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(H)À OUTRA MARGEM

O Equipamento como Elemento Referencial da Cidade | Barreiro-Alburrica

Francisco Daniel Teixeira Dias


(Licenciado)

Proposta de Projecto Final de Mestrado para a obtenção do Grau de Mestre em Arquitectura

Orientação Científica:

Professor Doutor Miguel Calado Baptista-Bastos

Professor Doutor José Luís Mourato Crespo

Lisboa, FA ULisboa, Dezembro 2016


Índice

Tema | Subtema | Título | Subtítulo 2


1.Introdução 2
2.Objectivos | Questões de Trabalho | Hipóteses 5
3.Estado dos Conhecimentos 7
4.Metodologia | Calendarização 22
5.Plano do Projecto Final de Mestrado 26
6.Bibliografia 28

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Tema: REQUALIFICAÇÃO DE VAZIOS URBANOS
Subtema: Reaproveitamento de terrenos expectantes para a qualificação do espaço nas cidades
Título: (H)À OUTRA MARGEM
Subtítulo: O Equipamento como Elemento Referencial da Cidade | Barreiro-Alburrica

1. Introdução
O rio Tejo separa a Área Metropolitana de Lisboa entre Norte e Sul. A norte há uma cidade de denso
edificado, de inúmeros símbolos capazes de nos localizar e orientar. A Sul, uma planície de perder a
vista, onde não se identificam instantaneamente as suas cidades e símbolos constituintes, tal como o
Barreiro. É a partir desta ideia pessoal que se pretende chegar à questão à qual este trabalho
procura responder.

A presente proposta de tema para o trabalho de projecto final pretende dar continuidade ao trabalho
desenvolvido na unidade curricular de Laboratório de Projecto VI, tendo como área de estudo a
cidade do Barreiro. Toma-se como ponto inicial, a situação actual da frente ribeirinha do Barreiro,
desde o aterro, passando pelos silos da Quimigal, pela estrutura natural da Alburrica até ao terminal
Rodo-Ferro-Fluvial do Barreiro, sendo caracterizada por grandes estruturas industriais inactivas, uma
frente de rua constituída por edifícios habitacionais devolutos, um vasto património industrial
corticeiro na Alburrica em conjunto com os moinhos de vento e maré, favorecida em todas as suas
partes pela vista sempre presente de Lisboa. Este é um arco ribeirinho que se encontra
descontinuado nas suas partes, dificultando assim as acessibilidades na cidade e a relação da
cidade com o rio. Desta forma será importante pensar na requalificação de toda esta área, de um
desenho urbano que possa conectar as diferentes áreas constituintes da margem ribeirinha,
promovendo a requalificação do património industrial presente e do espaço público, a diversidade de
usos, a acessibilidade no Barreiro, entre Lisboa e Barreiro e entre Barreiro e as cidades envolventes
da margem Sul (Seixal, Montijo, Almada).

Localização e relação da cidade do Barreiro face à cidade de Lisboa (Montagem feita através de imagens do Google) 1km

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Pretende-se a realização de um desenho urbano que irá incidir na zona da Alburrica, que possa vir a
requalificar toda a estrutura natural, preservando-a, e simultaneamente devolvendo-a à cidade de
uma forma controlada. Para tal é importante pensar no património industrial existente como a Quinta
do Braamcamp e todos os moinhos de maré e vento, e na sua possível reabilitação e reutilização
assim como em todas as construções piscatórias clandestinas que se foram acumulando ao longo do
tempo mas que acabaram por dar um novo significado ao que a Alburrica é actualmente. Hoje, todos
estes edifícios se encontram em elevado nível de degradação e apesar da zona da Alburrica ter
grandes áreas permeáveis, estas não se encontram devidamente qualificadas, podendo a sua
reconversão ser uma mudança significativa na forma como se vive no Barreiro. Como principais
premissas pretende-se, primeiro, que o desenho de projecto de um equipamento venha a servir
como um marco identitário no Barreiro, uma referência tanto para as pessoas que lá vivem, para os
que pela cidade passam, e para aqueles que observam a cidade de longe. Assim, espera-se que a
intervenção venha dar um novo significado tanto à Alburrica, como à cidade do Barreiro e ao Rio
Tejo. Como segunda premissa, espera-se que a reabilitação de uma estrutura natural como a da
Alburrica possa estimular a relação com o ambiente e com o rio Tejo. Pretende-se ainda que a
utilização do equipamento seja pertinente à cidade, e que funcione de um modo que possa abranger
uma população multigeracional, contribuindo dessa forma para a dinamização da cultura, do
desporto e da história da cidade.

Imagem aérea do Barreiro e localização da Alburrica (Montagem feita através de imagens do Google)
500m

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Desta forma chega-se às seguintes Questões de Partida:

Poderá o desenho de um equipamento, como um elemento identitário e referencial da cidade,


contribuir de forma significativa para o modo como se percepciona, se vive e se interpreta a
mesma?

Pode a reabilitação de um estrutura Natural promover um processo de requalificação e


revitalização da área da Alburrica e estimular a relação com o ambiente, com o rio Tejo, e com
a história do Barreiro?

De que forma um edifício multifuncional (cultural e desportivo) pode influenciar e requalificar


a cidade?

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2. Objectivos, Questões de Trabalho e Hipóteses

No trabalho a desenvolver pretende-se atingir os objectivos que abaixo se assinalam. Os Objectivos


estão divididos em gerais (OG) e específicos (OE). A partir das suas caracterizações enumeraram-se
paralelamente as Questões de Trabalho (QT) apresentadas e como resposta provisória às questões
de partida e às questões de trabalho, apontam-se as Hipóteses (H).

OG1 -Compreender a Imagem da Cidade, vista de determinados pontos: do rio Tejo, do Barreiro, de
Lisboa.

OE1 -Referenciar o Barreiro no espaço, através das vistas de determinados pontos.

