Você está na página 1de 195

ROBERTO LECOMTE DE MELLO

PROJETAR EM MADEIRA:
UMA NOVA ABORDAGEM

DISSERTAÇÃO APRESENTADA À FACULDADE DE


ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE
DE BRASÍLIA PARA OBTENÇÃO DO
TÍTULO DE MESTRE EM ARQUITETURA

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO:
TECNOLOGIA

ORIENTADOR:
ORIENTADOR:
PROF. DR. PAULO CASTILHO LIMA

BRASÍLIA

JULHO DE 2007
ROBERTO LECOMTE DE MELLO

PROJETAR EM MADEIRA:
UMA NOVA ABORDAGEM

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Paulo Castilho Lima (orientador)

Profª.Drª. Rosa Maria Bittencourt

Prof. Dr. Márcio Roma Buzar


Buzar

Brasília, 03 de Julho de 2007

2
AGRADECIMENTOS

À minha família, em especial à minha esposa Sheila pelo apoio


e carinho, e aos meus filhos Ivan (valeu pelas figuras, filho) e
Taís, pela paciência com a minha ausência.

Ao amigo e companheiro de trabalho Júlio Eustáquio, um raro


conhecedor da madeira no Brasil, pelas muitas contribuições
em muitos anos de convivência.

Aos colegas do LPF e do IBAMA, pelo convívio e pelas


oportunidades de trabalho enriquecedoras.

Ao meu orientador, Prof. Dr. Paulo Castilho, por me apresentar


de forma tranqüila e segura o caminho da metodologia
científica.

Á Prof. Dra. Rosa Bittencourt pela valiosa contribuição no tema


desta dissertação, e ao Prof. Dr. Márcio Buzar por sua
orientação e dicas em minha banca de qualificação.

À arquiteta Leda Vasconcelos, pelos muitos anos de convívio e


parceria que despertaram em mim o interesse por este tema.

Aos colegas do Jardim Botânico de Brasília, em especial a Dra.


Anajúlia Heringer Salles, pelo apoio e estímulo ao nosso
trabalho com a madeira ainda nos seus passos iniciais.

Aos vários parceiros dos canteiros de obras, construtores e


carpinteiros, que contribuíram para a nossa experimentação em
edificações de madeira.

3
RESUMO

Este trabalho propõe uma nova abordagem para a concepção


arquitetônica da edificação em madeira, baseada no
pressuposto de que são necessários procedimentos
específicos para se projetar com o material.

A análise do uso da madeira na construção civil no Brasil revela


o preconceito e a falta de conhecimento para se aproveitar
todas as suas potencialidades como material estrutural e
construtivo num país com imenso potencial florestal.

O mercado da construção nos países com tradição no uso da


madeira oferece atualmente inúmeras opções com o material e
seus derivados, incorporando novas tecnologias construtivas
com princípios ambientalmente corretos e dentro de novos
conceitos aplicados à arquitetura.

Tendo o projeto de arquitetura como ponto de partida para o


aprimoramento tecnológico das edificações, são defendidos
princípios que estão vinculados às especificidades da madeira,
buscando-se contribuir para estimular o seu uso criterioso e
racional na construção civil em nosso país.

4
ABSTRACT

This work proposes a new practice for the architectural


conception of wood buildings, based on the admission that
specific procedures are required to design with this material

The analysis of the wood utilization in the building site in Brazil


reveals a lot of prejudice and lack of knowledge, and we’re not
taking advantage of all its potentialities as a structural and
constructive material in a country with immense forest
resources.

The building market in countries with long-time wood utilization


offers several options with wood and wood composites, by
incorporating new building technologies with sustainable
principles and innovative architectural concepts.

With the architectural conception as the starting point for the


building’s technological improvement, same principles related to
wood specificities are stated in this work, seeking for the
promotion of the rational use of the wood in the building site in
our country.

5
SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS
RESUMO
ABSTRACT
LISTA DE FIGURAS
LISTA DE QUADROS
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CAPÍTULO I
1. INTRODUÇÃO --------------------------------------------------------------------------------------------------
-------------------------------------------------------------------------------------------------- 19

CAPÍTULO II
2. A MADEIRA COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO ------------------------------------------------- 25
2.1. USO MÚLTIPLO E SUBUTILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL -------------------------------
------------------------------- 25
2.1.1. A QUESTÃO DA NORMATIZAÇÃO ------------------------------------------------------------------ 28
2.1.2. A QUESTÃO CULTURAL E A FALTA DE QUALIFICAÇÃO ----------------------------------- 29
2.2. OS MITOS DA FALTA DE DURABILIDADE E DO COMPORTAMENTO AO FOGO ------ 31
2.3. UM MATERIAL COM CARACTERÍSTICAS ÚNICAS ---------------------------------------------- 36
2.4. PRODUTOS DA MADEIRA PARA A CONSTRUÇÃO --------------------------------------------- 39
2.4.1. MADEIRA ROLIÇA E MADEIRA SERRADA
SERRADA ------------------------------------------------------- 40
2.4.2. MADEIRA EM LÂMINAS -------------------------------------------------------------------------------- 43
2.4.3. COMPOSTOS DE MADEIRA ------------------------------------------------------
--------------------------------------------------------------------------
-------------------- 44

6
CAPÍTULO III
3. AS PROPRIEDADES DA MADEIRA ---------------------------------------------------------------------- 65
3.1. CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DA MADEIRA ---------------------------------------------- 65
3.1.1. PROPRIEDADES FÍSICAS
FÍSICAS ----------------------------------------------------------------------------- 67
3.1.1.1. CARACTERES GERAIS ------------------------------------------------------------------------------ 68
3.1.1.2. TEOR DE UMIDADE -----------------------------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------------------------------------- 71
3.1.1.3. DENSIDADE --------------------------------------------------------------------------------------------- 73
3.1.1.4. ESTABILIDADE DIMENSIONAL --------------------------------------------------------------------
-------------------------------------------------------------------- 74
3.1.1.5. COMPORTAMENTO TÉRMICO -------------------------------------------------------------------- 75
3.1.1.6. COMPORTAMENTO ACÚSTICO ------------------------------------------------------------------ 77
3.1.1.7. CONDUTIBILIDADE ELÉTRICA
ELÉTRICA -------------------------------------------------------------------- 78
3.1.2. PROPRIEDADES MECÂNICAS ----------------------------------------------------------------------- 78
3.1.2.1. COMPORTAMENTO DA MADEIRA À COMPRESSÃO --------------------------------------
-------------------------------------- 80
3.1.2.2. COMPORTAMENTO DA MADEIRA À TRAÇÃO ----------------------------------------------- 81
3.1.2.3. COMPORTAMENTO DA MADEIRA AO CISALHAMENTO ---------------------------------- 82
3.1.2.4. COMPORTAMENTO DA MADEIRA À FLEXÃO ------------------------------------------------
------------------------------------------------ 83
3.1.2.5. COMPORTAMENTOS À TORÇÃO, DUREZA, FENDILHAMENTO E RESISTÊNCIA
AO IMPACTO ------------------------------------------------------------------------------------------ 84
3.1.3. FATORES QUE AFETAM A RESISTÊNCIA DA MADEIRA
MADEIRA ------------------------------------ 85
3.2. A MADEIRA E A SUSTENTABILIDADE DOS MATERIAIS --------------------------------------- 87

CAPÍTULO IV
4. OS SISTEMAS CONSTRUTIVOS EM MADEIRA ------------------------------------------------------ 92
4.1. AS TÉCNICAS
TÉCNICAS TRADICIONAIS -------------------------------------------------------------------------- 92
4.1.1. AS CONSTRUÇÕES DE MADEIRA MACIÇA EMPILHADA------------------------------------
EMPILHADA------------------------------------ 93

7
4.1.2. AS CONSTRUÇÕES COM ENTRAMADO ESTRUTURAL -------------------------------------
------------------------------------- 96
4.2. AS TÉCNICAS CONTEMPORÂNEAS ----------------------------------------------------------------- 99
4.2.1. O SISTEMA POSTE-
POSTE-VIGA OU PILAR-
PILAR-VIGA ------------------------------------------------------102
------------------------------------------------------102
4.2.2. OS ENTRAMADOS MODERNOS: SISTEMAS
SISTEMAS BALLOON E PLATTFORM ------------- 104
NORTE--AMERICANA ---------- 107
4.2.2.1. CONSIDERAÇÕES SOBRE A CASA DE MADEIRA NORTE
4.2.3. AS CONSTRUÇÕES EM PAINÉIS INDUSTRIALIZADOS DE MADEIRA ---------------- 111
4.2.4. AS SOLUÇÕES ESTRUTURAIS DE COBERTURAS E HALLS ---------------------------- 114
4.2.5. AS CIDADES DE MADEIRA (WOODEN
(WOODEN TOWNS)
TOWNS) --------------------------------------------- 132
4.3. TÉCNICAS CONSTRUTIVAS EM MADEIRA NO BRASIL -------------------------------------- 139

CAPÍTULO V
5. O PROJETO DE ARQUITETURA EM MADEIRA ---------------------------------------------------- 149
5.1. CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROJETO DE ARQUITETURA ------------------------------- 149
5.2. ESPECIFICIDADES DO PROJETO EM MADEIRA ----------------------------------------------- 151
5.3. SOBRE
SOBRE A INTERAÇÃO ENTRE ARQUITETURA E ESTRUTURA --------------------------- 157
5.4. ESTUDO COMPARATIVO ENTRE DUAS EDIFICAÇÕES DE MADEIRA ------------------ 163

CONSIDERAÇÕES FINAIS --------------------------------------------------------------------------


-----------------------------------------------------------------------------------
--------- 173
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ------------------------------------------------------------------------- 176
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ------------------------------------------------------------------------- 184

8
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Habitações construídas em Rondônia segundo o projeto do


LPF/IBAMA---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 27

Figura 2 – Exemplos de pilar fixado com chapas e engastado em bloco


de concreto---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 32

Figura 3 – Árvore de decisão para preservação da madeira------------------------------------- 33

Figura 4 – Templo Horiyji, no Japão----------------------------------------------------------------------- 36

Figura 5 – Execução de uma log home e casa finalizada no


Estado do Oregon, EUA---------------------------------------------------------------------------------------- 40

Figura 6 – Exemplos de tipos de peças de madeira serrada obtidos a partir do


desdobro da tora-------------------------------------------------------------------------------------------------- 41

Figura 7 – Estruturas treliçadas de madeira amazônica no edifício-sede da


superintendência do INCRA em Marabá – PA-------------------------------------------------------- 42

Figura 8 – Detalhe do piso laminado de madeira---------------------------------------------------- 44

Figura 9 – Seqüência esquemática de elaboração do compensado de pinus------------ 46

Figura 10 – As três camadas mínimas do compensado estabilizam o produto, que


pode ter até nove camadas----------------------------------------------------------------------------------- 47

Figura 11 – Habitação em chapa de compensado e centro de pesquisa da Associação


Canadense de Compensado (CANPLY) ---------------------------------------------------------------- 47

Figura 12 – Modelos de aglomerados com espessuras variando de 6 a 50mm---------- 48

Figura 13 – Modelos de chapas de MDF com espessuras variando de 3 a 30mm----- 49

Figura 14 – Habitação padronizada de condomínio nos EUA, com aplicação de chapas


OSB nas vedações e cobertura----------------------------------------------------------------------------- 50

Figura 15 – Seqüência de fabricação do painel (OSB) -------------------------------------------- 51

Figura 16 – Chapas de cimento-madeira --------------------------------------------------------------- 52

9
Figura 17 – Revestimentos de fachadas em residência no Japão e em galeria
comercial em Londres utilizando chapas de cimento-madeira---------------------------------- 53

Figura 18 – Componentes da chapa cimento-madeira--------------------------------------------- 53

Figura 19 – Produção automatizada de MLC na Áustria e produção manual no Rio


Grande do Sul----------------------------------------------------------------------------------------------------- 54

Figura 20 – Esquema de fabricação da MLC---------------------------------------------------------- 55

Figura 21 – Detalhes de peças de MLC----------------------------------------------------------------- 56

Figura 22 – Descarregamento de peças de MLC e execução de estrutura com vão de


48,00m no Parque de Exposições de Brasília--------------------------------------------------------- 57

Figura 23 – Edificações no Canadá (foto superior) e na Inglaterra com uso de peças


curvas de MLC----------------------------------------------------------------------------------------------------- 58

Figura 24 – Pilares roliços e vigas retas de MLC no Sibelius Hall em Lahti,


Finlândia-------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 58

Figura 25 – Edificação de 05 pavimentos com estrutura plana de MLC destinada à


Escola Técnica Federal da Madeira em Biel-Bienne------------------------------------------------ 59

Figura 26 – Vigas de lâmina colada ou LVL------------------------------------------------------------ 59

Figura 27 – Estrutura de LVL para abrigar a Galeria Serpentine em Londres,


Inglaterra------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 60

Figura 28 – Detalhe de seção transversal e vigas de Parallam--------------------------------- 61

Figura 29 – Uso do Parallam em estruturas de cobertura e em módulo estrutural


destinado a pontes----------------------------------------------------------------------------------------------- 61

Figura 30 – Estrutura de edificação de 04 pavimentos em peças de Parallam,


destinada à Faculdade de Ciências Florestais da Universidade da Colúmbia Britânica,
em Vancouver, Canadá---------------------------------------------------------------------------------------- 62

Figura 31 – Vigas I-Joist e LSL------------------------------------------------------------------------------ 62

Figura 32 – Painéis autoportantes de madeira-------------------------------------------------------- 63

Figura 33 – Edificações com vedações e pisos em painéis autoportantes de compostos


de madeira----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 63

10
Figura 34 – Produtos de madeira-plástico-------------------------------------------------------------- 64

Figura 35 – Deck e corrimão em madeira-plástico-------------------------------------------------- 64

Figura 36 – Direções principais da madeira----------------------------------------------------------- 67

Figura 37 – Exemplos de grã direita e grã irregular (no caso, espiralada) ---------------- 69

Figura 38 – Tábuas com corte radial (A) e tangencial (B) oriundos de


tora com grã direita) -------------------------------------------------------------------------------------------- 70

Figura 39 – Exemplos de figuras da madeira e seus usos -------------------------------------- 71

Figura 40 – Medidor de umidade portátil para madeira-------------------------------------------- 73

Figura 41 – Defeitos de secagem nas peças devidos à anisotropia da madeira -------- 75

Figura 42 – Sala de concertos do Sibellius Hall, com revestimentos de balcões,


paredes, pisos e teto em madeira, em Lahti, Finlândia ------------------------------------------- 78

Figura 43 – Gráfico esquemático da resistência da madeira à tração e compressão


paralela às fibras ------------------------------------------------------------------------------------------------- 80

Figura 44 – A madeira pode ser submetida a três tipos de compressão: perpendicular,


paralela ou inclinada -------------------------------------------------------------------------------------------- 81

Figura 45 – A solicitação por tração pode se dar nas direções paralela e perpendicular
às fibras da madeira -------------------------------------------------------------------------------------------- 81

Figura 46 – Tipos de cisalhamento na madeira: esta apresenta menor resistência no


cisalhamento horizontal --------------------------------------------------------------------------------------- 82

Figura 47- Comportamento da madeira quando solicitada à flexão simples--------------- 83

Figura 48 – Gráficos comparativos do desempenho de materiais em uma edificação


comercial canadense-------------------------------------------------------------------------------------------- 90

Figura 49 – Quadro comparativo de porcentagens de florestas naturais


nos países----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 91

Figura 50 – Habitações em peças serradas dos imigrantes no Paraná, à esquerda, e


em peças roliças, do séc. 17 em Ballenberg, Suíça------------------------------------------------- 93

Figura 51 – Feltro desenvolvido para vedação entre peças do sistema “lafte” e


habitação concebida na Noruega--------------------------------------------------------------------------- 94

11
Figura 52 – Seqüência de fabricação de habitação pelo sistema “lafte” ------------------- 94

Figura 53 – Tipos de encaixes de peças nos cantos (corner style) utilizados nas log
homes norte-americanas-------------------------------------------------------------------------------------- 95

Figura 54 – Habitação de alto luxo do tipo log home construída no Canadá-------------- 95

Figura 55 – Fachadas em enxaimel----------------------------------------------------------------------- 96

Figura 56 – Casa em enxaimel em Blumenau (SC) ------------------------------------------------ 97

Figura 57 – Sistema enxaimel onde os pavimentos se apóiam um sobre o outro com


vigas de amarração---------------------------------------------------------------------------------------------- 97

Figura 58 – Edificações em enxaimel na França e Alemanha---------------------------------- 98

Figura 59 – Monumento nacional Little Moreton Hall, datado de 1550, no interior da


Inglaterra------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 98

Figura 60 – Edificação com sistema pilar-viga e vedações em alvenaria, destinada ao


centro de plantas medicinais do IBAMA/DF---------------------------------------------------------- 102

Figura 61 – Habitações com sistema pilar-viga nos EUA--------------------------------------- 103

Figura 62 – Sistema pilar-viga com madeira roliça no Canadá------------------------------- 103

Figura 63 – Obra no Canadá e detalhe do sistema balloon------------------------------------ 104

Figura 64 – Montagem das paredes e detalhe genérico do sistema plattform---------- 105

Figura 65 – Montagem de mobile homes em indústrias dos EUA--------------------------- 106

Figura 66 – Transporte com embalagem e entrega da mobile home nos EUA--------- 106

Figura 67 – Habitação de classe média com sistema construtivo em madeira do tipo


plattform, no Estado do Oregon, EUA------------------------------------------------------------------ 110

Figura 68 – Perspectiva de habitação executada nos anos 1943-1945 com o Packaged


House System---------------------------------------------------------------------------------------------------- 111

Figura 69 – Fabricação de painéis na França------------------------------------------------------- 112

Figura 70 – Montagem de painéis nas obras-------------------------------------------------------- 113

Figura 71 – Edificações francesas com painéis de madeira----------------------------------- 113

Figura 72 – Detalhe de painel especial e exemplo de passivhaus-------------------------- 113

12
Figura 73 – Execução, obra acabada e detalhe construtivo de habitação com solução
construtiva em vigas biapoiadas-------------------------------------------------------------------------- 115

Figura 74 – Vigas contínuas em MLC no novo aeroporto de Oslo, Noruega, e em


escola na Finlândia--------------------------------------------------------------------------------------------- 115

Figura 75 – Vigas tensionadas em escola de Rondônia (de mineradora francesa) e


em ginásio na França----------------------------------------------------------------------------------------- 116

Figura 76 – Treliça pré-fabricada e máquina para produção de componentes com


capacidade para 250 a 300 peças por hora---------------------------------------------------------- 117

Figura 77 – Esquema de fabricação de treliças de madeira na América do Norte---- 118

Figura 78 – Treliças triangulares em edificações comercial e industrial------------------- 118

Figura 79 – Treliças planas de madeira em edificação do INCRA no Pará, e com


diagonais metálicas no museu de Ballenberg, Suíça--------------------------------------------- 119

Figura 80 – Ponte estruturada em treliça plana de madeira com vão central de 54m e
comprimento total de 108m, nos Alpes suíços------------------------------------------------------ 119

Figura 81 – Exemplo de tesoura com três articulações em edifício agrícola, com


passarela fixada na articulação central----------------------------------------------------------------- 120

Figura 82 – Exemplos de estruturas em pórticos--------------------------------------------------- 120

Figura 83 – Pórticos treliçados concebidos para o projeto da nova sede do Jardim


Botânico de Brasília (DF) ----------------------------------------------------------------------------------- 121

Figura 84 – Estruturas em pórticos com três articulações em obras em Portugal----- 121

Figura 85 – Ponte para pedestre com estrutura em arcos de madeira laminada colada
na Suíça------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 122

Figura 86 – Capela com arcos em madeira laminada colada, na Finlândia-------------- 122

Figura 87 – Pontes em arco (acima) e arco treliçado (abaixo) executadas com peças
de madeira maciça, em Goiânia (GO) e Brasília (DF) ------------------------------------------- 123

Figura 88 – Cobertura em arco treliçado para Hall de esportes------------------------------ 123

Figura 89 – Edificação com cobertura em vigas suspensas com diâmetro de 170m em


Viena, Áustria---------------------------------------------------------------------------------------------------- 124

13
Figura 90 – Grelhas em atelier de carpintaria na França e como apoio de caixa d’água
em escritório do IBAMA em Santa Catarina---------------------------------------------------------- 124

Figura 91 – Estruturas plissadas radiais, em arcos e pórticos--------------------------------- 125

Figura 92 – Estruturas plissadas em granja francesa e no Pavilhão de Música de


Montreal, Canadá----------------------------------------------------------------------------------------------- 125

Figura 93 – Aduana na Áustria com estruturas plissadas--------------------------------------- 125

Figura 94 – Superfície à simples curvatura em galpão para estaleiro em


Morges, Suíça---------------------------------------------------------------------------------------------------- 126

Figura 95 – Superfícies à dupla curvatura em creche em Liechtenstein e na Escola


Politécnica Federal de Lausanne, Suíça (à direita) ----------------------------------------------- 126

Figura 96 – Casca de cobertura de uma piscina, que se apóia sobre três pontos no
solo, com vãos de 58m entre os pontos, na França----------------------------------------------- 127

Figura 97 – Casca em forma ovóide com estrutura em arcos compostos fixados em


radier de concreto armado, na Bélgica----------------------------------------------------------------- 127

Figura 98 – Cúpula em auditório e casca invertida em anfiteatro, executadas em


universidades na França e Alemanha------------------------------------------------------------------ 127

Figura 99 – Seqüência de fabricação de casa com cúpula geodésica nos EUA, com
execução de embasamento em concreto armado, armação em montantes de madeira,
enrijecimento com chapas de compensado, execução de complementos, com vista
interna mostrando mezanino, e a obra acabada---------------------------------------------------- 128

Figura 100 – Edificações em madeira na Finlândia (igreja), Suíça (edifício público) e


França (habitação coletiva) -------------------------------------------------------------------------------- 129

Figura 101 – Jardim botânico em Sheffield, Inglaterra------------------------------------------- 130

Figura 102 – Pavilhão de Exposições de Hannover, Alemanha------------------------------ 130

Figura 103 – Igreja na Itália, projeto do arquiteto Renzo Piano------------------------------- 131

Figura 104 – Museu em Copenhagen, Dinamarca, projeto do arquiteto Daniel


Libeskind, e edifício comercial na Alemanha-------------------------------------------------------- 131

Figura 105 – Cidade de madeira em Oulu, na Finlândia----------------------------------------- 132

14
Figura 106 – Cidade de madeira do final do século 18 no Estado de
Washington, EUA----------------------------------------------------------------------------------------------- 132

Figura 107 – Igreja, prefeitura e escola da cidade de madeira de Belterra (antiga


Fordlândia), construída às margens do rio Tapajós, no oeste do Estado do Pará, pelo
magnata Henry Ford, para instalação de uma base de exploração de borracha------- 133

Figura 108 – A Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, era totalmente construída em
madeira, que foi substituída por alvenaria------------------------------------------------------------- 134

Figura 109 – Palácio do Catetinho, residência oficial do presidente da República no


início da construção de Brasília--------------------------------------------------------------------------- 134

Figura 110 – Cidade turística de Whistler, no Canadá, considerada um dos principais


ski resorts (estação de esqui) da América do Norte, sendo totalmente construída em
madeira------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 135

Figura 111 – Cidade de madeira de Porvoo, Finlândia------------------------------------------- 136

Figura 112 – Cidades de Oulu e Sodankyla, Finlândia------------------------------------------- 137

Figura 113 – Vistas de ruas internas nas cidades de madeira de Oulu e Tuusula,
Finlândia------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 137

Figura 114 – Cidade com habitações coletivas de três pavimentos em madeira na


periferia de Helsinque, Finlândia-------------------------------------------------------------------------- 138

Figura 115 – Cidade de Friisla, Finlândia, com habitações térreas em madeira------- 138

Figura 116 – Oca destinada a várias famílias da nação waimiri-atroari, na


Amazônia---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 139

Figura 117 – Casa bandeirista de meados do século 17 na cidade de São Paulo, num
sistema misto alvenaria - madeira------------------------------------------------------------------------ 140

Figura 118 – Igreja Matriz de Pirenópolis (GO), onde se observa a gaiola com madeira
de alta durabilidade (aroeira), que permitiu a sua reutilização estrutural em suas
restaurações------------------------------------------------------------------------------------------------------ 141

Figura 119– Projetos de Lúcio Costa da década de 1930, onde se observa a gaiola de
madeira (figura no alto), a concepção neocolonial de alvenaria e madeira (foto), e a
concepção moderna da gaiola de madeira inserida na estrutura de

15
concreto armado------------------------------------------------------------------------------------------------ 142

Figura 120– Gaiolas de madeira serrada no Centro de Visitantes do Jardim Botânico


de Brasília (DF) e de madeira serrada e roliça na sede do Parque Estadual de Caldas
Novas (GO) ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 143

Figura 121 – Estrutura de madeira de residência em Brasília, com concepção mista


entre gaiola e sistema pilar-viga, devido à existência de paredes fixadas pela trama e
também paredes portantes---------------------------------------------------------------------------------- 143

Figura 122 – Edificações em tábua e sarrafo em área rural no sul do Pará e na cidade
de Florianópolis, em Santa Catarina-------------------------------------------------------------------- 144

Figura 123 – Casas de madeira com paredes em peças maciças com encaixe do tipo
macho-e-fêmea-------------------------------------------------------------------------------------------------- 145

Figura 124 – Detalhe de sistema construtivo com parede dupla em peça maciça de
madeira------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 145

Figura 125 – Cobertura de edificação no Parque do Mindu, em Manaus – AM, e em


restaurante em Caldas Novas – GO; as estruturas de madeira sobre plantas circulares
remetem à arquitetura indígena--------------------------------------------------------------------------- 147

Figura 126 – Maquete de residência e casa na árvore, do artista plástico Kracjberg em


Nova Viçosa – BA, da autoria de Zanine Caldas--------------------------------------------------- 147

Figura 127 – Estrutura de cobertura de piscina olímpica em madeira laminada colada


com vão de 20m, em Porto Alegre----------------------------------------------------------------------- 148

Figura 128 – Coberturas de teatro em Santa Catarina com madeira laminada colada e
de hangar no Paraná com arcos treliçados de madeira------------------------------------------148

Figura 129 – Templo de Parthenon na Grécia, onde se observa a presença marcante


da estrutura trílitica na concepção arquitetônica---------------------------------------------------- 157

Figura 130 – Vistas interna e externa do Clube Naval de Brasília, onde a estrutura de
madeira define espaços, confere imponência e contribui para integrar a obra
arquitetônica à paisagem do lago------------------------------------------------------------------------ 162

Figura 131 – Vistas externas do Centro de Visitantes do Jardim Botânico de Brasília,


destacando o sistema construtivo em gaiola de madeira--------------------------------------- 165

16
Figura 132 – Vistas externas do CENAFLOR, com as “caixas” de alvenaria e madeira
apoiadas sobre a estrutura de madeira roliça-------------------------------------------------------- 165

Figura 133 – A presença da estrutura treliçada metálica demonstra a limitação do


sistema construtivo em relação à necessidade de grandes vãos livres-------------------- 166

Figura 134 – Perspectiva estrutural do CENAFLOR, apresentando o sentido de


orientação da estrutura principal em madeira roliça e a possibilidade de expansão em
“pórticos” com pavimentos em diferentes níveis---------------------------------------------------- 167

Figura 135 – O sistema estrutural se apresenta de forma diversificada nas fachadas,


sugerindo ou expondo a solução construtiva do CENAFLOR--------------------------------- 167

Figura 136 – Detalhe do encontro do pilar com peças do corrimão e passagem de


tubulação sob o mezanino: o emprego do enxerto (“bacalhau”) demonstra a falta de
observação do rigor exigido pela obra em madeira, que induz ao uso de soluções
simplistas, resultando na desvalorização do edifício---------------------------------------------- 168

Figura 137 – O rigor da execução em madeira determinou esta alteração: o trecho de


vedação, inicialmente projetado em madeira, foi executado em alvenaria, que não
exige tanta precisão e se “molda” no espaço disponível---------------------------------------- 169

Figura 138 – Falta de detalhamento para soluções de amarração entre estrutura e


vedações e de passagem de tubulações compromete e desvaloriza a edificação de
madeira; no Centro de Visitantes as frestas permitem que a poeira e a água das
chuvas invada os ambientes internos causando transtornos---------------------------------- 170

Figura 139 – Detalhe da estrutura de cobertura em arcos de madeira no CENAFLOR:


o desenho resultante das exigências estruturais pode e deve ser explorado como um
componente da estética arquitetônica------------------------------------------------------------------ 170

Figura 140 – Vistas do Centro de Visitantes, destacando a presença da estrutura de


madeira na composição arquitetônica------------------------------------------------------------------ 171

Figura 141 – Vistas externa e interna do CENAFLOR, onde se observa a integração


entre arquitetura e estrutura que caracteriza e distingue as obras em madeira-------- 172

17
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Consumo de madeira serrada amazônica pela construção civil, no Estado


de São Paulo, em 2001---------------------------------------------------------------------------------------- 26

Tabela 2 – Materiais estruturais / dados comparativos-------------------------------------------- 37

Tabela 3 – Utilização da madeira e derivados nas edificações--------------------------------- 39

Tabela 4 – Dimensões dos principais produtos de madeira serrada-------------------------- 42

Tabela 5 – Dimensões das principais peças de madeira beneficiada------------------------ 43

Tabela 6 – Coeficientes de condutibilidade térmica de alguns materiais------------------- 76

Tabela 7 – Coeficientes de variação médio de espécies da Amazônia--------------------- 85

Tabela 8 – Programas de avaliação do desempenho dos materiais e das edificações


por critérios de sustentabilidade, na América do Norte------------------------------------------ 88

Tabela 9 – Princípios básicos dos “edifícios verdes” (green buildings) na América do


Norte---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 89

Tabela 10 – Sistemas construtivos contemporâneos em madeira---------------------------- 99

Tabela 11 – Classificação dos sistemas construtivos em madeira a partir dos


processos de fabricação------------------------------------------------------------------------------- 100

Tabela 12 – Classificação dos sistemas construtivos em madeira (literatura


internacional)---------------------------------------------------------------------------------------------- 101

Tabela 13 – Classificação da construção em painéis na França---------------------------- 112

Tabela 14 – Classificação de treliças de madeira----------------------------------------------- 117

Tabela 15 – Principais sistemas construtivos em madeira no Brasil------------------------146

Tabela 16 – Princípios para a concepção e execução de edificações em madeira--- 152

Tabela 17 – Categorias de relação entre as formas arquitetônica e estrutural--------- 160

18
ABREVIATURAS E SIGLAS

ABIMCI – Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada


Mecanicamente
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
ASTM – American Society for Testing and Materials
CATED – Centre d’ Assistance Technique et de Documentation
CENAFLOR – Centro Nacional de Apoio ao Manejo Florestal
CRIT – Centre Régional d’ Innovation et de Transfert de Technologie pour les
Industries du Bois
CWC – Canadian Wood Council
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis
IBDF – Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal
INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas
LIGNUM – Union Suisse em Faveur du Bois
LPF – Laboratório de Produtos Florestais
NFPA – National Fire Protection Agency
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura

19
CAPÍTULO I

1. Introdução

A madeira é um dos materiais mais versáteis utilizados pela


humanidade ao longo dos tempos, supondo-se que existam cerca de 10.000
usos diferentes, desde pequenos objetos como palitos de dentes até
instrumentos musicais, embarcações, edificações, automóveis e aviões.
As edificações em madeira estão entre as mais antigas formas de abrigo
realizadas pela humanidade, sendo este material responsável por alguns dos
mais belos edifícios construídos ao longo da história. As formas de concepção
evoluíram ao longo do tempo, representadas pelo aprimoramento das soluções
projetuais e pelo maior domínio sobre o material.
Ao contrário do que se supõe, também é um material extremamente
durável, de forma que há construções de madeira milenares, sendo superadas
somente pelas construções em pedra. No Japão e na Escandinávia é possível
se encontrar edifícios com mais de 1.000 anos de idade em madeira.
Fatores culturais e ambientais fizeram com que a tradição de se
construir em madeira fosse transmitida de gerações em gerações, e o posterior
desenvolvimento tecnológico deu aos países de clima temperado do hemisfério
norte a supremacia no projetar e construir com o material. De acordo com
CARUANA (citado por BORGES, 2002), nos Estados Unidos cerca de 74% dos
metros quadrados habitáveis são feitos de madeira, enquanto que no Canadá
este percentual sobe para 94% das moradias existentes.
Na América Latina e especialmente no Brasil, vários fatores que
certamente incluem a falta de cultura e tradição, produziram um resultado
inverso, ou seja, criou-se um preconceito muito grande em relação às obras de
madeira. Segundo RODRIGUES (citado por BORGES, 2002), “Não só os

