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da Silva Monteiro

Sónia Maria da Silva Monteiro

Sónia Maria
Manual de
Contabilidade Manual de
Contabilidade

Contabilidade Financeira
Financeira
Este manual apresenta de uma forma acessível e pedagógica a interpretação e
aplicação prática do Sistema de Normalização Contabilística (SNC) em determina-
Financeira

Manual de
das áreas da contabilidade financeira. Sónia Maria da Silva Monteiro

Licenciada em Gestão de Empresas. Mes-


Neste primeiro volume do manual são abordados conceitos fundamentais da con-
tre em Contabilidade e Auditoria. Dou-
tabilidade financeira e do SNC e estudadas temáticas relacionadas com os meios
torada em Ciências Empresariais (conta-
financeiros líquidos, inventários, compras e vendas/prestações de serviços, bem Prefácio
bilidade). Professora Coordenadora, na
como questões contabilísticas inerentes ao Imposto sobre o Valor Acrescentado. António Domingues de Azevedo
área da contabilidade, da Escola Superior
Em cada temática é apresentado o seu enquadramento contabilístico, com refe- de Gestão do Instituto Politécnico do
“Um livro elaborado por uma docente com rência às Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro aplicáveis, sendo acompa- Inclui: Cávado e do Ave (IPCA), onde é Direto-
grande experiência na área da contabilida- nhada da apresentação sistemática de exemplos práticos. Conceitos fundamentais ra do Departamento de Contabilidade
de e claramente destinado aos estudantes e Fiscalidade, Diretora de Mestrado em
Destinatários: Trata-se de uma obra de carácter didático, em particular destina- A harmonização contabilística e o SNC Fiscalidade, Diretora do Curso de Conta-
do ensino superior.
da a estudantes do ensino superior e profissional na área da contabilidade, bem Meios financeiros líquidos bilidade e Fiscalidade (ensino a distân-
Pela forma como está estruturado e os como para docentes e profissionais da área.
exemplos apresentados, trata-se de um Operações com terceiros cia), Coordenadora da Pós Graduação em
(contas a receber e a pagar) SNC e membro permanente do Centro de
livro que vai de encontro ao novo para-
Investigação em Contabilidade e Fiscali-
digma de aprendizagem preconizado pelo Inventários dade (CICF). Autora de artigos em revis-
Modelo de Bolonha”
ISBN 978-972-788-651-7 tas científicas nacionais e internacionais
e participação em congressos na área da
Prof. João Carvalho www.vidaeconomica.pt Contabilidade, com apresentação de co-
Professor da Escola de Economia e Gestão ISBN: 978-972-788-651-7 municação.
da Universidade do Minho
Visite-nos em
Presidente do IPCA livraria.vidaeconomica.pt
9 789727 886517
ÍNDICE
Módulo 1 – Conceitos fundamentais
Introdução ............................................................................................ 17
1. A atividade económica e a contabilidade...............................................19
1.1 A empresa e o circuito económico ................................................ 19
1.2 A contabilidade como sistema de informação ................................21
1.3 Conceito, objeto e divisões da contabilidade...................................23
1.3.1 Conceito de contabilidade....................................................... 23
1.3.2 Objeto da contabilidade.......................................................... 24
1.3.3 Divisões da contabilidade........................................................ 25
2. A situação patrimonial/financeira.........................................................27
2.1 Património...................................................................................27
2.1.1 Conceito de património........................................................... 27
2.1.2 Composição e valor do património...........................................27
2.2 Conta..........................................................................................29
2.2.1 Conceito e características de uma conta...................................29
2.2.2 Quadro de contas...................................................................30
2.2.3 Classificação das contas..........................................................32
2.3 Inventário....................................................................................33
2.3.1 Conceito de inventário............................................................ 33
2.3.2 Classificação de inventários..................................................... 33
2.4 Balanço.......................................................................................39
2.4.1 Conceito de balanço................................................................39
2.4.2 Classificação de balanços........................................................ 41
2.4.3 Representação do balanço....................................................... 42

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Manual de Contabilidade Financeira

3. A dinâmica/desempenho empresarial ..................................................54


3.1 Variações patrimoniais..................................................................54
3.2 Resultados...................................................................................59
3.2.1 Conceitos de gasto e rendimento............................................. 59
3.2.2 Demonstração dos resultados.................................................. 62
3.3 Movimentação das contas.............................................................66
3.3.1 Representação gráfica da conta: a noção de débito e crédito..... 66
3.3.2 Método de registo contabilístico: digrafia..................................68
3.3.2.1 Registo das extensões (saldos) iniciais, na (re)abertura
do período contabilístico.................................................... 71
3.3.2.2 Movimentação das contas, ao longo do período
contabilístico, pelo registo dos factos patrimoniais............... 72
3.3.2.3 Movimentação para saldar/encerrar contas.........................72
3.4 Lançamentos...............................................................................73
3.4.1 Tipos de lançamentos............................................................. 74
3.4.1.1 Classificação segundo o número de contas movimentadas..... 74
3.4.1.2 Classificação segundo a natureza dos movimentos.............. 75
3.4.2 Formas de representação dos lançamentos ..............................76
3.4.2.1 Diário...............................................................................76
3.4.2.2 Razão...............................................................................77
3.5 Balancete de verificação...............................................................79
3.6 Apuramento dos resultados........................................................... 89
3.7 Organização contabilística até à elaboração das
demonstrações financeiras...........................................................97

