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UNIVERSIDADE FEEVALE

ANÁLISE INSTITUCIONAL

ALUNOS: CAROLINE SCHMITZ, IVAN CAVITCHONI, ROSANE S.


SABOCINSKI DE SOUZA, SIMONE SCHERER.

DISCIPLINA: PSICOLOGIA INSTITUCIONAL


PROFESSOR: CARMEN REGINA GIONGO

Novo Hamburgo, Junho de 2016.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................... 3

2 DESENVOLVIMENTO............................................................................................................... 4

2.1 CAMPO DE ANÁLISE........................................................................................................ 4

2.2 CAMPO DE INTERVENÇÃO..............................................................................................5

2.3 ANÁLISE DO ENCAMINHAMENTO...................................................................................5

2.4 DEMANDA......................................................................................................................... 6

2.5 HIPÓTESE PARA ENCARGO............................................................................................ 6

2.6 CONTRATO DIAGNÓSTICO..............................................................................................6

2.7 POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO.............................................................................8

2.8 CRONOGRAMA................................................................................................................. 8

2.9 RECURSOS NECESSÁRIOS............................................................................................ 9

2.10 CUSTOS DO TRABALHO.............................................................................................. 10

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................... 11

ANEXO....................................................................................................................................... 12

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................... 13
3

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem o objetivo de apresentar um projeto de


intervenção a ser realizado com os idosos institucionalizados do Lar São
Vicente de Paula e seus familiares.
Análise institucional é um processo feito com coletivos de qualquer
natureza, cujo objetivo é propiciar que esse grupo se torne capaz de
autoanalisar-se e de gerenciar suas próprias questões. Prioriza a crítica e a
dissolução das formas alienadas de existir.
Cada coletivo possui um saber próprio de seus problemas e poderá
resolver com ou sem ajuda de um técnico.
No desenvolvimento, encontraremos o campo de análise contendo a
descrição da instituição e politicas atreladas ao contexto dos idosos no Brasil, o
campo de intervenção com a descrição do grupo de idosos e seus familiares, a
análise do encaminhamento trazendo a origem da demanda, a análise da
implicação (em anexo) com a reflexão sobre o papel do psicólogo dentro deste
contexto de trabalho, a descrição da demanda explícita e a hipótese para
encargo analisando aquilo que está oculto, que está por trás da demanda
explícita, o contrato diagnóstico com o plano de coleta dos dados, a
possibilidade de intervenção descrevendo a intervenção após o diagnóstico, o
cronograma, os recursos necessários físicos e humanos, e a planilha com os
custos do trabalho.
Nas considerações finais apresentamos a nossa percepção de como
essa experiência se da entre a teoria e a prática e de como essa intervenção
pode diminuir o sofrimento daqueles que trilham o caminho do envelhecimento
próprio ou de algum familiar dentro de uma instituição.
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2 DESENVOLVIMENTO

2.1 CAMPO DE ANÁLISE

O Lar São Vicente de Paula foi criado em 1989 por um grupo de


pessoas de diferentes segmentos da sociedade hamburguense, e está situado
na Rua Barão de Cambaí, 200 no bairro primavera na cidade de Novo
Hamburgo-RS. Atualmente abriga em regime integral 44 idosos carentes,
contando com uma diretoria voluntária, 30 funcionários e muitos parceiros. O
Lar São Vicente de Paula fornece serviços de enfermagem 24 horas, visitas
médicas cedidas pela prefeitura duas vezes por semana e/ou quando se fizer
necessário, atividades físicas proporcionadas e acompanhadas por professores
e alunos voluntários dos cursos de fisioterapia e educação física da Instituição
de Ensino Superior Feevale, bem como, diversas oficinas e atividades (dança,
coral, computação, pintura, rodadas de cartas e bingo, atendimentos de
cabeleireiro, manicure e pedicure), realizadas por voluntários, bem como
missas e cultos religiosos atendendo as diferentes crenças dos idosos.
De acordo com Ana Paula Almeida da Silva em artigo publicado pela Jus
Brasil (2015),
A ausência dos filhos na velhice dos pais implica diretamente
reparação, com fins de efetivação do amparo aos pais em idade
avançada e, assim, respeitando o princípio da dignidade da pessoa
humana. A família é o primeiro ente de proteção dos idosos. A ela
cabe assegurar uma gama vasta de direitos, entre os quais se
destaca o direito a vida. Como ressalta a constituição federal: A
dignidade do idoso deve ser defendida, pelos familiares. Como
dignidade é inerente a pessoa, o dever dos seus familiares é
proporcionar as condições necessárias para que seja efetivada.