20
brasileiros, mas os latinos de forma geral, acham que a madeira deve ser
empregada apenas em detalhes da construção, como as esquadrias”.
Desta forma, o problema aqui abordado diz respeito ao fato de que o
tema do projeto e construção em madeira ainda é ignorado no Brasil, país onde
a vocação florestal manifesta-se inclusive no seu nome, que tem origem em
uma espécie madeireira outrora abundante em nossa região. Fatores diversos
contribuíram para a inexistência de uma cultura “madeireira”, sendo o uso do
material cercado por desinformação e preconceito, chegando a ponto de,
mesmo sendo o único material renovável dos canteiros de obras, seu uso ser
considerado “antiecológico”. CARUANA (citado por BORGES, 2002) aponta a
responsabilidade dos lobbies do concreto e do metal, hoje nas mãos de poucos
fabricantes, de forma que as normas técnicas e os programas universitários
foram feitos sob a orientação e a serviço das indústrias do cimento e das
siderúrgicas, consideradas há várias décadas indústrias estratégicas para o
crescimento econômico do Brasil.
No entanto, é inegável a constatação de que uma grande parcela da
população brasileira vive em edificações de madeira. Segundo BITTENCOURT
(1988), cidades como Presidente Prudente, no oeste do Estado de São Paulo,
possuíam em 1986 cerca de 32% de suas edificações urbanas construídas
predominantemente em madeira, sendo 26% exclusivamente de madeira.
Estima-se que estas porcentagens devam ser maiores em cidades do sul do
país e também da região Norte.
Cabe, portanto contribuir para reverter a imagem negativa das
construções em madeira no país, indo além de apregoar algumas vantagens
inerentes ao material como sua trabalhabilidade, excelente relação entre peso
e resistência mecânica, baixo consumo energético em seu beneficiamento,
reaproveitamento e renovabilidade.
A difusão do material e suas qualidades para a construção civil passam
pela formação dos profissionais envolvidos no processo de produção da
edificação em madeira, desde arquitetos e projetistas até os profissionais dos
canteiros de obras. No entanto o ponto de partida está na concepção e

21
elaboração do projeto arquitetônico, que será o responsável por desencadear
todo o processo que culminará com a obra pronta.
A literatura técnica nacional oferece informações variadas sobre o
material, desde as características físicas e mecânicas até os procedimentos de
secagem e preservação, mas raramente se refere à concepção do projeto em
madeira, item essencial para promover a sua familiarização entre os
profissionais projetistas e difundir o seu uso racional e sustentável na
construção civil. Segundo BITTENCOURT (1995), praticamente inexistem
pesquisas teóricas sobre a concepção da arquitetura em madeira, e as
experiências relatadas atendem a critérios específicos e soluções localizadas,
que não abordam o contexto deste tema.
O aspecto aqui apresentado é o do projeto de arquitetura em madeira,
abordando as dificuldades com que se depara o projetista ao experimentar o
uso do material em seu trabalho, e tentando identificar procedimentos que
contribuam para facilitar e enriquecer esta experiência. Para tanto, alguns
questionamentos relativos ao tema serão analisados:
1) Quais são as principais características do material madeira e
sua aplicabilidade para a construção civil?
2) Quais são os parâmetros para identificar a madeira como um
material “antiecológico” ou não?
3) Quais são os sistemas construtivos em madeira utilizados no
Brasil e no exterior?
4) A concepção dos sistemas construtivos em madeira exige
metodologia específica?
5) Como se aplica a relação entre arquitetura e estrutura nas
obras em madeira e qual a sua contribuição para a concepção
arquitetônica?
Este trabalho pretende contribuir para um aprofundamento no tema da
concepção arquitetônica em madeira, de forma que possa ser familiarizado
pelos profissionais da área de projeto. Baseado nas considerações
mencionadas, a hipótese deste trabalho está expressa na seguinte questão:

22
“A prática do projeto em madeira, diferentemente dos sistemas
convencionais em alvenaria e concreto, exige procedimentos específicos que
se refletem na execução da edificação, e a relação entre a concepção
arquitetônica e estrutural tem um papel decisivo na consolidação desta prática”.
Os procedimentos metodológicos norteadores do trabalho serão:

a) Levantar e analisar aspectos da madeira como material de construção e sua


utilização nos canteiros de obras no Brasil, englobando a falta de
normatização e qualificação, a questão cultural, durabilidade e
comportamento ao fogo, suas propriedades físicas e mecânicas, qualidades
como material construtivo e os inúmeros produtos e derivados da madeira
para a construção civil;
b) Identificar dados comparativos sobre o desempenho da madeira em
relação a outros materiais no tema da sustentabilidade, tais como balanço
energético, impacto sobre o meio ambiente e outros;
c) Levantar e sistematizar informações relativas a sistemas estruturais e
construtivos em madeira existentes no Brasil e no exterior;
d) Verificar e analisar os princípios e metodologia específicos para a
concepção arquitetônica em madeira;
e) Analisar a contribuição da interação entre a concepção arquitetônica e
estrutural para o projeto em madeira;
f) Efetuar estudo comparativo entre duas obras de madeira, objetivando
identificar os princípios abordados e seu impacto nestas obras.

Os capítulos apresentados neste trabalho seguem um raciocínio de


apresentação do tema a partir da realidade atual, de preconceitos e
subutilização do material, passando por suas características intrínsecas, suas
qualidades como material construtivo, as possibilidades de sistemas
construtivos e abordagem específica do projeto de arquitetura em madeira.
O panorama apresentado no capítulo II explora os aspectos negativos
do atual uso da madeira na construção civil brasileira, mas os contrapõe com a
apresentação das inúmeras qualidades do material, algumas exclusivas, e as

23
possibilidades tecnológicas a partir dos diversos produtos derivados
disponíveis no mercado nacional e internacional.
O capítulo III expõe as propriedades físicas e mecânicas da madeira,
como um recurso de origem biológica que demanda procedimentos específicos
para o aproveitamento de suas potencialidades como material estrutural e
construtivo. Complementando o capítulo, é feita uma abordagem sobre
aspectos da sustentabilidade do seu uso, englobando o impacto sobre o meio
ambiente do seu processo de extração, beneficiamento e utilização na
construção civil.
Trata-se de uma abordagem de extrema relevância no atual contexto de
transformações ambientais em que vivemos, e onde, ao contrário do que se
supõe, a madeira possui um desempenho excepcional que a coloca como um
dos materiais de construção ambientalmente mais corretos. Este tema adquire
um peso maior quando aplicado à realidade brasileira, onde o rótulo de
construção “antiecológica” imposto à madeira não condiz com o que demonstra
todo o conhecimento produzido sobre o assunto, e apenas reflete uma
conjuntura de descontrole sobre o uso dos recursos naturais do país.
No capítulo IV estão descritos os variados sistemas construtivos em
madeira utilizados no Hemisfério Norte e no Brasil, onde se percebe as
diversas possibilidades construtivas com o material, sendo muitas delas ainda
desconhecidas em nossa área da construção.
O capítulo V discorre sobre o questionamento básico desta dissertação,
a concepção arquitetônica da obra em madeira como ponto de partida para a
familiarização dos profissionais com o material e o conseqüente estímulo ao
seu uso. A partir do reconhecimento de que esta concepção possui
especificidades, são descritos quatro princípios básicos para se conceber e
executar a obra em madeira, que são a dissociação entre estrutura e vedações,
flexibilidade e evolutividade das técnicas construtivas, a questão do rigor da
execução e a importância do detalhamento na obra em madeira.
Complementando esta abordagem, é analisada a relação entre a
concepção arquitetônica e estrutural e suas implicações na obra em madeira.
Sua importância decorre da observação de que na obra em madeira a

24
concepção da estrutura possui grande impacto e resulta em uma interferência
significativa sobre a proposta arquitetônica, merecendo uma consideração e
interpretação ainda nos primeiros momentos de elaboração do projeto.
Ao final, é apresentado um estudo comparativo entre duas edificações em
madeira, procurando-se identificar e avaliar o atendimento aos princípios
preconizados para a concepção e execução da obra em madeira, a serem
descritos.
O estudo não faz juízo subjetivo de ordem estética dos edifícios, estando
concentrado na análise técnica de aspectos como a dissociação entre estrutura
e vedações, flexibilidade e evolutividade das técnicas construtivas empregadas,
a questão do rigor da execução e a importância do detalhamento na obra em
madeira. Busca-se assim avaliar o resultado da aplicação destes princípios
para o conjunto das obras, sinalizando para a possibilidade de
desenvolvimento tecnológico e construtivo das edificações em madeira no
Brasil com a adoção destas diretrizes no projeto de arquitetura.

25
CAPÍTULO II

2. A Madeira como material de construção

Neste capítulo é abordado o papel da madeira como material para a


construção civil, englobando as suas múltiplas finalidades como elemento
estrutural e construtivo. Enfocando a realidade brasileira, destacam-se os usos
pouco nobres e secundários na edificação, decorrentes de desinformação e
preconceito, e que não aproveitam de forma racional e eficiente as inúmeras
vantagens do material e seus diversos subprodutos, sendo estes resultado do
intenso desenvolvimento tecnológico verificado no Hemisfério Norte.

2.1. Usos múltiplos e subutilização na construção civil

O uso da madeira na construção civil no Brasil é caracterizado por suas


múltiplas finalidades, sendo empregada em usos temporários como
cimbramentos (para estruturas de concreto armado), andaimes e
escoramentos, e de forma definitiva em estruturas de coberturas, postes,
dormentes, estacas e cruzetas. O material também é intensamente empregado
na fabricação de componentes da edificação, como esquadrias, mobiliário,
painéis e divisórias, lambris, forros e pisos.
Segundo LAHR (1983), há vários níveis de desenvolvimento na sua
utilização, ou seja, ao lado de indústrias produzindo chapas de excelente
qualidade há enormes deficiências em muitos setores ligados ao emprego da
madeira na construção civil. Os produtos da madeira utilizados neste setor
englobam desde componentes com pouco ou nenhum processamento, como a
madeira roliça, até outros com diferentes níveis de beneficiamento como
madeira serrada, painéis, laminados e madeira com preservativos.

26
O seu emprego como principal elemento estrutural e construtivo da
edificação ainda representa uma pequena parcela nos canteiros de obras em
nosso país. De acordo com o IPT (2003), o uso em estruturas de cobertura, ou
seja, na forma de madeira serrada, representando um baixo valor agregado,
corresponde à maior parte da madeira consumida no Estado de São Paulo, que
é o maior consumidor do material proveniente da Amazônia. De acordo com a
Tabela 1, o uso da madeira em casas pré-fabricadas é bastante restrito,
retratando a desvalorização do material para usos nobres.

TABELA 1 – Consumo de madeira serrada amazônica pela construção civil,


no Estado de São Paulo, em 2006.
Uso na construção
construção civil Consumo (%)
Estruturas de cobertura 42
Andaimes e fôrmas para concreto 28
Móveis populares 15
Forros, pisos e esquadrias 11
Casas pré-fabricadas 3
Móveis finos e decoração 1
Fonte: Construção & Mercado (2007).

Concorre para esta situação a baixa qualidade das obras em madeira, que
estão concentradas em edificações residenciais de baixo e de alto custo, com
pouca aplicação em edificações não-residenciais. Resulta daí que a maioria
destas edificações é de propriedade de particulares, o que também impede que
possam ser observadas e assimiladas pelo público.

A contribuição das propostas construtivas em madeira no Brasil,


visando solucionar a demanda popular acaba situando-se no vazio entre
os extremos, de um lado a sub-habitação como as favelas, as
habitações tradicionais das regiões quentes e úmidas e de outro as
habitações luxuosas não possuidoras de qualquer preocupação com a
racionalização da construção (Bittencourt, 1995 p.3).

27
A imagem da casa de madeira no Brasil está muito associada a uma
moradia provisória e de baixa durabilidade. A constatação de que uma grande
parcela da população brasileira está abrigada em casas de madeira não
significa que estas atendam aos requisitos de qualidade necessários; muito
provavelmente estas moradias não estarão atendendo às exigências dos
usuários e sim contribuindo para reforçar a imagem extremamente negativa da
utilização da madeira na construção civil brasileira.
A conseqüência mais nefasta do desprezo pela madeira como material
construtivo é a desconsideração da sua imensa disponibilidade na Região
Amazônica, que seria capaz de zerar o déficit habitacional brasileiro, estimado
em cerca de sete milhões de moradias.
Tomando-se como exemplo o projeto de habitação popular do LPF/IBAMA,
ilustrado na Figura 1, com consumo aproximado de quinze metros cúbicos de
madeira incluindo as perdas devidas ao rendimento na serraria, e considerando
uma estimativa de estoque na floresta amazônica que gira em torno de 40
bilhões de metros cúbicos, chega-se a incrível porcentagem de 0,3% deste
total para oferecer moradia para todos os brasileiros que não a possuem.

Figura 1 – Habitações construídas em Rondônia segundo o projeto do LPF/IBAMA.


Fonte: IBAMA (2001).

Os reflexos desta imagem negativa são extremamente prejudiciais, pois,


não obstante as suas qualidades como material estrutural, competindo com o
concreto e o aço, há bastante preconceito e desinformação quanto à
resistência e durabilidade da madeira.

28
Esta idéia foi sendo formada ao longo do tempo porque as indústrias do
aço e do concreto, que sempre foram em menor número e de maior
porte que as indústrias de madeira tiveram um grande investimento em
pesquisas, com seus resultados sendo rapidamente divulgados e
acompanhados pelas normas de cálculo, propiciando a elaboração de
projetos com alto grau de qualidade técnica (Calil, 1999 p.1).

As indústrias da madeira (serrarias), existentes em todas regiões do país,


se caracterizam pelo uso desordenado e sem critérios técnicos sobre o
material, em ambientes onde se trabalha com maquinário ultrapassado e falta
de assistência técnica, desperdício de matéria-prima, condições de trabalho
insalubres e origem não-sustentável do recurso florestal.

2.1.1. A questão da normatização

Um dos aspectos que mais contribuem para este atraso tecnológico dos
setores de produção e comércio de madeiras, que se reflete nos canteiros de
obras, é a desconsideração das normas técnicas existentes principalmente no
contexto do mercado interno, pois a madeira destinada à exportação tem de se
adequar às exigências técnicas dos compradores provenientes em sua maioria
dos países desenvolvidos.

Sobre a existência de normas para pinus e para madeiras de folhosas


(angiospermas – dicotiledôneas), registradas na ABNT, atualmente, a
classificação só é praticada na madeira destinada à exportação para os
países desenvolvidos. No mercado nacional a madeira é vendida de
forma não selecionada, a chamada “bica corrida”, ou então, segundo
classificações genéricas como “primeira”, “extra”, etc., que
freqüentemente são motivos de discordância entre compradores e
vendedores (Remade, 2007 p.10).

A ausência de classificação e de padronização é um dos motivos do


preconceito, do desperdício e da sub-utilização da madeira nos canteiros de

29
obras, representando uma grande desvantagem em relação aos outros
materiais da construção e motivo de queixas do setor da construção civil.
Decorre daí que, em virtude da grande variabilidade especialmente de
madeiras tropicais, que são identificadas pelos nomes vulgares, espécies com
características físicas semelhantes como cor e densidade, mas com
propriedades mecânicas e de durabilidade natural distintas, sejam
comercializadas como espécies semelhantes.
Segundo o IPT (2003), há processos de seleção de madeira tecnicamente
mais elaborados, como o utilizado na norma NBR 7190 “Projeto de Estruturas
de Madeira” da ABNT, onde foram estabelecidas três classes de resistência –
C 20, C 25 e C 30 – para as madeiras de coníferas (pinus e pinho-do-Paraná,
por exemplo), e quatro classes – C 20, C 30, C 40 e C 60 – para as madeiras
de dicotiledôneas (ipê, jatobá, maçaranduba, etc).
Esta classificação foi estabelecida a partir das propriedades físicas e
mecânicas das espécies, e elimina a necessidade de se especificar a espécie,
no entanto é desconsiderada e mesmo desconhecida pelo setor madeireiro.

2.1.2. A questão cultural e a falta de qualificação

Desta forma, ocupa a madeira um papel secundário em nossos canteiros de


obras, em virtude da ausência de desenvolvimento tecnológico como o
verificado com outros materiais, o que também remonta a fatores como a falta
de tradição, o desconhecimento de suas propriedades, a escassez de
profissionais habilitados e toda a sorte de preconceitos relacionados à sua
origem como recurso florestal.
De acordo com INO (1992), a falta de tradição cultural é o grande
responsável pelos preconceitos contra a habitação de madeira, no entanto
reconhecer estes preconceitos significa reconhecer que eles decorrem do
desconhecimento da tecnologia da madeira.
Dentre outros fatores citados, deve-se ressaltar a inexistência de mão-de-
obra qualificada, que resulta da formação técnica e acadêmica ineficiente. De
acordo com BITTENCOURT (1995), a formação escolar de nível médio e

30
superior para os profissionais da área de madeira no Brasil é caracterizada por
grandes lacunas, podendo-se concluir que os agentes desta área são
autodidatas ou formados pelas empresas.

(...) tem sido usual – mas não ideal – que as estruturas de madeira
sejam concebidas por oficiais carpinteiros, muitas vezes bem
intencionados, mas não preparados para esta tarefa. Outro exemplo é a
existência de inúmeras marcenarias que trabalham com equipamentos
ultrapassados e mão-de-obra pouco qualificada, prejudicando a
qualidade dos produtos finais. Os problemas daí decorrentes incentivam
a formação de uma mentalidade distorcida por parte dos usuários (Calil,
2003 p.6).

De fato, a questão da qualificação na área de madeira é bastante deficiente,


não obstante o estágio de desenvolvimento tecnológico verificado em muitas
indústrias do setor. Ou seja, enquanto há linhas de produção com
equipamentos de última geração, sejam plantas automatizadas de serragem de
madeira ou de confecção de painéis derivados da madeira, onde o operário é
treinado para determinadas tarefas operacionais, por outro lado há um número
incalculável de pequenas e médias carpintarias e marcenarias trabalhando com
equipamento defasado, onde o profissional se torna capacitado apenas pela
prática e sem racionalização do processo produtivo.
Segundo BITTENCOURT (1995), esta realidade demonstra o total
desinteresse pela formação dos profissionais, desde o setor industrial
madeireiro que não exige mão-de-obra especializada, passando pelo sistema
educacional universitário vigente que não prioriza o material madeira e suas
aplicações nos conteúdos dos cursos e não dá atenção aos cursos
profissionalizantes, destinados à formação dos profissionais desta área.
Há ainda a idéia amplamente divulgada que associa o uso da madeira à
destruição de florestas, ignorando-se que o manejo florestal é um instrumento
eficiente e sustentável para garantir a manutenção dos recursos florestais para
as gerações futuras. Este assunto será tratado no item 3.2.

31
2.2. Os mitos da falta de durabilidade e do comportamento ao fogo

Outro fator sobre o qual há desinformação é o que se refere à degradação e


conseqüente durabilidade da madeira. Assim como todos os materiais de
construção, a madeira pode degradar-se ao longo do tempo. Por ser um
material orgânico e natural, constituído por celulose e lignina, pode ser
degradado em determinadas condições de umidade, temperatura e oxigênio.

A degradação da madeira é resultado do ataque de fungos e insetos


xilófagos, que podem invadir determinadas áreas da madeira e se não
são detectados e combatidos a tempo, destroem suas células e afetam
suas propriedades físicas e químicas, reduzindo drasticamente sua
resistência estrutural (Cartagena, 1982 p.1-31).

A durabilidade natural da madeira é uma das características que lhe permite


resistir a esta degradação; especialmente no caso de espécies tropicais há
madeiras com notável resistência biológica e cujo uso é mais indicado para
situações de maior exposição aos agentes degradadores, que justamente são
mais agressivos nestas regiões.

No Brasil, as condições estáveis de temperatura e a elevada umidade


relativa do ar conferem um perfeito habitat ao desenvolvimento de
fungos e insetos, que têm como alimentação básica a própria madeira.
Na floresta tropical, a atividade desses organismos é tão intensa que o
processo de deterioração é efetivado, em certas situações, até mesmo
em árvores vivas (Alves et al., 2002 p.7).

Quanto às espécies de baixa durabilidade natural, é necessário o emprego


de técnicas preventivas e tratamentos de preservação para o seu uso nas
edificações. Com estes procedimentos, pode-se alcançar melhores níveis de
durabilidade, semelhantes aos das espécies de alta durabilidade natural.
Como exemplo de técnica preventiva, há soluções construtivas para peças
destinadas a pilar, ou seja, em contato direto com o solo, que é considerada a

32
situação de maior exposição do material. Exemplos de diferentes soluções de
fixação do pilar, sendo engastado em bloco de concreto para madeiras de alta
durabilidade natural, e fixado em chapas metálicas afastadas do solo, para
madeiras de baixa durabilidade natural, estão ilustrados na Figura 2.

Figura 2 – Exemplos de pilar fixado com chapas e engastado em bloco de


concreto. Fonte: MELLO (2003/2005).

De acordo com BITTENCOURT (1995), nos países possuidores de alta


tecnologia em construções de madeira, pode-se encontrar na literatura técnica
o mapeamento da incidência de agentes biológicos por região, além da
normalização das classes de risco, servindo de instrumento de orientação aos
profissionais para os procedimentos a serem tomados ao nível de concepção,
fabricação, uso e manutenção.
A Figura 3 apresenta um exemplo de procedimentos a serem adotados
segundo orientação de normas francesas do CATED (Centro de Assistência
Técnica e de Documentação) para a preservação eficaz de uma obra em
madeira, cabendo ressaltar que a França é um dos países mais evoluídos na
utilização criteriosa da madeira na construção civil.
Quanto aos métodos de preservação da madeira, segundo ALVES et al.
(2002) podem ser divididos em métodos sem pressão e métodos com pressão.
Dentre os métodos sem pressão mais conhecidos estão a fumigação (com uso

33
de gás tóxico), o pincelamento e pulverização, as imersões rápida e prolongada
em soluções preservativas, o banho quente-frio (imersão que utiliza o choque
térmico para a absorção do preservativo) e a substituição de seiva
(aproveitamento do efeito de capilaridade em madeiras recém cortadas para
penetração do preservativo).

Figura 3 – Árvore de decisão para preservação da madeira. Fonte: BITTENCOURT


apud CETAD (1995).

34
Os métodos de pressão, considerados bem superiores aos métodos sem
pressão, possuem como desvantagens a necessidade de usinas de tratamento,
o transporte da madeira até as usinas e mão-de-obra especializada. São
normalmente classificados em processos de célula cheia e de célula vazia,
sendo esta diferença em função da distribuição do preservativo nas células da
madeira.

A preservação ou imunização da madeira tem por objetivo modificar a


composição química deste material, tornando-o não apetecível aos
organismos biológicos. O efeito protetor é obtido tornando a madeira
venenosa ou repelente aos elementos biológicos que a atacariam se
não estivesse preservada (Cartagena, 1982 p.2-15).

Além da degradação biológica, outras causas de deterioração da madeira


são devidas aos desgastes mecânicos (ex: dormentes, escadas, pontes),
exposição a agentes químicos como ácidos e sais, e a degradação física
resultante da exposição às intempéries e ao fogo.
Segundo FERNANDEZ-VILLEGAS (1983), a ação do intemperismo se
verifica principalmente pela alteração de cor de suas camadas superficiais, que
se tornam acinzentadas devido à incidência de radiação infravermelha e
ultravioleta do sol. Este tipo de deterioração é relativamente fácil de se evitar,
através do uso de produtos de acabamento como vernizes e “stains”, que
atuam como barreiras aos raios do sol e retardam a penetração da umidade,
restringindo também as alterações dimensionais que deterioram as camadas
superficiais das fibras.
Quanto à resistência ao fogo, a madeira é considerada um material de
baixa resistência, decorrente da falta de conhecimento do seu comportamento
quando submetida a altas temperaturas e quando exposta à chama. Ocorre
que, sendo bem dimensionada, a madeira se torna mais resistente que outros
materiais estruturais.

35
Uma peça de madeira exposta ao fogo torna-se um combustível para a
propagação das chamas, porém, após alguns minutos, uma camada
mais externa da madeira se carboniza tornando-se um isolante térmico,
que retém o calor, auxiliando, assim, na contenção do incêndio,
evitando que toda a peça seja destruída (...) Outra característica
importante (...) é o fato de não apresentar distorção quando submetida a
altas temperaturas, tal como ocorre com o aço, dificultando assim a
ruína da estrutura (...) (Calil, 1999 p.12).

Quanto ao aço e ao concreto, apesar de não serem combustíveis, perdem


a resistência sob altas temperaturas, reduzindo severamente a capacidade de
apoio e proteção, além da produção de muita fumaça no caso do concreto. De
acordo com CWC (2002), estudos realizados sobre causas de incêndios
revelam que os materiais de acabamento e instalações são os grandes
responsáveis por alimentar o fogo e produzir fumaça, que causam
aproximadamente cerca de 90% das mortes, sendo que as mortes em
residências atribuídas a colapso das estruturas são de cerca de 0,2%.
A segurança contra o fogo envolve muito mais do que escolher o material
construtivo que será utilizado. Muitos outros fatores como o uso da edificação,
o número de pessoas usuárias, os sistemas de detecção e prevenção de
incêndio e com que facilidade as pessoas podem sair do local, também têm
que ser considerados.

Não há método infalível de segurança contra incêndio em edificações.


Segurança contra incêndio é um conceito, e nenhuma fórmula pode
identificar ou garantir que um edifício está seguro contra o fogo (CWC,
citando NFPA, 2002, p.4).

A questão da durabilidade é, portanto uma questão tecnológica, que


envolve diferentes procedimentos para qualquer material utilizado na
construção civil. O que ocorre em relação à madeira é normalmente
negligência e falta de conhecimento que resultam na imagem desfavorável da
durabilidade do material.

36
Quando os procedimentos de manutenção e preservação da edificação são
efetivados, aliados a conceitos de projeto que os fortalecem, o resultado é a
durabilidade da obra, independentemente do material construtivo utilizado.
Como exemplo da durabilidade do material cite-se a obra em madeira mais
antiga do mundo, o templo japonês Horyuji, datado do ano 607 d.C. e
patrimônio da humanidade tombado pela UNESCO, com mais 1.300 anos de
idade e ainda hoje se encontrando em bom estado de conservação (Figura 4).

Figura 4 – Templo Horiyji, no Japão. Fonte: ORIENTALARCHITECTURE (1998).

2.3. Um material com características únicas

A despeito do panorama de desenvolvimento tecnológico inexpressivo das


edificações em madeira em nosso país, trata-se de um material com
características únicas para a construção civil. Cite-se, por exemplo, que é o
único material com o qual se pode construir integralmente uma edificação,
desde a estrutura, vedações, esquadrias, mobiliário, pisos, revestimentos, até a
cobertura e elementos decorativos em geral.

37
A madeira é o único recurso natural renovável com propriedades
estruturais e um dos materiais mais resistentes por unidade de peso,
sendo fácil de trabalhar, resultando em grande diversidade de formas e
de seções. Por ser relativamente leve, implica em baixo custo de
transporte e montagem, e por ser biodegradável os resíduos podem ser
totalmente aproveitados (Melo, 2004 p.1).

De fato, um dos principais aspectos que favorecem o material é sua


resistência em relação à densidade, que é quatro vezes superior ao aço e dez
vezes superior ao concreto, conforme apresentado na Tabela 2.

TABELA 2 – Materiais
Materiais estruturais / dados comparativos.
MATERIAL A B C D E F G
Concreto 2,4 1.920 20 20.000 96 8 8.333
Aço 7,8 234.000 250 210.000 936 32 26.923
Madeira conífera 0,6 600 50 10.000 12 83 16.667
Madeira dicotiledônea 0,9 630 75 15.000 8 83 16.667
Fonte: Calil Jr. e Dias (1997).

As colunas da Tabela 2 representam:


A: densidade do material, g/cm3 – para a madeira, referente à umidade de 12%;

B: energia consumida na produção, MJ/m3 – para o concreto, a energia provém da


queima de óleo; para o aço, queima do carvão; para a madeira, energia solar;
C: resistência, MPa – para o concreto, se refere à resistência característica à
compressão, produto usinado; para o aço, trata-se da tensão de escoamento do tipo
ASTM A – 36; para a madeira, são os valores médios da resistência à compressão
paralela às fibras, umidade de 12%, conforme a NBR 7190/1997, da ABNT (1997);
D: módulo de elasticidade, MPa – mesma descrição da coluna C;
E: relação entre os valores da energia consumida na produção e da resistência;
F: relação entre os valores da resistência e da densidade;
G: relação entre os valores do módulo de elasticidade e da densidade.

38
A leveza do material resulta em baixos custos de transporte e montagem, o
que se torna bastante significativo em processos construtivos com base na pré-
fabricação. Basta se comparar, por exemplo, estes custos com os de um
sistema de pré-fabricação de pré-moldados de concreto. Segundo GOTZ et al.
(1983), os fatores que favorecem o emprego da madeira na construção são:

• É um material relativamente
relativamente leve
• É um material de grande trabalhabilidade
• Possui propriedades físicas vantajosas, com o isolamento térmico
• Existem inúmeros sistemas construtivos que podem ser executados
com elementos em madeira
• A construção em madeira permite formas muitas
muitas vezes difíceis e às
vezes impossíveis de serem executadas com outros materiais
Fonte: a partir de Gotz et al. (1983).

Também em relação aos aspectos construtivos, a madeira é um material


relativamente fácil de trabalhar com ferramentas simples, sendo possível a
confecção de uma grande diversidade de seções e formas.

Outras vantagens da madeira são sua grande capacidade de absorver


energia e resistir a impactos, sendo particularmente apropriada para
estruturas de molhes, além de sua resistência a fadiga, suas
características como isolante térmico e acústico, e a facilidade com que
sua superfície pode ser pintada. Além disso, a madeira é um material
biodegradável, não apresentando os problemas de eliminação de
demolição próprios do concreto (Fernandez-Villega, 1983 p.9-10).

Cabe também acrescentar que nenhum outro material pode ser


engenheirado e colado para se produzir peças mais rígidas, como é o caso da
madeira laminada colada, ser engenheirado com resíduos do próprio material
para se produzir peças estruturais e componentes, ter casas produzidas em
uma fábrica e transportadas em caminhões, ou mesmo componentes que
podem ser despachados em contêineres por todo o mundo.

39
2.4. Produtos da madeira para a construção

Na construção civil, o emprego da madeira pode se dar de duas formas


básicas: de forma temporária, quando da execução da edificação, e de forma
permanente como componente desta edificação. Como uso temporário, citam-
se os tapumes, as fôrmas, as escoras e os barracões de obra.
Na forma permanente, o material é empregado em fundações (estacas
cravadas), na estrutura e em vedações, revestimentos, esquadrias, mobiliário e
cobertura. BITTENCOURT (1995) propõe uma classificação da utilização da
madeira e seus derivados na construção de edificações (Tabela 3).

TABELA 3 – Utilização da madeira e derivados nas edificações.


ELEMENTOS E MADEIRA MACIÇA DERIVADOS

COMPONENTES Chapas Vigas e

CONSTRUTIVOS bruta Serrada Serrada Aglome-


Aglome- Compensada Fibras pilares

desdobro usinada rada (laminada) prensadas


prensadas laminados

Tapume

Forma

Escoramento

Fundação

Piso Estrutura X X X X

Assoalho (piso)

Veda-
Veda- Estrutura X X X X

ção Revest.interno

Revest.externo X X X

Portas Folha X X X

Batente

Janelas Folha X X X

Batente

forro

Cober-
Cober- Estrutura X X

tura Telhas X

Fonte: Bittencourt (1995)

X – Possibilidade de uso em condições especiais de fabricação dos derivados.


X X – Na forma de painéis.

