l o c a r a c u r v a e m C p a r a a d i r e i t a , isto é, r e t a r d a o i n í c i o e o fim d a r e a ç ã o p a r a
A martensita a p r e s e n t a u m reticulado tetragonal e s u a dureza é muito e l e v a d a , podendo formação d a perlita; a l é m disso, a t e m p e r a t u r a de reação da- m a r t e n s i t a é g r a n d e m e n t e
a t i n g i r 65 a 67 R o c k w e l l C. E m vista do e x p o s t o , e s s a alta dureza d a m a r t e n s i t a pode s e r rebaixada c o m o a u m e n t o do t e o r . d e c a r b o n o c o m o a figura 2 1 m o s t r a .
a t r i b u í d a entre outros, a o s s e g u i n t e s fatores: F i n a l m e n t e , u m a ú l t i m a o b s e r v a ç ã o p o d e s e r feita, a q u a l d i z r e s p e i t o à t e n d ê n c i a g e r a l
d a s curvas em C s e a p r o x i m a r e m t a n t o m a i s d o e i x o d a s o r d e n a d a s q u a n t o m e n o r o t e o r d e
- precipitação de p a r t í c u l a s s u b m i c r o s c ó p i c a s d e c a r b o n e t o de ferro d a s o l u ç ã o sólida c a r b o n o , o q u e s i g n i f i c a q u e . q u a n t o m e n o r o c a r b o n o , t a n t o m a i s difícil d e s e o b t e r p o r
g a m a e retenção d e s s a s partículas na f o r m a d e u m a solução sólida supersaturada no esfriamento, a i n d a q u e muâo rápido, esírutura unicamente martensítica.
reticulada do ferro alfa (formado no e s f r i a m e n t o ) onde atuam como espécies de
"chavetas", impedindo o escorregamento; 5. Transformação em resfriamento contínuo - As curvas e m C estudadas são curvas típicas
- distorção do reticulado; das t r a n s f o r m a ç õ e s q u e s e o p e r a m a u m a t e m p e r a t u r a c o n s t a n t e ; e n t r e t a n t o , d o p o n t o de
- tensões internas; vista p r á t i c o , a s t r a n s f o r m a ç õ e s q u e m a i s i n t e r e s s a m s ã o a s q u e s e v e r i f i c a m q u a n d o a t e m p e -
- t a m a n h o de grão m u i t o p e q u e n o . ratura d e c r e s c e c o n t i n u a m e n t e , v i s t o q u e a m a i o r i a d a s o p e r a ç õ e s d e t r a t a m e n t o térmico
envolve t r a n s f o r m a ç õ e s q u e o c o r r e m e m r e s f r i a m e n t o c o n t í n u o . A s s i m s e n d o , a rigor, o d i a g r a -
(*)Em homenagem a £. C. Bain. ma T T T n ã o p o d e r i a s e r utilizado c o m o objetivo de v e r i f i c a r estruturas r e s u l t a n t e s de

46 47
Aços E FERROS FUNDIDOS EFEITO DA VELOCIDADE DE ESFRIAMENTO SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DA AUSTENITA

Austenita k
900
Cl
A3
800

700
Pi
PI
600 "A
+ P(F+C)
F
500 +
\
e
400

300
I
200 Mi

100 - Mf

J L...1 I I 1 I I 1 i I I I i i i i I
2 4 8 15 30 1 2 4 8 15 30 1 2 4 8 15

Segundos ^4— Minutas fr>^ Horas —>

Tempo e m escala logarítmica

Fig. 20 - D i a g r a m a de transformação isotérmica para um aço hipereutetóide. 1,0 2 3 4 S 7 10 100 1000

Tempo em SBgundos (escala logarítmica)

Fig. 22 - Representação esquemática d o diagrama de transformação para resfriamento contínuo.

Esta indica, a i n d a , e m linhas p o n t i l h a d a s , a parte inferior d o d i a g r a m a , ou seja, a p a r t e d e


abaixo do " c o t o v e l o " ou "joelho" das c u r v a s . Isso porque, p a r a resfriamento contínuo, uma
vez u l t r a p a s s a d a s as curvas de início e d e fim de t r a n s f o r m a ç ã o , n u m a d e t e r m i n a d a v e l o c i -
dade d e r e s f r i a m e n t o , n a d a mais o c o r r e o u n a d a mais resta a transformar, pois as transfor-
mações previstas ou procuradas se completaram.
N a p a r t e i n f e r i o r d o d i a g r a m a , r e s t a r ã o a p e n a s as l i n h a s M e M, correspondentes
í à
formação d a martensita, a qual p o d e r á s e m p r e se formar, d e s d e que a v e l o c i d a d e de
r e s f r i a m e n t o a d o t a d a s e j a tal q u e a c u r v a c o r r e s p o n d e n t e e v i t e o u t a n g e n c i e o " j o e l h o " d a
curva de início de t r a n s f o r m a ç ã o .
Tais f a t o s f i c a m m a i s claros, a o e x a m i n a r o s e x e m p l o s i n d i c a d o s n a F i g . 2 3 relativos a v á r i a s
velocidades d e resfriamento. A figura permite t a m b é m c o m p r o v a r a importância do d i a g r a m a d e
resfriamento c o n t í n u o n a d e t e r m i n a ç ã o d a s e s t r u t u r a s e p r o p r i e d a d e s q u e r e s u l t a m q u a n d o o s
aços, depois d e a q u e c i d o s , são s u b m e t i d o s a diferentes v e l o c i d a d e s d e resfriamento.
Do e x a m e d a F i g . 2 3 , p o d e m s e r e x t r a í d a s as s e g u i n t e s c o n c l u s õ e s : um a ç o e s f r i a d o
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 muito l e n t a m e n t e , no forno por e x e m p l o ( c u r v a A ) , c o m e ç a a s e t r a n s f o r m a r em perlita ao

Teor d e C, % atingir o p o n t o A , e a o atingir o p o n t o A , é inteiramente c o n s t i t u í d o d e perlita. E s s a p e r l i t a


é de granulação grosseira e a p r e s e n t a baixa dureza; logo, aços esfriados muito lenta-
mente apresentam, à temperatura ambiente, o constituinte perlita grosseira e s ã o de
Fig. 21 - Influência d o teor de carbono s o b r e a posição das linhas M. e ívL
baixa dureza.
C o m e s f r i a m e n t o m a i s r á p i d o , a o a r p o r e x e m p l o ( c u r v a B), o aço apresentará periita
mais fina, c o m d u r e z a mais e l e v a d a . C o m velocidade d e e s f r i a m e n t o maior, e m óleo
r e s f r i a m e n t o c o n t í n u o e m d e t e r m i n a d a s v e l o c i d a d e s . É, c o n t u d o , p o s s í v e l , p e l o e m p r e g o d e
(curva C), a t r a n s f o r m a ç ã o iniciada e m C , e t e r m i n a d a e m C, d á c o m o constituinte periita
técnicas semelhantes às utilizadas para a determinação dos diagramas de transformação
m a i s f i n a , c o m d u r e z a m a i o r . C o m r e s f r i a m e n t o a i n d a m a i s r á p i d o ( c u r v a D) verifica-se
i s o t é r m i c a , obter u m d i a g r a m a c o m o o r e p r e s e n t a d o n a Fig. 2 2 . Essa d e t e r m i n a ç ã o leva a u m
q u e o i n í c i o d e t r a n s f o r m a ç ã o s e d á n o p o n t o D.. A v e l o c i d a d e d e e s f r i a m e n t o a g o r a é t a l
d e s l o c a m e n t o p a r a d i r e i t a e p a r a b a i x o d a s p a r t e s s u p e r i o r e s d a s c u r v a s d e i n í c i o e d e fim d e
que a c u r v a d e e s f r i a m e n t o n ã o t o c a n a c u r v a de fim de t r a n s f o r m a ç ã o , de m o d o q u e a
transformação, e m relação às curvas isotérmicas, c o m o se pode observar n a figura.
t r a n s f o r m a ç ã o e m p e r l i t a a p e n a s s e i n i c i a , i n t e r r o m p e n d o - s e e m s e g u i d a e, a o a t i n g i r o

48
49
Aços E FERROS FUNDIDOS Eemo DA VELOCIDADE DE ESFRIAMENTO SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DA AUSTENTTA

ponto D , a austenita que não se transformou p a s s a a martensita, c u j a formação termina Por outro l a d o , velocidades m a i o r e s d e esfriamento p o d e m o c a s i o n a r consequências
em D " a estrutura resultante dessa velocidade de esfriamento é simultaneamente sérias, c o m t e n s õ e s internas e x c e s s i v a s , e m p e n a m e n t o s d a s p e ç a s e até m e s m o a p a r e c i -
perlita e martensita. mento de f i s s u r a s . Isso significa q u e , o u d e v e m ser s a c r i f i c a d a s as p r o p r i e d a d e s f i n a i s d o
C o m e s f r i a m e n t o m u i t o r á p i d o ( c u r v a F), e m á g u a , v e r i f i c a - s e q u e a c u r v a d e e s f r i a m e n t o aço m e d i a n t e u m t r a t a m e n t o t é r m i c o c o m esfriamento m e n o s drástico, ou se d e v e p r o c u -
não toca a curva de transformação, de m o d o q u e n ã o há transformação d a austenita em rar u m a ç o q u e possibilite o b t e n ç ã o da máxima dureza com menor velocidade de
p r o d u t o lamelar, m a s s i m p l e s m e n t e p a s s a g e m a m a r t e n s i t a , q u a n d o , n o e s f r i a m e n t o , s ã o esfriamento.
a t i n g i d a s a s t e m p e r a t u r a s c o r r e s p o n d e n t e s a M. e M . t Logo, os aços e s f r i a d o s mais rapida- Finalmente, resta notar que p a r a a ç o s c o m diagrama s e m e l h a n t e ao das figuras 19
m e n t e são os mais d u r o s . ou 20, n ã o h á u m a c u r v a de e s f r i a m e n t o q u e p e r m i t a a f o r m a ç ã o da bainita. D e f a t o ,
Pode-se notar q u e h á u m a velocidade de esfriamento à qual c o r r e s p o n d e uma cur- como se v e r á m a i s adiante, a bainita só é obtida em t r a t a m e n t o isotérmico, isto é,
va de esfriamento que tangencia a curva C de início de t r a n s f o r m a ç ã o para tratamento em que o esfriamento é interrompido na temperatura correspondente à
formação da bainita para, depois que esta se f o r m o u , p r o s s e g u i r até a temperatura
ambiente.
Conhecida a relação que liga o d i a g r a m a de resfriamento contínuo ao isotérmico,
com as c u r v a s d o primeiro d e s l o c a d a s a b a i x o e à direita d a s do s e g u n d o , p o d e - s e para
os f i n s p r á t i c o s - o u s e j a p a r a o p l a n e j a m e n t o dos d i v e r s o s tratamentos t é r m i c o s dos
a ç o s - u s a r o d i a g r a m a d e t r a n s f o r m a ç ã o i s o t é r m i c a , i s t o é, a s c u r v a s T T T ou e m C.
Sobre estas, s e r ã o superpostas c u r v a s de resfriamento, t o d a v e z que se desejar c o n h e -
cer o s c o n s t i t u i n t e s r e s u l t a n t e s , a v á r i a s v e l o c i d a d e s d e r e s f r i a m e n t o t í p i c a s d o s t r a t a -
mentos térmicos usuais.

6. Efeitos da seção da p e ç a - A v e l o c i d a d e d e e s f r i a m e n t o é a f e t a d a p e l a s e c ç ã o d a p e ç a ,
pois é ó b v i o q u e o i n t e r i o r d a s p e ç a s s e e s f r i a m a i s l e n t a m e n t e q u e a s u a s u p e r f í c i e . A
d i f e r e n ç a ê t a n t o m a i o r q u a n t o m a i o r a v e l o c i d a d e d e e s f r i a m e n t o e, e v i d e n t e m e n t e , q u a n t o
maior a s e c ç ã o d a p e ç a . Esse fato é m e l h o r evidenciado através d o s exemplos d a f i g u r a 2 4 ,
onde estão r e p r e s e n t a d o s e s q u e m a t i c a m e n t e o esfriamento do centro e o da superfície de
uma peça e m três meios de esfriamento diferentes.
Em á g u a o u salmoura (meios m a i s drásticos), a superfície esfriou com velocidade
superior à v e l o c i d a d e crítica de e s f r i a m e n t o , ou seja, a superfície adquiriu inteiramente
a e s t r u t u r a m a r t e n s í t i c a e, p o r t a n t o , a m á x i m a d u r e z a . O c e n t r o d a p e ç a s o f r e u parci-
almente a t r a n s f o r m a ç ã o da austenita e m perlita, tendo a parte não t r a n s f o r m a d a pas-
sado a m a r t e n s i t a , ou seja, o centro a d q u i r i u , em parte, d u r e z a m á x i m a , em óleo, s ó a
superfície p a s s o u parcialmente a m a r t e n s i t a e no a r n e m mesmo a superfície. Se a
secção d a p e ç a for maior, a d i f e r e n ç a é m a i s a c e n t u a d a e o a s p e c t o , c o m esfriamento
em á g u a , p o d e r á ser o da f i g u r a 2 5 , isto é, m e s m o e m á g u a o centro não endureceu
Tempo em s e g u n d o s ( e s c o l a logarítimo) nem parcialmente.

,1 ! Fig. 23 - Representação esquemática da superposição de curvas de esfriamento no


í!!: d i a g r a m a de transformação p a r a resfriamento contínuo.

esfriamento contínuo. A essa velocidade de esfriamento chama-se velocidade de têm-


pera e ela indica q u e é d e s n e c e s s á r i o esfriar-sa o a ç o mais r a p i d a m e n t e p a r a que se
produza estrutura martensítica. Pode-se, pois, definir a velocidade crítica de
e s f r i a m e n t o (ou de t ê m p e r a ) c o m o "a menor velocidade de esfriamento que produzirá
estrutura inteiramente martensítica".
A v e l o c i d a d e d e e s f r i a m e n t o e, e m ú l t i m a a n á l i s e , o t i p o d e t r a t a m e n t o t é r m i c o s e r á ,
portanto, escolhido de a c o r d o c o m a estrutura e as propriedades que s e d e s e j a m . Assim,
q u a n d o s e v i s a o b t e r a m á x i m a cfuraza. d e v e - s e p r o c u r a r p r o d u z i r a e s t r u t u r a m a r t e n s í t i c a ,
isto é, escolher u m t r a t a m e n t o térmico c o m e s f r i a m e n t o rápido. Q u a n d o s e v i s a o mínimo d e
d u r e z a , é n e c e s s á r i a e s t r u t u r a perlítica, o u s e j a , e s f r i a m e n t o lento.
A consideração d a v e l o c i d a d e de esfriamento muito baixa, para o b t e n ç ã o d a estrutura
perlítica ou muito alta, p a r a obtenção da estrutura martensítica, é válida p a r a todo aço que Tampo Tampo Tempo

apresentar uma curva T T T idêntica à vista atrás. Ver-se-á mais adiante que a posição Esfriamento em Esfriamento em Esfriamento ao
d e s s a s curvas pode s e r g r a n d e m e n t e m o d i f i c a d a por inúmeros fatores, verificando-se e n - água óleo ar

tão q u e a estrutura m a r t e n s í t i c a pode ser o b t i d a c o m velocidades de e s f r i a m e n t o relativa-


Fig. 2 4 - Representação esquemática do efeito da secção d a p e ç a sobre a velocidade d e
mente baixas.
esfriamento e m meios diferentes.

50 51
FATORES QUE AFEOM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT

FATORES QUE AFETAM A POSIÇÃO


DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT
ENDURECIBILIDADE OU
TEMPERABILIDADE

52
53
••
••
FATORES QUE AJETAM A POSIÇÃO DAS CURWS DO DIAGRAMA TTT
•ACOSE FERROS FUNDIDOS

1 . Fatores que influem na posição das curvas TTT - Viu-se que o t e o r d e carbono pode de fim de t r a n s f o r m a ç ã o p a r a a d i r e i t a , a t r a s a n d o o início e o f i m d a t r a n s f o r m a ç ã o da

modificar s e n s i v e l m e n t e a posição das linhas d e início e de fim de t r a n s f o r m a ç ã o das curvas austenita.


TTT. A l é m do carbono, o s elementos de liga q u e p o d e m ser adicionados nos aços afeiam • A c o n s e q u ê n c i a m a i s i m p o r t a n t e d e s s e d e s l o c a m e n t o e, p o r t a n t o , d o retardamento nas
grandemente a posição d a s curvas isotérmicas. O u t r o s fatores d e influência são o tamanho transformações, consiste na m a i o r facilidade de obter, por esfriamento, a estrutura
d e g r ã o s e a h o m o g e n e i d a d e da austenita. Portanto, os principais f a t o r e s q u e p o d e m m o d i - martensítica'. N a r e a l i d a d e , c o n f o r m e o s e l e m e n t o s d e l i g a p r e s e n t e s , p o d e - s e t e r f o r m a ç ã o
m - ficar a posição das c u r v a s T T T são: quase que s o m e n t e de martensita m e s m o c o m esfriamento lento.

# - composição química; As figuras 2 6 , 2 7 , 2 8 e 2 9 l 1 D ) m o s t r a m as curvas T T T p a r a quatro tipos de aço c o m e l e m e n t o s

- tamanho de grão d e ausíenfta; de liga e c o m p r o v a m c l a r a m e n t e o s f a t o s q u e a c a b a r a m d e s e r e x p o s t o s . A f i g u r a 2 9 r e f e r e - s e

• homogeneidade d a austenita. a u m tipo d e a ç o p a r a o q u a l é p o s s í v e l a f o r m a ç ã o d e b a i n i t a p o r r e s f r i a m e n t o c o n t í n u o .

#
• N o q u e s e r e f e r e à composição química, t o d o s os elementos de liga q u e s ã o adicionados
a o s a ç o s , c o m e x c e ç ã o d o c o b a l t o , d e s l o c a m a s c u r v a s d e início e d e f i m d e t r a n s f o r m a ç ã o

••
p a r a a direita, o u s e j a , r e t a r d a m a t r a n s f o r m a ç ã o . A explicação p a r a e s s e c o m p o r t a m e n t o é
a seguinte:

- Praticamente t o d o s o s e l e m e n t o s d e liga s e d i s s o l v e m na austenita, isto é, q u a n d o o a ç o


s e encontra a t e m p e r a t u r a s e m que é constituído unicamente de a u s t e n i t a , os seus ele-
m e n t o s de liga s e e n c o n t r a m inteiramente d i s s o l v i d o s no ferro g a m a .

• - Os elementos da liga apresentam, entretanto, tendência diversa


esfriamento, se a c h a m n a z o n a crítica; e m o u t r a s palavras, h á u n s e l e m e n t o s que t e n d e m
quando, no


a ficar dissolvidos no ferro sob a forma alotrópica alfa e há outros e l e m e n t o s que tendem
a f o r m a r c a r b o n e t o s d a m e s m a m a n e i r a q u e o f e r r o ( v e r T a b e l a 2)< >. 11

II! í.
•Ih )! E n t r e os p r i m e i r o s c o n t a m - s e o a l u m í n i o , o s i l í c i o e o n í q u e l ; e n t r e o s s e g u n d o s , os q u e
a p r e s e n t a m a t e n d ê n c i a m a i s forte de f o r m a ç ã o d e c a r b o n e t o s s ã o o t i t â n i o , o nióbio e o
vanádio; o tungsténio e o molibdênio, a p r e s e n t a m igualmente t e n d ê n c i a forte, embora
10 10' 10' 10' 10'
# m e n o r que os a n t e r i o r e s ; finalmente, o c r o m o t e m tendência m o d e r a d a par formar
Tempo em segundas
carbonetos e o m a n g a n ê s apresenta t e n d ê n c i a fraca, a maior parte dele s e dissolvendo
( E s c a l a logarítmica)
:m n a ferrita.
Fig. 2 6 - Curva T T T para aço AIS11335 c o m 0,35% de carbono e 1,85% de manganês

D e q u a l q u e r m o d o , o s e l e m e n t o s de liga, n o e s f r i a m e n t o ao e n t r a r e m n a z o n a crítica,

••
p r o c u r a m se dispor d e a c o r d o c o m sua t e n d ê n c i a , q u e r se dissolvendo n a ferrita, quer for-
m a n d o carbonetos. E s s a s reações, tanto m a i s n u m e r o s a s e c o m p l e x a s quanto maior o
A


n ú m e r o d e e l e m e n t o s d e l i g a p r e s e n t e s r e q u e r e m , a s s i m , a p r e c i á v e l t e m p o p a r a s e iniciar e
-A 3
A —rz\
t a m b é m p a r a s e c o m p l e t a r , f a t o e s s e q u e o c a s i o n a r á o d e s l o c a m e n t o d a s c u r v a s d e início e
1 A
J11 O

TABELA2 - 21 g
/
Distribuição dos elementos de liga n o s aços esfriados lentamente
A+F+C \ F+C -
D i s s o l v i d o na C o m b i n a d o na Na f o r m a de Na f o r m a de \
I H : Ferrita f o r m a de Inclusões Compostas E \ 07 tD

••
Carboneto Não-Metálicas Intermetállcos \ J6 Q
X
Ni ML —
líi:
[M! I:
Si Si0 .MO
2
_... i L ^
Al AIA AI„N -Mg - 0
rl
Zr ZrtD 2 Zr N
x y
I ; MANHODEGRÃO
Cu N>7-B -
P
1n
i ! \\

#
M n (forte) Mn (fraca) MnS, MnO.Si0 2

In i Ih 1dia
Cr (forte) Cr (moderada)
A 1 10 10' 10' 10
- 10' 10'


Cf
W (fraca) W (moderada)
Tempo em segundas
M o (fraca) Mo (moderada)


V (muito fraca) V (forte) ( E s c a l a logarítmica)
V A
Ti (muito fraca) Ti (forte)
Nb (muito fraca) Nb (forte) Fig. 2 7 - Curva T T T para aço AISI 2340 com 0,37% C, 0 , 6 8 % Mn e 3,41 % Ni.

54 55'
Aços E FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AEETAMA POSÍÇÃO DAS Custas a o DIAGRAMA TTT

1 . I —A •
: 1 A
- a
A i 1

J^-^yyy- :

- 30
"T : i - ( 39 O

- A+F+ \ +C
:
- 40 5>

\
35

.1 i • i í i
- 41 rr

f i. E
\
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- 1 • Ml - TAMANhODE GRÃ D 7 - 8
53
56
61
TA EGRÃO
vA
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II - \A .
n ín h 1aSa '" au ími10'
n Ih 10' 1
lia
1 10 10" 10' 10' 10' 10' 1 10 10' 10' 10'

Tempo em s e g u n d o s Tempo em segundos


(Escala l o g a r í t m i c a ) ( E s c a l a logarítmica)

Fig. 28 - C u r v a T T T para açoAISI 5140 c o m 0 , 4 3 % C, 0,58% M n e 0 , 9 3 % Cr. Fig. 30 - Curva T T T para aço 1321 cementado, com 0 , 8 0 % C, e 1,88% M n .

400

300
O
2_»
£J 200

100
CL
( í Ê \
0
E \
-100 o

-200 \ \
Manganês (%)

Fig. 31 - Influência do manganês e do carbono sobre a temperatura M, de início


1 10 10* 1tf Vt 10' 10'
da f o r m a ç ã o de martensita.

Tempo e m segundos
Ill'
(Escala tegsríirnica) raturas de r e a ç ã o martensítica, a b a i x a n d o - a s c o n s i d e r a v e l m e n t e , a p o n t o de evitar s u a for-
ip i mação total.
Fig. 29 - Cun/a T T T p a r a a ç o A I S I 4340 com 0,42% C, 0 , 7 8 % Mn, 1,79% Ni, 0 , 8 0 % e C r e 0,33% Mo. E m r e l a ç ã o a o tamanho de grão da austenita, verifica-se q u e q u a n t o maior esse t a m a n h o
d e g r ã o t a n t o m a i s p a r a a d i r e i t a s ã o d e s l o c a d a s a s c u r v a s d e i n í c i o e d e fim d a t r a n s f o r m a -
ção, c o m o c o n s e q u e n t e a t r a s o d o i n í c i o e d o f i m d a f o r m a ç ã o d a p e r l i t a . D e f a t o , o p r o d u t o
TU
O s e l e m e n t o s de liga a f e t a m n ã o s o m e n t e a p a r t e isotérmica dos d i a g r a m a s d e transfor- da t r a n s f o r m a ç ã o - periita - c o m e ç a a s e f o r m a r nos c o n t o r n o s d e grãos d a a u s t e n i t a ; é
mação, como também a reação de fcrrnação d a m a r t e n s i t a . A figura 30<' ' p e r m i t e ver as
1
evidente, e n t ã o , q u e se a austenita a p r e s e n t a r tamanho de g r ã o g r a n d e , s u a total transfor-
l i n h a s M j e M, p o d e m s e r s e r s í v s r r i e n ^ .,-T-TCT^-V^ = p o n i o ria. a s c a r t e s c a s o s , c o m o e m m a ç ã o l e v a r á m a i s t e m p o do q u e s e a p r e s e n t a r grão m e n o r (fig. 33)< 121 .
a ç o s cementados c o m alto t e o r d e carbono e níquei GU cromo em teores variáveis, não se ter Assim s e n d o , os a ç o s c o m t a m a n h o d e grão austenítico g r a n d e t e n d e m a apresentar, no
f o r m a ç ã o completa d a m a r t e n s i t a à t e m p e r a t u r a a m b i e n t e pelo r e s f r i a m e n t o c o m u m , em esfriamento, estrutura martensítica mais facilmente do q u e aço c o m tamanho de grão
v i r t u d e d a l i n h a M, ficar l o c a l i z a d a a b a i x o d e s s a t e m p e r a t u r a . N e s s a s c o n d i ç õ e s , . t e m - s e à austenítico menor.
t e m p e r a t u r a a m b i e n t e u m a c e r t a q u a n t i d a d e d e "austenita retida" o u "austenita residual". O fato de u m t a m a n h o de grão g r a n d e facilitar a obtenção d e estrutura martensítica p o d e
A s f i g u r a s 3 1 e 32< ' p e r m i t e m n o t a r o s e f e i t o s d o m a n g a n ê s e d o c a r b o n o ( f i g . 3 1 ) e d o
11
levar à c o n c l u s ã o q u e se deve preferir u m a ç o d e granulação g r o s s e i r a . Essa c o n c l u s ã o é,
c r o m o e d o c a r b o n o ( f i g . 3 2 ) s o b r e a t e m p e r a t u r a M, d e início d e f o r m a ç ã o d a m a r t e n s i t a . entretanto, e r r ó n e a , visto que os prejuízos de u m a granulação g r o s s e i r a são maiores q u e as
E v i d e n c i a - s e mais u m a v e z a a ç ã o q u e os e l e m e n t o s d e liga p o d e m exercer s o b r e as t e m p e - v a n t a g e n s , c o m o s e p o d e constatar p e l o e x a m e da Tabela 3< '. 13

56 57
A ç o s £ FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AFETAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT

D e v i d o à i n f l u ê n c i a d o t a m a n h o d e g r ã o a u s t e n í t i c o s o b r e a s c u r v a s e m "C", r e s u l t a n d o ,
j à m e d i d a q u e e l e c r e s c e , n a m a i o r f a c i l i d a d e d e s e o b t e r p e l o e s f r i a m e n t o e s t r u t u r a inteira-^
mente martensítica, é conveniente especificar-se s e m p r e o t a m a n h o de grão d o s a ç o s , a o
ser feita r e f e r ê n c i a às curvas TTT, c o m o aliás está i n d i c a d o e m vários dos diagramas
isotérmicos j á a p r e s e n t a d o s " .
I i
Tudo isso l e v a à conclusão de que o c o n h e c i m e n t o do t a m a n h o de grão austenítico do
aço a p r e s e n t a c o n s i d e r á v e l i m p o r t â n c i a . H á v á r i o s m é t o d o s p a r a d e t e r m i n a ç ã o d o t a m a n h o
de g r ã o a u s t e n í t i c o , o s q u a i s n ã o s e r ã o , c o n t u d o , a b o r d a d o s n a p r e s e n t e o b r a . U m a vez
determinado, é ele comparado c o m os " p a d r õ e s " estabelecidos p e l a A . S . T . M . n que os clas-
sificou e m 8 g r u p o s , c o n f o r m e i n d i c a a f i g u r a 3 4 .
D a d a a i n f l u ê n c i a do t a m a n h o de g r ã o s o b r e o c o m p o r t a m e n t o do aço nos t r a t a m e n t o s
térmicos, é i m p o r t a n t e que s e p o s s a controlá-lo. Esse controle é realizado de maneira
relativamente fácil, pela adição de d e t e r m i n a d o s elementos d e liga em teores baixos. O s
0 2 4 6 a 10 12 14 16
elementos q u e p o d e m controlar o c r e s c i m e n t o de grão d a a u s t e n i t a são o a l u m í n i o , o
C r o m o (%)
titânio, o z i r c ô n i o , o v a n á d i o ' ' e o n i ó b i o . A d m i t e - s e , g e r a l m e n t e , q u e o e f e i t o d o a l u m í n i o
1 4

Fig. 3 2 - Influência do cromo e do carbono sobre a t e m p e r a t u r a M, de início de f o r m a ç ã o da martensita. seja d e v i d o à f o r m a ç ã o de a l u m i n a f i n a l m e n t e dividida q u e a p a r e n t e m e n t e s e acumularia
nos c o n t o r n o s d e g r ã o s de a u s t e n i t a , e v i t a n d o a s s i m , por u m a a ç ã o m e c â n i c a , o c r e s c i -
mento dos g r ã o s desta. Admite-se t a m b é m que essa alumina s e dissolva p r o g r e s s i v a m e n -

TABELA3 te n a a u s t e n i t a , a t e m p e r a t u r a s m u i t o e l e v a d a s , e n e s s a s c o n d i ç õ e s p a u l a t i n a m e r t e a
Efeito d o t a m a n h o d e g r ã o a u s t e n í t i c o s o b r e c e r t a s c a r a c t e r í s t i c a s d o s a ç o s obstrução m e c â n i c a d e s a p a r e c e e o c r e s c i m e n t o da austenita v o l t a a se processar '" . 1 1

T E N D Ê N C I A S NOS A Ç O S T E M P E R A D O S Q u a n t o a o v a n á d i o , titânio e z i r c ô n i o , s e u efeito p a r e c e s e r d e v i d o a o s c a r b o n e t o s que


PROPRIEDADE Aços deAustenlta A ç o s deAustenita f o r m a m , o s q u a i s s e r i a m r e l a t i v a m e n t e e s t á v e i s , d e difícil s o l u ç ã o n a a u s t e n i t a , impedindo
Grosseira Fina desse m o d o o c r e s c i m e n t o desta.
(n 5 e acima)
a ( m a i s f i n a d o que A homogeneidade da austenita é outro fator de influência s o b r e a posição das c u r v a s do
n 2 5; d e 5 a 8 ) diagrama isotérmico. Quanto menos h o m o g é n e a a austenita, os seja, quanto maior a q u a n -
Endurecibilidade Endurecimento Endurecimento tidade d e c a r b o n e t o s r e s i d u a i s o u d e á r e a s l o c a l i z a d a s ricas e m c a r b o n o , t a n t o m a i s r á p i d o
mais profundo m e n o s profundo é o início d a r e a ç ã o d e f o r m a ç ã o d a p e r l i t a . D e f a t o , o s c a r b o n e t o s r e s i d u a i s n ã o d i s s o l v i d o s
Tenacidade ã m e s m a dureza Menos tenazes Mais tenazes a t u a m c o m o n ú c l e o s p a r a a r e a ç ã o d e f o r m a ç ã o d a p e r l i t a , d e m o d o q u e o início d a t r a n s f o r -
Empenamento Maior Menor mação da austenita é acelerado.
Fissuras de têmpera Mais frequentes Geralmente ausentes
Fissuras de retificação Mais susceptíveis M e n o s susceptíveis
2.Austenita retida ou residual - C o m o s e v i u , a principal c a u s a d a retenção d a a u s t e n i t a é
Tensões residuais Maiores Menores
Austenita retida Mais Menos a composição q u í m i c a dos aços. O e l e m e n t o mais importante n e s s e sentido é o c a r b o n o , o
N O S AÇOS R E C O Z I D O S E NORMALIZADOS qual r e b a i x a d e m o d o s i g n i f i c a t i v o a l i n h a M, d e início d e f o r m a ç ã o d a m a r t e n s i t a .
Usinabilidade (Desbaste) melhor (Desbaste) inferior Isso d e v i d o a o f a t o d o c a r b o n o e m s o l u ç ã o s ó l i d a a u m e n t a r a r e s i s t ê n c i a a o c i s a l h a m e n t o
Usinabilidade (casos especiais) (Acabamento fino) (Acabamento fina) da austenita s e n d o , portanto, n e c e s s á r i o aplicar-se m a i o r e s f o r ç o para que c o m e c e o
inferior melhar c i s a l h a m e n t o q u e l e v a a o início d a f o r m a ç ã o d a m a r t e n s i t a ' 151 .
Trabalhabilidade (casos especiais) superior inferior O m e s m o o c o r r e c o m a t e m p e r a t u r a M, a o fim d a f o r m a ç ã o d a m a r t e n s i t a . E s s a t e m p e -
ratura j á se s i t u a a b a i x o da t e m p e r a t u r a a m b i e n t e e m a ç o s c o m c a r b o n o s u p e r i o r a c e r c a
d e 0 , 3 % . A t e m p e r a t u r a fvl, p a r e c e s e r c o n s t a n t e a - 1 5 5 ° C p a r a a ç o s - c a r b o n o d e b a i x a l i g a
e - 1 0 0 ° C p a r a a ç o s rápidos e a ç o s d e alto c r o m o e alto c a r b o n o , i n d e p e n d e n t e m e n t e da
p o s i ç ã o da l i n h a M,' '. 16

D e s s e m o d o , apreciáveis q u a n t i d a d e s d e austenita não t r a n s f o r m a d a (ou a u s t e n i t a r e s i -


dual ou retida) podem estar presentes à temperatura ambiente juntamente com a
martensita, à m e d i d a que a u m e n t a o t e o r do carbono.
Por outro lado, os elementos de liga q u e tendem a estabilizar a austenita a u m e n t a m a
q u a n t i d a d e d e a u s t e n i t a r e t i d a a q u a i s q u e r n í v e i s d e c a r b o n o , c o m o j á foi m e n c i o n a d o (a
exceção é o cobalto).
Outro fator de que depende a retenção da austenita é a t e m p e r a t u r a de austenitização.

" Esse fato é expresso por "endurecibilidade" ou "temperabilidade", como se verá mais adiante, isto á,
tendência à produção de endurecimento a uma maior profundidade.
Fig. 33 - Efeito do tamanho de grão sobre a reação d e transformação d a austenita; nota-se que o grão n "American Society for Testing Materials".
menor apresenta reação completa, ao passo que no maior, cujo início d a reação coincidiu com o do O crescimento da austenita é tanto maior quanto mais alta a temperatura ou quanto mais longo o tempo
menor, a mesma não se completou. de permanência às temperaturas de austenização.

58 59
Aços E FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AFEIAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT

Q u a n t o m a i o r f ô r a m e s m a , t a n t o m a i s p a r a b a i x o é d e s l o c a d a a l i n h a M,, e m r a z ã o d e s e Em r e s u m o :
dissolver uma m a i o r q u a n t i d a d e dos e x c e s s o s de carbonetos na austenita, antes do
resfriamento. • - os a ç o s - c a r b o n o c o m u n s , à m e d i d a q u e a u m e n t a o teor d e c a r b o n o , mostram t e n d ê n c i a
A l é m da influência d a composição e d a t e m p e r a t u r a de austenitização na posição da pronunciada à retenção da austenita;
l i n h a M, e s o b r e a q u a n t i d a d e d e a u s t e n i t a r e t i d a , p o d e o c o r r e r u m f e n ó m e n o conhecido - do m e s m o m o d o " a t u a m o s e l e m e n t o s d e liga, c o m e x c e ç ã o d o c o b a l t o ;
c o m o "estabilização d a austenita", quer d u r a n t e o processo de resfriamento (têmpera) do - outro fator que pode provocar a retenção da austenita é a temperatura de
aço, quer durante o r e a q u e c i m e n t o após e s s e resfriamento (revenido), f e n ó m e n o esse que austenitização; q u a n t o mais alta f ô r a m e s m a , maior a q u a n t i d a d e de austenita residual;
afeta igualmente a q u a n t i d a d e de austenita retida. - no q u e s e r e f e r e a o f e n ó m e n o d e e s t a b i l i z a ç ã o d e a u s t e n i t a , o s e l e m e n t o s d e l i g a m o s -
N o caso do r e s f r i a m e n t o , e s s a e s t a b i l i z a ç ã o d e p e n d e de dois f a t o r e s : tram u m a t e n d ê n c i a v a r i á v e l . A s s i m , o s e l e m e n t o s m a n g a n ê s e n í q u e l t e n d e m a d i m i n u i r
esse efeito. P o r e x e m p l o , n u m a ç o c o m 1 % de carbono, a t e n d ê n c i a para e s t a b i l i z a ç ã o é
- velocidade de resfriamento quase p r a t i c a m e n t e eliminada a c e r c a d e 2 , 5 % de m a n g a n ê s ou será diminuída d e dois
- interrupção do resfriamento, antes de s e c o m p l e t a r a transformação d a austenita. terços p e l a a d i ç ã o d e 4 , 5 % d e n í q u e l ;
- outros e l e m e n t o s f o r m a d o r e s d e c a r b o n e t o s c o m o t u n g s t é n i o e v anádi o, p o d e m i g u a l -
A s s i m , u m a ç o r e s f r i a d o e m óleo p o d e c o n t e r m a i o r q u a n t i d a d e d e a u s t e n i t a q u e ser resfriado mente a u m e n t a r a tendência à estabilização c o m temperaturas suficientemente e l e v a d a s
e m á g u a . Do m e s m o m o d o , se o resfriamento fôr interrompido pela m a n u t e n ç ã o a determinada para dissolvê-los n a austenita.
t e m p e r a t u r a e n t r e M, e M,, p o d e a c o n t e c e r q u e n ã o h a j a t r a n s f o r m a ç ã o d a a u s t e n i t a e m
martensita quando se r e t o m a r o resfriamento, a t é q u e se consiga suficiente sub-resfriamento. Convém l e m b r a r que a austenita retida é instável e pode transformar-se em martensita,
Tais fatos p o d e m s e r c o m p r o v a d o s pelo e x a m e d a Tabela n 9 4 q u e m o s t r a o efeito d a quer sob a a ç ã o d e t r a b a l h o a frio (os a ç o s austeníticos a o m a n g a n ê s Hadfield s ã o um
v e l o c i d a d e de r e s f r i a m e n t o ou da interrupção do resfriamento sobre a estabilização da exemplo), q u e r d u r a n t e o revenido, o u s i m p l e s m e n t e por e n v e l h e c i m e n t o à temperatura
a u s t e n i t a , ou seja, s o b r e a q u a n t i d a d e d e a u s t e n i t a retida. ambiente. E s s e f e n ó m e n o s podem ocasionar mudanças dimensionais inesperadas,
C o m o se vê, pelo u s o sucessivo de m e i o s d e resfriamento m e n o s r á p i d o s (água, óleo, ar fragilização o u f i s s u r a ç ã o .
e sal) ou pela m a n u t e n ç ã o a determinada t e m p e r a t u r a na faixa m a r t e n s í t i c a (inferior a 213°C) Grandes q u a n t i d a d e s de austenita r e t i d a p o d e m a i n d a i m p e d i r q u e se atinja a d u r e z a final
a n t e s do resfriamento a 2 0 ° C , obtem-se q u a n t i d a d e s crescentes d e a u s t e n i t a retida. desejada no a ç o , p o r q u e a austenita p o d e s e transformar n u m p r o d u t o mais mole (ferrita m a i s
A d m i t e - s e q u e e s s a estabilização se d e v a a o fato do c a r b o n o s e g r e g a r - s e na f o r m a d e carboneto) d o q u e a martensita, d u r a n t e as s u b s e q u e n t e s o p e r a ç õ e s de revenido.
e m b r i õ e s potenciais o u sítios d e n u c l e a ç ã o m a r t e n s í t i c a , durante o r e s f r i a m e n t o lento do a ç o Finalmente, e m determinados c a s o s , c o m o e m peças c e m e n t a d a s existe u m a c o n t r o v é r -
ou a sua manutenção a u m a temperatura constante. O carbono s e g r e g a d o aumentaria a s i a s o b r e o e f e i t o d a a u s t e n i t a r e t i d a n a e s t r u t u r a final d o a ç o . E s s e a s s u n t o s e r á a b o r d a d o
resistência ao c i s a l h a m e n t o d a austenita, d e m o d o a provocar u m a e s t a b i l i z a ç ã o efetiva' '. 15 por o c a s i ã o d o e s t u d o d a c e m e n t a ç ã o .
C o m o se m e n c i o n o u , n o s a ç o s c o m u n s n ã o - l i g a d o s , o c a r b o n o t e m g r a n d e influência
s o b r e a l i n h a M,: e s t a é r e b a i x a d a d e 2 8 ° C a 3 3 ° C p a r a c a d a 0 , 1 0 % d e c a r b o n o a d i c i o n a d o . 3. Endurecibilidade ou temperabilidade - E m v i s t a d o q u e foi e x p o s t o a t é a g o r a , p r i n c i p a l -
O s e l e m e n t o s m a n g a n ê s e níquel e x e r c e m o s e g u i n t e efeito: p a r a c a d a 1 % d e m a n g a n ê s mente e m r e l a ç ã o às curvas de T T T e à v e l o c i d a d e de e s f r i a m e n t o , é evidente q u e s ó s e
a d i c i o n a d o a l i n h a M, é r e b a i x a d a d e c e r c a d e 3 9 ° C e p a r a c a d a 1 % d e n í q u e l a d i c i o n a d o , o pode o b t e r n u m a ç o e n d u r e c i m e n t o t o t a l , o u s e j a , f o r m a ç ã o d a e s t r u t u r a m a r t e n s í t i c a , q u a n -
rebaixamento é de 2 0 ° C . do a v e l o c i d a d e d e esfriamento é tal q u e evite a f o r m a ç ã o d a periita fina.
Os elementos de liga (com exceção do cobalto), quando inteiramente dissolvidos na Ora, o m e i o d e esfriamento u s a d o ( á g u a , salmoura, óleo,etc.) retira o calor d i r e t a m e n t e
austenita, tendem a a u m e n t a r a quantidade d e austenita residual por a m b o s os m e c a n i s - só d a s u p e r f í c i e d o a ç o , e x i s t i n d o p o r t a n t o u m g r a d i e n t e d e t e m p e r a t u r a d o i n t e r i o r p a r a a
mos: d e r e b a i x a m e n t o d a l i n h a M, e d a e s t a b i l i z a ç ã o d a a u s t e n i t a ' 171 . superfície d a s p e ç a s , d e m o d o a n ã õ s e ter e n d u r e c i m e n t o u n i f o r m e e m t o d a a s u a s e c ç ã o .
C o n t u d o , os e l e m e n t o s de liga que p o s s u e m forte tendência a f o r m a r c a r b o n e t o s p o d e m Assim s e n d o , o q u e v a i determinar a p r o f u n d i d a d e na qual s e f o r m a u m a estrutura c o m p l e -
complicar a reação d e início de formação d a martensita, porque esses carbonetos comple- tamente m a r t e n s í t i c a é a velocidade d e esfriamento a várias p r o f u n d i d a d e s sob a superfície,
xos formados podem permanecer não dissolvidos na austenita à temperatura de c o n j u n t a m e n t e c o m a p o s i ç ã o d a s c u r v a s e m " C " no d i a g r a m a i s o t é r m i c o .
a u s t e n i t i z a ç ã o , p r o v o c a n d o e f e i t o i n v e r s o , o u s e j a , e l e v a r a t e m p e r a t u r a M. , p e l o f a t o d e s e
t É portanto, de grande importância prática o conhecimento de comportamento do aço,
dissolver menos carbono durante o aquecimento a uma determinada temperatura de quando esfriado d a t e m p e r a t u r a austenffjca, no que diz r e s p e i t o à f o r m a ç ã o d a estrutura
austenitização. Esse efeito é neutralizado pelo aquecimento do aço a u m a temperatura de martensítica o u p r o d u ç ã o d e e n d u r e c i m e n t o total a várias p r o f u n d i d a d e s sob a s u a s u p e r f í c i e .
austenitização suficientemente elevada que p r o v o q u e u m a solução mais c o m p l e t a do carbo- Chama-se temperabilidade" a "capacidade do aço endurecer" ou à "profundidade de
no e dos elementos d e liga: endurecimento". Note-se que "temperabDidade" ou profundidade de endurecimento, n ã o s e
referem à m á x i m a d u r e z a que p o d e s e r o b t i d a n u m aço, a q u a l é f u n ç ã o quase q u e e x c l u s i v a
TABELA 4 do seu teor d e c a r b o n o , e n q u a n t o q u e a p r o f u n d i d a d e de e n d u r e c i m e n t o d e p e n d e m a i s d o
Efeito d a v e l o c i d a d e de r e s f r i a m e n t o e d o r e s f r i a m e n t o I n t e r r o m p i d o tamanho d e g r ã o austenítico e d a p r e s e n ç a de elementos de liga do que do teor de c a r b o n o
s o b r e a q u a n t i d a d e d e a u s t e n i t a retida oc a ç c
Austenita Outro p o n t o que deve também ficar claro é que. na realidade, o significado da
Tratamento
retida, %
temperabilidade não deve ser t o m a d a c o m o dizendo respeito s o m e n t e à obtenção d a m á x i -
Resfriamento em água a 2 0 ° C 5,8 ma dureza, em várias profundidades, em função da velocidade de esfriamento;
Resfriamento em óleo a 2 0 ° C 7,0
"temperabilidade" deve ser ligada i g u a l m e n t e à obtenção da m á x i m a tenacidade, e m f u n ç ã o
Resfriamento e m ó l e o a 4 9 ° C ; resfriamento ao ar a 2 0 ° C 9,0
da micro-estrutura p r o d u z i d a no e s f r i a m e n t o . C o m o s e v e r á , p o r o c a s i ã o dos e s t u d o s dos
Resfriamento em óleo a 121 ° C ; resfriamento ao ar a 2 0 ° C 9,5
t r a t a m e n t o s t é r m i c o s , a s e s t r u t u r a s m a i s d e s e j a d a s p a r a e s s e f i m s ã o a s bainiticas obtidas
Resfriamento em banho d e sal a 232°C; resfriamento ao ar a 20°C 10,6
n a f a i x a d e m a i s b a i x a t e m p e r a t u r a e a "martensita revenida".
Resfriamento em banho d e sal a 232°C; resfriamento n a água a 20°C 6,1

