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CAPA

1
EXPEDIENTE

2
ABRLISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ALAGO Associação dos Municípios do Lago de Furnas


AMVI Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Itapecerica
ANA Agência Nacional das Águas
APA Área de Preservação Ambiental
APAC Associação de Proteção e Assistência aos Condenados de Itaúna
APP Áreas de Preservação Permanente
BPC Benefício de Prestação Continuada
CadUnico Cadastro Único para Programas Sociais
CAPS Centro de Atenção Psicossocial
CAPSAD Centro de Atendimento Psicossocial em Álcool e Drogas
CBH Pará Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará
CEFET Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
CEMIG Companhia Energética de Minas Gerais
CEMM Centro de Memória Municipal
CIB Comissão Intergestores Bipartite
CID Código Internacional de Doenças
CISASF Consórcio Intermunicipal do Alto São Francisco
CISMARG Consórcio Intermunicipal de Saúde da Microrregião do Alto Rio Grande
CISPARÁ Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto do Rio Pará
CMH Conselho Municipal de Habitação de Bambuí
CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
CODEMA Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental
CONAB Companhia Nacional de Abastecimento
COOPRACAL Cooperativa de Produtores em Cal
COPAM Conselho de Política Ambiental
COPASA Companhia de Saneamento de Minas Gerais S/A
COPERSAM Cooperativa de Santo Antônio do Monte
CRAS Centro de Referência de Assistência Social
CREAS Centro de Referência Especializado de Assistência Social
CSN Companhia Siderúrgica Nacional
CVT Centro Vocacional Tecnológico
DATASUS Departamento de Informática do SUS
DST Doenças Sexualmente Transmissíveis
EJA Educação de Jovens e Adultos
EMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural

3
ESF Estratégia de Saúde da Família
ETE Estação de Tratamento de Esgoto
FAPEMIG Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais
FCA Ferrovia Centro-Atlântica
FEAM Fundação Estadual de Meio Ambiente
FHEMIG Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais
FIAT Fábrica Italiana de Automóveis Torino
FIOCRUZ Fundação Oswaldo Cruz
FIT Festival Internacional Teatro, Palco e Rua
FJP Fundação João Pinheiro
FPM Fundo de Participação dos Municípios
FUCAC Fundação Camachense de Cultura
FUMPAC Fundo Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural
FUNART Fundação Nacional de Artes
FUNEDI Fundação Educacional de Divinópolis
GESCOM Grupo de Gestão dos Conflitos relacionados à Mineração
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços
IDF Índice de Desenvolvimento da Família
IDH Índice de Desenvolvimento Humano
IEPHA Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais
IFMG Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais - Campus
Formiga
IFMG Instituto Federal de Minas Gerais
IGA Instituto de Geociências Aplicadas
IGAM Instituto de Gestão das Águas de Minas Gerais
IGD Índice de Gestão Descentralizada
IMRS Índice Mineiro de Responsabilidade Social
INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
IQA Índice de Qualidade da Água
LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias
LOAS Lei Orgânica da Assistência Social
LRF Lei de Responsabilidade Fiscal
MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
MDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

4
MEC Ministério da Educação
MICROMINAS Associação dos Produtores Mineradores do Centro-Oeste de Minas Gerais
MTE Ministério do Trabalho e Emprego
NASF Núcleo de Atenção à Saúde da Família
NOAS Norma Operacional Assistência à Saúde
ONG Organização não Governamental
ONU Organização das Nações Unidas
PAIF Serviço de Proteção Social à Família
PDAPS Plano Diretor da Atenção Primária à Saúde
PDME Plano Decenal de Educação do Município
PDR Plano de Desenvolvimento Regional
PIB Produto Interno Bruto
PMDI Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado
PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PPA Plano Plurianual
PPI Programação Pactuada e Integrada da Assistência em Saúde
PROAERO Programa Aeroportuário de Minas Gerais
PRONAF Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
PSF Programa Saúde da Família
PUC Minas Pontificia Universidade Católica de Minas Gerais
RC&D Resíduos da Construção & Demolição
REGIC Regiões de Influência das Cidades
RFFSA Rede Ferroviária Federal S/A
RL Reserva Legal
RPPN Reserva Particular do Patrimônio Natural
SAAE Serviço Autônomo de Água e Esgoto
SAMU Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
SDU Sistema de Drenagem Urbana
SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SES Secretaria do Estado de Saúde
SESP Secretaria de Estado da Segurança Pública
SIH Sistema de Informações Hospitalares
SIM Sistema de Informações sobre Mortalidade
SNHIS Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social
STN Secretaria do Tesouro Nacional

5
SUAS Sistema Único de Assistência Social
SUPRANS Superintendências Regionais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
SUS Sistema Único de Saúde
SVS/MS Secretaria de Vigilância em Saúde
TCE - MG Tribunal de Contas de Minas Gerais
TFD Tratamento Fora do Domicílio
UAPS Unidades de Atendimento Psicossocial
UNIFOR Centro Universitário de Formiga
UTC Unidade de Triagem e Compostagem
UTI Unidade de Terapia Intensiva
VAF Valor Adicionado Fiscal
ZEE Zoneamento Ecológico Econômico

6
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Fluxograma do processo de construção do cenário normativo ............................ 17
Figura 2 - Matriz Swot /FOFA ............................................................................................. 18
Figura 3 - Análise FOFA …................................................................................................. 18
Figura 4 - Mapa das capitanias de Minas Gerais, séc. XVIII ….......................................... 20
Figura 5 - Microrregião da AMVI …................................................................................... 22
Figura 6 - Represa Benfica, em Itaúna …............................................................................ 23
Figura 7 - Represa de Cajuru, em Carmo do Cajuru ........................................................... 23
Figura 8 - Mapa das bacias hidrográficas do São Francisco e do rio Grande ...................... 24
Figura 9 - Rio São Francisco, em Iguatama ......................................................................... 24
Figura 10 - Cachoeira da Forquilha, em Carmo da Mata ….................................................. 24
Figura 11 - Cachoeira do Alemão, em Pedra do Indaiá ......................................................... 25
Figura 12 - Cascata, em Conceição do Pará …...................................................................... 25
Figura 13 - Mapa da Região de Planejamento SF2 ............................................................... 26
Figura 14 - Usina do Gafanhoto, em Divinópolis .................................................................. 27
Figura 15 - Unidade de planejamento e gestão de recursos hídricos GD-3 ........................... 28
Figura 16 - Represa de Furnas, em Formiga …...................................................................... 29
Figura 17 - Mapa do relevo da microrregião da AMVI ......................................................... 30
Figura 18 - Mapa do índice pluviométrico …........................................................................ 31
Figura 19 - Mapa da pedologia da microrregião da AMVI ................................................... 34
Figura 20 - Unidade geológica Bambuí ................................................................................ 35
Figura 21 - Unidade geológica Bambuí ................................................................................. 35
Figura 22 - Mapa geológico da microrregião da AMVI ….................................................... 36
Figura 23 - Gruta, em Pains …............................................................................................... 37
Figura 24 - Gruta do Éden, em Pains …................................................................................. 37
Figura 25 - Centro urbano de Arcos ….................................................................................. 38
Figura 26 - Mapa do % do tratamento de esgoto na microrregião da AMVI ........................ 52
Figura 27 - Mapa do tratamento e disposição final dos resíduos domésticos ........................ 54
Figura 28 - Mapa rodoviário da microrregião da AMVI ....................................................... 57
Figura 29 - Mapa ferroviário da microrregião da AMVI …................................................... 59
Figura 30 - Mapa dos aeroportos da microrregião da AMVI ................................................ 60
Figura 31 - Gerdau, em Divinópolis ...................................................................................... 81
Figura 32 - Construção da fábrica de clínquer, em Arcos ….................................................. 81
Figura 33 - APL cerâmica vermelha ….................................................................................. 82
Figura 34 - Mapa do IDH do centro-oeste de Minas Gerais …............................................. 98
Figura 35 - Mapa das superintendências regionais de ensino na microrregião da AMVI ..... 111
Figura 36 - Mapa das instituições de ensino superior na microrregião da AMVI …............. 113

7
Figura 37 - Mapa dos clusters do Estado .............................................................................. 114
Figura 38 - Mapa da regionalização do SUS ......................................................................... 134
Figura 39 - Mapa das policlínicas na microrregião da AMVI ............................................... 136
Figura 40 - Mapa dos ambulatórios especializados na microrregião da AMVI .................... 137
Figura 41 - Mapa dos serviços de apoio diagnose terapêutica …......................................... 138
Figura 42 - Mapa da diagnose por imagem …....................................................................... 138
Figura 43 - Mapa dos CAPS na microrregião da AMVI........................................................ 139
Figura 44 - Mapa do atendimento de urgência na microrregião da AMVI .......................... 140
Figura 45 - Mapa das características culturais da microrregião da AMV …......................... 149
Figura 46 - Mapa da REGIC ................................................................................................. 159
Figura 47 - Mapa da Rede de Cidades Mineiras …............................................................... 163
Figura 48 - Lançamento do PDR …....................................................................................... 164
Figura 49 - Encontro temático de saúde …............................................................................ 165
Figura 50 - Encontro temático de cultura ….......................................................................... 165
Figura 51 - Matriz FOFA …...............…................................................................................ 166
Gráfico 1 - Distribuição etária na microrregião da AMVI …................................................ 41
Gráfico 2 - Distribuição da população por sexo …................................................................ 42
Gráfico 3 - Tendência populacional dos municípios da AMVI ........................................ 45
Gráfico 4 - Cobertura do sistema público urbano de abastecimento de água ........................ 49
Gráfico 5 - % da população coberta por redes coletoras ...................................................... 50
Gráfico 6 - Situação quanto ao tratamento de esgoto ........................................................... 51
Gráfico 7 - Situação do tratamento e disposição final dos resíduos domésticos .................. 53
Gráfico 8 - Setores econômicos da AMVI …........................................................................ 63
Gráfico 9 - Percentual da população ocupada por setor econômico …................................. 68
Gráfico 10 - Número de pessoas ocupadas por setor econômico ........................................... 69
Gráfico 11 - População ocupada da AMVI …......................................................................... 71
Gráfico 12 - Ocupação por gênero …...................................................................................... 73
Gráfico 13 - Escolaridade da PEA na microrregião da AMVI …............................................ 73
Gráfico 14 - Anos de estudo da PEA na microrregião da AMVI …....................................... 74
Gráfico 15 - Salário médio mensal na AMVI …..................................................................... 74
Gráfico 16 - População ocupada e trabalhadores com carteira assinada …............................ 84
Gráfico 17 - Gestão do SUAS na microrregião da AMVI ….................................................. 101
Gráfico 18 - Disponibilidade de CRAS e CREAS na AMVI, 2009 ....................................... 103
Gráfico 19 - IGD dos municípios da AMVI …....................................................................... 105
Gráfico 20 - Percentual de alunos matriculados na educação básica regular por nível de
ensino nos municípios da AMVI ….................................................................... 116
Gráfico 21 - Alunos matriculados no EF por idade, 2006 ….................................................. 118
8
Gráfico 22 - IDEB dos anos iniciais do EF …........................................................................ 121
Gráfico 23 - IDEB dos anos finais do EF …........................................................................... 124
Gráfico 24 - Taxas de analfabetismo por faixa etária, 2000 …............................................... 128
Gráfico 25 - Taxa de analfabetismo por localização, 2000 …................................................. 128
Gráfico 26 - Percentual de docentes da Educação Básica, 2006 …........................................ 131
Gráfico 27 - Taxa de crescimento demográfico ….................................................................. 171
Gráfico 28 - IDHm ….............................................................................................................. 172
Quadro 1 - Investimentos da microrregiões da AMVI ......................................................... 96
Quadro 2 - IDH dos municípios da microrregião da AMVI …............................................. 98
Quadro 3 - IDF dos municípios da microrregião da AMVI ................................................. 100
Quadro 4 - Porte dos municípios da AMVI e relação com implantação do CRAS ….......... 102
Quadro 5 - IMRS – disponibilidade de meios de comunicação – 2006 …........................... 150
Quadro 6 - IMRS – pluralidade de equipamentos culturais, AMVI - 2000-2007 …........... 154
Quadro 7 - Cenário desejado …............................................................................................ 167

9
LISTA DE TABELAS

1 Evolução da população dos municípios da AMVI e do Estado de Minas Gerais, 2000 -


2010....................................................................................................................................... 39
2 Taxa de crescimento anual – regional e estadual …............................................................. 40
3 Taxa de urbanização dos municípios da AMVI................................................................... 44
4 Projeção populacional para os municípios da AMVI, período 2011-2030 .......................... 46
5 Valor adicionado por setor econômico da AMVI – 2002 a 2007 …..................................... 63
6 Taxa de crescimento do PIB por setores na AMVI e MG …..................... …...................... 64
7 PIB municipal total …......................................................................................................... 65
8 Variação do PIB dos municípios da AMVI …...................................................................... 66
9 Participação relativa (%) dos municípios da AMVI em relação ao PIB ….......................... 67
10 População ocupada da AMVI – 2008 ….............................................................................. 70
11 Taxa de desocupação da AMVI …........................................................................................ 72
12 Dinâmica setorial dos serviços …......................................................................................... 83
13 Quociente localizacional por produto, 2008 ........................................................................ 88
14 Maiores culturas dos municípios da AMVI ......................................................................... 89
15 Quociente localizacional das principais culturas por município, 2008 …............................ 90
16 Quociente localizacional por rebanho, 2008 ….................................................................... 91
17 Variação dos principais rebanhos, nos municípios da AMVI, 200-2008 …........................ 92
18 Quociente localizacional dos principais rebanhos, por município, 2008 ............................ 93
19 Produção em litros, valor da produção em mil reais e QL da pecuária leiteira por
município, 2008 …............................................................................................................... 94
20 Estimativa de famílias pobres no âmbito da AMVI ............................................................. 105
21 BPC para pessoas idosas e com deficiência no âmbito da AMVI ....................................... 107
22 Déficit habitacional básico na microrregião da AMVI, 2007 ….......................................... 109
23 Situação dos municípios da AMVI quanto ao déficit habitacional e regularidade junto ao
Ministério das Cidades ........................................................................................................ 110
24 Número de matriculas na educação básica regular por nível de ensino nos municípios da
AMVI …............................................................................................................................... 116
25 Relação da população/matrícula na educação infantil, 2007 ….......................................... 118
26 Percentual da população matriculada na educação básica regular por faixa etária, 2004 ... 120
27 Taxa de atendimento escolar por faixa etária, 2004 …......................................................... 121
28 IDEB e projeções por município do EF regular da rede pública, anos iniciais .................. 123
29 IIDEB anos finais do EF ….................................................................................................. 124
30 Resultados do SIMAVE, 2009 …......................................................................................... 126
31 Taxa de rendimento escolar, 2009 ….................................................................................... 127
32 Taxa de analfabetismo …..................................................................................................... 128
33 Taxa de analfabetos funcionais da microrregião da AMVI ….............................................. 130

10
34 Perfil escolar na região da AMVI, investimentos em Educação, 2004 ................................ 134
35 Cobertura da ESF na região da AMVI ................................................................................ 136
36 Coeficiente de mortalidade infantil por mil nascidos vivos ano, 2003-2008 …................... 143
37 Causas de óbitos mais frequentes em Minas Gerais e municípios da AMVI ….................. 144
38 Taxa anual de crimes violentos por mil habitantes, 2005-2009 …..................................... 146
39 Percentual das internações por grupo de causas ….............................................................. 147
40 Mapeamento do acesso à internet nos municípios da AMVI ............................................. 153

11
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO 14
DIRETRIZES METODOLÓGICAS PARA ELABORAÇÃO DO PDR 16

MICRORREGIÃO DO VALE DO ITAPECERICA 19


1. Aspectos históricos 19
2. Aspectos físico-territoriais 22
2.1 Recursos hídricos 23
2.2 Relevo e clima 30
2.3 Vegetação 32
2.4 Pedologia e geologia 34
2.5 Síntese 37
3. Aspectos demográficos 38
3.1 Crescimento regional 38
3.2 Estrutura etária 41
3.3 População urbana 43
3.4 Tendências populacionais 45
4. Ordenamento territorial e infraestrutura 47
4.1 Uso e ocupação do solo 47
4.2 Saneamento ambiental 49
4.2.1 Sistema de abastecimento de água 49
4.2.2 Sistema de esgoto 50
4.2.3 Sistema de resíduos sólidos 53
4.2.4 Drenagem urbana 55
4.2.5 Qualidade do ar 55
4.3 Infraestrutura 56
4.3.1 Mobilidade intermunicipal e interestadual 56
4.3.2 Energia 60
4.4 Síntese 61
5. Aspectos econômicos 63
5.1 Renda e ocupação 68
5.2 Setor secundário 75
5.3 Setor terciário 83
5.4 Setor primário 87
6. Aspectos sociais 98
6.1 Educação 111

12
6.1.1 Síntese 134
6.2 Saúde 135
6.2.1 Síntese 148
6.3 Cultura 150
6.3.1 Síntese 155
7. Aspectos institucionais 157
8. Rede urbana 159

PLANO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO CENTRO-OESTE 165


MINEIRO – PDR
9. Cenário desejado 168
10. Cenário tendencial 172
10.1 Tendências demográficas 172
10.2 Tendências sociais 173
10.3 Tendências econômicas 174
11. Estratégias 175
11.1 Dimensão ambiental 175
11.2 Dimensão econômica 177
11.3 Dimensão social 179
11.4 Dimensão institucional 181
12. Propostas 183
12.1 Dimensão ambiental 183
12.2 Dimensão econômica 184
12.3 Dimensão social 185
12.4 Dimensão institucional 189
13. Gestão do Plano de Desenvolvimento Regional 190
Referências 192
Anexo 1 196

13
APRESENTAÇÃO

O Centro-oeste mineiro1 é uma região promissora! Caracterizada por uma diversidade cultural
e econômica, a região combina a tradição com a inovação, desde os tempos idos do século
XVIII, ainda chamada de Intermediária Tamanduá-Pitangui. Com localização estratégica, sua
rede de cidades disponibiliza um sistema de serviços e um fluxo de bens e pessoas, que
representa uma força impulsionadora para o desenvolvimento do Estado. O reconhecimento
dessas potencialidades constituiu uma das etapas do planejamento estratégico elaborado em
consonância com o Plano de Desenvolvimento Mineiro Integrado - PMDI, cujas escolhas vão
orientar a construção coletiva do futuro da região.

Nesse contexto, o Plano de Desenvolvimento Regional do Centro-oeste Mineiro - PDR


buscou responder três indagações desafiadoras: onde estamos?; onde pretendemos estar? e
como lá chegar?

Um diagnóstico da situação atual foi o primeiro passo do processo, que se iniciou a partir da
elaboração dos planos diretores participativos das cidades com população abaixo de vinte mil
habitantes2, possibilitando que todos os municípios, segundo o Estatuto da Cidade, tivessem
parâmetros legais para o desenvolvimento urbano de seus territórios. Dessa maneira, a
elaboração de forma articulada de planos diretores em municípios que mantêm entre si fortes
relações sociais e econômicas é uma ação estratégica que gerará resultados positivos para
cada um dos municípios e para a região.

Essa etapa foi uma pré-para-ação para o PDR, na medida em que, dialeticamente, a relação
cidade-região foi discutida e respostas ao onde estamos? foram apontadas e encontram-se
sistematizadas na primeira parte deste documento.

Sob condições de incerteza, num mundo de constantes transformações, o questionamento


onde pretendemos estar? teve o propósito de reconhecer o cenário desejado, traçado de forma
participativa pelos atores locais e regionais, e discutir sua viabilidade a partir da análise do
cenário tendencial para a AMVI, nas dimensões demográfica, social e econômica.

1
O recorte proposto para a elaboração do PDR corresponde aos limites geográficos da Associação dos
Municípios do Vale do Itapecerica – AMVI integrada por 26 municípios: Araújos, Arcos, Bambuí, Camacho,
Carmo do Cajuru, Carmo da Mata, Cláudio, Conceição do Pará, Córrego Fundo, Divinópolis, Formiga,
Itapecerica, Itaúna, Igaratinga, Iguatama, Japaraíba, Moema, Nova Serrana, Oliveira, Pains, Pedra do Indaiá,
14
Para Tornar Minas o Melhor Estado para se Viver3, a região define como estratégia o Centro-
Oeste Sustentável, cuja escolha não apenas prioriza ações na área do saneamento ambiental,
mas também entende que a busca pela sustentabilidade colabora com o planejamento do
próprio Estado e sintetiza uma visão ampliada de futuro, pois implica em melhorias em
diferentes áreas de resultado. O processo participativo de elaboração do PDR apontou essa
imagem desejada pelos moradores: “cidade verde”, “tratamento de esgotos”, “água limpa”,
“lixo tratado”, “mais saúde” e “emprego”.

Cabe aqui registrar que a perspectiva de desenvolvimento sustentável adotada na elaboração


do Plano diverge da noção estritamente desenvolvimentista e busca incorporar uma nova
cultura sobre o tema. Procurou-se aqui adotar uma abordagem do desenvolvimento como uma
estratégia multidimensional, que não se restringe à promoção do crescimento econômico, mas
considera importante a valorização dos recursos e tradições locais das populações, bem como
a superação das desigualdades sociais. Nesta medida, é fundamental que as ações propostas
promovam a igualdade social, a consolidação e a construção de direitos, a participação social
e a preservação ambiental (ACSELRAD e LEROY, 1999) 4. Nesse sentido, um programa
prioritário para a região será o saneamento ambiental. No entanto, outras áreas, não menos
necessárias, foram definidas e serão objeto de concertações específicas.

Trata-se de uma proposta dinâmica, que não se esgota com a apresentação do presente
documento. Com efeito, cada releitura proporciona novas reflexões, que por sua vez trazem à
tona novas possibilidades de propostas, projetos e articulações, motivo pelo qual não se pode
ver o Plano como pronto e acabado. Optou-se por apresentá-lo da forma como está,
assumindo-se que a abrangência dos problemas e potencialidades identificados é indicativo
seguro de que há lacunas a preencher. As possíveis falhas, no entanto, não invalidam a
grandeza do trabalho executado, especialmente no que diz respeito à extensa movimentação e
articulação entre os municípios e seus habitantes, proporcionada pelos inúmeros encontros
realizados ao longo destes meses durante os quais o projeto se desenvolveu. A FUNEDI crê,
por isto, que algumas sementes em direção à implantação de uma consciência regional
encontram-se lançadas e prontas a germinar. O Centro-Oeste de Minas Gerais e, de modo
especial, a população dos 26 municípios componentes da AMVI estão preparados e merecem
receber os benefícios que daí advirão.

Perdigão, Pitangui, Santo Antônio do Monte, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do Oeste.
2
O projeto do PDR compreendeu duas etapas: 1) a elaboração de 13 planos diretores participativos de
municípios com população abaixo de vinte mil habitantes e 2) a elaboração do PDR propriamente dita, que
envolveu os 26 municípios da AMVI, prevendo levantamentos primários e secundários de dados, encontros
15
DIRETRIZES METODOLÓGICAS PARA ELABORAÇÃO DO PLANO DE
DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO CENTRO-OESTE MINEIRO – PDR

O processo de descentralização político-administrativa em curso no País tem demonstrado


resultados opostos ao esperado, tanto como estratégia de racionalização técnico-
administrativa quanto como estratégia de democratização (ROCHA & FARIA, 2004). O
planejamento regional pode representar uma alternativa que, a partir da cooperação
intermunicipal, viabilize a provisão de bens e serviços públicos. Nesse sentido, o PDR propõe
uma cooperação horizontal que articule esforços para superação de uma precariedade técnica,
administrativa e financeira dos municípios, além de fortalecer a gestão democrática, na
medida em que trata dos problemas sociais junto das instâncias locais de decisão.

Para tanto, a elaboração do PDR fundamentou-se nos princípios do planejamento estratégico


participativo que consiste no processo de (re)pensar e (re)organizar a realidade coletivamente
e de transformá-la tendo como norte a realidade desejada. A condição de que todos os
municípios da AMVI tivessem seus planos diretores constituiu a primeira etapa do processo.
Nesse sentido, foram elaborados os planos diretores participativos de treze municípios de
pequeno porte da região: Araújos, Carmo do Cajuru, Carmo da Mata, Conceição do Pará,
Igaratinga, Japaraíba, Pains, Perdigão, Pedra do Indaiá, São Gonçalo do Pará e São Sebastião
do Oeste. Dessa forma, a região se pre-para para o planejamento regional, segunda etapa do
processo.

Metodologicamente, o PDR baseou-se nas seguintes etapas:


1. Diagnóstico
2. Análise FOFA
3. Visão dos atores regionais e estabelecimento do cenário desejado
4. Cenário tendencial
5. Viabilidade técnica do cenário desejado (ou normativo)
6. Cenário desejado
7. Estratégias

O diagnóstico regional indicou o onde estamos? e resultou de levantamentos e análises


complementares - análise técnica e visão da sociedade, que apontaram problemas e

temáticos e regionalizados com gestores e lideranças locais e de pactuação da proposta.


3
Tornar Minas o Melhor Estado para se Viver é a Visão de Futuro para o estado de Minas Gerais (PMDI, 2003-
2023, p.6).
16
potencialidades locais e regionais. Para tanto, foram realizados Encontros Microrregionais a
partir de dois eixos:
1) geográfico, baseado no critério de polarização geográfica e
2) temático, que corresponde a sete áreas cujo aprofundamento é relevante para a região:
Meio Ambiente; Desenvolvimento Econômico; Agricultura Familiar; Assistência
Social; Educação; Saúde e Cultura. Os encontros possibilitaram uma maior
mobilização dos agentes públicos no processo regional, evidenciando similaridades e
fortalecendo vínculos. Nesse momento, foi realizado o exercício de pensar na Região
Desejada, alinhando atributos identitários futuros que promovam e fortaleçam os
vínculos regionais.

Além disso, analisou-se o processo de desenvolvimento da região, observando-se as


tendências demográficas, sociais e econômicas, ou seja, o cenário tendencial, baseado nos
fatos ocorridos. Essa análise é importante na medida em que confronta o cenário mais
provável (tendencial) com o desejado, que demanda ajustes a partir de viabilidade técnica e
política dos atores sociais envolvidos. A FIG. 1 demonstra o exercício:

FIGURA 1 – Fluxograma do processo de construção do cenário normativo

A ação de intervir é definida a partir da análise ambiental revelada pela matriz FOFA, que
possibilita caracterizar o ambiente interno, localizando as principais forças e fraquezas e as
variáveis externas, ou seja, as ameaças e as oportunidades que podem interferir no
planejamento pactuado para a determinada localidade. As forças e fraquezas são determinadas

4
Afirmam Acselrad e Leroy (1999) que a idéia de desenvolvimento pode ser entendida de várias maneiras — e
nenhuma delas é uma formulação neutra. Sabe-se que o século XX foi marcado pela generalização do uso da
expressão desenvolvimento e que especialmente a década de 1990 gerou um novo ethos desenvolvimentista, a
partir do conceito de desenvolvimento sustentável. Para Esteva (2000), a palavra empobreceu consideravelmente
17
pela posição atual da organização e se relacionam, quase sempre, a fatores internos. Já as
oportunidades e ameaças são antecipações do futuro e estão relacionadas a fatores externos. O
cruzamento das variáveis da FOFA expressa um exercício analítico de definição de cenários
que possibilitam identificar os objetivos estratégicos para a região.

FIGURA 2 – Matriz Swot/FOFA

Assim, são estabelecidos os objetivos estratégicos, ou simplesmente estratégias, que a região


deverá implementar para alcançar seu futuro desejado, de acordo com o ambiente em que está
inserida. A análise ambiental da FOFA identifica o como chegar?, ou seja, estratégias para
cada quadrante da matriz, de forma a consolidar as forças existentes, prevenir as ameaças,
capturar as oportunidades e superar as fraquezas, conforme mostra a FIG. 3.

Matriz FOFA Forças Oportunidades

Fraqueza Estratégia 1: Estratégia 3:


Consolidar Desenvolver

Ameaças Estratégia 2: Prevenir Estratégia 4: Defender

FIGURA 3 – Análise FOFA

na medida em que foi reduzida a crescimento econômico. O desafio do século XXI tem sido articular
desenvolvimento e sustentabilidade.
18
MICRORREGIÃO DO VALE DO ITAPECERICA

1. Aspectos históricos

A ocupação nos territórios “das minas e dos áridos sertões”, correspondente à atual AMVI,
resultou do processo de migração para a região mineradora que se desenvolveu a partir do
século XVIII. Segundo Montemor (2001), uma rede de lugares centrais de apoio à produção
extrativa mineral (e à agropecuária) estabeleceu-se, mesmo frágil, nas minas e em sua macro-
região de influência. Para Cunha & Godoy (2003), a dissociação entre minas e sertões firmou-
se entre os espaços do nascimento das Vilas do Ouro e suas áreas contíguas, em oposição às
paragens mais distantes, difíceis ou incertas, que bem atendem ao nome de sertão.

O urbano que se conforma a partir do espaço da “cidade mineradora” já evidencia um campo


de forças internas e externas, diferenciando regiões que de distinguiriam sob a forma de uma
complexa relação campo-cidade (CUNHA, 2003). Até o século XIX, intensas transformações
econômicas e demográficas provocariam um progressiva diferenciação regional no mapa da
capitania, estabelecendo um “redesenho” do espaço em Minas, especialmente nas relações
urbano e rural, baseado na decadência da atividade mineradora.

Outros setores da economia, que orbitavam em torno da economia mineradora, passam por
um processo de redimensionamento de suas atividades e de busca por mercados externos,
sobretudo a partir da base agropecuária que fora desenvolvida ao longo do Dezoito. Essa
capacidade de rearticulação econômica (além das especificidades físico-geográficas) promove
uma criação e uma rearticulação de centralidades locais suscitando um modelo de
regionalização capaz de demonstrar as transformações econômico-demográficas do Dezoito
para o Dezenove (CUNHA & GODOY, 2003).

Um primeiro esboço de regionalização identifica, em mapa atual, nos primeiros anos do


século XVIII, mostra núcleos distribuídos por áreas desiguais em suas características naturais,
mas que não obstante terminariam por compor uma faixa, com alguma continuidade, onde se
concentrou a maior parte da população da capitania. Esse território correspondia às minas, e
reunia, ao sul, “os núcleos de São João e São José del Rey, em campos também propícios, e já
no primeiro momento, aproveitados para a agropecuária; a oeste os descobertos de Pitangui, já
em meio aos prados curraleiros5; mais ao centro os principais núcleos auríferos, nas cristas da
Serra do Espinhaço, marcando a paisagem montanhosa de Vila Rica e Mariana e também
5
Grifos nossos.
19
Sabará e Vila Nova da Rainha (Caeté) no leito do Rio das Velhas. Mais ao norte, limitam-se
essas minas com as áreas das descobertas de diamantes, onde está a Vila do Príncipe (Serro) e
acima o arraial do Tejuco (Diamantina), plantados entre o maciço do Espinhaço e já em outro
clima e vegetação” (CUNHA & GODOY, 2003, p.8).

FIGURA 4 – Mapa das capitanias de Minas Gerais, século XVIII


Fonte: CUNHA, Alexandre Mendes & GODOY, Marcelo Magalhães. O espaço das Minas Gerais: processos de
diferenciação econômico-espacial e regionalização nos séculos XVIII e XIX. Disponível em
www.ufmg.br/cedeplar Acesso em 28/04/2010.

A região de Pitangui-Tamanduá introduziu uma nova categoria: Região Intermediária. A


descrição feita pelos viajantes sobre a região incluía áreas mais densamente povoadas e de
maior dinamismo econômico próximas da província, como a Mineradora Central Oeste
(mineração aurífera) e Sul Central (agropecuária), bem como uma região de vazio
demográfico e baixíssima exploração econômica, como a região Sertão do Alto São
Francisco6. Em outros termos, em uma estrutura fundiária concentrada, conviviam atividades

6
Nesse modelo de regionalização para o Dezenove, o território de Minas encontra-se recortado em dezoito
unidades: Extremo Noroeste, Vale do Alto-Médio São Francisco, Minas Novas, Paracatu, Sertão, Sertão do Alto
São Francisco, Médio Baixo Rio das Velhas, Sertão do Rio Doce, Triângulo, Araxá, Intermediária de Pitangui-
Tamanduá, Diamantina, Mineradora Central Oeste, Mineradora Central Leste, Mata, Sudeste, Sul Central e
20
de mineração, criação de gado e de suínos, o cultivo da cana-de-açúcar e do fumo, com maior
destaque, e do algodão, com pouca expressão. Mas eram as relações comerciais que tinham
maior destaque.

Para Montemor (2001), o florescimento urbano que caracterizou as minas no século XVIII, a
distribuição da riqueza na colônia (e na metrópole), o grande adensamento populacional, a
demanda por produtos importados e o início da produção local (sistematicamente reprimida
pela Coroa), a intensa atividade comercial e de serviços constituíram de fato uma economia
urbano-regional articulada que deixou marcas definitivas na identidade do país e da região
Vale do Itapecerica.

Sudoeste (CUNHA & GODOY, 2003, p. 13).


21
2. Aspectos físico-territoriais

A Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Itapecerica – AMVI está localizada


na macrorregião do centro-oeste mineiro (FJP, 1992), segundo sistema estadual de
planejamento e faz limite com a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ocupa uma área de
13.804 Km2 e é formada por 26 municípios: Arcos, Araújos, Bambuí, Camacho, Carmo do
Cajuru, Carmo da Mata, Conceição do Pará, Cláudio, Córrego Fundo, Divinópolis, Formiga,
Igaratinga, Iguatama, Itapecerica, Itaúna, Japaraíba, Moema, Nova Serrana, Oliveira, Pains,
Pedra do Indaiá, Perdigão, Pitangui, Santo Antônio do Monte, São Gonçalo do Pará e São
Sebastião do Oeste. Vale registrar que dentre os municípios que compõem a AMVI, Pitangui
é o único que está localizado na macrorregião central do Estado.

FIGURA 5 – Microrregião da AMVI no Estado. Fonte: FUNEDI, 2010.

A AMVI7 foi criada em 1974, por iniciativa do próprio Estado, que, desde final da década de
1960, vinha consolidando seu aparato institucional de apoio técnico-administrativo ao
processo de desenvolvimento econômico baseado na industrialização8. Sua criação tomou
como base o Vale do Itapecerica9,
"[...] formado por nascentes e rios, componentes e tributários, formadores das bases
naturais do Vale do Rio São Francisco. Recebendo a contribuição hidrográfica dos
Vales do Itapecerica e Pará, ganha força a formação do Vale do São Francisco [...]"
(AMVI, 2008).

7
Uma região representa um recorte político-administrativo que, ainda que apresente uma certa autonomia no
plano local, está subordinada política e economicamente a um poder central. Etimologicamente, o termo região
deriva do latim regere, cujo radical reg, significa domínio e poder, conforme DINIZ e BATELLA apud BEZZI
(2005). Vale registrar que o termo região também está associado às idéias de homogeneidade e funcionalidade. A
22
2.1 Recursos hídricos

A região da AMVI é rica em recursos hídricos e a sua área geográfica contribui para duas
importantes bacias hidrográficas: Rio São Francisco e Rio Grande (Mapa Municípios – bacias
hidrográficas). São inúmeras nascentes, lagoas naturais e artificiais e cursos de água em
praticamente todos os municípios da região. O aproveitamento do potencial hídrico como
forma de consolidar o turismo tem sido implementado por vários municípios, dentre eles
Carmo do Cajuru, Itaúna, Formiga.

FIGURA 6 - Represa Benfica, em Itaúna FIGURA 7 – Represa de Cajuru, em Carmo do Cajuru

divisão do Estado em regiões administrativas é resultante da agregação de fatores técnicos e de caráter político-
administrativo, surgiu da necessidade de descentralização das atividades do Governo para atender, “de forma
eficiente, os anseios gerais da população” (FJP,1996), apresentando como objetivos: - promover a
descentralização da administração pública estadual, bem como institucionalizar a comunicação com as regiões
23
FIGURA 8 – Mapa das bacias hidrográficas do São Francisco e rio Grande
Fonte: FUNEDI, 2010.

FIGURA 9 – Rio São Francisco, em Iguatama FIGURA 10 – Cachoeira da Forquilha, Carmo da Mata

do Estado, buscando tornar mais ágil a prestação de serviços públicos à população; democratizar o acesso das
populações regionais aos serviços públicos, facilitando a vida do cidadão; coordenar as ações dos diferentes
órgãos da Administração Direta e da Administração Indireta do Governo Estadual em cada Região; - coordenar a
elaboração e a implementação dos planos, programas e projetos de desenvolvimento sustentável em cada região;
24
FIGURA 11 – Cachoeira do Alemão, Pedra do Indaiá FIGURA 12 – Cascata, Conceição do Pará

Dos vinte e seis municípios que compõem a AMVI, vinte e dois pertencem à bacia do Alto
São Francisco, cuja área de contribuição perfaz 9.877,61 km2, o que representa 85% da área
total dos municípios da AMVI e 2% da área total da mesma bacia (cerca de 650.000 km2)10.
Os municípios de Formiga, Córrego Fundo, Camacho e Itapecerica contribuem à bacia do rio
Grande totalizando uma área de 1.800 km2. Esses municípios são também contribuintes à
bacia do rio São Francisco. A bacia do Alto São Francisco11 no âmbito da região está inserida
na Unidade de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos SF-212 (FIGURA 13), que
contempla os afluentes à bacia do rio Pará. A bacia do rio Pará é uma das mais importantes
contribuintes da bacia do rio São Francisco, sob regime tropical austral, e abrange 38
municípios e área de 234.347 km2.

incentivar a cultura e preservar as tradições de cada região; articular um esforço cooperativo entre os três níveis
de Governo, visando equacionar soluções para os problemas regionais e para a identificação e mobilização das
potencialidades regionais, de modo a gerar emprego e renda e fortalecer a integração do Estado de Minas Gerais
(FJP, 1996, p.74).
25
FIGURA 13 – Região de Planejamento SF-2
Fonte: IGAM, 2010.

O rio Pará é um importante contribuinte à represa de Três Marias, que está localizada fora dos
limites geográficos da região. Dele é formada a Usina do Gafanhoto, no município de
Divinópolis. A Usina do Gafanhoto, primeira usina estatal de Minas Gerais, foi construída em
1946 e transferida para a CEMIG em 1952. Apresenta grande importância econômica porque
foi construída para atender o Distrito Industrial da cidade de Contagem, maior do Estado. A
usina tem capacidade para geração de 14 MW de energia, possui comprimento de 426 metros
e quatro unidades geradoras. É alimentada pelo rio Pará através de represamento localizado
no município de Carmo do Cajuru, que apresenta volume de reservação de 4,2 milhões de m3.

8
No final dos anos de 1960, foram criadas as instituições de apoio às mudanças econômicas do Estado de Minas
Gerais: a Fundação João Pinheiro - FJP, o Banco de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais – BDMG, o
Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais – INDI e a Companhia de Distritos Industriais de
Minas Gerais – CDI.
26
FIGURA 14 – Usina do Gafanhoto, Divinópolis

O rio São João (afluente do rio Pará), no município de Itaúna, forma a represa Benfica,
responsável pela geração de energia que atende ao município. Ainda no município de Itaúna,
há uma nascente denominada “Olhos d’água” cuja água foi classificada como mineral e é
comercializada, ocorrendo ainda a exploração turística do local.

Já os municípios pertencentes à bacia do médio rio Grande estão inseridos na Unidade de


Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos GD-3 - Região do Lago de Furnas (FIGURA
15). No âmbito da região da AMVI, destacam-se os afluentes Rios Santana e Formiga, na
região de Formiga.

9
A referência da Microrregião vem com este belo apelo que é o Vale do Itapecerica. Não é exatamente extenso
mas ganha importância ao cruzar toda a extensão da cidade de Divinópolis, desaguando no Rio Pará, tributário
da Bacia do Rio São Francisco e traz a denominação do Município de Itapecerica, que pode se referenciar
culturalmente como elemento essencial na formação histórica, social e econômica da região (AMVI, 2008, p. 2).
27
FIGURA 15 – Unidade de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos – GD-3
Fonte: IGAM, 2010.

A bacia do médio rio Grande é responsável pela formação do maior reservatório artificial do
Brasil, com área de 1.440 km2, construído para a geração de energia, com capacidade de 1216
MW. O potencial da região para o turismo no entorno do lago é reconhecido e foi detalhado
em diversos estudos feitos pela Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) e
pela Secretaria Estadual de Turismo. No caso de Formiga, há um braço da represa que
possibilitou a implantação de um grande empreendimento, com infraestrutura necessária à
prática do turismo aquático e à pesca. Por outro lado, no encontro temático regional sobre
Meio Ambiente, ocorrido em Pains, um dos problemas levantados pelos gestores municipais
da AMVI foi a falta de integração regional para o fomento e consolidação do potencial
turístico.

10
Fonte: Agência Nacional de Águas (ANA), 2004.
11
Região que vai desde as suas cabeceiras até Pirapora – MG.
12
Instituto de Gestão das Águas Mineiro
28
FIGURA 16 - Represa Furnas – Formiga

Os municípios de Bambuí e Pains se localizam sobre o aquífero Bambuí13, que é classificado


como cárstico originado das rochas calcárias da região e é responsável por 22,4%14 da área de
recarga do rio São Francisco.

Quanto à qualidade das águas superficiais, há pontos de monitoramento feito pelo IGAM em
vários municípios da região, que pertencem à bacia do rio Pará (FIGURA 13). Não há um
ponto amostrado em que o IQA seja classificado como bom. Verifica-se que o IQA varia de
médio (70 < IQA < 90) a ruim (25 < IQA < 50), decorrente do baixo percentual de tratamento
de esgotos e efluentes industriais verificados na região, além do elevado número de lixões
ainda existentes nos municípios. A forma para obter a elevação do IQA, bem como fomentar o
turismo na região se dará a partir da implementação de sistemas para o tratamento dos esgotos
gerados nos municípios, assim como de aterros sanitários como forma de disposição final dos
resíduos sólidos urbanos.

No município de Nova Serrana, o monitoramento aponta uma alta contaminação por tóxicos,
que pode ser atribuída ao processo da produção dos calçados, sem qualquer tratamento dos
efluentes gerados.

13
O sistema aquífero Bambuí ocorre nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Piauí e Maranhão. É do tipo
livre, recobrindo em grande parte as rochas do grupo Bambuí. As águas do sistema aquífero são de boa
qualidade, predominantemente bicarbonatadas cálcicas, pouco mineralizadas, com condutividades elétrica média
de 82,2 µS/cm e pH inferior ou igual a 7.
29
2.2 Relevo e clima

A região da AMVI se localiza no denominado Planalto Atlântico, com relevos que apresentam
características onduladas, planas e montanhosas, e altitudes médias que variam de 600 a 950
m. O relevo ondulado predomina em 60% dos municípios e ocupa 52% da área territorial
regional. As características topográficas planas correspondem a 21% da área territorial da
região. Os municípios de Moema e Japaraíba são os que apresentam topografias planas (60%
do território municipal) no contexto regional. Já o relevo montanhoso ocupa 27% do território
regional. Os municípios de Itapecerica, São Sebastião do Oeste e Pedra do Indaiá, que
ocupam a parte sudoeste da região, são aqueles que apresentam relevos montanhosos em 75%
do território municipal.

FIGURA 17 – Mapa do relevo da microrregião da AMVI


Fonte: FUNEDI, 2010.

14
Agência Nacional das Águas, 2007.
30
O clima da região é o tropical de altitude, segundo classificação de Köppen. A temperatura no
verão ultrapassa os 30o C, é amena no inverno, cerca de 20o C, com médias de 21o C. As
condições climáticas regionais ocasionam, no verão, elevado acréscimo de chuva e problemas
ambientais caracterizados pelo deslocamento de encostas, enchentes e assoreamentos, além
dos prejuízos materiais e sociais gerados pelos fenômenos citados.

FIGURA 18 - Mapa do índice pluviométrico


Fonte: Geominas.

31
2.3 Vegetação

A região está inserida no bioma cerrado, que apresenta características de vegetação pouco
uniforme, com diferentes fisionomias que formam o complexo vegetal. Na região, verificam-
se as fisionomias: campo limpo, campo sujo, matas ciliares, mata seca e várzeas.

As atividades de mineração e as culturas de cana-de-açúcar, café, eucalipto e pecuária


provocaram supressão na cobertura vegetal nativa. A análise dos dados contidos no ZEE15 de
Minas Gerais sobre a conservação da vegetação nativa nos municípios da AMVI, trabalhados
em conjunto com as áreas dos municípios, revela um percentual de 15% de vegetação nativa
ainda existente, percentual que não atende o parâmetro estabelecido pela Lei Estadual n.
14.309 de 2002, que prevê, no mínimo, 20% a ser destinado para reserva legal. Além disso, a
existência de vegetação nativa é observada somente nos topos de morros e nas áreas com
declividades mais acentuadas.

