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VII – DOS TRABALHOS INVESTIGATÓRIOS

CASO FORÇA AÉREA BRASILEIRA – FAB

A primeira investigação da CPI versou sobre o envolvimento


de alguns oficiais da Força Aérea Brasileira com traficantes internacionais de
drogas, no Estado do Rio de Janeiro, tudo propiciado por denunciadas falhas no
sistema de segurança nas dependências do Aeroporto Internacional do Rio de
Janeiro Tom Jobim, antigo Galeão.

Trataremos da apreensão de 32,960 kg de cocaína


encontrados dentro da aeronave C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira, que
tinha saído da Base Aérea do Galeão no dia 18 de abril e tinha como destino a
cidade de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, Espanha. A aeronave faria escala em
Anápolis/GO e em Recife/PE.

A CPI ouviu várias pessoas que, de alguma maneira,


tiveram os seus nomes envolvidos no caso dos 32,960kg de cocaína encontrados
a bordo do avião C-130 da Força Aérea Brasileira.

As pessoas ouvidas pela CPI do Narcotráfico foram:

Ten. Cel. PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA


JOHN MICHAEL WHITE
LILA MIRTA IBANEZ LOPES
Major Av. LUÍS ANTÔNIO DA SILVA GREFF
LUIZ CÉSAR PEREIRA DE OLIVEIRA
Ten. Cel. WASHINGTON VIEIRA DA SILVA (reformado)

05/05/99
QUARTA-FEIRA

O primeiro a ser ouvido pelos Deputados Membros da CPI


foi o Sr. Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, Ten. Cel. Aviador, identidade nº
235.989 - Maer. A oitiva aconteceu no Plenário das Comissões, na Câmara dos
Deputados.
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1) Oitiva do Sr. PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA, Ten. Cel. Aviador,


identidade nº 235.989 - Maer, que declarou:

Que, ninguém da tripulação tinha nada a ver com o


ocorrido.

Que, quando a carga entra no Quartel, existe um processo


de recolhimento, de registro da carga. Passa pelos depósitos que existem
espalhados no Brasil. As cargas menores são colocadas nos postos do Correio
Aéreo Nacional, feito através de um manifesto de carga, que depois recebe um
número destinatário.

Que, as cargas maiores que vão para o exterior, para uma


aeronave transportar é feito através da Diretoria de Material da Aeronáutica.

Que, “(...) tem coisa que a gente pede por amizade que a
gente tem, que os pilotos tem, que todos tem na FAB. É pedido para ser
transportado. Uma coisa pequena e, por delicadeza do piloto, ele
conhecendo a pessoa, tendo amizade, a gente transporta (...)”.

Que, por duas vezes pediu para os pilotos transportar


encomendas para seu irmão em Las Palmas (Espanha).

Que, o Ten. Cel. Washington há muito tempo pedia para


que ele mandasse uma mala para um amigo dele em Las Palmas (Espanha).

Que, o Ten. Cel. Washington continuou insistindo. Quando


o depoente foi transferido para Manaus, o Ten. Cel. Washington o encontrou e
solicitou novamente que enviasse as malas para a Espanha.

Que, diante da insistência, acabou mandando as malas,


mesmo sem saber o que existia nelas.

Que, conhece o Ten. Cel. Washington desde 1971 ou 1972.

Que, mandar encomendas pelos aviões da FAB é uma


coisa normal.

Que, não conhece John Michael White.

Que, os vôos da FAB param em Las Palmas porque não


existe outro local mais próximo para se pousar, por motivos de combustível.
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Que, fez algumas ligações para o Roberto Monteiro Zau,


para saber se iria buscar as malas.

Que, Roberto Zau tem relacionamento com o seu irmão


Luiz César.

Que, o seu irmão Luiz César não conhece o Ten. Cel.


Washington.

Que, o agente Adilson Nunes (Gina) se apresentou a ele


com o nome de Marcelo e foi ele quem lhe entregou as malas que seriam do Ten.
Cel. Washington.

Que, o Ten. Cel. Washington lhe ligou e passou o telefone


do “Gina”, quando pediu para que fizesse um contato com o “Gina” para acertar
como seria entregue as malas que iriam para a Espanha.

Que, estava no Rio de Janeiro para resolver alguns


problemas. Foi coincidência o fato de estar no Rio e o Ten. Cel. Washington
mandar as malas para a Espanha.

Que, o piloto que ia fazer o vôo era o Major Tani.

Que, quando se encontrou com o “Gina”, na Ilha do


Governador, conversaram e depois o “Gina” pediu que indicasse algum
supermercado. Chegando ao supermercado SENDAS, “Gina” fez compras de
vários produtos: café, cachaça, feijão, etc. Depois das compras “Gina” o convidou
para fazer as malas, o que não foi aceito. Ficou combinado que o “Gina” lhe
entregaria as malas no outro dia, pela manhã, no cassino dos oficiais na Base
Aérea.

Que, quem montou esse vôo para Las Palmas foi a


Diretoria de Material da Aeronáutica - o depoente não disse o nome do diretor,
disse apenas que era um brigadeiro.

Que, transmitiu uma autorização para o Comando da Base


Aérea de Recife, para a abertura das malas.

Que, o Ten. Cel. Washington estava pedindo o envio das


malas desde janeiro. E o seu irmão e o Roberto Zau só foram para Las Palmas
dias antes do vôo da FAB.
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Que, recebeu uma encomenda do Ten. Cel. Washington de


uma caixa de uísque, um casaco e uma mala.

Que, quando foi levar as malas até o avião “Gina” o


acompanhou.

Que, não conhece o Cel. Aviador Latino da Silva Pontes.

Que, conhece Lila Mirta Ibanez Lopez.