De acordo com o artigo terceiro do estatuto do idoso, é obrigação da


família, da comunidade, sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com
absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, a cidadania, a liberdade,
a dignidade, ao respeito e a convivência familiar e comunitária.
De acordo com o parágrafo único inciso V, responde que a priorização
do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento
assilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de
manutenção da própria sobrevivência.
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2.2 CAMPO DE INTERVENÇÃO

Lar constituído por idosos institucionalizados,


feminino/masculino/viúvos/separados com idade acima de 60 anos. Tempo de
institucionalização, de 3 anos a mais. A casa referida possui convênio médico
com a Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo e possui uma ampla área de
lazer, refeitório, cozinha, dispensa, lavanderia industrial, salas de TV, salão de
eventos, enfermaria, consultório médico e ambiente de fisioterapia, contando
com 15 dormitórios com três camas cada, divididos em ala feminina e
masculina, sendo que somente abre novas vagas no momento que um idoso
faltar.
O projeto pretende intervir com os idosos institucionalizados e suas
respectivas famílias, com a finalidade de contribuir para o reforço dos laços
familiares, com vista à promoção das suas relações de proximidade. Ações
interpessoais estabelecidas entre a família e a pessoa idosa institucionalizada,
são o resultado das interações que estabeleceram ao longo das suas vidas.
Gerir essa relação de forma harmoniosa é um desafio permanente.

2.3 ANÁLISE DO ENCAMINHAMENTO

A demanda surgiu à partir de uma visita realizada ao Lar São Vicente de


Paula, através da disciplina de psicologia institucional que oportunizou aos
alunos conhecerem o trabalho da psicóloga institucional do local. Após esta
visita a professora Carmem solicitou que os alunos desenvolvessem um projeto
institucional de intervenção junto ao Lar.

2.4 DEMANDA

Atualmente o Lar conta com uma psicóloga institucional que atua


basicamente dando suporte para a equipe de cuidadores e para a gestão.
Fazendo atendimentos individuais aos funcionários, reuniões e atendimentos
aos cuidadores e à equipe diretiva sempre que necessário, construção e
desenvolvimento de práticas necessárias para o bom andamento da rotina
diária, bem como condução de reuniões de alinhamento da comunicação.
Conduz as entrevistas de contratação e de desligamento e eventualmente
6

realiza escuta com os idosos, fazendo também acompanhamento junto aos


idosos sempre que necessário.

2.5 HIPÓTESE PARA ENCARGO

Atualmente no Lar existe o trabalho de psicologia desenvolvido em toda


Instituição, coordenadores, equipe e idosos no contexto institucional. Visto que,
se origina no local uma demanda inexistente, referente aos poucos
atendimentos aos idosos e família, onde podemos diagnosticar que existe a
falta de ações voltadas no sentido de fortalecer os laços afetivos entre os
idosos e seus familiares na etapa final de suas vidas, uma premissa que não
pode ser esquecida pelas instituições sociais. A questão de partida desta
investigação tem como propósito reforçar os laços familiares dos idosos
institucionalizados, enlaçada com a necessidade de encontrar respostas para o
desenvolvimento de estratégias que visam a compreensão da importância da
manutenção de relações de proximidade entre os idosos institucionalizados e a
sua família.

