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UNESCO-AN
UNESLO HEMBI
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RELAÇÕES
RELA ÕES RACIAIS
RACIAIS ENTRE
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1 ENTRE .
NEGROS EE BRANCOS EM

' •

·NEGROS BRANCOS EM

'
SÃO
SÃO PAULO
PAULO •

Ensaio
Ensaio sociológico sôbre
sôbre as origens,
origens,

as manifestações
manifestações e os efeitos
efeitos do
preconceito
preconceito de côrcõr no município
município

• m•
de São Paulo.
Paulo .
Sob a direção
direção dos professôres
professôres
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{
ROGER
ROGER BASTIDE
BASTIDE eE

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FLORESTAN FERNANDES
FLORESTAN FERNANDES
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deEstudos
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Prefácio (Paulo Duarte)
Prefácio (Paulo ......••......••.•••.••.... • • • •.
Duarte) ................................................................ 7 7
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. Introdução
Introdução (Roger
(Roger Bastide) ........ •••..•.....•...• • • . • • •.•
B a stid e)..............*........................................... 11
11
Do Escravo ao Cidadão (Florestan Fernandes)
Cidadão (Florestan Fernandes) .......................
........... . \f\
lf\
Côr e Estrutura
Estrutura Social em Mudança
Mudança (Florestan Fernandes) ... .
(Florestan Fernandes) 67

Manifestações do Preconceito
Manifestações Cl,r (Roger
Preconceito de Côr Bastide) ...........
(Roger Bastide) ...••. . 123
123
...

Efeito do Preconceito
Efeito Preconceito de Côr
Côr (Roger B astid e)..........................
(Roger Bastide) ....•.....•..• 159


Luta contra
A Luta contra o Preconceito
Preconceito de Côr (Florestan Fernandes)
Côr (Florestan Fernandes) . .. 195
19~
Atitudes Alunos dos Grupos
Atitudes dos Alunos Grupos Escolares
Escolares em
e111 relação
relação com aa
Côr dos seus Colegas (Virgínia Leone
c.ôr Leone Bicudo)
Bicudo) ..........
•. •. •• 227
227

• Pesquisas sôbre as Atitudes
Pesquisas Atitudes de um G rupo de Escolares
Grupo Escolares de

'.
Paulo em relação
São Paulo relação com as crianças crianças de côr côr (Aniela
(Aniela '

• Meyer Ginsberg) .•..............••.•..•.•..•..•....
Meyer Ginsberg) ........................................................................ 311
Sll .
'
' Relações Raciais
Relações Raciais no M Município
unicípio de Itapetininga Itapetininga (Oracy
Nogueira) ..................................................................................
Nogueira) ......••..•.......•...•.••............•••• 362
362
i '
Preconceito Racial
\ Preconceito Racial de Marca
Marca e Preconceito
Preconceito Racial Racial de Orig~rn.Origem.
Sugestão de um Quadro Referência para
Quadro de Referência para a Interpre-
Interpre­
tação
tação do M aterial sôbre
Material Relações Raciais
sôbre Relações Raciais no no Brasil.
. • Oracy Nogueira)
Nogueira) ....................................................................
•••••••••••••••••••••••••••••••• .••• 554
554
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Hd muito
muito tempo
tempo A N HEMB
ANH E MIB I tomara
tomara aa decisão
decisão de de patrocinar
patrocinar
um
um inquérito
inquérito em em profundidade
profundidade sôbre sôbre oo problema
problema do^negro
do _negro em em S. S•
Paulo.
Paulo. A A reação
reação provocada
provocada por por um
um artigo saídoldoem
em ' 0O Estado
Estado de

4
artigo ~a_ dt

S.S. Paulo ", em
Paulo'', em 1947,
1947, (2)
( 1 ) trabalho
trabalho de de que
que · se
se originaram
o~zgzna~amnumerosas
numeTosas ma­ ma•

nifestações
nifestações própró ee contra
contra oo seu seu autor,
autor, nos
nos fizera jd pensar
fizera _Já pensar. na neces­s-
na ~ec~
sidade
sidade de de tal
tal inquérito
inquérito não não apenas
apenas para
para umauma simples
simples satisfação
sattsfaçao in- in­
telectual
telectual masmas porque
porque os os dados
dados de de uma
uma investigação
investigação dessadessa. ordem,
, . .. J
r '
1
orde'!",
fatalmente
fatalmente haviam
haviam de de constituir
constituir umum serviço
serviço prestado
prestado ao ao meio
meio social
social
brasileiro
brasileiro ee aos.
aos. próprios
próprios administradores
administradores públicos,
públicos, quando
quando aqui aqui
houvesse
houvesse administradores
administradores capazes capazes de de compreender
compreender os os nossos
nossos grandes
grandes
problemas.
problemas. A N HEMB
ANH E MIB I permitiria
permitiria essaessa realização,
realização. órgãoórgão destinado
de~tinado
principalmente
principalmente aa estudos
estudos dessa
dessa espécie,
espécie, logo
logo após
após oo seu
seu aparecimento,
aparecimento,
mobilizou-se
mobilizou-se para para êsse
êsse inquérito
inquérito solicitando
solicitando oo auxilio
auxilio do do elemento
elemento
mais
mais indicado
indicado parapara orientá-lo
orientá-lo ee dirigi-lo:
dirigi-lo: Roger
Roger Bastide,
Bastide, professor
professor

J
de
de sociologia
sociologia da da Faculdade
Faculdade de de Filosofia,
Filosofia, dada Universidade
Universidade de de S.S. Paulo,
Paul(?,
oo qual
qual háhá longos
longos anos anos se se vinha
vinha dedicando
dedicando aos aos nossos
nossos estudÒs
estudos
· sociais
sociais,, principalmente
principalmente os
os atinentes
atinentes ao ao negro
negro tio no Brasil.
Brasil. Roger
Roger _
Bastide
Bastide procurou
procurou logo logo aa colaboração
colaboração de de umum dosdos seus
seus antigos
antigos alunos,
alunos,.
Florestan
Florestan Fernandes,
Fernandes, que que éé uma
uma dasdas. mais
mais belas
belas revelações
revelações da da nossa
nossa ;'
Universidade,
Universidade, sendosendo oo seu seu nome
nome hoje
hoje alinhado
alinhado já, já, sem
sem favor n e n hum,
favor nenh u m ,':
entre
entre osos mais
mais ilustres
ilustres no no meio
meio intelectual
intelectual brasileiro
brasileiro..
•!
Achavam-se
Achavam-se as as coisas
coisas em
em inicio,
início, quando
quando chegou chegou a a S.
S. Paulo,
Paulo, o o
antropólogo
antropólogo AlfredAlfred Metraux,
Metraux, nomenome muito
muito conhecido
conhecido no no Brasil,
Brasil, pelos
.•
pelo~
1
excelentes
excelentes estudos
estuoos etnológicos
etnológicos sôbre
sôbre os os tupinambás
tupinambds ee outras ootr<.VS tri-
tn.._
_bus
bu~ americanas,
americanas, algunsalguns. realizados
'realizados com
com observações
obseroações aqui aqui feitas,
feitcu,
hoje
ho1e chefe
chefe do do Departamento
Departamento de de Relações
Relações Raciais,
Raciais, da da Unesco,
Unesco,
oo qual
qual vinha
vinha comcom a a missão
missão de de realizar
realizar exatamente
exatamente uma uma pes
1

