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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários

(no âmbito do Programa PIR PALOP II – VIII FED)


Formação inicial e complementar para Oficiais de Justiça

JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA
E DO TRABALHO

Pesquisa e Coordenação Técnica


Formadores-Coordenadores do CFOJ

Assistência técnica do INA com apoio científico e pedagógico do CFOJ


Manual de apoio aos Cursos – Tipo A e B

1
Ficha Técnica
Título: JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA E DO TRABALHO

Pesquisa e Coordenação: Formadores-Coordenadores do CFOJ

ISBN: 978-989-8096-02-9

Depósito Legal: 260577/07

Editor: INA- Instituto Nacional de Administração


Palácio dos Marqueses de Pombal
2784-540 Oeiras
Tel: 21 446 53 39
Fax: 21 446 53 68
URL: www.ina.pt
E-mail: edicoes@ina.pt

Revisão de Texto: Cláudia Pires e Ana Paula Mata

Capa: Sara Coelho


Execução Gráfica: JMG, Art. Pap., Artes Gráficas e Publicidade, Lda.
Tiragem: 1.000 exemplares
Ano de Edição: 2007

A presente publicação foi organizada e editada pelo INA, no âmbito das funções de assistência técnica
e pedagógica à execução do Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários (Programa
PIR PALOP II), com enquadramento orçamental específico no co-financiamento do referido Projecto
pelo Governo Português através do IPAD.

O conteúdo da mesma corresponde à adaptação de textos de apoio à execução de acções de formação


inicial e complementar para Oficiais de Justiça, desenvolvidas na Fase I do referido Projecto
(Novembro de 2003 a Junho de 2006), elaborados em versão original por Docentes do CFOJ – Centro de
Formação de Oficiais de Justiça do Ministério da Justiça de Portugal, sob coordenação científica e
pedagógica da respectiva Directora, Dra. Maria João Henriques.

As opiniões expressas no presente documento são da exclusiva responsabilidade dos respectivos


Autores e, como tal, não vinculam nem a Comissão Europeia nem o Governo Português, o INA
ou o CFOJ.

A reprodução e utilização do conteúdo está condicionada quer às disposições legais genéricas


aplicáveis aos direitos de propriedade intelectual quer às que regulam as iniciativas desenvolvidas no
âmbito de financiamentos públicos da União Europeia e de Portugal. É autorizada a cópia para fins
didácticos nos PALOP.

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Índice

NOTA PRÉVIA ........................................................................................................................................... 5


GLOSSÁRIO DE SIGLAS .......................................................................................................................... 7

PARTE 1 – PROCESSO ADMINSTRATIVO ............................................................................ 9

1 – Processo Administrativo em Geral ............................................................................................ 11


1.1 – A Petição ................................................................................................................................ 12
1.2 – Duplicados ............................................................................................................................. 13
1.3 – Prova Documental ................................................................................................................ 13
1.4 – Prova Testemunhal ............................................................................................................... 13
1.5 – Prova Pericial ........................................................................................................................ 14
1.6 – Citações e Notificações ........................................................................................................ 14

2 – Entrada da Petição ......................................................................................................................... 15


2.1 – I. Distribuição ........................................................................................................................ 15
2.2 – II. Livro de Porta ................................................................................................................... 15
2.3 – III. Autuação .......................................................................................................................... 15
2.4 – IV. Preparos ........................................................................................................................... 16
2.5 – V. Vista ao Ministério Público ............................................................................................ 16
2.6 – VI. Conclusão ........................................................................................................................ 17
2.7 – VII. A Secretaria .................................................................................................................... 17
2.7.1 – Exame dos Autos ...................................................................................................... 17
2.7.2 – Certidões .................................................................................................................... 17
2.7.3 – Resposta ou Contestação ......................................................................................... 17
2.7.4 – “Vista” (Oficiosa) ...................................................................................................... 18
2.8 – Abre-se “Conclusão” ........................................................................................................... 18
2.8.1 – Finda a Produção de Prova ..................................................................................... 19
2.8.2 – Proferido o Acórdão Final ...................................................................................... 20
2.9 – Trânsito em Julgado ............................................................................................................. 20
2.10 – Execução da Sentença ........................................................................................................ 20

PARTE 2 – PROCESSO DO TRABALHO ................................................................................... 21

NOTA INTRODUTÓRIA .......................................................................................................................... 23

1 – Princípios Gerais .............................. ............................................................................................ 25


1.1 –Conceito ….............................................................................................................................. 25
1.2 – Dever de Colaboração .......................................................................................................... 25
1.3 – Os Sindicatos ......................................................................................................................... 25
1.4 – Da Competência dos Tribunais do Trabalho .................................................................... 27

3
1.5 – Das Alçadas – Art.ºs 19.º, n.º 2, 27.º e 81.º da Lei n.º 10/92, com as alterações Resultantes
do Dec.-Lei n.º 24/98, de 2 de Junho .................................................................................. 28
1.6 – Competência Territorial – Art.º 15.º ................................................................................... 29
1.7 – Garantias de Imparcialidade ............................................................................................... 30
1.8 – Citações e Notificações ......................................................................................................... 31
1.9 – Espécies e Formas de Processo ........................................................................................... 32

2 – Contrato de Trabalho .................................................................................................................... 33


2.1 – Petição Inicial ......................................................................................................................... 33
2.2 – Tramitação .............................................................................................................................. 34
2.3 – A Conciliação no Processo Declarativo Comum Laboral ............................................... 35
2.4 – Instrução, Discussão e Julgamento ..................................................................................... 36
2.5 – Juiz Singular ........................................................................................................................... 37
2.6 – Sentença .................................................................................................................................. 38

3 – Recursos .......................................................................................................................................... 39
3.1 – Prazos de Interposição .......................................................................................................... 39
3.2 – Modo de Interposição ........................................................................................................... 39
3.3 – Interposição e Efeitos dos Recursos .................................................................................... 40

4 – Processo Executivo ........................................................................................................................ 41


4.1 – Execução Baseada em Sentença de Condenação em Quantia Certa .............................. 41
4.2 – Execução Baseada noutros Títulos ...................................................................................... 44

5 – processos Especiais ....................................................................................................................... 45


5.1 – Processos Emergentes de Acidentes de Trabalho e de Doenças .................................... 45
5.1.1 – Tramitações ............................................................................................................... 45
5.1.2 – Fase Conciliatória ..................................................................................................... 46
5.1.3 – Exame Médico .......................................................................................................... 48
5.1.4 – Tentativa de Conciliação ......................................................................................... 48
5.1.5 – Fase Contenciosa ...................................................................................................... 50

6 – Processo Principal ......................................................................................................................... 51


6.1 – Petição Inicial ......................................................................................................................... 51
6.2 – Fixação de Incapacidade para o Trabalho Exame por Junta Médica ............................ 52
6.3 – Incidentes Típicos do Processo de Acidente de Trabalho ............................................... 53

BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................... 57

4
Nota Prévia

O presente manual constitui um guia de actuação geral para os


Oficiais de Justiça que exercem funções nos diversos Países de
Língua Oficial Portuguesa.

É, no fundo, um elemento de apoio que, na prática do trabalho do


dia a dia, tem que ser adaptado à realidade de cada um dos países
dos destinatários da formação, já que cada um destes países tem o
seu quadro legislativo próprio, com realidades diferentes.

Assim, na prática dos actos processuais deverão sempre ter-se em


consideração a legislação em vigor em cada um dos países.

CFOJ – 2005

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Glossário de Siglas

PROCESSO ADMINISTRATIVO

RAU: REFORMA ADMINISTRATIVA ULTRAMARINA (diploma de 1933)

PROCESSO DO TRABALHO

CCJ: CÓDIGO DAS CUSTAS JUDICIAIS


CPC: CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
CPP: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
CPT: CÓDIGO DE PROCESSO DO TRABALHO
IPA: INCAPACIDADE PERMANENTE ABSOLUTA
IPP: INCAPACIDADE PERMANENTE PARCIAL
ITA: INCAPACIDADE TEMPORÁRIA ABSOLUTA
ITP: INCAPACIDADE TEMPORÁRIA PARCIAL
M.ºP.º: MINISTÉRIO PÚBLICO

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Parte 1

PROCESSO ADMINISTRATIVO

9
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

PROCESSO ADMINISTRATIVO

1 – PROCESSO ADMINISTRATIVO EM GERAL

Lei Aplicável:
– Decreto-Lei n.º 23 229, de 15 de Novembro de 1933 publicado no Diário da
República n.º 261 – Isérie – suplemento, de 15/XI.

Art.º 686.º
Nos casos omissos aplica-se o disposto no Código de Processo Civil relativamente ao
processo ordinário.

Art.º 687.º
REGRAS

O processo inicia-se com uma petição, dirigida ao presidente do tribunal, assinada


pelo reclamante ou por advogado mandatado por procuração.

A assinatura do reclamante carece de reconhecimento notarial, podendo, contudo,


em alternativa, ser reconhecida na secretaria do tribunal, no momento da
apresentação/entrega da petição inicial, mediante a apresentação do bilhete de
identidade do signatário, nos termos previstos no art.º 20.º do Decreto n.º 36/89, de
27 de Novembro.

Pelo reconhecimento da assinatura não é devido imposto de selo – art.º 2.º do


decreto n.º 32/97, de 14 de Outubro.

TERMO DE RECONHECIMENTO DA ASSINATURA

Nos termos do art.º 20.º do Decreto n.º 36/89, de 27 de Novembro, reconheço a assinatura
de ........................... mediante a exibição do Bilhete de Identidade nº ................ emitido
em ..../..../...., pelos Serviços de Identificação de .......
Tribunal Administrativo, data
O escriturário,

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Chama-se a atenção para a verificação e cumprimento das obrigações fiscais em


matéria de imposto do selo determinadas pelo art.º 21.º do Decreto n.º 36/89, de 27
de Novembro, cuja redacção é a seguinte:

"A apresentação de documentos não selados, quando sujeitos ao imposto do selo, ou


insuficientemente selados, será tratada nos termos do disposto no n.º 4 do Diploma
Ministerial n.º 19/84, de 29 de Fevereiro, e no Regulamento do referido imposto. O
funcionário que os receber deverá, no entanto, advertir os interessados de tais
consequências caso não seja prontamente sanada a irregularidade o que deverá constar,
como anotação, do recibo ou duplicado dos documentos apresentados nos termos do
disposto no artigo seguinte."

Se o recorrente ou reclamante for uma entidade pública, dirige-se ao presidente


do tribunal através de um ofício – art.º 687.º § 1º da RAU.

As reclamações formuladas pelo Ministério Público designam-se promoções - art.


687º § 2º RAU.

1.1 – A Petição

Requisitos – arts.º 686.º e 688.º da RAU e 467.º, n.º 1 Código Processo Civil.

Deixou de ser exigível o papel selado em virtude de o art.º 139.º da Tabela Geral
do Imposto do Selo ter sido revogado pelo Decreto n.º 32/97, de 14 de Outubro.

As partes envolvidas (reclamante e reclamados) são identificadas pelos nomes,


sedes (no caso de pessoas colectivas) ou domicílios (no caso de pessoas
singulares), seguindo-se uma exposição desenvolvida do objecto e fundamento
da reclamação, concluindo-se pelo pedido, nos termos em que o reclamante
pretende que se julgue e por requerimento para a citação ou notificação das partes
interessadas.

Na petição deve o reclamante indicar na petição domicílio na cidade de Maputo


(sede do Tribunal Administrativo – art.º 14.º da Lei n.º 5/92, de 6 de Maio) em que,
pessoalmente ou por intermédio do advogado constituído, receba as notificações.

