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A Igreja
de Cristo
CO M E N TÁ R I O S A D I C I O N A I S
Ef 1:22. “Jesus Cristo é o Senhor sobre todas as coisas, mas, em parti-

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cular, esta é a Sua relação com a Igreja, porque o Pai O deu à igreja, para

Definir é preciso
ser o Cabeça sobre todas as coisas. (...) Aqui, o pensamento é primeiro
de Sua presidência sobre a Igreja (5:23 e Cl 1:18) (...). A Igreja tem auto-
ridade e poder para superar toda oposição porque seu Líder e Cabeça
é Senhor de tudo. Jesus mesmo possuía autoridade porque estava sob
a autoridade do Pai; estava fazendo a Sua vontade e tinha, portanto,
3 OUT 2009
toda a autoridade de Deus (Mt 8:9; 11:27; Jo 17:2)”. (FOULKES, F. Efésios:
introdução e comentário. 2 ed. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão,
Definição. “A igreja é a comunidade de todos os cristãos de todos Série Cultura Bíblica, 1986, p. 56).
os tempos. Essa definição compreende que a igreja é feita de todos os
verdadeiros salvos (...) O próprio Jesus edifica a igreja chamando o seu Ef 1:23. “... o propósito de Deus é de que a Igreja venha a ser a expres-
povo para si mesmo. Ele prometeu: ‘Edificarei a minha igreja’ (Mt 16.18). são plena de Jesus Cristo, que traz plenitude a todas as coisas que existem.
(...) Mas esse processo pelo qual Cristo edifica a igreja é apenas uma Colossenses 2:10 prossegue dizendo “nEle estais aperfeiçoados”. Neste
continuação do modelo estabelecido por Deus no Antigo Testamento, sentido, os cristãos devem ser “tomados de toda a plenitude de Deus (...),
por meio do qual ele chamou a povo para si mesmo para ser uma as- isto é, receber a plenitude dos atributos e dons de Deus que é possível aos
sembléia em adoração diante dele”. (GRUDEM, W. Teologia Sistemática. homens receber”. (FOULKES, F. Efésios: introdução e comentário. 2 ed. São
São Paulo: Vida Nova, 1999, p.715). Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, Série Cultura Bíblica, 1986, p. 57).

A igreja é invisível, ainda que visível. “Em sua realidade verdadei- Ef 1:22-23. A expressão “tudo” ou “todas as coisas” não deve limitar-
ramente espiritual como a comunidade de todos os cristãos genuínos, se a “todas as coisas na igreja” (...). Portanto, nada pode frustrar a “es-
a igreja é invisível. Isso se dá porque não podemos ver a condição es- perança” dos crentes. Nada permitirá a obstrução das vias que levam
piritual do coração de ninguém. (...) Foi por isso que Paulo afirmou: ‘O à aquisição e ao pleno desfruto daquela gloriosa “herança” da qual
Senhor conhece os que lhe pertencem’ (2Tm 2.19). (...) Por outro lado, a desfrutam por antecipação aqui e agora. (...) já que a igreja é o corpo
verdadeira igreja de Cristo certamente tinha também um aspecto visível. de Cristo, com a qual ele está organicamente unido, seu amor por ela
Podemos usar a seguinte definição: A igreja visível é a igreja como os é tão imenso que ele faz uso de seu poder infinito para que o universo
cristãos a vêem na terra”. (GRUDEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: inteiro, com tudo que nele existe, coopere em benefício dela, seja ou
Vida Nova, 1999, pp. 716-7). não de bom grado. (HENDRIKSEN, W. Comentário do Novo Testamento:
Efésios e Filipenses. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2005, pp. 122-3).
O uso do vocábulo ekklesia. “... no Novo testamento a palavra
ekklesia é empregada no sentido muitas vezes mais que em outros Ef 1:15-23. À medida que nos rendermos à força do poder de Deus,
sentidos. Refere-se a um grupo autônomo unido em Cristo, unido ele nos levantará do túmulo do egoísmo e fará com que nos assentemos
tanto física como espiritualmente, ou seja, uma comunidade local com Cristo nos lugares da vida e poder espirituais. (...) Isso é um salmo de
(...). Ao mesmo tempo, em algumas passagens do Novo Testamento ascensão (romagem). Nós até podemos visualizar suas pegadas, cada vez
emprega-se o termo igreja para designar, os crentes em regiões geo- mais altas, enquanto todos os poderes do mal que dominam as trevas
gráficas (...). Entende-se que, quando ekklesia aparece no sentido me- ficam abaixo dele. O Senhor está subindo e acha-se bem acima de todos.
tafórico (...), trata-se da unidade espiritual da igreja”. (MULHOLLAND, (MEYER, F. B. Comentário Bíblico: Antigo e Novo Testamentos. 2 ed. Belo
D. Teologia da Igreja: uma igreja segundo os propósitos de Deus. São Horizonte: Betânia, 2002, pp. 207-8).
Paulo: Shedd Publicações, 2004, pp. 24-5).

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Unidade da cabeça aos membros. “A unidade é essencial para a igre-

2 Imagens ja cumprir a missão de sua cabeça. Um corpo rompido, dividido, não tem
poder. Mas o corpo de Cristo unificado possui tudo o que for necessário

que ensinam para fazer todas as coisas que Deus quer que ele faça (...). A cabeça é
o unificador da igreja. Atrai Seu povo a Si mesmo e à unidade de uns
com os outros (...). Formação, cultura, instrução, interesses e objetivos
humanos não conseguem unir todos os que fazem parte de uma igreja.
10 OUT 2009
O único que pode unir pessoas tão diversas é Jesus”. (DARREL, Robson W.
Vida total da igreja: uma estratégia para o século 21 inspirada no modelo
I Co 3:8. “Paulo e Apolo jamais pensaram em rivalidade, mas, na qualidade de igreja do primeiro século. Rio de Janeiro: Juerp, 2001, pp. 61-62).
de servos de Cristo, serviram à igreja de Corinto para a glória de Deus. Por
essa razão, Paulo pode dizer que ambos eram um só. (...) Na segunda metade A diversidade no corpo. “É natural pensar que unidade requer a anula-
desse versículo, Paulo observa que a individualidade é um fator que Deus ção da diversidade. Mas não é bem assim. Emil Brunner disse corretamente
também leva em conta (...). Nos versículos subseqüentes, Paulo não restringe que ‘uma comunidade só pode existir onde existe diversidade. Sem diver-
as aplicações das palavras cada um, de forma que é possível dizer que ela sidade pode haver unidade mas não comunidade, pois esta requer recipro-
se refere a cada obreiro do reino de Deus”. (KISTEMAKER, S. Comentário do cidade’ (...). Nenhum dom se manifesta em todos os membros da igreja.
Novo Testamento: 1 Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 156). Uma orquestra não se forma com apenas um músico ou com apenas um
instrumento, mas com diversos instrumentos tocados em harmonia por di-
I Co 3:9. “O termo cooperadores denota a relação entre Paulo e Apolo ou a versos músicos”. (MULHOLLAND, D. Teologia da Igreja: uma igreja segundo
relação entre esses dois obreiros e Deus? A primeira interpretação resultaria os propósitos de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2004, pp. 11-2).
na tradução ‘cooperadores para Deus’ e a segunda em ‘cooperadores com
Deus’ (...). Gordon D. Fee observa que a posição enfática da forma de Deus, A noiva de Cristo. “Noiva é uma ilustração usada tanto no AT quanto
(...) sugere a idéia possessiva. Ele conclui que ‘o argumento do parágrafo in- no NT para descrever a união e comunhão de Deus com seu povo (2 Co
teiro enfatiza a unidade deles em cooperação sob Deus’. Não obstante, a re- 11.2; Ef 5.25-27; Ap 19.7; 21.2; 22.17). Mas devemos lembrar que se trata
petição por três vezes da palavra Deus no versículo 9 não tira a possibilidade somente de linguagem figurada, não se deve forçar sua interpretação.
de que o primeiro uso seja objetivo (‘para Deus’). Essa possibilidade apóia-se O propósito de um símbolo é apenas iluminar determinado lado da ver-
em dois fatores: a mudança da primeira pessoa do plural nós para a segunda dade, e não prover o fundamento para uma doutrina”. (PEARLMAN, M.
pessoa do plural vocês a torna provável; os versículos anteriores (VS. 7 e 8) Conhecendo as doutrinas bíblicas. 3 ed. São Paulo: Vida, 2009, p. 346).
a tornam plausível, pois Deus é o agente”. (KISTEMAKER, S. Comentário do
Metáforas da igreja. “A ampla gama de metáforas usadas para referir-
Novo Testamento: 1 Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, pp. 156-7).
se à igreja no Novo Testamento deve lembrar-nos de que não devemos
A cabeça tem proeminência. “Não pode haver duas cabeças num concentrar-nos em apenas uma delas. Por exemplo, embora seja verdade
corpo. Há uma só cabeça: Jesus! Isto é senhorio. Jesus é Senhor da igreja, que a igreja é o corpo de Cristo, precisamos lembrar que essa é apenas
realidade esta que se colocada em prática influenciará positivamente em uma das metáforas dentre muitas. Se nos concentrarmos apenas nessa
tudo o que a igreja fizer (...). Os problemas da igreja geralmente come- metáfora, provavelmente nos esqueceremos de que Cristo é o nosso Se-
çam quando alguma personalidade humana passa a se elevar a si própria nhor que reina nos céus bem como aquele que habita entre nós. (GRU-
para competir em autoridade com Jesus. Quando isso acontece, a comu- DEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, 719).
nhão na igreja começa a se desintegrar”. (DARREL, Robson W. Vida total
da igreja: uma estratégia para o século 21 inspirada no modelo de igreja
do primeiro século. Rio de Janeiro: Juerp, 2001, p. 56).

