Você está na página 1de 140

ura 2013

lt
icu

ut
Fr
d
a

iro
sile
bra
Anuário

br
az
ili
an
Fr
uit
ye
ar
bo
ok
ISSN 1808-4931
DOW AGROSCIENCES

eccomais.com
PROTEÇÃO DE PONTA A PONTA

A Dow AgroSciences apresenta


sua linha de produtos para proteção
das lavouras de Hortifruti.

São diversas soluções, para múltiplas


culturas, que protegem sua produção
de ponta a ponta!

www.dowagro.com.br
0800 772 2492

Soluções para um Mundo em Crescimento ®

® TM * Marca registrada da The Dow Chemical Company ("Dow") ou uma companhia afiliada da Dow. | AGATA – Marca registrada de ISK Biosciences Comercial Ltda.
Platinum Neo – Marca registrada de Syngenta Proteção de Cultivos | Ellect – Marca registrada de Oxiquímica Agrociência | Tairel M – Marca registrada de FMC Agricultural Products.
Inor Ag. Assmann
ANUÁRIO BRASILEIRO DA FRUTICULTURA 2013

1
expediente > PUBLISHERS AND EDITORS
EDITORA GAZETA SANTA CRUZ LTDA. Rua Ramiro Barcelos, 1.224, CEP: 96.810-900,
CNPJ 04.439.157/0001-79 Santa Cruz do Sul, RS
Diretor-Presidente: André Luís Jungblut Telefone: 0 55 (xx) 51 3715 7940
Diretor-de-Conteúdo: Romeu Inacio Neumann Fax: 0 55 (xx) 51 3715 7944
Diretor-Comercial: Raul José Dreyer E-mail: redacao@editoragazeta.com.br
Diretor-Administrativo: Jones Alei da Silva comercial@editoragazeta.com.br
Diretor-Industrial: Paulo Roberto Treib Site: www.editoragazeta.com.br

ANUÁRIO BRASILEIRO DA FRUTICULTURA 2013

Editor: Romar Rudolfo Beling; editor assistente:


Daniel Neves da Silveira; textos: Heloísa Poll, Ben-
no Bernardo Kist, Cleiton Evandro dos Santos, Erna
Regina Reetz, Cleonice de Carvalho e Daniel Neves da
Silveira; supervisão: Romeu Inacio Neumann; tradu-
ção: Guido Jungblut; fotografia: Sílvio Ávila, Inor Assmann
(Agência Assmann) e divulgação de empresas e entidades;
projeto gráfico e diagramação: Márcio Oliveira Machado; arte
de capa: Márcio Oliveira Machado, sobre fotografia de Sílvio Ávila;
edição de fotografia e arte-final: Márcio Oliveira Machado; marke-
ting: Maira Trojan Bugs, Tainara Bugs e Rafaela Jungblut; supervisão
gráfica:Márcio Oliveira Machado; distribuição: Simone de Moraes; im-
pressão: Gráfica Coan, Tubarão (SC).

ISSN 1808-4931

É permitida a reprodução de informações desta revista, desde que citada a fonte.


Reproduction of any part of this magazine is allowed, provided the source is cited.
Inor Ag. Assmann

A636
Anuário brasileiro da fruticultura 2013 / Heloísa
Poll ... [et al.]. – Santa Cruz do Sul: Editora
Gazeta Santa Cruz, 2013.
136 p. : il.

ISSN 1808-4931

1. Frutas - Cultivo - Brasil. I. Poll, Heloísa.

CDD : 634.0981
CDU : 634.1(81)

Catalogação: Edi Focking CRB-10/1197

2
42 50

38 46

38 > PRINCIPAIS FRUTAS > e de modernização da cadeia produtiva


08 > Apresentação > Main fruit Public and private initiatives towards
Introduction O cenário atualizado da produção e da promoting and modernizing
comercialização nas 10 espécies the supply chain
que mais se destacam
14 > PRODUÇÃO > An updated look at the production and
Production trade scenario of the 10 most 118 > ESPECIAL >
Quebra nas safras da banana e da laranja important fruit species special
afeta negativamente desempenho dos A adaptação de espécies temperadas às
pomares nacionais condições tropicais sinaliza para uma
Smaller than expected banana and 78 > PESQUISA > revolução produtiva
orange crops have a negative effect on the research The adaptation of temperate climate
performance of the national orchards As novidades em tecnologias que estão fruit to tropical conditions hints at a
sendo introduzidas nos polos da revolution in production
fruticultura brasileira
24 > MERCADO > Technological innovations underway
market in the Brazilian fruit producing hubs 130 > EVENTOS >
Receita da exportação diminui, mas volume events
aumenta, e consumo interno também O calendário dos principais encontros da
Export revenue down, volume up, 92 > AÇÕES > cadeia produtiva de frutas do Brasil em 2013
consumption follows suit actions Calendar featuring all major events of the
As iniciativas públicas e privadas de fomento Brazilian fruit supply chain in 2013

66 74

58 70
4
www.bayercropscience.com.br 0800 011 5560

Para mais informações, procure o seu distribuidor Bayer.


05 NUM3R05 N40 M3NT3M:
2012 F01 0 M3LH0R 4N0
D4 H15T0R14 P4R4 0
4GR0N3G0C10 BR451L31R0.

• A maior safra da história, com 166,2 milhões de toneladas

• US$ 79,41 bilhões de saldo na Balança Comercial

• Novo recorde de exportação de carne bovina, de US$ 5,74 bilhões

• Crescimento de 12% na exportação de carne suína

• Valor Bruto de Produção de Grãos de R$ 241,8 bilhões


Um dos maiores produtores de alimentos do mundo

está ainda maior, com recordes que são fruto da parceria

entre toda a cadeia produtiva e o Governo Federal. Em

2012, foi lançado o maior Plano Agrícola e Pecuário

de todos os tempos, aprovado o novo Código Florestal

e iniciado o Projeto de Regionalização do Ministério da

Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Sinal de que em

2013 teremos ainda mais trabalho e novos recordes.

O ano já começou, e a Safra de Grãos, por exemplo, vai

chegar a 185 milhões de toneladas. Porque país rico

é país que produz pensando no futuro.

Produtor rural, ainda dá tempo de garantir


seu crédito. São mais de R$ 115 bilhões para
custeio, comercialização e investimento.

Informações:
agricultura.gov.br
Inor Ag. Assmann

Aceita
uma
fatia?

O que seria do ser humano fronteira agrícola que se especializou na produção e na comercia-
sem as frutas? Eis uma questão emblemática. Alimento básico lização de algum tipo de fruta para constatar o quanto ela repre-
desde os primórdios, quando sequer haviam sido iniciados os pri- senta melhoria de autoestima e distribuição justa e equilibrada de
meiros cultivos agrícolas de subsistência e nossos ancestrais, nôma- renda entre a população; em suma, desenvolvimento.
des, ainda se dedicavam a buscar na natureza o que esta disponibili- Em localidades nas quais se aposta na produção frutífera, em
zasse, elas nos suprem de vitaminas, fibras, sais minerais, calorias e pouco tempo começa a se delinear toda uma cadeia de transfor-
de outros nutrientes essenciais ao bom funcionamento do organis- mação. Enquanto a comercialização in natura costuma ser di-
mo. Quanto mais frutas consumimos, e quanto maior a diversidade rigida para os mercados nos quais é possível colocá-la a tempo
delas, mais saudáveis seremos e mais ânimo e disposição teremos. de preservar a sua qualidade, o excedente acaba alimentando a
A exemplo do que a ingestão regular e variada de frutas pro- indústria de sucos, vitaminas, doces, artigos de beleza e de uma
porciona a cada um de nós, o cultivo dessas espécies vitaliza e infinidade de produtos essenciais ao dia a dia da população.
energiza uma comunidade, uma região, um País. Basta visitar uma No Brasil, cujas dimensões continentais e cuja multiplicidade

8
de climas, de Norte a Sul, permitem a produção de praticamente algumas cadeias, como a da banana e da laranja, registra adversida-
todas as espécies comerciais hoje existentes no mundo, a fruticul- des, sente-se muito rapidamente, em toda essa vasta e diversificada ca-
tura alavanca o progresso regional. Da Amazônia saem frutas úni- deia, a necessidade de ajustes, e de continuidade nos investimentos.
cas, que atiçam a curiosidade e caem no gosto, lideradas, claro, As perspectivas para a fruticultura brasileira são excelentes, diante do
pelo açaí; do Nordeste, além de algumas grandes vedetes nacio- incremento no consumo interno, e da demanda externa igualmente
nais, como o melão, a manga, a banana, o abacaxi e o caju, outras, em elevação. Bem por isso, a pesquisa intensifica seus esforços para
de alcance regional, têm forte expressão cultural; do Sudeste, o ampliar cada vez mais a produtividade dos pomares e a qualidade.
maior polo brasileiro da fruticultura, no qual desponta o Esta- Do sucesso deste setor todo mundo quer um pedaço. Inclusi-
do de São Paulo, ao Centro-Oeste, em franca ascensão, e ao Sul, ve o leitor do Anuário Brasileiro da Fruticultura 2013, não é mes-
onde se concentram as temperadas, como maçã e uva, as frutas mo? Para este leitor, assim como para cada indivíduo, isso significa
cumprem papel econômico e social imensurável. saúde e qualidade de vida. Então, é hora de providenciar fru-
Em ciclos como o de 2012, quando o desempenho específico de tas na mesa. Aceita uma fatia? n

9
How about a slice?
on markets that can be reached before the
Inor Ag. Assmann

deterioration process starts, the surpluses


end up in the juice industries, or are trans-
formed into vitamins, sweets, beauty es-
sences and a variety of products essential
for the everyday life of the population.
In Brazil, where the continental dimen-
sions and a variety of climate conditions,
from North to South, offer an ideal environ-
ment for the production of all commercial
fruit species of the world, fruit farming
drives regional development. Unique fruits
come from the Amazon region, and they
arouse curiosity and conquer consumers,
but the highlight is, of course, the açaí; from
the Northeast, besides some national favor-
ites, like melon, mango, banana, pineapple
and cashew nut, other fruits, in the regional
range, have a strong cultural connotation;
from the Southeast, largest Brazilian fruit
farming hub, where São Paulo is the leader
in production volumes, followed by the Cen-
ter-West, now on the rise, and by the South,
where temperate climate fruit prevail, like
apples and grapes, fruit farming plays an
unquestionable social and economic role.
In cycles like the one in 2012, when the
specific performance of some supply chains,
like bananas and oranges, register adversi-
ties, what is immediately felt in the entire
and vast chain is the need for adjustments
and the continuity of investments. The per-
Can you imagine derive from the regular ingestion of a vari- spectives for Brazil’s fruit farming business
a world without fruits? It is really an em- ety of fruits, the cultivation of these species are excellent, in light of the higher domestic
blematic question. Basic food since primor- revitalizes and energizes an entire com- consumption figures, and the equally soar-
dial times, when not even subsistence crops munity, region or country. It is just a mat- ing demand from abroad. This is exactly
were grown, our ancestors, nomads, were ter of visiting an agricultural frontier that why research teams are sparing no effort
still resorting to nature for their basic needs, specializes in the production and trade of towards improving the performance of the
the fruits were already providing the human some type of fruit to come to grips with orchards and the quality of our fruits.
beings with vitamins, fibers, mineral salts, what it represents in terms of self-esteem Everybody wants a chunk from this glob-
calories and other nutrients essential for all and fair distribution of income among the al success story. Even the readers of the Bra-
body functions. The more fruit we eat, and individuals; in short, development. zilian 2003 Fruit Farming Yearbook, don’t
the bigger the variety of fruits, the healthier In neighborhoods where people bet on you think so? For these readers, as well as for
we will be, and the more physical and moral the production of fruit, it does not take every individual, this translates into health
strength we will have for all our needs. long for a chain of transformation to en- and quality of life. Therefore, it is time for
Just like the strength and vitality we tail. While sales of fresh fruit are focused fruit on the table. How about a slice? n

10
A Bahia
a é o se
segu
gund
ndo produttor e o mai aior
or expxporo ta
tado
dorr de fru
ruta
tas
s do Bra
rasi
sil.
sil. Alé
ém da div iver
ersisida
dadede frurutí
tííco
cola
la,, o
la
estado ofe
fere
rece
ce inc
ncen
entit vos, ríg
ígid
dos con
ontr
trol
oles
es sanittár
ário
ios,
s, mer
erca
cado
do int
nter
errno em ex expa
pans
nsão
ão e uma boa log ogís
ísti
ís tica
tica
para escoa
ar a prprod
oduç
ução
ã . Com es esse
se cen
enárário
io,, a Ba
Bahi
h a te
hi temm tu
tudo
do parara
a pr
prod
o uz
od uzir
ir e exp
xpor
orta
tarr su
suco
cos s (i
(int
nteg
e ra
eg al e
concentrado)o),, né
néct
ctar
ares
es,, polpas, do
doce
ces,
s, sor
orvevete
tes,
s, gel
elei
eias
as e out
utro
ros
s de
deri
riva
vado
va dos.
do s. Ven
e ha inv
nvesesti
tirr na boa ter erra
ra..
ra
Investing in fruit farming in Ba
ahi
hia.
a. Eve
a. very
ryon
ryone
on e wa
want
nts
nt s a ta
tast
ste
e of it.
Bahia ranks second in fruit production
n in
n Bra
razil
z anandd firs
firs
irstt in
in expo
expo
xports
rts.. Besi
rts esides
des th
the
e dive
diversi
rsity
ty of fru
f its
its,, tthe
he sta
tate
te offfers in
incen
centiv
tive,
e, strrict sa
sanit
nitary
nitary
controls, rising domestic demand and appropropri
priate
pri ate
at
te lo
ogis
g ticticss for
for pro
produc
du tio
duc tion
n flow
flow.. In
In such
such a sce
scenar
nario,
io,
o Ba ahia is th
the
e righ
rightt choi
choice
ce for thhe prod
roduct
uction
uction
and exports of juices (whole or concentrate), ne
necta
c rs, pu
cta pulp,lp, ca
lp candy
ndy,, ice
ndy ice-
ce-cre
cream,
am, je
jelly
lly an
and
d othe
otherr deri
derivat
vative
va v s.
s Do not
n hehesit
sitate
ate to in
inves
vestt in this
this
prosperous state.

STATUS DO ESTADO NO RANKING NACIONAL DE PRODUÇÃO DE FRUTAS / BAHIA’S CURRENT STATUS IN NATIONAL FRUIT PRODUCTION

1º produtor nacional de coco, manga, guaraná, cacau, mamão, maracujá, pinha e graviola;
1st national producer of coconuts, mangos, guarana, cocoa, papaya, passion fruit, pine cones and graviola;

2º produtor nacional de laranja, banana e melancia; 3º produtor nacional de limão e melão;


2nd national producer of oranges, bananas and watermelons; 3rd national producer of limes and melons;

4º produtor nacional de abacaxi, caju, marmelo e goiaba; 6º produtor nacional de uva e maçã.
4th national producer of pineapples, cashew nuts, quinces and guavas; 6th national producer of grapes and apples

www.seagri.ba.gov.br // agronews@seagri.ba.go
gov.b
v.b
br
Sílvio Ávila

PRODUÇÃO > production

Vem que
tem

14
Cadeias da fruticultura
brasileira estão obtendo
melhor rendimento por
área. Mas problemas
pontuais de clima e mercado
atrapalham o resultado

O Brasil apresenta muitos méritos


quando se fala em fruticultura. A organização das cadeias produtivas faz com
que determinadas espécies tenham conquistado mercados mundo a fora e con-
sigam abastecê-los com excelência. Outros setores ainda buscam maior inserção
internacional, o que vem sendo ampliado a cada ano, com apoio de projetos como
o Brazilian Fruit. Por outro lado, o consumo interno igualmente está aumentando,
graças ao avanço do poder aquisitivo de mais de 30 milhões de brasileiros.
Mesmo em um cenário no qual se lidam com aspectos difíceis de combater,
como as adversidades climáticas, e outros que ainda merecem mais atenção, como
problemas logísticos de armazenamento e de abastecimento, a produção de frutas
tem alcançado bons resultados. Os últimos dados oficiais do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), que se referem a 2011, mostram que houve aumento
de 6,77% na colheita em relação a 2010, em uma cesta de 20 espécies acompanha-
das pela estatal, atingindo quase 45 milhões de toneladas.
Com dificuldades pontuais, justamente com as duas frutas de maior produção – la-
ranja e banana –, que representam aproximadamente 60% do total, as estatísticas, ainda
preliminares, mostram que deve haver retração de aproximadamente 3% em 2012. Por
outro lado, as pesquisas oficiais indicam que a área cultivada com frutíferas diminuiu em
0,26% em 2011, comparativamente ao ano anterior, sugerindo maior produtividade dos
pomares. Naquele ano, os vários cultivos ocupavam 2,234 milhões de hectares.
A balança comercial da fruticultura também vem apresentando bom desempenho.
Enquanto as exportações de frutas frescas aumentaram 1,73% em 2012, as importa-
ções tiveram queda de 6,91% em volume, sobre 2011. Um exemplo clássico está na
maçã, espécie na qual o País não é autossuficiente, sendo dependente de boa parte da
produção da Argentina, dos Estados Unidos e do Peru. Em 2012, a entrada da fruta es-
trangeira foi 40,02% menor. Já as vendas externas subiram 48,47%, boa parte devido
à recuperação de mercado, em função de aspectos climáticos nas três últimas safras.
As cadeias produtivas estão trabalhando individualmente para combater seus
problemas e em conjunto, de olho no aumento da competitividade das espécies
brasileiras. Um foco bem definido é a chance de apresentar as características qua-
litativas das frutas nacionais ao mundo, dentro do próprio Brasil. O primeiro teste
será ainda em 2013, com a Copa das Confederações, evento preparatório à Copa
do Mundo de futebol, que acontecerá em 2014. Se tudo der certo, quando a Olím-
piada do Rio de Janeiro chegar, em 2016, o sabor das frutas nacionais já vai ter
caído no agrado dos turistas estrangeiros. O lucro deve vir com o aumento das
exportações e com a organização dos setores para poder suprir essa demanda. n

15
There
are no
shortages
Inor Ag. Assmann

Brazilian fruit supply chains With ad-hoc difficulties, exactly with the two major fruit spe-
cies – bananas and oranges – which represent approximately
are celebrating better harvests 60% of the total, the still preliminary statistical figures show
a crop approximately 3% smaller in size in 2012. On the other
per area, but ad hoc climate hand, government surveys point to a decrease of 0.26% in areas
and market problems are devoted to fruit farming in 2011, compared to the previous year,
a fact that suggests more productive orchards. Back then, Brazil-
interfering with the result ian fruit orchards occupied 2.234 million hectares.
The trade balance in fresh fruit has remained in the surplus.
While fresh fruit exports went up 1.73% in 2012, imports fell
6.91% in volume, from 2011. A classical example is the apple,
In terms of fruit farming, a crop in which Brazil is not self-sufficient, and depends a lot
Brazil acts as a front runner. The organization of the production on supplies from Argentina, the United States and Peru. In 2012,
chains is credited with markets conquered around the world, and apple purchases from abroad decreased by 40.02%. In the mean-
with the timely deliveries to these markets. Other sectors are still seek- time, foreign sales soared 48.47%, greatly because of market re-
ing deeper international insertion, a move that has been expanding covery, by virtue of climate factors in the past three crops.
year after year, relying on support from projects like the Brazilian All supply chains are working on an individual basis in their
Fruit. On the other hand, internal consumption is equally soaring, fight against the problems, but are joining efforts towards improv-
thanks to the higher purchasing power of 30 million Brazilians. ing the competitiveness of the Brazilian species. A well defined
Even in a scenario where there are problems difficult to sur- focus is the chance to present the qualitative features of the
mount, like climate adversities, and others that even require more Brazilian fruits to the world, within the Brazil Project. The first
attention, such as logistic problems, warehousing difficulties and test will take place in 2013 with the FIFA Confederations Cup, a
supply, fruit farming has conquered good results. The latest of- preparatory event to the FIFA World Cup, scheduled for 2014. If
ficial data released by the Brazilian Institute of Geography and everything happens in line with expectations, at the time of the
Statistics (IBGE), for 2011, show a 6.77-percent increase over the 2016 Olympic Games, the flavor of the national fruits will have
2010 numbers, in a basket of 20 species supervised by the state conquered the palate of the visitors. Profits might result from soar-
corporation, amounting to almost 45 million tons. ing exports and from all sectors efforts to meet this demand. n

16
No Espírito Santo, fruticultura é especialidade da casa.
São 13 polos de frutas em 85 mil hectares de terra, que
geram 60 mil empregos. Graças a muito trabalho, eficiência,
responsabilidade e investimentos em tecnologia, além de uma
parceria entre Governo do Espírito Santo, prefeituras e instituições
do setor, a atividade ocupa lugar de destaque na agropecuária
capixaba. Entre as ações do Governo estão assistência técnica
gratuita, o repasse de mudas, veículos, máquinas e equipamentos
para uso coletivo do produtor, crédito financeiro e quatro
unidades da Ceasa. O resultado é uma produção de 1,3 milhão de
toneladas, que movimentou uma renda de R$700 milhões, em
2012. Essa receita, todo mundo vai querer provar.
Colheita brasileira de frutas, que em 2011 havia crescido quase 7%,
em 2012 sofreu com os contratempos enfrentados por banana e laranja
Sílvio Ávila

Quebra-molas
Na última década, a produção últimos 10 anos, e pela grande incidência de doenças nas plantas,
brasileira de frutas foi ampliada em 22,49%. Os números oficiais principalmente o greening. O presidente do Instituto Brasileiro de
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram Frutas (Ibraf ), Moacyr Fernandes, lembra que os citricultores não
que em 2001 a colheita se situava em 36,699 milhões de toneladas, têm feito investimentos, pois estão com dificuldades para ampliar a
levando-se em conta as 20 principais espécies acompanhadas pelo exportação de suco. “A cada ano, novas bebidas são ofertadas, com
órgão governamental. Já em 2011, o resultado alcançado foi de preços menores, tirando o espaço da fruta”, avalia.
44,954 milhões de toneladas. Já a maçã tem sofrido com problemas climáticos nas últimas
A quantidade obtida em 2011 representa aumento de 6,77% so- safras. No período 2011/12, as chuvas de granizo, ocorridas nos
bre 2010. Nesse mesmo período, a área cultivada com pomares re- pomares do Sul do Brasil, em novembro de 2011 e em fevereiro de
cuou 0,26%, o que demonstra a melhoria nos índices de produtivi- 2012, diminuíram a quantidade obtida. No entanto, a qualidade ve-
dade. Os dados referentes a 2012, ainda preliminares, indicam que rificada nas frutas melhorou, o que elevou a rentabilidade. Segundo
o desempenho não foi tão bom quanto no ano anterior. Estima-se dados da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), a
que houve recuo de 3% na produção. Grande parte desse resultado produção em 2012 foi de 1,1 milhão de toneladas.
pode ser creditado ao ruim desempenho das duas principais frutas, Outra fruta que tem sofrido contratempos é o mamão. De acordo
que, juntas, representam 60% do total. com o presidente do Ibraf, os pomares do Espírito Santo, principal
A banana, mesmo com a ampliação nos pomares, sofreu por Estado produtor, têm sido atingidos severamente pelo mosaico do
problemas climáticos. Já a laranja vem sendo impactada negativa- mamoeiro, doença que reduz a quantidade e diminui a qualidade dos
mente pela crise mundial no mercado de sucos, que se agravou nos frutos. “O combate tem sido difícil”, constata Moacyr Fernandes. n

18
Speed bump
Brazilian fruit harvest, which
in 2011 had increased by almost
7%, receded in 2012 because of
setbacks experienced by oranges
and bananas

In the past decade,


Brazil’s fruit farming business increased by 22.49%. The official
numbers from the Brazilian Institute of Geography and Statistics
(IBGE) point to a harvest of 36.699 million tons in 2001, considering
the 20 major species under the supervision of the federal organ. In
2011, the final result amounted to 44.954 million tons.
The amount obtained in 2011 represents a rise of 6.77% over
SABOR NACIONAL > nATIONAL TASTE 2010. During the same period, the area devoted to orchards re-
ceded 0.26%, attesting to the better performance of the productiv-
Produção brasileira de frutas
ity rates. All data referring to 2012, still preliminary, indicate that
Fruta 2011 2012 * the performance did not match the previous year’s levels. It is es-
Área (ha) Volume (t) Volume (t) timated that the volume was down 3%. A great part of this result
Laranja 818.685 19.811.064 19.059.890 could be blamed on the poor performance of the two major fruit
Banana 505.665 7.329.471 6.861.719 species, which, together, account for 60% of the total.
Abacaxi** 62.868 3.187.463 3.187.463 Despite orchard expansions, the banana crop was affected by
Melancia 98.501 2.198.624 2.198.624 climate-induced problems. With regard to oranges, this crop has
Coco-da-baía 271.633 1.962.434 1.912.319 been suffering from the global juice crisis, which got worse over the
Mamão 35.881 1.854.343 1.854.343 past 10 years, along with an array of pest outbreaks, particularly
Uva 84.339 1.542.068 1.455.056 the greening disease. The president of the Brazilian Fruit Institute
Maçã 38.077 1.338.995 1.338.270 (Ibraf ), Moacyr Fernandes, recalls that orange growing farmers
Manga 76.391 1.249.521 1.249.521 have practically stopped making investments, as a result of their dif-
Limão 47.528 1.126.736 1.126.736 ficulties in shipping their juices abroad. “Year after year, new bever-
Tangerina 53.303 1.004.727 1.004.727 ages are launched in the market, at lower prices, all taking a heavy
Maracujá 61.842 923.035 923.035 toll on orange juices”, he notes.
Melão 19.701 499.330 499.330 Apple crops have also suffered from climate induced problems
Goiaba 15.956 342.528 342.528 over the past crops. In the 2011/12 cycle, hailstorms in South Brazil,
Pêssego 20.148 222.180 222.180 in November 2011 and in February 2012, reduced the size of the
Abacate 10.768 160.376 160.376 crop. Nevertheless, quality improved, thus bringing in higher rev-
Caqui 8.350 154.625 154.625 enue. According to data released by the Brazilian Association of
Figo 3.041 26.233 26.233 Apple Farmers (ABPM), the 2012 crop amounted to 1.1 million tons.
Pera 1.750 20.532 20.532 Papaya is just one more fruit that suffered setbacks. According
Marmelo 160 780 780 to the president of Ibraf, the orchards in the state of Espírito Santo,
Total 2.234.587 44.955.065 43.598.287 leading producer in Brazil, have been severely hit by the papaya mo-
* Estimativa - ** Conversão: 1 fruto = 2,5 kg (região Sul/Sudeste, exceto saic virus, causing reductions in quantity and affecting the quality
Paraná, 1,6 kg, e Santa Catarina, 1,67 kg), 2,1 kg (região Centro-Oeste) e
1,8 kg (demais regiões). Fonte: FNP
of the fruits. “The fight against the scourge has been difficult”, con-
Fonte: IBGE - Elaboração: Ibraf cedes Moacyr Fernandes. n

19
Do
Oiapoque
ao Chuí
Sílvio Ávila

Fruticultura é desenvolvida em todas as regiões


Sílvio Ávila

brasileiras. A atividade responde pela geração de


cerca de 2,5 milhões de postos de trabalho
Ao se analisar o mapa do Brasil,
pode-se verificar que a fruticultura está presente em todos os estados. O País apresenta
diversidade de espécies única no mundo. E mesmo que ainda seja comum as pessoas culti-
varem seus pomares domésticos, principalmente no interior do País, a atividade se consolida
como uma das que mais gera empregos e renda dentro do agronegócio nacional.
O presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ), Moacyr Saraiva Fernandes, estima
que o setor seja responsável pela abertura de 2,5 milhões de vagas no mercado de trabalho.
“A necessidade de mão-de-obra é muito grande”, constata. Lembra que, na maior parte das
fruteiras, a absorção maior de trabalhadores se concentra na colheita. É o que acontece, por
exemplo, com a maçã, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. É comum encontrar nesses
pomares pessoas que vêm de outras regiões, como o Nordeste e o Centro-Oeste.
O que se percebe também, de acordo com Fernandes, é que, com a tecnificação da
atividade frutícola e com a modernização dos packing houses, as exigências quanto à
profissionalização dos funcionários aumentam. “A evolução da produção acaba colabo-
rando para a qualificação dos trabalhadores”, observa.
Mais uma vez a maçã serve como modelo. Segundo o presidente do Ibraf, a estrutura
de beneficiamento da fruta é de primeira linha. Ele cita ainda como bons exemplos a
manga e a uva de mesa, que apresentam excelentes padrões de qualidade, assim como
algumas empresas que trabalham com laranja para consumo in natura. n

20
Estado de São Paulo, sozinho, produz
mais de 40% das frutas no País
UM PASSEIO PELOS ESTADOS A fruticultura, como atividade comercial,
está disseminada pelo País. No entanto, alguns estados se destacam. São Paulo, sozinho,
representa mais de 40% da produção nacional. Em 2011, ano com a última informação
oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram colhidas 19,186
milhões de toneladas em território paulista, do total de 44,954 milhões de toneladas.
Na sequência, aparecem com destaque a Bahia, com 5,401 milhões de toneladas;
o Rio Grande do Sul, com 2,778 milhões de toneladas; Minas Gerais, com 2,690
milhões de toneladas; Pará, com 1,665 milhão de toneladas; Paraná, com 1,567 mi-
lhão de toneladas; Santa Catarina, com 1,529 milhão de toneladas; Pernambuco, com
1,392 milhão de toneladas; Ceará, com 1,374 milhão de toneladas; Sergipe, com 1,27
milhão de toneladas; e Espírito Santo, com 1,176 milhão de toneladas.
De maneira geral, os polos de produção seguem bastante estáveis, nas diversas
fronteiras nacionais, sem o aparecimento de novas áreas. “Há uma recuperação das
regiões já estabelecidas, em busca de maior competitividade das frutas”, destaca o
presidente do Ibraf. Ele observa também que tem ocorrido a expansão de novas va-
riedades para regiões não tradicionais.
É o caso da maçã, que, no Sul do País, está presente praticamente com as cultivares fuji
e gala. “Hoje, temos a maçã eva, que se produz em São Paulo e no Sul de Minas Gerais”,

Sílvio Ávila
destaca. Outra novidade é a pesquisa com frutas de carroço, como o pêssego, que têm sido
desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em São Paulo.

Consulte-nos e veja o que a PRODOL pode fazer pela sua fruta.


www.prodol.com.ar

Tecnologia
Qualidade
Modularidade
Experiência
Assistência
Técnica Máquinas de Beneficiamento e Classificação de Frutas

Fábrica, Administração e Vendas - Rua Otília Zapellini, 56 - Lages / SC - Fone/Fax: (49) 3223 0641 - prodolbrasil@prodol.com.br
From Oiapoque
to Chuí
Fruit growing is spread across all
Brazilian regions. The crop accounts
for the generation of about 2.5
million employment opportunities
PAISAGEM > landscape
Produção brasileira de fruta por Estado (ton.)