Que, autorizou a entrada de “Gina” na Base Aérea. O “Gina”


se identificou ao Corpo da Guarda e entrou de carro. Foi até o cassino, pegou o
depoente, que o levou até o Esquadrão.

Que, acha que o seu irmão tem ligação com o Roberto Zau.

Que, não recebeu nada pelo embarque das malas.

Que, “(...) acho que realmente há alguma articulação em


cima disso aí, deste fato ocorrido (...)”.

Dia 13/05
QUINTA-FEIRA

Os deputados da CPI solicitaram à Aeronáutica cópia do


Inquérito Policial Militar - IPM.

1) Oitiva do Sr. JOHN MICHAEL WHITE, que declarou:

Que, foi preso em 1981, pelo Art. 12 - tráfico de drogas, e


foi condenado há 5 anos.

Que, cumpriu uma parte da pena e foi expulso.

Que, retornou ao Brasil em novembro de 1997, sendo preso


novamente no Rio Grande do Sul, devido a polícia ter encontrado drogas em um
local que pegou fogo em São Leopoldo.

Que, foi até aquele local visitar o Senhor MILDIN


HEMMING.

Que, não conhece o Ten. Cel. Washington, nem o Ten. Cel.


Paulo Sérgio, nem o Major Griff.
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Que, nunca passou mensagem pelo TELETRIM para o Ten.


Cel. Washington, Ten. Cel. Paulo Sérgio e nem para o Major Grill.

Que, não confirma que participa de uma quadrilha que


levava narcotráfico, pelos aviões da FAB.

Que, conhece o Adilson Nunes - “Gina”.

Que, conhece Roberto Zau, que lhe foi apresentado pelo


Adilson Nunes - Gina. Roberto era casado com a cunhada de Adilson.

Que, o BMW que a sua sogra - Maria Angélica Soares -


dirigia, não é dela, e sim da Auto Comercial LTDA.

Que, hoje vive de reservas econômicas.

Que, já esteve na Colômbia e na Bolívia.

Que, conheceu o “Gina” na prisão.

Que, não esteve na Amazônia.

Que, já esteve em Foz do Iguaçu, a passeio.

Que, foi preso em 1981 quando foi ao aeroporto pegar uma


pessoa, a pedido de amigo seu de nome José Anes, e esta pessoa estava com
06 quilos de cocaína na mala.

Que, para voltar ao Brasil, saiu do EUA, foi para a Argentina


de avião, depois pegou um ônibus para a fronteira, em seguida pegou um táxi e
novamente um ônibus.

Que, residiu um tempo no Hotel Savoy, no Uruguai, na


época do incêndio no apartamento em São Leopoldo (RS).

Que, foi preso e solto através de habeas corpus.

Durante a oitiva JOHN MICHEL WHITE se negou a


responder alguns questionamentos:

1. Negou-se a responder se conhece a colombiana Lila.


2. Negou-se a responder sobre a identidade falsa, em nome de
Jorge Nogueira.
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3. Negou-se a dar informação de como conseguiu entrar no


Brasil novamente, tendo sido expulso do país em 1982.

Segunda testemunha a ser ouvida na sessão do dia 13/05/99

2) Oitiva da boliviana Senhora LILA MIRTA IBANEZ LOPEZ, que declarou:

Que, não conhece o Ten. Cel. Paulo Sérgio, nem o Ten.


Cel. Washington, nem Adilson Nunes (“Gina”) e nem o John Michel White.

Que, não tem ligação com essas pessoas.

Que, quando sua irmã foi presa, ela não tinha nada a ver
com o fato, porque ocorreu em lugares diferentes, mas devido a denúncia, toda a
família foi envolvida.

Que, a sua irmã foi presa com 200 quilos de droga.

Que, os organogramas que estavam em posse da CPI,


várias pessoas já tinham saído da prisão, porque não tinham provas contra elas.

Que, foi um esquema feito quando da apreensão, conforme


foram sendo feitas as investigações, as pessoas inocentes iam sendo liberadas.

Que, a sua ligação com sua irmã no tráfico de drogas se


deu por causa do documento que foi encontrado em sua posse.

Que, no período da investigação a colocaram como cabeça


da organização.

Que, quando vinha para o Brasil, era para prestar auxílio à


sua irmã.

Que, é dentista formada, mas possui uma discoteca, um


karaokê e uma floricultura em Puerto Suarez.

Que, atravessar a fronteira não tem mistério, mas para sair


da fronteira sim.

Que, quando esteve no Rio de Janeiro alugou um


apartamento em Botafogo, por temporada.
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Que, não tem CIC, por isso a imobiliária arrumou um nome


falso para poder concretizar o negócio.

Que, conseguiu documentos com nome falso de Marina


Lopes - os documentos foram apreendidos - que os conseguiu aqui no Brasil, em
Ponta Porã.

Que, foi investigada por causa do problema da sua irmã.

Que, seus bens estiveram bloqueados, mas já foram


liberados.

Que, não conhece José Enes na Bolívia.

Que, não sabe o porquê de ainda estar com o pedido de


prisão preventiva decretada.

Que, é falsa a informação que ela comprava droga na


Bolívia ou na Colômbia e entregava no Brasil.

Que, era respeitada porque tinha muita influência na


fronteira.

Que, esteve no Rio de Janeiro no dia 20 de março de 1999,


quando veio fazer compras.

Que, quando veio para o Rio de Janeiro ficou primeiramente


em um hotel, até conseguir um apartamento (não soube informar o nome do
hotel).

Que, um dos motivos da sua estada no Rio foi para


participar de um retiro espiritual. Mas a mãe-de-santo Mitinha, com quem iria se
consultar, não estava no Rio.