Se esta indicação não constar da petição, após o pagamento do preparo, o


processo é concluso e o juiz ordenará a notificação do reclamante para corrigir a
petição, correcção essa indispensável ao prosseguimento dos autos. A petição será
instruída com documentos (ver mais adiante em prova documental).

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Jurisdição Administrativa e do Trabalho

1.2 – Duplicados

A petição é acompanhada de tantos duplicados quantas as pessoas a citar ou a


notificar que vivam em economia separada – art.º 687.º § 3.º da RAU e 152.º do
Código Processo Civil -, e mais dois duplicados, um dos quais fica arquivado na
secretaria para eventual reforma do processo em caso de descaminho e o outro
para ser entregue ao apresentante a título de recibo – art.ºs 690.º § único da RAU e
152.º do Código Processo Civil.

Se a petição não vier acompanhada dos duplicados obrigatórios (cfr. art.º 687.º §
3.º da RAU), depois de autuada e de pagos os preparos devidos, a secção faz o
processo concluso, a fim de o juiz ordenar a notificação do peticionante para, no
prazo que for fixado, apresentar os duplicados em falta, sob pena de
indeferimento – art.º 152.º, n.º 2 do Código Processo Civil.

Se faltar o duplicado isento de selo destinado a arquivo na secretaria, faz-se o


processo concluso para o juiz mandar extrair cópia da petição;

Esta cópia é contada como se tratando de uma certidão (cfr. art.º 3.º da Tabela de Custas,
aprovada pelo Decreto n.º 28/96, de 09 de Julho) e o valor alcançado é multiplicado por
três, apurando-se, enfim, a quantia a pagar pelo apresentante em falta.

1.3 – Prova Documental

Como já se referiu, a petição é instruída com:

– certidão ou cópia autenticada da decisão reclamada e, se for caso disso, com


contrafé da respectiva intimação da autoridade administrativa – art.º 688.º §.º 1.º
da RAU;
– quaisquer outros documentos em que se fundamente o pedido;
– procuração outorgada a mandatário judicial (advogado ou solicitador), no caso
de a petição estar assinada por um destes profissionais do foro.

1.4 – Prova Testemunhal

Se o reclamante quiser usar a prova testemunhal, deverá apresentar o rol de


testemunhas, juntamente com a petição inicial, indicando os nomes, profissões e
moradas ou locais de trabalho das testemunhas arroladas, num máximo de três
por cada facto, sem exceder o total de vinte testemunhas.

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Se forem arroladas mais de vinte testemunhas, nos termos do nº 3 do art. 632º do


Código Processo Civil, consideram-se como não escritos os nomes das restantes,
ou seja, ignora-se o rol a partir da 21ª testemunha.

O rol pode ser aditado ou alterado nos termos das disposições conjugadas dos
art.ºs 688.º § 3.º da RAU, 619.º e 631.º Código Processo Civil.

1.5 – Prova Pericial

Qualquer exame e/ou vistoria deve ser requerido na petição – art.º 688.º § 4.º
da RAU.

Segundo o art.º 577.º do Código de Processo Civil, exame reporta-se a pessoas ou


bens móveis e vistoria reporta-se a bens imóveis.

Cfr. conceitos de bens móveis e imóveis nos art.ºs. 204.º e 205.º do Código Civil.

1.6 – Citações e Notificações

Dispõe o art. 695º da RAU que às citações e notificações aplicam-se subsidiariamente


as disposições do Código Processo Civil

– art.ºs 228.º a 232.º do Cód. Proc. Civil – disposições comuns


– arts. 233.º a 252.º do mesmo diploma – citações
– arts. 253.º a 263.º do mesmo diploma – notificações

Tratando-se de entidade pública, a notificação faz-se por ofício a ela dirigido, o


qual é entregue através de protocolo ou por guia de remessa (art.ºs 688.º § 8 da RAU e 17.º
do Decreto n.º 36/89).

As entidades notificadas devem acusar a recepção do ofício, no prazo de quarenta e


oito horas.

As entidades administrativas são notificadas e/ou citadas nas pessoas dos respectivos
presidentes – art.º 688.º § 7.º da RAU.

Toda a correspondência é enviada sob registo postal – art.º 16.º do Decreto


n.º 36/89, de 27 de Novembro.

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Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Sendo vários os reclamantes que não tenham mandatário constituído (advogado


ou solicitador), nem tenham indicado pessoas para receber as notificações, estas
serão feitas ao primeiro dos signatários ou àquele que para tal fim vier indicado
na petição.

Esta regra aplica-se aos ofícios (caso de entidades públicas) e promoções (no caso
do Ministério Público) – art.º 688.º §§ 8.º e 9.º da RAU.

2 – ENTRADA DA PETIÇÃO

A petição, ofício ou promoção e os documentos conexos dão entrada na secretaria


do tribunal, nos termos estabelecidos no artº. 689.º da RAU e, depois, são presentes
à distribuição.

Ao dar entrada, deve ser lançada na petição uma nota de registo, contendo o
número de ordem atribuído e as folhas do livro em que for registada – art.º 690.º
da RAU.

2.1 – I. Distribuição

A distribuição é presidida pelo Presidente do Tribunal e realiza-se às quartas-


feiras, pelas 09,00 horas (cfr. despacho de 01.10.1996 do Juiz Presidente).

2.2 – II. Livro de Porta

O processo é registado no LIVRO DE PORTA.

Este é o livro onde se registam os processos distribuídos e os actos nele praticados, por
ordem cronológica, até à baixa ou remessa para o arquivo.

Os processos são registados por ordem numérica a partir da unidade, em cada ano,
indicando-se o(s) nome(s) do recorrente/reclamante e do(s) recorrido/reclamado, a data da
apresentação da petição e a natureza do pedido.

No mesmo livro, será registado o arquivamento do processo.

2.3 – III. Autuação

Todas as folhas do processo são rubricadas pelo funcionário que chefiar o


cartório – art.º 690.º da RAU.

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

No rosto da petição far-se-á o averbamento do registo (de preferência por carimbo


adequado), indicando-se o nº de ordem atribuído no livro de porta, a folha do livro
porta em que o processo é registado e a data da apresentação da petição em juízo.

2.4 – IV. Preparos

Se o requerente da petição não estiver isento por lei ou dispensado do pagamento


de preparos e custas (atente-se que a dispensa tem origem no pedido de concessão
do benefício de assistência judiciária e que tal pedido pode ser formulado na
petição inicial), deverá efectuar o pagamento do preparo devido.

Para tanto, o escrivão passará e entregará à parte, ou a quem as solicitar em seu


nome, as guias para depósito do preparo devido, lavrando-se no processo o
respectivo termo de entrega – art.ºs 6.º e 30.º, n.ºs 1 e 2 da Tabela de Custas,
aprovada pelo Decreto n.º 46252, de 19 de Março de 1965.

As guias são emitidas em impressos próprios, fornecidos por instituição bancária,


onde são efectuados todos os depósitos.

A parte dispõe de cinco dias, após o recebimento das guias, para efectuar o
pagamento do preparo e de quarenta e oito horas, após o pagamento para
entregar na secretaria ou cartório respectivo o duplicado da guia e respectivo
talão de depósito – art.º 32.º, n.º 2 da Tabela de Custas, aprovada pelo Decreto n.º
46252, de 19 de Março de 1965, e art.ºs 178.º e 182.º do Código das Custas Judiciais,
aprovado pelo Decreto n.º 43809, de 20 de Julho de 1961, com as alterações
introduzidas pelos Decretos n.ºs 48/89, de 28 de Dezembro, e 14/96, de 21 de Maio.

2.5 – V. Vista ao Ministério Público

Pago o preparo ou não havendo lugar a ele, vão os autos com “Vista” ao
Ministério Público, por quarenta e oito horas.

Porém, se o requerente pedir assistência judiciária, antes da “Vista”, deve a secretaria


fazer o processo concluso ao Juiz, para que se pronuncie sobre aquele pedido.

Se, porventura, o Juiz indeferir o pedido de assistência judiciária, fica o requerente


obrigado ao pagamento do preparo.

Também, no caso de a petição ser formulado pelo Ministério Público, não se


justifica esta "Vista".

16
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

EXCEPÇÃO:

Se, na petição, o reclamante não tiver indicado o domicílio na sede do tribunal ou estiverem
em falta os duplicados exigíveis, em lugar desta “Vista” deve a secretaria fazer o processo
“concluso” ao juiz.

2.6 – VI. Conclusão

O Juiz ordena a citação ou notificação da entidade recorrida, se não ordenar a


notificação do reclamante para suprir quaisquer insuficiências.

2.7 – VII. A Secretaria

Procede à ordenada citação e/ou notificação das partes interessadas, para


responder (em), no prazo que o juiz fixar no despacho (entre 10 e 120 dias) –
art.º 694.º da RAU.

A citação ou notificação é feita segundo as regras do Código Processo Civil.

2.7.1 – Exame dos autos

As partes interessadas poderão examinar os autos na secretaria, onde se conservarão


durante o período fixado pelo juiz para a resposta – art.º 696.º da RAU.

2.7.2 – Certidões

As certidões que forem solicitadas serão passadas e entregues aos interessados,


independentemente de despacho – art.º 696.º da RAU.

O custo das certidões está regulado no art.º 3.º da tabela de custas aprovada pelo
Decreto n.º 28/96, de 9 de Julho.

2.7.3 – Resposta ou Contestação

A resposta é a contestação e deve obedecer aos mesmos requisitos da petição


inicial – art.º 697.º da RAU.

É apresentada na secretaria, contra recibo, se solicitado (v. notas sobre petição,


mesmo no que se refere à indicação da prova testemunhal, documental e/ou pericial).

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

2.7.4 – “Vista” (oficiosa)

Decorrido o prazo para oferecimento das resposta, independentemente de


despacho, a secretaria abre “Vista” ao Ministério Público, por cinco dias – art.º
698.º da RAU.

Após a promoção do Magistrado do Ministério Público;

2.8 – Abre-se “Conclusão”

Para, se for caso disso, o juiz relator ordenar a realização de diligências


probatórias eventualmente requeridas pelas partes envolvidas, nomeadamente:

– vistorias
– exames
– avaliações ou
– inquirição de testemunhas, cujos depoimentos serão reduzidos a escrito

Estas diligências realizam-se na sede do tribunal e são presididas pelo juiz relator
– art.º 700.º da RAU – a menos que delegue (expressamente) em qualquer
autoridade administrativa.

Ordenada a realização de qualquer diligência, a secretaria notifica os interessados


não estejam isentos de custas e que não beneficiem de assistência judiciária, para,
no prazo de cinco dias, procederem ao depósito dos preparos para despesas, cujo
montante é fixado pelo juiz (do despacho em que determina a realização da(s)
diligência(s).

Sobre preparos para despesas cfr. Art.ºs 121.º, n.º 1; 122.º § 4.º; 123.º (isenção); 124.º,
n.º 2; 125.º; 129.º e 137.º do Código das Custas Judiciais, e art.º 1.º, n.º 3 da Tabela de
Custas do Tribunal Administrativo, aprovada pelo Decreto n.º 28/96, de 09 de Julho.

No caso de peritos ou louvados, o cálculo do valor dos preparos para despesas é


feito com base no art.º 13.º, n.º 2 da Tabela de Custas do Tribunal Administrativo,
aprovada pelo Decreto n.º 28/96, de 9 de Julho, e nos art.ºs 51.º e 53.º do Código
das Custas Judiciais.

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Jurisdição Administrativa e do Trabalho

E no caso de testemunhas, deve ter-se em consideração que o valor da indemnização


a atribuir é também fixado pelo juiz e que só é devida se as testemunhas pedirem
no acto da inquirição. Se as testemunhas não fizerem o pedido no momento
próprio, o valor da indemnização reverte para o cofre do tribunal – art.º 13.º, n.º 3
da citada Tabela.