Módulo 2 – Harmonização contabilística e o sistema de


normalização contabilística (SNC)
Introdução .......................................................................................... 127
1. Normalização vs. harmonização contabilística..................................... 129
1.1 Conceito e objetivo da normalização contabilística........................ 129
1.2 Vantagens da normalização contabilística..................................... 130
1.3 Harmonização contabilística........................................................ 131
2. O processo de harmonização contabilística internacional e europeu...... 132
2.1 O processo de harmonização contabilística internacional do IASB..... 133
2.1.1. O organismo: IASB.............................................................. 133
2.1.2 O processo harmonizador do IASB......................................... 134

6
Índice

1ª etapa: 1973-1987 – elevada flexibilidade................................. 134


2ª etapa: 1987-1994 – projeto de melhoria da comparabilidade
das demonstrações financeiras..................................... 135
3ª etapa: 1995-2000 – acordo do IASB com a IOSCO................... 136
4ª etapa: pós 2000 – atualidade................................................. 137
2.2 O processo de harmonização contabilística europeu...................... 138
1ª etapa: 1970-1995 – diretivas comunitárias............................... 140
2ª etapa: 1995-2000 – comunicações.......................................... 141
3ª etapa: após 2000 – regulamentos........................................... 142
2.3 A normalização contabilística em Portugal.................................... 144
1ª etapa: 1970-2001 ................................................................. 144
2ª etapa: 2002-2009.................................................................. 147
3. Sistema de normalização contabilística (SNC)...................................... 151
3.1 Génese e emergência do SNC..................................................... 151
3.2 Enquadramento legal do SNC...................................................... 152
3.3 Vinculação e hierarquia............................................................... 154
3.3.1 Âmbito de aplicação do SNC (DL 158/2009) ........................... 154
3.3.2 Regime (opcional) para as pequenas entidades....................... 154
3.3.3 Regime normalização contabilística das entidades do
setor não lucrativo................................................................ 156
3.3.4 Regime de normalização contabilística para microentidades..... 156
3.3.5 Normas subsidiárias (aplicação supletiva)............................... 161
3.4 A estrutura do SNC..................................................................... 163
3.4.1 Apresentação....................................................................... 164
3.4.2 Bases para a apresentação das
demonstrações financeiras (BADF)......................................... 164
3.4.3 Modelos das demonstrações financeiras (DF).......................... 165
3.4.4 Código de contas.................................................................. 176
3.4.5 Normas contabilísticas e de relato financeira (NCRF)............... 178
3.4.6 Norma contabilística e de relato financeiro para
pequenas entidades (NCRF-PE)............................................. 179
3.4.7 Normas interpretativas (NI)................................................... 181
3.5. Normalização contabilística para microentidades ......................... 182
3.6. Normalização contabilística para entidades do setor não lucrativo... 184
3.7. O controlo da aplicação do normativo contabilístico...................... 185
4. Estrutura concetual do sistema de normalização contabilística.............. 185

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Manual de Contabilidade Financeira

4.1 Considerações gerais sobre a estrutura concetual......................... 185


4.2 Utilizadores da informação financeira e suas
necessidades de informação ...................................................... 187
4.3 Objetivos das demonstrações financeiras .................................... 188
4.4 Pressupostos subjacentes .......................................................... 189
4.5 Características qualitativas das demonstrações financeiras............. 191
4.6 Definição dos elementos das demonstrações financeiras............... 194
4.6.1 Elementos do balanço........................................................... 194
4.6.2 Elementos da demonstração dos resultados............................ 197
4.7 Reconhecimento dos elementos das demonstrações financeiras..... 199
4.8 Mensuração dos elementos das demonstrações financeiras........... 200
4.9 Capital e de manutenção do capital ............................................ 202

Módulo 3 – Meios financeiros líquidos


Introdução .......................................................................................... 205
1. Classe 1 – meios financeiros líquidos ................................................. 207
1.1 Caixa......................................................................................... 208
1.1.1 Conteúdo da conta 11 - caixa................................................ 208
1.1.2 Movimentação...................................................................... 208
1.1.3 Contas divisionárias.............................................................. 211
1.1.4 Conferência diária do caixa.................................................... 212
1.2 Depósitos à ordem..................................................................... 213
1.2.1 Conceito ............................................................................. 213
1.2.2 Contas divisionárias.............................................................. 213
1.2.3. Movimentação..................................................................... 214
1.3 Outros depósitos bancários......................................................... 215
1.3.1 Conteúdo............................................................................. 215
1.3.2 Contas divisionárias.............................................................. 215
1.3.3 Movimentação...................................................................... 216
1.4 Outros instrumentos financeiros.................................................. 218
1.4.1 Conceito.............................................................................. 218
1.4.2 Contas divisionárias.............................................................. 219
1.4.3 Instrumentos financeiros detidos para negociação................... 219
1.4.3.1 Definições...................................................................... 219
1.4.3.2 Reconhecimento e mensuração........................................ 220

8
Índice

1.4.3.3 Desreconhecimento de ativos financeiros.......................... 222


1.5 Meios financeiros líquidos em moeda estrangeira.......................... 224
1.5.1 Mensuração ........................................................................ 224
1.5.2 Contabilização das diferenças de câmbio ............................... 224