2.6 CONTRATO DIAGNÓSTICO

Para ajudar a estruturar as atividades e temas a serem desenvolvidos


neste projeto de intervenção, foram utilizadas as seguintes ferramentas de
coleta de dados: Grupo Focal, Diário de Campo e Recurso Fotográfico.
 Grupo Focal: De origem anglo-saxônica essa técnica foi introduzida no
final da década de 40, e desde então tem sido utilizada como metodologia de
pesquisas sociais, possibilitando obter dados válidos e confiáveis em um tempo
abreviado.
Na área da saúde a técnica de grupo focal tem sido mais
consistentemente utilizada à partir da segunda metade dos anos 80, e
diferentes autores chamam atenção para o incremento na utilização de grupos
focais.
Scielo (2016) apud Morgan (1997), define grupo focal como uma técnica
de pesquisa qualitativa, derivada de entrevistas grupais, que coleta informação
por meio das interações grupais.
7

Scielo (2016) apud Gaskell (2002, p. 79), “considera que os grupos


focais propiciam um debate aberto e acessível em torno de um tema de
interesse comum aos participantes”.
A psicóloga institucional do Lar São Vicente nos indicou alguns idosos
que apresentavam maior deficiência nos seus vínculos afetivos familiares,
sendo que, 6 desses idosos, aceitaram o nosso convite para formar o grupo
focal e através de dinâmicas de levantamento de temas nos ajudaram a definir
as atividades que constam no cronograma.
 Diário de Campo: Segundo Lima (2007), diário de campo é uma
ferramenta importante para documentação do cotidiano da instituição. Essa
documentação torna-se fundamental no processo de obtenção e análise de
dados.
Partindo-se do pressuposto que a documentação é fundamental no
processo de obtenção e análise de dados, tanto nos processos investigativos,
quanto de marcos orientadores, pois permite a sistematização e a qualificação
da intervenção a ser desenvolvida, foi realizado um diário de campo com o
objetivo não de apenas guardar informações, mas também, como recurso que
possibilite conter reflexões cotidianas que quando relidas teoricamente, são
avanços tanto no âmbito da intervenção, quanto da teoria.
O diário de campo, no sentido de identificar a realidade social e as
demandas singulares dos idosos institucionalizados.
 Recurso Fotográfico: De acordo com Silva (2002, p. 238),
Com o recurso fotográfico são apresentados aos participantes, fotos
que enfocam determinado tema, normalmente relacionado com o
objeto de estudo, mas que não retratam os próprios participantes.
São então analisadas as percepções, falas ou reações das pessoas
em relação as imagens. O foco principal de análise passa a ser o
observador da fotografia, juntamente com suas respostas
direcionadas as diferentes fotos apresentadas. O conteúdo da
imagem, com frequência, ocupa o lugar de variável independente,
sendo modificado no intuito de se observar alguma possível variação
nos comportamentos ou percepções dos participantes.

Foram apresentadas aos idosos, fotos que enfocam o tema família, e a


partir disso pôde-se observar as reações, falas e percepções dos mesmos
diante das imagens expostas.
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2.7 POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO

O projeto será realizado no Lar São Vicente de Paula, visando num


primeiro momento uma investigação que tem como população alvo os idosos
institucionalizados de ambos os sexos residentes no referido Lar e suas
respetivas famílias.
Realizando o reconhecimento do público atendido, conhecendo as
características sócio-demográficas dos idosos residentes; identificando a
frequência das visitas da família aos idosos do Lar; compreendendo a
importância atribuída pelo idoso institucionalizado à família; Identificando
proximidade da relação entre os idosos e a família; conhecendo as razões
atribuídas pelo idoso ao afastamento dos familiares, promovendo e
incrementando um contato entre o idoso e sua respectiva família.
Será oferecido um trabalho psicossocial em grupo, através de um
encontro mensal (durante 6 meses), com duração de duas horas cada
encontro, sempre no primeiro domingo de cada mês, com início previsto para
03 de julho de 2016 e término em 04 de dezembro de 2016, mesclando temas
com atividades práticas, com registro de fotos e filmagens, de acordo com o
cronograma, com o objetivo de reforçar os laços familiares do idoso.

