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LaNA DEL REY, A BELA

QUE AMA A POLÊMICA


Por SERGIO CRUSCO
Nº 41 dezembro | janeiro 2020

Mirella Raquel
Parpinelle
Diretora Executiva
da Lopes Consultoria
de Imóveis
Lucro concreto
dez | jan 2020 nº 41 R$ 28,00

MAX RIEDEL: ELE FAZ AS DICAS PARA COZINHAR UM CINEMA NEGRO


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Central de Atendimento Fernandez Mera: Avenida Brigadeiro Luis Antonio, 4.910 - Jardim Paulista, São Paulo/SP. CRECI 22.061-J. Tel.: (11) 3066-1005.
Projeto aprovado pela Prefeitura de São Paulo sob Alvará nº 2019-03580-00. Registro de Incorporação R.2,
Matrícula 70.510 do 4º Registro de Imóveis de São Paulo em 30/07/2019.
e d i to r i a l

Quatro executivos. Quatro histórias bem diferentes, contadas nesta THE PRESIDENT. Mirella Raquel
Parpinelle, diretora da Lopes Consultoria de Imóveis, a maior imobiliária do país, tem origem modesta.
Morava na Cohab do Grajaú, na periferia de São Paulo. Entrou na Lopes em 1990, como corretora asso-
ciada. Demorou seis meses para fazer a primeira venda. Viveu momentos difíceis. Aos 25, era gerente
de vendas. Aos 28, diretora. Aos 50 anos, workaholic assumida, celebra incríveis 81% de aumento nas
vendas da empresa em São Paulo em 2019.
Patrice Lucas, presidente do Groupe PSA (fabricante dos automóveis Citroën e Peugeot) para o Brasil
e América Latina, grupo com atuação em 160 países, nasceu em uma família de classe média na França.
Os pais tinham um pequeno mercado. Na infância, preferia jogar bola a frequentar as aulas. Ainda antes
de entrar na faculdade de engenharia notou que jamais seria um Zidane. Dedicou-se aos estudos com
afinco. Abriu a cabeça numa viagem aos Estados Unidos. Tornou-se um cidadão do mundo. Galgou po-
sições cada vez mais altas na indústria automobilística, incluindo uma feliz passagem pelo México. Aos
53 anos, à beira de completar dois anos no cargo, investe alto no mercado brasileiro.
Guilherme Gregori, CEO da incorporadora e construtora Paes & Gregori, é economista em uma em-
presa de engenheiros e arquitetos com mais de duas décadas de prestígio. Formado pelo Insper, traba-
lhou no mercado financeiro com fusões e aquisições, antes de abraçar os negócios da família. Chamado
pelo pai a juntar-se à construtora, aprofundou-se nas questões imobiliárias a ponto de hoje, com apenas
33 anos, estar à frente da empresa, para a qual prevê, no ano que vem, R$ 500 milhões em lançamentos.
Francisco Costa Neto, CEO da Aviva, braço de turismo do grupo Algar, é herdeiro de uma holding
iniciada ainda nos anos 1930. Mas preparou-se ferreamente para assumir os negócios. Formou-se em
administração de empresas pela Universidade de Vermont e trabalhou no Banco Garantia. Trilhou um
caminho seguro até comandar a Aviva. Aos 51 anos, é o responsável por destinos turísticos do porte do
Rio Quente Resorts e Costa do Sauípe, que, juntos, somam 2.700 apartamentos e 2,2 milhões de hóspe-
des por ano. Ele avisa: até 2025, investirá R$ 1,4 bilhão nos dois empreendimentos.
De fato, quatro executivos bem diferentes. Mas com algo em comum: o otimismo com relação à eco-
nomia brasileira em 2020. Tomara estejam cobertos de razão. A você, caro leitor – e a eles – nossos votos
de Boas Festas. E de um ótimo 2020.

Boa leitura.

andré cheron e fernando paiva


Publishers

42 | | DEZ.2019
expediente
the president Publicação Da custom eDitora Nº 41

PUBLISHERS
André Cheron e Fernando Paiva

REDAÇÃO COMERCIAL, PUBLICIDADE E NOVOS NEGÓCIOS


Diretor eDitorial Fernando Paiva Diretor executivo André Cheron
fernandopaiva@customeditora.com.br andrecheron@customeditora.com.br

Diretor eDitorial aDJunto Mario Ciccone Diretor comercial


mario@customeditora.com.br Ricardo Battistini
reDator-chefe Walterson Sardenberg So battistini@customeditora.com.br
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Mirian Pujol
eDição Raphael Alves mirianpujol@customeditora.com.br
raphaelalves@customeditora.com.br Northon Blair
PrePress e tratamento De imaGens Daniel Vasques northonblair@customeditora.com.br
danielvasques@customeditora.com.br
ADMINISTRATIVO/FINANCEIRO
analista financeira Carina Rodarte
COLABORARAM NESTE NÚMERO carina@customeditora.com.br
texto Celso Arnaldo Araujo, Enio Basilio Rodrigues, assistente Alessandro Ceron
Françoise Terzian, J.A. Dias Lopes, Marcello Borges, alessandroceron@customeditora.com.br
Raphael Calles, Roberto Muggiati, Ronny Hein, REPRESENTANTES REGIONAIS
Sergio Crusco e Silvio Lancellotti GRP – Grupo de Representação Publicitária
fotoGrafia Claus Lehmann e Tuca Reinés Pr – tel. (41) 3023-8238
ilustração Ariel Bertholdo sc/rs – tel. (41) 3026-7451
adalberto@grpmidia.com.br
ProDução Vivianne Ahumada
revisão Goretti Tenorio Tiragem desta edição: 35.000 exemplares
CTP, impressão e acabamento:
Coan Indústria Gráfica Ltda.
THE PRESIDENT Custom Editora Ltda.
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@revistathepresident são Paulo (sP) – ceP 01407-200
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sumário
dezembro 2019 | janeiro 2020

86 152 154

86 ViSÃo 116 enTreViSTa 152 aViaÇÃo


Dizem que Lana Del Rey é só um personagem Um otimista: Patrice Lucas, presidente do Em dezembro acabou a volta ao mundo do
fake. Pode ser. Mas que personagem! Groupe PSA para a América Latina Silver Spitfire, caça britânico de 1943

92 aUdiÇÃo 124 negócioS 154 cULT


Jimi Hendrix, guitarrista superb, teve a carreira Mirella Parpinelle, da Lopes Consultoria Quando Hollywood fazia filmes com negros,
mais intensa e fugaz da história do rock de Imóveis, celebra 81% de crescimento dirigidos por negros e para negros

98 PaLadar 132 TUriSmo 160 TecnoLogia


O Brasil é o segundo maior fabricante de Francisco Costa Neto, da Aviva, conta as Smart living: a casa dos Jetsons já existe,
panetones do mundo. Só perde para a Itália novidades do Rio Quente e Sauípe pode ser sua e nem custa tão caro assim

104 oLFaTo 140 mercado 162 hUmor


O babbo ensinou: um bom cozinheiro sabe Aos 33 anos, Guilherme Gregori comanda Jovens e viúvas. Uma delas na cidade grande.
diferenciar aroma de cheiro a incorporadora Paes & Gregori A outra, na roça de uma colônia alemã

110 TaTo 148 adega 166 conSUmo


Adão foi o primeiro marido traído. E a Ele fabrica as mais cobiçadas taças de vinho Dicas para presentear com estilo
serpente não tem nada a ver com isso do planeta. Seu nome: Maximilian Riedel e criatividade neste Natal

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co l a b o r a d o r e s São Paulo | Presidente Prudente

VISão PALADAR oLFAto


sergio crusco J.A. DiAs Lopes siLvio LAnceLLotti
Ouvir cantoras é uma das paixões Quando foi correspondente Ele começou no jornalismo nas
deste paulistano, que tem em seu da revista Veja em Roma, aproveitou primeiras edições da Veja,
apartamento, no bairro de Pinheiros, para aprofundar seus conhecimentos lá se vão 51 anos. Estava no
uma senhora discoteca, repleta de da cozinha italiana. Entre uma Maracanã trabalhando quando
raridades. Daí por que o chamamos entrevista e outra com gente do porte Pelé fez o milésimo gol. Seguiu-se
para escrever sobre Lana Del Rey. de Luciano Pavarotti e Umberto Eco, uma infinidade de trabalhos na
Sergio se define um jornalista embrenhou-se em restaurantes grande imprensa, incluindo rádio
“especializado em generalidades”. e bibliotecas. De volta ao Brasil, e televisão. Versátil, arquiteto
É um modo de lembrar que já fez tornou-se o decano de um gênero: formado, Silvio costuma escrever
reportagens tão diferentes entre o jornalismo gastronômico de farta sobre assuntos tão variados
si quanto acompanhar Glória Maria pesquisa histórica. Para este número quanto gastronomia, música popular
pelas ilhas gregas e revelar as técnicas escreveu sobre o panetone, grande e esportes em geral. Desta feita,
de congelamento de sêmen canino. estrela da mesa natalina. ficou na primeira opção.

tAto ENtREVIStA E NEGÓCIoS NEGÓCIoS


ArieL BerthoLDo ronny hein tucA reinés
Estudante de artes visuais, este Ilustre morador da represa Aviação? É com ele mesmo. Mergulho
paulistano desistiu de uma carreira Guarapiranga, em São Paulo, autônomo? Também. Vela? Idem.
na pedagogia para dar vazão ao seu comandou as revistas Próxima Bateristas de rock e jazz? Adora – e
verdadeiro talento: o lápis e o papel. Viagem, Caminhos da Terra e Lonely toca muito bem. Arquitetura é outra
E é no desenho que ele usa sua Planet. Tal ofício levou-o a conhecer de suas paixões. E lhe rendeu um
experiência pedagógica para adaptar 82 países. Ex-diretor de redação diploma. A régua “T”, no entanto,
e traduzir conceitos em traços, da revista Forbes, este efusivo foi trocada pelas câmeras. Tuca é
geralmente em grafite e branco. Suas torcedor do Santos, apreciador fotógrafo internacional. Tem livros
inspirações vão do espanhol Francisco de puros cubanos e dono de texto publicados pela editora alemã
de Goya ao super pop Quentin elegante, conversou com inúmeros Taschen e imagens no acervo de
Tarantino, do som do Fleetwood Mac executivos. Dois deles para esta museus europeus. Desta vez, clicou w w w. m a r i s a c l e r m a n n .c o m . b r
aos contos de Egdar Allan Poe. edição de fim de ano. a executiva Mirella Raquel Parpinelle. @marisaclermannjoias
1 1 3 0 62 -7 7 6 3 / 1 1 9 4 0 6 0 -9 57 9

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© acErvo pEssoal | © bruno marçal
co l a b o r a d o r e s

MERCADO E TECNOLOGIA MERCADO E TURISMO TURISMO


Françoise terzian Claus lehmann Celso arnaldo
Jornalista há mais de 20 anos,
passou por alguns dos principais
Começou a fotografar aos 19 anos,
em 1998. Daí em diante viveu seis anos
araujo
Embora inconformado com as atuações
veículos do Brasil, incluindo Jornal entre Alemanha e Itália. De volta a São recentes de seu São Paulo Futebol
da Tarde, O Estado de S. Paulo, Valor Paulo em 2008, especializou-se em Clube, Celso jamais perde o bom humor.
Econômico, Época Negócios, Brasil retratos. Diz ele: “Meus projetos Tem dois prêmios Esso na estante, mas
Econômico e Forbes. Ganhou o de pesquisa estão ligados às não faz disso estandarte. Começou no
prêmio Unisys de Jornalismo e mudanças dos processos técnicos jornalismo ainda imberbe no Diário de
escreveu o livro A Presença Francesa da fotografia, acompanhando Notícias, no Rio de Janeiro – se é que
no Brasil: de Villegaignon ao século o desenvolvimento tecnológico e humano. um dia este hirsuto cidadão foi imberbe.
XXI. Compartilha com amigos suas Envolvem desde a captura da imagem Fez longa e bela carreira na revista
descobertas no site Prazerices, com diferentes câmeras até a impressão Manchete. Colaborou para esta edição
sobre as boas coisas da vida. digital e analógica”. entrevistando Francisco Costa Neto.

ADEGA HUMOR CULT


marCello Borges enio Basílio roBerto muggiati
Engenharia é um dos cursos rodrigues Ele trabalhou no Serviço Brasileiro da
universitários do nosso prestimoso Ele é um dos grandes nomes da criação BBC, em Londres. Depois, tal como
colaborador. Ele tem outros. Marcello, publicitária. Adora escrever. Em especial, Dias Lopes e Lancellotti, fez parte da
exagerado até no L duplo do nome, aqui. Explica: “Teclo e minhas letras saem primeira redação de Veja, antes de
também tem um canudo de advogado. na tela do computador, do celular e vão tornar-se, ao longo de décadas, diretor
Mais: fez pós-graduação em marketing. para as nuvens. Por isso, retomo velhas de redação de Manchete. Ainda muito
Apesar de tantos títulos, prefere dar emoções ao vê-las estampadas nas jovem já escrevia sobre cinema,
aulas de destilados e charutos na páginas de THE PRESIDENT. É bom – literatura e música – é saxofonista
Associação Brasileira de Sommeliers, o contato com o papel couché, o seu amador. Desta feita, nos presenteia
traduzir livros e escrever textos sobre aroma característico, as unhadas que com um belo texto sobre o
os prazeres da vida, o que tem feito ele dá na sua mão quando você toca Blaxpoitation, o cinema negro
com assiduidade por aqui. nas pontas. É a volta da sensualidade”. americano dos anos 1970.

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© acErvo pEssoal
luxo
Por r aPhael calles

Uma boa caUsa


Montblanc se engaja na luta contra a aids e amplia a linha de produtos em parceria com a RED

A Montblanc, conhecida por sua forte presença no universo nato vermelho, a mala de bordo conta PARCEIROS
das canetas, relógios e artigos de couro, engaja-se, mais uma com detalhes de couro da mesma cor e Malas e canetas:
vez, na luta contra a aids. De novo, em parceria com a RED, itens pretos. O revestimento interior é a marca alemã
instituição que promove iniciativas em prol dessa causa. Em de tecido cinza e também apresenta se associa à RED
2019 a Montblanc ampliou sua participação no projeto. Agora, nuanças vermelhas. As rodas da mala,
duas coleções de produtos têm parte de seus rendimentos re- posicionadas de modo estratégico, per-
vertida para prevenção e tratamento da aids. mitem um melhor aproveitamento do
A primeira delas é a linha de canetas Montblanc RED. O cor- espaço interno.
po de cada peça é revestido de paládio e níquel escovado. Um Cada produto da linha RED produzido
revestimento de laca vermelha aparece na parte frontal da ca- pela Montblanc reverte para a causa da
neta, colorindo a parceria. A pena também apresenta a inscri- instituição. A ajuda supre cerca de 25 dias
ção. Outros detalhes reforçam a participação. O ato de fechar a de medicamentos a portadores do HIV. A
tampa é suave, uma vez que um sistema de ímã faz com que ela verba é diretamente depositada pela
esteja sempre na posição correta. marca alemã no Fundo Global de Comba-
A linha de malas da maison, por sua vez, acaba de integrar a te a Aids, Tuberculose e Malária.
causa. Tem estética similar. Com revestimento de policarbo- montblanc.com

52 | | dez.2019
L A NÇ AMENTO
tem po
por r aphael calles SEU INVESTIMENTO NA MELHOR LOCALIZAÇÃO:
A 200 M DO METRÔ PARAÍS0.

A horA dos
/ Studios
poderosos / Offices Studio decorado de 23 m2
Modelo da Rolex com 63 anos de história ganha
versão com mostrador azul e detalhes de diamantes / Consultórios
/ 1 e 2 dorms.
Há 63 anos o mercado ganhava uma peça para fazer
história: Rolex Day-Date, primeiro relógio a apresen-
tar no mostrador o dia da semana por extenso, com a
função de alteração instantânea dos dados. Ainda
hoje, a peça impressiona. Ela é produzida apenas com
metais preciosos: ouro amarelo, branco ou Everose 18
quilates, ou platina 950. O modelo, adquirido por
personalidades de peso, políticos e líderes mundiais,
parece predestinado. É imediatamente reconhecível
por sua pulseira, chamada de Presidente. Mensais
Disponível em 36 e 40 mm de diâmetro, o mode- a partir de

950
lo não deixa a masculinidade de lado, mesmo com o
R$ ,00*
tamanho mais diminuto e diamantes aplicados a seu
mostrador – que, aliás, reforçam ainda mais o papel
imponente. A versão com mostrador azul, novidade
de 2019, tem oito diamantes inseridos em engastes
de ouro 18 quilates e outros dois em lapidação ba-
guete, marcando as 6 e 9 horas. A posição de 12 horas
é reservada para o dia da semana (que pode ser apre-
sentado em uma variedade de idiomas além do in-
glês e do francês), enquanto a das 3 horas apresenta
o dia, ampliado pela lente Cyclops, uma caracterís-
Perspectiva artística do coworking Perspectiva artística da OMO Lavanderia Compartilhada
tica da maison em alguns modelos.
A precisão é assegurada pelo movimento de corda
automática 3255, que garante absoluta pontualida-
de. Isto significa um atraso duas vezes menor que o
// A poucos passos da Av. Paulista // Saída imediata para a Av. 23 de Maio // Conexão com a Paulista e o Ibirapuera //
assegurado pelo Controle Oficial de Cronômetros
PRECISão Suíços, o COSC, sobre o relógio já finalizado. Tudo
Modelo histórico, isso abrigado por uma caixa e pulseira elaborados em VISITE OS DECORADOS Intermediação: Incorporação e Intermediação:

o Rolex Day-Date ouro branco, com a simbólica moldura canelada e Rua Correia Dias, 93 - Paraíso

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Central de Atendimento LPS São Paulo Consultoria de Imóveis Ltda. Rua Estados Unidos, 1.971 - Jardim América, São Paulo-SP. CEP: 01427-002. Tel.: (11) 3067-0000. Diariamente, até as 24h, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Creci: J-24073. Central
de Atendimento da Setin Vendas Rua Helena, 235, 9º andar - Vila Olímpia - CEP: 04552-050 - Tel.: (11) 3041-9222 - São Paulo-SP. Diariamente, até as 21h, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Creci: J 2599-9. Registro de Incorporação R. 02, Matrícula
nº 125.515, do 1º Cartório do Registro de Imóveis de São Paulo-SP, em 08/10/2019. *Parcelas mensais referentes à unidade 409. O fluxo de pagamento completo contempla parcela no ato de R$ 11.820, parcelas de 30/60/90 dias de R$ 11.820, 30 parcelas mensais
de R$ 950,00, sendo a 1ª em 03/2020, 2 parcelas anuais de R$ 11.440, sendo a 1ª em 10/2020, parcela única de R$ 26.690 em 09/2022 e parcela de financiamento de R$ 247.190, somando um total de R$ 377.020. Todas as parcelas serão corrigidas pelo
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INCC/DI. Preço válido para o mês de novembro de 2019. Consulte disponibilidade. Os acessórios de produção ou equipamentos e materiais de uso cotidiano, como talheres, copos, vasos, bancada, grill, toalhas etc., são apenas elementos de decoração e não fazem
parte do contrato de aquisição. Móveis, revestimentos de piso e parede, forro de gesso, sancas, luminárias, painéis, armários etc. são meramente ilustrativos e não fazem parte do contrato de aquisição. A vegetação que aparece nas imagens está com porte adulto.
Qualquer venda estará sujeita ao pagamento do valor correspondente à intermediação imobiliária e as respectivas comissões decorrentes deverão ser descontadas do preço de venda constante na proposta a ser assinada pelo comprador. Imagem meramente ilustrativa.
Em parceira com Porsche

Nova er a
Potente, econômico e inovador,
novo Cayenne E-Hybrid é o
trunfo da Porsche para ganhar
mercado e marcar época

S
e alguém te falou que a eletrificação é o futu-
ro, pode ter certeza de que essa pessoa já está
no retrovisor da história. A energia limpa é a
realidade do presente. Na Alemanha, a deter-
minação é encerrar as vendas de veículos a combus-
tão em 2030. Com esse objetivo pregado na parede, a
Porsche está escalando suas mentes mais brilhantes
para diminuir cada vez mais a emissão de poluentes.
Para esse jogo, no qual ambiente e indústria precisam
ganhar, a marca tem um curinga na manga: o novo
Cayenne E-Hybrid. performance que ele proporciona. Outro ponto importante é a Ao perguntarmos para alguém que deseja ter um carro Modelo combina dois motores:
Este SUV da marca alemã não decepciona em ne- tecnologia Sport Response (Resposta Esportiva), que veio di- elétrico, provavelmente dez entre dez entrevistados vão se V6 de 340 cv a combustão e um elétrico de 136 cv
nhum quesito. Desempenho é o primeiro deles. O retamente do 918 Spyder. Isto significa que este novo Cayenne preocupar com onde poderão carregar o carro fora de casa.
veículo combina a potência de dois motores. Um de- herdou recursos de um supercarro. Não por acaso, ele responde A Porsche está atenta a isso e resolveu investir pesado. Am-
les é movido a gasolina (V6 de 340 cv) e outro elétrico bem ao acelerador, sem perder o conforto e a estabilidade. pliou a rede de carregadores para 32 pontos instalados em
(136 cv). No final das contas, 462 cv empurram esse O novo modelo também ampliou a gama de recursos tecno- sete estados brasileiros. Eles estão localizados em shoppings,
utilitário esportivo. Na propulsão híbrida, o carro vai lógicos à disposição do usuário. É o primeiro Porsche a ter um marinas, hotéis e clubes. São lugares como o Shopping Igua-
de 0 a 100 km/h em 5,0 segundos e alcança velocida- head-up display, função que projeta informações no para-brisa, temi, o hotel Sofitel Jequitimar Guarujá, Shopping Leblon e a
de máxima de 253 km/h. Ao optar por usar somente o bem na linha de visão do condutor. Outro destaque é o Porsche Marina Itajaí. Confira a lista completa dos locais de carrega-
motor elétrico, o carro pode alcançar 135 km/h e sua InnoDrive, um copiloto digital que controla a velocidade de cru- mento no site: porsche-eperformance.com.br
bateria tem autonomia de 44 quilômetros. zeiro do veículo. Essa iniciativa da divisão E-Performance prepara o terreno
Porém, é a combinação dos dois motores que faz a para a chegada ao Brasil do Taycan, o primeiro veículo 100%
graça da sua direção. Da direção puramente elétrica Infraestrutura de carregamento elétrico da Porsche. Tudo o que você conhece sobre carros
à superesportiva, o motorista pode escolher variáveis O novo Cayenne E-Hybrid é um veículo para ser carregado elétricos vai mudar quando conhecê-lo. É a nova geração dos
que o fazem desfrutar deste utilitário com pegada de na energia. Os carregadores têm potência de 11kW e atendem supercarros elétricos. Vai valer a pena esperar 2020 chegar.
esportivo e consumo mínimo de combustível. Esta- híbridos plug-in e 100% elétricos da Porsche. O tempo de car-
mos falando do pacote Sport Chrono e os ganhos de regamento pode variar de acordo com o modelo. porsche.com/br
Em parcEira com LExus

Estilo e L A NÇ A M E N TO DA L E X US, O NOVO U X 250h

Eficiência
É O Ú N IC O H Í BR I D O DA S UA C AT E G OR I A.

E S T E C RO S S OV E R A L I A A LTA T E C NOL O GI A

E E C ONOM I A DE C OM BUS T Í V E L

A
Lexus está sempre um passo à frente. elétrico de 107 cv, gerando potência combinada
Será a primeira montadora do Brasil de 181 cv. De acordo com o INMETRO, o Lexus
com um line-up 100% híbrido. UX 250h registra 16,7 km/l na cidade e 14,7 km/l
Neste cenário, o UX 250h chega em rodovia. No entanto, conforme publicações
para mexer com o segmento. O modelo é o único especializadas, o modelo chega a fazer 20,5 km/l
crossover de luxo a oferecer motorização exclusi- em ciclo urbano e 18,1 km/l em estradas.
vamente híbrida em todas as versões, inclusive No interior, o motorista conta com excelente
na configuração de entrada. posição de direção e tem fácil acesso a todos os re-
Tudo nasceu da Yet Philosophy, abordagem ino- cursos do painel.
vadora da Lexus que une coisas que, em um primeiro A tela central de 10.3 polegadas controla todas as
momento, parecem não combinar. Um exemplo está funções do crossover. Já o head up display, disponível Nova marca
no formato da lanterna traseira, que auxilia na aero- na versão F-Sport, projeta no para-brisa informa- registrada da Lexus,
dinâmica. Vale dizer que essa lanterna conta com 120 ções de velocidade, navegação e áudio. O veículo lanterna traseira
lâmpadas de LED com projeção de luz noturna cen- tem ainda oito airbags, além de garantia de quatro tem sequência
tralizada. E é a nova marca registrada da montadora. anos (e mais quatro anos para o sistema híbrido). de 120 LEDs
O UX 250h tem o sistema Lexus Hybrid Drive, Os valores das primeiras revisões são fixos. Aliás, a
que combina dois motores (gasolina e elétrico). De soma das primeiras cinco é a mais baixa da catego-
acordo com a Lexus, esse conceito tem quatro pi- ria até R$ 200 mil.
lares: proporcionar direção dinâmica e envolven- O UX 250h é mais um fruto da estratégia do Ex-
te, maximizar a eficiência de combustível, gerar perience Amazing da montadora. Essa assinatura
emissões limpas e ser silencioso. vai além do conceito do luxo. Eleva o nível de ex-
Tudo é cumprido à risca. O modelo apresen- celência que o cliente sempre espera.
ta um motor a gasolina de 2.0 de 145 cv e outro lexus.com.br
m oto r

Valentia
renovada
O Suzuki Jimny Sierra ganha novo motor, câmbio
automático e muitos itens de conforto, mas mantém
a mesma robustez e agilidade que fizeram dele
um verdadeiro ícone do fora de estrada

Quando foi lançado, em 1970, o Suzuki Jimny atuou como


um divisor de águas no mercado 4x4, naquela época do-
minado por modelos maiores e com motor de grande ci-
lindrada. Compacto, ágil e com enorme capacidade de
enfrentar todo tipo de piso, ele vencia com facilidade ter-
renos alagados, pedregosos e trilhas na mata fechada. Isso
fez com que o Suzuki Jimny ganhasse inúmeros admira-
dores. Depois de quase meio século de existência, o SUV,
em sua quarta geração, acaba de fazer sua estreia no Brasil.
O novo Jimny Sierra será importado do Japão e irá con-
viver com a atual geração, produzida na fábrica da Suzuki
em Catalão (GO). E não se engane. Apesar do visual ca-
rismático e dos inúmeros itens de conforto a bordo, ele
manteve íntegro o seu espírito de off-road raiz.
Forma e função andam de mãos dadas no Jimny Sier-
ra. Para-brisa e coluna A têm agora uma nova inclinação,
que amplia a visibilidade. O capô é plano, para evitar re-
flexos que possam atrapalhar a dirigibilidade, enquanto
os vidros laterais são verticais para não acumularem água
ou lama. Molduras dos para-lamas são mais largas para
evitar batidas de pedras na carroceria e, assim como os
para-choques, possuem textura antirrisco. O teto, mais
amplo, tem calhas nas laterais para evitar a infiltração de
água na cabine, enquanto as portas se abrem em três es-
tágios, com ângulo máximo de 70º.