2.8.1 – Finda a Produção de Prova

É permitido o exame do processo, por cinco dias, primeiro aos interessados, na


pessoa dos seus procuradores judiciais e depois ao Ministério Público – art.º 700.º
e seu § único da RAU.

Esta “Vista” destina-se a proporcionar o exame do processo às partes intervenientes,


para, querendo, alegarem o que tiverem por conveniente na defesa do seu direito.
Expirados estes prazos, abre-se “Vista” ao Ministério Público para o mesmo fim.

Após a promoção do magistrado, a secção abre “conclusão” ao juiz relator, que


poderá ainda ordenar alguma diligência que julgue indispensável para a instrução
do processo – art.º 702.º § único da RAU.

– art.º 703.º – Após o "visto" do juiz relator ou concluídas as diligências por ele
ordenadas vai o processo concluso, por cinco dias, a cada um dos vogais da
Secção e, por fim, vai ao juiz titular da 1ª Secção;
Se o juiz relator entender que o processo pode ser resolvido independentemente
de “visto”, leva os autos à conferência, seguindo-se os trâmites conforme o
deliberado – art.º 704.º da RAU.

O processo é apresentado pelo secretário, na primeira sessão que tiver lugar após
os vistos, para julgamento por acórdão em conferência, podendo o tribunal ordenar a
realização de qualquer diligência que julgue necessária para instrução do processo.

Faltando ou estando impedido o relator, intervirá outro juiz efectivo designado


pelo presidente (art.º 20.º, n.º 1, alíneas f) e h) da Lei n.º 5/92, de 6 de Maio e
despachos de 01 de Outubro de 1996, que regulamentam o regime de substituição
dos juízes e composição das Secções).

As decisões do tribunal revestem a forma de acórdão.

Os acórdãos são relatados e redigidos pelo relator e assinados por todos os que
tiverem votado em conferência, podendo ser dactilografado – art.º 706.º § 1º da RAU.

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

2.8.2 – Proferido o Acórdão Final

A secretaria tem o prazo de cinco dias, a contar da data em que o acórdão seja
proferido, para o notificar às partes, com entrega de cópias – art.ºs 710.º e 711.º da
RAU e 259.º do Código Processo Civil.

De seguida, são os autos continuados com "Vista" ao Ministério Público – art.º


710.º da RAU.

Tanto as partes, como o Ministério Público, podem interpôr RECURSO


ORDINÁRIO do acórdão, no prazo de dez dias a contar da notificação respectiva.

2.9 – Trânsito em julgado

Uma decisão considera-se passada ou transitada em julgado logo que não seja
susceptível de recurso ordinário – art.º 677.º do Código Processo Civil.

Transitado em julgado, o acórdão proferido é registado em livro próprio, por


cópia ou fotocópia, certificando-se a data do trânsito – art.º 713.º da RAU.

2.10 – Execução da Sentença

Os acórdãos transitados em julgado têm força executiva e a sua execução, bem


como a cobrança de multas impostas e das custas será promovida perante os
tribunais ordinários, nos termos da lei processual civil.

A execução tem por base:

– uma certidão do acórdão com indicação do trânsito em julgado (é o título


executivo – art.º 46.º, al. d) do Código Processo Civil;
– certidão do respectivo registo, quando tiver sido interposto recurso com efeito
devolutivo;
– certidão da conta, quando se tratar de custas;

As execuções são promovidas pelos interessados ou pelo Ministério Público,


consoante os casos, nomeadamente quando este último tiver sido parte principal e
vencedora ou tenham de ser cobradas multas ou custas.

20
Parte 2

PROCESSO DO TRABALHO

21
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Nota Introdutória

Com a finalidade de localizar os códigos respectivos, esclarecemos


que: cada causa submetida a tribunal pode ter várias origens.
Poder-se-á dizer, em grosso modo, que as principais são:

– de natureza civil – se se tratar de resolver uma questão cível


surgida entre duas partes;
– de natureza criminal – onde se pretenderá decidir uma questão
relativa a um crime ou a uma contravenção;
– de natureza laboral – se disser respeito a um conflito surgido
em virtude da relação entre trabalhador e empregador.

Os procedimentos a seguir para a sua resolução estão regulados:

– os primeiros, no Código de Processo Civil (CPC);


– os segundos, no Código de Processo Penal (CPP) ;
– e os últimos, na Lei n.º 18/92, de 14 de Outubro, e no Código de
Processo do Trabalho (CPT), aprovado pela Portaria n.º 87/70,
de 16 de Março, em todos os casos em que não contrarie as
disposições daquela Lei (vide art.º 31.º, n.º 1, da referida Lei
n.º 18/92).

Na linha da Constituição da República de alguns Países de Língua


Oficial Portuguesa foram extintas as Comissões de Justiça no
Trabalho, que haviam sido anteriormente criadas, e foram criados
os Tribunais do Trabalho, definindo regras de organização e de
funcionamento, convertendo o Código de Processo do Trabalho.

23
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

PROCESSO DO TRABALHO

1 – PRINCÍPIOS GERAIS

1.1 – Conceito

Os tribunais do trabalho são órgãos de administração da justiça no trabalho que


procurarão resolver as questões do trabalho que lhes sejam submetidas pela
obtenção de acordos, conquanto sejam respeitados os direitos dos trabalhadores –
art.ºs 1.º e 2.º da Lei n.º 18/92, diploma de que fazem parte as disposições a seguir
indicadas sem menção de origem.

1.1.1 – Categorias (art.º 1.º)

– Tribunais provinciais do trabalho, com jurisdição nas áreas da província e da


respectiva cidade capital onde estiver instalado – art.ºs 15.º e 48.º da Lei n.º
10/92, de 6 de Maio (Lei Orgânica dos Tribunais Judiciais).

– Tribunais distritais do trabalho, com jurisdição na área do distrito onde estiver


instalado – art.ºs 15.º e 56.º da Lei n.º 10/92, de 6 de Maio (Lei Orgânica dos
Tribunais Judiciais).

1.2 – Dever de colaboração

Todas as entidades públicas e privadas e todos os cidadãos têm o dever de prestar


assistência aos tribunais do trabalho na descoberta da verdade e na realização da
justiça – art.º 2.º, n.º 2.

1.3 – Os Sindicatos

Asseguram a representação dos trabalhadores em juízo, quando solicitados –


art.º 3.º.

1.3.1 – Dos Juízes do Trabalho – art.ºs 4.º, 5.º e 7.º, n.º 1

Em cada tribunal do trabalho (provincial ou distrital) há um juiz do trabalho.


Os juízes do trabalho são providos de entre:

25
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

– juízes e agentes do Ministério Público dos tribunais comuns (Lei n.º 10/91, de
30/Julho – Estatuto dos Magistrados Judiciais – e Lei n.º 6/89, de 19/Setembro -
Lei da Procuradoria-Geral da República);
– advogados com mais de cinco anos (Lei n.º 7/94, de 14/Setembro – Estatuto da
Ordem dos Advogados);
– licenciados em Direito com experiência na administração pública;
– funcionários públicos com formação média ou superior e que ocupam cargos de
direcção ou chefia há pelo menos 5 anos.

São aplicáveis aos juízes do trabalho as disposições do Estatuto dos Magistrados


Judiciais, aprovado pela Lei n.º 10/91, de 30/Julho.

1.3.2 – Do Ministério Público – art.ºs 4.º, n.º1, 6.º e 7.º, n.º 2

Em cada tribunal do trabalho (provincial ou distrital) há um agente do Ministério


Público. Os agentes do Ministério Público são providos de entre:

– Licenciados em Direito, com preferência para quem desempenhe ou tenha


desempenhado funções nas magistraturas judicial e/ou do Ministério Público.

São aplicáveis aos agentes do Ministério Público do tribunais do trabalho as


disposições do Estatuto dos Magistrados do Ministério Público (cfr. Lei n.º 6/89, de
19/Setembro.

1.3.3 – Dos Oficiais de Justiça do Trabalho – art.ºs 4.º, n.º 2 e 7.º, n.º 3

Os quadros de oficiais de justiça do trabalho compreendem as seguintes categorias:

– escrivães;
– ajudantes de escrivão;
– oficiais de diligências;
– dactilógrafos.

Aplicam-se aos oficiais de justiça do trabalho as normas estatutárias dos oficiais de


justiça dos tribunais judiciais (Cfr. Decretos n.ºs 352/72, de 3 de Outubro, e 40/93,
de 31 de Dezembro, e ainda o Estatuto dos Funcionários do Estado, aprovado pelo
Decreto nº 14/87, de 20 de Maio, com as alterações introduzidas pelos Decretos
n.ºs 39/89, de 8/12; 49/94, de 19/10; 47/95, de 17/10; 21/96, de 11/06; 64/98, de 03/12;
65/98, de 08/12, entre outras).

26
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

1.4 – Da Competência dos Tribunais do Trabalho

– A competência fixa-se no momento da propositura da acção em tribunal – art.º 25.º da


Lei n.º 10/92, de 6 de Maio.
– A causa não pode ser deslocada do tribunal competente para outro, salvo os casos
especialmente previsto na lei – art.º 26.º da Lei n.º 10/92.

– Em geral

Aos tribunais do trabalho compete, em geral, apreciar e julgar:

– questões do trabalho;
– questões relacionadas com doenças profissionais e acidentes de trabalho;
– contravenções às normas do trabalho e da segurança social, podendo proceder
oficiosamente à cobrança de multas aplicadas pela Inspecção do Trabalho.

– Em especial

Aos tribunais do trabalho compete, em especial, conhecer e julgar (art.º 9.º):

– questões emergentes de relações de trabalho subordinado (al. a);


– questões emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais (al. b);
– questões relativas à anulação e interpretação dos instrumentos de regulamentação
colectiva do trabalho que não revistam natureza administrativa (al. c), (sobre a
competência do Tribunal Administrativo – Lei n.º 5/92, de 6 de Maio);
– acções destinadas à anulação de actos e contratos celebrados por quaisquer
entidades com o fim de se eximirem ao cumprimento de obrigações resultantes
da aplicação da legislação do trabalho (al. d);
– questões emergentes de contratos equiparados por lei aos de trabalho;
– questões emergentes de contratos de aprendizagem (al. e);
– questões entre trabalhadores ao serviço da mesma entidade empregadora, a
respeito de direitos e obrigações que resultem de actos praticados em comum
nas suas relações de trabalho ou que resultem de acto ilícito praticado na
execução do trabalho e por motivo deste, ressalvada a competência dos tribunais
comuns quanto à responsabilidade civil conexa com a criminal (al. f);
– questões entre sujeitos de uma relação jurídica de trabalho ou entre um desses
sujeitos e terceiros, quando emergentes de relações conexas com a relação de
trabalho por acessoriedade, complementaridade ou dependência (al. g);

27
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

– questões contravencionais que com a acção tenham as relações de conexão


referidas na alínea precedente, salvo no caso de compensação em que é
dispensada a conexão (al. h);
– execuções fundadas nas suas decisões ou em títulos executivos, ressalvada a
competência atribuída a outros tribunais (al. i);
– demais questões de natureza contratual, cujo conhecimento lhes seja atribuído
por lei (al. j);
– resolução de conflitos resultantes da aplicação da legislação sobre segurança
social (al. l);

E em matéria contravencional (art.º 10.º):

– transgressões às normas legais e convencionais reguladoras das relações de


trabalho (al. a);
– transgressões a normais legais ou regulamentares sobre encerramento de
estabelecimentos comerciais ou industriais, relativas à higiene, salubridade e
condições de segurança dos centros de trabalho (al. b);
– transgressões a preceitos legais relativos a acidentes de trabalho e doenças
profissionais (al. c);
– infracções de natureza contravencional relativas à greve (al. d);
– demais infracções de natureza contravencional, cujo conhecimento lhes seja
atribuído por lei (al. e);

Os tribunais do trabalho são, ainda, competentes para:

– julgar recursos interpostos das decisões de autoridades administrativas nos domínios


laboral e da segurança social (art.º 10.º, n.º 2);
– executar as suas decisões (art.º 11.º).