Estado 2010 2011


São Paulo 17.479.716 19.186.649
Sílvio Ávila

Bahia 5.236.187 5.401.625


Rio Grande do Sul 2.473.796 2.778.620
Minas Gerais 2.572.497 2.690.450
Pará 1.604.862 1.656.800 Taking a look at the
Paraná 1.490.507 1.567.826 Map of Brazil, one realizes that fruit growing is spread across
Santa Catarina 1.588.162 1.529.837 all Brazilian states. The Country boasts a globally unique diversity
Pernambuco 1.292.113 1.392.855 of species. Although back yard fruit growing is still common prac-
Ceará 1.288.896 1.374.645 tice, particularly in the far away countryside, the activity has been
Sergipe 1.277.302 1.270.095 consolidating as a relevant employment and income generator in
Espírito Santo 1.167.368 1.176.776 Brazilian agribusiness.
Rio Grande do Norte 812.244 861.191 The president of the Brazilian Fruit Institute (Ibraf ), Moacyr
Paraíba 858.038 854.672 Saraiva Fernandes, maintains that the sector is responsible for the
Goiás 764.178 759.792 generation of 2.5 employment opportunities. “The need for labor is
Rio de Janeiro 556.857 673.832 enormous”, he notes. He recalls that in most fruit growing farms the
Amazonas 282.938 385.202 need for labor is more intense at harvest time. This is exactly what
Maranhão 220.692 219.196 happens at apple harvest time in the states of Santa Catarina and
Mato Grosso 211.713 216.991 Rio Grande do Sul. These orchards normally attract temporary
Tocantins 204.723 209.275 employees from other regions, like the Northeast and Center-West.
Alagoas 185.578 186.064 What is also noticeable, Fernandes comments, is that fruit
Piauí 142.721 155.300 farming is getting more and more technology oriented, while the
Acre 109.848 114.024 packing-houses are being upgraded, and such innovations call for
Rondônia 90.378 93.682 professionally qualified employees. “Production evolution ends up
Mato Grosso do Sul 67.602 69.896 qualifying the workers”, he observes.
Roraima 59.230 59.520 Once again apples set an example. The president of Ibraf un-
Amapá 29.399 35.017 derstands that apple processing structures are first class. Other ex-
Distrito Federal 34.804 34.345 amples cited by him include fruits like mangoes and table grapes,
Total 42.102.347 44.954.176 with excellent quality standards, as well as some companies that
Fonte: IBGE deal with oranges for fresh consumption. n

22
State of São Paulo, alone, produces more
than 40% of the nation’s fresh fruits
A TOUR THROUGH THE STATES Fruit growing as a commercial operation
is spread across the Country. Furthermore, some states excel in this activity. São Paulo,
alone, is responsible for more than 40% of the entire national fruit volumes. In 2011, when
the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) released the latest data about
the subject, a total of 19.186 million tons were harvested in that state, of a total of 44.954
million tons in the entire Country.
Other states that also excel at fruit farming are Bahia, with 5.401 million tons; Rio
Grande do Sul, with 2.778 million tons; Minas Gerais, with 2.690 million tons; Pará, with
1.665 million tons; Paraná, with 1.567 million tons; Santa Catarina, with 1.529 million
tons; Pernambuco, with 1.392 million tons; Ceará, with 1.374 million tons; Sergipe, with
1.27 million tons; and Espírito Santo, with 1.176 million tons.
In general, the fruit belts have been on a steady path, throughout the various national
frontiers, and no new belts have surfaced. “The already established fruit farming opera-
tions are now going through a recovery period, seeking higher competitiveness for their
fruit”, says the president of Ibraf. He also mentions that new varieties have been making
their way into non-traditional regions.
It is the case of the apple, whose plantations in South Brazil comprised almost exclusively
two cultivars: fuji and gala. “Now we grow such cultivars as Eva, very common in São Paulo
and in South Minas Gerais”, he notes. Another innovation is research on seeded-fruit, like peach-
es, now underway at the Brazilian Agriculture Research Corporation (Embrapa), in São Paulo.
Inor Ag. Assmann

mercado > market

Cardápio
24
reforçado
Melhoria na renda inclui
as frutas no cotidiano da
população brasileira, com
consumo que já ultrapassa a 70
quilos por habitante ao ano

A estabilidade da economia
brasileira, a partir do Plano Real, implantado em meados da década de 1990, fez
com que uma faixa estimada em mais de 30 milhões de pessoas viesse a conquistar
poder de compra no País. Com o aumento de renda da chamada “nova classe média”,
produtos antes proibitivos, ou mais dificilmente acessados, passaram a ser consumi-
dos. Nessa lista estão as frutas, até então consideradas artigos caros.
O Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ) estima que em 2012 o consumo per capita
de frutas chegou a 70,84 quilos/habitante/ano, num total de 13,743 milhões de tone-
Sílvio Ávila
ladas. Apesar do crescimento, a utilização diária de frutas na alimentação ainda está
longe do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 100
quilos/habitante/ano, ou 400 gramas ao dia.
Para chegar ao consumo per capita de 2012, o Ibraf levou em conta uma popu-
lação de 194 milhões de pessoas. O dado foi obtido a partir da análise de produção,
importação, exportação, produto destinado a indústria e perdas, calculadas em 40%
do que foi disposto à comercialização, ou 9,162 milhões de toneladas.
Um breve olhar sobre a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), reali-
zada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ilustra bem essa mu-
dança. Os dados referem-se ao período entre 2002 e 2008, quando houve grande
crescimento de consumo no Brasil, em função do aumento da renda da população.
Conforme o relatório, que inclui as 10 frutas mais adquiridas, o consumo per capi-
ta passou de 24,49 quilos/habitante/ano em 2002 para 28,86 quilos/habitante/ano em
2008. O estudo mostra que todas as regiões brasileiras apresentaram aumento signi-
ficativo, com destaque para o Centro-Oeste, onde a evolução do agronegócio elevou
o poder aquisitivo da população. No entanto, os estados do Sul continuam sendo os
que apresentam maior presença de frutas na alimentação das famílias.
A análise do IBGE evidencia ainda que a classe alta é a grande consumidora de frutas
no Brasil, com 50,27 quilos/habitante/ano em 2008. Na classe média, são demandados
31,4 quilos/habitante/ano; e na baixa, 17,3 quilos/habitante/ano. Na faixa mais carente
da população predomina a ingestão de banana, laranja e maçã. As três espécies também
estão presentes na classe média, onde ainda têm representatividade o mamão e a tange-
rina. Já na parcela mais rica, itens mais caros ganham espaço, como melão, limão e uva.
Para o presidente do Ibraf, Moacyr Saraiva Fernandes, o consumo de frutas
deve permanecer aquecido no mercado interno. O foco da entidade está voltado à
preparação de uma campanha visando a divulgação dos benefícios das frutas para
Sílvio Ávila

segmentos específicos, como crianças e parturientes. “Precisamos mobilizar os for-


madores de opinião”, enfatiza, referindo-se a médicos e nutricionistas. n

25
Inor Ag. Assmann
Reinvigorated
menu
Stronger purchasing power According to the report, which includes the 10 top-selling
fruits, per capita consumption in Brazil rose from 24.49 kilos/
adds fruits to the daily diet of person/year in 2002 to 28.6 kilos/person/year in 2008. The study
detected a significant increase throughout all Brazilian regions,
the Brazilian population, with especially in the Center-West, where the good agribusiness mo-
consumption now reaching upwards ment improved the purchasing power of the people, in general.
Nonetheless, it is in the southern states that fruits are more sig-
of 70 kilos per person a year nificantly present in family diets.
The IBGE analysis also shows that it is the upper class in Bra-
zil that consumes the most fruit, with 50.27 kilos/person/year
in 2008. Consumption by the middle class reaches 31.4 kilos/
The stability of the Brazilian person/year. In the lower classes, the most consumed fruits are
economy, ever since the Real Plan was implemented in the bananas, oranges and apples. The three species are also popular
mid-1990s, improved the economic conditions of a social class with the middle class, where papayas and tangerines are also
comprising some 30 million people, considerably increasing their very representative. In the upper class, more expensive items,
purchasing power. With bigger income earned by the so-called like melons, lemons and grapes, are popular.
“new middle class”, previously forbidden products, or very diffi- Ibraf president Moacyr Saraiva Fernandes understands that
cult to access, became part of their daily diet. The list of these fruit consumption will continue in the domestic market. The entity
products includes fruits, up to that time viewed as expensive. is now engaged in the preparation of a campaign focused on giving
According to the Brazilian Fruit Institute (Ibraf ), per capita publicity to the benefits of fruits to specific segments, like children
consumption of fruit in 2012 reached 70.84 kg/person/year, total- and expectant mothers. “We’ve got to mobilize the opinion makers”,
ing 13.743 million tons. Despite this soaring consumption, the he emphasizes, referring to doctors and nutritionists. n
use of fruit in the daily diet is still lagging behind the recommen-
dations by the World Health Organization ( WHO) of 100 kilos/ BOM BOCADO > delicacy
person/year, or 400 grams a day.
consumo aparente de frutas frescas em 2012
Consumption per capita in 2012 was calculated by Ibraf, con-
sidering a population of 194 million people. The Institute took into Produção 43,598 milhões de toneladas
consideration an analysis that included production, imports, ex- Importação 427,314 mil toneladas
ports, fruits destined to the industry and losses, calculated at 40% Exportação 693,020 mil toneladas
of all amounts available in the market, or 9.162 million tons. População 194 milhões de habitantes
A brief look at the latest Family Budgets Survey (POF), in the Indústria 20,692 milhões de toneladas
Portuguese acronym), conducted by the Brazilian Institute of Ge- In natura 22,906 milhões de toneladas
ography and Statistics (IBGE), illustrates this change. All num- Perdas 9,162 milhões de toneladas
bers refer to the 2002 – 2008 period, when consumption soared Consumo total 13,743 milhões de toneladas
considerably throughout Brazil, by virtue of the improved pur- Consumo per capita 78,84 quilos/habitante/ano
chasing power of the population. Fonte: Ibraf.

26
Seu portal para fazer
negócios com o Brasil!

www.brasilglobalnet.gov.br
Ÿ Informações sobre 8.700 empresas exportadoras brasileiras;

Ÿ Dados sobre 2.700 produtos relacionados a comércio exterior;

Ÿ Indicadores econômicos, tabelas e gráficos sobre comércio exterior;

Ÿ Mais de 300 feiras comerciais a serem realizadas no Brasil em 2011;

Ÿ Oportunidades de investimento em infraestrutura, energia, indústria


pesada e megaeventos esportivos.

Ministério das Relações Exteriores


Subsecretaria-Geral de Cooperação, Cultura e Promoção Comercial
Departamento de Promoção Comercial e Investimentos
Curva
ascendente
Sílvio Ávila

28
Exportações brasileiras de
frutas registraram crescimento
de 1,73% em volume em 2012,
com diminuição de 2,34% no
resultado financeiro

O comércio externo para as frutas


brasileiras segue em curva ascendente. Em 2012, as exportações registraram cresci-
mento de 1,73% em volume em relação ao ano anterior, tendo sido embarcadas 693,020
mil toneladas. No entanto, os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ór-
gão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, indicam queda
de 2,34% no faturamento, fechando em US$ 618,821 milhões.
O campeão de vendas no período foi o melão, que teve incremento de 7,19% na quan-
tidade, em relação ao ano anterior, chegando a 181,767 mil toneladas, ou 26,22% do total
exportado. Em seguida aparecem a manga (0,45% a mais), a banana (recuo de 15,52%) e o
limão (aumento de 9,56%). A maçã, que foi o quinto item da cesta de exportações, conseguiu
recuperar as perdas dos últimos três anos e apresentou acréscimo de 48,47% nos embarques.
O Brasil exporta frutas para 56 nações. Os Países Baixos, mais costumeiramente cha-
mados de Holanda, continuam sendo a grande porta de entrada dos produtos brasilei-
ros na Europa. Para lá foram destinados 39,28% do total embarcado em 2012, sendo
então distribuídos em todo o continente. O mercado europeu absorve em torno de 85%
das vendas brasileiras. “Mas a tendência é que diminua o consumo”, avalia o presidente
do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ), Moacyr Fernandes.
Diante dessa realidade, Fernandes defende que é necessário buscar mercados em cres-
cimento, para suprir os que estão retraídos. Em seu entender, a maior expansão das vendas
deve ocorrer para Rússia e China. “São países que têm restrições climáticas e, por isso, não
conseguem produzir o suficiente”, destaca. Em 2012, foram exportadas para as duas nações
1,197 mil e 3,483 mil toneladas, respectivamente. O Leste Europeu também representa para
o setor uma possibilidade de incremento dos negócios, assim como o Oriente Médio.
Moacyr Fernandes considera que, além de buscar novos clientes, os exportadores
Sílvio Ávila

devem cuidar para não perder os que já conquistaram. Cita como exemplos os Estados
Unidos e o Canadá, tradicionais compradores das frutas brasileiras. n

Melão, que representa mais de um quarto


das vendas, teve aumento de 7,19%
RESPONSABILIDADE O presi- colocando o produto”, observa. É o que exigências de mercado também precisam ser
dente do Ibraf, Moacyr Saraiva Fernandes, está acontecendo com a uva de mesa, pro- levadas em conta pelos fornecedores brasilei-
considera que os exportadores devem ser duzida no Vale do São Francisco. “A pro- ros de frutas. “Alguns compradores começam
responsáveis por manterem os volumes dução não tem se mostrado competitiva e a questionar quanto se gasta de água para
vendidos. “O lucro auferido depende do novos players, como o Peru, se apresentam produzir, quanto carbono é liberado e o des-
mercado. Muitas vezes, é preciso oferecer com qualidade excelente”, avalia. tino dos resíduos, fazendo inclusive restri-
as frutas por preço menor para continuar Conforme o presidente do Ibraf, as novas ções em caso de algum problema”, enfatiza.

29
Sílvio Ávila

GANHANDO O MUNDO > conquering the world


Exportações brasileiras de frutas

Fruta 2012 2011


Receita (US$ Fob) Volume (kg) Receita (US$ Fob) Volume (kg)
Melão 134.114.090 181.767.594 128.353.767 169.575.730
Manga 137.588.916 127.002.229 140.910.324 126.430.774
Banana (exc. da terra) 34.504.534 92.972.951 39.247.836 110.053.925
Limão* 59.882.439 72.810.401 65.806.140 66.457.950
Maçã 48.559.505 72.252.803 36.059.461 48.666.209
Uva 121.890.881 52.015.627 135.782.857 59.391.482
Melancia 16.979.924 33.543.998 13.877.107 29.287.478
Mamão 36.358.922 26.130.743 38.887.743 28.822.524
Laranja 8.745.906 22.447.476 16.364.077 33.310.972
Abacate 6.841.371 4.273.039 6.199.802 3.263.236
Banana-da-terra 900.166 2.726.129 0 0
Figo 8.480.203 1.632.420 7.300.741 1.455.787
Tangerina 1.419.470 1.357.040 849.005 921.432
Abacaxi 851.439 1.356.500 1.401.952 2.238.300
Caqui 533.422 222.160 0 0
Outras frutas 576.478 205.237 1.777.444 672.898
Goiaba 275.502 119.705 300.067 137.455
Coco 38.503 106.297 259.795 479.345
Outros cítricos 160.290 40.139 115.017 26.561
Pera 19.992 22.344 17.704 16.128
Magostão 60.480 10.080 0 0
Framboesa e amora 27.769 3.846 65.711 9.714
Airela e mirtilo 8.303 927 33.764 3.432
Ameixa 2,631 717 3.176 1.063 Melon shipments,
Morango 13 1 0 0
Pomelo 0 0 22.983 44.415 which represent
Damasco 0 0 837 91 more than a
Cereja
Total
0 0 2.632 1.385
618.821.149 693.020.403 633.639.942 681.268.286
quarter of all
* As estatísticas de limão e lima estão agrupadas. sales, were up
Fonte: Secex
Elaboração: Ibraf 7.19%
30
Yield
Brazil fruit exports
soared 1.73% in volume
in 2012, but financial
curve result shrank 2.34%

Foreign sales of Brazilian


fruits continue to rise. In 2012, exports were up 1.73% in volume
from the previous year, with total shipments amounting to 693.020
thousand tons. Nevertheless, the numbers released by the Brazilian
Secretariat of Foreign Trade (Secex), an organ of the Ministry of De-
velopment, Industry and Foreign Trade (MDIC), point to a 2.34% re-
duction in revenue, reaching US$ 618.821 million.
The best selling fruit were melons, up 7.19% in quantity, from the
previous year, totaling 181.767 thousand tons, or 26.22% of total
exports. Then come mangoes (up 0.45%), bananas (down 15.52%)
and limes (up 9.56%). Apples ranked fourth on the list of exports, but
managed to recover the losses suffered over the past three years, with
shipments abroad increasing by 48.47% in the shipments.
Brazil exports fruits to upwards of 56 nations. The Netherlands, nor-
mally referred to as Holland, continues as the entrance gate of Brazil-
ian fruits to Europe. It was the destination for 39.28% of all Brazilian
fruit shipments in 2012, from where they are sent throughout the entire
continent. The European market absorbs about 85% of all Brazilian fruit
sales. “Nevertheless, the trend is for consumption to shrink”, argues the
president of the Brazilian Fruit Institute (Ibraf ), Moacyr Fernandes.
In light of this reality, Fernandes advocates the need for Brazil to
work its way into developing markets, to make up for those on the de-
cline. He understands that Russia and China are preferred targets for
sales expansions. “These countries are subject to climatic restrictions
and, therefore, are not able to produce enough for their internal needs”,
he comments. In 2012, the two nations purchased 1.197 thousand
and 3,483 thousand tons, respectively. Eastern Europe also represents
more business opportunities for the sector, just like the Middle East.
Moacyr Fernandes has it that, in addition to seeking new clients,
exporters should take care not to lose the ones they have already con-
quered. As examples, he cites the United States and Canada, tradi-
tional importers of Brazilian fruit. n

RESPONSIBILITY The president of This is what is happening with table grapes by all Brazilian fruit suppliers. “Some buyers
Ibraf, Moacyr Saraiva Fernandes, maintains produced in Vale do São Francisco. “Prices are even beginning to question the amount
that the exporters should assume responsi- have not been competitive, paving the way of water used during the growing stage, the
bility over the exported volumes. “Profits for new players, like Peru, with grapes of ex- amount of carbon that is released into the air,
depend on the market. Very often, there is cellent quality”, he evaluates. the disposal of the waste. And they are begin-
need to sell the fruits at a lower price, if sales According to the Ibraf president, new ning to raise restrictions in case this kind of
continuity is to be maintained”, he observes. market requirements must also be considered problems are detected”, he warns.

31
Inor Ag. Assmann

Sabor que
convence
Projeto Brazilian Fruit divulga as frutas
brasileiras no exterior durante feiras e promove
degustações em supermercados, com bons resultados

Se o Brasil começou O projeto atingiu todas as regiões do País, com a realização de reu-
efetivamente a exportar frutas, isso muito se deve ao projeto niões e workshops para a apresentação das ações a empresas e asso-
Brazilian Fruit, responsável por divulgar as espécies nacionais ciações. Jornalistas e compradores estrangeiros também estiveram
no exterior. Criado em 1998, pela Agência Brasileira de Promoção no Brasil para conhecer os polos produtores de frutas e participar
de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em parceria com o de rodadas de negócios. Os mais de 200 encontros resultaram em
Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ), o convênio foi renovado em R$ 15 milhões de transações comerciais concretizadas.
outubro de 2012, para mais dois anos. Como já vem ocorrendo há vários anos, o Brazilian Fruit esteve
A gerente do projeto, Luciana Pacheco, do Ibraf, explica que o presente com estande em importantes feiras internacionais. A promo-
trabalho vem sendo direcionado à demanda solicitada pelas próprias ção das frutas e de seus derivados ocorreu na Fruit Attraction, na Es-
empresas participantes. “Começamos com as frutas frescas e depois panha; na Fruit Logística, na Alemanha; e na Gulfood, nos Emirados
passamos às processadas. Agora, já incluímos as frutas secas”, obser- Árabes. A participação nos eventos resultou no fechamento de US$ 13
va. Segundo ela, o interesse tem sido grande por produtos identifica- milhões em negócios, com mais de três mil contatos.
dos com o Brasil, como as castanhas, o açaí e o cupuaçu, entre outras. A divulgação das frutas brasileiras no exterior foi feita também por
Atualmente, o Brazilian Fruit congrega 140 empresas, de vários meio de degustações e outros eventos, com a presença de consumi-
portes. “Temos exportadoras e outras que ainda estão começando a dores e formadores de opinião. Um deles foi o Brazilian Fruit Festi-
buscar seus mercados”, salienta Luciana. A ideia, enfatiza a gerente, val, em rede de supermercado da Alemanha. Outra ação importante
é ir aos poucos inserindo novos produtos no projeto e ampliando aconteceu durante o salão da Film Brazil, projeto institucional de
o número de clientes a serem trabalhados. promoção da produção audiovisual brasileira, em Cannes, na França,
O balanço de 2012 foi bastante positivo para o Brazilian Fruit. que contou com a participação de mais de duas mil pessoas. n

Atualmente, 140 empresas de vários


portes integram as diversas ações
AMAZON FLAVOURS Desde exterior. O projeto Amazon Flavours é na Pacheco, o projeto está começando a
2009, outro projeto da Apex-Brasil, em focado nas frutas da Amazônia. A mais ganhar fôlego, mas necessita do envolvi-
parceria com o Ibraf e com o Sindicato reconhecida é o açaí; no entanto, a inten- mento maior das 12 empresas participan-
das Indústrias de Frutas e Derivados do ção é popularizar outras das 120 varieda- tes. “Costumamos trabalhar o Amazon
Estado do Pará (Sindfrutas), está divul- des nativas da região Norte. Flavours junto com o Brazilian Fruit
gando espécies frutíferas brasileiras no Conforme a gerente do Ibraf, Lucia- durante as feiras”, enfatiza.

32
33
Brazilian Fruit project promotes Brazilian fruit
abroad during summer vacation and stages tasting
sessions in supermarkets, with good results
Inor Ag. Assmann

A convincing flavor The 2012 balance was quite positive for the Brazilian Fruit. The
The Brazilian Fruit project project has already reached every region across Brazil, through
is definitely credited with Brazil’s initiative to start exporting meetings and workshops for the introduction of the actions to
fruits, because this project promotes our national fruit species abroad. companies and associations. Journalists and foreign buyers have
Created in 1998, by the Brazilian Trade and Investments Promotion also come to Brazil to learn more about the fruit producing belts
Agency (Apex-Brasil), jointly with the Brazilian Fruit Institute (Ibraf ), and take part in business rounds. The upwards of 200 meetings
the agreement was renewed in October 2012, for another two years. resulted into business transactions amounting to R$ 15 million.
The manager of the project, Luciana Pacheco, of Ibraf, explains For years now, the Brazilian Fruit has set up stands in impor-
that the work is being geared towards the demands requested by tant international fairs. The promotion of fruits and fruit deriva-
participating companies themselves. “We started with fresh fruit tives took place at the Fruit Attraction, in Spain; at Fruit Logistics,
and then progressed to processed fruits. Now we have already in- in Germany; at Gulfood, in the Arab Emirates. The participation
cluded dried fruits”, she observes. According to her, there has been in events resulted into business deals reaching US$ 13 million, in-
great interest in products identified with Brazil, like cashew nuts, volving upwards of three thousand contacts.
açaí, among others. The publicity of Brazilian fruits abroad was also conducted
Currently, the Brazilian Fruit project comprises 140 compa- through tasting sessions and other events, attracting consumers
nies, of different sizes. “We have exporting companies and compa- and opinion makers. One of them was the Brazilian Fruit Festival,
nies that are beginning to search for markets”, Luciana comments. in a supermarket chain in Germany. Another noteworthy initia-
The idea, she stresses, consists in gradually inserting new products tive took place during the Film Brazil salon, an institutional proj-
into the project and, in the meantime, expand the number of cli- ect that promotes Brazilian audiovisual production, in Cannes,
ents to be visited. France, which attracted upwards of two thousand people. n

Currently, 140 companies of different


sizes take part in the actions
AMAZON FLAVORS Since 2009, on Amazon fruits. The most popular is tains that the project is beginning to take
another project by Apex-Brasil, jointly the açaí; however, the intention is to off, but calls for deeper involvement by
with the Ibraf and with the Pará State make other fruits popular, too, from a the 12 participating companies. “We nor-
Fruit Industries Union (Sindfrutas), has universe of 120 different varieties native mally work on the Amazon Flavors joint-
been promoting Brazilian fruits abroad. to the North. ly with the Brazilian Fruit during summer
The Amazon Flavors project is focused Ibraf manager Luciana Pacheco main- vacation time”, she notes.

34
20ª Semana
Internacional da
Fruticultura, Floricultura
e Agroindústria
Oitenta setores, entre eles a fruticultura, preparam estratégia para
aumentar negócios durante os grandes eventos esportivos internacionais

A bola está
quicando
Sílvio Ávila

dores de opiniões no período dos jogos e também durante todo


O Brasil é o País da moda. o ano, em agendas programadas para fechamento de negócios. A
Em 2012, foi um dos destinos mais procurados pelos turistas expectativa é que durante a Copa das Confederações sejam mobi-
de todo o mundo. E a tendência é que esse interesse aumente lizados mais de 500 investidores estrangeiros; na Copa do Mundo,
nos próximos anos. Isso porque a Nação vai sediar três importan- tende a ser o dobro. Essas ações devem agregar ao Produto Interno
tes eventos esportivos. Tudo começa em 2013, com a Copa das Bruto (PIB) brasileiro cerca de R$ 183 milhões até 2019.
Confederações, da Federação Internacional de Futebol (Fifa). No O Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ) está participando do pro-
ano seguinte, modernos estádios irão receber os jogos da Copa jeto da Apex-Brasil. Para o presidente da entidade, Moacyr Saraiva
do Mundo. E em 2016, o Rio de Janeiro será palco da Olimpíada. Fernandes, é necessário que as ações sejam conduzidas com inteli-
De olho nesse grande fluxo de visitantes, a Agência Brasileira de gência, para que se reflitam em aumento do consumo e das expor-
Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) irá por em tações dos produtos nacionais. “É um trabalho desafiante, porque
prática o Projeto Copa do Mundo Fifa 2014. A iniciativa envolve 80 o Brasil não possui essa expertise”, avalia.
entidades de vários setores, entre eles o da fruticultura. As ações co- Conforme Fernandes, em países que recentemente realizaram
meçam a ser desenvolvidas durante a Copa das Confederações, que eventos esportivos, foram feitos grandes investimentos, com exce-
acontece nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, lente retorno. “Os produtores de vinho da África do Sul tornaram
Salvador e Belo Horizonte, entre 15 e 30 de junho de 2013. seu produto conhecido em função da realização da Copa do Mun-
A agência irá trazer ao País compradores internacionais e forma- do no país, em 2010”, exemplifica. n

36
Eighty sectors, including fruit farming, are leveraging the power of
innovation to improve their businesses during the international sports events

The ball is
rolling

The agency has decided to bring into the Country international


Brazil is buzzword of the buyers and opinion makers during the games and also all year
moment. In 2012, the Country emerged as a most preferred des- round, with agendas scheduled for business rounds. The expecta-
tination of tourists from all over the world. And the trend is for this tion for the Confederations Cup is to involve upwards of 500 for-
interest to keep soaring over the next years, once the nation is go- eign investors; and for the World Cup it is twice that number. These
ing to play host to three important sports events. Everything starts initiatives are estimated to add approximately R$ 183 million to
in 2013, with the Confederations Cup, staged by the International the Gross Domestic Product by 2019.
Federation of Football Associations (FIFA). And the following year, The Brazilian Fruit Institute (Ibraf ) has also joined the Apex-
modern stadiums will be the venue for the World Cup. And in Brasil Project. The president of the entity, Moacyr Saraiva Fer-
2016, Rio de Janeiro will be the venue for the Olympic Games. nandes, understands that all these actions need to be conducted
With an eye towards the flood of visitors, the Brazilian Trade intelligently, if they are expected to reflect on higher consumption
and Investments Promotion Agency (Apex-Brasil) will set the 2014 and soaring exports of our national products.”It is a very challeng-
Fifa World Cup Project in motion. The initiative involves 80 enti- ing work, as Brazil lacks this expertise”, he comments.
ties from several sectors, including fruit growing. All actions are According to Fernandes, in countries that recently staged sports
set to start during the Confederations Cup, which takes place in events, huge investments were made, with excellent results. “The win-
the following cities: Brasília, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Sal- eries in South Africa took advantage of the 2010 World Cup and pro-
vador and Belo Horizonte, 15th through 30th June 2013. moted their wines around the world”, he exemplifies. n

37
Inor Ag. Assmann

principais frutas > main fruit


ABACAXI > pineapple

Altos e
baixos

38
Dados do IBGE apontam para
aumento de 4,7% na produção
brasileira em 2012, mas a
perspectiva é de recuo em 2013,
por causa do clima

Os produtores de abacaxi aguardam


com expectativa a confirmação das previsões de produção referentes a 2012.
Com base em dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) e do Levantamen-
to Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), fornecidos pelo Instituto Brasilei-
ro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicativo é de que tenham sido colhidas

Inor Ag. Assmann


1.650.936.000 de frutas no período, com crescimento estimado em 4,7%. No ano
anterior, a produção ficou em 1.576.972.000 frutos.
De acordo com a economista Áurea Fabiana Apolinário de Albuquerque, pes-
quisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas (BA), caso rati-
ficados, os resultados podem ser atribuídos a três fatores: aumento no nível médio
de preços pagos ao produtor desde 2010, melhoria – e efetiva adoção por parte
considerável dos produtores – nas tecnologias de controle de pragas e doenças, e
leve aumento no rendimento médio.
Entretanto, a perspectiva para 2013 é de queda. Conforme a pesquisadora da Embra-
pa, municípios atingidos pela seca tiveram perda significativa de mudas. “Em Itaberaba,
na Bahia, serão necessários dois ciclos de produção para recuperação total”, avalia. De
acordo com o LSPA–IBGE, a previsão de safra para 2013 é de 1.580.795.000 frutos,
decréscimo de 4,25% no comparativo com o estimado de 2012. Mesmo assim, outros
municípios devem conseguir melhorar consideravelmente sua produtividade.
A cidade de São Francisco de Itabapoana, no norte do Rio de Janeiro, que apresen-
tou crescimento notável em 2011 e passou a ocupar o segundo posto do ranking, no
lugar de Itaberaba, tem perspectivas de continuar com boas safras. Áurea Albuquerque
também destaca que o custo da mão-de-obra tem apresentado trajetória crescente nos
últimos anos, chegando ao ápice em 2012. “Confirmando-se a queda na produção, alia-
da ao aumento no custo da mão-de-obra, a tendência é de avanço dos preços, a curto
prazo”, salienta a pesquisadora. “Com boas perspectivas na relação custo/benefício, ha-
verá estímulos ao incremento da área cultivada em alguns polos produtores de abacaxi”.
Dados do IBGE mostram que em 2011 o ranking da produção da fruta no Bra-
sil foi capitaneado pelo Estado da Paraíba (276.250.000 frutos e 17,53%), segui-
do por Pará (270.532.000 e 17,16%), Minas Gerais (228.703.000 e 14,5%), Bahia
(140.254.000 e 8,89%), Rio de Janeiro (109.816.000 e 6,96%) e Rio Grande do
Norte (107.796.000 e 6,84%). O Rio de Janeiro é o Estado com o maior aumento de
Sílvio Ávila

produção, com crescimento de aproximadamente 70% em relação ao ano anterior,


passando da sétima para a quinta colocação. n

39
Apesar do bom momento, as exportações
devem ter pequeno declínio
PARA O EXTERIOR As exporta- (abacaxis frescos ou secos; preparados ou principais destinos neste ano foram Argenti-
ções de abacaxis frescos ou secos apresenta- conservados de outro modo; preparados na, Uruguai, Porto Rico, Holanda (principal
ram queda. Em 2012, foram enviadas ao ex- ou conservados em água edulcorante etc; entreposto da União Europeia) e Chile.
terior 1.357 toneladas da fruta, ou 0,05% da sucos – ananares não fermentados; su- O abacaxi pérola, de pouca receptivi-
produção prevista para 2012 (2.476.404 to- cos com valor brix <= 20; outros sucos dade no exterior, segue sendo a varieda-
neladas). No ano anterior, o Brasil produziu de abacaxi) também recuaram. Dos US$ de mais produzida no Brasil, enquanto a
2.365.458 toneladas e exportou 2.238 tone- 16.937.880,00 FOB gerados com a venda de Smoothie Cayenne é a mais procurada para
ladas, aproximadamente 0,1% da produção. 10.727.290 quilos em 2011, passou-se para exportação. A variedade MD-2 vem conquis-
Da mesma forma, as vendas externas US$ 11.981.790,00 FOB obtidos com a ex- tando espaço no mercado internacional, so-
totais da fruta, em suas diversas formas portação de 7.888.999 quilos em 2012. Os bretudo o europeu.

Ups and
Sílvio Ávila

downs

40
IBGE data points to an increase of os maiores > the biggest
4.7% in the 2012 Brazilian crop, but Estados produtores - 2011

the perspectives are for a smaller crop



Área colhida Produção Rendimento
(ha) (mil frutos) (frutos/ha)
in 2013, due to weather conditions Paraíba 9.216 276.250 29.975
Pará 8.968 270.532 30.166
Minas Gerais 7.810 228.703 29.283
The pineapple farmers are Bahia
Rio de Janeiro
5.841 140.254 24.012
4.455 109.816 24.650
anxiously waiting for the confirmation of the production volume
estimated for 2012. Based on data released by the Municipal Agricul- Fonte: IBGE

tural Production Department (PAM) and on the Systematic Survey of


Agricultural Production (LSPA), furnished by the Brazilian Institute VENDAS EXTERNAS > foreign sales
of Geography and Statistics (IBGE) , indications point to a harvest of Estados exportadores 2012 *
1,650,936,000 fruits over the period, up approximately 4.7%. In the
Estados US$ FOB Peso líquido (kg)
previous year, production remained at 1,576,972,000 fruits.
Pará 2.533.692 1.444.600
According to economist Áurea Fabiana Apolinário de Albuquer-
Minas Gerais 498.998 793.406
que, researcher with Embrapa Cassava and Fruit Farming, in Cruz
das Almas (BA), if ratified, three factors could be credited with the re- Rio Grande do Sul 478.133 199.366
sults: higher average farm gate prices since 2010, improvement – and Tocantins 471.070 261.750
effective adoption of pest and disease control technologies by a consid- Paraíba 416.040 339.406
erable number of farmers, and a slight increase in productivity rates. Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
* Valores Totais (Abacaxis frescos ou secos; abacaxis preparados ou conser-
Nonetheless, the perspectives for 2013 point to a decline. According vados de outro modo; Abacaxis preparados ou conservados em água edulco-
to Embrapa researcher, municipalities hit by drought conditions suf- rante etc; Sucos de abacaxis (ananares) não fermentados; Sucos de abacaxi
com valor brix <= 20; Outros sucos de abacaxi).
fered huge losses of seedlings. “In Itaberaba, Bahia, total recovery will
require two normal production cycles”, she comments. According to prices, in the short run”, the researcher comments. “With good per-
LSPA–IBGE, the 2013 crop is estimated at 1,580,795,000 fruits, down spectives with regard to cost/benefit variables, there will be incentive
4.25% from the volume estimated for 2012. Even so, other municipali- for bigger planted areas in some pineapple production hubs”.
ties are poised to recover almost entirely their productivity rates. According to data released by IBGE, in 2011, the frontrunner
The town of São Francisco de Itabapoana, on the north of Rio in the production of pineapples in Brazil was the state of Paraíba
de Janeiro, which experienced a considerable increase in 2011 and (276,250,000 fruits and 17.53%), followed by Pará (270,532,000 and
began to occupy the second position in the ranking, replacing Ita- 17.16%), Minas Gerais (228,703,000 and 14.5%), Bahia (140,254,000
beraba, is likely to continue harvesting good crops. Áurea Albuquer- and 8.89%), Rio de Janeiro (109,816,000 and 6.96%) and Rio Grande
que also points to the rising trend of labor costs over the past years, do Norte (107,796,000 and 6.84%). Rio de Janeiro is the State that in-
reaching their peak in 2012. “Should the reductions in production creased its production the most, by approximately 70% compared to
confirm, allied with the soaring labor costs, the trend is for higher the previous year, jumping from the 7th to the 5th position. n

Although going through a good moment,


exports are poised to decline
DESTINED FOR ABROAD Fresh prepared or preserved in some other way; were Argentina, Uruguay, Puerto Rico,
or dried pineapple exports suffered a reduc- prepared or preserved in sugar water, Holland (major distribution center for
tion. In 2012, shipments abroad amounted etc; juices – non fermented pineapples; the European Union) and Chile.
to 1,357 tons, or 0.05% of the entire crop es- juices with value brix <= 20; other pine- The white pearl pineapple, not very
timated for 2012 (2,476,404 tons). The year apple juices) also receded. From the US$ popular abroad, is the most produced
before, Brazil produced 2,365,458 tons and 16,937,880 FOB derived from the sales variety in Brazil, while the Smoothie Cay-
exported 2,238 tons, approximately 1% of of 10,727,290 kilos in 2011, the amount enne is the most demanded for exports.
the entire production volume. dropped to US$ 11,981,790 FOB obtained The MD-2 variety is gradually working its
Similarly, shipments abroad of the from the exports of 7,888,999 kilos in way into the international market, espe-
fruit, in its several forms ( fresh or dried; 2012. That year, the major destinations cially into Europe.