2.8 CRONOGRAMA

Tabela 1: Cronograma
Temática Detalhamento Prazo Responsável
Apresentação do Projeto e Dinâmica de Integração-
Boas Vindas 03.07.2016 Rosane
Familiar apresenta Idoso – Idoso apresenta Familiar
Envelhecimento.
Palestra de 40' com Geriatra voluntário e 1h20' para Médico
Que momento é 07.08.2016
perguntas Geriatra
Esse
Música Família- Titãs e Construção da Linha do
Linha do Tempo
Tempo do Idoso. Datas e eventos marcantes. Papel 04.09.2016 Simone
do Idoso
pardo, canetinhas, fotos
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Tudo Passa Tudo Música Novo Tempo - Ivan Lins e


02.10.2016 Ivan
Muda Filme "Somos Todos Um"
Dia dos Netos Jogos e brincadeiras 06.11.2016 Caroline
Encerramento Baile da Família 04.12.2016 Todos
Fonte: elaborado pelos autores

2.9 RECURSOS NECESSÁRIOS

As intervenções com os idosos institucionalizados e seus familiares,


ocorrerão no salão de eventos do Lar São Vicente de Paula e serão
conduzidas por nós e pelo médico geriatra voluntário, utilizando recursos de
data show, aparelho de som, fotografias, Dvds de músicas e filme, máquina
fotográfica, filmadora, computador, jogos de tabuleiro, papel pardo, canetas
hidrocor de variadas cores, livros de histórias infantis, jogo de cartas, jogo de
bingo, sendo que todos estes recursos serão disponibilizados por nós.

2.10 CUSTOS DO TRABALHO

Tabela 2 – Custos do trabalho


Horas de
Item Detalhamento Custo
trabalho

Entrevistas e aplicação de ferramentas


para coleta de dados e entendimento
1 do Campo de Intervenção 49 R$ 7.840,00
Tabulação dos resultados e Preparação
2 da Hipótese Diagnóstico 6 R$ 960,00
Descrição de possibilidades de
3 Intervenção 4 R$ 640,00
Comunicação com os familiares via e-
4 mail 1 R$ 160,00
Comunicação com os familiares via
5 telefone 1 R$ 99,60
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6 Boas Vindas e Dinâmica de Integração 2 R$ 320,00


Envelhecimento. Que Momento é
7 Esse- Palestra com Geriatra 2 R$ 320,00
8 Construção da Linha do Tempo 2 R$ 320,00
9 Tudo Passa - Música e Filme 2 R$ 320,00
10 Dia dos Netos - Jogos e Brincadeiras 2 R$ 320,00

11 Encerramento – Baile da Família 3 R$ 480,00


Despesas de deslocamento – tanques
12 de gasolina 4 R$ 784,08
13 Impostos 6,15% R$ 482,16
Total R$ 13.045,84
Fonte: elaborado pelos autores

Obs.: Foi considerado 120 min. de ligações com o custo de R$ 0,83 o minuto, conforme dados
da Teleco.

Para hora de trabalho do interventor, foi considerado R$ 160,00 a hora, conforme dados do
Conselho Federal de Psicologia (CFP).

E para deslocamento foi considerado que serão utilizados 4 tanques de gasolina de um carro
popular (Celta), que tem a capacidade para 54 litros de gasolina, ao valor médio de R$ 3,63
(litro)

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pensamos ser vital criar condições que permitam promover, incentivar e


preservar as relações familiares promovendo o envelhecimento ativo,
reforçando os laços familiares e promovendo a afetividade, através de
momentos de lazer e bem-estar com temas e atividades informativas e
recreativas. As visitas ao idoso são uma forma privilegiada de manter a
interação familiar, reduzindo o impacto da institucionalização e evitando a
sensação de abandono que muitos idosos referem.
Em suma, os aspetos que fundamentam esta atividade prendem-se com
a importância que tem a manutenção do contato entre os idosos
institucionalizados e a sua família, tendo em vista a estabilidade afetiva e
emocional, quer do idoso, quer dos familiares, na busca por qualidade de vida.
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Este tipo de intervenções exige às instituições que não se fechem em si


próprias. Elas precisam desenvolver princípios que sustentem o seu quotidiano,
que consolidem uma mudança de atitudes em relação à pessoa
institucionalizada, através da prática de estratégias inovadoras, críticas e
reflexivas, buscando diminuir o sofrimento e proporcionar maior qualidade de
vida para aqueles que trilham o caminho do envelhecimento apoiados pelas
instituições.