Que, nunca usou drogas.

Que, quando veio para o Brasil trouxe a quantia de R$


5.000,00 (cinco mil reais).

Que, fez algumas compras e mandou pela transportadora


Andorinha, utilizando-se do nome falso de Marina Lopes.

Que, comprava flores em São Paulo e as mandava pela


transportadora Andorinha, em caixas de papelão, para Corumbá.
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3) Oitiva do Sr. LUÍS ANTÔNIO DA SILVA GREFF, Major-Aviador, que declarou:

Que, foi indiciado no Art. nº 200, baseado no Art. nº 290 e


Art. nº 53 do Código Penal Militar.

Que, a denúncia foi oferecida pelo promotor público, que diz


que ele esteve na Base Aérea do Galeão, o que é verdade, e que esteve no
avião no dia da decolagem, o que também é verdade.

Que, não sabia que o Ten. Cel. Paulo Sérgio estava no Rio.

Que, o Ten. Cel. Washington lhe propôs uma sociedade na


montagem de um a empresa de manutenção de aeronaves.

Que, um mês antes do embarque do avião, foi consultado


pelo Ten. Cel. Washington se haveria algum vôo para a Europa. Procurou a
informação e lhe passou, inclusive fornecendo o nome da tripulação.

Que, quando estava dando as informações o Ten. Cel.


Washington pediu para se caso houvesse alguma modificação que ele fosse
informado.

Que, não conhecia os Srs. Adilson Nunes, Roberto Zau,


Luiz César Pereira de Oliveira.

Que, o Ten. Cel. Washington pediu para que ele levasse


três caixas de cachaça e uma caixa de café para o irmão do Cel. Pereira, em Las
Palmas.

Que, para mandar essas caixas seria necessário ser feito


um manifesto nacional e um internacional. O que foi colocado ao Ten. Cel.
Washington, como não havia tempo hábil para se fazer os manifestos, as caixas
não foram enviadas.

Que, no domingo pela manhã, o Ten. Cel. Washington ligou


pedindo para que fosse até o avião para embarcar uma sacola de café e para
que ele verificasse se os volumes do Cel. Pereira estavam a bordo.

Que, após verificar se estava tudo a bordo do avião da


FAB, ligou para o Ten. Cel. Washington para lhe informar.
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Que, o Ten. Cel. Washington pediu para que ele ligasse


para uma pessoa para que ela lhe desse um número de telefone público para que
ele entrasse em contato.

Que, o Ten. Cel. Washington nunca depositou nada em sua


conta bancária.

Que, o Ten. Cel. Pereira às vezes aparecia no trailer onde


ele e o Ten. Cel. Washington tomavam cerveja.

Que, após a sua esposa lhe ligar, para informar que haviam
encontrado cocaína a bordo do avião Hércules C-130, voltou à mesa onde estava
o Ten. Cel. Washington e passou a informação, questionando-o se ele tinha
alguma coisa a ver com o que estava ocorrendo. O que foi negado pelo Ten. Cel.
Washington.

Que, depois dessa conversa, fecharam a conta e foram


andar pela Ilha do Governador. Na ocasião, o Ten. Cel. Washington pediu para
que ele fizesse uma ligação para um pessoa de nome D’artgnam.

Que, conheceu o Ten. Cel. Washington em 1997, quando


lhe foi proposto a montagem de uma empresa de manutenção de aeronaves.

Que, no domingo pela manhã, antes da decolagem, esteve


dentro do avião.

Que, não existe uma fiscalização nas bagagens, e sim um


limite de peso, quando as pessoas utilizam o Correio Aéreo Nacional.

Que, quando o Ten. Cel. Pereira foi transferido para


Manaus, eles perderam o contato.

Que, o Ten. Cel. Washington pediu para ligar para uma


pessoa de nome D’Artagnam, para que este lhe informasse o número de um
telefone público.

Que, quando entrou em contato com este D’Artagnam, ele


perguntou se o assunto era urgente, o que foi respondido positivamente pelo Ten.
Cel. Washington.
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Sessão do dia 19/08/99


QUINTA-FEIRA

1) Oitiva do Sr. LUIZ CÉSAR PEREIRA DE OLIVEIRA, Oficial da Marinha


Mercante, que declarou:

Que, no final de julho, início de agosto de 1999, Roberto


Zau ligou em sua casa, querendo lhe conhecer pessoalmente.

Que, Roberto Zau disse que conseguiu o seu telefone por


meio de um amigo dele que era Oficial da FAB.

Que, Roberto Zau ligou convidando-o para fazer o projeto


de som para uma casa noturna que iria montar em Las Palmas, assim como
também auxiliar um colega dele na compra de equipamentos de informática.

Que, Roberto Zau lhe ofereceu três mil reais para cada vez
que tivesse que realizar uma viagem como ele para o exterior, mais as despesas
de hospedagem, passagens, alimentação e cerca de oitocentos dólares para sua
locomoção.

Que, passados de quinze dias a vinte dias, Roberto Zau


voltou a ligar querendo saber se havia disponibilidade para acompanhá-lo até a
Europa.

Que, Roberto Zau lhe disse que teria que ir até Lisboa, e
que ele fosse até Madrid, e Las Palmas, onde depois se encontrariam.

Que, Roberto Zau havia lhe perguntado se ele poderia pedir


ao seu irmão para que mandasse, através de um avião da FAB, algumas coisas
para Las Palmas.

Que, respondeu ao Roberto Zau, que não sabia se levar


cargas em aviões da FAB era normal. Porém, questionou o que seria remetido, o
que Roberto respondeu que seriam coisas típicas do Brasil como: cachaça, café,
guaraná, etc.