60 | | DEZ.2019 DEZ.2019 | | 61
O Jimny ganhou um inédito
motor 1.5 aspirado, com bloco
de alumínio, 108 cavalos de
potência e 14,1 kgfm de torque.
Outra boa novidade é
a transmissão automática

Coração novo

D
ebaixo do capô está um inédito motor
1.5 aspirado, com bloco de alumínio e
duplo comando variável de válvulas, de
108 cavalos de potência e 14,1 kgfm de torque.
Outra boa nova é a transmissão automática, que
se junta à opção de caixa manual de cinco velo-
cidades. E, claro, o Jimny Sierra conta com tra-
ção integral, selecionada por meio da alavanca
no console central, com opção de reduzida.
A função LSD detecta quando duas rodas
perdem contato com o solo em diagonal, dire-
cionando o torque para as rodas do lado oposto,
Parrudo Beleza interior Play e AndroidAuto. O volante mul-

N
situação comum no off-road extremo. Ele ainda
A capacidade de o interior, que lança mão de materiais resisten- tifuncional revestido de couro abriga
conta com controle de estabilidade, assisten-
vencer obstáculos tes a riscos e fáceis de limpar, o console central os comandos do piloto automático,
te de partida em rampas e também o assistente
do Jimny Sierra é possui longas linhas horizontais – que servem de limitador de velocidade e áudio. Ar-
de descida. O baixo peso (1.095 kg) facilita a
impressionante. referência para o motorista reconhecer o ângulo do veí- -condicionado digital e câmera de
transposição de terrenos arenosos ou lamacen-
Basta ver a foto culo em terrenos acidentados. E, para facilitar o acesso ré são outras facilidades presentes.
tos – além de economizar combustível.
ao lado. No nessas situações extremas, todos os comandos estão po- Por fim, os bancos estão mais largos
O chassi Heavy Duty ganhou três barras
interior, materiais sicionados em pontos estratégicos, enquanto o painel de e ganharam maior poder de absorção
transversais – duas em "X", perto do eixo dian-
resistentes a instrumentos oferece máxima visibilidade mesmo sob sol de impactos, além de maior curso
teiro e outra pouco antes do traseiro – e a ri-
riscos e sistema forte ou na penumbra da floresta. nos trilhos, ajudando os mais altos
gidez torcional aumentou em 50%. O modelo
multimídia JBL, O espírito fora de estrada não dispensa uma boa música, a encontrarem uma melhor posição
manteve os 3,64 metros de comprimento e 2,52
com tela de certo? Por isso, o Jimny Sierra conta com sistema multi- de dirigir.
metros de entre-eixos, mas cresceu 2 cm em al-
7 polegadas mídia JBL, com tela touch de 7 polegadas, além de Car- suzukiveiculos.com.br
tura e ficou 2,5 cm mais largo.

62 | | DEZ.2019 DEZ.2019 | | 63
H OSPITA LIDADE
P o r f e r n a n d o pa i va

diversão em família
Para o Martinhal Family Resorts, pais e filhos devem aproveitar ao máximo o tempo passado juntos. E separados também

Conhecido no mercado hoteleiro português há uma década, permite a reserva antecipada de itens como carrinhos, ba-
o casal Chitra e Roman Stern, fundador do The Elegant nheiras e berços. As crianças de 2 a 5 anos dispõem do Rapo- lazer em
Group, é detentor da marca Martinhal Family Resorts. Pais de sinhos Kids Club. Dos 6 aos 9, do Fox Club. E, para os adoles- conjunto
quatro filhos entre as idades de 8 e 17 anos, Chitra e Roman centes, há o Blue Room, sala de jogos superequipada. Ao lado, pai e
chegaram a Portugal em 2001. E se orgulham da palavra “Fa- A programação de lazer busca a interação entre filhos e filho jogam bola
mily” em todos os seus empreendimentos, já que se especia- pais. A diferença é que estes últimos também possam apro- na Quinta da
lizaram em receber famílias de um modo muito especial. Sua veitar as férias – jogando tênis ou golfe, ou relaxando no spa Lagoa. Abaixo,
filosofia é simples: pais e filhos devem aproveitar ao máximo local, o Finisterra. A alta gastronomia está presente no res- a piscina do
o tempo passado juntos. E separados também. O grupo tem taurante O Terraço, perfeito para um jantar romântico. Já o Martinhal em
hoje um portfólio de quatro hotéis e resorts. Eles se dividem restaurante As Dunas, com um cardápio especializado em Sagres
entre Sagres e a Quinta do Lago, na região litorânea do Algar- pescado e frutos do mar, oferece uma vista inesquecível do
ve; em Cascais, na chamada Riviera Portuguesa; e no histó- Atlântico. A turma que gosta de esportes aquáticos (mergu-
rico bairro do Chiado, no centro de Lisboa. lho, surfe ou bodyboarding) vai encontrá-los ali mesmo, ao
redor do resort, no Parque Natural e na baía do Martinhal.
MARTINHAL SAGRES BEACH
FAMILY RESORT MARTINHAL QUINTA
Primeiro projeto do The Elegant Group, ele foi inaugurado FAMILY GOLF RESORT
em 2010. São 38 quartos e 150 village houses abençoados por Na região da Quinta da Lagoa, célebre por seus campos de
uma vista cinematográfica do Atlântico. Esse resort 5 estre- golfe, restaurantes estrelados do guia Michelin e belíssimas
las leva a assinatura do arquiteto inglês Matthew Wood, do praias, fica esse empreendimento que adota o conceito de
festejado escritório londrino Conran&Partners, que priori- Vila Resort: casas de dois a cinco quartos, todas com piscinas
zou a natureza. O designer londrino Michael Sodeau proje- privativas e jardins privados. Uma delícia para a família toda
tou os interiores, com uma proposta minimalista de luxo passar as férias. As crianças contam com os mesmos serviços
confortável. Para isso, materiais da região, como o vime, a do Martinhal Sagres.
cortiça, a pedra da serra de Monchique e a fibra de palmei- O mercado Deli & Bake, loja de conveniência com produtos
ras, foram utilizados nos revestimentos e nos móveis, cria- básicos para o dia a dia, com enorme variedade de legumes e
dos por artesãos portugueses. frutas, produtos delicatessen de alta qualidade, bebidas variadas
O Martinhal Sagres tem até creche, para bebês entre 6 e 23 e todo o tipo de refeições take-away, garante o abastecimento.
meses. Oferece um inédito serviço de baby concierge, que No mais, é aproveitar pra valer as atividades aquáticas

5cm x 46,6cm + sangria de 5mm

64 | | DEZ.2019 DEZ.2019 | | 65
como stand-up paddle, jet ski, windsurfe, mergulho. Sair para
passear de barco em família, pescar com a molecada. E ainda
visitar o Zoomarine, onde se pode observar focas, golfinhos,
aves tropicais e tubarões. Programão.

MARTINHAL CASCAIS
FAMILY HOTEL
Entre dois campos de golfe, o Quinta da Marinha e o Oitavos
Dunes, fica esse resort 5 estrelas, a apenas meia hora de carro
de Lisboa. Isso permite juntar a vivência da capital portugue-
sa com a história de Sintra, a beleza de Cascais e a paisagem
inesquecível da praia do Guincho.
Projetado pelo renomado arquiteto português João Paciên-
cia em parceria com o paisagista Francisco Cabral, o resort
oferece o restaurante O Terraço – cujo cardápio assinado pelo
chef Alexandre Cláudio apresenta a culinária tradicional lusa
com roupagem contemporânea.

MARTINHAL LISBON CHIADO


FAMILY SUITES
No coração do Chiado, bairro histórico de Lisboa, fica o
primeiro hotel urbano do The Elegant Group. Seus 37 apar-
tamentos, com decoração contemporânea, são equipados
com uma infraestrutura completa de alto padrão: fogão,
máquina de lavar roupas, máquina de lavar louças e inú-
meros utensílios domésticos. Crianças e adolescentes, a
exemplo das outras unidades do grupo, contam com aten-
dimento especial.
Para que os pais possam relaxar, o serviço Pyjama Club mo-
nitora os pequenos, numa espécie de “festa do pijama”, até as
toDoS juntoS
22h. Dá tempo de jantar num bom restaurante ou assistir a um
Família se diverte no Largo do Paço, em Lisboa.
concerto, sem preocupações.
Abaixo, o Martinhal de Cascais
martinhal.com

66 | | DEZ.2019
h ospedag em
por r aphael calles

ESTRATÉGICO
O hotel fica às margens do rio Potomac.
E perto de tudo o que importa

Como um presidente
O admirável prazer de se hospedar no Mandarin Oriental na capital americana

Da janela do quarto veem-se o rio Potomac e os aviões deco- de 3 mil árvores da mesma espécie espalhadas pela cidade em
lando do aeroporto Ronald Reagan. Do lado oposto, o obelis- 1912. É com vista para elas que o Empress Lounge oferece uma
co que homenageia George Washington, o primeiro presi- atmosfera de relaxamento regada a coquetéis e vinhos, ou
dente americano. Aos seus pés, a capital dos Estados Unidos, mesmo um clássico chá da tarde, servido de sexta a domingo
Washington, D.C. O Mandarin Oriental é simplesmente um entre 14h30 e 16h30. E, se um aperitivo abre o apetite, um
hotel todo-poderoso no grande centro do poder. Sem esque- Mini Sushi Bar comandado pelo chef Minoru Ogawa pode re-
cer que, a poucos passos de distância do hóspede, descorti- ceber até oito convidados à beira do balcão. Mas se a ideia é
na-se o que há de melhor em gastronomia, tratamentos de algo mais elaborado, o novíssimo Amity & Commerce ofere-
beleza, relaxamento ou facilidades para os negócios. ce gastronomia americana contemporânea.
Mas nada de sair da suíte sem antes conferir tudo o que É possível começar o dia disposto – ou terminar, por que
está ao seu alcance. O toque aconchegante já começa na não? – com um bom treino, um banho de piscina, uma deli-
combinação de verde, azul e tons de terra em conjunto com ciosa sauna e um tratamento direto do spa com mais de 3 mil
a movelaria de madeira escura. A tradicional escrivaninha foi metros quadrados. O clima de relaxamento se estende de vol-
substituída por uma mesa redonda de mogno, que desfaz o ta ao quarto, com um banheiro digno de spa, totalmente de
ambiente de trabalho tão logo o computador é guardado. Um mármore e com um providencial sistema de dimmer. Isso per-
filme a sua escolha pode ser exibido na TV Ultra HD de 55 mite transitar do total relaxamento com luz indireta para um
polegadas sob o comando do celular do hóspede. banho de banheira a uma boa iluminação para barbear-se ou
Se a cidade não fosse um imenso atrativo, o hotel poderia acertar na maquiagem. Tudo para encarar o prazer de apreciar
sê-lo por si. Em seu jardim, vicejam as cerejeiras plantadas mais um dia na capital.
pela filha de Yukio Ozaki, o homem que presenteou as mais mandarinoriental.com

68 | | DEZ.2019
Em parcEria com cVc

Férias
incríveis
em Família
Aproveite momentos
inesquecíveis com a CVC
e o Grupo Aviva

V
ocê merece uma experiência de viagem
inesquecível. E esse privilégio só é possí-
vel com quem entende de viagem. A CVC,
maior operadora de viagens do Brasil, realiza
o sonho de milhões de turistas há 47 anos. Uma de suas
fórmulas de sucesso é ter parceiros de valor em todas as
áreas, como o Grupo Aviva, proprietária de dois destinos
paradisíacos para famílias: a Costa do Sauípe, no norte
da Bahia, e o Rio Quente Resorts, no coração de Goiás.
A CVC e o Grupo Aviva celebram o Brasil juntos,
proporcionando entretenimento de altíssima quali-
dade. Seus clientes vivem grandes aventuras, inte-
ragem com a natureza, praticam mergulho, relaxam
em recantos especiais e degustam o melhor da gastro-
nomia nacional e internacional. Assim, têm acesso a
um cardápio completo para curtir as férias ou apenas
alguns dias de folga.
Com a CVC, você viaja do seu jeito. Pode escolher
um All Inclusive da Bahia, um hotel em um complexo A CVC fornece assistência 24 horas e faz de tudo para lhe
com parque aquático, uma pousada à beira-mar ou garantir uma viagem sensacional. São mais de 1.400 lojas ex-
qualquer outra opção de hospedagem no Brasil ou no clusivas e mais de 6.500 agências de viagens multimarcas cre-
resto do mundo. Pode viajar de avião, carro alugado, denciadas. Você só precisa visitar uma delas ou entrar no site
ônibus ou com o próprio automóvel. Pode adquirir www.cvc.com.br. E a CVC cuida de todo o resto.
seguro-viagem, passeios e ingressos para os parques Acesse, curta e compartilhe.
mais divertidos do mundo. Pode inclusive comprar
um roteiro completo, com tudo de que precisa. cvc.com.br | cvcviagens | @cvcviagens
Brie
(ou Camembert) Que venha
2020
Combina muito bem com
cervejas ácidas como Berliner
Weisse, Saison ou a brasileira
Catharina Sour .
Réveillon vai bem com cerveja.
Aliás, queijo também combina
muito bem com ambos. Resolvemos
fazer uma mesa muito especial com
cervejas artesanais e os melhores
Emmental:
queijos que a Faixa Azul produz no
Suave doçura e teor alcoólico elevado,
Brasil. Tem de todos os tipos e para
como do estilo Pale Ale, harmonizam
todos os gostos.
perfeitamente com este tipo de queijo.
Entre os queijos, apresentamos
as melhores receitas do mundo. Em
cada tradição, o Faixa Azul mostra o
melhor da produção nacional, com
rigor e inspiração. Da França, temos
Brie e Camembert, queijos macios e
de casca branca. O representante da
Itália é o Parmesão Faixa Azul (Forma).
Blue Cheese Com sabor adocicado e boa acidez,
Graduação alcoólica elevada o Emmental leva a bandeira da
ou amargor de cervejas Suíça. O dinamarquês Blue Cheese
mais lupuladas são perfeitas completa o time com toda a sua
combinações para este tipo de intensidade e personalidade.
queijo. Opte, portanto, por uma Todos eles formam boas duplas
Porter ou uma American com cervejas. Confira a nossa mesa
Pale Ale. Você vai gostar. e aproveite bem.
Feliz Ano Novo.

Parmesão forma
Deguste com uma cerveja de aromas
e sabores de torrefação e leve dulçor,
como no estilo Stout.
Finíssima
Nova T V Ol e d da Pa na s on ic t e m m a i s c or e s, a pl ic at i vo s e r e s oluç ão.

T u d o na e spe s s u r a de u m a fol h a de pa pe l

G
uarde este código: TV OLED TC- conjunto de cores. Resultado: uma imagem muito
-65GZ1000B. Essa é a sua porta de mais realista.
entrada para uma imagem de altís- Em relação ao som, a nova TV da Panasonic
sima qualidade. Não só a imagem, é compatível com a tecnologia Dolby Atmos.
mas o som de cinema e a conectividade de que Esse novo recurso permite que o som se propa-
você não abre mão. gue em todas as direções, inclusive para cima.
Estamos falando da nova TV Oled 4K da Pa- Com o perdão do clichê, a sensação é de ter um
nasonic. Disponível em 55 e 65 polegadas, esse cinema em casa.
lançamento da marca japonesa dá um salto de Tudo isso funciona sob o comando de um
qualidade em todos os quesitos quando o assun- processador inteligente HCX PRO. Toda a ex-
to é entretenimento. periência adquirida pela Panasonic ao longo de
A resolução 4K já é bem conhecida. A Pana- décadas está representada nesse cérebro ele-
sonic, no entanto, vai além. Permite tons mais trônico. Ele comanda todos os sistemas e define
profundos de pretos e cores mais precisas. É a qualidade da imagem (cor, brilho e nível de
uma tela a óleo. Uma tela de cinema. Como qui- preto). Para se ter uma ideia da excelência do
ser comparar. Isso significa o mais próximo que produto, a TV recebeu calibragem de especia-
a indústria pode chegar da perfeição da imagem. listas em imagem de Hollywood.
A TV é compatível com o padrão HDR10+. Em Visto de lado, o aparelho mais parece uma folha
outras palavras, o High Dynamic Range permite de papel – de tão fino. É compatível com os aplica-
maior brilho e contraste da imagem. Além disso, tivos mais utilizados (Netflix, Youtube, Amazon) e
trabalha muito bem com os chamados “metada- está pronto para transformar o seu entretenimen-
dos dinâmicos”. Esse termo mais parece que foi to em uma experiência mais real e imersiva.
tirado de um filme de espionagem, mas faz toda
a diferença para o que você vê na tela. Isto porque panasonic.com/br
o padrão HDR10+ permite que cada quadro de um panasonic.br
filme, por exemplo, seja tratado com o seu próprio @panasonicbrasil

©Andres Jasso/unsplash
Explosão de sabores
Prepare pratos únicos e criativos com a Linguiça
Cuscuz paulista de Pimenta Biquinho Seara Gourmet ou o Lombo
com linguiça de Fatiado com Molho Barbecue Seara
Lombo Fatiado pimenta biquinho
com Molho
Receita 2 Receita 2
Barbecue
Lombo com crosta Cuscuz paulista com
Seara GOURMET
de parmesão linguiça de pimenta biquinho
é produzido com
TEMPO 60 minutos I PORÇÕES 3 Tempo 60 minutos I Porções 6 a 8
muito cuidado.
Preparo fácil Preparo fácil
Marinado no vinho
e cozido por
ingredientes ingredientes
3 horas, ele
› 1 Lombo Fatiado com Molho › 1 embalagem de Linguiça de Pimenta
apresenta carne
Barbecue Seara Biquinho Seara Gourmet
macia e suculenta.
› 150 g de queijo tipo parmesão ralado › 1 cebola roxa grande picada
Já vem fatiado e
› 70 g de mozarela ralada › 3 colheres (sopa) de azeite
tem o toque do
› 2 colheres (sopa) de salsinha picada › 2 latas de tomate pelado
molho barbecue.
› 2 colheres (sopa) de farinha › 3 colheres (sopa) de extrato de tomate
de rosca ou panko › 250 g de farinha de milho
› 1 dente de alho picado › 1 xícara (chá) de ervilhas frescas
ou congeladas
Preparo › 2 pimentões coloridos
Asse o lombo conforme as instruções › Sal e pimenta-do-reino a gosto
da embalagem. Enquanto isso, misture › 4 ovos cozidos
os outros ingredientes em uma tigela. › Azeitonas fatiadas
Quando o lombo estiver pronto,
Linguiça retire o plástico, alinhe a carne e cubra Preparo
de Pimenta com a mistura. Volte ao forno em Corte a linguiça em pedaços grandes.
Biquinho temperatura alta por mais 10 minutos Em uma panela grande, refogue no azeite a linguiça
Seara Gourmet para gratinar, ou utilize a função e a cebola picada. Quando a linguiça estiver
Linguiça com grill do forno. dourada, acrescente o tomate pelado e o extrato.
pedaços de Sirva em seguida. Adicione mais uma medida de água, utilizando a
pimenta biquinho própria lata do tomate. Mexa bem e deixe ferver.
e erva doce em Quando levantar fervura, adicione a farinha de
PARA HARMONIZAR
grãos. É uma milho, mexendo sempre. Acrescente as ervilhas
Produzida a partir de malte defumado, a
combinação única e tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto.
cerveja tipo Rauchbier tem um sabor que
para o seu prato Unte uma fôrma grande de pudim ou várias fôrmas
Lombo com crosta lembra carne defumada. Por isso, combina
pequenas com azeite. Decore com pimentão em
de parmesão muito bem com pratos mais encorpados,
especialmente à base de carne de porco.
fatias, azeitona e ovo cortado. Cubra com a massa
do cuscuz e mantenha na geladeira por cerca de 30
minutos ou até firmar. Pode servi-lo frio ou quente.
Em parceria com Som Maior

Toque
de gênio
Som Maior lança marca própria
voltada para automação residencial:
Piero Infinity Control

A
note este nome: Piero Infinity Control.
Esta marca vai dar o que falar no mer-
cado de automação residencial. Não por
acaso, é um lançamento de quem en-
tende do assunto, a Som Maior. Fundada em 1983
pelo engenheiro Luis Assib Zattar, a empresa é pio-
neira na importação das melhores marcas de produ-
tos de áudio e vídeo high end.
A criação da Piero é um impulso para a Som Maior
ganhar ainda mais relevância no segmento. Essa
nova linha produtos irá oferecer soluções completas
de controle para residências, com equipamentos ca-
beados e sem fio.

“Resolvemos criar uma marca


própria de automação porque Inspiração e tecnologia residência num espaço moderno e funcional. Também existe O cérebro do sistema é a controladora DaVinci
Piero veio do nome completo de Leonardo Da Vinci. Um dos maio- uma grande variedade de keypads disponíveis em várias cores e One, que atua como um maestro que coordena toda
não havia uma opção no
res nomes do Renascimento italiano, da arquitetura e da ciência, acabamentos – harmoniza com qualquer decoração. a casa e permite ao próprio cliente customizar seu
mercado que oferecesse uma
foi registrado como Leonardo di Ser Piero Da Vinci. A nova marca Entre os destaques, estão os Smart Mirrors, espelho combinado a sistema. É capaz de definir agendamento de tarefas,
solução completa” explica da Som Maior traz a essência de Da Vinci para o século 21. Une arte uma tela sensível ao toque.. Eles permitem o controle total da auto- como baixar as persianas automaticamente. O mó-
Samir Assib Zattar, diretor e precisão em todas as suas soluções. O seu design tem função e a mação e do áudio e vídeo da casa. Quando desativado, pode se passar dulo conta com um processador de alta capacidade.
de tecnologia da Som Maior. sua tecnologia atende às necessidades do usuário. por um espelho normal. Disponíveis em versões circular ou retangu- Pode se comunicar com os outros equipamentos por
Segundo ele, todos buscam: Integração e acessibilidade são dois pilares da Piero Infinity Con- lar, apresentam resolução Full HD e conexões USB, bluetooth e wifi. uma rede cabeada ou sem fio, separadas. Isso garante
estabilidade, confiabilidade, trol. Em casa ou a distância, pode-se acionar as luzes, aquecedores Com uma tela de 4,3 polegadas, o modelo Enviro é a estrela estabilidade na rede, sem interferência de um even-
da banheira, câmeras de segurança, equipamentos de ar condicio- dos keypads. O dispositivo traz várias possibilidades para a auto- tual problema no fornecedor de internet. Os produ-
facilidade para programar e
nado e sistemas de vídeo e áudio, tudo com um toque no celular. mação residencial, como monitoramento de recursos hídricos e tos Piero podem ser encontrados em todo o Brasil na
operar e um custo razoável.
A marca apresenta uma gama completa de módulos de con- elétricos. Também dispõe de sensores de proximidade e tempe- rede de revendedores Som Maior.
“Precisamos pensar no cliente trole de iluminação e cortinas, sensores de presença e tempera- ratura, além de ícones e interfaces que podem ser personalizados
e no revendedor.” tura, keypads e telas touch. Tudo isso permite transformar uma para se adaptar a cada projeto. sommaior.com.br
t ecn o lo g i a

CONTROLE CENTRAL
Os pequenos smart speakers comandam a
residência, restando ao morador apenas aproveitar

de customização aos clientes. “Tudo vai de acordo


com o projeto”, informa Guilherme Gregori, CEO da
Paes & Gregori. “Em alguns cabem mais e em outros
menos. Desenhamos projeto a projeto e realizamos
de acordo com a necessidade do cliente.”
Hoje, como bem explica Gregori, a automatização
ainda tem pouca penetração no Brasil. Ao contrário
do que vem ocorrendo nos EUA e da China. Mas a de-
manda está crescendo. Um exemplo do aquecimento
desse mercado são os projetos conduzidos por Leandro
Elias, diretor da integradora Real HT, focada em auto-
mação residencial. Ele conduz de 10 a 12 projetos por
mês. Todos de casas de alto padrão na capital paulista
ou no interior do estado, como o condomínio Quinta
da Baroneza, em Bragança Paulista.
“É possível ter um sensor de presença na sala, no
escritório e nos corredores e definir que se acenda uma

Smart Living
O primeiro passo, enfim, para um mundo de possibilidades proporcio- cena de iluminação de dia e luzes de forma mais com-
nadas pela automação residencial já foi dado. “A automação não é algo fora pleta à noite”, explica Elias. “De madrugada, pode ser
da realidade e nem precisa ser sofisticada”, explica José Roberto Murato- definido que se acenda um caminho. Pode-se ainda
Chegou a hora de dar um banho de tecnologia e transformar sua residência em uma casa inteligente ri, diretor-executivo da Associação Brasileira de Automação Residencial e chegar ao requinte de ligar o ar-condicionado quan-
Predial (Aureside). “Pelo contrário, ela é muito útil e palpável. Tem como do o sensor percebe que passou de 24 graus. E desligá-
função ajudar pessoas em busca de praticidade, segurança e conforto.” -lo meia hora depois de você ir embora.”