QT1 -Criar pontos referenciais e identitários na margem ribeirinha do Barreiro.

H1 -A introdução de um elemento referencial na cidade poderá servir como ponto de orientação e


referência para quem vive na mesma e para quem a observa de outros pontos mais longínquos, de
Lisboa ou do rio Tejo.

OG2 -Reabilitar, Preservar, Reconverter e Requalificar a estrutura natural da Alburrica, valorizando o


Património Industrial como importante Memória da Cidade e devolvendo o Rio à Cidade e às
pessoas.

OE2 -Conectar as diferentes partes da margem ribeirinha do Barreiro, promovendo melhores


acessibilidades na margem ribeirinha, entre o Barreiro Antigo e o resto da cidade, potenciando a
relação da Cidade com o rio Tejo interpretando os Vazios Urbanos como importante Memória da
cidade e como elementos potenciadores do espaço na Cidade.

OE2 -Preservar e Requalificar a Estrutura Natural da Alburrica e Reabilitar e Reactivar o Património


Industrial e Corticeiro.

QT2 – A preservação e requalificação da estrutura natural da Alburrica passaria pela preservação e


restruturação do espaço permeável existente de forma a promover a estrutura natural da cidade e
pela reutilização dos espaços expectantes de forma a promover novas interacções na cidade. A
reabilitação e reactivação do património industrial e corticeiro passaria pela reabilitação de edifícios
industriais dando-lhes um novo uso, de forma a promover a cidade e a sua Memória, pela
requalificação e reabilitação dos vários moinhos de maré e de vento existentes nesta área.

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H2 -A reabilitação e reutilização do edificado industrial poderá introduzir novas actividades e funções
na cidade, promovendo a memória da mesma. A reabilitação dos moinhos de maré e vento iria
promover a relação da cidade com a zona da Alburrica, contribuindo para a valorização da estrutural
ambiental da cidade, da relação da cidade com o rio, e com a paisagem envolvente. Ao preservar e
requalificar a estrutura natural, criando novas oportunidades e vivências na Alburrica, e ao reactivar e
reabilitar o património industrial seria aumentada a permeabilidade e transposições entre a cidade e
o rio, criando mais espaços de permanência e favorecendo os sistemas de vistas, assim como se
melhorariam as acessibilidades, acabando por conectar as diferentes áreas da margem ribeirinha do
Barreiro, devolvendo assim a Alburrica à cidade. A reutilização e apropriação dos vazios urbanos da
cidade, poder vir a introduzir novas dinâmicas na sociedade. Seja a sua apropriação de denso
edificado ou como espaço público qualificado, uma intervenção deste tipo altera a forma como a
cidade é vivida e percepcionada. Finalmente, preservar e qualificar as áreas permeáveis contribuiria
para a preservação do ambiente e para a noção de sustentabilidade da cidade.

OG3 -Promover uma Cidade Dinâmica, Multifuncional e Multigeracional.

OE3 -Analisar as necessidades actuais da população, tendo em conta o carácter de uma cidade
dinâmica e adaptável, multigeracional e multifuncional, promovendo a cultura, o desporto e a noção
de bem-estar na sociedade.

QT3 -Promover a educação, o desporto e a cultura na sociedade introduzindo equipamentos


qualificados para o efeito.

H3 -A existência de um edifício de carácter multifuncional e multigeracional poderá potenciar a


relação entre diferentes classes sociais e etárias. A sua utilização (cultural e desportiva) poderá
promover a cultura e educação na sociedade assim como a respectiva noção de bem-estar e saúde.

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3. Estado dos Conhecimentos
Apresentado o trabalho e enunciados os objectivos, nesta fase, serão analisados alguns conceitos
que passamos a enunciar: Barreiro, Vazios Urbanos, Memória, Referência, Património
Industrial, Paisagem e Património Natural, Frente Ribeirinha. No final serão apresentados alguns
projectos de referência.

1.Introdução

O presente trabalho resulta de uma procura teórico-reflexiva que servirá de base ao desenvolvimento
do trabalho de projecto final de mestrado. Procura-se como temas a abordar, a compreensão da
história da cidade do barreiro, como cidade industrial e portuária e como ela se desenvolveu ao longo
dos anos. Que influências e marcos a actividade industrial deixaram na cidade de hoje, tomando a
“memória” da cidade como um elemento fundamental na concepção do projecto. A relação da cidade
com o rio, sendo que o rio é um elemento preponderante na configuração da cidade e que esta é
caracterizada por ter uma frente ribeirinha com vastos vestígios de património industrial e natural. O
Barreiro é hoje, uma cidade virada para “dentro”, fechada ao rio sendo que é uma cidade com um
elevado potencial a nível da localização geográfica e morfológica, e do reaproveitamento do
património industrial e natural, podendo ser reconvertida numa cidade viva, dinâmica, multifuncional
e multigeracional, virada para o rio Tejo e para a cidade de Lisboa, privilegiando assim a relação com
a água e o sistema de vistas. Assim sendo, espera-se também que a relação cidade-rio seja um
elemento fulcral na idealização e concepção do projecto final. Outro tema que se procura ser
abordado e estudado será a imagem da cidade, a sua identidade, os seus símbolos e referências, e
compreender de que forma a cidade do Barreiro é vista, interpretada e percepcionada a partir de
determinados contextos. Espera-se então que a imagem da cidade seja um dado a ter em conta no
desenho da intervenção arquitectónica. Através de projectos referência espera-se o auxílio na
interpretação dos diversos temas a serem abordados e como tal, também os casos de estudo têm
um papel fundamental na elaboração da proposta. Espera-se também pensar nos vazios urbanos e o
no seu aproveitamento como requalificação do espaço nas cidades. Actualmente, os vazios urbanos
são espaços expectantes na cidade e a sua intervenção pode alterar a forma como a cidade é vivida.
Finalmente pretende-se incidir na área da Alburrica, como zona privilegiada face ao rio Tejo sendo
que se caracteriza pela harmonia do património industrial, que grande parte se encontra em ruína,
em relação ao meio natural. Aqui espera-se interpretar esta área como ponto focal do Barreiro, como
uma referência para a cidade e para todo o estuário do Tejo. Localizando-se estrategicamente no
estuário do Tejo tem um relevante sistema ecológico e é actualmente bastante valorizada a nível da
imagem do Barreiro. Sendo um território bastante importante para a identidade local, poderá vir a ser

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igualmente preponderante, como foi outrora, no desenvolvimento económico e na fixação de
actividades, bens e pessoas.