40
2.4.1. Madeira roliça e madeira serrada

A madeira na forma maciça foi durante muito tempo empregada nas


edificações, tanto no Oriente quanto no Ocidente. Tanto na forma roliça quanto
serrada, o seu uso se deu basicamente da maneira em que é obtida da árvore.
A forma roliça esteve presente em grande parte das construções rústicas do
passado, segundo o conceito citado por FERNANDEZ-VILLEGA (1983), onde a
própria natureza indicava o uso, ou seja, a árvore viva sugeria a coluna e a
árvore caída, a viga.
A madeira roliça é o produto com menor grau de processamento da
madeira, consistindo de um trecho do fuste da árvore, obtido por cortes
transversais ou mesmo sem corte, com aproveitamento total do fuste.
Dependendo do uso previsto, nem mesmo a casca é retirada, como no caso de
escoras e andaimes.
A madeira roliça também é empregada em postes de distribuição de
energia e em estruturas de edificações residenciais e comerciais sendo
normalmente tratada com preservativos. Há ainda as casas pré-fabricadas em
toras, as chamadas log homes, conforme mostrado na Figura 5; este tipo de
habitação é bastante popular na América do Norte e considerado de alto custo
devido ao grande consumo de madeira.

Figura 5 – Execução de uma log home e casa finalizada no Estado do Oregon, EUA.
Fonte: MELLO (2006).

41
Quanto à forma serrada originou-se da madeira “lavrada”, que era cortada
e entalhada com ferramentas manuais, até que as máquinas de corte (serras)
pudessem ser agregadas a este processo, gerando os produtos atuais.

A madeira serrada é produzida em unidades industriais (serrarias), onde


as toras são processadas mecanicamente, transformando a peça
originalmente cilíndrica em peças quadrangulares ou retangulares, de
menor dimensão. A sua produção está diretamente relacionada com o
número e as características dos equipamentos utilizados e o rendimento
baseado no aproveitamento da tora (volume serrado em relação ao
volume da tora), sendo este função do diâmetro da tora (maiores
diâmetros resultam em maiores rendimentos) (IPT, 2003 p.14).

Segundo CARTAGENA (1982), o tronco pode ser cortado de três formas:


tangente aos anéis de crescimento, obtendo-se madeira de corte tangencial;
perpendicular aos anéis, com o corte radial; e seguindo uma direção arbitrária,
obtendo-se madeira de corte transversal ou oblíquo (Figura 6).

Corte tangencial

Corte transversal

Corte radial

Figura 6 – Exemplos de tipos de peças de madeira serrada obtidos a partir do


desdobro da tora. Fonte: AUBURN (2006).

42
Os produtos de madeira oriundos das serrarias no Brasil possuem uma
grande diversidade, desde pranchas, pranchões, blocos, tábuas, caibros, vigas,
vigotas, sarrafos, pontaletes, ripas e outros. De acordo com a NBR 7203
(1982), os principais produtos das serrarias estão descritos na Tabela 4.

TABELA 4 – Dimensões dos principais


principais produtos de madeira serrada.
Produtos Espessura (mm) Largura (mm) Comprimento (mm)
Pranchão maior que 70 maior que 200 variável
Prancha 40 - 70 maior que 200 variável
Viga maior que 40 110 – 200 variável
Vigota 40 - 80 80 – 200 variável
Caibro 40 - 80 50 – 80 variável
Tábua 10 - 40 maior que 100 variável
Sarrafo 20 - 40 20 - 100 variável
Ripa menor que 20 menor que 100 variável
Dormente 160 220 2,00 – 5,60
170 240 2,80 – 5,60
Pontalete 75 75 variável
Bloco variável variável variável
Fonte: Bittencourt (1995), citando a NBR 7203 (1982).

A madeira serrada é a forma mais utilizada na construção civil no Brasil,


sendo intensamente empregada em estruturas de coberturas (Figura 7).

Figura 7 – Estruturas treliçadas de madeira amazônica no edifício-sede da


superintendência do INCRA em Marabá – PA. Fonte: MELLO (2001).

43
A madeira beneficiada é definida como um subproduto proveniente da
usinagem das peças serradas, num processo que agrega valor à estas peças.
De acordo com o IPT (2003), neste processo são utilizados equipamentos com
cabeças rotatórias providas de facas, fresas ou serras, que usinam a madeira
dando a espessura, largura e comprimento definitivos, em operações como
desengrosso, desempeno, destopamento, aplainamento, molduramento,
torneamento, e ainda recorte, furação, respigado e outros.
A Tabela 5 apresenta as dimensões dos principais produtos usinados, de
acordo com a NBR 7203 (1982).

TABELA 5 – Dimensões das principais peças de madeira beneficiada.


Peça transversal
Dimensões da secção transversal (mm)
Assoalho 20x100
Forro 10x100
Batente 45x145
Rodapé 15x150 ou 15x100
Taco 20x21
Fonte: Bittencourt (1995), citando a NBR 7203 (1982).

2.4.2. Madeira em lâminas

As lâminas de madeira, conhecidas como laminados, são produzidas a


partir de um processo industrial onde as toras são cozidas e depois cortadas
em lâminas. Segundo o IPT (2003), existem dois métodos para a produção de
lâminas: o torneamento e o faqueamento. No primeiro, a tora é colocada em
torno e as lâminas são destinadas a produção de compensados. No segundo,
são produzidas fatias únicas originadas de madeiras decorativas de boa
qualidade, com maior valor comercial, para serem utilizadas no revestimento de
divisórias.
Atualmente, as lâminas de madeira também são bastante utilizadas para
revestir pisos do tipo carpete de madeira, que é um substrato de compensado
(HDF) revestido com lâmina de madeira natural. Sua instalação depende da

44
sua espessura, sendo que pisos de 2,5 a 4,0mm são colados sobre superfícies
regularizadas, e pisos de 7mm de espessura são encaixados pelo sistema
macho-e-fêmea. A Figura 8 apresenta um detalhe do piso laminado de madeira
com sistema de encaixe.

Figura 8 – Detalhe do piso laminado de madeira. Fonte: MADFLOOR (2007).

2.4.3. Compostos de madeira

No contexto atual do uso da madeira na construção civil, os seus


compostos ou derivados adquirem cada vez mais importância. Segundo
SOUZA et al.(2002), os compostos são materiais formados pela combinação de
mais de um tipo de matéria-prima visando um produto com características
valorizadas e desejadas pelo mercado.
De acordo com o IPT (2003), os compostos de madeira surgiram da
necessidade de atenuar as variações dimensionais características da madeira
maciça, além de diminuir o seu peso e custo, mantendo suas propriedades
isolantes, térmicas e acústicas.
Também representam uma opção ao suprimento de madeira serrada no
comércio, e o desenvolvimento tecnológico do setor tem ocasionado o
aparecimento de novos produtos no mercado nacional e internacional para
demandas cada vez mais especializadas e exigentes.

45
Os produtos derivados dos compostos podem ser caracterizados como
chapas planas, vigas ou produtos moldados. A madeira sólida inicial é
desmanchada e reconstituída, por isso alguns autores os chamam de produtos
reconstituídos à base de madeira (SOUZA et al., 2002).
Os principais compostos de madeira disponíveis no mercado brasileiro até
o ano de 2002 ou em fase de desenvolvimento são:

• Chapas de lâminas coladas - compensado


• Chapas de partículas aglomeradas - aglomerado
aglomerado
• Chapas de fibras de baixa densidade - forros
• Chapas de fibras de média densidade - MDF
• Chapas de fibras de alta densidade – chapa dura
• Chapas de OSB – oriented strandboard
• Painéis de madeiras coladas lateralmente - PCL
• Chapas de fibrocimento
• Chapas
Chapas de cimento-
cimento-madeira de baixa densidade – climatex
• Vigas laminadas coladas
• Chapas de fibra-
fibra-gesso (fase de desenvolvimento)
• Chapas de partícula-
partícula-plástico (fase de desenvolvimento)
• Chapas de partícula-
partícula-gesso (fase de desenvolvimento)
• Chapas de fibra-
fibra-plástico
plástico (fase de desenvolvimento)
• Chapas de partículas de bagaço de cana- cana-de-
de-açúcar (fase de
desenvolvimento)
• Vigas de lâminas coladas - LVL
• Vigas Parallam
Fonte: a partir de SOUZA et al. (2002).

O compensado é o composto de madeira mais conhecido do nosso


mercado, sendo considerado o produto de madeira nacional com maior
resistência mecânica, além de ser o único à prova d’água disponível para a
construção civil. Por isto mesmo, é bastante empregado em fôrmas de
concreto, em tapumes e na construção naval.

46
Segundo o IPT (2003), os compensados surgiram no início do século como
um grande avanço, ao transformar toras em painéis de grandes dimensões.
A Figura 9 apresenta uma seqüência esquemática de elaboração do
compensado de pinus, do qual segundo a ABIMCI (2007), o Brasil é o maior
produtor mundial.

Figura 9 – Seqüência esquemática de elaboração do compensado de pinus.


Fonte: POSTAL (2007).

47
São encontrados no mercado como laminados (produzidos com lâminas de
madeira prensada), sarrafeados (com miolo formado por vários sarrafos de
madeira), e multisarrafeados (considerados os mais estáveis, com miolo de
lâminas prensadas e coladas na vertical). No entanto, muitos autores
consideram que apenas o compensado feito de lâminas pode assim ser
denominado, identificando-se os demais como contraplacados.
De fato, o princípio que caracteriza o compensado é o da sobreposição de
camadas de lâminas com orientações diferentes, sendo que o número mínimo
para balancear as suas tensões é de 03 camadas (Figura 10).

Figura 10 – As três camadas mínimas do compensado estabilizam o produto, que


pode ter até nove camadas. Fonte: WISD (2007).

Com o desenvolvimento tecnológico alcançado principalmente na América


do Norte, as possibilidades de uso do compensado se ampliaram bastante,
possibilitando executar inteiramente uma edificação (Figura 11).

Figura 11 – Habitação em chapa de compensado e centro de pesquisa da


Associação Canadense de Compensado (CANPLY). Fonte: MELLO (2000).

48
Quanto ao aglomerado, nascido da necessidade de se aproveitar as sobras
das serrarias, é considerado o composto mais comum no mercado brasileiro no
momento. Sua produção é feita a partir da seleção de partículas de madeira,
sua aglutinação com adesivos sintéticos e prensa a quente. São chapas
estáveis, podendo ser cortadas em qualquer direção (IPT, 2003).
Segundo BITTENCOURT (1995), a partir de 1905, com a instalação da
primeira usina piloto do sistema “Flakeboard”, os EUA e Europa desenvolveram
variados processos produtivos, sempre buscando a produção da chamada
“tábua artificial”, que se consolidou após a Segunda Guerra Mundial.
O uso de resíduos de serraria foi substituído pelo plantio de coníferas como
o Pinus, sendo que na América do Norte já estão sendo produzidas chapas
comerciais usando alguns tipos de gramíneas e palha de trigo (SOUZA et al.,
2002). A Figura 12 apresenta modelos de aglomerados.

Figura 12 – Modelos de aglomerados com espessuras variando de 6 a 50mm.


Fonte: AKZONOBEL (2007).

49
As chapas de fibras de média densidade (MDF) vieram para preencher
grande parte dos requisitos técnicos não atendidos pelos aglomerados, como
maior usinabilidade e acabamento, devidos aos cantos firmes, maior densidade
e maiores espessuras. Apresentam superfície plana e lisa, adequada a
diferentes acabamentos como pintura, envernizamento, impressão,
revestimentos e outros (IPT, 2003).
Trata-se de uma chapa para uso relativamente especializado e nobre,
sendo, portanto um produto mais caro e sofisticado. Seu processo de produção
é semelhante a dos aglomerados, sendo encontrada no mercado em três
versões: natural, revestida com laminado melamínico de baixa pressão (BP)
com acabamento liso ou texturizado, e revestida com película celulósica do tipo
Finish Foil (FF) com superfícies lisas ou texturizadas. A Figura 13 ilustra
algumas espessuras de chapas de MDF disponíveis no mercado.

Figura 13 – Modelos de chapas de MDF com espessuras variando de 3 a 30mm.


Fonte: MASISA (2007).

As chamadas chapas duras ou chapas de fibras são painéis de madeira


reconstituída de alta densidade, sendo os menos consumidos a nível mundial e
cuja tecnologia de fabricação é considerada poluente e obsoleta.
São utilizadas pela indústria moveleira, da construção civil e
automobilística, sendo produzidas a partir de florestas plantadas de eucalipto.
Também chamadas de hardboards, possuem cor natural marrom, com
espessuras que variam de 2 a 6,0 mm.
Vêm sendo substituídas pelos aglomerados e MDF, embora o Brasil seja o
3º maior produtor e 4º consumidor mundial (MASISA, 2007).

50
Os painéis de partículas orientadas ou oriented strand boards, mais
conhecidos como OSB, surgiram no mercado para atender a uma demanda
não resolvida com os aglomerados e as chapas de MDF, que era a de possuir
resistência mecânica exigida para fins estruturais (IPT, 2003).
Estes painéis são formados por camadas de partículas orientadas em uma
mesma direção e prensadas com resinas, podendo alcançar a resistência dos
compensados por preços bem inferiores. Sua utilização na construção
habitacional na América do Norte é intensa, principalmente em paredes
internas e externas, pisos, forros e peças estruturais, conforme a Figura 14.

Figura 14 – Habitação padronizada de condomínio nos EUA, com aplicação de chapas


OSB nas vedações e cobertura. Fonte: GLOBAL WHOLESALE SUPLY (2006).

A produção dos painéis OSB está em expansão na América do Norte e


Europa, sendo que no Canadá, tradicional produtor de compensados, esta
produção ultrapassou a dos compensados na década de noventa (SOUZA et
al., 2002). No Brasil esta produção se iniciou no ano de 2002, sendo
atualmente intensamente utilizado em tapumes, construções provisórias, e
mais recentemente, em interiores de lojas e restaurantes, mobiliário e objetos.
A tecnologia empregada na confecção do OSB reflete a potencialidade
dos derivados da madeira para a construção civil, pois se trata de um processo
relativamente simples, onde se emprega um princípio elementar da resistência
da madeira que é o aproveitamento da direção das fibras ou elementos
estruturais. A Figura 15 apresenta a seqüência de produção deste painel.

51
Transporte das toras Lavagem Descascamento

Produção dos strands Saturação Secagem

Aplicação de resinas Orientação dos strands Prensagem

Corte Embalagem e envio

Figura 15 – Seqüência de fabricação do painel OSB. Fonte: SBA (2006).

52
Os painéis ou chapas PCL são produzidos a partir de tarugos de madeira
colados lateralmente em uma prensa especial, com adesivos à prova d’água.
São utilizados principalmente pela indústria de móveis, empregando-se
madeira de eucalipto. De acordo com SOUZA et al.(2002), são chapas com alta
resistência mecânica, fáceis de se trabalhar e colar, no entanto têm alto custo e
limitações de medidas, o que as torna pouco competitivas em nosso mercado.
Quanto às chapas de fibrocimento, estas têm como grande vantagem o uso
de fibras vegetais que substituem a fibra do amianto, cuja extração é
considerada danosa à saúde. O processo combina as características
aglomerantes do cimento com as de resistência da fibra vegetal, que pode ser
papelão descartado ou cavacos de madeira de pinus ou eucalipto.
O produto resultante tem a mesma resistência e conforto térmico superior
ao das chapas com fibra de amianto, alta estabilidade dimensional e resistência
ao ataque de microorganismos, podendo ser usado para telhados, forros,
fechamentos de paredes e interiores. O Laboratório de Produtos Florestais
(LPF/IBAMA) desenvolve pesquisas avançadas com estas chapas, estimando-
se que sejam cerca de 15% mais caras que as tradicionais.
As chapas de cimento-madeira são manufaturadas com partículas de
madeira, cimento, água e aditivos, sendo prensadas a frio (Figura 16). São
utilizadas como material de construção em paredes, telhados, forros, pisos e
cercas. Segundo SOUZA et al.(2002), a produção dessas chapas tem custo
relativamente baixo e requerem baixo consumo de energia.

Figura 16 – Chapas de cimento-madeira. Fonte: EURO STAMOK (2006).

53
Segundo o REMADE (2006), a produção em larga escala de chapas de
cimento-madeira surgiu em 1976 na Alemanha e atualmente estes painéis são
bastante utilizados além da Alemanha, no Japão, Rússia, Inglaterra e Estados
Unidos (Figura 17). No Brasil, esta produção inexiste em escala industrial.

Figura 17 – Revestimentos de fachadas em residência no Japão e em galeria


comercial em Londres utilizando chapas de cimento-madeira. Fonte: XS4ALL (2007).

As razões para a boa aceitação das chapas de cimento-madeira se devem


à sua resistência ao ataque de fungos e cupins, seu bom isolamento térmico e
acústico, suas propriedades incombustíveis e fácil trabalhabilidade. A Figura 18
apresenta os componentes utilizados nestas chapas.

Materiais brutos – em peso Materiais brutos – em volume

cimento madeira água químicos madeira cimento água químicos

Figura 18 – Componentes da chapa cimento-madeira. Fonte: SSSALES (2007).

54
A viga laminada colada, resultante da técnica da madeira laminada colada
(MLC), surgiu no início do século passado, mas nas últimas décadas houve um
grande impulso no seu desenvolvimento. No Brasil, embora existam indústrias
com mais de 40 anos neste mercado, localizadas na Região Sul, esta
tecnologia ainda não é muito empregada, por motivos que incluem o seu custo
e a falta de divulgação e conhecimento sobre o seu desempenho.
Seu processo de fabricação permite a produção de peças estruturais de
grandes dimensões e variadas curvaturas. Tanto pode ser confeccionada de
forma manual, que é o caso das indústrias nacionais, como de forma
mecanizada para peças retas de tamanhos medianos, que é o caso das
indústrias européias e norte-americanas (Figura 19).

Figura 19 – Produção automatizada de MLC na Áustria e produção manual no Rio


Grande do Sul. Fonte: MELLO (1998-2000).

A técnica da madeira laminada colada consiste de lâminas de madeira


maciça coladas horizontalmente umas às outras, utilizando-se adesivos à prova
d’água e três tipos básicos de ligações, com destaque para a ligação do tipo
finger-joint, considerada a ligação mais eficiente em peças de madeira. As
ligações permitem a utilização de lâminas com peças com até seis metros de
comprimento. A Figura 20 apresenta o esquema de fabricação da MLC.
Quanto à colagem, segundo BITTENCOURT (1995), as pranchas são
orientadas com o cerne voltado para cima, com exceção da primeira prancha
inferior, que é posicionada na direção oposta, conforme a Figura 21.

55
Secagem Eliminação de nós e execução de
emendas finger joint

Aplainamento Aplicação de cola

Prensagem Arremates e embalagem

Figura 20 – Esquema de fabricação da MLC. Fonte: BAUSATZMOEBEL (2006).

56
Figura 21 – Detalhes de peças de MLC. Fonte: SIPBUILDLTD (2006).

Embora a fabricação de produtos de madeira laminada colada possa ser


realizada com instalações e equipamentos relativamente simples, há a
necessidade de mão-de-obra especializada e controle tecnológico eficiente,
para se evitar problemas como, por exemplo, a laminação de peças de madeira
com diferentes variações volumétricas ou teores de umidade.
De acordo com SOUZA et al.(2002), os aspectos negativos da MLC dizem
respeito ao alto custo e ao processo de produção que é predominantemente
manual e muito lento.

O custo por unidade de volume da madeira laminada colada é


consideravelmente superior ao custo correspondente da madeira
maciça. Apesar disto, a MLC freqüentemente resulta conveniente
graças à suas qualidades estéticas, a uniformidade da sua qualidade,
sua estabilidade dimensional e a possibilidade de se produzir peças
com dimensões e formas totalmente fora de alcance da madeira
maciça. Por outro lado, visto que a obtenção de peças maciças de
grandes dimensões tende a ser cada vez mais difícil, é de se supor que
o atrativo econômico da madeira laminada colada irá aumentando com
o tempo (Fernandez-Villega, 1983 p.253).

57
Outro aspecto que exige soluções específicas diz respeito ao transporte do
material. Embora a peça de madeira laminada colada possa ser produzida em
comprimentos de 5 a 50m, suas dimensões ficam limitadas pelo tamanho do
local de produção e pelas condições de transporte até a obra.
Para ilustrar a potencialidade do material e seus fatores limitantes, há o
exemplo das estruturas do Parque de Exposições de Brasília, onde as peças
arqueadas destinadas à edificação principal possuíam 26 metros de
comprimento para um vão livre total de 48 metros, e tiveram sua curvatura
definida em função da sua altura sobre a carroceria do caminhão, de forma a
não atingirem a altura mínima de viadutos das estradas percorridas da
indústria, localizada próxima a Porto Alegre, até a capital federal (Figura 22).

Figura 22 – Descarregamento de peças de MLC e execução de estrutura com vão


de 48,00m no Parque de Exposições de Brasília. Fonte: MELLO (2000).

De acordo com o REMADE (2003), a fabricação da madeira laminada


colada reúne duas técnicas bastante antigas, colagem e laminação, para a
reconstituição da madeira através de lâminas de dimensões reduzidas se
comparadas às dimensões da peça final.
Esta tecnologia pode ser considerada uma das mais versáteis
representantes do desenvolvimento tecnológico sobre o material, possibilitando
inúmeras opções de composições arquitetônicas e estruturais do edifício, que
às vezes não podem ser reproduzidas com outros materiais estruturais como o
concreto e o aço (Figuras 23, 24 e 25).

58
Figura 23 – Edificações no Canadá (foto superior) e na Inglaterra com uso de
peças curvas de MLC. Fontes: CWC (2006) e AJASMITH (2006).

Figura 24 – Pilares roliços e vigas retas de MLC no Sibelius Hall em Lahti,


Finlândia. Fontes: MELLO (2004) e PHOTOGRAPHY-ON-THE-NET (2006).

59
Figura 25 – Edificação de 05 pavimentos com estrutura plana de MLC destinada à
Escola Técnica Federal da Madeira em Biel-Bienne, Suíça. Fonte: MELLO (1998).

As chamadas vigas de lâmina colada ou LVL (laminated veener lumber)


ainda não estão presentes no mercado brasileiro, mas são muito comuns na
América do Norte e Europa, mesmo com seu alto custo. Conforme SOUZA et
al.(2002), compõem-se por lâminas homogêneas de madeira de baixa
espessura coladas, com as fibras no sentido do eixo da viga (Figura 26)

Figura 26 – Vigas de lâmina colada ou LVL. Fonte: AGEKA (2007).

60
Esta tecnologia foi inicialmente utilizada para fabricar hélices de avião e
outros componentes durante a Segunda Guerra Mundial, até começar a ser
conhecida na década de 1960 nos EUA (REMADE, 2004).
Seu uso estrutural é bastante difundido, tanto como componente das
bordas de vigas I, também com OSB, e como único elemento constitutivo de
peças destinadas a grandes estruturas (Figura 27).

Figura 27 – Estrutura de LVL para abrigar a Galeria Serpentine


em Londres, Inglaterra. Fonte: CONSTRULINK (2007).

61
As vigas Parallam são um produto patenteado por uma empresa
multinacional da área de produtos florestais, e estão presentes na América do
Norte e Europa. São produzidas a partir de tiras finas, estritas e longas
cortadas de lâminas de madeira selecionadas, que são coladas e prensadas a
quente, produzindo-se unicamente peças retas (SOUZA et al., 2002).
As lâminas são arranjadas na forma de feixes, prensadas sem emendas
em todo o comprimento da peça e aquecidas por radiofreqüência. Sua
resistência e linearidade são superiores às de uma peça de madeira maciça,
além de serem confeccionadas a partir de resíduos (Figura 28).

Figura 28 – Detalhe de seção transversal e vigas de Parallam. Fonte:


TIMBERTRUSS (2005).

As vigas Parallam são destinadas ao uso estrutural, especialmente em


aplicações que exijam peças retas de grandes dimensões, como em pontes e
estruturas de tesouras (Figura 29).

Figura 29 – Uso do Parallam em estruturas de cobertura e em módulo estrutural


destinado a pontes. Fontes: TIMBERTRUSS (2005) e HUGHESBROS (2005).

62
A aplicação das vigas Parallam em estruturas de grande porte destaca as
suas grandes qualidades estruturais, sendo consideradas os produtos à base
de madeira com maior resistência mecânica (Figura 30).

Figura 30 – Estrutura de edificação de 04 pavimentos em peças de Parallam,


destinada à Faculdade de Ciências Florestais da Universidade da Colúmbia Britânica,
em Vancouver, Canadá. Fonte: MELLO (2000).

O desenvolvimento tecnológico dos derivados de madeira faz com que


novos produtos sejam lançados constantemente pela indústria, com
características que tornam este mercado cada vez mais diversificado e
atraente. É o caso da tecnologia das I-Joist, vigas compostas com OSB e LVL,
e das Laminated Strand Lumber (LSL), confeccionadas com feixe de fibras de
madeira laminados e resinados segundo o comprimento da peça (Fig.31).

Figura 31 – Vigas I-Joist e LSL. Fonte: DIXIELINE (2007).

63
Os painéis autoportantes de madeira, destinados a pisos, cobertura,
vedações e revestimentos são produtos de última geração na área de
compostos de madeira, possuindo excelente comportamento ao fogo e
proporcionando isolamento acústico e térmico. Fabricados em peças com até
9m de comprimento, são recomendados inclusive para reconstituição de pisos
e paredes de obras antigas especialmente na Europa (Figuras 32 e 33).

Figura 32 – Painéis autoportantes de madeira. Fonte: LIGNATUR (2007).

Figura 33 – Edificações com vedações e pisos em painéis autoportantes de


compostos de madeira. Fonte: HOLZING-MAEDER (2004).

64
Segundo SOUZA et al.(2002), o produto madeira-plástico é resultante da
associação de partículas de madeira em variadas proporções com pellets de
plástico como matriz, sendo confeccionado numa prensa sob pressão e alta
temperatura, resultando em chapas ou perfis de diversas formas (Figura 34).

Figura 34 – Produtos de madeira-plástico. Fonte: VANNPLASTIC (2007).

O produto final pode ter até 100% de material reutilizado como embalagens
plásticas e serragem de madeira, incluindo o pó de serra. O plástico funciona
como um protetor do produto contra intempéries, além de dar estabilidade
dimensional às partículas ou fibras da madeira. É bastante empregado em usos
externos como decks, passarelas e escadas (Figura 35).

Figura 35 – Deck e corrimão em madeira-plástico. Fonte: MAINE-DECK (2003).

65
CAPÍTULO III

3. As propriedades da madeira

Este capítulo aborda as propriedades físicas, mecânicas e “ambientais” da


madeira, descrevendo o seu comportamento como material de origem biológica
de grande variabilidade, e sua performance devida a diferentes solicitações. A
questão da sustentabilidade dos materiais ou do impacto do seu uso sobre os
recursos naturais e a conseqüência para o meio ambiente é analisada,
revelando o desempenho extremamente favorável da madeira frente a esta
questão tão crucial no contexto atual.

3.1. Caracterização tecnológica da madeira

Como produto de um processo orgânico, a madeira é um material


heterogêneo e complexo, o que pode ser explicado pela quantidade,
disposição, orientação e composição química de seus elementos anatômicos.
Estes por sua vez são responsáveis pelas características da madeira, e,
portanto, influenciados por vários fatores tais como condições de temperatura,
aspectos de composição e umidade do solo onde a árvore está localizada, o
que explica como suas propriedades físicas e mecânicas diferem entre
espécies, entre árvores da mesma espécie e dentro de uma mesma árvore.
De acordo com MELO (2004), esta variabilidade pode ser medida através
de um sistema de amostragem aleatória e representativa, com um erro mínimo
de estimativa, realizando-se ensaios em corpos-de-prova isentos de defeitos
tais como nós, fibras inclinadas, rachaduras, empenamentos, etc.
A caracterização tecnológica é o instrumento essencial para se entender o
comportamento da madeira sob diferentes solicitações, determinar as suas
propriedades e possíveis utilizações, inclusive para a construção civil.

66
Por caracterização tecnológica, compreende-se a determinação das
seguintes características da madeira:

• Caracteres gerais
gerais (cor, cheiro, grã, textura)
• Teor de umidade
• Densidade
• Estabilidade dimensional
• Comportamento térmico
• Comportamento acústico
• Condutibilidade elétrica
• Comportamento mecânico
• Comportamento à secagem
• Durabilidade/preservação
• Trabalhabilidade
Fonte: a partir de IBDF (1981) e Melo (2004).

A determinação de suas propriedades também é de grande importância


porque estas podem influenciar significativamente no desempenho e
resistência da madeira com uso estrutural.
O conhecimento das propriedades da madeira contribui para atenuar uma
prática danosa e bastante difundida pelo setor madeireiro brasileiro, que é a
extração seletiva. No caso da Amazônia, segundo maior produtor mundial de
madeira tropical (REMADE, 2006), distribuída em cerca de 4.000 espécies
arbóreas, um dos fatores limitantes para a utilização das espécies ali existentes
é a falta de dados concretos sobre suas propriedades.
A determinação destas propriedades e a constatação de características
desejáveis para o mercado são requisitos básicos para qualquer ação que vise
a introdução de novas espécies, favorecendo a redução da exploração
concentrada em poucas espécies, e contribuindo para um aumento no volume
adicional de matéria prima no mercado, o que proporcionará maior
sustentabilidade da exploração madeireira na Região Amazônica.

67
3.1.1. Propriedades físicas

As propriedades físicas da madeira englobam as características inerentes


da espécie tais como: caracteres gerais (cor, cheiro, textura, grã e figura, etc),
teor de umidade, densidade, estabilidade dimensional, propriedades térmicas e
acústicas e condutibilidade elétrica.
De acordo com a descrição macroscópica da madeira, ela é definida como
um material de natureza anisotrópica, ou seja, que apresenta reações
diferentes segundo a direção considerada. Conforme ilustrado na Figura 36, as
suas três direções principais são perpendiculares entre si e coincidem com o
comprimento da árvore (longitudinal), em direção ao centro da árvore (radial) e
tangente aos seus anéis de crescimento (tangencial).

Figura 36 – Direções principais da madeira. Fonte: SHAW (2007).

As letras da figura representam:


A: eixo radial.
B: eixo tangencial.
C: eixo longitudinal.
X: superfície radial.
Y: superficie tangencial.
X: superfície transversal ou oblíqua.

68
A anisotropia da madeira é determinante para se estabelecer algumas de
suas propriedades físicas, como a estabilidade dimensional, propriedades
térmicas e acústicas e condutibilidade térmica.
As propriedades físicas são estabelecidas através de avaliação qualitativa e
quantitativa e manipulação de amostras de madeira, sendo submetidas a
procedimentos de secagem, saturação e análise microscópica para sua
descrição anatômica.

3.1.1.1. Caracteres gerais

A determinação dos caracteres gerais da madeira, também chamados de


características sensoriais (sensory characteristics, BRITANNICA, 2007), tais
como cor, cheiro, grã, textura, figura, brilho, camadas de crescimento, distinção
cerne/alburno e resistência ao corte transversal manual, é baseada em normas
de âmbito nacional e internacional, possuindo um caráter macroscópico, ou
seja, são características visíveis a olho nu.

Os caracteres gerais são dados relativamente importantes, tanto no


reconhecimento da madeira, como também na determinação de sua
melhor utilização. O tipo de grã aliado a outras informações como
textura, cor e figura, podem dar boa idéia sobre a trabalhabilidade,
aplicação e resposta da madeira aos tratamentos de acabamento
(IBDF, 1981 p.21).

A cor é uma característica marcante verificada especialmente em madeiras


tropicais pela grande variedade, contribuindo para identificação de espécies e
representando um fator determinante para usos finais em mobiliário e
acabamentos. A cor na madeira está sujeita a mudanças devidas à exposição a
agentes atmosféricos, como as radiações infravermelha e ultravioleta.
De acordo com MELO (2002), a descrição da cor da madeira,
anteriormente feita com a tabela de cores para solos de Munsell, atualmente
segue o sistema CIE (Comissão Internacional de Iluminantes), onde a

69
sensação de cor é baseada na sua luminosidade, tonalidade e cromaticidade
(intensidade da cor predominante).
O cheiro, presente em algumas espécies, está diretamente relacionado
com alto teor de umidade e a presença de substâncias, que por sua volatilidade
tendem a desaparecer com o passar do tempo. A sua importância decorre da
possibilidade de algumas espécies exalarem odor desagradável, o que pode
ser incompatível com usos como interiores de edificações e engradados para
transporte de alimentos, por exemplo.
A grã representa a direção dos elementos estruturais da madeira, como
fibras, vasos e traqueídes, em relação ao eixo de crescimento da árvore, e em
relação à superfície exposta da madeira serrada (MELO, 2002). Vários fatores
contribuem para a sua disposição quando do crescimento da árvore, sendo
classificados em grã direita (reta) e grã irregular (Figura 37).