U
m velho ditado diz que as paredes têm ouvidos. A frase Casas inteligentes deixaram o status de futuro distante, como A automação, enfim, pode ajudar desde um executivo que viaja muito e A maior parte dos clientes busca automação na
é um conselho para tomar cuidado ao falar em ambien- nos desenhos dos Jetsons, para se tornar uma realidade cada vez quer controlar a temperatura da adega de vinho a um casal com filhos que área social, o que inclui a sala de estar, varanda gour-
tes com um eventual terceiro ouvindo a conversa. No mais próxima. Isso não é uma tendência ditada por um guru, precisa ter certeza se a porta foi travada. E o melhor: o custo está cada dia met, home theater e piscina. “Nada disso funciona
mundo atual, da transformação digital, as paredes, de fato, têm mas uma realidade averiguada por pesquisas. O mercado global mais acessível. “De cinco anos para cá, o preço da automação residencial sem uma boa rede cabeada e wi-fi”, lembra Elias.
ouvidos. Ao pé da letra. Não só as paredes, mas as luminárias, de smart speakers deverá movimentar US$ 31,7 bilhões em 2023. caiu pela metade”, contabiliza Muratori. Com infraestrutura, dá para ligar o som na piscina,
persianas, TVs, cafeteiras, pipoqueiras, geladeiras e, em espe- Mais do quádruplo ante os US$ 7,9 bilhões de 2018, em levanta- A parte de instalação também ficou mais fácil, sem o quebra-quebra e o na varanda, desligar o ar-condicionado, escolher
cial, caixas de som à mercê de assistentes pessoais. Bem-vindo à mento da IHS Markit, provedora de informações. remanejamento de fios do passado. Hoje, há uma série de dispositivos que um filme, acender a luz e por aí vai. Tudo isso pode
era dos smart speakers, famosos graças a nomes como Alexa (da De acordo com o Google, a expectativa é que 327 milhões saem de fábrica prontos para a era da transformação digital. As TVs, por ser feito a um clique no aplicativo do celular e, mui-
Amazon) e Nest Mini (do Google). de lares estejam conectados em um smart speaker ao redor do exemplo. E, quando não, há alternativas como a compra de smart plugs. tas vezes, a partir de um simples comando de voz.
Por meio deles, dá para pedir para escutar uma música, ligar a mundo até 2021. Só nos Estados Unidos, um em cada cinco Explica-se: são tomadas inteligentes, com wi-fi. Hoje, calcula Elias, uma automação residencial na
máquina de café e extrair um expresso, ouvir o noticiário, acen- adultos tem um aparelho assim, segundo pesquisa do Voi- Automação residencial não é um produto para apanhar na prateleira e área social de um apartamento de 150 a 200 metros
der e apagar as luzes, trancar fechaduras, gravar vídeos e cha- cebot.ai. Isso significa que 47,3 milhões dos 252 milhões de acomodar no carrinho de supermercado. Ela é, antes de tudo, personalizá- quadrados custa por volta de R$ 25 mil a R$ 30 mil.
madas de voz, perguntar sobre a previsão do tempo e controlar americanos já abraçaram essa tecnologia que é o pontapé ini- vel. Incorporadoras e construtoras como a Paes & Gregori, de residenciais A casa toda, dependendo do grau de sofisticação do
os muitos dispositivos de uma casa inteligente. cial da automação residencial. voltados ao público de alto poder aquisitivo, já oferecem essa possibilidade projeto, pode chegar a R$ 200 mil. TP

80 | | DEZ.2019 © divulgação | istock DEZ.2019 | | 81


Em parceira com American Express

Jantares estrelados
E m pa rc e r i a c om o Guia Mic he lin, pl ata for m a A m e x For Fo odi e s,

Da A m e r ic a n E x pr e s s, promov e e nc on t ro s

c om o s m e l hor e s c he f s d o m u n d o

O
melhor do melhor. Os Associa­dos do restaurante Shizen Barra Nikkei; e Fransua
do cartão American Express estão Ro­bles, do La Picante.
acostumados com isso em todas Nicolás Lopez, do Villanos em Bermudas,
as áreas. Na gastronomia, o ní­ 15° na lista dos 50 melhores restaurantes,
vel ficou ainda mais elevado e surpreen­dente. também marcou presença. Ele foi recepcio­
Numa parceria com o Guia Michelin, a plataforma nado por Tho­mas Troigros. Além disso, Ken
AmexForFoodies reuniu chefs em nove jantares Tanaka, do Kino­shita, recebeu Ciro Watana­
ao longo de 2019. Seis deles foram realizados em be, do Osaka – o res­taurante chileno é o 47°
São Paulo e três no Rio de Janeiro. na lista dos melhores da América Latina. Não
Neste ano, mais de 500 associados podemos esquecer o memorável jantar de Ne­
American Express tiveram contato com as lio Cassese, do Cipriani Copacabana Palace,
criações de chefs famosos de países como com Luis Filipe Souza, do restaurante Evvai
Argentina, Colômbia, França, In­glaterra, Itália (1 estrela Michelin).
e Peru. Ao longo de 2019, o pro­jeto promoveu A presidente da American Express no Brasil,
encontros memoráveis. Rose Del Col, faz um balanço positivo da ini­
Vale destacar Paolo Lavezzini, do Neto ciativa: “Este é um projeto muito importante e
D’Italia, no Hotel Four Seasons SP. Ele recebeu que representa os diferenciais da marca em be­
Riccardo Monco, Enoteca Pinchiorri, restau­ nefícios e serviços, tornando momentos como
rante 3 estrelas Michelin localizado em Floren­ um jantar em experiências inesquecíveis para
ça, na Itália. No menu, um show com camarões nossos associados”. De acordo com a executi­
enrolados no bacon com creme de feijão e farro va, a inspiração para o projeto veio do estilo de
toscano - prato principal paleta de cordeiro bra­ vida das pessoas. “Todos estão buscando cur­
seada, al­cachofra, manjerona e mandioquinha. tir as suas paixões e procurando integrar a vida
Já Jefferson Rueda foi o anfitrião de uma sele­ profissio­nal com a pessoal.”
ção peruana de chefs: Mitsuharu Micha, do res­ Para 2020, a American Express promete sur­
taurante Maido; Renzo Garibaldi, do Restau­ preender ainda mais com o elevado nível de ex­
rante Osso; José del Castillo, do Isolina; Pedro celência do Amex­ForFoodies. Confira os novos
Miguel Schiaffino, do restaurante Malabar; José shows de sabores, aromas e texturas no site da
Lujan Vargas, dos restaurantes Chullpi e Taytafe; American Express ou nas mídias sociais.
En­rique Paredes, do Barrakhuda; Mayra Flores, americanexpress.com/br
Em parcEria com magic VillagE

Paixão Por Rodrigo Cunha, CEO da Magic Development. “Temos certeza de que
este projeto estabelecerá um novo padrão de beleza atemporal”, disse
Paolo Trevisan, diretor de Design da Pininfarina America.

orlando Magic Village by Pininfarina é parte do complexo Magic Pla-


ce. O lugar está localizado na região central da Flórida, um dos
maiores polos turísticos do estado americano.
Entre os serviços, destaque para concierge e serviços hote-
Com assinatura Pininfarina, leiros, com atendimento em vários idiomas, durante as 24 horas
Magic Village vai mudar do dia. O clubehouse oferece piscina aquecida, sauna, acade-
mia, espaço kids e sala de reuniões. Além disso, tem transporte
seu conceito de férias na Flórida para os parques temáticos. Com a localização privilegiada e esses
serviços de primeira linha, as casas também serão um excelente
investimento para quem adquiri-las com a finalidade de alugar.

P
oucas coisas devem harmonizar tão bem com A partir da máxima de Paolo Pininfarina de que o design é uma
uma Ferrari quanto o empreendimento Magic forma de humanizar a inovação, não é exagero dizer que o Magic
Village, em Orlando. Isso não acontece por Village é uma forma extraordinária de ter um lugar para tirar fé-
acaso. Existe uma relação de parentesco entre rias, ou investir, em Orlando.
eles a partir da prancheta de desenho. Ambos são criações
do Studio Pininfarina. Também conhecido por projetos magicvillagebypininfarina.com
fora do âmbito automotivo, como o Juventus Stadium e
Istambul New Airport Tower, o estúdio italiano uniu arte,
décor e design em um mesmo lugar.
Sob o comando da Magic Development, empresa cria-
da por brasileiros, o projeto conta com 450 casas de três
e quatro suítes, com previsão de entrega para agosto de
2020. “Investidores e viajantes terão uma experiência
inigualável na região e estamos animados em ver o que o
futuro reserva para Magic Village by Pininfarina”, afirmou

DEZ.2019 | | 84
v i s Ão

Sempre polêmica
A cantora Lana Del Rey adora controvérsias.
Há quem diga que, por trás disso, esteja um bem sacado plano de marketing

Por SERGIO CRUSCO

Os cabelos caem como uma cascata de seda sobre os ombros.


A controvérsia persegue Lana Del Rey
O corpo é voluptuoso. A boca, carnuda como a de Brigitte
desde o momento em que o clipe da Bardot. A voz de contralto luxuriosamente lânguida com-
bina com o look retrô, acentuado pelo gatinho de delineador
música “Video Games” estourou na internet nos olhos e um ar blasé que se pretende indevassável. Suas
canções são melancólicas com acordes graves, próprias para
em 2011, num caso aparente de fama
embalar crises existenciais nos quartos trancados da ado-
conquistada da noite para o dia. Veio lescência. Estava definido um estilo de ser e de fazer música.
No começo da década, ela era uma promessa musical.
“Blue Jeans”, mais um hit poderoso lançado À parte os méritos artísticos, Lana Del Rey, 34 anos, con-
no YouTube e, antes mesmo que a garota figura um caso de reposicionamento de marca. Embora te-
nha tentado apagar as pegadas que deixou antes da fama,
pudesse apresentar o álbum Born to Die, houve quem fuçasse e, sem esforço, puxasse o fio da meada.
Em 2005, ela chegou a registrar um EP de sete faixas com
lançado em janeiro do ano seguinte, teve
seu nome de batismo, Elizabeth Woolridge Grant. Em se-
a vida pessoal e profissional investigada. guida, sob a alcunha May Jailer, gravou um álbum folk com
o qual não chegou a lugar algum. Tentou a sorte novamente
Lana, uma das estrelas da próxima edição como Lizzy Grant, agora de contrato assinado com a peque-
na gravadora 5 Points Records, da qual recebeu US$ 10 mil
do Festival Lollapalooza, no autódromo
de adiantamento e pela qual trabalhou por dois anos, até o
de Interlagos, em abril, impressiona. E como. lançamento de mais um álbum, em 2010. Outro furo n’água.

86 | | DEZ.2019 © divulgação
Enfim, rompeu o contrato e decidiu autoproduzir-se, não
sem antes ficar em dúvida sobre a próxima alcunha. Tentou
Lana Del Ray, depois Lana Rey Del Mar (que mais parece Ela contruiu uma aura de rebelde.
nome de restaurante especializado em paella). Até chegar a
Mas nem tanto. Anuncia produtos
Lana Del Rey, que define como “uma mistura de Lana Tur-
ner com o sedã Del Rey da Ford”. O novo pseudônimo cairia da H&M, deu nome a uma bolsa
bem a alguma estrela hollywoodiana do passado e combina
da Mulberry e lançou um Jaguar
com a estética de Lana, que nutre referências cinematográ-
ficas e musicais dos anos 1950 e 60. Assim como das pin-ups
de silhueta curvilínea que recria com sua persona artística.
Dizem os reviradores de seu passado que há um dedo, se
não a mão toda, do pai de Lana nessa história. Nascida na da moça. A jornalista Lucy Jordan, do New Musical Express,
cidade de Nova York e criada no norte do estado, Elizabeth escreveu qua a personagem vivida por Lana no vídeo gla-
é filha de publicitários bem situados, que teriam bancado as mouriza a profissão mais antiga do mundo.
tentativas musicais da filha, inclusive o clipe de “Video Ga- Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, Lana ad-
mes”. Lana desconversa, diz que ficou um bom tempo sem mitiu que o vídeo poderia mesmo ofender as feministas.
ver o pai. Nesse período, insinua ter levado uma vida er- “Mas aquilo era algo mais pessoal”, rebateu. “Tinha a ver
rante, trabalhando com assistência a drogados e alcoólatras. com meus sentimentos sobre o amor livre e sobre o efeito de
encontrar estranhos na vida. Em como isso pode ser um de-
MOTOCICLISTAS TIOZÕES sequilíbrio no bom sentido, nos libertando das obrigações

E
la própria diz ter sido viciada em álcool na adolescên- sociais das quais espero estarmos tentando nos livrar.”
cia, o que lhe valeu uma temporada num colégio in- O repórter Tim Jonze foi rápido no gatilho e perguntou
terno (há quem desconfie – afinal, um passado ébrio quanto daquele vídeo representava a vida real de Lana.
sempre cai bem em qualquer biografia rock’n’roll). Mesmo “Cem por cento”, ela disparou. O repórter cutucou: “Sair
limpa, gostava de sair pela noite, conhecendo de modo Lana Del Rey. Os críticos sugerem que sua personagem ar- por aí com motociclistas e transar com caras diferentes?”.
aleatório pessoas nos bares do Brooklyn e tentando, entre tística foi milimetricamente inventada pelos produtores da “Yeah”, foi a resposta, seguida de uma gargalhada.
encontros furtivos e histórias entrecortadas, fazer música e gravadora que a mantém sob contrato, a Polydor/Interscope.
poesia, à maneira de Bob Dylan, um de seus ídolos. Por ironia, alguém que teria motivos para guardar rancor MORTE PRECOCE

A
O álbum Born to Die, lançado em janeiro de 2012, estourou. da cantora ofereceu a mão. David Nichtern, fundador da 5 mesma entrevista colocou Lana em outra saia jus-
Chegou ao primeiro posto em 11 países. O sucesso repenti- Points Records, disse, mesmo depois da quebra de contrato, ta. Conversando sobre seus ídolos Amy Winehouse
no, alcançado como it girl e musa da adolescência deprimida que a garota sempre soube muito bem aonde queria chegar e Kurt Cobain, sugeriu que havia glamour na mor-
(que afoga mágoas em consumo), logo lhe garantiu um con- e que com ela ninguém fritava bolinho. “Essa história de te prematura, e que gostaria de ter esse destino. “Não diga
trato publicitário com a gigante varejista de moda H&M. Em que Lana não sabe tomar decisões é completamente irreal”, isso!”, assustou-se Jonze. “Mas eu digo”, ela rebateu. “Você,
seguida, mais um, com a grife Mulberry, que se apressou em falou Nichtern. “Se foi ‘inventada’, foi ela própria quem se não!”, devolveu o repórter. “Eu sim. Eu não queria continuar
lançar o modelo Lana Del Rey de bolsa. O nome da cantora inventou. Lana tem ideias muito fortes sobre o que faz. A fazendo isso, mas continuo”, disse, em mais um de seus res-
tornou-se, enfim, reconhecido no mercado de luxo. “Lana hipótese de que alguém poderia moldá-la é impossível.” mungos sobre como é exasperante cumprir as obrigações
tem um misto único de autenticidade e modernidade”, disse Por fazer o que lhe dá na telha, a bela Lana tem sofrido impostas pela fama, e como a morte solucionaria o drama.
o global brand director da Jaguar Land Rover, Adrian Hall- ataques. Quando lançou o vídeo de “Ride”, um curta-me- Quem ficou fula da vida foi Frances Bean, filha de Kurt
mark, sobre a garota-propaganda que descerrou o manto do tragem de 10 minutos, ganhou o ódio das feministas. Pu- Cobain. Ela tuitou: “A morte de jovens músicos não é algo
Jaguar F-Type 2012, lançado no Paris Motor Show. dera: ela aparece fazendo michê pelas ruas de uma cidade que possa ser romantizado. Nunca vou conhecer meu pai
Autenticidade (ou sua falta) é uma palavra que aparece californiana e acaba sendo “adotada” por uma gangue de porque ele morreu jovem, e agora isso virou algo desejável
em qualquer análise que se disponha fazer sobre o fenômeno motociclistas tiozões – cada um deles tira uma casquinha porque pessoas como você acham cool”.

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Lady Gaga, Gwen Stefani e Kanye West
estão entre os artistas com quem
já se desentendeu. Até a filha
de Kurt Cobain virou desafeta

Lana, espertinha, quis botar a culpa na publi-


cação. O Guardian teria inserido sua fala fora de
contexto. O repórter Tim Jonze garantiu que ela
disse tudo letra por letra. E postou o áudio para
que não houvesse dúvida.
Embora tenha se metido em outros quipro-
quós que já envolveram Lady Gaga, Gwen Stefa-
ni e Kanye West (por conta do apoio do rapper a
Donald Trump), a cantora diz não ser uma pro-
vocadora. Posou nua como “mulher do ano” para
a capa da edição inglesa da revista GQ, mas alega
sonhar com uma vida tranquila, longe da fama,
numa comunidade de escritores. Sim, a bela tem
ambições literárias e prometeu o seu primeiro li-
vro de poesias. Já lançou neste ano o sexto álbum,
Norman Fucking Rockwell, uma brincadeira boca-
-suja com o nome do desenhista que retratou o
American way of life no século 20.
No frigir dos ovos, Lana diz não ter compro-
misso com ninguém, a não ser consigo mesma:
“Sou muito egoísta. Faço tudo meio que para
mim. Quero dirigir ouvindo minha música, que-
ro mergulhar no oceano com ela. Quero pensar
NO TOPO 1. Com um motociclista no vídeo de “Ride” (2012); sobre ela e depois escrever algo novo em cima
2. Capa da revista GQ (2012); 3. Cena do minifilme Tropico (2013); disso. Não quero que as pessoas ouçam e pensem
4. Capa da revista Complex (2017); 5. Clipe de “Doin' Time” (2019) sobre o que escrevi. Não é da conta delas”. TP

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a u d i ç ão

O cometa Jimi Hendrix


Ele riscou o céu do rock com rapidez, brilho e intensidade

Por Walterson Sardenberg So ILUSTRAçÃO RAPHAEL ALVES

N
esse ínterim, Hendrix lançou apenas três álbuns de es-
Como pode alguém em apenas três anos e nove
túdio – além de um ao vivo, que abominava. Ainda as-
sim, tornou-se o guitarrista mais inovador e influente
meses e meio reinventar a guitarra e os blues? da história, pioneiro no uso do instrumento como matriz do som
eletrônico. Antes dele, outros recorreram a recursos como feed-
back e distorção, mas Hendrix fez disso uma linguagem contro-
Como pode alguém nesse curto espaço de
lada e fluida, expressa por sua Fender Stratocaster e multipli-
cada por gigantescos amplificadores Marshall ligados em série.
tempo revolucionar a música? Assim aconteceu Ele foi mesmo um cometa. Deixou um rastro de luz, junto com
uma interrogação riscada na estratosfera: como, afinal, morreu
com Jimi Hendrix. Do dia 16 de dezembro de com apenas 27 anos?
Na época, há quase meio século, as manchetes dos jornais
estamparam que o motivo foram as drogas. Ou o excesso delas.
1966 (quando o compacto simples com “Hey Hendrix seria o doidão inconsequente, o Baco alucinado, o he-
donista sem freios, o viciado irrecuperável, o desencaminhador
Joe” foi lançado pela Polydor britânica) até 18 de da juventude. O sensacionalismo e o moralismo passaram por
cima de uma constatação óbvia: a droga que se incumbira de
matar o americano James Marshall Hendrix podia ser encontra-
setembro de 1970 (quando o cantor, compositor da, com venda legal, em qualquer boa farmácia das redondezas,
em Londres. Bastava uma receita médica.
e guitarrista americano morreu) foi tudo, ao Pois é, na noite de sua morte, o guitarrista consumira bar-
bitúricos. Os mesmos barbitúricos que, quatro anos antes, os
Rolling Stones cantaram como “Mother’s Little Helper”, ou seja,
mesmo tempo, intenso e fugaz.
“Pequenos Ajudantes das Mamães” – um remedinho respeitá-
vel, utilizado pelas ainda mais respeitáveis senhoras para levá-
Como a passagem de um cometa. -las ao sono diário, livrando-as por algumas horas do tédio.