A ausência da vegetação aliada às atividades de mineração e de explorações agrícolas,


conduzidas sem o emprego de práticas conservacionistas, gera o carreamento do solo para os
cursos de água. Esta é uma situação já verificada pelos resultados das análises de água na
região, que demonstram alto teor de sólidos em suspensão, conforme IQA mencionado
anteriormente. Além disto, o aparecimento de áreas com processo de erosão laminar e em
sulcos resulta no empobrecimento do solo.

Quanto às áreas de preservação permanente nas zonas urbanas e rurais, a situação é ainda pior.
O processo de urbanização verificado na região é caracterizado pela ocupação dos fundos de
vales. Como as cidades surgiram a partir da ocupação das margens dos principais cursos de
água, praticamente todas as áreas que deveriam ser destinadas para APPs estão ocupadas por
edificações e vias.

A Mata de Pains situa-se na parte sul da região do Alto São Francisco e engloba os municípios
de Pains, Arcos, Iguatama e Córrego Fundo. Ao sul da área, confronta-se com a represa de
Furnas, e ao norte é banhada pelo rio São Francisco. A altitude máxima atinge 965 metros,
próximo a Córrego Fundo. Arcos está a 746 m; Iguatama, a 715 m e Pains a 695 m, sendo
circundada por altitudes superiores a 800 m. Apresenta importância biológica muito alta,
devido à ocorrência de floresta estacional decidual sobre afloramento calcário e floresta
estacional semidecidual, ambas com alta riqueza de espécies em geral e espécies de
15
Zoneamento Ecológico de Minas Gerais
32
distribuição restrita à área.

A área sofre alto grau de ameaça devido à extração calcária e às atividades agropecuárias. Por
esta razão foi proposta a criação do Parque Estadual da Mata de Pains16, cuja área de
abrangência ocupará terras dos municípios de Pains, Iguatama e Arcos, em área contígua
limítrofe.

A criação do Parque Estadual da Mata de Pains prevê uma área contígua abrangendo três
municípios limítrofes com previsão de uma área superior a 5.000 (cinco mil) hectares. Outras
formas de proteção ambiental permanentes como APA e RPPNs são previstas no projeto,
devendo a APA abranger a área total dos municípios citados. A implantação dos projetos
beneficiará a qualidade de vida da população e a preservação ambiental de cerca de 20% da
Mata de Pains, que tem área superior a 500 km2 (50000 hectares), e das cabeceiras do rio São
Francisco. Isto representa cerca de 10000 hectares que estarão preservados em áreas de
classe-8, não agricultáveis, constituídos de maciços calcários. Se se considerarem os
municípios do parque proposto e a APA das Sete Cidades-Mãe ou das Cabeceiras, estarão
interligados dois parques, um estadual e outro nacional, o da Canastra, incluindo o canyon do
São Leão no rio São Francisco e daí à Casca d’Anta, onde tem início o parque nacional. A
área total será contínua, interligando tudo ao parque Nacional da Serra da Canastra, que se
situa no topo ou platô.

16
Na esteira do parque, está prevista a criação da Área de Proteção Ambiental - APA das Sete Cidades-Mãe do
São Francisco ou das Cabeceiras, que é contígua e está a montante da Mata de Pains, e que ocupará a superfície
total dos três municípios mencionados, mais Córrego Fundo, Doresópolis, Piumhi, Vargem Bonita, São Roque de
Minas, Medeiros e Bambuí. Nesses dez municípios, estão as nascentes do São Francisco e seus primeiros
33
2.4 Pedologia e geologia

O solo característico da região apresenta uma faixa de perfil menos profundo: neossolos
litólicos e cambissolos17, que correspondem às coberturas que se desenvolvem em áreas de
relevo acidentado ou de rochas mais resistentes ao intemperismo.

FIGURA 19 – Mapa da pedologia da microrregião da AMVI


Fonte: FUNEDI, 2010.

Na parte sul e sudoeste da região, composta pelos municípios de Arcos, Pains, Formiga,
Iguatama e Córrego Fundo, o solo é classificado como podzólico vermelho eutrófico,
decorrente da decomposição das rochas calcárias. Geologicamente é rico em jazidas de pedras
calcárias, amplamente exploradas para fins industriais e comerciais. A produção de derivados
do calcário (cal hidratada, cimento, cal virgem e pó calcário) se destaca no contexto estadual e
constitui importante quesito no desenvolvimento regional.

A porção leste da região, onde se destacam os municípios de Cláudio, Itaúna e Divinópolis,


afluentes que são os rios Samburá, Santo Antônio, Piumhi, Ribeirão dos Patos, São Miguel, Bambuí e Ajudas.
Há também previsão de incentivo aos proprietários rurais para destinarem matas ciliares e de topo para Reservas
Particulares do Patrimônio Natural - RPPNs.

34
apresenta grandes jazidas minerais de granito, gnaisses, areia e ferro, cuja exploração
comercial representa a maior atividade econômica regional, caracterizada pela siderurgia,
metalurgia e fundição.

Os municípios de Arcos, Iguatama, Bambuí, Formiga, Córrego Fundo e Japaraíba estão


inseridos na unidade geológica Bambuí, na porção meridional do cráton São Francisco, onde
afloram rochas carbonatadas, pelíticas e raros conglomerados que constituem a base
estratigráfica no limite sul dos afloramentos do grupo pré-cambriano Bambuí. Estes se
encontram em contato discordante com as rochas do ambasamento granito-gnaíssico a leste e
com os filitos e quartzitos do grupo canastra.

FIGURA 20 - Unidade Geológica Bambuí FIGURA 21 - Unidade Geológica Bambuí

O município de Moema encontra-se sobre quatro unidades geológicas: grupo Bambuí, grupo
Araxá, coberturas detríticas e gnaisses diversos. O grupo Araxá foi originado pela sucessão de
metassedimentos plataformais, sendo na base (ciclo sedimentar inferior) constituído por xistos
metapelíticos cortados por camadas de quartzo e lentes de metacalcário que, de forma
gradacional, passam a sedimentos de água profunda de talude continental (ciclo sedimentar
superior) representado por xistos e gnaisses. A unidade Cobertura Detrítica é originada de
várias formações geológicas, definidas como depósitos neógenos indiferenciados, todas as
coberturas que cobrem remanescentes das superfícies de aplainamento do Ciclo Sul-
Americano. O grupo Gnaisses Diversos é formado pelas rochas constituídas pela associação
de gnaisses e granitos diversos e caracteriza-se por formar minerais como: quartzo, feldspato,
muscovita, biotita, anfibólios, granadas, sillimanita, zircão e apatita.

17
BDMG: Minas Gerais do século XXI – reinterpretando e espaço mineiro. Vol II, pág, 26.
35
Os demais municípios da região estão inseridos na unidade geológica denominada Associação
de gnaisses diversos. O tipo litossomático que compõe esta unidade é o Complexo Cristalino
Arqueano, constituído de rochas granito-gnáissicas, cujo material é mais conhecido como
granito.

FIGURA 22 – Mapa geológico da microrregião da AMVI


Fonte: FUNEDI, 2010.

A região cárstica engloba, na região da AMVI, totalmente o município de Pains e


parcialmente os municípios de Arcos, Bambuí, Iguatama, Córrego Fundo. Um trabalho de
pesquisa18 para identificação de grutas nestes municípios identificou 749 unidades. Estes
municípios, incluindo Formiga, compõem o Circuito Turístico Grutas e Mar de Minas.
O município de Pains reúne inúmeras cavernas. Dentre elas, destaca-se a Gruta do Éden,
descoberta em 1988, que tem três níveis, sendo um totalmente descoberto e seco, um
intermediário sob curso de água e um totalmente submerso. São, até o presente momento,
2500 metros de altura. A importância da gruta se deve ao fato de conter espécies raras do
ecossistema, espeleotemas raros, grande volume de paleodutos. A Gruta foi estabelecida como
Unidade de Conservação Integral, através de Decreto Municipal.

18
Universidade Federal de Ouro Preto
36
A situação da região é preocupante e considerada a mais grave do Estado, devido à ameaça
que as grutas vêm sofrendo pela atividade da mineração. O constante impasse entre os
mineradores e órgãos ambientais despertou o interesse da ONU (Organizações das Nações
Unidas), que mantém um representante do GESCOM (Grupo de Gestão dos Conflitos
relacionados à mineração) no município.

FIGURA 23 – Grutas, Pains FIGURA 24 - Gruta do Éden, Pains

2.5 Síntese
A região é rica em recursos naturais hídricos, geológicos e minerais. A existência dos recursos
hídricos nas mais diversas formas, rios, represas, lagoas, cachoeiras, e o complexo de grutas
demonstram que o potencial turístico da região deve ser fomentado. Entretanto, o IQA é
baixo em todos os cursos de água monitorados na região. A diversidade mineral justifica a
atividade predominante da região, marcada pela mineração, fundição, metalurgia e siderurgia.

37
3. Aspectos demográficos

3.1 Crescimento regional

De acordo com o censo demográfico do IBGE a microrregião da AMVI conta, em 2010, com
738.103 habitantes, que representa 3,85% da população de Minas Gerais. A população da
AMVI cresceu a uma taxa média de 1,35% a.a., superior a do Estado, de 0,69% a.a. O Censo
de 2000 apontou que os municípios da região abrigavam 645.136 habitantes, contra 738.103
habitantes em 2010, uma variação de 12,59%. Essa variação é superior à do Estado para o
mesmo período, de 6,62%, conforme pode ser observado na TAB. 1. A região da AMVI
apresenta uma densidade demográfica de 56 hab/km2, enquanto em Minas Gerais é de 33
hab/km2.

FIGURA 25 – Centro urbano de Arcos

38
TABELA 1
Evolução da população dos municípios da AMVI e de Minas Gerais, 2000-2010.

Município 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 %
Araújos 6.217 6.301 6.366 6.436 6.581 6.662 6.742 7.201 7.560 7.692 7.884 2,4
Arcos 32.687 33.324 33.796 34.310 35.390 35.988 36.581 34.763 36.133 36.455 35.734 0,89
Bambui 21.697 21.818 21.933 22.043 22.274 22.041 22.528 21.850 22.554 22.622 22.488 0,36
Camacho 3.533 3.498 3.474 3.446 3.389 3.357 3.325 3.204 3.260 3.220 3.131 -1,2
C.Mata 10.400 10.422 10.436 10.452 10.487 10.506 10.525 10.942 11.358 11.446 10.927 0,49
C. Cajuru 17.157 17.487 17.734 18.002 18.564 18.875 19.184 18.943 19.779 20.031 20.003 1,54
Cláudio 22.522 23.016 23.372 23.767 24.595 25.054 25.509 24.590 25.640 25.938 25.636 1,3
C. Pará 4.793 4.914 4.981 5.068 5.252 5.353 5.454 4.725 4.863 4.866 5.155 0,73
C. Fundo 5.179 5.246 5.296 5.351 5.465 5.529 5.591 5.635 5.873 5.939 5.807 1,15
Divinópolis 183.692 187.730 190.800 193.974 200.636 204.324 207.983 209.921 213.277 216.099 206.867 1,19
Formiga 62.907 63.537 64.122 64.685 65.869 66.524 67.174 64.585 66.834 67.178 63.665 0,12
Igarantinga 7.355 7.521 7.643 7.777 8.057 8.213 8.367 8.477 8.894 9.045 9.256 2,32
Iguatama 8.269 8.258 8.249 8.240 8.221 8.211 8.200 7.632 7.784 7.727 7.968 -0,37
Itapecerica 21.235 21.070 20.999 20.890 20.660 20.533 20.406 20.653 21.220 21.200 21.299 0,03
Itaúna 76.862 78.058 79.064 80.086 82.232 83.420 84.598 81.833 85.070 85.838 83.823 0,87
Japaraíba 3.473 3.495 3.506 3.522 3.554 3.572 3.590 3.688 3.832 3.866 3.939 1,27
Moema 6.513 6.638 6755 6.824 7.030 7.146 7.258 6.754 6.998 7.041 7.028 0,76
N.Serrana 37.447 39.825 41.557 43.465 47.469 49.685 51.885 60.195 65.175 67.967 73.273 6,94
Oliveira 37.250 37.826 38.308 38.799 39.830 40.400 40.966 37.805 39.063 39.214 39.421 0,57
Pains 7.798 7.749 7.742 7.716 7.661 7.631 7.601 8.122 8.420 8.476 7.913 0,15
P.Indaiá 3.814 3.791 3.778 3.761 3.726 3.706 3.687 3.921 4.058 3.921 3.868 0,14
Perdigão 5.707 5.821 5.921 6.065 6.303 6.434 6.565 7.310 7.757 7.961 8.912 4,56
Pitangui 22.269 22.452 22.710 22.915 23.344 23.582 23.818 24.618 25.708 26.038 25.032 1,18
S.A.Monte 23.473 24.141 24.629 25.165 26.292 26.915 27.534 24.746 25.694 25.899 25.612 0,87
S.G.Pará 7.969 8.025 8.059 8.101 8.189 8.237 8.285 10.308 10.949 11.246 10.367 2,66
S.S.Oeste 4.648 4.581 4.562 4.522 4.439 4.392 4.346 5.336 5.597 5.689 5.805 2,25
AMVI 645.136 656.574 665.792 675.382 695.508 706.649 717.702 717.757 743.351 749.453 740.813 1,35
MG 17.891.494 18.127.096 18.343.517 18.553.312 18.993.720 19.237.450 19.479.456 19.273.506 19.580.072 20.033.665 19.159.260 0,69

Fonte: IBGE (2000 a 2010).

39
Minas Gerais vem apresentando redução das taxas de crescimento populacional e a
estabilização da população ao longo dos últimos 40 anos. Esta situação deve se manter até
2020, de acordo com as projeções feitas pelo IBGE. Com isso, projetam-se para Minas Gerais
pequenas variações populacionais. A mesma situação é verificada na região (TAB. 2).

TABELA 2
Taxas de crescimento anual – regional e estadual
População Residente total Taxa de crescimento anual (%)
Anos Censitários AMVI MG AMVI MG
1970 383.552 11.485.663 - -

1980 454.690 13.380.105 1,54 1,54

1991 546.956 17.891.494 1,68 1,64

2000 645.136 17.891.494 1,52 1,29

2010 740.813 19.159.260 1,39 0,69

Fonte: IBGE – Censos 1970, 1980, 1991, 2000, 2010.

Na década de 1970, a microrregião da AMVI representava 3,39% da população estadual,


contando com 383.552 habitantes. Naquela década, sua população cresceu 15,64%, atingindo
454.590 habitantes. Entretanto, esse crescimento foi menor que o do Estado (16,5%), e com
isso a participação da população da região da AMVI caiu para 1,77%. Na década seguinte, o
processo manteve-se contínuo. Com a diferença nas taxas de crescimento da AMVI (15,42%)
e Estado (17,66%), a participação regional da população reduziu-se para 1,73%.

Já na década de 1990, a região apresentou em crescimento populacional com relação a 1980


da ordem de 16,8%, crescimento este equivalente ao incremento no Estado que foi de 16,4%.

No âmbito municipal, verifica-se que os municípios de Nova Serrana, São Gonçalo do Pará,
Perdigão, Araújos, Igaratinga, São Sebastião do Oeste e Carmo do Cajuru apresentaram taxa
média de crescimento maior que a verificada para a microrregião. Já os municípios de
Camacho, Córrego Fundo e Iguatama tiveram decréscimos populacionais no período avaliado.
O rápido crescimento de Nova Serrana, que quase dobrou a sua população no período
analisado, pressupõe um planejamento mais apurado sobre a expansão requerida dos diversos
serviços e equipamentos públicos a serem disponibilizados, não só para o município como
para seu entorno, que também cresceu expressivamente, reflexo do transbordamento da
indústria calçadista.

40
3.2 Estrutura Etária

O GRÁFICO 1 mostra a distribuição etária para a população da microrregião da AMVI, onde


se verifica a predominância de jovens.

Pirâmide Etária

75 e mais 2,6
1,9
65 a 69 anos 2,5
3,1
55 a 59 anos 4
5,1
Categorias de idade

45 a 49 anos 6,3
7,3
35 a 39 anos 7,9
7,9
25 a 29 anos 8,7
9,5
15 a 19 anos 9,4
8,7
5 a 9 anos 8,1
5,6
M enos de 1 ano 1,4
Porcentagem da p opulação

GRÁFICO 1 – Distribuição etária microrregião AMVI


Fonte: IBGE – Censo 2000.

Fica evidenciada a estabilização da população, uma vez que os grupos de menores de 1 ano e
de 0 a 4 anos são reduzidos em relação ao de jovens entre 15 e 19 e de adultos na faixa
compreendida entre 20 e 24 anos. A estabilidade da população é observada ainda na faixa
etária compreendida entre 25 e 50 anos, que se mantém praticamente constante. Além disso, é
expressivo o envelhecimento da população que corresponde a 10,1% de todo o contingente.

Há predominância da população feminina nos municípios da AMVI, em 2000, indicando a


manutenção da tendência histórica do número maior de mulheres na composição por sexo da
população brasileira.

41
> 75

70 a 74

65 a 69

60 a 64

55 a 59

50 a 54

45 a 49

40 a 44

HOMENS
35 a 39
MULHERES

30 a 34

25 a 29

20 a 24

15 a 19

10 a 14

05 a 09

01 a 04

< 01

0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000

GRÁFICO 2 – Distribuição da população por sexo


Fonte: IBGE, 2000.

42
3.3 População urbana

A realidade populacional da microrregião da AMVI não difere da situação verificada para o


Estado e para o Brasil, onde o processo da urbanização se intensificou a partir da década de
1960. A microrregião apresentou taxas de urbanização superiores ao Estado em todo o período
analisado, compreendido entre os anos de 1970 a 2000.

Verifica-se a intensificação da urbanização na região, considerando que, no ano de 2000, o


percentual da população residente nas áreas urbanas chegou a 86,6%, enquanto o Estado
apresentava 82%. A população urbana da região, com base em estimativas feitas pelo IBGE
para o ano de 2009, representa 87% da população total.

A elevada taxa de urbanização verificada na região vem de encontro com o fenômeno de


crescimento da população urbana gerado pelo processo de industrialização ocorrido no país. A
região da AMVI é caracterizada pelo intenso e diversificado processo industrial, responsável
pela fixação de residência da população nas cidades, considerando que a localização dos
empreendimentos industriais na região se concentra basicamente nas áreas urbanas dos
municípios.

Somente Camacho, Conceição do Pará e São Sebastião do Oeste tem maior concentração de
população na zona rural, que na área urbana. Justifica-se a predominância da população na
zona rural pelas atividades econômicas dos municípios, pautadas pela avicultura (São
Sebastião do Oeste), plantação de café e pecuária leiteira (Camacho) e plantação de cana-de-
açúcar e avicultura (Conceição do Pará).

Os municípios que apresentam as maiores taxas de urbanização (maior ou igual a 87%, da


microrregião) são Divinópolis, Itaúna, Arcos, Formiga, Moema e Nova Serrana.

43
TABELA 3
Taxa Urbanização AMVI – 1970 - 2000
Município 1970 1980 1991 2000
Arcos 57% 75,8% 85,5% 89,8%
Araújos 54,9% 66,6% 76,7% 81,7%
Bambuí 51,7% 68,9% 73% 81,4%
Camacho 24% 28,8% - 36,9%
Carmo da Mata 49% 58,10% 63,8% 69,3%
Carmo do Cajuru 42% 63% 72,2% 82,3%
Claúdio 40,7% 56,6% 63,1% 76,3%
Conceição do Pará 15,3% 20,2% 31,8% 36,2%
Córrego Fundo - - - 58,9%
Divinópolis 87,9% 93,4% 95,3% 96,7%
Formiga 63,2% 72,2% 80,6% 88,4%
Igaratinga 33,9% 41,6% 69,7% 73,6%
Iguatama 47,5% 61,6% 72,7% 82,9%
Itapecerica 49,8% 56,9% 67,9% 76,4%
Itaúna 86,9% 92,4% 93,3% 93,4%
Japaraíba 13,9% 26,3% 45,1% 55,6%
Moema 64,1% 74,4% 87,7% 89,7%
Nova Serrana 42,6% 70,4% 85,6% 94,3%
Oliveira 72,7% 79% 81,3% 86,5%
Pains 45,3% 57,4% 66,5% 72,2%
Pedra do Indaiá 19,7% 31,2% 37,7% 47,7%
Perdigão 41,9% 60,4% 69,3% 83,7%
Pitangui 62,2% 74,1% 79,3% 83,7%
Santo Antônio do Monte 43,5% 62,3% 74% 81,1%
São Gonçalo do Pará 60,7% 71% 75,3% 78%
São Sebastião do Oeste 10,5% 13,9% 21,5% 34,9%
Microrregião AMVI 60,1% 75,5% 82,5% 86,6%
MG 52,79% 67,14% 74,87% 82%
Fonte: IBGE.

44
3.4 Tendências populacionais

As estimativas de crescimento populacional para a AMVI em 2009 indicavam 749.453


habitantes na região. No entanto, a conclusão do Censo de 2010 confirmou o total de
740.813 habitantes, revelando novas características do fenômeno demográfico, como
aumento populacional das cidades médias e interiorização da base produtiva. Nesse contexto,
é possível constatar um crescimento intenso das cidades locacionais da indústria e um
aumento moderado da população das cidades de médio porte, como Divinópolis, como se
pode observar no gráfico 3:

Araújos

Bambuí

Carmo da Mata

Cláudio

Córrego Fundo

Formiga

Iguatama
Censo
2000
Itaúna Estimativa 2009
Censo
Moema 2010

Oliveira

Pedra do Indaiá

Pitangui

São Gonçalo do Pará

AMVI

0 100000 200000 300000 400000 500000 600000 700000 800000

GRÁFICO 3 – Crescimento populacional


Fonte: IBGE.

Dessa forma, para compor o cenário tendencial, foram projetadas as populações para os
municípios da região até o ano de 2030, de acordo com as suas próprias taxas de crescimento
individuais anuais (média geométrica do crescimento de 2000 até 2010, aferida pelos
respectivos censos), conforme demonstrado na TABELA a seguir.

45
46
4. Ordenamento territorial e infraestrutura

4.1 Uso e Ocupação do Solo

A região que compõe a AMVI apresenta elevada taxa de urbanização19. Em 2009, 87% da
população viviam nas áreas urbanas. Somente os municípios de Camacho, Conceição da Pará
e São Sebastião do Oeste apresentam populações rurais maiores que a urbana. As taxas de
urbanização destes municípios são de 44%, 39% e 47%, respectivamente. A taxa de
urbanização regional é maior que a verificada para o Brasil no ano de 2005, que representava
84,2%20 e de Minas Gerais, que no ano de 2000 era de 82%21.

As áreas urbanas da região apresentam uma quantidade elevada de vazios urbanos,


constituídos de oferta de infraestrutura básica, que tiveram como origem a ampliação do
perímetro urbano e a ocupação descontínua da malha urbana. Os municípios de Divinópolis,
Iguatama e Córrego Fundo evidenciam claramente esta situação. Boa parte das áreas urbanas
é caracterizada pela descontinuidade geográfica, sendo cortadas pelas rodovias federais e
estaduais e pelas linhas férreas existentes na região. Em Divinópolis, há o projeto para a
retirada da linha férrea da área urbana, já aprovado pelo órgão ambiental.

A ocupação do solo urbano no âmbito da região é caracterizada pela heterogeneidade de usos:


comerciais, industriais e residenciais, que, em determinadas situações, geram conflitos de
vizinhança. Casos assim podem ser verificados em Divinópolis, Arcos, Pains, Itaúna, Cláudio
e Santo Antônio do Monte, onde siderúrgicas, calcinações, metalúrgicas, fundições e
indústrias de fogos estão instaladas em áreas residenciais. Quanto à questão da ocupação do
solo urbano, ressalta-se que os empreendimentos de pequeno e médio portes, potencialmente
poluidores, localizados nas áreas urbanas, não estão regularizados junto ao órgão ambiental.
Em praticamente todos os fundos de vales das áreas urbanas, há a ocupação das faixas de
preservação permanente.

Verifica-se ainda, a ocupação de áreas de risco geológico ou de inundação, áreas públicas e de


preservação permanente, além do problema relacionado à especulação imobiliária. A
preocupação com a ocupação irregular e a especulação imobiliária foi levantada por todos os
gestores municipais, que informam a existência destas situações nos seus municípios.

19
Segundo BARCELLOS, Frederico Cavadas et alli, municípios considerados pouco urbanizados apresentam
30% da população total residente na área urbana e municípios considerados altamente urbanizados apresentam
70% e mais da população total residentes na área urbana.
20
Organização das Nações Unidas
47
Em 70% dos municípios da região, existem áreas destinadas ao distrito industrial. Entretanto,
constata-se a existência de locais que conflitam com o uso predominantemente residencial; de
áreas cuja localização não permite usufruir da boa logística rodoviária existente e ainda, a
ausência de áreas destinadas à implantação de indústrias potencialmente poluidoras, como
ocorre nos municípios de Pains, Córrego Fundo, Japaraíba, Pedra do Indaiá, Moema,
Conceição do Pará, Igaratinga.

O uso do solo rural na região da AMVI é caracterizado por 65,6% da área ocupada por
pastagens e capineiras e apenas 13,8% por lavouras (permanentes e temporárias)22, o que
demonstra um predomínio da pecuária na região. A área ocupada por matas e florestas
corresponde a 14,8%, sendo que 1,5% são florestas plantadas, 2,4% matas e florestas naturais
e 10,9% matas naturais destinadas a áreas de preservação permanente (APP) ou reserva legal
(RL). As terras inaptas para agricultura e terras degradadas representam 1,5% da área total. A
aquicultura e os sistemas agroflorestais ocupam, respectivamente, 0,4% e 1,8% da área total.
No Censo Agropecuário de 2006, a estrutura produtiva na região da AMVI apresentava as
seguintes características: 78,6% dos estabelecimentos da região ocupados pela agricultura
familiar e apenas 21,4% pela agricultura não familiar. Mas estes agricultores familiares
ocupavam apenas 39,5% da área dos estabelecimentos agropecuários da região. A área média
dos estabelecimentos familiares na região é 23,5 hectares, e a dos não familiares, 132,3
hectares. Estes resultados mostram uma estrutura agrária menos concentrada que a média do
País e de Minas Gerais. No Brasil a área média dos estabelecimentos familiares é 18,37
hectares, e a dos não familiares, 309,18 hectares. Em Minas Gerais a área média dos
estabelecimentos familiares é 20,20 hectares, e dos não familiares, 208,40 hectares.

21
IBGE, 2000.
22
IBGE, 2006
48
4.2
.2 Saneamento ambiental

4.2.1 Sistema de abastecimento de água

Todas as áreas urbanas dos municípios da região têm sistema público de abastecimento de
água, através de rede geral.

Em 2009, 98% da população urbana da região da AMVI tinham acesso ao serviço público de
abastecimento de água. Esse percentual é superior ao verificado para o Estado de Minas
Gerais, que representava 97%23 e ao do Brasil24, que representava 89,1% da população urbana.

Os gestores municipais apontam problemas que comprometem a qualidade do serviço


prestado à população. Dentre eles destacam-se: ausência de cadastro de redes, idades das
redes com 20 anos e mais de uso, perdas de água na rede após tratamento.

Já com relação ao sistema público de abastecimento de água da zona rural, a situação


verificada é diferente. Somente 15% da população rural são servidos por rede geral. Este
percentual refere-se aos aglomerados ou comunidades rurais. O restante da população rural é
abastecido por sistemas individuais, através de poços rasos ou profundos, sem qualquer
controle sobre a qualidade da água.

100% 97,0% 98,0%

89,1%

80%

60%

40%
Brasil Minas Gerais Região da AMVI

GRÁFICO 4 – Cobertura do sistema público urbano de abastecimento de água


Fonte: FUNEDI, 2010.

23
Plano Decenal para a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Agência Nacional das Águas (2000)
24
Programa Nacional de Saneamento Básico, 2000
49
4.2.2 Sistema de esgoto

O percentual da população urbana coberta por redes coletoras de esgotamento sanitário


equivale a 72%, valor inferior ao verificado para o Estado de Minas Gerais (79,8%)25 e
superior ao verificado para o Brasil (53,8%)26, conforme mostra o GRÁFICO 5 . Todos os
municípios da região apresentam coberturas de esgotamento sanitário urbano compreendidas
entre 80 e 95% nas áreas urbanas, excetuando-se Córrego Fundo e Divinópolis, cujos
percentuais equivalem a 65% e 55%, respectivamente. A situação verificada se deve ao
município de Divinópolis, que concentra 32% da população urbana da região, reduzindo o
índice de cobertura no contexto geral.

100%

79,8%
80%
72,0%

60%
53,8%

40%
Brasil Minas Gerais Região da AMVI

GRÁFICO 5 – % da população coberta por redes coletoras


Fonte: FUNEDI, 2010.

O percentual da população residente na área urbana (20%) não atendida pelos coletores
utiliza-se de sistemas individuais, através de fossas secas (fossas negras), que se constituem
em potenciais focos de transmissão de doenças, além da poluição das águas do lençol freático
e do solo.

Com relação ao tratamento de esgotos domésticos na área urbana regional, verifica-se que
31%27 dos municípios já implantaram estações de tratamento de esgotos (ETE), parciais ou
totais, devidamente licenciadas pelo órgão ambiental (COPAM/FEAM). A população urbana
dos municípios atendida pelas ETEs corresponde a 64,22% do total destes (vide FIG. 25) e
12,8% da população regional. Há que se considerar que 87,2% da população regional não têm
acesso ao sistema de tratamento de esgotos domésticos. No âmbito do tratamento de esgotos,
a região apresenta situação melhor que a do Estado quanto ao número de municípios e à

25
IBGE, 2000
26
Idem
27
Fundação Estadual de Meio Ambiente - FEAM, 2009.
50
população atendida, em 2008, 3%28 e 11,8%29 da população total do Estado. No Brasil, 20%
dos municípios30 tratam os esgotos, totalmente ou parcialmente. O GRÁFICO 6 mostra a
situação descrita.

40%

31,0%
30%

20,0%
20%

12,8%
11,8%
10%

3,0%

0%
Região da AMVI Minas Gerais Brasil

% das cidades
% da população

GRÁFICO 6 – Situação quanto ao tratamento de esgoto


Fonte: FUNEDI, 2010.

Embora a região apresente elevado percentual de municípios com tratamento de esgotos e


percentual de cobertura populacional acima do Estado, o que se constata é que os municípios
maiores ainda não conseguiram solucionar o problema. É premente que municípios, tais
como, Divinópolis, Nova Serrana, Formiga e Itaúna implementem estações para o tratamento
dos esgotos domésticos, de modo a melhorar a qualidade das águas e as condições de saúde
pública.

28
FEAM, 2008
29
Idem
30
IBGE, 2000
51
FIGURA 26 – Mapa do % de atendimento do tratamento de esgoto na microrregião da AMVI
Fonte: FUNEDI, 2010.

52
4.2.3 Sistema de resíduos sólidos

O serviço de coleta de lixo regular atende a praticamente 100% da população urbana.


Entretanto, não se observam medidas efetivas que contemplem ações junto à comunidade para
a redução da geração ou para o reaproveitamento dos resíduos.

Quando se analisam os dados sobre a existência de tratamento e disposição final adequados


dos resíduos sólidos domésticos, a situação é preocupante. Os municípios que adotam
medidas de tratamento e/ou disposição final adequados são aqueles de menor porte
(população compreendida entre 10.000 a 30.000 habitantes)31. Observa-se que nessa situação
se encontram 54% dos municípios, que detêm 21% da população urbana regional (GRÁF. 7.
O percentual de municípios que destinam o lixo doméstico em aterros sanitários, devidamente
licenciados pelo órgão ambiental, representa 8% da totalidade, mas este índice engloba apenas
20% do contingente populacional. Ressalta-se que os municípios de maior porte ainda
dispõem o lixo em lixões a céu aberto, a despeito da convocação feita pelo órgão ambiental do
Estado para a implantação de aterros sanitários já estar vencida há mais de 2 anos. Nessa
situação se encontram 38% dos municípios, mas que englobam 59% da população.

80%

60%

40%

20%

0%
Lixão UTC AC AS

População
Municípios

GRÁFICO 7 – Situação quanto ao tratamento e à disposição final dos


resíduos domésticos (município e população atendida)
Fonte: FUNEDI, 2010.

31
Neste trabalho foram considerados: municípios de pequeno porte: 10.000 a 30.000 hab.; municípios de
médio porte: 30.0001 a 50.000 hab.; municípios de maior porte: 50.001 a 220.000 hab.
53
A situação dos municípios quanto ao tratamento e disposição dos resíduos, segundo
FEAM/COPAM (2009) está mostrada na FIG 27.

FIGURA 27 – Mapa da situação de tratamento e disposição final dos resíduos domésticos


Fonte: FUNEDI, 2010.

Há que se salientar que, em uma parte dos municípios da AMVI, já está em fase de
implantação o Consórcio Intermunicipal para as ações para o Saneamento Ambiental,
incluindo a questão relacionada à Gestão dos Resíduos Sólidos, que envolve os municípios de
Formiga, Pains, Arcos e Iguatama, que fazem parte também da ALAGO (Associação dos
Municípios do Lago de Furnas). O município de Conceição do Pará compõe com outros
municípios não pertencentes à AMVI um Consórcio Intermunicipal para implantação de
Aterro Sanitário, em fase de assinatura de protocolo de intenções. Em fase de discussão sobre
a implantação do Consórcio para a Gestão Integrada de Resíduos estão os municípios de
Cláudio, Divinópolis, Igaratinga, Itaúna, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do Oeste.

54
4.2.4 Drenagem urbana

O sistema de drenagem urbana apresenta deficiências em todos os municípios da região. Esta


situação pode ser evidenciada pela sedimentação de solos em pontos baixos de vias, processos
iniciais de erosão e turbidez dos cursos de água. A gestão do serviço é feita em 100% dos
municípios, por administração direta. Os sistemas de microdrenagem são caracterizados pela
precariedade devido a fatores tais como: a ausência de manutenção, a existência de galerias
sob edificações, além de equívocos na sua execução, gerando problemas à população do
entorno quanto à mobilidade, ao aparecimento de processos erosivos e o assoreamento dos
cursos de água.

Quanto à macrodrenagem, a ocupação urbana das margens dos cursos tem gerado a
ocorrência de enchentes e inundações frquentes nos municípios de Divinópolis, Formiga,
Pains e Nova Serrana.

4.2.5 Qualidade do ar

Embora não se tenham obtido dados primários e secundários sobre a qualidade do ar na região
da AMVI, é perceptível que os municípios de Divinópolis, Arcos e Pains apresentam
alterações dessa qualidade, geradas por fontes pontuais de poluição. As atividades minerárias
desses municípios são as principais responsáveis pela poluição atmosférica. A questão da
poluição atmosférica gerada pelas atividades da mineração foi apontada pelos participantes
nos Encontros Municipais e Regional. A elaboração de um diagnóstico mais apurado sobre as
condições da qualidade do ar na região deve contribuir para a adoção de medidas saneadoras
neste sentido.

55
4.3 Infraestrutura

4.3.1 Mobilidade intermunicipal e interestadual

A região apresenta uma extensa malha rodoviária, composta por rodovias estaduais e federais.
Conta também com a malha ferroviária, sob a concessão da Ferrovia Centro Atlântica,
responsável por boa parte do transporte de minério da região do Vale do Aço para cá e para
outros estados, como o Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Conta ainda com uma
estrutura de seis aeroportos, particulares e públicos, localizados em Arcos, Divinópolis,
Cláudio, Formiga, Bambuí e Oliveira.

A existência de importantes rodovias de interligação com outras regiões do Estado e outros


estados do país possibilita o rápido fluxo da produção regional, bem como dos insumos e
produtos necessários ao processo produtivo regional, tal como o carvão oriundo da região
norte de Minas Gerais (ver FIG. 28).

A rodovia MG-050, atualmente gerida por concessão, através de parceria público-privada,


interliga Belo Horizonte ao Estado de São Paulo, passando pela região Centro-Oeste e Sul do
Estado. Os municípios da região lindeiros à rodovia são Itaúna, Divinópolis e Formiga.

A BR-262 é uma rodovia que interliga os estados do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo
e Mato Grosso do Sul. O corredor gerado pela rodovia abrange os municípios de Nova
Serrana, Araújos, São Gonçalo do Pará e Moema.

A rodovia Fernão Dias (BR-381) é de grande importância econômica para o país, pois
interliga os estados do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, passando por duas grandes
regiões metropolitanas, São Paulo e Belo Horizonte. Na região, passa pelo município de
Oliveira e próxima aos municípios de Itaúna e Cláudio.

A BR- 494 é a rodovia que faz a interligação entre a BR-262 e a BR-381. Os municípios
localizados às margens da referida rodovia são: Nova Serrana, Divinópolis, Carmo da Mata e
Oliveira.
A BR-354 é uma rodovia que faz a interligação do Rio de Janeiro ao Triângulo, embora tenha
prosseguimento até Cristalina - GO. Na região, corta os municípios de Formiga, Arcos,
Iguatama e Bambuí e possibilita o acesso destes até a BR-262.

56
Além das rodovias citadas anteriormente, pode-se observar que praticamente todos os
municípios da região contam com o acesso próximo a outras rodovias importantes de
interligação entre a própria região ou a outras regiões do Estado. Dentre as principais rodovias
que cortam a região podem ser citadas: MG-262, MG-260, MG-060, MG-170.

FIGURA 28 - Mapa rodoviário da microrregião da AMVI

No contexto geral, as condições de conservação e manutenção das rodovias são boas, com
terceiras faixas em vários trechos e com boa sinalização horizontal e vertical. Ressalta-se que
se encontra em más condições a rodovia BR-354, entre Arcos e Iguatama. As condições
estruturais e de conservação da referida rodovia não comportam o intenso fluxo de veículos
que fazem o transporte de calcário para a região. A precariedade da BR-262, entre Nova
Serrana e Belo Horizonte, está sendo sanada pelas obras de duplicação em fase de
implantação.

57
Há ainda que salientar-se que em toda a malha rodoviária da região ocorre um intenso fluxo
de cargas pesadas e perigosas, responsáveis por um elevado índice de acidentes,
especialmente nos municípios confrontantes com as respectivas rodovias próximas.
As rodovias vicinais, que fazem a interligação entre as zonas rurais e os municípios, não
apresentam pavimentação, são estreitas e não apresentam drenagem das águas pluviais.

A região conta com transporte ferroviário operado pela empresa Ferrovia Centro-Atlântica
(FCA), originária da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Desde 2003, a Companhia Vale
assumiu o controle de 99,9% da FCA, cuja logística está direcionada para o transporte de
carga a granel. A malha ferroviária faz parte de uma estrutura integrada de transporte,
proporcionando soluções intermodais completas para os produtos da região, especialmente o
minério e o calcário.

Na região, o complexo intermodal possibilita o transporte ao Complexo Portuário de Tubarão,


em Vitória (ES). As linhas férreas passam pelos municípios de Carmo da Mata, Carmo do
Cajuru, Oliveira, Santo Antônio do Monte, Iguatama, Itaúna, Arcos, Bambuí, Formiga e
Divinópolis. Neste último, está localizada uma das unidades de administração e manutenção
da FCA. A FIG. 29 apresenta a malha ferroviária da região da AMVI

58
FIGURA 29 – Mapa ferroviário da microrregião da AMVI

A região conta com seis aeroportos, públicos e privados, nos municípios de Arcos,
Divinópolis, Bambuí, Cláudio, Formiga e Oliveira.

A região foi contemplada pelo Proaero32, que tem por objetivo a adequação, ampliação e
melhoria da malha aeroportuária do Estado. O aeroporto de Divinópolis teve a estrutura
modernizada, com investimento da ordem de R$ 11.000.000,0033, de modo a se tornar
referência regional para o transporte aéreo. Para o aeroporto de Bambuí, estão previstas
melhorias para que seja possível o atendimento no âmbito local34. Em Oliveira e Cláudio
houve investimentos do Proaero em 2008 e 2009, da ordem de R$ 2.500.000,00 e R$
13.000.000,00, respectivamente. De acordo com programa ainda deverão passar por reformas
os aeroportos de: Formiga, em 2010, e Bambuí, em 2011. Há ainda a previsão de implantação
32
Programa Aeroportuário de Minas Gerais
33
Dados da Secretaria Estadual de Transportes e Obras Públicas, acesso em http//www.transportes.mg.gov.br,
em 15/04/2010.
34
Idem
59
de um aeroporto no município de Nova Serrana35.

FIGURA 30 - Mapa dos aeroportos da microrregião da AMVI


Fonte: SEPLAG/Proaero.

4.3.2 Energia

O suprimento de energia na região é feito pela CEMIG. A concessionária está implantando o


Programa Cresce Minas, um dos projetos estruturadores do Governo do Estado, desde 2006.
Até o momento foram investidos R$ 750.000.000,00 em implantação de novas usinas
geradoras, em linhas de distribuição, subestações e em redes de média e de baixa tensão.

A região foi contemplada pelo programa, que tem por objetivo atender o crescimento de
mercado no Estado, com recursos de R$ 15.300.000,00 destinados à implantação de
subestação denominada SE Cláudio 2, no município de Cláudio. A subestação foi inaugurada

35
Ibdi
60
em janeiro de 2010, e é alimentada em 138 KV através da subestação de São Gonçalo do
Pará. A SE Cláudio 2 tem capacidade instalada para 66 MVA, foi projetada para futuras
ampliações e pode ampliar a sua capacidade para até 100 MVA. A instalação da subestação
visa atender a novas demandas de energia elétrica da região Centro-Oeste de Minas.

A instalação da subestação deve solucionar o problema de suprimento de energia enfrentado


pelos municípios da região, que impossibilita a implantação de indústrias que requerem um
maior consumo de energia.

4.4 Síntese

A ocupação do solo apresenta heterogeneidade de usos, algumas conflitivas. A existência de


vazios urbanos predomina na maioria dos municípios da região. A existência de rodovias e
ferrovias que cortam as áreas urbanas, em diversos municípios da região, representa um sério
problema para as comunidades locais quanto à baixa qualidade ambiental provocada pelo
ruído e pelo elevado índice de acidentes verificados no entorno das mesmas.

A região apresenta boas condições relativas ao abastecimento de água potável nas áreas
urbanas, excetuando-se Iguatama que não trata a água para o consumo humano. Esta situação
não se verifica para a população residente na área rural, em que somente 10% do total
consome água tratada ou desinfetada.

Com relação ao tratamento de esgotos e de resíduos domésticos, a situação é ruim quando se


analisa o percentual da população coberta pelos serviços. Esta situação deve-se ao fato de que
os municípios de maior porte ainda não resolveram os problemas relacionados ao tratamento
dos esgotos e do lixo.

A drenagem é inexistente e/ou deficiente em todos os municípios da região. Esta situação


contribui para a piora da qualidade da água e dos processos erosivos nos municípios.

Os parâmetros de qualidade do ar inexistem para os municípios cuja atividade predominante é


a mineração. Há a reclamação dos moradores dos locais, além da incidência de doenças do
aparelho respiratório.

A malha rodoviária, ferroviária e aeroportuária da região possibilita a interligação da região

61
com outras regiões do Estado e com outros estados. Não se verificam problemas relacionados
ao fluxo da produção regional e nem de matérias-primas e insumos necessários aos processos
produtivos. Não se constata a mesma condição para o transporte de produtos agropecuários,
pois o estado de conservação das estradas vicinais não é bom.

O sério problema de suprimento de energia nos municípios da região, especialmente para o


atendimento aos novos empreendimentos, deve ser solucionado com a instalação da
subestação de Cláudio.

62
5. Aspectos econômicos

A economia da região da AMVI é bastante diversificada e bem distribuída entre seus vários
setores. A variação do Produto Interno Bruto, no periodo de 2002 a 2007, demonstra o
crescimento do setor terciário, como pode ser observado na TAB. 5.

TABELA 5
Valor adicionado por setor econômico – AMVI – 2002 a 2007

Anos Primário Secundário Terciário


2002 382875,97 959643,82 2230277,23
2003 459767,58 1321288,18 2600745,09
2004 501057,89 1790016,96 2943835,16
2005 549890,46 1684043,16 3362341,79
2006 513546,52 1835291,77 3818604,02
2007 633114,98 1928122,53 4141852,68
Fonte: IBGE - Sistema de Contas Regionais
Obs.: PIB valor adicionado a preços básicos de R$2000.

O GRÁFICO 8 mostra ainda como o setor primário, ainda que menos expressivo, se mantém
presente na economia regional.

4500000

4000000

3500000

3000000

2500000
Primário
Secundário
2000000
Terciário

1500000

1000000

500000

0
1 2 3 4 5 6

GRAFICO 8 - Setores econômicos da AMVI


Fonte: IBGE.

Nesse período, a economia regional apresentou um crescimento constante, com destaque para
o setor industrial, com 101% de aumento. Em relação ao Estado de Minas Gerais, a região
apresentou padrão similar de crescimento econômico, sendo que o setor primário superou o
crescimento do Estado, com 65% e 50,9% respectivamente.
63
TABELA 6
Taxas de crescimento do PIB por setores AMVI e MG

2002-2007 AMVI MG
Primário 65,00% 50,90%
Secundário 101,00% 109,00%
Terciário 86,00% 87,00%
Fonte: IBGE.

