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XV Semana de Biologia e II Simpósio Regional de Diversidade Biológica – UESPI

ISBN: 978-85-8320-064-2 v.1, n.1, 2014

XV SEMANA DE BIOLOGIA E
II SIMPÓSIO REGIONAL DE DIVERSIDADE BIOLÓGICA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ
“Do início de uma vida ao equilíbrio de todas”

Anais:
Palestras,Mesa
Redondas
Trabalhos
Completos e
Resumos
8 a 12 de setembro de 2014

Realização: Fundação Universidade Estadual do Piauí - UESPI


1ª Edição
Teresina - PI
XV Semana de Biologia e II Simpósio Regional de Diversidade Biológica – UESPI
ISBN: 978-85-8320-064-2 v.1, n.1, 2014

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ


Reitor da FUESPI – Fundação Universidade Estadual do Piauí
Nouga Batista Cardoso

Vice-reitora da FUESPI
Bárbara Olímpia Ramos de Melo

Diretor do Centro de Ciências da Natureza


Francisco da Chagas Morais de Moura

Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas


Francielle Alline Martins

Coordenação do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas


Márcia Percília Moura Parente

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COORDENAÇÃO GERAL DO EVENTO


Francielle Alline Martins
Márcia Percília Moura Parente

COMISSÃO CIENTÍFICA
Maria de Fátima de Oliveira Pires (Coordenadora)
Cleiciane Maria de Oliveira

Adiles Paulo de Lima


Ana Paula Peron
Bruno Barcellos Annunziata
Daniela Correia Grangeiro
Fábio José Vieira
Fabrício Pires de Moura do Amaral
Francisco da Chagas Morais de Moura
Márcia Percília Moura Parente
Maria de Fátima Veras Araújo
Maura Rejane de Araújo Mendes
Pedro Marcos de Almeida
Roselis Ribeiro Barbosa Machado
Silvia Maria Colturato Barbeiro
Simone Mousinho Freire

Colaboradora:
Vanessa Cristina Moreira de Souza

COMISSÃO DE MINICURSOS
Simone Mousinho Freire (Coordenadora)
Felipe Xavier Soares
Jarrel Henrique Silva dos Santos

Colaboradores:
Alana Rodrigues Lima
André Ricardo Ferreira Da Silva Rocha

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Cleiane do Nascimento Monteiro


Fabio Vieira de Carvalho
Fernanda Damasceno De Sousa
José Rafael da Silva Araújo
Laianna Rafaella Morais Dos Anjos
Larissa Prado Vieira Otávio
Luana Bruna Campelo Dantas
Raimundo Leoberto Torres de Sousa
Rodrigo Francis Moraes

COMISSÃO DE ALOJAMENTO
Darlesson Geovani Dos Santos Sousa

Colaboradores:
Maria Iva Do Nascimento Pereira
Cecilia Maria Da Silva Santana

COMISSÃO DE CULTURAL
Fellype Antônio Pinto Albano

Colaboradores:
Beatriz Murilo Da Costa
João Victor Da Costa Santos
Jayne Polyana Paiva De Sousa

COMISSÃO DE INSCRIÇÃO/ PALESTRAS


Denyse Kalyne Sousa Guimarães
Maria Wlly Da Silva Costa
Mayara Cristina De Sousa Vaz

Colaboradores:
Andreza Pereira Moura
Cecilia Maria Da Silva Santana
Daniella Carla Monteiro Teixeira

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Franciele Gisele Sousa E Silva


Larisse Raquel Carvalho Dias
Maria Do Socorro Osterno De Abreu
Maria Iva Do Nascimento Pereira
Naiane De Carvalho Alves
Rafael Pereira Da Silva

COMISSÃO DE PATROCÍNIO E DIVULGAÇÃO


Darlesson Geovani Dos Santos Sousa

Colaboradores:
Jeferson Sousa Alencar
Daniel Santos De Sá
Matheus Lima Carsoso De Sousa
Bruna Leticia Rodrigues Barbosa Lopes
Irisvaldo Jose Do Amarante Silva

COMISSÃO FINANCEIRA
José Rafael da Silva Araújo

Colaborador:
André Ricardo Ferreira da Silva Rocha

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SUMÁRIO

I - APRESENTAÇÃO..................................................................................................... 13
II-PALESTRAS E MESAS REDONDAS

PALESTRAS
1 - Perspectivas dos Novos Sistemas de Ensino e as Novas Tecnologias.
Me. José Nazareno Cardeal Fonteles................................................................................. 15

2 - Briófitas na mira da Ciência: Avanços e Perspectivas da Briologia no Brasil


Dr. Hermeson Cassiano de Oliveira (UESPI – Campo Maior)......................................... 16

MESAS REDONDAS
1 - DIVERSIDADE E BIOLOGIA DE AVES NEOTROPICAIS
Coordenadora: Profa. Ma. Simone Mousinho Freire (UESPI - CCN)

Sistemática molecular e evolução do complexo Micrastur ruficollis Vieillot, 1817


(Aves Falconidae)
Me. Leonardo Moura dos Santos Soares (UFPA)............................................................. 18

Bioacumulação de Poluentes Orgânicos Persistentes (POP’s) em aves marinhas


Jéssica Sonaly da Silva Resende (UFPE).......................................................................... 19

A ornitologia como ciência, suas metodologias e importância para a conservação


da avifauna brasileira
Ma. Shirliane de Araújo Sousa (IFPI – TERESINA)........................................................ 20

2 - TAXONOMIA E APLICAÇÃO DAS ESPÉCIES VEGETAIS


Coordenadora: Profa. Dra. Maria de Fátima de Oliveira Pires (UESPI – CCN)

Araceae: Uma Família Vegetal Importante Na Ecologia E Economia Do Mundo


Dra. Ivanilza Moreira de Andrade (UFPI – Parnaíba)....................................................... 22

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Asteraceae: diversidade e uso


Dr. Fábio José Vieira (UESPI – Picos).............................................................................. 24

3 - TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DA GENOTOXICIDADE E


MUTAGENICIDADE
Coordenador(a): Profa. Dra. Francielle Alline Martins (UESPI - CCN)

Utilização de bioindicadores. aperfeiçoamento e aplicações de diferentes técnicas


em genotoxicidade
Dr. Fabrício Pires de Moura do Amaral (UESPI – FACIME)........................................... 25

Teste para detecção de mutações e recombinações somática em Drosophila


melanogaster - SMART
Me. Antônio Joaquim de Souza Castro (UESPI - Parnaíba).………………………….... 26

4 - MICOLOGIA: PERSPECTIVAS E AVANÇOS


Coordenador(a): Dra. Márcia Percília Moura Parente (UESPI - CCN)

Conhecimento da diversidade fúngica do Piauí: estado da arte


Dra. Maria Helena Alves (UFPI – Parnaíba)..................................................................... 27

Potencial fitopatológico de Pythium Nees e Fusarium Link em sistemas agrícolas


de mandioca
Me. Amando Oliveira Matias (UEMA – Caxias).............................................................. 28

5 - MICROORGANISMO E SUAS APLICAÇÕES BIOTECNOLÓGICAS


Coordenador: Dra. Francisca Lúcia Lima (UESPI - CCN)

Potencial Antagônico de Trichoderma spp. associados a dsRNA contra


Colletotrichum guaranicola (Albuq.)
Dra. Girlene Soares de Figueirêdo (UFPI – Teresina)....................................................... 30

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Mapeamento da antigenicidade de Cryptococcus gattii utilizando


imunoproteômica
Dra. Liline Maria Soares Martins (UFPI - Teresina) ....................................................... 31

Detecção e quantificação do Citrus leprosis virus C (CiLV-C) e Coffee ringspot


virus (CoRSV) em Brevipalpus phoenicis (Geijskes) (Acari: Tenuipalpidae) por
qPCR
Dr. Frank Magno da Costa (UESPI - Parnaíba) ................................................................ 32

6 - DIVERSIDADE VEGETAL: CONSERVAÇÃO E RELAÇÕES COM O


MEIO
Coordenador(a): Dr. Francisco Soares Santos Filho (UESPI - CCN)

A importância das Unidades de Conservação para a Biodiversidade.


Dra. Eugênia Vitoria e Silva de Medeiros (ICM-Teresina)............................................... 33

A biodiversidade e suas relações fitofisionômicas no Complexo de Campo Maior:


Bacia Hidrográfica do Rio Longá
Palestrante: José Sidiney Barros (UESPI – Teresina)....................................................... 34

Diversidade vegetal do bioma Cerrado: o componente herbáceo-arbustivo


Palestrante: Maura Rejane de Araújo Mendes (UESPI – Parnaíba).................................. 36

III – RESUMOS
ACIDENTES OFÍDICOS OCORRIDOS NO ESTADO DO PIAUÍ NOS ANOS
DE 2003 A 2013 ............................................................................................................... 39
A FAMÍLIA ANACARDIACEAE R. BR. NO ACERVO DO HERBÁRIO
GRAZIELA BARROSO (TEPB) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ .... 40
A FAMÍLIA APOCYNACEAE NO HERBÁRIO AFRÂNIO FERNANDES –
UESPI – BRASIL ............................................................................................................ 41
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL: INVESTIGANDO OS HÁBITOS
ALIMENTARES DOS ALUNOS DO 8ºANO DA ESCOLA MUNICIPAL
MARIA DE LOURDES PINHEIRO MACHADO, ILHA GRANDE – PI ............... 42

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ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DE BEBEDOUROS DE ESCOLAS


DO MUNICÍPIO DE ALTOS-PI................................................................................... 43
A PRODUÇÃO ARTESANAL DE FARINHA NO BAIRRO DO BATE PAPO-
PINHEIRO/MA................................................................................................................ 44
ARTROPODOFAUNA COLETADA NO CAMPUS HERÓIS DO JENIPAPO,
UESPI, CAMPO MAIOR – PI....................................................................................... 45
ATIVIDADE PRÁTICA SOBRE SAÚDE BUCAL NO ENSINO DE CIÊNCIAS
E UMA ESCOLA NA CIDADE DE PARNAÍBA/PI................................................... 46
ATRIBUTOS DE HISTÓRIA DE VIDA DO (Bubalus bubalis) LINNAEUS, 1758
ENCONTRADO NA CIDADE DE PINHEIRO-MA.................................................. 47
AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO INICIAL DE Anacardium occidentale L.
EM RESPOSTA A DIFERENTES CONDIÇÕES DE LUMINOSIDADE .............. 48
AVALIAÇÃO DA CITOTOXICIDADE DA FOLHA DA Caesalpinia
pyramidalis.Tul................................................................................................................. 49
AVALIAÇÃO DA CITOTOXICIDADE DO RITIDOMA DE Caesalpinia
pyramidalis.Tul................................................................................................................. 50
DIVERSIDADES DE ARTRÓPODES COLETADOS EM UM LOCAL DE
SOMBRA NO CAMPUS HERÓIS DO JENIPAPO, CAMPO MAIOR – PI............ 51
DIVERSIDADE DE CHYTRIDIOMYCOTA E OOMYCOTA DO RIO
PARNAÍBA, NO PERÍMETRO URBANO DE TERESINA – PI.............................. 52
DIVERSIDADE DA FAMÍLIA COMBRETACEAE NO ESTADO DO PIAUÍ..... 53
ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CIÊNCIAS: RELATO DE
EXPERIÊNCIAS DA PRÁTICA DOCENTE.............................................................. 54
ESTRUTURA DA COMUNIDADE DE NINFAS DA ORDEM
EPHEMEROPTERA NO TRECHO MÉDIO DO RIO ITAPECURU E ALGUNS
TRIBUTÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CAXIAS – MARANHÃO............................. 55
ESTUDO DAS MACROALGAS BENTÔNICAS DA PRAIA DA PEDRA DO
SAL, PARNAÍBA, PIAUÍ............................................................................................... 56
GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE Cochlospermum regium (Schrank) PILGER
(BIXACEAE) EM UMA ÁREA DE CERRADO NO PIAUÍ...................................... 57
LEVANTAMENTO DE ERVAS MEDICINAIS DOS QUINTAIS DO
CONJUNTO IPASE NA CIDADE DE CAMPO MAIOR – PI................................... 58
LEVANTAMENTO DE ORCHIDACEAE DE UMA PORÇÃO DA BAIXADA

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MARANHENSE............................................................................................................... 59
LEVANTAMENTO DAS ESPÉCIES DE PLANTAS ALIMENTÍCIAS EM
QUINTAIS DO BAIRRO PARQUE ESTRELA, CAMPO MAIOR/PI..................... 60
LEVANTAMENTO DO CULTIVO E USO DE PLANTAS MEDICINAIS NO
CONJUNTO RENASCER II - CAMPO MAIOR – PI................................................ 61
LEVANTAMENTO DE RÉPTEIS ENCONTRADOS NO PROGRAMA DE
MONITORAMENTO DE FAUNA NO PARQUE LAGOAS DO NORTE,
TERESINA – PI............................................................................................................... 62
LEVANTAMENTO ETNOBOTÂNICO DAS ESPÉCIES UTILIZADAS PARA
FINS MEDICINAIS NO BAIRRO RENASCER I DA CIDADE DE CAMPO
MAIOR- PI....................................................................................................................... 63
LISTA PRELIMINAR DAS HEPÁTICAS (MARCHANTIOPHYTA) DO
ESTADO DO PIAUÍ, BRASIL....................................................................................... 64
LISTA PRELIMINAR DE MUSGO ( BRYOPHYTA) DO ESTADO DO
PIAUÍ................................................................................................................................ 65
MACRÓFITA AQUÁTICA FLUTUANTE BIOINDICADORA NO PARQUE
AMBIENTAL ENCONTRO DOS RIOS, TERESINA, PIAUÍ................................... 66
OCORRÊNCIA DE Physarum compressum EM ZINGIBERALES NAS ÁREAS
URBANAS DA CIDADE DE TERESINA- PI.............................................................. 67
ORIGEM DA VIDA APLICADA A AO 7° ANO DO ENSINO
FUNDAMENTAL............................................................................................................ 68
PEIXES COMERCIALIZADOS NA CIDADE DE PINHEIRO - MA, BAIXADA
MARANHENSE, BRASIL.............................................................................................. 69
PLANTAS MEDICINAIS DA COMUNIDADE REMANESCENTE DE
QUILOMBO SANTANA DOS PRETOS – PINHEIRO (MA): USO E
CONHECIMENTO......................................................................................................... 71
POTENCIAL TÓXICO AMBIENTAL DO INSETICIDA DIFLUBENZURON..... 72
PRÁTICA DE ENSINO II DE CIÊNCIAS: EXPERIÊNCIAS
ENRIQUECEDORAS DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO...................................... 73
PROGRAMA DE EXTENSÃO NAS IES: ESTUDO DO PRÉ-VESTIBULAR
UESPI – CRESCIMENTO PARA DISCENTES E COMUNIDADE......................... 74
RELAÇÃO PESO - COMPRIMENTO EM DUAS ESPÉCIES DA FAMÍLIA
ANOSTOMIDAE (ACTINOPTERYGII: CHARACIFORMES)............................... 75

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RESGATE DE TARTARUGA-VERDE Chelonia mydas(LINNAEUS, 1758) NO


LITORAL CEARENSE, BRASIL................................................................................. 76
MYXOMYCETES (TRICHIALES) DO PARQUE ESTADUAL
ZOOBOTÂNICO E JARDIM BOTÂNICO DE TERESINA- PIAUÍ........................ 77
TOXIDADE AMBIENTAL DO DIFLUBEZURON EM EXPOSIÇÃO
PROLONGADA............................................................................................................... 78
USO DE PLANTAS ALIMENTÍCIAS NO CONJUNTO RENASCER II EM
CAMPO MAIOR – PI..................................................................................................... 79
VIVEIRO DE MUDAS: UMA FERRAMENTA PARA A EDUCAÇÃO
AMBIENTAL................................................................................................................... 80

IV- TRABALHOS COMPLETOS


ANÁLISE QUALI-QUANTITATIVO DA ARBORIZAÇÃO DA PRAÇA
FIRMINA SOBREIRA, BAIRRO MATINHA EM TERESINA – PI........................ 83
ANATOMIA FOLIAR DE Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
(FABACEAE)................................................................................................................... 91
ATIVIDADE LARVICIDA DO ÓLEO DE Jatropha sp. SOBRE LARVAS DE
Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae)............................................................................. 99
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL GENOTÓXICO E MUTAGÊNICO DA
CASCA DE Terminalia actinophylla (Mart).................................................................. 106
AVALIAÇÃO DO EFEITO CITOGENOTÓXICO DO RITIDOMA DE Ximenia
americana L...................................................................................................................... 115
BIOATIVIDADE DE EXTRATOS FOLIARES CONTRA LARVAS DE Aedes
aegypti L. (Diptera: Culicidae)........................................................................................ 123
CARACTERIZAÇÃO ANATÔMICA COMPARADA DA FOLHA de
Cenostigma macrophyllum TUL. (FABACEAE, CAESALPINIOIDEAE) EM
ÁREAS ECOLOGICAMENTE DISTINTAS............................................................... 131
ENDOPARASITOS EM POMBOS (Columba livia domestica) QUE
FREQUENTAM A PRAÇA SARAIVA EM TERESINA – PIAUÍ............................ 141
HEMOPARASITAS DE JIBOIAS (Boa constrictor constrictor, LINNAEUS, 1758)
MANTIDAS NO SERPENTÁRIO DO PARQUE ZOOBOTÂNICO DE
TERESINA, PI................................................................................................................. 148
LEVANTAMENTO PRELIMINAR DE SERPENTES QUE HABITAM A ÁREA

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LIVRE DO PARQUE ZOOBOTÂNICO DE TERESINA – PI.................................. 157


LEVANTAMENTO DA FLORA EPIFÍTICA VASCULAR EM MATA DE
Attalea speciosa MART. EX SPRENG........................................................................... 164
LEVANTAMENTO PRELIMINAR DA ICTIOFAUNA DO RIO SURUBIM,
CAMPO MAIOR, PIAUI, BRASIL............................................................................... 175
O USO DE JOGOS DIDÁTICOS NO ENSINO DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA....... 187
POTENCIAL GENOTÓXICO E MUTAGÊNICO DO EXTRATO FOLIAR DE
PINHÃO-ROXO (Jatropha gossypiifolia L.)................................................................. 196
POTENCIAL CITOGENOTÓXICO DO EXTRATO AQUOSO FOLIAR DE
Jatropha mollissima Pohl (Baill)..................................................................................... 206
POTENCIAL CITOGENOTÓXICO DO LATEX DE Jatropha mollissima (Pohl)
Baill.................................................................................................................................... 214
PREVALÊNCIA DE PARASITOS INTESTINAIS EM Ursus arctos Linnaeus,
1758 MANTIDOS EM CATIVEIRO NO PARQUE ZOOBOTÂNICO DE
TERESINA - PI................................................................................................................ 222
RELAÇÃO PESO-COMPRIMENTO DA Psectrogaster rhomboides
(CHARACIFORMES: CURIMATIDAE) DO RIO SURUBIM................................ 230
RELAÇÃO PESO-COMPRIMENTO EM ESPÉCIES DE CURIMATIDAE
(ACTINOPTERYGII: CHARACIFORMES) DO RIO SURUBIM, CAMPO
MAIOR-PI........................................................................................................................ 240
TOXICIDADE DO LÁTEX DE Jatropha CONTRA LARVAS de Aedes aegypti L.
(Diptera: Culicidae)......................................................................................................... 248
USO DE Drosophila melanogaster (Meigen, 1830) NA FORMAÇÃO DE
PROFESSORES DE BIOLOGIA EM GENÉTICA..................................................... 255

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I - APRESENTAÇÃO

XV SEMANA DE BIOLOGIA E II SIMPÓSIO DE DIVERSIDADE BIOLÓGICA

As Coordenações dos cursos de Licenciatura Plena e Bacharelado em Ciências


Biológicas-CCN/UESPI com o apoio dos professores membros do Colegiado dos Cursos e do
Centro de Ciências da Natureza (CCN), da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis e
Comunitários (PREX) da UESPI/Campus Poeta Torquato Neto, promovem em conjunto a XV
SEMANA DE BIOLOGIA e II SIMPÓSIO REGIONAL DE DIVERSIDADE
BIOLÓGICA desta IES.
Este evento contará com a participação de renomados palestrantes nacionais,
pretendendo reunir um grande número de estudantes, profissionais, órgãos relacionados a
Ciências e Biologia, interessados à entender e aprofundar-se aos conhecimentos dos
mecanismos da Diversidade Biológica das diversas áreas que estudam esses seres vivos e
dando ênfase aos 35 anos da regulamentação da profissão de Biólogo no Brasil e a
importância deste profissional para a manutenção das diversas formas de vida na terra.
Portanto, pretende-se proporcionar aos participantes, a ampliação dos seus
conhecimentos e ainda que os façam refletir sobre novos interesses científicos.
Nos empenhamos para que este evento, juntamente com os participantes das diversas
regiões, seja algo inovador e marcante para renovação e interação dos conhecimentos.
Agradecemos aos colaboradores deste evento, particularmente aos Pesquisadores
Palestrantes e aos Autores que enviaram seus artigos e resumos tornando possível esta
publicação.
Enfim, com imensa satisfação e acreditando no sucesso da XV SEMANA DE
BIOLOGIA e II SIMPÓSIO REGIONAL DE DIVERSIDADE BIOLÓGICA desejamos
recebê-lo para um produtivo trabalho de muita dedicação.
Cordiais Saudações

A COMISSÃO ORGANIZADORA

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Palestras e
Mesas
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PALESTRAS

1 - PERSPECTIVAS DOS NOVOS SISTEMAS DE ENSINO E AS NOVAS


TECNOLOGIAS
___________________________________________________________________________
Palestrante: Me. José Nazareno Cardeal Fonteles

Ao estudarmos as teorias atuais sobre a origem e evolução do Universo e da Vida, concluímos


que um Princípio guiou essa evolução: o Princípio da Aprendizagem. O Universo "aprendeu"
a produzir a Terra, a qual "aprendeu" a produzir a Vida, que aprendeu a produzir a Vida
Inteligente, que está aprendendo ainda a viver e conviver com Fraternidade, Liberdade e
Igualdade. Nesse sentido escreveu Pedro Demo(2004): "Aprender confunde-se com a vida,
em sentido bem específico: se a matéria se fez vida porque soube aprender, aprender é a razão
central da vida". Isso reforça e reflete a Teoria da Cognição de Santiago, exposta na obra "A
Árvore do Conhecimento - as bases da compreensão humana", de Varela e Maturana, de
acordo com a qual, " viver é conhecer" e "todo fazer é um conhecer e todo conhecer é um
fazer". No popular se diz sabiamente: "só se aprende fazendo" ; "é vivendo que se aprende".
Mas como o aprender humano pode se desenvolver melhor? O que já aprendemos sobre a
nossa própria Aprendizagem para continuar a avançar? Pois, como disse Teresa D'Avila, o
que não avança, regride. Segundo Bruner (2001), "com base no que aprendemos nos últimos
anos sobre a aprendizagem humana – que ela é melhor se for participativa, proativa,
comunitária, cooperativa e se tiver por objetivo construir significados, ao invés de recebe-los -
, nos saímos melhor no ensino das ciências, da matemática e das línguas nestas escolas do que
em escolas mais “tradicionais”. Nessa síntese de Bruner, a nosso ver, está a senha para
avançarmos no processo Ensinar-Aprender. Devemos, no entanto, acrescentar a importância
crescente que os educadores e cientistas, de todas as áreas, estão dando à visão
Transdisciplinar no processo de Aprendizagem. No contexto atual, em virtude da ubiqüidade
das novas tecnologias, algumas questões se colocam:
- Qual o papel das novas tecnologias de Informação e Comunicação, das chamadas TICs,
nessa busca de avanços no Processo de Aprendizagem que ocorre nas Escolas?
- Como as TICs alteram nossa maneira de lidar, nesse processo, com a Informação e o
Conhecimento sistematizado?

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- Que alterações elas incidem na relação pedagógica e nos próprios processos de cognição dos
alunos-aprendentes e professores mediadores?
- Que alterações as TICs provocam ou podem provocar na organização institucional de uma
Escola Aprendente?
- Que contribuições as TICs podem dar para que uma Escola Tradicional aprenda a ser uma
Escola Aprendente?
- Como as TICs podem contribuir para o avanço da interdisciplinaridade e da
transdisciplinaridade?
Palavras-chave: Aprendizagem. TICs. Transdisciplinaridade

2 - BRIÓFITAS NA MIRA DA CIÊNCIA: AVANÇOS E PERSPECTIVAS DA


BRIOLOGIA NO BRASIL
___________________________________________________________________________
Palestrante: Prof. Dr. Hermeson Cassiano de Oliveira (UESPI – Campo Maior)

As briófitas são organismos predominantemente terrestres, desprovidos de cutícula


epidérmica e sistema vascular lignificado. São capazes de crescer em uma ampla variedade de
habitats e substratos. Por exemplo, ambientes extremamente frios, como tundras e florestas
boreais, locais cobertos por extensas camadas de neve, superfícies de troncos de árvores vivas
ou em decomposição em florestas tropicais úmidas, podendo ocorrer em terras baixas,
submersas em rios e riachos, no dossel da floresta, no topo de montanhas até 5.000 m de
altitude, sobre solos ricos em metais pesados, desertos, no interior de cavernas e sobre rochas
expostas. A capacidade das briófitas de sobreviver em ambientes tão distintos se deve às suas
várias adaptações morfológicas, anatômicas e fisiológicas. As briófitas exercem importante
papel em muitos ecossistemas na retenção de umidade, ciclagem de nutrientes e em interações
ecológicas, servindo de abrigo e camuflagem para pequenos animais. A íntima associação
com o substrato e sua natureza poiquilohídrica, fazem com que as briófitas sejam fortemente
influenciadas pelas mudanças microclimáticas, funcionando como eficientes sensores das
condições ambientais. As briófitas absorvem água e nutrientes quase exclusivamente pela sua
superfície, não sendo capazes de filtrá-los como fazem as raízes de uma fanerógama. Esta
característica posiciona as briófitas como importantes bioindicadores de poluição do ar e da
água, contaminação por metais pesados e radioatividade. Devido ao ciclo de vida curto e
reação direta aos fatores climáticos, as briófitas também funcionam como bons e rápidos

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indicadores de mudanças climáticas. As briófitas estão representadas por três filos:


Anthocerotophyta, Marchantiophyta e Bryophyta, distribuídos mundialmente em ca. 15.000
espécies. As briófitas apresentam ampla distribuição geográfica, ocorrendo desde as regiões
polares até os trópicos, onde alcançam maior diversidade, particularmente nas Florestas
Úmidas, devido a sua grande complexidade e variedade de microhabitats e nichos
especializados. A flora briofítica reúne aproximadamente 15.000 espécies e mais de 1.200
gêneros. Os musgos estão representados mundialmente por cerca de 10.000 espécies. As
hepáticas cerca de 5.000 e os antóceros aproximadamente 100 espécies. Para o Brasil, o
conhecimento ainda encontra-se disperso em publicações como catálogos, listas de espécies,
flórulas e poucas revisões taxonômicas. As Florestas Úmidas brasileiras estão representadas
pela Floresta Amazônica e Floresta Atlântica. No Brasil, a Floresta Atlântica é o Domínio que
apresenta maior diversidade de briófitas e no Neotrópico esta diversidade é apenas superada
pelas florestas do norte dos Andes e da América Central. Os estudos referentes às briófitas
cresceram consideravelmente em quantidade nos últimos anos, apresentando relevantes
resultados com relação à riqueza e diversidade de espécies, incluindo novos táxons para a
ciência. A realização de estudos de briófitas é de grande importância para o conhecimento da
composição florística, da estrutura das comunidades, da diversidade específica, bem como da
distribuição e da relação entre espécies e seu microambiente, nos vários compartimentos que
compõem os ambientes onde essas plantas habitam.

Palavras-chave: Botânica, Briófitas, Briologia.

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MESA REDONDAS

1 - DIVERSIDADE E BIOLOGIA DE AVES NEOTROPICAIS


Coordenadora: Profa. Ma. Simone Mousinho Freire (UESPI - CCN)

Sistemática molecular e evolução do complexo Micrastur ruficollis Vieillot, 1817 (Aves


Falconidae)
___________________________________________________________________________
Palestrante: Me. Leonardo Moura dos Santos Soares – (UFPA)

As florestas Neotropicais compreendem uma das regiões biogeográficas mais ricas em termos
de biodiversidade apresentando cerca de 3751 espécies de aves. Toda essa diversidade, no
entanto, não está distribuída de maneira homogênea. É possível observar determinados
padrões na distribuição de vários grupos biológicos, os quais podem apresentar uma
distribuição congruente em regiões denominadas áreas de endemismos (AE). Historicamente,
a origem da diversidade Neotropical tem sido abordada sob uma perspectiva biogeográfica,
assumindo que essa elevada diversidade foi resultado de fatores históricos associados à
mudança da paisagem na região. Estudos recentes envolvendo aves neotropicais têm
demonstrado claramente que muitos táxons atualmente considerados subespécies podem ser
reconhecidos ao nível de espécie, ou seja, várias espécies com uma ampla distribuição no
Neotrópico são na verdade compostas por um complexo de espécies alopátricas ou
parapátricas bastante diferenciadas vocal e geneticamente, que se comportam como unidades
evolutivamente independentes. Estudos que revelam a distribuição e relações filogenéticas
entre táxons proximamente relacionados podem fornecer informações acerca dos eventos
biogeográficos responsáveis pelos processos de diversificação na região Neotropical. Além
disso, tem sido importantes para desenvolver e testar hipóteses sobre processos evolutivos
históricos relacionados com a origem da biodiversidade atual. Desta forma, esta pesquisa teve
como objetivos (1) investigar a filogeografia comparada de três espécies do complexo
Micrastur ruficollis (M. ruficollis, M. gilvicollis e M. mintoni), com a finalidade de identificar
os contextos temporal e espacial da diversificação do grupo; e (2) reavaliar com base em
caracteres moleculares o status taxonômico e limites interespecíficos entre os táxons do
complexo. As filogenias moleculares foram baseadas em 3.297 pares de bases dos genes

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mitocondriais ND2 e cyt b e dos genes nucleares BF5 e MUSK de 55 espécimes, incluindo
como grupos externos os táxons M. mirandollei e M. semitorquatus. As árvores filogenéticas
obtidas por IB e Árvore de Espécies recuperaram uma única topologia agrupando todos
espécimes analisados do complexo M. ruficollis em um clado fortemente apoiado, embora as
relações internas mais basais dentro do mesmo não tenham sido bem apoiadas
estatisticamente. As datas das árvores moleculares indicaram que as separações entre as
espécies do complexo ocorreram entre 4 e 5 milhões de anos tendo se iniciado durante o
Neógeno (Plioceno) e que resultou na diversificação de 10 linhagens, (sub-clados) em M.
ruficollis, M. gilvicollis e M. Mintoni, principais até os dias de hoje que poderão ser
consideradas espécies crípticas sob conceitos alternativos de espécie mediante a análises
adicionais com base em caracteres fenotípicos.

Palavras-chave: revisão sistemática; filogeografia; limites interespecíficos

Bioacumulação de Poluentes Orgânicos Persistentes (POP’s) em aves Marinhas


___________________________________________________________________________
Palestrante: Jéssica Sonaly da Silva Resende- (UFPE)

Com o aumento populacional descontrolado, surge a necessidade de uma maior quantidade de


produtos, essa demanda colocou no meio ambiente novos compostos químicos, entre eles os
Poluentes Orgânicos Persistentes (POP’s). Os POP’s é um grupo de substâncias químicas
altamente perigosas que apresentam elevada toxicidade, podendo ser encontrado no ambiente
mesmo após décadas de sua liberação. Possuem características que lhes concedem uma
atenção especial, tais como: estabilidade (atribui a capacidade de transporte a longas
distâncias), bioacumulação e biomagnificação. Esses poluentes pertencem a três categorias
dependendo da sua introdução no ambiente: 1) os inseticidas dispersos em terras
agriculturáveis; 2) produtos industriais cuja dispersão ambiental ocorreu acidentalmente; 3)
subprodutos de vários tipos de manufaturas ou processos de combustão. O POP mais
conhecido é o DDT (Dicloro Difenil Tricloroetano) e estima-se que 1,5 milhões de toneladas
foram utilizadas entre as décadas de 40 e 70, tanto como inseticida agrícola como no controle
de insetos. Este composto se degrada no ar, em superfícies de vegetação, em sedimentos
oceânicos e solos, podendo na natureza ser metabolizado em DDE (Dicloro Difenil Dicloro
Etileno) e DDD (Dicloro Difenil Dicloro Etano). O DDT e seus derivados são tóxicos para

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vários tipos animais aquáticos, isso levou a proibição de seu uso nos anos 70. Toda a água que
percorre os continentes tem destino final os oceanos, os organismos associados direta e
indiretamente a ele sofrem impactos significativos com o DDT advindo do continente.
Diversos animais são estudados para monitorar as concentrações dos POP’s e dentre eles
estão as aves, em especial as aves marinhas que recebem essa denominação porque utilizam
os oceanos durante toda sua vida. Estas merecem uma atenção especial devido à sua
alimentação ser quase que exclusivamente marinha (p.ex. peixes, krill e lulas), serem
sensíveis às mudanças no ambiente e ocuparem o topo da cadeia alimentar, estando assim
mais suscetíveis à contaminantes que se bioacumulam e biomagnificam na cadeia trófica
devido a sua alta lipossolubilidade em tecidos animais, como no caso dos POP’s, em especial
o DDT. A contaminação por poluentes orgânicos mesmo que em baixas concentrações, causa
danos relevantes nas aves marinhas. Os efeitos mais preocupantes são: alteração no sistema
endócrino (atua negativamente na reprodução) e alteração no metabolismo de cálcio
(influencia na espessura da casca dos ovos), esses fatores provocam fragilidade e diminuição
na população de aves marinhas expostas aos contaminantes.

Palavras-chave: Poluentes Orgânicos Persistentes (POP’s); Dicloro Difenil Tricloroetano


(DDT); Aves Marinhas.

A ornitologia como ciência, suas metodologias e importância para a conservação da


avifauna brasileira
___________________________________________________________________________
Palestrante: Ma. Shirliane de Araújo Sousa (IFPI – Teresina)

As aves são consideradas o grupo mais conhecido e estudado entre os vertebrados sul
americanos, tornando a América do Sul conhecida como o continente das aves, com
aproximadamente 3296 espécies. A avifauna brasileira encontra-se entre três maiores e mais
diversas do mundo, sendo o segundo país do mundo com maior diversidade de aves, com
aproximadamente mais de 1800 espécies, ficando atrás somente da Colômbia. Isto equivale à
aproximadamente 57% das espécies de aves registradas em toda América do Sul. Mais de
10% dessas espécies são endêmicas do Brasil, fazendo deste país um dos mais importantes
para investimentos em conservação. Mas apesar de tamanha diversidade, na região

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neotropical, o Brasil é o país com o maior número de espécies de aves ameaçadas, onde o
cenário atual do estado de conservação dos diferentes biomas brasileiros, principalmente com
relação à distribuição da avifauna, é bastante variável. Noventa e dois por cento das aves
brasileiras são espécies residentes, sendo apenas 8% espécies migrantes; e esta distribuição
das espécies residentes ao longo do Brasil é desigual, estando a maior diversidade de espécies
concentrada na Amazônia e na Mata Atlântica, dois biomas que, originalmente, eram cobertos
por florestas úmidas. A diversidade de aves do Cerrado e da Caatinga também sofrem grandes
ameaças, e uma das principais causas é a perda de habitat, onde na maioria das vezes sua
vegetação natural vem sendo utilizada e convertida em pastagens intensivas, consequência da
disseminação da agricultura mecanizada. A ornitologia é o estudo científico, que inclui
descrição, história, classificação (classe, ordem, família, etc.); distribuição, números,
atividades, importância ecológica e de valor econômico das aves. O profissional que trabalha
nesse ramo é o ornitólogo, podendo este apresentar formação científica ou não, onde neste
último caso o profissional é conhecido como “bird watcher”, ou seja, observador de aves. Os
estudos ornitológicos são de grande importância para o aumento sobre o conhecimento e
conservação da diversidade da avifauna brasileira, e a cada nova espécie descrita, percebemos
que apesar de expressivo, o conhecimento sobre a diversidade destes animais ainda está
subestimado; por isso, estudos sobre taxonomia, ecologia, conservação e o desenvolvimento
de teorias para conservação destas espécies são cada vez mais necessários, e fundamentais
para a aplicabilidade em estudos da conservação e manejo de espécies endêmicas de cada
região. A finalidade deste trabalho é fazer uma reflexão sobre o conceito, a importância, e a
aplicabilidade desta ciência, como ramo da biologia, além da importância e contribuição dos
seus estudos dentro do panorama de conservação da biodiversidade de espécies, explicando as
diversas técnicas de coleta, manejo e conservação de aves; além das principais instituições e
recursos que podem ser utilizados como ferramenta para esta ciência.

Palavras-chave: Aves; ornitologia; conservação.

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2 - TAXONOMIA E APLICAÇÃO DAS ESPÉCIES VEGETAIS


Coordenadora: Profa. Dra. Maria de Fátima de Oliveira Pires (UESPI - CCN)

Araceae: uma família vegetal importante na ecologia e economia do mundo


___________________________________________________________________________
Palestrante: Ivanilza Moreira de Andrade (UFPI – Parnaíba)

A família Araceae é composta por 118 gêneros e 3.437 espécies – são chamadas
informalmente de "aróides". Tem distribuição cosmopolita e com a maioria das espécies e
gêneros ocorrendo na zona tropical. A família é muito diversificada em forma de vida,
morfologia e anatomia. São ervas terrestres, geófitas, epífitas, hemiepífitas, aquáticas,
helófitas, reófitas, flutuantes livres ou submersas fixas, com caules trepadores (lianas),
arborescentes ou eretos, às vezes gigantes, reptantes ou ainda subterrâneos. Nas florestas mais
úmidas do neotrópico, a família tem um papel importante, particularmente, pela sua
diversidade e biomassa como epífitas e trepadeiras hemiepífitas. No mundo inteiro a
subfamília Lemnoideae (Lemna, Spirodela, Wolffia e Wolffiella) constitui um elemento
conspícuo dos ecossistemas aquáticos de água doce, onde formam grandes populações de
plantas flutuantes, indicadores de poluição. O gênero Pistia tem um papel ecológico parecido.
O gênero Montrichardia tem um papel ecológico importante com suas extensas populações ao
longo dos rios da Amazônia e Nordeste do Brasil. Muitos aróides são cultivados tanto na zona
tropical como temperada, e incluem espécies dos gêneros Aglaonema, Alocasia, Anthurium,
Caladium, Colocasia, Dieffenbachia, Epipremnum, Homalomena, Monstera, Philodendron,
Rhaphidophora, Schismatoglottis, Scindapsus, Spathiphyllum, Syngonium, Xanthospatha e
Zantedeschia (especialmente em altitudes maiores nos trópicos). São referidas como
provavelmente o grupo de plantas ornamentais de maior importância econômica no mundo
inteiro. A maioria das espécies são valorizadas pela beleza e exuberância da sua folhagem,
sendo um dos principais motivos para serem cultivadas em jardins de bosques, jardins
pedregosos ou habitats aquáticos. Certas especies, como Anthurium andraeanum e
Zantedeschia aethiopica são valorizadas pela beleza de suas inflorescências, as quais formam
a base para industrias horticulturais multi-milionárias em Holanda e no Havaí. Como plantas
comestíveis citam-se os túberes ou rizomas tuberosos. Espécies que merecem destaque como
alimentícias pertencem aos gêneros Colocasia, Xanthosoma, Amorphophallus, Alocasia e
Cyrtosperma. A espécie com a historia de domesticação mais antiga é Colocasia esculenta, o

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“taro” ou “dasheen” cultivada em muitos lugares desde cerca de 2.000 anos, no Oriente
Médio, e especialmente nas Ilhas do Pacífico e Sudeste da Ásia, de onde milhões de pessoas
as consomem como parte fundamental de sua dieta. Na medicina popular são utilizadas no
combate a várias doenças, tais como, vermes parasitas, febres, doenças de pele, disenterias,
mordidas de cobra, ferimentos, tumores, asmas, reumatismos e como laxante. Dentre as
espécies medicinais destacam-se Philodendron selloum, utilizado como diurético e
adstringente; Typhonium blumei no tratamento de diarréia; Acorus calamus tem sido usado
desde antigamente para males estomacais e Typhonium blumei é usado para tratar diarréia;
Colocasia esculenta é usada na indústria farmacêutica no tratamento da sífilis; as raízes de
Dracontium polyphyllum são antipasmódica e antiasmática, e na Martinica é empregada
contra mordedura de cobras; folhas de Alocasia macrorrhizos são usadas em cataplasma nas
inflamações do corpo e como antídoto pra picada de insetos venenosos; Dieffenbachia
seguine, apesar de ter princípio caustico e venenosíssimo, é usado na cura de qualquer
inflamação edematosa e aconselhada contra a lepra; o caule e as folhas de Philodendron
speciosum Schott são usados em tumores e na cura das dores articulares; as sementes e as
raízes são consideradas antihelmínticas. Xanthosoma striatipes é usada na cura das anginas;
as folhas de Montrichardia linifera são consideradas anti-reumáticas e eficazes na cura de
úlceras. As raízes de Monstera adansonii são consideradas úteis contra hydropsia e artrite.
Atribuem a certas espécies qualidades afrodisíacas, por exemplo, o tubérculo de
Amorphophallus utilizado para melhorar a performance sexual masculina. Os índios na
Colômbia utilizam Urospatha antisylleptica, Philodendron dyscarpium e Anthurium
tessuannii Krause para propósitos contraceptivos. Certos aróides (Epipremnum giganteum,
Amorphophallus prainii) são usados como constituintes de flechas tóxicas por indígenas na
Malásia. No que diz respeito às plantas fibrosas, algumas espécies fornecem matéria prima
para a fabricação de cestas, mobílias, etc. Espécies de Heteropsis e Philodendorn possuem
raízes que são excelente fonte de fibras, utilizados principalmente por nativos da América do
Sul. As raízes aéreas do conhecido “güembé”, Philodendron bipinnatifidum, espécie do
noroeste Argentino, Paraguai oriental e sul do Brasil, foram usadas por vários povos
indígenos na confecção de produtos como têxteis e fabricação de cordas e cabos. Sugere-se,
finalmente, o investimento na bioprospecção de espécies nativas de Araceae visando ampliar
a base genética para o melhoramento dado a importância dessas espécies nos usos alimentar,
ornamental e medicinal. No Brasil, o uso da maioria das espécies da família é principalmente
ornamental, merecendo destaque os gêneros Anthurium, Philodendron, Dieffenbachia,
Monstera, Zantedeschia. Gêneros que apresentam grande potencial, ainda não muito

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explorados, para melhoramento e utilização como ornamentais, são Urospatha, Spathiphyllum


e Heteropsis, e dos gêneros com potencial significativo para melhoramento genético, visando
à alimentação, podem ser citadas as espécies nativas de Xanthosoma, muito pouco conhecidas
e estudadas.

Asteraceae: diversidade e uso


___________________________________________________________________________
Palestrante: Fábio José Vieira - (UESPI – Picos)

A família Asteraceae Martinov. pertence ao clado Asteridae, sendo reconhecida como uma
das maiores do reino vegetal e a maior entre as dicotiledôneas. É um grupo perfeitamente
caracterizado, com limites naturais bem estabelecidos, apresentando inúmeras sinapomorfias,
tanto morfológicas, como moleculares. Seus membros mostram uma uniformidade básica de
caracteres florais tais como, o agrupamento das flores em capítulos e o aspecto especial dos
estames e da corola, os quais não permitem confundi-la com qualquer outra família.
Considerada como uma das mais importantes do grupo das fanerógamas, as Asteraceae
compreendem aproximadamente 1.535 gêneros e 23.000 espécies, arranjadas em três
subfamílias (Barnadesioideae, Cichorioideae e Asteroideae) e 17 tribos. Para o Brasil, são
referidos aproximadamente 180 gêneros, ocorrendo como ervas, subarbustos, arbustos e
trepadeiras, sendo as árvores de ocorrência mais rara. Para o Nordeste encontra-se, mais de
1.000 espécies, habitando particularmente as regiões semiáridas, com cerca de 80% delas
registradas para as caatingas, sendo algumas endêmicas nessa região. A família possui uma
grande importância econômica para o homem, com muitas espécies com utilidades
medicinais, ornamentais, industriais, alimentares, aromáticas e inseticidas, porém existem
espécies causadoras de danos econômicos, seja prejudicando o desenvolvimento de lavouras,
invadindo pastagens ou causando a morte de animais domésticos. Na América, muitas
espécies neotropicais são utilizadas com fins medicinais; por exemplo, na Venezuela Calea
divaricata Benth. é usada no tratamento de resfriados; comumente C. pinnatifida Banks ex
Steud. é utilizada como vermífugo. Espécies sul-americanas de Acmella Rich. e algumas
mesoamericanas como Salmea scandens DC. são relatadas como eficazes no tratamento dor
de dente; espécies do gênero Mikania D.Dietr. são utilizadas como antídoto para picadas de
serpentes. Quanto ao potencial alimentício, também pertencem à família: alface (Lactuca
sativa L.), girassol (Helianthus annuus L.), chicória (Cichorium intybus L.), camomila

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(Matricaria chamomila L.), a espécie Artemisia absinthium L. que é utilizada na fabricação


do licor absinto. No entanto, as Asteraceae são mais conhecidas pelo potencial ornamental,
cultivadas em sua maioria com o nome vernacular de margaridas (Helianthus L.), destacam-se
também: vedélias (Sphagneticola O.Hoffm.), crisântemos (Chrysanthemum L.), dálias
(Dahlia Cav.), gérberas (Gerbera L.) e cravos (Tagetes L.).

Palavras-chave: Asteridae, Compositae, potencial econômico,

3 - TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DA GENOTOXICIDADE E MUTAGENICIDADE

Coordenadora: Prof. Dra. Francielle Alline Martins (UESPI - CCN)

Utilização de bioindicadores. aperfeiçoamento e aplicações de diferentes técnicas em


genotoxicidade
___________________________________________________________________________
Palestrante: Dr. Fabrício Pires de Moura do Amaral- (UESPI – Facime)

Bioindicador ou biomarcador (BINM) compreende toda substância ou seu produto


metabólico, assim como qualquer alteração bioquímica, cuja determinação nos fluidos
biológicos, tecidos ou ar exalado, avalie a intensidade da exposição a um agente (físico ou
químico) e o risco à saúde de indivíduos que compõem um ecossistema. Tais BINMs são
fortes aliados na manutenção da saúde ambiental, pois é através da sua identificação que se
estabelece um parâmetro de risco para uma determinada comunidade. Os BINMs possuem
vários propósitos, dependendo, apenas, da finalidade da investigação e do tipo de exposição
aos quais os indivíduos se submeteram. Têm-se, portanto, a seguinte classificação dos
biomarcadores: BINMs de exposição, BINMs de efeito e BINMs de susceptibilidade. os
BINMs de exposição compreendem aqueles que identificam e quantificam substâncias
químicas nos fluidos biológicos (exemplos: dosagem de metais pesados no sangue,
mensuração de cromo na urina, quantificação de lítio em pacientes, níveis de
acetilcolinesterase inibida por organofosforados). Os BINMs de susceptibilidade estabelecem
um perfil genético e enzimático de seres vivos com intuito de entender como polimorfismos
podem contribuir para o surgimento e estabelecimento de doenças oriundas da interação com
o meio. Os BINMs de efeito refletem a interação da substância química com alvos biológicos.

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Embora sejam utilizados na rotina médica e, portanto, muito conhecidos (exemplos: função
renal : uréia e creatinina; função hepática: TGO e TGP) muitos se mantém, temporariamente,
no campo da pesquisa e investigações científicas. Neste contexto, encontram-se as avaliações
genotóxicas (ensaio Allium cepa; teste de Ames; ensaio do micronúcleo; estudo das
aberrações cromossômicas e teste do cometa). Dotadas da capacidade de detectar danos que
antecedem os achados clínicos, são consideradas o futuro da prevenção de doenças crônicas
degenerativas como as neoplasias e o Alzheimer. Além disso, sua empregabilidade supera a
clínica, visto que variações em ensaios de estudos genotóxicos têm tido sucesso em avaliações
pré-clínicas de fármacos, agroquímicos e diversos componentes industrializados. A
importância disto, se deve, basicamente, a entender como e onde ocorrem os danos nos genes,
frutos da interação entre o produto teste e sistema estudado. Estes achados possibilitam à
indústria, aos órgãos sanitários e os de investigação epidemiológica estabelecer critérios de
segurança e precauções no uso de objetos (ainda não estudados), bem como aos futuros
lançamentos mercadológicos (uma incógnita quanto a segurança ambiental e individual). O
futuro da genotoxicidade é amplo, rico e complexo, devemos no entanto, compreender e
difundir seus princípios básicos, para que, em breve, com o avanço tecnológico e sua
popularização, não sejamos considerados estranhos no ninho.

Palavras-chave: Bioindicadores; genotoxicidade; aplicabilidade.

Teste para detecção de mutações e recombinações somática em Drosophila melanogaster


- SMART
___________________________________________________________________________
Palestrante: Me. Antônio Joaquim de Souza Castro (UESPI - Parnaíba)

O teste para detecção de mutação e recombinação somática em células das asas de Drosophila
melanogaster – SMART é o sistema de teste descrito por GRAf e colaboradores em 1984, que
é utilizada para detectar eventos multacionais ocorridos no cromossomo 3 da Drosophila
melanogaster. No SMART são utilizados genes mwh (multiple wing hairs) e flrs3 (flare - 3),
com expressões fenotípicas bem definidas. O marcador multiple wing hairs é mantido na
linhagem como uma mutação viável em homozigose recessiva. A mutação mwh está
localizada no cromossomo 3 (3-0,3) e em condições de homozigose produz múltiplos
tricomas por célula ao invés de apenas um único tricoma, como normalmente acontece. O

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marcador flare - 3 (flr3) é uma mutação recessiva que, afeta a forma do pelo da asa, ele
também esta localizado no cromossomo 3, mas em posição mais proximal ( 3-38,3). Devido à
letalidade no zigoto, o alelo flr3 é mantido na linhagem estoque com a presença de um
balanceador cromossômico com múltiplas inversões cromossômicas (do inglês: TM3, Bds -
Third multiple e, Beaded - Serate). No SMART, em asas de Drosophila melanogaster, são
realizados dois cruzamentos: 1) Cruzamento padrão (ST – “Sandard Cross”) no qual fêmeas
virgens da linhagem "flare-3" são cruzadas com machos multiple wing hairs; 2) cruzamento
de alta bioativação (HB – “High Bioactivation Cross”), no qual fêmeas virgens de linhagem
"ORR - flare-3"com machos "multiple wing hairs". Desse cruzamento são obtidos dois tipos
de descendentes que são tratados com a substancia à ser testada quando sua genotoxicidade.
Nos adultos são analisadas as asas por meio do microscópio óptico de luz objetiva 40 X.
Durante a metamorfose, as células ao se diferenciarem sofrem mutações (dependente do
componente teste) nos pêlos das asas, para multiple wing hairs (mwh) e flare - 3 (flr3). As
mutações induzidas são detectadas em moscas adultas que apresentam manchas simples (com
fenótipo mwh ou flr3) ou gêmeas, com dois tipos de pêlos mutantes. Os registros dessas
freqüências e o tamanho de diferentes manchas permitem a determinação quantitativa de
efeitos mutagênicos e recombinogênicos.

Palavras-chave: Genotoxicidade, Drosophila melanogaster, SMART.

4 - MICOLOGIA: PERSPECTIVAS E AVANÇOS


Coordenador(a): Dra. Márcia Percília Moura Parente (UESPI - CCN)

Conhecimento da diversidade fúngica do Piauí: estado da arte


___________________________________________________________________________
Palestrante: Dra. Maria Helena Alves (UFPI – Parnaíba)

Os fungos constituem um grande grupo de organismos diferenciados, variando desde


representantes microscópicos como as leveduras (unicelulares), até organismos parasitas
facultativos de raízes de plantas superiores (micorrizas) que ocupam área superior a 12 ha e
chegam a pesar 10 toneladas. São conhecidos popularmente como bolores, mofos ou
cogumelos, sendo tratados de forma pejorativa, considerados como venenosos e, no máximo,
como alimentos exóticos, sendo comumente, destacados por seus efeitos prejudiciais,

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causando moléstias em animais e plantas, ou ainda como responsáveis pela deterioração de


frutos, pães e outros alimentos. Este trabalho teve como objetivo a divulgação das espécies de
fungos ocorrentes no estado do Piauí. O material fúngico foi coletado no munícipio de
Parnaíba, Piauí. As coletas foram feitas de forma aleatória com o auxílio de canivete e/ou
faca, para os fungos saprófitas e/ou lignícolas, armazenados em saco de papel após
preenchimento de ficha de campo contendo os dados como coordenadas, coloração, tamanho,
textura e habito dos carpóforos. Para os fungos de solo seguiu-se a metodologia de
distribuição de 1g de solo na placa de Petri e nesta foi vertido o meio de cultivo denominado
de Rosa bengala, para o isolamento e identificação dos fungos crescidos. Os fungos coletados
e isolados foram identificados considerando as características macro e microscópicas. Para os
fungos Agaricales, as observações microscópicas foram efetuadas com o auxílio de cortes
feitos à mão livre no carpóforo, colocado entre lâmina e lamínula, acrescido de uma gota
d’água e/ou reagente e, levado ao microscópio óptico, onde procedeu-se as mensurações e
verificações das microestruturas de importância taxonômica. Como, infelizmente, para o
estado do Piauí, não se tem relatos concernentes aos Agaricóides, exceto para o Delta do
Parnaíba que consta de 48 táxons, entre Ascomycota e Basidiomycota, os nossos resultados
vem contribuir de forma significativa, pois estão sendo acrescidos cerca de 30 táxons entre
Deuteromycota (10 isolados do solo), Mucoromycotina (três, isolados do solo), Ascomycota
(vários) e Basidiomycota (vários), totalizando cerca de 80 táxons que serão conhecidos para o
estado do Piauí. Como as coletas foram abundantes com cerca de 150 amostras, espera-se que
num futuro próximo esses resultados sejam publicados, pois as identificações continuam
sendo realizadas, sendo, portanto esses resultados parciais. Durante estes cerca de dois anos
de investigação, observou-se grande diversidade fúngica no município de Parnaíba,
percebendo-se que necessita-se de mais pesquisadores para avançar no mundo misterioso dos
fungos.

Potencial fitopatológico de Pythium Nees e Fusarium Link em sistemas agrícolas de


mandioca
___________________________________________________________________________
Palestrante: Me. Amando Oliveira Matias (UEMA – Caxias)

A mandioca por se tratar de uma cultura de ciclo longo, está sujeita a ação de diversos
patógenos, como: Phytophthora drechsleri Tucker; Pythium scleroteichum Drechsler;

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Fusarium oxysporum Schltdl e F. solani Sacc. No Nordeste, esta cultura vem sendo
fortemente atacada por fitopatógenos, que até pouco tempo eram desconhecidos pela literatura
especializada. Dentre os sintomas, destaca-se a podridão radicular, já relatada por diversos
autores como sendo a principal causa de perdas agrícolas na região. Na prevenção, costumam-
se usar agrotóxicos, que além de representarem significativos riscos à saúde humana,
provocam sérios problemas à agricultura, além de aumentarem surgimento de patógenos cada
vez mais resistentes. O conhecimento dos agentes etiológicos, por sua vez, configura-se com
peça fundamental para programas de melhoramento genético, que visem melhorar o genótipo
susceptível. Dessa forma, isolaram-se os possíveis agentes etiológicos de podridões
radiculares de mandioca em Brejo, Maranhão, para assim confirmar sua patogenicidade em
genótipos oriundos deste município. Confirmada a sua patogenicidade, utilizaram-se outros
genótipos de mandioca, disponibilizados pela Embrapa Meio Norte, para a caracterização de
resistência. Para isolamento dos patógenos realizaram-se três ensaios: meio de cultura
BDA/CMA, câmara úmida e câmara de solo com pepino (Cucumis sativus L.). Na
confirmação de patogenicidade/identificação de fonte de resistência, realizaram-se
inoculações dos patógenos, em três repetições, para os seguintes genótipos: pretinha,
branquinha, vermelhinha e tomazinha (genótipos oriundos do município Brejo) BRS Caipira,
BRS Verdinha, BRS Tapioqueira, BRS Dourada, BRS Gema de Ovo, 98148/02, 98143/01,
1167,1692, 1169, 1721 e 1722 (oriundos da coleção de genótipos da Embrapa Meio Norte).
Após as análises, observou-se que dentre as quatro espécies isoladas (Pythium palingenes
Drechsler, P. aquatile Honnk, P. echinulatum Matthews e Fusarium oxysporum Schltdl)
apenas uma (P. echinulatum) não apresentou potencial fitopatológico na cultura de mandioca.
Não houve genótipo totalmente imune aos patógenos isolados, mas existe resistência
moderada no genótipo pretinha e níveis aceitáveis de resistência em algumas mandiocas da
coleção de genótipos da Embrapa Meio Norte (98148/02, BRS Caipira e BRS Gema de Ovo).
Entretanto, recomenda-se apenas o uso do genótipo pretinha em cultivos posteriores no
município de Brejo, devido à presença de todos os fitopatógenos na área de estudo. Com
relação ao programa de melhoramento genético de mandioca, recomenda-se, além da
pretinha, o estudo com os genótipos 98148/02, BRS Caipira e BRS Gema de Ovo, pois os
mesmos apresentaram sintomas semelhantes ao genótipo pretinha, quando analisado em
laboratório. O trabalho também representa a primeira citação das espécies P. palingenes e P.
aquatile em sistemas agrícolas de mandioca no estado do Maranhão, bem como a primeira
citação de fitopatogenicidade destas espécies na cultura de mandioca, complementando
trabalhos anteriores.

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Palavras-chave: Mandioca; Fitopatógeno; Podridão Radicular.

5 - MICROORGANISMO E SUAS APLICAÇÕES BIOTECNOLÓGICAS


Coordenador(a): Dra. Francisca Lúcia (UESPI - CCN)

Potencial Antagônico de Trichoderma spp. associados a dsRNA contra Colletotrichum


guaranicola (Albuq.)
___________________________________________________________________________
Palestrante: Dra. Girlene Soares de Figueirêdo (UFPI – Teresina)

O guaraná (Paulinia cupana) é uma das mais importantes culturas do Estado do Amazonas.
Comercialmente, sua utilização é maior nos refrigerantes gaseificados, no entanto, a indústria
do guaraná vem crescendo e diversificando seus produtos, inclusive no mercado
internacional. A principal doença que afeta a cultura do guaraná é a antracnose, sendo seu
agente etiológico o fitopatógeno Colletotrichum guaranicola. A principal forma de controle
da antracnose é o emprego de fungicidas químicos, porém, em algumas regiões, que
adquiriram o reconhecimento de cultura orgânica, esta medida de controle não se adequa às
necessidades da produção. As espécies do gênero Trichoderma, são antagonistas utilizadas
eficazmente no controle biológico de algumas espécies fitopatogênicas, incluindo o gênero
Colletotrichum. A presença de dsRNAs é frequente em fungos, sendo relatada na literatura
muitas pesquisas associando-os com vários aspectos nestes hospedeiros: fenótipos
hipovirulentos, alterações morfológicas, o fenótipo ``killer'' em leveduras, ou ainda, a
nenhuma alteração nestes microrganismos. Esta pesquisa teve por objetivos investigar a
presença e influência de dsRNA sobre o potencial antagônico de Trichoderma spp. contra C.
guaranicola. Foram analisados 100 isolados de Trichoderma spp., sendo que apenas um
apresentou dsRNA. A espécie foi determinada por sequenciamento da região ITS do rDNA e
seus aspectos micromorfológicos (microscopia óptica e eletrônica de varredura) como
Trichoderma asperellum. Procedeu-se a purificação deste material por meio de cromatografia
em coluna de celulose e a digestão com nucleases (DNAse I e nuclease S1). Para analisar a
possível interferência destas partículas no potencial antagônico dos isolados de Trichoderma,
eliminou-se o dsRNA do isolado infectado com a substância desoxicolato de sódio,
adicionada ao meio BDA na concentração de 200mg/mL. Testes de antagonismo in vitro
(pelo método de pareamento em placa), revelaram diferença entre as linhagens isógenas (com

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e sem dsRNA) contra o fitopatógeno. O teste in vivo, pelo método de adição de esporos de
antagonista e fitopatógenos em plantas de Mucuna aterrima, não apresentou diferença
estatística entre as linhagens. Morfologicamente houve alterações entre os isolados com e sem
dsRNA, sendo que os sem dsRNA, apresentaram maior crescimento micelial e maior
produção de esporos. Diante dos resultados obtidos concluiu-se que o dsRNA presente em T.
asperellum interfere no seu potencial antagonista em testes in vitro, mas não no seu
desempenho em testes in vivo.

Mapeamento da antigenicidade de Cryptococcus gattii utilizando imunoproteômica.