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Hendrix causou, de início, mais assombro e ciúme do que
admiração nos guitarristas britânicos famosos. É o que se
Jimi andava animadíssimo. Estava EM FAMÍLIA conta. Como lenda. Como fábula.
O palco era a casa do canhoto. Abaixo, As gravações de seus discos – que, sabe-se hoje, obede-
terminando seu quarto disco de
com o pai, Al, a madrasta June e o irmão ciam a uma rigorosa disciplina – também suscitaram lendas.
estúdio. Combinara de gravar com Leon em Seattle, sua cidade natal Conta-se que a faixa “Voodoo Chile”, do álbum duplo Eletric
Ladyland, seu terceiro disco de estúdio, teria sido registrada
Miles Davis. Não queria morrer
altas horas da madrugada, em Nova York. Hendrix e o bate-
rista de seu trio, Mitch Mitchell, estariam na maior esbór-
nia em uma casa noturna, na companhia do baixista Jack
Casady (do Jefferson Airplane) e do multi-instrumentista
Hendrix encontrara os comprimidos, da mar- Steve Winwood (do Traffic). Lá pelas tantas, de supetão, o
ca Vesparax, no banheiro do apartamento da guitarrista levou a turma para o estúdio Record Plant. Apro-
alemã Monika Danemann, de 25 anos, com quem veitou e carregou na balada conhecidos que biritavam com
passaria a noite. Os dois vinham mantendo um eles e não tocavam nem sininho de Natal.
caso desde janeiro daquele ano de 1970, quando
se conheceram em um concerto em Düsseldorf, VAIAS NA ALEMANHA

A
na Alemanha. Nos depoimentos à polícia, Mo- ssim, sem ensaios, com gente alcoolizada refestelada
nika não soube calcular quantos comprimidos no chão, saiu a gravação perfeita. Hendrix está sober-
Hendrix ingerira. Chegou a dizer que foram nove. bo na canção que já foi chamada de mescla de Chicago
Depois negou. O segredo morreu com ela. Moni- Blues com ficção científica. Seus “duelos” de guitarra com o ór-
ka faleceu aos 50 anos, em 1996, dentro de um gão Hammond tocado por Winwood tornaram-se antológicos.
Mercedes-Benz, em Seaford, na Inglaterra. Ao Um dos maiores momentos do rock – e do Chicago Blues.
que tudo leva a crer, deu cabo da vida com uma Até mesmo os barbitúricos que teriam matado o artista
dosagem excessiva de barbitúricos. estão na dimensão das lendas. Na realidade, ele morreu por
Mas Hendrix não queria morrer. É o que re- uma causa indireta: embalado pelos comprimidos e, prova-
latam os amigos. Andava animadíssimo. Estava velmente, por álcool, vomitou. O corpo rejeitara a mistura.
terminando as gravações de um álbum duplo. O anos, quando irrompeu na sala da casa modesta em Seattle Deitado de barriga para cima, morreu afogado no próprio
disco, por sinal, teria um nome pra lá de otimis- tocando blues na gaita com rara habilidade, para espanto do vômito. Como isso pode ter ocorrido?
ta: First Days of the New Rising Sun (Primeiros Dias pai, o jardineiro Al? Outra: decidiu-se, de fato, pela carrei- Há quem culpe Monika Danemann. Não só ela. Também
do Novo Sol Nascente). No final de setembro, ele ra artística depois de uma queda malsucedida, quando era os enfermeiros do Hospital St. Mary Abbott’s. Chamados
encontraria o trumpetista Miles Davis para gra- paraquedista do Exército? Mais uma história com a aura de por Monika, eles não notaram os sintomas de afogamento.
varem juntos. Falava disso com entusiasmo. O fábula. Outra: foi, realmente, expulso da banda de Little Ri- Acomodaram Hendrix de barriga para cima na ambulância.
encontro o soergueria à altura dos jazzistas, algo chard porque tivera a pachorra de querer aparecer, no pal- Ele já chegou morto no hospital. Isto é fato. Ou seria lenda?
recompensador para um autodidata como ele. co, mais do que o vaidosíssimo líder? Como alguém expulsa Qual a culpa de Monika, uma pretendente a pintora? A
Miles foi ao enterro de Hendrix na fria Seattle, Hendrix? – ainda que este alguém seja Little Richard? demora no atendimento. Antes de chamar os médicos, ela
cidade natal do guitarrista. Levou o seu trumpe- As perguntas poderiam continuar às dezenas. Fala-se que telefonou duas vezes, em desespero, para o cantor Eric Bur-
te e fez menção de tocá-lo à beira do túmulo, em uma namorada arrastou Chas Chandler, baixista dos Ani- don. Ele era amigo chegado de Hendrix. Tanto que duas
homenagem ao amigo. Leon, irmão de Hendrix, mals, até o Café Wha?, em Nova York, porque tinha interesse noites antes deram canja juntos no palco da boate de jazz
o impediu. É o que relatam. Será? sexual naquele guitarrista negro, canhoto e desconhecido. Ronnie Scott’s, no bairro londrino do Soho.
Boa parte da vida de Hendrix tomou a dimen- Daí surgiria o convite para tentar a sorte na Inglaterra. Foi Já na primeira ligação, Burdon foi enfático: “Desligue e chame
são de lenda. Pergunta-se: teria mesmo apenas 4 assim mesmo? Insinua-se que ao desembarcar em Londres, uma ambulância!”. Monika, todavia, não agiu com a urgência

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UM RASTRO DE LUZ O cometa com sua Stratocaster.
Abaixo, à direita da foto, o baterista Mitch Mitchell
e o baixista Noel Redding no enterro de Jimi

necessária. Há quem suspeite que temia problemas com a imigração. Teria


receio de chamar os médicos ao seu apartamento — e, por intermédio deles,
a polícia. Daí ter feito uma segunda ligação para Burdon. “Mas como? Você Em 1993, mais de duas décadas depois
ainda não chamou a ambulância?”, ele quase arrancou os cabelos.
da morte do guitarrista, a Scotland
Três pessoas não só jamais se conformaram com a maneira estú-
pida com que Hendrix morreu como tentaram ao longo de décadas Yard reabriu o caso, para arquivá-lo
descobrir a história verdadeira: o baterista Mitch Mitchell; sua mulher,
de vez um ano depois
Dee; e Kathy Etchingham, ex-namorada do guitarrista. Em 1991, con-
seguiram que a Scotland Yard os ouvisse sobre um pedido formal de
reabertura das investigações. Dois anos se passaram até que a polícia
britânica concordasse em desarquivar o caso. Pouco depois, em 1994,
contudo, a Scotland Yard divulgou uma nota lacônica, informando que
não encontrara evidências que recomendassem a insistência no inqué- Desconfortável, parte da plateia vaiou, antes de
rito. A morte de Hendrix voltou aos arquivos da polícia mais famosa do Hendrix iniciar os primeiros acordes de “Killing
planeta. Para tornar-se de vez uma lenda. Floor”, a primeira das 13 canções. O show termi-
Em 6 de setembro, 12 dias antes de morrer, Hendrix fez sua última nou com a plateia arrebatada por “Voodoo Chile”.
apresentação oficial, no Festival da ilha de Fehmarn, ao largo da costa Em menos de duas semanas Hendrix se torna-
da Alemanha. Foi um dia difícil. Ele tocaria na noite anterior. Mas a ria ele próprio uma lenda. Ainda bem que restou
chuva era torrencial. Por isso, a apresentação acabou remarcada para o sua estupenda música para lembrar que, de fato,
meio-dia do dia seguinte. A chuva continuou. Havia vento. Frio. Lama. o cometa riscou – e beijou – o céu. TP

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pa l a da r

Pão nosso
O Brasil é o segundo maior produtor de panetone no planeta. Só perde para a Itália

Por J.A. Dias Lopes

D
Úmido, fofo e amanteigado, é recheado urante séculos, esteve circunscrito à região da Lom-
bardia e sua capital, Milão, onde surgiu ao longo da
com uvas-passas e frutas cristalizadas.
Renascença. Referimo-nos ao período, há um milênio
Tem aroma de baunilha levemente cítrico, e meio, de grandes transformações na cultura, sociedade, eco-
nomia, política e religião, com epicentro na região que, mais
e formato de chapéu de cozinheiro. O
tarde, seria uma das mais desenvolvidas da futura Itália.
panetone é um pão grande e doce que caiu A primeira citação em livro desse pão opulento e generoso,
relacionada ao Natal, apareceu no dicionário Varon Milanes, do
no gosto universal. Tem similares em alguns
piemontês Giovanni Capis, publicado entre o final do século 16
países, sim, mas nenhum ameaça sua e início do seguinte. Tinha o nome um pouco diferente. Cha-
mava-se panaton. Como tal, aparece em um quadro renascen-
relevância. Obrigatório na comemoração do
tista do pintor flamengo Pieter Bruegel (1525-1569). O sucesso
Natal de milhões de pessoas, ricos e pobres o no exterior, porém, ainda não completou cem anos.
Foi o homem de negócios milanês Angelo Motta (1890-1957),
saboreiam com prazer.
então futuro ministro das Finanças do presidente e primeiro-
Sua receita original, porém, comporta -ministro italiano Alcide De Gasperi, quem aprimorou defi-
nitivamente a antiga receita do panetone e ampliou seu hori-
variações. Hoje, há panetone com recheio
zonte de consumo. Em 1921, abriu uma pasticceria (confeitaria)
de chocolate – quando as frutas secas são em Milão, na movimentada via della Chiusa, e ali começou a
produzir industrialmente o pão natalino. Pelas inovações que
substituídas por gotas de chocolate e ele se
introduziu, passou a ser considerado seu reinventor. Angelo
torna chocotone –, com brigadeiro, doce de Motta aromatizou a massa com uma combinação de baunilha,
laranja e limão em proporções secretas. Aumentou a quanti-
leite, goiabada e outros ingredientes. Mas
dade de manteiga, açúcar, uvas-passas, frutas cristalizadas, o
nem sempre foi especialidade universal. tempo de levedação e de forno. Consagrou definitivamente o

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formato cilíndrico e alto, anteriormente variado. E, acima
de tudo, espalhou o panetone pela Itália e vizinhos euro-
peus. Ainda hoje, a marca Motta, comprada pela Nestlé, é A massa da Bauducco para fazer
sinônimo de produto de qualidade.
os panetones deste ano de 2019 ainda
Saboreado no mundo inteiro, o pão natalino chegou ao
Brasil em 1939, por iniciativa da confeitaria paulistana Di é, de certo modo, a mesma que
Cunto, do bairro da Mooca. Mas era elaborado com fermen-
começou a ser usada há sete décadas
to de pão, a fermentação levava poucas horas, a massa en-
durecia – e comprometia a longevidade, fundamental no
panetone. O autêntico pão natalino da Di Cunto, à base de
fermento natural e longa levedação, dotado de uma massa
que se separa em fios ao ser rasgada com as mãos, foi ela- OUTROS TEMPOS – 75 milhões do cobiçado pão natalino, feito se-
borado mais tarde, já na década de 1950. Nas fotos maiores, gundo a receita original milanesa, e preparações
o panetone da assemelhadas. O chocotone, responsável por
PESO-LIMITE Motta de outros 40% das vendas, foi criado em 1978 no Brasil,

D
o jeito que o faziam em Milão, só veio a se espalhar, Natais. Nas por Massimo Bauducco, neto do pioneiro Carlo.
primeiramente em São Paulo, e depois no Brasil a demais imagens, No quesito da qualidade, a marca agora enfrenta
partir de 1952, quando o turinês Carlo Bauducco, os pioneiros muitas concorrentes nacionais e estrangeiras,
dono da confeitaria homônima, no bairro paulistano do da Bauducco e entre as quais a Visconti e a Tommy, de sua pro-
Brás, passou a produzi-lo em escala. Ao imigrar, trouxe na pedaços da massa priedade. Todas aparecem nos supermercados,
bagagem um pouco da massa madre, o fermento natural madre, que é confeitarias, padarias e delikatessens nesta época
que se reproduz espontaneamente e faz o pão crescer; tam- utilizada há mais do ano – o grande mercado do panetone se abre
bém lhe confere aroma realçado, textura e sabor diferen- de 70 anos em setembro e termina em janeiro.
ciados. Tratada como preciosidade, a massa madre usada Chamam-se Di Cunto, Fasano, La Pastina,
hoje na Bauducco é a mesma de sete décadas. Sim, a cada Ofner, Mr. Cheney, Kopenhagen, Nestlé, Ha-
ano reserva-se parte da massa para ser reaproveitada no vanna, Felice e Maria (de Massimo Ferrari), Cris-
ano seguinte. Eis um dos segredos do bom panetone. tallo, Dulca, Lindt, Puratus, Cacau Show, Amor
Empreendedor criativo, o dono da confeitaria do Brás aos Pedaços, Brasil Cacau, Starbrucks e ufa! Os
alugou um teco-teco, encheu-o de panfletos que teciam brasileiros se apaixonaram pelo panetone. Tanto
maravilhas do “tradicional pão doce natalino dos italia- faz se pesa menos ou mais de 500 gramas, um
nos” e espalhou a papelada na cidade inteira. Formaram-se ou mais quilos. Sem discutir preferências, nesse
filas de interessados diante de sua casa comercial, atual- caso tamanho é documento.
mente transformada em indústria poderosa: é considerada Em 1847, o dono do café Il Biffi, de Milão,
a maior fabricante e exportadora de panetone do mundo, enviou um panetone tão grande e pesado para
batendo todas as concorrentes italianas. Aliás, o Brasil é o a ceia natalícia do papa Pio 9 que precisou
segundo maior produtor desse confeito no planeta. Só per- transportá-lo numa carroça especial. O exage-
de para a Itália. Estudo da Kantar Worldpanel estima em 29 ro deveria ser evitado. Segundo Iginio Massari,
milhões o número de famílias brasileiras que consomem o o maior confeiteiro italiano da atualidade, co-
produto todos os anos. nhecido personagem da televisão daquele país,
Além da marca com seu nome, a Bauducco incorporou existe um peso-limite para o pão natalino reve-
a Visconti e a Tommy. Em 2019, sairão das três fábricas do lar suas qualidades. “O panetone ideal deve ter
grupo – em Guarulhos (SP), Extrema (MG) e Maceió (AL) apenas 1 quilo”, afirma. “Passando disso, tende

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Quem inventou o panetone?
Há muitas lendas. Ao que tudo
leva a crer, não houve um autor.
Mas sim vários. E anônimos

a não assar de maneira uniforme e a comprome-


ter a textura”.
O nome seria aumentativo do lombardo pa-
netto (panett em dialeto, ou seja, o pão diário).
Circulam outras versões, em princípio imagino-
SUCESSOs
sas. A mais romântica atribui a criação do pão
De VENDAS
natalino a um certo Toni, ajudante da cozinha
Panetones da
de Ludovico Sforza, o Mouro (1452-1508), duque
Di Cunto e da
de Milão. Sem recursos para custear o casamen-
La Pastina:
to da filha, ele fez um pão doce e rico, servido
procuradíssimos
na festa nupcial. Teria nascido assim o “pan de
Toni”, depois batizado de panetone.
No livro Il Panettone – Storia, Leggende e Segre-
ti di un Protagonista del Natale (Guido Tommasi
Editore, Milano, 2007), porém, o escritor gas-
tronômico napolitano Stanislao Porzio afirma da bebida e passava o copo para que os familiares o imitassem. Fi-
que essa e todas as demais histórias são lendas. nalmente, partia cada pangrande ou panatton e distribuía pedaços aos
Seriam até mesmo relativamente novas, in- parentes. Impossível um gesto mais simbólico da fé cristã.
ventadas na segunda metade do século 19. Para Os pães divididos entre as pessoas evocavam a Santíssima Trinda-
Stanislao Porzio, o pão natalino não teria um de. O tronco, que precisava queimar até a Epifania do Senhor, agora
autor, mas vários, todos anônimos, que o aper- comemorada dois domingos após o Natal, representava a árvore pagã
feiçoaram ao longo do tempo. Ele sustenta que o do bem e do mal. O vinho evocava o sangue de Jesus, a missão re-
panetone deriva da cerimônia do tronco, antiga dentora do fundador do cristianismo. Sem esquecer que, no episódio
liturgia doméstica europeia, oficiada na véspera bíblico da multiplicação dos pães, Jesus Cristo afirma aos judeus: “Eu
do Natal, cujo ápice ocorreu na Idade Média. sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome” (João 6:35).
O patriarca da família fazia uma cruz no alto O fundador do cristianismo tornou a fazer invocação semelhante
de três grandes pães e os assava. Escolhia um na véspera da morte. Na última ceia, quando instituiu o sacramento
grande tronco seco de árvore e o colocava na la- da Eucaristia (comunhão), pegou o pão, partiu e deu aos discípulos,
reira sobre ramos de zimbro. Ateava fogo, jogava dizendo: “Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória
por cima um pouco de vinho, tomava um gole de mim” (Lucas 22:19). A força natalina do panetone é ancestral. TP

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o l fato

Aroma de Natal
Nosso colaborador rememora com o nariz as deliciosas recordações das festas de fim de ano

Por SILVIO LANCELLOTTI

Daí a importância do nariz. Que, além de interpretar e de se-


Poeta intuitivo de forno & fogão, o meu
lecionar a qualidade do que recende de uma panela ou de uma
assadeira, tem de compreender uma circunstância crucial. No
saudoso pai, babbo Don Eduardo Lancellotti,
trabalho da gastronomia – perigo! perigo! – há um momento em
que um aroma se transforma em cheiro. Ocorre como conse-
costumava citar um ditame do maestro Ciccio
quência do calor, quando substâncias essenciais se volatilizam,
ou se sublimam, vão-se embora dos seus ingredientes, das ma-
Ingrao, nosso amigo de Palermo, na ilha da
térias-primas de origem.
Sicília, para quem é o nariz o melhor dos amigos O aroma é prazer. E o cheiro é um desperdício. Ensinava o
meu babbo: “Jamais se fascine com os tais odores que sobem de
de um bom cozinheiro. E acrescentava o babbo um fogão ou de um forno. Ao contrário, use o seu nariz como
um sinal de alerta. Você não sabe se aquele bolo de fubá já fi-
que, para se tornar um cozinheiro de primeira, cou prontinho? Simples. Consulte o olfato, mobilize o seu nariz.
Qualquer receita chega ao ponto no momento em que um aroma
o aprendiz, como eu, precisa distinguir entre começa a se transformar em cheiro. Apareceu o cheiro? Pare!”.
Claro que, embora seja um sentido inato, quase atávico, o ol-
aroma e cheiro. Em um cheiro se abriga tudo fato também se educa. A pele aprende a diferenciar o frio e o
quente. O palato, o doce e o azedo. A audição, a música e o ruído.
aquilo que emana, do perfume ao budum. Um O olhar, a paisagem e a aridez. Minhas aulas de olfato se inicia-
ram com meu babbo nos passeios em que eu o acompanhava,
aroma, todavia, transcende, encanta, inebria, nas vésperas de Natal, de modo a escolhermos os produtos que
brilhariam nas refeições da família. De uma padaria centenária,
hipnotiza. E não incomoda, nunca. no bairro paulistano da Bela Vista, ao Mercado Central.

104 | | DEZ.2019
Na padaria, o babbo encomendava as broas e os filões que
nos serviriam de base para as bruschette e os crostini de intro-
dução à ceia. O aroma dos pães quentes, porém, nos mag- “A pele aprende a diferenciar o frio
netizava lá mesmo, e antecipávamos uma amostra do que
e o quente. O palato, o doce e o azedo.
viria depois. Pecado. Enquanto, a bordo de um fusquinha,
rumávamos ao endereço seguinte, com os dedos dividíamos A audição, a música e o ruído.
a amostra, devorada num rompante.
O olfato também se educa”
Já profissional, e consultor de uma bagueteria muito mal
localizada num shopping, bateu-me uma ideia maluca e
transformei num exaustor o duto do ar-condicionado cen-
tral que cruzava o forro. A cada fornada o aroma se espraia-
va através dos corredores do shopping, e a loja se enchia de tomates. Resultará um caldo, no qual, com parte igual de água
gente. Descobriram a mutreta. Tarde, contudo, para impe- e um fio gordo de azeite, se cozinha a farinha de milho, gru-
dir o sucesso da loja que logo virou franquia. mosa, do cuscuz. Restará montar nas respectivas fôrmas com
Um mercado, como o Central da Pauliceia, representa o camarões, ervilhas cruas, azeitonas sem caroços, salsinha e
papel de uma universidade. Lá existe a faculdade dos ce- cebolinha verde batidinhas. Mais azeite em cada topo e um
reais, das folhas verdes, dos legumes, dos pescados e frutos tempinho de forno, apenas para homogeneizar, ou aglutinar
do mar, das carnes em geral, dos enlatados e das conservas o cuscuz. Quanto tempo? O nariz indica. Assim que o cuscuz
etcetera e tal. Mas lá funciona sobretudo a superfaculdade principia a exalar, atingiu a sua beatitude.
dos temperos secos ou desidratados. E é nesse departamen-
to que o meu nariz paulatinamente, por anos, por décadas, VIDROS ÂMBAR

O
cada vez mais e melhor se ilustrou. Da suavidade da erva- utra combinação inesquecível de aromas provinha
-doce, do funcho, do dill, do cravo e da canela, até a pun- da pasta obrigatória na família, os spaghetti alle von-
gência do gengibre e da raiz-forte. gole que o babbo cometia à maneira enlevada de um
ourives. Don Eduardo angustiava a cozinha com os humores
A BEATITUDE DO CUsCUZ que escapuliam dos dentes de alho que cortava, em lâminas

P
escados e carnes, que eles me perdoem, têm muito finérrimas, à ponta de gilete de barbear. Logo, todavia, se
mais cheiro do que aroma. De todo modo, consegui redimia com um belo fundo de azeite num panelão, ramos
passar a distinguir os crustáceos mais fresquinhos e ramos de alecrim, sobre as lâminas de alho, um refogado
daqueles já um tanto avançados na idade. Não me pergun- que servia de leito para as vongole, ainda nas conchas.
tem como nem por quê. Intuitivo, eu me acostumei, e bas- Chama sutil, mínima, o panelão tampado e as vongole em
ta. Prefiro invadir, e depressa, o segmento das frutas. E, nas olores. Fundamental, no fim de ano inteiro da família, pois de suas propriedades nutritivas. Então, gra- plena sauna, uma transpiração forçada, para as conchas se
MAGIA
aquisições para o Natal, nos meus entornos sempre foram perpetrávamos diversas unidades, era o cuscuz de cama- ças ao choque térmico, assustadinha, a sua abrirem. Cinco minutos. Então, destampado o panelão, se
O aroma dos
compulsórios o agri-adocicado das cerejas e o quase floral rões. Recebíamos um batalhão de crustáceos, aos quais tra- carne se contrai e se separa da carapaça. Fa- verificam as vongole e se eliminam todas aquelas que não se
pães quentes
dos pêssegos. Na família, estocávamos mais do que o utili- távamos com uma técnica de fato sensacional, que depois cílimo de limpar, lógico. E não se descartam escancararam. Resta embriagar o líquido que liberaram com
magnetiza
zável na comilança. A mamma Helena idolatrava a possibi- aprimorei ao me tornar um pro. Iam a uma frigideira, apenas as cabeças e as cascas, já rubras e com um um vinho branco ultrasseco e condimentar com o sal justo
lidade de montar uma bela cesta de frutas sobre o centro da untada com azeite, inteiros, com as cabeças e as cascas in- cheiro notório. (insignificante, pois as vongole provêm do mar), um toque de
mesa, preciosidade que permanecia por ali até 6 de janeiro, tactas. Em fogo alto, 90 segundos de cada lado. Daí para uma O eventual desagradável de tal cheiro, pimentinha vermelha trituradinha – e aleluia!
para o almojanta de Reis. bacia repleta de água e gelo. porém, se camufla na operação seguinte, Falta informar que o babbo apreciava descascar vários dos
O nariz (e, cá entre nós, que ele não nos leia lá do Céu, Graças ao chapeamento prévio, os crustáceos como que numa caçarola apropriada, em que as ca- pêssegos, cortá-los em pedaços e preencher com os nacos
o do babbo ostentava um tamanho peculiar) fez com que alcançam o seu ponto justo de selamento, a proteção da sua rapaças são flambadas em ótimo conhaque alguma jarra bonita de vidro, até de cristal. Sobre os peda-
eu entendesse, também, a importância da combinação dos superfície para o que virá depois, sem prejuízo de sua textura e e depois recobertas por polpa peneirada de ços, derramava algum vinho além de ótimo, tanto fazia se

106 | | DEZ.2019 © istock DEZ.2019 | | 107


Recordações
A cesta de frutas era mantida
à mesa até 6 de janeiro

em folha, manjericão, manjerona, orégano, raiz-forte, sal-


sinha, sálvia, segurelha e tomilho. Saiba que o alecrim, o
“Os cozinheiros de plantão fingem louro, o orégano, a segurelha, o tomilho, que se desidratam
aos poucos, ainda podem ser guardados em vidros bem lim-
que são decoradores. Dizem
pos, na cor âmbar, bem vedados. E outros, como o gengibre
que se come com os olhos. Talvez. e a raiz-forte, podem ser transformados em pastas, mistu-
rados em azeite e vinagre – e guardados nas prateleiras mais
Mas, antes, se cozinha com o nariz”
baixas da geladeira. Resistem anos.
O olfato, enfim, eu repito, eu insisto, o olfato se treina. De
quando em quando, faça-lhes a gentileza de abrir os frascos,
espumante, branco ou tinto. O vinho transmite o seu sabor os vidros continentes de cor âmbar, para que a pressão in-
aos pêssegos e os pêssegos reforçam o bouquet do vinho. Ah, terna mansamente se esvaia, se despeça, e para que os con-
também falta informar que Don Eduardo me ajudou a me teúdos respirem um pouco. Você perceberá que, pela ação
tornar um conservador de olores cá em casa ou no ofício. inexorável do deus Cronos, a cada nova experiência o seu
Não requer prática nem habilidade. santo nariz, cada vez mais receptivo, assimilará minúcias
O ideal é comprar os condimentos frescos, e aos poucos, ricas e nunca dantes navegadas. Na atual modernidade da
a cada dia, apenas na quantidade e no volume indispensá- gastronomia, os cucas de plantão fingem que são decorado-
veis à sua utilização. Por exemplo: alecrim ou rosmarinho, res. Dizem que se come com os olhos. Talvez. Mas, antes, se
coentro em folha, estragão, gengibre, menta, hortelã, louro cozinha com o nariz. TP

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Tato

Quando os chifres despontam


Adão – sim, Adão - foi o primeiro homem a ter a testa enfeitada

Por Walterson Sardenberg So Ilustrações ariel bertholdo

“Se os maridos das esposas infiéis O nosso Nelson Rodrigues, também grande autor de peças tea-
trais, não culparia Anne pela infidelidade. Jamais. “O adultério
desesperassem, enforcar-se-ia a décima parte não depende da mulher, e sim do marido, da vocação do marido.
O sujeito já nasce marido enganado”, escreveu o maior especia-
da humanidade.” A estimativa é de Leontes, o
lista brasileiro em corneologia. E explicou: “A cara do marido
pode influir no adultério. A cara, ou a obesidade, ou as pernas
rei da Sicília, na peça teatral Conto do Inverno,
curtas, ou a papada, ou a salivação muito intensa. Lembro-me
escrita por William Shakespeare em 1610. de uma senhora que traía o marido. Quando lhe perguntaram
por que, ela alçou a fronte e respondeu, crispada de ressenti-
Àquela altura, o planeta tinha 556 milhões de mento: – ‘Sua nas mãos’”.
Dessa maneira, o adultério, antes de um pecado ou ato de
moradores. Seriam, portanto, 55,6 milhões de má-fé, seria uma predisposição, uma sina, um fado, uma fata-
lidade. A vida como ela é. Tal visão pode ser de um determinis-
indivíduos do sexo masculino dotados de um
mo atroz, ressalve-se. Mas ao menos explica parte do infindo
par de chifres. Nessa leva, sustentam alguns contingente de cidadãos que, a despeito da nacionalidade e da
classe social, notam, surpresos, certa manhã, ao fazer a barba
historiadores, estaria contabilizado o próprio no espelho, o despontar pontiagudo de duas protuberâncias ao
esfregar as mãos no alto da testa.
bardo britânico, pobrezinho. Eles insinuam O corno pioneiro, embora ainda sem barbeador e espelho, é o
primeiro homem da história, Adão. O próprio. Sim, eis aí a prova
que Anne Hathaway, a discreta mulher de de que o destino da condição humana, tal como numa letra de
Lupicínio Rodrigues (o segundo maior especialista brasileiro em
Shakespeare, oito anos mais velha, teria traído
corneologia), é de fato ser agraciada por um par de berrantes.
o marido com ao menos dois dos três irmãos do Lilith, a quem Adão conheceu, até no sentido bíblico, antes
de Eva, numa protobalada, poderia motivar os versos lupicia-
dramaturgo. Ambos mais jovens que o bardo. nos: “Ela nasceu com o destino da Lua/ Pra todos que andam na rua/