2. A Memória da Cidade, a relação com o Rio e a Paisagem e a sua Identidade


2.1. O Desenvolvimento da Cidade, e da Relação entre Cidade e Rio

Acredita-se que a história de um lugar é um elemento fundamental na concepção de uma


intervenção arquitectónica nesse mesmo sítio pois “A cidade absorve como uma esponja a onda que
flui das recordações e se dilata (…). Mas a cidade não conta o seu passado, ela contém-no como as
linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas,
nas antenas dos pára-raios, nos mastros das bandeiras” (Calvino, 1993, p.7). A história e a memória
de um lugar são factores preponderantes na sua concepção e naquilo que esse lugar representa,
sendo que esses mesmos conceitos são fundamentais quando se pensa em intervir na cidade. O
Barreiro teve um papel preponderante no desenvolvimento da expansão portuguesa, na época dos
descobrimentos. Na cidade, derivado deste processo, verificou-se um elevado crescimento
económico e a criação de infra-estruturas de apoio às indústrias corticeira, magoeira, e de apoio às
indústrias marítimas. Tornou-se por estas razões uma vila de pescadores e actividades ligadas à
agricultura. Com o aumento da população vinda de vários pontos do país, com o intuito de saírem de
zonas rurais para áreas mais centrais, observa-se uma maior densidade e têm com a construção dos
moinhos de maré e de vento a confirmação dos primeiros indícios da industrialização. Em 1861, com
a criação dos primeiros troços das linhas de caminho-de-ferro do Sul Sueste, conecta o Barreiro às
áreas alentejanas a sul, exponenciando todas as actividades e produção de bens realizados no
Barreiro. Com a fundação da Companhia União Fabril (CUF) em 1897 o Barreiro torna-se um dos
mais importantes centros industriais de Portugal, concentrando em si, um modo de vida industrial e
uma grande força operária. Actualmente, estes traços industriais continuam bastante presentes no
modo de vida da população barreirense, assim como na imagem e na paisagem da cidade,
influenciando a sua imagem e a relação que a cidade estabelece com o rio Tejo. Como consequência
desta grande actividade industrial, observou-se na cidade o crescimento da poluição da água nas
áreas imediatamente adjacentes à costa da cidade. Este facto deveu-se sobretudo à prática de
indústrias pesadas junto à água, que eram localizadas em aterros que foram acrescentando maior
quantidades de costa em relação ao rio. Este processo afectou a água e alguns organismos seus
associados pondo em causa também a qualidade de vida humana, em termos de salubridade,
higiene e saúde. Em relação à paisagem, a cidade do Barreiro tem hoje inúmeras referências da

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época industrial. Não se tratando de um aspecto necessariamente negativo, fez com que
actualmente existam grandes áreas de terrenos expectantes que têm como consequência a
segregação da cidade e contribuem significativamente para a fragmentação de todo o arco ribeirinho
da cidade. Estas referências enquanto elementos visuais e espaços que possam ser vividos
actualmente fazem parte da memória e da identidade da cidade. Fazem parte de uma cultura muito
própria da sociedade que teve, e tem ainda hoje consequências no modo de vida urbanos dos seus
habitantes. É esta memória que de certa forma contribui para a formação e educação da população
do Barreiro. Assim, a memória constitui então um factor de identificação humana, é um símbolo da
sua cultura. O valor da memória “(…) não decorre apenas da sua disponibilidade como território para
transformação física ou infra-estrutural, ou da sua localização estratégica na cidade, mas,
seguramente dos sucessivos factos ali ocorridos. A memória destes lugares torna-os irrepetíveis. (…)
daí o seu poder”. (AA. VV., 2007, p.14). A relação estabelecida entre a memória e a história da
cidade, traduz-se na preservação e conservação do tempo, que consequentemente é o alicerce para
a construção de um saber histórico. Ao construir um processo histórico, podem-se encontrar padrões
referentes à identidade, à sociedade, à cultura e à arquitectura. A memória é gravada, e relembrada,
servindo como uma ferramenta para resgatar o passado e a história de um local, ou os seus
símbolos mais característicos. Desta forma, um determinado espaço referente à memória da cidade
poderá vir a ser entendido como parte do desenvolvimento histórico da cidade, de maneira a que
contribua para a valorização do património, dos valores, dos princípios, e das experiências vividas do
passado. Respeitar a memória da cidade não será apenas observar um objecto de um época
passada, mas pelo oposto é oferecer a possibilidade de recordar a história da cidade e fortalecer a
relação do cidadão com a sua cidade e com a sua própria identidade. Contribui para um modo de
vida de partilha de conhecimento e de experiências, podendo ter como consequência o
desenvolvimento de um sociedade e cidade dinâmica, multifuncional e multigeracional.