Figura 37 – Exemplos de grã direita e grã irregular (no caso,


espiralada). Fonte: AUBURN (2006).

No caso da madeira serrada, de acordo com MELO (2002), a determinação


da grã é essencial para a qualidade da madeira, sendo mais valorizada a peça
com grã direita, pois o paralelismo dos elementos anatômicos em relação ao
eixo da peça serrada resulta em peças com maior qualidade para

70
processamento, maior resistência estrutural e estabilidade dimensional para
secagem (Figura 38).

Figura 38 – Tábuas com corte radial (A) e tangencial (B) oriundos de


tora com grã direita. Fonte: SHAW (2007).

A textura, muitas vezes confundida com a grã, descreve o grau de


uniformidade da aparência de uma superfície de madeira, sendo classificada
normalmente em fina, média e grossa.
Também pode ser descrita como o efeito produzido pelas dimensões,
distribuição e abundancia relativa dos elementos anatômicos estruturais da
madeira (MELO, 2002). A textura é importante em função dos usos finais
pretendidos, ou seja, para um bom acabamento e superfície mais polida, a
madeira de textura fina é a mais indicada.
A figura (desenho) é uma característica bastante apreciada por escultores
e artistas plásticos que trabalham com madeira, pois os desenhos formados a
partir de anéis de crescimento, raios, cor, etc, podem ser explorados
esteticamente com resultados inesperados e surpreendentes (Figura 39).

71
Figura 39 – Exemplos de figuras da madeira e seus usos. Fonte: AUBURN (2006).

O brilho é classificado em ausente, com brilho moderado ou com brilho


acentuado. A distinção entre cerne e alburno é verificada pela diferença de cor,
podendo ser distintos, indistintos e pouco distintos, sendo esta mesma
classificação utilizada para observação dos anéis de crescimento (IBDF, 1997).
A resistência ao corte transversal manual é um dado subjetivo, onde após
sofrer corte transversal às fibras, a madeira é classificada como dura,
moderadamente dura e macia (IBDF, 1997).

3.1.1.2. Teor de umidade

A madeira é considerada um material semiporoso, e, portanto absorve


umidade quando o ambiente está úmido e perde umidade quando o ambiente
está seco. Seu comportamento higroscópico é uma das características mais
importantes no estudo do comportamento da madeira, influenciando nas
propriedades físicas e mecânicas, na secagem e preservação, na durabilidade
natural, trabalhabilidade, acabamentos e produtos derivados (MELO, 2002).
A água é extremamente importante para o processo de crescimento e
desenvolvimento da árvore, representando uma grande porção desta quando
se encontra no estado verde. Há duas formas de água encontradas no interior
da madeira, com as seguintes diferenciações:

72
ÁGUA LIVRE ÁGUA DE IMPREGNAÇÃO
- contida nas cavidades das células - encontrada nas paredes das células
- proveniente da seiva elaborada - fixada por ligações químicas a nível
molecular
- pode ser retirada com relativa - sua retirada requer grande consumo
facilidade por processos de secagem de energia e resulta em retração
- circula livremente sem afetar a madeira - ocasiona alterações significativas nas
propriedades da madeira
Fonte: MELO (2002).

De acordo com CALIL (1999), o teor de umidade correspondente ao


mínimo de água livre e ao máximo de água de impregnação é denominado de
Ponto de Saturação das Fibras (PSF), encontrando-se em torno de 25% para
as madeiras brasileiras.
A madeira não sofre alterações até que se atinja o PSF, sendo que a partir
deste ponto a perda de umidade resulta na retração, que é a redução das suas
dimensões e aumento da sua resistência, alterando-se as suas propriedades e
conseqüentemente o seu comportamento.

Logo após o corte e desdobro, a água da madeira começa a evaporar-


se: o ar é geralmente ávido de umidade. A água livre evapora-se mais
facilmente, até o ponto de saturação (25 a 30%), umidade limite, acima
da qual existe água livre e abaixo somente água de impregnação. Não
para aí a evaporação: prossegue mais lentamente até atingir umidade
de equilíbrio com as condições do ambiente. Estas são instáveis e a
umidade da madeira ao ar oscila em torno do valor 12%, sendo
considerada com esta umidade como “seca ao ar” (HELLMEISTER,
1982 p.26-27).

A redução da umidade da madeira para atingir a situação de equilíbrio com


as condições de temperatura e umidade relativa do ar do ambiente (como
exemplo, para uma temperatura de 20°C e umidade relativa do ar de 65%, tem-

73
se uma umidade de equilíbrio de 12%), pode ser acelerada em ambientes onde
estes parâmetros são controlados, como as estufas de secagem.
A umidade de equilíbrio da madeira varia em função da região em que se
encontra, o que representa uma variação considerável em países de
dimensões continentais como o Brasil. Portanto, é muito importante o controle
da umidade da madeira na região em que será utilizada, que pode ser feito por
medidores portáteis, evitando-se problemas decorrentes de suas alterações
dimensionais (Figura 40).

Figura 40 – Medidor de umidade portátil para madeira. Fonte: ETEC (2007).

3.1.1.3. Densidade

A densidade é considerada a propriedade física mais importante para a


caracterização de madeiras destinadas à construção civil, e também para as
indústrias de chapas e de móveis. De acordo com MELO (2002), a densidade
é um parâmetro referencial de qualidade da madeira para determinados usos, e
está diretamente relacionada a outras importantes características como
resistência e teor de umidade.
Em termos do conceito físico, a densidade é definida como a quantidade de
massa contida na unidade de volume, ou a relação entre peso e volume de
uma amostra, sendo também chamada de peso específico.

74
No caso da madeira, como a massa e o volume englobam tanto a parte
sólida (madeira) quanto a parte líquida (água) e vazios celulares e
intercelulares, os valores de densidade variam em função das condições de
umidade. Por exemplo, o volume da madeira é constante no estado verde,
diminuindo quando a umidade de equilíbrio é menor que o PSF e tornando-se
novamente constante no estado seco (CARTAGENA, 1982).
Em conseqüência destas variações, pode-se distinguir quatro densidades
para uma mesma amostra de madeira, conforme segue:

TIPO DESCRIÇÃO APLICAÇÃO


Densidade verde Relação entre o peso verde e Estimativa de peso para
o volume
volume verde transporte, peso próprio das
estruturas e secagem
Densidade seca Relação entre o peso seco e Escolha de madeira para fins
volume seco em estufa energéticos
Densidade básica Relação entre o peso seco em Comparação entre
estufa e o volume verde
verde propriedades de espécies e
programas de secagem
Densidade Relação entre peso e volume Peso próprio das estruturas e
aparente a um teor de umidade comparação entre espécies
Fonte: MELO (2002).

3.1.1.4. Estabilidade dimensional

A estabilidade dimensional é uma característica bastante peculiar da


madeira, e apesar da sua grande importância para usos como mobiliário,
esquadrias, pisos, forros e peças de acabamento, é muitas vezes ignorada,
com conseqüências negativas para a qualidade dos produtos.
Resulta das variações do teor de umidade abaixo do Ponto de Saturação
das Fibras, que produzem variações dimensionais na madeira, pois esta só é
dimensionalmente estável quando seu teor de umidade está acima do PSF. A

75
estabilidade dimensional também é abordada com os termos retração e
inchamento (HELLMEISTER, 1982) ou retratibilidade (CALIL, 1999).
Devido à sua natureza anisotrópica, apresenta comportamentos diferentes
de acordo com a direção em relação às fibras e aos anéis de crescimento,
ocorrendo em porcentagens diferentes nas direções tangencial, radial e
longitudinal (CALIL, 1999) (Figura 41).

Figura 41 – Defeitos de secagem nas peças devidos à anisotropia da madeira.


Fonte: SHAW (2007).

De acordo com MELO (2002), a contração na direção tangencial (CT) é


sempre maior que na direção radial (CR), sendo que na direção longitudinal
(CL) ela é praticamente desprezível.
Outro parâmetro importante é a razão entre a contração tangencial e radial,
também chamada de Índice de Retração Anisotrópica (IRA), sendo que quanto
mais baixa esta razão, isto é, quanto mais próxima de um, melhor é a madeira
em termos de estabilidade dimensional.

3.1.1.5. Comportamento térmico

As principais propriedades que determinam o comportamento térmico da


madeira são a condutibilidade térmica, o coeficiente de dilatação térmica e o
calor específico. De acordo com BITTENCOURT (1995), um dos principais
argumentos favoráveis ao sistema construtivo em madeira, na literatura
técnica, é o desempenho térmico de suas paredes.

76
A condutibilidade térmica é uma medida da rapidez com que flui a energia
térmica ou calor através de um material submetido a um gradiente de
temperatura (FERNANDEZ-VILLEGA, 1983). Vários fatores influenciam na
condutibilidade térmica da madeira, como o teor de umidade, a densidade e a
estrutura celular.
Desta forma, madeiras de baixa densidade e baixo teor de umidade são
melhores isolantes térmicos, uma vez que nestas madeiras os vazios
intercelulares são preenchidos com água e ar, que possuem menor
condutibilidade térmica que o material lenhoso. A Tabela 6 apresenta os
coeficientes de condutibilidade térmica de alguns materiais, onde se observa
que a madeira é um dos materiais mais isolantes da construção civil.

TABELA 6 – Coeficientes de condutibilidade térmica de alguns materiais.


Material Condutibilidade λ em
kcal/m.h.°C
Ar 0,0216
Água mineral 0,03
Madeira seca em estufa (densidade seca = 0,4 g/cm3) 0,03
Madeira seca em estufa (densidade seca = 0,8 g/cm3) 0,12
Gesso 0,30
Concreto 1,15 – 1,40
Aço 35,00 – 50,00
Cobre
Cobre 350,00
Fonte: MELO (2002).

O coeficiente de dilatação térmica é definido como a variação nas


dimensões da madeira em função da variação de temperatura. Para o
dimensionamento de estruturas este coeficiente é desprezado e esta dilatação
é compensada pela retração devida à perda de umidade (MELO, 2002).
O calor específico é a capacidade de um material de reter calor,
dependendo, no caso da madeira, da temperatura e do teor de umidade. Trata-
se de um parâmetro muito relevante para a madeira com fins energéticos.

77
3.1.1.6. Comportamento acústico

As propriedades acústicas mais importantes da madeira para a construção


civil são o isolamento e a absorção acústica. O isolamento se refere à redução
da intensidade do som quando passa através de uma barreira, e a absorção
acústica significa a quantidade de som sobre uma superfície que é absorvida
por ela (FERNANDEZ-VILLEGA, 1983).
A madeira é menos eficiente em bloquear a transmissão do som, mas
combinando-se com outros materiais é possível se obter uma barreira acústica
bastante eficiente. Isto ocorre porque a barreira acústica está diretamente
relacionada ao peso do material, sendo a madeira mais leve do que os outros
materiais estruturais (CARTAGENA, 1982).
Na edificação em madeira é bastante conveniente seguir recomendações
de projeto que permitam aumentar o seu isolamento acústico.

Na habitação de madeira, os detalhes construtivos empregados para


impedir as conseqüências da permeabilidade à água, normalmente são
suficientes para garantir um bom isolamento acústico; principalmente
quando esta se encontra localizada em área urbana com média
intensidade sonora. Existindo necessidade de executar um sistema de
proteção sonora para a habitação, deve-se ter como exigências a
proteção contra ruídos aéreos, de impacto e de equipamentos
(Bittencourt, 1995 p.141).

Quanto à absorção de som, ocorre o contrário, ou seja, um material com


bom desempenho deve ser leve e poroso, o que explica o emprego maciço de
madeira nos interiores de auditórios e salas de concerto (Figura 42).

78
Figura 42 – Sala de concertos do Sibellius Hall, com revestimentos de balcões,
paredes, pisos e teto em madeira, em Lahti, Finlândia. Fonte: ARTEC-USA (2006).

3.1.1.7. Condutibilidade elétrica

A madeira é um excelente isolante de corrente elétrica quando está


totalmente seca, sendo, portanto sua resistência elétrica muito sensível a
alterações no seu teor de umidade. Quando está em estado úmido, torna-se
um condutor de energia elétrica.
Esta relação direta entre resistência elétrica e teor de umidade possibilita
estimar a umidade da madeira através de aparelhos elétricos que estabelecem
relação entre a umidade e a quantidade de água na madeira (MELO, 2002).
A condutibilidade elétrica da madeira varia segundo suas três direções
anatômicas, sendo que a condutibilidade paralela às fibras é o dobro da
condutibilidade no sentido transversal (CARTAGENA, 1982).

3.1.2. Propriedades mecânicas

As propriedades mecânicas da madeira são determinadas pelo seu


comportamento quando é solicitada por forças externas, sendo divididas em
propriedades de elasticidade e de resistência (CALIL, 1999).
As propriedades elásticas dizem respeito à capacidade do material de
retornar à sua forma inicial uma vez retiradas as cargas aplicadas, sem
apresentar deformações residuais. Apesar da madeira apresentar esta

79
deformação residual, é considerada como um material elástico para a maioria
dos usos estruturais.
As propriedades de resistência da madeira estão diretamente relacionadas
com a sua densidade, de forma que as madeiras mais densas são
normalmente as mais resistentes, embora haja variações destas propriedades
em madeiras com a mesma densidade (MELO, 2002).
Tanto as propriedades de elasticidade quanto as de resistência diferem de
acordo com a direção das fibras em relação à direção de aplicação da força na
madeira, devido ao seu caráter anisotrópico. Além disto, como suas
propriedades não variam numa mesma direção, mas de uma direção para
outra, a madeira possui um caráter ortotrópico.

A estrutura peculiar da madeira (...) explica sua natureza heterogênea e


anisotrópica. De fato, as características físicas da madeira variam de
um ponto a outro da mesma árvore, e suas características de
resistência variam segundo a direção considerada. (...) a madeira pode
ser idealizada como um material ortotrópico em que se distinguem três
direções mecânicas ou estruturais, perpendiculares entre si, que
coincidem com as direções longitudinal, radial e tangencial da árvore.
(...) Portanto, com rigor, seria preciso considerar três conjuntos de
propriedades mecânicas, um para cada eixo. Porém, as propriedades
nos sentidos tangencial e radial não diferem significativamente, de
forma que para efeito prático de concepção de estruturas de madeira,
em geral basta distinguir entre as propriedades paralelas às fibras e as
propriedades perpendiculares a estas (Fernandez-Villega, 1983 p.79).

Para a determinação das propriedades de resistência da madeira, são


efetuados os ensaios de caracterização, sendo que devido ao alto custo para
sua realização com peças em tamanho estrutural, são realizados com corpos-
de-prova e os valores destes ensaios são utilizados para se determinar as
tensões de cálculo de estruturas (MELO, 2002).

80
A tensão é definida como a força por unidade de área, sendo que na
madeira existem três tipos de tensões a que pode estar submetida: tensão de
compressão, tensão de tração, de flexão e cisalhamento (CARTAGENA, 1982).
A alteração dimensional resultante da atuação de esforços é chamada de
deformação, e a relação entre esforço e deformação é proporcional dentro do
chamado regime elástico; ou esta relação perde esta proporcionalidade, dentro
do chamado regime plástico.
A Figura 43 apresenta o gráfico Tensão x Deformação, onde se visualiza o
trecho onde a madeira se comporta como um material elástico, e o limite de
proporcionalidade, após o qual a madeira caminha para a ruptura.

Tração
Tensão

Limite de proporcionalidade

Compressão
Limite de proporcionalidade

Deformação

Figura 43 – Gráfico esquemático da resistência da madeira à tração e


compressão paralela às fibras. Fonte: MELO (2002).

3.1.2.1. Comportamento da madeira à compressão

O comportamento da madeira submetida a esforços de compressão


apresenta variações consideráveis que decorrem da direção da força aplicada
em relação à direção das fibras. Ela pode ser submetida à compressão de
acordo com três solicitações: perpendicular, paralela ou inclinada em relação
às fibras (CALIL, 1999), conforme apresentado na Figura 44.

81
Figura 44 – A madeira pode ser submetida a três tipos de compressão:
perpendicular, paralela ou inclinada. Fonte: a partir de CALIL (1999).

Na compressão paralela às fibras, como as forças agem na mesma direção


do comprimento das fibras da madeira, esta apresenta uma grande resistência,
sendo esta propriedade utilizada principalmente para se dimensionar pilares.
Na compressão perpendicular às fibras, ocorre a compactação das fibras e
eliminação dos vazios, resultando no aumento de capacidade de carga da peça
de madeira (MELO, 2002). No entanto, devido às altas deformações
originadas, para efeito prático considera-se a resistência até o limite de
proporcionalidade, sendo esta propriedade usada para dimensionamento de
treliças, dormentes, etc.
A compressão inclinada age tanto paralelamente como perpendicularmente
às fibras, sendo uma propriedade considerada para fins de dimensionamento.

3.1.2.2. Comportamento da madeira à tração

A madeira pode sofrer duas solicitações diferentes à tração: tração paralela


e tração perpendicular às fibras, sendo que suas propriedades diferem
consideravelmente em função destas solicitações (CALIL, 1999). A Figura 45
ilustra o comportamento da madeira à tração.

Figura 45 – A solicitação por tração pode se dar nas direções paralela e


perpendicular às fibras da madeira. Fonte: a partir de CALIL (1999).

82
A máxima resistência à tração se manifesta quando o esforço é paralelo às
fibras, no entanto os ensaios são de difícil execução e pouco confiáveis devido
à possibilidade de esmagamento das fibras do corpo-de-prova pelas garras do
equipamento (MELO, 2002). Esta propriedade é utilizada para
dimensionamento de treliças e comparação entre espécies.
Quanto à tração perpendicular às fibras, a madeira apresenta baixos
valores de resistência, e como os esforços agem tendendo a separar as fibras
e afetando a integridade estrutural da peça, os resultados de ensaios
apresentam grandes variações. Esta propriedade, que chega a apresentar
valores quarenta vezes menores que os da tração paralela, é utilizada em
estruturas em arco (FERNANDEZ-VILLEGA, 1983).

3.1.2.3. Comportamento da madeira ao cisalhamento

São considerados três tipos de cisalhamento, também chamado de esforço


cortante, que agem em peças de madeira: a) quando o esforço se dá no
sentido perpendicular às fibras, b) paralelo às fibras no plano radial ou
tangencial, e c) o cisalhamento “rolling” (CALIL, 1999), conforme a Figura 46.

a) b) c)

Figura 46 – Tipos de cisalhamento na madeira: esta apresenta menor


resistência no cisalhamento horizontal. Fonte: a partir de CALIL (1999).

O cisalhamento perpendicular às fibras não é considerado, pois devido à


alta resistência de corte das fibras, outras falhas ocorrerão antes. O

83
cisalhamento “rolling” produz uma tendência das células rolarem umas sobre
as outras.
O cisalhamento horizontal é o mais crítico, pois a separação e o
escorregamento entre as células de madeira podem levar à ruptura da peça. O
comportamento da madeira ao cisalhamento é importante no dimensionamento
de vigas, ligações e comparação entre espécies.

3.1.2.4 Comportamento da madeira à flexão

Quando a madeira é solicitada à flexão, chamada de flexão simples,


ocorrem quatro tipos de esforços: compressão paralela às fibras, tração
paralela às fibras, cisalhamento horizontal e compressão perpendicular às
fibras (ocorre nos apoios), conforme apresentado na Figura 47.

Figura 47- Comportamento da madeira quando solicitada à flexão simples.


Fonte: a partir de CALIL (1999).

De acordo com CARTAGENA (1982), a diferença entre a resistência a


tração e a compressão paralela resultam em um comportamento peculiar das
peças de madeira sujeitas à flexão, que falham primeiro por compressão
gerando o aumento da área comprimida e a redução da área tracionada,
resultando no rompimento da peça por tração.

84
Segundo MELO (2002) as propriedades referentes ao comportamento da
madeira à flexão são utilizadas para dimensionamento de peças fletidas tais
como vigas, além da comparação entre espécies, arqueamento, etc.

3.1.2.5. Comportamentos à torção, dureza, fendilhamento e


resistência ao impacto

As propriedades da madeira relativas ao comportamento à torção são


muito pouco conhecidas, sendo que a norma brasileira recomenda evitar a
torção de equilíbrio devido ao risco de ruptura por tração paralela às fibras que
resulta do chamado estado múltiplo de tensões atuante (CALIL, 1999).
Quanto à determinação da dureza, obtida pela introdução de uma semi-
esfera nas direções paralela e perpendicular às fibras da madeira, trata-se de
uma propriedade importante para comparação entre espécies e também para a
definição de alguns usos finais como pisos, onde é fundamental que a peça de
madeira não seja suscetível a marcas provenientes de móveis e outros.
O fendilhamento é uma característica importante, pois mede a resistência
da madeira em relação a possíveis rachaduras no sentido longitudinal,
determinando o seu comportamento à extração de pregos, entalhes em apoios
de vigas e rachaduras (MELO, 2002).
A resistência ao impacto é a capacidade do material de absorver
rapidamente energia pela deformação, sendo a madeira considerada um
excelente material para esta característica. A sua determinação é feita através
de dois tipos de ensaios: ensaio de flexão dinâmica, com aplicações em
equipamentos esportivos, máquinas, aeronaves, carrocerias em geral,
dormentes, etc., e ensaio de tenacidade, que fornece dados mais confiáveis.
De acordo com MELO (2002), é sabido que o comportamento da madeira
sob impacto é diferente em relação ao seu comportamento ao suportar uma
carregamento estático, no entanto a norma brasileira prevê o ensaio de flexão
dinâmica para quantificar esta resistência ao choque.

85
3.1.3. Fatores que afetam a resistência da madeira

Assim como ocorre com qualquer material de origem biológica, a madeira


apresenta variações na sua composição e estrutura orgânica e está sujeita a
fatores externos tais como umidade relativa e temperatura do meio ambiente,
bem como a secagem e sentido de aplicação de esforços, alterando as suas
propriedades físicas e de resistência.
Esta variabilidade tende a ser maior para algumas propriedades do que
para outras, sendo medida através de um coeficiente de variação. A Tabela 7
apresenta os coeficientes médios de variação de algumas propriedades da
madeira, obtidos em ensaios normalizados com corpos-de-prova sem defeitos
de 150 espécies caracterizadas pelo LPF/IBAMA. Segundo MELO (2002), para
efeito de caracterização, é muito importante que o sistema de amostragem
considere esta variação, o que resultará numa maior representatividade em
relação ao comportamento de uma determinada espécie de madeira.

TABELA 7 – Coeficiente de variação médio de espécies da Amazônia.


Propriedade Coeficiente de variação (%)
verde seco
seco
Módulo de elasticidade – flexão 14 12
Tensão de ruptura – compressão paralela às fibras 15 13
Tensão de ruptura – compressão perpendicular às 23 18
fibras
Tensão de ruptura – flexão estática 15 14
Tensão de ruptura – cisalhamento paralelo às 17 18
fibras
Densidade básica 9
Fonte: MELO (2002).

São três os tipos de fatores, anatômico, ambiental e de utilização, que


resultam em alterações nas propriedades da madeira, conforme segue:

86
FATOR INFLUÊNCIA
- densidade - quanto maior, maior a quantidade
quantidade de
madeira, com aumento da resistência
- grã (direção longitudinal dos - a grã direita representa uma menor
elementos anatômicos estruturais variabilidade de resistência
da madeira) - a grã inclinada afeta bastante o
O comportamento estrutural da madeira
C
I
M - nós (soltos e firmes, com - reduzem a sua resistência por
Ô
T diferenças de tamanho, localização,
A interromperem a continuidade e
N forma, firmeza, e do tipo de tensão direção das fibras da madeira
A
considerada) - podem causar efeitos de tensão
localizada
localizada
- falhas naturais (encurvamento do - alteração do alinhamento das fibras
tronco, presença de alburno, pode influir na resistência
medula e faixas de parênquima) - redução da resistência da madeira
- defeitos por ataques biológicos - afetam as propriedades físicas e
LA (perfurações,
(perfurações, podridão, manchas) mecânicas da madeira
T
N - temperatura (exposição a altas - diminuem as propriedades
EI
B temperaturas por longo período) mecânicas
M
A - aumentam as propriedades com
diminuição da temperatura
- defeitos oriundos da secagem - originados pela deficiência dos
(encanoamento, arqueamento, sistemas de secagem, influenciam na
encurvamento, torcimento e sua resistência e qualidade
rachadura)
O - defeitos de processamento da - resultam em perda de resistência e
Ã
Ç madeira (arestas quebradas e qualidade da madeira
AZ
IL variação da seção transversal)
IT
U
- influência do tempo de - carregamentos de longa duração
carregamento ocasionam deformações adicionais
(fluência da madeira)

Fontes: CALIL (1999) e MELO (2002).

87
3.2. A madeira e a sustentabilidade dos materiais

A construção civil, assim como as demais atividades econômicas


desenvolvidas pelo homem, exercem algum tipo de impacto sobre o meio
ambiente. De acordo com ATHENA (2006), cerca de 40% dos materiais e da
energia produzidos no mundo são consumidos pela indústria da construção,
gerando milhões de toneladas de gases do efeito estufa, emissões de ar
tóxicas, poluentes da água e resíduos sólidos. Assim, nenhuma outra atividade
econômica exerce maior impacto sobre o meio ambiente no planeta.
O impacto ambiental decorrente do uso dos materiais na construção pode
ser reduzido pela adoção de critérios que considerem o real impacto de cada
material desde a sua obtenção até a utilização nas edificações. Para tanto,
alguns questionamentos se fazem necessários:

• Como o meio ambiente é afetado em cada estágio do ciclo


de vida dos materiais de construção, desde a extração até o
beneficiamento, transporte, utilização e eventual disposição
de resíduos?
• O meio ambiente ganha ou perde quando o desenhodesenho de
uma edificação ou o material construtivo é selecionado em
detrimento de outra opção?
• Qual o impacto cumulativo dos sistemas de aquecimento e
resfriamento sobre o ciclo de vida de uma edificação?
Fonte: ATHENA (2006).

Atualmente há inúmeras instituições, especialmente na América do Norte,


que se debruçam sobre este tema na busca de soluções ambientalmente mais
apropriadas para a construção civil. Com o crescente interesse na concepção e
construção de edificações “sustentáveis” ou “edifícios verdes” (green buildings),
foram desenvolvidos programas de análises do impacto do uso dos materiais
nas edificações, que determinam e medem aspectos como o consumo de
energia, produção de resíduos e outros.

88
Estes programas são ferramentas para se estimular a eficiência energética
e encorajar a adoção de escolhas ambientalmente responsáveis desde a
concepção até a execução das edificações. A Tabela 8 apresenta alguns
destes programas:

TABELA 8 – Programas de avaliação do desempenho dos materiais e das


edificações
edificações por critérios de sustentabilidade, na América do Norte.
Programa Descrição
LCA (Life Cycle - mensura quanto um material ou sistema
LA
R Assessment or Analysis) construtivo afeta o meio ambiente durante
E
G cada fase de seu ciclo de vida: extração,
extração,
O
S produção, instalação uso e disposição de
U
resíduos (ou reuso);
GREEN GLOBES - identifica impactos relativos às soluções
adotadas, indica procedimentos para um
ISA
I desenho “ sustentável” e informa links de
C
R
E empresas de engenharia, design e
M fornecimento de materiais credenciadas para
O
C
S as soluções propostas;
O
I LEED (Leadership in
C
ÍF - possui diversos subprogramas para novas
I Energy and Environmental edificações, reformas, interiores e de
D
EDesign) vizinhança, abordando os aspectos ambientais
das soluções
soluções adotadas para estes itens;
NAHB (National Association - proporciona um roteiro para associações de
of Home Builders) construtores de casas, para que possam
SA conceber os seus programas para “ edifícios
I
C verdes” (green buildings), de acordo com as
N
Ê
D
IS diretrizes do país (EUA);
ELEED – H (Leadership in - versão do programa LEED para aplicação em
R
Energy and Environmental edificações residenciais.
Design – Home)
Fonte:a partir de AF&PA (2002).

89
Neste novo contexto de abordagem de critérios de sustentabilidade para a
construção civil, a madeira ressurge como o material ambientalmente correto,
com desempenho superior ao de qualquer outro material construtivo. Em linhas
gerais, as características do material que sustentam esta posição são:

• É o único
único material construtivo/estrutural renovável da construção civil
• Requer menos energia no beneficiamento: o concreto requer 2,2
vezes mais e o aço 1,5 vezes mais energia que a madeira
• Produz menos gases do efeito estufa: o concreto produz 1,5 vezes
mais e o aço 1,22 vezes mais gases que a madeira
• Produz menos poluição do ar: o concreto produz 2,15 vezes mais e o
aço produz 1,7 vezes mais poluição do ar que a madeira
• Produz menos poluição da água: o concreto produz 2,15 vezes mais
e o aço produz 3,47 vezes mais poluição da água que a madeira
• Produz menos resíduos sólidos: o concreto e o aço produzem 1,57
vezes mais resíduos sólidos que a madeira
Fonte: a partir de CWC (2002).

A definição do conceito de “edifício verde” (green building), de acordo com


critérios cada vez mais difundidos nos Estados Unidos e no Canadá, parte de
quatro princípios básicos, descritos na Tabela 9, onde o desempenho da
madeira é considerado superior ao dos outros materiais da construção:

TABELA 9 – Princípios básicos dos “ edifícios


edifícios verdes” (green buildings) na
América do Norte.
PRINCÍPIO 1 – Reduzir consumo de energia durante a vida útil do edifício
PRINCÍPIO 2 – Minimizar a poluição externa e danos ambientais da obra
PRINCÍPIO 3 – Reduzir consumo de energia e desperdício de recursos recursos
naturais na extração, beneficiamento, instalação e uso da edificação
PRINCÍPIO 4 – Minimizar a poluição interna e danos à saúde do usuário
Fonte: a partir de CWC (2002).

90
A Figura 48 apresenta uma análise comparativa de materiais empregados
na construção de um edifício comercial de 03 pavimentos na Canadá, com
fundação convencional, analisando-se os aspectos de sua sustentabilidade.

1 C onsum o de Energia 2 Efeito Estufa 3 Índice de Poluição do Ar


8 150 15
Energia utilizada (GJ x 10 3)

Equivalente CO 2 (Kg x 10 3)
6 120 12

10
Valor do índice x 10
90 9
4
60 6
2
30 3
0 0 0
M adeira Aço C oncreto M adeira Aço Concreto M adeira Aço Concreto
Construção C onstrução Construção
Extração Extração Extração

4 Índice de Poluição da Água 5 R esíduos Sólidos 6 Uso de Recursos Naturais

200 70
150
60
Valor do índice (Kg x 10 3)

5
120

Valor do índice Kg x 10
150 50
8
Valor do índice x 10

90 40
100
30
60
50 20
30 10
0 0 0
M adeira Aço C oncreto M adeira Aço Concreto M adeira Aço Concreto

Figura 48 – Gráficos comparativos do desempenho de materiais em


uma edificação comercial canadense. Fonte: CWC (2000).

Um dos aspectos de maior peso na questão da sustentabilidade das


edificações é a renovabilidade dos materiais, e a madeira possui desempenho
incomparável neste quesito. A partir de práticas como o manejo florestal, é
possível se obter madeira sem necessariamente se eliminar a floresta.
Para tanto se lança mão de procedimentos que permitem a renovação das
áreas de produção florestal indefinidamente, sendo possível aumentar a
produtividade sem necessidade de se avançar sobre novas áreas de produção.
Isto explica porque países com grande participação no mercado madeireiro
mundial, como o Canadá e a Finlândia, estão entre os que mais possuem
florestas originais, ou seja, a exploração madeireira de 150 ou 200 anos não foi
capaz de eliminar a sua cobertura florestal, e a sua renovabilidade permitiu a
preservação da maior parte dos seus recursos florestais (Figura 49).

91
100%

80%

60%

CANADÁ SUÉCIA FINLÂNDIA RÚSSIA BRASIL EUA

Figura 49 – Quadro comparativo de porcentagens de florestas naturais


nos países. Fonte: CWC (2000).

