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FACULDADE CAMPO LIMPO PAULISTA

Fabiana

A história da mulher na vida política no Brasil e em Várzea paulista

CAMPO LIMPO PAULISTA - SP

2010
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A história da mulher na vida política no Brasil e em Várzea paulista

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Licenciatura
em História da Faculdade Campo Limpo
Paulista como requisito parcial para a
obtenção do título de Licenciatura em
História.

Orientador: Professora Ms. Ellen Lucas


Rozante

Campo Limpo Paulista – SP


2010

FACULDADE CAMPO LIMPO PAULISTA


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Fabiana

A história da mulher na vida política no Brasil e em Várzea Paulista

Aprovado 15/12/2010 para obtenção do título de História Licenciatura.

Banca Examinadora:

_______________________________________
Professora Ms. Ellen Lucas Rozante

_______________________________________
Professora Dr. Thaís Battibugli
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RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso faz uma análise crítica da história da vida
política da mulher no país, e especificamente na cidade de Várzea Paulista. Por muito
tempo a participação das mulheres na política foram negados, pois as elas eram
vetados o direito ao voto e a se candidatar. Somente em 1932 durante o governo de
Getulio Vargas as mulheres conquistaram estes direiros. Hoje a situação da mulher na
vida pública não alcançou grande expressividade, já que sendo 51% da população
votante, menos de 12% ocupam cargos públicos.
Palavras-chave: Política, direitos, mulheres.
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SUMÁRIO

Resumo....................................................................................................................04

Introdução................................................................................................................06

1 A Mulher no processo Político...........................................................................10


2 Mulheres não votam em mulheres.....................................................................14

Conclusão.................................................................................................................27

Bibliografia................................................................................................................28
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INTRODUÇÃO

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Historicamente o papel da mulher na sociedade era o de mãe e esposa. Era
negado a ela um espaço mais amplo na sociedade. Aos poucos as mulheres foram
buscando desbravar seu espaço e se inseriu no mercado de trabalho, e partir daí
avançaram muito na conquista de seus direitos, fruto de um longo processo de lutas e
resistências.
A cada dia, historiadores desvendam a importância das mulheres nas ações
políticas e revolucionárias. No Brasil a presença da mulher nas lutas revolucionárias
está sendo desvendada aos poucos, principalmente no que diz respeito a política e ao
direito ao voto.
A conquista ao voto em 1932 não significou grandes mudanças. As mulheres
continuaram submetidas a uma estrutura patriarcal conservadora e um modelo de
cidadania que previlegiava a vida publica como masculina. A insegurança feminina foi
inevitável, pois sendo desconhecedora do mundo e das regras políticas, levou a mulher
a se afastar da estrutura do poder político.

Hoje, as mulheres conquistaram um espaço muito importante na sociedade


moderna, porém ainda enfrentam preconceitos e barreiras que precisam ser superadas.
No campo do trabalho as mulheres ainda sofrem com a discriminação salarial e a
flexibilização de seus direitos. No ensino superior existe uma segmentação sexual dos
cursos, sendo os cursos femininos ligados a licenciatura, nutrição e assistência. Na
esfera política o numero de mulheres exercendo cargos público é muito pequena,
mesmo com a lei de cotas.
Felizmente o debate sobre os gêneros está cada vez mais presente. A demanda
por formação e diversificação nos sindicatos e movimentos estudantis. E para
rompermos com os preconceitos e as discriminações o debate e a formulação de
políticas públicas será de grande importância.
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Em relação a política, muito se fala a respeito da pouca participação da mulher


na vida pública. São muitos os debates e poucas são as respostas.
Dos 30% de vagas destinadas as mulheres nos partidos políticos, apenas 10%
são preenchidas. Isto demonstra que a mulher ainda não absorveu a ideia de ocupação
deste espaço.
Somos hoje um dos países de menor participação política da mulher no
parlamento. O Brasil ocupa o lugar 148 no ranking de mulheres no parlamento, em um
total de 180 países. Estes índices se assemelham ao de países muçulmanos onde as
mulheres têm enormes restrições.
Muitas são as especulações dos porquês da falta de representatividade da
mulher no parlamento. Elas podem envolver medo, falta de recursos financeiros; mas a
baixo auto-estima da mulher pode ser um fato muito relevante. As mulheres são ótimas
militantes para seus pais, maridos e nunca pensam que podem aproveitar deste
potencial para sua própria campanha.

