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ELETRICIDADE

BÁSICA
Alan Miguel
Eletrostática
Eletrostática é o ramo
da Física que estuda as
cargas elétricas em
repouso e as interações
atrativas ou repulsivas
que ocorrem entre elas.
Por volta de 600 a.C.,
Tales de Mileto já sabia
que uma certa resina
(âmbar amarelo), depois
de atritada com uma
substância seca (pele de
gato), adquiria a
propriedade de atrair
corpos leves.

Imagem: Thales , um dos sete sábios da Grécia / Autor


Desconhecido / Disponibilizado por Tomisti / Public Domain.
No século XVI, Willian
Gilbert já usava a
expressão substância
eletrizada, para
caracterizar qualquer
substância que, pelo
atrito, adquiria a
propriedade de atrair
corpos leves.

Imagem: William Gilbert (1544 - 1603) / Autor Desconhecido


/ Disponibilizado por Hel-hama  / Public Domain.
CARGA ELÉTRICA
A carga elétrica é uma propriedade Nêutrons
associada a certas partículas
elementares que constituem o átomo:
prótons;
nêutrons;
elétrons.

Os prótons e os nêutrons localizam-se numa Prótons


região central do átomo denominada núcleo, Elétrons
enquanto os elétrons movimentam-se ao
redor do núcleo, numa região chamada
Imagem: Átomo de lítio estilizado /  Halfdan./
GNU Free Documentation License.

eletrosfera.
PORTADORES DE CARGAS
Os portadores de carga elétrica são:
elétrons - que transportam carga negativa;
íons - cátions transportam cargas positivas;
ânions transportam cargas negativas.

A unidade de medida de carga elétrica no Sistema


Internacional de Unidades (SI) é o Coulomb, cujo símbolo é
C, em homenagem ao físico francês Charles Augustin
Coulomb.
Partícula Carga (coulomb = Massa (Kg)
C)
elétron -1,6021917x10⁻¹⁹ 9,1095x10⁻³¹Kg

próton 1,6021917x10⁻¹⁹ 1,67261x10⁻²⁷Kg

nêutron 0 1,67261x10⁻²⁷Kg
CONDUTORES ELÉTRICOS

São materiais que apresentam portadores de cargas elétricas (elétrons ou


íons) quase livres, o que facilita a mobilidade dos mesmos em seu interior.
São considerados bons condutores, materiais com alto número de
portadores de cargas elétricas livres e que apresentam alta mobilidade
desses portadores de cargas elétricas.
Elétrons
Cobre -
- -

- -

i i

+ -
Solução de NaCl
- +

+ -
i
Gás ionizado i
i

-
+

- - +
+ +

+ -
Elétrons (-)
Cátions (+)
+
Cátions (Na ) + +
Ânions (-)
-
- Ânions (Cl ) -
- - - -

- - - -

- - - -

condutor
ISOLANTES OU DIELÉTRICOS

Os materiais isolantes se caracterizam por não apresentar portadores de cargas


elétricas livres para movimentação. Nesses materiais, a mobilidade dos portadores
de cargas elétricas é praticamente nula, ficando os mesmos praticamente fixos no
seu interior.

Exemplos: borracha, madeira, água pura, etc .


Isolantes

+ - + -
+ - + -
+ - + -
Isolant
e
CORPO ELETRICAMENTE NEUTRO

- +
Quando um corpo qualquer
+
-
apresenta o número de
prótons igual ao número
+
-
de elétrons, dizemos que o
corpo está eletricamente
+
neutro, ou simplesmente
neutro. -- +
+
Nesse caso, ele terá carga elétrica total nula:

número de p+ = número de e -
ELETRIZAÇÃO

Explicação do fenômeno de eletrização:

entre as partículas fundamentais são importantes para a


explicação dos fenômenos elétricos o próton, o elétron e o
nêutron. Os prótons e os nêutrons se encontram numa região
do átomo chamada núcleo. Os elétrons ficam girando ao redor
do núcleo, dispostos em várias órbitas.
Atualmente explicamos a eletrização dos corpos com a noção
que temos da estrutura dos átomos.
PROCESSOS ELETRIZAÇÃO

