Você está na página 1de 295

Ah, clicando nas palavras sublinhadas, você acessa artigos específicos já publicados sobre esse assunto.

Acidez. Característica do vinho, que pode ter diferentes teores de acidez. Boa acidez deixa o vinho picante e
revigorante. A acidez vem basicamente das uvas na forma dos ácidos tartárico e málico, mas também pode
incluir o ácido lático.
Acidez volátil. Abreviado para AV, refere-se aos ácidos que ocorrem naturalmente nos vinhos devido à
interação entre álcool e oxigênio, principalmente ácido acético (vinagre). Quando o nível de AV sobe de modo
a se tornar detectável, como cheiro avinagrado ou de esmalte de unha, significa que o vinho se estragou.
Ácido lático. Ácido suave e amanteigado, também encontrado em laticínios, que é convertido a partir ácido
málico durante a fermentação malolática dos vinhos.
Ácido málico. Ácido adstringente bastante presente nas maçãs, e também nas uvas viníferas.
Adega. Lugar adequado para o armazenamento de vinhos.
Adega natural. Adega (em geral subterrânea) cujas condições são naturalmente adequadas ao
armazenamento do vinho.
Adstringência. Sensação de boca seca causada principalmente pelos taninos, em especial nos vinhos tintos.
Aerar / respirar. Expor o vinho ao ar por um período de tempo antes de beber, permitindo o desenvolvimento
de seu buquê e aroma.
Albariño / Alvarinho. Variedade de uva branca da Galícia, na Espanha. Chamada de Alvarinho em Portugal.
Álcool. O álcool etílico é um subproduto natural do processo de fermentação, que ocorre quando as uvas
entram em contato com as leveduras, convertendo o açúcar em álcool.
Aligoté. Variedade branca associada à Borgonha. Também é plantada no Leste Europeu.
Amarone. Vinho tinto emblemático da região de Valpolicella, na Itália, produzido com uvas parcialmente secas.
Amontillado. Xerez envelhecido, de coloração âmbar, com sabor encorpado que remete a nozes.
Antocianina. Pigmentos que estão logo abaixo das cascas da uva e que dão cor ao vinho. Estudos recentes
têm mostrado que as antocianinas, juntamente com outras substâncias presentes naturalmente no vinho tinto,
são muito saudáveis e podem prevenir algumas doenças.
Appellation. Nome ou região geográfica oficial de origem de um vinho. Parte do sistema de classificação dos
vinho.
Appellation d’Origine Contrôlée (AOC). Frequentemente encurtado para AC, significa Denominação de Origem
Controlada. Sistema francês de classificação, que procura criar padrões de qualidade por região. Especifica as
variedades de uva que podem ser cultivadas em cada região, e outras normas específicas.
Aroma. Fragrância do vinho, expressa por termos descritivos que fazem referência a outros cheiros.
Assemblage. Criação de um vinho a partir de lotes de diferentes cepas, safras, vinhedos, barris ou tanques.
Asti Spumante. Vinho espumante à base de Moscatel, produzido em Asti, Norte da Itália.
Ataque. Um termo de degustação, talvez não tão usual, que se refere ao sabor inicial do vinho quando ele
atinge o paladar.
Auslese. Termo alemão para vinho produzido com uvas muito maduras.
Autólise. O que acontece quando o vinho envelhece com as borras, ou células mortas de levedura, que
permanecem no barril, tanque ou garrafa depois da fermentação.
Auxerrois. Em Bordeaux, Auxerrois é sinônimo para Malbec ou Côt. Na Alsácia, Auxerrois refere-se a uma
variedade branca.
AVA. American Viticultural Area. Região viticultora reconhecida pelo governo dos EUA.

Banyuls. Vinho de sobremesa francês produzido nos arredores da vila de Banyuls, próxima da costa do
Mediterrâneo.
Barbera. Variedade italiana de uva vermelha, a mais plantada do Piemonte.
Barril. Recipiente tradicional de madeira, quase sempre carvalho, usado para armazenar vinhos. O tamanho
típico tem capacidade para 225 litros.
Barrique. Termo francês para barril de carvalho com cerca de 225 litros.
Bâtonnage. Essa prática mantém as células mortas de leveduras em um barril ou tanque em contato com o
vinho à medida que este envelhece, a fim de evitar a oxidação e acrescentar-lhe sabor e textura.
Bianco. Termo italiano para branco, ou vinho branco.
Biodinâmica. Método de agricultura que busca um maior equilíbrio da natureza. Relacionado ao orgânico que
limita o uso de fertilizantes e pesticidas químicos, e dando atenção especial aos ciclos naturais, inclusive às
fases da Lua.
Blanc de Blancs. Vinho branco, geralmente espumante, produzido exclusivamente com variedades de uvas
brancas.
Blaufränkisch. Ver Lemberger.
Blend. Técnica de vinicultura que envolve a combinação de lotes separados de vinho, de diferentes cepas,
safras, ou vinhedos, em uma mistura final a ser comercializada.
Blush wine. Termo em inglês para rosé.
Bocoy. Barril ou barrica de madeira (650 litros) usado principalmente na região de Jerez, na Espanha.
Bodega. Termo em espanhol para vinícola ou adega.
Bonarda. Nome dado a uma uva exótica de grande projeção na Argentina, e de origem duvidosa, talvez
piemontesa, talvez francesa.
Borra. Sedimento constituído de células mortas de levedura, hastes de uvas, polpa e sementes. Desce para o
fundo do tonel ou barril após a fermentação. As borras grosseiras são filtradas.
Botrítis. Forma danosa de fungo, também conhecida como podridão cinza, que pode provocar perdas na
colheita. Mas quando afeta os cachos maduros de certas uvas destinadas a vinhos de sobremesa, ganha o
nome de podridão nobre. Nome completo: Botrytis cinerea.
Bouchonné. Termo em francês usado para descrever um vinho estragado pelos odores desagradáveis de mofo
de Tricloroanisole, também conhecido como TCA, uma substância química que pode infectar rolhas, barris de
madeira ou papelão.
Brut. Estilo seco de espumante, padrão na maioria dos países ocidentais.
Brut Nature. Estilo muito seco de espumante sem qualquer adição de açúcar.
Buquê. Termo que descreve o cheiro de um vinho maduro.

Cabernet Franc. Variedade de uva vermelha popular em Bordeaux, e onde quer que sejam produzidos blends
ao estilo bordalês.
Canaiolo. Variedade de uva vermelha popular na Toscana, nos Marches e na Sardenha.
Capa. Camada de cascas de uva no topo de um recipiente com mosto de uva durante a fermentação.
Carignan. Variedade vermelha comum na Espanha e no Sul da França. Cariñena na Espanha, Carignano na
Itália e Carignane na Califórnia.
Carmenère. Uva tinta nativa de Bordeaux, mas atualmente emblemática da vinicultura chilena.
Carvalho novo. Qualquer forma de envase de carvalho utilizada pela primeira vez, quando o carvalho fornece
sabor mais potente, e mais taninos.
Carvalho. Tipo de madeira preferida pelos vinicultores ao redor do mundo para envelhecer vinhos, conferindo
sabores e texturas. Pode ser usado na forma de barris ou pelo contato do vinho com de pedaços, pó, varetas
ou blocos de carvalho.
Cask. Recipiente, geralmente de madeira, maior do que o barril comum de 225 litros. Na Austrália, o termo
também pode fazer referência a uma caixa de vinho.
Cava. Espumante tradicionalmente espanhol, originário da Catalunha.
Cave. Palavra francesa para adega subterrânea. Nome dado também às adegas refrigeradas com temperatura
controlada que conservam os vinhos sob condições ideais.
Cépage. Termo francês para variedade de uva.
Chai. Lugar de armazenagem de vinhos.
Chambré. Palavra francesa que significa “temperatura ambiente”. Usada para descrever a temperatura ideal
para servir o vinho tinto, o que pode ser enganoso, pois as temperaturas ambientes variam muito.
Charmat. Método para a produção de espumantes onde a segunda fermentação acontece em um tanque
selado, e não nas garrafas, como no tradicional Método Champenoise.
Chasselas. Variedade de uva branca intimamente relacionada à Suíça, mas também plantada em regiões da
França, da Alemanha, da Itália e outros países.
Château. Castelo ou palacete, em francês. Nome usado para designar muitas propriedades produtoras de
vinho na França. Pode ser reservado para rotular apenas os vinhos de maior qualidade dessas propriedades.
Chato (ou fechado). Vinhos que parecem não ter nenhum aroma. Indica um vinho demasiadamente jovem ou
um vinho servido muito frio.
Chef de cave. Termo em francês para o profissional encarregado da vinicultura.
Cinsault. Variedade de uva vermelha muito cultivada no Sul da França.
Claret. Palavra inglesa que designa o Bordeaux tinto seco (clarete). Anteriormente era amplamente usada nos
rótulos de praticamente qualquer estilo de vinho tinto nos Estados Unidos e em todo o Novo Mundo.
Clarificação. Processo de purificação do vinho, no qual um agente filtrante como gelatina, bentonita, derivados
do leite e algumas vezes claras de ovo são adicionados ao vinho nos tanques ou barris.
Classificação. Sistema de classificação de vinhos de acordo com a qualidade. Há sistemas diferentes para
diferentes países produtores.
Climat. Termo borgonhês para vinhedos específicos ou subdivisões de vinhedos.
Clos. Termo em francês para vinhedo murado ou cercado.
Colar. O anel de bolhas que se forma nas bordas de um vinho espumante.
Colheita tardia. Colheita no final da estação de cultivo, em um período posterior ao do que seria ideal para os
vinhos secos, produzindo vinhos com maior teor alcoólico ou mais doces.
Colheita verde. Quando um viticultor remove cachos de uvas verdes das vinhas durante o período de
crescimento, para reduzir a produção e melhorar a qualidade dos cachos remanescentes.
Colmeia. Prateleira para vinhos com nichos côncavos – feita de concreto ou de material de resistência
semelhante.
Colombard. Variedade de uva branca comum na França, na Califórnia, na África do Sul e na Austrália.
Commune / comuna. Termo usado para descrever uma vila e suas cercanias em regiões vinícolas francesas.
Complacente. Termo de degustação para designar textura macia, mas forte.
Compostos aromáticos. Componentes do vinho percebidos pelo olfato e pelo paladar.
Cooperativa. Associação de viticultores com instalações de vinicultura.
Corpo. Termo usado na degustação para se referir à sensação de textura, peso e volume do vinho na boca.
Corpulento. Vinho com riqueza de corpo e textura.
Cortese. Variedade de uva branca de Gavi, na Itália.
Corvina. Variedade de uva preta italiana comum em Valpolicella e Bardolino.
Côte. Encosta, ou declive, em francês.
Crémant. Termo em francês para designar vinho espumante de outras áreas da França que não seja de
Champanhe. Esse vinho é transformado em espumante pelo método tradicional de realizar uma segunda
fermentação na garrafa.
Crianza. Termo em espanhol usado para indicar um vinho envelhecido por um determinado período.
Cru. Crescimento, em francês. Do ponto de vista enológico, o termo é usado para descrever um vinhedo, e
não o crescimento das videiras.
Cru Bourgeois. Nível de qualidade usado para châteaux de Bordeaux, superado apenas por Cru Classé.
Cru Classé. Vinhedo francês oficialmente classificado pela qualidade continuada com o passar do tempo. Em
Bordeaux, as propriedades Cru Classé são estratificadas de premier cru a cinquième cru.
Cultivo de alta densidade. Prática em voga mas não cientificamente provada de plantar vinhas extremamente
próximas umas das outras para aumentar a qualidade em virtude da decorrente limitação de produtividade por
parreira.
Cultivo seco. Vinhedos cultivados sem irrigação.
Cuvée. “Cuve” significa tanque em francês. O vinho produzido em tanques é um cuvée.
Decantar. Separar o vinho da borra por decantação. Decantar significa despejar o vinho da garrafa em outro
recipiente, chamado decanter.
Decanter. Recipiente no qual os vinhos são decantados antes de serem servidos.
Demi-muid. Barril com capacidade para cerca de 600 litros.
Demi-sec. Francês para “meiosseco”. Vinho com gosto adocicado.
Denominação de origem. Sistema que reconhece os vinhos por nomes geográficos, de onde as uvas foram
cultivadas e vinificadas. As denominações de origem da maioria dos países produtores de vinhos são
reguladas por lei.
Declaração de safra. Em regiões onde não são produzidos vinhos de uma única safra todos os anos, declara-
se a safra em anos excepcionais.
Degustação às cegas. Identificação de um vinho desconhecido, em termos de variedade de uva, região e safra
– pela visão, olfato e paladar.
Degustação comparativa. Degustação de diferentes exemplares do mesmo estilo de vinho.
Degustação horizontal. Degustação de vinhos diferentes da mesma safra.
Degustação vertical. Degustação de um mesmo vinho de diferentes safras.
Desclassificar. Nas vinícolas, separar um lote de vinhos como de qualidade inferior.
Desengaçar. Separação das uvas do engaço (cacho) para prepará-las para a fermentação.
Dolcetto. Variedade de uva vermelha no Noroeste da Itália.
Domaine. Propriedade com vinhedos próprios, seja de propriedade de pessoas físicas ou jurídicas.
Dornfelder. Variedade de uva vermelha alemã.
Dosagem. Processo que acrescenta um pouco de doçura e sabor a espumantes com fermentação na garrafa
pouco depois da limpeza e antes do arrolhamento.
Doux. Doce. Termo usado para vinhos tranquilos e espumantes.

Efervescência. Leve carbonação que é normal e agradável em determinados vinhos, principalmente os


brancos bastante jovens e recém-lançados. No caso dos tintos, pode ser sinal de má qualidade.
Eiswein. Também conhecido como Icewine. Vinho doce produzido com uvas parcialmente congeladas nas
videiras.
Elbing. Variedade branca tradicional cultivada na Alemanha e em Luxemburgo.
Elegante. Termo da degustação para vinhos equilibrados, leves e de alta qualidade.
Encorpado. Vinho potente, com maior concentração de compostos.
En primeur (também conhecido como “futuros”). Refere-se à compra de vinhos muito procurados antes de
serem engarrafados – no mínimo um ano antes da data esperada para venda.
Enérgico. Termo de degustação de vinhos com caráter positivo, que significa acidez vívida.
Enjoativo. Termo usado para descrever vinhos doces demais.
Enologia. Ciência do vinho.
Enólogo. Cientista de vinhos ou vinicultor qualificado.
Enoteca. Frequentemente traduzido como “biblioteca de vinhos”, este termo italiano costuma ser usado para
descrever lojas de vinhos.
Envelhecimento em barril. Período que o vinho passa em barris de carvalho depois da fermentação.
Envelhecimento. O vinho é envelhecido em barris ou tanques na vinícola e nas garrafas, depois que está
pronto para comercialização. Muitos vinhos evoluem com o tempo na garrafa, ficando mais macios e
complexos.
Enxertia. As parreiras, assim como as árvores frutíferas e as roseiras, adaptam-se prontamente ao enxerto de
variedades frutíferas no caule de espécies ou variedades diferentes. Isso é necessário em vinhedos da
espécie Vitis vinifera em áreas onde o parasita filoxera esteja presente no solo, já que parreiras de vinifera sem
enxertia são vulneráveis a essa praga.
Equilíbrio, equilibrado. Vinho no qual sabores, acidez, taninos e corpo realçam uns aos outros.
Ereben. Termo usado para os vinhos de mais alto nível de qualidade de áreas específicas da região alemã de
Rheingau.
Erzeugerabfüllung. Termo alemão que significa “engarrafado pelo produtor”.
Espinha dorsal. Expressão que descreve a estrutura do paladar de um vinho. Os componentes que conferem
ao vinho sua espinha dorsal são o tanino e a acidez.
Espremedura. Equivale a espremer ou romper as cascas das uvas logo depois da colheita para liberar o sumo
das cascas antes da fermentação.
Estabilização. O vinho é estabilizado após a fermentação, evitando que ela continue, e só depois é
engarrafado.
Estate-bottled. Termo em inglês que descreve vinhos engarrafados pelo proprietário dos vinhedos onde as
uvas foram cultivadas.
Extra-Brut. Espumante bastante seco, produzido com apenas uma pitada de doçura na dosagem.
Extrato. Componentes de sabor, cor e textura de um vinho, derivados das cascas e extraídos durante o
processo de fermentação.
Fattoria. Palavra italiana comumente usada para descrever uma vinícola.
Fenóis. Substâncias presentes nas uvas, principalmente nas hastes, cascas e sementes que conferem sabor,
cor e taninos aos vinhos.
Fermentação. Processo natural conduzido pelas células de levedura, que consome o açúcar do sumo das
uvas e produz álcool e gás carbônico como subprodutos.
Fermentação em barril. Processo de fermentar vinhos em barris para aprofundar a textura.
Fermentação maloláctica: Processo utilizado na produção de vinhos em que o ácido málico é transformado em
ácido lático, bem mais fraco, permitindo melhor equilíbrio do vinho, com menor acidez geral, textura mais
suave e final mais prolongado.
Fermento. Fungo que consome o açúcar das uvas e produz álcool e gás carbônico. O líquido resultante é o
vinho.
Filtragem. A maioria dos vinhos é filtrada antes do engarrafamento para remover micro-organismos e purificar.
Alguns vinicultores evitam a filtragem para produzir o que acreditam ser vinhos mais naturais.
Final. Retrogosto. Em termos gerais, quanto mais longo o final, melhor o vinho.
Fino. Um estilo de Jerez seco e com sabores encorpados que é envelhecido sob uma camada de levedura flor.
Flor. Uma camada de levedura que se forma na superfície do Jerez e protege o vinho do oxigênio.
Flute. Taça alta e estreita ideal para espumantes.
Foudre. Termo em francês para um grande barril de carvalho.
Fortificado. Vinho ao qual foi adicionada aguardente vínica para evitar o prosseguimento da fermentação,
como o Madeira, o Marsala, o Jerez e o Porto.
Frizzante. Vinho ligeiramente espumante da Itália.
Frühburgunder. Variedade de uva vermelha alemã; mutação da Pinot Noir.
Frutado. Descrição positiva para a maioria dos vinhos, onde o caráter da fruta fica evidente.
Fût. Tipo de barril usado na Borgonha.

Garagista. Originalmente um termo francês para o produtor de vinho que produz pequenas quantidades nas
suas garagens em Bordeaux. Jean-Luc Thunevin foi o 1º garagista em St. Emilion, Bordeaux, pegando o
mundo de surpresa ao produzir vinhos fantásticos sob o rótulo Valandraud. A primeira safra foi em 1991, e em
1996 os preços alcançaram valores mais altos do que os principais vinhos Premier Grand Cru Classé dessa
região. O mercado para esses vinhos deflacionou, mas Thunevin estava tentando conseguir que seus vinhos
fossem reconhecidos formalmente em 2006, quando St. Emilion reclassificaria seus vinhos – um evento que
acontece a cada dez anos. Hoje, muitos pequenos produtores em todo o mundo comercializam seus produtos
como garagistas.
Garganega. Principal variedade de uva usada nos vinhos Soave da região italiana do Vêneto.
Glicerol. Líquido viscoso que se forma em pequenas quantidades durante a fermentação do vinho e
acrescenta sensações de doçura e riqueza que podem ter concentrações consideráveis. Mesmo que glicerina.
Gordo, farto. Descreve um vinho cuja doçura e/ou corpo sobrepuja a acidez e os taninos.
Gosto de carvalho. Refere-se ao vinho envelhecido em barris de carvalho.
Grand Cru. Expressão francesa para “grande vinhedo”, ou “excelente cultivo”. É usado para os grandes
vinhedos da Borgonha e da Alsácia. O termo é usado de forma diferente em St-Emilion (Bordeaux) e em
Champagne. A designação Grand Cru indica um potencial de qualidade excelente para os vinhos produzidos a
partir desses vinhedos. Na Borgonha e na Alsácia a classificação Grand Cru é superior a Premier Cru. Em St-
Emilion, 53 propriedades são classificadas como Grand Crus, enquanto outras 13 são Premier Grand Crus (ou
“primeiros grandes vinhedos”).
Gran Reserva. Termo em espanhol para vinhos de guarda.
Grand Vin. “Grande vinho” em francês. Termo usado para indicar o vinho de melhor qualidade de uma vinícola.
Grande. Termo que faz referência a vinho com alto teor alcoólico, textura áspera ou tânica e sabores robustos.
Grosses Gewächs. Vinho premier cru alemão de qualidade ao menos Spätlese, de um único vinhedo ou
propriedade.
Grosslage. “Vinhedo grande” em alemão. Geralmente faz referência a uma reunião de pequenos vinhedos
vizinhos.
Guardar. Armazenar garrafas de vinho na adega para envelhecer. Somente determinados vinhos são
adequados para tal a guarda.

Halbtrocken. “Semisseco” em alemão. Indica um vinho com relativamente pouco açúcar e o bastante de
equilíbrio proporcionado pela acidez para que tenha sabor seco.
Harmonioso. Semelhante a “equilibrado”. Termo que faz referência a um vinho no qual todas as partes
combinem bem.
Haut. “Alto”, em francês. Pode fazer referência tanto à localização física quanto à qualidade de um vinhedo.
Hectolitro. Abreviado para hl. Unidade correspondente a 100 litros.
Herbáceo. Refere-se a sabores de ervas no vinho.
Híbrido. Tipo de parreira resultante do cruzamento de duas espécies diferentes de videira. Um cruzamento
verdadeiro ocorre quando uma planta é criada a partir de duas videiras da mesma espécie.
Icewine. Vinho doce produzido com uvas parcialmente congeladas nas videiras.
IGP. Indicaction Géographique Protegée. Interpretação francesa das novas leis de rotulação da UE que
acabarão gradualmente com as classificações Vin de Pays e VDQs nos próximos anos.
Insosso. Termo usado em degustação que significa que o vinho é apagado devido à falta de acidez, relativa à
intensidade da fruta.

Jéroboam. Tamanho de garrafa. Para o Bordeaux, seis vezes o tamanho normal da garrafa de vinho; para o
Champagne, quatro vezes o tamanho padrão.
Johannisberg Riesling. Termo algumas vezes usado na Califórnia para distinguir a uva Riesling alemã da
outrora popular Grey Riesling.

Kabinett. Termo alemão que indica um nível de maturidade imediatamente abaixo de Spätlese. Os vinhos
Kabinett são leves e podem ser ligeiramente doces, demi-sec ou secos.
Keller. “Adega” em alemão, geralmente usado como sinônimo de vinícola.
Labrusca. As videiras Vitis labrusca são nativas do Norte e do Leste da América do Norte e produzem vinhos
frutados e almiscarados.
Lagar. Gamela grande ou tanque com laterais baixas usado em Portugal para a fermentação de vinhos,
tradicionalmente depois da pisa das uvas. Também usado como sinônimo de instalações de produção vinícola.
Lágrimas ou pernas. Filetes formados pelo álcool que se formam nas partes internas de uma taça umedecida
com vinho.
Lambrusco. Tipo de frisante italiano que pode ser seco ou doce.
Landwein. Classificação austríaca e alemã para vinhos de mesa secos ou quase secos com mais corpo do que
os vinhos comuns.
Late Bottled Vintage. Vinho do Porto produzido com uvas da mesma safra, envelhecido em barris e
comercializados de quatro a seis anos depois da safra. Abreviado como LBV.
Lei Seca. Período de 1920 a 1933 quando a produção e comercialização de bebidas alcoólicas foram proibidas
nos Estados Unidos.
Lemberger. Variedade de uva tinta de Württemberg, Alemanha. Chamada de Blaufränkisch na Áustria e de
Kékfrankos na Hungria.
Leveduras naturais (ou indígenas). Tipo de levedura que preexiste em um vinhedo ou ambiente vinícola e que
agirá sobre o mosto das uvas sem a ajuda do vinicultor.
Leveduras. Organismos unicelulares microscópicos que convertem o açúcar no mosto em álcool etílico e
liberam dióxido de carbono no processo.
Liebfraumilch. Termo que significa “leite materno”, utilizado para vinhos baratos e doces exportados da
Alemanha, muitas vezes elaborados com Müller-Thurgau.
Lieu-dit. “Nome do local”, usado na Borgonha, Alsácia e outras regiões da França para vinhedos tradicionais
sem a condição oficial de denominação de origem. Climat é um sinônimo borgonhês.
Ligeiro. Vinho atraentemente ácido e saboroso.
Limpeza. Etapa do processo de produção de espumantes fermentados na garrafa. Consiste na remoção das
células mortas de levedura (borra) da garrafa, onde acontece a segunda fermentação, de modo que o vinho
fique limpo e sem sedimentos.
Liquoreux. Licoroso, em francês.
Liquoroso. Vinho fortificado, em italiano.
Lodge. Termo inglês para uma vinícola da região do Porto, em Portugal, onde os vinhos do Porto são
mesclados, envelhecidos e engarrafados.
Macabeo. Variedade de uva branca plantada na Espanha, especialmente em Rioja e na região de Penedès
(onde é mesclada com a Xarel-lo e a Parellada para formar o vinho-base do Cava). Também é encontrada no
Sul da França. Sinônimos: Viura e Macabeu.
Maceração. Prática de esmagar (macerar) as cascas de uva no sumo ou no vinho antes, durante ou depois da
fermentação, a fim de permitir que mais compostos de coloração e sabor saiam das cascas para o sumo, e,
por fim, para o vinho.
Maceração pré-fermentativa. Quando o sumo da uva não fermentado permanece misturado com as cascas
depois da maceração.
Magnum. Tamanho de garrafa. Duas vezes o tamanho padrão.
Malvasia. Família de variedades mediterrâneas de uva branca caracterizadas por um perfume distinto.
Manzanilla. Estilo tipicamente leve e seco de Jerez, produzido na cidade de Sanlúcar de Barrameda.
Marsala. Vinho italiano fortificado produzido na Sicília.
Marsanne. Variedade de uva branca vinífera do Rhône.
Master of Wine (MW). Certificação internacionalmente reconhecida pela indústria do vinho como sendo a maior
que se pode adquirir e muito difícil de conquistar. Em 2006, havia somente 251 Master of Wines no mundo.
Mataró. Nome dado, em Portugal, para a cepa Mourvèdre.
Maturidade. Quando um vinho desenvolveu-se até atingir um equilíbrio perfeito. Os vinhos amadurecem em
diferentes velocidades, conforme as condições de armazenagem. Dizer que um vinho está “maduro” é
subjetivo.
Melon de Bourgogne. Variedade de uva branca usada principalmente no Loire para produzir Muscadet.
Meritage. Combinação entre as palavras “mérito” (merit) e “herança” (heritage), essa palavra é utilizada em
vinhos americanos produzidos a partir de uvas clássicas de Bordeaux.
Méthode Champenoise. Método desenvolvido na região francesa de Champanhe para produzir vinhos
espumantes. Por esse método, ocorre uma segunda fermentação na garrafa, que produz gás carbônico,
tornando o vinho espumante. Também conhecido como Método Tradicional ou Clássico.
Método clássico ou tradicional. Ver Méthode Champenoise.
Método por transferência. Método de produzir espumantes no qual o vinho passa por uma segunda
fermentação em garrafas individuais que são depois esvaziadas em um tanque sob pressão e misturadas
antes do engarrafamento.
Microclima. Descreve as condições climáticas individuais de um vinhedo ou parte de um vinhedo.
Millésime. Grandes vinhos elaborados das melhores safras.
Mineralidade, gosto mineral. Termo para vinhos que vão além do simples sabor frutado.
Mise en bouteille au château. Expressão francesa presente nos rótulos das garrafas que significa que o vinho
foi engarrafado no vinhedo ou château em que foi fabricado. Em geral significa que o viticultor e o engarrafador
são a mesma empresa.
Mistura. Mistura de vinhos elaborada com diferentes variedades de uvas, vinhedos, regiões ou safras.
Moelleux. Termo francês que descreve um vinho suave, doce e com textura macia.
Monastrell. Nome dado, na Espanha, para a cepa Mourvèdre.
Mondeuse. Variedade de uva tinta de Savoia, França.
Monopole. Designa a região francesa vinícola onde todos os vinhedos pertencem a um só proprietário.
Moscato d’Asti. Espumante de baixa pressão, tipo frisante, feito a partir de uvas Moscatel, na cidade
piemontesa de Asti, no norte da Itália, onde se produz também o Asti Spumante.
Moscato. Italiano para Muscat, Moscatel.
Mosto. Suco, ou sumo da uva antes de ser fermentado e transformado em vinho.
Mourvèdre. Variedade de uva tinta originária da Espanha, onde é conhecida como Monastrell.
Mousse, musse. A espuma em uma taça de espumante.
Movimentação por gravidade. Movimentação do vinho em uma vinícola sem o uso de bombas.
Müller-Thurgau. Variedade de uva branca alemã amplamente cultivada.
Muscadelle. Variedade de uva branca francesa comum em Bordeaux e em Bergerac.
Muscat. Família de uvas viníferas que produzem vinhos aromáticos, florais e geralmente doces, de todas as
cores. O mesmo que Moscatel.

Nariz. Termo para o cheiro de um vinho.


Negociante. Palavra que vem do francês négociant e significa um comerciante de vinhos. Um negociante
compra uvas (e fabrica vinho com elas) e/ou compra vinhos (para envelhecer e vender, sob sua própria
marca). O oposto dele é o cultivador, que também pode fabricar vinhos de suas próprias uvas. Algumas
empresas desempenham as duas funções.
Nouveau. “Novo”, em francês. Vinhos nouveau, como o Beaujolais Nouveau, são engarrafados, distribuídos e
geralmente consumidos poucas semanas depois da colheita das uvas.
Novo Mundo. São os países produtores de vinho como os Estados Unidos, a Austrália, a África do Sul e o
Chile.
Oloroso. Estilo de Jerez bastante exposto ao oxigênio durante a produção. Encorpado, com notas de
castanhas.
Organicamente cultivado, ou de cultivo orgânico. Em um rótulo de vinho, o termo indica que as uvas foram
cultivadas utilizando-se práticas orgânicas rígidas. Mas dessa forma, não indica que o vinho foi organicamente
produzido.
Orgânico. Indica produção agrícola realizada sem o uso de herbicidas, pesticidas e fertilizantes sintéticos.
Oxidação. Processo pelo qual o oxigênio interage com o vinho e modifica sua composição.
Oxidado. Termo para o vinho estragado que sofreu de superexposição ao oxigênio.

Palato. Refere-se à impressão geral que um vinho causa na boca, além de referir-se à área da boca.
Palo cortado. Tipo raro de Jerez, de estilo entre o Amontillado e o Oloroso.
Palomino. Variedade de uva branca usada especialmente para Jerez, mas também para vinhos de mesa.
Passetoutgrains Bourgogne. Vinho básico da Borgonha produzido com Pinot Noir e Gamay.
Passito. Em italiano, termo para vinho elaborado com uvas-passas.
Pays. Em francês, “país” ou “interior”.
PDO. Protected Designation of Origin (Denominação de Origem Protegida). Novo sistema de classificação da
União Europeia para garantir a origem de vinhos e outros produtos.
Pedro Ximénez, PX. Uva cultivada principalmente na Espanha para elaborar vinhos brancos secos e de
sobremesa densos. É também o nome de um Jerez feito com essa uva.
Perfume. Aroma ou cheiro do vinho.
Persistência. Duração do sabor e das sensações na boca após se ter tomado um gole de vinho. Indicador de
qualidade.
Pesado. Vinho forte em termos de álcool ou doçura e sem equilíbrio o bastante proporcionado pela acidez.
Pétillant. Termo francês para vinho ligeiramente espumante.
Petit Verdot. Uma das cinco uvas tintas clássicas de Bordeaux.
Petit Sirah. Variedade de uva tinta mais comumente associada à Califórnia. Petite Sirah é o cruzamento da
Syrah com a Peloursin.
Pétreo. Aroma que remete a aço raspado em rocha, uma característica atraente em alguns vinhos brancos.
PGI. Protected Geographical Indication (Indicação Geográfica Protegida). Novo sistema de classificação da
União Europeia para garantir a origem de vinhos e outros produtos.
Phylloxera. Minúsculo parasita que come as raízes das videiras e destruiu os vinhedos europeus e
californianos no final do século XIX, forçando modificações na viticultura que persistem até os dias de hoje.
Picpoul. Variedade de uva do Langedoc, na França, mais comum em vinhos brancos ligeiros.
Pigeage. Método tradicional de abaixamento do chapéu do mosto durante o processo de fermentação.
Pinot Blanc. A variação mais branca de uma família de uvas que inclui ainda a Pinot Noir e a Pinot Gris.
Cultivada na Borgonha, Alsácia, Alemanha (onde se chama Weissburgunder), Itália (onde se chama Pinot
Bianco), Europa Central, Leste Europeu e Novo Mundo.
Pinot Meunier. Variedade de uva tinta, uma das três variedades utilizadas no champanhe (sendo as outras
Pinot Noir e Chardonnay).
Pinotage. Variedade de uva tinta da África do Sul, cruza entre a Pinot Noir e a Cinsault.
Pisa. A prática de macerar uvas com os pés, ainda bastante usada na produção de vinhos do Porto.
Podridão nobre. Quando as uvas brancas destinadas à produção de vinhos doces são afetadas por um fungo
chamado Botrytis cinerea. Esse fungo desidrata as uvas e concentra seus açúcares. Quando o Botrytis cinerea
afeta as uvas que não são destinadas à produção de vinho doce, a doença é menos favorável e recebe o
nome de podridão cinza.
Porta-enxerto. Videira base sobre a qual uma variedade de uva vinífera preferencial é enxertada.
Porto. Vinho fortificado produzido em Portugal. As uvas são cultivadas no Vale do Douro, os vinhos são
envelhecidos na cidade do Porto e arredores.
Porto Crusted. Vinho do Porto encorpado.
Portugieser. Variedade de uva tinta também conhecida como Blauer Portugieser, popular na Áustria, Alemanha
e outras partes da Europa Central e Leste Europeu.
Prädikat. “Distinção”. Termo usado na Alemanha para identificar vinhos de diferentes níveis de qualidade
baseado na maturidade das uvas.
Prädikatswein. Nível máximo de qualificação dos vinhos alemães.
Premier cru. Expressão francesa que significa “primeiro cultivo”. Na região de Bordeaux, refere-se ao mais alto
posto em determinados sistemas de classificação que avaliam os melhores châteaux. Na Borgonha, é uma
denominação para vinhedos selecionados cuja qualidade está apenas um grau abaixo do Grand Cru.
Prensadora. Máquina usada para espremer o sumo ou vinho das cascas de uvas.
Primeira prensagem. Sumo que escorre de forma natural das uvas depois que elas são retiradas dos cachos
e/ou amassadas, mas antes da prensagem.
Primitivo. Variedade de uva tinta cultivada na Itália, descendente de uma antiga uva croata, assim como
Zinfandel da Califórnia.
Prosecco. Variedade de uva branca da região de Vêneto, na Itália, mais conhecida pelos espumantes.
Protected Designation of Origin. Ver PDO.
Protected Geographical Indication. Ver PGI.
Punt. Repuxo no fundo de uma garrafa de vinho, que acrescenta força estrutural ao vidro.
Puro. Vinho fresco, bem produzido, e sem defeitos.

QbA. Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete. A categoria mais ampla para os vinhos de qualidade na
Alemanha, indicando que as uvas provêm de uma das 13 denominações de origem superiores.
QmP. Qualitätswein mit Prädikat. Em alemão, “vinho de qualidade com distinção”. Baseia-se na quantidade de
açúcar do mosto, com seis níveis: Kabinett (o mais leve), Spätlese, Auslese, Beerenauslese,
Trockenbeerenauslese e Eiswein.
Qualitätswein. Termo alemão para vinhos de qualidade em um nível bastante amplo.
Quinta. Fazenda ou vinícola, em Portugal.

Raízes próprias. Videira que cresce sobre suas próprias raízes, sem enxertos.
Récoltant. Viticultores que produzem seu próprio vinho em vez de vender as uvas. Termo abreviado nos rótulos
de champanhe para RM (récoltant-manipulant).
Redondo. Termo para um vinho de textura macia.
Redução. O oposto da oxidação ou do status químico de um vinho que não possui contato com o oxigênio
durante a produção.
Refinamento. Descreve um vinho elegante e memorável.
Refosco. Família de variedades de uvas tintas da Eslovênia, Croácia e Nordeste da Itália.
Refrescante. Sensação de paladar que se refere frequentemente a um vinho jovem. Às vezes, os vinhateiros
preferem envelhecer o vinho em tonéis de aço inoxidável e não em barris de carvalho, para preservar sua
qualidade refrescante.
Reichsgraf. Termo que designa um nobre na Alemanha e é usado em diversos nomes de propriedades
vinícolas.
Remontagem. Ato de bombear o sumo do fundo de um tanque de fermentação de vinho tinto e borrifá-lo sobre
a capa de cascas de uva do topo (chamada de chapéu do mosto). Em francês, remontage.
Reserva. Termo em espanhol ou em português para descrever um vinho de qualidade excepcional, que foi
envelhecido por determinado período mínimo.
Reserve. Pode significar um vinho com maior envelhecimento, mas o termo não possui nenhum significado
legal.
Respiração. O que o vinho faz quando a garrafa é aberta e quando ele é servido em taças ou transferido para
um decantador, entrando em contato com oxigênio.
Retrogosto. Sensação ou gosto que fica na boca após um gole de vinho. O retrogosto pode ser pouco notável
ou persistente, dependendo da qualidade e da idade do vinho. Um retrogosto muito persistente pode ser uma
indicação de que o vinho vai envelhecer bem.
Ribolla, Ribolla Gialla. Variedade de uva branca cultivada no Nordeste da Itália, na Eslovênia e na Grécia.
Ripasso. Técnica em que cascas de uvas parcialmente secas são retiradas dos tanques de fermentação e
“repassadas” para outros tanques com vinho recém-fermentado a fim de conferir mais sabor e cor.
Riserva. Termo em italiano que indica um vinho que envelheceu mais tempo do que o normal.
Rolha. Pedaço roliço de cortiça usado para tampar garrafas.
Rosato. Vinho rosé, em italiano.
Rosé. Vinho tipicamente elaborado a partir de uvas tintas usando métodos de vinificação de vinhos brancos a
fim de criar uma coloração vermelha clara, rosa ou âmbar, e sabores que se situam entre os dos vinhos
brancos e os dos tintos.
Rosso. Tinto, em italiano.
Rouge. Tinto, em francês.
Roussane. Variedade de uva do Vale do Rhône.
Ruby port, porto Ruby. Nível básico do vinho do porto.

Safra. Ano em que houve a colheita das uvas de determinado vinho.


Saint Laurent. Variedade de uva tinta, parente da Pinot Noir, e cultivada na Alsácia, Áustria, República Tcheca,
Alemanha e outras regiões.
Sauvignon Gris. Variedade de uva branca parente da Sauvignon Blanc, com cascas de coloração semiescura
ou rosada.
Savagnin. Variedade de uva desenvolvida na Alemanha cruzando Sylvaner e Riesling.
Schloss. Castelo, em alemão. Usado em nomes de vinhos da mesma maneira que em francês se usa château.
Seco, Sec, Secco. O oposto de vinho doce. Sem doçura. Vinhos secos passam por fermentação completa, a
ponto de praticamente todo o açúcar das uvas ser convertido em álcool.
Sedimentos. Minúsculas partículas de vinho que se acomodam lentamente na solução ao longo do tempo e
formam uma camada fina no fundo da garrafa.
Segundo vinho. Vinho de qualidade inferior ou produzido com uvas de videiras jovens, em uma propriedade
conhecida por seus “grandes vinhos”. Esse termo é usado principalmente em Bordeaux, mas também é
utilizado em outros locais.
Sekt. Vinho espumante, na Alemanha.
Seleção clonal. Prática de usar material genético favorável de uma videira em novas videiras ou vinhedos
inteiros a partir de cortes dessa planta.
Sélection de Grains Nobles. Abreviado para SGN. Termo que se usa principalmente na Alsácia, França, para
vinhos elaborados com uvas afetadas pelo Botrytis cinerea.
Sémillon. Variedade de uva branca de Bordeaux que produz vinhos secos e de sobremesa em todo o mundo.
Seyval Blanc. Variedade de uva branca híbrida francesa e americana comum no Reino Unido e nos Estados
Unidos.
Solera. Sistema de mesclagem e envelhecimento utilizado principalmente para Jerez e outros vinhos
fortificados.
Sommelier. Palavra francesa para “garçom dos vinhos”. É o profissional responsável pelas bebidas do
restaurante, montando a carta de vinhos e aconselhando os clientes na harmonização da refeição.
Spätburgunder. Pinot Noir em alemão.
Spätlese. “Colheita tardia” em alemão. Refere-se a vinhos de corpo médio, secos ou doces.
Spumante. Em italiano, espumantes com maior pressão do que os vinhos frizzantes.
Sulfitos. Conservante à base de dióxido de enxofre (SO2), também identificado pelo código INS 220.
Superior / superiore / supérieur. Adjetivos (em português, italiano e francês) adicionados a uma denominação.
O termo pode significar uma área melhor, a área de origem ou simplesmente que o vinho tem um teor alcoólico
mais elevado.
Superprodução. Vinhedo que produz uvas demais por videira, de modo que o teor de açúcar e os constituintes
de sabor não se tornam concentrados o bastante para produzir vinhos da qualidade desejada.
Supertoscano. Termo que identifica uma categoria não oficial da Toscana, de vinhos excepcionais.
Sur lie. Refere-se a vinhos que envelhecem em contato com as células mortas de leveduras e outras partículas
que ali continuaram após a fermentação.
Sylvaner. Variedade de uva branca cultivada principalmente na Alemanha e na Alsácia.

Tabelas de safra. Tabelas que mostram as classificações de determinados vinhos em uma série de safras.
Podem ser úteis como referência quando se quiser comprar vinhos.
Tampa de rosca. Lacre metálico cada vez mais popular utilizado como alternativa ao uso de rolhas para fechar
as garrafas de vinho.
Tanino. Substância natural encontrada em vinhos, que provém da casca, das sementes e das hastes das uvas,
e também do carvalho dos barris. Está mais presente nos vinhos tintos.
Tanoaria. Empresa que produz barris de madeira.
Tawny port, porto Tawny. Estilo de Porto envelhecido por longos períodos em barris de carvalho antes do
engarrafamento.
TCA. Abreviatura de 2,4,6- Tricloroanisole, que é uma substância química encontrada em produtos alimentares
e líquidos. Quando contaminados com TCA, os vinhos apresentam um gosto de papelão úmido e mofo.
Tenuta. Em italiano, propriedade, designando uma propriedade dedicada à viticultura.
Terra rossa. “Terra vermelha”, em geral com alto teor de ferro, que é apreciada em locais como Itália, Espanha,
Austrália e Califórnia.
Terroir (terreno). Termo francês que significa “solo”, e se refere às características peculiares de um vinhedo,
como solo, clima, geografia e geologia, que influenciam os sabores das uvas e do vinho de um determinado
local.
Terroso. Termo de degustação que significa aroma de terra úmida – atributo positivo para alguns tintos
complexos.
Textura. Sensação do vinho na boca.
Tinto. Vinho elaborado a partir de uvas vermelhas (tintas).
Tokaji, Tokay. Vinho doce húngaro, produzido da região de Tokaj, e considerado entre os melhores do mundo.
Tonel. Grande recipiente para vinho que pode ter diferentes tamanhos e ser feito de aço inox, carvalho,
concreto ou plástico.
Topo flangeado. Garrafa em cujo pescoço há uma aba para minimizar o pingamento ao servir.
Torrontés. Variedade de uva branca nativa da Argentina, que produz vinhos brancos aromáticos.
Tosta da barrica. O processo de tostar a madeira no interior de uma barrica de carvalho, que será usada para
fermentar e maturar o vinho. Essa tosta é efetuada segundo as especificações do produtor e o grau de
tostadura afeta o sabor e a estrutura do vinho. O carvalho levemente tostado transfere tanino da madeira para
o vinho, mas pouca cor e pouco sabor. O carvalho intensamente tostado adiciona menos tanino, mais cor e
sabor mais acentuado de especiarias, fumaça e muitas vezes café torrado.
Tostado. Cheiro ou sabor semelhante ao de pão torrado que pode derivar do envelhecimento em barris ou sur
lie.
Touriga Franca. Variedade de uva vermelha amplamente cultivada no Vale do Douro, em Portugal.
Touriga Nacional. Variedade de uva tinta portuguesa bastante apreciada.
Traminer. Variedade de uva branca, parente da Gewürztraminer, que produz vinhos florais.
Tranquilo. Vinho sem efervescência ou borbulhas.
Trasfega. Técnica antiga de transferir o vinho de um recipiente para outro a fim de deixar para trás a borra, e,
assim, clarificá-lo, e também para manter os barris e os tanques cheios para impedir que o oxigênio estrague o
vinho. Pode ser feito por meios gravitacionais ou usando uma bomba.
Trebbiano. Variedade de uva branca mais cultivada na Itália. Também comum no Sudoeste da França, onde é
chamada de Ugni Blanc.
Trocken. Em alemão, seco.
Turvo. Vinho com aparência opaca.

Ugni Blanc. Ver Trebbiano.


Uva. Em vinicultura, conjunto de ingredientes naturalmente produzidos que inclui sumo adocicado, sementes,
polpa e leveduras.

Variedade. Subespécie específica de uva.


Variedades de Bordeaux. Variedades usadas em vinhos na região de Bordeaux e por vinicultores de todos o
mundo, que emulam esse estilo francês: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Petit Verdot, Carmenère e
Cabernet Franc, para os tintos; Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle, para os brancos.
Variedades nobres. Uvas que vêm sendo cultivadas há muitos anos, produzem alguns dos melhores vinhos da
Europa, e foram plantadas com sucesso no Novo Mundo. Por exemplo: Riesling, Merlot, Pinot Noir, Syrah,
Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Chardonnay.
Varietal. Um vinho varietal é produzido a partir de uma única variedade de uva.
VDP. A associação dos principais produtores de vinhos da Alemanha.
Vendage Tardive. Em francês, colheita tardia.
Véraison. Período da fase de crescimento quando as uvas mudam de cor.
Verdelho. Variedade de uva comumente utilizada na produção do vinho do Porto e do Madeira.
Vericchio. Variedade de uva branca da Itália Central.
Vermentino. Variedade de uva branca italiana popular na Ligúria, Sardenha, Córsega e Sul da França.
Vidal Blanc. Variedade de uva híbrida encontrada no Nordeste dos Estados Unidos e no Canadá.
Videira não enxertada. Videira que cresce sobre suas próprias raízes, sem enxertos.
Vieilles vignes. Vinhas antigas, em francês.
Vigneron. Em francês, viticultor.
Vin. Vinho em francês.
Vin de pays. Expressão francesa aplicada à produção francesa de vinhos que significa “vinho regional” e
denomina um vinho que não foi produzido conforme as regulamentações da Appellation Contrôlée. Fica acima
do Vin de Table e abaixo do AOC. A classificação está sendo substituída por IGP.
Vin de Table. Vinho de Mesa, segundo a legislação francesa.
Vinho com gosto de rolha. Vinho defeituoso, contaminado pela rolha, que lhe passou sabores desagradáveis,
que lembram papelão úmido. A contaminação é causada por um mofo presente em algumas rolhas, que pode
afetar o vinho. Não deve ser confundido com pedaços de rolha no vinho.
Vinho de mesa. No Brasil, esse termo indica um vinho produzido a partir de uvas de mesa de variedades
americanas, e não de uvas viníferas Vitis Vinifera. Não confundir com o francês Vin de Table, ou com o italiano
Vino di Tavola.
Vinhos de primeira linha (blue chip). Os vinhos mais procurados, recomendados como investimento.
Vinificação. Processo de produção do vinho.
Vinho de sobremesa. Termo genérico para vinhos doces.
Vinho fortificado. Tipo de vinho ao qual são acrescentadas bebidas destiladas para aumentar o teor alcoólico.
Isso geralmente é feito durante a fermentação para evitar que as leveduras completem o seu trabalho, retendo
o açúcar natural das uvas no vinho. Porto e Jerez são alguns exemplos.
Vinho kosher. Vinho produzido de acordo as normas alimentares judaicas.
Vinho prensado. Vinho que flui da prensadora somente depois que a prensagem é realizada e que se mantém
separado do sumo.
Vin Doux Naturel. Em francês, vinho naturalmente doce.
Vin Gris. Expressão francesa que designa um vinho rosé.
Vinhas antigas. Em francês, “vieilles vignes”. O termo em um rótulo indica que o vinho foi elaborado a partir de
uvas cultivadas em vinhas completamente maduras.
Vinícola. Instalações físicas onde se produzem vinhos, ou às vezes a empresa legal que é responsável pela
produção dos vinhos e documentação para efeitos legais e de tributação.
Vinicultor. Aquele cujo trabalho é ajudar as uvas e o sumo de uvas a se tornar vinho.
Vinicultor voador. Termo usado para descrever vinicultores que atuam como consultores em países ou
continentes diferentes.
Vinicultura. Cultivo de uvas viníferas e cultivo de uvas.
Vinífera. A Vitis vinifera é a espécie tradicional de uva vinífera no Oriente Médio e depois na Europa que é
utilizada na maioria dos vinhos de qualidade.
Vinificação. Processo de produção de vinhos, principalmente os passos que são executados nas instalações
vinícolas para fermentar, amadurecer e preparar um vinho para a comercialização.
Vino da Tavola. Vinho de mesa, segundo a legislação italiana.
Vino de Mesa. Vinho de mesa, segundo a legislação espanhola.
Vintage. Ano em que as uvas de um determinado vinho foram colhidas, o mesmo que safra.
Vintage port. Porto de alta qualidade e digno de envelhecimento feito a partir de uma safra específica e que é
engarrafado jovem. Também chamado de Porto Safrado.
Viognier. Variedade de uva branca do Vale do Rhône, na França, hoje amplamente distribuída.
Viticultura. A ciência, o processo e a arte do cultivo das uvas.
Vitis. Termo científico para o gênero das uvas viníferas.
Viura. Variedade também chamada de Macabeo.
Wein. Vinho, em alemão.
Weingut. Vinícola em alemão, onde o vinho é produzido a partir de uvas cultivadas da mesma propriedade.
Weinkellerei. Em alemão, adega que em geral compra e não cultiva uvas.
Weissburgunder. Pinot Blanc, em alemão.

Xerez. Vinho espanhol fortificado da região de Jerez produzido em diversos estilos. Pode ser chamado
também de Sherry. Em espanhol, Jerez.
Xerez Cremoso. Jerez de cor âmbar, generosamente licoroso.

Zinfandel. Variedade de uva tinta cultivada na Califórnia, descendente de uma antiga uva croata, assim como a
italiana Primitivo.
Zinfandel branco. Estilo de rosé leve e ligeiramente adocicado feito com uvas Zinfandel, na Califórnia.

Quais são os vinhos com mais e com menos tanino?

Via de regra, quanto mais grossa for a casca da uva, maior sua quantidade de taninos. Cabernet Sauvignon,
Nebbiolo, Petit Verdot, Sangiovese, Tempranillo, Shiraz e Tannat são exemplos de variedades ricas em
taninos.

Cabernet Franc, Carmenère, Pinot Noir, Barbera, Zinfandel, Primitivo, Grenache, Merlot e Gamay, ao contrário,
são uvas com poucos taninos e vinhos de estrutura mais leve. Mas vale lembrar que o estilo de vinificação
também afeta enormemente a quantidade de taninos de um vinho.

No processo de vinificação dos vinhos tintos, o contato mais prolongado da fruta com o mosto dá mais tempo
para que os taninos da uva dissolvam-se. Por isso, encontramos mais taninos nos vinhos tintos, embora
brancos envelhecidos em carvalho também possam ser bastante tânicos.

Essa substância, quando presente no vinho, acrescenta amargor e adstringência, assim como complexidade e
estrutura. É o elemento que faz a textura do vinho parecer seca, que o torna encorpado e estruturado.
Entretanto, tanino demais pode tornar os vinhos duros, rudes, ou grosseiros. Um nível equilibrado de
adstringência é um dos atributos sensoriais mais reconhecidos no vinho.

Além disso, o tanino é um dos muitos componentes benéficos à saúde encontrados no vinho, pelo seu efeito
antioxidante. Depurador do colesterol, atua também na parede arterial, reforçando a resistência das veias.
Diversos estudos relacionam o consumo de taninos à diminuição do risco de doença cardiovascular e ao
retardamento do envelhecimento celular, por exemplo.

Parece mais um bom motivo para apreciarmos um bom vinho, ou não parece?

Acidez
Categoria: degustando

De onde vem, e para que serve, a acidez dos vinhos?

A acidez de um vinho resulta da presença de diversos ácidos, alguns


provenientes das uvas, como tartárico, málico e cítrico, outros que são gerados
durante o processo de fermentação, como o lático e o succínico. A maioria dos
ácidos presentes no vinho são orgânicos, mas há também uma pequena
quantidade de ácidos inorgânicos, sem falar em outros tipos de compostos que,
mesmo não ácidos, colaboram para a percepção de acidez.

Quando experimentar um vinho refrescante, saiba que o frescor e a vivacidade


de um vinho, branco ou tinto, têm influência direta do ácido málico. Já aqueles
vinhos que “pegam na garganta”, costumam muitas vezes ter níveis elevados de ácido tartárico.

Em contrapartida, baixos níveis de acidez podem refletir-se em um vinho com pouco aroma, o que diminui
muito a experiência da degustação.

A acidez é muito importante na estrutura e no equilíbrio de um vinho. Para ler mais sobre o que é um vinho
equilibrado, clique aqui.

Quanto mais alto for o teor de açúcar residual em um vinho, mais acidez ele vai precisar, para alcançar
equilíbrio. Mesmo que o nosso paladar se engane, vinhos suaves, doces, podem conter mais ácidos, na
verdade, que os ácidos vinhos leves e secos!

Trocadilhos à parte, acidez é um dos elementos que preservam o vinho no processo de envelhecimento.
Vinhos de guarda, quando consumidos antes da hora ideal, podem ter sua acidez ressaltada, por ainda não
terem adquirido a suavidade, nem perdido a aspereza.

Então, é assim: acidez de menos tira o sabor; acidez de mais traz azedume.

Procure equilíbrio no seu vinho! E nunca deixe de procurar equilíbrio, principalmente, na sua vida!

Amargor e adstringência
Categoria: degustando

Ao degustarmos um vinho, o sabor amargo e a sensação de adstringência se misturam. E, em linhas gerais,


ambos são produzidos pelos polifenóis da uva, os taninos.

Os vinhos ricos em taninos são chamados de tânicos. Um vinho tânico tem consistência, estrutura, e
continuidade. Porém, taninos demais tornam o vinho duro e grosseiro. Se quiser ler mais sobre taninos,
clique aqui.

Vinhos brancos, por exemplo, com menos taninos, são menos amargos. Mas, mesmo sem amargor, podem
ser, também, adstringentes, pois a adstringência vem mais dos taninos dos cabos e das sementes do que das
cascas das uvas, que costumam descartadas rapidamente durante o processo de vinificação.

A impressão de secura na boca, causada pelos taninos, acontece porque eles têm a capacidade de precipitar
as proteínas, e nossa saliva é rica em compostos proteicos. Precipitando as proteínas da saliva, ficamos com a
adstringente sensação de rugosidade na língua.

É tudo uma questão de equilíbrio...

Além dos taninos, que têm sabor amargo, o vinho também é


composto por ácidos, açúcares e sais, cada um com seu gosto
específico. O sabor do vinho é uma espécie de soma desses
sabores individuais.

Os ácidos ajudam a equilibrar o amargor do vinho. Quanto


menor a acidez de um vinho, mais os taninos se destacam.
Para ler mais sobre acidez dos vinhos, clique aqui.

Os açúcares mascaram o amargor e adstringência, retardando


nossa percepção sobre eles.

E os sais atenuam os sabores amargos. Na hora de harmonizar


um vinho tânico, amargo e adstringente, vale a dica: vinhos como o Malbec e o Tannat, tão ricos em taninos,
são excelentes escolhas para o bom e velho churrasco.

Da próxima vez em que for apreciar um vinho, procure degustá-lo, tentando identificar seu amargor e sua
adstringência. É com esse tipo de atenção que desenvolvemos nosso paladar, para desfrutar, cada vez mais,
todas as delícias que o vinho tem a oferecer.

Girar para quê?


Categoria: degustando

Girar o vinho, antes de sentir seu aroma, é um ritual bem interessante. Mas mais do que interessante, é um
ritual também muito útil!

Girar o vinho aumenta a intensidade olfativa, liberando seus compostos aromáticos, ao revestir as paredes da
taça com o líquido, e ao aumentar sua superfície de exposição ao ar.

A maneira mais segura de girar sua taça é, sem dúvida, é mantendo-a apoiada sobre uma mesa. Mas muita
gente prefere girar a taça suspensa no ar.

Fundamental, nessa hora, é ter a “ferramenta” adequada. Taças de vinho típicas, de formato tulipa, tornam
essa missão mais fácil, e mais agradável.

Coincidentemente ou não, vinhos espumantes não costumam ser servidos em taças de formato tulipa, e, sim,
em taças específicas. Vinhos espumantes não precisam e não devem ser girados! A não ser que você queira
se desfazer das deliciosas borbulhas...

Se você está achando tudo isso de um certo exagero, ou preciosismo, saiba que existem até estudos
científicos dedicados a esse tema! Um grupo de seis físicos americanos da Universidade de Cornell, por
exemplo, publicou um trabalho relativo à dinâmica de fluidos, analisando qual seria a velocidade ideal para
esse redemoinho de vinho. É sério!

Sugerimos que você comprove a utilidade desse ritual na prática: aspire os aromas do vinho antes e depois de
rodar a taça, e desfrute os aromas resultantes!

Mas não se esqueça: sirva somente 1/3 da taça, de modo a deixar espaço suficiente e seguro para um belo
redemoinho de vinho, sem derramá-lo sobre a mesa, e sem tomar um banho!

Saúde!

Alvarinho
Categoria: cepas

Exuberância, teu nome é Alvarinho! Se preferir, Albariño!


Na realidade, são muitos os nomes pelos quais essa cepa é
conhecida: Alvarinho, Albariño, Albarina, Alvarin Blanco, Alvarinha,
Azal Blanco, Galego, Galeguinho...

Famosa pelos Vinhos Verdes portugueses, a Alvarinho é chamada


de Albariño, na Espanha, onde dá origem aos vinhos brancos de
maior prestígio da Galícia, da denominação de origem Rías
Baixas. Originária do noroeste da Península Ibérica, mas cultivada
também em outros lugares do mundo, tem produzido bons vinhos
na Califórnia, e andou sendo muito confundida, na Austrália, com
a francesa Savagnin Blanc.

Utilizada originalmente em vinhos de corte, a Alvarinho tem sido


mais frequentemente vista em vinhos varietais leves e frescos,
com teores alcoólicos relativamente elevados, bom corpo, e com uma acidez equilibrada.

Os aromas mais associados a Alvarinho são os frutados marmelo, banana, pêssego, limão, maracujá e lichia,
os florais violeta e flor de laranjeira, os amendoados avelã e noz, e o aroma caramelizado de mel. Como se vê,
são aromas distintos e complexos, que conseguem ser intensos e delicados ao mesmo tempo.

Persistentes no sabor, vinhos produzidos com a uva Alvarinho harmonizam muitíssimo bem com pratos de
peixes e frutos do mar, saladas, aves, e gastronomia oriental. E são uma escolha muito boa para aperitivos em
geral, além de surpreenderem quando harmonizados com pratos à base de creme de leite.

De fato, Alvarinho, ou Albariño, tem sido considerado um vinho universal, que vai bem com comida, ou mesmo
sozinho. Mas lembre-se de servir esse vinho à temperatura de 10° ou 12°C, para potencializar toda a sua
riqueza aromática, seja ele português, espanhol, californiano...

Se depois de experimentar Alvarinho, você se apaixonar, saiba que, em breve, haverá até museu dedicado a
esse vinho. Em Portugal, um edifício do século 17, localizado no centro histórico de Monção, será adaptado,
num investimento de 150 mil euros, para receber o “Museu do Alvarinho”, onde haverá divulgação,
comercialização e degustação deste exuberante vinho. Esse poderá ser um excelente destino para enófilos em
férias, não é?

E, se quiser ler mais sobre vinhos portugueses, clique aqui.

Teor alcoólico
Categoria: degustando
Você já parou para pensar em como o suco fermentado de uma única fruta, a uva, pode se transformar em
vinho, e, mais do que isso, como pode oferecer tantos estilos tão diferentes entre si?

O trabalho do enólogo é, sem dúvida, bastante complicado. Mas o princípio é simples de enteder: uvas
saudáveis e maduras (portanto doces, cheias de açúcar), em contato com as leveduras vão fermentar e
produzir álcool.

O álcool é, portanto, um elemento básico do vinho. Contudo, o papel desempenhado pelo álcool, no vinho, não
tem nada de básico, não, sendo bastante complexo. O álcool, junto com o tanino e a acidez, é responsável
pela estrutura do vinho.

Vinhos brancos

Tomemos como exemplo um vinho branco seco, com pouco ou nenhum tanino. Ele encontra equilíbrio quando
o álcool contrabalança a acidez. Obviamente esse equilíbrio não se expressa em uma precisa fórmula
matemática, pois uma série de outros fatores também interfere nesse processo, sem contar a própria questão
do gosto pessoal.

Em um vinho branco doce e licoroso, o álcool é responsável por equilibrar os açúcares, que, por sua vez,
equilibram a acidez. Quanto mais o vinho for rico em açúcar residual, mais alcoólico ele deve ser, a fim de
produzir um resultado harmônico. E, quanto mais licorosos forem os vinhos, mais acidez eles suportam.

Vinhos tintos

A presença de taninos nos vinhos tintos torna esse equilíbrio mais complexo. O papel do álcool, nesse caso, é
equilibrar a soma das intensidades dos sabores ácidos e dos tânicos sabores amargos e adstringentes.

Por que soma de ácidos e taninos? Porque um vinho pouco tânico suporta mais acidez, enquanto um vinho
rico em taninos deve ter acidez mais baixa. Assim dá-se uma relação equilibrada. Vinhos que são ao mesmo
tempo ácidos e tânicos costumam ser descritos como duros.

Então, um vinho tinto equilibrado deve ter a graduação alcoólica suficiente para que não haja predomínio nem
da acidez, nem do amargor.

O álcool é, portanto, um elemento qualitativo do vinho, não pelo teor nem pelo gosto em si, mas pelo equilíbrio
que ele pode proporcionar. Equilíbrio é a chave do mundo de Baco!
Valpolicella
Categoria: denominando

A “pérola de Verona”, no norte da Itália, é a zona vitivinícola de Valpolicella, cujo nome dizem significar “Vale de
muitas Adegas”.

A área onde os vinhos de denominação de origem controlada Valpolicella são produzidos tem um
aspecto fascinante: cada encosta das montanhas recebe um tipo de luz e cada colina apresenta o
seu próprio meio ambiente natural. Deste modo, Valpolicella é um conjunto de diferentes paisagens,
diferentes belezas, diferentes terroirs, e diferentes vinhos.

Os vinhos de Valpolicella são produzidos com uma quantidade considerável da uva mais ilustre da
região, a Corvina (de 40 a 70%), com Molinara (5 a 25%) e Rondinella (20 a 40%). Algumas outras
uvas nativas também podem ser usadas, como Barbera e Sangiovese, desde que não ultrapassem,
juntas, 15% do corte total do vinho.

Essa prestigiada região oferece uma miscelânea de sabores, com diversos estilos diferentes:

Um Valpolicella DOC geralmente é um vinho de corpo leve, com teor alcoólico próximo a 11°, e
semelhante a um Beaujolais. É ideal para acompanhar carnes brancas.

O Recioto della Valpolicella é uma versão sedosa e doce, elaborada a partir de uvas secas e
fermentação interrompida. De cor vermelha intensa e escura, é particularmente adequado para
acompanhar sobremesas e queijos.

Os vinhos Amarone della Valpolicella são um dos mais antigos entre os grandes vinhos
italianos. Emblemáticos da região, são produzidos a partir de uvas secas atingidas pela podridão
nobre. Mais alcoólicos, chegam a 15 ou 16°, e fazem parte do seleto grupo de vinhos denominados
com DOCG (denominação de origem controlada e garantida). Têm cor vermelha intensa, aroma que
lembra fruta, tabaco e especiarias secas. O sabor é muito frutado, seco, mas muito suave,
encorpado, com forte personalidade. Pode ultrapassar 20 anos de conservação. São excelentes
opções para acompanhar pratos de carne e queijos maduros, mas também para serem degustados
como um vinho de meditação.