pes- -
• ,♦ quisa
quisa semelhante.
semelhante. Foi Foi assim
assim queque UneUnescosco ee ANHEMANHEMBIBI se se en­
en-
contraram
contraram unidasunidas na na realização
realização de de umum mesmo
mesmo trabalho
trabalho de de alta
alta
ygnificação
~~~nificação ~niv universal
ersal como
como seja~eja uma
uma análise
anális~ objetiva
objetiva mas mas feita
fei~a
en^
e"'t profundidade
protundidade sôbre sôbre a a vida
vida da da população
populaçao negra negra do do Brasilr
• .
.
1
Brasil, :·
país
país universalmente
universalmente considerado
c~iderado como
corno aquêle
aq~le que que melhor
melhor solução
8olw;ão
estava
esta?ª dando
dando ao ao problema,
problema, entreentre todos
todos os os paises
paises brancos
brancos possuidores
possuidore&
de
de importante
importante parcela
parcela dede população
população de de côr
cór .•
Mais
~ais de de umum anoano_ de
de trabalho
trabalho representam
representam as as conclusões
conclusões que

que
publicaremos
publicaremos a a seguir
s_eguir.. Trabalho
Trabalho realizado
realizado através
através de de todos
todos os os
'

meios
m_e ios _aconselháveis
aco:iselh...,áveisem
em _pesquisas
pesquisas tais
tais,, com
com a a mais
mais absoluta
absoluta objetí
objeti•
vidade
vidade ee isenção
isençao ee comcom o o auxilio
auxilio não
não apenas
apenas dos dos excelentes
excelentes pesqui
pesqui--
( 1)
U) Ntgros
N11,01 do
#lo Brasil,
Br,isll, Duarte, "O
Paulo Duarte,
Paulo "O Estado
Estado de S. Paulo”,
Paulo'•, 16-17 de abril de 1947.
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8 > rI~.^QQ'QUt.RITO
U íR iT o uUNESCO-ANHEMBJ
n esco anhem bi
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.sadores formados
sadores pela nossa
f orrnados pela nossa Universidade, mas também
também de de numeroso
numeroso 1
Universidade, mas
núcleo de
núcleo negros esclarecidos
de negros esclarecidos os os quais
quais deram
deram aa êsseesse estudo
estudo um um com•com• ~
plemento sem
plemento sem oo qual
qual êle
éle deixaria
de.ixaria de de adquirir
adquirir os os caracteres
caracteres de de pro­
pro-
fundidade ee exatidão
fundidade exatidão com com que que se se apresenta.
apresenta.
OO inquérito
inquérito UNESCO-ANHEMBI
UNESCO-ANHEMBI indica numerosos
indica numerosos aspectoJ
aspectos .
novos para
novos para os os estudos
estudos brasileiros.
brasileiros. Cada Cada um um dos dos pontos
pontos abordados
abordados
por nosso
por nosso inquérito
inquérito éé uma uma janela
janela aberta
aberta aa novas pesquisas, aa novas
novas pesquisas, novas
indagações ee novos
indagações novos estudos
estudos que que futuramente atrairão por
futuramente atrairão por certo
certo OJos
bons
bons estudantes
estudantes da Faculdade de
da Faculdade de Filosofia,
Filosofia, parapara aa realização
realização de ~
trabalhos que,
trabalhos que, reunidos,
reunidos, serão
serão afinal
afinal oo verdadeiro retrato do
verdadeiro ret~ato do Brasil,
Brasil,
retrato fiel,
retrato fiel, ao
ao contrário
contrário de de tantos
tantos que que .lhe
lhe foram
foram tirados,
tirados, sem sem os os
retoques exagerados
retoques exagerados de de umum favoritismo
favoritismo sentimental
sentimental nem nem as as defor•
defor­
mações de
mações de um
um pessimismo
pessimismo literário
literário sem sem base
base científica.
cientifica.
Antes de
Antes de dar
dar início
inicio aa êsse
êsse trabalho,
trabalho, ANHEMBI
ANHEMBI quer exprimir
quer exprimir
oo seu
seu agradecimento
agradecimento a a Roger
Roger Bastide
Bastide ee a a Florestan
Florestan Fernandes
Fernandes o o
8erviço que
serviço que prestaram
presta.ram com oom estaesta pesquisa,
pesqu-isa, talvez
talvez aa mais
mais importante
importante

até hoje no
até hoje no gênero
gênero que que se se realizou
realizou no no Brasil,
Brasil, bembem comocomo aos aos seus
seus
excelentes colaboradores,
excelentes brancos ee negros,
colaboradores, brancos negros, semsem distinção.
distinção. Agradece
Agradece
igualmente
igualmente à à UNESCO
UNESCO o o ter-se associado àà sua
ter-se associado idéia; sem
sua idéia; essa cola-
sem essa cola-
boração
boração não não poderíamos evidentemente levá-la
poderíamos evidentemente levd-la a a cabo
cabo de maneira
de maneira
tão
tão relativamente
relativame .nte completa.
completa. Da Da mesma
mesma forma,
forma, agradece
agradece ao ao ex-Go-
ex-Go-
vernador
vernador de de S.
S. Paulo,
Paulo, dr. dr. Lucas
Lucas Garcez,
Garcez, o o apoio
apoio que, diretamente ee
que, diretamente
através da
através da Universidade
Universidade de de S.S. Paulo, facilitou para
Paulo, facilitou isso, bem
para isso, bem como
como ao ao
então reitor da
então reitor da Universidade, professor Ernesto
Universidade, professor Ernesto Leme,
Leme, ee ao ao Diretor
Diretor da da
Faculdade
Faculdade de de Filosofia,
Filosofia, prof.
prof. Eurípides
Euripides SimõesSimões de de Paula,
Paula, pelas
pelas fa-fa­
cilidades complementares
cilidades complementar es sem sem oo que que também
também não não sese teria
teria podido
podido i1 ir
tão longe
tão longe nos esforços exigidos
nos esforços exigidos por por esta investigação sociológica,
esta investigação sociológica, aa
primeira de
primeira uma série
de uma série que
que pretendemos
pretendemos realizarrealizar em em nosso pais.
nosso pais.
OO estudo
estudo éé longo.
longo. Foi Foi publicado
publicado em em números sucessivos de
n1ímeros sucessivos de
ANHEMBI,
ANHEMBI, pois pois não
não seria
seria possível
possível fazê-lo
fazê-lo de de uma
uma vez.vez sem
sem prejuízo
prejuízo
• dos assuntos
dos assuntos que que esta
esta revista
revista tem tem de tratar mensalmente.
de tratar mensalmente. OO inquérito inquérito
1

pròpriamente dito,
propriamente dito, ou
ou melhor,
melhor, “Relações raciais entre
''Relações raciais entre negros
negros ee bran-
bran­
cos de
cos de S.S. Paulo'',
Paulo”, ensaio
ensaio sociológico
sociológico sôbre sôbre asas origens,
origens, as as manifestações
manifestações
ee os
os efeitos sociais do
efeitos sociais preconceito de
do preconceito cor no
de côr município de
no município de S.S. Paulo,
Paulo,
está dividido
está dividido numa
numa introdução
introdução ee os os capítulos
capítulos seguintes:
seguintes: II -— Do Do Es­
Es•
cravo ao
cravo ao Cidadão;
Cidadão; IIII — Cor ee estrutura
- Côr estrutura social
social em em mudança;
mudança; IIIII I ___
Manifestações do
Manifestações do preconceito de
preconceito de côr; côr; IVIV -— Efeitos do preconceito
Efeitos do preconceito
de côr
de côr ee V V_—- A A luta
luta contra
contra oo preconceito
p·reconceito de de côr.
côr. Seguem-se
Seguem-se algu­ algu-
mas pesquisas
1:1-as f~squzsas padrão
padrão de de outros
outros investigadores
investigadores que que colaboraram no
colaboraram no
inquérito UNESCO-ANHEMBI,
zn_querito UNESCO-ANHEMBI, as quais serão
as quais serão um um complemento
complemento in­ in-
dispensável àà ·primeira
dispensável primeira parteparte..
. Como
C?mo dissemos,
dissemos, constitui
constitui o o presente
presente trabalho
trabalho oo que
que no assunto
no assunto
ma,s
ma~s importante
r,m_portante se
se_ fez
f t:~ até
a~é. agora
agora em
em nosso
nosso país.
país. \A iZ s tZ ç S o
investigação
sociológica
socrologzca no
no Brasil
Brasil cientificamente
cientzf zcamente orientada,
orientada, não
não esquecendo
esquecendo deu das
'
I
# 1

' RELAÇõF.S
RELAÇÕES R
#* ■ ■ ■ ■
RACIAIS
.... .
ENTRE
A C IA IS E
1
NEGROS
NTRE N

E G R O S E BRANCOS
1 "
EM SAO
BRA N CO S EM
— ■■■ ■■
SÃO P
PAULO
AULO
_ m
9
9
^

tentativas individuais de
tentativas individuais de Oliveira
Oliveira Viana
Viana ee Gilberto
Gilberto Freire,
Freire, nasceram
nasceram
com
com oo Departamento
Departamento de de Cultura
Cultura de de S.S. Paulo,
Paulo, na na sua
sua primeira
primeira
fase
fase de de vida
vida encerrada
encerrada com com oo advento
advento do do estado
estado novo
novo (1935-1937).
(1935-1937).
AA seguir
seguir vieram
vieram os os grupos
grupos da da Escola
Escola de de Sociologia
S°:iologia ee Política,
Pol~tica,
da Faculdade de
da Faculdade de Filosofia
Filosofia,, dodo Museu
Museu Paulista
Paulista ee do do Instituto
Instituto
'

de Administração. No
de Administração. Departamento de
No Departamento Cultura, destacam-se
de Cultura, destacam-se os oJ
nomes de
nomes de M.
M. Davis,
Davis, Bruno
Bruno Rudolfer,
Rudolfer, Samuel
Samuel Lowrie, Sérgio Milliet
Lowrie, Sérgio Milliet
ee Oscar
Oscar Egidio
Egídio de Araújo. OO grupo
de Araújo. grupo da da Faculdade
Faculdade de de Filosofia,
Filosofia,
recém-fundada
recém-fundada ainda, ainda, apresentou-se
apresentot1,-se comcom Fernando
Fernando de de Azevedo,
Azevedo, Lévi-
Lévi-
Strauss,
Strauss, PaulPaul Arbousse
Arbousse Bastide,
Bastide, Emílio
Emílio Willems,
Willems, Roger
Roger Bastide,
Bastide,
Florestan
Florestan Fernandes
Fernandes ee Antonio Cândido. AA Escola
Antonio Cândido. Escola dede Sociologia
Sociologia ee
Política teve
Pol{tica teve também
também comocomo seus
seus colaboradores
colaboradores os os mesmos
mesmos M. M. Davis,
Davis,
Samuel
Samuel Lowrie,
Lowrie, Bruno
Bruno Rudolfer
Rudolfer ee ainda Donald Pierson
ainda Donald Pierson ee Herbert
Herbert
Baldus, êste
Baldus, último, com
êste último, com Sérgio
Sérgio Buarque
Buarque de de Holanda, formando
Holanda, formando
aa primeira
primeira linha
linha dada equipe
equipe do do Museu Paulista. Finalmente,
Museu Paulista. Finalmente, no Ins­
no Ins-
tituto de
tituto de Administração
Administração hd há aa lembrar
lembrar os os nomes
nomes principalmente
principalmente de de
Mário Wagner
Mário Wagner VieiraVieira dada Cunha
Cunha ee Alice
Alice Canabrava,
Canabrava, da da Faculdade
Faculdade
de Ciênci.as
dJe Ciências Eronômica6.
Econômicas. AA êstes pioneiros , j'll'ntam~e
êsies pioneiro.r, juntam-se agQl1'a
agora os os
que
que colaboraram
colaboraram conoscoconosco na na pesquisa UNESCO-ANHEMBI, aa
pesquisa UNESCO-ANHEMBI,
qual seguiu as
qual seguiu as mesmas
mesmas pegadas
pegadas ee os os mesmos
mesmos exemplos
exemplos que que deram
deram
desde aa sensacional
desde sensacional primeira
primeira invest.igação
investigação do do Departamento
Departamento de de Cul-
Cul­
tura sôbre
tura sôbre aa população
população da da Capital,
Capital, quarteirão
quarteirão porpor quarteirão,
quarteirão, ee os os
estudos de
estudos Emílio Willems
de Emilio Willems sôbre
sôbre aa aculturação
aculturação dos dos alemães
alemães ee sôbre
sôbre
aa cidade
cidade de Cunha, que
de ~unha, que marcam
marcam oo início,
inicio, em nosso país,
em nosso país, da pesquisa
da pesquisa
de
de campo
campo rigorosamente
rigorosamente orientada
orientada do do ponto
ponto de de vista
vista cientifico,
científico no no
plano
plano dada Sociologia.
Sociologia. '
Abrimos
Abrimos espaçoespaço aa seguir,
seguir; para
para aa introdução
introdução ee os os vdrios
vários capí-
capí­
tulos do
tulos do interessantíssimo
interessantíssimo estudo.
estudo.
JP D uarte
a u l o DUARTE
FAULO
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IN T R O D U Ç Ã O (0
INTRODUÇÃO 1
)

1
cidade de São Paulo
A cidade apresenta, para
Paulo apresenta, para o estudo
estudo do preconceito
preconceito
de côr, ura
um significado
significado especial, pois transformou-se,
meio século, de umauma cidade
transformou.se, em menos de
tradicional numa
cidade tradicional metrópole tentacular,
numa metrópole tentacular,
lj

maior centro
o maior centro industrial
industrial da América Latina.
da América Latina. O processo realizou-se
com tal
tal rapidez
rapidez que
que ainda
ainda coexistem, lado a lado,
coexistem, lado lado, sobrevivências
sobrevivências da
sociedade escravagista e inovações
inovações da sociedade capitalista.
da sociedade capitalista. O precon­
precon-
'•
ceito de côr, cuja
cuja função
função era
era justificar
justificar o trabalho
trabalho servil
servil do africano,
africano,
1
servir agora
vai servir agora para justificar uma
para justificar uma 80Ciedade
sociedade de classes, mas nem :por
mas nem por
;

1 isso vão variar


variar os estereótipos
estereótipos antigos;
antigos; mudarão
mudarão apenas
apenas de finalidade.
finalidade.
1
Entretanto,
Entretanto, um um novo tipotipo de prêto
prêto afirma-se
afirma-se cada
cada vez mais,
mais, com a


• transformação
transformação do escravo em cidadão, cidadão, e o branco
branco não sabe mais
não sabe mais que
que
'· atitude
atitude tomar
tomar para
para com êle, poisws os estereótipos
estereótipos tradicionais
tradicionais já já não
não
..
'1

'

f
se aplicam
aplicam a êsse
ê~ negro
negro que
de gestação, essas metamorfoses
que sobe .na
metamorfoses e aro
na escala
escala social. São fenômenos
ambivalências
fenômenos
que pretendemos
bivalências que pretendemos
\; ,1
estudar neste
estudar neste relatório
relatório para
para a Unesco
U nesco e ANHEMBI.
AN HEMBI.
i
• Antes mesmo
Antes mesmo de iniciar
iniciar o nosso estudoestudo e conforme
conforme o sistema
sistema
1
• preferido
preferido por
por certos
certos sociólogos norte-americanos,
norte-americanos, que que recomendam
recomendam
' o preparo
preparo de pesquisas
pesquisas pessoais por por uma
uma reunião coletiva, a fim
reunião coletiva, fim de
que todos
que todos possam
possam compreender
compreender o interêsse
interêsse e as razões das perg,intas
razões das perguntas
: feitas,
feitas, reuniram-se
reuniram-se numa mesa redonda
numa mesa redonda os representantes
representantes mais qua­
mais qua-
lificados dos paulistas
lificados paulistas de côr. O êxito êxito dessa primeira reunião foi -•v, ~
primeira reunião
f· que pedira"!
tal q~e pediram para
para ttabalhar
trabalhar no inqu!r~to.
inquérito. Tratou-se então de '-li
Tratou-se então
organizar sucessivamente: 11..°)
organ11.ar sucessivamente: uma comissão
º) uma comissao para
para o estudo
estudo das re­re- -
l

'•
raciais entre
lações raciais entre brancos
brancos e pretos
pretos em em São Paulo, composta dos
Paulo, composta
• pesquisadores escolhidos e dos representantes
pesquisadores escolhidos representantes negros,
negros, com
com reuniões
reuniões
í quinzenais no
quinzenais no salão da Faculdade
salão da Faculdade de Filosofia,
Filosofia, Ciências
Ciências e Letras
Letras de
1
São Paulo,
Paulo, graciosamente pôsto à disposição
graciosamente pôsto disposição pelo
pelo seu diretor,
diretor, Prof.
Prof.
'' Eunpides
Eurípides Simões de Paula, Paula, que
que a todostodos muito animou e ajudou
muito animou ajudou
durante
durante. todo trabalho. 2.
todo o trabalho. 0
2.°)) uma
11ma comissão
comimo especial
especial de alguns in-
de alguns in­
telectt1a1s
telectuais de côr para preparar
côr para preparar as reuniões
reuniões da da sociedade precedente
sociedade precedente
e examinar de modo modo mais
mais profundo
profundo certoscertos problemas particular-
problemas particular-

(1) _ • FicouFicou
(1) de lado
de lado a discussão
a discusslo de problemas teóricos
de problemas fundamentais
teóricos e sôbre
fundam entais a naturez
a natureza
e sôbre
• da comb1n.açlo empreendida
a a combinação empreendida entre ~s as diversas técnicas, processos e métodos de investigação
investigação,•
porq~e tais problemas
porque problemas foram analisados
analisados em um trabalho
trabalho prévio
prévio dos autores
autores (C (Cf.
f. Roger
• •
Basta.de e Floresta
, • Bastide Fernandes: “O
Florestano Fernandes: Preconceito Racial
"O Preconceito Racial em São Paulo”
Paulo" {Projeto
[P ro jeto de .Estudo}
Estudo}
pu~Jtca~lo
publicação n. 118 do Instituto Administraçlo
Instituto de Adm Faculdade de Cifn,ias
inistração da Faculdade Econômicas da
Ciências Econômicas
:
Uo1vers1dade de S. Paulo,
Universidade Paulo, 1931). &ta introdução
1951). Esta int.roduçlo foi redigida
redigida ppor
o r Roger Bastide.
Bastide.
• • •
-.. ~. - .

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....
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1
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12
12
~----------=----------
INQUtRITO
IN Q U É R IT O UNESCO-ANHE
U N ESC O A N H E
------------------------ ,

·----·

.•, •

mente delicados. 3
m ente delicados. .°) uma
3.º) uma comissão
comi~o feminina encarregada de exa-
feminina encarregad~ exa­
minar
mi11ar os característicos
característicos do preconceito
preconceito de côr relativamente
relativament~ a mu mulherer
e à criança,
criança, e que que se reuniareunia quinzenalmente
quinzenalmente n~ gabmete ~
no gabinete da I 'l ..
Cadeira de Sociologia.
Cadeira Sociologia. Essas diversas sociedades, criando
diversas sociedades, criando um^um. clima
clima ,.
de camaradagem,
camaradagem, contribuíram particularmente . para
contribuíram partirularmente para o êxito
êxito da
investigação.
investigação. Mostraram
Mostraram como o prêto prêto vê a sociedade,
sociedade, comocomo _con•
con­
sidera
sidera as relações
relações entre brancos e pretos
entre brancos pretos em São Paulo quais as
Paulo e quais
ideologias
ideologias que que elabora.
elabora.
Mas tais
Mas tais reuniões
reuniões não não podiam
podiam compreender
compreender senão senão líderes, inte•
lideres, inte­
1
lectuais
lectuais ou ou pessoas da classe média. média. Deixavam
Deixavam de lado lado a . classe
baixa,
baixa, queque constitui
constitui o grosso da da população
população de côr. côr. Para
Para suprir
supnr essa
falta aplicaram-se , com o auxílio
falta,, aplicaram-se, estudantes, .os
gracioso dos nossos estudantes.,
auxílio gracioso
métodos seguintes: 1I.º)
métodos seguintes: método ecológico,
.°) o método ecológico, pelo estudo sistemático
pelo estudo sistemático
certos bairros,
de certos
de bairros, da zona dos cortiços,
da zona cortiços, como
como de certoscertos arrabaldes
arrabaldes
em que
que umauma classe média média tende
tende a se destacar lentamente da
destacar lentamente da classe
baixa. 2
baixa. 2..°) aplicação de questionários
º) a aplicação especiais cujos
questionários especiais cujos resultados
resultados ,

foram aproveitados apenas


foram aproveitados apenas parcialmente
parcialmente no no presente
presente trabalho,
trabalho, masmas

que
que permitiram
permitiram compreender-se
compreender-se melhor melhor a evolução
evolução da da mentalidade
mentalidade .
do negro;
negro; 3.°) técnica das
3.0 ) a técnica entrevistas ocasionais
das entrevistas ocasionais com negros negros e
brancos, durante os passeios, as corridas
brancos, durante corridas de taxi,
taxi, as viagens
viagens de ônibus,
ônibus,
como
como se fôssem instantâneos das
fossem instantâneos relações raciais
das relações raciais em plena vida co-
plena vida co­
tidiana;
tidiana; 4. º) a técnica
4.°) técnica das entrevistas
entrevistas formais,
formais, dirigidas conforme
dirigidas conforme
plano prèviamente
plano previamente estabelecido
estabelecido e cuidadosamente estudado, com
cuidadosamente estudado,
di,rersas personalidades
diversas personalidades de côr, e brancas, brancas, englobando
englobando perguntas
perguntas
sôbre os diversos
sôbre diversos aspectos
aspectos da da situação
situação econômica,
econômica, profissional
profissional ou
social dos negros
social negros e de suas suas relações brancos; 55..°)
relações com os brancos; técnica
º) a técnica
das biografias
das histórias de vida.
biografias ou histórias vida.
Enquanto os questionários
Enquanto questionários e as entrevistas
entrevistas eram
eram padronizados,
padronizados,
per111itir
a fim de perm que se chegasse
itir que chegasse a um certo número
um certo n1ímero de generali­
generali-
'
zações, a técnica biografia obedeceu
técnica da biografia obedeceu ao critério
critério da mais
mais absoluta
absoluta l
liberdade, deixando-se
liberdade, deixando-se o narrador
narrador evocar passado e relatar
evocar o seu passado relatar t
'

as suas lembranças à vontade,


suas lembranças vontade, se1n nenhuma a interferência.
sem nenhum interferência. '
l
!
Paralelamente pesquisa entre
Paralelamente à pesquisa entre os negros, também uma
negros, também uma se faz '

\
entre os brancos,
entre brancos, naturalmente.
naturalmente. Mas é claro
Mas claro que,
que, num
numaa população
população
de 90%
90% de brancos,
brancos, era
era preciso lim itar a atividade
preciso limitar atividade dos pesquisadores
pesquisadores
alguns setores
a alguns bem escolhidos.
setores bem escolhidos. O método
método ecológico,
ecológico, atrás refe­
atrás refe-
1
rido, já permitira
rido, compreender as relações
perm itira compreender relações entre
entre as côres certas
cores em certas

zonas de ~o1?cen!ração
zonas concentração da p<>~ulação
população de côr. côr. Além
Além de aplicar
aplicar êsse 1

método, distinguiram-se
~é!odo~ distinguiram-se dois tipos
tipos de famílias,
famílias, as velhas
velhas famílias
famílias tra­
tra•
d1ciona1s que conheceram
dicionais que escravatura e dela
conheceram a escravatura dela viveràm outrora e
viveràm outrora c
as .que provêm da imigração.
que provêm imigração. Foram solicitados aos alunos ou
Foram solicitados \
amig~s pertencentes
amigos p~rtencentes a famílias
famílias tradicionais,
tradicionais, relatos ró ria
relatos de sua própria 1
exper1ênaa
xperiência nas relações com
nas relações os pretos
com os pretos.· Ouanto
O, uanto aos p pp r o
aos imigrantes,
. .
1D11grantes, pro-
1

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1: ( . • • • • ti. ,

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i'
RELAÇÕES
RE.LAÇõES RACIAIS
RACIAIS ENTRE
ENTRE NEGROS
NEGROS E
E BRANCOS
BRANCOS EM
EM SAO
SÃO PAULO
PAUi .O 15
13
.• .

curou-se entrevistá-los
curou-se entrevistá-los através
através de pesquisadores
pesquisadores pertencentes
pertencentes ao seu |>;
• •
..
grupo étnico, a fim de receber
grupo étnico, respostas mais
receber respostas mais sinceras
sinceras.. r
i
,
Era
Era preciso sobretudo examinar
preciso sobretudo examinar o setor industrial _e
setor industrial e o comercial,
com~rcial, |
.
• . particularmente
particularmente importantes,
imPortantes, ~m esq~e':er o~ bancário.
sem esquecer bancário. A _fun fim de U
julgar
julgar da da existência
existência de barreiras
ban:e1ras profissionais,
prof 1ss1ona1s, dos estereótipos
estereó1!pos da |
patronal, das
classe patronal, das ideologias
ideologias dos brancos
brancos em suas relações relaçoes com 1
gente
gente de côr, cõr, empreendeu-se
empreendeu-se uma uma pesquisa
pesquisa sistemática
siste111ática nesse setor,
setor, >1
não em tôdas
não fábricas de S. Paulo,
tôdas as fábricas Paulo, evidentemente,
evidentemente, mas ma1 numas
numas }
tantas consideradas
tantas estratégicas e fazendo-se,
consideradas estratégicas fazendo-se, alémalém disso, uma uma série ^
• • •
sondagens: fábricas
de sondagens: fábricas grandes
grandes e pequenas
pequenas — nacionais e ~strange1ras
- nacionais estrangeiras ’
-— de mão mão de obra feminina e de mão
obra feminina mão de obraobra masculina
masculina — - e os |
diversos
diversos tipos
tipos de negócio banco. Finalmente,
negócio ou de banco. durante todo
Finalmente, durante todo
trabalho, cada
o trabalho, cada umum dos pesquisadores
pesquisadores escreveu
escreveu uma uma espécie
espécie de
“diário”
''diário'' em que
que consignou
consignou tudo
tudo o que interessava às
que interessava às relações
relações sociais
entre
entre brancos
brancos e pretos
pretos em S. Paulo,
Paulo, e que
que lhe
lhe fôra
fôra dado
dado surpreender
surpreender
nos seus encontros
encontros casuais
casuais de rua,
rua, nas
nas conversas
conversas de família,
família, no
ônibus
ônibus e bondes,
bondes, etc.
Graças a essas diversas
Graças diversas pesquisas,
pesquisas, foi foi possível
possível colhêr
colhêr centenas
centenas '
...
fichas.
de fichas.
Até momento, só se falou
Até o momento, trabalho sociológico
falou do trabalho sociológico realizado
realizado
em S. Paulo.
Paulo. MasMas êsse trabalho
trabalho foifoi complementado
complementado por por outro,
outro, psi•
psi­ ..
cológico,
cológico, feito
feito em grupos
grupos infantis
infantis pelas
pelas doutoras
doutoras Aniela
Aniela Ginsberg
Ginsberg e
Virgínia
Virgínia Bicudo,
Bicudo, cujos
cujos resultados,
resultados, como
como se pQderá
poderá ver,ver, vêm
vêm .corro­
.corro-
borar
borar os primeiros.
primeiros. A seguir, seguir, publicar-se-ão
publicar-se-ão os belos belos trabalhos
trabalhos de
psicometria
psicometria e de aplicação
aplicação de testestestes projetivos
projetivos dessas
dessas duas psicólogas.
duas psicólogas.
Quanto
Quanto ao relatório,
relatório, as diversas partes foram
diversas partes foram feitas
feitas em colabo­
colabo-
ração amistosa de todos
ração amistosa instantes, porém,
todos os instantes, porém, de um um modo
modo geral, Flo-
geral, Flo-
restan
restan Fernandes
Fe1·nandes encarregou-se
encarregou-se de redigirredigir os capítulos
capítulos I, 1, IIII e V,
'-. respectivamente:
respectivamente: “Do
''Do Escravo
Escravo ao Cidadão”,
Cidadão'', “Côr''Côr e Estrutura
Estrutura Social
Social
em Mudança”
Mudança'' e “A ''A Luta
Luta contra
contra o Preconceito
Preconceito de Côr”; Côr''; e Roger
Roger ;
Bastide
Bastide dos capítulos
capítulos III III e . IV, a saber: “Manifestações do Precon­
saber: ''Manifestações Precon- .
ceito de Côr''
ceito ''Efeitos do Preconceito
Côr” e “Efeitos Preconceito de Côr”. Côr''. As conclusões
conclusões --..
foram
fo~am_ apresentadas
apresentadas parcialmente
parcialmente em cada cada capítulo,
capítulo, em virtude
virtude da
própria
pro~r1a natureza
natureza da obra. obra. Os autores
autores esperam
esperam voltar
voltar aos problemas
problemas
práticos estudo comparativo
práticos e ao estudo comparativo do preconceito
preconceito no no Brasil
Brasil e nos nos
Estados Unidos.
Estados Unidos.
• •
4

Resta ainda
Resta ainda agradecer
agradecer ao sr. Governador
Governador do EstadoEstado de S. Paulo,
Paulo,
professor Lucas Nogueira
professor Lucas Nogueira Garcez,
Garcez, pela
pela ajuda
ajuda financeira
financeira e pelo inté-
pelo intt-
.
' rêsse testemunhado
testemunhado pela
pela nossa
nossa iniciativa.
iniciativa. pelo mesmo
E, pelo mesmo interêsse,
interêssc,
reitor da Universidade
ao re~tor Universidade de S. Paulo,
Paulo, professor
professor Ernesto
Ernesto Leme.
Leme. Já Já
mencionamos
mencionamos a colaboração diretor da Fa>;
colaboração do diretor Fa , _;_
...dade de Filosofia,
.dade Filosofia
Ciências e Letras,
~iências Letras, professor
profe~or Eurípides
Eurípides Simões
Simões de Paula, os agrade:
Paula, e os agrade­
cimentos
cimentos dosdos orientadores
orientadores da pesquisa estendem-se aos assistentes.
pesquisa estendem-se assistentes*

''
!

••
- •
,
. - - ·
. .,,. .. ,
·..-o •
' r•

/
1
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INQUÉRITO
INQUtRITO UNESCO ANHEMBI
UNESCO-ANl-tEMBI
14

Dra.
Dra. Lucila
Lucila Hermann
Her1nann e professor
professor Renato
Renato Jardim
Jardim Moreira,
Moreira, bem bem como
como
ao secretário
secretário dada Comissão
Comissão para
para o Estudo
Estudo das ,.. R
Relações Raciais
das Rclaçoes · ·
aciats. en tre
Negros
Negros e Brancos
Brancos em S. Paulo,
Paulo, Jorge
Jorge Prado
Prado Teixeira,
Teixeir~, queque foi tam­ tam•
bém
bém colaborador
colaborador nas nas pesquisas
pesquisas ecológicas,
ecológicas, e D. Ermelinda
Erme~1nda de Castro, Ca!~º•
que estenografou, com a ajuda
que estenografou, ajuda de alguns
alguns colegas,
colegas, as diversas
diversas reuniões.
reunio_e11. )
Da
Da mesma
mesma forma,
forma, o reconhecimento
reconhecimento dos orientadores
orientadores do inquérito
inquérito • I ~

l
vai
vai às diversas
diversas associações
associações de negros
negros em S. Paulo: Paulo: Associação
A41sociaçã'?JoséJosé j

do Patrocínio
do Patrocínio de S. PauloPaulo (2), Irmandade de N. S. do
(2), Irmandade do Rosário
Rosário dos
Homens Pretos,
Homens Pretos, a Legião
Legião ·NNegra Paulo; aos informantes
egra de S. Paulo; informantes de côr, côr,
drs. Raul Joviano
drs. Raul Joviano Amaral (5), Edgard
Amaral (S), Edgard Santana (4), Arlindo
Santana (4), Arlindo VeigaVeiga do11
dos
Santos, Francisco
Santos, Lucrécio (5), Geraldo
Francisco Lucrécio Geraldo de Paula Paula e Ãngelo
Ângelo Abatai•
Abatai-
guara,
guara, e aos srs. José
José Correia Leite (6),
Correia Leite (º), Geraldo
Geraldo Campos
Campos de Oliveira,
Oliveira,
Francisco Morais,
Francisco Morais, Luís
Luís Lobato,
Lobato, professor
professor Afonso Dias, José
Afonso Dias, José Pelegrini,
Pelegrini,
Vicente de Paula
Vicente Paula Custódio,
Custódio, Paulo
Paulo Luz,
Luz, Vitalino
Vitalino B. Silva, Mário Mário Vaz
Costa, Carlos Assunção,
Costa, C.u-los A~unção, Romeu Oliveira Pinho,
Romeu Oliveira Joaquim Valentim,
Pinho, Joaquim Valentim,
Nestor Borges,
Nestor Borges, Cirineu
Cirineu Góis, José José Assis Barbosa,
Barbosa, Adélio
Adélio Silveira,
Silveira,
Anibal
Anibal de Oliveira,
Oliveira, Luís
Luís Aguiar,
Aguiar, Benedito
Benedito Custódio
Custódio de Almeida,
Almeida, Gil Gil
de Carvalho,
de Carvalho, José
José Inácio
Inácio do Rosário,
Rosário, Sofia
Sofia de CamPos
Campos ((7) 7 ) Aparecida
Aparecida
Camargo,
Camargo, Nair Pinheiro, e sras. Benedita
Nair Pinheiro, Benedita Vaz Costa,Costa, Maria
Maria de de Lour-
Lour•
des Rosário, Maria
des Rosário, Maria Helena
Helena Barbosa,
Barbosa, RuthRuth de Souza
Souza e Nilza
Nilza de Vas­ Vas-
concelos.
concelos. AlémAlém dessas
dessas pessoas,
pessoas, colaborou diretamente, de forma
colaborou diretamente, for1na es­
es-

porádica,
porádica, um um g1·upo
grupo de maismais de cem personalidades,
personalidades, o que que explica
explica
a impossibilidade
impossibilidade de de agradecer
agradecer publicamente
publicamente a preciosa
preciosa ajuda
ajuda ofe-ofe­
recida.
recida. Da Da mesma
mesma forma
forma queque os informantes
informantes de côr, côr, os estudantes
estudantes
ajudaram
ajudaram com com tôda
toda a boa
boa vontade
vontade e eficiência,
eficiência, sobressaindo-se,
sobressaindo-se, pelo pelo
valor
valor dasdas contribuições
contribuições especiais,
especiais, Maria
Maria Isaura
Isaura Pereira
Pereira de de Queiroz,
Queiroz,
Fernando
Fernando Henrique
Henrique Cardoso,
Cardoso, Lólio
Lólio Lourenço
Lourenço de de Oliveira,
Oliveira, Marialice
Marialice
Mencarini,
Mencarini, Ruth Ruth Correia
Correia Leite,
Leite, Maria
Maria Sílvia
Sílvia Carvalho
Carvalho Franco,
Franco, Ma- Ma­
14ia
ria Neusa
Neusa A vênia, Helena
Avênia, Helena Maria
Maria Paniza,
Paniza, Luís
Luís Carlos
Carlos de Mesquita
Mesquita e
..,
~ \

((2)
2)AÁ A
Associação
ssociação José do PPatrocínio colocou àà disposição
atrocínio colocou disposiçio dos pesquisadores,
pesquisadores todos todos
ot sábados,
os sábados, umumaa de de suas
suas salas
salas para
para debates
debates dda comissão.
a comissão. •
- (3)
(3 ) .~O dr.
dr. Raul
Raul. Joviano
J~viano A Amaral deu, além
m aral deu, além dasdas intervenções
intervenções inform ativas ee criadoras
informativas criadoras
nas
nas reunioes
reuniões da Com Comissa~
issão para
para o_ Estudo das Relações
o Estudo Relações Raciais
Raciais entre
entre NNegros
egros e Brancos
Brancos em •
S. uPaulo,
T \ uma
u m l , colaboração
c?laboraç~o- espec1~I
especial:: ~m
um estud? sôbre o N
estudo sôbre Negro População Paulo.
?*
~~ab~? .3e
analise estatística
tra b a lh o de analise
:~ r _ tgi O °O trabalho.
estat1st1ca ee histórica
trabalho.
h1st6r1ca que
que infelizm
infelizmente
linhas gerais, êsse estudo
Em linhas
egro na P
não se
ente não
estudo comprova
se pôde
opulação de S. P
pôde aproveitar
aproveitar por
resultados da inves-
com prova os resultados
au lo ,
estar
p o r estar

e1,~ªa~:.
tspaço* e ªcompleta,’ com
* * Comp com novos
novos ddados
ad °s estatísticos,
estatísticos, nãonão expostos
expostos aqaqui
u i ppor limitação
o r lim itação de de '

si
009
~~ 50 pdr. Ed~~d T. S_antana elaborou um ensaio sôbre Relaç6es entre Pretos e Bran•
1
f)essoal à· in!~s~gaçã~ec:!cp~;~~d~de côr", S. Paulo, 1951, que ofereceu como contribuiçlo

ar
1
{5 ) O d.r · , · a.
Sobre a situaçã~ ~~~º1:!~~ur~~c~:c•~ôrfez ufa c;nunica~fão especial, de muit_a impottlncia,
\
tób,W (6) SO
O sr ,J d° ~.t. ; Co
r raa' U
. ™ de
. as mana estaçoes do ptccMcékoTe^còr^"1’
em ace ‘daTmanffena^eído preconceito de cõr.
• .. 0 ~ rre1a Le1te além de outras col b - . .
~ cooper_ar com o pesquisador R~nato J d. M . a oraçoes muito importantes, dispôs-se
os movimentos sociais no meio negro'• ~r im ore1ra na elaboraçio de um estudo sôbre
(7) D. Sofia Campos p t . 1
n~rios sôbre as Relações Rac1:~,º~ uma val1os~ c~raçlo, tanto nas reuniões dos "Semi Semi<..
s~ºpqu~?tonos trabalhos da --c1:::m~·s1!ª~º , realizados ~a Associação José do Patroci«
Patroci- ,
f 'l au~oV• »c1ue
« se
- reunia noo “C De artS « t o ? Esc~do
‘Udf da Sr
d* Situação
çío da Mulher Negra
Negra em em
~ <>sof1a,,Ciências e Letras da Úniveam~dntdo dde SSoc1ologiae Antropologia da Faculdade ..a_
* t a r a , da rs1 a e ddete Sn . Paulo.
‘X . * A ntt° P0l0gÍ1 d l r4 c “ ld l* *""

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1
• SÃO
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S X O 1l),lo» ’"
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RELAÇÕES RACIAIS
RELAÇÕES RACIAIS ENTRE
ENTRE NEGROS
NEGROS E
E BRANCOS
BRANCOS EM
EM SAO
SÃO PAULO
PAULO 15
15 '
,
l
1

1
i
Kitahara. Por
Yukio Kitahara. Por fim, resta agradecer
fim, resta agradecer aindaainda ao dr. Benedito J.
dr. Benedito
'' 't •
Duarte e ao Departamento
Duarte Departamento de Cultura
Cultura da Prefeitura de S. Paulo,
da Prefeitura Paulo,
que puseram à disposição
disposição uma série de fotografias
fotografias para
para ilu8trar
ilustrar a*as
A

r . .
que puseram uma série

1 ,
1 . pesquisas.
pesquisas.
Mais uma
Mais uma palavra, para terminar.
palavra, para terminar. Êste estudo
:tste estudo trata
trata do pr~pro­
blema
ble1na da côr Paulo. í:t,
côr em S. Paulo. , pois, natural, que
pois, natural, que focalize
focalize exclusi­
exclusi-
vamente tal
. vamente tal problema.
problema. Mas Mas arriscar-se-ia
arriscar-se-ia a dar dar uma
uma idéia
idéia falsa
falsa ao
leitor que
leitor que supusesse girar tudo
supusesse girar tudo em tôrnotôrno do do fator
fator côr. Um Um dos
resultados
resultados mais mais interessantes das histórias
interessantes das histórias colhidas
colhidas em que que o narrador
narrador
deixava levar
se deixava levar sem restrições pelas suas
restrições pelas le111branças, foi justamente
suas lembranças, justamente
verificar que
verificar que as fricções
fricções ou
ou os
01 problemas
problemas produzidos pela côr
produzidos pela côr cons­
cons-
tituem apenas
tituem momentos, e que,
apencU momentos, que, nono seu conjunto,
conjunto, a vidavida dos pretos
pretos
nada
nada oferece
oferece dede uma
uma perpétua
perpétua tragédia.
tragédia. É preciso ter
:2 preciso ter em mente
mente
êsse fato,
fato, nono momento
momento de começar
começar a leitura
leitura dêste trabalho sôbre
déste trabalho sôbre a a
situação racial
situação racial em S. Paulo.
Paulo.

•1

(

1
1
'
'




• • •
ti
)

DO
D O ESCRAVO CIDADÃO (*)
AO CIDADÃO
ESCRAVO AO m
""

A história
história do negronegro eDlcm São Paulo
Paulo se confunde,
confunde, durante
durante um
largo
largo período
período de tempo,
tem po, com a própria
própria história
história da economia
economia pau- pau­
lista.
lista. Os africanos,
africanos, transplantados
transplantados como escravos para para a América,
América,
vira:m
viram a sua vida vida e o seu destino
destino associar-se a um. um terrível
terrível sistema
sistema de
exploração
exploração do hon1eni hom em pelopelo homem,
homem, em que que nãonão contavam
contavam senão
coino
como e enquanto
en q u an to instrumento
instrum ento de trabalho
trabalho e capital;
capital.' Em São Paulo, Paulo,
e~a
essa regra
regra nãon ão sofreu
sofreu exceção.
exceção. Os 01ovimentos
movimentos característicos
característicos da ''po•“po­
pulação
pulação de côr'' côr” e as tendências
tendências à especialização
especialização profissional,
profissional, que que
se processarant
processaram dentro dentro dela,
dela, refletent
refletem de forma·
forma considerável
considerável as flu- flu­
tuações
tuações das ''fases''
“fases” ou ''ciclos'' evolução da economia
“ciclos” de evolução economia paulista.
paulista.
:t
Ê impossível
impossível precisar
precisar a época
época entem que
que se iniciou
iniciou a importação
importação
do braço
braço negro
negro einem São Paulo.
Paulo. Presume-se
Presume-se que que os primeiros
primeiros afri. afri­
canos
canos viera01
vieram parap ara o Brasil
Brasil entre
entre 1516 e 1526. No N o entanto,
entanto, só a
partir
p a rtir dos meados
meados do séa1loséculo XVI
XVI principiou
principiou o afluxoafluxo regular
regular e
constante
constante de de africanos
africanos parapara a Colônia
Colônia (1).(*)• Coni
Com referência
referência a São
Paulo,
P aulo, supõe01
supõem alguns
alguns autores
autores que
que o tráfico
tráfico começara
começara com a vinda vinda
'• do donatário
d o n atário Martim Afonso de Souza, em 1530; por
M artim Afonso por essa época~
época, os

negros
negros não não chegariam
chegariam diretamente
diretam ente da África,
África, nias
mas do Reino,
Reino, como
parte
p a rte da ''bagagem'' povoadores (2). Todavia.
“bagagem ” dos povoadores Todavia, a docuuientação
documentação
disponível
disponível nada nada permite estabelecer de positivo,
perm ite estabelecer positivo, senão que que até 01 os
fins
fins do século
século XVI
X V I apenas
apenas alguns
alguns moradores
moradores possuíam
possuíam um ou outro outro
escravo
escravo negro,
negro, ocupados
ocupados especialmente
especialmente nos nos trabalhos
trabalhos da lavoura
lavoura ((s).3 ).

P~los fins do sécu)o


Pelos século XVI,
X V I, o tráfico
tráfico estabelecera-se
estabelecera-se diretamente
diretam ente
coni
com Angola.
Angola. Ainda A inda assim,
assim, a proporção
proporção do elemento negro na po-
elemento negro po­
pulação
pulação escrava
escrava era
era IDuito
m u ito pequena,
pequena, havendo
havendo quent
quem afirme,
afirme, c.om
com base
na interpretação de dados
n a interpretação contidos e1n
dados contidos em inventários,
inventários, que,que, até sete-
centos,
centos, parap ara 34 índios
índios escravos
escravos existia
existia um escravo
escravo africano
africano ((4).4 ). Quer
Q uer
•t
(<•)
•)
((1)
l)
Tráfico),
T,J/JcoJ,
capítulo foi redi1
!ste capitulo
Este
Maurício Goulart»
Maurício
Liv. Martins
IiV.
ido por
redigido por Floresran
Goulart., Eserd11id.ao
Editôra, S. Paulo,
Martios Edjtôt3,
Floresran Fernandes.
Escravidão Africana
Fernandes.
A.ftic•na •o
Paulo, l9S0
no Brasil (Das Orl1n11
Br41il (DIU
edição), pigs.
2* ediçio),
1950 ((2•
Origens Ji l!xli11rao
56-57 e 9S-96.
págs. S6-57
Extinção do
95-96.

(2) CI.
(2) Cf. Maorício
Maurício Gou1art,
Goulart, op.
op. cit pig. 96; Cjro
.• pág.
cic.t Tassara de Pádua,
Ciro Tassara Pádua, O 0 Nt!lro
Negro •o no
Planalto (Do
Pla11"110 (Do SJculo
Século XYl
X V I ao Slculo
"º Século XIX),
X IX ), separata uRevi.sta do Instituto
separaca da "Revista Instituto Histórico
Histórico e
!: Geográfico
Geográfico de Slo Sio Pau)o>',
Paulo*', Imprensa
ímpeensa Oficial Estado, S. Paulo,
Oficial do Estado, Paulo. 1943
1943, pág. 149.
, pág. 1~9.
((3)
3) Cf. especialmente Theodoro Sampaio, São
especialmente Theodoro São P11.11lo
Paulo dede Piratinrnga
Pi,at.ininga no no fim
fim dodo Sl-
Sé•
culo XYI,
culo X V I, io ••Revista
"Revísra do Instituto
Instituto Histórico Geográfico de Sio
Histórico e Geogrifico Sáo Paulo
Paulo”, vol. IV.
... vol. IV, págs.
257-279; Florestan
257-279; Aspectos do
Fernandes, AspecloJ
JFlorestan Fernandes, do Po11oamnito
Povoamento á1 de São
São Paulo
P•ulo no no Século X V I, pu•
SJ,ulo XVI, pu-
' blic.açJo
blicaçáo do ulnstituto
"lnsriruto de Adminisrraçlo Universidade de São
Administração da Universidade Paulo",
São Paulo", 1948, pig.
pág. 17;
Dácio
D icio Aranha
Aranha de A. Campos, Tipos de
Campos, Tipo, Povoamento tkde São
âe Poflodmmlo São Paulo,
P,u/o, in "Revista do Arquivo
...ReYista do Arqui•o
Municipal'\
Municipal”, Aoo Ano V, Número
Número LlV,LIV, S. Paulo,
Paulo, 1939, pág. pág. 1919 ee sets •.
sets..
i (4) O tráfico
(4) Aogo.la fõra
tráfico com Aogola organizado por
fôra organizado por Afonso
Afonso Sardinhia, poderoso ec rico
Sardinha, um poderoso
i morador;
(
morador; nada nada indica, porém* que êsse tráfico
indica, portm. assumido alguma
tenha assumido
trifico tenha alguma impottl.oc:ia.
importância» Cf* a.
l

..
'

t RELAÇÕES RACIAIS
RELAÇÕES RACIAIS ENTRE
ENTRE NEGROS
NEGROS E BRANCOS
BRANCOS E'-f
EM SÃO
SAO PAULO
PAULO 17
17

se
sc aceitem,
aceitem, quer
quer não,
não, os resultados
resultados desta interpretaçao, ~a verd,ade
desta interp~etação, vcidadc é
que várias
que várias razões
razões podem
podem ser aventadas
aventadas para
para e:x.phcar
explicar o baixobaixo numero
número
de africanos
africanos em S. Paulo,
Paulo, na transição
transição do século
século X\'IXVI para
para o século
XVII. A p0pulação
XVII. população da Vila de São Paulo Paulo era era ~e de f~to
fato acanhada:
acanhada:
Anchieta e Cardim
Anchieta Cardim apontam
apontam 120 fogos,íogos, ou habuaçoes,
habitações, em 1585;
documentos
documentos oficiais
oficiais indicam
indicam mais
mais de 100 fogos em 23-5-1583 23-5-1583 e em
26-4-1585, e mais
26-4-1585, mais de 150 fogos em cm 1-5-1589 ((5). 5 ). A população
população assim
descrita
descrita foi calculada
calculada conjecturalmente
conjecturalmente pelos pelos historiadores
historiadores como
comp0rtando
comportando entre entre 1.500 a 2.000 indivíduos
indivíduos ao ao todo,
todo, incluindo-se
incluindo-se
brancos,
brancos, índios,
índios, negros
negros e mestiços,
mestiços, tanto
tanto livres
livres quanto
quanto esaavos 6) •
escravos ((6).

1 1
:t
É provável
provável queque quase
quase trêstrês quintos população ffôsse
quintos dessa população constituída
ôsse constituída
por indígenas,
por indígenas, capturados
capturados em diversas
diversas regiões
regiões pelospelos brancos.
brancos. Ou
própria composição
seja, a própria composição da população
população sugere
sugere que que as necessidades
necessidades
de mãomão de obraobra tendiam
tendiam a ser supridas,
supridas, predominantemente,
predominantemente, por por
meio
meio do braçobraço indígena,
indígena, o que que é confirmado
confirmado por por abundante
abundante do- do­
cumentação,
cumentação, que que infelizi11ente
infelizmente não não pode
pode ser examinada
examinada aqui. aqui.
Outras -razões
Outra~ razões não menosmenos importantes
importantes têm sido postas postas em re-
lêvo. A maismais lembrada
lembrada consiste
consiste na pobreza
pobreza dos moradores,
moradores, que que não
não
po~uíam
possuíam recursos
recursos para
para competir
competir com os senhores senhores de engenho
engenho do
norte
norte da Colônia
Colônia na compra
compra de escravos; sem comércio comércio e sem expor• expor­ 1

tação, '
tação, os moradores
moradores gozavam
gozavam de relativa
relativa fartura,
fartura, mas não não possuíam
possuíam
meios
meios parapara troca
apreciável.
apreciável. Além
troca ec para
para a aquisição
aquisição de africanos
Além disso, a obtenção
obtenção de escravos
africanos em quantidade
quantidade
indígenas era
escravos indígenas era fáci)
fácil
''
1

e a própria
própria venda
venda ((ouou escambo)
escambo) dos índios
índios capturados
capturados nas chamadaschamadas
''guerras
“guerras justas"
justas” representava
representava uma uma das principais
principais fontes fontes de renda
renda
paulistas. :t
dos paulistas. É provável
provável queque na economia
economia do planalto planalto houvesse
houvesse
lugar
lugar para
para o emprêgo
emprêgo mais amplo amplo do escravo
escravo africano;
africano; cultivava-se
cultivava-se
o trigo,
trigo, o milho,
milho, o algodão,
algodão, a mandioca,
mandioca, a canacana de açúcar,
açúcar, a ,,inha,
vinha, o
marmelo
marmelo e diversas
diversas frutas,
frutas, nativas
nativas ou transplantadas,
transplantadas, e existem existem no-no­
tícias
tícias de que, partir de 1560, se extraía
que, a partir extraía algum
algum ouro ouro de lavagein
lavagem
nas regiões circunvizinhas. A supremacia
regiões circunvizinhas. supremacia da mão mão de obra obra africana
africana
sôbre
sôbre a mão mão de obra
obra indígena atividades é muito
indígena nessas atividades m uito conhecida.
conhecida.
• No entanto,
entanto, parece
parece queque o mesmo
mesmo não não acontecia
acontecia com cora as at!vidades
atividades
l de criação
criação (de gad~
gado bovino,
bovino, equinos,
eqüinos, e suínos),
suínos), nas nas quais
quais os escravos

\ Afonso
Afonso d'E. Taunay, S.
d'E. Taunay, S. P11ulo
Paulo nos
nos Primeiros
Primeiros Anos Anos (1554-1601),
(1554-1601), E. ArraultArrault & Cie .• Tou.rs,
Cie-, Tours,
1920, págs São Paulo
158-159, e São
págs... 158-1~9, Pau\o no no Stculo
Século XVI.X V I . História
História "4 da Vil.i
Vila Pir.dini11g.ma.
Piratiningana, E. Ar• Ar­
rault .&
rault & C,a.,
Cia., 1921,
1921, pãgs.
págs. 185-186;
185-186; Alfredo
Alfredo Ellis Resumo da
Ellis Jr., Rtiumo da Histi>,i.i
História d~ de São
São Pirulo,
Paulo,
..Bolet1m
Boletim XXXVIIXXXVII da da Facufd3de
Faculdade de de Filosofia.
Filosofia, Ciincias
Ciências e L~tras
Letras da da t·ni,·trsid.1dc
Universidade de de São
Paulo', 1944, pág.
Paulo~'. 217 ((aa proporção
pág. 217 proporção estabelecida
estabelecida é extraída
extraída dos dos se~int~s dados brutos,
seguintes dldos brutos,
concernentes à popu~açlo
concern~ntes população escrava:
escrava: cm em 196 inventarâos
inventários,.. foram
foram apur.1dos
apurados 8.000
8.000 índios
índios para
para
265 af r1canos, ou se1a.
africanos, seja, 3.~ % de
3,3 % de elemento
elemento negro.negro, aprox im:idamente. na popu
aproximadamente, população escrava),
laçlo tter.iva).
j (S) JosePk de
Joseph. d~. Anchieta,
An5h1cta. S.~- .J Cartas, Informações,
J.,.• Cartas, Fragmentos llislórifo1
l'.'fo,m.irões, Fr.agmt>ntos Históricos et S"'11õtt
Sermões
do .Plld,t
elo Padre...,
. .. , C1v1hzaçao Brasileira S. A.,
Civilização Bras1le1ra A., Rio
Rio de de Janeiro,
Janeiro, 193~. pig. -t.:?3
1933, pig. 423 (<informação
inform.içlo
escrita cm
escrita cm dezembro
dezembro de de 1585);
1585); Padre
Padre Fernão
Fernão Cardim Tratados
Cardim, T,aJMlos da
da Terra
Ttrr.s ee Gnrte
Gente do
do Brasil,
B,.s.til
Companhia Editôra
Co~panhi.a Editora N3cional,
Nacional, 2 1* eded.,.• 191939, págs. 314 e 315 (cumpre
..~9. pá~s. (cumpre notar
notar que
que o cronist;
cronista
assan~la_
assinala s1~plesmenrc
simplesmente que que osos brancos
brancos tinham "muita escra,·aria
tinham ºmuita escravaria d.1 da terra··.
terra", nlonão mencioolodo
mencionando
a.
a ~x1st~nc1a
existência ~e de e~cra~o~
escravos afri
africanos);
canos); Actas dJ
.:4c-t.1s da ((amara
·am11rJ d.Jda i:V i/'a
ila Jtde S.i1J
São P.iulo.
Paulo. puh.
pub. ofi•
ofi­
cial do
ctal do Arquivo
Arquivo Mun1c1pal,
Municipal, S. Paulo.
Paulo, 1914. vol. I. pi~s.
1914, vol. págs. 2~7,
237, 370
370 e ainda
ainda 410410 (par.1
(para 1591)
1591).•
t .
.,_ (6) Cf. Theodoro Sampaio, loc.
p.-g. 188.
loc, ci,.; Afonso dӣ.
cit.; Afonso Taunay, SM>
d·'E. Taunay, São Paulo
P4Mlo •o mo Século XVI,
Síc11lo XVI,

I '

• . . 1 ·- ·......•
., ,I

.-
,.
~

18
18 INQU~RITO UNESCO-ANHE~f
IN Q U É R IT O UNESCO ANHEM

nativos superavam
nativos africanos, e está fora
superavam os africanos, fora de dúvida
dúvida queque as ban­ ban-
,

deiras
deiras de apresamento
apresamento não não poderiam
poderiam constituir-se
constituir-se e operar
operar regular­
regular- ~

mente
mente senão
senão com o aproveitamento
aproveitamento em larga larga escala
escala do elemento
elemento
indígena.
indígena. Ora,
Ora, o apresamento
apresamento e a criação criação foram,
foram, porpor muito
muito tempo,
tempo,
os _dois
dois eixos
eixos da economia
economia planaltina.
planaltina. Daí
Daí o padrão
padrão de composição
composição

racial
racial dada população
população escrava,
escrava, com acentuadíssima predominância dos
acentuadíssima predominância
escravos
escravos índios.
índios. Na Na organização
organi:zação da economia
economia paulista
paulista da época, épaca,
as possibilidades
possibilidades de utilização trabalho do escravo
utilização do trabalho escravo indígena
indígena
reduziam
reduziam à lavouralavoura e à obtençãoobtenção de ouro ouro por por lavagem
lavagem as esferasesferas
de exploração
exploração regular
regular do trabalhotrabalho do escravo
escravo africano.
africano. E sabe-se
por documentos
por históricos fidedignos
documentos históricos fidedignos que que mesmo
mesmo nesses setores sò-
nesses setores so-
mente
mente os moradores
moradores mais mais ricos
ricos estavam
estavam em condições
condições de beneficiar-se
beneficiar-se
com o trabalho
com trabalho do escravoescravo africano,
africano, mais produtivo e estimado(?).
mais produtivo estimado(7).
,.
• •
O fato
fato dada proporção
proporção do elemento elemento negro
negro na população escrava
na população escrava
ser
ser m uito pequena,
muito pequena, nos nos fins século XVI
fins do século XVI e começos sérulo XVII,
começos do século XVII,
não
não exclui
exclui a participação
participação dos negros, nas
dos negros, nas bandeiras
bandeiras organizadas
organizadas para para
a captura
captura de índios.
índios. Taunay,
Taunay, autoridade
autoridade no no estudo
estudo dasdas bandeiras
bandeiras
paulistas,
paulistas, assevera
assevera que que “a ''a constituição
constituição das entradas paulistas nos
entradas paulistas
mostra
mostra a coexistência
coexistência freqüente,
freqüente, nas nas mesmas
mesmas mesnadas,
mesnadas, de índios índios e
tapanhunos (negros)
de tapanhunos (negros) recém-vindos
recém-vindos do além além Atlântico. Sobretudo
Atlântico. Sobretudo
depois de
depois de passadas
passadas as prim eiras décadas
primeiras décadas da da colonização''
colonização” (8). (8). T o­
To-
davia,
davia, o negro
negro não não alcançara
alcançara ainda ainda uma
uma posição
posição definida
definida na estru­ estru•
tura
tura da bandeira.
bandeira. A suasua incorporação
incorporação a ela ela pode
pode ser considerada
considerada
como
como ocasional,
ocasional, até até a descoberta
descoberta das minas de
das minas de ouro,
ouro, em que que o
apresamento
apresamento de índios
índios começa
começa a ser ser substituído
substituído pela
pela mineração.
mineração.
Verifica-se que
Verifica-se que mesmo
mesmo no período de
no período de pesquisas
pesquisas estimuladas
estimuladas pela pela
Coroa,
Coroa, em que que as bandeiras
bandeiras dos dos paulistas
paulistas logravam
logravam decidido
decidido apoioapoio
oficial,
oficial, em virtudevirtude da ganância
ganância pelo pelo ouro,
ouro, nas instruções e regi­
nas instruções regi•
mentos
mentos reaisreais não
não se ordena
ordena o aproveitam
aproveitamento ento de escravos
escravos africanos,
africanos,
mas sim o de escravos escravos índios
índios (9). Ao contrário
contrário do que que aconteceria
aconteceria

((7)
7 ) Sôbre
Sóbre aa economia
economia planaltina
pianaltína no no século
século XVI,
XVI, cf. cf. especialmente
especialmente Roberto
Roberto C. C. Simon-
Simon•
sen, Os
,en, Os Fundamentos
Funúmenlos Econômicos
Económicos da d4 Expansão
Expansão Paulista,
Paulista, in História Econô"1iça
ín História Econômica do ~o Brastl,
Brasil,
(1500-1820),
(1500-1820), Companhia
Companhia Editôra
Edirôra Nacional,
Nacional, S. Paulo, 1937, vol. ~'
Paulo, 1~37, I, págs.
págs. .311-345;
_311-~4~;. Alcân­
Alc!~-
Machado, Vida
tara Machado, Vida ee Morte
Morte do do Bandeirante, nova edição
Bandeirante, nova edição da Liv. liv. Martins
Martins Jbditora,
Editora, àao
Sao
Paulo, 1943,
Paulo, 1943, esp. págs. 2S-S7 ce 168-171.
pág1, 25-57 168-171. Quanto
Quanto aos demais
demais aspectos
aspectos do problema
problema _ ana­
ana-
lisado, cf.
lisado, cf. Alfredo Júnior, A
Eílis Júnior,
Alfredo Eilis Evolução d4
A Evolufão da Econo,nia
Economia Pa11lísta
Paulista ee SuasSuas Causas,
Causas, Comp.
Co~ _p.
Ed. Nac.,
Nac., S. Paulo,
Paulo, 1937, págs.
págs. 55,SS, 89 IOS; O
89 e 105; Bandeirismo Paulista
O Bandeirismo Paulista ee oo _Recuq
Recuo do do. Me­
Me-
ridiano, Comp.
rldilllll), Comp. Ed. Nac., Nac., 22•* ed.,
ed., S. Paulo,
Paulo, 1934, págs. 42•43; R*su™
págs. 42-43; Resumo *T?a aa . H**tõrit
Históriaa. Vde
São
Sao Paulo,
Pa11/o, op.op. cit., págs.
págs. 203-208; O Ouro ee aa PaulisJania,
O Ouro Paulistania, Boletim
Boletim XCVIXCVI da Faculdade
Faculdade
de Filosofia,
Filosofia, Ciências
Ciências ee Letras
Letras da Universidade
Universidade de São Paulo, Paulo, 1948, págs. S2·S5;. Samuel
págs. 52-55; Sa01uel
Lowrie, O
H. Lowrie, Elemento Negro
O Elemmto Negro na na População
População de de São
São Paulo,
P1111l0,in "Revista
"Revista do Arquivo
Arquivo Mu­ Mu-
nicipal, Ano
nicipal, Aoo IV,IV, Vol.
VoJ. XLVIII,
XLVIII, págs. Sérgio Buarque
págs. 9-10; Sérgio Buarque de Holanda,Holanda, Monçoes,
MonfÕes, Casa Casa
do .Estudante
Estudante do do Brasil, Rio dede Janeiro,
Brasil, Rio Janeiro, 1945,
1945,p.ig.
pág. 13.13. • ___ ...•
(8)
(8) Afonso
Afonso d'E. Taunay. Subsídios
d'E. Taunay, Subsídios parapara aa História
Histó,;a do do Tráfico
Tráfiço Africano
Afr1çano no no _Brfts,1,
publicação do Instituto
publicaçfo Histórico, "Imprensa
Instituto lfist6rico, "Imprensa Nacional",
Nacional", Rio Rio de Janeiro,
Janeiro, pág.pág. 553. VeJa-~
Veja-_
ainda:
ainda: Cassiano Ricardo, Marcha
Cassiano Ricardo, March11 parap11ra o Oeste (A
o Oeste ( A influência
lnfluln,ia da
da Bandetra
Bandeira na na Formaçao
For"!açao
SoçiaJ e~ Politic4
Social Política dodo Brasil), Liv. José
Brasil), Liv. Editor», Rio
OJympio Editora.
Joté Olympio Rio dede Janeiro,
Janeiro, 194 2, voI.
1942, vol. z.2.
9

pigs. ,-47;
págJ. Ciro T. Pádua,
5-47; Ciro Pádua, op. cit.,cir., pág.
p.ig. 149. CA,
(9 ) Cf. especialmente
(9) e9pecialmenre PedroPedro Taques Almeida Pais Leme,
Taques de Almeida Informação SIJ~r,
Leme, Informação Sobre as tU
Minas
Min41 tk de São
S3o Paulo,
Paulo, Comp,
Comp. Melhoramentos
Melhoramentos de S. Paulo, ,. s. d., passim (em parr1~~l.ar,
d., passim particular,
confrontem-se
coof rontem-se as pígt. 141 e 142),
as págs. 142). Um documento
documento que que trata
trata da iaa ida de Afonso
Afonso Sardinna,
Sard•nJ?a,
mofo, jw
q moço,
Q pu,* oo Rrtáo, our,ot©iwcebof
«>m ttitfot
*çrt!o, com m,R,,botr, "m "m,iti* dt ççm fqdios
4c çf'Q c;ii,tl~", coig
íadm cristíos”, e
co,y 9 f\tq
'



/'
'•
1

i•
• •
RELAÇÕES RACIAIS
RELAÇÕES RACIAIS ENTRE NEGROS E BRANCOS
E N T R E NEGROS BRANCOS EM SAO
SXO PAULO
PAULO 119
9
.,


mais tarde,
mais tarde, a escassez de braços braços não não dá origem,
origem, neste neste período,
período, a
pedidos de intensificação
pedidos intensificação da importaçãoimportação de africanos,
africanos, mas a altiva! altivas
exigências de pe1111issão
exigências permissão da ''guerra
“guerra justa''
justa” contra
contra os índiosíndios (10).( 1º). Por
outro alguns documentos
outro lado, alguns documentos indicam indicam que que os índios
índios eram eram empre­ empre•
l
gados
gados regularmente
regulai 111entepelos
pelos moradores
moradores seja “para ''para fazer
fazer seus alimentos
alimentos l

1
para
para comer”,
comer'', seja para para “irem
''irem às minas minas parapara tirar
tirar ouro”
ouro'' (u ( 11).
). l

No decorrer
No decorrer do século
século XVII,XVII, o panorama
panorama das relações relações raciais raciais
se modifica
modifica lentamente,
lentamente, graças graças às transformações
transformações introduzidas
introduzidas no
sistema
sistema econômico
econômico de São Paulo Paulo pelas pelas descobertas
descobertas de minas minas de ouro. ouro.
Até a última
última década
década dêsse século, século, a fisionomia
fisionomia da população população não não
se altera
altera profundamente,
profundamente, apesar apesar do aumento aumento progressivo
progressivo da popu­ popu-
lação escrava
lação escrava negra
negra e do relativo relativo estacionamento
estacionamento da população população
branca. Os rerursos
branca. recursos proporcionados
proporcionados pela pela exploração
exploração do ouro ouro alu• alu-
• vial e, talvez, pela venda
talvez, pela venda de índios índios permitiam
permitiam intensificar
intensificar um um pouco pouco
a importação
importação de africanos.
africanos. Sabe-se que que um opulento comerciante
um opulento comerciante
deixou,
deixou, num num espólio
espólio avaliado
avaliado em quatro quatro contos
contos de réis, um um conto conto
de réis
réis de escravos
escravos de procedência
procedência africana, africana, sendosendo qque u e cada
cacla “peça”''peça''
custava
custava em média, média, nessa
nessa época (1681), cincoenta
época (1681), cincoenta mil mil réis
réis (12)-
( 12). To-T o­
davia,
davia, a porcentagem
porcentagem dos negros negros na na população
população escravaescrava mantem-se
mantem-se re­ re-
duzida.
duzida. Os agricultores
agricultores e sertanistas
sertanistas são ainda ainda “p ''potentados
o te n ta d o s de arco
- e flecha”,
flecha'', baseando-se
baseando.se sua opulência,
opulência, prestígio
prestígio e poder poder na na escravaria
escravaria
indígena
indígena que que possuíssem
possuíssem ((13). 13 ). :t
É pelos
pelos fins
fins do séculoséculo XVII, com com a
\ localização de minas
localização minas auríferas
auríferas pelos pelos paulistas,
paulistas, que começa a se for•
que começa for­
mar o primeiro
mar fluxo regular
primeiro fluxo regular e apreciável
apreciável de escravosescravos negros negros para para
regiões. Então,
estas regiões. Então, o negro negro deixadeixa de ser ser umum membromembro ocasional ocasional
das bandeiras,
das bandeiras, para para tornar-se
tornar-se uma uma de suas molas essenciais
suas molas essenciais e o prin- prin­

cipal agente
cipal agente nos nos trabalhos
trabalhos de mineração.mineração. Em Em conseqüência,
conseqüência, o valor valor
escravo africano,
do escravo africano, queque sempre
sempre fôra fora maior
maior que que o do escravo escravo indí­ indí-
gena, quintuplica-se
gena, quintuplica-se em menos menos de duas duas décadas:
décadas: cada ''peça'' passa
cada “peça” passa
a custar
custar 250 mil mil réis ( 14). Os recursos
réis (H). recursos para para a compra compra de escravos escravos
'
' africanos
africanos a preços
tação
preços tãotão altos
gêneros e outras
tação de gêneros
altos provinham
provinham da
outras utilidades
utilidades nas
da mineração
mineração ou
minas. Um
nas minas.
ou da da perm
Um documento
documento
permu-u­

de 13 de março
março de 1713,1713, relativo
relativo aos desvios desvios de ouro ouro em pó, pó, informa:
informa:
de ’*ir
"ir tirar
rira~ ouro",
ouro", nlo menciona nenhum
nlo menciona nenhum escravo africano
africano como membro
membro do grupo (d.
Rruno (cf.
Atas
Atm da da Vila
Vila de São Paulo,
dt São Paulo, vof.
vol. II, pág. 47).
II, pág. 47).
({10)
10 ) Na Na reunião
reunião dos oficiais
oficiais das cãmaras,
câmaras, em cm 26-4-1585, v. g., g., foi requerido
requerido ao go-
vêrno consentisse na guerra
vêrno que consentisse guerra contra
contra os Carijós,
Carijós, como um meio para remediar a falta
para remediar falta
braços (cf. Actas
de braços da Camara
Act11S da Cornara da da VVilla
ilia de
àt Sao Paulo, vol.
São Paulo, 1, págs.
vol. I, págs. 275-277; outros
outros exem­
exem-
ocorrem na mesma fonte).
plos ocorrem fonte).
especialmente Actas
( 1 1 ) Cf. especialmente
(li) Actas da da Camara
Camara da d" Villa
Vil/a de
tlt São
São Paulo
Paulo (1596-1622),
(1596-1622), vol. II,
vol. II,
pigs. 294 e 314 (outros
págs. (outros exemplos
exemplos ocorrem
ocorrem na mesma fonte). fonte).
((12)
12 ) Cf. Alfredo
Alfredo Ellis Jr.,Jr., A A Evolução
E11olufão da Economia Paulista
da Economia Paulista te Suas
Suas Causas,
Causas, pág.
pág. 55 55;;
Roberto C. Simonsen,
Roberto Simonsen, op. cit., pág. pãg. 333; e, especialmente,
especialmente, Afonso
Afonso de E. Taunav, História
Taunav, Hist6ria
Stttcentista da
Setecentista Vila dtde SãoSãoPat,lo,
da Vila PauloTip.
, Tip. Ideal
Ideal de de Heitor
Heitor L. L. Canton,
Canton, S. S. Paulo,
Paulo, 1929,
1929 ,vol.IV,IV,
vol.
págs.
págs. 209-211 (quanto (quanto à àpopulação
população branca.
branca, êste
êste autor
autor consigna
consigna aa informaçio
informação de de que
que em em
37 ela passava
1637
16 passava de 600 vizinhos;
vizinhos; cf. pág.pág. 334);
334); Alcântara
Alcântara Machado,
Machado, op. cit., cit., págs.
págs. 169-171
169-171
((êste autor informa
êste autor informa que nos inventários
inventários do século XVII sio
século XVII enumerados pouco
são enumerados pouco mais
mais de
cem escravos
escravos negros).
negros) •
(13)
(1.3) Cf. Afonso Afonso dede E. Taunay, op. cit.,E. págs. Taunay, op. cit., págs. 207-210.
207-210.