___________________________________________________________________________
Palestrante: Dra. Liline Maria Soares Martins (UFPI - Teresina)

A criptococose, ocasionada por Cryptococcus gattii ou Cryptococcus neoformans, figura entre


as infecções fúngicas humanas de grande letalidade, principalmente sob a forma de
meningoencefalite. C. gattii acomete essencialmente pacientes imunocompetentes e tem
emergido em Países de clima temperado, como no Canadá e Estados Unidos da América
(EUA). No Brasil, C. gattii genótipo VGII é patógeno primário, acometendo elevado
contingente de crianças e adultos jovens, sendo considerado endêmico no Norte e Nordeste
deste País, apresentando significativa morbiletalidade. Sendo assim, a identificação de
antígenos para desenvolvimento de novos testes diagnósticos, estratégia de prevenção e o
entendimento da patogênese desta micose sistêmica têm sido uma busca constante. Neste
estudo, foram identificados os genótipos 63 cepas de Cryptococcus spp. recuperadas a partir
de amostras de fluido cefalorraquidiano de pacientes e utilizada a abordagem de
imunoproteômica para mostrar proteínas imunorreativas de C. gattii contra soro de pacientes
com criptococose. Além disso, foram identificados epítopos para células B que possam ser
investigados como potenciais alvos para desenvolvimento de testes diagnósticos e estratégia
de prevenção. Nós utilizamos uma combinação de eletroforese bidimensional, western blot e
espectrometria de massa para identificar proteínas do lisado total de células de C. gattii
genótipo VGII (CG01; CG02; CG03; R265). Uns totais de 48 proteínas imunorreativas foram
identificadas. Todas as proteínas selecionadas por western blot foram mapeadas para epítopos
de célula B pelos programas ABCPred e BCPreds. A sobreposição de peptídeos entre estes
programas resultou um total de 374 peptídeos concordantes. Em particular, este trabalho

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destaca a heterogeneidade de imunorreatividade das quatro cepas C. gattii, usando soro de


pacientes com criptococose e que Hsp (proteína choque térmico), thiol peroxidase e GrpE
parecem ser importantes na patogênese da criptococose. Este é o primeiro estudo que mapeou
in sílico peptídeos para células B de proteínas imunorreactivas de C. gattii genótipo VGII
como um método alternativo para a identificação de antígenos visando o desenvolvimento de
novos testes para diagnóstico da criptococose por meio da síntese de peptídeos. Futuros
estudos sobre estas proteínas recentemente identificadas em C. gattii contra soro de pacientes
com Criptococose não só contribuirão para a descoberta de novos biomarcadores de
diagnóstico e subunidade de vacinas como também fornecerão uma visão detalhada sobre os
mecanismos de imunidade humoral humana contra Criptococose.

Detecção e quantificação do Citrus leprosis virus C (CiLV-C) e Coffee ringspot virus


(CoRSV) em Brevipalpus phoenicis (Geijskes) (Acari: Tenuipalpidae) por qPCR
Palestrante: Dr. Frank Magno da Costa (UESPI - Parnaíba)

Ácaros Brevipalpus são vetores de inúmeros vírus, comumente chamados de vírus


transmitidos por Brevipalpus- VTB. Dentre esses, o vírus da leprose dos citros (Citrus
leprosis virus C, CiLV-C) e o vírus da mancha anular do cafeeiro (Coffee ringspot virus -
CoRSV) são importantes devido aos danos que causam em Citrus spp. e Coffea spp.,
respectivamente. Os sintomas ocorrem de maneira localizada em folhas e frutos. As
interações entre os vírus e seus vetores apresentam particular interesse, tanto do ponto de vista
científico quanto no desenvolvimento de novas abordagens para o controle das doenças por
eles causadas. Entretanto, para esses e outros VTB, as interações são ainda pouco conhecidas.
Estudos preliminares sugerem que o CoRSV se replica no interior do ácaro vetor, enquanto o
CiLV-C apenas circula. O objetivo deste trabalho foi investigar os tipos de interações
estabelecidas entre o CiLV-C e o CoRSV com B. phoenicis. Fêmeas adultas de B. phoenicis
avirulíferas foram submetidas a um período de acesso para aquisição dos respectivos vírus
durante cinco dias. Após esse tempo foram transferidas para hospedeiros (tratamentos):
feijão-de-porco (não hospedeira dos vírus), plantas suscetíveis, sintomáticas e/ou sadias
(laranja doce e cafeeiro) e coletadas após quatro diferentes períodos de tempo: 0; 7; 14 e 21
dias. As interações foram investigadas por reação em cadeia da polimerase em tempo real
(qPCR), microscopia eletrônica de transmissão (MET) e testes de transmissão. A qPCR
revelou que não houve aumento da carga viral ao longo do tempo em nenhum dos tratamentos
avaliados para nenhum dos vírus em questão. A MET não detectou partículas de CiLV-C e
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CoRSV. A taxa de transmissão do CiLV-C foi de 83; 75 e 58% para os tratamentos frutos de
laranja sintomáticos, feijão-de-porco e frutos de laranja sadio, respectivamente. Os primeiros
sintomas de leprose dos citros foram observados após 30±5 dias após a infestação dos ácaros.
Nos testes de transmissão de CoRSV nenhum sintoma da mancha anular foi observado
durante um período de seis meses. Estes resultados indicam a necessidade de longo período é
necessário antes da transmissão do CoRSV pelo vetor. Para o CiLV-C os resultados indicam
que o tipo de interação vírus-vetor é persistente circulativa.

Palavras-chave: Interação vírus-vetor, CoRSV, CiLV-C, qPCR, transmissão.

6 - DIVERSIDADE VEGETAL: CONSERVAÇÃO E RELAÇÕES COM O MEIO


Coordenador(a): Dr. Francisco Soares Santos Filho (UESPI - CCN)

A importância das Unidades de Conservação para a Biodiversidade.


___________________________________________________________________________
Palestrante: Ma. Eugênia Vitoria e Silva de Medeiros (ICM-Teresina)

Todo desenvolvimento deve ter como objetivo maior a vida e o bem estar do homem. A
“noção” de evolução cultural, social, tecnológica e política sobre a espécie humana, se deve a
sua capacidade de intervir nos recursos naturais aprimorada com o advento científico e o
surgimento de instrumentos de domínio que transformaram as riquezas naturais em objetos de
consumo. A interação homem/meio ambiente não foi de troca mútua foi de conquista, pois
nem sempre a valorização econômica dos recursos naturais primou pela qualidade ambiental.
Considerando que toda atividade humana que utiliza recursos naturais representa um
rompimento da estrutura ecológica e causa impacto ambiental, não se trata de combater o
progresso econômico, mas sim harmonizar desenvolvimento com potencialidades e
limitações naturais minimizando os prejuízos ao meio ambiente. Os recursos naturais devem
ser utilizados de forma que os benefícios ao desenvolvimento humano, não prejudiquem o
bem estar dos sistemas globais e nem a existência das gerações futuras. As áreas silvestres
protegidas devem ser planejadas concomitantemente com atividades como agricultura,
transportes, abastecimento de água e assentamentos humanos. O empenho para preservar
espécies isoladas e ameaçadas, será inócuo se não for combinado com ecossistemas intactos,
a conservação in situ, as chamadas Unidades de Conservação. Todos os países signatários da

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CDB possuem um sistema de proteção da diversidade biológica com diferentes terminologias


para designá-las. O surgimento do movimento ambientalista ocorreu na Inglaterra nos séculos
XVIII e XIX, simultaneamente às inovações tecnológicas. A criação do primeiro parque
nacional ocorreu nos Estados Unidos, em 1872, no vale do rio Yellowstone. O Brasil foi um
dos países que mais tardiamente aderiu ao modelo internacional de criação de Parques,
somente em 1937 foi instituído o primeiro parque nacional, o de Itatiaia/RJ. A Lei 9.985, de
18/06/2000, define Unidade de Conservação como: "espaço territorial e seus recursos
ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes,
legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivo de conservação e limites definidos,
sob regime especial de administração ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção",
tendo com principais objetivos: Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos
recursos genéticos; proteger as espécies ameaçadas de extinção, características relevantes de
natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica, cultural,
recursos hídricos; preservar e a restaurar a diversidade de ecossistemas naturais; promover o
desenvolvimento sustentável a educação e interpretação ambiental, a recreação em contrato
com a natureza e o turismo ecológico. Foram definidos dois grupos e doze categorias de
Unidades de Conservação, Unidades de Proteção Integral - ESEC, REBIO, PN, Monumento
Natural, REVIS e as Unidades de Uso Sustentável - APA, ARIE, FLONA, RESEX, Reserva
de Fauna, RDS e RPPN. A Lei também estabeleceu os Corredores Ecológicos que são
mosaicos de usos da terra que conectam fragmentos de floresta natural por meio da paisagem,
facilitando o fluxo gênico entre as populações, ligam Unidades de Conservação de territórios
diferentes, admitem múltiplos usos do solo, oportunizam a conservação da biodiversidade em
regiões com escassa cobertura de áreas protegidas.

Palavras-chave: Biodiversidade, Desenvolvimento, Unidade de Conservação.

A biodiversidade e suas relações fitofisionômicas no Complexo de Campo Maior: Bacia


Hidrográfica do Rio Longá
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Palestrante: Dr. José Sidiney Barros (UESPI – Teresina)

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Transições entre diferentes províncias florísticas em áreas ecotonais expressam-se em


diferentes paisagens ou fitofisionomias. As associações entre parâmetros dos solos e
diferentes formações vegetais da porção central da Bacia Sedimentar do Parnaíba, onde se
destaca o Complexo Vegetacional de Campo Maior (PI), confirma a compartimentação
geomorfológica e disponibilidade de nutrientes como condicionantes das fitofisionomias.
Foram estudadas sete fitofisionomias associadas a diferentes geoambientes, com amostragem
fitossociológica e descrição de perfis de solos e coletadas amostras compostas de solos por
parcelas nas profundidades de 0-10cm, 10-20cm, 20-30cm e 30-60cm. Material foliar das
espécies de maior valor de importância, de ampla distribuição, raras e exclusivas, de cada
fitofisionomia, foi coletado para determinação de concentração de nutrientes. As análises
fitossociológicas foram feitas com o uso de diferentes técnicas, com parâmetros produzidos
pelos programas FITOPAC 2, Mata Nativa, TWINSPAN, UPGMA, PCA, DCA e CCA, estes
para determinação de correlações entre gradientes ambientais e vegetacionais. Os resultados
de análises demonstraram uma forte heterogeneidade espacial da distribuição das espécies
nativas entre as fitofisionomias estudadas. As variáveis ambientais demostraram relação forte
com as fitofisionomias. As fitofisionomias de mata e capões arbustivo-arbóreos apresentaram
maior riqueza e número de indivíduos. A fitofisionomia de mata seca ocorreu com os mais
elevados níveis de argila, carbono orgânico, e Ca, Mn, e Zn disponíveis, responsáveis pela sua
individualização clara das demais comunidades. Da análise destes dados pode-se inferir que
as comunidades de plantas e sua diversidade estão relacionadas com os fatores ambientais
inerentes a cada geoambiente. Das 140 espécies identificadas na região apenas 10, Andira
surinamensis, Byrsonima crassifolia, Curatella americana, Handroanthos serratifolius,
Luetzelburgia auriculata, Qualea parviflora, Qualea grandeflora, Anacardium occidentale,
Annona coriacea e Salvertia canvallariodora, foram comuns a todas as fitofisionomias
podendo, portanto, serem identificadas como espécies típicas do Complexo Vegetacional de
Campo Maior. Nos geoambientes do Complexo Vegetacional de Campo Maior, PI, a
diversidade beta é elevada, como reflexo da substituição de espécies entre os geoambientes,
confirmando a distribuição de espécies segundo um gradiente longo como observado nas
análises de correspondências segmentada e canônica. O conteúdo em argila observado nas
parcelas da mata apresentou valores três vezes superior àqueles encontrado nas outras
fitofisionomias, marcando fortemente essa diferença particular. Outro dado observado, neste
caso comum a todos os solos das fitofisionomias amostradas, foi a textura fortemente arenosa
com valor nunca inferior a 56% da fração areia. As concentrações de nutrientes foliares foram
diferentes entre as espécies e entre as fitofisionomias. Os fatores edáficos não mudam a

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vegetação, mas são suficientes para produzir diferenças florísticas na forma de substituição de
espécies. Os resultados analisados nesse trabalho sugerem que: quando submetidos a um
mesmo domínio climático, as diferenças nos padrões de riqueza podem ser correlacionadas às
características locais como solo e geomorfologia. Estes dados revestem-se de importância
como parâmetros a serem contemplados quando da escolha de áreas prioritárias para
conservação e manejo em ambientes frágeis.

Palavras-chave: Complexo Vegetacional, geoambiente, fitofisionomias.

Diversidade vegetal do bioma Cerrado: o componente herbáceo-arbustivo


___________________________________________________________________________
Palestrante: Dra. Maura Rejane de Araújo Mendes (UESPI – Parnaíba)

O Cerrado está localizado principalmente na porção central da América do Sul, estendendo-se


por mais de 20º de latitude. Estudos indicam que o bioma está entre as regiões mais
ameaçadas de savana tropical do mundo, caracterizando-se por grande riqueza de espécies
vegetais e variações fisionômico-florísticas consideráveis, dominado algumas por vegetação
herbácea, outras vezes por arbórea. A listagem de espécies mais completa para o bioma foi
publicada em 2008 e apresenta aproximadamente 12.000 espécies nativas, distribuídas em 11
fisionomias. A maior parte da riqueza está concentrada no componente herbáceo-arbustivo,
que além de contribuir de forma significativa com a diversidade, é importante do ponto de
vista econômico, a exemplo espécies incluídas na alimentação, pastagem, medicina,
ornamento e recursos genéticos. Nos últimos anos, espécies invasoras, especialmente de
gramíneas africanas, como Andropogon gayanus Kunth, Urochloa (syn. Brachiaria) spp.,
Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf, Melinis minutiflora P. Beauv. e Panicum maximum Jacq.,
estão entre as ameaças biológicas mais comuns, especialmente pela acelerada fragmentação
que o Cerrado vem sofrendo. Apesar disso, trabalhos que enfocam a flora herbáceo-arbustiva
do ponto vista da composição, estrutura e dinâmica são recentes, especialmente para os
cerrados do Nordeste. Com base no exposto, estão sendo realizados levantamentos florístico-
estrutural de fisionomias com domínio desses componentes no Parque Nacional de Sete
Cidades. O Parque está localizado no norte do estado Piauí, com altitude entre 100 a 290 m. A
vegetação é formada por um complexo de tipos estruturais dominados por formações
savânicas (cerrado sentido restrito e cerrado rupestre), além de Campo limpo, Cerradão,

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Floresta ocasionalmente inundada e estacional semidecídua. As fisionomias estudadas até o


momento são o campo limpo e o cerrado sentido restrito. No geral, as famílias Poaceae,
Cyperaceae, Eriocaulaceae e Xyridaceae estão entre as mais ricas em espécies, sendo que
Poaceae apresenta as maiores taxas de cobertura relativa. Quando comparações
fitogeográficas são realizadas, a diversidade beta elevada parece ser padrão comum entre as
comunidades campestres do Cerrado. Para o Piauí, a posição estratégica, com limites entre os
domínios biogeográfico da Caatinga e da Amazônia, além das baixas cotas altitudinais,
determinam condicionantes ambientais que influenciam na distinção da flora. No campo
limpo, das espécies registradas 17 não tinham sido citadas ainda na lista de espécies da flora
do Brasil para o Piauí. Tal dado reflete as lacunas de coletas existentes nesse componente da
vegetação na região setentrional dos limites do Cerrado.

Palavras-chave: riqueza de espécies, fitogeografia, Nordeste do Brasil

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Resumos

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ACIDENTES OFÍDICOS OCORRIDOS NO ESTADO DO PIAUÍ NOS ANOS DE 2003


A 2013

Sâmia Caroline Melo Araújo¹, Etielle Barroso de Andrade², Tatiana Pinheiro Gimenez³

1- Universidade Estadual do Piauí-UESPI-Campo Maior (samia_caroline@hotmail.com)


2- Instituto Federal do Piauí- IFPI-Picos (etlandrade@hotmail.com)
3- Universidade Estadual do Piauí-Campo Maior (gimenezpinheiro@gmail.com)

Os acidentes ofídicos representam um grande problema de saúde pública,


especialmente em países tropicais, devido, principalmente, a frequência com que ocorrem e
pela morbimortalidade que causam. Segundo os dados do Ministério da Saúde, no Brasil,
ocorrem entre 19 mil e 22 mil acidentes ofídicos por ano. No Piauí, os dados sobre a
ocorrência de acidentes ofídicos são ainda bastante escassos. Este trabalho tem como objetivo
avaliar os casos de acidentes com serpentes no estado do Piauí nos anos de 2003 a 2013. Os
dados foram coletados no Sistema de Informações de Agravos e Notificação-SINAN. Foi
observado um aumento contínuo no número de casos de acidentes no Piauí entre os anos de
2003 a 2009, este último apresentando 11,9% dos casos, sendo o ano com maior ocorrência
(269 acidentes). De 2010 a 2013 ocorreu um decréscimo progressivo no número de casos,
ficando o ano de 2013 com o menor número, apresentando apenas 4,3% de todo o período (97
acidentes). A maior frequência dos acidentes ocorre entre os homens (78,4%), representando
mais que o triplo dos casos ocorridos entre as mulheres (21,6%). Além disso, a maior parte
dos acidentes ocorreu entre os adultos em idade produtiva (37%), na faixa etária de 20 a 39
anos de idade. As cidades que se destacaram com os maiores coeficientes de incidência foram
Capitão Gervásio Oliveira, Dom Inocêncio e Lagoa do Barro do Piauí, com 52,92, 65,59 e
81,12, respectivamente. Segundo o IBGE-censo 2010, estas cidades apresentam maior parte
da população vivendo na zona rural e têm como principal atividade econômica a prática
agropecuária, o que explicaria o elevado número de acidentes. Acredita-se ainda que o
número de casos esteja abaixo da situação real devido à subnotificação, principalmente nas
localidades distantes dos centros urbanos.
Palavras-chave: Ofidismo, SINAN, Coeficiente de incidência.

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A FAMÍLIA ANACARDIACEAE R. BR. NO ACERVO DO HERBÁRIO GRAZIELA


BARROSO (TEPB) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ.

Felipe Sousa Queiroz Barbosa¹, Roseli Farias Melo de Barros²

1- Universidade Federal do Piauí – Teresina - CCN - Herbário Graziela Barroso


(felipe_sqb@hotmail.com)
2- Universidade Federal do Piauí – Teresina - CCN - Herbário Graziela Barroso
(rbarros.ufpi@gmail.com)

Anacardiaceae R. Br. é representada por árvores, ou em menor frequência, lianas ou


ervas, geralmente com taninos de cheiro característico, e se destaca por apresentar espécies de
considerável expressão econômica, principalmente na alimentação, frutos e sementes
comestíveis como o caju e manga, além de diversas espécies de interesse farmacológico.
Possui distribuição tropical e subtropical, poucas espécies em regiões temperadas. No Brasil
está representada por 14 gêneros e 54 espécies, sendo 13 endêmicas. O presente trabalho
objetivou realizar o levantamento das exsicatas da família Anardiaceae no acervo do herbário
Graziela Barroso (TEPB), em Teresina, Piauí. A metodologia utilizada consistiu na análise
dos dados presentes nas fichas das exsicatas no banco de dados. Foram obtidas informações
acerca do número de registro, de gêneros, local de coleta e bioma. O TEPB possui 199
exsicatas incorporadas, compreendendo 11 gêneros e 23 espécies. O gênero mais
representativo encontrado foi Anacardium L., representando 28% do total de exsicatas,
seguido por Astronium Jacq. (16%), Tapirira Lindl. (14%), Myracroduon Allemão (9%),
Spondias (9%), Apterocarpos Rizzini (5%), Schinopsis Engl. (8%), Schinus L. (2,5%),
Lithraeae (Well.)Engl. (2%), Mangifera L. (1%) e Thirsodium L. (1%), sendo que 4,5% das
exsicatas necessitam de identificação. Em relação a distribuição territorial, 78,6% foram
coletadas na região Nordeste, sendo 54% no estado do Piauí. Quanto à distribuição dentro dos
biomas brasileiros, a grande maioria das exsicatas (40,2%) foi coletada no ambiente de
Cerrado e suas fitofisionomias, de acordo com os coletores. Já no bioma Caatinga, ocorreram
13% das coletas. A partir desses dados, foi possível aferir a representatividade da família para
o herbário TEPB e para região Nordeste, ocupando uma posição de referência nos biomas
Cerrado e Caatinga.
Palavras-chave: Exsicatas, Nordeste, Cerrado

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A FAMÍLIA APOCYNACEAE NO HERBÁRIO AFRÂNIO FERNANDES – UESPI –


BRASIL

Joseane de Araújo Almeidaˡ, Karliane Maria Alves de Sousaˡ e Francisco Soares Santos Filho²

1- Universidade Estadual do Piauí – UESPI (joseanedearaujoalmeida@hotmail.com)


1- Universidade Estadual do Piauí – UESPI (karlianealves91@gmail.com)
2- Universidade Estadual do Piauí – UESPI (fsoaresfilho@gmail.com)

O objetivo do estudo foi realizar a identificação do gênero das exsicatas pertencentes a


família Apocynaceae. A família Apocynaceae compreende plantas de hábito variado
geralmente laticíferas, folhas simples em geral opostas, alternas ou verticiladas, sem estípulas,
flores hermafroditas, diclamídeas, o cálice divide-se em quatro ou cinco lacínios, corola
gamopétala glabra ou pilosa, androceu formado de cinco estames, exsertos ou inclusos, ovário
súpero ou semi-ínfero, fruto seco capsular ou indeiscentes, sementes aladas, pilosas ou não,
na economia alguns gêneros destacam-se pela madeira avermelhada de uso na carpintaria
além de possuir espécies produtoras de látex. Para a realização do estudo, foi feita
identificação da família utilizando técnicas usuais em Taxonomia Vegetal com auxílio de
bibliografia recomendada e descrição pormenorizada de cada espécime possível seguida de
identificação dos gêneros com uso de chave para gêneros da família. Das 37 exsicatas
pertencentes à família foi possível a análise apenas de 6, pois essas possuíam duplicatas com
flores sendo indispensável no processo de identificação. Após a identificação da família dos
espécimes das exsicatas foi realizada identificação dos gêneros Stemnadenia Benth,
Secondatia A. DC, Himatanthus Willd. ex Schult e Allamanda L. das 5 exsicatas pertencentes
à família em estudo pois, das 6 exsicatas analisadas 1 não pertencia a família Apocynaceae.
Assim, conclui-se que a identificação do gênero de exsicatas exige um trabalho minucioso de
observação das características das plantas para que não haja equívocos em sua identificação,
pois os dados obtidos a partir de tais estudos são fundamentais para o conhecimento dos
recursos vegetais da Terra.
Palavras-chave: Taxonomia Vegetal, chave analítica, gênero

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ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL: INVESTIGANDO OS HÁBITOS ALIMENTARES


DOS ALUNOS DO 8ºANO DA ESCOLA MUNICIPAL MARIA DE LOURDES
PINHEIRO MACHADO, ILHA GRANDE – PI

Mayara Oliveira da Costa¹, Tuany Kelly Correia de Assis², Maria Savinados Santos Silva³,
Everson Santos Silva4, Flávia Veras Marques Carvalho 5

1- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (mayara.oliveira.0993@gmail.com )


2- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (tuany.kelly@gmail.com )
3- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (savina_silva@hotmail.com )
4- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (everson26_ptc@hotmail.com )
5- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (flaviaphb@hotmail.com )

A alimentação é uma necessidade biológica comum a todos os seres vivos, pois fornece uma
série de sustâncias essenciais ao desenvolvimento do corpo. A escola é um espaço
privilegiado, pois promove e desempenha papel fundamental na formação de valores e
hábitos, como a boa alimentação. Dentro deste contexto, este estudo teve como objetivo
identificar e analisar os hábitos alimentares dos alunos do 8º ano da Escola Municipal Maria
de Lourdes Pinheiro Machado, Ilha Grande – PI, visto que o tema “alimentação saudável” faz
parte do conteúdo programático do currículo para essa série. Inicialmente foi aplicado um
questionário com seis perguntas diretas para os dezessete alunos da turma de 8º ano, afim de
levantarmos informações sobre seus costumes alimentares. Posteriormente, houve o momento
da intervenção através de palestras sobre os principais grupos de alimentos, consequências
dos bons e maus hábitos alimentares e os cuidados que devemos ter com os alimentos além da
promoção de atividades lúdicas como a montagem da pirâmide alimentar e confecção de
paineis. A partir da análise do questionário aplicado, baseado principalmente nos dados do
Ministério da Saúde, percebeu-se que os alunos em sua maioria não mantem uma prática
alimentar saudável, notável quando 82% dos alunos responderam que consomem refrigerante
pelo menos três vezes por semana, além de 53% responderem consumir legumes e verduras
duas ou menos vezes por semana. Esse projeto foi viável não somente por ampliar os
conhecimentos dos alunos em âmbitos social e escolar, mas também para percebemos os
pontos críticos que devem ser trabalhados, pois o ensino de ciências vinculado à escola deve
contribuir para que os alunos tenham uma formação de integridade pessoal e entendimento da
saúde com o valor social.

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XV Semana de Biologia e II Simpósio Regional de Diversidade Biológica – UESPI
ISBN: 978-85-8320-064-2 v.1, n.1, 2014

Palavras chave:ambiente escolar, pirâmide alimentar, hábitos saudáveis.

ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DE BEBEDOUROS DE ESCOLAS DO


MUNICÍPIO DE ALTOS-PI

Patrícia dos Reis Ferreira1, Felipe Xavier Soares1, Francisca Lúcia de Lima2

1- Discentes do Curso de Ciências Biológicas (CCN) Campus Poeta Torquato Neto da UESPI
2- Professora Associada II DE – CCN – UESPI

A água é um importante veículo de disseminação de micro-organismos patogênicos,


que tem o potencial de afetar a saúde e o bem estar dos seres vivos, incluindo os seres
humanos. Dentre estes, destacam-se as bactérias denominadas de coliformes totais e
coliformes termotolerantes, que quando encontrados sugerem contaminação fecal da água.
Assim este estudo teve como objetivo analisar e quantificar a possível presença desses micro-
organismos na água dos bebedouros de escolas no município de Altos PI, destinadas ao
consumo humano. Foram selecionadas três escolas da Rede Municipal do município de Altos-
PI e em cada escola foram realizadas duas coletas, totalizando seis amostras. A água foi
colhida de forma asséptica e levada sob refrigeração ao LABMICRO/GERATEC (CCN-
UESPI) onde ocorreu seu processamento. Utilizou-se o método de fermentação em tubos
múltiplos que determina o número mais provável (NMP) de bactérias coliformes totais e
fecais/100ml. Os resultados obtidos demonstram que as amostras encontram-se em condições
adequadas para o consumo humano, não apresentando níveis de contaminantes, com isso fica
constatado que estas escolas dispõem de água boa qualidade para o consumo.
Palavras-Chave: Micro-organismos, coliformes, contaminantes

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ISBN: 978-85-8320-064-2 v.1, n.1, 2014

A PRODUÇÃO ARTESANAL DE FARINHA NO BAIRRO DO BATE PAPO-


PINHEIRO/MA

Fabiana Mayara Seda Lobato1, Ana Patricia dos Santos Sodré2, Sandra Mara Pereira Araújo 3,
Wanderson Rodrigues Serrão4 e Suzanna de Sousa Silva5

1- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (may-seda@hotmail.com )


2- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (patryciasodre@hotmail.com )
3- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (mara.sandr@hotmail.com )
4- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro - bolsista PIBID
(wanderson_ser_2011@hotmail.com )
5- Orientadora: Profa. Ms. Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro
(suzannasousa@hotmail.com)

A farinha de mandioca, conhecida em todo Brasil é o principal produto da (Manihot


utilissima) macaxeira, também conhecida como maniveira, mandioca, aipim, etc. É rica em
cálcio, ferro e fósforo, fundamental na alimentação humana, sendo em algumas regiões a
principal fonte energética. As regiões Norte e Nordeste tem se destacado com as maiores
produtoras desse alimento. Além da farinha, a partir da mandioca é produzida a tapioca, o
polvilho, o bolo de macaxeira, etc. Dessa forma, a mandioca pode gerar oportunidade de
emprego com as vendas desses produtos alimentícios e renda para as famílias produtoras, que
em sua maioria são carentes. Nessa perspectiva, o objetivo deste trabalho é mostrar como
acontece à produção artesanal de farinha de mandioca buscando o uso sustentável da terra e
discutir como tal prática pode gerar renda as famílias produtoras. O estudo foi realizado na
cidade de Pinheiro, município do Maranhão, Brasil. Para realização deste trabalho foram
realizadas pesquisas bibliográficas e pesquisa de campo com visitas a “casas de farinha” e
conversas informais com famílias que produzem farinha. Este estudo mostrou, entre outros
fatos: a produção de farinha é feita de forma artesanal, sendo a mão de obra as pessoas da
própria família que se reúnem para fabricação do produto. Nem sempre a “casa de farinha”
pertence à família produtora de farinha e por isso a sua utilização é paga sempre com um
percentual, em média 10% da produção. Embora a farinha seja feita sem uso de recursos
tecnológicos, tal produção no Bairro do Bate Papo é pensada para que não haja erosões no
solo, levando- o a desnutrição. Nesse sentido, destacou-se a importância da agroecologia que

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vêm ganhando espaço como alternativa em direção ao desenvolvimento rural menos invasivo,
buscando um uso mais sustentável das terras e do meio ambiente.
Palavras-chave: agroecologia, mandioca, sustentabilidade

ARTROPODOFAUNA COLETADA NO CAMPUS HERÓIS DO JENIPAPO, UESPI,


CAMPO MAIOR-PI

Henrique José de Oliveira¹, Leila Jade dos Santos Mourão¹, Josiana Bandeira da Silva¹ e
Tatiana Gimenez Pinheiro²

1- Discentes do curso Licenciatura Plena em Ciências Biológicas Universidade Estadual do


Piauí-UESPI/Campo Maior-PI (henrique.bio22@gmail.com)
2- Docente do curso Licenciatura Plena em Ciências Biológicas Universidade Estadual do
Piauí-UESPI/Campo Maior-PI

Os Artrópodes compreendem o maior Filo dos animais invertebrados e sua


tremenda diversidade adaptativa permitiu-lhes sobreviver em todos os habitats; são talvez, de
todos os invasores do habitat terrestre os de maior êxito. O presente trabalho teve como
objetivo de estudo identificar possíveis Classes e Ordens de Artrópodes coletados no Campus
Heróis do Jenipapo da Universidade Estadual do Piauí-UESPI situada em Campo Maior-PI.
Os artrópodes foram coletados por meio de armadilhas de queda chamadas “Pitfall-Traps”; o
local de amostragem foi delimitado em 5m² com auxílio de estacas de madeira e barbante de
nylon, após isso cavou-se 07 buracos com auxílio de alavanca, com profundidade para caber
uma garrafa PET de 2Lt cortada, dentro das garrafas foi acrescentada uma mistura de
formalina à 5% e detergente líquido, para capturar e fixar os artrópodes. As armadilhas
permaneceram no local por 48h com monitoração diária, após esse tempo foram retiradas e
levadas para o Laboratório de Biologia do campus para fazer a limpeza do material coletado e
separação dos indivíduos que foram conservados em álcool 70% para identificação posterior.
Os espécimes conservados foram identificados com auxílio de lupa eletrônica até o nível
taxonômico de Ordem e apresentou-se o seguinte resultado: Classe Insecta obtivemos 67
indivíduos da Ordem Hymenoptera, 32 da Ordem Coleoptera, 12 da Ordem Diptera, 03 da
Ordem Hemipetra, subordem Heteroptera, 02 da Ordem Collembola e 01 indivíduo da Ordem
Mantodea. Da Classe Arachnida obtivemos apenas 10 indivíduos da Ordem Aranae. O estudo

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nos permite concluir que no Campus há uma maior diversidade de Artrópodes da Classe
Insecta, principalmente da Ordem Hymenoptera que tem como principais representantes as
formigas e abelhas.
Palavras-chave: Diversidade, Artrópodes, Armadilha Terrestre

ATIVIDADE PRÁTICA SOBRE SAÚDE BUCAL NO ENSINO DE CIÊNCIAS EM


UMA ESCOLA NA CIDADE DE PARNAÍBA/PI

Leila Maria Lima dos Santos, Ocivana Araújo Pereira, Maria Carvalho de Araújo, Geórgia de
Souza Tavares, Cinthia de Castro Cristovão

Os processos educativos geram conhecimentos válidos para a melhoria da qualidade


de vida das pessoas e a promoção de saúde é uma das possibilidades de atuação no âmbito
escolar, possibilitando o acesso de trabalhos educacionais voltados para os alunos. Cada vez
mais se nota a necessidade de transformações nas escolas, de fornecer informações e ela tem
sido considerada local propício para o desenvolvimento de programas de saúde, reunindo
crianças em faixas etárias aptas a uma maior aceitação de medidas educativas. O objetivo
deste trabalho foi promover a interação dos alunos do Ensino Fundamental em uma escola na
cidade de Parnaíba/PI, com alguns meios de promoção de saúde, especificamente a saúde
bucal. Foram utilizados materiais de higiene, modelos didáticos e palestras sobre o devido
assunto. Este foi um trabalho apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado I do Curso
de Biologia da Universidade Federal do Piauí, Campus de Parnaíba. Durante o projeto,
observou-se grande interesse por parte dos alunos através de indagações e curiosidades.
Dúvidas foram esclarecidas e percebeu-se a satisfação dos graduandos em relação ao tema
trabalhado. Assim, começamos a valorizar o trabalho com os alunos e percebemos que por
meio da nossa atuação, podemos mudar muitas realidades, ou pelo menos, reduzir diversos
problemas. O adolescente busca a construção de sua cidadania e deve envolver-se na busca de
soluções para os problemas que os acometem. Atividades como essa valorizam o percurso
acadêmico, pois, a teoria aliada à prática deve estar articulada para um melhor aprendizado.
Portanto, foi por meio dessa experiência que compreendemos a importância da prática, pois a
educação em saúde promove conhecimentos e previnem muitas doenças e problemas em
geral. Seria importante que as atividades desenvolvidas na escola envolvessem assuntos como

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esse, ampliando conhecimentos e trocas de informações com a finalidade de obter resultados


eficientes.
Palavras-chave: Ensino Fundamental; higiene; estágio supervisionado.

ATRIBUTOS DE HISTÓRIA DE VIDA DO (Bubalus bubalis bubalis) LINNAEUS, 1758


ENCONTRADO NA CIDADE DE PINHEIRO-MA

Lucenilda de Jesus Costa Ferraz1, Ana Patricia dos Santos Sodré2, José Carlito do Nascimento
Ferreira Júnior3, Fabiana Mayara Pereira Seda4, Roberto Ramos5

1- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro - bolsista PIBID


(lucenilda.ferraz@hotmail.com )
2- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (patryciasodre@hotmail.com )
3- Universidade Federal do Maranhão– UFMA/ Pinheiro– bolsista PIBIC
(carlitojunior11@gmail.com )
4- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (may-seda@hotmail.com )
5- Orientador: Prof. Ms. Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro
(roberto_ramos2003@ig.com.br )

Objetivo deste trabalho foi conhecer os atributos de história de vida dos búfalos da
raça Mediterrâneo, pois estes são encontrados frequentemente na cidade de Pinheiro-MA. A
metodologia utilizada para realização deste trabalho foi pesquisa bibliográfica, com leituras
de livros e artigos específicos e pesquisa de campo. Os atributos de história de vida abordam
aspectos como a idade de maturidade que está relacionada à primeira reprodução; a parição
que envolve o número de episódios de reprodução; a fecundidade que engloba números de
filhotes produzidos por episódio reprodutivo e longevidade que está relacionada à expectativa
de vida. A criação de búfalos teve inicio em 1960, vindos principalmente da Ilha de Marajó-
PA. A pesquisa indica que esses animais são Iteróparos, contam com vários eventos
reprodutivos na vida. Os bubalinos podem ser criados nas mais diversas condições climáticas,
apresentando-se como uma opção para o aproveitamento de áreas da propriedade às quais os
bovinos não se adaptam, fato que chama a atenção dos investidores do ramo. A preferência
por regiões alagadas ou áreas pantanosas é bastante peculiar para a espécie. Por essa razão, na
cidade de Pinheiro é muito comum encontrarmos esses animais pelos campos e outras áreas
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alagadas. Os búfalos atingem a maturidade sexual, em média, aos 4 anos de idade, podendo
procriar novamente após 400 a 450 dias. Seu período de gestação pode variar entre 9 a 10
meses. A idade indicada para que os búfalos comecem a receber cobertura é por volta dos 20
a 24 meses. Nessa espécie, em cada gestação nasce apenas um filhote, com o peso próximo a
40 kg. Verificou-se que esses animais não possuem predadores nesta região uma vez que não
estão no seu hábitat natural, mas um dos motivos que leva a migração desses animais é a
busca por água e alimento.
Palavras-chave: Búfalo, mediterrâneo, reprodução

AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO INICIAL DE Anacardium occidentale L. EM


RESPOSTA A DIFERENTES CONDIÇÕES DE LUMINOSIDADE.

Maria Cleane de Sousa Oliveira1, Narielle Ibiapina Reinaldo 1 e Carla Ledi Korndörfer1

1-Universidade Estadual do Piauí – UESPI/CAMPO MAIOR (calk1807@gmail.com)

O cajueiro (Anacardium occidentale L.) é de grande importância socioeconômica para


o semiárido Nordestino. O sombreamento promove níveis diferenciados de radiação e
temperatura, que podem influenciar na atividade fotossintética e, consequentemente, no
transporte e alocação de fotoassimilados nas plantas. O presente estudo teve como objetivo
avaliar o crescimento inicial do Cajueiro em diferentes condições de sombreamento. As
sementes foram desinfestadas com hipoclorito de sódio 1% e semeadas individualmente em
recipientes de cultivo com capacidade de 1L de areia de textura média, durante 95 dias. O
delineamento experimental foi totalmente casualizado, as plantas foram submetidas a três
tratamentos de luminosidade: 85% (T1), 50% (T2) e 0% (pleno sol, T0) de sombreamento
artificial (95 µmolm-2s-1, 660 µmolm-2s-1 e 1.200 µmolm-2s-1 de radiação máxima ao meio
dia, respectivamente), com 15 repetições, totalizando 45 unidades amostrais. Os parâmetros
avaliados foram: altura (A), diâmetro do caule (D), massa seca da raiz (R), massa seca da
parte aérea (PA), área foliar (AF) e as razões de crescimento A/D e PA/R. Os dados foram
analisados através de ANOVA e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade. As plântulas em T1 apresentaram maior estiolamento da parte aérea (A/D: 8.42
cm.cm-1 ± 0.4) e menor massa seca total (MT) (PA+ R = 3.38g ± 3.3), o contrário foi
observado para as plântulas T2 (A/D: 5.64 cm.cm-1 ± 0.21; MT: 7.18g ± 0.48) e T0 (A/D:

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3.46 cm.cm-1 ± 0.25; MT: 4.93g ± 0.32). Entretanto, não houve diferença significativa na
alocação de biomassa (PA/R) entre os três tratamentos e nem entre a AF em T1 (409.31cm2 ±
23.0) e T2 (468.40 cm2 ± 16.9), cujos valores foram superiores a T0. Os resultados
demonstraram que plântulas de Cajueiro cultivadas sob condições moderadas de
sombreamento acumulam mais biomassa, portanto crescem mais, do que quando cultivadas
no sol.
Palavras-chave: Cajueiro, Sombreamento, Alocação de biomassa.

AVALIAÇÃO DA CITOTOXICIDADE DA FOLHA DA Caesalpinia pyramidalis TUL.

Cleiane do Nascimento Monteiro 1, Maria Wlly da Silva Costa1, Francielle Alline Martins1,
Pedro Marcos de Almeida2

1-Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (cleannemonteiro@hotmail.com; wlly-


silva@hotmail.com.br; profafrancielle@yahoo.com)
2-Universidade Estadual do Piauí – CCS – UESPI (pedromarcosalmeida@yahoo.com)

A Caesalpinia pyramidalis Tul. (Fabaceae) é uma árvore endêmica do sertão


nordestino, popularmente conhecida por “Catingueira”, “Catinga de porco” ou “Pau-de-rato”.
É uma espécie bastante utilizada na medicina popular devido à atividade anti-inflamatória e
antioxidante da folha e casca do caule. Embora amplamente utilizada, estudos de avaliação
toxicológica da espécie ainda são insipientes. Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi
avaliar o efeito citotóxico do extrato aquoso foliar da Catingueira, por meio do bioensaio com
Allium cepa L. (cebola). Sementes de A. cepa foram germinadas e ao atingir 2 cm de
comprimento foram submetidas a diferentes concentrações do extrato foliar: T1 (2 mg/mL);
T2 (4 mg/mL); T3 (8 mg/mL) e T4 (16 mg/mL) por 24h, sendo a água destilada utilizada
como controle negativo. As raízes foram armazenadas no freezer em solução fixadora de
metanol: ácido acético (3:1) e preparações laminares foram realizadas por meio da reação de
Feulgen. Para cada tratamento, 1000 células foram avaliadas quanto ao índice mitótico
(citotoxidade). A análise estatística foi realizada pelo teste de Kruskal-Wallis, em nível de 5%
de significância. Os índices mitóticos médios de T1 (303,70); T2 (322,69); T3 (179,98) e T4
(480,73) não foram significativamente diferentes quando comparados com o CN (253,41). A

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partir dos resultados obtidos no presente estudo, observou-se que o extrato da folha da
Catingueira não foi citotóxico para as células meristemáticas de A. cepa. Embora o resultado
tenha sido favorável, o uso deste extrato na medicina popular deve ser realizado com cautela,
pois estudos posteriores como são necessários para avaliação de possíveis alterações
genotóxicas e mutagênicas.
Palavras-chave: Allium cepa, Catingueira, Toxicidade.

AVALIAÇÃO DA CITOTOXICIDADE DO RITIDOMA DE Caesalpinia pyramidalis


TUL.

Maria Wlly da Silva Costa¹, Cleanne do Nascimento Monteiro¹, Francielle Alline Martins²,
Pedro Marcos de Almeida3

1- Universidade Estadual do Piauí – UESPI/Teresina (wlly_silva@hotmail.com.br )


1- Universidade Estadual do Piauí – UESPI/Teresina (cleannemonteiro@hotmail.com )
2- Universidade Estadual do Piauí – UESPI/Teresina (profafrancielle@yahoo.com )
3- Universidade Estadual do Piauí – UESPI/Teresina (pedromarcosalmeida@yahoo.com)

A Caesalpinia pyramidalis (Fabaceae), popularmente conhecida por “Catingueira”


tem sido utilizada na medicina popular devido a atividade anti-inflamatória e antioxidante do
ritidoma, também conhecido como a casca do caule. No entanto, ainda não há estudos sobre
citotoxicidade da Catingueira. Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo avaliar o
efeito citotóxico do extrato aquoso da casca do caule da Catingueira, mediante o sistema-teste
Allium cepa L. (cebola). Sementes de A. cepa foram submetidas a diferentes tratamentos do
extrato: T1 (2 mg/mL); T2 (4 mg/mL); T3 (8 mg/mL) e T4 (16 mg/mL), utilizando como
controle negativo (CN) agua destilada. As raízes foram fixadas (3 metanol: 1 ácido acético) e
posteriormente as lâminas foram coradas pela reação de FEULGEN. Para cada tratamento,
foram analisadas 1000 células quanto ao índice mitótico (citotoxidade). A análise estatística
foi realizada mediante teste de Kruskal-Wallis, em nível de 5% de significância. As médias do
índice mitótico de T1 (87,79); T2 (82,30); T3 (82,15) e T4 (54,94) não foram
significativamente diferentes quando comparadas com o CN (135,97). A partir dos resultados
obtidos no presente estudo, conclui-se que o extrato da casca da Catingueira não provocou
citotoxicidade nas células meristemáticas de A. cepa. Considerando que o extrato é aplicado

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na medicina popular, é possível afirmar que o seu uso deve ser utilizado com cautela, pois
estudos mais abrangentes que visam avaliar possíveis alterações genotóxicas são necessários.
Palavras-chave: Allium cepa, Catingueira, Reação de Feulgen

DIVERSIDADES DE ARTRÓPODES COLETADOS EM UM LOCAL DE SOMBRA


NO CAMPUS HERÓIS DO JENIPAPO, CAMPO MAIOR - PI

Millyam Karem Mariano da Silva1, Antonia Delsivane Leite da Paz1, Aline Pereira do
Nascimento1, Juciara Ferreira1 e Tatiana Gimenez Pinheiro 2.

1- Discentes do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas – UESPI/Campo Maior-


PI (millyam2011@hotmail.com )
2- Docente do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas – UESPI/Campo Maior-PI

Os artrópodes constitui o filo com maior diversidade e abundância, com cerca de 80%
do Reino Animal, e também pode habitar praticamente todos os tipos de ambientes
conhecidos. O objetivo desse trabalho foi coletar, observar e identificar as várias espécies de
artrópodes no Campus Heróis do Jenipapo num local totalmente de sombra e ambiente úmido.
Foi utilizado o método da Armadilha de Queda (Pitfals), que consiste na captura do animal
sem que ele possa sair e que foram produzidas com garrafas PET transparentes de 2L. Os
artrópodes foram coletados em uma área de 5X5 m, com sete recipientes colocados em forma
de Y e com distância de 1m de cada, contendo uma solução com água, formol a 5% e
detergente. Depois de 2 dias foi feita a desmontagem das armadilhas e levadas para o
laboratório, para iniciar o processo de identificação dos espécimes. Já no laboratório, os
espécimes foram separados da solução de formol e mantidos no álcool 70%. Para a
identificação foram colocados em placa de Petri e observados na lupa para um resultado com
mais precisão. No fim da triagem e identificação foram encontrados 10 táxons do Filo
Arthropoda, com distribuição nas classes Insecta (Hymenoptera [65,08%], Orthoptera
[2,23%], Coleoptera [22,06%], Blattodea [0,27%], Heteroptera [0,27%], Diptera [3,07%] e
Hemiptera [1,95%]), Arachnida (Aranae [3,63%] e Acari [0,27%]) e Diplopoda (1,11%). E
também 1 táxon do Filo Chordata, da classe Amphibia, Ordem Anura. No período da coleta
houve pequenas chuvas, que talvez possa ter interferido na quantidade de indivíduos

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coletados. Após toda análise, pode-se observar que a classe Insecta foi mais abundante em
relação às outras. E com relação às ordens, a que mais teve indivíduos foi a Hymenoptera
(formigas), divididos em 4 morfoespécie, pois são frequente nos ecossistema e vários tipos de
habitat.
Palavras-chave: Pitfals, Insecta, Hymenoptera

DIVERSIDADE DE CHYTRIDIOMYCOTA E OOMYCOTA DO RIO PARNAÍBA,


NO PERÍMETRO URBANO DE TERESINA - PI.

Francynara Pontes Rocha¹ Leilane de Abreu Santos², José de Ribamar de Sousa Rocha³

1- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Teresina (francinarapontes@hotmail.com )


2- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Teresina (leilane90.santos@hotmail.com)
3- Universidades Federais do Piauí - CCN-UFPI (ribamar10@hotmail.com)

Este estudo teve como objetivo o conhecimento da diversidade de fungos zoospóricos,


bem como verificar a sazonalidade dos táxons encontrados nas estações seca e chuvosa,
relacionar a ocorrência e distribuição das espécies encontradas com as condições físicas da
água do “Rio Parnaíba”, localizada no município de Teresina, estado do Piauí, que representa
uma das principais bacias do estado com um importante papel socioeconômico. Em virtude da
intensa degradação que esse bioma vem sofrendo e da importância dos fungos zoospóricos,
existe a necessidade de estudos que permitam o crescimento do conhecimento da diversidade
e, principalmente, a compreensão da ecologia desses organismos. Para o levantamento da
micota zoospórica, coletas mensais de água e solo foram programadas durante oito meses,
quatro amostragens na estação seca e quatro na chuvosa, em seis pontos pré-determinados em
cada área, sendo as amostras processadas por meio da técnica de iscagem múltipla, em
laboratório, com substratos celulósicos, queratinosos e quitinosos, conforme metodologia
tradicional descrita em Milanez (1989). O isolamento das espécies de fungos zoospóricos, não
apresentou sazonalidade. A abundância total foi de 138 isolamentos, 25 táxons foram
identificados, sendo 15 pertencentes ao Reino Chromista, Filo Oomycota, e 10 ao Reino
Fungi, Filos Blastocladiomycota e Chytridiomycota. Os fatores abióticos não apresentaram
variação importante nas coletas. Em relação à quantidade de coliformes fecais pode-se
observar a quantidade grande contaminação fecal da água em sete coletas. Esta concentração

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de Coliformes termotolerantes nas águas serem indicador da existência de possíveis


microorganismos patogênicos que são responsáveis pela transmissão de doenças pelo uso ou
ingestão da água.
Palavras-chave: Chytridiomycota, Oomycota,Diversidade, rio Parnaíba

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CIÊNCIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIAS DA


PRÁTICA DOCENTE

Clesiane Alves Veras¹, Fernanda Francielle da Silva Cardoso¹, Tatiana Gimenez Pinheiro².

1- Discentes do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas - Universidade Estadual


do Piauí-UESPI/Campo Maior-PI. (clesiannealves2@hotmail.com )
2- Docente do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas - Universidade Estadual
do Piauí-UESPI/Campo Maior-PI

Nos dias atuais a maioria dos docentes detém-se apenas ao livro didático, ministrando
apenas o básico, caindo na mesmice. O estágio é percebido como uma atividade teórico-
prática de reflexão e transformação da realidade. O presente estudo objetiva relatar a
experiência da Prática Docente de Ciências na Unidade Escolar Jose Olímpio da Paz em
Campo Maior – PI, por meio de uma descrição sobre o visto na mesma e os resultados
obtidos, o mesmo aconteceu no período do dia 18 de março de 2014 a 02 de junho de 2014, as
turmas trabalhadas foram 6º, 7º e 8º ano, sendo ministradas 09 aulas semanais, totalizando
100 horas, onde 50 horas foram em classe e 50 horas para preparação das aulas e instrumentos
a serem utilizados nas mesmas. Foram enfrentadas algumas dificuldades, pois as salas de
aulas são pequenas e há superlotação (7º ano, 35 alunos e 8º ano 25), dificultando o controle
dos alunos. Percebeu-se uma desmotivação na equipe da referida unidade, no entanto, o
professor desmotivado afirma que isso se acarreta a uma má remuneração paga pelo governo,
resultando na insuficiência de tempo para dedicar-se, pois para ressarcir ao mau salário esses
educadores passam a se sobrecarregar ministrando aulas nos três turnos, realizando assim um
trabalho ineficaz, improdutivo, dessa forma tornam-se incapazes de abordar aulas
diferenciadas caindo na rotina, desse modo contribuindo para o fracasso dos educandos que
na maioria dos casos já são desmotivado por não possuírem um acompanhamento da família

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na escola, resultando na deficiência na aprendizagem, e quando alguns se sobressaem, apenas


memorizam o conteúdo. Observou-se que para os professores e até pais, os alunos são os
vilões da educação, no entanto se olharmos com atenção eles não passam de vítimas, pois a
escola frisa o mau comportamento desse alunado, porém, os mesmos não buscam alternativas
para transformá-los.
Palavras chaves: Estágio Supervisionado, Alunos, Desmotivação.

ESTRUTURA DA COMUNIDADE DE NINFAS DA ORDEM EPHEMEROPTERA


NO TRECHO MÉDIO DO RIO ITAPECURU E ALGUNS TRIBUTÁRIOS NO
MUNICÍPIO DE CAXIAS – MARANHÃO

Laiane Jancielly de Souza Silva1, Gleison Robson Desidério Gomes2, Carlos Augusto Silva de
Azevêdo3

1- Universidade Estadual do Maranhão – UEMA/Caxias (ljancielly@gmail.com)


2- Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA (gleison.gomes@inpa.gov.br)
3- Universidade Estadual do Maranhão – UEMA/Caxias (casazevedo@yahoo.com.br)

No presente estudo objetivamos inventariar e verificar a riqueza, diversidade da ordem


Ephemeroptera no trecho médio do Rio Itapecuru e alguns afluentes no Município de Caxias-
Maranhão. As coletas foram realizadas entre os meses de dezembro de 2013 à março de 2014,
referente ao período de seca. Em cada igarapé, foi amostrada uma seção de 50m, dividida em
cinco pontos, com 10m cada. Os espécimes foram coletados com auxilio de rede
entomológica em D (rapiché) e catação manual nos substratos folhas, troncos e raízes
submersas na correnteza, e macrófitas, em áreas de correnteza ou remanso. As ninfas
coletadas foram fixadas em álcool etílico 80%, triadas em laboratório sob Estereomicroscópio
e identificadas ao nível de gênero com auxilio de chaves dicotômicas. Foi coletado um total
de 836 espécimes de Ephemeroptera, sendo o Igarapé Seixo com 332 espécimes foi o mais
abundante, em contrapartida no igarapé Ponte foram registrados apenas 71 espécimes.
Registrou-se 25 gêneros distribuídos em cinco famílias. Farrodes Peters, 1971, foi o gênero
dominante neste estudo. A maior riqueza e diversidade em gêneros nos corpos d`água
amostrados pertencem à família Leptophlebiidae e a menor riqueza e diversidade em gêneros
para a família Leptohyphidae. Através deste estudo fornecemos informações taxonômicas e

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ecológicas até o momento incipientes sobre a ordem Ephemeroptera em cursos d’água


pertencentes a bacia do Rio Itapecuru.
Palavras-chave: Farrodes, Igarapés, Ninfas
Financiamento: UEMA

ESTUDO DAS MACROALGAS BENTÔNICAS DA PRAIA DA PEDRA DO SAL,


PARNAÍBA, PIAUÍ

Tuany Kelly Correia de Assis ¹, Maria Helena Alves ²

1- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (tuany.kelly@gmail.com )


2- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (malves@ufpi.edu.br )

As macroalgas ou algas macroscópicas são termos que designam a parcela de


organismos genericamente chamados de algas, que apresentam dimensões visíveis a olho
nu com formas bastante diversificadas. As algas marinhas bentônicas estão divididas em
três filos: Chlorophyta, Heteronkontophyta (Phaeophyta) e Rhodophyta. O presente estudo
visou complementar o levantamento taxonômico da flora ficológica marinha no litoral do
Piauí, com ênfase na praia da Pedra do Sal, situada a 15 quilômetros da sede do município
de Parnaíba-PI. As coletas foram realizadas no período de novembro de 2013 a fevereiro
de 2014, segundo a metodologia rotineira na qual é realizada durante o período de maré
baixa retirando as macroalgas dos afloramentos rochosos com auxílio de estiletes e
posteriormente armazenando-as em vidros ou sacos escuros com solução de Transeau
[6(H2O):3 (Álcool a 70%):1 (Formalina a 40%)] ou formalina a 4%. Cada amostra,
composta de cinco exemplares, foi prensada com sua respectiva ficha de campo e
posteriormente herborizada. A identificação baseou-se nos estudos da morfologia externa e
interna, além da comparação com outros trabalhos da área. Foram identificados 16 táxons
distribuídos entre Rhodophyta (10), Heteronkontophyta (1) e Chlorophyta (5). Observando
a literatura contatou-se que os táxons Cladophora vagabunda (L.) C. Hoek, Acanthophora
spicifera (Vahl) Børgesen, Hypnea musciformis (Wulfen in Jacquim) J.V Lamour, H.
spinella (C. Agardh) Kütz, Bryothaminion seaforthii (Tuner) Kütz, Ulva fasciata Delile e
Ceramium brasiliense A. B. Joly, presentes em outras praias do litoral piauiense, foram

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confirmados também para a Praia da Pedra do Sal. Enquanto os táxons: Cladophora


prolifera (Roth) Kützing, Rhizoclonium africanum Kütz, Bostrychia tenella (J. V. Lamour)
J Agardh, Corallina officinalis L. e Cryptonemia seminervis (C. Agardh) J. Agardh são
novas citações para a área. Os resultados demonstram que o número de táxons encontrado
é relevante e vêem contribuir para o melhor conhecimento e divulgação da ficoflora
piauiense.
Palavras chave: levantamento ficológico, macroalgas, litoral do Piauí.

DIVERSIDADE DA FAMÍLIA COMBRETACEAE R. BR. NO ESTADO DO PIAUÍ

Cícero Quirino da Silva Neto 1, Silvia Maria Colturato Barbeiro 2

1- Universidade Estadual do Piauí – UESPI/THE (cquirino07@hotmail.com)


2- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (sbarbeiro@yahoo.com)

A família Combretaceae R. Br. possui distribuição Pantropical ocorrendo em


ambientes quentes de todos os continentes, apresentando entre 400 e 500 espécies distribuídas
em 20 gêneros. No Brasil, ocorrem aproximadamente 64 espécies, com 14 endêmicas,
distribuídas em cinco gêneros nativos, mas não endêmicos. O objetivo desse trabalho é
apresentar o levantamento e a distribuição das espécies pertencentes à família Combretaceae
R. Br. no Piauí. O levantamento foi feito através das informações contidas nos registros de 29
herbários e bibliografia especializada. Foi encontrado um total de 879 registros, com 78% dos
espécimes identificados ao nível específico, 19% ao nível de gênero, apenas 3% ao nível de
família e pertencentes a 25 espécies distribuídas em cinco gêneros. Os gêneros mais
representativos em número de espécies foram Combretum Loefl. e Terminalia L. com nove
espécies cada e Buchenavia Eichler (cinco). A maior diversidade de espécies está concentrada
na região setentrional deste Estado, em unidade de planejamento Ecotonal. As espécies com
maior distribuição foram Combretum leprosum Mart., Combretum mellifluum Eichler e
Terminalia fagifolia Mat., em 33, 29 e 23 municípios, respectivamente, enquanto que
Buchenavia oxycarpa (Mart.) Eichler, B. suaveolens Eichler, Combretum discolor Taub., C.
duarteanum Cambess., C. pisonioides Taub., Terminalia. amazonia (J.F. Gmel.) Exell, T.
catappa L., T. lucida Hoffmanns. ex Mart. ocorreram em apenas um município cada. Os

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Municípios que mais se destacaram em diversidade de espécies foram Teresina com 11 e


Amarante com nove. Através de informações obtidas neste trabalho, foi possível ampliar a
distribuição de algumas espécies para o Brasil. Dessa forma, acredita-se que este estudo tenha
contribuído para o maior conhecimento tanto da diversidade quanto da distribuição das
espécies da família Combretaceae no Piauí, tendo em vista a escassez de estudos relacionados
a levantamentos florísticos neste Estado, quer da flora total quer de um único grupo.
Palavras Chaves: Combretaceae, Levantamento , Distribuição.

GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE Cochlospermum regium (SCHRANK) PILGER


(BIXACEAE) EM UMA ÁREA DE CERRADO NO PIAUÍ.

Cleidinea de Sousa Carvalho¹, Lucas Oliveira Braga¹ e Conceição Prado de Oliveira¹

1 - Universidade Federal do Piauí – CCN - UFPI

Este estudo teve como objetivo gerar conhecimentos sobre a germinação de sementes
de Cochlospermum regium, ocorrente em área de cerrado sensu stricto de um ecótono
localizado no Eco Resort Nazareth, município de José de Freitas, PI. Foram coletados frutos
maduros de C. regium em estado de deiscência, a cada quinze dias, entre os meses de agosto e
setembro de 2009. Os testes de germinação foram realizados sob condições de laboratório (26
± 2 ºC e 60% de umidade) em placas de Petri de 9 cm forradas com dupla camada (uma de
algodão e outra de papel de filtro) e umedecidas com água destilada. Foram aplicados seis
tratamentos com quatro repetições cada (escarificação com lixa de madeira 3M, escarificação
com ácido sulfúrico por 120 min e pré-embebição em água destilada durante 24h) e deixados
sob luz contínua e outro lote foi deixado no escuro. Os resultados obtidos mostraram que as
sementes de C. regium apresentaram maiores porcentagens de germinação ao serem
escarificadas com lixa (71,3%) tanto em luz contínua como no escuro. Isso significa que o
tratamento com escarificação com lixa foi eficiente na quebra de dormência e que a semente
de C. regium germina tanto no escuro como no claro. Todo o experimento foi repetido em
2010 e obtivemos os mesmos resultados.
Palavras-chave: Fotoblastismo, Viabilidade, dormência, armazenamento

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LEVANTAMENTO DE ERVAS MEDICINAIS DOS QUINTAIS DO CONJUNTO


IPASE NA CIDADE DE CAMPO MAIOR – PI.

Iraquely Pereira dos Santos1, Audilene Rufino Soares1, Fernanda Ribeiro 1, Marilene Gomes
de Carvalho1, Maria Pessoa da Silva².

1- Graduandas em Ciências Biológicas/ UESPI – Campo Maior – PI.


2- Departamento de Ciências Biológicas/ Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente,
Universidade Estadual do Piauí (UESPI).

É comum o cultivo de ervas medicinais nos quintais das residências dos agricultores,
pois uma das partes das plantas possuem substâncias que quando ingerida por pessoas ou
animais tem função de recuperação da saúde. Campo Maior (04º 49’ 40” S e 42º 10’ 07” W)
localizado no Estado do Piauí, numa área de transição entre Caatinga e Cerrado, com
predominância de Cerrado. O objetivo deste trabalho foi identificar as espécies de ervas
medicinais cultivadas nos Quintais do Conjunto Ipase, no Bairro São Luiz em Campo Maior -
PI, bem como o conhecimento dos moradores sobre seu uso. Foram notificadas 20 casas
existentes no conjunto. Para realizar o trabalho aplicou – se uma entrevista com 18 moradores
do Bairro, a qual foi baseada em um questionário sobre espécies que cultivavam em quintais.
A maioria dos entrevistados com faixa etária a partir dos 50 anos e 13 destes foram mulheres.
As ervas encontradas foram: (erva-cidreira) Lippia alba (Mill.) N. E. Br, (hortelã) (Mentha x
villosa Huds), (boldo) Plectranthus barbatus Andrews, (noni) Morinda citrifolia L., (babosa)
Aloe vera (L.) Burm. f., (vick) Mentha arvensis L., (romã) Punica granatum L., (folha-santa)
Bryophyllum pinnatum (Lam.) Oken, (mastruz) Chenopodium ambrosioides L. Observou - se
que cada morador tem pelo menos 2 (duas) espécies de ervas em seus quintais, pois acreditam
no poder de cura das mesmas. As mais cultivadas são boldo (P. barbatus), erva-cidreira (L.
alba) e folha-santa (B. pinnatum), as partes das plantas mais utilizadas são as folhas, no
preparo de chá decocto, para aliviar principalmente dores de barriga, gripe, além de ser um
calmante natural. Este estudo confirmou a importância dos conhecimentos etnobotânicos,
principalmente nas questões medicinais, favorecendo um aprendizado que as pessoas idosas
levam com elas cultivando os costumes tradicionais.
Palavras chaves: Espécies, Questionário, Conhecimento dos moradores.