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Uma marca da igreja verdadeira. “A igreja é uma, e sua unidade pro-

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cede do fundamento no único Deus (cf. Ef 4:1-16). Todos os que a ela

Vivam unidos pertencem formam um só povo; portanto, a igreja verdadeira será distin-
guida por sua unidade. Em João 17:20-23, Jesus orou para que seu povo
permanecesse unido. E a unidade pela qual ele ora é uma unidade de
amor; na verdade, trata-se da participação deles na unidade de amor que
existe eternamente entre o Pai e o Filho.” (FERREIRA, Franklin & MYATT,
17 OUT 2009
Alan. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007, p.966).

A doutrina da unidade da igreja. “De ajuda na compreensão da na- A essência do cristianismo (Jo 17:21,23). “É uma unidade visível, uma
tureza da igreja é uma doutrina claramente ensinada no Novo Testamen- singularidade, que revela a pura essência do evangelho cristão (...) a uni-
to, a unidade da igreja. O ideal de unidade é salientado na oração sacer- dade no Corpo de Cristo, de forma miraculosa, nos revela que Cristo é
dotal de Jesus (Jo 17:20-23), bem como em Efésios 4:1-16, na dissertação mesmo Deus. Daí a razão da estratégia de Satanás, através da história da
de Paulo sobre a Igreja. Isso também se reflete numa referência à igreja Igreja, se concentrar no afã de destruir a unidade do Corpo de Cristo, o
local de Jerusalém (At 4:32) e num apelo para que os crentes tenham um que, do ponto de vista dele, faz bastante sentido. Se ele destruir a unidade
coração e uma mente (Fp 2:2).” (ERICKSON, Millard J. Introdução à teolo- eliminará o mais poderoso meio para comunicar que Jesus é Deus.” (GETZ,
gia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997, p.439). Gene A. Um Por Todos, Todos por Um. Brasília: Palavra, 2006, p. 47).

Andeis de modo digno (Ef 4:1). “A dignidade da vida cristã só pode Unidade na diversidade (Ef 4:7-11). “Nesta seção, Paulo passa dos ele-
ser determinada pela natureza da chamada divina... Primeiro é só povo mentos comuns a todos os cristãos para diversidade entre os cristãos. Trata
(...). Em segundo lugar, é um povo santo (...). A união e a pureza são dois da diversidade e da individualidade dentro da unidade do Espírito. Deus
aspectos fundamentais de uma vida digna do chamamento divino da concede a cada cristão pelo menos um dom espiritual (I Co 12:1-12), que
igreja. O apóstolo trata da união da igreja nos versículos 1-16, e da pu- deve ser usado para unir e edificar o corpo de Cristo (...). De que maneira
reza igreja de 4:17 até 5:21 (...). É muito importante, então, olhar com o cristão pode descobrir e desenvolver seus dons? Pela comunhão com
novos olhos Efésios 4:1-16, visto que esta é uma das duas passagens outros cristãos na congregação local.” (WIERSBE, Warren W. Comentário Bí-
neotestamentárias clássicas sobre a questão da união cristã (a outra é blico expositivo: NT, vol. II. Santo André, SP: Geográfica, 2006, p. 47-48).
João 17).” (STOTT, John. A mensagem de Efésios: A nova sociedade de
Deus. São Paulo: ABU, 2007, p. 103-4). O amor e verdade na unidade. “Assim, a unidade espiritual não é
algo que criamos. Antes, é algo que já possuímos em Cristo, que deve-
Devemos nos esforçar pela unidade. “Essa unidade não é algo mos proteger e manter. A verdade une, mas as mentiras dividem. O amor
que possa ser criada pelo homem, e sim, que lhe é dada, juntamente une, mas o egoísmo divide. Assim, ‘seguindo a verdade em amor’, prepa-
com a responsabilidade de preservá-la e de resguardá-la em face remos e edifiquemos uns aos outros, para que todos possamos crescer e
das muitas tentativas de dentro e de fora da igreja de destruí-la. A nos tornar mais semelhantes a Cristo.” (WIERSBE, Warren W. Comentário
expressão: esforçando... diligentemente não traduz toda a força do Bíblico expositivo: NT, vol. II. Santo André, SP: Geográfica, 2006, p. 49).
termos grego spoudazontes, pois ela sugere a legítima possibilidade
de falha mas não ressalta que essa unidade requer o empenho ao
máximo de todo zelo e cuidado (I Ts 2:17; 2 Tm 2:15; 2 Pe 1:10, 15;
3:14).” (FOULKES, Francis. Efésios: Introdução e Comentário. São Pau-
lo: Vida Nova, 1986, p. 92).

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Ef 5:25-27. “O plano do noivo é santificá-la e finalmente apresentá-

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la a si mesmo. A santificação parece referir-se ao processo presente de

Sejam mais puros


torná-la santa no caráter e na conduta pelo poder do Espírito que nela
habita, ao passo que a apresentação é escatológica, e ocorrerá quando
Cristo voltar para tomá-la para si mesmo (...). É com esse fim construtivo
que Cristo tem trabalhado e continua trabalhando. A noiva não se torna
apresentável; é o noivo que trabalha para embelezá-la a fim de apresen-
24 OUT 2009
tá-la a si mesmo”. (STOTT, J. A mensagem de Efésios: a nova sociedade de
Deus. 2 ed. São Paulo: ABU, 2007, p. 171).
A igreja perante Deus. “Deus é o Criador e Arquiteto da igreja. Cristo
deu a sua vida por ela, seu corpo. O Espírito Santo foi enviado para lhe Ef 5:26. “Efésios 6.26, dificilmente pode se referir a qualquer coisa
dar poder para cumprir sua missão de testemunhar de Cristo em toda a senão ao batismo. Isto é bastante evidente. Contudo, isto significa
parte da terra (Jo 14.16-17; At 1.8) e chamar pecadores para a comunhão que o rito como tal purifica e santifica? (...) Não é o rito do batismo
nesta nova humanidade que ele está edificando (...). O livro de Apoca- que salva. (...) quando o significado do batismo é explicado, entendi-
lipse descreve a condição de sete igrejas na Ásia perante seus ‘exames do e aplicado pelo prisma da operação do Espírito Santo às mentes
clínicos’. Jesus Cristo, que vive entre as igrejas, examinou-as, uma por e corações daqueles que são batizados – sem dúvida que isso ocorre
uma. O Espírito Santo transmitiu pelo apóstolo João cartas às igrejas, ao longo de toda a vida –, o propósito da morte de Cristo é consu-
dando-lhes os resultados das análises feitas pela Cabeça do corpo (Ap mado e os crentes são santificados e purificados”. (HENDRIKSEN, W.
2-3)”. (MULHOLLAND, D. Teologia da Igreja: uma igreja segundo os propó- Comentário do Novo Testamento: Efésios e Filipenses. 2 ed. São Paulo:
sitos de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2004, pp. 11-2). Cultura Cristã, 2005, pp. 298-9).