62 63
Aços E FERROS FUNDIDOS
FATORES QUE AFETAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT O
Assim, o conhecimento da temperabilidade dos aços é essencial, p o q u e o mais importan- 5 Medida da temperabilidade - O s dois métodos mais conhecidos para medir a

t e objetivo do t r a t a m e n t o t é r m i c o do a ç o é o b t e r a m a i o r d u r e z a e a m a i s a l t a t e n a c i d a d e , e m t e m p e r a b i l i d a d e d e u m a ç o s ã o o "método de Grossmann" e o "método de Jominy".

condições controiadas de velocidade de esfriamento, a uma profundidade determinada ou


através de toda a s u a s e c ç ã o e de m o d o a r e d u z i r ao mínimo as t e n s õ e s d e esfriamento. 51 Método de G/ossmann c o n s i s t e * ' e m resfriar a partir d o e s t a d o austenítico,
1 3 uma
série de b a r r a s cilíndricas de diâmetros crescentes, em condições controiadas de
4 . A v a f i a ç ã o da temperabilidade - C o n s e q u e n t e m e n t e , pode-se d e s d e j á afirmar que, para esfriamento. A s b a r r a s s ã o e m s e g u i d a q u e b r a d a s , m e d i n d o - s e a d u r e z a através d e t o d a a
s e conseguir as p r o p r i e d a d e s acima m e n c i o n a d a s nos aços, resultantes d a formação dos sua secção t r a n s v e r s a l . Esse ensaio p e r m i t e , pois, d e t e r m i n a r a profundidade a q u e o a ç o
p r o d u t o s de t r a n s f o r m a ç ã o a baixas t e m p e r a t u r a s , é preciso evitar q u e a a u s t e n i t a se transfor- endurece, não s ó pela medida de d u r e z a c o m o t a m b é m p e l a observação das estruturas
m e e m p r o d u t o s m a i s m o l e s e d ú c t e i s , t í p i c o s d a s a l t a s t e m p e r a t u r a s d e t r a n s f o r m a ç ã o ; isto resultantes. S e s e r e p r e s e n t a r n u m g r á f i c o , e m abcissas, a s e c ç ã o transversal d e u m a b a r r a
significa que o aço d e v e s e r esfriado p a r a e v i t a r a transformação d a austenita, de m o d o a cilíndrica, o u s e j a , a d i s t â n c i a d o s e u c e n t r o à s e x t r e m i d a d e s e , e m o r d e n a d a s a d u r e z a n a
atingir, s e m a l t e r a ç ã o , a p a r t e inferior d o d i a g r a m a d e e s f r i a m e n t o c o n t í n u o . A v e l o c i d a d e d e
e s c a l a R o c k w e l l C , p o r e x e m p l o , p o d e r - s e - i a t e r os a s p e c t o s d a s f i g u r a s 3 6 e 3 7 , o n d e s e
esfriamento q u e p e r m i t e a o b t e n ç ã o d a m a r t e n s i t a , s e m q u a l q u e r t r a n s f o r m a ç ã o anterior d a
nota t a m b é m a i n f l u ê n c i a d o m e i o d e e s f r i a m e n t o e d a c o m p o s i ç ã o d o a ç o s o b r e a p r o f u n d i -
a u s t e n i t a , é c h a m a d a d e "velocidade crítica de esfriamento". Essa velocidade fornece um
dade do e n d u r e c i m e n t o .
m é t o d o para exprimir a temperabilidade d o s a ç o s , c o m o está d e m o n s t r a d o n a figura 35, rela-
No m é t o d o d e G r o s s m a n n , c o s t u m a - s e d e f i n i r o diâmetro crítico O., q u e c o r r e s p o n d e a o
t i v a a o d i a g r a m a p a r a r e s f r i a m e n t o c o n t í n u o d e u m a ç o S A E 4 3 4 0 , o n d e a v e l o c i d a d e crítica d e I
e s f r i a m e n t o c o r r e s p o n d e à c u r v a 5, q u e e q u i v a l e a c e r c a d e 3 0 . 0 0 0 ° C / s e g . ' . ( 1 a
diâmetro d a b a r r a que, esfriada d a t e m p e r a t u r a austenítica, m o s t r a r á no centro 5 0 % de
A utilização d a v e l o c i d a d e crítica de e s f r i a m e n t o p a r a exprimir a t e m p e r a b i l i d a d e constitui m a r t e n s i t a . P o r t a n t o , u m a b a r r a c u j o d i â m e t r o c o r r e s p o n d e a o d i â m e t r o crítico t e r á o s e u
u m método prático e s i m p l e s , com a restrição, entretanto, de q u e as velocidades de núcleo central c o m 5 0 % de m a r t e n s i t a ; q u a l q u e r diâmetro s u p e r i o r a p r e s e n t a r á n a t u r a l m e n -
r e s f r i a m e n t o n ã o s ã o c o n s t a n t e s , isto é, v a r i a m d u r a n t e o c i c l o d e r e s f r i a m e n t o , p r i n c i p a l - te u m c e n t r o c o m m e n o r q u a n t i d a d e d e m a r t e n s i t a , o u s e j a i n c o m p l e t a m e n t e e n d u r e c i d o e
m e n t e nos meios líquidos, visto que a v e l o c i d a d e d e esfriamento é s e m p r e m e n o r à medida qualquer d i â m e t r o inferior apresentará o centro c o m p l e t a m e n t e martensítico ou e n d u r e c i d o .
q u e a temperatura do m e i o é atingida e d e v i d o à p r e s e n ç a de v a p o r n o início do ciclo. A separação d a z o n a em que p r e d o m i n a a estrutura martensítica d a z o n a em que p r e d o m i n a
A s s i m s e n d o , p r e f e r e - s e e x p r i m i r a t e m p e r a b i l i d a d e e m t e r m o s d e profundidade de endu- a estrutura perlítica é p e r c e b i d a p o r u m a q u e d a brusca n a d u r e z a ; p o d e - s e , a s s i m , f a c i l m e n -
recimento determinada n u m ensaio padronizado. Adota-se um resfriamento ideal, segundo o
te d e t e r m i n a r o d i â m e t r o crítico p a r a u m d e t e r m i n a d o a ç o . S u p o n h a - s e , por e x e m p l o , um
qual se admite que á superfície da peça atinja instantaneamente a t e m p e r a t u r a do meio de
aço c o m c o m p o s i ç ã o p r ó x i m a d a do e u t e t ó i d e , cujo d i â m e t r o c r í t i c o s e queira c o n h e c e r . Uma
resfriamento. O d i â m e t r o d e u m a barra que resfriará exatamente c o m a estrutura ou com o
v a l o r d a d u r e z a c o r r e s p o n d e n t e n o c e n t r o é o "diâmetro ideal", i n d i c a d o p o r D. série d e d i â m e t r o s d i f e r e n t e s s ã o a n a l i s a d o s p e l o m é t o d o G r o s s m a n n , c o m r e s f r i a m e n t o e m

C o m o se v e r á m a i s a d i a n t e , devido ao f a t o d e existir u m a relação e n t r e as condições água, r e s u l t a n d o u m a série de c u r v a s d e d u r e z a c o m o a f i g u r a 3 8 indica. Os d i â m e t r o s d a s


n o r m a i s d è r e s f r i a m e n t o e u m resfriamento ideai, é p o s s í v e l u t i l i z a r - s e a t e m p e r a b i l i d a d e d e barras n o e x e m p l o c o n s i d e r a d o v a r i a m d e 1 1 / 1 6 " a 2 - 1 / 1 2 " .
u m aço, em t e r m o s do d i â m e t r o ideal, p a r a p r e d i z e r o diâmetro de u m a b a r r a redonda que Para a c h a r o d i â m e t r o crítico, f a z - s e u m gráfico e m q u e a b c i s s a s são r e p r e s e n t a d o s os
e n d u r e c e r á e m q u a l q u e r m e i o d e r e s f r i a m e n t o p a d r o n i z a d o . Tal d i â m e t r o p o d e s e r c o n v e r t i - diâmetros d a s b a r r a s e e m o r d e n a d a s a d u r e z a Rockwell C d o s centros das barras (fig. 3 9 ) .
do n o v a l o r do d i â m e t r o ideal utilizado para e x p r i m i r a t e m p e r a b i l i d a d e . Verifica-se q u e a m a i s b r u s c a q u e d a d e d u r e z a no centro t e m - s e p a r a a barra e m q u e o
d i â m e t r o f i c a e n t r e 1 " e 1-1/8" o u a p r o x i m a d a m e n t e 1,05", o q u a l a s s i m c o r r e s p o n d e ao
1 1

1
t 1
Temper itura da Aus tsnização diâmetro crítico. Tal fato poderia ser p e r f e i t a m e n t e c o m p r o v a d o pelo e x a m e das t e x t u r a s . A
dureza crítica é a d u r e z a do centro d a b a r r a d e diâmetro c r í t i c o .

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1
Ferrita
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• ~~ Bainita
1

5 10 20 Sn \d 2x102 SX1CÍ irj 2x1d 5x1d W 2xlt) 5x10 16 2x10 5x10

Tempo para transformação, s e g .


Fig. 35 - Diagrama p a r a resfriamento contínuo d e u m aço SAE 4340, com curvas de esfriamento Fig. 36 - Curvas de dureza para aços-carbono (SAE 1040): a) resfriamento em óleo;
superpostas, de m o d o a indicar as várias microesrairuras que podem s e r obtidas. b) resfriamento em água.

64 65
Aços E FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AREIAM A POSIÇÃO DAS CÚRIAS DO DIAGRAMA TTT

5 2. Método de Jominy, t a m b é m c h a m a d o de ensaio do resfriamento d a extremidade" "". 1

Este m é t o d o f o i d e s e n v o l v i d o p o r J o m i n y e B o e g e h o l d é a t u a l m e n t e o m a i s u s a d o , t e n d o
sido m e s m o p a d r o n i z a d o p e l a A S T M , S A E e A I S I e n o B r a s i l p e i a A B N T . C o n s i s t e
n no
seguinte: u m c o r p o d e prova cilíndrico, d e 1 " de diâmetro por 4 " d e comprimento é a q u e c i -
d o até a t e m p e r a t u r a a u s t e n í t i c a e, e m s e g u i d a , p o r m e i o d e u m d i s p o s i t i v o adequado
(fig. 4 0 ) d i r i g e - s e u m j a t o d e á g u a , s o b c o n d i ç õ e s c o n t r o l a d a s d e q u a n t i d a d e , p r e s s ã o e
t e m p e r a t u r a , c o n t r a u m a de s u a s e x t r e m i d a d e s . D epoi s d e e s f r i a d o , faz-se u m c o r t e l o n g i -
tudinal no c o r p o d e p r o v a , retifica-se a s d u a s s u p e r f í c i e s p a r a l e l a s e o p o s t a s e m e d e - s e
sua d u r e z a a distâncias variáveis ( g e r a l m e n t e intervalos 1/16") a partir da e x t r e m i d a d e q u e
recebeu o jato de á g u a . Os valores o b t i d o s são lançados n u m gráfico, resultando numa
curva cujo a s p e c t o é o d a figura 4 1 . E s s a curva permite t a m b é m especificar a d i s t â n c i a d a
extremidade e s f r i a d a à zona de m e i a d u r e z a (ou 5 0 % de m a r t e n s i t a ) c o m o sendo a p r o f u n -
didade de e n d u r e c i m e n t o J o m i n y .

O m é t o d o J o m i n y está se t o m a n d o t ã o popular que g r a n d e n ú m e r o de aços j á t e m c u r v a s


Jominy, p e r f e i t a m e n t e determinadas.

70

Diâmetro das barras, em pol.

Fig. 39 - Curva representativa d a dureza dos centros das L d . j s á e aço SAH1GSG.


Dados extraídos da figura 3 8 .

35 ' 1 1 1 1 1 1

1,5 1,5 0,5 O 0,5 1,0 1,5 "End-quench tesf.


Distância do centro em polegadas ' ASTM-American Society for Testing Materials.
SAE-Society ofAutomotive Engineers.
Fig. 38 - Curvas de dureza para um aço S A E 1090 (0,89% C), em u m a série de barras AISI -American Iron and Steel instltute.
redondas, resfriamento e m água. ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas.

66 67
FATORES QUE AÍETAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT

O d i â m e t r o c r í t i c o (D) pode s e r e x p r e s s o e m termos d e d i â m e t r o ideal ( D ) p e l o u s o de (

gráficos, c o m o o r e p r e s e n t a d o n a f i g u r a 4 2 .
• N e s s e g r á f i c o , n o t a - s e à d i r e i t a , v a l o r e s i n d i c a d o s p o r H, q u e r e p r e s e n t a m a "severidade C
de resfriamento", expressão utilizada p a r a definir q u a n t i t a t i v a m e n t e as c o n d i ç õ e s de
resfriamento' 201 -

0,20 %

0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2 2,4 2,6 2,8 3,0
Valores D, (pol.)

Fig. 4 2 - Curvas representativas das relações entre valores d e diâmetro crítico, diâmetro .
ideal e severidade de resfriamento.

Existem gráficos que possibilitam a determinação do fator W 2 1 ) , partindo-se dos resulta-


dos o b t i d o s n a d e t e r m i n a ç ã o d a d u r e z a d o c e n t r o o u n ú c l e o d e u m a s é r i e d e b a r r a s c i l í n d r i -
cas d e d i â m e t r o s c r e s c e n t e s e s f r i a d a s a p a r t i r - d o e s t a d o a u s t e n í t i c o . N e s s e s g r á f i c o s , u m a
das o r d e n a d a s c o r r e s p o n d e e x a t a m e n t e à r e l a ç ã o DJD, em que D u equivale ao d i â m e t r o d a
secção central q u e não endureceu e D é o diâmetro total.
Para simplificar o estudo, p o d e - s e utilizar os v a l o r e s d a T a b e l a 5 ' 2 1 ) . Conhecido o
v a l o r d e H, o s v a l o r e s d e t e m p e r a b i l i d a d e em termos d e d i â m e t r o crítico p o d e m ser
transformados e m valores e m t e r m o s d e diâmetro ideal, a t r a v é s das curvas do gráfico
da figura 4 2 .
Um exemplo elucidará melhor a matéria. Suponha-se que a s e c ç ã o da barra cilíndrica e m
e s t u d o t e n h a i n d i c a d o u m d i â m e t r o c r í t i c o d e 1,2 p o l e g a d a s e q u e o v a l o r d e H s e j a 0 , 4 . S e
se s e g u i r a h o r i z o n t a l c o r r e s p o n d e n t e a 1,2 d e D, n a f i g u r a 4 2 a t é e n c o n t r a r a c u r v a c o r r e s -
p o n d e n t e a 0 , 4 0 d e H e d o p o n t o d e i n t e r s e c ç ã o , p e l a v e r t i c a l , c h e g a r - s e a t é os v a l o r e s d e
D,, e n c o n t r a r - s e - á p a r a o d i â m e t r o i d e a l D r o v a l o r 2,6 p o l e g a d a s .
Do m e s m o m o d o , pode-se d e t e r m i n a r o s diâmetros de b a r r a s cilíndricas que p o d e m s e r
endurecidos sob diferentes condições d e esfriamento, para u m aço com a t e m p e r a b i l i d a d e
do e x e m p l o a c i m a . U m novo e x e m p l o e x p l i c a r á este s e g u n d o c a s o : resfriamento e m á g u a ,

TABELAS

Estado d e a g i t a ç ã o d o
meio de r e s f r i a m e n t o Óleo Água Salmoura

Nenhuma 0,25 a 0,30 1,0 2,0


Pouca 0,30 a 0,35 1,0a1,1 2,0 a 2,2
Moderada 0,35 a 0,40 1 , 2 a 1,3 -
Boa 0,4 a 0,5 1,4a1,5 -
Forte 0,5-a0,3 1,6 a 2,0 -
Violenta 0,8 a 1,1 4,0 5,0

69
FATORES QUE AFETAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT
Aços £ FERROS FUNDIDOS

Diâmetro equivalente da barra (poi.)


Diâmetro equivalente da barra (mm)
c o m u m v a l o r d e H e q u i v a l e n t e a 1 , p o s s i b i l i t a r á e n d u r e c i m e n t o e m b a r r a d e 1,7 p o l e g a d a s
( p a r a d i â m e t r o i d e a i 2 , 6 p o l e g a d a s ) , a o p a s s o q u e e s f r i a m e n t o a o ar, c o m v a l o r d e H e q u i v a -
l e n t e a 0 , 0 2 p o s s i b i l i t a r á e n d u r e c i m e n t o s o m e n t e e m b a r r a d e a p r o x i m a d a m e n t e 1/4 de
p o l e g a d a de d i â m e t r o * 1 3 1 . o

\
â
A A m e r i c a n S o c i e t y of A u t o m o t i v e E n g i n e e r s - S A E ' 2 2 1 estabeleceu u m a correlação entre
a endureaDífídade J o m i n y e diâmetros de b a r r a s . Essa correlação está indicada na figura \
— \
n a 4 3 para os m e i o s d e resfriamento á g u a e óleo m e d i a n a m e n t e a g i t a d o s . Desse m o d o ,
pode-se relacionar a endurecibilidade c o m o definida por método J o m i n y (extremidade res- \
A
•o
f r i a d a ) c o m a e n d u r e c i b i l i d a d e c o m o d e f i n i d a p e l o m é t o d o G r o s s m a n n ( d i â m e t r o crítico). , A 1
6 . Fatores que afetam a temperabilidade - D e u m m o d o geral, p o d e - s e dizer que são os 1
m e s m o s que influem s o b r e a posição das c u r v a s n o s d i a g r a m a s i s o t é r m i c o s o u de transfor-

\
m a ç ã o contínua, isto é, t a m a n h o de grão a u s t e n í t i c o , h o m o g e n e i d a d e d a a u s t e n i t a e c o m p o - \'

sição química. \, í £
Adotando o critério s e g u i d o por Bain e P a x t o n ' , os fatores que a f e t a m a temperabilidade 5
_3 X
2 3 1
\
dos aços poderiam s e r agrupados da seguinte maneira:

A - Fatores que d i m i n u e m a temperabilidade:


a) G r a n u l a ç ã o f i n a d a a u s t e n i t a
, \

kA
N A
b) I n c l u s õ e s n ã o d i s s o l v i d a s :
- carbonetos (ou nitretos)
V
- inclusões não-metálicas

N A
B - Fatores que a u m e n t a m a temperabilidade:
a) E l e m e n t o s d i s s o l v i d o s n a a u s t e n i t a ( e x c e t o c o b a l t o ) .
b) Granulação g r o s s e i r a d a austenita.
c) H o m o g e n e i d a d e d a a u s t e n i t a .

O s fatores do g r u p o A a s s i m a g e m p o r q u e a c e l e r a m a n u c l e a ç ã o e o s f a t o r e s do grupo B
1

a u m e n t a m a temperabilidade por retardarem a nucleação e o crescimento dos produtos de


transformação. :

A influência c o n s i d e r a d a mais importante é a dos elementos de liga dissolvidos na

\ \
\\
austenita; entretanto, c o n v é m ressaltar que q u a n d o s e estuda a influência d e s s e s elementos

\
C
é necessário que os a ç o s s o b comparação a p r e s e n t e m condições s e m e l h a n t e s de t a m a n h o —
de grão e de inclusões. T o d o s os elemento d e liga c o m u m e n t e usados n o s aços, com exce- l
S
ç ã o d o cobafto, a u m e n t a m a t e m p e r a b i l i d a d e , n u m a p r o p o r ç ã o q u e d e p e n d e do tipo de
-a
1
\\ \
e l e m e n t o de liga, d e v e n d o - s e igualmente o b s e r v a r q u e p e q u e n o s t e o r e s d e certos e l e m e n -
D)
tos, s ã o tão eficientes q u a n t o muito m a i o r e s t e o r e s d e outros e l e m e n t o s , assim c o m o a
1
adição simultânea d e vários elementos.de liga e m p e q u e n a s quantidades a t u a de modo mais
eficiente que maiores porcentagens-de um ou dois elementos apenas. \
\
A figura 4 4 < 2 ! 1 m o s t r a , a t r a v é s dè-três c u r v a s d e distribuição d e d u r e z a s , o efeito sobre a
t e m p e r a b i l i d a d e de e l e m e n t o s de liga d i s s o l v i d o s n a austenita. O b a n h o d e esfriamento
\ 3
\
k
s
a p l i c a d o no e x e m p l o i l u s t r a d o a p r e s e n t a v a u m a " s e v e r i d a d e d e e s f r i a m e n t o " H de 2 , 3 . A
X O, \ q, tn

a d i ç ã o de 1 % de c r o m o a u m e n t o u o diâmetro crítico p a r a esse meio, de 0,86 pol. correspon-


d e n t e a o a ç o c o m s o m e n t e c a r b o n o ( 0 , 7 4 % ) p a r a 1,2 p o l . o u d e d i â m e t r o i d e a l d e 1,23 p a r a
\ \ r %\
°K
>
c e r c a c s 1.55 pcl. A a d i ç ã o posterior de 3 % de níquel a u m e n t o u d e tal m o d o a

k
V
terrçerafcSdaíe cue tanto resfriamento e m á g u a c o m o em óleo produziram a formação
rA
completa de martensita.

k
N
A
A temperabilidade d o s a ç o s é a u m e n t a d a p e l a p r e s e n ç a de e l e m e n t o s d e liga a p r o x i m a - K
d a m e n t e na seguinte o r d e m ascendente' 2 0 1 ; n í q u e l , silício, m a n g a n ê s , c r o m o , molibdênio,
v a n á d i o e boro. l n 1
O s elementos que f o r m a m carbonetos - c o m o c r o m o , molibdênio e v a n á d i o - exigem que
o s a ç o s que os c o n t é m s e j a m aquecidos p a r a austenitização a t e m p e r a t u r a s mais elevadas,
a n t e s do resfriamento necessário para produzir endurecimento, pois a p a r c e l a sob a forma Fig. 43 - Correlação entre endurecibilidade Jominy e diâmetro de barra.

70 71
A ç o s E FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AFEIAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA rir

d e carboneto não s e a p r e s e n t a inicialmente dissolvida n a austenita e a s s i m a temperatura de


austenitização mais e l e v a d a possibilitará q u e e s s a dissolução se p r o c e s s e , de m o d o a g a -
rantir eficiente e n d u r e c i m e n t o do aço.

Mi'
Diâmetro 17«"

\-Ni^^^^ ^1
0 °
I|Í h
u

\
1

1
o
5 5

cc
\
S 50

\ 1
10 12 14 16 18 20 22 24 26 2a 30 32

Distância d a Extremidade resfriada, em 1/16"

Figura 4 4 - Curvas de distribuição de dureza em barra de 1,5/8" de diâmetro, mostrando o efeito dos
elementos de liga C r e Ni sobre a temperabilidade, e m comparação com u m aço-carbono comum. Fig. 46 - Faixa de endurecibilidade de aço 1 5 B 6 2 H

7 . Importância prática da temperabilidade. Faixas de temperabilidade - O conhecimento


Iji j d a profundidade de e n d u r e c i m e n t o nos a ç o s , s o b r e t u d o naqueles q u e a p r e s e n t a m e l e m e n -
t o s d e liga, é de i m p o r t â n c i a considerável p a r a a s u a aplicação p r á t i c a . R e c o n h e c i d o esse
fato, foram estabelecidos limites mínimos e m á x i m o s para a temperabilidade e desenvolvi-
d a s a s c h a m a d a s "faixas de temperabilidade". f:
O s a ç o s e s p e c i f i c a d o s p e l a t e m p e r a b i l i d a d e s ã o c o n h e c i d o s p o r a ç o s H ( d e "hardenability").
Al g u n s exemplos d e faixas de temperabilidade p a r a aço-carbono e a l g u n s tipos de aços- 51410 - H
0,3" -0.44C
liga estão indicados n a s figuras 45, 46, 47, 4 8 , 49< '. 24
0,6C -1,00 Mn
0,6C - 1,00 Cr
\
to-

f. \
\ A -843 C

1045-H \
\\
0,42 -0,S 1 c
s 0,50 -1,00Mn
\ N - S7T-C
q
\ \ I - \

\
rc so
1
\ \ I !
i

\ \
i I
j ! ! S 1D 12 1-1 16 18 20 22 24 26 28 30 32
\ I i I 1 í i ! i i Distância d a EjCremidade resfriada, em 1/16"
I I I
0 2 4 6 3 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32
Fig. 4 7 - Faixa d e endurecibilidade de aço 5 1 4 0 H
Distância da Extremidade resfriada, em 1/16"

Fig. 45 - Faixa de endurecibilidade de aço SAE 1045H

72 73
Aços E FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AFEIAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT

Nos g r á f i c o s , N é a t e m p e r a t u r a d e n o r m a l i z a ç ã o p a r a o s a ç o s l a m i n a d o s ou f o r j a d o s e A
é a temperatura de austenitização.
Os a c c s - c a r b o n o e c o m boro c o n t é m t a m b é m 0,040 P m a x , 0,050 S m a x e 0,15 a 0 , 3 0 %
Si com e x c e ç ã o do tipo 1 5 B 6 2 H q u e c o n t é m 0,40 a 0 , 6 0 % S i . O t e o r d e boro p r e s e n t e v a r i a

1 | de 0,0005% a 0 , 0 0 3 % .

11 ! 9260-H 1 Cs fabricantes de aço fornecem os a ç o s tipo H sob p e d i d o , para faixas específicas de


0,55 - O ^ C !
i m p o s i ç ã o q u í m i c a . Não há muita d i f e r e n ç a entre os aços tipo H e os aços n o r m a i s de
1
0,65 -1,10Mn
o \ 1 N - 89S"C
- at
compcsiçã 0 q u í m i c a idêntica; quanto m u i t o , nestes últimos a ç o s , a faixa de endurecimento
é maior.
\
\\
£ 50 i
\
Q \ 70

A
íj_J,:.li;-.£i

d 50 \

\\
í--!i!»:-:*'i rr
\
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32

Distância d a Extremidade resfriada, e m 1/16"


\ c

30 \ A
!•! Fig. 48 - Faixa de endurecibilidade de aço 9260H
0 *
20
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32

Distância da extremidade resfriada, em 1/16"

Fig. SO - Gráfico representativo de métodos recomendados pela S A E para designar a temperabilidade.

líllíiii 6150 - H C o m o se v ê , pelas figuras a p r e s e n t a d a s , os gráficos p e r m i t e m estimar o valor d e d u r e z a


•IIK f. 0,47 - 0.54C em vários p o n t o s d o s corpos d e p r o v a utilizados no e n s a i o d e e n d u r e c i b i l i d a d e , a l é m de
0,60 - 1,0OMn
o permitir c o m p a r a r , s o b o p o n t o d e v i s t a d e e n d u r e c i b i l i d a d e , v á r i o s a ç o s e n t r e s i .
az 0,75 -
- 0,15 - V min
1,20Cr
Não s e u t i l i z a m , c o n t u d o , e s s e s g r á f i c o s para fins de e s p e c i f i c a ç ã o .
g 50 N N - 899"C
A - H71°r.
Geralmente, c o m os gráficos s ã o f o r n e c i d a s Tabelas q u e m o s t r a m os valores m á x i m o e
\ mínimo de d u r e z a R C , às distâncias c o r r e s p o n d e n t e s d a e x t r e m i d a d e resfriada.
Q \
Os v a l o r e s d e s s a s T a b e l a s s ã o u t i l i z a d o s p a r a fins d e e s p e c i f i c a ç ã o . A " S o c i e t y of
i EM
I != \
Automotive E n g i n e e r s - S A E " r e c o m e n d a q u e dois pontos s e j a m utilizados para d e s i g n a r a
t e m p e r a b i l i d a d e , c o n f o r m e u m d o s s e g u i n t e s m é t o d o s (fig. 5 0 ( 2 2 ) ):

-valores m í n i m o s e máximos de d u r e z a n u m a desejada distância: pontos A-A d a figura,


e s p e c i f i c a d o s c o m o J 3 0 a 5 6 = 1 0 / 1 6 p o l . ; é claro q u e a d i s t â n c i a e s c o l h i d a s e r i a a d o
corpo d e p r o v a q u e corresponde à s e c ç ã o utilizada pelo c o n s u m i d o r ;
i i I ! i - distâncias m í n i m a s e máximas, nas quais um valor desejado de dureza ocorre: p o n t o s
0 2 4
B-E. e s p e c i f i c a d o s c o m o J 4 5 a 1 4 / 1 6 pol.;
- dois v a i o r e s m í n i m o s de d u r e z a a d u a s distâncias d e s e j a d a s , ilustradas pelos p o n t o s
D-D e e s p e c i f i c a d o s c o m o J 5 3 = 5 / 1 6 p o l . e J 2 8 = 1 3 / 1 6 p o l . ;
- q u a l q u e r v a l o r m á x i m o de d u r e z a , m a i s qualquer valor m í n i m o .

Fig. 49 - Faixa de endurecibilidade de aço 61S0H É muito importante salientar o efeito do carbono e dos elementos de liga na
II; t
endurecibilidade do aço.
O carbono, além de aumentar a dureza, aumenta a temperabilidade, como se viu, s e n d o
1 <ii
I II :'• que e s t e ú l t i m o e f e i t o é a c e n t u a d o p e l a p r e s e n ç a d e e l e m e n t o s d e l i g a . C o n t u d o , o a u m e n t o

74 75
Aços E FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AFEIAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA T T T
Êí

do teor de carbono e m beneffcio da t e m p e r a b i l i d a d e , deve ser a n a l i s a d o c o m cuidado, por- Em cada s é r i e d e aço a p r e s e n t a d a , observa-se o efeito d o t e o r de carbono s o b r e a
q u e o carbono elevado diminui a tenacidade, f o r m a microestruturas m a i s duras nas condi- endurecibilidade n u m a faixa d e 0 , 3 5 % a 0 , 5 0 % de c a r b o n o . O efeito d a d u r e z a é m o s t r a d o
ç õ e s recozidas, o q u e dificulta o p e r a ç õ e s d e d e f o r m a ç ã o a frio e t o r n a a u s i n a g e m mais através d a d i s t â n c i a vertical entre a s c u r v a s c o r r e s p o n d e n t e s a o s t e o r e s de c a r b o n o , em
difícil, p o d e p r o v o c a r fragilidade a q u e n t e e p o d e induzir e m p e n a m e n t o s e fraturas nas qualquer p o s i ç ã o d o coroo de prova, p a r a qualquer v e l o c i d a d e d e resfriamento.
o p e r a ç õ e s de t r a t a m e n t o térmico. Por e s s e s m o t i v o s , r e c o m e n d a - s e n ã o ultrapassar 0 , 6 0 % Por e x e m p l o , e x a m i n a d o a s l i n h a s d o s g r á f i c o s b, c e d , u m a u m e n t o d o t e o r d e c a r b o n o
d e carbono, p r i n c i p a l m e n t e nas peças q u e s e r ã o s u b m e t i d a s a u s i n a g e m . O teor r e c o m e n - em c a d a u m a d e s s a s três séries p r o v o c a o a u m e n t o da d u r e z a e m quatro diferentes p o s i -
d a d o de carbono é e m torno de 0,50%. ções d a e x t r e m i d a d e d o c o r p o d e p r o v a , c o m o s e d e m o n s t r a a b a i x o :
Q u a n t o aos e l e m e n t o s d e liga, o m e i o m a i s e c o n ó m i c o de a u m e n t a r a e n d u r e c i b i l i d a d e
do a ç o , para u m d e t e r m i n a d o teor de c a r b o n o , é a u m e n t a r o teor d e manganês. Distância da superfície resfriada, pol.
Outros elementos c o m a ç ã o positiva s ã o o c r o m o , o molibdênio, o níquel e o boro, este Séries 1/16" 4/16" 8/16" 12/16"
r

último em quantidades diminutas. 41XXH 8 10 17 20


A figura n s 51 ( 2 5 ) m o s t r a as diferenças entre a s curvas de endurecibilidade para quatro 51XXH 8 10 9 8
tipos de aços. 86XXH 8 12 18 12

O efeito d o c a r b o n o s o b r e a e n d u r e c i b i l i d a d e é lido n o e i x o h o r i z o n t a l .
Para ter-se u m a ideia do efeito d o c a r b o n o , s u p o n h a - s e u m a d u r e z a de 45 R C . C o n s i d e -
rando o s a ç o s 4 1 X X H e 5 1 X X H , v e r i f i c a - s e q u e o e f e i t o d o c a r b o n o , e n t r e 0 , 3 5 % e 0 , 5 0 % é
3fc
muito m e n o r n a s é r i e 5 1 X X e m u i t o m a i o r n a s é r i e 4 1 X X . D a í a i m p o r t â n c i a d e c e r t o s e l e -
mentos de liga.
70 70
13 (XH 8. Novo método de traçado de curvas de resfriamento - N a d é c a d a d e 7 0 foi d e s e n v o l v i d o
41XXH
1,45 IV m min.
0,95 Cr min. um novo s i s t e m a de curvas de resfriamento contínuo para a v a l i a ç ã o da reação dos aços
60 60 0,15 Mo min. quando, a partir d a temperatura de austenitização, são resfriados de m o d o contínuo' 2 6 1 .
O
Um d i a g r a m a representativo d e s s e n o v o sistema está indicado n a figura n 52 em que,
rr
2

50

\A
JZ 50 em o r d e n a d a s , s ã o l a n ç a d a s as t e m p e r a t u r a s de t r a n s f o r m a ç ã o e, e m abcissas, d i â m e t r o s
0,60 C
to" 0,45 C
de b a r r a s p a r a o s t r ê s m e i o s d e r e s f r i a m e n t o m a i s u s u a i s : ar, ó l e o e á g u a . As curvas do
N
2 40 40 diagrama, portanto, não devem ser comparadas com as que são mostradas nos diagramas

O isotérmicos ou TTT comuns.
40 C 0,35 O
30 O e s t u d o q u e r e s u l t o u n e s s a c u r v a s n ã o c o n s i d e r o u o r e s f r i a m e n t o e m s a l m o u r a e, n o
30
o,; I 5 C *
^A caso do ó l e o , f o i e m p r e g a d o u m ó l e o p a d r o n i z a d o de t ê m p e r a d e m é d i a v e l o c i d a d e
resfriamento.
de

20 20,
A figura p e r m i t e perceber a c a p a c i d a d e de endurecimento d o s aços, de acordo c o m o
C 4 8 12 16 20 24 0 4 8 12 16 20 24
meio d e r e s f r i a m e n t o utilizado. P o r e x e m p l o , no c a s o de r e s f r i a m e n t o ao ar (utilizar os
a) D i s t â n c i a d a e x t r e m i d a d e b) D i s t â n c i a d a e x t r e m i d a d e
r e s f r i a d a , Vi6" diâmetros d e b a r r a s p a r a esse m e i o ) , n o t a - s e que, para o b t e r - s e martensita, a b a r r a n ã o
resfriada, Vie"
deve a p r e s e n t a r s e c ç ã o s u p e r i o r a c e r c a d e 0,18 m m . No c a s o d e resfriamento e m óleo
(utilizar o s d i â m e t r o s d e b a r r a s p a r a e s s e m e i o ) , a b a r r a p o d e r á a p r e s e n t a r d i â m e t r o em
70
51XXH tomo de 7 a 8 m m ; e no caso de r e s f r i a m e n t o e m água, a b a r r a p o d e r á possuir d i â m e t r o
0,60 a 0,75 Cr min. em torno de 1 2 m m .
60
N o r e s f r i a m e n t o a o ar, a c i m a d e 0 , 1 8 m m d e d i â m e t r o d e b a r r a , a t é c e r c a d e 2 mm,
O forma-se bainita e a c i m a desse d i â m e t r o , quantidades p r o g r e s s i v a m e n t e maiores de ferrita e

A
rr 50 \
perlita s ã o f o r m a d a s .
X
CO
N
N Tomando c o m o referência um determinado diâmetro de barra, por exemplo 10 mm,
ÇD 40 p o d e - s e e x t r a i r o s s e g u i n t e s d a d o s : n o r e s f r i a m e n t o a o ar, a t r a n s f o r m a ç ã o c o m e ç a em
=3 ),50C
Q t o m o d e 70CPC c o m a f o r m a ç ã o d e f e r r i t a a t é 6 4 0 ° C , q u a n d o s e t e m 5 0 % d e f e r r i t a , m o m e n -

30 A"-
\l0j4t
to e m q u e a p e r i i t a c o m e ç a a f o r m a r - s e . A 5 8 0 ° C a p a r e c e m
resfriamento e m óleo, bainita c o m e ç a a formar-se mais ou m e n o s a 560°C; a c e r c a
traços de bainita. No
de
o,: s r y "
3 4 0 ° C , a p ó s E ç r n x a ã E á s i n e n í e 4CT5> d e t r a n s f o r m a ç ã o , a a u s t e n i t a r e m a n e s c e n t e s e t r a n s -
20
forma em m a r t e n s i t a , até 150°C, q u a n d o a reação se c o m p l e t a . F i n a l m e n t e , para a b a r r a d e
4 8 12 16 20 24
0 4 8 12 16 20 24 10 m m , n o r e s f r i a m e n t o e m á g u a , c o m e ç a a f o r m a r - s e m a r t e n s i t a a c e r c a d e 3 6 0 ° C , t e r m i -
c) D i s t â n c i a d a e x t r e m i d a d e
d) D i s t â n c i a d a e x t r e m i d a d e nando a 1 5 0 ° C .
resfriada, VIB"
resfriada, Vi6" Na figura n s 5 3 , estão representadas superpostas as c u r v a s d e dois aços: ao c a r b o n o
(0,28%) r e p r e s e n t a d o na figura n 2 5 2 e a ç o - l i g a a o m a n g a n ê s - m o i i b d ê n i o ( 0 , 3 0 C, 1,55 Mn
e 0,28 M o ) , o q u e p e r m i t e c o m p a r a r a c a p a c i d a d e d e e n d u r e c i m e n t o d o s d o i s m a t e r i a i s . P a r a
simplificar, e m a b c i s s a s f o r a m i n d i c a d o s d i â m e t r o s de b a r r a a p e n a s p a r a e s f r i a m e n t o a o ar.
Fig. 51 - Curvas de endurecibilidade para quatro tipos de a ç o s
JÓ..*;.:
76 : 77
Aços E FERROS FUNDIDOS FATORES QUE AFETAM A POSIÇÃO DAS CURVAS DO DIAGRAMA TTT '

Verifica-se, a s s i m , q u e , enquanto no a ç o - c a r b o n o de baixa endurecibilidade, somente s e


o b t é m m a r t e n s i t a e m r e s f r i a m e n t o a o ar, e m b a r r a s c o m d i â m e t r o s i n f e r i o r e s 0,18 m m , n o
aço-liga ao M n - M o , n a s m e s m a s condições d e resfriamento, p o d e - s e o b t e r martensita e m
d i â m e t r o s d e b a r r a s e m t o m o d e 1,30 m m .
A respeito d e s s e s d i a g r a m a s , a l g u m a s o b s e r v a ç õ e s d e v e m ser f e i t a s :
- e m primeiro lugar, as curvas c o r r e s p o n d e m s o m e n t e ao centro d e u m a barra; contudo,
as estruturas em outras posições que não o centro p o d e m ser d e d u z i d a s . Por e x e m p l o , . a
estrutura que se originou n u m a posição intermediária do centro à superfície n u m a barra d e
grande diâmetro c o r r e s p o n d e r á à obtida e m barra cujo diâmetro seja equivalente à posição
considerada na barra de diâmetro maior;
- as curvas referem-se a aços de composição média, dentro de uma certa
especificação. V a r i a ç õ e s d e c o m p o s i ç ã o , d e n t r o d a faixa e s p e c i f i c a d a , p o d e levar a dife-
r e n ç a s nas e s t r u t u r a s e, p o r t a n t o , n a s p r o p r i e d a d e s . A l é m d i s s o , h á f a i x a s críticas de
diâmetro de barras o n d e velocidades de r e s f r i a m e n t o ligeiramente m a i o r e s ou menores
p r o d u z e m u m a m o d i f i c a ç ã o n a estrutura p r e d o m i n a n t e . Por e x e m p l o , a f i g u r a n 2 52 mostra
q u e u m a p e q u e n a m o d i f i c a ç ã o no diâmetro d a b a r r a pode m u d a r a estrutura de bainita
p a r a martensita. N a s c u r v a s que m o s t r a m u m a inclinação abrupta d a região bainítica, a
barra poderá estar s e n d o submetida a t r a n s f o r m a ç õ e s estruturais diferentes, dentro de
a m p l a faixa de t e m p e r a t u r a s . Nota-se, n e s s a figura, para aço c o m 0 , 3 8 % de carbono, q u e
a s modificações m a i s p r o n u n c i a d a s o c o r r e m q u a n d o os d i â m e t r o s d a s b a r r a s se s i t u a m
dentro das seguintes faixas:

0 , 2 a 0,7 m m p a r a r e s f r i a m e n t o a o a r
9 a 15 m m p a r a r e s f r i a m e n t o e m ó l e o
14 a 24 m m para resfriamento em água
I i i i_
U m exame dos efeitos da c o m p o s i ç ã o do aço dentro da faixa especificada mostra RESFRIAMENTO AO A R

que todos esses diâmetros são a u m e n t a d o s de cerca de 6 0 % s e o teor de carbono - RESF. EM ÓLEO

a u m e n t a 0,05% dentro d a especificação, m a n t e n d o estável o teor de m a n g a n ê s . A u - — RESF. EM ÁGUA

mentando a porcentagem deste elemento de c e r c a de 0,05%, obtém-se um quarto DIÂMETRO DA B A R R A , m m


desse efeito'''.
Fig. 52 - Diagrama para resfriamento contínuo para aço com 0,38% C, ilustrando o comportamento de
transformação e m várias velocidades de resfriamento.

nAo leitor que desejar aprofundar-se na matéria, recomenda-se a consulta à obra indicada na bibliografia.