Que, quando questionou a seu irmão, o Ten. Cel. Paulo


César, que é oficial da Aeronáutica, este respondeu que não havia nenhum
empecilho.
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Que, pediu para o seu irmão preparar uma mala com os


produtos pedidos pelo Roberto Zau, e também com livros e apostilas de
informática.

Que, quando chegou em Las Palmas, foi até o hotel


indicado por Roberto Zau. Lá recebeu um recado pela recepcionista que disse
que tinha um brasileiro que queria falar com ele - era exatamente o Roberto Zau.

Que, foi o Manolo - taxista - que o pegou no aeroporto. E


também foi ele que os levou para conhecer a ilha.

Que, recebeu uma proposta de Roberto Zau para


realizarem um festival de música brasileira em Las Palmas.

Que, retornou ao Brasil por volta de janeiro ou fevereiro,


quando recebeu uma nova ligação de Roberto Zau chamando-o para retornar a
Las Palmas - na época do carnaval em Las Palmas.

Que, nessa segunda viagem, Roberto solicitou novamente


para ver se o seu irmão poderia mandar mantimentos para Las Palmas pelo
avião da FAB, dizendo que esses produtos brasileiros tinham como objetivo
conquistar os patrocinadores do festival.

Que, pelos seus cálculos, seriam investidos no festival


cerca de 1,5 milhão de dólares, e o retorno previsto seria de 3 milhões de
dólares. Cada investidor entraria com 300 mil dólares e receberia 600 mil dólares.

Que, ele estava encarregado de toda a parte técnica do


festival e o Roberto Zau estava encarregado dos patrocinadores.

Que, retornou novamente ao Brasil e o Roberto Zau foi para


Lisboa resolver alguns problemas referentes à casa de show.

Que, já no Brasil começou a trabalhar para realizar o


festival, que seria em julho, e já era fevereiro.

Que, falou com Roberto que teria que retornar a Las


Palmas em março, para apresentar o projeto do festival.

Que, Roberto comprou as passagens pela VARIG, para


viajar no dia 08 de março, mas ele ligou pediu para alterar para o dia 10 de março
e em seguida pediu para trocar para o dia 14 de abril.
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Que, quando retornou para o Brasil, pela segunda vez,


Roberto pediu para que falasse com o seu irmão - Ten. Cel. Paulo César -, para
ver se ele poderia mandar algumas malas pessoais, para amigos dele.

Que, informou para o Roberto que achava pouco provável,


pois o seu irmão estava sendo transferido para Manaus, mas de qualquer forma
fez o pedido para o seu irmão, o qual negou o envio.

Que, quando comunicou da negativa para Roberto, este


disse que não tinha problema, pois iria entrar em contato com um amigo seu para
ver se ele conseguiria embarcar as bagagens no avião da FAB, embora este seu
amigo não estivesse mais na ativa.

Que, foi junto com o Roberto nessa viagem. Chegaram em


Lisboa e Roberto lhe disse que tinha que resolver um problema de uma esposa
de um amigo seu.

Que, no dia seguinte embarcou para Las Palmas. Roberto


informou que no dia 19, segunda-feira, chegaria um avião da FAB em Las
Palmas e que o seu amigo havia conseguido embarcar as malas.

Que, no sábado, Roberto Zau lhe disse que teria que


resolver um problema urgente em Lisboa, no domingo. Na oportunidade,
informou a Roberto que teria que ir à Barcelona na segunda-feira, para conseguir
nomes de produtores e de empresas que trabalhavam com som e iluminação
para o festival.

Que, ao perguntar ao Roberto quem pegaria as malas, ele


respondeu que era para avisar o Manolo, para que o taxista pegasse as malas e
as levasse até o apartamento.

Que, não conhece o Cel. Washington, e o seu irmão Cel.


Paulo César não conhece o Roberto Zau.

Que, quem os colocou nesta situação foi Cel. Washington e


o Roberto Zau.

Que, tinha certeza que o seu irmão, Cel. Paulo César, não
sabia do conteúdo das malas.
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Que, “(...) Bom, o que eu afirmo aqui é que eu e meu irmão


nunca estivemos envolvidos com absolutamente nada com relação a drogas.
Ninguém na nossa família tem nada a ver com drogas (...)”.

Que, no início de fevereiro, quando marcou uma viagem


para Las Palmas, Roberto marcou para pegar a passagem em uma agência em
Copacabana. Chegando na agência, o Roberto encontrava-se com dois
senhores, que foram apresentados como sendo um o seu sócio e o segundo
como seu sogro (Jonh Michel White).

Que, os contatos que foram feitos que ele tinha alguma


coisa por escrito, foram contatos que ele fez com uma produtora do Rio de
Janeiro, a PROMOV, com artistas que eles iriam contratar, através do seu
pedido. Foram feitos contatos telefônicos para serem trocados. Os contratos
seriam efetivamente realizados, contrato no papel, nesta última viagem.

Que, quando foi pegar as passagens na agência de


viagens, o Roberto Zau lhe apresentou uma pessoa, que seria o Sr. John Michel
White, que tem uma cicatriz no rosto.

Que, não morava em Las Palmas, e sim e encontrava-se


em viagem, o que fez por três vezes.

Que, os produtos mandados, por meio dos aviões da FAB,


para Las Palmas, tinham como destino os patrocinadores que o Roberto estava
procurando.

Que, quando enviou bagagens da Europa para o Brasil,


elas continham uísques, licores, camisas da marca Hard Rock, etc.

Que, pelo que ele soube quem entregou as malas para o


seu irmão foi o “Gina”.

Que, quem recebia as malas em Las Palmas era o


motorista Manolo, que as pegava e as levava para o hotel.