Módulo 4 – Contas a receber e a pagar


Parte I – Implicações do imposto sobre valor acrescentado
(IVA) na contabilização das operações com terceiros
Introdução ..................................................................................... 239
1. Considerações gerais ................................................................... 241
1.1 Caracterização e incidência do IVA............................................ 241
1.2 Funcionamento do IVA............................................................. 242
1.3 Valor tributável e taxas............................................................ 243
1.4 Isenções................................................................................. 244
2. Contabilização do IVA .................................................................. 245
2.1 Principais contas a utilizar........................................................ 246
2.2 Iva nas aquisições de bens e serviços....................................... 246
2.2.1 IVA suportado (conta 2431 - uso facultativo)....................... 246
2.2.2 IVA dedutível (conta 2432)................................................. 247
2.2.3 IVA não dedutível.............................................................. 251
2.3 IVA nas vendas de bens e prestação de serviços........................ 253
2.3.1 IVA liquidado (conta 2433)................................................. 253
2.4 Regularizações do IVA (conta 2434).......................................... 254
2.4.1 IVA regularizações a favor da empresa (conta 24341).......... 255
2.4.2 IVA regularizações a favor do estado (conta 24342)............. 256
2.5 IVA nas transações intracomunitárias........................................ 257
2.5.1 Enquadramento................................................................. 257
2.5.2 Contabilização das vendas para o exterior........................... 257
2.5.3 Contabilização das aquisições ao exterior............................. 258
2.6 Apuramento do IVA................................................................. 265
2.6.1 IVA apuramento (conta 2435)............................................. 265
2.6.2 IVA a pagar (conta 2436)................................................... 266
2.6.3 IVA a recuperar (conta 2437)............................................. 267
2.6.4 Reembolso do IVA ............................................................ 270
2.6.5 Liquidação oficiosa do IVA ................................................. 271

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Manual de Contabilidade Financeira

Parte II – Compras e outras operações com fornecedores


Introdução...................................................................................... 277
1. Considerações sobre a conta 22 – fornecedores............................. 279
1.1. Conceito e contas divisionárias ............................................... 279
1.2 Movimentação da conta 22 - fornecedores................................ 280
2. Operações com fornecedores c/c (conta 221) ................................ 281
2.1 Conteúdo e forma de movimentação......................................... 281
2.2 Compra/aquisição de inventários.............................................. 282
2.2.1 Enquadramento normativo................................................. 282
2.2.2 Movimentação contabilística da conta 31 – compras............. 282
2.2.3 Registo contabilístico ......................................................... 284
2.3 Compras de outros bens e serviços........................................... 292
2.4 Adiantamentos a fornecedores................................................. 294
2.5 Faturas em receção e conferência............................................. 297
3. Operações com fornecedores – títulos a pagar............................... 297
3.1 Conteúdo e forma de movimentação......................................... 297
3.2 Contabilização do aceite e pagamento de letras ........................ 298
3.2.1 Aceite da letra................................................................... 298
3.2.2 Pagamento de aceites ....................................................... 299
3.3 Contabilização da reforma de letras ......................................... 299
3.3.1 Reforma total ou integral da letra........................................ 300
3.3.2 Reforma parcial da letra..................................................... 301
4. Dívidas a pagar em moeda estrangeira.......................................... 306
4.1 Mensuração das dívidas a pagar em moeda estrangeira............. 306
4.2 Registo contabilístico .............................................................. 307

Parte III – Vendas e outras operações com clientes


Introdução...................................................................................... 321
1. Considerações sobre a conta 21 – clientes..................................... 323
1.1 Conceito e contas divisionárias ................................................ 323
1.2 Movimentação da conta 21 – clientes........................................ 324
2. Operações com clientes c/c (conta 211) ........................................ 325
2.1 Conteúdo e forma de movimentação......................................... 325
2.2 Venda de inventários/prestação de serviços............................... 325
2.2.1 Enquadramento normativo do rédito................................... 325

10
Índice

2.2.2 Vendas e despesas relacionadas......................................... 329


2.2.3 Devoluções de vendas........................................................ 333
2.2.4 Descontos e abatimentos em vendas/prestação de serviços.... 335
2.2.5 Prestação de serviços......................................................... 341
2.3 Adiantamentos de clientes....................................................... 342
3. Operações com clientes – títulos a receber.................................... 345
3.1 Conteúdo e forma de movimentação......................................... 345
3.2 Saque e recebimento de letras ................................................ 346
3.2.1 Saque da letra................................................................... 346
3.2.2 Recebimento de saques (cobrança)..................................... 346
3.3 Endosso da letra ..................................................................... 347
3.4 Desconto bancário da letra ...................................................... 347
3.5 Reforma da letra .................................................................... 348
3.5.1 Reforma total ou integral da letra........................................ 349
3.5.2 Reforma parcial da letra..................................................... 350
4. Dívidas a receber em moeda estrangeira....................................... 354
4.1 Mensuração das dívidas a receber em moeda estrangeira........... 354
4.2 Registo contabilístico .............................................................. 355
5. Imparidade das dívidas a receber.................................................. 357
5.1 Enquadramento normativo....................................................... 357
5.2 Reconhecimento e mensuração ............................................... 358
5.2.1 Reconhecimento e mensuração da perda por imparidade...... 362
5.2.2 Reversão da perda por imparidade...................................... 363
5.3 Dívidas incobráveis.................................................................. 365

Módulo 5 – Inventários
Introdução .......................................................................................... 379
1. Conceito e normativo contabilístico.................................................... 381
2. Mensuração...................................................................................... 382
2.1 Mensuração inicial das entradas.................................................. 383
2.2 Mensuração das saídas............................................................... 385
2.2.1 Identificação específica do custo............................................ 386
2.2.2 FIFO (first in first out) ou método de custo cronológico direto.... 387
2.2.3 Custo médio ponderado........................................................ 388
2.2.4 Outras técnicas de mensuração............................................. 389