A igreja nas opiniões humanas. “Muitas pessoas (...) procuram solu- Ef 5:27. “O ponto enfatizado é, sem dúvida, que ela, a igreja, nada
ções para suas frustrações e ambições pessoais e para os problemas que pode fazer movida por sua própria força. Ela deve toda a sua beleza a
abalam as nações. Elas deveriam buscar uma igreja para lhes dar uma ele só, o esposo. É por esta única razão que, quando ela se manifestar
palavra vinda de Deus, mas consideram que as igrejas nada têm a ofe- em sua plenitude, será vista tão resplendente em pureza que poderá
recer à sociedade pós-cristã (...). As pessoas não encontram nas igrejas corresponder à descrição aqui apresentada, ou seja: não tendo mancha
uma alternativa para a sociedade, mas sim o conformismo. Decepcio- nem ruga ou qualquer coisa semelhante, porém que fosse santa e
nadas, concluem que as igrejas são inúteis no mundo do utilitarismo”. imaculada”. (HENDRIKSEN, W. Comentário do Novo Testamento: Efésios
(MULHOLLAND, D. Teologia da Igreja: uma igreja segundo os propósitos e Filipenses. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 301).
de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2004, pp. 12-3).
Ef 5:26-27. “Inúmeras vezes o Novo Testamento refere-se à santifica-
Ef 5:22-27. “Nossos relacionamentos terrenos são figuras e símbolos das re- ção como um ato realizado no passado, tal como a justificação ou o per-
alidades sagradas, e quanto mais introduzirmos na esfera do tempo a inspira- dão (1 Co 1:2; 6:11; 2 Tm 2:21; Hb 10:29). As duas palavras emprebadas
ção e a virtude das realidades eternas, mais transcendentais e belas as terrenas aqui descrevem dois aspectos da mesma experiência; a obra de Cristo
se tornam. O Senhor nos ensinou que o amor se caracteriza por uma renún- é ‘purificar do velho, e consagrar o novo’, e ‘no tempo os dois aspectos
cia total. Os homens do mundo sempre querem saber quanto amor podem são coincidentes’ (Robson). (...) São descritas duas maneiras de tornar
conseguir; os filhos da eternidade, quanto podem dar; mas essa forma de dar possível a purificação. É por meio da lavagem de água e pela palavra”.
implica em receber de volta com juros capitalizados”. (MEYER, F. B. Comentário (FOULKES, F. Efésios: introdução e comentário. 2 ed. Vida Nova e Mundo
bíblico: Antigo e Novo Testamentos. 2 ed. Belo Horizonte: Betânia, 2002, p. 211). Cristão: São Paulo, 1986, p. 130).

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para confortar, ensinar, discipular? O que fiz hoje para testemunhar a al-

5 A nossa guém de fora da família da fé? Isso também vai influenciar e regular nossas
atividades. Você pode perguntar: essa atividade glorificará a Deus? Isso vai

maior missão fazer um irmão crescer? Vai fazê-lo tropeçar? Isso vai ser um bom testemu-
nho para os descrentes?” (ALLEN, R. & BORROR, G. Teologia da adoração: o
verdadeiro sentido da adoração. São Paulo: Vida Nova, 2002, p. 59).

31 OUT 2009
Equilíbrio coletivo. “Quando os cristãos se reúnem, os encontros de-
vem ser planejados para tratar de todos os aspectos do ministério. Com
Adorar significa servir. “O culto implica também em serviço (la- certeza, cada reunião deve ter sua direção e ênfase específica, mas cada
treia), termo também usado por Jesus para responder ao diabo (Mt uma também deve incluir elementos que dirijam atenção a Deus, ao cor-
4.10). (...) O significado central deste termo surge de latron (‘ordenado’, po e ao mundo descrente (...). A mensagem pregada não deve ser apenas
no grego secular foi usado para indicar um trabalho pago e, mais tarde, sobre Deus, seus atributos e sua relação com os homens, ela própria
um trabalho não pago). Mantém a idéia de servir. Tanto no AT como no deve também ser um ato de adoração. O sermão deve ser preparado
NT a relação entre o homem e Deus não deixa de ser a de servir como e apresentado não apenas com retórica artística, mas com integridade
escravo.” (SHEDD, R. A adoração Bíblica: os fundamentos da verdadeira teológica.” (ALLEN, R. & BORROR, G. Teologia da adoração: o verdadeiro
adoração. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 21). sentido da adoração. São Paulo: Vida Nova, 2002, p. 60).

O culto verdadeiro requer amor de todo o coração. “Para o hebreu, A substituição do templo. “Os Evangelhos dão várias demonstrações
o coração (...), no sentido metafórico, representava o centro da vida inte- de como Jesus substitui o templo de Jerusalém no plano e propósito de
lectual e espiritual. Associado de perto com a alma (...), o leitor original Deus (...). Como filho encarnado de Deus, Jesus representa a presença e
de Deuteronômio teria pensado em seus sentimentos, suas avaliações, autoridade real de Deus mais plenamente do que o templo (...). No final
sua vontade, todos emanando do coração (...). Em seu coração o homem dos evangelhos, o Jesus ressuscitado mostra que continuaria a trazer mui-
é responsável diante de Deus, por todos os seus atos e palavras. Somente tas pessoas para um relacionamento com ele por meio do testemu¬nho
um coração inclinado para Deus é capaz de adorá-lo, agradá-lo e amá- e ensino dos discípulos, tornando-se assim o centro da salvação e bênção
lo.” (SHEDD, R. A adoração Bíblica: os fundamentos da verdadeira adora- para as nações (Mt 28.18-20; Lc 24.46-49; cf. Jo 12.20-33).” (Novo dicionário
ção. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 28). de teologia bíblica \ editores: T. Desmond Alexander, Brian S. Rosner; edito-
res consultores: D. A. Carson, Graeme Goldsworthy; editor e organizador;
O culto pessoal. “Como cristãos, temos o altíssimo privilégio de Steve Carter; tradução: William Lane. São Paulo: Vida, 2009, p. 555).
nos relacionar com o Senhor, seja no quarto (Mt 6.6), no lar, na rua ou
onde quer que estejamos. Ouvimos a voz do Senhor através da Bíblia, Adoração “em espírito e em verdade”. “Adoração ‘em espírito e em ver-
na qual vemos seu caráter e obras e confessamos a nossa pecaminosi- dade’ (4.23) envolve o reconhecimento de Jesus como a verdade (14.6). É ele
dade e pecados. Purificados mediante a palavra (Ef 5.26-27; Jo 17.18), quem revela de modo singular o Pai e seus propósitos (8.45; 18.37). Também
o louvamos.” (MULHOLLAND, D. Teologia da Igreja: uma igreja segundo significa receber dele o Espírito que está à disposição de todos que creem
os propósitos de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2004, p. 156). nele (7.37-39). Jesus não era o objeto de adoração em João 4, mas o meio
para uma adoração que honrasse a Deus sob a nova aliança.” (Novo dicioná-
Equilíbrio pessoal. “Individualmente, os cristãos podem basear toda a rio de teologia bíblica \ editores: T. Desmond Alexander, Brian S. Rosner; edi-
vida e suas atividades nestas questões: O que fiz hoje para adorar a Deus tores consultores: D. A. Carson, Graeme Goldsworthy; editor e organizador;
em temor e admiração? O que fiz hoje para ajudar um irmão em Cristo, Steve Carter; tradução: William Lane. São Paulo: Vida, 2009, p. 555).