(14)
(14) Cf. Afonso Afonso de de E.E. Taunay, História Sn,ctnlista
Taunay, História Setecentista dada Vila
Vila tltde S.S. Paulo,
Paulo, vol.
vol. IV,IV,
P's- 211. O escravo escravo africano,
africano, par»para atiagir
ailo1ir êsse
êsse preço,
preço, precisava
precisava pos1uir
possuir um um ofício.
ofício.


..,. .._ QA .;;:os , ---- - •

JNQU.tRITO
IN Q U É R IT O U,'JESCO-ANHEMBI
U NESCO A N H EM B I
20

dêste
dêste 44delito
''delito ficaram culpados
ficaram culpados quase todos os moradores
quase todos moradores desta desta ci­ci-
dade, seu têrmo
dade, tê1·1110 e comarca”
comarca'' (15). (15). OO mercado
mercado que que abastecia
abastecia os paulistas
paulistas
de escravos africanos
de escravos africanos era era o Rio
Rio de Janeiro e não
de Janeiro não estava
estava em em condições
condições
de suportar
de suportar o desordenado
desordenado aumento aumento da da procura;
procura; daí daí a brusca
brusca ele-ele­
vação do
vação do preço
preço das das “peças”, notada já
''peças'', notada já por
por volta
volta dede 1700 ((16).16).
A notícia
notícia do do primeiro
primeiro ouro descoberto dos
ouro descoberto dos paulistas
paulistas surge
surge na na
última
última década
década do do século XVII. A partir
século XVII. partir de descobrem
de 1693, êles descobrem
sucessivamente
sucessivamente várias várias jazidas
jazidas auríferas
auríferas em em Minas
Minas Gerais;
Gerais; poucopouco
depois,
depois, fazem
fazem novasnovas descobertas
descobertas em em Mato Grosso (de
Mato Grosso (de 1719 em em diante)
diante)
e em Goiás (de
em Goiás (de 1725 em em diante).
diante). A exploração
exploração das jazidas diaman-
das jazidas diaman-
tíferas
tíferas inicia-se,
inicia-se, por por sua sua vez, em em Minas
Minas Gerais,
Gerais, porpor volta
volta de 1') ..
de 1726 ((17)-
Assim que
Assim que os descobertos
descobertos dos paulistas paulistas foram
foram divulgados,
divulgados, apossou-se
apossou-se
da Capitania
Capitania e de de todatôda a Colônia,
Colônia, bem como da
bem como da Metrópole,
Metrópole, uma uma
verdadeira
verdadeira “febre''febre de de ouro”.
ouro''. Antonil
Antonil foi foi testemunha
testemunha dessa dessa corrida
corrida
para
para o ouro,
ouro, e afirma queafirma que ninguém
ninguém poupavapoupava sacrifícios
sacrifícios parapara chegar
chegar
à zona de
à zona de mineração;
mineração; ''das “das cidades,
cidades, vilas,
vilas, recôncavos,
recôncavos, e sertõessertões do do
Brasil
Brasil vãovão brancos,
brancos, pardos,pardos, e pretos,pretos, e muitos
muitos índios
índios de de que
que os pau­pau-
listas
listas se servem”
servem'' (18). ( 1 ª)· Aventureiros
Aventureiros de de toda
tôda espécie
espécie chegaram
chegaram de de
Portugal
Portugal para para tentar
tentar fortunafortuna fácilfácil nono Brasil.
Brasil. De De modomodo que que bembem
depressa
depressa a “fome ''fome do do ouro''ouro” transformou-se,
transformou-se, pela pela contingência
contingência do do
trabalho
trabalho servil,
servil, em em “fome''fome do do negro”.
negro''. Os engenhos
engenhos de açúcar do
de açúcar do
norte do
norte Brasil sofreram
do Brasil sofreram uma uma terrível
terrível sucção
sucção de de braços ( 19); e os
braços (19);
preços
preços dos dos escravos
escravos africanos
africanos ou ou crioulos
crioulos alcançaram
alcançaram nas nas zonas
zonas dasdas
minas
minas níveis
níveis exorbitantes.
exorbitantes. Em
Em 1703, êles êles a.1stavam,
custavam, em em oitavas
oitavas de de
ouro
ouro em em pó: uma ladina
uma negranegra ladina cozinheira,cozinheira, 350 oitavas; uma
350 oitavas; mulata,
uma mulata,
600 oitavas; um
oitavas; um moleque,moleque, 120 oitavas; oitavas; um um molecão,
molecão, 250 oitavas; oitavas; um um
negro ladino, oitavas;
negro ladino, 300 oitavas; um um crioulo
crioulo oficial,
oficial, umum trombeteiro
trombeteiro ou ou um
um
mulato oficial,
mulato oficial, 500 500 oitavas
oitavas (20). (2 8). A necessidade
necessidade de de braços africanos
braços africanos
tornou-se
tomou-se um um grave
grave problema
problema para para os paulistas;
paulistas; as novas novas atividades
atividades
(15)
(IS) Actas
Artas d4 da Cantara
Cdfllttrll da
da Villa
Vil/11 de
de São
São Paulo, voJ. IV
Paulo, vol. pág. 54.
IV,, pág.
(16)
(16) Cf. M Maurício
aurício Goulart,
G oulart, op. cit., págs. 125-127;
cit., págs. 125-127; de 40 ou 50 mil réis, o escravo
africano passara aa custar
africano passara custar 200 mil réis no Rio de Janeiro Janeiro (dados
(dados relativos
relativos a 1738; cf. J. J.
Épocas de
.Azevedo, Epo,11s
Lúcio de Azevedo, de Portugal
Portugal Econômico.
Eronômico. Esboços
Eshoros de de História,
História, Liv. Acadêmica
Acadêmica
Editora,
Editôra, Lisboa,Lisboa, 2* edi., 1947, pág.
2• edi., 326). Os
pág. 326). Os elevados
elevados direitos
direitos de entrada
entrada a que que estavam
sujeicos
sujeitos os os escravos africanos
africanos elevavam ainda mais
elevavam ainda mais o o seu preço
preço (cf. A Alcântara
lcântara Machado,
M achado,
loc. ccit.).
loc. it.).
(17) Vários autores
(17) aurores tentaram
tentaram reunir
reunir os dados relativos ao ciclo
dados relativos ciclo de m mineração
ineração e sua sua
Importância econômica;
importância econômica; cf. d. especialmente:
especialmente: Roberto Simoosen, História
Roberto C. Simonsen, História Econômica
Eronômica do do
Brasil,
Brasil, tomo II, caps. I e II; J. J. Lúcio de .Azevedo,
Azevedo, op. cit., cit., cap. VI. Sôbre as relações
V I. Sôbre relações
mineração ee oo desenvolvimento
enrre a minecaçlo desenvolvimento econômico econômico de S. Paulo, Paulo, cf.d. esp. M Mafalda
afalda Zemella,
Zem ella,
OO Abastecimento
Abasltrimtnto da d• Capitania
Ct1piltmia das d4s Minas
Min111 Gerais
Gerais no no Século
Século XVIII,
XVIII, "Boletim
"Boletim 118 da Faculdade
Faculdade
de Filosofia, Ciências
de Fi1osofia1 Ciências ee Letras da da Universidade
Universidade de São São PPaulo",
aulo”, 1951, passim; Sérgio Buar-
passim; Sérgio Buar•
que de Holanda,Holanda, Monções
Monrões,, passim;passim; Alfredo
AIJredo EIlis r., O
EJljs JJr., O Ouro
011ro ee aa Paulistania,
Paulistania, "Boletim
"Boletim
XCYI
XCVI da da Faculdade
Faculdade de de Filosofia
Filosofia, , Ciências
Ciências e letras
Letras da Universidade
Universidade de S. P Paulo",
au lo ”, 1948,
passim.
pass1m.
(18) AndréAndré
(18) Joio João
Antonil, Antonil , Cultura
Cu/lura e Opulência
e Qpu/ência do Brasil,
do Br1Uil, Liv. Liv
Progresso
. Progresso Editôra,
Editora,
Salvador
Salvador,, 1950, terceira tef'ceira parte,
pane, cap. V; citação citação extraída
extraída da pág. pág. 225.
. (19) Antonil, op.
( ~9) Antonil, cit., pág.
op. cit., pág. 286. Cf. também também John John Mawe,
M awe, que refere à ida dos
que se refere
,Prune1ro.s aventureiros às regiões
prim eiros aventureiros .regiões das das minas,
minas, ..“trazendo
trazendo consigo
consigo todos
todos os negros
negros queque pude•
p ude­
comprar” (Viagens
~ comprar"
ram (Viagens ac 1W interior
interior do do Brasil
Brasil principalmente
principalmente aos aos distritos
distritos dodo ouro
ouro ee do,dos
diamantes, rrad.
diamantes, trad. de S. Via.nna; Zelio
~- B. Vianna; Zelio Valverde,
Valverde, Rio de Janeiro,Janeiro, 1944, pág. pág. 172).
172) • .
dad (20)( 20) Cf. Cf • A ntonil, op. c1t.,
.Anton11, pág. 234. Ê
cit., pág. preciso nnotar
~ preciso o tar que
que a m esm a fonte
mesma fonte consigna
os concementes
dados valor de troca
concernentes ao valor t.coca de outras
outras utilidades.
utilidades.
••


. ..•
. f ·. J' 1
1. •• .1 i '\ \ •
• • • ~ .


RELAÇÕES
R RACIAIS
ELAÇÕES R EN'I
A C IA IS E NTRRE NEGROS
E N E G R O S E BRANCOS EM
BRANCOS E SÃO PPAUi.O
M SAO A U I.O 221
1

distraíam-nos do apresam
distraíam-nos apresamento ento de indígenas,
indígenas, como relata relata um u m do-do*
cumcn
cum entoto da época:
época: em G Guarapiranga
uarapiranga o ouro our~ era ''em “em tanta cópia _que
tanta cópia que
lhes teve mais conta conta com
co1nprar
prar com o que que tiravam negros que
tiravam negros que diver-
diver­
'1 tirem-se
tirem-se a cativar
cativar índios''
índios” (21)*(2 1). N Noo entanto,
entanto, o m mercado
ercado em que q u e se
abasteciam não
abasteciam não tinha
tinha capacidade
capacidade ppara supri-los e os entraves
ara supri-los entraves coloniais
coloniais
im pediam o estabelecim
impediam estabelecimento ento do tráfico trá!i<:_? ddireto
ireto com a África. África.. Em
Janeiro
Janeiro de 1701 obtiveram obtiveram a perm issão de comprar
perm1ssao com prar 200 africanos ~fr1cano~
por ano no R
por Rioio de JanJaneiro
eiro e em agôsto agôsto de 1706 essa qquantidade u an tid ad e foi
elevada para
elevada para 230, sendo sendo que que 200 se ddestinariam estin ariam aos trabalhos trabalhos das
minas
m inas e 30 aos da lavour? lavoura (22).(22). Mas
M as parece
parece fora fora de dú dúvida
v id a qque
u e os
escravos comprados
comprados no R Rioio de Janeiro
Ja n e iro (e provàvelmente
provavelm ente nas nas ppró-
ró ­
prias minas, procedentes
prias minas, procedentes do ?orte n o rte da Colônia)
C olônia) não n ão preenchiam_
p reen ch iam as a_sne-
ne­
cessidades
cessidades de braços braços dos paulistas.
paulistas. No N o documento
docum ento em que q u e é sol1c1tado
solicitado
o estabelecimento
estabelecim ento de tráfico tráfico ddiretoireto com A Angola
ngola e Cabo C abo V Verde,
erde, porpor
exemplo, afirmava-se
exemplo, afirmava-se que que ''os “os moradores
m oradores desta desta cidade
cidade e dos dos povos
povos
serra acima
de serra acima são m muito
uito m malal providos
providos dêles'',dêles”, ta tanto
n to para
p a ra os tra traba-
ba­
• lhos agrícolas,
lhos agrícolas, qquantou an to ppara descoberta e de m
ara os de descoberta mineração
in eração (S3). (23) •
:tste é
Êste é umu m momento decisivo na
m om ento decisivo n a hhistória
istó ria do negro n eg ro em São
Paulo. Graças
Paulo. Graças aos descobertos,
descobertos, e às suas suas repercussões
repercussões nnaa econom economiaia
paulista, os escravos
paulista, escravos negros
negros começamcom eçam a deslocar deslocar os escravos escravos índiosíndios
da posição
posição que que êles ocupavam
ocupavam nnaa organização organização do d o tratrabalho
b a lh o servil.
servil.
Noo comêço
N comêço do século século X XVIII,
V III, o ín índio
d io ainda
a in d a era
e ra o pprincipal
rin c ip a l agente
agente
Elo trab
do trabalho escravo; as atividades
alh o escravo; atividades das das bbandeiras
a n d e ira s e os tra trabalhos
b a lh o s de
mineração
m desenrolavam sem pperturbar
ineração se desenrolavam coexistência de am
e rtu rb a r a coexistência ambos.
bos.
Em
E certas regiões,
m certas mesmo, com
regiões, mesmo, comoo aconteceu
aconteceu em ~fato M a to Grosso
G rosso e Goiás,G oiás,
o aproveitamento
aproveitam ento conjunto co n ju n to do trabalho
tra b a lh o índio
ín d io e do d o trabalho
tra b a lh o africano
african o
pelos
pelos paulistas
paulistas foi além alem dos primeirosp rim eiro s ensaiosensaios de d e ex exploração
p lo ração das
minas,
m inas, ao contrário
co n trário do qque sucedera em Minas
u e sucedera M in a s G Gerais,
erais, oonde n d e a comcom-­
petição
petição mais m ais intensa
intensa eentren tre bbrancos
ran co s de várias v árias procedências
p ro ced ên cias forçou forçou
com m maior rapidez a su
aior rapidez substituição
b stitu ição ddoo ín índio
d io ppelo
elo nnegro.
e g ro . P Porém,
o rém , vá-
rios
rios fatores
fatores iriam
iriam determinar
determinar essa essa transformação
transfo1111ação substancialsubstancial no no sis­
sis-
tema
tema econômico
ec_onômic? de ~e São
São Paulo,
Paulo, a qual qual redundou
redundou na
na eliminação
eliminação
progressiva
progress1v_a do índio como
~o 1~d10 co1!1~ fonte
fonte de de trabalho
tra b"alho servil.
servil. • Aqui Aqui teremos
teremos
que
que nos nos limitar
l1m1tar à a exposição
expos1çao de de alguns
alguns dêles, deles, os que que intervieram
intervieram de
modo
modo mais direto no
mais direto no curso
curso de de importação
importação dos dos escravos
escravos negros negros e na na
forma de
forma exploração de
de exploração de suas
suas energias.
energias .
Em primeiro
. Em primeiro lugar,
lugar, deve-se
deve-se considerar
considerar queque a mineração
mineração deu
deu
origem a ~ma
º:1gem uma intensa
intensa ~o~petição
competição dos brancos entre
dos brancos entre si. Os paulistas
paulistas
nao possuíam nem
nao possu1am nem capitais,
cap1ta1s, nem recursos técnicos
nem recursos técnicos ouou humanos, nem
humanos, nem
um~
uma _mentalidade econômica, que
mentalidade econômica, que lhes
lhes garantisse uma supremacia
garantisse uma supremacia
decisiva
decisiva na
na exploração
exploração das
das riquezas
riquezas por
por êles
êles descobertas.
descobertas. -Os
Os resu
re1?:u•
'-'
'
Alf :J
1
r o
· ~rovisão régia de 171~, appd Ciro T. de Pádua, op.
>E
11s Jr., Resumo da. H1st6r,a de S. P1111lo,pág. ¼1.
cit •• pág. 225; d. também
também
• ( ) l GOUiart- 0f>-
(22)
23 ·.M. Goulart, op. c1t., págs. 126-127
(23) 1dem, págs. 137-138.
Adem, págs.
126-127 e nota de ^ a p é.
e nota de rodapé.
citado fé de 1713.
documento citado
137-138. O documento
l
1
'
.,
I

INQU:2RlTO
IN Q U É R IT O lJNESCO.ANHEMDI
U N ESCO A N H EM J»
22
22 -- ----—--— —■■* *1■—

lamentos
lam entos régios,
régios, elaborados
elaborados entre entre 1607
1607 e 1702, poderiam
poderiam conceder-
conceder*
-lhes
-lhes amplas
am plas vantagens
vantagens sôbre sôbre os demais
demais competidores,
competidores, que que afluíam
afluíam
ràpidamente
ra p id a m e n te do Reino
R ein o e de outros Colônia, se por acaso
pontos da Colônia,
outros pontos
reunissem
reunissem condiçõescondições para p ara transformar-se
transformar-se com relativa relativa presteza
presteza e
eficiência
eficiência de agentes agentes das descobertas
descobertas em agentes agentes da exploração
exploração orga-orga­
nizada
nizada das minas m inas (24). Logo Logo se evidenciou,
evidenciou, porém,
porém , queque os paulistas
paulistas
não
n ão possuíam
possuíam meios m eios proporcionais
proporcionais à grandeza grandeza do empreendimento:
em preendim ento:
hom ens vindos
os ho111ens vindos da Bal1iaB ahia ou do norte capitania e de Portugal,
n o rte da capitania Portugal,
alguns
alg u n s dos quaisquais eram
eram ricos e traziamtraziam consigo
consigo numerosos
numerosos agregados
agregados
e muitos
m u ito s escravos
escravos negrosnegros (25), desalojaram-nos
desalojaram -nos de importantes
im portantes posi-posi­
ções auríferas
au ríferas e empurraram-nos
em purraram -nos para para outros
outros descobertos,
descobertos, menos
produtivos.
p rodutivos. O desfecho desfecho da competição
com petição com os emboabas em boabas fez que que
sõmente
sòm ente os paulistas
paulistas "mais“mais abastados"
abastados” pudessem
pudessem dedicar-se
dedicar-se regular-
regular­
m e n te à mineração
mente m ineração (26) e provocouprovocou o aparecimento
aparecim ento de novos centros centros
de interêsses
interêsses econômicos,
econômicos, ligadosligados à permutação
perm utação nas minas: m inas: o comér-
comér­
cio, a exploração
exploração dos produtos p ro d u to s agrícolas
agrícolas e da criaçãocriação (27).
í27).
~ preciso que
É preciso q u e se atente
aten te para
p ara o significado
significado econômico
econômico dêsse pro- pro­
cesso. ~le Êle marca
m arca a primeira
p rim eira etapa
etapa da integração
integração da economia
econom ia pau pau­..
lista,
lista, com um u m papel
p ap el ativo
ativo e construtivo,
construtivo, no sistema sistema econômico
econômico da
Colônia.
C olônia. Graças G raças a uma um a série
série de condições
condições geográficas
geográficas favoráveis,
favoráveis,
que
q u e não
n ão vem em conta conta examinar
ex am in ar agora,
agora, São PauloP au lo passou
passou a competir
com petir
com outras
o u tra s capitanias
cap itan ias no abastecimento
abastecim ento de uma um a pequena
pequena área área de
Minas
M in as Gerais
G erais e tomou-se
tornou-se o próprio
p ró p rio eixo
eixo comercial
com ercial de Mato M ato Grosso
e Goiás.
G oiás. Os reflexos dessas transfo1~mações
reflexos dessas transform ações na n a organização
organização do tra- tra­
balho escravo se fizeraD1
b a lh o escravo sen tir de forma
fizeram sentir im ediata. O trabalho
form a imediata. trab alh o es-
es­
cravo
cravo indígena
in d íg e n a descansava
descansava em tais bases, que q u e não
n ã o podia
p o d ia alimentar
alim entar
uma
u m a economia
econom ia de troca, troca, ainda
ain d a que
q u e limitada.
lim itada. MesmoM esmo nos quadrosquadros
de ex p lo ração do
d e exploração d o apresamento
apresam ento em escala “in d u stria l”, êle se mos-
escala "industrial",

<24)
(24) Èssesregulamentos são
.Is.ses regulamentos condensados por
são condensados por Simonseo
Simonsen (cf.
(cf. op.
op. cit
cit., vol. II,
•• vol. II, pi&•·
págs.
67 -69 ).
67-69). Convém assinalar
Convém assinalar que
que foram elaborados antes
foram elaborados ances da
da ecloslo
eclosão dos conflitos com 011
dos confJitos oi
emboabas
emboabas e em em umauma época
época em em que
que convinha
convinha à CoroaCoroa estimular
estimular os paulist,u
paulistas e suas ban- ban­
deiras de
deiras de pesquisas.
pesquisas.
(25)
( 2 5) Cf. e:sp. J. Lúcio
Cf. esp. Lúcio de de Azevedo,
Azevedo, op.op. cit.,
cit.. pág.
pig. 312
312 e sets.;
sets.; o Jeitor
leitor interessado
interessado
do assWlt0
assunto poderá
poderá encontrar alguns dados
enconrra.r alguns sôbre o financiamento
dados sôbre financiamento das emprêsas mjneradoras
das emprêsas mineradoras
Na Era das Bandeiras,
llO
dos paulistas
dos paulistas em em Afonso
Afonso de de E. Taunay,
Taunay, Na Era d4s B1111deir1U,Editôra Editôra Companhia
Companhia de
Melhoramentos,
Melhoramentos, S. Paulo, 1922, páas.
Paulo, 1922, págs. 126-137.
J26•137. Apesar
Apesar dasdas limitações dêsses dados,
limitações dfsses dados, êles
fies
deixam patente
deixam patente queque osos paulistas
paulistas nlonão estavam
estavam em em condições
condições de de competir
competir econõmicameott
econõmicamentt
com os emboabas.
com emboabas.
(26 ) Cf.
(26) Registo Geral da Câmara Municipal de São Paulv (1735-1742),
Cf. Registo G~aJ d4 Câmara Muni,íplll de Sao P411ltJ (1735•1742), YOI. rol. V,
pág. 270.
pig. 270.
(27) Nio
(27) Não é possível analisar aqui
possível analisar aqui todos
todos os aspectos
aspectos dada economia paulista da fpoca;
economia paulista época;
virios
•á.tíos obstáculos impediram o desenvolvimento
obstáculos impediram desenvolvimento da da produção agrícola nas
produçlo ag.rícoJa nas zonas
zonas de de mine•
mine­
ração além
.raçio além dosdos Jimites
limites do
do consumoRoteiro da Viagem do Dr Francisco Josi
consumo local (Cf. Roteiro d4 Viagem do Dr.. Francísto JosA
local (Cf.
dt Lacerda e Almeida pelas Capitanias do Pará, Rio Negro, Maio Grosso, Cuiabá, e São
tk L4cnda e Almtida p~Ja1 Cllpítanias do Pa,á, Rio N,g,o, MAJo Grosso, Cuiahá, , Sao
Paulo, nos anos de 1780 a 1790,
P11Ulo, nos a11as d, 1780 11 1790, Tip. Tip. da
da Costa Silveira, S. Paulo.
Costa Silveira. Paulo, 1841, pig.pág. 64';
64; Sfrgio
Sérgio
Buarque de
.'!)uarque Monções,
de Holanda,
Holanda, MonfÕ~s, pág. sets.). Em conseqü~ncia,
pág. 76 e sets.). conseqüência, os gêneros
gêneros deviam
deviam serser
importados de
imponados outras regiões,
de outras regiões, emem parte
parte ou
ou nana totalidade,
totalidade, e permutados
permutados nas nas minas;
minas; a mesma
mesma
coisa acontecia
coJsa acontecia comcom o gado bovino, com
gado bovino, com os muares,
muares, com com o ferro
ferro e o saJ,
sal, etc.
etc. Sôbre êsses
S6bre ~sset
fatos, em
fatos, em conexão
conexão com economia paulista,
com a economia paulista, utilizamo-nos
utilizamo-no• aqui aqui das
das seguintes
seguintes obras:
obras: Sfr1io
Sérgio
Buarque de
Buarque de Holanda,
Holanda, loc.loc. cit.;
cit.; Mafalda Zemella, op.
Mafalda ZemelJa, op. cit.,
cit., pia.
pág. 49 e sets.;
sets.; AlfredJ Elli• Jr.,
Alfredj Ellis
., A Economia Paulista no Século XVIIL O Ciclo do Muar. O Ciclo do Açúcar
~ Economia P411lísla no Século XVIII. O Ci,Jo do Mu111. O Ciclo do Afútdt·, , in In ··Bole•
“Bole­
tim
tun .11s115 _dada FacuJdad,-
Faculdade de de Filosofia,
Filosofia, Ciências
Ciências e Letras
Letras da Universidade de S.
da Universidade P:Jilo", 1950.
S• Píjilo”t W0#
passim; idem,
J)aui.m: O 011,0
1de~ O Ouro 1€ "a P11Mlis1anid,
Paulistania, passim.
pusim.

I

,
- ,
REL
e l AÇO
a ç õ ES RAC
a c IAIS ENT
n tRE NEG
e g ROS EM
E~{ SAP
SÃO PAULO 223
3
r es r ia is e re n E b
ros e BRA
r a NCO
n c oS
s PAULO
-
trara •
econômicamente
trara econôm1camcnte ruinoso •
ruinoso (28)
(»). Tan
· Tanto
to nas zon as
zonas de
.
m1neraçao,
mineração,
-
uan to nas - outras
quanto faz
fazendas
end as agrícolas
agrícolas (e em menor menor proporção
proPorçao em em outras
~tividades), a substituição
atividades),
africano ou crioulo,
africano
substituição do escravo
crioulo, adquirira
escravo indígena
adquirira o caráter
indígena pelo p~lo escravo
caráter de um imperativo
negr:
escr~vo negro,
am~erat1vo econô­ecoo
mico Em suma,
mico. suma o desenvolvimento
desenvolvimento de uma urna produção
produçao para para escam-
e5?1m•
bo ou
bo 0
venda e a 'int
~ venda ensificação das explorações
intensificação explor~çõe! auríferas
auríferas produziram
produzrram
efeitos paralelos,
efeitos paralelos, no que concerne concerne à organização
organ1zaçao do trabalhotr~ba~ho escravo.
escravo.
o trabalho
O trabalho econômicamente
econômicarnente mais mais vantajoso
vantajoso expeliuexpeliu lentamente,
entame?te,
mas de forma
mas forma fatal,
fatal, o trabalho
trabalho maismais oneroso
oneroso e menos menos p~o produtivo.
dutivo.
Essa era uma
Essa uma condição
condição para para o êxito
êxito dos moradores
moradores de São Sao Paulo
~aulo
seja na competição
seja competição com os comerciantescomerciantes e os produtores
produtor~s _do do Rio
Rio dede
Janeiro e da Bahia,
Janeiro Bahia, queque desempenhavam
desempe1;1havam um um papel
p~p~l mais
mais importante
importan~e
no abastecimento
no abastecimento das minas, minas, sejase1a na competição
compet1çao com os demais demalS
mineradores.
mineradores.
Em segundo
Em scgun<lo lugar,
lugar, o deslocamento
deslocamento do núcleo núcl~o das atividades
atividades
econômicas, inicialmente
econômicas, inicialmente para para a mineração
mineração e depois depois para
para a }ay lavoura,
oura,
aa criação
criação e o abastecimento
abastecimento das minas, minas, provocou
provocou o declínio
decl1n10 das das
bandeiras de apresamento.
bandeiras apresamento. O paulista paulista continuava
continuava a usufruir usufruir o o
trabalho indígena
trabalho indígena e mesmo mesmo nos fins do século século XVIII
XVIIl não não faltavam
faltavam
ficções para
ficções para justificar
justificar a exploração
exploração do trabalhotrabalho dos nativosnativos e sua sua
redução a um cativeiro
redução cativeiro disfarçado.
disfarçado. Os incentivos
incentivos parapara o apresa­
apresa-
mento de
mento de índios
índios desaparecem
desaparecem grada ti vãmente,
gradativa mente, graçasgraças às novas
novas con­con•
dições de
dições de organização
organização do trabalhotrabalho escravo,
escravo, às transformações
transformações por por que
que
pas sara a pro
passara priedade agrícola,
propriedade agrícola, e, principalmente,
principalmente, à atração atração exercida
exercida
por atividades
por atividades mais mais compensadoras
compensadoras e menos menos perigosas.
perigosas. Em Em conse­
conse-
qüência, o trabalho
qüência, trabalho escravo
escravo indígena
indígena entra entra em crise,crise, pois
Pois aa suasua
própria fonte
própria fonte de renovação
renovação deixara
deixara de funcionar
funcionar regularmente.
regularmente. Foi
Foi
nessas circunstancias,
nessas cirrunstâncias, quando quando o trabalhotr~balho escravo
escravo indígena
indígena estavaestava
condenado ao desaparecimento,
condenado desaparecimento, que que se promulgou
promulgou o decreto decreto de li­ li-
~erdade definitiva
berdade definitiva dos índios índios (1758),
(1758), o qual
qual ainda
ainda arruinou
arruinou algumas
algumas
famílias, cujos
famílias, rujos bensbens se reduziam
reduziam à escravaria
escravaria indígena
indígena que que pos-pos-
suíam (»). 29
( ). Daí
suiam Daí em diante,
diante, todavia,
todavia, a regularidade
regularidade do trabalho trabalho es- es-
cravo passou
cravo passou a depender
depender estritamente
estritamente da importação
importação de negros. negros.
Por
..! * 0r ír
rápida. Em
fim'm>é Predso
, é preciso considerar
Em certascertas regiões,
considerar que que a a decadência
decadência das das minas
minas foi {oi
rapida regiões, comocomo em em Cuiabá,
Cuiabá, o declínio
declínio fizera-se
fizera-se
sentir logo:
sentir logo: ja já em 1727 alguns
em 1727 alguns mineiros
mineiros começam
começam a a abandonar
abandonar a a
região, em
região, em busca
busca de de outros
outros centros
centros de de mineração
mineração (»«). (SO). Em Em outras,
outras.
como em
como ~m Minas
Minas Gerais,
Gerais, a a produção
produção aurífera
au~íf~ra resiste
resiste maior
ma~or lapsolapso de de
tempo, mas, por
tempormas, por volta
volta de de 1756,
1756, o declínio
decl1n10 começacomeça a a m maanitoL
nifestar-se te
/£ }
(281 £Cf.
/ ' *Alcl ntara Machado,
lc*°rara Machado, op. cit.,
cit., páe
pig. 170
170.
,, (29, Cf. J. J. Machado de Oliveira, Quadro Histórico l4 Pr011inci• tlt S~ Pnle
"'" o uso das Escolas dt l11SlrNfM> Públic11 oftrtcido • Asstmbl'"
~::J~~i
P& . 2
g~rteocentc ‘à “bibli*“otec
« »a ->* Faculdade ddee Dire
da Faculdade o t i .ito
p
u tS S Ü S S V t
· ·
o da Univ;~ida:vi;:•f f eJ~~):
,
•»> Cf.
t o) Cf. Sírgio
3 ~rgio Bu•r -, nue de
de Hohnda,
Holaoda, op.
op. ch„
·
c1t.. pigs.
P•I
1.
•• M-
84-85.
ss.


'

24
24 IINQUtRITO
N Q U É R IT O UNESCO-ANHDfBI
U N E S C O -A N H E M B I

também nessas regiões e se acentua


também acentua progressivamente
progressi~a":1e?te (3I). (! 1). Contudo,
Con!udo, •
a mmineraç.ão produzira os seus efeitos. Uma incipiente
ineração produzira mc1p1ente ec..?nom1~
economia de
troca desenvolvera-se em São Paulo, Paulo, com base na produção produçao agr1colaagrícola
e na criação;
criação; várias regiões foram povoadas
povoadas pelosJ?eJosíndios,
índios, pelos
pel?s negros,
negros,
brancos e por
pelos brancos por seus descendentes
descendentes mestiços; todo um sistema sistema de
comi1nicações se criara
comunicações solidificara. E qquando
criara ou se solidificara. esperanças
u an d o as esperanças
do enriquecimento
enriquecim ento pelo ouro ouro fácil desaparece1?,
desaparecem, alguns alguns capitais
capitais re- re­ •'

fluem da mineração
fluem atividades economicas
m ineração ou das atividades econômicas que que lhe estavam estavam
subordinadas, para
subordinadas, para a agricultura.
agricultura. Alguns “sertanistas”
Alguns ''sertanistas'' e “m ''mineiros''
ineiros”
passam a dedicar-se, então,então, à criação, à lavoura
lavoura de cana e à produção produção
de açúcar
açiícar (52). :tsse deslocamento
(s2). Êsse deslocamento de capitaiscapitais e, particu
particularmente,
larm en te, a
fixação dos interêsses
fixação interêsses econômicos
econômicos na n a lavoura 33 ), é que
lavoura ((33), iria ggarantir
q u e iria a ra n tir
continuidade na procura
a continuidade procura e im importação
portação do braço braço negro.
negro. No trajeto
N o trajeto
percorrido
percorrido entre fins do
entre os fins do século XVTI e o terceiro terceiro qquartel
u artel do sé­ sé- •

culo X XVIII negro nnão


V III o negro s6 ad
ão só adquirira
q u irira umumaa posição
posição no sistema sistema eco­ eco-
nômico São
nôm ico de São Paulo. Paulo. Êle :tle se totomara
rn ara a própria
p ró p ria fonte
fo n te regular
reg u la r e
exclusiva do trabalho
exclusiva do trabalho escravo e da produção da
produção agrícola.
agrícola.
fatores que
Os fatores que explicam
explicam a eliminação
eliminação progressiva
progressiva do. do índio
índio pelopelo
negro na
negro organização do
na organização do trabalhotrabalho escravo
escravo também
também esclarecem
esclarecem por- por­
que o aumento
que aumento de de importação
importação de de escravos
escravos africanos
africanos ou ou crioulos
crioulos não não
«e traduziu por
,e traduziu por um um aumento
aumento desproporcional
desproporcional do
do elemento
elemento negro negro
na população de São Paulo,
na população de São Paulo. Como Como vimos,vimos, desde
desde 1706 os negros negros
importados se destinavam
importados se destinavam, , na na proporção 3, aos
proporção de de 20 parapara 3, aos trabalhostrabalhos
das minas; êles apenas transitavam
das minas; êles apenas transitavam por por São Paulo,Paulo, em em sua sua maioria,
maioria, •
ou eram
ou eram negociados
negociados por intermediários nas
por intermediários zonas de
nas zonas de mineração.
mineração. Os
trabalhos nas minas eram
trabalhos nas minas eram muito muito rudes,
rudes, exigindo
exigindo não não só trabalha-
trabalha­
dores robustos,
dores robustos, masainda contínua renovação
mas ainda contínua renovação de de quadros
quadros huma- huma­
nos (54).
nos (34). Segundo documentos
Segundo documentos da da época, escravos mais
época, os escravos mais debilitados
debilitados
eram escolhidos para
eram escolhidos para a lavoura, enquanto os mais
lavoura, enquanto mais fortes
fortes eram eram re­ re-
metidos para os serviços de mineração (35). De modo
metidos para os serviços de mineração (35 ). De modo que que a atraçãoatração
exercida pelo ouro
exercida pelo ouro atuou atuou como
como um um fator
fator de de restrição
restrição na na fixação
fixação
de escravos
de escravos negros
negros em Paulo, Além
em SãoSão Paulo. Além disso, disso, a decadência
decadência das das
minas abalou transitòriamente economia
minas abalou transitóriamente paulista, provocando
a economia paulista, provocando um um
(31) Cf.
(31) Cf. Mafaldz
Mafa1<h Zemella,
Zemella, op. op. cit., pág. 258 e sets.
cit., pág.
(32) Cf., Cf., ppor exemplo, Manoel
o r exempJo, Eufrázio de
Manoel Eufrázio de Azevedo
Azevedo M Marques, Apontamentos Histó-
arques, Apontamentos Histó-
r*cos> Geográficos,
ri"os, GeogrJficos, Biográficos,
Biográficos, Estatísticos
Estll/Jsticos ee Noticiosos
Noticiosos da Província de
da P,011íncia São Paulo
de São Paulo seguido
seguido '
da Cronologia
~ Cronologia dos dos Acontecimentos
A.contecimmtos mais notáveis desde
mais notáveis desde aa fu'1dação
fundação da da Capitania
Capitania de de São
São
Vicente atè
Yi,mte 411 oo ano
11110 de
d, 1876,
1876, Tip. Eduard &
T ip. Universal de Eduard & HHenrique
enrique Laemmert, Janeiro,
Laem m ert, Rio de Janeiro,
1879 (2
l~79 (2 vols.)
vo1.,.~; ; vol. I, págs. 16 A.uguste de
16 e 17-18. Auguste de Saint-H ilaire, Voyage
Saint-Hilaire, Voyage dansdans les
les Pro-
Pro•
fl!-1lces de tk Sairít-Paul
Saint-P1111I et d de Sainte-Catherine, Anhur
d~ Sd'Íllle--Catberine, A rth u r BBertrand,
ertrand, Li Libr.
br. £Bdit.,
d it., PParis,
aris, 1851
vols.); vol.
(2 vou.); vol. I,I, págs. 158-159,
lS8·lS9, 173, 175, 17S, 178, 186, 190-191 e 199.
(33) Cf. J. ]. Machado de Oliveira, op. cit., págs. 222·224 (êste autor se refere l
:;;~çio
;724
d:
i XV)IC
nova meataJida<!!.~ecf'O~~?ca, .91!e,~omeça a tomar cor.P(! pel~ !!1_eª
...~ como uma espcc1e ae .11.0naa1v1sor1a entre a nova geraçao e os anl1~v:,
~~º! _,~o
A? 7 ,“ •» p ccie ae iin
„ •'.;;; _ ,. , ^Afonsoonso de E. Taunay,Taunay, Subsídios
Suhsldios para
para aa História
História do do Tráfico
Tráfiro Africano
Afrirtmo no no
Brasil, pàgs.
Brm,J, pág,. 624-626.
~24-626. Êste Bste au
autor
to r cíca
cita 11m exemplo:
una exem Goiás acontecia
plo: em Goiás acontecia morrerem
m orrerem 100 es­ es•
cravo* no^
cr~vos petiodo de
no _per,odo de umum ano, "coisa nunca acontecida aos agricultores".
nunca acontecida ag ricu lto res” . Além
A lém das pró-
fpri~3!
Lr C ~ondições
- j ^ , de de_ trabalho, terríveis e deshum
trabalho, terríveis anas no
deshumaoas com êço, alguns autores
n o comêço, autores m encionam aa
mencionam
trihÁ
;:i,:,gn~dd~e
f; C/Lma. (cf.
do cl•m~ de
te** P. }. lacerda e Almeida,
J* de Lacerda Almeida, op. op. · cit
cit., 64) e os
pág. 64) e os ataq~es
.• pág. ataques de de
ê3s) '~ic·hº
tribos wd/g«M host« T (d.st 15 (cf. J.
Cf*• C“uo<> T.• de Pidua,
J. J. Machado
Machado de Oliveira,
Pádua, op. cit., págs.
OJíveira, op.
219·221.
págs. 219-221.
op. cit.,
cit., pág. 194).
194). ,
1l
••

'




(

RELAÇÕES R
RELAÇÕES RAA CIA
C IAIS EN
IS E NTR
T REE N
NEEGR
G ROS
OS E B RAN
A NCO
C OSS E M SAO 225
BR EM SÃO P
PAAUL
U LOO 5

.
,
• interregno de reintegração
interregno
que se caracterizou
reintegração das das atividades
atividades de produção produção e de de troca,
troca,
\
que caracterizou pela pela estagnação
estagnação de ~ô todada a vi~ vida econômica.
econômica. Co Con­
!1•
tínuas sucções
tínuas sucções de elementos
elementos da po pulaçao ma
população m asculina
sculina pa p ara
ra aa foTformação
1naçao
de tropas
de tropas agravaram
agravaram ainda ainda mais
mais os efeitos
efeitos críticos
críticos da decadência
decadência da da
mineração (36).
mineração (36). Em conseqüência,
conseqüência, o afluxo afluxo de escravos escravos negros
negros ppaara ra

aa lavoura
lavoura perde
perde a intensidade
intensidade que que adqu q uirir
irira
a no períodoperíodo de de apogeu
apogeu
das explorações
das explorações auríferas,
auríferas, pois
Pois os possíveis
possíveis m meercados
rcados co consum
nsumido idores
res
da produção
da produção agrícola
agrícola de São São Pa ulo ou ppeerd
Paulo rdeeram
ram a capacidade
capacidade aq u i­
aqui-
sitiva anterior
sitiva anterior ou já contavam contavam · com com fontesfontes ppró rópri
p rias
as de abasteci­abasteci-
meento
m nto como
como acontecera
acontecera em diversasdiversas regiões
regiões de M Miinas
nas G Geerais
rais (57).
(!7).
Os poucos
Os poucos dadosdados sobre
sôbre a população
população no séc século
ulo XV X VIIIIII,
, qu q uee po
pos­s-
suímos, não
suímos, não só com compprovam
rovam os prin princcip
ipaisais resultados
resultados da análise análise de­ de-
senvolvida, como
senvolvida, como ainda
ainda deixam
deixam ppaaten te ntete qquuee se processou
processou uum m ver­
ver-
dadeiro refluxo
dadeiro refluxo da população
população livrelivre e escrava
escrava das das zonas
zonas das das m miinas
nas
para aa C
para Caapitania
pitania de São São P Paaulo.
ulo. E m 17 1766, p orr exexem plo, toda
Em 66, po emplo , tôd a aa
capitania contaria
capitania contaria com com 39.034
39.034 ha bititan
h ab antestes,
, pouco
pouco m maais
is oouu m meenos
nos (38).
(!8).
Viilhena
V lhena aceita
aceita como
como exatas
exatas certas
certas indicações,
indicações, concernentes
conce1nentes ao ao m meesm
smoo
,u~ r~el dêsse
q u artel dêsse século,
sécul?, segundo
segundo as quais ais viveriam
viveriam nnaa ccap a pita
itania
n ia 52.611
52.611
• 1nd1v1duos, dos
indivíduos, dos quais
quais 11 .098 bra
11.098 ncos, 32.526
brancos, 32.526 ín índdios
io s e 8.9
8.987
87 negros
negros (39>. (!9) •
JJáá emem 17 97 a população
1797 população da cap capita niaia se ddis
itan istrib
tribuiruia,
iria , seg
segunu ndo d o oo sexo
sexo
e a côr,côr, da seguinte
seguinte m maan
neeira
ira (40):
(40):

Br ancos
Brancos Negros
Ne gros Pardos
Pardos Total
Total
Ho mens
Homens ........................
• ••• •••• •• •• • 42.270
42.270 20.669
20 .669 14.236
14 .236 77.175
77 .175
Mu lheres
Mulheres ......................
•••••••••••• 47.053
47.053 17.971
17 .971 16.251
16 .251 81.275
81 .275
• ' ...
89.323
89.323 38.640
38.640 30.487
30.487 158.450
158.450

(36) Cf.
(36) Cf. esp. J. J.
esp. J. J. Machado
Ma•cha.do de Oliveira,
Oli.veira , op.
op · cit.,
cit ·, pág.
p1.
" g• 267 e sets . v· ·
V ários
artM anfr»r#»«
a a11tor,.s
d a épo
da c se
época se re f erem ààdecadência
referem d ecad enc1a econômica
econômica de de São
São Paulo,
Paulo nos nos fins
fº do século XVII*- - - tendo
É':'.;~~;.J'
y~l;!:~~iad°:: .ta:bpC
s~id
~::
ºpi~
;:pé
su ,ria
~flu~oirá-·~lo
~ust•~aj~.:'ir~n~~n~~
em vista o ob,eto do presente trabalho, seria supérfluo citá-los aqui
d • - --
V ^ja se Afonso de
op. * v tlo ? m 9
de Cultura de São Paulo 1949 v-1
d . Ccit.u, Kvol. I, pág. 364:
op. cit., vol. I, pág. 364. ' w s 1 2
, 10 no ,Seculo XVIX
u • , ^ parte,
“ p
pa.rce, caps.

caps. IA e X
lll _(1735-1765), Departamento
X;; e Roberto
Roberto C.C. Simonsen,
Simonsen,
do
j f.!:/o ;: m1~!!;fÇeã~estagnaçao
do negro na mineraçao o~ri!S
na ™;aç J~sé ª1a:~~~a0Rif:ir~eg~
t!:~
e~ ~~de:':~dS
:':;1 ~lonosfafi
~~ :m g~X VêIH~) ~:r
Samuel H. Lowrie aponta a im portância dos dois fatores (em prego preferencial
ªeconômica S.o e
id t~
.Paulo ~do••
fins século
ne6rJ?s:one~em ~- S- Paulo. (cf. (cf. op. op. cit.,
cit., págs.
págs. 9-10). }
tmt,}o,tat 'lfte
lmp \ s oco,ridJacinto
os emRibeiro,s Pa~loCronologia
desd:a;ª,,;au Paulista
a1:s'J ou 0 Relação Histórica dos Factos mais
9-10).

Talé l m
189 "
8, editada pelo Go;êmo de s Pa Afonso
1a,t,m :f~
* t Aftfr,í^ dc Soíza
~ Re!arão Hist6rica doJ Factos mais
Z f v i Z Z e
Paulo
Paulo, 1901
10- Xll -17
1901, 3
66;
vols..; vol. !!!
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nele nàonão constnm
m *5
consta:UYinA' 6,..,
~g SV ^ aul^
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4
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ui~ ^~t; p [es
r e ss}s a nas O
onso de
ficinas do D
S'!! '~ª
iário
"
O
Of1c1~as do D1ar10 Oficial, São
S_. Vic
ficial,
ent e
São
lO-Xli-1766**
!ida des . nele .
'::. 3: ooss foram
,oram extraídos
extr~1dos de um um docum
doc um ento
ent o de
de
lidades. in
constam indicações ica 1
çoes relativas
re ativas àa populaçãopopulaçao m maasculina
sculina de seis
de seis loca• loca-
(39 ) emLudua
ís dos
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div idid a emUduad ss ° la
pa, r
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Capitania. de de SãoSão PauloPaulo
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Filosófica
Píl
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Política
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pr1~á_vel velé que seja seJ a do Pe. G. G . T.T . Ray
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nal (História
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mações, pelas quais* se 5
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inferi Prim eirar1.m eira ediçao
e_ iç3:o é de 1770). ~770). Fornece
Fornece aindaain da outras
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Recopilação, aproximada~~~ -t~- i4~e46ªo
(40) Maapr0ximadamen<£
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chapb1~an1acontaria, na época em que redigiu sua
ChaP
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tta';ltes: ÉP°Ca *m ^ IedigÍU SU1
cumentos interessíTtf, habiía^ es^ d^* CapitanÍa de São Paulo no ano de 1797, Do-
cummtos inte!ess!nt:: ~:qb!'b t4tesT2~"dCap,tan,a de São Paulo no in
pág. 1*57? **««"> do Estado de S. Paulo. vol. XXXVI, São P a u ío fW
páa. i,1. m e T e S S a n te s >, ui,r<> 0 ~ta O de S. Paulo. vol. XX.XVI, São Paulo,in 19 ano àe 179 7, Do•
01,


1

INQUÉRITO UNESCO
INQUtRITO ANHEMBI
UNESCO-ANHEMDI
26
Ora, êsses dados
Ora, dados indicam,
indicam, quanto
quanto aos aspectos
aspectos aqui
aqui considerados,
considerados
que Oo elemento
que elemento indígena
indígena prevalecia,
prevalecia, ainda
ainda nono terceiro
terceiro quartel
quartel dod~
século XVIll, sôbre
século XVIII, elemento negro,
sôbre o elemento negro, na na proporção
proporção aproximada
aproximada
de para 11.. O que
de 3,6 para que significa, sem dúvida,
significa, sem dúvida, queque a desproporção
desproporção
existente
existente nos
nos séculos anteriores entre
séculos anteriores entre ambos
ambos os elementos
elementos ia desa-
parecendo
parecendo emem conexão com o deslocamento
conexão com deslocamento do do mdio
índio pelo
pelo negro
negro no
sistema de trabalho.
sistema trabalho. Parece
Parece ainda
ainda queque a abolição
abolição definitiva
definitiva da \

escravidão indígena
escravidão indígena acentuou
acentuou a eliminação
eliminação do do braço indígena, em
braço indígena,
vez de poupá-lo,
poupá-lo, o que
que é fàcilmente
facilmente compreensível
compreensível tendotendo emem vista
vista a
dinâmica das relações
dinâmica das relações de produção
produção sob o regimeregime de de trabalho
trabalho servil.
servil .

Quanto à vila
Quanto vila de São Paulo,
Paulo, que que nos interessa particu1arn,ente
nos interessa particularmente
por ser
por ser o próprio
próprio campo
campo dosdos nossos
nossos estudos,
estudos, a documentação
documentação revela revela
que se desenvolvera
que relativamente, beneficiando-se
desenvolvera relativamente, particularmente
beneficiando-se par,ticular1nente
com o comércio
com comércio das das minas
minas de Goiás Mato Grosso
Goiás e Mato Grosso e com com a exploração
exploração
em
em escala
escala econômica
econômica da da produção
produção agrícola
agrícola e da da criação.
criação. Em Em 1766,
contaria 833 fogos
contaria fogos ee_possuiria
possuiria 3.820 habitantes
habitantes (41).(41 ). Os
Os dados
dados rela­
rela-
tivos
tivos a 1777 revelam
revelam que que a população aumentara, abrangendo
população aumentara, abrangendo 4.409
habitantes,
habitantes, dos quais quais 2.423 livres
livres (brancos,
(brancos, índios,
índios, mestiços
mestiços e libertos)
libertos)
e 1.986 escravos
escravos (africanos
(africanos e negros
negros crioulos) (42). Em
crioulos) (42). Em média,
média, cada
cada
proprietário
proprietário possuíapossuía de 1I a 5 escravos;
escravos; mas,
mas, alguns
alguns possuíam
possuíam mais mais .
do que
do que isso: havia
havia os que que tinham
tinham de de I10O a 30 escravos
escravos e notam-se
notam-se
dois que
dois contavam com
que contavam com 51 e com com 104 escravos
escravos (4!).í43). OsOs escravos
escravos
deveriam
deveriam ser ser aplicados,
aplicados, nana quase
quase totalidade,
totalidade, nosnos serviços
serviços da da lavoura.
lavoura.
É
É conhecida
conhecida a estrutura
estrutura profissional
profissional e artesanal
artesanal de de São Paulo nessa
Paulo nessa
época. Pela
época. Pela distribuição
distribuição das das ocupações,
ocupações, verifica-se
verifica-se que que os artesãos,
artesãos,
profissionais liberais
profissionais liberais e comerciantes
comerciantes se recrutavam
recrutavam na na população
população
branca. Os dados
branca. dados concernentes
concernentes a 1767 patenteiampatenteiam que que sòmente
somente
um negro escravo
um negro escravo seria
seria pedreiro;
pedreiro; entre mulatos e pardos,
entre os mulatos pardos, são
enumerados
enumerados um um alfaiate, um barbeiro,
alfaiate, um barbeiro, um um sapateiro,
sapateiro, um um ourives,
ourives,
um pescador,
um pescador, 18 sem profissão
profissão definida
definida e um um fôrro,
fôrro, queque seria sapa­
seria sapa-
teiro 44 ). Essas indicações
teiro (í44). indicações são deveras importantes. Sabe-se
deveras importantes. Sabe-se queque du­
du-
rante
rante o regime
regime de de exploração
exploração do trabalho
trabalho indígena,
indígena, os brancosbrancos for­
for•
neceram
neceram os quadros
quadros de que saíam
de que saíam os artesãos,
artesãos, os homens homens que que se
ocupavam
ocupavam com com aa, *» “profissões
"profissões mecânicas”.
mecânicas''. Os dados transcritos evi­
dados transcritos evi-
denciam
denciam que que as tendências
tendências de incorporação
incorporação do do negro
negro ao sistema
sistema de
trabalho
trabalho servil
servil não
não abrangiam,
abrangiam, de forma forma apreciável
apreciável (considerando-se
(considerando-se
também
também os mulatosmulatos escravos
escravos e forros),
forros), as ocupações
ocupações artesanais tra-
artesanais tra•

<4 t~f C~ J- J. Ribeiro,. op.


Ribeiro, cit., pág. 617. Sôbre
0 ~- cit., Sõbre a populaçlo
populaçSo da vila
vila de S. Paulo
Paulo em
1767
Paul~.
Paulo
1937
). o,ummtol interessantes,
,,,tntss@tts, vol. LXII (A (Arquivo Estado de S. Paulo,
rquivo do Estado Paulo, SSo
Slo

dãnciV^\n
(42)
":opm da de1 dtodo
Iist"
tLlr,cia 40 <..
gnal d t Od O povopovo desta
d tsld cidade,
r1"'1dt, e, seus
. 11u1 subúrbios,
1ubúrb101, pertencentes
• .pntmcmt,s 4ti Ctman*
Co-,,um•
dezembro L
dezembro de AOrdenança
0 r e_nanrda da
da mesma,
,,,,sm",Antônio
Ant&nlo Francisco
Francisco de
d, 54.
SJ. SSoS~o Paulo,
Paulo, 31 <je
de
i
maço 1. 1777 · Arquivo
rquivo doo Estado.
Estiildo. Mapas
Mapas de PopulaçSo
Populaçlo da Capital
Capital (1765*1782),
(1765-1782),

3
3•* ed.
(.C3) Sérgio
re•ista e a
ed<3 reTi^tl81»
Mill'et
1 R censeamentos antigos,
• d ecnr,,11,,,mtos
• • •
10 "Roteiro do Café
ant,go1, in
• •
ensaio# t•
Caf~ e outros eos1101
n
("4) - Cf D r w umenta
Umem, a,\ Depanamento
^ ePanam ento de Cultura, Paulo, 1941, pãg.
S. Paulo, 137,
· Documentos
º'""''"'º' Interessantes,
(44) C ultura, pág. 137»
- <-f. lnt1r11snl11, vol. LXII,
l,XII, j'já citado.

r e l a ç õ e s RACIAIS
JlELAÇõES r a c i a i s ENTRE
e n t r e NEGROS
negros E
e BRANCOS
b r a n c o s EM SAO PAUi.O
e m SÃO PAULO 27
27

dicionalmente exercidas
dicionalmente exercidas pelospelos brancos
brancos ('4 5 ). Em
(45). Em outras
outras palavras,
palavras, as
tendências
ten<lências de especialização
especia]ização do braço braço escravo negronegro se ~ dirigiam,
dirigiam, de
fato, para
fato, para a lavoura
lavoura e atividades
atividades subsidiárias.
subsidiárias.
Alguns autores
Alguns autores afirmam
afirmam que que a expansão
expansão mineradora
mineradora criara criara em
Paulo um
São Paulo um novonovo sistema
sistema econômico,
econômico, baseado
baseado na na produção
produção agrí• agrí­
cola e nana criação
criação em escala de uma uma economia
economia de troca.
troca. Embora EmboTa a
mineração tenha,
mineração tenha, de fato, fato, alargado quadros da
alargado os quadros da economia
economia de mb- sub­
sistência, com a intensificação
sistência, intensificação em pequenas
pequenas proporções
proporções da da produção
produção
agrícola e da
agrícola da criação,
criação, e operado
operado a transfor1nação
transformação do escambo escambo puro puro
simples em atividades
e simples atividades mercantis
mercantis propriamente
pròpriamente ditas ditas í46),
(-ffi), essa afir-
afir­
mação
mação estáestá aquém
aquém da verdade histórica. :t
verdade histórica. É possível,
possível, mesmo, que que
o surto econômico provocado
surto econômico provocado pela pela mineração
mineração não não passasse de um um
episódio efêmero
episódio efêmero e sem continuidade,
continuidade, se não não se processasse uma uma
ampla redistribuição
ampla redistribuição de populações
populações e de de capitais (47 ), em
capitais (47), conexão
em conexão
com
com o declínio
declínio progressivo
progressivo da da produção aurífera. O que
produção aurífera. que se precisa
precisa
considerar
considerar em primeiro
primeiro plano plano é que mineração não
que a mineração não deu origem
deu origem
a um
um mercado
mercado capaz capaz de absorver
absorver em em quantidades
quantidades apreciáveis
apreciáveis os
produtos que
produtos que alimentavam
alimentavam a ''grande“grande lavoura'',
lavoura”, queque se construíra
construíra
no Brasil
no Brasil colonial
colonial em tôrno tôrno da
da exploração
exploração do do açúcar,
açúcar, do algodãoalgodão e
do tabaco;
do tabaco; ela ela somente
somente estimulou
estimulou a produção
produção nos nos setores
setores da da ''agri-
“agri­
cultura de subsistência''
cultura subsistência” e de de criação 48). Donde
criação ((48). Donde se conclui
conclui que que nãonão
se poderia explicar o desenvolvimento
poderia explicar desenvolvimento da da ''grande
“grande lavoura”
lavoura'' em São
Paulo
Paulo pelos
pelos efeitos imediatos do
efeitos imediatos do ciclo de mineração.
mineração. Aliás, Aliás, o que que
se entende
entende por por “grande
''grande lavoura”
lavoura'' surge
surge tardiamente
tardiamente em São Paulo, Paulo,
como
como umauma reação
reação à decadência
decadência econômica produzida pelo
econômica produzida pelo declínio
declínio
da mineração.
da mineração. Em outras regiões,
Em outras como a Bahia,
regiões, como Bahia, Minas
Minas Gerais Gerais e o
Rio de Janeiro,
Rio Janeiro, as reações reações foram
foram diferentes,
diferentes, masmas produziram
produziram de
maneira
maneira uniforme
uniforme uma uma intensificação
intensificação da produção agrícola
da produção agrícola (49).(49). Por
Por
isso não
não temos duvidas em afirmar
temos dúvidas afirmar queque o desenvolvimento
desenvolvimento agrícola agrícola
de São Paulo,
de Paulo, a partir terceiro quartel
partir do terceiro quartel do do século
século XVHI, XVIII, nãonão
apresenta outras
apresenta peculiaridades além
outras peculiaridades além daquelas
daquelas que resultaram das
que resultaram
condições locais em
condições locais em queque se operou
operou tão tão importante transformação
importante transformação
I

*« (45) Sõbre a estrutura


<45> S£br* estrutura artesanal
artesanal da Vila Vila de São Slo Paulo
Paulo no século
século XVIII,
XVIII, conforme
conforme
Afons!) _de E. Taunay,
Afonso História da Cidade de São Paulo no Século XVIII,
Taunay, Hist6,ia da Cidddt de São Paulo no Sl,ulo XVIII, vol. citado, citado,
cap. XXIV.
cap. XXIV. Graças às facilidades
Graças facilidades encontradas
encontradas no novo novo ambiente,
ambiente, alguns
alguns artff ices com-
artífices com­
pravam escravos, instruiam-nos
pravam escravos, instruiam-nos em suas ocupaçõesocupações e passavam
panavam a recolher
recolher os seussens jornais
jornais
<~-
(cf. op. cit., pág. 104; e vol. II,
cit., pãg. II, 1*
l• parte, Departamento de Cultura,
parte, Departamento Cultura, S. Paulo,
Paulo, 1951,
pãg. 20) • Isso deve ter facilitado
pág. 20). facilitado o acesso de negros negros e mulatos,
mulatos, tanto
tanto cativos
cativos quanto
quanto
forros, a um limitado
forros, limitado número profissões mecânicas.
número de (Jrofiss6ts mtcdnicas.
(46) Cf. Sérgio
(46) Sérgio Buarque
Buarque de Holanda,
Holanda, op. cit., pigs. 200.201,
cit., págs. 200-201, em que analisa aa nova
que analisa non
mentalidade comerciantes que iam de Sio
mentalidade dos comerciantes Slo Paulo
Paulo negociar
negociar nas minas.
minas.
• (47)
(47) As duas
duas coisas sio sio insepariveis.
inseparáveis. Não Não só s6 porque pessoas transportavam
porque as pessoas transportavam con* con•
sigo o ouro
sigo ouro ou as riquezas,
riquezas, mas principalmente
principalmente porque
porque 01 escravos coosti1ulam
os escravos constituíam a principal
principal
inversão de capital
inversão capital dos senhores.
senhores.
(48)
(48) Os têrmos "grande lavoura”
têrmos "grande lavoura" e “agricultura
"agricultura de subsistência”
subsist~ncia" contnstam
contrastam o» os dois
dois
tipos básicos
tipos bisic08 de produção
produção na economia
economia colonial:
colonial: a primeira, fornecia os gêneros
primeira, fornecia gêneros para para o
comércio exterior e a segunda,
comércio exterior segunda, os gêneros
gêneros destinados
destinados ao coosumo interno, o que
consumo interno, que nlo exclufa.
n io excluía,
natw-almente, a exportação
naturalmente, gêneros de consumo
exportação de gêneros consumo nem o consumo consumo de gineros
gêneros de expor­expor-
taçlo, de uma
tação, uma forma
forma peculiar
peculiar (cf. (cf. Caio
Caio Prado
Prado Jr, Formação do Brasil Contemporâneo
Jr, Formação do Bt-asil Conttmpo,~11eo..
Colônia,
Col8nia, Liv. Martins
Martins Ed.,
Ed., S. Paulo,
Paulo, 1942, pág. pág. 137; sôbre
sôbre essa importante distinção para
impo.rtante distinçlo para
compreensão da economia
a compreensão economia colonial brasileira, cf. págs.
colonial brasileira, pigs. 113-163).
113-163).
(49) Cf. Cf. Caio
Caio Prado Jr~• loc,
Prado Jr.» loc! cit., passim.
pw•ro. •
INQUÉRITO
INQUtRITO UNESCO-ANHEAfBI
UNESCO-ANHEMBI
28
28

econômica.
eco nômica. N o ma
No maisis esta se exp explica pelos me
lica pelos canismos de sub
mecanismos sti-
substi­
tuição
tuiç ão periódica
per iód ica de uns dut
produtos
pro os por
por out ros
outros na eco nom
economia ia col oni
colonial al
brasileira.
brasileira.
É necessário
~ necessário dispensar bastante ate
dispensar bastante nção a esta
atenção fase da vida
esta fase eco­-
vida eco
nômica
nôm ica de de São Pau Paulo.
lo. Na Na hishistória
tória dês te Est
dêste ado, o neg
Estado, ro não
negro não éé tãotão
im portante
imp ortante pel pelo papel
o pap el que des empenhou no_
desempenhou no p~r ~odo de min
período eração 1
mineração,
quanto
qua nto pel pelo o queque rep resentou par
representou para a a con st1tu1çao e o des
constituição envolvi-
desenvolvi­
m
me ento
nto da "grande
"gr and e lavoura”.
lav our a". To dos
Todos rec onh
reconhecemece m que
que o pro gre
progressosso
de São
de São PauPaulo lo é um pro produto
duto da exp ansão agr
expansão ícola do séc
agrícola ulo XI
século X, ee
XIX,
que ela
que ela memesmasma ser seria oncebível sem o neg
inconcebível
ia inc negroro esc ravo. No entanto,
escravo. entanto,
supõe-se
supõe-se que isso éé verdadeiro verdadeiro no sentido sentido mais simples: de que
mais simples: que aos aos
negros
negros coubera
coubera a par partete do age agente passivo, do rude
nte passivo, rude e m muudo instru.
do instru­
mento
rnento de trabalho,
trab alh o, inexpressivo
ine xpr ess ivo com
como o fato
fatorr his tóri co.
histórico. Rac ioc ina
Raciocinan- n-
do-se
do-se desdestata maneira,
ma nei ra, perde-se
per de- se de vis
vista ta que
que a esc rav idã
escravidão, o, com
como o ins
ins­-
tituição
tituiçã o social,
soc ial, se articulava
arti cul ava dinam
din âm ica me
icam nte
ente com o sist em
sistema a eco nô-
econô­
mico
mico de que fazia
faz ia parte;
par te; se era por
p o r êle det erm
determ ina da,
inada, rea
reagiagia sôb
sôbrere
êle
êle porpor sua vez,
vez , e o determinava.
det erm ina va. Tal
Talvezvez em bem pou cas
poucas situ açõ
situações es
histórico-sociais
históri co. soc iais se poderá
pod erá apreciar
apr eci ar a esc rav idã
escravidão o ope ran
operandodo com
como o um
um
“fator
''fator socsocial
ia1 construtivo”,
con stru tivo '', com
como o na fas
fase e do des env
desenvolvimolv ime nto
ento da
da eco
eco­ -
nom
nomiaia paulista
paulista que que ora nos preocupa.
nos preocupa.
Graças
Gra ças às tran transformações
sformações operadas operadas nas rela ções de
relações trabalho, 0o
de trabalho,
negro
neg nara-se, no dec
tornara-se,
ro tor decorrer
orrer do sér ulo XV
século Ill, com
XVIII, como vimos, o
o vimos, o pri n-
prin­
cipal
cip instrum
al ins trumeentonto da pro dução agr
produção agrícola. Todavia, est
ícola. Todavia, a ten
esta dia ine
tendia ine­-
vitavelmente
vitàvel me nte para
par a o padrão
pad rão da “agricultura
''ag ricu ltur a de
de sub sist ênc
subsistência”,ia" , um
um pou
pou­ -
co alargada
co alarga da pelo
pel o comércio
com érc io de gêneros
gên ero s nas
nas min as,
minas, ao lon
longogo de
de alg
algunsum
caminhos
caminhos e nos pou poucos
cos mercados
merc.ados con sumidores com
consumidores com que que con tavam
contavam
os pau
os paulistas. (50).). Ess
listas. (50 Essas condições
as con dições cor correspondiam favoràvelmente ao
respondiam favoravelmente ao
intercâmbio
inte rcâmbio com as min minas,
as, poipois in1 as lav
assim
s ass ouras não
lavouras não atra íam mu
atraíam itos
muitos
braços
braços escravos,
esa-avos, limitando-se
limitando-se a absorver absorver os ele elementos residuais ou
mentos residuais ou
os excessos
os excessos de mão
mã o de
de obra.
obr a. À
À medida
me did a que
que a pro duç
produção ão aur ífer
aurífera a
declina,
declina , porém,
por ém , observa-se,
obs erv a-s e, a partir
par tir do terc eiro
terceiro qua rtel
quartel dês se
dêsse séc ulo
século, ,
um
11mprogressivo
progressivo aum aumentoento da pop população
ulação livre ligado com
escrava, ligado
livre e escrava, com os os
deslocamentos
deslocament os demográficos
dem ogr áfic os produzidos
pro duz ido s pel
pela a cris
crisee da min era
mineração.ção .
Ocorre
Oc o1T e então
ent ão um fenômeno
fen ôm eno curioso.
cur ios o. O número
núm ero de
de esc rav
escravos os se
se eJe
elevava
constantemente,
constantemente, em flagrante flagrante desproporção
desproporção com exigências limi­
com as exigências Jimi-
tadas
tadas de de umuma a “agricultura
"agricultura de sub sistência", cujas
subsistência”, cujas sob ras já não
sobras não po­ po•
deriam
deriam con contar
tar com
com grandes
gra nde s possibilidades
pos sib ilid ade s de esc oam ent
escoamento. o. As sim
Assim, , os
os
escravos
escravos tornaram-se
tor nar am se
.. onerosos
one ros os para
par a os sen hor
senhores, es, sem
sem que
que se
se of ere
ofere­ -
cesse,
cesse, nos
nos quadros
qua dro s da economia
eco nom ia de
de ênc
subsistência
sub sist ia vig ent
vigente,e, um
um cor reti
corretivo vo
natural
nat ura l para
par a o desequilíbrio,
des equ ilíb rio , ao contrário
con trár io do
do que
que suc ede
sucedera ra nos
nos fin
fins s
do
do século
século XVIXVI ee começos
começos do século século XVIIXVII com referência ao
com referência escravo
ao escravo
indígena. Os escravos negros
indígena. Os escravos negros representavam representavam imobilização de
uma imobilização
uma de

r
e _(,<>) ^Sôbre
Sôbre a situzçio
sitv~çlo. da economia paulista
dt economia fio, do
paulista nos fins XVIII, cf-
Rado XVIII,
do século cf. ;Ma nuel
Manuel
ca/d o » 0 de
de Ab~
Abreu, Divertimento
eu, D,., trl,mmto admirável
lld111irJ11el(do cumeoro .rel
(documento ativo a 178
relativo 0, rrao
1780, scnco pol
transcrito por
cu., rol.
Sf'. ld0$
Sunonsen,
1111oasea, op.
os,. cit., yoJ. J,
I, páp . 3J1-
pág*. 354) •
351-354).
RELA ÇÕES RAC
RELAÇÕES IAIS ENTR
RACIAIS ENTREE NEGR
NEGROS BRANCOS
OS E BRAN EM SÃO
COS EM SAO PAUL
PAULOO 29
29

capi tal, apre


capital, ciável em f~ce
apreciável face da estaestagnação
gn~ção ec_! econômica,
)n~mi~, e d~v davam origem
am orig em
a desp esas, cons
despesas, ideráveis para
consideráveis para as crrc circunstâncias,
unstanc1as, mve invertidas
rtidas em sua
alim entação e cons
alimentação conservação
ervação ((51)*51
). • • • • •
f.sse
Êsse dese quilíbrio, que_
desequilíbrio, que resu
resultava
ltava da 1n~ incompatibilidade
o~pat1b1~!da~e exis existente
tente
entr
entree as proP orções assu
proporções assumidas
midas pela pela escr
escravidão
av1dao e a .“agricultura
agricultura de de
subs istência", só se corr
subsistência”, igiria pela
corrigiria evolução
pela evol ução no sent sentidoido da '_'gr “grandeai_ide
lavo ura''. A escr
lavoura”. avidão agia
escravidão agia,, port
portanto,
anto, com como o um um fato fator histórico,
r h1st ónco,
oper ando dent
operando dentroro da soci edade com
sociedade comoo um agen agente
t~ ~e de desa
desagregação
~egação do do
antig
antigo o siste ma econ
sistema õ~ico e com
econômico como um a cond
o uma condição
1~ao fav~ favorável
ra~el à à for-
for­
maç
mação ão de um um tipotipo mais
mais comcomplexo
plexo de expl exploração
oraçao econ econômica.
om1?1· Con Con­ •
tudo
tudo,, vári os obst
vários áculos se opun
obstáculos opunhamham a esta esta tran
transformação;
sf 011naçao; entr entree
êles
êles,, cum pre enum
cumpre enumerar
erar os mais mais imp importantes:
ortantes: 1) a agri
l) agricultura
cultura não não
era
era enca rada pelo
encarada peloss bran cos, tanto
brancos, tanto os desc descendentes
endentes dos dos antig
antigos os pau- pau­
lista
listass quan to os imig
quanto rantes port
imigrantes portuguêses,
uguêses, com como o umaum a ativiatividade
dade soci social
al
nobi litante e fàcil
nobilitante mente rend
facilmente osa (52); 2) mantinham-se
rendosa mantinham-se as técnicas técnicas
agrí colas antiq
agrícolas uadas e o seu ritm
antiquadas ritmoo de aplicaplicação
ação resu resultante
ltante da pro- pro­
duçã
dução o para
para subs istência (53);
subsistência (53); 3) as vias vias de comunicação,
comunicação, consti­ consti-
tuíd as por
tuídas por estra das que
estradas que seria
seriamm ante antes “escavações
s "esc avações de trab trabalhoso
alhoso trân trân•­
sito"
sito”,, não
não com portavam senã
comportavam senão o o pequpequenoeno mov movimento
imento do do acanacanhado
hado
com ércio de gêne
comércio ros ((54);
gêneros 54); 4) e, por por fim,
fim, o círcu
círculo vicioso
lo vicio so queque surg surgee
quan
quando do se se pret ende, no terce
pretende, iro quar
terceiro quartel
tel do sécu século lo XV X VIII,III, inici
iniciar
ar
uma
um a econ omia de troc
economia a: ou não
troca: não exisexistem excessos
tetn exce ssos de prod produtos
utos para para
expo rtação ou,
exportação ou, quan
quandodo êles