11
Manual de Contabilidade Financeira

2.3 Ficha de armazém...................................................................... 390


3. Reclassificação e regularização de inventários..................................... 398
3.1 Conteúdo e movimentação da conta 38....................................... 398
3.2 Contabilização das operações de regularização de inventários ..... 399
3.3 Regularização de inventários em sistema de inventário
permamente/periódico............................................................... 407
4. Sistemas de inventário...................................................................... 408
4.1 Sistema de inventário permanente............................................... 408
4.1.1 Enquadramento normativo.................................................... 408
4.1.2 Caracterização do sistema de inventário permanente.............. 408
4.2 Sistema de inventário periódico ou intermitente .......................... 410
5. Variação da produção........................................................................ 427
5.1 Âmbito da conta 73 – variação nos inventários de produção.......... 427
5.2 Movimentação da variação da produção....................................... 427
5.2.1 Em sistema de inventário permanente.................................... 427
5.2.2 Em sistema de inventário periódico........................................ 428
6. Imparidade de inventários................................................................. 434
6.1 Reconhecimento e mensuração do ajustamento
(perda por imparidade)............................................................... 434
6.2 Reversão da imparidade (ajustamento)........................................ 436
7. Os inventários na NCRF-PE e na NC-ME ............................................. 438

Bibliografia............................................................................................ 441

12
PREFÁCIO
Hoje, falar de Contabilidade em Portugal é bem mais aliciante do que há
poucos anos atrás. Na verdade, não obstante a sua indiscutível importância na
determinação da variação patrimonial das empresas instituições e pessoas, ela,
em minha opinião, devido ao protecionismo económico que vigorou durante tan-
to tempo na economia portuguesa, era visionada não como o meio mais credí-
vel de construção de informação do estado económico e financeiro das nossas
empresas, mas antes como um tipo de informação que apenas interessava aos
investidores, reduzindo de formas drástica não só a sua função, mas também e,
particularmente, o fundamental papel que ela desempenha na sustentabilidade
económica das empresas, para que estas, como unidades económicas em conti-
nuidade, desempenhem o seu tão importante papel de estabilidade social.

A crise que hoje assola o mundo, com especial relevo para o continente eu-
ropeu, veio evidenciar de forma notória, não só a importância da Contabilidade
na sustentabilidade das empresas, mas também o relevante papel de interesse
social de que se reveste o conhecimento económico e financeiro das entidades
que ela expressa.

Daí, em minha opinião, não obstante os malefícios da crise em que vivemos, ela
vem propiciar à Contabilidade o reconhecimento de uma função que sempre teve,
mas que muitos, por má fé ou ignorância, se recusam socialmente a reconhecer.

Não é uma ciência perfeita, nenhuma em última instância o é, mas, não obs-
tante todos os seus defeitos, ainda é o meio que melhor expressa com segurança
e garantia uma imagem de fidelidade à realidade económica das nossas empre-
sas e instituições.

Felizmente, temos assistido nos últimos tempos a uma enorme evolução de


estudos, análises e ensaios sobre a contabilidade, o que revela o despertar de
cada vez mais pessoas para este tão importante meio de informação patrimonial.

13
Manual de Contabilidade Financeira

Mas para que a Contabilidade desempenhe a função social para que está ge-
nuinamente vocacionada, é necessário que ela se familiarize, não só com os seus
estudiosos, professores, executores e utilizadores, mas que seja compreendida e
sentida como fundamental na dinâmica social pelo cidadão comum.

Daí a necessidade de, sem prejuízo do desenvolvimento de assuntos com


maior complexidade, ela consiga encontrar uma linguagem por eles compreen-
dida e apresente os seus resultados de forma compreensível e assimilável por
esses mesmos cidadãos.

É exatamente o que se pretende com a presente obra que, sem ter preocu-
pações de grande complexidade, procura constituir-se como uma espécie de via-
gem pelo mundo contabilístico, apresentando-nos de forma fácil e compreensível
o universo exequível da informação contabilística.

Parecendo fácil, sabemos que o não é, pois obriga-nos a deixar o nosso próprio
universo e procurar ver e entender as coisas no universo dos potenciais leitores,
com a preocupação de encontrar uma linguagem acessível, para quem não tem
conhecimentos técnicos, ajudando-os a dialogar e a compreender a Contabilidade.

Embora não se limitando a isso, procurando, nalguns casos, apresentar uma


visão pessoal da enorme variedade e complexidade das questões abordadas, a
presente obra, que o seu autor classifica de manual, acaba por se constituir como
um excelente guia que nos transporta de forma fácil, apelativa e aliciante para
um universo cada vez mais fascinante que é o funcionamento das empresas e a
mais-valia que a contabilidade empresta à sua sustentabilidade.

Mas não é apenas isso, ela é também o rasto, o percurso, o caminho a história
das empresas e instituições que ela relata e nessa viagem maravilhosa que a autora
nos conduz vamos conhecendo, vivendo e sentindo o pulsar do dia a dia empresarial.

Sem o registo contabilístico as empresas não teriam passado e, sem ele, mui-
to dificilmente poderiam antever ou até mesmo acreditar no futuro.

Por tudo isso e pelo potencial que representa a presente obra na divulgação,
compreensão e vivência contabilística, um agradecido bem haja à sua autora.
Será, é minha convicção, uma importante janela que possibilitará a descoberta e
melhor compreensão do maravilhoso universo contabilístico.

Lisboa, 06 de dezembro de 2012


O Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas
António Domingues Azevedo
(Professor Especialista Honoris Causa pelo Instituto Politécnico de Lisboa)

14
MÓDULO 1
CONCEITOS FUNDAMENTAIS

15
INTRODUÇÃO
Este módulo visa introduzir alguns conceitos básicos e fundamentais para a
compreensão das temáticas a estudar no âmbito da Contabilidade Financeira ou
Contabilidade Geral, circunscrita ao mundo empresarial.