Na AMVI, os municípios com maior participação do PIB são Divinópolis, Itaúna, Formiga,
Nova Serrana e Arcos, sendo que os dois primeiros atingem quase 50% do PIB da região.
Divinópolis é o município de maior peso econômico da AMVI, com mais de R$2 bilhões de
PIB em 2007, o que representa 34% do PIB regional e 1% do Estado. O menor PIB da região
é o do município de Moema.

64
TABELA 7
PIB Municipal Total – 2007
Municípios 2007
Araújos 48.796,00
Arcos 400.282,00
Bambuí 199.483,00
Camacho 36.078,00
Carmo da Mata 73.040,00
Carmo do Cajuru 149.610,00
Cláudio 208.455,00
Conceição do Pará 84.686,00
Córrego Fundo 69.807,00
Divinópolis 2.614.127,00
Formiga 579.304,00
Igaratinga 63.860,00
Iguatama 164.683,00
Itapecerica 138.747,00
Itaúna 1.163.096,00
Japaraíba 37.196,00
Moema 22.465,00
Nova Serrana 498.451,00
Oliveira 286.361,00
Pains 112.468,00
Pedra do Indaiá 36.955,00
Perdigão 44.488,00
Pitangui 213.718,00
Santo Antônio do Monte 203.127,00
São Gonçalo do Pará 76.838,00
São Sebastião do Oeste 86.232,00
AMVI 7.612.353,00
MG 241.293.054,00
Fonte: IBGE.

Observa-se que o crescimento dos PIBs municipais da AMVI tem sido bastante expressivo,
com destaque para São Sebastião do Oeste, Conceição do Pará, Nova Serrana, Iguatama,
Pains, São Gonçalo do Pará e Cláudio, que apresentaram taxa superior a 100%, sendo
possível constatar a importância do setor industrial nessas localidades. Observa-se uma
retomada dos patamares do período pré-crise, após ruptura no ciclo de expansão econômica e
industrial brasileiras provocada pela crise mundial financeira, em 2003 (FIEMG, 2010)36.

36
CORTELETI, Marco Antônio. Parceria pelo progresso in Indústria de Minas. Uma revista do Sistema
FIEMG. Ano III. Maio. No. 23. 2010.
65
TABELA 8
Variação do PIB dos municípios da AMVI - 2000-2007
Taxas de cres cimento do PIBpm
Municípios Período 2002-2007
2003 2004 2005 2006 2007
A rcos 17,8 20,7 4,9 5,5 7,5 69,3
Araújos 17,1 15,8 10,4 8,8 9,7 78,6
Bambuí 138,7 -45,4 12,5 2,5 13,7 70,9
Camacho 13,2 16,7 13,5 26,2 0,3 89,8
Carmo da M ata 25,8 27,9 9,6 7,1 0,7 90,1
Carmo do Cajuru 19,8 8,1 7,5 2,4 -44,5 -20,8
Conceição do Pará 41,4 35,0 -18,1 15,5 43,8 159,8
Córrego Fundo 26,4 26,5 8,6 13,4 -8,5 80,1
Claúdio 21,4 24,3 11,1 13,0 9,6 107,7
Divinópolis 18,2 26,0 8,9 9,3 10,0 95,0
Formiga 16,6 16,1 10,4 9,7 10,3 80,9
Igaratinga 17,0 -1,3 17,7 11,8 8,0 64,1
Iguatama 18,6 30,5 2,9 -4,0 39,5 113,4
Itapecerica 12,5 5,1 6,2 0,2 10,3 38,8
Itaúna 20,9 27,4 1,3 18,7 6,7 97,6
Japaraíba 30,8 10,7 12,4 8,4 12,0 97,5
M oema 13,2 15,6 9,1 3,7 12,0 65,7
Nova Serrana 22,5 31,5 16,4 11,2 2,8 114,1
Oliveira 15,0 15,0 14,8 8,8 2,6 69,5
Pains 27,6 7,9 26,8 15,4 6,1 113,8
Pedra do Indaiá 17,4 20,9 2,4 9,3 11,3 76,8
Perdigão -2,0 -10,3 20,5 12,1 -0,6 18,1
Pitangui 22,1 29,7 11,6 2,7 6,3 92,9
Santo Antônio do M onte 21,8 3,9 13,9 4,2 7,9 61,9
São Gonçalo do Pará 34,2 39,7 -13,3 19,7 6,3 106,8
São Sebas tião do Oeste 19,9 13,7 16,1 7,0 64,5 178,6
Fonte: IBGE.

Por outro lado, os municípios de Perdigão e Itapecerica tiveram os menores crescimentos no


período. Em Itapecerica, o término do plano de exploração e consequente redução das
atividades de extração mineral da empresa Nacional de Grafite Ltda. pode responder pela
queda do crescimento local. O mesmo não se aplica a Perdigão, que está localizado na porção
de maior crescimento populacional da AMVI, decorrente do poder de atração do APL
calçadista de Nova Serrana. Isso sugere que o crescimento econômico da microrregião (Nova
Serrana, Araújos, São Gonçalo do Pará e Perdigão) não tem contribuído para a emancipação
econômica de Perdigão e deve ser mais bem investigado.

Em relação à taxa negativa do crescimento do PIB de Carmo do Cajuru, supõe-se que esteja
associada a um conjunto de fatores. Segundo Marcelo Amaral de Souza, secretário municipal
de Fazenda e Planejamento, a saída da Fábrica de ração PURINA da cidade, a queda do
faturamento das granjas (produção de ovos) instaladas no município e o fechamento da
Siderúrgica Cajuruense provocaram essa trajetória negativa.

66
Observa-se, a partir da dinâmica dos setores econômicos no âmbito da AMVI, a contribuição
de cada município para o desenvolvimento regional. Divinópolis e Itaúna concentram o PIB
regional. Em nível secundário, Nova Serrana supera Arcos e se aproxima de Formiga.

TABELA 9
Participação relativa (%) dos municípios na AMVI em relação ao PIB

Municípios 2002 2003 2004 2005 2006 2007


Araújos 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7
Arcos 5,8 5,6 5,7 5,5 5,3 5,3
Bambuí 3,1 5,6 2,7 2,9 2,7 2,8
Camacho 0,5 0,5 0,5 0,5 0,6 0,5
Carmo da Mata 1,0 1,0 1,1 1,1 1,1 1,0
Carmo do Cajuru 2,4 2,3 2,1 2,1 1,9 1,0
Cláudio 0,8 0,9 1,1 0,8 0,9 1,2
Conceição do Pará 0,9 1,0 1,0 1,0 1,1 0,9
Córrego Fundo 2,5 2,5 2,6 2,7 2,7 2,8
Divinópolis 32,6 31,8 33,8 33,9 33,7 34,2
Formiga 8,1 7,7 7,5 7,7 7,7 7,8
Igaratinga 1,0 1,0 0,8 0,9 0,9 0,9
Iguatama 1,9 1,8 2,0 1,8 1,6 2,2
Itapecerica 2,6 2,4 2,1 2,0 1,9 1,9
Itaúna 14,1 14,0 14,8 13,8 15,0 14,7
Japaraíba 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
Moema 0,6 0,6 0,6 0,6 0,5 0,5
Nova Serrana 5,7 5,7 6,3 6,8 6,9 6,6
Oliveira 4,3 4,1 3,9 4,2 4,1 3,9
Pains 1,3 1,4 1,3 1,4 1,5 1,5
Pedra do Indaiá 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
Perdigão 1,0 0,8 0,6 0,7 0,7 0,6
Pitangui 2,8 2,8 3,1 3,2 3,0 2,9
Santo Antônio do Monte 3,3 3,3 2,8 3,0 2,8 2,9
São Gonçalo do Pará 0,9 1,0 1,2 1,0 1,1 1,0
São Sebastião do Oeste 0,8 0,8 0,7 0,8 0,8 1,2
Fonte: IBGE - Sistema de Contas Regionais.
Obs: PIB valor adicionado a preços básicos de R$2000.

Além disso, agregando os dados do núcleo do polo calçadista (Nova Serrana, Araújos,
Perdigão e São Gonçalo do Pará), observa-se como o setor se mostra robusto regionalmente.
Nesse sentido, há uma tendência de descentralização econômica na AMVI, cujo dinamismo se
expressa na alta taxa de crescimento populacional dessas cidades, configurando a tese de uma
nova rede de centralidades no centro-oeste mineiro. O censo de 2010 confirma o crescimento
populacional de Nova Serrana, agora, terceira cidade da região, com mais de 70.000
habitantes.

67
5.1 Renda e Ocupação

A análise do mercado de trabalho regional buscou conhecer a estrutura e a dinâmica da


população em idade ativa (população de 10 anos ou mais de idade) e da população
economicamente ativa. Conforme discutido no estudo demográfico desse documento, a
população jovem e adulta no âmbito da AMVI é bastante expressiva, indicando o contingente
a ser absorvido pelo mercado de trabalho. Por outro lado, permite constatar o potencial de
mão-de-obra de que o setor produtivo pode dispor, a chamada janela demográfica. Observa-se
como a população está predominantemente distribuída nos setores industrial e serviços.

População ocupada por setor econômico - AMVI - 2000

GRÁFICO 9 – Percentual da população ocupada por setor econômico


Fonte: IBGE, 2000.

68
Essa característica pode ser constatada também na maioria dos municípios da região,
conforme mostra o GRÁFICO 10.

GRÁFICO 10 – Número de pessoas ocupadas por setor econômico


Fonte: IBGE, 2000.

Dados de 2008 mostram como a informalidade37 está presente na economia regional, com
55,4% da população ocupada, acompanhando tendência do crescimento do setor informal no
país, que sugere que o emprego vem se tornando mais precário em termos qualitativos. Essa
situação demonstra a necessidade de oferecer qualificação profissional aos trabalhadores e
promover sua inserção no mercado formal.

37
O chamado "setor informal" da economia aqui entendido como emprego assalariado sem carteira de trabalho
assinada ou trabalho por conta própria (RAMOS & REIS, 1997).

69
TABELA 10
População ocupada – AMVI – 2008

População Carteira
Atividade
Ocupada assinada

Agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal 36.897 8.363

Pesca 171 -

Indústria extrativa 2.800 2.009

Indústria da transformação 69.658 41.221

Produção e distribuição de eletricidade, gás e água 1.320 1.169

Construção 22.212 5.791

Comércio, reparação de veículos automotores, objetos pessoais e 48.281 19.357


domésticos

Transporte, armazenagem e comunicação 13.896 5.801

Alojamento e alimentação 10.975 2.597

Intermediação financeira 1.894 1.433

Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados as empresas 10.804 4.336

Administração pública, defesa e seguridade social 10.867 8.010

Educação 15.137 12.035

Saúde e serviços sociais 7.233 4.894

Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 9.357 2.765

Serviços domésticos 22.579 7.620

Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais 3.093 -

Atividades mal especificadas 1.336 1336


Total 288.510 128.737
Fonte: IBGE.

O GRÁFICO 11 possibilita visualizar a situação da população ocupada na região que, nos


diferentes setores econômicos, caracteriza-se pela precariedade, ratificada pelos empregos de
baixo nível salarial, como poderá ser conhecido no tópico renda, discutido a seguir.

70
Agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal
Pesca
Indústria extrativa
Indústria da transformação
Produção e distribuição de eletricidade, gás e água
Construção
Comércio, reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos
Transporte, armazenagem e comunicação
Alojamento e alimentação
Intermediação financeira
Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados as empresas
Administração publica, def esa e seguridade social
Educação
Saúde e serviços sociais
Outros serviços coletivos, sociais e pessoais
Serviços domésticos
Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais
Atividades mal especificadas

0% 20% 40% 60% 80% 100%

População Ocupada C arteira


assinada

GRAFICO 11 - População ocupada – AMVI – 2008


Fonte: IBGE, 2008.

A região da AMVI apresenta taxa de desocupação de 11%, menor que a do Estado, de 14%.
Os municípios possuem condições bastante heterogêneas. 23% dos municípios tem taxa de
desocupação satisfatória de até 5%: Pedra do Indaiá – 2%; Camacho – 3%; São Sebastião do
Oeste e Perdigão – 4% e Nova Serrana e Moema – 5%. É possível afirmar que as maiores
taxas de desocupação – acima de 10% - correspondem aos municípios de base industrial
expressiva. Estima-se uma redução da taxa de desocupação na região face o satisfatório
desempenho econômico do país, sobretudo da economia mineira (FJP, 2010).

71
TABELA 11
Taxa de desocupação – AMVI

PEA PEA Taxa de


Municípios PEA
Ocupada Não Ocupada Desocupação
Araújos 3.545 3.284 261 7%
Arcos 15.643 13.752 1.891 12%
Bambuí 10.761 9.855 906 8%
Camacho 1.490 1.442 48 3%
Carmo da Mata 4.910 4.588 322 6,5%
Carmo do Cajuru 8.219 7.336 883 11%
Cláudio 11.237 10.215 1.022 9%
Conceição do Pará 1.829 1.622 207 11%
Córrego Fundo 2.409 2.135 274 11%
Divinópolis 92.457 80.660 11.797 13%
Formiga 30.299 26.815 3.484 11%
Igaratinga 3.549 3.248 301 8%
Iguatama 3.921 3.432 489 12%
Itapecerica 9.602 8.355 1.247 13%
Itaúna 38.358 33.386 4.972 13%
Japaraíba 1.925 1.708 217 11%
Moema 3.580 3.395 185 5%
Nova Serrana 20.950 19.840 1.110 5%
Oliveira 17.642 15.820 1.822 10%
Pains 3.730 3.488 242 6%
Pedra do Indaiá 1.998 1.961 37 2%
Perdigão 3.065 2.933 132 4%
Pitangui 10.564 9.081 1.483 14%
S. Antônio do Monte 12.607 11.905 702 5,5%
São Gonçalo do Pará 3.730 3.254 476 13%
São Sebastião do Oeste 2.202 2.121 81 4%
AMVI 318.020 283.510 34.510 11%
Minas Gerais 8.335.782 7.153.508 1.182.274 14%
Fonte: IBGE (2000).

Na AMVI, a participação das mulheres no mercado de trabalho apresenta diferença em


relação à participação dos homens (ver GRÁFICO 12). A desproporção pode ser explicada
pela natureza de algumas atividades econômicas desenvolvidas (como foi registrado pelos
gestores locais de Cláudio, polo da fundição), mas não deixa de expressar a desigualdade de
gênero ainda presente no quadro social da região.

72
GRÁFICO 12 – Ocupação por gênero
Fonte: IBGE.

Em relação aos anos de estudo da população economicamente ativa - PEA, a região ainda é
caracterizada pela baixa escolaridade: 17% tem menos de quatro anos de estudo. Se se
considerar a qualificação mínima de ensino fundamental, 48% da PEA não completaram 8
anos de estudo. Há uma expectativa de melhoria nesse quadro por parte dos gestores, mas que
ainda não pode ser confirmada.

GRÁFICO 13 – Escolaridade da PEA na microrregião da AMVI


Fonte: IBGE.

O GRÁFICO 14 mostra como a escolaridade da PEA por município encontra-se aquém das
exigências de mercado de trabalho sob constantes transformações, sobretudo tecnológicas e
de cunho inovativo.

73
GRÁFICO 14 – Anos de estudo da PEA na microrregião da AMVI
Fonte: IBGE.

Essa desqualificação da mão-de-obra necessariamente contribui para a baixa renda da região.


O GRÁFICO 15 demonstra a variação salarial no âmbito da AMVI que não atinge a média de
três salários mensais, à exceção de Conceição do Pará, com 3,4 s.m..

GRÁFICO 15 - Salário médio mensal – AMVI - Fonte: IBGE, Cadastro Geral de Empresas, 2008.

74
5.2 Setor secundário

A região da AMVI dispõe de um parque industrial expressivo nos segmentos minero-


metalúrgico, alimentício, têxtil, produtos químicos, móveis, sobretudo nas cidades médias,
como Divinópolis, Itaúna, Arcos, Nova Serrana, além de em outras, de menor porte. A
participação crescente dos PIBs municipais no setor industrial dimensiona a sua importância
na região. Vale registrar que 95% das empresas da região são de micro e pequeno porte com
70% da população ocupada (SEBRAE/2010). O setor congrega 3.644 empresas e 85.750
empregados (FIEMG, 2010).

Segundo Leonardo Mól, gestor regional do SEBRAE/MG (2010), pesquisas demonstram que
50% das micro e pequenas empresas encerram suas atividades em até dois anos de atividade.
Nesse sentido, um apoio público fundamental ao segmento é a implantação da Lei
complementar 123 da Micro Empresa e de Pequeno Porte que define normas para um
tratamento diferenciado e simplificado aos pequenos negócios. Além de facilitar o
funcionamento dessas empresas, colabora com a diminuição da informalidade e o aumento do
emprego e da renda. Divinópolis é o único município da região que implantou a legislação.

Ainda que o desempenho do setor industrial da região tenha melhorado, para o Presidente da
FIEMG Regional Centro-oeste, Afonso Gonzaga, é preciso estreitar as relações da classe
empresarial com o Estado, sobretudo com o envolvimento e assistência técnica do INDI, “de
forma a apoiar o desenvolvimento regional baseado na competitividade das indústrias do
centro-oeste. A região é promissora e capacitada para receber investimentos em função de sua
satisfatória base logística e expressiva rede de serviços disponível”.

Outra questão estratégica refere-se à qualificação dos trabalhadores da indústria. A FIEMG


tem coordenado a implantação de centros tecnológicos vocacionados, buscando oferecer uma
educação inovadora a partir de parcerias com organismos internacionais, como o de Nova
Serrana que, focada na cultura empreendedora, no design e na competitividade, pretende
superar o ainda presente “copismo”. O sistema FIEMG ainda conta com os centros
tecnológicos em Itaúna, Santo Antônio do Monte e Cláudio.
Destaca-se a preocupação apontada pelo Presidente da FIEMG quanto à baixa escolaridade
dos próprios empresários. Foram citados os segmentos de móveis, em Carmo do Cajuru;
confecção, em Divinópolis e Formiga e o do APL de calçados. Segundo diagnóstico do setor
calçadista em Nova Serrana, realizado em 2009, a maior parte dos empresários (35,5%)

75
possui apenas a educação básica; 23,6% não completaram o ensino fundamental e 17,8%
concluíram o fundamental completo. Apenas 10,5% tem superior completo (FIEMG, 2010).
Em relação à qualificação dos empresários na região, o SEBRAE/MG também vem atuando
intensivamente a partir das vocações locais, enfatizando a cultura empreendedora e
associativa para fortalecer as relações formais de trabalho e geração de renda.

Nesse contexto, faz-se necessário registrar a disponibilidade de instituições, cursos técnicos e


superiores na região. Há 28 instituições de ensino superior em diferentes áreas de
conhecimento, sem mencionar a oferta de educação a distância. No entanto, essa rede de
serviços educacionais, segundo os empresários, não oferece uma formação adequada às
transformações do mundo do trabalho, sobretudo de caráter tecnológico, organizacional e
inovativo. É necessária a aproximação da área técnico-cientifica com o setor produtivo.
Também em relação à oferta de formação básica para os jovens e adultos, tem sido verificada
uma grande oferta de vagas na rede de ensino pública. De forma geral, essa oferta regular não
atende às dificuldades e peculiaridades de um público que demanda alternativas de formação.
Fica para os gestores a necessidade de conceber projetos pedagógicos diferenciados que
possibilitem o acesso e a permanência daqueles que ainda não possuem a formação básica.

De forma geral, a presença expressiva de micro e pequenas empresas aponta a necessidade de


uma concertação política e de uma governança que seja capaz de promover ações para o
desenvolvimento dos setores econômicos e da região. Nesse sentido, o adensamento dos
APLs38 na região vai ratificar as vocações locais39, superando o histórico viés individualista
das especializações produtivas municipais, como alternativa de crescimento econômico. Os
setores calçadista, do vestuário, de fogos de artifício, de móveis, alimentício e minero-
metalúrgico constituem APLs na região e serão sinteticamente apresentados.

A indústria calçadista de Nova Serrana exerce um papel central na região dada a concentração
de um número significativo de empresas calçadistas: 687 empresas geram cerca de 18 mil
empregos diretos e 23 mil indiretos. 94,5% das empresas são micro e pequenas indústrias
(FIEMG, 2010). Esse APL é considerado o terceiro maior polo produtor de calçados
esportivos do Brasil, sendo responsável por 55% da produção do País. Além de Nova Serrana,
participam do APL as cidades de Perdigão, Araújos, São Gonçalo do Pará, Bom Despacho,
Conceição do Pará, Divinópolis, Pitangui, Igaratinga, Leandro Ferreira, Onça do Pitangui e
38
APLs ou Arranjos Produtivos Locais são aglomerações de empresas localizadas em um mesmo território, que
apresentam especialização produtiva e vínculo entre si e com instituições públicas e privadas e outros atores
sociais, entre os quais se estabelecem sinergias e relações de cooperação.
76
Pará de Minas.

Voltado para a profissionalização, o SINDINOVA – Sindicato Intermunicipal da Indústria do


Calçado de Nova Serrana busca permanentemente a qualificação para a competitividade do
setor. Assim, desde 2008, com a consultoria da empresa espanhola Competitiveness, o projeto
executado pelo SEBRAE, com o apoio do SINDINOVA e do Sistema FIEMG, através do IEL,
visa incrementar a competitividade das empresas da cadeia produtiva de calçados de Nova
Serrana. Além disso, será inaugurado, em dezembro de 2010, o Centro Tecnológico do
Calçado, em parceria com organizações da Itália e Espanha, para desenvolvimento de design e
qualidade dos produtos. Dessa forma, espera-se consolidar uma mudança na imagem da
cidade, tornando-a produtora de moda a ser apresentada em três lançamentos anuais. A
primeira etapa do projeto envolve 50% das empresas.

Na região da AMVI, a indústria do vestuário destaca-se em Divinópolis e Formiga. Há grande


informalidade no setor, com existência de facções e precarização do trabalho. A implantação
da Lei complementar 123 da Micro Empresa e de Pequeno Porte pode modificar esse quadro,
possibilitando a formalização do empreendedor individual, como já mencionado. Segundo o
Presidente da FIEMG, Afonso Gonzaga, as duas cidades se distinguem culturalmente na
gestão de seus negócios. Em Divinópolis, a competição comumente sobressai nas tentativas
de associação e qualificação, consideradas “perda de tempo”. Em Formiga, as demandas vem
de grandes marcas que contratam as facções.

No entanto, o setor confeccionista de Divinópolis tem buscado, com apoio do SINVESD -


Sindicato do Vestuário de Divinópolis e representantes de instituições financeiras, políticas,
empresariais e de ensino, discutir as potencialidades e fraquezas do setor, com foco na
agregação de valor e valorização das marcas locais. Esse trabalho busca a competitividade,
ampliação de mercados para os produtos com design e qualidade por meio da participação das
empresas em feiras e eventos de moda.

Em 2009, havia 570 empresas cadastradas como confeccionistas na cidade (RAIS, 2009), das
quais 500 possuem pontos de venda de confecção. 90% delas empregam menos de 20
funcionários, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos e Marketing

39
O fortalecimento dos APLs fundamenta-se no desenvolvimento endógeno e na autonomia: Haddad (2004) cita
a tese de Sérgio Boisier de que o desenvolvimento de uma região ou localidade, no longo prazo, depende profun-
damente da sua capacidade de organização social e política para modelar o seu próprio futuro (processo de de-
senvolvimento endógeno), o que se relaciona, em última instância, com a disponibilidade de diferentes formas de
77
Industrial (IEMI). Um total de 4800 pessoas trabalham com carteira assinada no setor
(CAGED, 2009). O levantamento mostrou que 90% das empresas produzem em média 4,7
milhões de peças, o que gera uma receita de R$123 milhões. 23% da mão-de-obra empregada
na confecção estão no setor comercial, uma vez que 98% das empresas além de produzir,
vendem no varejo sua marca própria.

Pesquisa realizada pelo CEFET/Divinópolis (2009) com os empresários associados, revela


que 71% das empresas pesquisadas estão há mais de dez anos no mercado, produzindo
principalmente moda feminina. 40% das empresas possuem fabricação própria e terceirizada e
16% delas terceirizam totalmente sua produção, evidenciando essa estratégia para redução dos
custos, segundo os empresários. 72% das empresas realizam controle de qualidade de sua
produção. As conclusões das pesquisas realizadas no setor confeccionista de Divinópolis
indicam uma baixa qualificação técnica e gerencial dos empresários.

Destacam-se os faccionistas, atores de impacto na atividade, uma vez que o grau de


terceirização é expressivo. Característica do próprio setor, na facção também não há
organização nos processos de produção, gestão, finanças e controle de qualidade. Apesar de
muitos serem afiliados ao Sindicato dos Oficiais Alfaiates e Costureiras (SOAC), há
predominância do trabalho individual, sem qualidade nas peças produzidas e garantia de
ganhos maiores.

Em Formiga, há 150 empresas, sendo 90% de facção e 10% com marcas próprias. O setor
gera cerca de três mil empregos e responde por cerca de 10% do PIB. Atualmente, 77
empresas são associadas ao SINVESF - Sindicato das Indústrias do Vestuário de Formiga. De
acordo com Paulo César Rodrigues da Costa, vice-presidente do SINVESF, falta mão-de-obra
qualificada, ainda que a cidade disponha de capacitação oferecida pelo SENAI em costura
industrial, manutenção de máquinas e design. Além disso, são esperados investimentos do
setor, a exemplo da Confecção Fidalga Ltda. que deverá gerar cerca de 100 empregos para os
próximos anos, na ordem de R$5 milhões.

Santo Antônio do Monte e os municípios de Japaraíba, Lagoa da Prata, Pedra do Indaiá, Itape-
cerica e Moema formam o segundo maior polo do setor de fogos de artifício em todo o mun-

capitais intangíveis na região ou localidade, a saber: capital institucional (As instituições ou organizações públi-
cas e privadas existentes na região: o seu número, o clima de relações interinstitucionais (cooperação, conflito,
neutralidade), o seu grau de modernidade); humano (O estoque de conhecimentos e habilidades que possuem os
indivíduos que residem na região e sua capacidade para exercitá-los); cívico (A tradução de práticas de políticas
78
do, depois da China. A indústria pirotécnica abriga 70 empresas e gera mais de 15 mil empre-
gos diretos e indiretos em toda a região. Segundo diagnóstico realizado pelo SEBRAE (2003),
81% das empresas são de micro e pequeno porte e 18% são de médio porte, não existindo
grandes empresas. A baixa qualificação profissional pode ser classificada como um dos prin-
cipais desafios ao desenvolvimento das empresas, pois interfere na produtividade. 61% dos
trabalhadores não completaram o Ensino Fundamental e apenas 14,8% tem Ensino Médio.

Em 1991, com a criação do Sindicato das Indústrias de Explosivos do Estado de Minas Gerais
– SINDIEMG e apoio dos parceiros FIEMG (através do IEL, SENAI e SESI) e SEBRAE Mi-
nas, o APL busca competitividade a partir da inovação, desenvolvimento gerencial e conquista
de novos mercados. Atualmente, 45 empresas estão associadas. O Centro Tecnológico Oscar
José do Nascimento, unidade do SENAI, equipado com laboratório de ensaios e testes físico-
químicos dos insumos e produtos acabados da indústria da região, ajuda a consolidar o traba-
lho do SINDIEMG, que incentiva a melhoria do processo produtivo e a qualidade dos produ-
tos fabricados pelas empresas que representa. Atualmente, 70% das empresas são avaliadas e
aprovadas pelo Exercito, Ministério da Defesa e do Trabalho, Fundação Estadual do Meio
Ambiente - FEAM e INMENTRO, superando o período de retrocesso do mercado dada as
restrições colocadas ao mercado internacional pela OIT – Organização Internacional do Tra-
balho.

No Centro Tecnológico, são desenvolvidas bases científicas para os produtos existentes, assim
como criadas as condições para o desenvolvimento de novos produtos, como o produto (já
patenteado) que substitui a dinamite, sem geração de estilhaços, já contratada pela Andrade
Gutierrez para liberar um canal na região amazônica, respeitando o ecossistema local. Países
como o México e o Chile também manifestaram interesse na comercialização do produto,
resultando em transações de cerca de US$600 milhões (FIEMG, 2010).

Para a fabricação de móveis, Carmo do Cajuru conta com 82 indústrias, sendo que 36 delas
são associadas ao Sindicato das Indústrias do Mobiliário e Artefatos de Madeira no Estado de
Minas Gerais – Regional Carmo do Cajuru, conforme dados da Prefeitura Municipal. O setor
moveleiro responde por 70% da geração do PIB. Desse montante, a empresa Líder Interiores é
responsável por cerca de 80% da produção e comercialização, gerando cerca de mil empregos

democráticas, de confiança nas instituições, de preocupação pessoal com os assuntos públicos, de associativida-
de entre as esferas públicas e privadas, etc.); social (O que permite aos membros de uma comunidade confiar um
no outro e cooperar na formação de novos grupos ou em realizar ações em comum) e sinérgico (Consiste na ca-
pacidade real ou latente de toda a comunidade para articular de forma democrática as diversas formas de capital
79
no município. 98% das empresas moveleiras são de micro e pequeno porte.

99% da produção moveleira local é destinada ao mercado nacional e há expectativa de cresci-


mento anual de 5%. A produção é basicamente artesanal, as empresas do polo não apresentam
níveis de produção em escala industrial. Vale registrar que a produção por encomenda é bas-
tante significativa, seja ela executada em série ou não. O reconhecimento nacional da diversi-
ficada linha de móveis residenciais e de sua qualidade é resultado da experiência dos empre-
sários locais. “Muita qualidade, mesmo com perfil de baixa escolaridade, o que pode compro-
meter a gestão dos negócios”, diz o Presidente da FIEMG. 50% dos ocupados no setor não
completaram o Ensino Fundamental e apenas 14% tem Ensino Médio completo (SEBRAE,
2004).

Segundo o gerente do Sindicato, Marcelo Gomes Gontijo, a disponibilidade de mão-de-obra


qualificada representa uma grande dificuldade para o setor. Nesse sentido, o SENAI ampliou,
em 2009, as vagas do curso técnico em Aprendizagem Industrial, de 30 para 120 anuais. Outra
questão apontada refere-se à energia elétrica disponibilizada no Distrito Industrial “José Alves
Nogueira”, sobretudo com os investimentos, realizados por oito empresas, de
aproximadamente R$5 milhões.

O setor minero-metalúrgico regional integra a principal aglomeração industrial da economia


mineira40, o qual congrega empresas nacionais e internacionais na área da mineração e side-
rurgia como a GERDAU (produção de aços longos), em Divinópolis e a CSN, em Arcos (su-
primento de fundentes calcário e dolomito), que é uma das maiores reservas calcárias do mun-
do. Há previsão de investimentos e geração de empregos, conforme apresentado no QUA-
DRO 1.

intangível disponíveis nessa comunidade). HADDAD, Paulo. Texto de Referência da Palestra Sobre Cultura Lo-
cal e Associativismo. Disponível em www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/.../bndes.../seminario/apl_texto2.pdf
Acesso em 13/06/2010.

80
FIGURA 31 - GERDAU Divinópolis.
Fonte: Disponível em http://www.gerdau.com.br/sobre-gerdau/unidades-no-brasil.aspx Acesso em
27/09/2010.

FIGURA 32 - Construção da Fábrica de Clínquer em Arcos/MG.


Fonte: Disponível em http://www.mascarenhas.com.br/obras/em-andamento/obras-civis-para-csn-arco
Acesso em 27/09/2010

Outro ramo mineral importante na região é o APL de cerâmica vermelha, de Igaratinga, cuja
estruturação demanda ações para normatização e certificação dos produtos, inovação
tecnológica e preservação ambiental. O setor possui muita produtividade, mas ainda precisa
incorporar tecnologia. A partir de uma missão técnica da FIEMG em Cuba, país-referência
nesse segmento, o APL contará com assessoria para estabelecer parâmetros para os produtos
(FIEMG, 2010).
40
O Estado de Minas Gerais detém, há vários anos, a liderança na produção mineral do País, caracterizan-
do-se tanto pela diversificação das substâncias produzidas como pelos métodos de produção empregados, desde
o garimpo aos mais sofisticados métodos de lavra e beneficiamento, induzindo a formação de pequenas,
médias e grandes empresas de mineração. As características peculiares da mineração no Estado são atender
81
FIGURA 33 – APL Cerâmica vermelha
Fonte: www.desenvolvimento.gov.br/conferencia-apl/modulos/.../MarilenaChaves.pdf

Para finalizar, o setor de fundição na região tem seu núcleo no município de Cláudio, que reú-
ne dois segmentos: fundição de ferro e de alumínio. O segmento de ferro emprega 3000 fun-
cionários e tem linhas de produção voltadas ao atendimento do setor mecânico e automotivo,
da construção civil, do saneamento para uso doméstico. Atualmente, as fundições de ferro
produzem 5200 toneladas, com expectativa de crescimento de 20%. As fundições de alumínio
empregam 500 funcionários e destinam seus produtos para os mesmos segmentos, além da li-
nha de móveis que produz para exportação. O volume total da produção é de 120 toneladas e
também estima crescer.

Segundo informações obtidas na ASIMEC - Associação das Indústrias Metalúrgicas de


Cláudio, a maioria das empresas fez investimentos recentes em função das necessidades de
adequações ambientais e ainda para melhoria da qualidade dos produtos. Muitas delas estão
trabalhando com a capacidade produtiva ociosa, em virtude da crise mundial de 2009. Outra
questão apontada foi a falta de locais para instalação de novas empresas, considerando que os
dois parques industriais estão tomados e não existe nenhum dado sobre a criação de um novo
parque industrial.

Nesse sentido, vale registrar a destinação de áreas às margens da rodovia 262 para
implantação de distritos industriais nos municípios de Conceição do Pará, Igaratinga e São
Gonçalo do Pará, cuja implantação potencializará os serviços produtivos da região.
sua própria indústria de transformação, participar com parcela significativa na oferta de bens minerais
para outras Unidades da Federação e contribuir, expressivamente, na pauta de exportação do país (GOMES &
PIZAIA apud FIEMG, 2008).

82
5.3 Setor terciário

O setor de serviços absorve 62% dos ocupados na região da AMVI. Na dinâmica do


capitalismo contemporâneo, os serviços assumem importância na economia, tanto na geração
dos produtos como na própria estrutura ocupacional, pois mantêm uma relação de
complementaridade com o setor industrial, disponibilizando serviços de consultoria,
financeiros, de transporte etc., o que pode ser observado também na região em estudo.

TABELA 12
Dinâmica setorial dos serviços – AMVI - 2008
Atividade População Carteira
Ocupada assinada
Públicos
Produção e distribuição de eletricidade, gás e água 1.320 1.169
Administração pública, defesa e seguridade social 10.867 8.010
Educação 15.137 12.035
Saúde e serviços sociais 7.233 4.894
Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 9.357 2.765
Organismos internacionais e outras instituições 3.093 -
extraterritoriais
Pessoais
Comércio, reparação de veículos automotores, 48.281 19.357
objetos pessoais e domésticos
Alojamento e alimentação 10.975 2.597
Serviços domésticos 22.579 7.620
Distributivos
Transporte, armazenagem e comunicação 13.896 5.801
Produtivos
Intermediação financeira 1.894 1.433
Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados 10.804 4.336
as empresas
Atividades mal especificadas 1.336 1336
Total 156.772 71.353
Fonte: IBGE.

54,5% do setor terciário encontram-se no mercado informal, o que sugere a absorção de


trabalhadores de baixa qualificação profissional, excluídos em decorrência da reestruturação
produtiva, além da incorporação da população proveniente do êxodo rural. Esse argumento
ganha força pela baixa escolaridade da população economicamente ativa da região: 48% da
PEA não completaram 8 anos de estudo, como já foi mencionado.

Considerando-se os serviços segundo sua demanda41, o GRÁFICO 16 permite observar a


41
Há uma classificação internacional, proposta por BROWNING & SINGELMANN (1978), que distingue quatro
grupos: serviços produtivos, demandados por empresas no decorrer de seu processo produtivo; serviços
83
predominância dos serviços pessoais na dinâmica do setor, além dos serviços públicos. Por
outro lado, constata-se que apenas 17% do terciário correspondem aos serviços demandados
pelas empresas em seus processos ante e post, que não potencializa o dinamismo do setor
produtivo.

90000

80000

70000

60000

50000

40000 População Ocupada


Carteira assinada
30000

20000

10000

0
Pessoais Produtivos
Públicos Distributivos Atividades mal especificadas

GRÁFICO 16 – População ocupada e trabalhadores com carteira assinada


Fonte: IBGE.

Quanto ao setor público, a maior parte corresponde à disponibilidade de serviços de educação,


saúde e de caráter social, como pode ser verificado na tabela anterior, na qual se verifica a
ocupação de 22.370 trabalhadores. No tópico Rede Urbana, esses serviços são analisados
segundo a interface entre a dinâmica econômica e as demandas geradas, consequência da
correlação entre economias de aglomeração e centralidade urbana.

Nos serviços pessoais, a atividade comercial é expressiva, com 30,8% da população ocupada
na região, sendo que apenas 23,7% possuem carteira assinada (IBGE, 2009). Vale registrar a
tendência de crescimento anual dos supermercados e lojas de departamento, de 8,94% no
Estado (AMIS, 2010)42, possivelmente pela estabilidade econômica, aumento do mercado
consumidor e acessibilidade ao crédito. Destacam-se as centrais de compras presentes na
região, que atuam a partir do conceito de parceria e de aproveitamento de sinergias entre os
agentes na cadeia de valor: produtores, distribuidores, varejistas e clientes finais. Na região,
distributivos, também demandados pelas empresas após o processo produtivo; serviços sociais, ligados à
demanda final e de caráter coletivo; e os serviços pessoais, de demanda final também, mas de caráter individual.
42
Disponível em www.portalamis.org.br Acesso em 16/11/2010.
84
podem-se citar duas: Confiança Rede de Supermercados (33 associados) e a Associação dos
Supermercados do Centro-oeste de Minas - ASCOM (18 associados).

Além disso, há a Rede ABC que agrega 21 pontos de venda em mais de 10 cidades; um
Centro de distribuição (linha seca) em Divinópolis, uma central de distribuição de perecíveis
(alimentos frios, laticínios e congelados) e um frigorífico (onde as peças de carnes são
preparadas para serem distribuídas para as lojas em caminhões frigoríficos). Nesse ano, a rede
de supermercados EPA, que priorizava os grandes centros, inaugurou sua nova loja em Nova
Serrana, no seu processo de expansão no interior. Pará de Minas e Itaúna são os próximos
municípios a receber investimentos da rede.

Cabe destacar o intenso comércio da confecção de Divinópolis, cujas indústrias se utilizam de


pronta-entregas para realizar vendas diretas ao consumidor, característica essa que prejudica o
setor, segundo alguns empresários locais. O setor atende hegemonicamente o Estado, mas está
presente, em pequena escala, em todas as regiões do País (FERREIRA, 2006)43.

A região da AMVI e seu entorno dispõe ainda de serviços de hotelaria e alojamento,


sobretudo hotéis urbanos em Divinópolis e Itaúna, mas conta também com hotéis-fazenda e
pousadas, segundo a Associação da Indústria de Hotéis de Minas Gerais. Esse segmento está
diretamente vinculado ao setor turístico, que, na região, ainda é bastante incipiente. É possível
identificar a presença de vários elementos que potencializam o desenvolvimento do turismo
na região: diversidade cultural, patrimônio natural e histórico, gastronomia, religiosidade,
eventos de entretenimento etc. Divinópolis, em razão da oferta de serviços e comércio
expressivo, especialmente o de vestuário, e Itaúna, com empresas de grande porte, atraem os
chamados “turistas de negócios”, mantendo em alta a ocupação dos hotéis.

Há três circuitos turísticos formalmente constituídos junto ao Governo do Estado, mas sem
uma plena organização ou estrutura adequada: Campos das Vertentes, que busca reviver “os
Caminhos de Goiás”, e do qual fazem parte os municípios de Carmo da Mata, Carmo do
Cajuru, Cláudio, Oliveira e também Carmópolis de Minas, Desterro de Entre Rios, Passa
Tempo, Piracema, Santo Antônio do Amparo e São Francisco de Paula. Já o Circuito Turístico
Grutas e Mar de Minas tem como objetivo principal fazer com que se transformem em
produto turístico três potenciais regionais: o Lago de Furnas (Boa Esperança, Formiga e

43
FERREIRA, Marcos Fábio G. A formação de um cluster: uma perspectiva para o pólo confeccionista de
Divinópolis/MG. Faculdades Integradas de Pedro Leopoldo. Dissertação de Mestrado. 2006.
85
Pimenta), a região do calcário com enfoque nas centenas de grutas e paredões (Pains), e o Rio
São Francisco (Iguatama e Lagoa da Prata). Também participam deste circuito os municípios
de Arcos, Campo Belo, Candeias e Cristais. Finalmente, o circuito Verde Trilha dos
Bandeirantes, do qual participam os municípios de Conceição do Pará, Itaúna, Pitangui e São
Gonçalo do Pará, além de Betim, Florestal, Juatuba e Ribeirão das Neves, e que desenvolve
ações ligadas às vocações industriais, às festas agrícolas e ao patrimônio histórico.

86
5.4 Setor Primário

5.4.1 Lavouras

O Quociente Localizacional (QL)44, também chamado de quociente de localização, é um


indicador de especialização da atividade produtiva regional, que ajuda a responder a
questão: Qual é a importância de uma atividade agropecuária em uma determinada sub-
região, em relação com a importância desta atividade na região? Se a produção de uma
determinada cultura for muito concentrada na região, o QL será alto, mostrando a
importância da região da AMVI para a economia estadual, ou do município para a
economia da região da AMVI.

Cabe destacar que o uso da terra segue uma lógica com limites fixados pelas condições
edafoclimáticas e socioeconômicas. A diversificação da agricultura, tanto no âmbito da
propriedade agrícola quanto regional, é um fator que minimiza os riscos agroclimáticos
e mercadológicos, proporciona melhor alocação dos recursos de mão-de-obra e de
infraestrutura e, em termos regionais, garante melhor segurança alimentar e melhora o
uso dos recursos naturais. A alta concentração de uma atividade numa região –
monocultura – é um fator que potencializa os impactos ambientais causados por essa
atividade.

QL > 1 significa que determinada atividade na sub-região tem uma proporção maior que
aquela verificada para esta atividade na região como um todo. Nesse caso, diz-se que a
sub-região é “especializada” na atividade. A TAB. 13 apresenta os QLs das culturas na
região.

44
O Quociente Locacional (QL), é uma medida estatística do grau em que duas variáveis quantitativas são
distribuídas entre duas áreas quaisquer. Denominando-se as variáveis de X e Y e as áreas de A e B (em
geral A está contida em B), faz-se com que XA represente a quantidade da variável X na área A, e assim
por diante. Então, o quociente locacional é definido como sendo o valor calculado pela expressão:
(XA/XB)/(YA/YB), podendo-se expressar de forma alternativa por: (XA/YA)/(XB/YB). O quociente
locacional permite a comparação da atividade de parte de uma região (sub-região) com a região agregada,
fornecendo uma taxa de concentração. Os quocientes locacionais foram calculados do seguinte modo:

87
TABELA 13
Quociente Localizacional (QLAMVI) por produto, 2008

CULTURA QL (2008) ESPECIALIZAÇÃO


Abacaxi 0,03 Não
Alho 0,11 Não
Arroz 1,54 Sim
Banana 0,30 Não
Batata inglesa 0,29 Não
Café 0,67 Não
Cana-de-açúcar 1,65 Sim
Citros 0,47 Não
Feijão 1,28 Sim
Goiaba 1,04 Sim
Mandioca 1,28 Sim
Maracujá 0,41 Não
Milho 1,49 Sim
Soja 0,35 Não
Sorgo 0,47 Não
Tomate 0,92 Não
Fonte: IBGE – Pesquisa Agropecuária Municipal.

Nota-se a importância relativa da região da AMVI para a estrutura produtiva agrícola


mineira nas culturas do arroz, cana-de-açúcar, feijão, goiaba, mandioca e milho. As
maiores culturas são as de milho, café, cana-de-açúcar, feijão e mandioca. Com exceção
do café, elas representam, em variados graus, especializações regionais da produção
estadual. Neste grupo, a mais forte é a cultura da cana-de-açúcar, seguido da cultura do
milho.

88
TABELA 14
Maiores culturas dos municípios da AMVI, 2008

VALOR DA PRODUÇÃO
CULTURA
(mil reais)

milho 89.699
café 80.628
cana-de-açúcar 70.638
feijão 55.330
mandioca 18.930
soja 12.855
tomate 10.807
batata inglesa 4.868
laranja 3.651
arroz 3.238
banana 2.803
Fonte: IBGE – Pesquisa Agropecuária Municipal.