1.5 – Das Alçadas – art.ºs 19.º, n.º 2, 27.º e 81.º da Lei n.º 10/92, com as
alterações resultantes do Dec. Lei n.º 24/98, de 2 de Junho.

Não há alçada, em matéria penal (nos processos regulados nos art.ºs 174.º e seguintes
do Código de Processo do Trabalho).

No domínio da jurisdição laboral (em matéria cível), existem as alçadas cujo valor
depende de país para país.

28
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Em alguns PALOP´S tem vindo a ser entendido que, as acções seguem sempre a
forma sumária independentemente do valor (art.ºs 12.º, 13.º e 31.º da Lei n.º 18/92,
de 14 de Outubro, 1.º e 2.º do Decreto n.º 24/98, de 2 de Junho).

Nesta linha:

– Ter-se-á em consideração o valor das alçadas para interposição de recursos.


– Nos distritos em que não houver tribunais de distrito, as acções são propostas
no respectivo tribunal de província – art.º 13.º, n.º 2.
– Os recursos das decisões dos tribunais de distrito são julgados pelos tribunais de
província (da província a que pertencem os distritos) – art.º 14.º, al. a).
– Os tribunais de distrito resolvem, ainda, os conflitos de competência suscitados
entre tribunais de distrito da mesma província – art.º 14º, al. b).
– Para os processos especiais de acidentes de trabalho e doenças profissionais são
competentes os tribunais provinciais do trabalho, salvo quando na área da sua
jurisdição os tribunais distritais tenham condições técnicas para o fazer – art.º 27.º.

1.6 – Competência Territorial – art.º 15.º

As acções devem ser propostas no tribunal do domicílio da entidade


empregadora, a menos que ela seja pessoa colectiva, caso em que as acções são
propostas no tribunal da respectiva sede, sucursal, agência, filial ou delegação.

Tribunal incompetente – a acção proposta em tribunal territorialmente incompetente


é oficiosamente remetida ao tribunal competente (por despacho do juiz).

1.6.1 – Da petição ou requerimento

Formulação:
– por escrito, contendo descrição breve e discriminada dos factos que motivam o pedido,
acompanhada de prova documental e testemunhal;
– verbalmente, perante o tribunal competente para a acção (tribunal de distrito ou de
província da área do domicílio ou sede da entidade empregadora). As declarações são
reduzidas a escrito.

Fora dos casos previstos na lei, o direito de recorrer aos tribunais do trabalho
extingue-se decorridos 12 meses sobre a data em que qualquer das partes tomou
conhecimento dos factos que fundamentam a sua pretensão – art.º 16.º, n.º 2.

29
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

1.6.2 – Competência Territorial

Das disposições conjugadas dos art.ºs 15.º da Lei n.º 18/92, 19.º e 20.º do CPT como
regra geral “as acções devem ser propostas no tribunal de domicílio da entidade
empregadora ou, ainda, sendo essa pessoa colectiva, no lugar onde tenha a sede, sucursal,
agência, filial ou delegação”.

Porém, em processo emergente de contrato de trabalho intentado por trabalhador


contra a entidade patronal, é também competente territorialmente o tribunal do
lugar da prestação de trabalho ou do domicílio do autor; se o trabalhado for
prestado, com carácter de normalidade, em mais de um lugar, pode a acção ser
proposta no tribunal de qualquer desses lugares.

Tratando-se de processo emergente de acidente de trabalho, é competente o


tribunal do lugar onde ocorreu o acidente ou o do domicílio do sinistrado, se aí for
apresentada a participação, ou se ele o requerer até à fase contenciosa do processo
(art.º 21.º do CPT).

Resulta, pois, que o trabalhador ou sinistrado, em processo do trabalho, tem à sua


disposição um leque de opções de escolha do tribunal no qual pretende que o
processo corra seus termos, no sentido de minimizar as naturais perturbações
provocadas pelas suas deslocações.

Os tribunais de trabalho, como antes se referiu, são, ainda, competentes para


executar as respectivas decisões – art.º 11.º.

Para as execuções de sentença, é competente o tribunal por onde corre o processo


principal, ou seja, o processo onde tiver sido proferida a decisão (os autos de
conciliação, homologados pelo juiz, são títulos executivos – art.º 86.º, al. b) do
CPT) que constitui título executivo (art.ºs 24.º, n.º 1 do CPT e 90.º, n.º 3 do CPC).

As execuções baseadas noutros títulos podem ser intentadas no tribunal do


domicílio do requerente, nos termos do disposto no n.º 2 do art.º 24.º do CPT,
podendo sê-lo, também, no tribunal do lugar de cumprimento da (art.º 94.º do CPC).

1.7 – Garantias de imparcialidade

Nos termos do disposto no art.º 125.º, n.º 2 do CPC, os funcionários de


justiça devem declarar-se impedidos de trabalhar em determinado processo,
sempre que:

30
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

– Nele tenham intervindo como mandatários;


– Nele tenham intervindo como peritos;
– Quando haja que decidir questão sobre que tenha dado parecer ou se tenha
pronunciado, ainda que oralmente;
– Seja parte na causa, por si ou como representante de outra pessoa;
– Seja parte na causa a sua mulher ou marido;
– Seja parte na causa ou nela tenha interesse, parente ou afim, em linha recta ou
no segundo grau da linha colateral.

Quando tal acontecer, o funcionário deve abrir conclusão e informar o juiz do seu
impedimento.

1.8 – Citações e notificações

As citações e notificações em processo de trabalho seguem, de uma forma geral, as


disposições do Código Processo Civil. Há porém, algumas normas específicas do
Código de Processo Trabalho que convém salientar:

A “notificação” a que se reporta o art.º 22.º da Lei 18/92 (notificação da parte


contrária para contestar) tem o cariz da citação, perante os conceitos vertidos no
art.º 228.º do CPC (Citação – é o acto pelo qual se dá conhecimento ao réu de que
foi proposta contra ele determinada acção e se chama ao processo para se
defender. Emprega-se ainda para chamar, pela primeira vez, ao processo alguma
pessoa interessada na causa. A notificação serve para, em quaisquer outros casos,
chamar alguém a juízo ou dar conhecimento de um facto).

A citação de pessoas colectivas ou sociedades pode fazer-se por carta registada


com aviso de recepção, que terá o valor de citação pessoal (art.º 31º, n.º 1 do CPT),
se houver distribuição domiciliária na localidade.

Porém, e nos termos do n.º 2 deste normativo, quando a ré, pessoa colectiva ou
sociedade, não conteste nem compareça em juízo, o juiz certificar-se-á de que a
carta foi recebida na respectiva sede.

O princípio geral a que se refere o art.º 32.º, n.º 1 do CPT, quanto às notificações, é
de que, em processo pendente, a notificação de parte não revel é feita ao
respectivo mandatário, se o houver, ou à parte que litigue por si (sempre que
possível, por carta registada com aviso recepção), ao agente do Ministério Público,
quando exerça o patrocínio (por termo lavrado no processo).

Se se destinar a obter a comparência pessoal da parte em juízo, a notificação deverá


ser feita, também, à própria parte, além do mandatário (art.º 32.º, n.º 2 do CPT).

31
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

1.9 – Espécies e formas de processo

Em relação ao processo civil e quanto à espécie, o processo é declarativo ou


executivo; o processo declarativo (no qual se declara ou reconhece o direito que se
pretende fazer valer) podendo seguir a forma especial ou comum (art.º 46.º
do CPT).

No processo executivo “o direito está dito” e nele o “autor” requer as providências


adequadas à reparação efectiva do direito violado – (art.º 4.º, n.º 3 do CPC).

Os processos declarativos especiais (que seguem a tramitação do processo comum,


apenas e só após o despacho saneador) são os seguintes:

– Processo emergente de trabalho ou de doença profissional (art.ºs 29.º e 97.º a


153.º do CPT).
– Processo de contencioso das instituições de previdência, abono de família e
organismos sindicais (art.ºs 154.º e seguintes do CPT).

O processo executivo, por sua vez, é aquele que tem por base qualquer dos títulos
enunciados no art.º 86.º do CPT, como por exemplo: sentenças condenatórias por
tribunais de trabalho; autos de conciliação etc..

Há, no entanto, que distinguir dois tipos de execução, como refere o art.º 49.º CPT.

– execução baseada em sentença de condenação em quantia certa, cujos trâmites


estão regulados nos art.ºs 87.º a 94.º do CPT.
– execução baseada nos outros títulos previstos no art.º 86.º do CPT, à qual se
aplicam as normas de processo comum de execução sumária (art.º 95º, n.º1 do
CPT).

Em relação ao processo penal, destacamos as transgressões previstas no art.º 186.º


e 187.º do CPT.

32
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

COMUM SUMÁRIO
PROCESSOS DE
ACIDENTES DE
ESPECIAL TRABALHO E
DOENÇAS
PROFISSIONAIS
DECLARATIVO
PROCESSOS

PROCESSOS DO
CIVIL CONTENCIOSO
BASEADO EM
DAS
SENTENÇA DE
INSTITUIÇÕES
CONDENAÇÃO
DE
PREVIDÊNCIA
BASEADO
EXECUTIVO NOUTRO
TITULO
PENAL TRANSGRESSÕES

2 – CONTRATO DE TRABALHO

Conceito de contrato de trabalho - art.º 5.º da Lei n.º 8/98

A relação jurídico laboral – art.º 5.º, n.º 2 da Lei n.º 8/98

Questões emergentes de contrato individual de trabalho

Geralmente, as questões emergentes do contrato individual de trabalho e os


direitos que as partes por ele vinculadas pretendem fazer valer, são dirimidas e
apreciadas em acções declarativas intentadas pelos titulares desses direitos, as
quais seguem a forma do processo comum sumário.

Define-se no art.º 151.º, n.º 1 do CPC que articulados são as peças em que as partes
expõem os fundamentos da acção e da defesa e formulam os pedidos correspondentes.

2.1 – Petição Inicial

Apresentada a petição inicial (de que se entrega uma cópia ao MºPº - art.º 179.º, n.º
1 do CPT), esta é autuada como processo declarativo comum sumário – art.ºs 12.º e
13.º da Lei n.º 18/92, art.º 48.º do CPT, art.º 20.º da Lei n.º 10/92, de 6/5.

33
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Os requisitos da petição inicial estão expostos no art.º 467.º do CPC, cujo n.º 2 não
é aplicável, perante o art.º 46.º do CPT, o que vale por dizer que se aquando da
apresentação da petição inicial se verificar o incumprimento de qualquer
obrigação fiscal, a petição não deixará de ser recebida, apenas se suspendendo a
instância findos os articulados (por despacho do juiz).

2.2 – Tramitação

Efectuado o preparo inicial, se for caso disso, e não se verificando o


condicionalismo do art.º 50.º do CPT, o processo é “concluso” ao juiz a fim de
proferir o despacho liminar, no qual, se não tiver motivos para indeferir a petição
inicial, nos termos do art.º 474.º do CPC, ou ordenar o seu aperfeiçoamento, nos
termos do art.º 477.º, n.º 1 do mesmo diploma, ordena a “notificação” do réu – art.º
22.º, n.º 1 da Lei n.º 18/92 – para, querendo, contestar no prazo de OITO DIAS,
sob cominação de não o fazendo ser, em princípio, imediatamente condenado
no pedido.