Que, o Cel. Washington passou o telefone do “Gina” para o


seu irmão, pois era o policial quem iria entregar as malas que seriam enviadas
para Las Palmas.

Que, se apresentou ao 3º COMAR, seguindo orientações


do próprio Comandante encarregado do IPM.
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Que, “(...) Roberto me disse que essas malas chegariam no


dia 19, e ele mandou que eu falasse com o Manolo para deixar no apartamento.
E fez contato com o Manolo, quando estava embarcando para Barcelona,
perguntou se o avião da FAB já tinha chegado. Ele disse que não, que estava
atrasado. Quando cheguei em Barcelona, ele diz de novo para ele: “Vem cá, já
chegaram, o avião já chegou, da FAB?” “Não”. Aí, eu liguei para o meu irmão,
que me disse que tinha acabado de saber que tinham sido encontradas drogas
nesse avião (...)”.

Que, não conhece José Joaquim Custódio Corrêa e Carlos


Augusto Rosa Leal.

Que, “(...) Eu não recebi mala nenhuma na base... O


Manolo, quando ele pega a tripulação, ele leva a tripulação, ele consegue hotéis
mais baratos, consegue transporte e leva. Então, ele me informou, nas outras
duas viagens, onde a tripulação estava, e eu fui lá pegar essas malas. As malas
que eu pedi ao meu irmão, que realmente chegaram as malas com cachaça (...)”.

Que, “(...) O meu irmão, quando eu liguei para ele de


Barcelona, a preocupação dele foi saber se eu estava em Las Palmas, se o
Roberto estava comigo e pediu para eu sair, sair de lá, porque tinha medo, tinha
medo do risco que eu pudesse estar correndo. Foi esse, o telefonema do meu
irmão foi esse, quando ele soube do negócio (...)”.

Que, se apresentou à Aeronáutica por orientação do seu


advogado.

Que “(...) por orientação, ele consultou o Comandante da


Base, justamente a pessoa encarregada do Inquérito Policial Militar. Ele recebeu
esse tipo de informações (...)”.

Que, “(...) foram em duas viagens que as malas foram


preparadas, pelo meu irmão, para mim levar com cachaça. Foi em agosto ou
setembro do ano passado, não me lembro exatamente a data, e uma no final de
janeiro. Nessa terceira, as malas estavam com cadeado, e meu irmão, de
Manaus, mandou arrombar essas malas, porque ele não sabia. Se as malas
fossem dele, ele saberia qual era o segredo das malas (...)”.

Que, o Capitão Cordeiro, um oficial aviador da FAB, é um


amigo em comum seu e do seu irmão.
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Que, na primeira viagem quem levou uma mala para ele foi
o Cap. Coelho, que era comandante da aeronave na ocasião, e o Cap. Cordeiro
era um dos oficiais da viagem.

Que, ele e o Roberto Zau pegaram uma mala com o Cap.


Cordeiro e com o Cap. Coelho.

Que, a carta na qual ele dizia que as malas estavam com


cadeados, foi escrita por orientação do advogado da época, Dr. Edson Ribeiro,
mas na verdade, as malas não estavam com cadeado.

Que, a carta fazia parte da estratégia do advogado, mas


não ficou satisfeito e mudou de advogado.

Que, na segunda viagem, quem entregou a mala foi o Cel.


Capucci.

Que, quem fazia reserva de hotel, em Las Palmas, era o


Manolo.

2) Oitiva do Sr. WASHINGTON VIEIRA DA SILVA, Tenente-Coronel Reformado,


que declarou:

Que, “(...) os problemas da Aeronáutica na região


amazônica são, para quem não conhece a região amazônica, grandes e muitos,
devido à fronteira ser muito grande, à falta de aeronaves adequadas para o
controle do narcotráfico, à falta de policiamento mais ostensivo. Mas a
Aeronáutica tenta, e tentou enquanto estive lá, sempre “brifar” todos os que
operam naquela região. Um briefing detalhado, que nós temos o apoio da Polícia
Federal, com o intuito de diminuir o envolvimento de qualquer militar naquela
região. Então é um esforço muito grande com o intuito de “brifar”, de orientar o
seu pessoal. Mas a falta de equipamentos é do conhecimento de todos (...)”.

Que, o Cel. Paulo Sérgio foi para a Amazônia em janeiro de


1991.Tinha pouco contato com ele. Em 1996, quando ele retornou para o Rio,
voltei a encontrá-lo.

Que, trabalharam juntos no 5º COMAR, no mesmo setor, na


mesma Organização.
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Que, não tem uma explicação lógica para saber como o


Cel. Pereira, como ele fez o embarque das malas através de quem, nem porquê.

Que, ele não tem nada a ver com as malas de cocaína.

Que, o Cel. Pereira só falou que as malas eram suas três


dias após o primeiro depoimento dele.

Que, teve uma reunião antes do primeiro depoimento do


Cel. Pereira com os elementos da Aeronáutica que durou quatro horas.

Que “(...) não acredito que a iniciativa partiu dos elementos


da Aeronáutica que estavam com ele. Mas ele, para se eximir de qualquer culpa,
que ele passaria a responsabilidade para mim, já que devem ter contado uma
história para ele que eu era quem estava sendo investigado (...)”.

Que, D’Artagnam é um amigo seu, mas não tem nada a ver


com isso. Saía todos os dias com ele.

Que, depois que soube da notícia do avião, na hora estava


com o Major Greff, no trailer, permaneceu mais vinte minutos e foram embora. Já
dentro do carro, pediu ao Major para que ele fizesse uma ligação para um amigo
seu de nome D’Artagnam.

Que, o garimpo começou a operar em 1987. Quem tomava


conta era o seu irmão. Somente em 1988, foi transferido para Manaus.