Margem Ribeirinha do Barreiro, adjacente Av. Bento Gonçalves (Ilustração do autor)

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2.2. Potencialidade do Património Industrial e da Paisagem Natural para a Requalificação da Cidade

O concelho do Barreiro sempre foi muito caracterizado pela presença de uma vasta tradição
industrial, que remonta a alguns séculos. O rio Coina tinha uma forte ligação à indústria naval na
época da expansão portuguesa pois era junto das suas margens que se construíam muitas vezes as
naus, por existirem melhores condições marítimas e por haver abundância de madeira para a sua
construção. Por estas razões são construídos ao longo da margem poente do Barreiro, vários
moinhos de maré entre os séculos XV e XVIII. Em finais do século XVIII e meados do século XIX,
com o surgir do aproveitamento da energia eólica, constroem-se os moinhos de vento, que se juntam
aos de mar, criando um importante complexo industrial no Barreiro. Ganhou tal importância que
ainda hoje “Os moinhos de vento, em particular os da zona de Alburrica, proporcionam o ex-libris
actual da Cidade do Barreiro” (Santos, 2013, p.79). Actualmente este vasto património sofreu
algumas alterações sendo que, em relação ao mesmo “já muito pouco existe; encontram-se vestígios
ou ruínas, excepto nos casos em que esses bens foram reutilizados ou beneficiaram de alguma
protecção, como os moinhos de vento” (Santos, 2013, p.54). Observa-se actualmente no Barreiro,
uma vasta e variada existência de edifícios industriais, uns devolutos e desactivados, outros em
elevado estado de degradação. Estes equipamentos foram em tempos, importantes marcos na
cidade, que a definiram e caracterizaram e acabaram por se tornar parte da identidade do Barreiro.
Por essa mesma razão crê-se que o seu aproveitamento, reutilização, reactivação e reabilitação,
consoante os casos, possa vir a trazer alterações de relevante importância no Barreiro. Como Steven
Holl descreve “O fenómeno do lugar é um objecto ao qual pode ser dado novas dimensões na forma
e matéria de arquitectura”. “The phenomenon of place is an objective that can be given new
dimensions in the form and material of architecture” (Holl, 1994, p.8). Estamos perante um caso de
uma cidade que, no passado, viveu sobretudo da indústria e do trabalho, e por isso se foi fechando
em si mesma, acabando por se formar uma barreira entre a cidade e a margem ribeirinha, entre a
cidade e toda a sua envolvente e diferentes paisagens. É uma cidade com uma importante
localização geográfica, banhada em grande parte do seu território pelo rio Tejo, com um vasto
quadro envolvente de importantes referências e com estruturas ambientais ao abandono, sendo que,
hoje, se pode tirar partido de todos estes elementos como factores potencializadores de actividades
e funções na cidade.

Moinho de maré da Quinta de Braamcamp (Ilustração do autor)

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2.3. Os Vazios Urbanos e o seu Aproveitamento como Requalificação do Espaço nas Cidades

A cidade cresce ao longo do tempo e cada interveniente que por ela passa acrescenta-lhe ou retira-
lhe algo. Cada época, cada regime, cada sociedade tem a sua influência na cidade e como
resultado, esta acaba por ser a junção de uma sobreposição de camadas, topográficas, morfológicas,
tipológicas, que acabam por definir aquilo que, no fundo, é a cidade. Como consequência desta
sobreposição de acções, acabam por ser deixados espaços expectantes sem um uso específico. São
lugares aparentemente esquecidos, onde parece predominar a memória do passado sobre o
presente. São lugares obsoletos, onde somente valores residuais se parecem manter apesar da sua
desafeição da actividade da cidade. São lugares externos, estranhos. Apesar de serem espaços, de
uma forma geral, sem qualquer tipo de actividade na cidade, os vazios urbanos oferecem
oportunidades de pensar no território de forma a intervir na cidade. “Na cidade contemporânea, um
dos maiores recursos para a sua reavaliação reside nos lugares degradados, obsoletos ou marginais,
que encontramos disseminados desde o tecido urbano consolidado às periferias” (AA VV, 2007,
p.13). Importa pensar nestes lugares como elementos constituintes da cidade e não como casos
pontuais. Podem ser espaços isolados das diferentes malhas urbanas, contudo “(…)os vazios não
devem ser avaliados isoladamente, pois é com a sua clarificação que o texto global, a cidade, ganha
consistência, uma nova dimensão” (AA VV, 2007, p.14). Estas manchas quase ausentes,
desprezadas, que esperam uma intervenção, consequência de uma urbanização faseada ou
heterogénea, ou o passado de uma cidade industrial agora transformada, têm características únicas,
e é através destas determinadas características, relacionando-se com a envolvente, com conceitos
como a memória e a história do lugar, que estes espaços podem ganhar novos significados. Então,
intrínseco ao “vazio urbano” está o valor da memória da cidade, assim como as marcas da
industrialização e da história passada. Actualmente o vazio urbano é visto de fora para dentro,
tomando estes lugares como garantidos, perante um visão fria e externa, pondo imediatamente de
lado a hipótese da sua regeneração, da procura de algo que possa servir a cidade. Pode-se afirmar
que o vazio urbano tem particularidades que o permitem possuir uma realidade do passado, e uma
realidade do presente, representado nele mesmo a memória do passado mas também uma imagem
bastante forte da actualidade da cidade. Como Ignasi de Solá-Morales afirma, existe uma relação de
choque entre o “individuo” e o vazio urbano, provocado pela sua característica de ausência da
cidade, que simultaneamente permite um futuro amplo, originando uma relação de distância entre os
dois intervenientes. Para a autor esta distância, faz com que o individuo e a restante cidade
contemplem o vazio urbano apenas exteriormente. Ao referir os vazios urbanos há que compreender,
que apesar da sua aparente ausência, fazem parte da malha urbana da cidade, a qual acaba por ser
caracterizada pela presença destes espaços expectantes. A principal característica do “terrain-
vague” para o autor será a capacidade que o terreno expectante terá para induzir no individuo as

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possibilidades que esse mesmo espaço poderá ter. De tal forma, que possa permitir que o individuo
deixe de olhar de fora para dentro do espaço, mas de dentro do vazio urbano para o exterior,
fazendo com que o vazio urbano seja um espaço integrante da cidade e não um espaço não-urbano.
Como consequência este espaço pode ser agora, tanto contemplado como também perspectivado,
desempenhando uma função determinante na sociedade e na cidade em que se insere. Estes
espaços que se encontram em estado transitório, vão resistindo às sucessivas camadas,
transportando com elas características do passado, sendo por isso fundamental avaliá-los de acordo
com todas as suas características próprias e as que lhe são exteriores.