110 | | DEZ.2019
Não vai viver só para mim”. A distinta era da pá virada e o traiu com os
chamados Anjos Caídos – que não deviam ser tão caídos assim. Apesar
disso, Adão deu a sorte, mesmo nas décadas seguintes, de salvar-se da Corneado por Lilith, o pobre Adão
pérfida difamação. Acontece que, segundo o censo inaugural, a popu-
só escapou do falatório porque
lação de então – obra sua, por sinal - ainda era acanhada.
Na Antiguidade, já não dava mais para escapar do falatório. O fi- a população da época era exígua.
lósofo Sócrates caiu na boca do povo na Grécia. Nem tanto pelo fato
Obra sua, aliás
notório de preferir a companhia dos efebos. Tal predileção era comum
pelos lados do Peloponeso. O que pegou, no duro, foi sua predisposição,
por volta dos 60 anos, em casar-se com Xantipa, quatro décadas mais
jovem. A diferença de idade pesou. Sócrates roía-se de um ciúme de
Otelo, cada vez que via Xantipa sendo cortejada por Alcebíades, o mais
formoso rapaz das cercanias. Vai ver, foi por medo das fofocas que, em- Ele chega ao extremo de manter em casa meda-
bora emérito pensador, não deixou nada por escrito. lhões de célebres galhudos do Império Romano.
Já o imperador romano Cláudio deixou uma graúda autobiografia E escreve: “Sim, Nero, Augusto, Massínissa, e tu,
– e até um tratado sobre jogo de dados. Mas não contou em latim os grande César, que me incitas a fazer meus co-
pormenores de seu casamento com Valéria Messalina, com quem se mentários [...]”
uniu já cinquentão. Ela tinha apenas 16. Messalina tornou-se adjetivo Mas por que, afinal, o homem traído é chama-
para devassa, libertina. De fato, ela não era fácil. Era facinha mesmo. do de chifrudo? Primeiro é preciso lembrar que
Transformou um cômodo do palácio em, digamos, centro cultural para o fenômeno não é mundial. Está arraigado nas
acolher o primeiro que aparecesse. O segundo e o terceiro idem. Faltou culturas de origem latina. Nos Estados Unidos,
distribuir senha e instalar catraca. Cláudio, registre-se, não foi o único por exemplo, bull, ou seja touro, é adjetivo para
mandachuva romano contemplado com saliências no crânio. O impé- definir exatamente o contrário: um irresistível
rio, aliás, acabou com um adultério, quando a egípcia Cleópatra deu a pegador. Em especial com uma mistress – nome
Marco Antônio o que era de César. oficial para mulher não oficial de homem oficial-
mente comprometido.
A VOCAÇÃO DE BENTINHO

M
as Cláudio e César não são páreo em matéria de chifres para O MISTÉRIO DO RICARDÃO

N
o czar Pedro da Rússia, no século 18. Este sim foi um lídimo a realidade, seremos todos os últimos a
personagem de iê-iê-iê de Reginaldo Rossi - o terceiro maior saber o real motivo de a vítima do adul-
especialista brasileiro em corneologia. A mulher do czar, a geniosa Ca- tério ser chamado de chifrudo. O mais
tarina, ainda não era a Grande quando deixou a Polônia, aos 16 anos, hípico do cinema pornô paulista. Madame Bovary, mais uma adúltera, saída da pena vivaz de Gustav provável é que a expressão tenha despontado
para morar no palácio em São Petersburgo. Logo se desiludiu ao des- No século seguinte, o 19, as mais famosas adúl- Flaubert, que, em virtude do livro, se viu processado por “ofensa à (epa!) por analogia. Os animais chifrudos (tou-
cobrir que o maridão não tinha lá muito fervor pelo esporte. Nem pelo teras não eram de carne e osso - mas de papel. moral pública e à religião”. Flaubert foi por toda vida apaixonado por ro, bode, carneiro), quando no auge da virili-
poder. Foi deposto. Muito mais importantes que os maridos traídos, uma senhora casada, Elisa Schlesinger, que não era uma Bovary: jamais dade, costumam ter um séquito de fêmeas fiéis,
Catarina assumiu o trono, deu um jeito nas finanças e ajustou a Rús- elas marcaram na literatura alguns dos princi- consumou seu relacionamento com o escritor. imunes à presença de Ricardões. No entanto, no
sia. Ajustou também o uniforme dos palacianos para conferir a olho nu pais romances daqueles idos. A começar por ou- A lista das grandes adúlteras da literatura da época poderia se com- momento em que o macho perde a fidelidade de
os atributos de cada um. Mantinha uma equipe de moças que faziam o tra aristocrata russa, Anna Karenina, criação de pletar com a Capitu de Machado de Assis, do romance Dom Casmurro. uma delas, muda de comportamento. Passa a se
test-drive e selecionavam para a czarina os rapazes mais competentes. Leon Tolstói - e ele próprio, o autor, um galhudo Não fosse ela ainda, e sobretudo, um enigma perene: traiu ou não Ben- mostrar irritadiço e ciumento. Torna-se brigão e
Comandou a Rússia por 33 anos, até sofrer um derrame. Seus desafetos na vida real. Exatamente: a mulher do roman- tinho com Escobar? No caso de se admitir a predisposição atávica para posiciona os chifres em configuração de ataque.
espalharam que a real causa mortis foi um colóquio com um equino, cista, Sonia, viveu um affair com o compositor os chifres, como atribui Nelson Rodrigues às vítimas da infidelidade Cabreiro, identifica outros machos como Ricar-
quando Catarina, a Grande, teria antecipado em três séculos o ciclo Sergei Taneyev. Não se pode esquecer, claro, de conjugal, pode-se considerar Bentinho uma vocação inata, genuína. dões em potencial.

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Nelson Rodrigues foi implacável: “Hoje,
o marido moderno é o primeiro a saber.
Muitos sabem antes do pecado.
E alguns sabem até antes do amante”

A propósito, o termo Ricardão surgiu nos anos


1950. Foi criado pelo redator e médico Max Nu-
nes para o programa radiofônico Balança Mas
Não Cai, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro – e
que, na década seguinte seria transplantado para
a Rede Globo de Televisão. Um dos quadros de
mais audiência era o do Primo Rico, vivido por
Paulo Gracindo, e Primo Pobre, personagem de
Brandão Filho. A mulher do Primo Rico, que não
TELONA E TELINHA aparecia em cena, estava com frequência em in-
Adultério no termináveis férias na companhia do tal Ricardão,
cinema: Catherine que o Primo Pobre, pé-rapado mas esperto, logo
Deneuve em A Bela percebeu ser um dos vértices, o mais oportunis-
da Tarde e Meryl ta, de um triângulo amoroso. O nome pegou.
Streep em As Pontes A televisão e o cinema, aliás, foram ao longo do
de Madison. A século passado o porto seguro (ou nem tanto) dos
origem da chifrudos e adúlteras de toda ordem. Inclusive das
expressão Ricardão: mais improváveis, como a Catherine Deneuve de
Paulo Gracindo e A Bela da Tarde, casada e recatada que se transfor-
Brandão Filho em ma em prostituta de luxo; ou a Meryl Streep de As
Balança Mas Não Cai Pontes de Madison, esposa fiel mas capaz de uma
única e efêmera escapada de quatro dias.
Agora, as redes sociais favorecem qualquer
encontro. Até a de anciãos reunindo os colegui-
nhas do jardim da infância. Ficou mais fácil trair;
e mais difícil manter o segredo. Nelson Rodrigues
já previra: “Hoje, o marido moderno é o primeiro
a saber. Muitos sabem antes do pecado. E alguns
sabem até antes do amante”. TP

114 | | DEZ.2019 reprodução DEZ.2019 | | 115


entr e v ista

Novos
TEMPOS
Pat r i c e L u c a s , p r e s i d e n t e pa r a B r a s i l

e A m é r i c a L a t i n a d o G r o u p e P SA , p r e v ê c r e s c i m e n t o

a pe s a r da t u r b u l ê n c i a da r e g i ão

Por Ron n y H e i n | r e t r a t o s C l au s L e h m a n n
p
R$ 220 milhões em sua fábrica de Porto THE PRESIDENT _ Como foi a sua in-
Real, no estado do Rio de Janeiro, onde pre- fância?
tende produzir as novas gerações de seus Patrice Lucas – Nasci em Château-
produtos com as mais recentes e avançadas Gontier, uma cidade do oeste da Fran-
tecnologias do grupo. Fanático por Super- ça, meio do caminho entre Paris e a
tramp, Queen e Nina Simone, Lucas adora Bretanha. Mas logo saí. Meus pais
ler biografias (as de Kennedy e Fidel Castro eram comerciantes, donos de merca-
são seu destaque), é admirador de espor- dos, e mudavam muitas vezes, com
tistas com grande força mental (entre eles, muita frequência. A cada dois ou três
Rafael Nadal e Tiger Woods) e viaja quando anos estávamos em um lugar diferen-
tem tempo. Seu destino predileto é Roma e te, mas sempre na parte oeste da
mostra um entusiasmo especial ao falar dos França. Passei a adolescência em
Museus do Vaticano e da Capela Sistina. Caen, uma cidade um pouco maior.
P or t e r se de s tac a d o e m s ua t u r m a du r a n t e o s pr i m e i ro s Em função de sua longa vivência em Depois fiz meus estudos em Paris.
San Luis Potosí, no México, aprendeu a Quais são suas memórias mais antigas
e s t u d o s e m C h ât e au-G on t i e r, na F r a nç a, o e n tão m e n i no
falar um espanhol perfeito. Hoje, com das escolas, dos primeiros amigos?
Pat r ic e Luc a s, hoj e c om 53 a no s, pr e f e r i u de dic a r b oa menos de dois anos no Brasil, já execu- Posso dizer que a escola para mim não
ta, também, um português de qualidade. era muito difícil. Por isso, eu não pas-
pa rt e de se u t e m p o ao f u t e b ol c om o s a m ig o s — e m e no s à s
Vivendo, momentaneamente, longe de sava muito tempo fazendo as tarefas.
ta r e fa s e s c ol a r e s. Não pr e c i sava de m u i to e sforç o pa r a sua mulher e das filhas e sem tempo para Minha prioridade era sair da escola e
praticar o golfe que aprecia, tenta manter jogar futebol com os amigos. Passado
pa s sa r de a no. Se t i v e s se se gu i d o a di a n t e na c a r r e i r a qu e
a forma caminhando pelo Rio de Janeiro. um tempo, minha mente teve mais
c onsagrou Z i n e di n e Z i da n e , ta lv e z pu de s se t e r pa rt ic i pa d o E pelas outras cidades da América Latina ambição para estudar, mas na infância
para onde vai com frequência. realmente é a facilidade da escola que
d o t i m e qu e de r rotou o Br a si l na C opa d o M u n d o de 1998.
Na véspera da entrevista que conce- guardo na memória.
O f i l ho de propr i e tá r io s de u m pequ e no m e rc a d o, c on t u d o, deu à THE PRESIDENT, o mundo ficou Quando se iniciou o seu interesse e a
sabendo que o grupo francês e a FCA – paixão pela indústria automobilística?
se m pr e s obrou na s at i v i da de s qu e de se m pe n hou.
Fiat Chrysler Automobiles – anunciaram Como para todos os meninos, os car-
a intenção de juntar-se, na base de 50% ros me eram algo intrigante, algo im-
para cada lado. Da fusão nasceria a quarta portante. Fazendo meus estudos tive a
maior empresa de automóveis do mundo, oportunidade, e isso foi uma sorte, de
cuja sinergia permitiria a produção de 8,7 iniciar minha carreira na Valeo.
Foi bom aluno nas universidades que gramas e estratégias da empresa, que teve milhões de unidades por ano. Lucas não Valeo, faróis?
frequentou, destacou-se trabalhando papel relevante na aquisição da Opel e da quis ir além da nota oficial divulgada pe- Faróis, para-brisas, e assim entrei na
pela Valeo (uma das maiores indústrias de Vauxhall na Europa. los dois grupos, que anuncia a intenção e o indústria automobilística. Isso foi em
autopeças da França), onde ficou 15 anos, Casado, pai de duas meninas (a segunda início de um processo que pode ser longo 1991. É uma indústria com muita exi-
parte dos quais no México, como diretor nascida no México), Lucas assumiu a pre- e repleto de obstáculos. Mas não se negou gência, com muitas oportunidades em
de divisão. Em 2006 juntou-se ao Grou- sidência do Groupe PSA para o Brasil e a a declarar-se feliz de estar no lugar certo todos os campos para um engenheiro.
pe PSA, fabricante das marcas Citroën e América Latina em fevereiro de 2018. Veio na hora certa. Profissionais que sobram Quer seja na produção, quer seja na
Peugeot, entre outras. Um colosso que com o desafio de aumentar de 2% para 5% em suas turmas tendem a ganhar mais logística. A logística dessa indústria
atua em 160 países. Foi nesse período, a fatia da PSA no mercado automobilísti- projeção e importância quando fatos des- parece um milagre, parece uma má-
como vice-presidente executivo de pro- co brasileiro. A empresa já está investindo sa grandeza ocorrem. quina de guerra. Cada parte tem de

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chegar em um determinado momento a competitividade da indústria. Não se tempo trabalhando na matriz em vá-
na linha de fabricação para ser inte- pode esquecer dos custos logísticos. rios cargos.
grada. Assim encontrei meu caminho No México você encontra de tudo. E como foi assumir o Brasil e a Améri-
“N o s s o s p r o d u t o s
e a paixão pela indústria automobilís- Você pode fazer um carro 100% inte- ca Latina?
tica, em várias posições, com vários têm potencial. grado localmente, há todas as tecno- O Carlos Tavares me propôs essa posi-
desafios. Tenho quase 30 anos na in- logias, todos os fornecedores, e aqui ção e aceitei. Realmente gosto da
O pl a no inici a l é
dústria automobilística, 15 anos na ainda é realmente bem diferente. América Latina e, além disso, seria
Valeo, e no Groupe PSA desde 2006. c o n q u i s t a r 5% d o Gostaria que fossem implementadas um desafio importante para o grupo e
Seus estudos foram na Université de as reformas no Brasil porque este país para mim. Levantar o desempenho
m e r c a d o b r a s i l e i r o”
Technologie de Compiègne. Dava para tem um mercado bem maior que o das marcas na América Latina seria
jogar futebol? mercado mexicano, e merece mais fabuloso. Isso me permitiria comple-
Ali não tinha tanto tempo para jogar competitividade para aumentar a tar minha carreira e usar meus talen-
futebol [risos]. Na realidade, logo des- todas as partes do interior do veículo oferta de produtos. tos. Do lado pessoal foi mais compli-
cobri que não seria um bom jogador vêm de fornecedores. Fiz isso durante A indústria automobilística francesa cado. Minhas duas filhas ficaram em
profissional. Resolvi me dedicar aos quatro anos. demorou a entrar no Brasil. O que Paris porque estão estudando. A mais
estudos. Nessa escola de engenharia, Como foi sua passagem pelo México? ocorreu? velha tem 21 anos e a segunda, só 18
passei muito tempo estudando e tra- Estive no México quando ainda traba- Boa pergunta. Bom, o Brasil começou anos. Minha esposa também ficou na
balhando sério. Eu queria aproveitar lhava na Valeo, entre 1998 e 2003. O a importar carros franceses nos anos França, pois tem seu próprio negócio.
todos os cursos. Ali descobri também México tem um lugar importante no 1990. Mas a produção só começou em Foi um pouco mais complicado tomar
o interesse pelos negócios. Tive a meu coração porque foi uma experiên- 2000. O Groupe PSA tinha marcas essa decisão na família, mas no lado
oportunidade de passar meu último cia incrível. Até mesmo no sentido muito focadas na Europa, e o tema do profissional sem dúvida é um desafio
ano nos Estados Unidos, em um pro- pessoal. Quando cheguei ao México, desenvolvimento global no mundo muito importante.
grama de intercâmbio. Eu tinha 22 minha primeira filha tinha só oito me- tardou um pouco mais. Realmente Vocês estavam com problemas como
anos. Foram dois semestres de estudo. ses. Minha segunda filha nasceu lá. No não era a prioridade. Mas tudo isso faz baixa participação de mercado no
Pela primeira vez me dei conta de México tomei gosto pela cultura da parte da história. Brasil quando veio para cá. Como es-
como o mundo é pequeno. Bastam 12 América Latina, esse calor humano das Depois de engenheiro de interior de tão agora os negócios aqui e na Amé-
horas de voo e você entra em uma cul- pessoas, o carinho. E foi também uma carros, quais foram suas funções no rica Latina?
tura totalmente diferente. Isso me deu experiência profissional importante Groupe PSA? Não podemos chamar de problemas.
o gosto de viajar, de apreciar culturas porque ocupei a minha primeira posi- Entrei na PSA em 2006 e fiquei traba- Chamamos de situação. Temos no
diferentes, de me abrir às coisas que ção de diretor-geral. Fui o diretor da lhando em Paris com várias funções. Brasil duas marcas, a Peugeot e a Ci-
estavam fora da minha zona de con- fábrica de San Luis Potosí. Inesquecível Foram quatro anos na engenharia. troën, e estávamos fazendo 2% de
forto. Foi uma experiência incrível. na minha carreira e na minha vida. Depois passei a diretor dos programas participação de mercado. Então não
Quando você entrou no Groupe PSA, Dizem que os mexicanos são os brasi- de veículos comerciais para o grupo chamamos isso de problema, chama-
qual era a sua função? leiros com bigode. Você concorda? Do todo. Isso também durante quatro mos isso de situação, e o desafio é fa-
Entrei com o cargo de engenheiro de ponto de vista profissional, do ponto anos. Mais tarde, com a chegada do zer crescer a empresa. Nossos produ-
interior dos veículos para todas as de vista do mercado, o México é pare- Carlos Tavares [atual presidente do tos têm muito mais potencial e, por
marcas. Foi uma boa para mim. Era cido com o Brasil ou não? PSA], comecei a tomar a posição exe- isso, temos a ambição de 5% de parti-
uma ótima introdução no Groupe Não. É totalmente diferente em vários cutiva da direção dos programas e cipação do mercado. Há um plano
PSA. Deu-me a oportunidade de co- pontos. O México está mais ligado ao estratégia para o grupo todo, todo o para isso. Estamos na trajetória. Va-
nhecer a montadora de dentro. E tam- mercado dos Estados Unidos, então tema estratégico, durante também mos produzir novos veículos e isso vai
bém de usar minha experiência como seria mais parecido com eles. Aqui no quatro anos. Estou aqui no Brasil des- nos permitir desenvolver a participa-
fornecedor [da Valeo], porque, afinal, Brasil a carga tributária afeta em 50% de fevereiro de 2018, mas passei muito ção das nossas marcas no Brasil. Na

120 | | DEZ.2019 DEZ.2019 | | 121


mercados são menores. A Colômbia rações. Estamos com todas as soluções
está crescendo de maneira forte, e ali de mobilidade.
“N o f u t u r o s e também estamos crescendo de manei- Bem, é hora de perguntar sobre essa
ra forte. Esse é o panorama. possível fusão com o grupo Fiat
c o m p r a r ão m i n u t o s
Como o grupo está se preparando para Chrysler.
d e m o b i l i da d e e m v e z ser, vamos dizer, ecologicamente corre- Não posso dizer mais do que já foi co-
to, com fontes alternativas de energia? municado aqui, não posso dizer mais,
de se adquirir
Esse é um tema que estamos traba- tudo está dito no comunicado. As ne-
u m v e í c u l o” lhando desde muito tempo. Estamos gociações estão abertas, vamos dar um
prontos para enfrentar todas as trans- tempo para ver se as fechamos. Não
formações que a indústria fará em posso dizer mais no momento, mas
cinco, dez anos. É um período de está tudo nas comunicações oficiais.
Argentina o desafio é devido à crise transição para elétricos, híbridos. Es- Pessoalmente, você recebeu a notícia
econômica. Estamos combatendo com tamos lançando na Europa o novo com preocupação ou com felicidade?
agilidade, antecipando, tomando de- Peugeot 208 elétrico, o novo 2008 Bom, com felicidade. É uma oportuni-
cisões para ver como adaptar os custos elétrico. Vamos colocar no mercado o dade grande tanto para o Groupe PSA,
e estabelecer um padrão competitivo. 3008 plug-in hybrid. Para 2025, toda a como para a FCA, sem dúvida. Como
No Chile estamos crescendo bem, e gama do Groupe PSA terá uma opção se comentou no comunicado, será
com a marca Opel estamos dobrando elétrica ou híbrida. uma oportunidade de fortalecer os
os volumes. Temos um plano para ba- Há outras novidades? grupos. Um momento espetacular.
ter as metas de desenvolvimento em Nossa ambição é ser o provedor prefe- Você afirmou que o objetivo, ao che-
toda a América Latina. O Brasil é o rido da mobilidade. Temos cinco mar- gar ao Brasil, era tornar a operação por
maior mercado da região. Temos a cas de veículos e uma marca de mobi- aqui rentável no mais tardar até 2021.
oportunidade de desenvolver nossas l idade cha mada Free2Move. Ela Esse objetivo ainda é viável?
marcas, nossa participação, e aí é um oferece, por exemplo, o serviço Con- Sim, estamos nisso, estamos nessa
projeto de crescimento. Na Argentina, nect Fleet. É uma solução de teleme- trajetória. Obviamente o polo econô-
temos um bom desempenho e quere- tria para administrar frotas. Na Euro- mico pode mudar um pouco os parâ-
mos nos adaptar à nova situação da pa, 8 mil companhias usam esse metros, mas estamos nessa trajetória.
economia. Temos uma fábrica no Bra- serviço. Temos também o Free2Move O Citröen C4 Cactus, por exemplo,
sil em Porto Real, no Rio de Janeiro, e Car Sharing. É uma operação de car nos permite essa trajetória. É um
outra na Argentina, em Buenos Aires. sharing em várias cidades: Madri, Pa- produto de muito êxito e isso possibi-
E como se divide a participação do gru- ris, Washington D.C. A ideia é nos lita que a marca Citroën seja, nesse
po na América Latina como um todo? preparar para entender o negócio, os ano, a que cresce mais entre as top 20
No Brasil temos 2% de participação no anseios dos clientes. Estamos bem do Brasil. São quase 40% a mais. Va-
mercado. Isso representa um pouco preparados para a transformação na mos ter novos produtos para permitir
mais de 50 mil veículos ao ano. Na Ar- qual vamos passar da posse do veículo sustentar essa ambição. Dá para fazer
gentina são 10 a 11% do mercado. Re- ao seu compartilhamento. Um futuro isso no Brasil. Temos o engajamento
presenta mais ou menos 40 a 45 mil. em que se comprarão minutos de mo- das equipes. O foco delas está nesse
No Chile, a participação é de cerca de bilidade em vez de se adquirir um tema. É complicado, sim. Mas temos
7%, e a marca Peugeot é a mais impor- veículo por dois, três ou quatro anos. um plano e, apesar de todas as difi-
tante. Representa 5% do PDM. E depois Temos também opções de Free2Move culdades, vamos conseguir cumprir
temos todos os outros países onde os Rent. É a frota de aluguel para corpo- essa meta. TP

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n egó ci os

lucro
concreto
E m o u t u b r o,

M i r e l l a R aq u e l Pa r p i n e l l e ,
da L o pe s C o n s u lt o r i a d e I m óv e i s ,

c o m e m o r ava 8 1% d e c r e s c i m e n t o n a c i d a d e d e S ã o Pau l o

