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Transtornos Alimentares para o Restante de Nós

Transtornos Alimentares para o Restante de Nós Elyse Fitzpatrick 1 Agora que já tratamos do comer

Elyse Fitzpatrick 1

Agora que já tratamos do comer em excesso, da bulimia e da anorexia, os cha- mados “transtornos alimentares”, vamos falar um pouco sobre o transtorno alimentar “normal”. A sua maneira de se alimentar reflete o seu coração. À semelhança de outras atividades do dia-a-dia — o uso que você faz do dinheiro e a importância que dá a ele, a sua maneira de dirigir um carro ou falar — o seu modo de comer também revela a sua fé ou idolatria, a sua vida ao lado de Deus ou distante dEle. A Bíblia trata dos “transtor- nos alimentares” mais graves e também dos hábitos alimentares do restante de nós. Todos nós temos algo em comum: nós comemos. Todos nós conhecemos a sensa- ção de dar uma mordida em um sanduíche maravilhoso, um pedaço de frango ou uma fatia de torta. Recentemente, estive com meu marido em um restaurante chinês onde três

1 Tradução e adaptação de Disorderly Eating Rest of us.

Publicado em The Journal of Biblical Counseling. v. 12, n.1, Fall 1993, p. 20-23

for the

garçons nos serviram abacaxi caramelizado acompanhado de molho quente — uma sobremesa muito especial para uma ocasião memorável. Você prefere comida crocante ou cremosa? E que tal comidas típicas de países como México, Grécia, Itália ou Japão? As comidas típicas de determinado lugar encorajam ou desencorajam você a visitá- lo? Por exemplo, eu já participei de várias viagens missionárias breves ao México, mas não me sinto muito atraída por uma viagem ao Japão ou à Índia. Tenho certeza de que uma das razões é porque peixe crú e curry não me agradam. Você gosta de certos programas por causa da comida? Se eu dissesse “festa caipira”, você diria “canjica com amendoim e pamonha”? Muitas outras coisas combinam com comida. Você pode ter amizades que nasce- ram da comunhão ao redor de uma mesa. Partilhar a refeição com alguém que gosta de olhos de caribu (um prato especial nas regiões árticas) seria algo difícil para alguns de nós . Mas vários entre nós têm amizades que cresceram ao redor de uma pizza! Como crentes, a celebração da ceia do Senhor en-

volve compartilharmos o pão e o vinho em

memória do nosso Salvador ressurreto. Às vezes, a maneira de comermos gera julgamentos errôneos e superficiais a respeito de nós mesmos. Por exemplo, “Eu acabei de comer pão integral quentinho, com mel puro” pode querer dizer “Eu sou uma pessoa virtuosa”. Ou então, “Eu comi uma barra de chocolate” pode significar “Eu não tenho jeito mesmo”. A questão é que todos nós co- memos. Todos nós temos razões, motivações, hábitos e desejos que interagem com como, o quê, quando e por que comemos. Gastamos muito tempo e energia pensando no que comer, planejando, fazendo compras, pre- parando o alimento, limpando a cozinha e depois queimando as calorias que ingerimos. Comer é um denominador comum a todos nós. E o nosso comportamento alimentar reflete o nosso coração. Antes de mais nada, vamos olhar para alguns exemplos bíblicos que revelam ma- neiras erradas de comer. Deixe que a Bíblia

o informe a respeito daquilo que está em seu

coração e que as ilustrações das Escrituras falem sobre a sua cobiça. 1 À medida que

discorrermos sobre o assunto, farei algumas aplicações a partir daquilo que tenho obser- vado na minha vida e na de outros. Meu alvo

é suscitar perguntas bíblicas e oferecer uma

perspectiva bíblica para que você examine a

si mesmo à luz daquilo que Deus diz sobre o

alimento. No final, teremos uma sobremesa — será que há lugar, diante de Deus, para celebrar com fartura a provisão que Ele dá? Por enquanto, vamos nos ater ao pra- to principal. E interessante verificar que o

primeiro pecado registrado nas Escrituras envolveu o ato de comer. Adão e Eva de-