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mandamentos de Cristo como delineados no NT. A essência do discipu-

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lado é tornar-se como o Mestre, e isso é conseguido por ensinamento

Além de adorar sistemático da Palavra e submissão à mesma. Em seguida, o Salvador


acrescentou a promessa de sua presença com os discípulos até a consu-
mação do século (...). Em todo serviço e viagens, eles conheciam a pre-
sença do Filho de Deus”. (MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular
– Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 105).
7 NOV 2009

A edificação. “... a Bíblia prescreve os cuidados para que os novos cren-


O comissionamento dos apóstolos. “Aqui estava a consumação da tes cresçam e, juntamente com o corpo de Cristo, cheguem “à maturida-
primeira tarefa dos apóstolos. A comissão foi dada aos Onze como re- de, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Ef 4.13) (...). O ensino das
presentantes da Igreja que viria a se formar. Isso não é uma ordem a cada Escrituras é central na educação cristã. “Estudar a Bíblia” é um ato incom-
indivíduo (mais pessoas são chamadas a permanecer em casa do que para pleto se não chegarmos ao verdadeiro alvo de conhecer e louvar ao Se-
ir), mas à Igreja como um todo. Pode haver boas razões para que este ou nhor, fazer sua vontade (Tg 1.22) e ser semelhante a ele”. (MULHOLLAND,
aquele indivíduo não vá, mas nunca há boas razões para que a Igreja deixe D. Teologia da Igreja: uma igreja segundo os propósitos de Deus. São Paulo:
de ir e alcançar os perdidos”. (BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Shedd Publicações, 2004, pp. 161-2)
Novo Testamento. São Paulo: Vida, 2009, pp. 1600-1).
Igrejas que cultivam fortes relacionamentos entre os membros.
O dever dos apóstolos. “Eles devem ensinar os mandamentos de Cris- “Igrejas que prevalecem cuidam, zelam por seus membros, mas estão ao
to, não as suas próprias invenções, mas aquilo que foi instituído por Cristo. mesmo tempo voltadas para os de fora (...). Acredito firmemente que igre-
Eles devem aderir religiosamente aos mandamentos, e os cristãos devem jas que se tornam amáveis e acolhedoras, independentemente do porte
ser instruídos no conhecimento deles. Um ministério firme é aqui esta- ou classe social, adquiriram esse perfil porque resolveram investir forte-
belecido na igreja, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos mente em relacionamentos, usando especialmente a celebração e os pe-
cheguemos à condição de varão perfeito (Ef 4.11-13). Os herdeiros do céu quenos grupos. Essas igrejas vão crescer muito neste tempo em que vive-
devem estar sob os cuidados de tutores e governadores, até que cheguem mos.” (PAES, C. Igrejas que prevalecem: 24 princípios para um crescimento
à maioridade.” (HENRY, M. Comentário Bíblico Novo Testamento: Mateus a saudável e equilibrado. São Paulo: Vida, 2003, p. 128).
João. Edição completa. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 401).
Comunhão. “Se somos o Corpo vivo de Cristo agindo na Terra, precisa-
Mt 28:19-20. “... aqui ele é reconhecido como Rei da Terra, porque to- mos vivenciar a dinâmica da unidade desse corpo. Precisamos sentir-nos
mou o caminho mais difícil da obediência até à morte. A gloriosa incum- um e, ao mesmo tempo, agir sinergicamente como um (...). Agir para que
bência entregue à Igreja tem caráter universal. Ela reúne os ministérios do a unidade no Espírito seja experimentada no contexto da comunidade vi-
arauto e do pastor, e garante a cada humilde discípulo que jamais haverá sível dos salvos, a igreja local, é um propósito permanente da igreja que
um dia em que o Senhor não esteja perto, embora ele possa até ser tem- permite que ela faça diferença na comunidade em que está inserida.” (PI-
pestuoso”. (MEYER, F. B. Comentário Bíblico: Antigo e Novo Testamentos. 2 RAGINE JR., Paschoal. Crescimento integral da igreja: uma visão prática de
ed. Belo Horizonte: Betânia, 2002, pp. 43). crescimento em múltiplsa dimensões. São Paulo: Vida, 2006, pp. 92-3).

“Ensine-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.


A comissão vai além de evangelismo; fazer prosélitos e deixá-los cuidar
de si mesmos não é o bastante. Eles devem ser ensinados a obedecer aos

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... não é contra pessoas ... (Ef 6:12). “Essa guerra não é contra os

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filósofos ateus, sacerdotes mentirosos, praticantes de cultos que negam

Somos fortes
a Cristo ou governantes desleais. A batalha é contra forças demoníacas
(...). Mesmo sendo verdade que não pode habitar num crente verdadei-
ro, eles podem oprimi-lo e molestá-lo. O crente não deve se preocupar
continuamente com o demonismo, tão pouco deve viver com medo dos
demônios. Na armadura de Deus ele tem tudo que precisa para suportar
14 NOV 2009
os seus ataques”. (MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular –
Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 651).
... as armas da nossa guerra ... (II Co 10:4a). “... embora os apóstolos
vivessem em um corpo de carne, não travavam batalhas cristãs segundo ... as ciladas do diabo (Ef 6:11b). “As forças em ordem de batalha contra
os métodos e motivações carnais. (...) As armas da [...] milícia cristã não nós têm três características principais. Em primeiro lugar, são poderosas (...).
são carnais. Os cristãos não usam, por exemplo, espadas, revólveres ou Em segundo lugar, são malignos (...). Em terceiro lugar, são astutos. Paulo es-
estratégias militares modernas para levar o evangelho por todo o mundo. creve aqui das ciladas do diabo (...). É um lobo perigoso, mas também entra no
Mas o apóstolo não se refere apenas a essas armas carnais. Os cristãos rebanho de Cristo disfarçado de ovelha. Por vezes ruge como leão, mas muito
também não usam riquezas, glória, poder, influência ou esperteza, para freqüentemente é sutil como a serpente (...). Apenas o poder de Deus pode
alcançar seus alvos”. (MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular defender-nos e livrar-nos da força, da maldade e da astúcia do diabo”. (STOTT,
– Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 569). John R. W. A mensagem de Efésios. 2 ed. São Paulo: ABU, 2007, pp. 201-203).