Que, o ouro retirado do garimpo era vendido para a Caixa


Econômica Federal de Boa Vista.

Que, não sabe se declarou todo o ouro negociado em 1988.

Que, os seus superiores nunca souberam que ele tinha uma


balsa no garimpo.

Que, o Sr. Roberto Zau, o Sr. “Gina”, o Sr. Paulo Sérgio, o


irmão dele e o Sr. Greff, se conheceram desde 1998.

Que, o seu advogado teve acesso aos autos do Inquérito


Policial Militar.

Que, acredita que só o Sr. Roberto Zau e o “Gina” falaram


com o Sr. John Michael White.
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Que, não conhece a Sra. Lila Ibanez.

Que, no dia em que o “Gina” se encontrou com o Cel. Paulo


Sérgio, no trailer, eles não se falaram pelo telefone.

Que, o irmão que trabalhava com ele no garimpo era


viciado em drogas.

Que, nunca despachou nada para ninguém e também


nunca pediu a ninguém para despachar algo para si.

Que, quem conheceu primeiro o Sr. Roberto Zau e o “Gina”


foi ele.

Que, não sabia que o Roberto Zau, o “Gina” e o Cel. Pereira


se conheciam.

Que, conheceu o Cel. Paulo César na academia. Ele entrou


em 1974 e o Cel. Paulo César em 1973.

Que, depois, nunca mais se viram. Somente em 1991, em


Manaus.

Analisando as oitivas, da primeira colheu-se que quando a


carga entra no Quartel, existe um processo de recolhimento, de registro da carga,
que passa pelos depósitos que existem espalhados no Brasil. As cargas
menores são colocadas nos postos do Correio Aéreo Nacional, feito através de
um manifesto de carga, que depois recebe um número destinatário, enquanto as
cargas maiores, que vão para o exterior, para uma aeronave transportar são
feitos através da Diretoria de Material da Aeronáutica.

A droga chegou ao avião da FAB, segundo ele, pelo


processo que denominam “favores pessoais”:

“(...) tem coisa que a gente pede por amizade que a


gente tem, que os pilotos têm, que todos têm na FAB. É
pedido para ser transportado. Uma coisa pequena e, por
delicadeza do piloto, ele conhecendo a pessoa, tendo
amizade, a gente transporta (...)”
O primeiro depoente disse também que por duas vezes
pediu para os pilotos transportar encomendas para seu irmão em Las Palmas
(Espanha) e que o Ten. Cel. Washington há muito tempo pedia para que ele
mandasse uma mala para um amigo dele em Las Palmas (Espanha).
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Nesses “favores” se embutia a possibilidade do narcotráfico.


Seguindo o depoente:

“ (...) o Ten. Cel. Washington continuou insistindo.


Quando o depoente foi transferido para Manaus, o Ten. Cel.
Washington o encontrou e solicitou novamente que
enviasse as malas para a Espanha.
Que, diante da insistência, acabou mandando as
malas, mesmo sem saber o que existia nelas.
Que, conhece o Ten. Cel. Washington desde 1971 ou
1972.
Que, mandar encomendas pelos aviões da FAB é uma
coisa normal.”
Sempre com essa mesma alegação de “normalidade”
tentaram se justificar os envolvidos, embora o aprofundar das investigações
tenha mostrado claramente que o narcotráfico já estendeu suas garras até dentro
das fileiras das forças armadas brasileiras. Por si só isso revela o perigo que
nossa sociedade corre: um incidente desses não e´ meramente um ilícito isolado,
é a mostra da fragilidade de nossas instituições e do pouco que nosso país tem
investido em segurança e defesa de suas fronteiras e dos que as defendem.

A certeza de impunidade dos narcotraficantes é tão grande,


sua audácia é tal que não hesitam em usar até o aparato militar de nosso país!

Abaixo descrevemos o funcionamento da organização


criminosa responsável pelo Caso FAB, e sua diversas ramificações
internacionais. Todos os elencados são INDICIADOS neste inquérito
parlamentar.

JONH MICHAEL WHITE- É o chefe da organização


criminosa que foi responsável pelo Caso FAB. Mantém contatos com
narcotraficantes na Colômbia, Peru, Bolívia, Chile e Espanha. Possuí imóveis no
Uruguai, onde mantém um esquema de lavagem de dinheiro. Em 1997 foi
indiciado por tráfico de drogas juntamente com NEODIR HEMING, ROSANI
MARIA HEMING E SÔNIA HELENA SOARES DE MELLO WHITE, quando da
explosão de um laboratório de crack no Rio Grande do Sul. Relaciona-se com os
chilenos Carlos Nicolas Silva Rojas, Fernando Rey Marupa, Rene Meijas Soto e
Juan Enrique Orelíana Neira, elementos envolvidos com a Camorra Italiana.

Michael White já fora condenado por tráfico de drogas e


extraditado do Brasil, entregue à polícia norteamericana. Pouco depois, voltou ao
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nosso país, a comandar importante “linha” do tráfico internacional (para a


Europa....)

O governo norte-americano jamais passou informações


acerca dele para o governo brasileiro. Depois de ter sido preso mais uma vez, a
Embaixada dos E.U.A. , consultada, informou que nada constava sobre esse
cidadão norte-americano.

Passados nove anos, permanecem verdadeiras as


afirmativas contidas no Relatório Final da C.P.I. da Câmara dos Deputados que,
em 1991, investigou o narcotráfico.