Outro aspecto que adquire cada vez mais importância no contexto mundial
é o mecanismo de mudanças climáticas, onde o acúmulo de gases do efeito
estufa tem contribuído dramaticamente para o aquecimento global.
O comportamento da madeira neste aspecto pode levar o material à
categoria de “material do futuro”, na condição de produto derivado da celulose
que é obtida pelo seqüestro de dióxido de carbono da atmosfera: atualmente
uma das principais estratégias frente ao aquecimento global tem sido o
estímulo ao plantio de árvores, o que resultará em grande valorização da
madeira como material ecologicamente estratégico para a humanidade.

A madeira e os produtos da madeira têm um importante papel na luta


contra as mudanças climáticas, influenciando através de diferentes
mecanismos. A floresta em crescimento absorve dióxido de carbono do
ar, e junto com os produtos da madeira, agem como reservatórios de
carbono durante a sua vida (...) o dióxido de carbono só é liberado
quando a madeira apodrece ou queima (...) o uso de produtos da
madeira também estimula o investimento de recursos na atividade
florestal e promove a renovação da floresta (...) Quando a árvore é
derrubada, o dióxido de carbono permanece no produto feito a partir
dela (...) Os principais produtos feitos a partir da madeira, como
componentes construtivos e de acabamento, têm ciclo de vida variando
de alguns anos a séculos. Quanto maior o ciclo de vida do produto,
mais tempo o carbono estará fixado, longe da atmosfera onde poderia
estar produzindo o efeito estufa (Woodfocus, 2004 p.34).

92
CAPÍTULO IV

4. Os sistemas construtivos em madeira

Aqui são apresentados os principais processos e sistemas construtivos em


madeira, sendo que há uma diversidade de critérios para se classificar os
padrões construtivos em madeira que varia de acordo com os países. De modo
geral, seguiu-se uma classificação básica que divide as técnicas construtivas
em madeira em tradicionais e contemporâneas, e a partir daí de acordo com a
solução estrutural e/ou construtiva predominante.

4.1. As técnicas tradicionais

A madeira é provavelmente o material de construção mais antigo utilizado


pelo homem, sendo que os povos primitivos lançavam mão de choças com
cobertura de palha quando não havia cavernas disponíveis. Daí se evoluiu para
estruturas amarradas com cipós nas regiões de clima quente e empilhadas
com troncos cobertos com terra nas regiões de clima frio.
Segundo FERNANDEZ-VILLEGA (1983), ainda no período Neolítico se
encontravam definidos os dois sistemas básicos utilizados nas estruturas de
madeira até praticamente a época moderna: as edificações com paredes
formadas por troncos colocados horizontalmente ou verticalmente, e as
edificações de armações com pilares e vigas de madeira reforçada com
elementos diagonais e horizontais.
Também de acordo com BITTENCOURT (1995), duas técnicas são
consideradas tradicionais: as construções de madeira maciça empilhada e as
que possuem entramado estrutural, com vedações em materiais variados,
ressaltando-se que em ambas há um grande domínio dos processos
construtivos, não obstante o alto consumo de material e falta de racionalização
destes processos.

93
4.1.1. As construções de madeira maciça empilhadas

Os sistemas construtivos baseados no empilhamento de peças de madeira


maciça, na forma roliça ou serrada, predominaram inicialmente no norte da
Europa, em regiões com grande abundância de madeira e frio intenso. Sua
principal característica é a de se comportar com um sistema portante, ou seja,
estrutura e vedação se transformam em um mesmo elemento, o que resulta em
edificações extremamente rígidas e com grande isolamento térmico, porém
com alto consumo de madeira (Figura 50).

Figura 50 – Habitações em peças serradas dos imigrantes no Paraná, à


esquerda, e em peças roliças, do séc. 17 em Ballenberg, Suíça. Fonte: MELLO
(1998).

A partir deste sistema construtivo, surgiu a técnica “lafte”, onde foram


desenvolvidos encaixes para os encontros de paredes, exatamente os pontos
mais vulneráveis deste tipo de construção (Figuras 51 e 52). De acordo com
BITTENCOURT (1995), estes encaixes diminuíram os problemas de vedação,
mas não eliminaram as questões decorrentes das variações dimensionais das
seções das peças de madeira.
A popularização do sistema “lafte” nos países do norte da Europa resultou
na introdução deste sistema construtivo nos Estados Unidos por colonizadores
escandinavos que se estabeleceram na região do rio Delaware no século XVII.
Este sistema foi adaptado pelos pioneiros que colonizaram a costa oeste,
resultando nas log-cabins, até chegar às log homes atuais.

94
Figura 51 – Feltro desenvolvido para vedação entre peças do sistema “lafte” e
habitação concebida na Noruega. Fonte: HYTTELIV (2006).

Figura 52 – Seqüência de fabricação de habitação pelo sistema “lafte”. Fonte:


SMAATOM (2007).

Atualmente o mercado de log homes é bastante diversificado na América


do Norte, principalmente nos Estados da região norte dos EUA e no Canadá,
sendo este tipo de construção em madeira, com variados sistemas de encaixe,
utilizado principalmente em habitações de alto luxo (Figuras 53 e 54).

95
Figura 53 – Tipos de encaixes de peças nos cantos (corner style) utilizados nas log
homes norte-americanas. Fonte: CEDARMILLLOGHOMES (2004).

Figura 54 – Habitação de alto luxo do tipo log home construída no Canadá.


Fonte: CEDARMILLLOGHOMES (2004).

96
4.1.2. As construções com entramado estrutural

Ao contrário das construções de madeira empilhada, as construções que


possuem entramado estrutural de madeira surgiram a partir da necessidade de
se otimizar o uso dos recursos florestais, sendo bastante comuns em regiões
com menor disponibilidade de madeira. Sua principal característica foi a de se
fixar diretamente os pilares no solo, sendo os espaços entre os pilares vedados
com terra, pedra, tijolo, etc.
De acordo com BITTENCOURT (1995), na literatura européia estas
construções são chamadas de colombage, que é proveniente do latim columna,
referindo-se aos pilares de madeira, sendo que na literatura nacional, são
conhecidas como “construções em enxaimel”, sendo bastante comuns na
região sul do Brasil, em colônias de imigrantes italianos e alemães.
O termo enxaimel ou fachwerk (em alemão) significa enchimento,
explicando o sistema construtivo onde primeiro se executa o esqueleto com
peças robustas de madeira, depois são fixadas peças horizontais e verticais e
por último é feito o enchimento com barro amassado, pedra e tijolo (Figura 55).
Segundo DEUTSCH WELLE (2005), este sistema pode ser considerado o
precursor da planta livre da arquitetura moderna, onde as paredes são
independentes da estrutura de madeira autoportante.

Figura 55 – Fachadas em enxaimel. Fonte: FACHWERKHAUS (2004).

97
A definição do enxaimel também pode ser aplicada às nossas construções
de taipa de pilão ou pau-a-pique, pois da mesma forma o entramado estrutural
é preparado para receber o material das vedações. No entanto, esta
denominação é mais utilizada para designar as edificações dos imigrantes
europeus (Figura 56).

Figura 56 – Casa em enxaimel em Blumenau (SC). Fonte: BLUMENAU (2005).

BITTENCOURT (1995) apresenta dois princípios básicos segundo os quais


uma construção em enxaimel pode ser executada: utilizando-se peças longas
de madeira, onde os pilares são contínuos do solo ao telhado, sendo as
construções mais antigas e que necessitam de peças de grandes seções; e
utilizando-se peças curtas de madeira, quando os pilares não ultrapassam a
altura de um pavimento, finalizando em vigas de amarração que servem de
suporte para o pavimento superior (Figura 57).

Figura 57 – Sistema enxaimel onde os pavimentos se apóiam um sobre


o outro com vigas de amarração. Fonte: WIKIPEDIA (2007).

98
O caráter estético da construção em enxaimel foi bastante explorado
especialmente no continente europeu, em países como a Alemanha, a França
e a Inglaterra. São edificações que expressam muita robustez, se destacando
também a grande inclinação dos telhados (Figuras 58 e 59).

Figura 58 – Edificações em enxaimel na França e Alemanha. Fonte:


FACHWERK (2007).

Figura 59 – Monumento nacional Little Moreton Hall, datado de 1550, no


interior da Inglaterra. Fonte: GREATBUILDINGS (2007).

Este sistema construtivo, que é considerado o precursor das técnicas


construtivas em madeira contemporâneas, ainda é bastante demandado na
Europa para casas de campo, além de estar sendo estudado devido ao seu
excelente comportamento a terremotos, devido às suas fundações não
engastadas e ao grande número de emendas que absorvem os impactos.

99
4.2. As técnicas contemporâneas

No panorama de intenso desenvolvimento tecnológico que se verifica na


área de construção em madeira, com uma profusão de técnicas e materiais
derivados, há diferentes proposições de classificação dos sistemas
construtivos. Seguindo a abordagem sugerida por GOTZ et al.(1983) e
BITTENCOURT (1995), os sistemas construtivos em madeira podem ser
classificados de acordo com a Tabela 10:

TABELA 10 - Sistemas construtivos contemporâneos em madeira.


Sistema Descrição
- sistema estrutural com elementos portantes em
Estruturas hierarquizadas grandes
grandes vãos, com poucos pontos de apoio e
independência entre trama estrutural e
fechamentos; bastante empregado na Europa.
- sistema estrutural derivado do entramado de
madeira, devido à evolução das ligações
Estruturas nervuradas metálicas e industrialização
industrialização dos componentes
de madeira, é o mais empregado em
habitações na América do Norte e Europa.
- evolução dos sistemas nervurados, pois as
vedações são pré-pré-fabricadas na forma de
Estruturas de painéis painéis, largos ou estreitos, permitindo a
confecção do entramado para posterior
transporte para o canteiro de obras.
- com mesmo princípio construtivo dos painéis,
trata-
trata-se de módulos tridimensionais com piso,
Estruturas tridimensionais teto e paredes externas executado
industrialmente;
industrialmente; limitados pelos custos de
transporte e de montagem no canteiro.
Fonte: a partir de GOTZ et al. (1983) e BITTENCOURT (1995).

100
CARTAGENA (1982) propõe duas classificações das edificações de
madeira: quanto ao sistema estrutural e quanto ao sistema construtivo. A
primeira classificação identifica três tipos básicos de soluções estruturais em
madeira: os entramados, os sistemas poste-viga e os sistemas treliçados.
Quanto ao sistema construtivo, é proposta uma abordagem a partir dos
processos de fabricação da obra em madeira, conforme a tabela 11:

TABELA 11 – Classificação dos sistemas construtivos em madeira a partir dos


processos de fabricação.
Sistema Descrição
1. Vernacular – material com pouca ou nenhuma
Não industrializado transformação e disponível nas proximidades da obra;
métodos tradicionais com pouca tecnologia.
2. Semi pré-
pré-cortado – utiliza peças de madeira bruta
provenientes de serrarias, para serem finalizadas na
obra com equipamentos simples de carpintaria.
3. Pré-
Pré-cortado – as peças chegam prontas na obra em
fardos, devidamente bitoladas e numeradas de acordo
Semi-
Semi-industrializado
industrializado com a colocação na edificação; trata-trata-se de um dos
métodos mais antigos de pré-
pré-fabricação e um dos mais
econômicos pela redução de perdas na madeira.
madeira.
4. Pré-
Pré-fabricação parcial – os componentes tais como
tesouras de cobertura, painéis internos e externos,
Industrializado chegam prontos, efetuando-
efetuando-se a montagem da casa.
5. Pré-
Pré-fabricação total – a casa chega pronta sobre
caminhões e é fixada
fixada nas fundações com guindastes.
Fonte: CARTAGENA (1982).

De acordo com INO (1992), a diversidade de critérios existentes para se


classificar os sistemas construtivos em madeira está presente principalmente
na literatura internacional, envolvendo o grau de industrialização, o material
utilizado nas paredes, a tipologia da estrutura resistente e a definição da
construção em pesada, semileve e leve, e os tipos de pré-fabricação.

101
A Tabela 12 apresenta a descrição de INO (1992) sobre a classificação dos
sistemas construtivos em madeira presente na literatura internacional:

TABELA 12 – Classificação dos sistemas construtivos em madeira


(literatura internacional).
País Classificação
- Predominam os sistemas entramados, constituídos de
EUA peças
peças serradas de dimensões padronizadas fixadas
com pregos; apresentam-
apresentam-se em duas versões: balloon
frame e plattform frame.
– Divididos em três grupos: sistema convencional (Zairai
Koho), sistema 2” x 4” (sistema americano), e
Japão sistemas pré-pré-fabricados de madeira (entramados,
painéis, painéis modulares, paredes em madeira
maciça e outros).
– Classificação em dois grandes grupos: Ossatura de
Madeira e Construção em Painéis. O primeiro grupo
Alemanha apresenta divisão minuciosa,
minuciosa, com enfoque dado aos
nós, detalhando os encontros das peças; o segundo é
dividido de acordo com medidas de painéis e usos.
- Classificação em cinco famílias tecnológicas, de acordo
com grau de industrialização e método de montagem,
montagem,
França sendo os sistemas pilar- pilar-viga, ossatura, painéis
estreitos (altura simples e altura dupla), painéis largos
e módulos tridimensionais.
Fonte: a partir de INO (1992).

A seguir são apresentadas e ilustradas diversas soluções construtivas em


madeira, considerando-se principalmente as proposições estruturais que as
determinam e salientando-se o desejável enfoque da obra em madeira como
resultado da interação entre sua concepção arquitetônica e estrutural, bem
como das técnicas construtivas utilizadas. As técnicas construtivas em madeira
no Brasil serão apresentadas no item 4.3.

102
4.2.1. O sistema poste-viga ou pilar-viga

Este sistema é constituído por pilares e vigas de madeira que funcionam


como pórticos, ou seja, estas peças são armadas em uma direção e travadas
na outra direção através de estruturas secundárias de pisos e coberturas. Sua
execução é facilitada porque em geral são poucos elementos necessários à
sua montagem, além de ser um sistema bastante flexível e que permite
vedações executadas com diferentes materiais (Figura 60).

Figura 60 – Edificação com sistema pilar-viga e vedações em alvenaria,


destinada ao centro de plantas medicinais do IBAMA/DF. Fonte: MELLO (2004).

Alguns inconvenientes do sistema construtivo dizem respeito às instalações


complementares, que embora possam ser embutidas nas vedações, têm como
barreiras à sua passagem as peças de madeira. Nestes casos, soluções de
projeto podem ser adotadas evitando-se estas situações.
No entanto, são inegáveis as vantagens que decorrem principalmente da
independência entre a estrutura e as vedações, que permitem inúmeras
composições arquitetônicas com diferentes materiais, inclusive adequando-se
estes materiais com o isolamento térmico e acústico requeridos.

103
Trata-se de um sistema construtivo bastante empregado em países com
pouco desenvolvimento tecnológico no setor da construção em madeira, como
é o caso do Brasil. No entanto, está presente especialmente na América do
Norte, sendo bastante conhecidas e demandadas as post beam houses, por
sua versatilidade de construção e estética arquitetônica (Figura 61).

Figura 61 – Habitações com sistema pilar-viga nos EUA. Fonte:


PIONEERLOGSYSTEM (2006).

As vantagens do sistema têm contribuído para que tradicionais empresas


de log homes norte americanas venham desenvolvendo soluções em pilar-viga
como opção às onerosas casas de toras, confirmando que este sistema
construtivo em madeira é um dos mais bem sucedidos (Figura 62).

Figura 62 – Sistema pilar-viga com madeira roliça no Canadá. Fonte:


CANADIANLOGHOUSE (2006).

104
4.2.2. Os entramados modernos: sistemas ballon e plattform

Como resultado do desenvolvimento tecnológico que se processou sobre


as técnicas construtivas tradicionais, os entramados de madeira atuais estão
entre as mais avançadas soluções construtivas existentes, representados
principalmente pelos sistemas construtivos ballon e plattform.
Historicamente, a partir do Renascimento, as construções em madeira
tornam-se mais escassas na Europa, devido à redução dos recursos florestais
e ao surgimento de outros materiais construtivos. No entanto, na América do
Norte ocorre o inverso, onde a grande disponibilidade de florestas aliada à
tradição construtiva que se inicia com as edificações de toras, resultam nos
entramados modernos, sendo o sistema ballon pioneiro neste ramo.
O sistema ballon começa ser experimentado e implantado em meados do
século 19, na região de Chicago (EUA), sendo as peças robustas das
habitações substituídas por peças leves de dimensões padronizadas fixadas
com pregos e espaçadas por pequenas distâncias. Outra característica
importante foi a utilização de peças longas em obras com mais de um
pavimento, que transmitiam os esforços diretamente para o solo (Figura 63).

Caibros Barrotes

Vigamento

Montantes

Vedação

Barrotes

Figura 63 – Obra no Canadá e detalhe do sistema balloon. Fonte: HOMETIPS (2007).

105
O uso de peças longas, característica que dá nome ao sistema por
assemelha-lo à armação de um balão, foi responsável pela sua decadência,
devido à necessidade de peças com dimensões especiais para edificações
com vários pavimentos, das dificuldades de obtenção de rigidez no sistema,
problemas de montagem nas obras e comportamento ao fogo, uma vez que as
peças contínuas não permitiam barreiras eficientes contra a sua propagação.
A despeito de sua superação, este sistema foi responsável por
desencadear o desenvolvimento da indústria de casas pré-fabricadas de
madeira na América do Norte, culminando com o sistema plattform, que
resultou na habitação que é considerada a de melhor qualidade do planeta.
O sistema plattform possui como principal característica a execução do
piso como uma plataforma, sobre a qual são edificados os entramados das
paredes, que por sua vez receberão a plataforma do piso superior. A
plataforma inicial ou basement é feita em concreto ou pedra, assentada
diretamente sobre o solo.
Conforme ilustrado na Figura 64, todo o sistema é constituído de peças
leves, cujas paredes levam montantes de seções pequenas (2” x 4”), todos
ligados por pregos ou elementos metálicos.

Figura 64 – Montagem das paredes e detalhe genérico do sistema


plattform. Fonte: PUUINFO (2007).

106
A versatilidade do sistema plattform pode ser observada sob o ponto de
vista do grau de industrialização, podendo ser fabricado em painéis portantes e
até em módulos volumétricos, as chamadas mobile homes ou casas móveis.
Estas são produzidas dentro de grandes indústrias diretamente sobre chassis
extendidos de caminhões e transportadas até os locais de implantação,
chamados de mobile home parks (Figuras 65 e 66).

Figura 65 – Montagem de mobile homes em indústrias dos EUA. Fonte:


SKYLINEHOMES (2007).

Figura 66 – Transporte com embalagem e entrega da mobile home nos


EUA. Fonte: BROOKSWOODHOMES (2006).

O sistema construtivo também permite a execução de edificações com


vários pavimentos, que podem chegar a cinco ou seis dependendo da região
de instalação. No entanto, o produto de maior qualidade é inegavelmente a
edificação residencial norte-americana, conforme apresentado a seguir.

107
4.2.2.1. Considerações sobre a casa de madeira norte-americana

A despeito da experiência nem sempre bem sucedida de se morar em uma


casa de madeira no Brasil, cuja qualidade muitas vezes é motivo de
reclamação por parte dos usuários, pode-se afirmar que nenhum outro material
oferece a possibilidade de conforto ambiental como a madeira.
O exemplo bem sucedido é o da habitação norte americana, considerada a
de melhor qualidade em termos de conforto e segurança de todo o mundo,
baseada em sistemas construtivos em madeira resultantes da industrialização
da construção.

A construção em madeira é resistente, durável, fácil de proteger, fácil de


renovar e agrega valor. Isto é baseado em 200 anos de performance
comprovada e um padrão de pesquisa e desenvolvimento de novos
produtos para faze-la cada vez melhor (...) em outras partes do mundo,
há um grande interesse na casa norte americana. Isto explica porque
nossas equipes especializadas percorrem o mundo apresentando, para
quem procura soluções habitacionais econômicas, duráveis e seguras,
o sistema construtivo em madeira que delega à América do Norte a
melhor habitação do planeta (CWC, 2002 p.2).

Um dos fatores deste sucesso é a normatização, de forma que os códigos


de edificações norte-americanos são pautados pela premissa de prover altos
níveis de segurança e saúde para os usuários. Segundo o CWC (2002),
nenhum outro material possui tantos anos de performance e desenvolvimento
de critérios técnicos, subsidiados por institutos de pesquisa liderados pelo
Laboratório de Produtos Florestais (FPL), localizado no Estado de Madison
(EUA), que desde o ano de 1910 desenvolve trabalhos sobre o tema com
universidades, indústrias e instituições estaduais e federais.
O grande isolamento térmico característico do material madeira também
representa um diferencial a favor da casa norte-americana. Sendo cerca de
400 vezes mais isolante que o aço, por exemplo, e considerando o custo

108
significativo do isolamento térmico destas habitações, o emprego do sistema
construtivo em madeira resulta num melhor desempenho global da moradia.
A fácil renovação da habitação, que inclui o aumento do seu tamanho ou o
rearranjo dos espaços também contribui para o sucesso da casa americana.
De acordo com a Associação Nacional dos Construtores de Casas, em 2001,
os proprietários de residências gastaram cerca de 160 bilhões de dólares na
reforma de suas casas, sendo que nos EUA as moradias em madeira
representam cerca de 74% do total, chegando a 94% no Canadá (CARUANA,
2002).
A facilidade de se modificar a residência é um grande atrativo, pois o
sistema construtivo baseado em peças leves fixadas com pregos (“studs”,
montantes de madeira nas dimensões de 2x4 polegadas) e uso de chapas de
madeira e gesso acartonado, sendo todo este material manipulado por
máquinas manuais, permite que o próprio dono possa efetuar estas
modificações. Trata-se de uma grande vantagem comparativa, pois nas
construções convencionais de alvenaria e concreto armado, as alterações da
moradia têm de ser feitas por equipes de pedreiros e produzem muita poluição
decorrente da demolição.
Outra questão que afeta particularmente a América do Norte em relação à
habitação é a ocorrência de terremotos. Neste campo, as construções em
madeira se mostram como um dos sistemas construtivos mais seguros por
causa de algumas vantagens comparativas:

1. A madeira é resistente e leve – menos massa é uma vantagem


porque significa que menos forças atuarão no edifício.
2. O sistema construtivo em madeira tem vários componentes e
várias ligações pregadas – há inúmeros componentes das cargas
atuantes em várias direções para absorver as forças.
3. As conexões pregadas típicas dos sistemas construtivos em
madeira são eficientes para dissipar a energia dos terremotos (CWC,
2002 p.5).

109
A questão da durabilidade da moradia norte-americana é abordada de
diversas formas, desde o uso intensivo de barreiras químicas no solo para
afastar a presença dos cupins (item obrigatório na maioria dos Estados
americanos) até tratamentos de última geração com produtos químicos em
painéis de vedação e peças estruturais.

Desenvolvida pelos primeiros colonizadores, a construção em madeira


desde então tem sido objeto da mais intensa pesquisa e evolução de
que qualquer outro sistema construtivo, resultando em uma tecnologia
construtiva que pode suportar as mudanças de inverno no Alasca, as
chuvas em Seattle, os verões no Texas e em qualquer outra situação
(CWC, 2002 p.7).

Os aspectos relativos à sustentabilidade da habitação em madeira são


abordados no item 3.2., mas algumas considerações aqui colocadas estarão
diretamente reforçando as vantagens da casa norte–americana, como, por
exemplo, a origem florestal dos principais componentes, que demandam cada
vez mais recursos florestais.

A oferta de longo prazo de madeira e florestas, também para outros


usos como recreação, é suportada por técnicas de manejo florestal e
programas de certificação florestal que garantem esta performance.
Hoje os EUA têm a mesma área de florestas que tinham em 1920,
mesmo com um aumento de 143% em sua população. Na América do
Norte, cerca de 2,15 bilhões de árvores são plantadas todos os anos.
No Canadá, 90% das florestas originais foram mantidas – mais do que
qualquer outro país – apesar do crescimento de uma população de 30
milhões de habitantes (CWC, 2002 p.7).

Os questionamentos que normalmente se colocam sobre a proteção das


florestas brasileiras como um indicador do fracasso dos países desenvolvidos
na proteção de seus recursos florestais, não procedem no caso norte-

110
americano, e a prova disto é a altíssima aceitação da casa de madeira por
parte da população como um produto proveniente de práticas sustentáveis.
Na atual condição de alteração climática que vive o planeta, e
considerando a grande contribuição que especialmente os EUA têm para a
emissão de gases que provocam o efeito estufa, a casa de madeira representa
um contraponto à imagem negativa do país perante a comunidade
internacional.
A casa que produz menos impacto em aspectos como o uso de energia, a
produção de gases do efeito estufa, a poluição da água e do ar, além de ser a
casa mais fácil de construir e reformar, também é a casa com padrão estético
satisfatório, conforme apresentado na Figura 67, e que garante o título de
melhor habitação do mundo em conforto, segurança e qualidade.

Figura 67 – Habitação de classe média com sistema construtivo em madeira do


tipo plattform, no Estado do Oregon, EUA. Fonte: MELLO (2006).

111
4.2.3. As construções em painéis industrializados de madeira

As construções em painéis representam a evolução dos princípios de pré-


fabricação aplicados à edificação em madeira, sinalizando para uma tendência
que se intensifica nos países desenvolvidos: a industrialização da construção.
Sua viabilidade foi possível graças á evolução dos entramados de madeira,
de forma que, segundo BITTENCOURT (1995), estes possuem o mesmo
princípio do sistema plattform frame, mas diferenciando-se basicamente pela
maior pré-fabricação dos componentes.
De acordo com GOETZ et al.(1983), ainda em 1931, o arquiteto Walter
Gropius desenvolveu um sistema de construção pré-fabricada com grandes
elementos, feitos de madeira, alumínio e chapas de cimento-amianto, sendo
esta tecnologia aperfeiçoada na década de 1940 nos EUA com o nome de
Packaged House System ou Sistema de Casa em Pacote. A repercussão foi
grande, de forma que, segundo KOHANE (2006), no final da Segunda Guerra
Mundial, havia cerca de 200.00 casas pré-fabricadas espalhadas pelos Estados
Unidos. Este sistema pioneiro teve um papel primordial no desenvolvimento da
construção em painéis, e seu princípio básico se mantém até hoje (Figura 68).

Figura 68 – Perspectiva de habitação executada nos anos 1943-1945 com o


Packaged House System. Fonte: CRIT (2007).

112
Atualmente, este setor da construção oferece painéis de pequenas e
grandes dimensões, totalmente pré-fabricados e prontos para montagem na
obra. Segundo BITTENCOURT (1995), os painéis fabricados podem ser os
“semifechados” (entramado + fechamento interior ou exterior) ou “fechados”
(entramado + fechamento interior ou exterior + isolamento), sendo bastante
executados na Europa, principalmente na França.
A França, de acordo com INO (1992), possui um detalhado sistema de
classificação da construção em painéis, conforme a Tabela 13:

TABELA 13 – Classificação da construção em painéis na França.


Tipo Descrição
- painéis pré-
pré-fabricados com largura menor que 2,40m,
Painéis
Painéis estreitos estruturados por montantes, recebendo amarração
horizontal na base e no topo. Podem ser de altura
simples ou altura dupla (edificação térrea ou sobrado)
– com largura
largura maior, têm fabricação específica para cada
Painéis largos projeto. O tamanho dos painéis é normalmente limitado
pelo peso e pela dificuldade de transporte.
– unidades pré-
pré-fabricadas com pelo menos três faces
Módulos tridimensionais (piso, paredes e teto ou piso superior),
superior), com limitações
devidas ao transporte e montagem.
Fonte: a partir de INO (1992).

As Figuras 69, 70 e 71 apresentam aspectos da industrialização dos


painéis portantes de madeira na França, e sua aplicação em edificações.

Figura 69 – Fabricação de painéis na França. Fonte: POBI (2007).

113
Figura 70 – Montagem de painéis nas obras. Fonte: IDEESMAISON (2007).

Figura 71 – Edificações francesas com painéis de madeira. Fonte: POBI (2007).

Atualmente as técnicas construtivas em painéis na Europa estão


valorizadas pela adoção das casas passivas ou passivhaus, onde as soluções
construtivas sustentáveis dispensam sistemas de aquecimento e esfriamento.
De olho neste mercado, os fabricantes de painéis já oferecem componentes
com excelente isolamento tanto ao frio quanto ao calor (Figura 72).

Figura 72 – Detalhe de painel especial e exemplo de passivhaus. Fonte:


MAISON (2007).

114
4.2.4. As soluções estruturais de coberturas e halls

A infinidade de soluções construtivas em madeira presentes na Europa,


América do Norte e Japão, induzem a classificações genéricas destas
soluções, de forma que os atores do projeto e da obra em madeira possam
assimilar com mais facilidade as tecnologias disponíveis e fazer a sua opção.
Neste sentido, GOETZ et al.(1983) propõe identificar as várias possibilidades
estruturais em madeira para coberturas e halls a partir do seu sistema estático,
podendo ser resumido conforme segue:

• Vigas simples e contínuas


• Treliças
• Tesouras articuladas
• Pórticos
• Arcos
• Vigas suspensas
• Grelhas de vigas
• Estruturas plissadas
• Cascas e superfícies curvas
• Cúpulas geodésicas
• Estruturas especiais
Fonte: a partir de GOETZ et al.(1983).

A estrutura em madeira, por suas particularidades como a visibilidade dos


detalhes e soluções construtivas, impõe que a opção por qualquer um dos
sistemas estáticos citados seja referendada pelo resultado estético que se
deseja, num trabalho conjunto entre arquiteto e engenheiro calculista.
A seguir são apresentados exemplos de soluções estruturais em madeira,
onde se percebe que, ao contrário, por exemplo, das estruturas em concreto
armado, qualquer elemento necessário ao esquema estático pretendido estará
atuando como elemento marcante da estética arquitetônica.

115
As soluções estruturais com vigas biapoiadas ou contínuas são
consideradas simplificadas, o que não diminui a sua capacidade de resposta às
intenções arquitetônicas e estruturais. Além disso, a gama de produtos da
madeira permite diferentes opções de vigamentos (Figuras 73 e 74).

Figura 73 – Execução, obra acabada e detalhe construtivo de habitação com


solução construtiva em vigas biapoiadas. Fonte: BOIS-CONSTRUCTION (2007).

Figura 74 – Vigas contínuas em MLC no novo aeroporto de Oslo, Noruega, e em


escola na Finlândia. Fonte: FINNFOREST (2007).

116
Outra forma de utilização das vigas de madeira é a chamada viga
tensionada ou estaiada, onde a sua rigidez é aumentada com o uso de cabos
ou tirantes metálicos, resultando num melhor desempenho da peça. Trata-se
de uma solução utilizada inclusive em obras de madeira nacionais (Figura 75).

Figura 75 – Vigas tensionadas em escola de Rondônia (de mineradora francesa) e


em ginásio na França. Fontes: MELLO (2001) e BOIS-CONSTRUCTION (2007).

Quanto às estruturas treliçadas, de acordo com FERNANDEZ-VILLEGA


(1983), são consideradas formas estruturais onde as propriedades da madeira
podem ser aproveitadas com mais vantagens, pois seus membros estão
sujeitos essencialmente a esforços axiais, e em alguns casos a momentos
fletores, onde a madeira resiste com eficiência.
Além disto, são consideradas de modo geral bastante econômicas, de
forma que mesmo em países com abundância de recursos florestais, como
Eua, Canadá e Rússia, são utilizadas com freqüência. A competitividade deste
sistema construtivo foi intensificada com o desenvolvimento das conexões
metálicas, de forma que são estruturas relativamente fáceis de se fabricar e
montar, além de possuírem uma grande variedade de configurações em função
de requisitos técnicos e funcionais (FERNANDEZ-VILLEGA, 1983).
De acordo com sua forma, que é resultado da busca de eficiência estrutural
além de atender a exigências funcionais e construtivas, a maior parte das
treliças de madeira pode ser classificada genericamente conforme a Tabela 14:

117
TABELA 14 - Classificação das treliças de madeira.
Tipo Descrição
- forma de treliça tradicionalmente
Triangular (tesoura) utilizada no Brasil, de modo geral
vence vãos de 6 a 30m e pode ser
executada com peças
peças de madeira
simples, duplas ou triplas.
– considerada estruturalmente a
Plana (banzos paralelos) menos eficiente, pode ser vantajosa
para suporte de pisos e grandes
vãos; indicada para vãos entre 6 e
30m, substitui as vigas maciças.
– para cargas distribuídas é mais
Bowstring (banzo superior arqueado) eficiente, devido ao banzo superior
com mesmo desenho da linha de
pressão correspondente (parábola);
pode vencer vãos entre 20 e 50m.
Fonte: a partir de FERNANDEZ-VILLEGA (1983) e CWTA (2007).