...fortalecei-vos no Senhor... (Ef 6:10). “Nós lutamos contra a oposição Destruímos todo o raciocínio... (II Co 10:5a). “A palavra grega logismos
dos poderes das trevas e contra muitos inimigos que querem nos manter significa raciocínio, reflexão, pensamento. A batalha é travada no campo
afastados de Deus e do céu. Temos inimigos que devemos combater; um das idéias. Essa guerra não é travada contra pessoas em si, mas contra pa-
capitão por quem pelejar; uma bandeira para defender e certas regras de drões de pensamentos, filosofias, teorias, visões e táticas. O diabo cega
guerra a seguir (...). Força espiritual e coragem são muito necessárias na nos- o entendimento dos incrédulos (4.4). Ele distorce a verdade, dissemina o
sa guerra espiritual. Sejam fortes no Senhor, na sua causa e por amor do seu erro e espalha a mentira. As nossas armas desmantelam estes sofismas,
nome. Não temos força suficiente em nós mesmos. Nossa coragem natural desnudam estes artifícios e aniquilam esses raciocínios falazes”. (LOPES,
não passa de covardia, e nossa força natural, de completa fraqueza. Mas Hernandes Dias. 2 Coríntios: o triunfo de um homem de Deus diante das
toda a nossa suficiência vem de Deus”. (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 227).
– Novo Testamento, Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 604).
...permanecei firmes... (Ef 6:14). “Esta quádrupla ênfase dada à neces-
... para destruir fortalezas (II Co 10:4b). “A palavra grega ochuroma, en- sidade de ‘ficar firme’ ou ‘resistir’ demonstra que o apóstolo se preocupa
contra-se apenas aqui em todo o Novo Testamento. “Fortaleza” nos papiros ti- com a estabilidade cristã. Cristãos instáveis que não têm os pés firmes
nha o significado de prisão. Essas fortalezas são muralhas que resistem, portas em Cristo são uma presa fácil do diabo (...). Para tal estabilidade, tanto de
que se fecham, e paredes que aprisionam (...). O inimigo tem suas fortalezas. caráter como na crise, a armadura de Deus é essencial. A expressão toda
Essas fortalezas parecem inexpugnáveis. Mas as armas que nós usamos podem armadura de Deus traduz a palavra grega panoplia, que é ‘a armadura
detonar essas muralhas, fazer ruir essas resistências. O evangelho é a dinamite completa de um soldado pesadamente armado’ (AG) embora ‘os aspecto
de Deus que quebra pedreiras graníticas, arrebenta rochas sedimentadas e divino, mas do que caráter completo do equipamento, é que é enfatiza-
demole toda oposição”. (LOPES, Hernandes Dias. 2 Coríntios: o triunfo de um do’. A lição é que este equipamento é feito e fornecido por Deus”. (STOTT,
homem de Deus diante das dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 227). John R. W. A mensagem de Efésios. 2 ed., São Paulo: ABU, 2007, p. 211).

14 | Lições Bíblicas – 4º Trimestre de 2009 Comentários Adicionais | 15


A centralidade da Ceia do Senhor. “A Ceia do Senhor está centrali-

8 Ordens zada na morte expiatória de Cristo e no Seu sacrifício vicário. A cruz de


Cristo e não o egoísmo humano está no centro dessa celebração. O san-

são ordens gue de Cristo é o selo da nova aliança. Por meio dele Deus perdoa e nos
salva da ira vindoura (...). Não podemos assentar à mesa sem olhar para
o sacrifício de Cristo.” (LOPES, Hernandes Dias. 1 Coríntios: Como resolver
conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 214).
21 NOV 2009

O que se espera dos participantes? “... têm que ser pecadores arre-
Ordens são ordens. “As ordenanças da igreja local são ritos externos ou pendidos, prontos a admitir que, por si mesmo, estão perdidos. Devem
observâncias simbólicas ordenados por Jesus que estabelecem verdades ter uma fé viva em Jesus Cristo, de modo que, para a sua redenção, con-
cristãs essenciais. O termo ‘ordenança’ vem do latim ordo, que significa fiam no sangue expiatório do Salvador. Além disso, devem ter correta
‘fila’ ou ‘ordem’, ou, por extensão, ‘algo imposto e tornado obrigatório pela compreensão da Ceia do Senhor, devem fazer correta avaliação dela,
autoridade apropriada’ (...). Na sua ultima Páscoa, Jesus instituiu a orde- devem discernir entre ela e as refeições comuns, e devem fixar o fato
nança de comer o pão e tomar o suco da videira em memória de sua mor- de que o pão e vinho são lembrança do corpo e do sangue de Cristo. E,
te expiatória.” (DUFFIELD, P. & CLEAVE, Nathaniel M. Van. Fundamentos da finalmente, devem ter um santo desejo de crescimento espiritual e de
Teologia Pentecostal. Vol 2. São Paulo: Quadrangular, 1991, p. 244 e 246). cada vez maior conformidade com a imagem de Cristo.” (BERKHOF, Louis.
Teologia sistemática. 3 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 605).
Ele lavou os pés dos discípulos. “Lavar os pés era uma tarefa
delegada tipicamente ao mais baixo escravo. Normalmente, num ce- Bebendo e comendo indignamente. “Há necessidade de uma ex-
náculo alugado como esse, um criado estaria à disposição para lavar plicação sobre a advertência contra ‘comer... ou beber... indignamente’
os pés dos convidados quando eles entravam... (cf. Lc 7:44). Lavar (I Co 11:27-29). Muitos crentes por não entenderem bem essas adver-
os pés era necessário por causa do pó, da lama e outras sujeiras tências, abstiveram-se desnecessariamente da ceia do Senhor. Deve
encontradas por um pedestre nas estradas sem pavimento dentro e ser notado que ‘indignamente’ é um advérbio que modifica os verbos
ao redor de Jerusalém. Mas evidentemente não havia nenhum servo ‘comer’ e ‘beber’, e está ligado à maneira de participar e não à indig-
para executar a tarefa quando Jesus e os discípulos chegaram ao ce- nidade das pessoas. A advertência referia-se à atitude ávida e descon-
náculo; então, em vez de se apresentarem para executar uma tarefa trolada dos coríntios, descritas em I Coríntios 11:20-22.” (DUFFIELD, P.
tão humilhante um para outro, os discípulos tinham simplesmente & CLEAVE, Nathaniel M. Van. Fundamentos da Teologia Pentecostal.
deixado os seus pés sem lavar.” (MACARTHUR, John. A morte de Jesus. Vol 2. São Paulo: Quadrangular, 1991, p. 248).
São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 41).
Ceia e vinda do Senhor. “Quando participa da Ceia, você não olha so-
A humildade do Mestre. “Jesus lhes ensinou uma lição inesquecível mente para trás, mas também para frente. Paulo diz: Porque, todas as ve-
sobre a humildade (...). O Pai depositou todas as coisas nas mãos do zes que comeres este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor,
Filho e, no entanto, Jesus pegou uma toalha e uma bacia! Sua humil- até que ele venha (I Co 11:26. A ceia nos aponta para a segunda vinda de
dade não vinha de sua pobreza, mas sim de sua riqueza. Era rico e, no Cristo (...). Há um clima de expectativa em toda celebração da Ceia do Se-
entanto, se fez pobre (II Co 8:9). De acordo com um provérbio malaio: nhor (...). ‘A Ceia do Senhor é o elo entre Suas duas vindas, o monumento
“Quanto mais repleto de grãos é o cacho de arroz, mais ele se curva.” de uma, a garantia de outra’.” (LOPES, Hernandes Dias. 1 Coríntios: Como
(WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico expositivo: Novo Testamento - resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 215).
vol. I. Santo André, SP: Geográfica, 2008, p. 444).

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...Deus, que testa o nosso coração (I Ts 2:4b). “Aqui o verbo (gr.