êles apar ecem, não
aparecem, não exis
existem
tem com compradpradores
ores e os
entr aves colo
entraves niais prej
coloniais udicam o com
prejudicam comércio
ércio dos dos artig
artigos 55 ).
os ((55). T ais obs-
Tais obs­
tácu los nasc
táculos iam das próp
nasciam rias cond
próprias ições da
condições da ''agr
“agricultura
icultura de subs subsis­
is-
tênc ia'' ee esta
tência” vam dest
estavam inados a desa
destinados desaparecer
parecer aos pouc poucos, os, à med m edida
ida que que
aque las cond
aquelas ições se tran
condições sformassem e se ajus
transformassem ajustassem
tassetn ao regi regimmee eco-eco­
nôm ico da ''gra
nômico nde lavo
“grande ura''. Entr
lavoura”. etanto,
E ntretanto, q u ando
qua ndo surg surgiram
iram. as
(51) Segu
(,1) ndo um
Segundo um docum ento relati
documento vo 2a 1768, só para vestir
relativo vestir o escra
escravo
vo o senhorr devia
senho devia
gastar
gastar 3$480
3*480 por
por ano
ano (apud
(apud Robe rto C. Simo
Roberto nsen, op.
Simonsen, op. cit.,
cit., vol.
vol. 1,
I, pág.
pág. 368).
368). O trab2l
trabalho
agrlco ho
la do
agrícola do escrav o nlo
escravo n io ocasio nava nenhu
ocasionava nenhumama comp
compensação econômica
ensaçlo econô atrativa
mica ~trati va e oo tornav
tornava a.
nas condi ções da econo
nas condições da economia de subsis mia tência de
subsistência dc então
então, uma fonte
t uma fonte de prejuí
prejuízo (cf. espec
especial’
mente Afonso de E. Taunay,
mente Afons o de E. Tauna v, História da Cidade de S Paulo,
llíst/J rid da Cidade de S.. Pdulo, vol. y o Í. 1,
I, 2,
zo (cf.
2* pane.
parte, páe.
ial:
147)
pá~. - 147).
(52) Cf.
(S2) esp. F. J.
Cf. esp. J de Lacer
Lacerdada e Alme Almeida, ida, op.op. cit.,
cit., pigs.
págs. 86-87 ).
86-87;; J. J. Mach
Machadoado dê
de
Oliveira,
Olive ira, op_. op. cit.,
cit., pá.g.
pág. 246; 246; Afon
Afonso so de E. Tauna Taunay, y, op. op. cit.,
cit., vol.
vol. I, 2• 2 » parte,
parte, pág.pág. 88 88
(dado
(dados s r~lat, vos a 1766
relativos 1766 e 1767 1767,, no govêr govêrno no do Morg Morgadoado de Mateu M ateus).
s). J. Ma"Q
Mawe.·eafirm
afirma a que
que
se_ consi
se derava a lavou
considerava lavoura, ra, em S. Paulo Paulo, , como
como uma uma "ocup
"ocupação
ação vil vil e degra
degradante" (op cit.cit
bandeirantes
dante" (op.
pàg.
pág. 82).82). Era Era umauma conse qüência da valorização
conseqüência valorização das ativid atividades
ades dos banàeirantts e do fas: fas-
cio.ia exerc jdo pela
cimo exercido pela mineração. miner açlo.
(53)
(53) Cf.Cf.esp. esp.A. A. dede E.E. Tauna y. op.
Taunay, op. cit., vol. II,II, l•1 % parte,
cit., vol. págs. 15-17
parte, pág,. 15*17 (cf.(cf. nota
nota
anteri or).
anterior). Sôbre Sôbre as ricnic as de
técnicas dc produçãoprodu çlo e conservação
conservaçio dos produtos
dos produtos agrícolas,
agrícolas, conhe conheci-
ci-
das em S. Paulo nessa época e princípios do século XIX, confo
Ensaio dum Quadro Estatístico da Província de S. Paulo ordenado pelas leis pro
w 5„era « Paul° ncssa época e PfincíP ^ s do século X IX , rme Mare
conforme chal Danie
Marechal Daniel Pedro
l Pedro
Mülle
Muller, r, Ensai o dum Q,,ad ,o Eslall stico d4 Pro21íncia dt S. PtJuln ordena.do ptlaj leis pro•-
£* JJ d* *$ril de m (>> * *0 d* ™arço de 1837
f!incíais dt 11 dt ab,il dt 1836, , 10 d, mtWfO à~ 1837,, reedição reedição liceca "O Estado
l, "O
liceralt Estado dc de
ò,
S, Paulo '', São
Paulo , Sao Paulo, Paulo . 1923, págs. 24•30 .
pags. 24-30, Os viajan viajantes também
tes també m deixa deixaram
ram descrdescrições
i<:ões dos dos
proce sso!
processos 211ríc olas; cf.
agrícolas; cf. espec ialmente
especialmente J.J. Mawe
Mawe, op. cit.,
, op. cit., págs.
págs. 82*83
82·83 ee 91.9 l. -
• (54)
(54) Sôbre os aspec tos
Sôbre os aspectos da vida da vida econô mica de S. Paulo
econômica aqui consi
considerados, inclusive
Paulo aqui ive aa
Memória
derados. inclus
s1tua çlo das
situaçao vias de
das vias comunicação,
de comunicação, cf. Antôn
Antônio io Rodri
Rodrigues
gues Vello Vellozo
zo de Oliveira,
sobre melhoramento da Província de São Paulo, aplicável em grande parte tôdas as
Oliveira M~mórid
Jôb,, mtlhoramnzlo "" P,oi-ln,ia de São Paulo, aplicáv~l nn grandt parte ~d t6da, tU
outras' províncias do Brasil,
º"''"
D.. JoJo
p,ovlncÍdJ do Brasil, Tipog rafia
Tipografia Nacional,
Nacio nal, Rio
Rio de Janeiro,
Janeiro, 1822 (ofere (oferecida
cida a
a
D João VI VI em em 1810),
1810). Parte Parte li cap. III.
II cap. III. A cit ação
citaçã o no no texto
texto foi foi extraída
extraída de de D D.. P .
P.
Müll~
ul r, . op.°P- cit.,
Clt*> pág. 103. Cf. a,nda ainda R -.. C. C. Simonsen,
Simonsen 1 op. op. cit.,
cit., págs.
págs. 356-361.
356-;61.
J• J tSS> } l
Cf. esp.
esp‘ A. A' dc de Tauna
Taunây> y, op. °P- cit..c,t .• vol.
vol. I. I, 2•2» parte
parte,, págs.
págs. 140-146,
140-146, e vol. II, n.
?arte, páp.
f parte, págs. 17·1817*18 e 23; J. J. J. Machado
Machado de Oliveira, Oliveira. op. cit., págs. págs, 283*284
283·284 e * 299-
299-303303.*
INQUÉRITO UNESCO
INQUtRITO UNESC q..ANwi?frDi
ANUb•r
so • l l:.L1+ n1
--
. •
primeiras tendências para
tendências para a organização
organização da
da produção
produção agrícoJ
agrícola
pr1me1ras
exportação,
ex Porlaç ,
èsses
ão êsses obstáculos
.
. .
obstáculos se erigiram
erigiram em
A pressao
em po
d
erosas barreir
poderosas
- mo d·r·
a Para
barreira® à
as x
) .,,
evolução
evo uçao
do
do sistema
sistema econômico.
econômico.d A pressão
••
•cadora
modificadora
i exe .
exerrL
reida
la isaavidão
pela escravidão produziu
produziu resulta
resultados os pos1t1vos
positivos porque
porque ela ela se associav
associa"
ium
a um conjunto
conjunto de fatores
fatores que operavam no
que operavam no mesmo
mesmo sentido.
sentido })ª
n
lado, deve-se considerar
um lado considerar que que a procura
procura de de certos
certos artigos
artigos trop·
tropirlf -.e
um , , 1 d""' •~.alS
d uzl·dos no
produzidos
pro no Brasil como o açucar,
Brasil,, como açucar, o aalgodão
,.,go ao e o• cafécafé,' aume
aumentantara*
no exterior.
.Õo exterior. De outro,
outro, que processos ?ªº
que processos nao me?os
menos importantes
importantes om? ocnr..
reram
era m concomitantemente
concomitantemente na na economia
economia paulista:paulista: 1) I) duas
duas pr prod d
r , ó • d. ,,,,, o u-
ções foram
foram selecionadas,
selecionadas, graçasgraças as às .pr prias con
próprias içoes favoráveis
condições favoráveis dd
tabilidade ao meio
adaptabilidade
dap meio físico ambiente
ambiente e de de exploração
exploração econoJ\
econômir» . =ie
a
_- a da da cana de açúcar
cana de açúcar e a do
d o ca
café
·1íb • econom1co
(56); 2)
f,e (56) ; 2) a aceuação•
aceitação da
" • se impunha

rnrca
da lavou/
lavo
ura
como
C omo fonte
fonte de
de renda
renda e de equ1
equilíbrio
1 rio econômico
. impunha i-
irresif .
.....es1s-
dve lmen te, já
tlvelmente, já que
que a gente d
gente dee pro 1
prol preten
pretendiad 1a manter
manter a todo todo custo
custo o
0
abastado padrão
abastado padrão de vida
vida ao ao qual
qual se acostumara
acostumara no no período
período prósppróspe
da mineração, o que nao,,,, pod ena. ser consegui .d o, 1n • d ef inidamê
. ero
mineração, que não poderia ser conseguido, indefinidamente
• """ . d 1 __ n te,
mediante
mediante as ficções f1cçoes proporciona
proporcionadas as pela
pe a consagraçao
consagração e abuso abuso d ’
crédito
aédito 57).
((57). ^ -O
°
É
1:, impossível dispensar
dispensar maior
maior atenção
atenção às condições
condições econôrni
econômica
da transição
da transição da "agncu · 1tora d
“agricultura dee su b s1st
· ênc1a
subsistência”• '' para “grande cas
para a "grande la. \a
voura” etn
voura" em São Paulo.
Paulo. O fato relevante é que
fato relevante que essa tendência,
tendência, inci.
ind
piente nas
nas duas
duas últimas
últimas décadas
décadas do século XVIII,
do século XVIII, torna-se
torna-se progressi.
progressi"
vãmente avassaladora.
vamente avassaladora. Como Como conseqüência,
conseqüência, modifica-se
modifica-se a correlação
correlação
fatores soaa1s
dos fatores sociais
· • e a ''“grande
gran de 1 lavoura”, produto
avoura '' , pro d uto d das condições
as condições
econômicas anteriores,
econômicas anteriores, reage
reage sôbre
sôbre elas
elas e as transforma.
transforma. Elabora-se
Elabora-se
então estrutura do novo
então a estrutura novo mundo
mundo social,
social, em que o negro
em que negro e os seus
descendentes mestiços
descendentes mestiços viriam viriam a ser, durante quase um
durante quase um século,
século 01 os
únicos agentes
únicos agentes do trabalho
trabalho escravo
escravo e os principais artífices da pro-
principais artífices pro­
dução agrícola. A
dução agrícola. A fase de prosperidade
prosperidade econômica
econômica que inicia, a
que se inicia,
(56) A cana
<,6) cana de açúcar
açúaat desenvolveu-se
deSfflvolveu-se melhorm elhor e mais m ais ràpidamenre
ràpidam entc na zona do Oeste
paulista,
paulista, onde já ;á daria margem
matgem a algum comérciocomércio ppor o r volta
volta de 1760,1760, enquanto
enquanto que o café cafi
ioício, se
no início, se expandiu
expandiu com maior
maior intensidade
intensidade no n o litoral paulista e no Vale
litoral paulista Vale do Paraíba:
Paraíba!
condições de seJeçio
Sôbre as condições seleção dos dois produtos
produtos nas nas lavouras
lavouras paulistas,
paulistas, cf. especialmente:
especialmente:
a) quanto ao açúcar,
•> açúcar, Afonso de E. Taunay, op. cit., vol.
E. Taunay, vol. I, I• 1* parte, págs. 142 e 146 ee
parte, págs.
rol. II,
vol. II, 2•
2* parte,
parte, pág. 17. As perspectivas
perspectivas de exportaçãoexportação do açúcar para o Reino ji
açú car para já
começam aa_ ser txaminadas
examinadas sob o govêrno
govêrno do Morgado M orgado de Mateus M ateus ((em 1768); o aumento
em 1768);
da produção
produção se fez paulatinamente,
paulatinamente, mas mas na últimaúltim a década
década do século XXVIII
d o século V III osos entraves
entraves
opostos pela JegisJaçção
OJ)Ostos legishççio colonial começam a ser
colonial começam com batidos. SóSó em
ser combatidos. 1808, graças
em 1808, graças ao ao ato
ato
abertura dos
da a/Jn1ura dos portos,
portos, ~é que a situação
situação se modificou
m odificou definitivamente,
definitivam ente, proporcionando
proporcionando me- me•
lbores
üiores condições de exportaçio
exportação para
para a produção açucareira de S. Paulo
p ro d u ção açucareira (cf. J. }.
P au lo (cf. J. Machado
de Oliveira, op. cit., págs. 283·303); 283-303); b) b) quanto
q u an to ao café,café, cf. Afonso
A fonso de E. Taunay,Taunay, Hít• His­
toria do
1ó,,í11 do Cll{I
Café 110
no Brasil,
Brasil, edição
edição do Departamento
D epartam ento do Café, Rio
d o Café, R io de Janeiro,
Jan eiro , 1939, tomotomo II,
passim. A ^ produçio
produção e a exportaçio
exportação dêste
dêste produto
p ro d u to tinham
tin h a m pequena
p eq u en a importância
im portância na última
decada do século XVIII,
dée2da X V III, mas se desenvolveram com tal rapidez, que qu e antes do meado.meado do
lé<:uJo
•eculo seguinte já deslocara o açúcar
;á deslocara açúcar da situação de produto
da situação p ro d u to principal
p rin c ip a l da economia
econom ia pauhsca
paulista
(ct.
(cf. t,p. de E.
e*p.;_~ A. d~ E. Taunay, op. dr •• tomo
cit., tom o III, pág.p ág. 31 e sts.; A lfred o EJHs
sts.; .AJfredo Jr.,
Ellis Jr.! 0
O. Café
Café
« "a PM1/iit11t1i11,
1
raultt tanta, Boletim 141 da Faculdade
Boletim 141 Faculdade de Filosofia,
Filosofia, Ciências
C iências ee LetrasLetras dada Universidade
Universidade
de S. Pau,lo. 1" I, paree li, cap. III) .
/<■£ £ 1 9 5 I f pane If- ,caP- n o .
0( 77)) Cf. os dados relativos
relativos à conduta
conduta dos "paulisras"p au listas abastados", contidos em do,,
ab astad o s”, conridos do-
CWDentos
cwmwto* de d~ 1766-1768, expostos por
1766-1768, expostos (H istória da
T aun ay (História
p o r Taunay da Cidade
Cidade de de S.S. Paulo,
Paulo, vol. I,
:=t 105-106 fe vo1.
t r 0! ? vpigs. 125*106
e o s>atte, voL nII,» l•
** parte, págs. págs. 21-23;
re_ luxo da "1et1te brinca" , 01 demai1 coinpon,aite, da população, que
21·23; êste êste aautor
u to r salienta c~.nuasi:e
salienta oo. contraste
viviam cm
condiçõesUde
coridtções de aor4,el rAiskia). Ué*™ *” 9 °* c<JínP onÇ

'
\

R.ELAÇõES
RELAÇÕES RACIAIS
RACIAIS ENTRE
ENTRE NEGROS
NEGROS E BRANCOS E~f
F. BRANCOS EM SÃO
SAO PAUl
PAULO0 4
31
51

prim eira de efeitos realmente


rimeira realmente duradouros,
duradouros, descansa
descansa de maneira m aneira li•li*
teral na exploração
trai exploração das energias
energias físicas _e.
e morais
morais do escravo negro negro.•. O
panorama econômico
panorama econômico nacional
nacional se mod1f
modifica
1ca de tal modo,modo, qu~ que o eixo
eixo
economia agrícola
da economia agrícola se desloc~
desloca do n?rte para !1
norte para o sul ~o do pais
país (para
(para
províncias do Rio
as províncias R io de Janeiro,
Janeiro, Minas
M inas Gerais
Gerais _e e Sao
São Pa~lo),
Paulo), as
quais acabariam
quais acabariam conhecidas
conhecidas como as províncias
províncias negreiras negreiras da
Nação
Nação ((58). 58).

oO desenvolvimento
desenvolvimento da ''grande “grande lavoura'',
lavoura”, porém,
porém , foi relativa-
relativa­

mente
mente lento. lento. A situação
situação em que que se encontrava
encontrava a economia economia pau-
pau­
lista, no início
início do século XIX, nada
século XIX, nada tinha
tinha de brilhante,
brilhante, de acôrdo acordo
com o testemunho
testem unho dos contemporâneos,
contemporâneos, os viajantes
viajantes principalmente.
principalm ente.
Houve, mesmo,
Houve, mesmo, quem quem se preocupasse
preocupasse com as razões
razões do mau m au estado
estado
da lavoura
lavoura e com os meios meios para
para melhorá-la
melhorá-la ((59);59 ); e Saint-Hilaire
Saint-H ilaire
pôde
pôde observar,
observar, ainda
ainda no primeiro
prim eiro quartel
quartel do século,
século, quandoq u ando o açúcar
açúcar
já contava
contava de forma forma decisiva,
decisiva, que senhores de engenho
que os senhores engenho viviam
viviam
em ''um“um estado
estado de apuros
apuros quase
quase contínuo'' 60 ).
contínuo” ((60). Mas,
Mas, em. em 1836, na
província
província de São Paulo Paulo existia:m
existiam 576 engenhos
engenhos de açúcar, açúcar, 425 disti•
disti-
lar ias de aguardente
larias aguardente e 887 fazendas
fazendas de café ((fil),
61 ), desprezando-se
desprezando-se as
explorações
explorações agrícolas agrícolas de pequena
pequena monta
m onta e as engenhocas
engenhocas de rapa• rapa-
.~ dura.
dura. O açúcar açúcar e a aguardente
aguardente forneciam,
forneciam, en1
em conjunto,
conjunto, o valor valor
mais
mais elevado
elevado na produção
produção e na exportação,
exportação, em que que representavam
representavam
mais
mais do que que o dôbro
dôbro do valor
valor alcançado
alcançado pelo
pelo café café (62).
:tsse
Êsse desenvolvimento
desenvolvimento se refletiu,
refletiu, naturalmente,
n atu ralm en te, na composição
composição
da população.
população. Os dados dados estatísticos
estatísticos que
que possuímos,
possuímos, embora
em bora mere-
m ere­
çam pequena
pequena confiança,
confiança, revelam
revelam queque a tendência
tendência ao aun1ento
au m en to da
população,
população, iniciada
iniciada nos fins do séculoséculo XVIII,
X V III, tomara
tom ara maior
m aior ímpeto.
ím peto.
O açúcar,
açúcar, a aguardente
aguardente e o café (êste (êste em menores
m enores proporções
proporções no
comêço),
comêço), atraíam
atraíam parapara São Paulo
Paulo tanto
tanto a "mão
“m ão de obra
obra escrava",
escrava”,
quanto
quanto a "gente branca”. A procura
“gente branca". procura e a importação
im portação de negros
negros
(crioulos
(crioulos ou africanos),
africanos), aumentara
aum entara sensivelmente
sensivelm ente -— nemn em poderia
p o d eria
acontecer
acontecer outra
o u tra coisa 6!).
coisa ((63). Nessa
Nessa época,
época, cada
cada fazenda absorvia de
fazenda absorvia

<.S~) . Jsso, no 1jlritJ10


Abolsciomsta ((1879*1888),
A.boüc,on,sld
‘luart?1 do.
úW"?0 <\Uart~I
1879•1888), Livraria
século _XIX
d°f. siculo
Livraria Edatõra
Editôra Leite
X IX . (e!
(cf Eva~isto
Evaristo de Morais, A
de Morais,
Ribeiro, Rio de Janeiro,
Leite R1be1ro,
A Campanha
Camp"nba
Janeiro, 1924, pág. pág. 60.
(59) Antonio
(59) Antonio Rodrigues Vellozo de Olivejra,
Rodrigues Vello20 Oliveira, op.op. cit.,
cit., passim.
passim.
CC11,1hn1n,,
é tb
(~)S L August _e d~ SaÍ
Lawertne, tomo I,I, p2g. Vol
^ Hil; " rc- Voyage
Saint-Hilanre,
pag. 260.
a*e dan*
dans l“
Observação concernente
260. Observação
Provinces
/es P,ovinces
concernente 20 ao ano
de
de Salnt-Paul
Saint,,.Paul et
ano de 1819 (cf. (cf. pág.
n de
àt Sainte-
pág. 324).
Sai,., ...
324).
(61) Daniel
Daniel P.P. Müller,
MüJler, op. op. cit.,
cit., tabela
tabela n.n. 4. pãgs. 130-132. 4, págs. 130-132,
* (62) Daniel PP. '' MMüUer,
üI,er* °P- cit., .ctabelas
op. cit- h e ia s 22 ee 3,3, pâgs. 122-129. Sôbre
págs. 122-129. produçlo ee
Sôbre aa produção
~a exportação
exportação dodo açúcar
açúcar_. em
em comparaçao
comparação com com oo café, além de
café, além Taunay (d.
de Taunay nota 53)
(cf. nota 53), ve• ve­
Jam-se
jam -se os dados fornecidos por
dados fornecidos por Paulo
Paulo R. Pestana, AA Expansão
R. Pestana, E ...:pa11sãoEconômica
Econômir" do do Estado
Estado d~ de
s í d o num Século
d o E Paulo
Sao P i (1822-1922),
c* ó , ' Sccreta[ Secretaria de Agricultura,
ia de Comércio ee Obras
Agricultura, Comércio Obras Públicas
Públicas
do Eicacfo de S. Pau!o, _São Paulo, 1923, pág. 11 e segs. Hércules Florence informa que,
pot vóka
por V<?lta
volta de í 1825, desciam
1825, S l° nas
desciam PaU‘°mulas
’ ,1923’
mulas para
paraPágó 11 C uma
Santos
Santos uma média Hércules
média Floren«
de 500
de 500 a 550 milmil arrobas que,
arrobas
_JUC2r por
de açucar P°r ano, ^ e ié consistente
an°* o0 que consistente com dados dados estatísticos
estatísticos que que possuímos
possuímos sôbresôbre a
exporr~çlo do0 produto <cf- Viagem «Flu11ial
Pfoduto (cf. « « do do Tietê
Titll aoao Amazonas
Am4'r:o,uu de 1825 "a 2829?
d~ 1825 1829, trad.
trad!
do Vise. isc. de Taunay,
Taunay, 2• 2* ed.,
ed.. Comp. Melhoramentos de S. Paulo,
Comp. Melhoramentos Paulo, 1948, pág. pág. 37).
3 7 ).
(63) J Em
escravo** exemplo,o om aior
1!25, porcxcmPl0’
? .1— maiorvalorvalorna naim importação
portação de deS. SP..aulo consistiaemem
Pauloconsistia
s
rçscravos, montante de 2
atingiam o iiaoot~Qtt
cravos, que atingiam indivíduo» (d.
..-91 iadiY!duo1
2.491 (çf. Paulo a.
Paulo R. Pc1cana,
Pestana, op. cit, cit..1
INOUt.RITO
INQUÉRITO UNESCO ANHEMBI
UNESCO
82 • ·ANffEAt81

32 ------ --------" ~ , contudo plantações em que


-----------
20 a 30 escravos, em média, média, havendo h~vendo contudo plantações
se empregavam escra,·arias superiores a 100 ou a 150 indivíduos ~~e
& 15Q indivíduos (w). em

Algumas indicações são suficientes para ilustrar as flutuações dC:


mográficas aJ>Ontadas:
~

ANO CõR
CONDIÇÃO -
.A:iO L IV R E 1 ESCRAVA
E SC R A V A TOTAL
I LIVItE TOTAL
- '
1811 ((fó)
1811 65) Branca
Branca 112.965 ._..
112.965
112.965
Parda
Parda '
44.053 10.548 54.601
54.601
Negra
Negra 3.951
. ..
37.602
- - • 41.553
41.553
Total
T otal 160.969 48.150 2097119 -
209:-119
1815 ((<*)
1815 66) Branca
Branca 115.203 - 115.203
115.203
} Parda
Parda 44.289 11.043 55.332
55.332
Negra 45.195
1

I Negra I 4.966 40.229 45.195


Total
T otal I64A5s--'--5L272=-~-2T~730
215.730 -
1836 ((67)
1836 67) Branca
Branca
Parda
Parda
172.879 1
59.454
-
14.722
172.879
74.176
Negra
Negra
Total
-----6.811
--. ...-..:
_ ..... __86.933
- _
72.211 - _....,_ 79.022
-
I T otal I 239.144 326:077
326.077

pá*. 39). S6bte


pl.K. Sôbre o período 1813-1817, cf. John Luccock, Notas
período de 1813-1817, sôbre oo Rio
N o t o 18hre Rio d,de Tn~iro
Janeiro
1e /Jllrl~s
partes #lrrídionllis
meridionais do do B_rasil
fírasil lomatf4s
tomadas duran!~
durante uma uma .~st11da
estada d_~de d~z.
dez anos
anos nesse
ness 11 ppais
4 Js, "•de
1808 "a 1818,
1808 1818, trad. Milton da S1Jva
trad. de Milton Silva Rodrigues,
Rodrigues, Liv. Martins, Rio
Liv. MartJns, Rio de de Janeiro.
Janeiro, 194 19422 ,
pág. 403.
IMI• 403. 9
(64)
(64) Para maiores especificações, por
maiores especificações, zona e tipo
por zona tipo de de produçlo agrícola, cf. A. de
p ro d u çio agrícola, dt
História do
Taunay, Hisl6ria
Taunay, do C11/
CafiI nono Brasil,
Brasil, voJ.
vol. III,
III, p~g.
pág. 67 67 ee seas.
segs.
(6S)
(65) Cf.CI. dad01
dados obridos
obtidos do conde conde da Barc.a
Barca ppor o r Eschwege (Journal von
Eschwege (/01Jrnal 1J011 Brasilien,
B,11silíen II, ll
pág. 160),
,,.,. 160). apud
apud A. Sainc-Hilaire, op. cit.,
A. Saint-Hilaire, cit., vol. I, págs.
págs. 108108 e 124• Relatório apres~nÍad~
12S; RelaJório
124-125; apresentado
â Assemó/Ji11
~ Assembléia Gn11JGeral na na Seg1,nda
Segunda SessioSessão d" da Décima
Décima Quarta Legislatura pelo
Q114rt11L~gislaJura p~lo Ministro
Ministro ~e St• Se­
cretário de
trtttl,io de Estdào
Estado dosdos J\legócios
Negócios do do Império
Império Paulino
Paulino José José S011r~s
Soares de de SDuz11,
Souza, Tjp.Tip. Nac:íooaJ,
Nacional,
Janeiro, 1870 (anexo
Rio de Janeiro,
Rio (anexo D, págs. págs. J06-l l2): A. de E. Taunay,
106-112); T aunay, História
História do do Café
Cafl 110 no
Brasil, Yol..
BrtUíl, vol, 11,
II, págs.
págs. 334•340.
334-340. N Relatório constam também
Noo R~lalórítJ também dadosdados .relativos
relativos a 1814 #•
1819, qu.e
1819, que nio
não foram utiJizados
utilizados no no te1tto.
texto.
(66) R~ist
({,6) Reise in in Br1J.Silíe11
Brasilien 411/ auf B~f~hl
Befehl Sr. Sr. M11jestâl
Majestãt Maximj/ían
Maximilian Joseph Joseph I.I . Kõnigs
Kõnigs 110• von
Baiern in
&úwn den Jabren
in den Jabrm 18171817 bis 1820 g~1na,h1
bí1 1820 gemacht und und beschrieben
btschri~óm von 110n Dr. Joh. B11p1.
Dr. /oh, Bapt . von Spix
110n Spi~
und
11ndD,, Dr, útrl
Carl Fried,.
Friedr. Phil, von Martius,
Phil,, i·on MtJrtius, 1? voJ., gedruckt
J9 vol., gedruckt bei Lindauer,
bei M. Lindauer, Münchea,
Münchcn,
1823, inis.
1823, pígs. 238·239.
238-239. :e preciso notar
fi preciso notar que foram feitas
que foram aJgumas
feitas algum correções em certas
as correções certas somas.
Neste trabalho
N~su trabalho nãonão foram
foram expostos
expostos os dadosdados relativos
relativos a 1816, contidos contidos em Antonio Antonio Rodrí•
Rodri*
l:Jn VeJlozo de Oliveira,
gues Ve.JJozo Oliveira, A A Igreja
/gr~ia dodo Brasil
Brasil (in
( in .. Revjsta Trim
"Revista TrimensaJ
ensal do Instituto
Instituto Histórico,
Geográfico ee Ernosrálico
Geosráf,ro Etnográfico do BrasiJ'', tomo XXIX,
Brasil", tomo parte 1*.
X X IX , parte 1•. Rio Janeiro, 1866, pá~.
Rio de Janeiro, págs.
159•199;
159-199; cf. d. map.a
mapa n. 3), 3)» por
por ser ser dispensável;
dispensável; nem nem os do do tecen.seamcnto
recenseamento de 1822, no quaJ qual
•$e cometeram muitas muitas confusões
confusões (cf. (cf. Paulo
Paulo R. R. Pestana,
Pestana, op op... cit., págs.
págs. 3•4).
3-4).
(67)
!6 7J Daniel Daniel P. Müller,
P. M~Uer, op. cit.,
op. cit.,
págs.págs. 154-169.
1S4-169. Nos Ncotais
o s totais
ex~t~s,expostos
foramforamexduí~o~excluídos
12_S índios, oo que
825 !ndios, qu~ elevaria populaçio tot2l
eJeva,,a a popuJação capitania para
total da capitania 1ndav1duos. A. _S~Jn~
para 326.902 indivíduos.
niia;re top.
H~J2.zre (op. cil.,
cit., pág.
pág. 125)
12S) apresenta
apresenta taistais dado.s
dados como referentes a 1838,
como referentes Daniel r.
1838, e DanJel r.
Kid~tl,
!# m*n*tc*nc*** d,
c Cfii Remini1rê,11.i11s d* Viagens
Viagens ee Permtmln(Ía
Permanência no no Brasil
Brasil (Rio
(Rio de de /an~i,o
Janeiro 'e Pr P™?0." 1"'"'*
d,e S.ò. P_®lll),
Paulo), Compreendendo
Cqmpru11dendo Nolldas Notícias Históricas
llistóritas eI Geográficas
Geográficas do Império ee dtde Dwt,idJ
do Império *®n'er
ttíãtiTOf**'
Pr°'1ne,as, crad.
tt 1at,yo, a 1839 1839*/! ^
de M. N. Vasconcelos,
Va,conccJo,, iiv. L.iv• .Ma.reias, S*
Maicias, S• Pauio, .Pau.lo, 1940» ~~,>,,omo
1940, páJ. 295 )> com0
RELAÇÕES RACIAIS
RELAÇOES RACIAIS ENTRE
ENTRE NEGROS
NEGROS E BRANCOS
BRANCOS E~I
EM SÃO
SÀO P,\ULO
PAULO 33
33

Saint-Hilaire tentou
Saint-Hilaire tentou explicar
explicar o desenvolvimento
desenvolvimento da população
população
paulista compreendido
pau1ista compreendido entre entre 1811 e 1836 (o'? (ou 1813 e 1838!1838, como
como
delimitou, par
delimitou, por lapso);
lapso); interessa-nos,
interessa-nos, em particular,
particular, a relaça~
relação que
que
êsse cientista-viajante
cientista-viajante descobriu
descobriu entre
entre o aumento população es-
aumento da populaçao es­
crava e a lavoura
lavoura do açúcar açúcar na zona central
central do Estado:
Estado: o desen•
desen­
volvimento da produção
volvimento produção açucareira
açucareira fez-se
fez-se acompanh~r
acom panhar d~ de um
um aumen•
aum en­
população de c~r
to da população côr negra
negra e escrava,
escrava, o qual
qual foi
foi mais
mais acentu~do
acentuado
regiões em que
nas regiões que os moradores
moradores ou povoadores
povoadores brancos
brancos possu1am
possuíam
maiores
maiores recursos
recursos (6 (68).
8 ). As estatísticas
estatísticas de . Daniel
Daniel P. Muller
M uller deixam
deixam ~

patente que
patente que o mesmo
mesmo fenômeno
fenômeno se repetia,
repetia, em proporçoes
proporções menores,
menores,
na zona nortenorte do Estado,
Estado, graças
graças à incipiente
incipiente produção
produção cafeeira.
cafeeira.
Em suma,
E01 suma, a expansão
expansão da ''grande “grande ..lavoura''
lavoura” refletiu-se
refletiu-se diretamente
diretam ente
na composição
composição da população
população escrava, provocando,
provocando, de modo modo bem
nítido
nítido a partir
partir do primeiro decênio do século,
prim eiro decênio século, unta
um a elevação
elevação pro-
pro­
gressiva na importação
importação de escravos negros negros (crioulos
(crioulos e africanos) 69 ).
africanos) ((69).
Os dados
dados aqui
aqui expostos,
expostos, considerando-se
considerando-se também
também os relativos
relativos a 1797
(cf. pg. 449), permitem
perm item registrar
registrar que
que a média
média de aun1ento
aum ento anual
anual da
• População
população escrava, com referência referência ao elemento
elem ento negro,
negro, cresce con• con­
tinuamente,
tinuamente, tornando-se
tornando-se êsse crescimento
crescimento verdadeiramente
verdadeiram ente apre--apre­
ciável
ciável depois
depois de 1815.
O processo
processo econômico,
econômico, que que foi tão sumàriaD1ente
sum ariam ente exposto
exposto nasnas
páginas
páginas precedentes,
precedentes, repercutiu
repercutiu de duas duas maneiras
m aneiras distintas
distintas na
n a cons-
cons­
tituição
tituição do agnipamento
agrupam ento social, que que é objeto
objeto de nossa
nossa análise
análise —- a
cidade
cidade de São Paulo.Paulo. Primeiro,
Primeiro, porque
porque as tendências
tendências agrícolas
agrícolas se
fizeram sentir
fizeram sentir também
tam bém no no seio de sua sua população;
população; muitos
m uitos dos
dos seus
moradores,
moradores, inclusive
inclusive os que que não
não residiam
residiam nas freguesias
freguesias mais
mais af as-
afas­
tadas
tadas (como
(como as dos Guarulhos,
Guarulhos, Nossa Senhora do õ,
Nossa Senhora ó , Cutia,
C utia, Juqueri,
Ju q u eri,
etc.),
etc.), dedicavam-se
dedicavam-se a atividades
atividades agrícolas, mesmo à plantação
agrícolas, mesmo plantação da
cana
cana de açúcar
açúcar e do café, café, como
como testemunham viajantes e é do-
testem unham os viajantes do­
cumentado
cum entado pelas pelas estatísticas
estatísticas (70). Segundo,
Segundo, porque
porque a expansão
expansão

(68) Cf*
(68) Cf. A.
A* Saint-lliJaire.
Saint-Hilaire, op.op. cit.,
cit., páRs.
págs. 126-131, quanto à.
126-131, quanto à populaçio
populaçSo considerada
considerada
como um todo,
como
zona referida
rona
todo, e 337-341,
referida (ltu.
337-341, 363•
Põrto Feliz
(Itu, Pôrto

364, 412-413,
363-364,
Feliz e ltape1jninga).
Itapetininga).
quanto a centros
12-413, quanto ccntros de producão agrícola na
produção agrícola
- -
na

(69) Seri.a conveniente


(69) Seria conveniente observar: a)
observar: a) as estatísticas,
estatísticas, a partir
partir de permitem sepuar
de 1836, permitem separar
negros crioulos
os negros crioulos dos
dos n.:gros
negros afrjcano5; b)
africanos; b) Parece
Parece que principal fonte
que a principal fonte dedc aumento
aumento da
populaç!o
população eS<.·rava consistia, ness
escrava consi~1ia. nessaa época,
época, na importação
jmportaçlo de escravos,
escravos, diretamente
diretamente do Rio
do Rio
de Janeiro
de Janeiro ou ou atrav~s pôrto de Santos;
através do põrto c
Santos; e)) O leitor
leitor interessado
interessado encontrará
encontrará eraem Samuel
Samuel
.ri.
rs. Lowrie (op. cit.,
Lowrie (op. cxt., pág.
pág. 10 e acgs.),
segs.), uma
uma análise
análise estatística
estatística do desenvolvimento da po-
do desenvolvimento po­
pulação negra em
pulaçlo ne11a Piulo, inclusive
em S. Paulo, inclusive nono período
período em em questão.
questão.
(70) Entre os vjajaoces, a principal é
fonte é o livro
principal fonte livro de Mawe
Mawe (op.(op. cit.,
cit., págs.
págs. 83-85
e 88-89),
88-89), seguindo•se-lhe Saint-Hilaire, (op,
scgumdo-sc-lhe Saint,Hilaire, vol. I, pãgs..
(op. cit., vol. págs. 247, 291-297 e 322·327).
247, 291-297 322-327).
indicações, com
Outras .indicações,
Outras com referência
referência ao período
periodo contiderado,
considerado, se encontram
encontram nas seguintes obras:
nas seguintes obras*
Gus!avo
Gustavo __Deyer, Ligeiras notas de viagem do Rio de Janeiro â Capitania de São Paulo,
Beyer, Ugti,as nalas d, viagem do Rio de /anti,o à Capitania dt São Paulo,
no Brasil,
no Brasil, no
no .,,,ão
verao dede 1813,
1813, com
com alsum"s
algumas notl,ias
noticias sdbrt
sôbre aa cidadt1
cidade da
da Bal1í"
Bahia ee da ilha
ilha T,is•
Tris•
l.ao,.ia
tão - b e ~nlrt
do Cunha, wnlre o° Cabo
Cabo te o0 Brasil
Hr11silee t/Ut
<iue há
há pouco
t>ouc° foi
foi ocupada,
ocupada, rrad.
rrad. de
de A.
A. Lõf 1ren
Lõfgren.
in Revista do lnst!tuto
m "Revista Instituto 1Iis~6rico
Histórico e Gc<?gráfi~o", vol. XII,
Geográfico", vol. XII, tomo
tomo de 1907, S. Paulo,
de 1907, Pauto 1908:
1908,
~igs.
págs. 2?1·292;
291-292; Daniel Kidder, op. cit.,
Daniel P. K1dder, cit., pags, Kidder e J. C. Fletcher,
págs. 197-204; D. P. Kiddcr Fletcher,
j í• os
Í(1L Brasil °c B,asilei,01
BJ as,J f ’r°s (E.sbôço
íEsbôço llistó,í,o
Histórico ee Dtsc,ititJo,
Descritivo, trad.
trad. de
de E. Doli3.niti. revisão e
D olianiti, revisão e
notas de ,E- E. DS.
S- de Mendonça.
Mendonça, Companhia
Companhia Edit6ra Nacional, S. Paulo,
Editôra Nacional, vol. li.
1941, vol.
Paulo, 1941, II. pâgs.
págs.
131-132; J. B.
131-132: ~. voo Spix e C"
von Spix C. F. P. Viagem p,lo
Martius, Viagem
P. von Martius, pelo Brasil,
Brasil, trad.
trad. de D . F. Lah-
de D. Lah-
meyer e revislo
revisio dede B.B. F. Bam.iz Galvão e B. de Magalbits,
Raxtxiz Galvão Imprensa Nacional,
Magalhães, Imprensa Nacional, Rio
Rio d9d«
INQUtRITo
INQUP.RITO UNEsco.,~NJJb
UNESCO-ANTIEM bi
r ..\f n1

agrícola
agrícola da zonazona central
centra! do estado estado criou criou novas condições p
novas condições Par
desenvoh·imento
desenvolvimento do comércio · na c1 .dade ddee s~
cidade ao p
São au Jo. A prod
Paulo. ara ..o
prodi*-0
daquela
daquela .zona
zona (ao contrário
contrário da do vale do Paraíba, Paraíba, subsidiár• tiçao
subsidiária*^0
mercado do Rio de Janeiro),
mercado Janeiro),. escoava-se pe pelo ôrto de
Io ppôrto Santos, 0ia - do
de Santos
contribuiu
contribuiu poderosamente
poderosamente para para transformar
transformar a cidade cidade de SãC:São ; que
em panto trânsito dos produtos
ponto de ti·ânsito produtos de exportação exportação ou importa importaçã~ulo
em centro • J ,,., d • cao e
centro comercial das papu açoes dee uma
populações um a parte
parte important~
im portante °hC d
Interior (71)- Essa
Interior (11). Essa comp
complicação• - d
11caçao doo s1s · t ema econom1co
sistema " ·
econômico cidadee ff o••
da cidad
ponto de partida da d ·f erenc1açao
1 . ., ocupaciona . l mais • profunda e - o1
o
0 ponto partida diferenciação ocupacional profunda 01
.
iria operar-se posteriormente,
iria posteriormente, pois entao
· ~
então começam
começam a surgir surgir as
,
a s^
que
cessidades de pro produção "" e d
d uçao dee tr?ca
troca _peru J1a~es
peculiares • urbanas ,,(ne.
a zonas urbanas S2,'
E serviu como um foco de po1ari:zaçao polarização da mao mão de obra, obra, tanto
tanto esc
escrn· ''
,, f' . ,, d rava
uanto Ji,rre.
qquanto livre. Pelo
Pelo que parece, os “ofícios”
que parece, o 1c1os eraJll esempenhado
eram desempenhados
homens
homens livres
livres mas entre entre ê stes nao
êstes ., ssó
não ó contavam
contavam os 1· 1bertos (des ppor
libertos
erência os mais• cclaros),
fferência 1aros ) , como se aabriam b riam
• ánas

vvárias perspectivas pre.
perspectivas d
aproveitamento
aproveitamento do trabalho trabalho escravo em tarefas tarefas ocasionais,
ocasionais, no art arte _e*
nato urbano principalmente
nato urbano e • • 1
pnnc1pa mente nos serviços• d om é •
sticos
domésticos da residência
residên ^
esa.
dos senhores
senhores (7,).
(73). Cla
Todavia,
Todavia, a nova fase de prosperidade prosperidade se inaugurava inaugurava sob a ée·d é?‘d
da "grande
“grande lavoura".
lavoura”. As regiões ocupadas ocupadas pela pela cidade
cidade e seu tê;• têríno -e .
010
não ofereciam ·
ofereciam con d· .,, f
1çoes favoráveis
condições á • d
avor veis ao desenvolvimento 1 ·
esenvo v1mento acentuad acentuado0
das duas produções agrícolas em que
produções agrícolas que ela se alicerçava alicerçava em te ter
ras
ras paulistas:
paulistas: a cana de açúcar açúcar e o café. Verifica-se Verifica-se isso, indiret:
indireta*
mente,
mente, pelo pelo valor
valor da produção
produção em 1836, por p o r exemplo,
exemplo, que que atingira
100:006$345, no
a J00:006$345, no distrito
distrito ee seu seu têrmo,
têrmo, apesar variedade dos
apesar da variedade dos
•, produtos
produtos explorados
explorados (café, aguardente, aguardente, chá, chá, àlgodão,
algodão, gêneros
gêneros de
subsistência,
subsistência, criação, etc.); essa soma não não chegava
chegava à metade m etade ou a um
têrço da produção
produção dos centros centros agrícolas
agrícolas principais
principais ((como como Rananat
Bananal
Lorena,
Lorena, Pindamonhangaba
Pindam onhangaba e Jacareí J acareí ou São Carlos, Mogi-Mirim e
Carlos, Mogi-Mirim
Itu),
Itu), embora
embora igualasse
igualasse ou superassesuperasse a de outros, outros, que que com o tempo tempo

Janeiro,
Janeiro, 1938,1938, vo1,
vol. I, pigs. 210-212. Segundo
págs. 210·212. Segundo as estatísticas
estatísticas de 1836, existiam
existiam na cidade
cidade
de S. Paulo têrmo alguns
Paulo e seu rirmo alguns engenhos
engenhos de distilação
distilação de aguardente,
aguardente, 2~ 24 fa2endas
fazendas de criar
aiar
e fazendas de
c 3 fazendas de c2fi
café (d.
(cf. Daniel
D.aniel P. Müller,
MüJler, op.op. cit.,
cit., pig.
pág. 310).
310).
(71) principal fonte
(71) A principal fonte para
para oo estudo
estudo do comércio
comércio em S. Paulo Paulo dosdos princípios
princípios do
século XIX
técuJo X IX é, sem dúvida,
dúvida, A. Saínt-Hilaite
Saint-Hilaire (cf.(cf. op.
op. cit., vol. 1,
cir., vol. I, págs.
págs. 247, 259, 262, 262,
275-276). Veja-se
27S-276). Veja-se tambim
também J. Mawe Mawe,1 op.op. cir., pág. 79.
cit., pág.
(72) Saint-Hilaire
(72) Saint-HiJaire deixa deixa
evidente, em suas
evidente, em suasexplanações,
explanações, o nível
que que de vida
o nível das po•
de vida das po­
puJaç~ts
pulações da cidade cidade e seu têrmo, têrmo, e a mentalidade
mentalidade que regulava a produção
que regulava produção econômica
econômica
(típicamente precapitalista), se opunham
(tipicamente precapiraJisra), opunham ao desenvolvimento
desenvolvimento da economia urbana
da economia ( cf. esp.
urbana (cf. esp.
rol.
YoJ. X I., págs. 263-264 e 288-291).
págs. 263-264 288-291}.
(73) Sôbre
(73) estrutura profis!ional
Sôbre a estrutura profissional da cidade,
cidade, cf. D Daniel
aniel P. Mülfer.
Mülíer, op.op. cit., p4gs.
págs.
242 ee 244. Veja-se
242 Veja-se ainda: Saint-Hilaire , op.
ainda: A. Saint-HiJaire, cit., vol.
op. cit., vol. 1, pág. 247; 264, 268
I, pág. 268•269,
-269, 271*
271•
272, 283*284,
272, 283·284, e 288·291;
288-291; ]. J. Mawe,
Mawe. op. cit .• pigs.
cit., págs. 79 e 91; J. J. B. von Spix Spix e C. F. P. vou von
Martius,
]1 2 !1ius, op. cit., vol. I, pá3s. págs. 209-212;
209-212i G. Beyer,
Beyer, op. cit., cit., pág. 292. Muitos.
pág. 292. Muitos senb~res
senhores
vivJam
viviam do aluguelaluguel dos seus negros negros e as negras
negras se ocupavam
ocupavam também também comocomo quatandeJras.
quitandeiras.
Fntre os camaradas,
~ntre e1:1m"1"adas, que trabalhavam como
que trabalhavam tropeiros, encontravam-se
como Jroptiros, encontravam-se vários
vários negros (d. (cf.
H. Florence,
Florence, op. cit., pig.
op. cit., 37). Nem
pág. 37). todos os fazendeiros
Nem todos dispunham de lroptJJ
fazendeiros dispunham tropas para
Para 00
uaaspone
transporte dos produtos para Santos e precisavam
produtos para lançar mào
precisavam lançar mão do serviço alugado dos ~
alugado dos_ txo*
peito,
P*iro« profissionais (cf. D. P. Kidder, op. dt
profí5$fonais (d. .• pig.
cit., pág. J68).
168 ). Entre os tropeiros
Eotte prohssio-
tropei!os prof~~:
~au con~a!am
C cambém os negros
OQC.a!?°l f*®bém libertos, Saint-Hilaire
Saint-Hilaire chega afirmar que eles êles B 0st
gostav
cessas atividades
Gesta, at•vídades..
oesros Jibertos. chega a afirmar
\V
-

4


%

RELAÇÕES RACIAIS
REl~AÇõES RACIAIS ENTRE
ENTRE NEGROS
NEGROS E BRA'SCOS
BRANCOS E~f
EM SÃ<>
SXO PAULO
PAtJI ..O 35

viriam a tornar-se
viriam tomar-se grandes
grandes produtores
produtores agrícolas. 74 ) Por
agrícolas. ((74) Por sua vez, as
margens deixadas
margens deixadas pelapela exportação
exportação do açúcar E:
do açúcar e dedc algu?.:'
alguns outros
outros
gêneros das
gêneros das 1·egiões
regiões subsidiárias
subsidiárias do mercado
mercado da da cidade
cidade de de Sa~
São Paulo
Paulo
não eram
não eram suficientemente
suficientemente altas
altas para
para fomentar
fomentar um um comércio
comércio con-con­
sistente e intenso
sistente intenso (75). Os fazendeiros
fazendeiros viam-se
viam-se ainda,
ainda, em em sua
sua maioria,
maioria,
voltas com
às voltas com os créditos
créditos utilizados
utilizados para
para a compra
compra dos dos escravos 76 ),
escravos ((76),
não estando
não estando portanto
portanto em condições
condições de empatar
empatar os seus seus recursos
recursos com
com
artigos supérfluos.
artigos supérfluos. I~o Isso explica
explica porque
porque o ritmo
ritmo demográfico
demográfico da ci- ci­
dade de São Paulo,
dade Paulo, em
em rápido
rápido crescimento
crescimento nosnos fins
fins dodo século
século XVIII,
XVIII,
estaciona repentinamente
estaciona repentinamente e chega chega a declinar
declinar nos nos quatro
quatro primeiros
primeiros
decênios do século
decênios século XIX.
XIX. Aparentemente,
Aparentemente, o fenômeno
fenômeno seria seria o resul•
resul­
tado das
tado das sucessivas
sucessivas convocações
convocações parapara a tropa.
tropa. O engajamento
engajamento de de
particular, teria
1808, em particular, teria sido
sido verdadeiramente
verdadeiramente desastroso,
desastroso, além
além de
dramático; a êle
dramático; êle sucederam-se
sucederam-se outros,
outros, como
como em em 1814 e 1817 ((77). 77 ).
Sem dúvida,
Sem dúvida, o recrutamento
recrutamento contribuía
contribuía para
para perturbar
perturbar a evolução
evolução
demográfica da
demográfica da cidade:
cidade: aos
aos indivíduos
indivíduos incorporados
incorporados às tropas tropas é pre-
pre­
acrescen tar-se os que
ciso acrescentar-se que se evadiam,
evadiam, visando
visando evitar
evitar males
males maiores.
maiores.
Mas as razões
Mas razões dodo desequilíbrio
desequilíbrio parecem
parecem ser ser mais
mais profundas.
profundas. As
perspectivas econômicas
perspectivas econômicas abertas
abertas para
para os lavradores
lavradores na na cidade
cidade de de São
Paulo não
Paulo não se comparavam
comparavam com com as que
que se ofereciam
ofereciam nas zonas pr
nas zonas prós­
6s-
peras do
peras do Oeste
Oeste paulista
paulista e do vale
vale do
do Paraíba.
Paraíba. Daí, Daí, possivelmente,
possivelmente, o
abandono da
abandono da região
região por
por fazendeiros
fazendeiros que
que estavam
estavam nela nela instalados
instalados e,
que possui
o que possui maior
maior importância,
importância, o pequeno
pequeno interêsse
interêsse que que ela
ela des-
des­
pertava nos
pertava nos que
que se dispunham
dispunham a empreender
empreender a exploração
exploração agrícola
agrícola
segundo o novo
segundo novo estilo
estilo (78).
Os dados sôbre a população
população da cidade
cidade e seu têrmo têrm o de que
que dis-
dis­
pomos não
pomos não merecem
merecem senãosenão umauma confiança
confiança relativa.
relativa. Saint-Hilaire
Saint-Hilaire
chega a afirmar,
afirmar, a respeito
respeito dêles, que
que criavam
criavam dificuldades
dificuldades quase
quase
inextricáveis,
inextricáveis, no que tinha razão. O cômputo
que tinha população se
cômputo da população
(74) Cf. Daniel
(74) Daniel P. Müller.
MüIIer, op.op. cit.,
cit., pág.
pág. 125;
12S; comparem-se
comparem-se os os dados que fornece
dados que fornece nesta
nesta
página com
pi1ina com os demais
demais ((124-129).
124-129).
((75)
1,) Cf. acim3,.
acima, referências
referências contidas
contidas nasnas notas
notas 71 e 72. 72. Spix
Spix e Martius notaram que
Manius noraram que
luxo entre
o luxo entre os
os moradores
moradores de de Sio
São Paulo
Paulo nionão .era
era tão
tão desenvolvido
desenvolvido quanto
quanto oo que
que era
era osten•
osten­
tado pelos
tado pelos moradores
moradores da da Bahia,
Bahia, Pernambuco
Pernambuco e Maranhão,
Maranhão, assinalando que a influên­
ainda que
assinalando ainda infJuên•
cia civilizadora
ci~ civiBxadora da Europa Europa eraera então pequena no
então pequena acanhado meio
no acanhado meio social
social d3
da cid3de
cidade (cf.
(cf. op.
op.
cir., vol. I, pág.
cJr., voJ. pág. 209).
209). Além disso, as estatísticas
Além disso, estatísticas financeiras relativas ao
financeiras relativas ao exercício t83S-18~
exercício 1835-1856
acusam um
acusam um d~ficit quasi ~4S
déficit de quasi 545 contos
contos no no com~rcio
comércio pelo Santos (d.
pôrto de Santos
pelo pôrto Daniel P.
(cf. Daniel P.
Müller,
Mül ler. op. tabela 12
cit.,• tabela
op. cit. 12)).•
. (76)
pigs.
Cf.
(76) Cf. A. de Sai11t-HiJaire,
28·29.
págs. 28-29.
Saint-Hilaire, op. cit., vol. 1,
cit., vol. I, págs. 260-261; e Daniel
págs. 260·261; Daniel P.P. Müller.
Müller.
-
(n) Cf. J. J. Machado
ta c h a d o de Oliveira, op. cit.,
dc Oliveira, cit., pãgs. 308-310, 336 e 345.
pâgs. '308-310, 345.
(78)
(78) ,.O
"O distrito
distrito de
de Slo Paulo passa por
São Paulo por umum dos dos menos
menos férteis'~ escreveu Saint•Hi-
férteis”, escreveu Saint*Hi-
laire
aire (op. ( op. cit..
c*t., pág. 293).• Spix
pág. 293) Spix e Mani
Martius us confirmam-no
confirmam-no indiretamente, pois
indiretame~te. pois asseveram
asseveram
que o~ algodão
qu~ algodão e o caf~ café não
não se adaptavam
adaptavam bem bem na na latitude
latitude dada cidade
cidade e seuseu têrmo
têrmo (op. cit.,
(op. cit .•
vo_
vol.l. J,1 , pãg.
pág. 211).
211). AJ1is,
Aliás, o próprio
próprio governo modificou a sua
colonial modificou
gov~rno colonial sua política
polític-.1 agrícola com
agrícola com
relação a _Slo
reJa~lo São Paulo
Paulo (cidade
(cidade e têrmotêrmo rural).
rural). N
Noo terceiro quartel do
terceiro quartel século X\'111.
do século XVIII, sob sob o
governo do
1overoo Morgado de Mateus,
do ~orgado Mateus, procurara
procurara estimular plantação do
estimular a plantação do algodão
algodio pelos lavra­
pelos lavra-
dores da
dorei da re-110
região (cf.(cf. A. de de E. Taunay, História da
Taunay, Hislóri11 da cidad~
cidade de S. Paulo.
à~ S. Paulo , op.
op. cit., '\·oi.
vol. li,
II,
t• pai:te_,
parte, pag. pâg. 18).
18). PoisPois bem,
bem, as famílias açorianas chegadas
f2mílias açorian3s chegadas porpor volta
volta de 1815 1815 foram
foram
encaminhadas p~.ra.
!t;ca:°11nbadas para a tona
zona ~entra],
central, onde agricultura prosperava
onde a agricultura prosperava a olhos
olhos vistos (cf. J. J.
vistos (cf.
~acnado
S ; ° A de ? e Oliveira.
°!*veira, op.op. c1t., pág, 337).
cit., pãg. 337). Em 1827, entre os 336 colonos
1827, entre germânicos des-
colonos ,cerminicos
T af,t'°S à lavo~ra da
tsnad?5 da capital,
capital, muitos abandonaram a região,
muitos abandonaram te1iio, indo
indo para
pua Sorocaba.,
Sorocaba, Itu, Itu, Santo-.
Santos»
Tatu ( tdemJ pias.
la tu i,1, etc. (idem, págs. 478-479).
~78·~79). r— ^ ^
INQUÉRITO
INQU~RITO UNESCO a ^ I"E.J
UNESCO-ANI- ^\

~-----------------------=--'n_1
!~
6
•-»
. «> *e» oO número destas flutua
número destas constantemente
flutua constantemente ^

fazia por freg^


fazia p0r íreguesiaasd.
dimi„uindo.
·nui ndo. O quad
quadroro seguinte retem as
scg11i11te retem .' fora
as i'nt£
awnen
tand
aumentando, o ora
' or
1m 1
fontes mais
mais coinpietas
completas (senao
-
(senao as mais
•- )
mais fidedign
fided·
in or
•gnas
• *'
maç5€Sões de algu mas
f -. ™ S v'vele l determinar preasao , na forma eemm ^ '•
na forma
maç deter 1ninar com precisão), que
q ue é un_ poss i . . d .
ocorrem
ocorrem nos
°0 qUCm n « Cdocu
nos
4 mmene n tos
to s utilizados:
ut1l1za os. 4

CONDIQÃO -
A.NO
a no
COR
COR l i v rEe
LIVR ESCRAVA
ESCRAVA ‘'
-
tTOT
OTAL
AL

1804
1804 (79)
(19) Branca
Branca
Parda
15.212
15.212
7.596
7.596
-- 15.212
15.212
7.596
Parda 7.596
Negra
Negra
. / à..
1.135
1.135
-
-
8.904
8.904
1.135
I.135
8.904
8.904
S./d
S
- -
Total
Total 23.943
23.94:J 1 8.904
8.90 4 32.847-
32.847' -
1
1
18155
181 (80)
(*°) Branca
Branca 12.274
12.274 -2 12.274
12.274
Parda
Parda 6.239
6.239 1.582
1.58 7.821
7.821
Negra
Negra 845 4.373
4.373 5.218
5.218
• Total
Total 19.358
19.358 5.955
5.955 25:313
25.313' - •

181 ( 81)
18188 (81) Branca
Branca
Parda
Parda
11.782
11.782
5.940
5.940
-
1.340
1.340
11.782
II.782
7.280
7.280
Negra
Negra 879 4.173
4.173 5.052
5.052
--
18.601
18.601

5.513
5.513
-
Total
Total 24.114
24.114
1

1836 (82Z)
1836 (8 Branca
Branca 9.948
9.948
5.446
5.446
-901 9.948
9.948
Parda
Parda 6.347
6.347
1 Negra
Negra ·-_ 599 ., 4.594
4.594 1 5.193
5.19~
I( Total
Total r
I' 15.993
i5 ~993 5.495
r·-5.49s-, - 21.1ss
21.488
--
Como
Como se vê, o setor
setor mais
mais constante população é constituído
constante da população constituído
pelos
pelos elementos
elementos negros
negros da população
População escrava. explica era
escrava. Isso se explica em
parte
parte pelo recrutamento militar, que
recrutamento militar, atingia sòmente
que atingia indivíduo,
somente os indivíduos
livres,
livres, de preferência
preferência os “brancos” pardos “mais
''brancos', e os pardos claros" (no
''mais claros’'
fim,
fim, a exigência
exigência se atenuou
atenuou no sentido recrutar-se os pard
sentido de recrutar-se pardosoa
(79) Cf. População
(79) Cf. Cat,ítlll em
Mu,,íclpío da Capital
Pot,ult1fão do Município (Recenseamento de
m, 1804 (Recenseamento 28·XII•
de 28-XII*
1804),
1804). inin J.
J. JRibeiro,
Ribeiro, op. cit.,
cit., vol. lll, pá.g.
vol, III, pág. 748. Por Por lapso, autor somou
lapso, êste autor somou de novo,
de_novo,
ao
ao total
tO(al da
da populaçSo
populaçlo da cidadecidade e seu têrmo,cêrmo, os f regue si as de Santo
das freguesias
totait das
01 totais Amaro,
Santo Amaro,
SI.o Bernardo,
Sio Curia, Juqu
Bernardo, Cutia, eti e Penh
Juqueri Penha.a.
(80)
(80) Cf. J.. B. von Spix e C. F. P. von Martius,
Cf. J. Rn1e in
Martius, Reise Brasílitn, loc. cit.,
ln Brasilien, cic., _t! prt*
pre•
ciso
clJo notar
~ocar que
que existem
existem várias
várias indicações
indicações sôbre população da cidade
s6bre a população cidade nnessa época, de
e s s a época, de 18~
em
em. diante,
d,anie, algumas
alg~ma1 oficiais,
oficiai,, outras fornecidas por
outras fornecidas viajantes (Eschwege,
por viajantes Saint-Hilaír!, Flo-
(Eschwege, Saint-Hilaire,
ren,e, Beyer,
rence, &yer, Kidder); di~pensável expor
julgamos dispensável
Kidder); mas julgamos documentação exis
tôda a documentação
aqui tôda
expor aqui exJstcc.ott,
81
.. T<*1)
< ~ Cf.
_Cf. População
Popu lafao do Município
Mun jcJpJ o da
d4 Capital
Capi tal em 1818 (Rec ensea ment
(Recenseamento o de 31-:X
3 1 -XU-ll•1818 >•
1818),
UI J.
m 1. Ribeiro,
R1bc1ro, op. cit.,
cit., vol. III, pãg. 779.
Ili, pág.
<*2> Cf. Daniel P. Muiler, op. cit., págs. 158*159 e 169*173.
2 Cl. Oa.aiel P. Müllcr op. cit., pip. 158•159 e 169·173.
(l ) 1

1
1 (
'
I
.. ,

r e l a ç õ e ..sS:_:R_::-~:C:IA:l:S...:E=
~R~E~LA~ç~.õ~F.~ r a c i a i s f ..
.N~T=-R~E_,.
n t r f . _N_"F._-.c._.
n e g R_o_s_E_n_R_A_N_c:_,o_s_E
r o s e b r a n c o s e_
m _________ ~
SAP PAUI.O_____ 37
~_1s_Ã,_O_P_A_1_,1_.o

«menos escuros”). '') E E, em Ntrte


parte, por
p o r causa das prbprias
p ró p rias exigências
exigências
"menos escuros • , r- ' , · d 1804
· :- do trabalho
da or1?an1zaçao
da organização trabalho escravo.
escravo. SegundoSegundo. . as esta11st1cas
estatísticas
,.,8 dee 1804,
en ,
concentrar-se-iam
- .. •
concentrar-se-iam nnaa zona
zona ''urbana'' d istrito 6
“u rb a' n a ” do d1str1to .3!> escravos,
6.358 escravos, en-•
quanto que na ''rural''
“ru ra l” viveriam
viveriam 2.546.
2.546. Ent
E m 1836, pelo pelo que
q u e conse-
conse­
quanto que f · (8!)
• ·
guimos p u ra r son1ando
a-purar som ando os dados dados referentes
referentes às freguesias
regucs1as (85),, a
gu.1mos
- ro orção
proporção a
seria de 2.843 escravos na n a zona ''“u urrbb aana p a ra 2
n a ''” para •477 e.r
2.477 es­
a__

~ra!os
cravos na zona "rural".
“ru ra l”. A freguesia da Sé, com ~-895 escravos, e ~a
1.895 es?'avos,
de Santa Efigênia,
Efigênia, com 826 escravos,
escravos, ~ompreende_r1am
co m p reen d eriam as a~eas áreas hhabi-
a b i­
tadas pelos moradores
m oradores m ais ricos da Cidade
mais cidade ~rõpriamente
p rò p ria m e n te dita.
d ita. Es~s
Essas
indicações fornecem a base para p ara a inferência
inferência segundo
segundo a qual q u a l o nu•
nú­
Jnero
m ero de escravos
escravos negros
negros se mantivera
m antivera J11ais
m ais ou o u 111enos
m enos constante,
constante,
depois de uma um a redução
redução inicial
inicial que
q u e parece
parece ter afeta
afetaddoo antes
an tes a escra-
escra­
vatura
vatura mestiça, por p o r causa das exigências
exigências regulares
reg u lares do trabalho
tra b a lh o agrí-
a g rí­
cola e dos serviços
serviços don1ésticos.
domésticos. Sôbre
Sôbre os ombros
om bros dos negros
negros repousava
repousava
o próprio
p ró p rio funcionamento
funcionam ento das engrenagens
engrenagens que q u e moviam
m oviam o sistema sistem a
econômico.
econômico. Por P o r isso, êles nnão
ão podia111
p o d iam ser afastados
afastados além além de certoscertos
limites,
lim ites, sem afetar
afetar as condições de segurança
segurança econômica
econôm ica e de d e equi-
e q u i­
líbrio
líb rio social.
social.
desenvolvimento posterior
O desenvolvin1ento posterior da ''grande
“grande lavoura''
lavoura” durante
durante o
XIX se processou
século XIX processou em tal sentido,
sentido, que
que o café
café se transformou
transformou
produto tropical
no produto tropical por
por excelência
excelência da economia
economia paulista.
paulista. A planta
planta
encontrara
encontrara nas terras terras paulistas
paulistas condições
condições climáticas
climáticas e ecológicas
ecológicas
bastante adequadas à sua exploração
bastante adequadas exploração em larga larga escala. Na N a zona
norte
norte da província,
província, o aumento
aumento da produção
produção do ca(é café assegurou
assegurou
àquela
àquela região
região uma
uma fase sem precedentes
precedentes de prosperidade
prosperidade econômica,
econômica,
qual já fazia
a qual fazia sentir
sentir os seus
seus efeitos
efeitos nos
nos 111eados
meados do século XIX.
do século XIX.
As.,im,
Assim, graças
graças ao café o vale do Paraíba Paraíba tornara-se
tornara-se umum "centro
“centro con-
densador de lavouras
densador população” (84); um
lavouras e de população" um viajante,
viajante, que
que 0o
percorreu
percoi reu em 18()0,
1860, observa
observa como o latifúndio
latifúndio se produz
produz em conexão
conexão
lavoura do café e nota
com a lavoura nota que
que as moradas
moradas dos fazendeiros
fazendeiros osten-
osten­
tavam muitas
tavai_n muitas v~zes
vêzes um lu.xo
luxo e u'?a
uma riqueza
riqueza comparável
comparável "à “à magnifi-
magnifi­
cência dos palácios
palácios d~da capual"
capital” (Rio Janeiro) (85).
(Rio de Janeiro) (85). Todavia,
Todavia, 0o café
propagou ~om
se propagou com rap•~ez.
rapidez. As margens
margens de lucrolucro deixadas
deixadas pelo
pelo’ produ
produ­..
to e a conhecida
conhecida voracidade
voracidade dessa planta
planta pelas
pelas terras
terras virl!ens
virgens levaram-
levaram-
•no
-no para
para as terras
terras do Oeste
Oeste Paulista,
Paulista, a zona
zona central
central dada pr~víncia
província, onde
onde
~s
os engenhos.
engenhos de_ de cana
cana _<le açúcar e a exploração
de açúcar exploração de aguardent:
aguardente cons-
tituíam
atá HK4a pran~•pal
prm- ipal ~uvidade
al'TÍda'le eco~ômica.
econômica- As As estatísticas
estatísticas mostram
mostram que
que
até 185~
até 1854 o aç~car
açucar ainda
ainda se mantinha
mantinha ali ali como
como o produto básico da
produto básico da
economia agr1cola.
economia agrícola. Mas,Mas, é logo
logo suplantado
suplantado pelo peJcafé.
café. A~im que que Assim
re la ç lo ^ a o ^ o tif A ^ ***■• * * * * * * com
2* edição, ^ & o fP$49, Edil6ra Brasilien»« Limitada,

I i m r i T deABgUL° G S iier
«jaraier,
Pf regrina^ Pela Província de São Paulo (1860*1861),
Rio de Janeuo, 1862, pig. 55 (consular; « é pig. 182).
S8 INQUÉRITO 1JNF.SCO.AN.1t~Mn1
ÜNESOQ A N B |rit
~__,_-------------------------------- lNQUtRITO

• •
as experiências
experiências inovadoras
inovadoras de alguns. alguns p1one1ros
pioneiros se coroara:rn coroaram d,. d*
êêxito,

x1to. ev1
•denciou-se que
evidenciou-se que o café podia podia ser ser .explorado
explorado em con. COn-
dições mais vantajosasvantajosas que cana. 0O• e~tuds1asmo
que a cadna. entusiasm o pela pela explora
expl0ra ..
ção do produto
<:âÔ produto se se apodero?
apoderou daa ma1or1a m aioria dos os agricultores
agricultores e t
•pr oduçao
produção - - do café cresceu . instantâneamente
instantâneam
, . ente. («•).
(86).
d A ferti11·d
fertilidadada
a e e
dao
do0 buiu,
SO io as
solo, ** condições
condições
w w — y— chmatolog1Cas
climatológicas
----- y
ddoo va
e o ^tipo
Ie ddoo P
n p o dee relêvo
relêvo favofavor.
1<tvore%
re.
ceram, muito
cecam, '
muito mais que
mais que na regiao ·.,
região vale arai 'b. a, a cultura
Paraíba, cultura exte~
exten
• uo
siva
s1va do café.• As plantarões
~• café plantações
.,. de cana
cana. foram
foram sucessivamente
sucessivamente
• " subst·t
substituí
1 u1.,
das pelas de café, porém porém em um esu estilo1~ novo:
novo: surgiu
surgiu o “m mar
ar de café"
café»'
Jan rarões
as pplantações inin,erruptas,
ininíerruptas, que que cobriam
cobriam . dextensas
extensas sé áreas
áreas de terra
terra ddee'
as
maneira uniforme
maÕeira
,
uniforme (87). Em segui seguida,
.d
aindaa !1º
a, ~•n. no século ca[J .
X IX , o0 café
_?110 XIX,
se espraia
se espraia por por outras
outras regiões
regiões dc1 da prov1n~1a,
província, mvad1?do
invadindo as zonas zonas QueqUe
seriam·am posterio 1111ente chamadas
posteriormente chamadas de Paulista M ogiana. A produç--
Paulista e Mog1ana. produção _
Sen
de café nessas duas duas .zonas
zonas fora
A •
fora 1nsign1
• •r•
insignificanteicante at é
até meados
meados do sécul
ao
século0
XIX
XIX, como Oo demonstram demonstram as estatísticasestatísticas de 1836 e 1854. Já em
J1886
,
886 ela era considerável, a
b
rangen
d
o,
.
respectivamente, 23 6
em
considerável, abrangendo, respectivam ente, 23,(69 9 e
produção totaltotal .d~
de café da ~ovíncia Província ((88)) Em 88 Em sum~,
suma, em cni
21,81 da produção e~

alguns
alguns decênios
decênios o café ehmanou elim inou o açucar açúcar e os subprodutos
subprodutos da can cana
da posição
posição que que ocupavam
ocupavam na economia economia pau
. 1·
1sta. Nas
paulista. N as estatísticas
estatísticas
a
de 1854, 2.618 fazendas fazendas de café café produziriam
produziriam 4.338.756 4.338.756 arrôbas,
arrôbas, no
valor 10.461:173$000; enquanto
valor de J0.461:173$000; en q u an to que 667 engenhos
q u e 667 engenhos de açúcar açúcar
produziriam
produziriam 866.140 866.140 arrobas
arrobas de açúcar açúcar e 332 pipas pipas de aguardente,
aguardente
no valor I.630:050$000. A lavoura
valor de J.630:050$000. lavoura da cana cana apenas
apenas subsiste
subsiste ernem
regiões
regiões mais mais propícias,
propícias, como
como Tietê T ie tê e Piracicaba
P iracicaba ((89). 89). O
o açúcar
açúcar vai
desaparecendo
desaparecendo lentamente lentam ente da exportação
exportação e pa~a passa a ser ser produzido
produzido
90
“agricultura de subsistência"
como "agricultura subsistência” ((90). ). Por fim , já se
P o r fim, se importa
importa
o produto,
produto, para para o consumo
consumo local, local, porp o r volta
volta de 1867 em diante diante (91).
(91).
tsse
Êsse período
período de expansão
expansão econômica.,
econôm ica, caracteriiado
caracterizado pelo
pelo flores-
flores­
cimento declínio da
rápido declínio da lavoura
cimento e rápido lavoura canavieira
canavieira e pela
p ela surpreen-
surpreen­
dente
dente vitalidade
vitalidade da lavoura
lavoura do café,
café, foi
foi ao mesmo
m esm o tempo
tem po e como
(86) Cf. A. E.
(86) Cf. A. E. Zafuar,
Zaluar, op. cir., págs.
cit., p4gs. 218·220.
218-220. Sôbre
Sôbre o desenvolvimento
desenvolvimento do do café na
regiio, cf.
ttaiio, cf. ainda 246, 29
ainda págs. 246, 293. 06;
3, 306;
3 E. Azevedo Marques,
e M. E. de Azevedo Marques, op.
op. cit...
cit., voJ. Dáe 81
vol. I,I. pig.
t 54.
82
vol. U,
• voJ. II, pág.
pág. S4. •
(87) Cf. Prado
(87) Cf. Caio Prado Jr., Jr., op.cit., págs.
op. cit., esp.
esp. pigs. 174-175.
174-175.
(88) S6bre
(88) Sôbre oo desenvoJvimenro
desenvolvimento do café em São
do café o
São Paulo, ponto-de-vista aqui
sob o ponto•de-vista
Paulo, sob aqui ron•
con­
siderado, cf. o excelente
siderado, excelente estudo Milliet, Roteiro do Café,
estudo de Sérgio Mi1Ji.:t, Roteiro do Café, in op. op. cit., págs. S-70 5-70
(passim). Nele
(pa~sim). Nele se encontram
encontram dados
dados comparativos
comparativos sôbre
sôbre a produção
produção do do café
café e de de outrM
outro*
produtos e sôbre
produtos sôbre o aumento
aumento da da população
população cm em conexão
conexão com o desenvolvimento
desenvolvimento da da produção
produção
do cafi.
do café. ParaPara compJera.r
completar estas indicações,
indicações, seria
seria conveniente
conveniente analisar
analisar os
os dados
dados fornecidos
fornecido»
por Taunay, sôbre o aumen
por Taunay, aumen"* produção do
.." da produção café de 1839 a 1899 (cf.
do café História do Cafi
(cf. Históri" do C'1fl
no Brasil,
"° Brasil, tomo III, III, pllgs.
págs. 51, 63; tomo
57, 60 e 63; tomo VII. VII, pág.
pág. 463).
463).
(g9) Cf. R.
(89) Cf. P. R. Pestana,Pestana, op. cit.,
cit., pág. leitor
pág. J4. O Jeitot que que se interessar
interessar pelo
pelo processo
de i subsritujção dos dos produtos
produtos principais, característico da economia
principais .. característico brasiJcira, e neste capí*
economia brasileira, capí•
tuio jã
tulo ;á ilustrado com vários
ilustrado com vários produtos
produtos ou atividades, em J. F. Normano
encontrará em
atividades, encontrará Normano uma uma
~:rrensa exposição (cf. Evolução Econômica do Brasil
extensa exposiçJo (cl. E11olurão Econômif:a do Br11sil, , trad.
trad. de T. Quartim
de T. Quartim Barbosat
Barbosa, R.
Peake Rodrigues
Peake Rodrigues e D. D. Brandão
Brandão Teixeira,
Teixeira, Comp.
Comp. Ed. Ed. Nacional, Paulo, 2*
NacionaJ, S. Paulo. 2• edição, 1945,
edição, 194S,
pâgs. 23-7j)
p1gJ. 23-75). 1

(90) Cf. P. R. Pestana, op. c i t p i g .


Pestana, op. dt., pig. 15. exemplo, que
Limeira, por exemplo,
]S. Em Limeira, que foi
foi um um
dn
~~~o de vproduçlo
rv açucareira,
açucareira, a cana só é
açúcar s6 é cultivada
lana de açúcar cultivada no início
inkfo dodo último
úlumo quartel
quartel
_n KCU1o XIX, para
para o consumo local (cf.
consumo focal (d. M.
M. E.
E • Azevedo
.Azevedo Marques,
Marques, op. dt., vol.
op. cit., II, pãg. ~).
vol. II#
91
V
< > Cf, A. Elüf Ji.,
A. EJU. 0 Café t a Paulistania,
Jr., O CII/I 1 " P1111lisl11ni11,
págs. 301-302#
301•302.