Largo Rompana, no Bairro Medieval do Barreiro Antigo (Ilustração do autor)

2.4. A Imagem e a Percepção da Cidade

A cidade do Barreiro, é actualmente caracterizada pela vasta presença de elementos que remontam
à altura do auge da grande indústria, fosse portuária, corticeira ou outra. Devido ao grande
desenvolvimento da indústria nesta localidade, a cidade cresceu em função dessa actividade, sendo
que ainda hoje podemos ver os bairros operários de apoio às indústrias assim como os vastos
complexos industriais, dos quais fazem parte, tanto os silos da Quimigal, como os moinhos de maré
e vento, e como as chaminés das antigas fábricas. Actualmente, todos os estes elementos
contribuem significativamente para a imagem da cidade, acabado por se tornarem numa referência
para quem lé vive e para quem observa a cidade de longe. Fazem parte, à luz da tese de Kevin
Lynch, dos marcos da cidade, elementos esses que em conjunto com os pontos nodais, os bairros,
os caminhos e os limites contribuem para a imagem e para a percepção da cidade. A imagem, para
Kevin Lynch é a “qualidade de um objecto físico que lhe dá uma alta probabilidade de evocar uma
imagem forte em qualquer observador. Refere-se à forma, cor ou arranjo que facilitam a formação de
imagens mentais do ambiente fortemente identificadas, poderosamente estruturadas e altamente
úteis. (Lynch, 1960, p.9) ou seja, o conceito de imagem está directamente ligado ao conceito de
legibilidade: imagens fortes aumentam a probabilidade de construir uma visão clara e estruturada da

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cidade. Tal como descreve o autor em questão: “Uma cidade com imagem aparente, legível, ou
visível, nesse sentido, seria bem formada, distinta, memorável; convidaria os olhos e ouvidos a uma
maior atenção e participação” (Lynch, 1960, p.10).

Silos da Quimigal existentes na margem ribeirinha do Barreiro (Ilustração do autor)

3. Contextualização: Alburrica

3.1. O Lugar – Ponto Focal

Foi na Alburrica que se localizaram as primeiras ocupações humanas naquela que viria a ser a
cidade do Barreiro. A partir deste local, a cidade foi-se desenvolvendo até aos dias de hoje, muito
marcado pelo grande desenvolvimento industrial ocorrido na cidade. Ao existir um desenvolvimento
de tão elevada importância o lado oposto da cidade, fez com que a Alburrica mantivesse as suas
características principais, apesar de se tratar de um local que foi sendo esquecido pela população,
verificando-se estarmos na presença de dois mundos de características completamente diferentes,
que por um lado devem ser mantidas, mas por outro relacionadas de forma a promover uma melhor
relação da cidade com esta área. Actualmente o Barreiro já não vive da indústria e somente do
trabalho, e por isso é importante pensar num cidade preparada para o futuro, multifuncional e
multigeracional, uma cidade que seja atractiva para quem a habita. Hoje, “a cidade do Barreiro vive
um novo momento de viragem na sua identidade, na sua imagem e no seu modelo de
desenvolvimento, (…) entende-se que os vazios urbanos podem transmitir uma renovação e
transformação positiva da cidade” (AA. VV, 2014, p.15). De toda a área considerada urbano-industrial
do Barreiro, exceptua-se a área da Alburrica, com características naturais e ambientais únicas, área
de abrigo de património industrial de interesse cultural e histórico em elevado risco de degradação.
Considera-se, pelas suas características geográficas, como área com potencial de interesse para o
resto da cidade, uma área que possa complementar actividades e funções em falta na cidade“. Esta
área é aquilo a que Steven Holl chama de “limite da cidade”, um sitio onde confluem vários eixos
físicos e visuais e acabam por definir e caracterizar este espaço com um ponto focal da cidade,
também devido às suas características únicas. A Alburrica é considerada em quase toda a sua área,

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pelo Plano Director Municipal do Barreiro, como espaço verde de recreio e de lazer, por ser uma
zona de grande interesse e importância a nível de património industrial e pela sua estrutura natural
estando ainda inserida no grupo de praias numa zona de estuário e zona húmidas. A noroeste é
delimitada pelo rio Tejo, a sudeste pelo seu afluente, o rio Coina, a este pela cidade do Barreiro,
sendo que a sul se encontra uma expansão de terra onde se situa o terminal Rodo-Ferro-Fluvial do
Barreiro. Do seu território fazem parte: a escola secundária Alfredo da Silva; o Clube Naval
Barreirense; instalações precárias como armazéns e cabanas piscatórias; as ruínas da indústria
corticeira, nomeadamente da Quinta de Braamcamp e respectivo moinho de maré; os restantes
moinhos de maré e moinhos de vento; as caldeiras; e ainda um bar de praia. É uma área que recebe
influências biofísicas pela sua envolvente mais próxima, pelas ondas, marés e ventos, sendo que é
sucessivamente desgastada por estes elementos, apesar de actualmente manter as suas
características únicas, quase intactas. Por estas razões é fundamental que a intervenção neste local
possa ser feita de forma a estabelecer um enquadramento paisagístico e urbano, que possa, não só,
não ser prejudicial para a localidade, como benéfico para toda a população. Como um limite físico da
cidade, pelas suas características únicas e pelas relações visuais que estabelece com a área
metropolitana de Lisboa, pretende-se que a Alburrica desempenhe um papel focal e referencial na
cidade do Barreiro. Neste momento a sua ligação á cidade é feita através de caminhos
desqualificados, dificultada pela própria morfologia do terreno e pelas suas características biológicas.
Não existem equipamentos activos suficientemente capazes de activar todo este complexo,
resultando num abandono parcial de toda a estrutura natural. Por estas razões é crucial pensar num
equipamento que possa trazer para esta área actividades culturais, económicas, sociais e que possa
servir como referência e ponto focal da cidade, da continuidade dos seus eixos principais, como por
exemplo a margem ribeirinha que se encontra neste momento fragmentada em várias partes.
Espera-se que tal intervenção possa suscitar alterações na Alburrica e que se possa traduzir na
fixação de bens e actividades. Podendo as acessibilidades ao local em questão serem melhoradas,
acredita-se que a existência de um equipamento que tenha de alguma forma um destaque formal
possa convidar a população a viver este território. Desta forma, “(…)designando a ocupação de um
determinado espaço, o ponto focal é o símbolo vertical da convergência. Nas ruas mais animadas e
nos largos de vilas e cidades, o ponto focal (seja coluna ou cruz) define a situação, surge como uma
confirmação: “É este o local que procuravam. Pare. É aqui.” (Cullen, 2006, p.28).