ANEXOS

ANÁLISE DA IMPLICAÇÃO - Rosane


A visita ao Lar São Vicente de Paula mexeu muito comigo, fiquei
imaginando como seria ter a minha mãe institucionalizada (meu pai já faleceu),
fiquei imaginando se alguma daquelas senhoras fosse parecida com mamãe
(que aos 86 anos é ainda ativa, adora passear, ter liberdade de horários e
adora assistir TV até tarde da noite), como será que ela se sentiria tendo que
se encaixar nos horários e regras da instituição, e qual seria o impacto disso
para sua saúde mental e qualidade de vida, enfim, confesso que fiquei alguns
dias refletindo sobre isso, fiquei pensando também sobre o papel da psicóloga
institucional, que nos apresentou um belo trabalho, e comentou sobre a
necessidade de ter mais tempo para o atendimento aos idosos, e me
colocando no lugar dela, imaginei quão difícil seria lidar com os desafios que
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ela enfrenta, refleti também sobre a importância do seu trabalho, tanto do ponto
de vista social, quanto político, econômico e libidinal, e sobre a necessidade de
conscientizar-se que, por mais que o psicólogo interventor se esforce,
provavelmente ele não conseguirá resolver todos os problemas, e certamente
terá que lidar com frustrações.
Sob o ponto de vista do idoso institucionalizado e sua família, acredito
que o meu papel principal com essa intervenção, seria o de mediar e estimular
as relações afetivas, proporcionando momentos de aproximação e convívio
entre o idoso institucionalizado e seus familiares, de forma sistemática e
assistida, com o objetivo de proporcionar uma velhice mais digna para esses
idosos, ajudando-os a enfrentar a última etapa de suas vidas de maneira mais
tranquila e humana, bem como, trabalhar a conscientização de seus familiares
a respeito de suas responsabilidades para com esses idosos.
Questões familiares costumam ser muito complexas, aja visto, que em
alguns casos, possam existir barreiras relacionais desses idosos com seus
familiares que são o resultado das interações que essa família estabeleceu ao
longo de suas vidas, e que talvez não seja possível resgatar essa relação de
forma genuína, mas sim, apenas reduzir o impacto desse sofrimento mútuo.
E sob o ponto de vista institucional, ajudar na conscientização da
importância do reforço dos laços familiares, como fator chave no aumento da
qualidade de vida.
Minha implicação com esse projeto de intervenção foi intensa, participei
ativamente no seu desenvolvimento e planejamento, e talvez pelo fato de
atualmente eu estar atendendo dois grupos de pessoas mais velhas (grupo
terapêutico de preparação para a aposentadoria, e o grupo dos aposentados),
no meu estágio profissionalizante I, acabei me identificando muito com tudo e
confesso que adoraria poder realmente colocar essa intervenção em prática.

ANÁLISE DA IMPLICAÇÃO -Ivan

Diante do trabalho apresentado pela Psicóloga da Instituição, e junto com a


teoria realizada no decorrer do semestre pode-se perceber o quão minucioso e
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importante é esse olhar diante da Instituição nos pequenos detalhes que ela
tem. A demanda que vem o que pode ser feito por todos aqueles que ali estão,
e o que pode ser melhorado.

Em meu ver, aos sentimentos que vieram ser despertados foram questões
como por aqueles que ali estão naquele local, seria os idosos, de fato, penso
sempre nesses cuidados ao outro principalmente no estágio de suas vidas que
se encontram. Ao remeter esse olhar a eles venho pensar enquanto
institucionalista seria o trabalho com eles como: sentimentos despertariam
neles ao mexer com questões como os filhos que ali os deixaram, será que
eles queriam mesmo estar ali, mesmo que, pode ser o melhor e que faça de
tudo para que esse lar venha ser a nova casa em fazer uma nova história um
novo começo.