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LEVANTAMENTO DE ORCHIDACEAE DE UMA PORÇÃO DA BAIXADA


MARANHENSE

Luanda Cristina Rodrigues Gomes1, José Carlito do Nascimento Junior2, Lucenilda de Jesus
Costa Ferraz3, Wanderson Rodrigues Serrão 4 e Alessandro Wagner Coelho Ferreira5

1- Universidade Federal do Maranhão – bolsista PIBID – Curso de Licenciatura em Ciências


Naturais, Biologia – UFMA – Campus de Pinheiro (luandagirl@hotmail.com)
2- Universidade Federal do Maranhão – bolsista PIBIC – Curso de Licenciatura em Ciências
Naturais, Biologia - UFMA – Campus de Pinheiro (carlitojunior11@gmail.com)
3-Universidade Federal do Maranhão – bolsista PIBID – Curso de Licenciatura em Ciências
Naturais, Biologia - UFMA – Campus de Pinheiro (lucenilda.ferraz@hotmail.com)
4- Universidade Federal do Maranhão – bolsista PIBID – Curso de Licenciatura em Ciências
Naturais, Biologia - UFMA – Campus de Pinheiro (wanderson_ser_2011@hotmail.com)
5- Universidade Federal do Maranhão - Prof.Dr./ Orientador – Curso de Licenciatura em
Ciências Naturais, Biologia – UFMA – Campus de Pinheiro (alessandrowcf@yahoo.com.br)

O objetivo desse estudo foi registrar as espécies de Orchidaceae de uma porção da


Baixada Maranhense (Amazônia Legal), notável por sua rica Biodiversidade, porém
ameaçada pelas atividades humanas. Os municípios estudados foram: Pinheiro, Pedro do
Rosário, Presidente Sarney e Cururupu. De agosto de 2010 a maio de 2014, em média a cada
20 dias, foram feitas as pesquisas em campo. A coleta de dados foi aleatória, sendo os
fragmentos florestais percorridos no maior número de pontos possíveis. Binóculos e máquina
fotográfica auxiliaram na localização das orquídeas e a identificação foi realizada com auxilio
de literatura especializada. Foram encontradas na região de estudo, 30 táxons de Orchidaceae,
distribuídos em 21 gêneros. Os gêneros com maior número de espécies foram: Epidendrum (3
spp.), Polystachya (3 spp.), Campylocentrum (2 spp.), Catasetum (2 spp.) e Notylia (2 spp.).
Ornithocephalus cujetifolia Barb.Rodr. foi registrado pela primeira vez no Maranhão. Dessas
espécies, 28 são epífitas (93%) e duas terrícolas (7%). A maioria dessas espécies estava em
áreas mais preservadas e úmidas (cursos de água) e onde os animais criados pela comunidade
não chegavam. Nas áreas antropizadas, apenas nos bosques com mangueiras com mais de dez
anos de idade (Mangifera indica L. - Anacardiaceae) foram observadas mais espécies de
Orchidaceae. Conclui-se que esse número limitado de espécies e indivíduos seja reflexo das
seguidas gerações de atividade agropecuárias, que transformaram a maior parte dessa área em

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capoeiras com diferentes fases de regeneração. Apenas as espécies de orquídeas com ciclo de
vida mais precoce e que ainda tinham contato com seus polinizadores naturais é que tenderam
a resistir nesse local. É urgente a tomada de medidas de preservação, uma vez que de um ano
para outro, cada vez mais o desmatamento tem diminuído a riqueza de espécies dessa região.
Palavras-chaves: Florística, Orquídeas, Amazônia Legal
Financiamento: CNPq

LEVANTAMENTO DAS ESPÉCIES DE PLANTAS ALIMENTÍCIAS EM QUINTAIS


DO BAIRRO PARQUE ESTRELA, CAMPO MAIOR/PI.

Francisco Romário Martins da Silva1 ; Jordana de Oliveira Rocha1 ; José Rodrigues de


Almeida Neto2e Maria Pessoa da Silva3

1– Universidade Estadual do Piauí – UESPI/ Campo Maior (romariocrvg01@gmail.com)


2– Universidade Federal do Piauí – UFPI/ Teresina (almeidanetobio@hotmail.com)
3– Universidade Estadual do Piauí – UESPI/ Campo Maior (cruzinhabio@yahoo.com.br)

Etnobotânica é a ciência que estuda as interações entre sociedades humanas com as


plantas. Campo Maior é localizada a 04º 49’40”(S) e 42º 10’08” (W) ao Norte do Estado do
Piauí e apresenta 45.180 habitantes, sua vegetação é de transição entre Caatinga e Cerrado,
com predominância de Cerrado. Objetivou-se conhecer as plantas alocadas na categoria de
uso alimentícioencontradas em quintais do bairro Parque Estrela. Para a coleta de dados foi
utilizado à técnica de lista livre discriminando dados primários dos moradores como: gênero,
idade e informações relevantes sobre usos alimentares destas plantas. Entrevistas foram
realizadas com 30 moradores do bairro, o mesmo possui 280 famílias. Catalogou-se as
seguintes plantas: Carica papaya L. (mamão); Psidium guajavaL. (goiaba); Malpighia glabra
L.(acerola); Spondias tuberosa Arr. Cam (Imbu); Passiflora edulis Deg. (maracujá);
Capsicum annuum L. (pimenta malagueta); Citrus spp. (laranja); Citrus limon(L.) Burm. f.
(limão);Mentha x villosa Huds (hortelã); Cocos nucifera L. (coco);Zea mays (milho);
Hibiscus esculentus L. (quiabo); Anarcadium occidentale L. (caju); Mangifera indica L.
(manga). As plantas alimentícias listadas pelos entrevistados também possuem múltiplos usos.
Observou-se que o maior conhecimento sobre as maneiras de uso das plantas encontradas nos
quintais foi do gênero feminino (70%), e nas quais utilizavam os frutos na forma de suco ou

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in natura, o gênero masculino (30%) informaram algumas espécies usadas como forrageiras:
Spondias tuberosa Arr. Cam (Imbu), Anarcadium occidentale L. (caju), Zea mays (milho).
Portanto, percebe-se que os usos atribuídos pelos entrevistados são oriundos de uma cultura
tradicional, já que parte dos moradores do bairro residia em zonas rurais com costumes e
conhecimentos adquiridos de seus pais e parentes.
Palavras-chave: Etnobotânica; Formas de uso; Alimentação

LEVANTAMENTO DO CULTIVO E USO DE PLANTAS MEDICINAIS NO


CONJUNTO RENASCER II - CAMPO MAIOR – PI

Rizane Maria de Andrade Silva1*; Maria Cleane de Sousa Oliveira1; Maria Mikaeli Rodrigues
de Sousa1; Maria Pessoa da Silva2.

1- Graduando em Ciências Biológicas/UESPI – Campo Maior – PI.


2- Departamento de Ciências Biológicas/Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente,
Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
*e-mail para correspondência: rizaneandrade@gmail.com

Na cura ou prevenção de enfermidades são utilizadas plantas medicinais desde a


antiguidade. Muitos fatores contribuem para essa prática, dentre eles os altos custos de
medicamentos farmacêuticos e o difícil acesso da população a atendimentos médicos. Este
conhecimento, vem sendo passado de geração à geração. Mesmo com os grandes avanços da
medicina, muitas pessoas ainda utilizam essas plantas para tratamento de algumas
enfermidades. Objetivou-se realizar um levantamento de plantas medicinais cultivadas por
moradores do Conjunto Renascer II, em Campo Maior - PI, afim de conhecer seus benefícios
para cura de doenças. Foi aplicado um questionário semiestruturado junto aos moradores, com
uma amostragem de 50%, 125 casas escolhidas aleatoriamente e visitadas. Na oportunidade
da aplicação do referido questionário, abordou-se: plantas cultivadas, uso, a parte usada e a
forma de consumo da mesma. Mediante os resultados, foram observados que dentre as 125
casas visitadas apenas 14 cultivavam algum tipo de planta medicinal. Foram encontradas
apenas 09 espécies: hortelã (Mentha x villosa Huds), malva-do-reino (Plechtranthus
amboinicus (Lour.) Spreng.), erva-cidreira (Lippia alba (Mill.) N. E. Br), boldo
(Plechtranthus barbatus Andrews), vick (Mentha arvensis L.), mastruz (Chenopodium

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ambrosioides L.), capim-santo (Cymbopogon citratus (DC.) Staph), folha-santa (Bryophyllum


pinnatum (Lam.) Oken) e manjericão (Ocimum gratissimum L.). Com base nos dados, afirma-
se que essas plantas são utilizadas no tratamento de diversas doenças: gripe, pressão
alta/baixa, inflamação no fígado e dores gastrointestinais. A parte mais utilizada são as folhas,
as quais são consumidas na forma de chá de decocto, lambedor, tintura e sumo. Esse estudo
mostra um dos fatores que favorecem a pouca quantidade de ervas encontradas, a falta de
estrutura nos quintais, bairro recém construído e pouco tempo de estadia dos moradores no
local. Mesmo com essas dificuldades alguns moradores cultivam essas ervas, pois são
importante para saúde, indicando assim que os costumes tradicionais ainda são cultivados.
Palavras- chaves: Fitoterapia, Conjunto residencial, Forma de uso.

LEVANTAMENTO DE RÉPTEIS ENCONTRADOS NO PROGRAMA DE


MONITORAMENTO DE FAUNA NO PARQUE LAGOAS DO NORTE, TERESINA –
PI.

Cleiciane Maria de Oliveira1, Darlesson Geovani dos Santos Sousa1, Vanessa Cristina
Moreira de Souza1, Frankly Rodrigues Faria Sobral2.

1- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (cleiciane-oliveira@hotmail.com)


2- Universidade Federal do Piauí – CCA – UFPI (franklyrodrigues@gmail.com)

O Parque Lagoas do Norte fica localizado no bairro Matadouro, zona norte de


Teresina, é um dos principais centros turísticos da cidade atraindo centenas de pessoas
mensalmente. Programas de monitoramento devem ser realizados nestes locais tendo em vista
a extrema importância de se conhecer a fauna destas áreas para que se criem projetos e
programas de preservação, é necessário saber que tipo de organismos habita neste local para
que se conheça a biodiversidade e as relações ecológicas que são traçadas pelas espécies ali
viventes, mas é importante realizar uma seleção de que grupo será inventariado, já que em
uma única pesquisa não se pode conhecer toda a riqueza faunística de um ecossistema.
Com o intuito de resgatar a fauna selvagem encontrada durante a construção do mesmo, o
trabalho foi supervisionado por biólogos e veterinários e os dados coletados foram registrados
pelos componentes do projeto, para o levantamento de répteis foram utilizados equipamentos

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de contenção física como ganchos, pinção herpetológico e laço de lutz e os animais


encontrados foram contidos, identificados e devolvidos à natureza. Foram encontrados 28
exemplares de répteis pertencentes à ordem Squamata, totalizando 67,84 % das espécies
encontradas e ordem Chelonia representandos por 32,16 % das espécies. Dos representantes
da ordem Squamata foram encontrados espécies de 3 famílias, Columbridae (32,14%),
Iguanidae (21,42%) e Boidae (14,28%), e da ordem Chelonia só foi encontrado uma única
espécies, Phrynops geoffroanus representando o percentual total da ordem. O estudo permitiu
concluir que a área onde foi realizado o monitoramento apresentou uma diversidade
significativa de répteis, assim como de outros animais, confirmando que estes trabalhos são
essenciais para salvar inúmeras espécies de animais que habitam fragmentos de mata em áreas
urbanas.
Palavras-chave: Preservação, Squamata, Ecossitema

LEVANTAMENTO ETNOBOTÂNICO DAS ESPÉCIES UTILIZADAS PARA FINS


MEDICINAIS NO BAIRRO RENASCER I DA CIDADE DE CAMPO MAIOR- PI

Erimara Katiana Leocádia de Oliveira¹, Natália Lúcia de Oliveira¹, Katia Carvalho de


Oliveira¹, Maria Josimeire Oliveira Cantuario¹ e Maria Pessoa da Silva².

1- Graduandos em Ciências Biológicas/ UESPI – Campo Maior – PI.


(erimara.oliveira@gmail.com)
2- Departamento de Ciências Biológicas/ Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente,
Universidade Estadual do Piauí (UESPI).

O uso de plantas medicinais é uma prática comum em determinadas comunidades,


portanto a preservação da sabedoria popular é importante como uma forma de proteger esse
conhecimento. Objetivou-se realizar o levantamento etnobotânico das espécies utilizadas para
fins medicinais no conjunto Renascer I, situado no Bairro Renascer, cidade de Campo Maior
– PI. à 84 km da capital. Foram coletados dados referentes ao conhecimento e uso dessas
plantas por meio de entrevista semiestruturada a 150 moradores (50% do número total), com
faixa etária entre 30 e 60 anos de idade. As plantas foram fotografadas e identificadas. Foram
encontradas 18 espécies de plantas medicinais: Aloe vera (babosa); Capsicum frutensens.

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(pimenta malagueta); Chenopodium ambrosioides (mastruz); Citrus aurantium (laranjeira);


Citrus limon (limão); Cymbopogon citratus (capim de cheiro); Echites macrocalix (folha
santa); Alternanthera brasiliana (penicilina); Lippia alba (erva cidreira); Mentha arvensis
(vick); Mentha piperita (hortelã); Morinda citrifolia (noni); Ocimum basilicum
(manjericão); Plectranthus barbatus (boldo); Phyllanthus niruri. (quebra pedra);
Plectranthus amboinicus (malva do reino); Psidium guajava (goiabeira); Punica granatum.
(romã). Dentre as quais as mais cultivadas pelos moradores são: Lippia alba, Plectranthus
barbatus e Chenopodium ambrosioides devido ao seu uso ser atribuído à cura de diversas
doenças como: enxaqueca, dor de cabeça, controle de pressão arterial, febre, problemas
gastrointestinais, gripe e mal estar. A forma de preparo mais utilizada é o chá e lambedor.
29% dos entrevistados cultivam pelo menos uma das espécies descritas. Conclui-se que a
prática relacionada ao uso popular de plantas medicinais é, muitas vezes, o que a comunidade
tem como alternativa viável para o tratamento de doenças ou manutenção da saúde.
Palavras-chave: plantas medicinais, etnobotânica, práticas populares, saúde

LISTA PRELIMINAR DAS HEPÁTICAS (MARCHANTIOPHYTA) DO ESTADO DO


PIAUÍ, BRASIL

Rafael Bruno Ribeiro Melo 1, Fabíola da Silva Santos1, Géssica Maria Gomes do Nascimento 1,
João Wanderson Pereira Oliveira¹, Hermeson Cassiano de Oliveira 2

1- Alunos do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do


Piauí-UESPI, Campo Maior – PI
2- Professor Doutor do Curso Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual
do Piauí-UESPI, Campo Maior – PI (hermeson123@gmail.com)

As hepáticas são briófitas pertencentes à divisão Marchantiophyta, a qual apresenta


espécies talosas e folhosas. Além da ausência de tecidos de condução, as hepáticas não
possuem estômatos, por isso são consideradas as plantas mais simples da Terra. O estado do
Piauí está situado numa área de tensão ecológica, com vegetação de transição ou de ecótonos,
sofrendo influência de três províncias florísticas: a Floresta Amazônica, os Cerrados e as
Caatingas. Devido à elevada heterogeneidade espacial e ambiental, a cobertura vegetal do
Piauí apresenta-se como um complexo mosaico de tipos vegetacionais que vão desde os mais

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secos, como as caatingas, distribuídas a leste e sudeste; passando pelos carrascos em sua parte
central e nordeste; seguidos dos cerrados em sua porção centro-norte e sudoeste, até os mais
úmidos, como as matas de babaçuais e florestas estacionais semidecíduas instaladas nos
limites dos estados do Piauí e Maranhão e nas depressões da bacia do Parnaíba. O presente
trabalho faz parte do projeto que objetiva realizar o levantamento da brioflora do estado do
Piauí. Os resultados foram obtidos através de consulta ao herbário Maria Eneyda P. K.
Fidalgo (SP) do Instituto de Botânica de São Paulo, além de consulta à literatura especializada
e identificação de amostras coletadas em diferentes localidades. No total, são listadas sete
espécies distribuídas em cinco famílias e cinco gêneros. Destas, Cyathodium cavernarum
Kunze é referida pela primeira vez para o estado do Piauí. O substrato mais colonizado pelas
hepáticas ocorrentes no Piauí foi rupícolo (56%), seguido de terrícolo (36%) e casmófito
(8%). A diversidade de hepáticas nos mosaicos vegetacionais do estado do Piauí é evidente
nos resultados preliminares, o que justifica a continuidade dos estudos para a obtenção da real
brioflora do estado.
Palavras-chave: Briófitas, Caatinga, Cerrado, Florística

LISTA PRELIMINAR DE MUSGO ( BRYOPHYTA) DO ESTADO DO PIAUÍ, BRASIL

Audilene Rufino Soares1, Fabíola da Silva Santos1, Géssica Maria Gomes do Nascimento 1,
João Wanderson Pereira Oliveira1, Hermeson Cassiano de Oliveira2

1- Alunos do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do


Piauí-UESPI, Campo Maior – PI
2- Professor Doutor do Curso Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual
do Piauí-UESPI, Campo Maior – PI (hermeson123@gmail.com)

As briófitas são plantas de pequeno porte, avasculares e com estruturas relativamente


simples. Habitam os mais variados substratos, com preferência a locais úmidos e sombreados.
São representadas por três divisões - Bryophyta (musgos), Marchantiophyta (hepáticas) e
Anthocerotophyta (antóceros). O presente trabalho faz parte do projeto que objetiva realizar o
levantamento da brioflora de musgos do estado do Piauí, o qual está situado entre 2º 44' 49" e
10º 55' 05" de latitude sul e entre 40º 22' 12" e 45º 59' 42" de longitude oeste. O estado
encontra-se numa área de tensão ecológica, com vegetação de transição, sofrendo influência

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de três províncias florísticas: a Floresta Amazônica, os Cerrados e as Caatingas. Devido à


elevada heterogeneidade espacial e ambiental, a cobertura do Piauí apresenta-se como um
complexo mosaico de tipos vegetacionais que vão desde os mais secos, como as caatingas,
distribuídas a leste e sudeste; passando pelos carrascos em sua parte central e nordeste;
seguidos dos cerrados em sua porção centro-norte e sudoeste, até os mais úmidos, como as
matas de babaçuais e florestas estacionais semidecíduas instaladas nos limites dos estados do
Piauí e Maranhão. Os resultados foram obtidos através de consulta ao herbário Maria Eneyda
P. K. Fidalgo (SP) Instituto de Botânica de São Paulo, literatura e identificação de amostras
coletadas em diferentes localidades. No total são listadas 64 musgos, distribuídos em 17
famílias e 29 gêneros. Dentre os musgos, Trichostomum brachydontium (Bruch), T.
termitarum (Müll, Hal.) R. H. Zander e T. exulatum R.H. Zander, são novas ocorrências para
o estado do Piauí, sendo a última, novo registro para o Nordeste. Os substrato mais
colonizados foram o terrícolo e o rupícolo. A diversidade de musgos nos mosaicos
vegetacionais do estado do Piauí é evidente nos resultados preliminares, o que justifica a
continuidade dos estudos para a obtenção da real brioflora do estado.
Palavras-chave: Briófitas, Brioflora, Florística

MACRÓFITA AQUÁTICA FLUTUANTE BIOINDICADORA NO PARQUE


AMBIENTAL ENCONTRO DOS RIOS, TERESINA, PIAUÍ

Samara de Brito Vieira1Júlia Silva Oliveira1, , Hialleijardson Dias Miranda1, Marcelo Ricardo
da Silva Rodrigues1, José de Ribamar de Sousa Rocha1

1- Universidade Federal do Piauí – CCN – UFPI

O processo de eutrofização dos ambientes aquáticos causa impactos nos ecossistemas


lênticos e lóticos, entre eles, a proliferação do aguapé, abundante em épocas de pouca chuva.
A presença dessa macrófita aquática é decorrente, principalmente, da pressão antrópica sobre
os rios. A quantidade excessiva de nitrato e fosfato gera a multiplicação exagerada de
bactérias aeróbias e outros microrganismos que consomem grande parte do oxigênio existente
na água, diminuindo a taxa fotossintética dos demais organismos que, assim como as
bactérias, acabam morrendo. Consequentemente, esse processo de eutrofização acarreta o
crescimento excessivo dos aguapés, provocando uma série de danos ambientais. Porém essa

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fanerógama pode ser bastante útil, pois é considerada uma planta medicinal, alimento para o
gado, fonte de biogás, matéria prima para artesanato, produção de fertilizante para o solo e
abrigo natural a organismos aquáticos. O objetivo deste trabalho foi identificar e classificar a
espécie de aguapé presente no parque ambiental Encontro dos Rios, Teresina, Piauí. Para
tanto, foram realizadas coletas de amostras da planta, acompanhadas de registro fotográfico e
posteriormente herborização, para estudo morfológico, baseado na literatura. O estudo
permitiu concluir que a espécie encontrada é a Eicchornia crassipes (Mart.) Solms, que
possui folhas arredondadas e espongiformes. Devido a sua capacidade de absorver e
incorporar em seus tecidos íons e metais pesados, tem sido estudada e sugerida como
indicadora de poluição e alternativa no controle da contaminação da água.
Palavras-chave: Eutrofização; Eicchornia crassipes (Mart.) Solms; Bioindicador.

OCORRÊNCIA DE Physarum compressum EM ZINGIBERALES NAS ÁREAS


URBANAS DA CIDADE DE TERESINA- PI

Daniella Carla Monteiro Teixeira1, Andreza Pereira Moura2, Naiane de Carvalho Alves3 e
Márcia Percília Moura Parente4

1-Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (daniellacarlamonteiro@gmail.com)


2-Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (andrezamoura50@hotmail.com)
3-Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (carvalho_naiane@hotmail.com)
4-Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (marciapercilia@hotmail.com)

Visando ampliar o conhecimento sobre a distribuição das espécies de mixomicetos


florícolas, na Região Nordeste do Brasil e em especial no Estado do Piauí, determinando a
incidência de mixomicetos em inflorescências de Zingiberales nas áreas urbanas (zonas, norte
e leste) na cidade de Teresina-PI. As coletas foram realizadas na estação chuvosa e na
estiagem em diferentes pontos da cidade. Em cada local, a presença de mixomicetos foram
observadas em partes mortas e vivas de inflorescências pertencentes às espécies coletadas,
presas à planta-mãe, diretamente no campo ou através do cultivo em câmara úmida. O
material obtido foi analisado no Laboratório de Micologia (LABMICO) do Departamento de
Biologia da UESPI. As características das microestruturas dos esporocarpos foram analisadas

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com a utilização do microscópio óptico através de lâminas semipermanentes. Já as


macroscópicas foram analisadas no esteriomicroscópio. Para a ilustração das espécies foi
utilizado uma máquina fotográfica. Os dados observados foram analisados e anotados em
fichas de análise para identificação dos Myxomycetes utilizando uma bibliográfica
especializada. Foram obtidas 60 amostras, com único representante da espécie Physarum
compressum (Alb. & Schwein), comum em palmeiras, com registros em Jardim Botânico e
floricultura, predominantemente em inflorescências, confirmando seu lugar no grupo
florícolas, como observada entre os Zingiberales, caracterizando a mixobiota estudada. As
Zingiberales mostraram ser um excelente substrato para o desenvolvimento de Myxomycetes,
especialmente quando se encontram em ambientes sombreados e na estação chuvosa.
Palavras-chave: Fungos, Análises, Inflorescência, Câmara úmida
Financiamento: PIBIC / UESPI

ORIGEM DA VIDA APLICADA A AO 7° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

Dalvilene Maria Nascimento de Andrade1, Matheus Silva Oliveira², Aline Carvalho da Silva3,
Eliesio José Veras dos Santos4 e Geórgia de Sousa Tavares, 5

1-Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba (dalvileneandrade@hotmail.com)


2- Universidades Federais do Piauí – UFPI/Parnaíba (matheussilvaoliveira7@gmail.com)
3- Universidades Federais do Piauí – UFPI/Parnaíba (enilaline.c.s@gmail.com)
4- Universidades Federais do Piauí – UFPI/Parnaíba (eliesiobiologia@gmail.com)
5- Universidades Federais do Piauí – UFPI/Parnaíba (georgiatavares@ufpi.edu.br)

O estudo sobre a evolução biológica é um tema aplicado ao ensino médio e


fundamental, em que se analisam as grandes descobertas e seus mistérios evolutivos. Sendo
aplicado com o objetivo de compreender as diferenças entre a abiogênese e biogênese, a
atmosfera da Terra primitiva, os primeiros seres vivos e os cientistas envolvidos nesta
descoberta. Esse assunto abordado na sala de aula permite aos alunos uma melhor
compreensão em relação aos outros assuntos da biologia, entre eles a evolução, sistemática,
genética e zoologia. Porém trabalhar o tema origem da vida torna-se complexo, pois apresenta
teorias em que envolve a influencia da religião na visão dos alunos e professores o que faz
com que o tema seja aplicado de forma incompleta. Objetivou-se com a pesquisa descobrir o

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conhecimento prévio sobre o tema proposto através da produção textual de alunos do último
período de ciências biológicas, analisar livros que abordam o tema e identificar a inexistência
de informações contidas nos recursos didáticos. A pesquisa foi elaborada por alunos do curso
de Licenciatura em Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Piauí- campus de
Parnaíba. Foi proposta uma produção textual sobre o tema: A origem da vida. Com o
propósito de avaliar o conhecimento prévio dos futuros professores de ciências. Foram
analisados 20 livros fornecidos pelo MEC de várias editoras, que será utilizado no triênio
2014 a 2016, pode-se observar a falta de contexto histórico e atividades lúdicas, além de não
possuírem atividades relacionadas ao tema analisado. concluí-se que mais de 50% dos livros
analisados não se adéquam aos critérios exigidos pela PNLD.
Palavras-chave: abiogênese, biogênese, primeiros seres vivos, recursos didáticos.

PEIXES COMERCIALIZADOS NA CIDADE DE PINHEIRO-MA, BAIXADA


MARANHENSE, BRASIL.

Sandra Mara Pereira Araújo 1, Ana Patricia dos Santos Sodré2, Fabiana Mayara Pereira Seda3
Lucenilda de Jesus Costa Ferraz4 e Suzanna de Sousa Silva5

1-Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (mara.sandr@hotmail.com)


2-Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (patryciasodre@hotmail.com)
3-Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (may-seda@hotmail.com)
4-Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro - bolsista PIBID
(lucenilda.ferraz@hotmail.com)
5-Orientadora: Profa. Ms. Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro
(suzannasousa@hotmail.com)

O objetivo deste estudo foi identificar as espécies de peixes comercializadas nas feiras
e mercados na cidade de Pinheiro-MA, região da Baixada Maranhense, visando investigar a
procedência do pescado e levantar informações sobre a conservação dessas espécies. Os dados
foram obtidos durante visitas aos mercados e feiras da cidade e em entrevistas com os
atravessadores de peixes da região. Foram aplicados questionários para obtenção de
informações como: rio em que foi pescado, nome popular, período de reprodução. A
identificação das espécies realizou-se através de bibliografia especializada. Como resultado,

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foram identificadas 10 espécies de peixes osteícties (4 ordens) provenientes dos rios Turi e
Pericumã: Hoplias malabaricus (trahira, trarira), Schizodon vittatus (piau), Astyanax
bimaculatus (piaba), Pseudoplastystoma fasciatum (surubim), Hexanematichthys couma
(bagre), Satanoperca jurupari (cará, cará- bicudo), (pampa), Pimelodus sp. (mandi), Astyanax
bimaculatus (tapiaca), Gymnotus carapo (sarapó) e Sternopygus macrurus (sarapó). Também
foram encontradas 2 espécies de peixes oriundos de açudes do município de Pinheiro. Além
disso, registrou-se 9 espécies de peixes que são oriundas do Estado do Pará (piramutaba,
panasqueira, piranha, jeju, curimatá, traíra, cascudo, papará e pescadinha). A pesquisa indica
que apesar da região da Baixada Maranhense ser rica em rios e lagos e oferecer uma grande
diversidade de peixes, 43% das espécies comercializadas nas feiras e mercados vêm de outro
estado. A pesca exacerbada e a poluição dos rios provavelmente é a causa do declínio dos
peixes nessa região, levando pescadores e atravessadores a procurar peixes em rios de outros
locais ou até mesmo em outros Estados para comercialização e abastecimento dos municípios.
Os dados fornecem indícios de redução dos estoques pesqueiros e reforçam a necessidade de
conscientização da população sobre preservação dos rios e lagos da região bem como da
intensificação da fiscalização por parte dos órgãos ambientais.
Palavras-chave: Diversidade, ictiofauna, osteichthyes

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PLANTAS MEDICINAIS DA COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO


SANTANA DOS PRETOS – PINHEIRO (MA): USO E CONHECIMENTO

Ana Patricia dos Santos Sodré 1, Sandra Mara Pereira Araújo 2, Lucenilda de Jesus Costa
Ferraz3, José Carlito do Nascimento Ferreira4 e Alessandro Wagner Coelho Ferreira5

1- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (patryciasodre@hotmail.com)


2- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro (mara.sandr@hotmail.com)
3- Universidade Federal do Maranhão–UFMA/Pinheiro-(lucenilda.ferraz@hotmail.com)
4- Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro-(carlitojunior11@gmail.com)
5- Orientador: Prof. Dr. Universidade Federal do Maranhão – UFMA/Pinheiro
(alessandrowcf@yahoo.com.br)

Visando contribuir para o avanço das pesquisas sobre plantas medicinais, o presente
estudo teve por objetivo fazer um levantamento sobre uso e conhecimento tradicional das
plantas medicinais empregadas na comunidade remanescente de quilombo Santana dos
Pretos, localizada na zona rural do município de Pinheiro – MA. A referida comunidade é
composta por 150 famílias e tem como principal fonte de renda a agricultura. Para a obtenção
dos dados optou-se pela pesquisa exploratório-descritiva, utilizando-se questionários e
entrevistas semiestruturadas com os moradores da referida comunidade. Foram realizadas 26
entrevistas, sendo identificadas 60 espécies (28 nativas, 32 exóticas) distribuídas em 36
famílias botânicas. Lamiaceae, Rutaceae, Asteraceae, Amaranthaceae e Rubiaceae foram as
famílias com maiores usos medicinais. A partir desses dados, fizemos o levantamento dos
nomes populares e científicos das espécies citadas, indicação terapêutica, forma de uso entre
outras informações. As plantas mais citadas foram: alfavaca (Ocimum basilicum L), amapá
(Parahancornia amapá L.), hortelã pimenta (Mentha arvensis L.), sete sangria (Heliotropium
lanceolatum Lour), terramicina (Alternanthera brasiliana (L) Kuntze) e unha de gato
(Uncaria tomentosa Willd). Foram identificadas 53 recomendações terapêuticas, com maior
representatividade àquelas relacionadas a doenças e sintomas de gripe, inflamação de barriga,
garganta, dor de barriga, tosse, gastrite, cólicas, calmante e como cicatrizante. O modo de
emprego mais freqüente foi o chá, sendo a folha, a parte da planta mais utilizada. Ficou
evidente a necessidade de orientar as pessoas sobre o uso mais adequado das plantas
medicinais, uma vez que se forem empregadas de maneira inadequada, podem ocasionar
problemas à saúde. Nesse sentido, foi elaborado um texto em forma de folder para ser

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entregue à comunidade com o objetivo de preservação da cultura tradicional e informar


quanto ao uso adequado dessas plantas.
Palavras-chave: Etnobotânica, família botânica, conhecimento tradicional

POTENCIAL TÓXICO AMBIENTAL DO INSETICIDA DIFLUBENZURON

Amanda Muriel Nunes da Silva1, Tamires de Sousa Silva1, Pedro Marcos de Almeida2 e
Francielle Alline Martins1

1- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (amanda.muriell@hotmail.com; silva-


tamires@hotmail.com; profarancielle@yahoo.com.br)
2- Universidade Estadual do Piauí – CCS – UESPI (pedromarcosalmeida@yahoo.com.br)

O Diflubenzuron é um agrotóxico que vem sendo utilizado como larvicida em


recipientes no controle de vetores em água potável, principalmente no combate a dengue nas
grandes cidades do país. O uso deste inseticida tem sido recomendado pelo Organização
Mundial de Saúde desde 2005 em substituição ao larvicida Temephós que possui uma
toxicidade maior em exposições crônicas, quando comparado ao Diflubenzuron, para os
trabalhadores que o manipulavam. Embora recomendado, poucos são os estudos que visam
avaliar o potencial tóxico ambiental deste importante inseticida. Neste contexto, o objetivo
deste estudo foi avaliar a citotoxidade do Diflubenzuron em células meristemáticas de Allium
cepa L. (cebola) expostas por 24h a diferentes concentrações. Sementes de A. cepa foram
colocadas em placas de Petri contendo água destilada para germinar e após 6 dias foram
submetidas as concentrações de Diflubenzuron à 1; 3; 6 e 9 mg/mL, como controle negativo
foi utilizada água destilada. As raízes foram coradas por meio da reação de Feulgen e 1.000
células da região meristemática, de cada tratamento, foram analisadas em microscópio óptico
para avaliação do número de células em divisão. O índice mitótico do controle negativo foi
igual a 17,54±6,8 e para os tratamentos observou índices mitóticos entre 14,63±6,4 e
21,18±0,1, no entanto, a análise dos dados por meio do teste de Kruskal-Wallis a 5% de
probabilidade não evidenciaram diferenças significativas entre o controle negativo e os
tratamentos. Desta forma, não foi observado efeito citotóxico do Diflubenzurom nas
concentrações avaliadas, sendo este considerado um inseticida seguro para o meio ambiente.

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Palavras-chave: Citotoxidade; Larvicida; Bioensaio.

PRÁTICA DE ENSINO II DE CIÊNCIAS: EXPERIÊNCIAS ENRIQUECEDORAS DO


ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Janaina Gomes da Silva¹, Fernanda Cássia Moraes Silva¹, Taís Teixeira de Sousa¹ e Tatiana
Gimenez Pinheiro²

1- Discentes do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas / UESPI Campo Maior


(janainags23@hotmail.com)
2- Docente do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas / UESPI Campo Maior.
(pinheirogimenez@yahoo.com.br)

O presente trabalho tem como objetivo apresentar experiências enriquecedoras do


Estágio Supervisionado na unidade escolar como espaço de elaboração e desenvolvimento de
alternativas metodológicas na prática de ensino de ciências. Trata-se de um relato que
descreve as etapas do planejamento das aulas e sua execução. Mostra quais foram as
metodologias utilizadas durante o estágio, como foi a busca de novos métodos de ensino
procurando chamar atenção dos alunos para as aulas, com o uso de instrumentos pedagógicos,
aulas interativas, dinâmicas, problematizadas de acordo com o cotidiano dos alunos.
Procurando meios de diagnosticar as dificuldades de aprendizagem de cada um, com o intuito
de tornar as aulas de ciências mais interativas, diferenciada e enriquecedora. O estágio é
entendido neste contexto como atividade teórico-prática, de transformação do processo de
ensino-aprendizagem em sala de aula que deve partir sempre da teoria para a prática,
objetivando assim enriquecer o conhecimento dos educandos. Essa experiência teve como
objetivo mostrar como essa nova metodologia foi aceita pelos alunos, bem como a ampliação
de nossa visão enquanto futuros educadores. A metodologia utilizada consistiu na elaboração
das aulas, na problematização e contextualização dos conteúdos e na construção de
instrumentos lúdicos, os quais foram usados como recursos pedagógicos, visando atender as
necessidades dos alunos com dificuldade de aprendizagem. Entre os resultados destacam-se a
falta do livro didático que trouxe como conseqüência dificuldade na transmissão do conteúdo,
o que nos levou a desenvolver novas estratégias de ensino. Porém observou-se também que
essa ferramenta é apenas um auxílio do professor, que deve então procurar novas maneiras de

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transmitir conhecimento para os alunos. Essa implantação de novas metodologias nos


possibilitou uma reflexão crítica de como devemos agir enquanto profissionais da educação.
Portanto a prática pedagógica é importante para a formação inicial do professor, uma vez que,
os oportuniza vivenciar o cotidiano escolar.
Palavras-chaves: aprendizagem, planejamento, instrumentos pedagógicos.

PROGRAMA DE EXTENSÃO NAS IES: ESTUDO DO PRÉ-VESTIBULAR UESPI –


CRESCIMENTO PARA DISCENTES E COMUNIDADE

Sinara Gomes de Araújo¹, Laiane Pereira de Araújo Santos¹, Maria Teresa Madeira Silva¹,
Naise Cristhyne Gomes da Costa Cardoso¹, Vera Lúcia Borges Nunes¹, Roselis Ribeiro
Barbosa Machado²

1- Universidade Estadual do Piauí – UESPI - CCN – Ciências Biológicas – Formandas


(naracelula69@hotmail.com)
2- Universidade Estadual do Piauí – UESPI - CCN – Ciências Biológicas – Professora
Adjunta III - Orientadora (roselis.machado@ig.com.br)

Realizar um curso superior em universidade pública no Brasil não é tarefa fácil,


especialmente para estudantes provenientes da rede pública de ensino. O objetivo deste
trabalho é facilitar o ingresso de estudantes da rede pública de ensino às instituições de ensino
superior, além de propiciar aos acadêmicos integrantes do projeto uma oportunidade de
experiência em sala de aula, aprimorando os conhecimentos adquiridos durante a sua vida
acadêmica. A ideia do projeto Pré-Vestibular Específico Saúde (PES), surgiu da iniciativa de
um grupo de estudantes do curso de Biologia da Universidade Estadual do Piauí sob a
orientação da Professora Dra. Roselis Ribeiro Barbosa Machado, que, percebendo a
dificuldade do ingresso no ensino superior, resolveram criar uma maneira de contribuir
positivamente para o acesso desses alunos. O Programa de Extensão Pré Vestibular – PES
está no seu quarto ano, com novos integrantes, mais experiência e organização. Os conteúdos
ministrados são baseados nos conteúdos programados para o Exame Nacional do Ensino
Médio – ENEM. Cada professor tem a responsabilidade de preparar seus conteúdos,
metodologias e material didático a ser repassado para os alunos, sendo verificados,
antecipadamente, pelos coordenadores do projeto. Assim o PES vem atuando como uma

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ponte para universidade, possibilitando aos alunos mais carentes (oriundos de escola pública),
a oportunidade de ingressar no ensino superior, competindo com alunos de escola particular,
sem maiores diferenças de aprendizagem e com possibilidades de êxito.
Palavras-chave: Ensino, Biologia, Universidade

RELAÇÃO PESO-COMPRIMENTO EM DUAS ESPÉCIES DA FAMÍLIA


ANOSTOMIDAE (ACTINOPTERYGII: CHARACIFORMES)

Kelrilene Ágatha de Araújo Matos1, Henrique José de Oliveira1, Maria Amélia Guimarães do
Passo Gondolo1, Guilherme Fernandez Gondolo 1

1- Laboratório de Ictiologia – LABICTIO, Campus Heróis do Jenipapo – Universidade


Estadual do Piauí – UESPI, Av. Sto. Antônio, s/n, Bairro São Luís, Campo Maior/PI. CEP:
640280-000. (gondolo@gmail.com)

A relação peso-comprimento é um importante parâmetro das populações de peixes e


suas aplicações variam desde a estimativa do peso de um indivíduo, conhecido o seu
comprimento, até as indicações da condição dos peixes; essa relação também é útil para
evidenciar o acúmulo de gordura e o desenvolvimento das gônadas. Anostomidae é uma
família da ordem Characiformes, é extremamente diversa e amplamente distribuída nos rios
da América do Sul. São facilmente reconhecíveis pelo corpo fusiforme, não possuem dentes
na maxila e possuem escamas grandes e pouco numerosas. O objetivo deste trabalho foi
determinar a relação peso-comprimento das espécies Schizodon rostratus e Leporinus
friderici coletados no Rio Surubim, Campo Maior-PI. Os peixes foram coletados entre os
meses de Novembro de 2013 e Junho de 2014, com o auxílio de redes de espera, conservados
em caixas de isopor com gelo e em seguida foram levados ao laboratório de ictiologia para
identificação e retirada de medidas de peso em gramas e comprimento em milímetros. Para
b
determinar a relação peso-comprimento foi aplicada a fórmula: , onde
corresponde ao peso total, , ao comprimento total, a, é o coeficiente linear e b, ao
coeficiente angular. Foram analisados 56 indivíduos de S.rostratus e 28 de L.friderici, que
variam de 104 a 220 mm de comprimento e 13 a 57,85 g de massa, e de 79 a 190 mm de
comprimento e 6,93 a 119,6 g de massa, respectivamente. Ambas as espécies apresentaram
um crescimento do tipo alométrico positivo, pois obtiveram o seu coeficiente angular b>3,

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com as seguintes equações: S. rostratus - Wt=2,5*10-6Lt3,33; L. friderici - Wt=4,6*10-6Lt3,25,


ambos com coeficiente de correlação (R2) acima de 0,94. Esses resultados demonstram que
estas espécies ganham um incremento maior em peso do que em comprimento, podendo estar
relacionado com a disponibilidade de alimento do local em estudo.
Palavras-chave: Schizodon rostratus, Leporinus friderici, Rio Surubim
Apoio Financeiro: FAPEPI - EDITAL PPSUS

RESGATE DE TARTARUGA-VERDECHELONIAMYDAS(LINNAEUS, 1758) NO


LITORAL CEARENSE, BRASIL

Aline Carvalho da Silva1, Waldemar Justo do Nascimento Neto 2, Elane Marques


Rodrigues3Kesley Paiva da Silva4, Liliana Oliveira Souza5.

1- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba - Projeto FaunaMar


(enilaline.c.s@gmail.com)
2- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba-Projeto FaunaMar (w.neto@hotmail.com)
3- Universidade Federal do Piauí – UFPI/Parnaíba - Projeto FaunaMar
(elanemarques.r@gmail.com)
4- Comissão Ilha Ativa-CIA/Projeto FaunaMar (kesley.bio@gmail.com)
5- Comissão Ilha Ativa-CIA/Projeto FaunaMar (lilianabiologa.phb@gmail.com)

A tartaruga-verde (Cheloniamydas) é o quelônio marinho mais frequente na costa


brasileira. De acordo com a IUCN (2012) é classificada como “em perigo” de extinção. Desde
2013 o projeto FaunaMar realiza levantamento de dados sobre tartarugas marinhas no estuário
dos rios Timonha e Ubatuba, na divisa do Piauí e Ceará; e litoral oeste do Ceará. Encalhes de
tartarugasfornecem importantes informações, como rota migratória, doenças, dieta, dentre
outros. O presente trabalho relata o resgate de tartaruga-verde (C. mydas) viva no município
de Camocim-Ceará.No dia 09 de março de 2014, realizou-se monitoramento de 12 km de
praia no município de Camocim-CE, onde foi localizado um encalhe vivo de tartaruga-
verdena praia Olho D’água (S-02º51’46.7’’/W0-041º53’58.8’’).O animal foi avaliado
externamente e constatadocaracterísticas de afogamento. As técnicas de reanimação foram
aplicadas segundo a metodologia do Tamar/ICMBio, com descanso à sombra e elevação da
parte posterior do animal. O encalhe tratava-se de um juvenile possuía boa condição corpórea

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e reflexos, porém cansaço devido exposição ao sol. A espécie foi determinadaatravés do


crânio. Este foi submetido às medidas morfométricas: comprimento e largura de carapaça
(CCC= 64,2 cm e LCC= 0,69 cm). Ainda externamente, foi observada a presença de tumores
indicativos de fibropabilomatose na região cervical, ocular e nadadeiras, o alto grau de
infestação de epibiontes (cracas, algase sanguessuga), ausência de cortes, ferimentos,
cicatrizes e vestígio deinteração com a pesca. Após apresentar condições favoráveis, a
tartaruga foi reintroduzida. Após esse processo, forammonitorados 10 km da praia de origem
do encalhe, confirmando que este não retornou à orla, considerando assim, uma reintrodução
de sucesso. A continuidade das ações de pesquisa e conservação é fundamental para as
tartarugas marinhas da região, visto que esta é uma importante área de alimentação e rota
migratória para as espécies que ocorrem no Brasil.
Palavras-chave: Conservação, Ceará, encalhe, quelônios marinhos

MYXOMYCETES (TRICHIALES) DO PARQUE ESTADUAL ZOOBOTÂNICO E


JARDIM BOTÂNICO DE TERESINA- PIAUÍ.

Andreza Pereira Moura1,Daniella Carla Monteiro Teixeira2,Naiane de Carvalho


Alves3,Márcia Percília Moura Parente4

1- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (andrezamoura50@hotmail.com)


2- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (daniellacarlamonteiro@gmail.com)
3- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (carvalho_naiane@hotmail.com)
4- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (marciapercilia@hotmail.com)

O Parque Estadual Zoobotânico e Jardim Botânico de Teresina-PI são áreas de


preservação ambiental, conservação e pesquisa que abrigam um variável número de espécies
vegetais e animais e caracterizam-se por um aglomerado vegetacional do tipo mata mista
dicótilo-palmácea, com cerradão e representantes da mata de cocais, oferecendo substratos
favoráveis ao desenvolvimento dos fungos. Com o intuito de ampliar o conhecimento
taxonômico e ecológico sobre os Myxomycetes ocorrentes no Nordeste, particularmente
quanto a sua distribuição no Piauí e em diferentes microhabitats, realizou-se o levantamento
das espécies da ordem Trichiales encontrados nos Parques. As coletas foram realizadas em
estação chuvosa, dando prioridade a lugares úmidos, sombreados e a substratos orgânicos,

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visando correlacionar o tipo de vegetação com a diversidade da mixobiota local. Os


esporocarpos recolhidos foram acondicionados em caixas de papelão, em seguida
fotografados, etiquetados e encaminhados para análise no Laboratório de Micologia do Centro
de Ciências da Natureza da Universidade Estadual do Piauí- LABMICO/CCN/UESPI para
serem identificados com o auxílio do microscópio estereoscópico. Para a observação e
identificação dos exemplares utilizou-se chaves de identificação e bibliografias
especializadas. Foram encontradas três espécies da família Trichiaceae (Arcyria cinerea
(Bull.) Pers., Hemitrichia calyculata (Speg) Farr. e Perichaena depressa Lib.) que possuem
ampla distribuição, não somente na Região Nordeste, como também no Estado do Piauí onde
já foram citados em trabalhos anteriores. Os parques estudados apresentaram-se propícios
para o desenvolvimento de esporocarpos dos representantes da ordem Trichiales.
Palavras-chave: myxobiota, levantamento, áreas de preservação ambiental, substrato
Financiamento: PIBIC / UESPI

TOXIDADE AMBIENTAL DO DIFLUBEZURON EM EXPOSIÇÃO PROLONGADA

Fernanda Damasceno de Sousa1, Beatriz Murilo da Costa1, Pedro Marcos de Almeida2 e


Francielle Alline Martins1

1- Universidade Estadual do Piauí – CCN – UESPI (damasceno.f@hotmail.com;


byatriz22@hotmail.com; profarancielle@yahoo.com.br)
2- Universidade Estadual do Piauí –CCS – UESPI(pedromarcosalmeida@yahoo.com.br)

Diflubenzuron é um larvicida que age na ecdise, durante a passagem de estágio a


outro,e muito utilizado principalmente no combate a dengue. Esse pesticida tem substituído o
larvicida Temephós, pois tem sido considerado menos danoso para a saúde das pessoas que o
manipulam.O grande problema da utilização desses produtos químicos tóxicos está
relacionado aos possíveis impactos negativos que podem provocar quando atingem os
ambientes e espécies não alvos. Embora tenha uso recomendado pela Organização Mundial de
Saúde, existem poucos estudos a respeito do seu potencial tóxico ambiental.Neste contexto, o
objetivo deste estudo foi avaliar o pootencial citotóxico do Diflubenzuron em células
meristemáticas de Allium cepa L. (cebola) em exposição prolongada. Sementes de A.
cepaforam colocadas em placas de Petri contendo água destilada para germinar e após 6 dias

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foram submetidas por 48h às concentrações de Diflubenzuron à 1; 3; 6 e 9 mg/mL, como


controle negativo foi utilizada água destilada.As raízes foram coradas por meio da reação de
Feulgen e 1.000 células da região meristemática, de cada tratamento, foram analisadas em
microscópio óptico para avaliação do índice mitótico.A análise dos dados por meio do teste
de Kruskal-Wallis a 5% de probabilidade não evidenciaram diferenças significativas entre o
controle negativo e os tratamentos, p-valor foi igual a 0,1688. Desta forma, não foi observado
efeito citotóxico do Diflubenzurom nas concentrações avaliadas e no tempo de exposição
proposto, sendo este considerado um larvicida seguro para o meio ambiente. Estudos mais
abrangentes são recomendados a fim de avaliar o potencial genotóxico e mutagênico do
mesmo.
Palavras chaves: Larvicida. Citotoxidade. Dengue.

USO DE PLANTAS ALIMENTÍCIAS NO CONJUNTO RENASCER II EM CAMPO


MAIOR – PI

Ederson de Sousa Martins1, Flávia Damasceno Fontinele1, José Jorge Modesto 1, Maria Pessoa
da Silva2.

1- Graduando em Ciências Biológicas / Universidade Estadual do Piauí – UESPI / Campo


Maior – PI. (edersonbio@hotmail.com)
2- Departamento de Ciências Biológicas / Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente,
Universidade Estadual do Piauí – UESPI. (cruzinhabio@yahoo.com.br)

Dentre as necessidades básicas para a nossa sobrevivência, uma das que merece
destaque refere-se a nossa alimentação. Com base nisto, é necessário que a população tenha
conhecimento mínimo sobre este processo, seja ele tradicional ou cientifico. Com isso,
realizou-se um levantamento de plantas com potencial alimentício no conjunto Renascer II,
bairro Recreio, Campo Maior – PI. A coleta de dados ocorreu através de lista livre e entrevista
semiestruturada aplicado aos moradores. A seleção dos entrevistados aconteceu de forma
aleatória, compondo assim uma amostragem de 50%, (125 residências). Destas, apenas 21
residências cultivam algum tipo de planta alimentícia. Foi observado que as plantas
pertencentes ao estrato arbóreo estavam mais representadas com relação ao estrato arbustivo.

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Verificou-se o cultivo de 07 espécies de plantas frutíferas, com destaque para o mamoeiro


(Carica papaya L.), mangueira (Mangifera indica L.), aceroleira (Malpighia glabra L.),
castanhola (Terminalia cattapa (Gaertn.) Eichler), tangerina (Citrus reticulata Blanco),
coqueiro (Cocos nucifera L.) e goiabeira (Psidium guajava L.), sendo a mais citada o
mamoeiro (C. papaya). De acordo com o uso, apenas o mamoeiro e aceroleira eram
consumidos in natura e em forma de suco. Os resultados mostram que não se tem um alto
índice de cultivo de plantas de categoria alimentícia, uma vez que o bairro é recém construído
e habitado. As residências não possuem estrutura de privacidade, ou seja, não são muradas,
fazendo com que a população tenha alguns receios do plantio. Outro fator de desmotivação
pelo plantio se da pela presença de animais soltos no bairro, que terminam por destruir as
plantas frutíferas. Assim o nível de cultivo de plantas frutíferas é baixo neste bairro.
Palavras-chave: Etnobotânica, alimentação, quintais.

VIVEIRO DE MUDAS: UMA FERRAMENTA PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Antonio de Padua Cunha Viana Junior1, Jose Jorge Modesto Araujo 1, Tayna Tamiris Conrado
Correia1, Jose Rodrigues de Almeida Neto2, Carla Ledi Korndörfer1

1- Universidade Estadual do Piauí – UESPI/CAMPO MAIOR (calk1807@gmail.com)


2- Universidade Federal do Piauí – TROPEN/UFPI (almeidanetobio@hotmail.com)

O viveiro se caracteriza como uma importante ferramenta para educação ambiental,


uma vez que, torna possível estabelecer relações teórico-práticas entre acadêmicos e permite
trabalhos de extensão junto à comunidade. A produção de mudas nativas, também possibilita,
por exemplo, o aprendizado da sistemática vegetal, métodos de colheita, beneficiamento e
armazenamento de sementes, mecanismo de dormência e germinação, substrato e manejo de
plântulas. Em 2013/2 foi criado o viveiro de mudas no campus Heróis do Jenipapo (UESPI)
com os seguintes objetivos: a) viabilizar, por meio da educação ambiental, informações sobre
a importância do plantio de árvores para o ambiente e bem estar da população; b) criar um
ponto de referência para a comunidade com distribuição gratuita de mudas; c) avaliar a
viabilidade da produção de mudas de espécies arbóreas nativas; d) permitir aos alunos
envolvidos uma visão interdisciplinar de pesquisa científica. Foram produzidos 242 mudas
distribuídas em 8 espécies sendo 10 indivíduos de Anacardium occidentalis, 65 Caesalpinia

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sp., 18 Enterolobium sp., 16 Moringa oleífera, 73 Leucaena leucocephala, 9 Talisia


esculenta, 9 Annona squamosa e 42 Tamarindus indica. Realizou-se duas oficinas de
Educação Ambiental (EA) com os alunos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas
colaboradores do viveiro, para capacitá-los para as atividades de EA nas escolas. Após, os
mesmos realizaram atividades com alunos do curso técnico em Meio Ambiente do Centro
Estadual de Educação Profissional de Tempo Integral Candido Borges Castelo Branco
(CEPTI) de Campo Maior, que consistiu de uma turnê guiada no viveiro para caracterização
ecológica, econômica e cultural das espécies do viveiro e demonstraram a rotina de atividades
e manutenção do viveiro. As mudas foram doadas para comunidade e algumas plantadas no
Campus. Os resultados demonstram a importância do viveiro como uma ferramenta para o
ensino, pesquisa e extensão, que possibilitou uma reflexão socioambiental dos acadêmicos e
da comunidade.
Palavras-chave: Meio Ambiente; Extensão; Reflexão; Arborização.

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Trabalhos completos

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ANÁLISE QUALI-QUANTITATIVO DA ARBORIZAÇÃO DA PRAÇA FIRMINA


SOBREIRA, BAIRRO MATINHA EM TERESINA – PI

(ANALYSIS OF QUALITATIVE-QUANTITATIVE AFFORESTATION SQUARE FIRMINA


SOBREIRA, NEIGHBORHOOD MATINHA IN TERESINA – PI)

Núbia Araújo Sena¹, Laryssa Sheydder de Oliveira Lopes²

RESUMO
A pesquisa teve como objetivos, analisar quali e quantitativamente as espécies
utilizadas na arborização da Praça Firmina Sobreira, no que diz respeito às condições de
manutenção e descrição das principais características, bem como também, destacar a
importância no espaço urbano. A metodologia constituiu-se em levantamento bibliográfico,
análise técnica, planilha de campo para a descrição das espécies adotadas na referida praça, e
registro fotográfico, para identificação das espécies. Constatou-se que a praça possui 82
indivíduos divididos em 15 espécies e em 12 famílias botânicas. Apesar da cidade de Teresina
ter um projeto com objetivo de substituir a espécie nativa Chal – Chal (Allophylus edulis), em
decorrência das desvantagens viróticas pelo Neem (Azadirachta indica) que é exótica, com
inúmeras vantagens, recomenda-se a implantação de espécies nativas, como a Copernicia
prunifera (Carnaúba) Parkia platycephala Benth (Faveira) Cenostigma macrophyllum Tul
(Caneleiro) entre outras, visando valorizar e preservar a biodiversidade local.
PALAVRAS – CHAVE: Área Verde. Espaço Urbano. Meio Ambiente.

ABSTRACT
The research aimed to analyze qualitatively and quantitatively the species used in
afforestation of Square Firmina Sobreira, with regard to their conditions of maintenance and
description of its main features, and also highlight its importance in the urban space of the
middle and major cities. The methodology consisted in technical analysis spreadsheet field for
the description of the species taken in that square, and detailed photographic record of each
tree and its fractions composers, for identification. It was found that the square has 82
subjects divided into 15 species and 12 botanical families. Although the city of Teresina have
a project aiming to replace native species Chal - Chal (Allophylus edulis) as a result of viral
disadvantages by Neem (Azadirachta indica) is an exotic species, with numerous advantages,
it is recommended to implement native species such as Copernicia prunifera (Carnaúba)

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Parkia platycephala Benth (Faveira) Cenostigma macrophyllum Tul (Caneleiro), to enhance


and preserve local biodiversity.
KEY WORDS: Green area. Urban Space. Environment.

INTRODUÇÃO

A presença de áreas verdes em espaços urbanos é cada vez mais necessária, uma vez
que, os impactos no meio ambiente das cidades médias e grandes são preocupantes, a
exemplo do aumento constante da poluição atmosférica, bem como, do aquecimento global.
Com o surgimento dos grandes aglomerados humanos organizados em estruturas
urbanas e o advento da revolução industrial, as cidades passaram a apresentar estruturas e
elementos que substituem os elementos naturais, como asfalto, edificações, pisos de concreto,
telhas de cerâmica, amianto, vidros e estruturas metálicas. Esses elementos, com elevada
capacidade refletora proporcionam um microclima, causando desconforto da população pelo
aumento da temperatura, formando bolsões denominados de “ilhas de calor”. (SCHUCH,
2006).
A arborização em praças é de fundamental importância, uma vez que a função
paisagística das praças é oferecer conforto nos mais diversos aspectos. No caso específico de
Teresina, onde o clima é quente, a arborização nas praças urbanas propicia sombreamento,
trazendo assim, sensação de conforto para os que estão na sua área.
Além desses benefícios, a presença de áreas verdes nos espaços citadinos propicia uma
sensação saudável, oferecendo bem-estar à população, além de contribuir significamente na
redução da poluição do ar.
A presente pesquisa teve como objetivos, analisar quali e quantitativamente as espécies
utilizadas na arborização da Praça Firmina Sobreira, no que diz respeito às suas condições de
manutenção e descrição de suas principais características, bem como também, destacar a sua
importância no espaço urbano.

MATERIAIS E MÉTODOS

1. Área de Estudo

O estudo foi realizado na Praça Firmina Sobreira, localizada no bairro Matinha, na


região central de Teresina situando-se nas coordenadas 05º 04’ 49” S e 42º 49’ 19” W e

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altitude de 74m acima do nível do mar (Figura 01). O bairro possui 3.129 habitantes segundo
a Superintendência de Desenvolvimento Urbano Centro-Norte (PMT, 2013).

Figura 01: Localização da Praça Firmina Sobreira, Teresina – PI.

Fonte: Google Earth, 2013.

2. Análise Quali-Quantitativo

Para a identificação das espécies foi realizado o registro fotográfico minucioso de cada
indivíduo e suas frações compositoras, que foram encaminhados para o Jardim Botânico de
Teresina para a devida identificação das espécies.
Para a quantificação, foi realizado um censo para a análise estatística, a fim reforçar os
resultados e desenvolver uma tabela. Os dados coletados na planilha de campo para
levantamento qualitativo no mês de abril e maio de 2013 abrangeram os seguintes aspectos:
estado geral, fenologia, comportamento das raízes, conflitos, poda, pavimentação da praça,
participação das espécies e porte.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram identificados 82 indivíduos distribuídos em 15 espécies e 12 famílias (Tabela


01). As espécies mais abundantes foram Pachira aquatica (27), Acacia podaliriaefolia (14) e
Crescentia cujete (9).

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Tabela 01: Espécies arbóreas e arbustivas encontradas na Praça Firmina Sobreira: quantidade,
nome popular, nome científico, família e origem.
Quant Nome popular Nome Científico Família Origem
1 Olho-de-pavão Adenanthera pavonina Fabaceae Exótica
2 Mangueira Mangifera indica Anacardiaceae Exótica
4 Oitizeiro Licania tomentosa Crysobalanacea Nativa
1 Carnaubeira Corpernicia prunifera Arecaceae Nativa
27 Mamorana Pachira aquatica Bombacaceae Exótica
2 Amendoeira Terminalia catappa Combretaceae Exótica
9 Cujubeira Crescentia cujete Bignoniaceae Nativa
3 Babaçu Orbignya speciosa Palmae Nativa
1 Neem Azadirachta indica Meliaceae Exótica
14 Acacia Mimosa Acacia podaliriaefolia Fabaceae Exótica
1 Angico Preto Anadenanthera macrocarpa Mimosaceae Nativa
4 Faveira Parkia platycephala Mimosaceae Nativa
4 Curupitá Sapium Aucuparium Euforbiácea Nativa
2 Palmeira Fenix Phoenix roebelenii Arecaceae Exótica
2 Ixora Mini Ixora chinensis Rubiaceae Exótica
5 Não – identificadas
82 15 espécies 12 famílias
Fonte: Pesquisa de Campo, 2013.

De acordo com as análises feitas com o roteiro de campo, constatou-se que a maioria
das árvores encontra-se em estado geral bom. A fenologia da maioria das espécies
identificadas é de predominância fruto e flores, porém, a fenologia da Adenanthera pavonina
é sementes.
A respeito do comportamento das raízes, verificou-se que a maioria das árvores possui
raízes não evidentes e não causadoras de danos, porém algumas delas possuem raízes em
evidência, mas não alterando a pavimentação da praça. É importante destacar que a única
árvore verificada que possui raízes frondosas, em plena evidência e prejudicando a
pavimentação é a Anadenanthera macrocarpa (Figura 02), uma das poucas árvores de grande
porte da praça.

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Figura 02: Raízes frondosas da Anadenanthera macrocarpa.

Fonte: SENA, 2013.

Segundo a Coelba (2002), nas escolhas de espécies na arborização de praças, deve-se


estar atento ao tipo de sistema radicular das árvores, pois as raízes devem ser profundas, para
que não prejudiquem o calçamento e os dutos da rede subterrânea. Assim, a Anadenanthera
macrocarpa não estaria entre as espécies adequadas para arborização.
Em razão de a praça ser composta principalmente por árvores de médio, há conflitos
com outras árvores da mesma estatura e com árvores de pequeno porte (Figura 03). Além
disso, foi registrado o conflito de árvores com a fiação de energia. Outro ponto observado foi
a pintura no tronco de uma Mangifera indica, o que não é permitido.

