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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT);


Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS)
Departamento de Filosofia
Curso de Filosofia - Bacharelado – 8.o Semestre
Disciplina: Tópicos Especiais em Filosofia da Mente
Docente: Beatriz Sorrentino Marques
Discente: Fábio Lázaro Oliveira Queiroz

Com base na discussão da última aula (19/11/2018) e no texto abordado,


responda as questões abaixo:

1. Quais aspectos metodológicos parecem caracterizar a


filosofia analítica? De acordo com a leitura do texto, como se
estabeleceram essas características?
Historicamente, os aspectos metodológicos da filosofia analítica
começaram a ser estabelecidos quando se procuravam os fundamentos da
matemática através do uso da lógica, em fins do século XIX, com Frege. Esse
foi o projeto que ficou conhecido como logicismo e foi responsável pela criação
do cálculo proposicional e da lógica de predicados e, também, procurou
estabelecer a definição de números como conjuntos.
Esse projeto logicista foi refutado por filósofos como Wittgenstein, para
quem a lógica por si mesma não dizia nada sobre o mundo, mas apenas
tautologias (proposições verdadeiras por definição), que em nada dependeriam
de como o mundo é efetivamente. Poderíamos notar isso em proposições
tautológicas como “Chove ou não chove”, em que sua verdade não depende, de
fato, da chuva, mas apenas de uma articulação de um operador lógico (de
negação) que torna a proposição verdadeira por definição.
A última virada, da filosofia da linguagem para a filosofia da mente, e que
nos permitiu perceber que a primeira é apenas um braço da segunda, é a
realização de que a linguagem é um ato intencional e, portanto, toda a
intencionalidade da linguagem é derivada da intencionalidade de uma atividade
humana. Portanto, a intencionalidade originária do ato humano, que, por sua vez,

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depende da mente humana, traz uma retomada de uma perspectiva de primeira


pessoa para os problemas filosóficos.

2. Qual a relação da virada linguística com a consolidação


dessas características?
Wittgenstein é o autor considerado responsável pela virada linguística, na
medida em que via na linguagem uma estrutura que refletia a estrutura do
mundo. Assim, a compreensão da linguagem, feita adequadamente, permitia
uma compreensão do mundo, pois as proposições complexas poderiam ser
destrinchadas em proposições mais simples com operadores verofuncionais
(proposições atômicas). E essas proposições atômicas teriam seus
correspondentes átomos factuais. Daí que teríamos, como decorrência dessa
posição, uma posição correspondentista acerca da verdade. Esse aspecto, com
o positivismo lógico, ajudou a fortalecer a concepção empírica subjacente de que
a filosofia devia se preocupar com a clarificação ou análise das proposições ou
conceitos científicos.
Posteriormente, também, num desenvolvimento da filosofia da linguagem,
o reducionismo presente nas suas primeiras formulações foi superado por uma
concepção do papel da análise filosófica como uma análise conceitual. Essa
análise conceitual, ao invés de reduzir, buscava compreender como os conceitos
propriamente filosóficos podiam ser entendidos através dos termos comumente
utilizados nas linguagens naturais. Portanto, a análise conceitual buscava uma
clarificação dos conceitos filosóficos no contexto das linguagens naturais.

3. Qual a relevância da filosofia da mente para a filosofia


analítica? Como ela atingiu esse status?
Atualmente, a filosofia da mente é uma das principais áreas da filosofia
analítica. E isso porque, como dito anteriormente, percebeu-se que a linguagem,
na verdade, se dá por meio da ação (atos de fala) do indivíduo. Assim, em certa
medida, a linguagem poderia ser “psicologizável”, na medida em que aquilo que
a linguagem pretende dizer, depende daquilo que o indivíduo pretende dizer por

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meio dela. E o que o indivíduo pretende dizer está estritamente ligado com o que
ele pensa. Aqui, a filosofia da linguagem não é abandonada, mas apenas se
percebe que a linguagem é um meio para se chegar à intencionalidade do sujeito
e que o estudo dessa intencionalidade do sujeito pode ser feito tanto por meios
empíricos, como a neurociência, quanto linguísticos e epistemológicos.