78 79
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS

TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS:


RECOZIMENTO, NORMALIZAÇÃO,
TÊMPERA E REVENIDO;
D i â m e t r o d a barra, mm CO ALES CIMENTO
H g . 5 3 - Superposição de curvas de resfriamento para aço-carbono e a ç o liga
Mn-Mo de baixo teor e m liga

80 81
Hm! i
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS

1 . Introdução - T r a t a m e n t o térmico é o conjunto de operações d e a q u e c i m e n t o a que são 2 1 Aquecimento - O caso mais f r e q u e n t e de tratamento t é r m i c o d o aço é alterar u m a o u
submetidos os aços, sob condições controladas de temperatura, t e m p o , atmosfera e veloci- diversas d e s u a s p r o p r i e d a d e s m e c â n i c a s , m e d i a n t e u m a d e t e r m i n a d a m o d i f i c a ç ã o q u e s e
d a d e d e esfriamento, c o m o objetivo d e alterar a s s u a s p r o p r i e d a d e s o u corrferir-lhes carac- nrocessa n a s u a estrutura. Assim s e n d o , o aquecimento é g e r a l m e n t e realizado a u m a t e m -
terísticos determinados. oeratura a c i m a d a crítica, porque e n t ã o t e m - s e c o m p l e t a a u s t e n i t i z a ç ã o do a ç o , o u s ^ a t o t a l
As propriedades dos aços dependem, e m princípio, da sua estrutura. Os tratamentos d i s s o l u ç ã o d o c a r b o n e t o d e f e r r o n o f e r r o g a m a : e s s a a u s t e n i t i z a ç ã o é, c o m o s e v i u , o p o n t o
térmicos modificam, e m maior ou menor escala, a estrutura dos aços, resultando, em conse- de p a r t i d a p a r a a s t r a n s f o r m a ç õ e s p o s t e r i o r e s d e s e j a d a s , a s q u a i s s e p r o c e s s a r ã o e m f u n -
q u ê n c i a na alteração m a i s o u m e n o s p r o n u n c i a d a , d e s u a s p r o p r i e d a d e s . V i u - s e , de fato, n o s ção d a v e l o c i d a d e d e e s f r i a m e n t o a d o t a d a .
primeiros capítulos a b o r d a d o s , como se p r o d u z e m transformações n a austenita, segundo o Na fase d e aquecimento, dentro d o processo de tratamento t é r m i c o , d e v e m s e r a p r o p r i a d a -
tipo, a velocidade e as condições de esfriamento a d o t a d a s . Cada u m a d a s estruturas obtidas mente c o n s i d e r a d a s a s v e l o c i d a d e s d e a q u e c i m e n t o e a t e m p e r a t u r a m á x i m a d e a q u e o r n e r i t o .
a p r e s e n t a seus característicos próprios, q u e s e t r a n s f e r e m ao aço, c o n f o r m e a estrutura ou A velocidade de aquecimento, e m b o r a n a maioria dos c a s o s s e j a fator secundário, a p r e -
combinação de estruturas presentes. senta certa i m p o r t â n c i a , principalmente q u a n d o os aços es t ão e m e s t a d o de t e n s ã o i n t e r n a
Pelo exposto, p o d e - s e perfeitamente avaliar a importância dos tratamentos térmicos, ou p o s s u e m t e n s õ e s r e s i d u a i s d e v i d a s a e n c r u a m e n t o p r é v i o o u a o e s t a d o inteiramente
s o b r e t u d o nos a ç o s d e alto c a r b o n o e n o s q u e a p r e s e n t a m t a m b é m e l e m e n t o s de liga. D e rnartensíiico p o r q u e , nessa c o n d i ç õ e s , u m a q u e c i m e n t o muito rápido p o d e provocar
fato, se geralmente muitos aços de baixo e m é d i o carbono são u s a d o s n a s condições típicas empenamento ou m e s m o aparecimento d e fissuras. H á casos, contudo, de a ç o s f o r t e m e n t e
d o t r a b a l h a a q u e n t e , i s t o é, n o s e s t a d o s f o r j a d o e l a m i n a d o , q u a s e t o d o s o s a ç o s d e a l t o encruados q u e a p r e s e n t a m u m a t e n d ê n c i a para excessivo c r e s c i m e n t o de grão quando
c a r b o n o ou c o m e l e m e n t o s d e liga, s ã o o b r i g a t o r i a m e n t e s u b m e t i d o s a t r a t a m e n t o s t é r m i c o s aquecidos l e n t a m e n t e dentro da z o n a crítica, s e n d o então c o n v e n i e n t e realizar u m a q u e c i -
antes de serem c o l o c a d o s e m serviço. mento m a i s r á p i d o através d e s s a z o n a d e t r a n s f o r m a ç ã o .
O s principais objetivos dos tratamentos t é r m i c o s são os s e g u i n t e s : Nas m e s m a s condições estão, c o m o s e r á visto mais a d i a n t e , certos aços especiais q u e
exigem t e m p e r a t u r a final de a u s t e n i t i z a ç ã o muito e l e v a d a ; t a m b é m n e s s e c a s o s q u a n d o n o
- r e m o ç ã o d e t e n s õ e s ( o r i u n d a s d e e s f r i a m e n t o , t r a b a l h o m e c â n i c o o u outra causa); aquecimento é atingida a zona crítica é necessário que a m e s m a seja ultrapassada m a i s o u
- aumento ou diminuição da dureza; m e n o s r a p i d a m e n t e p a r a evitar e x c e s s i v o c r e s c i m e n t o d e g r ã o d e a u s t e n i t a .
- aumento da resistência mecânica; A temperatura de aquecimento é m a i s ou menos um fator fixo, determinado p e l a n a t u r e -
- melhora da ductibilidade; za do p r o c e s s o e d e p e n d e n d o , é e v i d e n t e , d a s p r o p r i e d a d e s e d a s estruturas finais d e s e j a -
- melhora da usinabilidade; das, a s s i m c o m o d a c o m p o s i ç ã o q u í m i c a d o a ç o , p r i n c i p a l m e n t e d o s e u t e o r d e c a r b o n o .
- m e l h o r a d a r e s i s t ê n c i a ao d e s g a s t e ; Quanto m a i s alta essa t e m p e r a t u r a , acima d a z o n a crítica, m a i o r segurança s e t e m da
- m e l h o r a d a s p r o p r i e d a d e s de corte; completa d i s s o l u ç ã o das fases no f e r r o g a m a ; por outro lado, m a i o r s e r á o t a m a n h o de
- melhora da resistência à corrosão; grão d a a u s t e n i t a . A s d e s v a n t a g e n s d e u m t a m a n h o de g r ã o e x c e s s i v o s ã o m a i o r e s q u e a s
- m e l h o r a d a r e s i s t ê n c i a ao calor; desvantagens d e n ã o se ter total d i s s o l u ç ã o d a s fases no ferro g a m a , de m o d o q u e s e d e v e
- modificação d a s propriedades elétricas e m a g n é t i c a s . procurar evitar t e m p e r a t u r a s muito a c i m a d a linha superior ( A J d a z o n a crítica. N a p r á t i c a ,
o máximo que se admite é 50°C a c i m a de A 3 e assim m e s m o para os aços hipoeutetóides.
A simples e n u m e r a ç ã o dos objetivos a c i m a evidencia claramente a importância e a n e - P a r a os h i p e r e u t e t ó i d e s , a t e m p e r a t u r a r e c o m e n d a d a é i n f e r i o r à d a l i n h a A O T . A razão é
cessidade do tratamento térmico do aço. óbvia; a l i n h a A ^ sobe muito rapidamente em temperatura c o m o aumento da t e o r de
E m geral, a m e l h o r a de u m a ou mais p r o p r i e d a d e s , m e d i a n t e u m determinado tra- carbono (ver f i g . 3 ) ; para-que haja, p o r t a n t o , c o m p l e t a d i s s o l u ç ã o do carboneto d e f e r r o
tamento térmico, é conseguida com prejuízo de outras. Por e x e m p l o , o aumento da gama, são n e c e s s á r i a s temperaturas m u i t o altas com c o n s e q u e n t e e excessivo c r e s c i m e n -
ductibilidade provoca simultaneamente q u e d a nos valores de d u r e z a e resistência à to d e g r ã o d e a u s t e n i t a , c o n d i ç ã o e s s a m a i s p r e j u d i c i a l q u e a p r e s e n ç a d e c e r t a q u a n t i d a d e
tração. de:.carboneto n ã o dissolvido.

E necessário, pois, que o tratamento t é r m i c o seja escolhido e a p l i c a d o criteriosamente,


p a r a q u e os i n c o n v e n i e n t e s a p o n t a d o s s e j a m r e d u z i d o s a o m í n i m o . N ã o s e v e r i f i c a , p e l a 2.2. Tempo de permanência à temperatura de aquecimento - A influência do t e m p o de
simples aplicação de u m tratamento térmico, q u a l q u e r alteração d a c o m p o s i ç ã o química do permanência d o aço à temperatura escolhida de aquecimento é mais ou m e n o s idêntica à d e
aço. H á casos, entretanto, e m que interessa s o m e n t e u m a modificação parcial de certas máxima t e m p e r a t u r a de a q u e c i m e n t o , isto é, quanto m a i s l o n g o o t e m p o à t e m p e r a t u r a
p r o p r i e d a d e s m e c â n i c a s ; p o r e x e m p l o , m e l h o r a r s u p e r f i c i a l m e n t e a d u r e z a do aço. E s s e considerada de austenitização, tanto mais completa a dissolução do carboneto de ferro o u
efeito é conseguido p e l a alteração parcial d a s u a c o m p o s i ç ã o q u í m i c a . O s tratamentos e m outras f a s e s p r e s e n t e s ( e l e m e n t o s d e l i g a ) n o f e r r o g a m a , e n t r e t a n t o m a i o r o t a m a n h o de
q u e a combinação d e operações de a q u e c i m e n t o e resfriamento é realizada em condições grão r e s u l t a n t e .
t a i s q u e c o n d u z e m a u m a m u d a n ç a parciaJ d a c o m p o s i ç ã o q u í m i c a d a l i g a e, c o n s e q u e n t e - P r o c u r a - s e evitar, pois, p e r m a n ê n c i a à t e m p e r a t u r a a l é m d o e s t r i t a m e n t e necessário
m e n t e ; u m a modificação parcial de suas p r o p r i e d a d e s mecânicas, s e r ã o c h a m a d o s de "tra- para q u e s e c o n s i g a m a s m o d i f i c a ç õ e s e s t r u t u r a i s m a i s c o n v e n i e n t e s . T e m p o m u i t o l o n g o
tamentos termo-químicos". pode t a m b é m a u m e n t a r a ox i daç ão o u d e s c a r b o n e t a ç ã o do m a t e r i a l . S o b o p o n t o d e v i s t a d e
modificação estrutural, admite-se q u e u m a temperatura ligeiramente mais a e i í a c a s e j a snsis
2 . Fatores de influência nos tratamentos térmicos - Antes de s e r e m definidos e descritos vantajosa q u e u m t e m p o m a i s l o n g o a u m a t e m p e r a t u r a inferior, d e v i d o à m a i o r m o b i l i d a d e
os vários tratamentos térmicos, será feita u m a r á p i d a recaprtulação d o s diversos fatores q u e atómica. De q u a l q u e r modo, o t e m p o à t e m p e r a t u r a deve s e r p e l o m e n o s o suficiente a s e t e r
d e v e m ser levados e m conta na s u a realização. Representando o t r a t a m e n t o térmico um sua uniformização através de toda a s e c ç ã o .
ciclo de t e m p o - t e m p e r a t u r a , os fatores a s e r e m inicialmente c o n s i d e r a d o s s ã o : a q u e c i m e n -
to, t e m p o de p e r m a n ê n c i a à t e m p e r a t u r a e r e s f r i a m e n t o . A l é m d e s s e s , outro de g r a n d e 2.3. Resfriamento - Este é o f a t o r m a i s i m p o r t a n t e , p o i s ele q u e d e t e r m i n a r á e f e t i v a m e n t e a
i m p o r t â n c i a é a a t m o s f e r a d o recinto d e a q u e c i m e n t o , v i s t o q u e a s u a q u a l i d a d e t e m g r a n d e estrutura e, e m c o n s e q u ê n c i a , as p r o p r i e d a d e s finais d o s a ç o s . V i u - s e (fig. 23) c o m o p e i a v a r i a -
i n f l u ê n c i a s o b r e o s r e s u l t a d o s finais d o s t r a t a m e n t o s térmicos. ção d a v e l o c i d a d e d e resfriamento p o d e - s e o b t e r d e s d e a periita g r o s s e i r a d e b a i x a r e s i s t ê n c i a

32 83
Aços E FEEXOS FUNDIDOS TRATAAIENTO TÉRMICO DOS AÇOS C_J

m e c â n i c a e baixa d u r e z a até a martensita q u e é o constituinte mais duro resultante dos t r a t a m e n - c) A á g u a , à m e d i d a q u e s e a q u e c e , p e r d e s u a e f i c á c i a , f a t o e s s e q u e n ã o d e v e ser


tos térmicos. Por outro lado, a obtenção d e s s e s constituintes não é só função d a velocidade de mt...
ecido a o U s a , - - e esse líquido c o m o meio de resfriamento, p o i s s e o seu v o l u m e n ã o f o r
S

resfriamento, d e p e n d e n d o t a m b é m como s e s a b e , d a composição d o a ç o (teor e m elementos d e suficiente e l e s e a q u e c e r á e x c e s s i v a m e n t e , p e r d e n d o r a p i d a m e n t e a s u a e f i c á c i a : e v i i a - s e


Bça, d e s l o c a n d o a p o s i ç ã o d a s c u r v a s e m C ) , d a s d i m e n s õ e s ( s e c ç ã o ) d a s p e ç a s , letc. esse i n c o n v e n i e n t e p e i o u s o d e á g u a c o r r e n t e e m v e z d e á g u a e m r e p o u s o , o u p e l o s e u
Os meios de esfriamento usuais s ã o : a m b i e n t e do f o r n o , a r e m e i o s (líquidos. O resfriamento contínuo.
r e s f r i a m e n t o m a i s b r a n d o é, e v i d e n t e m e n t e , o r e a l i z a d o n o p r ó p r i o i n t e r i o r d o f o r n o e e l e s e Nos c a s o d o s ó l e o s , o efeito d a t e m p e r a t u r a não é tão s e n s í v e l , m a s c o m o m e d i d a d e
t o m a m a i s s e v e r o à m e d i d a q u e s e p a s s a p a r a o a r o u p a r a u m m e i o l í q u i d o , onaje a e x t r e m a segurança, deve-se evitar que s u a temperatura s u b a muito, para o que se utiliza
agitação dá origem a o s m e i o s de resfriamento m a i s drásticos ou v i o l e n t o s . frequentemente u m sistema apropriado de circulação.
N a escolha do m e i o d e resfriamento, o f a t o r inicial a s e r c o n s i d e r a d o é o tipo de estrutura A maior eficácia das soluções a q u o s a s é atribuída à s u a a ç ã o em remover a c a s a de
f i n a i d e s e j a d a a u m a d e t e r m i n a d a p r o f u n d i d a d e . N ã o é só, entretanto. D e fato, a s e c ç ã o e a óxido s u p e r f i c i a l e à m e n o r t e n d ê n c i a d e f o r m a r v a p o r n a s u p e r f í c i e d o a ç o , e v i t a n d o - s e
l i
forma da peça influem consideravelmente n a escolha daquele meio. Muitas vezes, por assim o i n c o n v e n i e n t e d o s c h a m a d o s " p o n t o s m o l e s " " , m u i t o c o m u n s n a t ê m p e r a d o s a ç o s .
e x e m p l o , a s e c ç ã o d a p e ç a é tal q u e a a l t e r a ç ã o e s t r u t u r a l p r o j e t a d a n ã o o c o r r e à p r o f u n d i - Finalmente, outro fator que deve s e r levado e m conta é o d a circulação do meio de
d a d e e s p e r a d a . A l i á s , a s f i g u r a s 2 4 e 2 5 j á e s t u d a d a s e s c l a r e c e m p e r f e i t a m e n t e tal f a t o . r e s f r i a m e n t o o u a a g i t a ç ã o d a p e ç a n o i n t e r i o r d e s s e m e i o . A T a b e l a 6 j á v i s t a e a T a b e l a 8< 2a)

P o r o u t r o l a d o , a l g u m a s v e z e s a f o r m a d a p e ç a é tal q u e u m r e s f r i a m e n t o m a i s d r á s t i c o , dada a seguir c o m p r o v a m que a agitação ou a circulação t o m a m o resfriamento m a i s rápido;


c o m o e m á g u a , p o d e p r o v o c a r c o n s e q u ê n c i a s i n e s p e r a d a s e r e s u l t a d o s indesejáveis, tais além d i s s o , c o m o é f á c i l e n t e n d e r , h a v e r á m e l h o r c o n t a t o e n t r e t o d a s a s p a r t e s d a p e ç a e o
c o m o e m p e n a m e n t o e m e s m o ruptura d a p e ç a . U m meio de resfriamento menos drástico, meio d e r e s f r i a m e n t o .
c o m o óleo, seria o indicado sob o ponto de vista d e e m p e n a m e n t o ou ruptura, porque reduz C o m o j á foi o b s e r v a d o , a e s c o l h a d o m e i o de resfriamento n ã o d e p e n d e s o m e n t e d a s
o gradiente de t e m p e r a t u r a apreciavelmente durante o resfriamento, m a s pode não satisfa- propriedades f i n a i s d e s e j a d a s no a ç o , pois o e m p e n a m e n t o ou as fissuras que podem
zer sob o ponto de v i s t a de profundidade d e endurecimento. É preciso, então, conciliar as :
resultar ao s e r o m a t e r i a l r e s f r i a d o , a s s i m c o m o o a p a r e c i m e n t o d e a p r e c i á v e i s tensões
d u a s coisas: resfriar a d e q u a d a m e n t e p a r a o b t e n ç ã o da estrutura e d a s propriedades d e s e - internas p o d e m d e t e r m i n a r a s u b s t i t u i ç ã o do meio ideal, s o b o p o n t o d e vista d e p r o p r i -
j a d a s à p r o f u n d i d a d e p r e v i s t a e, a o m e s m o t e m p o , e v i t a r e m p e n a m e n t o , d i s t o r ç ã o o u m e s - edades d e s e j a d a s , por um meio m e n o s s e v e r o , de m o d o a s e r e m c o n t o r n a d a s aquelas
m o ruptura da p e ç a q u a n d o submetida ao resfriamento. dificuldades. P o d e - s e chegar, então, à n e c e s s i d a d e de se u s a r m e i o s de resfriamento
Tal condição s e c o n s e g u e c o m a e s c o i h a a p r o p r i a d a do aço. cada vez menos severos, o que implica na escolha simultânea de aços com
D e qualquer m o d o , o m e i o de resfriamento é fator básico no q u e s e refere à reação d a temperabilidade c a d a v e z maior, d e m o d o a ser atingido o objetivo final - e s t r u t u r a e
a u s t e n i t a e, e m c o n s e q u ê n c i a , a o s p r o d u t o s f i n a i s d e t r a n s f o r m a ç ã o . propriedades desejadas com um mínimo de empenamento e tensões internas - nas
A T a b e l a 6< ) i n d i c a a s v e l o c i d a d e s r e l a t i v a s d e r e s f r i a m e n t o d e a l g u n s m e i o s " .
27
melhores condições.
A Tabela tem a utilidade de mostrar o efeito tanto do meio d e resfriamento c o m o da M e i o s d e r e s f r i a m e n t o a i n d a m e n o s s e v e r o s q u e ó l e o , á g u a a q u e c i d a o u ar, s ã o b a n h o s
s e c ç ã o da peça s o b r e a velocidade de resfriamento e de comprovar t a m b é m a necessidade de s a l o u b a n h o s d e m e t a l f u n d i d o .
d a seleção a d e q u a d a d a composição do a ç o .
TABELA7
V e l o c i d a d e d e r e s f r i a m e n t o n o c e n t r o d e u m a esfera de 4 " m m d e d i â m e t r o Ni-Cr
TABELA 6 a t r a v é s da f a i x a de t e m p e r a t u r a 7 2 0 ° C - 5 5 0 ° C d u r a n t e o r e s f r i a m e n t o
V e l o c i d a d e s relativas d e r e s f r i a m e n t o de d i v e r s o s m e i o s e m v á r i o s m e i o s a p a r t i r de 860°C
V e l o c i d a d e R e l a t i v a de
Velocidade de Resfriamento
Melo d e r e s f r i a m e n t o R e s f r i a m e n t o para D i â m e t r o s d e :
R e l a t i v a s à d a Á g u a a 18°C
1" 2" 3" M e i o de R e s f r i a m e n t o
na Faixa d e T e m p e r a t u r a de
0 mais drástico (teórico) 1,23 0,30 0,14 7 2 0 ° C a 550"C
Á g u a em agitação 1,00 0,27 ,0,13 2,06
Solução a q u o s a a 10% NaOH
Óleo em agitação 0,40 0,18 ''0,093 Solução a q u o s a a 1 0 % NaCI 1,96
Corrente de ar 0,032 0,0157 .0,0102 Solução a q u o s a a 1 0 % Na CO., 2 1,38
Artranquilo 0,0152 0,0075 |0,0048 Águaa0°C 1,06
Águaa18°C 1,00
O s meios de resfriamento mais c o m u m e n t e utilizados são: soluções aquosas, água, óleo Águaa25°C 0,72
e ar. A T a b e l a 7 ( 2 7 ) m o s t r a as velocidades de resfriamento no centro d e u m a esfera de níquel- Óleo 1 0,30
c r o m o de 4 m m de d i â m e t r o na faixa de t e m p e r a t u r a entre 7 2 0 ° C a 550°C durante o Óleo 2 0,22
r e s f r i a m e n t o a p a r t i r d e 8 6 0 ° C e m v á r i o s m e i o s . D o e x a m e d e s s a t a b e l a p o d e - s e tirar d i v e r - Óleo 3 0,20
sas conclusões: Águaa50°C 0,17
Óleo 4 0,16
a) O s m e i e s m a i s d r á s t i c o s s ã o as s o l u ç õ e s a q u o s a s de vários t i p o s . j
Óleo 5 0.14
b ) K á cSferaETça ris " c o m p o r t a m e n t o e n t r e v á r i o s t i p o s d e ó l e o , d e v i d o s o b r e t u d o à d i f e r e n -
Tetracloreto de carbono 0,055
ça de viscosidade e às características de f o r m a ç ã o de v a p o r " .
Água a 7 5 " C 0,047
Águaa100°C 0,044
n Essas velocidades são indicadas para o centro de cilindros longos de uma liga austenítíca Te-Ni, quando Ar líquido 0,039
a temperatura do centro é 550°C, comparadas com a velocidade de resfriamento de um cilindro de 1" de
Ar 0,028
diâmetro, resfriado em água em agitação a uma velocidade de 38"C/seg.
Vácuo 0,011
n O material quente transforma o líquido com o qual entra em contato imediato em vapor, de modo que se
fornia uma camada gasosa, a qual isola o aço e pode tornar mais lento o resfriamento. n "Softsports"

84 85
TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS
Aços E FERROS FUNDIDOS

TABELA 8 Tais f e n ó m e n o s , d e o x i d a ç ã o e d e d e s c a r b o n e t a ç ã o , s ã o e v i t a d o s p e l o u s o d e uma


Efeito d o m o v i m e n t o d o meio de r e s f r i a m e n t o s o b r e a v e l o c i d a d e d e r e s f r i a m e n t o atmosfera protetora, ou controlada no interior do forno, a q u a l , ao prevenir a f o r m a ç ã o da

Oleo a 60°C Á gua a 20°C S a l m o u r a a 20°C " c a s c a d e ó x i d o " , t r o n a d e s n e c e s s á r i o o e m p r e g o d e m é t o d o s d e l i m p e z a e, a o e l i m i n a r a


E s t a d o do meio d e r e s f r i a m e n t o
descarbonetação, garante u m a superfície uniformemente d u r a e resistente ao d e s g a s t e .
Nenhuma tírculação d o líquido
ou agitação d a p e ç a 0,2 1,0 2,0 Escapa à finalidade desta obra u m a descrição dos vários tipos de atmosferas proteto-
Circulação ou agitação moderada 0,3 1,1 2,1 ras u s a d a s n o s t r a t a m e n t o s t é r m i c o s d o s a ç o s . P o r o u t r o l a d o , n o c a p í t u l o d e d i c a d o à
Boa circulação 0,4 1,4 - "Prática d o T r a t a m e n t o T é r m i c o " , a l g u n s n o v o s p o r m e n o r e s s e r ã o m e n c i o n a d o s . N u m r á -
Circulação forte 0,6 1,8 - pido a p a n h a d o , e n t r e t a n t o , c o n v é m m e n c i o n a r q u e a s a t m o s f e r a s m a i s c o m u n s s ã o obti-
Cácufeção violenta 1,0 4,0 5,0 das pela c o m b u s t ã o total ou parcial d e c a r v ã o , óleo ou g á s . Tais a t m o s f e r a s p o d e m a p r e -
sentar o x i g é n i o , n i t r o g é n i o , a n i d r i d o c a r b ó n i c o , v a p o r d e á g u a , ó x i d o d e c a r b o n o , h i d r o g é -
O s banhos d e sal s ã o particularmente u s a d o s n a t ê m p e r a dos a ç o s rápidos; não cabe nio h i d r o c a r b o n e t o s , etc. O h i d r o g é n i o e a amónia dissociada, esta última c o m o fonte
aqui u m a descrição pormenorizada desses m e i o s de resfriamento. Entretanto, cabe a ob- económica de hidrogénio, também pode ser usadas, se bem que não tanto
servação de que os b a n h o s de sal, para o resfriamento durante o tratamento térmico frequentemente.
daqueles tipos de aços, são preferidos ao óleo ou ar t r a n q u i l o porque permitem O h i d r o g é n i o a t u a c o m o a t m o s f e r a r e d u t o r a e do m e s m o m o d o a a m ó n i a d i s s o c i a d a . O
resfriamento u n i f o r m e e rápido nas faixas de altas temperaturas, o n d e o resfriamento é óxido d e c a r b o n o a t u a t a m b é m , n o t r a t a m e n t o t é r m i c o d o s a ç o s , c o m o a t m o s f e r a r e d u t o r a .
-i-
m a i s critico. É d e notar, c o n t u d o , q u e o h i d r o g é n i o e o ó x i d o d e c a r b o n o n ã o s ã o a p e n a s a g e n t e s r e d u t o -
Quanto a b a n h o s d e metal fundido, o m a i s c o m u m é o de c h u m b o , u s a d o particularmente res. O h i d r o g é n i o s e m p r e e o ó x i d o d e c a r b o n o , s o b c e r t a s c o n d i ç õ e s , p o d e m provocar
n o 'patenteamento", o p e r a ç ã o que será a b o r d a d a no Capítulo XV. descarbonetação, de modo que seu uso deve ser estudado adequadamente para q u e um
O outro m e i o d e resfriamento usado n a m o d e r n a indústria é r e p r e s e n t a d o por "gás", objetivo n ã o s e j a a t i n g i d o c o m s a c r i f í c i o d e o u t r o - p o r e x e m p l o , e v i t a r a c a s c a d e ó x i d o s e m
para velocidades de resfriamento superiores à s obtidas e m ar t r a n q u i l o e inferiores às impedir a d e s c a r b o n e t a ç ã o .
obtidas e m ó l e o ' ) . O resfriamento é r e a l i z a d o c o l o c a n d o - s e as p e ç a s austenitizadas
2 8 na De o u t r o l a d o , o s h i d r o c a r b o n e t o s sempre e o CO também sob certas condições
c â m a r a de resfriamento d o s f o m o s de t r a t a m e n t o térmico, o n d e s ã o s u b m e t i d a s à ação de podem carbonetar o aço. Em r e s u m o , é preciso sempre u m estudo cuidadoso d a s pro-
u m a corrente d e g á s q u e se move r a p i d a m e n t e . Esse meio de r e s f r i a m e n t o gasoso pode porções c o r r e i a s d o s vários c o n s t i t u i n t e s d e u m a a t m o s f e r a p r o t e t o r a para q u e , n o t r a t a -
ser constituído d e a r s i m p l e s m e n t e até m i s t u r a s c o m p l e x a s , c o m o a s caracterizadas peias mento térmico n o r m a l dos a ç o s , s e j a m evitadas a o x i d a ç ã o e tanto a descarbonetação
atmosferas protetoras, q u e não s o m e n t e p r o d u z e m o tratamento chamado "brilhante", como a c a r b o n e t a ç ã o . A Tabela 9 adaptada da p u b l i c a ç ã o "Metal Progress Data
c o m o t a m b é m a u m e n t a m a v e l o c i d a d e de t r a n s f e r ê n c i a de calor e n t r e o gás e as p e ç a s . Sheets"i '>3 r e s u m e a s r e a ç õ e s q u e o c o r r e m no interior d o s f o r n o s , d e v i d o às atmosferas
S ã o utilizados t a m b é m polímeros líquidos, c o m o meio de r e s f r i a m e n t o ' ' . 2 9 comuns presentes, apontando e s q u e m a t i c a m e n t e o tipo de reação, a p o r c e n t a g e m de-
Esses meios p o d e m substituir o óleo, s e n d o a l g u m deles, c o m o o s glicóis mais severos sejada p a r a q u e n ã o ocorra d e s c a r b o n e t a ç ã o , além de s u g e r i r q u a i s as a t m o s f e r a s mais
q u e os óleos p o r é m m e n o s que a á g u a ' ' . 3 0 indicadas p a r a c a d a fim.
A t m o s f e r a s a b a s e d e n i t r o g é n i o , s o b r e t u d o as n i t r o g é n i o / á l c o o l , e s t ã o s e n d o e m p r e g a -
2 . 4 . Atmosfera do forno - N o s t r a t a m e n t o s t é r m i c o s dos a ç o s , d e v e - s e evitar dois f e n ó - das d e m o d o c r e s c e n t e . P o r e x e m p l o , a a d i ç ã o d e m e t a n o l n o n i t r o g é n i o c o n s t i t u i n u m m e i o
m e n o s muito c o m u n s e q u e p o d e m c a u s a r s é r i o s aborrecimentos: a o x i d a ç ã o que resulta n a protetor q u e s u b s t i t u i u m a a t m o s f e r a e n d o t é r m i c a . U m a c o m p o s i ç ã o t í p i c a é a s e g u i n t e ' ' : 3 2

f o r m a ç ã o i n d e s e j a d a d a "casca de óxido" e a descarbonetação que p o d e provocar a forma- CO - 1 8 a 2 0 % , H 2 - 32 a 40%, N 2 - 36 a 49%, C H - 1 a 4 % , C 0


4 2 + H 2 - 0,10 a 0 , 3 0 % .
ção de u m a c a m a d a m a i s mole na superfície do metal. À s v e z e s , p a r a o b t e r os m e s m o s r e s u l t a d o s p r o p o r c i o n a d o s p e l a s a t m o s f e r a s p r o t e t o -
A s reações de o x i d a ç ã o mais c o m u n s s ã o : ras, u s a - s e c o m o m e i o d e a q u e c i m e n t o b a n h o s d e s a l f u n d i d o ; o t r a t a m e n t o t é r m i c o dos
aços r á p i d a s c o n s t i t u i o e x e m p l o m a i s i m p o r t a n t e .
2Fe + 0 2 = 2 F e O , p r o v o c a d a pelo o x i g é n i o ; Os tratamentos térmicos usuais dos aços são: recozimento, normalização, têmpera,
Fe + C 0 2 = F e O + C O , provocada pelo anidrido carbónico; revenido, c o a l e s c i m e n t o e os t r a t a m e n t o s isotérmicos.
Fe + H 0 2 = F e O + H , provocada pelo v a p o r de água.
2 .

3. Recozimento - É o tratamento térmico realizado c o m o fim d e a l c a n ç a r u m ou


A reação p r o v o c a d a pelo anidrido carbónico é reversível; de fato, s e a m i s t u r a gasosa de C O vários dos s e g u i n t e s objetivos: r e m o v e r tensões devidas a o s tratamentos m e c â n i c o s a
e C O f o r rica e m C 0 , e l a o x i d a r á o ferro a t e m p e r a t u r a s e l e v a d a s , m a s s e f o r relativamente
z 2 rica frio o u a q u e n t e , d i m i n u i r a d u r e z a p a r a m e l h o r a r a u s i n a b i l i d a d e d o a ç o , a l t e r a r as
e m C O , tal m i s t u r a r e d u z i r á o F e O . A r e a ç ã o p e l o v a p o r d e á g u a é i g u a l m e n t e reversível, pois propriedades m e c â n i c a s c o m o resistência, ductilidade e t c , modificar os característi-
u m a m i s t u r a d e K , e v a p o r d e á g u a é o x i d a n t e s e rica e m v a p o r e r e d u t o r a s e rica e m h i d r o g é n i o . cos e l é t r i c o s e m a g n é t i c o s , a j u s t a r o t a m a n h o de g r ã o , r e g u l a r i z a r a t e x t u r a b r u t a de
A d e s c a r b o n e t a ç ã o p o d e processar-se s i m u l t a n e a m e n t e c o m a o x i d a ç ã o ou a formação fusão, r e m o v e r g a s e s , produzir u m a microestrutura definida,.eliminar enfim os efeitos-
d e c a s c a de óxido; o processo nada mais é d o q u e u m a oxidação preferencial do carbono, de q u a i s q u e r t r a t a m e n t o s t é r m i c o s o u m e c â n i c a s a n u e o a ç o t i v e r s i d o anteriormente
o c o r r e n d o a s Teações i j o e r a t e m p e r a t u r a a b a i x o d a z o n a c r i t i c a , q u a n d o o c a r b o n o e s t á n a submetida
f o r m a de F e C o u a t e m p e r a t u r a a c i m a d a z o n a crítica, e s t a n d o o c a r b o n o presente
3 na O t r a t a m e n t o g e n é r i c o recozimento a b r a n g e os seguintes tratamentos específicos:
austenita. O s a g e n t e s descarbonetantes usuais s ã o o oxigénio, o anidrido carbónico e o
hidrogénio, segundo as reações seguintes:
*—& 3 . 1 . Recozimento total ou pleno, q u e consiste no a q u e c i m e n t o do aço a c i m a d a zona
crítica d u r a n t e o t e m p o n e c e s s á r i o e s u f i c i e n t e p a r a t e r - s e a s o l u ç ã o d o c a r b o n o o u dos
2C + 0 2 =2CO elementos d e liga no ferro g a m a , s e g u i d o d e resfriamento lento, realizado sob c o n d i ç õ e s q u e
C +C0 2 = 2C0 permitam a f o r m a ç ã o dos constituintes n o r m a i s de acordo c o m o diagrama de equilíbrio F e -
C +2H =CH4 C. E s s e r e s f r i a m e n t o lento p o d e s i g n i f i c a r m a n t e r a p e ç a n o i n t e r i o r d o f o r n o e c o n t r o l a r a
TABELA 9
R e a ç õ e s d e v i d a s a várias a t m o s f e r a s q u e p o d e m s e r u t i l i z a d a s n o s t r a t a m e n t o s d o s a ç o s

Porcentagem Porcentagem
Gases UBUalmonte desejada Reações Tipo Observações
preaentoa nas para evitar de reação
atmof)tora8 descarbonetação

Levemente
2CO + 3 F e - > F e C + C 0
Óxido
3 2

carbonetante O GO é desejável nas atmosferas dos fornos porque


carbono Até 3 4 % 10 a 3 4 % compensa a contaminação por parte de
(CO) Levemente traços de C 0 , vapor de água ou oxigénio.
2

CO + FeO -+ Fe + C 0 2
redutora

Fortemente
C0 + F e C -> 3Fe + 2 C O
descarbonetante
2 3

Anidrido Deve-se ellminartotalmente o C 0 das atmosferas


2

carbónico Até 1 5 % 0% dos fornos. Traços de G 0 p o d e m ser compensados


2

(COJ C 0 + F e - * F e O + CO pela presença de GO e metana.