2 1Coríntios 10.6

monstraram a independência orgulhosa e o

desejo de ser deus (não de ser como Deus) por meio daquilo que comeram. Gênesis 3 relata os passos. 1. Satanás levantou dúvidas acerca da veracidade da palavra de Deus e Sua provisão completa para as necessidades

do homem. Será que Adão acreditava

que deveria viver pela palavra de Deus

e que até mesmo alimentar-se seria

uma atividade moralmente dirigida

pela vontade de Deus? 2. Eva olhou para a árvore e viu que o seu fruto era bom para comer, agradável aos olhos (um ponto importante, priorizado por empresas de marketing

ao redor do mundo), desejável para

tornar alguém sábio (“Isso realmente

Ela apanhou o fruto

”).

me ajudará a

e o compartilhou com Adão.

O seu modo desordenado de comer

pode ter origem em diferentes motivações. Pode ser fruto de um espírito independen- te, orgulhoso: “Eu posso comer o que eu quiser, quando eu quiser”. Também pode ser impulsionado pelo desejo dos olhos:

“Parecia tão gostoso que eu não pude me controlar”. Você pode ingerir alimento com

o desejo de fortalecer a sua carne fora dos limites da provisão de Deus: “Eu sei que provavelmente não deveria comer mais este hamburguer, mas eu estou tão cansado e

trabalhei tanto que preciso me alimentar”.

O “amor ao mundo” envolve cada um destes

aspectos: “Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida não procede do

3 Estas são expressões de um “transtor-

Pai

no alimentar”. Contudo, é certo que somos

”.

3 1João 2.16

capazes de comer ordenadamente, pela fé, com motivações certas — nutrição e prazer tanto para o corpo como para a alma, visan- do nos fortalecer para a obra de Deus. Gênesis e 1João convidam-no a per- guntar a si mesmo: “De que maneira os meus hábitos alimentares demonstram um desejo de independência de Deus, ao mesmo tempo que eu alego ter um forte anseio por participar das bênçãos de Deus?”. Há muitas nuanças de fé ou idolatria expressas pelos

seus hábitos alimentares. O que eles revelam sobre aquilo que o governa? O que você ama? No que você confia? O que você teme? Quais são as suas prioridades? Respondendo

a estas perguntas, e descobrindo as respostas

de Deus, você crescerá no seu andar com Ele

e também será capaz de aconselhar pessoas

que lutam com os transtornos alimentares. Você terá compaixão, esperança e confiança nas verdades bíblicas testadas em sua própria vida.

Prosseguindo nas Escrituras, podemos ouvir a advertência vinda da vida de Esaú. A Bíblia nos diz que Esaú vendeu a sua primo- genitura por uma simples refeição. O coração “impuro e profano” 4 de Esaú revelou-se quando ele desdenhou da herança concedida graciosamente por Deus e a trocou por “um pouco desse cozinhado vermelho, pois estou esmorecido” 5 . O desejo físico de comer que exigia satisfação imediata — uma fome que em si era boa, dada por Deus — tornou-se mais importante para Esaú que a vocação de Deus para a sua vida. É interessante notar que a comida também esteve envolvida no engano que Jacó armou em seguida, levando Esaú a perder a bênção de Isaque que lhe pertencia. Aquilo a que Esaú serviu em lugar de servir a Deus entrou novamente em cena para destruir a bênção futura. Aqui está uma

4 Hebreus 12.16

pergunta para você: de alguma forma você tem colocado “um pouco desse cozinhado vermelho” acima da sua vocação para ser um líder amoroso em seu lar? Você tem

considerado a alimentação mais importan-

te do que as oportunidades de ministério?

Quando você precisa escolher entre orar por quinze minutos depois do culto do domin- go de manhã ou sair imediatamente para o almoço, você escolhe alegremente a cruz? 6

A fome controla de alguma maneira o seu

ministério? Se sim, como? Olhe para mais um exemplo bíblico.