O Valpolicella DOC Ripasso é produzido a partir dos resíduos das uvas utilizadas para o
Amarone. A cor rubi e os aromas de baunilha acompanham um gosto refinado, harmonioso, seco e
aveludado. Ideal para acompanhar pratos típicos de inverno, carnes e queijos maduros.
Pode ser especificado como Superiore aquele Valpolicella envelhecido, pelo menos, por um ano.
As referências Classico e Valpantena também podem ser encontradas nos rótulos de Valpolicella, e
fazem distinção de terroirs específicos, que proporcionam uvas mais saudáveis e vinhos de maior
complexidade. São chamados Valpantena os Valpolicella produzidos especificamente no Vale de
Valpantena. Para ser considerado um Classico, todas as uvas utilizadas devem ser de vinhedos
localizados em uma restrita área que compreende a região original de Valpolicella.

Decifrados os termos utilizados nos famosos vinhos Valpolicella, da próxima vez que se deparar com um
desses rótulos, certamente vai degustá-lo com mais prazer ainda, você não acha?

Jerez
Categoria: denominando

Em português, Xerez. Em inglês, Sherry. Originalmente, na espanhola Andaluzia, Jerez.


Chame como preferir. Mas não perca a chance de conhecer esse vinho.

A arqueologia comprovou atividades de vitivinicultura, nessa região, datadas de 3.000


anos atrás. E a primeira menção específica ao Jerez é de 1 século a.C. Como
conseqüência desta longa tradição, a enologia em Jerez é um das mais desenvolvidas
do mundo!

Felizmente para nós, amantes do vinho, a cultura de Jerez sobreviveu, durante a Idade
Média, à invasão dos mouros na Península Ibérica, apesar da proibição muçulmana ao
consumo de álcool.

Na época das Grandes Navegações, o vinho de Jerez era uma das bagagens mais essenciais, ficando
conhecido por diferentes povos ao redor do mundo, que passaram, inclusive, a imitá-lo. Para combater essas
imitações, surgiu a primeira denominação de origem legalmente constituída na Espanha: Jerez.

Uma das diferenças fundamentais do Jerez é o


amadurecimento biológico, que acontece nos barris, quando
forma-se uma camada de levedura chamada fermento flor,
que protege o vinho do oxigênio. O Jerez pode passar
também pelo amadurecimento oxidativo, depois que essa
película desaparece, e o vinho passa a ser exposto ao
oxigênio.

O Jerez é produzido a partir de somente 3 diferentes cepas,


todas brancas: a Palomino, a Pedro Ximénez e a Moscatel.

Dizem que a ampla gama de vinhos de Jerez é reflexo do caráter acolhedor do povo espanhol da Andaluzia,
preocupado em adaptar-se ao diferente gosto de cada um, e a cada ocasião.

Existe uma complexa classificação para os vinhos Jerez, que pode ser assim resumida:

Generosos, com menos de 5 gramas de açúcar residual por litro:


Fino, de cor clara e pálida, amadurece totalmente protegido do oxigênio pela camada de fermento flor, e é dos
Jerez menos alcoólicos, com teor de 15°. Manzanilla é o nome oficial próprio para Jerez Fino específico da
cidade de Sanlúcar de Barrameda, reconhecidamente distinto.
Amontillado, de cor âmbar não muito intensa, é parcialmente protegido pelo fermento flor, com teor alcoólico
entre 16 e 22°, passando também por amadurecimento oxidativo.
Oloroso, sofre alta exposição ao oxigênio durante o amadurecimento oxidativo, apresenta cor âmbar que pode
chegar até ao tom do mogno, e teor alcoólico entre 17 e 22°.
Palo cortado, com aromas de Amontillado, com cores e paladares de Oloroso, e teor alcoólico entre 17 e 22°,
sofre exposição parcial ao oxigênio durante seu amadurecimento.

Generosos licorosos, um pouco mais doces, e com 15 ou 15,5° de álcool:


Seco, de 5 a 45 g de açúcar/l, amarelo palha a dourado.
Pale cream, de 45 a 115 g de açúcar/l, amarelo palha a dourado.
Medium, de 5 a 115 g de açúcar/l, de cor âmbar podendo chegar a mogno.
Cream, de 115 a 140 g de açúcar/l, de cor intensa âmbar variando a mogno, devido à maior exposição ao
oxigênio durante o envelhecimento.

Naturalmente doces, fortificados com destilado de uva, de aspecto denso e escuro, com cor próxima ao
ébano:
Doce, com mais de 160 g de açúcar residual por litro.
Moscatel, com mais de 160 g de açúcar/l, e concentração de vinho da uva Moscatel em pelo menos 85%.
Pedro Ximénez, com mais de 212 g de açúcar/l, e composto por pelo menos 85% de vinho da cepa Pedro
Ximénez.
Além disso, o Conselho Regulador de Jerez certifica também categorias de acordo com o tempo de
envelhecimento, sendo 3 anos o mínimo permitido nesta denominação:

V.O.R.S. (Vinun Optimum Rare Signatum), com mais de 30 anos de envelhecimento.

V.O.S. (Vinum Optimum Signatum), com pelo menos 20 anos de envelhecimento.

Indicação de idade de 15 anos.

Indicação de idade de 12 anos.


Se você ficou na dúvida, entre tantas opções, saiba que um Jerez Oloroso costuma ser austero e intenso, e é
uma das grandes experiências que um vinho pode oferecer!
Ah, e para conhecer vinhos de outras denominações de origem que já abordamos, clique aqui.

O que é essa tal Denominação?


Categoria: desmistificando

Muitos vinhos são conhecidos e reconhecidos não pelas uvas das quais são feitos, mas por nomes
geográficos, como os Bordeaux franceses, os Chianti italianos, os Rioja espanhóis... Por que será que isso
acontece?

Isso é possível porque cada vinho é único, fruto da interação entre a genética da planta, as técnicas de
vinificação do enólogo e o terroir da região.

O conceito de terroir é a base dos sistemas que legislam sobre as denominações de origem, inclusive do
sistema francês AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), que tem sido modelo para os outros países.

Os sistemas de denominação procuram criar padrões de qualidade, por meio de algumas restrições, como:
a delimitação da área geográfica

as cepas autorizadas

os métodos de vinificação autorizados

a produtividade máxima por hectare

a graduação alcoólica

as normas específicas de rotulagem

Assim, com denominações mais ou menos rígidas, cria-se uma


identidade única para determinados vinhos. Nem todo espumante é
um Champagne francês; ele pode ser uma Cava espanhola, ou um
Prosecco italiano. Da mesma maneira, os vinhos fortificados não são sempre do Porto! E essa diversidade é
um dos encantos do mundo do vinho!

E, para quem deduz que denominação de origem é um conceito utilizado somente em vinhos, lá vai a
surpresa: na França, por exemplo, existe legislação equivalente para queijos, lentilhas, mel, nozes, e até para
feno!

Mas, vamos parar por aqui, porque as denominações, que de fato nos interessam, são as do vinho...

E, se quiser alguns exemplos, conhecendo mais sobre algumas famosas denominações de origem,
clique aqui.

O que é essa tal Denominação?


Categoria: desmistificando

Muitos vinhos são conhecidos e reconhecidos não pelas uvas das quais são feitos, mas por nomes
geográficos, como os Bordeaux franceses, os Chianti italianos, os Rioja espanhóis... Por que será que isso
acontece?

Isso é possível porque cada vinho é único, fruto da interação entre a genética da planta, as técnicas de
vinificação do enólogo e o terroir da região.

O conceito de terroir é a base dos sistemas que legislam sobre as denominações de origem, inclusive do
sistema francês AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), que tem sido modelo para os outros países.

Os sistemas de denominação procuram criar padrões de qualidade, por meio de algumas restrições, como:
a delimitação da área geográfica

as cepas autorizadas

os métodos de vinificação autorizados

a produtividade máxima por hectare

a graduação alcoólica

as normas específicas de rotulagem

Assim, com denominações mais ou menos rígidas, cria-se uma


identidade única para determinados vinhos. Nem todo espumante é
um Champagne francês; ele pode ser uma Cava espanhola, ou um
Prosecco italiano. Da mesma maneira, os vinhos fortificados não são sempre do Porto! E essa diversidade é
um dos encantos do mundo do vinho!

E, para quem deduz que denominação de origem é um conceito utilizado somente em vinhos, lá vai a
surpresa: na França, por exemplo, existe legislação equivalente para queijos, lentilhas, mel, nozes, e até para
feno!

Mas, vamos parar por aqui, porque as denominações, que de fato nos interessam, são as do vinho...

E, se quiser alguns exemplos, conhecendo mais sobre algumas famosas denominações de origem,
clique aqui.

Vinho sem aroma de uva?


Categoria: degustando

Curiosamente, o único aroma de fruta que raramente se encontra em um vinho é o aroma de uva. A exceção é
o vinho feito da uva moscatel, que traz à nossa lembrança as frescas e cheirosas uvas de sobremesa.

Quando um vinho tem notas de frutas vermelhas, ou de baunilha, ou de grama, esses termos descritivos são
apenas referências de aromas do vinho.
Nossa linguagem cotidiana evidencia a dificuldade de descrever cheiros. Só é possível descrever um cheiro
por meio de analogias a outros cheiros conhecidos. Um cheiro é sempre um cheiro “de” alguma coisa.

Mesmo assim, essas comparações são feitas de maneira subjetiva e generalista. Quer um exemplo? Quando
dizemos que determinado vinho tem aromas florais, a quais flores, exatamente, nos referimos? Rosas têm
perfumes muito diferentes de violetas, e também de orquídeas. Além disso, uma rosa branca tem um perfume
distinto de uma vermelha, e também de uma amarela. Algumas rosas, inclusive, são inodoras.

Então, fica claro que os termos usados na descrição dos aromas do vinho são definidos, de maneira imprecisa,
apenas por familiaridade, de maneira intimamente ligada à cultura olfativa da pessoa.

Émile Peynaud, famoso enólogo francês falecido em 2004, adotou uma classificação de dez diferentes séries
de aromas, bastante difundida e aceita, ultimamente. São elas: vegetal, floral, frutada, etérea, química,
amadeirada, balsâmica, condimentada, queimada e animal. Para conhecer mais sobre essa classificação,
clique aqui.

De qualquer forma, o limiar de percepção olfativa varia de indivíduo para indivíduo, e pode, sim, ser
aprimorado por meio de treinamento. O degustador mais sensível, e muitas vezes treinado profissionalmente,
vê sair de sua taça um universo de aromas.

Impossível dizer se o prazer que o vinho proporciona é maior ou menor para quem percebe todas as nuances
aromáticas que um vinho pode oferecer.

Mas, degustação pressupõe provar com atenção, submetendo o vinho aos nossos sentidos, incluindo o olfato.
E, segundo dizem, “a degustação é a intimidade com o vinho”.

Pronto. Ter intimidade com o vinho é uma forma de prazer, sem dúvida.

Varietal ou vinho de corte?


Categoria: desmistificando

Não deixe essa pergunta pegar você de surpresa. Entenda os termos, e deixe sua resposta
preparada, na ponta da língua.

Um vinho varietal, ou monovarietal, é aquele produzido com uma única variedade de uva, ou
com uma alta predominância de determinada uva. Um vinho Merlot é produzido basicamente
(ou exclusivamente) de uvas merlot.

Um vinho de corte, também chamado blend ou assemblage, é um vinho produzido a partir de


diferentes cepas, ou variedades de uvas. Um vinho de corte pode ser elaborado a partir de somente duas uvas
diferentes, ou quem sabe com 14, como algumas versões do maravilhoso Châteauneuf-du-Pape!

O melhor exemplo de vinho de corte é o bordalês. Em Bordeaux praticamente não se produz vinho varietal. A
cabernet sauvignon produz um vinho austero, tânico e muito colorido, que é mesclado frequentemente com o
de outras variedades, como a cabernet franc e a merlot.

Na França, as únicas uvas permitidas para a produção de um vinho tinto rotulado “Bordeaux” são: Cabernet
Sauvignon, Merlot, Malbec, Petit Verdot, Carmenere e Cabernet Franc. Os produtores normalmente escolhem
duas ou três dessas cepas em seus cortes, raramente utilizando todas as seis em um único vinho. É o
chamado corte bordalês, imitado em inúmeros vinhedos espalhados pelo mundo.

Em alguns vinhos, como Porto e Champanhe, entre outros, encontramos uma mistura de uvas cultivadas em
diferentes safras. Estes vinhos são normalmente rotulados “NV” ou não-vintage. Embora esta prática seja mais
comum em vinhos espumantes e portos, outros vinicultores podem utilizar a técnica, também.

E por que um enólogo decide misturar diferentes uvas em um único vinho? Para somar qualidades, e
multiplicar a complexidade de sabores e aromas.

Mas a pergunta correta deveria ser: por que um enólogo decide fazer um vinho predominantemente de uma
única uva? Hoje essa é uma prática muito comum em todo o Novo Mundo, mas que tornou-se realmente
popular recentemente.

Produzir vinhos varietais foi a estratégia dos produtores americanos, lá pelos anos 60, para diferenciarem-se e
serem competitivos com seus vinhos, perante os europeus, que nomeiam seus vinhos a partir da região que os
produz. “Se não é possível produzir um Bordeaux nos EUA, vamos produzir Cabernet Sauvignon!” Na época,
basearam-se em um costume já arraigado, por exemplo, na Alemanha: imprimir no rótulo as cepas utilizadas
na fabricação de seus vinhos.

Cada país, e cada legislação define qual o percentual mínimo da uva predominante que permite que um vinho
seja rotulado como varietal. Alguns exemplos:

A porcentagem mínima da uva varietal muda de região a região, mas tende a permanecer na faixa de 75 a
90%. África do Sul, Austrália e Nova Zelândia exigem 85%, enquanto o Chile e a Califórnia, 75%. Já no
Oregon, exige-se pelo menos 90% de conteúdo varietal para o Pinot Noir do vale do Wilamette.

Se o corte soma qualidades, é possível afirmar que vinhos de corte são melhores que varietais? Não
necessariamente. Existem excelentes vinhos de corte e excelentes vinhos varietais espalhados pelo mundo. E
o prazer do enófilo é correr atrás deles.

Moscatel
Categoria: cepas
Muscat, Moscato, Moscatel. Certamente você já ouviu falar dessa uva. Mas está na hora de entendê-la.

Moscatel é uma família de uvas que talvez estejam entre as mais antigas da história. E, sejam tintas ou
brancas, as uvas desta família têm um ponto em comum: são muito aromáticas.

Os aromas da Moscatel remetem a frutas como damasco, pêssego, nectarina e laranja, mas também a rosas,
jasmins, a mel... Mas uma peculiaridade da Moscatel é produzir vinhos que, curiosamente, trazem aromas de
uvas. O único aroma de fruta que raramente se encontra em um vinho é justamente o aroma de uva, sabia?
Para ler mais sobre esse assunto, clique aqui.

Além de vinhos secos, mais raros, as uvas Moscatel são muito utilizadas para produzir vinhos de sobremesa
como o francês Muscat-Beaumes-de-Venise e os espanhóis Moscatel de Málaga e Jerez. As uvas Moscatel
podem atingir elevados teores de açúcar, nas áreas mais quentes.

A Moscatel produz também espumantes, como o Moscato d’Asti (um espumante de baixa pressão, tipo
frisante) e, inclusive, muitos dos espumantes nacionais. A Moscatel, é, de fato, uma das uvas de maior
destaque no cultivo nacional de variedades viníferas.

A seguir, algumas das variedades de Moscatel mais conhecidas, dentre as centenas que compõem essa
família, e seus sinônimos:

Moscatel Branca, ou Moscatel Branca de Pequenos Bagos

Moscatel da Alexandria ou de Setubal, Zibibbo ou Moscatel Gorda Branca

Moscatel Rosa, Muscat Rosé ou Muscat Rouge

Moscatel Negra, Black Muscat, ou Moscatel de Hamburgo

Moscatel Laranja, Moscatel Flor de Laranja, ou Moscatel de Jesus

Moscatel Ottonel

Para harmonizar um vinho à base de Moscatel, escolha um prosaico bolo de baunilha, uma salada de frutas,
ou um creme de papaia. Mas você não vai se arrepender se optar por um Moscato d’Asti, ou um Muscat-
Beaumes-de-Venise, se a sobremesa for mousse de chocolate, ou petit gateau... Na realidade, dificilmente
você vai se arrepender se optar por um Moscatel...
Estados Unidos
Categoria: visitando

Quando os primeiros nórdicos aportaram na América do Norte, chamaram-na Vinland, ou Terra das Vinhas.
Verdade seja dita, as videiras encontradas não eram da espécie Vitis Vinifera, e, sim, variedades de outras
espécies, consideradas “selvagens”. Mas talvez isso já fosse um prenúncio, de como esse país tornaria-se
importante no cenário mundial dos vinhos!

Aliás, se quiser entender mais sobre a diferença entre Vitis Vinifera e as outras espécies de uvas, clique aqui.

O sistema americano de denominação, AVA (American Viticultural Area) é bem distinto da maioria dos
sistemas, principalmente dos europeus. Menos restritivo quanto aos métodos de produção ou à variedade da
uva, mas mantendo o foco no conceito de terroir, ele garante apenas que a maioria das uvas utilizadas na
produção do vinho sejam da região indicada no rótulo.

Falando em região, a costa do Pacífico concentra a produção americana de vinho, principalmente na


Califórnia, mas também nos estados de Washington e Oregon. Contudo, outras áreas vêm, pouco a pouco,
também construindo suas próprias reputações, com uma produção que cresce rapidamente.

Califórnia

Quando falamos em vinho americano, quase já deduzimos que seja da Califórnia. Isso porque cerca de 90%
do vinho dos Estados Unidos são californianos. E o enoturismo é um dos grandes motivos de viagens para a
Califórnia, assim como a Disneylândia e Hollywood.
É impossível falar dos vinhos da Califórnia
sem citar uma extraordinária degustação às
cegas realizada em Paris em 1976, quando
vinhos californianos venceram os melhores
vinhos de Bordeaux. Se quiser ler mais
sobre o que é uma degustação às cegas,
clique aqui.

O que mais chama a atenção nos vinhos


californianos, além da qualidade, é a
diversidade. Cabernet Sauvignon, em vinhos
varietais ou em corte bordalês, Chardonnay,
Merlot, Pinot Noir, Syrah... assim é a
Califórnia. Mas, a “especialidade da casa” é,
sem dúvida, a Zinfandel, em vinhos de
diferentes estilos, dos tintos frutados e
concentrados, aos mais leves, passando
pelos rosés, chamados de Blush, ou White
Zinfandel (mesmo sem serem brancos).

Duas denominações se destacam entre os vinhos da Califórnia: o pequeno Vale do Napa, gigante em
notoriedade, sendo a primeira AVA oficialmente reconhecida, com complexos Cabernet Sauvignons, e o Vale
do Sonoma, famoso pelos Chardonnays.

Oregon

Sucesso recente no mundo dos vinhos, o estado do Oregon vem surpreendendo com vinhos produzidos,
principalmente, à base de Pinot Noir e de Pinot Gris.

Washington

Preste atenção nos vinhos do estado de Washington, como têm feito alguns grandes especialistas deste
mercado, principalmente quando o assunto é Riesling. O estado está se tornando um ícone de vinhos
premium.

Se gostou do tema, e quiser desfrutar um vinho americano, que tal experimentar um clássico Zinfandel, ou um
surpreendente espumante da Califórnia? Se aceitar a dica, só não se esqueça do brinde; pense em algo
realmente incrível, e saúde...!
Barbera
Categoria: cepas

Nativa do Piemonte, no noroeste da Itália, a


Barbera é a uva mais plantada na região.
Apesar de o Piemonte ser famoso pelos vinhos
tânicos produzidos com a uva Nebbiolo (Barolo
e Barbaresco), são os Barbera, vinhos de
estrutura leve, que são consumidos no dia a
dia do piemontês.

A Barbera empresta seu nome para duas das


58 denominações de origem do Piemonte:
Barbera d’Asti e Barbera d’Alba. O vinho de
Asti tende a ser frutado, e menos estruturado,
com pouco carvalho durante a vinificação. Já o
vinho de Alba reflete a proximidade geográfica
com a produção de Nebbiolo, com um
resultado mais concentrado e estruturado,
mais beneficiado pela passagem por barris de
carvalho.

Comum também em outras regiões da Itália,


como Emilia-Romagna, Puglia, Campania,
Sicília e Sardenha, a Barbera acompanhou os
emigrantes italianos em suas viagens para outros países, como Austrália, Argentina, Estados Unidos, e até
Brasil, sendo responsável por vinhos de qualidade também fora de sua terra natal.
É possível reconhecer a Barbera por diversos nomes regionais ou sinônimos, como: Barbera d’Asti, Barbera
d’Alba, Barbera d’Aosta, Barbera Belas, Barbera Dolce, Barbera Forte, Barbera Grossa, Barbera Riccia,
Barbera Sarda, Barbera Vera, Barbare, e Barbera del Monferrato.

Essa é uma cepa muito vigorosa e de altos


rendimentos (até 5 toneladas por hectare). Os
melhores Barbera, no entanto, tendem a ser
de vinhas bem podadas e com cachos de uva
menores, com sabores mais concentrados.

A Barbera é muito utilizada em vinhos de


cortes, principalmente com Sangiovese ou
com Nebbiolo. Mas também é vista em vinhos
varietais (cada vez mais comuns na Itália, junto com um crescente movimento de rotulagem do nome da uva,
como no Novo Mundo).

Naturalmente rica em acidez, e com poucos taninos, os sabores típicos mais encontrados nos leves vinhos da
uva Barbera são de cereja. Quando cultivada em climas mais quentes, como na Califórnia, também destacam-
se toques de ameixa.

A Barbera produz vinhos de cor profunda (aproximando-se da cor do Syrah), e a maioria deles deve ser bebida
quando jovem, sendo melhores aos 5 anos após o engarrafamento, do que aos 10, por exemplo.

Esses vinhos são muito versáteis na harmonização, combinando, por exemplo, com carne bovina ou carne de
porco assadas, queijos azuis tipo gorgonzola, pizzas e pastas com molho à bolonhesa ou pomodoro, vegetais
cozidos, e frituras à milanesa.

Aqueles que apreciam vinhos menos tânicos, como Merlot ou Carmenère, não devem perder a oportunidade
de conhecer a Barbera!

Garrafa de carvalho?
Categoria: envelhecendo
A ideia é inovadora. E talvez faça realmente sucesso. É esperar para ver.

O amadurecimento em carvalho, como sabemos, modifica as características sensoriais do vinho. Mas nem
todo vinho passa por esse processo, quer seja porque ele leva tempo, porque aumenta o custo de produção,
ou simplesmente por uma escolha do enólogo.

Mas e se a gente pudesse tomar essa decisão, de envelhecer em carvalho qualquer vinho que compramos?

A ideia é: você compra o vinho que quiser. Coloca-o em uma garrafa de carvalho por apenas alguns dias, e
terá o mesmo resultado que esse vinho apresentaria depois do amadurecimento em barris.

Como isso funciona? Simples. Trata-se de matemática. Superfície de contato comparada ao volume de vinho.
Acompanhe.

Em um barril de tamanho padrão, 225 litros de vinho levam meses para beneficiar-se do contato com as
paredes internas de carvalho. Em uma garrafa de tamanho normal, 750 ml de vinho levam somente alguns
dias para alcançarem o mesmo resultado.

Aí você consome o vinho “envelhecido”, e reutiliza a garrafa quantas vezes desejar.

A ideia parece tão promissora que já existem alguns fabricantes colocando-a em prática, e solicitando suas
patentes. Já é possível encontrar garrafas de carvalho americano, e também garrafas de carvalho europeu,
disponíveis no mercado.

Mas por que utilizar carvalho em nossos vinhos, afinal? Se quiser ler mais sobre isso, clique aqui. Ou então, se
quiser entender a diferença entre os tipos de carvalho, clique aqui.

Ok, mas será que essas garrafas realmente funcionam? Será que vão virar moda? Será que isso vai passar,
como toda moda? Ou será uma mudança de rumos na indústria, uma quebra de paradigmas? Quantas
perguntas, não é... As respostas, em compensação, só virão com o tempo!

Enquanto isso, se quiser ler sobre outras invenções inusitadas da indústria do vinho, temos algumas
sugestões. Para ler sobre uma rolha capaz de armazenar e transmitir informações sobre o vinho da garrafa,
clique aqui. Ou, se quiser ler sobre uma rolha de rosca, feita de cortiça, clique aqui.

As muitas facetas do carvalho


Categoria: envelhecendo
Trocadilhos à parte, essa madeira é pau para toda
obra! Sabe por quê? Porque muitas são as suas
funções, no processo de vinificação.

A tendência é associarmos o uso do carvalho


somente aos aromas do vinho. Mas isso é pouco,
perto de todo o seu potencial. Quer exemplos?

Durante o processo de fermentação, o uso do


carvalho, contanto que ainda não tostado, ajuda a
extrair antocianinas das uvas, que são os
pigmentos que dão cor ao vinho, além de serem
benéficos à saúde. Se quiser ler mais sobre
antocianinas, em um artigo que trata sobre uvas
tintureiras, clique aqui.

Além disso, o poder antioxidante conferido


pelo carvalho sem tosta, por meio do ácido gálico,
pode compensar certas deficiências de força,
estrutura e textura, características necessárias
para a longevidade de um vinho. Esse pode ser
um expediente bem útil, inclusive, na vinificação
de uvas mais delicadas, como por exemplo Pinot
Noir.

Para nós, degustadores e apreciadores do bom


vinho, o carvalho é muitas vezes sinônimo de
aromas e sabores associados a coco, baunilha, café, chocolate, pimenta... Para nós, degustadores e
apreciadores do bom vinho, o carvalho é muitas vezes sinônimo de imagens apaixonantes, com barricas
empilhadas em ambientes extremamente convidativos.

Mas, para o enólogo, o carvalho é uma das ferramentas à sua disposição, capaz de suplementar caráter e
complexidade ao produto final. O uso adequado do carvalho, nas mãos do bom enólogo, corrige imperfeições
para que o vinho se exiba em sua melhor performance.

Aliás, o bom enólogo sabe, inclusive, quando o vinho não precisa, ou até mesmo dispensa, os aromas do
carvalho. Nesses casos, a opção pode ser por um ambiente que propicie um lento desenvolvimento oxidativo,
utilizando barris velhos, com poucos compostos aromáticos, para o amadurecimento dos vinhos. Não, não
torça o nariz. Essa pode ser uma sábia decisão de um experiente enólogo, produzindo um admirável vinho!

Acredite ou não: existem produtores que se vangloriam de, há tempos, não comprar novos barris!

Quer ler mais sobre barris novos versus barris velhos? Ou então, quer conhecer a diferença entre o carvalho
francês e o americano? Então, clique aqui.

Afinal, conhecimento é um dos muitos benefícios que o vinho nos oferece...


Fermentação ou Envelhecimento no carvalho?
Categoria: envelhecendo

Esses são dois processos distintos, com diferentes consequências... E somá-los, nem sempre, é uma boa
ideia...

A tendência é acharmos que fermentar e, depois, envelhecer o vinho em contato com o carvalho, vai fazê-lo
ainda mais complexo e mais rico. Mas esse nem sempre é um fato.

Quando um vinho é fermentado em carvalho, as leveduras também interagem com a madeira. E, quando elas
são removidas do vinho, boa parte do tanino de madeira vai embora, com elas.

Assim, o fato do vinho receber “duas doses” de carvalho (primeiro durante a fermentação, e depois durante o
envelhecimento) não faz com que os aromas e sabores provenientes da madeira fiquem, necessariamente,
mais pronunciados.

Até meados do século 20, os vinhos eram, sim, fermentados quase que na sua totalidade, em barris de
carvalho. Isso porque o tanque de aço inoxidável com temperaturas controladas, amplamente utilizado pela
indústria vinícola atualmente, é um advento que tornou-se comercialmente viável, e acessível, somente na
segunda metade do século 20, há poucas décadas.

Dessa maneira, não é difícil entender porque antigamente os vinhos brancos eram, muitas vezes,
considerados flácidos, e os melhores exemplares vinham, sempre, de locais como Champagne, Borgonha e
Alemanha, onde o clima naturalmente frio preserva a frescura e a finesse do vinho.

Vamos usar como exemplo, para ilustrar essa questão, a produção de um vinho branco à base de Chardonnay,
envelhecido em carvalho.

Na primeira hipótese, ele foi fermentado também em carvalho. Na segunda, foi fermentado em tanques de aço
inoxidável, com temperatura controlada, e foi utilizado o carvalho somente durante o processo de
amadurecimento do vinho. O segundo vinho, provavelmente, será mais agradável e até mesmo mais
complexo, pois conseguirá combinar a influência da madeira, com o caráter frutado inerente à própria uva.

Então, é assim: o enólogo pode optar por utilizar o carvalho tanto na fermentação como no envelhecimento;
somente na fermentação; somente no envelhecimento; em nenhum dos processos.

Mas essa informação serve para que ninguém torça o nariz ao saber que tal vinho foi “fermentado em tanques
de aço inoxidável, com temperatura controlada”. Isso não é desabonador do vinho. Muitas vezes, é o
contrário...

E, se quiser ler mais sobre o assunto, que tal conhecer as opções à disposição do enólogo, para envelhecer o
vinho, sem contato com madeira? Para ler, clique aqui.

Por que carvalho?


Categoria: envelhecendo

Dois mil anos antes de Cristo, baldes de madeira já eram usados para armazenar e transportar vinho. Já mais
especificamente, os barris fechados de carvalho remontam ao tempo do Império Romano. Mas afinal, por que
carvalho?

De fato, outras madeiras podem ser utilizadas na produção de barris, como cerejeira, nogueira, castanheiro,
pinheiro...

Inicialmente, a opção pelo carvalho deu-se por questões de ordem prática: essa é uma árvore abundante nas
florestas da Europa, sua madeira é leve e ao mesmo tempo resistente, é maleável, é estanque...

Mas, com o tempo, percebeu-se que o carvalho, além de tudo, tinha muito a oferecer ao vinho, em termos de
aromas, sabores e complexidade. Na realidade, nenhuma dessas outras madeiras faz, pelo vinho, o que o
carvalho faz. Sem carvalho, muitos vinhos não existiriam hoje, da maneira como os conhecemos...

O carvalho tem a capacidade de transformar o vinho, levando-o a outros caminhos além do caráter de fruta
fermentada que lhe é peculiar.

Uma das características do processo de amadurecimento, em barris de carvalho, é a ocorrência da


evaporação. Apesar de estanque, o barril de carvalho permite uma pequena evaporação do seu conteúdo. Um
barril de 225 litros, tido como padrão, pode permitir a evaporação de cerca de 25 litros de líquido, por ano.
Assim, o vinho vai se desenvolvendo e amadurecendo em um processo redutor.

Da mesma maneira, uma pequena entrada de oxigênio acontece, também, mesmo com o barril fechado. E
isso ajuda a suavizar o líquido. Sem falar nas aberturas do barril durante o processo, sob o comando do
enólogo.

Por fim, estão presentes, na madeira de carvalho, várias classes de compostos químicos complexos, que
também deixam a sua marca em um vinho, alterando aroma, sabor e textura.

E engana-se quem pensa que carvalho é tudo igual. Existem cerca de 400 diferentes espécies de carvalho. Os
três tipos principais utilizados na produção de barris para vinho são o carvalho americano Quercus alba e os
carvalhos franceses Quercus robur e Quercus sessiliflora. Se quiser, leia mais sobre as diferenças entre eles,
clicando aqui.

E saúde!

O charme do carvalho francês


Categoria: envelhecendo

Por que envelhecer em barris de carvalho francês é um motivo de orgulho? O que o carvalho francês tem de
tão especial?
Na França existem cerca de 14 milhões de
hectares de floresta. O carvalho ocupa mais de
30% desse total, com 4,5 milhões de hectares.

Desde o século 18 o governo francês controla


com rigor a retirada da madeira das florestas, de
maneira a evitar a exploração exagerada, e a
garantir uma produção sustentável de carvalho.

Para produzir as aduelas de um barril, é


necessário um tronco sem defeitos, e que tenha
pelo menos 40 cm de diâmetro. As árvores
usadas para esse fim, que são uma minoria, às
vezes têm mais de 200 anos de idade! Sim, um
carvalho leva de 150 a 230 anos para atingir o ponto ideal de maturidade para ser utilizado na tanoaria
(produção de barris).

Além disso, para garantir a impermeabilidade dos barris, o carvalho francês deve ser cortado em um
determinado sentido, seguindo o desenho dos seus grãos. Isso diminui a produtividade, e acaba aumentando
o custo da operação. Esse é um dos motivos para o carvalho francês custar até o dobro do americano!

Com altos custos de produção e um ciclo tão longo, o cultivo de carvalho não é uma atividade tão atrativa para
a iniciativa privada. Cerca de 40% das florestas de carvalho francesas, as mais bonitas inclusive, são de
propriedade pública.

Análises em laboratório mostram que o carvalho francês é o que possui mais taninos, mesmo com um impacto
aromático mais comedido. Assim, é a escolha mais indicada para longos períodos de amadurecimento de um
vinho.

Isso sem falar no charme inerente à França, quando o assunto é o mundo do vinho...

Bom, se quiser desvendar mais segredos a respeito do carvalho utilizado para a produção dos barris onde
amadurecem alguns dos vinhos que amamos, clique aqui.
Envelhecendo sem madeira
Categoria: envelhecendo

Envelhecer significa, necessariamente, entrar em contato com o carvalho? Não, existem outras alternativas.

Antes de mais nada, vamos lembrar que existe uma diferença entre os termos envelhecer e amadurecer.
Enquanto o amadurecimento seria o processo que ocorre antes do engarrafamento, o envelhecimento,
tecnicamente, é o que acontece dentro da garrafa. Mas, na prática, essa diferença é um preciosismo, e os
conceitos acabam se misturando.

Voltando às alternativas à madeira. Sem falar no envelhecimento dentro da própria garrafa, as opções mais
comuns são os tanques de aço inoxidável, e os de concreto.
Na opinião de alguns enólogos, o resultado final do envelhecimento, em tanques de aço, é um vinho mais
técnico e menos tradicional. Na opinião de outros, é simplesmente uma questão de escolha, e há, sim, espaço
para tudo. O fato é que eles são amplamente utilizados, e permitem ao produtor um controle maior de
temperatura e pressão, tanto durante a fermentação, quanto durante o amadurecimento.

Mas se, por um lado, os tanques de aço são, por assim dizer, mais tecnológicos, por outro, em compensação,
são também mais estanques, e não permitem a, muitas vezes desejada, micro-oxigenação.

Em tanques de concreto, por sua vez, alguns enólogos garantem conseguir maior complexidade para o vinho,
por esse ser um material mais rústico, mais poroso e não tão inerte. Mas dizem que o segredo é o uso do
concreto puro, sem a adição de resinas.
Ânforas de argila, ou de pedra, também são alternativas. Assim como no caso do concreto, com elas, o
processo não é isolado como no inox, replicando os benefícios da troca de ar com o meio ambiente que a
madeira proporciona, sem adicionar os taninos, sabores de madeira e baunilha, do carvalho.
É importante lembrar, também, que o contato com a madeira não acontece somente por meio dos barris. Já
ouviu falar em lascas de carvalho? Para ler sobre isso, clique aqui.
Além disso, vale ressaltar que a juventude também pode ser, sim, uma qualidade muito interessante em um
vinho. Esse é, inclusive, o princípio do sucesso do famoso Beaujolais Nouveau. Quer ler sobre ele?
Clique aqui.

O mundo dos vinhos é muito democrático. Vai ver que por isso é tão interessante...

Sur lies, o que é isso?


Categoria: envelhecendo

Alguns termos do mundo dos vinhos são muito ditos, mas pouco entendidos. Esse é um deles...

Essa expressão francesa refere-se a vinhos que amadurecem em contato com as células mortas de leveduras,
após a fermentação.
A decomposição dessas leveduras libera, gradualmente,
compostos como polissacarídeos e aminoácidos, que
interagem com o vinho.

O contato com essas borras de levedura exerce


influência sobre a estrutura tânica dos vinhos, sobre o
corpo, aroma, estabilidade... E essa é uma das
principais razões da escolha do enólogo pelo processo
de envelhecimento sur lie: desenvolver, ainda mais,
estrutura, corpo, complexidade aromática, profundidade,
e sabor de um vinho, conferindo, inclusive, mais
estabilidade à sua cor.

Além disso, a maturação em borras também auxilia para que o processo de oxidação do vinho, durante o
amadurecimento, seja mais lento e mais controlável.

Muitos espumantes, por exemplo, são submetidos ao amadurecimento em borras.

Segundo o regulamento de Champagne, por exemplo, todos os vinhos devem passar ao menos 12 meses em
amadurecimento sur lies (dentro dos 15 meses mínimos de envelhecimento exigidos). Mas os produtores
desta região acabam, por prática, fazendo com que a maioria dos vinhos passe por um período de 24 a 36
meses sur lies, enquanto os melhores rótulos de Champagne podem chegar a ficar até décadas sur lies. Bom,
se quiser ler mais sobre Champagne, clique aqui.

Mas também é comum encontrar grandes vinhos tranquilos (não espumantes) que passam por esse
amadurecimento sur lie. Procure, por exemplo, por bons vinhos brancos à base de Chardonnay, produzidos ao
redor do mundo, da Borgonha à Califórnia, ou então, cortes de Sauvignon Blanc e Sémillon de Bordeaux, ou
ainda, procure pelos Muscadet do Vale do Loire.

Aliás, você sabe a diferença entre Moscatel, Muscadelle ou Muscadet? Se quiser saber, clique aqui.

Uma curiosidade

O vinho é tão sensível ao envelhecimento sur lies, que alguns são submetidos a ele somente por alguns dias,
ou até mesmo, por algumas horas. E mesmo assim, já saem beneficiados.

Um esclarecimento

Sur lie é uma técnica normalmente associada ao enriquecimento de vinhos brancos, espumantes ou não. Para
os vinhos tintos, os produtores preferem utilizar a fermentação malolática. Contudo, grandes tintos da
Borgonha são produzidos, sim, pelo amadurecimento sur lies.

O Porto e uma tradição britânica


Categoria: envelhecendo

A ligação entre o vinho do Porto e os ingleses remonta há séculos, e é deles que vem uma das tradições mais
simpáticas relacionadas ao vinho.

A tradição é presentear um recém-nascido com um vinho do Porto (em geral Vintage), que deve ser guardado
até a idade adulta da criança, para celebrar um momento marcante, como o aniversário de 21 anos, que
simboliza a entrada na vida adulta, ou a formatura, o casamento...

O Porto Vintage é um dos vinhos mais duradouros do mundo. Diferente da maioria dos presentes, o Porto
Vintage vai ficar melhor com o passar do tempo, e será apreciado em uma ocasião especial, quando vai trazer
de volta boas lembranças daquele que presenteou.

Quem presenteia, um membro da família ou amigo próximo, escreve à mão uma carta para a criança, que
também só será lida aos 21 anos. Nessa carta, a pessoa conta lições aprendidas ao longo da vida, e faz
reflexões pessoais.

Em alguns casos, são os próprios pais da criança, até, que guardam a garrafa de vinho como presente ao filho
que acabou de nascer. Uma curiosidade: no passado, alguns pais guardavam um barril, equivalente a 720
garrafas!

Esse costume, que ao que consta teve início no século 18, pode ser incrivelmente moderno, ainda nos dias
atuais! E é um jeito bastante charmoso de envelhecer uma garrafa de vinho, por duas décadas!

Esse vinho contém sulfitos?


Categoria: envelhecendo

Você já se deparou com essa frase, e ficou na dúvida do quê,


exatamente, o rótulo queria dizer, com isso?

Pois bem, vamos lá...

O que são os tais sulfitos?

Anidrido sulfuroso, ou seja, dióxido de enxofre (SO2), também


identificado pelo código INS 220.

Para que servem os sulfitos?

Esse composto é um conservante com atividade antisséptica, antibacteriana e antioxidante, ou seja, ele
previne a proliferação de micro-organismos, o desenvolvimento de bactérias, e protege o vinho contra a
oxidação. Os sulfitos também ajudam na extração dos compostos fenólicos do vinho, responsáveis pela
concentração de cor e taninos.
Sendo assim, esses são compostos benéficos para o vinho, que facilitam o trabalho do enólogo ao longo do
processo de vinificação.

É seguro consumir um vinho com sulfito?

As dosagens de sulfito utilizadas no vinho são rigorosamente controladas, pela legislação dos países
produtores de vinho, para que estejam dentro de limites seguros para a saúde.

Mas como os limites máximos autorizados variam muito de país para país, vamos citar como exemplo, a União
Europeia, cujos limites permitidos são:

160 mg/litro para vinhos tintos

260 mg/litro para vinhos brancos

300 mg/litro para vinhos doces

400 mg/litro para vinhos botrytizados

É importante ressaltar que a maioria dos vinhos ficam muito abaixo desses limites, e também é importante citar
que a dosagem encontrada no vinho é muito inferior àquela existente em tantos outros produtos que
consumimos, como conservas, congelados, sucos industrializados... Frutas secas, por exemplo, podem
apresentar um percentual de sulfitos até 10 vezes maior que o do vinho.

É sabido que existe uma pequena parcela de pessoas, dentre as asmáticas, que pode apresentar
sensibilidade aos sulfitos. Mas, ao contrário do que muito se ouve falar, profissionais que estudam os efeitos
do vinho sobre a saúde afirmam que os sulfitos não causam enxaqueca.

Aliás, se quiser ler mais sobre a relação entre vinho e enxaqueca, clique aqui.

Todo vinho contém sulfito?

Não, existem vinhos sem sulfitos, mas representam uma parcela ínfima da produção mundial, muito inferior a
1%, mesmo que estejam em uma curva crescente. Ou seja, praticamente todo vinho contém sulfito.

E, pelo menos por enquanto, como cada país possui uma regulamentação própria quanto a vinhos orgânicos,
não existindo uma regulamentação universal para determinar o que pode e o que não pode ser enquadrado
como um vinho orgânico, ser rotulado como um vinho orgânico não é garantia de ausência total de sulfitos.

Então, se você estiver procurando vinhos sem sulfito, procure essa informação de forma explícita no rótulo.

E, se você quiser ler mais sobre vinho orgânico, clique aqui.

Como os sulfitos aparecem no rótulo?


Nos EUA, por exemplo, qualquer vinho com mais de 10 mg de SO2 por litro deve informar “Contains Sulfites”.

Já no Brasil, os sulfitos aparecem no contrarrótulo como “conservante, ou conservador, INS 220 (anidrido
sulfuroso)”, ou em alguns casos, com a expressão “contém sulfitos”.

Um assunto enroscado...
Categoria: envelhecendo

Goste-se delas ou não, as tampas de rosca estão, definitivamente, cada vez mais presentes.

As tais screw caps já são usadas na maioria dos vinhos australianos e neozelandeses, e começam a aparecer
em vinhos europeus.

Mas existe uma espécie de concessão, quase que uma ressalva, feita a essas tampas, pelos mais
tradicionalistas: elas podem até ser adequadas para a maioria dos vinhos, que serão consumidos jovens; mas
eles costumam dizer que elas não são utilizáveis nos vinhos de guarda, que ficarão à espera do momento
ideal de serem apreciados, talvez por mais de uma década.

Pois bem, talvez essa seja uma teoria que está prestes a ir por água abaixo.

Harvey Steiman, editor geral da importante revista Wine Spectator, e autor do famoso livro Essentials of Wine,
acaba de levantar essa questão, em um artigo no qual defende a supremacia da tampa de rosca sobre as
tradicionais rolhas de cortiça, mesmo para vinhos de guarda.

Em seu artigo, Harvey Steiman concorda que nada como uma rolha de cortiça para preservar um vinho, mas
ressalta que rolhas perfeitas, capazes de fazer seu trabalho perfeitamente, são incomuns. Segundo ele, uma
caixa de 12 garrafas arrolhadas com cortiça, abertas somente depois de uma década de guarda, vai
apresentar 12 vinhos diferentes, sendo a maioria de um padrão aceitável, alguns perfeitos, e outros
discrepantes, com gosto de rolha ou oxidação.

Isso não acontece com as tampas de rosca, por sua vez. E, mesmo que a indústria ainda não aceite essa
solução para o envelhecimento de longo prazo, a experiência dele tem sido muito diferente, e positiva.
Em vários testes cegos dos quais Harvey Steiman participou, na Austrália, comparou-se o mesmo vinho
arrolhado com cortiça, e lacrado com screw cap, depois de pelo menos 5 anos de envelhecimento. E ele diz
que, na maioria das vezes, a vantagem ficou com a tampa de rosca, apresentando como resultado vinhos mais
frescos, mais completos e mais complexos.

O envelhecimento em uma garrafa fechada com tampa de rosca, segundo ele, é capaz de manter o caráter
frutado do vinho, que tende a diminuir ou até desaparecer com as rolhas de cortiça. E, reter o caráter frutado
de um vinho é exatamente aquilo que as rolhas de cortiça só conseguem fazer quando permitem uma vedação
perfeita, ou perto da perfeição.

Para aqueles que ainda não se convenceram, e buscam argumentos técnicos para rebater o envelhecimento
em screw cap, ele faz questão de ressaltar que essa é a opinião de alguém (ele, no caso) que degusta mais de
1.000 vinhos com tampa de rosca, por ano!

Vamos ver, daqui para a frente, como se portará o mercado diante da opinião de alguém com seu currículo,
sua experiência, e sua influência. Certamente também veremos opinões contrárias, e também vindas de fontes
respeitáveis.

E, se quiser ler mais sobre screw caps e outras alternativas de arrolhamento, clique aqui.

Enquanto isso, aproveitemos todas as opções

O tabu das lascas de carvalho


Categoria: envelhecendo

Amadurecer o vinho é uma escolha do enólogo, que permite desenvolver sabores complexos. O contato com o
carvalho dá ao vinho mais taninos e mais compostos aromáticos, como notas de café, baunilha, pimenta,
cravo, chocolate... Mas, para surpresa de muitos, contato com o carvalho não significa, necessariamente,
armazenagem em barril...

O envelhecimento do vinho em barris de carvalho está longe de ser um processo barato. Para se ter uma
ideia, cada barril de carvalho francês custa algo em torno de mil dólares.

O alto custo desse produto fez com que várias técnicas alternativas tenham sido desenvolvidas, para alcançar
o mesmo resultado de amadurecimento, só que em cubas de aço inoxidável.

A solução encontrada pelos produtores baseia-se no contato do vinho com carvalho em pedaços, cubos, ou
lascas, aduelas de barris, e até tanino em pó. Esse contato pode acontecer pela simples introdução desses
pedaços de carvalho nos tonéis, ou pela construção de verdadeiras estruturas de madeira dentro deles.
Essas são alternativas que estão crescendo em popularidade, e esse já é um mercado tão constituído, que
são disponibilizadas versões mais, menos ou medianamente tostadas, oriundas de carvalho francês ou
americano.

(Para entender a diferença entre o carvalho francês e o americano, clique aqui)

O uso dessas opções não é amplamente divulgado por produtores ou por adegas, porque essas escolhas
carregam o estigma de qualidade inferior, quando comparadas ao tradicional envelhecimento em barris. Mas,
ao que parece, isso não é verdade, não.

A associação entre tanques de aço inoxidável, contato com o carvalho e técnicas modernas de micro-
oxigenação (que simulam a condição a qual o vinho estaria submetido dentro do barril) podem produzir o
mesmo resultado do envelhecimento tradicional, ao final do processo de vinificação.

É o que comprovou uma pesquisa realizada na Espanha. Um mesmo lote de vinho produzido à base da uva
Tempranillo foi dividido em partes, que sofreram 4 diferentes processos de amadurecimento: em barris de
carvalho americano, em barris de carvalho francês, em tanques de aço inoxidável com lascas de carvalho
americano, e em tanques de aço inoxidável com lascas de carvalho francês. Todos os barris e lascas eram de
versões medianamente tostadas.

A partir daí, uma degustação às cegas foi organizada com 65 pessoas, usualmente consumidoras desta
variedade, que analisaram e classificaram cada um dos vinhos resultantes, segundo sua ordem de preferência
pessoal.

A classificação que as pessoas deram aos vinhos, mediante degustação às cegas, não comprovou nenhuma
diferença significativa de preferência no paladar, para nenhuma das 4 opções apresentadas.

(Se quiser conhecer melhor o conceito de degustação às cegas, clique aqui)

Ironicamente, 55% das pessoas haviam declarado que não comprariam determinado vinho se soubessem que
o método de envelhecimento utilizado tinha sido alternativo (pelo menos não sem antes provar para certificar-
se da qualidade).

Talvez essas alternativas não sejam tão românticas como imagem de uma adega e seus barris, mas, segundo
esse estudo, elas são tão eficientes quanto, mesmo ainda sendo um tabu a ser quebrado.
Interessante, não é?

O que acontece com o barril?


Categoria: envelhecendo

Você sabia... que o whisky é envelhecido em barris que já foram usados,


antes, para envelhecer vinho? Pois é. E qual será o caminho que ele,
barril, percorre, até chegar lá? E depois?

Os barris de carvalho são produzidos a partir da árvore do gênero


Quercus. Cada árvore cortada é utilizada para fabricar aproximadamente
2 barris, considerando que o tamanho mais tradicional tem capacidade
entre 220 e 230 litros. Se quiser ler mais sobre tamanhos de barris,
clique aqui.

O tanoeiro, profissional que fabrica o barril, utiliza técnicas complexas


para atingir a forma desejada e a vedação necessária, sem nenhum uso
de cola. As paredes internas do barril são tostadas, o que vai permitir a
liberação de aromas, sabores e taninos.

Para o envelhecimento do whisky, os barris mais demandados são


aqueles que foram utilizados, anteriormente, no envelhecimento de
vinhos fortificados e de sobremesa, como Jerez, Porto e Sauternes. Na
realidade, o barril preferido pelas destilarias é o de Jerez Oloroso. Se
quiser ler mais sobre Jerez, cliqueaqui.

Os produtores de vinho fortificado podem usar seus barris por até 30


anos, mas o mais comum é que os revendam após poucos anos de uso.

Quando as destilarias de whisky adquirem barris novos, nunca utilizados,


elas chegam até mesmo a emprestá-los para que produtores de vinhos
fortificados façam o primeiro uso. Aliás, algumas destilarias possuem
suas próprias florestas de carvalho!

E, se você acha que, depois de envelhecer o whisky, o barril acabou, não tenha tanta certeza assim... Ele
ainda pode ser utilizado, e muitas vezes é, para armazenar e envelhecer, também, o rum... Um único barril, ao
longo de sua história, envelhecendo e enriquecendo vinho, whisky e rum, pode durar até mais de 70 anos!

Não é curioso e interessante, esse mundo?

Vinhos de guarda
Categoria: envelhecendo
Atribui-se ao Papa João XXIII (1881 – 1963), a seguinte frase: “Os homens são como o vinho - alguns viram
vinagre, mas outros melhoram com a idade.”

Alguns vinhos realmente ficam melhores com o tempo. Alguns. São os chamados vinhos de guarda.

Uma pequena parcela dos vinhos produzidos no mundo, menos de 10% do total, são vinhos de guarda.

Isso significa que 90% dos vinhos não precisam e não devem ser guardados, e sim, bebidos em no máximo 5
anos após o engarrafamento.

Os vinhos de guarda, por sua vez, mesmo que possam ser consumidos no momento da compra, têm um
grande potencial de envelhecimento, e podem ficar ainda melhores com o tempo. Por isso, merecem ser
guardados.

O que diferencia um vinho, do outro? Em primeiro lugar, a concentração de alguns compostos. Isso pode ser
determinado pela natureza, na medida em que as variedades de uva são diferentes entre si. Isso pode ser
influenciado pelo método de cultivo, com controle do rendimento da vinha. E isso pode ser manejado pelo
enólogo, durante a produção do vinho, com processos cuidadosos e pouca intervenção.

Mesmo dentro da garrafa, o vinho não está completamente isolado do meio ambiente. Quantidades mínimas
de oxigênio passam pela rolha e entram em contato com o líquido. E é essa micro-oxigenação que causa as
reações químicas, que desenvolvem o vinho de guarda.

Como esse contato com o oxigênio depende de características específicas da cortiça, o consenso diz que as
rolhas tradicionais são a melhor opção para a vedação de vinhos de guarda. Apesar disso, as tampas de rosca
estão cada vez mais presentes, e já foram até cogitadas como melhores, inclusive para os vinhos de guarda...
Se quiser ler mais sobre essa polêmica, clique aqui.

Mas, voltando, o que fazem essas reações químicas, que acontecem durante o envelhecimento? Refinam o
vinho, dando-lhe mais complexidade de aromas e de sabores. Com o tempo, os vinhos de guarda ficam mais
delicados, com maciez em seus taninos e sutilidade em seus aromas. O tempo também altera sua aparência,
sendo que os brancos ganham cor com o envelhecimento, enquanto os tintos, perdem.

Bons exemplos de vinhos de guarda estão entre os Grand Crus de Bordeaux, entre os italianos Barolo, e entre
os fortificados vinhos do Porto.

Qual é a exata longevidade, de cada vinho, é a pergunta que vale um milhão de dólares... A duração de cada
vinho varia muito, e ninguém melhor que o próprio produtor, para dar essa resposta.

O certo é que, ao longo do tempo em que permanece engarrafado, o vinho passa por três fases distintas:
envelhecimento, quando está evoluindo; apogeu, quando está no seu melhor momento para ser degustado; e
declínio, quando já apresenta sinais de degradação.

Assim como tudo na vida, a preferência pela sutileza de vinhos mais maduros ou pela opulência dos vinhos
mais jovens, é questão de gosto pessoal. Não existe certo ou errado. Existe vinho. Ainda bem.

O tamanho do barril
Categoria: envelhecendo

Quem acha que barril é barril, e ponto final, está enganado. Redondamente enganado, do formato de um
barril...

Os barris utilizados na produção e no amadurecimento de vinhos variam muito, conforme a origem, conforme a
idade, conforme o tamanho... Aliás, se quiser ler mais sobre barris de diferentes origens, clique aqui.

Em relação ao tamanho, os barris mais comuns têm capacidade entre 200 e 230 litros, sendo que esse
“tamanho ideal” foi sendo determinado ao longo do tempo, num processo empírico de tentativa e erro.
O mais conhecido é o chamado barril Bordeaux, com capacidade para 225 litros, que virou quase um padrão.
O barril de Borgonha é muito parecido, armazenando 228 litros, e também é bastante utilizado.

O tamanho do barril tem relação direta com a influência do carvalho no processo; quanto menor o barril, maior
a área de contato entre o vinho e a madeira. E, também, é óbvio, mais fácil fica a sua logística, pois é mais
fácil de ser transportado. Em compensação, quanto menor o barril, maiores os custos para o produtor.

Produtores em todo o lugar, do Velho e do Novo Mundo, andam fazendo uso, também, de barris maiores.
Barris de 400 ou 500 litros (chamados puncheon) são muitas vezes utilizados para armazenamento
intermediário, entre etapas do processo de vinificação, e também para envelhecimentos longos, por volta de
18 meses.

Esses barris maiores também têm sido apreciados para vinhos de determinadas cepas, como, por exemplo,
Sangiovese. Alguns produtores consideram que, em barris menores, de 225 litros, algumas castas podem ficar
com sabores exagerados de carvalho. É o caso da Sangiovese, e também da Chardonnay, da Pinot Noir...

O menor contato com o carvalho, nos barris maiores, também permite amadurecimento lento sem perder o
caráter frutado, segundo alguns produtores.

Também existem aqueles barris específicos de determinada região, ou de determinado vinho, como é o caso
dos barris utilizados para o vinho do Porto, de 630 litros, chamados pipes.

Isso, sem falar nos barris de carvalho utilizados na fermentação, que podem variar de 700 litros a tonéis de
mais de 20.000 litros, por exemplo. E nada impede que sejam utilizados também para o período de
envelhecimento do vinho...

É, as possibilidades são enormes, talvez do tamanho dos maiores barris...

O alto custo dos barris, e a pressão por vinhos de preços acessíveis, fazem esse mercado se repensar, a todo
momento. É esperar para ver o que vem por aí.

Como são fabricados os barris


Categoria: envelhecendo

Todos adoramos ver lindos barris de carvalho, preferencialmente cheios de vinho, não é? Um bom motivo,
então, para entender um pouquinho mais sobre eles!

O profissional que fabrica barris é chamado tanoeiro. Além de tecnicamente muito habilidosos, os tanoeiros
são, também, meio artistas... O processo de fabricação dos barris, chamado tanoaria, não mudou muito ao
longo dos séculos, dependendo enormemente, ainda, da habilidade do profissional, em um trabalho bastante
artesanal.

Como começa um barril?


Com toras de carvalho, serradas em tábuas. Com tábuas
divididas em aduelas.

Logo de cara, dá para perceber o motivo de bons barris


não serem nada baratos. A cada 5m3 de toras de
carvalho, é produzido apenas 1m3 de aduela, que deve
secar em ambiente natural.

Depois de secas, as aduelas são cortadas para ficarem


todas com o mesmo comprimento, e com a ajuda de
argolas de ferro, as aduelas são postas lado a lado, em
círculo.

Para encurvar e conseguir aproximar as aduelas na outra


extremidade, então, o tanoeiro aumenta a temperatura da
madeira com um braseiro colocado no seu centro. As
brasas utilizadas são produzidas com refugo da própria
madeira do processo.

Essa tosta da parte interna do barril, além de dar


flexibilidade à madeira, também confere, ao carvalho, os
aromas e sabores que ele vai transmitir ao vinho, bem
como garante sua resistência e longevidade.

Para juntar as aduelas com outras argolas, o tanoeiro


conta com a ajuda de uma prensa.

Talvez você não tenha se dado conta, mas a vedação do barril acontece somente pela pressão, sem a
necessidade de colar uma aduela na outra...

Já em formato de abóboda, a madeira é aplainada, podendo esse ser um processo manual ou automatizado.

Por fim, as etapas de acabamento e gravação.

Pronto, está feito o barril.

Interessante, ou não?

Se quiser mais informações sobre as diferentes espécies de carvalho, clique aqui. Ou, se quiser entender os
motivos do carvalho ter sido a árvore escolhida para a fabricação de barris, clique aqui.
Nutrientes do vinho
Categoria: o vinho e a saúde

Que o vinho faz bem à saúde, quando consumido com frequência e moderação,
todos nós já sabemos. Mas o que será que existe, dentro de cada taça, que
beneficia o nosso organismo dessa maneira?

Falamos tanto na diversidade do mundo dos vinhos, que obviamente esse


conceito também se aplica na hora de fazermos uma avaliação do ponto de vista
nutricional... Então, nesse artigo, vamos tomar por base um vinho tinto seco de
aproximadamente 13,5° de teor alcoólico, ok?

Cerca de 85% das calorias do vinho vêm do álcool, e 15% de carboidratos, sendo
um alimento (sim, o vinho é um alimento!) pobre em gorduras e em proteínas.

E de quantas calorias estamos falando? De cerca de 125 kcal por taça. Mas, se
quiser ver o valor calórico de outros estilos de vinho, clique aqui.

O vinho é uma bebida sem aporte de gorduras saturadas (presentes em alimentos de origem animal) ou de
gorduras Trans (prejudiciais ao organismo). Além disso, tem baixo nível de sódio (6mg em uma taça), cerca de
0,3% do VD – valor diário de referência, baseado em uma dieta de 2.000 kcal.

Rico em minerais, o vinho nos fornece, por exemplo:

Ferro (4% do VD), que leva oxigênio para o corpo.

Fluoreto, que ajuda na prevenção de cárie.

Fósforo (3% do VD), que regula os hormônios e ajuda na digestão.

Magnésio (4% do VD), que ativa enzimas e ajuda a transmitir impulsos nervosos.

Manganês (10% do VD), antioxidante benéfico para o cérebro e para o fígado.

Potássio (5% do VD), que ajuda o coração.

Além disso, o vinho é também uma boa fonte de algumas vitaminas do complexo B:

Vitamina B2, ou Riboflavina (3% do VD), antioxidante que auxilia no transporte de oxigênio no corpo.

Vitamina B6 (4% do VD), que auxilia a metabolizar proteínas e a produzir glóbulos vermelhos.

De qualquer forma, apesar de todos esses nutrientes, e do consumo moderado de vinho proporcionar
benefícios comprovados para a saúde, o vinho pode não ser indicado para todos. Algumas pessoas que não
devem ingerir quantidade alguma de álcool, pois os prejuízos seriam muito maiores do que as vantagens.

Então, todas essas informações nutricionais são relevantes para a nossa saúde, mas, na dúvida, consulte seu
médico.
E quando o vinho é rose?
Categoria: partindo do vinho

A variedade de vinhos rosé à disposição, nas prateleiras de supermercados, nas cartas de vinhos de
restaurantes, e nos catálogos de lojas especializadas, é cada vez maior.

Você sabe como harmonizar esse tipo de vinho, conforme cada estilo? Aqui vão algumas dicas.

Os mais leves, e mais secos, como a maioria dos franceses de Provence, os franceses da Borgonha e
do Vale do Loire produzidos com Pinot Noir, alguns de Languedoc-Roussillon, e os italianos Bardolino
Chiaretto.

Esses são vinhos ideais para saladas e massas ou risotos leves, à base de frutos do mar e peixes. E são
perfeitos para serem apreciados em climas quentes.

Os leves, mas não tão seco assim, como os produzidos no Vale do Loire com a uva Grolleau, da
denominação Rose d’Anjou, e também os produzidos em Portugal.

Com um toque de doçura, são bons para saladas, mas não tão bons assim para harmonizar com peixe, e são
excelentes vinhos para acompanhar pratos levemente picantes, principalmente risotos.

Os leves e suaves blush wines, que são os americanos conhecidos como White Zinfandel, Cabernet
Blanc ou White Merlot. Eventualmente o termo blush também aparece em vinhos australianos ou italianos.

Adocicados e levemente frisantes, esses vinhos são recomendáveis para comidas picantes, peixes como
anchova, e também para acompanhar sobremesas de morango, que não costumam ser muito doces.

Os medianamente encorpados e secos, como os franceses do Rhône e alguns de Languedoc-


Roussillon, além dos espanhóis de Rioja e Navarra.

Muito versáteis, esses vinhos harmonizam bem com sabores fortes como anchovas, azeitonas, alho, açafrão e
pimentão. Assim, são ótimas opções para a paelha espanhola, por exemplo.

Os elegantes e frutados, como os franceses de Bordeaux à base de Merlot, e alguns de Provence,


como os da denominação Bandol.

Esses são vinhos para serem apreciados com lagosta, filés de salmão ou de atum. Carnes de pato ou de
cordeiro também combinam, e alternativas interessantes são queijos como camembert e brie.

Os encorpados e frutados, como aqueles produzidos com Syrah e Cabernet, no Chile, na


Califórnia e na Austrália.

O alto teor de álcool que esses vinhos costumam apresentar (mesmo disfarçadamente) faz com que sejam
excelentes parceiros para churrasco, comidas picantes e culinária contemporânea em geral.

Deu para perceber que rosé não é tudo igual, não é mesmo? Isso porque nem abordamos os espumantes, que
ficam para outro dia...

Bonarda
Categoria: cepas

Essa uva argentina, considerada uma variedade exótica,


tem cada vez mais destaque no mercado mundial. Se
você ainda não a conhece, não perca mais tempo.

A origem desta interessante cepa é motivo de polêmica.


Seria proveniente do Piemonte italiano, ou uma variação
da francesa Corbeau Noir? Talvez um pouco de cada, já
que essa uva francesa é cultivada em região vizinha ao
Piemonte, somente com os Alpes entre elas. O que se
sabe, com absoluta certeza, é que a Bonarda é a uva de
maior projeção na Argentina, sendo a segunda cepa mais
plantada no país, somente atrás do Malbec.

Inicialmente a Bornada era confundida, na Argentina, com a Barbera. Somente na década de 60 determinou-se
que não tinha nada a ver com a verdadeira Barbera, que também é cultivada naquele país.

A vinha da Bonarda tem cachos médios, bem cheios e compactos. Os bagos são preto-azulados, em formatos
de esfera, e com polpa macia.

Bonarda é uma uva de cultivo difícil, mas que se aclimatou perfeitamente na Argentina. É uma cepa muito
suscetível a doenças causadas por fungos, e é necessário um período de maturação da uva extremamente
longo para garantir a qualidade do vinho resultante, com elegantes taninos e aromas atraentes.

Com a evolução das técnicas de viticultura, agora mais racionais e apropriadas, as uvas Bonarda atualmente
fornecem vinhos de excelente qualidade, ao contrário do passado.

Até recentemente, a Bonarda era usada somente em cortes, para melhorar e equilibrar os vinhos; mas cada
vez mais encontramos varietais dessa cepa, muitos 100% Bonarda. Além disso, também é comum vermos bi-
varietais, em combinações com Malbec ou Syrah.

Um bom vinho Bonarda é caracterizado pela cor forte de vermelho rubi, com tons violeta e roxo. O bouquet é
intenso com aromas de frutas maduras (amora, framboesa, morango, cassis e cereja) e com uma atrativa
picância. Sua boa estrutura lhe permite ser envelhecido em barricas com bons resultados; a madeira dá
aromas de baunilha e tabaco.