Por Ron n y H e i n | r e t r ato s t uc a r e i n é s

124 | | DEZ.2019
p
A determinação é uma das bases do
sucesso de Mirella. A outra é a fé. Teóloga
formada, frequentadora da Igreja Batista,
a executiva lê A Bíblia quase todos os dias.
“Eu lido com pessoas. E, para entendê-
-las, é preciso compreender quem as
criou”, cita, entremeando salmos e pro-
vérbios em suas respostas. Aos 50 anos,
casada, mãe de dois filhos adolescentes,
Mirella é assertiva, exigente – consigo e
com suas equipes – e tem uma rotina de
workaholic. Responde pela enorme praça
de São Paulo e, enquanto as demais ainda
sofrem para recuperar-se da crise eco-
P o u c a s h i s t ó r i a s d e s u p e r a ç ã o e q u i va l e m à d e
nômica, promoveu um inacreditável au-
M i r e l l a R a q u e l Pa r p i n e l l e . O u M i r e l l a L o p e s mento de 81% nas vendas nos primeiros
nove meses do ano de 2019.
( c o m o a l g u n s a c h a m a m ), a e x e c u t i va q u e
No ano passado, a Lopes chegou a um
c o m a n da a s o pe r aç õ e s da L o pe s C o n s u lt o r i a VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 6,9
bilhões. Vale lembrar que a empresa é
d e I m ó v e i s , a m a i o r i m o b i l i á r i a d o pa í s , e m
democrática em suas atividades. Vende
S ã o Pa u l o . A n t e s m e s m o d e a e n t r e v i s t a os imóveis de mais elevado padrão, mas
também intermedia imóveis econômi-
c o m e ç a r , e l a p e d e a t e n ç ã o pa r a u m p e q u e n o
cos do programa Minha Casa, Minha
a u d i o v i s ua l q u e m a n d o u fa z e r a s e u r e s p e i t o . Vida, entre outros. A Lopes tem hoje 103
lojas, sendo 15 próprias e 88 franquias. THE PRESIDENT _ Foi complicado por esse ponto de equilíbrio entre a
Mirella dorme entre quatro e cinco começar como corretora de imóveis? vida profissional e pessoal que é ne-
horas por noite, trabalha todos os dias Mirella Raquel Parpinelle – Quando eu cessário ter. E fui crescendo. “É p o s s í v e l s e r u m
da semana (“sábados e domingos são as entrei, no ano de 1990, havia poucas É preciso mesmo trabalhar sete dias
c a m p e ão d e v e n da s
estrelas de uma imobiliária”), é elegante mulheres, muitos aposentados e não por semana?
Nele vê-se a menina muito pobre que foi na infância, habitante da Cohab do Grajaú e adora roupas desde os idos da Cohab, era uma profissão reconhecida. Exis- Chega uma hora em que você fala: com ética, com
– bairro operário na periferia da cidade de São Paulo. Em seguida, fotos da então garota quando não podia comprá-las. te um corporativismo masculino “não, eu não preciso mais trabalhar
va l o r e s , fa z e n d o
vendendo panelas, tecidos e, mais tarde, produtos da Avon. Mulheres cuja vida come- Lê livros religiosos ao acordar, vai ao porque a maioria dos incorporadores tanto simplesmente para ganhar um
ça dessa maneira raramente têm futuro, muito menos um futuro próspero e brilhante. culto todos os domingos, frequenta a e construtoras no passado trabalha- pouco mais porque eu já fiz o meu o q u e é c e r t o”
Pois Mirella foi muito além do que se esperava. academia quase todos os dias e dizem vam só com homens nos canteiros de patrimônio e tenho uma vida boa”.
Trabalhou no Bradesco já aos 15 anos e, em 1990, entrou como corretora associada que é exemplar ao motivar e treinar seus obras. Então, eu não via muitas opor- Mas a gente tem que pensar em pas-
na Lopes. Levou seis meses para concretizar sua primeira venda, passou por momentos corretores, além de exímia palestrante. tunidades de crescimento. Vim como sar esperança para essas pessoas que
muito difíceis, mas sua determinação não parou de crescer. Com 25 anos já era gerente Está no topo de sua carreira, mas não é autônoma, sem salário. Fiquei seis não têm condição em qualquer outra são que é possível ser um campeão de
de vendas campeã. Com 28, diretora de vendas. Era muito nova também para esse car- isso que a leva adiante. “Quero ser uma meses sem vender, o que foi muito profissão ou que muitas vezes não vendas com ética, com valores, fa-
go. Em 2000 tornou-se responsável por novos negócios. A Lopes fez seu IPO – ou seja, inspiração para todos”, explica, como se difícil. Eu não tinha dinheiro nem têm oportunidade. Então, é isso. Eu zendo o que é certo.
decidiu abrir o capital – em 2006 e, pouco depois, Mirella já assinava como diretora sua história de vida já não fosse um in- para almoçar. Um tempo complicado. tento ser uma inspiração e mostrar Você é de onde?
executiva de vendas. terminável alumbramento. Eu era mulher, muito jovem. Lutei para quem está começando na profis- De uma cidadezinha bem perto de

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muito nesses últimos anos e posso compra o nosso projeto é o corretor
dizer até que, em determinados mo- de imóveis. Ele é o nosso primeiro
mentos, foi o que sustentou o merca- cliente. Ele passará o projeto para o
“ E m S ão Pau l o,
do. Um das nossas empresas é a Lopes cliente final. Então, é esse trabalho
e s t a m o s e m t o da s a s Econômico. Outra, a Habitcasa. Am- que a gente faz. Adequamos o produ-
bas atendem a essa fatia do mercado. to ao momento do mercado. Estamos
regiões e segmentos.
E hoje, como está o mercado? em todas as regiões, em todos os seg-
i s s o n o s dá u m Espera uma forte recuperação. A Lo- mentos – e isso nos dá um diferencial
pes foi, na prática, a única empresa grande, é claro.
diferenci a l gr a nde”
do setor que sobreviveu pós-crise, No Brasil, quais são os novos merca-
não é? Quando a gente olha as de- dos, os novos polos importantes para
mais companhias do segmento, nota o setor imobiliário?
que tiveram muitos problemas. So- Na verdade, não há muitos lugares
Paranavaí, no noroeste do Paraná, brev ivemos em u m mercado tão bombando no Brasil, não. Tivemos
que se chama Loanda. complicado. Por isso, o investidor um momento difícil no país, eis o
Quem foi o pioneiro da empresa? espera uma recuperação forte da Lo- fato. A cidade de São Paulo, o nosso
Foi o senhor Francisco Lopes. Agora pes. Um crescimento forte, que já maior PIB, se recuperou. Mas as de-
já estamos na terceira geração. O está ocorrendo. É normal. A gente mais ainda não. Dá para sentir, cla-
Marcos Lopes é o CEO da holding. está no topo nos últimos 26 anos, ro, que no resto do país já existe a
Vamos falar um pouco sobre mercado? segundo o ranking de VGV da Em- confiança de que tudo vai voltar a ser
O que eu posso dizer é o seguinte: o braesp. Somos a empresa com maior como era. Assim como voltou aqui.
mercado passou por momentos difí- número de lançamentos. Temos o Dá para notar um retorno do cresci-
ceis. No ano passado, a gente cresceu maior Valor Geral de Vendas (VGV). mento, mas com cuidado. Rio de Ja-
13% em São Paulo. Isso é legal falar. No ano passado, somando todas as neiro e o interior de São Paulo sem-
Repito: no ano passado a gente cresceu outras imobiliárias do top 10, não pre estiveram entre os melhores para
13%. Este ano, até agora, 81%. Estou deu o nosso VGV. lançar. No entanto, foram alguns dos
falando sempre de São Paulo. As nossas Vocês vendem imóveis. Também in- lugares que mais sofreram nos últi-
ações estão subindo, o que é ótimo. corporam ou não? Participam de lan- mos anos. O Rio de Janeiro tem áreas
Como é hoje a composição acionária? O çamentos? ainda enormes para incorporar, mas
que é da família ou o que é do mercado? Não. Nós não incorporamos. O que a aguarda o momento certo para voltar
A empresa possui como acionista re- gente tem? A inteligência do negócio, a lançar. Resumindo: a economia
levante a família Lopes com 45% das a inteligência de mercado e um rico precisa voltar mais forte. Já temos
ações da companhia. O resto é pulve- banco de dados. O cliente na ponta é uma boa taxa de juros, de primeiro
rizado no mercado. O market cap da quem me dá a informação. Então, mundo. Isso quer dizer que as pes-
empresa é de R$ 1 bilhão. quando o incorporador vem para soas voltarão a comprar imóveis. Até
A Lopes é focada no mercado de analisar um terreno, ele quer saber a porque não adianta deixar dinheiro
alto padrão? nossa opinião. Conhecemos a voca- parado no banco, ou correr risco.
Não. Intermediamos imóveis de alto ção para aquele terreno. Então, aju- Imóvel é segurança.
padrão, sim. Mas trabalhamos com damos o incorporador com informa- Que tipo de imóvel tem sido mais
todos os segmentos. Desde o econô- ções. Esta mos por dentro do procurado na cidade de São Paulo?
mico. Participamos do programa desenvolvimento do negócio até o Este ano lançamos mais os residen-
Minha Casa Minha Vida. Ele cresceu marketing. Afinal, quem primeiro ciais de médio e alto padrão.

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próximo dali apartamentos menores, Isso vem surgindo em São Paulo depois
que são esses compactos de luxo, agora do novo plano diretor. Agora você vê
“O n ovo c l i e n t e n ão muito na moda. um não residencial pequeno junto com
Esse compacto é apartamento pequeno uma loja, ao lado de um residencial com
tem mais o sonho do
mesmo. As pessoas vivem num dormi- apartamentos de 100 metros quadrados.
c a r r o. E l e q u e r m o r a r tório e está bom. Vamos falar um pouco da sua rotina
Sim, mas tem que ter espaços comuns pessoal?
p e r t o d e u m a e s t a ç ão
de primeira: uma superacademia, uma Eu durmo quatro ou cinco horas. No
d e m e t r ô” lavanderia espaçosa, uma sala de jantar máximo seis horas, quando consigo.
gourmet. De modo que o morador só Tenho de fazer ginástica porque, de-
precise do apartamento para dormir. pois de uma certa idade, você precisa
Quais são os bairros mais procurados fazer. Também acordo cedo para fazer
Continuam surgindo condomínios hoje em São Paulo? minhas leituras. Então, a minha rotina
com grandes áreas? A Vila Nova Conceição, porque é do é bem pesada. Ontem, por exemplo, eu
Não. Os grandes condomínios vêm lado do Parque Ibirapuera. Pinheiros saí daqui às 21h30 e fui para um lança-
sendo substituídos por projetos com porque conta com metrô, tem restau- mento. Cheguei em casa por volta das
ótimo design e localização próxima ao rante, tem tudo o que você precisa. O 23h. Então, não tenho muito horário.
metrô. As pessoas estão mudando a Itaim e a Vila Olímpia, que vêm cres- Isso cria problemas até para comer. Uso
maneira de viver e hoje preferem apar- cendo muito porque tem o Parque do o almoço para as reuniões.
tamentos até menores. Antes, um Povo de um lado e o shopping JK do Você tem algum hobby?
cliente de médio e alto padrão compra- outro. Há também a Chucri Zaidan, Acho que o meu subterfúgio, eu diria
va um apartamento de 300 metros que é o eixo de transformação. Vai ser o assim, é viajar pelo menos sete dias em
quadrados. Hoje, busca plantas mais novo Centro, depois da Paulista, da julho com as crianças. E tiro férias en-
inteligentes e vive muito bem em 200 Faria Lima e da Berrini. tre o Natal e o Ano Novo, também com
metros quadrados. Costumo dizer que Bom, você já mais ou menos estabele- as crianças. Aos domingos de manhã
essas pessoas deixaram de ter espaço ceu o perfil do novo usuário. Mais jo- vou à igreja, que é onde me renovo. Por
inútil. O comportamento mudou. En- vem, com uma nova visão... isso que eu fiz teologia. Olha, não é
trou no mercado um novo cliente, que Esse usuário quer comodidade. E mobi- fácil. Trabalhar com pessoas é a coisa
é essa população economicamente lidade. Hoje ele está aqui, amanhã esta- mais difícil que existe. Se você traba-
ativa jovem que vive de experiência. rá lá, no outro lado. Ele quer fechar a lha com computador, se ele der um
Qual é o perfil desse novo cliente? porta e ir para o outro rumo. Pretende problema você troca. Já com gente...
É gente que quer vivenciar experiên- alugar o imóvel o mais rápido possível, E você se considera muito exigente
cias novas, seja de moradia, de viagem, sabe? Ele quer ter experiências, não é? com as pessoas?
de gastronomia. Esse cliente jovem já Uma maneira de revitalizar a cidade Eu sou muito exigente. Eu sou muito
não tem o sonho do carro. Ele não pre- são os prédios com fachada ativa, não? exigente comigo. Esse é um problema.
cisa mais do carro. Por isso, quer morar Aqueles que, na parte de baixo, aco- Sou também muito perfeccionista. En-
perto do metrô. Veja o caso da avenida lhem comércio. tão, eu me cobro demais. E eu cobro
Rebouças, que está sendo revitalizada. Sim, a fachada ativa rende benefícios também as pessoas. Mas entendo o
O que aconteceu? O metrô. A cidade para o bairro, com lojas, restaurantes. seguinte: a gente só cresce errando e
cresce em torno do metrô. Avança per- Dá comodidade ao morador e ele apro- tentando de novo. Mas sempre tentan-
to de onde há transporte de qualidade, veita, é óbvio. E também permite mais do fazer melhor que da vez anterior.
entendeu? Esse novo cliente compra áreas construtivas para o incorporador. Senão não evolui. TP

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T U R ISM O

That’s
entertainment
F r a n c i s c o C o s ta N e t o , C EO d a Av i va ,

i n v e s t i r á R $ 1,4 b i l h ão e m R io Qu e n t e (G O)

e C o s t a d o Sau í p e ( B A ) pa r a t o r n a r a i n d a

m a is su r pr een den t e s e sT e s dois de st inos

P o r C e l s o A r n a l d o A r au j o | r e t r a t o s C l au s L e h m a n n

132 | | DEZ.2019
O
O n o m e Av i va t a lv e z n ã o c r i e u m a r e f e r ê n c i a i m e d i a t a n a m e n t e

d a s p e s s o a s . Ma s q u e t a l o s n o m e s R i o Q u e n t e ( G o i á s ) e C o s t a d o Sa u í p e

( Ba h i a )? A g o r a , s i m , a v i ag e m é c e r t a . D o i s d o s m a i s q u e r i d o s d e s t i n o s

d o pa í s , fa m o s o n o m u n d o i n t e i r o p o r s e u p o t e n c i a l t u r í s t i c o , 

t ê m o s e l o Av i va . N o l a n ç a m e n t o d a C o m pa n h i a e m o u t u b r o d e 2 0 1 8 ,

o C EO d a e m p r e s a , F r a n c i s c o C o s t a N e t o , s u r p r e e n d e u

o e v e n t o v e s t i d o d e m ág i c o. H i s t r i o n i s m o c o r p o r at i vo?
THE PRESIDENT - Há 40 anos o grupo do agregar a esse destino o que temos de me- falando de infraestrutura e da própria
Na d a d i s s o . F r a n c i s c o , 5 1 a n o s , é l o w p r o f i l e . qual a Aviva faz parte adquiriu o destino lhor em entretenimento, gestão, gover- criação do resort. Mas isso foi superado.
Rio Quente. Por que agora vocês incorpo- nança, para oferecer aos nossos clientes. Sauípe, enfim, tinha uma grande neces-
raram o complexo da Costa do Sauípe? Muitas aquisições do setor são feitas sem sidade de investimento e, sobretudo, uma
Francisco Costa Neto – Porque completa- esse foco, sem pensar no futuro cliente. necessidade de entretenimento. Também
mos um ciclo de mais ou menos dez anos Na radiografia que vocês fizeram da Cos- precisava de um management mais ade-
de revitalização do destino Rio Quente e, ta do Sauípe para comprá-la, e depois quado. Temos um grupo que performou
com isso, tínhamos como objetivo estra- para incrementar seu poder de atração, muito bem no Rio Quente, então trouxe-
tégico crescer em novos destinos. quais foram os pontos que receberão o mos para Sauípe esse know-how. A Previ
Formado em administração de em- Mas o que vem a ser esse novo jei- duz crianças e adultos em Sauípe. Ali E por que a Costa do Sauípe, que vai com- primeiro upgrade? tem um portfólio gigante, muito diversi-
presas pela Universidade de Vermont, to de ser para uma empresa com, por também Neto suspende no ar hóspe- pletar 18 anos? É importante dizer, em primeiro lugar, ficado, e não conseguia dar a devida aten-
nos Estados Unidos, ele começou no enquanto, 12 hotéis, cinco pousadas, des inebriados pelo estupor da vista Estávamos querendo mesmo ir para a que fomos muito bem assessorados por ção a um setor que para eles é pequeno.
mercado financeiro, no Banco Garan- 2.700 apartamentos e 2,2 milhões de no ponto mais alto da roda-gigante ali praia. Sauípe é o maior resort de praia do duas empresas: a Mapie, a boutique do Você pretende manter pousadas e hotéis
tia. Naquela noite de anúncio da nova hóspedes por ano? Os investimen- implantada. Para Rio Quente, a nova Brasil e o maior do país. Com 1.584 apar- setor, com grandes clientes, e uma bouti- com diferentes estrelas em Sauípe?
marca e novo propósito, usou a fan- tos nesse primeiro ano já dizem mui- investida da Aviva é a Hot City – um tamentos, é um ativo que há muito tempo que financeira chamada Cypress, que nos Nós temos lá, na verdade, três categorias.
tasia para tirar da cartola, como num to sobre a nova vocação que o grupo centro de entretenimento cuja princi- estava no mercado. O controlador era a ajudou no fechamento do negócio. Em A de entrada são as pousadas, seguida
passe de mágica, a verdadeira vocação quer agregar aos dois destinos. Uma pal atração será a tecnologia do map- Previ [fundo de previdência do Banco do Bra- segundo lugar, sentimos logo que tínha- pelos resorts, e também temos a categoria
da Aviva – mais do que turismo, o en- Vila Assombrada com personagens ping, a nova onda entre as mídias não sil] e avaliamos que esta aquisição seria mos que reinventar Sauípe. Foi, sim, um premium. Aliás, a primeira grande refor-
tretenimento. do folclore brasileiro já assusta e se- convencionais. uma oportunidade muito interessante de destino muito além do seu tempo. Estou ma de Costa do Sauípe foi reaberta, em

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no cerr ado e O que você destacaria como novas atra- Vocês lançaram em março deste ano a Tur-
ções de entertainment para Sauípe? minha da Zooeira. Conte mais sobre ela.
na praia
Quando entramos em Sauípe, guiados pelo A Turminha da Zooeira foi criada por nós
“a s r a z õ e s d e i r
direcionamento estratégico, queríamos e nasceu no Rio Quente. Na época se
fazer algo diferente. Não apenas reformar o chamava Turma do Cerrado. Entre outros a um determinado
Há muitas novidades tanto
hotel. Um player tradicional da indústria personagens temos a baleia Leia, que
nas instalações do Rio Quente d e s t i n o S ão o
hoteleira iria reformar o hotel como sua estreou em Sauípe este ano para fazer a
como nas da Costa do Sauípe,
primeira atitude. Nós preferimos investir conexão entre os dois destinos. Ao todo entretenimento e a
incluindo a Quermesse da Vila
primeiro em entretenimento. Mas, antes são seis personagens: Lara, Blá, Juba,
busc a por exper iênci a s”
de tudo, cuidamos dos nossos colaborado- Zira, Marina e Leia. O grande destaque é
res de lá, que são aproximadamente 2 mil que eles abraçam a causa ambiental e,
pessoas. Para isso, reformamos todos os junto com as crianças, protegem a nossa
outubro. O Sauípe Premium Brisa, com refeitórios, os centros de convivência, ves- natureza. Sempre tendo como premissa O destino Rio Quente existe há mais de
198 apartamentos, proporciona a hospe- tiários, antes de qualquer outra coisa. Mas este cunho educacional e ambiental de 50 anos. Ainda atrai muita gente?
dagem mais exclusiva do complexo. Fo- voltando ao entretenimento no destino: uma maneira divertida e com uma lin- A marca Rio Quente é consolidada, com
ram investidos cerca de R$ 19 milhões, criamos a Quermesse da Vila, ao lado da guagem voltada para os pequenos. uma ocupação tradicionalmente muito
com diversas revitalizações como piscina Vila Nova da praia, com uma roda-gi- Todos personagens legitimamente bra- mais alta do que o setor. Em média, qua-
de borda infinita, restaurantes, lobby e gante, uma Vila Assombrada e atrações sileiros, não? se 75% versus 55%. É um produto único,
quartos, entre outros ambientes. Ou seja, que toda quermesse tem, como comida Exatamente. A proposta da Aviva é ser uma experiência singular, com deman-
não foi uma simples reforma, criamos típicas e brincadeiras. Exatamente para uma empresa genuinamente brasileira das por gerações.
praticamente um novo hotel. deixar claro que a primeira proposta é dar que oferece entretenimento como seu Os dois destinos recebem estrangeiros?
Serão investidos mais de R$ 280 milhões mais entretenimento para o cliente. core, mas usando toda a riqueza da cultu- Sauípe, sim. São cerca de 10% de hóspedes
em reformas em Sauípe. É isso mesmo? Criamos um momento mágico, por ra brasileira e da cultura local. A nova Vila internacionais, a maioria da Argentina e
Até 2025. Isso envolve a reforma de todos exemplo, que é estar no alto de uma ro- Assombrada também tem personagens Chile. Já Rio Quente é 100% nacional. O
os hotéis e um parque aquático, que está da-gigante podendo tomar espumante e de lendas brasileiras – como o Chupa-ca- Sudeste ainda é a principal origem como
em desenvolvimento. O aporte faz parte ver o pôr do sol na Bahia. Não nos con- bra, Maria Pisadeira e Loira do Banheiro. mercado emissor pois estamos muito bem
de um projeto maior da Aviva, pois será tentamos com o modelo tradicional de Vocês estão visando famílias com crian- localizados em ambos os destinos. A pri-
investido R$ 1,4 bilhão nos nossos dois entretenimento, que basicamente se ças, porque um adulto talvez não se inte- meira barreira do turismo é o lift, o acesso.
destinos: Rio Quente e Costa do Sauípe. ocupa de oferecer atividades de piscina e resse muito por esse folclore infantil. O Rio Quente está a uma hora e 10 minutos
Sauípe fica a 100 quilômetros de Salvador alimentação. Só isso não sustenta a razão A definição de família hoje é muito ampla. de voo de São Paulo. Trazemos mais de
e a maioria dos hóspedes permanece do público visitar qualquer turismo, seja O modelo tradicional mudou muito. Aten- 400 voos fretados por ano. Somos a se-
uma semana. Isso exigiria mais atrações aqui no Brasil ou em qualquer lugar do demos, na verdade, crianças de todas as gunda maior fretadora de aeronaves do
locais, concorda? mundo. Precisamos acima de tudo criar idades e adultos que conservam este espí- Brasil. E Salvador é a primeira parada no
Lógico! E essa é a grande proposta da experiências. Elas são o que cada vez rito infantil da curiosidade, da alegria da Nordeste para quem vem do Sudeste: são
Aviva, já que não acreditamos mais na mais as famílias e pessoas buscam. descoberta e o desejo de ter sempre conta- duas horas e meia de São Paulo.
hospitalidade tradicional. O que vai sus- Qual o balanço deste primeiro ano to com o novo. Família para nós pode ser, A nova atração da Aviva, a Hot City, está
tentar o turismo é o entretenimento. Seja de administração da Costa do Sauípe por exemplo, um grupo de amigos em prevista para 2022. Fale sobre ela.
resort ou Airbnb, os meios de viagem são pela Aviva? viagem que talvez seja muito mais família Hot City é um projeto que trabalhamos
componentes para garantir a hospitali- Sauípe perdia em média R$ 37 milhões entre si que aquela com laços de sangue. junto a algumas consultorias para trazer
dade. Mas, no fundo, a razão de ir a um por ano. Nesse período nós já consegui- Com criança ou sem criança, para nós a algo, de fato, novo nos nossos destinos.
determinado destino é o entretenimento mos reverter o cenário e conquistamos diversão é para todos, já que o nosso pro- Estamos construindo em Rio Quente um
e a busca por experiências. R$ 10 milhões de lucro no primeiro ano. pósito é fazer famílias felizes. Festival Center, algo como um shopping

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da imaginação. A Hot City vai ser toda tro anos. E uma taxa de juros que, histo-
branca, com projeção mapeada perma- ricamente, nunca esteve tão baixa.
“O s e r h u m a n o p r e c i s a nente para podermos contar as histórias Mas é uma taxa de juros que não é para
do Brasil para os visitantes. nós, ou é?
se desligar do mundo
É uma minicidade? Esses juros baixos promovem toda uma
re a l E se di v ertir com Um entertainment center, com restauran- cadeia. E o efeito deles chegará ao consu-
tes temáticos, cervejarias, anfiteatro para midor logo, logo. A Aviva está disposta a
a fa m í l i a , s e já l á c o m o
shows, espetáculos diversos, peças tea- apostar no Brasil e a investir. Já vamos
e l a f o r f o r m a da” trais. Tudo isso para os hóspedes e visi- começar duplicando o investimento que
tantes da região. Investiremos R$ 62 mi- fizemos este ano.
lhões na Hot City. Ela será uma novidade E o setor de turismo, especificamente?
no Brasil e iremos cruzar mares que são A cadeia de turismo é das que mais cres-
center de gastronomia e entretenimento novos para nós também. cem no âmbito global. E, no mundo todo,
outdoor. Além das opções de gastronomia, Você é um workaholic? os grandes viajantes são sempre os emer-
entretenimento e lojas, teremos o maior Não sei se workaholic, inclusive acho que gentes. Persiste a falsa noção de que tu-
projeto de mapping do Brasil, que será a esse termo está ultrapassado. E não há rismo é um item dispensável, supérfluo.
grande atração noturna. mais home office. Hoje é anywhere office. Nossa indústria provê a necessidade hu-
O que é mapping? CEO não tem opção. É sempre 24x7. mana de sair da realidade, de se desligar
É um tipo de projeção outdoor que trans- Como será o novo ano? do mundo real e simplesmente se divertir
forma cada parede, prédio ou monumen- Teremos um crescimento econômico re- com a família, independentemente de
to numa tela de mídia, o limite por conta levante, como não se vê há mais de qua- como ela for formada. TP

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m erc a d o

jovem
liderança
Ao s 33 a n o s, Gu il her me Gr egor i,
C EO d a i n c o r p o r a d o r a e c o n s t r u t o r a

Pa e s & G r e g o r i , p r e v ê R $ 5 0 0 m i l h õ e s e m l a n ç a m e n t o s

pa r a o a n o d e 2 0 2 0

Por Fr a nçoise Terzi a n | r e t r a t o s C l au s L e h m a n n


V
das que atraem, sobretudo, os públicos
A e B”, conta Gregori, que divide seu
tempo entre o cargo executivo e uma
vaga no conselho de administração no
grupo de empresas da família.
Casado, pai de um casal de filhos,
Guilherme Gregori nasceu em São
Paulo, onde viveu até os 8 anos. De-
pois, mudou-se com os pais arquitetos
para Jundiaí (SP), retornando mais tar-
de à capital, onde se fixou. “Meus pais
sempre tiveram paixão por construir,
projetar e estudar projetos de urbanis-
Va l e a p e n a p r e s ta r at e n ç ão e m u m n o m e mo”, diz. Não por acaso, os dois tra-
balharam na Emplasa, empresa de pla-
da n ova g e r aç ão d e C EO s . E l e v e m d e u m a fa m í l i a
nejamento urbano de São Paulo. “Na
d e a r q u i t e t o s e e n g e n h e i r o s a pa i xo n a d o s década de 90, por oportunidade, meu
avô chamou meus pais e se juntaram
por a rqu i t e t u r a, u r ba n ismo e pe l a a rt e de
para incorporar”, conta. “Meus pais
c o n s t ru i r i m óv e i s d e a lt o pa d r ão. S e u n o m e? também fundaram na época uma em-
presa fabricação de móveis, especial-
Gu i l h e r m e Gr eg or i. Ou c omo o própr io se de f i n e ,
mente para instalações comerciais.”
“ u m e c o n o m i s ta e n t r e e n g e n h e i r o s e a r q u i t e t o s ”. Essa é a Manufacta, que fornece mo-
biliário para segmentos como o hospi-
talar, varejo de moda, alimentício, ae-
roportuário e corporativo. A companhia
faz, por exemplo, mobília para o Burger
King, McDonald’s, Outback, Starbucks
e também para as duty-frees Dufry e DFA,
nos aeroportos. O faturamento anual
gira entre R$ 20 milhões a R$ 30 milhões.
A Manufacta faz parte dos negócios da
família assim como a Astra, empreendi-
O jovem CEO, de apenas 33 anos, está à frente da Paes & Gregori, incorporadora mento de 60 anos que está entre as 1,5
e construtora com mais de duas décadas de história em empreendimentos voltados mil maiores empresas do país. Hoje ela
para o alto padrão. A empresa fundada por seus pais e pelo avô materno, com seus fatura por volta de R$ 500 milhões por
empreendimentos fincados na capital paulista, mira na qualidade dos projetos, ano, tem seis unidades produtivas (nos
desenhados para o novo consumidor, que, segundo Gregori, deseja conveniência, estados de São Paulo e Pernambuco)
conforto e experiências únicas. e produz assentos sanitários, cubas, ga-
De acordo com o CEO formado em enconomia pelo Insper, a Paes & Gregori binetes, mecanismos de descarga para
mantém o foco nas áreas centrais e mais valorizadas da cidade, nas proximidades banheiro, tubos, conexões, válvulas
de transporte público e a poucos passos de comércio e serviços. “São áreas valoriza- e também banheiras e spas.