Na AMVI, quatro culturas ocupam juntas 88,3% do solo plantado: milho (43,3%), cana-
de-açúcar (20,9%), café (14,8%) e feijão (11,2%), em ordem decrescente. Retirando-se
a última delas, o percentual do solo plantado ocupado é de 77%. São as atividades
dedicadas à exportação que garantem a geração de divisas e o dinamismo da economia.

Quando são analisados os quocientes locacionais municipais destas culturas, é


observada a especialização de alguns municípios, o que é mais claro no caso da cana-
de-açúcar (Japaraíba, Iguatama, Arcos e Córrego Fundo), café (Córrego Fundo,
Camacho, Oliveira, Bambuí, Formiga e Carmo da Mata) e feijão (Iguatama, Córrego
Fundo, Formiga e Pedra do Indaiá).

Outras culturas apresentam concentração da produção em alguns municípios: soja


(Bambuí, Iguatama e Formiga), sorgo (Iguatama), goiaba (Carmo do Cajuru e
Divinópolis), limão (Carmo do Cajuru e São Gonçalo do Pará), maracujá e tangerina
(principalmente Itaúna), abacaxi (Bambuí), batata-inglesa (Bambuí e Formiga), tomate
(principalmente Carmo do Cajuru, Formiga e Pitangui) e alho (Pitangui).

89
TABELA 15
QLmunicípio das principais culturas por município, 2008

CULTURA
MUNICÍPIO
Milho Cana-de-açúcar Café Feijão
Araújos 0,623 0,064 0,010 0,574
Arcos 1,618 2,815 0,060 0,234
Bambuí 1,317 0,802 2,776 1,269
Camacho 1,593 0,263 4,271 0,660
Carmo da Mata 1,486 0,490 1,640 0,304
Carmo do Cajuru 0,583 0,044 0,009 0,84
Cláudio 1,123 0,120 0,581 0,190
Conceição do Pará 0,473 0,351 0,000 0,436
Córrego Fundo 2,246 1,666 4,711 4,136
Divinópolis 0,374 0,107 0,041 0,199
Formiga 1,766 0,058 2,094 1,301
Igaratinga 0,023 0,040 0,000 0,050
Iguatama 2,816 11,142 0,000 8,645
Itapecerica 0,651 0,280 0,293 0,094
Itaúna 0,178 0,094 0,025 0,679
Japaraíba 1,199 14,781 0,000 0,505
Moema 0,436 0,210 0,000 0,588
Nova Serrana 0,031 0,000 0,000 0,000
Oliveira 0,822 0,020 4,154 0,848
Pains 2,115 0,000 0,000 0,130
Pedra do Indaiá 0,363 0,028 0,035 1,182
Perdigão 0,589 0,093 0,007 0,782
Pitangui 0,778 0,277 0,015 0,153
Santo Antônio do Monte 0,117 0,155 0,018 0,289
São Gonçalo do Pará 0,277 0,077 0,000 0,061
São Sebastião do Oeste 0,875 0,144 0,102 0,806
Fonte: IBGE – Pesquisa Agropecuária Municipal

90
5.4.2 Rebanhos

Foram calculados45 os quocientes locacionais para os rebanhos presentes na região da


AMVI.
TABELA 16
Quociente Localizacional (QLAMVI) por rebanho, 2008

Rebanho QL (2008) ESPECIALIZAÇÃO


Asinino 0,532 Não
Bovino 1,412 Sim
Bubalino 2,738 Sim
Caprino 0,834 Não
Codornas 2,342 Sim
Coelhos 2,102 Sim
Equino 1,739 Sim
Galinhas 3,916 Sim
Frangos 6,436 Sim
Muar 0,447 Não
Ovino 0,739 Não
Suíno 2,298 Sim
Fonte: IBGE – Pesquisa Agropecuária Municipal.

A TAB. 16 apresenta os QLs dos rebanhos regionais. Nota-se a importância relativa da


Região da AMVI para a pecuária mineira nos principais rebanhos, em especial na
avicultura de corte e postura (QL’s de 6,436 e 3,916 respectivamente). Os maiores
rebanhos são o bovino, as galinhas, os frangos e o suíno. Todos eles representam, em
variados graus, especializações regionais da produção estadual.

A TAB. 17 apresenta quantidades de cabeças dos principais rebanhos da região da


AMVI. Considerando-se apenas essas categorias, o rebanho que mais cresceu no

45
O cálculo foi realizado utilizando o tamanho dos rebanhos, conforme fórmula abaixo:

91
período de 2000-2008 foi o de suínos (87,3%), seguido do rebanho de frangos para
abate (50,9%). Neste período, houve um decréscimo do rebanho de bovinos (-4,3%) e
apenas um pequeno aumento no rebanho de galinhas poedeiras (5,3%).

TABELA 17
Variação dos principais rebanhos, nos municípios da AMVI, no período 2000-2008
ano
Rebanho
2000 2008 Variação (%)
bovinos 774.991 741.328 -4,3
galinhas 2.078.293 2.188.875 5,3
frangos 6.975.293 10.524.595 50,9
suínos 124.475 233.118 87,3
Fonte: IBGE – Pesquisa Agropecuária Municipal.

Quando são analisados os quocientes locacionais municipais, dos principais rebanhos


(tabela a seguir), nota-se que a bovinocultura está representada homogeneamente na
região. Nos demais rebanhos, observa-se a especialização de alguns municípios, o que é
mais nítido na avicultura de postura (galinhas), concentrada nos municípios de Carmo
do Cajuru, Divinópolis, Igaratinga, Pitangui e Santo Antônio do Monte; e na avicultura
de corte (frangos), cuja produção é concentrada em Conceição do Pará, Divinópolis,
Igaratinga, Itaúna, Moema, Nova Serrana, Pitangui, São Gonçalo do Pará e São
Sebastião do Oeste. Os municípios de Araújos, Cláudio, Conceição do Pará, Córrego
Fundo, Formiga, Igaratinga, Itaúna, Oliveira, Perdigão e São Gonçalo do Pará são
especializados na suinocultura.

Alguns dos demais rebanhos apresentam concentração em poucos municípios:


bubalinos (55% do rebanho em Oliveira e Formiga), codornas (85% do rebanho em
Formiga e o restante em Itaúna e São Gonçalo do Pará) e coelhos (Pitangui).

92
TABELA18
Quociente Localizacional (QLmunicípio) dos principais rebanhos (bovino, galinhas, frangos
e suinos) por município, 2008

REBANHO
MUNICÍPIO
Bovino Galinhas Frangos Suíno
Araújos 1,485 0,383 0,245 2,330
Arcos 1,069 0,210 0,075 0,374
Bambuí 0,962 0,084 0,032 0,238
Camacho 0,563 0,238 0,019 0,191
Carmo da Mata 1,139 0,264 0,031 0,199
Carmo do Cajuru 1,235 3,317 0,546 0,557
Cláudio 1,011 0,220 0,079 2,489
Conceição do Pará 0,945 0,114 3,676 1,776
Córrego Fundo 0,880 0,366 0,175 1,264
Divinópolis 1,178 4,878 1,014 0,175
Formiga 1,045 0,345 0,192 1,993
Igaratinga 1,353 5,279 8,882 2,400
Iguatama 1,085 0,103 0,048 0,450
Itapecerica 0,702 0,586 0,553 0,839
Itaúna 1,135 0,931 2,167 1,929
Japaraíba 0,799 0,197 0,078 0,611
Moema 1,196 0,511 1,379 0,919
Nova Serrana 0,985 0,087 4,658 0,227
Oliveira 0,781 0,147 0,022 2,472
Pains 1,514 0,276 0,088 0,469
Pedra do Indaiá 0,648 0,108 0,787 0,215
Perdigão 0,756 0,314 0,523 1,382
Pitangui 1,025 2,515 6,816 0,840
Santo Antônio do Monte 0,936 2,840 0,741 0,137
São Gonçalo do Pará 0,939 0,128 1,032 1,235
São Sebastião do Oeste 1,045 0,280 1,683 0,589
Fonte: IBGE – Pesquisa Agropecuária Municipal.

93
5.4.3 Leite

A região da AMVI produz 5,62% do leite de Minas Gerais e ocupa apenas 2,35% da
área do Estado (IBGE, 2008). A região apresenta um QL de 2,394, o que demonstra sua
importância relativa para a pecuária leiteira.

Na TAB. 19, estão registradas as quantidades produzidas e os valores arrecadados com a


venda de leite por município, bem como a participação percentual de cada um no total
da região e o Quociente Localizacional (QLmunicípio) da pecuária leiteira.

TABELA 19
Produção em litros, valor da produção em mil reais e Quociente Localizacional
(QLmunicípio) da Pecuária Leiteira por município, 2008.

Leite
MUNICÍPIO Produção
% Produção Valor (mil R$) QL(1)
(litros)
Araújos 8.670.820 2,7 8.935 1,542
Arcos 17.941.506 5,7 8.146 1,532
Bambuí 35.512.643 11,2 26.985 1,063
Camacho 2.046.901 0,6 1.517 0,401
Carmo da Mata 7.007.859 2,2 8.870 0,850
Carmo do Cajuru 13.838.095 4,4 10.800 1,325
Cláudio 12.581.607 4,0 11.340 0,868
Conceição do Pará 4.612.587 1,5 5.256 0,812
Córrego Fundo 1.872.196 0,6 1.048 0,771
Divinópolis 14.630.921 4,6 17.870 0,897
Formiga 17.730.051 5,6 13.923 0,514
Igaratinga 7.780.870 2,5 3.017 1,566
Iguatama 11.498.545 3,6 6.803 0,797
Itapecerica 16.336.319 5,2 6.876 0,682
Itaúna 10.460.070 3,3 14.400 0,919
Japaraíba 6.592.885 2,1 2.959 1,669
Moema 5.010.780 1,6 10.890 1,076
Nova Serrana 5.975.850 1,9 4.127 0,925
Oliveira 17.123.125 5,4 17.029 0,831
Pains 10.654.645 3,4 7.558 1,110

94
Continuação...

Produção
MUNICÍPIO (litros) % Produção Valor (mil R$) QL(1)
Pedra do Indaiá 8.219.773 2,6 5.676 1,03
Perdigão 7.313.655 2,3 5.330 1,264
Pitangui 11.941.279 3,8 10.045 0,938
Santo Antônio do Monte 45.595.980 14,4 31.457 1,760
São Gonçalo do Pará 6.821.289 2,2 5.256 1,119
São Sebastião do Oeste 8.377.009 2,6 9.314 0,89
AMVI 316.147.260 100,0 255.427 2,39
(1) Foi utilizada a produção de leite (em litros) do município, do Estado e da Região para o
cálculo do QL (quociente locacional).
Fonte: IBGE – Pesquisa Agropecuária Municipal.

O município que apresenta maior especialização na produção leiteira é Santo Antônio


do Monte. Este município apresenta o maior quociente locacional e também a maior
produção de leite da região. Outros municípios que se destacam pela especialização e
produção são Bambuí e Arcos.

Nesse contexto, é possível observar na região da AMVI, caracterizada por uma


diversidade econômica, algumas tendências colocadas pela presença e desenvolvimento
de aglomerações ou atividades econômicas, cujos impactos devem ser considerados no
dimensionamento da rede urbana regional:
- APL calçadista de Nova Serrana

- Setor minero-metalúrgico na região

- Setor terciário em Divinópolis

- Cana-de-açúcar na região de Bambuí

Além disso, verificou-se junto ao setor empresarial e poder público a previsão de


investimentos para a região, que também demanda atendimento no âmbito da rede
urbana regional, sobretudo em relação ao número de empregos gerados. O QUADRO 1
de investimentos sistematiza as informações levantadas.

95
96
6. Aspectos sociais

O Índice de Desenvolvimento Humano - IDH46 da região Centro-Oeste de Minas Gerais


equipara-se às regiões Sul, Alto Paranaíba e Central, que apresentavam, em 2000,
resultados semelhantes, com índices ligeiramente superiores à média estadual.

FIGURA 34 - Mapa do IDH do Centro-Oeste de Minas


Fonte:www.adebras.org.br/.../palestra%20politicas%20de
%20desenvolvimento%20-%20wilson%20nelio%20brumer.pdf Acesso em
08/12/2009.

Nesse contexto, observa-se uma redução da desigualdade social nos municípios da


AMVI, no período 1991-2000, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH,
como se observa no QUADRO 2.

46
O índice varia de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). Classifica-
se como baixo desenvolvimento humano o IDH menor que 0,50; como médio, o IDH situado entre 0,500
e 0,799; e alto o IDH maior que 0,800. Scavazza (2003) propõe desagregar a faixa referente a médio
desenvolvimento humano, buscando qualificar mais apropriadamente a faixa em que se encontra a
maioria dos municípios mineiros. “Assim, a faixa de IDH-M entre 0,500 a 0,649 foi considerada
desenvolvimento humano médio-baixo e a seguinte, entre 0,650 a 0,799, classificou-se como médio-alto”
(SCAVAZZA, 2003, p.16).
97
QUADRO 2
Índice de Desenvolvimento Humano - 1991-2000 - AMVI
IDH IDH IDH
IDH municipal
educação longevidade Renda
Municípios
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000

Araújos 0,68 0,76 0,73 0,81 0,71 0,79 0,60 0,67

Arcos 0,72 0,81 0,80 0,89 0,73 0,83 0,63 0,71

Bambuí 0,68 0,79 0,75 0,86 0,66 0,81 0,63 0,69

Camacho 0,59 0,70 0,62 0,76 0,63 0,76 0,53 0,57

Carmo do Cajuru 0,66 0,74 0,73 0,83 0,68 0,72 0,57 0,68

Carmo da Mata 0,69 0,77 0,76 0,87 0,73 0,80 0,58 0,65

Cláudio 0,66 0,74 0,75 0,84 0,65 0,71 0,59 0,66

Conceição do Pará 0,67 0,75 0,75 0,82 0,70 0,81 0,57 0,62

Córrego Fundo 0,65 0,73 0,69 0,81 0,69 0,76 0,57 0,63

Divinópolis 0,76 0,83 0,83 0,91 0,76 0,84 0,67 0,74

Formiga 0,70 0,79 0,77 0,86 0,69 0,83 0,64 0,70

Itapecerica 0,68 0,74 0,74 0,82 0,70 0,74 0,61 0,65

Itaúna 0,70 0,79 0,79 0,87 0,69 0,79 0,62 0,70

Igaratinga 0,68 0,76 0,73 0,82 0,70 0,79 0,60 0,68

Iguatama 0,74 0,82 0,82 0,90 0,73 0,84 0,66 0,73

Japaraíba 0,66 0,75 0,76 0,85 0,65 0,75 0,56 0,67

Moema 0,69 0,77 0,78 0,84 0,68 0,76 0,62 0,72

Nova Serrana 0,71 0,80 0,73 0,80 0,76 0,84 0,64 0,76

Oliveira 0,70 0,77 0,77 0,84 0,73 0,78 0,61 0,69

Pains 0,70 0,78 0,75 0,84 0,73 0,82 0,63 0,68

Pedra do Indaiá 0,67 0,76 0,68 0,80 0,73 0,82 0,59 0,64

Perdigão 0,70 0,79 0,76 0,85 0,73 0,83 0,61 0,71

Pitangui 0,71 0,79 0,77 0,86 0,74 0,84 0,62 0,68

Santo Antônio do Monte 0,70 0,78 0,73 0,83 0,73 0,79 0,64 0,72

São Gonçalo do Pará 0,66 0,74 0,75 0,83 0,65 0,74 0,59 0,65

São Sebastião do Oeste 0,66 0,75 0,73 0,80 0,70 0,80 0,54 0,64
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano.

27% dos municípios da AMVI se encontravam no nível de desenvolvimento humano


médio-baixo em 1991, enquanto os 73% ocupavam a faixa de desenvolvimento humano
médio-alto. Em 2000, cresceu para 89,29% o percentual de municípios da AMVI com o
98
IDH-m médio-alto, enquanto os demais 10,71% atingiram a faixa de alto
desenvolvimento humano. O município de Divinópolis se sobressaiu, ocupando a 5ª
posição no ranking do Estado, com um IDH-m de 0,831 (SCAVAZZA, 2003, p.21). Os
sub-índices da Educação e da Longevidade foram os que mais contribuíram para a
melhoria dos índices na região.

No entanto, o IDH apresenta limitações. A primeira corresponde à seleção arbitrária dos


indicadores e pesos utilizados para criar o indicador sintético (esperança de vida ao
nascer; taxa de analfabetismo; taxa de matrícula combinada e renda per capita); a
segunda é que são indicadores estimados para áreas geográficas e não estão adaptados
para serem calculados para cada família; e, finalmente, há dificuldade de agregação de
dados. Assim, será utilizado o Índice de Desenvolvimento da Família47 - IDF, que
articula diversas dimensões, além da insuficiência de renda, e que pode ser construído
para cada família individualmente. Vale registrar a centralidade da família como uma
das diretrizes da organização do sistema de proteção social (PNAS, 2004).

47
Empregado pelo Governo Federal, o indicador, que varia de zero a um, traça um mapa em seis
dimensões sobre as vulnerabilidades das famílias com renda per capita de até meio salário mínimo ou
renda familiar de até três salários. As dimensões abordadas são: composição familiar, acesso ao
conhecimento, acesso ao trabalho, disponibilidade de recursos, desenvolvimento infantil e condições
habitacionais. Com a média de todos os indicadores chega-se ao IDF por família e por município.
99
QUADRO 3
Índice de Desenvolvimento Familiar - IDF - AMVI – 2008

Acesso
Vulnerabilidad Acesso ao Disponibilidade Desenvolvimento Condições
Municípios IDF ao
e infantil conhecimento de recursos Infantil habitacionais
trabalho

Araújos 0,70 0,73 0,37 0,49 0,73 0,95 0,94

Arcos 0,66 0,74 0,45 0,30 0,61 0,95 0,91

Bambuí 0,61 0,69 0,43 0,23 0,49 0,95 0,86

Camacho 0,53 0,70 0,37 0,13 0,36 0,93 0,69

Carmo do Cajuru 0,61 0,72 0,41 0,22 0,48 0,94 0,87

Carmo da Mata 0,59 0,68 0,43 0,21 0,46 0,93 0,84

Cláudio 0,61 0,65 0,45 0,25 0,53 0,94 0,84

Conceição do Pará 0,59 0,71 0,42 0,23 0,44 0,96 0,76

Córrego Fundo 0,60 0,73 0,42 0,24 0,51 0,95 0,75

Divinópolis 0,62 0,68 0,48 0,30 0,49 0,93 0,88

Formiga 0,61 0,70 0,45 0,26 0,45 0,93 0,88

Itapecerica 0,57 0,73 0,37 0,19 0,39 0,92 0,80

Itaúna 0,62 0,67 0,47 0,27 0,47 0,95 0,91

Igaratinga 0,60 0,70 0,42 0,25 0,43 0,93 0,85

Iguatama 0,61 0,73 0,42 0,18 0,50 0,95 0,88

Japaraíba 0,68 0,73 0,46 0,36 0,71 0,94 0,88

Moema 0,59 0,69 0,41 0,20 0,37 0,95 0,91

Nova Serrana 0,59 0,64 0,39 0,31 0,49 0,91 0,83

Oliveira 0,62 0,70 0,43 0,25 0,55 0,94 0,88

Pains 0,63 0,71 0,42 0,26 0,60 0,94 0,84

Pedra do Indaiá 0,61 0,73 0,42 0,28 0,56 0,94 0,76

Perdigão 0,62 0,68 0,39 0,31 0,56 0,93 0,84

Pitangui 0,60 0,66 0,43 0,30 0,42 0,95 0,84

Santo Antônio do Monte 0,61 0,71 0,43 0,28 0,40 0,96 0,88

São Gonçalo do Pará 0,60 0,69 0,42 0,29 0,41 0,95 0,86

S. Sebastião do Oeste 0,56 0,75 0,37 0,15 0,48 0,94 0,69

Minas Gerais 0,58 0,69 0,39 0,21 0,44 0,93 0,8


Fonte: MDS/Sistema de Informações da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania – 2009. Acesso em
05/12/2009.

100
Observa-se, em todos os municípios, que o nível de escolarização das famílias é uma
das principais deficiências da população avaliada, ou seja, a baixa escolaridade da
população, o analfabetismo e a falta de qualificação profissional. Além disso, o acesso
ao trabalho, que está abaixo da média, compreende a falta de trabalho ou sua qualidade
em relação à oportunidade que uma pessoa tem de utilizar sua capacidade produtiva. Por
outro lado, os indicadores demonstram também o progresso da educação com a
presença das crianças de 4 e 5 anos na escola, ainda que o atendimento da educação
infantil esteja aquém da meta de 50% de atendimento da faixa etária de 0 a 3 anos até
2010. O IDF indica que a condição habitacional da região é satisfatória, mas há
demanda para novas moradias e reformas, conforme cadastros municipais.

A importância do IDF está no direcionamento das intervenções que o poder público


deve fazer no âmbito das políticas públicas sociais. No caso da assistência social, há
enorme demanda para as ações de inclusão produtiva associadas com a promoção da
escolaridade. Frente a esse quadro de vulnerabilidade social, caracterizado pelo IDF,
cada município da AMVI deve organizar seu sistema de proteção social a fim de
fortalecer os vínculos familiares e comunitários de seus moradores.

61,5% dos municípios da AMVI encontram-se na gestão básica, 23% na inicial e 15,5%
tem gestão plena48, como se observa no GRÁFICO 17 a seguir:

GRÁFICO 17 - Gestão do SUAS no âmbito da AMVI


Fonte: SUAS/MDS, 2010

48
O Sistema Único de Assistência Social - SUAS estabelece três níveis de classificação dos municípios de
acordo com sua capacidade de gestão: Inicial, Básica e Plena, com atribuição de responsabilidades e
incentivos para cada um deles. Municípios em todos os níveis de gestão devem possuir Conselho, Plano e
Fundo Municipal de Assistência Social e também devem fazer aportes ao seu fundo (MDS/SUAS, 2009).
101
Como a proteção social objetiva prevenir, os municípios que se encontram na gestão
inicial devem buscar se organizar para uma adesão a uma modalidade mais avançada no
sentido de oferecer um sistema mais ampliado de serviços socioassistenciais, sobretudo
no caso dos municípios de Araújos, Igaratinga e São Sebastião do Oeste, que cresceram
expressivamente nos últimos anos. Alguns municípios de porte médio também
demandam uma reorganização para melhor atender os problemas inerentes a suas
realidades, como Nova Serrana.

A modalidade de gestão também está associada ao porte do município, que deve atender
diferentes condições conforme cada modalidade. O que configura a Proteção Social
Básica nos municípios é a existência dos Centros de Referência de Assistência Social -
CRAS49.
QUADRO 4
Porte dos municípios da AMVI e relação com a implantação do CRAS

Porte Municípios CRAS

Araújos, Camacho, Carmo do Mínimo de 1 CRAS para até 2.500


Cajuru, Conceição do Pará, famílias referenciadas
Pequeno I
Córrego Fundo, Igaratinga,
Iguatama, Japaraíba, Moema,
Pains, Pedra do Indaiá, Perdigão,
São Gonçalo do Pará, São
Sebastião do Oeste

Arcos, Bambuí, Carmo da Mata, Mínimo de 1 CRAS para até 3.500


Pequeno II
Cláudio, Itapecerica, Oliveira, famílias referenciadas
Pitangui, Santo Antônio do Monte

Formiga, Itaúna, N. Serrana Mínimo de 2 CRAS, cada um para


Médio
até 5.000 famílias referenciadas

Grande Divinópolis Mínimo de 4 CRAS, cada um para


até 5.000 famílias referenciadas

- Mínimo de 8 CRAS, cada um para


Metrópoles
até 5.000 famílias referenciadas
Fonte: Elaboração a partir do SUAS/MDS (2009).

49
Os CRAS são unidades públicas estatais de base territorial, localizadas em áreas de maior
vulnerabilidade social. As equipes de referência dos CRAS executam os serviços de proteção social
básica, organizam e coordenam a rede prestadora de serviços socioassistenciais locais do SUAS
(MDS/SUAS, 2009).
102
Nos CRAS, são desenvolvidos serviços, programas e projetos locais de acolhimento,
convivência e socialização de famílias e de indivíduos, conforme identificação da
situação de vulnerabilidade apresentada. Deverão se organizar em rede para incluir as
pessoas com deficiência, inserindo-as nas diversas ações ofertadas. Os benefícios, tanto
de prestação continuada – BPC, como os eventuais, compõem a Proteção Social Básica,
dada a natureza de sua realização. No GRÁFICO 18 verifica-se a presença de CRAS e
CREAS na microrregião da AMVI. Especialmente, em relação aos CREAS, faz-se
necessária uma articulação na região para maximizar a oferta de serviços, sobretudo nas
áreas de violência urbana, como a já citada região de Nova Serrana.

GRÁFICO 18 - Disponibilidade de CRAS e CREAS na AMVI – 2009


Fonte: MDS/SUAS.

A elaboração do Plano Municipal de Assistência Social deve referenciar-se em


diagnóstico do território local, inclusive para orientar a instalação do CRAS ou do
Centro de Referência Especializado de Assistência Social. A utilização do Cadastro
Único – CadÚnico50, implantado pelo Governo Federal, pode subsidiar a elaboração do
Plano e a orientação das políticas sociais. No entanto, observa-se o desconhecimento
dos agentes públicos sobre a disponibilidade deste recurso. O Governo Federal orienta-
se a partir desses dados, elaborados pelo IBGE. A TABELA 20 demonstra a magnitude
do problema a ser enfrentado pelos municípios, tanto pelo desconhecimento da própria
realidade, quanto pela defasagem da cobertura do atendimento.

50
O CadÚnico é um instrumento de identificação e caracterização socioeconômica das famílias
brasileiras de baixa renda (aquelas com renda familiar per capita menor ou igual a meio salário mínimo)
103
TABELA 20
Estimativa de famílias pobres no âmbito da AMVI

Estimativa Cobertura Bolsa Estimativa


Cobertura PBF Atendiment
Municípios IGD famílias Família famílias pobres
Cad Único 2006 (%) o telefônico
pobres (PBF) PNAD 2006 (%) (Cad Único)

Araújos 0,68 536 12,50 1.037 6,46 2

Arcos 0,76 2.002 61,79 4.294 28,81 1

Bambuí 0,70 1.595 61,25 3.215 30,39 1

Camacho 0,82 284 97,89 507 54,83 -

Carmo do Cajuru 0,76 1.305 43,07 2.623 21,43 4

Carmo da Mata 0,71 816 110,05 1.584 56,69 1

Cláudio 0,76 1.864 46,78 3.547 24,58 1

Conceição do Pará 0,71 358 103,63 693 53,54 -

Córrego Fundo 0,87 375 74,4 768 36,33 -

Divinópolis 0,70 8.522 66,71 18.694 30,41 4

Formiga 0,74 4.101 81,32 8.418 39,62 2

Itapecerica 0,33 1.567 58,9 3.022 30,54 3

Itaúna 0,67 3.877 62,86 8.653 28,16 2

Igaratinga 0,76 616 66,56 1.217 33,69 -

Iguatama 0,72 451 128,16 964 59,96 5

Japaraíba 0,90 240 69,58 478 34,94 -

Moema 0,68 256 112,43 523 58,74 1

Nova Serrana 0,76 3.627 57,54 7.557 27,62 -

Oliveira 0,80 2.490 66,63 4.933 33,63 -

Pains 0,88 515 83,5 1.073 40,07 -

Pedra do Indaiá 0,52 319 43,89 619 22,62 5

Perdigão 0,69 483 76,4 964 38,28 1

Pitangui 0,83 1.465 52,56 3.018 25,51 2

S. Antônio do Monte 0,90 1.738 76,05 3.485 38,05 1

São Gonçalo do Pará 0,63 739 74,97 1.474 37,58 -

S. Sebastião do Oeste 0,77 378 96,3 757 48,08 -

Total 40.519 -
Fonte: MDS/Bolsa Família Acesso em 05/12/2009.

104
O número estimado de pobres no perfil do Programa Bolsa Família na região da AMVI
atinge o contingente de 40.519 famílias, ou seja, famílias com renda per capita de
R$140,00. Desse total, 27.058 famílias recebem o benefício, atingindo o percentual de
67% de cobertura do programa, ou seja, 33% das famílias ainda não estão acessando o
benefício a que têm direito. A TABELA 20 demonstra como a cobertura encontra-se
aquém do necessário, sugerindo necessidade de melhoria do processo de gestão do
programa.

Com base no IGD51, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)


repassa recursos aos municípios para que façam a gestão do Programa. O IGD no âmbi-
to regional está acima da média em todos os municípios da AMVI, caracterizando um
bom desempenho. Contudo, sinaliza ainda necessidade de melhoria na gestão do progra-
ma, como já foi afirmado.

GRÁFICO 19 - Índice de Gestão Descentralizada (IGD)


Fonte: SUAS/ CadÚnico/MDS.

A TABELA 20 expressa ainda a fragilidade do controle público, na última coluna,


mediante o número reduzido de solicitações e esclarecimentos feitos no
acompanhamento do Programa Bolsa Família pelos cidadãos.
Embora seja necessário um refinamento nas informações, observa-se que os municípios
da AMVI vêm desenvolvendo um conjunto de atividades socioassistenciais ainda de

51
O Índice de Gestão Descentralizada - IGD, criado pela Portaria GM/MDS nº 148, de 27 de abril de
2006, é um indicador da qualidade da gestão do Programa Bolsa Família (PBF) no âmbito municipal,
além de refletir os compromissos assumidos pelos municípios no Termo de Adesão ao Bolsa Família
(Portaria GM/MDS nº 246/05).
105
forma incipiente. Segundo o MDS (2009), em todos os municípios somente se
apresentam ações referentes ao Benefício de Prestação Continuada - BPC para pessoas
idosas e com deficiência. Pelo número de pessoas beneficiadas, conforme demonstrado
na TAB. 21 constata-se a necessidade tanto de ampliação do trabalho de orientação à
população, para identificação dos idosos e portadores de deficiência residentes no
município e que podem requerer o BPC-LOAS, quanto de apoio a estas pessoas no
preenchimento dos formulários de requerimento do benefício e na obtenção dos seus
documentos pessoais. Frente à tendência de envelhecimento da população, 11% em
2009 (IBGE), essa demanda fica ainda mais expressiva.

TABELA 21
BPC para pessoas idosas e com deficiência no âmbito da AMVI – 2009

Municípios BPC PCD BPC idoso


Araújos 43 13
Arcos 220 194
Bambuí 177 172
Camacho 28 08
Carmo do Cajuru 66 39
Carmo da Mata 62 60
Cláudio 98 95
Conceição do Pará 41 21
Córrego Fundo 31 16
Divinópolis 900 880
Formiga 570 632
Itapecerica 331 144
Itaúna 359 283
Igaratinga 78 36
Iguatama 113 95
Japaraíba 24 07
Moema 63 25
Nova Serrana 345 246
Oliveira 283 220
Pains 79 93
Pedra do Indaiá 12 14
Perdigão 46 31
Pitangui 230 117
Santo Antônio do Monte 149 149
São Gonçalo do Pará 45 52
São Sebastião do Oeste 03 10
Fonte: MDS/Matriz de Informação Social. Acesso em 24/11/2009.
Nota: Número de pessoas atendidas em outubro de 2009.

Outras ações além do BPC são desenvolvidas com o apoio federal: Serviço de Proteção
Social à Família - PAIF, Serviço de Proteção Social, ProJovem Adolescente, Ações
socioeducativas e de convivência para Crianças e Adolescentes em Situação de
Trabalho, Serviço de Proteção Social Especial a Indivíduos e Famílias, Serviço de
106
Proteção Social aos Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa e
Serviços de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vitimas de violência, abuso e
exploração sexual e suas famílias.

Ainda no âmbito da articulação federal, apenas Divinópolis e Formiga desenvolvem


programas na área da segurança alimentar e nutricional. Em Divinópolis, funciona um
Restaurante Popular, inaugurado em 2008, e o Programa Municipal de Aquisição de
Alimentos, que compra diretamente quase 30 toneladas de alimentos de 33 produtores
rurais, beneficiando quase dez mil pessoas. Formiga implantou em 2007 um Banco de
Alimentos, cujo objetivo é arrecadar alimentos, provenientes de doações, por meio de
articulação com o setor alimentício (indústrias, feiras, centrais de abastecimentos, entre
outros). No Banco, os produtos são recebidos, selecionados, separados em porções e
distribuídos gratuitamente às entidades assistenciais, como forma de complementação
às refeições diárias da população assistida.

Finalmente, observa-se nos municípios uma organização ainda incipiente para atender
sua demanda habitacional. A histórica doação de lotes tem-se mostrado ineficaz, quando
não um complicador do ordenamento urbano das cidades.

Segundo a Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional básico52 da região da AMVI é


de 10.262 unidades, que corresponde a 2,53% da demanda estadual. Ressalta-se que
nem todos os municípios tem o levantamento da demanda habitacional, conforme pode
ser visto na TAB 22.

52
Segundo a Fundação João Pinheiro (2007), considera-se déficit habitacional a necessidade imediata de
novas moradias para a resolução de problemas sociais e específicos de habitação detectados, envolvendo
os domicílios instalados em edificações precárias do ponto de vista físico, que não oferecem segurança
aos seus ocupantes. São incluídos os domicílios rústicos, os improvisados, os domicílios com coabitação
familiar e aqueles em que haja ônus excessivo com aluguel. Para o tratamento municipal em 2000 foi
possível considerar os dois primeiros componentes, que, todavia, respondem pela quase totalidade do
déficit estimado. Foi assim gerado o conceito de Déficit Habitacional Básico.
107
TABELA 22
Déficit habitacional básico na microrregião da AMVI - 2007

Municípios Déficit habitacional


Araújo 94
Arcos 587
Bambuí 314
Camacho 27
Carmo da Mata 192
Carmo do Cajuru 201
Cláudio 415
Conceição do Pará 72
Córrego Fundo 72
Divinópolis 2890
Formiga 761
Igaratinga 76
Iguatama 133
Itapecerica 283
Itaúna 1351
Japaraíba 11
Moema 131
Nova Serrana 758
Oliveira 771
Pains 81
Pedra do Indaiá 39
Perdigão 70
Pitangui 474
Santo Antônio do Monte 272
São Gonçalo do Pará 133
São Sebastião do Oeste 54
AMVI 10.262
Minas Gerais 405.862
Fonte: FJP, 2007

Para atendimento dessa demanda, 18 municípios estão em situação regular frente ao


Ministério das Cidades quanto ao processo de adesão ao Sistema Nacional de Habitação
de Interesse Social – SNHIS53. Bambuí já concluiu todo o procedimento previsto, que
53
Os municípios devem organizar o sistema local de habitação de interesse social, a partir das condições e
prazos para adesão ao SNHIS (Resolução nº 24 do CGFNHIS, 2009). Basicamente, devem ser criados o
fundo de habitação e o conselho gestor do fundo, bem como o Plano Habitacional de Interesse Social.
A elaboração do plano prevê a realização de um diagnóstico do setor habitacional, de forma
participativa, sobretudo no que se refere à sua aprovação, que revele as necessidades habitacionais do
município. A realização de audiências públicas é importante na medida em que seus resultados são
vinculantes para a administração pública, sob dois aspectos: primeiro, como instrumentos destinados a
108
consiste na aprovação de lei de criação do Fundo Municipal e do Conselho Gestor do
Fundo de Habitação de Interesse Social, além de já ter seu Plano Municipal elaborado e
aprovado de forma participativa. Os outros oito municípios encontram-se em situação
de pendência em relação a alguma exigência estabelecida no processo, excetuando-se
Itapecerica que não aderiu ao processo.

TABELA 23
Situação dos municípios da AMVI, quanto ao déficit habitacional e à regularidade junto
ao Ministério das Cidades

Termo de Adesão
Municípios Déficit Situação
Publicado
Araújos 160 Regular 21/7/2007
Arcos Não informado Regular -
Bambuí 637 Regular 16/02/2007
Camacho Não informado Pendente 30/07/2007
Carmo do Cajuru 483 Regular 30/07/2007
Carmo da Mata - Regular 15/06/2007
Cláudio Não informado Regular 06/09/2007
Conceição do Pará 110 Pendente 30/07/2007
Córrego Fundo Não informado Regular 22/06/2007
Divinópolis 3000 Regular 02/07/2007
Formiga - Regular 26/01/2007
Itapecerica Não informado Não aderiu -
Itaúna Não informado Regular 25/01/2007
Igaratinga 117 Regular 28/11/2007
Iguatama 560 Pendente 26/06/2007
Japaraíba - Pendente 28/11/2007
Moema 350 Regular 18/12/2007
Nova Serrana Não informado Regular 26/05/2009
Oliveira Não informado Regular 02/07/2007
Pains 508 Regular 19/10/2007
Pedra do Indaiá Não informado Pendente -
Perdigão 600 Pendente 22/07/2007
Pitangui Não informado Regular 22/06/2007
Santo Antônio do Monte - Regular 08/01/2008
São Gonçalo do Pará Não informado Regular 26/06/2007
São Sebastião do Oeste 274 Pendente 28/12/07
Fonte: Ministério das Cidades 2010

prestar informações, esclarecimentos, fornecer dados e documentos sobre a matéria que será objeto de
deliberação para a comunidade interessada e que será atingida pela decisão administrativa. Em segundo
lugar, constitui espaço para os cidadãos manifestarem suas opiniões, apresentarem propostas, apontarem
soluções, possibilitando o conhecimento pela administração publica das opiniões dos cidadãos sobre o
assunto em pauta (BRASIL, ESTATUTO DA CIDADE, 2001).
109
6.1 Educação

Para fortalecer a integração regional dos municípios da AMVI no âmbito da educação,


mediante a implementação de programas, projetos e ações conjuntas, faz-se necessário
compreender as políticas educacionais de cada município num contexto regional, em
que as dificuldades e potencialidades específicas possibilitem a definição de eixos
orientadores e estratégias para o desenvolvimento de forma ordenada e integrada da
região. O desafio regional é elaborar um plano que guarde consonância com a política
nacional e mineira e, ao mesmo tempo, garanta a identidade e autonomia de cada
município.

Buscando, portanto, desenhar um cenário regional de educação, é que se apresenta um


diagnóstico das ações educacionais de cada município da AMVI54. Os municípios da
AMVI se encontram divididos em quatro superintendências55.

54
São analisados os dados do Censo Escolar do Ministério da Educação (INEP/MEC - 2006), das
pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE - 2000), do Atlas da
Educação de Minas Gerais elaborado pela Fundação João Pinheiro (2004) e das pesquisas realizadas nas
cidades que compõem essa região. Os dados analisados levam em consideração diferentes dimensões, tais
como: acesso, rendimento, eficiência e desempenho dos alunos, analfabetismo, formação de professores e
gestão escolar, compreendendo os vários níveis e modalidades de ensino.

A análise apresentada se orienta teoricamente a partir dos documentos “O estado do Estado”,


elaborado pelo Governo de Minas Gerais para subsidiar a proposta do planejamento estratégico do
Estado; o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI 2007 - 2023; o Plano Nacional de
Educação – PNE, 2001; o Plano Estadual de Educação de Minas Gerais (2009); o Documento Referência
da Conferência Nacional da Educação - CONAE 2010; o Plano Decenal de Educação e o Plano de Ações
Articuladas – PAR de cada Município.
55
Segundo as estatísticas que subsidiam o Plano Decenal de Educação do Estado de Minas Gerais,
Minas, com 5.258.741 estudantes (9,5% do total nacional), possui a segunda maior rede de Educação
Básica do País. Considerando-se o tamanho e a diversidade do Estado, adotou-se para gestão da rede
estadual a divisão em Superintendências Regionais de Ensino (SRE).

110
FIGURA 35 – Mapa das Superintendências Regionais de Ensino na microrregião da AMVI
Fonte: SRE Divinópolis

Essa divisão traz para a região alguns complicadores, pois cada município conta com
pelo menos três tipos de orientação para elaboração de suas ações. As nacionais,
emitidas pelo MEC, as estaduais, emitidas pelo Conselho Estadual de Educação e pela
Secretaria Estadual de Educação, e as regionais, emitidas pelas Superintendências
Regionais de Ensino. É neste bojo que cada município deve pensar sua autonomia e
identidade educacional.

As diretrizes e orientações dessas instâncias não são necessariamente antagônicas, mas


guardam entre si em certo grau de especificidades que podem, por um lado, gerar uma
diversidade rica de ações e por outro uma fragmentação hierárquica entre níveis, etapas
e modalidades da educação. Isto de fato pode acontecer, pois, ainda que em um mesmo
município coexistam a Educação Superior, o Ensino Fundamental e Médio, a Educação
Infantil, a Educação tecnológica, a Educação de jovens e adultos, por exemplo, a
articulação entre esses níveis e etapas, enquanto diretrizes específicas que considerem a
realidade local, parece não se realizar.

111
Assim sendo, e em conformidade com a Constituição Federal de 1988, os municípios
atuam em relação ao Ensino Fundamental e à Educação Infantil; os Estados, atuam
prioritariamente no Ensino Fundamental e Médio, cabendo ao sistema federal a
responsabilidade pela Educação Superior.

Em função dessa divisão de responsabilidades, o desenho regional aqui apresentado


aponta a existência do ensino superior na região, que conta com 28 Instituições de
Ensino Superior que oferecem cerca de 150 cursos de licenciatura, bacharelado e
formação de tecnólogo. Dividem-se entre Universidades públicas e privadas, Centros
Universitários e Instituições Isoladas de Ensino. Algumas dessas Instituições
desenvolvem programas de pós-graduação e todas elas realizam alguma atividade de
extensão universitária.

De acordo com o PMDI, apenas 12,2% da população mineira com idade entre 18 e 24
anos está matriculada no Ensino Superior, o que permite afirmar que o acesso a este
nível de ensino ainda é insuficiente e isso tem implicação direta sobre a qualidade da
mão-de-obra, o que foi apontado por muitos gestores da região da AMVI como sendo
um impedimento ao desenvolvimento econômico da região.

A região conta, também, com diversas unidades do sistema S, tais como SENAI, SESI,
SENAC e com Centros Vocacionais tecnológicos (CVTs). No entanto, o que se pode
observar é que ainda é insuficiente a proximidade das universidades e demais unidades
de ensino com as indústrias. Dessa forma, é relevante salientar que é necessário ampliar
a articulação das instituições de ensino de todos os níveis com os setores públicos e
privados, para que proporcionem um ambiente de oportunidade de desenvolvimento
socioeconômico de toda a região. A FIG. 36 demonstra a localização, por município, das
Instituições de Ensino Superior.

112
FIGURA 36 – Mapa das instituições de ensino superior na microrregião da AMVI
Fonte: FUNEDI, 2010.

Além disso, no Estado, o Sistema de Inovação é sustentado basicamente no ensino supe-


rior, na existência de pessoal qualificado e na proporção de ocupados em atividades re-
lacionadas à ciência e tecnologia (SANTOS, 2009). Dentre os 853 municípios avalia-
dos, apenas um pequeno grupo, composto por 18 municípios, concentra as principais
condições estruturais para impulsionar a inovação em Minas Gerais. Da AMVI, apenas
o município de Itaúna (Grupo 1) encontra-se dentre eles, resultado da interação entre
instituição de educação tecnológica56 e as empresas do setor siderúrgico local, como de-
monstra a FIG.37. Os demais municípios compõem um grupo intermediário, com condi-
ções para expandir sua estrutura voltada à ciência, tecnologia e inovação57.

56
O principal centro tecnológico da América Latina na área da fundição, o SENAI – Centro de
Fundidos Marcelino Corradi, esta localizado em Itaúna/Minas Gerais.
57
Segundo os graus de avanço do sistema de inovação local, os municípios da AMVI classificam-se em
4 clusters (idem, 2009)
- Grupo 1: Itaúna
- Grupo 2: Divinópolis, Santo Antônio do Monte, Arcos, Formiga e Oliveira
- Grupo 3: Araújos, Perdigão, Nova Serrana, São Gonçalo do Pará, Igaratinga, Carmo do Cajuru,
Cláudio, Itapecerica, Japaraíba, Moema, Pitangui
- Grupo 4: São Sebastião do Oeste, Pedra do Indaiá, Camacho e Conceição do Pará.
113
FIGURA 37 – Mapa dos Clusters do Estado
Fonte: SANTOS, Ulisses Pereira dos. Uma classificação dos municípios de Minas Gerais segundo o
grau de avanço de seus sistemas de inovação. Revista de Desenvolvimento Econômico, Vol. 10, No 18
(2008). Disponível em http://www.revistas.unifacs.br/index.php/rde/article/view/1047 Acesso
em 14/09/2009.

Outro aspecto a se destacar se refere à formação de docentes, pois ainda que na região
ocorra uma oferta significativa de vagas para os cursos de licenciatura, as mesmas têm
ficado ociosas, levando inclusive ao não oferecimento de alguns cursos. Portanto, pou-
cos professores têm-se formado o que, segundo os gestores entrevistados, ocasiona a
falta de profissionais qualificados para atuar nas escolas. Essa demanda tem se eviden-
ciado, principalmente, em relação aos profissionais das áreas de Língua Portuguesa,
Matemática, Química, Física, Educação Religiosa e Filosofia. Ainda segundo os gesto-
res educacionais, essa é uma situação que tem sido controlada com a contratação de pro-
fissionais não habilitados, mas que em curto prazo significará uma grande ameaça para
a qualidade da educação oferecida na região.