Numa primeira parte, começaremos por analisar de que forma a atividade


económica das empresas se reflete na necessidade de desenvolver um sistema
de informação contabilístico, para apoio à tomada de decisão, qual o objeto da
Contabilidade e suas divisões.

Numa segunda parte, apresentamos os principais conceitos relacionados com


o conhecimento da situação patrimonial ou financeira da empresa, designada-
mente os conceitos de Património, Inventário e Balanço. Neste ponto analisamos
também o conceito de Conta, enquanto elemento que facilita o trabalho contabi-
lístico, ao agregar elementos patrimoniais comuns.

Por último, analisaremos como a dinâmica empresarial se reflete no desempe-


nho das empresas, explorando a forma como os factos patrimoniais podem ser
geradores de resultados. Neste ponto analisaremos não só como se procede ao
registo das variações patrimoniais, tendo por base o método da diagrafia, mas
também como se encontra estruturado e documentado o trabalho contabilístico
de um período ou exercício económico até à elaboração das demonstrações fi-
nanceiras, como o Balanço e a Demonstração dos Resultados.

17
1. A ATIVIDADE ECONÓMICA E A CONTABILIDADE
1.1 A EMPRESA E O CIRCUITO ECONÓMICO
As empresas são normalmente entendidas como um conjunto de meios mate-
riais e humanos, virados para a produção de bens e serviços. A sua constituição,
salvo raras exceções, é sempre por tempo indeterminado. Apesar disso, podemos
considerar que qualquer empresa tem um ciclo de vida limitado e que normal-
Fases do ciclo
mente se divide em três fases: de vida de uma
empresa
• Institucional: aquando da sua constituição;

• Funcionamento ou de execução: para efeitos contabilísticos, esta fase di-


vide-se em períodos ou exercícios económicos (regra geral, um período
económico coincide com o período civil: janeiro a dezembro)

• Liquidação: aquando a sua extinção

No âmbito da sua atividade, as empresas estabelecem relações com os diver- Fluxos da


empresa
sos agentes económicos que originam fluxos: reais e monetários.

Conforme expresso na figura abaixo, no desenvolvimento da sua atividade, a


empresa estabelece relações com o exterior, na forma de prestações recebidas
(compras de matérias-primas, ferramentas, máquinas, mercadorias e serviços)
e de prestações cedidas (vendas de produtos e prestações de serviços). Estas
relações traduzem-se em fluxos de bens e serviços, aos quais correspondem
sempre fluxos monetários de sentido inverso (os recebimentos e os pagamentos)
e que se podem traduzir positiva (Rendimentos) ou negativamente (Gastos) nos
resultados (Nabais e Nabais, 2010).

19
Manual de Contabilidade Financeira

Fluxos Reais Fluxos Monetários

Despesa Pagamentos
Compras
Fornecedores Gastos Fornecedores

Produção
Caixa / Depósitos
Receita
Clientes Vendas Rendimentos Clientes

Zona Interna Recebimentos

Ótica Financeira Ótica Económica Ótica Tesouraria

Figura 1.1 – A empresa e o circuito económico

Na atividade da empresa podem ser consideradas três óticas de abordagem:


]
Óticas de
abordagem • Ótica Financeira – Diz respeito ao endividamento da empresa perante o
exterior. Está diretamente relacionada com a remuneração dos fatores e
dos bens e serviços vendidos. Nesta ótica podemos distinguir:

– Despesa: corresponde à remuneração dos fatores produtivos;


– Receita: corresponde à remuneração das vendas efetuadas e/ou dos
serviços prestados.

• Ótica Económica - Ligada à transformação e incorporação dos diversos


materiais, mão de obra, etc., até se atingir o produto (bem ou serviço)
final. Nesta ótica podemos distinguir:

– Gasto: corresponde aos valores incorporados e gastos na produção de


bens/serviços;

– Rendimento: corresponde à venda de produtos acabados/prestação


dos serviços;

• Ótica de Tesouraria ou de caixa - Corresponde às entradas ou saídas


monetárias da empresa. Nesta ótica podemos distinguir:

– Pagamento: saída de valores monetários;


– Recebimento: entrada de valores monetários.

20
Módulo 1 – Conceitos Fundamentais

Em suma, as despesas e receitas dizem respeito a factos que, originando, as


primeiras, obrigações a pagar e, as segundas, direitos a receber, irão provocar,
respetivamente, saídas e entradas de valores monetários para a empresa (paga-
mentos e recebimentos). A empresa, ao consumir bens e serviços, tem gastos;
ao vender os produtos acabados tem rendimentos. Pode haver um rendimento
sem que haja recebimento (ex. venda a prazo de mercadorias) e pode haver re-
cebimento sem que haja rendimento (ex. cobrança de dívidas a clientes).

A empresa X adquiriu em 5/11/n 10 toneladas de cereal ao preço de


5000 €/tonelada, para proceder à sua moagem. A dívida resultante desta
aquisição seria paga em 15/12/n. Durante o mês de novembro efetuou
a moagem de apenas 2 toneladas. A farinha resultante desta moagem
(1500 kg) foi vendida a 10 €/kg e entregue em dezembro/n, sendo
faturada em 3/1/n+1, recebendo-se o valor desta venda em 10/01/n+1.
Despesa (5/11/n) 50.000 €
Pagamento (15/12/n) 50.000 €
Gasto (Nov n) 10.000 € (2 ton x 5.000 €/ton)
Rendimento (Dez/n) 15.000 € (1.500 kg x 10 €/kg)
Receita (3/1/n+1) 15.000 €
Recebimento (10/1/n+1) 15.000 €

Exemplo 1.1 – Conceitos subjacentes às óticas


económica/financeira/tesouraria

1.2 A CONTABILIDADE COMO SISTEMA DE INFORMAÇÃO


A génese da contabilidade pode ser explicada pela necessidade de possuir um
sistema de memorização/informação da atividade da empresa e de constituir um
meio de prova em potenciais litígios.