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THE PRESIDENT _ Em seus 23 anos de Que outras atitudes foi necessário tomar
história, a Paes & Gregori atravessou como estratégia?
muitos cenários políticos e econômicos Também imprimimos um controle rigo- “o r e aq u e c i m e n t o
no Brasil. Como continuar tocando? roso de custos. Procuramos sempre ser
da e c o n o m i a e a s
Guilherme Gregori – O que nos permitiu eficientes nesse sentido, mas nos empe-
atravessar todos esses anos com resiliên- nhamos ainda mais. Contamos com uma b a i x a s ta x a s d e
cia foi a qualidade dos produtos que ofer- estrutura bem flexível para atravessar
j u r o s favo r e c e m
tamos. Sempre crescemos com bastante tempos assim. Os projetos que julgamos
diligência, planejamento e res­pon­sabi­ melhor adiar, nós postergamos. Investi- i n v e s t i r e m i m óv e i s ”
lidade. Quando a crise começou a se mos visando eficiência, mas também
evidenciar, lá entre 2013 e 2014, nos pre- para aproveitar oportunidades que sur-
paramos. Chegando ao fundo do poço em giram com a crise.
2016, tínhamos pouco estoque. Imprimi- Então a crise, para vocês, não foi só o sições. Sobretudo envolvendo ativos de
mos toda uma estratégia para passar pela momento de pôr o pé no freio. Também infraestrutura como hidrelétricas, térmi-
crise, pelo período de turbulência, de houve momentos de acelerar, não? cas, eólicas, linhas de transmissão,
uma forma razoavelmente incólume. Realizamos, por exemplo, investimentos transporte e logística. Até que, há seis
E qual foi essa estratégia? para promover cortes de custos na Astra. anos, passei a atuar nas empresas da fa-
Antes de tudo, procuramos evitar cance- Investimos em um novo parque indus- mília. Iniciei participando no conselho de
lamentos de vendas, os distratos. Eles são trial, eliminando o aluguel pago a tercei- administração da Astra em 2013, ainda
especialmente nocivos, pois, além de ter ros. Hoje, temos galpões modernos e mantendo meu trabalho anterior. Em
a venda cancelada, é preciso devolver ao flexíveis, com uso eficiente de energia e 2015, vim para a Paes & Gregori, me des-
cliente a maior parte paga. Muitas vezes, outros recursos. As construtoras espe- ligando da empresa em que trabalhava. final de 2017 na rua Girassol, na Vila Ma- o que dá em torno de R$ 3 milhões a uni- VGV. Terá unidades de 194 metros qua-
o dinheiro virou tijolo, cimento, concre- cializadas estavam com grande capaci- Como foi o ano de 2019 para a empresa? dalena, com entrega prevista para no- dade. A entrega do Lina está prevista drados, além de estúdios e salas comer-
to e portanto ocorre um estresse grande dade ociosa. Dessa forma, conseguimos Extremamente satisfatório. Estamos com vembro de 2020. São 110 unidades de 60 e para março de 2022. ciais. Há ainda um projeto na Chácara
em fluxo de caixa. Várias empresas que- construir por um valor muito favorável. uma excelente velocidade de vendas em 70 metros quadrados. Um projeto que faz Serão quantos lançamentos em 2020? Klabin, também previsto para o primei-
braram, tanto as de grande porte, de ca- Fizemos algo semelhante na Manufacta. relação ao estoque e ao projeto que lança- uso da multiplicidade de materiais nobres Planejamos lançar cinco empreendi- ro semestre de 2020.
pital aberto, quanto médias e pequenas. Para ela, adquirimos um galpão moderno mos. Colocamos muito foco na rentabili- em harmonia. Casos do vidro, concreto mentos e chegar perto dos R$ 500 mi- Como é?
O mercado como um todo foi prejudica- por um valor bem abaixo do seu custo de dade desse projeto. Muitas empresas não aparente, aço corten e madeira. lhões de VGV (Volume Geral de Vendas). Trata-se de um residencial de alto padrão,
do. Nós, da Paes & Gregori, tivemos um reposição. Na Paes & Gregori, fizemos mantêm esse mesmo foco, muitas traba- Qual foi o lançamento de 2019? Cada projeto tem de R$ 70 milhões a R$ com apartamentos de 150 metros quadra-
nível de 7,5% de distratos, quando para investimentos em novas excelentes áreas lham com metas de lançamentos e olham Nosso lançamento do ano foi o Lina Jar- 130 milhões de VGV. Estamos aquecendo dos e três suítes. Tem frente para duas ruas
muitas esse nível beirou os 50%. para incorporação, a preços muito con- outros números. Para muitas, o olhar é no dins, na alameda Joaquim Eugênio de os motores, mas com responsabilidade. distintas e equipamentos de lazer genero-
A que você atribui esse menor índice de vidativos, por causa da baixa demanda. volume. Nós não. Temos muito foco em Lima, nos Jardins. São apartamentos de 145 Dos lançamentos previstos para 2020, sos. No segundo semestre de 2020, será a
distratos da Paes & Gregori? Embora você tenha nascido em uma fa- crescimento, mas com rentabilidade e metros quadrados, com três dormitórios. teremos dois no bairro da Vila Madalena. vez de um residencial com serviço no Par-
Atribuo à qualidade da nossa carteira de mília de engenheiros e arquitetos, decidiu sobretudo disciplina financeira. Neste Estamos na fase de vendas das 24 unida- Um deles, o Ecos Vila Madalena, fica na que da Água Branca. Esperamos também
clientes, de alto poder aquisitivo, menos estudar economia. Como foi esse trajeto? ano, tivemos um lançamento somente, des, contando as duas coberturas bem di- rua Oscar Caravelas. Em 2,2 mil metros aprovar e lançar um residencial na rua
atingidos por desemprego e que sofreram Eu me formei em economia no Insper. em paralelo a outros projetos já lançados ferenciadas, de três pavimentos, uma com quadrados de terreno, trará duas torres Alexandre Dumas, até o final de 2020.
menos impacto nos seu nível de renda. Depois da faculdade, fui trabalhar em e futuros. O ciclo do setor imobiliário é 348 metros quadrados e outra com 371 residenciais com apartamentos de me- Imóvel ainda é um investimento seguro
Também foi importante a própria qualida- consultoria e no mercado financeiro. Co- longo, com o envolvimento de uma déca- metros quadrados. É um imóvel de alto tragens variadas - de 120 a 200 metros e rentável no médio e no longo prazo?
de dos nossos produtos. Eram produtos em mecei na Stern Stewart, uma consultoria da da incorporadora no processo todo, da padrão, com as unidades da frente com pé- quadrados – e uma parte com estúdios de É um investimento que tem seu lugar em
dos quais o cliente podia esperar valoriza- especializada em estratégia e finanças. aquisição da área ao pós-venda. Hoje, por direito duplo na sala (5,30 metros). 26 metros quadrados. Há um segundo qualquer carteira diversificada e certa-
ção, apesar da crise. Eles se sobressaíam Mais tarde, trabalhei com project finance, exemplo, temos algumas unidades em Quanto custa? projeto, o Harmonia da Vila, na rua Har- mente rentável no longo prazo. Tem suas
com o chamado flight-to-quality. estruturações financeiras e fusões e aqui- estoque do Ybyrá, residencial lançado no São cerca de R$ 20 mil o metro quadrado, monia, com cerca de R$ 130 milhões de idiossincrasias e, como em toda categoria

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mais cérebros que braços. Nossa equipe é Como analisa o consumidor das novas
composta por cerca de 30 profissionais. A gerações?
“O m e r c a d o e s t á e m maior parte, engenheiros e arquitetos. O perfil vem mudando não só na mora-
Mas também há uma relevante equipe dia, mas em todo estilo de vida. As novas
c o n s t a n t e e vo l u ç ão.
comercial, de controladoria, business in- gerações valorizam experiências em re-
E exigir á maiS telligence e atendimento ao cliente. lação à propriedade em si. É mais a con-
Quais são os bairros da vez para os lança- veniência, o conforto e o prazer propor-
e m a i s i n ova ç ão
mentos residenciais? cionados que propriamente o possuir. A
e f l e x i b i l i da d e ” O plano diretor revisado em 2014 e, pos- gente adapta os imóveis a essa realidade.
teriormente, a lei de zoneamento aprova- Por isso, também criamos áreas especiais
da em 2016 elegeram localizações de como rooftops e espaços gourmet, lounges,
maior potencial construtivo. O mercado espaço para pilates e yoga além da acade-
de investimentos, uns performam melhor imobiliário acabou focando muito essas mia e coworking, bem como áreas de
que outros. Em geral, é resistente em rela- áreas, que contemplam o entorno de me- conveniência, como lavanderia coletiva,
ção à inflação e performa bem quando a trô e transporte público. Vemos muitos espaço para armazenagem de delivery,
economia está crescendo, combina com lançamentos em Pinheiros, Vila Madale- espaço pet e por aí vai. Procuramos focar
épocas de retomada econômica. Hoje, na e o Butantã. O mesmo pode se dizer de a experiência do consumidor também
imóvel é uma das opções mais promisso- Perdizes, com as estações de metrô pla- dentro de sua unidade, o que significa
ras no estado atual de reaquecimento e de nejadas para o bairro. As áreas próximas buscar a melhor planta, a melhor utiliza-
baixas taxas de juro. A gente costuma aos trechos da linha 5 do metrô também ção dos espaços, oferecer flexibilidade e
brincar que o ativo imobiliário é concreto, vivem um boom em seu entorno. Moema, diferenciais em termos de usabilidade e
tijolo e taxa de juros. Quando os juros Vila Mariana, Chácara Santo Antônio e acabamento. Oferecemos, ainda, um
caem, os imóveis se valorizam. Alto da Boa Vista passam por uma ex- programa de personalização completo,
Como é feito o controle das obras? pansão baseada na chegada dessa linha. que permite ao cliente optar online pela a
Todas as novas obras são projetadas em Como você vê o futuro do setor imobiliá- planta que melhor se encaixa nos seu
BIM (Building Information Modelling), um rio e da Paes & Gregori? estilo de vida. Adicionalmente, possibi-
sistema 3D no qual você constrói uma Acredito que o mercado estará em cons- lita a opção de acabamentos, acessórios,
maquete virtual com todos os detalhes. tante evolução. E exigirá mais e mais mobília e outros itens exclusivos para sua
Assim, conseguimos conciliar todas as inovação e flexibilidade. Olhamos sempre unidade com muita conveniência a valo-
vertentes de um projeto, como a parte novos tipos de negócios que atendem aos res diferenciados. A melhor experiência
estrutural, arquitetônica, de instalações novos tempos. Embora tenhamos muitos inclui também a qualidade de atendi-
hidráulica e elétrica, esquadrias, interio- projetos residenciais, não nos limitamos mento ao cliente. Fazemos questão de ter
res e exteriores. Isso nos permite simular a isso. Analisamos quais produtos têm uma área de atendimento superdimen-
virtualmente a evolução da obra, anteci- mais aderência com o mercado. Tudo está sionada e espe­­cializada, acessível por
pando possíveis contratempos. Também na mesa: residencial, comercial, residen- meio de canais de contato convenientes.
imprimimos rígidos controles de quali- cial com serviço, hotel, coworking, peque- Buscamos ter proximidade e transparên-
dade e evolução de obra durante a exe- nas unidades, grandes unidades. Temos cia em relação aos nossos compradores.
cução, com avaliações constantes in loco um sistema muito bem estabelecido de Nossas iniciativas incluem o envio de
por parte de nosso time especializado e análise de projetos e produto. Trabalha- informativos periódicos, eventos e visi-
por meio de painéis e relatórios com di- mos com muita análise de dados, pesqui- tas às obras. Não queremos que os nossos
ferentes métricas de avaliação. Aqui na sa de mercado e sempre muito foco nas clientes só se lembrem de nós na hora de
Paes & Gregori, brincamos que temos demandas dos clientes. pagar o boleto. TP

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a d eg a

Arte
cristalina
M a ximil i a n R iedel fa b r i c a a s m a i s

fa m o s a s t a ç a s d e v i n h o d o p l a n e t a

Por M a rc e l lo Borge s

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Elega nte, com terno sob medida e um discreto beu o apoio da Associação Italiana de Sommeliers. O vinicultor piemontês
Angelo Gaja levou Georg a conhecer os terroirs mais importantes. Isso foi
A Riedel tem mais de
Rolex no br aço, ele surge com dois assessores. decisivo para que a Riedel ampliasse os formatos de taças segundo as uvas ou
os tipos de cortes de cada região. “Só na década de 1980 é que começamos, 3 0 0 a n o s . Ma s s ó d e c o l o u
Aca ba de sa ir de um a churr asca ria, em São Paulo, de fato, a beber vinho tal como fazemos hoje, com as taças adequadas.”
d e v e z c o m o fa b r i c a n t e

e diz que consider a a ca rne br asileir a um a MULHER BRASILEIRA d e t a ç a s e m 19 7 3

Q
uanto tempo é necessário para desenvolver um formato de taça?
das melhores do mundo. M as recl a m a da pouca Maximilian responde de pronto: “A taça para Krug Rosé levou só
três meses. Mas acabamos de introduzir uma nova para Riesling que
to com Rosana, paulista de origem mineira. “Estou
atenção que os restaur a ntes em ger a l dão ao levou sete anos para ser desenvolvida”. Uma das bolações de Ma-
aprendendo muito com eles. Quero encaminhá-los
ximilian, que também é designer, foi revolucionar as taças para espumante.
a nossa empresa.”
serv iço do v inho. “Não é só no Br asil, não”, Até então, recorria-se às esguias e acanhadas flûtes. Maximilian optou por
Maximilian conheceu Rosana graças a um amigo
taças maiores, que possibilitam não só girar para expandir os aromas, mas,
em comum, Daniel Bacardi, com quem passava férias
ressa lva. “Poucos restaur a ntes se dão conta da sobretudo, melhor percepção olfativa. “Quando meu avô tinha de tomar
de verão num acampamento no Canadá. “O Facebook
champanhe – não era muito fã – sempre usava taça para Borgonha.”
de entalhes. O conceito de taça mais clean foi uma sa- acabara de surgir”, relembra. “Mandei uma mensagem
importâ nci a de serv ir um v inho na taça a dequa da O primeiro emprego de Maximilian foi na Maison Taittinger. Trabalhava
cada do avô de Maximilian, o professor Claus Riedel, já para ela, dizendo que tínhamos um amigo em comum
como guia. Para os turistas, o champanhe era servido na flûte. Mas nos bas-
então fixado na Áustria, em meados do século passado. e que queria conhecê-la.” Não obteve resposta, mas
à va rieda de da u va ou ao estilo da bebida.” tidores os produtores bebiam na taça de vinho branco. Isso ajudou a inspirar
“Ele era adepto da escola Bauhaus de design”, con- foi persistente. “Ela era modelo em Londres e fui até
este fã de relógios e de vinhos – estes, por motivos óbvios. Se não estivesse
ta o neto. “Seguia fielmente os dois lemas da institui- lá. Apaixonamo-nos e Rosana se mudou comigo para
na indústria de cristal fino, gostaria de se dedicar a uma dessas áreas. Mas
ção: menos é mais e a forma acompanha a função.” Nova York.” Na época, o pai de Maximilian convidou-
não tem muito tempo livre. Viaja mais de 200 dias por ano. Nos intervalos,
Nos anos 1950, Riedel avô representou a Áustria em -o a assumir a empresa. “Estamos juntos desde então”,
procura passar tempo com seus dois filhos, de 2 e 4 anos, em Kufstein, na
feiras mundiais, uma em Bruxelas, na Bélgica, e outra conta. “Aprendi muito com ela. Sou alemão, penso de
Áustria, onde está fincada a fábrica. As crianças são fruto de seu casamen-
em Montreal, no Canadá, e trouxe a medalha de ouro forma racional demais, e ela é brasileira...”
em ambas. Eram taças transparentes, sem cor e me- Maximilian recebeu as rédeas da Riedel em 2013,
nos decoradas. Uma novidade e tanto. Ainda assim, aos 35 anos. Dois anos antes havia desenvolvido uma

M
aximilian Riedel, 41 anos, presidente da empresa batizada com o revelaram-se um fracasso de vendas. série de taças para restaurantes, mais robusta e eco-
seu sobrenome, esteve em São Paulo para apresentar o seu road Para sorte dos Riedel, em 1960 o Museu de Arte nômica, capaz de aguentar o tranco do dia a dia. Ain-
show: a degustação de taças de cristal. O industrial alemão re- Moderna de Nova York (o MoMA) adotou uma de da antes disso, em 2004, criara uma linha de taças
presenta a 11º geração da família à frente da mais famosa fábrica de taças de suas peças, classificando-a como “a mais bela taça sem haste. Em 2008 desenhou um decanter – um ae-
vinho do planeta. Na seleta plateia havia sommeliers, donos de restaurantes de vinho já criada”. Maximilian comenta que o New rador – chamado Eve, que faz uma aeração dupla. Ele
e consumidores exigentes. A ideia era mostrar que, por melhor que seja o vi- York Times chamou essa peça de “aquário”, porque acredita na necessidade de aerar até vinhos brancos.
nho, se for servido no recipiente errado, perderá muitas de suas qualidades. na época bebia-se vinho em cálices pequenos. A taça “Não há um só vinho, inclusive champanhe, que não
A Riedel tem um catálogo extenso, com dezenas de taças, algumas com um de Riedel podia receber uma garrafa inteira de vinho. se beneficie de uma passagem pelo decanter.”
nível de especificidade inacreditável. Por exemplo: há uma para conhaque “Foi algo surreal, inédito”, entusiasma-se. E que vinho o homem das taças prefere bebericar?
VSOP (mínimo de quatro anos de envelhecimento) e outra para conhaque Apesar do apoio da vanguarda do design e das ar- “Gosto de Pinot Noir, mas os preços estão muito al-
XO (mínimo de seis anos). tes ao novo estilo de taça proposto pela Riedel, a mar- tos”, diz. “Por isso, dedico-me ao Cabernet, quando
O sucesso da empresa não veio de uma hora para outra. A família começou ca só decolou de verdade em 1973. Foi quando Georg possível Bordeaux.” Para Maximilian o marketing
a trabalhar com vidros e cristais ainda no final do século 17, na Boêmia – hoje – filho de Claus e pai de Maximilian – desenvolveu a dos vinhos da Borgonha precisa ser aprimorado.
República Checa –, então considerado, no gênero, o melhor país produtor. O coleção Sommelier com oito taças diferentes, volta- “Há produtores menores que fazem ótimos produ-
modelo a seguir naquele e nos séculos seguintes eram peças coloridas e repletas das para uvas ou cortes específicos. A iniciativa rece- tos, mais acessíveis, mas pouca gente os conhece.” TP

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av i aç ão
P o r f e r n a n d o pa i va

O C AÇ A B R I TÂ N I C O

T E V E A P I N T U R A DA

F U S E L AG E M L I X A DA AT É

O M E TA L E V I R O U

T H E S I LV E R S P I T F I R E

aventura não em 1943.” Cada um dos 80 mil


aérea rebites da fuselagem foram trocados,

Pássaro prateado
No alto, Steve para evitar qualquer problema.
Brooks e Matt Jones explica que buscou o apoio
Jones. E o avião da suíça IWC Schaffhausen pelo fato
Patrocinado pela IWC Schaffhausen, um Spitfire de 1943 dá a volta ao mundo, voando e pouco de a manufatura possuir uma linha de
percorrendo 43 mil quilômetros e cruzando 30 países em quatro meses antes de decolar relógios para pilotos inspirada no
Spitfire. “Conversamos com o Chris
[Christoph Grainger-Herr, CEO da mar-

O
Supermarine Spitfire foi um dos aviões de comba- No total, serão 43 mil quilômetros percorridos por 30 -brasileiro (nasceu em Curitiba, de pais franceses) Pierre Clostermann (1921- ca] e ele imediatamente disse que
te mais importantes da Segunda Guerra Mundial países com cerca de 100 paradas: Reino Unido, Groenlândia, 2006) descreveu em tons grandiosos a primeira vez que voou num Spitfire, men- gostaria de estar envolvido no proje-
(1939-1945). O caça britânico celebrizou-se du- Canadá, Estados Unidos, Rússia, Japão, Índia, Paquistão, cionando explicitamente o barulho inigualável dos 12 cilindros e a saída do fogo to”, conta. “A Boultbee Flying Aca-
rante a Batalha da Inglaterra, em 1940, quando os alemães Barein, Egito, Grécia... Brooks e Jones são sócios da Boult- pelos canos de escapamento na hora da partida. demy é uma empresa de dez pessoas,
bombardearam Londres sem dó nem piedade. Mesmo as- bee Flying Academy, que além de formar pilotos leva clien- A maioria dos 100 trechos percorridos aconteceu a baixa altitude, por meio de focada em voar: precisávamos de um
sim, não conseguiram vencer. Os Spitfire da RAF (Royal Air tes para experimentar a célebre aeronave inglesa. “Planeja- navegação visual. O que só permitiu o deslocamento em dias claros. Isso exigiu patrocinador com integridade e dis-
Force), embora em número bem menor, conseguiram deter mos voar por cerca de 150 horas”, explicou Jones no um grau de excelência na logística e nos estudos meteorológicos raras vezes vis- posto a contar a história.”
o avanço da Luftwaffe, a força aérea nazista. O avião tor- estande da IWC durante o Salão Internacional de Alta Relo- to. Querosene de aviação não é fácil de se encontrar nos confins da Sibéria, por Segundo ele, a circum-navegação
nou-se um símbolo de força e esperança. joaria, SIHH, em Genebra, Suíça. “Como o motor foi restau- exemplo. “Em lugares como o Extremo Oriente ou o leste da Rússia, são centenas da Terra não é apenas sobre o voo,
Um símbolo tão forte que a IWC Schaffhausen, manufatura rado e tem uma vida útil de 500 horas, poderíamos fazer de milhas sem uma única pista de pouso, contato com rádio e um combustível é algo que traz valores inspiracio-
suíça que inventou o Pilot Watch, resolveu patrocinar uma três vezes a viagem sem substituí-lo.” que não é muito comum por lá”, disse Brooks. nais. Passa pela conexão com pessoas
volta ao mundo tendo o avião como protagonista. Alternando- O ronco do motor, aliás, tornou-se tão lendário quanto o O Silver Spitfire, como foi batizado para a expedição, contou em todo o tra- em todos os quadrantes do mundo
-se no manche de um Spitfire Mk IX de 1943, Steve Boultbee avião. Trata-se de um gigantesco Rolls-Royce Merlin V12, jeto com o apoio de um Pilatus PC-12 suíço, um dos turboélices mais confiáveis e por contar uma história. “Vamos
Brooks e Matt Jones decolaram em 5 de agosto último do aeró- duplo turbo, de 1.565 cavalos de potência. “Quando você dá do mundo. Além de um rádio extra e de um iPad, todos os instrumentos de reunir lugares que não veem um
dromo de Goodwood, em Chichester, Inglaterra – para onde a partida, o Spitfire parece adquirir vida própria”, contou navegação são originais. Silver Spitfire porque a aeronave teve a fuselagem lixa- Spitfire há pelo menos 75 anos”,
devem retornar no começo deste dezembro. Até 24 de novem- Brooks. “As pessoas que não estão acostumadas ouvem pela da até o metal. “Trata-se de um avião todo original, vindo direto de um museu, afirmou. “E apresentá-lo a países
bro, a dupla esperava na Grécia a hora de voar para a Itália, dali primeira vez e fazem uma cara indescritível.” Numa obra adquirido em um leilão cerca de dez anos atrás”, contou Brooks. “Queremos que jamais viram um antes.”
para a França, Suíça, Alemanha... e finalmente para casa. clássica sobre a aviação de caça, O Grande Circo, o franco- que as pessoas o toquem. Se o pintássemos, elas estariam tocando em 2019 e silverspitfire.com