RELAÇftES RAC1t\1S
RELAÇôF..S RACIAIS ENTRF.
ENTRE NF.GROS
NEGROS E
F. BR.1'NCOS
BRANCOS EM SAO PAlil
E~f SÃO PAUI.O..O 39
39
-------
conseqüência, um período
conseqüência, período de_
de escassez de mão mão de obra.
obra. A A populaç~o
população
escrava, cuja
escrava, cuja renovação
renovação precisava
precisava ser constante
constante -— umum eS<escravo daria,
:ravo dana,
média, somente
em média, sòmente dezdez anos
anos de traba1110,
trabalho, devendo
devendo então
então ser subs-subs­
tituído por
tituído por outro
outro (92)
(92) -— não
não poderia
poderia corresponder
corresponder a êsse aumentoaum ento
produção senão
da produção senão através
através do aumento
aumento proporcional
proporcional dos dos elementos
elementos
que a constituíam.
que constituíam. Estabeleceu-se
Estabeleceu-se assimassim uma
uma série
série de correntes
correntes
demográficas, que
demográficas, que drenavam
drenavam para para as fazendas
fazendas e para
para as povoações
povoações
“urbanas” da
''urbanas'' da província
província de de São
São Pau1o
Paulo contingentes
contingentes elevados
elevados de de
negros africanos
negros africanos e de negros
negros crioulos,
crioulos, êstes
êstes procedentes
procedentes do norte. norte.
ampliação contínua
A ampliação contínua da procura
procura e outros
outros fatores
fatores (como
(como a abolição
abolição
tráfico, a repressão
do tráfico, repressão dos
dos navios
navios negreiros
negreiros pelos ingleses, a desva-
pelos ingleses, desva­
lorização do
lorização do papel
papel moeda,
moeda, etc.)
etc.) refletiam-se
refletiam-se no no custo
custo do do escravo,
escravo,
cujo valor
cujo valor subiu
subiu ràpidamente.
ràpidam ente. Nos Nos meados
meados do do século,
século, o preçopreço de
um escravo oscilava
um escravo oscilava entre
entre um
um e dois
dois contos
contos dede réis 9~).
réis ((93). E ntretanto,
Entretanto,
Debret afirma
Debret afirma que
que os paulistas
paulistas e os mineiros
mineiros compravam
compravam os negros negros
no mercado
mercado do do Valongo
Valongo ''com.
“com dinheiro
dinheiro na na mão''
m ão” e ''ao
“ao câmbio
câmbio do
dia” ((94).
dia'' 94). oito anos,
Em oito anos, foram
foram remetidos
remetidos do nortenorte para
para o sul sul do
Im pério 27
Império 27.441 escravos, sem contar
.441 escravos, contar os que que não fforam
ora111 marcados,
marcados, •