POR ATRITO

Foi o primeiro processo de


eletrização conhecido.
Quando duas substâncias
de naturezas diferentes
são atritadas, ambas se
eletrizam.
POR INDUÇÃO

Quando um corpo neutro é


colocado próximo de um
corpo eletrizado, sem que
haja contato entre eles, o
corpo neutro se eletriza.
Esse fenômeno é chamado
indução eletrostática.
POR CONTATO

Quando um corpo neutro é


colocado em contato com um
corpo eletrizado, por meio de +
+
um fio condutor, o corpo +
+
neutro se eletriza. +
+
+
SÉRIES TRIBOELÉTRICAS
A série triboelétrica foi criada para classificar os materiais que se eletrizam por atrito,
quanto à facilidade de trocarem cargas elétricas. Série triboelétrica é portanto o termo
utilizado para designar uma listagem de materiais em ordem crescente quanto à
possibilidade de perder elétrons. Ou seja, quanto maior a facilidade em adquirir cargas
positivas, mais alta é a posição que ocupa na tabela. É o caso do atrito entre lã e PVC.
Desse modo, foram classificados conforme o quadro abaixo:

+ Vidro Mica Lã Seda Algodão Madeira Âmbar Enxofre Metais -


Pele humana seca

Cabelo humano

Polietileno ('fita
Pele de coelho

Borracha dura
Fibra sintética

Níquel, Cobre,

Ouro, Platina,

Polipropileno
Latão, Prata,
Pele de gato

('magipack')
Poliuretano

Vinil (PVC)
Filme PVC
Alumínio

adesiva')
Poliéster
Chumbo

Algodão

Silicone
Madeira
(nylon)

Âmbar

Isopor
Couro

Teflon
Papel
Vidro

Seda

Aço

PRINCÍPIO ELETROSTÁTICO
PRÍNCIPIO DE ATRAÇÃO E REPULSÃO

F
+ + F

F
- - F

+ F F -
PRINCÍPIO DE CONSERVAÇÃO DA CARGA
ELÉTRICA

Cargas elétricas de mesmo sinal se repelem e as de


sinais opostos se atraem. Carga elétrica não se cria,
não se perde, apenas se transfere. Num sistema
eletricamente isolado, a soma das cargas elétricas é
constante.
Q1= 3Q Q 2 = -5Q
+ - + - + -
Q +Q
1 2 =Q
!
1 +Q !
2
!
Q1 Q2
!

ANTES DEPOIS
DO DO
CONTATO CONTATO
!
1 2
! Q
Q =Q = 1 2 =+ Q 3Q+(-5Q) = -2Q = -Q
2 2 2
Q1 = Q = -Q
! !
2
CONSERVAÇÃO DA CARGA ELÉTRICA
Dentro de um sistema isolado, a soma algébrica, tanto das cargas
positivas como negativas, irá permanecer constante. A função que
representa a conservação das cargas elétricas é:

Σ Qantes =
Σ Qapós
Medida da Carga Elétrica
Δq = - n.e (se houver excesso de elétrons)
Δq = + n.e (se houver falta de elétrons)
e = 1,6.10 -19 C

Onde:
Δq = quantidade de carga (C)
n = número de cargas
e = carga elementar (C)
unidade de carga elétrica no SI é o coulomb (C)
FORÇA ELETRICA – LEI DE
COULOMB
A intensidade da força interação entre duas cargas elétricas puntiformes é diretamente proporcional ao
produto dos módulos de suas cargas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.
Campo Elétrico
Existe uma região de
influência da carga Q
onde qualquer carga
de prova q, nela
colocada, estará sob a
ação de uma força de
origem elétrica. A essa
região chamamos de
campo elétrico.
O campo elétrico E é uma grandeza
vetorial*. A figura abaixo mostra a
orientação do campo elétrico para uma
carga positiva e para uma carga
negativa.
* Grandeza vetorial só pode ser caracterizada quando tem intensidade, direção e sentido.
Potencial Elétrico
Consideremos um campo elétrico originado por uma carga
puntiforme Q. Define-se como potencial elétrico VA , num
ponto A desse campo, o trabalho realizado pela força elétrica,
por unidade de carga, para deslocá-la desse ponto A até o
infinito.
Nestas condições, o potencial elétrico é dado por:

onde k 0 é denominada constante eletrostática, e seu


valor no SI é:

O potencial elétrico é uma grandeza escalar, associado


a cada ponto do campo elétrico, ficando determinado
apenas pelo seu valor numérico.
Portanto, pode ser positivo ou negativo, dependendo
apenas do sinal da carga criadora do campo elétrico.