41
Sílvio Ávila

AçaÍ > açaí

Energia
pura

42
Amazônia aposta em novas
cultivares e tecnologias para
produzir açaí até mesmo durante
a entressafra e assim conseguir
aumentar produtividade

Uma pequena fruta,


dotada de propriedades como vitaminas e minerais, além de ser excelente ener-
Sílvio Ávila
gético, contribui robustamente para a economia na região da Amazônia e está ple-
namente inserida na alimentação de sua população. O açaí deve seguir expandindo
mercados no Brasil e no exterior.
O Pará mantém-se como o maior produtor do fruto. Segundo dados do Levanta-
mento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), fornecidos pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgados pela Secretaria de Agricultura do Estado
(Sagri), até novembro de 2012 os municípios paraenses haviam atingido o total de
817.246 toneladas de açaí em área de 91.426 hectares (fruto plantado e manejado),
com aumento de área e produção em relação ao ano interior.
A Sagri estima que o Pará seja responsável por algo entre 80% e 90% da pro-
dução nacional. Dados do IBGE, de 2011, indicam que, no extrativismo, os três
principais produtores foram Pará (109.345 t), Amazonas (89.480 t) e Maranhão
(12.119 t). Para o engenheiro agrônomo Geraldo Chaser Tavares, da Sagri, do Pará,
a supremacia paraense pode ser atribuída ao açaí plantado/manejado em larga es-
cala, opção que não é usada na mesma proporção em outros estados.
Os resultados alcançados pelo Estado podem ser relacionados aos investimen-
tos em pesquisa para novas cultivares, precoces e adaptadas à terra firme, com alta
produtividade. Do convênio firmado com a Embrapa Amazônia Oriental, surgiu
a cultivar BRS Pará, em 2004. “Estima-se que até o final de 2013 seja realizado o
lançamento de nova cultivar, que está em desenvolvimento e que possuirá como
principais características o maior rendimento de polpa e a produção no primeiro
semestre, ou seja, na entressafra”, conta Tavares.
Desde 2008, conforme levantamento da secretaria, foram distribuídas cerca de
19 toneladas de sementes selecionadas da cultivar BRS Pará, que produziram, ao
menos, 9 milhões de mudas. “Provavelmente, este fomento, aliado à perspectiva de
bons negócios pela iniciativa privada, tenha incrementado a área plantada. Assim,
Sílvio Ávila

existe hoje no Estado projeto com 2.500 hectares plantados e com projeção para
4.000 hectares”, analisa o agrônomo. n

43
Pará teve aumento de produção,
mas houve recuo nas exportações
NOVO SALTO Se os resultados de plantios com tecnologia (irrigação e novas mercado europeu, com a crise econômi-
produção de 2012 suplantaram os do ano cultivares) entrem em produção”, avalia Ge- ca, onde os Países Baixos, liderados pelas
anterior, a expectativa é de que em 2013 a raldo Chaser Tavares, da Sagri. exportações da Holanda, via porto de Ro-
tendência se mantenha no Pará, com au- Já no campo das exportações, o açaí terdã, reduziram suas compras”, considera.
mento da área plantada e de pelo menos apresentou em 2012 (US$ 17.298.134,00 Estima-se que apenas 10% da produção é
20% na colheita. “Mas a demanda ainda e 6.061.194 kg) queda em relação a 2011 exportada para outros países, sendo que
não será plenamente atendida, pois serão (US$ 20.243.180,00 e 6.897.396 kg). “Isso 60% é consumida no próprio Estado do
necessários alguns anos para que os novos se deveu, provavelmente, à retração do Pará e 30% em outros estados da Federação.

Pure
Sílvio Ávila

energy

44
Amazonas is betting on new POPULAR > popular
cultivars and technologies for Produção crescente no Pará

producing açaí, even at off-season Ano Produção (t) Área (ha)


2012 817.246 91.426
time, to further increase productivity 2011 742.484 80.091
Fonte: LSPA – IBGE
Obs.: Açaí plantado e manejado.

A small fruit, laden with such O MUNDO GOSTA > the world loves it
Exportações de açaí do Pará
properties as vitamins and minerals, seen as energy food, is a real
driving force behind the economy of the Amazon region and has be- US$ Quantidade (kg) %
come a staple in the daily diet of the population. The açaí is poised to 2012
continue conquering markets at home and abroad. Total 17.298.134,00 6.061.194 -
Pará is the largest producer of the fruit. According to data from the EUA 13.688.366,00 5.130.779 79%
Systematic Survey of Agricultural Production (LSPA), furnished by the Japão 2.422.901,00 613.772 14%
Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) and published Coreia do Sul 328.166,00 66.830 1,9%
by the State Secretariat of Agriculture (Sagri), up to November 2012, Outros países - - 5,1%
the municipalities in Pará had harvested a total of 817,246 tons of 2011
açaí from an area of 91,426 hectares (planted and cultivated fruit), Total 20.243.180,00 6.897.396 kg -
with area and production increases compared to the previous year. EUA - - 77%
Sagri sources believe that the state of Pará accounts for some- Países Baixos - - 8,6%
thing like 80% to 90% of the entire national production volumes. Japão - - 6,6%
Data by the IBGE, from a 2011 survey, indicate that, as far as Outros países - - 7,8%
extractivism is concerned, the three leading producers were Pará Fonte: Sagri.
(109,119 t), Amazonas (89,480 t) and Maranhão (12,119 t). Ag-
ronomic engineer Geraldo Chaser Tavares, of Sagri, state of Pará, and its growing stage during normal off-season time, that is to say,
understands that the supremacy of the state of Pará could be at- in the first half of the year”, Tavares comments.
tributed to large-scale plantings and cultivations of açaí, an op- Since 2008, according to as survey conducted by the secretariat,
tion that is rather rare in other states. approximately 19 tons of selected seed of the BRS cultivar were dis-
The results achieved by the State have also to do with the in- tributed, and they produced a minimum of 9 million seedlings. “It is
vestments in research into new early cultivars, adapted to firm likely that the seed distribution initiative, along with the perspective
soil, and highly productive. The BRS Pará cultivar results from an for good businesses by private initiative, has prompted the farmers to
agreement signed with Embrapa Eastern Amazon, in 2004. “The increase their planted areas. Within this context, the State is running
new cultivar is to be launched by the end of 2013. It is still under a project so far covering a planted area of 2.5 thousand hectares, but
development, and its main traits will be a more substantial pulp, projected to reach 4,000 hectare”, the agronomist analyzes. n

The state of Pará produced more,


but exported less
ONE MORE JUMP Seeing that the high technology (irrigation and new cul- European market, under the reflections of
2012 production results outstripped the tivars) to start producing”, says Geraldo the economic crisis, where the Netherlands,
previous year’s total, the expectation is for Chaser Tavares, of Sagri. led by exports to Holland, via port of Rot-
the trend to hold true in 2013, in Pará, with Açaí exports experienced a decline in terdam, reduced their purchases”, he con-
an increase in the planted area and a crop 2012, from US$ 20,243,180 and 6,897,396 cludes. It is estimated that only 10% of the
20% bigger. “With regard to demand, it will kg, in 2011 to US$ 17,298,134 and entire production is shipped to other coun-
not yet be entirely met, once some years 6,061,194 kg) in 2012. “This probably tries, while 60% is consumed in the State
are needed for the new plantings, based on happened because of the retraction of the of Pará and 30% in other Brazilian States.

45
Sílvio Ávila

banana > banana

Puxando
a frente

46
Uma das frutas mais
acessíveis e consumidas, a
banana registrou 6,8 bilhões de
toneladas no Brasil em 2012,
com leve queda na produção

Uma das frutas mais disponíveis


e acessíveis aos consumidores teve sua colheita reduzida no Brasil em 2012. As Sílvio Ávila

vendas externas também encolheram em volume e receita. A produção diminuiu


3,63% no comparativo com 2011, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE): foi calculada em 6,846 bilhões de toneladas, contra as 7,104
bilhões de toneladas de 2011. A receita obtida neste ano foi de R$ 4.374.269,00.
Os principais estados produtores foram São Paulo (1,193 bilhão de toneladas),
Bahia (1,053 bilhão de toneladas), Santa Catarina (689,695 milhões de toneladas)
e Minas Gerais (687,293 milhões de toneladas). A banana é produzida em todas as
regiões do Brasil. O Nordeste respondeu pelo volume de 2,427 bilhões de tone-
ladas, sendo seguido pelo Sudeste (2,276 bilhões de toneladas), pelo Sul (1,076
bilhão de toneladas), pelo Norte (798,299 milhões de toneladas) e, por fim, pelo
Centro-Oeste (267,544 milhões de toneladas).
O plantio com bananeiras ocupou área de 523.421 hectares em 2012, 1,76%
acima do verificado pelo IBGE no ano anterior. A colheita envolveu 476.744 hec-
tares, 2,48% abaixo dos 488.878 hectares registrados em 2011. A produtividade
média também teve queda de 1,18%, passando das 14.533 quilos por hectare em
2011 para 14.361 quilos por hectare no ano seguinte.

INOVAÇÃO Em fevereiro de 2013, produtores do município de Morrinhos do Sul


(RS) adquiriram 16 mil mudas da bananeira BRS Platina, variedade do tipo prata. A
bananeira é resistente à Sigatoka-amarela e ao mal-do-Panamá, considerada uma das
cinco mais destrutivas doenças de todos os tempos na agricultura mundial. A cultivar
foi desenvolvida pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas (BA).
Para o pesquisador Edson Perito Amorim, responsável pelo programa de melhora-
mento genético de bananeira da Embrapa, a expectativa é a melhor possível. “Este é o
Inor Ag. Assmann

início da adoção da BRS Platina pelos agricultores”, informa. “Espera-se que, a médio
prazo, ela ocupe posição de destaque dentro do agronegócio da banana no Brasil,
devido às suas qualidades de sabor, aroma e resistência às doenças”. n

47
São Paulo e Bahia produziram mais de
2 bilhões de toneladas da fruta
EMBARQUE REDUZIDO A ba- 2011. Os principais destinos da fruta foram do Alexandre Borgato, na revista Hortifru-
nana brasileira foi menos demandada pelo Uruguai (24,399 mil toneladas), Argentina tiBrasil, de dezembro de 2012, publicação
mercado externo em 2012. O volume em- (16,891 mil toneladas), Alemanha (16,133 do Centro de Estudos Avançados em Eco-
barcado, de 92,972 mil toneladas, significou mil toneladas) e Reino Unido (10,492 mil nomia Aplicada (Cepea), da Universidade
queda de 15,52% em comparação com o toneladas). Ao todo, 18 países importaram de São Paulo (USP). Ainda apontaram que
negociado em 2011, de acordo com a Se- banana do Brasil em 2012. houve problemas relacionados à logística e
cretária de Comércio Exterior (Secex), do “A redução das exportações está rela- à greve de fiscais agropecuários, no caso do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e cionada à melhor distribuição da oferta Mercosul. Para 2013, os analistas preveem
Comércio Exterior (MDIC). A venda externa brasileira, que torna o mercado interno que as exportações serão relativamente fir-
resultou em receita de US$ 34,504 milhões mais favorável”, relataram os analistas de mes, devido ao câmbio favorável e à solução
FOB, valor 12,09% inferior ao recebido em mercado Amanda Jéssica da Silva e Ednal- em problemas de transporte.
Sílvio Ávila

leading
the
race
48
One of the most affordable and DESTINOS > destinations
consumed fruits, the banana Exportação brasileira de bananas

crop amounted to 6.8 billion tons Descrição 2011 2012 %


Receita (US$ FOB) 39.247.836 34.504.534 -12,9
in Brazil in 2012, volume down Volume (kg) 110.053.925 92.972.951 -15,5

slightly from last year Fonte: Secex

decreased by 1.18%, falling from 14,533 kilos per hectare in 2011 to


14,361 kilos per hectare the following year.

INNOVATION In February 2013, farmers in the municipal-


The crop of one the most ity of Morrinhos do Sul (RS) acquired 16 thousand banana tree
available and affordable fruits was smaller in Brazil in 2012. seedlings of the BRS Platina cultivar, a silver banana variety. This
Shipments abroad also shrank in volume and revenue. Produc- plant is resistant to yellow Sigatoka and to the Panama disease,
tion was down 3.63% from 2011, from figures released by the considered to be one of the five most destructive diseases in gen-
Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), it reached eral global agriculture. The cultivar was developed by Embrapa
6.846 billion tons, compared to 7.104 billion tons in 2011. Rev- Cassava and Floriculture, based in Cruz das Almas (BA).
enue amounted to R$ 4,374,269.00. Embrapa researcher Edson Perito Amorim, responsible for the
The leading banana producing states were São Paulo (1.193 bil- banana plant genetic enhancement program, refers to great expecta-
lion tons), Bahia (1.053 billion tons), Santa Catarina (689.695 mil- tions. “The farmers are now beginning to plant the BRS Platina”, he
lion tons) and Minas Gerais (687.293 million tons). Bananas are says. “It is hoped that, in the medium term, it will climb to a promi-
grown in all Brazilian regions. The Northeast accounted for a volume nent position in Brazil’s banana agribusiness, due to its superior fla-
of 2.427 billion tons, and was followed by the Southeast (2.276 bil- vor, excellent aroma and resistance to different diseases”. n
lion tons), the South (1.076 billion tons), the
North (798.299 million tons) and, finally, by ABRANGENTE > comprehensive
the Center-West (267.544 million tons).
Produção brasileira de banana
An area of 523,421 hectares was devot-
ed to bananas in 2012, up 1.76% from the Descrição 2011 2012 %
numbers released by the IBGE in the previ- Brasil (toneladas) 7.104.661 6.846.611 -3,63
ous years. The crop was harvested from a Área plantada 514.366 523.421 1,76%
planted area of 476,744 hectares, down Área colhida 488.878 476.744 -2,48
2.48% from the 488,878 hectares registered Produtividade (kg/ha) 14.533 14.361 -1,18
in 2011. Average productivity rates also Fonte: IBGE

São Paulo and Bahia produced upwards


of 2 billion tons of the fruit
SMALLER SHIPMENTS Brazilian 2011. The main destinations of the fruit were Alexandre Borgato, in the HortifrutiBrasil
bananas witnessed a reduction in demand Uruguay (24.399 thousand tons), Argentina magazine, of December 2012, published
from abroad in 2012. The volume shipped (16.891 thousand tons), Germany (16.133 by the Center for Advanced Studies on Ap-
abroad, 92.972 thousand tons, translated thousand tons) and the United Kingdom plied Economics (Cepea), of the University
into a reduction of 15.52% from the sales (10.492 thousand tons) In all, 18 countries of São Paulo (USP). They also blame logistic
in 2011, according to numbers released by imported bananas from Brazil in 2012. problems and the strike of the inspectors of
the Brazilian Secretariat of Foreign Trade “The reduction in exports is related to the agribusiness inspectors in the Mercosur
(Secex), a division of the Ministry of Devel- improved distribution of the fruit across countries. For 2013, analysts are projecting
opment, Industry and Foreign Trade (MDIC). Brazil, creating a more favorable scenario relatively steady exports, due to the favor-
Foreign sales brought in revenue of US$ for the domestic market”, said market ana- able exchange rate and solutions in sight for
34.504 million FOB, down 12.09% from lysts Amanda Jéssica da Silva and Ednaldo the transport problems.

49
Inor Ag. Assmann

laranja > orange

O doce
desse
50
amargo
Diante da grande oferta de
laranja, lideranças estimam
que cerca de 30 a 40 milhões de
caixas permanecerão nos pés na
temporada 2012/13

Sílvio Ávila

Toda a doçura da laranja brasileira


não foi suficiente para configurar cenário de dar gosto no ciclo atual. Mesmo diante
de níveis de produtividade e de qualidade satisfatórios, o setor enfrentou problemas
relacionados à grande oferta de frutas diante da redução global na demanda de suco.
Na temporada 2012/13, no País, maior produtor de laranjas e maior produtor e
exportador de suco de laranja do mundo, devem ser produzidas 364 milhões de cai-
xas de 40,8 kg, como apontam estimativas da Associação Nacional dos Exportadores
de Sucos Cítricos (CitrusBR). O número, considerado positivo, em consequência do
clima favorável, dá continuidade aos bons ciclos. Na etapa 2011/12 foram registradas
428 milhões de caixas produzidas no Cinturão Citrícola do Brasil, que contempla o
interior de São Paulo e o Triângulo Mineiro.
Mesmo com bons números de produção, o período deixou a desejar em deter-
minados quesitos, como preços e comercialização. “Entendemos que atravessamos
a pior safra dos últimos 40 anos na citricultura”, afirma o presidente da Associação
Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas.
Ele lembra ainda que o Estado de São Paulo, maior produtor mundial de laranjas,
já colhia mais de 400 milhões de caixas de laranjas no final da década de 90. “Desde
então, a produção caiu para níveis médios abaixo de 340 milhões de caixas. Portanto,
ao contrário do que se tem divulgado, não estamos numa situação de super produ-
ção, nem de super safras”, explica.
Para a CitrusBR, no cenário atual, o grande problema do setor é basicamente a
queda no consumo de suco de laranja nos principais mercados, Europa e Estados
Unidos. Só em solo americano a demanda recuou de 1 milhão de toneladas para 800
mil toneladas por ano. Para a entidade, a redução ocorre devido à concorrência com
Sílvio Ávila

outras bebidas cercadas de grande apelo de marketing e voltadas a públicos jovens,


como energéticos, power drinks, ice tea, e águas com sabores, entre outros. n

51
Brasil deve produzir 364 milhões
de caixas de laranjas na atual safra
AZEDOU No cenário atual, o que era produzida deixou de ser colhida. Conforme queda de preço do produto.
para ser comemoração virou preocupação para a CitrusBR, estimativas dão conta de que cer- Além disso, o governo, por meio da Com-
a laranja brasileira. A grande oferta de frutas se ca de 30 a 40 milhões de caixas de laranjas panhia Nacional de Abastecimento (Conab),
tornou um problema, tendo em vista a queda devem ficar no pé na safra 2012/13. criou mecanismos de compra de laranja atra-
da demanda de suco no mercado mundial. Os Diante dos obstáculos, produtores e in- vés de leilões públicos, o Prêmio Equalizador
estoques globais brasileiros chegaram a 662 mil dústrias buscaram, junto ao governo federal, Pago ao Produtor Rural (Pepro) e o Prêmio
toneladas, maior nível já registrado, o que invia- medidas para amenizar o problema. Entre as para Escoamente de Produto (PEP). Tais me-
bilizou a compra de boa parte da produção. estabelecidas, foi prorrogada a Linha Especial didas não resolveram o problema, mas o ame-
Com isso, a capacidade de processa- de Crédito (LEC) para laranja. Com ela, foi de- nizaram, uma vez que as estimativas iniciais
mento das empresas chegou ao limite e, terminada a não-comercialização de parte do eram de que até 80 milhões de caixas pode-
consequentemente, grande parte da fruta suco, com o intuito de não provocar grande riam ficar no chão, afirma a CitrusBR.

HORIZONTE
Para o presidente da Associtrus, Flávio Viegas, se não houver ação decisiva das autoridades, o cenário da próxima safra, apesar da queda
de produção, será uma repetição do que ocorreu no ciclo 2012/13. Ele salienta ainda que estudos do Departamento de Citros da Flórida
projetam crescimento médio de cerca de 3% ao ano na demanda de suco de laranja até 2030, o que pode beneficiar o País.
O Brasil, no entanto, não foi o único a enfrentar dificuldades. Na Flórida, segundo maior parque citrícola do mundo, os produtores
têm enfrentado problemas com a incidência de greening (doença mais temida pelos produtores de laranja) e com o clima. Em seu último
relatório de oferta e demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu em 2,7% sua estimativa de produção
de laranjas para 142 milhões de caixas, no Estado.

Bittersweet
Sílvio Ávila

52
With a plentiful supply of VITAMINADAS > vitamin laden
oranges, leaderships reckon that Produção brasileira de laranja

about 30 to 40 million boxes of Safra Produção (milhões de caixas) *


2008/09 323
the fruit will remain unharvested 2009/10 317
2010/11 290
in the 2012/13 season 2011/12 428
2012/13 ** 364

The sweetness of the * Números do Cinturão Agrícola (interior de São Paulo e Triângulo Mineiro)
** Estimativa - Fonte: CitrusBR
Brazilian orange was not enough to configure an encouraging sce-
nario for the current cycle. Although celebrating a successful crop, with Association (Associtrus), Flávio Viegas.
satisfactory yields and quality, the sector has faced problems related He also recalls that the State of São Paulo, biggest orange pro-
to a huge crop in a year of shrinking global demand for orange juice. ducer in the world, used to harvest upwards of 400 million boxes
In the 2012/13 crop year, according to the National Association of oranges in the late 1990s. “Since then, production has fallen to
of Citrus Juice Exporters (CitrusBR), Brazil, the leading orange pro- average levels of less than 340 million boxes. Therefore, contrary to
ducer and largest orange juice exporter in the world, is expected to what has been published, we are not facing a bumper crop, nor are
produce 364 million 40.8 kilo boxes of the fruit. The number, viewed we harvesting excessively big crops”, he explains.
as positive, resulting from favorable climate conditions, represents CitrusBR sources maintain that in the current scenario the real
a continuity of the good cycles. In the 2011/12 season 428 million problems lies in the shrinking consumption of orange juice in major
boxes were harvested in the Country’s Citrus Belt, which comprises markets, like Europe and the United States. In North-America alone,
the interior of São Paulo and Triângulo Mineiro. demand shrank from 1 million tons to 800 thousand tons a year. The
Despite the good production figures, the season lagged behind entity understands that the reduction has to do with tight competi-
with regard to certain requisites, like prices and sales. “We under- tion from other beverages, surrounded by strong marketing allure
stand that we are going through the worst citrus crop year in the and appealing to the young people. These beverages include energy
past 40 years”, says the president of the Brazilian Citrus Growers’ drinks, power drinks, ice tea, flavored waters, and others. . n

Brazil’s current orange crop should


yield 364 million boxes of the citrus
TURNED SOUR In the current sce- companies reached its limit and, consequent- aim to keep prices at reasonable levels.
nario, what was supposed to be cause for ly, big amounts of oranges were left on the Furthermore, through the National Supply
celebration turned into a problem for Brazil- trees. According to CitrusBR, estimates are for Company (Conab), the government created
ian orange growers. Plentiful supplies of the 30 to 40 million boxes of oranges to remain such mechanisms as public auctions for the
fruit turned into a problem, where shrinking on the trees in the 2012/13 crop year. purchase of oranges, along with the Equaliz-
demand for orange juice in the global market In light of the obstacles, farmers and pro- ing Premium Paid to Growers (PEPRO) and
is to blame. Brazilian global stocks reached cessors called on the government for mitigat- the Premium for Product Outflow (PEP). Such
the considerable amount of 662 million tons, ing the problem. The measures enacted by the measures did not solve the problem, but miti-
an all-time record, with a huge portion of this government include a Special Credit Line gated it, as official estimates were pointing to
production remaining unsold. (LEC) for the crop. It determines that part of 80 million boxes of oranges likely to remain
As a result, the capacity of the processing the juice stocks should not be sold, with the unharvested, say CitrusBR sources.

HORIZON
Associtrus president Flávio Viegas understands that if no decisive action is taken by the government, the scenario of the next crop, despite
the smaller production volume, will be a repeat of what occurred in the 2012/13 crop year. He also mentions studies by the Florida Citrus
Department that project a 3-percent increase a year in demand for orange juice until 2030, which could benefit the country.
Brazil was not the only country to face difficulties. In Florida, second largest citrus belt in the world, the growers have been facing problems
related to outbreaks of the greening disease (deadly disease much feared by orange farmers) and by adverse climate conditions. In its latest offer and
demand report, the United States Department of Agriculture (USDA) reduced by 2.7% its orange crop projections, to 142 million boxes, in the State.

53
Inor Ag. Assmann

limão > lime

Meio
espremido

54
Após um ano de dificuldades
e preços baixos, a cadeia
produtiva do limão aposta no
verde da esperança para colher
boas notícias em 2013

Em 2012, o ano para o limão


nacional foi azedo. O segundo maior produtor do tipo tahiti – o primeiro no ranking
é o México – viu seus pequenos frutos permanecerem nos pomares, dia após dia. A bai-
xa demanda, diante da oferta elevada, ainda comprometeu a qualidade da fruta.

Inor Ag. Assmann


Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores
de Limão (Abpel), Waldyr Promicia, nos últimos anos a safra de São Paulo, Estado
líder em produção, se manteve estável. A qualidade, no entanto, foi comprometida
devido à ausência da indústria durante a safra. “Por isso, o produtor não teve como
escoar o produto, deixando o limão no pé, e esperando melhores preços para os
meses seguintes”, afirma. O ciclo, que se manteve até meados de agosto, conse-
quentemente comprometeu a rentabilidade dos produtores.
De acordo com especialistas, o incremento significativo da produção de laranja
em São Paulo, a crise econômica na Europa e as restrições dos Estados Unidos ao
produto brasileiro, por causa do uso do Carbendazim, agrotóxico proibido naquele
país, ocasionaram o aumento da oferta do limão no mercado. Esses fatores também
fizeram com que parte da produção, antes destinada ao exterior, permanecesse no
mercado interno, derrubando os preços da fruta.
Para 2013, contudo, a expectativa é de que ocorra valorização. “A indústria já
está comprando limão da safra. Caso eles continuem até o fim, adquirindo boa
parte, o ano pode ser bem melhor”, salienta Waldyr.

MAIS DOCE Mesmo em um cenário de dificuldades, o segmento do limão bra-


sileiro foi palco de boas novas. Enquanto São Paulo se mantém como principal
produtor, outras regiões do País começam a se destacar dentro da cadeia produtiva.
É o caso de Jaíba, em Minas Gerais. Apesar de não ter os números oficiais, Waldyr
Promicia, da Abpel, afirma que o crescimento é bastante expressivo.
De olho no mercado europeu, somente na região do Jaíba os mineiros produ-
zem, por ano, 60 mil toneladas em área média de 3,5 mil hectares. As estimativas
apontam para 5 mil hectares nos próximos dois anos, com aumento de 42%.
Enquanto a área cresce, os fruticultores também investem na melhoria da quali-
dade. Hoje, apenas 25% dos limões produzidos estão dentro do padrão de exporta-
Sílvio Ávila

ção, mas é necessário que o índice seja ampliado para 50% a fim de que a atividade
gere lucro considerável. n

55
After a year of difficulties and low prices,
the lime supply chain bets on the green color
of hope to reap good news in 2013

Semi-squeezed
Sílvio Ávila

Although not in possession of official numbers, Waldyr Promicia,


Year 2012 was very sour for of Abpel, refers to expressive progress in the area.
Brazilian limes. The second largest producer of Tahiti limes – With an eye towards the European market, in the Jaíba region
Mexico ranks first – witnessed the small fruits left un-harvested alone, the farmers harvest 60 thousand tons a year from a planted
and going bad in the orchards. Low demand in light of huge sup- area of 3.5 thousand hectares. Estimates are pointing to 5 thousand
ply also jeopardized the quality of the fruits. hectares over the next 2 years, representing an increase of 42%.
According to the president of the Brazilian Association of Lime Pro- While the planted areas continue on an upward trend, the
ducers and Exporters (Abpel), Waldyr Promicia, over the past years, farmers are investing in quality enhancement programs. Current-
the crop in São Paulo, leader in production, kept stable. The qual- ly, only 25% of all limes produced in Brazil comply with export
ity, nonetheless, was adversely affected because the industry did not standards, and there is need to expand this rate to 50%, if the ac-
purchase the crop. “This made it impossible for the farmers to deliver tivity is to generate good profits. n
their fruits, which remained on the trees, hoping for better prices the
following months”, he says. The cycle remained unchanged until mid-
August, and seriously affected the profits of the farmers. DOMÍNIO PAULISTA > são paulo in the lead
According to specialists, the significant increase in the production Produção brasileira de limão em 2011
of oranges in São Paulo, the economic crisis in Europe and the restric-
tions imposed by the United States on Brazilian citrus, because of the Estado Área (ha) Volume (t)
application of pesticide Carbendazim, banned in that country, trig- São Paulo 28.900 853.138
gered bigger supplies of limes in the market. These factors were also Minas Gerais 4.009 76.694
responsible for keeping in the domestic market the limes previously Bahia 3.094 59.700
destined for abroad, making internal prices plummet. Rio de Janeiro 1.462 20.408
For 2013, there is expectation for the fruit to recover its value. “The Pará 1.158 20.261
industries have already started buying limes of this crop. If the trend Rio Grande do Sul 1.600 19.635
holds true until the end of the season, with the industries purchasing Paraná 825 13.152
hefty portions, the year could turn out much better”, Waldyr stresses Espírito Santo 554 12.120
Sergipe 850 10.594
MUCH SWEETER Although facing a scenario laden with diffi- Ceará 1.187 8.949
culties, the Brazilian lime segment got good news. While São Paulo Total * 47.528 1.126.736
is still the leading producer, other regions in Brazil are beginning
Fonte: IBGE/Ibraf
to join the supply chain. It is the case of Jaíba, in Minas Gerais. * Soma total, considerando outros estados produtores.

56
Inor Ag. Assmann

maça > apple

marcou
época
58
Maçã brasileira foi DOCES MORDIDAS > sweet bites
favorecida pelo clima em Resultado das safras nacionais de maçãs

2012, alcançando excelente Descrição


Produção (t)
2011 2012
1.334.897 1.338.220
qualidade, o que assegurou boa Área plantada (ha) 38.400 38.883

receptividade nos mercados Fonte: IBGE

Inor Ag. Assmann


As condições climáticas
foram determinantes para os pomares de maçã do Brasil em
2012. Na maior parte do tempo de desenvolvimento da fruta, o
clima colaborou e favoreceu a qualidade das maçãs, possibilitando
melhor rentabilidade para o fruticultor. No entanto, as macieiras
dos estados de Santa Catarina (SC) e do Rio Grande do Sul (RS),
onde a pomicultura nacional está especialmente concentrada, fo-
ram atingidas pelo granizo, que acabou afetando o volume total.
A produção do ciclo 2011/12 foi de 1,1 milhão de toneladas, re-
sultado 3% menor do que o obtido no período anterior, conforme
a Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), sediada em
Fraiburgo (SC). O rendimento foi menor, porém com quantidade
maior de frutas mais valorizadas, como a de categoria 1, que per-
mite até dois defeitos por maçã. Este diferencial contribuiu para a
recuperação do setor no ciclo 2011/12.
A qualidade também assegurou que a oferta da variedade gala fos-
se estendida por cerca de dois meses em 2012. Parte das empresas
ainda contava com volume desta fruta para venda em dezembro de
2012. Os preços se mantiveram acima dos registrados em 2011. De
janeiro a novembro de 2012, a valorização da gala graúda Categoria 1
foi em média 19% superior ao praticado no mesmo período de 2011.
Número diferente do da ABPM sobre a produção de maçã foi
apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Em 2012, segundo o órgão público, a produção teria chegado a 1,338
milhão de toneladas, mantendo-se praticamente no mesmo nível
de 2011, com 775 toneladas a menos. A receita em 2011 foi de R$
851,729 milhões. Para 2013, o IBGE estimou em janeiro aumento
de 2,79% no volume. A colheita da maçã gala ocorre nos meses de
fevereiro e março. Em abril e maio são colhidas as maçãs fuji. n

EMBARQUE SUPERIOR > superior shipment


Mercado externo de maçãs

Descrição 2011 2012 %


Receita exportação (US$ FOB) 36.059.461 48.559.505 34,67
Volume (kg) 48.666.209 72.252.803 48,47
Receita importação (US$ FOB) 84.487.047 60.853.791 -27,97
Volume importação (kg) 96.564.845 57.919.741 -40,02
Fonte: Secex

59
Vendas externas cresceram 48,47%
em volume e 34,67% em receita
UMA FRUTA DO SUL Os estados çãs do País é Vacaria (RS), que colheu 483 que a plantada. A projeção do IBGE é de
do Sul concentram quase a totalidade da mil toneladas em 2012. A atividade envol- que tanto o espaço plantado quanto o
produção nacional de maçãs. Santa Catari- ve 2.500 agricultores em Santa Catarina colhido deverão diminuir em 2013, em
na e Rio Grande do Sul colheram pratica- e 600 no Rio Grande do Sul, conforme a 0,16% e 0,08%, respectivamente. Porém, o
mente a mesma quantia em 2012: 659.732 associação de produtores. organismo estima acréscimo de 2,86% so-
toneladas e 620.841 toneladas, respecti- Os pomares nacionais da fruta ocupa- bre a produtividade de 34.769 quilos por
vamente. O restante foi registrado pelos ram 38.883 hectares em 2012: Santa Ca- hectare obtida em 2012. Em 2011, a área
estados do Paraná (55.800 toneladas) e de tarina contribuiu com 19.060 hectares e o de plantio (38.400 hectares) e a colhida
São Paulo (1.847 toneladas). O município Rio Grande do Sul com 17.872 hectares. (37.860 hectares) haviam sido inferiores
que responde pelo maior volume de ma- A área colhida foi 394 hectares menor do às do ano seguinte.