por
por terem viajado em companhia
terem viajado com panhia dos dos senhores:
senhores:

1852 •...................................
• •• •• • •• •• • ••• ••• 4.409
4.409
1853
1853 ...................................
•• •••• •• •• •• •••••
• 2.909
2.909
1854
1854 •...................................
• • • • • • • • • • • • • • • • • 4.418
4.418
1855
1855 ....................................
• • • • • • • • • • • • • • • • • • 3.532
1856
1856 •....................................
•••••••••• •••• •• • 5.006
5.006
1857
1857 •....................................
• • • • •••• •• • • • • • • • 4.211
1858 •....................................
•• ••• •••• • • • • • • • • 1.993
1859 •....................................
•• •••• •••• • • ••• • • 963 (95).

decadência agrícola
A d~cad~ncia agrícola das p!ovíncias
províncias do norte
norte dava
dava origem
origem a mi-
mi­
grações internas
graçoes população escrava,
internas da populaçao escrava, ou comboios (%), que
comboios (96), que ali-
ali­
mentavam, com os africanos
mentavam, africanos importados
importados "ilegalmente"
“ilegalmente” pelos
pelos tra-
tra­
ficantes e negociados
ficantes negociados no mercado
mercado do Valongo
Valongo (97), as
as necessidades
necessidades