O baixo teor de taninos, a maciez e a sedosidade, associados a um menor nível de álcool em relação ao
Malbec, têm tornado a Bonarda mais competitiva, atraindo consumidores ingleses, brasileiros e norte-
americanos. É um vinho fácil de beber, com potencial para conquistar muitos corações. Especialistas apostam
no futuro desta cepa.

Este vinho pode ser consumido entre 15 e 18°C, acompanhando refeições moderadamente condimentas ou
levemente picantes.

Aceite essa sugestão, e se aventure com a uva Bonarda, a nova expressão dos vinhos argentinos!
O que é vinho de colheita tardia?
Categoria: desmistificando

Você já viu esse termo, já conhece esses vinhos? Se já conhece, provavelmente gosta. Se não conhece,
precisa conhecer...

Colheita tardia é um termo que significa que as uvas foram deixadas na videira mais que o normal, e mais que
o necessário para a produção de vinhos “comuns”.

O tempo extra de amadurecimento das uvas pode levar semanas. E, se por um lado concentra o açúcar da
fruta, por outro, aumenta significativamente o risco de podridão e exposição às chuvas e às aves.

Durante esse tempo, o fungo Botrytis Cinerea ataca as uvas, perfurando sua pele. Os bagos exalam água e
murcham, atingindo níveis de concentração extrema.

Naturalmente desidratadas, as uvas produzem um estilo de vinho com alto teor alcoólico, com alto nível de
açúcar residual, ou com os dois.

As castas mais comuns em vinhos de colheita tardia são Riesling, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, Sémillon,
Furmint...

Essas uvas, colhidas tardiamente, têm a capacidade de desenvolver elevados níveis de açúcar e, ao mesmo
tempo, manter a sua acidez. É por isso que os vinhos de colheita tardia podem ser incrivelmente doces, sem
serem enjoativos. E é também a acidez que ajuda esses vinhos a envelhecerem com elegância.

A lenda dos vinhos de colheita tardia conta que o dono de um château francês orientou seus funcionários a
não realizarem a colheita, enquanto ele não retornasse de uma viagem. Quando ele finalmente retornou, as
uvas já tinham sido atingidas pela podridão nobre, mas, mesmo apesar da aparência desagradável, foram
colhidas. O vinho que elas produziram mostrou-se tão requintado que, a partir daí, esse produtor passou a
colher as uvas somente nessa condição.
Segundo a lenda, esse produtor era da região de Sauternes, que ficou conhecida pelos maravilhosos vinhos
de sobremesa. Outros vinhos de colheita tardia famosos são os alemães Beerenauslese e
Trockenbeerenauslese, e os húngaros Tokaji.

Se quiser ler mais sobre Sauternes, clique aqui, ou sobre Tokaji, aqui.

Experimente um desses maravilhosos vinhos, gelados, durante um aperitivo com queijos azuis como
gorgonzola e roquefort, durante a sobremesa, com um belo pudim, ou simplesmente “harmonizado” com um
livro, com um filme, ou com uma boa companhia!

O tal cheiro de mofo...


Categoria: degustando

Talvez você já tenha ouvido falar nisso. Talvez você já tenha sentido esse cheiro. Agora, você vai entender
esse assunto!

Infelizmente, isso acontece. Felizmente, acontece cada vez menos!

Um dos defeitos mais conhecidos que pode acometer o vinho é chamado de Bouchonné, em francês, e de
Corked Wine, em inglês.

O que é Bouchonné? O tal aroma, ou gosto de mofo, ou de papelão úmido. O nome vem de rolha
(bouchon, em francês), e você já vai entender o motivo...

Qual a causa? Este defeito é encontrado nos vinhos quando ele é contaminado com uma substância
chamada 2,4,6 Trichloroanisol (TCA).

O que é TCA? É uma substância que resulta da atividade de micro-organismos. Existe risco de
ocorrência de TCA sempre que estão presentes fenóis, cloro e fungos.

O que a rolha tem a ver com isso? A cortiça, por ser uma substância natural, pode ser um alimento
atraente para tais micro-organismos.

Então é um problema exclusivo dos vinhos com rolha de cortiça? Não. A expressão que associa o
problema à rolha é equivocada, pois a contaminação com TCA pode ter outras origens, também.

Como esse problema tem sido combatido? Os produtores de rolhas de cortiça reduziram drasticamente
os níveis de TCA, utilizando técnicas de limpeza e de tratamento das rolhas. Se quiser conhecer mais sobre o
processo de produção de rolhas de cortiça, clique aqui.

Mas ainda existe o problema? Segundo a organização Cork Quality Council, a redução dos níveis de TCA
foi de cerca de 95%, comparando testes elaborados em 2001 e em 2014. Ou seja, virou um problema bem
raro.

Mas quantos vinhos ainda são afetados? Menos de 1% dos vinhos atualmente arrolhados com cortiça
natural apresentam esse defeito. Segundo especialistas, o TCA já não é mais um grande problema para a
indústria do vinho.

Dá para saber se o vinho está Bouchonné? Sim, pelo olfato. Um vinho afetado pelo TCA perde o cheiro
frutado, e passa a ter cheiro de mofo, de jornal ou papelão úmido, de cachorro molhado. Ruim, né?

É sempre fácil perceber? Nem sempre, principalmente nos estágios iniciais de contaminação. E
contaminações mais leves às vezes só são percepctíveis após certo tempo de contato com o oxigênio.

Mas o seu consumo é prejudicial à saúde? Por incrível que pareça, não faz mal à saúde, mas seu aroma
e gosto ficam tão alterados, que a degustação desse vinho deixará de ser um prazer, e aí não faz mais
nenhum sentido consumi-lo.

O que fazer com um vinho com TCA? Alguns pesquisadores descobriram uma maneira de “consertar” o
vinho com TCA, a partir de um polímero que atrai essas partículas. Mas, sinceramente, não perca tempo com
isso. Se isso acontecer com você, ou melhor, com seu vinho, entre em contato com o estabelecimento onde o
vinho foi comprado, ou com o produtor, e solicite a troca.

Vivendo e aprendendo. Aliás, vivendo, degustando e aprendendo.

Espumante ou frisante?
Categoria: desmistificando

Apesar da popularidade cada vez maior dos vinhos espumantes entre os brasileiros,
a confusão ainda é grande. E uma das maiores confusões acontece entre os termos
espumante e frisante.

Afinal, qual a diferença?

Primeiro vamos às semelhanças. Ambos, espumante e frisante, têm gás carbônico.


Bolhas, borbulhas, chame como preferir. E ambos passam por processo de
fermentação alcoólica, como qualquer vinho. É quando o açúcar das uvas
transforma-se em álcool.

Agora vamos às diferenças...

fermentação

Os vinhos espumantes passam por um segundo processo de fermentação, que pode acontecer em tonéis de
aço (processo charmat) ou na própria garrafa (método tradicional, clássico, ou champenoise). Essa segunda
fermentação produz gás carbônico de maneira natural, que, aprisionado na garrafa, torna o vinho espumante.

Já os vinhos frisantes não passam, necessariamente, por essa segunda fermentação, e a introdução de gás
carbônico pode ocorrer no mesmo momento da fermentação alcóolica, geralmente de maneira artificial.
pressão

Como os frisantes são menos gaseificados, tendo, via de regra, metade do gás carbônico dos espumantes,
sua pressão também é menor. Enquanto os frisantes tem pressão de 1 a 2 atmosferas (ou seja, a pressão
dentro da garrafa é uma a duas vezes maior do que fora), os espumantes tem pressão de 4 a 6 atmosferas.
Ou seja, a principal diferença entre eles é que o vinho frisante tem menos espuma que um vinho espumante.

teor alcóolico

A quantidade de álcool normalmente é menor nos frisantes, por volta de 7%, enquanto um espumante varia de
9,5 a 10%.

denominações

Champagne é, sem dúvida, o espumante mais famoso do mundo. Os únicos espumantes que podem utilizar
essa denominação em seus rótulos são aqueles produzidos na região de Champagne, na França, sob
condições específicas (tipos de cepa, método de produção...). Mas existem outras denominações também
famosas: a Espanha produz Cava, a Itália produz o Prosecco... sem falar nos espumantes brasileiros, cada
vez mais reconhecidos, premiados e apreciados.

Já o vinho frisante mais conhecido é o Lambrusco, proveniente da Itália.

Outra informação que muita gente desconhece é que existe uma escala bem definida para suavidade e
doçura, e que pode ser muito útil na compra do seu próximo espumante:

Brut nature: de 0 a 3 gramas de açúcar residual por litro, sem adição de licor de expedição

Extra brut: com menos de 6 gramas de açúcar por litro

Brut: de 6 a 15 gramas de açúcar por litro

Extrasseco: de 12 a 20 gramas de açúcar por litro

Seco: de 17 a 35 gramas de açúcar por litro

Semisseco ou demi-sec: de 35 a 50 gramas de açúcar por


litro

Doce, dulce ou doux: mais de 50 gramas de açúcar por litro

Cabernet Franc
Categoria: cepas

Essa uva muitas vezes é considerada como irmã menor da


Cabernet Sauvignon, mas é necessário que se faça justiça:
pesquisas de DNA confirmaram que Cabernet Franc, com uma pequena ajuda de Sauvignon Blanc, é na
verdade o pai, ou a mãe, da Cabernet Sauvignon... Coisas de família!

Talvez o que tenha levado ao mal entendido seja o fato da Cabernet Franc ser menor em taninos e ácidos, não
tão encorpada, mais aromática e mais herbácea que Cabernet Sauvignon.

Essa é uma uva muito capaz de resistir a temperaturas frias, e que amadurece relativamente cedo, fatos que
ajudaram a sua relativa propagação.

Uma das características típicas de um vinho produzido com Cabernet Franc são taninos médios, sedosos e
bem integrados, causando uma sensação de boca suave. Esses taninos moderados, combinados com uma
acidez também moderada, costumam oferecer vinhos elegantes, requintados e bem estruturados.

E, embora geralmente associada a vinhos mais leves, os tintos Cabernet Franc de boas safras ou de climas
mais quentes podem ser bem encorpados e ainda mais estruturados, ótimos para o envelhecimento.

A Cabernet Franc é também é usada para fazer deliciosos rosés no Loire e em muitas regiões do Novo Mundo.
Além disso, seu bom comportamento em climas frios a faz uma boa escolha para a produção de vinhos de
gelo, e também de vinhos de colheita tardia, como os produzidos em Ontário e Nova York.

(Se quiser ler sobre vinhos de gelo, clique aqui. Ou então, sobre vinhos de colheita tardia, aqui.)

No Brasil, os vinhedos de Cabernet Franc, nas últimas décadas, perderam espaço para Cabernet Sauvignon e
Merlot, o que é uma pena. Ironicamente, esses são os maiores parceiros da Cabernet Franc, no corte dos
vinhos de Bordeaux... Aliás, ela pode ser vinificada sozinha como no Loire, ou como é mais comum, em cortes
como os de Bordeaux.

Os aromas típicos dos vinhos de Cabernet Franc são framboesa, morango, cereja, groselha, cassis, ameixa,
romã, pimentas preta e branca, ervas secas. Além disso, podemos encontrar nesses vinhos notas de tabaco,
pimentão, azeitonas verdes, violetas, flores azuis, perfumes, e também os aromas derivados da madeira, como
baunilha, coco e fumaça.

Para desfrutar Cabernet Franc, as opções de harmonização são realmente muitas. Carne de boi ou de porco,
aves como frango ou pato, temperos como alho, cebola, pimentas, alecrim, hortelã, louro... basta escolher!

E, se quiser ler sobre outras cepas, clique aqui.

Carignan
Categoria: cepas
É curioso que a maioria das pessoas nunca tenha ouvido falar
nessa uva, porque, até algumas décadas atrás, essa era a
variedade mais plantada na França, que é o mais importante país
produtor de vinho do mundo! Irônico, não é?

Se você está entre os muitos que nunca ouviram falar de


Carignan, é bem possível que não faça diferença mencionar
alguns dos outros nomes pelos quais essa cepa é conhecida,
como Carignano, Carignane, Cariñena, Mazuela... Mas o fato é
que ela existe, e está muito presente, principalmente, no sul da
França, mas também na Espanha, na Itália, em alguns pontos dos
Estados Unidos, México, África do Sul, Argentina, Chile, Uruguai...

A origem mais provável desta cepa é a Espanha, e seu nome está


ligado a Carae, aldeia pertencente a Carinius, e que pertencia ao
Império Romano.

A Carignan é uma amante do Sol, que precisa de um clima relativamente quente, e, mesmo assim, ainda
demora a amadurecer. É sensível a pragas. Apesar do alto rendimento de suas vinhas, não costuma aceitar
colheita mecânica, pois tem talos com os quais é particularmente difícil de lidar.

Por essas e outras dificuldades, mesmo em Languedoc-Roussillon, o lar da uva Carignan, essa é uma casta
que tem sistematicamente perdido espaço para outras. Produtores franceses foram, inclusive, incentivados a
substitui-la por outras uvas.

Frequentemente presente em cortes com Grenache, Syrah, Cinsault e Mourvèdre, a Carignan confere aos
vinhos mineralidade, aromas florais, acidez e cor. Quando produz varietais, o teor alcoólico mais elevado
costuma equilibrar a acidez da uva, resultando em tintos elegantes e potentes. A uva é também facilmente
encontrada no estilo seco de vinho rosé, o mais comum produzido no mundo, hoje.

Com notas de ervas, amoras, ameixas pretas, pimentas e especiarias, os vinhos à base de Carignan são
geralmente robustos, encorpados, tânicos, ricos em acidez e com aspecto crocante.

Antes de se deixar levar por rigorosos críticos dos vinhos produzidos com Carignan, experimente e forme sua
própria opinião. Sugerimos um espanhol da tradicional região de Priorato, harmonizado com uma carne mais
corpulenta, que tal?

Se você está entre os enófilos que apreciam vinhos à base de Primitivo, também conhecida como Zinfandel,
ou de Grenache, preste atenção: aumentam, e muito, as chances de você também se encantar com Carignan!
Carmenère
Categoria: cepas

Essa variedade é conhecida como “a uva perdida de Bordeaux”. Aliás, Carmenère era parte do corte dos
vinhos de Bordeaux, muito antes da Cabernet Sauvignon, que apareceu somente no século 18, e da Merlot,
surgida no século 19.

Após a praga da Filoxera, quando todas as vinhas europeias precisaram ser


replantadas, essa uva foi dada como extinta (se quiser ler mais sobre Filoxera,
clique aqui). Mas, felizmente, a Carmenère foi redescoberta no Chile, em 1994,
para onde havia sido levada em meados de 1800, junto com outras variedades
francesas.

Nesse tempo em que ficou obscura no Chile, foi confundida com a Merlot, tendo
sido chamada de “Merlot Chilena”. Muito do que foi engarrafado, no Chile, como
um estilo particularmente picante de Merlot, antes de 1994, possivelmente continha
um pouco de Carmenère.

Hoje, Carmenère é uma das assinaturas do vinho chileno. De fato, o clima desse
país é muito mais adequado para essa uva, do que o clima de Bordeuax, já que ela
exige uma temporada bastante longa para amadurecer. Apesar de o melhor Carmenère, atualmente, estar no
Chile, outros produtores de destaque são a própria região de Bordeaux, os estados americanos da Califórnia e
de Washington, e as regiões italianas do Vêneto e Friuli-Venezia Giulia.

Os vinhos produzidos à base de Carmenère têm cor escura e profunda. Os aromas remetem a frutas
vermelhas maduras e ameixas, a pimentas e especiarias, ervas e alcaçuz, pimentões e azeitonas. Quando
passam por carvalho, também trazem toques de chocolate.

Para melhor apreciar um Carmenère, escolha um grelhado picante, ou um defumado. Esse vinho é sempre
uma boa opção, também, com refeições fortes em alho, cebola ou pimenta. E é uma boa dica para
acompanhar tomates frescos e tomates secos.

Uma excelente notícia para finalizar: no Brasil encontramos excelentes Carmenères, a preços muito atrativos!

E, se quiser conhecer mais sobre vinhos chilenos, clique aqui.


Desvendando o carvalho
Categoria: envelhecendo

Carvalho é o nome comum para mais de seiscentas espécies de plantas pertencentes ao gênero Quercus, e é
de carvalho que os barris de madeira são feitos. Mas qual a diferença entre os barris novos e os velhos? Qual
a diferença entre o carvalho europeu e o americano?

Ao escolher um barril, o enólogo sempre considera a origem da


madeira e a sua idade, em função do estilo de vinho que deseja
produzir.

Quanto mais novo o barril, mais compostos aromáticos são


transmitidos ao vinho, assim como mais taninos. Os taninos
provenientes do carvalho são diferentes dos taninos próprios
da uva, sendo mais ásperos e colaborando para estabilizar a
cor do vinho. Os barris novos também permitem maior
oxigenação do que os barris velhos, já que os poros da
madeira ainda não estão, por assim dizer, entupidos pelos
depósitos do vinho.

Mas a escolha do enólogo não precisa ser única, como


efetivamente muitas vezes não é. Nesse caso, o enólogo pode
optar por usar alguns barris novos e outros velhos, ou ainda realizar parte do amadurecimento do vinho em
tanques de aço inox. As vinícolas de Borgonha, por exemplo, geralmente usam somente algumas barricas
novas a cada ano, enquanto os châteaux de Bordeaux costumam usar 100% de novos barris.

E a origem do carvalho, onde entra nessa história?

O carvalho europeu
A França é o maior produtor de barris de carvalho da Europa, e a espécie de carvalho mais predominante em
seus barris é o Quercus robur, de granulação espaçada, capaz de produzir barris mais porosos, que permitem
maior oxigenação e fornecem toques de café, manteiga, baunilha, pimenta, cedro, cravo e outras especiarias,
dependendo da localização da floresta.
Outra espécie de carvalho considerada francesa é o Quercus sessiliflora, menos comum, com granulação
apertada, que produz barris mais estanques que transmitem menos estrutura ao vinho.
Outros países europeus, como a Eslovênia, também são produtores de barris de carvalho, geralmente com as
mesmas espécies utilizadas na França. Já Portugal, grande produtor de carvalho, produz a espécie Quercus
suber, utilizada para a fabricação de rolhas de cortiça, e não de barris.

O carvalho americano
A espécie de carvalho mais utilizada nos barris americanos é a Quercus alba, produzida nos Estados Unidos e,
em menor escala, na América do Sul. O carvalho americano, que fornece aromas de coco e baunilha, é muito
utilizado, também, na Espanha e na Austrália. De granulação espaçada, seria de se esperar que esses fossem
barris porosos, mas de fato não são, são muito estanques, permitindo menor oxigenação, e, portanto, um
desenvolvimento mais lento do vinho.

Via de regra, os barris americanos custam a metade do preço dos barris franceses, pois o aproveitamento do
carvalho no seu processo produtivo é muito maior. Mas, mais do que o preço, a escolha do enólogo baseia-se
no objetivo que ele pretende atingir com cada vinho.

Então, é assim: quanto mais a gente aprende sobre o vinho, mais têm a aprender. E esse é somente um dos
muitos prazeres proporcionados por esse universo: o conhecimento. É ou não é incrível?
Espanha
Categoria: visitando

Quando o mundo pensa em vinho espanhol, está de olho principalmente


nos clássicos: tintos de Rioja, espumantes de Cava, e fortificados de Jerez.
Mas as últimas décadas testemunharam o surgimento de outros vinhos
espanhóis únicos, de qualidade sem precedentes, e que fazem sucesso
em todo o mundo.

A variedade de uva que mais representa a Espanha é, sem dúvida, a


Tempranillo, com seus belos exemplares de vinhos de Rioja ou Ribera del
Duero, entre outros.

Mas hoje é possível afirmar que a Espanha é marcada por diversos estilos
de vinhos, de diferentes regiões, revigoradas em uma silenciosa revolução
com novos investimentos, novas ideias e novos enólogos.

O sistema que regula os vinhos com denominação de origem, na Espanha,


define duas principais categorias:

IGP, Indicación de Origen Protegida, ou Vino de la Tierra, é uma


categoria de vinhos de qualidade e reputação, mas as regras não são tão
rígidas. A Espanha tem, atualmente, pouco mais de 40 áreas de produção
de vinho nessa classificação.

DOP, Denominación de Origen Protegida, com regras muito mais


rígidas, que fazem esses vinhos serem únicos, em função do terroir e da
cultura local. Dentro dessa regulamentação, ainda há subdivisões. Por
exemplo, das 69 denominações totais, somente duas, Rioja e Priorato são consideradas “Denominación de
Origen Calificada”, seguindo um sistema de controle de qualidade específico.
Se quiser entender melhor o que é um sistema de denominação de origem, clique aqui.

E, assim, dentro desse sistema, temos locais como Priorato, na Catalunha, com tintos complexos e potentes
produzidos com a uva Carineña. Rías Baixas, na Galícia, com brancos frescos e aromáticos da uva Albariño. E
por aí, vai... Escolha é o que não falta. Mas não deixemos de falar dos clássicos:

Rioja, o tinto

Os vinhos tintos Tempranillos de Rioja são geralmente maturados em carvalho americano, resultando num
sabor acentuado que mistura frutas vermelhas, carvalho tostado e baunilha. Alguns produtores utilizam barris
de carvalho francês, dando ao vinho um perfume mais acentuado de especiarias.
Os vinhos brancos de Rioja são menos comuns e oferecem um estilo que as pessoas amam ou odeiam, com
um caráter ligeiramente e intencionalmente oxidado.

Cava, o espumante

Originário da Catalunha, no Nordeste da Espanha, esse é um vinho branco transformado em espumante da


mesma maneira que o Champagne, por indução de uma segunda fermentação após ter sido engarrafado.

O Cava é elaborado com a mistura das uvas Macabeo, Parellada, Xarel-lo e Chardonnay – um dos motivos do
seu sabor ser diferente do Champagne (elaborado com Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier).

Jerez, o fortificado

Produzido na Andaluzia, há muitos séculos, Jerez foi a primeira denominação de origem oficialmente
constituída na Espanha.

O Jerez é elaborado com três diferentes variedades de uvas – a Palomino, a Pedro Ximénez e a Moscatel. O
Jerez pode ser elaborado com apenas uma dessas uvas, mas muitas vezes elas são misturadas, conferindo
mais equilíbrio e complexidade.

Conhecer os diferentes vinhos de um país, sem dúvida, é uma das formas de conhecer um pouco sobre o país
em si, sua história, suas regiões, sua cultura e seu povo... Então, fica aqui o convite: que tal conhecer um
pouco mais da Espanha!
Cinsault
Categoria: cepas

Sua origem é o sul da França, na região de Languedoc-Roussillon, onde é muito cultivada, e sua pronúncia
assemelha-se a “sãn-soul”, bastante diferente da escrita Cinsault, ou Cinsaut...

O vinho produzido com Cinsault é frutado, com uma cor vermelha atraente, aroma agradável, e poucos
taninos. Seus aromas e sabores remetem a mirtilo, cereja, amora, pimenta, e carne vermelha.

Esse vinho geralmente é usado em cortes com Grenache, Syrah, Mourvèdre e Carignan, oferecendo
suavidade, flexibilidade, leveza e aroma.

Na França, Cinsault está presente em muitos vinhos de denominação controlada, incluindo Côtes-du-Rhône,
Tavel, Châteauneuf-du-Pape, Cassis e Bandol.

Fora da França, também encontramos essa variedade bem adaptada na Itália, onde se chama Ottavianello, na
África, com o nome de Hermitage, na Califórnia, onde é chamada de Black Malvoisie... Aliás, essa é uma uva
conhecida oficialmente por 102 nomes diferentes, incluindo, é claro, Cinsault.

Via de regra, essa é uma variedade que adapta-se muito bem a climas mais quentes, prosperando nessa
condição.

As videiras de Cinsault são reconhecidas pela capacidade de alto rendimento, com cerca de 6 toneladas por
hectare. Para se ter uma noção, é o dobro do rendimento, por exemplo, da Pinot Noir.

Apesar desse potencial, os vinhos produzidos com Cinsault considerados como mais distintos vêm de
vinhedos com rendimento reduzido. Ao limitar o rendimento da Cinsault, viticultores conseguem produzir
maravilhosos vinhos de grande personalidade que são ricos, encorpados e exuberantes.

Para saber mais sobre a relação entre o vinho e os diferentes rendimentos de uma vinha, clique aqui. Para
saber como agrônomos controlam ou planejam o rendimento dos vinhedos, clique aqui.

Além de tintos elegantes, Cinsault também resulta em delicados e frutados vinhos rosés.

Os vinhos à base de Cinsault são quase sinônimo de cozinha mediterrânea, sendo um par perfeito para pratos
elaborados com azeite de oliva. Procure um vinho desses quando for apreciar peixes, frutos do mar, legumes
marinados e carnes temperadas com alecrim. Você vai se surpreender.
O caro e o barato
Categoria: desmistificando

Talvez você já tenha pensado sobre isso... Como podem existir vinhos de menos de 20 reais, e vinhos que
custam “alguns mil” reais? O que diferencia, realmente, um vinho econômico, de um médio, um premium, ou
até um inatingível?

De fato, é perfeitamente possível acreditar que um vinho de 100 reais seja “duas vezes” melhor que um de 50.
Ok. Mas é óbvio que um vinho de 5.000 reais não é 100 vezes melhor que um vinho de 50 reais, certo? Certo.

Em primeiro lugar, é preciso entender que existem, nessa história, fatores objetivos e outros nem tanto. Os
subjetivos dizem respeito ao posicionamento das marcas, e até mesmo à mística que envolve produtos de alto
luxo, sejam ou não vinhos. Então, concentremo-nos nos fatores objetivos que podem justificar diferenças de
preços entre vinhos!

O que faz um vinho ser barato?

O vinho mais econômico


possível, de maior apelo
comercial, é elaborado a partir
de cepas e vinhedos que
possibilitam grandes
rendimentos. As vinhas são
preparadas de maneira que
produzam grande quantidade
de cachos por planta, e os
vinhedos são plantados com
alta densidade por hectare.

Não são realizadas podas,


nem de folhas, nem de
cachos. A colheita é realizada
mecanicamente, sem que seja feita uma seleção de cachos no vinhedo, de acordo com o grau de maturidade
das frutas.

Ao chegar à vinícola, dedica-se pouco tempo ao processo de maceração das uvas, geralmente realizado a
altas temperaturas, e a fermentação ocorre de maneira industrial. Durante o processo de vinificação, são
realizadas correções de acidez com coadjuvantes como ácido ascórbico ou vitamina C, por exemplo. Também
costumam ocorrer processos de clarificação, estabilização e filtração.

Os vinhos resultantes deste processo não costumam ter nenhum tipo de envelhecimento. Em uma
degustação, perceberíamos nesses vinhos
tons pálidos de vermelho, algumas vezes
transparentes, com menos brilho e pouca
limpidez. Perceberíamos também aromas de
frutas variadas, mas não tão marcantes e
pouco persistentes. Na boca talvez lhes
faltem estrutura e equilíbrio, pecando em
acidez, doçura ou adstringência.

O que faz um vinho ser caro?

Conforme vamos subindo na escala de


preços dos vinhos, a tendência é que
encontremos vinhedos com menores
rendimentos, mas com mais qualidade. Nesses casos, as vinhas são cuidadas de maneira que produzam
poucos cachos por planta, alcançando altas concentrações de compostos. Existem casos em que a taxa de
rendimento chega a ser de apenas uma garrafa a cada planta!

O ciclo de vida do vinhedo, ao longo do ano, é extremamente observado, realizando todos os procedimentos
necessários de poda. As doenças são prevenidas e tratadas com cuidado extremo.

A colheita é realizada de maneira manual, e em diferentes momentos, para que cada fruta seja colhida no seu
ponto ideal de maturidade. As uvas são transportadas, cuidadosamente e aos poucos, para não que não
fiquem tempo demais expostas ao Sol.

Ao chegarem à vinícola, as uvas são novamente selecionadas, sendo prensadas suavemente, e, em geral, a
frio. Todo o processo de vinificação ocorre da maneira mais natural possível, e os vinhos só são
disponibilizados após o período de envelhecimento ideal para cada um, seja em carvalho, tanques de aço inox
ou na própria garrafa.

Todo esse cuidado fica nítido ao percebermos, nesses vinhos, cores mais intensas, tons variados, profundos,
densos e muito límpidos. Percebemos, também, a complexidade de aromas e a maneira como se alteram
enquanto o vinho respira. São vinhos equilibrados, encorpados e estruturados, com final persistente na boca.

Entre esses extremos, é claro, encontramos de tudo. Encontramos vinhos para todos os gostos e bolsos.
Encontramos, inclusive, vinhos geniais a preços bem convidativos.

Quanto tempo depois de aberto?


Categoria: armazenando

Incluir o consumo moderado de vinho no dia a dia significa considerá-lo como parte da nossa alimentação.
Mas, para consumir uma ou duas taças diariamente, precisamos responder a uma pergunta: quanto tempo o
vinho dura, depois de aberta a garrafa?

Pois bem. Depende do tipo de vinho...

espumantes

Podem ser consumidos sem nenhum problema no dia seguinte, podendo estar agradáveis em alguns casos
até 3 dias após abertos, desde que a garrafa esteja fechada com uma tampa específica para vinhos
espumantes, de maneira a minimizar a inevitável perda de efervescência do vinho.

brancos ou rosés

O tempo de duração desses vinhos, depois de abertos, divide opiniões. Alguns garantem que eles têm boa
resistência, por pelo menos 4 dias. Há quem, inclusive, aprecie esses vinhos ainda mais no 2º e 3º dia depois
de abertos. Na contramão dessa opinião, alguns especialistas sugerem que brancos ou rosés devam ser
consumidos, no máximo, um dia após a abertura da garrafa.

tintos leves

Tintos produzidos com Pinot Noir ou Cabernet Franc, por exemplo, costumam durar no máximo 3 dias, depois
de abertos. Depois de passado esse tempo, serão mais evidentes suas características de degradação, do que
suas qualidades.

tintos encorpados

Um Cabernet Sauvignon, um Malbec e outros vinhos mais tânicos e mais alcoólicos, por sua vez, têm maior
resistência. Devidamente armazenados, eles podem ser consumidos por até 5 dias depois de abertos, sem
terem sofrido muitos danos causados pela oxidação.

de sobremesa

Vinhos de sobremesa, como os colheita tardia, duram até 5 dias após a abertura da garrafa, sendo que,
quanto mais intenso, doce e alcoólico, maior sua resistência. Os estilos mais leves, entretanto, devem ser
consumidos no máximo em 2 dias depois de abertos.

fortificados
O alto teor alcoólico e a grande concentração de compostos, desses vinhos, fazem deles os mais resistentes à
oxidação, principalmente aqueles de maior complexidade. Para entender esse assunto, sugerimos a leitura de
um artigo específico com o exemplo do tempo de duração de diferentes estilos de vinho do Porto, depois de
abertos, clicando aqui.
Importante ressaltar que essas estimativas de tempo levam em consideração a mesma condição: vinho
guardado na geladeira, e bem vedado. Para ver as nossas dicas de como conservar o vinho, depois de aberto,
clique aqui.
Uma outra alternativa, também, para o consumo diário de pequenas quantidades, ao longo do tempo, é a
embalagem tipo bag-in-box, capaz de conservar o vinho por aproximadamente 6 semanas... Se você quiser
saber mais sobre isso, clique aqui.
Ou então, se não quiser consumir o vinho nos próximos dias, por que não congelá-lo? Leia essa sugestão,
clicandoaqui.

O que é um vinho encorpado?


Categoria: degustando
Alguns termos do mundo do vinho estão tão presentes, mas, ao mesmo
tempo, são tão pouco explicados... um bom exemplo é o “corpo” do vinho.

“Corpo” descreve a textura e o peso de um vinho na boca. Um vinho


encorpado é um vinho potente, com maior concentração de compostos. Mais
tânico e mais denso, um vinho encorpado dá a sensação de ser mastigável e
aveludado, com um sabor que tem maior duração na boca.

Para imaginar essa sensação de maior ou menor peso na boca, tente pensar
em leite: desnatado, semidesnatado e integral. Não são diferentes sensações
de textura na boca? Assim é com o vinho, também.

Algumas variedades que produzem vinhos com bom corpo são Tannat, Petite
Sirah, Mourvèdre, Malbec, Cabernet Sauvignon, Sangiovese, Nebbiolo…

Mas não é somente a característica genética da uva que define o corpo de um vinho. As técnicas utilizadas
pelo enólogo, durante a vinificação, são decisivas para definir o estilo do vinho a ser produzido. Maior contato
com as cascas e sementes, e envelhecimento em carvalho, por exemplo, adicionam riqueza e textura aos
vinhos, fazendo-os mais encorpados.

O termo que indica o oposto a um vinho encorpado é ser “fácil de beber”, com menos tanino, menos álcool, ou
menos acidez, sendo menos presente no palato e mais leve.

Enquanto Merlot e Shiraz/Syrah costumam ter corpo médio, vinhos produzidos com as uvas Gamay, Barbera,
Bonarda, Zinfandel, Tempranillo e Cabernet Franc, entre outras, costumam ser menos tânicos. Se quiser saber
mais sobre o que são taninos, clique aqui.

Vinhos encorpados, em geral, são mais apreciados quando servidos durante uma refeição mais robusta, e
podem ser uma boa opção para presentear amigos de paladar apurado.

Mas é importante lembrar: a diferença entre um vinho encorpado e um fácil de beber não é uma questão de
qualidade ou preço, mas de preferência e ocasião! Além disso, vale lembrar, também, que beber um vinho
encorpado não é uma tarefa difícil, não

Já ouviu falar em crianza?


Categoria: desmistificando

Vinhos de crianza. Um falso cognato de vinhos envelhecidos, ou


seja: nenhuma relação com juventude!

Se você já viu esse termo em um rótulo, e desconfiou de um


vinho jovem, foi enganado pela semelhança com “criança”.
Crianza é um temo espanhol que, em português, significa
“criação”, palavra relacionada ao envelhecimento.

Crianza é uma classificação típica dos vinhos espanhóis,


associada ao tempo de amadurecimento e de envelhecimento do vinho até que possa ser comercializado.

Na Ley de la Vina y el Vino, de 10 de julho de 2003, o Rei da Espanha, Juan Carlos I, determina que um tinto
só pode ser considerado crianza se envelhecido por um período mínimo de 2 anos (com seis meses em barris
de carvalho). No caso dos brancos, o período mínimo é menor, sendo de 1 ano e meio (com seis meses em
barris de carvalho).

Em Rioja, a mais importante região produtora do país (e em outras regiões que se inspiraram em suas leis), os
vinhos são classificados com exigências mais rígidas, conforme as leis do Consejo Regulador de la DOC Rioja:

Vinhos Jovens, também conhecidos como vinhos do ano, são ainda melhores se consumidos nos seus
primeiros seis meses.

Vinhos Crianza. Para tintos, envelhecimento mínimo de 24 meses, com 12 em carvalho e o restante em
garrafa. Para brancos e rosés, envelhecimento mínimo de 18 meses, com 6 em carvalho e o restante em
garrafa.

Vinhos Reserva. Para tintos, envelhecimento mínimo de 3 anos, com 12 meses em carvalho e o restante
em garrafa. Para brancos e rosés, o período total de envelhecimento varia, mas deve ser ao menos de 2
anos.

Vinhos Gran Reserva. Período mínimo de envelhecimento de 5 anos, sendo 24 meses em barris de
carvalho e 36 em garrafas, para tintos. E, para brancos e rosés, o período total de envelhecimento é de 4
anos; e, em função da procedência, podem variar o tempo necessário em carvalho.

Os vinhos de crianza são os mais comuns da região.


Vinhos de reserva ou gran reserva são produzidos
somente em anos excepcionais, sendo esses últimos
bem raros, e provenientes dos melhores vinhedos.

Reservas e Gran Reservas possuem aromas intensos


de baunilha e pão tostado, notas frutadas suaves, são
aveludados e redondos. Crianzas possuem também
grandes buquês de carvalho tostado e baunilha, mas
são mais leves e frutados.

Mas, de qualquer forma, o tempo de envelhecimento, por si só, não define a qualidade de um vinho. Não se
pode afirmar, por exemplo, que um Gran Reserva é necessariamente sempre melhor que um Crianza; há
inúmeros outros fatores além do tempo de envelhecimento. E além disso, o melhor vinho é sempre o que mais
agradar ao seu paladar, simples assim, sem frescuras.

Na próxima vez que for desfrutar de um vinho espanhol, experimente um Crianza!

E, se quiser saber mais sobre vinhos espanhóis, clique aqui.


Degustação Vertical
Categoria: degustando

No mundo do vinho existem diversos tipos de


degustação. Das mais cotidianas e divertidas,
às mais profissionais e austeras. O rigor das
degustações técnico-científicas, por exemplo, é
responsável por boa parte dos avanços na
qualidade dos vinhos nos últimos cinquenta
anos. Por outro lado, o prazer das degustações
entre amigos é responsável, certamente, por
noites extremamente agradáveis para enófilos
convictos reunidos em pequenos grupos.

De qualquer maneira, degustar não é como


beber vinho. Degustar é avaliar o vinho através
dos sentidos, de modo mais técnico, analítico e objetivo. E uma das maneiras mais interessantes de fazê-lo é
a degustação vertical, na qual é apresentada consecutivamente uma série de safras de um mesmo vinho.

Geralmente são apresentadas diferentes safras do vinho ícone da vinícola, daquele que mais atenção recebeu

por parte do enólogo, despertando também maior interesse entre os especialistas, profissionais ou não.

Experimentando um mesmo vinho de diferentes anos de colheita, fica evidente o estilo geral do cru em
questão (seu caráter), e as diferenças em função da influência do clima, de como a natureza imprime suas
marcas, conferindo personalidade à bebida.

Também é possível, na degustação vertical, analisar como o vinho tem evoluído ao longo do tempo, ou seja,
suas possibilidades de envelhecimento, assim como o trabalho do enólogo para alcançar a excelência.

A degustação vertical não é uma prática muito comum, mas é muito reconhecida entre especialistas no mundo
do vinho. Fornece informações valiosas de como o vinho evolui na garrafa a cada ano, possibilitando a
comparação de aspectos da vinficação de diferentes colheitas, das diferenças encontradas por arrolhamento,
temperaturas e tempos de armazenamento.

Para organizar uma degustação vertical, comece pelo vinho mais velho, e não se esqueça de coletar
informações sobre as condições de cultivo de cada safra, pois isso irá influenciar muito o vinho.

É bom saber: há vinícolas que só engarrafam seus vinhos ícones em anos muito bons. Se a safra não
acontecer ao agrado do enólogo, simplesmente não se engarrafa.

Vinho de gelo?!
Categoria: desmistificando

Alguns dizem que o vinho de gelo, icewine, vin de


glace, ou ainda, eiswein, como originalmente é
chamado, é uma escassa e rara joia enológica.
Exagero? Nem tanto, pois o processo de produção
do “filho da neve”, como é poeticamente chamado
em alguns lugares, é peculiar, e o seu resultado é
excepcional!

Muitos dos vinhos especiais do mundo nasceram


por mera casualidade, e o vinho do gelo é um deles.
Dizem que o primeiro eiswein nasceu, por volta de
1794, em uma colheita ao norte da Bavária
(Alemanha), quando os viticultores elaboraram um
vinho com uvas que haviam sido parcialmente
congeladas, devido a uma geada inesperada.
Resultado? Um vinho diferente e muito especial:
saboroso, aromático, doce e um pouco ácido ao
mesmo tempo.

Hoje em dia, a produção do icewine é limitada, pois


depende basicamente da ocorrência de
determinadas condições climáticas em um certo
momento e por um certo período.

Alemanha, Áustria e Canadá são conhecidos por fazerem os melhores icewines do mundo. Isto se deve ao
fato deles possuírem invernos com temperaturas constantes. No entanto, alguns outros países também o
fazem, porém não com a mesma regularidade de produção.

No processo tradicional, o icewine provém das vinheiras


congeladas de maneira natural, onde as uvas permanecem
vários dias congeladas a uma temperatura mínima de -8°C,
chegando até a -16°C. Então, é feita a colheita manual à
noite, para garantir que as uvas cheguem à vinícola ainda
congeladas, e à temperatura mais próxima de quando
foram colhidas. O próximo passo, imediato à chegadas das
uvas, é a prensagem das uvas congeladas para a obtenção
do mosto, e então, partir para a fermentação em baixas
temperaturas por cerca de 2 meses.

Detalhe: a geada deve ocorrer quando as uvas estiverem


maduras, nem antes e nem depois, ou seja, envolve um
grau considerável de risco, paciência e nervos controlados, o que, juntamente com o baixo rendimento da
colheita (cerca de apenas 10% do rendimento habitual), acaba justificando o valor um pouco elevado. Em
resumo, variáveis bem diferentes do que as para a produção de vinhos secos.

Hoje a tecnologia também é usada para fazer vinho de gelo artificialmente. Congelado em câmaras que
possam manter uma temperatura constante no tempo como o produtor desejar. Os riscos são muito menores,
mas sempre há aqueles que dizem que, assim, o resultado é diferente.

Em suma, como são os vinhos obtidos por esses processos? São vinhos muito mais concentrados, porque
eles têm menos água, são mais ricos em aroma, mais doces e com uma acidez excepcional.

Existem os icewines brancos, geralmente produzidos com Riesling, Chardonnay, Niágara, Vidal ou
Gewürztraminer, que possuem cores que vão desde amarelo brilhante até dourado intenso, e os tintos,
geralmente produzidos com Cabernet Franc, com tons de vermelho e violeta. Se bem conservados, podem
durar 10 anos em ótimo estado, ou seja, quando tiver a oportunidade de comprar um, compre-o, mesmo que
não vá beber de imediato.

Deu água na boca? Os canadenses não costumam ser tão


caros, então, por exemplo, escolha um 100% Riesling
canadense e sirva por volta dos 6°C; é ótimo harmonizado com
sobremesas como crème brûlée ou pudim. Ah, não estranhe,
em geral eles vem em garrafas menores, cerca de 350ml a
375ml.

O que é um vinho
equilibrado?
Categoria: degustando

Os defeitos e as qualidades de um vinho estão intimamente


relacionados à sua composição química. Até aí, tudo bem...
Mas, e aí?
O vinho é composto por ácidos, açúcares, sais, compostos fenólicos, cada um com seu gosto específico. O
sabor do vinho é uma espécie de soma desses sabores individuais. Equilíbrio é a harmonia proveniente de
uma combinação ponderada desses diferentes sabores, onde nenhum domina o outro.

Equilíbrio é uma das características mais desejadas em um vinho, quando a concentração de frutas, nível de
taninos e acidez estão em harmonia total. Vinhos equilibrados são simétricos, proporcionais e agradáveis.

Em um vinho desequilibrado, o excesso de taninos pode apagar o caráter frutado. Ou então, a baixa acidez
pode acabar com o frescor do aroma. Ou o excesso de açúcar pode mascarar seu sabor. Ou, mais um monte
de outras alternativas...

Com tantas possibilidades assim, será que dá para medir o equilíbrio?

Um vinho reconhecidamente de qualidade não é resultado de um único elemento, mas sim, do resultado da
interação de seus muitos elementos.

E, são tantos os componentes que constituem o vinho, e nem todos totalmente conhecidos, que a degustação
ainda é muito mais eficiente que a análise química, para determinar as qualidades e o equilíbrio de um vinho.

Sendo assim, vamos degustar!!!

Como as uvas viram vinho fortificado?


Categoria: desmistificando

Jerez, Porto, Madeira e Marsala são excelentes exemplos de vinhos


fortificados. Mas, afinal, o que faz um vinho ser fortificado? Como ele
é produzido?

A diferença já começa na colheita, quando as uvas são colhidas


tardiamente, ou os cachos colhidos são colocados para secar, de
maneira a garantir a alta concentração de açúcar nas uvas.

Mas a grande diferença está na adição de um destilado à base de


vinho, com alto teor alcoólico.

Para falar mais disso, tomemos como exemplo o vinho do Porto:

O desengaçamento

Desengaçar significa tirar as uvas dos cachos. Esse é um processo que visa diminuir a dureza dos taninos,
muito presentes nas hastes das uvas. Dependendo o vinho que se quer produzir, o desengaçamento pode ser
parcial ou total
O esmagamento, ou a pisa

Esmagar significa romper a película da uva para obtr o mosto, que é o sumo que será levado para a
fermentação. Essa etapa, antigamente feita pelo pisoteamento em lagares, hoje utiliza métodos mecânicos,
mesmo que alguns produtores ainda continuem a tradição de pisar para amassar as uvas. Chamamos
maceração todo o período em que a parte sólida permanece em contato com o mosto.

A sulfitagem
Sulfitos são adicionados para evitar a proliferação de micro-organismos e o desenvolvimento de bactérias. Se
quiser ler mais sobre sulfitos, clique aqui.

A fermentação alcoólica

Leveduras que ocorrem naturalmente, ou então que são adicionadas, dão início ao processo de fermentação,
e o açúcar vai se transformar em álcool. Vinhos secos são produzidos quando a fermentação consome todo o
açúcar.

A remontagem

O dióxido de carbono gerado na fermentação empurra as peles e a polpa para cima, formando uma manta. É
necessário empurrar essa manta, para arejar o vinho, e ajudar a extração da cor e do sabor das cascas. Ou
então bombear o mosto de baixo para cima.

A aguardentação

Este processo consiste na adição de aguardente de vinho, que interrompe a fermentação antes que todo o
açúcar seja consumido em álcool, e confere ao vinho características peculianres, gerando vinhos com elevado
teor alcoólico e, em geral, alto teor em açúcar. Diz-se que a origem desta prática de adicionar aguardente ao
vinho está em fazê-lo resistir a longas viagens marítimas.

A descuba

É o processo de separação da parte sólida e da parte líquida do mosto, por meio da drenagem. A parte líquida
é chamada de vinho-gota.

A prensa

A parte sólida vai para uma prensa, resultando no que se chama vinho-prensa.

A mistura

Juntam-se esses dois, em tanques ou barris. O vinho-prensa costuma representar 15% dessa mistura, e o
vinho-gota, 85%.
O corte
Misturam-se vinhos de diferentes lotes. Para entender melhor a diferença entre vinhos de corte e vinhos
varietais, clique aqui.

O amadurecimento

Tecnicamente, amadurecer e envelhecer não é considerado exatamente igual. Os vinhos amadurecem


enquanto estão em barris de carvalho ou em cubas de aço inoxidável, e envelhecem depois de engarrafados.
Durante esse tempo, desenvolvem-se a estrutura e o aroma do vinho. É nessa etapa que é dada a identidade
ao Vinho do Porto, ou seja, se esse será um vinho do Porto envelhecido em carvalho por um longo período
como o Tawny, por um período mais curto, como o Ruby, ou envelhecido em garrafa, como o Porto Safrado.
Alguns vinhos do Porto podem amadurecer, ou envelhecer, por décadas.

O engarrafamento

Essa etapa compreende o preenchimento da garrafa, o fechamento com a rolha, que no caso dos fortificados é
uma rolha específica, e a rotulagem. Pequenos produtores nem sempre têm a estrutura própria para essa
etapa, terceirizando-a.

O Porto mais conhecido é o tinto, mas também existe o Porto branco. A maior diferença entre os processos de
vinficação é o tempo de maceração.

Aliás, para ler sobre como produzir vinhos brancos, clique aqui. Para tintos, clique aqui. Ou então, para ler
sobre o processo produtivo de vinhos espumantes, clique aqui.

Tamanho das garrafas


Categoria: desmistificando

Vamos falar dos diferentes tamanhos das garrafas de vinho?


Afinal, tamanho é documento?

O tamanho mais comum, para garrafas de vinho, é o de 750


ml (mililitros), ou seja, 75% de 1 litro. Dependendo do país de
origem do vinho, esse volume pode vir rotulado em outra
unidade, como 25 oz (onças líquidas ou fluidas) ou 75 cl
(centilitros).

Mas a precisão do tamanho da garrafa é relativamente


recente, consequência da industrialização do processo, que
tomou lugar da produção artesanal, realizada pelo método de
sopro do vidro.

Da mesma maneira, é recente a padronização nesse


tamanho de 750 ml, que começou a ser promovida pela União Europeia, na década de 1970, sendo seguida
por países de outras regiões produtoras.

A padronização é, acima de tudo, uma questão de conveniência comercial. Mesmo assim, encontramos, sim,
outros tamanhos. Vamos, então, decifrá-los...

¼ de garrafa, ou 187 ml

Tamanho tipicamente utilizado como uma porção, ou dose, individual, principalmente em vinhos espumantes.

½ garrafa, ou 375 ml

Uma garrafa ideal para servir somente 2 taças de vinho, sem sobras.

½ litro, ou 500 ml

Uma opção bastante utilizada, atualmente, para vinhos de sobremesa.

750 ml, a mais comum de todas!!!!

Sim, essa a gente já conhece...

Magnum, a garrafa de 1,5 litro

Equivale a duas garrafas “normais”... O que significa diversão em dobro!

Double Magnun, 3 litros de vinho

O dobro do dobro. Assim fica fácil.

Jeroboam, em 2 tamanhos diferentes

Essa garrafa, nos vinhos espumantes de Champagne, corresponde a uma capacidade de 3 litros. Em vinhos
tranquilos, de Bordeaux, a Jeroboam é uma garrafa de 4,5 litros. Curiosidade: Jeroboão foi rei de Israel.

Rehoboam, com 4,5 litros de bolhas

Um nome utilizado praticamente só em Champagne, para as garrafas com capacidade de 4,5 litros. Outra
curiosidade: Roboão ou Reoboão, filho de Salomão, foi rei de Judá.

Imperial, 6 litros em uma única garrafa


Uma garrafa com padrão típico de Bordeaux, utilizada para vinhos tranquilos.

Methuselah, 6 litros de muita comemoração

Uma garrafa que costuma ser usada em Champagne. Methuselah, ou Matusalém é aquele cuja vida teria
durado 696 anos, segundo a Bíblia.

Salmanazar, 9 litros de uma vez

Isso significa equivaler a 12 garrafas normais, ou seja, a uma caixa inteira de vinho! Quem foi Salmanazar?
Um rei assírio. Na realidade, parece que 5 diferentes monarcas assírios levaram este nome.

Balthazar, 12 litros!

Correspondendo a 16 garrafas normais, essa garrafa leva o nome de um dos 3 reis magos que, segundo a
Bíblia, presentearam o menino Jesus no nascimento.

Nabuchodonosor, 15 litros!!!

Ou seja, 20 garrafas de tamanho padrão. Nabucodonosor foi o nome de dois reis da Babilônia, sendo
Nabucodonosor II o mais famoso deles, mencionado na Bíblia.

E não para por aí, não. Segundo o Guinness World Records, a maior garrafa de vinho já vista, com capacidade
para mais de 3.000 litros, tinha mais de 4 metros de altura...

Mas você reparou que a maioria dos tamanhos é apenas um múltiplo do tamanho padrão? Então, porque a
garrafa de 1,5 litros custa mais que o dobro da de 750 ml? Para ler a resposta dessa questão, entre outras,
clique aqui.

E saúde!

Vinhos finos ou vinhos de mesa?


Categoria: degustando
Muita gente nem se dá conta disso, mas existem dois tipos bastante distintos de vinhos. Você sabe quais são?

Vinhos finos

Segundo a legislação brasileira, só podem ser considerados vinhos finos aqueles produzidos, exclusivamente,
com uma das milhares de variedades da Vitis Vinifera, que é a espécie tradicionalmente cultivada para
produção de vinho.

As uvas da espécie Vitis Vinifera são muito diferentes das uvas de mesa, pois são menores e têm casca mais
grossa e mais densa. Não são uvas para consumo direto, e produzem vinhos mais estruturados e complexos.

E quais são essas variedades? Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Carmenère, Pinot Noir, Pinot Grigio,
Sauvignon Blanc, Chardonnay, Riesling, etc, etc e etc...

Vinhos de mesa

Antigamente conhecido como vinho comum, é produzido com uvas de mesa de variedades americanas, como
as da espécie Vitis Labrusca, ou então com variedades híbridas. Esse vinho passa por um processo mais curto
de fermentação, e em geral, não passa por qualquer envelhecimento.

São os conhecidos vinhos de colônia, que apresentam gosto e cheiro de uva bastante presentes. Esses
vinhos, em geral suaves (ou seja, mais adocicados), eventualmente também são secos.

Algumas das uvas utilizadas na produção dos vinhos de mesa são: Niágara, Isabel, Concord e Bordô. Essas
variedades, além de também produzirem vinho, são bastante recomendadas para a produção de sucos e uvas
passas.

Por quê?

E por que existe essa distinção formal? Durante nossa colonização, as cepas europeias de Vitis Vinifera
trazidas ao Brasil tiveram dificuldades para serem cultivadas, pois são variedades que prosperam com mais
facilidade em climas temperados do que em climas tropicais.

Assim, ditado pelo clima, por fatores econômicos e culturais, o Brasil passou a ser um produtor de vinho,
essencialmente, a princípio, a partir de uvas de mesa.
Mas, há algumas décadas, o Brasil também aderiu a uma tendência mundial do mercado de vinho, que busca
maior qualificação, com a substituição de uvas comuns por cepas viníferas. E temos colhido excelentes
resultados, com vinhos finos brasileiros reconhecidos internacionalmente pela sua qualidade, principalmente
os espumantes.

E, por fim...

O vinho de mesa brasileiro não tem nenhuma relação com o vin de table francês, ou com o vino di tavola
italiano. Os dois exemplos europeus são produzidos com uvas Vitis Vinifera, e não com uvas de mesa. Levam
esse nome devido ao sistema de classificação de vinhos específico de seus países.

Bom, degustar vinho é sempre bom. Harmonizado com informação e conhecimento, fica ainda mais
prazeroso...

Saúde!

Portugal
Categoria: visitando
Mundialmente famoso pelos fortificados Porto e Madeira, Portugal tem cada vez mais atraído a atenção,
também, para seus excepcionais vinhos leves. Além dos refrescantes Vinhos Verdes, o país, que conta com 14
regiões vinícolas bem definidas, produz surpreendentes vinhos tintos secos, principalmente no norte, onde o
clima não é tão quente.

Desde a entrada do país na União Europeia, em 1986, novas áreas foram criadas, com mais regras e castas
permitidas. Quem segue rigorosamente essas regras, pode ostentar os DOC, selos de Denominações de
Origem Controlada, que são a segurança de autenticidade da qualidade e da representatividade de um terroir.

As vinícolas portuguesas estão aproveitando ao máximo a ampla gama de variedades locais à sua disposição;
são mais de 250 uvas nativas, que produzem vinhos peculiares e deliciosos. Aliás, a maioria das uvas
utilizadas na produção dos vinhos portugueses são variedades nativas de Portugal, daí o caráter único e
tentador dos seus vinhos! Veja a seguir as principais uvas portuguesas:
Castas tintas
Além da Touriga Nacional, considerada a alma dos vinhos portugueses,
procure também pelas uvas Baga, Castelão, Touriga Franca, Tinta
Roriz eTrincadeira, entre outras.

Os vinhos leves que mais atraem a atenção talvez sejam os tintos finos
e secos do vale do Douro, produzidos com as mesmas variedades do
Porto, como Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca. Os tintos
intrigantes, aromáticos e estruturados da região vizinha, o Dão, podem
ser também muito bons. Procure pela caprichosa casta chamada Baga,
muito importante na região do Dão, além de ser a responsável pelos
melhores vinhos da região da Bairrada.

Castas brancas
Portugal também oferece excelentes uvas brancas nativas, sendo as
mais importantes a Alvarinho, Arinto, Encruzado e Fernão Pires.
Os entusiastas dos brancos leves, ligeiros e refrescantes devem
procurar pelos vinhos do norte do Minho, lar do Vinho Verde. Embora
Portugal não seja conhecido por produzir grandes vinhos brancos, um
deles, o Vinho Verde, sacia a sede, é refrescante e acessível. Seu
nome deriva do fato de ser um vinho para ser bebido jovem, de
preferência dentro do ano da colheita. Vinho Verde é um vinho floral,
muito seco, ácido e leve, ligeiramente frisante. Para ler mais sobre
Vinhos Verdes, clique aqui.

Para os entusiastas dos vinhos fortificados, Portugal certamente é o


paraíso. Ricos em álcool e em açúcar, o Porto e o Madeira são
excelentes harmonizações para sobremesas. Conheça um pouco mais
cada um deles a seguir:

O Porto

Talvez você conheça a romântica imagem romântica do Porto sendo elaborado por pessoas pisando as uvas,
em grandes tanques de granito chamados lagares. Movimentos de marcha, durante duas horas de trabalho,
são seguidos por horas de dança e diversão ao som de música, geralmente varando a noite.

Mas, desde a década de 90, lagares mecanizados e prensas automáticas vêm substituindo o trabalho humano
na prensagem das uvas, apesar da pisa com os pés ainda ser mantida pelos produtores de Portos Vintage de
alta qualidade, e por vinícolas menores e mais tradicionais.

O Porto é um vinho doce muito potente, mas que finaliza seco, devido à acidez, que estimula a salivação e
limpa o paladar. É elaborado pela fermentação das uvas, seguida pela adição de destilado de álcool, que eleva
o teor alcoólico para 20% por volume, matando o fermento e interrompendo a fermentação, antes de todo o
açúcar ser transformado em álcool (por isso o vinho permanece doce).

A maioria dos vinhos do Porto é elaborada com uvas tintas, mas também são produzidos Portos brancos
deliciosos, com uma aparência dourada, devido ao tempo de permanência nas barricas.

O Madeira

O Madeira é um vinho fortificado, elaborado na ilha portuguesa de mesmo nome, localizada além da costa do
Marrocos. A Ilha da Madeira fica a 1.100 km da costa portuguesa e a 600 km da costa africana.

A boa maturação das uvas da Ilha da Madeira deve-se à proximidade do mar, ao solo vulcânico, aos verões
quentes e úmidos e aos invernos não muito intensos.

Esse é o único vinho que pode ser indefinidamente guardado depois de aberto, sem que perca seu caráter,
devido ao processo de vinificação. O aquecimento em barricas abertas e de maneira contínua – em um
processo conhecido como estufagem, carameliza os açúcares e oxida o vinho de maneira intencional, criando
o sabor característico levemente picante. E o amadurecimento em carvalho resulta em aromas e sabores
tostados e com considerável complexidade.

Para entender melhor as diferenças entre o Porto e Madeira, clique aqui.


Por que o vinho chora?
Categoria: desmistificando
Os lindos e misteriosos filetes que escorrem pela taça de vinho são chamados de lágrimas do vinho, ou,
também, de pernas, arcos, abóbadas, arcadas... Mas por que será que eles surgem?

A resposta mais comum (e equivocada) é a associação das lágrimas do vinho à qualidade. Também é possível
encontrarmos argumentos relacionados à doçura ou viscosidade do vinho. Também equivocados...

Gire o vinho dentro da taça e deixe-o parar. Você notará gotas ao redor da taça.

O fato é que o vinho chora, e isso acontece em função do seu teor de álcool. Quanto mais elevada for a
concentração alcoólica, mais abundantes serão as lágrimas.

Esse é o chamado efeito Marangoni, nome dado em homenagem ao físico italiano Carlo Marangoni (1840-
1925), estudioso do tema.

A película de vinho que se forma na parede da taça tende a evaporar. Mas as moléculas de álcool evaporam
mais rapidamente do que as moléculas de água, por serem mais voláteis. Então, essa camada líquida em volta
da taça acaba tendo uma menor concentração alcoólica que o resto do vinho, e, consequentemente, menor
aderência à taça. As moléculas de água dessa camada tendem a se unir, formando gotículas, que escorrem
com a força da gravidade.

Então, vamos lá: as lágrimas do vinho formam-se porque as velocidades de evaporação da água e do álcool
são diferentes. Essa explicação, além de centenária, é a única comprovada cientificamente.

Mas cá entre nós: essas lágrimas do vinho não devem ser de tristeza, devem ser de alegria!
A cor da uva e a cor do vinho
Categoria: desmistificando

Para produzir vinho branco, uva branca. Para produzir vinho tinto, uva tinta. É isso, mesmo? Nem sempre.

A cor do vinho é definida não somente pelo tipo de uva utilizada no seu processo de fabricação, mas também
pelo processo de fabricação, em si.

Primeiro, vamos separar as uvas:


Uva branca, de pele clara, amarelada ou esverdeada.

Uva tinta, de pele escura, mas de polpa clara, incolor.

Uva tintureira, de pele escura, e de polpa escura também.

Agora, vamos entender o que dá para fazer, com cada tipo de uva...

Uvas brancas vinificadas da maneira mais comum, sem contato com peles e sementes, viram vinho
branco. Agora, se as uvas brancas forem excepcionalmente vinificadas empregando técnicas de vinificação em
tinto, ou seja, com contato com peles e sementes, a chamada maceração, esse vinho irá adquirir uma cor
diferente, alaranjada. Sim, assim as uvas brancas viramvinho laranja! Se quiser saber mais sobre isso,
clique aqui.

Uvas tintas vinificadas sem contato com as peles podem, sim, virar vinho branco! E isso é bastante
comum, se pensarmos na quantidade enorme de Pinot Noir que vira vinho espumante, inclusive em
Champagne, não é mesmo? Porém, se as uvas tintas tiverem ligeiro contato com as peles, podem
produzir vinho rosé, também. Não é a única maneira de produzir vinho rosé, mas é uma delas. Para conhecer
outras formas de vinificar esse estilo de vinho, clique aqui. Finalmente, uvas tintas vinificadas da maneira
tradicional, em contato com as próprias peles, viram, obviamente, o vinho tinto!

Uvas tintureiras. Afinal, o que é isso? São uvas tintas de polpa escura, mais raras de se ver. Essas uvas
são usadas, necessariamente, para elaborar vinho tinto. De fato, são mais utilizadas, inclusive, para
acrescentar cor em vinhos de corte, do que para serem vinificadas em varietais. E são muito interessantes de
se conhecer, sem dúvida. Se quiser saber mais sobre as uvas tintureiras, clique aqui.

Resumão, tipo “vestibular do vinho”:

Uva branca = vinho branco ou laranja

Uva tinta = vinho branco, rosé, ou tinto

Uva tintureira = vinho tinto

É isso. Simples assim. Simples, e delicioso, aliás.


Jerez
Categoria: denominando

Em português, Xerez. Em inglês, Sherry. Originalmente, na


espanhola Andaluzia, Jerez. Chame como preferir. Mas não perca
a chance de conhecer esse vinho.

A arqueologia comprovou atividades de vitivinicultura, nessa


região, datadas de 3.000 anos atrás. E a primeira menção
específica ao Jerez é de 1 século a.C. Como conseqüência desta
longa tradição, a enologia em Jerez é um das mais desenvolvidas
do mundo!

Felizmente para nós, amantes do vinho, a cultura de Jerez


sobreviveu, durante a Idade Média, à invasão dos mouros na
Península Ibérica, apesar da proibição muçulmana ao consumo de
álcool.

Na época das Grandes Navegações, o vinho de Jerez era uma das bagagens mais essenciais, ficando
conhecido por diferentes povos ao redor do mundo, que passaram, inclusive, a imitá-lo. Para combater essas
imitações, surgiu a primeira denominação de origem legalmente constituída na Espanha: Jerez.
Uma das diferenças fundamentais do Jerez é o
amadurecimento biológico, que acontece nos
barris, quando forma-se uma camada de levedura
chamada fermento flor, que protege o vinho do
oxigênio. O Jerez pode passar também pelo
amadurecimento oxidativo, depois que essa
película desaparece, e o vinho passa a ser
exposto ao oxigênio.

O Jerez é produzido a partir de somente 3


diferentes cepas, todas brancas: a Palomino, a
Pedro Ximénez e a Moscatel.

Dizem que a ampla gama de vinhos de Jerez é


reflexo do caráter acolhedor do povo espanhol da
Andaluzia, preocupado em adaptar-se ao diferente
gosto de cada um, e a cada ocasião.

Existe uma complexa classificação para os vinhos Jerez, que pode ser assim resumida:

Generosos, com menos de 5 gramas de açúcar residual por litro:


Fino, de cor clara e pálida, amadurece totalmente protegido do oxigênio pela camada de fermento flor, e é dos
Jerez menos alcoólicos, com teor de 15°. Manzanilla é o nome oficial próprio para Jerez Fino específico da
cidade de Sanlúcar de Barrameda, reconhecidamente distinto.
Amontillado, de cor âmbar não muito intensa, é parcialmente protegido pelo fermento flor, com teor alcoólico
entre 16 e 22°, passando também por amadurecimento oxidativo.
Oloroso, sofre alta exposição ao oxigênio durante o amadurecimento oxidativo, apresenta cor âmbar que pode
chegar até ao tom do mogno, e teor alcoólico entre 17 e 22°.
Palo cortado, com aromas de Amontillado, com cores e paladares de Oloroso, e teor alcoólico entre 17 e 22°,
sofre exposição parcial ao oxigênio durante seu amadurecimento.