MERCADO FAVORÁVEL
A real
O mercado internacional foi bem mais promissor para
o setor macieiro do Brasil em 2012. Um total de 72,252
mil toneladas da fruta fresca rumou ao exterior, segundo

milestone
a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O
volume foi 48,47% superior à quantia de 48,666 mil to-
neladas negociadas em 2011. A receita foi de US$ 48,559
milhões FOB em 2012, 34,67% a mais do que os US$
36,059 milhões FOB obtidos em 2011.
Os resultados positivos foram favorecidos pela boa
qualidade da fruta nacional e pelos baixos estoques eu-
ropeus de gala e de fuji. As exportações brasileiras são
mais concentradas no primeiro semestre do ano, uma
vez que a safra dos países do Hemisfério Norte, princi-
pais importadores, se inicia no segundo semestre. No
exterior, o País enfrenta a concorrência de nações como
Chile, Argentina, África do Sul e Nova Zelândia, que es-
tão entre os maiores produtores da fruta do mundo. Em
2004, por exemplo, o Brasil chegou a exportar 150 mil
toneladas de maçãs.
As importações diminuíram em 2012 em relação ao
ano anterior. Mas o valor pago ao volume importado ainda
foi superior à receita obtida com as exportações. As com-
pras externas totalizaram 57,919 mil toneladas em 2012,
significando 40,02% a menos do que o volume de 96,564
mil toneladas comprado no ano anterior. Já o valor gasto
para a importação de maçãs em 2012 foi de US$ 60,853
milhões FOB, registrando redução de 27,97% sobre o ano
antecedente, quando foi na ordem de US$ 84,487 milhões
FOB. Para 2013, os desempenhos das exportações e das
Inor Ag. Assmann

importações brasileiras ainda eram de difícil estimativa em


fevereiro deste mesmo ano, mas os embarques poderiam
ser favorecidos pela queda nos estoques europeus.

60
Brazilian apple crop took previous period, according to the Brazilian Association of Apple
Growers (ABPM), based in Fraiburgo (SC). Productivity rates
advantage of the climate in 2012, were smaller, but with a bigger amount of highly valued fruits,
especially the ones that fit into category 1, which tolerate up to
excelling in quality, resulting into two flaws per fruit. This made a difference in the recovery of the
great acceptance in the market sector in the 2011/12 crop year.
Quality was also responsible for extending the sales period
of the gala variety for two months in 2012. Some of the compa-
nies had still volumes of the fruit available for sale in December
2012. Prices were better than in 2011. January through Novem-
ber 2012, for the big gala, Category 1, prices were up 19%, on
Weather conditions were a average, from the same period in 2011.
determining factor for the good performance of the Brazilian The Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE),
apple orchards in 2012. During almost the entire development nonetheless, released different numbers regarding the Apple
stage of the fruit, weather conditions were favorable and were crop. In 2012, according to the federal organ, the size of the crop
also responsible for the good quality of the apples, resulting into was supposed to have reached 1.338 million tons, practically on
higher profits for the farmers. Nevertheless, the Apple trees in the a par with the volume in 2011, down 775 tons only. Revenue
states of Santa Catarina (SC) and Rio Grande do Sul (RS), where in 2011 amounted to R$ 851.729 million. For 2013, estimates
Brazilian apple orchards are particularly concentrated, were hit released by the IBGE in early January point to a 2.79-percent
by hailstorms and suffered reductions in their final volumes. increase in volume. Gala apples are harvested in February and
The 2011/12 cycle reached 1.1 million tons, down 3% from the March, whilst fuji apples are picked in April and May. n

Foreign sales soared 48.47% in volume


and 34.67% in revenue
A FRUIT FROM THE SOUTH caria (RS), which harvested 483 thousand the planted area. According to IBGE’s projec-
The southern states are responsible for al- tons in 2012. The activity involves 2,500 tions, both the panted and harvested areas
most the entire national apple crop. Santa farmers in Santa Catarina and 600 in Rio will go down in 2013, by 0.16% and 0.08%,
Catarina and Rio Grande do Sul harvested Grande do Sul, from figures released by the respectively. However, the organ estimates a
almost the same amount in 2012: 659,732 association of growers. 2.86-percent increase over the productivity
tons and 620,841 tons, respectively. Other Apple orchards across Brazil occupied rates of 34,769 kilos per hectare obtained
states that grow apples are Paraná (55,800 38,883 hectares in 2012: Santa Catarina in 2012. In 2011, the planted area (38,400
tons) and São Paulo (1,847 tons). The mu- contributed with 19,060 hectares and Rio hectares) and the harvested area (37,860
nicipality that accounts for the biggest vol- Grande do Sul with 17,872 hectares. The hectares) had been smaller than the ones in
ume of apples in the entire Country is Va- harvested area was down 394 hectares from the year that followed.

FAVORABLE MARKET
The international market was much more promising for the Brazilian apple sector in 2012. Shipments abroad amounted to 72.252
thousand tons of fresh fruit, according to Brazilian Secretariat of Foreign Trade (Secex), a division of the Ministry of Development, Industry
and Foreign Trade (MDIC). The volume was up 48.47% from the 48.666 thousand tons negotiated in 2011. Revenue amounted to US$ 48.559
million FOB in 2012, up 34.67% from the US$ 36.059 million FOB obtained in 2011.
The positive results were favored by the good quality of the national fruit and by the low stocks of European gala and fuji apples. Brazilian apple
shipments abroad are normally concentrated over the first half of the year, once the apple season in the Northern Hemisphere countries, major im-
porters, starts in the second half of the year. In the international market, Brazil faces competition from countries like Chile, Argentina, South Africa
and New Zealand, which are among the biggest producers of the fruit in the world. In 2004, for example, Brazil exported 150 thousand tons of apples.
Imports were down in 2012 compared to the previous year, but the value paid for the imported volumes still outstripped the amount of
revenue derived from exports. Foreign purchases totaled 57.919 thousand tons in 2012, down 40.02% from the volume of 96.564 thousand
tons purchased the previous year. Values spent on apple imports in 2012 reached US$ 60.853 million FOB, registering a reduction of 27.97%
over the previous year, when it was US$ 84.487 million FOB. For 2013, the performance of both Brazilian exports and imports were still dif-
ficult to predict in February this year, but shipments could take advantage of the lower European stocks.

61
Sílvio Ávila

mamão > papaya

Alto do
chão

62
Decréscimo na oferta de mamão
registrado em 2012 motivou
grande elevação nos preços do
produto no mercado doméstico

A oferta de mamão no Brasil,


segundo maior produtor mundial, após a Índia, que produz mais de 4 milhões
de toneladas, apresenta redução nos últimos dois anos, mas deve voltar a crescer em
2013. Problemas econômicos e climáticos tiveram interferência no setor desde 2010,
levando à diminuição na colheita brasileira, que passou de 1,87 para 1,85 milhão de
toneladas em 2011 e caiu mais ainda em 2012. De acordo com pesquisa da Hortifru-
tiBrasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Univer-
sidade de São Paulo (USP), feita em dezembro junto às principais regiões produtoras,
Sílvio Ávila
a área recuou mais de 9% em 2012 e até 20% no Estado líder, a Bahia.
A analista de mercado Karina Yukie Shinoda, da equipe HortifrutiBrasil, observa
que a remuneração menor obtida em 2010 e em 2011 descapitalizou os produtores e
os levou a reduzir o cultivo. Com isso, a oferta do produto diminuiu e as cotações se
elevaram, especialmente do tipo Havaí, que em março de 2012 apresentou o maior
preço médio já alcançado no Sul da Bahia, de R$ 2,13/kg, em valores nominais. Tam-
bém no segundo Estado com maior produção, e primeiro na exportação, o Espírito
Santo, foi registrado grande salto nos preços do mamão Formosa, superior a 53% nos
11 primeiros meses de 2012 em relação ao mesmo período anterior.
Já em 2011, o último levantamento oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Es-
tatística (IBGE) mostra pequena redução no volume obtido, embora ainda apresente
maior área. Do total de 1,85 milhão de toneladas produzido no País, a Bahia respondeu
por 928 mil toneladas, o Espírito Santo obteve 560 mil toneladas e o Ceará produziu 112
mil toneladas. Entre os estados produtores também aparecem com números significati-
vos o Rio Grande do Norte, com 69 mil toneladas; e Minas Gerais, com 45 mil toneladas.
Ainda em 2012, perdas foram verificadas devido ao vírus do Mosaico nas princi-
pais áreas produtoras. O controle das viroses na cultura, inclusive, está motivando
a assinatura de termo de cooperação técnica entre a Associação Brasileira de Pro-
dutores e Exportadores de Papaya (Brapex) e os órgãos fiscalizadores estaduais.
Estão se integrando no projeto a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia
(Abad), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf ) e o
Instituto Mineiro de Agropecuária (Ima).
Quanto às vendas externas de mamão, com menor oferta de produção em
2012, houve redução no total destinado pelo Brasil a outros países. A exportação
diminuiu 9,3% em volume, ficando em 26,1 mil toneladas (12,4 mil toneladas do
Inor Ag. Assmann

Espírito Santo); e 6,50% em valor, que alcançou US$ 36,3 milhões. “Aos produtores
mostrou-se mais rentável e interessante a colocação no mercado doméstico, nesta
temporada”, observa Rodrigo Martins, presidente da Brapex. n

63
Momento atual pode determinar
aumento da produção em 25% a 30%
MARCA BRASIL Custos de produ- especial, conforme o presidente Rodrigo do o 1º Festival Nacional do Mamão (Brasil
ção altos, concorrência de frutas importa- Martins, é o de valorizar e divulgar mais as PapayaFest), entre 15 e 18 de maio, na cida-
das, câmbio, entre outros aspectos, assim qualidades do produto para a nutrição e a de de Linhares, no Espírito Santo. Além de
como consumo ainda baixo, também in- saúde da população, particularmente junto promover a fruta e o setor, o evento deverá
fluenciam o setor do mamão no País, que às gerações mais novas. A marca “Mamão do priorizar vários momentos técnicos que irão
busca o fortalecimento através de sua asso- Brasil” está sendo enfatizada não só em nível enfocar a qualificação do produto, ressalta
ciação. A Brapex passou a integrar não só externo, onde já se desenvolvem ações junto o dirigente da Brapex. Quanto à produção,
os exportadores, mas todos os produtores com o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ) e diante do incentivo de preços mais altos em
interessados e o segmento como um todo, a Agência Brasileira de Promoção de Exporta- 2012 e do reforço nas lavouras, a sua ex-
procurando com esta estrutura institucio- ções e Investimentos (Apex-Brasil), mas tam- pectativa é de que possa ocorrer acréscimo
nal mais vigorosa impulsionar atividades de bém – e de maneira especial – no mercado na ordem de 25% a 30% neste exercício,
promoção e desenvolvimento. interno, buscando ampliar o consumo. dependendo-se ainda de vários fatores, espe-
Um dos pontos enfocados de maneira Em 2013, inclusive, estará sendo realiza- cialmente o climático.
Sílvio Ávila

Skyrocketing
prices

64
Dwindling papaya supplies in mamão do brasil > brazilian papaya
2012 made prices skyrocket in Perfil da cadeia produtiva

the domestic market Ano Área plant. (ha) Produção (t) Valor (R$ mil)
2010 34.777 1.871.961 1.484.903
2011 35.881 1.854.343 1.292.543
Fonte: IBGE/PAM
Ano Exportação (kg) (US$)

Papaya supplies in Brazil, 2011 28.822.524 38.887.743


2012 26.130.743 36.358.922
second largest producer in the world, coming only after India,
Fonte: Secex/Aliceweb-Ibraf
where production reaches 4 million tons a year, have been drop-
ping over the two past years, but are expected to soar again in 2013. though the planted area continues bigger. Of the total of 1.85 mil-
Economic and climate related problems have been interfering with lion tons produced in Brazil, Bahia accounted for 928 thousand
the sector since 2010, resulting into a smaller Brazilian crop, which tons, Espírito Santo produced 560 thousand tons and the State of
shrank from 1.87 million tons to 1.85 million in 2011, and further Ceará, 112 thousand tons. Among the papaya producing states,
dropped in 2012. According to a survey conducted by HortifrutiBra- other significant players include Rio Grande do Norte, with 69
sil, of the Center for Advanced Studies on Applied Economics (Ce- thousand tons; and Minas Gerais, with 45 thousand tons.
pea), a division of the University of São Paulo (USP), in December, In 2012, losses are blamed on Mosaic virus outbreaks in most
covering all major producing regions, the planted area receded by production regions. The control of this virus disease on the crop
9% in 2012, and by up to 20% in Bahia, leading producer. has led to a technical cooperation agreement between the Brazil-
Market analyst Karina Yukie Shinoda, a member of the Horti- ian Association of Papaya Producers and Exporters (Brapex) and
frutiBrasil team, observes that the lower remuneration in 2010 and state inspection organs. The following organs have joined the
2011 induced the cash-strapped farmers to reduce their planted areas project: Bahia State Agricultural Defense Agency (Abad), Espírito
even further. This resulted into smaller supplies and higher prices, a Santo State Forest and Agriculture Defense Institute (Idaf ) and the
fact that is particularly true for the Havaí type, which in March 2012 Minas Gerais State Agriculture Institute (Ima).
reached the highest average price ever fetched in South Bahia, R$ With regard to foreign papaya sales, due to the smaller produc-
2.13/kg, in nominal values. Equally in the State of Espírito Santo, sec- tion volumes in 2012, there was a reduction in shipments to other
ond largest producer and leader in exports, the Formosa type papaya countries. Exports were down 9% in volume, remaining at 26.1 thou-
registered a 53-percent price increase over the first 11 months in 2012, sand tons (12.4 thousand tons from Espírito Santo); and 6.50% in
compared to the same period in the previous cycle. value, which amounted to US$ 36.3 million. “For the papaya farmers
In 2011, the latest survey by the Brazilian Institute of Geogra- the domestic market was more profitable and more attractive during
phy and Statistics (IBGE) shows a minor reduction in volume, al- this cycle”, observes Rodrigo Martins, president of Brapex. n

Current moment may lead to production


increases of 25% to 30%
BRAZIL BRAND High production special attention is given to the need to value Papaya Fest) has been scheduled for 2013,
costs, competition with imported fruit, the and highlight the nutritional and health in the town of Linhares, State of Espírito
exchange rate, among other factors, as well related qualities of the fruit, particularly Santo, 15 – 18 May. Besides promoting the
as low consumption, also exert an influ- among the younger generations. The “Brazil fruit and the sector, the event is supposed to
ence on the papaya sector in Brazil, which Papaya” brand is not only given publicity give priority to various technical moments
is now seeking strength through its associa- abroad, where joint actions by the Brazilian intended to highlight the qualification of the
tion. Brapex is now not only responsible for Fruit Institute (Ibraf ) and by the Brazilian product, says the Brapex official. With regard
the exporters, but for all interested producers Trade and Investments Promotion Agency to production, in light of the higher prices in
and for the segment as a whole, using this (Apex-Brasil), but equally – and in a very 2012 and bigger planted areas, the president
vigorous institutional structure to prop up special manner – in the domestic market, expects a rise of 25% to 30% in the size of the
all promotional and development activities. with an eye towards increased consumption. crop, but various factors might still exert an
According to president Rodrigo Martins, The 1st National Papaya Festival (Brazil influence, especially the weather conditions.

65
Sílvio Ávila

manga > mango

Saindo
NO Lucro

66
Comercialização de manga
supera expectativas e
garante a maior receita nas
exportações de fruta. Mercado
deverá seguir firme em 2013

Responsável por 85% das exportações


de manga, o polo produtivo do Vale do São Francisco tem razões para comemorar
os resultados de 2012: apesar da queda de 2,4% no faturamento das exportações, di-
vulgada pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
não se confirmou a expectativa inicial de forte retração nas vendas. Os preços foram
bons, pela relação cambial, e os embarques aumentaram. “Esperava-se queda acen-
tuada em volume e receita, em virtude da crise europeia”, revela o economista João Sílvio Ávila

Ricardo Ferreira de Lima, da Embrapa Semi Árido, de Petrolina (PE).


Problemas sanitários no México ajudaram a aumentar a demanda pela fruta bra-
sileira. E, com quebras produtivas nos grandes polos, por estiagem, e aumento da
demanda, o mercado interno valorizou a manga. “Alguns produtores deixaram de ex-
portar para trabalhar só com o mercado doméstico”, afirma o economista. Em 2012,
o Brasil exportou 127 mil toneladas de manga, ou US$ 237,6 milhões. Um ano antes,
em 2011, os embarques alcançaram 126 mil toneladas e US$ 141 milhões.
Os custos e os riscos em exportar são maiores. Há produtor que recebe o dinheiro
somente quatro meses após o envio da carga, e fica sem saber se o preço pago cobri-
rá seus custos, aumentados em função da alta do frete em 2012. Na venda interna, o
comprador pega a fruta na propriedade, paga um valor atraente e o dinheiro chega
rapidamente ao bolso do fruticultor. “Neste cenário, o desafio é encontrar o equilíbrio
para atender à demanda doméstica e manter os mercados internacionais, e ambos com
preços atrativos”, diz o economista João Ricardo Ferreira de Lima, da Embrapa.

MAIORES PRODUTORES A analista do mercado de manga Ana Beatriz Fernandes


Barboza, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), aponta
a redução de 5% da área nos quatro grandes polos que representam 100% das exporta-
ções nacionais e 80% do abastecimento interno. São eles: Vale do São Francisco, Livra-
mento de Nossa Senhora e Dom Basílio (BA), Morro Alto e Taquaritinga (SP) e Jaíba e
Janaúba (MG). Nestas regiões, a estiagem reduziu a produtividade e o calibre das frutas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recém divulgou os números
totais referentes a 2011, que indicam a produção nacional de 1.249.521 toneladas, em
76.391 hectares. O Cepea aponta área de produção de 48.452 hectares nos quatro gran-
des polos em 2012, e queda de 5% sobre os 51.010 hectares de 2011. O Vale do São
Sílvio Ávila

Francisco cresceu 2,9% e o polo paulista, 1,1%. Enquanto isso, houve retração de 18,8%
em Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, e 5,7% no Norte de Minas Gerais. n

67
CENÁRIO ESTÁVEL
Em 2013, mantido o cenário do início do ano, a expectativa dos mangicultores é de estabilidade na área cultivada nos principais po-
los e também nos preços e nos volumes de comercialização. A diferença é que a área reduzida na região baiana de Livramento de Nossa
Senhora e de São Basílio deverá ser compensada pela ampliação dos pomares nas demais regiões, como o Norte de Minas Gerais, o
Vale do São Francisco, em Pernambuco e na Bahia; e Taquaritinga, em São Paulo. E o mercado doméstico brasileiro deve consolidar sua
expansão na demanda por frutas tipo exportação.
“O comportamento das exportações dependerá muito de três fatores: o câmbio, que começa 2013 em situação menos atrativa do
que em 2012; a crise econômica no bloco europeu e o comportamento de nossos concorrentes”, enfatiza o economista João Ricardo
Ferreira de Lima, da Embrapa Semi Árido, de Petrolina (PE). “De maneira geral, são esperados preços similares aos atuais e a exportação
de volumes também muito parecidos”. A preocupação maior do setor, segundo o analista, é o combate à mosca-das-frutas, praga que
afeta o Vale do São Francisco e exige maior atenção. A janela de exportação começa em agosto e vai até a última semana de outubro,
quando o Brasil aproveita a entressafra de outras regiões.
Sílvio Ávila

Making
profits

68
Mango sales exceed PERSPECTIVA > perspective
expectations and exporters reap Mercado externo da manga brasileira

record income. Market likely to Produção, Valor da Produção e preço, no período de 05 a 12


Ano US$ FOB Toneladas (mil) Preço (US$)
continue steady throughout 2013 2005 73873.50 114.59 0,64
2006 87163.25 115.51 0,75
2007 89643.04 116.05 0,77
2008 118703.99 133.72 0,89
2009 97388.16 110.20 0,88

Responsible for 85% of all 2010 119929.76


2011 140910.32
124.69
126.43
0,96
1,11
mango exports, the Vale do São Francisco mango belt has
2012 137588.92 127.01 1,08
reasons to celebrate the results of 2012: in spite of the 2.4-per-
Fonte: Aliceweb/MDIC, 2012.
cent drop in revenue from exports, disclosed by the Ministry of Elaboração: João Ricardo Ferreira de Lima/Embrapa Semi Árido
Development, Industry and Foreign Trade (MDIC), the initial
forecast for steep reductions in sales did not materialize. Pric- a scenario, the challenge consists in finding a balance between
es were good, with regard to the exchange rate, and shipments domestic sales and demand from abroad, both with attractive
were up in volume. “Steep reductions in volume and revenue prices”, says Embrapa economist João Ricardo Ferreira de Lima.
had been expected in light of the European financial crisis”,
says economist João Ricardo Ferreira de Lima, of Embrapa LEADING PRODUCERS Mango market analyst Ana Beatriz
Semiarid, based in Petrolina (PE). Fernandes Barboza, of the Center for Advanced Studies on Applied
Phytosanitary problems in Mexico were a factor in the ris- Economics (Cepea/USP), points to a 5-percent reduction in planted
ing demand for the Brazilian fruit. And, as a result of crop area in the four major mango belts, which account for 100% of all
frustrations in big belts, due to drought conditions, and rising national exports and for 80% of all domestic supplies. They are as
demand, the domestic market began to pay more for the fruit. follows: Vale do São Francisco, Livramento de Nossa Senhora and
“Some farmers left exports aside and began to deal only with Dom Basílio (BA), Morro Alto and Taquaritinga (SP) and Jaíba
the domestic market”, the economist comments. In 2012, Bra- and Janaúba (MG). In these regions, both productivity and fruit
zil exported 127 thousand tons of mangoes, worth US$ 237.6 size were adversely affected by the drought conditions.
million. A year before, in 2011, shipments amounted to 126 The Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) has
thousand tons and US$ 141 million. just released the total figures regarding the 2011 crop year, which
Exports normally generate huge costs and risks. Some mango point to a national production of 1,249,521 tons, in 76,391 hectares.
farmers receive the money four of five months after the shipment, Cepea refers to a planted area of 48,452 hectares in the four major
and do not even know if it will cover the production costs, very belts in 2012, down 5% from the 51,010 hectares in 2011. Vale do São
high in 2012 because of ever-increasing transportation costs. In Francisco increased by 2.9% and the São Paulo belt, by 1.1%. In the
domestic sales, buyers go to the farms, pay attractive prices and meantime, there was a decrease of 18.8% in Livramento de Nossa
the money reaches the farmers’ pockets immediately. “In such Senhora, State of Bahia, and 5.7% in North Minas Gerais. n

STABLE SCENARIO
In 2013, if the scenario early this year holds true, the mango farmers expect planted areas to continue stable in all major mango
farming belts, and the same goes for prices and volumes traded. The only difference lies in the fact that the reductions in area in the
regions of Livramento de Nossa Senhora and São Basílio, both in the State of Bahia, will be compensated by orchard expansions in
regions like North Minas Gerais; Vale do São Francisco, in Pernambuco and Bahia; and Taquaritinga, in São Paulo. And the Brazilian
market should consolidate its expansion in demand for export-type fruits.
“The behavior of exports will greatly depend on three factors: the exchange rate, which in early 2013 is less attractive than in 2012;
the economic crisis in the European Union and the behavior of our competitors”, emphasizes economist João Ricardo Ferreira de Lima,
of Embrapa Semiarid, in Petrolina (PE). “In general, prices similar to the present ones are expected and much the same export volumes”.
The biggest concern of the sector, according to the specialist, is the fight against the fruit fly, a pest that affects the region of Vale do São
Francisco and requires much attention. Exports are supposed to start in August and come to a close in the final week of October, a time
when Brazil takes advantage of the off-season period in other countries.

69
Sílvio Ávila

melão > melon

grandes
voos

70
Fruta mais exportada pelo
País busca ampliação de
espaços em nível interno e externo
com base em sua estrutura de
produção e na qualidade

O setor produtivo do melão,


que ocupa a primeira posição entre as frutas exportadas pelo Brasil, quer ampliar ho-
rizontes além do tradicional mercado europeu, que é o seu principal destino, mas tem Sílvio Ávila

limitado seu crescimento desde a crise de 2008. Naquele período, o volume total expor-
tado já ultrapassava a 200 mil toneladas, o que não se alcançou mais nas temporadas
seguintes, embora em 2012 voltasse a apresentar algum crescimento. Foram vendidas
181,7 mil toneladas ao exterior neste ano, o que representou 7,19% a mais do que no
exercício anterior. O valor obtido evoluiu menos (4,49%), alcançando US$ 134 milhões.
Cerca de um terço da produção nacional atende ao mercado externo, conside-
rando-se os números de 2011, em que se registra a obtenção de 499 mil toneladas
de melão (4,37% a mais do que o ano anterior) nas lavouras, situadas em sua am-
pla maioria no Nordeste. O maior polo produtor encontra-se nas divisas do Rio
Grande do Norte (Chapada do Apodi) e do Ceará (Baixo Jaguaribe). Aquele Estado
respondeu por 259 mil toneladas no ano em referência; já o Ceará colheu 143 mil
toneladas, mas liderou na exportação, com 101 mil toneladas. Outra área está no
Vale do São Francisco, entre os estados da Bahia e do Pernambuco. No território
baiano, foram produzidas 42 mil toneladas. E, ainda, como quarto Estado produtor
aparece o Rio Grande do Sul, com 21 mil toneladas.
Em 2012, os principais centros produtores nordestinos, onde se utiliza alta
tecnologia e irrigação, apresentaram boa produtividade, permitindo ampliar a ex-
portação e o atendimento interno. Enquanto isso, a remuneração obtida registrou
queda no plano doméstico e estabilidade no externo. As observações foram feitas
em dezembro na avaliação da HortifrutiBrasil, do Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP).
Conforme o analista Guilherme Ramalho dos Santos, o clima seco no polo produtor
e exportador do Rio Grande do Norte e do Ceará resultou em produtividade e qualida-
de, de modo geral, satisfatórias, o que favoreceu os embarques no início da temporada
2012/13, em agosto. A partir de outubro, porém, a alta salinidade da água utilizada para
Sílvio Ávila

irrigação limitou o desempenho da colheita e as exportações, que, de qualquer forma,


deveriam fechar positivas, considerando-se também o período da safra até abril. n

71
Estados Unidos e China estão entre os
destinos focados pelo melão brasileiro
ALTERNATIVAS O mercado externo barque experimental em 2012. das exportações nacionais.
do melão brasileiro ainda se ressente da crise Na América do Sul, está por ser aberta a en- A demanda interna, por sua vez, recebe
na Europa e, por isso, o setor produtivo e ex- trada no Chile, enquanto na América do Norte igualmente toda atenção, na expectativa de
portador do País concentra esforços na busca o importante mercado dos Estados Unidos que se amplie o consumo. Mas diante do re-
de mais destinos ao seu produto, reconhe- vem sendo buscado com afinco, já com alguns conhecimento já existente no plano externo
cido como de alta qualidade, comenta Fran- fornecimentos. Embora este seja atendido e da boa estrutura produtora e exportadora,
cisco Cipriano de Paula Segundo, presiden- normalmente pelos países mais próximos, há a busca de novos mercados para a fruta está
te do Comitê Executivo de Fitossanidade janela justamente no período da safra brasilei- na pauta, e espera-se bons resultados. “Adi-
do Rio Grande do Norte (Coex). Ainda na ra, onde o setor quer ocupar espaços com o cionando novos espaços para comércio, te-
Europa, atenções se voltam à Rússia e, na atrativo da qualidade do produto diferenciado mos capacidade para crescer”, lembra Fran-
Ásia, busca-se viabilizar o grande mercado e já com aprovação sanitária. Haveria ali poten- cisco Cipriano de Paula Segundo, dirigente
chinês, no qual vem sendo percebido inte- cial estimado em US$ 130 milhões para o me- do comitê do setor no Estado que lidera a
resse e para onde inclusive já foi feito em- lão brasileiro, que corresponde hoje ao total produção, o Rio Grande do Norte.

Flying
Sílvio Ávila

high

72
Country’s most exported fruit MELÃO BRASILEIRO > brazilian melon
seeks to expand its range at PERFIL DA CADEIA PRODUTIVA

home and abroad, based on its Ano Área plant. (ha) Produção (t) Valor (R$ mil)
2010 18.870 478.392 333.355
production and quality structure 2011 19.701 499.330 365.105
Fonte: IBGE/PAM
Ano Exportação (kg) (US$)
2011 169.575.730 128.353.767
The melon supply chain, 2012 181.767.594 134.114.090
Fonte: Secex/Aliceweb-Ibraf
which ranks first on the list of Brazilian fruit exports, wants to
expand its horizon beyond the traditional European market, still
its main destination, but with a limited growth rate since the 2008 ducers, with 21 thousand tons.
financial crisis. Back then, exports exceeded 200 thousand tons, a In 2012, all major northeastern producing hubs, character-
volume that was never matched over the following cycles, though in ized by high technology and irrigation practices, took advan-
2012 some growth was registered, when melon exports amounted tage of good productivity rates, thus expanding export opera-
to 181.7 thousand tons, up 7.19% from the previous year. Revenue tions, whilst fulfilling the needs of the domestic market. In the
obtained was up only 4.49%, totaling US$ 134 million. meantime, remuneration registered a decrease in the domestic
About one third of the melons produced in Brazil are shipped scenario and remained stable abroad. These observations come
abroad, considering the 2011 numbers, when the total crop from a survey conducted in December by HortifruiBrasil, of the
amounted to 499 thousand tons (up 4.37% from the previous year), Center for Advanced Studies on Applied Economics of the Univer-
most of the fruits harvested in the Northeast. The largest melon pro- sity of São Paulo (Cepea/USP).
ducing hub is located at the borders of Rio Grande do Norte (Cha- According to analyst Guilherme Ramalho dos Santos, the dry cli-
pada do Apodi) and the State of Ceará (Baixo Jaguaribe). The mate in the exporter hub of Rio Grande do Norte and Ceará resulted
former accounted for 259 thousand tons in the year of reference; into satisfactory productivity rates and quality, leading to bigger
and Ceará harvested 143 thousand tons, but was the leader in shipments abroad at the beginning of the 2012/13 cycle, in August.
exports, with 101 thousand tons. Another melon producing hub As of October, however, the high salinity levels of the irrigation water
is Vale do São Francisco, sitting between the states of Bahia and limited the performance of the harvest and exports, which, anyway,
Pernambuco. The volume in Bahia amounted to 42 thousand were supposed to come to a close with a positive balance, also tak-
tons. The state of Rio Grande do Sul ranks as fourth biggest pro- ing into consideration the crop period up until April. n

United States and China are major


destinations for Brazilian melons
ALTERNATIVES The Brazilian for- ment sent to that country in 2012. at US$ 130 million.
eign melon market is still under the ripple In South America, Chile is about to Internal demand, in turn, has been
effects of the economic downturn in Europe open its gates, while in North America given close attention in expectation for
and, therefore, the Country’s production the impressive market of the United States soaring consumption. Nonetheless, due to
and export sector is concentrating efforts is being eagerly sought, with some ship- the recognition already expressed by the
in search of more destinations for the mel- ments underway. Although this market foreign markets, and because of the excel-
ons, acknowledged as excellent in quality, is normally supplied by the neighboring lent production and export structure, the
comments Francisco Cipriano de Paula countries, chances may surface exactly search for new markets continues on the
Segundo, president of the Rio Grande do during the peak of the Brazilian season, agenda, and good results are expected.
Norte State Phytosanitary Executive Com- where the sector wants to be admitted “If new markets are conquered, there will
mittee (Coex). In Europe, the focus is now to that market on the grounds of highly be room for growth”, recalls Francisco
on Russia, while in Asia, the target is the qualified products, with all phytosanitary Cipriano de Paula Segundo, official of
huge Chinese market, which has already approvals. The potential in that market the sector’s committee in the State of Rio
shown interest, with an experimental ship- for Brazilian melons has been estimated Grande do Norte, the largest producer.