Figura 03: Árvores em conflito com outras e com a fiação de energia.

Fonte: SENA, 2013.

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No que diz respeito à pavimentação da praça no local das árvores, constatou-se que em
na maioria, predominam a terra, grama e capim. Foi analisado também que uma grande
porcentagem das espécies identificadas é de médio porte e que não é frequente a prática da
poda, pois essa área não predomina a rede elétrica. Mas, no que se refere à irrigação e
limpeza, a praça é condicionada com frequência por funcionários do órgão municipal
responsável.
Dentre as espécies registradas, três produzem frutos que são comestíveis: Mangifera
indica, Licania tomentosa e Terminalia catappa. Neste caso, Mangifera indica é designada
como inadequada, pois produz frutos grandes e pesados, que podem se soltar facilmente dos
galhos, além de atraírem insetos e poluir a área. Por outro lado, Licania tomentosa e
Terminalia catappa, por produzirem frutos comestíveis pequenos, são adequadas para praças
públicas, pois servem para a alimentação dos pássaros.
Das espécies analisadas, a Pachira aquatica e a Anadenanthera macrocarpa, segundo
Pivetta e Silva Filho (2002) são árvores onde já foram constatadas a ocorrência de pragas.
Essas pragas podem causar problemas crônicos, sazonais, esporádicos ou eventuais. Porém,
durante a análise de campo das árvores, não foram visualizadas ocorrência de pragas.
É interessante destacar, que a maioria das espécies observadas não são nativas. É
importante a implantação de espécies nativas em praças urbanas, pois, segundo a Cemig
(2011), essas espécies apresentam-se com grande potencial de utilização do ponto de vista de
sustentabilidade ambiental, tanto por suas características de adaptabilidade ao meio quanto
pela preservação da biodiversidade, fundamentais no equilíbrio ambiental local.

CONCLUSÃO

Na área estudada, foram encontrados ao todo 82 indivíduos, distribuídos em 15


diferentes espécies e 12 famílias botânicas. Grande parte das árvores é de médio porte e são
frutíferas.
De acordo com os resultados encontrados, pode–se afirmar que a arborização da Praça
Firmina Sobreira encontra-se em um estado relativamente bom, necessitando de poda em
razão dos conflitos identificados, além de não se esquecer de apontar para os problemas
infraestruturais e fitossanitários.
Verificou-se que a praça apresenta apenas uma muda da árvore de Neem (Azadirachta
indica). O Neem é uma árvore originária da Índia, sendo nativa da região de Burna e das
zonas áridas do subcontinente indiano e sudoeste asiático. Todos os produtos do Neem, são

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completamente naturais, não são tóxicos para a humanidade e nem para os animais
domésticos e insetos benéficos e ao meio ambiente, segundo o site Planta Neem.
Apesar da cidade de Teresina ter um projeto com objetivo de substituir a espécie
nativa Chal – Chal (Allophylus edulis), em decorrência das desvantagens viróticas pelo Neem
(Azadirachta indica) que é exótica, com inúmeras vantagens, recomenda-se a implantação de
espécies nativas, como a Copernicia prunifera (Carnaúba) Parkia platycephala Benth
(Faveira) Cenostigma macrophyllum Tul (Caneleiro), visando valorizar e preservar a
biodiversidade local.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos funcionários do Jardim Botânico de Teresina por terem nos ajudado
na identificação das espécies aqui supracitadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Árvore Neem. Disponível em: <http://www.plantaneem.com.br/> Acesso em: 21 de junho de 2013.

COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA (COELBA). Guia de Arborização


Urbana. Salvador, Bahia, 2002. Disponível em:
<http://www.coelba.com.br/ARQUIVOS_EXTERNOS/ENERGIA%20SOCIAL%20E%20AMBIENT
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> Acesso em: 01 de maio de 2013.

COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS (CEMIG). Manual de arborização. Belo


Horizonte: Cemig / Fundação Biodiversitas, 2011.112 p.: ilust. Disponível em:
<http://www.cemig.com.br/ptbr/atendimento/Documents/Manual_Arborizacao_Cemig_Biodiversitas.
pdf> Acesso em: 30 de maio de 2013.

LOBODA, C. R; DE ANGELIS, B. L. D Áreas Verdes Públicas Urbanas: conceitos, usos e funções.


Ambiência. Guarapuava- PR, v. 1, n. 1 jan/jun, 2005. p. 125 – 139. Disponível em:
<http://revistas.unicentro.br/index.php/ambiencia/article/viewFile/157/185> Acesso em: 25 de abril de
2013.

MACHADO, R. R. B et al. Árvores nativas para a arborização de Teresina, Piauí. Revista da


Sociedade Brasileira de Arborização Urbana. Piracicaba – SP, v.1, n.1 jun.2007. p. 10 – 18.
Disponível em: <http://www.revsbau.esalq.usp.br/artigos_cientificos/artigo02.pdf> Acesso em: 15.
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MELO, E. F. R. Q; ROMANINI, A. Praça Ernesto Tochetto: importância da sua preservação histórica


e aspectos de sua arborização Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana. Piracicaba
– SP, v.3, n.1 mar, 2008. p. 54 – 72. Disponível em:
>http://www.revsbau.esalq.usp.br/artigos_cientificos/artigo35.pdf< Acesso em: 25 de abril de 2013.

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PIVETTA, K. F. L; SILVA FILHO, D. S. da. Arborização Urbana. Boletim Acadêmico Série


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http://www.uesb.br/flower/alunos/pdfs/arborizacao_urbana%20Khatia.pdf> Acesso em: 25 de abril de
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SCHUCH, M. I. S. Arborização Urbana: Uma Contribuição à Qualidade de Vida com Uso de


Geotecnologias. 2006. Dissertação de Mestrado em Geomática. Universidade Federal de Santa Maria,
Santa Maria, 2006. Disponível em: < http://cascavel.cpd.ufsm.br/tede/tde_arquivos/21/TDE-2007-08-
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SOARES, M. P. Verdes Urbanos e Rurais: orientação para arborização de cidade e sítios


campesinos. Porto Alegre: Cinco Continentes, 1998.

TERESINA, PREFEITURA MUNICIPAL DE TERESINA (PMT). Secretaria de Planejamento.


Bairro Matinha. Teresina, 2013. Disponível em:
<http://www.teresina.pi.gov.br/portalpmt/orgao/SEMPLAN/doc/20080922-146-326-D.pdf>.Acesso
em: 25 de junho de 2013.

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ANATOMIA FOLIAR DE Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan (FABACEAE)

(Leaf anatomy of Anadenanthera colubrina (Vell) Brenan (Fabaceae))

Larisse Raquel Carvalho Dias1, Maria de Fatima de Oliveira Pires2 Silvia Maria Colturato
Barbeiro3

RESUMO
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan está representada por indivíduos arbóreos,
com flores branco-amareladas. Foi estudada a anatomia foliar dessa espécie objetivando
contribuir para um melhor conhecimento da vegetação local e uma melhor caracterização
ecológica e estrutural da espécie. O material foi coletado em áreas de transição caatinga /
cerrado no município de Campo Maior – PI. Os cortes foram processados à mão livre,
corados com fucsina básica/azul de astra. As folhas são anfiestomáticas com estômatos
paracíticos e cutícula espessa. O mesofilo é homogêneo. O sistema vascular é colateral, com
feixes de grande e médio porte circundados por uma densa bainha de fibras, associadas a
cristais de oxalato de cálcio. No pecíolo, observa-se ainda, fibras gelatinosas. Caracteres da
anatomia foliar como o tipo de estômato e de cristais são comuns nas Mimosoideae.
Entretanto, cutícula espessa, mesofilo homogêneo, esclerênquima abundante e fibras
gelatinosas provavelmente são induzidas por fatores ambientais a que estão sujeitas.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia. Cerrado. Mimosoideae.

ABSTRACT
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan is represented by individual trees, with
yellowish-white flowers. Leaf anatomy from this species aiming to contribute to a better
knowledge of the local vegetation and a better ecological and structural characterization of the
species was studied. The material was collected in areas of caatinga / cerrado transition in
Campo Maior - PI. The sections were processed freehand, stained with basic fuchsin / astra
blue. The leaves are amphistomatic paracytic with thick cuticle and stomata. The mesophyll is
homogeneous. The vascular system is collateral, with beams of large and medium surrounded
by a thick sheath of fibers, associated with crystals of calcium oxalate. The stem, yet, it is
observed gelatinous fibers. Characters of leaf anatomy as the type of stomata and crystals are
common in Mimosoideae. However, thick cuticle, homogeneous mesophyll, abundant

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sclerenchyma and gelatinous fibers are probably induced by environmental factors to that they
are subject.
KEY-WORDS: Anatomy. Cerrado. Mimosoideae.

INTRODUÇÃO

No estado do Piauí, 11.856.866 ha equivale ao cerrado sensu lato, sendo 3.507.107 ha


de áreas de transição (CEPRO, 1992). Nessas áreas, os cerrados entram em contato com a
caatinga, carrasco, mata estacional semidecídua, mata de babaçu, carnaubal, mata ripícola,
como o Complexo Vegetacional de Campo Maior (CASTRO et al. 1998).
A ocorrência de uma espécie em áreas com influências de diferentes domínios
vegetacionais, desperta o interesse por um estudo anatômico comparativo entre espécies
comuns a essas formações, subsidiando dados e, provavelmente, fundamentando hipóteses
que possam complementar a interpretação ecológica desses ecótonos e das espécies neles
inseridas.
A anatomia de plantas do cerrado vem sendo estudada por diversos autores,
destacando-se os estudos pioneiros de Morretes (1967; 1969), Beiguelman (1962), Paviani
(1978), Handro (1966, 1967) entre outros. Estes autores relatam à ocorrência de caracteres
xeromorfos na estrutura anatômica de várias espécies do cerrado, tais como: numerosos
tricomas, hipoderme, parênquima aqüífero, sílica na epiderme foliar, esclerênquima
desenvolvido, parênquima paliçádico mais desenvolvido que o lacunoso, etc., sendo a
esclerofilia provocada pelo oligotrofismo. Mais recentemente, destacam-se os trabalhos de
Appezzato-da-Glória e Estelita (2000) e Reis et al. (2004). Contudo, nenhum destes autores
abordam os caracteres anatômicos como subsídios à solução de problemas ecológicos
relacionados aos cerrados do Piauí.
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan é nativa, mas não endêmica do Brasil,
ocorrendo nas regiões Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul do país, nos domínios
fitogeográficos da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica (MORIM, 2014). Vulgarmente
conhecida como Angico, os indivíduos dessa espécie possuem folhas compostas bipinadas e
paripinadas. Flores branco-amareladas, pequenas e perfumadas, dispostas em panículas de
glomérulos com fruto do tipo folículo. Devido à exuberância de suas flores seus
representantes são empregados na arborização de parques e estradas (CARVALHO, 2002).
Este trabalho consiste de um estudo da anatomia foliar de Anadenanthera colubrina
(Vell.) Brenan (Fabaceae-Mimosoideae), ocorrente em áreas de transição no município de

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Campo Maior, Piauí, contribuindo, dessa forma, para um melhor conhecimento da espécie em
termos de seu comportamento ecológico e sua estrutura anatômica, bem como fornecer
subsídios para a interpretação ecológica daquele ecótono.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a realização deste trabalho foi selecionada uma área situada no Município de
Campo Maior - PI. A escolha da área decorreu principalmente por: constituir uma área de
transição (caatinga/cerrado); ter sido feito levantamento florístico e fitossociológico prévio
(CASTRO et al., 2007); e ser integrante dos estudos relacionados ao Projeto de Pesquisa
Ecológica de Longa Duração (PELD/CNPq: 2001-2011).
O Complexo de Campo Maior caracteriza-se por apresentar, segundo Köppen, clima
tropical subúmido seco (C 1WA’4 a’), com pequena amplitude térmica no verão. A duração
do período seco é de seis meses, com temperaturas médias máxima de 35°C e mínima de
28°C. Os solos apresentam horizonte “B” latossólico, pouco desenvolvidos, hidromórficos e
concrecionários tropicais (CEPRO, 1992).
A seleção da espécie A. colubrina foi baseada nos seguintes critérios: 1- ainda não ter
sido abordados aspectos da anatomia ecológica dessa espécie ocorrentes nos cerrados do
Nordeste do Brasil. 2 - Ser arbórea. 3 - Estar representada, no mínimo por três indivíduos.
Durante o primeiro semestre de execução do trabalho, foram realizadas excursões a
área escolhida onde foram selecionados três indivíduos adultos de A. colubrina e coletado
cinco folhas de cada um dos exemplares. Este material foi fixado em FAA 50 e
posteriormente estocado em álcool etílico 70% para os estudos anatômicos. Material botânico
fértil foi coletado para herborização, de acordo com as técnicas de Mori et al. (1997) e
incorporados ao acervo do Herbário Afrânio Gomes Fernandes (HAF) da Universidade
Estadual do Piauí (UESPI).
Foram realizados cortes histológicos à mão livre nos folíolos (compreendendo nervura
central e meio), pecíolo e peciólulo (na parte mediana).
As secções obtidas foram clarificadas em solução de hipoclorito de sódio a 50%,
lavadas em água destilada e submetidos ao processo de dupla coloração com fucsina
básica/azul de astra (ROESER, 1972), As lâminas semipermanentes foram montadas com
glicerina 50% e vedadas com esmalte incolor.
Para o estudo da epiderme em vista frontal, pequenos fragmentos da lâmina foliar
foram dissociados com peróxido de hidrogênio e ácido acético (FRANKLIN, 1945)

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posteriormente corados com azul de astra (RÖESER, 1972). O registro fotográfico foi
realizado através de fotomicroscópio, utilizando câmera digital acoplada ao computador.
Para os testes histoquímicos utilizou-se ácido clorídrico (50%) para detectar cristais de
oxalato de cálcio e lugol para os grãos de amido (JOHANSEN, 1940).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os folíolos de A. colubrina apresentam, em ambas as faces da lâmina foliar, células


epidérmicas de paredes sinuosas (Fig. 01). As mesmas possuem estômatos do tipo paracítico
que são mais abundantes na face abaxial, caracterizando os folíolos anfiestomáticos. Metcalfe
e Chalk (1957) relatam que os estômatos paracíticos estão amplamente distribuídos entre
outros taxa de Mimosoideae. Em secção transversal a lamina foliar apresenta uma cutícula
espessa, com células epidérmicas de formas e tamanhos variados (Fig. 02).
O mesofilo é homogêneo constituído por parênquima paliçádico, tendendo em
algumas regiões a bilateral (Fig. 02). Segundo Esau (1974), Paviani (1983), Fahn e Cutler
(1992), Menezes et al. (2012) folha anfiestomática, cutícula espessa e a predominância do
parênquima paliçádico em relação ao lacunoso, são caracteres xerofíticos, o que
provavelmente possa justificar a presença destes caracteres nos espécimes analisados, já que
os mesmos ocorrem em áreas de transição caatinga/cerrado.
O sistema vascular é do tipo colateral, estando os feixes de grande e médio porte
circundados por uma densa bainha de fibras (Fig. 02), sendo tal característica também
relacionada a ambiente xérico, conforme autores citados acima. Associados a esta bainha de
fibras observam-se cristais cúbicos de oxalato de cálcio (Fig. 02). Já os feixes de pequeno
porte estão circundados apenas por uma bainha de células parenquimáticas de contorno
arredondado, destituídas de cloroplastídeos. A função dos cristais de oxalato de cálcio está
associada à defesa contra herbivoria (FRANCESCHI, 2001) e controle de cálcio sendo
distribuído conforme a necessidade da planta (VOLK, 2002).
No pecíolo e peciólulo evidencia-se, expressivamente, a presença de tricomas tectores
unicelulares (Fig. 07), já descrito para o gênero Anadenanthera Speg. por Metcalfe e Chalk
(1957). Nas camadas corticais há cerca de três camadas de colênquima angular (Fig. 06). O
sistema vascular é do tipo colateral, envolto por uma bainha de fibras (Figs. 03, 06) e,
associado a essas fibras, células contendo cristais cúbicos de oxalato de cálcio (Figs. 04-06);
estes cristais, também ocorrem no sistema fundamental. Somente no pecíolo, intercalando
com os cristais, ocorrem células contendo grãos de amido (Fig. 05). As camadas mais internas

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da bainha de fibras são constituídas por fibras gelatinosas (Fig. 06), sendo tais fibras comuns
em plantas do cerrado, visto que possam atuar como estruturas armazenadoras de água
(PAVIANI, 1983).
Os cristais em associação com as fibras observados nesta espécie corroboram a
descrição de Metcalfe e Chalk (1957) que citam essa característica como comum para a
subfamília Mimosoideae.

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Folíolo de Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan. Figs. 1-2 Lâmina Foliar: Fig. 1. Epiderme adaxial:
estômatos paracíticos (setas). Fig. 2. Visão geral da lâmina foliar em secção transversal: epiderme (cabeça de
seta), parênquima paliçádico (pp), cristais de oxalato de cálcio (setas), xilema (x), floema (fl) e bainha de fibras
(fe). Figs. 3-6. Secção Transversal do pecíolo. Fig. 3. Visão Geral do pecíolo: feixes acessórios (setas). Fig. 4.
Feixe acessório: cristais (setas), xilema (x), floema (fl) e feixe de fibras (fe). Fig.5. Sistema vascular do pecíolo
evidenciando grãos de amido (asterisco) e cristais (seta) Fig. 6. Detalhe do pecíolo: cristais de oxalato de cálcio
(setas), fibras gelatinosas (fg) Fig. 7. Secção transversal do peciólulo evidenciando tricomas (setas).
Escalas: Figs. 1, 2, 4, 5, 6 e 7: 40µm. e Fig. 3: 150 µm.

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CONCLUSÕES

 Caracteres anatômicos como estômatos do tipo paracítico e cristais de oxalato de


cálcio associados ao sistema vascular, são de ocorrência comum na Subfamília
Mimosoideae de acordo com a literatura consultada.
 Cutícula espessa, parênquima paliçádico mais desenvolvido que o lacunoso, folha
anfiestomática, esclerênquima abundante e fibras gelatinosas observadas nos
espécimes estudados, provavelmente, são caracteres induzidos por fatores ambientais
a que estão sujeitos nestas áreas ecotonais de caatinga/cerrado com influências de
diferentes domínios vegetacionais.

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ATIVIDADE LARVICIDA DO ÓLEO DE Jatropha sp. SOBRE LARVAS DE Aedes


aegypti L. (Diptera: Culicidae)

(Oil larvicida activity of Jatropha sp. against Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae))

Wallace Baldez Oliveira1, José Rafael da Silva Araujo1, Pedro Marcos de Almeida2,
Reginaldo Roris Cavalcante3, Francielle Alline Martins1

RESUMO
Com o surgimento de formas resistentes do mosquito Aedes aegypti aos inseticidas
convencionais, tem crescido a procura por extratos vegetais e substâncias naturais que sejam
efetivas no combate ao mosquito adulto e/ou à larva. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi
avaliar a atividade larvicida dos óleos de Jatropha gossypiifolia L., J. curcas L. e J.
mollissima (Pohl) Baill. contra larvas de A. aegypti. Larvas foram colocadas em placa de Petri
contendo 20 ml de emulsão água e óleo nas concentrações 0,625; 1,25; 2,5; 5,0 e 10 mL/L. A
atividade larvicida foi estimada a partir da taxa de mortalidade avaliada a cada 24h. O óleo de
J. gossypiifolia. apresentou maior atividade larvicida, com CL90 de 6,96 mL/L, enquanto o de
J. curcas. apresentou menor atividade, com CL90 de 9,55. Os resultados indicam que óleos
avaliados, principalmente o de J. gossypiifolia são compostos por substâncias com efeito
larvicida contra A. aegypti.
Palavras-Chave: Dengue. Biolarvicida. Óleo vegetal.

ABSTRACT
With the emergence of resistant strains of the mosquito Aedes aegypti to conventional
insecticides, it has increased the demand for plant extracts and natural substances that are
effective in combating adult mosquitoes and / or larvae. Thus, the aim of this study was to
evaluate the larvicidal activity of Jatropha gossypiifolia L., J. curcas L. e J. mollissima (Pohl)
Baill. oil against A. aegypti larvae. Larvae were placed in a Petri dish containing 20 ml of
water and oil emulsion at concentrations of 0.625; 1.25; 2.5; 5.0 to 10 mL/L. The larvicidal
activity was estimated from the rate of mortality was evaluated every 24 hours. The J.

1- Universidade Estadual do Piauí, CCN/ Teresina – PI [wallacebo.89@hotmail.com;


jrafaelquadros@hotmail.com ; profafrancielle@yahoo.com.br].
2- Universidade Estadual do Piauí, CCS/ Teresina – PI [pedromarcosalmeida@yahoo.com.br].
3- Universidade Federal do Piauí, Dep. de Parasitologia e Microbiologia/ Teresina – PI
[reginaldororis@ufpi.edu.br]

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gossypiifolia oil showed highest larvicidal activity with LC90 of 6.96 mL / L, while that of J.
curcas oil showed lower activity, with LC90 of 9.55. The results indicate that oils, and
particularly the J. gossypiifolia consist of substances with larvicidal effect against A. aegypti.
KEY WORDS: Dengue. Biolarvicide. Vegetable oil.

INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) dois quintos da população mundial


corre risco de contrair dengue (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009), sendo essa a segunda
arbovirose que mais faz vítimas pelo mundo. O Brasil é considerado o país com o maior
número de notificações da doença a partir do início do século 21 (BARRETO, 2008).
A transmissão do Vírus da Dengue ocorre principalmente no ambiente urbano, onde
estão inseridos os fatores fundamentais para a sua ocorrência: o homem, fonte de alimento do
mosquito, o vírus e o vetor, além das condições políticas, econômicas e culturais que
estabelecem e mantêm a cadeia de transmissão do ciclo homem - vetor – homem (LIMA et
al., 2006).
Nas zonas tropicais, o Aedes aegypti é o principal vetor responsável pela dengue. Sua
transmissão se dá pela picada de fêmeas do mosquito, infectadas por um dos quatro sorotipos
da dengue (DENV1-4), as quais pertencem ao gênero Flavivirus, da família Flaviviridae
(WEBSTER et al. 2009).
Quanto ao mosquito, apresenta grande potencial adaptativo tanto na fase larval como
na fase adulta, o qual apresenta alto grau antropofilico e sinantropico, consistindo no inseto
mais associado ao homem, o que propicia ao mosquito sua significante função epidemiologica
(NATAL, 2002).
Nos últimos anos o número de casos registrados e de mortes vítimas da dengue
aumentou, visto que o mosquito se tornou resistente aos inseticidas convencionais
(HEMINGWAY et al., 2000). Sabe-se que a maneira mais eficaz e ideal para o controle do
dengue seria a eliminação dos locais favoráveis à criação do mosquito. A maneira mais usual
ao controle da doença é a aplicação de produtos, o que podem resultar na resistência do
mosquito, implicando no aumento da dosagem desses produtos, causando maiores danos ao
meio ambiente, gerando outras doenças e prejuízos econômicos (COSTA et al., 2005).
Atualmente novas pesquisas estão sendo desenvolvidas em buscas de alternativas aos
inseticidas sintéticos como, por exemplo, a utilização de substancias natural como os extratos
de plantas com atividade inseticida. Estímulos a pesquisas com substâncias vegetais, que

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visam o controle de insetos vetores de doenças, como a dengue, são motivados pela não
toxicidade destes produtos a maioria dos animais e plantas e pelo fato de serem
biodegradáveis evitando a contaminação do meio ambiente (PIMENTA et al., 2006).
Entre os inseticidas botânicos, terpenoides, flavonoides e taninos são encontrados em
muitas especies gênero Jatropha, pertencentes à família Euphorbiaceae, uma das mais
extensas famílias de fanerógamas, compreendendo cerca de 307 gêneros e 6.900 espécies
(JUDD et al., 1999). A família tem se revelado bastante promissora para utilização como
bioinseticida, pois algumas de suas espécies como Jatropha curcas L., Ricinus communis L. e
Croton cajucara B., têm demonstrado excelentes resultados em pesquisas que avaliam suas
potencialidades como plantas possuidoras de atividades contra insetos considerados pragas na
agricultura (FERNANDES, 2012).
Neste sentido, existe a necessidade do desenvolvimento de compostos inseticidas
seguros contra vetores da dengue. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a atividade
larvicida do óleo de Jatropha sp. sobre larvas de Aedes aegypti L.

MATERIAL E MÉTODOS

Sementes de Jatropha curcas, J. gossypiifolia e J. mollissima foram coletadas entre os


meses de agosto de 2013 e janeiro de 2014, no entorno de Teresina, PI, enquanto larvas de
Aedes aegypti foram coletadas em Teresina/PI nos bairros onde tinham maior foco do
mosquito. Em seguida, as larvas foram levadas ao Núcleo de Entomologia da Universidade
Federal do Piauí (NEPI) para triagem e estabelecimento da população do mosquito. Os ovos
foram coletados da colônia e postos para eclodir em água mineral, a 28±5ºC, com fotoperíodo
de 12h e alimentadas com ração para gato triturada autoclavada, até atingirem o 3º estágio de
desenvolvimento para o preparo do bioensaio.

Preparação das emulsões óleo e água

O óleo foi extraído por solventes orgânicos, utilizando o hexano, o material (amostra e
hexano) foi incubado com agitação (190 opm) durante 8 horas a uma temperatura de extração
de 40 ºC, depois a amostra foi colocada em placas de Petri em um ambiente de 18 ºC, durante
48 horas, para promover a evaporação do solvente, após todo o solvente ter evaporado, as
placas foram colocados numa estufa com circulação de ar a 65ºC. Para a composição dos

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tratamentos os óleos foram diluídos em água mineral em concentrações de 0,625; 1,25; 2,5; 5
e 10 mL/L.

Bioensaio

Cada tratamento foi realizado em placa de Petri contendo 20 mL da solução teste.


Como controle positivo foi utilizado diflubenzuron na concentração utilizada pela vigilância
sanitária que é de 3 mg.L-¹ e como controle negativo foi utilizado água mineral. Para cada
amostra 20 larvas de 3º estágio foram testadas em triplicatas. As larvas tratadas e os controles
foram mantidos sob as mesmas condições de temperatura e luminosidade da criação. As
larvas exposta aos tratamentos com emulsões de óleo e água foram contabilizadas a cada 24
horas, sendo consideradas mortas as que não reagiram a estímulos mecânicos. O teste era
considerado finalizado apenas quando todas as larvas morriam ou virassem pupas.

Análise estatística dos dados

As taxas de mortalidade dos tratamentos e controles foram comparadas pelo teste de


Kruskal-Wallis a 5% de probabilidade, com auxílio do programa Bioestat 5.3 (AYRES, et al.,
2007). A equação de regressão linear foi estimada pelo Programa GENES (CRUZ, 2006) e
em seguida determinadas as concentrações letais 50 e 90%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Todos os óleos testados apresentaram atividade larvicida contra A. aegypti (Tabela 1).

Tabela 1. Comparação entre as taxas de mortalidade de J. curcas, J. gossypiifolia e J.


mollissima avaliadas após 5 dias de exposição ao tratamento com óleo.
Concentrações J. curcas J. gossypiifolia J. mollissima
0,625 mL/L 14,72 ± 16,12 ab 42,73 ± 23,17 a 43,14 ± 16,27 ab
1,25 mL/L 12,50 ± 21,65 a 46,67 ± 16,07 a 62,50 ± 34,80ab
2,5 mL/L 18,63 ± 18,62 ab 66,77 ± 17,80 ab 61,67 ± 32,15ab
5 mL/L 36,66 ± 32,15 ab 96,30 ± 6,42 b 94,41 ± 5,29b
10 mL/L 100,00 ± 0,00b 100,0 ± 0,00 b 100,00 ± 0,00b

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C.P. 100,00 ± 0,00 100,0 ± 0,00 100,00 ± 0,00


C.N. 0,00 ± 0,00 1,96 ± 3,40 0,00 ± 0,00
C.P. Diflubenzuron (3mg/mL); C.N.: Controle Negativo; a: não significativo quando
comparado ao controle negativo b: não significativo quando comparado ao controle positivo,
a 5% de probabilidade.
As avaliações do óleo de J. curcas foram conclusivas apenas para as concentrações T2
(1,25mL/L) e T5 (10 mL/L), para as demais concentrações a taxa de mortalidade não foi
conclusiva, uma vez que as mesmas foram não significativas em relação aos dois controles.
Apenas a concentração T5 apresentou atividade larvicida satisfatória.
Nas avaliações do óleo de J. gossypiifolia apenas a concentração T3 (2,5 mL/L) não
foi conclusiva. Para concentrações menores que T3 não foi observado efeito larvicida,
enquanto concentrações maiores que T3 apresentaram taxas de mortalidade em média igual ao
controle positivo.
O óleo de J.mollissima apresentou atividade larvicida para todas as concentrações
avaliadas, visto que a taxa de mortalidade média de todos os tratamentos foram não
significativas quando comparadas ao controle positivo, no entanto, apenas as concentrações
T4 (5mL/L) e T5 (10mL/L) foram consideradas efetivas no combate às larvas de A. aegypti,
visto que ambos diferiram do controle negativo.
Uma vez evidenciada atividade larvicida para todas as espécies avaliadas contra A.
aegypti no estágio larval 3, estimou-se uma equação de regressão linear e em seguida foram
determinados os valores das concentrações letais CL50 e CL90 (Tabela 2).

Tabela 2. Atividade larvicida de extratos aquosos do gênero Jatropha contra larvas de


terceiro estagio de A. aegypti.
CL50
Espécies CL90 (mL/L) Equação de regressão R²
(mL/L)
J. curcas 5,31 9,55 Y= 0,005 + 9,419X 0,245

J. gossypiifolia 0,63 6,96 Y= 45,984 + 6,325X 0,804

J. mollissima Nd 6,99 Y = 50,367 + 5,671X 0,807

CL50: Concentração letal que mata 50% das larvas expostas. CL90: Concentração letal que
mata 90% das larvas expostas. nd: não identificado. R²: coeficiente de regressão.

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Entre as espécies testadas do gênero Jatropha, o maior potencial larvicida foi


observado em J. gossypiifolia, com CL90 6,96 mL/L. A segunda maior atividade foi observada
em J. mollissima, com CL90 de 6,99 mL/L seguido de J. curcas com CL90 de 9,55 mL/L.
Outros testes já realizados com a Jatropha também confirmam a existência de
compostos com atividade larvicida e inseticida (FERNANDES, 2012; PHOWICHIT et al.
2008; ABDUL et al. 2008).

CONCLUSÕES

 Todas as emulsões de óleo e água avaliadas apresentaram atividade larvicida contra A.


aegypti. No entanto, os óleos das sementes de J.gossypiifolia e J. mollissima apresentaram-se
mais efetivos contra as larvas, enquanto o óleo de J.curcas apresentou menor atividade.
 Uma vez promissoras no combate ao A. aegypti, estudos subsequentes são necessários
para o isolamento dos compostos dessas espécies de Jatropha a fim de identificar a substância
responsável pelo efeito inseticida.

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AVALIAÇÃO DO POTENCIAL GENOTÓXICO E MUTAGÊNICO DA CASCA DE


Terminalia actinophylla (Mart).

(EVALUATION OF THE CYTOTOXIC AND GENOTOXIC POTENTIAL OF THE BARK OF


Terminalia actinophylla (Mart))

Francisca Mairana Silva de Sousa 1 , Francielly Sampaio Costa 1 , Francisco Soares


Santos Filho 1 , Renata Paiva dos Santos 1 , Francielle Alline Martins 1 , Pedro Marcos de
Almeida 2

RESUMO
Terminalia actinophylla é utilizada na medicina popular para o tratamento de
diarreias, perturbações estomacais e na cicatrização. Este trabalho teve como objetivo avaliar
os efeitos tóxicos, citotóxicos, mutagênicos e genotóxicos do extrato etanólico da casca da T.
actinophylla, através do sistema teste Allium cepa. Sementes de A. cepa foram submetidas a
diferentes concentrações do extrato (1,25; 2,5; 5 e 10 mg/mL), utilizando como controle
negativo,água destilada, e como controle positivo, a trifluralina.A toxicidade foi avaliada a
partir da variação do comprimento das raízes de A. cepa. A citotoxicidade, genotoxicidade e
mutagenicidade foram investigadas pela contagem de 5.000 células meristemáticas para cada
tratamento em microscópio óptico. Os resultados indicaram que o extrato possui efeito tóxico,
citotóxico, mutagênico e genotóxico nas concentrações utilizadas. Considerando a correlação
do teste A. cepa com testes realizados em mamíferos, provavelmente, o uso do extrato para
fins medicinais pode causar efeitos prejudiciais ao organismo.
PALAVRAS-CHAVE: Allium cepa. Alterações Genotóxicas.Extrato Etanólico.

ABSTRACT
Terminalia actinophylla is used in folk medicine for the treatment of diarrhea,
stomach disorders and wound healing. This work aimed to evaluate the toxic, cytotoxic,
mutagenic and genotoxic effects of the ethanolic extract of the bark of the T. actinophylla,
through the Allium cepa test system. Seeds of A. cepa were exposed to different
concentrations of the extract (1.25, 2.5, 5 and 10 mg/mL),using as negative control, distilled
water, and as positive control, trifluralin. Toxicity was evaluated from the variation of the
length of the roots of A. cepa. The cytotoxicity, genotoxicity and mutagenicity were
investigated by counting 5,000 meristematic cells for each treatment. The results indicated

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that the extract has toxic effect, cytotoxic, mutagenic and genotoxic at the concentrations
used. Considering the correlation of the A. cepa test with tests in mammals, probably, the use
of the extract for medicinal purposes can cause harmful effects to the body.
KEY WORDS: Allium cepa. Chromosome Aberrations. Ethanolic Extract.

INTRODUÇÃO

As plantas medicinais e seus subprodutos fazem parte dos medicamentos por vários
anos e somente no século XIX que os químicos iniciaram estudos sobre as propriedades dos
extratos vegetais, substituindo-os por substâncias ativas isoladas (FÃO et al., 2012). No
entanto, apesar do reconhecimento da importância das plantas medicinais, o seu potencial
farmacológico é ainda pouco utilizado. Segundo estimativas, o número de espécies vegetais
superiores pode chegar a 500.000, sendo que, apenas 15 a 17% destas já foram investigadas
quanto as suas propriedades medicinais (BARROS, 2008).
As espécies do gênero Terminalia apresentam diferentes atividades medicinais, como
antifúngica, anti-helmíntica, antimalárica, anticancerígena, hipoglicêmica, anti-inflamatória,
antibacteriana, antioxidante, antiulcerogênica, antiviral, antidepressora, tripanocida,
moluscicida, imunomodulatória, hepatoprotetora e cardioprotetora. Além disso, são ricas em
triterpenospentacíclicos e seus derivados glicosilados, flavonoides, taninos e outros
compostos aromáticos (AYRES; CHAVES, 2009).
Terminalia actinophylla (Mart), popularmente conhecida como chapada é uma árvore
pertencente à família Combretaceae, distribuída em regiões tropicais e subtropicais, presente
no Cerrado brasileiro. No Estado do Piauí,a casca seca e triturada da árvore tem sido usada na
medicina popular após a infusão em água quente para fins antidiarreicos e para estancar
ferimentos (PÁDUA et al., 2013). Segundo esses autores, o extrato etanólico da casca da
chapada não teve efeito genotóxico em testes com Drosophila melanogaster. No entanto,
plantas que possuem princípios ativos terapêuticos, também podem interagir no organismo
provocando instabilidade genética em consequência de danos cumulativos ou não ao DNA
(WOOD, 2001). Assim, há necessidade de realizar mais estudos de toxicidade dessa espécie
para melhor uso do seu potencial farmacológico, tornando-se necessária a identificação de
concentrações e doses que possam induzir possíveis efeitos adversos.
Modelos vegetais, como A. cepa, permitem avaliar os potenciais tóxico, citotóxico,
genotóxico e mutagênico da substância testada. O potencial tóxico pode ser estimado
mediante avaliação do crescimento radicular; o efeito citotóxico através do índice mitótico e

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análise de alterações celulares indicativas de morte celular. Já a genotoxicidade é avaliada


mediante análise de células meristemáticas com anomalias cromossômicas, tais como C-
metáfases, metáfases poliploides, aderências cromossômicas, perdas cromossômicas, anáfases
e telófases com pontes cromossômicas; e a mutagenicidade, mediante comparação do número
de células portadoras de micronúcleos e de quebras cromossômicas nas células
meristemáticas (FERNANDES; MAZZEO; MARIN-MORALES, 2009). Tal método de
avaliação de aberrações cromossômicas em raízes de A. cepaé validado pelo Programa
Internacional de Segurança Química (IPCS, WHO) e pelo Programa Ambiental das Nações
Unidas (CABRERA; RODRIGUEZ, 1999).
O sistema teste A. cepa destaca-se entre outras plantas por apresentar cromossomos
maiores e número reduzido (2n = 16) e alta sensibilidade em detectar agentes químicos
ambientais (MAZZEO; FERNANDES; MARIN-MORALES, 2011). Adicionalmente, esse
sistema é bastante recomendado para avaliar possíveis efeitos tóxicos dos extratos vegetais,
pois permite que o extrato testado em diferentes concentrações fique em contato direto com as
raízes de A. cepa, possibilitando análise de alterações na divisão das células meristemáticas
(PERON; CANESIN; CARDOSO, 2009).
Considerando a importância medicinal da T. actinophylla (chapada), o objetivo do
presente estudo foi avaliar o potencial tóxico, citotóxico, mutagênico e genotóxico em
diferentes concentrações do extrato etanólico da casca da chapada em raízes de A.cepa.

MATERIAL E MÉTODOS

Material Biológico

Folhas e frutos dachapada foram coletados em Picos (PI) a partir de várias plantas
adultas. A planta foi identificada pelo Dr.Francisco Soares, professor do Departamento de
Biologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI, Teresina) e uma exsicata da chapada (nº
21642) encontra-se no Herbário Graziela Barros da Universidade Federal do Piauí (PÁDUA
et al., 2013). As sementes de cebola, cv Vale Ouro IPA-11,encontram-se no Laboratório de
Genética da UESPI, Campus Poeta Torquato Neto.

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Preparo do Extrato Etanólico da Cascada Chapada

O extrato etanólico da casca da chapada (EECC) foi cedido pelo Núcleo de Estudos
sobre Propriedades Químicas de Plantas Medicinais da UESPI em janeiro de 2013.

Ensaio Allium cepa

O extrato etanólico da casca da chapada (EECC) em pó liofilizado foi posteriormente


diluído em água destilada em quatro concentrações (1,25; 2,5; 5 e 10 mg/mL) a serem
utilizadas no ensaio com A. Cepa. Em seguida, cem sementes de cebola, por placa Petri,
foram germinadas e após cinco dias foram transferidas para as quatro concentrações citadas
do extrato, por um período de 24 h. Como controle negativo (CN) foi utilizada água destilada,
e como controle positivo (CP) o herbicida trifluralina (0,84 ppm de princípio ativo), uma
substância de ação aneugênica (FERNANDES; MAZZEO; MARIN-MORALES, 2009).
Posteriormente, as sementes com as suas radículas foram retiradas das placas para avaliação
do comprimento com o auxílio de uma régua milimétrica e, em seguida, fixadas em Carnoy (3
etanol:1 ácido acético; v:v) por 6-8 h, à temperatura ambiente e estocadas a -20º C, até o
momento de confecção das lâminas.
Para a confecção das lâminas, as raízes foram lavadas três vezes em água destilada, de 5
min. cada, e hidrolisadas a 60 °C, por 10 min., em HCl 1N. Após a hidrólise, as raízes foram
novamente lavadas em água destilada e mantidas em frascos de vidro âmbar, contendo o
Reativo de Schiff, por 2 h em local escuro. Após esse período, as raízes foram lavadas em
água destilada, a região meristemática de cada raiz foi retirada e esmagada em uma gota de
carmim acético 2%, e as lâminas foram montadas com Entellan.
A toxicidade do extrato foi avaliada a partir da variação do comprimento médio de 30
raízes (VCMR), por tratamento. A citotoxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade foram
avaliadas pela contagem de 5.000 células meristemáticas (no total de 10 lâminas) em
microscópio óptico (aumento de 400x). Foram avaliados: (1) o índice mitótico
(citotoxicidade); (2) índice de alterações cromossômicas (genotoxicidade), incluindo C-
metáfases, metáfases poliploides, metáfases com aderências, metáfases com perdas
cromossômicas, perdas de cromossomos inteiros e pontes cromossômicas, e (3) o índice de
mutagenicidade, mediante contagem de quebras cromossômicas e micronúcleos.

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Análise Estatística

Os valores da toxicidade, citotoxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade foram


expressos em média. Análise estatística para todos os parâmetros analisados foi realizada no
programa ASSISTAT 7.7 (SILVA; AZEVEDO, 2002) mediante teste de Kruskal-Wallis, em
nível de 5% de significância.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Avaliação da Toxicidade e da Citotoxicidade

Nos testes de toxicidade, houve diminuição significativa na média de crescimento das


raízes observada com o aumento das concentrações do extrato etanólico da casca da chapada
(EECC) quando comparadas ao controle negativo (CN) (Tabela 1). Nos ensaios de
citotoxicidade, os valores do índice mitótico (IM) em células meristemáticas de radículas
submetidas às concentrações de 1,25; 2,5 e 10mg/mL do EECC e a trifluralina apresentaram
diferenças significativas(Tabela 1). Provavelmente, a presença de compostos polifenólicos,
como os taninos, encontrados na chapada e em outras espécies vegetais (ROJAS et al., 2012),
podem ser responsáveis pela inibição da divisão celular de A. cepa (TEIXEIRA et al., 2003) e
consequente toxicidade observada no presente estudo.

Avaliação da Mutagenicidade

A mutagenicidade pode ser avaliada pela presença de micronúcleos (MN), que podem
ser originados a partir de alterações no fuso mitótico (efeito aneugênico) ou a partir de
quebras cromossômicas (efeito clastogênico) (FENECH et al., 2011). No presente estudo, a
presença significativa de MN nas células meristemáticas de todas as concentrações testadas
do EECC e da trifluralina evidenciou o potencial mutagênico do extrato e do controle
positivo. A presença significativa de quebras cromossômicas (QC) (Tabela 1) e de pontes
cromossômicas (Tabela 2) nas menores concentrações (1,25 e 2,5 mg/mL) indica ação
clastogênica do extrato. Além disso, a presença significativa de brotos nucleares e de perdas
cromossômicas nessas concentrações e na trifluralina (Tabela 2) também indica ação
aneugênica. Enquanto nas outras concentrações (5 e 10 mg/mL) e na trifluralina, a presença
não significativa de QC (Tabela 1), mas significativa de pontes cromossômicas (Tabela 2)

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indica ação clastogênica. De maneira similar, a presença de brotos nucleares apenas na


concentração de 5 mg/mL promoveu ação aneugência. Resultados similares quanto à ação
aneugência/clastogênica dos MN foram previamente relatados (FERNANDES; MAZZEO;
MARIN-MORALES, 2009; FENECH et al., 2011).

Tabela 1. Valores do comprimento médio das raízes (VCMR), índice mitótico, médias dos
micronúcleos (MN) e quebras cromossômicas (QC) em células meristemáticas observadas
após tratamento das radículas de Allium cepa com extrato etanólico da casca da chapada e nos
controles negativo e positivo, após 24 h.

Tratamentos Células Meristemáticas

(mg/mL) VCMR Índice Mitótico Micronúcleos QC


(cm)
CN 3,21 ± 0,39 187,04 ± 25,00 1,79±2,09 0,47±0,79

1,25 2,69 ± 0,42* 270,09 ± 92,18* 10,47±7,22* 1,39±1,33*

2,5 2,89 ± 0,33* 178,74 ± 70,58* 3,89±1,63* 0,35±0,62*

5 2,84 ± 0,39* 211,45 ± 117,39 2,46±2,19* 0,28±0,46

10 2,38 ± 0,32* 175,26 ± 66,56* 5,04 ±3,21* 0,00

Trifluralina 1,49 ± 0,24* 270,70 ± 84,54* 10,43±7,84* 0,41±0,58

CN (água destilada):controle negativo. Trifluralina(0,84 ppm): controle positivo. VCMR:


valor do comprimento médio das raízes. QC: quebras cromossômicas. * Significativo no teste
de Kruskal-Wallis (p < 0,05). Total de 5000 células analisadas.

Avaliação da Genotoxicidade

Em relação à genotoxicidade, todas as concentrações do EECC apresentaram índice


total de alterações cromossômicas (AC) significativas nas células meristemáticas quando
comparadas com o CN (Tabela 2). Todas as concentrações testadas apresentaram C-metáfases
e aderências cromossômicas significativas. Enquanto os brotos nucleares foram significativos
em 1,25; 2,5 e 5 mg/mL. As células poliploides foram significativas em 1,25 e 5 mg/mL. As
células binucleadas e alterações nucleares não foram significativas.

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Alterações na segregação cromossômica durante a anáfase e telófase foram registradas


como perdas, pontes e multipolaridade (Tabelas 2). Dentre as alterações observadas foram
significativas à presença de perdas cromossômicas nas concentrações de 1,25; 2,5 e 10
mg/mL. Pontes cromossômicas significativas foram observadas em todas as concentrações
testadas. Enquanto anáfases multipolares não foram significativas em nenhuma das
concentrações testadas.

Tabela 2. Média das alterações cromossômicas (AC) em células meristemáticas de radículas


de Allium cepa, observadas após o tratamento por 24 h com o extrato etanólico da casca da
chapada em diferentes concentrações.

Tratamentos (mg/mL)
AC
CN 1,25 2,5 5 10 Trifluralina
BN 0,85 ± 1,21 2,97 ± 2,26* 2,83 ± 3,56* 1,42 ± 1,36* 0,82 ± 0,80 4,27 ± 3,98*
CB 0,38 ± 0,48 1,85±2,18 2,12±2,77 3,88±3,88 1,56±1,83 1,31±1,94
CP 0,00 0,18±0,39* 0,00 0,19±0,39* 0,00 4,11±9,24*
AD 1,59±1,78 7,50±3,79* 2,30±2,14* 1,14±2,31* 0,00 5,75±7,19*
CM 0,19±0,39 3,15±2,44* 1,15±1,11* 0,57±1,02* 0,00 11,49±14,32*
PC 0,19±0,39 1,67±1,74* 0,35±0,46* 0,38±0,91 0,00 1,31±1,78*
PT 0,66±1,18 3,70±2,43* 1,24±0,86* 0,95±0,89* 0,46±0,78* 2,14±3,13*
AMP 0,00 0,09±0,29 0,00 0,00 0,00 0,00
NA 0,00 0,00 0,18±0,37 0,48±0,92 0,00 1,15±2,82
Total 3,96±4,37 21,04±6,34* 10,11±4,33* 9,03±5,38* 2,73±2,62* 31,44±34,57*
AC: alterações cromossômicas. BN: brotos nucleares. CB: células binucleadas. CP: células
poliploides. AD: aderências cromossômicas. CM: C-metáfases. PC: perdas cromossômicas.
PT: pontes cromossômicas. AMP: anáfase multipolar com ponte. AN: alterações nucleares.
CN (água destilada):controle negativo. Trifluralina (0,84 ppm): controle
positivo.*Significativo no teste de Kruskal-Wallis (p < 0,05). Total de 5.000 células
analisadas.

Adicionalmente, o índice total de alterações cromossômicas (AC) na maior


concentração (10 mg/mL) foi significativo e menor. Provavelmente, a maior citotoxicidade
nesta concentração diminuiu o número de células em divisão celular e consequentemente não
foi observada a presença de outras alterações cromossômicas como observados por Leme e
Marin-Morales (2008). Enquanto, a maior genotoxicidade observada no tratamento de menor

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concentração (1,25 mg/mL) pode estar associada ao maior índice divisão mitótica, ou seja, o
maior número de células entrou em divisão, provocando maior índice de alterações
genotóxicas no material analisado, após a exposição ao extrato. Em relação à trifluralina, a
presença significativa das diferentes alterações cromossômicas (Tabela 2) também foi descrita
por Fernandes, Mazzeo e Marin-Morales (2009).

CONCLUSÕES

 O extrato etanólico da casca da chapada (EECC) provocou toxicidade e citotoxicidade


em A. cepa.
 O EECC possui efeito mutagênico devido à frequência significativa de MN em todas
as concentrações testadas, que provavelmente foram originados a partir de brotos
nucleares (1,25; 2,5 e 5 mg/mL) e perdas cromossômicas (1,25 e 2,5 mg/mL),
indicando a sua ação aneugênica.
 O EECC possui também efeito clastogênico devido à presença significativa de quebras
(1,25 e 2,5 mg/mL) e pontes cromossômicas em todas as concentrações testadas.
 O EECC também provocou alterações genotóxicas significativas, como C-metáfases,
aderências cromossômicas, brotos nucleares, células poliploides, perdas
cromossômicas e pontes cromossômicas.

AGRADECIMENTOS

À Universidade Estadual do Piauí (UESPI) pelo fornecimento das instalações e


infraestrutura para realizar o presente estudo. À Dra. Renata Paiva dos Santos do Núcleo de
Estudos sobre Propriedades Químicas de Plantas Medicinais da UESPI pela extração do
extrato etanólico da casca da chapada e ao Dr. Francisco Soares Santos Filho pela
identificação taxonômica do material botânico.

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AVALIAÇÃO DO EFEITO CITOGENOTÓXICO DO RITIDOMA DE Ximenia


americana L.

(EVALUATION OF THE CYTOGENOTOXIC EFFECT OF THE BARK OF Ximenia


americana L.)

Jardison de Oliveira Cunha 2, Josiane Costa Rocha2, Pedro Marcos de Almeida3, Francielle
Alline Martins4

RESUMO
Ximenia americana L. (Oleacaceae) é amplamente utilizada na medicina popular,
como cicatrizante e anti-inflamatório. O objetivo do presente estudo foi avaliar os efeitos
tóxico, citogenotóxico e mutagênico do extrato etanólico da casca de X. americana. Sementes
de A. cepa foram submetidas a diferentes concentrações do extrato (0,5; 1,0; 1,5 e 2,0mg/mL),
utilizando como controle negativo, água destilada. A toxicidade foi avaliada a partir da
variação do comprimento das raízes de A. cepa. A citogenotoxicidade e mutagenicidade
foram investigadas pela contagem de 5.000 células meristemáticas para cada tratamento. O
extratonão apresentou toxicidade em nenhuma das concentrações, enquanto a citotoxicidade
foi significativa em todas as concentrações. Os micronúcleos foram significativos em 1,5 e 2
mg/mL e apenas as células binucleadas foram significativas em 1,0 e 2 mg/mL. Considerando
que o extrato é aplicado na medicina popular, provavelmente, o seu uso deve ser utilizado
com cautela.
PALAVRAS-CHAVE: Alterações Cromossômicas. Micronúcleos. Teste Allium cepa.

ABSTRACT
Ximenia americana L. (Oleacaceae) is widely used in folk medicine as a healing and
anti-inflammatory. The aim of this study was to evaluate the toxic, citogenotoxicand
mutagenic effects of extract of the bark of X. americana. Seeds of A. cepa were exposed to
different concentrations of the extract (0.5, 1.0, 1.5 and 2.0 mg/mL) as a negative control,

1 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN - Teresina– PI


[jardisonoliveira@msn.com]
2 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN - Teresina– PI[joisecr@hotmail.com]
3 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCS - Teresina – PI
[pedromarcosalmeida@yahoo.com.br]
4 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN - Teresina– PI
[franufvr@yahoo.com.br].

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distilled water. Toxicity was evaluated from the variation of the length of the roots of A. cepa.
The citogenotoxicityand mutagenicity were investigated by counting 5,000 meristematic cells
for each treatment. The extract showed no toxicity at any concentration, while the cytotoxicity
was significant at all concentrations. The micronuclei were significant at 1.5 and 2 mg/mL
and binucleated cells were only significant at 1.0 and 2 mg/mL. Whereas the extract is used in
folk medicine, their use should probably be used with caution.
KEY-WORDS: Allium cepa Test. Chromosome Aberrations.Micronuclei.

INTRODUÇÃO

O Brasil é considerado o país que apresenta a maior diversidade genética vegetal do


mundo, com cerca de 55.000 espécies catalogadas, o que representa cerca de 20% do total
mundial (SANDES e DI BLASI, 2000). Muitas destas espécies ainda não foram analisadas
sob o ponto de vista fitoquímico, farmacológico e toxicológico, mas mesmo assim têm sido
utilizadas na medicina popular. As pesquisas realizadas para a avaliação do uso seguro de
plantas medicinais e fitoterápicos no Brasil ainda são incipientes, assim como o controle da
comercialização pelos órgãos oficiais em feiras livres, mercados públicos ou lojas de produtos
naturais (VEIGA; PINTO; MACIEL, 2005).
Ximenia americana L., popularmente conhecida como ameixa do mato, pertencente à
família Oleacaceae, é representada por árvores ou arbustos e representa uma das principais
espécies da Caatinga. No período seco, quando a maioria das espécies da Caatinga perde as
folhas, essa planta destaca-se pelas folhas totalmente verdes, o que caracteriza a sua
resistência à seca (FERNANDEZ e BEZERRA, 1990).
Ameixa do mato tem sido amplamente utilizada na medicina popular. A infusão das
folhas é usada como colírio, constipação, dor de dente, tosse, febre e angina. As raízes são
usadas no tratamento de doenças venéreas, edema e contra veneno de cobras (OMER e
ELNIMA, 2003). O decocto do ritidoma ou casca é aplicado contra hanseníase, malária,
cefaleia, moluscicida, infecções cutâneas, hemorroidas, inflamações de mucosas e dores de
cabeça (OGUNLEYE e IBITOYE, 2003; BRASILEIRO et al., 2008). O azeite extraído das
sementes tem ação antisséptica, enquanto as raízes são mascadas para tratar doenças venérias
e diarreias (ARRUDA et al., 2006; BRASILEIRO et al., 2008). Tanto o extrato da casca
como dos talos e folhas já tiveram sua atividade fungicida comprovada experimentalmente
(OMER e ELNIMA, 2003).

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Para a utilização da ameixa do mato como planta medicinal, muitos estudos ainda são
necessários, a começar, pela avaliação do potencial toxicológico do extrato da casca que tem
sido utilizados de forma empírica na medicina popular. Considerando que os testes de
toxicidade em animais leva a morte dos mesmos, alternativas para análise deste potencial
devem ser consideradas (BOTELHO et al., 2011). Neste sentido, testes de genotoxicidade e
mutagenicidade em modelos vegetais são os primeiros ensaios para a avaliação da
potencialidade de aplicação clínica de um novo material para uso medicinal, tornando-se
necessária a identificação de concentrações e doses que possam, eventualmente, induzir
possíveis efeitos adversos.
Modelos vegetais, como Allium cepa, permitem avaliar os potenciais tóxico
(crescimento radicular), citotóxico (índice mitótico), genotóxico (aberrações cromossômicas)
e mutagênico (micronúcleos e quebras cromossômicas) da substância testada. O sistema teste
A. cepa destaca-se entre outras plantas por apresentar cromossomos maiores e número
reduzido (2n = 16) e alta sensibilidade em detectar agentes químicos ambientais (MAZZEO;
FERNANDES; MARIN-MORALES, 2011). Adicionalmente, esse sistema é bastante
recomendado para avaliar possíveis efeitos tóxicos dos extratos vegetais, pois permite que o
extrato testado em diferentes concentrações fique em contato direto com as raízes de A. cepa,
possibilitando analisar alterações na divisão celular e aberrações cromossômicas das células
meristemáticas de A. cepa (PERON; CANESIN; CARDOSO, 2009).
Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo avaliar o potencial efeito tóxico,
citotóxico, genotóxico e mutagênico do extrato etanólicoda casca da ameixa do mato nas
células meristemáticas do modelo A. cepa.

MATERIALE MÉTODOS

Material Biológico

As cascas da ameixa do mato foram coletadas em Teresina (PI) a partir de várias plantas
adultas. A planta foi identificada pelo Dr. Francisco Soares, professor do Departamento de
Biologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI, Teresina). As sementes de cebola, cv
Vale Ouro IPA-11, encontram-se no Laboratório de Genética da UESPI, Campus Poeta
Torquato Neto.

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Preparo do Extrato Etanólico da Casca daAmeixa do Mato

O extrato etanólico da casca da ameixa do mato foi cedido pelo Laboratório de


Oleoquímica da Universidade Estadual do Piauí. Posteriormente, as diferentes diluições do
extrato etanólico da casca em água destilada (0,5; 1,0; 1,5; e 2,0 mg/mL), bem como o ensaio
A. cepa foram realizados no Laboratório de Genética (LABGENE) na Universidade Estadual
do Piauí - Campus Poeta Torquato Neto - Teresina (PI).

Ensaio Allium cepa

Sementes de A. cepa, cv Vale-Ouro IPA-11, foram germinadas em placas de Petri com


papel filtro umedecido com água destilada. Após sete dias de germinação, as sementes foram
colocadas nos diferentes tratamentos da solução aquosa da ameixa do mato, sendo: T1
(controle negativo) - água destilada; T2: 0,5 mg/mL; T3: 1mg/mL; T4: 1,5mg/mL e T5: 2,0
mg/mL.
Cada tratamento foi avaliado em triplicata, sendo cada placa de Petri preparada com
papel de germinação umedecido com 20mL da solução teste e 50 sementes. As preparações
foram mantidas à temperatura ambiente e após 24h, o comprimento médio das raízes foi
avaliado com auxílio de uma régua milimétrica.
Após avaliação do crescimento, as raízes foram coletadas e fixadas em Metanol:
Ácido Acético (3:1) no freezer a -20 ºC. Para análise citogenética, as lâminas foram
preparadas pela técnica de esmagamento (GUERRA e SOUZA, 2002) e coradas com Reativo
de Schiff, por 2 h em local escuro. Após esse período, as raízes foram lavadas em água
destilada, a região meristemática de cada raiz foi retirada e esmagada em uma gota de carmim
acético 2%, e as lâminas foram montadas com Entellan.
A toxicidade do extrato foi avaliada a partir da variação do comprimento médio de 30
raízes (VCMR), por tratamento. Para cada um dos cinco tratamentos foram avaliadas 4.000
células meristemáticas (no total de 8 lâminas) em microscópio óptico (aumento de 400x),
quanto as diferentes fases da divisão mitótica, possíveis alterações cromossômicas e
nucleares. A citotoxicidade foi avaliada pelo índice mitótico (IM) (número de células em
divisão/total de células), enquanto agenotoxicidade foi obtida dividindo o número de
alterações cromossômicas (C-metáfases, metáfases poliploides, metáfases com aderências,
metáfases com perdas cromossômicas, perdas de cromossomos inteiros e pontes

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cromossômicas) pelo total de células. O índice de mutagenicidade foi obtido mediante a


contagem de quebras cromossômicas e micronúcleos.

Análise Estatística

Os valores da toxicidade, citotoxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade foram


expressos em média. Análise estatística para todos os parâmetros analisados foi realizada no
programa BIOESTAT, mediante teste de Kruskal-Wallis em nível de 5% de significância
(AYRES et al., 2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No teste de toxicidade não foram observadas diferenças significativas dos tratamentos


quando comparados com o controle negativo (CN) para os valores do comprimento médio das
radículas de A. cepa (VCMR) (Tabela 1).

Tabela 1. Valores do comprimento médio das radículas (VCMR), índice mitótico, médias dos
micronúcleos (MN) e quebras cromossômicas (QC) em células meristemáticas observadas
após tratamento das radículas de Allium cepa com extrato etanólico da casca da ameixa do
mato e no controle negativo, após 24 h.

Tratamentos VCMR2 CélulasMeristemáticas


(mg/mL) (cm) Índice Mitótico MN3 QC4 MN + QC5
CN1 3,35 ± 0,88 255,31 ± 30,76 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
0,5 3,39 ± 1,06 438,31 ± 17,23* 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
1,0 3,12 ± 0,96 373,68 ± 27,06* 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
1,5 3,30 ± 1,14 367,15 ± 34,01* 9,70 ± 7,39* 0,00 ± 0,00 9,70 ± 7,39*
2,0 3,03 ± 0,78 343,11 ± 20,79* 7,00 ± 6,27* 0,30 ± 0,48 7,30 ± 6,55*
1
CN (água destilada): controle negativo. 2VCMR: valor do comprimento médio das raízes.
3
MN: micronúcleos. 4QC: quebras cromossômicas. 5(MN +QC): micronúcleos e quebras
cromossômicas nas células meristemáticas. *Significativo no teste de Kruskal-Wallis (p <
0,05). Total de 4.000 células analisadas.

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Por outro lado, nos ensaios de citotoxicidade foram observadas diferenças significativas
dos índices mitóticos (IM) em relação ao CN. O aumento das médias dos IM, pode estar
associado a proliferação descontrolada do ciclo celular das células meristemáticas de A. cepa
provocadas por compostos fitoquímicos da ameixa do mato. Resultados similares quanto ao
IM foram relatados na revisão realizada por Leme e Marin-Morales (2009).
A mutagenicidade pode ser avaliada pela presença de micronúcleos (MN), que podem
ser originados a partir de alterações no fuso mitótico (efeito aneugênico) e/ou a partir de
quebras cromossômicas (efeito clastogênico) (FENECH et al., 2011). No presente estudo, a
presença de MN nas células meristemáticas foi significativa apenas nas maiores
concentrações (1,5 e 2,0 mg/mL) em comparação com o controle (Tabela 1). Enquanto, a
presença de quebras cromossômicas (QC) (Tabela 1) e pontes cromossômicas (Tabela 2) não
foram significativas em nenhuma das concentrações testadas, o que indica ação não
clastogênica do extrato. Adicionalmente, a presenção não significativa de perdas
cromossômicas (Tabela 2) em todas as concentrações testadas também evidencia ação não
aneugênica do extrato.