Hoje o voto da mulher está em grande evidencia. E nunca se falou tanto da


importância do seu voto como agora. E isto é uma grande novidade, já que o voto
feminino nunca foi levado em grande consideração pelos candidatos. E a própria
ausência da mulher no parlamento não preocupavam os formadores de opinião e
principalmente os partidos políticos. Outro fator que vem junto com a novidade do voto
da mulherer, é constar que as mulheres votam menos em mulheres do que os homens.
Também existem muitas especulações sobre o fato, e penso que o mais relevante seja
o fato das mulheres candidatas não se apresentarem como tal, é ainda pior se
candidatarem como figuras estereotipadas como mulher fruta. Boa parte da mulheres
não se identificam com este tipo de candidato, por isso seu voto vai para outro , mesmo
sendo um palhaço.
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1 Decreto que Institui o Direito do Voto à Mulher

A título de referência, transcrevemos o Decreto, a seguir:

DECRETO Nº 21.076 - DE 24 DE FEVEREIRO DE 1932


O Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil
Decreta o seguinte:
CÓDIGO ELEITORAL / PARTE PRIMEIRA
Introdução
Art. 1º Este Código regula em todo o país o alistamento eleitoral e as eleições federais,
estaduais e municipais.
Art. 2º É eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma
deste Código.
Art. 3º As condições de cidadania e os casos em que se suspendem ou perdem os
direitos de cidadão, regulam-se pelas leis atualmente em vigor, nos termos de decreto
nº 19.398, de 11 de novembro de 1930.
Art. 4º, entendendo-se, porem, que:
a) o preceito firmado no art. 69, nº 5, da Constituição de 1891, rege igualmente a
nacionalidade da mulher estrangeira casada com brasileiro;
b) a mulher brasileira não perde sua cidadania pelo casamento com estrangeiro;
c) o motivo de convicção filosófica ou política é equiparado ao de crença religiosa, para
os efeitos do art. 72, § 29, da mencionada Constituição;
d) a parte final do art. 72, § 29, desta, somente abrange condecorações ou títulos que
envolvam foros de nobreza, privilégios ou obrigações incompatíveis com o serviço da
república

1 História da mulher na política

1.1 A historia da mulher pelo cenário político

No início a mulher era cultuada como uma deusa; o ser que possuía o dom da
fertilidade e concepção. Com o passar das eras o homem descobre que sem ele a
mulher não pode conceber.
Desta forma o homem passa a dominar o mundo relegando à mulher apenas a
procriação, cuidados com os filhos e a casa, e servindo-o obviamente.
A interação entre o comportamento social e biológico influenciou nosso
comportamento ao longo do tempo. Em algumas culturas antigas, como no Egito, a
mulher tinha algumas regalias em outras nem tanto. Hoje o ocidente, onde a sociedade
se mostra aparentemente liberal, o regime patriarcal continua predominante. O perfil
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que se formou nessa sociedade do patriarcado, é o de excluir e estabelecer parâmetros


entre homens e mulheres.
Na Idade Média, a mulher era educada em conventos primorosamente apenas
para afazeres domésticos. Já a plebéia continuava iletrada e rude. Com o advento do
capitalismo a opressão se multiplica com o trabalho assalariado. E mesmo com a
Revolução Industrial as mulheres assistiram a concentração do poder nas mãos dos
homens cada vez mais.
Na revolução industrial, século XIX, a mulher entra no mercado de trabalho.
Realiza os mesmos serviços que os homens, com salários menores. Deste diferencial,
surge movimentos reivindicavam melhor remuneração, reforma jurídica, melhor status
para a mulher, igualdade e direito ao voto.
Mas a maior conquista feminina foi o da cidadania e através dela, é que a mulher
se torna um sujeito político.

1.2 Mulher no processo Político brasileiro

Devido a discriminação, a luta política da mulher não é tão visível e transparente.