Inicialmente, para avaliação do funcionamento da educação básica apresenta-se na


TAB. 24 o número de alunos matriculados na Educação Infantil, no Ensino
Fundamental e no Ensino Médio, e a seguir apresenta-se um gráfico que permite a
comparação dos números de alunos matriculados por nível de ensino na região da
AMVI, de Minas e do Brasil.

114
TABELA 24
Número de Matrículas na Educação Básica Regular por Nível de Ensino nos
municípios da AMVI, no Estado de Minas Gerais e no Brasil, 2006

Município/Região Ensino Ensino


Nº Ensino Médio Total
Geográfica Infantil Fundamental
1 Araújos 131 1.118 212 1.461
2 Arcos 256 5.280 1.671 7.207
3 Bambuí 264 3.255 1.156 4.675
4 Camacho 0 550 203 753
5 Carmo da Mata 40 1.719 492 2.251
6 Carmo do Cajuru 63 3.494 988 4.545
7 Cláudio 90 4.279 951 5.320
8 Conceição do Pará 29 915 277 1.221
9 Córrego Fundo 0 869 154 1.023
10 Divinópolis 1485 31.804 10.516 43.805
11 Formiga 398 9.753 2.772 12.923
12 Igaratinga 27 1.396 218 1.641
13 Iguatama 107 1.270 282 1.659
14 Itapecerica 42 3.237 1.014 4.293
15 Itaúna 590 13.481 4.065 18.136
16 Japaraíba 0 695 226 921
17 Moema 37 1.090 314 1.441
18 Nova Serrana 318 10.233 2.391 12.942
19 Oliveira 231 6.524 1.749 8.504
20 Pains 0 1.344 311 1.655
21 Pedra do Indaiá 30 563 178 771
22 Perdigão 85 1.224 297 1.606
23 Pitangui 219 4.493 1.212 5.924
24 Santo Antônio do Monte 244 4.005 945 5.194
25 São Gonçalo do Pará 25 1.559 283 1.867
26 São Sebastião do Oeste 32 729 251 1.012
Região da AMVI 4.743 114.879 33.128 152.750
Minas Gerais 123.434 3.343.922 899.730 4.367.086
Brasil 1.418.753 33.282.663 8.906.820 43608236
Fonte: MEC/INEP através de EDUDATABRASIL - Sistema de Estatísticas Educacionais.

115
Percentual de Alunos Matriculados na Educação Básica Regular por Nível de
Ensino na Região da AMVI, no Estado de Minas Gerais e no Brasil, 2.006

90,0

80,0 75,2 76,6 76,3

70,0

60,0
Percentual (%)

Alunos no Ensino Infantil


50,0
Alunos no Ensino Fundamental
40,0
Alunos no Ensino Médio

30,0
21,7 20,6 20,4
20,0

10,0
3,1 2,8 3,3
0,0
Região da AMVI Minas Gerais Brasil

GRÁFICO 20 - Percentual de Alunos Matriculados na Educação Básica Regular por


Nível de Ensino na Região da AMVI, no Estado de Minas Gerais e no Brasil, 2006
Fonte: MEC/INEP através de EDUDATABRASIL - Sistema de Estatísticas Educacionais.

Na região da AMVI, 4.743 alunos estão matriculados na Educação Infantil; 114.879


matriculados no Ensino Fundamental e 33.128 no Ensino Médio, totalizando-se um
número de 152.750 alunos na Educação Básica regular. O número de matrículas na
Educação Infantil da região da AMVI corresponde a 3,8% do total de matrículas da
Educação Infantil em Minas Gerais e 0,3% em relação ao Brasil.

116
TABELA 25
Relação da população/matrícula na Educação Infantil - 2007

Número de
Município/Região População de População de Número de matriculas
Nº matriculas em
Geográfica 0 a 3 anos 4 a 5 anos na pré-escola
creche
1 Araújos 433 213 116 226
2 Arcos 1623 820 331 542
3 Bambuí 922 499 236 389
4 Camacho 155 88 0 36
5 Carmo da Mata 574 326 21 184
6 Carmo do Cajuru 1000 540 81 539
7 Cláudio 1452 756 120 768
8 Conceição do Pará 244 128 22 127
9 Córrego Fundo 312 145 0 114
10 Divinópolis* - - - -
11 Formiga 2857 1652 485 1389
12 Igaratinga 490 294 72 247
13 Iguatama 301 168 62 163
14 Itapecerica 866 523 46 462
15 Itaúna 4000 2187 594 2189
16 Japaraíba 2857 1652 485 1389
17 Moema 490 294 72 247
18 Nova Serrana 4251 2055 349 1237
19 Oliveira 1931 1075 217 956
20 Pains 403 225 63 208
21 Pedra do Indaiá 190 100 39 42
22 Perdigão 433 252 81 250
23 Pitangui 1396 845 226 723
Santo Antônio do
1369 748 316 372
24 Monte
25 São Gonçalo do Pará 540 301 8 226
26 São Sebastião do Oeste 274 138 68 107
REGIÃO DA AMVI 29.363 16.024 4.110 13.132
Fonte: INEP, Censo Escolar de 2007
* Dados não disponíveis

A TAB. 25 permite observar que apenas 31,45% da população de 0 a 5 anos da AMVI


estão sendo atendidas pela escola, índice reduzido. Somente 11,32% de crianças de 0 a 3
anos estão na creche e é importante salientar que, nos municípios de Camacho e
Córrego Fundo, não há atendimento para esta faixa etária e que mesmo nos outros
municípios a porcentagem de crianças, dessa faixa etária, atendidas pelas creches é
bastante baixa.

De acordo com os dados, 66,4% das crianças de 4 a 5 da região estão na pré-escola, o


que não atende à meta estabelecida pelo PNDE, que é de 80%. No entanto, quando
analisado o índice de cada município percebe-se que 11 municípios apresentam índices
aquém do desejável e que em 12 municípios a meta estabelecida foi superada, pois
117
apresentam índices de atendimento da pré-escola superiores a 80%. Destacam-se
Araújos, Cláudio e Itaúna que atendem todas as crianças desta faixa etária.

A análise dos dados referentes à Educação Infantil coincide com as informações


coletadas através das entrevistas realizadas nos municípios dessa região, que afirmam a
carência do atendimento aos alunos de 0 a 5 anos. Estas entrevistas apontaram também
a carência na rede física de atendimento à Educação Infantil e à formação de
professores, o que implica que ainda são necessárias políticas públicas de
universalização que atendam toda a faixa etária de 0 a 5 anos.

O número de matrículas no Ensino Fundamental da região da AMVI corresponde a


3,4% do total de matrículas desse nível de ensino em Minas Gerais e a 0,3% do Brasil.
No Ensino Fundamental, o atendimento aos alunos matriculados até 7 anos é maior na
região da AMVI (4%) se comparado a Minas Gerais (3%) e ao Brasil (3%). O número
de matrículas de alunos de 7 a 14 anos é equivalente na região da AMVI (82%) e em
Minas Gerais (82%) e um pouco acima do índice do Brasil (81%). Já o de alunos acima
de 14 anos é um pouco menor na região da AMVI (14%) do que em relação a Minas
Gerais (15%) e ao Brasil (16%), que atende ao maior número de alunos matriculados
nessa faixa etária.

GRÁFICO 21 - Alunos matriculados no EF por idade – 2006


Fonte: MEC/INEP EDUDATABRASIL
118
O número de matrículas no Ensino Médio da região da AMVI corresponde a 3,7% do
total de matrículas desse nível de ensino em Minas Gerais, e a 0,4% em relação ao
Brasil. No Ensino Médio o número de matrículas dos alunos de até 15 anos é de 0,3%
na região da AMVI e de 0,4% em Minas Gerais. No Brasil esta taxa é de 1%. O número
de matrículas de alunos de 15 a 17 anos é maior na região da AMVI (63%) do que em
Minas Gerais (58%) e do que no Brasil (53%). Já o número de alunos matriculados
acima de 17 anos é menor na região da AMVI (37%) do que em Minas Gerais (42%) e
do que no Brasil (46%).

TABELA 26
% da População matriculada na Educação Básica Regular por faixa etária – 2004
Jovens com 18
Jovens com 18 anos Adolescentes com 15
anos ou mais
ou mais anos ou mais no total de
Nº Município no total de
matriculadas no matriculados no
matriculados
ensino básico (%) fundamental (%)
no médio (%)
1 Araújos 2,44 17,90 29,95
2 Arcos 3,44 12,70 37,27
3 Bambuí 3,90 16,08 40,85
4 Camacho 5,42 20,19 41,92
5 Carmo da Mata 4,49 14,21 45,61
6 Carmo do Cajuru 6,19 18,49 54,89
7 Cláudio 3,35 14,18 35,74
8 Conceição do Pará 10,19 20,31 53,14
9 Córrego Fundo 2,12 9,59 33,77
10 Divinópolis 4,60 15,95 43,46
11 Formiga 2,63 11,69 33,43
12 Igaratinga 4,27 18,86 39,30
13 Iguatama 3,86 18,08 44,08
14 Itapecerica 4,86 15,34 43,30
15 Itaúna 3,62 12,19 38,39
16 Japaraíba 6,15 17,30 36,12
17 Moema 2,63 13,46 36,08
18 Nova Serrana 4,14 16,04 43,29
19 Oliveira 4,56 18,27 49,26
20 Pains 2,78 15,74 43,79
21 Pedra do Indaiá 4,32 17,87 43,22
22 Perdigão 3,33 16,52 32,93
23 Pitangui 5,54 16,74 46,02
24 Santo Antônio do Monte 2,43 10,29 36,62
25 São Gonçalo do Pará 1,77 13,08 33,20
26 São Sebastião do Oeste 6,66 24,19 50,57
Média Região da AMVI 4,22 15,97 41,01
Fonte: Fundação João Pinheiro - FJP: IMRS/Educação.

Mesmo a distorção idade/série sendo menor na região da AMVI, já que de acordo com

119
pesquisa realizada em 2004, o índice de jovens com 15 anos ou mais, matriculados no
Ensino Fundamental, é de 15,97% e o de jovens com 18 anos ou mais, matriculados no
Ensino Médio, é de 41,01%, deve-se registrar que as metas estabelecidas pelo PMDI
para 2011 são a redução da distorção para 10% no Ensino Fundamental e para 20% no
Ensino Médio. A TAB. 27 apresenta dados relativos ao atendimento escolar e permite
observar como se encontra o % de alunos atendidos por faixa etária:
TABELA 27
Taxa de atendimento escolar por faixa etária no ano de 2004

Taxa de Atendimento escolar (%) à população por faixa etária, 2.004

Nº Município Crianças de 4 a Crianças de 7 a Adolescentes de 15 Crianças e


6 anos (%) 14 anos (%) a 17 anos (%) Adolescentes de 7 a
17 anos (%)
1 Araújos 90,28 93,51 79,26 89,31
2 Arcos 64,13 102,57 97,07 101,44
3 Bambuí 55,80 93,83 97,39 95,42
4 Camacho 37,63 98,44 87,23 94,83
5 Carmo da Mata 54,10 101,06 88,80 97,81
6 Carmo do Cajuru 72,19 101,21 93,99 100,36
7 Cláudio 63,82 93,12 83,54 90,82
8 Conceição do Pará 62,11 105,40 104,23 105,05
9 Córrego Fundo 59,24 90,90 81,24 88,34
10 Divinópolis 51,18 97,51 97,43 97,95
11 Formiga 60,46 97,33 88,65 95,19
12 Igaratinga 36,16 93,87 72,21 88,04
13 Iguatama 82,79 89,77 86,77 89,59
14 Itapecerica 61,83 90,16 83,82 88,54
15 Itaúna 70,82 100,17 93,71 99,03
16 Japaraíba 51,18 121,35 124,10 122,40
17 Moema 52,33 99,55 90,31 97,20
18 Nova Serrana 47,19 107,45 84,55 101,12
19 Oliveira 59,15 94,05 81,21 90,77
20 Pains 66,53 108,55 87,41 103,14
21 Pedra do Indaiá 51,05 102,97 98,28 101,75
22 Perdigão 74,05 100,91 83,59 96,04
23 Pitangui 58,97 107,63 90,27 106,66
24 Santo Antônio do Monte 39,54 87,81 80,48 85,89
25 São Gonçalo do Pará 74,40 111,77 77,07 102,56
26 São Sebastião do Oeste 66,20 103,94 93,98 100,76
Média para Região da AMVI 60,12 99,80 89,48 97,31
Fonte: Fundação João Pinheiro/IMRS.

120
O acesso da população de 7 a 14 anos à rede escolar é de 99,8% e, considerados estes
dados, pode-se dizer que o Ensino Fundamental está universalizado. É importante
salientar que algumas cidades dessa região até superam as expectativas em relação ao
atendimento para a faixa etária. O atendimento aos alunos do Ensino Médio é de
89,48%, o que indica que o índice deve ser ampliado.

GRÁFICO 22 – IDEB dos anos iniciais do Ensino Fundamental

A análise do GRÁFICO 22 do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)


dos anos iniciais permite observar que houve uma queda do ano de 2005 para 2007 na
região da AMVI, enquanto Minas e Brasil demonstraram avanço neste índice.

A TAB. 28 permite observar estes dados em cada cidade da AMVI e eles demonstram
que apenas em Conceição do Pará, Córrego Fundo, Divinópolis, Itapecerica, Itaúna,
Oliveira e Pitangui houve avanço no IDEB. As outras cidades apresentaram índice mais
baixo e somente Formiga e Moema apresentaram os mesmos índices nos dois anos
analisados.

121
TABELA 28
Ensino Fundamental Regular da Rede Pública - Anos Iniciais (Até a 4ª série)
IDEB e Projeções por Município e Rede 2005 e 2007

IDEB IDEB Projeções


Nome do Município
2005 2007 2007 2009 2011 2013 2015 2017 2019 2021
ARAUJOS 5,2 5,0 5,3 5,6 6,0 6,2 6,4 6,7 6,9 7,1
ARCOS 5,3 4,4 5,4 5,7 6,0 6,3 6,5 6,7 6,9 7,1
BAMBUÍ 4,8 4,6 4,9 5,2 5,6 5,8 6,1 6,3 6,6 6,8
CAMACHO 3,9 3,9 4,0 4,3 4,7 5,0 5,3 5,6 5,8 6,1
CARMO DA MATA 5,0 3,9 5,1 5,4 5,8 6,0 6,2 6,5 6,7 6,9
CARMO DO CAJURU 5,3 4,5 5,3 5,6 6,0 6,2 6,5 6,7 6,9 7,1
CLÁUDIO 4,9 4,2 5,0 5,3 5,7 5,9 6,2 6,4 6,7 6,9
CONCEICAO DO PARA 4,4 5,3 4,5 4,8 5,2 5,5 5,7 6,0 6,2 6,5
CORREGO FUNDO 4,6 5,3 4,7 5,0 5,4 5,7 5,9 6,2 6,4 6,7
DIVINÓPOLIS 5,0 5,3 5,1 5,4 5,8 6,0 6,2 6,5 6,7 6,9
FORMIGA 5,5 5,5 5,5 5,8 6,2 6,4 6,6 6,8 7,0 7,2
IGARATINGA - 5,1 - 5,5 5,8 6,1 6,3 6,5 6,8 7,0
IGUATAMA 5,3 4,6 5,3 5,6 6,0 6,2 6,5 6,7 6,9 7,1
ITAPECERICA 4,1 4,6 4,2 4,5 4,9 5,2 5,5 5,8 6,0 6,3
ITAUNA 5,1 5,3 5,2 5,5 5,9 6,1 6,3 6,6 6,8 7,0
JAPARAIBA - 5,5 - 5,9 6,2 6,4 6,6 6,9 7,1 7,3
MOEMA 5,3 5,3 5,4 5,7 6,0 6,3 6,5 6,7 6,9 7,1
NOVA SERRANA 4,5 4,3 4,6 4,9 5,3 5,6 5,8 6,1 6,3 6,6
OLIVEIRA 4,7 4,5 4,8 5,1 5,5 5,8 6,0 6,3 6,5 6,7
PAINS 5,5 3,8 5,5 5,8 6,2 6,4 6,6 6,8 7,0 7,2
PEDRA DO INDAIÁ 4,7 4,1 4,8 5,1 5,5 5,8 6,0 6,3 6,5 6,7
PERDIGÃO 4,6 4,1 4,7 5,0 5,4 5,6 5,9 6,1 6,4 6,6
PITANGUI 4,6 5,1 4,7 5,0 5,4 5,7 5,9 6,2 6,4 6,7
SANTO ANTÔNIO DO MONTE 4,9 4,3 4,9 5,2 5,6 5,9 6,1 6,4 6,6 6,8
SAO GONCALO DO PARÁ 4,7 3,9 4,7 5,1 5,4 5,7 6,0 6,2 6,5 6,7
SAO SEBASTIÃO DO OESTE 4,2 3,8 4,3 4,6 5,0 5,3 5,6 5,8 6,1 6,4
MÉDIAS DA REGIÃO AMVI 4,8 4,6 4,9 5,3 5,6 5,9 6,1 6,4 6,6 6,8
MÉDIA DE MINAS GERAIS 3,8 4,2 3,9 4,2 4,6 4,9 5,2 5,5 5,7 6,0
MÉDIA DO BRASIL 3,6 4,0 3,6 4,0 4,4 4,7 5,0 5,2 5,5 5,8
Fonte: IDEB/INEP.

122
Já o índice do IDEB para os anos finais do Ensino Fundamental na região da AMVI
apresentou elevação de 2005 para 2007, bem como em Minas e no Brasil. Apenas três
municípios apresentaram queda neste índice: Arcos, Camacho e Pains (ver TAB. 29):
TABELA 29 - IDEB anos finais do Ensino Fundamental

IDEB IDEB Projeções


Nome do Município
2005 2007 2007 2009 2011 2013 2015 2017 2019 2021
ARAUJOS 3,8 3,9 3,9 4,0 4,3 4,7 5,1 5,3 5,6 5,8
ARCOS 4,4 4,3 4,5 4,6 4,9 5,3 5,6 5,8 6,1 6,3
BAMBUI 3,4 4,1 3,4 3,5 3,8 4,2 4,6 4,9 5,1 5,4
CAMACHO 4,4 4,0 4,4 4,5 4,8 5,2 5,6 5,8 6,0 6,2
CARMO DA MATA 3,5 4,5 3,5 3,7 3,9 4,3 4,7 5,0 5,2 5,5
CARMO DO CAJURU 3,5 4,4 3,6 3,7 4,0 4,4 4,8 5,0 5,3 5,5
CLAUDIO 4,2 5,0 4,2 4,4 4,6 5,0 5,4 5,6 5,9 6,1
C. DO PARA 3,5 3,7 3,5 3,7 4,0 4,4 4,8 5,0 5,3 5,5
CORREGO FUNDO 3,7 4,0 3,7 3,9 4,1 4,5 4,9 5,2 5,4 5,7
DIVINOPOLIS 3,9 4,5 3,9 4,1 4,3 4,7 5,1 5,4 5,6 5,8
FORMIGA 4,2 4,6 4,2 4,4 4,7 5,1 5,4 5,7 5,9 6,1
IGARATINGA 3,5 3,6 3,5 3,7 4,0 4,4 4,7 5,0 5,3 5,5
IGUATAMA 3,7 3,8 3,8 3,9 4,2 4,6 5,0 5,2 5,5 5,7
ITAPECERICA 3,7 4,0 3,7 3,9 4,2 4,6 4,9 5,2 5,4 5,7
ITAUNA 4,2 4,3 4,2 4,4 4,7 5,1 5,4 5,7 5,9 6,1
JAPARAIBA 4,5 5,8 4,5 4,7 4,9 5,3 5,7 5,9 6,1 6,3
MOEMA 3,8 4,8 3,9 4,0 4,3 4,7 5,1 5,3 5,6 5,8
NOVA SERRANA 3,4 3,9 3,5 3,6 3,9 4,3 4,7 4,9 5,2 5,4
OLIVEIRA 3,6 3,9 3,6 3,8 4,1 4,5 4,8 5,1 5,3 5,6
PAINS 4,5 4,3 4,5 4,7 5,0 5,3 5,7 5,9 6,1 6,4
PEDRA DO INDAIA 4,0 4,0 4,0 4,1 4,4 4,8 5,2 5,4 5,7 5,9
PERDIGAO 3,4 3,7 3,4 3,6 3,8 4,3 4,6 4,9 5,1 5,4
PITANGUI 3,3 3,6 3,3 3,5 3,7 4,1 4,5 4,8 5,0 5,3
S. A. DO MONTE 3,8 3,9 3,8 4,0 4,3 4,7 5,0 5,3 5,5 5,8
S. G. DO PARA 3,4 4,2 3,5 3,6 3,9 4,3 4,7 4,9 5,2 5,4
S. S. DO OESTE 4,4 4,3 4,4 4,6 4,8 5,2 5,6 5,8 6,0 6,3
REGIÃO DA AMVI 3,8 4,2 3,9 4,0 4,3 4,7 5,1 5,3 5,6 5,8
MINAS GERAIS 3,8 4,0 3,8 4,0 4,3 4,7 5,0 5,3 5,5 5,8
Fonte: IDEB/INEP.

123
GRÁFICO 23 – IDEB dos anos finais do Ensino Fundamental, 2005 e 2007
Fonte: INEP.

Na TAB. 30 pode-se observar o índice de proficiência média do Ensino Fundamental e


Médio nas cidades que compõem a região da AMVI:

124
TABELA 30
Resultados do SIMAVE, 2009

Proficiência Média - Rede Estadual


Anos Iniciais do Ensino Anos Finas do Ensino
Ensino Médio
Nome do Município Fundamental Fundamental
Língua Língua Língua
Matemática Matemática Matemática
Portuguesa Portuguesa Portuguesa
Araújos 218,82 247,41 264,11 281,00 299,85 301,88
Arcos 224,56 250,06 259,23 266,86 281,57 294,13
Bambuí 204,24 224,30 251,20 261,45 283,14 305,16
Camacho - - 259,41 286,94 280,02 307,36
Carmo da Mata - - 254,45 272,35 272,82 276,84
Carmo do Cajuru 225,71 249,77 252,68 272,80 277,55 285,33
Cláudio 245,88 264,54 271,17 281,41 297,03 311,98
Conceição do Pará 199,27 223,57 247,70 260,60 282,27 298,31
Córrego Fundo - - 240,35 246,31 282,46 292,65
Divinópolis 216,93 233,37 258,34 266,21 280,79 295,79
Formiga 214,05 231,13 263,33 268,78 289,15 305,29
Igaratinga - - 263,58 284,98 286,23 311,02
Iguatama - - 256,28 258,46 314,88 332,42
Itapecerica 200,59 216,42 247,47 254,17 274,94 286,23
Itaúna 211,88 230,31 261,15 273,19 286,06 305,51
Japaraíba 224,56 251,59 258,48 295,53 268,48 294,37
Moema 240,69 227,37 262,76 270,82 279,17 287,51
Nova Serrana 216,02 233,45 258,30 274,17 269,50 287,03
Oliveira 225,29 245,81 249,39 260,49 273,31 285,03
Pains 254,46 254,46 252,95 252,95 279,30 279,30
Pedra do Indaiá - - 238,83 233,91 266,94 281,90
Perdigão - - 276,23 275,71 290,86 316,57
Pitangui 205,57 224,71 240,98 252,61 263,34 277,04
S. Antônio do Monte 200,39 208,51 258,79 265,78 289,28 300,83
São Gonçalo do Pará 205,07 208,27 256,39 265,03 272,84 284,61
S. Sebastião do Oeste 286,45 - - - 287,41 289,20
REGIÃO DA AMVI 222,13 234,73 256,14 267,30 281,89 295,9
MINAS GERAIS 204,80 218,20 282,20 255,80 274,00 282,20

Fonte: SIMAVE/SEEMG

125
De acordo com esses dados, o índice de proficiência média do Ensino Fundamental e
do Ensino Médio, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática, é maior na
região da AMVI se comparado aos índices do Estado. Esse índice diferencia-se apenas
nos anos finais do Ensino Fundamental, quando se trata da Língua Portuguesa, que na
região da AMVI é de 256,14 e em Minas é de 282,20.

TABELA 31
Taxa de rendimento escolar, 2009

Taxas de Rendimento (%) - Rede Estadual


Nome do Anos Iniciais do Ensino Anos Finas do Ensino
Ensino Médio
Município Fundamental Fundamental
Abandono Aprov. Repr. Abandono Aprov. Repr. Abandono Aprov. Repr.
Araújos 0,0 98,0 2,0 10,0 76,0 14,0 14,0 82,0 4,0
Arcos 0,0 97,0 3,0 3,0 89,0 8,0 17,0 77,0 7,0
Bambuí 0,0 96,0 4,0 6,0 83,0 11,0 8,0 71,0 21,0
Camacho 1,0 98,0 1,0 1,0 96,0 3,0 2,0 95,0 3,0
Carmo da Mata 5,0 84,0 11,0 4,0 88,0 8,0 13,0 82,0 5,0
Carmo do Cajuru 0,0 98,0 1,0 7,0 81,0 12,0 16,0 74,0 10,0
Cláudio 1,0 96,0 4,0 5,0 87,0 8,0 13,0 77,0 10,0
Conceição do
0,0 99,0 1,0 15,0 79,0 7,0 23,0 64,0 12,0
Pará
Córrego Fundo - - - 6,0 79,0 16,0 12,0 84,0 4,0
Divinópolis 0,0 95,0 5,0 2,0 83,0 15,0 14,0 71,0 15,0
Formiga 0,0 95,0 4,0 2,0 86,0 11,0 10,0 79,0 11,0
Igaratinga - - - 16,0 68,0 16,0 17,0 77,0 6,0
Iguatama - - - 7,0 75,0 18,0 8,0 74,0 18,0
Itapecerica 0,0 95,0 5,0 3,0 84,0 13,0 6,0 85,0 9,0
Itaúna 0,0 96,0 4,0 4,0 81,0 14,0 17,0 72,0 12,0
Japaraíba 1,0 99,0 1,0 2,0 98,0 1,0 5,0 92,0 3,0
Moema 0,0 99,0 1,0 3,0 94,0 3,0 12,0 88,0 0,0
Nova Serrana 0,0 97,0 2,0 3,0 85,0 12,0 21,0 69,0 11,0
Oliveira 1,0 96,0 4,0 8,0 78,0 14,0 14,0 77,0 9,0
Pains 2,0 98,0 0,0 6,0 85,0 9,0 8,0 86,0 6,0
Pedra do Indaiá - - - 5,0 88,0 7,0 10,0 81,0 9,0
Perdigão 0,0 88,0 12,0 12,0 76,0 12,0 14,0 79,0 6,0
Pitangui 1,0 94,0 4,0 10,0 75,0 15,0 13,0 79,0 8,0
S.A. do Monte 0,0 93,0 7,0 7,0 77,0 16,0 11,0 81,0 7,0
S. G. do Pará 0,0 89,0 11,0 6,0 82,0 12,0 5,0 90,0 5,0
S. S. do Oeste - - - - - - 7,0 89,0 4,0
REGIÃO DA
0,6 95,2 4,1 6,1 82,9 11,0 11,9 79,8 8,3
AMVI
MG 1,0 93,0 6,0 6,0 78,0 16,0 14,0 74,0 13
Fonte: SIMAVE/SEEMG.

Como se pode observar, a taxa de abandono é sempre maior à medida que o aluno
avança dos anos iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio. Já o percentual de
reprovação é maior nos anos finais do Ensino Fundamental.

126
A taxa de evasão no Ensino Médio em Minas Gerais é uma das mais altas do Brasil,
segundo o PMDI e, portanto, são necessárias ações que promovam a melhoria das
condições de permanência dos jovens que estão matriculados e estímulo para o retorno
daqueles que abandonaram os estudos.

A TAB. 32 mostra os dados referentes à taxa de analfabetismo das pessoas com 25 anos
ou mais da região da AMVI em comparação a Minas Gerais e ao Brasil no ano de 2000.

TABELA 32
Taxa de analfabetismo

Município % 25 anos ou mais analfabetas, 2000

Araújos 15,02
Arcos 9,32
Bambuí 14,88
Camacho 26,09
Carmo da Mata 14,86
Carmo do Cajuru 12
Cláudio 9,33
Conceição do Pará 16,38
Córrego Fundo 14,53
Divinópolis 7,26
Formiga 10,97
Igaratinga 12,92
Iguatama 11,49
Itapecerica 14,91
Itaúna 8,28
Japaraíba 12,65
Moema 13,19
Nova Serrana 11,12
Oliveira 11,59
Pains 13,72
Pedra do Indaiá 20,63
Perdigão 10,5
Pitangui 12,06
Santo Antônio do Monte 11,7
São Gonçalo do Pará 11,9
São Sebastião do Oeste 17,21
Região da AMVI 13,25
Minas Gerais 14,79
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano.

Apesar de a AMVI apresentar índice menor de pessoas com 25 anos ou mais


analfabetas, em relação a Minas e ao Brasil, deve-se considerar o compromisso do
Brasil de erradicar o analfabetismo, o que significa que ainda deve-se vencer este
desafio.

127
Taxas de Analfabetismo por faixa etária entre a população com idade de 15
anos e mais na Região da AMVI, no Estado de Minas Gerais e no Brasil, 2000

40,0
35,8 35,2
34,0
35,0

30,0

25,0
Região da AMVI
Taxa (%)

19,0 19,7
20,0 18,1 Minas Gerais
Brasil
15,0
10,9
10,0 7,3 8,3
6,4
5,0 4,5
5,0 3,3
1,9 2,5

0,0
15 a 19 20 a 29 30 a 44 45 a 59 60 e mais
Fa ix a Etária (Anos)

GRÁFICO 24 - Taxas de analfabetismo por faixa etária, 2000


Fonte: IBGE, Censo Demográfico de 2000; INEP, Censo Escolar de 2000; e Nações Unidas.

Observa-se que o maior índice de analfabetos ocorre com a população de 60 anos ou


mais. No entanto, os analfabetos em idade produtiva correspondem a uma população
expressiva. Além disso, o GRAF. 25 demonstra que aproximadamente 10% da
população urbana é analfabeta.

TaxadeA nalfabetismoentreapopulaçãocomidadede15anosem aispor


localizaçãonaRegiãodaA MVI,noEstadodeMinasGeraisenoBrasil, 2000

35,0

29,8
30,0

25,0 24,1
Taxa (%)

20,0

15,1 Urbana
15,0
Rural
9,9 9,5 10,2
10,0

5,0

0,0
RegiãodaAMVI MinasGerais Brasil

GRÁFICO 25 - Taxa de analfabetismo por localização, 2000


Fonte: IBGE, Censo Demográfico de 2000; INEP, Censo Escolar de 2000; e Nações Unidas

O índice de analfabetos em relação ao rendimento salarial familiar de até um salário


mínimo é de 23,3% na região da AMVI, de 25,7% em Minas Gerais, e de 30,5% no
Brasil. Esse índice decresce à medida que o salário sobe, conforme mostra gráfico
anterior. Sendo assim, o menor índice de analfabetismo ocorre com a população que
recebe mais de 10 salários mínimos.
128
O índice de analfabetos funcionais é, praticamente, o mesmo nas três regiões como
mostra a TAB. 33. Os 26,6% apresentados significam uma população estimada de
199.176 pessoas. Quanto a este aspecto, deve-se considerar ainda que o Plano Nacional
de Educação estabelece como prioridade garantir o Ensino Fundamental a todos os que
a ele não tiveram acesso na idade própria ou não o concluíram. A garantia de acesso e a
melhoria da qualidade do ensino devem ser condição primordial, que contribuirá com a
formação do sujeito e, por conseguinte, com o desenvolvimento da região.
TABELA 33
Taxa de analfabetos funcionais na região da AMVI

Analfabetos Funcionais (1) (2)

Cidade/Região Geográfica Número Taxa

Araújos 1.236 27,5


Arcos 4.503 18,4
Bambuí 4.786 28,9
Camacho 1.030 40,3
Carmo da Mata 2.235 29,0
Carmo do Cajuru 2.969 24,0
Cláudio 3.424 21,3
Conceição do Pará 1.182 34,0
Córrego Fundo 1.104 28,7
Divinópolis 22.732 16,7
Formiga 11.300 24,0
Igaratinga 1.476 28,1
Iguatama 1.383 22,8
Itapecerica 4.251 26,9
Itaúna 10.562 18,6
Japaraíba 546 22,2

129
continuação
(1) (2)
Analfabetos Funcionais
Cidade/Região Geográfica Número Taxa
Moema 1.408 29,5
Nova Serrana 6.939 26,2
Oliveira 6.615 24,1
Pains 1.512 26,1
Pedra do Indaiá 996 34,3
Perdigão 1.187 28,2
Pitangui 3.672 23,1
Santo Antônio do Monte 4.432 26,1
São Gonçalo do Pará 1.736 29,3
São Sebastião do Oeste 1.237 34,5
AMVI 104.453 26,6
MINAS GERAIS 3.419.718 26,7
BRASIL 33.221.192 27,8
Fonte: IBGE, Censo Demográfico de 2000; INEP, Censo Escolar de
2000; e Nações Unidas (www.undp.org.br)

Mesmo consideradas todas as variáveis relativas ao analfabetismo funcional


apresentadas, inclusive a de que a taxa da AMVI é bastante semelhante à do Estado e à
do Brasil, há que se reafirmar que a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação
é a erradicação do analfabetismo.

Outro dado abordado neste estudo refere-se ao nível formação de professores da


Educação Básica, que pode ser observado na GRÀF. 26:

130
Percentual de Docentes que lecionam no Ensino da Educação Básica Regular por Nível de Ensino em que atuam e
Formação - AMVI, Minas Gerais e Brasil, 2.006

100
96,89 94,24 95,44

90 87,66

80,57
80
71,79
70
Percentual (%)

60 55,57
54,28
Região da AMVI
49,86
48,12
50 Minas Gerais
42,93
40,87 Brasil
40

30 27,69

19,22
20
12,27

10 5,76 5,56
3,5 3,1
1,94 2,79
0,07 0,2 0,53 0 0 0
0
Formação Formação Média Formação Formação Formação Média Formação Formação Formação Média Formação
Fundamental Superior Fundamental Superior Fundamental Superior

Lecionam no Ensino Infantil Lecionam no Ensino Fundamental Lecionam no Ensino Médio

GRÁFICO 26 - Percentual de docentes da Educação Básica, 2006


Fonte: MEC/INEP disponível em EDUDATABRASIL – Sistema de Estatísticas Educacionais – 2009.

O índice de docentes da região da AMVI, que atuam na Educação Infantil, com Nível de
Formação Fundamental (3,5%) é maior se comparado ao índice de Minas (1,94%) e ao
do Brasil (2,79%). Este fato é preocupante, pois não está de acordo com a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação 9394/96 (LDB) que orienta sobre a devida formação dos
docentes. Em contrapartida, o número de docentes com formação superior (55,57%) é
maior do que os de Minas (48,2%) e do Brasil (42,93%), porém, é preciso evidenciar
que esse percentual ainda não é o ideal de acordo com os parâmetros estabelecidos pela
legislação.

Dos docentes que atuam no Ensino Fundamental da região da AMVI, 0,07% ainda
possuem apenas o Nível de Formação Fundamental, porcentagem inferior à de Minas
Gerais (0,2%) e à do Brasil (0,53%). O índice de docentes com Nível de Formação
Médio nessa região também é inferior aos índices de Minas e do Brasil: 2,27%; 9,22% e
27,69%, respectivamente. Os docentes da região da AMVI que possuem formação
superior equivalem a 87,66% do total, sendo que em Minas Gerais essa porcentagem é
de 80,57% e no Brasil, 71,79%. Estes dados mostram que, apesar da região ainda não
possuir os índices considerados pela legislação como ideais, o seu nível de formação
docente está melhor se comparado ao de Minas e do Brasil.

Nenhum professor atuante no Ensino Médio na AMVI e em Minas possui, apenas, o


131
Nível de Formação Fundamental. Dos docentes que atuam nesse nível de ensino na
região da AMVI, 12,27% têm Nível de Formação Médio. Em Minas, essa porcentagem
sobe para 19,22% e no Brasil cai para 4,56%. Este número também é preocupante, pois
esses docentes atuam no mesmo nível de formação em que são formados. A
porcentagem de professores com formação superior na região da AMVI (96,89%) é
superior à de Minas (94,24%) que, por sua vez, apresenta índice inferior ao do Brasil
(95,44%). Nota-se que o índice dos docentes com Nível de Formação Superior está um
pouco mais elevado na região da AMVI.

A análise dos investimentos em Educação das cidades abrangidas pela AMVI mostra
que a média per capita de gasto com a educação é de R$ 159,40. Das 26 cidades, apenas
2 não cumprem com o Artigo 212 da Constituição Federal no que se refere ao gasto com
a Educação. Outro dado apontado por essa análise é que quase metade (47%) dessas
cidades não possui Conselho de Educação atuante. Esse dado coincide com informações
coletadas através de entrevistas realizadas in loco.

132
TABELA 34
Perfil Escolar na Região da AMVI
Investimentos em Educação e cumprimento da Legislação, 2004
Esforço Cumpre o artigo
Gasto per capita Percentual de gasto
orçamentário em 212 da constituição Conselho de
Município com educação com educação - EC
educação (R$ de - gasto com Educação atuante
(R$ de 2004) art 212 - CF (%)
2004) educação
Araújos 153,94 25,08 33,08 Sim Sim
Arcos 156,67 24,68 23,70 Não Não
Bambuí 112,63 24,51 25,20 Sim Não
Camacho 247,28 26,36 30,92 Sim Não
Carmo da Mata 147,45 22,49 27,25 Sim Não
Carmo do Cajuru 130,31 24,03 26,09 Sim Sim
Cláudio 167,06 31,71 26,29 Sim Sim
Conceição do Pará 112,10 16,91 25,96 Sim Sim
Córrego Fundo 217,88 26,15 26,18 Sim Não
Divinópolis 132,18 18,48 25,49 Sim Sim
Formiga 130,52 25,81 31,70 Sim Sim
Igaratinga 164,90 24,57 24,36 Não Não
Iguatama 183,28 21,40 31,98 Sim Não
Itapecerica 122,25 22,28 32,28 Sim Sim
Itaúna 110,49 14,90 28,12 Sim Não
Japaraíba 287,87 28,55 25,53 Sim Sim
Moema 135,62 21,11 26,97 Sim Sim
Nova Serrana 140,53 28,42 25,22 Sim Não
Oliveira 95,80 17,29 27,05 Sim Sim
Pains 153,80 20,05 25,27 Sim Não
Pedra do Indaiá 246,26 26,40 27,02 Sim Sim
Perdigão 145,27 19,94 25,55 Sim Sim
Pitangui 111,29 28,87 33,17 Sim Sim
Santo Antônio do Monte 125,09 22,64 30,48 Sim Sim
S. Gonçalo do Pará 170,92 25,33 26,81 Sim Sim
S. Sebastião do Oeste 243,07 23,78 25,60 Sim Não
Médias Região da Sim: 24 (92,3%) Sim: 15 (57,7%)
159,40 23,53 27,59
AMVI Não: 2 (7,7%) Não: 11 (42,3%)
Fonte: Fundação João Pinheiro - FJP: IMRS/Educação.

6.1.1 Síntese
A análise dos dados da educação na região indica que o acesso ao Ensino Fundamental
já está assegurado, ou seja, a quase totalidade das crianças de 7 a 14 anos frequenta a
escola. Porém, as taxas de reprovação e de abandono resultam em uma preocupante
distorção idade/série e uma queda no atendimento ao Ensino Médio que aponta para a
necessidade de melhoria das condições de permanência dos matriculados e de estímulo
ao retorno daqueles que estão fora da escola. O analfabetismo também continua
presente na região. E a demanda da Educação Infantil ainda não é totalmente atendida,
principalmente as crianças de 0 a 3 anos. Além disso, os docentes que trabalham neste
nível de ensino ainda não apresentam formação adequada de acordo com a LDB.

133
6.2 Saúde

A regionalização usada para organização da rede de assistência não coincide com os


limites geográficos da AMVI, apontando a necessidade de inserção de outros
municípios para compreensão da macrorregião e de seus fluxos. O mapa (FIG. 38)
demonstra a interface da AMVI com a regionalização da saúde, indicando como a
região da AMVI congrega municípios de diferentes microrregiões, com destaque para a
microrregião de Divinópolis, em que somente um dos municípios não integra a AMVI.

Ressalta-se que todos os municípios da AMVI integram a Macrorregião Oeste de Saúde


que tem o município de Divinópolis como polo de referencia.

FIGURA 38 – Regionalização do SUS

Em relação à atenção primária, foi analisada a cobertura da Estratégia de Saúde da


Família nos municípios; observa-se na maioria dos municípios da AMVI uma cobertura
acima da média do Estado, que é de 67,07% em 2009. Verifica-se, nos municípios de
Divinópolis, Itaúna e Itapecerica, onde prevalece um modelo híbrido de Atenção

134
Primária-Programa Saúde da Família - PSF e Unidade de Atenção Primária de Saúde
tradicional, que a cobertura está abaixo da média do Estado.

TABELA 35
Cobertura da Estratégia Saúde da Família na região da AMVI e em Minas Gerais

% de cobertura
Minas Gerais 67,07%
Região AMVI 68,00%
Municípios AMVI
Araújos 91,00%
Arcos 100,00%
Bambuí 100,00%
Camacho 100,00%
Carmo da Mata 91,13%
Carmo do Cajuru 69,70%
Claúdio 80,73%
Conceição do Pará 100,00%
Córrego Fundo 100,00%
Divinópolis 24,26%
Formiga 100,00%
Igaratinga 82,47%
Iguatama 78,80%
Itapecerica 65,30%
Itaúna 61,00%
Japaraíba 100,00%
Moema 98,50%
Nova Serrana 75,00%
Oliveira 97,15%
Paíns 91,80%
Pedra do Indaiá 93,00%
Perdigão 88,95%
Pitangui 100,00%
Santo Antonio do Monte 93,90%
São Gonçalo do Pará 94,53%
São Sebastião do Oeste 95,00%
Fonte: DAB/SAS/MS – 2009.

A região apresenta altos indicadores de cobertura de ESF na maioria dos seus


municípios, entretanto, verifica-se a necessidade de fortalecer a assistência prestada pela
Estratégia Saúde da Família, pois, como uma estratégia inovadora do Ministério da
Saúde, apresenta desafios institucionais, como a expansão e a estruturação de uma rede
de unidades básicas de saúde. Para alcançar esta organização da rede e fortalecer a
Atenção Primária nos municípios, o Estado de Minas Gerais iniciou o Plano Diretor de
Atenção Primária (PDAPS), estratégia que teve a participação de 100% dos municípios
da AMVI, no ano de 2008. Este plano foi apontado no encontro realizado com os
gestores como um instrumento de planejamento e gestão a ser valorizado na região
para melhor resolutividade da atenção à saúde.

135
Em relação à Atenção Secundária, os serviços de saúde da região estão credenciados
junto ao Ministério da Saúde na forma de ambulatórios especializados, policlínicas,
serviço de apoio diagnose terapêutica e de diagnose por imagem, conforme verificado
por meio da coleta de dados durante as visitas in loco realizadas nos municípios da
AMVI e confirmadas em consulta ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
(CNES).

Os municípios da AMVI que apresentam, pelo SUS, os serviços de média complexidade


são as policlínicas nos municípios de Arcos, Bambuí, Divinópolis, Formiga, Itaúna,
Nova Serrana, Oliveira e Santo Antônio do Monte e os ambulatórios especializados em
Araújos, Carmo da Mata, Cláudio e Perdigão, conforme mapas abaixo apresentados.

FIGURA 39 – Policlínicas na microrregião da AMVI


Fonte: CNES – DATASUS/MS – 2009.

136
FIGURA 40 – Ambulatórios especializados na microrregião da AMVI
Fonte: CNES- DATASUS / MS – 2009.

Os ambulatórios existentes nestes municípios proporcionam uma assistência eficiente


no contexto do município e servem de referência aos seus usuários também para
pequenas urgências, que buscam atendimento rápido e geograficamente mais próximo.
Entretanto, embora estes municípios disponibilizem uma assistência de média
complexidade, sua capacidade instalada não é capaz de absorver a demanda para este
tipo de atendimento, o que gera necessidade de transferência dos usuários para outros
municípios que sejam a referência contratualizada. No caso da AMVI, o município de
Divinópolis, polo da macrorregião Centro-Oeste, deve possuir capacidade instalada para
a absorção de urgências e emergências e deve disponibilizar vagas aos municípios
pactuados pela PPI.

