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Universidade Federal do Acre - UFAC

Bacharelado em Medicina Veterinária


Disciplina: Experimentação Animal (CCET 193)
Professor: Vinicius Silva dos Santos
Princípios básicos da experimentação
1. Introdução
Todos nós já aprendemos algumas coisas na vida experimentando. A experimentação
só se difundiu como técnica de pesquisa depois da formalização por meio da Estatística.
As técnicas experimentais desenvolvidas pelo grupo de estatísticos da Estação
Experimental de Agricultura de Rothamstead, na Inglaterra foram generalizadas para
todas as áreas de conhecimento: agronomia, medicina, odontologia, engenharia,
educação, psicologia, sendo os métodos estatísticos os mesmos.
2. Alguns Conceitos Básicos
2.1 Unidade experimental (parcela): é a unidade que vai receber o tratamento e fornecer
os dados que deverão refletir o seu efeito. Exemplos: a) uma fileira de plantas; b) um
leitão e c) um litro de leite.
2.2 Tratamento ou fator: é o método, elemento ou material cujo efeito desejamos medir
ou comparar em um experimento. Os tratamentos podem ser classificados em qualitativos
ou quantitativos.
Tratamentos qualitativos são aqueles que têm naturezas intrinsecamente diferentes, como
tipos de ração, tipos de raça, inseticidas de diferentes marcas comerciais.
Tratamentos quantitativos são aqueles que se distinguem pela quantidade (dose) do que
está sendo colocado em teste. Nesses casos, o pesquisador procura a dose que leva à
melhor resposta. Em Medicina, esses ensaios são conhecidos como ensaios de dose-
resposta.
Grupo controle ou testemunha: é constituído por unidades que não recebem tratamento
ou recebem apenas placebo (grupo controle negativo) ou por unidades que recebem o
tratamento padrão ou convencional (controle positivo).
2.3 Delineamento experimental: é a maneira como os tratamentos são designados às
unidades experimentais. Exemplos: Delineamento Inteiramente Casualizado (DIC),
Delineamento em Blocos Casualizados (DBC), Delineamento em Quadrado Latino
(DQL).
2.4 Esquema: quando em um mesmo experimento são avaliados dois ou mais fatores, os
níveis dos fatores podem ser combinados de maneiras diferentes. O esquema é justamente
a maneira utilizada pelo pesquisador ao combinar os níveis dos fatores para se obter os
tratamentos. Exemplos: Esquema Fatorial (EF) e Esquema em Parcelas subdivididas
(EPS).
2.5 Variável resposta: é a variável mensurada usada para avaliar o efeito de tratamentos.
2.6 Erro experimental: é o efeito de fatores que atuam de forma aleatória e que não são
passíveis de controle pelo experimentador.
3. Princípios Básicos da Experimentação
São três os princípios básicos da experimentação: repetição, casualização e controle local.
3.1 Princípio da Repetição: a repetição consiste em aplicar o mesmo tratamento a várias
unidades experimentais.
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Tem por finalidade obter uma estimativa do erro experimental.
O número de repetições depende do conhecimento do pesquisador e do conjunto
de condições em que será realizado o experimento.
Recomenda-se que os experimentos tenham pelo menos 20 unidades
experimentais e 10 graus de liberdade para o resíduo.
Quanto maior é o número de repetições, maior a precisão do experimento.
3.2 O princípio da casualização: consiste em distribuir ao acaso os tratamentos às
unidades experimentais.

Obtém-se uma estimativa válida do erro experimental;


Fica garantido o uso de testes de significância, pois os erros experimentais atuam de forma
independente nas diversas unidades experimentais.
Experimentação cega: é quando se faz as medições em cada unidade experimental sem
saber a que tratamento pertence a unidade que está medindo.
Todo experimento deve conter no mínimo os princípios básicos da repetição e da
casualização.
Imagine que um pesquisador pretende designar três tratamentos (A, B, C) para 12
ratos, com uma única restrição: cada tratamento será aplicado em 4 ratos. Como pode ser
feita a casualização, usando a tabela de números aleatórios?
Toma-se ao acaso os animais, um a um, e leia-se os números da tabela, por exemplo,
em coluna. Se o número terminar em 1, 2 ou 3, o rato recebe o tratamento A. Se terminar
em 4, 5 ou 6, recebe o tratamento B e se terminar em 7, 8 ou 9, o tratamento C. Os números
terminados em 0, seriam assim ignorados.
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3.3 Princípio do Controle Local: só é recomendado quando as unidades experimentais
não são ou não estão sob condições homogêneas devido a influência de um ou mais
fatores. Divide-se inicialmente as unidades experimentais em blocos de unidades de tal
forma que dentro de cada bloco haja homogeneidade e um número de unidades igual ao
número de tratamentos do experimento. A distribuição dos tratamentos às unidades é feita
então dentro de cada bloco.
A finalidade é reduzir o efeito do erro experimental.
4. Fontes de variação de um experimento
Premeditada: é aquela introduzida pelo pesquisador com a finalidade de fazer
comparações. Por exemplo: tratamentos.
Sistemática: variações não intencionais, mas de natureza conhecida. Variação inerente
ao material experimental. Podem ser controladas pelo pesquisador. Por exemplo:
heterogeneidade do solo, tamanho de semente, etc.
Aleatória: são variações de origem desconhecida, não podendo ser controladas.
Constituem o erro experimental. São devidas a duas fontes: variações no material
experimental e falta de uniformidade nas condições experimentais.
5. Planejamento de experimentos
Para planejar um experimento, é essencial definir:
a) a unidade experimental;
b) a variável em análise e a forma como será medida;
c) os tratamentos em comparação;
d) a forma como os tratamentos serão designados às unidades experimentais;
e) o número de unidades experimentais.
Exemplo 1: Como exemplo, imagine que um pesquisador deseje comparar o efeito de
duas rações na engorda de suínos. Como poderia planejar esse experimento?
Nesse caso, o experimento poderia ser planejado como segue:
unidade experimental: um animal; variável em análise: ganho de peso, medido pela
diferença entre o peso final e peso inicial de cada animal; tratamentos em comparação:
ração A e ração B; forma de designar os tratamentos às unidades: por sorteio; número
de unidades experimentais: 15 animais por grupo.
Exemplo 2: Um extensionista, desejando comparar 10 rações para ganho de peso em
animais, procedeu da seguinte forma: tomou 10 animais de uma propriedade rural. Estes
10 animais visivelmente não eram homogêneos entre si, porque foram oriundos de
diferentes cruzamentos raciais e apresentavam idades diferentes.
As rações que o extensionista julgou ser as melhores foram designadas aos melhores
animais, e as rações que o extensionista julgou ser as piores foram designadas aos piores
animais, de tal forma que cada animal recebeu uma única ração.
- ao final de sua pesquisa, o extensionista recomendou a ração que proporcionou maior
ganho de peso nos animais.
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Professor: Vinicius Silva dos Santos
Baseado nestas informações, pergunta-se:
1. Quantos e quais foram os tratamentos em teste nesta pesquisa?
2. Qual foi a constituição de cada unidade experimental nesta pesquisa?
3. Qual(is) foi(ram) o(s) princípio(s) básico(s) da experimentação utilizados nesta
pesquisa?
4. É possível estimar o erro experimental nesta pesquisa? Justifique sua resposta.
5. A conclusão dada pelo extensionista ao final da pesquisa, é estatisticamente aceitável?
Justifique a sua resposta.