Pontes pedonais das caldeiras da Alburrica (Ilustração do autor)

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3.2. Estrutura Ambiental da Alburrica – A Memória

A frente ribeirinha afirma-se como suporte à localização e concentração do crescimento urbano no


Barreiro e ao seu desenvolvimento industrial. Hoje existem áreas urbanas consolidadas pontuadas
de vazios urbanos capazes de dar um novo significado à cidade. Existem ainda áreas a serem
determinadas, relacionadas com a margem poente do Barreiro, assim como áreas adjacentes e
correspondentes à área da CUF/Quimiparque, existindo também um interface de relevante
importância na Área Metropolitana de Lisboa: o Terminal Rodo-Ferro-Fluvial. De acordo com o Plano
Director Municipal do Barreiro pretende-se, para a área do Barreiro Antigo a “Renovação do tecido
construído, enquadrando e valorizando os edifícios de interesse arquitectónico e salvaguardando e
preservando as características urbanas do conjunto”. A toda a área urbano-industrial exceptua-se a
zona da Alburrica, caracterizada por uma estrutural natural e ambiental de características únicas.
Esta área dá as boas-vindas a quem chega à cidade através do rio Tejo. “(…)apresenta-se como um
exemplo significativo de simbiose entre acção transformadora do homem e o recurso natural”(AA VV,
2013, p.11) Contribui por essa razão, fortemente para a imagem da cidade. É simultaneamente,
recipiente de estruturais industriais, outrora de grande importância na cidade. A sua renovação e
requalificação podem vir a influenciar toda a área da Alburrica assim como o resto da cidade do
Barreiro. É importante pensar na preservação da estrutura ambiental da Alburrica, pelas suas
características de permeabilidade, pelo contacto com a natureza, e pela possível capacidade de
incutir na sociedade a noção da preservação do meio ambiente. Esta zona ribeirinha possui um
ecossistema de elevada importância no estuário do Tejo, sendo de extrema pertinência a sua
preservação e a valorização da diversidade biológica, da fauna e da flora, podendo através destas
problemáticas estabelecer noções na cidade, de protecção do meio ambiente e da paisagem que nos
envolve. Assim, é fundamental assegurar a qualidades deste espaço para usufruto da população da
margem Sul do Tejo. Apesar de realizadas algumas construções nesta zona do Barreiro e do
constante desgaste dos bancos de areia da Alburrica, produzidos pelas sucessivas marés e pelos
constantes atravessamentos dos barcos que atracam no Terminal Rodo-Ferro-Fluvial, em conjunto
com o facto da falta de presença humana nesta zona, as condições morfológicas da Alburrica
mantem-se praticamente intactas desde meados do século XX até aos dias de hoje. Por um lado, a
desactivação que ocorreu no século passado da indústria presente nesta área, muito por parte do
grande desenvolvimento ocorrido pela C.U.F. (mais tarde Quimiparque) fez com que esta área
ficasse livre desse uso funcional, podendo hoje ser uma área de grande potencial biológico. Para
além destas qualidades existem ainda alguns equipamentos, que inseridos numa proposta urbana e
arquitectónica podem ainda servir a população como é o caso do Clube Naval Barreirense, da Escola
Secundária Alfredo da Silva, e ainda dos vastos elementos industriais presentes junto às caldeiras,
como a Quinta de Braamcamp, e o respectivo moinho de maré, os restantes moinhos de maré e os

15
três moinhos de vento. Apesar de não existir um desenho urbano qualificado, assim como uma
relação evidente com o resto da cidade, a zona da Alburrica é ainda assim usada pela população
para passeio e lazer, sendo crucial promover um espaço público qualificado, relacionado com uma
estrutura natural preservada e valorizada.

Moinhos de Maré da Alburrica (Ilustração do autor)