A análise dos mapas a seguir apresentados mostra que estão incluídos, na oferta dos
serviços de diagnose por imagem, os municípios que apresentam ambulatórios
especializados, segundo dados do CNES (2009): Araújos, Cláudio, Carmo da Mata e
Perdigão. Porém, nove outros municípios que não possuem policlínica ou ambulatórios
especializados do SUS oferecem os mesmos serviços: Camacho, Carmo do Cajuru,
Córrego Fundo, Formiga, Igaratinga, Itapecerica, Japaraíba, Moema e Pains. Isto

137
demonstra o que vem acontecendo em várias regiões de Minas Gerais e do país: a
criação de serviços que atendam a necessidade emergente, sem se pensar previamente
em uma lógica regional. Esta oferta de serviços por demanda, embora seja contrária as
diretrizes da regionalização e hierarquização dos serviços, tornou-se comum no
contexto do SUS, uma vez que cada município procura estruturar sua assistência à
saúde pautado exclusivamente em sua necessidade particular, não considerando a
economia de escala e de escopo.

FIGURA 41 - Serviço de Apoio Diagnose Terapêutica e FIGURA 42 - Diagnose por Imagem


Fonte: CNES-DATASUS/MS- 2009.

O grande desafio da gestão dos municípios é o de oferecer aos usuários de saúde uma
assistência integral, por meio das pactuações da PPI ou de consórcios como os CISVI,
138
CISPARÁ, CISMARG e CISASF, para a oferta de todos os serviços de necessidade,
segundo o perfil epidemiológico da população adscrita. Estas questões foram apontadas
junto aos gestores como fragilidades na assistência que formularam proposições como;
criação de centros especializados nos municípios polo de microrregião e equipar os
serviços da macrorregião para atendimento de alta complexidade.

Ainda na perspectiva de atendimentos especializados, encontram-se os atendimentos de


usuários com transtornos mentais, os quais devem ser assistidos nas unidades de
Estratégia de Saúde da Família nos municípios com população até 20.000 habitantes
ou nos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS , nos municípios com população
superior a 20.000 habitantes. Dentre os municípios componentes da AMVI, sete
possuem CAPS: Arcos, Divinópolis, Itaúna, Formiga, Nova Serrana, Santo Antônio do
Monte e Oliveira.

FIGURA 43 - Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)


Fonte: CNES- DATASUS/MS-2009.

Há uma necessidade urgente de implementação do CAPSi e CAPSAD, pois existe uma


demanda reprimida na região no que se refere ao atendimento às crianças e adolescentes
com necessidades mentais que não são usuários dos CAPS, uma vez que o atendimento
próprio a esta clientela, oferecido por meio dos CAPSi, e AD não são oferecidos nos
139
municípios dessa macrorregião; Divinópolis e Itaúna possuem essa estrutura mas não
conseguiram obter o alvará sanitário, portanto, todos os usuários que necessitam desse
serviço são encaminhados para internação no hospital Bento Menin, em Divinópolis.

O atendimento de urgência, assim como a atenção secundária, constitui-se em um


grande problema para os gestores municipais. Esses serviços na região nem sempre
conseguem atender integralmente seus usuários, uma vez que sua capacidade instalada
não possibilita o atendimento de urgências que demandem alta complexidade. A
realidade da região é dificultada em função da falta de equipamentos físicos e de
recursos humanos especializados. As clínicas cirúrgicas e a ortopedia são especialidades
que os municípios têm dificuldades em manter, visto que a estrutura física destas
instituições não oferece recursos para cirurgias de urgências, nem há oferta de leitos
hospitalares e/ou de terapia intensiva, quando é o caso. Desta forma, os usuários que
sofrem grandes traumas e/ou necessitam de cirurgias normalmente são transferidos para
Divinópolis, sede de micro e da Macrorregião Oeste ou para Belo Horizonte. Assim,
para os gestores há necessidade de aumentar a pactuação de alta e média complexidade,
e implementação do SAMU para a macrorregião.

FIGURA 44 – Atendimento de urgência


Fonte: CNES-- DATASUS/MS-2009.

140
Em se tratando da Atenção Terciária, média e alta complexidade, a região da AMVI
caracteriza-se pela presença de hospitais de pequeno porte que recebem subsídios do
Estado e município. Estes hospitais contrariam as diretrizes de economia de escala e
escopo preconizadas pelo Estado, o que acarreta ineficiência, pela baixa taxa de
ocupação e pela falta de equilíbrio financeiro na gestão de recursos. Na região da
AMVI, os hospitais dos municípios de Divinópolis, Itaúna e Formiga fazem parte do
Pro-Hosp, programa que sob o ponto de vista do PDR desempenham as funções de
hospitais pólos microrregionais e macrorregional. O programa propõe uma alocação de
recursos á esses hospitais como incentivo para mobilizar os arranjos organizacionais e
as práticas de gestão interna no rumo da eficiência, equidade e melhoria da qualidade do
atendimento e dos serviços e que atendam às necessidades da população, constituindo-
se em uma rede de atenção integral à saúde que seja capaz de preencher os “vazios
assistenciais” no Estado.

Em se tratando do número de leitos disponíveis, verifica-se que, em função da


morbidade aumentada por doenças crônico-degenerativas, a sua tendência é de ser
insuficiente à demanda. Isto significa a necessidade emergente de que uma nova lógica
seja pensada com relação à regionalização da saúde, com a construção de um hospital
regional, como também a própria configuração de uma rede hierarquizada com serviços
de média e alta complexidade prestados por municípios de maior porte, gera uma
necessidade real de transferência dos pacientes dos pequenos municípios para os pólos
de atenção especializada exigem dos municípios a utilização de transporte sanitários
para os pacientes se deslocarem para atendimento para esses hospitais de referência.

Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), em 2008, o coeficiente de


mortalidade infantil em Minas Gerais foi de 14,5 por mil nascidos vivos. Comparado
com as taxas dos municípios da AMVI, conforme TABELA 36, verifica-se que os muni-
cípios de Arcos, Araújo, Bambuí, Cláudio, Conceição do Pará, Córrego Fundo, Igara-
tinga, Itapecerica, Moema, Nova Serrana e Oliveira apresentam um coeficiente superior
ao do Estado. Ressalta-se o fato de que os municípios de Bambuí e Igaratinga, apesar de
deterem coeficiente superior ao do Estado, apresentam uma diminuição quando conside-
rada a série histórica.

141
TABELA 36
Coeficiente de mortalidade infantil por mil nascidos vivos ano, 2003-2008

2003 2004 2005 2006 2007 2008


Minas Gerais 17,55 16,84 16,52 16,34 14,87 14,15
Araújos 0,00 30,74 15,01 16,52 16,34 26,46
Arcos 20,40 14,36 19,45 2,73 8,07 22,14
Bambuí 31,75 22,57 31,25 35,51 22,07 17,74
Camacho 0,00 0,00 0,00 30.08 0,00 0,0
Carmo da Mata 19,13 19,11 0,00 9,50 47,42 8,80
Carmo do Cajuru 33,33 21,90 31,79 5,21 0,00 10,11
Cláudio 21,04 49,67 43,91 35,28 23,11 27,30
Conceição do Pará 19,74 38,81 18,68 18,34 18,01 20,56
Córrego Fundo 56,06 37,02 0,00 0,00 0,00 17,3
Divinópolis 21,14 19,28 22,02 14,91 17,48 11,72
Formiga 12,37 18,39 15,03 22,33 11,80 7,48
Igaratinga 25,71 12,64 24,35 11,95 35,22 22,49
Iguatama 24,28 0,00 0,00 12,20 24,43 12,85
Itapecerica 19,15 28,87 14,61 19,60 14,79 18,85
Itaúna 27,47 18,49 17,98 20,10 17,49 11,76
Japaraíba 28,40 56,59 28,00 55,71 0,00 0,00
Moema 14,65 14,44 27,99 55,11 13,57 14,29
Nova Serrana 39,12 39,68 46,29 32,76 25,89 33,75
Oliveira 25,77 30,54 22,28 12,21 19,26 20,48
Pains 12,96 0,00 39,31 26,31 13,21 0,00
Pedra do Indaiá 26,62 0,00 26,98 0,00 0,00 0,00
Perdigão 0,00 16,19 46,63 15,23 14,94 12,89
Pitangui 65,45 30,28 21,20 25,19 4,16 7,78
Santo Antônio do Monte 31,79 23,35 11,15 10,90 24,87 11,68
São Gonçalo do Pará 37,04 24,57 12,14 48,28 24,00 0,00
São Sebastião do Oeste 44,25 0,00 22,77 0,00 0,00 17,87
Fonte: SIM/DATASUS-2008

Para que ações efetivas sejam implementadas na busca de indicadores mais expressivos
em termos de prevenção e promoção da saúde no que se refere à mortalidade infantil,
estudos mais aprofundados deverão ser feitos na região, considerando aspectos como re-
solutividade da assistência pré e pós-natal e questões de saneamento, que na região
apresenta dados de esgotamento sanitário inferiores ao do Estado.

Na região da AMVI, a mortalidade apresenta segundo dados do DATASUS/2007,


como principais causas as doenças do aparelho circulatório, doenças respiratórias ,
neoplasias e causas externas. As causas relacionadas estão incluídas no conjunto de
doenças que, quando abordadas de maneira apropriada, tanto em termos de promoção e
prevenção, quanto de tratamento precoce e acompanhamento ambulatorial, dificilmente
prevaleceriam como causa de morte.
Para analisar melhor estas condições, foi realizada uma estratificação das causas de
óbitos mais frequentes nas cidades da AMVI.

142
TABELA 37
Causas de óbitos mais frequentes em Minas Gerais e nos municípios da AMVI

Doenças Doenças Neoplasia Causas


MUNICIPIOS Cardiovasculares Respiratórias Externas

Araújos 40,6% 15,6% 15,6% 12,5%


Arcos 33,1% 12,3% 17,8% 17,2%
Bambuí 24,6% 8,2% 21,9% 9,8%
Camacho 28,6% 8,2% 21,4% 14,3%
Carmo da Mata 35,1% 18,9% 14,9% 5,4%
Carmo do Cajuru 38,0% 13,0% 22,0% 10,0%
Cláudio 39,9% 10,9% 11,6% 13,8%
Conceição do Pará 59,3% 11,1% 7,4% 3,7%
Córrego Fundo 26,1% 4,3% 26,1% 8,7%
Divinópolis 36,6% 11,5% 15,2% 9,7%
Formiga 33,7% 14,8% 16,1% 10,1%
Igaratinga 21,9% 28,1% 9,4% 15,6%
Iguatama 43,3% 11,7% 10,0% 5,0%
Itapecerica 37,5% 10,1% 15,3% 11,5%
Itaúna 34,8% 14,0% 15,5% 10,8%
Japaraíba 52,9% s\r 5,9% s\r
Moema 33,3% 12,5% 12,5% 10,4%
Nova Serrana 21,8% 12,8% 7,8% 24,5%
Oliveira 35,0% 13,3% 14,6% 8,8%
Paíns 32,0% 24,0% 16,0% s\r
Pedra do Indaiá 46,2% 7,7% 19,2% 3,8%
Perdigão 25,0% 14,3% 17,9% 7,1%
Pitangui 43,9% 9,4% 13,7% 8,6%
Santo Antônio do Monte 36,4% 10,3% 14,0% 14,0%
São Gonçalo do Pará 35,3% 15,7% 13,7% 7,8%
São Sebastião do Oeste 11,1% 16,7% 22,2% 11,10%
Minas Gerais 32.5% 11.5% 15.9% 12.3%
Fonte : DATASUS/MS – 2007.

Ao estratificar a análise de óbitos por grupo de causas para os municípios da região da


AMVI, observa-se que 73% dos municípios, no que se refere às doenças do aparelho
circulatório, encontra-se acima da média do Estado, principalmente os municípios de
Conceição do Pará, Japaraíba e Pedra do Indaiá. Em relação aos outros grupos de
143
causas, ressalta-se o fato de Pains e Igaratinga apresentarem uma porcentagem alta de
mortalidade no grupo das doenças respiratórias.

Salienta-se também a mortalidade por Causas Externas considerado pelo SUS como um
fator de criminalidade, ainda que não claramente dimensionado. As consequências
registradas são a perda significativa de anos potenciais de vida e um lastro de sequelas
incapacitantes, pois afetam principalmente a população jovem, masculina e de baixa
renda.
Nesse sentido, a criminalidade e a violência urbana são apontadas como grandes
problemas sociais porque decorrem da crescente desorganização familiar e das
reduzidas alternativas de ocupação e de lazer, especialmente para os jovens. Medida
pelo número de crimes violentos por 100 mil habitantes, a violência se faz presente em
todas as regiões do Estado e concentra-se nas cidades grandes e médias. Todavia, o
movimento de interiorização do desenvolvimento da base produtiva, que busca nas
cidades de pequeno porte, um local para se instalar, gera uma situação paradoxal,
exigindo esforços para o seu entendimento, prevenção e superação.

Ao se analisar a taxa de crimes violentos, calculada a partir da soma das ocorrências


classificadas como homicídio, homicídio tentado, estupro, roubo e roubo à mão armada,
segundo a caracterização do Código Penal Brasileiro, observa-se um aumento
substancial da criminalidade, a partir da década de 1980, em Minas Gerais (Fundação
João Pinheiro, 2009). Em 1990, o Estado registrou a marca de pouco mais de 100
crimes violentos por 100.0000 habitantes; em 2004, esse indicador atingiu seu valor
máximo de 550 crimes violentos por 100.000 habitantes.

Em 2009, a região da AMVI registrou uma taxa de 272,76 por 100.000 habitantes e o
Estado atingiu 296,9 por 100.000, verificando-se que a região apresentou taxa inferior.
Ressalta-se, entretanto, um crescimento da taxa na região, com destaque para o
município de Nova Serrana e seu entorno, que apresentam taxas superiores às do
Estado, em especial o crescimento de mais de 100% da taxa, no período de 2008-2009
nos municípios de Araújos, Perdigão, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do Oeste,
conforme mostra a TAB. 38.

144
TABELA 38
Taxa anual de Crime Violento por 100.000 habitantes 2005-2009 – AMVI
ANO
MUNICÍPIOS 2005 2006 2007 2008 2009
1 Araújos 56,16 96,21 53,89 92,59 208,01
2 Arcos 96,98 141,10 122,93 157,75 71,32
3 Bambuí 156,76 71,41 88,96 66,51 44,20
4 Camacho 29,74 30,06 0,00 61,35 30,97
5 Carmo da Mata 27,11 17,91 53,26 44,02 96,10
6 Carmo Cajuru 158,40 135,18 215,24 156,73 169,75
7 Cláudio 125,78 172,03 165,84 132,61 119,52
8 Conceição do Pará 329,63 20,59 144,03 246,76 267,16
9 Córrego Fundo 35,39 0,00 120,63 0,00 84,19
10 Divinópolis 421,36 437,83 513,08 372,75 464,14
11 Formiga 109,61 174,01 176,02 133,17 84,85
12 Igaratinga 154,89 128,37 114,47 202,38 143,73
13 Iguatama 163,05 101,18 25,50 38,54 90,59
14 Itapecerica 37,58 28,22 65,91 117,81 132,08
15 Itaúna 246,03 291,35 318,06 256,26 224,84
16 Japaraíba 80,65 26,60 52,69 26,10 77,62
17 Moema 102,16 72,43 43,15 100,03 142,03
18 Nova Serrana 443,93 400,85 339,06 438,81 542,90
19 Oliveira 57,06 116,17 97,68 74,24 102,00
20 Pains 12,15 24,10 59,80 0,00 35,39
21 Pedra do Indaiá 0,00 49,86 49,57 73,93 122,58
22 Perdigão 183,69 82,02 159,11 193,37 427,08
23 Pitangui 121,92 88,03 94,64 175,04 184,34
24 Santo Antônio do Monte 111,96 114,86 168,78 163,46 200,78
25 São Gonçalo do Pará 140,55 203,75 178,62 91,33 266,76
26 São Sebastião do Oeste 94,55 55,60 90,93 71,47 193,36
AMVI 236,75 249,34 278,08 235,82 272,76
Fonte: Fundação João Pinheiro – 2009.

Foi oferecido o Curso Introdutório de Aperfeiçoamento na Prevenção da Violência e


Promoção da Saúde e Paz aos municípios de Bambuí, Conceição do Pará, Divinópolis,
Pitangui e Nova Serrana pela Universidade Federal de Minas Gerais, para subsidiar a
formação de uma Rede da Paz, com Núcleos de Promoção à Saúde e Cultura da Paz em
cada município esta ação deve ser ampliada a toda região.
Em relação às internações hospitalares no SUS, as ocorrências mais frequentes são
gravidez, parto e puerpério, não citadas por não configurarem doenças, seguidas das
doenças do aparelho circulatório e respiratório. Entre 2000 e 2005, houve um relativo
crescimento das internações por doenças do aparelho circulatório, tanto no País, como
na região Sudeste e em Minas Gerais. No Estado, as doenças circulatórias constituem a

145
segunda principal causa de internação em 2005. Outras causas frequentes de internações
são as doenças do aparelho digestivo e causas externas. A tabela abaixo relaciona o
percentual das internações por grupo de causas em cada município.

TABELA 39
% das internações por grupo de causas – CID 10 Minas Gerais e AMVI

Doenças Doenças Doenças Neoplasia


Municípios Cardiovasculares Respiratórias Aparelho
digestivo
Araújos 12,8% 7,2% 6,4% 6,0%
Arcos 15,7% 14,6% 9,5% 4,0%
Bambuí 15,4% 9,7% 8,1% 1,7%
Camacho 16,8% 15,1% 10,1% 2,5%
Carmo da Mata 19,9% 18,3% 9,2% 2,9%
Carmo do Cajuru 10,2% 8,6% 6,6% 12,5%
Cláudio 11,2% 14,5% 8,7% 4,5%
Conceição do Pará 14,1% 16,7% 11,4% 3,0%
Córrego Fundo 12,5% 12,1% 16,7% 3,0%
Divinópolis 13,2% 7,2% 7,5% 11,3%
Formiga 16,1% 12,0% 14,2% 6,8%
Igaratinga 14,9% 13,1% 12,5% 3,9%
Iguatama 14,6% 8,8% 12,9% 2,4%
Itapecerica 16,9% 28,2% 7,6% 3,6%
Itaúna 15,9% 12,5% 9.8% 4,3%
Japaraíba 15,3% 9,2% 14,1% 8,6%
Moema 14,2% 15,3% 9,8% 10,1%
Nova Serrana 9,5% 6,5% 7,2% 3,4%
Oliveira 14,6% 16,0% 7,6% 4,9%
Pains 12,7% 15,4% 8,5% 8,5%
Pedra do Indaiá 14,6% 4,9% 8,7% 5,8%
Perdigão 12,0% 6,0% 13,4% 3,7%
Pitangui 12,9% 11,9% 8,3% 7,3%
Santo Antônio do Monte 13,8% 25,8% 5,7% 1,4%
São Gonçalo do Pará 17,1% 6,2% 7,2% 7,5%
São Sebastião do Oeste 10,2% 6,3% 11,7% 7,0%
MINAS GERAIS 13,2% 13,3% 9,1% 5,9%
Fonte: SIH-DATASUS/MS – 2007.

O percentual de internação por doenças cardiovasculares está, em grande parte dos


municípios, acima da média do Estado, mas, quando é realizada a comparação destes
percentuais entre os municípios da AMVI, observa-se uma certa homogeneidade. Em
relação às doenças respiratórias, destacam-se Itapecerica e Santo Antônio do Monte,
com percentuais muito acima do Estado e da região. Os municípios de Córrego Fundo,
Formiga e Japaraíba apresentam os maiores percentuais de internação por doenças do
aparelho digestivo na região. Quanto às internações relacionadas às neoplasias, o
destaque é para os municípios de Carmo do Cajuru, Divinópolis e Moema, que
apresentam percentuais significativos acima da média do Estado.
146
Cabe ressaltar a presença de doenças endêmicas como Leishmaniose, Doença de Chagas
e Esquistossomose nos municípios de Arcos, Bambuí, Córrego Fundo, Formiga, Pains e
Iguatama. Destaca-se, ainda, na maioria dos municípios da AMVI, a prevalência da
Hanseníase, da Tuberculose e da Dengue que é endêmica em todo o Estado, com
períodos epidêmicos. Para essas doenças, é necessário o fortalecimento da integração
entre as áreas de vigilância e prevenção e a rede assistencial, considerando que o
diagnóstico e o tratamento dos doentes são determinantes para a interrupção da cadeia
de transmissão. Tornam-se necessárias ações multissetoriais, já que esse caráter de
persistente endemicidade se deve, em grande parte a determinantes externos ao setor
saúde: desmatamento, ampliação das fronteiras urbanas sem adequada infra-estrutura,
alterações ambientais decorrentes de grandes obras e de condições socioeconômicas
(Carmo,2003).

6.2.1 Síntese

A região apresenta uma rede de assistência a saúde organizada nos três níveis da
atenção, sendo que a Atenção Primaria possui uma cobertura de Estratégia de Saúde da
Família acima da média do estado. Todos os municípios estão em processo de
implementação do Plano Diretor de Atenção Primária como forma de fortalecimento
desta atenção no município.

A Atenção Secundária e Terciária possui uma capacidade instalada que não é capaz de
absorver a demanda, o que gera a necessidade de transferência dos usuários para
municípios que tenham esta capacidade e que sejam a referência contratualizada. O
grande desafio da gestão municipal é o de oferecer aos usuários de saúde uma
assistência integral, por meio das pactuações da PPI ou de consórcios como os CISVI,
CISPARÁ, CISMARG e CISASF, para a oferta de todos os serviços de necessidade,
segundo o perfil epidemiológico da população adscrita.

A região em análise não foge à regra do estado. Historicamente ela está se consolidando
como uma região potencialmente resolutiva nas demandas de saúde, porém com
entraves naturais oriundos da operacionalização dos serviços e recursos do SUS.

Sua população apresenta indicadores de um processo de envelhecimento que coloca


147
desafios para toda a área social da região exigindo aparelhos públicos e recursos
humanos e financeiros da saúde, educação e assistência social. Seu quadro
epidemiológico de morbimortalidade caracteriza-se por doenças do Aparelho
Circulatório, Neoplasias, Aparelho Digestivo e Respiratório; ressalta-se a alta incidência
de mortalidade por Causas Externas. Nesta região constatou-se a prevalência de doenças
endêmicas como Chagas, Leishmaniose e Esquistossomose.

Os indicadores de saúde analisados neste diagnóstico demonstram a necessidade de


consolidar a implementação do novo modelo de atenção à saúde, centrado na promoção
da saúde e prevenção das doenças.

148
6.3 Cultura

Identifica-se na região um importante acervo arquitetônico e urbanístico enquanto


patrimônio histórico, cultural e natural, destacando cidades bicentenárias como
Itapecerica e Pitangui. Aliado a este aspecto tradicional, algumas cidades se destacam
pelo desenvolvimento cultural com características urbanas chamadas “modernas”,
expressas pelo uso de recursos tecnológicos, especialmente os suportes digitais, tanto
nas expressões artísticas e culturais, quanto no cotidiano da população.

Destacam-se quanto expressões da cultura popular tradicional as manifestações do


Congado e ou Reinado, e as Folias de Reis, bem como as festas religiosas dedicadas a
santos e santas padroeiros. Estas manifestações agregam um público grandioso
garantindo uma circulação regional de grupos e pessoas em geral, se configurando como
uma rede cultural conduzida pela fé e tradições.
O mapa a seguir demonstra as mais expressivas características localizadas na região.

FIGURA 45 - Mapa das características culturais da região AMVI

149
Agregando ao desenvolvimento sociocultural está um parque de meios de comunicação
com cobertura regional, destacando-se as geradoras locais de TV (em Divinópolis,
Formiga e Itaúna) e a cobertura de filiais de canais nacionais. A região também está
servida de grande número de emissoras de rádio, cobertura de internet e meios
impressos. Este fator colabora de modo significativo para o fluxo de informações no
âmbito da região, funcionando como suporte ao comércio e a serviços de utilidade
pública. Conforme aponta o IMRS (2009) na dimensão da cultura, 18 dos 26 municípios
avaliados apresentam média e alta disponibilidade de meios de comunicação.
QUADRO 5
IMRS disponibilidade de meios de comunicação – 200658
Município 2006
Araújos Média disponibilidade
Arcos Alta disponibilidade
Bambuí Alta disponibilidade
Camacho Baixa disponibilidade
Carmo da Mata Média disponibilidade
Carmo do Cajuru Média disponibilidade
Cláudio Média disponibilidade
Conceição do Pará Baixa disponibilidade
Córrego Fundo Média disponibilidade
Divinópolis Alta disponibilidade
Formiga Alta disponibilidade
Igaratinga
Iguatama Baixa disponibilidade
Itapecerica Alta disponibilidade
Itaúna Alta disponibilidade
Japaraíba
Moema Baixa disponibilidade
Nova Serrana Alta disponibilidade
Oliveira Alta disponibilidade
Pains Média disponibilidade
Pedra do Indaiá Baixa disponibilidade
Perdigão Média disponibilidade
Pitangui Média disponibilidade
Santo Antônio do Monte Média disponibilidade
São Gonçalo do Pará Média disponibilidade
São Sebastião do Oeste Baixa disponibilidade

Fonte: IMRS. Fundação João Pinheiro, 2009.

Em diálogo com essa dinâmica, estão as instituições de ensino superior, os cursos

58
Foram considerados municípios com alta disponibilidade de meios de comunicação aqueles com pelo
menos 4 tipos de meios de comunicação, entre os seguintes: jornal local, revista local, rádio am, rádio fm,
rádio comunitária, tv comunitária, geradora de tv e provedor de internet.
150
técnicos, os CVT’s (Centro Vocacional Tecnológico) e os telecentros. Destaque para o
oferecimento dos cursos na área da comunicação social em três instituições diferentes
(localizadas em Arcos e Divinópolis), além de especialização lato e stricto senso em
cultura e comunicação.

A disponibilidade e o acesso a bens e serviços de informação e comunicação via internet


de alta capacidade, chamada Banda Larga ainda são insuficientes. Especialmente nos
municípios de pequeno porte – até 20 mil habitantes, que correspondem à metade dos
pesquisados, a baixa penetração destas tecnologias representa um entrave não apenas na
cultura digital, mas emperra a inovação no comércio, na educação e saúde e, no avanço
das indústrias.

151
Tabela 40
Mapeamento do acesso à internet nos municípios da AMVI

População Nº de pontos Acesso Banda % BL ao nº Nº


59
Município de acesso Larga acesso operadoras
autorizadas
Araújos 7.692 211 64 30% 02
Arcos 36.455 2140 917 43% 07
Bambuí 22.622 542 226 41% 04
Camacho 3.220 08 0 0 02
Carmo da Mata 11.446 34 13 38% 03
Carmo do Cajuru 20.031 406 104 25% 04
Cláudio 25.938 552 211 38% 05
Conceição do Pará 4.866 08 03 37% 03
Córrego Fundo 5.939 34 0 0 02
Divinópolis 216.099 15 937 4954 31% 14
Formiga 67.138 3708 1742 47% 07
Igaratinga 9.045 325 81 25% 02
Iguatama 7.727 389 79 20% 06
Itapecerica 21.200 271 169 62% 05
Itaúna 85.838 3175 1243 39% 11
Japaraíba 3.866 07 0 0 02
Moema 7.041 199 40 20% 03
Nova Serrana 67.967 4 146 1349 32% 05
Oliveira 39.214 1043 454 43% 05
Pains 8.476 44 05 11% 03
Pedra do Indaiá 3.921 15 04 27% 03
Perdigão 7.961 446 121 27% 03
Pitangui 26.038 1656 593 36% 05
Santo Antônio do
25.899 318 104 33% 04
Monte
São Gonçalo do Pará 11.246 16 08 50% 03
São Sebastião do Oeste 5.689 20 01 5% 02
Fonte: Descubra Minas – SECMG.

Culturalmente aponta-se, portanto, uma região onde há uma diversidade de criação e


expressão cultural em todos os segmentos artísticos, do tradicional ao digital, que
demonstra um grande potencial enquanto desenvolvimento sociocultural regional.

59
Está sendo considerado BL – Banda Larga acesso acima de 512KB, uma vez que a relação indicada
faz o recorte de 512 kb a 2mb, não sendo possível separar, por exemplo, apenas acessos a partir de
1MB.
152
Os municípios da região estão articulados em três circuitos culturais.60 O Circuito Cam-
pos das Vertentes é formado pelas cidades de Carmo da Mata, Carmo do Cajuru, Car-
mópolis de Minas, Cláudio, Desterro de Entre Rios, Oliveira, Passa Tempo, Piracema,
Santo Antônio do Amparo e São Francisco de Paula.

Nesse circuito, destacam-se quatro sítios arqueológicos na cidade de Carmópolis de Mi-


nas, onde são encontrados petróglifos – rochas originárias do período da pré-história,
que contêm inscrições gravadas em sua superfície, e o interessante fenômeno da voçoro-
ca, em Oliveira, que a tornou uma referência nacional para os geógrafos. A sede deste
circuito está em Oliveira.

Com sede em Formiga, o circuito Turístico Grutas e Mar de Minas, engloba os municí-
pios de Arcos, Boa Esperança, Campo Belo, Candeias, Cristais, Formiga, Iguatama, La-
goa da Prata, Pains e Pimenta. Está entre os principais circuitos de minas transformando
em produtos três grandes potenciais regionais. O Lago de Furnas (Boa Esperança, For-
miga e Pimenta) a região do calcário com centenas de grutas e paredões, (Pains) e o Rio
São Francisco (Iguatama e Lagoa da Prata).

As cidades de Conceição do Pará, Itaúna, Pitangui, e São Gonçalo do Pará junto com
Betim, Esmeraldas, Florestal, Juatuba e Ribeirão das Neves são cidades que formam o
Circuito Verde - Trilha dos Bandeirantes. Tem como principais atrativos o patrimônio
arquitetônico, serras, trilhas e cachoeiras.

Observa-se por outro lado insuficiência de equipamentos públicos de interesse cultural


como museus, cinemas – salas de projeção, galerias, salas de exposições, teatros, espa-
ços de formação artística, centros culturais etc. Que está atrelada à insuficiência técni-
ca/administrativa na gestão pública e ao baixo investimento direto na área, configuran-
do, de modo geral uma ausência de política pública de cultura (plano municipal, diretri-
zes para formação e continuidade de ações).

60
Fonte: www.descubraminas.com.br

153
QUADRO 6
IMRS - Pluralidade de equipamentos culturais - AMVI 2000 e 2007

Município 2000 2007


Arcos Sim Sim
Cláudio Não Sim
Divinópolis Sim Sim
Formiga Sim Sim
Iguatama Não Sim
Itapecerica Sim Sim
Itaúna Sim Sim
Nova Serrana Não Sim
Oliveira Sim Sim
Perdigão Não Sim
Pitangui Não Sim
Santo Antônio do Monte Não Sim
Araújos Não Não
Bambuí Não Não
Camacho Não Não
Carmo da Mata Sim Não
Carmo do Cajuru Não Não
Conceição do Pará Não Não
Córrego Fundo Não Não
Igaratinga Não Não
Japaraíba Não Não
Moema Não Não
Pains Não Não
Pedra do Indaiá Não Não
São Gonçalo do Pará Não Não
São Sebastião do Oeste Não Não
Fonte: IMRS. Fundação João Pinheiro, 2009.

6.3.1 Síntese

Como aspectos positivos destacam-se na região da AMVI um importante acervo histó-


rico, cultural e natural, marcado pela presença de reconhecidas cidades históricas de Mi-
nas Gerais; grutas, cavernas e formações rochosas; recursos hídricos como lagos de
grandes extensão, na região de Furnas, represas e recantos naturais e notáveis referên-
cias na tradição religiosa e afrodescendente. A região também comporta grande parque

154
de meios de comunicação de abrangência regional, expresso por grandes rádios e emis-
soras de TV que potencializam maior integração da região.

Já como fatores negativos pode-se afirmar que a região ainda conta com número insufi-
ciente de equipamentos públicos destinados à cultura, bem como com baixo investimen-
to público, além de demonstrar uma fragilidade na atuação dos conselhos municipais e
ausência de ações de integração regional para fortalecimento local.

Observa-se que, de modo geral, há dificuldades na organização e direcionamento do


órgão gestor, muito em razão de o poder público municipal não dispor de informações
sistematizadas sobre as expressões culturais do município e pessoal técnico
administrativo qualificado para desenvolver suas políticas culturais locais.

Observa-se também, uma concentração de ações em áreas de apoio a manifestações


populares e eventos, com pouca abrangência das ações, que não atendem à diversidade
presente na região.

155
7. Aspectos institucionais

No âmbito do desenvolvimento institucional e das finanças públicas, a região apresenta


desafios a serem superados para maior eficiência e qualidade dos serviços, destacando-se a
desqualificação técnica dos agentes públicos e a dependência de transferência de recursos da
União e do Estado para a gestão pública municipal.

A questão da desqualificação técnica está diretamente relacionada à capacidade administrativa


para elaboração de projetos e de estabelecimento de parcerias públicas e privadas, visando à
obtenção de recursos e investimentos, principalmente em infraestrutura (saneamento,
infraestrutura, habitação, dentre outros). Alia-se a isso, a existência dos conselhos, que
inovam a gestão pública, mas que demandam uma formação continuada para eficiência de
suas decisões e controle.

Quanto às finanças públicas, com base nos dados do Tribunal de Contas de Minas Gerais
(TCE-MG, 2008) e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN, 2008) a região revela uma
situação preocupante no que diz respeito ao equilíbrio fiscal e à elevada participação das
transferências de receita da União e do Estado, que ultrapassam, na sua maioria, 85% do total
das receitas municipais. Em relação ao cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, os
Poderes Executivos dos municípios da AMVI têm cumprido as determinações legais de gastos
com saúde e educação, na sua maioria, têm ultrapassado as determinações constitucionais. De
forma geral, as prefeituras não dispõem de bases cartográfica e cadastral das cidades, bem
como falta estrutura técnico-administrativa, além de não adotar parâmetros urbanísticos
atualizados.

Constata-se a existência de planos diretores em todos os vinte e seis municípios que integram
a AMVI, inclusive aqueles com menos de vinte mil habitantes, ainda que muitos deles estejam
em tramitação nas respectivas Casas Legislativas ou necessitando de revisão, caso de
Divinópolis. Assim, pode-se afirmar que os municípios da AMVI, por meio da participação
popular, vivenciaram a prática do planejamento urbano e aplicação dos instrumentos legais
previstos no Estatuto da Cidade, de forma a definir a função social da cidade e da
propriedade, a partir de uma organização espacial que distribui infraestrutura, moradia,
transporte, cultura, lazer, educação, saúde, condições ambientais e econômicas.

156
Entretanto, para o pleno vigor do ordenamento urbano e mais qualidade de vida das cidades,
os planos diretores orientam, a partir do macrozoneamento definido para o território
municipal, a elaboração ou revisão das leis complementares, como a lei de parcelamento e a
de uso e ocupação do solo, bem como a revisão dos códigos de obras e posturas e a
elaboração, na maioria dos casos, do código sanitário, o que ainda deve ser feito nesses
municípios da região. Além disso, todos os planos diretores apontam propostas setoriais que
objetivam a implementação das políticas públicas, que pode ser observado no ANEXO 1 o
quadro Levantamento das demandas dos planos diretores dos municípios - AMVI que
sistematiza as demandas locais e também subsidiarão o PDR. Cabe registrar que os planos
diretores não apresentam uma orientação teórico-metodológica única, o que pode explicar as
possíveis diferenças das propostas.

Acrescente-se a esse quadro, um forte desempenho individual dos municípios na busca de seu
desenvolvimento econômico, representado pelo aprofundamento das especializações
produtivas. Já do ponto de vista socioambiental, verifica-se tanto a insuficiência de consórcios
de saneamento ambiental e social, como fragilidade da rede de proteção social especializada.
Nesse sentido, o precário funcionamento da AMVI expressa a ausência de uma instância
gestora das questões regionais, possivelmente provocado pelo desmanche do aparato estatal
de apoio técnico especializado, pelo Governo Newton Cardoso, de 1987 a 1990 (DULCI,
2000).

Sustenta-se essa hipótese também diante do desconhecimento (até mesmo estranhamento) de


diversos agentes públicos em relação a Divinópolis, identificado como centro regional pela
rede de influência urbana da região (posição ratificada pelo planejamento do Estado com o
emprego da rede de cidades mineiras)61. Durante a etapa de mobilização dos municípios para
participação do PDR, bem como no levantamento de dados, alguns gestores manifestaram a
sua preocupação pelo Plano beneficiar somente o município de Divinópolis, em detrimento
dos municípios menores, “como sempre acontece”, o que ratifica a existência de um processo
de gestão competitivo e individualista. De toda forma, é possível afirmar que a região não
dispõe de uma instância articuladora das questões supra–municipais. Por outro lado, a própria
elaboração do PDR expressa a iniciativa e um esforço de articulação regional da AMVI62.
61
A rede mineira de cidades está representada pela FIG. 5, no diagnóstico.
62
Em 05 de junho de 2008, a Fundação Educacional de Divinópolis – FUNEDI assinou contrato com o Governo
do Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana -
SEDRU, visando a elaboração do Plano Diretor Participativo de 13 municípios integrantes da Associação dos
Municípios da Microrregião do Vale do Itapecerica, e do Plano de Desenvolvimento Regional, com a integração
157
8. Rede Urbana

A região da AMVI tem apresentado um crescimento econômico significativo associado a um


processo de urbanização intenso (87%), caracterizando assim, uma economia de urbanização,
que corresponde à disponibilidade de serviços e fatores como mercado de trabalho, serviços
financeiros, comerciais, educacionais etc63. O setor terciário tem forte relação de
complementaridade com a atividade industrial, com o oferecimento de serviços produtivos e
distributivos.

As cidades componentes da AMVI se organizam em nós de diferentes tamanhos, cuja


importância é determinada pelas funções que elas desempenham na região. Tem-se que a
diversidade de bens e serviços oferecidos permite estabelecer uma hierarquização das
relações entre as cidades, a partir de um lugar central que provê o seu entorno. A FIGURA 46
demonstra a estrutura espacial da rede urbana da AMVI, mapeada pelo REGIC/IBGE (2008),
que aponta algumas características da região.

dos demais municípios da AMVI numa proposta com vistas à definição de eixos orientadores e estratégias para o
desenvolvimento regional do Centro Oeste mineiro.
Nas origens deste projeto está a manifestação feita pelo então Presidente da AMVI e Prefeito de
Perdigão, Gilmar Teodoro de São José, ao Governador de Minas Gerais, sobre a importância do apoio do Estado
na elaboração dos planos diretores dos municípios com menos de 20 mil habitantes, com o objetivo de dotá-los
de instrumentos norteadores de uma política de desenvolvimento urbano na esfera local. Esses municípios, não
obrigados pelo Estatuto da Cidade a elaborarem seus planos diretores participativos, e efetivamente não o tendo
feito por falta de recursos próprios, não poderiam ficar à margem dos projetos do Estado, por não terem suas
necessidades e propostas sistematizadas nos referidos planos. Sensibilizado com os argumentos levantados pelos
prefeitos em reunião realizada na sede da AMVI, o Governador do Estado determinou a celebração do convênio
citado, o que desencadeou o processo.
63
Para Amaral, Lemos & Chein (2006) apud Diniz (1991) há uma correlação entre economias de aglomeração
e centralidade urbana.
158
FIGURA 46 – REGIC Fonte: IBGE

A primeira característica importante da rede é a inexistência de centralidades realmente


definidas, conforme já constatado por Amaral, Luz & Simões (2006) que argumentam que a
proximidade da região à Belo Horizonte e ao alcance de bens e serviços mais complexos
acaba provocando um esvaziamento ou enfraquecimento de outras centralidades (como
Divinópolis), que acabam oferecendo bens e serviços voltados às demandas pessoais.

Pela REGIC, Divinópolis configura-se como principal centro urbano na AMVI, classificado
como Capital Regional C, cuja capacidade de centralização resume-se ao seu entorno
imediato: Araújos, Camacho, Carmo da Mata, Carmo do Cajuru, Cláudio, Itapecerica, Pains,
Pedra do Indaiá, Perdigão, Santo Antônio do Monte, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do
Oeste. Observa-se ainda a concomitância de outras relações secundárias no âmbito da AMVI.

Divinópolis possui uma estrutura de serviços bem diversificada, que atende do tradicional ao
moderno, atendendo demanda de sua população local, bem como dos municípios vizinhos,
sendo portanto o município de ordem superior na rede urbana regional. Apesar de ter
159
importância regional, Divinópolis possui sobretudo serviços de complexidade intermediária
(ibidem, 2006). No entanto, o atendimento de demandas de maior complexidade vem se
consolidando, principalmente na oferta de
equipamentos, instalações físicas e recursos humanos na área da saúde, além de uma
diversidade de cursos técnicos e de ensino superior.

Uma outra situação (que o mapa não demonstra) refere-se às transformações oriundas do
intenso crescimento de Nova Serrana decorrente de sua especialização produtiva na indústria
calçadista que acabou gerando um transbordamento para os municípios vizinhos de Araújos,
Perdigão e São Gonçalo do Pará. Se considerar o raio que o APL do calçado atinge, a relação
de pertencimento dos municípios se amplia: Bom Despacho, Conceição do Pará, Divinópolis,
Pitangui, Igaratinga, Leandro Ferreira, Onça do Pitangui e Pará de Minas. Dados do censo de
2010 confirmam o crescimento populacional da microrregião, o que sugere a tese de uma
nova centralidade no centro-oeste mineiro - Nova Serrana, agora, terceira cidade da região
(depois de Divinópolis e Itaúna), com mais de 70.000 habitantes.

Uma análise da rede urbana regional, a partir dos serviços disponíveis, aponta algumas
limitações e desafios. Dessa forma, alguns apontamentos são feitos, segundo os grupos de
serviços: produtivos, distributivos, públicos e pessoais.

Em relação aos serviços demandados pelas empresas em seus processos produtivos, os


chamados produtivos e distributivos, observa-se uma satisfatória disponibilidade na região.
No entanto, dada a proximidade da RMBH, essa oferta fica inexpressiva. Os serviços de
intermediação financeira são oferecidos por 36 empresas (IBGE, 2008) e equivalem a apenas
1,2% da população ocupada na região. Há 26 empresas imobiliárias (IBGE, 2000) que
empregam pouco mais de 10.000 pessoas.

Os serviços distributivos são compostos pelas atividades de transportes e afins, importantes


para o processo pós-produtivo. Em 2000, 8,9% dos ocupados encontravam-se nessas
atividades. A região apresenta uma extensa malha rodoviária, composta por rodovias estaduais
e federais. Dispõe também de malha ferroviária, sob a concessão da Ferrovia Centro
Atlântica. Há um complexo intermodal possibilita o transporte ao Complexo Portuário de
Tubarão, em Vitória (ES). Os serviços aéreos estão localizados em Arcos, Divinópolis,
Cláudio, Formiga, Bambuí e Oliveira.

160
A existência de importantes rodovias de interligação com outras regiões do Estado e outros
estados do país possibilita o rápido fluxo da produção regional, bem como dos insumos e
produtos necessários ao processo produtivo regional, tal como o carvão oriundo da região
norte de Minas Gerais. A FIGURA 46 permite visualizar também que a existência dessa
importante logística reforça a centralidade de Belo Horizonte, que acaba enfraquecendo a rede
microrregional.

Quanto aos serviços de radiofusão e televisão, a região dispõe de expressivo número de


equipamentos de comunicação, destacando-se as mais de 60 emissoras de rádio, além de
geradoras e retransmissoras de TV. Estão instaladas na região 5 emissoras, sendo duas filiais
de canais nacionais (Alterosa/SBT e TV Integração/ Rede Globo) e três geradoras e
reprodutoras de canal estadual (TV Candidés em Divinópolis, TV Cidade em Itaúna e TV
Oeste em Formiga/ Rede Minas e, por consequência TV Brasil). Contribuem para a avaliação
positiva da região também os periódicos impressos e acesso a Internet. Na região da AMVI
atuam 20 empresas com serviços de Internet (ANATEL, 2010). Um levantamento mais
apurado sobre a atuação destas empresas demonstra que todos os municípios pesquisados
possuem oferta de Internet de alguma forma. As diferenças estão na diversificação de
tecnologias, na qualidade dos serviços e nos valores praticados.

Estes instrumentos de comunicação se inserem também na rede de equipamentos culturais que


a AMVI dispõe. Porém o cenário de equipamentos públicos que atendem às demandas de
formação, produção e vazão artística ainda é insuficiente, apontando para a necessidade de
promover as condições de livre acesso a produção e difusão das culturas locais. A região
apresenta múltiplas expressões artísticas e culturais manifestadas nas mais diversas formas,
desde as manifestações da cultura popular às inovações possibilitadas pelos suportes digitais.
Este cenário configura um vasto campo com interface e desdobramentos em várias áreas
como a comunicação, a educação, o turismo e economia.