73
Inor Ag. Assmann

uva > grapes

Novos
horizontes

74
Cadeia produtiva passa por
transformação e precisa se
adequar a um novo cenário,
que envolve a maior concorrência
e a crise europeia

A vitivinicultura brasileira Inor Ag. Assmann


apresentou cenário de transformação em 2012, segundo a pesquisadora Loiva Ma-
ria Ribeiro de Mello, da área de socioeconomia da Embrapa Uva e Vinho, de Bento
Gonçalves (RS). A atividade é importante para a sustentabilidade de milhares de pe-
quenas propriedades e tem se tornado determinante no desenvolvimento de algumas
regiões e na geração de empregos em grandes empreendimentos que produzem uvas
de mesa e para processamento. No principal ambiente envolvido com esse setor no
Brasil, a Serra gaúcha, a vitivinicultura está fortemente ligada ao turismo.
Mas, nos últimos anos, de um lado a crise econômica mundial, associada ao ingresso
de outros países no mercado, dificultou as exportações de uvas de mesa do Vale do São
Francisco; e, de outro, o excesso na oferta de vinhos no mercado internacional, relacio-
nado ao aumento no poder aquisitivo brasileiro, facilita a importação da bebida. Isso
influencia fortemente o desempenho da vitivinicultura brasileira. E preocupa.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que em 2012 hou-
ve redução de 0,52% na produção de uvas no Brasil, no comparativo com 2011. A
maior queda produtiva ocorreu no Paraná (-32,86%), seguido pela Bahia (-4,80%).
Nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul houve
aumento na colheita de uvas de 7,71%, 3,09%, 4,64% e 1,29%, respectivamente.
Em 2012, o volume destinado ao processamento (vinho, suco e derivados) foi de
830,92 milhões de quilos, representando 57,07% da safra nacional. O restante (42,93%)
foi dirigido ao consumo in natura. As áreas plantada e colhida no Brasil tiveram recupe-
ração em 2012, com aumento de 0,72% e 0,78%, respectivamente, em relação a 2011.
De acordo com o relatório setorial elaborado por Loiva Maria Ribeiro de Mello, os
maiores aumentos de área aconteceram no Paraná (3,37%) e em Santa Catarina (3,33%).
No Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do País, a área cultivada cresceu 1%. Em
Pernambuco, a área de videiras recuou 2,15% e na Bahia, 5%. “Estas regiões vêm de im-
Inor Ag. Assmann

portantes reduções em 2011, especialmente no Vale do São Francisco, em Pernambuco


e na Bahia”, acrescenta. A pesquisadora destaca que a viticultura está sendo implantada
em vários estados, como Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo, Ceará e Piauí. n

75
Cenário motivou
leve recuo na
produção de uvas NEW
horizons
no Brasil em 2012
VINHOS E SUCOS O Brasil não
dispõe de estatísticas de produção e de
comercialização nacional de vinhos e de
suco de uvas. Mas, como o Rio Grande
do Sul é responsável por mais de 90% da
produção do País, suas estatísticas per-
mitem análise aproximada do desempe-
nho da agroindústria vinícola.
Neste aspecto, o processamento de vi-
nhos, sucos e derivados do Rio Grande do
Sul, em 2012, alcançou a 579,31 milhões
de litros, 0,1% acima do volume de 2011. O
maior acréscimo está na produção de suco
de uva concentrado e no mosto de uva. O
suco concentrado aumentou 27,3% e o
mosto de uva, 20,8%. Grande parte do mos-
to é transformado em suco. Em 2012, o pro-
cessamento de suco integral caiu 19,2%. A
Inor Ag. Assmann

fabricação de vinhos finos subiu 4,60%, fren-


te à queda de 17,5% dos vinhos de mesa.
Em Santa Catarina, a Superintendên-
cia Federal da Agricultura indica que fo-
ram produzidos 21,2 milhões de litros de VINDIMA > vintage
vinhos em 2012. Deste volume, 72,6 % Exportação e importação de uvas, sucos, vinhos e derivados
são vinhos de mesa. “É uma mudança ex-
pressiva, pois em 2011 essa categoria re- Brasil – 2011/2012 - valores em U$ 1.000,00 (FOB)
presentava 97% do total produzido”, diz Discriminação 2011 2012
Loiva Maria Ribeiro de Mello. “Ocorreu Quantidade Valor Quantidade Valor
aumento (11,8%) na produção de vinhos Exportações
de mesa e redução (-19,1%) nos vinhos Uvas frescas (t) 59.391 135.782 52.016 121.891
finos catarinenses”, acrescenta. Suco de uva (t) 4.452 15.737 2.473 7.719
Em 2012, a safra de uvas para vinhos Vinhos (1.000 L)) 1.214 3.615 5.775 5.520
finos foi prejudicada devido à chuva de Espumantes (1.000 L) 112 568 172 813
granizo. A partir de 2011 também foram Total 155.702 135.943
disponibilizados dados do suco de uva. Importações
“Este produto teve aumento de 75,5% na Uvas frescas (t) 34.083 51.371 33.294 54.381
fabricação, incluindo suco concentrado Uvas passas (t) 24.294 61.647 24.613 56.696
transformado em suco simples e suco de Vinhos (1.000 L) 772.705 262.059 74.209 262.745
uva integral”, revela a pesquisadora. Para Espumantes (1.000 L) 4.923 32.605 5.316 37.665
2013, a expectativa é de estabilidade na Suco de uva (t) 192 194 640 670
área e no volume produzido no Brasil, Total 407.876 412.157
com pequena interferência das realidades Balanço -252.174 -276.214
Fonte: MDIC
regionais sobre o total nacional.
Elaboração: Loiva Maria Ribeiro de Mello - Embrapa Uva e Vinho

76
Brazilian winegrowing operations are now experiencing
transformations in an attempt to adjust to a new scenario,
which involves tighter competition and the European crisis

2012, compared to 2011. The biggest decrease in production


Brazilian winegrowing occurred in the state of Paraná (-32.86%), followed by Bahia
operations experienced transformations in 2012, says Loiva (-4.80%). In the states of Pernambuco, Minas Gerais, Santa Ca-
Maria Ribeiro de Mello, a researcher at the Embrapa Grape and tarina and Rio Grande do Sul the size of the crop soared 7.71%,
Wine socioeconomic department, based in Bento Gonçalves (RS). 3.09%, 4.64% and 1.29%, respectively.
Winegrowing plays a relevant role in sustaining thousands of In 2012, the volume destined for processing (wine, juice
small holdings and has become a determining factor in the de- and derivatives) amounted to 830.92 million kilos, represent-
velopment of some regions and in the generation of jobs at huge ing 57.07% of the national production volumes. The remaining
enterprises that grow table grapes and process grapes, too. In the 42.93% was for fresh consumption. Both planted and harvest-
major environment involved with the sector in Brazil, the Sierra ed areas in Brazil experienced a recovery of 0.72% and 0.78%,
Gaucha region, winegrowing has strong connections with tourism. respectively, compared to 2011.
Nevertheless, over the past years, for one thing, the global eco- According a sectoral report by Loiva Maria Ribeiro de Mello,
nomic downturn, associated with new players joining the market, the biggest area increases took place in Paraná (3.37%) and in
created difficulties for the winegrowers in Vale do São Francisco to Santa Catarina (3.33%). In Rio Grande do Sul, leading grape pro-
export their table grapes; and, on the other hand, wine surpluses ducer in the Country, the planted area soared 1%. In Pernambuco,
in the international market, along with the rising purchasing pow- the vineyard area shrank 2.15%; and in Bahia, 5%. “These regions
er of the Brazilian population, have made wine imports easier. have been following on the heels of hefty reductions in 2011, espe-
This exerts a strong influence on the performance of the Brazilian cially in Vale do São Francisco, in Pernambuco and Bahia”, she
winegrowing operations. And it is cause for concern. adds. The researcher maintains that winegrowing operations are
The Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) now spreading throughout several states, like Mato Grosso do Sul,
points to 0.52-percent reduction in the Brazilian grape crop in Goiás, Espírito Santo, Ceará and Piauí. n

Scenario blamed on slight reduction


of the grape crop in 2012
WINES AND JUICES There are Juice concentrate increased by 27.3% 11.8% in the production of table wines
no statistical figures available in Brazil re- and grape must, by 20.8%. Most of the and a reduction of 19.1% in fine wines, in
garding the production and sales of wines must is transformed into juice, In 2012, Santa Catarina”, she adds.
and juices. However, since Rio Grande do whole juice processing fell 19.2%. Fine In 2012, the crop of the grapes for
Sul is responsible for 90% of the Country’s wines experienced a 4.60-percent rise in fine wines was hit by heavy hailstorms.
total production of these items, the num- production, while table wines suffered a Since 2011, statistical figures of grape
bers of the State lead to a reasonably ac- reduction of 17.5%. juices are also available. “This product
curate analysis of the performance of the In Santa Catarina, the Federal Agricul- experienced an increase of 75.5% in
winegrowing segment in the Country. ture Department indicates that 21.2 mil- production, including juice concentrate
Within this context, the processing of lion liters of wine were produced in 2012. transformed into plain juice and whole
wines, juices and their derivates in Rio Of this volume, 72.6 % are table wines. grape juice”, the researcher reveals. For
Grande do Sul, in 2012, amounted to “It is an expressive change, once this cat- 2013, the expectation is for stability in
579.31 million liters, up 0.1% from 2011. egory represented 97% of the total produc- the area and in volume produced in Bra-
Grape juice concentrate and grape must tion in 2011”, says Loiva Maria Ribeiro de zil, with some interference from regional
are responsible for the biggest increases. Mello. “What occurred was an increase of realities in the Country’s total.

77
Inor Ag. Assmann

pesquisa > research

A vez
da pera

78
Estudos da Embrapa Uva e
Vinho buscam variedades
que reduzam a dependência
brasileira às importações da
fruta, que hoje chega a 90%

Inor Ag. Assmann

O Brasil importa entre 80% e 90%


das mais de 200 mil toneladas anuais de pera que o mercado doméstico consome.
É o maior importador mundial. Enquanto isso, sua produção se mantém estagnada
em 20 mil toneladas anuais, com 2 mil hectares plantados e rendimento de 10 tone-
ladas/ha. Reduzir as compras não é possível em curto prazo: faltam cultivares aptas a
produzir com qualidade, quantidade e regularidade para abastecer o País.
Na Serra Gaúcha, onde se concentra boa parte da produção nacional, a Embrapa
Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), busca dar suporte à expansão e à qualificação
dos pomares com o projeto “Desenvolvimento de cultivares para a viabilização da
cultura da pereira no Brasil – Melhorpera”. A meta é modificar o panorama da cadeia
produtiva, ampliar a produção e agregar qualidade às frutas.
O pesquisador Paulo Ricardo Dias de Oliveira, líder do programa, destaca que o
primeiro desafio é avaliar as cultivares de domínio público já utilizadas em zonas de
produção. Não existem variedades nacionais entre as produzidas no Sul do Brasil; há
apenas cultivares importadas há muitos anos, sem análise técnica. Daí a necessidade
de acompanhamento para identificar variedades adaptadas e de maior produtividade,
tratos culturais, viabilidade do cultivo, colheita e pós-colheita. No estudo também
são desenvolvidas variedades de porta-enxertos. A engenharia genética faz ensaios
de transformação para desenvolver linhagens de pera resistentes a doenças, portanto
com menor necessidade de tratamento fitossanitário.
Atualmente, 10 cultivares são observadas. Os resultados iniciais da avaliação
serão divulgados em três safras, indicando desempenho e manejo adequados das
variedades. Além disso, a Embrapa deverá lançar cultivares para a região a partir de
Inor Ag. Assmann

2018. Híbridos já foram produzidos para os primeitos testes. O banco de germo-


plasma está sendo reforçado com material dos Estados Unidos, a fim de ampliar a
diversidade genética disponível para os cruzamentos. n

79
Serras gaúcha e catarinense têm alto
potencial para a produção de pera
MUITAS VANTAGENS Entre as aproveitada, inclusive os canais de comer- logística, ampliando a ocupação da mão-
vantagens de plantar pera nas serras gaú- cialização. A pesquisa concentra atenção -de-obra e gerando renda aos produtores
cha e catarinense está o custo de produ- também em cultivares que possam ser e ao setor. É o esforço do Sul em busca da
ção, menor do que o da maçã, cuja infra- colhidas antes da maçã gala, no início de melhor pera a ser produzida e comerciali-
estrutura de cadeia produtiva poderá ser fevereiro, garantindo o uso da estrutura zada no Brasil.

It’s time
for pears
Studies conducted by Embrapa Grape and
Wine seek varieties that could reduce Brazil’s
dependence on imports, now amounting to 90%

tainable throughout the Country.


Brazil imports from In the Sierra Gaucha region, where a great deal of the nation-
80% to 90% of the upwards of 200 thousand tons of pears al production is concentrated, Embrapa Grape and Wine, based
consumed in the domestic market, annually, ranking as biggest in Bento Gonçalves (RS), is lending support to expansion moves
global importer. In the meantime, production remains stagnated and to orchard qualification through the project, “Development
at 20 thousand tons a year, with 2 thousand hectares devoted to of cultivars intended to make pear growing viable in Brazil –
the fruit, and productivity rates of 10 tons/ha. In the short run, Melhorpera”. The target consists in changing the panorama of
Inor Ag. Assmann

there is no chance for reducing purchases from abroad: there are the supply chain, expand production and add value to the fruit.
no quality cultivars available, making regular supplies unat- Researcher Paulo Ricardo Dias de Oliveira, leader of the pro-

80
Rio Grande do Sul and Santa Catarina Sierras boast
great potential for the production of pears
LOTS OF ADVANTAGES The ben- take advantage of the entire apple farming taking advantage of the logistic structure,
efits of producing pears in the sierra regions infrastructure in the two states, including expanding the use of labor and generating
of Rio Grande do Sul and Santa Catarina its commercialization channels. Research is income to the growers and the sector. It is the
lie in the lower production costs compared also focused on cultivars that could be har- South in search of the best pears to be pro-
to apples. Furthermore, pear growers could vested before gala apples, in early February, duced and sold.

gram, stresses that the first challenge consists in evaluating the tant to diseases, requiring less phytosanitary treatments.
cultivars under public domain, already grown in pear growing Currently, 10 cultivars are being closely watched. The initial
zones. There era no national varieties in South Brazil; there are results of the evaluation will be disclosed after three regular
only cultivars imported a long time ago, without any techni- cycles, indicating performance and appropriate management
cal analysis. Hence the need for a close watch in order to iden- practices. Furthermore, Embrapa has scheduled the new culti-
tify adapted and highly productive varieties, cultural practices, vars for the region as of 2018. Hybrids have already been pro-
cultivation viability, harvest and post-harvest. The study also duced for the first trials. The Germ Plasm Database is being rein-
includes rootstock varieties. Genetic engineering is conducting forced by material from the United States, in order to expand the
transformation trials for the development of pear strains resis- genetic diversity levels available for crossings. n

81
Inor Ag. Assmann

Impulso na
parreira
Embrapa lança variedades BRS
Magna e BRS Vitória, uvas para
suco e consumo in natura adaptadas a
diferentes regiões brasileiras

cha, em São Paulo, no Mato Grosso e no Vale do São Francisco.


Entrarão no mercado a partir As cultivares são oriundas do Programa de Melhoramento Ge-
de julho de 2013, para cultivo, a 15ª e a 16ª variedade de nético da Videira, estabelecido em 1977 pela Embrapa Uva e
uvas criadas a partir do Programa de Melhoramento Genético da Vinho. O Programa objetiva o desenvolvimento e a criação de
Videira da Embrapa, coordenado pelos pesquisadores Patrícia variedades de uva de qualidade, com boas características agro-
Ritschel e João Dimas Garcia Maia. São elas a BRS Magna, para nômicas, diferentes finalidades e ampla adaptação climática. An-
elaboração de suco, e BRS Vitória, uva de mesa sem sementes. tes destas, foram lançadas 14 cultivares para mesa e elaboração
Os eventos de lançamento aconteceram em Sinop, no Mato de sucos e vinhos, que se adaptam bem às condições climáticas
Grosso, e em Marialva, no Paraná, respectivamente. dos principais polos vitivinícolas do Brasil.
A BRS Magna caracteriza-se pela ampla adaptação climática e
por altos conteúdos de açúcar e de matéria corante, enquanto a GEMAS A comercialização de gemas da BRS Magna e da BRS
BRS Vitória destaca-se pela ausência de sementes e pela tolerância Vitória será feita pela Embrapa Produtos e Mercado, Escritório de
ao míldio, principal doença da videira no Brasil. A BRS Vitória Campinas (SP), a partir de julho de 2013. Os produtores interessados
pode ser cultivada em São Paulo, em Minas Gerais e no Vale do deverão fazer reservas pelo site www.campinas.spm.embrapa.br. Para
São Francisco (Pernambuco e Bahia). A BRS Magna, na Serra Gaú- mais informações, o telefone é (19) 3749 8888. n

82
Propelling
the vineyard
Embrapa launches
varieties BRS Magna and
BRS Vitória, grapes for juice
and fresh consumption,
adapted to different regions
throughout Brazil

Paulo, Mato Grosso and for Vale do São Francisco.


The 15th and 16th grape The cultivars come from the Vineyard Genetic Enhancement
varieties coming from the Embrapa Vineyard Genetic Enhance- Program set up in 1977 by Embrapa Grape and Wine. The target of
ment Program, coordinated by researchers Patrícia Ritschel and João the Program is to come up with the development and the creation
Dimas Garcia Maia, have been scheduled to reach the market as of of quality grape varieties, with good agronomic features, different
July 2013, for cultivation. They are the BRS Magna, for juice, and BRS purposes and for a vast variety of climate conditions. Before the
Vitória, seedless table grape. The launching events took place in Sinop, just mentioned varieties, 14 other cultivars were launched, some
State of Mato Grosso, and in Marialva, State of Paraná, respectively. of them table grapes, and others for wine and juices, and they
The BRS Magna is characterized by its ample adaptation to cli- adapt perfectly to all major winegrowing hubs in Brazil.
mate conditions and for its high contents of sugar and coloring mat-
ter, while the BRS Vitória stands out as a seedless grape and for its CULTIVARS Sales of BRS Magna and BRS Vitória cultivars will be
tolerance to the mildew fungus, a major vineyard disease in Brazil. under the responsibility of Embrapa Products and Market, based in
The BRS Vitória variety grows well in São Paulo, Minas Gerais and in Campinas (SP), starting as of July 2013. All interested winegrowers are
Vale do São Francisco (Pernambuco and Bahia). The BRS Magna is recommended to make their reservations through site www.campi-
recommended for the Sierra Gaucha region and for the States of São nas.spm.embrapa.br. For further information, call (19) 3749 8888. n

83
Divulgação

Mudanças no
cartão-postal

84
Embrapa Clima Temperado
difunde tecnologias para o
cultivo de citros sem sementes
na região de Campanha do
Rio Grande do Sul

A região da Campanha,
no Rio Grande do Sul, é cartão-postal do bioma Pampa, com vastos campos, vár-
zeas, rebanhos ovinos e bovinos, e lavouras de arroz. Mas seu perfil está mudando.
O novo cenário da Campanha, da Zona Sul e da Fronteira Oeste inclui pomares de Divulgação

citros sem sementes, resultado da busca de alternativas econômicas e de difusão de


tecnologias da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas (RS).
Os citros sem sementes ocupam 2 mil hectares no Estado, com espaço garantido nas
mesas do Sul do País. O investimento, pouco superior à citricultura tradicional, compen-
sa pelo valor de mercado até três vezes maior e pela demanda crescente. Estima-se que
um quilo de citros sem sementes custe entre R$ 0,50 a R$ 0,80, dependendo do sistema.
O valor de mercado varia entre R$ 1,50 e R$ 3,00 pelo quilo. A Embrapa tem viveiristas
licenciados para fornecer sementes de alto valor genético aos fruticultores.
O pesquisador Roberto Pedroso de Oliveira, da Embrapa Clima Temperado,
identifica dois perfis de agricultores: o primeiro, de investidores que cultivam
áreas de 30 a 300 hectares e distribuem os citros sem sementes nas principais
redes de supermercados; já o segundo grupo é formado pela agricultura familiar,
com áreas de meio a quatro hectares, na Serra Gaúcha, no Alto Uruguai, no
Nordeste e no Sul do Estado. Ambos utilizam tecnologias reunidas na publicação
Cultivo de citros sem sementes, lançado pela Embrapa, e que pode ser acessada
no site www.cpact.embrapa.br/publicacoes/download/sistemas/sistema_21.pdf.
A Embrapa Clima Temperado tem apoiado viveiristas interessados em produzir
mudas de citros em ambiente protegido, utilizando substratos isentos de patóge-
nos e plantas daninhas, sementes e borbulhas indexadas. E trabalha no melhora-
mento de cultivares e na introdução das principais variedades de citros produzidas
e comercializadas no mundo. “Os pomares substituem ambientes de pastagens na
Campanha e na Fronteira. Nas demais regiões, ocupam novas áreas e aparecem em lu-
gar dos citros tradicionais, do tabaco e do pêssego”, frisa Roberto Pedroso de Oliveira.
Para dar suporte a este segmento, a Embrapa tem estrutura de 2.500 m2 desti-
nada a matrizeiro e borbulheira de diversas cultivares de citros, disponibilizando
Divulgação

ao setor borbulhas indexadas desses materiais. Além disso, oferece treinamentos


para a produção de mudas ou de material comercial. n

85
Alternativa é rentável, mais rústica e
substitui as culturas tradicionais
AMPLO POTENCIAL A produção ainda com tolerância ao cancro cítrico (Lue gs), a Fundação de Pesquisa Agropecuária
de citros sem semente no Rio Grande do Sul Gim Gong e Shamouti). (Fepagro/RS), a Universidade de Caxias do
tem alcançado bons resultados porque há Os principais riscos à cultura são as ge- Sul (UCS) e a Empresa de Assistência Téc-
demanda, principalmente para aqueles com adas, as formigas, as lebres e uma possível nica e Extensão Rural (Emater-RS), vem
coloração de polpa vermelha (Cara Cara) ou entrada do Greening (HLB) no Rio Grande gerando tecnologias para reduzir estes
sabor exótico (Ortanique e Nova), de produ- do Sul, ou o cancro cítrico. A Embrapa Cli- riscos. Portanto, baseada nessa perspecti-
ção precoce (Navelina, Okitsu e Owari) ou ma Temperado, em parceria com a Univer- va, a paisagem do Pampa gaúcho tende a
tardia (Ortanique, Nadorcott e Lane Late), e sidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufr- mudar mais ainda. Para melhor.
Divulgação

Changes to
the postcard

86
Embrapa Temperate Climate
spreads seedless citrus growing
technologies across the Prairie
Regions in Rio Grande do Sul

The Prairie Region


in Rio Grande do Sul is a real postcard of the so-called Pam-
pa, featuring vast grasslands, plains, sheep and cattle herds, and
ricefields. The new Prairie Land scenario includes seedless citrus
orchards, resulting from the search for economic alternatives
and efforts by Embrapa Temperate Climate, in Pelotas (RS), to-
wards technology spreading.
Seedless citrus occupy two thousand hectares throughout the
State, inevitably present on the kitchen table in South Brazil. The in-
vestment is slightly higher compared to traditional citrus farming,
but is compensatory because of prices three times bigger and soaring
Divulgação

demand. It is estimated that a kilo of seedless citrus fetches from R$


0.50 to R$ 0.80, depending on the system. In the shops, prices vary
from R$ 1.50 to R$ 3, per kilo. Embrapa has a list of licensed nurseries ery keepers interested in the production of citrus seedlings in pro-
where the fruit growing farmers can get seed of high genetic value. tected environments, using media exempt from pathogens and
It translates into superior quality products, with high added value. weeds, indexed seeds and buds. The organ is also engaged in
Researcher Roberto Pedroso de Oliveira, of Embrapa Temperate cultivar enhancement and in the introduction of all major citrus
Climate, identifies two types of farmers: the first, farmers who make trees cultivated and traded in the world. “Orchards are replacing
investments and cultivate from 30 to 300 hectares and deliver their grasslands in the Prairies and along the Frontier. In other regions
seedless citrus to major supermarket chains; the second group con- they occupy new areas and replace traditional citrus, tobacco and
sists of family farmers, with areas ranging from half to four hectares, peaches”, explains Roberto Pedroso de Oliveira.
in Sierra Gaucha, Alto Uruguai, Northeast and South of the State. So as to lend support to this segment, Embrapa relies on a 2,500
Both result from technologies published in Cultivation of seedless m 2
structure destined for parent plants and buds of several citrus
citrus, launched by Embrapa, and can be accessed at site http://www. cultivars, available to the indexed buds sector of these materials.
cpact.embrapa.br/publicacoes/download/sistemas/sistema_21.pdf. In addition, the organ offers training for the production of seed-
Embrapa Temperate Climate has always lent support to nurs- lings or other materials of commercial interest. n

Alternative is profitable, sturdier


and replaces traditional crops
BROAD POTENTIAL The produc- Lane Late), and tolerance to citrus cancer tural Research Foundation (Fepagro/RS),
tion of seedless citrus in Rio Grande do (Lue Gim Gong and Shamouti). University of Caxias do Sul (UCS) and the
Sul has achieved good results because Major risks to the crop include frost Rural Extension and Technical Assistance
there is demand, especially for oranges conditions, ants, hares and possible Green- Company (Emater-RS), has been generat-
with a pink pulp (Cara Cara) or exotic ing (HLB) outbreaks in Rio Grande do ing technologies towards the reduction of
flavor (Ortanique and Nova), early cycle Sul, or citrus cancer. Embrapa Temperate risks. Therefore, on the grounds of this per-
oranges (Navelina, Okitsu and Owari) Climate, jointly with the Federal Univer- spective, the scenery of the Gaucho Pampa
or late cycle (Ortanique, Nadorcottande sity of Rio Grande do Sul (Ufrgs), Agricul- tends to change even further – for the better.

87
Visita
indesejada
Sílvio Ávila

Consciência, monitoramento e tecnologia são as armas empregadas


para fazer frente à ameaça da mosca-das-frutas no Vale do São Francisco
de 18 a 25 dias no Vale. “As perdas variam de propriedade a proprie-
Nos dois últimos anos, dade e de ano a ano. Quando os fruticultores não fazem o controle
o Vale do São Francisco, principal polo brasileiro de produ- cultural, o nível de infestação é alto, prejudicando a eles próprios e
ção de mangas e de uvas de mesa, viu prosperar a infestação de aos vizinhos. As perdas podem chegar a 50%, em uma safra”, alerta.
pomares por moscas-das-frutas. É uma visita indesejável, que leva Existem fatores agravantes no Vale, em relação a outras regi-
produtores e pesquisadores a declararem guerra ao inseto para ões do Brasil: o clima favorável ao desenvolvimento da praga e
protegerem os cultivos. A pesquisadora Beatriz Aguiar Jordão a disponibilidade de frutos hospedeiros o ano todo. Além dos
Paranhos, da Embrapa Semiárido, de Petrolina (PE), revela que danos diretos nos frutos, os indiretos, relacionados às barreiras
a mosca-das-frutas é a principal praga de frutíferas ao redor do de exportação, podem ser maiores.
mundo. No Brasil, há cinco espécies quarentenárias. O controle pode ser de natureza cultural, química e biológica.
No Vale do São Francisco, a Ceratitis capitata é responsável As medidas culturais devem ser constantes e as demais precedidas
por 99% das ocorrências e está associada a manga, goiaba, acero- de monitoramento da área, o que definirá a necessidade de sua
la, carambola, cajá, siriguela, uva e outras frutíferas. “Geralmente, aplicação. O monitoramento é realizado através de armadilhas
as moscas-das-frutas fazem suas posturas nos frutos no início do nos pomares, com a finalidade de definir o índice de infestação, a
amadurecimento. No entanto, podem infestá-los quando ainda necessidade e o momento de aplicação de medidas de controle.
estão verdes. As larvas alimentam-se da polpa e causam o apodre- Dois tipos de armadilhas são utilizadas, McPhail e Jackson, que
cimento”, revela a pesquisadora. são conferidas semanalmente para a contagem.
Os frutos ficam impróprios para o consumo in natura e para As práticas são aplicadas quando o índice mosca/armadilha/
a industrialização. Após completar seu desenvolvimento, a larva dia (MAD) for igual ou superior a 0,25. Para exportação, o pomar
migra para o solo, enterrando-se com cinco a sete centímetros de deve ser monitorado ao menos por seis meses, até a colheita, e o
profundidade para a pupação. A duração do período ovo-adulto vai índice deve ser inferior a um. n

88
Controle da mosca-da-fruta pode ser
de natureza cultural, química e biológica
PROCEDIMENTOS O método mais eficiente contra as moscas-das-frutas é o
controle cultural, que implica em práticas simples, como o recolhimento de frutos que
caiam ao solo. Eles devem ser enterrados e cobertos com 20 centímetros de terra bem
compactada. Podem também ser triturados para alimentação animal, ou queimados. O
ensacamento de frutos custa caro, mas pode ser aplicado em caso de altas populações. A
colheita dos frutos não comercializados evita que as moscas completem o ciclo no pomar.
Adultos de mosca-das-frutas podem voar até 10 quilômetros de distância, e acima de 10
metros de altura. Logo, o uso de barreiras físicas ao redor dos pomares é ineficiente. Se o
controle cultural for negligenciado, os demais métodos podem ser prejudicados e inefica-
zes. “O produtor deve prever no planejamento da safra estes custos, para não permitir que
o ciclo da praga se complete em seu pomar”, diz Beatriz Paranhos, da Embrapa Semiárido.
O controle químico é realizado com isca-tóxica, que é a mistura de inseticidas
registrados para as diferentes culturas com a adição de um atrativo alimentar. A solu-
ção é aplicada apenas em parte da área cultivada, reduzindo o risco de resíduos nos
frutos e o impacto sobre insetos benéficos.
Entre as armas que devem reforçar o arsenal dos produtores contra as moscas estão a
técnica do inseto estéril (machos estéreis que acasalam com as selvagens, no campo) e o
controle biológico com parasitóides (vespas que atacam as larvas, nos frutos) e com ento-
mopatógenos (fungos que matam as pupas no solo). Neste aspecto, a Embrapa Semiárido
Sílvio Ávila
terá muito a colaborar com as tecnologias e com a disseminação do conhecimento.

ANAMED é um atrativo para moscas-das-frutas em pasta, próprio


para mistura com inseticida em aplicações de isca-tóxica
Sílvio Ávila

Unwanted visit
Awareness, monitoring, technolog y are weapons
against the fruit fly threat in Vale do São Francisco

Over the past two years, 99% of all outbreaks and its preferred fruits are mango, guava,
Vale do São Francisco, major Brazilian mango and table grape acerola, carambola, cajá, siriguela, grape and other fruit trees.
production hub, witnessed the infestation of its orchards with “Usually, the fruit-flies lay their eggs in the fruits at their early
fruit-flies. It is an unwanted visit that leads growers and research- maturing stage. However, they can also infest the fruits while
ers to wage a war against the insect to protect their orchards. Re- they are still green. The larvae feed on the pulp and cause it to
searcher Beatriz Aguiar Jordão Paranhos, of Embrapa Semiarid, rot”, the researcher explains.
in Petrolina (PE), reveals that the fruit-fly is the world’s most nox- The fruits become inadequate for fresh consumption or for
ious fruit tree pest. In Brazil there are five quarantine species. industrialization purposes. After reaching adult age, the larvae
In Vale do São Francisco, Ceratitis capitata is responsible for migrate to the soil, and remain five to seven centimeters deep in

90
the soil for the pupa stage. The adult-egg period lasts for 18 to 25 logical nature. Cultural measures should never stop, and the other
days in Vale do São Francisco. “Losses vary from farm to farm ones should be preceded by area monitoring, which will define the
and from year to year. When no cultural control is performed, the need for their application. Monitoring is conducted through traps
level of infestation is very high, even causing losses to neighboring spread across the orchard, their purpose is to define the level of
fields. Losses could amount to 50% of an entire crop”, he warns. infestation, the need and right time for applying the control mea-
There are aggravating factors in the Valley, compared to sures. There are two types of traps in use, McPhail and Jackson,
other regions throughout Brazil: favorable climate conditions which are checked on a weekly basis for the counting procedure.
for the development of the pest and host fruits year round. Be- These practices are applied when the fly/trap/day (FTD) index
sides the direct damages to the fruits, the indirect ones, related is equal to, or higher than 0.25. If the fruits are to be exported, the
to export barriers, could be much bigger. orchard must remain under a six-month monitoring process, up
Control over the fruit-fly could be of cultural, chemical or bio- to harvest time, and the index must be inferior to one. n

Control over the


fruit-fly could
be of cultural,
chemical and
biological nature
CONTROL Cultural control is the most efficient method for controlling the fruit-flies, and it implies
in simple practices, like collecting the fruits that drop from the trees. These fruits must be buried and
covered with a minimum layer of 20 centimeters of compact soil. They could also be shredded for animal
food, or incinerated. Fruit bagging is expensive, but could be the solution for dense populations. Picking
all fruits from the trees prevents the flies from completing their cycle in the orchard.
Adult fruit-flies fly as far as 10 kilometers, at a height of over 10 meters. It means that physical barriers
around the orchards are inefficient. If cultural controls are neglected, the other control methods might reap the
consequences and lose their effectiveness. “Farmers should calculate all these costs before they start the crop, so
as to prevent the pest from completing the cycle in the orchard”, says Beatriz Paranhos, of Embrapa Semiarid.
Chemical controls are done through toxic baits, consisting of a mixture of insecticides registered for
the different crops, with the addition of a lure. The solution is applied only in a portion of the cultivated
area, thus reducing the risk of residues in the fruits and impacts on beneficial insects.
Other weapons that could strengthen the fight against the fruit-flies include the sterile insect technique (sterile
males that mate with wild insects, in the field), and biological controls with parasites (wasps that attack the
larvae in the fruits) and with enthomopathogens (fungi that kill pupae in the soil). Within this context, Embrapa
Semiarid will be able to provide much collaboration with its technologies and the spreading of knowledge.