Na maioria dos casos, nas acções emergentes de contrato de trabalho, é o autor o


trabalhador e a ré a entidade patronal.

Acontece, por vezes, a inversão de posições, surgindo o trabalhador como réu, em


processo que lhe move a entidade patronal (por exemplo, no caso de o trabalhador
se despedir sem cumprir o prazo legal de aviso prévio – art.º 67.º da Lei n.º 8/98).

Se, num processo em tais condições, o trabalhador foi devidamente notificado e


não contestou, não há lugar à imediata prolação da sentença, uma vez que cabe ao
M.ºP.º a sua defesa, para o que será notificado, correndo novamente o prazo da
contestação (art.ºs 56.º, n.º 3, e 8.º, al. a) do CPT).

Se o M.ºP.º contestar, o processo segue os seus trâmites normais; se o não fizer, o


juiz profere a sentença, no prazo de 15 dias (art.º 23.º da Lei n.º 18/92).

O patrocínio oficioso do M.ºP.º, pode resultar de duas situações distintas:

a) o réu trabalhador, depois de notificado para contestar e dentro do prazo contacta


o M.ºP.º para patrociná-lo; ou
b) o M.ºP.º foi notificado para contestar nos termos do art.º 56.º, n.º 3 do CPT.

Em qualquer destes casos, se se mostrarem preenchidos os requisitos dos art.ºs 8.º,


9.º e 10.º do CPT e, em consequência, o M.ºP.º patrocinar um trabalhador – réu na

34
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

acção – deve, dentro de dez dias, declarar no processo que assumiu esse
patrocínio, contando-se o prazo para oferecimento da contestação a partir da
declaração (art.º 56.º, n.º 3 do CPT).

Esta aparente desigualdade de tratamento dado às partes em processo de trabalho,


ao conceder ao réu trabalhador prerrogativas vedadas ao réu entidade patronal,
justifica-se pelo facto de ser habitualmente o trabalhador a parte social e
economicamente mais débil, que, assim, vê de algum modo atenuadas as
compreensíveis desvantagens que tal situação sempre lhe acarreta.

Refere-se ainda que, ao contrário do que sucede no processo civil, ao MºPº no


processo do trabalho aplica-se o ónus de impugnação especificada e o disposto no
n.º 2 do art.º 490.º do CPC, quando patrocine um trabalhador, réu na acção (art.º
57.º do CPT). Deverá, pois, tomar posição na contestação sobre cada um dos factos
alegados na petição inicial, impugnando-os um a um (impugnação especificada),
sob pena de se considerarem admitidos por acordo.

Daqui resulta que, em processo laboral e no processo sumário, há apenas dois


articulados: petição e contestação.

Além destes articulados, podem surgir articulados supervenientes nos termos


previstos no art.º 40.º do CPT.

Na maioria dos casos, com a contestação são juntos documentos. Nesta situação,
há que notificar oficiosamente a apresentação dos documentos ao autor, nos
termos do art.º 526.º do CPC, sendo este o momento oportuno para lhe ser enviado
o duplicado da contestação.

Porém e na sequência desta notificação, o autor apenas pode arguir a falsidade dos
documentos (art.º 360.º do CPC), não podendo apresentar terceiro articulado –
resposta à contestação.

2.3 – A Conciliação no Processo Declarativo Comum Laboral

Esquematizaremos, então, as situações em que a tentativa de conciliação pode ter lugar:

a) Obrigatoriamente, depois de apresentada a petição inicial e antes da abertura da


audiência de discussão de julgamento (art.ºs 20.º, n.º 1 da Lei n.º 18/92 e 84.º do CPT);
b) Facultativamente, em qualquer estado do processo, sendo para tal necessário que:

– ambas as partes conjuntamente o requeiram; ou


– o juiz julgue oportuno (art.º 20.º, n.º1 da Lei 18/92).

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Convém aqui analisar o teor do art.º 34.º do CPT, uma vez que o mesmo terá de ser
articulado com os art.ºs 50.º e 51.º do mesmo Código e em todos está em causa a conciliação.

Refere aquele artigo que a desistência do pedido, ou da instância e a transacção


posterior ao oferecimento da contestação, só podem realizar-se em audiência de
conciliação, acto que é presidido pelo MºPº e ao qual apenas podem assistir, além
dos funcionários, as partes e respectivos mandatários (art.º 51.º, n.º 2 do CPT).
Elaborado o respectivo auto de conciliação vai o processo “concluso” ao juiz para
decisão art.º 52.º, n.º 2 do CPT.

O auto de conciliação é título executivo – art.º 86º, n.º 2 do CPT.

Quanto ao conteúdo do auto de conciliação veja-se o art.º 20.º, n.º 1 da Lei 18/92.

No que à confissão diz respeito, uma vez que o art.º 43.º do CPT nada refere quanto à
mesma, há que aplicar o regime previsto no art.ºs 294.º e 297.º a 300.º do CPC.

Resumindo, podemos concluir que, em processo de trabalho, apenas a confissão


do pedido pode ser efectuada por termo no processo lavrado na secretaria,
conforme prevê o n.º 1 do art.º 300.º do CPC.

Lavrado o termo de conciliação, ou auto de conciliação, ou junto documento


autêntico (de confissão) vai o processo “concluso” para o juiz proferir sentença, se
considerar válida a confissão, desistência ou transacção.

Os autos de conciliação constituem uma verdadeira judicial exequível (art.º 86.º, al.
b) do CPT) e a execução dos acordos neles exarados corre por apenso ao processo
onde a conciliação foi efectuada, sendo competente para os seus termos o juiz do
respectivo processo (art.º 86.º, al. b) do CPT e art.º 90.º, n.º 3 do CPC).

2.4 – Instrução, Discussão e Julgamento

A prova é oferecida com a petição inicial, no caso do autor, e na contestação, no


caso do réu (art.º 82.º, n.º 1 do CPT).

Toda a prova (testemunhal e documental) será oferecida com os articulados, nos


quais deverão ser também requeridas quaisquer outras diligências de prova (art.º
82.º, n.º 1 do CPT).

Cada parte pode oferecer até cinco testemunhas (art.ºs 82.º, n.º 1 e 84.º, n.º 1 do CPT).

36
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Quanto ao número de testemunhas a ouvir por cada facto e uma vez que o CPT é
omisso, há que, aplicar o disposto no art.º 789.º do CPC relativo ao processo
sumário, que fixa esse número em três.

As testemunhas são apresentadas pelas partes na audiência, sem necessidade de


notificação (art.º 82.º, n.º 2 do CPT).

Porém, se estas se recusarem a comparecer ou estiverem dependentes


economicamente de qualquer das partes, pode o juiz ordenar a sua notificação
(art.º 82.º, n.º 3 do CPT).

A expedição de carta precatória para inquirição de testemunhas só é


autorizada se o juiz se convencer de que a apresentação da testemunha pela
parte é economicamente incomportável e a diligência for necessária para o
esclarecimento da verdade e boa decisão da causa (art.º 17.º, n.º 1 da Lei 18/92 e
82.º, n.º 4 do CPT).

Por disposições conjugadas dos art.ºs 17.º a 19.º da Lei 18/92, resulta a
obrigatoriedade de comparência pessoal do autor e do réu à audiência de
julgamento, sujeitando-os as cominações ali previstas pelas faltas de comparência.

Assim, as notificações das partes para julgamento devem conter expressamente


aquelas cominações, podendo ser arguida a nulidade das mesmas, se tal não
acontecer, nos termos do art.º 201.º do CPC.

2.5 – Juiz Singular

A audiência de discussão de julgamento deve ser, sempre, precedida de uma


tentativa de conciliação das partes, presidida pelo juiz, como já atrás se disse
quando se aflorou a conciliação. Só deverá ser aberta a audiência se a tentativa de
conciliação se frustrar, como se colhe do n.º 9 do art.º 84.º do CPT e do art.º 20.º
da Lei 18/92.

A sentença é verbal, salvo nas situações previstas na lei. Se for proferida


verbalmente, constará da acta.

Da audiência de julgamento é lavrada acta, que é assinada pelo juiz e pelo


funcionário (art.ºs 84.º do CPT, 23.º da Lei 18/92, 157.º 164.º e 165.º, todos do CPC).
Os depoimentos só são reduzidos a escrito se o valor da acção ultrapassar a alçada
do tribunal por onde corre termos (art.º 84.º, n.º 4 do CPT).

37
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Se no decurso da audiência parecer indispensável ao juiz da causa a realização de


alguma diligência, suspenderá o julgamento e marcará logo data para a diligência,
devendo o julgamento concluir-se no prazo de quinze dias.

Se a diligência for de arbitramento, ela será efectuada por um único perito


art.º 84.º, n.º 3 do CPT.

As alegações são apenas orais, não havendo lugar a réplica e incidem tanto sobre a
matéria de facto como sobre a matéria de direito.

Não se aplica, pois, o disposto nos art.ºs 652.º, n.º 3, al. e), 653.º, n.º 6 e 657.º,
todos do CPC.

2.6 – Sentença

A sentença será imediatamente ditada para a acta, podendo ser lavrada no prazo
de três dias, se a complexidade das questões de direito o justificar (art.º 84.º,
n.º 2 do CPT).

Quanto a outras formalidades da sentença, vejam-se os art.ºs 68.º, n.º 2, 68.º, n.º 4,
69.º, 70.º, 71.º, 72.º, 73.º e 84.º do CPT.

Pela sua importância em processo de trabalho, chama-se a atenção para o art.º 71.º
do CPT se na sentença houver condenação em quantia certa, com a notificação
daquela há que advertir expressamente a parte condenada de que, no prazo de um
mês após o trânsito em julgado (se o juiz não fixar outro prazo) deve juntar ao
processo documento comprovativo da extinção da dívida.

Só assim e de certa maneira oficiosamente, se poderá instaurar a execução baseada


em sentença de condenação em quantia certa, a que se referem os art.º 92.º e
seguintes do CPT.

Quanto à notificação da sentença, primeiro notifica-se o representado e só depois o


representante e os prazos correm a partir da notificação do representante ou
patrono oficioso (art.ºs 33.º, 34.º do CPT e art.º 24.º da Lei 18/92).

38
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

3 – RECURSOS

Das decisões dos tribunais distritais cabe recurso para os tribunais provinciais.

Das decisões dos tribunais provinciais cabe recurso para o Tribunal Supremo,
segundo as regras de hierarquia.

Só admitem recurso ordinário as decisões proferidas em causas de valor superior à


alçada do tribunal de que se recorre – art.º 678.º, n.º 1 do CPC.

Das decisões dos tribunais distritais de trabalho cabe recurso para o tribunal
provincial desde que o valor da acção ultrapasse o valor fixado para as alçadas dos
tribunais de 2ª classe e 1ªclasse.

E das decisões proferidas nos tribunais provinciais pode caber recurso para o
Tribunal Supremo, dependendo do valor da acção.

Como já vimos, consente o art.º 13.º, n.º 2 da Lei 18/92, que quando não houver tribunal
distrital o processo corre no tribunal provincial com competência nesse distrito.

3.1 – Prazos de interposição

O prazo para interposição do recurso de agravo é de 10 dias (art.º 76.º, n.º 1 do


CPT) e para o de apelação é de 20 dias (art.º 76.º, n.º 2 do CPT).

(Quanto às decisões de que cabe recurso de apelação ou de agravo e uma vez que o CPT é
omisso, veja-se o que dispõem os art.ºs 691.º e 733.º do CPC).

3.2 – Modo de interposição

O requerimento em que a parte interpõe recurso deve conter as alegações (art.º


77.º, n.º 1 do CPT).