Tabela 2. Média das alterações genotóxicas em células meristemáticas de radículas de A.


cepa, observadas após os tratamentos por 24h com extrato etanólico da ameixa do mato em
diferentes concentrações
Tratamentos (mg/mL)
AC1
CN2 0,5 1,0 1,5 2,0
BN3 4,38 ± 4,34 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 4,20 ± 13,28
CB4 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 6,90 ± 6,37* 5,30 ± 4,81 14,20 ± 12,14*
CP5 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,20 ± 0,63
AC6 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,70 ± 1,57 0,00 ± 0,08 1,20 ± 1,62
CM7 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,70 ± 1,16 0,80 ± 1,23 0,60 ± 1,07
PC8 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
PT9 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,70 ± 1,25 0,70 ± 2,21 0,50 ± 0,71
AMP10 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
1
AC: aberrações cromossômicas. CN (água destilada): controle negativo. 3BN: brotos
2

4 5 6
nucleares, CB: células binucleadas, CP: células poliploides, AC: aderências
7 8 9
cromossômicas, CM: C-metáfases, PC: perdas cromossômicas, PT: pontes
cromossômicas, 10AMP: anáfases multipolares. *Significativo no teste de Kruskal-Wallis (p <
0,05). Total de 4.000 células analisadas.
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Em relação à genotoxicidade, cada tipo de aberração cromossômica foi analisada e


apenas as células binucleadas foram significativas nas concentrações de 1,0 e 2 mg/mL do
extrato etanólico da ameixa do mato, sendo, o mesmo considerado genotóxico nestas
concentrações (Tabela 2).

CONCLUSÕES

As conclusões do presente estudo indicam que:


 O extrato etanólico da casca da ameixa do mato aumentou a proliferação celular e
consequentemente aumentou o índice mitótico, provocando citotoxicidade em A. cepa.
 O extrato possui efeito mutagênico nas maiores concentrações (1,5 e 2,0 mg/mL),
contudo a presença de MN nestas concentrações não apresentou nem efeito
aneugênico ou clastogênico.
 O extrato provocou apenas células binucleadas significativas nas concentrações de 1,0
e 2,0 mg/mL, indicando o seu potencial genotóxico nestas concentrações.

AGRADECIMENTOS

À Universidade Estadual do Piauí (UESPI) pelo fornecimento das instalações e


infraestrutura para realizar o presente estudo. À Dra. Renata Paiva dos Santos do Núcleo de
Estudos sobre Propriedades Químicas de Plantas Medicinais da UESPI pela extração do
extrato etanólico da casca da ameixa do mato e ao Dr. Francisco Soares Filho pela
identificação taxonômica da ameixa.

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BIOATIVIDADE DE EXTRATOS FOLIARES CONTRA LARVAS DE Aedes aegypti


L. (Diptera: Culicidae)
(Bioactivity of leaf extracts against larvae Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae))

Jose Rafael da Silva Araujo 3, Wallace Baldez Oliveira4, Maria Wlly da Silva Costa5
Reginaldo Roris Cavalcante6, Francielle Alline Martins7

RESUMO
Na busca por compostos químicos naturais para o controle alternativo contra Aedes
aegypti L., pesquisas são estimuladas em busca de novas substâncias inseticidas com baixo
impacto ao homem e ao ambiente. O objetivo deste estudo foi avaliar a bioatividade de 3
espécies de Jatropha sp. contra larvas de A. aegypti. Larvas do mosquito foram colocadas em
placa de Petri contendo 20 mL de solução em diferentes concentrações dos extratos foliares.
A taxa de mortalidade foi avaliada a cada 24h e os índices de mortalidade e a concentração
letal 50 e 90% foram estimados. O extrato foliar de J. gossypiifolia apresentou maior
atividade larvicida (CL90 56,56 mg.L-1), enquanto J. curcas apresentou menor atividade (CL50
301,61 mg.L-1e CL90 555,67 mg.L-1). O extrato de J. mollissima apresentou atividade
intermediária. Os resultados indicaram que os extratos foliares de Jatropha sp. apresentam
potencial bioinseticida contra A. aegypti, sobretudo o extrato de J. gossypiifolia.
Palavras-Chaves: Dengue. Bioinseticida. Jatropha.

ABSTRACT
Through the search of natural chemical compounds for alternative control against
Aedes aegypti L., many researches are developed and encouraged in order to find new
insecticidal substances with low impact to humans and the environment. The aim of this work
was to evaluate the bioactivity of 3 species of genus Jatropha against larvae of A. aegypti. For
each treatment, 20 larvae, in triplicate, were placed in Petri dishe containing 20 ml of
solution. The treated larvae and control the temperature were maintained at 28 ± 5ºC and 12h
photophase. The larvicidal activity, based on the mortality rate was evaluated every 24h. The

3
Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto/ Teresina – PI [jrafaelquadros@hotmail.com]
4
Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto/ Teresina – PI [wallacebo.89@hotmail.com]
5
Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto/ Teresina – PI [wlly_silva@hotmail.com]
6
Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portela/ Teresina – PI.
5
Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto/ Teresina – PI [francielle@uespi.br]

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aqueous extract of L. J. gossypiifolia induced the highest larvicidal activity with LC90 of
56.56 mg.L-1, while that of J. curcas L. showed less activity, with LC50 of 301.61 mg.L-1 and
555 LC90, 67 mg.L-1. These data indicate that extracts and particularly the J. gossypiifolia
consist of substances with larvicidal effect against A. aegypti.
Key Words: Dengue. Bioinsecticide. Jatropha.

INTRODUÇÃO

A dengue é uma doença viral infecciosa transmitida ao homem principalmente pelos


mosquitos do gênero Aedes (GUBLER, 1998; HALSTEAD, 2007). Essa doença se espalhou
pelo mundo rapidamente nos últimos 50 anos e teve sua incidência elevada em 30 vezes
devido à expansão geográfica de novos países e principalmente pela sua migração da zona
urbana para a zona rural.
Estima-se que 50 milhões de casos de dengue ocorram anualmente no mundo,
principalmente nos países endêmicos localizados entre os trópicos, nos quais vivem mais de 2
milhões de pessoas (WHO, 2008).
A transmissão do Vírus da Dengue ocorre principalmente no ambiente urbano, onde
estão inseridos os fatores fundamentais para a sua ocorrência: o homem, fonte de alimento do
mosquito, o vírus e o vetor, além das condições políticas, econômicas e culturais que
estabelecem e mantêm a cadeia de transmissão do ciclo homem - vetor – homem (LIMA et
al., 2006).
Nas zonas tropicais, o Aedes aegypti é o principal vetor responsável pela dengue. Sua
transmissão se da pela picada de fêmeas do mosquito, infectadas por um dos quatro sorotipos
da dengue (DENV1-4), as quais pertencem ao gênero Flavivirus, da família Flaviviridae
(WEBSTER; FARRAR; ROWLAND-JONES, 2009).
Esse mosquito aprensenta grande potencial adaptativo tanto na fase larval como na
fase adulta, o qual apresenta alto grau antropofilico e sinantrópico, consistindo no inseto mais
associado ao homem, o que propicia ao mosquito sua significante função epidemiológica
(NATAL, 2002).
A prevenção da dengue consiste em três fatores básicos: controle vetorial, implantação
de bons sistemas de vigilância e desenvolvimento de vacinas eficazes. Como ainda não existe
nenhuma vacina validada, a principal forma de manter a incidência de dengue sobre controle é
o combate ao vetor transmissor, principalmente, na eliminação de criadouros naturais e
artificiais dos mosquitos (COELHO et al., 2009). Produtos vegetais têm sido usados

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tradicionalmente pelas comunidades humanas em diferentes partes do mundo contra os


vetores e espécies de insetos. Além disso, produtos derivados das plantas são geralmente
preferidos devido à sua natureza menos prejudicial, tanto para o homem, como para o
ambiente, e, devido à sua biodegradabilidade inata (ALI; RAVIKUMAR; BEULA, 2013),
uma vez que a utilização de pesticidas químicos convencionais, tais como organoclorados e
organofosfatos, tem resultado no desenvolvimento de resistência do mosquito, promovendo
preocupações a saúde ambiental e humana (BOSIRE et al., 2014).
Os fitoquímicos derivados de fontes vegetais podem agir como larvicidas e
reguladores de crescimento de insetos e ter atividades deterrentes como já observado por
muitos pesquisadores (ALI; RAVIKUMAR; BEULA, 2013). Entre os inseticidas botânicos,
terpenoides, flavonoides e taninos são encontrados em muitas espécies de Jatropha sp.,
pertencentes à família Euphorbiaceae, uma das mais extensas famílias de fanerógamas,
compreendendo cerca de 307 gêneros e 6.900 espécies (JUDD et al., 1999).
Esta família tem se revelado bastante promissora para utilização como bioinseticida,
pois algumas de suas espécies como Jatropha curcas L., Ricinus communis L. e Croton
cajucara B., têm demonstrado excelentes resultados em pesquisas que avaliam suas
potencialidades como plantas possuidoras de atividades contra insetos considerados pragas na
agricultura (FERNANDES, 2012).
Neste sentido, o objetivo deste estudo foi avaliar a atividade inseticida de extratos
foliares de J. curcas L., J. gossypiifolia L. e J. mollissima sobre larvas de A. aegypti.

MATERIAL E MÉTODOS

Plantas

Amostras de Jatropha curcas, J. gossypiifolia e J. mollissima foram coletadas entre os


meses de agosto de 2013 e janeiro de 2014, no entorno de Teresina, PI. A identificação do
material botânico foi realizada junto ao acervo do Herbário Afrânio Nunes da Universidade
Estadual do Piauí, onde as exsicatas foram depositadas.

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Estabelecimento das colônias

Larvas de Aedes aegypti foram coletadas em Teresina/PI nos bairros onde tinham
maior foco do mosquito. Em seguida foram levados ao Núcleo de Entomologia da
Universidade Federal do Piauí (NEPI) para triagem e estabelecimento da população do
mosquito. Os ovos foram coletados da colônia e postos para eclodir em água mineral, a
28±5ºC, com fotoperíodo de 12h e alimentadas com ração para gato triturada, até atingirem o
3º estágio de desenvolvimento para o preparo do bioensaio.

Preparação dos extratos

Folhas jovens das 3 espécies de Jatropha foram dessecadas em estufa a 45°C por 5
dias e em seguida foram trituradas separadamente em um liquidificador. As soluções foram
preparadas contendo 200 mg da espécie vegetal triturada para cada litro de água mineral.
Após a preparação, o recipiente contendo a solução-mãe (200 mg.L-1) foi agitado por 5
minutos e mantido no refrigerador a 5°C por um período de 48h para extração dos compostos
hidrossolúveis. Decorrido esse tempo, a solução mãe foi filtrada e as diluições foram
realizadas para os respectivos tratamentos: 100, 80, 60, 40, 20, 10, 5 e 1 mg.L -1.

Bioensaio

Cada tratamento foi realizado em placa de Petri contendo 20mL da solução teste.
Como controle positivo foi utilizado diflubenzuron na concentração recomendada pela
vigilância sanitária municipal de Teresina - PI (3 mg.L-1) e como controle negativo foi
utilizado água mineral. Para cada amostra, 20 larvas de 3º estágio foram testadas em
triplicatas. As larvas tratadas e os controles foram mantidos sob as mesmas condições de
temperatura e luminosidade da criação. O número de larvas mortas foi contabilizado a cada
24h de exposição, sendo essas consideradas mortas quando não reagiram a estímulos
mecânicos. O teste foi conduzido até a morte de todas as larvas ou a verificação de apenas
pupas no tratamento.

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Análise estatística dos dados

As taxas de mortalidade dos tratamentos e controles foram comparadas pelo teste de


Kruskal-Wallis a 5% de probabilidade, com auxílio do programa Bioestat 5.3 (AYRES et al.,
2007). A equação de regressão linear foi estimada pelo Programa GENES (CRUZ, 2006) e
em seguida determinadas as concentrações letais 50 e 90%.

RESULTADOS

Após 5 dias de exposição aos tratamentos, observou-se a morte de todas as larvas em


contato com o Diflubenzuron (3 mg.L -1). Em relação ao controle negativo, a taxa de
mortalidade variou, em média, de 0 a 5,47% (Tabela 1).

TABELA 1. Comparação entre as taxas de mortalidade (%) de Jatropha curcas, J.


gossypiifolia e J. mollissima avaliadas após 5 dias de exposição aos extratos aquosos.
Concentrações J. curcas J. gossypiifolia J. mollissima
1 mg.L-1 1,85 ± 3,21 a 40,74 ± 19,51 a 39,08 ± 30,56 ab
5 mg.L-1 0,00 ± 0,00 a 50,29 ± 25,38 a 6,85 ± 7,58 a
10 mg.L-1 3,59 ± 3,06 a 75,98 ± 20,11 ab 20,90 ± 10,26 a
20 mg.L-1 3,42 ± 2,97 a 93,89 ± 6,74 b 18,75 ± 13,17 a
-1
40 mg.L 12,78 ± 2,55 b 100,0 ± 0,00 b 19,95 ± 2,29 a
60 mg.L-1 5,37 ± 5,56 a 100,0 ± 0,00 b 41,00 ± 23,34 ab
80 mg.L-1 26,14 ± 36,96 ab 98,33 ± 2,89 b 78,33 ± 6,41 b
100 mg.L-1 10,17 ± 5,01 b 96,49 ± 6,08 b 94,73 ± 9,12 b
C.N. 0,00 ± 0,00 1,67 ± 2,89 5,47± 0,36
C.P. 100,00 ± 0,00 100,00 ± 0,00 100,00± 0,00
C.N.: Controle Negativo (água mineral); C.P.: Controle Positivo (Diflubenzuron a 3 mg.L -1);
a: valores de média não significativos quando comparados ao C.N.; b: valores de média não
significativo quando comparado ao C.P. à 5% de probabilidade pelo teste Kruskal-Wallis.

Nos ensaios com J. curcas observou-se as menores taxas de mortalidade, sendo as


taxas de mortalidade observadas para as concentrações 1, 5, 10, 20, 60 e 80 mg.mL-1 não
significativas em relação ao controle negativo.

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Nas avaliações do extrato de J. gossypiifolia observou-se as maiores taxas de


mortalidade entre as espécies testadas. Apenas as concentrações 1, 5 e 10 mg.mL -1
apresentaram atividades larvicida não significativa em relação ao controle negativo. As
demais concentrações avaliadas apresentaram taxa de mortalidade média superior a 90% e
apresentaram atividade larvicida assim como o controle positivo. Atividade larvicida também
foi observada para o extrato de J. mollissima, sendo mais evidenciada nas concentrações
superiores a 60 mg.mL-1.
Uma vez observada atividade larvicida para todos os extratos testados contra A.
aegypti no estágio larval 3, estimou-se uma equação de regressão linear e em seguida foram
determinados os valores das concentrações letais CL50 e CL90 (Tabela 2).

TABELA 2. Atividade larvicida de extratos foliares do gênero Jatropha contra larvas de


terceiro estagio de A. aegypti.
CL50 CL90
Espécies Equação de regressão R²
(mg.L-1) (mg.L-1)
J. curcas 301,60 550,67 Y= 1,5619 + 0,1606X 0,492
J. gossypiifolia nd 56,56 Y= 63,3526 + 0,4711X 0,539
J. mollissima 53,30 108,10 Y = 11,1015 + 0,7298X 0,756
CL50: Concentração letal que mata 50% das larvas. CL90: Concentração letal que mata 90%
das larvas. nd: não determinado. R²: coeficiente de determinação.

Entre as espécies testadas do gênero Jatropha, o maior potencial larvicida foi


observado em J. gossypiifolia, com CL90 igual a 56,56 mg.L-1. A segunda maior atividade foi
observada em J. mollissima, com CL90 igual a 108,10 mg.L-1 seguido de J. curcas com CL90
igual a 550,67.
Em relação a CL50, foram observadas as concentrações 301,60 mg.L -1 e 53,30 mg/mL
para J. mollissima e J. curcas, respectivamente. Não foi possível determinar a CL50 para J.
gossypiifolia, visto que para a equações estimada o valor de Y quando X igual a 50 foi
negativo.
Matos (2004) cita o isolamento de apigenina, um flavonoide, em folhas de J.
gossypiifolia, além de outros compostos do mesmo gênero em toda a planta. Taninos e
triterpenoides, substâncias com grande atividade inseticida, também foram encontrados nas
folhas dessa mesma espécie (MARIZ 2007; MATOS 2004). Outros testes já realizados com a
planta também confirmam a existência de compostos com atividade larvicida e inseticida
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(ABDUL et al., 2008; FERNANDES, 2012; PHOWICHIT; BUATIPPAWAN;


BULLANGPOTI, 2008).
Jatrophone e jatropholones A e B, dois diterpenoides encontrados na J. mollissima, são
classificados como substâncias citotóxicas. Compostos fenólicos, alcaloides e terpenoides
também foram encontrados nesta espécie (ASSIS; PORTO; AGRA, 2013).
O extrato aquoso foliar de J. curcas, nas concentrações avaliadas não apresentou
atividade larvicida satisfatória quando comparado as demais espécies desse estudo. No
entanto, extratos de éter de petróleo de J. curcas mostrou ser mais eficiente na mortalidade de
larvas de A. aegypti, em que a CL90 estimada foi igual a 35,89 ppm (RAHUMAN et al.,
2007).

CONCLUSÕES

 Os extratos aquosos foliares das espécies de Jatropha avaliadas apresentaram


atividade larvicida para o A. aegypti, sendo, portanto, essas consideradas promissoras para o
desenvolvimento de bioinseticidas.
 Dentre as espécies avaliadas destacou-se J gossypiifolia, que apresentou a menor CL90
estimada.

AGRADECIMENTOS

Ao PIBIC-UESPI pela concessão da bolsa de estudos.

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CARACTERIZAÇÃO ANATÔMICA COMPARADA DA FOLHA de Cenostigma


macrophyllum TUL. (FABACEAE, CAESALPINIOIDEAE) EM ÁREAS
ECOLOGICAMENTE DISTINTAS

(COMPARATIVE ANATOMICAL CHARACTERISTICS OF LEAF Cenostigma macrophyllum TUL.


(FABACEAE, CAESALPINIOIDEAE) IN DIFFERENT AREAS ENVIRONMENTALLY)

Darlane Freitas Morais da Silva1, Maria de Fátima de Oliveira Pires2, Francisco Soares Santos
Filho2.

RESUMO
Objetivou-se estudar a anatomia foliar de duas populações de Cenostigma
macrophyllum Tul. conhecida vulgarmente como caneleiro, ocorrentes em áreas
ecologicamente distintas. Realizaram-se excursões ao campo para coleta e fixação de material
vegetativo, os quais passaram por metodologia usual no laboratório de biologia vegetal.
Efetuaram-se também testes histoquímicos e medidas do espessamento da cutícula e mesofilo.
Os estudos mostraram que os indivíduos analisados apresentam caracteres comuns à
Caesalpinioideae e a Cenostigma Tul. Já outros caracteres como cutícula mais espessa e
mesofilo mais desenvolvido nos espécimes de transição cerrado/caatinga, podem demonstrar
uma influência do ambiente na anatomia desses indivíduos.
Palavras-chave: Anatomia; Cenostigma macrophyllum; Ecologia.

ABSTRACT
Aimed to study the leaf anatomy of two populations of Cenostigma macrophyllum Tul.
commonly known as caneleiro, occurring in ecologically distinct areas, were held to field trips for
collecting and fixing of plant material, which went through the usual methodology in plant biology
laboratory. Also effected immunohistochemical tests and measures the cuticle and mesophyll. Studies
have shown that individuals have analyzed the common Cenostigma Tul. characters and
Caesalpinioideae. Have other characters as thicker cuticle and mesophyll more developed in
specimens of cerrado / savanna transition can demonstrate an influence of the environment on the
anatomy of these individuals.
KEY WORDS: Anatomy; Cenostigma macrophyllum; Ecology.
______________________________________________

1 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto, Teresina–PI[darlanebio@hotmail.com] 2-


Universidade Estadual do Piauí, CCN /Teresina – PI.

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INTRODUÇÃO

Cenostigma macrophyllum Tul. é conhecida popularmente como caneleiro, possuindo


hábito arbustivo ou arbóreo, folhas compostas, três a seis pares de folíolos, coriáceas,
inflorescência terminal, cacho, flores amarelas, fruto, deiscente, legume e sementes
abundantes. A floração ocorre durante a maior parte do ano (WARWICK & LEWIS, 2009). A
espécie é símbolo da capital do Piauí, Teresina (MACHADO, 2001).
No Brasil C. macrophyllum apresenta-se distribuída nas regiões de Minas Gerais,
Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraná, Pernambuco, Bahia, Goiás, Tocantins e Piauí,
ocorrendo em ambientes bastante diversificados como cerrado, caatinga e transição
(WARWICK & LEWIS, 2009).
A ocorrência de uma mesma espécie em áreas ecologicamente distintas, desperta o
interesse por um estudo anatômico comparativo entre estas populações contribuindo para a
caracterização ecológica e estrutural dessa espécie (PIRES et al., 2011).
Até o presente momento foram encontrados na literatura apenas trabalhos bioquímicos,
farmacológicos e taxonômicos referentes à C. macrophyllum. Entretanto, a literatura não cita
estudos específicos sobre a anatomia e/ou ecologia desta espécie.
Neste contexto, foi estudada a anatomia foliar de duas populações de Cenostigma
macrophyllum Tul. (Fabaceae, Caesalpinioideae) ocorrentes em áreas ecologicamente
distintas no Estado do Piauí, contribuindo dessa forma para um melhor conhecimento da
espécie em termos de estrutura anatômica e comportamento ecológico.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram realizadas excursões ao campo para reconhecimento da espécie, coleta e fixação


de material vegetativo. Os espécimes foram coletados em duas áreas ecologicamente distintas
no Estado do Piauí: uma área de transição cerrado/caatinga, no município de Juazeiro do
Piauí-PI. Os indivíduos da outra população foram coletados, numa área remanescente de
floresta estacional semidecidual, no Parque Zoobotânico, no município de Teresina-PI (Figs.
1 e 2).
Em cada área, foram selecionados cinco indivíduos, dos quais foram retiradas folhas
adultas que foram fixadas em FAA 50 (JOHANSEN, 1940) para os estudos anatômicos.
Foram ainda, coletados ramos férteis para herborização que serão incorporados ao acervo do
Herbário Afrânio Gomes Fernandes (HAF) da Universidade Estadual do Piauí (UESPI).

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O material vegetativo fixado em FAA 50 para estudos anatômicos foi posteriormente


armazenado em álcool 70%, e seccionado à mão livre. Foram utilizadas folhas do terceiro e
quarto nó e folíolos do ápice e meio. As secções transversais foram efetuadas no pecíolo,
raque, peciólulo e na lâmina foliar nas regiões ao nível da nervura central, meio e margem.
Para o estudo da epiderme foram efetuados cortes paradérmicos na face adaxial e abaxial.
As secções obtidas passaram pelo processo de dupla coloração com fucsina básica/azul
de astra (ROESER, 1972), montadas com glicerina 50% e vedados com esmalte incolor e
fotografadas.
As medidas de espessamento da cutícula e do mesofilo foram obtidas, por meio de
secções transversais da lâmina foliar. Estas medidas foram realizadas com ocular
micrométrica. Os cálculos estatísticos foram obtidos no programa BioEstat 5.0.
Os testes histoquímicos utilizados foram lugol para o amido, vermelho de rutênio para
pectinas e cloreto férrico 10% para compostos fenólicos (JOHANSEN, 1940), sudam IV para
compostos lipídicos (PEARSE, 1972) ácido clorídrico para cristais de oxalato de cálcio
(CHAMBERLAIN, 1932), sulfato azul de nilo para lipídios neutros (CAIN, 1947), e azul
brilhante de coomassie para compostos proteicos (FISCHER, 1968).

Figuras 1- 2. Áreas de estudo. Fig. 1. Área de transição cerrado/caatinga, no município de Juazeiro do Piauí-PI.
Fig.2. Área de mata semidecídua (zoobotânico), no município de Teresina-PI.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Lâmina foliar

Em vista frontal, as células epidérmicas da face adaxial e abaxial dos indivíduos


analisados nas duas populações apresentam paredes sinuosas (Figs. 3-5). Os estômatos nas
duas populações são do tipo paracítico e estão posicionados na face abaxial (Fig. 5). De
acordo com Metcalfe & Chalk (1957) a presença dos estômatos na face abaxial é uma
característica de Caesalpinioideae e o tipo de estômato uma característica de Cenostigma Tul.
Em secção transversal as células epidérmicas de todos os espécimes analisados
apresentam contorno redondo a retangular, sendo unisseriada em ambas as faces. Os
estômatos encontram-se ao mesmo nível das demais células epidérmicas. Quanto ao
espessamento da cutícula, esse caráter variou nas duas populações, porém não foi significativa
estatisticamente. (Fig. 6 e 7, Tabela 1). A presença de cutícula minimiza a perda de água em
plantas que crescem em ambientes secos, e também ajudando a bloquear a entrada de fungos e
bactérias patogênicas (TAIZ & ZEIGER, 1991).

Tabela 1. Média (X) do espessamento (µm) da cutícula da lâmina foliar de Cenostigma


macrophyllum Tul ocorrentes em áreas de transição (cerrado/caatinga) e mata semidecídua.
Área de estudo Local x
Face adaxial Face abaxial
Transição (cerrado/caatinga) Juazeiro do Piauí 5,610 2,985
Mata semidecídua Teresina 5,305 2,675
ns- não significativo (p<0,01)

O mesofilo de todos os indivíduos analisados é bilateral, constituído de duas camadas


de parênquima paliçádico e cerca de duas de parênquima lacunoso. O mesofilo dos indivíduos
pertencentes à área de transição apresenta-se de forma mais espesso, quando comparado aos
indivíduos da área de mata semidecídua (Figs. 6-7), sendo esta diferença estatisticamente
significativa (Tabela 2, Gráfico 1). Estudos mostram que podem ocorrer mudanças no
mesofilo em função da oferta de luz, assim geralmente o desenvolvimento do parênquima
paliçádico que recebe grande incidência de luz, apresenta aumento no comprimento anticlinal
das células (ESAU, 1974; CHABOT, JURIK & CHABOT, 1979). Tal argumento pode
justificar o mesofilo mais espesso nos espécimes de transição cerrado/caatinga, pois a
densidade destas árvores é menor do que da área de mata semidecídua, indicando uma maior
luminosidade da área e, assim, podendo influenciar no desenvolvimento do mesofilo.

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Tabela 2. Média (X) e variância (s2) do espessamento do mesofilo de Cenostigma


macrophyllum (µm) ocorrentes em áreas de transição (cerrado/caatinga) e mata semidecídua.
Área de estudo Local X s2

Transição (cerrado/caatinga) Juazeiro do Piauí 140,2950 444,9000


Mata semidecídua Teresina-PI 119,1750 162,4100
s- significativo (p>0,01)

Gráfico 1. Diferenças no mesofilo de Cenostigma macrophyllum (µm) ocorrentes em áreas de


transição (cerrado/caatinga) e mata semidecídua.

Mata semidecídua - Esq / Mata de transição - Dir

Na região do mesofilo das duas populações estudadas observam-se espaçadamente


estruturas secretoras, com conteúdo de coloração mostarda (Fig. 8), conteúdo este, que não
reagiu para compostos lipídicos, fenólicos, pécticos e proteicos, conforme testes
histoquímicos realizados. De acordo com Metcalfe & Chalk (1957) tais estruturas são
característicos de Cenostigma e raros para os demais taxa de Caesalpinioideae. Estudos
bioquímicos realizados na folha de C. macrophyllum relataram a presença de compostos
fenólicos e atividade antioxidante, que podem ser responsáveis pelo efeito de proteção contra
muitos processos patológicos (SOUSA et al., 2007; ALVES et al., 2012).
Os feixes vasculares são colaterais. Os de pequeno porte estão envolvidos por células
parenquimáticas de contorno arredondado, destituídas de cloroplastídeos, que se estende à
epiderme da face adaxial e abaxial, constituindo extensão de bainha (Fig. 6). Já os de médio e
grande porte estão envolvidos por uma bainha contínua de fibras, estando estas associadas a
cristais prismáticos de oxalato de cálcio (Fig. 9). De acordo com Metcalfe & Chalk (1957) a
presença de fibras e agrupamentos de cristais são característicos de Caesalpinioideae.

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A nervura mediana apresenta-se côncava na face adaxial e convexa pela face abaxial.
Observaram-se em ambas as faces tricomas tectores unicelulares (Fig. 10) e raros estrelados
(Fig. 11). Os feixes vasculares estão dispostos em forma de arco, sendo circundada totalmente
por uma bainha de fibras associadas a cristais, similares aqueles do mesofilo e adjacente, a
epiderme ocorre uma a duas camadas de colênquima angular (Fig. 12).

Peciólulo

O peciólulo apresenta contorno variável, redondo à levemente achatado na face adaxial


e convexo na abaxial. A epiderme é unisseriada, revestida por cutícula espessa, com tricomas
tectores unicelulares (Fig. 13) e em tufos, sendo estes caducos (Fig. 14), e ambos abundantes.
Observa-se sob a epiderme 6 a 8 camadas de células parenquimáticas, contendo cristais
semelhantes aos da nervura mediana e do mesofilo. Os feixes vasculares são similares aos da
nervura mediana, porém apresentando extremidades convolutas. Estes feixes estão
circundados por uma dupla bainha: a mais interna formada por células contendo cristais
prismáticos de oxalato de cálcio e a externa constituída por uma bainha amilífera (Fig. 15).

Raque e Pecíolo

A raque e o pecíolo de ambas as áreas apresentam contorno arredondado (Figs. 16 e 21).


A epiderme é unisseriada, revestida de cutícula espessa, com tricomas tectores unicelulares
(Fig. 17) e estrelados (Fig. 18), sendo estes caducos e ambos abundantes. Adjacente à
epiderme ocorre cerca de duas a três camadas de colênquima angular (Figs. 19 e 23). Os
feixes vasculares são colaterais dispostos em forma de círculo (Figs. 20 e 22) e envolvidos por
uma bainha de fibras associadas a cristais semelhantes aos anteriormente citados, os quais
também ocorrem dispersos na região cortical, sendo que na raque externamente a esta bainha
de fibras há uma bainha amilífera similar ao peciólulo, diferindo do pecíolo que apresenta
nessa região algumas células contendo grãos de amido. Já as regiões medulares da raque e do
pecíolo apresentam-se constituídas por células parenquimáticas, sendo algumas lignificadas.

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Figuras de 3-13. Folha de Cenostigma macrophyllum Tul. Figs. 3 e 6: Indivíduos pertencentes à área de
transição Cerrado/Caatinga. Figs. 4-5, 7-13: Indivíduos pertencentes à área de mata semidecídua. Figs.
1-12. Lâmina Foliar em secção transversal: Figs. 3-4. Epiderme adaxial com células de paredes
sinuosas(seta). Fig. 5. Epiderme. abaxial evidenciando estômatos paracíticos (seta). Figs. 6-7. Detalhe da
lâmina foliar: Cutícula (c), epiderme (e); mesofilo bilateral: parênquima paliçádico (pp), parênquima lacunoso
(pl), feixe de pequeno porte (seta). Fig. 8. Estrutura secretora (seta). Fig. 9. Nervura lateral evidenciando feixe
vascular de grande porte: cristais (seta), fibras (asterisco), xilema (x), floema (f). Fig. 10. Nervura mediana
evidenciando tricomas unicelulares tectores (seta), fibras (asterisco), xilema (x), floema (f). Fig. 11. Epiderme
adaxial da nervura mediana evidenciando tricoma estrelado (seta). Fig. 12. Detalhe da região abaxial da
nervura mediana evidenciando colênquima angular (asterisco) e cristais (seta). Fig. 13. Secção Transversal do
peciólulo: visão geral evidenciando os tricomas unicelulares tectores (seta), sistema vascular: floema (f),
xilema (x) e cristais (asterisco).
Escalas: Figs. 3-9, 11 e 12: 30μm. Fig. 10 e 13: 150μm

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Figuras 14-23. Folha de Cenostigma. macrophyllum Tul. Figs. 15, 18-20 e 23: Indivíduos pertencentes à
área de transição Cerrado/Caatinga. Figs. 14, 16, 17, 21 e 22: Indivíduos pertencentes à área de mata
semidecídua. Figs. 14-15. Secção Transversal do pecíolulo. Fig. 14. Tricomas em tufos (seta). Fig. 15.
Bainha externa evidenciando células com grãos de amido (seta);Bainha interna evidenciando cristais de
oxalato de cálcio (asterisco). Figs. 16-20. Secçao Transversal da raque foliar. Fig. 16. Visão geral : fibras
(asterisco), floema (f), xilema (x) e região medular (m). Fig. 17. Detalhe da raque mostrando tricomas
unicelulares tectores (seta). Fig. 18. Tricoma estrelado (seta). Fig. 19 Colênquima angular (asterisco) e
cristais (seta). Fig. 20. Detalhe do sistema vascular evidenciando floema (f), xilema (x) e fibras (asterisco).
Figs. 21-23. Secção transversal do pecíolo. Fig. 21. Visão geral do pecíolo. Fig. 22. Sistema vascular
evidenciando xilema (x), floema (f) e fibras (asterisco). Fig. 23. Colênquima angular (asterisco) e cristais
(seta).
Escalas: Figs. 14, 15, 17-19 e 23: 30μm. Figs. 20 e 22: 50μm. Figs. 16 e 21: 300μm.

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CONCLUSÃO

Os estudos da anatomia foliar de Cenostigma macrophyllum Tul. mostraram que os


indivíduos analisados apresentam caracteres comuns à Caesalpinioideae como estômatos na
epiderme da face abaxial, agrupamentos de cristais e feixes vasculares acompanhados por
fibras. Já estômatos paracíticos e estruturas secretoras ao longo do mesofilo são características
de Cenostigma Tul. Outros caracteres como cutícula mais espessa e mesofilo mais
desenvolvido nos espécimes de transição cerrado/caatinga, podem demonstrar uma influência
do ambiente na anatomia desses indivíduos.

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ENDOPARASITOS EM POMBOS (Columba livia domestica) QUE FREQUENTAM A


PRAÇA SARAIVA EM TERESINA – PIAUÍ

(ENDOPARASITES IN PIGEONS (Columba livia domestica) ATTENDING A SQUARE SARAIVA


TERESINA – PIAUÍ)

Fellype Antônio Pinto Albano 8, Tatiane Neves de Sousa1, Renata Vieira de Sousa Silva¹,
Jarrel Henrique Silva dos Santos¹, Simone Mousinho Freire².

RESUMO
O pombo doméstico é o mais conhecido por sua proximidade no convívio com o
homem e pode ser a causa direta de transmissão de doenças. Estudou-se a prevalência de
endoparasitos em fezes de pombos Columba livia domestica que frequentam a Praça Saraiva
em Teresina-PI. Foram colhidos 40 “pools” de fezes entre abril e maio de 2014, colhidos em
dias alternados da semana. As amostras foram analisadas pelos métodos de Hoffmann e Willis
no Laboratório da UESPI. Encontramos ovos de Ascaris sp. 5% (1/20), Enterobius sp. 5%
(1/20), Capillaria sp. 5% (1/20) e Strongyloides sp. 15% (3/20) pelo método de Willis. Pelo
método de Hoffmann os mais prevalentes foram de Ancylostoma sp. 20%(04/20), Ascaris sp.
5% (1/20), Balantidium sp. 10% (2/20), Capillaria sp. 15%(3/20), Enterobius sp. 10% (2/20)
e Strongyloides sp. 10% (2/20). O método de Hoffmann foi mais homogêneo com menor
variação entre as amostras, apresentado um coeficiente de variação (CV = 121,39 %).
PALAVRAS-CHAVE: Prevalência. Amostras fecais. Parasitos.

ABSTRACT
The domestic pigeon is best known for its proximity to the contact with the man and
may be the direct cause of disease transmission. We studied the prevalence of endoparasites
in stool pigeon Columba livia domestica attending Saraiva Square in Teresina-PI. Were
collected 40 "pools" of feces between April and May 2014, collected on alternate days of the
week. The samples were analyzed by the methods of Hoffmann and Willis at the Laboratory
of UESPI. We have found eggs of Ascaris sp. 5% (1/20), Enterobius spp. 5% (1/20),

1 – Graduandos de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto, Teresina –
PI [fellypealbano@hotmail.com]
2 - Professora de Parasitologia do Centro de Ciências da Natureza- CCN/UESPI, Teresina – PI.

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Capillaria sp. 5% (1/20) and Strongyloides sp. 15% (3/20) by the method of Willis. At the
most prevalent method of Hoffmann were Ancylostoma sp. 20% (04/20), Ascaris sp. 5%
(1/20), Balantidium spp. 10% (2/20), Capillaria sp. 15% (3/20), Enterobius spp. 10% (2/20)
and Strongyloides sp. 10% (2/20). The method of Hoffmann was more homogeneous with
less variation between samples, presented a coefficient of variation (CV = 121.39%).
KEY-WORDS: Prevalence. Fecal samples. Parasites.

INTRODUÇÃO

Os pombos urbanos são descendentes dos pombos-das-rochas (Columba livia domestica


Gmelin, 1789), originários das regiões rochosas do leste Europeu e África do Norte, trazidos
ao Brasil como animais de estimação ou aves domésticas, em meados do século XVI.
Algumas destas aves se libertaram do cativeiro e conseguiram sobreviver e conviver, de uma
maneira selvagem, nas regiões em processo de urbanização, onde se adaptaram muito bem,
devido a vários fatores, dentre eles a facilidade de encontrar alimento e abrigo (SCHULLER,
et.al., 2004).
No mundo foram catalogadas 225 espécies de pombos, das quais 23 ocorrem no Brasil,
onde não há espécies frugívoras, sendo os granívoros os pombos mais comuns (SICK, 1997).
Nos centros urbanos do Brasil é comum a grande presença de pombos, uma vez que há
uma disponibilidade de alimentos e condições climáticas favoráveis para reprodução destes
animais. Além disso, nesses locais não há predadores naturais que possam fazer o controle
biológico eficiente, o que facilita o crescimento desordenado da população (ROQUE, et.al.,
2005).
Os pombos podem ser a causa direta de transmissão de doenças infecciosas ao homem,
sendo as fezes as principais e maior via de eliminação de microrganismos, transmitindo
agentes patogênicos que causam risco a população, além de danificar monumentos históricos
e latarias de carros com seus excrementos ácidos (SCHULLER, et.al., 2004).
Sob o aspecto sanitário, quanto maior o número de indivíduos, maior será o perigo de
exposição da comunidade e de outros animais aos agentes patogênicos liberados nas excretas
destas aves. Em 1979 já tinham sido descritas, por Weber, 57 doenças associadas aos pombos,
desde aquelas que afetam somente as aves até as que infectam ao homem e a outros animais.
Deste total, seis eram causadas por protozoários, dentre eles: Endolimax nana (Wenyon &
O’Connor, 1917); Entamoeba coli (Grassi, 1879); Chilomastix spp e sete por helmintos, como

por exemplo, Hymenolepis spp, Ascaris spp (SCHULLER, et.al. 2004).

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Os pombos podem ser transmissores de vários patógenos como a criptococose


causadora de micose profunda, cujo agente etiológico o fungo Criptococcus neoformans
(Sanfelice, 1950) sua transmissão ocorre através da inalação de esporos presentes em fezes
secas de pombos; a histoplasmose, micose profunda, cujo agente etiológico, Histoplasma
capsulatum (De Monbreum 1933-1934), tem afinidade pelo sistema respiratório; a
salmonelose uma doença infecciosa aguda, cujo agente etiológico, Salmonela typhimurium
(EBERTH, 1880) tem afinidade pelo sistema digestivo, sendo transmitida através da ingestão
de alimentos contaminados com fezes de pombos contendo o agente etiológico. (NUNES,
2003).
Os patógenos podem ser transmitidos através da deposição de suas penas e pelos
dejetos eliminados pelos indivíduos. Dentre as doenças relacionadas nestes trabalhos,
destacam-se: ascaridíase, ancilostomíase, estrongiloidíase (SCHULLER, 2005).
Desta forma, o presente estudo buscou a identificação dos endoparasitos em excretas
de pombos (C. l. domestica) que frequentam a Praça Saraiva, localizada no centro de
Teresina-PI.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi desenvolvido no período de abril e maio de 2014, no espaço físico da


Praça Saraiva, situada no centro da cidade de Teresina–PI, caracterizada pela presença de
pombos que vivem em contato direto com a população que circula no local.
Foram recolhidos 40 “pools” de amostras fecais, sendo 20 para cada método, colhidos
em dias alternados da semana, com o auxílio de uma espátula e potes plásticos de 50 mL com
tampa conforme protocolo de Hoffmann (1987), ou seja, sempre evitando a coleta de
materiais com sujidades, retirando apenas as partes superiores e internas das amostras.
As fezes, colhidas e mantidas sob refrigeração, foram examinadas no mesmo dia no
Laboratório de Zoologia e Biologia Parasitária (ZOOBP) da Universidade Estadual do Piauí,
Campus Torquato Neto, pelos métodos de Hoffmann, Pons e Janer; e Willis modificado,
usando-se solução de sacarose. Foi padronizada para a análise a quantidade de cinco gramas
por método de análise.
Foram analisadas duas lâminas de cada método utilizado observadas no aumento de
10X e 40X em microscópio óptico.
Para análise estatística dos dados foi realizado o teste de Qui quadrado e estatística de
teste T a 5% de significância.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise revelou que 20 das 40 amostras (50%) analisadas apresentaram algum tipo
de estrutura parasitária. Pelo método de Willis modificado foram identificadas 06 amostras
positivas e pelo método de Hoffmann, 14 amostras (Tabela 1).

Tabela 1. Comparação entre as amostras positivas e negativas pelos métodos de Willis


modificado e Hoffmann, realizado nas analises dos 40 “pools” de amostras fecais dos pombos
(Columba livia domestica) que frequentam a Praça Saraiva em Teresina – PI.
Amostras positivas Amostras negativas
(presença de parasitos) (ausência de parasitos)
Método de Método de
Método de Willis Método de Hoffmann
Hoffmann Willis
06 14 13 07
Total 20 20

A comparação de técnicas mostrou que o método de flutuação em solução de sacarose


que corresponde ao procedimento de Willis modificado, mostrou-se de baixa eficiência na
procura por ovos de helmintos, permitindo identificar em média 5,94 espécies diferentes de
parasitos. A metodologia de Hoffmann apresentou maior positividade nas amostras estudadas
comprovando sua eficiência, identificando uma média 4,95 de parasitos e apresentando um
coeficiente de variação (CV = 80,91 %) (Tabela 2).

Tabela 2. Resultados das análises parasitológicas pelos Métodos de Hoffmann e Willis


modificado dos 40 “pools” de amostras fecais dos pombos (Columba livia domestica) que
frequentam a Praça Saraiva em Teresina – PI.
Métodos
Parasitos Hoffmann Willis modificado
Ancylostoma sp. (04/20) 20% -
Ascaris sp. (01/20) 5% (01/20) 5%
Balantidium sp. (02/20) 10% -
Capillaria sp. (03/20) 15% (01/20) 5%
Enterobius sp. (02/20) 10% (01/20) 5%
Strongyloides sp. (02/20) 10% (03/20) 15%

Total de Positividade 70% 30%

Foram encontrados ovos de parasitos do gênero Strongyloides sp., Ascaris sp.,


Ancylostoma sp., Enterobius sp., evidenciando a presença de helmintos nas amostras e
trofozoíto de Balantidium sp., evidenciando a presença de protozoários (Tabela 3 e Figura 1).

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Tabela 3. Relação dos Parasitos encontrados pelos Métodos de Hoffmann e Willis


modificado nos 40 “pools” de amostras fecais dos pombos (Columba livia domestica) que
frequentam a Praça Saraiva em Teresina – PI.
Parasitos f (%)
Ancylostoma sp. 20%
Ascaris sp. 10%
Balantidium sp. 10%
Capillaria sp. 20%
Enterobius sp. 15%
Strongyloides sp. 25%
Total 100%

Figura 1. Estruturas parasitárias identificadas nos 40 “pools” de amostras fecais dos pombos
da Praça Saraiva, em Teresina- PI. a) trofozoíto de Balantidium sp.;b) ovo de Ascaris sp.;c)
ovo de Ancylostoma sp.; d)ovo de Strongyloides sp.

a b

c d

Quanto aos parasitos nas amostras analisadas é importante salientar a presença de


helmintos como Ancilostomídeos, Ascaris sp., Strongyloides sp.,que são de grande
importância em Saúde Pública, não só pelas altas prevalências, mas pela diversidade de
manifestações clínicas que geram em seus hospedeiros e a presença de trofozoítos de
protozoários do gênero Balantidium sp., representando fonte em potencial de contaminação
de água e alimentos, pois estes são parasitos que ocorrem no ser humano e em outras espécies
animais como ruminantes e aves (FREITAS, 2004; GHARAVI, 2002; GRILLO, 2000;
OSAKI, 2010).
A prevalência de infecções parasitárias e, em particular, das endoparasitoses, está
diretamente relacionada ao comportamento, nutrição e desenvolvimento reprodutivo das aves,

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causando um déficit na densidade populacional. Isso porque propicia o aparecimento de


infecções secundárias, como o surgimento de enterite hemorrágica, abscesso no tecido
subcutâneo, hepático, pulmonar, infecções causadas por organismos que atinjam a corrente
sanguínea, acometendo outros tecidos, incluindo pulmões, fígado, baço, rins, intestinos,
musculatura esquelética e até mesmo cérebro, resultando em graves consequências sobre a
conservação das espécies avícolas e, em especial, daquelas ameaçadas de extinção (FREITAS
et al., 2002; MARIETTO et al., 2009).
Dentre as manifestações clínicas causadas por helmintos destaca-se diarreia, déficit
nutricional, edema, urticária, obstrução intestinal, alteração cutânea (manchas chamadas
popularmente de “pano”), anemias, cólicas. Além destas, pode-se citar sintomatologia nas
vias aéreas (Síndrome de Löeffler) como quadro pneumônico com febre, tosse, dispneia,
manifestações alérgicas, bronquite, eosinofilia. Já em relação aos sintomas clínicos causados
por protozoários, destaca-se disenteria, cólicas, náuseas e vômitos, diarreias
mucossanguinolentas, e hemorragias e perfuração intestinal, que se relacionam a casos fatais
de infecção (NEVES, 2011).
Outro problema relacionado à espécie pode ser observado nos monumentos e
construções da cidade que são atingidos pelos seus excrementos. Os dejetos do pombo
doméstico (C. l. domestica) são corrosivos e podem causar danos nas estruturas destas obras,
e o fato deste viver em bandos é um agravante, pois a concentração de um número maior de
indivíduos que pousam e fazem dormitório nestes locais contribui para o aumento do volume
das fezes e, conseqüentemente, dos prejuízos. O fator sanitário deve ser considerado como
agravante, já que essas aves são pouco seletivas em sua alimentação e possui uma frequente
aproximação do lixo e alimentos dispostos nas ruas (MATTHEWS, 2005; SCHULLER,
2005).
Outro transtorno se refere ao acúmulo de fezes, penas ou restos de ninhos, provocando
o entupimento dos sistemas de drenagem de águas pluviais, comprometendo o funcionamento
de equipamentos diversos que podem causar contaminações em diversas fontes de água e
alimentos (MATTHEWS, 2005; NUNES, 2003).

CONCLUSÕES

Os resultados deste trabalho demonstraram 50% de positividade para parasitos nas


amostras fecais analisadas, revelando elevado percentual de contaminação tanto por helmintos
como protozoários, evidenciando que os pombos são um importante disseminador destas

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parasitoses podendo transmiti-las ao ser humano e outros animais domésticos, uma vez que o
convívio entre eles é constante. Este estudo é pioneiro no que se refere a parasitoses
intestinais de pombos no Estado do Piauí.

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HEMOPARASITAS DE JIBOIAS (Boa constrictor constrictos, LINNAEUS, 1758 )


MANTIDAS NO SERPENTÁRIO DO PARQUE ZOOBOTÂNICO DE TERESINA, PI

(HEMOPARASITES OF JIBOIAS (Boa constrictor constrictor, Linnaeus, 1758)


MAINTAINED IN THE SERPENTARIUM ZOO AND BOTANICAL PARK OF TERESINA,
PI)

Juliane Nunes Pereira Costa1, Naira Soares1, Rômulo Aécio1, Fernanda Samara Barbosa
Rocha2, Ivete Lopes de Mendonça3

RESUMO
Os animais silvestres estão expostos a inúmeros agentes infecciosos e parasitários,
dentre eles os hemoparasitas, que são transmitidos por vetores hematófagos. Este estudo
objetiva analisar a existência de hemoparasitas nas serpentes Boa constrictor constrictor
pertencentes ao parque Zoobotânico de Teresina, levando em consideração a forma de manejo
e possíveis danos causados, utilizando-se 6 espécimes que mediam entre 1,46-2,24 m e peso
variando entre 3,5-19 kg . Os exames foram feitos através de exame clínico e de esfregaços
sanguíneos e analisados em microscópio óptico. Os resultados apresentados foram que
83,33% (5/6) apresentaram a infecção pela família Haemogregarinae. Sendo que 60% (3/6)
das serpentes apresentaram leve, 40% (2/6) apresentaram infecção média e 16,66 % (1/6) uma
não apresentou nenhum tipo de infecção. No exame clínico observaram-se alterações como
desidratação (50%) e anorexia (33,33%), nodulação pelo corpo, estomatite, problemas de
pele, cicatrizes e fraturas oriundas de traumas ou lesões.
PALAVRAS-CHAVE: Boa constrictor constrictor, Hemoparasitas, Cativeiro

ABSTACT
The wild animals are exposed to numerous infectious and parasitic, among them
hemoparasites agents that are transmitted by blood-sucking vectors. This study aims to
analyze the existence of hemoparasites Boa constrictor constrictor snakes in the park
belonging Zoobotânico Teresina, taking the form of management and possible damage into
_______________________________________________
1- Graduando de Medicina Veterinária, UFPI
2- Residente em doenças parasitárias no Laboratório de Sanidade Animal-LASAN
3- Profa. Dra. de Medicina Veterinária - UFPI e coordenadora do Laboratório de Sanidade Animal-LASAN

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account, using six specimens that mediate between weight ranging from 1.46 to 2.24 me from
3.5 to 19 kg. The examinations were made by clinical examination and blood smears and
examined by an optical microscope. The results were that 83.33% (5/6) showed infection by
Haemogregarinae family. And 60% (3/6) of the snakes had mild, 40% (2/6) had a mean
infection and 16.66% (1/6) one does not show any type of infection. On examination
abnormalities were observed as dehydration (50%) and anorexia (33.33%), nodulation by the
body, stomatitis, skin problems, scars and fractures arising from trauma or injury.
KEY WORDS: Boa constrictor constrictor, hemoparasites Captivity

INTRODUÇÃO

A jiboia (Boa constrictor) é o membro mais conhecido da família Boidae (MITCHEL;


TULLY, 2009) e pode ser encontrada em quase todas as partes do mundo, habitando
principalmente as regiões temperadas e tropicais (KOLESNIKOVAS et al., 2006).
Sub-espécies desta família, como a Boa constrictor constrictor (Linnaeus, 1758), pode
atingir até quatro metros de comprimento, possui cabeça longa, destacada do pescoço
lateralmente, dentes longos, fortes, corpo cilíndrico e ligeiramente comprimidos nas laterais,
com evidente e forte musculatura constritora e uma cauda forte .Se adapta bem ao cativeiro
quando suas necessidades básicas como alimentação, sanidade, umidade e temperatura são
supridas (FOWLER; CUBAS, 2001; MOSMANN, 2001; FORDHAM et al, 2007; TODD;
ANDREWS, 2008).
Um dos problemas encontrados em animais de cativeiro é a existência de endo e
ectoparasitas podendo provocar várias patologias. A grande maioria dos endoparasitas instala-
se no hospedeiro no mesmo instante em que as defesas imunológicas encontram-se baixas.
Com isso os efeitos de tal infecção tornam-se mais graves, e quando não levam ao óbito
deixam sequelas de grandes proporções, que podem dificultar a vida e o comportamento das
serpentes (BARBOSA et al., 2006).
No sangue dos animais selvagens, podem ser encontradas várias espécies de parasitas,
os hemoparasitas, que podem ser diagnosticadas por meio de exames hematológicos
(VENTURIN et al.,2007). Entretanto, devemos atentar para relação parasita-hospedeiro, o
estresse, entre outros fatores, antes de considerar a patogenicidade destes agentes
(ALMOSNY; SANTOS, 2001).
As Haemogregarinas apresentam o ciclo de vida padrão dos Apicomplexa, com
reprodução assexuada no hospedeiro vertebrado e reprodução sexuada no vetor. Espécies de

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Haemogregarina não podem ser distinguidas de Hepatozoon spp. tendo como base somente a
aparência de seus gamontes intraeritrocíticos e merontes hepáticos (MOÇO, 2012). Para a
confirmação da espécie é importante o conhecimento do modelo de desenvolvimento do
esporozoário no vetor, e que a mesma pode viver em serpentes e lagartos sendo transmitido
por ácaros, mosquitos e carrapatos, podendo existir mais de uma espécie no mesmo
hospedeiro (CRIZÓSTIMO, 2008).
A Haemogregarina é pouco patogênica, normalmente encontrada em animais sadios e
apenas causam pequenas alterações, principalmente anemia, quando há infecções severas
(CRIZÓSTIMO, 2008). Os exames laboratoriais podem ser considerados métodos eficazes
para diagnosticar e prevenir doenças e inclusive servir como bioindicador de qualidade
ambiental, uma vez que a saúde do meio ambiente influencia na biologia e ecologia dos
organismos que vivem nele (FALCE, 2009).
Em vista desse panorama e ainda considerando a escassez de estudos que contribuem
para a parasitologia veterinária de animais silvestres, este estudo objetivou pesquisar a
existência de hemoparasitas nas serpentes pertencentes ao parque Zoobotânico de Teresina,
levando em consideração a forma de manejo e possíveis danos causados.

MATERIAL E MÉTODOS

A presente pesquisa teve autorização do Parque Zoobotânico de Teresina, Comitê de


Ética em Experimentação Animal- CEEA/UFPI, sob o número 027/13 e do Sistema de
Autorização e Informações em Biodiversidade (Sisbio), sob o número 40720-1.
O estudo foi desenvolvido com 6 serpentes da espécie Boa constrictor constrictor
(Jiboia) mantidas no Serpentário pertencente ao Parque Zoobotânico de Teresina, do estado
do Piauí. Os espécimes mediam entre 1,46-2,24m e peso variando entre 3,5-19 kg.
A alimentação é a cada 15-20 dias dependo da digestão e sua procura por alimento,
que é feito a base de pequenos roedores. A administração de Ivemerctina a cada 6 meses é
usada como medida preventiva a altas taxas de parasitoses. Entretanto não há
acompanhamento com exames para avaliar a eficácia desta medida.
Após a contenção física realizou-se exames clínicos, incluindo inspeção da cavidade
oral, dos orifícios nasais e da membrana ocular, palpando-se todo o corpo do animal. A pele e
superfície interior das escamas examinadas em busca de ectoparasitas, problemas de muda,
trauma ou infecções. Todos os dados foram anotados em fichas individuais e posteriormente
avaliados.

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A coleta sanguínea foi realizada no período da manhã, sendo colhidos 1mL de sangue
pela veia ventral caudal ou por cardiocentese (Figura 1) procedimento realizado pelo Médico
Veterinário, com o auxilio de seringas e tubos contendo heparina sódica diluída (1:5)
preconizado para exame hematológico em repteis, confeccionou-se esfregaços sanguíneas
corados com giemsa. Posteriormente as laminas foram analisadas em microscopia óptica com
aumento de 100x, para pesquisa de parasitas intra e extras eritrocitários.
Os parasitas encontrados foram fotografados e identificados segundo Luz et al, 2012 e
Telford, 2009. Os hemoparasitas foram identificados pela presença de gametócitos
intracitoplasmáticos nos eritrócitos, apresentado formato de “linguiça” ou ovoide e núcleo
grande central ou periférico (THRALL et al., 2007).

A
rq
ui
Figura 1- Coleta sanguínea por cardiocentese (A) e por veia ventral caudal (B) (Foto:v
Naira Soares) o
pe
ss
RESULTADOS E DISCUSSÃO oa
l)
B
Durante a avaliação clinica foram observadas alterações como desidratação 50% (3/6)
e anorexia 33,33% (2/6). Realizada a palpação observou-se que 50% apresentaram
ectoparasitas (carrapatos). Uma apresentou-se com nódulos pelo corpo, duas com estomatite e
outra com mandíbula fraturada, sendo que a coloração da mucosa e membranas oculares
apresentava-se normais (Figura 2).

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A B C

D E F

Figura 2 Estomatite (seta preta) e carrapato (seta azul) (A); Disecdise (B); Nódulo
(seta vermelha) (C) ;Micoses superficiais (seta verde) (D); Lesão ( seta amarela)
(E); Desidratação e anorexia (F). ( Fotos: Juliane Nunes)

As afecções dermatológicas encontradas foi a disecdise, provavelmente relacionada a


desidratação e aos banhos de sol que não são realizados frequentemente. Observou-se micoses
superficiais 66,66% (4/6), que segundo Barbosa et al. (2006) são comumente encontrados em
cativeiros que apresenta umidade, devido sua preferência por esse ambiente e cicatrizes
(66,66% / 4) oriunda de algum trauma ou lesões sofridos. (Figura 2) (gráfico 1).
O ambiente onde se encontra os animais é amplo com troncos no seu espaço, estão
divididos entre três recintos, com duas serpentes em cada. Os espécimes mediam entre 1,46-
2,24m e peso variando entre 3,5-19 kg. E os sinais clínicos apresentados tem com indicativo
de estresses, adaptação ao ambiente e alimentação, confirmando o que Luz et al.,(2012)
propôs (Figura 3).

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70% desidratação

60% anorexia

50% infecções micóticas


superficiais
40% estomatite

30% nodulações

20% ectoparasitas

problemas de pele
10%
cicatrizes por traumas ou
0%
lesõe
Achados em Exame Clínico
Gráfico 1.Achados em Exames Clínicos

1 2
Figura.
A 3 Recinto das jiboias no Terrário (1); Exame Clínico (2). (Fotos:

Das serpentes estudadas, 83,33% (5/6) apresentaram a infecção pela família


Haemogregarinae. Sendo que 60% (3/6) das serpentes apresentaram infecção classificada
como leve (+), 40% (2/6) apresentaram infecção média (++) e 16,66 % (1/6) uma não
apresentou nenhum tipo de infecção, segundo a classificação de Luz et al.(2012) . Sendo
observada a presença de gamontes livres, que é a fase do ciclo de vida do hemoparasita
(Figura 4).

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A B

3
C D

Figura.4 (A) Eritrócito parasitado por hemogregarina (seta) em serpente com um grau
de parasitemia leve. (1) eritrócito (2) trombócito (3) monócito. (B) Eritrócitos
parasitados por hemogregarinas (setas) em serpente com um grau de parasitemia
médio (encontro entre limite máximo de infecção leve até três parasitos por campo
óptico). (C) (D)Eritrócito parasitado por hemogregarina (seta vermelha) e gamonte
livre (seta azul) (Foto: Arquivo pessoal).

Nessa pesquisa, a prevalência encontrada foi superior a estudo semelhante realizado


por Luz et al.(2012) em que determinaram a prevalência de hemogregarina em serpentes
cativas no Pará, encontrando uma positividade de 47,37 % nos animais que apresentavam-se
clinicamente doentes, incluindo as que estavam com ectoparasitas.
Em trabalho realizado com serpentes da espécie Boa constrictor amarali recém
capturadas no estado de São Paulo O’Dwyer et al (2003) e Moço et al. (2008) , também
encontraram menor índice de positividade menores para o gênero Hepatozoon spp. , 38,9% e
19,1 %, respectivamente.
Lopes et al. (2010) obteve índices maiores que o presente estudo , todas as serpentes
Boa constrictor mantidas em cativeiro no semiárido do estado do Rio Grande do Norte,
apresentaram eritrócitos infectados por Hepatozoon spp. e justifica a alta parasitemia
encontrada devido a ingestão de hospedeiro vertebrado intermediário infectado e presença
mosquitos e carrapatos.
Segundo Luz et al.(2012), a manutenção em cativeiro desses animais é de suma
importância para a existência ou não de parasito, devido a diferença de regimes de criação que

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essas serpentes apresentam em relação as outras que se apresentam livres. E que as alterações
imunológicas e fisiológicas, assim como a facilidade de transmissão de parasitos, está
relacionada com ambiente, confinamento, alimentação, estresse e aproximação com outros
animais.
A presença de hemoparasitas tem como facilitador da infecção a existência de
ectoparasitas nas serpentes devido acomodação em cativeiro (LUZ et al.,2012), mas que não
se pode descarta outras formas de transmissão, como por mosquitos e pela predação, não
podem ser descartadas. Pois algumas serpentes de estudo não apresentaram ectoparasitas, e
sabe-se que tratam apenas de animais oriundos de captura e encontrados em zonas urbanas.
Segundo Barbosa et al. (2006) esse confinamento facilita a prevalência desses ectoparasitas,
aumentando as chances de infecções.

CONCLUSÃO

Foi possível determinar a presença de hemogregarina em Boídeos mantidos em


cativeiro do Parque Zoobotânico de Teresina, tanto em serpentes sadias quanto enfermas.

AGRADECIMENTOS

Parque Zoobotânico de Teresina, Laboratório de Sanidade Animal-UFPI, os Médicos


Veterinários: Luciano Ursulino de Lucena, Alexandre Clarck Martins ao Biólogo Celso
Barbosa Mendes, e os graduandos de biologia Darlesson Geovani dos Santos Sousa e os de
veterinária Manuel Matheus Cunha Araújo, Lizandro Pereira de Abreu e aos demais, que
foram de grande ajuda nesse projeto .