152 | | DEZ.2019 DEZ.2019 | | 153


CU LT

Black
Hollywood
No c om e ç o d o s a no s 70

su rgi a m os f i l m e s a m e r ic a nos f e i tos

p o r n e g r o s , c o m n e g r o s e pa r a n e g r o s

blackstar
Richard Roundtree,
P or Robe rto M ug gi at i o astro de Shaft

154 | | DEZ.2019 © getty images


C í n i c a e p r ag m á t i c a , a d é c a da d e

19 7 0 t r a n s f o r m o u e m m e r c a d o r i a
S u p e r F ly, d e 19 7 2 ,
as idei as e os sonhos dos
s u p e r o u n a da m e n o s
r e vo l u c i o n á r i o s s i x t i e s . A c r i a t i va
q u e O p o d e r oso c h e fã o
m o da da s r ua s f o i a p r i s i o n a da
nas bilheterias
n a s v i t r i n a s pa r a o s “ h i pp i e s d e
d o s e s ta d o s u n i d o s
b u t i q u e ”. O s o m e a f ú r i a d o r o c k

v i r o u b a t e-e s t ac a n a s d i s c o t e c a s

e n t o r p e c e n t e s . H o l ly wo o d e m c r i s e um detetive particular na linhagem de Sam Spade e


Philip Marlowe – do outro lado da barreira da cor.
c e d e u ao c i n e m a j ov e m : c o p i ava s e u
O diretor do filme, Gordon Parks, caçula de 15 fi-
b a i xo o r ç a m e n t o s e m o s e u t a l e n t o. lhos de um jornaleiro, tornou-se o primeiro afroa-
mericano a entrar para o seleto quadro de fotógra-
A l i b e r da d e s e x ua l r e s va l o u pa r a
fos da Life, considerada a maior revista ilustrada do
a l i b e r t i n ag e m e a p e d o f i l i a: ao s mundo. Músico, escritor, poeta, cineasta e ativista
cinema negro político, expôs com sua câmera as condições dos
1 2 a n o s , B r o o k e S h i e l d s t i n h a s ua
Acima, Ron O'Neal pobres do Sul dos EUA e das favelas brasileiras e fez
v i r g i n da d e l e i l oa da n u m b o r d e l n o e Carl Lee em Super um comovente retrato do líder político Malcolm X.
Fly. Ao lado, Fred Mostrou também que podia fotografar moda como
f i l m e P r e t t y B aby; Dav i d H a m i lt o n
Williamson no filme qualquer branco refinado.
d e s f i l ava a n u d e z d e s ua s n i n f e t a s O Chefão de Nova
York. Na outra TARANTINO É FÃ

G
e m fotos e f i l m e s; e Rom a n Pol a nsk i
página, Sweetback's   ordon Parks lançou seu herói noir em Shaft
s e m e t e u n u m c a s o d e a b u s o s e x ua l Baadasssss Song – O Filme (1971). O sucesso gerou as sequên-
cias O Grande Golpe de Shaft e Shaft na Áfri-

F
d e m e n o r e m L o s An g e l e s q u e o
oram centenas de produções na primeira metade da dé- ciais que torturavam um jovem negro e passa a sofrer perseguição impla- ca. Encontrou em Richard Roundtree, manequim
pe r se gu e at é hoj e . F oi n e s se c e ná r io cada com um sucesso assombroso: em 1972, Super Fly cável. Por extravasar o ódio e a mágoa da comunidade afro contra a socie- profissional, um dos mais sofisticados protagonistas
superou O Poderoso Chefão nas bilheterias dos Estados dade racista, o filme foi exaltado pelos Panteras Negras. Palavrões, cenas da Blaxplotation, com seu trench coat de couro, ca-
qu e e x pl odi u a bl a x pl oi tat ion
Unidos. Nos estertores do fenômeno, em 1975, o produtor Dino de sexo e violência o fizeram alvo da censura – o título, intraduzível, foi misa de gola rulê e sapatos italianos. Aliás, a roupa
( t r o c a d i l h o d e “ e x p l o r aç ão n e g r a”) : de Laurentiis arriscava suas fichas em Mandingo, um estranho uma forma de escapar dela. Isso não impediu que se tornasse um sucesso nesses filmes é fundamental na definição do caráter:
Blaxplotation branco. de bilheteria, apesar da rejeição inicial dos próprios distribuidores. os mocinhos são sempre elegantes, só bebem co-
f i l m e s f e i tos por n egros sobr e
Já em 1970 chegava às telas Cotton Comes to Harlem/Rifi- Ex-condutor de bondes em San Francisco, Van Peebles não entendia nhaque francês, enquanto os vilões se impõem pela
n e g r o s e pa r a n e g r o s . fi no Harlem, baseado no romance policial do afroamericano nada de cinema quando juntou suas poucas economias a um empréstimo ostentação dos ternos largos com estamparias ber-
Chester Himes. A sofisticação do filme contrastava com a gros- de US$ 50 mil do comediante Bill Cosby para rodar Baadasssss e faturar rantes, os sapatos-plataforma e os chapéus extrava-
sura de Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (1971), conside- US$ 10 milhões. Seu filho Mario contaria essa história em 2003 no filme gantes – uma espécie de releitura dos zoot-suiters
rado o filme mais representativo da Blaxplotation. Dirigido e How to Get the Man’s Foot Outta Your Ass. dos anos 1940. Muitos atores do novo gênero vieram
interpretado por Melvin Van Peebles, mostra um marginal que O personagem mais representativo da Blaxplotation é o detetive John do esporte, em particular do futebol americano,
faz sexo ao vivo num bordel. Ele vira herói ao matar dois poli- Shaft, uma espécie de resposta negra ao fenômeno James Bond. Shaft é como Fred Williamson, que protagoniza O Chefão

156 | | DEZ.2019 © reprodução DEZ.2019 | | 157


de Shaft, Hayes não só se tornou o primeiro compositor afroa-
SOUL NAS
mericano agraciado pela Academia, mas também o primeiro
CAIXAS
nunca no cinema a trilha a compor e interpretar a canção vencedora. Embora a música
Cotton Comes to
se reporte ao coração de Manhattan – Shaft saindo do metrô
s o n o r a f o i t ão i m p o r t a n t e , Harlem foi um
para as ruas agitadas enquanto vão rolando os créditos –, o som
dos pioneiros do
de herbie h a ncock a curtis foi gerado na grande incubadora do soul do Sul dos EUA e de
gênero. Shaft e
Memphis, o estúdio de gravação da Stax, um selo fundado pelos
m ay f i e l D e i s a a c h ay e s Coffy, dois dos
irmãos Jim Stewart e Estelle Axton (STewart/AXton = Stax).
maiores sucessos.
Em parte, graças
BLACK WOODSTOCK

D
às trilhas sonoras
a extinta gravadora Stax saíram maravilhas do soul,
de Nova York/Black Caesar (1973); Bernie Casey (Hit Man); de Isaac Hayes
cantadas por Otis Redding, Wilson Pickett, Sam &
Jim Brown (antes de fazer carreira na Blaxploitation brilhou no e Roy Ayers
Dave, Rufus e Carla Thomas e Albert King, entre outros.
sucesso da MGM Os Doze Condenados), e Jim Kelly (fez com
Muitas delas eram compostas pelo branco Steve Cropper, gui-
Williamson e Brown Three the Hard Way). Ken Norton, o peso-
tarrista do grupo Booker T. & The MGs – plantonistas do ende-
-pesado que não só derrotou Muhammad Ali em 1973, como
reço lendário da Stax na McLemore Avenue, em Memphis. Uma
quebrou o maxilar do campeão, faz o papel de um lutador em
antiga sala de cinema convertida em estúdio, manteve o piso
Mandingo (1975), incursão equivocada, mas lucrativa, de Dino
abaulado onde ficavam os assentos. Esse desequilíbrio criava
de Laurentiis na área, que teve até uma sequência, Drum.
uma anomalia acústica detectável nos discos, que ganhavam
As mulheres também brilharam no gênero. Em Cleópatra
ela falou à revista Essence sobre a onda da Blaxploitation: um som mais profundo e rouco. O historiador do soul Rob
Jones (1973) – e sua sequência, Cleópatra Jones e o Cassi-
“Por que as pessoas acham que eu desvalorizaria a mulher Bowman afirma que bastava aos fãs ouvir as primeiras notas
no de Ouro –, a manequim Tamara Dobson (quase 2 metros
negra? Fui julgada e condenada sem poder testemunhar em para terem a certeza de que a canção fora gravada no estúdio
de altura) é uma agente de combate às drogas em conflito
minha defesa. Claro, muitos daqueles filmes eram lixo. Mas de Memphis. Basicamente, a Stax incorporou o sonho ameri-
mortal com a vilã lésbica “Mamãe” (interpretada pela loura
eram o que estava à mão. Ofereceram trabalho para mim e cano da gravadora de garagem que se tornou uma organização
Shelley Winters). Mas a musa maior da Blaxploitation é Pam
empregos para centenas de negros. Todos nós precisávamos multimilionária.
Grier, que surgiu arrasadora em dois filmes de vingança. Em
trabalhar. Todos nós precisávamos comer”. No verão de 1972, a Stax promoveu o que seria considerado “o
Coffy (1973), ela pune toda a rede de vilões – traficantes, cáf-
Em nenhum outro gênero do cinema a música é tão impor- Woodstock negro” – um festival no estádio Los Angeles Memo-
tens, policiais corruptos – envolvida na morte de sua irmãzi-
tante como na Blaxploitation, superando muitas vezes o pró- rial Coliseum, o único do mundo a acolher três Olimpíadas: as de
nha por uso de drogas. Já em Foxy Brown (1974), infiltra-se
prio filme. Uma intriga de espionagem inconsequente, The 1932, 1984 e a prevista para 2028. O evento beneficente em prol
no submundo do crime para exterminar os assassinos do seu
Spook That Sat by the Door, é brindada pelo exuberante jazz de da causa negra chamou-se Wattstax (Watts lembrando a heroica
homem, um agente policial, com atos de violência que in-
Herbie Hancock. Quincy Jones abrilhanta o mediano Com os insurreição no gueto negro de Los Angeles, em 1965.) Os princi-
cluem castração e atropelamento por um avião.
Minutos Contados, um pré-blax de 1969 com Sidney Poitier. pais artistas da gravadora exibiram-se para uma plateia superior a
Coffy foi um dos seis filmes de Blaxploitation que chega-
Curtis Mayfield brilha na música de Super Fly. Mas foi a trilha 100 mil pessoas e o show foi lançado no filme Wattstax, em 1973.
ram ao número um nas bilheterias americanas. Quentin Ta-
sonora de Isaac Hayes que fez de Shaft o carro-chefe do “movi- Em 2002, na Inglaterra, Isaac Hayes regeu 20 músicos numa
rantino o considera “um dos filmes mais divertidos de todos
mento”. Uma das grandes figuras do soul, Hayes candidatou-se versão eletrizante do Tema de Shaft. Em 2008, dez dias antes de
os tempos”. Em 1997, Tarantino lançou Jackie Brown, uma
ao papel principal, mas foi escalado para fazer a música do filme. completar 66 anos, ele morreu de um AVC – a mulher encontrou
comédia de erros em que todo mundo está a fim de passar
Particularmente notável é o tema de abertura, com a parte ins- seu corpo ao lado de uma esteira ergométrica ainda ligada, em
a perna em todo mundo e ficar com o dinheiro. A ação gira
trumental pelos Bar Keyes and Movement – o baixo pulsante, sua casa de Memphis. Deixou 12 filhos, 14 netos e três bisnetos
toda em torno de Pam Grier e a mostra no auge do talen-
os uivos lancinantes da guitarra em wah-wah, a marcação do – sua última filha nasceu quando ele tinha 65 anos. Isaac Hayes
to e sensualidade, aos 48 anos. Pam, que estreou em 1970
hi-hat e pandeiro, o piano e a voz de Hayes e o entrechoque vi- pode ser tomado como um símbolo da força e da exuberância
numa ponta no musical Além do Vale das Bonecas, já fez
brante de cordas, metais e flautas sintetizados. do Blaxplotation, que passou como um meteoro, mas marcou a
mais de 50 filmes e não pretende parar tão cedo. Em 1979
Ao ganhar o Oscar de melhor canção original com o Tema ferro e fogo a cultura da primeira metade dos anos 1970. TP

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e v en to

3. 4.

5. 6.
1.

NOITE de

MUITO À VONTADE AMIZADE E NETWORKING

Frédéric Drouin, da Jaguar Land Rover, foi homenageado em coquetel


1. Frédéric Drouin, em entrevista durante o evento
realizado em 21 de outubro, com a presença de proprietários
Simpático e muito acessível. Assim se mostrou Frédéric Drouin, presidente de concessionárias, amigos e convidados da revista
da Jaguar Land Rover para o Brasil e América Latina, no coquetel em sua ho- The President; 2. Guilherme Gregori, CEO da Paes & Gregori,
menagem, realizado em outubro no Espaço Itahy, no bairro do Itaim Bibi, e Nina Monticelli, arquiteta e diretora de marketing da
em São Paulo. Na ocasião, foi oficialmente lançada a edição 40 da revista empresa, apresentaram maquete do lançamento Lina Jardins;
THE PRESIDENT. À vontade, o executivo nascido na França falou com en- 3. Frédéric Drouin, atento às perguntas dos convidados;
tusiasmo dos planos das duas marcas automobilísticas, que são lendas da 4. Da esquerda para a direita, Divanildo Albuquerque, Vivian
indústria britânica. Ele abordou aspectos como a eletrificação dos veículos, Giti, Beetto Saad e Luiz Fernando Guidorzi; 5. Rodrigo Lovatti;
o potencial do mercado brasileiro e as perspectivas para 2020. Respondeu 6. Ricardo Battistini, Beetto Saad, Arnaldo Rosa, Paulo
2. 7.
de forma direta e didática às perguntas dos convidados. Manzano; 7. Adriana Tito, Lizandra Coimbra e Mariana Carreño

160 | | DEZ.2019 © Carlos Paszko DEZ.2019 | | 161


humor
P o r E n i o B a s i l i o Ro d r i g u e s co l ag e m r a p h a e l a lv e s

Duas
viúvas
U m a da c i da d e g r a n d e , ou t r a d e u m a c o l ô n i a a l e m ã n a ro ç a

E
ra um tempo em que havia usava, mas ele pertence a outra his-
poucas mulheres na redação, tória). Depois do trabalho, quando
quando ela entrou. Jovem, de a rapaziada se reunia no bar Barro- Depois do trabalho, entre
estatura pequena porém bem mo- quinho, ainda em treino para mais
as barbaridades postas
delada, saudável e mais não posso uma noite de loucuras, entre as bar-
dizer por enquanto, porque ela, re- baridades postas em discussão pre- em discussão preservava-se
cém-viúva, ainda estava em período servava-se a viuvinha. Uma noite
a viuvinha
de luto e havia que respeitá-lo. Seu até passei do limite, por distração,
marido, um jornalista consagrado, e comentei soi-disant: “Os joelhos
também de tenra idade, falecera dela parecem com os da Nara Leão”.
havia dias. Deitara-se ao lado dela, Porém acrescentei: “Com todo o res- qual Nureyev (que coisa, só agora
certa noite, e, quando ela acordou, peito”. O que fazer? Já era época do noto que ele realmente era bastan-
estava morto. fashion-luto à la Mary Quant. te parecido com Nureyev), aproxi-
Assim, na redação, formou-se Assim se passaram alguns dias. mou-se do quadro de avisos. Era
em torno da moça um clima que Mas certa tarde – que ficará na his- daqueles quadros de avisos de cor-
eu não chamaria de velório – seria tória da nossa personagem – um re- tiça onde se pregavam com tachi-
mais de silêncio obsequioso com dator (e que redator, além de tudo nhas notas, recortes, pedidos, fotos.
cumprimentos clássicos, gestos teatrólogo), uma figura lépida, doce, Lá ele anexou a seguinte mensagem:
par­n asianos e só não tiravam o cha- o cabelo caindo insistentemente so- “Minha cadelinha Holly Golightly
péu porque ninguém usava chapéu bre os olhos, que atravessava a re- teve filhotes. Quem quiser adotar um
(o Panamá, redator de necrológios, dação em passos de balé clássico, ou mais fale comigo”.

162 | | DEZ.2019 DEZ.2019 | | 163


Não durou muito tempo. No fim da tarde, a redatora viúva dei-
xava seu mister e parou diante do quatro de avisos que ficava na
Foi até atrás da porta pegar
entrada (ou na saída) da redação. A leitura distraída tornou-se mais
atenta. Pequenina, ergueu-se sobre a ponta dos pés, o que tornava a a vassoura e pancadeou sem
minissaia mais reveladora, para ler a mensagem de Nureyev.
dó a cabeça do abusado, que,
Início da tarde seguinte. A redatora senta-se diante da Olivetti
e começa a desembrulhar algo. É um cartão, mais ou menos do ta- lógico, fugiu correndo
manho de uma capa de caderno, que ela leva e junta à mensagem
do nosso querido redator (que também morreu jovem, uma pena!).
O cartão tinha uma letra firme e caprichada, quase um layout
alltype – escrito em caixa-alta, o que hoje, no Face, seria identifica-
do como um grito (e talvez fosse, talvez fosse...). Lá estava escrito: marido estava ali, na frente dos dois,
“ESTOU PRECISANDO DE UM MACHO”.  mortinho.
Epifania na redação. Foi cercada de colegas risonhos e atenciosos Então o vizinho chegou mais per-
e houve até algumas cotoveladas entre eles no afã de ser o mais pró- to e com o rabo do olho a viúva viu
ximo. Um deles lhe trouxe um vasinho de dente-de-leão, veio um que aquele gigante de cabeça baixa e
convite para assistir ao show de Ray Charles, um valioso exemplar triste (essa cara triste não convencia
do Village Voice foi colocado na mesa dela e até eu me prontifiquei e podia ser disfarce de jaguara, gente
a trocar a fita da Olivetti, que me pareceu acabadinha. Era alegria. ruim) amassava o chapéu nas mãos,
A saia pregueada era Mary Quant. Lá fora o Sol e, principalmente, já parecia uma roupa velha e em-
aqueles besouros gordos que se suicidam esbarrando nas vidraças bolada, aquele chapéu peludo. Foi
anunciavam a chegada do verão. E sempre houve um verão.   quando ele falou, olhando mais para
o falecido do que para ela: “Frauen
VELÓRIO NO ALTO VALE Sulze, mein Beileid (meus pêsames),

N
ão importa, já que o Dia dos Mortos é todo dia. Não vi, era você precisa de um homem para
muito criança e morava no centro da cidade, mas depois passar a noite?”.
fiquei sabendo. Lá no Alto Vale Catarinense, na colônia, a Pra quê! Dona Sulze com aqueles
alemãozada da roça fazia os velórios em casa. Morreu o marido, ví- braços poderosos que o uso diário
tima de pertinaz moléstia. Velório na sala. Poucos parentes e vizi- da enxada lhe proporcionou foi até
nhos reunidos. atrás da porta pegar a vassoura e
A viúva, jovem e saudável com o vigor das lides na roça, sofria pancadeou sem dó a cabeça do abu-
firme, ali junto ao caixão, porque quem é do Alto Vale não chora. sado, que, lógico, fugiu correndo
Foi quando aquele vizinho esquisito ficou do lado dela – era novo feito louco deixando até cair aquele
na colônia e ela já o tinha visto na saída do culto. Um homem muito chapéu que mais parecia um gambá
alto – do lado dela, agora, dava pra notar que dava dois do marido, pisado pelos cavalos.
coitadinho, ali estendido por causa da doença do peito. Só alguns dias depois ela ficou
Esse vizinho era, a bem dizer, educado mas esquisito, e sempre sabendo pelo pastor luterano que o
tirava o chapéu na porta da igreja quando passava por ela e amas- homem não era má pessoa. Ele só ti-
sava o chapéu, nervoso, estranho, vai ver que veio pra colônia se nha se oferecido para passar a noite
esconder de alguma maldade feita por aí, credo! Ficou envergo- velando o falecido. Foi assim que se
nhada de ficar pensando no vizinho, agora do lado dela enquanto o casaram. TP

164 | | DEZ.2019
co nsu m o

U m a s e l e ç ão de pr e s e n t e s de N ata l

pa r a f i c a r n a m e m ó r i a

the
gifts

P o r V i v i a n n e A h u m a da

TAG HEUER
Nova versão do Carrera tem caixa de aço polido e escovado, acabamento esqueletizado e pulseira de borracha preta
tagheuer.com

166 | | DEZ.2019
VALLENTINA
Encantador, o anel tem
aro transparente, junto
com esmeraldas,
diamantes e ouro
18 quilates
vallentinajoias.com.br
frattina
Numa bela combinação
de brilhos, o par
de brincos tem
tanzanitas, esmeraldas
e diamantes
frattina.com.br

bvlgari
Versão com ouro
world Wine
rosé e diamantes panasonic
Um brinde a 2020
está na coleção de De forma limpa e sem distorções, a torre
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Peça mais do que marcante, este anel de ouro Neste livro, a história da Belle Époque
branco 18 quilates mostra com destaque uma (1872-1914) é contada por 800 fotografias,
rubelita combinada com 8 diamantes cartões-postais e pôsteres
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168 | | DEZ.2019 DEZ.2019 | | 169


o pi n i ão
P o r A l e x a n d r e V e l i l l a G a rc i a

Inovar é preciso. Sempre!

A
posição de CEO está passando por uma transformação rápida e irreversível.
Cenários cada vez mais desafiadores vêm tirando o sono desses executivos
nos últimos anos. A missão não é fácil: gerir uma companhia nesse mun-
do moderno impactado por quatro adversários que os americanos definiram como
VUCA, a sigla em inglês para Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.
Com a brutal transformação digital, os líderes do século 21 têm buscado estraté-
gias que façam de suas empresas inovadoras de verdade – e, assim, competitivas.
Por outro lado, o maior obstáculo de todo esse processo é a dificuldade que as com-
panhias têm em lidar com mudanças profundas de gestão. Neste sentido, vale des-
tacar O Caminho para o Topo, estudo realizado pela Consultoria Internacional Korn Alexandre Velilla Garcia,
Ferry. Nele, estão os principais desafios do cargo de CEO: redirecionamento estra- CEO do Cel.Lep
tégico da empresa, promoção da transformação cultural e aumento de sua eficiência e sócio-fundador da Valor Real
operacional. A partir dessas ideias, vale pontuar aqui algumas estratégias: Construções, é economista
com pós-graduação em management pelo
• Identificar pontos fortes e oportunidades: ao analisar todo o ambiente interno e ISE/IESE-University of Navarra
externo do negócio, dá para identificar pontos fortes e questões a melhorar em sua
equipe e serviços. Nessa estratégia, deve-se listar todas as oportunidades e também velillagarcia@uol.com.br
ameaças à empresa. Para isso, as pesquisas de mercado são as melhores ferramentas
para traçar ações mais assertivas.
• Definir a identidade da companhia: estabeleça a essência da empresa: missão,
visão, valores e propósito. Esse exercício é fundamental para comunicar a sua iden-
tidade a colaboradores, parceiros e clientes. Os objetivos, assim, ficarão muito mais
claros para a sua equipe.
• Promover uma real e genuína transformação cultural: estabelecer uma nova dor. Ao se sentir importante e reconhe-
mentalidade empresarial é o ponto de partida para qualquer mudança. Deve-se es- cido, cada colaborador vai se desdobrar
timular e inspirar todo o time com ações que promovam a transformação do mindset. para ser um profissional melhor e vestir
Ações práticas devem permitir novos desafios e criatividade. Assim, o ambiente se a camisa da empresa.
torna mais colaborativo, dinâmico e eficiente. Considerado o pai da administração
• Monitorar os resultados: para o sucesso de qualquer projeto, um monitoramen- moderna, o professor e escritor austría-
to contínuo é indispensável. Afinal, os resultados permitirão pensar nas melhores co Peter Drucker (1909-2005) tem uma
ações e alinhar os objetivos da corporação com todo o seu time. frase que define bem a nossa busca por
inovação: “Onde quer que você veja um
Ao pegar a estrada da inovação, o CEO precisa ter consciência da sua importância. negócio de sucesso, pode acreditar que
Tem de ser um líder de verdade, para promover mudanças e convencer a todos da ali houve, um dia, uma decisão corajo-
importância delas. No topo da sua lista de tarefas, está o incentivo ao time na hora de sa”. Em outras palavras: se a inovação é
lidar – e vencer – novos desafios. Para isso, precisa assumir o papel de líder inspira- o motor, a coragem é o combustível. TP

170 | | DEZ.2019 © tuca reinés