Generosos licorosos, um pouco mais doces, e com 15 ou 15,5° de álcool:


Seco, de 5 a 45 g de açúcar/l, amarelo palha a dourado.
Pale cream, de 45 a 115 g de açúcar/l, amarelo palha a dourado.
Medium, de 5 a 115 g de açúcar/l, de cor âmbar podendo chegar a mogno.
Cream, de 115 a 140 g de açúcar/l, de cor intensa âmbar variando a mogno, devido à maior exposição ao
oxigênio durante o envelhecimento.

Naturalmente doces, fortificados com destilado de uva, de aspecto denso e escuro, com cor próxima ao
ébano:
Doce, com mais de 160 g de açúcar residual por litro.
Moscatel, com mais de 160 g de açúcar/l, e concentração de vinho da uva Moscatel em pelo menos 85%.
Pedro Ximénez, com mais de 212 g de açúcar/l, e composto por pelo menos 85% de vinho da cepa Pedro
Ximénez.
Além disso, o Conselho Regulador de Jerez certifica também categorias de acordo com o tempo de
envelhecimento, sendo 3 anos o mínimo permitido nesta denominação:

V.O.R.S. (Vinun Optimum Rare Signatum), com mais de 30 anos de envelhecimento.

V.O.S. (Vinum Optimum Signatum), com pelo menos 20 anos de envelhecimento.

Indicação de idade de 15 anos.

Indicação de idade de 12 anos.


Se você ficou na dúvida, entre tantas opções, saiba que um Jerez Oloroso costuma ser austero e intenso, e é
uma das grandes experiências que um vinho pode oferecer!
Ah, e para conhecer vinhos de outras denominações de origem que já abordamos, clique aqui.

Marsala
Categoria: denominando

Na pontinha da Sicília encontramos a cidade de Marsala,


famosa pela história renascentista, pelos sítios
arqueológicos, pelas belas paisagens que emolduram o
pôr-do-sol, e pela reserva natural com suas salinas. Mas,
acima de tudo, Marsala é famosa pelos seus vinhos
fortificados capazes de encantar o mundo!

O vinho Marsala é como se fosse o primo italiano dos


portugueses Porto e Madeira, e do espanhol Jerez.
Portanto, é um rapaz de boa família! Mas, cuidado: esse
vinho complexo e longo, com seus aromas de frutas secas
e especiarias, como noz moscada, seduz quem o conhece.

A história conta que o italiano Marsala é, na realidade, uma


descoberta inglesa! Um comerciante chamado John
Woodhouse desembarcou na cidade de Marsala, no século
18, forçado por uma tempestade. Provou um vinho local numa taberna, e resolveu levar um lote para
comercializar em sua terra natal. Para evitar problemas de conservação durante a viagem, acrescentou
aguardente de vinho nos barris. Já na Inglaterra, percebeu que o vinho havia se modificado muito, e para
melhor! Ele batizou esse vinho de Marsala, e, voltando à Sicília, montou sua própria vinícola!

O Marsala é produzido a partir de uvas locais, muitas vezes plantadas a somente 1 km de distância do mar. As
cepas utilizadas nesse vinho são as brancas Catarratto, Grillo, Inzolia e Damaschino, ou as tintas Pignattello,
Calabrese, Nero d’Avola e Nerello Mascalese. Conforme sua coloração, o Marsala é classificado da seguinte
forma:

Ouro – produzido com uvas brancas, esse vinho de cor dourada é doce.

Âmbar – produzido com uvas brancas, pode ser encontrado nas versões seco ou semisseco.

Rubi – produzido com uvas tintas, é o Marsala menos conhecido.


A quantidade de açúcar residual do Marsala varia, podendo alcançar níveis superiores a 100 g por litro:

Seco – menos de 40 g de açúcar residual por litro

Semisseco – entre 40 e 80 g de açúcar residual por litro

Doce – mais de 80 g de açúcar residual por litro

Marsala pode ser doce ou seco, pálido ou escuro, com aromas de caramelo ou de frutas secas, como avelãs e
nozes. Mas, em relação ao tempo de envelhecimento, as normas da denominação de origem Marsala também
definem algumas classificações. Via de regra, quanto menor o tempo de envelhecimento, menor o teor
alcoólico, que varia geralmente entre 17 e 20°.

Fine – envelhecimento mínimo de 1 ano, bastante utilizado na culinária.

Superiore – envelhecimento mínimo de 2 anos em madeira.

Superiore Riserva – envelhecimento mínimo de 4 anos em madeira.

Vergine – envelhecimento mínimo de 5 anos em madeira.

Vergine Soleras – também mínimo de 5 anos, mas com mistura de diferentes safras.

Vergine Riserva, ou Stravecchio – envelhecimento mínimo de 10 anos em madeira.


O vinho Marsala é muito usado na culinária. Provavelmente o prato mais famoso
elaborado com esse vinho seja o Frango ao Molho Marsala, mas ele também é um
importante ingrediente para doces, como o panetone, tiramissu, creme zabaione... Para
se aventurar na cozinha com o Marsala, sugerimos começar utilizando-o para dourar e
caramelizar cebolas e cogumelos. Você vai se surpreender!

Mas, além do uso culinário, Marsala seco é um excelente aperitivo, principalmente com queijos (inclusive azuis
como Gorgonzola) e castanhas de todos os tipos. Marsala doce é um vinho de sobremesa espetacular, para
acompanhar chocolates, por exemplo.

Não é à toa que o chamam de vinho de meditação...


Que tal prová-lo e meditar um pouco, inspirando-se com uma paisagem típica da cidade de Marsala?
Mourvèdre
Categoria: cepas

Essa é uma casta originária da Espanha, onde é mais


conhecida como Monastrell e onde é a segunda uva mais
cultivada. Mas a Mourvèdre desenvolveu-se também muito
bem na França, na Austrália, na Califórnia e em Portugal,
onde também é chamada de Mataró. Na França, o efeito
seco no palato lhe rendeu um apelido: Etrangle-Chien,
algo como um cachorro estrangulador.

Com seu nome de pronúncia difícil (mur-vedr), a


Mourvèdre é tida como uma uva com grande potencial
para o futuro, como se fosse a “próxima uva”, ou uma
tendência!

Essa foi a casta dominante na francesa Provence do final


da Idade Média até ela ser praticamente devastada pela
filoxera, doença parasitária das vinhas que atingiu toda a
Europa no final do século 19. Depois de décadas de
desafio, o plantio dessa cepa voltou a crescer na França,
principalmente em Bandol, localizado em Provence.

A França, aliás, é o segundo país produtor da uva, atrás somente dos espanhóis. Mas, de fato, são os
exemplares da Califórnia e da Austrália que têm surpreendido o mundo.

Mourvèdre gosta de climas quentes e secos e tem pequenas bagas de pele grossa - a combinação perfeita
para fazer vinhos com cor intensa e altos níveis de tanino. Mas as vinhas de Mourvèdre exigem paciência do
viticultor, pois a primeira colheita de qualidade pode levar mais de cinco anos para acontecer. Em
contrapartida, são vinhas moderadamente vigorosas que não requerem uma grande dose de cuidado extra.

Os bagos da Mourvèdre são de tamanho moderado, relativamente escuros, e com peles muito grossas, que
protegem as uvas das primeiras chuvas do outono, já que sua maturação é extremamente tardia, sendo uma
das últimas colheitas do produtor.
Ainda não é muito comum encontrar varietais de Mourvèdre, apesar de a tendência ser crescente. O mais
comum é encontrarmos essa uva em cortes. Um exemplo são os cortes de Châteauneuf-du-Pape, onde a
estrutura e a riqueza da Mourvèdre complementam a abertura e a acidez da Grenache e a mineralidade e
especiarias da Syrah. Carignan e a Cinsault também são parceiras frequentes dessa cepa.

Os vinhos produzidos com Mourvèdre são intensamente coloridos, de acidez média, ricos e aveludados, com
aromas de frutas vermelhas, chocolate, hortelã, violetas, couro, terra e caça.

O alto nível de taninos do Mourvèdre pede alimentos ricos e gordurosos. Costela bovina, carne de porco,
linguiça e vitela são excelentes combinações, principalmente quando temperados com alecrim ou tomilho.
Lentilhas, shitake e shoyo também são ótimas alternativas para acompanhar esse vinho.

Se você é um apreciador de Cabernet Sauvignon, certamente vai gostar do encorpado Mourvèdre, que fica
perfeito quando decantado e servido entre 19 e 21°C. É tentador. Acredite!

Como as uvas viram vinho espumante?


Categoria: desmistificando

A elaboração de espumantes pode ser feita por diferentes processos, mas dois são os mais utilizados: o
método Champenoise, e o Charmat.

Em ambos, a fermentação alcoólica transforma o açúcar em álcool, e uma segunda fermentação transforma o
vinho tranquilo em espumante. No método Tradicional, o Champenoise, essa segunda fermentação acontece
dentro da própria garrafa; no método Charmat, acontece em cubas de aço.
Veja, em linhas gerais, como é feito o vinho espumante:

O plantio

O plantio não acontece a esmo. O agrônomo projeta o vinhedo de acordo com o vinho que se pretende
produzir. Ele define, por exemplo, a orientação das fileiras e a distância ideal entre as vinhas, pensando em
qual a produtividade esperada. E, de qualquer forma, uma videira recém-plantada demora entre quatro e cinco
anos até que seus primeiros frutos possam ser colhidos para a produção de vinho.

A colheita
A colheita pode ser mecânica ou manual, dependendo, por exemplo, das regras estabelecidas por uma
denominação de origem. As máquinas são cada vez mais utilizadas, mas os melhores vinhos do mundo ainda
contam com colheita manual; em Champagne, por exemplo, a colheita é exclusivamente manual. A colheita é
um processo que ocorre no outono. Se quiser ler sobre o que acontece no vinhedo, mês a mês, clique aqui.

A prensa

As uvas utilizadas na produção do vinho espumante são prensadas assim que chegam à vinícola, reduzindo o
impacto da casca sobre o mosto. Após a prensagem suave, que evita o sabor herbáceo, e rápida, que evita a
oxidação, o mosto é coletado em um tanque. Mosto é o sumo que será levado para a fermentação.

A trasfega
Mudando o mosto de um tanque para o outro, separa-se o líquido da borra que fica depositada no fundo do
tanque, e também se oxigena e amacia o vinho. Para ler mais sobre a trasfega e outras formas de estabilizar e
clarificar o vinho, clique aqui.
A fermentação alcoólica

Leveduras que ocorrem naturalmente, ou então que são adicionadas, dão início ao processo de fermentação,
e o açúcar vai se transformar em álcool. Quanto mais açúcar consumido no processo, mais seco será o vinho.
O vinho é novamente trasfegado, para outro tanque.

A fermentação malolática

É a transformação do ácido málico em lático, que reduz a acidez e adiciona riqueza e textura ao vinho, além
de estabilizá-lo naturalmente. Opcional para vinhos espumantes, inclusive em Champagne, onde, de fato, é
realizada pela maioria dos produtores.
O corte
Misturam-se vinhos de diferentes lotes para fazer o vinho base. Em Champagne, o corte pode ser feito entre
Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay. Para entender melhor a diferença entre vinhos de corte e vinhos
varietais, clique aqui.

O engarrafamento do “liqueur de tirage”

Engarrafa-se o vinho base, junto com as leveduras e o açúcar. Essa mistura chamada, em francês, de liqueur
de tirage, é chamada em português de licor de extração.
“Prise de mousse”

Essa fermentação vai transformar o vinho tranquilo em vinho espumante. A principal característica do método
Champenoise é a fermentação acontecer na garrafa. No método Charmat o vinho ainda não foi engarrafado, e
esse processo acontece em cubas de aço.

“Remuage”

Para remover os sedimentos que se formaram na garrafa, é necessário fazê-los chegar até o gargalo. Para
isso, as garrafas são colocadas em prateleiras especiais, chamadas de pupitres, e giradas periodicamente, por
experimentes profissionais chamados remueurs, ou por processos automatizados. Aos poucos, aumenta-se a
inclinação das garrafas, até que os sedimentos se depositem na ponta do gargalo.
“Dégorgement”

Resfria-se o gargalo das garrafas, até que o sedimento se congele e possa ser, enfim, retirado. Na realidade,
ao abrir a garrafa, esse sedimento congelado é expulso pela pressão que se formou.

A dosagem e o arrolhamento
Adiciona-se licor de expedição ao vinho, em uma etapa chamada dosagem, que vai determinar se o
espumante será brut nature (sem adição do licor), extra brut, brut, extrasseco, seco, semisseco ou doce. Para
ler mais sobre esses conceitos, e também sobre a diferença entre espumantes e frisantes, clique aqui. Depois
do licor de expedição, adicionam-se também os sulfitos, para conservar e proteger o vinho. Para ler sobre
sulfitos, clique aqui. Ao final, as garrafas serão tampadas com a rolha tradicional dos espumantes, e presas por
uma gaiola metálica.
Conhecer esse processo torna o vinho espumante ainda mais charmoso, não é?

Se você gostou, leia também sobre a produção de vinhos tintos, aqui, e de vinhos brancos, aqui.

Moscatel
Categoria: cepas

Muscat, Moscato, Moscatel. Certamente você já ouviu falar dessa uva. Mas está na hora de entendê-la.

Moscatel é uma família de uvas que talvez estejam entre as mais antigas da história. E, sejam tintas ou
brancas, as uvas desta família têm um ponto em comum: são muito aromáticas.

Os aromas da Moscatel remetem a frutas como damasco, pêssego, nectarina e laranja, mas também a rosas,
jasmins, a mel... Mas uma peculiaridade da Moscatel é produzir vinhos que, curiosamente, trazem aromas de
uvas. O único aroma de fruta que raramente se encontra em um vinho é justamente o aroma de uva, sabia?
Para ler mais sobre esse assunto, clique aqui.

Além de vinhos secos, mais raros, as uvas Moscatel são muito utilizadas para produzir vinhos de sobremesa
como o francês Muscat-Beaumes-de-Venise e os espanhóis Moscatel de Málaga e Jerez. As uvas Moscatel
podem atingir elevados teores de açúcar, nas áreas mais quentes.
A Moscatel produz também espumantes, como o Moscato d’Asti (um espumante de baixa pressão, tipo
frisante) e, inclusive, muitos dos espumantes nacionais. A Moscatel, é, de fato, uma das uvas de maior
destaque no cultivo nacional de variedades viníferas.

A seguir, algumas das variedades de Moscatel mais conhecidas, dentre as centenas que compõem essa
família, e seus sinônimos:

Moscatel Branca, ou Moscatel Branca de Pequenos Bagos

Moscatel da Alexandria ou de Setubal, Zibibbo ou Moscatel Gorda Branca

Moscatel Rosa, Muscat Rosé ou Muscat Rouge

Moscatel Negra, Black Muscat, ou Moscatel de Hamburgo

Moscatel Laranja, Moscatel Flor de Laranja, ou Moscatel de Jesus

Moscatel Ottonel

Para harmonizar um vinho à base de Moscatel, escolha um prosaico bolo de baunilha, uma salada de frutas,
ou um creme de papaia. Mas você não vai se arrepender se optar por um Moscato d’Asti, ou um Muscat-
Beaumes-de-Venise, se a sobremesa for mousse de chocolate, ou petit gateau... Na realidade, dificilmente
você vai se arrepender se optar por um Moscatel...

Syrah, Shiraz ou Petite Sirah?


Categoria: desmistificando

Três nomes parecidos, duas uvas diferentes. Esse é o primeiro conceito para desfazer essa confusão!
Syrah, a apimentada

Essa é a uva nobre do Vale do Rhône, na França, e uma das variedades tintas mais nobres do mundo, que, de
fato, é plantada em praticamente todos os países que se dedicam à produção de vinho.

A Syrah possui um caráter único, muitas vezes descrito como “picante”, e produz vinhos que respondem muito
bem ao carvalho.

Shiraz, o outro nome

Esse nome, teoricamente dados pelos australianos, acabou ficando mais popular que o nome francês. Existe
até uma vertente que acredita que Shiraz seja mesmo o nome original, já que a uva seria nativa, na realidade,
da cidade persa de mesmo nome, no Oriente Médio.

Mas o fato é que Shiraz e Syrah são exatamente a mesma uva. Os vinhos produzidos, é claro, variam
conforme o país, o terroir, o produtor e as técnicas de vinificação, assim como acontece com qualquer outra
cepa.

O nome Shiraz é usado, principalmente, na Austrália, na África do Sul, e, eventualmente nos Estados Unidos,
exceto na Califórnia, onde o mais comum é Syrah, assim como na maioria do hemisfério Norte e também no
Chile.

Petite Sirah, a filha diferente

Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Petite Sirah é o cruzamento da Syrah (ou Shiraz, agora já
está claro) com outra casta, a Peloursin. A Petite Sirah também é chamada de Durif (em homenagem ao Dr.
François Durif), e é originária do Vale do Rhône, mas praticamente não é mais plantada na França; os locais
mais comuns da Petite Sirah são a Califórnia e a Austrália.

A grafia do nome desta cepa tem muitas variações: Petit Sirah, Petite Syrah, ou Petit Syrah. É comum
encontrarmos essas alternativas entre os viticultores dos diversos países para onde essa cepa migrou, como
Argentina, Brasil e México.

Tanto a Syrah (ou Shiraz) como a Petite Sirah (ou Durif)


são consideradas variedades do Vale do Rhône, e
produzem grandes vinhos, escuros e com alto teor de
taninos, mas a semelhança delas acaba por aí.

A Syrah tem aromas de amoras pretas, pimenta-do-


reino preta, chocolate escuro e enfumaçado. Já os
aromas da Petite Sirah são bastante rústicos, e
predominantemente de groselha, pimenta, noz
moscada e cravo.
A semelhança na nomenclatura não reflete em suas vinhas, em suas uvas, e menos ainda em seus vinhos!
Mas ambos valem a pena! Aliás, diversidade é a palavra de ordem para quem gosta de vinho, não é mesmo?

Pinotage
Categoria: cepas

Essa é a única variedade autenticamente nativa da África do Sul. Uma cepa com uma história muito
interessante, a começar pela origem de seu nome.

Pinotage é a combinação de outros dois nomes: Pinot, de Pinot Noir, e Hermitage, apelido sul-africano da
Cinsault. A uva Pinotage nasceu do cruzamento destas duas cepas clássicas francesas. Se quiser conhecer a
origem do nome de outras uvas, clique aqui.

A variedade Pinotage foi criada em 1925, por Abraham Izak Perold (1880 – 1941), sul-africano descente de
franceses, PhD em química, e fluente em 8 idiomas. Algumas curiosidades, ou lendas, rondam a criação da
Pinotage. Dizem que o processo de cruzamento das cepas gerou somente quatro únicas sementes, que teriam
sido plantadas no jardim da casa do cientista, e não nas dependências do laboratório da universidade, como
seria o esperado.

O primeiro grande momento da Pinotage aconteceu em 1959, quando um vinho tinto à base dessa variedade
foi o campeão de um concurso local, chamado Young Wine Shows. Mas isso significou uma faca de dois
gumes na história da cepa, servindo de incentivo para que muitos produtores, ainda inexperientes com essa
variedade, cultivassem e oferecessem vinhos Pinotage de baixa qualidade.

Criou-se, assim, uma má reputação para a uva, que, felizmente, já foi merecidamente revertida. Em 1991, por
exemplo, um vinho elaborado com Pinotage foi considerado o melhor dentre todos os vinhos tintos
apresentados no International Wine and Spirit Competition, em Londres.

Atualmente, a Pinotage já atravessou a fronteira sul-africana, tendo sido plantada primeiro na Nova Zelândia,
depois na Califórnia, e tendo chegado aqui também, no Brasil.

A Pinotage é uma variedade de bagos pequenos, cônicos, pretos com tonalidade azulada, polpa macia, pele
espessa e cachos bem compactos.

Os vinhos produzidos a partir da Pinotage são considerados muito fáceis de beber, mas também são vistos
como vinhos do tipo que se ama ou se odeia.

Muito ricos em notas frutadas, principalmente de framboesa e de mirtilo, marcados por nuances de fumaça e
com alcaçuz evidente. Com envelhecimento, ganham notas de banana, manga e chocolate. Aliás, Pinotage
envelhece muitíssimo bem.

A uva Pinotage é encontrada tanto em varietais, como em vinhos de corte. E existe até um termo que define
uma categoria específica de vinhos de corte com a presença da uva Pinotage: Cape Blend, ou seja, “mistura
do Cabo”.

As notas de chocolate do vinho Pinotage fazem com que essa seja uma boa escolha para harmonização:
Pinotage e chocolate. O caráter frutado favorece, também, a harmonização com comidas apimentadas. Mas
alguns especialistas defendem que um bom Pinotage acompanha bem a maioria das boas comidas, de ostras
a rabada, passando por sopa de feijão!

Desfrutar um vinho à base de Pinotage é, sem dúvida, sair do convencional. E esse, é, certamente, um dos
prazeres associados ao vinho!

E, se você quiser saber mais sobre os vinhos da África do Sul, clique aqui.

Zinfandel ou Primitivo
Categoria: cepas

Para começar a falar dessa cepa, primeiro vamos esclarecer: a Zinfandel e a Primitivo são a mesma uva.
Assim como Crljenak kaštelanski, uma antiga variedade da Croácia, da qual as duas descendem.

A OIV classifica os 3 nomes como sinônimos, utilizados conforme a localização geográfica, sendo, por
exemplo, Primitivo o nome utilizado na Itália, e Zinfandel, nos Estados Unidos.
Se elas não são absolutamente, ou rigorosamente iguais, também não são diferentes o suficiente para se
caracterizar uma nova cepa. Geneticamente, elas são extremamente semelhantes, podendo ser consideradas
simplesmente subtipos genéticos que ocorrem naturalmente, em função da alta adaptabilidade das uvas ao
ambiente. Essa teoria foi confirmada, nos anos 1990, por um estudo genético realizado por Carole Meredith,
da Universidade da Califórnia.

Como nos Estados Unidos, as leis de rotulagem por enquanto não permitem a substituição de um termo pelo
outro, então, é possível encontrar vinhos de corte cuja combinação de uvas descrita é Zinfandel e Primitivo.
Curioso, não?

A Zinfandel, ou a Primitivo (como queira), não é uma uva de fácil cultivo. O tamanho dos azulados bagos varia
muito, inclusive em um mesmo cacho. É necessária certa experiência para lidar com o amadurecimento dessa
cepa, nessas condições.

Essa variedade parece um camaleão, podendo ser utilizada para a produção de vinhos brancos, rosés, tintos e
até mesmo fortificados. O estilo mais conhecido é o tinto: encorpado, de profunda coloração, muito frutado,
com aromas de frutas silvestres e notas incrivelmente apimentadas. Um excelente acompanhamento para
pratos elaborados com carne de porco, e para salames em geral.

Outro estilo que merece destaque é o rosé, que nos Estados Unidos é chamado de White Zinfandel, ou Blush.
Esse é um vinho bem recomendado para peixes ou então massas com molho à carbonara. Mas alguns
especialistas torcem o nariz para esse vinho, considerando-o “fácil demais”. Uma pena.

Para encerrar, que tal ler sobre a denominação Primitivo di Manduria, uma das manifestações mais
interessantes dessa uva? Para ler, clique aqui.
Prosecco
Categoria: denominando
Este é o nome original de uma variedade italiana de uva branca, da região do Vêneto, e também de um dos
grandes vinhos italianos, o espumante produzido exclusivamente no nordeste da Itália.

Desde 1969 os vinhos Prosecco estão regulamentados pelo sistema de denominação de origem
italiano, sendo que, recentemente, a região específica de Conegliano Valdobbiadene foi
condecorada como uma DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), por produzir os Proseccos
de maior qualidade.

Para Conegliano Valdobbiadene, a 50 km de Veneza, esse foi o reconhecimento de anos de trabalho que
estabeleceram excelentes níveis de qualidade em todas as fases de produção.

Desde então, a fim de diminuir as inevitáveis confusões entre o nome da uva e da denominação de origem,
regulamentada para ser utilizada somente mediante estritas regras, o sinônimo Glera foi adotado oficialmente
como nome da cepa.

Com essa mudança, também reduziu-se a possibilidade de espumantes de outras regiões serem rotulados
como Prosecco, por usarem a mesma variedade de uva.

Um Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore deve ser produzido com, pelo menos, 85% de presença da
uva agora chamada de Glera. O restante pode ser composto pelas nativas Verdiso, Bianchetta, Perera, Glera
Lunga, ou pelas internacionais Pinot e Chardonnay.

O rótulo desses vinhos pode trazer somente o nome Conegliano, somente Valdobbiadene, ou ambos.
O método de produção do Prosecco prevê segunda fermentação em tanques, diferente do método francês
tradicional, no qual essa etapa ocorre dentro da garrafa.

Os vinhos Prosecco têm identidade única, são muito tradicionais, mas muito flexíveis, sendo agradáveis em
qualquer ocasião, e podem aparecer em 3 diferentes versões:

Brut – esse é o mais moderno, e mais flexível de todos. Muito atraente, e com paladar vibrante, tem no
máximo 12 g de açúcar residual por litro. Excelente quando servido com peixes ou frutos do mar.

Extrasseco – esse é o mais tradicional, também muito fácil de harmonizar. Elegante, tem um toque picante
e cítrico, com açúcar residual entre 12 a 17 g/litro. Grande como aperitivo, e também com sopas, massas,
carnes brancas...

Seco – esse é o menos conhecido, com um paladar cheio de sabor, fresco e suave. Apresenta entre 17 e
32 gramas de açúcar residual por litro, e é uma ótima escolha para comidas picantes.

Para conhecer todo o potencial de um Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore, sirva-o gelado, entre 6
e 8°C. Mas não espere um momento especial para esse prazer. Considere a possibilidade de transformar um
momento qualquer, em um momento especial...

E esse "buraco" no fundo da


garrafa?

Categoria: desmistificando

De uma maneira resumida, é comum se dizer que o repuxo (punt,


concavidade, ou reentrância) na base de algumas garrafas serve para
lhe dar resistência e facilitar o manuseio ao servir. Mas, há várias outras teorias e explicações sobre a sua
existência; cada uma delas com seus defensores e contestadores.

O repuxo existiria simplesmente por aspectos de marketing? Alguns afirmam que ele serve para transmitir a
sensação de maior qualidade, ou então, para que destacar as garrafas, dado que por terem os mesmo 750 ml,
elas acabam ficando mais altas quando possuem essa reentrância. Essas teorias podem até ter seus
fundamentos, mas de forma alguma justificam o início da existência do repuxo, e nem tão pouco se encaixam
em todas as situações onde é possível encontrá-lo.

O punt serve para quem estiver servindo apoiar o dedo? Sim, até serve, pois diminuindo o contato da mão com
a garrafa, mantém melhor a temperatura do vinho. Mas sinto informar que o repuxo não foi criado pensando
nisso.

Então foi criado para garantir que as garrafas de espumante não estourem quando as rolhas são colocadas?
Essa é uma teoria com bastante seguidores, mesmo porque, tecnicamente falando, isso resolve, sim, a
questão da pressão interna nas garrafas quando da colocação das rolhas; mas por si só não explica o porquê
de garrafas, por exemplo, de vinho tinto, terem também o repuxo.

O repuxo foi criado para empilhar as garrafas de champagne de cabeça para baixo em um de seus processos
de fabricação? Ok, mas isso não justifica o porquê da existência em outros tipos de vinho também.

Outros dizem que essa concavidade foi criada para ser usada em garrafas de vinhos mais complexos. Não é
possível afirmar que essa seja a origem, mas é fato que vinhos mais complexos, ou com um grande potencial
de envelhecimento, ou que dispensaram o processo de filtragem, fazem uso de garrafas com repuxo para
manter os sedimentos no fundo da garrafa. Aliás, diga-se de passagem, apesar de não serem prejudiciais, a
textura desses sedimentos pode ser desagradável (leia o artigo “Que sujeira é essa?”, clicando aqui).

Uma das hipóteses que parece fazer mais sentido, é que o repuxo não foi “criado”, mas apareceu
simplesmente como resultado dos métodos iniciais de fabricação de garrafas. Antigamente as garrafas eram
feitas de sopro, ou seja, soprava-se uma gota de vidro incandescente através de um cano e ia-se girando para
dar forma à garrafa e depois apoiava-se em uma ferramenta convexa, que na época era chamada de “punt”,
daí um de seus nomes.

Outra versão ampliada dessa mesma história? O apoio da garrafa com vidro ainda mole sobre o “punt” era
proposital para gerar o repuxo, pois devido à precariedade do processo de sopro, a garrafa não ficava com a
mesma espessura em toda sua superfície e, em geral, ficava com um canto vivo entre a parede e o fundo, e
acabava por quebrar. Solução à época? Aumentar a resistência através do formato côncavo no fundo. Como
hoje em dia o processo de fabricação é preciso, a continuidade da existência do repuxo seria somente uma
questão de tradição.

Outra teoria: a reentrância da garrafa foi criada para deixá-la mais estável quando colocada em pé? Dizer que
em um momento do passado as concavidades foram criadas para isso, até pode ser, mas continua a pergunta:
por que ainda permanecem hoje, dado que o processo de fabricação atual permite garrafas absolutamente
simétricas e estáveis?
Como pode ver, polemizamos. Todas essas histórias têm seu fundo de verdade, seu sentido, sua justificativa,
mas não necessariamente existe uma resposta única e inquestionável.

Melhor cada um filosofar sobre o tema sob o prisma que melhor lhe atrai, mas com uma bela companhia e com
um vinho, fica mais agradável.

Porto x Madeira: uma confusão fortificada!


Categoria: desmistificando

Ambos são vinhos fortificados de origem portuguesa. Simplificando,


os dois caracterizam-se pela riqueza em álcool e pelo teor em açúcar.
São o resultado de uma fermentação alcoólica parcial, interrompida
pela adição de aguardente vínica de alta qualidade. Mas e o que os
diferencia?

A origem

As uvas utilizadas no vinho do Porto são cultivadas no Vale do Douro,


e os vinhos são envelhecidos na cidade do Porto e arredores. Já o
Madeira é um vinho originário da ilha portuguesa de mesmo nome,
que fica além da costa do Marrocos, a 1.100 km da costa portuguesa e a 600 km da costa africana.

As cepas

As principais uvas utilizadas para a produção de vinho do Porto são Touriga, Bastardo, Mourisca, Sousão,
Tinta Cão, Tinta Francisca e as brancas Malvásia, Verdelho e Rabigato. E as castas mais presentes no vinho
Madeira são Malvasia, Bual, Verdelho, Sercial, Malmsey, Tinta Negra Mole, Terrantez e a Bastardo.

A concentração de açúcar

A concentração de açúcar destes vinhos também é diferente. Um Madeira pode variar de menos de 49,1g/litro
(extrasseco) até mais de 96,1g/litro (doce), enquanto a variação do Porto é maior, indo de menos de 40g/litro
(extrasseco) até mais de 130g/litro (muito doce). No entanto, a maior parte dos vinhos do Porto são doces,
com concentração de açúcar entre 90 e 130g/litro, alta em comparação ao Madeira.

As diferentes concentrações de açúcar são resultado de diferentes momentos de interrupção da fermentação


alcoólica pela adição de aguardente: permitir maior tempo de fermentação resulta em vinhos mais secos;
interromper o processo de fermentação por meio da aguardente mais cedo, produz vinhos mais doces.

O envelhecimento

O Vinho do Porto se divide em dois "mundos": envelhecimento


em carvalho e em garrafa.

Os Portos Tawny, envelhecidos e conservados em barris de


carvalho por longos períodos, são engarrafados somente
quando estão prontos para serem consumidos. A perda por
evaporação que ocorre no envelhecimento em madeira pode
chegar a 2% ao ano. Isso significa maior concentração de
ácidos e de açúcar.

Mas também existem os vinhos do porto que vão envelhecer


em garrafas, que são os Portos Safrados, engarrafados
quando jovens, quando ainda têm necessidade de tempo para
suavizar seus taninos e adstringência.

O envelhecimento do vinho Madeira dá-se por um processo


de maturação que utiliza calor, numa tentativa de simulação das condições a que esses vinhos eram
submetidos nas suas longas travessias oceânicas até as Índias, quando atravessavam duas vezes a linha do
Equador. E esse calor também é obtido de duas formas diferentes.

O vinho Madeira pode ser colocado em cubas de aço inox, e aquecido a 45 ou 50°C, sendo mantido a esta
temperatura através de um sistema de permuta com água quente, durante um período nunca inferior a 3
meses.

Os vinhos Madeira de qualidade superior são envelhecidos por um processo de maturação conhecido como
“canteiro”, no qual empilham-se os cascos de madeira na parte superior dos armazéns, muito próximos ao
telhado e, portanto, com pouco isolamento, para que possam usufruir do calor que ali se acumula. O clima
subtropical da ilha da Madeira é o ideal para este tipo de processo de maturação.

Depois de esclarecidas essas diferenças, que tal provar ambos, para tentar entender os motivos de Portugal
ser mundialmente reconhecido por seus excelentes vinhos fortificados?

Sémillon
Categoria: cepas

Apesar de não ser tão famosa quanto Chardonnay ou Sauvignon


Blanc, esta é a uva branca mais plantada em Bordeaux. Um bom
motivo para conhecê-la melhor...

Muito suscetível à podridão nobre causada pelo fungo Botrytis


cinerea, que desidrata as uvas concentrando açúcares, a Sémillon
produz famosos vinhos de sobremesa na região de Bordeaux,
particularmente em Sauternes. Se quiser ler mais sobre Sauternes,
cliqueaqui.

Além disso, a cepa descobriu seu segundo lar na Austrália, em


Hunter Valley, onde tem sido cada vez mais utilizada em varietais
soberbos, secos e ideais para a guarda.

Apesar de tão suscetível ao Botrytis, Sémillon é uma cepa


bastante resistente a doenças, e relativamente fácil de cultivar.
Os bagos possuem pele grossa e dourada, podendo assumir um tom rosado ou de cobre no tempo da
colheita. É uma uva que demora a brotar, mas que amadurece relativamente cedo.

Os aromas frutados que costumam ser associados à Sémillon são maçã, pera, limão, nectarina, uva, melão e
figo, além dos condimentados açafrão, e ervas secas. Versões afetadas pela podridão nobre apresentam
damasco, marmelo, pêssego, mel, abacaxi e caramelo.

Mas o fato é que a Sémillon tende a ser mais modesta, tanto em acidez como em compostos aromáticos.
Provavelmente foi o que desencadeou sua maior parceria, no mundo do vinho, em cortes com a Sauvignon
Blanc.

Em compensação, Sémillon oferece cremosidade em sua textura de seda, que com a passagem pelo carvalho
faz surgir aromas de manteiga, creme de leite, baunilha e fumo. Com a idade, inclusive, pode assumir notas de
avelã.

Para experimentar vinhos produzidos com Sémillon, harmonize versões secas com um frango assado
temperado com ervas, ou então com frutos do mar. Já os vinhos de sobremesa ficam ainda mais incríveis
quando acompanhados, por exemplo, por um tradicional pudim de leite.

É, a viagem pelo mundo dos vinhos é longa. Mas é extremamente prazerosa...

Sommelier, enólogo ou enófilo?


Categoria: desmistificando

Quem é quem, e quem faz o quê? Quem nunca teve essa dúvida, que atire a primeira taça de vinho!!!

Sommelier

Primeiro, a pronúncia. Essa palavra, de origem francesa, pronuncia-se como se fosse “someliê”. No feminino,
escreve-se Sommelière, e se pronuncia “someliér”.

Sommelier é uma profissão que está em alta no Brasil. Esse é o responsável pelas bebidas de um
estabelecimento, é quem escolhe os vinhos de determinada adega, e os apresenta aos clientes da maneira
mais adequada. É um especialista em serviço e em degustação de vinho.
A legislação brasileira, que regulamenta essa profissão desde 2011, considera sommelier, aquele que executa
o serviço especializado de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes,
supermercados, enotecas, companhias aéreas e marítimas.

Para entender mais o dia a dia de trabalho desse profissional, clique aqui.

Enólogo

Agora vem o enólogo. Esse também é um profissional do mercado de vinhos. Mas esse é o responsável pela
produção do vinho! O enólogo trabalha na vinícola, e é um especialista em combinar ciência e arte, em busca
de vinho.

Existem pouquíssimas faculdades de enologia no mundo, inclusive no Brasil. As principais estão na França e
na Itália. Para conhecer alguns cursos no Brasil que formam esse profissional, do Ensino Médio ao Mestrado,
clique aqui.
Mas a boa notícia é que dá para brincar de ser enólogo por um dia, na vida. Para saber mais sobre isso,
cliqueaqui.

Enófilo

Esse não é um profissional, pelo menos, não necessariamente... Um enófilo é quem gosta de vinho. Enófilos,
portanto, somos todos nós, que amamos vinho, e nos dedicamos a tentar compreender esse maravilhoso
mundo!

E, se você, enófilo, sonha em ser um profissional desse mercado, conheça algumas possibilidades,
clicandoaqui.

Desfeita a confusão, um brinde a todos: sommeliers, enólogos e enófilos! Saúde!

Os super vinhos Supertoscanos


Categoria: a história do vinho

Essa é uma categoria não oficial da Toscana, não reconhecida pelo sistema de classificação dos vinhos
italianos. Mas que merece, e muito, ser conhecida por todos os apaixonados por vinho!
Na década de 70, alguns produtores toscanos consideravam as normas jurídicas que regiam a produção de
vinho de Chianti demasiadamente restritivas. Para que um vinho pudesse ser rotulado como Chianti, ele não
poderia ter mais do que 70% de Sangiovese em sua composição, e, necessariamente, deveria ter no mínimo
10% de uma das uvas brancas nativas. Além disso, era proibida a mistura de uvas como Cabernet Sauvignon,
Merlot e Syrah, por não serem tipicamente italianas.

Essa foi uma época de crise para os vinhos Chianti, quando estavam sendo considerados, inclusive, de baixa
qualidade. E muitos produtores optaram por fugir dessas regras tão restritivas, que impediam a produção de
um vinho de melhor qualidade, a fim de produzir os melhores vinhos possíveis!

Os vinhos que surgiram fora destes regulamentos, portanto proibidos de usar a rotulagem Chianti, eram
obrigatoriamente classificados como Vino da Tavola, que é o patamar mais baixo de vinhos da Itália.
Ironicamente, isso acontecia mesmo quando eram vinhos extraordinários, como, de fato, muitos eram.

A qualidade excepcional destes vinhos estava ligada não só à escolha de uvas, mas também à introdução de
inovações no processo de vinicultura, como a diminuição no rendimento dos vinhedos, a antecipação da
colheita de determinadas variedades, a utilização para vinhos brancos de tanques de aço inox com
temperatura controlada, a fermentação malolática dos vinhos tintos, o uso de barris novos de carvalho da
Eslovênia e da França, entre outras.

O fato é que esses produtores precisavam de um termo que diferenciasse, junto aos consumidores, esses
grandes vinhos que estavam sendo produzidos, afastando-os dos modestos Vinos da Tavola. Assim surgiram
os Supertoscanos, a maioria deles à base de Sangiovese, em corte com uvas típicas de Bordeaux, ou por
vezes sendo produzido até como varietal da cepa. Se quiser ler mais sobre a diferença entre cortes e varietais,
clique aqui.
No final dos anos 80, a tendência de produzir vinhos fora das regulamentações, e utilizando uvas originárias
de Bordeaux, já estava consolidada na Toscana, no Piemonte e no Veneto. Esse foi o momento em que
mudanças no sistema de classificação dos vinhos italianos foram implementadas e, muitos dos vinhos
comercializados como Supertoscanos puderam ser enquadrados até como DOCG, em reconhecimento à sua
alta qualidade. Atualmente, é possível encontrar Supertoscanos DOCG Chianti, DOC Bolgheri, IGT Toscana,
enquadrados no novo sistema. Se quiser entender melhor como funciona o sistema italiano de denominação
de origem, clique aqui.

Felizmente, o prestígio do nome Chianti foi merecidamente restabelecido, e, quem ganhou com essa crise,
fomos nós, com o surgimento dos Supertoscanos, esses grandes vinhos de estilo bordalês, mas de caráter
claramente italiano!
A importância da safra
Categoria: desmistificando

Muito se fala em
vintage, safra.
Mas será que isso
realmente
importa? Ou é
mais uma das
lendas que
envolvem o
vinho?

É fato. O vinho
pode, sim, variar
muito de um ano
para o outro.
Determinados vinhos, de determinadas regiões, variam mais que outros.

Variação de safra é a diferença no sabor de um vinho em função da influência do clima sobre as uvas, durante
a estação de crescimento.

As maiores variações de safra tendem a acontecer nas regiões de climas frios e com maior variação de
temperatura, como o norte da Itália, França, Chile, Nova Zelândia, Oregon e Washington, nos Estados Unidos.
Mas não existem safras 100% boas ou completamente ruins. Até porque essas regiões são imensas áreas
geográficas, dentro das quais as condições climáticas também variam. E é importante lembrar que alguns
produtores, vinhas e cepas estão mais bem equipados para lidar com as mudanças climáticas do que outros.
Os melhores produtores farão ótimos vinhos mesmo mediante condições climáticas complicadas.

Algumas ocorrências climáticas, por exemplo, que afetam uma safra:

Geada no início da temporada pode matar os botões de flor que crescem nas plantações, dificultando a
polinização. Boa parte do sucesso qualitativo de uma safra tem relação com o modo como acontece o
florescimento.

Um início úmido de temporada afeta as videiras jovens que não conseguem realizar corretamente a
fotossíntese, reduzindo a colheita da uva. A extensão do período de exposição ao Sol é essencial para o
período de crescimento.

Chuvas no final do período de crescimento das uvas pode deixá-las aquosas, e com menos sabor.

Para encerrar, uma curiosidade: uma safra desfavorável para vinhos tintos, por vezes pode significar uma boa
safra para os vinhos brancos, porque, no frio, os brancos desenvolvem uma acidez crocante.
Rolhas e rolhas
Categoria: servindo

Rolha não é tudo igual. Muito pelo contrário. Quer ver?

Rolha de cortiça maciça


Produzida com pranchas de cortiça perfuradas, retiradas da casca de um
carvalho conhecido como sobreiro, essa é a rolha mais tradicional de todas.
Quanto menos porosa, maior sua qualidade. Para ler mais sobre o seu processo de fabricação, clique aqui.

Rolha de aglomerado de cortiça

Produzida a partir da sobra de material, quando a cortiça maciça é perfurada. É


feita dos granulados dessa sobra de cortiça, unidos por cola. Claro que são mais baratas que as maciças, mas
sua elasticidade e durabilidade também são menores.

Rolha sintética
Produzida a partir de material plástico derivado do petróleo, ou a partir
da borracha, essa é uma outra alternativa, também mais barata quando
comparada à cortiça maciça. E é cada vez mais utilizada pela indústria vinícola. Para ler mais sobre esse tipo
de rolha, clique aqui.

Rolha de espumante
Rolha produzida com cortiça, mas em um formato diferente, de cogumelo,
e em um diâmetro maior que a tradicional. São próprias para vedar as
garrafas de espumante, que contêm mais pressão em seu interior, e são
seguras por uma gaiola de arame. Se quiser ler mais sobre essa rolha,
clique aqui.

Rolha de fortificado
Também conhecida como rolha tipo tampão, é feita de cortiça e uma
tampa de plástico. A parte plástica fica para fora do gargalo, e é por onde
se segura, para torcer e retirar a rolha da garrafa. É fácil de ser
recolocada, para guardar o vinho, depois de aberto. Se quiser saber
quanto tempo guardar um Porto, por exemplo, clique aqui.

Tampa de rosca
Feita de metal, e originalmente chamada de screw cap, essa tampa dispensa o saca-rolhas, e também
apresenta um custo mais baixo, do que as rolhas produzidas com cortiça. É amplamente utilizada nos vinhos
australianos e neozelandeses. Mas esse deve ser um dos assuntos mais polêmicos relacionados ao vinho...
Para ler mais sobre tampas de rosca, clique aqui.

Tampa de vidro

Bonita e com um ar de elegância, é produzida obviamente a partir do


vidro, com um anel de silicone para a vedação. Mas essa não é uma
alternativa comum de ser encontrada. E, pelo menos por enquanto,
apresenta um alto custo para os produtores que escolhem essa opção.

E, para quem acha que isso é tudo, saiba que os profissionais do ramo continuam pesquisando diferentes
maneiras de vedar suas garrafas. Para ver um exemplo, clique aqui.

E saúde!

O rei dos vinhos, o vinho dos reis


Categoria: a história do vinho

Os vinhos Tokaji (pronuncia-se "tocai"), da Hungria, são famosos pelo sabor e pela longevidade, sendo
considerados entre os melhores vinhos do mundo! Se você ainda não os conhece, chegou a hora! Uma das
preferências das cortes reais europeias nos séculos 18 e 19, foi batizado por Luís XIV como “o rei dos vinhos,
o vinho dos reis”.
A Hungria, assim como boa parte do mundo, viveu um duro período de pós-guerra, na segunda metade do
século 20. A produção de vinhos Tokaji ficou praticamente estagnada durante esses anos, mas, após a queda
do regime comunista no país, em 1989, algumas vinícolas húngaras decidiram resgatar o Tokaji da
obscuridade.

O húngaro é uma das únicas línguas europeias que têm a sua própria palavra para “vinho”, sem ser derivada
do latim: “bor”. Isso evidencia o contato com uvas e vinho mais de mil anos atrás. Com clima e o solo perfeitos
para a produção de vinho, este pequeno país abrange 22 regiões vinícolas.

Tokaj, ou Tokaj- Hegyalja


(colinas de Tokaj), a
região vinícola mais
famosa da Hungria, foi
oficialmente declarada
Patrimônio da
Humanidade em 2002,
pela UNESCO. A três
horas de distância de
Budapeste, Tokaj foi o
berço do primeiro
sistema de classificação
de vinhedos do mundo
inteiro, em 1772.

Esse vinho tem tanta


importância para o país, que é mencionado até no hino nacional da Hungria. De Virgínia Wolf a Alexandre
Dumas, o Tokaji foi citado em inúmeras obras, incluindo “O Fantasma da Ópera”. Se você assistiu ao filme
“Amadeus Mozart”, é possível ver que a garrafa na mão dele é de um Tokaji.

A adição de uma letra “i”, ao final, transforma o substantivo “Tokaj” (nome da região e da sua principal cidade),
no adjetivo “Tokaji”. Por isso, o correto é “os vinhos Tokaji, da região de Tokaj”. Também é possível encontrar a
grafia “Tokay”, mas essa forma, comum na Inglaterra, está cada vez mais obsoleta na Hungria.

As atividades vulcânicas do passado conferiram ao solo de Tokaj uma mineralidade incrivelmente rica, que
pode ser sentida em seus vinhos.

As três principais variedades de uvas de Tokaj são Furmint, Hárslevelû e Sárga Muskotály. Mas existem outras
três variedades também autorizadas: Zeta, Kövérszõlõ e Kabar, e experimentos estão em andamento para
reintroduzir Gohér, uma cepa quase extinta.
No outono, a
combinação entre a
névoa da manhã, e as
tardes ensolaradas, cria
condições ideais para a
podridão nobre. Este é
o momento que o fungo
Botrytis Cinerea ataca
as uvas, perfurando sua
pele. Os frutos exalam
água e murcham,
atingindo níveis de
concentração extrema.
Estes bagos
botritizados, ou aszú,
como são chamados
em húngaro, adquirem
características únicas,
como aromas
específicos e um
incrível equilíbrio entre
doçura e acidez.

A história mítica conta


que, por volta de 1650,
os habitantes locais
perderam a época da
colheita, pois estavam
abrigados, protegendo-
se dos turcos. Ao
retornarem, resolveram produzir vinho mesmo com as uvas enrugadas, tendo passado do período considerado
o ideal de maturação. Mas evidências mostram que a tradição da produção dos vinhos Tokaji tem mais de
1000 anos, o que torna essa versão improvável.

Os estilos de vinho de Tokaj podem ser resumidos da seguinte forma:

Száraz, vinhos secos produzidos a partir de uvas não afetadas pelo fungo Botrytis cinerea.

Szamorodni, vinhos de colheita tardia, feitos a partir de uvas parcialmente botritizadas. Podem ser
secos (Száraz Szamorodni), com uma picante acidez, ou doces (Édes Szamorodni), harmônicos e elegantes.

Aszú, vinhos produzidos com uvas botritizadas, colhidas e selecionadas individualmente (Tokaji Aszú,
Tokaji Eszencia, Fordítás, Máslás). Aszú é o estilo responsável pela fama da região de Tokaj, com um método
de vinificação totalmente original, que adiciona uvas com elevado grau de podridão nobre ao vinho de base, e
um amadurecimento mínimo de 3 anos em barril.
Os vinhos Aszú recebem, ainda, uma classificação numérica de acordo com a quantidade de açúcar residual
(ou seja, não fermentado):

Aszú 3 Puttonyos - 60 a 90 g de açúcar residual por litro

Aszú 4 Puttonyos - 90 a 120 g de açúcar residual por litro

Aszú 5 Puttonyos - 120 a 150 g de açúcar residual por litro

Aszú 6 Puttonyos - 150 a 180 g de açúcar residual por litro

Aszú Eszencia - 180 a 450 g de açúcar residual por litro

Tokaji Eszencia - 450 a 850 g de açúcar residual por litro, mais doce e mais concentrado que o mel, com
uma persistência aromática praticamente sem fim

A palavra Puttonyo refere-se


ao recipiente utilizado para a
colheita de uvas botritizadas.
Cada Puttonyo contém cerca
de 25 kg de uvas, e o
número refere-se à
quantidade de Puttonyos
para cada barril de 136 l de
vinho de base.

Maior a classificação, maior


a concentração, a
complexidade e o equilíbrio,
complementados com
aromas de chocolate,
caramelo e creme brulé, com
um potencial lendário de
envelhecimento.

Esse é o vinho de maior longevidade. O Tokaji Eszencia é considerado praticamente imortal, podendo ser
armazenado por mais de dois séculos! Por esta razão, garrafas do século 18 e 19 são muito procuradas por
colecionadores, sendo comercializadas por valores astronômicos!

Curiosidade: o Imperador Franz Josef, antigo rei da Hungria, tinha como tradição presentear a Rainha Victoria
com vinho Tokaji Aszú, em todos os seus aniversários: uma garrafa para cada mês que ela tinha vivido, mais
doze garrafas para cada ano completo de vida. Em 1900, seu 81º e último aniversário, ela recebeu
impressionantes 972 garrafas!

Quer um conselho? Dê esse prazer a si mesmo, experimentando esse néctar dos deuses, ou melhor, esse
néctar dos reis!

Dica de harmonização? Queijos azuis, como Roquefort e Gorgonzola, presunto cru, ou sobremesas em geral.
Formato e cor das garrafas
Categoria: desmistificando

Vamos pensar um pouco mais na garrafa de vinho.

Em primeiro lugar, vamos analisar suas partes:

gargalo, por onde o vinho sai.

pescoço, caminho até o gargalo, cujo nome não precisa de explicações...

ombro, um nome também fácil de entender...

bojo, o corpo da garrafa em si.


repuxo, que merece muito mais detalhes. Para ler, clique aqui.

A origem dos diferentes formatos e cores está, na maioria das vezes, associada à lógica. Vinhos com menos
sedimento, como os brancos, utilizavam garrafas com ombros baixos, pois não havia a necessidade de reter
partículas. Para vinhos com maior acúmulo de resíduos, ombros altos. Vinhos produzidos com maior
expectativa de guarda utilizam vidro mais escuro, para proteger o líquido da luminosidade. E assim por diante.

Então, vamos aos formatos mais comuns:

Bordeaux: Esse é o mais clássico. Acabou sendo utilizado também fora da Europa,
principalmente para sinalizar que as uvas empregadas eram tipicamente bordalesas, como Cabernet
Sauvignon e Merlot. Marcada pelos ombros altos para a retenção de resíduos acumulados ao longo do tempo.

Borgonha: Criada inicialmente para os vinhos tintos e brancos de Borgonha, e depois utilizada
mundialmente para sinalizar vinhos produzidos com uvas típicas da Borgonha, como a Pinot Noir e a
Chardonnay. Reparou nos ombros baixos?

Flauta alemã: Os vinhos alemães, e também os franceses da Alsácia, são comercializados em


garrafas estreitas e alongadas, sem ombros, também chamadas alsacianas. Seguindo o exemplo, alguns
produtores de vinho Riesling ou Gewürztraminer, de outros países, também usam este padrão.

Cantil: Tradicionalmente usada para o vinho alemão da região da Francônia, e para alguns
vinhos de Portugal, como rosés e alguns Vinhos Verdes. Cada vez mais rara de ser vista, pelo formato
abaloado, que a deixa mais difícil de armazenar.

Corset: Com o significado de corpete, em português, esse formato tradicional das garrafas de
vinho rosé da região da Provença é raramente usado atualmente.
Fiasco: A garrafa coberta de palha, originalmente usada para os vinhos italianos da região de
Chianti. Se quiser ler mais sobre ela, clique aqui.

Porto: Produzida em vidro grosso e projetada para envelhecer por longo tempo nas adegas, é o
padrão mais usado para vinhos fortificados, em geral. Os ombros altos ajudam a retenção da borra do
envelhecimento.

Champagne: Esta garrafa também é fabricada com vidro mais grosso, para suportar a pressão
interna do vinho, e costuma ter um repuxo acentuado, para lhe dar mais resistência. Utilizada em espumantes
do mundo inteiro, leva uma rolha específica. Para ler sobre a rolha dos espumantes, clique aqui.

Vinho não é tudo igual. Nem garrafa de vinho é tudo igual. Viva a diferença!

Torrontés
Categoria: cepas

A palavra Torrontés (paroxítona, que pronuncia-se “tor-RON-tes”) vem de


enxurrada, o que é muito apropriado para descrever esse vinho branco
argentino de aromas incrivelmente potentes, capaz de surpreender
qualquer um.

De origem bastante controversa, essa uva é a única cepa considerada


nativa da Argentina, e pode-se considerar que seus vinhos são
produzidos exclusivamente nesse país. Eventualmente, é possível
encontrar alguns notáveis exemplares no Chile e na Nova Zelândia.
Eventualmente.

Essa é uma uva bem redonda, com bagos e cachos de tamanho médio, e
com cor verde amarelada, próxima ao dourado. O verde das vinhas e o dourado das uvas formam uma
maravilhosa paisagem nas montanhas.

Das três variantes de Torrontés (mendocina, sanjuanina e riojana), a mais comum é a Torrontés riojana, com a
qual se produz o reconhecido vinho de exportação dos argentinos.
O Vale de Cafayate, bem ao norte da Argentina, vem conquistando para a região de Salta uma excelente
reputação vinícola, graças ao cultivo desta variedade. Com vinhedos em altíssimas altitudes, o Torrontés de
Cafayate é um vinho de personalidade única, frutado, saboroso e prolongado na boca.

Seus aromas doces lembram pêssegos, lichias, especiarias, e flores como rosas, jasmins e gerânios. Dizem
que sentir seu aroma é como mergulhar em um vaso de flores, e isso não é um exagero!

Contudo, na boca surgem os sabores secos de salada de frutas, algumas vezes com toques de orégano ou
mel, sempre com uma acidez muito refrescante. O Torrontés é um vinho complexo e delicado, de corpo leve,
amarelo claro com reflexos verdes, e que raramente passa por barris de carvalho durante sua vinificação.

Esse é um vinho perfeito para ser servido como aperitivo, ou para acompanhar os sabores delicados de peixes
e mariscos. Também harmoniza muito bem com pratos orientais aromáticos e picantes, como da Índia, China e
Tailândia. E é sempre uma boa opção para harmonizar frangos e saladas.

Melhor quando apreciado jovem, esse não é um vinho que deve ser comprado para guardar. Prefira sempre a
safra mais recente, ao procurá-lo. E é possível encontrar fantásticos Torrontés a preços muito interessantes!

Se você aprecia a textura e o sabor do Sauvignon Blanc, acredite: você vai gostar de Torrontés!

Touriga nacional
Categoria: cepas

Entre as 250 castas nativas de Portugal, esta é a que mais recebe elogios! A
Touriga Nacional é uma casta nobre, muito apreciada pelos portugueses, e cada
vez mais conhecida no mundo todo. Assim como o Tempranillo, na Espanha,
Touriga Nacional é o coração e a alma de Portugal!

Com um lista de sinônimos, é possível encontrar a Touriga Nacional pelos


nomes: Bical Tinto, Mortágua, Mortágua Preto, Preto Mortágua, Touriga, Touriga
Fina, Tourigão, Tourigo Antigo, Tourigo do Dão e Turiga. Mas não deve ser
confundida com a Touriga Franca, outra variedade também encontrada nos
portugueses fortificados, ao lado da Tinta Roriz.

A Touriga Nacional é a mais famosa das uvas utilizadas no vinho do Porto. Embora o vinho do Porto possa ser
composto por mais de 20 variedades, essa cepa é sua espinha dorsal.

Apesar de estar cada vez mais sendo engarrafa como varietal, a Touriga Nacional é generosa quando usada
em cortes, tanto com uvas regionais de Portugal ou internacionais como Cabernet Sauvignon e Syrah.

As regiões do Dão e do Douro, no norte de Portugal, reclamam a sua paternidade, mas essa variedade hoje
está disseminada também pelo Alentejo, Lisboa, Bairrada, Setúbal, Tejo, Algarve e Açores. Além disso, está
sendo plantada em outros países, como na Austrália, nos Estados Unidos, e até mesmo aqui no Brasil.

A videira de Touriga Nacional tem cachos pequenos, com bagos ligeiramente achatados, de um azul que vai de
médio a escuro, e é muito sensível às condições ambientais.

Sendo a Touriga Nacional uma cepa de baixa produtividade, é capaz de produzir vinhos tânicos e equilibrados,
com boas graduações alcoólicas e excelente capacidade de envelhecimento. Os taninos são poderosos e
robustos, mas ao mesmo tempo, delicados, finos e elegantes. A película grossa, rica em matéria corante, ajuda
a obter cores intensas e profundas.

A abundância dos aromas primários é uma das características marcantes desta uva, que apresenta-se ao
mesmo tempo floral e frutada, mas sempre intensa e explosiva. Aromas poderosos de excepcional
complexidade remetem a violetas e a frutos pretos maduros, como amora e mirtilo, com algo de selvagem e
silvestre, como notas de alecrim.

A harmonização da Touriga Nacional, quando presente no vinho do Porto, é muito bem sucedida com
chocolate, café, sobremesas à base de nozes, assim como com queijos azuis, como Roquefort.

Os varietais de Touriga Nacional, por sua vez, emparelham esplendidamente com pratos de carne vermelha
(guisados, assados, bifes), e combinações agridoces de carnes com frutas (frango com passas, lombo com
abacaxi, cordeiro com damascos...).

Uma dica: se você aprecia um Malbec há boas chances de você amar a Touriga Nacional. Experimente!

Diga de onde vens e direi quem és


Categoria: desmistificando

As fronteiras do mundo do vinho vão muito além das famosas Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir,
Chardonnay... Você já ouviu falar em uvas autóctones?
A Cabernet Sauvignon, por exemplo, apesar de ser originária da região francesa de Bordeaux, foi
internacionalizada de tal forma, que praticamente todos os países produtores de vinho têm parte de seus
vinhedos, maior ou menor, ocupada por essa uva. Por isso essas são uvas chamadas de internacionais.

E, por que, algumas uvas tornaram-se internacionais? Porque essas são variedades que se adaptam bem a
climas diversos, e, também, pelo interesse de vinicultores, ao redor do mundo, em tentar reproduzir os vinhos
clássicos europeus (ou, ao menos se aproximar deles).

Mas, em contraponto às uvas internacionais e famosas, temos as desconhecidas uvas nativas, que acabam
simbolizando determinado país ou região vinícola. A palavra autóctone, de origem grega, significa “natural do
país”. E grande parte da produção mundial de vinho provém dessas cepas não clássicas, cultivadas por
tradição.

Algumas dessas uvas desenvolveram-se por mutação natural, outras foram criadas por fertilização cruzada
intencional. O fato é que existem mais de 10.000 variedades de uvas viníferas da espécie Vitis vinifera, apesar
de somente cerca de 50 delas serem mais frequentemente usadas, e por isso mesmo, de fato mais
conhecidas.

Enquanto a França é o berço das uvas clássicas, Portugal e Itália são ótimos exemplos de países que
privilegiam as uvas nativas na produção de seus vinhos, atraindo a atenção mundial com vinhos originais e
únicos.

Vamos a alguns exemplos de países e suas uvas nativas:

Em Portugal, entre as 250 castas nativas do país, destacam-se as tintas Touriga Nacional, Baga,
Castelão, Touriga Franca, Trincadeira, Bastardo, Mourisca, Tinta Cão, Tinta Francisca e Sousão, além das
brancas Alvarinho, Arinto, Encruzado, Fernão Pires, Verdelho e Rabigato.

Na Itália, a diversidade de uvas nativas oferece as tintas Nebbiolo, Barbera, Sangiovese, Corvina,
Montepulciano, Lambrusco, Aglianico, Rondinella, Nero d’Avola e Molinara, além das brancas Prosecco,
Trebbiano, Fiano, Catarratto e Inzolia, dentre tantas outras.

Na Espanha, Tempranillo, Macabeo, Parellada, Palomino, Pedro Ximénez, Mencía e Callet são alguns
bons exemplos.

Na Argentina, Torrontés é a única cepa realmente considerada nativa do país.

E a lista é realmente extensa, e às vezes até mesmo controversa e polêmica. Lembre-se: são mais de 10.000
variedades existentes...

A antiga tendência de valorizar as uvas mais famosas poderia até ter colocado em risco as cepas nativas, com
suas características próprias e seu material genético precioso. Mas, para a nossa sorte, o mundo tem voltado
sua atenção, cada vez mais, à fascinante diversidade dos vinhos!
O calendário da uva
Categoria: a história do vinho

Quando for degustar sua taça de vinho, que tal pensar no que está acontecendo nesse mesmo momento nos
vinhedos, tanto os lá do hemisfério norte, como os daqui do hemisfério sul?

Janeiro lá, julho aqui... No auge do inverno, quando as vinhas estão dormentes, é a hora de podá-las,
manualmente. Mesmo que o frio esteja insuportável.
Fevereiro lá, agosto aqui... No final do inverno, as vinhas podem já estar podadas, mas ainda é
necessário reparar as estruturas dos vinhedos, como fios ou estacas.

Março lá, setembro aqui... No mês em que começa a primavera, os brotos começam a aparecer nos
vinhedos, e a fotossíntese começa a nutrir a videira.
Abril lá, outubro aqui... Mesmo em plena primavera, ainda há risco de geada. E esse é o momento para
a poda de renovação, que dá força aos ramos.

Maio lá, novembro aqui... As vinhas começam a florescer, e, em seguida, será a vez de aparecerem as
primeiras uvas. O risco de geada é menor a cada dia.

Junho lá, dezembro aqui... Essa é a época do posicionamento dos ramos nos fios e redes, da aplicação
de fertilizantes orgânicos, da irrigação e da poda de cachos, quando a colheita promete ser abundante.
Julho lá, janeiro aqui... Quando as vinhas estão totalmente crescidas, as grandes copas protegem os
pequenos brotos, e é chegada a hora da pulverização contra pragas e doenças.

Agosto lá, fevereiro aqui... As uvas amadurecem, ficando amarelo-esverdeadas, no caso das
variedades brancas, e vermelhas ou roxas, no caso das tintas. Cachos excedentes podem ser podados mais
uma vez. Curiosidade: já ouviu falar sobre o impacto de geadas em uvas maduras? Se quiser saber,
clique aqui.

Setembro lá, março aqui... As uvas são cuidadosamente monitoradas para a tomada de decisão da
melhor data para o início da colheita, processo que acontece somente uma vez ao ano. Essa decisão vai
depender do ciclo de chuva, da temperatura, da variedade...
Outubro lá, abril aqui... Esse ainda é um mês de colheita. As vinhas, depois de esvaziadas, recebem água
para que possam repor seus nutrientes. As uvas colhidas vão para as primeiras etapas de vinificação.
Permanecem nos vinhedos apenas as uvas de colheita tardia. Para ler sobre colheita tardia, clique aqui

Novembro lá, maio aqui... As folhas ficam amarelas, douradas, às vezes vermelhas, e caem, com a
primeira geada, ou com os ventos de outono.
Dezembro lá, junho aqui... As vinhas entram em período de hibernação. Produtores realizam testes nas
plantas para planejar o próximo ano, e podem começar a poda.

Às vezes, cedemos à tentação de pensar num processo em que a uva nasce ali, sozinha e por conta própria,
como num passe de mágica, sem a menor interferência da atividade humana. Mas, é graças ao trabalho e à
dedicação de muitos profissionais, ao redor do mundo, que esse ciclo acontece com maestria, ao som da
natureza.

Se alguém merece o nosso reconhecimento e o nosso agradecimento, pelo vinho que bebemos, é esse
profissional. Esse é o cara!