2 Oxidante

Fortemente
Vaporda H 0 + F e C -> 3Fe + CO + H
Deve-se elimlnarcompletamente o v a p o r d e água
2 3 2

descarbonetante
água AIA 8 2 % abaixo de das atmosferas dos fomoa,Traços de v a p o r d e égua
(H.O) 0,09% p o d e m sar compensados pnla presença de CO e
H 0 + Fe -> FeO + H
2 2 Oxidante metana

Fortemente
H +FeO-»Fe + H O
2 a

redutora Ainda que o hidrogénio seja desejável em certas


Hidrogénio aplicações, geralmente deve ser mantido baixo por
0 II 4 0 % 3 a 20%
(H ) 2 formar vapor de água ou daacarbonatar.
2 H + F e C - > 3 F e + CH4
a 3 Descarbonetante

TABELA9
Reações devidas a várias atmosferas que p o d e m ser utilizadas n o s tratamentos t é r m i c o s d o s aços (continuação)

r
Porcentagem Porcentagem
Gases usualmente desejada Reações Tipo Observações
p r e s e n t e nas para evitar de r e a ç ã o
atmosferas descarbonetação

Fortemente
CH, + 3 F e - » F e C + 2 H Deseja-se geralmente metana em porcentagem
carbonetante
3 2

Metana muito baixa porque a maioria das atmosferas é


(CHJ 0 a 4% traços a 1 % contaminada pelo ar, vapor de água ou C 0 . 2

CH„ + 4 F e O 4Fe + C 0 + 2 H 0 2 2
Redutora

Seria a atmosfera ideal se pudesse ser mantida


Nitrogénio completamente Isenta de contaminação pelo ar,
(N )
2 0a100% restante Neutra vapor d'água ou C 0 . Para compensar essa
2

contaminação, devar-se-fa adicionar CO


e talvez traços de C H 4

Fortemente
0 +2Fe-*2FeO
2
oxidante Para evitar oxidação e descarbonetação, o
Oxigénio 0 0 oxigénio deve ser inteiramente eliminado das
Fortemente atmosferas dos fornos.
(° )
2

0 +Fe C-*3Fe + C0
2 3 2 descarbonante

u O O O- o w O ^ < y v O v ^ ^ v •v ^ — - v - y ^ ^ ••->•
v e l o c i d a d e de r e s f r i a m e n t o d o m e s m o o u d e s l i g a r o f o r n o , a p ó s o c i c l o d e a q u e c i m e n t o e "tfc 3.2. Recozimento isotérmico ou cíclico, q u e consiste n o a q u e c i m e n t o do a ç o n a s m e s m a s
d e i x a r que as p e ç a s d e a ç o resfriem ao m e s m o t e m p o que ele. condições q u e p a r a o recozimento total, s e g u i d o d e u m e s f r i a m e n t o r á p i d o até u m a t e m p e r a t u r a
O recozimento pleno está esquematizado na figura 54. Nessas c o n d i ç õ e s , obtém-se a situada dentro d a p o r ç ã o s u p e r i o r d o d i a g r a m a d e transformação i s o t é r m i c o , o n d e o m a t e r i a l é
periita grosseira que é a microestrutura ideal p a r a m e l h o r a r a usinabilidade d o s aços de baixo mantido d u r a n t e o t e m p o n e c e s s á r i o a s e p r o d u z i r a t r a n s f o r m a ç ã o c o m p l e t a . E m s e g u i d a , o
e m é d i o t e o r d e c a r b o n o . P a r a a ç o s d e alto c a r b o n o , a p e r l i t a g r o s s e i r a n ã o é v a n t a j o s a s o b esfriamento a t é a t e m p e r a t u r a a m b i e n t e p o d e s e r apressado c o m o m o s t r a o d i a g r a m a d a f i g u r a 5 7 .
o p o n t o de vista d e u s i n a b i l i d a d e e neles p r e f e r e - s e u m a estrutura d i f e r e n t e - a "esferoidita" O s p r o d u t o s r e s u l t a n t e s d e s s e t r a t a m e n t o t é r m i c o s ã o t a m b é m p e r l i t a e ferrita, p e r i i t a e
- o b t i d a pelo coalescimento, como se verá m a i s adiante. cementita o u s ó p e r l i t a . A e s t r u t u r a f i n a l , c o n t u d o , é m a i s u n i f o r m e q u e n o c a s o d o r e c o z i m e n t o
A figura 5 5 ( 3 3 ' m o s t r a a faixa de temperaturas p a r a recozimento p l e n o . pleno. A l é m d i s s o , o ciclo d e t r a t a m e n t o p o d e s e r e n c u r t a d o s e n s i v e l m e n t e d e m o d o q u e o
C o m o se vê, a prática c o m u m para recozer aços hipoeutetóides é a q u e c e r a temperatu- tratamento é m u i t o p r á t i c o p a r a c a s o s e m q u e s e q u e i r a tirar v a n t a g e m d o r e s f r i a m e n t o r á p i d o
ras acima da linha s u p e r i o r de transformação A 3 (mais ou menos 5 0 ° C a c i m a ) , de modo a desde a t e m p e r a t u r a de t r a n s f o r m a ç ã o e d e s t a à t e m p e r a t u r a a m b i e n t e , c o m o e m peças
o b t e r - s e a u s t e n i t i z a ç ã o c o m p l e t a . N o s a ç o s h i p e r e u t e t ó i d e s , a q u e c e - s e a c i m a d a linha A , , relativamente p e q u e n a s q u e p o s s a m s e r a q u e c i d a s e m b a n h o s d e s a l ou d e c h u m b o f u n d i d o .
n ã o s e d e v e n d o a t i n g i r o u u l t r a p a s s a r a l i n h a A ^ , , p o r q u e , n o r e s f r i a m e n t o l e n t o posterior,
f o r m a - s e nos c o n t o r n o s d e g r ã o d a austenita u m invólucro c o n t í n u o e frágil de carbonetos,
q u e iria c o n f e r i r e x c e s s i v a f r a g i l i d a d e a o s a ç o s . J á n a n o r m a l i z a ç ã o , t r a t a m e n t o q u e s e r á
1150
discutido p o s t e r i o r m e n t e , c o m o o resfriamento é m a i s rápido - ao ar - n ã o s e t e m a f o r m a ç ã o
d e s s e invólucro de c a r b o n e t o s . Desse m o d o , o a q u e c i m e n t o na n o r m a l i z a ç ã o dos a ç o s
hipereutetóides pode s e r levado a temperaturas a c i m a d a linha A O T .
1100
(Fay)
/
/
Austenita (A)
A figura 55 indica q u e os constituintes estruturais q u e resultam d o r e c o z i m e n t o pleno são: 1050
p e r l i t a e ferrita p a r a o s a ç o s h i p o e u t e t ó i d e s , p e r l i t a e c e m e n t i t a p a r a o s a ç o s h i p e r e u t e t ó i d e s
e a p e n a s perlita p a r a o s a ç o s eutetóides. 1000
A influência d a t e m p e r a t u r a de a q u e c i m e n t o no recozimento s o b r e a s p r o p r i e d a d e s d o s Acm

\
950
a ç o s está indicada n a f i g u r a 5 6 , relativa a u m a ç o c o m 0 , 4 % de c a r b o n o , n o estado ligeira-
/\usten ta (A)
mente encruado' . wA-rvAf *\ +

V\
900
341

Cemen ttta(C)
C u r v a de Resfriamento 850

800 I N

l \
fr
750 / Ftecozímenfo Plano

"1
700
^ (Fea)
Ferrita (F)
650
E

600
M;
Ce mentít a(C)
550 +
Mf F+ P =erllta (P)
PRODUTO: PERLITA (OU PERLITA E \ 500
FERRITA OU PERLITA E CEMENTITA)
450
T e m p o , esc. l o g .
Fig. 5 4 - Diagrama esquemático de transformação para recozimento pleno
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2

Nota-se, por e x e m p l o , q u e à m e d i d a q u e a t e m p e r a t u r a s o b e , a n t e s d e atingir o limite % C


inferior da z o n a crítica e depois de ultrapassá-lo, a ductilidade m e l h o r a e a resistência m e c â -
Fig. 5 5 - Diagrama de equilíbrio Fe-C, mostrando as faixas para recozimento pleno.
nica (assim como a dureza) diminui. O máximo efeito, nesses s a r i V ^ , é c a r s c g r a d o s o o e n -
te quando é atingido o limite superior da z o n a critica. A o ser ultrapassado, venfica-se que a Para p e ç a s grandes, entretanto, o recozimento isotérmico não é vantajoso sobre o pleno,
resistência à t r a ç ã o é p o u c o afetada, o limite d e e s c o a m e n t o m e l h o r a a i n d a através de u m a visto q u e a v e l o c i d a d e d e r e s f r i a m e n t o n o c e n t r o d e p e ç a s d e g r a n d e s e c ç ã o p o d e s e r t ã o
certa faixa de t e m p e r a t u r a s e a ductilidade cai sensivelmente, d e v i d o a u m crescimento baixa q u e t o r n a i m p o s s í v e l o s e u r á p i d o r e s f r i a m e n t o à t e m p e r a t u r a d e t r a n s f o r m a ç ã o .
a c e n t u a d o do t a m a n h o d e g r ã o . Este c r e s c i m e n t o p o d e e deve n o r m a l m e n t e ser evitado - As temperaturas recomendadas d e austenitização para alguns tipos de a ç o s - c a r b o n o e
c o m aliás j á foi m e n c i o n a d o - e v i t a n d o - s e a q u e c i m e n t o m u i t o a l é m d o l i m i t e s u p e r i o r d a z o n a aços-liga e s t ã o a seguir i n d i c a d a s 134 '.
crítica, o que permitirá o b t e r a melhor c o m b i n a ç ã o d e resistência e t e n a c i d a d e . 1025- 857 a SOCC
O recozimento total r e q u e r u m tempo m u i t o l o n g o , de m o d o que, à s v e z e s , é conveniente 1030 - 8 4 3 a 870°C
substituí-lo pelo: 1033, 1035, 1036, 1037, 1038, 1 0 3 9 , 1040 - 829 a 857°C

90 91
A ç o s E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉRMICO DOS Aços

1135,1340, 1345, 3140 - 815 a 843°C


4037, 4 0 4 2 - 829 a 857°C
4047 - 815 a 857°C

& 4 7
4063 - 802 a 8 4 3 C q

& 4130-815 a871°C


4135, 4137, 4 1 4 0 , 4142 - 843 a 8 7 1 ° C
•tterwà
4145, 4147, 4150, 4 1 6 1 , 4337, 4340 - 815 a 843°C
50B40, 50B44, 5046, 50646 - 815 a 843°C

\ 24 £
50B50, 5 0 B 6 0 - 802 a S43°C
5130, 5 1 3 2 - 8 2 9 a 857°C
<0
2§Wo 22 g 5135, 5 1 4 0 , 5 1 4 5 - 815 a 8 4 3 ° C
< 5147, 5 1 5 0 , 5 1 5 5 , 5160 - 8 0 2 a 8 4 3 ° C
| 26 50100, 51100, 52100 - 774 a 802°C - para têmpera em á g u a
CO ™ 50100, 51100, 52100 - 815 a 871 ° C - para têmpera em óleo
o E p^ÇO jmentc 6150 - 843 a 8 8 5 " C
S E 24
lil ai 81B45 - 815 a 857°C
8 6 3 0 - 8 2 9 a 871 ° C
T> 22
8637, 8640 - 829 a 857°C

J 20650 700 750 800 860 900 950 1000" 8642, 8645, 8 6 B 4 5 , 8650 - 815 a 8 5 7 ° C
Temperatura °C 8655, 8660 - 8 0 2 a 843°C
8740, 8 7 4 2 - 829 a 857°C
Fig. 56 - Efeito da t e m p e r a t u r a de recozimento nas propriedades mecânicas d e um aço com 9254, 9255, 9260 - 815 a 900°C
0,40% de carbono ligeiramente encruado.
94B30, 9 4 B 4 0 - 843 a 855°C
9840 - 829 a 857°C

3 . 3 . Recozimento para alívio de tensões ou sub-crítico, q u e c o n s i s t e no a q u e c i m e n t o d o


aço a t e m p e r a t u r a s a b a i x o d o l i m i t e i n f e r i o r d a z o n a c r í t i c a . O o b j e t i v o é aliviar a s t e n s õ e s
originadas d u r a n t e a solidificação ou p r o d u z i d a s em o p e r a ç õ e s d e t r a n s f o r m a ç ã o mecânica
a frio, c o m o e s t a m p a g e m p r o f u n d a , o u e m o p e r a ç õ e s d e e n d i r e i t a m e n t o , c o r t e p o r c h a m a ,
soldagem o u u s i n a g e m . Essas t e n s õ e s c o m e ç a m a ser aliviadas a temperaturas logo a c i m a
da ambiente; entretanto, é a c o n s e l h á v e l aquecimento lento a t é pelo menos 5 0 0 ° C para
garantir o s m e l h o r e s r e s u l t a d o s . D e q u a l q u e r m o d o , a t e m p e r a t u r a d e a q u e c i m e n t o d e v e s e r
a mínima c o m p a t í v e l c o m o tipo e as c o n d i ç õ e s d a p e ç a , p a r a q u e não se m o d i f i q u e sua
estrutura i n t e r n a , a s s i m Como n ã o s e p r o d u z a m alterações s e n s í v e i s de suas p r o p r i e d a d e s
mecânicas.
A figura 58 l 3 3 ) m o s t r a a faixa de t e m p e r a t u r a s utilizadas n o recozimento p a r a alívio de
tensões ou sub-crítico.
C o m o s e v ê , o a q u e c i m e n t o é feito a u m a t e m p e r a t u r a inferior à d a linha A ^ onde as
p e ç a s p e r m a n e c e m o t e m p o n e c e s s á r i o , s e g u i n d o - s e r e s f r i a m e n t o a o ar g e r a l m e n t e . O
aquecimento a temperaturas entre 1 0 o e 2 0 ° C abaixo a linha A , produz a melhor c o m b i n a ç ã o
de m i c r o e s t r u t u r a , d u r e z a e p r o p r i e d a d e s mecânicas.
E PERLITA O U PERLITA E C E M E N T I T A )
A Tabela n a 10 ( 3 S ) a p r e s e n t a a l g u n s e x e m p l o s típicos d e t r a t a m e n t o p a r a alívio d e t e n s õ e s .

T e m p o , esc. log.
3 . 4 . Esferoidízação - E s s e t i p o d e r e c o z i m e n t o , r e p r e s e n t a d o n a f i g u r a 59™ tem por
objetivo m e l h o r a r a u s i n a b i l i d a d e e a t r a b a l h a b i i i d a d e a frio d o s a ç o s . O t r a t a m e n t o c o n s i s t e
Fig. 57 - Diagrama esquemática de transformação p a r a recozimento isotérmico o u cíclico. n u m a q u e c i m e n t o e r e s f r i a m e n t o «a i h s p r y V r t f p era c o n d i ç õ e s t a i s a p r o d u z i r u m a forma
gíobuiar ou esferoidal os carboneto no açc. Há várias maneiras de p r o d u z i r tal

1 0 4 1 , 1042, 1043, 1 0 4 5 , 1046, 1048, 1050, 1 0 5 2 , 1055, 1060, 1 0 6 4 , 1065, microestrutura, a saber:

1070, 1 0 7 4 - 8 0 2 a 843°C
1078, 1080, 1084, 1 0 8 5 , 1086, 1090, 1095 - 7 8 8 a 815"C • a q u e c i m e n t o a u m a temperatura l o g o a c i m a da linha inferior de transformação, s e g u i d o

1132, 1 1 3 7 - 829 a 857°C de e s f r i a m e n t o lento;

1138, 1140 - 8 1 5 a 8 4 3 ° C • a q u e c i m e n t o prolongado a u m a t e m p e r a t u r a logo abaixo d a linha inferior da z o n a crítica;

1 1 4 1 , 1144, 1145, 1 1 4 6 , 1151 - 8 0 2 a 8 4 3 ° C • a q u e c i m e n t o e resfriamento a l t e r n a d o s entre t e m p e r a t u r a s q u e estão logo a c i m a e l o g o

1130 - 829 a 8 5 7 ° C abaixo d a linha inferior de t r a n s f o r m a ç ã o .

92 93
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS

115a O recozimento de esferoidização aplica-se principalmente e m aços de médio a alto teor


dè c a r b o n o , s o b r e t u d o p a r a m e l h o r a r a u s i n a b i l i d a d e . Q u a n d o o c a r b o n o é m u i t o b a i x o , a
1100
(Fea) c o n d i ç ã o e s f e r o i d i z a d a t o m a o a ç a e x t r e m a m e n t e m o l e e v i s c o s o , p o r a s s i m dizer, p r o d u z i n -

1050
Austenita (A)
/ do n a u s i n a g e m c a v a c a s l o n g o s e t e n a z e s q u e d i f i c u l t a m e s s a o p e r a ç ã o . A e s f e r o i d i z a ç ã o d e

1000
/ aços de baixo c a r b o n o t e m p o r o b j e t i v o p r i n c i p a l permitir d e f o r m a ç ã o s e v e r a , s o b r e t u d o e m
operações de e s t i r a m e n t o a frio.
Sob o p o n t o d e v i s t a d e irsinabiridade, a s m i c r o e s i n j t u r a s c o n s i d e r a d a s ideais p a r a o s
950 aços, estão i n d i c a d a s n a Tabela 1 1 1 3 3 1

900 /
\
T A B E L A 11
E s t r u t u r a s r e c o z l d a s para u s i n a b i l i d a d e
850
\ Teor de c a r b o n o % Estrutura ótima
p
A 3
/ 0,06-0,20 No estado laminado (mais económico)
<" 800
rr
/ 0,20-0,30 Abaixo de 75 mm de diâmetro: normalizada •
D
750
/ A c i m a d e 75 mm de diâmetro: no estado laminado
; — /
0,30-0,40 R e c o z i d a de modo a produzir perlita grosseira
rr
UJ
CL 1 ; Este roidizí ição 1
700 A
A

2 0,40-0,60 Perlita grosseira lamelar a carbonetos


UJ grosseiros esferoidizados
1- \
\
B50 0,60-1,00 1 0 0 % de carbonetos esferoidizados,
grosseiros a finos
Fea)
600
Fe rita (F
1 CE menti a ( C )
550 +
3 erlita (P)
500

450

400
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2

% C

Fig. 58 - Diagrama de equilíbrio Fe-C mostrando as faixas para recozimento sub-crítico.

T A B E L A 10
T r a t a m e n t o s t í p i c o s de alívio d e t e n s õ e s e m d i v e r s o s t i p o s d e a ç o s

T e m p o , horas
T i p o de a ç o Temperatura p o r polegada
de s e c ç ã o

Aço com 0,35% C, m e n o s de 3/4" de secção alívio de tensões geralmente


desnecessário
Aço com 0,35% C, c o m 3/4" ou mais de secção 595° a 6 7 5 " C I 1
Aço com mais que 0 , 3 5 % C, c o m menos de 1/2" de alívio de tensões geralmente
secção desnecessário
Aço com mais que 0 , 3 5 % C, c o m 1/2" ou mais de
secção 595°a675°C 1
Aço C-Mo, com menos que 0 , 2 0 % C (qualquer espessura) 595°a675°C 2
Aço C-Mo, com 0,20 a 0 , 3 5 % C (qualquer espessura) 675°a760°C 3a2
Aço Cr-Mo, com 2 % Cr e 0,5% Mo (qualquer espessura) 720°a745°C 2
Aço Cr-Mo, com 2 , 2 5 % Cr, 1 % Mo e 5% Cr, 0,5% M o 730°a760°C . 3
(qualquer espessura) 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2
Aço Cr-Mo com 9 % Cr e 1 % M o (qualquer espessura) 745°a775°C 3
Aços inoxidáveis 410 e 430 (qualquer espessura) 775 aa00°C
870°C
o 2 % c
Aços inoxidáveis 309 e 310 (com secção superior a 3/4") 2
Fig. 59 - Diagrama de equilíbrio Fe-C, mostrando as faixas para esferoidização
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉSMCO DOS AÇOS

3 . 5 . Recozimento em caixa - É o tratamento utilizado para a proteção de grandes massas


o u g r a n d e número d e p e ç a s de aço, de m o d o a i m p e d i r que a superfície a c a b a d a das m e s - Sff

I
C u r v a de Resfriamento
m a s s e j a a f e t a d a p o r o x i d a ç ã o ou outro efeito t í p i c o d e t r a t a m e n t o t é r m i c o .

1
Aa„
No caso de c h a p a s e tiras d e aço, o n d e o p r o c e s s o é muito utilizado, o seu objetivo é
produzir u m a estrutura ferrítica recristaiizada d e p o i s d a laminação a frio. O equipamento de
a q u e c i m e n t o e m p r e g a d o p o d e ser intermitente o u contínuo. Nos f o m o s intermitentes, diver-
s a s bobinas de c h a p a s são colocadas nas soleiras dos fornos e cobertas por u m a capa,
s e n d o aquecidas c o m a t m o s f e r a controlada, n u m período de t e m p o , q u e p o d e durar diver-
s o s dias.
A o contrário, no r e c o z i m e n t o contínuo, as c h a p a s desbobinadas p a s s a m através de c â -
m a r a s de aquecimento e resfriamento, em t e m p o s muito mais curtos: p o u c o s minutos. A li' E

t
temperatura de aquecimento é da ordem de 7 5 0 ° C a 850°C, em cerca de 2 minutos. Segue-
s e resfriamento rápido até a temperatura de aproximadamente 4 0 0 ° C . E m seguida, num
t e m p o de 3 a 5 minutos, as chapas são s u b m e t i d a s a u m superenvelhecimento (uma espécie
d e revenido). O estágio d e superenvelhecimento reduz a concentração d e carbono dissolvi-
Mf
d o a m e n o s que 10 p p m , nos aços ferríticos e ferrítico-perifticos, d e m o d o a melhorar a
ductilidade e à resistência ao envelhecimento' 3 3 1 . P R O D U T O : ( PERLITA FINA O U P E R L I T A
A seguir, p r o m o v e - s e resfriamento até a t e m p e r a t u r a a m b i e n t e a u m a v e l o c i d a d e de 2 ° C FERRITA O U PERLITA E CEMENTITA)
a 1 0 ° C por s e g u n d o , c o m o q u e se obtém as m e l h o r e s propriedades. A n t e s d o tratamento, as
Tempo, esc. l o g .
c h a p a s de aço s ã o s u b m e t i d a s a limpeza q u í m i c a o u eletrolítica.

Fig. 61 - Diagrama esquemático de transformação para normalização


4 . Normalização - E s s e tratamento, e s q u e m a t i z a d o na figura 6 0 ( 3 6 ) consiste no aqueci-
m e n t o do aço a u m a t e m p e r a t u r a acima d a z o n a crítica, seguido d e resfriamento ao ar
A figura 61 m o s t r a a operação e m f u n ç ã o de hipotética c u r v a e m C.
tranquilo.
De a c o r d o c o m a figura 60, a t e m p e r a t u r a de a q u e c i m e n t o s u p e r a a linha A c 3 para os
aços h i p o e u t e t ó i d e s e a l i n h a A c , p a r a o s a ç o s h i p e r e u t e t ó i d e s . P a r a e s t e s ú l t i m o s a ç o s ,
m

como o r e s f r i a m e n t o , após a a u s t e n i t i z a ç ã o , é mais rápido q u e n o r e c o z i m e n t o pleno, n ã o h á


f o r m a ç ã o d o i n v ó l u c r o frágil d e c a r b o n e t o s ' * ' .
As t e m p e r a t u r a s t í p i c a s d e n o r m a l i z a ç ã o d e a ç o s - c a r b o n o e a ç o s - l i g a c o m u n s , s ã o as
seguintes:

1015, 1 0 2 0 , 1 0 2 2 915°C
1025, 1030 900°C

I
/
Faixa tf| ica de 1035 885°C
normal zação ^.
1040, 1045, 1050 860°C
1060, 1080, 1090 830°C
1095 845°C
1117 900°C

l/y 1137 885°C


E

t
/ 1141, 1144
1330
1335, 1340, 3 1 3 5 , 3140
3310
,
860"C
900°C
870°C
925°C
/ 4027, 4028, 4 0 3 2 900°C
4037, 4042, 4 0 4 7 , 4063 87Q°C
4118 925°C
4130 90G°C
4135, 4 1 3 7 , 4 1 4 0 , 4142, 4145, 4 1 4 7 , 4150 870*0
4320 935°C
4337, 4340 870°C
4520, 4620, 4 6 2 1 , 4718, 4720, 4815, 4817, 4820 925°C
5120 925°C
0,3 0,8 0,9 1,2 1,5
% C ie-
Existem, como s e verá mais adiante, aços de composição tal que podem endurecer quando, após o
Fig. 60 - Faixa típica de normalização para aços comuns. aquecimento, são resfriados ao ar. Esses aços não são considerados normalizáveis.

96 • 97
A ç o s E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS

1150 O recozimento de esferoidização aplica-se principalmente em aços de médio a alto teor

1100
(Fea)
// dê carbono, sobretudo para melhorar a usinabilidade. Quando o carbono é muito baixo, a
condição esferoidizada toma o aça extremamente mole e viscoso, por assim dizer, produzin-
1050
Austenita (A)
// do na usinagem cavacos longos e tenazes que dificuitam essa operação. A esferoidização de

1000 // aços de baixo carbono tem por objetivo principal permitir deformação severa, sobretudo em
operações de estiramento a frio.

950
A 3
/ Sob o ponto de vista de Lsinabifidade, as microestruturas consideradas ideais para os
aços, estão indicadas na Tabela 1 1 ' 331

900 TABELA 11
Estruturas recozidas para usinabilidade
850 V
N Teor de carbono % Estrutura ótíma
p
800 0,06-0,20 No estado laminado (mais económico)
<" \
rr 0,20-0,30 Abaixo de 75 mm de diâmetro: normalizada .
Z>
<< 750 Acima de 75 mm de diâmetro: no estado laminado
cr . A i 0,30-0,40 Recozida de modo a produzir perlita grosseira
UJ
CL A • ; eáfdroidízi içãa A 1
2 700 0,40-0,60 Perlita grosseira lamelar a carbonetos
UJ
1-
\ I
grosseiros esferoidizados
S50 0,60-1,00 100% de carbonetos esferoidizados,

800 \ Faa)
Fa rita (F
grosseiros a finos

1 Ce menti a(C)
550 +
=>erlita (P) 1150
500
1100 (Fe ) T
450
Austenita (A)
1050
400
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2 1000
% C
950 - - ..... —
Fig. 58 - Diagrama de equilíbrio Fe-C mostrando as faixas para recozimento sub-crítico.
/ *usíen+ ta (A)
\
900 i i / Cemen ita (C)
I / í
- 850
TABELA 10
\ j
A ;
j
3

Tratamentos típicos de alívio de tensões em diversos tipos de aços 800 . j _ .


/ i
f

A l
Tempo, horas i \ i
Temperatura por polegada 750 !
Tipo de aço ! ! >— / I Ai I I j
°C de secção . ,-f... ••,):•,.!.•. Recoám mto : . , .(•-.-'• -
700
:

' siib^rít co--:'-


Aço com 0,35% C, menos de 3/4" de secção alívio de tensões geralmente
\ i I
:

; - I
• I: •
650 --
Aço com 0,35% C, com 3/4" ou mais de secção
Aço com mais que 0,35% C, com menos de 1/2" de
595" a 675°C
desnecessário
I 1
alívio de tensões geralmente
600 \ Ferrita (F) i
i " P
!
T
I
" |
j
(Feo) : .Cementita (C)
secção desnecessário +
550
Aço com mais que 0,35% C, com 1/2" ou mais de Perlita (P)
secção 595°a675°C 1
500
Aço C-Mo, com menos que 0,20% C (qualquer espessura) 595°a675°C 2
;
Aço C-Mo, com 0,20 a 0,35% C (qualquer espessura) 675°a760°C 3a2 I i I
450
Aço Cr-Mo, com 2% Cr e 0,5% Mo (qualquer espessura) 720°a745°C 2 i i
i !
Aço Cr-Mo, com 2,25% Cr, 1% Mo e 5% Cr, 0,5% Mo 730°a760°C - 3
(qualquer espessura) 400 i
Aço Cr-Mo com 9% Cr e 1 % Mo (qualquer espessura) 745°a775°C 3 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2
Aços inoxidáveis 410 e 430 (qualquer espessura) 775°a800°C 2 % c
Aços inoxidáveis 309 e 310 (com secção superior a 3/4") 870°C 2
Fig. 59 - Diagrama de equilíbrio Fe-C, mostrando as faixas para esferoidização
A ç o s £ FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS

5130, 5132 900°C A normalização visa refinar a granulação grosseira de p e ç a s d e aço fundido principal-
5 1 3 5 , 5140, 5 1 4 5 , 5 1 4 7 , 5 1 5 0 , 5155, 5 1 6 0 870°C mente; frequentemente, e c o m o m e s m o objetivo, a normalização é aplicada e m peças d e -
6118, 6120, 8 6 1 7 , 8 6 2 0 , 8 6 2 2 925°C nois de laminadas ou forjadas. A normalização é ainda usada c o m o tratamento preliminar à
8 6 2 5 , 8627, 8 6 3 0 900°C têmpera e ao revenido, justamente para produzir estrutura maisuniforme do que a obtida por
8 6 3 7 , 8640, 8 6 4 2 , 8 6 4 5 , 8 6 5 0 , 8655, 8 6 0 0 870°C laminação, por e x e m p l o , além d e reduzir a tendência ao e m p e n a m e n t o e facilitar a solução
9 2 5 5 , 9260, 9 2 6 2 900°C de carbonetos e elementos de liga. Sobretudo nos aços-liga q u a n d o os m e s m o s são esfria-
9310 925°C dos lentamente a p ó s a laminação, os carbonetos tendem a ser maciços e volumosos, difíceis
9 8 4 0 , 9850, 5 0 B 4 4 , 5 0 B 4 6 , 5 0 8 5 0 870°C de se dissolver e m tratamentos posteriores de austenitização. A normalização corrige e s s e
60B60, 81B45, 86B45 870°C inconveniente. O s constituintes q u e se o b t é m na normalização s ã o ferrita e perlita fina, o u
94B15, 94B17 925°C C8mentita e perlita fina. Eventualmente, d e p e n d e n d o do tipo d e aço, pode-se obter a baínrta,
94B30, 94B40 900°C c o m o a figura 6 2 mostra. .
C o m o se viu, n o caso dos aços-liga - produtos fundidos, laminados e forjados - utiliza-se
a normalização c o m o tratamento prévio d e tratamento térmico definitivo. E m geral, a t e m p e -
ratura situa-se 3 5 a 40°C acima das linhas Aj ou A O T , conforme o aço e m consideração.
T A B E L A 12
D o m e s m o m o d o , e m produtos fundidos, laminados ou forjados q u e não sofreram u m
Propriedades mecânicas dos aços nos estados normalizado e recozido
resfriamento uniforme a partir d e altas temperaturas, a normalização é aplicada para refinar
NORMALIZADO
Limite da Limita de Limita de resis- Alonga- Estric- Dureza
sua estrutura.
Limite de resis- Alonga- Estrlc- Dureza
escoamento tência à tração mento ção Brinell escoamento tência à tração mento ção Brinell
O s aços-liga hipereutetóides são normalizados para eliminação total ou parcial d o s
em 50 % e m 50 % rendilhados d e carbonetos que caracterizam suas estruturas. O b t é m - s e , assim, u m a estru-
Kgf/mm1 Kgf/mm» MPa mm, % Kgf/mm 1 Kgf/mm 1 mm, % tura q u e , n u m tratamento d e esferoidização posterior, apresenta-se c e m por cento
0,01 18,0 180 31,5 305 45 71 90 12,5 29,0 47 71 esferoidizada, conferindo boa usinabilidade ao material e é mais a d e q u a d a ao tratamento d a
0.20 31,5 305 45,0 440 35 60 120 25,0 41,0 37 54 têmpera.
0,40 35,5 345 59,5 585 27 43 165 31,0 52,5 30 48 A Tabela 12 ( 3 7 ) permite comparar a s propriedades mecânicas d e aços d e vários teores d e
0,60 42,0 410 76,5 755 19 28 220 34,5 87,0 23 33 carbono, nos estados recozido e normalizado. O estado "normalizado" foi t o m a d o c o m o
0,80 49,0 480 94.0 920 13 18 260 36,5 80,5 15 22
equivalente a o d o aço "laminado a quente", o n d e ocorreu resfriamento a o ar.
1,00 70,0 890 106,5 1045 7 11 295 36,5 75,5 22 26
1,20 70,0 690 107,0 1050 3 6 315 35,5 71,5 24 39
103,5 1015 1 3 300 35,0 69,0
5. Têmpera - Consiste no aquecimento d o aço até sua temperatura de austenitização -
1,40 67,0 660 19 25
entre 815° e 870°C - seguido de resfriamento rápido. A figura 63 esquematiza essa operação.

P R O D U T O : F E R R I T A , P E R L I T A , BAINITA

T e m p o , esc. log. P R O D U T O : MARTENSITA REVENIDA

T e m p o , esc. log.
Fig. 62 - Diagrama esquemático de transformação para normalização, comprovando a
possibilidade de obtenção do constituinte bainita. Fig. 63 - Diagrama esquemático de transformação para têmpera e revenido.

98 99
O s meios de resfriamento utilizados d e p e n d e m da endurecibilidade d o s aços (teor d e
carbono e presença d e elementos d e liga), d a forma e dimensões d a s p e ç a s submetidas à
têmpera, porque o q u e s e procura nessa operação, é a obtenção d a estrutura martensítica, jtRor im liaa
para o q u e se d e v e , portanto, fazer c o m q u e a curva de resfriamento p a s s e à esquerda d o
o
cotovelo da curva e m C - c o m o a figura 6 3 mostra, evitando-se assim a transformação d a
austenita no seus produtos normais.

BC *J
O s meios mais c o m u n s d e resfriamento s ã o líquidos ou g a s o s o s . N o caso dos meios
liquides, os mais corrturnente usados são'32':

• água
• água contendo sai ou adfifvos cáusticos
• óleo, q u e p o d e conter u m a variedade d e aditivos
• soluções a q u o s a s d e polímeros 10
0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90

O s meios g a s o s o s m a i s c o m u n s , além d o ar, s ã o gases inertes, c o m o nitrogénio, hélio e Teor de Carbono


argônio. Fig. 64 - Efeito do teor da carbono sobre a dureza da martensita.
A velocidade d e resfriamento d e alguns d e s s a s meios já foi vista.
Existe u m a série d e variações nas operações d e têmpera'381:

• têmpera direta, q u e é o processo m a i s u s a d o , ou seja resfriamento rápido, e m m e i o


apropriado, diretamente da temperatura d e austenitização;

• têmpera em tempo variável, técnica utilizada q u a n d o a velocidade d e resfriamento d e v e


ser repentinamente m u d a d a , durante o ciclo d e resfriamento. E s s a técnica pode significar O
u m a u m e n t o ou diminuição da velocidade d e resfriamento, e m função dos resultados X
desejados. O q u e se faz mais c o m u m e n t e é resfriar rapidamente até q u e o aço ultrapasse
o cotovelo d o diagrama l l l e, e m seguida, transferir o material para outro meio d e
resfriamento - óieo, ar ou gás inerte - d e m o d o a promover u m resfriamento mais lento,
através da faixa d e formação da martensita, o q u e diminui a tendência d e e m p e n a m e n t o ,
fissuração e m u d a n ç a s dimensionais;

• têmpera seletiva, q u e consiste e m temperar-se apenas determinadas secções das p e -


ças, para o q u e s e isola as áreas q u e n ã o d e v e m ser temperadas;

• têmpera em vapor, neblina para diminuir a velocidade de resfriamento;


Teor de C %
Fig. 65 - Relação entre dureza, teor de carbono e quantidade de martensita
• têmpera interrompida, q u e inclui os processos d e austêmpera e martêmpera, a s e r e m
estudados mais adiante. E m peças p e q u e n a s ou de p e q u e n a espessura, essa diferença é desprezível. O m e s m o ,
contudo, n ã o s e d á c o m peças d e grandes dimensões, n o centro d a s quais a velocidade d e
C o m o na têmpera o <x>nstituinte final desejada é a martensita, os objetivos dessa operação, sob esfriamento é m e n o r do que na superfície, resultando estruturas d e transformação mistas, a
o ponto de vista de propriedades mecânicas, são aumento da dureza do aço e d a sua resistência não ser que o teor d e elementos de liga d o aço seja suficiente para impedir essa transforma-
à tração. N a realidade, o aumento da dureza deve ocorrer até u m a certa profundidade. ção e produzir s o m e n t e a estrutura martensítica.
Resultam t a m b é m d a têmpera, redução d a ductilidade (baixos valores d e alongamento e À s vezes, por outro lado, é conveniente u m núcleo mais m o l e e, então, escolhe-se u m
estricção), da tenacidade e o aparecimento d e apreciáveis tensões internas, q u e p o d e m , se aço e u m a velocidade d e esfriamento q u e p r o d u z a m superffeie dura e núcleo naquelas
n ã o b e m controladas, ocasiortar deformação, e m p e n a m e n t o e fissuração. condições.
F s a q i E a cpEisçãD d s tgrmera seja b e m sucedida, vários fatores d e v e m ser levados A razão d a alta dureza da martensita já foi estudada. Para maior clareza será repetida e
e m canta. Inidaimente, a velocidade d e resfriamento deve ser tal q u e i m p e ç a a transforma- ampliada a seguir:
ção d a austenita n a s temperaturas mais elevadas, e m qualquer parte d a p e ç a q u e se deseja O carbono dissolve-se prontamente n o ferro g a m a , m a s é praticamente insolúvel n o ferro
endurecer. D e fato, a s transformações da austenita nas altas temperaturas p o d e m dar c o m o alfa. O s á t o m o s d e carbono no ferro g a m a se distribuem nos espaços entre os á t o m o s d e
resultado estruturas mistas, as quais ocasionam o aparecimento d e pontos moles além d e ferro, isto é, n o interior das unidades cúbicas d e face centrada. Entretanto, os espaços entre
conferirem ao aço baixos valores para o limite d e escoamento e para a resistência ao c h o - os átomos d e ferro no reticulado cúbico centrado do ferro alfa s ã o incapazes de a c o m o d a r
q u e . Portanto, a s e c ç ã o das peças constitui outro fator importante porque p o d e determinar átomos de carbono s e m q u e se produza considerável d e f o r m a ç ã o do reticulado. E s s e é o
diferenças de esfriamento entre a superfície e o centro. motivo da baixa solubilidade d o carbono no ferro alfa.

100 101
Aços g FERROS FUNDIDOS TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS

Q u a n d o a austenita é resfriada a u m a temperatura e m q u e n ã o é mais estável, o ferro


g a m a passa a alfa e o carbono é expulso d a solução sólida, c o m b i n a n d o - s e c o m o ferra d e
m o d o a formar o carboneto F e 3 C . Este F e 3 C possui reticulado c o m p l e x o c o m poucos planos
d e escorregamento e é extremamente duro. C o m o ferro ele forma, c o m o s e sabe, o cons-
tituinte lamelar perfila.
Q u a n d o se a u m e n t a a velocidade de esfriamento da austenita, pode-se chegar a u m a
velocidade tão alta q u e n ã o permite a expulsão d o carbono d a solução sólida para formar o
F e 3 C , veriScando-se"somente p a s s a g e m d a forma alotrópica do ferro d e g a m a a alfa. T e m -
s e , então, u m a solução sólida supersaturada d e carbono e m ferro alfa, constituindo a
martensita (fig. 66), cuja extrema dureza d e v e ser atribuída à distorção d o reticulado cúbico
centrado causada pela supersaturação.
Admite-se hoje q u e a martensita apresenta u m a estrutura tetragonal centrada e não
cúbica, formada por u m movimento d e á t o m o s e m planos específicos d a austenita. Essa
estrutura está sujeita a microtensões elevadas e s e apresenta t a m b é m supersaturada de
carbono ou contém partículas d e carbonetos grandemente dispersas.
A l é m do efeito d a supersaturação, a dureza d a martensita é atribuída t a m b é m a u m a
densidade d e defeitos cristalinos, especialmente discordâncias e contornos d e ângulos altos
e baixos. A tenacidade d a martensita fica assim prejudicada e, a n ã o ser e m aços de baixo
carbono, é insuficiente para determinadas aplicações. Hg. 66 -Aspecto micrográfico de aço temperado: martensita.Ataque: reativo de nital.Ampliação: 1.000
vezes. Percebe-se perfeitamente a estrutura tipicamente acicular desse constituinte.
O efeito d a t ê m p e r a n a estrutura dos aços-liga, sobretudo os altamente ligados, o n d e
estão presente.s alguns carbonetos, será a b o r d a d o por ocasião do estudo desses aços.
C o m o já foi m e n c i o n a d o , a martensita é constituinte mais duro e m a i s frágil dos aços. Pelo q u e foi exposto sobre a natureza d a estrutura martensítica, conclui-se q u e a m e s m a
A figura 64(,a> mostra c o m o p o d e variar a dureza d a martensita e m função do teor d e se caracteriza por excessiva dureza e por apresentar tensões internas consideráveis. Simul-
carbono. Por outro lado, o gráfico indicado apresenta duas curvas: a superior, relativa a taneamente a essa tensões, por assim dizer estruturais, o aço temperado caracteriza-se por
m á x i m a dureza q u e s e p o d e obter c o m o resfriamento mais rápido possível e a inferior, apresentar tensões térmicas. Estas s ã o ocasionadas pelo fato d e q u e materiais resfriados
relativa à dureza m é d i a , c o m o normalmente s e o b t é m nas condições práticas d e tratamen- rapidamente, esfriam de maneira não uniforme, visto que a s u a superfície atinge a t e m p e r a -
to d e têmpera. tura ambiente m a i s rapidamente d o q u e a s regiões mais centrais, ocasionando m u d a n ç a s
A figura 65' 391 ressalta a dependência d e dureza da martensita e m relação ao teor de volumétricas n ã o uniformes, c o m as c a m a d a s superficiais contraindo mais rapidamente d o
carbono do aço. que as regiões internas. C o m o consequência, tem-se a parte central sob c o m p r e s s ã o e a s
U m fator importante a considerar na operação d e têmpera, devido à a ç ã o q u e exerce n a c a m a d a s mais externas sob tração.
estrutura final d o aço, é a temperatura de aquecimento. E m princípio, qualquer que seja o E m última análise, pois, após temperado, o aço apresenta-se e m estado de apreciáveis
tipo d e aço - hipoeutetóide ou hipereutetóide - a temperatura de aquecimento para têmpera tensões internas, tanto de natureza estrutural c o m o de natureza térmica. Q u a n d o estas tensões
d e v e ser superior à d a linha d e transformação A,, q u a n d o a estrutura consistirá de grãos d e internas ultrapassam o limite de escoamento do aço, ocorre sua deformação plástica e as p e ç a s
austenita, e m v e z d e perlita. O aço s e n d o hipoeutetóide, entretanto, a l é m da austenita, apresentar-se-ão e m p e n a d a s ; se, entretanto, as tensões internas excederem o limite d a resistên-
estarão presentes grãos d e ferrita. Assim s e n d o , u m aço c o m tal estrutura, q u a n d o resfriado cia à tração d o material, então ocorrerão inevitáveis fissuras e as peças estarão perdidas.
e m á g u a , por exemplo, apresentará martensita conjuntamente c o m ferrita, pois esta que es- Essas tensões internas não p o d e m ser totalmente evitadas; p o d e m , contudo, ser reduzi-
tava presente acima d a temperatura A,, não sofre qualquer alteração a o ser o aço tempera- das, mediante vários artifícios práticos e d e vários tratamentos térmicos.
d o . T e m - s e , portanto, t ê m p e r a ou endurecimento incompleto do material, o q u e geralmente O s inconvenientes apontados, excessiva dureza da martensita e estado de tensões interj
d e v e ser evitado, pois n a têmpera visa-se obter a m á x i m a dureza. E m consequência, a o nas, são atenuados pelo reaquecimento d o aço temperado a temperaturas determinadas. E
aquecer-se u m aço hhpceutetóids para a têmpera, deve-se elevar s u a temperatura acima do óbvio q u e tal operação toma-se inócua s e as tensões internas originadas tiverem sido d e tal
limite superior da z o n a critica - linhaA 3 - pois então a s u a estrutura.consistirá exclusivamente vulto d e m o d o a provocar a inutilização d a s peças.
d e austenita q u e se transformará e m martensita n o resfriamento rápido subsequente. É A operação m e n c i o n a d a constitui o revenido.
evidente que d e v e m ser evitadas temperaturas muito acima da A 3 , devido a o superaqueci-
m e n t o que se poderia produzir, e que-ocasionaria u m a martensita acicular muito grosseira e 6. Revenido - O revenido é o tratamento térmico q u e n o r m a l m e n t e s e m p r e a c o m p a n h a a
d e elevada fragilidade. têmpera, pois elimina a maioria dos inconvenientes produzidos por esta; além d e aliviar ou
A o coníiárò o b s a ç o s nipaeiJiHiqtdes, os a ç o s hipereutetóides_são normalmente aqueci- remover as tensões internas, corrige a s excessivas dureza e fragilidade do material, a u m e n -
d o s a c m a de A,, s e m necessidade de se ultrapassar a temperatura correspondente a A 3 . D e tando sua ductilidade e resistência a o c h o q u e .
fato, acima de A , o a ç o será constituído d e grãos d e austenita e p e q u e n a s partículas de Este último efeito está indicado n a figura 6 7 .
carbonetos secundários. N o resfriamento subsequente, a estrutura resultante apresentará Verifica-se, pelo e x a m e d a curva relativa à resistência a o c h o q u e , q u e a m e s m a d e início
martensita e os m e s m o s carbonetos secundários. C o m o estes apresentam uma-dureza até aumenta, para a seguir, entre as temperaturas de 200°C e 300°C mais ou m e n o s , decrescer,
m e s m o superior à d a martensita, não haverá maiores inconvenientes. Procura-se, por outro para finalmente aumentar rapidamente e definitivamente. Deve-se, pois, evitar a m e n c i o n a -
lado, evitar, nesses a ç o s hipereutetóides, aquecimento acima d e A 3 , visto q u e a austenita da faixa d e temperaturas no revenido. Por outro lado, recomenda-se revenir logo a p ó s a
resultante apresentará granulação grosseira, c o m consequente martensita acicular grossei- têmpera, para diminuir a perda d e p e ç a s por ruptura, a qual p o d e ocorrer se se aguardar
ra, cujo inconvenientes já foram apontados. muito t e m p o para realizar o revenido.

102 103
TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS
Aços E FERROS FUNDIDOS

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•§
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CE

0 100 200 300 400 500 600 700

T e m p e r a t u r a d e R e v e n i d o , °C

Fig. 67 - Efeito da temperatura de revenido sobre a dureza e a resistência ao choque (expressa e m Fig. 69 - Aspecto micrográfico de u m aço temperado e revenido. Estrutura: sórbita.
valores Charpy) de u m aço 1045 temperado. Ataque: reativo de nital. Ampliação: 1.000 vezes.