Os serviços pessoais atendem a demandas individuais. Há uma estreita relação entre o


processo de crescimento populacional e urbanização com a oferta de serviços pessoais. A
região dispõe de serviços variados, desde os mais tradicionais (alimentação) aos mais
modernos (entretenimento). A maior oferta desses serviços está nos maiores centros urbanos:
Itaúna, Formiga, Oliveira, Arcos e sobretudo, Divinópolis.

161
Os serviços públicos atendem as demandas coletivas e, na região, a disponibilidade de
serviços em educação e saúde é significativa. Há uma satisfatória rede de serviços de
educação, que conta com uma ampla oferta para a educação pública e privada. A região
conta com 28 Instituições de Ensino Superior. Divinópolis concentra o maior número dessas
Instituições e junto com Itaúna o maior número de vagas oferecidas. Essa centralidade não
chega a ser um problema regional, uma vez que a malha rodoviária possibilita um intenso e
rápido fluxo dos estudantes oriundos de outros municípios para essas duas cidades.

Em relação à saúde, os municípios da AMVI integram a Macrorregião Oeste de Saúde, que


tem Divinópolis como município pólo. Na região, a maioria dos municípios apresenta uma
cobertura na atenção primária acima da média do Estado. Embora os municípios da região da
AMVI disponibilizem uma assistência de média e alta complexidade, sua capacidade instala-
da não é capaz de absorver a demanda, o que gera a necessidade de transferência dos usuários
para municípios que tenham esta capacidade e que sejam a referência contratualizada. O desa-
fio de oferecer aos usuários uma assistência integral à saúde tem sido realizado por meio das
pactuações ou de consórcios (CISVI, CISPARÁ, CISMARG e CISASF).

Na região, há falta de equipamentos e de recursos humanos especializados. As clínicas


cirúrgicas e a ortopedia são especialidades que os municípios tem dificuldade em manter,
visto que a estrutura física destas instituições não oferece recursos para cirurgias de urgências,
nem há oferta de leitos hospitalares e/ou de terapia intensiva, quando é o caso. Cabe registrar
ainda a necessidade de uma revisão da regionalização estabelecida pela saúde, pois o
crescimento da região de Nova Serrana indica um redimensionamento desta rede de
assistência para maior resolutividade do serviço.

No âmbito rede urbana mineira (PMDI, 2007), Divinópolis classifica-se como o centro urbano
que polariza toda a AMVI, centralizando a organização dos serviços a serem oferecidos na
região. No entanto, uma análise das relações intermunicipais e da dinâmica de crescimento
econômico indica a emergência de outras cidades médias, cuja funcionalidade deve ser
também priorizada na região.

162
FIGURA 47 - Rede de Cidades Mineiras
Fonte: PMDI 2007-2023.

163
Plano de Desenvolvimento Regional do Centro-oeste Mineiro - PDR

A elaboração do PDR foi baseada no planejamento participativo. Utilizou-se um conjunto de


estratégias de mobilização social que favoreceram a motivação e o aprendizado social,
elementos catalisadores para a transformação. Um evento de Lançamento Público marcou a
retomada dos trabalhos na região, com participação dos gestores municipais que aprovaram a
metodologia proposta e apresentaram sugestões para o fortalecimento do processo. Cabe
registrar a produção de programetes semanais exibidos na TV Alterosa, cuja cobertura
abrange toda a AMVI, e discutiu didaticamente diversas questões socioambientais, objeto do
necessário ordenamento urbano e regional.

FIGURA 48 – Lançamento do PDR

Visitas técnicas e entrevistas foram realizadas de forma a complementar os levantamentos


secundários e de campo. Concomitantemente, sete Encontros foram realizados nos municípios
de Carmo do Cajuru (Assistência Social), Divinópolis (Educação), Formiga
(Desenvolvimento Econômico), Itapecerica (Cultura), Pains (Meio Ambiente), Pitangui
(Agricultura Familiar) e São Gonçalo do Pará (Saúde) para refinamento do diagnóstico e
priorização das áreas de intervenção.

164
FIGURA 49 - Encontro Temático – Saúde

FIGURA 50 - Encontro Temático – Cultura

Os Encontros buscaram discutir cada temática, identificando os atores, as condições e os


elementos internos e externos para a elaboração de análise ambiental FOFA regional,
posteriormente sistematizada pela equipe técnica do PDR e apresentada a seguir FIG. 51.

165
FIGURA 51 – Matrriz FOFA

166
9 Cenário desejado

Outra etapa importante do processo foi a identificação do futuro desejado para a região. Os
participantes puderam delinear a realidade imaginada, sem restrições; um cenário ideal com
disponibilidade de recursos financeiros para realizar seus anseios e necessidades. O quadro a
seguir organizou tematicamente as características da região desejada:

QUADRO 7
Cenário Desejado

Dimensão ambiental

- Criação de Agência Regional para elaborar projetos de saneamento e meio ambiente, bem como
buscar recursos financeiros junto aos órgãos de fomento
- Criação de consórcios intermunicipais para a gestão dos serviços de saneamento
- Aquisição, pela AMVI, de equipamentos destinados à manutenção e conservação de estradas
vicinais, de modo a reforçar os equipamentos existentes nos municípios
- Qualificação de pessoal para recepção das demandas turísticas da região
- Incentivo e implementação de infraestrutura para a consolidação do turismo regional.
- Implementação de Programas de Educação Ambiental para a conservação e preservação da flora
- Busca de maior integração entre órgãos ambientais, para que sejam agilizados os processos de
regularização ambiental
- Realização de diagnóstico sobre o déficit habitacional
- Definição de áreas para implantação de casas populares nos municípios
- Projetos ambientais para preservação dos recursos hídricos
- Tratamento de esgoto
- Educação ambiental
- Construção de anel rodoviário/novo acesso às cidades
- Abastecimento e tratamento da água nas comunidades rurais
- Construção do terro controlado e de usina triagem e compostagem
- Implantação de sistema de drenagem
- Criação de consórcio para construção de aterro sanitário
- Melhorias na mobilidade urbana
- Gestão integrada de resíduos sólidos

167
Dimensão econômica

- Incentivo ao turismo/exploração de pontos turísticos/ atualização de leis; qualificação profissional;


incentivo novas empresas// preservação do patrimônio histórico/produção de material áudio-
visual/convênios para restauração /melhoria na rede hoteleira
- Criação de roteiro centro-oeste com material publicitário
- Criação de Distrito Industrial
- Criação de feiras para comercialização dos produtos locais
- Incentivo às novas tecnologias
- Apoio a associações rurais e ao CMDR
- Melhoramento genético
- Modernização do agronegócio
- Suporte tecnológico para produção de fogos
- Empreendedorismo e criação de empresas e associações
- Busca de avanços tecnológicos
- Realização de eventos em nível estadual (turismo)
- Apoio ao APL da confecção – palestras, visitas, work shops para agregar valor
- Turismo de negócios
- Renovação tecnológica no setor agropecuário
- Apoio às empresas locais
- Incentivo à melhoria tecnológica da mineração/ qualificação
- Incentivo à agroindústria
- Incentivo ao ecoturismo / recuperação e preservação recursos hídricos
- Incentivo ao setor calçadista

168
Dimensão social

- Construção de casas populares


- Projetos de prevenção e combate ao uso de drogas
- Construção de escola infantil
- Ampliação do atendimento de educação infantil
- Criação de uma instância regional de secretários educação
- Oferecimento de cursos a distancia
- Melhoria da infraestrutura das estradas vicinais, para reduzir os custos de transporte e agilizar o escoamento
da produção
- Fortalecimento do associativismo entre os produtores rurais para compra e venda em grupo
- Abertura de novos mercados, como a merenda escolar
- Policiamento rural (com parceria entre a Policia Militar, as Prefeituras e Moradores, com rede de
comunicação, patrulha motorizada e infraestrutura)
- Capacitação dos produtores familiares e da mão-de-obra rural
- Melhoria da assistência técnica com aumento no número de extensionistas
- Disponibilização de máquinas e equipamentos (patrulhas mecanizadas)
- Reestruturação dos Conselhos municipais de desenvolvimento rural sustentável.
- Padronização das informações pelos órgãos ambientais e agilidade do órgão ambiental para analisar
processos
- Pagamento aos produtores familiares pelos serviços ambientais prestados pela manutenção das APP’s e
reservas legais, minimizando os efeitos da redução de área agricultável causada pela legislação ambiental.
- Conversão de multas para o benefício dos municípios de origem
- Capacitação de conselheiros assistência social
- Apoio a projetos de segurança publica urbana e rural
- Oferecimento de cursos técnicos e de qualificação profissional
- Gestão compartilhada da saúde para otimizar equipamentos locais
- Conversão de multas para o benefício dos municípios de origem
- Criação de centro macro regional de educação permanente
- Conscientização da comunidade para fortalecimento das políticas públicas de saúde
- Construção de um hospital regional
- Implantação efetiva do Plano Diretor Atenção Primária Saúde como instrumento de planejamento e gestão
- Formação profissional a partir da interação entre gestão do SUS e instituições formadoras
- Convênios com universidades para promoverem projetos na área da saúde
- SAMU para a macrorregião (com vistas a malha viária)

169
Dimensão institucional

- Fortalecimento da associação regional de municípios


- Modernização das leis
- Atualização de leis
- Elaboração de leis ambientais
- Capacitação técnica dos gestores
- Capacitação para professores
- Modernização da administração pública

O cenário desejado expressou, portanto, a síntese dos desejos e das aspirações da população
quanto ao futuro da região, indicada nos diversos encontros realizados durante o processo de
elaboração do PDR, que pode ser sintetizada como o Centro-Oeste mineiro sustentável.

170
10. Cenário tendencial

As tendências observadas para a AMVI referem-se às dimensões demográfica, econômica e


social, que são apresentadas em caráter predominantemente descritivo, pois retoma os
aspectos já analisados no diagnóstico, mas com o objetivo de destacar os pontos principais
que vão condicionar o desenvolvimento da região.

10.1 Tendências demográficas

A população da AMVI cresceu a uma taxa média de 1,35% a.a., superior a de Minas Gerais,
de 0,69% a.a. A região apresentou crescimento populacional, assim como o Estado, mas
abaixo da estimativa feita pelo IBGE.

GRÁFICO 27 – Taxa de crescimento demográfico


Fonte: IBGE.

Destaque para os municípios de Nova Serrana, São Gonçalo do Pará, Perdigão, Araújos,
Igaratinga, São Sebastião do Oeste e Carmo do Cajuru, que apresentaram taxa média de
crescimento maior que a verificada para a microrregião. Nesse contexto, o expressivo
aumento populacional de Nova Serrana e seu hinterland demanda um planejamento mais
apurado sobre a expansão requerida dos diversos serviços e equipamentos públicos a serem
disponibilizados.
Verifica-se intenso processo de urbanização na região, com 87% da população residente nas
áreas urbanas, conforme estimativa do IBGE (2009). O censo de 2010 revelou ainda a
mudança na pirâmide etária regional: predominância da população jovem e adulta, ou seja, em
171
idade produtiva e expressivo envelhecimento (10,1%), com tendência de aumento da razão de
dependência.

10. 2 Tendências sociais

Houve uma redução da desigualdade social nos municípios da AMVI, no período 1991-2000,
segundo o Índice de Desenvolvimento Humano, como se observa no GRÁFICO 28:

GRÁFICO 28 – IDH m - Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano.

Outros indicadores sociais demonstram a melhoria da qualidade de vida da população na


região, como a ampliação da cobertura de Estratégia de Saúde da Família, que passou
40,68%, em 2000, para 67,07%, em 2010 (DATASUS). Desempenho significativo também na
redução da taxa de mortalidade infantil e no aumento da expectativa de vida. A AMVI
apresenta 14,9 por mil nascidos vivos (DATASUS, 2000) e a esperança de vida é de 75,4%
(IPEADATA, 2000).
No entanto, a região ainda possui 40.519 famílias pobres (MDS, 2009) e um déficit
habitacional básico de 10.262 moradias (FJP, 2007). Além disso, observa-se a ocorrência de
casos de criminalidade e violência urbana na região, que registrou uma taxa de 272,76 por
100.000 habitantes, menor que o Estado (296,9 por 100.000). Entretanto, houve um
crescimento da taxa na região, com destaque para o município de Nova Serrana e seu entorno,
além de São Sebastião do Oeste.

172
Com relação ao saneamento ambiental, ainda que a região apresente boas condições no
abastecimento de água potável, a situação do tratamento de esgotos e de resíduos sólidos é
ruim, tendo que em vista que os municípios de maior porte ainda não tratam os esgotos e
resíduos gerados pela população urbana. A drenagem urbana é inexistente ou deficiente em
todos os municípios da região. Os parâmetros de qualidade do ar inexistem para os
municípios cuja atividade da mineração é predominante.

10.3 Tendências econômicas

A economia regional é bastante diversificada, apresentou um crescimento constante, com


destaque para o setor industrial, com 101% de aumento, no período de 2002-2007. O PIB
regional equivale a 2,8% do PIB do Estado de Minas Gerais. A AMVI tem localização
estratégica, mas historicamente, a proximidade com a Região Metropolitana de Belo
Horizonte tem fragilizado o crescimento da região.

Há presença expressiva de instituições formadoras (ensino técnico e superior) na região, mas


com um certo distanciamento do setor produtivo, que tem viabilizado suas demandas através
dos centros tecnológicos, sobretudo o mineral-metalúrgico, que busca incorporar os avanços
tecnológicos em seus processos. Essa situação pode ser estendida a outros setores importantes
da região, como a indústria calçadista e confeccionista.

Estima-se uma redução da taxa de desocupação na região face o satisfatório desempenho


econômico do pais, sobretudo da economia mineira (FJP, 2010), mas 55,4% da população
ocupada encontram-se na informalidade e possuem baixa escolaridade.

Há estimativa de aproximadamente R$ 700 milhões e e geração de 3.500 empregos na região


a partir de investimentos públicos e privados nos próximos cinco anos. Análises setoriais
desses investimentos indicam aumento do plantio da cana-de-açúcar, na região de Bambuí e
do setor terciário, em Divinópolis. Além disso, o crescimento expressivo do APL de calçados
de Nova Serrana demonstram que, em algumas áreas da região, a demanda de bens e serviços
será intensificada.

173
11. Estratégias para o Centro-Oeste Mineiro Sustentável

Para materializar a visão de futuro do centro-oeste mineiro 2030, são necessários caminhos
que culminem na concretização das transformações desejadas. Esses caminhos são as
estratégias de desenvolvimento: dimensões ou eixos de implementação da visão de futuro.
Sistematizadas pela equipe técnica do PDR, as dimensões indicam como a região vai alcançar
suas metas de longo prazo, constituindo um fio condutor para a construção do Centro-Oeste
mineiro sustentável, sustentando-se nas iniciativas não apenas do setor público (União, Estado
e Município), mas também daquelas empreendidas pela iniciativa privada e pela sociedade
civil organizada.

Nesse contexto, foram definidas quatro dimensões estratégicas – ambiental, econômica, social
e institucional.

11.1 Dimensão ambiental

A região da AMVI apresenta riqueza de recursos naturais (hídricos geológicos). Com relação
aos recursos hídricos, são inúmeras nascentes, lagoas e cursos de água, além de área
geográfica da região contribuir sobremaneira para as duas importantes bacias hidrográficas no
âmbito nacional, a do Rio São Francisco e a do Rio Grande. A estrutura geológica formada
basicamente pelo gnaisse e calcário, nas suas diferentes tipologias, permite a exploração
econômica através da mineração que se destacam no contexto regional. Ressalta-se ainda que
a região cárstica do Rio São Francisco engloba os municípios de Pains, Arcos, Bambuí,
Iguatama e Córrego Fundo, onde são encontradas milhares de gruta, que tem sido alvo de
estudos e pesquisas científicas por várias Universidades Mineiras e que por esta razão,
compõem o Circuito Turístico Grutas e Mar de Minas Gerais.

Nas áreas urbanas, a ocupação do solo apresenta heterogeneidade de usos, onde se mesclam
áreas residenciais, comerciais e industriais potencialmente poluidoras, que representa um
sério problema para as comunidades locais quanto à baixa qualidade ambiental.

Com relação ao saneamento ambiental, embora a região apresente boas condições relativas ao
abastecimento de água potável, a situação do tratamento de esgotos e de resíduos sólidos é
ruim, tendo que em vista que os municípios de maior porte ainda não tratam os esgotos e
resíduos gerados pela população urbana. A drenagem urbana é inexistente ou deficiente em

174
todos os municípios da região. Os parâmetros de qualidade do ar inexistem para os
municípios cuja atividade da mineração é predominante.
Nesse contexto, é importante no âmbito do desenvolvimento ambiental regional as seguintes
estratégias:
- adotar medidas para o tratamento de esgotos e de resíduos sólidos;
- implementar e consolidar os consórcios intermunicipais de saneamento ambiental;
- estimular as práticas de conservação e preservação dos recursos naturais;
- estimular ações que permitam que o desenvolvimento econômico em consonância com a
qualidade ambiental.

175
11.2 Dimensão econômica

No âmbito econômico, a AMVI apresenta uma diversidade econômica, com presença de


arranjos produtivos locais importantes (calçados, confecção, fundição, minero-metalúrgico,
alimentício, produtos químicos e móveis), que passam por um processo de planejamento
estratégico em busca de competitividade; com uma rede de comercio e serviços expressiva e
com produção agropecuária, sobretudo a produção de leite. Nos últimos dez anos, toda base
produtiva regional demonstra crescimento, principalmente no setor industrial, embora os
produtos de base agrícola e industrial sejam comercializados sem valor agregado. A região
demanda mão-de-obra qualificada, que ainda possui baixa escolaridade. Por outro lado, conta
com uma rede de serviços educacionais e de qualificação profissional. Há predominância de
micro e pequenas empresas em todos os setores econômicos, com renda per capita média
baixa. A informalidade é expressiva. Cumpre destacar alguns eixos de desenvolvimento
econômico, o que permite vislumbrar uma reestruturação da rede urbana regional:
1) APL do calçado: Nova Serrana
2) setor minero-metalúrgico: Arcos, Pains, Córrego Fundo
3) setor terciário:Divinópolis
4) Região de cana-de-açúcar: Bambuí, Iguatama, Japaraíba e Lagoa da Prata

Nesse contexto, é recomendável no âmbito do desenvolvimento econômico regional


implementar as estratégias:
- fortalecer as atividades produtivas da região, buscando agregar valor à produção;
- promover a formalização dos empreendimentos econômicos a partir da implantação da lei
geral das micro e pequenas empresas nos municípios em parceria com o SEBRAE;
- fortalecer as micro e pequena empresas por meio de capacitação e acesso ao crédito;
- incentivar a inovação tecnológica no setor produtivo e na rede de serviços públicos e
privados;
- fortalecer os APLs e a rede de serviços regionais, atendendo às especificidades
microrregionais;
- estimular ações de responsabilidade social nas empresas;
- estimular o empreendedorismo, associativismo e cooperativismo;
- elevar a escolaridade da população jovem e adulta;
- ampliar a interlocução entre a produção de conhecimento realizada pelas IES, Sistema
“S” e CVTs da região, visando o desenvolvimento de inovação tecnológica do setor
produtivo;

176
- favorecer o escoamento da produção agropecuária;
- adequar as políticas públicas municipais à Lei 11.947, de 16 de junho de 2009, que
determina que no mínimo de 30% (trinta por cento) dos gêneros alimentícios utilizados na
alimentação escolar sejam adquiridos na diretamente da agricultura familiar e do
empreendedor familiar rural ou de suas organizações;
- integrar a produção acadêmica às demandas dos setores produtivos, propiciando inovação
e agregação de valor aos produtos e serviços;
- recuperar e qualificar infraestrutura urbana, implantando equipamentos públicos de
qualidade destinados à prática esportiva, lazer e cultura;
- realizar parcerias intermunicipais para implantação de infraestrutura de rede de internet
banda larga, de modo a universalizar o acesso público e privado na região.

177
11.3 Dimensão social

A análise do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios associados a AMVI


indica uma redução da desigualdade social na região, no período 1991-2000. As dimensões
que mais contribuíram para o resultado foram a Educação e Longevidade. 10% dos
municípios da AMVI atingiram a faixa de alto desenvolvimento humano e 90% tem IDH
médio-alto.

A região dispõe de uma rede de serviços de educação, que conta com uma ampla oferta para a
educação básica. Em função disso o acesso ao Ensino Fundamental já está assegurado. No
entanto, as taxas de reprovação e de abandono persistem e resultam em uma preocupante
distorção idade/série e uma queda no atendimento ao Ensino Médio. O analfabetismo também
continua presente na região. Em relação a Educação Infantil existe ainda demanda por vagas
na rede pública, principalmente no que se refere às crianças de 0 a 3 anos. Há também na
região a oferta de vários cursos de formação técnico-profissional oferecidos pelos Centros
Vocacionais Tecnológicos - CVTs e pelo sistema S, mas ainda não atendem à demanda
regional. Há presença de Instituições de Ensino Superior, no entanto, o acesso a este nível de
ensino ainda é insuficiente e isso tem implicação direta sobre a qualidade da mão-de-obra.

Em relação à saúde, a região apresenta uma rede de assistência organizada nos três níveis da
atenção, sendo que a Atenção Primária apresenta uma cobertura de Estratégia de Saúde da
Família que está acima da média do Estado com exceção dos municípios de Divinópolis,
Itaúna e Itapecerica. A capacidade instalada na atenção secundária e terciária não é capaz de
absorver a demanda, o que gera a necessidade de transferência dos usuários para municípios
que sejam a referência contratualizada por meio das pactuações. Isto sugere a necessidade de
que uma nova lógica seja pensada com relação à regionalização da saúde, como também a
própria configuração de uma rede hierarquizada com oferta de transporte sanitários para
acesso dos pacientes a esses serviços de referência.

Culturalmente, a região resguarda manifestações tradicionais, como o Congado e a folia de


Reis, aliado a expressivo acervo arquitetônico, notadamente em cidades bicentenárias como
Pitangui e Itapecerica. Este patrimônio histórico encontra-se de modo geral em bom estado de
conservação. O artesanato ainda é incipiente do ponto de vista de valor agregado aos produtos
para fim de comercialização. De modo amplo, as políticas municipais tem se voltado a
realização de eventos, formação artística, com enfoque educativo e não profissional, e
178
projetos de educação patrimonial. Favorável ao cenário cultural está o grande número de
emissoras de rádio (64) e TV (05), além de diversos veículos impressos e oferta de Internet,
embora de baixa qualidade e de banda estreita na maioria dos municípios. Vê-se a necessidade
de equipamentos públicos para apresentações e exposições artísticas, bem como a de
desenvolvimento de políticas estruturantes na área.

A AMVI possui cerca de 40mil famílias pobres, ou seja, famílias com renda per capita de
R$140,00 (MDS, 2009), o que indica a necessidade de fortalecimento da rede de proteção
social na região, com oferecimento de serviços socioassistenciais qualificados para atender o
quadro de vulnerabilidade social da região, sobretudo com a implantação e/ou implementação
dos CRAS e CREAS. Assim, propõe-se como estratégico para intervir na dimensão social:

- erradicar o analfabetismo;
- universalizar o acesso à Educação Básica e reduzir a taxa de distorção idade/série;
- estimular a formação de professores para atender a crescente demanda;
- redimensionar a rede de serviços de saúde pública para ampliar o acesso e melhorar a
qualidade de atendimento à população;
- reduzir o déficit habitacional na região;
- fortalecer a rede de proteção social básica e especializada;
- estimular a formação de professores para atender a crescente demanda;
- fomentar o desenvolvimento cultural promovendo o acesso à produção e difusão das
culturas locais em rede;
- garantir infraestrutura de TICs (Tecnologia de Informação e Comunicação) nas
organizações e serviços públicos, bem como para o acesso privado;
- adequar as políticas públicas municipais de cultura atendendo ao Sistema Nacional de
Cultura.

179
11.4 Dimensão institucional

O diagnóstico da região da AMVI indica desafios a serem superados no âmbito do


desenvolvimento institucional e das finanças públicas para se atingir maior eficiência e
qualidade dos serviços, destacando-se a desqualificação técnica de servidores e a dependência
de transferência de recursos da União e do Estado para a gestão pública municipal.

A questão da desqualificação técnica está relacionada à capacidade administrativa de


elaboração de projetos e de estabelecimento de parcerias públicas e privadas, visando à
obtenção de recursos e investimentos, principalmente em infraestrutura (saneamento,
infraestrutura, habitação, dentre outros). Alia-se a isso, a existência dos conselhos, que
inovam a gestão pública, mas que demandam uma formação continuada para eficiência de
suas decisões e controle.

No tocante às finanças públicas, com base nos dados do Tribunal de Contas de Minas Gerais
(TCE-MG, 2008) e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN, 2008) a região revela uma
situação preocupante no que diz respeito ao equilíbrio fiscal e a elevada participação das
transferências de receita da União e do Estado, que ultrapassam, na sua maioria, 85% do total
das receitas municipais. Essa ineficiência fiscal decorre de deficiências das bases cartográfica
e cadastral das cidades, bem como da falta de estrutura técnico-administrativa e da falta de
legislação urbanística.

Nesse sentido, uma fortaleza registrada na região refere-se à existência de planos diretores.
Dos 26 municípios que integram a AMVI, inclusive aqueles com menos de 20 mil habitantes,
têm seus planos diretores elaborados, ainda que muitos deles estejam em tramitação nas
respectivas Casas Legislativas ou necessitando de revisão, como Divinópolis. Assim, pode-se
afirmar que os municípios da AMVI, por meio da participação popular, vivenciaram a prática
do planejamento urbano e aplicação dos instrumentos legais previstos no Estatuto da Cidade,
de forma a definir a função social da cidade e da propriedade, a partir de uma organização
espacial que distribui infraestrutura, moradia, transporte, cultura, lazer, educação, saúde,
condições ambientais e econômicas. Entretanto, para o pleno vigor do ordenamento urbano e
mais qualidade de vida, os planos diretores orientam, a partir do macrozoneamento definido
para o território municipal, a elaboração ou revisão das leis complementares, como a lei de
parcelamento e a de uso e ocupação do solo, bem como a revisão dos códigos de obras e
180
posturas e a elaboração, na maioria dos casos, do código sanitário, o que ainda deve ser feito
nesses municípios da região.

Em relação ao cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, os Poderes Executivos dos


municípios da AMVI têm cumprido as determinações legais de gastos com saúde e educação,
que na maioria ultrapassam as determinações constitucionais.

Diante do diagnóstico levantado na dimensão institucional as estratégias são:

− promover a eficiência em gestão pública municipal


− incentivar a gestão pública compartilhada
− fortalecer organização institucional regional
− modernizar e instrumentalizar a administração pública visando a eficiência dos
serviços
− estimular formas associativas e de representação, consórcios e associais comerciais,
sociais, culturais etc.

181
12. Propostas
DIMENSAO AMBIENTAL
Área Ação Justificativa
Implantação de consórcios A microrregião da AMVI não apresenta boas condições de saneamento ambiental, especialmente com relação ao tratamento
intermunicipais para a gestão de esgotos e de resíduos sólidos. É premente que a região elabore projetos para tratamento de esgotos, assim como os de
integrada dos resíduos sólidos consórcios para a gestão integrada dos resíduos, e os implementem no intuito de obter a melhoria da qualidade da saúde da
urbanos (*), que contemplem os população e o desenvolvimento econômico sustentado, para além do cumprimento das legislações estadual e federal.
municípios: Os municípios da AMVI encontram dificuldades em solucionar individualmente o problema da gestão integrada dos
1) Divinópolis, Camacho, Carmo resíduos sólidos urbanos. A implantação dos consórcios intermunicipais deve permitir a gestão de forma integral, a partir de
do Cajuru, Itaúna, São Gonçalo do medidas que contemplem soluções desde a sua geração até a sua disposição final adequada, de modo a garantir a
Pará e São Sebastião do Oeste minimização dos impactos ambientais gerados pelo lixo.
2) Formiga, Córrego Fundo,
Iguatama, Arcos e Pains
3) Oliveira, Carmo da Mata e
Cláudio
Saneamento
ambiental
Elaboração de Plano Regional A região da AMVI apresenta riqueza de recursos naturais e conflitos gerados pela exploração destes recursos. A
Ambiental complexidade que envolve as questões relacionadas ao meio ambiente torna imprescindível que as demandas regionais
sejam agregadas a partir do conjunto de municípios, como um esforço para a melhoria da qualidade ambiental. A elaboração
do plano regional ambiental deve possibilitar a estruturação das demandas em consonância com as exigências federal,
estadual e municipais.
Universalização do acesso da A microrregião da AMVI não apresenta boas condições de saneamento ambiental, especialmente com relação ao tratamento
população da região da AMVI com de esgotos e de resíduos sólidos. É premente que a região elabore projetos para tratamento de esgotos, assim como os de
relação ao tratamento dos esgotos e consórcios para a gestão integrada dos resíduos, e os implementem no intuito de obter a melhoria da qualidade da saúde da
o tratamento e a disposição população e o desenvolvimento econômico sustentado, para além do cumprimento das legislações estadual e federal.
adequada dos resíduos sólidos
domiciliares
(*) Os demais municípios da AMVI não foram contemplados nas ações propostas, porque de acordo com a proposta elaborada pelo órgão ambiental, para a implantação do sistema de gestão integrada
dos resíduos sólidos através dos consórcios, estão regionalizados em municípios que não são alvo do PDR. A regionalização proposta é: Consórcio 1, com sede em Pará de Minas, que contempla os
municípios da AMVI: Pitangui, Igaratinga, acrescido dos municípios: Onça do Pitangui, Papagaios, Maravilhas e Pequi.
Consórcio 2, com sede em Bom Despacho, que contempla os municípios da AMVI: Moema, Araújos, Perdigão, Conceição do Pará, Japaraíba, Nova Serrana, Santo Antônio do Monte e Pedra do Indaiá,
acrescido do município de Leandro Ferreira

182
DIMENSAO ECONOMICA
Área Ação Justificativa
Economia Implantação de Distritos A região, cuja atividade econômica predominante advém das indústrias, apresenta áreas específicas para esta atividade em
Industriais nos municípios de 70% dos municípios. Em boa parte destas, verifica-se a incompatibilidade de uso, tendo em vista que o processo produtivo
Nova Serrana, São Gonçalo do que é potencialmente poluidor se mescla com áreas residenciais e comerciais. Além desta situação, o melhor aproveitamento
Pará, Araújos, Perdigão, Conceição dos corredores rodoviários existentes deve otimizar o fluxo de produtos, insumos e matérias-primas. A implantação de
do Pará e Igaratinga, conforme distritos industriais deve potencializar a vocação regional para o desenvolvimento industrial.
previsto em os planos diretores.

183
DIMENSAO SOCIAL
Área Ação Justificativa
Implantação de sistemas Com a aprovação do Sistema Nacional de Cultura, estabelece-se no país novas diretrizes para as políticas públicas do
municipais de cultura em todos setor. Para o efetivo desenvolvimento cultural da região, é necessário que os municípios criem seus sistemas de cultura
os municípios. de modo a garantir maior participação da sociedade civil no arranjo político-cultural com a estruturação de um órgão
gestor, do conselho específico e do fundo municipal de cultura. Desse modo, espera-se que as ações sejam mais
abrangentes e estruturem melhores condições de produção e difusão artística/ cultural.
Criação de espaços para as A região comporta importante conjunto arquitetônico de grande valor histórico. Possui também alguns equipamentos
manifestações culturais e públicos como bibliotecas, em todos os municípios, e corporações musicais também presentes em toda a região. Porém
fomento do desenvolvimento carece de espaços adequados para apresentações culturais e formação artística, se fazendo necessário ampliar o número
cultural da região, conforme destes espaços.
indicado nos Planos Diretores:
Centro Cultural ou Casa da
Cultura (Araújos, Bambuí,
Carmo da Mata, Carmo do
Cultura Cajuru, Moema e Pitangui);
Museus (Bambuí, Itapecerica e
São Gonçalo do Pará); Escola
de Música (São Gonçalo do
Pará); Biblioteca Pública
(Araújos e Carmo da Mata);
Centro de Memória (Santo
Antônio do Monte)
Implantação de 35 novos Os telecentros ou infocentros são espaços que permitem à comunidade o acesso gratuito à Internet, possibilitando a
telecentros em: realização de cursos à distância, pesquisas escolares e a interação em diversas redes sociais. Na região estão em
Arcos, Igaratinga, Santo funcionamento 75 telecentros. As metas a serem atingidas estão baseados nos critérios definidos segundo o Plano
Antônio do Monte e São Nacional de banda larga, do Ministérios das Comunicações, cujos critérios correlacionam a densidade populacional e as
Sebastião do Oeste (01); áreas onde o mercado não tem como prioridade.
Bambuí, Carmo do Cajuru,
Cláudio e Pitangui (02);
Itapecerica e Oliveira (03);
Nova Serrana (05); Itaúna e
Divinópolis (06).

Construção de moradias A microrregião da AMVI apresenta um déficit habitacional de cerca de 10.000 unidades e sérios problemas relacionados
à regularização fundiária. A ocupação do solo urbano pelas famílias se dá em áreas de riscos e de APPs, sem a
184
infraestrutura básica que garanta os direitos mínimos do cidadão tais como: mobilidade, iluminação e direito de
propriedade. A redução do déficit habitacional é importante para garantir a melhoria das condições de vida da população e
possibilitar a justiça social.
Construção de CRAS em A implantação e consolidação dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) trata-se de condição primordial
Araújos, Conceição do Pará, para a efetivação dos serviços de proteção social básica nos municípios de pequeno porte.
Igaratinga, Iguatama, Japaraíba,
Moema, Pedra do Indaiá,
Perdigão, Pains, e São
Sebastião do Oeste, conforme
indicação dos Planos Diretores
elaborados.
Construção de CREAS em A população de Nova Serrana dobrou nos últimos dez anos, registrando uma das maiores taxas de crescimento
Assistência Nova Serrana. populacional do Estado, da ordem de 6,94%, enquanto a taxa da AMVI é de 1,35% e a do Estado de 0,69%. Essa situação
Social demanda do município a reorganização e a ampliação de serviços de assistência social para melhor atender os problemas
inerentes a sua realidade e do seu entorno. A criação e utilização compartilhada na região de espaços de atendimento,
acolhimento e abrigamento de pessoas cujos direitos foram violados contribui para a constituição da rede de proteção
social e assegura a prestação dos serviços de atenção social especial, conforme orienta a Política Nacional de Assistência
Social (PNAS).

Construção de Centros de Previstos nos respectivos Planos Diretores para atendimento dos direitos das pessoas idosas e com deficiência.
Convivência da Pessoa com
deficiência e idosa nos
municípios de Carmo do
Cajuru, Pitangui e São
Sebastião do Oeste.
Esporte e Lazer Construção e/ou adequação de A existência de equipamentos públicos adequados à atividades de lazer contribuem significativamente para a melhoria da
praças públicas de modo a qualidade de vida da população. Em razão da precariedade dos equipamentos existentes e da ausência em regiões novas
adequá-las aos usos de lazer e ou historicamente menos assistidas, os planos diretores destes municípios indicaram a necessidade de melhorias.
apresentações culturais,
priorizando as indicações dos
Planos Diretores. Araújos (05
praças); Carmo da Mata (04);
Iguatama (04); Moema (06);
Pains (03); Pedra do Indaiá
(02); Perdigão (02); Pitangui
(03).
Construção e/ou adequação Nos planos diretores dos Municípios foram apontados pela população e ratificados pela equipe técnica demandas de
praças de esporte nos

185
municípios de Conceição do ampliação e melhoria nos equipamentos públicos destinados ao esporte profissional e principalmente amador.
Pará, Iguatama, Nova Serrana,
Pains, Pedra do Indaiá,
Perdigão e Pitangui. Melhorar a
infraestrutura de campos de
futebol ou estádios nas cidades
de Araújos, Arcos, Oliveira,
Pedra do indaiá e Pitangui.
Construção de um Centro de As características culturais e econômicas destes municípios (agropecuária e Calçados) necessitam de infraestrutura de
convenções em Bambuí e um eventos de maior porte, conforme previsto nos Planos Diretores.
parque de Exposições no
município de Perdigão.
Ampliação de equipes de A Estratégia de Saúde da Família nos municípios da AMVI apresenta uma cobertura acima da média do Estado, que é de
Estratégia Saúde Família nos 67,07% (SIAB/Datasus, 2009). Verifica-se, porém que, nos municípios de Divinópolis, Itaúna e Itapecerica, a cobertura
municípios da região da AMVI . está abaixo da média do Estado. Alem disso, constata-se crescimento populacional expressivo nos municípios de Nova
Serrana, São Gonçalo do Pará, Perdigão, Araújos, Igaratinga, São Sebastião do Oeste e Carmo do Cajuru. Verifica-se
assim necessidade de ampliar a assistência prestada por esta Estratégia na região.

Implantação de 3 Centros Viva A região da AMVI apresenta um taxa de mortalidade infantil de 14,9 por mil nascidos vivos (SIM/Datasus), tendo como
Vida. objetivo a diminuição desta taxa para alcançar a meta da Organização Mundial Saúde de 9,0 por mil nascidos vivos
deve-se direcionar ações para a assistência materno infantil com a implantação de Centros Viva Vida nos municípios de
Nova Serrana, Divinópolis, Formiga, visto que somente o município de Santo Antônio do Monte possui este serviço para
atender toda macro região Centro Oeste atualmente.

Implementação de um SAMU- O atendimento de urgência constitui-se em um grande problema para os gestores municipais. Esses serviços na região
Saúde suporte avançado no município nem sempre conseguem atender integralmente seus usuários, uma vez que sua capacidade instalada não possibilita o
de Divinópolis(Polo de atendimento de urgências que demandem alta complexidade.
macrorregião) e nos municípios
de Nova Serrana, Formiga e
Santo Antônio do Monte o
SAMU-
suporte básico.
Criação de 2 Centros de O crescente aumento de demanda de atendimento para usuários de álcool e drogas, acarreta como consequências a perda
Atenção Psicossocial para significativa de anos potenciais de vida e um lastro de sequelas incapacitantes, pois afetam principalmente a população
Álcool e Drogas -CAPS-AD. jovem, masculina e de baixa renda. Na região da AMVI, a assistência a esta população encontra-se limitada a um serviço
de CAPS-AD no município de Itaúna. Assim, torna-se necessária a implantação deste serviço também nos municípios de
Divinópolis (polo de macrorregião) e Nova Serrana por apresentar taxas de mortalidade por causas externas
significantes.

186
Construção de Centros Para atendimento da demanda regional, é necessário providenciar infraestrutura para o funcionamento adequado das
Municipais de Educação instituições de educação infantil conforme padrão estabelecido pelo PNE.
Infantil em todos os municípios.
Programa Regional de A interlocução entre as Instituições de Ensino formadoras e os profissionais da educação infantil em âmbito regional
Formação em serviço dos servirá como importante canal de trocas e experiências e até mesmo na reivindicação coletiva de apoio estadual e federal
Profissionais de educação para programas regionais.
infantil.
Elaboração de projetos A instituição de planos e projetos pedagógicos é condição para a sistematização e implementação de políticas, programas e
pedagógicos específicos para a ações, indispensáveis à materialização de mecanismos que garantam uma educação de qualidade, como prevê a LDB.
educação infantil.
Construção ou reforma de Na região, o acesso ao Ensino Fundamental já está assegurado, ou seja, a quase totalidade das crianças de 7 a 14 anos
escolas de ensino Fundamental e frequenta a escola, no entanto, a infraestrutura física de muitas escolas é precária. Cidades como São Sebastião do Oeste,
Médio da região. Pedra do Indaiá, Pitangui, Perdigão, Moema, Igaratinga, Conceição do Pará, Araújos, Japaraíba e São Gonçalo do Pará
apresentam uma maior carência nesse quesito.

Educação Criação de programas A média de anos de estudo da população na região era de sete anos em 2007 (PNDA). A média é baixa quando comparada
educacionais para a população com países mais desenvolvidos, cuja média é de doze anos. O baixo número de anos indica que o indivíduo não completou
jovem e adulta. o ensino fundamental. Como decorrência, os rendimentos provenientes do trabalho são baixos, dado que existe uma
relação direta entre nível educacional e renda, o que impacta diretamente nas possibilidades de mobilidade social.

Programas de formação docente Os sistemas de educação da região contam com um satisfatório quadro docente, uma vez que a grande maioria possui
formação superior. No entanto, a reposição desse quadro tem se manifestado como uma ameaça para a qualidade do ensino
oferecido, pois ainda que na região ocorra uma oferta significativa de vagas para os cursos de formação de professores, as
mesmas têm ficado ociosas, poucos professores têm-se formado. São necessários, portanto, investimentos na qualificação
de professores e valorização da profissão.
Programas de educação É preciso ampliar a oferta de cursos técnicos e profissionalizantes na região de acordo com pesquisas de mercado
profissional articulando o setor indicativas de demanda. A transição entre a escola e o mercado de trabalho precisa ter uma centralidade nas políticas
produtivo e as unidades do públicas, pois nem todos os estudantes querem ou têm a possibilidade de continuar seus estudos para além da Educação
Sistema S e CVTs em todos os Básica e por isso desejam ter uma formação mais prática e vocacional em relação ao trabalho. Além disso, a qualificação
municípios da região. da mão-de-obra técnica tem impacto direto no incremento de capital humano, de produtividade do trabalhador e da
capacidade de inovação.

Oferecimento de cursos A base científica de uma região determina a capacidade local de prosperar e identificar novos conhecimentos e tecnologias
tecnológicos a partir de parcerias e deles fazerem uso. Permite também a articulação do sistema local com redes mundiais de conhecimento. Dessa forma,
entre as Instituições de Ensino contribui para a geração de conhecimentos, desenvolvimento e adaptação de tecnologias às condições específicas das
Superior da região e o setor características locais. A região da AMVI ainda ocupa uma posição intermediaria no campo da inovação tecnológica.
produtivo.

187
DIMENSAO INSTITUCIONAL

Área Ação Justificativa


Elaboração ou revisão de leis É preocupante o desequilíbrio fiscal e a elevada participação de transferências de receitas da União e do Estado, nos
complementares e códigos orçamentos municipais da microrregião da AMVI, a maioria ultrapassa 85% do total das receitas. O problema se deve,
municipais parcialmente, a ausência ou desatualização das bases cartográficas e cadastrais das cidades, o que impede uma cobrança
justa do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Dessa forma, a proposta é incentivar os municípios, a
implementares os planos diretores elaborados na primeira etapa dos trabalhos do PDR, os quais estabelecem a atualização
e otimização do uso das bases cartográficas e plantas cadastrais dos municípios de Araújos, Carmo da Mata, Carmo do
Cajuru, Conceição do Pará, Igaratinga, Iguatama, Japaraíba, Moema, Pains, Pedra do Indaiá, Perdigão, São Gonçalo do
Pará e São Sebastião do Oeste, com implantação progressiva de sistemas de geoprocessamento suficientes para as
Administração atividades de planejamento e arrecadação.O mesmo é recomendável para os demais municípios da microrregião da
Publica AMVI.
Capacitação das equipes A questão da qualificação técnica está relacionada à incapacidade administrativa de elaboração de projetos e de
técnico-administrativas estabelecimento de parcerias públicas e privadas, visando a obtenção de recursos e investimentos, principalmente em
municipais infraestrutura (saneamento, infraestrutura, habitação, dentre outros). Aliam-se a isso, duas outras demandas: os
conselhos, cujos integrantes inovam a gestão pública e demandam uma formação continuada para eficiência de suas
decisões e controle, e demais servidores públicos que, em suas respectivas áreas de atuação, buscam a atualização do
trabalho.

188
13. Gestão do Plano de Desenvolvimento Regional - PDR

O PDR expressa o Centro-oeste mineiro sustentável como o futuro desejado para a região.
Para a implantação e implementação desse planejamento, é condição sine qua non a definição
de uma instância responsável pela gestão do PDR, como uma agencia de desenvolvimento, a
exemplo da RMBH. Na condição de ente federado, a região não tem autonomia e
formalidade. Como, historicamente, a AMVI tem assumido atribuições de apoio técnico e
operacional em processos restritos a alguns municípios, aponta-se a necessidade de criação de
uma agencia de desenvolvimento regional, que será responsável pela implementação e
acompanhamento do planejamento regional, bem como pela constituição de um sistema de
dados e informações, já iniciado na etapa de elaboração do PDR.

Verificou-se, no processo de elaboração do PDR, que o volume de investimentos para a região


não representa um grande impacto, sendo possível acomodar as demandas pelos governos
locais, com exceção das áreas de crescimento acentuado, destacadas no diagnostico: Nova
Serrana, Divinópolis etc. No entanto, a condição promissora da região tem sido ofuscada em
função da proximidade da RMBH, da desarticulação intermunicipal e da precariedade
ambiental dos municípios de maior porte, o que reforça a necessidade da instância regional.

De toda maneira, sugere-se o estabelecimento de uma base de indicadores para


acompanhamento e avaliação do processo, como subsidio na verificação das metas a serem
definidas no âmbito da gestão do PDR. Para cada indicador selecionado, um parâmetro de
referencia será utilizado, como sugerido no quadro abaixo.