Junto o requerimento ao processo, a secretaria notifica oficiosamente, com cópia


do requerimento e as alegações, a parte contrária que dispõe de prazo igual ao da
interposição do recurso para contra-alegar, querendo (art.º 77.º, n.º 2 do CPT).

O processo só vai “concluso” ao juiz para admitir e mandar subir o recurso (se for
caso disso), após esgotado o prazo para o recorrido contra – alegar e se, entre
outras condições, tiver “sido dado cumprimento à legislação sobre custas”.

39
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Tal significa, que só depois de contado o processo e após o depósito das quantias
(custas) eventualmente devidas, é que o juiz deve proferir despacho a admitir e
mandar subir o recurso.

Porém, no caso do recurso ser de agravo, há que ter em atenção que, nos termos
do n.º 2 do art.º 78.º do CPT, o juiz tem de reapreciar a questão, podendo sustentar
ou reparar o agravo. Exceptuando os casos previstos no art.º 80.º do CPT, o regime
de subida do recurso de agravo é o de subida diferida.

3.3 – Interposição e efeitos dos recursos

Cabe recurso de apelação da sentença final e da decisão que conheçam do


mérito da causa.

A sentença ou a decisão sobre a procedência de qualquer excepção peremptória,


que seja o caso julgado, conhecem do mérito da causa (art.º 691.º, n.ºs 1 e 2.º do CPC).

O agravo cabe das decisões, susceptíveis de recurso, de que não pode apelar-se
(art.º 733.º do CPC).

O recurso de apelação tem efeito meramente devolutivo (não suspende o efeito da


sentença), sem necessidade de declaração.

O apelante pode, contudo, obter o efeito suspensivo se, no requerimento de


interposição de recurso, requerer a prestação de caução da importância em que foi
condenado, por meio de depósito efectivo no tribunal ou na instituição bancária
onde, por força da lei vigente, se fazem os depósitos judiciais, ou por meio de
fiança bancária (art.º 79.º, n.º 1 do CPT). Neste caso especial, apenas são admitidas
estas espécies de caução.

A caução deve mostrar-se prestada no prazo de 30 dias (art.º 79.º, n.º 2 do CPT).

Portanto, face a esta situação em que, ao interpor recurso de apelação, o recorrente


pretende obter o efeito suspensivo, para o que requer a prestação de caução,
deverá a secretaria, imediatamente após notificar a outra parte para contra–alegar,
abrir “conclusão” ao juiz para que este ordene prestação de caução, esse despacho
é notificado ao recorrente e recorrido.

Dado que a sentença só constitui título executivo depois do trânsito em julgado,


salvo se o recurso dela interposto tiver efeito meramente devolutivo, o credor que

40
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

pretenda requerer a execução de sentença deve aguardar sempre o prazo de trinta


dias, destinado à constituição da caução para efeito suspensivo pelo devedor.

Se a caução não for prestada, a sentença poderá ser, desde logo, executada, apesar
de ter sido interposto recurso (art.º 79.º, n.º 1 do CPT). Essa execução, porém, deve
suspender-se após a venda dos bens penhorados, se nessa altura ainda não estiver
transitado em julgado a sentença que foi objecto de recurso (art.ºs 47.º, n.ºs 2 e 3 e
890.º, n.º 5 do CPC).

Se a caução for prestada, é processada por apenso, seguindo os termos do CPC


(art.ºs 433.º e 435.º).

É desejável que o processo principal (no qual foi interposto o recurso) e o apenso
de prestação de caução sejam movimentados simultaneamente, de tal modo que,
quando no processo principal se abrir “conclusão” para o juiz admitir e mandar
subir o recurso, já no apenso de caução tenha transitado em julgado a decisão
proferida sobre a caução oferecida.

Só assim o juiz poderá fixar o efeito suspensivo.

4 – PROCESSO EXECUTIVO

No processo executivo laboral, diferentemente do processo civil comum, existem


apenas duas formas de execução: conforme se baseie em sentença de condenação
em quantia certa ou em qualquer outro título (art.º 48.º do CPT).

Quer isto dizer que o valor não é elemento determinativo da forma do processo,
apenas se atendendo à natureza do título executivo.

4.1 – Execução Baseada em Sentença de Condenação em Quantia Certa

Como já atrás se viu, nos termos do art.º 71.º do CPT, com a notificação da
sentença condenatória em quantia certa, a parte condenada será advertida de que
deve juntar ao processo documento comprovativo da extinção da dívida, nos
termos e para os efeitos do art.º 87.º do CPT.

Se decorrido o prazo de um mês, ou no prazo que o juiz tiver fixado na sentença, a


secretaria notifica oficiosamente o autor para, no prazo de oito dias, prorrogável
pelo juiz (o requerimento a pedir prorrogação de prazo até 8 dias, é junto ao

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

processo principal, após o que se abre “conclusão” ao juiz, o despacho que vier a
ser proferido é notificado ao requerente), nomear bens do devedor necessários
para solver a quantia exequenda e as custas, salvo se, entre outras hipóteses, o
devedor os houver já previamente nomeado (art.º 87.º, n.º 1, al.c) do CPT).

Face à notificação acima referida, pode o autor–credor tomar as seguintes atitudes:

A – N ada fazer.

B – Nomear bens à penhora no prazo de oito dias, que pode ser prorrogável pelo
juiz (art.º 88.º, n.º 1 do CPT).

C – Requerer a prorrogação daquele prazo (art.º 88.º, n.º 1 do CPT).

D – Requerer ao tribunal que proceda a averiguações no sentido de identificar bens


penhoráveis (art.º 88.º, n.º 2 CPT).

Os requerimentos a que aludem os pontos B e D dão inicio à execução, sendo


autuados por apenso (art.º 87.º n.º 3 CPT).

Se se verificar a situação referida em C, o respectivo requerimento é junto ao


processo e abre-se “conclusão” ao juiz, notificando-se o autor do despacho
proferido.

No caso referido em A há que distinguir se se trata de direitos renunciáveis ou


irrenunciáveis (idêntico destino terá o processo no caso de o autor não requerer ao
tribunal a identificação de bens do devedor nos termos do n.º2 do art.º 88.º
do CPT):

– tratando-se de direitos renunciáveis, o processo arquiva-se e a execução só


seguirá a requerimento do autor, nomeando bens à penhora;
– tratando-se de direitos irrenunciáveis, o tribunal, oficiosamente, procede
a averiguações no sentido de identificar bens à penhorar; se estes não
forem encontrados, é notificado o autor/credor, o processo arquiva-se, sem
prejuízo de poder continuar logo que sejam conhecidos bens e desde que não
tenha decorrido o prazo de prescrição (art.º 88.º, n.º 4 do CPT) a observar
pelo juiz.

Nesta última situação, o tribunal substitui-se à parte, não tendo a inércia do autor
credor qualquer influência na vida da acção executiva, que será instaurada
oficiosamente pelo tribunal, caso sejam encontrados bens penhoráveis.

42
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Não haverá nesta situação, lugar a preparos, não devendo também o processo ser
remetido à conta, nos termos do art.º 74.º do CCJ mesmo que esteja parado mais
de dois meses, já que não é o autor credor que cabe o impulso processual.

O despacho que ordena a penhora é notificado ao executado (nos termos do n.º 3


do art.º 32.º do CPT) após a penhora, que dispõe do prazo de cinco dias para
deduzir oposição por embargos, nos termos do disposto no n.º 2 do referido art.º
89.º do CPT podendo alegar quaisquer circunstâncias que infirmem a penhora ou
algum dos fundamentos de oposição à execução baseada em sentença, previstos
no art.º 813.º do CPC.

Os embargos de executado são autuados por apenso à execução (art.º 817.º, n.º 1
do CPC).

Note-se que a figura “oposição” de que fala o art. 94º do CPT reveste-se de uma
amplitude maior do que a figura de “embargos de executado” do processo civil
comum, uma vez que ela engloba não apenas os fundamentos de oposição à
execução baseada em sentença previstas no art.º 813.º do CPC, mas, também,
circunstâncias que infirmam a penhora, designadamente se ela incidir sobre bens
que não podem ser penhorados (art.º 822.ºs e 823.º do CPC).

Com os embargos são devidos preparos iniciais. Autuados os embargos e


depositado o preparo inicial, o processo é “concluso” ao juiz que ordena a
notificação do exequente, (se não houver lugar a indeferimento liminar) que pode
responder no prazo de cinco dias.

Seguidamente, o processo é “concluso” ao juiz que, após a realização das


diligências de prova que considere necessárias, conhecerá da oposição
(art.º 89.º, n.ºs 3, 4 e 5 do CPT), seguindo-se os demais termos de execução
previstos no CPC (art.ºs 801.º e 923.º do CPC), sem prejuízo da suspensão
da instância para pagamento em prestações da quantia exequenda prevista no
art.º 96.º do CPT.

Só é lícito penhorar bens que já estejam penhorados noutra execução, se ao


devedor não forem conhecidos outros bens de valor suficiente para liquidar a
quantia exequenda e as custas (art.º 91.º, n.º 1 do CPT).

No caso de a penhora recair sobre bens já penhorados noutro tribunal, há que


distinguir duas situações:

43
Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

A – Bens já penhorados por outro tribunal de trabalho:

Neste caso faz-se a penhora nos mesmos bens e, oficiosamente, comunica-se o


facto ao tribunal que penhorou em primeiro lugar. Em seguida, abre-se
“conclusão” para o juiz suspender a execução (art.º 92.º, n.º 1 do CPT).

Por sua vez, o tribunal que penhorou em primeiro lugar, face à notificação
recebida, terá de ter em atenção que, do produto da venda dos bens ali
penhorados, saem logo as custas do respectivo processo.

Com o excedente só será pago o exequente se no tribunal que ordenou a segunda


penhora, não houver já créditos a satisfazer; se os houver, pagar-se-á conjunta e
rateadamente, se necessário.

De qualquer modo, no processo que penhorou em primeiro lugar e no qual foi


feita a venda, só poderá ser pago o exequente depois de recebida do tribunal que
ordenou a segunda penhora nota dos créditos verificados e das custas em dívida
(art.º 92.º, n.ºs 2 e 3 do CPT).

B – Bens já penhorados por outro tribunal que não do trabalho:

Neste caso, aplica-se o disposto no art.º 871.º do CPT, cabendo ao exequente e não
ao tribunal, efectuar as diligências previstas nos n.º 1 e 2 daquela disposição legal.

Não esquecer que a antiguidade da penhora de bens imóveis ou móveis sujeitos a


registo se afere pela data do registo da penhora na conservatória e não pela data
em que foi lavrado o auto de penhora (art.º 871.º, n.º1 do CPC).

Numa execução por quantia certa em que se mostrem pagas a quantia exequenda,
ainda que em prestações, e as custas, o processo é “concluso” para sentença de
extinção da execução.

Existem execuções em que, dependendo do valor, é dispensada a publicação de


anúncios (art.º 94.º do CPT).

4.2 – Execução Baseada Noutros Títulos

Às execuções baseadas em título diverso de sentença de condenação em quantia


certa aplicam-se as normas do processo comum de execução para pagamento de
quantia certa, entrega de coisa certa ou prestação de um facto, previstas nos art.ºs

44
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

924.º e seguintes do CPC, mas sempre na forma sumária, aplicando-se embora o


disposto no art.º 89.º do CPT relativamente aos embargos de executado (art.º 95.º,
n.ºs 1 e 2 do CPT).