9 O pastor dokimazõ, é usado primariamente no sentido de ‘examinar’ ou ‘testar’) e


a referência ao coração (...) indica que Deus não se preocupa com a im-

aprovado pressão externa feita pelos homens mas, acima de tudo, com os motivos
interiores que ditam a sua conduta. O verbo aqui está no aspecto contí-
nuo (um particípio presente) que sugere que o escrutínio de Deus não é,
por assim dizer, um vestibular único, de uma vez para sempre, para Seus
28 NOV 2009
servos; e, sim, um processo continuamente operativo daquilo que hoje
em dia poderia ser chamado de ‘controle de qualidade’”. (MARSHALL, I.
Irmãos, vós mesmos sabeis... (I Ts 2:1). “... os cristãos tessaloni- Howard. I e II Tessalonicenses: introdução e comentário. São Paulo: Vida
censes conheciam bem Paulo e seu ministério. Ele não era uma celebri- Nova e Mundo Cristão, 1988, p. 88).
dade remota; nem um executivo indiferente, num terno listrado, que
só se comunicava por meio de memorandos entre os departamentos. ...vos tornastes muito amados (I Ts 2:8). “Tão profunda era a preocu-
Pelo contrário, andava entre eles ao lado deles. É bem provável que pação com aqueles irmãos que preferiu repartir com eles a receber deles.
comesse em sua casa aos domingos e que fizesse amizade com as Sua pregação do evangelho de Deus não era fria e nem mecânica; era um
famílias dessas pessoas. Ele as conhecia intimamente e permitia que derramamento do própria alma, Ele os amava, e o amor não olha para o
se aproximassem dele”. (SWINDOLL, Charles R. Paulo: Um homem de custo. Tal qual seu Mestre, ele não veio para ser servido, mas para servir e
coragem e graça. São Paulo: Mundo Cristão, 2003, p. 254). sacrificar a própria vida (Mc 10:45)” (MACDONALD, William. Comentário Bí-
blico Popular – Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 716).
...apesar dos sofrimentos... (I Ts 2:2). “Paulo e Silas tinham sido es-
pancados e ultrajados em Filipos e mesmo assim foram para Tessalônica e ...trabalhamos dia e noite para não ser um peso (I Ts 2:9). “Apesar de a
pregaram o evangelho. Muitos poderiam tirar férias ou dar um tempo no igreja de Filipos enviar dinheiro para ajudá-lo em Tessalônica duas vezes (Fp
ministério depois de tão grande perseguição, mas Paulo se dispôs a pregar 4.15,16), embora, fosse direito seu exigir sustento da igreja (2.7), Paulo deci-
a palavra de Deus ousadamente em Tessalônica (...). Havia quem dizia em diu trabalhar para se sustentar (2Ts 3.6-12). (...) Ninguém podia acusá-lo res-
Tessalônica que Paulo tinha ficha policial e que não era mais que um delin- ponsavelmente de ganância financeira (...). Mesmo tendo o direito legítimo
qüente que estava fugindo da justiça (...). Porém, (...), as acusações mentiro- de exigir sustento, não dependia dele para fazer a obra de Deus. Paulo não
sas dos inimigos não puderam destruir a reputação do apóstolo”. (LOPES, estava no ministério por causa do salário. Sua motivação nunca foi dinheiro,
Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 49-50). mas a glória de Deus, a salvação dos perdidos e a edificação da igreja” (LO-
PES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 57).
...o evangelho nos fosse confiado (I Ts 2:4). “Eles eram mordomos,
a quem o evangelho foi confiado: e exige-se que um mordomo seja fiel. Vós e Deus sois testemunhas de como nos portamos... (I Ts 2:10). “Os
O evangelho que Paulo pregava não era dele, mas o evangelho de Deus. crentes podiam dar testemunho do comportamento exemplar de Paulo, as-
Observe: Os ministros têm um grande benefício mostrado a eles, e uma sim como Deus (...). Ele era reto em seu caráter e em sua conduta irrepreensí-
honra colocada sobre eles, e uma confiança depositada neles. Eles não vel perante Deus e os homens. Sendo o melhor sermão uma vida santa, então
devem ousar corromper a Palavra de Deus: eles devem diligentemente Paulo era um notável pregador. Ele não era como certo pregador, cuja eloqü-
fazer uso daquilo que foi confiado a eles, de acordo com a permissão e ência era melhor que o seu comportamento: ‘ Quando estava no púlpito, os
ordem de Deus, sabendo que serão chamados para prestar contas, quan- ouvintes queriam que nunca mais o deixasse. Quando estava fora do púlpito,
do não forem mais mordomos”. (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – queriam que nunca mais o ocupasse!’” (MACDONALD, William. Comentário
Novo Testamento, Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 654). Bíblico Popular – Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 717).

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... os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor ...

10 Submissão (I Ts 5:12d). “O líder espiritual exerce a função de um pai espiritual na igreja.


Sua liderança não é auto-imposta, mas delegada por Deus. Ele exerce essa

é preciso presidência não com truculência, mas no Senhor. Sua liderança é espiritual.
Como irmãos, os líderes estão ‘entre vós’; e como líderes, eles estão ‘sobre
vós no Senhor’, ou seja, ‘vos presidem no Senhor’. Estar ‘entre’ e ‘sobre’ ao
mesmo tempo não é fácil. A autoridade do líder precisa ser firme e ao mesmo
5 DEZ 2009
tempo com doçura.” (LOPES, Hernandes Dias. I e 2 Tessalonicenses: como se
preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 139).
E rogamo-vos ... (I Ts 5:12a). “Em suas notas finais [de I Tessalo-
nicenses], Paulo fez caber apertadamente um mundo de idéias. Apa- ... e que presidem sobre vós no Senhor... (I Ts 5:12e) “Toda e qualquer
rentemente, as pessoas que estavam sendo perturbadas a respeito autoridade espiritual deve ser respeitada, na suposição correta que foram eles
da segunda vinda também eram insubordinadas e/ou fracas, dadas levantados pelo Espírito de Deus, o qual destaca alguns dentre os crentes para
ao mal, talvez para escapar à perseguição. É triste quando os inimi- que sejam ministros de sua Palavra. (...) Se porventura nos sentirmos insatisfei-
gos externos conseguem quebrar a unidade dentro da igreja”. (ALLEN, tos e infelizes com certas coisas que eles fazem, então deveríamos admoestá-
Clifton J. (Editor Geral). Comentário Bíblico Broadman: Novo Testamen- los como irmãos, e não fazer campanhas traiçoeiras contra eles, a fim de lhes
to. Rio de Janeiro: Juerp, 1985, volume II, p. 342-3). causarmos dificuldades.” (CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento in-
terpretado versículo por versículo. São Paulo: Milenium, 1979, vol. 5, p. 215).
... irmãos ... (I Ts 5:12b). “Paulo gosta de se dirigir aos cristãos como
irmãos. Emprega esse forma de tratamento pelos menos 60 vezes nesta ... e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra (I Ts
carta [I Tessalonicenses] e se refere aos seus leitores desse modo 72 vezes 5:13a). “Na igreja do Novo Testamento, honra não é dada às pessoas por cau-
nas duas epistolas aos Tessalonicenses. Paulo considera a congregação sa de quaisquer qualidades que porventura possuem devido ao nascimento
local uma família. Cada membro nasceu de novo pelo Espírito de Deus e ou à posição social, nem aos dons naturais, mas somente com base na tarefa
possui a natureza de Deus (1 Pe 1:22-25); 2 Pe 1:3, 4). Todos fazem parte espiritual para a qual são chamadas. (...) É difícil separa respeito pela men-
da família de Deus.” (WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. sagem do respeito pelo mensageiro. (...) Paulo acrescenta que esse respeito
Santo André: Geográfica, volume 6, 2007, p. 242). deve ser demonstrado com amor. Não advém do medo, de uma submissão
involuntária ao poder do seu cargo, mas do amor e da gratidão pelo serviço
... que reconheçais ... (I Ts 5:12c). “Existe um dever mútuo entre no evangelho.” (MARSHALL, I. Howard. I e II Tessalonicenses: introdução e co-
os ministros e o povo. Se os ministros devem trabalhar no meio do mentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1984, p. 178).
povo, então: (1) O povo deve conhecê-los. Como o pastor deve co-
nhecer o seu rebanho, assim as ovelhas devem conhecer o seu pas- Tende paz entre vós. (I Ts 5:13b) “O problema número um entre os
tor: Elas devem conhecer a sua pessoa, ouvir sua voz, reconhecê-lo crentes de toda parte é o relacionamento de uns com os outros. Existe
como seu pastor e dar o devido valor ao seu ensino, governo e ad- em todos os crentes carne bastante para dividir e destruir qualquer igre-
moestações. (2) Eles devem estimar grandemente os seus ministros ja local. Somente quando estamos sob o poder do Espírito Santo é que
em amor; deveriam valorizar o ofício do ministério, honrar e amar as podemos produzir o amor, o quebrantamento, a paciência, a bondade, a
pessoas ou seus ministros e mostrar sua estima e afeto de todas as ternura e o perdão, que são indispensáveis para termos paz. A ameaça à
maneiras apropriadas; e isso por causa do trabalho deles”. (SOUZA, paz sobre a qual Paulo está falando é a formação de grupos que seguem
Ronaldo Rodrigues (Editor Geral). Matthew Henry Comentário Bíblico: líderes humanos.” (MACDONALD, William. Comentário bíblico popular:
Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 666). Novo testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 730).