As treliças de madeira, especialmente as triangulares, estão disponíveis no


mercado embasadas por um alto grau de industrialização, que as torna
competitivas em relação a outras soluções estruturais (Figura 76).

Figura 76 – Treliça pré-fabricada e máquina para produção de componentes com


capacidade para 250 a 300 peças por hora. Fonte: WOODTRUSSSYSTEMS (2007).

118
A Figura 77 apresenta de forma sintética o processo de fabricação de uma
treliça de madeira na América do Norte, onde o uso de madeira de baixa e
média densidade permite um menor desgaste do maquinário.

Estocagem

Máquina de desenho

e corte

Corte das peças

Montagem

Fixação das conexões

Empilhamento e entrega

Figura 77 – Esquema de fabricação de treliças de madeira na América do Norte.


Fonte: CWTA (2007).

Não obstante a sua aparente simplicidade, as estruturas treliçadas de


madeira podem contribuir de forma bastante satisfatória para o resultado
estético das edificações, sejam residenciais, comerciais, etc (Figuras 78 e 79).

Figura 78 – Treliças triangulares em edificações comercial e industrial. Fonte:


CWTA (2007).

119
Figura 79 – Treliças planas de madeira em edificação do INCRA no Pará, e com
diagonais metálicas no museu de Ballenberg, Suíça. Fonte: MELLO (1998-2002).

As treliças planas são excelentes opções estruturais para fixação de pisos


e elementos horizontais, podendo vencer grandes vãos e sendo bastante
competitivas em estruturas de pontes (Figura 80).

Figura 80 – Ponte estruturada em treliça plana de madeira com vão central de


54m e comprimento total de 108m, nos Alpes suíços. Fonte: MELLO (1998).

120
As tesouras articuladas apresentam como vantagem a execução rápida de
grandes vãos com componentes menores, que se fixam nas articulações
(Figura 81). De acordo com GOETZ et al.(1983), a forma de montagem e sua
flexibilidade são essenciais para o seu dimensionamento, sendo também
imprescindível considerar com atenção a ação dos ventos.

Figura 81 – Exemplo de tesoura com três articulações em edifício agrícola, com


passarela fixada na articulação central. Fonte: UNALAM (2006).

As estruturas em pórticos são intensamente empregadas em grandes


edificações na Europa e na América do Norte, sendo predominantemente
utilizadas peças de madeira laminada colada na sua confecção, embora
também possam ser observadas soluções treliçadas. Trata-se de uma solução
estrutural de grande impacto visual sobre a concepção arquitetônica (Figuras
82 e 83).

Figura 82 – Exemplos de estruturas em pórticos. Fonte: TIMBERWELD (2006).

121
Figura 83 – Pórticos treliçados concebidos para o projeto da nova sede do Jardim
Botânico de Brasília (DF). Fonte: MELLO (2003).

Segundo GOETZ et al.(1983), os pórticos podem ter duas ou três


articulações, sendo que quando têm duas são estruturas hiperestáticas, e
quando têm três são estruturas isostáticas. Construtivamente, os pórticos com
duas articulações têm peça central única, o que, em função do vão a ser
vencido pode significar uma peça de grandes dimensões e peso. Isto explica
porque os pórticos com três articulações são mais utilizados (Figura 84).

Figura 84 – Estruturas em pórticos com três articulações em obras em Portugal. Fonte:


JULAR (2004).

122
Os arcos em madeira, assim como os pórticos, podem ter duas ou três
articulações, também sendo considerados hiperestáticos para o primeiro caso e
isostáticos para o segundo. A sua forma assemelhada à parábola lhe confere
excelente desempenho particularmente para grandes vãos (Figura 85).

Figura 85 – Ponte para pedestre com estrutura em arcos de madeira laminada colada
na Suíça. Fonte: HSB (2006).

Nos países com grande tradição na construção em madeira, as estruturas


em arco feito de madeira laminada colada são bastante empregadas, com
resultado estético de grande impacto (Figura 86).

Figura 86 – Capela com arcos em madeira laminada colada, na Finlândia. Fonte:


FINNFOREST (2006).

123
As estruturas em arcos também podem ser confeccionadas com madeira
maciça, aproveitando a grande aptidão do material, pois a sua composição de
fibras lhe confere aumento da rigidez no arqueamento (Figura 87).

Figura 87 – Pontes em arco (acima) e arco treliçado (abaixo) executadas com


peças de madeira maciça, em Goiânia (GO) e Brasília (DF). Fonte: MELLO (1998).

Os arcos treliçados são estruturas economicamente bastante competitivas


e com aptidão para vencer grandes vãos (Figura 88).

Figura 88 – Cobertura em arco treliçado para Hall de esportes. Fonte: CWC


(2007).

124
As vigas suspensas, de acordo com GOETZ et al.(1983), trabalham como
arcos invertidos, ou seja, respondendo a solicitações de tração. A verificação
de estabilidade, que é determinante para os arcos comprimidos, aqui não é
essencial, devendo-se, no entanto observar cuidadosamente a ação do vento
no sistema estrutural (Figura 89).

Figura 89 – Edificação com cobertura em vigas suspensas com diâmetro de


170m em Viena, Áustria. Fonte: NATTERER-BCN (2007).

As grelhas de vigas são sistemas planos compostos de vigas, normalmente


maciças, que se cruzam em ângulos de 45°,60º ou 90º, e são rigidamente
fixadas, o que torna o sistema hiperestático. Também podem ser treliçadas e
são empregadas em residências e edificações diversas (Figura 90).

Figura 90 – Grelhas em atelier de carpintaria na França e como apoio de caixa d’água


em escritório do IBAMA em Santa Catarina. Fontes: CRIT (2005) e MELLO (1999).

125
As estruturas plissadas são definidas a partir do princípio onde um módulo
inicial é repetido ou transformado por rotação, translação, superposição ou
duplicação, gerando estruturas paralelas com trava de estabilização, estruturas
radiais ou em forma de arcos ou pórticos (Figura 91).

Figura 91 – Estruturas plissadas radiais, em arcos e pórticos. Fonte: CRIT


(2005).

A orientação das estruturas plissadas e sua geometria permitem construir


formas espaciais abstratas e figurativas, seguindo a mesma técnica do origami,
conforme ilustrado nas Figuras 92 e 93.

Figura 92 – Estruturas plissadas em granja francesa e no Pavilhão de Música de


Montreal, Canadá. Fonte: CRIT (2005).

Figura 93 – Aduana na Áustria com estruturas plissadas. Fonte: CRIT (2005).

126
As superfícies curvas podem ser executadas com soluções de chapas
armadas sobre vigas, estruturas treliçadas, pórticos e estruturas reticuladas em
arcos, sendo de simples curvatura ou dupla curvatura (Figuras 94 e 95).

Figura 94 – Superfície à simples curvatura em galpão para estaleiro em Morges,


Suíça. Fonte: MELLO (1998).

Figura 95 – Superfícies à dupla curvatura em creche em Liechtenstein e na


Escola Politécnica Federal de Lausanne, Suíça (à direita). Fonte: MELLO (1998).

127
As cascas de madeira podem ser executadas com nervuras, em curvaturas
invertidas, e com formas diversas como ovóides, elípticas, cúpulas regulares,
etc, num variado repertório de soluções (Figuras 96, 97 e 98).

Figura 96 – Casca de cobertura de uma piscina, que se apóia sobre três pontos no
solo, com vãos de 58m entre os pontos, na França. Fonte: CRIT (2005).

Figura 97 – Casca em forma ovóide com estrutura em arcos compostos fixados em


radier de concreto armado, na Bélgica. Fonte: CRIT (2005).

Figura 98 – Cúpula em auditório e casca invertida em anfiteatro, executadas em


universidades na França e Alemanha. Fonte: CRIT (2005).

128
As estruturas de cúpulas geodésicas são dimensionadas a partir das forças
de compressão e tração que atuam nas suas barras, sendo que a transmissão
das cargas provoca esforços tangenciais e radiais (GOETZ et al., 1983).
São composições estruturais diferenciadas, e a aptidão da madeira para
estes sistemas é responsável por um movimentado setor de construção de
casas com cúpulas geodésicas, especialmente nos EUA (Figura 99).

Figura 99 – Seqüência de fabricação de casa com cúpula geodésica nos EUA, com
execução de embasamento em concreto armado, armação em montantes de madeira,
enrijecimento com chapas de compensado, execução de complementos, com vista
interna mostrando mezanino, e a obra acabada. Fonte: HORTONDOME (2004).

129
As estruturas especiais de madeira são aqui apresentadas de forma livre,
ou seja, sem nenhuma classificação quanto ao sistema estrutural proposto,
pretendendo-se desta forma ilustrar as inesgotáveis possibilidades construtivas
do material e de seus derivados.
A sua concepção e realização são resultado de grande investimento em
desenvolvimento tecnológico na área de construção em madeira nos países do
Hemisfério Norte, e servem de exemplo da posição estratégica que pode
ocupar a madeira em nosso setor da construção civil.
Do ponto de vista da concepção arquitetônica, são exemplos de perfeita
integração entre a proposição estética e tecnológica, que caracterizam as
obras referenciais em madeira (Figuras 100, 101, 102, 103 e 104).

Figura 100 – Edificações em madeira na Finlândia (igreja), Suíça (edifício público) e


França (habitação coletiva). Fontes: ARCHIMAGAZINE (2004), HSB (2006) e BOIS-
CONSTRUCTION (2007).

130
Figura 101 – Jardim botânico em Sheffield, Inglaterra. Fonte: FINNFOREST (2002).

Figura 102 – Pavilhão de Exposições de Hannover, Alemanha. Fonte: FINNFOREST


(2002).

131
Figura 103 – Igreja na Itália, projeto do arquiteto Renzo Piano. Fonte: FINNFOREST
(2002).

Figura 104 – Museu em Copenhagen, Dinamarca, projeto do arquiteto Daniel


Libeskind, e edifício comercial na Alemanha. Fonte: FINNFOREST (2002).

132
4.2.5. As cidades de madeira (wooden towns)

Uma forma bastante particular de manifestação da tecnologia construtiva


contemporânea em madeira é a das cidades de madeira ou wooden towns, que
se caracteriza por pequenas cidades planejadas onde todas as edificações são
feitas com o material (Figura 105).

Figura 105 – Cidade de madeira em Oulu, na Finlândia. Fonte: PUUINFO (2007).

A concepção de cidades de madeira remete a tempos antigos, onde o


material estava disponível e não havia outras opções construtivas, como no
caso dos burgos na Europa e das cidades criadas com a colonização da região
oeste dos Estados Unidos (Figura 106).

Figura 106 – Cidade de madeira do final do século 18 no Estado de Washington,


EUA. Fonte: WSULIBS (2007).

133
No Brasil houve experiências pioneiras, como a cidade de madeira
construída pelo americano Henry Ford na Amazônia, com o intuito de
estabelecer uma base na floresta para a exploração da borracha.
Esta cidade, chamada de Fordlândia, foi transferida para a localidade de
Belterra, no oeste do Pará, onde se encontra até hoje. A presença da
concepção americana das construções em madeira pode ser observada nos
seus principais edifícios e residências (Figura 107).

Figura 107 – Igreja, prefeitura e escola da cidade de madeira de Belterra (antiga


Fordlândia), construída às margens do rio Tapajós, no oeste do Estado do Pará, pelo
magnata Henry Ford, para instalação de uma base de exploração de borracha. Fonte:
MELLO (2003).

134
Outras experiências de construção de pequenas cidades de madeira no sul
do Brasil e para instalação de operários de grandes empreendimentos como
hidrelétricas se sucederam pelo país. Um marco histórico é a Cidade Livre,
hoje Núcleo Bandeirante, que foi criada para abrigar os operários que vieram
construir a nova capital do Brasil, Brasília.
Nos primórdios da cidade, todas as suas edificações eram de tábuas e
possuíam até dois pavimentos (Figura 108). Com o propósito de prestigiar os
construtores da nova capital, o então presidente da república Juscelino
Kubitschek mandou erguer a residência oficial com a mesma tecnologia
empregada nas habitações da Cidade Livre (Figura 109).

Figura 108 – A Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, era totalmente construída em
madeira, que foi substituída por alvenaria. Fonte: BANDEIRANTE (2007).

Figura 109 – Palácio do Catetinho, residência oficial do presidente da República


no início da construção de Brasília. Fonte: BANDEIRANTE (2007).

135
Atualmente, as cidades de madeira estão presentes na América do Norte e
nos países escandinavos, como a Finlândia. De modo geral, as wooden towns
norte-americanas se destinam a abrigar pólos turísticos tais como estações de
ski e outros, onde se pode observar todo o aparato tecnológico que acompanha
as soluções construtivas em madeira presentes (Figura 110).

Figura 110 – Cidade turística de Whistler, no Canadá, considerada um dos


principais ski resorts (estação de esqui) da América do Norte, sendo totalmente
construída em madeira. Fonte: MELLO (2000).

136
A Finlândia pode ser considerado o país mais avançado do mundo no tema
das cidades de madeira. Graças a bem elaborados programas de governo em
conjunto com a iniciativa privada, há inúmeras cidades planejadas e
construídas dentro deste conceito.

O projeto Modernas Cidades de Madeira é um programa nacional


iniciado em 1997 com o objetivo de criar novos e exemplares ambientes
de se morar em várias regiões da Finlândia utilizando a madeira como
material de construção (...) Um dos principais aspectos deste programa
é o de estimular o desenvolvimento de casas e pequenos apartamentos
urbanos e de reformar o planejamento da produção e construção de
moradias (...) Tanto no planejamento quanto na construção, os esforços
são no sentido de organizar um sistema aberto de construção em
madeira que seja economicamente eficiente e com conceitos de
desenvolvimento sustentável para a construção dos tempos modernos
(PUUINFO, 2007 p.1).

Com este conceito foram planejadas e implantadas diversas cidades de


madeira pelo país, embasadas em propostas contemporâneas de desenho e
de qualidade ambiental para os ambientes construídos. As Figuras 111, 112,
113, 114 e 115 ilustram algumas cidades de madeira daquela região.

Figura 111 – Cidade de madeira de Porvoo, Finlândia. Fonte: PUUINFO (2007).

137
Figura 112 – Cidades de Oulu e Sodankyla, Finlândia. Fonte: PUUINFO (2007).

Figura 113 – Vistas de ruas internas nas cidades de madeira de Oulu e


Tuusula, Finlândia. Fonte: PUUINFO (2007).

138
Figura 114 – Cidade com habitações coletivas de três pavimentos em madeira
na periferia de Helsinque, Finlândia. Fonte: MELLO (2004).

Figura 115 – Cidade de Friisla, Finlândia, com habitações térreas em madeira.Fonte:


MELLO (2004).

139
4.3. Técnicas construtivas em madeira no Brasil

A literatura nacional é bastante escassa no que se refere às técnicas


construtivas em madeira, estando dispersa em publicações técnicas,
dissertações e teses, em número bem inferior em relação à literatura sobre
obras em concreto e alvenaria.
O desenvolvimento das técnicas construtivas em madeira no Brasil tem seu
ponto de partida na arquitetura indígena, onde práticas milenares utilizavam
estruturas leves de madeira com cobertura de palha, em composições muitas
vezes arrojadas e que permitiam a construção de grandes ocas para o abrigo
de várias famílias (Figura 116).

Figura 116 – Oca destinada a várias famílias da nação waimiri-atroari, na Amazônia.


Fonte: WAIMIRI-ATROARI (2007).

Estas tecnologias construtivas tiveram bastante influência nas raízes da


arquitetura colonial brasileira, que misturou elementos da arquitetura de pedra
portuguesa, que por sua vez foi fortemente influenciada pela tradição
construtiva árabe em terra. Exemplos desta mescla são as técnicas da taipa de
pilão e o pau-a-pique, onde a prática da construção em terra é associada à
construção em madeira típica do estilo enxaimel.

140
De acordo com SERAPIÃO (2006), a taipa de pilão é a técnica que utiliza a
terra umedecida prensada em uma fôrma de madeira, chamada taipal, sendo
esta técnica decorrente da falta de madeira para se executar toda a parede,
principalmente no planalto paulistano do período colonial, de onde se originou a
arquitetura bandeirista (Figura 117).

Figura 117 – Casa bandeirista de meados do século 17 na cidade de São Paulo, num
sistema misto alvenaria - madeira. Fonte: SERAPIÃO (2006).

Também a técnica do pau-a-pique utiliza a combinação entre terra e


madeira, onde o barro cobre uma estrutura de madeira, sendo considerada um
tipo de taipa de pilão com dimensões mais finas e uso das mãos na sua
confecção. BITTENCOURT (1995) considera o pau-a-pique um tipo de
construção em enxaimel, ou seja, a estrutura de madeira sustenta a edificação
e também a sua vedação (enchimento).
A taipa de pilão e o pau-a-pique podem ser considerados vertentes da
arquitetura em madeira no Brasil, sendo a eles aglutinada a técnica do
enxaimel nos moldes europeus, que marcou presença na arquitetura dos
imigrantes da Região Sul do Brasil (ver item 4.1.2.).
Também daí decorreu a técnica da “gaiola de madeira”, presente em
regiões de imigração européia na região Sudeste, como nas cidades de
montanha do Rio de Janeiro (Petrópolis e Teresópolis) e São Paulo (Campos
do Jordão), que sobreviveu graças ao apelo turístico destas regiões.

141
O termo “gaiola de madeira” também pode ser considerado como uma
regionalização do sistema enxaimel, pois também parte do princípio de uma
estrutura de madeira travada em várias direções (engradamento) com
vedações em alvenaria, pedra, adobe ou qualquer outro material disponível.
Sua presença também pode ser observada na arquitetura colonial goiana,
onde a maior disponibilidade de madeira permitiu o seu emprego em obras de
grande porte como igrejas (Figura 118).

Figura 118 – Igreja Matriz de Pirenópolis (GO), onde se observa a gaiola com madeira
de alta durabilidade (aroeira), que permitiu a sua reutilização estrutural em suas
restaurações. Fonte: MATRIZDEPIRENÓPOLIS (2006).

142
Esta tecnologia construtiva atravessa os tempos e é defendida por Lúcio
Costa num período de grandes transformações da arquitetura brasileira, a
década de 1930, onde começa a se pronunciar a nossa arquitetura moderna. O
arquiteto propõe resgatar e ao mesmo tempo avançar na nova linguagem da
qual o arquiteto francês Le Corbusier é o porta-voz, em projetos onde o
neocolonial e o moderno se fundem de forma original (Figura 119).

Figura 119– Projetos de Lúcio Costa da década de 1930, onde se observa a gaiola de
madeira (figura no alto), a concepção neocolonial de alvenaria e madeira (foto), e a
concepção moderna da gaiola de madeira inserida na estrutura de concreto armado.
Fonte: VITRUVIUS (2006).

143
Nos tempos atuais, a gaiola de madeira está presente em edificações
diferenciadas, usualmente destinadas a residências, ao turismo e atividades
afins (Figura 120). O aperfeiçoamento e a simplificação deste sistema
construtivo resultaram no sistema pilar-viga, que é intensamente empregado
nas edificações estruturadas em madeira no Brasil (Figura 121).

Figura 120– Gaiolas de madeira serrada no Centro de Visitantes do Jardim Botânico


de Brasília (DF) e de madeira serrada e roliça na sede do Parque Estadual de Caldas
Novas (GO). Fonte: MELLO (1995-2002).

Figura 121 – Estrutura de madeira de residência em Brasília, com concepção mista


entre gaiola e sistema pilar-viga, devido à existência de paredes fixadas pela trama e
também paredes portantes. Fonte: MELLO (1995).

144
Outro sistema construtivo em madeira que é considerado tradicional no
Brasil é o chamado sistema tábua-e-sarrafo, onde a trama estrutural em
pequenas peças (tarugos) é reforçada pelo material da vedação, normalmente
tábuas verticais e sarrafos como mata-juntas. Esta trama reforçada pela
vedação suporta a cobertura da edificação, sendo esta solução encontrada
normalmente em habitações de baixo custo de norte a sul do país, podendo-se
afirmar ser esta uma genuína arquitetura vernacular em madeira (Figura 122).

Figura 122 – Edificações em tábua e sarrafo em área rural no sul do Pará e na cidade
de Florianópolis, em Santa Catarina. Fonte: MELLO (1999).

Diversos autores consideram que o sistema tábua-e-sarrafo é na verdade


um sistema pilar-viga, onde há um esqueleto em madeira e as tábuas e
sarrafos têm o papel de vedação. No entanto, devido à fragilidade da trama
estrutural, muitas vezes executada com tarugos (peças com dimensões em
torno de 6x6cm) as peças de vedação são essenciais à estabilidade da
edificação, configurando um sistema misto.
A partir destes sistemas tradicionais, novas tecnologias foram sendo
incorporadas no ramo de edificações de madeira no Brasil. Segundo
PRECASA (2007), nos idos de 1950, com a execução de grandes obras de
infraestrutura pelo país, criou-se um mercado de construções rápidas para
canteiros de obras, tendo a madeira se tornado uma excelente opção pela
relação resistência x peso.

145
A partir daí, este mercado se direcionou para as casas de veraneio ou
lazer, e as exigências dos novos clientes resultaram no aperfeiçoamento dos
sistemas construtivos. De acordo com PRECASA (2007), no final dos anos de
1970 e início de 1980, o mercado se baseava em dois sistemas construtivos:
as casas de paredes duplas com chapas de madeira e as casas com paredes
simples com peças maciças de madeira com encaixe (Figura 123).

Figura 123 – Casas de madeira com paredes em peças maciças com encaixe do tipo
macho-e-fêmea. Fonte: CAMPER (2007).

Atualmente é possível se encontrar novas opções para este sistema


construtivo, como o uso de paredes duplas de madeira maciça (Figura 124).

Figura 124 – Detalhe de sistema construtivo com parede dupla em peça maciça de
madeira. Fonte: PRECASA (2007).

146
Em termos gerais, os sistemas construtivos em madeira existentes no
Brasil estão relacionados às casas de madeira, de acordo com classificação
sugerida por BITTENCOURT (1995) e INO (1992), que discrimina estes
sistemas em pilar-viga e de painéis, de acordo com a Tabela 15:

TABELA 15 - Principais sistemas construtivos em madeira no Brasil.


Realizador Descrição
CASEMA - Empresa - parede estrutural em pranchas de 4,5m com
madeira
madeira verde (saturada)
FUNTAC – Governo do Acre - painéis portantes com ligações pregadas e
lambris macho-
macho-e-fêmea
IPT/Prefeitura de Campos do - painéis portantes em dupla face unidos com
Jordão - SP ligações metálicas
IPT/Secretaria de Habitação do - painéis portantes de madeira tropical
Amazonas
Amazonas - AM
UFSC/Empresa BATTISTELLA - - painéis portantes tipo sanduíche em sistema
SC construtivo do tipo plataforma
Salto Osório – PR (obra) - painéis portantes desmontáveis
Construtora OCA - PR - vedações com elementos
elementos industrializados
IBRAMEM/Prefeitura de Cuiabá - - sistema pilar-
pilar-viga com painéis de resíduos de
MT madeira e tesouras pré-
pré-fabricadas
Fundação DAM/Arquiteto Zanine - sistema pilar- pilar-viga em madeira roliça e
Caldas - DF vedações em taipa de mão ou lajelaje de pedra
Arquiteto Severiano Porto - AM - sistema pilar-
pilar-viga com tábuas ou chapas
encaixadas
Instituto Florestal - SP - sistema pilar-
pilar-viga com tábuas encaixadas
INPA - AM - sistema pilar-
pilar-viga com tábuas verticais
EESC/SP - estrutura pré-
pré-fabricada com
com painéis
Arquiteta Akemi Ino - SP - estrutura pré-
pré-fabricada de madeira roliça
LPF/IBAMA - DF - sistema pilar-
pilar-viga com painéis de resíduos de
madeira e piso elevado em madeira
Fonte: a partir de INO (1992) e BITTENCOURT (1995).

147
Ainda assim, manifestações de arquitetura em madeira ligadas ao passado
da tradição indígena podem ser encontradas especialmente nas Regiões Norte
e Centro-Oeste, onde os traços culturais dos nossos primeiros habitantes se
fazem sentir mais forte. A estética destas edificações causa impacto
extremamente positivo e estimula o uso estrutural da madeira (Figura 125).

Figura 125 – Cobertura de edificação no Parque do Mindu, em Manaus (AM), e em


restaurante em Caldas Novas (GO); as estruturas de madeira sobre plantas circulares
remetem à arquitetura indígena. Fonte: MELLO (1998-2003).

Também a tradição do fazer em madeira se realiza na cultura cabocla,


do sertanejo, e no trabalho do arquiteto autodidata Zanine Caldas. Sua obra em
madeira é referencial no país e atravessou fronteiras, mostrando arquitetura e
design com uma linguagem única e influenciando gerações de profissionais
com o elo entre tecnologias construtivas e recursos naturais (Figura 126).

Figura 126 – Maquete de residência e casa na árvore, do artista plástico Kracjberg


em Nova Viçosa – BA, da autoria de Zanine Caldas. Fontes: VITRUVIUS (2004) e
LANORE (2005).

148
Com presença bastante discreta no cenário da construção civil no Brasil,
são observados outros sistemas construtivos especialmente na Região Sul,
desde estruturas de madeira laminada colada até estruturas treliçadas em
geral, que expõem as possibilidades do material e sua grande aptidão para
soluções tecnologicamente arrojadas no país (Figuras 127 e 128).

Figura 127 – Estrutura de cobertura de piscina olímpica em madeira laminada colada


com vão de 20m, em Porto Alegre. Fonte: MELLO (2000).

Figura 128 – Coberturas de teatro em Santa Catarina com madeira laminada colada e
de hangar no Paraná com arcos treliçados de madeira. Fonte: EMADEL (2000).

149
CAPÍTULO V

5. O projeto de arquitetura em madeira

Neste capítulo é abordado o tema do projeto de arquitetura em madeira,


sendo identificadas e analisadas as suas especificidades. Independentemente
do material ou processo construtivo adotado, o projeto de arquitetura é o ponto
de partida do processo que culmina com a obra pronta, contendo as
proposições tecnológicas assumidas pelo arquiteto e que caracterizarão a
edificação. Partindo do pressuposto que há grande falta de familiaridade dos
projetistas com o material madeira no Brasil, que resultam em obras de baixa
qualidade tecnológica e construtiva, são apresentados princípios básicos para
se projetar em madeira, com estudo de caso que apresenta duas obras
executadas em madeira e a importância da aplicação destes princípios.

5.1. Considerações sobre o projeto de arquitetura

Na literatura nacional e internacional há vários autores que abordam a


questão do projeto de arquitetura, englobando desde a concepção
arquitetônica até a sua representação. Desde os métodos tradicionais, dos
quais o desenho é o principal exemplo, até os métodos contemporâneos com
uso de maquetes e modelos eletrônicos, de modo geral quatro fases são ainda
realizadas em um projeto: Estudo Preliminar, Anteprojeto, Projeto para
Aprovação nos órgãos competentes e Projeto Executivo e Detalhado.
Segundo BITTENCOURT (1995), na arquitetura o desenho ainda é o
método tradicional de projeto freqüentemente utilizado, sendo a própria idéia ou
imagem em que se transforma o pensamento, surgindo daí a concepção
arquitetônica da edificação.

150
De acordo com GRAEFF (1986), a arquitetura constitui uma atividade
artística, mas não deixa de ser uma atividade comprometida com rigorosas
exigências prático-funcionais formuladas fora do seu campo específico, sendo
a realização de uma obra assim como do projeto previamente programados a
partir da obediência a um Programa de Necessidades.
O Estudo Preliminar compreende a abordagem das soluções consideradas
viáveis a partir das informações consolidadas no Programa de Necessidades,
representando invariavelmente a síntese do produto final. As demais fases
subseqüentes representam o desenvolvimento da concepção arquitetônica até
se chegar às exigências necessárias à sua exeqüibilidade, englobando aí as
soluções tecnológicas e construtivas propostas para a edificação.
Esta é uma característica intrínseca do projeto de arquitetura, que é
justamente o de espelhar o que se deseja construir. STROETER (1986) afirma
que a conhecida expressão “construir corretamente”, de Bruno Zevi, é um
“projetar corretamente”, assinalando a importância de se “projetar corretamente
a construção”. O mesmo autor considera, no entanto, que o fato de se
empregar corretamente a técnica construtiva na concepção arquitetônica, ou
seja, com praticidade e eficiência, não necessariamente é arquitetura. Nas
palavras de um dos ícones da arquitetura brasileira:

Arquitetura é, antes de mais nada, construção; mas construção


concebida com o propósito primordial de ordenar o espaço para
determinada finalidade e visando determinada intenção. E nesse
processo fundamental de ordenar e expressar-se ela se revela
igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis problemas com
que se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a
conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa
margem final de opção entre os limites máximo e mínimo determinados
pelo cálculo, preconizados pela técnica condicionados pelo meio,
reclamados pela função ou impostos pelo programa (...) A intenção
plástica que semelhante escolha subentende é precisamente o que
distingue a arquitetura da simples construção (Costa, citado por Graeff
1986 p.16).

151
Como afirma Lúcio Costa, reveste-se o projeto de arquitetura de uma
importância maior, pois deve conter ao mesmo tempo uma intenção plástica
associada à técnica. WILSON (1971) observa que a arquitetura combina forma
externa e espaço interno, estrutura e material em uma única essência.
Ressalta-se, portanto, que o projeto de arquitetura é o de uma construção,
mas o processo mental envolvido e o resultado final são o de uma arquitetura,
estando este conceito sintetizado por STROETER (1986) quando diz que a
arquitetura é uma arte que se realiza na construção.
Tendo como pano de fundo a escassa e limitada (tanto técnica quanto
plasticamente) produção de edificações de madeira no Brasil, que não é
mensurada na pouca produção bibliográfica sobre o tema, mas é reconhecida
visualmente na paisagem das cidades brasileiras, retorna-se à questão do
projeto e à produção da arquitetura.
Faz-se necessário reconhecer que esta pouca expressividade da
“arquitetura em madeira” brasileira está obrigatoriamente assentada em
princípios básicos, como a elaboração do projeto. Considerando que a nossa
arquitetura em concreto armado é reverenciada mesmo fora do país, o que
atesta a qualidade dos projetistas e construtores brasileiros, é de se supor que
o projetar em madeira exija requisitos específicos que não são observados ou
mesmo reconhecidos pelos profissionais.
Neste panorama, onde não há domínio sobre a(s) técnica(s) e não há
intenção plástica que explore as características peculiares do material, tem-se
o resultado que, com raras exceções, se observa em nossa realidade, ou seja,
há “construções em madeira”, mas não “arquitetura em madeira”.

5.2. Especificidades do projeto em madeira

O tema do projeto de arquitetura em madeira é raramente abordado na


bibliografia nacional. Segundo BITTENCOURT (1995), do ponto de vista da
concepção arquitetural, as pesquisas são praticamente inexistentes no nível
teórico, estando normalmente relacionadas a processos construtivos com
critérios específicos que correspondem a determinadas solicitações.