Um sistema de informação é um conjunto de componentes (humanas, ma- Sistema de


informação
teriais, tecnológicas e financeiras) inter-relacionadas que recolhe, processa, ar-
mazena e distribui informação para a tomada de decisão dos responsáveis da
organização. Assim, a Contabilidade surge como um sistema de informação,
onde os dados (factos contabilísticos) são processados com a finalidade de for-
necer, aos distintos utilizadores (internos ou externos), informação de natureza
financeira, sob a forma de demonstrações financeiras (tais como o Balanço e a
Demonstração dos Resultados), que lhes permita apoiar a tomada de decisão.

21
Manual de Contabilidade Financeira

Input Transformação Output


Dados Processamento Informação

A informação proporcionada pela contabilidade pode ser de índole:

Tipo de • Interna: abrange a atividade interna da empresa, onde há uma preocu-


informação
pação em conhecer os gastos, os rendimentos e os resultados, por centros
de custos ou produtos;

• Externa: informação relatada ao exterior, onde é proporcionada infor-


mação útil não só aos gestores da empresa mas também aos sócios, ao
Estado, etc.

A contabilidade é, assim, uma importante fonte de informações para os distin-


tos stakeholders ou utilizadores da informação contabilística:

Utilizadores • Investidores;
da informação
(stakeholders)
• Empregados;

• Financiadores;

• Fornecedores e outros credores comerciais;

• Clientes;

• Governo e seus departamentos;

• Público em geral.

Sendo a informação financeira proporcionada pela contabilidade uma das


principais fontes de informação para apoio à tomada de decisão, deve reunir
uma série de requisitos:

Requisitos da • Objetividade - corresponder a factos, não depender de interpretação pessoal;


informação
• Inteligibilidade - Ser percetível para os utilizadores;

• Relevância - a informação deve ser pertinente para a tomada de decisão,


ou seja, deve estar relacionada com a mesma;

• Oportunidade - estar disponível no momento em que é necessária;

• Rentabilidade - o custo de obter a informação não deve ser superior ao


beneficio de utilizar a mesma;

22
Módulo 1 – Conceitos Fundamentais

• Credibilidade - deve ser credível para que todos os utentes a quem ela se Requisitos da
destina possam retirar conclusões idóneas. informação

1.3 CONCEITO, OBJETO E DIVISÕES DA CONTABILIDADE

1.3.1 Conceito de Contabilidade


O significado da palavra Contabilidade tem variado no tempo e no espaço.
Uns consideram‑na como um sinónimo de escrituração, outros como uma ciência
de natureza económica. É difícil estabelecer uma noção clara e ao mesmo tempo
completa que abranja o campo de estudo da Contabilidade. Apresentamos, a
mero título de exemplo, várias noções que lhe foram atribuídas:

• «A Contabilidade é a doutrina do controlo económico e da determinação A


Contabilidade
do rédito em qualquer espécie de empresa» - Tessanova. enquanto
Ciência
• «A Contabilidade é a ciência do património» - Masi.

• «A Contabilidade é a disciplina que estuda os processos seguidos nas uni-


dades económicas para relevação da gestão» - Zappa.

– «A Contabilidade é um método de investigação da atividade económi-


ca» - Popoff.

Segundo o Professor Gonçalves da Silva (1969), a Contabilidade é a técnica


da relevação patrimonial. A relevação consiste na descrição, na colocação em
evidência, de determinados factos. O mesmo autor faz a diferenciação entre:

• «A Contabilidade em strictu sensu, ou seja, escrituração, que é a técnica


de registo e de representação de todas as transformações sofridas pelo
património de qualquer entidade económica durante o exercício da sua
atividade, do modo a saber em qualquer momento a sua composição e o
seu valor.

• A contabilidade latu sensu, que é a ciência dos processos descritivo-quan-


titativos utilizados na análise, registo, interpretação e controlo dos factos
de gestão. Visa «quantificar» tudo o que ocorre numa unidade económica,
fornecendo, simultaneamente, dados para a tomada de decisões da ges-
tão».

Em resumo, pode-se afirmar que:

23
Manual de Contabilidade Financeira

Contabilidade é uma atividade «que proporciona informação, geralmente


quantitativa e muitas vezes expressa em unidades monetárias, para a
tomada de decisões, planeamento, controlo das fontes e operações,
avaliação do desempenho e relato financeiro a investidores, credores,
autoridades reguladoras e ao público» (Costa, 2005).

1.3.2 Objeto da Contabilidade


A atividade da Contabilidade é o registo e relato sobre as interações, os fluxos
e os processos, quer gerados dentro da entidade quer entre várias entidades,
desde que traduzidos na mesma unidade monetária.

A Contabilidade permitirá o registo das operações que uma entidade manteve


com os seus agentes económicos, e saber as consequências que daí advieram
não só para a composição como para o valor do património, isto é, conhecimento
da sua situação económico-financeira. Além disso, fornecerá informações para
que a entidade possa tirar lições do passado, justifiquem o presente e preparem
o futuro.

Deste modo, a Contabilidade é uma Ciência de natureza económica, cujo


objeto é a realidade económica passada, presente e futura de qualquer unidade
económica (seja ela privada ou pública).