3.3. Lisboa como Pano-de-Fundo – A Imagem

Como já foi dito anteriormente, o Barreiro é uma cidade que se foi fechando à sua envolvente ao
longo do tempo, o que actualmente pode servir como oportunidade para intervir na cidade. Da
cidade, tem-se uma uma vista sempre presente da cidade de Lisboa. A cada esquina descobre-se
um novo enquadramento, sendo que a vista prolonga-se desde Lisboa oriental, até ao Palácio de
Sintra. Contudo, os diferentes sistemas de vistas não estão devidamente qualificados, sendo que
não é perceptivel a presença do rio e da paisagem na maior parte da cidade. Nas cidades e os
símbolos de Italo Calvino discute-se a imagem da cidade formada não só pela composição de sólidos
na luz e na sombra, mas também a partir da sua ornamentação, nos sinais e nos seus significados.
Todos estes elementos acabam por contribuir para a boa imagem da cidade e distingui-la das
demais. “Não é o que acontece em Zoé. (…) o viajante anda de um lado para o outro e enche-se de
dúvidas: incapaz de distinguir os pontos da cidade, os pontos que ele conserva distintos na mente,
confundem-se.” (Calvino, 1990, p.34) Ainda, segundo Kevin Lynch, “(…) exploram também a
utilização dos símbolos como marcação de territórios e hierarquias, classes, posturas”, ou seja todos
estes elementos previamente falados, funcionam como marcos hierárquicos na cidade. Não só os da
cidade em estudo como todos os símbolos presentes à sua volta. Os lugares percebidos pela
sociedade, trazem com eles tenham qualidades para o mundo contemporâneo, são identificáveis
pela população e servem as suas necessidades. Na sua obra “Imagem da Cidade” Kevin Lynch
enumera cinco elementos que definem a cidade e a sua imagem, Vias, Limites, Bairros, Pontos
Nodais e Marcos, que acabam por definir as suas qualidades formais que geram um espaço, a partir
da imagem mental das pessoas. Esta definição é fundamental pois a compreensão da percepção da
população por parte de um objecto arquitectónico ou urbanístico é de grande importância pois são

16
estas pessoas que se vão apropriar desse mesmo objecto, vivenciá-lo e experimentá-lo. A cidade
está em constante movimento e transformação e para Lynch, há sempre um cenário ou uma
paisagem a serem explorados. Desta forma, através da Imaginabilidade, o objecto arquitectónico tem
uma capacidade de evocar uma imagem forte em qualquer indivíduo, seja através da sua volumetria,
da cor, disposição, relação com a envolvente, a luz que possa promover uma imagem referencial da
cidade.

Referências da cidade na paisagem da Alburrica (Cristo Rei; Panteão Nacional; Ponte 25 de Abril) (Ilustração do autor)

3.4. (H)À OUTRA MARGEM, O Equipamento como Elemento Referencial do Barreiro

Ao opor a cidade de Lisboa com o Barreiro, verifica-se um vasto número de diferenças. Aqui,
pretende-se sobretudo pensar qual e como pode o impacto de um projecto arquitectónico alterar as
formas de viver e percepcionar a cidade. Primeiramente para que essa proposta possa ter influência
na cidade, esta última tem que ser acessível e visível e é por essa razão que se irão estudar casos
de estudo onde o projecto arquitectónico tenha uma forte componente referencial na cidade. Ao
termos um ponto de referência conseguimos orientar-nos e localizar-nos no espaço. São as
referências que fazem parte das imagens guardadas das cidades, são as imagens que nos vêm à
memória quando experimentamos pensar numa cidade, sendo que “o conceito de imagem não tem,
necessariamente, conotações com algo de fixo, limitado, preciso, unificado, ou ordenado
regularmente, embora possa, por vezes, ter essas qualidades. Também não significa visível, óbvio,
evidente ou claro” (Lynch, 1960, p. 54). E, também importante, o conceito de referência não tem que
ser necessariamente apenas observável. O seu uso é tão preponderante quanto a sua imagem e é
isso que vai fazer desse edifício uma referência na cidade. Charles Jencks afirma que se um edifício
que estabelece uma relação de referência na cidade deve ter uma imagem que produza na
sociedade uma forte reacção, não deve simultaneamente transmitir nas suas configurações símbolos
de arquitectura tradicional ou religiosa, pois segundo o autor essas características já não são
credibilizadas. Assim, o edifício deve produzir significados enigmáticos que apontam para
determinados códigos não usuais. Afirma ainda que assim o efeito do edifício será produtivo e que o

17
entusiasmo da sociedade virá pela compulsiva interacção de todos os significados produzidos pelo
edifício. Muitas das estratégias usadas por arquitectos como Le Corbusier ou Frank Gehry,
assentavam por exemplo no desenho das formas do edifício que surgem a partir da sua própria
função e das respectivas exigências a ela associada, ou ainda a partir de analogias estabelecidas
com a ideia projectual ou com as principais características do local. O fundamental será que a partir
das múltiplas metáforas ou analogias se relacionem em temas diferentes mas que convergem no
edifício, e na forma como se estabelece com a paisagem envolvente. O autor afirma ainda, que estas
sobreposições tiradas da natureza fazem parte elas mesmas do código do edifício referencial. Se a
imagem do edifício é algo única e não está associada à religião ou a qualquer outra ideologia, o autor
argumenta que estamos perante uma imagem que nos remete para o cosmos.

Desenvolvimento da Proposta (Ilustração do autor)

3.5. A Cultura e o Desporto como Intervenção Arquitectónica

Em cidades cujo passado industrial é tão forte como o Barreiro é fácil desvalorizar outras actividades
tão importantes para a vida e sabedoria humanas como a cultura, a educação e o desporto. É numa
tentativa de perceber quais os principais equipamentos relacionados com estes temas no Barreiro
que se chega à intenção de se pensar num equipamento multifuncional e multigeracional que
albergue estas funções. Em relação ao primeiro, “a difícil definição do centro cultural está
directamente relacionada ao próprio significado de cultura, que é sempre um objecto de discussão e
polémica” (AA.VV, 2013, p.3). Este edifício, “podendo ser tanto um local especializado, de múltiplo
uso, proporcionando opções como consulta, leitura em biblioteca, realização de actividades em
sector de oficinas, exibição de filmes, audição musical, apresentação de espectáculos, tornando-se
um espaço acolhedor de diversas expressões ao ponto de propiciar uma circulação dinâmica da