152
Na pesquisa bibliográfica efetuada, apenas o relatório de pesquisa “La
maison à ossature bois – une nouvelle pratique architecturale”, de BIGNON
(1986), e a tese de doutorado “”Concepção arquitetônica da habitação em
madeira”, de BITTENCOURT (1995), abordam este tema sob a mesma ótica da
presente dissertação.
Os princípios básicos peculiares à arquitetura e por conseqüência à
construção em madeira defendidos por BIGNON (1986) e BITTENCOURT
(1995) estão descritos na Tabela 16:

TABELA 16 - Princípios para a concepção e execução de edificações em


madeira.
Princípio Descrição
- A dissociação da estrutura, do
PRINCÍPIO TÉCNICO BÁSICO fechamento
fechamento e do paramento
norteiam a concepção e a técnica
construtiva em madeira.
– a edificação em madeira não
necessariamente tem que ter
TÉCNICA FLEXÍVEL E EVOLUTIVA “ aspecto de madeira” ; a
tecnologia construtiva permite
variadas composições arquitetônicas
arquitetônicas
– é falsa a idéia da simplicidade da
construção em madeira; são
RIGOR CONSTRUTIVO sistemas construtivos menos
tolerantes, as ligações exigem rigor,
“ a madeira não permite erro” .
– os sistemas construtivos em
madeira demandam cuidado na na
O DETALHE definição dos detalhes, da
concepção à execução; é um ponto
de partida e não uma conseqüência
da execução da obra.
Fonte: a partir de BIGNON (1986) e BITTENCOURT (1995).

153
O princípio técnico básico da dissociação da estrutura, do fechamento e do
paramento está presente em todas as técnicas construtivas em madeira, com
exceção das construções de madeira maciça empilhada, onde a estrutura e as
vedações são um único componente.
Segundo BITTENCOURT (1995), nas construções em alvenaria a parede é
um elemento abstrato e as partes do edifício não possuem uma autonomia
funcional claramente definida. As paredes monolíticas e paralelepipedais não
apresentam problemas de fechamento, o que empobrece o detalhamento
construtivo e a especificação dos acabamentos.
No caso da madeira, o princípio de dissociação das partes da construção
obriga à concepção do fechamento (vedações) e do paramento (acabamento),
adquirindo estes um valor que não existe nas obras em alvenaria.

O fio condutor de meus pensamentos sobre a ossatura de madeira,


como um sistema aberto, é que nós poderíamos ter nesta técnica mais
que um simples envelope, uma espécie de gabarito geral sobre o qual
poderiam se fixar as vestimentas exteriores ou peles interiores. É a idéia
do porta-casaca que desenvolvi há cinco anos (Watel, citado por
Bignon, 1986 p.41).

A autonomia das partes da edificação em madeira também contribui para


tornar os sistemas construtivos em madeira mais flexíveis, conforme será
abordado adiante. Além disto, ela exige do profissional um conhecimento do
material e derivados, seus detalhes construtivos e ligações. BITTENCOURT
(1995) ressalta que, ao invés de estimular o desenvolvimento das tecnologias
construtivas em madeira, esta autonomia desagrada ao profissional
desabituado a pensar e propor soluções para vedações e ligações.
No campo da teoria arquitetônica, BIGNON (1986) afirma que “a tecnologia
da madeira é hoje um estímulo ao debate da pós-modernidade arquitetônica”,
demonstrando que este princípio serve como mote e suporte para “vestir” o
edifício, que foi “desnudado” e ”desmaterializado” com a arquitetura moderna.

154
Com relação à técnica de concepção e realização da edificação em
madeira ser flexível e evolutiva, isto pode ser facilmente observado
especialmente na realidade norte-americana onde a profusão de soluções
construtivas ressalta as qualidades inerentes do material.

Nos Estados Unidos são encontrados os melhores exemplos de como


esta técnica construtiva é flexível, ou seja, nela quase tudo é
permissível. Da Disneylândia às mansões californianas, é preciso um
conhecimento apurado para distinguir atrás das construções os
sistemas construtivos em madeira. Neste caso, os significados
incorporados à madeira e a seus derivados são múltiplos, possibilitando
à construção uma enorme gama de estilos, podendo até utilizar a
mesma técnica construtiva (Bittencourt, 1995 p.177).

Esta flexibilidade permite à arquitetura americana em madeira ser


extremamente diversificada, não se desconsiderando a qualificação adquirida
ao longo do tempo em todos os estágios desta cadeia, que são a concepção, a
execução, a manutenção e a apropriação com o uso adequado da edificação.
O conceito de técnica evolutiva também se aplica integralmente àquela
realidade: estudos indicam que o usuário deve poder “personalizar” a sua
edificação e também modifica-la gradativamente para o atendimento de suas
próprias necessidades, tendo como melhor exemplo a casa norte-americana.
Toda a concepção e o processo construtivo da moradia são pensados para
que o usuário possa altera-lo com as próprias mãos, afirmando o conceito de
“evolutividade construtiva” que não é novo na arquitetura e que é plenamente
atendido por estes sistemas construtivos flexíveis em madeira.
BITTENCOURT (1995) ressalta que no Brasil este conceito está presente
nas soluções construtivas para habitações de baixo custo, conhecidas como
“embriões”, as quais permitem ao proprietário acabar ou ampliar a sua moradia.
Porém, trata-se também de um recurso que permite aos empreendedores
públicos utilizar propaganda enganosa e oferecer moradias de reduzidas
dimensões aos beneficiados em programas sociais.

155
Os sistemas construtivos em madeira possuem como característica
marcante o fato de serem definidos a partir de peças, o que conceitualmente os
coloca na condição básica de sistemas pré-fabricados, pois em princípio as
peças foram pré-fabricadas pela natureza.
Uma das peculiaridades dos sistemas pré-fabricados é a exigência de
precisão, pois o erro em uma das peças compromete o conjunto. O mesmo se
aplica aos sistemas construtivos em madeira, embora haja um senso comum
de que estes sistemas possuem uma simplicidade construtiva.

A idéia de simplicidade da construção em madeira encontra-se também


difundida na própria área madeira – construção, portanto este é mais
um obstáculo a ser suplantado. Na expectativa de valorizar os sistemas
construtivos em madeira, ao tentar provar que estes são facilmente
construídos, os profissionais da área induzem à aplicação de soluções
simplistas, as quais provavelmente não responderão adequadamente
ao desempenho esperado pela edificação (Bittencourt, 1995 p.181).

A conseqüência imediata deste rigor da obra em madeira é a obrigação de


que tudo seja desenhado e executado conforme o projeto de arquitetura,
refletindo diretamente na sua concepção e impondo ao projetista o correto
detalhamento e especificação das soluções construtivas em procedimentos
semelhantes aos utilizados nas construções industrializadas.

O rigor executivo necessariamente tem que partir do detalhamento e


especificação do projeto, o qual requer uma nova linguagem da prática
arquitetônica (...) As dimensões de um elemento de uma ossatura de
madeira devem ser perfeitas; pois se menor, esta será condenada, e se
maior, dependerá dos serviços para redimensiona-la, com custos
extras, para reincorpora-la ao conjunto (Bittencourt, 1995 p.182).

No entanto, isto não significa o enrijecimento da solução arquitetônica, pois


o rigor técnico da execução é compensado pela flexibilidade inerente aos
sistemas construtivos em madeira, abordada anteriormente.

156
O detalhe possui várias conotações quanto à sua função na concepção e
execução da edificação em madeira, sendo que de modo geral participa
ativamente da estética arquitetônica e possibilita verificar a harmonia da
construção. É ponto de partida e não resultado da solução de problemas
técnicos e construtivos da edificação.
Segundo BITTENCOURT (1995), o detalhe participa da definição do
projeto arquitetônico em madeira, sendo uma ferramenta de trabalho na
elaboração do projeto; através dele são questionados os pontos críticos, não
somente para se responder aos problemas, mas também para tornar a
edificação mais “eficiente” do ponto de vista construtivo.
No processo construtivo o detalhe expõe a sua racionalidade e economia,
num contexto de variadas técnicas construtivas dos elementos e componentes
que caracterizam a edificação em madeira. BITTENCOURT (1995) assinala
que nos países com grande tradição em construções em madeira, os detalhes
estão incorporados às habilidades dos profissionais nos canteiros de obras, o
que permite aos profissionais de projeto uma maior atenção a questões
estéticas e relacionadas ao desenvolvimento de novas tecnologias.
BIGNON (1986) ressalta as múltiplas finalidades do detalhe arquitetônico
na edificação em madeira:

• preenche os vazios existentes devidos à desqualificação


dos profissionais, à transformação das técnicas e à formação
de um novo “ saber”
• afirma a necessidade do “ saber-
saber-fazer” no papel (projeto)
em função da ausência do “ saber-
saber-fazer” no canteiro
• soluciona
soluciona os problemas técnicos decorrentes da
intervenção de diferentes profissionais
• especifica as tarefas do canteiro, evitando que os mesmos
serviços e produtos sejam realizados por diferentes
profissionais
Fonte: a partir de BIGNON (1986).

157
5.3. Sobre a interação entre arquitetura e estrutura

A partir da análise dos quatro princípios básicos para se projetar em


madeira, é possível se identificar com clareza que este processo possui
diferenças conceituais em relação aos projetos de alvenaria e concreto, ao
mesmo tempo em que possui grande similaridade com os procedimentos
adotados para se projetar com outros materiais pré-fabricados, como o aço.
Complementando esta abordagem, há um aspecto essencial que permeia o
projetar em madeira e que diz respeito à interação entre a concepção
arquitetônica e estrutural do projeto.
O tema da relação entre arquitetura e estrutura é abordado por diversos
autores e tem sido crescentemente estudado no meio acadêmico,
especialmente nas escolas de arquitetura, onde tem se buscado oferecer um
maior suporte aos estudantes nas questões da técnica e da tecnologia
construtiva das edificações, visando suprir uma deficiência de formação que
invariavelmente resulta em grande rejeição da matéria.
A importância do tema decorre do fato de que a estrutura é um
componente essencial da arquitetura e contribui decisivamente para o
enriquecimento da concepção arquitetônica, conforme se observa em edifícios
referenciais construídos ao longo da história (Figura 129).

Figura 129 – Templo de Parthenon na Grécia, onde se observa a presença marcante


da estrutura trílitica na concepção arquitetônica. Fonte: WIKIPEDIA (2007).

158
Embora a concepção estrutural esteja intrinsecamente ligada à execução
da edificação, pode-se afirmar que o aspecto mais significante da estrutura seja
a sua contribuição para a forma arquitetônica. Da mesma forma, torna-se difícil
dissociar a arquitetura da estrutura. Nas palavras de STROETER (1986):

Também a arquitetura possui estrutura. Tanto isso é verdade que, no


linguajar dos que trabalham com computadores, por exemplo,
constantemente faz-se referência à “arquitetura da máquina”, expressão
que está no lugar de “estrutura interna do computador”. Arquitetura e
estrutura aparecem freqüentemente como sinônimos. Ao dizer que
“arquitetura é música congelada”, Friedrich von Schelling provavelmente
pretendeu fazer uma comparação entre o que há de estrutural na
arquitetura, representado pelo sistema físico que é o suporte do edifício,
e a sua equivalência na música, representada por melodia, harmonia,
timbre e ritmo (Stroeter, 1986 p.61-62).

Do ponto de vista estritamente técnico, a estrutura é definida a partir de


qualquer elemento estrutural que suporta cargas além do seu peso próprio, e a
estrutura em arquitetura é considerada como o conjunto de partes da
edificação capaz de absorver esforços e transmitir cargas preservando a sua
estabilidade, segurança e integridade.
Segundo WILSON (1971), o edifício é uma realização onde o arquiteto
confronta as leis da estrutura com as leis da gravidade, sendo que devido a
possibilidade de ação das cargas chamadas acidentais, cerca de 70% da
resistência deste edifício é conferida a forças que talvez nunca lhe sejam
aplicadas, ou se ocorrerem afetarão a construção por um curto período.
As soluções estruturais consideradas ideais são aquelas em que um
mínimo de material é utilizado para se obter o máximo de resultados, num
princípio chamado de otimização da estrutura.
No entanto, há um enfoque mais apurado que colocar a concepção
estrutural como um elemento estratégico para a valorização da proposta
arquitetônica, conforme CHARLESON (2005):

159
(...) estrutura é vertical, horizontal, ou uma combinação dos dois, onde
o projetista pode intencionalmente reforçar ou realizar idéias. Neste
contexto, colunas, paredes e vigas podem atender a conceitos de
freqüência, padrão, simplicidade, regularidade, e complexidade. Desta
forma, a estrutura pode ser utilizada para definir espaços, criar
unidades, articular circulações, sugerir movimentos ou desenvolver
composições e modulações. Assim sendo, ela se torna intrinsecamente
ligada aos variados elementos que criam a arquitetura, sua qualidade e
excitamento (Charleson, citando Clark, 2005 p.1).

Este enfoque é pouco observado pelos arquitetos, de modo que no


processo de determinação da forma arquitetônica, geralmente variados
aspectos como a adequação ao programa de necessidades e ao sítio são
valorizados em detrimento da concepção estrutural.

A estrutura é o mais forte e poderoso elemento da forma, tanto que se


esta não é considerada na longa lista de decisões que determinam a
forma, acaba por distorcer ou modificar todos os outros determinantes
do edifício (...) A estrutura direciona todos os outros aspectos do design.
(Charleson, citando Erickson, 2005 p.21).

SALVATORI (1975) contrapõe esta visão ao salientar que uma correta


concepção estrutural não necessariamente irá ditar a concepção arquitetônica,
pois no caso do templo de Parthenon há uma incoerência estrutural que não
inviabiliza aquele notável exemplar da arquitetura grega clássica: o sistema
trilítico utiliza elementos horizontais de pedra, ou seja, vigas, que estão sujeitas
a esforços de tração, e a pedra somente suporta esforços de compressão. Em
sua função de viga esta só atende a pequenos vãos e deve ser suportada por
pesados elementos verticais, como as colunatas do templo.
Este descompasso entre o material e sua função estrutural, que também
resultam em uma obra arquitetônica, é plenamente superado na catedral
gótica, onde, assim como na arquitetura do império romano, a pedra e demais
elementos monolíticos trabalham na forma de arcos, portanto à compressão.

160
CHARLESON (2005) identifica três categorias de relação entre as formas
arquitetônica e estrutural, com identificação dos respectivos sistemas
estruturais que as exemplificam, de acordo com o exposto na Tabela 17:

TABELA 17 - Categorias de relação entre as formas arquitetônica e estrutural.


Categoria Exemplos de sistemas estruturais
- estruturas em concha, consideradas a mais pura
SÍNTESE síntese entre arquitetura e estrutura;
(a estrutura define a forma - estruturas em membrana ou tensionadas;
arquitetônica, e parcialmente - catenárias ou com vigas suspensas;
as funções do edifício) - estruturas arqueadas e em pórticos;
- estruturas nervuradas e em paredes portantes.
portantes.
CONSONÂNCIA -diversos sistemas estruturais coexistem na
(a relação entre arquitetura e mesma forma arquitetônica;
estrutura é discreta e - sistemas estruturais com materiais contrastantes;
relativamente integrada) - sistemas sem hierarquia estrutural.
estrutural.
CONTRASTE – sistemas construtivos apresentam falta de
(elementos da arquitetura similaridade em sua geometria;
como a geometria, - sistemas onde assimilação inicial da forma
materialidade, escala e arquitetônica
arquitetônica é radicalmente modificada com a
textura se justapõem e a visão do todo (“ elementos de surpresa” );
contrastam com a estrutura) - formas estruturais contrastantes bem concebidas
resultam em inovativa e interessante arquitetura.
Fonte: a partir de CHARLESON (2005).

Na sua obra, CHARLESON (2005) também discorre sobre as diferentes


contribuições da estrutura para aspectos da arquitetura, tais como elementos
estruturais expostos nas fachadas (através de modulação, textura, efeitos de
filtro e tela, grelhas e outros), organização espacial, função do edifício,
articulação das circulações, exposição de estruturas internas, composição
arquitetônica com detalhes estruturais, relação entre a estrutura e a luz na
edificação, além da representação e do simbolismo da estrutura na arquitetura.

161
A estrutura não é um elemento neutro da arquitetura. Influencia o
espaço à sua volta e sua presença intensa convida à leitura e análise
arquitetônicas. Os arquitetos deveriam permitir que suas idéias de
desenho pudessem “conduzir” o design estrutural. Deveriam considerar
as estruturas como elementos arquitetônicos, começando com sua
forma e layout para depois avivarem o seu design através do
detalhamento estrutural. O “êxito” arquitetural de qualquer estrutura
deveria ser mensurado pelo quanto que ela realiza como um conceito
de design, ou em outras palavras, como ela enriquece o design. (...) A
percepção da estrutura cria mais oportunidades do que restrições. Esta
atitude positiva destaca a estrutura da prática convencional e dos
pilares da exeqüibilidade e economia, liberando-a para desempenhar
papéis funcionais e estéticos mais substanciais na arquitetura
(Charleson, 2005 p.208).

Sobre os conceitos apresentados repousa grande parte do entendimento a


respeito da concepção e execução da edificação de madeira; em verdade, aos
quatro princípios básicos apresentados por BIGNON (1986) soma-se com
intensidade esta estreita relação entre arquitetura e estrutura.
O primeiro princípio apresentado, da dissociação entre estrutura e
vedações já aponta para a importância da solução estrutural na composição
arquitetônica em madeira: a separação das partes da edificação evidencia cada
uma delas e obriga o projetista a abordá-las com atenção, percebendo, além
disso, que a estrutura do edifício é determinante sobre as demais partes.
O princípio da flexibilidade da obra em madeira também se apóia
incontestavelmente sobre a sua concepção estrutural: a estrutura é o suporte
para as adaptações e evoluções do processo construtivo, servindo quase
sempre de guia para as transformações que serão processadas.
Quanto ao rigor construtivo e ao detalhe, também são conduzidos pela
visão “estrutural” da concepção arquitetônica em madeira. De forma
generalizada, em uma obra de madeira prevalecem os detalhes estruturais,
que inclusive a enriquecem e a destacam, contrapondo-a de forma positiva em
relação a obras executadas com outros materiais.

162
Ao contrário do projeto em alvenaria e concreto, onde o peso da concepção
estrutural pode ser diluído na sua própria materialidade, ou seja, a arquitetura
“camufla” a estrutura, no projeto em madeira ocorre o inverso. Na grande
maioria das técnicas construtivas observadas, a exposição da madeira
enquanto elemento estrutural é intensa, impondo ao projetista a resolução da
relação entre a arquitetura e a estrutura.
Um exemplo clássico desta relação está estampado na obra do Clube
Naval de Brasília, onde o arquiteto Sérgio Bernardes, um dos mais ilustres
representantes da arquitetura moderna brasileira, propôs uma concepção
inovadora com estrutura de madeira ainda no início dos anos de 1970.
Ao se analisar esta obra, pode-se identificar claramente como esta foi
delineada a partir de uma proposição estrutural que se integrou à intenção
plástica do arquiteto. Desde a representação gráfica do projeto de arquitetura
que informa modulação estrutural, vãos e bitolas de peças, até o desenho da
estrutura que expressa o conceito de horizontalidade pretendido pelo arquiteto
para integrar o edifício à paisagem, observa-se uma grande simbiose que
caracteriza as obras referenciais em madeira (Figura 130).

Figura 130 – Vistas interna e externa do Clube Naval de Brasília, onde a estrutura de
madeira define espaços, confere imponência e contribui para integrar a obra
arquitetônica à paisagem do lago. Fonte: MELLO (2005).

163
5.4. Estudo comparativo entre duas edificações de madeira

A seguir é apresentado um estudo comparativo entre duas obras de


madeira executadas em períodos distintos na capital federal. O objetivo deste
estudo é o de analisar as duas obras sob o ponto de vista do atendimento às
especificidades do projeto e da obra em madeira descritas nos itens anteriores,
observando-se a dissociação entre estrutura e vedações, aspectos da técnica
empregada e sua flexibilidade/evolutividade, as implicações do rigor
construtivo, a importância do detalhe e a interação entre a concepção
arquitetônica e estrutural.
A ficha técnica das obras encontra-se descrita a seguir:

OBRA 1 – Centro de Visitantes do Jardim Botânico de Brasília


Local: Brasília – DF
Data de construção: 1984
Área construída: 288,00m2
Sistema estrutural / construtivo: misto com gaiola de madeira e treliça metálica,
vedações em alvenaria; modulação estrutural de 3,00 x 3,00m
Estrutura: pilares e vigas de 15x15cm em madeira tropical serrada
Planta baixa: dois blocos de 12,00 x 12,00m cada, interligados por pergolado, com
mezaninos em tábua de madeira, acessados por escadas de madeira e metal.

SANITÁRIO
MASCULINO

COPA SALA DE AULA

HALL SALA DE EXPOSIÇÃO


projeção alvenaria

projeção mezanino

AUDITÓRIO

SANITÁRIO
FEMININO

PLANTA BAIXA

0 1 2 5m

164
OBRA 2 – Centro Nacional de Apoio ao Manejo Florestal (CENAFLOR)
Local: Brasília – DF
Data de construção: 2006
Área construída: 446,96m2
Sistema estrutural / construtivo: pilar-viga em madeira roliça, vedações em
alvenaria e madeira; modulação estrutural de 3,50 x 3,50m
Estrutura: pilares e vigas de ∅ 25 a 30cm em eucalipto roliço autoclavado
Plantas baixas: dois blocos com comprimento de 10,50m e 14,00m, em quatro
níveis de pavimentos, sendo dois pavimentos em alvenaria e dois em madeira,
todos apoiados sobre estrutura em vigas-duplas e pilares inclinados

proj. pav. superior

proj. pav. superior


proj. pav. superior

P5

WC MASC.
COPA
proj. pergolado
sobe

9 10
SALA DE SITUAÇÃO HALL
banco

P2
PRAÇA COBERTA
sobe

8 7 6 5 4 3 2 1

WC DEF. ELEVADOR
WC FEM.
proj. cobertura

banco

proj. pav. superior

PLANTA BAIXA

0 1 2 5m

proj. cobertura

proj. cobertura
proj. cobertura

J2 J2
proj. mirante
divisória

PERGOLADO
SECRETARIA 30x30cm
desce
sobe

25 26 11 12 13 14 15 16 TÉCNICOS/APOIO
SALÃO MULTIUSO
CIRCUL. P2
sobe

divisória

24 23 22 21 20 19 18 17

CIRCULAÇÃO
ELEVADOR
COORDENAÇÃO
divisória

PLANTA BAIXA

0 1 2 5m

165
O primeiro princípio relativo à concepção e execução da obra em madeira,
de dissociação entre as partes do edifício (estrutura e vedações), é observado
nas duas edificações, ainda que com abordagens diferenciadas.
No Centro de Visitantes do Jardim Botânico, as fachadas apresentam o
sistema construtivo conhecido como gaiola de madeira, onde a estrutura se
articula em várias direções e as vedações completam o vazio entre as peças
estruturais, numa clara derivação do sistema enxaimel (Figura 131).

Figura 131 – Vistas externas do Centro de Visitantes do Jardim Botânico de Brasília,


destacando o sistema construtivo em gaiola de madeira. Fonte: MELLO (2007).

A obra do CENAFLOR atende ao mesmo princípio com uma solução


estrutural diferenciada, definida em um sistema pilar-viga em madeira roliça
sobre o qual se apóiam os blocos de alvenaria e madeira (Figura 132).

Figura 132 – Vistas externas do CENAFLOR, com as “caixas” de alvenaria e madeira


apoiadas sobre a estrutura de madeira roliça. Fonte: MELLO (2007).

166
Em relação ao segundo princípio avaliado, da técnica flexível e evolutiva,
as duas edificações apresentam diferentes abordagens, que não
necessariamente atendem a este preceito.
No Centro de Visitantes, o sistema da gaiola de madeira limita as
possibilidades de expansão e mesmo de adaptação do edifício a novas
necessidades. Trata-se de uma solução compartimentada, portanto definida
pela modulação rígida expressa na fachada, com pilares a cada 3,00m em
todas as direções, não atendendo a necessidade de se vencer vãos maiores.
Como exemplo, no bloco destinado ao salão de exposições, o vão livre é
vencido por estruturas treliçadas metálicas, que sugerem uma adaptação ao
sistema estrutural em madeira (Figura 133).

Figura 133 – A presença da estrutura treliçada metálica demonstra a limitação do


sistema construtivo em relação à necessidade de grandes vãos livres. Fonte: MELLO
(2007).

Afora considerações estéticas sobre o sistema misto resultante, cabe


considerar que a solução da gaiola de madeira é estruturalmente inadequada
para a edificação, não apresenta flexibilidade e limita sua evolução e expansão.
O seu aspecto externo marcante, que exalta a presença da madeira e os
panos de alvenaria, sinaliza para um sistema construtivo “de fachada”, que não
corresponde ao que ocorre no seu interior. A favor da proposta ali apresentada,
esta pode ser interpretada como uma contribuição do arquiteto à evolução da
gaiola de madeira oriunda da arquitetura colonial brasileira.

167
A edificação do CENAFLOR apresenta algumas vantagens com relação à
sua flexibilidade e evolução. A presença da modulação estrutural em uma
direção orienta o crescimento do edifício, num raciocínio semelhante à
estrutura em pórticos (Figura 134).

Figura 134 – Perspectiva estrutural do CENAFLOR, apresentando o sentido de


orientação da estrutura principal em madeira roliça e a possibilidade de expansão em
“pórticos” com pavimentos em diferentes níveis. Fonte: MELLO (2007).

Do ponto de vista da evolução do sistema construtivo, ele rompe com o


conceito da obra com “aspecto de madeira”, uma vez que a estrutura se
apresenta como suporte dos pavimentos e os elementos verticais aparecem e
desaparecem nas fachadas sem estarem amarrados a ela (Figura 135).

Figura 135 – O sistema estrutural se apresenta de forma diversificada nas fachadas,


sugerindo ou expondo a solução construtiva do CENAFLOR. Fonte: MELLO (2006).

168
O terceiro princípio avaliado, sobre o rigor construtivo, é parcialmente
atendido nas edificações, tendo em vista que a falta de tradição na construção
em madeira cria dificuldades de execução da obra, que acabam sendo
minimizadas com adaptações nem sempre feitas com qualidade.
O Centro de Visitantes do Jardim Botânico tem em seu sistema construtivo
predominante, a gaiola de madeira, uma exigência de rigor muito grande
devida aos numerosos encaixes entre pilares e vigas (Figura 136). De modo
geral, foi uma obra relativamente bem executada, embora apresentando
situações de falta de precisão nos encontros de peças de madeira.

Figura 136 – Detalhe do encontro do pilar com peças do corrimão e passagem de


tubulação sob o mezanino: o emprego do enxerto (“bacalhau”) demonstra a falta de
observação do rigor exigido pela obra em madeira, que induz ao uso de soluções
simplistas, resultando na desvalorização do edifício. Fonte: MELLO (2007).

Na edificação do CENAFLOR a exigência do rigor foi responsável por


algumas adaptações no decorrer de sua execução. Um exemplo importante foi
a substituição de trecho da parede de tábuas em escama por parede em
alvenaria, conforme ilustra a Figura 137. Ali, devido à grande interferência de
elementos estruturais não observada no projeto, e que exigiria muita precisão
na execução do trecho de vedação idealizado, optou-se pela alteração.

169
Figura 137 – O rigor da execução em madeira determinou esta alteração: o trecho
de vedação, inicialmente projetado em madeira, foi executado em alvenaria, que não
exige tanta precisão e se “molda” no espaço disponível. Fonte: MELLO (2006).

Na avaliação do quarto princípio, do detalhe, este é considerado


fundamental na concepção arquitetônica em madeira, sendo quase sempre
estrutural ou construtivo e raramente sendo empregado apenas para
acabamento. As duas edificações apresentam diferentes níveis de soluções ou
mesmo falta de soluções adequadas pela ausência do detalhamento.
O Centro de Visitantes apresenta um problema recorrente na ligação entre
estrutura e vedações, certamente devido à falta de detalhamento da solução
construtiva: a inexistência de amarração entre as partes (Figura 138). O
princípio de dissociação entre estrutura e vedações torna obrigatório o
detalhamento deste encontro, sob pena de comprometimento da estética e
segurança do edifício. Isto também decorre da falta de tradição da construção
em madeira, ou seja, ao se empregar mão-de-obra qualificada, torna-se este
detalhe uma desnecessária informação do projeto arquitetônico.

170
Figura 138 – Falta de detalhamento para soluções de amarração entre estrutura e
vedações e de passagem de tubulações compromete e desvaloriza a edificação de
madeira; no Centro de Visitantes as frestas permitem que a poeira e a água das
chuvas invada os ambientes internos causando transtornos. Fonte: MELLO (2007).

No CENAFLOR o detalhe é percebido na composição estrutural, onde o


desenho da estrutura se torna um detalhe também arquitetônico no contexto do
edifício (Figura 139). Observa-se um trabalho conjunto entre arquiteto e
engenheiro de estruturas, onde as possibilidades de composição são
direcionadas pelo atendimento aos requisitos da obra arquitetônica e do
sistema estrutural em madeira.

Figura 139 – Detalhe da estrutura de cobertura em arcos de madeira no


CENAFLOR: o desenho resultante das exigências estruturais pode e deve ser
explorado como um componente da estética arquitetônica. Fonte: MELLO (2006).

171
O último princípio avaliado no estudo comparativo das duas edificações de
madeira diz respeito à relação entre as concepções arquitetônica e estrutural e
o seu resultado nas obras construídas.
Os dois edifícios trazem estampadas em suas fachadas as soluções
estruturais adotadas, embora com graus diferentes de fidelidade a este
princípio. Internamente, também se observa a presença da estrutura, sendo
que no caso do Centro de Visitantes, esta sofre adaptações que alteram o
conceito original e resultam em uma solução estrutural mista.
A edificação do Centro de Visitantes expõe com grande vitalidade a
estrutura de madeira maciça tropical e esteticamente remete à nossa
arquitetura colonial, que ainda hoje causa grande repercussão nas cidades
históricas de Minas Gerais e Goiás, mesmo sendo reproduzida como fachada.
A contemplação de sua arquitetura é também a observação de sua
estrutura, demonstrando a inerência destes dois aspectos no edifício concebido
e construído em madeira (Figura 140).

Figura 140 – Vistas do Centro de Visitantes, destacando a presença da estrutura


de madeira na composição arquitetônica. Fonte: MELLO (2007).

172
No edifício destinado ao CENAFLOR a sua concepção traduz a estreita
relação entre arquitetura e estrutura, de forma que se torna difícil definir onde
começa uma e acaba a outra. Representa uma simbiose que resulta da
necessidade de se expor a solução estrutural e buscar a sua contribuição para
a composição arquitetônica.
As soluções ali encontradas são fruto de inúmeras experiências com
sistemas estruturais em eucalipto roliço e de um desafio: conceber a desejada
obra em alvenaria, que vai de encontro ao senso comum avesso à obra em
madeira, mas suportada por uma estrutura de madeira. Coroando o conjunto, a
parte do edifício totalmente em madeira, onde se pode perceber a qualidade do
ambiente e verificar a sua exeqüibilidade (Figura 141).
Com a sua realização, buscou-se a atender aos conceitos que norteiam a
obra em madeira, numa composição arrojada que pretende unir arquitetura e
estrutura com, dentre outras finalidades, a de expor e promover as
potencialidades da madeira enquanto material construtivo.

Figura 141 – Vistas externa e interna do CENAFLOR, onde se observa a


integração entre arquitetura e estrutura que caracteriza e distingue as obras em
madeira. Fonte: MELLO (2006).

173
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A amplitude do tema da concepção e execução da edificação em


madeira é inquestionável, proporcionando diferentes abordagens como a
apresentada nesta dissertação.
Uma característica marcante dos temas relacionados à construção civil e
que reflete exatamente o fato desta ser considerada uma das atividades
econômicas que engloba o maior número de atividades, materiais e
tecnologias, é justamente a sua diversidade e complexidade.
Não é diferente no caso da madeira: a sua trajetória como material
construtivo remonta a mais de dois séculos de existência, e os
desdobramentos do desenvolvimento tecnológico sobre o material são os mais
variados possíveis, tornando a abordagem sobre o seu uso nos canteiros de
obras cada vez mais sofisticada e detalhista.
Pretendeu-se nesta dissertação estabelecer uma ponte entre o amplo
conhecimento produzido pelos países com tradição em madeira e a realidade
do Brasil, onde o tema caminha a passos lentos, não obstante o imenso
potencial aqui existente para o desenvolvimento de tecnologias tanto na
produção quanto no uso racional do recurso florestal.
A bibliografia existente é um fator limitante para se abordar o tema sob
o ponto de vista da realidade nacional, pois embora a nossa literatura técnica
seja farta nos trabalhos que enfocam as propriedades físicas e mecânicas da
madeira, ela praticamente inexiste em relação à madeira e a construção, os
requisitos de projeto e concepção dos edifícios.
Desta forma, grande parte dos fundamentos teóricos referentes à
concepção e execução de obras em madeira é extraída da literatura técnica
internacional e adaptada à realidade brasileira, o que representa uma grande
barreira à familiarização com o tema por parte dos profissionais. Resulta daí
que, embora muitas vezes atuando na área de construção em madeira, estes
profissionais não possuem o conhecimento satisfatório do material.