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LEVANTAMENTO PRELIMINAR DE SERPENTES QUE HABITAM A ÁREA


LIVRE DO PARQUE ZOOBOTÂNICO DE TERESINA – PI.

(PRELIMINARY LIST SNAKES THAT INHABIT THE AREA FREE OF PARK ZOOBOTANICO
TERESINA – PI)

Darlesson Geovani dos Santos Sousa1, Raimundo Leoberto Torres de Sousa1, Simone
Mousinho Freire1 Vanessa Rodrigues Costa Fontinele2, Rômulo Aécio Alves Chaves2.

RESUMO
A fauna de serpentes da região neotropical caracteriza-se pela riqueza de espécies e
complexidade de relações ecológicas. No período de fevereiro à abril de 2014 foi realizado
levantamento da fauna de serpentes que habitam a área livre do Parque Zoobotânico de
Teresina, Piauí. A visualização ocasional foi o único método adotado na amostragem de
serpentes. Registrou-se 27 exemplares distribuidas em 4 famílias e 7 gêneros. A familia
Columbridae foi a mais representativa, com 60% das espécies, seguida por Boidae, com 27%.
Elapidae e Dipsadidae foram registradas com apenas uma espécie (6,5%) para cada família.
Uma espécie de importância medica foi encontrada: Micrurus ibiboboca. Um número
considerável de espécies foi encontrado durante a pesquisa, tratando – se do primeiro estudo
de levantamento faunístico de serpentes realizado nesta área do Parque Zoobotânico de
Teresina – PI.
PALAVRAS – CHAVE: Composição Faunística. Ofídios. Visualização Ocasional.

ABSTRACT
The snake fauna from Neotropical region is characterized by the richness and
complexity of ecological relationships. From February to April 2014 a survey of the fauna of
snakes that inhabit the area free of Zoo and Botanical Park of Teresina, Piauí was performed.
A casual viewing was the only method used for sampling snakes. Registered 27 copies
distributed in 4 families and 7 genera. The family Columbridae was the most representative,
60% of the species followed by Boidae, 27%. Elapidae and Dipsadidae were recorded with
only one species (6.5%) for each family. A kind of medical significance was found: Micrurus
___________________
1.Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto, CCN/ Teresina
[darlessonbio@outlook.com]
2. Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portela, CCA/ Teresina

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ibiboboca. A considerable number of species found during the search, trying - if the first
study of faunal survey of snakes held on the Zoo and Botanical Park area of Teresina - PI.
KEY-WORDS: Faunal Composition. Snakes. Occasional viewing.

INTRODUÇÃO

As Serpentes são répteis pertencentes à ordem Squamata, subordem Ophidia, sendo que
esta subordem se divide em várias famílias, onde as principais são os Boídeos (Família
Boidae) representados pelas serpentes de tamanho e volume avantajados, os Viperídos
(Família Viperidae) onde se encontram as serpentes mais venenosas do Brasil, e os Elapídeos
(Família Elapidae) onde encontramos as serpentes conhecidas como corais verdadeiras. São
caracterizadas pela ausência de membros locomotores e pela sua facilidade de deslocamento
da mandíbula podendo ingerir presas bem maiores que elas mesmas (STORER, 1991).
Quando se faz estudos da sistemática de serpentes de um ecossistema podem - se criar
programas preventivos contra a caça de espécies locais, visto que este fato pode desencadear
um desequilíbrio nas relações ecológicas já que elas são importantes controladoras de
populações de anfíbios e roedores. Outro fator importante deste tipo de estudo é mapear e
identificar possíveis serpentes peçonhentas que habitam o local, evitando assim acidentes
ofídicos que possam ocorrer. Além disso com o conhecimento sobre as espécies locais é
possível realizar programas de educação ambiental que visam a preservação das mesmas, e
abrir novas oportunidades de pesquisas com as serpentes que foram identificadas (DELFINO;
RABELO, 2007).
Poucos são os registros de estudos sobre levantamento de serpentes em áreas de
preservação no Piauí, no entanto, alguns trabalhos como estes estão sendo realizados em
outras locais, como áreas de preservação da mata atlântica (MARQUES, 1998), do cerrado
(SIMONE e JÚNIOR, 2008; PEDRO e PIRES, 2009), mas as regiões florestais da Amazônia
ainda concentram o maior número de levantamentos e composição da herpetofauna
neotropical (MARQUES, 1998). Alguns trabalhos realizados sobre levantamento de serpentes
em área de preservação utilizaram de diversos métodos para a capturas destas, mas
visualização ocasional foi um dos principais métodos utilizados nestes tipos de trabalhos
(SAMPAIO et al., 2007). Armadilha de interceptação e queda (Pitfall) (JÚNIOR e GRANDI,
2007; TURCI e BERNARDE, 2008) e, postos de coletas também foram utilizados (PEDRO e
PIRES, 2009).

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Fatores como sazonalidade, métodos de captura, caracterização do habitat entre outros,


são cruciais para o sucesso destes tipos de estudo (MARQUES, 1998). Contudo um dos
principais problemas enfrentados é a degradação dos ambientes naturais, tendo como
principal consequência à redução drástica de populações de répteis e outros animais,
observados principalmente em espécies arborícolas, que não se adaptam a impactos
antrópicos. (SAMPAIO et al, 2007).
Dentre as principais serpentes encontradas em trabalhos de levantamento estão as
pertencentes da família Columbridae, já que esta representa a família com maior número de
espécies descritas (SIMONE e JÚNIOR, 2008), vários casos de Viperídeos também são
relatados em áreas de cerrado (PEDRO e PIRES, 2009), Boídeos como Boa constrictor
constantemente são relatados nos trabalhos realizados em diversas áreas do país (SIMONE e
JÚNIOR, 2008).
Pela necessidade de se conhecer a fauna de serpentes do Estado do Piauí, uma vez que
há poucos registros de levantamentos delas no nordeste, o presente estudo visou identificar e
mapear as serpentes que habitam a área livre do Parque Zoobotânico de Teresina.

MATERIAIS E MÉTODOS

O Parque Zoobotânico de Teresina localizado no bairro Morros, zona leste, é um dos


principais centros turísticos da cidade, possui uma área geográfica de 153 hectares cercado
por uma área de vegetação fechada e uma área aberta onde se localizam os recintos e os locais
de passeio. O parque tem um acervo de 200 animais, dentre eles répteis, aves e mamíferos. A
área livre do Parque Zoobotânico de Teresina consiste em mata fechada composta por
vegetação predominantemente do cerradão, onde encontramos também uma lagoa que divide
a área do parque com outros bairros próximos.
Foram realizadas 15 buscas nos meses de fevereiro à abril que caracteriza o período
chuvoso da região, os horários das buscas foram divididos em matutino, vespertino e noturno,
sendo que o primeiro era de 05:00 às 09:00h, o segundo de 16:00 às 19:00h e o último de
21:00 às 00:00h . O método empregado no estudo foi a visualização ocasional. As serpentes
encontradas por visualização ocasional, visto que não foi realizada nenhuma armadilha para
captura destes animais, as serpentes encontradas foram registradas por fotos e identificadas
com ajuda do catálogo, feito pelos próprios membros do estudo, e só foram contidas ou

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manejadas quando estavam em um local de difícil acesso, dificultando o registro de fotos e/ou
a sua identificação.
Os registros obtidos foram levados ao Laboratório de Zoologia e Biologia Parasitária
(ZOOBP) da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), e as sepentes foram identificadas com
ajuda das referências bibliográficas e chaves de identificação segundo Bérnils e Costa (2012).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram registrados 27 exemplares de 8 espécies de serpentes, distribuidas em 4 famílias


e 7 gêneros. A família Columbridae foi a mais representativa, com 60% das espécies
encontradas, seguida por Boidae, com 27% das espécies. Elapidae e Dipsadidae foram
registrada com apenas uma espécie (6,5%) para cada família. Na tabela 1, são listadas as
espécies registradas e a família que cada uma pertence.

Tabela 1. Espécies e famílias de serpentes encontradas em área livre do parque zoobotânico


de Teresina - PI no período de fevereiro a abril de 2014.
_________________________________________________________________________
Espécie Encontradas Famílias
_________________________________________________________________________
Leptophis ahaetulla Columbridae
Chironius flavolineatus Columbridae
Chironius carinatus Columbridae
Sibynomorphus mikanii Columbridae
Boa constrictor Boidae
Epicrates cenchria Boidae
Philodryas olfersii Dipsadidae
Micrurus ibiboboca Elapidae
________________________________________________________________________
Os locais com maior número de serpentes observadas, dentre elas Leptophis ahaetulla,
Boa constrictor, Chironius flavolineatus, Chironius carinatus e Epicrates cenchria eram entre
galhos de árvores e entre arbustos, sendo que o horário noturno foi o que apresentou maior
número de exemplares.

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Todos os exemplares de Micrurus ibiboboca foram encontradas em tocas, sendo esta a


única espécie de importância médica registrada durante o estudo. Observamos um único
exemplar de Sibynomorphus mikanii encontrada entre folhages do chão. A maioria das
serpentes encontradas eram filhotes comprovando que é no período chuvoso que elas estão
em maior atividade reprodutiva.
A espécies L. ahaetulla pertencente à família Columbridae foi a mais registrada durante
as buscas (Figura 1A).

Figura 1. Serpentes encontradas durantes trilhas vespertinas em área livre do Parque


Zoobotânico de Teresina – PI. A) L. ahaetulla B) B. constrictor C) C. flavolineatus D) M.
ibiboboca

A área livre do Parque Zoobotânico de Teresina abriga uma riqueza significante de


espécies, principalmente por se tratar de uma área que sofre constantes modificações
humanas. Como em muitos outros estudos de levantamento de serpentes, a família
Columbridae foi a mais representativa, principalmente pelo fato desta família englobar o
maior número de espécies descritas, também foi encontrado dois exemplares de uma espécie
capaz de oferecer risco de acidente ofídico: Micrurus ibiboboca, que foram encontradas em
áreas próximas aos locais de visitação oferecendo assim risco aos visitantes. Até o presente

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momento a visualização ocasional se mostrou como um método bastante eficiente o que


permitiu encontrar uma diversidade significante de serpentes. Mas as coletas de dados para
este estudo continuará sendo realizada até setembro de 2014, quando, segundo o cronograma
estabelecido, serão encerradas as atividades do mesmo.

CONCLUSÕES

Dados deste estudo revelam a ocorrência de 8 espécies de serpentes encontradas na área


livre do Parque Zoobotânico de Teresina – PI. A família Columbridae foi a mais
representativa, seguida por Boidae, Elapidae e Dipsadidae.
Assim como houve uma diversidade significativa de serpentes, outros animais foram
encontrados em abundância como insetos, aracnídeos, anuros, aves de pequeno porte e
roedores, no entanto, muitos estudos precisam ainda serem feitos para que sejam realizados
novos levantamentos faunísticos e criação de programas de preservação, principalmente por
ser tratar de um local de proteção ambiental.

AGRADECIMENTOS

À direção do Parque Zoobotânico de Teresina – PI, por nos disponibilizar os


instrumentos de contenção física usados durante o estudo. A Frankly Rodrigues Faria Sobral e
Eric Carvalho Waquim pelo auxílio durante as tilhas noturnas. A João Alberto Viana Paz
Neto pelo auxílio nas fotografias registradas durante o estudo.

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LEVANTAMENTO DA FLORA EPIFÍTICA VASCULAR EM MATA DE ATTALEA


SPECIOSA MART. EX SPRENG.

(SURVEY OF EPIPHYTIC VASCULAR FLORA IN FOREST OF Attalea speciosa MART. EX


SPRENG.)

Sergio Kennedy Vieira da Silva1, Silvia Maria Collturato Barbeiro 2

RESUMO
Os babaçuais resultam da ação antrópica e traduzem as primitivas florestas dicótilo-
palmáceas representadas pela presença quase exclusiva do babaçu. O Piauí concentra as
maiores extensões desta fisionomia. O objetivo deste trabalho foi levantar as epífitas
vasculares presentes em Attalea speciosa, classificando as espécies em categorias ecológicas.
Coletas sistemáticas mensais foram efetuadas na Fazenda Nazareth, município de José de
Freitas-PI, durante doze meses. A flora está constituída de 11 espécies, distribuídas em 11
gêneros pertencentes a nove famílias. Araceae e Orquidaceae foram as famílias de maior
representatividade específica, contribuindo com 37%. As espécies foram classificadas como
holoepifitas acidentais (45% do total), hemiepífitas (27%), holoepifitos facultativos (18%) e
holoepífitas verdadeiras (9%). Araceae, Orquidaceae e Pteridophyta são os grupos mais
especializados neste hábito e mostraram maiores diversidade e representatividade na categoria
de holoepífitos. O pequeno número de epífitos amostrados pode estar relacionado tanto à
sazonalidade climática quanto à vegetação homóclina ou subhomóclina que podem atuar
como fatores limitantes em relação à disponibilidade hídrica e baixa luminosidade, além da
pouca ou nenhuma diversidade do forófito e consequentemente de habitats.
PALAVRAS – CHAVE: Babaçu, composição florística, epífitas

ABSTRACT
The babassu palm grove or forest is usually a result of human action and represent the
primitive forests dicótilo-palmácease and composed almost exclusively by babassu palm.
Piauí state concentrates the largest areas of this physiognomy. The aim of this study was to
__________________________________________

1 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto, Teresina –


PI[sergiokennedy_bio@hotmail.com]
2- Universidade Estadual do Piauí, CCN /Teresina – PI.

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assess the vascular epiphyte present in Attalea speciosa and to classify the species in
ecological categories. Monthly systematic collections were made in Nazareth Farm, located
in Jose de Freitas-PI, during twelve months. The flora is composed of 11 species belonging to
11 genera and belonging to 9 families. Araceae and Orchidaceae with two species each,
showed the highest specific representation contributing 37%. The species were classified as
accidental holoepiphytes (45% of the total), hemiepiphytes (27%), facultative holoepiphytes
(18%) and true holoepífita (9%) of. Overall, Araceae, orchidaceae and Pteridophyta are
considered the most common groups and showed a large diversity and representation among
the holoepiphytes category. The small number of sampled epiphytes can be related both to the
seasonality for the type of homóclina subhomóclina or dense vegetation that can act as
limiting factors in low light and water availability ratio, in addition to little or no diversity of
habitats and consequently diverse phorophyte.
KEY – WORDS: Rubs, floristic composition, epiphyte

INTRODUÇÃO

Através dos tempos, o uso dos recursos florestais e a exploração de matas nativas pelo
homem, reduziram de modo drástico diversas comunidades vegetais, levando a formação de
clareiras e alterando de forma importante a estrutura da vegetação original.
Os babaçuais ou mata de cocais, na maioria das vezes, resultam da ação antrópica e
traduzem as primitivas florestas dicótilo-palmáceas, atualmente representadas pela presença
quase exclusiva do babaçu, Attalea speciosa Mart. ex Spreng. Os babaçuais ocupam áreas
relativamente extensas nas várzeas e ou nas encostas das elevações que compõem vales
úmidos, encontrando-se espalhados ao sul da bacia amazônica, onde a floresta úmida é
substituída pela vegetação típica dos cerrados, sendo o Maranhão, Piauí e Tocantins os
Estados que concentram as maiores extensões deste tipo de fisionomia. Muitas vezes e,
espontaneamente, formam populações homóclitas ou subhomóclitas de babaçu, bastante
densas, tornando o ambiente escuro, tal a proximidade entre os espécimes de babaçu
(FERNANDES e BEZERRA, 1990; VELOSO, 1991).
Os impactos causados aos ecossistemas são decorrentes do uso indiscriminado dos
recursos naturais, da expansão de atividades econômicas e da ocupação e urbanização em
áreas sem planejamento, representando os principais fatores de degradação ambiental. Devido
a isso, a informação sobre a dinâmica dos diversos ecossistemas existentes com suas
numerosas formas de vida é importante para sua proteção e sustentabilidade.

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Epífitas são plantas autótrofas que se desenvolvem sobre outro vegetal, denominado
forófito, vivendo todo o seu ciclo de vida, ou parte dele, sobre o hospedeiro. São
independentes do forófito na obtenção e aproveitamento de nutrientes e água, embora sejam
confundidas frequentemente com espécies parasitas.
Apresentam uma relação harmônica – EPIFITISMO – caracterizada por não causar
prejuízo no suporte mecânico proporcionado pela planta hospedeira.
Os epífitos vasculares constituem uma das categorias ecológicas mais diversificadas de
florestas úmidas tropicais e subtropicais exercendo grande influência nos processos e
manutenção dos ecossistemas, como ciclagem de água e nutrientes (NADKARNI, 1988).
Contribuem, portanto, na manutenção da diversidade biológica e no equilíbrio interativo entre
as espécies, tendo em vista que este grupo de plantas proporciona recursos e, às vezes únicos,
como alimento (frutos, néctar, pólen) além de microhabitats especializados para a fauna,
constituída por uma infinidade de organismos (BENZING, 1990).
Aproximadamente 29.000 espécies, pertencentes a 876 gêneros e 84 famílias são
epífitas, perfazendo cerca de 10% do total de espécies de plantas vasculares (GENTRY e
DODSON, 1987a, b; MADISON, 1977; BENZING, 1990; DISLISH e MONTOVANI, 1998).
De maneira geral, os levantamentos que englobam toda a flora epifítica vascular
realizados no Brasil são ainda escassos, sendo que a maioria dos trabalhos efetuados nas
diferentes formações vegetais, são inventários de um determinado grupo como: Araceae
(MANTOVANI, 1999), Bromeliaceae (FONTOURA, 1995; RIBEIRO et al., 1999;
FONTOURA-ALVES, 2005; REIS e FONTOURA, 2009; QUARESMA e JARDIM, 2012),
Orchidaceae, Pteridophyta (SENNA e WAECHTER, 1997; LABIAK e PRADO, 1998;
DITTRICH et al., 2005; MEDEIROS e JARDIM, 2011), nas florestas brasileiras, os trabalhos
sobre a composição florística e/ou estrutura de epífitas estão concentrados nas regiões Sul e
Sudeste (AGUIAR et al., 1981; WAECHTER, 1986; CERVI et al., 1988; KERSTEN e
SILVA, 2001; 2002; BORGO e SILVA, 2003; GONÇALVES e WAECHTER, 2003;
GIONGO e WAECHTER, 2004; KERSTEN e KUNIYOSHI, 2006; CERVI e BORGO, 2007;
FONTOURA et al., 2009; BATAGHIN et al., 2012). Até o momento não se conhece nenhum
estudo relativo à diversidade das matas de babaçu envolvendo quer a comunidade epifítica
quer a de apenas um determinado taxon.
O objetivo deste trabalho é caracterizar a composição florística das epíiítas vasculares
presentes em indivíduos de babaçu de uma mata de cocais e classificar as espécies em
categorias ecológicas, de acordo com sua relação com o forófito.

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MATERIAL E MÉTODOS

O levantamento foi desenvolvido na Fazenda Nazareth (FNZ; 04º 45’ 23’’ S e 42º 34’
32’’ O), localizado no município de José de Freitas a 40 km ao norte de Teresina-Piauí. O
clima é tropical subúmido, com período seco de seis meses. A temperatura média anual varia
de 24 a 26 ºC, com máxima de 38 ºC e mínima de 18 ºC. A precipitação anual varia de 1400
– 1600 mm, com dois períodos: um seco de junho a novembro e um chuvoso de dezembro a
maio (ANDRADE Jr. et al., 2004).
A área de estudo encontra-se inserida na região do domínio vegetacional das Florestas
Estacionais Semi-deciduais do Norte do Estado do Piauí, uma região de grande importância
biológica, por se tratar de uma área de transição entre os Biomas: Amazônia, Cerrado e
Caatinga (IGBE 2004a, IBGE 2004b).
O componente epifítico foi levantado através de coletas sistemáticas efetuadas na área
selecionada, durante o período de junho de 2011 a agosto de 2012, através de excursões
mensais. O levantamento incluiu todas as espécies de plantas epífitas vasculares que utilizam
como forófito Attalea speciosa Mart. ex Spreng.
Foram coletadas de cinco a dez amostras de cada espécie de epífita, em fase
preferencialmente reprodutiva (flores e/ou frutos), para posterior herborização, de acordo com
as técnicas recomendadas por Mori et al,. 1989).
A identificação do material botânico foi realizada através de bibliografia especializada,
comparações com exsicatas de herbários e por especialistas. Os espécimes coletados foram
incorporados ao Herbário Afrânio Gomes Fernandes – HAGF, da UESPI.
As espécies foram organizadas em famílias de acordo com o sistema de classificação
baseado em APG III (2009) para as Angiospermas e Prado e Sylvestre, (2014) para as
Samambaias e Licófitas.
As epífitas foram classificadas em categorias ecológicas, segundo as formas de vida,
baseadas na relação com o hospedeiro (BENZING, 1990) em: holoepífitas verdadeiras ou
obrigatórias (hábito epifítico durante todo seu ciclo de vida); holoepífitas facultativas (podem
crescer tanto no forófito como no solo); holoepífitas acidentais (não possuem adaptação à
vida epifítica, crescem ocasionalmente sobre os forófitos); hemiepífitas (hábito epifítico
apenas em parte da sua vida): a. primárias (germinam sobre os forófitos e posteriormente
emitem raízes em direção ao solo); a.1. estrangulantes (levam o forófito à morte por impedir o
fluxo de seiva); a.2. não estrangulantes (só utilizam o apoio mecânico do forófito); b.

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secundárias (germinam no solo e crescem em direção ao forófito, perdendo a dependência das


raízes fixas no solo).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A flora epifítica vascular levantada na área selecionada está constituída de 11 espécies,


distribuídas em 11 gêneros pertencentes a nove famílias (Tabela 1). De acordo com o APG III
(2009), dentre as famílias levantadas, cinco estão incluídas na superordem Lillianae Takht.
(Araceae, Bromeliaceae, Dioscoreaceae, Orchidaceae e Poaceae), duas, Lamiaceae e
Moraceae, às Superordens Asteranae Takht. e Rosanae Takht., respectivamente e duas
(Davalliaceae e Polypodiaceae) pertencentes a Subclasse Polypodiidae Cronquist, Takht. e W.
Zimm.

Tabela 1. Espécies de epífitas, amostradas na RPPN Nazareth, José de Freitas, PI, Brasil. e
suas categorias ecológicas: CEC = categorias ecológicas; HLV = holoepífitos verdadeiros,
HLF – holoepífitos facultativos, HLA – holoepífitos acidentais; HMP = hemiepífitos
primários, HMS – hemiepífitos secundários e Nº.G= número de registro no HAGF.
FAMÍLIAS/ ESPÉCIES CEC Nº.G
ANGIOSPERMAE
ARACEAE
Philodendron acutatum Schott HMS 2832
Taccarum peregrinum (Schott) Engl. HLA 2833
BROMELIACEAE
Bromeliaceae HLA -
DIOSCORIACEAE
Dioscorea L. sp HLA 2901
LAMIACEAE
Leucas cf. martinicensis (Jacq.)R. Br. HLA 2918
MORACEAE
Ficus L. sp HMP -
ORCHIDACEAE
Catasetum maranhense K.G.Lacerda e J.B.F.Silva HLV 2831
Vanilla gardneri Rolfe HMS 2908

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POACEAE
Ichnanthus P. Beauv. sp HLA 2907
PTERIDOPHYTA
DAVALLIACEAE
Nephrolepis cf. occidentalis Kunze HLF 2837
POLYPODIACEAE
Phlebodium cf. pseudoaureum (Cav.) Lellinger HLF 2836

Araceae e Orquidaceae, com duas espécies cada uma, foram às famílias de maior
representatividade florística, contribuindo com 37% do total de espécies amostradas, enquanto
que as demais (Bromeliaceae, Davalliaceae, Dioscoriaceae, Lamiaceae, Moracea, Poaceae e
Polypodiaceae), representadas cada uma por apenas uma espécie, perfizeram juntas 63% (9%
cada).
Dentre as famílias com representantes epifíticos relatados em diversos trabalhos,
Orchidaceae é citada como uma das mais importantes em riqueza de espécies, embora, na
dependência do ambiente estudado, alterna sua posição ora com as Bromeliaceae ora com as
Polypodiaceae, tanto no nível mundial (MADISON, 1977; KRESS, 1986, BENZING, 1990)
como no neotropical (GENTRY e DODSON, 1987b), inclusive no Brasil (KERSTEN, 2010).
Em levantamentos de epífitos vasculares realizados no Rio Grande do Sul
(WAECHTER, 1986; 1998; ROGALSKI e ZANIN, 2003; GONÇALVES e WAECHTER,
2003), no Paraná (KERSTEN e SILVA, 2001; BONNET et al., 2011; BORGO e SILVA,
2003; KERSTEN et al., 2009) e em São Paulo (MANIA e MONTEIRO, 2010; BATAGHIN
et al., 2012), estas famílias também estão entre as que apresentaram maior riqueza específica.
No Rio Grande do Sul, de um total de 250 espécies levantadas em planícies costeiras
dessa região, Waechter (1992) encontrou cerca de 50% pertencentes à Orchidaceae, em
Florestas Estacional Semidecidual, Ombrófila Densa e Mista e Áreas Ecotonais do Paraná,
Cervi e Borgo (2007), Geraldino et al.(2010) e Bianchi et al. (2012) encontraram cerca de
37,5%, 38% e 30% de um total de 56, 61 e 127 respectivamente, de espécies epifíticas
levantadas nessas fitofisionomias. Em áreas preservadas de diferentes fisionomias no Estado
de São Paulo, Breier (2005), Bataghin (2009) em Floresta Estacional Semidecidual, Dislich e
Mantovani (1998) em Florestas Ombrófila Densa, Mania e Monteiro (2010) em vegetação de
Restinga e Bataghin et al. (2012) em área de Cerrado, Orchidaceae também foi citada como a
família de maior riqueza especifica dentre as epífitas.

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Há, no entanto, dependendo da área estudada, a predominância de outra família como


mais rica em relação ao número de espécies de epífitos vasculares. Em levantamento
realizado em uma área de Mata Atlântica, no Estado do Rio de Janeiro, Dias (2009) constatou
a dominância da família Bromeliaceae; no Estado de São Paulo, Bataghin et al. (2010)
destacaram a prevalência de Cactaceae em um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual
e, em área de Cerrado, Bataghin et al.(2012) constataram a predominância de Bromeliaceae e
Orchidaceae e no Mato Grosso, em áreas de Cerrado, Miranda e Neto (2012) registraram a
dominância da família Moraceae.
Com relação a categorias ecológicas, o predomínio de holoepífitas é padrão em
trabalhos efetuados no Brasil. No entanto, o limite entre holoepífitas verdadeiras, acidentais e
facultativas na teoria é claro, porém pode se tornar confuso em campo, dificultando muitas
vezes o enquadramento das espécies (KESRTEN, 2006). Segundo este mesmo autor, basear-
se em literatura não é uma prática recomendada para esta situação, pois localmente espécies
podem ser classificadas em uma categoria epifítica e regionalmente enquadrar-se em outra.
Neste trabalho houve um predomínio das holoepífitas acidentais (45%), que de acordo
com Kesrten (2006) as espécies deste grupo, geralmente, não possuem hábito epifítico.
Portanto, os taxa Taccarum peregrinum (Schott) Engl., Dioscorea L., Leucas cf.
martinicensis (Jacq.) R. Br., Bromeliaceae e Ichnanthus P. Beauv. sp, registrados para a área
estudada, apresentam hábitos terrícolas e/ou rupículas (COELHO e GONÇALVES, 2014;
FILGUEIRAS et al., 2014; HARLEY et al., 2014; KIRIZAWA et al., 2014).
A categoria holoepífita facultativa, representada por duas espécies e perfazendo 18% do
total de espécies amostradas nessa pesquisa, foi a segunda categoria ecológica predominante
muito embora não seja comum o fato desta categoria apresentar um número de espécies
relevante em relação ao total registrado nesse tipo de levantamento. Dettke et al (2008) em
levantamento de epífitos vasculares em Floresta Estacional Semidecidual do Paraná, listaram
apenas Aechmea distichantha Lem. como facultativa dentre as 29 espécies registradas;
Kersten e Silva (2002) em Floresta Ombrofila Mista no Paraná registraram apenas três (6%)
de um total de 51 espécies; Bataghin et al. (2012) apenas uma (3,5%) das 29 espécies
levantadas em uma área de Cerrado no Estado de São Paulo. No entanto, resultados
semelhantes aos deste trabalho foi observado por Waechter (1992) e Bianchi et al. (2012) em
Floresta Ombrófila Densa e Mista do Rio Grande do Sul e do Paraná, e em Floresta
Estacional Semidecidual por Bataghin et al. (2010) no estado de São Paulo.
Na área estudada, as espécies Nephrolepis cf. occidentalis Kunze e Phlebodium cf.
pseudoaureum (Cav.) Lellinger, consideradas holoepífitas facultativas, são pouco comuns em

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ambiente epifítico. Embora pertençam a famílias que possuem espécies holoepífitas


verdadeiras podem, no entanto, ocorrer como terrícolas (ANJOS-SILVA, 2000; KERSTEN,
2006; BARROS et al., 2014a; FORZZA et al., 2014) (Tabela 1).
Catasetum maranhense Rich. ex Kunth (Orquidaceae), espécie nativa e endêmica do
Brasil, restrita ao domínio fitogeográfico do Cerrado e ocorrendo nos Estados do Ceará,
Maranhão, Piauí e Tocantins (BARROS et al., 2014b) foi a única registrada como holoepífita
verdadeira, sendo, segundo estes mesmos autores, exclusivamente de hábito epifítico.
Três espécies (27 % do total) foram determinadas como hemiepífitas: duas, como
hemiepífitas secundárias (Ficus L. e Vanilla gardneri Rolfe) por apresentam hábitos
hemiparasitas e/ou terrícolas (BARROS et al., 2014b, ROMANIUC-NETO et al., 2014) e,
Philodendron acutatum Schott como a única hemiepífita primária (SAKURAGUI et al.,
2014) registrada na área.
Embora o predomínio de holoepífitos tenha sido vivenciado como padrão em pesquisas
efetuadas no Brasil (KERSTEN, 2006), a proporção de hemiepífitos, é bastante variável,
dependendo da tipologia florestal estudada. Citando dentre outros, Fontoura et al. (1997) que
registraram 7% de hemiepífitas em Floresta Ombrófila Densa do Rio de Janeiro, Schutz-Gatti
(2000) e Kersten e Silva (2005) registraram 11% e 8%, respectivamente, em Floresta
Ombrófila Densa e Mista no Paraná. No entanto, Aguiar et al. (1981), Cervi e Dombrowiski
(1985), Cervi et al.(1988), Kersten e Silva (2006) e Rogalski e Zannin (2003) não registraram
nenhuma hemiepífita em suas amostragens realizados em Florestas Subtropicais do Brasil.

CONCLUSÕES

Nota-se que as espécies não lenhosas são, aparentemente, o grupo mais especializado ao
hábito epifítico, pois, além de mostrarem maior diversidade, foram aquelas mais
representativas da categoria de holoepífitos (seis espécies).
Embora o número de espécies encontradas na área pesquisada tenha sido inferior a
maioria dos estudos efetuados nas diferentes fitofisionomias do Brasil, os resultados
corroboram a dominância das famílias presentes e suas respectivas riquezas em relação ao
número de espécies das Araceae, Orquidaceae e Pteridophyta.
Este baixo número de espécies levantadas pode estar relacionado, por um lado,
provavelmente à sazonalidade climática da área onde foi realizado esse estudo, que apresenta
uma longa estação seca bem definida, com duração de cerca de seis meses, fato esse que pode
atuar como fator limitante, considerando que, segundo Hietz (1999), as epífitas apresentam

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crescimento lento e alta sensibilidade às variações climáticas tornando-as mais vulneráveis. E,


por outro, ao tipo de vegetação homóclita ou subhomóclita densa que submete a comunidade
epifítica a uma condição de baixa luminosidade e de disponibilidade hídrica, principalmente
no período de estiagem, além da pouca ou nenhuma diversidade do forófito e
consequentemente de habitats.

AGRADECIMENTOS

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí – FAPEPI e a Universidade


Estadual do Piauí - UESPI pelos auxílios financeiros que possibilitaram a realização deste
trabalho. A RPPN Nazareth pela autorização de coleta e aos seus funcionários pelo auxílio e
hospedagem. Aos professores: Silvia Maria Colturato Barbeiro (UESPI), Ângela Maria de
Miranda Freitas (Curadora do Herbário Sérgio Tavares – UFRPE), Marcus A. Naduz Coelho
(Jardim Botânico do Rio de Janeiro), Alexandre Salino (UFMG) pelo auxílio na identificação
das espécies.

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LEVANTAMENTO PRELIMINAR DA ICTIOFAUNA DO RIO SURUBIM, CAMPO


MAIOR, PIAUI, BRASIL

(PRELIMINARY SURVEY OF THE ICHTHYOFAUNA IN THE SURUBIM RIVER, CAMPO


MAIOR, PIAUI, BRAZIL)

Mykaelly Jurgleidy de Souza Rocha 9, Antônia Leidna Silva Brito¹, Erimara Katiana Leocadia
de Oliveira¹, Maria Amélia Guimarães do Passo Gondolo¹, Guilherme Fernandez Gondolo¹

RESUMO
A ictiofauna presente em rios do Nordeste brasileiro ainda encontra-se pouco
documentada. O rio Surubim é um afluente do rio Longá, e pertencente à grande bacia do rio
Parnaíba, percorrendo em parte de seu curso o município de Campo Maior/PI. O presente
trabalho tem por objetivo realizar um levantamento preliminar da ictiofauna presente no rio
Surubim. O período do estudo incidiu de novembro de 2013 a junho de 2014, com a
realização de coletas mensais em três pontos fixos no curso do rio. Para a coleta dos
espécimes foram utilizadas redes de espera e tarrafas. Foram obtidos um total de 3144
espécimes de peixes, distribuídos em 4 ordens , 14 famílias, e 38 espécies. Entre as principais
espécies identificadas no rio surubim podem ser citadas: Psectrogaster rhomboides; Curimata
macrops; Steindachnerina notonota e Geophagus parnaibae. O presente trabalho contribui
para um maior conhecimento sobre a ictiofauna do Piauí.
PALAVRAS- CHAVE: Peixes. Diversidade. Preservação. Pesca.

ABSTRACT
The river in the Northeast region of Brazil has a ichthyofauna poorly documented. The
Surubim river is a tributary of the Longá river, and belongs to the great basin of the Parnaíba
river, covering part of their course in the municipality of Campo Maior/PI. This paper aims to
carry out a preliminary survey of the fish fauna in this Surubim river. The study period was
from November 2013 to June 2014, with monthly samples in three fixed points in the course
of the river. Gillnets and cast nets were used to collect specimens. A total of 3,144 specimens
of fish, over 4 orders, 14 families and 38 species were obtained. Among the main species

1-Laboratório de Ictiologia- LABICTIO - Universidade Estadual do Piauí, Campus Heróis do Jenipapo/Campo


Maior –PI [gondolo@gmail.com]

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identified in river catfish may be cited: Psectrogaster rhomboides; Curimata macrops;


Steindachnerina notonota and Geophagus parnaibae. This work contributes to a better
understanding of the fish fauna of Piaui.
KEY WORDS: Fish. Diversity. Preservation. Fishing.

Apoio Financeiro: FAPEPI - EDITAL PPSUS

INTRODUÇÃO

O Brasil abriga cerca de 43% da ictiofauna de água doce da região Neotropical


(NUNES, 2012), entretanto de acordo com Montenegro et al. (2012), é bastante evidente que
há pouco conhecimento sobre a composição da ictiofauna de água doce da região Nordeste do
Brasil, devido à escassez de registros dos peixes na região.
São características peculiares das bacias hidrográficas sob influência da caatinga, a
presença de regime intermitente e sazonal em seus rios, associados a uma elevada taxa de
evaporação (AB’SÁBER, 1995; RAMOS et al., 2014; ROSA et al., 2003). A ictiofauna
presente em rios da caatinga ainda encontra-se pouco documentada (ROSA et al., 2003).
Segundo Rosa (2004), os inventários da ictiofauna da região ainda são escassos e localizados.
A rede hidrográfica de rios da região nordeste é considerada modesta quando
comparada com outras regiões brasileiras, em decorrência principalmente da influência do
clima semiárido da caatinga sobre as bacias hidrográficas dessa região. (ROSA et al., 2003).
A bacia do rio Parnaíba está localizada em sua totalidade na região nordeste do Brasil.
(RAMOS et al., 2014). Segundo Rosa (2003), a ictiofauna presente na bacia do Parnaíba é
semelhante à bacia Amazônica.
O rio Surubim, juntamente com os rios Longá e Jenipapo, são os principais cursos
d’água da região denominada Complexo de Campo Maior, dominando a hidrografia da área
(BARROS, 2005). No Complexo de Campo Maior há um importante interesse pela
ictiofauna, possuindo essa área, algumas espécies de peixes endêmicas, e riqueza moderada de
espécies (SILVA et al., 2003). De acorde com Montenegro et al. (2012), a investigação da
biodiversidade, estrutura e especialmente os padrões de variação através do espaço e do
tempo, é relevante para avaliar a qualidade ambiental, uma vez que os peixes ocupam
posições diferentes em cadeias alimentares aquáticas.
O presente trabalho tem por objetivo demonstrar a ictiofauna presente no curso do rio
Surubim, na parte em que percorre o município de Campo Maior, através de um levantamento

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preliminar, visando contribuir para um maior conhecimento sobre a fauna de peixes do


município de Campo Maior e do estado do Piauí.

MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo
O rio Surubim tem sua nascente no município de Altos – PI, e juntamente com o rio
Maratoã desembocam pela margem esquerda no rio Longá e pela margem direita, os rios
Jenipapo, Corrente, dos Matos, Caldeirão, e o rio Piracuruca. As nascentes do rio Longá estão
situadas no Município de Alto Longá e recebem contribuições oriundas dos Municípios de
Altos e Campo Maior. Trata-se de um rio perene no médio e baixo curso e alimenta inúmeras
lagoas de pequeno porte (BRASIL, 2006).

Coleta e identificação dos espécimes


O período do trabalho incidiu de novembro de 2013 a junho de 2014, com a realização
de coletas mensais em três pontos fixos no curso do rio Surubim (Figura 1) no município de
Campo Maior, denominados respectivamente ponto (1), ponto (2) e ponto (3). Para a coleta
dos espécimes foram utilizadas redes de espera e tarrafas, sendo realizadas com o auxílio de
pescadores da região.

Figura 1. Pontos de coleta 1, 2 e 3, do Rio Surubim, na cidade de Campo Maior/PI.


(Fonte: Google Earth, 17/07/2014).

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Os peixes capturados foram depositados em sacos plásticos em isopores com gelo,


sendo posteriormente encaminhados para o laboratório de ictiologia (LABICTIO), da
Universidade Estadual do Piauí, Campus Heróis do Jenipapo. No laboratório, os peixes foram
fixados em formol 10% neutralizado, sendo posteriormente preservados em álcool 70% e
depositados na coleção ictiológica.
A identificação das espécies ocorreu até o menor nível taxonômico, pelo uso de material
decorrente de pesquisa bibliográfica, como manuais de identificação, artigos e teses. A lista
de espécies está organizada de acordo com Nelson (2006).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No decorrer do período de oito meses de coletas, foram obtidos um total de 3144


espécimes de peixes, distribuídos em 4 ordens, 14 famílias, e 38 espécies. (Tabela 1). A
ordem de peixes mais abundante em número de indivíduos foi Characiformes (88,45%),
seguida de Perciformes (7,82%), Siluriformes (3,69%) e Gymnontiformes (0,03%) (Figura 2).

Tabela 1. Lista das espécies de peixes coletadas no rio Surubim, no período de


Novembro/2013 a Junho/2014.
Ponto Coleta*
Taxonomia
1 2 3 1 2 3 4 5 6 7 8
Characiformes
Curimatidae
Curimatella immaculata (Fernández-Yépez,
X X
1948)
Curimata macrops Eigenmann & Eigenmann,
X X X X X X X X X X X
1889
Psectrogaster rhomboides Eigenmann &
X X X X X X X X X X X
Eigenmann, 1889
Steindachnerina notonota (Miranda Ribeiro,
X X X X X X X X X X X
1937)
Prochilodontidae
Prochilodus lacustris Steindachner, 1907 X X X X X X X X X X X
Anostomidae

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Leporinus fridederici (Bloch, 1794) X X X X X X X X X


Schizodon rostratus (Borodin, 1931) X X X X X X X X X X X
Chilodontidae
Caenotropus labyrinthicus (Kner, 1858) X X X X X X X X X
Hemiodontidae
Hemiodus parnaguae Eigenmann & Henn, 1916 X X X X X X X X X X X
Characidae
Astyanax bimaculatus (Linnaeus, 1758) X X X X X X X X X X
Astyanax aff. fasciatus Cuvier, 1819 X X
Bryconops melanurus (Bloch, 1794) X X X
Metynnis lippincottianus (Cope, 1870) X X X X X X X X X
Metynnis sp. X X X
Moenkhausia dichoura (Kner, 1858) X X X X
Poptella compressa (Günther, 1864) X X X X
Pygocentrus nattereri Kner, 1858 X X X X X X X
Roeboides margareteae Lucena, 2003 X X X X X
Serrasalmus rhombeus (Linnaeus, 1766) X X X X X X X X X X X
Tetragonopterus argenteus Cuvier, 1816 X X X X X X X X
Triportheus signatus (Garman, 1890) X X X X X X X X X X X
Triportheus sp. X X X X
Erythrinidae
Hoplias malabaricus (Bloch, 1794) X X X X X X

Siluriformes
Loricariidae
Hypostomus johnii (Steindachnner, 1877) X X X X X
Hypostomus sp.1 X X X X X X X X X X
Hypostomus sp.2 X X
Hypostomus sp.3 X X
Heptapteridae
Pimelodella parnahybae Fowler, 1941 X X X X X X X X X
Doradidae
Hassar affinis (Steindachner, 1881) X X X X X

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Auchenipteridae
Auchenipterus menezesi Ferraris & Vari, 1999 X X X X X
Pimelodidae
Pimelodus blochii Valenciennes, 1840 X X X X X X X X X X

Gymnotiformes
Sternopygidae
Sternopygus macrurus (Bloch & Schneider,
X X
1801)

Perciformes
Cichlidae
Cichlasoma sanctifranciscense Kullander, 1983 X X X X X X X X X
Crenicichla menezesi Ploeg, 1991 X X X X X X X X X X
Crenicichla sp. X X X
Geophagus parnaibae Staeck & Schindler, 2006 X X X X X X X X X X X
Oreochromis niloticus (Linnaeus, 1758) X X X X X
Tilapia rendali (Boulenger, 1897) X X X X X
*Números referentes aos meses de coleta: 1- Novembro /13, 2- Dezembro /13, 3-Janeiro /14,
4-Fevereiro /14, 5- Março /14, 6- Abril /15, 7- Maio /14, 8- Junho /14.

A ordem Characifomes além de mais abundante, também foi a mais diversa, com um
total de 23 espécies identificadas. Na ordem Siluriformes 8 espécies foram identificadas, a
ordem Perciformes um total de 6 espécies, e a ordem Gymnontiformes apenas 1 espécie.
(Tabela 2). As famílias identificadas foram Curimatidae (64,95%), Characidae (10,97%),
Cichlidae (7,82%), Prochilodontidae (4,99%), Anostomidae (3,05%), Loricariidae (2,13%),
Hemiodontidae (2,04%), Chilodontidae (1,65%), Erythrinidae (0,80%), Pimelodidae (0,70%),
Heptapteridae (0,38%), Doradidae (0,25%), Auchenipteridae (0,22%), e Sternopygidae
(0,03%).

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Figura 2. Abundância de indivíduos por ordem,


coletados no rio Surubim.

Tabela 2. Ordens e famílias identificadas, com os respectivos números de espécies e


indivíduos de peixes coletados no rio Surubim.
Ordem Família nº de espécies nº de indivíduos
Characiformes Curimatidae 4 2.042
Characidae 13 345
Prochilodontidae 1 157
Anostomidae 2 96
Hemiodontidae 1 64
Chilodontidae 1 52
Erythrinidae 1 25

Perciformes Cichlidae 6 246

Siluriformes Loricariidae 4 67
Pimelodidae 1 22
Heptapteridae 1 12
Doradidae 1 8
Auchenipteridae 1 7

Gymnontiformes Sternopygidae 1 1

Recentes trabalhos realizados de levantamentos (RAMOS, 2012; RAMOS, 2014),


revisões taxonômicas (BIRINDELLI et al., 2011; LUCENA, 2007) e descrição de novas
espécies (COSTA et al., 2010; PIORSKI et al., 2008; STAECK; SHINDLER, 2006) de peixes

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de corpos d´agua da bacia do Parnaíba exerceram grande contribuição para o conhecimento da


ictiofauna do Nordeste. Segundo Ramos (2014), o cenário da ictiofauna da bacia do Parnaíba
ainda é pouco conhecido. Ramos (2014) ainda diagnosticou 146 espécies de peixes de água
doce para a bacia do rio Parnaíba. O presente trabalho diagnosticou 41 espécies de peixes
apenas no Rio Surubim.
As principais espécies de peixes coletadas no rio Surubim (Figura 3) foram:
Psectrogaster rhomboides; Curimata macrops; Steindachnerina notonota; Geophagus
parnaibae; Astyanax bimaculatus; Prochilodus lacustris; Hemiodus parnaguae; e Schizodon
rostratus.

Figura 3. Abundância das principais espécies de peixes


coletadas no rio Surubim.

As espécies de peixes exóticas estão representadas por Oreochromis niloticus e Tilapia


rendali. A presença dessas espécies, sobretudo de Oreochromis niloticus em rios do Nordeste
brasileiro decorre principalmente de programas de “peixamento” com a finalidade de
aumentar a produção pesqueira da região (LEÃO et al., 2011; NASCIMENTO et al., 2014). É
sabido que a presença dessas espécies em rios brasileiros é responsável diretamente por
grande perda da diversidade existente, com a extinção local de espécies. (LEÃO et al., 2011;
ROSA, 2003; ROSA; GROTH, 2004).
A introdução de espécies exóticas é apenas uma, das diversas ações antrópicas
observadas no rio Surubim. Entre outras ações podem ser citadas a pesca, a poluição por
esgotos e lixo, e a recente construção da barragem do rio Surubim, que poderá acarretar mais
ações negativas para a diversidade existente. Segundo Rosa (2003), a ruptura de padrões
migratórios de determinadas espécies, redução ou extirpação de populações de espécies

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nativas e o comprometimento de atividades pesqueiras, são algumas das consequências que as


ações antrópicas podem acarretar na ictiofauna da Caatinga.
Dados da ocorrência das principais espécies demonstram que as espécies mais
abundantes foram também as que ocorreram em maior número de coletas (Figura 4). A
espécie Psectrogaster rhomboides como já mencionado, foi a espécie mais abundante, e
esteve presente nos oito meses de coletas. A presença em grande número da espécie P.
rhomboides, pode ser explicada pela utilização da rede de espera, que segundo os pescadores,
é muito eficiente para obter a espécie em questão.
A curva de acumulação de espécies (Figura 5) apresenta uma estabilização no número
de novas espécies a partir do mês de março de 2014, o que sugere que a ictiofauna presente no
rio surubim foi bem demonstrada no estudo. Apesar disso acredita-se que parte da diversidade
da ictiofauna do rio pode não ter sido demonstrada, pela falta da utilização de apetrechos de
pesca para peixes de pequeno porte, como puçás e rede de malha fina. O esforço amostral
empregado se mostrou, portanto, adequado na realização da captura dos peixes de médio a
grande porte do rio Surubim.

Figura 4. Ocorrência nos meses das principais espécies de peixes


coletadas no rio Surubim, no período de Novembro/2013 a
Junho/2014.

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Figura 5. Curva de acumulação das espécies de peixes coletadas


no rio Surubim no período de Novembro/2013 a Junho/2014.

CONCLUSÕES

O presente estudo produziu uma considerável lista de espécies de peixes para o Rio
Surubim, constituindo-se de importância para a ampliação do conhecimento da ictiofauna de
água doce do estado do Piauí. Verifica-se que o número de espécies que foi encontrado ainda
pode ser ampliado, principalmente para as espécies de menor porte, onde a realização de um
maior número de coletas e utilização de uma maior variedade de artes de pescas se faz
necessário para um melhor detalhamento da fauna de peixes do Rio Surubim. Espera-se que
um maior número de levantamentos ictiofaunísticos seja realizado também em outros corpos
d’água da região de Campo Maior, para que a região tenha sua ictiofauna devidamente
conhecida e documentada.

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O USO DE JOGOS DIDÁTICOS NO ENSINO DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA

(USE OF EDUCATIONAL GAMES IN TEACHING SCIENCE AND BIOLOGY)

Jairo Bacelar Soares1 Laianna Rafaella Morais dos Anjos1, Jaysa Alves Ferreira1, Jéssica
Pereira dos Santos1, Simone Mousinho Freire2.

RESUMO
O objetivo deste trabalho foielaborar, confeccionar e avaliar o jogo didático Parasito
Gamepara o auxilio na compreensão e aprendizagem de conteúdos voltados à parasitologia
ministrados no ensino de Ciências e deBiologia, contribuindo para a melhoria da prática
pedagógica, transmitindo o conteúdo abordado de maneira lúdica e facilitando o processo
ensino-aprendizagem. O jogo foi elabora com base na literatura e conteúdos específicos, e foi
realizado com 40 alunos da 2ª série do Ensino Médio de uma escola pública na cidade de
Teresina-PI. A função educativa do jogo Parasito Game foi facilmente observada durante sua
aplicação ao ser verificada o favorecimento da aquisição de conhecimento, já que os
depoimentos indicaram que a transmissão do conteúdo deu-se de forma satisfatória. Diante do
exposto defende-se a ideia de que os jogos poderiam merecer um espaço na prática
pedagógica dos professores por ser uma estratégia motivante e que agrega aprendizagem de
conteúdo.
PALAVRAS-CHAVE: Ciências. Biologia. Jogo didático. Parasitologia.

ABSTRACT
The aim of this study was to develop, fabricate and evaluate educational game Parasite
Game for assistance in understanding and learning content focused on parasitology taught in
teaching science and biology, contributing to the improvement of teaching practice,
conveying the content covered so playful and facilitating the teaching-learning process. The
game was working out based on the literature and specific content, and was conducted with
40 students of the 2nd year of high school at a public school in the city of Teresina-PI. The
educational function of the game Parasite Game was easily observed during its application to
be verified favoring the acquisition of knowledge, as the testimony indicated that transmission
of the content took place satisfactorily. For the foregoing defends the idea that games could

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earn a place in the pedagogical practice of teachers to be a motivating strategy and


aggregating learning content.
KEY-WORDS: Sciences. Biology.Educational game. Parasitology.

INTRODUÇÃO

O jogo pedagógico ou didático é aquele fabricado com o objetivo de


proporcionardeterminadas aprendizagens, diferenciando-se do material pedagógico, por
conter o aspecto lúdico (CUNHA, 1988), e utilizado para atingir determinados objetivos
pedagógicos, sendo uma alternativa para se melhorar o desempenho dos estudantes em alguns
conteúdos de difícil aprendizagem (GOMES et al, 2001).Segundo Miranda (2001)
eKishimoto (1996), mediante o jogo didático, vários objetivos podem ser atingidos,
relacionados à cognição (desenvolvimento da inteligência e da personalidade, fundamentais
para a construção de conhecimentos); afeição (desenvolvimento da sensibilidade e da estima e
atuação no sentido de estreitar laços de amizade e afetividade); socialização (simulação de
vida em grupo); motivação (envolvimento da ação, do desfio e mobilização da curiosidade) e
criatividade.
Os processos de ensino e aprendizagem de Ciências e Biologia, nos níveis
fundamental e médio envolvem conteúdos abstratos e, muitas vezes, de difícil compreensão
que sofrem influências da abordagem tradicional do processo educativo, na qual prevalece a
transmissão-recepção de informações, a dissociação entre conteúdo e realidade e a
memorização do mesmo.O professor deve auxiliar na tarefa de formulação e de reformulação
de conceitos ativando o conhecimento prévio dos alunos com uma introdução da matéria que
articule esses conhecimentos à nova informação que está sendo apresentada e utilizando
recursos didáticos para facilitar a compreensão do conteúdo pelo aluno(POZO, 1998).
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), a capacidade
dos alunos de pesquisar, de buscar informações, abalizá-las e selecioná-las, além da
capacidade de aprender, criar, formular, ao invés de um simples exercício de memorização, o
aluno deve ser capaz de formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas
reais. Com relação ao ensino de Ciências e Biologia, ele deve, ainda, colocar em prática,
conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidas na escola, aceitando-se que, muitas vezes,
o aluno sabe muito sobre um determinado conceito biológico e possui argumentos perceptivos
sobre as situações, adquiridos com suas experiências, mas pode faltar a ele uma rede
conceitual que lhe ofereça unidade a todos os fragmentos de informações que possui. À

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medida que progride nos estudos ele passa dos argumentos perceptivos aos conceituais,
realizando raciocínios e analogias concretas, por meio de sua interação com o mundo e as
pessoas com que tem contato.
Gomes e Friedrich (2001) salientam que o jogo no ambiente educacional nem sempre
foi visto como didático, pois como a ideia de jogo encontra-se associada ao prazer, ele
assumia pouca importância para a formação do estudante. Sua utilização como meio
educativo demorou a ser aceita. E ainda hoje é pouco utilizado nas escolas e seus benefícios
são desconhecidos por muitos professores.
Sendo assim, o objetivo do trabalho éelaborar, confeccionar e avaliar jogos didáticos
que auxiliem na compreensão e aprendizagem de conteúdos voltados à parasitologia
ministrados tantono ensino de Ciências como no ensino deBiologia, bem como contribuir para
a melhoria da prática pedagógica, transmitindo o conteúdo abordado de maneira lúdica,
facilitando o processo ensino-aprendizagem e minimizando a distância professor/aluno.

METODOLOGIA: DESENVOLVIMENTO E REGRAS DO JOGO

A ideia da proposição do jogo Parasito Game originou-se durante o desenvolvimento


de atividades da disciplina “Prática Pedagógica Interdisciplinar V” oferecida aos alunos do 6°
Bloco do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Piauí –
UESPI, no período de março de 2014 a junho de 2014.
Os discentes buscaram informações relevantes para o tema escolhido – parasitoses
humanas (parasitologia) – para possibilitar a atualização teórica e prática pedagógica. Após a
confecção do material, ocorreu a apresentação do jogo na Universidade, na presença do
professor responsável pela disciplina e do restante da turma. Esse momento favoreceu uma
reflexão crítica e possibilitou a troca de ideias e sugestões.Após essa etapa, o jogo foi
realizado com 40 alunos do 2º ano do Ensino Médio de uma escola pública da rede estadual
na cidade de Teresina-PI, no turno manhã. Foram entregues aos alunos dois questionários:
uma antes da aplicação do jogo e outro, ao final. Interessou-se saber a opinião dos alunos em
relação ao nível de entendimento do conteúdo e a didática utilizada antes e após a aplicação
do jogo, já que o conteúdo havia sido ministrado pelo professor titular semana antes da
aplicação do jogo. O jogo Parasito Game para o ensino das parasitoses humanas foi concebido
para ser utilizado a qualquer momento em que o professor decidir.
O jogo é composto por 06 espécimes de parasitos (Giardia lamblia, Ascaris
lumbricoides, Entamoebahistoytica, Trypanosoma cruzi, Aedes aegypti

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eTaeniasp.)confeccionados artesanalmente pelos próprios discentes; 01 tabuleiro (dimensões


1,25 cm x 2,60 cm) formado por 6 colunas (numeradas de 1 a 6 representando o caminho a ser
percorrido por cada participante) e 8 linhas (identificadas de A á H representando as
características dos parasitos em estudo: Casa A(doença); Casa B(causador); Casa
C(transmissor); Casa D(hospedeiro); Casa E(transmissão); Casa F(sintomas); Casa G
(tratamento) e Casa H(prevenção);01 dado numerado de um a seis; e 06 cartas contendo as
características morfológicas de cada parasito, a Figura 1 representa tal caracterização.

Figura 1.Composição do jogo

O jogo é iniciado com o lançamento do dado por cada participante, onde o número
obtido identificará a ordem de jogada e o caminho a ser percorrido.Em seguida, cada
participante escolherá uma carta contendo as características morfológicas e tentará identificar
a qual parasito corresponde tais características dentre os exemplares. Acertando o parasito, o
jogador irá para a Casa A e aguardará sua vez. Errando, perderá a vez e entrará um novo
jogador.Na Casa A, deve-se identificar a doença (parasitose) causada ou transmitida pelo
parasito. Se acertar a doença, o participante jogará o dado e, aparecendo os lados 1, 3 ou 5
saltará uma Casa e aguardará sua vez. No entanto, aparecendo os lados 2, 4 ou 6 dirigir-se-á
para a Casa B, aguardando sua vez.Se errar a doença, o participante permanecerá na Casa A
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até todos os seus concorrentes jogarem.A Casa B trata do agente etiológico (causador) da
parasitose, onde acertando o agente causador, o jogador avançará para a Casa C ou terá a
opção de permutar de Casa uma única vez com os seus adversários, porém, permanecendo na
sua própria Chave. No entanto, se errar o agente causador, o jogador retornará à Casa A e
esperará todos jogarem.Na Casa C ocorrerá a identificação do vetor (transmissor) da doença e,
acertando o mesmo, o participante jogará o dado, se aparecer os lados 1 ou 6 voltará à Casa B
e aguardará. Aparecendo os lados 3 ou 4 ficará na Casa C aguardando sua vez. Porém,
aparecendo os lados 2 ou 5 avançará para a Casa D e aguardará. Porém, se errar o agente
transmissor, o participante retornará ao início do jogo recomeçando-o novamente.O
hospedeiro do parasito será verificado na Casa D. Se acertá-lo, o jogador avançará para a Casa
E aguardando sua vez. Errando o hospedeiro, o jogador perderá o jogo e passará a vez a outro
jogador, que iniciará o jogo a partir da Casa D.A transmissão da doença é caracterizada na
Casa E. Acertando-a, o participante jogará o dado e, aparecendo o lado 6, avançará para a
Casa G e aguardará sua vez. No entanto, aparecendo os lados 1, 2, 3, 4 ou 5, o jogador
avançará para a Casa F e aguardará.Se errar o modo de transmissão da doença, o jogador
permanecerá na Casa E, e esperará uma rodada. Na Casa F verificar-se-á a sintomatologia da
parasitose. Sendo que, se o participante acertar pelo menos dois sintomas, o mesmo avançará
para a Casa G e aguardará sua vez. Se o jogadorerrar os sintomas da doença, o participante
permanecerá na Casa F e aguardará duas rodadas.O tratamento da doença é discorrido na Casa
G. Se acertar o tratamento da parasitose, o participante jogará o dado e, aparecendo os lados 1
ou 3 avançará para a última Casa H. Aparecendo os lados 2 ou 5 permanecerá na Casa G e
aguardará todos jogarem. Entretanto, aparecendo os lados 4 ou 6 permutará de Chave com o
jogador mais atrasado e aguardará sua vez. Errando o tratamento, o participante retornará a
Casa E aguardando sua vez.Na Casa H (última Casa) verificar-se-á os cuidados e prevenções
para evitar o contágio da parasitose. Se o participante identificar pelo menos duas prevenções,
completará o jogo e vencerá. Caso contrário, perderáo jogo. A Figura 2 demostra a
representação do jogo.
Durante o jogo, o professor assume a função de mediador entre os participantes,
esclarecendo possíveis dúvidas e também incentivando a cooperação, a discussão e a
manifestaçãode diferentes pontos de vista na realizaçãode tarefas.

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Figura 2. Representação do jogo

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A turma da2ª série do Ensino Médio da escola pública avaliou o jogo assim como o
professor de Biologia responsável por ministrar essa disciplina.Os depoimentos indicaram que
a transmissão do conteúdo deu-se de forma satisfatória. Além disso, os alunos destacaram
que, com o jogo, sentiram-se mais motivados e ativos na aprendizagem sobre parasitoses
humanas, no qual envolveu os principais aspectos das doenças.O professor da turma destacou
que o jogo Parasito Game intensificou de maneira prática o melhor aprendizado frente ao
conteúdo abordado de forma teórica, podendo ser utilizado inclusive como método avaliativo,
trazendo resultados positivos para o processo educativo.
A análise do questionário aplicado antes do jogo revelou que dos 40 alunos, 23
(57,5%) consideraram ruim o nível de entendimento do conteúdo e 27(67,5%) não gostaram
da didática utilizada. No entanto, através do questionário aplicado ao final do jogo, observou-
se que dos 40 alunos, 35(87,5%) consideraram bom o nível de entendimento do conteúdo e 39
(97,5%) gostaram da didática, conforme Tabela 1.

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Tabela 1. Análise da avaliação do questionário aplicado aos 40 alunos antes e após a


realização do jogo.

Perguntas Antes da aplicação do jogo Após a aplicação do jogo


Bom 15% Bom 87,5%
1. Entendimento do Regular 27,5% Regular 7,5%
conteúdo Ruim 57,5% Ruim 5%
Bom 7,5% Bom 97,5%
2. Didática Regular 25% Regular 2,5%
Ruim 67,5% Ruim 0%

O fato de que grande maioria dos alunos terem gostado da didática utilizada pode ser
explicado de acordo com Santos (1998), pois, vários estudos a respeito deatividades lúdicas
vêm comprovar que o jogo, além de ser fonte de prazer e descoberta para o aluno, é a
tradução do contexto sócio- histórico refletido na cultura, podendo contribuir
significativamente para o processo de construção do conhecimento do aluno como mediador
daaprendizagem. Aprender e ensinar brincando, enriquece as visões do mundo e as
possibilidadesde relacionamento e companheirismo, de socialização e troca de experiências,
de conhecimentodo outro e respeito às diferenças e de reflexão sobre as ações. O lúdico éum
importante instrumento de trabalho no qual o mediador, no caso o professor, deve
oferecerpossibilidades para a elaboração do conhecimento, respeitando as diversas
singularidades. Essasatividades, quando bem exploradas, oportunizam a interlocução de
saberes, a socialização e odesenvolvimento pessoal, social e cognitivo (Cabrera & Salvi,
2005).
A aula expositiva, ainda que muito criticada, sejapor tradição, por falta de
conhecimento dos docentes quanto à operacionalização dos demais métodos ou por falta de
estrutura nas instituições de ensino, tradicionalmente, é um método padrão utilizado pela
maior parte dos professores, consistindo na verbalização utilizada por estes com o objetivo de
transmitir conhecimento acerca de um conteúdo (GIL, 2009). No entanto, apresenta certas
desvantagens, tais como: passividade dos alunos, tornando-os menos participativos, pequena
retenção de informações, decréscimo de atenção dos alunos, falta de interação entre professor
e aluno, além de conversas paralelas. Tal realidade foi observada através da análise do
questionário em que grande maioria dos alunos relataram um baixo nível de entendimento do
conteúdo com a aula expositiva dialogada, além de não gostarem da didática utilizada.