Si

ais-0

\
c

0,82% c

Fig. 68 -Aspecto micrográfico de u m aço temperado mostrando a estrutura mistatroosSa-martensfla. 0,75% c


Ataque: reativo de nital. Ampliação: 200 vezes.

O aquecimento d a martensita permite a reversão do reticiacSo ics£=yes a o F ^ . t e r ê


estável cúbico centrado, produz reajustamentos internos q u e aliviam a s Tensões e, além
disso, u m a precipitação d e partículas d e carbonetos q u e crescem e s e a g l o m e r a m , d e acor- 10S6ÇJ. 10 sii i a
d o c o m a temperatura e o t e m p o .
Conforme a temperatura de revenido, verificam-se as seguintes transformações' 371 : Intervalo de tempo na temperatura e m
escala logarítimica
- entre 25° e 100°C, ocorre segregação o u u m a redistribuição d o carbono e m direção a
discordâncias; e s s a p e q u e n a precipitação localizada do carbono p o u c o afeta a dureza. O Fig. 70 - Influência do intervalo de tempo no revenido de u m aço c o m 0,327» C, realizado a
f e n ó m e n o é predominante e m aços de alto carbono; quatro temperaturas diferentes.

104 105
TRATAMENTO TÉRMICO DOS AÇOS
Aços E F ERROS FUNDIDOS

- entre 100° e 250°C - às vezes c h a m a d o 1 2 estágio d o revenido - ocorre precipitação d e ormal e ter a tenacidade por assim dizer restaurada, pelo aquecimento e m t o m o d e 600°C
carboneto d e ferro d o tipo epsilon, d e fórmula F e 2 3 C , e reticulado hexagonal; este n acima, seguido de resfriamento rápido, abaixo de a p r o x i m a d a m e n t e 300°C.
carboneto p o d e estar ausente e m a ç o s d e baixo carbono e d e baixo teor e m liga; a • ^gncione-se, mais u m a vez, o fato d e q u e a eliminação d e impurezas indutoras d o fenó-
dureza Rockwell c o m e ç a a cair, p o d e n d o c h e g a r a 60; m e n o evita a fragilidade. C o m o o antimônio é aparentemente o elemento mais prejudicial ele
- entre 200° e 300°C - à s vezes c h a m a d o 2- estágio do revenido - ocorre transformação deve ser evitado a qualquer custo. N a prática, tanto o antimônio c o m o o arsénio n ã o estão
d e austenita e m ferrita e cementita e m aços-carbono de média e alto teor de carbono; a comumente presentes. D e s s e m o d o , a maior atenção deve ser dirigida ao estanho e a o
dureza Rockwell continua a cair; fósforo, cujas quantidades não d e v e m ultrapassar 0 , 0 0 5 % e 0 , 0 1 % respectivamente.
- entre 250° e 350°C - às vezes c h a m a d o d e 3 S estágio d o revenido - forma-se u m U m a última prática para reduzir a severidade d a fragilidade d e revenido é manter o aço
carboneto metaestável, de fórmula F e s C 2 ; q u a n d o essa transfomiação se verifica e m - o r longo t e m p o n u m a faixa de temperaturas entre A c , e A c 3 . C o n t u d o , esse tratamento,
aços de alto carbono, a estrutura visível a o microscópio é u m a m a s s a escura, q u e era t a m b é m c h a m a d o "inter-crítico", só d e v e ser aplicado e m casos específicos.
c h a m a d a "troostita", d e n o m i n a ç ã o não m a i s utilizada; a dureza Rockwell continua caindo,
p o d e n d o atingir, valores pouco superiores a 50; • 6.2. Transformação da austenita retida - C o m o já se viu, d e p e n d e n d o da composição d o
- entre 400° e 600°C, ocorre u m a recuperação da subestrutura d e discordância; os aglo- aço, pode-se ter à temperatura ambiente u m a certa quantidade d e "austenita retida" o u
m e r a d o s d e F e 3 C p a s s a m a u m a forma esferoidal, ficando mantida u m a estrutura d e •"austenita residual" q u e , ao se transformar posteriormente, p o d e ocasionar-o f e n ó m e n o d e
ferrita fina acicular; a dureza Rockwell cai para valores variando d e 4 5 a 2 5 0 ; ^instabilidade dimensionai.
- entre 500° e 600°C, s o m e n t e nos aços contendo Ti, Cr, M o , V, N b o u W , h á precipitação f, A transformação d e s s a austenita residual é realizada por intermédio d e diversos
d e carbonetos d e liga; a transformação é c h a m a d a d e "endurecimento secundário" '•procedimentos' 411 .
(como se verá n o estudo dos tratamentos térmicos dos aços rápidos) ou 4 a estágio do U m deles é o revenido, operação já descrita. C o m o se viu, o c h a m a d o "2- estágio d e
revenido; 1' revenido" - entre 200° e 300°C - transforma a austenita retida e m ferrita e cementita. Esta
- finalmente, entre 6 0 0 ° e 700°C, ocorre recristalização e crescimento de grão; a •-reação do revenido prevalece s o m e n t e e m aços de médio ou alto carbono. M a realidade, n o
cementita precipitada apresenta a forma nitidamente esferoidal; a ferrita apresenta forma revenido, para a obtenção de u m certo grau de estabilidade dimensional, seria necessário
aqui-axial; a estrutura é frequentemente c h a m a d a "esferoidal" e caracteriza-se por ser lempregar-se a m á x i m a temperatura d e aquecimento permissível, tendo e m vista a dureza
muito tenaz e d e baixa dureza, variando d e 5 a 2 0 Rockwell C . desejada, de m o d o a desenvolver-se a contração m á x i m a possível. E m alguns tipos comple-
! xos de aço - c o m o os aços rápidos - surge a necessidade de m a i s d e u m revenido, visto q u e
Pelo q u e a c a b a d e ser exposto, percebe-se q u e a temperatura d e revenido p o d e ser ;-.no resfriamento posterior ao primeiro revenido, forma-se martensita q u e deve, e m consequ-
escolhida d e acordo c o m a combinação d e propriedades m e c â n i c a s q u e se deseja n o aço ência, ser revenida, o q u e se faz através d e u m segundo aquecimento do aço.
temperado. Outro m é t o d o é o "resfriamento subzero", ou seja resfriamento, a p ó s o aquecimento para
A s figuras 68 e 6 9 m o s t r a m , respectivamente, u m a estrutura mista martensita-troostita e ' a têmpera, a temperaturas abaixo d e zero, para - se possível - ultrapassar-se a linha M f d o s
u m a estrutura sorbítica. diagramas 7 T T . Q u a n t o mais baixa a temperatura subzero, mais completa a transformação
N a operação d e revenido importa não s ó a temperatura d o tratamento c o m o igualmente . da austenita e m e n o s provável o f e n ó m e n o de instabilidade dimensional. D e p e n d e n d o d a
o t e m p o de permanência à temperatura considerada, o que p o d e ser c o m p r o v a d o pelo exa- posição da linha M ( - q u e é função d a composição do aço - poderá haver necessidade d e
m e do gráfico da figura 7 0 . A influência maior verifica-se no início, diminuindo c o m intervalos recorrer-se a m e i o s d e resfriamento muito drásticos, c o m o "nitrogénio líquido" (-200°C) ou
d e t e m p o maiores. "gelo seco" (-68°C) ou "hélio líquido" (-268°C) ou métodos de resfriamento c o m o "refrigera-
ção mecânica", q u e permitem temperaturas d e -45°C a-100°C. E s s e tratamento, entretanto,
6.1. Fragilidade de revenido - Diversos a ç o s , principalmente aços-liga de baixo teor e m não é muito seguro devido ao c h o q u e térmico q u e resulta, p o d e n d o provocar o aquecimento
liga, caracterizam-se por adquirirem fragilidade, q u a n d o são aquecidos n a faixa de tempera- de fissuras d e resfriamento.
turas 3 7 5 - 575°C, ou q u a n d o são resfriados, lentamente através d e s s a faixa'401. Esse fenó- A tendência a fissuras de têmpera - e m certas peças d e aço para ferramentas - é tão
m e n o é conhecido c o m o n o m e de "fragilidade de revenido". A fragilidade ocorre mais rapida- . grande que se r e c o m e n d a exatamente o contrário do resfriamento subzero, ou seja a inter-
m e n t e na faixa 4 5 0 - 475°C. O s aços-carbono c o m u n s contendo m a n g a n ê s abaixo de 0 , 3 0 % rupção do resfriamento durante a t ê m p e r a a temperaturas de 65°C a 93°C, procedendo-se a
n ã o a p r e s e n t a m o f e n ó m e n o . C o n t u d o , a ç o s contendo apreciáveis quantidades d e revenido imediatamente a seguir. É claro q u e , desse m o d o , faoilita-se a retenção d a
m a n g a n ê s , níquel e c r o m o , além de u m a o u m a i s impurezas, tais c o m o antimônio, fósforo, austenita, a qual, nesse caso, favorece e n ã o prejudica o material.
estanho ou arsénio, são suscetíveis ao f e n ó m e n o . U m terceiro m é t o d o para transformar a austenita retida seria u m artifício q u e s e
N ã o se tem u m a explicação clara desse fato, e m b o r a se tenha observado concentração poderia c h a m a r d e " s a z o n a m e n t o " , o u seja, m a n u t e n ç ã o d a s p e ç a s tratadas e m esto-
de impurezas nos contornos dos grãos, o q u e c o m p r o v a q u e é necessária a presença d e s - que por u m determinado período d e t e m p o ou s u b m e t e n d o - a s repetidamente a o s e x -
sas impurezas, juntamente c o m u m elemento d e liga, para provocar e s s a fragilidade. tremos de temperaturas e s p e r a d a s e m serviço. Procura-se, a s s i m , forçar a ocorrência
Esta é s o m e n t e revelada no ensaio d e resistência ao c h o q u e , pois a s outras proprieda- das modificações dimensionais antes d e utilizar as p e ç a s , o q u e , entretanto, raramente
d e s mecânicas e a própria microestrutura n ã o s ã o afetadas. se c o n s e g u e .
A não ser q u e s e utilizem matérias primas muito puras, os a ç o s Cr-MT são mais suscetí- Outro m é t o d o q u e possibilita a transformação da austenita retida é a p r o m o ç ã o d e u m
veis ao f e n ó m e n o . certo grau de encruamento nas peças, o q u e , obviamente, não sen/e para garantir a estabi-
Aparentemente, o molibdênio, e m teores d e 0,5 a 1,0%, retarda a suscetibiiidade à fragi- lidade dimensional.
lidade de revenido. C h o q u e m e c â n i c o tem sido u s a d o c o m o o m e s m o objetivo, c o m resultados limitados,
O s aços q u e s e tornaram frágeis, devido à s causas apontadas, p o d e m voltar a o seu contudo, devido à dificuldade d o seu controle.
Finalmente, frequentemente têm sido usados ciclos acelerados d e envelhecimento, c o m
<? As estruturas resultantes têm sido chamadas de "sorbíticas". resultados aproximadamente idênticos a o s obtidos no revenido c o m u m .

106 107
Aços E FERROS FUNDIDOS AUSTEMPERA, MARTÊMPERA E OUTROS TRATAMENTOS TÉRMICOS

"7."Coalescimento - Qualquer tratamento c a p a z d e produzir esferoidita (fig. 71) é c h a m a -


d o d e coalescimento. E s s e tratamento é aplicado principalmente e m a ç o s hipereutetóides e
p o d e consistir e m qualquer d a s seguintes operações:

-Aquecimento prolongado de aços laminados o u normalizados a u m a temperatura logo


abaixo da linha inferior d a zona crítica A , (").
- Aquecimento e resfriamento alternados entre temperaturas logo a c i m a e abaixo d e A ,
ou seja, fazer a temperatura d e aquecimento oscilar e m t o m o d e A r

O coalescimento, originando a esferoidita, d á c o m o resultado u m a dureza muito baixa,


normalmente inferior à d a perlita grosseira, obtida no recozimento. N e s s a s condições, objeti-
va-se c o m o coalescimento, facilitar certas o p e r a ç õ e s de deformação a frio e usinagem d e
aços d e alto teor e m carbono.

AUSTEMPERA, MARTÊMPERA
E OUTROS TRATAMENTOS
TÉRMICOS

Fig. 71 -Aspecto micrográfico de aço coalescido; esferoidita.Ataque: reativo de nital.


Ampliação: 1.000 vezes.

(*) Este tratamento é também chamado de "recozimento subcrítico.

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Aços E FERROS FUNDIDOS AUSTEMPERA, MARTÊMPERA E OUTROS TRATAMENTOS TÉRMICOS

1. Introdução - O conhecimento das curvas e m C , o estudo mais acurado dos fenómenos T A B E L A 13


q u e ocorrem durante o aquecimento e o resfriamento dos aços e d a s correspondentes trans- Propriedades mecânicas de aço 1095 submetido a três tipos de tratamento térmico
formações estruturais permitiram o desenvolvimento de novas técnicas d e tratamentos tér- Dureza Resistência Alongamento
micos dessas ligas, alguns d o s quais c h e g a m a substituir c o m v a n t a g e m os tratamentos Tratamento Térmico Rockwell ao choque e m 1"
convencionais, sobretudo s o b o ponto d e vista d o s característicos finais obtidos. A seguir í M - C kgfm J (%)
serão estudados alguns desses tratamentos térmicos. vi* "Resfriado e m água e revenido 53,0 1,66 16,3 0
Resfriado e m água e revenido 525 1,94 19,0 0
Mariemperado e revenido 53,0 3,88 38,1 0
2. Austempera - E s s e tratamento tem substituído, e m diversas aplicações a têmpera e o ir Martemperado e revenido 5ZS 3J2 32,6 0
revenido. Baseia-se n o conhecimento d a s curvas e m C e aproveita a s transformações da
Austemperado 52,0 6,23 11
austenita q u e p o d e m ocorrer a temperatura constante. Por esse motivo, a austempera é
Attsíemoerado 52,5 5,54 54,3 8
considerada u m tratamento isotérmico. 'Hl'-:
O constituinte q u e se origina na austempera é a bainita, que, c o m o s e viu, tem proprieda- • ciclo de t e m p o reduzido para obter u m a faixa de dureza entre 3 5 a 55 R C , c o m e c o n o -
des idênticas, s e n ã o m e s m o superiores, às d a s estruturas martensíticas revenidas. C o m o li mia resultante d e energia.
nesse tratamento evita-se a formação direta d a martensita, eliminam-se o s inconvenientes
q u e essa estrutura apresenta q u a n d o obtida pelo revenido posterior. A grande v a n t a g e m da austempera sobre a têmpera e o revenido c o m u n s reside n o fato
O aço é a u s t e m p e r a d o mediante a seguinte sequência de operações e transformações: de que, devido à estrutura bainítica formar-se diretamente d a austenita a temperatura b e m
mais alta q u e a martensita, as tensões internas resultantes s ã o muito menores; c o n s e q u e n -
• aquecimento a u m a temperatura dentro d a faixa austenítica, geralmente 790° a 915°C; temente, não h á praticamente distorção ou e m p e n a m e n t o e d o m e s m o m o d o a possibilidade
• resfriamento n u m b a n h o mantido a u m a temperatura constante, geralmente entre 260° de aparecimento d e fissuras de têmpera é q u a s e que completamente eliminada.
e 400°C; Entretanto, n e m todos os tipos d e aço, assim c o m o n e m todas as secções d e p e ç a s ,
• permanência n o b a n h o a essa temperatura, para ter-se, isotermicamente, a transforma- apresentam resultados positivos na austempera.
ção da austenita e m bainita; N o q u e se refere aos tipos de aço, os mais convenientes para a austempera s ã o , e m
• resfriamento até a temperatura ambiente, e m ar tranquilo ou b a n h o d e sal. linhas gerais, o s seguintes'43!;

O tratamento está representado e s q u e m a t i c a m e n t e e m d i a g r a m a d e transformação a) aços-carbono c o m u n s , contendo 0,50 a 1,00% de carbono e u m mínimo de 0 , 6 0 % d e
isotérmica da figura 7 2 . manganês;
A s estruturas bainíticas obtidas na a u s t e m p e r a apresentam as seguintes vantagens'42': b) aços-carbono d e alto carbono, c o n t e n d o ^ a i s do q u e 0 , 9 0 % de carbono e, possivel-
• mente, u m p o u c o m e n o s do q u e 0 , 6 0 % d e m a n g a n ê s ;
. c) certos aços-carbono (como por e x e m p l o , o 1041), c o m carbono abaixo de 0 , 5 0 % , m a s
Curva de Resfriamento
c o m m a n g a n ê s na faixa de 1,00 a 1 , 6 5 % .
d) certos aços-liga, de baixo teor e m liga (tais c o m o os d a série 5100) contendo carbono
acima de 0 , 3 0 % ; o s aços das séries 1 3 0 0 a 4 0 0 0 c o m teores d e carbono acima de 0 , 4 0 % ;
e outros a ç o s , tais c o m o 4 1 4 0 , 6 1 4 5 e 9 4 4 0 .

Alguns outros aços, devido ao seu teor d e carbono ou de elementos de liga, poderiam ser
considerados convenientes para a operação d e austempera. C o n t u d o , seu e m p r e g o n ã o é
prático pelas seguintes razões:
REVENIDO A
DUREZA DESEJADA a) a transformação no cotovelo d a curva T 7 T c o m e ç a n u m t e m p o muito inferior a u m
segundo, tornando impossível resfriar secções que não sejam muito finas, s e m q u e ocor-
ra formação d e a l g u m a perfrta; e x e m p l o típico é o aço 1034;
b) o t e m p o necessário para a transformação da austenita e m bainita é excessivamente
longo; e x e m p l o típico é o aço 9261 q u e requer cerca d e 2 4 horas para a transformação d a
Mf austenita e m bainita. Outros aços-liga c o m os m e s m o s característicos são os d a s séries
P R O D U T O : BAINITA 4300, 4 6 0 0 e 4 8 0 0 .

N o q u e s e refere à secção d a s p « v - ^ . para o aço Í G 8 C p a r exemplo, a m á x i m a s e c ç ã o


Tempo, esc. Iog. permissível para austempera é 5rrun^'a,. Aços-carbono d e m e n o r teor de carbono exigirão
secções proporcionalmente de m e n o r espessura. Entretanto, e m alguns aço-liga, pode-se
Fig. 72 - Representação esquemática do diagrama de transformação para austempera. admitir, para a obtenção da estrutura inteiramente bainítica, secções até cerca d e 2 5 m m .
• melhores ductilidade, tenacidade e resistência, para u m a d e t e r m i n a d a dureza (Ta- Finalmente, ainda no caso de aços-carbono, se se permitir a presença de alguma perlita n a
bela 13) microestrutura, pode-se ausíemperar, e m produção corrente, secções b e m superiores a
• e m p e n a m e n t o reduzido, o q u e r e d u z o t e m p o posterior d e u s i n a g e m , sucata e 5 m m d e espessura.
inspeção; O banho d e austempera mais indicado e usado é sal fundido, constituído essencialmente

110 111
AUSTEMPERA, ^LARTÈMPERA E OUTROS TRATAMENTOS TÉRMICOS
A ç o s E FERROS FUNDIDOS

d e nitratos de sódio e d e potássio, e eventualmente nitreto d e sódio p o r q u e transfere calor - idem, p o r é m austemperado a 230°C - dureza Brinell 2 2 8 ; resistência à tração 78,9 kgf/
m r r ) z ( 7 7 5 M P a ) ; resistência a o c h o q u e 15,25 kgfm (149.6J);
rapidamente; s u a viscosidade é uniforme n u m a larga faixa d e temperatura, elimina virtual-
m e n t e o problema d e u m a barreira d e v a p o r durante o estágio inicial d o resfriamento, - aço Ni-Cr - temperado a 820°C e m óleo e revenido a 230°C - dureza Brinell 3 8 7 ; resis-
p e m a n e c e estável à s temperaturas de operação e é completamente solúvel e m água, facilt- tência à tração 133,5 kgf/mm 2 (1310 M P a ) ; resistência a o c h o q u e 9,06 kgfm (88.9J);
tando assim as operações subsequentes d e limpeza. - idem, p o r é m austemperado a 230°C - dureza Brinell 340; resistência à tração 117,5 kgf/
A figura 7 3 mostra o aspecto tfpico d a estrutura bainítica de u m a ç o a u s t e m p e r a d o . m m 2 (1155 M P a ) ; resistência a o c h o q u e 14,29 (140,2J).
A literatura especializada é farta e m e x e m p l o s elucidativos d a s v a n t a g e n s e dos resulta-
d o s positivos d a a u s t e m p e r a . A l é m dos d a d o s apresentados n a Tabela 1 3 , h á outras referên- A aplicação d o tratamento d e a u s t e m p e r a é feita e m peças a partir de barras d e p e q u e n o
cias a respeito do assunto. Assim, Brick, G o r d o n e Phillips'441 citam resultados comparativos diâmetro ou d e tiras e chapas de p e q u e n a espessura. Aplica-se e m particular e m p e ç a s d e
e m peças de 4,8 m m d e s e c ç ã o que, a u s t e m p e r a d a s , mostraram, n o ensaio de tração, 3 5 % pequena secção d e aço-carbono exigindo u m a tenacidade excepcional a u m a dureza próxi-
d e estricção e, no ensaio d e choque, absorveram 4,8 kgfm (47.1J) d e energia, ao passo q u e m a de 50 R C . Entretanto, deve-se entender q u e , muitas vezes, é mais importante q u e a
a martensita revenida à m e s m a dureza, apresentou a estricção inferior a 1 % e resistência ao austempera produza nas peças as desejadas e esperadas propriedades mecânicas, d o q u e
c h o q u e de a p e n a s 0,4 kgfm (3,9J). L e m b r a m , contudo, os citados autores, q u e as estruturas u m a estrutura inteiramente bainítica. A s s i m , n a prática industrial d a austempera, é c o m u m
bainíticas se m o s t r a m superiores s o m e n t e n a faixa de dureza Rockwell C 5 0 ou acima. N a ter-se aplicações b e m sucedidas, c o m m e n o s q u e 1 0 0 % de bainita.
faixa de dureza 4 0 C a 4 5 C , a martensita revenida é superior, pela m e s m a razão q u e é Para alguns tipos d e aços, conforme a posição das curvas d e l l l, a bainita p o d e ocorrer
superior à estrutura periítica fina. Por outro lado, a s estruturas bainíticas n ã o p o d e m ser por resfriamento contínuo.
obtidas na faixa d e durezas exigidas para a s ferramentas de corte, ou seja 6 0 C a 6 5 C . A bainita apresenta algumas variações estruturais'461. A c h a m a d a bainita superior, e m
D o m e s m o m o d o , Gerard D e Smet' 4 S ) relata experiências feitas c o m aço fundido d e acos hipoeutetóides, apresenta-se c o m o u m a pilha de tiras ou agulhas de ferrita; o excesso
1,20% de carbono e 0 , 4 0 % d e m a n g a n ê s , a ç o m e i o duro, c o m 0 , 3 5 % d e carbono e 0 , 4 0 % d e de carbono q u e resulta d a transformação d a austenita, fica a c u m u l a d o nesta austenita, s e n -
m a n g a n ê s e aço níquel-cromo, c o m 0 , 1 5 % d e carbono, 0 , 4 0 % d e m a n g a n ê s , 3 , 2 5 % d e do que u m a parcela desta, enriquecida d e carbono, fica presa entre as tiras. Ocorre, c o m o
níquel e 0 , 7 5 % d e c r o m o . O s resultados foram os seguintes: tempo, durante a m a n u t e n ç ã o do aço à temperatura correspondente à formação d a bainita,
precipitação d o carbono da austenita, n a forma de cementita, resultando u m agregado não-
- aço fundido - t e m p e r a d o a 790°C e m óleo e revenido a 250°C - dureza Brinell 680 (R.C. lamelar de ferrita e cementita, o qual constitui a bainita.
60/61); resistência à tração 2 0 0 k g f / m m 2 (1960 M P a ) ; resistência a o c h o q u e 0,628 kgfm N o s aços hipoeutetóides, o início d e formação da bainita superior corresponde à forma-
(6,2J); ção da ferrita. N o s hipereutetóides, forma-se a cementita antes, criando-se assim u m a região
- idem, p o r é m a u s t e m p e r a d o a 250°C - valores idênticos para dureza, resistência à tração de austenita exaurida de carbono e m torno d e cementita.
e resistência ao c h o q u e ; A c h a m a d a bainita /n/eríorforma-se a temperaturas abaixo d e aproximadamente 350°C.
- aço meio duro - t e m p e r a d o a 850°C e m óleo e revenido a 630°C - dureza Brinell 217; S u a estrutura difere d a correspondente à bainita superior. N o lugar d e tiras de ferrita, s u r g e m
SP-
resistência à tração 7 5 k g f / m m 2 (735 M P a ) ; resistência ao c h o q u e 10,64 kgfm (104.4J); placas. A fase carboneto q u e se f o r m a inicialmente é epsilon e n ã o propriamente a
cementita. C o n t u d o , durante o t e m p o e m q u e o aço fica na temperatura de formação d a

Curva de Resfriamento

|2

Trasformação

P R O D U T O : MARTENSITA REVENIDA

Tempo, esc. log.

Fig. 73 - Aspecto micrográfico de aço austemperado: bainita. Ataque: reativo de nital. Ampliação: 1000
vezes. Nota-se a formação acicular típica das estruturas bainíticas obtidas nas temperaturas mais baixas. Fig. 74 - Diagrama esquemático de transformação para martêmpera.
A ç o s e FERROS FUNDIDOS AUSTEMPERA, MARTÊMPERA E OUTROS TRATAMENTOS TÉRMICOS

bainita, esse epsilon m u d a para cementita. E s s a m u d a n ç a d e p e n d e d o teor d e liga presente H á u m processo de martêmepra, q u e é c h a m a d o de martêmpera modificada'47), e q u e
n o s aços; por e x e m p l o , o silício e o alumínio retardam a m u d a n ç a , d e m o d o q u e a fase difere da m a r t ê m p e r a convencional pelo fato da temperatura d o b a n h o de m a r t ê m p e r a ser
epsilon p o d e ser observada mais nitidamente n o s aços contendo aqueles elementos. baixa - variando d e s d e pouco abaixo d o ponto Mi até cerca d e 93°C. Por esse processo,
conseguem-se velocidades de resfriamento mais rápidas, o q u e é importante para a ç o s d e
3. Martêmpera - E s s e tratamento consiste n u m a têmpera interrompida a partir da temperatu- endurecibilidade inferior. N e s s a s condições, a martêmpera modificada é aplicada a u m a
ra de austenitização, d e m o d o a retardar o resfriamento do aço logo acima da transformação maior quantidade d e composições d e a ç o .
martensítica, o q u e resulta n u m a equalização d a temperatura através d e toda a secção das
p e ç a s submetidas a e s s e tratamento. C o m e s s a técnica, diminui-se a probabilidade d e 4. patenteamento - A operação d e patenteamento, muito e m p r e g a d a n a indústria d e
e m p e n a m e n t o ou distorção das peças, defeitos causados por u m resfriamento rápido. arames e fios, p o d e ser considerada u m a modificação do processo de austempera.
A figura 7 4 representa esquematicamente o tratamento de m a r t ê m p e r a . Nessa técnica, a r a m e s e barras austenitizadas são resfriadas d e m o d o contínuo n u m b a -
A martêmpera c o m p r e e n d e a seguinte sequência de operações: nho, geralmente de c h u m b o fundido, a temperatura de 510° a 540°C e aí mantidos e m perío-
dos de tempo q u e variam de 10 s e g u n d o s (para arames) até 9 0 s e g u n d o s (para barras).
• aquecimento a u m a temperatura dentro d a faixa de austenitização; Nessa faixa de temperaturas o resfriamento é lento o suficiente para formar perlita fina.
• resfriamento n u m meio fluido quente (óleo aquecido, b a n h o d e sal, metal fundido ou A diferença entre a a u s t e m p e r a real e a a u s t e m p e r a modificada ou,, neste c a s o , o
leito fluidizado) até u m a temperatura geralmente a c i m a d a faixa d e f o r m a ç ã o d a patenteamento reside, portanto, no fato d e q u e a velocidade d e resfriamento e m v e z d e ser
martensita (ponto Mi); suficientemente rápida para evitar o cotovelo d a curva e m C é suficientemente lento d e m o d o
• manutenção n e s s e meio de resfriamento até q u e a temperatura s e uniformize através a interceptar o cotovelo e dar origem à perlita fina.
d e toda a secção d a s peças; O processo permite obter-se u m a c o m b i n a ç ã o de m o d e r a d a s altas resistência e dureza.
• resfriamento a velocidade m o d e r a d a (geralmente ao ar), d e m o d o a prevenir qualquer Nessa operação, c o m o na verdadeira austempera, (deve-se controlar as d i m e n s õ e s d a s
grande diferença d e temperatura entre a parte externa e a parte interna das secções. peças a s e r e m tratadas, para evitar-que se f o r m e m microestruturas mistas, as quais p o d e m
produzir nas p e ç a s durezas não uniformes.
. Tem-se'assim f o r m a ç ã o d a martensita d e m o d o bastante uniforme através de toda a
secção da peça, durante o resfriamento até a temperatura ambiente evitando-se, e m conse- 5 - Endurecimento por precipitação - E s s e tratamento - m a i s conhecido e aplicado n a s
quência, a formação d e excessiva quantidade d e tensões residuais. ligas leves.e e m algumas ligas d e cobre - p o d e ser utilizado e m alguns tipos d e aços' 4 8 1 .
A o contrário d a austempera, a m a r t ê m p e r a n ã o prescinde da operação d e revenido. E m Aproveita a propriedade de certos elementos de liga se dissolverem no ferro alfa f o r m a n d o
outras palavras, a p ó s a martêmpera, as p e ç a s s ã o submetidas a u m a operação c o m u m de soluções supersaturadas e, e m condições determinadas, s e precipitarem, na forma, por
revenido, c o m o se elas tivessem sido t e m p e r a d a s . exemplo, d e carbonetos ou nitretos.. O próprio carbono q u e , c o m o se sabe, dissolve-se e m
C o m o já se m e n c i o n o u , a martêmepra é u s a d a principalmente para diminuir a possibilida- quantidades muito pequenas naquela forma alotrópica do -ferro, p o d e estar sujeito a este
d e d e e m p e n a m e n t o d a s peças. Q u a n d o a endurecibilidade d o aço é a d e q u a d a , a aplicação fenómeno; entretanto, sua quantidade é tão limitada, q u e n ã o h á , praticamente, efeito
d a martêmpera resulta e m controle dimensional melhor do q u e mediante resfriamento con- endurecedor, c o m o se visa neste tratamento térmico.
vencional por têmpera, visto q u e as variações dimensionais são mais uniformes. D o m e s m o Entre os tratamentos de endurecimento por precipitação d o s aços, aquele q u e v e m e n -
m o d o , desenvolve-se m e n o r quantidade d e tensões residuais do q u e n a têmpera convenci- contrando maior aplicação industrial é o q u e se aplica n u m n o v o tipo de aços - aços
onal, porque as maiores variações térmicas ocorrem enquanto o a ç o ainda está na condição "maraging"1''. S ã o a ç o s de carbono muito baixo - c o m o se verá mais adiante - alto teor d e
austenítica relativamente plástica e porque a transformação final e as modificações térmicas níquel, possuindo ainda titânio, alumínio e, eventualmente, nióbio, cobalto e molibdênio. E m
ocorrem através d e toda a secção a p r o x i m a d a m e n t e no m e s m o tempo' 4 7 1 . A tabela 13, já I
princípio, o tratamento térmico e m referência consiste no seguinte 1491 :
indicada, mostras a s propriedades do aço 1 0 9 5 martemperado e revenido, e m c o m p a r a ç ã o |
c o m a têmpera e revenido e c o m a austêmepera. - austenitização, durante u m a hora para cada 25 m m d e secção. A temperatura usual
Geralmente, os aços-liga apresentam melhores condições para s e r e m martemperados para aços c o m 1 8 % de níquel é, por exemplo, 820°C. O resfriamento é feito até a t e m p e -
d o q u e os aços-carbono. O s tipos mais c o m u m e n t e usados nesse tipo d e tratamento térmico ratura ambiente s e m preocupação c o m s u a velocidade.
incluem 1090, 4 1 3 0 , 4 1 4 0 , 4 1 5 0 , 4 3 4 0 , 4 6 4 0 , 5 1 4 0 , 6150, 8 6 3 0 , 8 6 4 0 , 8 7 4 0 , 8745, além de * - envelhecimento a 480°C geralmente, durante 3 a 6 horas. À s vezes a temperatura d e
alguns tipos para c e m e n t a ç ã o , tais c o m o 3 3 1 2 , 4 6 2 0 , 5120, 8 6 2 0 e 9310 ( 4 a l . envelhecimento é maior, por e x e m p l o , 530°C, para matrizes para fundição s o b pressão.
C o m o na austempera, n a martêmpera t a m b é m se deve levar e m conta a espessura ou
secção das peças a s e r e m tratadas. Entretanto, para algumas aplicações não é absoluta- E m b o r a n ã o s e conheça perfeitamente o m e c a n i s m o mediante o qual os aços "maraging"
m e n t e necessária u m a estrutura inteiramente martensítica, aceitando-se u m a dureza central adquirem, pelo envelhecimento, elevados valores de resistência mecânica e dureza, admite-
10 unidades Rockwell C abaixo da m á x i m a q u e se p o d e obter, para u m determinado teor d e se que, nessa fase do tratamento térmico, ocorra a precipitação d e fases intermetálicas
carbono. contendo níquel, molibdênio, titânio e, eventualmente, o ferro(48).
O processo d e m a r t ê m p e r a d e p e n d e - c o m o , aliás, qualquer outro tipo de tratamento Por outro lado, a estrutura martensítica desses aços é e m tiras e sua estrutura cristalina
térmico - de u m n ú m e r o d e variáveis, q u e d e v e m ser rigorosamente controladas, tais c o m o , é cúbica centrada'50'.
a temperatura de- austenitização, q u e - entre outros fatores - afeta a própria temperatura A título d e esclarecimento, a martensita e m tiras pode ser igualmente produzida e m ferro
correspondente a Mr, atmosfera controlada durante a austenitização, pois casca de óxido puro, mediante u m resfriamento e x t r e m a m e n t e rápido de s e c ç õ e s finas ou pela aplicação d e
p o d e representar c o m o q u e u m a barreira para o resfriamento uniforme n o banho de óleo ou carga de c h o q u e a pressões superiores a 1300 kgf/mm z|5D '.
d e sal fundido; temperatura dos b a n h o s d e martêmepra, q u e d e p e n d e , por sua vez, do tipo
d e aço, da temperatura d e austenitização e dos resultados finais desejados; t e m p o de per-
manência no b a n h o d e martêmpera, q u e d e p e n d e d a espessura d a s e c ç ã o etc.
" "Maraging"=martensitic aging

114 115
TÊMPERA SUPERFICIAL
Aços E FERROS FUNDIDOS

1. Introdução - O endurecimento superficial d o s aços, e m grande n ú m e r o de aplicações cão significativa d a espessura d a p e ç a , p o d e m resultar tensões residuais d e c o m -
d e peças de m á q u i n a s , é, frequentemente, m a i s conveniente q u e s e u endurecimento total pressão d e p e q u e n o valor n e s s a c a m a d a endurecida, d e m o d o a ter-se melhora insig-
pela têmpera normal, visto q u e , nessa aplicações, objetiva-se a p e n a s a criação de u m a nificante n a resistência à fadiga.
superfície dura e d e grande resistência a o desgaste e à abrasão.
O endurecimento superficial pode ser produzido por vários m é t o d o s , a saber: A s temperaturas d e aquecimento d e v e m proporcionar a austenitização do aço, pois s o -
mente assim obtém-se no resfriamento posterior, a martensita.
a) tratamento m e c â n i c o d a superfície, m e d i a n t e o qual s e o b t é m u m a superfície A s temperaturas, os meios de resfriamento recomendados e as durezas resultantes para
encarada, c o m resistência e dureza crescentes, e m função d a s u a intensidade; 10 s ã o o s seguintes:
b) tratamento químico d a superfície d o a ç o , mediante m é t o d o s c o m o c r o m e a ç ã o dura,
siliconização e outros; 0,30%C - 900-975°C - água - 5 0 RC
c) tratamentos termo-químicos, tais c o m o c e m e n t a ç ã o , nitretação e carbonitretação; 0,35%C -900°C - água - 5 2 RC
d) têmpera superficial. 0,40%C - 870-900°C - água - 5 5 RC
0,45%C - 870-900°C - água - 5 8 RC
O s tratamentos a e b n ã o p o s s u e m n a d a e m c o m u m c o m os tratamentos térmicos, motivo 0,50%C -870°C - água - 60 RC
pelo qual não serão abordados na presente obra. O s tratamentos termo-químicos serão 0,60%C - 850-875°C - á g u a - 64 RC
abordados e m capítulo posterior. óleo - 6 2 RC
A têmpera superficial consiste e m produzir-se u m a têmpera localizada a p e n a s na super-
fície das peças d e aço, q u e assim adquirirá a s propriedades e o s característicos típicos da O s aços-liga e os aços de usinagem fácil, c o m o teor de carbono acima, são endurecidos
estrutura martensítica. por indução, n o caso de se adotar o processo d e têmpera superficial. Q u a n d o os elementos d e
Vários são os motivos q u e determinam a preferência do endurecimento superficial e m -Uga provocam a formação de carbonetos (cromo, molibdênio, vanádio ou tungsténio), o s a ç o s
relação .ao endurecimento total: correspondentes d e v e m ser aquecidos a temperaturas 50 a 100°C acima das indicadas.
A duração d o aquecimento é muito curta, geralmente p o u c o s s e g u n d o s , para produzir
- dificuldade, s o b o s pontos de vista prático e económico, d e tratar-se d e peças de gran- u m a nítida fronteira entre a secção endurecida e o resto da s e c ç ã o .
des dimensões n o s f o m o s de tratamento térmico convencionais; A figura 7 5 ( 5 1 ) mostra o efeito d o t e m p o d e aquecimento n a profundidade de endureci-
- possibilidade d e endurecer-se a p e n a s a s áreas críticas d e determinadas peças, c o m o mento e no início do aparecimento d e fissuras, na têmpera superficial por indução d e u m a
por exemplo, dentes d e grandes e n g r e n a g e n s , guias de m á q u i n a s operatrizes, grandes . barra de aço 1 0 4 5 , c o m 25 m m d e diâmetro.
cilindros, etc; A p ó s 4 s e g u n d o s d e aquecimento, notou-se o aparecimento d e fissuras superficiais, e m
- possibilidade d e melhorar a precisão dimensional de peças planas, grandes ou delgadas, seguida ao resfriamento. A p ó s 5 s e g u n d o s , a superfície d a barra aqueceu-se a u m a t e m p e -
evitando-se o endurecimento total. E x e m p l o s : hastes de ê m b o l o s d e cilindros hidráulicos; ratura próxima d a d e fusão do aço.
- possibilidade d e utilizar-se aços mais e c o n ó m i c o s , c o m o aços-carbono, e m lugar de A potência aplicada na experiência d a qual resultou o gráfico d a figura, foi 11,6 M W / m 2 a
aços-liga; 450 k H z .
- possibilidade d e controlar o processo, d e m o d o a produzir, s e desejável, variações e m O meio d e resfriamento usual na têmpera superficial é a á g u a , fácil de instalar e m a n t e r
profundidades d e endurecimento ou d e dureza, e m seções diferentes d a s peças; e m e n o s perigosa q u e os outros m e i o s . Estes outros são salmoura, óleo, ar comprimido e
- investimento d e capital médio, no c a s o d e adotar-se endurecimento superficial por polímeros líquidos.
indução e b e m m e n o r , n o caso de endurecimento por c h a m a ;
- diminuição d o s riscos d e aparecimento d e fissuras originadas n o resfriamento, após o 7,5
aquecimento.
Primeira evidência
de fissj ração
/
/
Por outro lado, a s propriedades resultantes d a têmpera superficial são:

/
- superfícies d e alta dureza e resistência a o desgaste;
r

/
- boa resistência à fadiga por dobramento;
Zona afetada
- boa capacidade para resistir cargas d e contacto; pelo caiar -
- resistência satisfatória a o e m p e n a m e n t o .
/
A l g u m a s reccrmertósções são necessárias para obtenção dos melhores resultados'5*.
2 ^\
50 RC
- procurar obter c a m a d a s endurecidas p o u c o profundas; de fato, profundidades maiores, CO
Q
desnecessárias p o d e m provocar o e m p e n a m e n t o ou fissuras d e t ê m p e r a ou desenvolver
tensões residuais excessivamente altas, s o b a c a m a d a endurecida; i
- levar e m conta q u e a espessura d a c a m a d a endurecida d e p e n d e d e c a d a caso e s p e - 1 2 3 4 5 S
cífico, tendo e m vista a s resistências a o desgaste e à fadiga desejadas, a carga d e
serviço d a s p e ç a s , a s d i m e n s õ e s destas e, inclusive, o e q u i p a m e n t o disponível; c o m o T E M P O DE AQUECIMENTO, s
por e x e m p l o , d e v e - s e lembrar q u e se a c a m a d a endurecida corresponder a u m a fra-
Hg. 75 - Efeito do tempo de aquecimento na profundidade de endurecimento portêmpera superficial

118 119
Aços E FERROS FUNDIDOS TÊMPERA SUPERFICIAL

Normalmente, o m e i o é aspergido ou borrifado sobre a s e c ç ã o aquecida ou a peça é


mergulhada no m e i o , terminado o aquecimento.
E m alguns casos, por exemplo e m p e ç a s maciças, c o m o e n g r e n a g e n s de passo largo,
p o d e ocorrer a rápida absorção do calor superficial pela m a s s a n ã o aquecida da peça. D e s s e
m o d o , tem-se o q u e s e poderia c h a m a r d e "auto-resfriamento", q u e eliminaria os meios líqui-
d o s d e têmpera.
A l é m das vantagens citadas, outras q u e p o d e m ser m e n c i o n a d a s são: eliminação dos
f o m o s de aquecimento, maior rapidez de tratamento, tratamento e m qualquer local d a oficina,
n ã o produz apreciável oxidação ou descarbonetação do aço, etc.
O s processos usuais d e têmpera superficial são:

«têmpera por c h a m a
• têmpera por indução
• têmpera por laser
• têmpera por feixe eletrônico
• têmpera por implantação iônica

2. Têmpera por chama - Neste processo procura-se apenas endurecer u m a fina c a m a d a da


superfície da peça, de m o d o a manter o núcleo d a peça na estrutura original. Para isso, aquece-se
a superfície do aço até a temperatura de austenitização, e m tempo curto, seguindo-se resfriamento
rápido, o que ocasiona a formação da estrutura martensítica apenas n a superfície da peça. O
aquecimento é feito através de c h a m a de oxiacetileno, enquanto o resfriamento é feito por jato de
água, e m forma de borrifo, d e m o d o a produzir a c a m a d a dura até a profundidade desejada.
Este processo permite a utilização de a ç o s d e m e n o r custo ou qualidade, nos quais se
c o n s e g u e obter resistência superficial ao desgaste, evitando-se, assim, a utilização de aços
m a i s complexos, c o m elementos de liga, a d e q u a d o s para a operação d e c e m e n t a ç ã o .
Existem inúmeros dispositivos utilizados n a operação. N o caso m a i s simples de formas
cilíndricas, leva-se a efeito o tratamento mediante a utilização d e u m dispositivo semelhante
a o torno, entre as pontas d o qual é colocado a p e ç a , sendo a tocha d e oxiacetileno e o bocal
d e á g u a colocados n o "carro" d o torno. A p e ç a gira a u m a velocidade periférica determinada,
a o m e s m o t e m p o q u e a torcha, dimensionada d e m o d o a abranger a área q u e se deseja
endurecer, a q u e c e sucessivamente a superfície, seguindo-se imediatamente o resfriamento
pela água. C o m esta disposição, h á probabilidade d e se formarem faixas mais moles c o m
alguns milímetros d e largura. Para evitar esse inconveniente, prefere-se aquecer a superfí-
cie c o m u m a torcha d e c h a m a múltipla e forma anular, q u e se m o v i m e n t a a o longo d a peça
girando rapidamente. O bocal de resfriamento apresenta t a m b é m forma anular. A espessura JpJt-i ~ _ Fig. 75-Três métodos de aplicação do endurecimento superficial por chama.A figura superior
d a c a m a d a endurecida p o d e variar desde a p e n a s , u m a casca superficial até cerca d e 10 m m . .te-ftíív' I corresponde ao método chamado "progressivo", e m que a chama é movida ao longo da área a ser
•vfPS^yr 1 ' endurecida; afiguracentral corresponde ao método "giratório", e m que a peça é feita girar; finalmente a
O dispositivo descrito, adaptado e m m á q u i n a d o tipo de u m t o m o , d á u m a ideia d a m a n e i - J p g V r T figura inferior refere-se ao método "combinado", e m que tanto a peça c o m o a chama se movimentam.
ra d e realizar-se a t ê m p e r a superficial por c h a m a . A figura 76 mostra m a i s claramente três
m é t o d o s de aplicação d e s s e tipo de endurecimento superficial'321. r j j j S j ^ g r A s velocidades d e aquecimento c o m c h a m a de oxiacetileno, variam de 5 a 30 c m / m i n . e
A l é m desses, o m é t o d o mais simples é o c h a m a d o "estacionário", e m q u e se a q u e c e m - p ^ i l ^ i o r m a l m e n t e , o meio d e resfriamento é á g u a à temperatura ambiente, ou eventualmente,
a p e n a s localmente áreas selecionadas d a p e ç a , c o m subsequente resfriamento, ou por bor- J ^ p ^ ^ g g y a n d o se deseja u m a têmpera m e n o s severa, ar*531.
rifo ou até m e s m o por imersão. Este é o m é t o d o mais simples, porque n ã o exige equipamen- ""f|~r"'-_ O método "giratório" é e m p r e g a d o e m p e ç a s de secção circular o u semicircular, tais c o m o
to elaborado, além evidentemente do dispositivo d e c h a m a e, eventualmente, dispositivo d e > J | 3 Í l K P d a s ' c a m e s e p e q u e n a s engrenagens. M a s u a forma mais simples, utiliza-se u m mecanis-
fixação e de controle d o t e m p o para permitir u m aquecimento m a i s uniforme. JIÉIIBRlJS? para girar a p e ç a n u m plano horizontal ou vertical, ficando s u a superfície sujeita à a ç ã o d a
O m é t o d o "progressivo" é e m p r e g a d o para endurecer secções g r a n d e s q u e não p o d e m ^SBfôchama.
ser aquecidas pelo processo estacionário. A s d i m e n s õ e s e a forma d a p e ç a a ser aoduredca, IffijÇÇv': D e s d e q u e s e "consiga u m aquecimento uniforme, a velocidade d e rotação é relativamen-
assim c o m o o v o l u m e d e oxigénio e de gás combustível necessário para aquecer a secção, pouco importante- Depois q u e a superfície d a peça tiver sido aquecida - por intermédio d e
s ã o fatores a s e r e m levados e m conta na escolha deste processo. = ^ h ^ y - m o u m a ' s cabeçotes d e c h a m a s - a c h a m a é extinta ou retirada e a peça é resfriada por
O equipamento necessário no m é t o d o progressivo consiste d e u m o u m a i s Gabeçotes de Y^-f'-.Aiffiersão, borrifo ou por combinação d e a m b o s os métodos.
c h a m a e de u m dispositivo d e resfriamento, m o n t a d o s n u m carro q u e p o d e se movimentar a 'lilfifèS É m contraste c o m o método progressivo, e m q u e o g á s combustível usado é geralmente
u m a velocidade regulável'531: as peças p o d e m , por exemplo, ser m o n t a d a s n u m t o m o e tanto i : £ Í J Í a c 8 t ' ' 6 n o " devido s u a elevada temperatura d e c h a m a e rápido aquecimento - no m é t o d o
o cabeçote da c h a m a c o m o a p e ç a p o d e m girar n ã o h a v e n d o , finalmente, limite prático ~rZ,~. ^ VSÍratório, resultados satisfatórios são obtidos c o m gás natural (metana), propana, além d e
quanto ao comprimento d a s peças q u e p o s s a m ser temperadas por este m é t o d o . -4rri«íígás fabricado'531.