Os filhos de Israel que vagavam pelo deserto revelaram uma idolatria requintada na sua reação diante da escassez de alimentos e da falta de variedade de comidas que deseja- vam. Preste atenção em Êxodo 16.2: “ E

e os filhos

nos dera tivés-

semos morrido pela mão do SENHOR, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a

fartar!”. Eles tinham acabado de atravessar

o Mar Vermelho e assistir à destruição dos seus inimigos sob o julgamento de Deus.

E logo em seguida queriam voltar ao Egito

para comer! Decerto Estevão declara em seu discurso de Atos 7 que “no seu coração, voltaram para o Egito”. Na verdade, este teste inicial com a comida colocou à prova a sua

confiança em Deus para a sobrevivência. A primeira reação do povo foi esquecer-se de Deus e colocar a culpa nos líderes. Teriam eles acreditado que o Deus que os livrara da “dura escravidão” 7 providenciaria também tudo quanto necessitavam? Aqueles corações,

de Israel disseram

toda a congregação murmurou

’Quem

5 Gênesis 25.30

6 Diante dos nossos desejos físicos, precisamos relembrar continuamente que agradar a nós mesmos não é nossa prioridade (Rm 15.1).

7 Êxodo 6.9

que amavam a segurança da escravidão no Egito (“pelo menos tínhamos comida”), ficaram angustiados com a possibilidade de ficar sem uma refeição e se expressaram em murmuração. Não apenas Deus estava testando o povo de Israel, mas Salmo 78.18 nos diz que eles testaram a Deus pedindo alimentos de acordo com os seus desejos. Ouça a sua

incredulidade e o seu sarcasmo: “Pode, acaso,

Pode

Ele dar-nos pão também? Ou fornecer carne para o Seu povo?”. A ira de Deus levantou-se contra eles “porque não creram em Deus,

nem confiaram na sua salvação” 8 . Pergunte a si mesmo como você reage à ansiedade e in- certeza quando percebe que a sua segurança ou a sua “área de conforto” estão sendo ame- açadas. A maioria de nós raramente enfrenta

a tentação de temer a possibilidade de passar

fome, porém nossa segurança e conforto são ameaçados com frequência. Deus deseja li- vrar nosso coração da confiança na força da carne, bem como da confiança na carne que

supre esta força. Você costuma cair no velho hábito confortável de comer para lidar com

o medo e a ansiedade? Você deixa de lado a

gratidão e começa a murmurar e duvidar? Tudo ficará bem se tão somente você puder dar uma garfada no prato de sua preferên- cia? O SENHOR ainda será o seu Deus quando os seus colegas o criticarem pelas suas crenças? O seu Deus merece confiança? Deus demonstrou ao povo de Israel que Ele é digno de confiança quando “fez chover maná sobre eles, para alimentá-los, e lhes deu cereal do céu. Comeu cada qual o pão dos anjos; enviou-lhes ele comida a fartar”. 9 Deus foi fiel em suprir as necessidades do povo de

Deus preparar-nos mesa no deserto?

8 Salmo 78.22 9 Salmo 78.24-25

Israel. Deus continua fiel. Você é grato pelo Pão da Vida que satisfaz a sua fome e a sua sede como nada mais? 10 Mas mesmo depois de Deus ter provi- denciado fielmente o maná e a água, o povo de Israel ainda estava insatisfeito. Números 11.4-6, 25 narra a incredulidade e exigência daqueles corações. E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão

este maná

Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil. Ouça o coração exigente! Ele exagera os

prazeres do passado: quando é que o Egito teve abundância de leite e mel? 11 Ele mente sobre a provisão atual: “Não há comida nem água”. A verdade é que eles desejavam algo que Deus não estava dando. “Nós queremos algo diferente! Nós queremos algo novo!