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O processo de aprendizagem é bastante complexo, e, por isso, a reflexão acerca das


diversas metodologias de ensino deve levar em conta aspectos que influenciam nesse
processo. Dentre esses aspectos estão: motivação (é interior e tem sempre origem numa
necessidade, e, por isso, o professor precisa despertar interesse e demonstrar que o ensino é
necessário para que os alunos alcancem seus objetivos); concentração (depende de aspectos
pessoais do aluno e da motivação e dos estímulos do ambiente - sala de aula, recursos de
ensino, sequência da apresentação da matéria); reação (as situações de ensino devem ser
suficientes para que o aluno reaja ao que é apresentado); realimentação (o aluno deve ter
condições de confirmar o que está acertando ou errando); memorização (relaciona-se com as
diferenças individuais, motivação, atenção e compreensão); transferência (aplicação dos
conhecimentos numa situação específica) (GIL, 2009).
Haydt (1994) destaca que a escolha do método deve levar em conta, a natureza do
conteúdo a ser ensinado, as características dos alunos (por exemplo, faixa etária e grau de
interesse), além das condições físicas e o tempo disponível. Logo, é importante salientar que a
aula expositiva é apenas uma das estratégias aplicáveis no processo de ensino-aprendizagem.

CONCLUSÃO

A função educativa do jogo Parasito Game foi facilmente observada durante sua
aplicação ao ser verificada o favorecimento da aquisição de conhecimento.Diante do exposto
defende-se a ideia de que os jogos poderiam merecer um espaço na prática pedagógica dos
professores por ser uma estratégia motivante e que agrega aprendizagem de conteúdo ao
desenvolvimento de aspectos comportamentais saudáveis. Cabe ressaltar que os jogos
pedagógicos não são substitutos de outros métodos de ensino. São suportes para o professor e
poderosos motivadores para os alunos que usufruem, dos mesmos, como recurso didático para
a sua aprendizagem.Por outro lado, os professores precisam estar atentos aos objetivos da
utilização de um jogo em sala de aula e saber como dar encaminhamento ao trabalho, após o
seu uso. Além disso, deve dispor de subsídios que os auxiliem a explorar as possibilidades do
jogo e avaliar os seus efeitos em relação ao processo ensino-aprendizagem.

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POTENCIAL GENOTÓXICO E MUTAGÊNICO DO EXTRATO FOLIAR DE


PINHÃO-ROXO [Jatropha gossypiifolia L.]

GENOTOXIC AND MUTAGENIC POTENTIAL OF THE LEAF EXTRACT FROM COTTON-


LEAF PHYSICNUT (Jatropha gossypiifolia L.)

Maria Teresa Madeira Silva 1, Francielle Alline Martins1, Francisco Soares Santos Filho 1,
Pedro Marcos de Almeida2

RESUMO
O presente estudo visou avaliar os efeitos tóxico, citotóxico, genotóxico e mutagênico
do extrato aquoso das folhas de pinhão-roxo (Jatropha gossypiifolia L.), utilizando o sistema-
teste Allium cepa L. Sementes de A. cepa foram submetidas a diferentes concentrações do
extrato (0,001; 0,01; 0,1; 1 e 10 mg/mL), utilizando como controle negativo, água destilada, e
como controles positivos, o metilmetanosulfonato (4x10 -4 M) e a trifluralina (0,84 ppm). A
redução significativa do índice mitótico resultou na diminuição do crescimento radicular de A.
cepa em 0,1; 1 e 10 mg/mL. Alterações cromossômicas significativas foram observadas,
como brotos nucleares, aderências cromossômicas, C-metáfases e pontes cromossômicas.
Frequências significativas de MN foram observadas nas células meristemáticas e F1.
Considerando que o extrato foliar do pinhão-roxo é utilizado na terapêutica popular e que A.
cepa apresenta boa correlação com testes realizados em mamíferos, é possível que o seu uso
para fins medicinais possa causar danos à saúde humana.
PALAVRAS-CHAVE: Allium cepa. Alterações Genotóxicas. Micronúcleos.

ABSTRACT
The present study aimed to evaluate the toxic, cytotoxic, genotoxic and mutagenic
effects of the cotton-leaf physicnut (J. gossypiifolia L.), using Allium cepa L. as test system.
Seeds of A. cepa were exposed to five concentrations of the aqueous extract (0.001; 0.01; 0.1;
1 e 10 mg/mL), using as negative control, distilled water, and as positives controls,
metilmetanosulfonato (4x10-4 M) and trifluralin (0,84 ppm). Significant decrease in root mean
_________________________________
1 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN - Teresina– PI
[maytemadeirabio@gmail.com; fsoaresfilho@gmail.com; franufv@yahoo.com.br]
2 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCS - Teresina– PI
[pedromarcosalmeida@yahoo.com.br].

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growth values as well as mitotic index for the concentrations (0.1; 1 e 10 mg/mL), when
compared with the negative control. Significant chromosomal abnormalities, as nuclear buds,
chromosome adherence, C-metaphases and chromosome bridges were identified. Significant
MN frequencies were observed in meristematic cells and F1. Considering that the cotton-leaf
is used in popular therapies, and that the A. cepa presents good correlation with tests in
mammals, it is possible that its use for medicinal purposes can cause harm to human health.
KEY WORDS: Allium cepa. Chromosome Aberrations. Micronuclei.

INTRODUÇÃO

Jatropha gossypiifolia L., popularmente conhecida como pinhão-roxo, é um arbusto


leitoso da família Euphorbiaceae, que pode alcançar de 1,5 a 4,5 m de altura. As folhas são
alternas, revestidas de pelos. As flores são roxas e os frutos são pequenos e capsulares
contendo sementes com cerca de 24% de óleo (SCHVARTSMAN, 1992). O pinhão-roxo é
uma oleaginosa com potencial para produção de biocombustível (OLIVEIRA et al., 2009) e,
em nosso país, ocorre nas cinco regiões do Brasil (CORDEIRO e SECCO, 2014).
O óleo extraído das sementes é empregado na produção de sabões, tintas, iluminação e
como lubrificante (MATOS, 2004). Além disso, outras partes da planta podem ser utilizadas
por suas propriedades medicinais. O látex de pinhão-roxo é bactericida (GAIKWAD et al.,
2012) e tem efeito cicatrizante (OLIVEIRA; BARROS; NETO, 2010). As folhas têm efeito
antimalárico, anti-inflamatório, cicatrizante e hipotensor (SABANDAR et al., 2013). Nas
raízes foram identificadas substâncias antitumorais (MATOS, 2004). Contudo, o pinhão-roxo
possui vários fitoquímicos potencialmente tóxicos, como os terpenos (SABANDAR et al.,
2013).
Para a utilização do pinhão-roxo como planta medicinal, muitos estudos ainda são
necessários, a começar, pela avaliação do potencial toxicológico do extrato foliar que têm sido
utilizados de forma empírica na medicina popular. Considerando que os testes de toxicidade
em animais leva a morte dos mesmos, alternativas para análise deste potencial devem ser
consideradas. Neste sentido, modelos vegetais, como Allium cepa L., são frequentemente
utilizados na avaliação de testes de genotoxicidade e mutagenicidade (FERNANDES;
MAZZEO; MARIN-MORALES, 2009).
O sistema A. cepa permite avaliar os potenciais tóxico, citotóxico, genotóxico e
mutagênico da substância testada (LEME e MARIN-MORALES, 2009). O potencial tóxico
pode ser estimado mediante avaliação do crescimento radicular; o efeito citotóxico mediante

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verificação da frequência do índice mitótico e análise de alterações celulares morfológicas


indicativas de morte celular. Já a genotoxicidade é avaliada mediante análise de células
meristemáticas com anomalias cromossômicas, e a mutagenicidade é determinada pela
presença de micronúcleos ou de fragmentos cromossômicos (FERNANDES; MAZZEO;
MARIN-MORALES, 2009). Além disso, a presença ou não de micronúcleos também pode
ser avaliada nas células F1, que são derivadas da divisão mitótica de células meristemática
(MA et al., 1995).
Adicionalmente, A. cepa destaca-se entre outras plantas por apresentar cromossomos
maiores e número reduzido (2n = 16) e alta sensibilidade em detectar agentes químicos
ambientais (MAZZEO et al., 2013). O sistema-teste A. cepa é de fácil manuseio, baixo custo,
confiabilidade e concordância com outros testes de genotoxicidade, auxiliando em estudos de
prevenção de danos à saúde humana (RAY et al., 2013). Ensaios com A. cepa têm sido
utilizados no monitoramento de contaminantes de água e do solo (MAZZEO; FERNANDES;
MARIN-MORALES, 2011), bem como no estudo de extratos vegetais (RAY et al., 2013), os
quais podem representar riscos diretos ou indiretos para a população humana. Sendo assim, o
presente trabalho terá como objetivo avaliar o potencial efeito tóxico, citotóxico, genotóxico e
mutagênico do extrato aquoso foliar de pinhão-roxo nas células meristemáticas de A. cepa.

MATERIAL E MÉTODOS

Material Biológico

Folhas de pinhão-roxo foram coletadas em Teresina em julho de 2012 a partir de


várias plantas adultas. A planta foi identificada pelo Dr. Francisco Soares, professor do
Departamento de Biologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI, Teresina) e encontra-se
no herbário da UESPI com o voucher HAF 03111. As sementes de cebola cv Vale Ouro IPA -
11, por sua vez, encontram-se no laboratório de Genética da UESPI, campus Poeta Torquato
Neto.

Preparo do Extrato Aquoso das Folhas de Pinhão-Roxo

As folhas de pinhão-roxo foram colocadas em estufa para secagem na temperatura de


45-50 ºC por cinco dias no Laboratório de Genética da UESPI. O material seco foi macerado
em nitrogênio líquido até a obtenção de um pó fino para o preparo do extrato aquoso. Cem

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gramas do pó resultante foram adicionados em 1 L de água destilada, permanecendo sob


fervura durante dez minutos. Em seguida, o extrato foi filtrado em papel filtro e armazenado a
4 °C. Posteriormente, o extrato diluído em água destilada foi utilizado em cinco diferentes
concentrações (0,001; 0,01; 0,1; 1 e 10 mg/ml) a serem utilizadas no ensaio com A. cepa.

Ensaio Allium cepa

Cem sementes de A. cepa (cv. Vale Ouro IPA - 11) foram germinadas em placas de
Petri contendo papel de filtro umedecido com água destilada. Após germinação, foram
transferidas para as cinco concentrações citadas dos extratos foliares, uma placa por
concentração, por um período de 24 h. Como controle negativo (CN), foi utilizada água
destilada, e como controles positivos (CP) o MMS (Metilmetanosulfonato, 4x10-4 M), uma
droga de ação clastogênica, e o herbicida trifluralina (0,84 ppm), uma substância de ação
aneugênica (FERNANDES; MAZZEO; MARIN-MORALES, 2007). Quando as radículas
atingiram cerca de 1,5 cm de comprimento, o material foi fixado em Carnoy (3 etanol: 1 ácido
acético; v:v) por 6-8 h, à temperatura ambiente, e estocadas a -20º C, até o momento de
confecção das lâminas.

Para a confecção das lâminas, as raízes foram lavadas três vezes em água destilada, de
5 min cada, e hidrolisadas a 60 °C, por 10 min, em HCl 1N. Após a hidrólise, as raízes foram
novamente lavadas em água destilada e transferidas para frascos de vidro âmbar, contendo o
Reativo de Schiff, onde permaneceram em local escuro, por 2 h. Após esse período, as raízes
foram lavadas, até a total retirada do reativo, transferidas para lâminas, onde foram esmagadas
em uma gota de carmim acético 2% e montadas com Entellan.

A toxicidade do extrato foliar foi avaliada a partir da variação do comprimento médio


(em centímetros) de 30 raízes (VCMR), por tratamento. A citotoxicidade, genotoxicidade e
mutagenicidade foram avaliadas pela contagem, em microscópio de luz (aumento de 400 x),
de 5.000 células meristemáticas (500 células/por lâmina de um total de 10 lâminas
analisadas). Foram avaliados: (1) o índice mitótico (citotoxicidade); (2) índice de alterações
cromossômicas (genotoxicidade), incluindo C-metáfases, metáfases poliploides, metáfases
com aderências, metáfases com perdas cromossômicas, perdas de cromossomos inteiros e
pontes cromossômicas, e (3) o índice de mutagenicidade, mediante contagem de micronúcleos
ou quebras cromossômicas.

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Adicionalmente, para a avaliação da mutagenicidade dos extratos foliares, foram ainda


avaliadas 5.000 células da geração F1 (500 células/por lâmina de um total de 10 lâminas).
Para a confecção das lâminas de células F1, foram cortadas as regiões das raízes
correspondentes a 1 mm acima da região meristemática. A análise de células micronucleadas
seguiu o mesmo procedimento das análises da região meristemática.

Análise Estatística

Os valores da toxicidade foram expressos em média, enquanto os valores da


citotoxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade foram expressos em frequência. Análise
estatística para todos os parâmetros analisados foi realizada no programa BIOESTAT,
mediante teste de Kruskal-Wallis em nível de 5% de significância (AYRES et al., 2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Avaliação da Toxicidade e da Citotoxicidade

Nos testes de toxicidade, houve uma diminuição significativa na média de crescimento


das raízes de A. cepa nas concentrações de 0,1; 1 e 10 mg/mL no extrato aquoso foliar de
pinhão-roxo (EAPR) e nos controles positivos (CP) quando comparadas ao controle negativo
(CN) (Tabela 1). Nos ensaios de citotoxicidade, os valores de índice mitótico (IM) em células
meristemáticas de radículas tratadas nas concentrações de 0,1; 1 e 10 mg/mL do EAPR e dos
CP também apresentaram uma redução, estatisticamente significativa (Tabela 1).
A toxicidade e a citotoxicidade em A. cepa quando podem ser atribuídas a várias
substâncias químicas, principalmente, aos diterpenos, como jatrophane, que possuem
atividade citotóxica (SABANDAR et al., 2013). Esse composto diminui a concentração de
cálcio resultando na inibição da proteína quinase C (PKC). Provavelmente, a inativação da
PKC, que depende do cálcio para sua ativação e proliferação celular (ALBERTS et al., 2010),
reduziu o crescimento radicular e o índice mitótico (IM) observados no presente estudo.
Adicionalmente, outras substâncias como saponinas, taninos, alcaloides e fenóis presentes nos
extratos foliares do pinhão-roxo poderiam promover a diminuição do tamanho das raízes e do
IM como observados em Schinus terebinthifolius e S. molle (PAWLOWSKI et al., 2012) e em
Clerodendrum viscosum (RAY et al., 2013).

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Avaliação da Mutagenicidade em Células Meristemáticas e F1

A mutagenicidade pode ser avaliada pela presença de micronúcleos (MN), que podem
ser originados a partir de alterações no fuso mitótico (efeito aneugênico) ou a partir de
quebras cromossômicas (efeito clastogênico) (FENECH et al., 2011). No presente estudo, a
frequência de micronúcleos (MN) significativas foram observadas apenas na concentração de
10 mg/mL do EAPR e dos CP (MMS e trifluralina) (Tabela 1). Os MN citados possivelmente
foram resultantes da frequência significativa de pontes cromossômicas (origem clastogênica)
e de brotos nucleares (origem aneugênica) tanto para as concentrações testadas como para os
CP (Tabela 2) como observados por Fernandes, Mazzeo e Marin-Morales (2009).

Tabela 1. Valores do comprimento médio das radículas de Allium cepa (VCMR), dos índices
mitóticos, das frequências de micronúcleos (MN) e de quebras cromossômicas (QC) de
células meristemáticas e índices de MN em células F1, observadas após o tratamento de 24 h
com extrato aquoso foliar de pinhão-roxo em diferentes concentrações.

Células Meristemáticas
Tratamentos Células F1
VCMR3 Índice
(mg/mL) Micronúcleos QC4 Micronúcleos
(cm) Mitótico
CN1 4,22 ± 1,29 43,44 ± 10,12 0,20 ± 0,19 0,02 ± 0,06 0,62 ± 0,46
0,001 3,89 ± 1,28 39,91 ± 5,92 0,62 ± 0,60 0,06 ± 0,17 0,98 ± 0,82
0,01 3,47 ± 1,02 36,33 ± 5,39 0,66 ± 0,51 0,07 ± 0,13 1,32 ± 0,74*
0,1 2,92 ± 0,91* 34,96 ± 8,16* 0,72 ± 0,29 0,07 ± 0,09 1,38 ± 0,44*
*
1 2,61 ± 1,00* 32,57 ± 7,22 0,81 ± 0,57 0,10 ± 0,15 1,47 ± 0,48*
*
10 2,03 ± 0,93* 29,97 ± 10,24 0,94 ± 0,70* 0,07 ± 0,16 1,52 ± 0,83*
MMS2 2,07 ± 0,53* 32,80 ± 3,89* 3,54 ± 2,30* 0,44 ± 0,38 3,16 ± 1,59*
Trifluralina 1,73 ± 0,43* 26,63 ± 4,13* 1,71 ± 1,09* 0,11 ± 0,24 1,57 ± 0,73*
1
CN (água destilada): controle negativo. 2MMS (Metilmetanosulfonato, 4 x 10 -4
M):
3
controle positivo. Trifluralina (0,84 ppm): controle positivo. VCMR: valor do
comprimento médio das raízes. 4QC: quebras cromossômicas. *Significativo no teste de
Kruskal-Wallis (p < 0,05). Os resultados referem-se à análise de 5.000 células por
tratamento.

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Resultados similares foram observados nas células F1, que são derivadas da divisão
mitótica de células meristemáticas (MA et al., 1995), nas concentrações de 0,01; 0,1; 1 e 10
mg/mL com relação à frequência de MN (Tabela 1). Provavelmente, células contendo
aberrações cromossômicas deram origem aos MN, o que explica a alta frequência desses nas
células F1 como observados por Leme e Marin-Morales (2008).

Avaliação da Genotoxicidade em Células Meristemáticas

Em relação à genotoxicidade (Tabela 2), a concentração de 10 mg/mL do EAPR


apresentou C-metáfases significativas. Em todas as concentrações testadas do extrato foram
observadas metáfases com aderências cromossômicas, exceto em 1 mg/mL. A presença de
brotos nucleares foi evidenciada nas concentrações de 1 e 10 mg/mL do extrato. Enquanto,
metáfases poliploides, células binucleadas e alterações nucleares não foram significativas em
nenhuma das concentrações testadas.

Tabela 2. Frequência das alterações cromossômicas em células meristemáticas de radículas


de Allium cepa, observadas após o tratamento por 24 h com o extrato aquoso de pinhão-roxo
em diferentes concentrações.

Alterações Tratamentos (mg/mL)


Cromossômicas CN10 0,001 0,01 0,1
BN1 0,08 ± 0,10 0,22 ± 0,14 0,24 ± 0,31 0,16 ± 0,22
CB2 0,00 ± 0,00 0,04± 0,12 0,04 ± 0,12 0,16 ± 0,40
CP3 0,00 ± 0,00 0,04 ± 0,08 0,00 ± 0,00 0,04 ± 0,08
AD4 0,44 ± 0,53 1,20 ± 0,56* 1,08 ± 0,51* 1,17 ± 0,54*
CM5 0,04 ± 0,12 0,11 ± 0,15 0,22 ± 0,30 0,27 ± 0,38
PC6 0,10 ± 0,10 0,15 ± 0,17 0,18 ± 0,12 0,22 ± 0,22
PT7 0,00 ± 0,00 0,27 ± 0,20* 0,26 ± 0,25* 0,24 ± 0,23*
AMP8 0,00 ± 0,00 0,02 ± 0,06 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
AN9 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
Total 0,66 ± 0,62 2,05 ± 0,90* 2,02 ± 0,66* 2,26 ± 0,98*

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Alterações Tratamentos (mg/mL)


Cromossômicas 1 10 MMS11 Trifluralina
BN1 0,58 ± 0,47* 0,33 ± 0,31* 0,24 ± 0,23 1,32 ± 0,52*
CB2 0,07 ± 0,15 0,09 ± 0,16 0,00 ± 0,00 0,92 ± 1,25
CP3 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,47 ± 0,48
AD4 1,12 ± 0,51 1,60 ± 0,97* 0,29 ± 0,22 2,35 ± 1,62*
CM5 0,28 ± 0,34 0,35 ± 0,38* 0,18 ± 0,17 0,79 ± 0,58*
PC6 0,14 ± 0,21 0,20 ± 0,16 0,04 ± 0,08 0,49 ± 0,58
PT7 0,24 ± 0,34 0,24 ± 0,23* 0,22 ± 0,19* 0,47 ± 0,58*
AMP8 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,30 ± 0,45
AN9 0,00 ± 0,00 0,04 ± 0,08 0,00 ± 0,00 3,74 ± 3,19*
Total 2,43 ± 1,68* 2,85 ± 1,22* 0,97 ± 0,74 10,85 ± 5,77*
1 2 3 4
BN: brotos nucleares. CB: células binucleadas. CP: células poliploides. AD: aderências
5 6 7
cromossômicas. CM: C-metáfases. PC: perdas cromossômicas. PT: pontes
cromossômicas. 8AMP: anáfases multipolares. 9
AN: alterações nucleares. 10
CN (água
11
destilada): controle negativo. Trifluralina (0,84 ppm): controle positivo. MMS
(Metilmetanosulfonato, 4x10-4 M): controle positivo. *Significativo no teste de Kruskal-
Wallis (p < 0,05). Os resultados referem-se à análise de 5000 células por tratamento.

Adicionalmente, alterações na segregação cromossômica durante a anáfase e telófase


foram registradas como perdas, pontes e multipolaridade (Tabela 2). Dentre as alterações
observadas foram significativas à presença de pontes cromossômicas em 0,001; 0,01; 0,1 e 10
mg/mL no EAPR. Enquanto anáfases multipolares e perdas cromossômicas não foram
significativas em nenhuma das concentrações testadas para o extrato.
As diferentes alterações cromossômicas observadas no presente estudo confirmam a
possível interferência de fitoquímicos do EAPR na montagem, estabilização e ou inativação
das fibras do fuso, caracterizando a ação aneugênica. Resultados similares foram evidenciados
com jatrophane de E. dendroides (PEŠIĆ et al., 2011) que apresentam atividades similares ao
paclitaxel, inibindo a reorganização da rede de microtúbulos. Esses compostos pertencem à
classe dos diterpenos, assim como o jatrophane presente nas folhas de J. gossypiifolia,
reforçando a possível alteração nas fibras do fuso.

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CONCLUSÕES

As conclusões do presente estudo indicam que:


 O extrato aquoso foliar de pinhão-roxo (EAPR), provavelmente, atuou de maneira
similar aos inibidores de proteína quinase C (PKC), provocando toxicidade e
citotoxicidade em A. cepa.
 O EAPR possui efeito mutagênico (10 mg/mL) devido à frequência significativa de
MN, que provavelmente foram originados a partir das frequências de pontes
cromossômicas (origem clastogênica) e de brotos nucleares (origem aneugênica)
significativas.
 Frequência significativa de MN nas células F1 (0,01; 0,1; 1 e 10 mg/mL) evidencia a
persistência dos MN.
 O EAPR também provocou alterações genotóxicas significativas, como C-metáfases,
aderências cromossômicas, brotos nucleares e pontes cromossômicas.

AGRADECIMENTOS

À Universidade Estadual do Piauí (UESPI) pelo fornecimento das instalações e


infraestrutura para realizar o presente estudo. Ao Dr. Francisco Soares Filho pela
identificação taxonômica do material botânico.

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POTENCIAL CITOGENOTÓXICO DO EXTRATO AQUOSO FOLIAR DE Jatropha


mollissima Pohl (Baill)

(POTENCIAL CYTOGENOTOXIC OF Jatropha mollissima POHL (BAILL) LEAF


AQUEOUS EXTRACT)

Beatriz Murilo da Costa1, Fernanda Leal Ferreira1, José Rafael da Silva Araújo 1, Pedro
Marcos de Almeida2, Francielle Alline Martins1

RESUMO
O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial tóxico, citotóxico, genotóxico e
mutagêncico do extrato aquoso foliar de Jatropha mollissima, utilizando o sistema-teste
Allium cepa L. Sementes de A. cepa cv: Vale-Ouro IPA-11 foram germinadas em placas de
Petri com papel filtro umedecido com água destilada. Após 7 dias de germinação, as sementes
foram colocadas nos diferentes tratamentos, sendo: T1 (controle negativo) – água destilada;
T2: 0,01mL/L; T3: 0,1mL/L; T4: 1mL/L e T5: 10mL/L. As raízes de cada tratamento foram
medidas, fixadas e coradas com reativo de Schiff. Foram analisadas 6.000 células por
tratamento. Os dados foram avaliados por meio do teste de Kruskal-Wallis a 5% de
probabilidade. No teste de toxicidade, não foram observadas diferenças entre os tratamentos e
o controle negativo. O comprimento médio geral das raízes foi igual a 2,74 cm, variando de
2,4 a 2,98 cm. Também não foram observados efeitos citogenotóxicos nas concentrações
avaliadas.
PALAVRAS-CHAVE: Citotoxicidade. Genotoxicidade. Mutagenecidade.

ABSTRACT
The aim of this study was to evaluate the toxic, cytotoxic, genotoxic and mutagenic
potential the leaf aqueous extract of Jatropha mollissima using the test system Allium cepa L.
Seeds of A. cepa cv: Golden Valley-IPA-11 were germinated in Petri dishes with moistened
filter paper with distilled water. After 7 days of germination, the seeds were placed in the
different treatments were: T1 (negative control) - distilled water; T2: 0.01mL/L; T3: 0.1mL/L;
__________________________
1 - Universidade Estadual do Piauí, CCN/Teresina – PI.
2 - Universidade Estadual do Piauí, CCS /Teresina – PI.

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T4: 1mL/L and T5: 10mL/L. The roots of each treatment were measured, fixed and stained
with Schiff. 6000 cells were analyzed per treatment. Data were evaluated by the Kruskal-
Wallis test at 5% probability. In toxicity tests, no differences between treatments and the
negative control were observed. The overall average root length was equal to 2.74 cm,
ranging from 2.4 to 2.98 cm. No cytogenotoxic effects were also observed at the
concentrations evaluated.
KEY WORDS: Cytotoxicity. Genotoxicity. Mutagenicity.

INTRODUÇÃO

O interesse popular no uso de plantas medicinais tem crescido consideravelmente


desde a segunda metade do século 20, assim como os estudos químicos e farmacológicos de
produtos naturais (MATOS, 1996). No Brasil, país megadiverso, que abrange cerca 20% da
diversidade biológica mundial, estima-se haver um grande repertório de plantas com potencial
farmacológico ainda desconhecido.
Estudos etnobotânicos realizados no nordeste do país demonstram que a caatinga,
vegetação altamente ameaçada do bioma semiárido, que abrange uma vasta área no nordeste
do Brasil, é fonte de muitos recursos naturais ainda pouco estudados.
Dentre as espécies de planta mais representativa da Caatinga, destaca-se a família
Euphorbiaceae compreendendo cerca de 8.000 espécies e 320 gêneros (MUNCH; KIEFER,
1989). O gênero Jatropha encontra-se incluído nesta família, pertencente à tribo Joannesieae
e contém cerca de 170 espécies conhecidas. O nome “jatropha” é derivado da palavra grega
“jatros” (médico) e ''trophe” (alimentos), o que implica seu potencial de uso medicinal
(KUMAR; SHARMA, 2008).
As espécies de Jatropha são bastante conhecidas pelo uso na medicina tradicional e
folclórico para curar várias doenças na África, Ásia e América Latina (BURKILL, 1994),
como plantas ornamentais e como culturas produtoras de biodiesel (HELLER, 1996). Relatos
no nordeste brasileiro demonstram o uso com frequência das J. curcas, J. mutabilis, J.
gossypiifolia, J. ribifolia, e J. mollissima, essa última conhecida popularmente como pinhão
bravo, é uma espécie nativa do semiárido brasileiro e de endemismo desconhecido
(CORDEIRO; SECCO, 2012), distribuída somente no Brasil e na Venezuela (GOVAERTS et
al., 2000).
Em nosso país, J. mollissima ocorre nos domínios Fitogeográficos de Cerrado e
Caatinga (CORDEIRO; SECCO, 2012). Nos Cerrados está associada à Mata Seca e a Campo

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Rupestre (SANO et al., 2008), já na Caatinga tem sido observada com frequência vegetando
áreas degradadas, um ecossistema típico do nordeste do país (POMPELLI et al., 2011).
Jatropha mollissima é um arbusto lactescente (leitoso) de em média 3 m em altura. A
casca é lisa e em tons de dourado, desprendendo-se em finas lâminas. Os ramos são
suculentos (cheios de suco) e moles. Folhas com cinco lobos (“pontas”) de margem denteada
e com longos pecíolos. As flores masculinas são vermelhas e as femininas são alvo-
amareladas. O fruto (3 cm) quando verde possui seis quinas e após secar, tem deiscência
explosiva (explode ao liberar as três sementes). O látex avermelhado tem sido empregado no
tratamento de úlceras e contra veneno de cobras e juntamente com as folhas têm efeito
cicatrizante, sendo usado em golpes e feridas. As folhas possuem ainda atividade
antireumática. O óleo extraído da semente tem uso veterinário como purgante (CASTRO;
CAVALCANTE, 2011). Existem relatos ainda do uso da espécie no tratamento de inflamação
renal e inapetência (ALBURQUEQUE et al., 2007) e atividade antibacteriana da espécie
(ROCHA; DANTAS, 2009).
Embora J. mollissima possua importância na medicina popular regional brasileira, suas
informações farmacobotânicas são insipientes, assim como estudos toxicológicos que visam
identificar o potencial genotóxico e mutagênico da espécie. Sendo assim, este estudo objetiva-
se a avaliação do potencial tóxico, citotóxico, genotóxico e mutagênico do extrato aquoso
foliar do pinhão bravo por meio do bioensaio com Allium cepa L.

MATERIAL E MÉTODOS

Folhas de pinhão-bravo foram selecionadas, coletadas e acondicionadas em


embalagem de polipropileno hermeticamente fechada e levadas a Laboratório de Genética da
Universidade Estadual do Piauí.
Para o preparado do extrato aquoso foliar 20g de folha fresca foram trituradas em um
liquidificador e em seguida água destilada foi adicionada em quantidade suficiente para 200
ml de solução. A solução estoque permaneceu sob agitação por 5 minutos e em repouso por
48h, à 4ºC no escuro até a filtragem. Diluições seriadas foram realizadas a partir da solução
estoque até as concentrações: 1,0; 0,1; 0,01 e 0,001g/L.
Sementes de cebola foram germinadas em placas de Petri contendo papel filtro e água
destilada, à temperatura ambiente por cerca de 5 dias até atingirem cerca de 2cm de
comprimento. Em seguida, 50 raízes foram transferidas para cada tratamento, incluindo o
controle negativo (água destilada) a temperatura ambiente. Transcorridas 24h, 30 raízes de

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cada tratamento foram medidas com auxílio de uma régua milimétrica e em seguida
armazenadas em uma solução fixadora de metanol: ácido acético (3:1) e mantidas no freezer.
As preparações citogenéticas foram realizadas por meio da reação de Feulgen e as
raízes meristemáticas hidrolisadas em banho-maria à 60°C, em HCl 1N por 15 minutos. Após
hidrólise, as raízes foram lavadas e coradas com Reativo de Schiff, por 2 horas no escuro.
Após esse período, as raízes foram lavadas, a regiões meristemáticas cortadas, com auxílio de
bisturi e lupa e esmagadas em uma gota de carmim acético 2% conforme descrito por Guerra;
Souza, (2002).
A toxicidade do extrato foliar foi avaliada a partir da variação do comprimento médio
das raízes de A. cepa. A citotoxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade foram verificadas
por meio da contagem 6.000 células ao microscópio óptico Olympus CX 21 em aumento de
400X, para cada tratamento. A citotoxicidade foi avaliada a partir do índice mitótico; a
genotoxicidade por meio do índice de alterações cromossômicas, tais como: brotos nucleares,
células binucleadas, perda de cromossomos, anáfases multipolares com ponte, células
poliploides, ponte, atraso cromossômico, aderência cromossômica, anáfases multipolares e
alterações nucleares; e a mutagenicidade foi verificada por meio do número de quebras
cromossômicas e de micronúcleos observados nas células.
Uma vez verificada a não adequação dos dados observados aos parâmetros exigidos
para a análise de variância, tais como: normalidade e homogeneidade, as avaliações
estatísticas para a toxicidade, citotoxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade foram
realizadas por meio do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis, a 5% de probabilidade, com
auxílio do programa BioEstat 5.3 (AYRES et al, 2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No teste de toxicidade não foram observadas diferenças significativas entre os


tratamentos e o controle negativo para os valores do comprimento médio das radículas de A.
cepa (VCMR) (Tabela 1). O comprimento médio das raízes variou de 2,40 a 2,98 cm, para os
tratamentos a 10mg/mL e 0,1 mg/mL, respectivamente. Similarmente, nos ensaios de
citotoxicidade não foram observadas diferenças significativas entre os índices mitóticos (IM)
dos tratamentos e do controle.
Embora J. mollissima pertença a um gênero conhecido pelo seu potencial tóxico, no
bioensaio com A. cepa não foi observada atividade citotóxica nas concentrações em estudo.
Resultados similares foram observados por Melo et al. (2010) ao avaliar a atividade

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antiproliferativa do extrato metanólico da folha desta espécie. Os ensaios com linhagens de


células tumorais Hep-2 e NCI-H292 apresentaram taxa de sobrevivência celular igual a
142,06 ± 5,06 e 88,32 ± 0,3, respectivamente, não sendo considerados potencialmente
citotóxicos.

Tabela 1. Valores do comprimento médio das radículas de Allium cepa (VCMR), dos índices
mitóticos, das frequências de micronúcleos (MN) e de quebras cromossômicas (QC) de
células meristemáticas, observadas após o tratamento com o estrato foliar de J. mollissima em
diferentes concentrações
Tratamentos VCMR Células Meristemáticas
(mg/ml) (cm) Índice Mitótico Micronúcleos QC MN + QC
CN 2,98 ± 1,04 124 ± 71,2 0,11 ± 0,39 0,00 ±0,00 0,11 ± 0,39
10 2,40 ± 0,99 148 ± 112 0,24 ± 0,46 0,00 ±0,00 0,24 ± 0,46
1 2,73 ± 1,16 178 ±75,0 0,39 ± 0,97 0,19 ±0,48 0,58 ±1,45
0,1 2,98 ± 1,23 169 ±76,7 0,11 ± 0,37 0,11 ±0,25 0,22 ±0,62
0,01 2,61 ± 1,09 180 ± 83,4 0,82 ± 1,19 0,00± 0,00 0,82 ± 1,19
p-valor p > 0,05 0,35 0,56 0,88 1,44
CN (água destilada): controle negativo. VCMR: valor do comprimento médio das raízes.
QC: quebras cromossômicas. (MN + QC): micronúcleos e quebras cromossômicas nas
células meristemáticas. Os resultados referem-se à análise de 6.000 células por tratamento.

Possivelmente, a ausência da atividade citotóxica nos ensaios com células tumorais


pode está relacionada ao efeito protetor de antioxidantes e taninos presentes na folha, uma vez
que a espécie em estudo destacou-se nos ensaios bioquímicos devidos a boa atividade
antioxidante e alta quantidade de tanino (IC50 = 54,09 ± 4,36 μg/mL e 2,35 ± 0,08 mg/100mg
de tanino) realizados pelo mesmo autores. Os antioxidantes são um grupo de substâncias que
são úteis no combate ao câncer e outros processos que conduzem à doenças tais como a
arterosclerose, a doença de Alzheimer, doença de Parkinson, diabetes e doença cardíaca
(VALKO et al., 2007).
Da mesma forma, pode-se inferir que a ausência da atividade citotóxica no ensaio com
A. cepa, realizado neste estudo, deve-se também a presença desses compostos protetores no
extrato aquoso foliar ou a baixa quantidade de agentes citotóxicos nas concentrações
avaliadas.

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No estudo da genotoxicidade, em que a frequência de cada uma das alterações


cromossômicas foi avaliada, não foram observadas ocorrências significativas dessas para as
concentrações utilizadas do extrato foliar de J. mollissima, sendo portanto, o mesmo
considerado sem efeito genotóxico (Tabela 2).
A ausência de agentes citotóxicos permitiu a progressão do ciclo celular e os resultados
das avaliações genotóxicas confirmaram a ausência e/ou não interferência dos fitoquímicos
presentes no extrato foliar nas fibras do fuso mitótico.

Tabela 2. Frequência das alterações genotóxicas em células meristemáticas de radículas de A.


cepa, observadas após os tratamentos por 24h com extrato aquoso foliar de J. mollissima em
diferentes concentrações
Tratamentos
Alterações
(mL/L)
Cromossômicas
CN 10 1,0 0,1 0,01
BN 0,00 ± 0,00 0,24 ± 0,46 0,25 ± 0,45 0,67 ± 1,15 0,17 ± 0,58
CB 0,11 ± 0,26 0,30 ± 0,37 0,08 ± 0,29 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
CP 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
AC 1,29 ± 2,32 3,50 ± 4,97 3,33 ± 3,39 3,50 ± 4,17 1,58 ± 5,00
CM 1,62 ± 1,59 1,48 ± 1,19 1,58 ± 2,43 1,83 ± 2,52 0,25 ± 0,62
PC 0,00 ± 0,00 0,06 ± 0,21 1,00 ± 0,95 0,42 ± 0,90 0,25 ± 0,45
PT 0,17 ± 0,18 0,12 ± 0,28 0,17 ± 0,39 0,26 ± 0,57 0,92 ± 2,31
AM 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,42 ± 0,56 0,00 ± 0,00
AMP 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
ATC 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
Total 3,19 ± 4,35 5,70 ± 7,48 6,41 ± 7,90 7,10 ± 9,87 3,17 ± 8,96
BN: brotos nucleares, CB: células binucleadas, CP: células poliploides, AC: aderências
cromossômicas, CM: C-metáfases, PC: perdas cromossômicas, PT: pontes cromossômicas,
AM: anáfases multipolares, AMP: anáfases multipolares com ponte, ATC: atraso
cromossômico. Os resultados referem-se à análise de 6,000 células por tratamento.

A presença não significativa de perdas cromossômicas e/ou brotos nucleares está


relacionada a não observação de valores médios significativos de micronúcleos, uma vez que
os mesmos são resultantes da ocorrência de perdas, quebras cromossômicas (FENECH et al.,
2011) e/ou brotos nucleares (FERNANDES et al., 2009).
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Desta forma, o extrato aquoso da folha de J. mollissima não apresentou atividades


genotóxica e nem mesmo mutagênica.
Considerando a ampla utilização dessa espécie em comunidades do semiárido brasileiro
e a carência de informações científicas relacionadas à forma de uso, composição bioquímica e
os reais benefícios para os organismos, estudos mais específicos são necessários, uma vez
demonstrado o potencial do extrato foliar de J. mollissima sem a observação concomitante de
efeitos genotóxicos ou mutagênicos.

CONCLUSÕES

 O extrato aquoso foliar de pinhão-bravo (Jatropha mollissima) não apresentou efeito


tóxico, citotóxico, genotóxico ou mutagênico nas concentrações avaliadas.
 Nas concentrações avaliadas o extrato não representa risco ambiental ou a saúde,
estudos subsequentes devem ser realizados para investigar a possível ação deste extrato para
fins medicinais.

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POTENCIAL CITOGENOTÓXICO DO LATEX DE Jatropha mollissima (Pohl) Baill

(CYTOGENOTOXIC POTENTIAL OF Jatrophamollissima (Pohl) Baill LATEX)

Jardison de Oliveira Cunha 10, Josiane Costa Rocha2, Pedro Marcos de Almeida3, Francielle
Alline Martins4

RESUMO
Pertencente à família Euphorbiaceae, Jatropha mollissima é um arbusto lactescente.
Estudos têm mostrado a utilização de forma empírica do látex desta espécie na medicina,
sendo assim necessária a avaliação do seu potencial toxicogenético. Desta forma, o objetivo
deste estudo foi avaliar o potencial tóxico, citotóxico, genotóxico e mutagênico do látex de J.
mollissima em raízes de Allium cepa L., para tanto sementes de A. cepa foram germinadas em
placas Petri por 7 dias, em seguida transferidas para os tratamentos: T1 (controle negativo) –
água destilada; T2: 2,5ml/L; T3: 5,0mL/L; T4: 10mL/L e T5: 20mL/L. Após 24h, as raízes
foram medidas, fixadas e coradas com reativo de Schiff. Foram analisadas 5.000 células por
tratamento e os dados avaliados por meio do teste de Kruskal-Wallis a 5% de probabilidade.
Não foram observados efeito citogenotóxico na maioria das concentrações avaliadas do látex,
sendo a espécie em estudo considerada promissora na indústria farmacêutica.
PALAVRAS-CHAVE: Euphorbiaceae. Citotoxicidade. Genotoxicidade. Mutagenicidade.

ABSTRACT
Belonging to the Euphorbiaceae family, Jatropha mollissima is a milky shrub. Studies
have shown the empirically use of latex of this species in medicine, and therefore require the
evaluation of its potential toxicogenético. The objective of this study was to evaluate the
toxic, cytotoxic, genotoxic and mutagenic potential of the J. mollissima latex on roots of
Allium cepa L. Therefore, A. cepa seeds were germinated in Petri dishes for 7 days, then
transferred for the treatments: T1 (negative control) - distilled water; T2: 2.5 mL/L; T3: 5.0
mL/L; T4: 10mL/L and T5: 20mL/L. After 24 h, the roots were measured, fixed and stained

1 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN – Teresina – PI


[jardisonoliveira@msn.com]
2 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN - Teresina– PI - [joisecr@hotmail.com]
3 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCS - Teresina – PI
[pedromarcosalmeida@yahoo.com.br]
4 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN - Teresina– PI
[franufv@yahoo.com.br].

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with Schiff reagent. Five thousand cells per treatment were analyzed and the data were
evaluated by the Kruskal-Wallis test at 5% probability. No cytogenotoxic effects were found
in the majority of the tested concentrations of latex and the specie under study was considered
promising in the pharmaceutical industry.
KEY-WORDS: Euphorbiaceae. Cytotoxicity. Genotoxicity. Mutagenicity.

INTRODUÇÃO

A família Euphorbiaceae se sobressai em relação à riqueza de espécies, diversidade


morfológica, fitoquímica e importância econômica. Compreende cerca de 13.150 espécies e
615 gêneros, apresentando distribuição cosmopolita, com maior diversidade nos trópicos e
subtrópicos (HEYWOOD et al., 2007). No Brasil, está representada por 130 gêneros e cerca
de 1.500 espécies em todos os tipos de vegetação, representando uma das principais famílias
da flora brasileira (SOUZA; LORENZI, 2005).
Dentre as espécies da família Euphorbiacea, Jatropha mollissima é nativa do
semiárido brasileiro e de endemismo desconhecido (CORDEIRO; SECCO, 2012), distribuída
somente no Brasil e na Venezuela (GOVAERTS; FRODIN; RADCLIFFE-SMITH, 2000).
Em nosso país, a espécie ocorre nos Domínios Fitogeográficos de Cerrado e Caatinga
(CORDEIRO; SECCO, 2012). Embora Gallindo (1985) tenha notificado à baixa presença de
J. mollissima nas áreas litorâneas, populações consideráveis para Área de Proteção Ambiental
do Delta do Parnaíba, litoral do Piauí foram observadas por Santos-Filho (2009). Além do
Piauí, na região Nordeste, a planta já foi encontrada em levantamentos nos Estados do Ceará,
Paraíba (BARBOSA et al., 2007; LACERDA et al., 2005), Pernambuco (ALCOFORADO-
FILHO; SAMPAIO; RODAL, 2003), Alagoas e Bahia (CORDEIRO; SECCO, 2012). Citam-
se sua presença também na região Norte (Rondônia), Centro-oeste (Mato Grosso) e no
Sudeste do Brasil.
J.mollissimaé um arbusto lactescente (leitoso) de em média 3m em altura. A casca é
lisa e em tons de dourado, desprendendo-se em finas lâminas. Os ramos são suculentos
(cheios de suco) e moles. As folhas, além do efeito cicatrizante, são consideradas
antirreumáticas e nas raízes foram identificadas substâncias eficazes no tratamento de tumores
e leucemia. O fruto (3cm) quando verde possui seis quinas e após secar, tem deiscência
explosiva (explode ao liberar as três sementes), empregado na fabricação de sabões, tintas,
iluminação e como lubrificante e combustível (biodiesel) (CASTRO; CAVALCANTE, 2011).

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O látex de J.mollissima, conhecida popularmente como pinhão bravo, é um líquido de


aspecto leitoso e vem sendo utilizado na medicina popular de forma empírica no tratamento
de úlceras e contra veneno de cobras, tem efeito cicatrizante, sendo usado em golpes e feridas.
Sendo assim, estudos de avaliação do potencial toxicológico do látex são necessários.
Testes in vivo com modelos animais têm sido empregados nessas avaliações (MENDONÇA;
LAVIOLA, 2009). Considerando que os testes de toxicidade em animais leva a morte dos
mesmos, os bioensaios com plantas superiores apresentam-se como excelente ferramenta para
análise de toxicidade de substâncias químicas a compostos complexos (BOTELHO et al.,
2011). Os bioensaios com modelos vegetais permitem avaliar o potencial tóxico da substância
testada através da avaliação do crescimento radicular, e dos danos causados ao DNA,
observando a presença de aberrações cromossômicas e distúrbios no ciclo mitótico (LEME;
MARIN-MORALES, 2009; LIUet al., 2005).
Sendo assim, o objetivo deste estudo foi verificar a ação do látex de pinhão-bravo na
germinação e crescimento radicular, bem como avaliar o potencial citotóxico, genotóxico e
mutagênico nas células meristemáticas do modelo vegetal Allium cepa L.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Laboratório de Genética (LABGENE) na


Universidade Estadual do Piauí – Campus Poeta Torquato Neto localizado em Teresina- PI,
no período de agosto 2013 a Junho de 2014.
Um corte no caule do pinhão bravo em um ângulo de 45° foi realizado, em seguida o
material secretado foi recolhido em tubos do tipo Eppendorf e acondicionados em caixa
térmica na presença de gelo, a amostra foi levada diretamente para o laboratório, onde foram
realizadas as diluições.
Sementes de cebola, cultivar: Vale-Ouro IPA-11 foram adquiridas e colocadas para
germinar em placas de Petri com papel filtro umedecido com água destilada. Após 7 dias de
germinação, as sementes foram colocadas nos diferentes tratamentos que variaram de acordo
com a concentração da solução aquosa do látex do pinhão bravo, sendo: T1 (controle
negativo) – água destilada; T2: 2,5mL/L; T3: 5mL/L; T4: 10mL/L; T5: 20mL/L.
As preparações foram mantidas à temperatura ambiente e avaliadas após 24h, quanto
ao comprimento das raízes, em seguida as raízes foram coletadas e fixadas em metanol: ácido
acético (3:1) no freezer a -20ºC. Para análise citogenética, as preparações foram realizadas por
meio da reação de Feulgen (GUERRA; SOUZA, 2002).

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Para cada um dos cinco tratamentos foram avaliadas 5.000 células meristemáticas,
quanto as diferentes fases da divisão mitótica, possíveis alterações cromossômicas e
nucleares. A citotoxidade foi avaliada pelo índice mitótico (IM) (número de células em
divisão/total de células), enquanto a genotoxidade foi obtida dividindo-se o número de células
com alterações cromossômicas (C-metáfases, metáfases poliploides, metáfases com
aderências, metáfases com perdas cromossômicas, perdas de cromossomos inteiros e pontes
cromossômicas) pelo total de células e o índice de mutagenicidade foi obtido mediante a
contagem de células portadoras de fragmentos cromossômicos ou micronúcleos também
divididos pelo total de células observadas.
Os dados foram avaliados por meio do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis. Todas
as análises de estatísticas foram realizadas com auxílio do programa BIOESTAT 5.3 a 5% de
probabilidade (AYRES et al., 2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Avaliação da toxicidade, citotoxicidade e mutagenicidade:

Os valores de comprimento médio das raízes (VCMR) de A. cepa variou de 5,8 a 6,4 cm
(Tabela 1). Diferenças significativas entre os tratamentos e o controle negativo não foram
observadas no teste de toxidade realizado.

Tabela 1. Valores do comprimento médio das radículas de Allium cepa (VCMR), dos índices
mitóticos, das frequências de micronúcleos (MN) e de quebras cromossômicas (QC) de
células meristemáticas, observadas após o tratamento com o látex de J. mollissima em
diferentes concentrações
Tratamentos VCMR CélulasMeristemáticas
(ml/L) (cm) Índice Mitótico MN QC MN + QC
CN 5,8 ± 1,10 238 ± 34,3 0,00 ± 0,00 0,00 ±0,00 0,00 ± 0,00
2,5 6,4 ± 1,31 214 ± 16,5 0,10 ± 0,32 0,10 ± 0,32 0,20 ± 0,64
5,0 6,1 ± 1,21 210* ± 22,4 0,00 ± 0,00 0,00 ±0,00 0,00 ± 0,00
10 5,6 ± 0,93 198*± 15,0 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
20 6,3 ± 1,01 196* ± 20,4 0,10 ± 0,32 0,00± 0,00 0,10 ± 0,32

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CN (água destilada): controle negativo. VCMR: valor do comprimento médio das


raízes.QC: quebras cromossômicas. (MN + QC): micronúcleos e quebras cromossômicas nas
células meristemáticas. Os resultados referem-se à análise de 5.000 células por tratamento. *p
– valor < 0,05 de probabilidade em relação ao CN.

No entanto, para os ensaios de citotoxicidade foram observadas diferenças significativas


entre os índices mitóticos (IM) do controle negativo (T1) e dos tratamentos 3 (5,0mL/L), 4
(10mL/L) e 5 (20mL/L). Apenas o tratamento 2 (2,5 mL/L) não foi considerado citotóxico.
A ausência atividade mutagênica também foi observada no ensaio com A. cepa, levando
em conta as alterações cromossômicas como micronúcleos e quebras cromossômicas, pois
não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos e o controle negativo.

Avaliação da genotoxicidade:
No estudo da genotoxicidade, em que a frequência de cada uma das alterações
cromossômicas foi avaliada, não foram observadas ocorrências significativas para a maioria
das alterações cromossômicas. A exceção das células binucleadas que ocorreram com maior
frequência no tratamento 4 (10mL/L). De forma geral, não foi observado efeito genotóxico do
látex (Tabela 2).

Tabela 2. Frequência das alterações genotóxicas em células meristemáticas de A. cepa,


observadas após os tratamentos por 24h com látex de J. mollissima em diferentes
concentrações
Tratamentos
Alterações
(mL/L)
Cromossômicas
CN 2,5 5,0 10 20
BN 0,10 ± 0,32 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
CB 1,00 ± 1,33 2,20 ± 1,69 2,40 ± 1,71 2,70* ± 2,63 1,30 ± 1,16
CP 0,00 ± 0,00 0,10 ± 0,32 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00
AC 2,70 ± 2,54 2,60 ± 1,96 3,60 ± 2,41 2,00 ± 2,49 3,50 ± 3,84
CM 0,40 ± 0,70 1,70 ± 1,06 0,70 ± 1,06 0,60 ± 0,97 0,70 ± 0,82
PC 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,10 ± 0,32 0,10 ± 0,32 0,10 ± 0,32
PT 0,50 ± 0,53 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 1,00 ± 1,15
AMP 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00 0,00 ± 0,00

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CN (água destilada): controle negativo. BN: brotos nucleares, CB: células binucleadas, CP:
células poliploides, AC: aderências cromossômicas, CM: C-metáfases, PC: perdas
cromossômicas, PT: pontes cromossômicas, AMP: anáfases multipolares com ponte, *: p –
valor < 0,05 de probabilidade em relação ao CN. Os resultados referem-se à análise de 5,000
células por tratamento.

A presença não significativa de perdas cromossômicas e/ou brotos nucleares está


relacionada a não observação de valores médios significativos de micronúcleos, uma vez que
os mesmos são resultantes da ocorrência de perdas, quebras cromossômicas (FENECH et al.,
2011) e/ou brotos nucleares (FERNANDES; MAZZEO; MARIN-MORALES, 2009).
Levando em conta a ampla utilização dessa espécie em comunidades do semiárido
brasileiro na medicina popular deforma empírica e a carência de informações científicas
relacionadas à forma de uso, composição bioquímica e os reais benefícios para os organismos,
estudos mais específicos são estimulados, uma vez demonstrado o potencial do látex de J.
mollissima sem a observação concomitante de efeitos citogenotóxicos.

CONCLUSÕES

1. Nos tratamentos 3 (5,0mL/L), 4 (10mL/L) e 5 (20mL/L) o látex do pinhão bravo


aumentou a proliferação celular e consequentemente aumentou o índice mitótico, provocando
citotoxicidade em A. cepa. Somente para o tratamento 2 (2,5 mL/L), que não foi observado
nenhum efeito citotóxico.
2. O látex de Jatropha mollissima não apresentou efeito tóxico e mutagênico em todas
as concentrações.
3. Asolução aquosa do látex provocou apenas células binucleadas em número
significativo na concentração de 10 mL/L (T4) em relação ao controle negativo, indicando o
seu potencial genotóxico nesta concentração.
4. A espécie em estudo pode ser considerada promissora para a indústria farmacêutica
vista suas propriedades fotoquímicas e a ausência de efeitos citogenotóxicos na maioria das
analises realizadas.

AGRADECIMENTOS

Ao PIBIC-UESPI pela concessão da bolsa de estudos.

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PREVALÊNCIA DE PARASITOS INTESTINAIS EM Ursus arctos Linnaeus, 1758


MANTIDOS EM CATIVEIRO NO PARQUE ZOOBOTÂNICO DE TERESINA-PI

(PREVALENCE OF INTESTINAL PARASITES IN Ursus arctos LINNAEUS, 1758 HELD


CAPTIVITY AT THE ZOO THE AND BOTANICAL PARK OF TERESINA-PI)

Jéssica Pereira dos Santos1, Andreza Pereira Moura1, Bruna Layra Silva1, Cecília Maria da
Silva Santana1, Simone Mousinho Freire1.

RESUMO
Este trabalho visou identificar parasitos gastrintestinais em ursos mantidos em
cativeiros no Parque Zoobotânico de Teresina – PI, Brasil. Nesse estudo foi pesquisada uma
espécie de urso (Ursus arctos Linnaeus, 1758), totalizando 3 animais. Foram analisadas 24
amostras fecais no Laboratório de Zoologia e Biologia Parasitária da Universidade Estadual
do Piauí – UESPI, pelas técnicas de Willis modificado e de Hoffmann, Pons e Janer para
pesquisa de parasitas. Nesses animais, foi observada infecção simples por parasitas da família
Strongylidae (25%) e Acylostomatidae (33,3%). Pela ausência de sinais clínicos das
parasitoses, conclui-se que os animais deste estudo são portadores assintomáticos e atuam
como disseminadores destes parasitos.
PALAVRAS-CHAVES: Ursus arctos. Parasitos intestinais. Cativeiro.

ABSTRACT
This study aimed to identify gastrointestinal parasites in bears kept in captivity at Zoo
and Botanical Park of Teresina - PI, Brazil. That study surveyed a species of bear (Ursus
arctos Linnaeus, 1758), totaling 3 animals. 24 fecal samples were analyzed at the Laboratory
of Parasitic Biology and Zoology, State University of Piauí - UESPI, the techniques of Willis
modified and Hoffmann, Pons and Janer to search for parasites. In these animals, simple
infection was observed parasites Strongylidae (25%) and Acylostomatidae (33.3%) family.
The absence of clinical signs of parasites, it is concluded that the animals in this study were
asymptomatic carriers and act as disseminators of these parasites.
KEY-WORDS: Bears Ursus arctos. Intestinal parasites. Captivity
_____________________________________________
1 - Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto, CCS/Teresina – PI
[jessik_ssantos@hotmail.com]

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INTRODUÇÃO

A categoria de cativeiro conservacionista foi criada em 29 de dezembro de 1993. Esses


criadouros têm por objetivo apoiar as ações do IBAMA e de outros órgãos ambientais
envolvidos na conservação das espécies. São áreas delimitadas e preparadas, que possibilitam
a criação de espécies da fauna brasileira com assistência adequada, auxiliando a manutenção
de animais silvestres e dando subsídios no desenvolvimento de estudos sobre sua biologia
(IBAMA, 2006). A manutenção de populações em cativeiro se faz importante para a
conservação da espécie, já que com o passar dos tempos, esses animais vêm perdendo seu
espaço por diversos motivos, tais como as queimadas, desmatamento e destruição do seu
habitat natural, colocando em risco a sua permanência na natureza e, caso a espécie atinja
perigo crítico de extinção, é necessário que haja populações saudáveis em cativeiro e com
padrões fisiológicos e patológicos bem conhecidos, incluindo a susceptibilidade a parasitos e
a eficácia de antiparasitários. Porém, os animais que vivem em cativeiros estão mais sujeitos a
estresse, diminuição da capacidade imunológica, e consequentemente mais propícios ao
surgimento das parasitoses. As infecções parasitárias estão relacionadas aos hábitos dos
animais e grande maioria das vezes é assintomática, geralmente os animais jovens são mais
frequentemente e severamente parasitados (BIRCHARD; SHERDING, 1998).
As contínuas modificações ambientais favorecem a disseminação de doenças,
particularmente aquelas transmitidas por vetores (REY, 2001). Com isso, os parasitos podem
representar uma ameaça para os programas de manejo e recuperação de espécies ameaçadas
de extinção (HOLMES, 1996). Cabe salientar que, para um parasito causar morbidade ou
mortalidade uma variedade de fatores ambientais opera em conjunto como o estado
nutricional, a capacidade imunológica e as condições fisiológicas do hospedeiro (BUSH et al.,
2001). As possíveis fontes de infecção nos zoológicos são roedores nativos, pássaros
silvestres que têm acesso ao cativeiro e resíduos nos pés dos tratadores (DAVIS; WRAY,
1997).
Os ursos (Ursus arctos Linnaeus, 1758) ocupam uma variedade de habitats, a partir
das bordas do deserto às florestas de alta montanha e campos de gelo. São de 1 a 2,8 metros
de comprimento e variam em peso de 80 a mais de 600kg. A pele é geralmente marrom
escuro, mas varia do creme ao quase preto. Na natureza podem viver por 20 a 30 anos, e em
cativeiro até 50 anos. Possui uma alimentação bastante diversificada, incluindo frutas,
verduras, insetos, peixes, sementes, dentre outros. (WILSON; RUFF, 1999). Um estudo sobre
parasitos gastrointestinais de animais silvestres mantidos em cativeiros implica diretamente

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no manejo e na manutenção da saúde das pessoas que trabalham com esses animais, pois
muitos destes parasitos são potentes causadores de zoonoses. Também é importante verificar
se esses animais se comportam como transmissores de parasitas para o meio ambiente por
estarem infectados (BRACK, 1987). Segundo a OMS, é essencial levar a cabo investigações
epidemiológicas das parasitoses em geral com o objetivo de prevenir e controlar melhor essas
infecções. Conforme a literatura, alguns helmintos gastrointestinais tem sido relatados em
ursos, dentre as famílias desses helmintos, destaca-se: Ascarididae, Ancylostomatidae,
Strongyloididae, Trichinellidae e Taenidae. E pelo menos 77 espécies de parasitas foram
relatadas a partir de ursos, mas não há nenhuma evidência de que os parasitas são uma causa
comum de mortalidade. Efeitos patológicos geralmente não são aparentes em ursos
parasitados (HORSTMAN, 1949; RAUSCH, 1961; JONKE, 1971).

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Parque Zoobotânico de Teresina – PI que está situado no


setor nordeste do perímetro urbano da cidade, entre o Rio Poti, principal afluente do Rio
Parnaíba e a PI-112, que liga a capital ao interior do Estado. O Parque é uma área de
preservação ambiental e é utilizado também como zoológico, abrigando espécies americanas e
africanas. Caracteriza como mata mista dicótilopalmácea.
Primeiramente foi realizado um levantamento de como ocorre o manejo dos ursos no
Parque Zoobotânico de Teresina - PI, quais as medidas de controle parasitário, que tipo de
alimentação é fornecido, como estão dispostos nos recintos e em que periodicidade são
avaliados clinicamente.
Foram analisadas as fezes de 3 ursos confinados de ambos os sexos e de idades
variadas, sendo contudo, adultos. As fezes foram coletadas quinzenalmente durante 3 meses
(outubro a dezembro de 2013), totalizando no final, 24 amostras. Padronizamos a quantidade
de 2 gramas por amostra para cada teste realizado, sendo visualizadas duas lâminas de cada.
As fezes foram acondicionadas em frascos plásticos descartáveis esterilizados e
acondicionados sob refrigeração e levadas ao Laboratório de Zoologia e Biologia Parasitária
da Universidade Estadual do Piauí - UESPI (ZOOBP), onde foram analisadas pelos métodos
de Wills & Mollay modificado, utilizando-se solução de sacarose e método de Hoffmann,
Pons e Janer. O método de Willis & Mollay modificado é indicado para ovos de nematódeos,
cistos e oocistos de protozoários. O método de Lutz ou Hoffmann, Pons e Janer cujo princípio

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é a sedimentação simples é indicado para pesquisa de ovos pesados de parasitos. As lâminas


foram analisadas com o aumento de 10X e 40X.
Este trabalho foi aprovado pelo Sisbio número 43888-1.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Verificou-se que, das 24 amostras fecais examinadas dos ursos do Parque Zoobotânico
de Teresina – PI, 14 (58,3%) foram positivas e 10 (41,7%) foram negativas. Dentre as
amostras positivas, identificaram-se 8 (33,3%) com ovos de parasitas pertencente a Família
Ancylostomatidae Loss, 1905, cuja espécie nem gênero não foram identificadas, e 6 (25%)
com ovos pertencentes a Família Strongyloididae Chitwood & McIntosh, 1934 (Figura 1A e
1B).