91
Sílvio Ávila

Ações > actions

Grandes
esperanças

92
Maior produtor nacional da
fruta, Ceará aposta em caju
clonado para revitalizar a
cultura, que sofreu novamente
com a seca em 2012

A implantação do caju anão Sílvio Ávila

precoce (clonado), em lugar do comum (ou gigante), que predomina, é o grande


propósito do Programa de Expansão e Recuperação da Cajucultura Cearense, no Estado
que produz quase a metade da castanha no País e que lidera a exportação. O projeto,
lançado em 2007, está avançando, e a opção em foco passou de 36.916 para 70.445
hectares, o que representa 17,5% do total cultivado. Mas, em termos de produção, já
responde por 41,3% do volume obtido em 2012. O ano foi de seca forte na região e o
anão deu novamente a melhor resposta, fortalecendo a campanha oficial.
A produção brasileira de castanha de caju em 2012, com a falta de água, ficou
em 81.723 toneladas, 64% a menos do que na temporada anterior. O Ceará ob-
teve 38.574 toneladas, das quais l5.945 toneladas com o tipo clonado, que tem
produtividade quatro vezes maior do que o comum, remanescente da década de
1980, com população de plantas muito baixa e pouco rendimento. Por isso, o Esta-
do incentiva a adoção desta alternativa junto aos produtores, que, em sua grande
maioria, são de pequeno porte, para que tenham melhores resultados.
Por um lado, explica José de Sousa Paz, supervisor do Núcleo de Fruticultura da
Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), é feita a expansão com o repasse de mu-
das. O total distribuído desde 2007 chega a 4,3 milhões de unidades, o que equivale ao
plantio de 21.529 hectares. De outra parte, realiza-se a recuperação com o uso da tecno-
logia de substituição de copa em plantas improdutivas, o que foi iniciado em 2009, com
subsídio público, abrangendo 12.006 hectares. Assim, a área plantada no Estado em
2012 teve 70.445 hectares de caju anão precoce, do total de 400.285 hectares plantados.
O Estado conta com cinco polos que se dedicam ao caju, espalhados principalmente
pelo extenso litoral, onde se concentra 85% da produção, em municípios como Aracati,
Pacajus, Itapipoca e Camocim. Ainda há área menor de produção na região interiorana
do Cariri. O setor envolve no total 57 mil produtores (64% com menos de 10 hectares) e
Sílvio Ávila

gera em torno de 120 mil empregos, considerando-se também a indústria e os serviços.


Seis unidades industriais de maior porte e 50 menores dedicam-se à atividade. n

93
Em cinco anos do programa,
área com o tipo precoce dobrou no Ceará
APROVEITAR MAIS O incentivo partir da estabilização das novas plantas dis- de caju obtida até o momento no Estado, em
à instalação de pequenas agroindústrias nos tribuídas (o que ocorre plenamente no sexto 2006, com 130 mil toneladas. Para tanto, há
polos está entre as ações previstas no progra- ano, enquanto as recuperadas já apresentam mercado no exterior e no plano doméstico,
ma cearense, que tem entre suas preocupa- resultado no ano seguinte à intervenção). onde tem sido verificado crescimento. Em
ções o aproveitamento integral do caju, para Os 33.529 hectares de pomares resul- 2012, a produção cearense foi destinada em
sucos, cajuína, doces, polpa e mel, por exem- tantes dos plantios e da substituição de sua maior parcela à exportação, que somou
plo. Normalmente, extrai-se apenas a casta- copa deverão acrescer o mesmo volume em 20 mil toneladas, garantindo receita de US$
nha, que representa a menor parte da fruta. produção. Esta tem condições de superar 148 mil, o que representa 80% da movimen-
Essa, por sua vez, também terá maior oferta a novamente a maior quantidade de castanha tação brasileira nesta fruta.

Great hopes
Sílvio Ávila

94
The largest national producer of CASTANHA DE CAJU > cashew nut
the fruit, the State of Ceará bets on PERFIL DA CADEIA PRODUTIVA

cloned cashew for the revitalization Anos Produção Brasil/Ceará (t)


2011 226.330/111.718
of the crop, which was again hit by 2012 81.723/38.574

drought conditions in 2012 Fonte: IBGE/LSPA


Anos Exportação Brasil/Ceará (t)
2011 26.302/20.454
2012 25.431/20.343
Fonte: MDIC/Aliceweb

The introduction of the


short-cycle dwarf cashew (cloned), replacing common cashew vision at the Agrarian Development Secretariat (SDA), explains
(also known as giant), which predominates, is the real intention of that all expansion moves rely on the distribution of seedlings.
the Ceará State Cashew Recovery and Expansion Program. Ceará Total distribution starting in 2007 amounts to 4.3 million pieces,
produces almost 50% of the entire national cashew crop and is equivalent to a planted area of 21,529 hectares. On the other
also a leader in exports of the fruit. The project launched in 2007 hand, all recovery works are performed with the use of the re-
is making strides, and the option in question jumped from 36,916 placement technology involving the removal of the unproductive
to 70,445 hectares, which represent 17.5% of the total cultivated crowns of the plants, a move that started in 2009, with public
area. But in production terms, the State accounts for 41.3% of the grants, now comprising 12,006 hectares. This has led to a plant-
entire volume obtained in 2012. The region was hit by a severe ed area of 70,445 hectares of short-cycle cashew, of a total of
drought during the year and it was the dwarf cashew that again 400,285 planted hectares, in 2012.
gave the best response, adding strength to the official campaign. There are five cashew producing hubs throughout the State,
The Brazilian cashew nut crop in 2012, affected by water de- the majority of them spread along the vast coastal area, where
ficiencies, remained at 81,723 tons, down 64% from the previous 85% of the entire crop is produced, in municipalities like Ara-
year. Ceará harvested a total of 38,574 tons, of which, l5,945 cati, Pacajus, Itapipoca and Camocim. There are also minor pro-
tons were from the cloned type, with productivity fourfold high- ducing areas across the Cariri region, in the interior. The sector
er than common cashew varieties, remnants of the 1980s, when comprises a total of 57 thousand farmers (64% of them with less
both plant population and yield were low. This is why the state than 10 hectares) and generates approximately 120 thousand
encourages the farmers, most of them with small holdings, to go job positions, if the industries and service companies are taken
for the cloned varieties for better results. into consideration. The activity is performed by six big indus-
For one thing, José de Sousa Paz, supervisor of the Fruit Di- tries and 50 minor enterprises. n

In five years of the program, area devoted


to short cycle cashew doubled in Ceará
HEADING FORWARD Incentive the stabilization of the newly distributed gest cashew nut crop ever harvested in the
to small agroindustries in the hubs has plants has been achieved ( full production State, in 2006, with 130 thousand tons. To
been included in the Ceará State pro- normally starts after the sixth year, while this end, there is market abroad and in the
gram, whose major concerns consist in the recovered plants produce results the domestic scenario, where a rising trend
making an integral use of the cashew, for year that follows the intervention). in consumption has been ascertained. In
juices, cajuína, candy, pulp and honey, The 33,529 hectares of orchards result- 2012, the majority of the crop harvested in
for example. Normally, it is just the nut ing from new plantations and crown re- Ceará was destined for foreign countries,
that is extracted, which represents the placements are expected to increase the totaling 20 thousand tons and revenue of
smallest part of the fruit. Supplies of the production volumes accordingly. The crop US$ 148 thousand, representing 80% of all
latter, in turn, will also go up as soon as is really in a position to outstrip the big- Brazilian cashew nut businesses.

95
Sílvio Ávila

Uma fruta
de peso
Melancia se impõe na
fruticultura brasileira em
termos de volume, com 2,198
milhões de toneladas, e já tem
peso igualmente nas exportações

naquele ano, num total de 421.641 toneladas. A área de plantio foi


Entre as principais frutas de 17.902 hectares. Também têm importância os estados da Bahia
produzidas no Brasil, de um total de mais de 20 espécies re- (292.432 toneladas), de Goiás (272.650 toneladas), de São Paulo
presentativas, algumas se destacam em volume, ofertando gran- (242.586 toneladas) e do Pará (120.909 toneladas). O IBGE ainda
de variedade de sabores, aromas, cores e formas. Uma delas, a destacou que mais 21 estados brasileiros produzem essa espécie.
melancia, ocupa a quarta posição da lista elaborada pelo Insti- Parte da produção de melancia fresca ganha o mundo. Em 2012,
tuto Brasileiro de Frutas (Ibraf ), em números gerais de 2011. A 33,543 mil toneladas foram exportadas pelo Brasil, 14,53% a mais
produção da fruta totalizou 2,198 milhões de toneladas, oriun- do que o embarque de 29,287 mil toneladas negociadas no ano
da de área de 98.501 hectares, de acordo com o Instituto Brasi- anterior, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
leiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse montante resultou Comércio Exterior (MDIC). A receita obtida no mercado externo
em receita de R$ 951,810 milhões. foi de US$ 16,979 milhões FOB, 22,36% a mais do que em 2011,
O Rio Grande do Sul respondeu pelo maior volume da fruta quando as vendas chegaram a US$ 13,877 milhões FOB. n

Rio Grande do Sul se destaca na


colheita de melancia, seguido da Bahia
QUALIDADE SE IMPÕE Em colheita é feita de novembro a março. vos comerciais, sem considerar os plantios
2012, as plantações de melancia do Rio Além de abastecerem o mercado gaúcho, para consumo próprio, no Rio Grande do
Grande do Sul foram afetadas pela falta as melancias também são levadas para outros Sul, tem oscilado entre 14.000 e 15.000
de chuva. O volume caiu cerca de 20% estados brasileiros. Até o início de dezembro, hectares. Já aconteceu de a área planta-
em relação ao de 2011, conforme Anto- o Rio Grande do Sul compra a fruta produ- da chegar a 17.000 hectares, em anos nos
nio Conte, assistente técnico estadual em zida no Paraná e em Goiás. Conte observa quais os preços estavam atrativos. “Atual-
fruticultura da Emater/RS-Ascar. Em com- que, por se tratar de cultura de ciclo anual, a mente, como as famílias estão menores, a
pensação, a boa qualidade das melancias planta tem custo baixo de produção. O perfil preferência do consumidor é pela fruta de
colhidas manteve a receita no patamar do dos produtores varia entre especializados e tamanho médio, enquanto em outras épo-
ano anterior. No Estado, o plantio ocorre sem aperfeiçoamento técnico. cas era pela fruta grande”, observa o técnico
entre os meses de julho e dezembro. Já a De acordo com Conte, a área dos culti- da Emater.

96
A mighty
fruit
Watermelons stand out in Brazilian
fruit farming business in terms of
volume, with 2.198 million tons, and
play a relevant role in exports

Among all major fruits


produced in Brazil, with a total of upwards of 20 representative
species, some of them stand out in volume, featuring a variety of
flavors, aromas, colors and shapes. One of them is the watermelon,
which ranks fourth on the list issued by the Brazilian Fruit Institute
(Ibraf ), in general numbers in 2011. The crop of this fruit reached
2.198 million tons, grown on an area of 98,501 hectares, according
Inor Ag. Assmann

to data released by the Brazilian Institute of Geography and Statistics


(IBGE). This amount translated into revenue of R$ 951.810 million.
Rio Grande do Sul accounted for the biggest volume of this fruit
that year, with a total of 421,641 tons. The area devoted to watermel- 33.543 thousand tons were exported by Brazil, up 14.53% from the
ons reached 17,902 hectares. Other States where the fruit is produced shipment of 29.287 thousand tons the previous year, according to
commercially are Bahia (292,432 tons), Goiás (272,650 tons), São sources from the Ministry of Development, Industry and Foreign
Paulo (242,586 tons) and Pará (120,909 tons). IBGE officials main- Trade (MDIC). Revenue raked in from the shipments amounted to
tain that the fruit is grown in 21 other Brazilian states. US$ 16.979 million FOB, up 22.36% from 2011, when foreign sales
A huge portion of fresh watermelons is shipped abroad. In 2012, reached US$ 13.877 million FOB. n

Rio Grande do Sul is the largest producer


of watermelons, followed by Bahia
QUALIT Y IS WHAT MATTERS harvest occurs from November to March. qualification.
In 2012, the watermelon fields in Rio Grande Besides supplying the market in Rio In Conte’s view, commercial crops, with-
do Sul suffered a lot from the lack of regular Grande do Sul, watermelons are also out considering small family fields, in Rio
rainfall. The volume was down around 20% shipped to other Brazilian states. Up until Grande do Sul, have oscillated from 14,000
from 2011, says Antonio Conte, state techni- early December, Rio Grande do Sul pur- to 15,000 hectares. In years of attractive
cal assistant at the fruit farming department chases watermelons produced in the states prices, the area devoted to watermelons has
of Emater/RS-Ascar. Nonetheless, the good of Paraná and Goiás. Conte observes that, reached 17,000 hectares. “Currently, because
quality of the fruits compensated for the as it is an annual crop, the production cost of smaller families, consumers prefer me-
smaller volumes, keeping revenues on a par is very low. The profile of the watermelon dium-sized fruits, while in the past, people
with last year. Throughout the State, plant- farmers ranges from highly specialized preferred bigger watermelons”, the Emater
ings take place from July to December, while growers to farmers without any technical technician observes.

97
Sílvio Ávila

Ela jamais
passaria
despercebida

98
Graviola está entre os novos
sabores de frutas tropicais
que vêm sendo valorizados
pelos consumidores e oferece
opção a agricultores familiares

Popular nas regiões Norte e Nordeste


do País, mas ainda pouco presente nas estatísticas, a anonácea graviola, da mesma
família da fruta-do-conde (porém, bem maior que esta, uma espécie de prima grandona,
que pode chegar a até 10 quilos), começa a se tornar mais conhecida e a despertar inte-
resse num âmbito maior. Isto ocorre por conta da descoberta de novos sabores tropicais
de frutas, em paralelo ao crescimento do turismo e ao avanço da logística, particulamen-
te na conservação dos produtos e da qualidade no seu beneficiamento.
A observação é feita por Euvaldo Bringel Olinda, presidente do Instituto Frutal Sílvio Ávila

e da Câmara Setorial da Fruticultura do Ceará, que também é o maior produtor


individual desta fruta, juntamente com o grupo português Plurinvest, em Trairi, na
faixa litorânea daquele Estado. A sua área tem 120 hectares e já é mais antiga, com
14 anos, sem ampliação recente. Localiza-se numa região que tem certa tradição na
cultura, especialmente com pequenos produtores.
Porém, é no Sul do maior Estado produtor, a Bahia, que se verifica um movi-
mento mais forte de incremento nos últimos anos, especialmente junto a proprie-
dades produtoras de cacau. Conforme divulga a Empresa Baiana de Desenvolvi-
mento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma
Agrária (Seagri), o fruto está presente na maioria dos pomares do Sul e desponta
como forte gerador de renda para os agricultores familiares.
Os últimos dados estatísticos conhecidos sobre a graviola no Brasil datam de
2006 (Censo Agropecuário IBGE): apontam entre 1.500 a 1.600 hectares planta-
dos e 5,1 a 5,5 milhões de frutos produzidos anualmente. Entre os estados, Bahia,
Pernambuco e Ceará, juntos com outros do Nordeste, se sobressaem, enquanto no
Norte o Amazonas aparece na frente. Números mais recentes são revelados pela
EBDA na Bahia, dando conta de que apenas a sua área já atingiria 1.300 hectares,
510 dos quais no município de Wenceslau Guimarães, no Baixo Sul, seguido por
Presidente Tancredo Neves, Ibirapitanga e Una.
Na região têm sido realizados eventos de incentivo à cultura, como o 1º Simpósio
Baiano de Graviola, em abril de 2012, na cidade de Ipiaú, e o Seminário “Viabilização
Econômica da Graviola”, em julho, em Gandu. Organizados pela Comissão Executiva do
Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), têm a participação de diversas entidades, como o
Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae). De acordo com Marcelo Leite,
analista da instituição, propõe-se fortalecer o agronegócio desta fruta juntamente com a
Sílvio Ávila

sustentabilidade da cacauicultura. Na mesma linha vem sendo implementado o Projeto


Fruticultura Agropolo do Vale Rio de Contas, integrando as agroindústrias. n

99
Ceará tem o maior produtor individual,
e o Sul da Bahia ganha força
BOA POLPA A graviola tem polpa demanda e o interesse pela polpa, por parte em 2005. Informações de 2010 da Embrapa
branca, de sabor suave e levemente ácido. do consumidor e das indústrias”. Agricultura Tropical, de Fortaleza (CE), por
Pode ser consumida naturalmente, mas em Recentemente, ocorre também maior sua vez, reforçam o aumento da importância
geral é destinada à produção de doces, ge- comercialização como fruta fresca. A Em- socioeconômica do cultivo de anonáceas, es-
leias, sucos, sorvetes, iogurtes, produtos me- presa Baiana de Alimentos (Ebal) apurou pecialmente da graviola, diante da demanda
dicinais, cosméticos e outros. Já na década de movimentação de 52 toneladas em 2011 de frutas tropicais, do uso na indústria far-
1990, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agro- na Central de Abastecimento de Salvador macêutica, da valorização do produto e da
pecuária (Embrapa) salientava a “crescente (BA), índice 350% superior ao verificado inserção no mercado europeu e americano.

NOVOS
APROVEITAMENTOS
A caracterização da produção e do
mercado da graviola na Bahia foi tema It would
never go
de dissertação apresentada por Afonso
Lúcio Gomes Estrela de Freitas em 2012
na Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia (Uesb). Reitera também perspecti-

unnoticed
vas apresentadas pela Agência de Defesa
Sanitária (Adab), de que o cultivo da fruta
vem crescendo no Estado, em condições
de se destacar inclusive em âmbito mun-
dial na atividade.
Em nível geral, ainda conforme Euval-
do Bringel Olinda, do Instituto Frutal, tem
ocorrido maior valorização. O consumo
interno do fruto igualmente cresce, in-
clusive na chamada “nova cozinha”, assim
como o destino externo, por meio de itens
industrializados. Euvaldo constata proces-
so gradual de avanço no manejo, nos tra-
tos culturais e nas tecnologias, com maior
uso de material orgânico e de irrigação.
Seu filho, Daniel, por outro lado, ao
cursar universidade americana, identifi-
cou oportunidade de investir em deriva-
dos da planta com finalidade terapêutica,
diante da existência, na fruta, da substân-
cia acetogenina, e sua possibilidade de
auxiliar no tratamento de câncer. Daniel
acompanha estudos da Universidade Fe-
deral do Ceará sobre chá da folha e cáp-
sulas de graviola, ainda em avaliação na
Agência Nacional de Vigilância Sanitária
Sílvio Ávila

(Anvisa), e já trata da implantação de em-


presa para atuar na área.

100
Graviola is a new flavor among in Brazil, where a trend towards crop expansions have taken place
over the past years, particularly involving cocoa farmers. Accord-
tropical fruits, highly appreciated ing to the Bahia State Agricultural Development Company (EBDA),
linked to the Secretariat of Agriculture, Irrigation and Land Reform
by consumers, and could become (Seagri), this fruit is present in most orchards in the South and it
an option for family farmers stands as a potential generator of income for family farmers.
Latest data about graviola released in Brazil date back to 2006
(Census of Agriculture by IBGE), and they refer to 1,500 to 1,600
hectares devoted to the crop and 5.1 to 5.5 million fruits produced
annually. States where the fruit is mostly produced include Bahia,
Popular in the North and Pernambuco and Ceará, along with some northeastern states, while
Northeast of the Country, but not yet displayed in statistical re- in the North, the Amazon State is the main producer. More recent
ports, the graviola fruit belongs to the custardapple family (but is numbers are released by the EBDA, in Bahia, referring to 1,300 hect-
much bigger in size, a kind of sturdy cousin weighing up to 10 kilos) ares devoted to the fruit in the state alone, of which, 510 hectares in
and is now becoming known and arousing interest from more distant the municipality of Wenceslau Guimarães, in Baixo Sul, followed by
places. This stems from the discovery of new flavors of tropical fruits, Presidente Tancredo Neves, Ibirapitanga and Una.
in parallel with soaring tourism and logistic advances, particularly The region has been the venue for events promoting the crop, like
with regard to fruit conservation and quality processing. the First Graviola Symposium in Bahia, in April 2012, in the town of
This is the opinion of Euvaldo Bringel Olinda, president of the Fru- Ipiaú, and the Seminar “Economic Viability of the Graviola”, in July,
tal Institute and of the Ceará State Fruit Sectoral Chamber, and he is in Gandu. Organized by the Executive Committee of the Cocoa Farm-
also the largest individual grower of this fruit, along with the Portu- ing Plan (Ceplac), it counts on the participation of several entities, like
guese Group Plurinvest, in Trairi, along the coastal area of the State. the Brazilian Micro and Small Business Support Service (Sebrae). Ac-
He devotes 120 hectares to this fruit, now in operation for 14 years, cording to Marcelo Leite, analyst with the institution, the idea is to
without any expansions lately. It is located in a region with certain strengthen the agribusiness side of the fruit, along with sustainable co-
tradition in this crop, especially among small-scale farmers. coa farming operations. The River Contas Valley Agrohub Fruit Farm-
However, it is in the southern portion of Bahia, leading producer ing Project, integrating all agroindustries. n

Ceará is home to the NEW USES


largest individual The characterization of the production of graviola and its
market in Bahia was the subject of the dissertation presented by
grower, and South Bahia is Afonso Lúcio Gomes Estrela de Freitas, in 2012, at the Southwest
gaining momentum Bahia State University (Uesb). The dissertation also refers to the
perspectives presented by the Sanitary Surveillance Agency (Adab),
pointing to the rising trend of the crop throughout the State, even
GOOD PULP Graviola is a fruit with white pulp, with a
in a position to work its way into the international scenario.
mild flavor and slightly acid flavor. It can be consumed fresh,
At a general level, according to Euvaldo Bringel Olinda, of the
but it is generally destined for the production of sweets, jellies,
Frutal Institute, the fruit has been gaining momentum. Domestic
juices, ice-cream, yogurts, medicines, cosmetics and others.
consumption is equally soaring, even in the so-called “New Kitchen”,
Back in the 1990s, the Brazilian Agriculture Research Corpo-
while destination abroad is following suit, particularly in the form
ration (Embrapa) mentioned the “soaring demand and great
of industrialized items. Euvaldo is ascertaining gradual strides in
interest in the pulp, by both consumers and industries”.
management practices, growing methods and technologies, main-
In the recent past, fresh graviola sales have gained mo-
ly in terms of the use of organic matter and irrigation systems.
mentum. In 2011, the Bahia State Food Company (Ebal) ascer-
His son Daniel, on the other hand, as a North-American college
tained the arrival of 52 tons to the Salvador Supply Center, up
student, is taking the opportunity to invest in derivatives of the
350% from 2005. Information released in 2011, by Embrapa
plant for therapeutic purposes, once the fruit contains a substance
Tropical Agriculture, based in Fortaleza, in turn, strengthen
known as acetogenine, and its cancer-curing properties. Daniel
the ever increasing socioeconomic role of annonaceae crops,
is following closely studies conducted at the Ceará State Federal
particularly graviola, in light of rising demand for tropical
University on tea made from the leaves of the plant and graviola
fruit, their use in the pharmaceutical industry, the value of the
capsules, still undergoing an assessment process at the National
product and the fact that the fruit is working its way into the
Health Surveillance Agency (Anvisa), and is already taking the
European and North-American markets.
necessary steps to set up a company to operate in this area.

101
Inor Ag. Assmann

De bom
tamanho

102
Segmento das pequenas frutas
constitui boa alternativa
de renda para os produtores
brasileiros e já cria oportunidades
valiosas para o País

Inor Ag. Assmann

Nos pomares, na mesa da cozinha


ou entre as mãos, as pequenas frutas parecem frágeis e indefesas. Em terras bra-
sileiras, no entanto, elas representam grandes chances para fruticultores ávidos por
alternativas e oferecem possibilidades de investir em um produto diferenciado.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ), com exceção do mo-
rango, o Brasil ainda possui volume de produção pequeno, sem possibilidade de
mensurá-lo estatisticamente. Entre os estados produtores, contudo, Rio Grande do
Sul e São Paulo lideram o ranking.
Atualmente, as principais espécies de pequenas frutas cultivadas no Brasil são
o morangueiro, a amora preta e o mirtilo, afirma a pesquisadora Maria do Carmo
Raseira, da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas (RS). Ela salienta que alguns
ainda consideram, no grupo, a fisalis (Physalis). Em território nacional há também
pequena área com framboesa, localizada principalmente em Vacaria (RS) e Campos
do Jordão (SP) e expandindo-se em Minas Gerais, na região de Senador Amaral.
As pequenas frutas têm alto valor agregado. Segundo o Ibraf, no mercado in-
Inor Ag. Assmann

terno seu consumo apresenta crescimento, mas ele ainda é restrito aos grandes
centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro, devido ao alto preço da
fruta, e por ser bastante perecível. n

103
Apesar de ainda ser restrito a algumas
regiões, consumo interno cresce
PARA FORA No mercado interna- mirtilo. Apesar disso, os brasileiros apostam conhecedoras do mercado internacional,
cional, a participação das pequenas frutas cada vez mais nessas espécies. estão cada vez mais empenhadas em pro-
produzidas no Brasil ainda é tímida, com Em 2005, havia mais de 20 mil hec- duzir e exportar estas frutas. Além de co-
baixos volumes de exportação. Em 2012, tares plantados com amora preta em mercializadas in natura, também podem
por exemplo, foram negociadas ao exterior 4 todo mundo, com aumento de 45% em ser utilizadas como produtos industriali-
mil toneladas de framboesas e amoras e 927 relação a 1995, aponta Maria do Carmo. zados em congelados, iogurtes, sorvetes,
quilos de mirtilos. Mesmo assim, o segmento No Brasil, segundo estimativas de 2011, geleias e sucos.
é visto como promissor, podendo proporcio- são mais de 273 hectares com amoreira e Por outro lado, a amora preta e o mirti-
nar retornos financeiros satisfatórios por área pouco mais de 270 hectares com mirtilo, lo, por exemplo, têm grande apelo no mer-
de plantio, com boas perspectivas tanto no concentrados nas regiões Sul e Sudeste. cado mundial devido aos benefícios para a
mercado interno quanto no externo. A produção das pequenas não inte- saúde. Porém, no Brasil, o conhecimento
Para o cultivo de determinadas espécies, ressa apenas ao fruticultor familiar, que dos consumidores sobre estas espécies e
produtores enfrentam algumas dificuldades, pode ter bom rendimento em áreas re- seus potenciais é ainda muito pequeno. Es-
como o manuseio da framboesa no pós- duzidas. A pesquisadora Maria do Carmo pera-se, sobretudo, que haja evolução neste
-colheita e o alto custo de implantação do afirma que empresas, bem organizadas e sentido, pontua Maria do Carmo.
Inor Ag. Assmann

Sizable
share

104
Segment of small fruits is a
good income alternative for
the Brazilian producers and
has already created valuable
opportunities for the Country

In the orchards,
on the kitchen tables or even in the hands, small fruits look frail
and defenseless. In the Brazilian orchards, nonetheless, they stand
as great chances for fruit farmers eager for alternatives and offer
opportunities for investments in a different product.
According to the Brazilian Fruit Institute (Ibraf ), with the excep-
tion of strawberries, small fruit production in Brazil is still negli-
gible, and no statistical data are available. Among the producing
states, Rio Grande do Sul and São Paulo lead the ranking.
Currently, the main small fruit species grown in Brazil are straw-
berries, blackberries and myrtles, says researcher Maria do Carmo
Raseira, of Embrapa Temperate Climate, in Pelotas (RS). She points
out that some people include the Physalis in the group. The national
territory is also home to a small area planted to raspberry, located
in the counties of Vacaria (RS) and Campos do Jordão (SP) and now
moving to Minas Gerais, in the Senador Amaral region.
There is big added value in small fruits. According to Ibraf sources,
Inor Ag. Assmann

in the domestic market consumption is on an upward trend, but it is


still restricted to big consumer centers, like São Paulo and de Janeiro,
due to the high price of the fruit, which is also rather perishable. n

Although still restricted to some regions,


domestic consumption is soaring
ABROAD In the international mar- Notwithstanding these hurdles, lots of well organized companies, also renowned
ket, the share of small fruits produced in Brazilian farmers are increasingly adher- in the international scenario, that are in-
Brazil is very small, and export volumes ing to small fruit crops. creasingly getting engaged in the produc-
are very low. In 2012, for example, four In 2005, there were upwards of 20 tion and exports of these fruits. Besides
thousand tons of raspberries and mulber- thousand hectares planted to raspberry in being negotiated fresh, they are also used
ries were negotiated abroad, along with the entire world, up 45% from 1995, says as ingredients for frozen delicacies, yo-
927 kilos of myrtles. Even so, the segment Maria do Carmo. In Brazil, from 2011 es- gurts, ice-creams, jellies and juices.
is viewed as promising, with possible satis- timates, there are 273 hectares planted to On the other hand, raspberries and myr-
factory returns per planted area, and good mulberries and 270 hectares to myrtles, tles, for example, are in great demand in the
perspectives both at home and abroad. mostly in the South and Southeast. global market due to their health-related
For the cultivation of certain species, The production of small fruit is not benefits. Nevertheless, in Brazil, the consum-
the farmers face such difficulties as the just a matter for small-scale farmers, who ers still ignore the benefits and the potential
handling of raspberries after harvest and could derive good profits from small ar- of these fruits. Evolution towards this end is
the cost for establishing a myrtle field. eas. Researcher Maria do Carmo refers to expected, comments Maria do Carmo.