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mentos de amizade e intimidade com Deus, conosco e com o próximo”.

11
(LUDOVICO, Osmar. Meditário. São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 81).

Uns aos outros Mutualidade entre os cristãos. “O N.T. fala de maneira bem clara sobre
o que significa a mutualidade entre os cristãos. Ali se encontra uma série de
mandamentos, tanto diretos, quanto indiretos, que especificam como devem
ser as relações entre cristãos; o que eles devem fazer uns com os outros; e
aquilo que não devem fazer uns para os outros. Esses se chamam manda-
12 DEZ 2009
mentos recíprocos. O estilo de vida que chamamos de mutualidade baseia-
se, portanto, na obediência aos mandamentos recíprocos do N.T.” (SOLON-
Eles estavam juntos. “[Os cristãos primitivos] não compareciam CA, Paulo. O cordão de três dobras: uma postura de vida baseada nas bênçãos
aos cultos como uma sacola de bolinhas de gude que faziam muito do relacionamento interpessoal. 2 ed. São Paulo: Abba Press, 2005, p. 128).
barulho quando batiam umas contra as outras, e depois saíam dali
em fila indiana. Não, eles vinham com um cacho de uvas maduras. À Viver em aliança. “Concordamos em ajudar e encorajar uns aos outros,
medida que as perseguições os comprimiam uns contra os outros, quando necessitamos ser lembrados da obra de Deus em nossa vida ou
eles sangravam uns nos outros. Suas vidas se entremeavam natural- quando precisamos ser exortados a respeito das grandes discrepâncias
mente. (...). Os momentos em que nos reunimos se tornam muitos entre o nosso falar e o nosso viver. (...) Precisamos, individualmente, viver
mais preciosos quando nossas vidas se entrelaçam umas com as ou- em aliança com outros para seguirmos a Cristo. A vida cristã não se resu-
tras, aproximando-nos cada vez mais, cada qual sentindo as ten- me em você e naqueles aos quais você procura alcançar com o evangelho.
sões e lutas dos outros, interessando-nos profundamente uns pelos Deus também tenciona que você seja parte comprometida em ajudar a
outros”. (SWINDOLL, Charles. A noiva de Cristo: renovando a paixão fazer discípulos do rebanho que Ele já salvou” (DEVER, Mark. Nove marcas
pela igreja. São Paulo: Vida, 2006, p. 61). de uma igreja saudável. São José dos Campos (SP): Fiel, 2007, p. 166).

A interdependências dos membros. “Os membros são responsáveis Felicidade e relacionamento. “Recentemente, um grupo pioneiro de
uns pelos outros, no corpo. A atitude do tipo o-que-eu-fizer-é-assunto- pesquisadores estudou a velha questão de identificar o que torna as pessoas
meu-e-não-de-vocês enfraquece o corpo de Cristo. Embora o Senhor felizes. A resposta não é o que você poderia estar imaginando. O que apa-
conduza cada indivíduo pessoalmente, o que eu faço é assunto que in- rece no topo da lista não é sucesso, riqueza, conquistas, beleza e nenhuma
teressa a você. E o que você faz é assunto meu. Somos partes de um daquelas coisas invejáveis que todo mundo gostaria de ter. O grande vence-
mesmo corpo. O que eu faço afeta você. O que você faz me atinge. (...) Os dor foram os relacionamentos, os relacionamentos íntimos (...). Precisamos
membros do corpo são responsáveis uns pelos outros. Todos são inter- de amizade, afeto, amor. Não é uma questão de opção de vida nem de sen-
dependentes. Eu preciso de você. Você precisa de mim. Nós nos amamos timentalismo. Faz parte do kit de sobrevivência de nossa espécie. Precisamos
um ao outro. Temos que nos dar apoio mútuo.” (ROBINSON, Darrel W. de alguém.” (PARROTT, Les e Leslie. Relacionamentos: orientações práticas
Vida Total da Igreja – Uma estratégia para o século 21 inspirada no mode- para enriquecer todo tipo de relacionamento. São Paulo: Vida, 1999, p. 9).
lo de igreja do primeiro século. Rio de Janeiro: JUERP, 2001, p. 68).
Precisamos da comunhão. “Não há conhecimento verdadeiro fora dos
A vida cristã é relacional. “Ninguém pode dizer que se relaciona com relacionamentos. Penso que a dificuldade que muitos encontram para vi-
Deus se não tem amigos, anda errante e solitário sem que ninguém o ver em comunhão é porque ela revela nossas feridas, medos, pecados,
compreenda, sem compreender seus semelhantes. Amizade é o grande ansiedades e toda sorte de ambigüidades. É na comunhão com Deus,
tema das Escrituras. Podemos dizer que o Deus da Bíblia é a eterna ami- família e igreja que entro em contato com a realidade de quem sou (...). Se
zade entre o Pai, O Filho e o Espírito Santo, desejoso de nos tornar seus as pessoas rejeitam a comunhão por achá-la chata, enfadonha, complica-
amigos para que vivamos como amigos entre nós. Esse é o grande man- da, é porque ainda resistem ao amor, à entrega e ao encontro real consigo
damento, sob o qual se sujeita toda revelação de Deus: ama a Deus, a si mesmas.” (BARBOSA, Ricardo. 2 ed. Janelas para a vida: resgatando a espi-
e a seu semelhante. Em outras palavras, devemos estabelecer relaciona- ritualidade do cotidiano. Curitiba: Encontro, 2008, p. 20-21).

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Mansidão e humildade. “Mansidão não significa passar a mão na