1 Volt é o potencial de um
ponto que fornece a carga de
1C, nele colocada, uma
energia de 1J.
Diferença de potencial
Graças à força do seu campo eletrostático, uma carga
pode realizar trabalho ao deslocar outra carga por
atração ou repulsão.

Essa capacidade de realizar trabalho é chamada


potencial.

Quando uma carga for diferente da outra, haverá entre


elas uma diferença de potencial (ddp).
Movimento dos elétrons
◦ Nos metais, os elétrons das últimas camadas são
fracamente ligados a seu núcleo atômico, podendo
facilmente locomover-se pelo material. Geralmente, este
movimento é aleatório, ou seja, desordenado, não seguindo
uma direção privilegiada.
Quando o metal é submetido a uma diferença de potencial
elétrico (ddp), como quando ligado aos dois pólos de uma
pilha ou bateria, os elétrons livres do metal adquirem um
movimento ordenado.
A esse movimento ordenado de elétrons damos o nome de
corrente elétrica.
Intensidade e Medida da Corrente Elétrica
A intensidade de corrente elétrica é dada por:

Onde :
Δq é a quantidade de carga que atravessa a secção reta
do condutor num determinado intervalo de tempo (Δt).
◦ A quantidade de carga não é igual ao número de elétrons que
atravessam a secção reta do condutor; pois |Δq| = n|e| (e é a carga
do elétron).
◦ No SI, a intensidade de corrente elétrica, medida em coulomb(C)
por segundo(s), é denominada ampère (A), designação que
homenageia o matemático francês André Marie Ampère, que
tinha grande interesse pela Eletricidade.
◦ 1Coulomb/segundo = 1C/s = 1A
◦ Na Corrente Contínua (CC), o sentido do campo elétrico E
permanece sempre o mesmo e o sentido de i também não se
altera.
Fonte elétrica
As fontes elétricas são fundamentais na compreensão da
eletrodinâmica, pois elas que mantém a diferença de potencial (ddp)
necessária para a manutenção da corrente elétrica. Num circuito
elétrico, a fonte elétrica é representada pelo símbolo abaixo:

Símbolo de fonte elétrica no circuito.

O pólo positivo (+) representa o terminal cujo potencial elétrico é maior. O pólo
negativo (-) corresponde ao terminal de menor potencial elétrico.
Circuito elétrico simples
O sistema formado por um fio condutor com as extremidades acopladas aos
pólos de um gerador é considerado um circuito elétrico simples, no qual a
corrente elétrica se dá através do fio.
No fio condutor os elétrons se deslocam do pólo negativo para o pólo positivo.
Nesse deslocamento há perda de energia elétrica, devido a colisões dos elétrons
com os átomos do material.
Exemplo de Circuito Simples
A figura abaixo mostra a representação gráfica de um circuito elétrico
contendo um gerador, uma lâmpada e fios condutores.
Resistores
De onde provém o calor fornecido por aparelhos como ferro
elétrico, torradeira, chuveiro e secadora elétrica? Por que a
lâmpada fica quente depois de acesa?
Esse aquecimento acontece pela transformação da energia
elétrica em calor, fenômeno denominado efeito Joule,
decorrente da colisão de elétrons da corrente com outras
partículas do condutor. Durante a colisão, a transformação de
energia elétrica em calor é integral.
Condutores com essa característica são denominados
resistores.
Exemplos de resistores
Resistência elétrica e Lei de Ohm
A resistência elétrica é uma grandeza característica do resistor, e mede
a oposição que seus átomos oferecem à passagem da corrente elétrica.