Conhecendo o vinho Kosher


Categoria: a história do vinho
Kosher significa “adequado”, ou “apto”, em hebraico. Mas você sabe o que é um vinho adequado para os
judeus?

Ao contrário da crença popular, os vinhos Kosher não são vinhos produzidos com uvas específicas ou
diferentes das cepas usadas nos vinhos “comuns”. Também não são produzidos mediante práticas ou rituais
estranhos de vinificação.

Os vinhos Kosher, alguns de altíssima qualidade, são vinhos produzidos respeitando regras determinadas pelo
Kashrut, o conjunto das leis judaicas relativas à alimentação. Entenda, a seguir, algumas dessas regras.

Vinhos Kosher só podem ser produzidos a partir de uvas de


vinhedos que tenham, no mínimo, 4 anos de idade. Esses
vinhedos devem, necessariamente, descansar a cada 7
anos, sem colheita (exceto se o vinhedo tiver mudado de
proprietário, o que faria “zerar a contagem”).

As cepas devem crescer sem intervenções. Admitem-se


somente adubos orgânicos, desde que utilizados até um
limite de dois meses antes da colheita.

As uvas utilizadas para a produção de vinhos Kosher devem


ser colhidas manualmente, e, necessariamente, por judeus.
Não podem ser colhidas nem transportadas durante o final
de semana. Devem chegar inteiras ao interior da vinícola, em perfeitas condições. As uvas não podem ser
prensadas por pisoteamento, pois esse seria um método que as transformaria em impuras, aos olhos judaicos.

Não é permitido o uso de leveduras selecionadas geneticamente, somente de leveduras nativas. Assim como
não é permitido o uso de enzimas ou de bactérias externas que induziriam a fermentação malolática, por
exemplo. O único agente filtrante autorizado para a clarificação (purificação) do vinho Kosher é a bentonita.

A vinificação é cuidadosamente vigiada por um rabino, responsável pela certificação do vinho. Durante o
processo, o mosto e o vinho em si só podem ser vistos e manipulados por judeus. Isso explica o esquema de
segurança em torno da produção Kosher de vinhos.

Um vinho Kosher só pode ser vinificado em tanques de aço inoxidável. A utilização de barris só é permitida
para o envelhecimento, desde que os barris tenham sido produzidos conforme a lei judaica. Esses vinhos só
podem ser engarrafados em garrafas novas, produzidas também sob supervisão.

O rabino também é responsável por acompanhar para que todos os insumos ou recipientes utilizados sejam
cuidadosamente higienizados. De acordo com os preceitos judaicos, é necessário conhecer profundamente os
fornecedores de cada ingrediente, sabendo quem os produz, de que maneira, e com quais matérias-primas.
Caso o enólogo não seja judeu, ele passa as instruções da vinificação, passo-a-passo para que o rabino se
responsabilize diretamente por todo o processo.

Concluído o vinho, e aprovado pelo rabino, a garrafa recebe um selo de certificação. A partir desse momento,
as garrafas podem ser manuseadas por qualquer pessoa, desde que sejam abertas e servidas exclusivamente
por um judeu. Não há restrição para que qualquer pessoa possa tomar esse vinho, mesmo que não judia.

Por fim, a renda obtida pela comercialização de vinhos Kosher deve ter 1% de seu resultado financeiro
revertido em prol da caridade.
Viognier
Categoria: cepas

Essa variedade de uva branca, hoje amplamente distribuída,


esteve à beira da extinção. Em 1965, existiam apenas 8
míseros hectares desta cepa em todo o Vale do Rhône. De
lá para cá, a popularidade desta uva e de seu vinho
aumentou, para a sorte de todos nós.

Na realidade, acredita-se que a terra natal da Viognier, cuja


pronúncia aproxima-se de “vee-on-yay”, seja a Dalmácia,
mas que ela tenha sido levada para o Rhône, pelos
romanos, há mais de 2.000 anos.

A denominação Condrieu, do extremo norte do Rhône, de


vinhos brancos secos e muito aromáticos, determina que a
única uva permitida para a sua produção seja Viognier.
Alguns dizem que o baixo rendimento, as difíceis condições
de crescimento, e a colheita tardia contribuem para os
excepcionais sabores concentrados dos vinhos de Condrieu.

Mas também existem varietais de Viognier mais leves e


menos concentrados que os Condrieu, que, mesmo assim,
mantêm o caráter distinto da cepa, de pêssego, damasco,
pera e flores.

Além dos excelentes varietais, a Viognier também é bastante


apreciada em cortes brancos e tintos, suavizando e
clareando os vinhos Syrah da Côte Rôtie, por exemplo. Os
californianos fazem excelentes cortes de Viognier com
Chardonnay, Chenin Blanc e Colombards. Aliás, a demanda dos americanos por essa cepa é enorme.

É possível encontrar vinhas dessa variedade na Itália, Espanha, Grécia, Suíça e Áustria. Também tem crescido
muito o plantio da Viognier na Austrália e nos Estados Unidos, principalmente na Califórnia.

Essa é uma uva de cultivo extremamente difícil. Propensa a mofo, produz rendimentos notoriamente baixos e
imprevisíveis, e precisa ser colhida somente quando bem madura, para conseguir desenvolver seus aromas e
sabores.

A baixa acidez dos vinhos de Viognier não requer carvalho para proporcionar equilíbrio. Mesmo assim, um leve
envelhecimento em madeira pode melhorar ainda mais seu sabor exótico e sedutor, acrescentando um toque
de baunilha.
Esse vinho aromático e seco, com um teor alcoólico que por vezes supera a marca de 13%, é excelente
quando harmonizado com queijo brie, ou com uma massa regada a molho branco. Tente combinar, também,
com cozinha tailandesa picante, culinária chinesa, pratos mexicanos, peixe, carne de porco, frango e frutas
frescas. As possibilidades, como você pode ver, são muitas!

Welschriesling
Categoria: cepas

Você acha que não conhece essa uva, né? Continue a leitura, que talvez ela lhe seja mais familiar do que
parece...

Uva de nome estranho, à primeira vista, impronunciável, mas não é. Pense em duas palavras: Welsch +
Riesling. Ficou mais fácil, certamente! E o que quer dizer esse nome? Welsh, em alemão, significa estrangeiro,
e era a palavra usada no passado, para os alemães referirem-se aos povos romanos. Riesling, por sua vez, é
o nome da uva emblemática da Alemanha!

Pois bem. Welschriesling, essa “outra Riesling”, considerada “estrangeira” pelos alemães, é a Riesling Itálico,
cultivada em toda a Europa Central e Oriental, amplamente cultivada em Friuli (Itália), na Eslovênia, Hungria,
Romênia, Albânia. Cultivada até na China. E cultivada também, inclusive, aqui no Brasil.
Outros nomes pelos quais a Welschriesling é conhecida, além de Riesling Itálico? Grasevina, Olasz rizling,
Laski Rizling, Talijanski rizling, Grasica...

E de onde ela vem? Muitos especialistas acreditam que a origem dessa variedade seja a Croácia, onde ela é
uma das mais plantadas, e é chamada de Grasevina.

A Welschriesling é uma cepa fácil de lidar, considerada confiável por quem a cultiva. Produtiva e fácil de
crescer, precisa de controle de rendimento para alcançar todo o seu potencial.

Os cachos da Welschriesling são de comprimento médio e formato cônico. Os bagos são bem redondos e têm
pele fina, de cor verde amarelada.

A Welschriesling demora a amadurecer, aprecia climas quentes e úmidos, e apresenta uvas com alta acidez e
delicadamente aromáticas. Os aromas frequentemente associados à Welschriesling? Frutas cítricas,
principalmente limão, mas também frutas semi-ácidas como maçã verde.

Pode ser vinificada em estilo seco, com vinhos leves e ligeiramente florais, pode produzir vinhos espumantes
surpreendentes, ou produzir também excelentes vinhos de sobremesa de colheita tardia.

Alguns dos mais bem conceituados e ricos Welschriesling são os elaborados na Áustria, com uvas de bagos
secos, frequentemente afetadas pela podridão nobre. A Croácia também apresenta resultados exuberantes a
partir dessa uva, com vinhos encorpados, de acidez fresca e mineralidade marcante.

Para harmonizar um vinho produzido com Welschriesling, em sua versão seca, uma boa sugestão são frutos
do mar. Agora, se for para combinar um vinho de sobremesa elaborado com essa cepa, escolha sorvete de
limão, ou ainda, torta de limão.

Para encerrar: apesar do nome, ironicamente, a Welschriesling não tem nenhuma relação genética ou
ampelográfica com a Riesling, e seus vinhos também não são parecidos. Então, se agora quiser ler sobre a
Riesling, clique aqui.

Godello
Categoria: cepas
Uma variedade originária do noroeste da Espanha, pouco cultivada mas muito surpreendente. Vale a pena
conhecê-la melhor!

Uma cepa que recusou-se a morrer, na década de 1970. Sobreviveu graças ao esforço de alguns de seus
defensores, principalmente da Galícia, que a partir de algumas centenas de videiras remanescentes,
conseguiram reverter a tendência de extinção para a qual essa variedade caminhava.

Mesmo assim, trata-se de uma uva rara, encontrada provavelmente apenas na Espanha e em Portugal, onde
chama-se Gouveio.

Na verdade, nem existe um consenso total se a espanhola Godello e a portuguesa Gouveio são exatamente a
mesma cepa, mas mesmo na falta de provas genéticas incontestáveis, são tratadas como iguais por alguns
especialistas no assunto, embasados na ampelografia. Conheça mais sobre isso, clicando aqui.

De qualquer forma, vale lembrar que a OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) não reconhece
Godello e Gouveio como sinônimos, mas, sim, como uvas distintas uma da outra.
A Godello é também muitas vezes confundida com a uva Verdelho, mas nesse caso já se sabe que são,
mesmo, variedades diferentes, apesar da legislação de algumas denominações de origem ainda não estarem
atualizadas.

Mas afinal, como é essa variedade? É uma uva branca, de cacho pequeno e compacto, com bagos pequenos
e arredondados, de cor verde amarelada. A película é espessa e a polpa tem consistência média. A videira da
Godello é relativamente vigorosa, mas regularmente de baixa produtividade.

O vinho produzido a partir da Godello é notável pela excelente relação entre álcool e acidez: ele pode alcançar
um alto grau alcoólico e costuma ter acidez natural elevada, o que lhe confere boa capacidade de
envelhecimento. Outra característica marcante desse vinho é a mineralidade, qualidade muito apreciada
atualmente. Para ler mais sobre isso, clique aqui.

Atualmente, existem apenas cerca de 1.200 hectares de Godello na Espanha, e 2.000 hectares em Portugal,
sob o nome Gouveio. E a demanda por esse vinho vem aumentando, com um crescente interesse do mercado
americano, principalmente pelas versões fermentadas em barril.

Essa preferência do consumidor americano certamente tem a ver com a semelhança entre Godello e
Chardonnay. Se você aprecia a famosa Chardonnay, deve dar-se ao luxo de conhecer a rara Godello. Em sua
versão sem madeira, mais mineral, ao modo de Borgonha, e em sua versão amadeirada, que remete ao
Chardonnay da Califórnia.

Se quiser ler mais sobre a Godello, conheça a denominação de origem Valdeorras, onde essa uva se expressa
atingindo sua máxima elegância. Para ler, clique aqui.

Tibouren
Categoria: cepas
Uma cepa provençal, ou seja, típica da Provence. Só isso já basta para torná-la interessante. Mas, felizmente,
ainda tem muito mais...

Estudando o formato das folhas da videira da Tibouren, Pierre Gallet, o pai da ampelografia, considerou que
essa cepa apareceu, inicialmente, no Oriente Médio, tendo sido levada para a região da Provence 500 anos
antes do nascimento de Cristo. Se quiser saber mais sobre ampelografia, clique aqui.

A origem do nome Tibouren parece estar ligada à antiga cidade de Antibes, fundada entre 600 e 500 a.C., que
fica na Riviera Francesa. Mas também há quem relacione seu nome a um capitão que chamava-se Antiboul.
Vai saber...

O fato é que Antibois (Antibes) e Antiboul são alguns dos sinônimos utilizados para a uva Tibouren, mesmo
que não sejam oficialmente reconhecidos pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho). Outros
sinônimos, também não reconhecidos oficialmente, são Geysserin, utilizado na Alemanha, e Bianco di Nizza,
na Itália.

Falando em Itália, a uva italiana Rossese costuma ser descrita como sendo a mesma Tibouren da Provence, e
alguns cientistas já comprovaram o fato com testes de DNA.

A Tibouren é uma cepa nobre, mas muito difícil de ser cultivada, principalmente por ser bastante suscetível a
um fenômeno chamado em francês de “coulure”, que provoca a queda de flores e de bagos, tornando os
rendimentos dessa videira imprevisíveis! Por isso mesmo, inclusive, trata-se de uma uva rara, que ocupa, na
Provence, cerca de apenas 450 hectares!

Especialistas costumam descrever os vinhos produzidos a partir da Tibouren referindo-se a aromas de terra e
de especiarias, além dos mais esperados aromas florais e de frutas vermelhas, também presentes nesses
vinhos.

Os produtores da Provence muitas vezes utilizam a Tibouren em cortes com Grenache e Cinsault, para
produzir os famosos rosés daquela região. Mas é possível, também, encontrar varietais muito interessantes,
nos quais a Tibouren é a única e talentosa atriz em cena!

Gostaria de dicas de com o quê combinar um vinho rosé elaborado com Tibouren? Com tomates recheados,
com presunto parma, e até mesmo com aspargos grelhados, que costumam ter fama de serem difíceis de
harmonizar!

E, se quiser encerrar lendo mais sobre os vinhos rotulados como Côtes de Provence, clique aqui.

Inzolia
Categoria: cepas

Essa é uma uva nativa da Itália. Na Sicília, chama-se Inzolia. Na Toscana, chama-se Ansonica.

Atribui-se a origem da Inzolia à Sicília, maior ilha do Mediterrâneo, mas há estudiosos que tentam relacionar o
nascimento da Inzolia à Grécia. E há quem afirme ser possível rastrear sua origem na Normandia. Não há
consenso sobre o tema.

A notoridade da Inzolia deve-se, principalmente, por ela fazer parte do corte do vinho siciliano fortificado
Marsala. Mas, na própria Sicília, seu papel tem mudado, com avanços nas técnicas de vinificação e novas
tendências de consumo influenciando os produtores.

O fato é que Inzolia tem sido cada vez mais vista em versões secas de vinho branco, tanto em cortes como
também em varietais!

Seus parceiros mais comuns na Sicília são Catarratto e Grillo, com quem a Inzolia contribui oferecendo seu
caráter amendoado. Já na Toscana, sob o nome Ansonica, ela encontra um bom par quando combinada com a
Vermentino.

A cor do vinho de Inzolia é dourada, com eventuais reflexos esverdeados.

Os aromas mais reconhecidos nos vinhos produzidos com Inzolia são amêndoas, frutas cítricas, frutas
tropicais e ervas frescas.

Uma característica peculiar da Inzolia é o fato de ela apresentar uma quantidade relativamente grande de
taninos, para uma uva branca. Seus vinhos, aliás, podem ser considerados bem estruturados, e costumam ter
certo potencial de envelhecimento.

Por outro lado, outra característica da Inzolia é a perda de acidez ao final da estação. Assim, ela exige cuidado
por parte do produtor com foco em qualidade!

Dicas de harmonização para um bom vinho branco seco, elaborado com a Inzolia? Risoto de funghi com
nozes. Sashimi de salmão ou salmão na manteiga. Mariscos. Muitos mariscos...

Uma curiosidade: tanto a grafia Inzolia como Insolia são aceitas, por exemplo, pela OIV (Organização
Internacional da Vinha e do Vinho). E é difícil entender o motivo da diferença. Aparentemente, textos em
italiano dão preferência para Inzolia, enquanto textos em inglês priorizam a escrita Insolia.

Outra curiosidade: o escritor romano Caio Plínio Segundo, conhecido como Plínio, o Velho, em sua obra
intitulada História Natural, menciona uma uva chamada Irziola. Mas, apesar da semelhança do nome, não há
nenhuma evidência de ser a mesma uva que conhecemos, atualmente, como Inzolia.

Para encerrar, se quiser ler sobre Marsala, o vinho fortificado da Sicília, clique aqui.
Cortese
Categoria: cepas

Começando por uma curiosidade, engraçadinha. Essa uva


é também conhecida como Bianca Fernanda! Esse
sinômino é, inclusive, oficialmente reconhecido pela OIV
(Organização Internacional da Vinha e do Vinho).

Trata-se de uma uva de origem piemontesa, mencionada


em documentos do começo do século 17, sendo que o
apelido Bianca Fernanda, de fato, é utilizado quase que
restritamente na região do Vêneto.

O nome Cortese, por sua vez, dizem que deve-se ao


caráter cortês, bem-educado, delicado e polido, dessa variedade, e do vinho elaborado a partir dela. Vai
saber...

Cortese é uma variedade de pele fina, e esse é um dos motivos para ela também ser consumida como uva de
mesa, principalmente no Piemonte, o que acaba aumentando a sua popularidade.

Mas é também, a mesma pele fina, que faz da Cortese uma uva mais frágil, e mais suscetível a problemas,
como por exemplo, apodrecimento.

Trata-se de uma variedade muito vigorosa, que precisa ter seus rendimentos controlados por meio de poda,
para que seus frutos concentrem sabores e qualidades.

Trata-se, também, de uma variedade que demora a amadurecer, fato que lhe confere acentuada acidez.

Assim, o vinho produzido com Cortese é marcado pelo frescor e pela alta acidez, às vezes amansada por meio
da fermentação malolática. Para saber mais sobre esse processo, clique aqui. Essa mesma acidez, aliás,
possibilita interessantes versões espumantes elaboradas com Cortese.

Cortese é vista em vinhos varietais do Piemonte, e também em vinhos de corte, mais comuns em outras
regiões. Algumas cepas utilizadas ao lado da Cortese, em vinhos de corte, são Trebbiano e Garganega.

Os aromas mais associados à Cortese são limão, maçã, pêssego, amêndoa e ervas.

A denominação de origem mais famosa a utilizar Cortese em seus vinhos é a DOCG (Denominação de Origem
Controlada e Garantida) Gavi, ou Cortese di Gavi. Outros rótulos que também trazem essa uva em seus
vinhos, por exemplo, são Cortese dell'Alto Monferrato e Colli Tortonesi.
A harmonização de um vinho produzido à base de Cortese, com camarões grelhados, é considerada das mais
perfeitas. Fica a dica...

Começamos com uma curiosidade, e vamos encerrar com outra: fora da Itália, é também possível encontrar
vinhedos de Cortese na Croácia, nos Estados Unidos, na Austrália, e... no Brasil.

Cortese, é um prazer conhecê-la!!!

Grechetto
Categoria: cepas

Sua origem é creditada à Grécia, o que explica, inclusive, seu nome. Mas é considerada uma das muitas uvas
nativas italianas, tamanha a tradição de seu cultivo no país, na região da Umbria e nos vizinhos Lazio e
Toscana.
Na verdade, a suposta origem grega dessa uva carece de maior validação científica, para ser aceita, visto que
algumas pesquisas genéticas já realizadas contestam essa teoria...

Em relação ao nome, alguns costumam dizer que o correto é Grechetto Bianco, mas fala-se somente
Grechetto. Na verdade, é o contrário. Seu nome é apenas Grechetto, mas fala-se Grechetto Bianco, como
forma de diferenciá-la da uva tinta Grechetto Rosso.

Trata-se de uma uva branca, de baixo rendimento e de pele grossa, o que a faz especialmente capaz de
produzir aromas e sabores bastante concentrados.

Os aromas mais frequentemente presentes nos vinhos elaborados com a Grechetto são cítricos, frutas
tropicais, amêndoas e avelãs. Também é comum ouvirmos menções à mineralidade desses vinhos,
característica que anda muito valorizada.

A espessura de sua pele a protege de problemas de cultivo como infecções por fungos, e a torna bastante
adequada, também, para a produção de vinhos de colheita tardia, quando ela assume ainda mais os aromas
associados a amêndoas e avelãs. Se quiser ler mais sobre colheita tardia, clique aqui.

O vinho produzido com a Grechetto costuma ser relativamente encorpado, ter um sabor macio, equilibrado, e
agradavelmente frutado, com uma personalidade picante. A cor desse vinho varia de amarelo palha com
reflexos esverdeados à amarelo dourado, com o amadurecimento em carvalho, o que não é o mais comum.

Até pouco tempo atrás, o mais esperado era encontrar essa uva em pequenas proporções dentro de vinhos de
corte. Mas a sua reputação em alta tem feito muitos produtores aumentarem sua participação nos vinhos até o
limite autorizado em cada denominação, e até mesmo enfrentarem o desafio de vinificá-la em versões
varietais, com excelentes resultados.

Para conhecer e degustar cortes com Grechetto, procure pelas denominações Montefalco e Orvieto. Para
degustar varietais, busque rótulos identificados somente pela região Umbria IGT (Indicação Geográfica Típica).
E, se quiser experimentar Grechetto em colheitas tardias, procure por Umbria Vin Santo.

Grechetto é, sem sombra de dúvida, uma variedade bastante interessante para quem aprecia vinho. Se você
ainda não teve a oportunidade de conhecê-la, não perca mais tempo...

E, se quiser ler sobre outras cepas desse vasto universo, clique aqui.
Ribolla Gialla
Categoria: cepas

Essa uva, rara, é comum na fronteira da Itália com a Eslovênia. Também é comum na vizinha Croácia, e já
atraiu a atenção até de produtores curiosos do Vale do Napa! Seu nome? Ribolla Gialla.

Na realidade, acredita-se que a origem dessa variedade esteja na ilha grega de Cefalônia, e que ela tenha
alcançado a região italiana de Friuli depois de passar pela Eslovênia. Mas isso foi há muito tempo, no século
13.

Depois do advento da filoxera, a Ribolla Gialla passou por um período de declínio, quando perdeu áreas de
cultivo para cepas mais comerciais, como Sauvignon Blanc. Mas, com o crescente interesse do mundo por
uvas autóctones, ela tem visto um aumento na sua popularidade. Sorte nossa. Ah, se quiser ler mais sobre a
praga da filoxera, clique aqui.

Essa cepa é muitas vezes chamada apenas de Ribolla, embora o complemento Gialla ajude a distingui-la da
“parente” menos comum Ribolla Verde. A Ribolla Nera, por sua vez, não tem nenhuma relação de parentesco
com a Ribolla Gialla.
A Ribolla Gialla é também chamada de Rebula, principalmente na Eslovênia, e até mesmo de Ribuele. Esses
são sinônimos oficialmente reconhecidos pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).

Essa uva é utilizada na elaboração de vinhos brancos tranquilos, de vinhos espumantes, e até na elaboração
dos peculiares e experimentais vinhos laranjas! Se quiser ler mais sobre isso, clique aqui.

A Ribolla Gialla é mais freqüentemente utilizada em vinhos varietais, mas também é misturada, em vinhos de
corte, com variedades como Pinot Grigio, Friulano e Malvasia.

O vinho produzido com a Ribolla Gialla é levemente encorpado e muito rico em acidez. Os aromas são
complexos, e mais associados às frutas cítricas, com notas florais e eventualmente até com notas de nozes e
castanhas, na medida em que o vinho envelhece. O contato com carvalho dá firmeza ao vinho da Ribolla
Gialla, mas divide opiniões.

Uma característica desse vinho, também, é a mineralidade, que vem sendo tão apreciada pelos especialistas.
Para ler mais sobre isso, clique aqui.

E, se quiser experimentar um varietal produzido com a uva Ribolla Gialla, procure por italianos das
denominações Colli Orientali del Friuli ou Collio Ribolla.

Harmonizar um vinho produzido à base de Ribolla Gialla, além de fácil, é delicioso. Procure combinar com um
prato frio como salada de frutos do mar, ou com um aconchegante espaguete ao vôngole. Para quem aprecia
ostras, esse é um vinho perfeito, aliás.

Que tal conhecer mais essa uva? Que tal conhecer mais esse vinho?

Lemberger
Categoria: cepas
Se você considera vinho da Alemanha sinônimo de vinho branco, precisa conhecer essa uva, capaz de
produzir fantásticos tintos alemães!

O nome dessa cepa varia muito conforme a localização, com vários sinônimos oficialmente reconhecidos,
inclusive, pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).

Se na Alemanha é Lemberger, ou originalmente Blauer Limberger, na Hungria é Kékfrankos, e na Áustria é


Blaufränkisch, que significa “vinho azul da Franconia”.

A origem da Lemberger acredita-se ter sido na Áustria, às margens do Rio Danúbio, o segundo rio mais longo
da Europa. Essa uva teria chegado na Alemanha, onde encontra-se a nascente do Danúbio, no século 17.

Dizem que o vinho produzido com a Lemberger era o preferido do primeiro presidente da Alemanha Ocidental,
Theodor Heuss. Dizem, também, que antes disso, esse vinho já era apreciado, no século 19, por
personalidades como Otto von Bismarck e Napoleão Bonaparte.

No século 19, aliás, houve um movimento em favor da Lemberger, para que produtores de vinho do então
Reino de Württemberg (sudeste da Alemanha) substituíssem vinhedos de uvas de alto rendimento, por cepas
de alta qualidade e rendimento mais moderado, como a Lemberger.

Atualmente, essa uva é amplamente cultivada na Áustria e na Hungria. Na Alemanha, é plantada quase que
exclusivamente em Württemberg, uma região típica de vinhos tintos, onde a Lemberger representa cerca de
10% dos vinhedos, e onde apresenta resultados excepcionais.

Além disso, é possível encontrar Lemberger sendo cultivada, também, na Eslováquia, na Bulgária, na Croácia,
e até mesmo, em pequenas quantidades, nos Estados Unidos.

Trata-se de uma uva que brota cedo, mas que demora a amadurecer. Assim, ela precisa de certa proteção
contra ventos fortes, e um clima relativamente quente.

Normalmente de cor profunda, os vinhos elaborados a partir da Lemberger podem variar de leves e frutados,
chegando a complexos e tânicos exemplares, dependendo das técnicas de vinificação empregadas.

Com bom potencial de envelhecimento, o aroma de Lemberger costuma ser associado a amora, cereja,
ameixa, groselha, banana, chocolate, e pimentão verde, que lhe confere uma picância característica.

Essa uva costuma ser vista em vinhos varietais, e também em cortes com outra uva chamada Trollinger.

Os vinhos de Lemberger harmonizam muito bem com tábua de frios e queijos e, também, com churrasco. São
também excelentes companhias para sopa de lentilhas e carnes assadas com molho.
Última curiosidade: a Lemberger foi, no passado, confundida com a Pinot Noir e com a Gamay. Estudos de
DNA comprovaram tratar-se de uma outra cepa, mas indicaram, sim, um parentesco entre elas, com um
antepassado em comum, a medieval Gouais Blanc.

Para ler sobre outras cepas, clique aqui.

Grillo
Categoria: cepas

Nome engraçado para uma uva. Traduzindo do italiano, pode significar grilo mesmo – o inseto, mas pode
significar, também, em sentido figurativo, capricho. Será essa uva um capricho da natureza? Pode apostar que
sim.

Estudos de DNA mostraram que a Grillo é um cruzamento natural entre Catarrato Bianco e Muscat de
Alexandria.

E qual a história da Grillo? Algumas evidências sugerem que essa uva seja muito antiga, já utilizada na época
da Roma Antiga para elaborar um vinho siciliano chamado Mamertino, que era o preferido, inclusive, do
poderoso Júlio César.

Outra versão dos fatos conta que a uva Grillo seria nativa da Puglia, e teria chegado na Sicília apenas no
século 19. O fato é que a Grillo é uma cepa perfeitamente adequada ao clima siciliano, quente e seco.

A cepa Grillo desempenha um importante papel em muitos vinhos da Sicília, principalmente no mais famoso
deles, o fortificado Marsala, cuja popularidade infelizmente não anda tão forte assim. Para saber mais sobre
Marsala, cliqueaqui.

Se, por um lado, a Grillo perdeu espaço nos vinhedos sicilianos durante o século 20, quando os altos
rendimentos da Catarratto seduziram os produtores, agora o movimento em busca de maior qualidade tem
sinalizado um resgate do interesse pelo cultivo da Grillo.

Trata-se de uma uva com altos níveis de açúcar, com capacidade de naturalmente produzir vinhos de alto teor
alcoólico, chegando até 18°.

Mas não existe um estilo específico de vinho produzido com a Grillo. Ela é tão versátil que é capaz de
enfrentar os mais diferentes desafios na vinificação.

Pode perfeitamente bem produzir vinhos leves e fáceis de beber, com resultados semelhantes, por exemplo, à
Pinot Grigio. É capaz de demonstrar toda a sua graça em versões fortificadas, como o Marsala. Ou pode
simplesmente encantar em vinhos de colheita tardia, que apresentam uma cor dourada que evolui para âmbar,
com o passar do tempo.

Os vinhos elaborados com Grillo apresentam aromas de frutas cítricas, maçãs, peras e amêndoas.

Experimente um varietal produzido com Grillo. Experimente um corte de Grillo com Catarratto ou Inzolia.
Experimente um Grillo leve e fresco. Experimente um colheita tardia complexo. Experimente um Marsala.
Assim, você estará conhecendo esse camaleão chamado Grillo!

Que tal?

Susumaniello
Categoria: cepas

Uma uva rara. O que já faz dela, logo de cara, muito interessante!

De onde é? Da Puglia, na Itália, que é o “salto da bota” do país. Mais especificamente, é cultivada
praticamente apenas nos arredores da comuna Salice Salentino e na província de Brindisi.

E de onde veio? Existem várias teorias sobre a origem da Susumaniello. Ela teria surgido, inicialmente, na
Grécia ou quem sabe na Croácia. Exames de DNA provaram que ela é o cruzamento da uva branca
Garganega, com uma uva de mesa típica da Puglia. Outros exames concluíram que há um parentesco entre
ela e a Sangiovese...
E por que se chama Susumaniello? Dizem que Susumaniello é derivado de Somaro, ou Somarello, que
significa burro, ou asno, em italiano, que era o animal que carregava a colheita da uva, no passado. O nome
também seria uma referência ao alto rendimento dessa variedade, como se fosse um “burro de carga”. A
palavra Somarello, inclusive, é considerada um sinônimo para o nome da uva, apesar da OIV reconhecer
Sussumariello como o único sinômino oficial de Susumaniello.

Como é a uva? Seu cacho é bem compacto, de tamanho médio e formato piramidal. Os bagos não são muito
grandes, e sua pele é moderadamente grossa e bem azulada.

Como é o vinho? A Susumaniello é utilizada para produzir vinhos tintos e rosés. O tinto normalmente apresenta
uma cor intensa rubi, e aromas de frutas vermelhas e ameixas. Eventualmente, também oferece aromas
picantes e apimentados, bem como sabores de chocolate amargo.

Mas não é, em varietais, que é mais comum encontrar a Susumaniello, e, sim, em cortes ao lado da
Negroamaro e da Malvasia Nera, onde a Susumaniello acrescenta cor, acidez e potencial alcoólico. Mas o
crescente interesse por uvas peculiares traz um potencial futuro promissor à Susumaniello em suas versões
varietais, cada vez mais valorizadas.

Com qual cardápio degustar esse vinho? Especialistas em harmonização sinalizam que o vinho produzido a
partir de Susumaniello combina muito bem com feijão preto com costelinha de porco. Se você pensou em
feijoada, parece mesmo uma boa ideia...!

Para encerrar, se quiser ler mais sobre a Negroamaro, outra uva italiana típica da Puglia, clique aqui.
Brachetto
Categoria: cepas

Uva tinta do noroeste italiano. Responsável por


borbulhas interessantíssimas. Vamos adiante!

A origem da uva já foi motivo de dúvida. O


consenso aceita, atualmente, que a cepa tenha
origem nas colinas ao redor de Asti, mais
precisamente, nas colinas de Monferrato.

Historicamente, contudo, ampelógrafos já


identificaram a uva como sendo originária da
cidade de Nice, na região francesa da Provença.
Na realidade, trata-se de uma confusão, ainda
não totalmente desfeita, entre a italiana
Brachetto e a francesa Braquet, ou Brachet.

Voltemos à Brachetto. Que aliás, pronuncia-se


“Braqueto”.

Foi na Itália, certamente, que ela se encontrou, e o mundo a encontrou. Principalmente nos vinhos da
denominação Brachetto d’Acqui.

Uma característica marcante dos vinhedos de Brachetto é o aroma de rosas que paira no ar.

Uma característica marcante nos vinhos de Brachetto é o aroma de morangos que sai da taça.

Voltemos à uva. É uma variedade de baixos rendimentos na vinha. Seus cachos são generosos, com muitos
bagos, que têm pele fina, são firmes e de cor vermelha escura. Possuem alto teor de açúcar, e componentes
extremamente aromáticos. Os aromas mais associados, além de morango e floral, são framboesa, cereja,
alcatrão e cravo.

A Brachetto raramente é vista em vinhos de corte, com outras uvas. Em geral, está sozinha em vinhos varietais
espumantes leves e adocicados, que devem ser bebidos enquanto jovens.

Se achou diferente falarmos em espumantes tintos, leia mais sobre esse estilo de vinho, clicando aqui.

Para experimentar um vinho elaborado com a uva Brachetto, uma sugestão de harmonização muito italiana:
sabe aquele creme de chocolate com avelãs, que desperta paixões? Pois é, ele é um excelente par para esse
vinho. Em uma torta, ou até mesmo às colheradas. Outra sugestão? Frutas frescas, como cerejas ou
morangos.
Percebeu um toque de romantismo nessas harmonizações? Não é à toa que Brachetto leva a fama de produzir
o vinho dos amantes!

Acredite ou não, dizem que tanto Júlio César como Marco Antônio teriam presenteado Cleópatra com vinhos
produzidos com Brachetto. Vai saber, não estávamos lá para compartilhar o vinho com eles, não é mesmo?
Aliás, se quiser encerrar lendo mais a respeito da ligação da rainha do Egito com o vinho, clique aqui.

Albarossa
Categoria: cepas

Não basta ser uva. Tem que ter história. E a Albarossa tem.

Essa variedade foi desenvolvida em 1938, por um italiano


chamado Giovanni Dalmasso. Ela nasceu pelo cruzamento
de outras duas uvas típicas do Piemonte: a Nebbiolo e a
Barbera.

Por que o cientista escolheu especificamente essas uvas?


Porque ele queria combinar a alta qualidade da Nebbiolo com
o grande potencial de rendimento e de resistência da
Barbera. E conseguiu.

Mas a “vida” da Albarossa não foi fácil, no começo, não. Ela


seguiu suas primeiras décadas, de existência, desacreditada
e desvalorizada. Não foi de fato, considerada nem
devidamente estudada, até a década de 1970.

Somente em 1977 ela passou a ser uma variedade autorizada pela legislação que regulamenta a produção de
vinho italiano. Ainda assim, foram necessárias algumas décadas para a sua utilização em escala comercial,
que de fato, deu-se apenas recentemente, no Piemonte. E, por enquanto, poucos são os produtores que a
cultivam, em suas terras.

Ter acesso a Albarossa ainda não é uma missão fácil, pois são produzidas, anualmente, menos de 200.000
garrafas de vinhos de suas uvas.

E como é a Albarossa, afinal? É uma uva escura, de bagos negro azulados, muito pequenos. Os cachos são
muito compactos e de tamanho médio. De pele grossa, a uva tem alto teor de compostos fenólicos,
principalmente antocianinas, responsáveis pela coloração dos vinhos.

Por amadurecer mais tarde, a Albarossa tem grande concentração de açúcares, apresentando excelente
potencial de teor alcoólico nos vinhos que produz.
Por amadurecer mais tarde, também, a Albarossa precisa de proteção contra umidade em excesso, com boa
incidência de raios de Sol, solos secos, e boa ventilação.

Mediante condições ideais, a Albarossa é responsável por vinhos encorpados, tânicos e aveludados, bem
estruturados e de acidez muito equilibrada, que respondem muito bem ao amadurecimento em carvalho.

A cor do vinho elaborado com a Albarossa é vermelho rubi, com reflexos de púrpura.

Os aromas mais associados à Albarossa são cerejas com notas florais, como violetas e rosas. Eventualmente,
ervas picantes.

E, como um bom vinho italiano, Albarossa é uma excelente escolha para acompanhar um prato de massa com
molho vermelho à base de tomates. A temperatura ideal de serviço, desse vinho, é entre 17 e 18°C.

Fica aqui um convite para conhecer Albarossa. Fica aqui, também, um convite para ler mais sobre a Nebbiolo,
clicando aqui ou sobre a Barbera, clicando aqui.

Albana
Categoria: cepas

Dentre tantas variedades brancas, mais uma muito


interessante: Albana!

A pesquisa pela origem desse nome nos leva a algumas


possibilidades. O nome teria vindo do latim “Albus”, que
quer dizer “Branco”, por tratar-se de um dos melhores
vinhos brancos produzidos. Ou então, há quem afirme que
o nome é uma referência às Colinas Albanas.

Essa é uma cepa encontrada, principalmente, na região


vinícola italiana de Emilia-Romagna, em volta da Bolonha,
onde tem sido cultivada há muito tempo.

A história registra documentos relacionados à agricultura,


do século 13, que já mencionam a uva Albana. Mas
algumas lendas a respeito dessa uva são ainda mais
antigas. Muito mais.

Conta-se que no ano 435, a filha do imperador Teodósio II


foi presenteada com um jarro contendo vinho doce
produzido em Romagna com a uva Albana. Encantada com
a qualidade da bebida, a princesa teria dito que esse vinho não devia ser bebido em jarro de argila, mas, sim,
merecia ser tomado em taça de ouro!
Como é a Albana? É uma uva de bagos com tamanho médio, com casca verde amarelada ou dourada,
tendendo ao âmbar. Os cachos não costumam ser muito compactos, mas são bastante alongados.

E o vinho? Essa uva é tão versátil, que são muitos os estilos de vinho que ela é capaz de produzir. Espumante
ou tranquilo, secco, amabile, dolce e passito.

Mas de modo geral, podemos dizer que o vinho elaborado com Albana é levemente encorpado, e apresenta
alto teor de acidez. Pode ser leve e refrescante nas versões secas, sendo um bom acompanhante para
pimentões recheados, e pode apresentar notas de damasco, marmelo, abacaxi e mel quando em versões
doces, fazendo excelente parceria com torta de maçãs.

A denominação de origem mais conhecida (e reconhecida por sua qualidade) a utilizar essa uva na produção
de seus vinhos é a Albana di Romagna, a primeira DOCG italiana de vinhos brancos. Alguns críticos dessa uva
consideram que a oficialização dessa denominação, que deu-se em 1987, foi uma questão de interesses
políticos, e não reconhecem nesse vinho, tanto valor assim.

Para tirar essa dúvida, somente experimentando, e formando sua própria opinião. O que não parece ser má
ideia...

E, se quiser ler mais sobre vinhos italianos, clique aqui.

Corvinone
Categoria: cepas

Antes de falar dessa uva, um esclarecimento: Corvinone ou Corvina? São iguais ou diferentes?

Corvinone e Corvina foram, por muito tempo, confundidas. Corvinone era tida como um clone da Corvina. Mas
desde os anos 1980 ampelógrafos se dedicaram a entendar entender esse assunto, e um estudo do DNA das
uvas, realizado em 2002, acabou por comprovar serem variedades distintas. É como se fossem parentes, mas
não irmãs gêmeas.

O nome delas tem a mesma origem, o mesmo significado. Tanto Corvinone como Corvina vêm da palavra
Corvino, em italiano, que significa corvo. Remetem à cor de seus cachos, “escuros como as penas de um
corvo”.

E, se o nome Corvinone parece mais “grosseiro” que Corvina, a conclusão pode ser equivocada. Corvinone é
uma uva refinada e de bastante qualidade.

O cacho da Corvinone é piramidal e grande, maior e menos compacto que o da Corvina. Além disso,
Corvinone demora mais a amadurecer que a Corvina. E o vinho produzido com a Corvinone costuma ser
menos alcoólico e ter uma acidez mais marcante, do que aqueles elaborados com Corvina.

Bom, se quiser saber mais sobre a Corvina, clique aqui. O assunto do artigo é a Corvinone...

Essa variedade é típica da região do Vêneto, norte da Itália. E é uma cepa que se desenvolve muito bem em
colinas e montanhas. Regiões muito planas comprometem seu amadurecimento.

Seus bagos são grandes e ovais, de cor preta azulada, com aparência empoeirada. É uma variedade
relativamente sensível às pragas mais comuns dos vinhedos, mas que responde bem ao processo de secar
ainda na videira.

Os vinhos produzidos com a Corvinone têm cor rubi. Os aromas mais associados a esse vinho são cereja,
especiarias e baunilha. No palato, apresentam boa persistência, além de bom corpo e taninos marcantes.

Mas essa não é uma uva que costuma ser vista em varietais, e, sim, em cortes típicos da região do Vêneto,
como em alguns dos vinhos das denominações Valpolicella e Bardolino.

Uma boa harmonização de vinhos elaborados com a presença da Corvinone? Pense na companhia desse
vinho com carne bovina assada. Não vai se arrepender.

Aliás, uma coisa difícil de acontecer, nessas situações, é arrependimento...

Glera
Categoria: cepas
Você acha que não conhece essa uva. Mas você está enganado...

A Glera é a principal cepa utilizada na produção do elegante espumante italiano Prosecco. As regras do
consórcio regulamentador dessa denominação estabelecem um percentual mínimo de 85% de Glera para
esses vinhos. Os 15% restantes podem ser compostos, em corte, principalmente pelas uvas Verdiso, Perera e
Bianchetta.

Mas por que o nome Glera é tão desconhecido? Porque o nome original dessa uva era também Prosecco.
Mas, a fim de diminuir as inevitáveis confusões entre o nome da uva e da denominação de origem,
regulamentada para ser utilizada somente mediante estritas regras, o sinônimo Glera foi adotado oficialmente
como nome da cepa.

Com essa decisão, oficializada em um decreto e ratificada pela União Europeia, o nome Prosecco ficou
protegido e não pode ser utilizado para vinhos espumantes produzidos fora da zona da denominação de
origem, mesmo que utilizem a mesma uva: a Glera.

E como é essa uva?

Seus bagos são amarelos, com reflexos dourados. Formam cachos grandes e alongados, que se destacam
entre folhas de cor verde muito brilhante.

É uma variedade muito vigorosa, que brota cedo e amadurece tarde. Não é muito resistente a períodos de
seca, e suas folhas são sensíveis ao excesso de calor.

De rendimentos elevados, ela pode suportar a alta produtividade sem perder qualidade, com elevada
capacidade de acumular açúcares e compostos aromáticos. Sua alta acidez a faz perfeita para a elaboração
de espumantes.

Uma curiosidade: a Glera também é utilizada, numa proporção muito menor, para a produção de vinhos
tranquilos, ou seja, não espumantes. Mas certamente é com suas borbulhas que ela vem conquistando o
mundo.

Pêssego é o aroma mais associado à Glera, caracterizando seu potencial de refrescância.

É um vinho perfeito para entradas e coquetéis. Excelente para acompanhar peixe na manteiga, ou salmão
defumado. Deve ser servido gelado, entre 6 e 8°C.

Apesar da Glera ser uma uva cultivada em várias regiões da Itália, na Austrália e até na Eslovênia, é no
Vêneto, em Conegliano Valdobbiadene, que ela se expressa mais e melhor, produzindo os famosos Prosecco.
Então, se quiser ler mais sobre esses vinhos, clique aqui.
Sousão ou Vinhão
Categoria: cepas

Por que dois nomes? Porque na região portuguesa do Minho, de onde essa casta vem, ela se chama Vinhão.
No Douro, onde mais se estabeleceu, ela é conhecida como Sousão.

Sousão é uma uva tinta, de bagos de tamanho médio, e casca negro-azulada que tem uma impressionante
capacidade de pigmentar o vinho.

Com vinhos profundamente coloridos, e com uma polpa levemente rosada, a Sousão muitas vezes é
confundida com uma uva tintureira. Para ler mais sobre uvas tintureiras, clique aqui.

O fato é que vinhos produzidos com a Sousão são de tom violeta, e conseguem ser tão escuros e opacos, que
podem ser quase impenetráveis à luz. E são vinhos de caráter único, com taninos leves, boa estrutura de
acidez, elevado nível alcoólico, textura sedosa e suave.

Os aromas mais associados à Sousão são os frutados e amadeirados. Frequentemente encontramos, nesse
vinho, notas de passas.
Mas, na realidade, Sousão pode produzir vinhos muito diferentes entre si, dependendo da região onde ela
aparece.

No Minho, a Sousão é responsável pela maioria dos Vinhos Verdes tintos, que são reconhecidamente rústicos
e de elevada acidez. Sim, Vinhos Verdes também podem ser tintos, e se você ficou supreso, e quiser ler mais
sobre Vinhos Verdes, clique aqui e também aqui.

No Douro, a Sousão é muito apreciada na composição do vinho do Porto, conferindo-lhe cor e acidez,
condições essenciais para fortificados destinados ao envelhecimento. E também é utilizada no corte com
outras uvas nativas de Portugal, em vinhos tintos de boa qualidade, produzidos também para envelhecer.

As videiras de Sousão adaptam-se melhor a condições de clima quente. E, fora de Portugal, podem ser
encontradas na Espanha, e eventualmente até mesmo na Califórnia, na Austrália e na África do Sul.

Para harmonizar Sousão como os portugueses, escolha um Vinho Verde tinto com sardinhas, ou um tinto do
Douro com bacalhau.

E saúde!

Espadeiro
Categoria: cepas

Essa é uma cepa tinta, nativa de Portugal. Mas ela atravessou a fronteira, e também pode ser encontrada na
Espanha. Venha conosco conhecê-la...

Espadeiro é considerada uma uva de grande qualidade, e é cultivada principalmente na região do Minho.
A Espadeiro é utilizada na produção de vinhos tintos e mais ainda de rosés, e é muito encontrada nos vinhos
portugueses da denominação Vinhos Verdes. Na Espanha, por sua vez, ela é utilizada nos vinhos da
denominação Rías Baixas, da Galiza. Para conhecer mais esses vinhos, clique aqui. Ou, para ler sobre Vinhos
Verdes, cliqueaqui.

Essa uva aparece tanto em varietais como em vinhos de corte.


Principalmente nos rosés Vinhos Verdes, mas quase em todos
os casos, a Espadeiro é responsável por vinhos leves,
consumidos preferencialmente jovens, e muito refrescantes ao
paladar.

É uma variedade de poucos açúcares e de grande rendimento


na vinha.

A cor deste vinho costuma ser de tonalidade rubi, podendo ser


bem claro ou um pouco mais escuro. Também pode se
apresentar puxando para o salmão.

A acidez da Espadeiro é moderada e marcante, e seus vinhos


são secos. Os aromas mais associados à uva Espadeiro são os frutados e cítricos, como toranja, aquela
laranja avermelhada, e morango.

Para potencializar a experiência de degustar um vinho produzido com Espadeiro, experimente combiná-lo com
frango cozido à moda tailandesa. Outra ideia interessante e surpreendente, é harmonizar Espadeiro com
moqueca de peixe.

Mas lembre-se de servir esse vinho levemente gelado, que é como ele melhor se apresenta.

É possível encontrar diversos sinônimos para a Espadeiro, mas a maioria deles aplicados de maneira
geograficamente muito específica, e não reconhecidos, oficialmente, por órgãos como a OIV, Organização
Internacional da Vinha e do Vinho.

Também é possível encontrar o nome Padeiro como uma variação de Espadeiro. Mas alguns estudos
genéticos evidenciam que essas uvas não são iguais.

Por fim, vale perceber que o nome Espadeiro também é utilizado para se referir à uva Trincadeira, o que pode
gerar ainda mais confusão. Isso acontece mais ao redor de Lisboa, e ao sul de Portugal. Mas Espadeiro e
Trincadeira não são sinôminos, não. São uvas totalmente diferentes. Se quiser ler sobre a Trincadeira,
clique aqui.

E saúde!
Ancellotta
Categoria: cepas

Uma uva nativa da Itália, mais especificamente proveniente da província Reggio nell'Emilia, na região de
Emilia-Romagna.

Mas é um erro acreditar que a cepa ficou confinada às fronteiras do seu berço de nascimento. Essa é uma uva
que ganhou espaço nos vinhedos de outras regiões do norte da Itália, do sul da Suíça, da Espanha, da
Argentina, e até mesmo do Brasil.

Um sinônimo reconhecido oficialmente pela OIV para a Ancellotta, é Lancellotta, o que nos remete, inclusive,
para a sua história. A família Lancellotti, no século 14, teria sido a primeira a cultivar essa uva.

Na Itália, é uma uva utilizada, principalmente, na composição de alguns vinhos frisantes da denominação
Lambrusco, e também no corte dos vinhos denominados Colli di Faenza. Se quiser ler sobre a diferença entre
vinhos frisantes e espumantes, clique aqui.

A ancellotta é uma cepa bastante suscetível às doenças do


campo e também às geadas, o que exige cuidado extra por
parte do viticultor. Por outro lado, apresenta boa resistência ao
vento e à chuva.

O cacho da Ancellotta é de tamanho médio, em formato de


pirâmide. Os bagos são pequenos, preto azulados.

Com grande concentração de antocianinas, a Ancellotta é capaz


de produzir vinhos muito pigmentados, sendo uma variedade útil
na adição de profundidade de cor, a outras cepas dentro de um
corte. Se quiser ler a diferença entre vinhos varietais e de corte,
clique aqui.

Outras características do vinho elaborado com a Ancellotta são


o caráter frutado, a acidez boa mas moderada, e os taninos
maduros.

E como harmonizar um vinho produzido com a Ancellotta? Se estivermos falando em um Lambrusco tinto,
combine-o com presunto defumado, de entrada. Se for um vinho tranquilo, escolha um prato principal à base
de carne de porco, cordeiro ou carneiro.

E conheça mais essa uva, parte da incrível amplitude com a qual o mundo vitivinícola nos presenteia.
Saúde!

Saint Laurent
Categoria: cepas

Comecemos pela pronúncia: san-lor-ron. Mas agora vamos ao que


interessa... Que uva é essa?

Saint Laurent é uma uva tinta, mais comum na Áustria, e que vem
ganhando popularidade em locais de clima frio, como Pfalz na Alemanha,
e Alsácia na França. Ah, e é a uva tinta mais plantada na República
Tcheca, e também já é encontrada no Canadá e na Nova Zelândia.

Se você nunca ouviu falar na Saint Laurent, isso é muito compreensível.


Do total de mais de 7 milhões de hectares cultivados com vinhas, no
mundo todo, cerca de somente 2 mil estão ocupados por videiras de
Saint Laurent. É verdade que a tendência é, sim, de crescimento, mas a
parcela desta uva é muito ínfima.

Atribui-se um parentesco da Saint Laurent com a Pinot Noir, mas ainda não se conhece comprovação científica
dessa ligação.

A Saint Laurent é uma uva de cachos de tamanho médio, com bagos compactados, muito escuros e meio
ovalados.

De crescimento vigoroso e baixo rendimento, na realidade com rendimentos muito variáveis, Saint Laurent é
uma cepa considerada difícil de cultivar. Precisa de solos profundos. Sensível às geadas tardias, felizmente é
uma variedade que amadurece relativamente cedo.

A maturação precoce parece estar ligada ao nome da uva, em si. No hemisfério norte, ela amadurece, e muda
de cor, na mesma época da comemoração do dia de São Lourenço, em 10 de agosto. Uma curiosidade: diz a
história que São Lourenço foi um dos guardiões do Santo Graal. Se quiser ler sobre a origem do nome de
outras uvas, cliqueaqui e aqui.

Voltando ao vinho, os vinhos produzidos com a Saint Laurent são escuros, vermelhos com tonalidade roxa,
frutados, e com boa capacidade de envelhecimento, respondendo muito bem ao contato com o carvalho.

É um vinho de poucos taninos, até pela pele fina da uva, e principalmente quando a colheita acontece mais
cedo. Se colhida mais tarde, ou mediante um verão mais quente, desenvolve mais taninos. Mas costuma,
sempre, ser um vinho de muita acidez, principalmente quando jovem.
Considerada uma uva muito aromática, os aromas mais comuns associados ao vinho, produzido com essa
uva, são cerejas, amoras, fumaça e especiarias.

Uma boa dica de harmonização de vinhos produzidos com a Saint Laurent é carne de porco, como lombo ou
costelinhas, com cebolas caramelizadas.

Uma outra boa dica é: experimente um vinho produzido com Saint Laurent. Uma das maiores graças do
mundo do vinho é, justamente, a amplitude que ele nos apresenta!

Saúde!

Garganega
Categoria: cepas

Essa uva é natural da região do Vêneto, no nordeste italiano, mais especificamente das províncias de Vicenza
e de Verona. Que tal conhecê-la melhor?

Antes de mais nada, vale saber que a Garganega é uma das uvas mais plantadas da Itália, o que parece ser
um bom sinal... Mesmo assim, trata-se de uma uva desconhecida, cujo nome não costuma aparecer em
rótulos.

Essa é uma variedade branca da espécie Vitis vinifera, de bagos médios em formato de esfera, pele espessa
de cor dourada, e polpa muito suculenta. O cacho da Garganega é longo e cilíndrico, e não costuma ser muito
compacto. E é uma cepa de grandes rendimentos, e que leva tempo a amadurecer.

A Garganega é a principal variedade de uva usada nos vinhos frescos e delicados da Denominação de Origem
Soave, do Vêneto. Mas também é encontrada em outras denominações como Colli Euganei, Colli Berici,
Gambellara e Bianco de Custozam, e até em outras regiões, como Friuli e Lombardia.

Há informações disponíveis a respeito de um estudo de DNA ter comprovado que Garganega, do Vêneto, e
Greganico Dorato, da Sicília, são sinônimos da mesma variedade, mas a OIV as cataloga como cepas
distintas. Os sinônimos reconhecidos para a Garganega, pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho,
são Oro, Garganego e D'Oro.

Os parceiros mais comuns da Garganega, em cortes, são Trebbiano e Chardonnay.

Os vinhos produzidos a partir da Garganega possuem uma pálida cor amarela.

No olfato, apresentam grande riqueza de compostos aromáticos, remetendo a perfumes florais como flor de
pessegueiro, a frutas como damasco e maçã, e também a amêndoas, em suas versões mais clássicas.
Remetem também a ervas e minerais, quando presentes em vinhos mais complexos.

A frouxidão de seu cacho dá à Garganega a capacidade, inclusive, de produzir excelentes vinhos de colheita
tardia, com uvas secas. Isso porque o espaço entre os bagos aumenta a ventilação deles, e reduz o risco de
doenças provenientes de fungos. Mesmo assim, os vinhos vinificados tradicionalmente, e não os de colheita
tardia, são de fato, os mais conhecidos.

No paladar, os vinhos da Garganega são delicados e frutados, de corpo médio, de acidez equilibrada, e
bastante aveludados.

Um vinho seco produzido com Garganega é um grande parceiro para um risoto de mexilhões com alho e
salsinha, ou então para uma generosa porção de abobrinhas fritas. Um vinho de sobremesa elaborado com
Garganega, por sua vez, fica muito bem harmonizado com arroz doce ou com pudim de amêndoas, por
exemplo.

Que tal conhecer mais essa uva? Se quiser encerrar lendo sobre outras cepas e seus vinhos, clique aqui.
Nero di Troia
Categoria: cepas

Engana-se quem pensa que essa uva vem da mesma cidade da


história do cavalo, o de Troia. A antiga cidade grega que levava esse
nome, onde ocorreu a Guerra de Troia descrita na Ilíada, fica na
Turquia. E o assunto, aqui, é uma uva considerada nativa da Itália.

Na realidade, existe uma lenda que liga, sim, o nome da uva à


cidade mítica, afirmando que a cepa teria chegado à Itália levada por
Diomedes, herói exilado após a guerra. Como boa lenda, talvez
tenha um fundo de verdade.

Mas a Troia da uva, nesse caso, é uma comuna italiana com pouco
mais de 7.000 habitantes, e que fica na região da Puglia.

E a Nero di Troia pode ser encontrada, também, sob outros nomes,


reconhecidos pela OIV: Uva di Troia, Sumarello ou Sommarello.

A Nero di Troia é uma uva bastante resistente a uma ampla variedade de pragas comuns nos vinhedos, e
muito adaptada ao clima quente e seco da Puglia. Mesmo assim, cada vez menos cultivada. Muitos
produtores, nos últimos anos, têm substituído seus vinhedos, plantando Negroamaro e Primitivo, consideradas
mais rentáveis comercialmente.

O fato é que, Nero di Troia, Negroamaro e Primitivo são as maiores representantes da diversidade do setor
vitivinícola da Puglia. Outro fato é que a Nero di Troia é, dentre essas três, a que mais demora a amadurecer.
Se quiser ler mais sobre Negroamaro, clique aqui. Ou então, para ler mais sobre a Primitivo, clique aqui.

Os aromas mais frequentemente relatados, na degustação de vinhos produzidos com a Nero di Troia, são
violetas, cereja preta madura, amora, couro, tabaco, cacau, cassis e anis.

O vinho à base de Nero di Troia costuma ser profundo, complexo, fascinante, de cor viva, e bastante rico em
polifenóis, principalmente taninos.

A adstringência típica dos taninos da Nero di Troia é, muitas vezes, atenuada pelo corte com outras uvas,
como Montepulciano. Inclusive, é comum encontrar, em vinhas velhas, fileiras intercaladas de Montepulciano
com Nero di Troia, na proporção de 1 para 3.

Mas existe, atualmente, uma tendência de vinficar a Nero di Troia em vinhos varietais, em geral notáveis! E
como os enólogos lidam com tantos taninos, em vinhos varietais? Com temperaturas moderadas, com
macerações mais curtas...
Uma boa ideia de harmonização, para experimentar um tinto Nero di Troia, é acompanhando carnes vermelhas
grelhadas ou assadas.

Uma harmonização típica? Uma massa chamada Orecchiette, ou Richitelle, com ragu de carne de coelho.

Uma curiosidade? É possível encontrar a Nero di Troia, também, em vinhos rosés, e até mesmo em vinhos
brancos!

Uma boa dica? Estar sempre aberto, no mundo do vinho, a novas uvas, e a novas degustações!
Trincadeira
Categoria: cepas

As castas nativas são um dos muitos tesouros de Portugal. E


Trincadeira é uma dessas castas.

Essa é uma variedade especialmente popular no Tejo, Alentejo e


no Douro.

Conhecida também como Trincadeira Preta, ou Tinta Amarela


(principalmente na região do Douro), a Trincadeira é uma uva
presente em todo o país, principalmente nas regiões secas e
quentes.

Apresenta cachos médios e muito compactos. Os bagos são


pequenos, uniformes, bem redondos, e com a cor negro-azulada.
A película das uvas é frágil e fina. Tudo isso faz a Trincadeira não
gostar de chuva, sendo extremamente sensível a doenças e à
podridão.

A Trincadeira é considerada uma variedade temperamental, que exige muita atenção do agricultor, pois tem
rendimentos altos e irregulares, precisando de controle e refreio para garantir boa qualidade em seus vinhos.

Além disso, sua colheita demanda atenção. A janela de tempo no qual as uvas estão no ponto ideal de
amadurecimento é estreita, de poucos dias. Antecipar a colheita rende frutos sem sabor. Atrasá-la resulta em
falta de acidez.

Talvez por todos esses motivos, essa é uma uva que tem perdido espaço nos vinhedos, nos útlimos anos. Ela
não é fácil.

Mas, quando tudo está sob controle, da videira à garrafa, esse é um vinho bastante floral. Quando jovem, tem
um caráter mais herbáceo, apresentando notas vegetais. Com o tempo, adquire fortes aromas de framboesa,
pimentas, especiarias como cravo e canela, e ervas.

Os vinhos produzidos à base de Trincadeira têm bons taninos, uma acidez muito fresca, são muito ricos em
cor, e têm boas condições para envelhecer em garrafa. São, sem sombra de dúvida, elegantes.

Apesar de muito utlizada em varietais, um dos maiores parceiros da Trincadeira, em vinhos de corte, é a uva
Aragonez, também conhecida como Tinta Roriz.

E como harmonizar a Trincadeira? Com carne de porco ou bovina de vitela, e você vai ter uma excelente
combinação. Com bacalhau, e você vai se sentir na “terrinha”, como carinhosamente chamamos Portugal, aqui
no Brasil.

E, se quiser ler mais sobre a produção de vinhos portugueses, clique aqui.

Parellada
Categoria: cepas

Essa é uma cepa branca nativa da Catalunha, no nordeste da Espanha. E é praticamente exclusiva dessa
região!

Pode ser encontrada, também, com os nomes Montonega, ou Montonec.

As montanhas da Catalunha do Alto Penedès, a 600 metros acima do nível do mar, são perfeitas para o cultivo
da Parellada. Essa variedade alcança todo o seu potencial em grandes altitudes, onde as temperaturas mais
baixas favorecem a acidez da uva e dão mais tempo para desenvolver todos os seus compostos aromáticos.

Essa é uma uva de pele grossa, de cor verde amarelada, com folhagem de diferentes tons de castanho claro.

O cacho da Parellada é grande e não é muito apertado, o que ajuda a proteger a saúde da vinha e da uva,
afastando o risco de podridão. A Parellada tem uma capacidade única de resistir ao Botrytis, uma doença
fúngica que afeta videiras.

É uma variedade que demora a brotar e a amadurecer, que precisa de controle dos seus rendimentos, e que
gosta de solos pobres.

A Parellada é utilizada, principalmente, na produção dos espumantes espanhóis da denominação Cava, junto
com as cepas Macabeo e Xarel-lo. É considerada a mais refinada e elegante da tríade de uvas desse vinho,
sendo responsável por adicionar frescor e acidez ao corte. Estima-se que 95% das uvas Parellada sejam
utilizadas para produzir Cava.

O restante das uvas da colheita é visto em vinhos tranquilos, ou seja, não espumantes. E, quando não estão
em varietais, estão em cortes principalmente com Sauvignon Blanc e Chardonnay.

Os aromas mais associados ao vinho produzido com a Parellada são os florais, cítricos, os de maçã verde e os
de nectarina. Os vinhos costumam ser delicados, aromáticos, ricos em acidez, com baixo teor alcoólico e muito
brilhantes.

No corte do espumante Cava, em vinho tranquilo, varietal ou não, experimente a cepa Parellada. E sinta-se,
por um momento, na própria Espanha.

Aliás, se quiser ler mais sobre a produção de vinhos na Espanha, clique aqui. Ou então, para ler sobre Cava,
cliqueaqui.

Graciano
Categoria: cepas

Graciano é uma cepa típica de Rioja, e é considerada por muitos


como a mais interessante da região, à frente até da Tempranillo,
principal uva de Rioja e da Espanha!

É chamada, também de Morrastel e de Tinta Miúda.

Além da Espanha, principalmente em Rioja, mas também em


Navarra, é possível encontrar algumas poucas vinhas da Graciano na França (em Languedoc-Roussilon, onde
inclusive ela foi muito popular durante o século 19), na Austrália, na Argentina e nos Estados Unidos.

Essa não é uma cepa fácil de cultivar. Tem rendimentos bastante baixos, é muito propensa a doenças como o
míldio, e leva muito, muito tempo para amadurecer.

O amadurecimento da Graciano é tão demorado, que existe uma piadinha a respeito do seu nome. Quando o
produtor pediu que a uva amadurecesse, ela respondeu: “Gracias, no”. E assim, teria ficado seu nome:
Graciano...

A demora em amadurecer faz com que a uva não consiga se adaptar, por exemplo, nas áreas mais frias de
Rioja. Mas essa mesma demora é responsável, também, pela complexidade de aromas e sabores da uva. E
não adianta, obviamente, realizar a colheita antes do tempo. Somente uvas completamente maduras garantem
sua plena expressão.

O crescente interesse por uvas indígenas, ou autóctones, tem feito a Graciano ganhar atenção e espaço.
Assim, uma uva que já fazia parte de cortes tradicionais de Rioja, dando cor e aroma a esses vinhos, tem
também sido cada vez mais utilizada sozinha, na produção de vinhos varietais. Se quiser ler sobre uvas
autóctones, clique aqui. Ou então, para ler sobre a diferença entre vinhos de corte e vinhos varietais,
clique aqui.

O vinho produzido com a Graciano costuma ser rico em acidez, e às vezes bastante tânico. Isso que faz com
que seja bastante apto, também, a envelhecer com qualidade.

Muito aromático, costuma ser associado a hortelã e a frutas escuras, com toque mineral e apimentado.

Uma curiosidade, para encerrar. O rendimento da Graciano é realmente baixo: metade do obtido com a
Tempranillo. Cultivar essa uva dificilmente vai ser uma prioridade econômica, portanto. Se duas variedades
diferentes, ocupando o mesmo espaço no vinhedo, produzem uma metade da outra, qual a decisão natural?
Pensando nisso, o governo espanhol até decidiu, anos atrás, criar subsídios para o plantio da Graciano. Ainda
bem, para nós, que apreciamos a variedade!