120 121
Aços E FERROS FUNDIDOS TÊMPERA SUPERFICIAL

T A B E L A 14
Quantidade de oxigênio-gás combustíveis necessária para aquecer 1 c m 2 de aço
a 815°C a u m a profundidade de 32 m m
Proporção de T e m p o de Consumo C o n s u m o de. BOBINA SIMPLES PARA AQUECIMENTO
oxigénio para aquecimento de gás oxigénio (m 3 ) DE DIÂMETRO E X T E R N O
Gás
gás combustível (s) (m 3 ) por c m 2 por c m 2
Acetileno 1,1 10 0,0011 0,0012
Metana 1,75 20 0,00215 0,0038 •£25;
4,00 20 0,00215

m
Propana 0,0086

Finalmente, o m é t o d o "combinado progressivo-giratório" alia os dois anteriores: a peça é


girada, c o m o no m é t o d o giratório, ao m e s m o t e m p o que a c h a m a se m o v i m e n t a de u m a
extremidade à outra. S o m e n t e u m a faixa estreita d e circunferência é aquecida progressiva-
Indutor
m e n t e , ã medida q u e a c h a m a se m o v e de u m a extremidade à outra p e ç a . O resfriamento
s e g u e imediatamente atrás d a c h a m a .
mm . Campo magnético
Vários gases combustíveis p o d e m ser u s a d o s na têmpera por c h a m a . A Tabela 14'53'
mostra a quantidade d e oxigénio e de gás combustível necessária para aquecer u m centíme- BOBINA SIMPLES PARA AQUECIMENTO
tro quadrado d e aço a 815°C a u m a profundidade d e 3,2 m m , para alguns g a s e s combustíveis SUPERFICIAL
q u e i m a d o s c o m o oxigénio.
Para o m é t o d o c o m b i n a d o progressivo-giratório, Zahkarov 1 5 4 1 r e c o m e n d a a utilização
d a s fórmulas abaixo para calcular o c o n s u m o d e oxigénio e de acetileno:

C o n s u m o de oxigénio: C o = 0,70 -fp l/cm2


— Correntes Eddy induzidas
C o n s u m o de acetileno: C k = 0,45 V p l/cm2
T e m p o de aquecimento: T = 7 p^seg. ^ Campo magnético
Velocidade de m o v i m e n t a ç ã o da torcha: v- •Z2 cm/min, e m q u e p representa a profundi-
dade e m m m .
BOBINA SIMPLES PARA AQUECIMENTO
A s peças t e m p e r a d a s por c h a m a não ficam isentas de revenido posterior. Essa segunda DE DIÂMETRO E X T E R N O
operação pode t a m b é m ser feita através de aquecimento por c h a m a . E m peças de grande
d i m e n s ã o , endurecidas até cerca de 6,4 m m (1/4"), ou mais, o calor residual depois do
resfriamento p o d e ser suficiente para revenir a s p e ç a s , aliviando as tensões originadas pelo
resfriamento rápido e evitando a necessidade d e revenido posterior. Fig. 77 - Exemplos de campos magnéticos e correntes induzidas produzidas por bobinas de indução.

3. Têmpera por indução - O calor para aquecer u m a peça p o d e ser gerado na própria C a m a d a s mais espessas, de 12 m m ou mais, são obtidas por corrente de frequência baixa
p e ç a por indução eletromagnética. Assim se u m a corrente alternada flui através de u m - 3 a 25 k H z - e períodos de t e m p o m a i s longos'551-
indutor ou bobina d e trabalho, estabelece-se nesta u m c a m p o magnético altamente concen- E m r e s u m o , o controle da profundidade de aquecimento é conseguido, jogando-se c o m
trado, o qual induz u m potencial elétrico na p e ç a a ser aquecida e envolvida pela bobina e, as seguintes variáveis:
c o m o a peça representa u m circuito fechado, a voltagem induzida provoca o fluxo de corren-
te. A resistência d a p e ç a a o fluxo da corrente induzida causa aquecimento por perdas P R . - fornia d a bobina;
O modelo de aquecimento obtido por indução d e p e n d e da forma d a bobina de indução - distância ou espaço entre a bobina d e indução e a peça;
q u e produz o c a m p o magnético, do n ú m e r o d e voltas da bobina, d a frequência de operação - taxa de alimentação de força;
e d a força elétrica d a corrente alternada. - frequência;
A figura 77< 651 mostra alguns exemplos d e c a m p o s magnéticos e correntes induzidas - tempo d e aquecimento.
produzidas por bobinas d e indução.
A velocidade d e aquecimento obtida c o m bobinas de indução d e p e n d e d a intensidade do A figura 7 8 mostra esquematicamente a técnica de aquecimento por indução 1521 .
c a m p o magnético a o qual se expões a peça. Nesta, a velocidade d e aquecimento é função Para alguns tipos de equipamentos d e indução, as frequências mais c o m u m e n t e u s a d a s
d a s correntes induzidas e d a resistência a o seu fluxo. Q u a n d o se deseja aquecimento a são as representadas na Tabela 15 ( 5 S ) .
p e q u e n a profundidade, ou seja, c a m a d a endurecida d e p e q u e n a espessura, adota-se geral- Nessa Tabela, a s expressões A ç ã o Eficiente, A ç ã o Razoável e A ç ã o Inadequada indicam
m e n t e corrente d e alta frequência; baixas ou intermediárias são utilizadas e m aplicações o seguinte:
o n d e se deseja aquecimento a maior profundidade.
D o . m e s m o m o d o , a maioria das aplicações d e têmpera superficial exige densidade de - "ação eficiente" - frequência q u e aquecerá do m o d o m a i s eficiente o material até a
força (kW/cm 2 ) relativamente altas e ciclos d e aquecimento curtos, d e m o d o a restringir o temperatura d e austenitização para a profundidade especificada;
aquecimento à área superficial. - "ação razoável" - frequência q u e é inferior à ótima, m a s suficiente para a q u e c e r à
C a m a d a s endurecidas d a ordem de 0,25 m m são obtidas, mediante a aplicação de cor- temperatura d e austenitização, para a profundidade especificada;
rentes de frequência elevada - 1 0 0 h K z a 1 IvlHz - alta densidade d e força e t e m p o reduzido. - "ação inadequada" - frequência q u e poderá superaquecer a superfície.
TEMPERA SUPERFICIAL

T A B E L A 15
Fonte de energia e frequências para têmperasuperficiai por indução
Seleção de frequência para os equipamentos seguintes:
profundidade Secção Motor Gerador Tubo ã vácuo
de endureci- da peça acima de
mento mm 1000 3000 10.000 200 kHz
mm Hz Hz Hz

- - -
0,38-1,27 6,35-25,4 Eficiente

; 1,29-2,54 11,11-15,38
- - Razoável
Eficiente
Eficiente
Eficiente
-
15,88-25,4 —

25,4-50,8
Acima de 50,8 -
Razoável
Razoável
Eficiente
Eficiente
Eficiente
Razoável
. Inadequada

2,56-5,08 19,05-50,8 _ Eficiente Eficiente Inadequada

-
50,8-101,6 Eficiente Eficiente Razoável
Acima 101,6 Eficiente Razoável Inadequada

Por outro lado, o êxito d e muitas aplicações d e a q u e c i m e n t o por indução d e p e n d e d o


^desenho ou f o r m a d a bobina d e indução. E s s a forma é, evidentemente, influenciada por
^diversos fatores, entre os quais p o d e - s e mencionar as d i m e n s õ e s e a forma d a p e ç a a
iser a q u e c i d a , o m o d e l o d e a q u e c i m e n t o a ser obtido, n ú m e r o d e p e ç a s a s e r e m
'aquecidas,' etc.
'•:: A figura 7 9 mostra alguns d e s e n h o s básicos para utilização e m alta frequência (acima
do 200 kc) (5S '.
O tipo (a) consiste n u m simples solenóide para aquecimento externo; o tipo (b) consiste
inuma bobina para aquecimento interno d e orifícios; o tipo (c) permite elevadas densidades
de corrente n u m a faixa estreita d a peça; o tipo (d) consiste n u m a bobina de u m a única volta
para aplicação e m superfície giratória, possuindo meia volta contornada para possibilitar o
'aquecimento d e filetes, finalmente o tipo (e) é o indicado para aquecimento localizado d e
superfícies planas.
Para tais bobinas, usam-se tubos d e cobre comercial, c o m d i m e n s õ e s tais q u e permitam
u m fluxo de á g u a a d e q u a d o para seu resfriamento. A tubulação p o d e apresentar diâmetros
pequenos - d a o r d e m d e 1/8" - para m á q u i n a s de potência muito baixa; m a s para unidades
de 20 a 50 k W , o diâmetro de tubulação varia geralmente d e 3/16" a 1/4".
Entre os vários processos para aplicar-se aquecimento superficial por indução, pode-se
citar os seguintes:

. .. a) têmpera simultânea, e m q u e a p e ç a a ser temperada é feita girar dentro d a bobina;


• u m a v e z atingido o t e m p o necessário para o aquecimento, a força é desligada e a p e ç a
•• imediatamente resfriada por u m jato d e água;
•:. b) têmpera contínua, e m q u e a p e ç a , a o m e s m o t e m p o q u e gira n o interior da bobina d e
indução, m o v e - s e a o longo d e seu eixo, d e m o d o a se ter u m a aplicação progressiva d e
calor. O dispositiva de resfriamento está m o n t a d o a certa distância da bobina.

O processo d a têmpera superficial por inctução é apficadc cdncipairneníe e m tipos d e


aços endurecrveis,. entre os quais p o d e m ser citados os sepjánres 555 *:

• aços d e m é d i o teor d e carbono, c o m 1 0 3 0 e 1045, u s a d o s e m engrenagens, eixos e


outras p e ç a s automobilísticas;
• aços de alto teor de carbono, c o m o o 1070, e m p r e g a d o s e m ferramentas m a n u a i s ,
brocas de perfuração de rochas, etc.
• aços-liga e m p r e g a d o s e m m a n c a i s , válvulas de automóveis, e c o m p o n e n t e s d e m á q u i -
nas operatrizes.

125
Aços E FERROS FUNDIDOS TÊMPERA SUPERFICIAL

4. Têmpera por laser - Conforme a figura 80'57) mostra, o processo consta e m dirigir-se Considerando-se q u e os processos d e têmpera superficial s ã o adorados devido a carac-
u m feixe de laser sobre a superfície d a p e ç a . tensficas dimensionais das peças ou por outros motivos, pode-se t a m b é m concluir q u e se
A o atingir a superfície, parte da energia d o laser é absorvida pela superfície na forma da deve igualmente preferir os m é t o d o s d e c h a m a ou por indução para revenir o material.
calor. S e a densidade d a força do feixe d e laser - geralmente expresso e m watts por centíme- N o caso, por exemplo, da têmpera superficial por c h a m a e m peças de grandes d i m e n -
tro quadrado - for suficientemente elevada, a superfície absorve o calor gerado e aquece-se sões, através d o m é t o d o progressivo, o revenido é realizado imediatamente a p ó s o
rapidamente até atingir a temperatura d e austenitização do aço, enquanto o núcleo da peça resfriamento, pelo reaquecimento d a superfície temperada c o m u m a c h a m a colocada a p e -
p e r m a n e c e frio. quena distância do dispositivo de resfriamento.
E m peças grandes, temperadas até u m a profundidade e cerca d e 6 m m ou mais, o calor
residual presente depois da resfriamento, c o m o já foi m e n c i o n a d o , p o d e ser suficiente para
FEIXE D E L A S E R aliviar as tensões de têmpera, t o m a n d o - s e desnecessário u m revenido subsequente, c o m o
operação à parte.

7- Aços recomendados na têmpera superficial - Esse assunto já foi abordado. O s aços-


carbono c o m u n s , na faixa de 0,30 a 0 , 5 0 % d e carbono, são o s m a i s usados nas aplicações
de têmpera por c h a m a , podendo ser endurecidos inteiramente e m seções até aproximada-
mente 12,5 m m . O m e s m o pode-se dizer e m relação à têmpera superficial por indução.
Frequentemente u s a m aços-liga, q u a n d o se deseja maior resistência do núcleo e porque
os aços-carbono n ã o são a d e q u a d o s para a obtenção dessa resistência e m determinadas
secções, o u ainda p o r q u e , devido a o p e s o e à forma d a p e ç a e possibilidade d e
m e m p e n a m e n t o o u fissuração, não se r e c o m e n d a o uso de aço-carbono resfriado e m á g u a .
Finalmente, os aços de granulação fina d e v e m ser preferidos, visto que a granulação
grosseira é m a i s suscetível de fissuração, durante o resfriamento posterior.

8 - Conclusões - Nota-se u m a tendência e m substituir muitos tratamentos de t ê m p e r a e


revenido e m e s m o os tratamentos termo-químicos - a serem a b o r d a d o s n u m próximo capí-
Z O N A ENDURECIDA '•' tilo - por processo d e têmpera superficial, utilizando sobretudo o aquecimento por indução,
i e m que a fonte d e energia é a eletricidade.
3 S Além d a e c o n o m i a das fontes tradicionais de energia, é possível - c o m o se viu, durante a
Fig. 80 - Feixe quadrado de laser com densidade de força uniforme sobre u m a placa chata. exposição - substituir os aços-liga por aços-carbono, de custo m e n o r .
O endurecimento por raio laser ou feixe eletrônico está igualmente ganhando adeptos,
A o movimentar-se rapidamente o feixe d e laser sobre a superfície d a peça, c o m o a figura sobretudo q u a n d o atmosferas especiais estão envolvidas n o s tratamentos tradicionais,
mostra, toda a área escolhida aquece-se rapidamente. A p ó s a p a s s a g e m do feixe de laser, :. como c e m e n t a ç ã o e carbonitretação.
a área é, e m seguida, resfriada rapidamente pela condução d o calor interior da peça.
O s aços q u e p o d e m ser endurecidos por esse processo incluem aços-carbono (1040,
1 0 5 0 , 1070), aços-liga (4340, 52100), a ç o s para ferramentas e ferros fundidos (cinzento,
maleável e dúctil).

5. Têmpera por feixe eletrônico- Neste c a s o , u m feixe eletrônico é dirigido à superfície da


peça a ser endurecida parcialmente. O s eletrons d o feixe ao atingir a superfície penetram
rapidamente na superfície do aço. N e s s e m o m e n t o , os eletrons p e r d e m rapidamente sua
energia A maior parte d a energia perdida pelos eletrons é transformada e m calor1581, que
permite atingir-se a temperatura d e austenitização até u m a certa profundidade. O
• ÍÇv?
resfriamento rápido necessário para transformar a austenita e m martensita ocorre através
d e u m processo d e auto-resfriamento q u e d e p e n d e d a condutibilidade térmica e q u e c o m e ç a
assim que a transferência d e energia termina.
Esse processo apresenta a vantagem d e produzir e m p e n a m e n t o muito pequena. A l é m
disso, o c o n s u m o d e energia é relativamente p e q u e n o . O processo é preferida q u a n d o as
c a m a d a s endurecidas s ã o d a ordem de 0,3 a 1,0 m m .
O processo exige, contudo, equipamento sofisticado.

6 - Revenido dos aços temperados superficialmente - A p ó s a t ê m p e r a superficial, as


peças são submetidas a u m revenido, pois, qualquer que tenha sido o tratamento de têmpera
adotado, é necessário revenir a martensita. Geralmente, esse revenido e levado a efeito a
temperaturas baixas, objetivando-se sobretudo o alívio das tensões originadas.

126 127
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

1. Definições - V i s a m os tratamentos termo-químicos o endurecimento superficial dos é por sua vez, u m a função da temperatura e d a concentração d e carbono. N ã o é ele prati-
aços, pela modificação parcial da sua c o m p o s i ç ã o química, nas s e c ç õ e s q u e se deseja camente afetado pelo t a m a n h o d e grão d o aço, n e m pela presença das impurezas normais
endurecer. (fósforo enxofre e nitrogénio), n e m pelos elementos de liga n o s teores e m que s ã o usual-
A aplicação do calor n u m meio apropriado p o d e levar a essa alteração d a composição mente encontrados nos aços-liga para c e m e n t a ç ã o .
química do aço até u m a profundidade q u e d e p e n d e da temperatura d e aquecimento e do

V
t e m p o de permanência à temperatura de tratamento e m contato c o m o m e i o e m questão. A
s
modificação parcial d a c o m p o s i ç ã o química, seguida geralmente d e tratamento térmica
apropriado, produz t a m b é m u m a modificação d a estrutura do material, resultando, e m resu-
m o , n u m a modificação igualmente parcial d a s propriedades m e c â n i c a s . oO .0
O objetivo principal é aumentar a dureza e a resistência ao desgaste superficiais, ao <^>
m e s m o t e m p o q u e o núcleo d o material p e r m a n e c e dúctil e tenaz.
Essa possibilidade d e aliar-se u m a superfície dura c o m o núcleo m a i s mole e tenaz é de
grande importância e m inúmeras aplicações, sobretudo porque, pelo e m p r e g o dos aços c o m //
elementos de liga, pode-se conseguir núcleo d e elevada resistência e tenacidade, c o m su-
perfície extremamente dura, resultando n u m material capaz d e suportar e m alta grau, certos
1,5 / /
tipos de tensões.
O s processos d e endurecimento superficial s ã o o s seguintes:
//
/>
' cementação;
• nitretação;
• cianetação;
• carbonitretação;
• boretação. 0 4 8 12 16 20 24 28 32
T e m p o de cementação, horas
2. Cementação - Este é o processo clássico d e endurecimento superficial. Consiste no
Fig. 81 - Curvas mostrando a influência do tempo e da temperatura na
enriquecimento superficial d e carbono e m certos aços, aquecidos convenientemente e m penetração superficial de carbono.
contato c o m substâncias carbonáceas. É u m tratamento muito antigo, pois os r o m a n o s já o
praticavam. Através dele, introduz-se carbono n a superfície d o a ç o , d e m o d o a q u e este, c) Temperatura - É o fator mais importante, pois além d e afetar a difusão - acelerando-a
depois de temperado, apresente u m a superfície mais dura. É necessário q u e o aço, e m c o m a sua elevação - influi t a m b é m n a concentração de carbono n a austenita e na velocida-
contato c o m a substância c a p a z de fornecer carbono, seja aquecido a u m a temperatura e m de de reação d e carbonetação n a superfície do aço.
q u e a solução d o carbono no ferro seja fácil. Para isso, a temperatura d e v e ser superior à da d) Concentração de carbono na austenita - C o m o se sabe, a solubilidade de carbono n a
z o n a crítica (850° a 950°C), onde o ferro s e encontra na forma alotrópica g a m a , e m b o r a se austenita é determinada, no diagrama F e - C , pela linha A O T . O s elementos de liga t e n d e m a
t e n h a m usados temperaturas mais baixas, c o m o 790°C e mais elevadas, c o m o 1095°C. deslocar a linha A ^ para a esquerda, diminuindo os limites de concentração ou a solubilidade
Por outro lado, a profundidade de penetração d o carbono d e p e n d e d a temperatura e do do carbono no ferro g a m a ou na austenita. Contudo, essa influência é relativamente p e q u e -
t e m p o , sendo rápido a princípio, decrescendo depois, o q u e p o d e ser c o m p r o v a d o pelo na, para os teores usualmente encontrados nos aços-liga para c e m e n t a ç ã o , c o m e x c e ç ã o d o
e x a m e das curvas d a figura 81 l 5 9 1 . Essas curvas permitem verificar t a m b é m q u e as tempera- níquel, o n d e a influência é maior. Por outro lado, a difusão d o carbono processando-se d a
turas mais elevadas favorecem a penetração d e carbono, o q u e aliás seria de esperar. concentração m a i s alta da fonte d e suprimento à concentração mais baixa do núcleo d o
O s processos usuais d e cementação, d e v e m elevar o teor superficial de carbono até • material, forma u m gradiente de carbono. Finalmente, deve ser observado, q u e a velocidade
0 , 8 % ou 1,0%. F u n d a m e n t a l m e n t e , a c e m e n t a ç ã o é u m f e n ó m e n o d e difusão, isto é relaci- de difusão a u m e n t a c o m crescentes concentrações de carbono.
o n a d o c o m o m o v i m e n t o d e carbono no interior d o aço. Portanto, a velocidade de enriqueci- e) Natureza do agente carbonetante ou do gás de carbonetação - A reação envolvendo a
m e n t o superficial d e carbono depende, e m primeiro lugar, do seu coeficiente de difusão. transferência d e carbono ocorre na superfície do aço. O s agentes supridores d e carbono
Entretanto, na c e m e n t a ç ã o influem t a m b é m a fonte de suprimento d e carbono e transfe- p o d e m ser considerados s e p a r a d a m e n t e . O s dois mais c o m u n s s ã o C O e C H 4 e a s reações
rência deste para a superfície dos aços. A s s i m s e n d o , pode-se estabelecer que os fatores que ocorrem n a superfície do aço p o d e m ser representadas d a seguinte maneira:
q u e influem sobre a velocidade de enriquecimento d e carbono na superfície dos aços são os
seguintes'601: 2 C O 5 (C) + C 0 2 (1)
C H , í :(C)+2H (2)
a) Teor inicial de carbono no aço - É obvio q u e , as outras variáveis p e r m a n e c e n d o cons-
tantes, quanto m e n o r o teor inicial d e c a r b o n o n o aço, tanto m a i o r a velocidade d e onde (C) representa o carbono dissolvido no ferro na superfície d o aço. A velocidade d e
carbonetação. reação do g á s n a superfície, e m função d a temperatura, d e p e n d e d a natureza d o g á s :
b) Coeficiente de difusão do carbono no aço - Este é u m fator d e primordial jmportância, temperaturas crescentes deslocam a reação (1) para a e s q u e r d a e a reação (2) para a
visto q u e o f e n ó m e n o d e enriquecimento superficial de carbono do a ç o , é fundamentalmente direita.
u m f e n ó m e n o de difusão, isto é, de m o v i m e n t o relativo de carbono n o interior do aço. D e f) Velocidade de fluxo de gás - E s s e fator influencia a velocidade d e reação na superfície
fato, o que se visa n a c e m e n t a ç ã o é a solução d o carbono no ferro g a m a , f e n ó m e n o que é e, d e p e n d e n d o d a natureza do gás d e carbonetação, pode ser decisiva, pois, c o m alguns
determinado pela velocidade d o fluxo do carbono no ferro g a m a . E s s e coeficiente de difusão gases d e c e m e n t a ç ã o pode-se ter u m a deposição não desejada d e carbono na superfície d o

130 131
Aços £ FERROS FUNDIDOS TMMMENTOS TEKMO-QUJMTCOS

material ou u m a carbonetação insuficiente, a n ã o ser q u e se t o m e m todas as precauções Íl-Hí lumínio, o titânio e o nióbio. Entretanto, pelo e m p r e g o d o s a ç o s m o d e r n o s , o t e m p o d e
para u m perfeito equilíbrio entre a velocidade d e fluxo do gás e a c o m p o s i ç ã o . Éf:§§ cementação à temperatura de 1010°C, p o d e ser cortado d e 4 0 a 5 0 % , não h a v e n d o então
K K í B S r | f c r é s c i m e n t o d e grão do q u e a 925°C.
2.7. Considerações gerais sobre a cementação - N a c e m e n t a ç ã o , qualquer que seja o feísS*fSr-
processo adotado, deve-se, de início, levar e m consideração os seguintes pontos: y ~ '

- Para produzir u m a combinação d e u m a superfície dura c o m u m núcleo tenaz, deve-se ~N


\
partir, e m princípio, d e u m aço d e baixo c a r b o n o .
- A operação d e v e ser realizada a u m a temperatura q u e coloque o aço no estado \
austenítico, geralmente entre 850°C e 950°C.
Prefere-se, n a c e m e n t a ç ã o , aços de granulação fina, por sua melhor tenacidade tanto na
superfície endurecida c o m o no núcleo, a p e s a r d e ser conhecida a melhor capacidade de
endurecimento d o s a ç o s d e granulação grosseira. Estes últimos, por outro lado, poderão
exigir maior n ú m e r o d e operações c o m o : a iniciai, para cementar (o q u e aumentará mais o

\
t a m a n h o do grão); u m a s e g u n d a , d e esfriamento lento; outra, d e aquecimento acima d e
e Acm para refinar o grão d o núcleo e colocar o excesso de carboneto e m solução, seguindo-

\
s e resfriamento rápido; u m a outra operação d e aquecimento a c i m a d e pata. refinar a
c a m a d a de alto carbono, seguida de resfriamento rápido e, finalmente, u m a última operação
para aliviar as tensões d e têmpera. O s aços d e granulação fina necessitam s o m e n t e d e u m a
operação de têmpera, a qual conforme o tipo d e aço, p o d e ser realizada diretamente d a
temperatura de c e m e n t a ç ã o .
- O s aços antes d a c e m e n t a ç ã o d e v e m ser geralmente normalizados para permitir
\ \
usinagem, visto q u e depois da cementação, a s d i m e n s õ e s e as tolerâncias exigidas s o m e n t e
p o d e m ser corrigidas por ratificação.
- Deve-se procurar evitar u m a linha nítida d e d e m a r c a ç ã o entre a c a m a d a cementada e
o núcleo, isto é, a distribuição do carbono o u gradiente de carbono d a superfície ao centro 0 1.0 2.0 3.0
d e v e ser suave, evitando-se bruscas q u e d a s d e carbono, c o m o a curva d a figura 8 2 mostra.
O melhor gradiente ou o mais suave, o b t é m - s e aparentemente c o m resfriamentos mais Distância da Superfície (mm)
rápidosf6".
Fig. 82 - Gradiente de carbono, e m cementação durante 4 horas a 1050°C com etileno.
- O teor de carbono é controlado pelas temperaturas de c e m e n t a ç ã o ; temperaturas mais
altas produzem teores d e carbono mais elevados. Por outro lado, c a m a d a s d e m e n o r teor de
carbono são produzidas uti!izando-se p e q u e n a s quantidades d e substâncias ativadoras e
Afigura 8 3 mostra as profundidades d e cementação q u e p o d e m ser obtidas e m a ç o AISI
maior proporção d e c o m p o s t o de c e m e n t a ç ã o ; a o contrário, maior quantidade de substânci-
~ K i \ C ~ 4 6 1 5 , a várias temperaturas.
as ativadoras ou introduzindo-se hidrocarbonetos, c o m o C H 4 e t c , possibilitam a obtenção d e
c a m a d a s de alto carbono. N a cementação g a s o s a , altas temperaturas e altas concentrações
2.3. Reações fundamentais da cementação - Para dois d o s agentes carbonetantes mais
d e hidrocarbonetos p r o d u z e m carbono m a i s elevado.
,f usuais, as reações fundamentais d a c e m e n t a ç ã o são'611:
A o cementar-se u m a ç o , introduz-se n a superfície c e m e n t a d a tensões residuais d e c o m -
pressão, as quais s e contrapõem às tensões d e tração, m e l h o r a n d o o d e s e m p e n h o sob
2 C O + 3Fe í Fe3C + C 0 2
fadiga das peças c e m e n t a d a s .
C H , + 3Fe Fe,C + 21-L

2.2. Cementação a alta temperatura - Entre os progressos mais recentes da técnica d a


C o m o se v ê , e s s a s reações s ã o reversíveis: c o m e ç a n d o c o m C O ou C H 4 , adiciona-se
cementação, deve-se citar a utilização d e temperaturas superiores a 950°C'62)í a ) , c o m as
;õarbono à superfície; c o m e ç a n d o c o m C 0 2 ou H 2 , r e m o v e - s e carbono da superfície.
seguintes vantagens sobre a cementação convencional: é mais rápida e o gradiente entre a
Portanto, para garantir a adição do c a r b o n o , deve-se procurar r e m o v e r C 0 2 e H 2 e p r o d u -
superfície e o centro é mais gradual, p o r q u e o carbono se difunde mais rapidamente a
zir mais C O o u C H 4 ; d o contrário a reação para. Por outro lado, para u m a temperatura
temperaturas mais elevadas (figura 8 2 ) .
• determinada e para u m teor d e c a r b o n o determinado da superfície d o aço c o m a qual os
Essa aumento d e temperatura n o t r a t a m e n t o d e cementação t e m sido possível pelos aper-
•gases entram e m contato, h á a l g u m a relação definida
feiçoamentos tntxcxiuz5dos n c s fcmcs, n a s Sgas resisíEntss' a o calor para elementos de resis-
tência e no controle d e atmosfera. T e m - s e conseguido, assim, c o m certa facilidade temperatu-
ras d a ordem d e 1010°C, n a cementação a g á s , c o m apreciável a u m e n t o d e produção. CO CH,
Procura-se, é óbvio, adotar o processo q u a n d o se deseja c a m a d a s c e m e n t a d a s mais CO,
espessas, c o m o por e x e m p l o acima d e 1,25 m m .
U m a das principais objeções à c e m e n t a ç ã o a temperaturas superiores a 950°C tem sido jBipíp-^Para a qual as tendências carbonetantes ou descarbonetantes ficam e x a t a m e n t e e m
a possibilidade d e haver u m excessivo a u m e n t o d e grão; tal inconveniente poderia de fato, iípÍ||feequilíbrio. Afigura 84< w > representa a s curvas para o equilíbrio d e misturas C O e C 0 2 c o m
ser evitado, adicionando-se elementos q u e previnem o crescimento d e grão, tais c o m o o ' â p | | 8 | a ç o s d e diferentes teores de c a r b o n o . Por exemplo, a 950°C, s ã o necessárias cerca d e

132
u m 133
TRATAMENTOS TERMO-QUIMICOS
Aços E FERROS FUNDIDOS

2,5a

.o /
/ Equilíbrio
Austenita - Cementita

o
V o
2,00

/ /
1,50
/ m
o/ o
"0 / CO
3" / O"
/
/
o

o
/
//
/
1

ff
°" Q
3*
e 1,25
CO
O
700 750 800 850 900 950
|4:
Temperatura °C

Fig. 84 - Curvas representativas do equilíbrio de mistura de C O e C O a c o m aços de diferentes teores de


• carbono. Verifica-se, por exemplo, que quando se concede tempo suficiente para ser atingido o equilíbrio,
um gás com 9 0 % de C O e 1 0 % de C 0 2 , a 815°C carbonetará u m aço de baixo carbono até 0,80% C, m a s
"não mais.A870°C, esse gás carbonetará o aço considerado somente até 0,40%. C o m u m a temperatura
de cementação de 925°C, para ter-se nesse aço u m a camada cementada de composição hipereutetóide,
a composição do gás deve ser 9 7 % de C O ou mais, com 3 % de C 0 2 ou menos.
0 1 2 3

Tempo, h

Fig. 83- Profundidade de cementação obtida e m açoAISI 4615, e m função da temperatura.


\
9 8 partes d e C O para 2,5 partes d e C O ^ para manter a mistura g a s o s a ligeiramente
carbonetante, para a ç o s d e alto carbono, a o p a s s o q u e m e n o s d o q u e 1 parte d e C H 4 \
\
para 99 partes d e H 2 é necessária (figura- 8S),'641.
E m outras palavras, iniciando-se c o m o C O ' puro, não se pode permitir a formação senão de
pouco C 0 2 , para q u e a cementação não se interrompa; entretanto, iniciando-se c o m C H 4 puro,
pode-se ter formação d e grande quantidade d e H 2 , s e m que a c e m e n t a ç ã o seja interrompida.
E
2.4. Processos de cementação - Existem três métodos d e c e m e n t a ç ã o : por via sólida SD \

\
I- 900
( t a m b é m c h a m a d o "cementação em caixa."), pór via gasosa e por via líquida.
.•m-.f.-.t
F- ^,95*0
2.4.1. Cementação sólida ou emicaixa- Neste processadas peças d e aço são colocadas e m \
caixas metálicas, geralmente deaçp^iga resistente ao calor,, e m presença das c h a m a d a s mistu-
ras carburizantes. A s misturas mais usadas apresentam carvão de madeira, aglomerado c o m \^0,60%C
^ 0,20%C
cerca de 5 % a 2 0 % d e u m a substância ativadora, por meio de óleo c o m u m ou óleo de linhaça e m
quantidades que variam de 5 % a 1 0 % . Prefere-se c o m o substância diretamente carbonetante o
carvão de madeira, devido sua. pcrezs, c o m baixe teor de enxofre, c o m razoável resistência ao
choque e à abrasão. O s atfvadores mais c o m u n s são carbonatos alcalinos ou alcalino-ferrosos,
1:50 1:37 1:25
c o m o carbonato de sódio, carbonato d e potássio, carbonato de cálcio e carbonato de bário. Este
último é o mais c o m u m , sendo frequentemente e m p r e g a d o e m mistura c o m carbonato de sódio. Relação CH„: K,
T a m b é m costuma-se introduzir na mistura cerca d e 2 0 % de coque, o qual a u m e n t a a velocidade
de transferência do caior, facifitando a obtenção d e temperaturas mais uniformes.
Fig. 85 - Efeito de diferentes relações C H 4 / H 2 e m aços de vários teores de carbono, a diversas temperatu-
Existem outras misturas carburizantes, c o m o combinações der-materiais orgânicos - osso. ras. U m a composição à direita de u m a curva é carbonetante para o aço considerada; u m a composição à
q u e i m a d o ou osso cru c o m carvão de madeira. esquerda é descarbonetante.