A Contabilidade visa:

• Conhecimento da situação patrimonial;

• Determinação das posições devedoras e credoras da empresa perante ter-


ceiros;

• Apuramento dos resultados nas diversas atividades;

• Exercer funções previsionais através do controlo orçamental e da recolha,


ordenação e análise dos elementos contabilísticos, com vista à orientação
e definição das políticas futuras, análise dos factos passados e exame de
situações e resultados obtidos.

24
Módulo 1 – Conceitos Fundamentais

1.3.3 Divisões da Contabilidade


1) Atendendo ao seu alcance (ou organismos a quem se destina):

Empresas
Contabilidade Privada
Famílias

Contabilidade Pública Setor Público Administrativo

Nação
Contabilidade Nacional
Grupo de nações

2) Atendendo ao período de relevação dos factos:

Exprime os resultados das previsões e permite a


Contabilidade elaboração de fundamentados planos de atividade
previsional, orçamental, e a formulação de regras a que a ação se deve
apriorista ou ex-ante subordinar. Traduz a estrutura e a atividade desejável
no futuro.
Dá a conhecer o que efetivamente se fez e proporciona
uma visão retrospetiva da gestão. Mostra-nos até
Contabilidade histórica, que ponto os objetivos fixados foram alcançados. É,
à posteriori ou ex-post, de facto, uma contabilidade que reflete o passado,
sendo, contudo fundamental para o estabelecimento
e controlo da contabilidade previsional.

3) Atendendo ao objeto:

Também chamada contabilidade geral ou contabilidade


externa, que é o campo da contabilidade que se
debruça, sobretudo, sobre o relato financeiro para
Contabilidade financeira o exterior da empresa, incluindo a preparação e a
apresentação das demonstrações financeiras, assim
como a acumulação de todos os dados necessários
para tal fim.
Também conhecida por contabilidade analítica de
exploração ou contabilidade interna, que é o campo
da contabilidade que se debruça, essencialmente,
sobre a mensuração e controlo dos custos, a fim
Contabilidade de custos de determinar o custo dos produtos vendidos e dos
serviços prestados. Nos últimos anos, porém, passou
a haver tendência para se falar em contabilidade de
gestão.

25
Manual de Contabilidade Financeira

No âmbito deste Manual, iremos circunscrever-nos à Contabilidade Privada,


Empresarial, nomeadamente à Contabilidade Financeira, numa ótica de
Contabilidade histórica.

A Contabilidade Financeira Empresarial está bastante desenvolvida, como


consequência da Normalização Contabilística. De facto, a necessidade de regula-
mentação geral da organização contabilística da empresa, de modo a que todos
falassem a mesma “linguagem” e obedecessem às mesmas leis, conduziu a um
movimento de Normalização Contabilística. Em Portugal, tal levou à constituição
de uma Comissão de Normalização Contabilística (CNC) e, fruto do seu trabalho
surge em 1977 o primeiro Plano Oficial de Contabilidade (POC).

A adesão de Portugal à União Europeia determinou que procedêssemos a


alterações no nosso normativo contabilístico, para dar cumprimento à 4ª Diretiva
Comunitária. Deste modo surgiu um novo POC, em 1989.

Trinta anos tarde, e fruto do processo de harmonização contabilística que se


fazia sentir a nível internacional e, em particular, na União Europeia, o POC foi re-
vogado, dando lugar ao Sistema de Normalização Contabilística (SNC), aprovado
pelo DL 158/2009, que entrou em vigor em 2010 e consiste numa aproximação
às normais internacionais de contabilidade emitidas pelo organismo International
Accounting Standards Board (IASB)1.

1 - A temática da harmonização contabilística, internacional, europeia e nacional, e caracterização do


SNC, será analisada com detalhe no Módulo 2.

26
Módulo 1 – Conceitos Fundamentais

2. A SITUAÇÃO PATRIMONIAL/FINANCEIRA
2.1 PATRIMÓNIO

2.1.1 Conceito de património


Conjunto de bens direitos e obrigações de uma empresa, em determinada
data, devidamente valorado e utilizados para atingir determinado
objetivos.

O património de uma entidade é constituído não só por bens materiais (edi-


fício, maquinaria, mercadorias em armazém), mas também por direitos sobre
terceiros (dívidas a receber de clientes, depósitos bancários...) e obrigações con-
traídas perante terceiros (financiamentos obtidos na banca, dívidas a liquidar aos
fornecedores…).

Todos estes elementos estão em constante alteração, quer em composição


quer em valor. Deste modo, o património deve ser datado, de modo a termos
uma ideia exata sobre a sua dinâmica.

2.1.2 Composição e valor do património


O património de uma empresa é constituído por um grande e complexo núme-
ro de elementos de natureza diferente (elementos patrimoniais heterogéneos),
que podem ser reunidos em grupos que desempenham a mesma função eco-
nómica e financeira. Deste modo, podemos ter as seguintes massas patrimo-
niais: ativo, passivo e capital próprio, que a seguir se definem.

• Ativo: bens e direitos (valorizam positivamente o património). Segundo o Massas


patrimoniais
SNC, na sua estrutura conceptual2, ativo é definido como: um recurso con-
trolado pela entidade, como resultado de acontecimentos passados, e do
qual se espera que fluam benefícios económicos futuros para a entidade.

• Passivo: obrigações (valorizam negativamente o património). De acordo


com a estrutura concetual do SNC, o passivo é uma obrigação presente da

2 - A analisar no Módulo 2.

27
Manual de Contabilidade Financeira

Massas entidade, como resultado de acontecimentos passados, da qual se espera


patrimoniais um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos futuros, isto
é, para liquidar uma obrigação há um exfluxo de ativos (regra geral, dinhei-
ro).