5 – PROCESSOS ESPECIAIS

5.1 – Processos emergentes de acidentes de trabalho e de doenças

5.1.1 – Tramitação

Na tramitação dos processos emergentes de acidente de trabalho ou de doença


profissional, há que recorrer frequentemente, além da lei 18/92 e do Código
Processo Civil, ao Diploma Legislativo n.º 1706, de 19/10/1957 (que estabelece o
regime jurídico dos acidentes de trabalho e doença profissional) Lei 8/98, de 20/7
(Lei do Trabalho). Os processos emergentes de acidente de trabalho e de doenças
profissionais, em princípio correm oficiosamente, iniciando-se a instância com o
recebimento da participação (art.ºs 36.º e 97.º do CPT).

As participações e papéis para início deste processo são obrigatoriamente


apresentados ao Ministério Público (art.º 30.º do CPT) e correm oficiosamente,
porque não dependem do impulso do sinistrado, designadamente no caso de
participação ao tribunal.

Em processo de acidente de trabalho e de doença profissional – por ventura de


maneira mais flagrante que nos restantes processo laborais – o princípio dispositivo,
consagrado no art.º 35.º do CPT e segundo o qual a iniciativa do impulso
processual incumbe às partes, encontra-se fortemente mitigado, dado o carácter de
interesse e ordem pública de que se revestem as leis de protecção ao trabalhador.

Daí o facto de as acções desta natureza correrem oficiosamente, como vimos, não
estando a iniciativa e o impulso processuais condicionados pela vontade das partes.

A ocorrência de acidentes de trabalho ou doenças profissionais e as respectivas


consequências devem ser participadas por escrito e apresentadas ao M.ºP.º, nos
seguintes prazos:

Nas 48 horas seguintes à ocorrência do acidente ou ao aparecimento de lesão ou


manifestação de doença, o sinistrado ou alguém por si, deve informar a entidade
patronal, que, se não tiver transferido a responsabilidade para uma seguradora,
nos dois dias seguintes deverá remeter a respectiva participação para o tribunal.

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Se o sinistrado não tiver informado a entidade patronal, o prazo para esta


participar o acidente ou a doença ao tribunal é de quatro dias a contar da data do
conhecimento do facto determinante. Mas, se do acidente ou da doença
profissional, tiver resultado a morte ou a incapacidade permanente do
trabalhador, o prazo para enviar a participação é de oito dias, a contar da data da
morte ou da alta.

Exceptuado o caso de morte, a participação é enviada em duplicado,


acompanhada de boletim de exame médico, passado pelo médico assistente.

Cabe referir que o boletim de alta deve ser remetido ao tribunal, no prazo de três
dias, a contar da alta ou se o sinistrado estiver a cargo de uma seguradora, até ao
exame médico a realizar na fase conciliatória, ou ainda sob requisição do juiz (art.º
155.º da Lei 8/98, de 20/7, e art.ºs, 11.º a 35.º do Diploma Legislativo 1706, de
19/10/1957).

Da participação devem constar todos os elementos de identidade da vítima e dos


responsáveis, a natureza do acidente e os ferimentos, o local, o dia e a hora em que
ocorreu, etc..

Quando a participação for feita por uma entidade seguradora, deve ser
acompanhada de toda a documentação clínica e nosológica (respeitante a doenças)
disponível, de cópia da apólice e seus adicionais em vigor, bem como da folha de
salários dos mês anterior ao acidente e nota discriminativa das incapacidades,
internamentos e indemnizações pagas desde o acidente.

CONCEITO DE ACIDENTE DE TRABALHO – art.º 153.º da Lei 8/98, 20/7


CONCEITO DE DOENÇA PROFISSIONAL – art.º 157.º da Lei 8/98 de 20/7

5.1.2 – Fase Conciliatória

Os processos de acidente de trabalho iniciam-se por uma fase conciliatória,


dirigida pelo Ministério Público, e têm por base a participação do acidente (art.ºs
30.º, 36.º e 97.º do CPT).

Se o sinistrado e/ou entidade responsável não chegarem a acordo, tem lugar a fase
de contencioso, que adiante trataremos.

A fase conciliatória, de natureza essencialmente administrativa, é dirigida pelo


MºPº, como já foi dito. Este funciona aqui como órgão auxiliar de justiça e não
como patrono do sinistrado.

46
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Porém, só ao juiz cabe homologar o acordo que eventualmente resulte da tentativa


de conciliação, conhecer de qualquer excepção suscitada no decurso desta fase ou
proferir qualquer despacho que ponha termo ao processo.

O M.ºP.º, depois de reunir no processo todos os elementos de natureza


administrativa (participação do acidente, documentação clínica do sinistrado, nota
discriminativa das incapacidades e indemnizações pagas, apólice de seguro e seus
adicionais) e depois de efectuado o exame médico a que se refere o art.º 103.º do
CPT (nos sinistros não mortais), preside a uma tentativa de conciliação, na qual
promove o acordo das partes de harmonia com os direitos consignados na
legislação em vigor (art.ºs 105.º e 106.º do CPT).

Recebida a participação abre-se de imediato “vista” ao M.ºP.º, uma vez que não
há lugar a preparo inicial, por os sinistrados e seus familiares estarem isentos de
custas (art.º 2.º, al. b) do Código das Custas Judiciais Trabalho).

O M.ºP.º, depois de estarem juntos aos autos todos os elementos que considere
necessários, como já vimos, procede às diligências a que se referem os art.ºs 98.º a
102.º do CPT, tendo em atenção as seguintes situações:

A – Se do acidente resultou a morte do acidentado ou doente, (art.º 98.º do CPT),


o M.ºP.º diligenciará no sentido de requisitar a autópsia ou o respectivo
relatório, se for caso disso, ordenando as diligências necessárias à determinação
dos beneficiários legais do sinistrado ou doente e requisitando ainda às
respectivas Conservatórias certidão de óbito do sinistrado e certidões compro-
vativas do parentesco dos beneficiários com a vítima (os beneficiários legais são
os familiares referidos no art.º 38.º do Diploma legislativo 1706 de 19/10/1957).

Instruídos os autos com esses elementos, o M.ºP.º designa data para tentativa
de conciliação.

Se não forem encontrados beneficiários legais, procede-se à citação edital, por


incerteza de pessoas, e, se nenhum comparecer, o processo é arquivado.

Este arquivamento é provisório durante o prazo da prescrição (12 meses – art.º


165.º da Lei 8/98, de 20/7), podendo o processo ser reaberto durante esse prazo
se aparecer algum beneficiário legal.

B – Se do acidente ou doença resultou uma incapacidade permanente, o M.ºP.º


designa logo dia para exame médico, seguido de tentativa de conciliação, (art.º
99.º do CPT).

Em caso de urgência, procede-se imediatamente ao exame médico.

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

C – Se o sinistrado ou doente se encontrar numa das situações previstas no art.º


100.º do CPT (o que na prática não é muito frequente), o M.ºP.º ordenará a
realização de exame médico, seguido de tentativa de conciliação, nos termos
do art.º 107.º do CPT no sentido de se conseguir um acordo provisório.

5.1.3 – Exame médico

Os requisitos e formalismo do exame médico vêm referidos nos art.ºs 103.º e


104.º do CPT.

Vejamos alguns:

– É presidido pelo M.ºP.º e realizado pelo perito médico do tribunal.


– É secreto, isto é, a ele apenas podem assistir, além do M.ºP.º, o oficial de justiça;
– O M.ºP.º pode formular quesitos, se o resultado do exame lhe oferecer dúvidas;
– O perito médico deve indicar no auto o resultado da sua observação e do
interrogatório do sinistrado e, em face desses elementos e dos constantes do
processo, deve fazer a descrição das lesões, indicando a natureza da incapacidade
e o grau de desvalorização correspondente, ainda que provisoriamente, se
necessário (art.º 104.º, n.º 1 do CPT).
– O perito médico pode reconhecer que, por si só, não pode definir com rigor a
situação clínica do sinistrado, necessitando, para esse efeito, de elementos
auxiliares de diagnóstico ou de pareceres especializados, que serão requisitados,
nos termos do art.º 103.º, n.º 2 do CPT, aos serviços de saúde da área do tribunal.

Juntos esses elementos ou pareceres aos autos, o M.ºP.º designará nova data para
exame médico seguido de tentativa de conciliação.

Findo o exame médico, o seu resultado será logo notificado ao sinistrado e às


pessoas convocadas para a tentativa de conciliação (art.º 103.º, n.º 4 do CPT) que
assim ficam com o conhecimento exacto do que vão discutir na subsequente
tentativa de conciliação.

5.1.4 – Tentativa de Conciliação

Em processo de acidente de trabalho, a tentativa de conciliação é acto de grande


importância, uma vez que é nela que têm de ficar inequivocamente definidos todos
elementos indispensáveis à atribuição ou não de uma indemnização ou pensão ao
sinistrado ou doente (ou aos seus beneficiários legais, em caso de morte).

48
Jurisdição Administrativa e do Trabalho

A tentativa de conciliação é presidida pelo M.ºP.º e nela intervêm, além do


sinistrado (ou dos seus beneficiários legais, em caso de morte), as entidades
patronais seguradoras (art.º 105.º, n.º 1 do CPT).

A não comparência injustificada das partes que tiverem sido notificadas para
comparecer a qualquer acto fá-las incorrer em multa (art.º 134.º, n.º 1 do CPT).

O objectivo da tentativa de conciliação é conseguir o acordo entre as partes, pela


atribuição, pela entidade patronal ou seguradora, de uma indemnização e/ou
pensão ao sinistrado ou aos seus beneficiários (art.º 106.º do CPT).

O M.ºP.º tentará o acordo face aos elementos constantes do processo


(designadamente o resultado do exame médico) e de harmonia com os direitos
consignados na legislação em vigor (art.º 106.º do CPT).

Note-se que, em processo de acidente de trabalho, estamos face a direitos


indisponíveis, pelo que não tem sobre eles eficácia a vontade das partes. Não
pode, pois, e como exemplo, um sinistrado conciliar-se com base num salário
inferior ao que foi apurado nos autos.

O conteúdo do auto de tentativa de conciliação vem referido nos art.ºs 108.º e 109.º
do CPT, distinguindo o legislador a situação em que há acordo (art.º 109.º do CPT).

Pode mesmo dizer-se que há uma maior exigência na elaboração dos autos de
conciliação frustrada, uma vez que nele deverão ficar expressamente consignados
todos os factos sobre os quais tenha ou não havido acordo (art.º 109.º, n.º 1 do
CPT) e que são os seguintes:

– Existência e caracterização do acidente ou doença;


– Descrição da lesão ou doença;
– Nexo de causalidade entre o acidente e as lesões ou doença;
– Retribuição do sinistrado ou doente; o que recebe com regularidade (Se não
houver acordo sobre a retribuição, o M.ºP.º designa nova data para tentativa de
conciliação e convoca, também, a entidade patronal. (v. art.º 105.º, n.º 2 do CPT).
– Entidade responsável por eventuais pagamentos (indemnizações, pensões, etc., e
– Grau e natureza da incapacidade (ITP, ITA, IPP , IPA).

Assim, não se tendo as partes conciliado, na fase contenciosa que se segue, só se


discutirão as questões acerca das quais não foi obtido acordo, não podendo as
outras ser objecto de discussão, considerando-se definitivamente assentes (art.º
129.º, n.º 1 do CPT).

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Caso tenha havido acordo, será o mesmo submetido imediatamente ao juiz que o
homologará (art.º 111.º, n.º 1 do CPT). Neste caso o acordo produz efeito desde a
data da sua realização (art.º 112.º, n.º 1 do CPT).

Se o acordo não for homologado, o agente do M.ºP.º tentará imediatamente a


celebração de novo acordo para substituir aquele cuja homologação foi recusada
(art.º 112.º, n.º 2 do CPT) e em que terá em atenção os motivos da não homologação.