Por esses referidos acima seria um local de rico estágio onde pode se trabalhar
com estes idosos, poder fazer essa escuta local a eles, percebi nesse
momento um olhar diferenciado por eles, onde precisam, e algo que pode
impactar á mim, foi no momento final da visita em que uma senhora escuta a
voz da Psicóloga e chama por ela, acredito que seria cega, pois queria ser
conduzida até o quarto, diante disso, o sentimento remetido foi de uma palavra
a eles como amparo de poder fazer essa intervenção com eles seja em grupos
pequenos e focais como individual.

Segundo Barbier (1985)[1] Entendemos implicação como o "[...] engajamento pessoal e


coletivo do pesquisador em e por sua práxis científica, em função de sua história familiar e
libidinal, de suas posições passadas e atual nas relações de produção e de classe, e de seu
projeto sócio-político em ato, de tal modo que o investimento que processo de auto-análise. O
dispositivo deve ser um “agitador”, deve provocar a organização para que novos analisadores
possam emergir.

ANÁLISE DA IMPLICAÇÃO - Caroline

As reflexões sobre a minha implicação nesta intervenção deu-se inicio no


momento da visita ao Lar São Vicente de Paula. Ao chegar no local já fiquei me
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indagando como seria para mim trabalhar no local. Enquanto a colega


psicóloga do lar explicava sua atuação dentro da instituição , muitas vezes me
deparei observando a equipe, o local mas, principalmente os idosos que ali
estavam.

Me senti bem no local e tive o desejo de “ Olhar mais de perto” para os


idosos do local. Considero o trabalho da psicóloga institucional com os
funcionários e com a equipe diretiva primordial para o bom funcionamento da
instituição e por conseguinte, o benefício dos idosos que lá estão.

Sinto que minha implicação no trabalho começou desde o momento da visita


onde me suscitou interesse em pensar algo para o local. Despertou -me o
desejo de fazer a escuta dos idosos. Considero ter trabalhado com o meu
grupo participando do planejamento , elaboração e execução deste trabalho
permitindo assim, um maior aprendizado.

ANÁLISE DA IMPLICAÇÃO - Simone

Diante do trabalho apresentado pela Psicóloga da Instituição, pode-se perceber


o lugar que o Psicólogo ocupa na Instituição, tanto na qualidade de agentes ou
de clientela, como atores em cena, é a nossa ação que faz a instituição, que a
reproduz e legitima. Nós a fazemos, e mesmo que à revelia de nossa
consciência, reconhecemos como natural e legítimo esse fazer.

Observou-se que, toda a instituição em sua particularidade possuiu objetivos, e


cabe ao profissional psicólogo ter ciência de tais objetivos e das motivações de
tal instituição e concomitantemente, do seu trabalho acerca da realidade
institucional, sendo o ideal, que possamos como psicólogo Institucional
também ter objetivos, muito claro, pois são estes que o direcionam em seu agir.
Desse modo, a missão do psicólogo institucional caracteriza-se por fazer com
que a instituição sirva de meio de enriquecimento e desenvolvimento da
personalidade de seus integrantes.
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Os estudos realizados durante a disciplina de Psicologia Institucional, e seus


referenciais teóricos, proporcionou-me uma grande vontade de pôr em prática o
que foi ensinado, de tal forma que, grande parte do mistério da atuação nesse
campo se desfez, e o desejo concretizou. Os sentimentos despertados ao
perceber este ciclo de vida, inicialmente, foram de rupturas, solidão, e uma
perda dos laços com o passado, onde existe uma separação, da sua casa,
família, vizinhos, e seus objetos pessoais que o acompanharam ao longo da
vida. E neste novo Lar, tudo é compartilhado, tudo se dá em grupo, as
questões individuais não são prioridade, e na maior parte das vezes toda a vida
se dá de forma coletiva, em grandes refeitórios, nas salas e pátios, até mesmo
os quartos e os banheiros são coletivos.