Colorino
Categoria: cepas
Uma uva cheia de cores e taninos. Nativa da região da Toscana, na Itália. Muito prazer, Colorino!

Também conhecida como Abrostine, Colore ou Raverusto, apesar de nenhum desses nomes ser, pelo menos
por enquanto, oficialmente reconhecido e catalogado pela OIV, Organização Internacional da Vinho e do Vinho.

A Colorino é uma cepa de pequenos bagos de pele grossa, profundamente pigmentados. Essa característica
fez com que os produtores da Toscana a escolhessem, para adicionar cor aos vinhos da região produzidos
com a Sangiovese, como o Chianti. Muito comum encontrá-la, representando algo entre 5 e 10% desse corte.

Isso significa que, mesmo sem nunca ter ouvido falar nessa uva, é bem provável que muitos apreciadores de
vinho já tenham, sim, a degustado.

No final da década de 1980, e durante a década de 1990, a Colorino foi uma uva muito popular nos vinhedos
da Toscana. Atualmente, é fato, perdeu boa parte de sua popularidade. Por quê? Porque novas técnicas de
cultivo e de vinificação melhoraram tanto a qualidade da Sangiovese, que alguns produtores locais passaram a
dispensar a adição da Colorino. E também porque ela perdeu espaço nos vinhedos para variedades
internacionais, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah.

Mesmo assim, ainda a encontramos, não só nos vinhos da denominação Chianti, mas também em varietais da
Indicação Geográfica da Toscana. Fora da região da Toscana, também encontramos vinhedos da Colorino
principalmente na Umbria, na região central da Itália.

Uma boa notícia é que sua utilização em vinhos varietais parece, inclusive, crescente nos últimos anos.

A cor do vinho produzido com a Colorino é rubi púrpura, muito profunda. Seus taninos costumam ser bem
estruturados. Seus aromas são considerados mais discretos, mas os mais destacados são cereja, ameixa,
mirtilo, alcaçuz, fumo e carvão.

Uma sugestão para harmonizar Colorino? Uma carne macia como vitela, com creme de espinafre. Essa é uma
combinação tipicamente europeia, para esse vinho. Acompanhe com um arroz branco, e divirta-se! Apetitoso?
Sem dúvida!

Para finalizar, se quiser ler mais sobre os vinhos de Chianti, clique aqui.

Alfrocheiro
Categoria: cepas

Também chamada de Tinta Bastardinha. Sem ofensas. Esse sinônimo é


oficialmente reconhecido, pela Organização Internacional da Vinha e do
Vinho.

A uva é nativa da região portuguesa do Dão, mas ganhou território no


país, estando presente na Bairrada e no Douro, e expandindo-se com
sucesso para o sul, nas regiões do Alentejo, Tejo e Palmela.

Alfrocheiro é uma casta muito vigorosa, que exige cuidados por parte do
produtor, controlando sua produtividade com podas, de maneira a não
dispersar seus aromas e sabores. Além de tudo, é uma variedade
delicada, propensa a pragas e a doenças, o que redobra a necessidade
de atenção.

Uma característica que, em compensação, ajuda o viticultor, é que essa cepa é de amadurecimento precoce,
ficando, então, menos tempo exposta aos riscos da natureza.

Os cachos da Alfrocheiro são curtos, de tamanho médio, e medianamente compactos. As uvas possuem um
alto teor de açúcares, o que possibilita a produção de vinhos de alto teor alcoólico.

A cor do vinho produzido com Alfrocheiro é tão profunda, que ele é frequentemente usado em corte com vinhos
de cor mais clara. Já no Dão, ao contrário, a uva é bastante vista sozinha, em vinhos varietais. Se quiser ler
mais sobre vinhos de corte e varietais, clique aqui.

Alfrocheiro produz vinhos ricos, com taninos equilibrados, e muito frutados, com aromas que remetem a frutas
silvestres, como amoras e morangos.

Uma tradicional harmonização dos vinhos produzidos à base de Alfrocheiro é cabrito assado. Outra boa dica é
carne de cordeiro. Cabe, aqui, um esclarecimento para uma dúvida frequente e comum: cabrito é o filho da
cabra e do bode, enquanto cordeiro é o filho da ovelha e do carneiro. Vinho também é cultura, e bom humor...
Mas carnes e pratos mais comuns no nosso dia a dia também combinam com Alfrocheiro. Coloque esse vinho
na sua mesa, e na sua taça, e descubra os prazeres de mais essa uva, tipicamente portuguesa.

Saúde!

Cabestrel
Categoria: cepas

Muitas uvas são extremamente tradicionais. Algumas são até milenares.


Mas outras são muito novas, como é o caso da Cabestrel...

E como surgem novas variedades? Uma nova casta de uva sempre nasce
do cruzamento de variedades já existentes. E esse cruzamento pode ser
acidental, no vinhedo, ou proposital, em laboratório, como é o caso da
Cabestrel.

Criada pelo cientista Alain Bouquet, a Cabestrel é um cruzamento da


Cabernet Sauvignon com a Mourvèdre.

Segundo consta, a Cabestrel foi concebida, entre outros motivos, para


resolver um problema proveniente das mudanças climáticas. Em função
do aquecimento global, as uvas tendem a amadurecer mais cedo,
concentrando essa atividade em um intervalo reduzido de tempo, o que
prejudica o produtor. Tendo isso em vista, a Cabestrel foi planejada para
ser uma uva com amadurecimento mais tardio, possibilitando espalhar, ou
dividir melhor, a colheita.

Criada nos anos 1970, somente em 2014, depois de muitos testes em vinhas monitoradas, a Cabestrel foi
oficialmente incluída no “Catalogue des variétés de vigne”, podendo, a partir de então, ser normalmente
cultivada nos vinhedos da França, utilizada nos vinhos oficialmente classificados, e comercializada na União
Europeia.

Certamente, nos próximos anos, ouviremos falar em Cabestrel. E certamente, provaremos seus vinhos.

O que podemos esperar deles?

A Cabestrel é uma uva tinta, de casca escura e polpa incolor, pele grossa, e muito rica em polifenóis. Tem
intensa coloração, o que fica ainda mais evidente quando ela é vinificada como rosé. O vinho produzido a
partir da Cabestrel tem sido descrito como frutado, com notas de especiarias, e muito estruturado.

É esperar para ver. Enquanto isso, que tal ler sobre as uvas utilizadas nesse cruzamento? Para ler sobre a
Cabernet Sauvignon, clique aqui. Ou então, para ler sobre a Mourvèdre, clique aqui.

E saúde!

Catarratto
Categoria: cepas
O nome é esquisito, mas a cepa é interessante. Conheça Catarratto.

Essa é a variedade mais plantada em toda a Sicília, cobrindo


cerca de 60% das vinhas da ilha. E costuma ser citada como a
segunda uva mais plantada em toda a Itália, ficando atrás
apenas da tinta Sangiovese.

O bago dessa uva é verde ou amarelo pálido, sua pele é


espessa, e a polpa, suculenta.

A Catarratto pode ser dividida em subvariedades, sendo as


principais a Catarratto Bianco Comune e Catarratto Bianco
Lucido. Antigamente consideradas duas uvas distintas, hoje
sabe-se que são geneticamente idênticas, pertencendo à mesma
casta. Existe uma discussão sobre uma ser melhor que a outra,
mas a diferença entre as subvariedades é, de fato, sutil.

Quando não está em vinhos varietais, o que nem é o mais comum, as parcerias mais frequentes da Catarratto
são Carricante, Inzolia, Grillo e Chardonnay.

Por natureza, é uma casta de alto rendimento, baixo custo no vinhedo, e que tende a produzir vinhos neutros e
de baixa acidez. Por isso, acaba sendo vista apenas como um componente de corte, em muitas vezes, e
também como uma uva para vinhos a granel. Porém, o cultivo e a vinificação cuidadosos, quando realizados
por produtores dedicados, têm outro resultado: vinhos interessantes, com boa acidez e textura surpreendente.

Falando em surpreender, os vinhos sicilianos fortificados, denominados Marsala, são uma boa sugestão para
apreciar a uva Catarratto. Se quiser ler mais sobre esses vinhos, clique aqui.

Os aromas mais associados à Catarratto são os cítricos, com destaque para limão. Também encontramos
associações a flores brancas, maçã e amêndoa, e até a toranjas e damascos.

A harmonização tradicional, na Europa, para vinhos produzidos com a Catarratto, é salada de atum com
alcaparras. Mas outra excelente ideia é combinar Catarratto com frango cozido ao estilo asiático, ou até
mesmo com fatias de sashimi.
Uma curiosidade: pesquisas genéticas realizadas em 2008 apontaram para o parentesco entre a siciliana
Catarratto, e a uva Garganega, da região do Vêneto, no nordeste italiano.

Outra curiosidade: uvas nativas de determinado país, como a italiana Catarratto, são chamadas também de
uvas autóctones. Para ler mais sobre esse assunto, clique aqui.

E saúde!

Falanghina
Categoria: cepas

Para pronunciar o nome dessa uva, diga “falanguina”, e capriche no sotaque italiano...

Essa é uma cepa muito antiga, supostamente de origem grega. E, mesmo a OIV (Organização Internacional
da Vinha e do Vinho) não reconhecendo nenhum sinônimo oficial para seu nome, não é difícil encontrá-la
sendo chamada de Falanghina Grega.

O cultivo da Falanghina acontece principalmente na região da Campania, sul da Itália, com o clima quente do
Mediterrâneo e no solo vulcânico do Vesúvio. Essa, assim como outras regiões vulcânicas, são muito
utilizadas para o cultivo das vinhas. Se quiser ler mais sobre isso, clique aqui.

Apesar de ser um dos símbolos da tendência da enologia na Campania, a Falanghina também tem sido
cultivada na Puglia e em Abruzzo, mas ainda é rara fora do território italiano.

A Falanghina é uma uva branca, cujo bago tem cor amarelada, e é coberto por uma fina camada de cera. Os
cachos têm forma piramidal. É uma varidade muito produtiva e vigorosa, e que exige grande atenção por parte
do viticultor.

Os especialistas reconhecem, pelo menos, dois tipos distintos de Falanghina, a Falanghina Flegrea e a
Falanghina Beneventana.

O principal aroma associado à Falanghina, e aos vinhos produzidos a partir dela, é flor de laranjeira. Também é
comum a referência a frutas cítricas em geral, e a pinho. Na boca, apresenta sabores de maçã e pera, com
notas picantes e também minerais.

No passado, a Falanghina era mais utilizada em vinhos de corte, mas cada vez mais está sendo utilizada em
vinhos varietais, nitidamente frescos e alegres.

Para experimentar um vinho produzido com a Falanghina, procure harmonizá-lo com uma salada caprese, ou
então, com pizza coberta de rúcula. São excelentes combinações para esse vinho.

Por fim, uma curiosidade: dizem que a Falanghina era a uva utilizada para produzir o Falerno, o vinho mais
famoso da Antiguidade, muito apreciado pelos antigos romanos. Será?

Síria ou Roupeiro
Categoria: cepas

Pegadinhas à parte, essa casta não é de origem síria. Ela


chama-se Síria, mas é nativa de Portugal.

Na realidade, pouco se sabe da sua origem. Mas sua


peculiaridade genética leva especialistas a crer que seja
uma uva nativa de Portugal.

Síria é a casta branca mais plantada no Alentejo. Aparece


também em muitas outras regiões do país, inclusive sob
outros nomes, mas somente Roupeiro, o nome alentejano,
e Códega, são sinônimos reconhecidos pela Organização
Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
Sua distribuição geográfica é bastante singular, pois ela se estende por uma longa e estreita faixa, de norte ao
sul do interior do país, abraçando a fronteira espanhola. É plantada, por exemplo, em Trás-os-Montes, Douro,
Beiras, Alentejo e Algarve.

Quanto mais alta e fria a região do vinhedo onde planta-se Síria, mais delicados, frescos e elegantes são os
vinhos que ela produz. Por isso mesmo, a uva tem feito um movimento migratório, nos últimos tempos,
deixando as quentes terras do Alentejo em direção, por exemplo, à Beira Interior e ao Dão.

Muito produtiva, aliás, a Síria é uma uva de cachos e bagos pequenos, de cor verde amarelada, com a pele
medianamente espessa.

Os vinhos produzidos à partir da Síria são ideais para serem consumidos jovens, pois a oxidação precoce é
uma característica marcante dessa uva.

Os aromas que normalmente são associados à Síria são laranja e limão, com notas de pêssego, melão, louro
e flores silvestres.

Não deixe passar mais essa uva. Mais esse vinho. Mais essa experiência. É disso que é feito o universo do
enófilo...

Para harmonizar esse vinho, uma grande dica é a companhia de risoto de aspargos. Os aspargos, que têm
fama de difíceis na harmonização devido a um toque metálico no seu sabor, combinam muito com o caráter
cítrico da Síria.

Para finalizar, se quiser ler dicas sobre outros alimentos considerados de difícil harmonização, clique aqui.

Montepulciano
Categoria: cepas

Montepulciano é uma variedade tinta de uva, amplamente cultivada no centro da Itália, mais notavelmente nas
regiões de Abruzzo, Marches e Molise, na costa oriental do país, voltada para o Mar Adriático.

Curiosamente, a uva Montepulciano não está relacionada à comuna Montepulciano, localizada na Toscana. De
fato, a uva nem é utilizada na produção dos vinhos de lá. Mas dizem que seu nome deve-se à paróquia local,
só para tornar o fato ainda mais confuso...

Montepulciano é uma uva presente em aproximadamente 50 denominações de origem italianas, sendo a mais
famosa delas, certamente, Montepulciano d’Abruzzo. Esses vinhos são produzidos com pelo menos 85% da
variedade, na região de Abruzzo.

Montepulciano é vista, frequentemente, em vinhos varietais. Mas parcerias de sucesso, da Montepulciano em


vinhos de corte, são vistas com a Sangiovese e também com a Syrah.

A Montepulciano é uma cepa que produz vinhos frutados, de sabor leve, relativa acidez, cores fortes e taninos
suaves. Mesmo que a maioria destes vinhos seja consumida quando jovem, as melhores performances da uva
podem envelhecer, com dignidade, por décadas.

Os aromas e sabores associados a Montepulciano costumam ser os de amoras pretas e cerejas, com notas de
cacau, tabaco e orégano. E, no palato, esses vinhos apresentam boa persistência.

E como harmonizar um Montepulciano? Para valorizar ainda mais as características da Montepulciano, dê


preferência a pratos mais encorpados, como guisados, carne de porco ou de cordeiro assada, ou então
massas com molhos vermelhos e temperos fortes. Um prato típico da Itália, para um vinho típico da Itália?
Orecchietti, aquela massa pequena em formato de orelha, com molho de tomate e manjericão.

A que temperatura servir? A 16 ou 17°C, esse vinho vai mostrar seu esplendor. Se estiver abrindo uma garrafa
de uma safra muito antiga, aí sim, pode servi-la a uma temperatura um pouco mais elevada, mas ainda assim,
inferior a 20°C.

Para finalizar, um fato interessante: pequenas quantidades de Montepulciano têm sido cultivadas fora da Itália,
na Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos. Quem sabe o que o futuro nos reserva? Aguardemos...

Enquanto isso, se quiser ler sobre a denominação Montepulciano d’Abuzzo, clique aqui.
Roussanne
Categoria: cepas

A origem desse nome é bem interessante. Apesar de a uva


ser clara, seu nome vem da palavra francesa roux, que
significa vermelho. Isso porque a variedade, ao amadurecer,
adquire uma cor castanho-avermelhada.

Embora não se afirme com precisão, aceita-se que Roussane


seja uma uva nativa do Vale do Rhône.

No Rhône, é tradicionalmente cortada com outras variedades


também presentes na região, como Viognier, Marsanne ou
Syrah. É, inclusive, uma das seis variedades de uvas brancas
permitidas em Châteauneuf-du-Pape. Se quiser ler mais
sobre os vinhos dessa famosa denominação de origem,
clique aqui.

Fora da França, Roussanne desfruta uma longa história de


cultivo na Austrália, onde foi plantada no século 19, e também em parte da Itália e da Espanha. Além disso,
tem se tornado cada vez mais popular nos Estados Unidos, onde foi confundida, por muito tempo, com a
Viognier.

A Roussanne tem fama de ser uma cepa complicada de cultivar, e difícil de crescer. Mas clones desenvolvidos
no final do século 20 surpreendem os produtores, pela superioridade, nesses quesitos. De qualquer forma, seu
amadurecimento tardio a deixa mais suscetível às pragas comuns dos vinhedos, e até aos danos causados
pelo vento.

Na realidade, seu amadurecimento é bastante irregular, pois a uva mostra-se muito sensível aos raios solares.
Assim, vinhas cujos cachos estão virados para o ocidente amadurecem primeiro do que aquelas viradas para o
oriente. Trabalho adicional para o produtor, que muitas vezes precisa fazer a colheita em diferentes etapas.

Para compensar o trabalho que dá no vinhedo, a Roussanne é uma variedade super bem comportada, na
vinícola, com flexibilidade e tolerância aos mais diferentes métodos de vinificação. Barricas pequenas ou
grandes, novas ou velhas, de carvalho francês ou americano? Ou, ainda, tonéis de aço inoxidável? Ok, o
produtor é quem manda. Roussanne obedece.

Roussanne produz um vinho complexo e encorpado, que sugere aromas de ervas, pera, melão, damasco e
mel.

Com boa acidez e muitos taninos, é um vinho com excelente longevidade. Diferentemente da maioria dos
vinhos brancos, Roussanne envelhece muito bem, devido à sua combinação incomum de riqueza,
mineralidade, e equilíbrio de acidez. Muitos vinhos produzidos com a Roussanne podem ser apreciado até
mais de 15 anos após o engarrafamento, com grande performance.

Vinhos à base de Roussanne harmonizam muito bem com a culinária chinesa e asiática em geral. Também é
uma boa opção para frutos do mar e aves. E é a escolha mais tradicional para acompanhar uma sopa típica da
França, elaborada com vários tipos de pescados, chamada bouillabaisse. Um charme.

Por fim, uma curiosidade: mesmo que ainda não sejam tão comuns por aqui, é possível encontrar Roussanne
em vinhos espumantes, e também nos vinhos de sobremesa. Procure, e não vai se arrepender.
Furmint
Categoria: cepas

Uma uva capaz de produzir alguns dos vinhos mais


complexos e com maior longevidade, do mundo! Um bom
motivo para conhecê-la!

Essa é a variedade mais importante na região húngara de


Tokaj, onde são produzidos os vinhos Tokaji. Para ler mais
sobre esses vinhos, clique aqui.

A origem desta uva não é tão clara, talvez Itália ou Sérvia.


Mas ela acaba sendo considerada nativa da Hungria, onde
deve ter chegado, por volta do século 13.

Além da Hungria, Furmint é também cultivada principalmente


na Áustria, República Tcheca, Eslováquia e em outros países
da Europa Central e Oriental. Mas sua reputação é tamanha
que ela já ganhou espaço, pouco, até na África do Sul.

O nome Furmint deriva do francês froment, que significa trigo.


O motivo? Sua cor, dourada.

Essas videiras brotam cedo e amadurecem tarde, o que explica a complexidade de aromas e sabores de seus
vinhos.

A pele da uva, inicialmente grossa, vai ficando fina e transparente, até o final da maturação. Um tipo de
segunda pele é criado, durante o processo, impedindo que o bago se rompa.

Isso permite que o Sol penetre na uva, evaporando seus líquidos, e concentrando seus compostos. A
maturação tardia e a pele fina desta uva combinam as condições favoráveis para o desenvolvimento de
açúcares e sabores.

Além disso, uvas deixadas na videira tempo suficiente, desenvolvem a famosa podridão nobre.

Furmint pode ser utilizada na elaboração tanto de vinhos secos, como de vinhos doces, sempre ricos em
álcool e acidez.
Os estilos secos de vinhos à base de Furmint, inclusive, têm sido cada vez mais vistos, com aromas de casca
de limão, peras, maçãs e laranjas. Na medida em que envelhecem, esses vinhos adquirem, também, sabores
picantes e de nozes. São excelentes combinações para risotos ou bolos de frutas secas e cristalizadas.

Já em suas versões doces, esses vinhos nos remetem a damasco, mel e marzipan, com notas de especiarias
e açúcar mascavo. E ficam ainda mais interessantes quando combinados com queijos azuis, ou com foie gras.

Furmint é assim. Incomum, para não dizer rara. E extremamente convidativa. Aceite esse convite...

Mencía, ou Jaen
Categoria: cepas

Mencía, na Espanha. Jaen, em Portugal. É a mesma uva. É o que dizem os testes de DNA. Afinal, que uva é
essa? E como é o seu vinho?

Essa é uma uva tinta nativa da Península Ibérica, de pele grossa, azul violeta. É vigorosa, e exige cuidado do
viticultor para conter sua extraordinária produtividade. Amadurece cedo, em meados de setembro. É bem
adequada ao clima marítimo da região, onde chuvas de outono são bastante comuns.

Na Espanha, Mencía encontrou seu lar nas comunidades autônomas da Galiza e de Castela e Leão. É a
principal uva de denominações como Bierzo e Ribeira Sacra (se quiser ler sobre Ribeira Sacra, clique aqui).
Em Portugal, sob o nome Jaen, produz vinhos muito interessantes, principalmente no Dão.

Os vinhos produzidos com essa casta eram, antigamente, de caráter mais rústico que os atuais, com taninos
muito agressivos, inclusive. Hoje, com métodos de cultivo mais precisos e maior cuidado na vinificação, esses
vinhos são bem mais atrativos, macios e refinados. Possuem cor viva com reflexos marrons, acidez fresca,
taninos suaves porém marcantes.

Seus aromas e sabores frutados remetem a framboesas, amoras, mirtilos e cerejas, mas incluem também um
caráter herbáceo, de hortelã ou tomilho.

Dependendo do terroir, Mencía também pode trazer duas distintas características. Em solos de granito e xisto,
produz um toque mineral. Em solos de argila, há uma referência à terra.

E esse vinho fica ainda mais fresco e frutado quando as uvas passam por maceração carbônica, ou seja,
quando uvas inteiras são submetidas a um ambiente rico em gás carbônico e quase sem oxigênio. E essa
parece ser uma tendência.

Falando em tendência, tem sido relativamente comum encontrarmos essa uva em varietais, ou em grandes
percentuais, dentro de um corte. Isso mostra que Mencía é capaz de fazer um excelente vinho, por conta
própria.

Como harmonizar vinhos produzidos à base de Mencía? Com lombo suíno, por exemplo. Com comida
mexicana, também.

Uma curiosidade: já houve certa confusão entre Mencía e Cabernet Franc, que alguns especialistas afirmavam
ser a mesma variedade, mas estudos genéticos provaram ser pura especulação.

Mencía é Mencía. Ou Jaen, se você preferir chamá-la assim. E ela merece nossa atenção. E merece, também,
o nosso brinde.

E se você quiser ler sobre algumas outras cepas, clique aqui.


Corvina
Categoria: cepas

Se você acha que não conhece essa uva, é bem provável que
esteja enganado. Ela faz parte, por exemplo, dos famosos
Valpolicella e também dos Bardolino.

Aliás, mas do que fazer parte, ela é a principal uva destes


vinhos. E sua origem certamente está relacionada à produção
vinícola de Verona. Os primeiros registros do seu cultivo são de
1824.

Corvina é uma uva de casca grossa, muito cultivada no Vêneto,


norte da Itália. Seus bagos são ovais, de tamanho médio,
azulados e escuros, e formam cachos médios e compactos, de
formato piramidal.

O nome Corvina, inclusive, remete à cor escura de seus


cachos, “escuros como as penas de um corvo”. Corvo, em
italiano, diz-se corvino.

Essa é uma cepa que demora a brotar, e que também demora a amadurecer, mas as vinhas têm boa
resistência ao frio do inverno, são vigorosas e apresentam produtividade constante, o que é muito positivo para
o viticultor.

Também conhecida como Corvina Veronese, essa uva responde muito bem a processos de secagem antes da
fermentação, que conferem ao vinho mais estrutura e complexidade aromática e gustativa. O estresse
causado pela desidratação desenvolve, na Corvina, sabores e aromas únicos. Para conhecer esse efeito,
procure por vinhos rotulados como Amarone della Valpolicella.

As parceiras mais frequentes da Corvina, em cortes, são Rondinella e Molinara. Mas a uva também está
presente em vinhos varietais muito interessantes, cada vez mais populares. Se quiser ler a diferença entre
vinho de corte e vinho varietal, clique aqui.

O vinho produzido pela Corvina é tânico, de cor profunda, elegante e bem estruturado, apresentando também
um frescor acentuado. E os aromas mais frequentemente associados à Corvina são couro, chocolate, noz
moscada, ervas, cerejas e amêndoas.

Nossa sugestão, para harmonizar um varietal de Corvina? Spaghetti aos frutos do mar, bons amigos, boa
conversa.

E, se quiser saber mais sobre Valpolicella, clique aqui. Ou então, sobre Bardolino, aqui.

Aglianico
Categoria: cepas

Essa é uma das uvas mais subestimadas pelos amantes do vinho. O mundo nem sempre é justo, mesmo...

Em primeiro lugar, a pronúncia. Não diga Agliânico, como seria o natural, em português. Diga Alhiánico. É
assim que você vai ouvir italianos pronunciarem o nome dessa uva.

Aglianico chegou ao sul da Itália, mais especificamente às regiões da Campania e Basilicata, graças aos
povos gregos e fenícios. Não é à toa que Aglianico também é conhecida, oficialmente, como Ellenico, ou
Ellenica.
Essa é uma das uvas mais antigas, entre as consideradas nativas da Itália. Se quiser saber mais sobre uvas
nativas, também chamadas autóctones, clique aqui.

Vinhedos de Aglianico brotam cedo, mas essas uvas demoram a amadurecer. Como essas vinhas apreciam
climas quentes e secos, é possível encontrar algumas boas tentativas de cultivo e produção, fora da Itália, na
Califórnia e na Austrália.

A Aglianico é conhecida pela produção de vinhos tintos encorpados de caráter mineral, que remetem a figo e a
cereja, com taninos firmes, boa acidez e um interessante potencial de envelhecimento. Na realidade, quando
jovens, seus taninos podem ser até um pouco duros, mas vão amaciando com o tempo.

O passar do tempo também muda a cor do Aglianico, de vermelho grená para terracota, além de ressaltar
aromas de ameixa e chocolate.

Experimente um Aglianico harmonizando-o com um prato tipicamente italiano. Experimente, por exemplo,
massas recheadas com mozzarella de búfala e cobertas com molho de tomate. Mas, como esse é um vinho
interessante para carne vermelha, para temperos como páprica, e também para cogumelos, quem sabe não é
uma ótima sugestão para um strogonoff?

Ah, e se quiser uma experiência realmente impactante, com vinhos produzidos à base de Aglianico, procure
pela denominação de origem Taurasi. Ou então Aglianico del Vulture. As encostas vulcânicas que abrigam
esse vinhedos influenciam positivamente os vinhos.

E, se quiser ler sobre a relação entre vinhos e vulcões, clique aqui.


Verdelho
Categoria: cepas

Essa é uma uva de origem portuguesa, com uma longa história


no país, que remonta ao século 15. Na Ilha da Madeira, foi a
variedade mais plantada durante o século 19, ocupando mais
de 2/3 dos vinhedos da famosa ilha. Mas injustamente,
Verdelho só foi reconhecida como uma casta nobre de uvas, no
começo do século 20.

No vinhedo, Verdelho apresenta cachos pequenos e


compactos, compostos por miúdos bagos de cor verde
amarelada, com notável acidez e razoável açúcar.

Na taça, Verdelho é aromático e equilibrado. Pode se


apresentar tanto em vinhos secos, herbáceos com feixes de
acidez, como também em vinhos fortificados, sendo o mais
famoso deles, sem dúvida, o Madeira. Verdelho está entre as
variedades mais utilizadas na produção deste vinho, ao lado da
Tinta Negra, Sercial, Boal e Malvasia. Se quiser ler mais sobre
os vinhos da Ilha da Madeira, clique aqui.

Os aromas mais associados aos vinhos elaborados com a uva


Verdelho são damasco, peras, pimentas brancas, além de frutas cítricas e tropicais.

Mas a Verdelho não está restrita nem a Ilha da Madeira, nem a Portugal, nem a Europa. Essa cepa é cultivada,
inclusive, em países do Novo Mundo como Austrália, Estados Unidos e África do Sul.

Nos vinhos brancos e secos, não fortificados, ela geralmente aparece sozinha, em versões varietais. Mas
também é possível encontrá-la em cortes com Chardonnay ou Sémillon.

Para experimentar um vinho branco e seco produzido com Verdelho, procure um bom bacalhau ou um peixe
de forte personalidade como salmão. Considere, também, ostras ou vieiras. E, mesmo com fama de difíceis de
harmonizar, os aspargos são bons companheiros para Verdelho. Aliás, se quiser ler sobre outros alimentos
também com essa fama, clique aqui.

E não deixe de conhecer Verdelho. Vai valer a pena, acredite.

Nero d'Avola
Categoria: cepas

Essa uva, também conhecida como Calabrese, é a


variedade tinta mais plantada na Sicília. E não é de hoje.
Essa é uma história de séculos.

O nome Nero d’Avola, inclusive, refere-se à “uva negra


proveniente da cidade de Avola”, na costa sudeste da ilha.

Mas há uma polêmica envolvendo a origem da uva. Há


quem afirme que ela nasceu na Calábria. Há quem
sustente que o nome Calabrese não tem essa ligação,
tendo derivado, na verdade, da palavra Calavrisi ou
Calaurisi, usada para identificar os habitante de Avola. Há
quem afirme, ainda, que ela surgiu na Mesopotâmia.

O fato é que Nero d’Avola é considerada uma uva nativa da


Itália. O que já faz dela uma uva interessante.

Outro fato é que essa uva tem sido, cada vez mais, vista
em varietais. Quando em cortes, os parceiros mais comuns da Nero d’Avola são Cabernet Sauvignon,
Frappato, Merlot e Syrah.

Além da Itália, outros produtores que têm se destacado no cultivo de Nero d’Avola são Austrália e Califórnia.

Nero d’Avola é intensamente aromática. Quando jovem, o vinho produzido com a Nero d’Avola traz aromas de
ameixa, frutas vermelhas, pimenta e cravo. Com o tempo em carvalho, contudo, Nero d’Avola adquire também
sabores de chocolate e acentuado aroma de framboesa. Com cor profunda, acentuada acidez, alto teor
alcoólico e muitos taninos, esse é um vinho que envelhece bem.

Uma dica: os vinhos produzidos à base de Nero d’Avola guardam algumas semelhanças com os produzidos
com Syrah. Então, se você aprecia uma, talvez aprecie, também, a outra.
Uma curiosidade: bons rosés são produzidos com Nero d’Avola. Vale a pena conferir.
Um convite: conheça outro vinho famoso produzido na Sicília, o Marsala. Para ler, clique aqui.
Verdejo
Categoria: cepas

Na Espanha, um país onde as uvas tintas têm mais notoriedade,


Verdejo é uma uva branca que se destaca, entre mais as
cultivadas.

Verdejo foi do norte da África à Espanha durante a Idade Média,


levada no século 11, ao que consta na história, pelos moçárabes,
cristãos que viviam na Península Ibérica durante o domínio
árabe. Mas há uma vertente que afirma ser, esta, uma variedade
nativa de Castilla e León, onde é, inclusive e de longe, a cepa
mais plantada.

Falando em Castilla e León, a denominação de origem Rueda,


nessa região, é uma grande sugestão para experimentar vinhos
produzidos à base de Verdejo. Se quiser ler mais sobre os vinhos
espanhóis de Rueda, clique aqui.

Fora da Espanha, essa não é uma variedade facilmente


encontrável, salvo experiências de alguns produtores na
Califórnia e na Austrália.

Verdejo é uma uva que produz vinhos elegantes, frescos, frutados e, geralmente, com alto teor alcoólico e
acentuada acidez. A cor do líquido normalmente é verde dourada, dependendo um pouco do método de
vinificação. São vinhos de caráter herbáceo e cítrico, com um toque de noz e de mineralidade.

A Verdejo é uma cepa utilizada tanto na produção de vinhos varietais, como também de vinhos de corte, sendo
que as parcerias mais comuns da Verdejo são com a Viura e com a Sauvignon Blanc.

A grande maioria dos vinhos que são produzidos com Verdejo devem ser consumidos jovens. Entretanto, é
possível encontrar bons exemplares que ainda estão bem interessantes mesmo após completarem 1 década
de vida. É possível, mas não é comum.

Boas harmonizações do vinho à base dessa cepa são carne de porco, peixe grelhado e frutos do mar. Também
vale considerar Verdejo quando o cardápio incluir sardinhas fritas. Mais dicas? Pimentões recheados. Além
disso, esse é um excelente vinho para queijos de cabra e para azeitonas.

Por fim, o fim de uma confusão. Verdejo e Verdelho não são a mesma uva. Para conhecer a Verdelho,
clique aqui.
Palomino
Categoria: cepas

Uma uva branca da Andaluzia, no sudoeste da Espanha. A


variedade mais utilizada na produção do Jerez. Precisa mais?
Precisar, não precisa, mas a gente adora falar sobre uvas e
vinhos... Então, acompanhe!

O nome Palomino é creditado a um cavaleiro do Rei Alfonso X,


Fernan Ibanez Palomino, um importante oficial militar que atuou
durante a Reconquista, quando os exércitos cristãos europeus
lutaram contra os invasores mouros, para retomar o controle da
região.

A OIV, Organização Internacional da Vinha e do Vinho, reconhece


como sinônimos da uva Palomino, os nomes Listán, Listán Blanco,
Merseguera, Palomino Fino, White French e Fransdruif.

Os cachos desta uva são normalmente longos, cilíndricos e


relativamente compactos. Os bagos dessa variedade tem a pele
fina, formato esférico, tamanho médio, e cor verde amarelada. As uvas são frágeis e suculentas.

Muito resistente a uma ampla variedade de parasitas, quando corretamente cultivada, a Palomino está
absolutamente adaptada ao solo e ao clima da Andaluzia.

Fora da Espanha, encontramos bons vinhos produzidos à base de Palomino em fortificados da California.
Também é uma uva bastante utilizada na África do Sul, na fabricação de destilados vínicos. E também é
cultivada em países como França e Portugal, e até no México.

Essa não é uma uva frequentemente encontrada em vinhos tradicionais, mas, sim, em vinhos fortificados. O
principal motivo é a baixa acidez da cepa. Mas é possível encontrar Palomino em interessantes vinhos brancos
secos, muito aromáticos.

Sem dúvida, Palomino mostra-se muito bem nos fortificados Jerez. Mas a melhor expressão da uva Palomino,
segundo boa parte dos especialistas, está na cidade de Sanlúcar de Barrameda, no Jerez Fino conhecido
como Manzanilla de Sanlúcar. Fica a dica...

Para saber mais sobre Jerez, clique aqui. Ou então, para ler sobre a produção de vinhos na Espanha,
clique aqui.
Aglianico
Categoria: cepas
Essa é uma das uvas mais subestimadas pelos amantes do vinho. O mundo nem sempre é justo, mesmo...

Em primeiro lugar, a pronúncia. Não diga Agliânico, como seria o natural, em português. Diga Alhiánico. É
assim que você vai ouvir italianos pronunciarem o nome dessa uva.

Aglianico chegou ao sul da Itália, mais especificamente às regiões da Campania e Basilicata, graças aos
povos gregos e fenícios. Não é à toa que Aglianico também é conhecida, oficialmente, como Ellenico, ou
Ellenica.

Essa é uma das uvas mais antigas, entre as consideradas nativas da Itália. Se quiser saber mais sobre uvas
nativas, também chamadas autóctones, clique aqui.

Vinhedos de Aglianico brotam cedo, mas essas uvas demoram a amadurecer. Como essas vinhas apreciam
climas quentes e secos, é possível encontrar algumas boas tentativas de cultivo e produção, fora da Itália, na
Califórnia e na Austrália.

A Aglianico é conhecida pela produção de vinhos tintos encorpados de caráter mineral, que remetem a figo e a
cereja, com taninos firmes, boa acidez e um interessante potencial de envelhecimento. Na realidade, quando
jovens, seus taninos podem ser até um pouco duros, mas vão amaciando com o tempo.

O passar do tempo também muda a cor do Aglianico, de vermelho grená para terracota, além de ressaltar
aromas de ameixa e chocolate.

Experimente um Aglianico harmonizando-o com um prato tipicamente italiano. Experimente, por exemplo,
massas recheadas com mozzarella de búfala e cobertas com molho de tomate. Mas, como esse é um vinho
interessante para carne vermelha, para temperos como páprica, e também para cogumelos, quem sabe não é
uma ótima sugestão para um strogonoff?

Ah, e se quiser uma experiência realmente impactante, com vinhos produzidos à base de Aglianico, procure
pela denominação de origem Taurasi. Ou então Aglianico del Vulture. As encostas vulcânicas que abrigam
esse vinhedos influenciam positivamente os vinhos.

E, se quiser ler sobre a relação entre vinhos e vulcões, clique aqui.

Verdelho
Categoria: cepas
Essa é uma uva de origem portuguesa, com uma longa história no país, que remonta ao século 15. Na Ilha da
Madeira, foi a variedade mais plantada durante o século 19, ocupando mais de 2/3 dos vinhedos da famosa
ilha. Mas injustamente, Verdelho só foi reconhecida como uma casta nobre de uvas, no começo do século 20.

No vinhedo, Verdelho apresenta cachos pequenos e compactos, compostos por miúdos bagos de cor verde
amarelada, com notável acidez e razoável açúcar.

Na taça, Verdelho é aromático e equilibrado. Pode se apresentar tanto em vinhos secos, herbáceos com feixes
de acidez, como também em vinhos fortificados, sendo o mais famoso deles, sem dúvida, o Madeira. Verdelho
está entre as variedades mais utilizadas na produção deste vinho, ao lado da Tinta Negra, Sercial, Boal e
Malvasia. Se quiser ler mais sobre os vinhos da Ilha da Madeira, clique aqui.

Os aromas mais associados aos vinhos elaborados com a uva Verdelho são damasco, peras, pimentas
brancas, além de frutas cítricas e tropicais.

Mas a Verdelho não está restrita nem a Ilha da Madeira, nem a Portugal, nem a Europa. Essa cepa é cultivada,
inclusive, em países do Novo Mundo como Austrália, Estados Unidos e África do Sul.

Nos vinhos brancos e secos, não fortificados, ela geralmente aparece sozinha, em versões varietais. Mas
também é possível encontrá-la em cortes com Chardonnay ou Sémillon.

Para experimentar um vinho branco e seco produzido com Verdelho, procure um bom bacalhau ou um peixe
de forte personalidade como salmão. Considere, também, ostras ou vieiras. E, mesmo com fama de difíceis de
harmonizar, os aspargos são bons companheiros para Verdelho. Aliás, se quiser ler sobre outros alimentos
também com essa fama, clique aqui.

E não deixe de conhecer Verdelho. Vai valer a pena, acredite.

Lledoner Pelut
Categoria: cepas

A grafia do nome dessa uva é estranha, mas a pronúncia não é


complicada. Diga Ledonerrrr Pelul. E aprenda, aqui, um pouco
mais sobre ela...

Atualmente considerada um variedade com identidade própria,


essa cepa foi, durante muito tempo, tida como sendo um clone da Grenache, de quem, na realidade, é uma
mutação natural. E as semelhanças são, de fato, muitas. Mas Lledoner Pelut tem uma frutificação mais regular,
seus bagos escuros têm uma forma ligeiramente elíptica, e seus cachos são mais compactos.

Além disso, as folhas da videira da Lledoner Pelut parecem ser cobertas por uma penugem característica.
Pelut, no nome, é uma referência a esse fato. E, vale lembrar, a comparação entre folhas de diferentes vinhas
é uma das ferramentas mais importantes dos ampelógrafos, para identificar uma variedade. Se quiser ler mais
sobre isso, clique aqui.

Essa peculiaridade da folha faz com que, na Espanha, essa uva seja conhecida, inclusive, como Garnacha
Peluda.

O vinho produzido com Lledoner Pelut tem cor profunda, mas raramente é utilizado em varietais. Aliás, se você
encontrar algum varietal, não deixe de experimentar, nem que seja pelo inusitado do fato. Mesmo que
atualmente ela seja pouco cultivada, a Lledoner Pelut tem qualidades muito interessantes, produzindo vinhos
ricos, arredondados e frutados.

Essa é uma uva tradicional de Languedoc-Roussillon, e utilizada nos vinhos de Côtes du Roussillon, em cortes
com Grenache, Carignan, Cinsault, entre outras cepas.

Se quiser ler sobre os vinhos da denominação de origem Côtes du Roussillon, que utiliza Lledoner Pelut no
corte dos vinhos, clique aqui.

Refosco
Categoria: cepas

Refosco é uma família de uvas de pele escura. Antiga, suas origens nos levam à região banhada pelo Mar
Adriático, onde estão Friuli-Venezia Giulia (nordeste da Itália), a Eslovênia e a Croácia.

Essa é uma uva cheia de boas documentações, ao longo da


história. Foi admirada e citada pelo escritor romano Caio Plínio
Segundo, conhecido como Plínio, o Velho. Consta, também, que era
o vinho favorito de Lívia, esposa do primeiro imperador romano,
Otávio Augusto.

Falando em notoriedade, estudos de DNA revelaram que Refosco


tem um parentesco com Marzemino, a uva que produzia o vinho
favorito de Mozart.

Nos tempos modernos, Refosco foi bastante utilizada na produção


de vinhos mais simples. Mas uma recente melhoria de qualidade
tem nos mostrado sua habilidade para a elaboração de vinhos mais
complexos, bem como para a elaboração de vinhos com capacidade
de envelhecimento.

Refosco produz um vinho relativamente encorpado, e bastante


frutado. São vinhos com acidez particularmente elevada, de cor
escura e densa.
Os aromas e sabores mais frequentemente associados a Refosco são os temperos apimentados escuros e as
ameixas, além de uma sensação amendoada no palato.

A uva é de amadurecimento tardio, e, se for colhida cedo demais, pode produzir vinhos com taninos
excessivamente agressivos.

A sub-variedade mais valorizada, dessa uva, chama-se Refosco dal Peduncolo Rosso, em função de sua
haste vermelha. E a denominação de origem que, reconhecidamente, produz as melhores expressões da
Refosco, é a italiana Colli Orientali del Friuli. Esses são vinhos onde encontramos uma perfeita combinação
entre caráter frutado e mineralidade.

Que tal procurar e experimentar um desses vinhos?

Nossas dicas de harmonização, nesse caso, são pernil de cordeiro, carne de porco, e peixes como salmão e
linguado. Durante os aperitivos, é um ótimo vinho para acompanhar salames e queijos de casca dura, como
parmesão e provolone.

País
Categoria: cepas

Se você nunca ouviu falar nessa uva, você não está sozinho... Mas está convidado a continuar a leitura, e
apreciar mais essa variedade.

Uma nova geração de enólogos chilenos, visionários e ousados, está apostando no cultivo e na produção de
vinho a partir dessa cepa, chamada País.

Na realidade, desde 1994, com a descoberta da Carmenère no Chile, teve início, por lá, uma caça a outras
cepas esquecidas. E nessa busca, encontraram uma quantidade significativa de vinhas velhas, com diferentes
e raras cepas. País é uma delas.

Conhecida também como Missión ou Criolla, e cultivada também no Peru e na Argentina, País foi uma cepa
muito plantada no Chile até o início do século 19, e depois saiu de moda, abafada principalmente pela
introdução da Cabernet Sauvignon nos vinhedos chilenos. Mas ainda é, por incrível que pareça, uma das
cepas mais plantadas em território chileno, com algo em torno de 7 mil hectares de vinhedos.

Mas quem planta essa uva, no Chile, não são os grandes empreendedores da indústria vinícola. País é
cultivada, em geral, por famílias chilenas de produtores agrícolas de menor renda e de recursos limitados. São,
atualmente, cerca de 7 ou 8 mil produtores, localizados principalmente na região de Maule.

De alto rendimento, País é uma variedade que não dá um trabalho extremo ao produtor, tem muita tradição,
mas pouco glamour. Não costuma aparecer em rótulos, nem em comentários de críticos internacionais.

E, até então, essa era uma variedade à qual os produtores recorriam, principalmente em cortes com Cabernet
Sauvignon, e também para conferir cor aos vinhos produzidos com a Carignan.

Mas de uns tempos para cá, entretanto, é possível encontrar boas surpresas em varietais produzidos com a
País, tanto em vinhos tintos tranquilos, como em espumantes rosés.

Existem viticultores chilenos apostando nessa uva como um sopro de inovação no mundo do vinho. Fique
atento a esse nome: País. Esperamos ter muito a contar, ainda, sobre essa variedade. E, se quiser ler mais
sobre a vitivinicultura do Chile, clique aqui.

Mauzac
Categoria: cepas

Infelizmente, o cultivo dessa uva está em decadência.


Felizmente, ela continua sendo a variedade tradicional das
comunas francesas Limoux e Gaillac.

Uva branca encontrada, principalmente (ou quase que


exclusivamente), no sul da França, a Mauzac às vezes é
chamada de Mauzac Blanc, o que evita eventuais confusões
com a variante Mauzac Rosé, que é tinta.

A origem desta casta não é certa, podendo ela ter sido levada
para essa região por gregos ou romanos.

Como essa é uma cepa que amadurece mais tarde, a geada


pode ser um problema para ela, em climas mais frios. Em
contrapartida, é resistente à podridão. É também bastante
produtiva, e gosta, principalmente, de solos de argila e calcário.
A Mauzac é utilizada, principalmente, na elaboração de vinhos espumantes, e tem também um importante
papel na produção de destilados de vinho, como Armagnac. Se quiser ler mais sobre isso, clique aqui.

Mas a Mauzac é uma cepa bastante versátil, capaz de produzir também, vinhos tranquilos que vão de estilos
secos até doces.

Suas parceiras, no corte, são a Chenin Blanc, a Chardonnay, a Muscadelle e a Loin de l'Oeil.

É uma uva relativamente aromática, sendo maçã o aroma mais associado aos vinhos elaborados com Mauzac.
É comum encontrarmos referências a cascas de maçã, ou à maçã desidratada. Outros aromas notados nessa
variedade são os de peras, ameixas amarelas, e acácias.

Quando em espumantes, os sabores e a acidez da Mauzac harmonizam de maneira incrível com frutos do mar
em geral, com destaque para ostras. Além disso, esse vinho faz excelente companhia para sushis e sashimis.

O vinho seco produzido com a Mauzac é uma grande pedida para acompanhar pratos à base de truta. Já os
vinhos doces de Mauzac são ainda mais apropriados para queijos tipo Roquefort, ou castanhas.

Quer uma dica para conhecer essa uva? Procure pela denominação Crémant de Limoux, um vinho espumante
de Languedoc, na França. E experimente!

Pinot Blanc
Categoria: cepas

Também conhecida como Pinot Bianco, Weissburgunder ou Burgunder Weisser. Você conhece essa uva?

Pinot Blanc é uma cepa branca considerada parente da Pinot Noir e da Pinot Grigio. É uma mutação genética
natural dessa família.

Originária da Alemanha e da vizinha região francesa da Alsácia, é cultivada também na Borgonha, no nordeste
da Itália, e em países como Áustria, Estados Unidos, Canadá, Argentina, Uruguai...

Os cachos da Pinot Blanc são de tamanho pequeno a médio, cilíndricos e compactos. Os bagos são
pequenos, esféricos ou ligeiramente ovais. A vinha tem boa resistência ao frio, e é muito vigorosa.

Pinot Blanc é muito versátil, sendo responsável por diferentes estilos de vinho: na Califórnia e na Itália faz
espumantes, na Alemanha produz icewine, e já foi muito usada, inclusive, em cortes de vinho tinto da
Borgonha (onde seu cultivo é, na realidade, cada vez mais escasso).
O vinho produzido com a Pinot Blanc varia de médio a encorpado, tem uma boa acidez, e responde bem ao
amadurecimento em carvalho. E, por essas características, costuma ser associado ao vinho Chardonnay. Pinot
Blanc e Chardonnay são uvas, inclusive, muito parecidas no vinhedo, e que já foram muito confundidas.

Pinot Blanc não é uma uva muito valorizada no mundo do vinho. Sua parente Pinot Gris, por exemplo, é tida
como mais elegante e mais perfumada.

Falando em perfume, os aromas mais frequentemente associados à Pinot Blanc são os de amêndoa com
toques florais e também de especiarias. Na boca, esse vinho apresenta sabores de maçã, com algumas
características minerais leves.

O visual típico do vinho produzido à base de Pinot Blanc é amarelo pálido, com toques de verde. E é sempre
límpido e brilhante.

Algumas sugestões para harmonizar de maneira divina a Pinot Blanc são: quiche lorraine, linguine com
camarão, e frango cozido no leite de coco. Ou então, na hora da sobremesa, um cheesecake americano.

A apelação, ou denominação de origem mais famosa a utilizar Pinot Blanc em seus vinhos é Crémant d’Alsace
AOC, com seus espumantes frescos, vibrantes e elegantes. Que tal provar?

E, se quiser conhecer mais a família, leia sobre Pinot Noir, clicando aqui. Ou então sobre a cepa Pinot Grigio,
clicando aqui.

Müller-Thurgau
Categoria: cepas

Essa uva foi criada em 1882, por Herman Müller, um suíço nascido em Thurgau (ou Turgóvia). Daí seu nome:
Müller-Thurgau.

A maioria da literatura credita essa casta ao cruzamento entre Riesling e Madeleine Royale. Alguns
especialistas alemães, diferente disso, afirmam que a Müller-Thurgau nasceu do cruzamento entre Riesling e
Chasselas. Ironicamente, e também erroneamente, essa uva ficou conhecida como Riesling X Sylvaner,
levando a crer que o cruzamento fosse esse. É, não existe vinho sem polêmica...

O fato é que a Organização Internacional da Vinha e do Vinho reconhece alguns sinônimos de Müller-Thurgau,
como Riesling X Sylvaner, Rivaner, e Rizvanac.

E o fato é, também, que essa cepa é a segunda mais plantada de toda a Alemanha, perdendo atualmente
somente para a Riesling. E é também cultivada na Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Hungria,
Luxemburgo, Reino Unido, Suíça, Itália, Nova Zelândia...

De amadurecimento precoce, a Müller-Thurgau é uma cepa que precisa de solos úmidos e profundos, e que
tem altos rendimentos. Contudo, ela é também muito suscetível ao mídio e outras doenças.

De baixa acidez, a Müller-Thugau produz vinhos leves, florais, refrescantes e fáceis de beber. Ideal para ser
degustado jovem, esse vinho às vezes tem aromas de pêssego doce.
Tendo sido amplamente utilizada na produção de vinhos alemães tipo Liebfraumilch, a Müller-Thurgau acabou
sendo muito criticada e menosprezada. Mas, seu papel na reconstrução da indústria do vinho alemão, após a
Segunda Guerra Mundial, foi fundamental. Com a economia e infraestrutura em frangalhos, o pós-guerra na
Alemanha precisava de uma videira produtiva e fácil de cultivar, para revigorar sua produção vitivinícola.

Atualmente, bons vinhos em versões mais secas têm sido produzidos na Alemanha. E, para fugir do estigma
do nome, têm frequentemente sido rotulados com o sinônimo Rivaner, e não como Müller-Thurgau.

Para experimentar esse vinho, sugerimos harmonizá-lo, por exemplo, com polvo ou camarões. Ou então, com
creme de aspargos.

O que mais sugerimos? Sugerimos que você brinde e desfrute a vida!

Ah, para encerrar, a pronúncia de Müller-Thurgau: diga algo como “mi-ilér turgal”.

Tinta barroca
Categoria: cepas

Uma casta portuguesa, com certeza... e muito particular.


Uma curiosidade: A OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) reconhece essa uva com uma grafia
diferente da que costumamos encontrar, Tinta Barocca.

Muito comum na região do Douro, a Tinta Barroca, em termos de área cultivada, fica atrás somente da Touriga
Franca e da Tinta Roriz, as mais plantadas do vale. Sua popularidade deve-se, entre outros fatores, ao fato de
ser uma cepa com rendimentos muito generosos.

Em contrapartida, quem cultiva a Tinta Barroca sabe que tem cuidados a tomar. A uva não gosta nem de muita
chuva, nem de muito sol.

A pele da Tinta Barroca, muito escura, é também muito fina. Assim, não é uma uva com fortes taninos. Em
compensação, é rica em cor e em açúcar, produzindo vinhos muito alcoólicos.

Os aromas mais comuns na Tinta Barroca são cerejas pretas, ameixas pretas, flores roxas e cogumelos
brancos.

Os varietais de Tinta Barroca, raros e não muito célebres, na verdade costumam ser elegantes e aromáticos, e
sempre muito frutados.

Mas sendo essa uma cepa mais utilizada nos vinhos de corte, poucos são os varietais produzidos a partir da
Tinta Barroca, e boa parte deles é da África do Sul, onde a uva ganhou um estilo próprio. Aliás, na África do
Sul a Tinta Barroca é utilizada, em parceria com a Pinotage, na produção de vinhos fortificados.

E, se você acha que nunca degustou nenhum vinho produzido com Tinta Barroca, saiba que esta é uma das
uvas permitidas e recomendadas para a fabricação dos famosos vinhos do Porto...

Aliás, que tal ver uma comparação entre os vinhos do Porto e Madeira? Para ler, clique aqui.
Marsanne
Categoria: cepas
Essa é uma variedade de uva branca, natural do Vale do Rhône.

Nos vinhedos de Marsanne, as uvas são pequenas, com uma pele que combina ouro, tons de verde e marrom.
É uma variedade de difícil cultivo, muito suscetível a doenças e sensível a mudanças climáticas extremas.

Quando jovens, esses vinhos têm cor de palha, e reflexos dourados e esverdeados. Mas, principalmente
quando cultivada em clima frio, a Marsanne pode produzir vinhos com a complexidade necessária para um
bom potencial de envelhecimento, ganhando mais profundidade de cores e sabores.

As denominações mais célebres que produzem vinho com Marsanne são as francesas Côtes du Rhône e
Hermitage. Dizem que, por isso, o apelido da cepa, na Suíça, virou Hermitage, ou Ermitage.

Mas essa uva também é cultivada em muitos outros lugares, como Chile, Estados Unidos, Argentina, Espanha,
Itália, e, principalmente, na Austrália!

O corte comum entre Marsanne e Roussanne acontece para que o peso e a estrutura da Marsanne sejam
beneficiados pela profundidade de perfumes e sabores da Roussanne. Outra parceira comum da Marsanne,
em cortes, é a aromática Viognier.
Apesar de ser mais comum encontrarmos Marsanne em vinhos secos, alguns dos melhores vinhos Marsanne
são doces, feitos a partir de uvas desidratadas.

Mas, para que ela não perca a acidez, muitas vezes o produtor prefere fazer a colheita antes que ela esteja
plenamente madura.

Com um caráter mineral, os aromas mais associados à Marsanne são abacaxi, melão, marzipã e caramelo.

Para conhecer as delícias dos vinhos produzidos à base de Marsanne, algumas dicas de harmonização: truta
com amêndoas, salada caprese, crustáceos em geral, principalmente lagostas e caranguejos. Além disso,
esse é um vinho que funciona muito bem com molhos cremosos, e também com queijos duros ou macios.

Para finalizar, que tal ler mais sobre Côtes du Rhône? Para ler, clique aqui.

Baga
Categoria: cepas

Baga é uma das muitas uvas nativas de Portugal, mas única no seu valor. Quem aprecia os vinhos
portugueses, se não a conhece, precisa conhecer.

A região mais típica no cultivo da Baga é a Bairrada, onde a Baga reina, produzindo vinhos muito intensos.
Mas também a encontramos com frequência, por exemplo, no Dão e no Tejo, onde apesar de ser bastante
usada em cortes, é cada vez mais vista em vinhos varietais.

É uma casta tinta, com pequenos bagos de casca grossa, característica que contribui para os seus altos níveis
de tanino. Amansar os taninos da Baga é um desafio para os enólogos.

Na realidade, a Baga está longe de ser uma variedade fácil de cultivar. Altamente suscetível à podridão,
especialmente durante as esperadas chuvas de setembro, a Baga funciona melhor em solos argilosos, e
requer boa exposição ao Sol. Ela demora a amadurecer, devendo ser colhida no final da temporada, o que a
deixa ainda mais exposta.

Além disso, as videiras produzem folhagem exuberante, que se não for devidamente podada, prejudica a
qualidade das uvas, e, consequentemente, dos vinhos.

Mas, com a devida dedicação do produtor, e quando as uvas amadurecem bem, em anos secos, os vinhos
elaborados com a Baga são verdadeiras preciosidades, com cor profunda, taninos e acidez marcantes,
sabores frutados e toques de café, palha, tabaco e fumaça.

Os melhores exemplares da Bairrada podem envelhecer muito bem, suavizando e ganhando elegância e
complexidade. Mas a região luta bastante para mudar a imagem de vinhos difíceis e rústicos. Fazer vinhos
distintos com estrutura e equilíbrio, a partir da Baga, requer muito cuidado e atenção na vinha.

E, apesar de nenhum deles ser oficialmente reconhecido pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do
Vinho), é possível encontrarmos sinônimos para a Baga, como Tinta da Bairrada, Tinta Fina e Tinta Poeirinha,
entre muitos outros.

Se quiser conhecer mais sobre os vinhos portugueses, clique aqui. Ou, se quiser ler sobre uma particularidade
da viticultura em Portugal, clique aqui.

Saúde!

Negroamaro
Categoria: cepas

Uma uva tinta, típica da Puglia. Conheça Negroamaro. Ou


Negro Amaro! Ou Neroamargo! Todas essas grafias estão
corretas, segundo a Organização Internacional da Vinha e
do Vinho...
Apesar da semelhança, dizem que o nome não tem relação alguma com amargor, até porque essa é uma uva
com elevados níveis de açúcar. O nome viria da junção da palavra latina Negro, com a palavra grega Maru,
sendo que ambas dizem respeito à coloração escura desta uva, e, principalmente, do vinho que ela produz,
profundamente roxo.

De fato, o vinho desta uva é tão escuro que, por anos, ela foi usada para adicionar cor em vinhos do norte da
Itália. Mas é na Puglia, também chamada de Apulia, que a Negroamaro encontrou um lugar com direito a
varietais. Salento, ou a Península Salentina, é identificado como o local de origem desta cepa, com uma
história de mais de 1.500 anos.

Quer saber onde fica a Puglia? Fácil, é o salto da bota da Itália. Se quiser ler sobre essa e outras regiões
italianas, clique aqui.

As uvas parceiras mais comuns da Negroamaro, em vinhos de corte, são Malvasia Nera, Sangiovese e
Montepulciano. Ainda na Puglia, na denominação Salice Salentino, os tintos e rosés devem ser produzidos
com um percentual mínimo de 80% de Negroamaro.

O clima quente de estilo mediterrânico combina muito bem com a Negroamaro, permitindo que ela chegue a
um excelente grau de maturação. Além disso, essa é uma uva resistente a climas secos, que não se ressente
pela pouca chuva, na região.

Fora da Itália, Adelaide Hills, no sul da Austrália, fornece um clima semelhante ao quente verão da Puglia, e
alguns enólogos têm produzido Negroamaro por lá. Nos Estados Unidos também é possível encontrar
vinhedos desta variedade.

Os vinhos produzidos a partir da Negroamaro são frutados, com aromas e sabores de ameixas, cerejas e
amoras, com notas de canela, cacau e couro. De acidez moderada, apresentam taninos médios e macios.

Além disso, um grande trunfo da Negroamaro é o preço, via de regra interessante, para o grande vinho que é.

Quer uma dica para harmonizar? Espaguete com almôndegas! E uma boa conversa!

Fiano
Categoria: cepas

Considerada uma das uvas mais interessantes e prestigiadas do sul da Itália, a Fiano infelizmente é pouco
conhecida por aqui...

Curiosamente, a variedade Fiano não tem nenhum sinônimo oficial, o que é não é um fato comum de
observarmos. E a origem de seu nome é, inclusive, um mistério. Se quiser ler sobre a origem do nome de
outras cepas, clique aqui.
As mais antigas menções à uva Fiano são da região da Campania, mais precisamente da província de
Avellino. Mas, com o tempo, o cultivo da Fiano espalhou-se por outras regiões da Itália, principalmente Puglia
e Basilicata, mas também em Abruzzo, Molise e Marches.

E a variedade vem, pouco a pouco, conquistando espaço em outros vinhedos. Um exemplo é a Austrália, onde
há um pequeno mas crescente número de produtores cultivando Fiano.

Mas é no seu próprio berço que a cepa Fiano encontra, inclusive, seu terroir de maior prestígio, tendo
alcançado um status de DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), com os famosos vinhos
rotulados Fiano di Avellino.

Os cachos da Fiano são de tamanho que varia de médio a pequeno, e não são muito compactos. Os bagos
são pequenos, com casca grossa, e produzem pouco suco.

Essa é uma variedade que naturalmente apresenta rendimentos relativamente baixos, o que costuma
favorecer o resultado de concentração de aromas e de sabores, mas que, por outro lado, colaborou para que
os produtores a preterissem, em meados do século 20. De uns anos para cá, felizmente, Fiano tem vivido um
merecido renascimento.

Essa é uma uva de grande potencial para produzir vinhos leves com acidez moderada ou alta. E também com
grande potencial para a produção de vinhos de guarda, que podem se desenvolver dentro da garrafa por
vários anos.

Enquanto jovens, os vinhos produzidos com Fiano trazem notas de mel, que vão com o tempo se mostrando
mais próximas às frutas secas. As associações mais comuns encontradas nos vinhos à base de Fiano são com
avelã e também com flores, mas a uva também traz surpreendentes aromas de fumaça e minerais.

Esse é um vinho muito fresco, e sua cor costuma ser palha clara.

Se você aprecia Sauvignon Blanc, deve experimentar, também, Fiano. Você vai provavelmente se surpreender.
Mas, na realidade, sugerimos experimentar Fiano mesmo que você não aprecie Sauvignon Blanc... Até
porque, na dúvida, sempre sugerimos experimentar!
Dolcetto
Categoria: cepas

Essa é uma uva de pele escura, do noroeste da


Itália.

Típica do Piemonte, ao lado da Barbera e da


Nebbiolo, é a que amadurece mais depressa,
entre as três. Por isso, seus vinhedos acabam
sendo plantados nas regiões piemontesas mais
frias, particularmente naquelas de altitudes mais
elevadas, onde as outras variedades teriam
dificuldade para amadurecer.

Mas essa é uma decisão que, felizmente, faz bem


à Dolcetto. Ajuda a variedade a manter a acidez, e
evita o amadurecimento prematuro.

Muitas versões modernas de Dolcetto, em todo


Piemonte, estão se desenvolvendo em direção a um estilo de vinho mais próximo à produção do Novo Mundo:
intensamente frutado, com alto teor alcoólico e, geralmente, avassalador.

Da década de 1990 para cá, muitos vinhos Dolcetto, do Piemonte, passaram a se caracterizar pela passagem
em madeira e pelo elevado teor alcóolico, em resposta à crescente demanda dos consumidores por esses
estilos de vinhos mais potentes.

O nome Dolcetto, que significa “um pouco doce”, não deve levar a apressadas conclusões.

É um engano deduzir que isso se reflita no estilo dos vinhos produzidos. Raramente vinhos à base de Dolcetto
são doces. Trata-se, inclusive, de uma uva bastante tânica. Produtores muitas vezes costumam recorrer a
suaves fermentações, quando trabalham com essa variedade, de maneira a não extrair taninos em excesso.

Os aromas e sabores mais frequentemente associados aos vinhos produzidos com Dolcetto são ameixa, frutas
vermelhas, marmelo e amêndoas. E suas cores são vivas, variando do rubi profundo ao roxo.

A denominação de origem mais famosa que produz vinhos com essa uva é, sem dúvida, a Dolcetto d’Alba.
Mas a comuna de Dogliani é considerada, por alguns especialistas, como o lar dos melhores vinhos Dolcetto,
sendo, inclusive, reconhecida como uma DOCG (denominação de origem controlada e garantida).

E, um sinônimo para o nome Dolcetto é Ormeasco, utilizado principalmente dentro da própria Itália, na região
da Liguria.

Para degustar um vinho produzido com a Dolcetto, experimente harmonizá-lo com carnes vermelhas, e até
mesmo com linguiça.

E aprecie essa uva, uma das muitas que compõem o cenário mundial do vinho, principalmente o italiano!

Aliás, para conhecer mais sobre os vinhos da Itália, clique aqui.


Alicante Bouschet
Categoria: cepas

Essa é uma uva relativamente nova. Surgiu somente no final do século 19, pelo cruzamento entre Petit
Bouschet e Grenache.

Uma nova casta de uva sempre nasce do cruzamento de variedades já existentes. E esse cruzamento pode
ser acidental, no vinhedo, ou proposital, em laboratório, como é o caso da Alicante Bouschet.