No início do século passado, algumas sufragistas subiram em um pequeno avião
para atirar panfletos a favor do voto feminino. Os conservadores profetizaram: “Hoje, as
mulheres querem votar, amanhã vão querer ser prefeitas governadoras e até
presidentes do Brasil”. E não é que estavam corretos? E hoje, algumas mulheres
almejam um cargo político.
Foram muitas as lutas para quebrar barreiras e resistências. O gesto de
depositar uma cédula na urna custou muito trabalho e suor.
Após a Proclamação da República, em 1889, as mulheres fundaram na capital
federal o Partido Republicano Feminino, que tinha como objetivo promover a
cooperação entre as mulheres e trazer para o debate público o pleito das mulheres por
cidadania plena. Em 1920 surgiram as ligas de mulheres que tinham como aspiração o
Progresso Feminino. Em 1922 surgiu a poderosa Federação Brasileira pelo Progresso
Feminino, dirigido por Bertha Lutz e o Comitê das Mulheres Trabalhadoras. Em 1931,
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Natécia da Silveira fundou a Aliança Nacional das Mulheres, e a seguir a Aliança Cívica
das Brasileiras. A partir de então, a presença da mulher no cenário político se tornou
mais notória.
Foi uma luta até o colégio eleitoral estender em 1932 o voto as mulheres. No
entanto só as alfabetizadas poderiam votar, já que a legislação excluía estes cidadãos.
Por isso muitas mulheres ficaram de fora.
Ser votada foi o outro lado da moeda. A primeira mulher eleita foi a médica
Carlota Pereira Queirós (1892 - 1982), deputada estadual de São Paulo em 1934. Foi
seu projeto o de criação de serviços sociais no país. Em 1936 Almerinda Gama, foi a
primeira mulher negra a ocupar o cargo de Deputada no Brasil.

Em 21 de março de 1965, Várzea Paulista no interior de São Paulo foi elevada a


categoria de Município. No dia 11 de janeiro de 1965 ocorreram convocações políticas
para escolher os primeiros representantes. Dentre eles estava Idoroti de Souza,
primeira e única mulher vereadora eleita para a prefeitura de Várzea, pelo Partido
Social Progressista. No ano de 1969, pelo partido da arena, concorreu novamente e
consegue 136 votos. Durante sua gestão foi responsável pela sugestão de criação da
biblioteca municipal, que funciona hoje no Espaço Cidadania; e sugeriu que os
estudantes de Várzea recebessem vale-transporte para estudar em Jundiaí.
Somente Após 40 anos uma mulher assume novamente uma cadeira no
legislativo em várzea. Ivanir Dornelles (41), não foi eleita ela é suplente do vereador
Ney Lumes.
Em outras cidades da região de Jundiaí, como Vinhedo, orgulha-se em afirmar
que desde 1989, uma de suas cadeiras no legislativo são ocupadas por mulheres. E na
própria cidade de Jundiaí duas cadeiras são ocupadas por mulheres, sendo uma por
Ana Tonelli (PMDB) e a outra por Marilena Negro (PT).
Na constituinte de 1987, foi expressiva a presença feminina em relação ao
passado: 26 mulheres parlamentares participaram dos debates. A presença da mulher
foi de grande importância já que participaram ativamente da promulgação da Carta
Magna de 1988. Foi a partir desta Carta Magna que os direitos de igualdade das
mulheres foi escrito no Brasil.
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Até 1988, os costumes colocavam a mulher em segundo plano, onde o marido


controlava seus atos externos, seus hábitos, suas relações, ou seja, sua vida. Com o
advento da mulher no mercado de trabalho e na esfera pública, a liberação sexual e o
acesso aos métodos contraceptivos, o papel da mulher na sociedade tornou outro rumo
e passou a ter uma importância não mais limitada aos afazeres domésticos, sempre por
de trás do marido, dando apoio a este e nunca como figura principal.
A atual constituição trouxe um novo status à mulher, embora não acarrete por si
só uma nova ordem social e familiar, pois ainda restam discriminações em toda
parte.Desde sua conquista ao voto até a atualidade, podemos afirmar que ocorreram
muitas conquistas. Temos Prefeitas e governadoras. No legislativo foram várias as
vitórias conquistadas com a criminalização do assédio sexual e a lei Maria da Penha.
As senadoras mesmo sendo apenas 12% do total, vem somando conquistas.
Se as sufragistas pudessem ver este ano de 2010, estariam eufóricas. Neste ano
duas mulheres disputam o cargo máximo do país, o de Presidente. São elas Dilma
Roussef (PT) militante política que dasafiou o regime militar, foi presa e torturada;
Marina Silva (PV) que lutou ao lado de Chico Mendes.

Mas não basta ser mulher, nem todas seram boas para outras mulheres ou para
o país. É só lembrar da Dama de Ferro, Margareth Thatcher, que retirou direitos
trabalhistas adquiridos pelo seu povo. Mulheres também são corruptíveis, e participam
de esquemas fraudulentos em seus governos. E devemos nos lembrar que quando um
homem não realiza uma boa gestão, ele não será tão cobrado pelos seus erros. Já uma
mulher será apontada e falarão: “Porque não ficou em casa que é seu lugar?”
Ainda temos muita luta pela frente, e o maior deles será o do preconceito das
próprias mulheres, por não se acharem boas suficientes para se eleger a um cargo
político.