Considere o resistor representado no trecho do circuito abaixo, onde


se aplica uma ddp U e se estabelece uma corrente de intensidade i.
Lei de Ohm
◦ Define-se como resistência elétrica R do resistor o quociente da ddp U aplicada pela
corrente i que o atravessa.
R=U/i

A unidade de resistência elétrica no SI é ohm (Ω).

R=U/i => 1 ohm = 1Volt/1ampère

◦ O físico e professor universitário alemão Georges Simon Ohm (1787-1857) verificou


experimentalmente que para alguns condutores, o quociente entre a ddp U e a
correspondente intensidade i da corrente elétrica é constante e que essa constante é
a resistência R do resistor.
A relação U=Ri se transformou na primeira lei da eletrodinâmica,
conhecida como Lei de Ohm. Todo resistor que obedece à Lei de Ohm é
denominado resistor ôhmico, cujo gráfico U x i é o seguinte:
Potência elétrica
Num chuveiro elétrico em funcionamento, que quantidade de energia
elétrica é transformada em calor por segundo? Será que tanto no
inverno quanto no verão essa quantidade é a mesma?
Em Eletrodinâmica, a quantidade de energia transformada por
unidade de tempo é denominada potência elétrica.
A partir de P = U2/R pode-se entender o que
acontece no chuveiro elétrico quando a
chave é mudada da posição de inverno para
a de verão.

No inverno, a potência dissipada pelo


resistor do chuveiro deve ser maior que no
verão, portanto, como U é constante, a
resistência do chuveiro é menor.

Observe que nesse caso circula pelo resistor


do chuveiro uma corrente maior do que
aquela que circula com a chave na posição
de verão.
Associação de resistores
Resistores em Série
Nesse tipo de associação, a corrente elétrica percorre todos os
resistores antes de retornar à tomada.
Resistência equivalente de um circuito em série
A introdução da resistência equivalente em um circuito não modifica o
valor da corrente elétrica, temos:

U=Ri
Sabendo que U = U 1+ U 2 + U 3, temos:

Req .i = R 1 .i + R 2 .i+ R 3 .i

Dividindo os membros da igualdade pela corrente i, temos:


Req = R1 + R2 + R3
Em geral, numa associação de resistores em série, a resistência
equivalente R eq é igual à soma das resistências individuais.
Resistores em paralelo
Quando vários resistores estão associados em paralelo, a ddp
entre os terminais de cada resistor é a mesma e,
conseqüentemente, a ddp entre os terminais da associação
também é a mesma. Nesse tipo de associação, os elétrons
retornam à tomada cada vez que passam por um resistor.
De acordo com a 1ª Lei de Ohm, a corrente que atravessa cada
um dos resistores é inversamente proporcional à respectiva
resistência.
E a corrente total que atravessa o conjunto de resistores em
paralelo é igual à soma das correntes que atravessam cada
resistor individualmente.
Resistência equivalente de um circuito em paralelo
Múltiplos e submúltiplos
Para valores elevados, utilizamos os múltiplos e para valores muito
baixos, os submúltiplos.
Para descer
um
degrau,
GA
Corrente[A]: caminhe com
M
a vírgula
3 casas à A
direita kA
A
Para subir um
m degrau, caminhe
A com
μ a vírgula
3 casas à
A
n esquerda
A
Tensão [V]
Para descer
um G
degrau, V
caminhe com MV
a vírgula
3 casas à k
direita V
V
Para subir um
m degrau,
V caminhe com
μ a vírgula
V 3 casas à
n esquerda
V
Resistência[Ω]

Para descer um
G
degrau, Ω
caminhe com M
a vírgula Ω
3 casas à direita k
Ω
Ω
Para subir um
m degrau,
caminhe com
Ω
μ a vírgula
3 casas à
Ω esquerda
n
Ω
Exemplo

13,8 kV = 13.800 V
23 mA = 0,02 A
3
62,5 = 0,0625 A 34,5 kV = 34.500 V
mA
0,2 kA = 200 A
220 V = 0,22 kV

6,6 kA = 660 A
0 127 V = 0,127 kV