189
190
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195
ANEXO 1
Levantamento das demandas dos planos diretores dos municípios – AMVI

1. Araújos
Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros
- construção de um trevo de - execução de obras de - construção, reforma e - complementação da - Elaboração de planta cadastral
acesso à Comunidade de Bela drenagem pluvial para solução ampliação de praças, pavimentação nos Bairros da área urbana do Município
Vista, que margeia a Rodovia do problema de inundação do priorizando os bairros Geraldo Santo Antônio, Bela Vista,
BR-262 Córrego Olaria na saída para o Firmino, Antônia de Lourdes, Cidade Nova, Chiquinha
- pavimentação dos eixos Município de Santo Antônio do Juca Firmino, Chiquinha Percília, Juca Firmino e Solar
viários de ligação Monte, através da Comunidade Percília e Santo Antônio - criação do Distrito
intermunicipal até os de Lagoinha e do Córrego - construção de um Centro Industrial, conforme definido
Municípios de Santo Antônio Isidoro, na estrada que liga Municipal de Educação no macrozoneamento do Plano
do Monte e Moema e até a BR Araújos à Rodovia BR 262 Infantil, da Biblioteca Pública Diretor
262 - implantação de rede de Municipal e do Centro de
esgoto e sistema de tratamento Cultura
nas comunidades de Bela Vista - construção de um complexo
e Pintores de esporte e lazer no entorno
- implantação de sistema de da lagoa, no Bairro Santo
tratamento de esgoto na Antônio
Comunidade de Capivari dos - reforma e melhoria das
Eleutérios Escolas Municipais Percília
- correção das deficiências de Leonardo e Dona Saninha
funcionamento da Estação de para o desenvolvimento de
Taramento de Esgoto do atividades esportivas e
Município recreativas
- instalação de um novo ponto - melhoria da infraestrutura do
de adução de água bruta, de Campo de futebol conhecido
modo a suprir as deficiências como Campo da Rua Nova,
do abastecimento de água da localizado no Bairro Cidade
Comunidade de Capivari Nova.

196
2. Arcos

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- construção de estádio - implantação do Cadastro de
municipal Estradas Rurais - Plano
- criação de um centro de Rodoviário Rural
triagem e acompanhamento para - criação de unidades de
menores infratores e em situação conservação de uso restrito,
irregular para fins de visando a preservação de
atendimento a juventude e exemplares dos principais biomas
fiscalização da ação de menores existentes no Município
- construção do Pronto Socorro
Municipal
- criação de um horto
florestal municipal

197
3. Bambuí

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- asfaltamento das rodovias - implantação de parques - construção, em parceria com - criação do Porto Seco para - criação dos Distritos Industriais
Bambuí - Luz, Bambuí - São municipais nas várzeas sociedade civil , de um Centro o embarque ferroviário II (indústrias não poluentes e
Roque de Minas, Bambuí - inundáveis do perímetro urbano de Convenções, que abrigará alimentares) e III (outras
Piumhi e Medeiros – Pratinha do Rio Bambuí, Córrego dos uma incubadora de empresas, indústrias), que deverão estar
- conclusão da duplicação Quartéis e Córrego das Almas um centro de treinamento, um localizados nas regiões leste e
da entrada principal já - implantação de parque anfiteatro, cinema e um espaço norte da cidade
existente até a BR 354 municipal na região de alta para realização de mostras de
(Avenida Indalécio Alvarez declividade situada a leste da produtos locais (artesanato,
Gonzales), com Estação Rodoviária, evitando a confecção, culinária típica, etc)
implantação da ciclovia e sua ocupação por moradias e - construção do Portal de
pista para pedestres, preservando o meio ambiente Entrada da cidade
implantação do - implantação de parque - construção de estacionamentos
prolongamento da Rua municipal ao sul do bairro para bicicletas junto a grandes
Padre Domingos até a BR Açudes, com intuito de equipamentos públicos e áreas
354 e implantação de preservação ambiental e comerciais, em parceria com o
ciclovia e pista de pedestres contenção de águas pluviais setor privado
até a Fazenda Varginha - reinstalação da Casa de Cultura
(CEFET) e do Museu Municipal em
prédio de valor histórico
tombado como bem do
patrimônio histórico e artístico
municipal
- adequação da área conhecida
como “Campo do Ginásio
Antero Torres” para atividades
esportivas e de lazer

198
4. Camacho

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- revisão do traçado geométrico, - implantação de aterro - criação do Parque Ecológico do - complementação da - elaboração de base cartográfica
drenagem e a pavimentação controlado, para deposição de Município pavimentação no Bairro para o Município, de acordo com
asfáltica da Rodovia MG 164, no resíduos sólidos - construção de uma escola Caneleiras e nas vias: Travessa as definições do Plano Diretor
percurso que interliga os - ampliação e aperfeiçoamento municipal, abrangendo a Primeiro de Março, Avenida - criação do Centro Industrial do
Municípios de do sistema de abastecimento educação infantil para Primeiro de Março e Avenida Município
Itapecerica e Camacho público de água crianças de 0 (zero) a 6 (seis) Itapecerica
tratada nas comunidades rurais anos, conforme definido no - complementação, ampliação e
dando ênfase as localidades de Plano Diretor melhoria de iluminação pública e
Curral, Borges, - criação de um Centro de pavimentação das vias principais
Garcias, Costas e Ponte da Mata Democratização Digital, voltado das comunidades rurais de
para a capacitação Curral, Borges e Garcias
tecnológica da população para - ampliação da iluminação
formação e disseminação de pública e pavimentação das vias
conhecimentos principais das
técnicos em informática comunidades rurais de Costas e
- reestruturação do Posto de Ponte da Mata
Saúde local -revisão da iluminação pública
nos pontos onde
comprovadamente
forem identificados problemas,
especialmente nos acessos à
cidade, na Praça Juca
Frade e imediações da Igreja
Nossa Senhora Aparecida
- ampliação da oferta de
telefones públicos, nas áreas não
atendidas priorizando as
comunidades de Curral, Borges,
Garcias, Costas e Ponte da Mata

199
5. Carmo da Mata

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- construção de uma passarela - implementação de sistema de - construção da Biblioteca - criação de um Centro Industrial,
para o trânsito de pedestres sobre coletores de modo a atender a Publica Municipal conforme diretrizes do Plano
a rodovia BR-494 próximo ao 100% (cem por cento) da - construção, reforma e Diretor
trevo de entrada da Sede do população da Comunidade de ampliação de praças, priorizando - elaboração de base cartográfica
Município Campos os bairros Cava, Aeroporto, para o Município
- criação da central de Colorado e Conjunto
reciclagem para os RC&D Habitacional Milton Salles
Resíduos da Construção Civil e - construção de um novo
Demolição - para utilização nas cemitério
estradas rurais - transformação do antigo Cine
Teatro em espaço cultural

200
6. Carmo do Cajuru

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- ligação viária do bairro Vitória - complementação das redes de coleta de - construção de terminal rodoviário - complementação da - elaboração de base
com o bairro Nossa Senhora do esgoto nos bairros Vitória, Sport, Cidade - criação de um Parque Linear ao pavimentação bairros Vitória, cadastral do
Carmo através da continuidade Jardim Adelino Mano, São Luiz e Jardim longo do córrego da Gameleira, Cidade Nova, Cidade Jardim, Município
da Rua Custódio Nogueira Alvorada e localidades do Distrito de São conhecido popularmente como Jardim Alvorada, Distrito
-criação de via marginal José do Salgado Barraginha, que vai da Lagoa na Industrial II e segmentos de
pavimentada as margens da - implantação de interceptores junto aos proximidade do bairro Vitória até o vias distribuídas nos bairros
Avenida Progresso ao longo do cursos d água com lançamento de esgoto encontro com o Ribeirão do Adelino Mano, São Luiz e
Distrito Industrial II de modo a em natura no Ribeirão do Empanturrado, Empanturrado na região central Sport
facilitar à entrada e acesso de Rio Pará e Córrego São José do Salgado - instalação de telecentros nos - complementação do
veículos as instalações - implantação de sistema de tratamento distritos de São José dos Salgados, pavimento junto aos Distritos
Industriais de esgoto na sede municipal, distritos e Bom Jesus de Angicos e Santo de São José do Salgado, Santo
- implantação de Trevo junto à comunidades rurais Antônio da Serra Antônio da Serra e Bom Jesus
entrada do Distrito de São José - construção de linhas de adução de água de Angicos
dos Salgados junto a MG 050 tratada, que deverão interligar a ETA - revitalização da Estação
-pavimentação da estrada de (Estação de Tratamento de Água) aos Ferroviária, para utilização do espaço
acesso à Barragem do Cajuru reservatórios espalhados pela cidade para exposições permanentes de
- construção de linhas alternativas de artesanato e produtos regionais,
distribuição de água tratada, localizadas manifestações artísticas e culturais
principalmente nos bairros Jardim - criação de um Centro de
Alvorada e Nossa Senhora do Carmo Convivência para o desenvolvimento
de atividades de lazer voltadas para
- instalação de redes com dimensões
os idosos, pessoas com deficiência e
adequadas junto aos Bairros Vitória,
jovens
Cidade Jardim e porção do bairro Nossa
Senhora do Carmo
- substituição das redes e conexões em
ferro fundido localizadas na região
Central e trechos dos bairros do Bonfim e
Nossa Senhora do Carmo

201
7. Conceição do Pará

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- construção de trevos de - construção de Estação de - construção de um Centro de Controle - melhoria da iluminação em - Elaboração de planta cadastral
acesso à Sede Municipal e à Tratamento de Esgoto - ETE de Zoonoses, por meio de consórcio vias e equipamentos públicos, atualizada do Município,
Mineração e implantação de regional priorizando o Prolongamento do conforme Plano Diretor
interceptores para a coleta - construção de uma Praça de Esportes, Bairro da Mina, o trecho entre a - Criação dos Distritos Industriais
- criação uma pista de de esgoto sanitário na área em área anexa ao Poliesportivo área central e o Santuário, e as I e II, conforme Plano Diretor
caminhada e ciclovia, ao longo urbana Municipal Comunidades de Casquilho, São - melhoria da frota de veículos
da via de acesso ao Santuário - Instalação de sistema de - construção de uma escola de João, Santana da Prata e Bom para o transporte escolar
tratamento de esgoto para educação infantil Jesus do Oeste
atendimento das - reforma das escolas rurais e dos
Comunidades de Casquilho núcleos urbanos, priorizando as
e São João Comunidades de Casquilho e São João
- reforma da Praça Januário Valério
- construção de um centro de apoio
educacional especializado
- reforma e adequação das unidades
básicas de saúde como um dos
componentes pré-hospitalares para o
atendimento das urgências, integrando
o complexo regulador do Sistema
Único de Saúde, conforme Política
Nacional de Urgências
- reativação do Laboratório Municipal
de Análises Clínicas
- reforma e adequação da infraestrutura
física dos estabelecimentos de saúde da
área rural ao modelo da atenção básica
à saúde, conforme orienta a Secretaria
de Estado de Saúde

202
8. Córrego Fundo

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- implantação de via marginal à - complementação das redes de - criação de parque urbano na - complementação da - elaboração mapa cadastral do
MG-050, interligando os coleta de esgotos em toda a área área de influência da lagoa do pavimentação nos bairros Santa Município, conforme Plano
trevos de acesso às Comunidades urbana do Município Tatá Tereza, Bela Vista, Mizael Diretor
de Córrego Fundo e Córrego - implantação de interceptores - construção de velório público Bernardes e Floresta - criação de Centro Industrial,
Fundo do Meio para a coleta de esgotos em área vizinha ao Cemitério - pavimentação e sinalização conforme diretrizes do Plano
- implantação de contorno sanitários e estação de Municipal adequada da estrada de acesso à Diretor
rodoviário via externa ao tratamento para atendimento de - criação de um Centro de Comunidade de
perímetro urbano de Córrego Córrego Fundo e Córrego Fundo Democratização Digital Sobradinho.
Fundo, interligando a MG-050 à do Meio - instalação de CCZ - Centro de
rodovia que dá acesso - implantação de aterro sanitário, Controle de Zoonoses - tipo 4
à MG-439 com capacidade física suficiente
para um
período mínimo de 15 (quinze)
anos

203
9. Cláudio

10. Divinópolis

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- criação de espaços de uso - implementação - regularização do Centro - criação do Corredor
público, de acesso exclusivo de um sistema unificado de Industrial Cel. Jovelino Rabello, Cultural/Institucional
para Pedestres, nos seguintes identidade visual, que abranja mediante implantação das Candidés-Gravatá,
trechos: todos os elementos infraestruturas Definido, no trecho
Av. 21 de Abril, entre as ruas relacionados à convivência - manutenção compreendido entre a Usina
Pernambuco e Minas Gerais, urbana, na Área Central da permanente da pavimentação e Gravatá e a praça Candidés, na
Av. Antônio Olímpio de Morais, cidade sinalização viárias, conservação periferia da
entre a rua Cel. João Notini e a - dimensionamento de passeios, assim como sua área central, conforme
praça do Mercado, e da demanda do distrito de Santo adequação para pessoas delimitação expressa no Plano
Rua Amazonas, entre as ruas Antônio dos Campos com o portadoras de deficiências e Diretor.
Pernambuco e Goiás objetivo de ampliar ou implantação O Executivo implantará este
- implantação de uma via que construir novo cemitério de projeto paisagístico na Área Corredor no prazo de dez anos,
ligue o Município á rodovia Central da cidade. contados da data de promulgação
federal BR381 desta lei, obedecidos os seguintes
- construção de um viaduto sobre parâmetros:
o Rio Itapecerica, ligando o Serão
centro urbano aos bairros instalados equipamentos culturais
Manoel Valinhas e Dr. José e administrativos observado, no
Thomás através da Av. JK, mínimo, a seguinte
estabelecendo a continuação da configuração:
Av. Primeiro de Junho a) adaptação do prédio principal
da antiga Usina Gravatá para
funcionamento do Teatro
Municipal;
b) adequação física do prédio da
Escola de Música para
funcionamento pleno de suas
atividades;
c) aproveitamento da residência
existente no conjunto para
instalação da Academia
Divinopolitana de
Letras;

204
d) construção do prédio próprio
para a Biblioteca Pública
Municipal, complementando o
complexo
cultural;
e) construção de centro
administrativo unificado;
f) construção de Centro Cultural,
junto ao prédio administrativo,
com programa diversificado,
incluindo
museu, escola de artes, galeria,
etc.;
g) implantação do projeto do
Parque Ecológico Dr. Sebastião
Gomes Guimarães, que servirá de
articulação e ambientação
urbanística para os diversos usos
e atividades propostos ao longo
do Corredor;
h) recuperação e reativação, em
parceria com outros órgãos, da
antiga usina hidrelétrica, situada à
rua
Matadouro, próximo ao nº 5;
i) utilização do prédio situado à
rua do Matadouro, nº 5, como
Centro de Referência Ambiental,
ligado
basicamente ao programa de
recuperação das bacias dos rios
Itapecerica e Pará.

205
11. Formiga

12. Igaratinga

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- pavimentação do eixo viário de - implantação de sistema de - ampliação da Escola de Várzea - complementação da - elaboração de base cadastral
interligação de Igaratinga com a coleta de esgoto no Bairro Nova da Cachoeira para garantir o infraestrutura básica e adequada para o Município
MG-050 Brasília e complementação nas atendimento com padrões pavimentação das vias públicas - criação dos Distritos Industriais,
- adequação da Rodovia MG- áreas não atendidas , em especial mínimos de infraestrutura do bairro Nova Brasília conforme Plano Diretor
430, no trecho que interliga a nos Bairros São Geraldo e São - construir a sede para a escola - melhoria da iluminação pública
sede de Igaratinga à Rodovia José Municipal José Ferreira de Faria, em vias e equipamentos
BR-262 - implantação de interceptores no Distrito de Limas públicos, priorizando os Bairros
- construção de uma ponte no para a coleta de esgoto sanitário - construção e/ou ampliação da São José, São Geraldo, Distrito
trecho que interliga as - complementação do sistema de área de recreação da Escola de Antunes, Comunidade de
comunidades de Várzea da coleta e implantação do Maria Risoleta Neves do Limas e Várzea da Cachoeira
Cachoeira, Cachoeira e Limas tratamento de esgoto em Antunes Distrito de Antunes
- recuperação da vegetação da - construção de uma Unidade de
área do entorno da captação de Saúde da Família na área urbana
água de abastecimento do - reforma da infraestrutura física
Município do laboratório municipal
- implantação de um Centro de
Controle de Zoonoses, por meio
de consórcio regional

206
13. Iguatama

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- pavimentação das estradas que - implantação de coletores, - reforma e ampliação das - ampliação dos serviços de - elaboração de planta cadastral
ligam os municípios de Iguatama interceptores e tratamento de praças, priorizando os bairros iluminação pública em todo o da área urbana do Município
a Doresópolis, Iguatama a Luz e esgoto nas comunidades rurais Garças de Minas, Alto São Município, especialmente na
Iguatama a Pains de Cunhas, Corguinhos e Boa Francisco, Bela Vista e Cidade Rua 125 (Cento e Vinte e Cinco)
Vista Nova
- criação da central de - construção de um novo
reciclagem para os Resíduos da cemitério
Construção Civil e Demolição - - construção de uma quadra de
RC&D - para utilização nas esportes na comunidade rural de
estradas rurais Boa Vista
- construção do CRAS

207
14. Itapecerica

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- instalação e complementação - interligação dos bairros Bela - criação criação de um Centro - complementação - criação do Centro Industrial do
de sinalização semafórica, Vista, Fonte Grande e Estreito de Democratização Digital Complementação da Município
estratigráfica e nos - readequação física operacional pavimentação nos Loteamentos
indicativa adequada ao longo das interceptores de esgoto e das políticas de atendimento da Andreza, Bom
vias de trânsito, principalmente - implantação de Santa Casa Jesus, Carmine Dianeze,
nas ruas e interceptores e estações de Municipal Magnólia, Nova Ita, Estreito,
avenidas: Berlink Araújo, tratamento de esgoto no Bairro - ampliação do Museu Histórico Sílvio Dias e Nossa
Ministro Gabriel Passos e nas Boa Viagem, - criação do Museu Municipal de Senhora das Graças
ruas e avenidas onde se localiza o manancial de Arte Sacra - implantação implantação de
adjacentes à região do terminal abastecimento da cidade, infraestrutura básica no Distrito
rodoviário, prefeitura e praças referente ao de Neolândia
centrais Ribeirão Gama
- implantação de um anel - adequação técnica do sistema
rodoviário na MG 164 de tratamento de esgoto
permitindo a retirada do fluxo localizado no Distrito
rodoviário de veículos da área de Neolândia
central - implantação de sistema de
- implantação de ciclovias em tratamento de esgoto no distrito
áreas adequadas, especialmente de Lamounier
às margens - inclusão do Distrito de
da Av. Ministro Gabriel Passos Marilândia no sistema de coleta
integrando a Cidade Ecológica à e tratamento de
área central esgoto de caráter público
- complementação e
asfaltamento da Rodovia MG
164 interligando as sedes
dos municípios de Itapecerica,
Camacho e Candeias

208
15. Itaúna

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- implantação de projeto de - ampliação da Estação de - implantação de parques - ampliação das áreas dos
tratamento urbanístico da Tratamento de Água - ETA municipais nas várzeas Distritos Industriais I e II
Avenida Jove Soares, existente inundáveis do perímetro urbano
compatibilizando sua - implantação de melhorias na do Rio São João, Córrego dos
função viária com a adequação captação de água na Barragem Capotos e Ribeirão da Várzea,
de suas características para usos Dr. Augusto Gonçalves, conhecido como Ribeirão
de lazer conhecida como Angu Seco Joanica
- aperfeiçoamento do sistema - tratamento dos esgotos do - adequação da Avenida Jove
viário existente às margens do bairro João Paulo II Soares a atividades de lazer
Ribeirão dos Capotos, de forma - construção de estação de
a articulá-lo com a Avenida São tratamento de esgoto (ETE) no
João Distrito Industrial

209
16. Japaraíba

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- alargamento das estradas - ampliação e/ou nova - adequação da infraestrutura da - complementação da iluminação - otimização da utilização da
vicinais de acesso às implantação de Estação de Unidade de Saúde do Distrito de pública nos Bairros André e base cartográfica existente no
Comunidades de Mimoso e São Tratamento de Água - ETA e Capoeirão ao modelo da atenção Chiquinha Município, com implantação
Domingos dos Borges revisão do funcionamento das básica à saúde, conforme orienta progressiva de sistemas de
atuais a Secretaria de Estado de Saúde geoprocessamento suficientes
- construção de um ponto de para as atividades de
passagem, em local estratégico, a planejamento e arrecadação
fim de atender à população que - implantação dos Centros
utiliza o transporte Industriais previstos no Plano
intermunicipal Diretor
- construção do velório
municipal, em área anexa ao
cemitério municipal
- melhoria da estrutura física da
Quadra Esportiva da Escola
Municipal “José Eustáquio
Borges”
- implantação da Escola
Municipal “Paulo Jacinto de
Mendonça”
- adequação das unidades básicas
de saúde como um dos
componentes pré-hospitalares
para atendimento das urgências,
integrando o complexo regulador
do Sistema Único de Saúde,
conforme Política Nacional de
Urgências

210
17. Moema

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- construção de uma passarela - implantação de redes de esgoto - implantação de um Centro de - complementação da - atualização da planta cadastral
interligando os Bairros em parte do Bairro Ipiranga, e Controle de Zoonoses, por meio pavimentação nos bairros do Município
Palmeiras e Prolongamento aos nos bairros Padre Jonas e Novo de consórcio regional Ipiranga, Novo Horizonte e - implantação do Centro
outros bairros do município e a Horizonte - criação, reforma e ampliação Padre Jonas Industrial previsto no Plano
área central da cidade - construção da Estação de de praças, priorizando os Bairros - arborização e iluminação da Diretor
- criação de trevos de acesso à Tratamento de Esgoto - ETE e Progresso, Ipiranga, Alvorada, Praça do Bairro Palmeiras
Sede Municipal, e às implantação de interceptores Novo Horizonte e Padre Jonas - complementação da
Comunidades Rurais para a coleta de esgoto sanitário - construção de um Centro iluminação pública no Bairro
na área urbana Cultural, anexo à Biblioteca Palmeiras e Prolongamento, em
- implantação do sistema de Pública Municipal, localizada no porção do Bairro São Vicente e
tratamento de esgoto no Distrito Centro Ecológico Doce Vida, no trecho compreendido entre o
de Chapada que deverá também ser ampliada Bairro Padre Jonas e o Bairro
- construção de escola de Novo Horizonte
educação infantil e ensino
fundamental na Região de
Planejamento III (Plano Diretor)
- ampliação de área da Escola
Municipal “Venina Gomes” para
construção de uma quadra
esportiva

211
18. Nova Serrana

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- implantação de anel rodoviário - implantação da infra-estrutura - criação do parque urbano no - complemntação da - contratação de levantamento
que contorne o perímetro urbano do aterro sanitário com Prolongamento do bairro Santa pavimentação nos bairros aerofotogramétrico, com
proposto no Plano Diretor, capacidade física suficiente para Luzia e a reserva florestal e Veredas da Serra, Novo restituição cadastral, de toda a
permitindo a retirada do fluxo um período mínimo de 15 ecológica na Serra da Capelinha Horizonte, Concesso Elias, área parcelada do Município
rodoviário de veículos de grande (quinze) anos - criação de praça de esportes Industrial, Santo Antônio, São - contratação e implantação de
porte da área central - implantação do sistema de municipal nas imediações do José, Industrial José Silva de SIG- Sistema de Informações
- instalação de ciclovias e pistas drenagem urbana, , nos bairros Bairro Laranjeiras Almeida, Jardins do Lago, Geográficas, que deverá utilizar
de caminhada em vias públicas, São Geraldo, Dom Bosco, - adequação do Centro de Fausto Pinto da Fonseca e como base cartográfica o
quando tecnicamente Centro, Prolongamento do Controle de Zoonoses. (CCZ), de Francisco Lucas levantamento aerofotogramétrico
recomendado, especialmente Bairro Frei Paulo, São Marcos, acordo com padronização do - criação de Distrito Industrial, de
junto à Avenida Dom Cabral, no Jéferson Batista de Freitas, Ministério da Saúde acordo com diretrizes do Plano
bairro Jardins do Lago, seguindo Gumercinda Martins, Marisa e - criação de um Hospital Público Diretor
pela Avenida Coronel Pacífico Maria José do Amaral contendo um Centro de
Pinto, nos bairros Fausto Pinto Tratamento Intensivo
da Fonseca e Jardim Padre Lauro
- implantação de trevo de acesso
ao bairro Veredas da Serra
- implantação de via marginal à
BR 262, a partir do bairro
Francisco Lucas até o
entroncamento do futuro anel
rodoviário com a rodovia,
próximo ao Bairro Moreiras
- adequação da circulação de
veículos na região da rotatória da
Praça Tito Pinto, privilegiando o
conforto e a segurança dos
pedestres

212
19. Oliveira

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- implantação da Alça de Contorno da - revisão e adequação do - criação do Parque Municipal da Serra da Capelinha, no - elaboração de
área urbana da cidade de funcionamento hidráulico da distrito de Morro do Ferro cadastro
oliveira, fazendo a ligação entre a BR rede de distribuição da Cidade - construção de depósitos, em cada comunidade rural, para imobiliário do
369 e a BR 494, de forma a desviar o de Oliveira, visando recolher e armazenar os resíduos secos, que seriam coletados Município
tráfego pesado de passagem de dentro à desativação dos “boosters” pela Prefeitura em parceria com a Associação dos Catadores
da área urbana, melhorando a - execução de obras de revisão - criação de mini-ceasa para superar o problema da ausência
acessibilidade do transportes de carga da caixa de areia existente de canais de comercialização da produção rural,
às rodovias BR 381 e MG 050/BR 262 junto principalmente do pequeno produtor
- pavimentação e drenagem de cerca à estação elevatória de esgoto – aproveitando a proximidade do município com a rodovia
de um quilômetro no do bairro Retiro das Pedras, Fernão Dias
trecho a noroeste da área urbana do para reduzir o - reforma do Parque Ecológico, situado no Morro do
distrito de Morro do Ferro número de defeitos nas bombas Diamante, de forma a integrá-lo no rol dos equipamentos de
-execução das obras de Prolongamento esporte e lazer
da Avenida Maracanã, ao longo da - construção de uma Cadeia Pública
margem direita do Córrego - criação de um centro de recuperação para adolescentes
Maracanã, paralelamente à Avenida infratores, dotado de infra-estrutura para internação
Coronel Benjamim Guimarães - construção de uma casa de albergados
- elaboração de projeto de transposição - criação de uma creche municipal para atender à demanda já
da linha ferroviária constatada
- execução de obras de correção nos - revitalização do Estádio Paulo Pinheiro Chagas,
seguintes pontos dos sistema viário: compreendendo eletrificação, construção de banheiros,
Avenida Sebastião Aguiar x Avenida reforma de muros e arquibancadas, construção de vestiários
Nossa Senhora de Fátima x Rua - construção de um mini-Pronto Atendimento ou
dos Passos x Rua Professor Jacobi disponibilização uma equipe composta de médico,
− Rua Professor Jacobi x Rua enfermeiro, técnico de enfermagem e motorista para a
Osvaldo Cruz x Avenida Maracanã manutenção de um plantão nos finais de semana e durante a
− Rua Francisco Barreto x Avenida semana, nas segundas feiras, quando o Posto de Atendimento
Maracanã do Programa Saúde da Família fica fechado
− Rua da Misericórdia x Rua Dr - reforma do quartel de Polícia, de forma a garantir suas
Leopoldo x Rua José Eduardo Abdo condições físicas adequadas
para funcionamento

213
20. Pains

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- implantação de um semi anel - desassoreamento do córrego - construção de praças no - implantação de Distrito
rodoviário, para transferência do Santo Antônio na comunidade de Distrito de Vila Costina e na Industrial, de acordo com as
tráfego pesado que passa dentro Corumbá e revitalização Comunidade de Capoeirão definições do Plano Diretor
da cidade envolvendo a recomposição da - construção de praça na Região
- fechamento do trecho da Rua mata ciliar e dos processos de Planejamento Leste
Tancredo Neves junto à Praça erosivos - criação e implantação da
Juca Maneca, integrando a Igreja - complementação da rede de fazenda escola (posto
do Rosário à Praça Juca Maneca coleta de esgoto nas seguintes agropecuário)
- construção de ciclovias no áreas: - construção de instalações para
bairro Alvorada até a entrada da a) no Distrito de Vila Costina as bibliotecas escolares
cidade b) na Rua do Calcário - construção de escola para
c)nas comunidades rurais atendimento descentralizado da
- implantação de sistema de demanda de 0 a 3 anos, da
tratamento de esgoto nas Educação Infantil, com padrões
seguintes áreas: mínimos de infraestrutura
a) na sede urbana do Município - criação do Centro de Formação
b) no distrito de Vila Costina Profissional (CENFOR)
c)nas comunidades rurais de - revitalização ereadequadação
Corumbá e Mina da Praça de Esportes municipal
-complementação da drenagem
pluvial e pavimentação no Bairro
Alvorada e no distrito de Vila
Costina

214
21. Pedra do Indaiá

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros

- criação de um trevo de - implantação do sistema de - construção de escola de educação infantil - complementação da - elaboração de planta cadastral
acesso à Comunidade de tratamento de esgoto na Sede (creches e pré-escolas) e ensino fundamental pavimentação no Bairro da área urbana do Município
Lambari, que margeia a urbana e na Comunidade de com padrões mínimos de infraestrutura Nossa Senhora Aparecida - implantação dos Centros
MG – 050 Betânia e adequação da Estação - melhoria da infraestrutura da Escola Industriais previstos no Plano
de Tratamento de Esgoto de Municipal Jonas Afonso Lamounier Diretor
Lambari - construção de prédio próprio para a - melhoria da frota de veículos
- pavimentação da estrada - adequação da atual área de Biblioteca Pública Municipal para o transporte escolar
de acesso à Comunidade disposição de resíduos sólidos, - reforma, ampliação e reorganização do
de Lambari. segundo as normas ambientais Centro de Saúde de Pedra do Indaiá
vigentes - disponibilização de equipamentos e
mobiliário para a Unidade de Atendimento na
Comunidade de Betânia
- construção de um Centro de Controle de
Zoonoses, por meio de consórcio regional
- qualificação do Poliesportivo “ Claudionor
José da Silva” e o Estádio Municipal “ José
da Silva Coelho”
- construção de uma praça e quadra esportiva
no Núcleo Urbano de Lambari
- construção de uma quadra esportiva e
melhorar a infraestrutura do campo de futebol
localizado no Núcleo Urbano de Betânia
- construção de uma praça no Conjunto
Habitacional próximo ao Bairro Nossa
Senhora Aparecida
- construção de uma praça no Conjunto
Habitacional próximo ao Bairro Nossa
Senhora Aparecida

215
22. Perdigão

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- relocação do Terminal - implantação de rede de esgoto - qualificação dos equipamentos - complementação da - elaboração de planta cadastral
Rodoviário na Comunidade de Engenho públicos de esporte e lazer – pavimentação nos bairros Nossa do Município
- adequação da atual área de quadras – nas comunidades de Senhora da Saúde,
disposição de resíduos sólidos, Canjicas e Engenho Prolongamento Nossa Senhora
segundo as normas ambientais - criação de um Parque Urbano da Saúde, Serra e Prolongamento
vigentes no Bairro Lagoa Dourada Bela Vista
- construção do Parque de - complementação da
Exposições Municipal, em área pavimentação do Bairro
definida no Macrozoneamento Renascer
proposto no Plano Diretor
- construção de uma Praça de
Esportes às margens da Rodovia
do Calçado, conforme proposto
no Macrozoneamento
- reforma do prédio da Escola
Municipal na Comunidade de
Engenho que se encontra
desativada

216
23. Pitangui

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- construção de Avenida - construção de Estação de - implantação de equipamentos - calçamento sinalização do percurso
Sanitária ligando a Avenida Tratamento de Esgoto (ETE) para comunitários, com os recursos até a Cruz do Monte no Bairro N. Sra.
Antero Rocha à Avenida área urbana humanos e materiais necessários a Fátima para incentivar esse eixo como
Visconde do Rio Branco e Rua - perfuração de poços artesianos sua manutenção, para apoio aos ponto turístico
Doutor Mário Malachias para atender as comunidades rurais direitos da cidadania e à - implantação de iluminação pública
- recuperação das vias vicinais de Tijuco, Capão, Indaiá, Veloso, assistência social, compreendendo subterrânea da área central
de acesso às comunidades rurais Paiol Velho, Lagoinha, Capão do - pavimentação e Iluminação da pista de
de Engenho Velho, Tijuco, pelo menos: pedestre do Latitopo ao Parque de
Vale e Tomé Dias, Campo Grande,
Capão, Indaiá, Pires e Veloso Manoel de Souza, Pindaíbas, _ -o Albergue Municipal para Exposições
- construção de um trevo na Buracão, Bom Jardim e Ponte apoio de alojamento e alimentação - extensão de rede de iluminação urbana
confluência da Rua João Cecílio Correia. para migrantes e visitantes nos logradouros não atendidos dos
dos Santos com a BR-352, - ampliação do sistema de _ - dois Centros de Referência ao bairros Novo Lavrado, Morada do Sol,
sentido Martinho Campos. abastecimento de água no alto da Idoso Santo Antônio e Nossa Senhora de
- prolongamento da Rua Paulo Serra da Cruz do Monte Fátima.
- estrutura física para o
Dias Maciel, do nº 190, até a - construção de Estação de - extensão de rede de energia elétrica no
Programa de Erradicação do
Rua Adelino Máximo de Tratamento de Esgoto (ETE) na Loteamento Judith Abreu e Silva, no
Rezende, no Bairro Lavrado. Trabalho Infantil (PETI) Bairro Penha, no Bairro Chapadão e no
área urbana, no Córrego de Água
_ - estrutura física para o Loteamento Porto Formiga, próximo ao
Suja, evitando poluição do Rio
Pará. programa Agente Jovem Rio Pará.
- implantação de rede de esgoto -_Centro Dia de Atendimento, - substituição por lâmpadas de vapor de
nos bairro Penha, Melos, Santo com equipe para atendimento sódio, no sistema de iluminação dos
Antônio, São Francisco, Morada do domiciliar de idosos e deficientes Bairros Santo Antônio, Gameleira e
Sol. - construção de um centro de Santa Luzia
- ampliação e adequação da rede de zoonoses e vigilância animal - extensão de rede de energia e
esgoto nos bairros Lavrado, iluminação nas Comunidades de
- criação da Casa da Cultura
Chapadão e Nossa Senhora de Brumado, Coqueiro, Capão,
Fátima. - implantação dos seguintes Sacramento, Campo Grande e nos
- Instalação de uma caixa de equipamentos para preservação povoados de Pindaíba, Buracão, Bom
decantação de esgoto na ambiental: Jardim e Ponte Correia.
comunidade do Rio do Peixe - Casa da Ecologia - instalação de rede elétrica e
- instalação de sistemas de - Horto Florestal iluminação nas comunidades de Paiol
captação e drenagem de águas -Parques lineares nos córregos Velho, Lagoinha, Capão do Vale e Tomé
pluviais nos Bairros Nossa urnbanos Dias
Senhora de Fátima, Lavrado e - calçamento de vias públicas nas
-construção de novo prédio para
demais pontos de alagamento, Comunidades de Rio do Peixe,
Prefeitura Sacramento, Campo Grande, Melos e
217
especialmente em frente do - construção de uma Guarita na Brumado
Terminal Rodoviário BR-352 para a Polícia Rodoviária
- construção do Aterro Sanitário Federal, próximo à Pitangui
- construção de comportas nos Pedras
Córregos Olaria, Baiacu e Santo
- ampliação do posto do PSF no
Antônio visando a despoluição e
lavagem contra os insetos Bairro Lavrado, atendendo
também os Bairros Novo Lavrado,
Morada do Sol e Penha
- implantação do posto do PSF no
Bairro Nossa Senhora de Fátima
- implantação Implantação do
posto do PSF na Comunidade de
Rio do Peixe
- implantação do Pronto
Atendimento e Policlínica, no
edifício onde funciona a Prefeitura
- implantação do Centro de
Atendimento Psico-Social
- construção Construção de uma
creche no Bairro Lavrado,
atendendo também os Bairros
Morada do Sol e Novo Lavrado.
- construção de uma creche no
Bairro Penha, na antiga caixa
d'água.
- construção de uma creche no
Bairro São Francisco.
- ampliação da creche que atende
a região dos Bairros JK, Jatobá e
Padre Libério
- implantação de uma escola de
ensino fundamental, anexa ao
CAIC ou à Creche Adélia Cardoso
- reforma e ampliação do
cemitério municipal.
- construção do velório municipal
na Comunidade do Rio do Peixe.
218
- adequação do terminal
rodoviário de maneira a
proporcionar conforto de todos os
usuários e em especial aos turistas
- construção de um chafariz no
Bairro JK e revitalização da fonte
das lavadeiras do Bairro
Gameleira
- construção e calçamento de
praças no Bairro Chapadão, na
Rua João Cecílio dos Santos com
BR-352 e nas Comunidades de
Sacramento e Manoel de Souza.
- construção de pista de pedestre
com arborização do trevo até o
Velho da Taipa
- criação do Mercado Municipal
para comercialização da produção
rural e do artesanato, na Av.
Lacerdino Rocha, 275, Centro
- construção de quadras
poliesportivas nos bairros Morada
do Sol, Penha, JK, Lavrado, Santo
Antônio, São Francisco e Nossa.
Senhora de Fátima (em área de
500m2, em parceira com o
Rotary).
- construção de quadra
poliesportiva na comunidade de
Rio do Peixe.
- melhoramento de campos de
futebol das Comunidades de Rio
do Peixe, Campo Grande, Manoel
de Souza e Veloso, com
alambrados, vestiários, iluminação
e gramado.
- ampliação da área do campo de

219
futebol do Bairro Nossa Senhora
de Fátima, dotando-o com
construção de vestiário, rede
elétrica e bebedouros
- construção de área de lazer no
Bairro Penha
- iluminação da área de skate no
Bairro Santo Antônio.
- construção de área de lazer no
Bairro Chapadão ao lado do posto
de saúde

220
24. Santo Antônio do Monte
Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros
- criação de um anel rodoviário - implantação de - criação de um Centro de - implantação de 03 Centros
nos entroncamentos da Rodovia interceptores e estações de Memória, com a finalidade de Industriais, de acordo com as
MG 164 e MG 429 tratamento de esgoto promover ações voltadas diretrizes do Plano Diretor
- implantação de ciclovias em previamente definidas e para a preservação dos bens
áreas adequadas, especialmente localizadas em estudo técnico patrimoniais
com acesso aos adequado, em especial nas áreas - ampliação da Biblioteca
conjuntos habitacionais, próximas aos Pública Municipal
atendendo prioritariamente as córregos Dona Jovita e Dona - criação de um corredor com
seguintes áreas: Bicota, objetivando preservar calçadão, para a prática de
– conjunto Habitacional Flávio estes cursos d’água, caminhadas, utilizando a
de Oliveira; pela concessionária responsável Avenida Tancredo Neves,
– conjunto Habitacional Sinhá por este serviço articulada com a Avenida
Linhares; - instalação de um aterro Senador Eduardo Azeredo e
– conjunto Habitacional Maria sanitário municipal em integrando três núcleos de
Angélica de Castro; atendimento às normas sanitárias interesse ambiental, urbano e
– bairro Vereador Geraldo José e ambientais cabíveis, para esta paisagístico:
Borges natureza de equipamento – lagoa localizada entre os
- solução técnica satisfatória para - substituição das redes de bairros Bela Vista e Cidade
os principais pontos de conflito, fornecimento de água que ainda Jardim;
especialmente utilizem a tubulação de amianto - voçoroca localizada no Bairro
nos seguintes entroncamentos: Monsenhor Otaviano;
– passagem de nível da Rua - Voçoroca localizada no Bairro
Teodorico Batista dos Santos Sinhá Linhares.
com as linhas férreas
da Ferrovia Centro-Atlântica;
– Via Doutor Álvaro Brandão
com a Avenida Juscelino
Kubitschek;
– Praça Getúlio Vargas com Rua
Manoel Borges;
– Rua Manoel Borges com
Amâncio Bernardes

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25. São Gonçalo do Pará

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros


- adequação dos trevos de - complementação das redes de - construção de prédio novo - complementação da - elaboração de planta cadastral
acessos às comunidades de coleta de esgoto nos bairros Bela para a Escola Municipal pavimentação nos bairros São do Município
Quilombo, Prata de Cima e Prata Vista, Lago Azul, São Francisco, Joaquim Galvão, na Paulo, São Francisco, Distrito - contratação e implantação de
de Baixo São Paulo, Nossa Senhora Comunidade de Quilombo do Industrial, Bela Vista e Bonfim sistema de geoprocessamento
- pavimentação pavimentação da Aparecida, Centro e Distrito Gaia - complementação da com base na cartografia
Rodovia AMG 430, no trajeto Industrial na medida em que forem - construção de uma escola pavimentação junto às produzida
que esta que interliga os sendo ocupados municipal de ensino comunidades rurais de Água
Municípios de São Gonçalo do - implantação de coletores, fundamental na Unidade de Limpa, Campo Alegre,
Pará e de Igaratinga interceptores e tratamento na Planejamento Norte Quilombo, Prata de Cima e Prata
- criação de um acesso viário comunidade rural de Quilombo do - construção de uma escola de Baixo
alternativo dentro do perímetro Gaia municipal de ensino
urbano, ligando a Rodovia AMG - reforma e modernização do fundamental na Unidade de
320 a Rodovia MG252 sistema de tratamento implantado Planejamento Leste
- criação de anel rodoviário com junto as comunidades rurais de - reforma da Praça Nossa
interligação direta entre o Prata de Cima, Prata de Baixo e Senhora Aparecida
Distrito Industrial e a AMG 252 Água Limpa - criação de Parque Linear
- adequação de traçado e criação - implementação de linhas junto às áreas de Preservação
de acessos adequados junto as auxiliares de esgotamento sanitário Permanente do córrego do
Comunidades rurais de junto a comunidade de Água Limpa Pinto
Quilombo do Gaia, Prata de de forma a comportar a vazão de - criação do museu municipal
Cima e Prata de Baixo esgoto - criação da escola municipal
-instalação de redes de água tratada de música
com dimensões adequadas junto ao
Distrito Industrial e aos bairros
Bela Vista e Lago Azul, na medida
que forem sendo ocupados
- substituição das redes de água e
conexões em ferro fundido e em
cimento amianto localizado na
região Central e nos trechos dos
bairros Bonfim e N. S. Aparecida

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26. São Sebastião do Oeste

Sistema Viário Saneamento Equipamentos Públicos Infraestrutura Outros

- criação de via alternativa de - criação de linhas complementa- - construção de edifício destina- -complementação da pavimenta- - elaboração de planta cadastral
acesso ao Município, via Divinó- res de coleta de esgoto em locais do a acomodar as instalações es- ção nos bairros: Residencial Mo- do Município, de acordo com os
polis, passando pela Comunida- estrategicamente definidos por colares municipais junto ao Bair- rada Nova, Nilda Barros e tre- critérios definidos no Plano
de do Cacôco, cuja entrada e saí- projeto técnico, junto ao Bairro ro Belo Horizonte; chos dos Prolongamentos I e II Diretor
da seja situada antes da ponte so- Nossa Senhora Aparecida e ao do Bairro Nossa Senhora Apare- - criação de Centro Industrial,
bre o Ribeirão São Pedro Centro – reforma da Escola Municipal cida conforme definições do Plano
de Água Limpa adequando as Diretor
- criação de uma via alternativa, - complementação das redes de instalações à questão de -complementação da pavimenta-
para utilização dos veículos de coleta de esgoto nos Bairros Nil- acessibilidade ção junto às Comunidades Rura-
carga pesada, antes da ponte so- da Barros, Residencial Morada is de Serra Negra, Água Limpa ,
bre o Ribeirão São Pedro, dire- Nova e o Conjunto Habitacional - instalação da Biblioteca Públi- Bambuí e Aparecida do Oeste
cionada ao Bairro Nilda Barros Divino Espírito Santo ca Municipal “Machado de As-
sis”, em local mais amplo
- implantação de coletores inter-
ceptores e tratamento na Comu- - construção de escola para aten-
nidade Rural de Água Limpa dimento da demanda de educa-
ção infantil (creche e pré-escola)
- instalação de redes de abaste- com padrões mínimos de infraes-
cimento de água, com dimensões trutura
adequadas junto aos Bairros Nil-
da Barros, Residencial Morada - adequação da estrutura física
Nova e no Conjunto Habitacio- de atendimento da Estratégia de
nal Divino Espírito Santo Saúde da Família na área rural,
priorizando a comunidade de
- reforma e manutenção adequa- Aparecida do Oeste
das nos reservatórios de água po-
tável das Comunidades Rurais de - criação um Centro de Convi-
Água Limpa e Serra Negra vência para o Idoso

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