A B

Figura 1. Tipos de helmintos. A: ovo Strongyloididae e B: ovo Ancylostomatidae

Verificou-se ainda que dentre as amostras positivas, 1 (4,1%) apresentou


poliparasitismo, sendo identificados Ancilostomídeo e Strongyloides (Tabela 1). Através do
método de Willis modificado foram detectados 58,3% da presença desses ovos, em
contrapartida, não houve evidência de ovos pelo método de Hoffman (Figura 2).

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Tabela 1. Prevalência de parasitos gastrointestinais em ursos mantidos em cativeiros no


Parque Zoobotânico Teresina-PI
Nº de Amostras Parasitos
Amostras Prevalência
coletas positivas
1 6 2 8,4% Família Strongyloididae
2 6 3 12,5% Família Strongyloididae
Família
3 6 3* 12,5%
Strongyloididae/Ancylostomatidae
4 6 6 24,9% Família Ancylostomatidae
*2 amostras + para Ancylostomatidae e 1 amostra + para Strongyloididae

Presença de ovos detectados por Método

60,00%
50,00%
40,00%
30,00% Presença de ovos
20,00%
10,00%
0,00%
Método Willis Método de
Hoffmann

Figura 2. Comparação das técnicas parasitológicas utilizadas e quantidades de ovos


encontrados

Os resultados obtidos demonstram baixa prevalência de infecção por parasitas das


famílias Strongyloididae e Ancylostomatidae. Isso se deve, possivelmente, ao fato de pequena
quantidade de amostras analisadas. Além disso, esses animais permanecem em grandes
recintos adequados, são avaliados constantemente e possui uma alimentação bastante
diversificada, alimentando-se de fruta, verduras, sementes, dentre outros. Por outro lado, a
presença de tais parasitas poderá esta relacionada ao atraso no programa de vermifugação,
pois conforme levantamento realizado, constatou-se atraso de 3 meses na administração de

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antiparasitários. Além disso, nos zoológicos ainda há as possíveis maneiras de infecções


através de roedores, pássaros que têm acesso ao recinto e resíduos nos pés dos tratadores.
Literaturas recentes documentando sobre parasitismo em ursos são bastante escassas.
Na América do Norte, apenas SKINKER (1931), RAUSCH (1954), RAUSCH et al. (1956),
CHOQUETTE et al. (1969), documentaram fauna de helmintos em ursos pardos.
Tais parasitas não foram identificados em nível de gênero, mas Uncinaria sp. Costa &
Freitas, 1967 - têm sido relatados em ursos da América do Norte. De acordo com os estudos
realizados por Robert J. Gau et al. em ursos pardos do Central ártico canadense foram
observados a presença de parasitas gastrointestinais em 43% das 56 amostras com prevalência
de 18% Diphyllobothrium sp. Travassos, 1942; 14% protozoários; 11% estrongilídeos e 5%
Baylisascaris sp. Sprent, 1968.
Cabe salientar que os ursos mantidos em cativeiros do Parque Zoobotânico não se
alimentam de peixes, visto que a difilobotriose, uma infecção do intestino delgado pela ampla
tênia Diphyllobothrium sp. é uma zoonose adquirido pelos seres humanos e outros mamíferos
(por exemplo, ursos, raposas ou cães) através da ingestão de peixes cru, mal cozida ou
defumado. Possivelmente, isso poderá explicar amostras negativas para tal parasita. Tênias
têm sido relatadas em ursos do Norte da América por Diphyllobothrium sp. Tal infecção
ocorreu devido à ingestão de peixes contaminados (RAUSCH, 1954).
Parasitas da Família Ancylostomatidae são hoje de grande importância na medicina
humana e veterinária. Animais e seres humanos são parasitados por espécies com um certo
grau de especificidade e que pode causar desde casos assintomáticos até anemia severa,
dependendo de vários fatores, como espécies de parasitas, estado nutricional, imunológico,
dentre outros. Os parasitos Ancylostoma brasiliense Faria, 1910; A. ceylanicum Looss, 1911 e
A. caninum (Ercolani, 1859) Hall, 1913, foram notificados em ursos de cativeiro na Índia
(BAYLIS; DAUBNEY, 1922). Em Ursus arctos da vizinhança do Mar Cáspio foi encontrada
Uncinaria stenocephala Railliet, 1884.
Os resultados indicam, também, a detecção de ovos apenas por meio do Método Willis
& Mollay modificado, reforçando que tal método é de grande eficácia na detecção de ovos
leves, fato também descrito por DIAS et al. em um estudo de comparação de técnicas de
Hoffmann e Willis para diagnóstico de parasitoses intestinais em cães.

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CONCLUSÕES

Com o aumento do número de pesquisas na área de animais silvestres, têm-se


conhecido novos disseminadores de parasitos, tanto para outros animais como para o homem.
Pela ausência de sinais clínicos das parasitoses inferiu-se que os animais deste estudo são
portadores assintomáticos e atuam como disseminadores destes parasitos para o ambiente.
Portanto, para fazer o controle dessas endoparasitoses é necessário primeiramente criar
condições básicas de higiene no local onde vive o animal, bem como tratamento da água e
alimentos ingeridos (visto que muitos parasitas são contraídos através da ingestão de
alimentos contaminados), e o mais importante consiste na administração de terapias anti-
helmínticas dentro do prazo. Com isso, a manutenção dessas populações saudáveis em
cativeiro implicará na conservação da espécie.

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RELAÇÃO PESO-COMPRIMENTO DA Psectrogaster rhomboides


(CHARACIFORMES: CURIMATIDAE) DO RIO SURUBIM

(LENGTH-WEIGHT RELATIONSHIP OF Psectrogaster rhomboides (CHARACIFORMES:


CURIMATIDAE) FROM SURUBIM RIVER)

Amanda Graziele Araújo Resende1, Maria Amélia Guimarães do Passo Gondolo 1, Guilherme
Fernandez Gondolo1

RESUMO
O objetivo deste trabalho foi analisar a relação peso-comprimento da Branquinha,
Psectrogaster rhomboides, pescada comercialmente no Rio Surubim, Campo Maior-PI.
Foram analisados 806 indivíduos coletados mensalmente no rio Surubim em Campo Maior,
durante um ano de trabalho. Dos indivíduos capturados eram obtidos dados morfométricos,
referente ao comprimento total (LT) e peso total (WT). Para a análise da população foi feito
uso da relação peso-comprimento, seguindo a equação: WT=a *LTb. Para a verificação da
existência de dimorfismo entre os sexos, a relação peso-comprimento foi aplicada para fêmeas
e machos, onde ambos apresentaram crescimento alométrico positivo b>3. A população como
um todo, também demonstrou um crescimento alométrico positivo. É possível evidenciar
também que a pesca comercial esta retirando indivíduos muito jovens e na maioria imaturos
sexualmente, o que pode contribuir para a depleção do estoque desse importante recurso
pesqueiro regional.
PALAVRAS- CHAVE: População. Medidas morfométricas. Bem estar.

ABSTRACT
The objective of this study was to analyze the length-weight relationship of
Psectrogaster rhomboides, fished for commercial purposes in the Surubim River, Campo
Maior-PI. A total of 806 individuals were collected on monthly surveys, during one year.
From the specimens, were obtained morphometric data for the total length (TL) and total
weight (WT). For the population analysis was done the length-weight relationship, following
_____________________________
1. Laboratório de Ictiologia – LABICTIO. Universidade Estadual do Piauí, Campus Heróis do Jenipapo/Campo
Maior-PI [gondolo@gmail.com]

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this equation: WT = a*LTb. To verify the existence of dimorphism between the sexes, the
length-weight relationship was applied to females and males, which both showed positive
allometric growth b> 3. The population as a whole, also showed positive allometric growth. It
is also possible to show that commercial fishing taking this very young and most sexually
immature, which may contribute to the depletion of the stock of this important regional
fisheries resource.
KEY-WORDS: Population. Morphometric measurements. Welfare.

APOIO FINANCEIRO: FAPEPI - EDITAL PPSUS

INTRODUÇÃO

As relações entre as medidas morfométricas de peixes têm sido frequentemente usadas


em biologia pesqueira como ferramenta para várias finalidades (OLIVEIRA et al., 2011). O
estudo da relação peso-comprimento de uma espécie de peixe pode ser utilizado para abordar
diversos aspectos que envolvem a distinção de pequenas unidades taxonômicas (LE CREN
1951); a indicação de "stanzas" de crescimento que se devem a fatores como maturação
sexual e metamorfose; a estimativa de parâmetros da equação de produção (BEVERTON &
HOLT 1957); e a estimativa do peso assintótico para a determinação da curva de crescimento
em peso. Investigações relacionadas a relação peso-comprimento contribuem para o
conhecimento da morfologia das espécies e fornece uma base para comparações com outras
populações (MONTENEGRO et al., 2011)
O peso total e o comprimento total podem sofrer influência de uma série de fatores,
principalmente os relacionados ao ambiente. Estas alterações podem afetar os valores
estimados dos parâmetros da relação peso-comprimento (NASCIMENTO et al., 2012).
Nesse sentido a relação peso-comprimento é uma maneira fácil e rápida de descrever o
crescimento, sem levar em conta a idade do peixe. Tem sido usada para converter
comprimento em peso, conhecendo-se o comprimento, ou vice e versa (NOMURA 1962),
relacionando comprimento e peso como forma de medir o bem estar de populações de peixes
expostos a condições diversas. Segundo Lizama & Ambrósio (1999) o conhecimento da
relação peso-comprimento, aliado a outros aspectos quantitativos tais como: fator de
condição, crescimento, recrutamento e mortalidade de uma espécie de peixe, fornece
informações básicas para o estudo da biologia pesqueira, importantes para um manejo
racional da pesca em um ambiente.

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A família Curimatidae tem distribuição geográfica restrita à América do Sul e sudeste


da América Central, com representantes em diferentes ambientes aquáticos (NELSON, 1994).
Caracteriza-se pelo corpo relativamente elevado ou fusiforme, apresentando boca terminal ou
subinferior, com ausência de dentes. Apresenta abertura branquial unida ao istmo. Tem habito
detritívoro, consumindo matéria orgânica floculada, algas, detritos e microrganismos
associados. A maioria dos curimatídeos forma grandes cardumes e empreende migrações
tróficas e reprodutivas. Algumas espécies alcançam grande porte, são muito abundantes e
largamente utilizados na pesca comercial (SANTOS, et al., 2004 apud OLIVEIRA, 2009).
Desta forma, o objetivo desse trabalho é analisar a relação peso-comprimento da branquinha,
Psectrogaster rhomboides, do Rio Surubim, Campo Maior-PI.

MATERIAIS E MÉTODOS

As amostragens foram realizadas no Rio Surubim (Figura 1) que tem sua nascente no
município de Altos-PI, e juntamente com o rio Maratoã desembocam pela margem esquerda
no rio Longá e pela margem direita, os rios Jenipapo, Corrente, dos Matos, Caldeirão, e o rio
Piracuruca. As nascentes do rio Longá estão situadas no Município de Alto Longá e recebem
contribuições oriundas dos Municípios de Altos e Campo Maior. Trata-se de um rio perene no
médio e baixo curso e alimenta inúmeras lagoas de pequeno porte (BRASIL, 2006).

A B

Figura 1: Leito do Rio Surubim (A), imagens de satélite com os limites de Campo Maior-PI e
detalhe do local da barragem do Rio Surubim (B).

Foram realizadas capturas entre agosto de 2013 a julho de 2014, utilizando-se de redes
de espera e tarrafas. Os exemplares eram coletados no local de pesca e acondicionados em
caixas de isopor com gelo onde eram transportados para o Laboratório de Ictiologia da
Universidade Estadual do Piauí. No laboratório eram registrados os dados morfométricas de

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cada indivíduo, contando das seguintes medidas: comprimento total (LT) e o peso total (WT)
em gramas utilizando uma balança de precisão 0,02 g. Após medidos e pesados, os
exemplares quando possível tinham os sexos identificados por análise de maturação das
gônadas.
A relação peso-comprimento foi feita seguindo a fórmula WT=a *LT b, onde, b é
coeficiente angular, constante relacionada com a forma do crescimento (LE CREN, 1951). O
valor de b é considerado a constante de alometria. Valor de b=3 indica crescimento
isométrico, b >3 crescimento alométrico positivo e b <3 crescimento alométrico negativo
(OLIVEIRA, 2009), para que fosse possível estimar se a espécie ganha mais incremento em
peso ou em comprimento, avaliando essa condição para os diferentes sexos e população. Orsi
et al. (2002) acrescenta ainda que se o crescimento for isométrico, o incremento em peso
acompanha o crescimento em comprimento; mas se for alométrico negativo há um incremento
em peso menor do que em comprimento; e se é alométrico positivo, há um incremento em
peso maior do que em comprimento.
Mensalmente, até 60 indivíduos, possuíram suas cavidades viscerais acessadas através
de corte ventral longitudinal. Após abertos eram verificados, quando possível, o sexo e a
presença ou ausência de uma camada lipídica nas paredes internas da cavidade visceral.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram amostrados 806 indivíduos da espécie P. rhomboides (Tabela 1). Obteve-se um


total em massa equivalente a 15.716,21 g. O maior indivíduo mediu 160 mm de comprimento
total e sua massa correspondente foi 59,99 g, o menor indivíduo obteve comprimento total de
83 mm e peso em massa 10,23 g.
Dentre os indivíduos analisados, foram distinguidos apenas 56 fêmeas e 38 machos,
sendo os demais imaturos. Ao observar quantidade de indivíduos imaturos, é perceptível que
os indivíduos estão sendo retirados do ambiente ainda muito jovens (Figura 2), o que
prejudica o desenvolvimento e perpetuação da população. Segundo Latini (2002), a
sobrepesca excessiva sobre um estoque, sem restrições quanto ao tamanho mínimo dos peixes
ou à época de reprodução, pode reduzi-lo e fazer com que leve anos para atingir um número
ou biomassa mínima, que permita nova exploração. Quanto mais intensa for a retirada de
peixes, mais longa será a recuperação do estoque. Nesse sentido, a utilização da relação peso-
comprimento é uma importante ferramenta para os estudos da biologia pesqueira, necessária
para o manejo e para a preservação de um ambiente (LIZAMA & AMBRÓSIO, 2003).

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Tabela 1: Total mensal de indivíduos e presença de camada de gordura na cavidade visceral


de Psectrogaster rhomboides coletados no Rio Surubim, Campo Maior-PI.

mês de amostragem nº de indivíduos presença de camada de gordura


Agosto 35 Ausente
Setembro
38 Presente
Outubro
Novembro 36 Ausente
Dezembro
46 Ausente
Janeiro
Fevereiro 40 Presente
Março
121 Presente
Abril
Maio 118 Ausente
Junho
77 Ausente
Julho
25 Presente

30 Ausente

120 Presente

120 Presente

12,00

10,00
Frequência Relativa (%)

8,00

6,00

4,00

2,00

0,00
87,5
90,5
84,5

93,5
96,5
99,5

129,5
132,5
102,5
105,5
108,5
111,5
114,5
117,5
120,5
123,5
126,5

135,5
138,5
141,5
144,5
147,5
150,5
153,5
156,5
159,5
162,5
165,5

Comprimento Total (mm)

.
Figura 2: Distribuição de frequência da espécie Psectrogaster rhomboides

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Durante a análise do conteúdo visceral, foi possível observar a presença de uma camada
de gordura junto às vísceras de alguns dos exemplares examinados, inicialmente no mês de
setembro (Tabela 1). Nos meses consecutivos houve uma alternância em relação à presença
dessa camada lipídica, geralmente quando a mesma não era verificada os sexos eram
identificados, ou seja, é provável que a partir do consumo dessa camada, as gônadas
tornavam-se mais desenvolvidas, facilitando a distinção dos sexos. Dessa forma podemos
supor que a presença da camada de gordura é uma forma de estocar energia, que será alocada
e consumida para a reprodução, que pode ser sustentado por Godinho (1994), que afirma que
o desenvolvimento de gordura tem relação com a reprodução. A maturação das gônadas e/ou
atividades reprodutivas implicam na utilização de recursos obtidos a partir do alimento
ingerido e, principalmente, de reservas energéticas depositadas em diferentes partes do
organismo (AGOSTINHO et al., 1990). Assim o início do processo de amadurecimento das
gônadas de P. rhomboides, coincidiu com o desaparecimento das reservar de gordura. Diante
disso, é possível afirmar que a partir do momento em que as gônadas começam a maturar, os
recursos energéticos deixam de ser investidos em crescimento e passam a ser utilizados para
esse fim (CARMASSI, 2008).
A procura de uma fórmula para expressar a relação peso/comprimento e prover meios
de converter medidas de comprimento em peso (ou vice-versa), tem revelado complexidade
entre as interelações de peso, comprimento e fase de maturação sexual do peixe, tendo sido
encontrada correlação entre suas variações e as mudanças sazonais no desenvolvimento
gonadal (ROSSI-WONGTSCHOWSKI, 1997).
A relação entre peso-comprimento foi analisada para cada sexo separadamente e para
todos os indivíduos juntos (Figura 3). Nas três análises foram obtidos excelentes coeficientes
de regressão (coeficiente de determinação) (R2), todos acima de 0,91. Também, nas três
relações foram obtidos índices de alometria positivos e as seguintes equações:WT = 4,5 *10-
6*
LT3,24 para fêmeas, WT = 7,0 *10-6*LT3,13 para machos e no global WT = 1,1 *10-5*LT3,04,
com um índice de alometria praticamente igual a 3, ou seja, crescimento isométrico. Como é
possível observar os índices dos sexos separados é maior que o índice global, pois os
indivíduos adultos normalmente diminuem suas taxas de crescimento em comprimento e
alocam recursos energéticos para a produção de gametas, ganhando assim, mais massa;
enquanto os indivíduos sexualmente imaturos alocam a maioria dos seus recursos energéticos
para o crescimento somático. Relacionando-se ao coeficiente de alometria, populações de
peixes de maior estrutura de tamanho, normalmente apresentam menor coeficiente de

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alometria quando comparadas com populações de menor estrutura de tamanho, uma vez que
estes últimos ainda estão alocando energia para crescer (SANTOS, 2004).
Resultados similares foram encontrados por Santos et al. (2004), onde o mesmo
analisou a relação peso-comprimento da espécie Orthopristis ruber, para machos e fêmeas,
obtendo coeficiente de alometria para machos equivalente a b = 3,1368 e para fêmeas b =
3,1403, caracterizando alometria do tipo positiva. Segundo o autor, os altos valores para o
coeficiente de alometria indicam alto investimento no crescimento, que pode ser devido ao
pequeno tamanho relativo dos espécimes da população analisada, ou ser um mecanismo para
suportar as condições de estresse da área.

Figura 3: Relação peso-comprimento agrupadas por sexo e global para Psectrogaster


rhomboides, coletadas no rio Surubim, Campo Maior- PI.

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Na análise mensal da relação peso comprimento, a alometria positiva só é verificada no


mês de fevereiro, mês com os maiores indivíduos e que em sua grande maioria foi possível
identificar o sexo (Figura 4).

Figura 4: Relação peso-comprimento mensal da espécie Psectrogaster rhomboides, coletadas


no rio Surubim, Campo Maior- PI.

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Em julho/14 o crescimento foi praticamente isométrico, enquanto os demais meses


apresentaram alometria negativa, ou seja, os indivíduos apresentavam maiores incrementos
em comprimento do que em peso, o que é condizente à grande quantidade de indivíduos
jovens analisados. Verificados os dados sobre as alterações de peso e comprimento, podemos
mencionar a influência de fatores externos. Sobre isso Nascimento et al. (2012), cita que o
peso total e comprimento total podem sofrer influência de uma série de fatores,
principalmente os relacionados ao ambiente. Estas alterações podem afetar os valores
estimados dos parâmetros de relação peso-comprimento.

CONCLUSÕES

Durante o período de amostragem foi possível notar que, os peixes pescados


comercialmente eram indivíduos pequenos e possuíam gônadas indiferenciadas
macroscopicamente (imaturas), ou seja, faziam parte da população jovem. Tais dados aliados
à informações obtidas a partir da relação peso-comprimento, evidenciam a retirada elevada de
indivíduos jovens da população. Tal ação pode acarretar na sobrepesca do estoque pesqueiro,
o que prejudica a população, que consequentemente reduz seu poder produtivo e repositório,
causando desordem na dinâmica da população.

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RELAÇÃO PESO-COMPRIMENTO EM ESPÉCIES DE CURIMATIDAE


(ACTINOPTERYGII: CHARACIFORMES) DO RIO SURUBIM, CAMPO MAIOR-PI

(LENGTH-WEIGHT RELATIONSHIP IN SPECIES OF CURIMATIDAE


(ACTINOPTERYGII: CHARACIFORMES) FROM SURUBIM RIVER, CAMPO MAIOR-PI)

Henrique José de Oliveira¹, Iraquely Pereira dos Santos¹, Maria Amélia Guimarães do Passo
Gondolo¹, Guilherme Fernandez Gondolo¹

RESUMO
O objetivo deste trabalho foi determinar a relação peso-comprimento das espécies
Steindachnerina notonota e Curimata macrops, ambas da família Curimatidae, coletadas no
Rio Surubim, em Campo Maior-PI. Os indivíduos foram coletados entre Novembro de 2013 e
Junho de 2014. Para determinar a relação peso-comprimento foi aplicada a fórmula Wt=aLtb.
Foram aferidos os comprimentos totais em milímetros e pesos em gramas de 140 indivíduos
de Steindachnerina notonota com comprimento total variando de 67 mm a 102 mm e peso
total variando de 4,39 g a 16,85 g; e 302 exemplares da espécie Curimata macrops com
comprimento total variando de 68 mm a 105 mm peso total de 4,76 g a 19,72 g. As duas
espécies apresentaram crescimento do tipo alométrico positivo (b>3), significando assim que
ganham um incremento maior em peso do que em comprimento.
PALAVRAS-CHAVE: Hábitat. Curimata macrops. Steindachnerina notonota.

ABSTRACT
The objective of this study was to determine the length-weight relationship of
Steindachnerina notonota and Curimata macrops, both of Curimatidae familie. They were
collected in Rio Surubim, Campo Maior-PI. Individuals were collected between November
2013 and June 2014. To determine the length-weight relationship was applied to Wt=aLTb
formula. Total lengths were measured in millimeters and weights in grams. Has been sampled
140 individuals of Steindachnerina notonota with total length ranging from 67 mm to 102
mm and total weight ranged from 4.39 g to 16.85 g; and 302 specimens of Curimata macrops
with total length ranging from 68 mm to 105 mm total weight of 4.76 g to 19.72 g. The two
species showed positive allometric growth (b> 3), meaning thereby earning a greater increase
in weight than in length.
KEY-WORDS: Habitat. Curimata macrops. Steindachnerina notonota.

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APOIO FINANCEIRO: FAPEPI - EDITAL PPSUS

INTRODUÇÃO

Segundo Le Cren (1951), a relação peso-comprimento é um importante parâmetro das


populações de peixes e suas aplicações variam desde a estimativa do peso de um indivíduo,
conhecido o seu comprimento, até as indicações da condição dos peixes (fator de condição);
essa relação também é útil para evidenciar o acúmulo de gordura e o desenvolvimento das
gônadas.
Além disso, a relação peso-comprimento é uma maneira fácil e rápida de descrever o
crescimento, sem levar em conta a idade do peixe. (GOMIERO et. al., 2010). Assim, o
conhecimento dos aspectos quantitativos, como a relação peso-comprimento de uma espécie
de peixe, é uma importante ferramenta para os estudos da biologia pesqueira. (PEREZ
LIZAMA e AMBRÓSIO,2003)
A Família Curimatidae pertence à ordem Characiformes. Esta família compreende
diversas espécies extremamente abundantes e de importância ecológica nas comunidades de
peixes neotropicais, por serem animais de hábito alimentar detritívoro. (GIORA e FIALHO
2003). As espécies desta família apresentam boca terminal ou subinferior, com ausência de
dentes e abertura branquial unida ao istmo; consumindo matéria orgânica floculada, algas,
detritos e microrganismos associados; além disso apresentam linha lateral comumente
completa e as escamas são ciclóides, podendo ter a borda posterior lisa, crenulada ou denteada
(OLIVEIRA et al, 2009). Steindachnerina notonota é uma espécie bastante ágil, prolífera,
encontrada tanto em ambientes lênticos quanto lóticos. Realiza migrações para reprodução,
com a desova ocorrendo em águas paradas e rasas sobre a vegetação flutuante. (TEIXEIRA e
GURGEL, 2004). Pouco se sabe sobre a espécie Curimata macrops, porém é possível afirmar
que assim como S. notona esta é uma espécie de pequeno porte que faz parte da composição
Ictiofaunística da Bacia do rio Parnaíba (RAMOS et al, 2014). No Rio Surubim
representantes desta família pertencentes ao gênero Curimata e Steindachnerina ocorrem com
frequência, no entanto, pouco se conhece sobre a relação peso-comprimento destes.
Este trabalho teve como objetivo determinar a relação de peso-comprimento de duas
espécies da família Curimatidae: Curimata macrops e Steindachnerina notonota, coletadas no
Rio Surubim da cidade de Campo Maior-PI.

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MATERIAIS E MÉTODOS

O rio Surubim tem sua nascente no município de Altos – PI, e juntamente com o rio
Maratoã desembocam pela margem esquerda no rio Longá e pela margem direita, os rios
Jenipapo, Corrente, dos Matos, Caldeirão, e o rio Piracuruca. As nascentes do rio Longá estão
situadas no Município de Alto Longá e recebem contribuições oriundas dos Municípios de
Altos e Campo Maior. Trata-se de um rio perene no médio e baixo curso e alimenta inúmeras
lagoas de pequeno porte (BRASIL, 2006).
Foram realizadas oito amostras mensais, entre Novembro de 2013 e Junho de 2014 os
peixes pescados foram capturados usando redes de espera. Foram acondicionados em caixas
de isopor com gelo, em seguida foram levados ao laboratório de ictiologia (LABICTIO) da
Universidade Estadual do Piauí-UESPI/Campo Maior para serem triados, de cada exemplar,
depois de identificado, foi registrado o peso total ( ) em gramas com balança de precisão e
comprimento total ( ) em milímetros com auxílio de Ictiômetro.
A partir das informações de comprimento citadas, pode-se relacioná-lo com o peso e
determinar-se uma equação para cada espécie, de tal maneira que torne-se possível inferir um
peso a partir de um comprimento desejado ou vice-versa (ORSI et al, 2002). Para determinar
b
a relação peso-comprimento foi aplicada a fórmula: (LE CREN 1951), onde ( )
corresponde ao peso total, ( ), ao comprimento total, a, é o coeficiente linear e b, ao
coeficiente angular. (ORSI et al, 2002). Assim, quando (b) é = 3,0 a espécie pode ter um
crescimento isométrico, isto é, o peso aumenta proporcionalmente com o comprimento. No
entanto, quando o (b) é menor que 3,0 o crescimento é alométrico negativo, ou seja, o
incremento é devido ao peso e quando o (b) é maior que 3,0 o crescimento é alométrico
positivo, com o incremento em comprimento mais acentuado que o peso. (JÚNIOR et.al.,
2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No presente estudo, foram capturados 140 exemplares de Steindachnerina notonota,


com maior abundância em Dezembro de 2013 e 302 exemplares de Curimata macrops com
maior abundância em Abril de 2014 (Tabela 1).

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Tabela 2. Distribuição mensal do números exemplares das espécies de Curimatidae coletada


no Rio Surubim em Campo Maior/PI.

Mês Steindachnerina notonota Curimata macrops


Novembro 34 30
Dezembro 53 32
Janeiro 2 61
Fevereiro 14 35
Março 3 42
Abril 30 83
Maio 1 10
Junho 3 9
Total 140 302

Com relação ao comprimento da espécie Steindachnerina notonota observou-se que a


maioria dos indivíduos apresentou comprimentos entre 78 e 81 mm, sendo que 20% dos
espécimes coletados encontraram–se entre as classes de comprimento de 78,88 e 81,85 mm,
tamanho proporcional com a malha da rede de pesca sendo que esse valor vai diminuindo em
quantidade de indivíduos, pois há muita disponibilidade de alimentos no ambiente e o peso
aumenta em relação ao comprimento. De acordo com os resultados sobre distribuição de
frequência de comprimento, a espécie obteve um comprimento mínimo de 67 mm e um
comprimento máximo de 102 mm com média de 80,49 mm; esses mesmos indivíduos
pesaram de 4,39 a 16, 85 g com média de 8,10 g (Figura 1). Segundo Montenegro et. al
(2011), no Açude Taperoá II da mesma espécie foi encontrada um comprimento de 2,2 a 10,7
mm menores que os observados aqui no Rio Surubim, quanto ao peso os autores constaram
que os espécimes pesaram 0,31 a 43,1 g.

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Figura 5. Distribuição de Frequência Steindachnerina notonota


amostrado no Rio Surubim, Campo Maior/PI

Para Curimata macrops observou-se um comprimento total variando de 68 mm a 105


mm com média de 83,82 mm e peso total de 4,76 g a 19,72 g com média de 9,90 g, observou-
se também que nas classes de comprimento que a maioria dos indivíduos apresentaram
comprimento de 88 e 90 mm, sendo que 11,92% dos espécimes capturados encontraram-se
entre as classes de comprimento de 88,60 e 90,66 mm (Figura 2) tamanhos proporcionais à
malha da rede de pesca, ou seja, com a quantidade de alimentos disponível no local eles
aumentam o peso e o comprimento permanece constante; e podemos dizer que as espécies da
família Curimatidae apresentam valor alométrico que incrementam o aumento do peso em
relação ao comprimento.
Para Steindachnerina notonota a relação peso-comprimento apresentou coeficiente
alométrico 3,1847 e coeficiente de correlação R2 = 0,807 (Figura 3). Já para Curimata
macrops o coeficiente alométrico foi 3,2409 e o coeficiente de correlação foi R2 = 0,844
(Figura 4).

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Figura 6. Distribuição de Frequência Curimata macrops


amostrado no Rio Surubim, Campo Maior/PI

Figura 7. Relação Peso-Comprimento Steindachnerina notonota amostrado


no Rio Surubim, Campo Maior/PI

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Figura 8. Relação Peso-Comprimento Curimata macrops amostrado no


Rio Surubim, Campo Maior/PI

Para ambas as espécies o valor do coeficiente de alometria , foi maior que 3, isso
demonstra que o crescimento foi do tipo alométrico positivo; que de acordo com Orsi et al,
(2002) significa que há um incremento em peso maior do que em comprimento.
(MONTENEGRO et al., 2011) obteve um crescimento do tipo alométrico negativo para S.
notonota, sendo assim podemos dizer que crescer mais em peso do que em comprimento pode
não ser uma característica da família Curimatidae, mas sim estar relacionado com a
disponibilidade de alimento do local em estudo.

CONCLUSÃO

É possível apontar ambas as espécies em estudo apresentarem um crescimento no qual


ganham mais peso do que crescem em comprimento, é provável que o Rio Surubim seja um
local com disponibilidade de alimento significativa para que estas espécies apresentem esses
índices de alometria positiva.

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TOXICIDADE DO LÁTEX DE Jatropha CONTRA larvas de Aedes aegypti L. (Diptera:


Culicidae)

(TOXICITY OF JATROPHA LATEX AGAINST LARVAE OF Aedes aegypti L. (DIPTERA:


CULICIDAE))

José Rafael da Silva Araújo 1, Wallace Baldez Oliveira1, Maria Wlly da Silva Costa1,
Reginaldo Roris Cavalcante2, Francielle Alline Martins1

RESUMO
O objetivo deste estudo foi avaliar a toxicidade do látex de Jatropha gossypiifolia e
Jatropha curcas contra larvas de Aedes aegypti L, vetor transmissor da dengue. As
concentrações utilizadas (50, 25, 12,5, 10 e 5 mg.L -1) foram obtidas pela diluição do látex in
natura em água mineral. Para cada tratamento, larvas foram colocadas em placas de Petri
contendo 20 mL de solução e avaliadas a cada 24h quanto à taxa de sobrevivência. Observou-
se que o látex de J. curcas (CL50 9,38 mg.L-1) foi mais tóxico que o de J. gossypiifolia (CL50
11,93 mg.L-1). Os resultados indicam que o látex das plantas avaliadas é tão tóxico quanto o
Diflubenzuron, desta forma pode ser utilizado também no controle do vetor Aedes aegypti,
para tanto estudos de avaliação do risco ambiental ainda são necessários.
PALAVRAS-CHAVE: Dengue. Bioinseticida. Pinhão.

ABSTRACT
The aim of this study was to evaluate the toxicity of the latex of Jatropha curcas and
J. gossypiifolia against larvae of Aedes aegypti L., transmission vector of dengue. The
concentrations used (50, 25, 12.5, 10, and 5 mg.L-1) were obtained by diluting the latex in
nature in mineral water. For each treatment, the larvae were placed in Petri dishes containing
20 ml of solution every 24 hours and evaluated regarding survival larvaes. It was observed
that the latex of J. curcas (LC50 9.38 mg.L-1) was more toxic than J. gossypiifolia (LC50 11.93
____________________________
1
Universidade Estadual do Piauí, Campus Torquato Neto/ Teresina – PI [jrafaelquadros@hotmail.com;
wallacebo.89@hotmail.com; wlly_silva@hotmail.com; francielle@uespi.br]
2
Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portela/ Teresina – PI.

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mg.L-1). The results indicate that the latex of the plants is assessed as toxic as Diflubenzuron
so it can be used to control Aedes aegypti, for this, studies of environmental risk assessment
are still needed.
KEY WORDS: Dengue. Biopesticide. Pinion.

INTRODUÇÃO

A dengue constitui uma das doenças mais preocupantes e emergenciais da saúde


publica mundial, devido à rápida expansão geográfica pelo mosquito transmissor, acometendo
não só a zona urbana como a zona rural (WHO, 2009). Segundo a Organização Pan
Americana da Saúde (2014), o Brasil é o país nas Américas que apresenta maiores índices de
morte por dengue.
A dengue é uma doença viral, causada por um vírus da família flaviridae, do gênero
flavivirus, transmitida pela picada de fêmeas do mosquito Aedes aegypti L., podendo
apresentar quatro sorotipos, DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4 (ROSS, 2010).
Aedes aegypti L. é encontrado principalmente nos países localizados nas zonas
tropicais e subtropicais do mundo (LOZOVEI, 2001). Tal mosquito possui alto grau
adaptativo ao meio urbano aliado a sua preferência antropofilica (NATAL, 2002), o que
evidencia a grande importância de seu controle, já que não existe uma vacina atuante
(COELHO et al., 2009).
O Brasil é considerado o país que apresenta a maior diversidade vegetal do mundo,
apresentando 55.000 espécies já catalogadas de um total estimado entre 350 e 550 mil
espécies (SANDES; BLASI, 2000) e estudos que buscam encontrar substâncias com
propriedades inseticidas e simultaneamente seletivas tem sido constantes (FURTADO et al.,
2005). O emprego de plantas inseticidas é vantajoso, pois, apresentam um custo reduzido,
facilidade de obtenção e utilização, não exigem pessoal qualificado para a sua aplicação e
ainda não apresentam impactos ao ser humano e ao meio ambiente (MAZZONETTO;
VENDRAMIM, 2003).
A família Euphorbiaceae tem se revelado bastante promissora para utilização como
bioinseticida, pois algumas de suas espécies como Jatropha curcas L., Ricinus communis L. e
Croton cajucara B., têm demonstrado excelentes resultados em pesquisas que avaliam suas
potencialidades como plantas possuidoras de atividades contra insetos considerados pragas na
agricultura (FERNANDES, 2012), sendo o gênero Jatropha, um dos mais importantes,

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apresentando uma série de classes de compostos bioativos, como taninos, flavonoides,


tepernoides, dentre outros compostos atuantes no controle de insetos.
Jatropha curcas é utilizado na medicina tradicional para febres, doenças venéreas,
disenteria (IWU, 1993) e feridas (DIALLO et al., 2002). O látex de J. curcas contém
alcaloides, incluindo Jatrophine, Jatropham e curcaina com propriedades anticancerígenas. É
também usado externamente contra doenças de pele e feridas entre o gado doméstico
(THOMAS et al., 2008).
A Jatropha gossypiifolia, apesar de ter alta toxicidade principalmente devido às
propriedades cáusticas e inflamatórias de algumas das partes, como por exemplo, o látex
(CORREA, 1984), também possui ampla variedade de indicações terapêuticas na medicina
popular.
Sendo assim, este trabalho objetiva-se avaliar a toxicidade do látex de J. curcas L. e J.
gossypiifolia L. sobre larvas do mosquito Aedes aegypti L. Essas espécies foram selecionadas
para este estudo por ocorrerem de forma endêmica e se apresentarem bem adaptadas às
condições edafoclimáticas do nosso Estado, uma vez que são comumente encontradas nos
quintais caseiros, seja como cerca viva, ou cultivadas para uso medicinal e/ou ornamental.

MATERIAL E MÉTODOS

Látex de Jatropha curcas e J. gossypiifolia foram extraídos, in natura a partir de


feridas nos ramos foliares e recolhidos em tubo de ensaio previamente esterilizado, em janeiro
e junho de 2014, respectivamente, em Teresina, PI. Após extração, as amostras foram
mantidas sob-refrigeração e utilizadas em no máximo 24h. Ramos de ambas as plantas foram
coletadas para identificação no Herbário Afrânio Nunes da Universidade Estadual do Piauí,
onde as exsicatas foram depositadas.

Estabelecimento das colônias:

Larvas de Aedes aegypti foram coletadas em Teresina/PI nos bairros onde tinham
maior foco do mosquito. Em seguida foram levados ao Núcleo de Entomologia da
Universidade Federal do Piauí (NEPI) para triagem e estabelecimento da população do
mosquito. Os ovos foram coletados da colônia e postos para eclodir em água mineral, a
28±5ºC, com fotoperíodo de 12h e alimentadas com ração para gato triturada autoclavada, até

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atingirem o até atingirem o 3º estágio de desenvolvimento para o preparo do bioensaio.

Bioensaio

O látex bruto de cada espécie foi levado ao Laboratório de Genética (LABGENE-


UESPI) e diluído em água mineral nas concentrações: 50; 25; 12,5; 10 e 5 mL.L -1. Cada
tratamento foi realizado em placa de Petri contendo 20 mL da solução teste. Como controle
positivo foi utilizado Diflubenzuron (3 mg.L-1), concentração utilizada pela vigilância
epidemiológica de Teresina – PI e como controle negativo foi utilizada água mineral. Para
cada amostra 20 larvas de 3º estágio foram testadas em triplicatas. As larvas tratadas e os
controles foram mantidos sob as mesmas condições de temperatura e luminosidade da
criação. A motilidade das larvas foi avaliada a cada 24h e consideradas mortas as que não
reagiram a estímulos mecânicos. O teste era considerado finalizado apenas quando todas as
larvas morriam ou virarem pupas.

Análise estatística dos dados

As taxas de mortalidade dos tratamentos e controles foram comparadas pelo teste de


Kruskal-Wallis a 5% de probabilidade, com auxílio do programa Bioestat 5.3 (AYRES et al.,
2007). A equação de regressão linear foi estimada pelo Programa GENES (CRUZ, 2006) e
em seguida determinadas as concentrações letais 50 e 90%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após 5 dias de exposição aos tratamentos, observou-se a morte de todas as larvas em


contato com o Diflubenzuron (3 mg.L-1). Em relação ao controle negativo, a taxa de
mortalidade variou, em média, de 0 a 1,75% (Tabela 1).

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Tabela 1. Comparação entre as taxas de mortalidade de Jatropha gossypiifolia e J. curcas,

Concentrações J. gossypiifolia J. curcas


5 mg.L-1 5,00 ± 8,66 a 15,18 ± 8,34 ab
10 mg.L-1 36,16 ± 17,04 ab 24,56 ± 8,03 ab
12,5 mg.L-1 84,57 ± 9,16 ab 100,00 ± 0,00 b
-1
25 mg.L 100,00 ± 0,00 b 100,00 ± 0,00 b
50 mg.L-1 100,00 ± 0,00 b 100,00 ± 0,00 b
C.N. 1,66 ± 2,88 1,75 ± 3,03
C.P. 100,00 ± 0,00 100,00 ± 0,00
avaliadas após 5 dias de exposição aos extratos aquosos.
C.N.: Controle Negativo (água mineral); C.P.: Controle Positivo (Diflubenzuron a 3 mg.L-1);
a: valores de média não significativos quando comparados ao C.N.; b: valores de média não
significativo quando comparado ao C.P. à 5% de probabilidade pelo teste Kruskal-Wallis.

Nos ensaios com J. gossypiifolia observou-se que as concentrações 5, 10 e 12,5 mL.L -


1
apresentaram média inferior a 90% de mortalidade, sendo 5 mL.L -1 a única concentração
não significativa em relação ao controle positivo. As outras duas concentrações apresentaram
100% taxa de mortalidade, assim, não diferindo significativamente ao controle positivo.
Nas avaliações do extrato de J. curcas observou-se as maiores taxas de mortalidade.
Apenas as concentrações 5 e 10 mL.L-1 apresentaram atividades larvicida não significativas
em relação ao controle negativo. Já as demais concentrações apresentaram taxa de
mortalidade 100%, evidenciando o potencial tóxico da espécie no combate à larva de A.
aegypti assim como o controle positivo.
Uma vez evidenciada atividade larvicida para ambas as espécies testadas contra larvas
de 3º estágio de A. aegypti, estimou-se uma equação de regressão linear e em seguida foram
estimados os valores das concentrações letais CL50 e CL90 (Tabela 2).

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Tabela 2. Atividade larvicida do látex de Jatropha contra larvas em terceiro estágio de A.


aegypti.
Espécies CL50 (mg.L-1) CL90 (mg.L-1) Equação de regressão R²
J. curcas 9,38 34,17 Y = 34,855 + 1,614X 0,438
J. gossypiifolia 11,93 35,28 Y= 29,549 + 1,736X 0,542
CL50: Concentração letal que mata 50% das larvas. CL90: Concentração letal que mata 90%
das larvas. nd: não determinado. R²: coeficiente de determinação.

Entre as espécies testadas do gênero Jatropha, o maior potencial larvicida foi


observado em J. curcas, com CL50 igual à 9,38 mg.L-1 enquanto J. gossypiifolia apresentou
CL50 igual à 11,93 mg.L-1. Em relação a CL90, foram observadas as concentrações 34,17 mg.L-
1
e 35,28 mg.L-1 para J. curcas e J. gossypiifolia, respectivamente.
Triterpenoides, diterpenoides e flavonoides, substâncias com atividade larvicida,
foram encontrados em todas as partes de J. curcas (RAVINDRANATH et al., 2004; HAAS et
al., 2002; SURIN et al., 2005).
Matos (2004) cita o isolamento de alcaloides em látex de J. gossypiifolia, o que
poderia explicar a eficácia deste sobre as larvas. Porém, não foram encontrados na literatura
outros compostos do látex com atividade larvicida, embora estudos demonstrem o efeito
toxicológico, o que indica a necessidade de mais estudos sobre a composição do látex de
Jatropha (SINGH; SINGH, 2005).

CONCLUSÕES

 O látex de ambas as espécies de Jatropha avaliadas apresentaram atividade larvicida


para o A. aegypti, sendo, portanto, essas consideradas promissoras para o desenvolvimento de
bioinseticidas.
 Dentre as espécies avaliadas destacou-se J. curcas, que apresentou a menor CL50
estimada.

AGRADECIMENTOS

Ao PIBIC-UESPI pela concessão da bolsa de estudos.

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Pós- Graduação em Agronomia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Piauí,
Área de Concentração: Produção Vegetal, 2012.

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USO DE Drosophila melanogaster (Meigen, 1830) NA FORMAÇÃO DE


PROFESSORES DE BIOLOGIA EM GENÉTICA

(Use of Drosophila melanogaster (Meigen, 1830) in education of biology teachers in


Genetics)

Tamires de Sousa Silva 11, Pedro Marcos Almeida2, Francielle Alline Martins1

RESUMO
O objetivo desse estudo foi apresentar aos alunos do curso de Licenciatura em
Biologia da UESPI a mosca Drosophila melanogaster como um modelo biológico eficiente e
atrativo para ser utilizado no ensino de genética como forma de fixação dos conteúdos
ensinados em aula teórica. Para tanto, os alunos foram divididos em equipes e realizaram
cruzamentos entre linhagens de drosófila disponíveis Laboratório de Genética da UESPI. No
decorrer dos 20 dias seguintes, as proles da geração F1 e F2 foram avaliadas fenotipicamente.
Ao final, as equipes apresentaram os resultados de seus experimentos e responderam a um
questionário avaliativo acerca das dificuldades e as vantagens encontradas. Observou-se que
além das drosófilas serem um modelo biológico eficiente para o ensino de genética a
metodologia adotada permitiu o aluno verificar todas as etapas de construção do método
científico.
PALAVRAS-CHAVES: Modelo biológico. Mosca das frutas. Herança genética.

ABSTRACT
The aim of this study was to introduce the students of Biology of the Universidade
Estadual do Piauí (UESPI) the Drosophila melanogaster fly as an efficient and attractive
biological model for use in teaching genetics as a way of fixing the content taught in teory on
class lessons. For this, the students were divided into teams and made crosses between strains
of Drosophila available on Genetics Laboratory of UESPI. Over the following 20 days, the
offspring of the F1 and F2 were evaluated phenotypically. At the end, the teams presented the
results of their experiments and completed an evaluation questionnaire about the difficulties

1
Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCN/ Teresina – PI [silva-
tamires@yahoo.com.br; profafrancielle@yahoo.com.br].
2 Universidade Estadual do Piauí, Campus Poeta Torquato Neto - CCS/ Teresina – PI
[pedromarcosalmeida@yahoo.com.br].

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and advantages found. It was observed that fruit flies besides being an efficient biological
model for teaching genetics the adopted methodology allowed the students checking each step
of building the scientific method.
KEY-WORDS: Biological model. Fruit fly. Genetic inheritance.

INTRODUÇÃO

No início do século XX, a Ciência ganhou um campo totalmente novo, a Genética.


Desde então, as informações nessa área se acumulam de modo rápido e várias aplicações
resultantes das pesquisas em genética fazem parte do nosso dia-a-dia (SEPEL; LORETO,
2010).
A Genética é o campo da biologia que estuda a natureza química do material
hereditário, isto é, o mecanismo de transferência das informações contidas nos genes,
compartilhados de geração em geração. Enquanto disciplina, é parte integrante da grade
curricular do ensino médio e, sendo lecionada na quase totalidade como aula expositiva,
limitando-se ao conteúdo baseado apenas nos livros e apostilas que, na maior parte das vezes
exploram exemplos distantes da realidade dos estudantes, como o cruzamento de ervilhas
lisas e rugosas. Raramente, o aluno conhece a planta ou teve a oportunidade de manipular
uma ervilha de textura rugosa, fatos estes que, somados à dificuldade natural de compreensão
de todo o processo que envolve a genética, contribuem para o desestímulo e perda de interesse
por essa área do saber (FALA et al., 2010).
Diante disso, a utilização de modelos didáticos em aulas práticas como instrumentos
de ensino podem ser eficazes na prática docente, visto que facilitam a abordagem de
conteúdos que, muitas vezes, são de difícil compreensão pelos estudantes e permitem uma
íntima relação do científico com a rotina do cotidiano (LORETO; SEPEL, 2006; SETÚVAL;
BEJARANO, 2009).
Drosophila melanogaster, mais conhecida como mosca-das-frutas, é um excelente
modelo biológico para realizar estudos de genética, quer em nível de investigação de ponta,
quer como modelo didático para ensino dos princípios básicos da hereditariedade. No ensino
médio e universidade, o emprego de Drosophila como recurso didático pode ser muito
variado. Algumas das aplicações são clássicas: as demonstrações das “leis de Mendel”, a
construção de mapas de ligação, a observação de interação alélica e a análise de cromossomos
(SEPEL; LORETO, 2010).

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A escolha de D. melanogaster como modelo biológico deve-se ao fato deste inseto ter
um ciclo de vida curto (10-11 dias, a 25ºc); um genoma simples (apenas quatro pares de
cromossomas, três autossômicos e um sexual); um tamanho reduzido (0,8-1,5 mm e 2-3 mm,
macho e fêmea respectivamente); simples manuseamento em laboratório e cruzamento; a sua
fácil manutenção em cultura; a sua abundância; rápida reprodução de descendentes férteis; e a
existência de um grande número de mutantes naturais e artificiais (MANNING, 2008).
No seu estado selvagem apresenta olhos vermelhos e coloração do corpo amarelo-
acastanhado. Normalmente possui segmentos intercalares em tons distintos na região
abdominal. O macho diferencia-se da fêmea pelos segmentos finais do abdômen, que são
fundidos apresentando a região escura, tal como estruturas no primeiro par de patas chamado
“pente sexual”, e o seu menor porte (MOURA et al., 2013).
Considerando as vantagens de se trabalhar com modelos biológicos no ensino e
necessidade de capacitação de professores para utilizá-lo o objetivo deste estudo foi
apresentar aos alunos do curso de Licenciatura em Biologia da Universidade Estadual do
Piauí D. melanogaster como um modelo biológico eficiente e atrativo para ser utilizado no
ensino de genética e vivenciar todas as etapas da prática-experimental, desde a formulação de
hipóteses até a validação estatística das mesmas.

MATERIAL E MÉTODOS

A turma de 32 alunos, cursando Genética Básica no 1º semestre de 2013 foi dividida


em oito equipes de quatro alunos, cada equipe foi orientada por um monitor selecionado
dentre os alunos que já cursaram a disciplina.
As equipes realizaram cruzamentos e seus recíprocos das seguintes linhagens de
drosófila cultivadas no LABGENE – Laboratório de Genética da UESPI: Sépia x Selvagem;
White x Selvagem; Ebony x Selvagem, Ebony/White x Selvagem.
Cada cruzamento foi realizado com cinco casais e condicionados em vidros
preparados com meio de cultura à base de banana, aveia, farinha de milho e mel. As fêmeas
utilizadas nos cruzamentos parentais (P) eram virgens. Para garantir a virgindade das fêmeas
utilizadas, moscas adultas foram completamente eliminadas dos frascos do estoque e após 6
horas, as fêmeas eclodidas foram separadas em um novo frasco até serem então cruzadas.
Todos os cruzamentos foram montados, bem como seus recíprocos, e mantidos por 10
dias a 20ºC, até a eliminação da geração parental. Em seguida aguardou-se a eclosão das

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moscas da geração F1. Diariamente, por 10 dias, as moscas F1 foram eterizadas, contadas e
classificadas de acordo com o fenótipo.
Cinco casais F1, de cada um dos cruzamentos, foram transferidos para um novo frasco
preparado com meio de cultura. Após 10 dias a partir da preparação, os casais foram
eliminados e aguardou-se a eclosão da população F2, que também foi avaliada diariamente,
conforme já descrito.
Os dados de contagem para cada fenótipo foram anotados em uma planilha e avaliados
ao final do experimento por meio do teste de χ2 e auxílio do programa GENES (Cruz, 2006)
para que fosse verificado o modo de herança de cada um dos caracteres envolvidos, de acordo
com as hipóteses previamente formuladas baseando-se na revisão de literatura de cada equipe.
Ao final, as equipes apresentaram os resultados de seus experimentos para a turma e
confeccionaram um relatório escrito em forma de monografia. Concluída a atividade os
alunos responderam a um questionário avaliativo com sete questões objetivas acerca das
dificuldades e as vantagens sobre o uso das drosófilas no processo de ensino-aprendizagem
em Genética.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A avaliação da geração F1 em cada cruzamento possibilitou a observação da


ocorrência de machos e fêmeas (Tabela 1).

Tabela 1. Ocorrência de fêmeas e machos nos cruzamentos entre linhagens contrastantes de


D. melanogaster realizados pelos alunos da disciplina Genética Básica durante o 1º semestre
de 2013.
Nº de moscas observadas Probabilidade
Nº Cruzamento (fêmea/ macho)
(fêmea/ macho) (%)
1 Sépia x Selvagem 496 453 16,27
2 Selvagem x Sépia 331 307 34,20
3 Ebony x Selvagem 168 171 87,06
4 Selvagem x Ebony 222 244 30,81
5 White x Selvagem 247 232 49,31
6 Selvagem x White 281 244 10,64
7 Ebony/White x Selvagem 129 125 80,18

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8 Selvagem x Ebony/White 241 275 13,45


Total 2115 2051 32,14

Foram observadas 264 fêmeas e 256 machos em média nos cruzamentos, evidenciando
a ocorrência da proporção 1:1 (p-valor = 32,14%) dentre os sexos, assim como esperado no
cruzamento entre espécies diploides cuja determinação do sexo é dada por meio dos
cromossomos sexuais XX/XY (CRUZ et al., 2011)
As avaliações fenotípicas da geração F2 permitiram os alunos determinar o modo de
herança para cada uma das características em estudo. Nos cruzamentos Sépia x Selvagem, foi
observado o padrão de herança monogênica autossômica, sendo o fenótipo selvagem o
dominante. Visto que na F1 foram observadas apenas moscas selvagens e na F2 observou-se a
proporção 3:1 (selvagem:sépia) (Tabela 2).

Tabela 2. Avaliação fenotípica da geração F2 do cruzamento Sépia x Selvagem e recíproco.


Cruzamento Nº de moscas observadas na F2 p-valor
χ²
(fêmea x macho) Selvagem Sépia (%)
Sépia x Selvagem 623 214 0,14 70,46
Selvagem x Sépia 496 147 1,57 21,05

O padrão de herança observado foi o esperado, visto que de acordo com CRUZ
(2006), o gene que determina a cor dos olhos sépia está localizado no cromossomo 3, sendo
portanto autossômico.
Em relação à cor do corpo, nos cruzamentos Ebony x Selvagem observou-se o padrão
de herança autossômica, sendo o fenótipo selvagem o dominante (Tabela 3). No entanto, a
segregação fenotípica na F2 esperada de 3:1 (Selvagem:Ebony) não foi observada.

Tabela 3. Avaliação fenotípica da geração F2 do cruzamento Ebony x Selvagem e recíproco.


Cruzamento Nº de moscas observadas na F2 p-valor
χ²
(fêmea x macho) Selvagem Ebony (%)
Ebony x Selvagem 530 138 6,72 0,95
Selvagem x Ebony 669 142 24,27 0,00

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Após a rejeição da hipótese de nulidade esperada para uma característica monogênica


(3:1) realizou-se a estimação das proporções observadas por meio da frequência relativa de
cada fenótipo na F2 e observou-se a adequação dos dados à proporção 8:2 (Selvagem:Ebony)
em ambos os cruzamentos. Provavelmente há uma pressão de seleção favorável ao fenótipo
selvagem no ambiente in vitro estabelecido que deva ser investigada por estudos subsequentes
a fim de eliminá-la para que não interfira nas avaliações do padrão de herança, visto que o
genoma de D. melanogaster é amplamente estudado e o padrão de herança para a
característica cor do corpo ebony bem caracterizado como autossômico, monogênico e
segregante na proporção (3:1) (CRUZ, ).
Nos cruzamento White X Selvagem foi possível à observação do padrão de herança
ligado ao sexo, visto a ocorrência de herança cruzada na prole do cruzamento White x
Selvagem (fêmeas x selvagem), ou seja, na F1 todas as fêmeas apresentaram o fenótipo do pai
e todos os machos o fenótipo da mãe. Adicionalmente, observou-se na F2 dentre os sexos,
proporções diferentes dos fenótipos selvagem e white no cruzamento e seu recíproco (Tabela
4).

Tabela 4. Avaliação fenotípica da geração F2 do cruzamento White x Selvagem e recíproco.


Nº de moscas observadas na F2
Cruzamento
Macho Fêmea
(fêmea x macho)
Selvagem White Selvagem White
White x Selvagem 145 120 174 157
Selvagem x White 75 72 187 0

No cruzamento White x Selvagem (fêmea x macho), em se tratando de uma


característica ligada ao sexo, espera-se na F2 igual proporção dos fenótipos selvagem e white
em ambos os sexos, ao avaliar os dados pelo teste de χ² para homogeneidade observou-se que
esta hipótese de nulidade não foi rejeitada (χ² calc = 0,271; p-valor = 60,21%), ou seja, os
dados se adéquam ao esperado para uma característica ligada ao sexo. Em relação ao
cruzamento recíproco: Selvagem x White (fêmea x macho), é esperada a igualdade entre o
número de machos selvagem e white, e a não ocorrência de fêmeas white na F2. As
observações em F2 foram concordantes com o esperado, visto que o teste de χ² dentre machos
foi não significativo (χ²calc = 0,06; p-valor = 80,45%) e fêmeas white não foram observadas
em F2.

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Nas avaliações simultâneas da característica cor do corpo (Selvagem/Ebony) e cor do


olho (Selvagem/ White), esperava-se observar a independência entre ambas, visto que a
primeira é determinada por um gene autossômico e a segunda por um gene ligado ao sexo. As
proporções a serem testadas pelo teste de χ² para independência entre os genes foram
determinadas de acordo com a regra do “e”, descrita em livros de estatística em que a
probabilidade de ocorrência de dois eventos independentes simultaneamente é igual a
probabilidade de ocorrência do primeiro multiplicada pela a probabilidade de ocorrência do
segundo (VIEIRA, 1997). Assim, para cada um dos cruzamentos, inicialmente estimou-se a
ocorrência em F2 de cada um dos fenótipos individualmente para então, posteriormente
determinar as proporções esperadas em na análise simultânea (Tabela 5).

Tabela 5. Avaliação fenotípica da geração F2 do cruzamento Ebony/White x Selvagem e


recíproco.
Nº de moscas observadas na F2
Cruzamento
Macho Fêmea
(fêmea x macho) Total
Sel. Wh. Eb. Eb./Wh. Sel. Wh. Eb. Eb./Wh.
Ebony/White x
81 62 12 11 104 79 35 22 406
Selvagem
Selvagem x
51 54 15 10 136 0 35 0 301
Ebony/White

Para o cruzamento Ebony/White x Selvagem, em relação à cor do corpo foram


observadas 326 moscas selvagens e 80 ebony, uma proporção aproximada de 0,8:0,2. Em
relação a cor do olho foram observadas 88 machos selvagens: 73 machos white :144 fêmeas
selvagens: 101 fêmeas white, o que corresponde a proporção: 0,23 machos selvagens: 0,18
machos white: 0,34 fêmeas selvagens: 0,25 fêmeas white. A análise simultânea das
características pelo teste de χ² confirmou a independência na distribuição das mesmas (χ²calc =
6,58; p-valor = 47,37%).
No cruzamento recíproco Selvagem x Ebony/White, em relação à cor do corpo foram
observadas 241 moscas selvagens e 60 ebony, uma proporção aproximada também de 0,8:0,2.
Em relação à cor do olho não foram observadas fêmeas white, assim como esperado.
Observou-se 66 machos selvagens: 64 machos white:171 fêmeas selvagens, o que
corresponde a proporção: 0,22 machos selvagens: 0,21 machos white: 0,57 fêmeas selvagens.

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A análise simultânea das características pelo teste de χ² confirmou a independência na


distribuição das mesmas (χ²calc = 1,12; p-valor = 95,26%).
Após 40 dias de experimentação, as equipes de alunos entregaram os relatórios e
apresentaram seus dados na forma de slide e em seguida responderam a um questionário
objetivo (Tabela 6).

Tabela 6. Questionário de perguntas objetivas aplicado aos alunos que cursaram Genética
Básica em 2013.1
Questão % de sim % de não
1. Gostaram do uso de drosófilas no Ensino? 100 -
2. Os experimentos contribuíram para o Ensino? 100 -
3. Houve dificuldade em relação à disponibilização de tem tempo
33,3 66,6
extraclasse para a realização do experimento?
4. Os monitores contribuíram para as atividades? 75 25
5. Dificuldades na confecção do relatório? 95,84 4,16
6. A metodologia deve ser novamente adotada? 100 -
7. Enquanto professor, você adotaria esta metodologia? 91,67 8,33

Por meio deste questionário, foi possível verificar as contribuições do uso desta
metodologia de ensino de genética com drosófilas na formação de futuros professores.
Mesmo com as dificuldades evidenciadas, os alunos foram unânimes ao responder que os
cruzamentos com drosófilas devem ser usados nos próximos semestres.
A prática com drosófilas permitiu a assimilação dos conteúdos e um melhor
entendimento dos conceitos abordados na disciplina de Genética Básica, bem como uma
maior interação entre professor e aluno, trazendo contribuições significantes para o processo
de ensino-aprendizagem.

CONCLUSÕES

 O uso de drosófilas no ensino permitiu verificar a distribuição do sexo na proporção


1:1 desta espécie;
 O modelo biológico D. melanogaster foi eficiente para o estudo dos padrões de
herança monogênica autossômica e ligada ao sexo, bem como na verificação de
independência entre os genes.
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XV Semana de Biologia e II Simpósio Regional de Diversidade Biológica – UESPI
ISBN: 978-85-8320-064-2 v.1, n.1, 2014

 A experimentação permitiu o aluno verificar todas as etapas de construção do método


científico, desde a formulação de hipóteses com a base na literatura consultada até a validação
das mesmas por meio de teste estatístico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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