134 135
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

O m e c a n i s m o d a cementação em caixa é o seguinte: - diminui a tendência ao e m p e n a m e n t o d a s peças devido a o fato delas se apoiarem b e m
- A temperaturas elevadas, por exemplo 9Q0°C, o carbono combina-se c o m o oxigénio do n amistura carburizante sólida;
ar inicialmente presente n o carvão de madeira: • - o resfriamento d a s peças a partir d a temperatura da c e m e n t a ç ã o é lento, o q u e p o d e
C + O £> C 0 2
Z representar u m a v a n t a g e m para p e ç a s q u e d e v e m ser submetidas a u m a u s i n a g e m d e
- O C 0 2 reage c o m o carbono do carvão incandescente: acabamento depois d a cementação antes d a têmpera.
C02 + C n 2CO
- O C O por sua v e z reage c o m o ferro d o aço, introduzindo-lhe carbono e formando mais C O : A par das vantagens acima, o processo apresenta, por outro lado, algumas desvanta-
3 F e + 2 C O £; F e 3 C + C 0 2 gens que são e n u m e r a d a s a seguir:
- Este C 0 2 reage n o v a m e n t e c o m o carbono do carvão incandescente, produzindo novo C O . - não é tão limpo, quanto os outros m é t o d o s ;
- O ciclo repete-se enquanto houver suficiente carbono presente para reagir c o m o C O a . - não é recomendável para a produção de c a m a d a s c e m e n t a d a s finas, que d e v a m ser
A presença do ativador, B a C O a , contribui para a u m e n t a r a velocidade d e fornecimento de controladas dentro d e tolerâncias estreitas;
C O , pois, às temperaturas d a cementação, ocorrem as seguintes reações: - não é o melhor m é t o d o para ter-se u m controle preciso d o carbono superficial e d o
B a C 0 3 -> B a O + C 0 2 gradiente de carbono;
C 0 2 + C -j. 2 C O - não é b e m a d e q u a d o para t ê m p e r a direta;
ou - não fornece o grau de flexibilização no controle das condições d e carbonetação, c o m o
BaC03 + C BaO + 2CO l ê possível obter n a c e m e n t a ç ã o a gás;
B a O + C O a t ? BaCO., - o p e s o d a mistura carburizante e d a s caixas de c e m e n t a ç ã o reduz as velocidades d e
ou seja o B a O (assim c o m o o N a 2 0 , se o ativador for carbonato d e sódio), reagiria c o m o aquecimento e resfriamento, necessitando-se, e m c o n s e q u ê n c i a , mais t e m p o para a
C 0 2 , havendo assim u m a tendência a ter-se g á s mais pobre e m C 0 2 , o u mais rico e m C O , operação.
c o m o se deseja.
Finalmente, conviria relacionar rapidamente alguns dos cuidados a s e r e m observados n a
A c e m e n t a ç ã o sólida é geralmente realizada a temperaturas q u e variam de 850°C a cementação e m caixa:
950°C. Entretanto, c o m o já foi m e n c i o n a d o , recentemente novas técnicas tem permitido, - as caixas d e v e m ser b e m proporcionadas e m relação às d i m e n s õ e s das peças, devido
m e s m o no caso d a c e m e n t a ç ã o e m caixa, elevar a temperatura para a l é m d e 1000°C, s e m ao fato do aço ser b o m condutor do calor, m a s não a mistura carburizante;
q u e se criem problemas e m relação a o crescimento d e grão, face a o t e m p o mais curto à - as peças d e v e m apresentar-se b e m limpas, antes da c e m e n t a ç ã o ;
temperatura e aos tipos m o d e r n o s de aços u s a d o s . - o t e m p o d e c e m e n t a ç ã o deve ser escolhido de acordo c o m a profundidade desejada na
É preciso notar q u e a geração de quantidade apreciável de C O dá-se acima de cerca de c a m a d a c e m e n t a d a , c o m as dimensões d a s peças, etc;
800°C, ao passo q u e abaixo dessa temperatura a u m e n t a o C 0 2 (fig. 8 4 ) . Por essa razão, - o controle d o processo p o d e ser feito c o m corpos d e prova colocados lateralmente n a s
deve-se evitar resfriamento muito lento, a p ó s a c e m e n t a ç ã o , abaixo d e 800°C (até mais ou caixas;
m e n o s 650°C), pois h a v e n d o formação de quantidade apreciável d e C 0 2 , produzir-se-á u m a - após a c e m e n t a ç ã o , as caixas d e v e m ser resfriadas rapidamente a o ar, para evitar, c o m o
casca mole. se viu, a u m e n t o d a quantidade d e C 0 2 n a mistura g a s o s a , o q u e p o d e p r o v o c a r
Procura-se, na c e m e n t a ç ã o e m caixa, obter carbono superficial p o u c o acima do teor r descarbonetação;
Er'"
eutetóide, nunca superior a 1,15%, visto q u e o excesso de suprimento d e carbono pode levar - as misturas carburizantes d e v e m ser e m p r e g a d a s secas, pois a u m i d a d e pode provocar
a u m a precipitação indesejável de carbonetos. Q u a n d o a quantidade d e carbonetos precipi- descarbonetação.
tado é apreciável, forma-se u m rendilhado q u e p o d e causar fissuras d e retificação, quebra
d e cantos, etc. A forma d e precipitação d o s carbonetos é g r a n d e m e n t e influenciada pela Devido a s desvantagens do processo d e cementação e m caixa, principalmente no q u e se
velocidade de resfriamento após a c e m e n t a ç ã o . refere à dificuldade d e obter-se u m a c a m a d a superficial endurecida de grande precisão,
Deve-se t a m b é m procurar u m a gradação uniforme do carbono d a superfície para o cen- essa técnica n ã o é m a i s usada q u a n d o s e exige total controle d e qualidade do material.
tro, c o m o já foi m e n c i o n a d o , o que se c o n s e g u e pelo controle da mistura: diminui-se o teor N e s s e caso, recorre-se aos outros processos de c e m e n t a ç ã o .
superficial de carbono, reduzindo-se a quantidade d o ativador e vice-versa. Por outro lado, por ser u m processo simples, que não exige equipamento sofisticado, a
N a cementação sólida, pode-se atingir profundidade de c e m e n t a ç ã o até 2 m m ou mais. cementação e m caixa continua s e n d o u m a técnica utilizada e m p e q u e n a s instalações indus-
Devido às dificuldades d e controle, não se d e v e procurar cementar abaixo de 0,635 m m triais e oficinas, o n d e eventualmente a c e m e n t a ç ã o deve ser aplicada e m peças, ferramen-
(0,025"). D e fato, m e s m o c o m a melhor técnica d e cementação e m caixa e a temperaturas tas e utensílios diversos.
d a o r d e m de 925°C, é difícil obter u m a espessura d e casca q u e apresente u m a variação total
d e m e n o s do q u e 0,25 m m do m á x i m o ao m í n i m o . - 2.4-2. Cementação a gás - Neste processo, a substância carbonácea é u m a atmosfera
D e qualquer m o d o , a c e m e n t a ç ã o sólida é u m processo q u e contínua s e n d o usado, prin- i
IV; " gasosa. A s coossd&ações iniciais a s e r e m feitas a respeito deste processo são as seguintes:
cipalmente devido a o s aperfeiçoamentos q u e nele t ê m sido introduzidos. Entre as principais
vantagens desse m é t o d o p o d e m ser citadas as seguintes 165 ' (6S| : - a mistura carburizante fica b e m definida e perfeitamente estável, durante toda a fase
ativa da c e m e n t a ç ã o , a o contrário do q u e ocorre na c e m e n t a ç ã o sólida, e m q u e a mistura
- p o d e utilizar u m a maior variedade de f o m o s , pois não exige o u s o d e u m a atmosfera carburizante perde e m eficiência, à m e d i d a q u e a operação se prolonga, diminuindo pois, a
preparada; ação carbonetante;
- é eficiente e e c o n ó m i c o para o processamento d e pequenos lotes ou para peças d e - constitui u m processo mais limpo q u e a cementação sólida, pois elimina os p ó s , a s
grandes dimensões; caixas p e s a d a s e custosas, etc;
- exige m e n o r experiência do operador; - permite m e l h o r controle do teor d e carbono e da espessura d a c a m a d a cementada;

136 137.
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

- é mais rápida e oferece possibilidade d e u m a só têmpera direta, a p ó s a cementação, 1 1 1


evitando-se o contato c o m o ar, prescindindo-se, e m consequência d a s operações de limpe- PROCESSO M ETANOL-ACETAT OOEETIL /S 17h 45mín

z a posteriores a o tratamento. PROCESSO Gi \ ENDOTEHMIC -4—


0 / s * 95min
S % da economia
Por outro lado, a c e m e n t a ç ã o gasosa oferece as seguintes desvantagens e m relação à
c e m e n t a ç ã o e m caixa: '/ 10h 3amín
- as reações d e carbonetação são muito m a i s complexas e a l g u m a s p o d e m ser prejudiciais; * ~4—
73 min
- a instalação é muito onerosa, exigindo t a m b é m aparelhagem c o m p l e x a de controle e de 12% de economia
segurança, o q u e ocasiona a necessidade d e pessoal mais habilitado;
- o controle n ã o é s o m e n t e d a s t e m p e r a t u r a s , c o m o é praticamente o caso da
c e m e n t a ç ã o sólida, m a i s igualmente d a constância d a mistura carburizante gasosa, sobretu- / 5h 1Sm[n
• 4-
d o do potencial d e carbono. 50min
16% de economia
O mecanismo da cementação gasosa é o seguinte: sendo o s g a s e s carburizantes, além
d o óxido de carbono C O , gases derivados d e hidrocarbonetos, c o m o g á s natural, propana, '/ 1h50min
etana, metana, etc; a s reações fundamentais q u e se verificam n o processo são'67':
> A—
30 min
2 C O *? (C) + C 0 2 27% dB economia

C O + H 2 * 5 (C) + H 2 0
C H 4 * (C) + 2 H 2 V 4 A9 .' 16 •J2S

(metana) T E M P O DE CEMENTAÇÃO, '/IT


C 2 H 6 tf ( C ) + x C H 4 + y H 2
(etana) Fig. 86 - Diminuição do ciclo de cementação pelo processo metanol-acetato de etila.
C3H„ X ( C ) + x C 2 H 3 + y C H 4 + zH2
(propana) T A B E L A 16
Composição de banhos de sal para cementação líquida
o n d e (C) é o carbono q u e se dissolverá n a austenita, difundindo-se para o interior do aço. Composição do Banho, %
G o m o se v ê , o s elementos de b a s e d e u m a atmosfera g a s o s a carburizante são o C a m a d a de Pequena C a m a d a de Grande
monóxido d e carbono, hidrocarbonetos e hidrogénio. ,. Constituinte Espessura Espessura
D o s derivados d e hidrocarbonetos, a propana é o mais e m p r e g a d o ; por dissociação, à Baixa Temperatura Aita Temperatura
(840° A 900°) (900° a 955°C)
temperatura de c e m e n t a ç ã o , transforma-se n a mistura gasosa, conforme está indicado acima.

P
Cianeto de sódio 10a23 6a16
O monóxido d e carbono e os hidrocarbonetos d e c o m p õ e m - s e q u a s e q u e completamente,
Cloreto de bário 0a40 30 a 55
e m carbono e hidrogénio, c o m o indicam as reações acima. Essa d e c o m p o s i ç ã o pode provo-
Outros sais alcalinos de metais terrosos 0a10 0a10
car o depósito d e carbono livre, e c o n s e q u e n t e m e n t e o aparecimento d e pontos mais moles
•'. Cloreto de potássio 0a25 0a20
na superfície d o a ç o . Por essa razão, procura-se diluir os hidrocarbonetos e m gases do tipo Cloreto de sódio 20 a 40 0a20
d o hidrogénio q u e estabilizam o processo d e carbonetação, visto q u e o hidrogénio, apesar de ' Carbonata de sódio 30 max. 30 max.
s u a ação predominantemente descarbonetante, favorece a carbonetação pela formação e Aceleradores outros que compostos
regeneração d o m o n ó x i d o d e carbono. A s s i m , n a cementação g a s o s a , o hidrogénio constitui de metais alcalinos terrosos' 0a5 0a2
u m a verdadeira fonte d e C O e age c o m o acelerador do processo. i Cianato de sódio 1,0 max. 0,5 max.
A função dos g a s e s diluidores - nitrogénio e hidrogénio - é evitar igualmente u m a atmos- Tl Dentre esses aceleradores, incluem-se dióxido de manganês, óxido de boro, fluoreto de sódio e
fera excessivamente concentrada adjacente às entradas de gás, garantir movimento rápido :arf}oneto de silício.
d o gás no interior d o forno e, principalmente, garantir no interior deste u m volume de gás
suficiente para manter u m a pressão positiva e m todos os pontos e, a o m e s m o tempo, evitar ros décimos d e espessura, além de ser especialmente vantajosa até 0,3 m m de espessura,
a necessidade d e adicionar quantidades excessivas de hidrocarboneto. : da c a m a d a carbo-nitretada;
A l é m das vantagens já mencionadas n o início d a exposição sobre este processo, outras - possibilitando a têmpera direta, s e m reaquecimento a p ó s a cementação, evita a u m e n t o
vantagens da c e m e n t a ç ã o gasosa sobre a c e m e n t a ç ã o sólida são: excessivo d o grão.

- o gás é protetor, devido à impossibilidade d e oxidação; A l g u m a s variações do m é t o d o clássico d e c e m e n t a ç ã o estão sendo utilizadas. Entre
- permite mais facilmente a c e m e n t a ç ã o d e peças delicadas; .elas, pode-se mencionar o processo "metanol-acetato de etila", conhecido c o m o n o m e
- apresenta maior velocidade de penetração d o carbono; CARBOMAAG'6"1.

i
- a c a m a d a c e m e n t a d a apresenta u m a espessura e teor de carbono mais uniformes; Neste processo, o metanol é utilizado c o m o o elemento "condutor" ou "veículo" e o
- as d e f o r m a ç õ e s n o material s o b c e m e n t a ç ã o s ã o r e d u z i d a s , eliminando-se acetato de etila ou acetona, na forma líquida, c o m o elementos carbonitretantes, substitu-
frequentemente a operação de retificação; fe- indo a atmosfera endotérmica carbonetante tradicional, c o m consequente e c o n o m i a d e
- possibilita a "carbo-nitretação", o n d e a s velocidades são muito grandes para os primei- •gás natural.

138 139
TRATAMENTOS TERÍAQ-QLUMICOS
Aços E FERROS FUNDIDOS

O s dois líquidos s ã o introduzidos no forno separadamente, m a s a o m e s m o t e m p o , o': Esta reação é reversível.


metanol desintegra-se, formando g á s e limpa o forno, propiciando, a l é m disso, a formação : Í | M S f p : N ã presença d o ferro, tem-se:
d e pressão positiva, durante o ciclo de carbonetação. O acetona o u acetato de etila desinte-;
gra-se e produz o g á s necessário para assegurar o potencial d e c a r b o n o . í Ba(CN)2 + 3Fe• - B a C N 2 + F e 3 C
O processo, c o m adição de amónia, p o d e substituir a carbonitetração. cianeto cianamida
d e bário de bário
A l é m de substituir o g á s endotérmico convencional, outra d a s vantagens do processo"
consiste na diminuição d o ciclo de c e m e n t a ç ã o , conforme está d e m o n s t r a d o na figura 86. \
Esta figura refere-se a o comportamento, n a c e m e n t a ç ã o g a s o s a , pelos dois processos, \ ^W$Ír' D e fato, a a ç ã o carburizante é devida principalmente a o cianeto d e sódio N a C N ativado
aos quais foi submetido u m aço c o m 0 , 1 5 % C , 3 , 5 % Ni e 0 , 7 5 % Cr. A c e m e n t a ç ã o foi efetu- ) i$^i>calal!zado pela presença de sais alcalinos terrosos, c o m o d e bário, cálcio o u estrôncio:
a d a à temperatura d e 930°C e o potencial d e carbono foi d e 1 , 1 5 % C . j
O gráfico da figura permite verificar q u e , n a temperatura m e n c i o n a d a para, por exemplo, i f | | f ! { 2 N a C N + B a C I 2 -> B a ( C N ) 2 + 2 N a C I .
0,51 m m de espessura d a c a m a d a c e m e n t a d a , h o u v e u m a redução d e t e m p o no processo
"metanol-acetato d e etila", e m relação a o processo "gás endotérmico" d e 3 0 min. ou 2 7 % ; , A s principais vantagens d a c e m e n t a ç ã o líquida sao as seguintes*701:
para u m a espessura d e 2,0 m m , a e c o n o m i a d o t e m p o foi de 9 5 minutos, ou 9 % . \
K'ir- rapidez d e operação, permitindo a obtenção de apreciáveis profundidades d e penetra-
í p ^ ã o , . e m t e m p o relativamente curto;
2.4.3. Cementação líquida - É realizada m a n t e n d o o aço à temperatura acima de A c , n u m banho
de sal fundido, c o m composição adequada para promover o enriquecimento superficial de carbono. ^â':-- supressão d o t e m p o gasto para pré-aquecimento d a s p e ç a s , as quais entram direta-
O s banhos carburizantes líquidos apresentam as composições indicadas n a Tabela 1 e'69'. J S M I n e n t e e m contato c o m a m a s s a líquida, à temperatura desta, n ã o necessitando m a i s d o q u e
C o m o se v ê pela análise da Tabela, consideram-se geralmente dois tipos d e b a n h o s para i ^ 3 S | o u o o s minutos para atingir a temperatura d o banho;
c e m e n t a ç ã o líquida: aqueles para c a m a d a s d e p e q u e n a profundidade e aqueles para c a m a - . proteção efetiva contra oxidação e descarbonetação;
das de grande profundidade. H á u m a superposição de composição d o b a n h o para os dois i •"' - - facilidade d e colocar as peças n o interior do b a n h o , s u s p e n s a s por g a n c h o s o u e m
tipos de c a m a d a s . E m geral, u m tipo de b a n h o se distingue do outro m a i s pela temperatura ^ í l í ^ S p e s t a s especiais;
d e operação do q u e pela composição, d e m o d o q u e as expressões "baixa temperatura" e -í'Ç-,V.Í V " - supressão d a limpeza posterior, salvo no caso da têmpera e m óleo; no caso da t ê m p e r a
"alta temperatura" s ã o preferidas. * r t si ' direta, não h á qualquer vestígio d e casca d e óxido;
S r e ^ ^ ^ r - maior controle d a profundidade d e penetração;
O s banhos de baixa temperatura são c o m u m e n t e operados entre a s temperaturas de
840° a 900°C, e m b o r a para certos efeitos específicos, essa faixa d e temperatura seja, algu-J a B y i j p l K i possibilidade d e operação contínua, pela colocação ou retirada das peças, enquanto
m a s vezes, estendida d e 790° a 915°C. C o m o s b a n h o s para operação e m baixa temperatu- doutras estão e m tratamento;
ra, a espessura d a s c a m a d a s cementadas varia d e 0,08 a 0,8 m m < 6 9 ) . ' l á s é ^ S * - menor possibilidade de e m p e n a m e n t o ;
O mecanismo da cementação c o m os b a n h o s d e baixa temperatura é complexo, devido «^«ííMÚv- - maior facilidade de produzir-se c e m e n t a ç ã o localizada.
a o n ú m e r o de produtos finais e intermediários q u e se f o r m a m , entre o s quais, h á os seguin-
tes'69': carbonatos alcalinos ( N a 2 C 0 3 ou K 2 C 0 3 ) , nitrogénio, m o n ó x i d o d e carbono, hidróxido '3Èâ%Êlí$*~ A l g u m a s d a s considerações d e o r d e m geral q u e p o d e r i a m ser feitas a respeito d e
' á ^ ^ ^ ; c e m e n t a ç ã o líquida são as seguintes:
d e carbono, cianamidas ( N a 2 C N 2 ou B a C N 2 ) e cianeto ( N a N C O ) .
A l g u m a s d a s reações s ã o as seguintes:
- os b a n h o s líquidos d e c e m e n t a ç ã o d e v e m ter u m a cobertura, a qual p o d e ser obtida pela
.{adição de grafita d e baixo teor e m sílica n o b a n h o fundido;
2NaCN Na2CN2 + C
2 N a C N + 0 2 ±* 2 N a N C O - as peças d e v e m ser introduzidas limpas e secas;
v- - os fornos exigem exaustão, visto q u e cianetos, a aftas temperaturas, são v e n e n o s o s ;
ou
j ; - - - do m e s m o m o d o e pelos m e s m o s motivos, deve-se evitar contato d e sais d e cianeto c o m
M a C N + C 0 2 ±s N a N C O + C O
Í^USEácidos, visto desprender-se ácido cianídrico;
A primeira e a terceira reação são, pelo m e n o s parcialmente reversíveis. A s reações q u e SJpêfPSi 1 ' - deve-se evitar, a p ó s a c e m e n t a ç ã o líquida, resfriamento a o ar, porque a película d e sal
p r o d u z e m seja C O o u C s ã o benéficas para obtenção da desejada c a m a d a c e m e n t a d a , 5|§fefK||tíiderente à s p e ç a s n ã o a s protege suficientemente, p o d e n d o ocorrer o x i d a ç ã o o u
c o m o por exemplo: 'fp&|0ftçjescarbonetação;
? f c K p ¥ 3 - "d e Preferência, deve-se empregar, c o m o meio de resfriamento, salmoura c o m 1 0 % a
3 F e + 2 C O _» F e 3 C + C 0 2 sfe'. ; Í<gi15% de cloreto d e sódio, ou, no caso d e óleos, utilizar óleos minerais puros ou óleo especial
e S-^i^í^fjara têmpera;
3 F e + C -» F e 3 C - o resfriamento e m á g u a provoca o desprendimento fàcii e completo d e qualquer sai
.;|p||p|jàderente, facilitando a lavagem posterior; n o caso d e rssíriaxnênin e m Sso, c o n v é m , a p ó s o
O s banhos de alta temperatura, operados a temperatura entre 9 0 0 " e 955°C, p r o m o v e m \rno, lavar a s p e ç a s e m á g u a quente;
c a m a d a s c e m e n t a d a s d e maior profundidade - entre 0,5 e 3,0 m m . O p e r a ç ã o e m tempera- W$ísfi<p- - no caso d e aços-liga, recomenda-se têmpera e m b a n h o d e sal quente a m a i s o u m e n o s
turas acima d e 950°C, entre 980° e 1035°C, resulta e m rápida penetração d e carbono, p o r é m -180°c-
a deterioraçãp do b a n h o , assim c o m o do equipamento, é g r a n d e m e n t e acelerada. gfâfeíS?'- Neste caso, entretanto, geralmente é necessário efetuar u m novo reaquecimento para
A principal reação, n a operação c o m b a n h o s d e alta temperatura é a seguinte*69': S S I $ n o v a têmpera, a qual, para prevenir a formação de austenita residual, deve ser levada a
| K r g | ê f e i t o a u m a temperatura mais baixa, d a o r d e m de 800°C.
Ba(CN)2 BaCN2 + C T t e S l R '-a profundidade d e cementação q u e p o d e ser obtida c o m b a n h o s d e sal varia c o m s u a

141
140
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

composição, c o m o t e m p o d e operação e c o m a temperatura d o b a n h o , podendo-se atingir, ? > v - P g 7 Tratamentos térmicos da cementação - O s aços depois d e submetidas à
e m 3 a 4 horas, cerca d e 1,5 m m . D e u m m o d o geral, os t e m p o s necessários são mais curtos _l & : cementação d e v e m ser temperados. Nesta operação, deve-se levar e m conta dois fatores
q u e nos outros processos d e c e m e n t a ç ã o . ''^t-r;-; '- •:• importantes:
- e m tempos mais curtos, 1 a 2 horas, obtém-se, c o m relativa facilidade, profundidade de £Jfpifi
.cementação de cerca d e 0,5 m m , apresentando u m teor de carbono d e 0 , 7 0 % a 1,00%, c o m apro- fi0S ^' . a o p e r a ç ã o d e -cementação muito prolongada desenvolve u m a granulação muito
ximadamente 0,2% d e nitrogénio, este último concentrado principalmente n a superfície do aço. grosseira;
. o aço c e m e n t a d o apresenta d u a s secções distintas: u m a superfície d e alto carbono,
2.5. Cementação sob vácudn) - N e s s e processo, as peças s ã o aquecidas à temperatura ' S p t e ^ acima d a c o m p o s i ç ã o eutetóide g e r a l m e n t e , c o m e x c e l e n t e s características d e
dentro da faixa d e 8 4 5 ° a 1040°C, n u m a c â m a r a o n d e se produz v á c u o , s e n d o submetidas à ;:
jemperabilida.de; e u m núcleo d e baixo carbono. Entre a s d u a s h á u m a z o n a d e transição
ação de gás d e hidrooarbono e, e m seguida, resfriadas e m óleo o u á g u a . "\ - S gradual. N a realidade, pois, o aço apresenta d u a s temperaturas criticas distintas.
O processo c o m p r e e n d e quatro etapas: •
ft- A figura 8 7 adaptada do "Metals Handbook"! 7 2 1 esquematiza o s vários tratamentos térmi-
• estágio de aquecimento e permanência à temperatura de cementação, c o m o q u e se • ; c c s a que os a ç o s c o m e n t a d o s p o d e m ser submetidos:
garante q u e a temperatura fique uniformizada através de toda a s e c ç ã o d o aço; -fr O s referidos tratamentos p o d e m ser resumidos da seguinte maneira:
• estágio de aumento do teor de carbono da austenita. Nesta etapa, a c â m a r a d e vácuo
é preenchida, s o b pressão parcial, c o m m e t a n a o u propana o u u m a mistura de gases de - Têmpera direta (E e F) - S o m e n t e é r e c o m e n d a d a para a ç o s d e granulação fina o u n o
hidrocarbonetos. A transferência do carbono ocorre pela dissociação d o hidrocarboneto ga- ;3çaso já peças c e m e n t a d a s e m b a n h o s d e sal, visto que o t e m p o d e permanência à tempera-
soso sobre a superfície d o aço, ocorrendo absorção direta d o c a r b o n o pela austenita e íSfiira-de c e m e n t a ç ã o foi mais curto, n ã o d a n d o oportunidade d e crescimento exagerado d o
liberação d o hidrogénio, s e g u n d o as seguintes reações: grão. Favorece a retenção da austenita (tratamento E) d a c a m a d a cementada, a qual p o d e ,
sentretanto, ser reduzida, por têmpera posterior logo acima d a z o n a crítica (tratamento F).
CHt + F e -»Fe(C) + 2 H 2 o u
(metana)
C 3 H a + 3 F e -> 3Fe(C) + 4 H 2
(propana)

É necessária u m a pressão parcial m í n i m a d o gás, para garantir rápida carbonetação da


austenita.

• estágio de difusão, em que ocorre a difusão gradual d o carbono e m direção a o núcleo


do aço, d e m o d o a ter-se u m a transição m a i s gradual superfície/núcleo; este estágio é rea-
lizado c o m vácuo correspondente a 0,5 a 1,0 torr (67 a 135 k P a ) , à m e s m a temperatura d a
cementação;
• estágio de resfriamento em óleo; esse resfriamento é direto, q u a n d o n ã o há necessida-
de de u m a etapa d e reaquecimento e n ã o s e exige operação adicional d e usinagem. S e a
cementação for realizada a u m a temperatura mais elevada q u e a n o r m a l m e n t e empregada,
c o m as atmosferas convencionais de-cementação, é conveniente resfriar a u m a temperatura
mais baixa, estabilizar o aço a essa temperatura antes da têmpera. O reaquecimento consis- i' Fig. 87 - Representação esquemática dos vários tratamentos de têmpera para os aços cementados.
te geralmente e m levar a temperatura entre 790° e 845°C, seguido d e resfriamento e m óleo.
- Têmpera simples (A, B e C) - Consiste e m têmpera, depois das peças cementadas terem
O processo d e c e m e n t a ç ã o a vácuo, s e b e m especificado e controlado, oferece u m a ^resfriado ao ar. O tratamento A aplica-se a aços de granulação fina, não refinando o núcleo. O
excelente uniformidade e precisão n a o p e r a ç ã o , tornando-o muito conveniente n a ^tratamento B permite refino parcial do núcleo, tomando-o mais resistente e tenaz. O tratamento C
cementação de a ç o s c o m alto teor d e elementos d e liga, assim c o m o d o s aços c o m teor ftéfina completamente o núcleo, m a s favorece o crescimento do grão d a c a m a d a cementada e
m o d e r a d o d e elementos de.liga. yjfãvarece igualmente a retenção da austenita e m aços de alto teor e m liga, o que pode reduzir
^ligeiramente a dureza da c a m a d a cementada. Por outro lado, favorece a dissolução de carbonetos.'
2.6. Cementação a ionplasmá7'1'1 - Este é basicamente u m processo d e cementação à - Têmpera dupla (D e F) - A p ó s a primeira têmpera, realizada d a temperatura d e
vácuo, e m q u e se utiliza a tecnologia de descarga incandescente q u e introduz íons contendo austenitização d o núcleo, para refiná-lo tempera-se novamente d e u m a temperatura logo aci-
carbono n a superfície d o aço, d e m o d o a ocorrer, e m seguida, difusão d o carbono e m dire- -- m a da temperatura critica da periferia. Promove-se não s ó o s e u refino c o m o Feduz-se a o
ção ao núcleo. O processo aumenta a velocidade d e carbonetação, além d e permitir a utili- mínimo a retenção d a austenita, evitando-se entre outros inconvenientes, pontos m o l e s n a
zação de temperaturas mais elevadas, visto q u e o processo é realizado e m vácuo isento d e • camada c e m e n t a d a . Alia-se, assim, à grande dureza da c a m a d a cementada, u m núcleo muito
oxigénio. C o m a velocidade maior de carbonetação, consegue-se, por exemplo, a u m a tem- tenaz. Indicado tanto para aços d e granulação grosseira (tratamento D ) c o m o de granulação
peratura d e 1050°C, u m a espessura c e m e n t a d a superficial d e 1 m m e m a p e n a s 10 minutos, .fina (tratamento F).
a partir d o plasma d a m e t a n a . A operação é realizada n u m forno especial, utilizando-se gás
m e t a n a ou propana para a fonte de carbono, a pressão subatmosférica. N ã o há, portanto, N ã o se faz geralmente o revenido n o s aços cementados. S e , entretanto, o m e s m o for
necessidade d e equipamento para gerar atmosfera, o que reduz o custo d a operação. Jiecessário para aliviar as tensões residuais d a têmpera o u a u m e n t a r a resistência à
Aços £ FERROS FUNDIDOS

fissuração durante a ratificação posterior d a s p e ç a s c e m e n t a d a s , faz-se o revenido a baixa


temperatura, geralmente entre 160°C e 200°C.

a Nitretação - A nitretação é u m tratamento d e endurecimento superficial e m q u e se


introduz superficialmente n o aço, até u m a certa profundidade, nitrogénio, s o b a ação d e u m
ambiente nitrogenoso, a u m a temperatura determinada.
A nitretação é realizada c o m os seguintes objefrvos:

- obtenção d e elevada dureza superficial;


- aumento d a resistência ao desgaste e d a resistência à escoriação;
- aumento da resistência à fadiga;
- melhora da resistência à corrosão;
- melhora da resistência superficial a o calor, até temperaturas correspondentes às de
nitretação.

Alguns dos característicos do processo são:

- temperatura d e tratamento inferior à crítica - compreendida n a faixa d e 500° a 575°C;


- e m consequência, as peças são m e n o s suscetíveis a e m p e n a m e n t o ou distorção;
- não há necessidade d e qualquer tratamento térmico posterior à nitretação, o q u e t a m b é m
contribui para reduzir a o mínimo as probabilidades d e e m p e n a m e n t o o u distorção das peças.

A razão fundamental d o aumento da resistência à fadiga dos a ç o s nitretados deve-se ao


fato de q u e o processo introduz tensões residuais d e compressão n a superfície do aço, além
d a c a m a d a nitretada possuir elevada resistência mecânica.
A figura 88 1 7 3 1 mostra o efeito da nitretação líquida na resistência à fadiga de u m aço
normal DIN 14, ao C r M o V , contendo 0,14C, í,5Cr, 0,90Mo e 0.25V.
A s curvas A e C referem-se ao aço t e m p e r a d o e revenido e n ã o nitretado; as curvas B e D
referem-se ao aço nitretado. O s corpos d e prova A e B extraídos d e s s e aço e que d e r a m
origem aos ensaios n ã o apresentam entalhe; o s corpos de prova C e D apresentaram enta-
lhe. Esse fato c o m p r o v a ainda que a nitretação supera o efeito prejudicial d o entalhe.
A nitretação p o d e ser realizada através d e três processos: a nitretação a gás, a nitretação
líquida ou e m b a n h o d e sal e ionitretação.

3.1. Nitretação a gás - É este o processo clássico, consistindo e m s u b m e t e r as peças a


s e r e m nitretadas à a ç ã o d e u m meio g a s o s o contendo nitrogénio, geralmente amónia, à
temperatura determinada. N e s s e processo, a difusão de nitrogénio é muito lenta, de m o d o
q u e a operação é muito d e m o r a d a , durando à s v e z e s cerca de 9 0 horas. Geralmente o t e m p o
varia de 48 a 7 2 horas. M e s m o c o m os t e m p o s m a i s longos, a espessura d a c a m a d a nitretada
é inferior à da c a m a d a c e m e n t a d a , dificilmente ultrapassando 0,8 m m , c o m o pode ser visto
pela curva da figura 89p4K
A dureza superficial obtida é da o r d e m d e 1.000 a 1.100 Vickers ( c o m 10kg de carga),
muito superior à obtida n a cementação. A profundidade da c a m a d a e a c h a m a d a " c a m a d a
branca 1 ' d e p e n d e m d a velocidade d e dissociação d a amónia (que por s u a v e z d e p e n d e da
velocidade do fluxo d e amónia) e da temperatura d o forno, além d e t e m p o , c o m o se viu.
A amónia, no processo, d e c o m p õ e - s e parcialmente e m nitrogénio d e acordo c o m a se-
guinte reação:

2NH3->2N + 3H2

O nitrogénio afjvo produzido combina-se parcialmente c o m o s elementos de liga do aço


formando nitretos c o m p l e x o s de elevada dureza.
O processo clássico d e nitretação apresenta, entretanto, alguns inconvenientes, entre os
quais o mais importante é o crescimento d o material q u e ele produz; e s s e crescimento, q u e

144
.ACOSE FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

d e p e n d e principalmente d o t e m p o - o qual constitui u m dos outros inconvenientes - e da 3.2. Nitretação líquida ou em banho de sal - Trata-se de u m processo de nitretação d e
temperatura, é constante s o b as m e s m a s condições. Assim s e n d o , depois d e determinado desenvolvimento relativamente recente, q u e .permite, e m t e m p o muito mais curto q u e a
para u m a dada peça d e u m aço de composição conhecida, pode ser descontado convenien- nitretação convencional ou clássica, obter superfícies muito resistentes a o desgaste, s e m ten-
temente na usinagem prévia d a peça ou p o d e ser removido pela retificação do material dência ao engripamento, de alto limite d e fadiga e elevada resistência à corrosão atmosférica.
depois de nitretado. Além disso, a o contrário da nitretação a gás q u e exige aços especiais para a obtenção d e
C o m o se verá e m outro capítulo, os a ç o s para nitretação a gás s ã o aços-liga, contendo melhores resultados, a nitretação líquida p o d e ser realizada e m aços c o m u n s , d e baixo
alumínio, cromo, vanádio e molibdênio, porque tais elementos f o r m a m nitretos que p e r m a - carbono, c o m o por exemplo S A E 1 0 1 5 n .
n e c e m estáveis às temperaturas de nitretação, a l é m d e exercerem outras influências b e n é - A faixa d e temperatura é aproximadamente a m e s m a q u e é utilizada na nitretação a g á s ,
ficas, c o m o oportunamente será estudado. ou seja entre 5 0 0 ° a 575°C. C o m o n a c e m e n t a ç ã o e m banho d e sal e na cianetação - a ser
Esse aços d e v e m , antes da nitretação, ser submetidos a u m tratamento térmico de têm- estudada mais adiante - o meio líquido é cianeto fundido. P o r é m , a o contrário desses dois
pera e revenido. A temperatura de revenido é muito importante: ela d e v e ser o suficientemen- processos, a nitretação líquida, além d e ser realizada a temperaturas b e m inferiores, adicio-
te elevada para garantir estabilidade estrutural à temperatura d e nitretação. A temperatura na à superfície d o aço mais nitrogénio e m e n o s carbono.
d e revenido m í n i m a é geralmente pelo m e n o s 30°C superior à temperatura m á x i m a utilizada D e u m m o d o geral, as aplicações d e nitretação a gás e de nitretação líquida são semelhantes.
n a nitretação*751. Pode-se preferir a nitretação a gás, q u a n d o se deseja c a m a d a s nitretadas mais profundas*761.
C o m o as peças d e aço a serem nitretadas d e v e m t a m b é m sofrer u m a usinagem prévia, U m banho comercial típico para nitretação líquida é constituído d e u m a mistura de sais d e
pode-se resumir o s diversos tratamentos - térmicos e de u s i n a g e m d a s peças a serem sódio e potássio, o s primeiros de 60 a 7 0 % e m peso da mistura total e os segundos de 3 0 a 4 0 % .
nitretadas - da seguinte maneira: O sais d e sódio consistem de*76':
- 96,5% N a C N
- antes da nitretação, o aço é temperado e revenido (entre 600°C e 700°C), de m o d o a - 2,5% Na2C03
produzir estrutura sorbítica; - 0,5% NaCNO
- e m seguida procede-se à usinagem inicial, q u e p o d e consistir n u m a r e m o ç ã o de mate- O s sais d e potássio consistem de:
rial d e 0,8 a 1,0 m m d e espessura; -96,0% K C N
- e m peças de forma delicada, procede-se a n o v o revenido (500°C a 600°C), para elimi- - 0,6% K2C03
nar as tensões de u s i n a g e m e outros tipos d e tensões; - 0,75% K C N O
- e m seguida procede-se à usinagem para conferir às peças suas d i m e n s õ e s definitivas, - 0,5% KCI
c o m remoção de material d a o r d e m de 0,03 a 0,05 m m ;
- as peças estão agora e m condições d e s e r e m nitretadas; U m outro b a n h o - utilizado na nitretação d e aços para ferramentas - apresenta a seguinte
- finalmente, a p ó s a nitretação, procede-se à retificação final, d e m o d o a conferir as di- composição*76':
m e n s õ e s definitivas, dentro das tolerâncias especificadas, e ao polimento, se desejado.
NaCN 30,0% m á x .
A nitretação a gás p o d e ser realizada e m "estágio simples" ou "estágio duplo" (7S) . N o está- Na2C03ou K2C03 25,0% m á x .
gio simples, a faixa d e temperaturas é de 4 9 5 ° a 525°C e a proporção d e dissociação d e Outros ingredientes ativos 4,0% m á x .
a m ó n i a varia de 15 a 3 0 % . E s s e processo produz u m a c a m a d a superficial rica e m nitrogénio Umidade 2,0% m á x .
e frágil, conhecida c o m o " c a m a d a nitretada branca". KCI restante
N o estágio duplo obtém-se u m a redução d a espessura da c a m a d a nitretada branca. N e s -
te processo, a temperatura p o d e ser a m e s m a d o primeiro estágio ou p o d e ser elevada até A relação entre cianeto e cianato é crítica, sendo o cianato o principal responsável pela
565°C e a proporção d e dissociação d e a m ó n i a é a u m e n t a d a para 6 5 a 8 5 % (preferivelmente ação de nitretação. D e fato, este cianato - às temperaturas d e nitretação - d e c o m p õ e - s e ,
80 a 8 5 % ) . liberando carbono e nitrogénio, os quais, c o m o se sabe, se caracterizam por difundir-se n o
N a prática não h á v a n t a g e m de utilizar-se o s e g u n d o estágio, a n ã o ser pela redução do ferro. Entretanto, às temperaturas d o tratamento, s o m e n t e o nitrogénio é mais ativo n e s s a
c o n s u m o de a m ó n i a por hora, ou a não ser q u e a quantidade de c a m a d a branca superficial ação de difusão, resultando nitretos e m maior quantidade d o q u e carbonetos. D e qualquer
seja inconveniente ou ainda a não ser q u e a quantidade de a c a b a m e n t o necessário após a m o d o , os nitretos e carbonetos - e m princípio o F e N e o F e 3 C - f o r m a m u m a faixa ou c a m a d a
nitretação seja muito reduzida. branca h o m o g é n e a c h a m a d a "zona d e compostos" q u e p o d e atingir u m a espessura d e
U m exemplo prático d e ciclo necessário para nitretar a gás à profundidade de 0,2 m m de 0,005 a 0,015 m m , conforme o t e m p o d e operação q u e , por s u a v e z varia d e 6 0 a 1 8 0
engrenagens de coroa (peso d e cada peça 5,3 K g ) , e m forno elétrico convencional intermi- minutos geralmente (figs. 90 e 91J*77)*78'.
tente tipo sino é apresentado a seguir175': Essa faixa, ainda q u e não apresente dureza muito elevada, é d e alta resistência a o d e s -
gaste, além d e caracterizar-se por grande resistência ao engripamento, propriedade q u e a
- - purgar c o m a m ó n i a 1,5h c a m a d a nitretada c o m u m obtida no processo clássico não possui. Outro seu característico é
- aquecer a 525°C 3,0h apreciável resistência à corrosão.
- nitretar a 525°C ( 4 0 % d e dissociação) 32,0h O nitrogénio, além de formar nitreto d e ferro, difunde-se para o interior do aço, c o m o já se
- purgar c o m a m ó n i a e resfriar 2,0h mencionou, f o r m a n d o u m a s e g u n d a faixa, c h a m a d a "zona d e difusão" (fig. 90). O efeito d o
- purgar c o m ar e resfriar continuamente 1,5h nitrogénio n e s s a z o n a de difusão d e p e n d e do tipo de aço; n o s aços c o m u n s , f o r m a m - s e
Total 40,0h segregações aciculares de F e 4 N , q u e entretanto, não influem n a dureza. S e , por outro lado,

n A nitretação líquida é também conhecida com o nome de "nitretação tenaz". C)A nitretação líquida é conhecida também com o nome de "nitretação tenaz".

146 147
Aços E FERROS FUNDIDOS
TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

o aço contém elementos d e liga, c o m o c r o m o , alumínio, tungsténio, vanádio, etc, capazes


A s figuras 9 2 , 9 3 e 94 ( 7 7 ) ( 7 8 ) permitem verificaras propriedades d e resistência a o desgaste
d e formar nitretos especiais, a dureza a u m e n t a consideravelmente, devido à precipitação de
resistência à fadiga de aço d e baixo carbono submetido à "nitretação e m banho d e sal".
partículas muito finas d e nitretos. O efeito m a i s importante, entretanto, d e s s a faixa d e difu-
• o característico d e alta resistência à fadiga t o m a os a ç o s nitretados pelo processo d e
s ã o d e nitrogénio é o a u m e n t o apreciável d a resistência à fadiga, aparentemente porque os
"nitretação e m banho- de sal" d e grande e m p r e g o na indústria automobilística, e m p e ç a s
nitretos formados bloqueiam, por assim dizer, qualquer deformação d o s cristais de ferro,
c o m o braços d e direções, virabrequins, anéis, pinhões, e n g r e n a g e n s , etc.
elevando os valores d o limite d e e s c o a m e n t o e, portanto, do limite d e fadiga d o material.
E m resumo, a "nitretação e m b a n h o d e sal" caracteriza-se pelos seguintes pontos básicos:
- utilização d e u m banho de sal constituído essencialmente d e cianeto e cianato d e potás-
sio ou sódio;
% 5m i - a temperatura d e tratamento varia d e 500°C a 560°C;
c - o t e m p o normal d e operação é d e d u a s horas;
N cornpoilds*' "
•n 2 OiHsrxrs?:;-
n
\av~ : -r- • sor.-:: :

<4f

1 "H

•y.
Zona de 0 1 a 3 . 4 5
difusão Duração do desgaste e m hs.

Distancia da superfície externa Fig. 92 - Resultados comparativos obtidos e m ensaios de desgaste aos quais foram submetidos corpos
de prova de aço e m banho de sal durante 90 minutos.

Fig. 90 - Penetração do carbono e do nitrogénio na superfície de aço c o m 0,15% C


m
submetida à nitretação líquida. 51 -
49--

CD 4 3 -
í?:-'-v •
41 •
O 39._
37 -

s io* s 10*
N a d e flexões alternadas
5 ia
Horas Fig. 93 - Gráfico demonstrativo do aumento do limite de fadiga, obtido e m aços de carbono 0,15%,
submetidos à nitretação líquida.Acurva base corresponde a aço não tratado, o qual, submetido
a u m a carga de 25 kgf/mm 2 (250 M P a ) , rompeu depois de 10 milhões de flexões alternadas;
a curva (1) corresponde a aço nitretado a 600°C, durante 30 min e esfriado e m salmoura; a
Fig. 91 - Profundidade de nitretação obtida e m alguns aços submetidos à nitretação líquida a 570°C.
curva (2), a aço nitretado a 570°C, durante 90 min e esfriado ao ar; finalmente, a curva (4),
Nota-se a influência do teor de carbono: a profundidade de penetração é tanto menor, quanto
a aço nitretado a 570°C, durante 90 min, e esfriado em salmoura. Nota-se a vantagem
maior o teor de carbono.
do esfriamento e m salmoura, após a nitretação.

148
149
17"""
ACOSE FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS
Ah.

- os aços q u e p o d e m ser submetidos à "nitretação e m b a n h o d e sai" são tanto aços-


carbono c o m u n s , d e baixo carbono c o m o aços-liga especiais;
- admfte-se q u e insuflando o banho d e sal c o m bolhas finas d e ar, aumenta-se o limite de
fadiga do aço nitretado;
- depois d o tratamento, resfria-se ao ar, ou m a i s rapidamente e m salmoura, c o m o obje-
tivo de manter o nitrogénio e m solução, garantindo-se assim o limite d e fadiga. É preciso
cuidado, entretanto, para evitar e m p e n a m e n t o s d a s peças;
- além dos aço c o m u n s ou especiais, entre o s quais os inoxidáveis, p o d e m ser submeti-
d o s à "nitretação e m b a n h o de saí", os ferros fundidos.

3.3. Nitretação líquida sob pressão - Nesta variação do processo d e nitretação líquida, •li--
a m ó n i a líquida é introduzida n u m a retorta, pelo fundo, contendo u m b a n h o de cianeto-
st
cianato(70). O b a n h o é v e d a d o e mantido s o b pressão de 1 a 3 atmosferas. A amónia flui
verticalmente através d o b a n h o e a porcentagem d e nitrogénio nascente no b a n h o é contro-
lada pelo e m p r e g o d e u m a velocidade do fluxo d e a m ó n i a entre 0,6 a 1 nvYh, o que resulta .
n u m a dissociação d a a m ó n i a de 15 a 3 0 % .
A média d e duração d o ciclo de nitretação é d e 2 4 horas, p o r é m h á ciclos q u e variam de
4 a 7 2 horas. A espessura d a c a m a d a nitretada d e p e n d e do t e m p o e d a temperatura.