Pensei na qualidade de Vida, onde nela, pode sofrer uma redução em sua
totalidade concomitante com o avanço da idade, desta forma a tão sonhada
longevidade pode ser uma experiência ambígua, uma vez que pode afetar
negativamente as dimensões físicas, psíquicas e sociais. E pensamentos
desabrocharam, em poder pertencer por alguns momentos a esta população
institucionalizada, podendo como profissional, ter uma postura que permitisse
intervir nesse local, com uma escuta particular da existência de cada um, ouvir
o que eles têm a dizer, colocando-nos a seu lado, afirmando o significado
daquilo que cada sujeito traria.

Mantive um olhar “vindo de fora”, um olhar de sociedade submetida a uma


aceleração total, a excessos de estímulos e profusão de imagens, que me
tornou cega para os movimentos mais sutis deste ciclo de vida. Apreender essa
realidade necessitou uma abertura às minhas fraquezas, para que junto a esse
modo de viver, me deslocasse, procurando acompanhar um pouco de seus
movimentos.

Constitui um olhar singular e subjetivo ,onde também compreendi, a psicologia


institucional, em um triângulo relacional que envolve o idoso, a família e a
instituição de acolhimento, os idosos padronizados pela sociedade como senis
e dependentes, apesar de alguns atingirem esta fase de vida em situação de
elevada funcionalidade; a família contemporânea, que ao enfrentar um
conjunto de desafios entre os quais se destacam o aumento dos divórcios, das
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famílias monoparentais e das reconstruídas, distanciando-se das ligações


familiares, acaba por se demitir das suas funções remetendo-as para a esfera
social e por fim, o vértice ocupado pelas instituições que, em situações
adversas, garante a proteção dos grupos mais vulneráveis indo ao encontro
das suas expectativas.

Diante de toda esta complexidade, considero importante implementar novas


estratégias que fomentem a proximidade entre as famílias e os idosos
institucionalizados, com vistas à promoção das suas relações de unificação,
construindo uma junção entre o pensar e o agir, de modo que, a
institucionalização não signifique “abandono” e muito menos a sua
“desintegração familiar”, onde, a instituição não é substituta da família, mas
pode ser vista, como, como a ampliação da mesma.

que a instituição não substitui a família, mas que,em muitos casos, pode ser
vista como a ampliação da família, com laços e vínculos igualmente
significativos. O maior vínculo do idoso deve ser porém com sua família.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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<http://site.cfp.org.br/servicos/tabela-de-honorarios/>. Acesso em 06 Jun. 2016

ESTATUTO DO IDOSO. Disponível em: <file:///C:/Documents%20and%20Settings/User/Meus


%20documentos/Downloads/estatuto_idoso_5ed%20(1).pdf>. Acesso em 06 Jun. 2016

GASKELL, G. Entrevistas individuais e grupais. In: GASKELL, G.; BAUER, M. W.


(Org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes,
2002. p. 64-89.

GRUPOS FOCAIS: conceitos, procedimentos e reflexões baseadas em experiências com o


uso da técnica em pesquisas de saúde. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0103-73312009000300013>. Acesso em 10 Jun. 2016

MORGAN, D. L. Focus group as qualitative research. London: Sage, 1997.

PESQUISA DO JORNAL NH: PREÇO MÉDIO DA GASOLINA EM Novo Hamburgo é R$ 3,63.


Disponível em: <http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2016/05/noticias/regiao/331624-novo-
hamburgo-tem-a-gasolina-mais-barata-do-estado.html>. Acesso em 10 Jun. 2016

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<http://anaufms.jusbrasil.com.br/artigos/186614542/pais-idosos-responsabilidade-familiar>.
Acesso em 06 Jun 2016

TANQUE DE COMBUSTÍVEL: QUANTOS LITROS CABEM NOS MODELOS NACIONAIS?


Disponível em: <http://www.noticiasautomotivas.com.br/tanque-de-combustivel-quantos-litros-
cabem-nos-modelos-nacionais/>. Acesso em: 10 Jun.2016

TELECO: Inteligência em Comunicação. Disponível em:


<http://www.teleco.com.br/tarifafixo.asp>. Acesso em 06 Jun. 2016