174
Este trabalho está direcionado aos profissionais de projeto, englobando
arquitetos e projetistas, embora também possa ser avaliado por outros
profissionais da construção. Este foco se justifica pela convicção do poder de
transformação que o projeto de arquitetura possui em relação à obra
construída, ou seja, uma vez que o tema do projeto e da obra em madeira seja
debatido e estudado por estes profissionais, maiores as chances de
contribuição para o uso racional e arrojado da madeira na construção civil.
Partindo do princípio da existência de especificidades referentes à
concepção e execução da obra em madeira, se procurou identificar e analisar
as conseqüências da sua adoção, e qual a sua contribuição positiva para o
aprimoramento do projeto de arquitetura em madeira.
De modo sintético estes princípios podem colocados como diretrizes
para se projetar em madeira atendendo aos aspectos que diferenciam a obra
de madeira das obras executadas com outros materiais, e estão assim
definidos:
• Dissociação entre estrutura, fechamentos (vedações) e
paramentos (acabamentos) – princípio técnico básico de abordagem
obrigatória na concepção arquitetônica, demandando a concepção e o
detalhamento de fechamentos e paramentos, o que exige maior
conhecimento sobre o material;
• Técnica flexível e evolutiva – a concepção arquitetônica não
necessariamente deverá resultar em obra com “aspecto de madeira”:
com um “sistema aberto”, a edificação em madeira permite diferentes
composições com diferentes materiais que resultam no desenvolvimento
de novas tecnologias; quanto à evolução a concepção arquitetônica
deverá ponderar sobre a capacidade de expansão da proposta;
• Rigor construtivo – aspecto característico da construção em
peças, deve ser considerado nas tomadas de decisões sobre soluções
estruturais e construtivas que compõem a proposta arquitetônica;
• Detalhe – componente essencial da obra em madeira que
interfere na solução de arquitetura na forma de detalhe estrutural ou

175
construtivo, sua abordagem inicial resulta em ganhos para a estética
arquitetônica e para o processo construtivo;
• Interface entre arquitetura e estrutura - aspecto determinante e
característico da obra em madeira, obriga a abordagem simultânea da
solução estrutural com o projeto de arquitetura e exige conhecimento
prévio do comportamento dos sistemas estruturais em geral; pode e
deve ser atendido em trabalho conjunto com profissionais de cálculo de
estruturas e da construção em madeira.
Este trabalho oferece subsídios para o estabelecimento de
procedimentos de projeto por parte dos profissionais interessados no
aprofundamento no rico tema da construção em madeira, que assim estarão
aptos a contribuir para uma maior divulgação de suas potencialidades e para
um maior aprimoramento deste setor em nosso país.

176
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABIMCI – Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada


Mecanicamente. Panorama da indústria florestal e de madeira no Brasil.
Conteúdo: Formação da entidade, importância da sustentabilidade ambiental,
adequação às normas internacionais e novos mercados. Disponível em:
http://www.abimci.com.br/noticias/notícias2006.html. Acesso em: 18 abr. 2007.

AF&PA – American Forest & Paper Association. Green Building Fact Sheet.
Wood and the greening of commercial and residential buildings. Washington:
AF&PA, 2000. (Technical Publication)

ALVES, Marcus Vinícius da Silva; MENDES, Alfredo de Souza.


Biodegradação e Preservação da Madeira. Brasília: LPF/IBAMA, 2002
(Apostila do programa Brasil Joga Limpo).

ATHENA. Sustainable Materials Institute. Improving environmental


performance in the building industry. Merrickville: Athena, 1998.

BIGNON, J.C. La maison à ossature bois – Une nouvelle pratique


architecturale. Nancy, Laboratoire Construction – École d’Architecture, 1986.

BITTENCOURT, Rosa Maria. Concepção Arquitetônica da Habitação em


Madeira. 1995. Tese (Doutorado em Engenharia de Construção Civil e Urbana)
– Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995.

BODIG, Jozsef & JAYNE, Benjamim A. Mechanics of Wood and Wood


Composites. USA: New York. Ed. Van Nostrand Reinhold Company, 1982.

BORGES, Adélia. Retorno à cena civil. Jornal Gazeta Mercantil. São Paulo:
Gazeta Mercantil, 2002. (Artigo)

177
BRITANNICA – Encyclopaedia Britannica. Wood sensory characteristics.
Conteúdo: Introduction, Production and consumption of wood, Harvesting of
wood, Utilization of wood, Wood as a material, Structure and composition,
Properties of wood, Bark and bark products, Additional reading. Disponível em:
http://www.Britannica.com/article-21636/wood . Acesso em: 26 mar. 2007.

BRITISH COLUMBIA. Ministry of Forests. Sustainable Forest Management in


British Columbia. Victoria: FOR, 2004.

CALIL JR, Carlito; LAHR, Francisco Antônio Rocco; DIAS, Antônio Alves.
Dimensionamento de Elementos Estruturais de Madeira. Barueri, SP:
Editora Manole, 2003.

CANPLY – Canadian Plywood Association. Plywood Design Fundamentals.


Vancouver: CANPLY, 1999. (Technical Publication)

CASEMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Manual de construção. Bom


Jesus dos Perdões, s.d 32p.

CARVALHO, Benjamim de A. Arquitetura no tempo e no espaço. Rio de


Janeiro, Livraria Freitas Bastos S.A., 1968.

CÉSAR, Sandro Fábio; PLETZ, Everaldo. Recomendações para estruturas de


madeira. In: ENCONTRO BRASILEIRO EM MADEIRAS E EM ESTRUTURAS
DE MADEIRA, 2, 1986, São Carlos. Anais. São Carlos,
USP/EESC/SET/LaMEM, 1986. v.4, p.33-52.

CHARLESON, Andrew W. Structure as architecture. Burlington, Ed. Elsevier,


2005.

CWC – Canadian Wood Council. Environmental effects of building


materials. Wood the renewable resource. Ottawa: CWC, 1995.

178
. Four Storey Buildings. Ottawa: CWC, 1999.
. Green by design: renewable, durable, sustainable wood. Ottawa:
CWC, 2000.
. Life cycle analysis for residential buildings. A Case Study.
Ottawa: CWC, 1999.

. Managing Moisture and Wood. Ottawa: CWC, n2004. (Building


Performance Series Nº6)
. Wood-Frame Housing – A North American Marvel. Ottawa:
CWC, 2002. (Building Performance Series Nº4)

DW-WORLD. Baixa tecnologia alemã contra terremotos. Europa&Mundo.


Conteúdo: Técnica atual do enxaimel, detalhes construtivos. Disponível em:
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1744884,00.html. Acesso em: 18 abr.
2007.

FERNÁNDEZ-VILLEGAS, Francisco Robles; ECHENIQUE-MANRIQUE,


Ramón. Estructuras de madera. México: Editorial Limusa S.A., 1983.

FOREST PRODUCTS LABORATORY. Wood handbook: wood as an


engineering material. Washington, Agriculture Handbook, n. 72, 1987.

FORINTEK. Wood Opportunities in Non-Residential Buildings. A Roadmap


for the Wood Products Industry. Vancouver: UBC/FORINTEK CANADA CORP.,
2003. (Special Publication NO.SP – 46)

FPAC – Forest Products Association of Canada. Forest products and practices:


The Canadian Difference. Ottawa: FPAC, 2002. (Technical Publication)

GBI – Green Building Initiative. Bringing green to the mainstream. USA:


THEGBI, 2006. (Technical Publication)

179
GOTZ, Karl-Heinz; HOOR, Dietr; MÖHLER, Karl; NATTERER, Julius.
Construire en bois – choisir, concevoir, réaliser. Paris: Editions du Moniteur,
1983.

GRAEFF, Edgar Albuquerque. Edifício. Cadernos Brasileiros de Arquitetura.


São Paulo, Projeto Editores Associados Ltda, 1986.

HELLMEISTER, João César. Madeiras e suas características. In: ENCONTRO


BRASILEIRO EM MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE MADEIRA, 1, 1983,
São Carlos. Anais. São Carlos, USP/EESC/SET/LaMEM, 1983. v.1, p.1-37.

. Sobre a determinação das características físicas da madeira.


São Carlos: USP/EESC/SET/LaMEM, 1982 (Apostila de aula).

IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais


Renováveis. Arquivo fotográfico. Brasília, 2001.

INSTITUTO BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO FLORESTAL. Madeiras


da Amazônia: características e utilização: Floresta Nacional do Tapajós.
Amazonian timbers: characteristics and utilization: Tapajós National Forest.
Brasília: CNPq, 1981. Vol. I.
. Madeiras da Amazônia: características e utilização: Estação
Experimental de Curuá - Una. Amazonian timbers: characteristics and
utilization: Curuá – Una Experimental Forest Station. Brasília: IBDF, 1988. Vol.
II.
. Madeiras da Amazônia: características e utilização:
Amazônia Oriental. Brasília: IBDF, 1997. Vol. III.

INO, Akemi. Habitação japonesa de madeira I: sistema construtivo usual. In:


ENCONTRO BRASILEIRO EM MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE
MADEIRA, 2, 1986, São Carlos. Anais. São Carlos, USP/EESC/SET/LaMEM,
1986. v.5, p.70-100.

180
. Classificação de sistemas construtivos em madeira, alguns
exemplos de construção de madeira para habitação no Brasil. In: ENCONTRO
BRASILEIRO EM MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE MADEIRA, 4, 1992,
São Carlos. Anais. São Carlos, USP/EESC/SET/LaMEM, 1992. v.5, p.13-28.
; SHIMBO, Ioshiaqui. Construções de edificações em madeira de
eucalipto: experiências desenvolvidas. In: ENCONTRO BRASILEIRO EM
MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE MADEIRA, 6, 1998, Florianópolis. Anais.
Florianópolis, UFSC, 1998. v.4, p.249-257.

IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Cobertura com estrutura de


madeira e telhados com telhas cerâmicas. Manual de execução. São Paulo,
IPT, 1988.
. Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil. São Paulo,
Sinduscon - SP, 2003.

JUNTA DEL ACORDO DE CARTAGENA. Manual de diseño para maderas


Del grupo andino. Lima, PADT-REFORT, 1984.

LACITEMA. Manual para diseño de estructuras de madera. Seccion 2.


Xalapa, Editorial Ortiz, 1991.

LAHR, Francisco Antônio Rocco. Aspectos históricos do emprego das


estruturas de madeira para coberturas. In: ENCONTRO BRASILEIRO EM
MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE MADEIRA, 1, 1983, São Carlos. Anais.
São Carlos, USP/EESC/SET/LaMEM, 1983. v.4, p.1-16.

LIGNUM – UNION SUISSE EN FAVEUR DU BOIS. Construction à ossature


en planches. Berne, PI BOIS, 1989.
. Constructions en bois: réalisations récentes en Suisse.
Lausanne, Editions André Delcourt & Cie, 1986.
. Dessin de construction en bois. Berne, PI BOIS, 1988.

181
MELLO, Roberto Lecomte de. Arquivo fotográfico. Brasília, 1998-2006.
. Eucalyptus structural poles for medium cost houses in central
Brazil In: World Conference on Timber Engineering, 9, 2006, Portland.
Proceedings of World Conference on Timber Engineering, 2006.
. A arquitetura em Madeira de Sérgio Bernardes: Clube Naval de
Brasília In: Encontro Brasileiro em Madeiras e em Estruturas de Madeira, 10,
2006, São Pedro. Anais. São Pedro, CEVEMAD/UNESP/IBRAMEM, 2006. 1
CD-ROM.
; . Estruturas de madeira no edifício-sede do Centro
Nacional de Apoio ao Manejo Florestal (CENAFLOR) In: Encontro Brasileiro em
Madeiras e em Estruturas de Madeira, 10, 2006, São Pedro. Anais. São Pedro,
CEVEMAD/UNESP/IBRAMEM, 2006. 1 CD-ROM.
; .Technical and economical viability study of low cost
wooden house in Brazil In: World Conference on Timber Engineering, 9, 2006,
Portland. Proceedings of World Conference on Timber Engineering, 2006.
; . Wood Pavillion: World Conference on Timber
Engineering, 8, 2004, Lahti. Proceedings of World Conference on Timber
Engineering, 2004.
; ; ALVAREZ, Cristina Engel de. Use of wood from the
national forests to build regional offices of IBAMA – Brazil In: World Conference
on Timber Engineering, 6, 2000, Whistler. Proceedings of World Conference
on Timber Engineering, 2000.

MELO, Júlio Eustáquio de. Madeira: características e aplicações. Brasília:


LPF/IBAMA, 2002 (Apostila do programa Brasil Joga Limpo).
. Sistemas Estruturais em madeira. Brasília: Unb/FAU/TEC,
2004 (Apostila de aula).
; VALLE, Ivan Manoel Resende do; MELLO, Roberto Lecomte de;
SOUZA, Mário Rabelo de. Habitação popular em madeira. Brasília: LPF,
2002.

182
MINISTÉRIO DO INTERIOR. Dez alternativas tecnológicas para habitação.
Brasília: PNUD – Projeto BRA 85/005, 1989. 375p.

MITRAUD, Sylvia (coord). Uso Recreativo no Parque Nacional Marinho de


Fernando de Noronha: um exemplo de planejamento e implementação.
Brasília: WWF Brasil, vol.8, 2001.

MOURA, Jorge D. Melo. Determinantes para elaboração do projeto


arquitetônico em madeira de baixa densidade. In: ENCONTRO BRASILEIRO
EM MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE MADEIRA, 4, 1992, São Carlos.
Anais. São Carlos, USP/EESC/SET/LaMEM, 1983. v.2, p.195-204.

OSU – Oregon State University. Focus on Forestry. College of Forestry.


Corvallis: OSU, 2006. (Magazine)

PROFILE. Living in wooden houses. Porvoo: STORAENSO, 2004. (Stora


Enso Timber Magazine)

PUUINFO. Modern wooden town project. Conteúdo: Building with Wood,


Living with Wood, Wood Products, Sustainable Development. Disponível em:
http://www.puuinfo.fi/index.php?vr=912&mainmenu=1&anonymous=english.
Acesso em: 14 mai. 2007.

REMADE. A expansão madeireira na Amazônia. Revista da Madeira.


Curitiba: Lettech Editora, n.98, p.5-7, 2006.
. Respeito às normas valoriza a madeira. Revista da Madeira.
Curitiba: Lettech Editora, n.101, p.10-11, 2007.

SALVADORI, Mário; HELLER, Robert.. Structure in Architecture. Englewood


cliffs: Prentice Hall, N.J., 1975.

183
SERAPIÃO, Fernando. Paralelos (e transversais) na história da casa
paulista. Debate. Conteúdo: Casas de taipa, descrição da técnica,
características das casas, Casas rurais nos limites da cidade, casas
bandeiristas, Pombalino caipira e o açúcar, sobrados pombalinos, fim do
período da taipa de pilão. Disponível em:
http://www.arcoweb.com.br/debate/debate62a.asp. Acesso em: 23 mai. 2007.

SOUZA, Maria Helena. Madeiras tropicais brasileiras. Brasília: IBAMA – DPq


– LPF, 1997. 152p.

SOUZA, Mário Rabelo de; TEIXEIRA, Divino Eterno. Compostos à base de


madeira. Brasília: LPF/IBAMA, 2002 (Apostila do programa Brasil Joga Limpo).

STROETER, João Rodolfo. Arquitetura & Teorias. São Paulo: Ed. Nobel,
1986.

VOLKMER, José Albano. Memória cultural e o patrimônio intangível.


Vitruvius – Portal de Arquitetura. Conteúdo do site: Arquitextos; Arquitetura
Crítica; Minha Cidade; Documento; Institucional; Livraria Virtual; Drops;
Entrevista; Resenhas On-Line, entre outros assuntos. Disponível em:
http://www.vitruvius.com.Br/arquitextos/arq009_02.asp. Acesso em: 18 abr.
2007.

WILSON, Forest. Structure: the essence of architecture. London, Studio


Vista, 1971.

WIKIPÉDIA. Enxaimel. Conteúdo: Descrição do sistema, características locais,


histórico, utilização na região sul do Brasil. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Enxaimel. Acesso em: 18 abr. 2007.
. Pau-a-pique. Conteúdo: Descrição do sistema, histórico de uso,
detalhes técnicos, indicações de uso, utilização em construções modernas.

184
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Taipa_de_pil%C3%A3o. Acesso em:
23 mai. 2007.

WOODFOCUS. Puu Wood Holz Bois. Helsinki: WOODFOCUS, 2004.


(Technical Publication)

WOODWATCH. Plywood. On the wings of wind power. Helsinki: Hansaprint


Oy, 2003. (Magazine)

ZANICHELLI, Nicola. Pier Luigi Nervi. Barcelona, Editorial Gustavo Gili S.A.,
1979.

185
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

AGEKA. Kerto Lamibois LVL. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.ageka.fr/LVL. Acesso em: 03 mai. 2007.

AJASMITH. Glulam frame. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.ajasmith.clara.net/glulam_frame.html. Acesso em: 03 mai. 2007.

AKZONOBEL. Versáteis aglomerados. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.akzonobel-ti.com.br/artigos/aglomerado/images/aglomerado.jpg.
Acesso em: 03 mai. 2007.

AUBURN. Figure in wood. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.ag.auburn.edu/aaes/communications/bulletins/figureinwood/images/f
ig2web.jpg. Acesso em: 03 mai. 2007.

ARCHIMAGAZINE. Domes. 2004. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.archimagazine.com/awood1.jpg. Acesso em: 12 mai. 2007.

ARTEC-USA. Concert Halls. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.artec-usa.com/03_projects/performing_arts_venues/congress.
Acesso em: 10 mai. 2007.

BANDEIRANTE. Cidade Livre. 2007. 3 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.bandeirante.df.gov.br/sites/100/200/Fotos%20Historico/Colorado.jpg
http://www.bandeirante.df.gov.br/sites/100/200/Fotos%20Historico/Cruzeiro_do
_Sul.jpg.;
http://www.bandeirante.df.gov.br/sites/100/200/Fotos%20Historico/foto_catetinh
o.jpg. Acesso em: 12 mai. 2007.

186
BAUSATZMOEBEL. Production of glulam wood. 2006. 6 fot.:col.: digital.
Disponível em:
http://www.bausatzmoebel.de/imagemanager/images/brettschichtholz/herstellun
g/1-technische-.;
http://www.bausatzmoebel.de/imagemanager/images/brettschichtholz/herstellun
g/3-fehlstellen.jpg.;
http://www.bausatzmoebel.de/imagemanager/images/brettschichtholz/herstellun
g/4-hobeln-der-.;
http://www.bausatzmoebel.de/imagemanager/images/brettschichtholz/herstellun
g/5-leimauftrag.jpg.;
http://www.bausatzmoebel.de/imagemanager/images/brettschichtholz/herstellun
g/6-verpressen-der-.;
http://www.bausatzmoebel.de/imagemanager/images/brettschichtholz/herstellun
g/8-abgebundenes-. Acesso em: 03 mai. 2007.

BLUMENAU. Arquitetura. 2005. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.blumenauonline.com.br/imagens/conhecablumenau/acervofotografic
o/normal/Casa_Enxaimel. Acesso em: 06 mai. 2007.

BOIS-CONSTRUCTION. Étude de cas. 2007. 5 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.bois-construction.org/images/realisation_du_mois/Ravoire.;
http://www.bois-construction.org/images/etude_cas/logement_individuel.;
http://www.boisconstruction.org/images/etude_cas/logement_individuel_social/s
aules_xonrupt/frise1.jpg.;
http://www.boisconstruction.org/images/etude_cas/logement_individuel_social/s
aules_xonrupt/coupe.jpg.;
http://www.bois-construction.org/images/etude_cas/gymnases/albertville.
Acesso em: 08 mai. 2007.

CAMPER. Casas pré-fabricadas. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://farm1.static.flickr.com/73/205717427_b713ffc78e_m.jpg.;

187
http://farm1.static.flickr.com/67/205716810_b4109bca0f_m.jpg. Acesso em: 12
mai. 2007.

CANADIANLOGHOUSE. Post&Beam. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.canadianloghouse.com/images/postbeam3.jpg.;
http://www.canadianloghouse.com/images/postandbeam.jpg. Acesso em 08
mai. 2007.

CEDARMILLLOGHOMES. Loghomes. 2004. 7 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.cedarmillloghomes.com/images/kidd1.jpg.;
http://www.cedarmillloghomes.com/images/log%20options%20cs2.jpg.;
http://www.cedarmillloghomes.com/images/log%20options%20cs3.jpg.;
http://www.cedarmillloghomes.com/images/log%20options%20cs4.jpg.;
http://www.cedarmillloghomes.com/images/log%20options%20cs6.jpg.;
http://www.cedarmillloghomes.com/images/log%20options%20cs8.jpg.;
http://www.cedarmillloghomes.com/images/log%20options%20cs9.jpg. Acesso
em: 19 mai. 2007.

CONSTRULINK. Galeria Serpentine. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:.


http://www.construlink.com/Homepage/imagemDestaqueArquitectura.php?id=4
&posicao=1.5.;http://www.construlink.com/Homepage/imagemDestaqueArquite
ctura.php?id=4&posicao=2.5. Acesso em: 10 mai. 2007.

CRIT. Images. 2007. 12 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.crit.archi.fr/Web%20Folder/bois/Bois/1.Decouverte/La%20machine%
http://www.crit.archi.fr/Web%20Folder/bois/Bois/6.LibresExpressions/BoisenFor
me. Acesso em: 12 mai. 2007.

CWTA. Wood trusses. 2007. 3 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.cwta.net/images/truss_manufacture_sm.gif.;
http://www.cwta.net/images/parallel_truss.jpg.;
http://www.cwta.net/images/bowstring_truss.jpg.;

188
http://www.cwta.net/images/pitched_truss.jpg. Acesso em: 10 mai. 2007.

DIXIELINE. Engineered Wood Products. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível


em: http://www.dixieline.com/images/ewp/joists2.jpg.;
http://www.dixieline.com/images/ewp/timberstrand2.jpg. Acesso em: 10 mai.
2007.

EMADEL. Estruturas de madeira. 2000. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.emadel.com.br/emadel/jsp/imgobras/02.jpg.;
http://www.emadel.com.br/emadel/jsp/imgobras/04.jpg. Acesso em: 18 mai.
2007.

ETEC. Medidores de umidade. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.etec.com.br/327.jpg. ; http://www.etec.com.br/hm530wc.jpg.
Acesso em: 10 mai. 2007.

EURO STAMOK. CBPB (Cement Bonded Particle Board). 2006. 1 fot.:col.:


digital. Disponível em: http://www.euro stamok.ru/catalog. Acesso em: 03 mai.
2007.

FACHWERK. Fachwerk. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.fachwerk.de/upload/image/I113_162_200481913521.jpg. Acesso
em: 06 mai. 2007.

FACHWERKHAUS. Fachwerkbau. 2004. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://devel.pw-internet.de/images/fachwerkhaus/cms/fachwerk1.jpg. Acesso
em: 06 mai. 2007.

FINNFOREST. What wood can do. 2007. 12 fot.:col.: digital. Disponível em:
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=5C00402A-4159-4DAE-BA47-
B6B054543480&field=image.;

189
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=70F58EA1-7048-40CC-AD47-
0A45C0C6C10A&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=FBAE2990-072D-4DFC-B034-
C383179F7E35&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=E0231CAC-B519-4168-B0DB-
86BD46BFE770&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=C490468C-7995-434A-AD83-
E6A1998EDBC5&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=A1B896AE-179A-447B-BEA7-
99F6058D2777&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=2DB12C7D-D444-48B1-8382-
89A5A24C181D&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=2B1013C3-17BA-41A9-9339-
C3C81D980FC3&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=FFC9EB88-CCA7-44D7-A605-
10E0476F9510&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=B57A53AC-6C90-4D79-960F-
888E9047FBE4&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=31BDC29C-5E8D-4F04-A289-
0FAC1E13292E&field=image.;
http://www.finnforest.com/binary.asp?guid=1D509F33-0A0C-414C-A037-
8F75B94D55E7&field=image. Acesso em: 10 mai. 2007.

GLOBAL WHOSALE SUPLY. Oriented Strand Board (OSB). 2006. 1 fot.:col.:


digital. Disponível em: http://www.globalwholesalesupply.com/images/osb2.jpg.
Acesso em: 03 mai. 2007.

GREATBUILDINGS. Fachwerk. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.fachwerk.de/upload/image/I113_162_200481913521.jpg. Acesso
em: 06 mai. 2007.

HOLZING-MAEDER. Holzbau projekte. 2004. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:

190
http://www.holzing-maeder.ch/images/osz_2.jpg. Acesso em: 10 mai. 2007.

HUGHESBROS. Parallam bridges. 2005. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.hughesbros.com/brdg. Acesso em: 10 mai. 2007.

HYTTELIV. Lafteprodusenter. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.hytteliv.com/bilder/laftevattbilde.jpg. Acesso em: 19 mai. 2007.

HORTONDOME. Domes. 2007. 5 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://hortondome.com/dome/pics/HORTBASE.JPG.;
http://hortondome.com/dome/pics/STUD1.JPG.;
http://hortondome.com/dome/pics/PLYWOOD.JPG.;
http://hortondome.com/dome/pics/dome1a.jpg.;
http://hortondome.com/dome/pics/outsid11.jpg. Acesso em: 10 mai. 2007.

IDEESMAISON. Bois massif. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.ideesmaison.com/upload/Image/construc/gros/bmassif.jpg. Acesso
em: 08 mai. 2007.

JULAR. Pórticos. 2004. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.jular.pt/design/estruturas_porticos_fotos.jpg. Acesso em: 12 mai.
2007.

LIGNATUR. Lignatur Elemente. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.lignatur.ch/uploads/pics/lfe01_02.jpg.;
http://www.lignatur.ch/uploads/pics/lse01.jpg. Acesso em: 10 mai. 2007.

MADFLOOR. Piso laminado de madeira. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível


em: http://www.madfloor.com.br/imagens/det_piso.jpg. Acesso em: 25
mar.2007.

191
MAINE-DECK. Wood composite deck. 2004. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:
http://www.maine-deck.co.uk/images/portfolio/jazzascot01.jpg. Acesso em: 10
mai. 2007.

MAISON. Passivhaus. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://maison.passive.free.fr/images/lignotrend_upsi.jpg.;
http://maison.passive.free.fr/images/construction_steico.jpg. Acesso em: 08
mai. 2007.

MASISA. MDF: Características físico-mecânicas. 2007. 1 fot.:col.: digital.


Disponível em: http://www.masisa.com/menuimages/mdf.jpg. Acesso em: 03
mai. 2007.

MATRIZDEPIRENOPOLIS. Igreja matriz. 2006. 2 fot.:col.: digital. Disponível


em: http://www.matrizdepirenopolis.com.br/imgs/home_05.jpg.;
http://www.matrizdepirenopolis.com.br/imgs/sistema_09.jpg. Acesso em: 12
mai. 2007.

NATTERER-BCN. Suspended shell. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.natterer-bcn.com/pics/vortrag/Image44.gif.;
http://www.natterer-bcn.com/pics/vortrag/Image45.gif. Acesso em: 10 mai.
2007.

ORIENTALARCHITECTURE. Horyuji Temple. 2007. 2 fot.:col.: digital.


Disponíveis em: http://www.orientalarchitecture.com/nara/horyuji07thumb.jpg;
http://www.orientalarchitecture.com/nara/horyuji20thumb.jpg. Acesso em: 19
mar. 2007.

PHOTOGRAPHY-ON-THE-NET. Sibelius Hall lobby. People, All, Architecture.


2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em: http://photography-on-
the.net/gallery/D30_photos/small/CRW_3694_00001. Acesso em: 03 mai.
2007.

192
POBI. Le concept porteur. 2007. 3 fot.:col.: digital. Disponível em:
http://www.pobi.fr/upload/element4/vignette/GP_006v.jpg.;
http://www.pobi.fr/upload/element4/vignette/GP_009v.jpg.;
http://www.pobi.fr/upload/element4/vignette/GP_005v.jpg. Acesso em: 14 mai.
2007.

POSTAL. Compensado de pinus. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.postalcompensados.com.br/imgs/processo.jpg . Acesso em: 03 mai.
2007.

PUUINFO. Modern wooden towns. 2007. 6 fot.:col.: digital. Disponíveis em:


http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3599/oulu1.jpg;
http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3600/oulu2.jpg;
http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3601/porvoo3.jpg
http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3602/porvoo4.jpg
http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3604/tuusula1.jpg
http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3608/sodankyla1.
jpg. Acesso em: 14 mai. 2007.

PUUINFO. Plattform frame. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3922/kuva1.jpg.;
http://www.puuinfo.fi/download.php/download/document_data/3923/kuva2.jpg.
Acesso em: 12 mai. 2007.

SBA – Structural Board Association. Visual Tour of the OSB Manufacturing


Process. 2006. 11 fot.:col.: digital. Disponível em:
http://www.osbguide.com/images/tour/Step1.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step2.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step3.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step4.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step5.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step6.gif.;

193
http://www.osbguide.com/images/tour/Step7.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step8.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step9.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step10.gif.;
http://www.osbguide.com/images/tour/Step11.gif. Acesso em: 03 mai. 2007.

SERAPIÃO, Fernando. Casa bandeirista. 2007. 1 fot.:p&b.: digital. Disponível


em: http://www.arcoweb.com.br/debate/fotos/62/casa_bandeirista.jpg. Acesso
em: 23 mai. 2007.

SHAW. Wood properties. 2007. 3 fot.:p&b.: digital. Disponível em:


http://members.shaw.ca/strings/images/woodprop2.jpg.;
http://members.shaw.ca/strings/images/woodprop3.jpg.;
http://members.shaw.ca/strings/images/woodprop4.jpg. Acesso em: 10 mai.
2007.

SIPBUILDLTD. Glulam. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.sipbuildltd.co.uk/manufacture.html. Acesso em: 03 mai. 2007.

SKYLINEHOMES. Mobile homes. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.skylinehomes.com/factorytour/images/thumbs/ft_132.jpg.;
http://www.skylinehomes.com/factorytour/images/thumbs/ft_145.jpg. Acesso
em: 12 mai. 2007.

SMAATOM. Lafteteknikk. 2006. 4 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.smaatom.no/bilder/stabbur_1.gif.;
http://www.smaatom.no/bilder/stabbur_2.gif.;
http://www.smaatom.no/bilder/stabbur_3.gif.;
http://www.smaatom.no/bilder/stabbur_4.gif. Acesso em: 19 mai. 2007.

SSSALES. CBPB components. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.sssales.com/architecture/viroc.html. Acesso em: 03 mai. 2007.

194
TIMBERTRUSS. Manufactured lumber. 2005. 2 fot.:col.: digital. Disponível
em: http://www.timbertruss.com/images/beamcross.jpg.;
http://www.timbertruss.com/images/parallambeam.jpg. Acesso em: 10 mai.
2007.

TIMBERWELD. Open frame. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.timberweld.com/Pictures/OpenFrameForTrace04.jpg. Acesso em: 12
mai. 2007.

VANNPLASTIC. Composite deck. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.vannplastic.co.uk/media/DIR_109/websamples1.JPG. Acesso em:
10 mai. 2007.

WAIMIRI-ATROARI. Waimiri-atroari. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.waimiriatroari.org.br/Oca.gif. Acesso em: 12 mai. 2007.

WIKIPÉDIA. Fachwerkhaus. 2006. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/L-
Fachwerkwand.png/526px-L-. Acesso em: 06 mai. 2007.

WISD. Plywood layers. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível em:


http://www.wisd.net/industrialtechnology/plywood.html. Acesso em: 21 mar.
2007.

WOODTRUSSSYSTEMS. Wood trusses. 2007. 2 fot.:col.: digital. Disponível


em: http://www.omnisaw.com/images/products/omnimiser_sm.jpg.;
http://www.woodtrusssystems.com/images/home_image2.jpg. Acesso em: 10
mai. 2007.

XS4ALL. Cement bonded particle board. 2007. 1 fot.:col.: digital. Disponível


em: http://www.xs4all.nl/images/img28. Acesso em: 03 mai. 2007.

195