1.2 Movimento feminista no Brasil

As feministas juntamente com os movimentos sociais que se levantaram contra a


ditadura militar, movimentos que não eram necessariamente feministas, propuseram-se
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desde meados dos anos setenta, a denunciar a dominação masculina existente


inclusive no interior dos grupos políticos, de sindicatos e partidos de esquerda.
Marcadas por uma experiência política de oposição, já que muitas eram ex-ativistas
políticas, entenderam que o movimento pelos direitos das mulheres, no Brasil, deveria
ser diferenciado e não subordinado às lutas que brotavam em diversos setores pela
democratização do país.
Acima de tudo, as primeiras feministas brasileiras questionavam radicalmente as
reações de poder entre os gêneros, que se estabeleciam no interior dos grupos
políticos de esquerda e lutavam para impedir que a dominação machista fosse diluída
pelo discurso tradicional da Revolução. No entanto muitas traziam referências
ideológicas marxista, a partir do qual pensavam as relações entre os sexos.
Nesse contexto, o feminismo pautava-se pela linguagem predominantemente de
esquerda do país, dominando não apenas os conceitos marxistas, mas procurando
provar que em cada questões levantadas pelos lideres e partidos, políticos, era possível
também perceber a dimensão feminina. Então, falando a linguagem marxista-
masculina, as feministas esforçaram-se para dar legitimidade às suas reivindicações,
para valorizar suas lutas e apresentarem-se com um grupo político importante e digno
de confiança.
A idéia de que o conceito de classe deveria ser priorizado em relação ao de sexo
revelava que a apropriação da linguagem masculina, marxista ou liberal, era
fundamental para se conseguir a aceitação na esfera pública masculina. Esta estratégia
foi fundamental para se romper barreiras, que eram pesadas demais – tanto na
esquerda quanto direita – para a entrada das mulheres na vida pública.
Na segunda metade da década de setenta e início de oitenta, nasceram
inúmeros grupos feministas, marxistas ou de esquerda, que buscavam criar uma
linguagem própria, capaz de orientar seus rumos na construção das mulheres como
seres políticos.
Deste contexto, surgiram inúmeras associações feministas, como o Centro
Brasileiro da Mulher, no Rio de Janeiro, a Associação de Mulheres, de são Paulo entre
outras, no qual mistura-se ex-militantes partidárias, marxistas e ex-marxistas, com
feministas das novas gerações que defendiam entre outras coisas as questões da
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sexualidade. Estes grupos buscavam autonomia em relação aos partidos políticos,


mesmo muitas mulheres serem militantes partidárias.

2 Mulheres não votam em mulheres

Diferentemente de outros países, o movimento sufragista brasileiro foi liderado


por um médico intelectual e não por uma mulher. Durante a elaboração da primeira
constituição republicana em 1890 o médico baiano César Zana defendeu o sufrágio
universal, para que as mulheres também fossem beneficiadas. É certo que
posteriormente as mulheres também entrar na luta, mas os homens precisaram tomar
frente. Isto parece irrelevante, porém teve grande influência na nossa forma de ver a
mulher na vida pública. A mulher que se entrega a vida pública é vista como
assexuada, masculinizada e que não dá atenção para sua vida particular.
Hoje mais da metade do eleitorado é feminino, por isso era de se esperar que o
número de candidatas eleitas fosse maior. Porém pesquisas mostram que o machismo
não está restrito só ao homem. Mulheres não votam em mulheres pois não confiam que
estas possam ser competentes na liderança. Este comportamento é muito estranho, já
que homens estão na liderança a muito tempo e também não são dignos de confiança.
Isto prova que as mulheres são inseguras e não confiam nelas mesmas.
Nas pesquisas eleitorais atuais mostram que em se tratando de voto feminino,
José Serra está a frente de Dilma. Mesmo quando Ciro Gomes sai da disputa, as
intenções de voto das mulheres não muda – Serra continua com mais intenções de
votos femininos do que Marina e Dilma Juntas.
Muitas são as explicações para este fenômeno: machismo reminisente, falta de
informação ou o fato das mulheres serem mais resistentes ao partido dos trabalhadores
(PT).
Mas um fato relevante é que muitas mulheres não gostam da personalidade da
candidata Dilma por considerarem mandona de mais, firme demais – características
socialmente aceitas para homens e não mulheres.

Uso de cotas: o tiro saiu pela culatra?


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A lei 9.504/97, aprovada em 1997 estabeleceu que todos partidos políticos


devem reservar 30% de suas candidaturas legislativas a candidatas do sexo feminino.
Esta lei foi criada visando o aumento da representatividade feminina na política, mas
desde a sua implementação a legibilidade feminina caiu pela metade.