12
cabeça do pecador, mas aproximar-se dele com brandura, misericór-

Ajudem os caídos dia, simpatia (...), amor, acolhimento, com o objetivo de trazer o cul-
pado de volta ao bom caminho. Deve-se ter em mente a misericórdia
dispensada por Deus a nós próprios. O modo como Jesus tratou a
mulher samaritana (Jo 4.1-26), a mulher adúltera (Jo 8.1-11) e a mu-
lher pecadora (Lc 7.36-50) é o melhor modelo à nossa disposição.
19 DEZ 2009
Humildade não significa pedir desculpas pelo recado que nos cabe
dar, mas dar o recado com temor e tremor, sem complexo de superio-
Surpreendido nalguma ofensa (Gl 6:1b). “Digamos que aqui está uma ridade, tendo certeza de que o desvio do meu irmão poderá ser mais
pessoa que, sem haver planejado deliberadamente efetua uma má ação ou ser tarde o meu próprio desvio” (idem).
desonesto, ‘é surpreendida numa transgressão’. Tal pessoa foi ‘surpreendida’.
Então suscita a seguinte pergunta: ‘Como tal caso deve ser tratado?’ A respos- A fragilidade da carne. “Porque a propensão pecaminosa, a fragili-
ta é que os membros da igreja de maior consistência em seguir os impulsos do dade da carne, o gigantismo do eu e as tentações são problemas tanto
Espírito (5.16, 18, 25) devem (...) restaurara aquele que cometeu a transgressão. para o meu irmão que recuou como para mim mesmo, que ainda não
O verbo restaurar significa corrigir, ou seja, conduzir algo ou alguém a sua po- recuei — a humildade é indispensável. Se ela não for lembrada nem pra-
sição anterior de integridade ou pureza.” (HENDRIKSEN, William. Comentário ticada, certamente o próximo escândalo será de minha autoria. Não só
do Novo Testamento: Gálatas. São Paulo: Cultura Cristão, 2009, pp. 276-277). por causa de minha soberba, mas também como juízo da parte de Deus,
que não suporta a arrogância (1 Pe 5.5). Todas as vezes que reunirmos
O que devemos fazer. “O que devemos fazer quando um membro mansidão e humildade para restaurar o querido irmão surpreendido em
da igreja em que nos congregamos for surpreendido em pecado? Dar as pecado, nossa delicada missão terá grande chance de ser bem-sucedida.
costas para ele? Espancá-lo com palavras até morrer? Excluí-lo da comu- O pecado dele é corrigido e eu não caio em pecado!”. (Idem).
nidade? Portar-nos como se nada estivesse acontecendo? Tratá-lo com
aquela graça barata que não cobra convicção do pecado, tristeza pelo Corrigi-o (Gl 6:1). “Observe como a orientação de Paulo é positiva. Se
pecado, arrependimento do pecado e volta às primeiras obras? Alisar a apanharmos alguém fazendo alguma coisa errada, não devemos perma-
cabeça desse querido (ou não tão querido) irmão que foi vencido pelo necer inertes, sobre o pretexto de que não é da nossa conta e não quere-
pecado? Dar-lhe boas-vindas ao rol dos crentes caídos e que jamais se mos nos envolver. Nem devemos desprezá-lo ou condená-lo em nossos
levantam?” (In: QUANDO um irmão é surpreendido em pecado. Revista corações e, se ele sofrer as conseqüências, não devemos dizer ‘bem feito’
Ultimato. Viçosa (MG): Ultimato, edição 306, maio-junho de 2007, p. 8). ou ‘colheu o que plantou’. Nem devemos (...) fazer fofocas com os nossos
amigos da congregação. Não: devemos ‘corrigi-lo’; temos a obrigação de
O sábio conselho de Paulo. “Precisamos aprender a lidar com o pro- trazê-lo ao bom caminho.” (STTOT, John R. W. A mensagem de Gálatas:
blema de maneira acertada e bem-sucedida. Para tanto, basta pôr em prá- somente um caminho. São Paulo: ABU, 2007, p. 147).
tica o sábio conselho de Paulo: ‘Queridos irmãos, se um cristão for vencido
por algum pecado, vocês que são de Deus devem ajudá-lo, com mansidão, Desonra a Cristo. “... quando um membro da igreja permanece em
lembrando-se de que da próxima vez poderá ser um de vocês a cair no pecado de maneira indubitavelmente óbvia para os outros, em particular
erro’ (Gl 6.1, BV). Os dois componentes dessa exortação, não aos caídos, para os descrentes, isso traz, sem dúvida, desonra a Cristo. É semelhante
mas aos que estão (ou pensam estar) em pé são a mansidão e a humilda- à situação dos judeus que desobedeciam a lei de Deus e levavam des-
de. A mansidão diz respeito ao trato com a pessoa que caiu. A humildade crentes a ridicularizar e a blasfemar o nome de Deus (Rm 2:24: ‘o nome
diz respeito ao cuidado que a pessoa que não caiu deve ter consigo mes- de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa’).” (GRUDEM,
ma. Nem a mansidão nem a humildade devem ser subestimadas” (idem). Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, pp. 752-753).

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O noivo e a noiva. “O noivo é descrito como Cordeiro (Ap 19:7).

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Ele quer ser lembrado pelo Seu sacrifício pelo pecado. Como noivo
da igreja, Jesus quer se amado e lembrado como aquele que deu a

Final feliz vida por Sua amada, a igreja. As bodas falam da consumação gloriosa
do relacionamento de Cristo com a Sua igreja. O casamento de Cristo
com Sua igreja será um casamento perfeito, sem crise, sem divórcio. A
palavra ‘esposa’ é a tradução correta (gene), e não ‘noiva’ (numphe).”
26 DEZ 2009
(LOPES, Hernandes Dias. Apocalipse: O Futuro chegou, as coisa que em
breve devem acontecer. São Paulo: Hagnos, 2005, p. 336).
O final feliz e o quádruplo aleluia. “Um dia ouviremos (...) quatro
‘aleluias’ (vv. 1,3,4,6). Seus ecos chegarão aos limites do universo. Eles O futuro certo da igreja. “Na batalha final, o Rei dos Reis, seguido
não serão inspirados por vingança nem por sentimento de represália, pelos exércitos do céu, vencerá e Cristo estabelecerá seu Reino eterno.
mas serão exultantes pela convicção de que Deus demonstrou e provou O povo de Deus será unido a seu Redentor (II Co 11:2; Ef 5:27; Ap 19:7)
que o bem pode vencer o erro; a verdade vence a falsidade; e o amor, o e reinará com ele ( I Co 6:2; Ap 1:6; 3:21; 20:4,6; 22:5; II Tm 2:11-13). A
ódio (...). Contemporâneas com a queda de Babilônia serão as bodas do Noiva, a Nova Jerusalém, será a moradia de Deus para sempre. Este é
Cordeiro. Antes de ele assumir, com seus santos, a tarefa de governar o futuro glorioso da igreja.” (MULHOLLAND, Dewey M. Teologia da Igreja.
mundo, a união de supremo amor se consumirá, e a ceia das bodas esta- São Paulo: Shedd Publicações, 2004, p. 234).
rá cheia de convidados.” (MEYER, F. B. Comentário Bíblico: Antigo e Novo
Testamento. Belo Horizonte: Betânia, 2002, p. 313). Convicção cristã de um final feliz. “... todos os cristãos que têm
a Bíblia por autoridade final concordam que a conseqüência defini-
As bodas do Cordeiro (Ap 19:1-10). “A fim de se entender o signi- tiva e última da volta de Cristo será o julgamento dos incrédulos e
ficado dessa passagem sublime, é preciso rever, brevemente, os costu- a recompensa final dos que crêem e que os que crêem viverão com
mes dos hebreus quanto ao casamento (...). Primeiro há o contrato de Cristo, por toda a eternidade, num novo céu e numa nova terra. Deus
casamento, considerado um compromisso mais sério do que o nosso Pai, Filho e Espírito Santo reinará e será cultuado num reino eterno
noivado (...). A partir desse dia o noivo e a noiva são, legalmente, mari- em que não haverá pecado, dor ou sofrimento.” (GRUDEM, Wayne.
do e mulher (II Co 11:2). Depois, há o intervalo entre o contrato e a festa Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 934).
de casamento. Então há a procissão quase ao fim do intervalo. A noiva
se prepara e se adorna.” (HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores. Este encontro será glorioso. “A vinda de Cristo será um dia de tre-
São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 239). vas para os inimigos do Cordeiro e um dia de glória para a igreja. A
Babilônia, o falso profeta, o anti-cristo, o dragão, a morte e aqueles
A procissão e a festa do casamento. “O noivo, vestido em suas me- que não tiveram seus nomes inscritos no livro da vida serão lançados
lhores roupas e acompanhado dos seus amigos, que cantam e portam no lago de fogo. Porém, os remidos, com corpos luminosos como o sol
tochas, se encaminhava para o local da cerimônia de contrato. Ali ele re- em seu fulgor, subirão para reinarem com Cristo por toda eternidade.
cebe a noiva e a conduz, ainda em procissão, à sua própria casa ou à casa Entrarão, enfim, naquele lar onde não haverá mais dor, nem lágrimas,
dos seus pais (Mt 9:15; cf. também Mt 25:1). Quando o noivo chegava a nem luto (...). O apóstolo Paulo diz que essa esperança bendita nos
esse ponto, a festa às vezes se estendia até a casa da noiva. Finalmente, ajuda a enfrentar os sofrimentos do tempo presente (Rm 8:18).” (LOPES,
há a festa do casamento, que inclui o jantar. Geralmente, as festas dura- Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses: Como se preparar para a segunda
vam, em média sete dias.” (HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores. vinda de Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 115).
São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 239).

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