O nome Bouschet vem de um sobrenome de família. Louis, o pai, inventou a Petit Bouschet. Henri, o filho,
inventou a Alicante Bouschet. Alicante é uma cidade na costa mediterrânea da Espanha, onde, reza a lenda,
Henri Bouschet passou as únicas férias de sua vida, tamanho era seu apego ao trabalho... Bom, se quiser
saber a origem do nome de outras uvas, clique aqui.

A casta Alicante Bouschet é chamada também de Alicante Henri Bouschet, ou somente Henri Bouschet. Mas
essa variedade pode, inclusive, ser encontrada com os nomes Kambusa e Dalmatinka, principalmente na
Croácia. Na Espanha, pode ser chamada de Granacha Tintorera, mas esse não é um nome reconhecido pela
OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).

Alicante Bouschet é uma variedade que produz vinhos escuros e profundos, de aromas frutados com notas de
especiarias como pimenta e canela. É uma cepa muito utilizada em cortes, nos quais participa acrescentando
cor e taninos. Mas, principalmente no Alentejo, a Alicante Bouschet é responsável por vinhos varietais muito
impressionantes.

A alta produtividade da Alicante Bouschet fez dessa uva uma variedade amplamente cultivada na Califórnia,
inclusive para a produção industrial de suco, durante os anos da Lei Seca. Se quiser ler mais sobre esse
período, clique aqui. E ela é cultivada, também, na França e na Espanha, no leste europeu, na Austrália... Mas,
excetuando-se em Portugal, essa é uma cepa que vem perdendo espaço nos vinhedos.

Por ser nascida em laboratório, ao contrário das outras uvas, que são nativas deste ou daquele país, a Alicante
Bouschet é uma uva sem pátria, mas que encontrou seu lar em Portugal, junto àquele povo tão acolhedor. A
Alicante Bouschet é a uva que dá estrutura, corpo, volume e boca cheia aos vinhos do Alentejo.

Nossa sugestão? Experimente um vinho produzido no Alentejo, à base de Alicante Bouschet, e sinta-se na
terrinha...

E quer saber como harmonizá-lo? Seus taninos e sua acidez combinam muito bem, por exemplo, com
robustas carnes vermelhas. Por que não tentar?
Pedro Ximénez
Categoria: cepas

Um nome meio engraçado. Uma uva meio diferente. Um vinho sem igual.

Pedro Ximénez é uma uva branca, que naturalmente tem um alto teor de açúcar. Mesmo assim é muito
comum submeter a uva Pedro Ximénez a processos de desidratação, antes de serem vinificadas, com o
objetivo de intensificar e concentrar seus açúcares. Mas não pense, com isso, em vinhos “melados”. Altos
níveis de acidez costumam equilibrar a doçura, fazendo desses vinhos verdadeiras delicadezas.

Na Espanha, a Pedro Ximénez é encontrada praticamente em todas as regiões vinícolas, em maior ou menor
grau, sendo mais difundida em Córdoba, na Andaluzia. Mas é bastante presente também em Badajoz, Málaga
e Valência.

Essa é uma variedade muito utilizada na produção de vinhos de algumas notórias denominações de origem
espanholas, como Jerez, Málaga, Montilla-Moriles, e Valência.

Mas essa cepa também pode ser encontrada em outros países, como Argentina, Chile, Austrália, Nova
Zelândia, Estados Unidos e Uruguai.

E a grafia do nome da casta também pode variar, conforme sua localização, podendo ser Pedro Ximénez,
Pedro Ximenez, Pedro Ximenes, Pedro Jiménez e Pedro Giménez.

Segundo a OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho), todos esses são sinôminos válidos para a
mesma casta. Mas existe uma controvérsia a esse respeito, com dúvidas sobre eventuais diferenças, que
descaracterizariam todas essas como uma única cepa.

Falando em polêmica, a origem do nome Pedro Ximénez também é motivo de discussão. Teria sido um cardeal
espanhol chamado Pedro Ximen que teria levado a uva para a Espanha? Atualmente essa é, de todas as
teorias, a menos provável. Considerando o consenso atual da origem desta uva ser mesmo a Espanha,
especula-se que o seu nome remeta à vila de Jiménez, em Sanlúcar de Barrameda. Ou então, a um vinicultor
notável que ajudou a propagar a variedade nessa região.

O bago da Pedro Ximénez é redondo e médio, com pele fina quase transparente, delicada e muito sensível
aos climas úmidos. Os cachos são relativamente grandes. Essa vinha encontra seu habitat ideal em climas
secos e quentes, onde produz vinhos generosos muito finos e de elevado teor alcoólico.

Quando vinificada em estilo seco, as notas mais comuns da Pedro Ximénez são de caráter cítrico. Mas, nos
fortificados, Pedro Ximénez remete a figos, tâmaras e até a café.

Nossa sugestão para aventurar-se pela cepa Pedro Ximénez? Um fortificado Jerez de mesmo nome, que você
pode conhecer, clicando aqui.
Pinot Meunier
Categoria: cepas
Uma das uvas mais plantadas da França. Uma das mais obscuras para os enófilos. Uma das mais raras em
varietais. Assim é a curiosa Pinot Meunier.

Uma peculiaridade da Pinot Meunier é o fato de seus bagos amadurecerem cedo, depois de demorarem a
nascer. Isso a torna particularmente resistente a doenças, além de ser naturalmente mais tolerante ao frio.

Outra peculiaridade é que, mesmo escura, ela é mais conhecida pelos vinhos brancos que produz, apesar de
também ser responsável por tintos e até por vinhos rosés. Se quiser ler mais sobre a produção de vinhos
brancos a partir de uvas tintas, cliqueaqui.

A Pinot Meunier é uma das três variedades mais utilizadas no corte de vinhos em Champagne, onde é
responsável por adicionar sabor frutado e frescor à força da Pinot Noir e à graça da Chardonnay, e onde ocupa
praticamente um terço dos vinhedos.

Mesmo em Champagne, a Pinot Noir sofre certo preconceito, sendo considerada a menos nobre das três
principais variedades. Mas alguns produtores da região discordam dessa tendência, e produzem excelentes
vinhos usando somente essa cepa. Contudo, rótulos safrados raramente levam altas proporções de Pinot
Meunier, pois essa não é uma variedade propensa a longo envelhecimento.

Pinot Meunier é uma uva presente também em outras denominações de vinhos franceses, como no Vale do
Loire, nos vinhos de Touraine e Orleans, e também em Moselle, Cotes de Toul...

Na realidade, a Pinot Meunier é cultivada em muitos outros lugares além da França, como a Alemanha,
Áustria, Califórnia, Austrália, Nova Zelândia. Mas também é fato que seu cultivo tem dimuído.

Com frequência chamada também de, simplesmente, Meunier, na Alemanha e na Romênia a Pinot Meunier
recebe outros nomes, como Schwarzriesling e Müllerrebe.

A palavra Meunier significa "moleiro". O nome dado à uva refere-se à aparência farinhenta da parte inferior das
folhas das videiras.

Quer uma curiosidade? O nome da italiana uva Molinara tem a mesma origem. Aliás, para ler sobre a Molinara,
cliqueaqui.

Petit Verdot
Categoria: cepas

Essa é uma das uvas tintas clássicas de Bordeaux, e do


famoso corte bordalês. Mesmo assim, pouco fala-se nela.
Uma injustiça.

Petit Verdot é uma cepa antiga, cujas origens não são


muito claras. Mas acredita-se que foi uma das primeiras
variedades originalmente plantadas, em Bordeaux, pelos
antigos romanos.
O nome Petit Verdot deve-se ao fato de o cacho ser pequeno, e nele conviverem frutas maduras e escuras,
com outras ainda verdes, pois é uma variedade de amadurecimento tardio. Portanto, é pequena, e muitas
vezes salpicada de verde. Petit Verdot. Se você quiser saber a origem do nome de algumas outras cepas,
cliqueaqui.

Curiosamente, a Petit Verdot tem uma característica peculiar, difícil de encontrar em outras variedades: ela
produz mais de dois cachos, por broto.

Essa é uva exigente, que detesta o excesso de água. Mas, por ter casca grossa, é uma uva resistente. O que
é uma sorte, pois apesar de demorar a amadurecer, ela brota precocemente, fazendo seu período de
exposição às intempéries ser maior do que a média.

Petit Verdot é uma cepa rica em flavonoides, como taninos e antocianinas. Teoricamente, portanto, está entre
as que mais trazem benefícios à nossa saúde.

Quando entra em um corte, além dos taninos adicionais que ela acrescenta ao vinho, ela também oferece
aromas de flores, azeitonas, pimenta-do-reino preta, especiarias como cravo e noz moscada, e cassis.

Já não é tão raro encontrar varietais de Petit Verdot, na França, na Califórnia, no Chile, na Austrália... Sua cor
é escura e muito profunda, com tons de violeta. Esses vinhos têm abundância de cor, de estrutura, de aromas
e de sabor.

Vinhos baseados em Petit Verdot acompanham muito bem alimentos ricos em proteína e em gordura. Algumas
sugestões são queijos duros, carne bovina, carne de porco picante, vitela, cordeiro... Nossa dica? Petit Verdot
com sopa de lentilhas. Fantástico.

Malvasia
Categoria: cepas

De origem mediterrânea, a Malvasia é, na realidade, uma família de uvas, todas muito aromáticas. E,
provavelmente, uma das mais antigas.

É dado como certo, por exemplo, que a Malvasia era utilizada em vinhos gregos que já estiveram entre os
mais caros, exclusivos e cobiçados do mundo, antes da ascensão de Bordeaux.

Uma curiosidade: durante os séculos 16 e 17, ficou famosa a produção de vinhos doces elaborados com uvas
secas Malvasia, nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol próximo ao Marrocos. Brancos ou tintos, esses
vinhos eram tão valorizados que o cultivo da Malvasia tomou lugar de outras plantações, e os moradores
locais passaram a importar até grãos para a produção de pães.
Malvasia, Malvasia Bianca, Malvasia di Candia, Malvasia Bianca di Candia, Malmsey, Verdina, Luvarella,
Malvoisier, Malvasia di Lipari, Malvasia Cândida, Malvasia del Lazio, Malvasia Puntinata... Esses são nomes de
subvariedades brancas de Malvasia, mais conhecidas.

Mas também é possível encontrar versões tintas dessa uva, como a Malvasia Nera, ou Malvasia Parda.

Embora existam diferenças entre as várias subvariedades de Malvasia, existem algumas características muito
comuns a toda a família. A Malvasia prefere ser cultivada em climas secos e em solos bem drenados,
preferencialmente em terrenos inclinados que favoreçam o escoamento das águas. Em condições úmidas, a
videira fica propensa a desenvolver várias doenças, como oídio e podridão. Além disso, a Malvasia é
moderadamente forte, e capaz de produzir altos rendimentos se não for mantida sob controle.

Entre os países que cultivam Malvasia, destacam-se, atualmente, Itália, Portugal e Espanha. Mas, na
realidade, a Malvasia é plantada em muitos lugares, da Croácia à Califórnia, passando pela Austrália e pelo
Brasil.

E, se você é amante de vinho, é muito provável que já a tenha experimentado, pois ela faz parte de vinhos
muito notórios, como os fortificados do Porto e da Ilha da Madeira, os refrescantes Frascati, os tradicionais
Chianti...

Em função da vasta extensão da família Malvasia, e dos estilos tão diferentes de vinhos que ela produz, não é
possível generalizar e descrever os vinhos de Malvasia em um grupo coeso.

Mas é possível descrever as notas de aroma que são mais frequentemente associadas à Malvasia nos vinhos
brancos: pêssegos, damascos e passas brancas. Os tintos são caracterizadas por notas de chocolate. Com o
envelhecimento da Malvasia, os vinhos tendem a assumir mais aromas e sabores de nozes.

Agora, se você quiser entender melhor as diferenças entre o vinho do Porto e o vinho da Ilha da Madeira, dois
fortificados que podem conter Malvasia em sua composição, clique aqui.
Lambrusco
Categoria: cepas

Dentre todas as uvas italianas, essa é uma das mais antigas. Os antigos etruscos já cultivavam essa cepa,
antes do desenvolvimento da civilização romana.

Essa uva vinífera é nativa da região de Emilia-Romagna. E esse é um típico exemplo de um bom
relacionamento entre uma casta e um terroir.

Existem diferentes variedades de uvas Lambrusco: Grasparossa, Maestri, Marani, Montericco, Salamino, di
Sorbara. Os vinhos Lambrusco de maior qualidade costumam ser produzidos, por exemplo, com a Lambrusco
Grasparossa e com a Lambrusco di Sorbara.

A videira da Lambrusco Grasparossa não é muito vigorosa, mas é resistente às adversidades climáticas.
Apresenta cachos cônicos e médios, com bagos arredondados. As uvas são de cor azul escura, variando de
arroxeado a preto. Amadurecem relativamente tarde, aproveitando todo o sol do outono.

Já a videira da Lambrusco di Sorbara, que também tem cachos de formato cônico e bagos esféricos, não é tão
resistente. Uma floração anômala, típica dessa variedade, pode levar a uma considerável perda na safra,
podendo chegar até a dois terços da colheita. Com produção sempre limitada, e em certos anos até escassa,
essa é uma cepa peculiar e valorizada.
A variedade Lambrusco, em si, não é uma uva super doce, mas muitas versões suaves de vinho são
produzidas com essa cepa, mesmo que os secos sejam considerados, por alguns especialistas, como sendo
melhores. Certamente depende muito de gosto pessoal. Mas, de qualquer forma, esses costumam ser vinhos
leves, de elevada acidez, e aromas muito frescos.

Os vinhos Lambrusco são um pouco efervescentes (frizzantes, em italiano), mas não são considerados
espumantes. Se quiser ler a diferença entre vinhos frisantes e espumantes, clique aqui.

Harmonize um Lambrusco seco com salame, presunto cru, linguiças e carnes de porco em geral. Além de ser
uma combinação tipicamente italiana, é uma delícia. Falando em Itália, esse é um bom vinho para pizza ou
lasanha, também.

Já um Lambrusco suave é um ótimo parceiro para uma sobremesa de frutas. Experimente com salada de
frutas, que você vai se surpreender!

Macabeo
Categoria: cepas

É a uva vinífera branca mais popular do norte da Espanha, também conhecida como Macabeu, ou Viúra. Mas
são muitos os nomes dessa cepa: Alcañol, Alcañón, Blanca de Daroca, Charas Blanc, Forcalla, Gredelín,
Lardot, Listan Andaludschii, Listan Andaluzskii, Lloza, Macaban, Maccabéo, Makkobeo...

Os nomes Macabeu e Maccabéo são mais comuns em Languedoc-Roussillon, no sul da França. Macabeo
aparece em grande parte de sua terra natal, na Espanha. Viúra é comum em Rioja, onde é, de longe, a uva de
vinho branco mais plantada.

Se, mesmo com todos esses sinônimos, você não reconheceu a cepa, atenção. Antes de concluir que nunca a
degustou, uma informação relevante: essa é uma das principais variedades utilizadas na produção dos
espumantes Cava. Se quiser ler mais sobre os vinhos da denominação Cava, uma incrível exclusividade
espanhola, clique aqui.
Na maioria das vezes engarrafado jovem, o vinho produzido com essa uva é seco, e tem uma boa capacidade
de envelhecimento, como comprovam os melhores exemplares da cepa.

E essa é uma uva, naturalmente, de alto rendimento. Sem o devido cuidado, os frutos ficam muito grandes,
com baixa proporção entre casca e polpa, e os cachos, de tão apertados, podem facilmente apodrecer. Mas,
com a planejada redução por parte do viticultor, essa uva concentra aromas e sabores de maneira muito
interessante.

Um Macabeo é um vinho de caráter floral, e boa acidez. Os aromas mais comuns são flores brancas, maçãs,
amêndoas, biscoitos, e, às vezes, especiarias doces. Com a idade, desenvolvem-se notas agradáveis e
complexas de baunilha, canela, camomila e caramelo.

Bons parceiros de corte, dessa uva, são as variedades Malvásia e Palomino. No Cava, o corte mais comum é
com Parellada e Xarel-lo. Já na França, costuma ser cortada com Grenache Branca e Grenache Gris. Mas
espere, sempre, excelentes resultados dos varietais de Macabeo da Espanha.

Para experimentar um vinho produzido à base de Macabeo, ou Viúra, como preferir chamar, procure a
harmonização com frutos do mar, e delicie-se com uma surpreendente, e até mesmo intrigante, experiência!
Petite Sirah
Categoria: cepas

O nome dessa uva aparece com muitas grafias diferentes: Petit Sirah, Petite
Syrah, ou Petit Syrah. Além disso, ela também é conhecida como Durif.
O nome Durif é uma homenagem ao botânico francês que descobriu essa variedade, no final do século 19,
chamado François Durif.

Vale lembrar que a Shiraz (ou Syrah) é uma outra uva. Já desfizemos essa confusão em outro artigo, que você
pode ler clicando aqui.

O nome Petite Sirah, por sua vez, deve-se ao tamanho dos bagos. As folhas, em compensação, são grandes,
e a videira é particularmente vigorosa.

Petite Sirah é o cruzamento da Syrah com outra casta, a Peloursin, e é originária do Vale do Rhône, mas
praticamente não é mais plantada na França; atualmente, os locais mais comuns da Petite Sirah são a
Califórnia e a Austrália. Mas é uma cepa presente, também, em Israel, na Argentina, México, e até no Brasil.

Vinhos produzidos a partir da Petite Sirah costumam ser escuros, encorpados, com taninos saborosos, e com
grande potencial para envelhecimento, podendo desenvolver-se por mais de 10 anos. Alguma ressalva?
Alguns especialistas consideram que os varietais de Petite Sirah poderiam apresentar um final mais longo no
palato.

Talvez justamente por isso, a Petite Sirah também é vista em vinhos de corte, além dos varietais. A Zinfandel é
sua maior companheira, mas ela também aparece cortada com Cabernet Sauvignon e Pinot Noir, por exemplo.

Os aromas típicos desses vinhos são amora, cereja preta, mirtilo, ameixa, pimenta preta, e, por vezes, um
componente de fumo, baunilha ou chocolate derretido.

Bons parceiros de harmonização para os vinhos à base de Petite Sirah são comida mexicana, carne grelhada,
hambúrgueres, salsichas, frango, funghi...

Para experimentar a Petite Sirah, nossa sugestão é começar bem, justamente pelos californianos, que são os
mais famosos...

Saúde!
Canaiolo
Categoria: cepas

Quem aprecia os bons vinhos da Toscana, certamente já


experimentou Canaiolo. Mas talvez nem tenha se dado
conta!

Em cortes com Sangiovese, a Canaiolo faz parte dos


famosos vinhos de Chianti, ao lado também da Trebbiano,
da Malvasia, da Colorino. Ela também é encontrada, na
própria Toscana, cortada com Sangiovese ao lado das
internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot.

Hoje raramente vista em varietais, essa cepa foi muito


mais presente nos vinhedos e vinhos italianos antes da
praga da filoxera, que no final do século 19 atingiu,
principalmente, a Europa.

E sua importância, no passado, quando a tecnologia vinícola ainda não estava tão dominada, era enorme.

Sem a possibilidade de trabalhar a fermentação do vinho sob temperatura controlada, os enólogos torciam
para que as temperaturas externas não despencassem, de uma hora para outra, interrompendo a fermentação
dentro da vinícola. Até descobrirem que, para evitar esse percalço, bastava acrescentar uvas secas ou
semissecas, da variedade Canaiolo, cujo açúcar revigorava os fermentos, e prolongava o processo.

E por que usavam exatamente a Canaiolo? Porque os bagos dessa cepa são muito resistentes, com uma
incrível capacidade de secar, e concentrar açúcares, sem apodrecer...

O vinho produzido a partir da Canaiolo é macio, com aromas elegantes e taninos


suaves. Nos cortes de Chianti, ele é responsável por acentuar os sabores
herbáceos do vinho.

Os sinônimos para Canaiolo mais comuns são Canaiolo Nero, Caccione, Tindillaro,
Uva Canina, Uva Grossa e Uva Fosca.

Além disso, existe uma sub-variedade dessa uva, chamada Canaiolo Bianco, que é
cultivada na Umbria e utilizada no vinho Orvieto.

Para encerrar, antes de decidir se já conhecia ou não a Canaiolo, saiba que, além
dos toscanos de Chianti, essa uva também é bastante presente nos também
toscanos Vino Nobile di Montepulciano (que nada tem a ver com os Montelpuciano
d’Abruzzo, mas essa é uma outra história...)

E, se quiser ler mais sobre a produção de vinhos na Itália, clique aqui.

Colombard
Categoria: cepas

Colombard é uma casta difícil de aparecer como um vinho varietal, mas muito importante em alguns cortes.

O vinho branco e seco produzido à base de Colombard é picante e crocante, oferecendo aromas cítricos de
limão e de toranja, e remetendo a sabores como maçã verde, nectarina e pêssego.

Essa é uma cepa de grande rendimento e fácil de ser cultivada. Seus bagos têm pele dura, apesar de fina.

Suas origens estão no sudoeste da França, mas merece destaque, também, a produção desta uva na
Califórnia, na África do Sul e na Austrália. Alguns vinhos interessantes, mas menos acessíveis, são
produzidos, até, na Tailândia e em Israel.

A uva Colombard foi a branca mais plantada na Califórnia, durante a década de 1980, onde era conhecida
como French Colombard. Já na África do Sul, com o nome de Colombar, era a segunda mais importante
variedade de uva branca, até o final da década de 1990.

A África do Sul, aliás, é uma exceção na vinificação desta uva, produzindo varietais de grande qualidade.

Voltando aos cortes, Colombard é uma das uvas utilizadas no Cognac, destilado de uva. Aliás, se quiser ler
mais sobre Cognac, clique aqui.

Excelentes exemplares de vinhos espumantes são produzidos cortando Chardonnay com Colombard, Gros
Manseng e Ugni Blanc. Além disso, a Colombard também participa em interessantes vinhos fortificados.

Para experimentar a Colombard, uma dica é procurar os vinhos franceses da região de La Gascogne, que fica
na fronteira com a Espanha, e é a terra dos mosqueteiros. É de lá que vêm, por exemplo, os fortificados
denominados Floc de Gascogne, que devem ser servidos bem gelados, a aproximadamente 7°C.

Esses vinhos são excelentes escolhas para aperitivos, embutidos em geral e foie gras. Também são
harmônicos com frutas, bolos de massa folhada, e até com chocolates.

E, se quiser ler sobre outras cepas, clique aqui.

Trebbiano
Categoria: cepas

Dentre todas as cepas plantadas na Itália, a Trebbiano é a branca mais cultivada!


No sudoeste da França essa uva é chamada de Ugni Blanc, mas ela tem, de fato, muitos outros nomes, como
Albano, Saint Emilion, Lugana, Spoletino, White Hermitage, Thalia, Procanico... Até porque, é uma casta
cultivada em muitos países. Além da Itália e da França, encontramos a Trebbiano na Argentina, na Austrália,
em Portugal, nos Estados Unidos, no Brasil...

A Trebbiano não é uma uva que desfruta de muito prestígio, apesar de tão cultivada. Mas é possível encontrar
exemplares bem complexos de vinhos dessa cepa. Somente na Itália, ela está autorizada para a produção de
vinhos de mais de 80 denominações de origem, sendo a denominação Trebbiano d' Abruzzo, a mais conhecida
delas.

Vale ressaltar que a Trebbiano cultivada em Abruzzo é um clone da Trebbiano mais comum, cultivada na
Toscana. Elas são, inclusive, diferenciadas pelo nome: Trebbiano d’Abruzzo e Trebbiano Toscana.

Nas videiras de Trebbiano, vigorosas e de alto rendimento, os cachos são cilíndricos, e os bagos muito
resistentes. E os vinhos produzidos à base de Trebbiano são extremamente refrescantes, secos e com alta
acidez. Seus aromas mais comuns são cítricos e de amêndoas, com notas florais e um fundo herbáceo.

Em cortes, a parceria mais comum para a Trebbiano é a Malvasia, que acrescenta perfume à Trebbiano, em
vinhos como o Frascati.

A harmonização de vinhos da uva Trebbiano é fácil e ampla. Esse vinho é uma ótima companhia para
aperitivos, massas aromatizadas, aves, frutos do mar, e peixes. Quer uma sugestão? Moqueca de peixe.

E, para apreciar esses vinhos, preste atenção à temperatura ideal de serviço: 8 °C.

Encerrando com uma curiosidade: a Trebbiano também é utilizada na produção de Armagnac, Cognac, e
vinagre balsâmico.

Se quiser conhecer outras cepas, clique aqui.


Castelão
Categoria: cepas

Essa é uma das 250 uvas nativas de Portugal, que formam a identidade única dos vinhos deste país...

A Castelão é uma das variedades mais cultivadas em Portugal, e embora se desenvolva melhor em climas
quentes e solos secos e arenosos, é uma casta bastante adaptável. Mas sua preferência por solos difíceis,
oferecendo o seu melhor sob condições tão adversas, a faz ter certa fama de masoquista, entre os
especialistas...

Essa é uma cepa versátil, capaz de produzir vinhos tintos e rosés fáceis de beber, mas também apta a
oferecer também vinhos tintos mais complexos.

Uma característica dos vinhedos de Castelão são os pequenos cachos com bagos escuros também pequenos,
proporcionando uma alta quantidade de casca em relação à polpa. Dessa maneira, é uma uva rica em taninos,
na sua origem. E seu vinho pode ser um pouco áspero.
Mas como Portugal não costuma ser uma terra de varietais, essa regra vale inclusive para a Castelão.
Raramente encontrada em varietais, é bastante comum vê-la cortada com outras uvas nativas portuguesas,
como Trincadeira e Aragonês, que a suavizam e a tornam mais acessível em sua juventude.

O vinho produzido a partir da Castelão apresenta aromas de groselha, ameixa em calda, frutos silvestres,
flores azuis e notas de caça. Os melhores vinhos da Castelão são estruturados e frutados, têm taninos
proeminentes mas não fortes, intensa acidez, e boa capacidade de envelhecimento.

Vinhos de Castelão são excelentes para acompanhar alimentos temperados com ervas aromáticas e
condimentados. Harmoniza bem com peixes, lulas, tomates, pimentões. Experimente, por exemplo, com a
culinária mexicana!

Aliás, se você aprecia Barbera, Cabernet Franc e Tempranillo, experimentar Castelão é uma boa dica!

E, se quiser ler mais sobre os vinhos de Portugal, clique aqui.


Molinara
Categoria: cepas

Nativa da Itália, essa uva é peça fundamental de alguns vinhos muito famosos!

Uma característica marcante dessa variedade é a fina camada


branca que cobre os bagos, nos vinhedos. As uvas ficam
parecendo salpicadas por farinha branca, como se estivessem
em um moinho. Ao que consta, inclusive, essa é a origem do
nome dessa cepa. Molinara significa moinho, ou moleiro.

Os primeiros registros da existência dessa uva são do início do


século 19, vindos da província de Verona, região do Vêneto.

Com a produção bastante concentrada no nordeste da Itália, a Molinara é utilizada no corte de vinhos como
Valpolicella e Bardolino, e também em outros cortes do Vêneto.

Com cachos de tamanho médio, em formato de uma pirâmide alongada, a Molinara é a responsável por
conferir acidez e frescor a outras uvas, como a Corvina e a Rondinella. Junto com a Merlot, produz rosés
elegantes e suaves.

Frutada, floral e com caráter mineral, a uva Molinara produz vinhos claros, não muito encorpados, e com
delicados aromas de cereja, amora, especiarias, tabaco e pimenta preta. Mas, de fato, a Molinara raramente é
vista em vinhos varietais.

Essa variedade também é conhecida como Rossara, Rossanella, Mulinari, Scavolegno, Uva Salata, Vespone,
Brepon Molinaro...

Uma curiosidade: existe um debate entre os especialistas, a respeito da cor dessa uva. Uns a consideram
roxa, outros a consideram azul. Mas todos concordam com o seu valor!

Que tal conhecer mais a respeito dos vinhos produzidos com a Molinara? Para ler sobre Valpolicella,
clique aqui. Ou então, para ler sobre Bardolino, clique aqui.
E, se quiser saber mais sobre vinhos italianos, em geral, clique aqui.

Antão Vaz
Categoria: cepas

Antão Vaz é a alma dos melhores vinhos brancos do Alentejo. E é tão única, que é das poucas uvas para as
quais não se encontram sinônimos...

Essa é uma variedade que tem origem na Vidigueira, no sul do Alentejo, e, até bem
pouco tempo atrás, estava restrita a essa região.

Consistente e produtiva, a vinha da Antão Vaz é bastante resistente à seca e a doenças,


e é ideal para o cultivo em clima quente. É uma uva que amadurece de maneira
homogênea, facilitando o trabalho do viticultor.

Os bagos da Antão Vaz têm casca grossa e são verde amarelados, tornando-se amarelos
quando maduros. Os cachos são volumosos e relativamente compactos.

Os aromas da Antão Vaz remetem a frutas tropicais maduras, maçã, pera, cascas de
tangerina, e minerais.
Seus vinhos costumam ser bem estruturados, encorpados, persistentes, e de alta qualidade.

Há uma semelhança entre a Antão Vaz, e a Chardonnay: quando as uvas são colhidas no início da estação, os
vinhos produzidos costumam ser aromaticamente vibrantes e agradavelmente ácidos, mas se deixada um
pouco mais na vinha, atinge altos teores alcoólicos, e pode produzir excelentes vinhos envelhecidos em
madeira.

É bastante comum encontrarmos vinhos de corte nos quais a Antão Vaz se beneficia da acidez da Roupeiro e
da Arinto, todas uvas nativas portuguesas. Aliás, se quiser saber mais sobre vinhos de Portugal, clique aqui.

Os vinhos brancos produzidos com a Antão Vaz harmonizam bem com saladas, aves, peixes e frutos do mar. E
estão entre as melhores opções para acompanhar um bom bacalhau à moda portuguesa!

Se você aprecia um Chardonnay, e também aprecia a capacidade que os vinhos portugueses têm de nos
surpreender, não pode deixar de experimentar um vinho à base de Antão Vaz...

Quer ler mais sobre o Alentejo? Clique aqui.

Aligoté
Categoria: cepas

Essa é uma uva com uma longa história na Borgonha, cujos primeiros registros são do século 18, e que é
também bastante cultivada no leste europeu.

Dizem que essa é uma cepa para aqueles que têm espírito explorador, e gostam de vasculhar o mundo do
vinho.

Incomum, mas com muitos sinônimos, a Aligoté pode ser encontrada, também, pelos nomes Aligotay,
Beaunois, Blanc de Troyes, Carcairone blanc, Carchierone, Chaudenet, Giboudot blanc, Griset blanc, Melon de
Jura, Muhranuli, Pistone, Plant gris, Purion blanc, Troyen blanc, Vert blanc...

A Aligoté amadurece cedo, e é bem resistente ao frio. Com bagos maiores e cachos mais cheios, as vinhas de
Aligoté têm maior rendimento do que, por exemplo, as de Chardonnay. Tudo isso faz com que um Borgonha
Aligoté seja, algumas vezes, um vinho branco mais acessível que um renomado Chablis. Mas isso nem
sempre é uma regra. Aliás, se quiser ler sobre o que faz um vinho ser caro ou barato, clique aqui. Ou, se
quiser ler sobre Chablis, clique aqui.

A Aligoté produz vinhos tranquilos e vinhos espumantes; vinhos varietais e vinhos de cortes, principalmente
conferindo acidez e estrutura ao Chardonnay.

Os vinhos produzidos com Aligoté são secos e leves, de mineralidade e de acidez interessante, com aromas
florais e com toques de maçã, limão, pêssego e de frutas secas, como nozes e amêndoas. São ideais para
serem bebidos jovens.

Se você ficou curioso para conhecer a Aligoté, uma boa dica são as denominações de origem Borgonha
Aligoté (no mínimo 85% de Aligoté com 15% de Chardonnay), e Bouzeron (100% Aligoté).

E quanto à harmonização? Crustáceos ficam ainda mais especiais quando acompanhados pelas
características minerais de um vinho Aligoté. Saladas que incluem frutas, como manga, são também uma
excelente sugestão. E a sopa de cebola, uma tradição francesa, harmoniza muito bem com esse vinho! Se
quiser ver a receita dessa sopa, clique aqui.

E, para quem aprecia drinks charmosos, o Kir, famoso coquetel francês, é feito, originalmente, com vinho
branco Aligoté e creme de cassis. A receita é simples: 90 ml de Aligoté sobre 10 ml de creme de cassis.

Sagrantino
Categoria: cepas

Essa é uma uva nativa da Itália, da região de Umbria, que fica bem no centro do país (praticamente o “joelho
da bota”). Ela é cultivada, principalmente, na vila de Montefalco, e em seus arredores.

O nome Sagrantino tem origem na religião. Cultivada por monges, essa cepa era utilizada para produzir o
vinho usado nos Sacramentos (sacro, em latim, é aquilo que se afirma sagrado). Umbria é o berço da
Sagrantino, e também de grandes santos, como São Bento e São Francisco.

Depois de quase ser extinta na década de 60, a Sagrantino renasceu graças à extrema dedicação de alguns
produtores da Umbria, e virou o jogo em 5 décadas. Entre 2000 e 2008, a superfície de vinhas de Sagrantino
quintuplicou, e, junto com a quantidade, também vimos aprimorar-se a qualidade, com redução na
produtividade dos vinhedos, para acentuar, ainda mais, a característica deste vinho.

Sagrantino é uma uva de casca grossa, que produz vinhos com aromas de cereja, ameixa e morango,
geralmente picantes, e com muitos taninos. Na verdade, Sagrantino tem mais tanino do que qualquer outra
uva italiana, sendo uma das uvas mais tânicas, dentre todas as variedades conhecidas no mundo.

Para ler mais sobre o que são taninos, clique aqui.

Os exemplos mais comuns de Sagrantino di Montefalco são secos e robustos, que harmonizam muito bem
com carnes grelhadas e molhos escuros.

Mas essa uva também produz os doces e maravilhosos Sagrantino di Montefalco Passito. Aliás, os vinhos
produzidos com Sagrantino, originalmente, eram sempre vinhos de sobremesa. Esse é um quadro que foi
modificado somente de algumas décadas para cá. Os Sagrantino di Montefalco Passito são ótimas escolhas
para queijos azuis e sobremesas típicas italianas, mais secas.

Surpreendentemente, Sagrantino também harmoniza bem com chocolates (o que não é uma tarefa fácil). E,
seguindo a regra de combinar vinho e comida locais, experimente Sagrantino com carne de porco, e com
lentilhas.

A uva Sagrantino está presente nesses complexos varietais, que inclusive são reconhecidos dentro do seleto
grupo de vinhos que ostentam o rótulo de Denominação de Origem Controlada e Garantida. Mas também é
utilizada em cortes, com Sangiovese, nos vinhos denominados Montefalco Rosso.

Quer saber a diferença entre vinhos varietais, e vinhos de corte? Clique aqui.

Pouco se ouve falar dessa uva, desse vinho, e dessa região, não é? Mas o itinerário enoturístico dessa parte
menos conhecida da Itália, talvez subestimada pelos turistas, pode levar visitantes a desfrutarem visitas
guiadas às adegas dos produtores, além de passeios pelas ruas das aldeias locais, em busca de arte e
história, com direito a bom vinho em graciosos restaurantes. É para se pensar...

E, se você é apreciador de Tempranillo, são grandes as


chances de gostar, também, de Sagrantino. Que tal tentar?

Cinsault
Categoria: cepas

Sua origem é o sul da França, na região de Languedoc-


Roussillon, onde é muito cultivada, e sua pronúncia
assemelha-se a “sãn-soul”, bastante diferente da escrita
Cinsault, ou Cinsaut...

O vinho produzido com Cinsault é frutado, com uma cor vermelha atraente, aroma agradável, e poucos
taninos. Seus aromas e sabores remetem a mirtilo, cereja, amora, pimenta, e carne vermelha.

Esse vinho geralmente é usado em cortes com Grenache, Syrah, Mourvèdre e Carignan, oferecendo
suavidade, flexibilidade, leveza e aroma.

Na França, Cinsault está presente em muitos vinhos de denominação controlada, incluindo Côtes-du-Rhône,
Tavel, Châteauneuf-du-Pape, Cassis e Bandol.

Fora da França, também encontramos essa variedade bem adaptada na Itália, onde se chama Ottavianello, na
África, com o nome de Hermitage, na Califórnia, onde é chamada de Black Malvoisie... Aliás, essa é uma uva
conhecida oficialmente por 102 nomes diferentes, incluindo, é claro, Cinsault.

Via de regra, essa é uma variedade que adapta-se muito bem a climas mais quentes, prosperando nessa
condição.

As videiras de Cinsault são reconhecidas pela capacidade de alto rendimento, com cerca de 6 toneladas por
hectare. Para se ter uma noção, é o dobro do rendimento, por exemplo, da Pinot Noir.

Apesar desse potencial, os vinhos produzidos com Cinsault considerados como mais distintos vêm de
vinhedos com rendimento reduzido. Ao limitar o rendimento da Cinsault, viticultores conseguem produzir
maravilhosos vinhos de grande personalidade que são ricos, encorpados e exuberantes.

Para saber mais sobre a relação entre o vinho e os diferentes rendimentos de uma vinha, clique aqui. Para
saber como agrônomos controlam ou planejam o rendimento dos vinhedos, clique aqui.

Além de tintos elegantes, Cinsault também resulta em delicados e frutados vinhos rosés.

Os vinhos à base de Cinsault são quase sinônimo de cozinha mediterrânea, sendo um par perfeito para pratos
elaborados com azeite de oliva. Procure um vinho desses quando for apreciar peixes, frutos do mar, legumes
marinados e carnes temperadas com alecrim. Você vai se surpreender.
Sylvaner
Categoria: cepas

Essa é uma variedade de uva branca cultivada principalmente na Alsácia e na Alemanha, onde é grafada como
Silvaner. A pronúncia? Algo como Sil-van-na.

A origem dessa uva está na Europa Central, provavelmente na Áustria, embora atualmente seja pouco
plantada por lá. Também há quem acredite que sua origem está na Romênia, e que seu nome, Silvaner, tenha
sido adaptado a partir de Transilvânia.

Silvaner já foi a variedade mais importante em toda a Alemanha, mas hoje está restrita a somente 5% dos
vinhedos do país. Durante os anos 60 e 70, estima-se que essa variedade tenha ocupado cerca de 30% dos
vinhedos alemães, e 25% dos da Alsácia.
Por que ela perdeu tanto espaço assim? Por ser muito utilizada nos
alemães Liebfraumilch, acabou superproduzida, e tendo sua reputação
comprometida, junto com esses vinhos doces, que tiveram seu ápice e
saíram de moda.

Mas e por que ela ainda resiste? Porque em regiões alemãs como a
Franconia, por exemplo, ao norte da Bavaria, onde os Liebfraumilch não
podiam ser produzidos, essa uva tomou um rumo diferente, em vinhos
secos e elegantes. Na francesa Alsácia, para se ter uma ideia, é possível
encontrar Sylvaner em reconhecidos e premiados Grand Crus, desde que
essa cepa foi permitida pela denominação, em 2006.

Além da França, Alemanha e Áustria, é possível encontrar alguns vinhedos


desta uva também na Suiça, na Romênia, na Eslováquia, na Croácia, e até
na Califórnia e na Austrália.

Vários são os nomes pelos quais essa cepa é conhecida: Gros-Rhin, Grüner
Silvaner, Johannisberger, Moravka, Sylvaner Verde, Salfin, Zinifal...

Suas vinhas podem ser de alta produtividade, mas rendem resultados muito
mais interessantes quando contidas e “economizadas”. Gostam de exposição ao Sol e de solo úmido.

E como são seus vinhos? Os vinhos que a Silvaner produz são ricos em acidez, e não são particularmente
marcados pelo sabor, sendo considerados bastante neutros. Com a poda adequada, apresentam aromas e
sabores de casca de frutas cítricas, amêndoas, maçãs verdes e abacaxis.

Não são vinhos marcados pela longevidade, sendo melhores se apreciados enquanto jovens. Como sempre
há exceções, os Silvaner produzidos em Franken e Rheinhessen são exemplos que podem envelhecer muito
bem, além de serem extremamente picantes, e muito elegantes.

Essa uva é muitas vezes misturada com Riesling, Elbling, Gewurztraminer e outras uvas que tendem a inclinar-
se para o lado mais doce. Mesmo sendo bem encontrado em varietais, esse é considerado um vinho muito útil
para cortes, e a uva Morio Muskat é um das suas boas parceiras, por ser excessivamente aromática, e se
beneficiar muito das características da Silvaner.

Para experimentar, segue uma última dica: os Sylvaners da Alsácia costumam ser ainda mais secos que os
Silvaner produzidos na Alemanha. Escolha, então, conforme o seu paladar!
Carignan
Categoria: cepas

É curioso que a maioria das pessoas nunca tenha ouvido falar nessa
uva, porque, até algumas décadas atrás, essa era a variedade mais
plantada na França, que é o mais importante país produtor de vinho do
mundo! Irônico, não é?

Se você está entre os muitos que nunca ouviram falar de Carignan, é


bem possível que não faça diferença mencionar alguns dos outros
nomes pelos quais essa cepa é conhecida, como Carignano, Carignane,
Cariñena, Mazuela... Mas o fato é que ela existe, e está muito presente,
principalmente, no sul da França, mas também na Espanha, na Itália, em alguns pontos dos Estados Unidos,
México, África do Sul, Argentina, Chile, Uruguai...

A origem mais provável desta cepa é a Espanha, e seu nome está ligado a Carae, aldeia pertencente a
Carinius, e que pertencia ao Império Romano.
A Carignan é uma amante do Sol, que precisa de um clima relativamente quente, e, mesmo assim, ainda
demora a amadurecer. É sensível a pragas. Apesar do alto rendimento de suas vinhas, não costuma aceitar
colheita mecânica, pois tem talos com os quais é particularmente difícil de lidar.

Por essas e outras dificuldades, mesmo em Languedoc-Roussillon, o lar da uva Carignan, essa é uma casta
que tem sistematicamente perdido espaço para outras. Produtores franceses foram, inclusive, incentivados a
substitui-la por outras uvas.

Frequentemente presente em cortes com Grenache, Syrah, Cinsault e Mourvèdre, a Carignan confere aos
vinhos mineralidade, aromas florais, acidez e cor. Quando produz varietais, o teor alcoólico mais elevado
costuma equilibrar a acidez da uva, resultando em tintos elegantes e potentes. A uva é também facilmente
encontrada no estilo seco de vinho rosé, o mais comum produzido no mundo, hoje.

Com notas de ervas, amoras, ameixas pretas, pimentas e especiarias, os vinhos à base de Carignan são
geralmente robustos, encorpados, tânicos, ricos em acidez e com aspecto crocante.

Antes de se deixar levar por rigorosos críticos dos vinhos produzidos com Carignan, experimente e forme sua
própria opinião. Sugerimos um espanhol da tradicional região de Priorato, harmonizado com uma carne mais
corpulenta, que tal?

Se você está entre os enófilos que apreciam vinhos à base de Primitivo, também conhecida como Zinfandel,
ou de Grenache, preste atenção: aumentam, e muito, as chances de você também se encantar com Carignan!

Pinotage

Categoria: cepas
Essa é a única variedade autenticamente nativa da África do Sul. Uma cepa com uma história muito
interessante, a começar pela origem de seu nome.

Pinotage é a combinação de outros dois nomes: Pinot, de Pinot Noir, e Hermitage, apelido sul-africano da
Cinsault. A uva Pinotage nasceu do cruzamento destas duas cepas clássicas francesas. Se quiser conhecer a
origem do nome de outras uvas, clique aqui.

A variedade Pinotage foi criada em 1925, por Abraham Izak Perold (1880 – 1941), sul-africano descente de
franceses, PhD em química, e fluente em 8 idiomas. Algumas curiosidades, ou lendas, rondam a criação da
Pinotage. Dizem que o processo de cruzamento das cepas gerou somente quatro únicas sementes, que teriam
sido plantadas no jardim da casa do cientista, e não nas dependências do laboratório da universidade, como
seria o esperado.

O primeiro grande momento da Pinotage aconteceu em 1959, quando um vinho tinto à base dessa variedade
foi o campeão de um concurso local, chamado Young Wine Shows. Mas isso significou uma faca de dois
gumes na história da cepa, servindo de incentivo para que muitos produtores, ainda inexperientes com essa
variedade, cultivassem e oferecessem vinhos Pinotage de baixa qualidade.

Criou-se, assim, uma má reputação para a uva, que, felizmente, já foi merecidamente revertida. Em 1991, por
exemplo, um vinho elaborado com Pinotage foi considerado o melhor dentre todos os vinhos tintos
apresentados no International Wine and Spirit Competition, em Londres.

Atualmente, a Pinotage já atravessou a fronteira sul-africana, tendo sido plantada primeiro na Nova Zelândia,
depois na Califórnia, e tendo chegado aqui também, no Brasil.

A Pinotage é uma variedade de bagos pequenos, cônicos, pretos com tonalidade azulada, polpa macia, pele
espessa e cachos bem compactos.

Os vinhos produzidos a partir da Pinotage são considerados muito fáceis de beber, mas também são vistos
como vinhos do tipo que se ama ou se odeia.

Muito ricos em notas frutadas, principalmente de framboesa e de mirtilo, marcados por nuances de fumaça e
com alcaçuz evidente. Com envelhecimento, ganham notas de banana, manga e chocolate. Aliás, Pinotage
envelhece muitíssimo bem.

A uva Pinotage é encontrada tanto em varietais, como em vinhos de corte. E existe até um termo que define
uma categoria específica de vinhos de corte com a presença da uva Pinotage: Cape Blend, ou seja, “mistura
do Cabo”.

As notas de chocolate do vinho Pinotage fazem com que essa seja uma boa escolha para harmonização:
Pinotage e chocolate. O caráter frutado favorece, também, a harmonização com comidas apimentadas. Mas
alguns especialistas defendem que um bom Pinotage acompanha bem a maioria das boas comidas, de ostras
a rabada, passando por sopa de feijão!

Desfrutar um vinho à base de Pinotage é, sem dúvida, sair do convencional. E esse, é, certamente, um dos
prazeres associados ao vinho!
Grenache
Categoria: cepas

Grenache é uma das uvas mais plantadas no mundo, alguns dizem ser a primeira de todas! Encontrada em
famosos vinhos tintos, a Grenache também produz excelentes rosés, e até vinhos de sobremesa e fortificados.
É muito trabalho para uma única uva!

E muitos são os nomes, ao redor do mundo, dados à Grenache: Garnacha, Garnatxa, Cannonau, Alicante,
Grenache Noir...

Mas não confunda a Grenache com a Granacha Tintorera, nome espanhol dado à Alicante Bouschet, uva que
surgiu do cruzamento da Grenache com a Petit Bouschet. Não confunda também com Grenache Blanc ou
Grenache Gris, mutações claras da tinta Grenache.

Os vinhedos de Grenache espalhados pelo planeta ocupam mais de 200.000 hectares, no total, mas 80%
deles estão na França e na Espanha, maiores cultivadores dessa cepa.

Outros países onde encontramos videiras da Grenache são Itália, Estados Unidos, Austrália, Algéria, México,
Marrocos, e até mesmo no Brasil.

A Grenache é brilhante em vinhos varietais suaves, de cor clara e semitranslúcida, ideais para serem
consumidos jovens.
Mas ela é também peça fundamental de imponentes cortes como os Châteauneuf-du-Pape, Priorat,
Provence... No corte clássico de Rioja ela acompanha a Tempranillo, e na Austrália, ela é cortada com Shiraz e
Mourvèdre, no chamado corte GSM.

A Grenache é uma uva de pele fina, pouca cor e poucos taninos, mas ela dá resultados muito diferentes a
cada vinho, dependendo das técnicas de cultivo e de vinificação.

Os aromas típicos de um vinho à base de Grenache são os frutados de amora, mirtilo, morango, groselha,
cereja e ameixa, além dos aromas de especiarias, como pimenta-do-reino, canela, menta e alcaçuz. Mas
também é possível encontrar associações a aromas de couro e tabaco, rosas e violetas, além de chocolate e
baunilha.

Para harmonizar vinhos produzidos com Grenache, lembre-se que essa uva é um par perfeito para refeições
picantes e condimentadas, nas quais destacam-se os sabores de cebola, alho, pimentão, azeitonas,
alcaparras, alecrim, e é claro, pimenta!

Quer começar bem, com a Grenache? Comece com um francês Châteauneuf-du-Pape! Para conhecer melhor
esses vinhos, clique aqui. Ou então, aventure-se pela Espanha com um Priorat, sobre o qual você pode saber
mais, clicando aqui.

E, para quem não perde uma chance de celebrar, anote aí: na terceira sexta-feira do mês de setembro,
comemora-se, em todo o mundo, o Dia Internacional da Grenache, o Grenache Day! Um brinde! Com
Grenache!

Alvarinho
Categoria: cepas

Exuberância, teu nome é Alvarinho! Se preferir, Albariño!

Na realidade, são muitos os nomes pelos quais essa cepa é


conhecida: Alvarinho, Albariño, Albarina, Alvarin Blanco,
Alvarinha, Azal Blanco, Galego, Galeguinho...

Famosa pelos Vinhos Verdes portugueses, a Alvarinho é


chamada de Albariño, na Espanha, onde dá origem aos vinhos
brancos de maior prestígio da Galícia, da denominação de
origem Rías Baixas. Originária do noroeste da Península
Ibérica, mas cultivada também em outros lugares do mundo,
tem produzido bons vinhos na Califórnia, e andou sendo muito
confundida, na Austrália, com a francesa Savagnin Blanc.

Utilizada originalmente em vinhos de corte, a Alvarinho tem sido


mais frequentemente vista em vinhos varietais leves e frescos, com teores alcoólicos relativamente elevados,
bom corpo, e com uma acidez equilibrada.

Os aromas mais associados a Alvarinho são os frutados marmelo, banana, pêssego, limão, maracujá e lichia,
os florais violeta e flor de laranjeira, os amendoados avelã e noz, e o aroma caramelizado de mel. Como se vê,
são aromas distintos e complexos, que conseguem ser intensos e delicados ao mesmo tempo.

Persistentes no sabor, vinhos produzidos com a uva Alvarinho harmonizam muitíssimo bem com pratos de
peixes e frutos do mar, saladas, aves, e gastronomia oriental. E são uma escolha muito boa para aperitivos em
geral, além de surpreenderem quando harmonizados com pratos à base de creme de leite.

De fato, Alvarinho, ou Albariño, tem sido considerado um vinho universal, que vai bem com comida, ou mesmo
sozinho. Mas lembre-se de servir esse vinho à temperatura de 10° ou 12°C, para potencializar toda a sua
riqueza aromática, seja ele português, espanhol, californiano...

Se depois de experimentar Alvarinho, você se apaixonar, saiba que, em breve, haverá até museu dedicado a
esse vinho. Em Portugal, um edifício do século 17, localizado no centro histórico de Monção, será adaptado,
num investimento de 150 mil euros, para receber o “Museu do Alvarinho”, onde haverá divulgação,
comercialização e degustação deste exuberante vinho. Esse poderá ser um excelente destino para enófilos em
férias, não é?

E, se quiser ler mais sobre vinhos portugueses, clique aqui.

Torrontés
Categoria: cepas

A palavra Torrontés (paroxítona, que pronuncia-se “tor-RON-tes”) vem de enxurrada, o


que é muito apropriado para descrever esse vinho branco argentino de aromas
incrivelmente potentes, capaz de surpreender qualquer um.

De origem bastante controversa, essa uva é a única cepa considerada nativa da


Argentina, e pode-se considerar que seus vinhos são produzidos exclusivamente nesse
país. Eventualmente, é possível encontrar alguns notáveis exemplares no Chile e na
Nova Zelândia. Eventualmente.
Essa é uma uva bem redonda, com bagos e cachos de tamanho médio, e com cor verde amarelada, próxima
ao dourado. O verde das vinhas e o dourado das uvas formam uma maravilhosa paisagem nas montanhas.

Das três variantes de Torrontés (mendocina, sanjuanina e riojana), a mais comum é a Torrontés riojana, com a
qual se produz o reconhecido vinho de exportação dos argentinos.

O Vale de Cafayate, bem ao norte da Argentina, vem conquistando para a região de Salta uma excelente
reputação vinícola, graças ao cultivo desta variedade. Com vinhedos em altíssimas altitudes, o Torrontés de
Cafayate é um vinho de personalidade única, frutado, saboroso e prolongado na boca.

Seus aromas doces lembram pêssegos, lichias, especiarias, e flores como rosas, jasmins e gerânios. Dizem
que sentir seu aroma é como mergulhar em um vaso de flores, e isso não é um exagero!

Contudo, na boca surgem os sabores secos de salada de frutas, algumas vezes com toques de orégano ou
mel, sempre com uma acidez muito refrescante. O Torrontés é um vinho complexo e delicado, de corpo leve,
amarelo claro com reflexos verdes, e que raramente passa por barris de carvalho durante sua vinificação.

Esse é um vinho perfeito para ser servido como aperitivo, ou para acompanhar os sabores delicados de peixes
e mariscos. Também harmoniza muito bem com pratos orientais aromáticos e picantes, como da Índia, China e
Tailândia. E é sempre uma boa opção para harmonizar frangos e saladas.

Melhor quando apreciado jovem, esse não é um vinho que deve ser comprado para guardar. Prefira sempre a
safra mais recente, ao procurá-lo. E é possível encontrar fantásticos Torrontés a preços muito interessantes!

Mourvèdre
Categoria: cepas

Essa é uma casta originária da Espanha, onde é mais conhecida como


Monastrell e onde é a segunda uva mais cultivada. Mas a Mourvèdre
desenvolveu-se também muito bem na França, na Austrália, na Califórnia e
em Portugal, onde também é chamada de Mataró. Na França, o efeito seco
no palato lhe rendeu um apelido: Etrangle-Chien, algo como um cachorro
estrangulador.

Com seu nome de pronúncia difícil (mur-vedr), a Mourvèdre é tida como


uma uva com grande potencial para o futuro, como se fosse a “próxima
uva”, ou uma tendência!

Essa foi a casta dominante na francesa Provence do final da Idade Média


até ela ser praticamente devastada pela filoxera, doença parasitária das
vinhas que atingiu toda a Europa no final do século 19. Depois de décadas
de desafio, o plantio dessa cepa voltou a crescer na França, principalmente
em Bandol, localizado em Provence.
A França, aliás, é o segundo país produtor da uva, atrás somente dos espanhóis. Mas, de fato, são os
exemplares da Califórnia e da Austrália que têm surpreendido o mundo.

Mourvèdre gosta de climas quentes e secos e tem pequenas bagas de pele grossa - a combinação perfeita
para fazer vinhos com cor intensa e altos níveis de tanino. Mas as vinhas de Mourvèdre exigem paciência do
viticultor, pois a primeira colheita de qualidade pode levar mais de cinco anos para acontecer. Em
contrapartida, são vinhas moderadamente vigorosas que não requerem uma grande dose de cuidado extra.

Os bagos da Mourvèdre são de tamanho moderado, relativamente escuros, e com peles muito grossas, que
protegem as uvas das primeiras chuvas do outono, já que sua maturação é extremamente tardia, sendo uma
das últimas colheitas do produtor.

Ainda não é muito comum encontrar varietais de Mourvèdre, apesar de a tendência ser crescente. O mais
comum é encontrarmos essa uva em cortes. Um exemplo são os cortes de Châteauneuf-du-Pape, onde a
estrutura e a riqueza da Mourvèdre complementam a abertura e a acidez da Grenache e a mineralidade e
especiarias da Syrah. Carignan e a Cinsault também são parceiras frequentes dessa cepa.

Os vinhos produzidos com Mourvèdre são intensamente coloridos, de acidez média, ricos e aveludados, com
aromas de frutas vermelhas, chocolate, hortelã, violetas, couro, terra e caça.

O alto nível de taninos do Mourvèdre pede alimentos ricos e gordurosos. Costela bovina, carne de porco,
linguiça e vitela são excelentes combinações, principalmente quando temperados com alecrim ou tomilho.
Lentilhas, shitake e shoyo também são ótimas alternativas para acompanhar esse vinho.

Se você é um apreciador de Cabernet Sauvignon, certamente vai gostar do encorpado Mourvèdre, que fica
perfeito quando decantado e servido entre 19 e 21°C. É tentador. Acredite!

Pinot Grigio
Categoria: cepas

Essa cepa é considerada uma mutação genética natural da Pinot Noir.


Grigio, ou Gris, significa “cinza”, que é o tom dessa uva. Não é por acaso
que a Pinot Grigio é considerada parente da Pinot Noir (preta) e da Pinot
Blanc (branca).
Pinot Grigio, ou Pinot Gris, é uma uva de muitos nomes, como Ruländer ou Rüllender, na Alemanha. Mas foi
na francesa Alsácia, onde essa uva é importantíssima, que realmente fizeram uma confusão! Às vezes
chamada de Tokay, costumava ser erroneamente associada ao famoso vinho húngaro. Ou então chamada de
Auxerrois Gris, era confundida com Auxerrois, o nome que a Malbec recebe em Bordeaux. Há alguns anos, a
Alsácia, para resolver a questão, oficializou o nome Pinot Gris!

Os italianos Pinot Grigio são vinhos claros com aromas neutros e sabores leves e delicados, de flores e limão.
Já na França, onde a Pinot Gris é colhida tardiamente, os vinhos produzidos apresentam aromas e sabores
mais acentuados, com toques picantes de pêssego.

Quem aprecia Sauvignon Blanc, normalmente também se rende aos prazeres do Pinot Grigio italiano. Já quem
prefere Chardonnay provavelmente vai gostar mais dos Pinot Gris franceses e do Novo Mundo.

Os aromas e sabores desses vinhos dependem muito do clima: regiões frias costumam produzir Pinot Grigio
secos, minerais e ácidos, enquanto regiões mais quentes produzem os exemplares mais aromáticos e
encorpados.

A Alemanha, Áustria, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, e até o


Brasil, estão entre os países produtores dessa variedade. O estado
americano de Oregon, inclusive, tem nessa uva uma de suas
especialidades!

Os aromas típicos de um vinho à base dessa uva são pêssego e


damasco, limão e tangerina, pera e maçã verde, flores silvestres, mel,
tomilho, orégano e erva-cidreira, além de minérios como pedras e areia
molhada.

Esse vinho harmoniza incrivelmente bem com peixes, frutos do mar e


aves. Para massas, faça essa escolha quando o molho for à carbonara,
à puttanesca ou ao pesto, e surpreenda-se. Mas Pinot Grigio é tão
versátil, que também substitui o vinho tinto muito bem, quando o cardápio inclui carne vermelha.

Quando você for convidado à casa de amigos, saiba que essa é uma excelente dica de vinho para levar, pois
ele combina bem com a maioria dos alimentos e paladares. Então, suas chances de acertar aumentam
exponencialmente!
Barbera
Categoria: cepas

Nativa do Piemonte, no noroeste da Itália, a


Barbera é a uva mais plantada na região.
Apesar de o Piemonte ser famoso pelos vinhos
tânicos produzidos com a uva Nebbiolo (Barolo
e Barbaresco), são os Barbera, vinhos de
estrutura leve, que são consumidos no dia a
dia do piemontês.

A Barbera empresta seu nome para duas das


58 denominações de origem do Piemonte:
Barbera d’Asti e Barbera d’Alba. O vinho de
Asti tende a ser frutado, e menos estruturado,
com pouco carvalho durante a vinificação. Já o
vinho de Alba reflete a proximidade geográfica
com a produção de Nebbiolo, com um
resultado mais concentrado e estruturado,
mais beneficiado pela passagem por barris de
carvalho.

Comum também em outras regiões da Itália,


como Emilia-Romagna, Puglia, Campania,
Sicília e Sardenha, a Barbera acompanhou os
emigrantes italianos em suas viagens para outros países, como Austrália, Argentina, Estados Unidos, e até
Brasil, sendo responsável por vinhos de qualidade também fora de sua terra natal.
É possível reconhecer a Barbera por diversos nomes regionais ou sinônimos, como: Barbera d’Asti, Barbera
d’Alba, Barbera d’Aosta, Barbera Belas, Barbera Dolce, Barbera Forte, Barbera Grossa, Barbera Riccia,
Barbera Sarda, Barbera Vera, Barbare, e Barbera del Monferrato.

Essa é uma cepa muito vigorosa e de altos


rendimentos (até 5 toneladas por hectare). Os
melhores Barbera, no entanto, tendem a ser
de vinhas bem podadas e com cachos de uva
menores, com sabores mais concentrados.

A Barbera é muito utilizada em vinhos de


cortes, principalmente com Sangiovese ou
com Nebbiolo. Mas também é vista em vinhos
varietais (cada vez mais comuns na Itália, junto com um crescente movimento de rotulagem do nome da uva,
como no Novo Mundo).

Naturalmente rica em acidez, e com poucos taninos, os sabores típicos mais encontrados nos leves vinhos da
uva Barbera são de cereja. Quando cultivada em climas mais quentes, como na Califórnia, também destacam-
se toques de ameixa.

A Barbera produz vinhos de cor profunda (aproximando-se da cor do Syrah), e a maioria deles deve ser bebida
quando jovem, sendo melhores aos 5 anos após o engarrafamento, do que aos 10, por exemplo.

Esses vinhos são muito versáteis na harmonização, combinando, por exemplo, com carne bovina ou carne de
porco assadas, queijos azuis tipo gorgonzola, pizzas e pastas com molho à bolonhesa ou pomodoro, vegetais
cozidos, e frituras à milanesa.

Aqueles que apreciam vinhos menos tânicos, como Merlot ou Carmenère, não devem perder a oportunidade
de conhecer a Barbera!
Tannat
Categoria: cepas

A Tannat tem origem na França, numa região chamada Madiran, ao pé dos Pirineus. Mas foi a partir do
Uruguai, onde ela é considerada um patrimônio nacional, que essa uva conquistou o mundo! Tannat é, por
assim dizer, uma uva imigrante!

No século 17, os vinhos Tannat de Madiran eram aceitos pelos nobres franceses, como forma de pagamento
de impostos dos plebeus. No século 19, os franceses levaram a cepa para o Uruguai, onde ela se adaptou
perfeitamente, ganhando força e prestígio, com vinhos de sabor único, cor concentrada e complexidade
intensa.

O Uruguai é hoje o maior produtor dessa uva, com cerca de


1/3 de seus vinhedos ocupados pela variedade. Curiosidade:
no Brasil, estima-se que a uva ocupe cerca de 5,5% dos
vinhedos. Outros países produtores de Tannat são a Argentina,
a Austrália, o Perú, a Bolívia, a Itália e os Estados Unidos,
principalmente na Califórnia e no Texas.
Também conhecida por outros nomes, como Moustrou, Madiran, Harriague e Bordeleza, a Tannat é uma uva
muito adequada para o cultivo em regiões de clima mais quente.

Como o próprio nome indica, Tannat é uma uva muito rica em taninos. Cada bago de Tannat costuma ter 5
sementes (sendo o comum, nas demais cepas, somente 2 ou 3 sementes por bago de uva). Isto, aliado à
espessura da casca, faz da Tannat a uva mais tânica de todas, com alto poder antioxidante, capaz de auxiliar
na prevenção de muitas doenças.

Mas o alto nível de taninos fez sua fama de selvagem, rústica e até mesmo agressiva, na França. Enquanto os
produtores franceses adotam métodos de vinificação buscando suavizar os taninos da uva, os produtores
texanos fazem exatamente o oposto, com maceração prolongada para destacar o alto teor tânico de seus
vinhos.

Na América do Sul, e principalmente no Uruguai, os estilos de Tannat variam imensamente, tendo ou não
amadurecimento em carvalho, sendo mais tânicos ou até mesmo leves como suco de cerejas. O passeio pelos
Tannat uruguaios permite-nos apreciar rosés leves e frutados, tintos jovens, tintos de guarda, e até mesmo
vinhos licorosos.

Mas, independente do estilo, os melhores Tannat são sempre intensos, sem peso, muito elegantes, com final
longo e memorável.

Os varietais de Tannat, comuns no continente americano, têm ganhado mais espaço na França, que até então
costumava suavizar o alto teor de taninos em cortes de Tannat com Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. No
Uruguai, os cortes mais comuns são com Merlot, Pinot Noir, Viognier e Syrah, por exemplo.

A harmonização da Tannat agrada em cheio os apreciadores de churrasco daqui do Brasil, da Argentina e do


Uruguai. Os altos taninos dessa uva combinam muito bem com carnes mais gordurosas, mas também podem
ser surpreendentemente harmonizados com sobremesas à base de chocolate amargo.