Nós queremos algo

qualquer coisa, menos

aquilo que o SENHOR está nos dando! Queremos agora!” Aqueles corações cheios de cobiça foram expostos quando Deus os testou. 12 Eles ficariam satisfeitos com a pro-

E o povo falou contra

10 João 6.32-33; Habacuque 3.17-19 11 Números 16.13 12 Deuteronômio 8.2

visão de Deus ou o paladar estava treinado para exigir variedade? Exigências semelhantes no que diz respeito aos alimentos podem estar presente na nossa vida de várias maneiras. No livro Cartas do Inferno, de C. S. Lewis, a mãe do cliente de Cupim demonstra esse tipo de exigência, que o Murcegão identifica como uma forma moderna de glutonaria. Tudo quanto ela queria era “um pedaço pequeno de pão, levemente torrado” e “uma xícara pequena de chá na temperatura certa” — que ela mandou de volta para a cozinha repetidas vezes, sem pensar que estaria sendo inconve- niente — “É pedir muito querer uma simples torrada e um pouco de chá?”. Estamos diante de algo diferente ou apenas de uma pequena variação de expres-

são de exigência? Você precisa de certos ali- mentos “saborosos” ou “saudáveis”? Crianças reclamam abertamente. Mas será que você é impaciente e indelicado com garçons que, no seu entender, demoram mais do que de- veriam para atendê-lo? Qual é a sua reação quando você chega em casa à noite com a esperança de encontrar o jantar na mesa e descobre que ainda demorará uns quarenta

e cinco minutos para ficar pronto? Você

permite que aquilo que lhe é servido em uma refeição controle as suas atitudes? A comida providencia um retrato — um retra- to bem colorido — das suas atitudes e das

inclinações do seu coração. Paulo classifica

a prática de fazer exigências na categoria de

“cobiçar coisas más”. Ele nos admoesta a não murmurar “como alguns deles murmuraram

e foram destruídos pelo exterminador”. 13

É errado gostar de uma boa refeição, bem

servida? Obviamente, o problema não está na comida nem no ato de comer, mas no

13 1Coríntios 10.6,10

coração exigente e egocêntrico que insiste em querer que o mundo gire ao seu redor

e o sirva. Aqui está uma pergunta crucial: em que momento o apreciar “um pouco desse cozinhado vermelho” passa a ser cobiça? Per- gunte a si mesmo: Eu estou recebendo este alimento com gratidão, como concedido por Deus para que eu o coma e compartilhe com outros? 14 Ou estou desprezando sua aparên- cia e choramingando por alguma coisa qualquer coisa contanto que diferente? Isto é cobiça. Em uma dimensão mais ampla, você se alegra com aquilo que Deus tem-lhe dado

ou se lamenta acerca de seus dons, família, igreja, vocação? Ouça a avaliação do Espirito:

“Sem embargo disso [a provisão de Deus], continuaram a pecar e não creram nas suas maravilhas. Por isso, ele fez que os seus dias

se dissipassem num sopro

sentido na vida, frustrante e angustiante, é

o resultado inevitável de um coração cheio

de cobiça. “Todo trabalho do homem é para

15 . A falta de

sua boca; e, contudo, nunca se satisfaz o seu apetite ” Jesus, o verdadeiro pão da vida, ad- moesta-nos: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos ”

17 . Isaías diz: “Ah! Todos vós, os que

tendes sede, vinde às águas

Por que gastais

dará

a

16

o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos de- leitareis com finos manjares.” 18 .

14 1Timóteo 4.3-4 15 Salmo 78.32,33 16 Eclesiastes 6.7 17 João 6.27 18 Isaías 55.1,2

Para terminar, ouça a resposta do nosso Senhor quando Satanás o tentou a satisfazer Seu desejo físico, precipitadamente, por meios pecaminosos: “Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra

que procede da boca de Deus”. Será que você pode dizer como Jó que “do mandamento de Seus lábios nunca me apartei, escondi no meu íntimo as palavras da Sua boca”? 19

A Palavra de Deus e Seus mandamentos são

doces para você? “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca.” 20 Você tem elevado o desejo físico de comer acima da Palavra de Deus?