• Capital próprio: corresponde ao valor do património, e é dado pela


diferença entre o ativo e o passivo. O valor do património é a quantia que
seria preciso dar para o obter, isto é, para receber em troca todo o ativo,
ficando com o encargo de pagar todo o passivo.

As massas patrimoniais acima descritas abrangem os seguintes elementos


patrimoniais:

ATIVO

Conjuntos Elementos patrimoniais


Meios
Dinheiro em caixa, depósitos bancários e instrumentos
financeiros
financeiros (ex.: ações ou outros títulos), etc.
líquidos
Contas a Dívidas a receber de terceiros, como clientes, outros
Ativo
receber devedores, etc.
corrente
Materiais que a empresa possui em armazém para
utilizar na fabricação (ex.: matérias-primas), bens
Inventários
que produz (ex.: produtos acabados) e/ou bens que
adquire para vender (ex.: mercadorias).
Bens e direitos adquiridos não para venda ou
transformação, mas para:
– utilização de forma permanente na atividade da
empresa:
• (a) ativos fixos tangíveis (edifícios, equipamentos
Ativo fabris, viaturas e equipamentos administrativos);
Não Investimentos
corrente • (b) ativos intangíveis (marcas, trespasses,
programas de computadores, patentes…).
– para controlo de outras empresas: investimentos
financeiros (participações de capital noutras empresas)
– para obter rendimentos: propriedades de investimento
(ex.: edifícios ou terrenos arrendados).

28
Módulo 1 – Conceitos Fundamentais

PASSIVO

Conjuntos Elementos patrimoniais


Dívidas a pagar com prazo inferior a um ano, por exemplo a
Contas a pagar
fornecedores, pessoal, outros credores, ao Estado e outros
(Passivo corrente)
entes públicos, etc.
Contas a pagar
Dívidas a pagar com prazo superior a um ano, tais como
(Passivo não
financiamentos obtidos nos bancos.
corrente)

CAPITAL PRÓPRIO 3

Conjuntos Elementos patrimoniais


Valor inicial com que se constitui a sociedade3 (valor dos sócios/
Inicial
acionistas)
Adquirido e
Resultados anteriores não distribuídos aos sócios/acionistas
retido
Gerado no Resultados (lucro ou prejuízo) obtidos no próprio período
período contabilístico

2.2 CONTA

2.2.1 Conceito e características de uma Conta


Conjunto de elementos patrimoniais com características semelhantes e
específicas, expresso em unidades monetárias.

As contas devem reunir os seguintes requisitos:

• homogeneidade – cada conta deve conter elementos que obedeçam à ca- Requisitos
básicos
racterística comum que ela define (por exemplo, a dívida de um cliente nunca da conta
pode ser registada numa conta que não indique uma dívida a receber);

3 - Em Portugal, as formas jurídicas mais comuns de constituição de sociedades comerciais são:


– sociedade por quotas (com a expressão Lda. no nome da firma), em que o capital está dividido
em quotas cujo valor depende da correspondente entrada de cada sócio;
– sociedade anónima (com a expressão S.A. no nome da firma), em que o capital está dividido em
ações cujo valor nominal depende da correspondente entrada de cada acionista.

29
Manual de
Contabilidade
Financeira
Este manual apresenta de uma forma acessível e pedagógica a interpretação e
aplicação prática do Sistema de Normalização Contabilística (SNC) em determina-
das áreas da contabilidade financeira. Sónia Maria da Silva Monteiro

Licenciada em Gestão de Empresas. Mes-


Neste primeiro volume do manual são abordados conceitos fundamentais da con-
tre em Contabilidade e Auditoria. Dou-
tabilidade financeira e do SNC e estudadas temáticas relacionadas com os meios
torada em Ciências Empresariais (conta-
financeiros líquidos, inventários, compras e vendas/prestações de serviços, bem bilidade). Professora Coordenadora, na
como questões contabilísticas inerentes ao Imposto sobre o Valor Acrescentado. zevedo
área da contabilidade, da Escola Superior
Em cada temática é apresentado o seu enquadramento contabilístico, com refe- de Gestão do Instituto Politécnico do
“Um livro elaborado por uma docente com rência às Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro aplicáveis, sendo acompa- Cávado e do Ave (IPCA), onde é Direto-
grande experiência na área da contabilida- nhada da apresentação sistemática de exemplos práticos. ra do Departamento de Contabilidade
de e claramente destinado aos estudantes e Fiscalidade, Diretora de Mestrado em
Destinatários: Trata-se de uma obra de carácter didático, em particular destina-
do ensino superior. Fiscalidade, Diretora do Curso de Conta-
da a estudantes do ensino superior e profissional na área da contabilidade, bem bilidade e Fiscalidade (ensino a distân-
Pela forma como está estruturado e os como para docentes e profissionais da área. cia), Coordenadora da Pós Graduação em
exemplos apresentados, trata-se de um
SNC e membro permanente do Centro de
livro que vai de encontro ao novo para-
Investigação em Contabilidade e Fiscali-
digma de aprendizagem preconizado pelo Inventários dade (CICF). Autora de artigos em revis-
Modelo de Bolonha”
ISBN 978-972-788-651-7 tas científicas nacionais e internacionais
e participação em congressos na área da
Prof. João Carvalho www.vidaeconomica.pt Contabilidade, com apresentação de co-
Professor da Escola de Economia e Gestão ISBN: 978-972-788-651-7 municação.
da Universidade do Minho
Visite-nos em
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9 789727 886517