No próximo churrasco, dê uma chance ao Tannat, seja com uma costela uruguaia, um argentino bife ancho ou
uma brasileiríssima picanha! Só não se esqueça de brindar!
Touriga nacional
Categoria: cepas

Entre as 250 castas nativas de Portugal, esta é a que mais recebe elogios!
A Touriga Nacional é uma casta nobre, muito apreciada pelos portugueses,
e cada vez mais conhecida no mundo todo. Assim como o Tempranillo, na
Espanha, Touriga Nacional é o coração e a alma de Portugal!

Com um lista de sinônimos, é possível encontrar a Touriga Nacional pelos


nomes: Bical Tinto, Mortágua, Mortágua Preto, Preto Mortágua, Touriga,
Touriga Fina, Tourigão, Tourigo Antigo, Tourigo do Dão e Turiga. Mas não
deve ser confundida com a Touriga Franca, outra variedade também
encontrada nos portugueses fortificados, ao lado da Tinta Roriz.

A Touriga Nacional é a mais famosa das uvas utilizadas no vinho do Porto.


Embora o vinho do Porto possa ser composto por mais de 20 variedades,
essa cepa é sua espinha dorsal.

Apesar de estar cada vez mais sendo engarrafa como varietal, a Touriga
Nacional é generosa quando usada em cortes, tanto com uvas regionais de
Portugal ou internacionais como Cabernet Sauvignon e Syrah.

As regiões do Dão e do Douro, no norte de Portugal, reclamam a sua paternidade, mas essa variedade hoje
está disseminada também pelo Alentejo, Lisboa, Bairrada, Setúbal, Tejo, Algarve e Açores. Além disso, está
sendo plantada em outros países, como na Austrália, nos Estados Unidos, e até mesmo aqui no Brasil.

A videira de Touriga Nacional tem cachos pequenos, com bagos ligeiramente achatados, de um azul que vai de
médio a escuro, e é muito sensível às condições ambientais.

Sendo a Touriga Nacional uma cepa de baixa produtividade, é capaz de produzir vinhos tânicos e equilibrados,
com boas graduações alcoólicas e excelente capacidade de envelhecimento. Os taninos são poderosos e
robustos, mas ao mesmo tempo, delicados, finos e elegantes. A película grossa, rica em matéria corante, ajuda
a obter cores intensas e profundas.

A abundância dos aromas primários é uma das características marcantes desta uva, que apresenta-se ao
mesmo tempo floral e frutada, mas sempre intensa e explosiva. Aromas poderosos de excepcional
complexidade remetem a violetas e a frutos pretos maduros, como amora e mirtilo, com algo de selvagem e
silvestre, como notas de alecrim.

A harmonização da Touriga Nacional, quando presente no vinho do Porto, é muito bem sucedida com
chocolate, café, sobremesas à base de nozes, assim como com queijos azuis, como Roquefort.

Os varietais de Touriga Nacional, por sua vez, emparelham esplendidamente com pratos de carne vermelha
(guisados, assados, bifes), e combinações agridoces de carnes com frutas (frango com passas, lombo com
abacaxi, cordeiro com damascos...).

Bonarda
Categoria: cepas

Essa uva argentina, considerada uma variedade exótica, tem cada


vez mais destaque no mercado mundial. Se você ainda não a
conhece, não perca mais tempo.

A origem desta interessante cepa é motivo de polêmica. Seria


proveniente do Piemonte italiano, ou uma variação da francesa
Corbeau Noir? Talvez um pouco de cada, já que essa uva francesa é
cultivada em região vizinha ao Piemonte, somente com os Alpes
entre elas. O que se sabe, com absoluta certeza, é que a Bonarda é
a uva de maior projeção na Argentina, sendo a segunda cepa mais
plantada no país, somente atrás do Malbec.

Inicialmente a Bornada era confundida, na Argentina, com a Barbera.


Somente na década de 60 determinou-se que não tinha nada a ver
com a verdadeira Barbera, que também é cultivada naquele país.

A vinha da Bonarda tem cachos médios, bem cheios e compactos.


Os bagos são preto-azulados, em formatos de esfera, e com polpa
macia.
Bonarda é uma uva de cultivo difícil, mas que se aclimatou perfeitamente na Argentina. É uma cepa muito
suscetível a doenças causadas por fungos, e é necessário um período de maturação da uva extremamente
longo para garantir a qualidade do vinho resultante, com elegantes taninos e aromas atraentes.

Com a evolução das técnicas de viticultura, agora mais racionais e apropriadas, as uvas Bonarda atualmente
fornecem vinhos de excelente qualidade, ao contrário do passado.

Até recentemente, a Bonarda era usada somente em cortes, para melhorar e equilibrar os vinhos; mas cada
vez mais encontramos varietais dessa cepa, muitos 100% Bonarda. Além disso, também é comum vermos bi-
varietais, em combinações com Malbec ou Syrah.

Um bom vinho Bonarda é caracterizado pela cor forte de vermelho rubi, com tons violeta e roxo. O bouquet é
intenso com aromas de frutas maduras (amora, framboesa, morango, cassis e cereja) e com uma atrativa
picância. Sua boa estrutura lhe permite ser envelhecido em barricas com bons resultados; a madeira dá
aromas de baunilha e tabaco.

O baixo teor de taninos, a maciez e a sedosidade, associados a um menor nível de álcool em relação ao
Malbec, têm tornado a Bonarda mais competitiva, atraindo consumidores ingleses, brasileiros e norte-
americanos. É um vinho fácil de beber, com potencial para conquistar muitos corações. Especialistas apostam
no futuro desta cepa.

Este vinho pode ser consumido entre 15 e 18°C, acompanhando refeições moderadamente condimentas ou
levemente picantes.

Aceite essa sugestão, e se aventure com a uva Bonarda, a nova expressão dos vinhos argentinos!

Viognier
Categoria: cepas

Essa variedade de uva branca, hoje amplamente distribuída, esteve à


beira da extinção. Em 1965, existiam apenas 8 míseros hectares desta
cepa em todo o Vale do Rhône. De lá para cá, a popularidade desta uva e
de seu vinho aumentou, para a sorte de todos nós.

Na realidade, acredita-se que a terra natal da Viognier, cuja pronúncia


aproxima-se de “vee-on-yay”, seja a Dalmácia, mas que ela tenha sido
levada para o Rhône, pelos romanos, há mais de 2.000 anos.

A denominação Condrieu, do extremo norte do Rhône, de vinhos brancos


secos e muito aromáticos, determina que a única uva permitida para a sua
produção seja Viognier. Alguns dizem que o baixo rendimento, as difíceis
condições de crescimento, e a colheita tardia contribuem para os
excepcionais sabores concentrados dos vinhos de Condrieu.
Mas também existem varietais de Viognier mais leves e menos concentrados que os Condrieu, que, mesmo
assim, mantêm o caráter distinto da cepa, de pêssego, damasco, pera e flores.

Além dos excelentes varietais, a Viognier também é bastante apreciada em cortes brancos e tintos, suavizando
e clareando os vinhos Syrah da Côte Rôtie, por exemplo. Os californianos fazem excelentes cortes de Viognier
com Chardonnay, Chenin Blanc e Colombards. Aliás, a demanda dos americanos por essa cepa é enorme.

É possível encontrar vinhas dessa variedade na Itália, Espanha, Grécia, Suíça e Áustria. Também tem crescido
muito o plantio da Viognier na Austrália e nos Estados Unidos, principalmente na Califórnia.

Essa é uma uva de cultivo extremamente difícil. Propensa a mofo, produz rendimentos notoriamente baixos e
imprevisíveis, e precisa ser colhida somente quando bem madura, para conseguir desenvolver seus aromas e
sabores.

A baixa acidez dos vinhos de Viognier não requer carvalho para proporcionar equilíbrio. Mesmo assim, um leve
envelhecimento em madeira pode melhorar ainda mais seu sabor exótico e sedutor, acrescentando um toque
de baunilha.

Esse vinho aromático e seco, com um teor alcoólico que por vezes supera a marca de 13%, é excelente
quando harmonizado com queijo brie, ou com uma massa regada a molho branco. Tente combinar, também,
com cozinha tailandesa picante, culinária chinesa, pratos mexicanos, peixe, carne de porco, frango e frutas
frescas. As possibilidades, como você pode ver, são muitas!

Quer saber sobre outras cepas? Clique aqui!

Sangiovese
Categoria: cepas

Sangiovese é uma das mais antigas variedades tintas da Itália. Dizem


ter sido cultivada pelos etruscos, os primeiros habitantes da península
italiana. É uma das cepas mais famosas da Itália, com uma uva de pele
fina, que tende a ficar mais na videira, levando o seu tempo para
amadurecer.

A região central da Itália, mais especificamente a Toscana, é o coração


agrícola da uva Sangiovese. E não se surpreenda ao saber que pouco
dessa uva se produz, em outros países.

Um dos motivos pelos quais a Sangiovese não produziu muitos vinhos


de alta qualidade fora da Itália é que ela é especialmente sensível a
podas, e é uma cepa de baixo rendimento, com safras pequenas.

Poucas tentativas de cultivá-la em outros lugares que não a Itália renderam vinhos memoráveis. As exceções
talvez estejam na mão de curiosos viticultores chilenos, argentinos, australianos e californianos, e na ilha
francesa de Córsega.
A Sangiovese ostenta mais de uma dúzia de espécies semelhantes ou subvariedades, sendo considerada um
tipo de camaleão, pelo modo como se influencia pelo terroir. As uvas Sangiovese da região de Chianti
apresentam, na maioria das vezes, frutos pequenos, enquanto as de Brunello di Montalcino possuem frutos
maiores e casca mais grossa, produzindo vinhos mais encorpados que envelhecem maravilhosamente bem
em garrafa.

A Sangiovese é utilizada para produzir de espumantes a tintos leves e encorpados, passando, inclusive, por
vinhos de sobremesa. Normalmente as uvas Sangiovese produzem vinhos de corpo médio com estrutura
tânica que vai de média a forte.

Chianti e Chianti Classico são os principais exemplos de vinhos produzidos predominantemente com
Sangiovese. Os Chianti às vezes são vinhos de corte, mas existe uma tendência de produzi-los com uma
proporção cada vez maior de Sangiovese (às vezes até 100%).

Na década de 60 enólogos italianos começaram a produzir vinhos extraordinários conhecidos como


Supertoscanos, muitas vezes 100% Sangiovese.

Os sabores dominantes associados a vinhos provenientes da Sangiovese incluem: cereja, ameixa, morango,
canela e baunilha. Muitas vezes uma qualidade herbácea também é associada a esses vinhos.

Sangiovese apresenta médio e alto teores de acidez, e seu final costuma ser elegante.

Os vinhos produzidos com essa cepa harmonizam bem com sabores de frango, carne vermelha, cordeiro,
carne de porco, massas, ensopados e queijos.

Quer uma boa sugestão para dias de frio? Aprecie seu Chianti durante uma refeição com capelleti in brodo.
Você não vai se arrepender!

Malbec
Categoria: cepas

Um húngaro chamado Malbek, responsável por um viveiro de


plantas, foi o primeiro a identificar essa cepa, e foi o
responsável por difundi-la na região de Cahors, na França.
Também chamada de Auxerrois, em Bordeaux, para onde foi
posteriormente levada, a cepa teve o nome adaptado para
Malbec (com “c”, e não com “k”), numa alusão a uma palavra
semelhante em francês que significa "mau pico", em função do
sabor áspero e amargo típico do encontro desta variedade com
este terroir.

O cacho desta uva é de tamanho médio, cônico, com bagos


médios em forma de esferas, preto-azulados e de polpa macia. O vinho resultante muitas vezes é levemente
encorpado, com taninos suaves e notas florais e meio picantes. Seu aroma remete a ameixa, cassis, cerejas e
violetas. O envelhecimento em barril dá notas de couro, baunilha e chocolate.

Os diferentes vinhos Malbec da Argentina

A Malbec, cultivada na França, África do Sul, Chile, Austrália, EUA..., encontrou na Argentina, sem dúvida, sua
melhor expressão. Ou melhor, suas melhores expressões.

Por que insistimos em afirmar que a Argentina produz diferentes vinhos Malbec? Porque a Argentina tem
várias províncias produtoras de vinho, cada uma com seu tipo de clima e solo particulares, que produzem uvas
Malbec distintas, e, por sua vez, vinhos Malbec absolutamente distintos.

Em grandes linhas, podemos dizer que ao norte do país, principalmente em Salta, vamos encontrar
um Malbec vermelho escuro, quase negro. Esse Malbec é encorpado e com aromas muito concentrados, em
função da grande quantidade de horas de sol, da altitude de até 3.000 metros, e das altas temperaturas, que
favorecem o desenvolvimento de bagos com alta concentração de açúcar (que se transforma em álcool) e
pouca concentração de água. Dessa forma, encontramos nos Malbec do norte da Argentina, geralmente, um
alto teor alcoólico e uma acidez que varia, de baixa a média.

A região central do país, principalmente Mendoza, é a área preferida desta cepa. Lá se encontram os
Malbec mais equilibrados, ideais para guarda. Nesta região, a uva conta com uma grande amplitude térmica
entre o dia e a noite, durante todo seu período de amadurecimento, garantindo maior complexidade ao vinho.
Os Malbec de Mendoza geralmente possuem açúcar e acidez equilibrados, aromas próprios da cepa e
características adicionais específicas do terroir.

Mas como a Argentina realmente é especialista no assunto, ainda temos mais. A Patagônia, no sul do
país, tem elaborado vinhos cada vez melhores, de uma cor vermelha não tão escura, fáceis de beber, com
uma acidez marcante que remete mais ao estilo europeu de vinho, com incríveis aromas de frutas vermelhas.

Enfim, essas três grandes regiões diferenciam-se entre si por seus solos, quantidade de horas de sol durante o
ano, média de chuva, altitude, temperatura, amplitude térmica (variação entre dia e noite), geadas... E como
esses são fatores que influenciam o ciclo anual da videira, influenciam também o resultado final obtido em
seus vinhos, fazendo que, por mais que sejam todos Malbec, encontremos diferenças marcantes entre eles em
acidez, suavidade e doçura, graduação alcoólica, aromas, corpo, adstringência...

Na realidade, não há dois vinhos iguais. Nem mesmo duas garrafas, do mesmo vinho, são iguais com o passar
do tempo, pois suas condições de armazenagem, por exemplo, garantem envelhecimentos diferentes. E isso
talvez seja o mais fascinante dos vinhos: a metamorfose.
Zinfandel ou Primitivo
Categoria: cepas

Para começar a falar dessa cepa, primeiro vamos esclarecer: a Zinfandel e a Primitivo são a mesma uva.
Assim como Crljenak kaštelanski, uma antiga variedade da Croácia, da qual as duas descendem.

A OIV classifica os 3 nomes como sinônimos, utilizados conforme a localização geográfica, sendo, por
exemplo, Primitivo o nome utilizado na Itália, e Zinfandel, nos Estados Unidos.

Se elas não são absolutamente, ou rigorosamente iguais, também não são diferentes o suficiente para se
caracterizar uma nova cepa. Geneticamente, elas são extremamente semelhantes, podendo ser consideradas
simplesmente subtipos genéticos que ocorrem naturalmente, em função da alta adaptabilidade das uvas ao
ambiente. Essa teoria foi confirmada, nos anos 1990, por um estudo genético realizado por Carole Meredith,
da Universidade da Califórnia.

Como nos Estados Unidos, as leis de rotulagem por enquanto não permitem a substituição de um termo pelo
outro, então, é possível encontrar vinhos de corte cuja combinação de uvas descrita é Zinfandel e Primitivo.
Curioso, não?

A Zinfandel, ou a Primitivo (como queira), não é uma uva de fácil cultivo. O tamanho dos azulados bagos varia
muito, inclusive em um mesmo cacho. É necessária certa experiência para lidar com o amadurecimento dessa
cepa, nessas condições.
Essa variedade parece um camaleão, podendo ser utilizada para a produção de vinhos brancos, rosés, tintos e
até mesmo fortificados. O estilo mais conhecido é o tinto: encorpado, de profunda coloração, muito frutado,
com aromas de frutas silvestres e notas incrivelmente apimentadas. Um excelente acompanhamento para
pratos elaborados com carne de porco, e para salames em geral.

Outro estilo que merece destaque é o rosé, que nos Estados Unidos é chamado de White Zinfandel, ou Blush.
Esse é um vinho bem recomendado para peixes ou então massas com molho à carbonara. Mas alguns
especialistas torcem o nariz para esse vinho, considerando-o “fácil demais”. Uma pena.

Para encerrar, que tal ler sobre a denominação Primitivo di Manduria, uma das manifestações mais
interessantes dessa uva? Para ler, clique aqui.

Cepas, seus sabores, seus aromas


Categoria: cepas

O vinho é uma combinação de cepa, terroir, e da assinatura pessoal do produtor. Mas é possível ter uma ideia
do que nos espera, a partir da variedade de uva do vinho. Por exemplo, um pinot noir, muitas vezes, tem
sabores de frutas vermelhas, enquanto um cabernet sauvignon, muitas vezes, tem gosto de frutas mais
escuras, como amoras ou groselhas.

Varietais Tintas Sabor e Aroma


Aglianico Alcatrão e cereja caramelizada
Baco Noir Frutas vermelhas, couro e especiarias
Barbera Ameixa e cereja vermelhas
Cabernet Franc Framboesas maduras, lascas de lápis recém-apontado e ervas; também chamada de Breton
Cabernet Sauvignon Amoras pretas, cedro e frequentemente um toque de menta ou eucalipto
Canaiolo Cannonau Morango e couro
Carignan Ervas, amoras e especiarias Ameixas pretas e pimenta-do-reino
Carmenère Cereja e ameixa preta
Cinsault Mirtilo, amoras pretas, carne vermelha
Corvina Cereja e amêndoas
Dolcetto Ameixa, frutas vermelhas, amêndoas amargas
Dornfelder Pimentão vermelho e frutas vermelhas
Gamay Framboesas maduras, morangos e frequentemente banana
Gamay Beaujolais Framboesas; essa uva é um clone da Pinot Noir
Frutas vermelhas muito maduras, carne vermelha e pimenta-do-reino preta; também chamada de
Garnacha
Grenache
Grolleau Frutas vermelhas; também conhecida como Groslot
Lambrusco Morango e cereja
Malbec Amora, ameixa preta, frutas secas; também conhecida por Cot ou Auxerrois
Merlot Chocolate escuro e cereja
Monastrell Amoras pretas e caça
Montepulciano Amoras pretas e cereja
Mourvedre Amoras pretas, caça e couro
Napa Gamay Frutas vermelhas e violeta; também conhecida por Valdiguié
Nebbiolo Rosas e alcatrão
Petit Syrah Groselha; não é relacionada à Syrah
Petit Verdot Pimenta-do-reino preta, especiarias e cassis
Framboesas maduras e morangos precoces em conserva; com o envelhecimento, sofrem uma
Pinot Noir mudança dramática, adquirindo os sabores de suco de carne caramelizado, curral de fazenda e
trufas
Pinotage Alcaçuz e frutas vermelhas
Portugieser Frutas vermelhas
Sangiovese Shiraz Cereja
Amoras pretas, pimenta-do-reino preta, chocolate escuro e enfumaçado; também conhecida como
Shiraz
Syrah
Tannat Framboesa e couro
Tempranillo Morango e chocolate escuro
Teroldego Frutas vermelhas e alcatrão
Tinta Barroca Cereja e cogumelos brancos
Tinta Roriz Frutas vermelhas e florais
Touriga Nacional Frutas vermelhas maduras e rosas vermelhas
Trollinger Frutas vermelhas e florais
Zinfandel Amoras, mirtilo, pimenta-do-reino

Varietais Brancas Sabor e Aroma


Albariño Maçã Granny Smith (cor verde) e ervas
Aligoté Toques de pêssego e frutas secas (nozes, amêndoas)
Maçã. Não confundir com a Auxerrois Gris, da Alsace, ou a tinta Auxerrois, de Cahors, na
Auxerrois Neutra
França
Bacchus Floral e maçã Golden (vermelha)
Chardonnay Chasselas Frutas cítricas e maçã
Chasselas Neutra com toques de maçã verde e pêssego
Chenin Blanc Florais, mel e grama molhada
Clairette Pêssego e melão
Colombard Limão e pêssego
Cortese Mineral e limão Taiti
Fiano Avelãs e florais
Furmint Maçã e mel
Gewürztraminer Lichia e rosas
Greco Limão Taiti e ervas
Grüner Veltliner Limão Taiti
Kerner Limão Taiti, minerais e ervas
Macabeo Florais e frutas secas (nozes, amêndoas); conhecida também como Viura
Malvasia Frutas cítricas, almíscar e amêndoas
Marsanne Abacaxi, marzipã e caramelo
Mauzac Casca de maçã
Müller-Thurgau Florais e ervas
Muscadelle Uvas maduras e florais
Muscadet Neutra com toque de limão
Muscat Uva madura e laranja; conhecida como Moscato, na Itália, e Moscatel, na Espanha
Nuragus Limão
Parellada Maçã verde e grapefruit
Pinot Blanc Maçã, pêssego branco maduro; também conhecida como Clevner ou Klevner
Aromas neutros com um toque leve de limão, florais; também conhecida como Pinot Gris na
Pinot Grigio
França, onde, devido à colheita tardia, desenvolve aroma e sabor acentuado
Pêssego picante; conhecida como Auxerrois Gris e Tokay na Alsace; Rulander na Alemanha;
Pinot Gris Pinot Grigio na Itália. Quando cultivada na Itália, é colhida precocemente antes de desenvolver
um sabor acentuado
Riesling Limão Taiti, rochas e florais; uma vez maduros, os Rieslings lembram o cheiro da gasolina
Rolle Frutas secas (nozes, amêndoas), cítrica
Roussanne Damasco
Rülander Pêssego picante
Limão Taiti, aspargos e gooseberries (fruta vermelha, selvagem, lembra a mistura de abacaxi e
Sauvignon Blanc
morangos); também conhecida como Fumé Blanc
Scheurebe Grapefruit e pêssego
Sémillon Creme de limão
Sevyal Blanc Grapefruit
Silvaner Neutra, com toque de maçã verde
Torrontés Pêssego e florais
Trebbiano Ácida e muito neutra, com toques leves de limão; conhecida como Ugni Blanc
Verdejo Limão azedo, ervas e frutas secas (nozes, amêndoas)
Verdicchio Florais e toques de amêndoas
Verduzzo Cítrica, abacaxi e mel
Vidal Damascos e mel
Viognier Pêssego e pera
Xarel-Io Florais e damascos
Tempranillo
Categoria: cepas

Essa é a uva mais ilustre da Espanha, responsável pelos famosos vinhos de Rioja e de Ribera del Duero. Essa
é a Tempranillo.

O nome
Essa é uma das uvas que primeiro amadurece. Ela brota, floresce e amadurece, por exemplo, duas semanas
antes que a Garnacha, sua companheira espanhola em muitos vinhedos e vinhos. E o nome Tempranillo vem
justamente desse amadurecimento precoce. Precoce, adiantado, antecipado, prematuro, em espanhol, é
“temprano”. Se quiser saber a origem do nome de outras uvas, clique aqui, aqui e também aqui.

Outros nomes

A Tempranillo também é conhecida, na Espanha, como Ull de Llebre, Tinto Fino, Tinta del País, Tinta de Toro, e
Cencibel. Em Portugal, a Tempranillo ganha os nomes Tinta Roriz e Aragonez. Nos Estados Unidos, é comum
referirem-se à Tempranillo como Valdepeñas, que na verdade é uma denominação de origem espanhola, na
qual a Tempranillo é a variedade cultivada mais importante. Todos esses são sinônimos reconhecidos, pela
OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho), para Tempranillo.

A uva e o vinho

Cepa de casca grossa, bagos pequenos e escuros, que sinalizam o seu potencial para vinhos com bons níveis
de taninos, e sabores complexos. Os vinhos produzidos à base de Tempranillo apresentam uma cor vermelha
rubi, principalmente quando jovens. Mas esses são vinhos com grande potencial de desenvolver-se com o
envelhecimento, principalmente devido ao fato da uva Tempranillo ser particularmente resistente à oxidação.
Ah, é bom lembrar que a Tempranillo também produz excelentes rosés, em versões secas, leves e frutadas.
Os aromas e sabores

Os aromas mais comuns em vinhos produzidos com a Tempranillo são morango, mirtilo, framboesa, amora,
groselha preta, cereja, ameixas... Mas nesses vinhos também observamos notas de baunilha, ervas secas,
cravo, canela, menta, couro, tabaco, chocolate escuro...

Onde encontrar

Muito comum em varietais, a Tempranillo também é uma uva presente em vinhos de corte, e seus parceiros
mais comuns são Granacha, Cariñena e Graziano. Ah, e ela também é uma das uvas que compõe os cortes
portugueses de vinho do Porto. Além da Espanha e de Portugal, outros países que cultivam a Tempranillo, com
sucesso, são EUA, Austrália, Chile, Argentina, México, Brasil...

Como combinar

Para desfrutar o melhor que um Tempranillo tem a oferecer, harmonize-o com carne de porco, ou carne de
cordeiro. Esse vinho é uma excelente sugestão para acompanhar a espanhola paella, principalmente nas
versões que levam frango ou linguiça. Também é um ótimo vinho para pratos ricos em especiarias e pimentas.

A lenda

Dizem que a Tempranillo chegou até o norte da Espanha pelo famoso Caminho de Santiago, levada por
monges peregrinos que saíram da Borgonha, rumo a Santiago de Compostela. Segundo a lenda, a Tempranillo
seria uma mutação genética da Pinot Noir levada pelos monges. Mas essa é somente uma história pitoresca e
fantasiosa, porque pesquisas ampelográficas atestaram que não há ligação genética entre as duas cepas, e
acredita-se que a Tempranillo seja uma uva realmente nativa do norte da Espanha, onde tem sido cultivada há
mais de 3.000 anos.

Tempranillo. Muito prazer em te conhecer!

Sémillon
Categoria: cepas

Apesar de não ser tão famosa quanto Chardonnay ou


Sauvignon Blanc, esta é a uva branca mais plantada em
Bordeaux. Um bom motivo para conhecê-la melhor...

Muito suscetível à podridão nobre causada pelo fungo


Botrytis cinerea, que desidrata as uvas concentrando
açúcares, a Sémillon produz famosos vinhos de sobremesa
na região de Bordeaux, particularmente em Sauternes. Se
quiser ler mais sobre Sauternes, cliqueaqui.

Além disso, a cepa descobriu seu segundo lar na Austrália, em Hunter Valley, onde tem sido cada vez mais
utilizada em varietais soberbos, secos e ideais para a guarda.

Apesar de tão suscetível ao Botrytis, Sémillon é uma cepa bastante resistente a doenças, e relativamente fácil
de cultivar.

Os bagos possuem pele grossa e dourada, podendo assumir um tom rosado ou de cobre no tempo da
colheita. É uma uva que demora a brotar, mas que amadurece relativamente cedo.

Os aromas frutados que costumam ser associados à Sémillon são maçã, pera, limão, nectarina, uva, melão e
figo, além dos condimentados açafrão, e ervas secas. Versões afetadas pela podridão nobre apresentam
damasco, marmelo, pêssego, mel, abacaxi e caramelo.

Mas o fato é que a Sémillon tende a ser mais modesta, tanto em acidez como em compostos aromáticos.
Provavelmente foi o que desencadeou sua maior parceria, no mundo do vinho, em cortes com a Sauvignon
Blanc.

Em compensação, Sémillon oferece cremosidade em sua textura de seda, que com a passagem pelo carvalho
faz surgir aromas de manteiga, creme de leite, baunilha e fumo. Com a idade, inclusive, pode assumir notas de
avelã.

Para experimentar vinhos produzidos com Sémillon, harmonize versões secas com um frango assado
temperado com ervas, ou então com frutos do mar. Já os vinhos de sobremesa ficam ainda mais incríveis
quando acompanhados, por exemplo, por um tradicional pudim de leite.

É, a viagem pelo mundo dos vinhos é longa. Mas é extremamente prazerosa...

Shiraz
Categoria: cepas

Para os franceses, Syrah. Para os australianos, Shiraz. Chame-a como


quiser. Mas desfrute seus prazeres.

Essa é uma das cepas mais antigas que conhecemos. Em contrapartida,


uma das mais interessantes, da atualidade.

Dizem que essa é uma cepa nativa do Rhône. Mas outros dizem que
não, que essa uva foi trazida do Oriente Médio por um cavaleiro das
Cruzadas, e que é nativa da cidade iraniana de Shiraz, daí seu nome.
Há uma lenda, também, que diz que seu nome refere-se à expressão
“Darou-é-Shah”, que quer dizer o remédio do rei. Aliás, se quiser ler mais sobre a origem do nome de algumas
castas, clique aqui.

No Rhône, essa é a principal cepa, presente em varietais e em famosos cortes. Na Austrália, é um ícone. Mas,
além disso, é amplamente cultivada, em muitas outras regiões do mundo, como a francesa Provence, a África
do Sul, a Califórnia... Na realidade, é uma cepa cultivada em praticamente todos os países produtores de
vinho.

As vinhas dessa uva tendem a crescer de forma abundante, o que exige muito controle pelo viticultor, que
deve realizar podas para concentrar o sabor das uvas.

Mesmo a maioria dos vinhos produzidos à base de Syrah sendo tintos secos, é possível também encontrar
essa uva em espumantes, rosés, e até em vinhos de sobremesa.

Essa uva é muito influenciável pelo terroir, adquirindo sabores e características bem diferentes, dependendo
de onde é cultivada. Apreciadores de vinhos costumam gostar de Syrah, ou Shiraz, de estilos variados.

O típico Syrah do Velho Mundo é medianamente escuro e tem um sabor concentrado, muitas vezes com notas
de terra. Esse costuma ser um vinho denso, esfumaçado e herbáceo.

Já os exemplares do Novo Mundo em geral são mais escuros, mais opacos, mais alcoólicos, mais frutados e
com taninos mais intensos.

Os aromas mais frequentemente associados à Shiraz são framboesa, amora, ameixa, cereja, groselha,
pimenta, canela, cravo, chocolate, baunilha, café, couro, fumo, menta, anis, flores selvagens e violetas.

As melhores harmonizações de um Shiraz acontecem com carne bovina, cordeiro, vitela, carne de porco e
queijos duros e semiduros. Temperos fortes, como alho, cebola, pimenta, mostarda, alecrim, tomilho e louro,
também são bons parceiros.

E, independente da harmonização, o melhor parceiro para esse vinho, sem dúvida, somos nós!

Sauvignon Blanc
Categoria: cepas

A sauvignon blanc é uma variedade de uva versátil, com vinhos brancos,


geralmente secos, maravilhosos para harmonizar uma refeição, ou para
serem servidos como aperitivo. É uma variedade aromática que pode ter
sabores agressivos e acidez refrescante.
Estudos genéticos provaram que a sauvignon blanc, uma variedade branca, é parente da cabernet sauvignon,
uma uva vermelha. Essa cepa é originária de Bordeaux e do Vale do Loire, na França, onde faz os deliciosos
Sancerre e Pouilly Fumé. Fora da França, os Sauvignon Blancs mais bem-sucedidos são os da Nova Zelândia,
Austrália, Chile, Califórnia e África do Sul.

Essa é uma das uvas mais plantadas ao redor do mundo, muito utilizada em varietais, mas também comum
em cortes com a Sémillon, a exemplo de Bordeaux.

O estilo de sauvignon blanc, apreciado no mundo inteiro, é produzido em tanques de aço, resfriados para
preservar o frescor das uvas. Mas parte dos vinhos é fermentada e/ou envelhecida em carvalho, para deixar a
textura mais redonda e cremosa, acrescentando nuances de baunilha, fumaça e especiarias.

Quando em contato com barris de carvalho, como os californianos rotulados como Fumé Blanc, tornam-se
excelentes harmonizações para frango, carne de porco e peixe. Quando mais cítricos, como os picantes
produzidos na Nova Zelândia, que às vezes somam maracujás e pêssegos ao conjunto de aromas e sabores,
são ótimos para harmonizar frutos do mar. Quando mais herbais, como os chilenos, são excelentes escolhas
para acompanhar qualquer tipo de legume ou temperos ricos em ervas.

Ao contrário da Chardonnay, a Sauvignon Blanc apresenta aromas e sabores distintos e precisos, que são
mais fáceis de identificar, e que idealmente devem ser apreciados a uma temperatura de 8°C. Mas a influência
do carvalho reduz a nitidez dessa uva, criando um vinho que, ironicamente, se aproxima mais do Chardonnay,
e que é ainda melhor se servido a aproximadamente 11°C.

Sauvignon Blanc, que significa “branco selvagem”, é o tipo de uva que oferece uma aventura única no campo
da degustação de vinhos! Muito difícil de resistir!
Pinot Noir
Categoria: cepas

Borgonha produz vinhos lendários, em regiões


vinícolas notórias, como Clos de Vougeot,
Romanée-Conti, La Tache, Chambertin e Le
Musigny. Todos os grandes vinhos borgonheses
têm uma coisa em comum: Pinot Noir, uma das
uvas mais antigas da França, e considerada, por
muitos, a mais elegante.

Além de ser a grande uva tinta da Borgonha,


responsável por lendários vinhos como o “La
Romanée-Conti”, a Pinot Noir também é a base
do Champagne.

É considerada uma uva camaleão, muito


sensível às alterações de solo e de clima, podendo apresentar enormes variações entre terroirs e safras
diferentes. Em climas frios rende mais acidez e aromas; em climas quentes tende a gerar vinhos flácidos, às
vezes macios demais.

A região de Côte de Nuits, na Borgonha, estabeleceu o padrão para os vinhos pinot noir: tintos de corpo médio
a cheio e textura suave, não tão “noir” como o nome sugere. Já os vinhos Pinot Noir do Novo Mundo
costumam ser mais maduros, variando de medianos a encorpados, com boa persistência no palato e grande
sabor. Mesmo sendo muito sensível às condições de cultivo, é possível encontrar, fora da Borgonha, bons
Pinot Noirs na Itália, Nova Zelândia, Austrália, Califórnia, Oregon, Chile...

Um Pinot Noir tem cor típica clara, e seus aromas mais comuns são cereja, amora, framboesa, especiarias,
ervas e flores. Com a idade ressalta toques animais, couro e cogumelos secos. Mas é difícil definir um gosto
típico de Pinot Noir, justamente por depender muito do terroir do qual foi extraída, e do seu processo de
vinificação.

Famosas pelas cascas finas, que contribuem para a coloração vermelha menos intensa dos vinhos e seus
sabores mais delicados, as uvas Pinot Noir são bastante vulneráveis a mofo e apodrecimento durante a
temporada de cultivo.

Os melhores Pinot Noir são resultado de baixa produtividade por hectare, com podas reduzindo o número de
cachos por parreira, gerando um sabor mais expressivo.

Você pode encontrar dicas de harmonização para Pinot Noir clicando aqui.

Riesling
Categoria: cepas

Uma das principais uvas de vinho branco do mundo, a mais


importante da Alemanha, às vezes incompreendida e
injustiçada... Riesling, responsável por alguns dos melhores,
mais complexos e mais longevos vinhos brancos!

Considerada nativa da Alemanha, a Riesling é uma cepa


cultivada há milhares de anos. É uma uva que resiste ao frio do
inverno, e que sobrevive às geadas que aniquilam outras
variedades.

O fato é que esses vinhos vivem em uma corda bamba,


equilibrando doçura e acidez, para serem, ao mesmo tempo,
delicados e complexos. Sejam secos, ou com um pequeno grau de açúcar residual, são vinhos cheio de
energia, que estimulam os nossos sentidos.

Com Riesling também são produzidos alguns dos melhores vinhos de sobremesa que alguém pode desejar.
Vale a pena conhecer os Beerenauslese, de colheita tardia, os Trockenbeerenauslese, produzidos com uvas
botritizadas, e os Eiswein, ou vinhos de gelo. Quer ler mais sobre vinhos de gelo? Clique aqui.

Os aromas tipicamente associados ao Riesling são mel e os frutados de pêssego, damasco, maçã verde, pêra,
laranja e limão. Entre os florais, destacam-se jasmim, rosa e orquídea. Também é comum a percepção de
aromas mineirais, e até de notas químicas, como petróleo.

Esses vinhos envelhecem bem, principalmente os estilos de sobremesa, que desenvolvem uma riqueza suave
de castanhas, com o tempo. É muito comum não passarem por barris de carvalho, preservando toda a
expressividade natural da uva.

Os mais conceituados Rieslings do mundo estão na Alsácia e na Alemanha. Mas Áustria, Estados Unidos,
Canadá e Austrália também produzem excelentes exemplares, que merecem a nossa atenção.

E você sabe como harmonizar um bom Riesling? Peixes e frutos do mar em geral; inclusive, e especialmente
sushi. Aves e carne de porco também são boas combinações. Experimente, também, com tudo aquilo que é
picante e condimentado, como wasabi e pimenta jalapeno.

Ah, e se você quiser ler mais sobre os vinhos provenientes da Alsácia, clique aqui.

Um brinde!

Nebbiolo
Categoria: cepas

De onde vem essa uva? Da Itália. E de onde vem esse nome? É uma referência ao nevoeiro que se instala
nas vinhas das colinas do Piemonte, durante o período da colheita. Nebbia, em italiano, quer dizer névoa, ou
nevoeiro.

Se gostou dessa curiosidade, e quiser saber o porquê do nome de outras uvas, clique aqui.

Os vinhedos da Nebbiolo estão entre os primeiros a brotar, mas a uva é uma das últimas a amadurecer. Além
disso, as vinhas são bastante exigentes em relação ao solo, precisando de boa drenagem, e também em
relação ao Sol, precisando de muita exposição.

Apesar do interesse de produtores de diversas partes do mundo, a Nebbiolo é pouco cultivada em outros
locais, por ser muito sensível às variações de solo e clima. Não é nada fácil encontrar bons exemplares de
vinhos produzidos com Nebbiolo fora de sua terra natal, no noroeste da Itália. Mas existem algumas poucas e
boas tentativas, principalmente no continente americano.

A Nebbiolo é uma cepa de pele escura, eventualmente também conhecida como Spanna, Prunent, ou
Chiavennasca.

Naturalmente vigorosa, a vinha da Nebbiolo precisa de muito cuidado por parte do viticultor, com a poda
necessária para que fortaleça os frutos e concentre sabores e aromas.

Nebbiolo dá origem a vinhos tânicos, alcoólicos, de boa acidez e excelente capacidade de envelhecimento,
mas nem sempre com muita cor. Mesmo mediante pouco envelhecimento, esse vinho já apresenta uma borda
com um tom alaranjado de tijolo. É um vinho relativamente fácil de ser reconhecido pela cor, aliás.

Quando jovem, um vinho produzido com Nebbiolo pode ter aromas florais, como violetas e rosas. Com a
idade, esse vinho desenvolve couro e especiarias, com nuances de cogumelos, ervas e cereja escura.

As denominações mais famosas que utilizam Nebbiolo em seus vinhos são as de Origem Controlada e
Garantida Barolo e Barbaresco. Mas outras denominações também merecem atenção, como as DOCG
Gattinara e Roero.

Para experimentar um vinho Nebbiolo, sirva-o a aproximadamente 16°C, e harmonize-o com uma salada de
carpaccio, rosbife mal passado, ou então com massa em um suculento molho à bolonhesa.

Deguste um Nebbiolo, e sinta-se no Piemonte...

Moscatel
Categoria: cepas
Muscat, Moscato, Moscatel. Certamente você já ouviu falar dessa uva. Mas está na hora de entendê-la.

Moscatel é uma família de uvas que talvez estejam entre as mais antigas da história. E, sejam tintas ou
brancas, as uvas desta família têm um ponto em comum: são muito aromáticas.

Os aromas da Moscatel remetem a frutas como damasco, pêssego, nectarina e laranja, mas também a rosas,
jasmins, a mel... Mas uma peculiaridade da Moscatel é produzir vinhos que, curiosamente, trazem aromas de
uvas. O único aroma de fruta que raramente se encontra em um vinho é justamente o aroma de uva, sabia?
Para ler mais sobre esse assunto, clique aqui.

Além de vinhos secos, mais raros, as uvas Moscatel são muito utilizadas para produzir vinhos de sobremesa
como o francês Muscat-Beaumes-de-Venise e os espanhóis Moscatel de Málaga e Jerez. As uvas Moscatel
podem atingir elevados teores de açúcar, nas áreas mais quentes.

A Moscatel produz também espumantes, como o Moscato d’Asti (um espumante de baixa pressão, tipo
frisante) e, inclusive, muitos dos espumantes nacionais. A Moscatel, é, de fato, uma das uvas de maior
destaque no cultivo nacional de variedades viníferas.

A seguir, algumas das variedades de Moscatel mais conhecidas, dentre as centenas que compõem essa
família, e seus sinônimos:

Moscatel Branca, ou Moscatel Branca de Pequenos Bagos

Moscatel da Alexandria ou de Setubal, Zibibbo ou Moscatel Gorda Branca

Moscatel Rosa, Muscat Rosé ou Muscat Rouge

Moscatel Negra, Black Muscat, ou Moscatel de Hamburgo

Moscatel Laranja, Moscatel Flor de Laranja, ou Moscatel de Jesus


Moscatel Ottonel

Para harmonizar um vinho à base de Moscatel, escolha um prosaico bolo de baunilha, uma salada de frutas,
ou um creme de papaia. Mas você não vai se arrepender se optar por um Moscato d’Asti, ou um Muscat-
Beaumes-de-Venise, se a sobremesa for mousse de chocolate, ou petit gateau... Na realidade, dificilmente
você vai se arrepender se optar por um Moscatel...

Chenin Blanc
Categoria: cepas

Nativa do Vale do Loire, a Chenin Blanc é uma uva cultivada mundo afora...

E, apesar de originalmente francesa, essa cepa é considerada uma especialidade dos sul-africanos. É
cultivada na África do Sul desde os tempos coloniais, e responde por cerca de 20% dos vinhedos do país,
onde também é chamada de Steen.

Mas Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Brasil, Uruguai e México são exemplos de outros países
que também cultivam Chenin Blanc.

Essa variedade é como um camaleão, podendo assumir características muito específicas, e diferentes,
conforme seu terroir. Em climas quentes, aproxima-se mais da Chardonnay, da Viognier e da Torrontés. Em
climas frios, da Sauvignon Blanc, da Alvarinho e da Pinot Grigio. Para ler mais sobre o conceito de terroir,
clique aqui.

O estilo de vinhos produzidos com a Chenin Blanc também varia, de secos a deliciosos vinhos de sobremesa,
passando inclusive por espumantes. Mas sempre com uma acidez que oscila de média a alta.

Chenin Blanc é uma cepa usada tanto em vinhos varietais, como em vinhos de corte. Na África do Sul, por
exemplo, muitas vezes é cortada com Sémillon, Viognier e Marsanne em vinhos mais encorpados, e com
Sauvignon Blanc em vinhos mais secos. Em Languedoc, na França, a Chenin Blanc é cortada com
Chardonnay e Mauzac, na produção de vinhos espumantes.

Colhida precocemente, a Chenin Blanc pode remeter a maracujás, enquanto o amadurecimento a aproxima
dos pêssegos. Os aromas frutados e florais, com notas de nozes, são os mais frequentes nos vinhos de
Chenin Blanc. Degustadores costumam identificar as frutas damasco, melão, maçã verde, ameixa verde,
marmelo, limão, lima e toranja, além de flores silvestres, mel, amêndoas e marzipan.

Para degustar um Chenin Blanc, escolha a harmonização com frutos do mar, frango ou peru. Presunto ou
bacon também são boas ideias para combinar com esses vinhos.

Amplie seus horizontes no mundo dos vinhos, degustando Chenin Blanc.

Merlot
Categoria: cepas
A palavra “merlot” significa pequeno “merle”, ou melro, em francês, que é um pequeno pássaro preto, comum
na Europa. A origem do nome talvez esteja na comparação da cor preto-azulada das uvas maduras com a
dessa ave, ou na forma como os melros gostam de comer essas uvas antes da colheita. Na realidade, melros
são considerados, pelos enólogos, como uma das pragas da vinha.

Os vinhos Merlot são apreciados por sua textura macia, e também pela parceria com Cabernet Sauvignon em
alguns dos melhores vinhos tintos do mundo. A maciez e a doçura da Merlot ajudam a equilibrar os traços mais
fortes das outras uvas.

O tamanho dos bagos, acima da média, é responsável por uvas de taninos médios, quando comparada a
outras uvas tintas. Mas, apesar do caráter suave, textura lisa e macia, Merlot tem cor vermelho vivo. Se quiser
ler mais sobre taninos, clique aqui.

Os aromas típicos de um vinho à base de Merlot são os frutados de amora, morango, framboesa, cereja,
ameixa, groselha e figo, os florais de rosas e violetas, os derivados de carvalho, como cedro, cacau, tabaco,
baunilha e fumaça, os herbais, como menta e louro, e os de especiarias, como canela, cravo, alcaçuz e café.
Algumas vezes, encontramos Merlot com aromas de frutas cristalizadas, ou bolo de frutas.

Merlot é um vinho produzido em muitos países. Os apreciadores desse vinho não podem deixar de
experimentar as versões francesas de Bordeaux (como Pomerol) e de Languedoc-Roussillon, as italianas da
Toscana e da Campania, as da Califórnia, da Austrália, do Chile e da Argentina. Esses são, sem dúvida, os
produtores dos melhores Merlot do mundo.
Os vinhos Merlot de climas mais quentes, como os da Califórnia, Austrália e Argentina costumam ser mais
frutados e menos tânicos. Por vezes, é conferida mais estrutura a esses vinhos, por meio do amadurecimento
em carvalho.

Já os Merlot produzidos em climas frios, como os da França, Itália e Chile, costumam ser um pouco mais
estruturados, com uma presença um pouco maior de taninos, sendo algumas vezes até confundidos com
Cabernet Sauvignon. Se quiser entender mais sobre esse conceito de vinhos de clima frio, clique aqui.

Sendo Merlot um vinho que fica no meio-termo entre a leveza do Pinot Noir e a potência do Syrah, ele oferece
muitas possibilidades de harmonização.

Carnes de vaca, de porco e de cordeiro acompanham bem esse vinho, assim como frango e pato. Também é
uma boa escolha para queijos, indo bem com os cremosos brie e camembert, com os semiduros emmental,
gouda e gruyère, e com os de casca dura como cheddar e parmesão.

Aposte em Merlot para acompanhar feijão branco. Temperos como cebola, alho, alecrim, hortelã e erva doce
se destacam com esse vinho. Outras alternativas são cogumelos, tomates secos, berinjelas e beterrabas, além
de bacon e mostarda Dijon.

Por via das dúvidas, evite Merlot com peixes, folhas verdes cruas, e comidas picantes.

Oportunidades não faltam para desfrutar esse vinho considerado mais feminino, com textura macia e suave,
rico em aromas frutados. Sedutor, não é?
Gamay
Categoria: cepas

Uma uva tinta de pele escura, famosa por


produzir vinhos de estilo leve. Assim é a
Gamay. Como se pronuncia? Para dizer
Gamay, diga Gamê.

Essa uva pode ser encontrada, também, pelos


nomes Gamay Beaujolais, Gamay Noir e
Jurançon Noir, todos reconhecidos pela
Organização Internacional da Vinha e do
Vinho.

A origem da Gamay é às vezes creditada à


Alemanha, mas sua casa, é sem dúvida, em
Beaujolais, na França, onde chegou,
provavelmente, no século 14. Na França, é
também bastante cultivada no Vale do Loire.

E, enquanto na França a Gamay é vinificada


sozinha, já na Suíça, por exemplo, ela é
cortada com a Pinot Noir (com quem tem um
parentesco, comprovado em testes de DNA). Outros países a cultivarem essa cepa são Canadá, Estados
Unidos, Itália, Nova Zelândia, Austrália, Croácia...

A videira da Gamay é vigorosa e muito produtiva, o que inclusive foi motivo de certa desconfiança em relação
à cepa, na Borgonha. E é também uma planta que brota e amadurece precocemente.

Os vinhos produzidos pela Gamay são reconhecidamente de caráter frutado. Os aromas comuns são cerejas
vermelhas e morangos, às vezes com notas de banana e até de chiclete. Quando cultivada em solos de
granito, a Gamay pode também remeter a framboesas e pimentas.

A boa estrutura de ácidos e a baixa quantidade de taninos faz com que esses sejam vinhos ideais para serem
consumidos jovens. Mas existem exceções. Os Crus de Beaujolais, por exemplo, podem envelhecer bem por
até uma década. Aliás se quiser ler mais sobre a denominação Beaujolais, clique aqui.

A uva Gamay, em si, na realidade tem alta concentração de taninos. Por isso, algumas versões desse vinho
podem, sim, ser bastante robustas, mesmo que essa não seja a “tradição”.

Quer uma boa dica de harmonização para degustar um vinho produzido com a Gamay? Peru assado, ou
então, salmão grelhado. Aliás, para quem não abre mão de vinhos tintos, com peixe, Gamay é sempre uma
boa opção!
E a melhor temperatura para servir esse vinho? Entre 9 e 11°C.

O que está faltando? Nada. Só brindar.

E, se quiser entender melhor o conceito de uma Denominação de Origem, como Beaujolais, clique aqui.

Gewürztraminer
Categoria: cepas
Uma variedade de nome difícil, de pele grossa e rosada, e que está por trás de alguns dos vinhos mais
aromáticos de todo o mundo. Produz desde líquidos secos até excelentes doces. Além disso, uma uva que
provoca reações extremas, mas nunca indiferença...

Gewürz, em alemão, significa tempero. Essa é uma referência ao caráter picante e aromático desta cepa, e de
seus vinhos.

Os aromas mais associados a um Gewürztraminer, em geral, são lichia e pétala de rosa, além de manga,
abacaxi, pêssego, damasco, gengibre e canela.

Essa variedade amadurece tão rapidamente, que precisa ser plantada em lugares relativamente frios. Quando
há excesso de calor no vinhedo, encontramos flacidez nesse vinho. Se quiser entender melhor o que significa
um vinho flácido, clique aqui.

Os melhores exemplos de vinhos produzidos com Gewürztraminer estão em vinhedos Grand Crus da Alsácia,
que aliás, é a região que mais cultiva essa variedade, no mundo. Mas também é possível encontrar excelentes
vinhos desta uva na Nova Zelândia, Oregon, Washington, Alemanha e no norte da Itália.

Mesmo as versões secas de vinhos produzidos com a Gewürztraminer, com baixo nível de açúcar residual,
tendem a nos dar uma sensação de doçura, principalmente em função do forte impacto aromático. As versões
doces de Gewürztraminer são elaboradas a partir de uvas de colheita tardia, atingidas ou não pela podridão
nobre, ou até mesmo congeladas no vinhedo.

Para harmonizar um Gewürztraminer, e tornar a sua degustação uma experiência ainda mais prazerosa,
experimente os sabores marcantes de uma torta de cebola ou de um frango ao curry. E sirva-o bem gelado, a
cerca de 6°C.
Se você estava, até então, entre os que torciam o nariz para a Gewürztraminer, sugerimos que dê a essa cepa
uma nova chance. Ela merece. E você, também...

Para finalizar, a grafia correta é Gewürztraminer, ou Gewurztraminer? Em português, o trema foi extinto mas
ainda pode aparecer nos nomes estrangeiros que o exijam em sua grafia. E o nome original da uva, em
alemão, prevê o uso do trema. Mas em francês, por exemplo, não. Então, escolha sua grafia preferida. Mas
não deixe de experimentar o vinho!

E, se quiser ler mais sobre a Alsácia, clique aqui. Ou então, se quiser entender melhor o significado do termo
Cru, associado a um vinhedo, clique aqui.

Chardonnay
Categoria: cepas

A rainha das uvas brancas, e uma das cepas mais


conhecidas e mais plantadas no mundo... Chardonnay!

A Chardonnay é plantada praticamente em todos os países


que produzem vinho:

Nas regiões francesas da Borgonha, de onde ela é


original, principalmente em Côte de Beaune e Chablis, nas
regiões de Champagne, da Alsácia e de Languedoc-
Roussillon.

Em diversas regiões da Califórnia, e também no


Oregon.

Na Austrália, na Nova Zelândia, no Chile...

As vinhas de Chardonnay tendem a produzir muitos cachos


de uva, e se não forem corretamente podadas, podem
prejudicar a qualidade da safra. Além disso, a fina casca da
Chardonnay a deixa bastante suscetível a mofo, bolor,
pragas e doenças, exigindo muito cuidado por parte do
produtor.

Conhecida por sua versatilidade, a Chardonnay pode fornecer vinhos muito variados, de acordo com o
amadurecimento da fruta, com as técnicas de vinificação, e com o terroir.

Em relação ao tempo de espera até a colheita, uvas menos maduras podem remeter à maçã verde e limão;
uvas mais maduras trazem aromas que lembram abacaxi e manga.

Em relação aos processos de vinificação, a passagem por madeira muda muito as características naturais do
Chardonnay, acrescentando aromas e sabores marcantes de baunilha, manteiga, açúcar caramelizado, crème
brûlée, praline...

E, no que diz respeito ao terroir, a uva Chardonnay cultivada em locais frios e amenos é leve e refrescante,
enquanto que, em locais de clima quente, desenvolve corpo e densidade exuberante.

Sendo assim, o estilo do Chardonnay produzido em Chablis, na Borgonha, e também na Nova Zelândia,
costuma ser crocante, medianamente encorpado, frutado e mineral. Já os vinhos Chardonnay da Califórnia e
da Austrália normalmente se apresentam mais encorpados, com teor alcoólico mais elevado, com madeira e
amanteigados.

Além disso, vale ressaltar que a Chardonnay é bastante utilizada na produção de espumantes, inclusive em
Champagne, onde um Blanc de Blancs é um varietal dessa uva. Se quiser saber mais sobre Blanc de Blancs,
ou Blanc de Noirs, clique aqui.

E, assim como há um Chardonnay para cada gosto, também há um Chardonnay para cada prato. Os mais
leves e mais minerais, como Chablis, que devem ser servidos a 9°C, são boas opções para ostras, risotos de
frutos do mar, camarão e lagosta grelhados, salmão, atum... Já um Chardonnay mais encorpado, e com
madeira, é um excelente acompanhamento para carne de porco, frango, salames, azeitonas..., mas não
precisa ser servido tão gelado, podendo chegar a mais ou menos 12°C.

De qualquer maneira, você pode confiar na versatilidade da Chardonnay: essa é uma uva que combina bem
com a maioria dos alimentos e dos paladares.

E, uma última curiosidade: uma pesquisa de DNA realizada na California identificou a Chardonnay como sendo
um dos resultados do cruzamento entre a Pinot e a medieval Gouais Blanc. Chique, não é?

Carmenère
Categoria: cepas

Essa variedade é conhecida como “a uva perdida de Bordeaux”.


Aliás, Carmenère era parte do corte dos vinhos de Bordeaux,
muito antes da Cabernet Sauvignon, que apareceu somente no
século 18, e da Merlot, surgida no século 19.

Após a praga da Filoxera, quando todas as vinhas europeias


precisaram ser replantadas, essa uva foi dada como extinta (se
quiser ler mais sobre Filoxera, clique aqui). Mas, felizmente, a
Carmenère foi redescoberta no Chile, em 1994, para onde havia sido levada em meados de 1800, junto com
outras variedades francesas.

Nesse tempo em que ficou obscura no Chile, foi confundida com a Merlot, tendo sido chamada de “Merlot
Chilena”. Muito do que foi engarrafado, no Chile, como um estilo particularmente picante de Merlot, antes de
1994, possivelmente continha um pouco de Carmenère.

Hoje, Carmenère é uma das assinaturas do vinho chileno. De fato, o clima desse país é muito mais adequado
para essa uva, do que o clima de Bordeuax, já que ela exige uma temporada bastante longa para amadurecer.
Apesar de o melhor Carmenère, atualmente, estar no Chile, outros produtores de destaque são a própria
região de Bordeaux, os estados americanos da Califórnia e de Washington, e as regiões italianas do Vêneto e
Friuli-Venezia Giulia.

Os vinhos produzidos à base de Carmenère têm cor escura e profunda. Os aromas remetem a frutas
vermelhas maduras e ameixas, a pimentas e especiarias, ervas e alcaçuz, pimentões e azeitonas. Quando
passam por carvalho, também trazem toques de chocolate.

Para melhor apreciar um Carmenère, escolha um grelhado picante, ou um defumado. Esse vinho é sempre
uma boa opção, também, com refeições fortes em alho, cebola ou pimenta. E é uma boa dica para
acompanhar tomates frescos e tomates secos.

Uma excelente notícia para finalizar: no Brasil encontramos excelentes Carmenères, a preços muito atrativos!

E, se quiser conhecer mais sobre vinhos chilenos, clique aqui.

O que são cepas?


Categoria: cepas

Quando o assunto é vinho, toda hora alguém fala em cepa. Afinal, o que é isso?

Diz o dicionário que cepa é, entre outras definições, o tronco da videira de onde brotam os rebentos. Mas para
nós, apaixonados por vinho, essa informação não basta.

Vamos lá, então.

Estamos no Reino Vegetal, Metaphita, Plantae ou das Plantas, caracterizado por organismos autossuficientes,
que produzem o seu próprio alimento.

Para não deixar a informação incompleta, vamos à toda classificação científica:

Reino:Plantae

Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida

Ordem: Vitales

Família: Vitaceae

Gênero: Vitis

Espécie: Vitis vinifera

Todas as uvas são da espécie Vitis vinifera? Não. Mas essa é a espécie mais amplamente utilizada na
indústria mundial do vinho. Mas existem muitas outras espécies, como Vitis labrusca, Vitis riparia, Vitis
rotundifolia, Vitis aestivalis, Vitis rupestris, Vitis amurensis, Vitis vulpina...

Mas aqui, o assunto será Vitis vinifera. As uvas da espécie Vitis Vinifera, consideradas uvas viníferas, são
muito diferentes das uvas de mesa, por exemplo, pois são menores e têm casca mais grossa e mais densa.

Pois bem. Dentro da espécie Vitis Vinifera, estão catalogadas diferentes variedades, ou cepas, ou uvas, ou
castas, ou tipos, ou cultivares. Todos esses são sinônimos.

Cabernet Sauvignon é uma cepa. Merlot é uma outra cepa. Malbec, uma outra cepa.

Existem mais de 10.000 diferentes cepas, somente dentro da espécie Vitis vinifera. Poucas, cerca de 50,
dominam o mercado, sendo as mais usadas pelos produtores internacionais de vinhos.

E qual a importância de conhecer as cepas? Antes de mais nada, porque elas são uma boa primeira
referência, cada uma com o seu caráter varietal. Como o vinho é resultado direto da fermentação da uva, cada
uva, com suas características peculiares, tende a produzir determinado estilo de vinho.

E, até porque são diferentes, produtores escolhem combiná-las, em cortes, de maneira a alcançar os
resultados desejados em um vinho. Se quiser ler mais sobre vinhos de corte, clique aqui.
Obviamente, o vinho não é determinado somente pela variedade utilizada na sua produção. Depende de
outros fatores, que vão desde as técnicas de cultivo, de prensagem, de fermentação e de envelhecimento, até
a questões relacionadas ao terroir. Para ler mais sobre terroir, clique aqui.
Para finalizar, se quiser entender a diferença entre uma uva internacional, como as utilizadas nos vinhos
franceses, e uma uva autócnone, ou nativa, típica por exemplo de vinhos italianos e portugueses, clique aqui.
Ou então, se quiser navegar por diferentes cepas, clique aqui.
Cabernet Franc
Categoria: cepas

Essa uva muitas vezes é considerada como irmã menor da


Cabernet Sauvignon, mas é necessário que se faça justiça:
pesquisas de DNA confirmaram que Cabernet Franc, com uma
pequena ajuda de Sauvignon Blanc, é na verdade o pai, ou a
mãe, da Cabernet Sauvignon... Coisas de família!

Talvez o que tenha levado ao mal entendido seja o fato da


Cabernet Franc ser menor em taninos e ácidos, não tão
encorpada, mais aromática e mais herbácea que Cabernet
Sauvignon.

Essa é uma uva muito capaz de resistir a temperaturas frias, e


que amadurece relativamente cedo, fatos que ajudaram a sua
relativa propagação.

Uma das características típicas de um vinho produzido com


Cabernet Franc são taninos médios, sedosos e bem integrados, causando uma sensação de boca suave.
Esses taninos moderados, combinados com uma acidez também moderada, costumam oferecer vinhos
elegantes, requintados e bem estruturados.

E, embora geralmente associada a vinhos mais leves, os tintos Cabernet Franc de boas safras ou de climas
mais quentes podem ser bem encorpados e ainda mais estruturados, ótimos para o envelhecimento.
A Cabernet Franc é também é usada para fazer deliciosos rosés no Loire e em muitas regiões do Novo Mundo.
Além disso, seu bom comportamento em climas frios a faz uma boa escolha para a produção de vinhos de
gelo, e também de vinhos de colheita tardia, como os produzidos em Ontário e Nova York.

(Se quiser ler sobre vinhos de gelo, clique aqui. Ou então, sobre vinhos de colheita tardia, aqui.)

No Brasil, os vinhedos de Cabernet Franc, nas últimas décadas, perderam espaço para Cabernet Sauvignon e
Merlot, o que é uma pena. Ironicamente, esses são os maiores parceiros da Cabernet Franc, no corte dos
vinhos de Bordeaux... Aliás, ela pode ser vinificada sozinha como no Loire, ou como é mais comum, em cortes
como os de Bordeaux.

Os aromas típicos dos vinhos de Cabernet Franc são framboesa, morango, cereja, groselha, cassis, ameixa,
romã, pimentas preta e branca, ervas secas. Além disso, podemos encontrar nesses vinhos notas de tabaco,
pimentão, azeitonas verdes, violetas, flores azuis, perfumes, e também os aromas derivados da madeira, como
baunilha, coco e fumaça.

Para desfrutar Cabernet Franc, as opções de harmonização são realmente muitas. Carne de boi ou de porco,
aves como frango ou pato, temperos como alho, cebola, pimentas, alecrim, hortelã, louro... basta escolher!

E, se quiser ler sobre outras cepas, clique aqui.

Cabernet Sauvignon
Categoria: cepas

A rainha das uvas vermelhas nasceu no coração de


Bordeaux, mas conquistou vinhedos em todo o mundo,
sem perder o caráter clássico e a elegância, típicos da
realeza.
Sendo a cepa de maior prestígio no mundo inteiro, e com uma impressionante capacidade de adaptação a
diferentes solos e climas, Cabernet Sauvignon é cultivada em praticamente todos os países que produzem
vinho.

Os melhores Cabernet Sauvignon são encontrados na região francesa de Bordeaux, na Califórnia, no Chile, na
Argentina, na Austrália, e na Itália, onde a cepa é responsável pelos famosos supertoscanos.

Apesar de tão presente em tantos países, Cabernet Sauvignon não é uma cepa de fácil cultivo. Por um lado, a
pele espessa de suas uvas permite maior resistência aos fungos e aos danos provocados pelo Sol e pelo
orvalho. Mas, por outro lado, os produtores enfrentam um desafio: a Cabernet Sauvignon é bastante relutante
a oferecer grandes rendimentos em seus vinhedos (é necessário reconhecer que, talvez, seja esse um dos
segredos da qualidade de seus vinhos; para entender melhor como o rendimento da vinha afeta a qualidade
de um vinho, clique aqui).

Os vinhos produzidos a partir da cepa Cabernet Sauvignon parecem oferecer tudo aquilo que um enófilo
costuma considerar nobre em um vinho tinto: cor profunda, aromas complexos, bom corpo, e capacidade de
envelhecimento.

Quando jovem, um Cabernet Sauvignon é poderoso e concentrado, com cores vermelho escuras e aromas
frutados. Com o envelhecimento, assume dignidade, graça e elegância, envoltas em cores mais atijoladas e
aromas mais terrosos e amadeirados.

Os aromas mais típicos de um Cabernet Sauvignon são:

Frutados: amora, mirtilo, cereja, groselha, cassis e ameixa

Herbais: menta, eucalipto, louro, baunilha, pimentão e alecrim

Terrosos e amadeirados: cedro, tabaco e chocolate

Durante os aperitivos, Cabernet Sauvignon combina muito com frutas secas, como nozes, amêndoas,
castanhas e amendoim, e também com queijos duros, como parmesão e provolone. Para desfrutar ainda mais
os prazeres de um Cabernet Sauvignon, harmonize-o com carnes pesadas e gordurosas, como de vaca,
cordeiro e vitela. E também escolha esse vinho quando estiverem presentes, no tempero, ervas como hortelã,
alecrim, tomilho, orégano e manjericão.

Elegante e fácil de harmonizar, Cabernet Sauvignon ainda guarda mais boas notícias. As cascas grossas e o
tamanho pequeno dos bagos, ao proporcionarem uma alta concentração de taninos, fazem desse um dos
vinhos com maior potencial benéfico à saúde! Se quiser saber mais sobre esse assunto, clique aqui.

Nobre, complexo, aromático, e bom para a saúde. São muitos os motivos para Cabernet Sauvignon ser o
vinho que é. E para ser tão apreciado!