105
Sílvio Ávila

A marca
que fica

106
Produção Integrada
Agropecuária (PI Brasil) já
dispõe de normas específicas
para o cultivo e a certificação
de duas dezenas de frutíferas

Como produzir de maneira segura,


responsável e ainda obter bom rendimento? As respostas são encontradas ade-
rindo à Produção Integrada Agropecuária (PI Brasil), desenvolvida pelo Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A adesão do produtor é voluntá-
ria. Ao optar pelo modelo, ele terá que cumprir as normas técnicas de cada cultura
ou grupo de culturas. Elas estão relacionadas à capacitação de trabalhadores rurais,
Sílvio Ávila
ao monitoramento da lavoura e à rastreabilidade social e ambiental.
Desde 2000 o Mapa destinou R$ 26 milhões em projetos, que envolvem 30 cadeias
produtivas agrícolas em diferentes regiões do Brasil. “Nos últimos 10 anos, o sistema
vem sendo adotado principalmente na fruticultura”, destaca Rosilene Ferreira Souto,
chefe da Divisão de Fruticultura da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Co-
operativismo, do Mapa. Atualmente, conforme ela, o País dispõe de normas técnicas
específicas, que possibilitam a certificação de aproximadamente 20 frutíferas.
As espécies normatizadas pela PI Brasil são mamão, banana, caju, pêssego, ma-
racujá, goiaba, citros, figo, maçã, uva, manga, morango, abacaxi, goiaba, caqui e
melão. De acordo com Rosilene, as normas de certificação estão sendo seguidas em
algumas áreas destinadas ao cultivo de maçã, melão, pêssego, limão, uva, manga,
banana e morango. Estão em fase de desenvolvimento ou implementação as nor-
mas específicas para ameixa, mangaba, nectarina, uva para processamento, guaraná
e anonáceas (graviola, fruta-do-conde, biribá, atemoia e outras).
Em agosto de 2012, produtores de morango de São Paulo começaram a colher
os primeiros frutos marcados com o selo “Brasil Certificado – Agricultura de Qua-
lidade”. O processo começou há seis anos em áreas de produção de morangos que
apresentavam problemas de excesso de resíduos de agrotóxicos, como em municí-
pios do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os produtores são auditados
por empresas certificadoras credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia,
Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
O Projeto Produção Integrada do Morango (PIMo) foi coordenado pela pesquisado-
ra Fagoni Calegario, da Embrapa Meio Ambiente, de Jaguariúna (SP). A iniciativa pro-
moveu a redução de custos com o menor uso de agrotóxico. “O número de aplicações
de determinado produto passou de 12 para apenas duas ao mês”, enfatiza. Para a pes-
Inor Ag. Assmann

quisadora, o desafio é sensibilizar os responsáveis pela elaboração de políticas públicas


para duas necessidades urgentes: a divulgação do selo, para que seja conhecido pelos
consumidores; e a elaboração de programas de fomento para produtores rurais. n

107
Campanha visa disseminar a PI Brasil
entre produtores e consumidores
DIVULGAÇÃO De acordo com a obter a certificação e garantir a disponibilida- valorizam estes alimentos”, esclarece Rosile-
chefe da Divisão de Fruticultura do Mapa, de do produto no mercado consumidor. ne. Os produtos também estão sendo pro-
Rosilene Ferreira Souto, uma ampla campa- Após, a campanha será ampliada para movidos em feiras internacionais, visando a
nha de divulgação da PI Brasil está sendo tornar o modelo conhecido entre os con- divulgação da certificação oficial da PI no Bra-
promovida em parceria com a assessoria de sumidores brasileiros, que poderão exigir sil, em parceria com a Secretaria de Relações
comunicação do ministério. O trabalho está produtos certificados e com a garantia de Internacionais do Mapa. O modelo brasileiro
sendo desenvolvido em etapas. Primeiro, vai segurança alimentar. “Estas ações precisam foi criado nos moldes da PI na Europa, onde
buscar maior adesão dos produtores à tecno- ser feitas com bom planejamento, para evitar se tornou um pré-requisito das produções
logia da produção integrada com o intuito de a frustração de segmentos que incentivam e agrícolas de qualidade.
Sílvio Ávila

The
brand
that
lasts

108
Integrated Agricultural
Production (PI Brasil) has its
own specific standards for the
cultivation and certification of a
score of fruit trees

How to produce in a safe,


responsible manner and still make good profits? The respons-

Sílvio Ávila
es lie in the adhesion to the Integrated Agricultural Production
(PI Brasil), developed by the Ministry of Agriculture, Livestock
and Food Supply (MAPA). Adhesion is on a volunteer basis. By
opting for the model, the farmers will have to comply with the mangaba, nectarines, grapes for processing, guaraná and annona-
technical standards of every crop or group of crops. They are re- ceae (graviola, custard apple, biribá, atemoia and others).
lated to the qualification of the rural workers, field monitoring In August 2012, strawberry growers in São Paulo started to har-
and social and environmental traceability. vest the first fruits bearing the “Certified Brazil – Quality Agriculture”
Since 2000 the ministry of agriculture has already invested R$ label. The process dates back to six years ago in areas devoted to the
26 million in projects, which involve 30 supply chains in differ- production of strawberries where excessive pesticide residues had
ent regions throughout Brazil. “Over the past 10 years, the system been detected, like in some municipalities of the States of Espírito
has become popular particularly with fruit farming”, says Rosilene Santo, Rio Grande do Sul and São Paulo. The farmers are audited by
Ferreira Souto, head of the Fruit Division of Mapa’s Secretariat of certified companies accredited by the National Institute of Metrology
Agricultural Development and Cooperativism. Currently, accord- Standardization and Industrial Quality (Inmetro).
ing to her, the Country has in place specific standards that pave the The Integrated Strawberry Production Project (ISPP) was coordi-
way for the certification of approximately 20 fruit species. nated by researcher Fagoni Calegario, of Embrapa Environment, in
The species standardized by the PI Brasil are as follows: papaya, Jaguariúna (SP). The initiative resulted into smaller production costs
banana, cashew nut, peach, passion fruit, guava, citrus, fig, apple, through the reduction of pesticide applications. “The number of ap-
grape, mango, strawberry, pineapple, persimmon and melon. Rosi- plications of a certain chemical fell from 12 a month to only two”, he
lene maintains that the standards are being complied with in some stresses. In the researcher’s view, the challenge consists in convincing
areas devoted to apples, melons, peaches, lemons, grapes, mangoes, the people in charge of coming up with public policies about two ur-
bananas and strawberries. Still in their development and implemen- gent needs: publicity of the label, so as to get the farmers acquainted
tation stage are the specific standards for the following fruits: plums, with it; and the creation of fostering programs for rural producers. n

Campaign intends to spread the PI


Brasil among farmers and consumers
PUBLICIT Y According to the head certification and ensure product availability tion to the segments that encourage and
of Mapa’s Fruit Farming Division, Rosilene in the consumer market. value these foods highly”, she clarifies. The
Ferreira Souto, an ample campaign giving Afterwards, the campaign is to be ex- products are also being promoted in inter-
publicity to the PI Brasil is being promoted panded, so as to make the model well national fairs, always focused on the offi-
jointly with the ministry’s communications known among the Brazilian consum- cial PI certification in Brazil, jointly with
advisory council. The work is being conduct- ers, who will be able to request certified Mapa’s International Relationships. The
ed by steps. First, it tries to capture the atten- products, under the assurance of food Brazilian model got its inspiration from
tion of the farmers to the integrated produc- safety. “All these initiatives require careful the European PI, where it has become a
tion technology with the aim to obtain the planning, in order to prevent any frustra- pre-requisite for any quality farm produce.

109
Consumidor brasileiro acorda para a importância da certificação de
frutas in natura e produtos processados a partir delas, de olho na qualidade

Com pedigree
Sílvio Ávila

para melhoria contínua das frutas e dos derivados oferecidos


Aos poucos, a fruticultura aos consumidores, cuja etapa final é a certificação.
brasileira começa a aderir a uma tendência mundial. A certificação O Brasil possui diversidade de certificações de origem pública
de produtos in natura e processados transforma-se em alternativa e privada. Entretanto, são poucas em vigor, porque ainda não existe
de diferenciação para a valorização perante clientes mais exigentes. demanda significativa dos consumidores por produtos certificados. A
De acordo com o gerente técnico do Instituto Brasileiro de exceção são os produtos orgânicos e das grandes redes de varejo, que
Frutas (Ibraf ), Cloves Ribeiro Neto, a adoção de certificações é possuem suas próprias certificações. As fornecidas pelo governo são a
um ato de livre adesão dos fruticultores e das indústrias. Con- PI Brasil (antigamente conhecida como PIF – Produção Integrada de
forme o representante da entidade, a escolha dos selos a serem Frutas) e a Orgânicos Brasil, voltada à produção orgânica. Já as certifica-
ostentados depende do mercado que se pretende atingir, e deve ções privadas são a maioria no País. Entre elas destacam-se GlobalGap,
contemplar itens como rastreabilidade, segurança alimentar, Fruta Sustentável, selos de redes varejistas, como Grupo Pão de Açúcar
proteção ambiental e do trabalhador. “A certificação é exigên- e Carrefour; e certificações para o mundo árabe (Halal e Kocher, para
cia dos compradores, não de forma obrigatória, mas comercial, produtos processados). Existem também as certificações específicas de
para adquirirem produtos com garantias, principalmente na se- redes varejistas internacionais, como a Nature’s Choice, da Tesco.
gurança alimentar”, explica. Dentre as mencionadas, Ribeiro Neto destaca como a mais
Conforme Ribeiro Neto, o produtor certificado, de certa for- conhecida e utilizada a GlobalGap (boas práticas agrícolas para
ma, adquire preferência do comprador em relação a outro que frutas frescas) e os certificados específicos da Tesco. “Mais recen-
não disponha do mesmo status. O representante do Ibraf desta- temente, também temos tido a valorização de certificados e selos
ca que, constantemente, tanto o setor público quanto o privado que contemplam a sustentabilidade e as questões socioambien-
têm buscado inserir a cultura das Boas Práticas Agrícolas (BPA) tais”, finaliza o representante do Ibraf. n

110
Brazilian consumers are waking up to the importance of certified
fresh fruit and fruit-based products, with an eye towards qualit

With pedigree

Sílvio Ávila
Brazil boasts a variety of certifications of public and private
Little by little, Brazilian fruit origin. Nonetheless, only a few of them are in force, because there
farming starts to adhere to a global trend. The certification is no significant demand for certified products from the con-
of fresh and processed fruits has become a valuable alternative sumer side. The exception lies in organic products, and products
for discerning clients. supplied by huge retail chains, which take advantage of their
According to the technical manager of the Brazilian Fruit Insti- own certification systems. Government certifications include PI
tute (Ibraf ), Cloves Ribeiro Neto, the adoption of certifications is a Brazil – in the past known as PIF – Integrated Fruit Production)
free decision made by both fruit farmers and industries. According to and Organics Brazil, focused on organic produce. There are sev-
the entity’s representative, the selection of the labels to be displayed eral private certifications throughout the Country. The major
depends on the market that is to be conquered, and should include ones are GlobalGap, Sustainable Fruit, labels of retail chains,
items like traceability, food safety, environment and worker protec- like Grupo Pão de Açúcar and Carrefour; and certifications for
tion. “Certification is a buyers’ demand, not in mandatory manner, the Arab world (Halal and Kocher, for processed products). There
but from a commercial side, aimed at the acquisition of guaranteed are also certifications specific to international retail chains, like
products, especially with regard to food safety”, he explains. Nature’s Choice, of Tesco.
According to Ribeiro Neto, certified farmers, in a way, are pre- Among the above mentioned certifications, Ribeiro Neto
ferred to non-certified ones. The Ibraf representative also stresses maintains that GlobalGap (best agricultural practices for fresh
that, for a long time now, both the private and the public sector fruit) and the specific Tesco certifications are the best known and
have been adhering to Best Agricultural Practices (BAP) clearly most used certifications. “Recently, we have witnessed the intro-
intended on enhancing the fruits and derivatives supplied to the duction of sustainability and environmental certifications”, the
consumers, with certification being the final stage. Ibraf representative concludes. n

111
Inor Ag. Assmann

O gosto e o sumo
Apesar do recuo nas
exportações e da decorrente
queda no faturamento, o suco
de laranja brasileiro segue como
o mais consumido do planeta

The
flavor
and the
juice
não pudesse ser comprada. Diante disso, produtores e indústria
O Brasil segue liderando a lista procuraram o governo federal na busca por soluções. Entre as
dos produtores e exportadores mundiais de suco de laranja. A medidas estabelecidas, foi prorrogada a Linha Especial de Crédito
primeira posição no ranking pode ser confirmada pela seguinte para laranja (LEC). Isso garantiu que parte do suco não fosse co-
análise: a cada cinco copos da bebida consumidos no planeta, três mercializado, evitando grande queda de preço.
têm procedência verde-amarela. Para isso, as empresas se comprometeram a comprar 40 mi-
Apesar de manter-se à frente, o País diminuiu a quantidade lhões de caixas de laranjas, que antes não seriam adquiridas.
exportada em 2012: foram negociadas 1.096.593 de toneladas de Ainda, o governo determinou que a Companhia Nacional de
suco de laranja FCOJ (suco concentrado congelado) equivalente, Abastecimento (Conab) criasse mecanismos de compra de laran-
com redução de 5% em relação a 2011. A Associação Nacional dos ja através de leilões públicos. As medidas reduziram a estimativa
Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) atribui a queda nas inicial de perda de até 80 milhões de caixas de laranja para, em
vendas externas a um problema estrutural da cadeia citrícola, que fevereiro de 2013, entre 30 a 40 milhões de caixas da fruta.
enfrenta a redução do consumo mundial de suco de laranja, prin- Tal realidade afetou o faturamento do segmento, com leve re-
cipalmente devido à concorrência acirrada com outras bebidas, dução em 2012, estimado em US$ 2.276.437.055,00, na compara-
como energéticos, powerdrinks, ice tea, e águas com sabores. ção com 2011. Entretanto, dois acontecimentos ajudaram a man-
A CitrusBR menciona ainda as duas últimas grandes safras. ter os preços do suco em bom nível: a redução de produção na
Somente no ciclo 2011/12, a produção foi de 428 milhões de cai- Flórida e a já mencionada prorrogação da LEC, que estabeleceu
xas de laranja; e a expectativa para a temporada 2012/13 é de que parte dos estoques da bebida não poderia ser comercializada.
364 milhões de caixas. Os estoques globais brasileiros chegaram Tal medida impediu a saturação do mercado, o que pressionaria
a 662 mil toneladas, o que faria com que boa parte da produção os preços para baixo. n

112
Consumo mundial do suco sofre com a
concorrência de outras bebidas
OUTRO IMPASSE As restrições em 2011 para 134,1 mil toneladas em Desde então, houve recomendação para
dos Estados Unidos ao ingresso de suco 2012 na comercialização do produto para os produtores deixarem de usar o car-
de laranja concentrado brasileiro, por a terra do Tio Sam. bendazim e as empresas também inicia-
conta da presença de resíduos do fungici- Diante do obstáculo, as empresas bra- ram um processo de retirada do fungici-
da carbendazim, tiveram início no come- sileiras à época decidiram não exportar da dos pomares próprios. Cada indústria
ço de 2012 e a CitrusBR avalia queda de para os Estados Unidos até que fossem está retomando suas exportações confor-
19,1%, ou recuo de 165,7 mil toneladas capazes de enviar sucos sem o fungicida. me estratégias particulares.

Despite shrinking exports and NA MÉDIA > on average


smaller revenues, Brazilian Exportação brasileira de suco de laranja

orange juice still is the most Ano


2010
Volume (FCOJ equivalente/t) Receita (US$)
1.199.929 1.774.758.880
popular in the world 2011 1.154.754 2.376.170.174
2012 * 1.096.593 2.276.437.055
Fonte: CitrusBR

ment for a solution. Among the measures set forth, the Special Orange
Brazil continues leading the Credit Line (SOCL) was delayed. This prevented part of the juice from
list of orange juice producers and exporters. The top position being negotiated, thus preventing prices from plummeting.
is attested by the following analysis: three out of every five glass- To this end, the companies assumed the commitment to pur-
es of juice consumed in the world come from Brazil. chase 40 million boxes of oranges, which would otherwise re-
Despite ranking first, the Country exported less juice in 2012: nego- main unsold. Furthermore, the federal government entrusted the
tiations involved 1,096,593 tons of FCOJ (frozen concentrated organ National Supply Company (Conab) with the creation of orange
juice) equivalent, down 5% from 2011. The Brazilian Association of buying mechanisms through public auctions. These measures
Citrus Juice Exporters (CitrusBR) attributes the declining foreign sales managed to reduce the initial losses from the estimated 80 million
to a structural problem of the citrus supply chain, which is now facing orange boxes to 30 to 40 million boxes, in February 2013.
a decrease in global consumption of orange juice, due to tight competi- Such a reality affected the income of the segment, which experi-
tion from other beverages, powerdrinks, ice tea and flavored waters. enced a slight reduction in 2012, estimated at US$ 2,276,437,055.00,
CitrusBR officials also refer to the two past bumper crops. In the compared to 2011. Nonetheless, two events helped with keeping
2011/12 cycle alone, production reached 428 million boxes of oranges; the juice prices at a good level: the smaller crop in Florida and the
the expectation for the 2012/13 cycle is for 364 million boxes. Brazil’s previously mentioned delay in the SOCL, which determined that a
global stocks amounted to 662 thousand tons, leading to a situation certain quantity of the stock should not be traded. Such a measure
at which a great deal of the production volumes found no buyers. In prevented the market from being flooded with orange juice, which
light of this fact, farmers and industries called on the federal govern- would obviously have resulted in lower prices. n

Global orange juice consumption is now


under competition from other beverages
ANOTHER BOTTLENECK The 19.1%, or 165.7 thousand tons in 2011 to mendation for the farmers was to stop ap-
US embargo on Brazilian concentrated or- 134.1 thousand tons in 2012. plying the said fungicide and the companies
ange juice, on account of the presence of resi- In light of this obstacle, the companies de- themselves started the withdrawal process of
dues of the carbendazim fungicide, started cided to interrupt their exports to the United the fungicide from their own orchards. Every
in early 2012 and, according to CitrusPlus, States until the fungicide problem has been industry is in a position to resume their ex-
this made exports to that country recede totally surmounted. Ever since the recom- ports in accordance with their own strategies.

113
Sílvio Ávila

Sem estresse

Prontos para beber, sucos e aumento de 15%; já as bebidas em pó cresceram apenas 0,6% e
as concentradas registraram queda de 5%. Castro estima que a
néctares de fruta aumentaram tendência se manterá nos resultados de 2012.
De acordo com o consultor, na categoria sucos, a laranja se-
participação de mercado em guiu imbatível, com 66,4% do total produzido. Entre os nécta-
2011 devido a fatores como a res, o de pêssego lidera, com 16,1%. No segmento de xaropes e
de sucos concentrados, a laranja aparece novamente na ponta
praticidade no consumo de cima da tabela, com 21,5% do total produzido. E, encerrando
o ranking de 2011, na categoria de refrescos em pó, a laranja
mais uma vez desponta com o maior percentual, de 37,5%. Con-
forme o representante da entidade, as bebidas à base de soja,
O aumento no poder enquadradas na categoria de alimentos, também vêm apresen-
aquisitivo das classes C e D vem causando importante transfor- tando crescimento: a variação positiva foi de 14% em 2011, na
mação no segmento de sucos. Aliado à praticidade para consumo comparação com 2010, com produção de 304.529.000 litros e
e aos preços mais acessíveis, as bebidas prontas para beber – sucos faturamento de R$ 1.084.905.000. A tendência para 2012 é de
e néctares – estão aumentando sua participação no mercado, en- 10% de incremento.
quanto as concentradas e em pó diminuem sua presença. Na avaliação de Igor Castro, em 2012, devido à grande dis-
A avaliação é do consultor do Núcleo de Pesquisa e Desen- ponibilidade de laranjas no mercado brasileiro, a produção de
volvimento da Associação Brasileira das Indústrias de Refrige- sucos com a fruta apresentou crescimento acima da média. Para
rantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Igor Castro. Baseado 2013, a Abir prevê avanço moderado nos segmentos de sucos e
em dados de 2011, ele revela que os sucos e os néctares tiveram néctares. n

114
Sílvio Ávila
No
stress
Ready-to-drink juices and
nectars conquered bigger market
shares in 2011 due to such factors as
ease of handling and practicability

The soaring purchasing power 1,084,905,000. The trend for 2012 is for a 10-percent increase.
of classes C and D has been responsible for transformations Igor Castro understands that, in 2012, due to the surplus of
in the juice segments. Besides being very practical when it comes oranges in the domestic market, the production of orange juice
to consumption, along with affordable prices, the ready-to-drink experienced an above average increase. For 2013, Abir sources
beverages – juices and nectars – are conquering bigger market foresee modest advances in the segments of juices and nectars.n
shares, while concentrates and drink
powders are losing ground. PANORAMA > panorama
The evaluation is by Igor Castro, con- mercado de sucos no brasil
sultant with the Development and Re-
search Nucleus of the Brazilian Associa- Item Variação entre Vol. 2011 Faturamento Tendência
tion of Non-Alcoholic Beverages and Soft 2011/10 (1.000 l) 2011(US$ 1.000) 2012
Drink Industries. (Abir), Igor Castro. Rely- Sucos e néctares 5% 586.079 1.491.605 +10%
ing on data released in 2011, he reveals Sucos em pó 0,6% 3.460.991 1.137.294 -2%
that sales of juices and nectars soared Sucos concentrados -5% 527.538 241.171 -5%
Fonte: Abir
15%; in the meantime, drink powders
went up only 0.6% and concentrates reg- DIVERSIDADE > diversity
istered a drop of 5%. Castro has it that the
Variedades produzidas - 2011
trend will hold true for the 2012 results.
According to the consultant, in the Suco Néctar Xarope concentrado Refresco
juice category, it was the orange juice e suco em pó
that remained undefeated, with 66.4% of Abacaxi 9,6% - 7,7% 10,5%
the total. Among the nectars, peaches are Goiaba - 8,5% 6,9% 1,4%
leading with 16.1%. In the segment of syr- Guaraná - - - 1,2%
ups and juice concentrates, oranges are Laranja 66,4% 15,6% 21,5% 37,5%
again on the top of the list, with 21.5% of Limão 1,3% - - 7,4%
the total. Finally, in the category of juice Maçã - 5,9% - -
powders, it is again the orange that stands Manga 0,8% 11,1% 12,1% 9,7%
out with the highest percentage, 37.5%. Maracujá 11,7% 12,2% 14,9% 7,3%
According to the representative of the Mistura de sabores 1,4% 1,9% - 6,5%
entity, soybean-based beverages, which Morango 0,4% 4,2% - 6%
fall into the food category, are also on a Outros sabores 1% 11,2% 23% 6,1%
rising trend: sales were up 14% in 2011, Pêssego 1,4% 16,1% - -
compared to 2010, with the production Uva 6% 13,3% 13,9% 6,4%
of 304,529,000 liters and revenue of R$ Fonte: Abir

115
Inor Ag. Assmann

Ninguém
resiste

Projeto incentiva consumo ano. Em 2012, o volume embarcado foi 29,32% superior ao do
período anterior, chegando a 83.154 quilos, com faturamento
de suco de uva integral, de US$ 224,4 mil, crescimento de 19,21%. Nesse mesmo ciclo,

aumentando as vendas internas as vendas de concentrado recuaram 45,52% na quantidade e


51,79% na receita obtida, fechando em 2,390 milhões de quilos
e as exportações do produto, e US$ 7,495 milhões.
Conforme o analista de promoção do Ibravin, Edgar Siniga-
considerado benéfico à saúde glia Júnior, o projeto engloba tanto ações no exterior quanto no
mercado interno. “A intenção é divulgar o suco integral entre os
consumidores e também entre os formadores de opinião”, conta.
Em 2012, o produto foi apresentado a prováveis clientes durante
O Brasil tem tradição na a Gulfood, realizada em fevereiro nos Emirados Árabes Unidos.
exportação de suco de uva concentrado, forma que permite Também foram enviadas missões comerciais ao Catar e a Cuba.
o acabamento da bebida no local de destino. Em 2009, no en- O suco de uva integral ainda esteve presente em eventos
tanto, começou a ser trabalhado um projeto que visa agregar de moda, literários, esportivos e outros ligados à saúde, como
valor maior ao produto, vendendo-o na forma integral. Batizada congressos médicos. Uma das ações foi direcionada às crianças,
de 100% Suco de Uva do Brasil, a iniciativa resulta de parceria tendo sido realizada em escolas de Curitiba.
do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) com o Instituto Brasi-
leiro de Frutas (Ibraf ) e com a Agência Brasileira de Promoção NOVOS VOOS Em 2012, um personagem passou a represen-
de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). tar o projeto. O Vavu é um pássaro que possui as penas roxas e
Mesmo que a distância em relação ao suco concentrado um canudinho no bico. Ele só se alimenta de suco de uva inte-
ainda seja enorme, as primeiras ações do projeto já surtiram gral. O objetivo dos idealizadores é criar uma identificação com as
efeito. As exportações de suco integral vêm aumentando a cada crianças e divulgar os benefícios do consumo da bebida. n

116
Irresistible
Project encourages the
consumption of health-
enhancing whole grape juice,
pushing up sales in the domestic
market and shipments abroad

Brazil is a traditional exporter


of grape juice concentrate, which receives it finishing touch
at destination. In 2009, a project was set up with the intention
to add more value to the product, selling it as a whole beverage.
Referred to as 100% Brazilian Grape Juice, the initiative results
from a partnership of the Brazilian Wine Institute (Ibravin) with
the Brazilian Fruit Institute (Ibraf ) and with the Brazilian Trade
and Investments Promotion Agency (Apex-Brasil).
Although still a long way from juice concentrate, the first ini-
tiatives of the project have already yielded good results. Exports
of whole juices have been rising year after year. In 2012, ship-
ments abroad were up 29.32% from the previous year, amount-
ing to 83,154 kilos, bringing in revenue of US$ 224.4 thousand,
representing an increase of 19.21%. During this same cycle, juice
concentrate sales receded 45.52% in quantity and 51.79% in rev-
enue, totaling 2.390 million kilos and US$ 7.495 million.
Inor Ag. Assmann

According to Ibravin’s promotion analyst, Edgar Sinigaglia


Júnior, the project comprises initiatives at home and abroad.
“The idea is to promote the whole juice among the consumers
and among the opinion makers”, he comments. In 2012, the
product was introduced to possible clients during the Gulfood,
LIQUIDEZ > liquidity
held in February in the United Arab Emirates. Commercial del-
egations were also sent to Catar and Cuba. Exportações brasileiras de suco de uva
Whole grape juice was also present at fashion, literary, sports Integral
and health events, like medical conferences. One of the initia- Ano Volume (kg) Receita (US$)
tives was geared towards the children, and was conducted in 2011 64.300 188.311,00
schools located in Curitiba. 2012 83.154 224.493,00
Concentrado
NEW FLIGHTS In 2012, a character began to represent the Ano Volume (kg) Receita (US$)
project. The Vavu is a bird with purple feathers and a drinking 2011 4.387.815 15.549.372,00
straw in its beak. It only feeds on whole grape juice. The objective 2012 2.390.269 7.495.340,00
of the idealizers is to create an identification with children and
Fonte: Secex
promote the benefits of the drink. n Elaboração: Ibravin

117
Marcelino Ribeiro/Embrapa Semiarido

especial > special

E o sertão
118
vira pomar
Sem limites para sonhar. E
concretizar. Esse é o lema da
pesquisa, que começa a viabilizar
o cultivo de frutas temperadas no
semiárido nordestino

Se os grandes feitos da humanidade


acontecem a partir daquilo que se julga impossível, como disse Charles Chaplin,
os cientistas seguem a regra ao pé-da-letra para subverter a lógica estabelecida e
promover revoluções nos mais variados campos do conhecimento. No agronegó-
cio não é diferente: eventualmente surgem inovações que mudam conceitos e, no
jargão comum, quebram paradigmas. Para a pesquisa, o impossível é só um novo
desafio. Como o cultivo da soja no Cerrado era visto há alguns anos.
Há menos de uma década também era considerado impossível cultivar frutas de Divulgação

clima temperado no semiárido nordestino. O verbo está no passado, pois o pes-


quisador Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa Semiárido, de Petrolina (PE), e
produtores da região, mudaram a realidade. Pernambuco surpreendeu ao consoli-
dar, nos anos 90, um polo de produção de vinhos em clima tropical, no Vale do São
Francisco, bem diferente da fria Serra gaúcha, referência nacional.
Entre os anos de 1980 e 1990, o Vale do São Francisco, na divisa dos estados da Bahia
e de Pernambuco, tornou-se referencial brasileiro em fruticultura, com polos impor-
tantes de produção de uvas de mesa, manga e coco, entre outras frutas tropicais. E em
2013, a região celebra os resultados positivos dos primeiros cultivos comerciais de frutas
de clima temperado. Maçãs, peras, caquis e mirtilo mudam as paisagens do semiárido.
A inovação não se restringe à adaptação das frutas de clima frio ao Nordeste. Ca-
caueiro, mangostão e rambutã, tradicionalmente presentes no Norte do País, de clima
úmido, também ocupam áreas experimentais no semiárido. As pesquisas têm apoio da
Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf ) e
visam identificar opções de cultivo nas zonas irrigadas do Nordeste.
Os experimentos e as áreas comerciais estão no Vale do São Francisco (na Bahia e
em Pernambuco) e no Ceará. Os resultados iniciais são positivos, com algumas varie-
dades dando ótima resposta produtiva e qualidade de fruto. Uma vantagem dos cul-
tivos é a colheita em época diferente da do Sul e do Sudeste, o que valoriza os frutos.
“Estas ‘janelas’ de mercado viabilizam a comercialização regional a preço que supera
Fernanda Birolo/Embrapa Semiarido

o custo de produção”, relata o pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes.


Este é um dos potenciais de sucesso da iniciativa, e motivo que levou o produtor
Ernesto Emori a investir em pomares de maçã e pera na Serra da Ibiapaba, no Ceará. Por
ora, cultiva apenas meio hectare de maçã e meio de pera. Os pomares são formados por
seis variedades de maçã e 16 de pera. “Na região serrana, com 800 metros de altitude e
baixas temperaturas noturnas, a maçã tem produzido bem. Vamos seguir avaliando. Se
der certo, podemos ampliar a área”, diz o produtor de abacate e acerola. n

119
Paulo Roberto Coelho Lopes está
à frente do trabalho revolucionário
DE OLHO NO NOVO No projeto tificar o mercado e se o custo de produção surgiu a ideia de fazer alguns experimentos
Nilo Coelho, em Petrolina (PE), o produtor compensará. Após ter resultados mais con- na propriedade, não era mais uma surpresa,
Milton Bin há três anos realiza ensaios com di- cretos, identificando o custo e o potencial de pois já havíamos até degustado algumas frutas
ferentes variedades de maçã e porta-enxertos, mercado da maçã, poderemos ampliar a área no pomar da Embrapa”, revela Milton Bin. O
e considera que, aparentemente, há condições para uns cinco hectares e ir sentindo o merca- produtor costuma manter uma pequena área
de produzir em maior escala. “Temos colhido do gradativamente”, projeta. de sua propriedade para experimentos de cul-
uma maçã de médio porte, boa coloração e Os produtores conheceram o projeto de turas alternativas, que possam agregar renda à
sabor adaptado ao gosto nordestino”, revela. cultivo das fruteiras de clima temperado no sua atividade. “Não podemos colocar todos os
Todavia, a ampliação do pomar dependerá semiárido em dias de campo e visitas técni- ovos na mesma cesta, pois as leis do mercado
também de outros fatores. “Precisamos iden- cas na Embrapa, em Petrolina (PB). “Quando não perdoam”, sentencia.
Divulgação

Turning
remote
lands into
orchards

120
Dreams have no limits. Making
them come true. This is the driving
force behind research, which now

Fernanda Birolo/Embrapa Semiarido


makes growing temperate fruit
trees a viable proposition for the
northeastern semiarid
The innovation is not restricted to the adaptation of cold climate
If great deeds by humanity fruits to the Northeast. Cocoa trees, big mangoes and rambutã, tradi-
start from what is deemed impossible, as Charles Chaplin tionally present in the North of the Country, where climate conditions
said, scientists are following this rule to the letter so as to subvert are very humid, are also occupying trial fields in the semiarid. All
the established logics and promote revolutions in an array of research works rely on financial grants from the São Francisco and
knowledge fields. Things are not different in agribusiness: occa- Parnaíba Valleys Development Company (Codevasf ) and are aimed
sionally, there are innovations that change concepts and, as far at identifying cultivation options in the northeastern irrigated zones.
as jargon goes, they disrupt paradigms. For research, impossible All experiments and commercial areas are located in Vale do São
is just one more challenge. Just like soybean cultivations were Francisco ( Bahia and Pernambuco) and in the state of Ceará. Initial
viewed in the Cerrado regions up to some years ago. results have proved positive, with some varieties excelling in produc-
Less than a decade ago, growing temperate fruits in the northeast- tion and fruit quality. One of the advantages of these cultivations is
ern semiarid was seen as impossible. The verb is in the past tense, be- the fact that they are harvested when it is off-season time in the South
cause researcher Paulo Roberto Coelho Lopes, of Embrapa Semiarid, and Southeast, adding value to the fruits. “These market windows
in Petrolina (PE), and local farmers, have changed this reality. In the result into regional sales at prices that exceed the production cost”,
1990s, the state of Pernambuco surprisingly consolidated a wine pro- comments researcher Paulo Roberto Coelho Lopes.
duction hub in tropical climate, in Vale do São Francisco, quite differ- There is potential success in the initiative, and it is also the rea-
ent from the national reference but chilly Sierra Gaucha. son that convinced farmer Ernesto Emori to invest in apple and pear
During the 1980 – 1990 decade, Vale do São Francisco, at the orchards in the Serra da Ibiapaba region, state of Ceará. To begin
borders of the states of Bahia and Pernambuco, turned into a Brazil- with, he devotes only half a hectare to apples and half a hectare to
ian fruit growing reference, with important production belts of table pears. In the orchards, he grows six varieties of apples and 16 variet-
grapes, mangoes, coconut, and other tropical fruits. In 2013, the re- ies of pears. In the sierra region, at an altitude of 800 meters and low
gion is celebrating the positive results of the first commercial cultiva- temperatures by night, apples have performed well. We will continue
tions of temperature climate fruits. Apples, pears, persimmons and keeping a close watch on the results. If things turn out right, we will
myrtle have changed the landscape across the semiarid. be able to expand the area”, says the avocado and acerola grower. n

Paulo Roberto Coelho Lopes is


charting this new frontier
WITH AN EYE FOR NOVEL- other factors. “We need to identify the mar- cal visits to Embrapa, in Petrolina (PB).
TIES In the Nilo Coelho project, in Petrolina ket and consider the production cost. After “When the idea to start some trials on the
(PE), farmer Milton Bin has been running achieving more concrete results, identifying farm surfaced, it was no longer a surprise,
trials of different apple varieties and root the cost and the potential market for ap- as we had even tried some fruits from Em-
stocks, for three years now. He has it that, ples, we could expand the area to some five brapa’s orchard”, says Milton Bin. The
in a way, commercial crops look viable. “We hectares and gradually coming to grips with farmer usually keeps a small area on his
have harvested apples of medium size, good the market”, he projects. farm for trials on alternative crops likely
color and taste adjusted to the northeastern The farmers learned about the at- to bring in extra income. We should never
palate”, he comments. Nevertheless, orchard tempts to grow temperate climate fruits put all eggs in one basket, as the law of
expansions will also take into consideration in the semiarid on field days and techni- the market never fails”, he stresses.