Ao passar por uma experiência de fome in- tensa, você ignora os preceitos bíblicos sobre paciência, paz e gratidão? Você tem sede e fome de justiça, de piedade, ou de aprecia- ção e reconhecimento? Ou talvez queira “um pouco desse cozinhado vermelho”? O que você mais deseja comer? Como você reage quando é tentado a ficar preocupado, irado, cheio de si ou deprimido, ou quando você sente dor, cansaço, tédio ou solidão? A comida em algum momento é o seu deus, o seu salvador ou consolador? Como? Onde? Quando? Jesus Cristo pode mudar o seu coração. Propus a você uma série de pergun- tas para colocá-lo à prova e lhe mostrei o Pão da Vida e a Água Viva. Agora vamos

à sobremesa. Há lugar para um banquete

piedoso? Eu acredito que as Escrituras nos ensinam tanto a respeito de banquete como de jejum. As falsificações que o mundo oferece são a glutonaria e a anorexia. Em

Deuteronômio, depois de dar parâmetros para o uso do alimento — especificações sobre os tipos de alimento, o dízimo para

19 Jó 23.12 20 Salmo 119.103

Deus, o cuidado com os pobres — Deus disse: “Esse dinheiro, dá-lo-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou ovelhas,

ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa

que te pedir a tua alma; come-o ali perante

o SENHOR, teu Deus, e te alegrarás, tu e

a tua casa”. 21 Leia mais uma vez este texto

bíblico. Deus concedeu ao povo de Israel liberdade para se alegrar em “qualquer coisa

que te pedir a tua alma”, desde que fosse feito debaixo do senhorio dEle. À semelhança dos israelitas, uma vez estabelecidas em sua vida

as prioridades de Deus, faça um banquete!

Regozije-se com sua família! Faça uma festa! Sinta-se à vontade para celebrar a bondade

de Deus desfrutando a provisão divina, mas

lembre-se de quem é Deus. Os fariseus, que amavam a aprovação dos homens e a religiosidade aparente, cha-

maram Jesus de glutão. Jesus comia com os Seus discípulos e preparava as refeições para eles. Ele queria que o Seu rebanho comesse bem. Perceba a abundância da Sua provisão:

houve sobra 22 e, no casamento, havia bom vinho em quantidade mais do que suficien-

te 23 . Jesus desfrutava as bênçãos da vida e

a convivência com os discípulos, inclusive

a comida. A Bíblia não ensina o ascetismo

nem Deus incentiva as orgias e a glutonaria. 24 Deus tem algo melhor. A questão central é: você está comendo

e se alegrando perante Deus ou posicionan- do-se contra Deus? Comer não é pecado.

O que importa é a atitude do coração que

produz determinados hábitos alimentares. O comer é para você um momento de regozijo

e gratidão, uma anestesia para a tensão ou

21 Deuteronômio 14.26 22 João 6.12 23 João 2.6-10 24 1Pedro 4.3; 1Coríntios 11.20-22

uma oportunidade para estar no papel de um deus exigente? Pense que o plano magnífico de Deus através dos séculos culminará em uma celebração indescritível de magnitude e alcance eternos — as bodas de casamento do Seu Filho com a Noiva. Podemos apreciar de antemão esta celebração, desfrutando hoje a provisão abun- dante de Deus, compartilhando com outros, com gratidão, e recebendo humildemente as Suas dádivas de alimento para o corpo e para a alma. Regozije-se. “Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou. 25 Há lugar para um banquete. Há tam- bém lugar para jejuar. 26 Você já aprendeu

25 Apocalipse 19.6-7 26 Mateus 6.16-18, 9.15

com Paulo o segredo de estar contente na fartura e na escassez? Você consegue tanto banquetear-se como jejuar em memória do Senhor? Você encontra alegria em ambas as situações porque o Senhor e Sua Palavra (e não a comida) são a sua fonte constante de força? Você está livre para apreciar tanto a comida quanto o jejum? Você pode dizer como Paulo “quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”? 27 Vamos buscar ativamente colocar debaixo do senhorio de Deus todos os aspectos da vida e alinhar com a vontade dEle tanto a nossa alimentação como a atitude para com a comida. Nossa vida e nosso aconselhamento serão mais sábios.

27 1Coríntios 10.31