(92) Cf. Conde


(92) Conde Auguste Straten-Ponthoz, ú
Auguste von der Straten-Ponrhoz Le Budgel
Budget àu du Brésil
Brésil nu nu R b
cbes
cb,1 sur
s1,r les
lts Ressources
Resso11,ces de
de cet
cel Empire
E,npi,e dam
dani leurs
le1,rs Rapports
Rapp'o,ts avec
,,,c -/les intérets
·s ,·nt, •1 Èurobiens
~ b • ~e du
~-
Commerce n ' 'et dee l Zmtgralron,
4
Comm e I d l-'IJ • .
migraJ,on, Libr.
t·b d•
1 r. d ’Amyot, Êditeur, Paris,
Amyot, !diteur, 1854, 3~ vols.;
Paris, 18S4, vols.;er5 s c1,~o f't1'1S ""
vol.
vol. 11 6 .
III, pág. 116.
III,
(93) Cf. A. de E.Taunay.
(93) E.Taunay, His16,i11História do do Café
Café nono Br"sj/
Brasil,1 vol.
vol. IV,IV, pág.
pág. 1S3.153*.

!t~fª
J>
5
,f'··
<9
1 Cf. Jea~
0
Jean _Baptiste
Baptiste Debret. Viagem Pito,tsrd
Debret, Yiagem Pitoresca 4e Histórita
Histórica ao
e ", rB•· dMilltet, S .. Paulo, 1940t 2 vols.; vol. I. pág. 189. Suas informações valem
ao Br(I.Si/,
Brasil, tradudo
traduçSo e
a ~.r os
^ Jmeac ü B1os * o «segundo a “quart.elüTdo ^século r ^ XIX.
x 01- '• is9- w
(95) A. de E. Taunay,
(95) Taunay, Histó,i11 História do Cafédo
Café no Brasil, no
Brasil, vol.
vol. IV IV., pigs.
págs. 152•15~.
152-153.
ment~96Je ir::edeos
mento9 de B c í ^ f ^ A••~:>mboi<~s"
ue aa ·cris
n S ^ 0**5"” de ,esc' escravos enviados do
av05 enviado~
de Taunay._ op. cit-
norte para
do norte para oo sul,
V•- págs.
sul, d.
166-167. Há
cf. o o dePoi-
depoi-
afjrme
E e que crise. An_rAa"!, ; m A. de
“ Y ** T aunay’ °P* cat., vol.
vo1- V P*8». 166-167. quem
Há q£m
seus escravo^ ddos e Iecon~mica
seus esc~avos X ? Cf ° U ,a~ compehr
/ ~hegou CO£ pel!r os $cnhor« do
os senhores do norte *a terem terem que que enxotar
enxotar
E s V(Q^u 7d }^oA/ro•Br':sil~~!e~-
Estudos T Z T o .B-- ^•· L·- l^-, -~!.
K • <1ic.E.d~o~elinRo.
•• r,e Editora,
n • M.j de
itora, Rio
Camafg ° Jr.. Abolição
de C3:fflargo
10 de Janeiro,
Janeiro, 193S,
Abolirão ~e sua/causas,
1935, pág. 162 162).) .
s11as ctJUsM, in in

venda dos ~~b~~


7
necrm°2^ rCad° * 1* rua
01:1 do Val0n*0*,
Valong~ •• °ono Rio de Janeiro,
Jaf!eiro, onde
onde s« se praticava
praucna •a
Viagem pitoresca através do
vendà-ios o ~!reado da Rio de
-8 --' afrt~anos, anos, cf. esp. Joio Joâo Maur1c10 Rugendas, Y 1i111.cnn
Maurício Rugeodas, pi1or11c•lllr.wls "'1

.
INQtJtRITO
INQUÉRITO lJNESCO-ANJiE~f8I
ÜNESCO-ANHEMBI
40
40 -------------------------------------------------------------- -------------- . •

a*c fa7Pn
. «raços das fa7Pndas
d as
~~ulistas.
paulistas.
.,..
Contudo, é importante
Contudo,
f" • •
importante assinalar
assinalai

d
aue
b
e « ÇGovérno
· - brasileiro
-b- .1 iro proibiu
proibiu de 1n1tivamente o
definitivamente o tráfico
tráfico emem
o Govêrno ras1 e • 1 d
oue (9*) extinguindo
WM . . d a fonte fonte dede abastecimento
abastec.mento rego ar de
regular e mão
mão dede
98
1850 ( escrava ), ext•ndgum de que : ªdispunham
dispunham os os brancos,
brancos, e e que
que os os escravos
escravos
obra e_scrava e qu f" •
t r a n s f e--.
r i d o s dod norte - te não
não eram su icientemente
eram suficientemente numerosos ppara
numerosos ara
transferidos o nor . d b Ih
aX . ir. os 1limites . . de de saturação
saturação do do ststema
sistema de e trabalho
tra a o escravo.
escravo. Ao Ao
ar1nª'1r os 1m1tes d ·
contrário,
~ni;ário, aa partir
partir dessa dessa época,
época, torna-se
toma-~ cada ca a vezvez ma.s
md_a1snotória
n_o~ó~ia a
insuficiência das reservas de escravos, existentes em disponibilidade
• • "* • d- eservas de e6(Tavos, existentes em 1spon1b 1I1dade
em outras províncias do país, para fazer face à expansão da agri.
msuf 1c1cnaa as r
em outras provi 'ncias do pais , para azer ace
, f f à -
expansao da agri •
cultura de São Paulo (").
cultura de São Paulo (99).
Os dados
Os dados demográficos indicam que o elemento escravo na
d e m o g r á f i c o s indicam que o elemento escravo na
população de São Paulo continua a aumentar progressivamente até
população de São Paulo continua a aumentar progressiva~ente até
os fins do
os fins do te quartel do século XIX, sem determinar, no
r c e ir o quartel do sé~Io XIX, sem determinar, 00
terceiro
entanto, nenhuma modificação considerável na proporção de ne­
entanto, nenhuma modificação considerável nda prdopo~ção de ne.
gros e mulatos em relação aos brancos, passando a declinar daí em
s e mulatos em relação aos brancos, passan o a ecl1nar daí em
diante (10°). a seguinte a trajetória seguida pelo desenvolvimento
gro
diante (IOO). :t t a seguinte a tra1et · ó na• segui •d a pe Io d esenvo 1v1mento
·
da população de tôda a Província durante a segunda metade do
da população de tôda a Província durante a segunda metade do
rreferido século (I01):
e f e r i d o século ( 101):
1854
)854 1872
1872 1886
1886
população livre
população livre .. •• •• 294.612
294.612 680.742
680.742 1.114.065
I117.238 156.612 107.329
• • • • •
população
população escrava
escrava • • • • 17.238 156.612
• • 107.329
total
total ...........
•••••• • • • •••• • 411.850 837.354 1.221.394