3.4. lonitretação ou Plasmanitretação - Este processo utiliza a tecnologia da descarga THMPO DE OPERAÇÃO, h
Mi?™
incandescente q u e introduz nitrogénio nascente n a superfície do a ç o . Para formar u m plas-
Fig. 95 - Influência da nitretação iônica sobre a velocidade de formação da camada nitretada.
m a no vácuo, e m p r e g a - s e energia elétrica d e alta voltagem - entre 5 0 0 e 1 0 0 0 V - de m o d o
a excitar o gás e ionizá-lo, resultando n u m brilho ou n a incandescência. Através do plasma,
íons de nitrogénio s ã o acelerados c o m o objetivo d e bombardear a superfície do aço, ocor- A s peças a s e r e m nitretadas por esse processo são colocadas n o interior de u m a c â m a r a
rendo absorção d o nitrogénio e difusão e m direção ao núcleo. simples, que constitui o forno de nitretação e q u e não p o s s u e m elementos de aquecimento.
: Essa técnica aplicada quando o processo foi desenvolvido foi substituída no m o m e n t o presen-
te pela utilização d e elementos de aquecimento, geralmente resistências q u e elevam a carga
às temperaturas d e nitretação - 375" a 650°C, antes da descarga incandescente'80'. Durante o
aquecimento, a pressão é a u m e n t a d a , evitando-se, assim, q u e o feixe incandescente n ã o
fique muito espesso d e m o d o a causar superaquecimento. A seguir, o gás de processamento
é admitido a u m a determinada velocidade d e fluxo, conforme a área superficial da carga.
A pressão é regulada na faixa de 1 a 10 torr. O gás d e processamento é geralmente u m a
/ mistura de nitrogénio, hidrogénio e, às vezes, pequenas quantidades de metana.
T3 /•«.^ A s peças ficam isoladas eletricamente das paredes da c â m a r a , paredes essas q u e c o n s -
cd tituem o â n o d o . A s peças propriamente ditas, sob vácuo, constituem o cátodo.
c

/
<D / A ionriretação apresenta e m relação à nitretação a gás, a vantagem d e obter-se maior controle
^ 4 5 do suprimento d e nitrogénio e a desvantagem de poder ocasionar superaquecimento localizado.
cd Aplica-se e m c o m p o n e n t e s de aço-liga e ferro fundido q u e exigem resistência a o d e s g a s -
o
íctí te, c o m o e n g r e n a g e n s , virabrequins, camisas de cilindro, pistões, etc.

/
x
CD A figura 95( 81 ) mostra a maior velocidade de f o r m a ç ã o d a c a m a d a nitretada pela
^ 40 •nitretação iônica. Sobretudo nos primeiros estágios do processo.
-<d
a T A B E L A 17

f
O) Composição das c a m a d a s cianetadas e cementadas
CD
rr
Cianetação a 850°C Cementação líquida a 925"C
Profundidade Aço S A E 1 0 2 0 - 3 0 % N a C N Aço S A E 3312-8% N a C N
1
em m m
%C %N %C %N
1
3 4 0,1 0,60 0,56 0,73 0,12
Horas 0,2 0,51 0,19 0,73 0,03
0,3 0,32 0,05 0,65 0,02
0,4 0,26 0,02 0,55 0,01
R g . 94- Curvas comparativas do limite de fadiga e m relação ao tempo, para aço nitretado pelo
0,5 0,19 0,01 0,48 0,01
processo gasoso c o m u m e para aço submetido à nitretação e m banho de sal. Verifica-se que,
pelo menos nas seis primeiras horas, os valores obtidos na nitretação e m banho de sal são 0,6 - - 0,35 0,01
superiores aos obtidos na nitretação clássica. 0,7 - - 0,25 -

150 151
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

m:.
lonitretado a 550"C, ah O tempo d e imersão n o banho varia d e 3 0 minutos a u m a hora, a espessura d a c a m a d a
N tratado a gás, 500'C, 36h ^ S f ^ á n e t a d a variando geralmente d e 0,10 a 0,30 m m .
" l i ? ? . ^ cianetação é apitada mais c o m u m e n t e e m aços-carbono d e baixo teor d e carbono, quan-
íiíS^Hn se deseja rapidamente u m a c a m a d a c o m dureza e resistência a o desgaste satisfatórias.
" ^ J » A c a m a d a cianetada c o m p õ e - s e d e d u a s z o n a s distintas: u m a , m a i s externa,
^martensítica; outra, m a i s interna, bainítica, apresentando teor m a i s baixo d e carbono.

5EB;-~ 5 Carbonitretação - A carb o nitretação é t a m b é m c h a m a d a d e "cianetação a g á s " ou


^ps^ítrcicaroonetaçâo" e consiste e m s u b m e t e r - s e o a ç o a u m a temperatura elevada -
^ n e r a i m e n t e a c i m a d a d e transformação - n u m a atmosfera g a s o s a q u e p o d e fornecer
^carbono e nitrogénio s i m u l t a n e a m e n t e , o s quais s ã o absorvidos pela superfície d o
fmètal-
" '.-Be fato, a carbo-nitretação é u m processo d e c e m e n t a ç ã o a g a s modificado: a modifica-
Wiò consiste e m se introduzir a m ó n i a n a atmosfera gasosa carburizante.
Números de ciclos alternados
" i & O s constituintes d a atmosfera utilizada n a carbonitretação s ã o o s seguintes'851:
a ? 1 I

Fig. 96 - Efeito da nitretação iônica, e m comparação c o m a nitretação a gás, sobre o limite de fadiga. •—gás endotérmico, produzido pela d e c o m p o s i ç ã o e m gerador endotérmico d e g á s natural
«-Sou; outro hidrocarboneto e q u e é essencialmente constituído d e u m a mistura d e nitrogénio,
t <« ^ríiSrogênio e C O , c o m traços d e m e t a n a , oxigénio, vapor d e á g u a e C O a ;
A figura 96<75> mostra a influencia d a nitretação iônica sobre o limite d a fadiga, e m c o m p a - : " p,.- gás natural, propana cu butana; e
ração c o m a nitretação a g á s . -amónia anidra (99,9% + d e pureza).

4. Cianetação - E s s e processo p o d e ser c o m p a r a d o à c e m e n t a ç ã o líquida já estudada, V: 0 primeiro é suprido n o forno e m v o l u m e suficiente para produzir u m a pressão positiva n a
c o m a diferença d e q u e nele o b a n h o líquido apresenta maior p o r c e n t a g e m d e cianeto, tâmara d e aquecimento, d e m o d o a impedir a penetração d e ar. Outra função é diluir os
resultando n u m a superfície mais rica e m nitrogénio e m e n o s rica e m carbono, c o m o ocorre S^-fasas mais ativos (hidrocarbonetos e amónia) d e m o d o a facilitar o controle d o processo.
II
n a cementação líquida. A cianetação é t a m b é m d e n o m i n a d a carbo-nitretação líquida. O segundo t e m c o m o função principal suprir o carbono necessário para carbonetar a
O aquecimento d o a ç o é feito acima d a temperatura crítica- A c , - e o resfriamento poste- Superfície d o a ç o .
>- I rior e m óleo, á g u a o u salmoura. Finalmente, o terceiro, por dissociação, forma nitrogénio nascente na superfície d o a ç o ,
Devido s u a maior eficiência e custo m a i s baixo, usa-se cianeto d e sódio, d e preferência p r o m o v e n d o a s u a nitretação.
a o d e potássio, e m teores variando d e 3 0 a 97%' S 2 >. O restante é constituído principalmente de "v- Pode-se dizer q u e , basicamente a s atmosferas utilizadas n a carbonetação são obtidas
N a 2 C 0 3 (40 a 2,3%) e N a C I (de 3 0 % a traços). Spela introdução d e 2 a 1 2 % d e a m ó n i a n u m a atmosfera carburizante.
Admite-se q u e o c o r r a m as seguintes reações' 831 : ^•A carbonitretação é levada a efeito a temperaturas geralmente entre 705° e 900°C la6) .
- -^Temperaturas m a i s baixas, c o m o 705° apresentam perigo d e explosão e d ã o c o m o resultado
- p a s s a g e m d o cianeto d e sódio a cianato d e sódio n a presença d e oxigénio d o a n 1 ^ c a m a d a s superficiais ricas e m nitrogénio e frágeis e núcleo d e baixa dureza, o q u e é incon-
2MaCN + 0 2 -»2NaCNO %*veniente para a maioria das aplicações.
- decomposição d o cianato d e sódio: *~ _ O objetivo principal d a carbonitretação é conferir a o aço u m a c a m a d a dura e resistente a o
4 N a C N O -> N a 2 C 0 3 + 2 N a C N + C O + 2 N ;í*-desgaste , c o m espessura variando geralmente d e 0,07 a 0,7 m m | B 5 ) . Por outro lado, u m a
- o nitrogénio f o r m a d o combina-se diretamente c o m o ferro; r^r camada carbonitretada apresenta melhor temperabilidade q u e u m a c a m a d a c e m e n t a d a , d e
- o C O , e m contato c o m o ferro, passa provavelmente a C 0 2 e a carbono ativo: i=~^rnodo que, por carbonitretação e têmpera subsequente, pode-se obter u m a c a m a d a dura a
2CO-^ C 0 2 + C ícusto mais baixo, dentro d a faixa d e espessura indicada, u s a n d o aço-carbono ou aço-liga d e
o qual é t a m b é m absorvido pelo metal, e m m e n o r quantidade, p o r é m , q u e n a cementação :baixe teor e m liga.
líquida, devido à interferência d o nitrogénio; §í' O s aços m a i s c o m u m e n t e carbonitretados incluem os tipos 1 0 0 0 , 1200, 1 3 0 0 , 4 0 0 0 ,
- reação d o cianeto d e sódio c o m o C O a originando-se mais cianato: |fÍ00, 4800, 5 1 0 0 , 6 1 0 0 , 8600 e 8 7 0 0 , c o m teores de carbono até 0 , 2 5 % . Entretanto, costu-
N a C N + C 0 2 -> M a C N O + C O •jna-se t a m b é m carbonitretar peças d e aço-carbono ou aço-liga, c o m teor d e carbono m é d i o ,
:Qbterrdc~se assim u m a c a m a d a fina d e maior dureza e maior resistência a o desgaste d o q u e
A Tabela 17 (3Í1 mostra a variação dos teores d e carbono e nitrogénio d a s c a m a d a s cianetadas 5£Í*à. que seria produzida a p e n a s pela têmpera.
e m comparação c o m a s c a m a d a s cementadas pelo processo d e c e m e n t a ç ã o líquida. - • A s anncações d a carborairetação s ã o mais limitadas q u e as d e c e m e n t a ç ã o , sobretudo
A velocidade s e g u n d o a qual se forma cianato q u e a seguir se d e c o m p õ e , deixando livres ííevido às limitações d a profundidade superficial endurecida. D e outro lado, a resistência d e
nitrogénio e carbono n a superfície do aço, determina a atividade d e endurecimento superfi- ^ u m a superfície carbonitretada a o amolecimento durante o revenido é muito superior à d e
cial d o b a n h o . u m a superfície c e m e n t a d a .
A faixa d e temperaturas d e operação d o s b a n h o s d e cianetação varia d e 760° a 870°C(8a|. fS? C o m o conclusão, pode-se dizer q u e a carbonitretação d e aços d e m e n o r custo resulta e m
A s temperaturas m a i s baixas diminuem as probabilidades d e e m p e n a m e n t o durante a têm- propriedades equivalentes às obtidas pela cementação a gás d e aços-liga.
pera subsequente; a s temperaturas mais elevadas contribuem para maior velocidade de yH^-v U m a aplicação m o d e r n a importante d a carbonitretação reside n o endurecimento superficial
penetração, além d e produzir u m núcleo completamente endurecido a p ó s a têmpera. Igsjde peças sinterizadas d e ferro elevada densidade (7,2 g/cm 3 ).

152 153
Aços E FERROS FUNDIDOS i -£;^£*'jT'.' TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

Finalizando, u m estudo de D A V I E S e SMITH' 8 7 1 chegou, entre outras, às seguintes conclu- ^ ' ~ ^ 0 processo formam-se duas c a m a d a s : a d e "ligação", contendo enxofre, sulfeto d e ferro
soes e m relação a o processo de carbonitretação: _11-~ çarèonitreto; a d e "difusão" q u e apresenta nitrogénio e m solução sólida no ferro alfa, quan-
t â f í H s t ' J 0 0 resfriamento é rápido, ou nitrato e m forma de agulhas, para resfriamento lento.
a) O nível d e adição d e amónia deve ser mantido relativamente baixo - e m tomo de 3 % aJlfiiSSí;
850°C, 6 % a 925°Ce 1 0 % a 950°C-para impedir a formação de porosidade abaixo da superfície; t i f ^ l t a Boretação - Por este processo, introduz-se na superfície do aço, por difusão, o ele-
b) Essa porosidade sub-superficial é mais suscetível d e aparecer nos aços acalmados É f f f | v ; - m e n t o boro, formando-se e m boreto d e ferro c o m dureza Vfckers d e 1.700 a 2.000 K g f / m m a .
c o m silício ou n o s efervescentes, de m o d o q u e tais aços exigem maior controle d a quantida--^|.:3ísfeo processo, d e desenvolvimento relativamente recente, e m p r e g a , normalmente, u m meio
de de amónia adicionada; í^§ÍJ®'só1ido d e u m granulado composto d e carboneto d e boro B 4 C e d e u m ativador, fluoreto duplo
c) N o s a ç o s a c a l m a d o s c o m alumínio, e n c r u a m e n t o prévio agrava a formação de WmÊIi^de boro e potássio. O carboneto d e boro fornece o metal para a boretação, enquanto o
porosidade sub-superficial; J--J ^ a d o r facilita e acelera a formação d a c a m a d a superficial dura e garante sua uniformidade.

reduz a quantidade d e carbono que é necessária para produzir-se a m á x i m a dureza superficial; jÇ


| §^fi§ífe[TO
d) O nitrogénio q u e é incorporado na superfície do aço durante o processo de carbonftretação.^§l^J: : r p o d e m ser tratados aços-carbono c o m u n s e aços-liga, d e baixo e alto teor, assim c o m o
fundido c o m u m e ferro fundido nodular.
e) O nitrogénio adicionado d u r a n t e o p r o c e s s o a u m e n t a s u b s t a n c i a l m e n t e a IftgffiÇí' O tratamento é levado a efeito e m f o m o s que permitam controle rigoroso de temperatura,
endurecibilidade d a c a m a d a carbonitretada e m aços doces; ^i.~J\o a s p e ç a s colocadas e m caixas (de aço resistente a o calor) envoltas pelo granulado d e
f) S o b o ponto d é vista d e endurecibilidade, a carbonitretação aparentemente oferece l ^ l i M l É o r e t a ç ã o . A temperatura d e tratamento varia d e 800 a 1.050°C; 900°C é a mais c o m u m ,
maiores vantagens q u e a cementação, n o endurecimento superficial d e secções s u p e r i o r e s t í g ^ g S í - rj tempo d e p e n d e d a espessura desejada d a c a m a d a boretada: a 900°C, por e x e m p l o u m
a 12,5 m m , a temperaturas d e 925°C, o q u e n ã o seria válido para secções m e n o r e s . x0^M^ aço S A E 1 0 4 5 , adquire, e m 4 horas, u m a c a m a d a c o m p o u c o mais d e 10Op d e espessura, a
-'.[""' 1-
qual supera 1 5 0 u e m 8 horas e atinge 2 0 0 u e m 12 horas.
5.1. Carbonitretação a plasma - E s s a técnica é, essencialmente, u m a variação do pro- J f p i f i ^ - ' o tratamento deve ser levado, a efeito e m condições tais q u e se forme d e preferência
cesso d e nitretação a plasma por descarga incandescente e apresenta, e m linhas gerais, as. ! | | ! 3 S i j r n a c a m a d a d e boreto de ferro d o tipo F e 2 B , cuja dureza, m e d i d a n a escala Vickers, alcança
seguintes vantagens: S Í | P S S í . 7 0 n a 2.000 k g f / m m 2 (16.680 a 19.620 M P a ) .
A alta dureza superficial d a c a m a d a boretada induz u m a excelente resistência a o desgas-
• n e n h u m a f u m a ç a tóxica ou produção d e resíduos; ^ S P l ® t e ao material.
• n e n h u m risco d e explosões; fiKSfí O aço boretado pode ser t e m p e r a d o e revenido.
• redução do t e m p o de processamento; ;|||:ir®|=;
• redução d o c o n s u m o d e energia; JstesíSx""
• redução d o c o n s u m o do gás de tratamento. :£^.^p$.-.''

É u m a técnica q u e tem tido aplicação importante e m auto-peças. t- -----

5.2. Carbonitretação ferrítica - Este processo distingue-se d a carbonitretação, por que |||jpfç?
enquanto esta última operação é realizada na faixa austenítica, a nitrocarbonitretação -4|ííl^>Si
ferrítica é levada a efeito n a faixa totalmente ferrítica, abaixo d e 675°C (S8) . ilfâSfS
Normalmente, o processo e m p r e g a atmosfera gasosa, constituída, por exemplo, de par- F~Q ,_
tes iguais de a m ó n i a e gás endotérmico o u 3 5 % d e amónia e 6 5 % d e g á s exotérmico refina- M^p^lÇ" 1 '
d o . O s t e m p o s d e tratamento variam de. u m a a cinco horas. . ^£*~=
O processo p o d e ser aplicado e m aços-carbono, aços inoxidáveis, aços para ferramen- ;||pf:Sí5"
tas e, inclusive, e m ferros fundidos. O s aços-carbono e os aços d e baixo teor e m liga reagem " fà3?v *
melhor ao tratamento. fftpflííft
Por esse tratamento, obtém-se b o a s características de resistência ao roçamento, pelo ^$ÈMff:"
fato d e criar-se n a superfície u m a .camada c o m p o s t a fina d e nitretos e carbonitretos d e ferro, .
a qual melhora igualmente as propriedades d e resistência à fadiga. E f í - *~

5.3. Sulfocarbonitretação gasosa - U m novo processo que poderia eventualmente subs-


tituir a nitretação g a s o s a ou e m b a n h o d e sal foi desenvolvida n a Europa' 891 . Consiste na
sulfocarbonitretação gasosa - ou processo S C N - que apresentaria, sobre os outros acima
mencionados, vantagens sob o ponto d e vista d e conferir aos aços tratados melhores carac- - j&Mrfí:.
terísticos d e engripamento, ao m e s m o t e m p o d e que os característicos d e atrito, desgaste e -.-gji^yf.
resistência à fadiga s ã o equivalentes. ^SS&Sêí
E m resumo, o processo consiste e m introduzir enxofre, além d o nitrogénio, e carbono.
O processo p o d e ser aplicado e m p e ç a s aço-carbono e aços-liga c o m baixo teor de ele- jptFv,-
mentos de liga q u e sofrem u m a grande solicitação e m atrito originado por deslizamento. fg?'vp
A temperatura r e c o m e n d a d a varia de 5 5 0 ° a 575°C, conseguindo-se c o m cerca d e duas ffêjfâjji&i.
horas, razoável profundidade da c a m a d a endurecida.

154 fei''*1 1S5


Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

1. Generalidades - O conhecimento d o s aspectos práticos d o s tratamentos térmicos ' O s primeiros - fornos intermitentes - apresentam, entre outras, a s seguintes variedades
d e a ç o s é essencial para a obtenção d o s m e l h o r e s resultados n a s operações d e trata-; mais importantes:
m e n t o . A prática d o s tratamentos, c o m o todas a s práticas metalúrgicas, tem evoluído
consideravelmente, d e s d e as é p o c a s heróicas, e m q u e se p r o d u z i a m a s f a m o s a s espa • fornos d e caixa
d a s d e D a m a s c o , até n o s s o s dias, e m q u e o s m a i s m o d e r n o s e sofisticados e q u i p a m e n - ' . fornos d e fundo móvel
tos e aparelhos d e controle são e m p r e g a d o s n a s diversas o p e r a ç õ e s . Ainda assim, tal- ' • f o m o s d e elevador
v e z aqui mais d o q u e e m qualquer outra técnica metalúrgica, o e q u i p a m e n t o m e s m o • fornos-sino
automático, não resolve todos os p r o b l e m a s . S ã o inúmeros o s c a s o s e m q u e ainda a arte 5 . forno-poço
e a experiência d o tratador térmico s ã o imprescindíveis na realização eficiente dos trata-
m e n t o s térmicos. Neste grupo p o d e m ser ainda incluídos os:
Q u a n d o , na d é c a d a d e 7 0 , ocorreu a crise d o petróleo, várias técnicas novas foram - ' • fornos d e b a n h o de sal
adotadas visando principalmente a e c o n o m i a d e energia, a l g u m a s d a s quais continuam e m • fornos a v á c u o
prática, por reduzir principalmente o custo d a s operações. ' fomos d e leito fluidizado
Entre elas p o d e m ser citadas as seguintes'81"90"31':

• utilização crescente d o leito fluidizado;


• e m p r e g o de mini-processadores e c o m p u t a d o r e s para controle d a operação de fomos
intermitentes ou linhas completas de produção, d e s d e as várias fases d o tratamento térmico,
até a inspeção, controle e e m b a l a g e m ;
• e m p r e g o d e recuperadores de calor. H á o exemplo de utilização d o fluxo de gás quente
proveniente de u m forno d e cementação para aquecer o forno d e revenido associado, c o m
u m a grande e c o n o m i a d e combustível;
• aplicação crescente das técnicas d e t ê m p e r a superficial por indução, raios laser e feixe
eletrônico;
• elevação, dentro d o s limites recomendáveis, d a s temperaturas d e tratamento, propici-
a n d o às vezes a redução d o ciclo de tratamento;
• e m p r e g o de polímeros liquefeitos, e m lugar d e óleos. •»r>

2. Equipamentos e acessórios - S ã o diversos e os mais variados o s recursos de q u e se Fig. 97 - Exemplos de ferramentas e dispositivos usados e m operações de tratamentos térmicos.
dispões para a realização eficiente das operações d o tratamento térmico, desde os disposi- Todos eles c o m p r e e n d e m u m a c â m a r a d e aço reforçada, c o m isolamento térmico, u m
tivos e ferramentas m a i s simples, até os equipamentos simples ou sofisticados, banhos de sistema térmico e aberturas para acesso às c â m a r a s de aquecimento.
resfriamento, atmosferas controladas, etc, para a produção seriada, dentro das mais rigoro- O s fornos intermitentes são geralmente e m p r e g a d o s para processar termicamente p e -
sas condições de controle das diferentes fases d e operação. quenos volumes d e peças, e m face de, n a maioria dos casos, c o n s u m i r e m muito t e m p o para
: carregar, descarregar e m a n u s e a r as p e ç a s e/ou bandejas contendo as m e s m a s . Por outro

2.1. Ferramentas e dispositivos manuais - T e n a z e s são ferramentas imprescindíveis para lado, seu e m p r e g o é r e c o m e n d a d o para tratar peças que não s e adaptam aos f o m o s contí-
serviços gerais, principalmente q u a n d o n ã o s e dispõe de equipamento automático. É conve- nuos ou para p e ç a s de grandes d i m e n s õ e s e e m casos e m q u e s e exige u m a larga faixa d e
niente possuir u m a coleção razoável d e tenazes d e diversos formatos e pesos que p o s s a m • ciclos de tratamento q u e p o s s a m ser rapidamente modificados.
1 -m4< prender e sustentar, seja por fechamento, seja por abertura, peças d e vários formatos. S u a N ã o cabe descrever nesta obra, e m pormenores, essas variedades de fomos intermiten-
Hf4»
construção deve ser tal q u e permita a p e n a s u m mínimo de contato c o m as peças. Normal- tes. Contudo, alguns dados serão apresentados a seguir:
m e n t e essas tenazes s ã o fabricadas de a ç o s c o m u n s de baixo carbono, d e m o d o a sofrer
p e q u e n a influência d a variação de temperatura durante o serviço. H á , contudo, tenazes e m • o forno caixa é o mais simples e c o m u m , consistindo d e u m caixa de aço reforçada,
q u e os cabos são feitos d e aços de alta resistência. .isolada termicamente, c o m várias entradas para combustível e atmosfera controlada ou
A l é m das tenazes, outro dispositivo d e grande utilidade é o g a n c h o , d e peso e conforma- contendo, no s e u interior, elementos elétricos d e aquecimento e d u a s portas, para carga e
ç ã o adequados, para permitir m o v i m e n t a ç ã o eficiente das peças n o interior dos f o m o s , nos descarga d o material a ser tratado; adapta-se b e m para instalações industriais e m q u e p o u -
b a n h o s de sal ou n o s b a n h o s de resfriamento. cas peças s ã o tratadas;
A figura 9 7 apresenta algumas variedades d e ferramentas e dispositivos e m p r e g a d o s por • o forno de fundo móvel é u m forno e m que seu fundo é rarrstruído n u m carro c e m
u m experiente temperador. isolamento térmico, o qual é movido para dentro e fora do forno propriamente dito, para
carga e descarga das peças;
2.2. Fornos - O s f o m o s e m p r e g a d o s e m tratamentos térmicos a b r a n g e m duas categorias • o forno tipo elevador é semelhante a o forno de fundo móvel; a diferença consiste n o fato
principais'32': que o fundo ou a soleira do forno carregado d e peças é levantado para entrar no forno, por
intermédio d e u m m e c a n i s m o mecânico ou elétrico;
• fornos intermitentes • o forno-sino s ã o os que p o s s u e m retortas ou coberturas q u e são abaixadas rias soleiras
• fornos contínuos carrregadas d e peça;

158 159
ACOSE FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

• o fomo-poço ê u m forno e m q u e a c â m a r a d e aquecimento propriamente dita esta FORÇA


situada n u m poço q u e s e estende até o nível d o solo ou ligeiramente a c i m a e u m a cobertura
q u e s e estende para c i m a a partir do nível d o solo.

A figura 9 8 ilustra u m d o s tipos desses f o m o s - p o ç o .

P A R T E R M O E 1 . HTRICO

ÍLEMENTOS DE AQUeCJMENTOJ POTE METÁLICO,


TRANSFORMADOR
U

poçooe
HESFKAUEWrO

CONECTORES

VENTILADOR PARA CIRCULAÇÃO


DEATMOSFERA

Fig. 98 - Representação esquemática do forno tipo "poço", aquecido eletricamente Fig. 99 - Forno de banho de sal aquecido eletricamente por meio de eletrodos.

O s fornos de banho de sal são fornos d e u s o geral e m operações tais c o m o têmpera


c e m e n t a ç ã o líquida, nitretação líquida, a u s t e m p e r a , m a r t ê m p e r a e revenido. S ã o fornos
aquecidos por c o n d u ç ã o . O sal líquido fornece u m a fonte rápida d e calor e, e m b o r a as
p e ç a s sob tratamento entrem e m contato c o m o calor na sua superfície, a temperatura do Retorta
núcleo das peças a u m e n t a a a p r o x i m a d a m e n t e a m e s m a velocidade d e q u e s u a superfí- estanque do vácuo
cie ( 3 3 ) . P o s s u e m as v a n t a g e n s d e reduzir a o m í n i m o os efeitos d o a q u e c i m e n t o não-unifor- $82 * **"
m e , a diminuição d a s possibilidades d e e m p e n a m e n t o e distorção, a l é m d e permitir trata-
m e n t o selecionado.
Para aquecê-los utilizam-se quer combustíveis líquidos (óleo), g á s o u eletricidade, neste
último caso por meio d e eletrodos imersos n o b a n h o líquido ou s u b m e r s o s , colocados no
fundo da câmara, debaixo d a s peças.
E s s e f o m o s exigem alguns cuidados especiais durante a operação relacionados c o m a Isolamento
segurança dos operadores, tais c o m o utilização d e luvas, anteparos protetores nas faces, de refratórios Eiementos
'de aquecimento
etc. O s operadores d e v e m estar b e m instruídos s o b a s precauções q u e d e v e m tomar.
A figura 99 mostra esquematicamente u m forno d e banho de sal aquecido eletricamente
por eletrodos.
O s fomos a vácuo consistem essencialmente d e u m a c â m a r a d e v á c u o , u m sistema de
suprimento d e energia, u m sistema de b o m b e a m e n t o , um" sistema para processamento de
g a s , q u a n d o a operação exige o e m p r e g o d e atmosferas especiais e soleira isolada para
assegurar isolamento elétrico entre as peças e a c â m a r a de vácuo.
Estes f o m o s p o d e m ter s u a s paredes externas resfriadas a á g u a o u n ã o . Por outro lado,
p o d e m apresentar c o n f o r m a ç ã o de "carregamento pelo topo", "carregamento pelo fundo" Fundo
c o m o o forno a sino o u "carregamento horizontal", c o m o os f o m o s d e c â m a r a . estanque do vácuo
A figura 100 ( 9 4 1 mostra esquematicamente u m forno a vácuo tipo sino s e m resfriamento
d a s paredes.
Fig. 100 - Forno a vácuo tipo sino

160 161
O s fomos de leito fluidizado, e m b o r a d e c o n c e p ç ã o antiga, s o m e n t e mais recentemente"í|pS;£';,r ^ p a r ( e (a) d a figura refere-se a o leito inteiramente aquecido: o g á s e o ar são misturados
têm sido usados e m operações de tratamento térmico. S e u princípio baseia-se na utilização^ r|lS;5v-. - nroporções aproximadamente estequiométricas e a mistura é passada através d e u m a
d e partículas finas d e óxido de alumínio, as quais constituem u m leito o n d e as peças a s a r e m \S f f e s " " '^ca cerâmica porosa, e m cima d a qual as partículas sólidas s ã o fiuidizadas na corrente d e
tratadas são m e r g u l h a d a s . A s partículas sólidas e finas são mantidas e m suspensão por u m j P . Esses tipos d e leito fluidizado s ã o e m p r e g a d o s para temperaturas elevadas, variando
fluxo d e g á s , q u e s o b e d o fundo à parte superior do b a n h o . H á vários tipos de leitos*'; de 7 6 0 " a 1 2 1 5 ° C .
fiuidízados, d e p e n d e n d o d a fonte de aquecimento: -i
â f e b a * ^ ; A parte (b) d a figura 1 0 1 corresponde a o sistema de leito fluidizado aquecido e x t e m a -
I p l i J : ^ ^ . neste caso, u m queimador c o m excesso d e ar a q u e c e u m a c â m a r a de distribuição,
• leito fluidizado aquecido por elementos externos de resistência elétrica;
^ p â f e ' " g o b r e a qual o leito fluidizado é suportado por u m a placa metálica porosa. O leito é fluidizado
• leito fluidizado aquecido por c o m b u s t ã o externa; ;
S ^ P ^ í r f e e i o s produtos d e c o m b u s t ã o , a partir d a c â m a r a de distribuição. Leitos fluídfeados aqueci-
• leito fluidizado aquecido por c o m b u s t ã o interna de gás; %
S p S f c S v dos externamente são e m p r e g a d o s e m aquecimentos a temperaturas mais baixas, d a or-
• leito fluidizado d e dois estágios, aquecidos a gás, por c o m b u s t ã o interna. j
^f'}-.• deu: de 7 6 0 ° C ou m e n o s .
P f g ^ á g . . o s f o m o s d e leito fluidizado p o d e m ser adaptados a praticamente todas as operações d e
A figura 1 0 1 mostra dois tipos de leito fluidizado. ;
^ ^ ^ K ^ ô a t a m e r r t o térmico, inclusive têmpera d e aços rápidos.
S ^ f f l ; v S - - o s fomos contínuos, utilizados e m grandes séries, c o n t ê m , e m princípio, os m e s m o s
j | l s S ® ? c o m p o n e n t e s básicos dos fornos intermitentes, ou seja, a c â m a r a d e aquecimento c o m
í^ftSísí isolamento térmico, o sistema d e aquecimento e portas de a c e s s o e de descarga. A diferen-
3'ça fundamental é q u e esses equipamentos o p e r a m de m o d o contínuo, ou seja, as p e ç a s a

; serem tratadas se m o v i m e n t a m continuamente. S ã o f o m o s q u e se adaptam facilmente à


: automação e, portanto, são e m p r e g a d o s para tratar grandes v o l u m e s d e peças. Alguns tipos
TTJ
«possuem t a m b é m c â m a r a d e resfriamento c o m atmosfera controlada. A relativa desvanta-
g e m desses f o m o s é q u e a cobertura e o fechamento das portas d e carga e descarga d a s
; peças p o d e m dificultar o controle d a atmosfera protetora.
'V' >
í : H á vários tipos d e fornos contínuos"92':

LEITO V • fornos c o m correia transportadora


GRELHA .•.f=LUIDiLlZADO.-.'.:v.-y. ' • f o m o s d e soleira móvel c o m roletes
• f o m o s c o m vigas movediças
• f o m o s m u n i d o s d e empurradores
a, • f o m o s c o m soleira giratória ou vibratória
. 2
3 ? T E O s com correia transportadora s ã o m u n i d o s de correias q u e m o v i m e n t a m as p e ç a s ,
desde a carga até a descarga. Geralmente são e m p r e g a d o s n o tratamento d e p e ç a s d e
SUPORTE menor d i m e n s ã o . O s fornos p o s s u e m u m a c â m a r a de carregamento n a frente d o forno c o m
CERÂMICO MISTURA u m a atmosfera protetora para não prejudicar a câmara de aquecimento.
(a)
AR/GÁS
O s fomos de soleira móvel com roletes caracterizam-se pelo fato das peças diretamente
ou colocadas e m bandejas serem m o v i m e n t a d a s facilmente através d a c â m a r a d e aqueci-
mento. Esses f o m o s prestam-se b e m a o tratamento de p e ç a s maiores e peças d e g r a n d e
• feíi" comprimento.
; fejíjf O s fornos com vigas movediças p o s s u e m trilhos móveis q u e levantam as p e ç a s e a s
: deslocam a o longo d e trilhos estacionários para dentro d a soleira d o forno. O p e r a m d a
'pl-yS. s e 9 u ' n t e maneira: os trilhos móveis levantam as peças colocadas nos trilhos estacionários,

f :íi-Í?' movimentam a s m e s m a s para a frente e as rebaixam sobre o s trilhos estacionários. O s


móveis voltam à posição original e repetem o processo de m o d o a movimentar de n o v o a s
: peças para a frente. N e s s e s tipos d e f o m o s não se u s a m bandejas para colocar as p e ç a s ,
p i ^ ' U m a d e s v a n t a g e m desse tipo de forno reside no fato de q u e o m e c a n i s m o de m o v i m e n t a ç ã o
DISTRIBUIDOR
i*;;" • é complicado e d e custo elevado.
O s fomos munidos de empurradores caracterizam-se por possuir u m dispositivo q u e
QUEIMADOR empurra u m a fila d e bandejas d a c â m a r a d e carga até o interior d o forno e paulatinamente
COM EXCESSO até a zona d e descarga. S ã o os f o m o s mais c o m u m e n t e s u s a d o s e m cementação g a s o s a .
DE AR •^;íj O s fornos de soleira giratória ou vibratória caracterizam-se pelo fato de ter u m movi-
fep. mento da soleira q u e produz inércia n a s p e ç a s . Esse m o v i m e n t o p o d e ser regulado para
r' • * controlar o ciclo d e t e m p o . A utilização d e s s e s fornos é limitada a peças de p e q u e n a s
m:'-.;j. dimensões q u e d e v e m ser c e m e n t a d a s a profundidades d e superfície endurecida n o m á -
Fig. 101 - Representação esquemática de dois tipos de fomos de leito fluidizado. ^ -V ximo de 0 , 3 m m .
Aços E FERROS FUNDIDOS TRATAMENTOS TERMO-QUÍMICOS

2.3. Condições de aquecimento - O a q u e c i m e n t o é, c o m o s e viu, fator de fundamentai mento c o m combustíveis líquidos t e m a vantagem do baixo custo e é b e m adaptado para
importância no tratamento térmico, n ã o s ó n o q u e respeita à temperatura d e aquecimento, recuperadores d e calor. Apresentam a desvantagem de exigir sistemas d e ventilação, perigo
c o m o t a m b é m quanto a o t e m p o d e p e r m a n ê n c i a à temperatura. Reside aqui u m a das con- de explosões ou incêndios, mais mão-de-obra e apenas certos materiais ou tipos d e produ-
dições q u e p o d e tornar u m operador d e tratamentos térmicos u m a d a s p e ç a s básicas nessa tos p o d e m ser tratados e m f o m o s c o m aquecimento direto, devido a o efeito d o elevado
importante fase d e p r o d u ç ã o metalúrgica. U m a qualidade pessoa! q u e lhe é indispensável é ponto de orvalho d o s gases oxidantes n a superfície das p e ç a s .
a paciência, a fim d e q u e o aquecimento seja efetivo e haja completa uniformização de . energia elétríca - o aquecimento elétrico dos fornos e o controle da temperatura é
temperatura. Para a q u e c e r e uniformizar u m a p e ç a d e aço-carbono d e d i m e n s õ e s normais a aplicado e m qualquer tipo de forno d e tratamento térmico. O aquecimento é feito geralmente
e m perfis chatos até cinco quilos, a regra usual é permitir q u e p e r m a n e ç a n o forno u m t e m p o í através dos c h a m a d o s "elementos d e aquecimento", cujos tipos variam de acordo c o m as
q u e corresponda a u m minuto para c a d a milímetro d e espessura; a l é m deste t e m p o para temperaturas a s e r e m utilizadas. O elemento d e aquecimento m a i s c o m u m é feito d e u m a
uniformizar, há necessidade d e u m t e m p o adicional e m função d a forma d a peça. jlga Nf-Cr, c o m o por exemplo 35Ni-18Cr-44Fe, fabricado e m tiras. Para temperaturas mais
A experiência mostra q u e a penetração d e calor se faz à razão d e cerca d e u m milímetro -elevadas a liga m a i s c o m u m corresponde a 80Ni-20Cr. Para temperaturas acima d e 1010°C,
por minuto e m barras redondas. Existe, contudo, u m fator d e aquecimento q u e é maior para ;:utjiizam-se elementos de aquecimento não-metálicos de carboneto d e silício, fabricados e m

p e ç a s esféricas e cilíndricas cerca d e 5 0 % d o q u e para peças longas ou quadradas e q u e é 'vários diâmetros e comprimentos. O s elementos de aquecimento elétrico apresentam as
três v e z e s maior d o q u e e m placas retangulares. Observa-se ainda q u e quanto maior a vantagens, além d e aquecer e permitir u m controle mais rigoroso d a temperatura, d e limpe-
p o r c e n t a g e m d e e l e m e n t o s d e liga, tanto m a i o r será o t e m p o d e a q u e c i m e n t o para z a , ausência d e poluição, ausência d e dispositivos d e exaustão, maior uniformidade n o
solubilização completa. 'aquecimento, etc. A s desvantagens são: custo inicial de equipamento maior, custo maior d e
C o m o se verá, h á a ç o s q u e n ã o p o d e m ser aquecidos continuamente até as temperatu- 'operação e, n o c a s o de elementos não-metálicos, t o m a r e m - s e quebradiços c o m o t e m p o ,
ras críticas. N e s s a s condições, recorre-se a pré-aquecimentos, simples o u duplo; tal é o além de maior cuidado para manuseá-los.
caso d e aços c o m elevada porcentagem d e elementos d e liga, c o m o os a ç o s rápidos, c o m
alto teor d e cobalto, cuja temperatura d e t ê m p e r a situa-se n a s proximidades d a linha ; Outro tipo d e a q u e c i m e n t o é através d o s c h a m a d o s "tubos radiantes" ou "tubos
liquidus. Nestes a ç o s , a permanência a altas temperaturas (1300°C a 1330°C), d e v e ser : irradiadores d o calor" q u e p o d e m e m p r e g a r t a m b é m combustíveis líquidos e gasosos s e m
reduzida a u m m í n i m o d e 2,3 e até 7 m i n u t o s n o m á x i m o , para q u e s e evite a fusão '{$•)... causar d a n o s à s c â m a r a s de aquecimento, ou elementos d e aquecimento elétrico, o s quais
incipiente. '" ficam protegidos d a ação da atmosfera protetora, pois se situam dentro dos tubos.
N o revenido, igualmente, a p e r m a n ê n c i a d a s p e ç a s t e m p e r a d a s à temperatura do
revenido, o b e d e c e a critérios a d e q u a d o s . P o r outro lado, as p e ç a s , logo a p ó s a têmpera, '-,-. 2.5. Preservação da superfície - Este cuidado deve ser t o m a d o sobretudo durante o
d e v e m ser transferidas a o s fornos ou b a n h o s d e revenido, o n d e d e v e m p e r m a n e c e r por •'aquecimento para evitar oxidação ou formação de casca d e óxido. À s vezes, procura-se
t e m p o mínimo necessário, q u e , entretanto, será tanto mais longo quanto maior o teor de Áobter a formação d e u m a c a m a d a d e óxido azulada ou negra, para evitar ulterior oxidação.
elementos de liga n o a ç o . Para peças delgadas (até 3/8") d e aços-carbono, é suficiente a A prevenção à oxidação é possível e m fornos à óleo, praticamente abertos, através d e u m
permanência à temperatura d e revenido durante 1 5 minutos, enquanto q u e , para as peças ; controle a d e q u a d o d e c h a m a e do ciclo d e aquecimento; por e x e m p l o , é prática corrente

d e alto c r o m o , alto c a r b o n o ou de aço rápido, o s t e m p o s de revenido d e v e m ser d e 8 a 10 aquecer-se o forno à temperatura superior e m cerca de 100°C à temperatura d e t ê m p e r a e,
vezes maiores. A l é m disso, para os aços c o m alto teor de ligas, r e c o m e n d a - s e a adoção de e m seguida, fazer c o m b u s t ã o incompleta d o óleo e, m e s m o c o m perda d e temperatura,
pelo m e n o s dois revenidos, c o m o objetivo d e garantir a precipitação d a maior parte da . conseguir-se atmosfera protetora para a têmpera de ferramentas.
austenita retida n a o p e r a ç ã o d e têmpera e para q u e s e verifique completo alivio de tensões. Outro recurso largamente e m p r e g a d o e m fornos de mufla à óleo, a gás ou elétricos, é o
N o q u e diz respeito a o alfvio d e tensões, é importante m e n c i o n a r q u e é b o a prática do e m p a c o t a m e n t o das peças e m caixas contendo carvão d e madeira granulado, ou limalha
processar-se o reaquecimento c o m revenido a baixa temperatura e m todas as ferramentas de ferro fundido cinzento. D o m e s m o m o d o , e m fornos de mufla q u e p o s s a m ser fechados
a p ó s o uso e antes d e enviá-la à e s t o c a g e m . Este alívio d e tensões i m p õ e - s e principalmente hermeticamente, a o colocar a peça para aquecimento, lança-se a o m e s m o tempo no interior
para o s aços para trabalho a quente. : do forno substâncias redutoras, pulverizadas, tais c o m o can/ão d e madeira e aditivos par