(Chama-se a atenção para o facto de a homologação do acordo não ter que ser
notificada às partes, uma vez que o art.º 112.º, n.º 3 do CPT apenas exige que elas
sejam notificadas da não homologação).

5.1.5 – Fase Contenciosa

Se não houver acordo quanto a um ou mais factos referidos no n.º 1 do art.º 109.º, e
110.º do CPT, poderá ter lugar a fase contenciosa, que é presidida pelo juiz, e tem
por base a petição inicial.

Não sendo o acordo alcançado ou não sendo homologado (pelo juiz), o M.ºP.º
assume imediatamente o patrocínio oficioso (Se tiver motivo para recusar o
patrocínio, o M.ºP.º notifica os interessados, que, no prazo de vinte dias, pode
reclamar hierarquicamente. Até à notificação do despacho proferido pelo superior
hierárquico não corre o prazo para a propositura da acção – art.ºs 9.º e 10.º do
CPT), do sinistrado ou dos seus beneficiários legais (em caso de morte) e apresenta
a petição inicial no prazo de quinze dias, a contar da frustrada tentativa de
conciliação (art.º 109.º do CPT) ou da notificação da não homologação do acordo
(art.º 112.º, n.º 3 do CPT) – art.ºs 110.º, 115.º e 117.º, n.º1 do CPT.

O prazo para apresentação da petição inicial pode ser prorrogado pelo juiz por
igual período, a pedido do magistrado do M.ºP.º para recolha dos elementos
necessários à propositura da acção.

Se, decorrido o prazo de 15 dias e acção não for proposta, o processo é “concluso”
ao juiz, para suspender a instância, podendo o M.ºP.º propor a acção logo que
reúna os elementos para ela necessários – art.º 117.º do CPT.

Valor:
Na petição inicial, além de formular o pedido principal, o autor requererá a
fixação de incapacidade para o trabalho e/ou determinação da entidade
responsável – art.º 115.º do CPT.

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Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Nesta fase (contenciosa), havendo várias questões, o juiz, no despacho saneador,


consignará assentes as questões sobre as quais tenha havido acordo na tentativa de
conciliação (na fase conciliatória) e nos articulados, ordenará, o desdobramento do
processo em função do que tiver sido requerido pelas partes (art.ºs 129.º, n.º1,
130.º, 109.º, n.º 1, 116.º do CPT, 510.º do CPC).

Assim, poderá ser ordenado o desdobramento do processo em três partes, a saber:

– Processo principal, em que se decide todas as questões que não devam ser
resolvidas nos apensos que resultarem do desdobramento.
Este processo segue nos mesmos autos em que tiver sido processado a fase
conciliatória (art.ºs 116.º, al. a), e 124.º a 135.º do CPT).
– Apenso de fixação de incapacidade para o trabalho (art.º 116.º, al. b) e 136.º
do CPT).
– Apenso para determinação da entidade responsável (art.º 116.º, al. c) e 137.º
do CPT).

A fixação da incapacidade para o trabalho corre no processo principal quando a


fixação tiver sido fixada provisoriamente (art.ºs 104.º, n.º 2, 107.º,119.º e 120.º, n.º 3
do CPT) ou se a fixação for o único ponto de discórdia na tentativa de conciliação
(art.º 105.º, 109.º e 130.º, n.º 1, al. b) do CPT).

Nas demais situações, corre por apenso ao processo principal – art.ºs 116.º e 130.º,
n.º 1, als. a) e c) do CPT.

A “determinação da actividade responsável “ seguirá no processo principal se for


a única questão a resolver – art.º 130.º, n.º 1, al. c) do CPT.

Sendo várias as questões a decidir, a resolução terá lugar respectivamente, no


processo principal e em cada um dos dois apensos, podendo ainda o juiz ordenar
que corra por apenso, qualquer outro incidente (art.º 130.º, n.º 1, al. a) e n.º 2 do CPT).

6 – PROCESSO PRINCIPAL

6.1 – Petição Inicial

Junta a petição inicial aos autos, e uma vez que não há lugar a preparo, dada a
isenção pessoal de custas de que goza o sinistrado, abre-se “conclusão” ao juiz, que
ordenará a citação do réu para contestar, no prazo de dez dias (art.º 126.º do CPT).

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

Na contestação pode o réu requerer exame por junta médica, se discordar da


incapacidade atribuída pelo perito na fase conciliatória (art.ºs 104.º, 109.º e 127.º, al.
a) do CPT); pode ainda imputar a outra entidade a responsabilidade pelas
consequências do acidente ou causas da doença e, em face desta situação, o juiz
ordenará a citação do apontado responsável que poderá contestar também no
prazo de dez dias (art.º 127.º, n.º 1, al. b) do CPT).

Se a única questão a decidir for a determinação da entidade responsável (corre no


processo principal), ao autor e cada um dos réus é entregue cópia da contestação
dos outros réus, podendo cada um responder no prazo de cinco dias (art.º 132.º,
n.º 1 do CPT).

A falta de contestação do réu tem como consequência a sua condenação no pedido


(cominação plena).

Se forem citados vários réus e nenhum contestar, serão condenados solidariamente


no pedido (art.º 128.º do CPT).

Se forem citados vários réus e algum contestar, essa contestação aproveita a todos
os réus (art.º 128.º, n.º 2 do CPT), pelo que a acção prosseguirá quanto a todos eles,
quer tenham contestado, quer não.

Junta a contestação aos autos e após o pagamento do preparo inicial devido pelo
réu, o processo é “concluso” ao juiz para proferir despacho saneador, nos termos
do art.º 129.º, n.º 1 do CPT.

Há sempre lugar a despacho saneador em processo emergente de acidente de trabalho.

Nele será organizada a especificação (mas não o questionário), na qual o juiz considerará
assentes os factos sobre os quais tenha havido acordo na tentativa de conciliação e
nos articulados e ordenará o desdobramento, se for caso disso em processo principal e
dois apensos seguindo-se, depois, os termos do processo declarativo, sumário.

Findo o processo principal, a sentença só será proferida depois de findos os


apensos, art.ºs 133.º, 136.º, n.º 4, 137.º e 121.º, n.º 4 todos do CPT.

6.2 – Fixação de incapacidade para o trabalho exame por junta médica

Se houver discordância entre as partes quanto à questão da incapacidade atribuída


ao sinistrado pelo perito médico na fase conciliatória do processo, haverá lugar a
exame por junta médica, se este for requerido (pelo autor na petição inicial ou pelo
réu na contestação).

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Jurisdição Administrativa e do Trabalho

O exame é presidido pelo juiz, sendo a junta constituída por três peritos médicos:
um pelo tribunal, outro pelo sinistrado e outro pela entidade responsável (art.º
136.º, n.º1 do CPT).

O perito do tribunal será nomeado pelo juiz no despacho em que designar data
para a junta médica, sendo a nomeação dos peritos apresentados pelas partes feita
imediatamente antes da diligência (art.º 136.º, n.º 3 do CPT).

Se o exame médico efectuado na fase conciliatória tiver exigido pareceres especializados,


na junta intervirão, pelo menos, dois médicos dessa especialidade (art.º 136.º, n.º 2 CPT).

Finda a junta médica, o processo vai “concluso” ao juiz (que não está vinculado ao
resultado do exame), que poderá, se assim o entender, solicitar os pareceres
complementares que considere necessários à rigorosa definição da situação clínica
do sinistrado.

Proferirá então decisão, fixando definitivamente a natureza e o grau de desvalorização


do sinistrado, sem prejuízo de essa fixação poder ser modificada em sede de
incidente de revisão de incapacidade (art.ºs 136.º, n.ºs 4 e 5, e 142.º a 144.º do CPT).

A decisão proferida é notificada às partes.

Fixação da entidade responsável – art.º 137.º do CPT.

Aberto o apenso, são notificados o autor e réus (os apontados responsáveis pelos
primitivos réus), com entrega de cópia das contestações dos outros réus, para,
querendo, responderem, no prazo de cinco dias. Este apenso não suspende o
andamento do processo principal. Depois dos articulados este processo segue os
termos do processo sumário (art.º 137.º, n.º 3 do CPT).

Fixada a entidade responsável, logo que seja proferida sentença condenatória no


processo principal, o juiz, independentemente da pendência de outras questões,
profere decisão a transferir para esta entidade a responsabilidade de pagamento
da pensão ou indemnização (art.º 120.º, n.º 4, e 121.º a 123.º do CPT).

6.3 – Incidentes Típicos do Processo de Acidente de Trabalho

Os incidentes mais frequentes neste processo são os seguintes:

– Reforma do pedido em caso de falecimento do autor;


– Incidente de revisão da incapacidade, por apenso ao processo principal (art.ºs
142.º a 144.º do CPT)

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Projecto Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Judiciários – Programa PIR PALOP II

– Incidente da remição da pensão; (no processo principal art.ºs 145.º a 149.º


do CPT)
– Incidente de prescrição ou caducidade do direito de pensão (por apenso – (art.ºs
150.º a 152.º do CPT).

INCIDENTE DE REVISÃO DA INCAPACIDADE OU DA PENSÃO

Se se verificar modificação na incapacidade da vítima face a alteração das


lesões resultantes do acidente ou doença, poderá ser requerida, por qualquer
das partes, a revisão da incapacidade, no caso de incapacidade permanente,
poderá fazê-lo desde que, sobre a data da fixação da pensão ou da última
revisão tenha decorrido mais de seis meses e menos de cinco anos (art.º 163.º,
n.º 3 da Lei 8/98).

Admitido o requerimento, que é dirigido ao juiz, este designa dia para exame
médico, pelo perito do tribunal, e preside à diligência (art.º 142.º, n.º 1 do CPT).

Findo e exame, o seu resultado é logo notificado ao sinistrado ou doente e à


entidade responsável pela pensão (art.º 142.º, n.º 2 do CPT).

Qualquer das partes que se não conforme com o resultado do exame médico pode,
no prazo de cinco dias, requerer exame por junta médica, nos termos do art.º 136.º
do CPT.

Se nenhuma das partes o requerer, pode o juiz ordenar a sua realização, se tal lhe
parecer indispensável para a boa decisão da causa (art.º 142.º, n.º 3 do CPT).

Se houver lugar a exame por junta médica, ele seguirá a tramitação e formalidades
constantes do art.º 136.º do CPT que já atrás vimos.

Logo que a situação clínica do sinistrado ou doente esteja definida, o juiz decide
o incidente, mantendo, aumentando ou reduzindo a pensão, ou declarando
extinta a obrigação de pagar, consoante o resultado do exame de revisão
tenha ou não modificado a incapacidade anteriormente atribuída (art.º 142.º,
n.º 4 do CPT).

Note-se que, no incidente de revisão, a única questão que está em causa é a de


incapacidade, encontrando-se todas as outras fixadas e sendo insusceptíveis de
alteração.

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Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Assim, são irrelevantes as eventuais modificações ocorridas no salário do


sinistrado ou doente bem como no montante do salário mínimo nacional, desde a
data da fixação da pensão.

Nestes termos, se o resultado do exame médico de revisão traduzir uma alteração


da incapacidade anteriormente fixada, o montante da pensão devida será alterado
numa proporção directa, bastando efectuar, para tal, uma regra de três simples.

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Jurisdição Administrativa e do Trabalho

Bibliografia

PROCESSO ADMINISTRATIVO

Código de Processo dos Tribunais Administrativos e Legislação Complementar


Texto da Lei – Almeida & Leitão – 2003.

PROCESSO TRABALHO

Alberto Leite Ferreira, Código de Processo do Trabalho, Coimbra Editora, 4ª Edição, 1996.

Augusto Petrony, Código de Processo do Trabalho, Livraria Petrony, 1992.

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