tsses dados
Êsses traduzem uma
dados traduzem uma realidade
realidade queque merece
merece consideração.
consideração. A
evolução da
evolução escravidão em
da escravidão em São
São Paulo
Paulo apresenta
apresenta algumas
algumas peculiari-
peculiari-
dades, porque
dades, porque a expansão
expansão da
da “grande
''grande lavoura”
lavoura'' nesta
nesta Província
Província coin*
coin-
••
BBr11,1il,
r a s i l trad. de Sérgio Milliet, Livraria Martins
Milliet, livraria Martins Editõra,
Editôr a, S. Paulo,Paulo, 1940, pig. 175-176*
1940, pág. 175•176;
J.
J. B. Debret,
Debret, op. cit., cir., vol. I, págs. págs. 189-190;
189-190; Rev. R. R. Walsb, Notices of Brazil in 1828
W aJsb, Notices 1828
and 1829, Frcderick
frederick Westley
Wcstley and A. H. Davis, Davis, Londres,
I.ondres, vol. II, II, pág.
pág. 323 e segs.; M.iriaMaria
Graham. Journal
Graharo, Journal of of aa Voyage
Voyage to lo Brazil,
Brazil, and
and Residence
Rtsidenct there,
there, during
during part
pari of
of the
the yeart
71ars 1821,
1821,
1822, 1823,
1822, 1813, Longman,
Longman, Hurst, Hurst, Rees, Orme, Brown, Brown, aod and Green, Londres, 1824, pág. 227 eé
Green, Londres,
segr. Naturalmente,
*egí. Naturalmente, havia em S. Paulo Paulo pessoas
pessoas queque se dedicavam
dedicavam profissionalmente
profissionalmente ao
tíifico
ttáfíco dos dos negros
aegros ee os próprios mercadores
os próprios mercadores do Rio tinham rinham aquiaqui alguns
alguns agentes.
agentes.
(98) A chamada
(98) chamacu lti / ; / de
d, extinção
extinção do tráfico foi prom
do tráfico promulgada
ulgada em 7 de novembro
novembro de 1831, 1831,
corno efeito
corno efeito de de pressões diplomíticas
diplomáticas da Inglaterra
Inglaterra (cf. J. Pandiá
( cf. J. Pandiá Calógeras, formação
Calógera,, Fo,tnafMJ
Hi,16,lca do
Hrtfirica do Brasil,
Brasil, Comp.
Comp. Editôra Nacional, S. Paulo,
Editôra Nacional, Paulo, 44•* ed., 1945, cap. X;
ed., 1945, X ; Evaristo de d«
Moc_ais,
r o ?_op.. c, cit., 177•178; e Osório
í'* págs, 177-178; Duque-Estrada, A
Osório Duquc-Estrada, A Abolição.
Abolição. Esbôço
Esb&ço Histórico,
llist6rico~
Jo3l-l888,
JBJl-!888, Liv. Ed. Ed. Leite RibeiroRibeiro e MauriJo,
M aurilo, Rio de Janeiro, Janeiro, 1918, pãgs. 19-33).
1918, págs. 19-33). A lei
nfo
n io foi toi cumprida
c~mprida era em nenhuma
nenhuma de suas disposições,
disposições, o que que levou Inglaterra a intervir
levou a Inglaterra jntervir de
uma m.ane1r~ drístiez,
wna maneira drástica, serasem considerações
considerações pela pi::la soberania
soberania brasileira,
brasileira, de 1845 em diante. diante. O
re*u taao foi
resultaao toa que o tráfico
tráfico aumentou
aumentou ràpidam
ràpidamente, refletindo-se ainda
ente, refletindo-se ainda em outros
outros setores:
~1orts:
c!eva5!Q.
mnrf- - • do cu1<0CUKO do do escravo,
escravo, ampliação
am pliaçlo desmedida
desmedida da da margem
m argem de de lucro
lucro dos
dos traf1can1e1,
traficante»,
f r rcmio
!n0!! 1
i t ffll
CTa -~assa
™â,sa de africanos
africanos (em casos de perigo perigo a “carga""carga" era lançada
lançada ao mar),
irr.1-!~ç~odos ânwnos
hratii Anunos populares,
Populare!. o que tornava tornava o tráfico
tráfico um umaa questão
questão de de honra
hon,a parapua ot
°'
h! -!ile,ro,, ec_c. Á
2
A literatura
litera~ra sôbre êsse importante episódio é dem
im portante episódio demasiado extensa para »<r
asiado extensa ter
apootachaqu,.
W 9l.)
iu - Í1'83 ? * Veja-~ panícuIaf®cnte
· ' e d.
t>articula~ente C~io Pfado
Ca.io Prado Jr„Jr._. Jfóftfrf* Econ6mic11.do
llist6rla Econômica páp.
d_o Brasil, pí&-
europeu,
/lôtw. ^ adia.nte, e* •* 1uc1nta anál1se da compet1çio
*uc|nta análise competição do do negro
negro com o 1mJgraote
imigrante europeu.
£ ( 100\ ,,.f
(IOI; a
Or11niuda por
pífaniiad*
~ • *
1
p~ M
S.■ H. W ~wrie.“- °op.
M~ct_!Tatnente
p -
cir., *págs.
:. P_opul'!f
*fh?ila^ en^ ,:- p?Puíl*(2o
* « •
iio ,tia
11·13.
>1-».
da p,oví11,it1
província d, de São
São Paulo
Paulo -— 1854,
, i,cl
1B54, ~::,::;~,,,
0
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tl' ~ ª--?de t5^ ilustrlsslmo e~ ^xce.
1
Sr» Dr.
S,_ Dr. ll.obnto D1scur10 com que o ilustríssimo ExcÂs ,mbllM
a
Roberto d’Alm^A (?,1veJra,.
£,ira’ 1n
m D ‘scurso com mutj4
V,,,.p,,,,âmt, da
d !IUUÜ, Vice-Presidente "4 Província
Provlnci11de São u
Sio Paulo
P'1Ulo,, abriu
abr111" Assem»*"
s


r e l a ç õ e s r a c i a i s e n t r e n e g r o s e b r a n c o s EM SAP PAULO____________
:~:EL:A:Ç~,õ=E=S~RA=C:..:J.:...A~Is_E_N_T_R_E_N_E_G_R_o_s_E_B_R._A_N_co_s_E_M_SA_o_P_A_u
____ 41^ ~
Cide com Oo período
cide período em que que se inic!a
inicia e se process~
processa o ~o~apso
colapso do º.
sistema
•t
s1sema trabalho
de trabalho renovaçao
escravo no Brasil. A renovaçao
• , l d d ilimitada
1hmuada do
--
“braço negro"
"braço negro” tornara-se pràticamente
pràticamente 1mposs1ve
impossível desde es e a cessaçao
do tf
tráfico. correntes de população
áfico. As correntes população escrava que se estabeleceram
estabeleceram
norte para
do norte para Oo sul e, posteriormente,
posteriormente, provocaram
provocaram deslocamentos
deslocamentos
da população
população escrava dentro dentro da própna
própria• província
, • d de s-
pr?~,n~1a e ao ~u º-
São P 1 (102)
Paulo^(102), ,
puderam manter
puderam manter transitOriamente
transitòriamente o equ1bbno
equilíbrio na organ1zaçao
organização do
trabalho servil. Mas, o trabalho
sistema de trabalho trabalho escravo se revelavarevelava cada
dispendioso e de aquisição
vez mais dispendioso aquisição mais difícil.
difícil. O café oferecia
margens para
margens para cobrir
cobrir as inversões de capitais
capitais feitas
feitas na rustosa
custosa mão
obra, que
de obra, que se tomaratomara o escravo negro. negro. Contudo,
Contudo, a disponibi•
disponibi­
lidade de mão de obra
tidade obra escrava no mercado
mercado interno
interno não não Podia
podia cor•
cor­
responder ao ritmo
responder ritmo de intensificação
intensificação da procura,
procura, resultante
resultante da ex• ex­
pansão da "grande
pansão “grande lavoura",
lavoura”, principalmente
principalmente no decorrer decorrer do último
último
quartel do século XIX.
quartel XIX. Daí a necessidade
necessidade de procurarprocurar um um suce-
suce­
dâneo para
dâneo para o trabalho
trabalho servil. Admitia-se
Admitia-se que que o escravo se trans- trans­
formaria em trabalhador
formaria trabalhador livre e que que o problema
problema da mão mão de obraobra
encontraria na libertação
encontraria libertação dos escravos utn um corretivo
corretivo natural
natural (105).
(1W).
fazendeiros mais empreendedores
Os fazendeiros empreendedores de São Paulo, Paulo, porém,
porém, tentaram
tentaram
corrigir as limitações
corrigir limitações do Dtercado
mercado interno
interno de trabalho
trabalho através
através da
importação imediata
importação imediata de trabalhadores
trabalhadores brancos.
brancos. O trabalhotrabalho escravo
encontrara finalmente
encontrara finalmente um um sucedâneo
sucedâneo no no trabalho
trabalho livre,livre, nias
mas no
trabalho livre
trabalho livre proporcionado
proporcionado pelos imigrantes
imigrantes europeus.
europeus. Os im- im­
perativos de ordem
perativos ordem econômica
econômica passam
passam a refletir-se
refletir-se na na composição
composição
população de outra
da população outra fonna:
forma: os fatores
fatores que
que antesantes detenninavam
determinavam
incremento da população
o incremento população negra
negra irão
irão ocasionar
ocasionar o aumento aumento da
população branca,
população branca, gr~çasgraças à per?1a'!e!'1te
permanente "fome “fome de braços", braços”, que que
drenará sem cessar milhares
drenará milhares de 1nd1v1duos
indivíduos de diversas diversas regiões
regiões da
Europa para
Europa para as lavouras
lavouras paulistas.
paulistas.
progressos da agricultura
Os progressos agricultura se refletiram
refletiram diretamente
diretamente na na vida
vida
econômica da capital.
econômica capital. A propagação
propagação do café para para o OesteOeste paulista
paulista
uma impo~tância
teve uma importância con.siderável
considerável para
para a economia
economia da cidade, cidade, pois
pois
deslocou do Rio
desloco~ Rio de Janeiro
Janeiro para
para o pôrto
pôrto de SantosSantos Oo movimento
movimento
comercial provocado
c?merc1al provocado pela pela exportação
exportação do produto. A capital
do produto. capital de
Saoo Paulo
Paul° transformou-se,
transformou-se, em conseqüência,
conseqüência, em eixo comercial da
eixo comê"rcial

Lr1lsl"'i11aMu,rltlpal
Recenseamento? 1872
Rtuns,a11Hnlo, i«72 _

dia 18 4, f n,n-,lro à J8S6 s p
— ^Quadros
u a d r o Gtrais
l * G e r aRi s' ' ! ™ 'f o c• e mauto,
e a m1856
f n t (documento
(documemo anexo);
anexo);
Brasil
Brasil ~a qu,
que stst prottdtu
procedeu no
no dia
dia l•I* à,de ~1os1!"3:'r::;:.'ºR
agosto de 7872 > da sPopul11rão P opulaçaodo Império do
do lmpi,io do
Relatório ap,,smt1Jdo
R,/1116,,0 apresentado ao ao Exmo.
Exmo. s, Sr Pr~Jid
Presidenta
,.1 "4 As, Dp ,’ . ^ ~cni
e.censear" ent0 Gnal
,am~nto Geral dt
de 1886
1886 -—
tlo; Ê?.,,"'""
Jj

Central
Cnrl,4/ de
dt Estatística
Eslallstica Composta
Compost 4 senhies
snho,:; · '0D" P j Z Z / d~ - h
S. P? ul°
Paulo pela
p,la Comi»*>
Comissão
sldente), D,.
,Jdtnlt), Dr, Domínios
Domingos Josí José Nogu,i,11
Nogueira /a Jatuaribe Pilho nÂ,tlo,.,a
uarib rsP·i'b''" t i " 0 ~acbtro
Pacbf co ,* Cbtn1ts
Chaves (Prt•
(pre-
valho, Enitnhti~o
~, Engenheiro Adolpho
Adolpho Auiusto
Augusto Pinto'
Pinto Abl:in
Ahilin - #~ A.IJJ,P,,:Jºª'!u,m
J i , ^ ^ J°?~V4‘m Josl J 0si Vitira
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Car.
Book-Walter,
•Walter, TJpografia s.
Tipografia King, T kPaulo, u Ísa8,C ·pi,~~;2•:
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S,h‘
K 56
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>b002) Sõbre a circulaçlo de escravo, den d .
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1 » . im trabalho* funm„,
, °d0* «• n os ª an&
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X devidamente duea•
unuos, pretendemo, etcla.recloloa Dltlhor.
I N Q U S R I T Q UNESCO-ANl-lRA-uu
INQU.tRJT9 U N M C q .A N H |,
42
*

economia paulista (I0-4), principia :1


<«*), e principia a desenvolver-se em um sentido
urbano.
b
ur ano. OOss transportes, que se fizeram
. d até 1860 por
por meio d as
tropas
tropas e de
d burro,
burro assam
passam
, P a ser realIZa
realizados os por
p o
,,' .d r estradas
estradas de fêrro
ferro cui .
, cu 1a
ensão e quilometragem
extensão
t quilometragem aumentam
aumentam rapi rapidam amente (105). o
ente (105). Q ttéd•.,
ex . b . •to
agrícola,
agr1 embora deficiente, organiza-se
'co]a , embora organiza-se
• . • em
. bases ases mais .amplas
amplas,, gra.
ças ao apareciment.~
aparecimento ~e de um mcip1e~te
incipiente sistema bancário, bancário, às opera.
ções
ções dos intermedianos
intermediários nos negócios do café e ao cresci me t
cresciment
operam ~d°
0
paralelo do comércio (106). :tsses Êsses desenvolvimentos
desenvolvimentos se operam
forma acentuada
acentuada no último quartel quartel do século XIX, X IX , sem modir modificaie
.~ d . 1car
de modo profundo,
profundo, contudo,
contudo, a posiçao
posição do o ~egro
negro no sistema de tra- tra­
balho. À À medida que se processava a desintegração desintegração do acanh acanhadd
artesanato herdado do perto , d
o co J • 1
on1a, as ocupaçoes ,., •
1ndependent a o
, período
, colonial, ~
ocupações
d . independent
. °
es
ou rendosas caiam caíam continuamente
continuamente nas maos mãos dos os 1m1grantes
im igrantes eur euro!
• • 1 ó o-
peus. ÉÉ preciso notar. que o me1?
notar ~ue meio _soc1a
social ssó com~çou
começou a comportar
comport
a multiplicação
multiplicação de atividades
atividades sociais, que que garantissem
garantissem relativarelativa se.s^
gurança e prosperidade
prosperidade econômica com apoio apoio na aplicação
aplicação exdusiva
exclusiva
de energias pessoais combinadascombinadas a reduzidos
reduzidos capitais,
capitais, num num momento
momento
em que a escravidão entra entra em crise e em que im igração se
que a imigração se inten.
inten
ica. Por isso,
sifica.
sif isso, as oportunidades
oportunidades criadascriadas pelaspelas tendências
tendências de de- de*
senvolvimen
senvolvimento to urbano
urbano da economia
economia paulista
paulista vão beneficiar beneficiar 08 os
imigrantes
imigrantes europeuseuropeus e muito m uito pouco
pouco os mulatosm ulatos e negros negros libertos.
libertos
Sob êste aspecto, a situação
Sob situação de São Paulo Paulo é é claramente
claram ente distinta
distinta da
do Rio de Janeiro,Janeiro, por por exemplo, onde os negros
exemplo, onde negros chegaram
chegaram a mono. mono­
polir.ar,
polizar, em pleno pleno regime
regime servil, um grupo g ru p o apreciável
apreciável de atividades
econômicas ligadas com a vida social urbana. urbana.
Os dados demográficos
demográficos atestam
atestam que
q u e a população
população da cidade
também aumentara,
aumentara, embora
embora seja quase
quase impraticável
im praticável uma
um a compa-
compa*
ração entre
entre as estatísticas 107).
estatísticas de 1854 e 1872 ((I07). Em 1854, a cidade
com seu têrmo rural
rural compreenderia 31.824 habitantes,
com preenderia 31.824 habitantes, dos quais
23.834 estrangeiros (108).
23.834 seriam livres, 7.068 escravos e 922 estrangeiros ( I08). Os
Os
relativos a 1872 (nos quais
dados relativos quais não
n ão foram com putadas as fre•
foram computadas fre-

(104)
(104) Prado Jt.~
Cf. esp. Caio Prado História Econômítd
Jr., Hístó,í11 Econômica do
do Brasil,
Brasil, págs.
págs. 174•17S.
174-175.
_ (105)
(lOS) Cf. P.
CE. P. R..
R. Pesraoa,
Pestana, op. cit., págs. 7-9; João
págs. 7•9; João Pedro Veiga Filho,.
Pedro da Veiga Estudo
Filho, Estudo
Econômico ee Finanteíro
!!ton&mito Financeiro sôbre
sôbre oo Estado
Estado de
de São
São Paulo,
Paulo, Tipografia
Tipografia do Diário
D iário Oficial?
Oficial, S~o
São
f~ulo, 1896, págs. 89-I
Paulo, 1896, Desenvolvimento Comercial
lS; F. T. Souza Reis, Desem,ol11imento
89-115; Comercial do do Bras_1l,
Brasil, 1inº
J!)fflal Economia Política", vol. 1,
Jornal de Econ_orl;'ia I, n. 2, 1913, pág. 230 e segs.,. em que ~x~mma
segs., e'!1 examina 11
as
0t1geos
origens dos capitais que tornaram
tornaram possível a criação
criação da rede
rede ferrovJárJa
ferroviária bras1le1ra.
brasileira.
v (106) , Cf‘ Richard M. Morse, São
Cf. esp. ®,chafd São Paulo in the
P11ulo ín lhe Nineteenth
NineteenJh Century:
Century: Economic
B,ono,m:"
/
e 1e,s. O. artigo,
M.etr°P°lis’
Roots o/ ntb1 Met,opolis, in Inter-American
em conjunto,
conjunto, constitui
Economic Affairs,
Ioter-American Economic
constitui uma concentrada
concentrada aoáJjse
V, .o.
Affairs, vol. V, 19Sl, pág. 221
n. 3, 1951,
expansão da eco-
. art,£°> eQi análise da expansão eco­
nomJa
nomia paulista em um sentido
sentido urbano
urbano durante século XIX.
durante o século X IX .

1frteuJsht
O~) ^As ttratísricas de 18S4 incluem na zona rural
e*lat,st,cas de comarca de S. Paulo doas
ru ral da comarca dual
reguuiu, , que aio
não constam nas computações
computações concernentes estatísticas de 1872
concernentes às estatísticas 1872.•
Que (lOS) Cf
·
n i n f S J ’ P_opulaf
P.op?l?jão da Província
áo da de S.
P,011lnti" de S. P11ulo
Paulo -— 1854,
1854, loc. _esds:::!
loc. cit. Convém e s c l a r e c e r
Asmto,
que nlo foram mcluidos Jund'%
Amaro, Parnaíba e Juodi.ai) • t0t*'í$
referentes
os torais re*ereaíes às Vilas
às da “periferia”
Vilas da da Ct>ma
••periferia,. da rd
Comarca
.
(

R.ELAÇôES RACIAIS
RELAÇÕES RACIAIS E
ENl.'
N TR.E NEGROS E BRANCOS
R E NEGROS BRANCOS EM
E~I SAO
SÃO PA
PAUULO
LO 443
3

·as de Cutia
guesias Cutia e Itapecerica, como
Itapecerica, como em 1854),
1854), contêm
contêm maiores
maiores dis­
dis-
gues1 d b · (109)
criminações, como
criminações, como se poderá
poderá verificar
verificar pelo quadro abaixo
qua ro a a1xo (109):
:
Condição
Condição
Côr Liv re
Livre Escravo
Escravo Tot
T otal
al
Branca
Branca
Par
Parda
da
18.834
18.834
5.761
5.761

950
- 18.834
18.8 34
6.711
6.711
Negra
Negra 2.090
2.090 2.878
2.878 4.968
4.968
Cabocla
Cabocla 872 — - 872
Total
Total 27.557
27.557 3.828
3.828 31.385
31.385

Quanto a 1886,
Quanto sabe-se que a população
1886, sabe-se população da capital,
~api~al, com seu têrmo
tê~100
rural, abrangeria
rural, abrangeria 47.697 habitantes, dos quais
47.697 habitantes, quais sòmente
somente 593 seriam
seriam
,
escravos. Nes
escravos. Nessasa ocasião,
ocasião, os imigrantes
imigrantes italianos,
italianos, portugueses,
portuguêses, ale»
ale-
mães, austríacos,
mães, austríacos, espanhóis,
espanhóis, franceses
franceses e inglêses,
inglêses, radicados
radicados na cidade,
cidade,
totalizavam 11.731
já totalizavam indivíduos. A mesma
11.731 indivíduos. mesma fonte
fonte indica
indica que
que a
composição da população
composição população da cidade
cidade de S. Paulo,
Paulo, pela
pela côr, seria
seria a
seguinte (no):
seguinte ( 11º):

Brancos ..............................
Brancos ••• ••• • • • • • • • • •• 36.334
36.334
Pardos ........
Pardos • • • • •.......................
••• ••• ••• ••• 6.450
6.450
Negros ................................
Negros • • • • • • • • • • • • • • • • • 3.825
3.825
Caboclos .............................
Caboclos • • • • • • • • • • • • • • • 1.088
1.08 8
Tot
T al ...............................
otal • • • • • • • • • • •• •• • • 47.697
47.697

Apesar das transformações


Apesar transformações acarretadas
acarretadas pela
pela expansão
expansão da cidade
cidade
em um sentido
em sentido urbano,
urbano, São Paulo Paulo foi, até o fim do século, século, umumaa
sociedade rural
sociedade rural que desempenhava,
desempenhava, por por circunstâncias
circunstâncias peculiares,
peculiares, a
função de centro
função centro comercial,
comercial, bancário,
bancário, intelectual
intelectual e burocrático
burocrático de
uma Província
uma Província estritamente
estritamente agrícola.
agrícola. Em sua própria própria constituição
constituição
era notável
era notável a importância
importância das atividadesatividades agrícolas.
agrícolas. Seu centrocentro
''urb ano'' se circunscrevia
“urbano” circunscrevia a algumas
algumas ruasruas da freguesia
freguesia da Sé, que que
era, ao mesmo
era, mesmo tempo,
tempo, a área área em que que m mororavam
avam as famílias
famílias mais
mais
abastadas (em 1872,
abastadas 1872, por
por exemplo,
exemplo, a m met ade da escravaria
etade escravaria da comarca
comarca
estava nas mãos
estava mãos dos seus
seus moradores
moradores e nada nada menos
menos de 1.061
1.061 escravos
escravos
eram ocupados
eram ocupados em “serviços
''serviços domésticos”),
domésticos''), e em que que vivia
vivia o m aior
mai or
contingente de pessoas
contingente pessoas livres
livres da comarca
comarca ((77.344
.344 indivíduos,
indivíduos, sôbre
sôbre
20.213, que
20.213, que residiam
residiam nas oito oito freguesias
freguesias restantes).
restantes). A lavoura,
lavoura, ppra-
ra­
ticada na região,
ticada região, ainda
ainda representava
representava a principal
principal fonte
fonte de ren
renddaa dos

(109) Recenseamento
( 109) Cf. Recenseamento — 1872, loc. cit.
- 1872,
«esccrlha ,? Cf. _Recensea,nento Gerat.
ra(llO)
v ovos. Geral df
d, i1886
m >
, op.
op. cit.,
cit.. págs.
pã.gs. 9, 13 e 53-56.
53-56. Dos
Dos 593
mulheres.
m u eres • que ainda existiam na
a,nda existiam capital te seu têrmo
na capital têrmo em 1886,
1886, 225
225 eram
eram homens
homens e 268,


______________ INQU
Q Uf.R
É RIT
ITOO UNESCO,ANHFMt>i
UNESCO-ANliF~t
44 ------------
-;, BI
44
livres
1·vr es dessas
de ss as fr eguesias ee co
freguesias ntinuava
continuava a absorver o
absorver ,
t
balho de D
m o r a d o r e s
..n or adores 1 I for O
"'u bboa parte
pa rte d
dos s se us
seus es cr av
escravos. os . De e qu a
qualquer qu er forma,
m a DJ
n~ ...
era
ra
.ce .
balho de oa o _ • ' •
que as repercussões _ da d comphcaçao
co mplicaçao da da es trutura social
estrutura social na na n or CC
w1
cu ~e s a ga .
zaçâo
que as reper
- ,., d trabalho
zaçao o
trabalho escravo
d o es cr
av
re
o
pr
nã o
não foramfo ra
_
m m ui
muito
.
.
to pr o
f
profundas.un
d

as . TôHTôdas ' ni
as
~
ocupações - de algumaalguma es en
representaçãotaç ao so
socialcia 1 pe rm
permaneciam
an ec iam com
como p . **
. ó
vilégios
ocup~çoes
das pessoas liv re
livres s e
e br an ca
brancas, s, p0
pois IS s
só ex ce pc
.
ionalmente,
excepcionalmente °
gr
r1
píi'
aç as
.
aa cecertos
vifég1osdas pe~as
rtos rn
mecanismos
e~n1srnos de
,
de atribuição
atribuição de de status
status que que serão
.
serão eexxam a in
-
mad^ ^
· os
no segundo ndo capítulo, lo é qu
capitu , é que os “homense os ''h om en s de
de cô r''
côr” livreslivres (“pard(''pardos'' *d°S
se gu .
“negros")
,, egros'') conseguiam
no
consegui •a rn acesso
ac es so a tai s oc upaçoes.
a tais ocupações.
,.
0
Os s
d
dados
ad os cont*d°S
co nt id os
0u
°
na U
estatísticas
n ,
st1
. de
de 1872
1872 deixam patente que
de ix
estat1 ca; Paulo não chegara a determinar
am pa ten te qu e a
. . .
incipiente
in cip iente econo economia• °uraS
s
.
bana de S. Paulo não chegara a determinar a elaboração elaboração d™13 de nova Ut’ s
enas ccoontnrib th 0***
bana ded · Iicação do trabalho escravo, tendo
formas de aplicação do trabalho escravo, tendo ap apenas uí do
forma_s e ~Pf. um Pouco mais certas formas
para
nara intensificar
mtens1 icar um pouco mais certas1· formas tradiciona*
tradicionais Jde ex d°.
r-
ploração
Ploraçao
... do
d O tra ba lh
trabalhadorad or es cr av
escravo o (a
(ampliação
m p 1a ça
-
o
d
dasas oportunid
oportunidades
. H CX’
de
alugar
alugar os
.
os escr
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escravos, ,
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.
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I •
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<?
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nuais). 0 quadro seguinte
quadro seguinte rereune
une os dados
a os relativos
re ati vo às V ° \i ma‘ ..
nuaJ.S• • em que os escr s as at iv id ad es
econômicas
econ ôm1cas em que escravos
avos ereram
am em pr egad os n essa ~
empregados 3as1a
·- ade«
«sete
te freguesias
freguesias da comarca
111
comarca ((»>):): h oc o
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em

FR
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b. em
Trab. em tectecidos
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Trab. vestuários
tuári01 ••••
•••••
........
•• —- - -

- -—
-
11 j
- -- _-
1 _______ _ ~
2-
Tra
Tra
b. em couros
Trab.
b, em
Trab,
e.ouros e peles
ena cal çado, ••••
calçados
peles .• 2 9 29
...........
••• 22

l1 -—
11 __
11 I
__ __
-
- 47-47
1 _______ _ 30^
s
Tnb. agrícolas
Trab arricow ................
Criado. et jornaleiros
Criados
••••••••••••
jomaleiro1 .........
-
402
402
- 33
333
—-
3 20
2055
22
105
10
35
5 83
83
-
__
53
53
48 _
««
82
f,?6
Se rviços dom
Serviços domésticos
••••••
étticol .............
•••••••• 1.061
1.061 56
56
22
49
49
35
37
37 ~56
48
38
38
-77 50
1 Z7
J.30f
Se m profissão
profwio ...................... 22.f
Sem
TOTAL
T0TAL
224
1111 ••••••••••••

••• •••••••••
.................... 1.909
1909
-471
53
53
*71
J466
34 2
342 27
J844
8
278
_75
75
22 6
226
174
17 4
315
31 5
-79--
?t1,
79

677
3J2Ü
3.6 20

D
Dee m odo qu
modo quee presenciamos
presenciamos um interessante
interessante fenômeno:
fenômeno: aa agri-
cu ag ri•
cultu ra da zo
tura na ru
zona ral da
rural da ci dade nã
cidade nãoo fa
favorecia
vorecia o incremento
incremento da da pro-
pr o-
tTzhuii?
cura de escravos, evoluindo constantemente, ao
eyoluindo constantemente, ao co ntrário, para
contrário, para oo
ivn-* r ° a IVre>^ uase semPre do próprio em preendedor,
trabalho livre, quase sempre do próprio empreend
edor, com com aacola-
co1~·
no cT° a m.en}^ros
boração de membros de sua família (o que aconte
sua família (o que aconteciacia com
com freqüência
freqüência
no cato. dos imigrantes europeus); por sua vez,
ecorvW/**08 imi^ f níes europeus); por sua vez, as novas novas atividades
atividad_es
econômicas,,nascidaJ do crescimento do comérci
urbana n~ nasci(?as crescimento do comércio o ee da da prprodução
oduçao
urbana_,não se orientavam no sentido do trabalh
trabalho liv l^ no sentido do trabalho o escravo,
escravo, mas
mas dodo
trabalho livre. N'as esferas das ''profissões manua
__ _____ “ e* Aas esferas das “profissões anuais is ou mecânica/
mecânic.ai'
“ “)
(ltl > a.
o. ,.,,,,,,"""""-' 1872, Joc. dr_. m i Joc ^
RELAÇÕES
REL AÇ OES RACIAIS
RA CIA IS E N
ENT T R
RE E NEGROS
NEG RO S E BRA NC
BRANCOSOS EM PAULO ________
SÃO PAULO 45
45

e das outras profissões . - em que ue se processava aproveitamento regular


rocessava o aproveitamento regular
s outras prof1s soe s em q of~ a um a for te co mp eti ção do tra ba -
e datrabalhador
do escravo, êste sofria uma forte competição do traba-
esc rav o, êsd tes bst itu ído
lhadore estava sendo substituído por êle. Assim, tendo-sepo r êle . As sim , ten do -se
do trabalivre
lhador "Ih
d 1• e e estava sen o su co mp art i av a
em or
lha . - ve rif ica -se
vistaivressas profissões, verifica-se que o escravo lho qu e o esc rav o compartilhava
vis ta ess as pro ~1 sso es, f - de ag en te de tra ba no sis tem a
em o trabalhador
com tr balhador livre livre as funçõesunçoes de agente de trabalho no .sistema .
de mserviços
o a e de d
produção - d
da . da
cidade, de de um
uma a ma ne
maneira ira qu
que e u ins inu
insinua,
do a,
:t
co
de serviços e de pro uç ao a c1 ' . . l

"á em 1872,
1872 aa eliminação
eliminação progressiva
progressiva do primeiro pr1me1ro pelo segd n . drÉ
pe o segundo.
Jo que
em .inferimos
'. da •interpretaçãoreta ão do doss da dos qu
dados e co
que nstam do
constam o qu a 0
quadro
abaixo
o q? e ,n~ ::•
(112), m:
o s '!:'
qual a:n ::r
se Em itJ
limita às pro fis
profissõessõ es ass ina lad
assinaladas _a s no
no qu
quadroa~ ro
anterior ), qf om itid as, po rqu e era m ex erc ida s ex clu siv a-
ior (outras
a1x_
abter
an o ( (outras foramoram omitidas, porque eram exercidas exclusiva­
mente
mente por por indivíduos livres):
indivíduos livres):

Condição SociaJ
Condição Social Escravos Trabalhado-
Escravos Trabalhado- Tot
T a]
otal
li,·rcs
res livres
• 1 ••••.. " ••.••.•••••••.• 67
67 583
583 650
650
0,1tu .reJra
C ant.,
C.a nt., Cale. ..........
mineirot ............
Cale. e mineiro* 11 41 42
42
Trab. em metais . . . . . . . . . . . . . • . . 19 218
218 237
237
T rab.
Tra b. em madeiras •••••••
....................
macfeiras ••••• ,• 33
33 260
260 293
293
Trab. em tecidos • . • • • • • • • • • • • • • • 124 856 980
980
T rab.
Tra b. em edificações • •• •• •• • • ,
edificações .............. 25
25 130
130 155
155
Trab. em vestuários •.•••• , • • • • • • 2 102
102 104
104
Trab.
Trab. em cour. pel. ...... , , . . •
cour. e pel.................. 30
30 189 219
219
Trab.
Trab. em calçados . ••••••• •• ••••
calçados •...................... 55 58 63
Trabalhos
Trabalhos açrírolas
a,rícolas .••.. •••••.
.................... ,•• 826 3.747
3.747 4.563
4.563
Criados
Criados e jornaleiros
jornaleir01 •• , ••••••• , , •
.................. 507 2.535
2.535 3.042
3.042
Serviços domé1r. . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.304
Serviço• domest............................... 3.506
3.506 4.810
4.810
Sem
Sem profissão .. ... .. .... ...... ..•
pro(issão ............................... 677 8.244
8.244 8.921
8.921

Isso não
Isso não ex explica,
pli ca, porém,
po rém , a enorme
en or1 11 e red uç
redução ão da po pu laç
população ~o es-
es­
crava, observada
ser va da no período
pe río do aqui
aq ui nsi de
considerado,
co rad o, co
com m ref erê
referêncianc ia ao
aos s
crava, ob
anos de 1854,
18 54 , 1872
18 72 e 1886.
18 86 . Sem
Se m dúvida,
dú vid a, t:1
tantonto a sup res
supressão são de fin itiv
definitiva a
anos de
do tráfico
fic o africano,
afr ica no , com m suas
sua s <1
conseqüências
co nsc üt~ nc .ia sdir eta
diretas s ou ind ire
indiretas tas
do trá C(!
sôbre
re as
as condições
co nd içõ es de renovação
ren ov açã o da mã
mão o de ob ra,
obra, q\1 an
quanto to a
a ten dê
tendência ncia
sôh
ao desenvolvimento nto do trabalho
tra ba lho liv re,
livre, fav ore
favorecidacid a pe lo
pelo afl ux
afluxo o de
de un
imi­ i-
ao desenvolvime
grantes europeus,
eu s, contribuem
co ntr il> 11 em pa ra
para esc lar ece
esclarecer r êss
êsse e fen ôm
fenômeno en o no
no
grantes europ
espírito do leitor. . Mas
l\fa s o fenômeno
fen ôm en o em ap rêç
aprêço o rep res en
representa ta o
o pro du
produto to
e~1>irito leitor
de um
um conjunto
co nju nto de causas
cau sas muito
mu ito mais
ma is co mp lex
complexas, as, qu
que e de ter mi
determinaram,na ram ,
de
ao longo <la segunda ,la metade
me tac lc do 1lo
século
séa XI
XIX, X, um do
doss pro ces
processos sos ma
mais is
ao long,> da segun
dramáticos que ja abalaramram a soc iec
sociedadelad e bra sil eir
brasileira: a: o
o da
da de sag re~
desagregação ac; ;ão
dramáti,·os que já al, ala
- .... ..
do
do regime
n·g im e servil.
ser vil . Assim,
A, isi m, não
nã o é a pro po
proporção rçã o do ele me
elemento nto ne
neerogro n:i
na
população
população de São
São Paulo
Pa ulo que
qu e se alt era
altera, , co
comomo se po de
poderá rá ve rif
verificarica r co
com m.
parando
paran do entre
en tre si as indicações
ind ica çõ es relativas
rel ati va s às dis tri
distriQ bu içõ
çõeses pe
^ llaa ôcô rr (li!),
t o sta
7 0 8,a,us
tus do escravo
esc rav o que
qu e se mo dif
modifica,ica , a pró pri
própria a esc
e s £rav
a vidã
i* o
£ «qu. e
desaparece,
desaparece, co condenada
nd en ad a pe las
pelas no va
nova, s co
c ondn içõ
d ies
ç õde e ex
s Visteênx cia
i s S sos cia
S ldT

s?S
<112)
( 112) Idem.
Idem.
Lowrie concJ l • • •

"o 3 <113) Alits


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no e1tado de
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Pópulaçlo btanca, pro
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