“... Para atingir seu objetivo, os Estados Unidos


iniciaram um amplo programa de treinamento das polícias
latino-americanas e de algumas de suas forças armadas
(de modo a impedir que a droga chegasse aos Estados
Unidos), através de um órgão especializado e integrante de
seu Departamento de Estado, o DEA (Drugs Enforcement
Agency) que, sem poupar recursos, acabou por
monopolizar as ações de inteligência e repressão na
América Latina. As rotas do tráfico para o mercado
consumidor norte-americano foram comprimidas, mas a
produção permaneceu intocada – o que levou à natural e
previsível criação de mercados alternativos. O desenrolar
desse processo atingiu de maneira perversa os países sul-
americanos não produtores de droga: apanhados sem
qualquer esboço de uma política interna capaz de enfrentar
o fenômeno dentro de suas fronteiras, viram aumentar a
dependência de seu aparato policial ao assessoramento do
DEA ...
... O Brasil, integrado e submetido a esse contexto
internacional, limita-se a assistir à degradação de parcela
importante de sua juventude.
... Não é admissível que a solidariedade internacional,
necessária ao combate ao narcotráfico, reduza a
participação da polícia brasileira a não permitir que a droga
chegue a Nova York ou Miami – e quase nada faça para
evitar que se espalhe pelas cidades brasileiras.”
ADILSON NUNES (GINA) é o responsável, dentro da
organização Criminosa, pelos contatos com traficantes fornecedores de cocaína
bolivianos e colombianos e pelo envio da droga para a Europa através de
aeronaves militares e civis. Relaciona-se com o traficante italiano Dino Lonardi e
traficantes nigerianos. Em fevereiro de 1999 foi detido com 80 milhões de
pesetas espanholas, que seriam lavados no Uruguai.
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WASHINGTON VIEIRA DA SILVA, Tenente Coronel da


Aeronáutica da reserva. Responsável pelos embarques de drogas em aeronaves
militares da Força Aérea Brasileira. Negociou a compra de um imóvel de
propriedade da leiloeira pública ZALFA NASSAR, esposa do traficante JOSÉ
GERMANO NETO, preso nos Estados Unidos da América por tráfico de drogas e
condenado na França.

PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA, Tenente


Coronel Aviador da Aeronáutica, servindo no 7º COMAR-Manaus, chefe do
Centro de Operações da Aeronáutica na Região Norte. Ter tido contatos com o
traficante de armas preso no Rio de Janeiro de nome LATINO DA SILVA
FONTES. Considerado como um dos responsáveis pelo embarque de drogas nos
vôos da FAB. Embarcou duas malas com cerca de 30kg cada, para o seu irmão
em Las Palmas, através do Ten. Cel. Aviador Celso Andrade Capote, com o
conhecimento do Cap. Aviador GILBERTO GUILHERME MATTOS. Segundo o
Cap. Aviador SAULO VALADARES DO AMARAL, o Ten. Cel. Paulo Sérgio
recebeu quatro volumes enviados pelo Manolo, de Las Palmas. Segundo o Major
Antônio Takuo Tani, as duas malas apreendidas com cocaína em Recife, seriam
do Ten. Cel. Paulo Sérgio para o seu irmão em Las Palmas. Sua esposa, Silvia
Albuquerque de Goes Teles possui uma empresa comercial em sociedade com o
professor universitário Paulo César Welerson de Albuquerque, denominada
Parking Boat, em São Pedro da Aldeia no Rio de Janeiro.

PAULO CÉSAR WELLERSON DE ALBUQUERQUE -


professor universitário, acusado de receptar carros roubados. É ligado ao TEN.
CEL. AVIADOR PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA. Os carros
encontrados com o professor eram roubados por encomenda. O Tenente
Coronel Aviador Paulo Sérgio é fiador de Paulo César - acusado de integrar
quadrilha que roubava carros importados - na empresa Parking Boat, de aluguel
de carros, que fica em São Pedra da Aldeia, na Região dos Lagos - no Rio de
Janeiro.

LUIZ CÉSAR PEREIRA DE OLIVEIRA, irmão do Ten. Cel.


PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA, encarregado de receber a droga na
Base Aérea de Las Palmas, Espanha, e passar para JOSÉ ROBERTO ZAU.
Possuí dois contatos em Portugal de nome José Joaquim Custódio Correia e
Carlos Augusto Rosa Leal. Afirma que foi convidado por Roberto Zau para cuidar
de um projeto de inauguração de uma casa de shows em Las Palmas, onde
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receberia passagens para se deslocar do Brasil para a Espanha, 3 mil reais, mais
800 dólares que seriam para ajuda de locomoção.

LUIZ ANTÔNIO DA SILVA GREFF, Major Aviador, chefe


do Esquadrão de Suprimento e Manutenção da Base Aérea do Galeão. É de
acordo com informações da ABIN, o principal contato do Ten. Cel. Washington
para fornecer informações sobre vôos e tripulações militares com destino à
Europa. Afirma ter recebido proposta do Ten. Cel. Washington para abrir uma
empresa de manutenção de aeronaves.

LILA MIRTHA IBANEZ LOPEZ - Encontra-se


constantemente com o grupo de JONH MICHEL WHITE, no Rio de Janeiro, e
possivelmente fazia papel de ligação da quadrilha com os fornecedores
bolivianos e colombianos. Tem uma irmã -MARIA EULÁLIA LOPEZ – que
encontra-se presa na Bolívia por tráfico de drogas.

JUAN MANOLO GONZALEZ ALEMAN (MANOLITO) -


motorista de táxi. Principal contato de Luiz César e José Roberto Zau, em Las
Palmas - Espanha. Era o responsável por receber e enviar as encomendas
endereçadas ao Ten. Cel. PAULO SÉRGIO e seu irmão LUIZ CÉSAR.