121
Embrapa, dentro da área experimental onde as fruteiras já pro-
Fernanda Birolo/Embrapa Semiarido

duziam”, diz o pesquisador. Inicialmente olhados com descon-

Um pé
fiança, Paulo Roberto Coelho Lopes e sua proposta de produzir
no Nordeste frutos de outros ambientes brasileiros tornaram-se
referência.
Francisco Zuza de Oliveira, ex-presidente da Associação de

de quê?
Desenvolvimento Agrário do Ceará, aposta nestas alternativas.
“Acredito que o Ceará poderá se tornar autossuficiente em pro-
dução de maçãs em alguns anos. O cultivo se mostra viável e há
vantagens significativas, como a economia de mais de três mil qui-
lômetros de frete, pois toda a fruta consumida no Nordeste vem
do Sul e da Argentina”, explica.
O presidente da Câmara Setorial de Fruticultura do Ceará, Eu-
valdo Bringel Olinda, vê o cultivo de frutas de clima temperado
no Nordeste como grande iniciativa. “Com um clima que propor-
ciona mais de 300 dias de sol por ano, e excelente tecnologia de
irrigação, é possível determinar a época das colheitas e assegurar
condição diferenciada para atender ao mercado regional, que é
importador”, avalia.
Conforme Paulo Roberto Coelho Lopes, “ainda há muito
a fazer para adaptar o manejo e as tecnologias, mas os primei-
ros resultados entusiasmam”. O pesquisador entende que uma
eventual resistência ao projeto foi eliminada com os resultados
iniciais. “É uma proposta com sustentação científica, que está na
fase de consolidação e de avaliação de resultados para os ajustes
necessários”, frisa.
Hoje, tanto cientistas quanto produtores estão acostumados
com o assunto, mas por diversas vezes Coelho Lopes ouviu a per-
Pesquisador da Embrapa gunta: “É para plantar um pé de quê?”. Agora, a ideia está disse-
minada, as tecnologias são de domínio dos fruticultores e dias de
enfrentou o desafio de convencer campo e eventos técnicos são realizados para difundir as práticas
agrícolas. “O desafio é grande, pois se trata de espécies com as
produtores, apoiadores e os quais o produtor do Nordeste não está acostumado. Portanto,
próprios colegas cientistas da exigem mais atenção ainda”, reconhece.
Paulo Roberto destaca que, no momento, após quase quatro
validade do seu esforço anos de cultivo em algumas áreas, a grande meta da pesquisa de
introdução de variedades de clima temperado e úmido no semi-
árido nordestino é alcançar produções economicamente viáveis,
que permitam a exploração comercial das frutas. “Paralelamen-
Quando o pesquisador te, estamos desenvolvendo experimentos com outras espécies
Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa Semiárido, de Pe- para avaliar suas potencialidades”, explica. Inicialmente, foram
trolina (PE), surgiu com a proposta de desenvolver pesquisas a procurados ambientes com uso de alta tecnologia e microclimas
fim de produzir frutas de clima temperado no Nordeste, houve favoráveis ao desenvolvimento das culturas. “Aos poucos, vamos
resistências. “Muitos duvidavam de que fosse possível cultivar, testando e adaptando-as para outras regiões”, explica.
mesmo em ambiente irrigado, com qualidade, escala e custos de No futuro, serão desenvolvidas tecnologias para aquelas cultu-
produção compatíveis para comercializar as frutas”, reconhece. ras que apresentarem maior potencial produtivo e de comercializa-
Mas, com o apoio da Embrapa, da Companhia de Desenvolvimen- ção nos perímetros irrigados do semiárido, a fim de disponibilizá-
to dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf ) e de alguns -las aos agricultores mediante acompanhamento técnico dos órgãos
produtores, a ideia ganhou corpo e virou projeto. de assistência. Com a experiência de décadas na Embrapa, na qual
“Havia uma base científica alicerçando a proposta. Muitos já foi chefe-geral da unidade do Semiárido, Paulo Roberto Coelho
produtores tomaram conhecimento do projeto em eventos da Lopes, é, hoje, um pesquisador do qual ninguém mais duvida.

122
Fernanda Birolo/Embrapa Semiarido

What kind of plant?


Embrapa researcher was faced the Northeast as a great initiative. “With a climate that provides for more
than 300 sunny days a year, and excellent irrigation technology, it is
with the challenge of convincing possible to set the time of harvest and ensure every condition to meet the
needs of the regional market, which is still an importer”, he comments.
farmers, supporters and even his own According to Paulo Roberto Coelho Lopes, “there is still a lot to do in
colleagues of the validity of his efforts terms of adapting management practices and technologies, but the first
results are encouraging”. The researcher understands that casual resis-
tance has been surmounted by the initial results. “It is a bid that relies on
a scientific foundation, now going through its consolidation and results
When researcher evaluation phase for the necessary adjustments”, he stresses.
Paulo Roberto Coelho Lopes, of Embrapa Semiarid, in Petrolina Now, both scientists and farmers have got used to the subject,
(PE), came up with the suggestion to do research on the viability of but for several times Coelho Lopes has been asked: “What type of
producing temperate fruits in the Northeast, there was resistance. tree are we supposed to plant”? Now the idea has been spread, the
“Many people doubted it would be possible to grow such fruits, even fruit growing farmers have already learned how to use the technol-
under irrigation systems, with quality, scale and production costs ogy, field days and technical events are being staged to spread the
compatible with the prices fetched by these fruits”, he acknowledges. new agricultural practices. “The challenge is enormous, as these
Nonetheless, relying on support from institutions like Embrapa and fruit species are completely new to the farmers in the Northeast.
the São Francisco and Parnaíba Valleys Development Company Therefore, they require even more attention”, he acknowledges.
(Codevasf ), along with support from some farmers, the idea gained Paulo Roberto explains that, at the moment, after four years
momentum and was transformed into a project. of cultivations in some areas, the big challenge of the researchers
“The proposal had its foundation on a scientific basis. Lots of regarding the introduction of temperate and wet climate variet-
farmers came to know about the project in events staged by Em- ies in the northeastern semiarid is to come up with economically
brapa, within the trial area where the fruit trees were beginning to viable productions, which lead to commercial orchards. “In the
bear fruits”, the researcher recalls. Initially viewed with distrust, the meantime, we are conducting experiments with other species and
suggestion of Paulo Roberto Coelho Lopes to produce fruit in other evaluating their potentialities”, he clarifies. Initially, we sought en-
Brazilian environments, turned into a reference. vironments where high technology was in place, along with micro-
Francisco Zuza de Oliveira, former president of the Ceará State climates favorable to the development of the crops. “Little by little,
Agrarian Development Association, is betting on the alternatives. “I we are testing and adapting them to other regions”, he comments.
believe that the state of Ceará could become self-sufficient in the pro- In the future, the idea is to develop technologies for the crops
duction of apples within some years. It is possible to grow this fruit that present the best productive and sales potential in the irrigated
and it boasts significant advantages, like a three-thousand kilome- perimeters across the semiarid, putting them at the disposal of the
ter shorter trip in terms of freight costs, since all fruits consumed in farmers, who will receive technical assistance from the competent
the Northeast come from the South and from Argentina”, he argues. organs. With Embrapa’s decade long experience, where he was
The president of the Ceará State Fruit farming Sectoral Chamber, Eu- the chief-executive of the company’s Semiarid Unit, Paulo Roberto
valdo Bringel Olinda, views the cultivation of temperate climate fruits in Coelho Lopes, is now a fully acknowledged researcher. n

124
Divulgação

Sabor de
inverno nos
trópicos

Primeiros desafios foram


vencidos na introdução de
frutas de clima temperado em
ambiente de semiárido, mas há
muito mais pela frente
126
Dentre as culturas pesquisadas no projeto de introdução de espécies de frutas de clima temperado e/ou úmido no semiárido
nordestino, algumas já se destacam. Pera, maçã e caqui tiveram desempenho acima do esperado na primeira fase de avaliação. E
o cacau, de clima úmido, também tem ótimo desempenho no Vale do São Francisco. Conheça os resultados e os potenciais das
principais culturas estabelecidas em maior escala no Nordeste:

PERA CAQUI
Nos quatro primeiros anos de cultivo, a pereira demonstra O caqui, fruta produzida tradicionalmente nas regiões Su-
grande potencial de desenvolvimento e produção no Vale do São deste e Sul do País nos meses de fevereiro a junho, tem alta
Francisco. O pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes, coorde- demanda externa. Em outubro começam as importações da Es-
nador do projeto, explica que a pera tem apelo comercial pelos panha e de Israel e o preço ao consumidor aumenta até seis
volumes importados, de até 95% do mercado interno. “A produ- vezes. No Vale do São Francisco, com manejo adequado, o caqui
ção brasileira não chega a 10% da demanda anual. Entre as frutas é colhido na entressafra. Assim, há demanda e melhores preços
de clima temperado, esta é a terceira mais consumida e importada aos produtores nacionais. No Vale do São Francisco há potencial
pelo Brasil”, revela. O consumo chega a 180 mil toneladas/ano. A para colher 15 toneladas por hectare, no quarto ano de cultivo.
maioria vem da Argentina, do Chile e dos Estados Unidos. “Esse produto entra em condições de competir com a fruta im-
O Brasil tem potencial de consumo para 300 mil toneladas portada e abastecer o mercado interno. Seu potencial é enor-
de peras ao ano, desde que sejam frutas de qualidade, a preços me”, assegura Paulo Roberto Coelho Lopes.
competitivos. “Com estas características, torna-se uma consisten- Também estão em fase inicial de experimentos pela Embrapa
te alternativa à diversificação da fruticultura nos perímetros irri- culturas como amora, mirtilo, de ambiente temperado; mangos-
gados do Nordeste”, diz Paulo Roberto Coelho Lopes. No Vale do tão e rambutã, frutas características de clima quente e úmido. “Há
São Francisco, a cultura produz 60 toneladas/ha no quarto ano de boas condições, com o manejo, as variedades e as tecnologias in-
cultivo e faz duas safras por ano, como a maçã e o caqui. dicadas e testadas pela Embrapa, de o semiárido ampliar significa-
tivamente sua oferta de frutas em geral para o mercado brasileiro
e, também, de agregar alternativas de produção e de renda aos
MAÇÃ fruticultores do Nordeste”, finaliza Paulo Roberto.
Se na mitologia a maçã representa o pecado, no Nordeste ela
pode representar a redenção econômica para um grupo impor-
tante de produtores. A maçã é a fruta de clima temperado mais CACAU
comercializada fresca nos mercados internacional e doméstico. A No Vale do São Francisco, a irrigação e a tecnologia desenvol-
produção nacional é de 1,2 milhão de toneladas e, ainda assim, vida pela Embrapa Semiárido, de Petrolina (PE), dão suporte para
são importadas 50 mil toneladas anuais. O consumo no Nordeste o que parecia impossível: produzir cacau em pleno Sertão per-
só aumenta. Um exemplo clássico é o mercado produtor de Jua- nambucano. “O uso da irrigação potencializa o desenvolvimento
zeiro (BA), que movimenta 200 toneladas por semana. das plantas e dos frutos, e o clima reduz em muito os riscos da
Com base nas pesquisas da Embrapa, a macieira é alternativa cultura, como doenças e pragas”, enfatiza o pesquisador Paulo
de cultivo nos perímetros irrigados do Vale do São Francisco. A Roberto Coelho Lopes.
região demonstra potencial produtivo superior a 20 toneladas/ha O produtor José Ilton de Lima cultiva cacau há quatro anos em
no terceiro ano de cultivo, ou seja, seriam necessários 10 hectares sua propriedade, no Vale do São Francisco, e está satisfeito com
para cada semana de consumo apenas na região de Juazeiro, so- o desenvolvimento. “Antes, se me dissessem que dava para colher
mando 520 hectares de cultivo direcionados a suprir a demanda cacau aqui, duvidaria. Até hoje há quem duvide quando digo que
deste mercado. “A perspectiva para o Nordeste é muito maior e estou colhendo cacau no Sertão. Mas vi o sistema na Embrapa e,
devemos considerar que tanto a demanda quanto o potencial de com ajuda do doutor Paulo, fiquei animado. O resultado é bom e
produção estão crescendo”, explica Paulo Roberto Coelho Lopes. ainda vai ser melhor”, resume.
As áreas atuais são baixas, resumidas aos experimentos e aos in- Na propriedade de José Ilton de Lima, a cultura do cacau é con-
vestimentos de alguns produtores. Além do Vale do São Francis- sorciada com coco, pois precisa do sombreamento para se desenvol-
co, as maçãs, de diversas variedades, são testadas e cultivadas no ver. As safras têm potencial de produzir de 200 a 300 arrobas por
Ceará, na Serra da Ibiapaba e nos municípios de Tianguá, Aracati hectare, o que é até seis vezes mais do que a produtividade média de
e Limoeiro do Norte. O próximo Estado do Nordeste que deve lavouras do Sul da Bahia (entre 45 a 50 arrobas, segundo o governo
entrar no programa é o Rio Grande do Norte. baiano). Nesta região, é possível fazer duas safras de cacau por ano.

127
Sílvio Ávila

A taste of winter
in the tropics
First challenges have
been conquered with
the introduction of
temperate fruits in the
semiarid, but there is
much more ahead of us

128
Of the variety of crops which were studied in the project for the introduction of temperate and/or wet climate fruit species in the
northeastern semiarid, some of them are beginning to stand out over the others. The performance of pears, apples and persim-
mons exceeded expectations during the first evaluation stage. And wet climate cocoa has shown excellent performance in Vale
do São Francisco. The following are the potentials and the results of the main crops established on large scale in the Northeast:

PEAR PERSIMMON
Over the first four years under cultivation, pears have demon- The persimmon, a fruit traditionally produced in the Southeast
strated great development and production potential in Vale do São and South, February through June, is highly demanded abroad. In
Francisco. Researcher Paulo Roberto Coelho Lopes, coordinator of the October, imports from Spain and Israel start, and consumer prices
project, explains that pears exert a strong commercial appeal, which sometimes jump sixfold. In Vale do São Francisco, under appropri-
is attested by the huge imports of this fruit, up to 95% of the pears ate management, the persimmon crop is harvested at off-season time.
in the domestic market come from abroad. The pears produced in There is demand, while farm gate prices soar. In Vale do São Fran-
Brazil supply less than 10% of the market, annually. Of all temper- cisco there is potential for 15 tons per hectare, in the fourth growing
ate fruits, they rank as the third most consumed and most imported season. “The local persimmons have every condition to compete with
in Brazil”, he recalls. Consumption amounts to 180 thousand tons imported fruits and supply the domestic market. Its potential is enor-
a year, and they come from the United States, Argentina and Chile. mous”, stresses Paulo Roberto Coelho Lopes.
Brazil’s potential consumption is for 300 thousand tons of pears There are other Embrapa experiments now in their initial stag-
a year, provided they are quality fruits, at competitive prices. “With es, including crops like mulberries, myrtles, of temperate climate;
such characteristics, it becomes a consistent alternative to diversifica- mangosteen and rambutã, typical fruits of warm and wet climates.
tion of fruit farming in the irrigated perimeters across the Northeast”, “There are good conditions, with recommended management, variet-
says Paulo Roberto Coelho Lopes. In Vale do São Francisco, the crop ies and technologies tested by Embrapa, for the semiarid to expand
reaches to 60 tons/ha in the fourth growing season, and two crops a considerably its fruit supplies to the Brazilian market and, equally,
year are harvested, just like apples and persimmons. add production alternatives and more income for the farmers in the
Northeast”, Paulo Roberto concludes.

APPLE
If the apple appears throughout mythology as a symbol of COCOA
temptation, in the Northeast it could represent the economic re- In Vale do São Francisco, the irrigation system and technol-
covery for a group of important farmers. The apple is the most ogy developed by Embrapa Semiarid, in Petrolina (PE), lend
sold fresh temperate fruit in the international and domestic support to what seemed impossible: the production of cocoa in
markets. Annual production in Brazil amounts to 1.2 million the hinterlands of Pernambuco. “The use of irrigation potenti-
tons, not enough to supply the domestic market, once 50 thou- ates the development of plants and fruits, and the local climate
sand tons are imported a year. In the Northeast, apples are get- conditions reduce all types of risks, like diseases and pests”, ar-
ting more and more popular. A classical example is the farmers’ gues researcher Paulo Roberto Coelho Lopes.
market in Juazeiro (BA), where 200 tons a week are sold. Farmer José Ilton de Lima has grown cocoa trees for four
Relying on surveys conducted by Embrapa, apples are a good years on his farm, located in Vale do São Francisco, and is sat-
alternative for the irrigated regions in Vale do São Francisco. The isfied with the way his crop is unfolding. “In the past, if I had
region boasts a production potential for upwards of 20 tons/ha been told it was possible to grow cocoa around here, I would
in the third growing season, that is to say, ten hectares would be not have believed. Even nowadays, there are people who shrug
needed for just one week’s consumption in the Juazeiro region, their shoulders in disbelief if I tell them I am harvesting cocoa
meaning 520 hectares of apples just to supply that market. “There are in the hinterlands. The fact is, I learned about the system from
great perspectives for the Northeast, and we should take into consider- Embrapa and, with the help of Dr Paulo, I got excited. The result
ation that both demand and the production potential are on the rise”, has been good so far and will even be better”, he summarizes.
explains Roberto Coelho Lopes. The present areas are low, restricted to In José Ilton de Lima’s farm, cocoa is intercropped with co-
the experiments and to the investments by some farmers. Besides Vale conut trees, as it needs a shady environment to develop. The
do São Francisco, apples of different varieties are being tested in potential of the crops is for the production of 200 to 330 arrobas
the state of Ceará, in Serra da Ibiapaba and in the municipali- per hectare, which is six times as much as the farms in the South
ties of Tianguá, Aracati e Limoeiro do Norte. The next State of the of Bahia ( from 45 to 50 arrobas, according to state government
Northeast to join the program is Rio Grande do Norte. sources). In this region, two crops a year are viable.

129
Sílvio Ávila

eventos > events

A cor do
130
Brasil
Frutal chega a 20ª edição,
em setembro de 2013,
abordando os diferentes
sabores, cores e aromas das
frutas e das flores brasileiras

Imagine obter informações e


conhecimentos sobre as novas e variadas tecnologias e pesquisas nas cadeias de Sílvio Ávila

flores e de frutas. Isso tudo em um único lugar, e em poucos dias. Pois esse cenário
poderá ser encontrado em setembro de 2013 no Centro de Eventos do Ceará, em
Fortaleza. Entre os dias 9 e 12 acontece a 20ª edição do Frutal – Semana Internaci-
nal da Fruticultura, Floricultura e Agroindústria.
A Frutal teve início em 1994 e desde 1999 está sob a responsabilidade do Institu-
to Frutal. Nessa edição, os participantes terão à disposição, no amplo espaço de um
dos maiores e mais modernos centros de convenções da América Latina, os aromas,
as cores e os sabores que representam a diversidade brasileira. Em 2012, quando
pela primeira vez o evento foi realizado no local, 35 mil pessoas circularam pelos
salões de exposições e salas das palestras e cursos técnicos.
Em 2013, a programação inclui outros importantes eventos, que serão reali-
zados simultaneamente e de forma interativa com o Frutal. Um deles é a segunda
edição da Expofood, organizada em parceria com a Associação Brasileira de Bares e
Restaurantes (Abrasel). A feira é direcionada a profissionais da área de alimentação,
que terão a oportunidade de conhecer os lançamentos do mercado, com destaque
para design de embalagens, rótulos e etiquetas, automação industrial, veículos de
armazenagem, refrigeração e tratamento de efluentes.
Aos interessados em floricultura, a pedida é acompanhar a 15ª Agroflores, que
conta com a parceria da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais do Estado
do Ceará e do Serviço de Apoio às Micro e e Pequenas Empresas (Sebrae/CE). Está
prevista a realização de cursos, palestras, seminários setoriais, workshops e oficinas
florais, destinados às pessoas que buscam começar ou incrementar o negócio na área.
A programação da Frutal também abrigará um evento científico, a 20ª Reunião
Internacional da Associação para a Cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento
Integral das Musáceas (bananas e plátanos), a Acorbat 2013. Junto haverá uma feira
Sílvio Ávila

específica para o setor, a Expoacorbat. A previsão é de participação de pesquisado-


res da área oriundos de mais de 50 países. n

131
Programa inclui exposição na área
de alimentos e de flores e um evento científico
A HORA DOS NEGÓCIOS As nos encontros durante a programação, namentais, e agricultura familiar.
empresas participantes do Frutal e seus foram fechados contratos na ordem de Logo após o término do evento em
eventos paralelos poderão fechar ne- R$ 23 milhões. Fortaleza, acontece a edição 2013 da Frutal
gócios no próprio espaço do centro de Já os cursos técnicos, oferecidos nos Amazônia e da Flor Pará, marcada para o
convenções. Para tanto, deverão ser pro- quatro dias do evento, abrangem três período de 12 a 15 de setembro, em Belém
porcionadas rodadas de negociação para segmentos de interesse do público-alvo: (PA). A programação começa a ser definida
os mercados interno e externo. Em 2012, frutas e agroindústria, flores e plantas or- pelas comissões a partir de maio.
Sílvio Ávila

The color
of Brazil

132
Frutal reaches its 20th edition,
in September 2013, addressing
different tastes, colors and aromas
of Brazilian fruits and flowers

Imagine getting information


and knowledge about the new and various technologies and re-
search works conducted by the flower and fruit supply chains. All this
in one place, and in a couple of days. This is the scenario of the Ceará
State Events Centers, in Fortaleza, venue for the September 2013
event. The second edition of Frutal – International Fruit, Flower and
Agroindustry Week – has been scheduled for 9 – 12 September 2013.
Frutal had its beginning in 1994, and since 1999 has been
under the responsibility of the Frutal Institute. In the vast venue
of one of the most modern convention centers in Latin America,
participants will get a grasp of aromas, colors and flavors that
represent Brazil’s diversity. In 2012, when the event was held in the
venue for the first time, 35 thousand people circulated through the
exhibitions halls, attended lectures and technical courses.
In 2013, the program includes other important events, to be
held simultaneously and in interactive manner with the Frutal.
One of them is the second edition of Expofood, organized in part-
nership with the Brazilian Association of Bars and Restaurants
Sílvio Ávila

(Abrasel). The fair is geared towards professionals of the food


area, which will have a chance to learn about the new products
being launched into the market, where the highlights are pack- seminars, floral workshops and others, destined for people who con-
aging designs, labels, tags, industrial automation, warehousing sider starting or improving businesses in this area.
trucks, refrigeration, and effluent treatment. The Frutal program also includes a scientific event, the 20th
To those interested in fruit growing, the recommendation is for International Meeting of the Association for Cooperation in Re-
attending the 15th Agroflowers, which relies on a partnership with search and Integral Development of the Musaceae (Bananas and
the Ceará State Flowers and Ornamental Plants Sectoral Chamber plantain bananas), Acorbat 2013, along with a specific fair of the
and on support from the Brazilian Micro and Small Business Sup- sector, known as Expoacorbat. Researchers from upwards of 50
port Service (Sebrae/CE). The event features, courses, lectures, sectoral countries are expected to attend the event. n

Program includes food and flower


exhibitions and a scientific event
BUSINESS TIME The companies that closed during the event reached R$ 23 million. Right after the Fortaleza event, the 2013
take part in the Frutal and its parallel events, The technical courses offered during the edition of Frutal Amazônia and Flor Pará
will be able to close business deals in the con- four day event, include three segments of will take place. They have been scheduled
vention center itself. To this end, negotiation great interest to the target public: Fruits for 12 – 15 September, in Belém (PA). The
rounds will be staged for both domestic and and agroindustries, flowers and ornamen- program starts to be defined by the com-
foreign markets. In 2012, total business deals tal plants, and family farming. mittees as of May this year.

133
Sílvio Ávila

Um megaevento
sobre bananas

A mega-
event on
bananas
Mais de mil pesquisadores em sidente da Acorbat entre 2006 e 2008, e agora está na coordenação
técnica da reunião internacional de Fortaleza. Ele explica que o en-
banana da América Latina contro oferece aos estudiosos da cultura de bananas a chance de um
intercâmbio de ideias com os colegas de toda a América Latina. “É o
encontram-se em 2013 durante momento da apresentação das novas tecnologias e dos conhecimen-
a Frutal, em Fortaleza (CE), para tos gerados na área”, observa.
Os trabalhos inscritos na reunião poderão ser apresentados por
discutir inovações meio de palestras ou de pôsteres, que ficarão em exposição durante
os cinco dias do evento. As participações serão divididas em oito áreas
temáticas: estratégias para redução de agroquímicos; fisiologia, clima
e produção; melhoramento e uso da diversidade genética; mercado:
Pela segunda vez o Brasil será tendências e oportunidades; pós-colheita e processamento; pragas
sede do mais importante encontro de bananicultura do mundo. e enfermidades de importância econômica; sigatokas; e sistemas de
A 20ª Reunião Internacional da Associação para a Cooperação em produção. As melhores contribuições serão selecionadas pelo comitê
Pesquisa e Desenvolvimento Integral das Musáceas (Acorbat), que en- técnico-científico da Acorbat para serem publicadas na revista interna-
globa bananas e plátanos, ou bananas de cocção, acontece dentro da cional Fruits.
programação da Frutal 2013, em Fortaleza (CE), entre os dias 9 e 13 de Junto com a reunião internacional acontece a Expoacorbat, uma
setembro. Em 2006, o evento foi realizado em Joinville (SC). feira que apresenta as últimas tecnologias e os insumos do setor. A
O pesquisador Luiz Alberto Lichtemberg, da Empresa de Pesqui- Acorbat 2013 deve reunir em torno de 1.200 pesquisadores de mais
sa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), foi pre- de 50 países. n

134
Associação foi criada a fim de estimular
o intercâmbio das informações
A ENTIDADE A fundação da Acorbat tantes comerciais e economistas do Caribe, começou no Caribe, e em pouco tempo
está diretamente ligada ao Caribe. A consti- que participaram do encontro, concluíram atingiu toda a América Latina. Os pesqui-
tuição da associação ocorreu em 12 de ju- que havia problemas em comum entre os sadores brasileiros, segundo Luiz Alberto
lho de 1966, na ilha francesa da Martinica. A produtores da região e que o intercâmbio de Lichtemberg, começaram a participar da
ideia, no entanto, foi concebida dois anos an- experiências poderia ser estimulante para a Acorbat na década de 1970. A primeira
tes. Em fevereiro de 1964, o Instituto Francês solução dessas questões. reunião internacional da entidade aconte-
de Pesquisas de Frutas de Ultramar (Ifac) e o A partir daí, ficou resolvido que seriam ceu em Castries, na Ilha de Santa Lúcia, em
governo da França organizaram uma reunião realizados encontros periódicos para dis- 1970, e contou com 70 participantes. A úl-
sobre o cultivo de bananas na ilha de Gua- cussão dos assuntos relacionados à banani- tima, realizada em Medellin, na Colômbia,
dalupe. Industriais, pesquisadores, represen- cultura. Era o embrião da associação, que registrou a presença de 1.260 especialistas.

More than one thousand banana sided over the Acorbat from 2006 to 2008, and is now a member of
the technical committee of the international meeting in Fortaleza.
researchers come together during the He explains that the meeting will provide all banana researchers
with chances to exchange ideas with their colleagues in Latin Ameri-
2013 Frutal event, in Fortaleza (CE), for ca. It is the moment for introducing new technologies, whilst sharing
debates focused on innovations knowledge generated in the area”, he observes.
All papers registered for the meeting can be presented through
lectures or posters, and will be displayed during the five-day meet-
ing. All participations are to be split into eight theme areas: pesticide
reduction strategies; physiology, climate and production; improve-
For the second time Brazil ment and use of genetic diversity; market: trends and opportuni-
will host the biggest global event focused on banana farming. ties; post-harvest and processing; pests and diseases of economic
The 20th International Meeting of the Association for Cooperation relevance; and production systems. The best contributions will be
in Research and Integral Development of the Musaceae (Acorbat), selected by Acorbat’s technical and scientific committee to be pub-
which includes bananas and plantains, or saba bananas, has been lished in the international Fruits magazine.
included in the Frutal 2013 program, in Fortaleza (CE), 9 – 13 Sep- The international meeting also includes the Expoacorbat, an ex-
tember. In 2006, the event was held in Joinville (SC). hibition that features the latest technologies and inputs of the sector.
Researcher Luiz Alberto Lichtemberg, of the Santa Catarina State Acorbat 2013 is expected to attract 1,200 researchers from upwards
Rural Extension and Agriculture Research Company (Epagri), pre- of 50 countries. n

Association was created with the aim to


foster information interchange
THE ENTITY The creation of the Acor- sales representatives and economists from started in the Caribbean, and soon spread
bat is directly linked with the Caribbean. The the Caribbean, who attended the meeting, across the entire Latin America continent.
association was officially instituted on 12th concluded that there were common problems Brazilian researchers, according to Luiz
July 1966, in the French island Martinica. The among the banana growers across the region Alberto Lichtemberg, joined the Acorbat
idea of the event had been conceived two years and that the exchange of experiences could meetings in the 1970s. The first interna-
before. In February 1964, the French Institute prompt solutions to those questions. tional meeting of the entity was held in
of Overseas Research on Fruits (Ifac) and the From that time onward, it was decided Castries, on the Island of Santa Lúcia, in
government of France organized a meeting on that periodical meetings would be held to 1970, and attracted 70 participants. The
the cultivation of bananas on the Guadalupe debate matters related to banana farming. latest, held in Medellin, in Colombia, regis-
island. Industry related people, researchers, It was the embryo of the association, which tered the presence of 1,260 specialists.

135
Sílvio Ávila

sinta-se convidado > feel at home


4º Simpósio Brasileiro de Acarologia
Data: 30 de abril a 3 de maio de 2013
Local: Bento Gonçalves (RS)
Fone: 19 3243 0396
E-mail: sibac2013@gmail.com
Site: www.sibac.net.br/index.html

1º Festival Nacional do
Mamão – Brasil Papaya
Data: 15 a 18 de maio de 2013
Local: Linhares (ES)
Fones: 27 3264 0477 e 27 9946 9110
E-mail: lia@brapex.net
Site: www.brapex.net

Hortitec – 20ª Exposição Técnica


de Horticultura, Cultivo Protegido
e Culturas Intensivas
Data: 19 a 21 de junho de 2013
Local: Holambra (SP)
Fone: 19 3802 4196
E-mail: vandas@rbbeventos.com.br
Site: www.hortitec.com.br

Expofruit 2013 – Feira Internacional da


Fruticultura Tropical Irrigada
Data: 10 a 12 de julho de 2013
Local: Mossoró (RN)
Fone: 84 3312 6939
E-mail: expofruit@gmail.com
Site: www.expofruit.com.br

13º Enfrute – Encontro Nacional sobre


Fruticultura de Clima Temperado
Data: 23 a 25 de julho de 2013
Local: Fraiburgo (SC) da Fruticultura, Floricultura
Fone: 49 3561 2000 e Agroindústria
E-mail: enfrute@epagri.sc.gov.br Data: 9 a 12 de setembro de 2013 Local: Fortaleza (CE)
Site: www.uniarp.ed.br/enfrute Local: Fortaleza (CE) Fone: 47 3341 5212
Fone: 85 3246 8126 E-mail: licht@epagri.sc.gov.br
5º Congresso Internacional e 5º Encontro E-mail: geral@frutal.org.br Site: www.acorbatinternacional.com
Brasileiro sobre Anonáceas Site: www.frutal.org.br
Data: 19 a 23 de agosto de 2013 Frutal Amazônia 2013 e Flor Pará
Local: Botucatu (SP) Acorbat 2013 - 20ª Reunião Internacional Data: 12 a 15 de setembro de 2013
E-mail: anonasbrazil@yahoo.com.br da Associação para a Cooperação em Local: Belém (PA)
Blog: vciabrazil.blogspot.com.br Pesquisa e Desenvolvimento Integral das Fone: 85 3246 8126
Musáceas (bananas e plátanos) E-mail: geral@frutal.org.br
Frutal 2013 – 20ª Semana Internacional Data: 9 a 13 de setembro de 2013 Site: www.frutal.org.br

136
O ar passa, o sabor e a
qualidade da fruta ficam
Com a embalagem Alta Ventilação MWV Rigesa, o transporte e
armazenamento das frutas ficam muito mais rentáveis. Nossas
embalagens foram criadas para facilitar a passagem de ar,
proporcionando alta velocidade no resfriamento e diminuindo o
custo de refrigeração. Além de manter suas frutas conservadas
por mais tempo, seu produto fica em exposição com a maior
área de visualização possível.
Araçatuba, SP - 18 3607 3700
Blumenau, SC - 47 3221 5333
Fortaleza, CE - 85 3452 3620
Salvador, BA - 71 3525 8780
Valinhos, SP - 19 3869 9000
www.mwvrigesa.com.br
EFICIENTE NAS CULTURAS DE TOMATE, CEBOLA E BATATA.

RIDOMIL GOLD BRAVO


CUIDA DA SUA PLANTAÇÃO,
PROTEGENDO SEMPRE
E COMBATENDO
QUANDO NECESSÁRIO.
Ridomil Gold Bravo é o pior inimigo para as principais doenças que atacam
a sua plantação: a requeima no tomate e na batata e o míldio na cebola.
Isso porque ele é o único que combina dois ativos poderosos: um sistêmico
e outro protetor. Além disso, ele é resistente à chuva e tem grande
aderência na planta. Com Ridomil Gold Bravo, a sua plantação fica
protegida e você fica tranquilo.
© Syngenta, 2013.