ZALFA NASSAR - Esposa do traficante internacional


JOSÉ GERMANO NETO - ZECÃO -, preso nos Estados Unidos. Vendeu uma
cobertura para o Ten. Cel. Washington. A renda que declarou em 1996 e 1997 é
incompatível com a movimentação financeira verificada no período. Em 1998 não
apresentou declaração de renda, apesar da expressiva movimentação bancária
naquele ano.

JOSÉ ROBERTO MONTEIRO ZAU - Foi o responsável


pela aquisição de aparelhos celulares para a Organização Criminosa. Mantém
contatos e recebe a droga no exterior.

LUIZ FERNANDO DA COSTA - Trata-se de traficante


responsável pelo fornecimento de cocaína ao grupo de Adilson Nunes - GINA -
através de Lila Mirtha. Encontra-se foragido em Pedro Juan Caballero, Paraguai.
É proprietário da padaria DOIS IRMÃOS, que fica na Beira Mar, na Ilha do
Governador, Rio de Janeiro.

É muito provável que o envio de drogas, utilizando-se de


aeronaves da FAB, tenha ocorrido outras vezes. Aconteceram outros vôos da
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FAB com destino à Europa, que tiveram como escala ou destino a cidade de Las
Palmas, na Espanha.

Estes vôos ocorreram em:

1 - 14 de novembro de 1998;

2 - 30 de janeiro de 1999;

3 - 08 de fevereiro de 1999;

4 - 18 de abril de 1999 (vôo onde foram apreendidos os


32,960 kg de cocaína)

A CPI realizou diligências em que visitou a Base Aérea do


Galeão para verificar sua condições. Na primeira delas, verificou a Portaria da
Base Aérea, a Administração , o Hotel de Trânsito dos Oficiais e a Pista de
Pouso e Decolagem.

Também esteve nas dependências da Base Aérea do


Galeão, no Rio de Janeiro, onde foi vistoriado o sistema de segurança do
Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro - Galeão - Tom Jobim e da Base Aérea
do Galeão.

Nessas diligências se constataram vários problemas. O


Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro - Galeão - Tom Jobim, é muito
vulnerável às ações de traficantes de drogas e de armas, assim como também, à
atuação de ladrões de cargas e de contrabandistas, tanto por falta de pessoal
como por falta de recursos.

A falta de segurança permite, até com uma certa facilidade,


o desvio de mercadorias que ficam no pátio do Aeroporto e no Terminal de
Cargas. Ali também ocorrem as trocas de mercadorias mais caras por
mercadorias mais baratas.

Durante a inspeção, a comitiva pôde comprovar um dos


golpes que é aplicado nas cargas que ficam no Terminal de Cargas do Aeroporto.
O inspetor PEDRO TOFLE, da Receita Federal, estava demonstrando como
agem os fiscais, e, ao abrir uma caixa, onde deveria ter equipamentos de
telefonia celular, vindos de Miami, e estavam relacionados no documento da
carga com o valor estimado em US$ 10.266,00 (dez mil, duzentos e sessenta e
seis dólares), o que foi encontrado, foram apenas algumas peças baratas de
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cerâmica nacional. A Receita, órgão responsável pela apuração do caso, não


soube explicar onde ocorreu o desvio dos aparelhos. Provavelmente o desvio
ocorreu entre os quatro quilômetros que separam o aeroporto e o Terminal de
Cargas.

SEGURANÇA DO AEROPORTO

Hoje, o contingente de Policiais Federais no aeroporto não


passa de 88 agentes e 183 homens da Receita Federal, que se revezam em
plantões .

Os Deputados estiveram em várias dependências como o


Centro de Operações, onde examinaram o sistema de câmeras do aeroporto, as
áreas de atuação restrita da Polícia Federal e da Receita Federal, as instalações
das esteiras de bagagens, neste local existem denúncias de desvio de bagagens.

A comitiva destacou que o manguezal, que fica próximo ao


aeroporto, é um local que propicia ações de traficantes e outros tipos de
criminosos.

A INFRAERO consegue ao menos manter o isolamento dos


14 quilômetros do que compreendem o aeroporto que é feito com cercas.

BASE AÉREA

Durante a visita da CPI, se verificou que não existe


praticamente controle de entrada de civis. Para entrar na Base Aérea, basta o
civil alegar ter um conhecido militar. SE pode constatar também, in loco, que os
civis também utilizam aviões da FAB para viajar.

Pela alegada relação de amizade entre civis e militares,


quando os civis se utilizam dos aviões da FAB para viagem, não é feito nenhum
tipo de fiscalização em suas bagagens. O que possibilita, assim, e com certa
facilidade, o transporte de drogas nas aeronaves da Força Aérea Brasileira.

PROBLEMAS IDENTIFICADOS NO AEROPORTO DO GALEÃO

A CPI pode identificar que um dos maiores problemas no


Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro é que na fiscalização realizada nas
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bagagens dos passageiros, ela é feita por amostragem, por só existir um


aparelho de Raio-x no aeroporto.

ACESSO À BASE AÉREA DO GALEÃO

A comitiva da CPI refez o trajeto que o ex-policial civil


Adilson Nunes - GINA - percorreu na Base Aérea para entregar as duas malas de
cocaína ao Ten. Cel. Aviador Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, que foi preso no
Recife. Os deputados descobriram que para ”Gina" entrar na Base Aérea só foi
preciso se identificar como sendo amigo do Tenente Coronel Paulo Sérgio.

Um outro problema identificado pela comitiva é o fato de


que muitas empresas de aviação trabalham como prestadoras de serviços em
área de segurança. Funcionários terceirizados têm acesso às áreas de
desembarque do Aeroporto.

Ficou claro aos deputados da CPI o poder de corrupção do


narcotráfico no Brasil.