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cultura” (AA.VV, 2013, p.4) deve ser, “um espaço que seja a simbiose, a mistura das relações
humanas, parece ser próprio à Cultura e desejável como proposta” (AA.VV, 2013, p.4) ou seja, tenta-
se reunir neste tipo de equipamento as faltas que puderem existir, de forma a reunir da mesma forma
as várias pessoas que habitam a cidade. O desporto enquanto intervenção é importante numa
cidade onde a prática de desportos náuticos como vela, remo e canoagem são preponderantes para
a população residente. Fortemente marcada pela prática destes desportos, a cidade não dispõe de
equipamentos qualificados para esse uso sendo de importante interesse reunir as actividades num
equipamento qualificado para tal. Actualmente o dito centro cultural faz parte da construção da
imagem das cidades onde estes se inserem e onde a forma do edifício tem um papel crucial. É no
entanto, o conjunto entre forma e função que irá fazer do edifício, um espaço verdadeiramente
cultural, onde possam existir trocas e partilhas, e o desenvolvimento do conhecimento humano. O
objectivo será que o edifício tenha determinadas funções e uma forma que permita um
desenvolvimento eficaz da cultura na sociedade, seja através de espaços de trabalho comuns,
espaços de leitura e estudo, bibliotecas, ou exposições e espectáculos. É fundamental que exista
uma relação próxima entre o centro cultural e a sociedade a localização em que se insere. O primeiro
não poderá sobreviver sem os outros. Este deve ser um espaço que esteja vinculado às principais
necessidades populacionais e aos seus traços culturais mais característicos, ainda que possa ser um
edifício com as exigências do mundo contemporâneo. Um espaço com estas características no
Barreiro e na Margem Sul serviria como um potencializador das relações humanas na cidade e do
desenvolvimento do conhecimento e das experiências na sociedade, tendo como sua qualidade, a
capacidade de reunir num espaço uma população heterogénea e uma série de espaços distintos.
Estes espaços distintos, inseridos num centro de encontro, poderão funcionar de forma dependente
do centro cultural, ou até mesmo em simultâneo. Como tal, e a partir da elevada influência dos
desportos náuticos no Barreiro, uma função que poderia ser associada ao centro cultural, seria o
centro náutico. Como foi dito anteriormente, na cidade em estudo, apesar de existir uma diversidade
de desportos náuticos e dos seus participantes, as condições dos espaços em que se inserem são
precárias e por essa razão a relação que possam se estabelecida entre o centro cultural e um centro
náutico de relevante qualidade arquitectónica, viria reforçar a ideia de um edifício central e referencial
da cidade, que simultaneamente possa ser um edifício para a população. Para além destas
características, seria fundamental que tanto o centro náutico e o centro cultural, apesar dos vínculos
estabelecidos a um nível local, pudessem oferecer condições, qualidade arquitectónica e pertinência
funcional que lhes permitam ser um centro atractivo a nível nacional. De tal forma que o espaço
náutico possa oferecer um vasto número de actividades, assim como a adequação desportiva a nível
de informação, conhecimento e equipamentos e qualidade arquitectónica para apoiar os atletas e a
população portuguesa.

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Estação Rodo-Ferro-Fluvial do Barreiro (Ilustração do autor)

4.Casos de Estudo e Projectos de Referência

Como principais casos de estudo, procuram-se exemplos que tenham características morfológicas
semelhantes à do caso de estudo, ou seja limites de cidades, frentes ribeirinhas, espaços com
características únicas como as da zona da Alburrica, onde a estrutural natural e o contacto e a
relação com a água sejam elementos fundamentais. Algo preponderante, para além das
características geográficas do lugar, será a tipologia e o uso destes casos de estudo, que serão
semelhantes ao uso e tipologia do projecto final de mestrado. É ainda importante ter em conta, as
concepções e linguagem dos vários casos de estudo, que derivado às suas características se foi
tornando em projectos referência nas suas cidades, países e internacionalmente. Pretende-se que os
casos de estudo sejam divididos entre programas com uma componente cultural mais forte, outros
que têm como utilização o desporto náutico, e projectos referência que tenham ambas as funções,
culturais e desportivas. Finalmente pretende-se ainda analisar e estudar programas realizados para a
zona de intervenção.

4.1.Programa Cultural

Como tal, procura-se estudar como referências que tenham uma componente programática cultural o
National Assembly Building of Bangladesh em Dacca do arquiteto Louis Kahn, sendo um edifício
multifuncional e pelas suas qualidades referenciais de cidade, assim como pela sua relação com a
água, e com o ambiente natural, pelo seu uso e tipologia. O projeto de Finlandia Hall do arquitecto
Alvar Aalto, pela sua função cultural na cidade e o projecto do Edifício sobre a Água, dos arquitectos
Álvaro Siza Vieira e Carlos Castanheira, pelas suas características geográficas, pelo seu programa
cultural, pela sua relação com a água e pelo caracter referencial na cidade. Serão ainda estudados
casos de estudo relativos aos limites das cidades, onde se tentará perceber como foram realizados e
que impactos tiveram. Aqui serão igualmente estudados projectos onde a sua utilização se
assemelhe à utilização do projecto final de mestrado como é o caso dos projectos seguintes: Piscina

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das Marés do arquitecto Siza Vieira; Porto Cruise Terminal do arquitecto Luis Pedro Silva, pelas
características programáticas.

4.2. Programa Desportivo/Náutico:

Como utilização a actividade desportiva e náutica, pretendem-se estudar os seguintes projectos:


Yatch Club de Monaco do escritório Foster + Partners, pela componente naútica; Community Rowing
Boathouse do atelier Anmahian Winton Architecti, pela componente náutica, onde poder-se-ão
estudar as exigências técnicas de um projecto deste carácter; WMS Boathouse at Clerk Park do
atelier Studio Gang; Catalonia´s International Center for High Performance Sailing do atelier Mestura
Architects. Estes projectos serão analisados pelas suas relações com a envolvente, e sobretudo pela
relação entre o seu programa e as soluções arquitectónicas utilizadas.

4.3. Programa Cultural/Náutico

Aqui serão estudados e analisados projectos que conciliem a utilização cultural e náutica
simultaneamente, para que possam servir de referência para o projecto em questão. Por ter estas
características espera-se estudar o projecto do SESC Pompeia da arquitecta Lina Bo Bardi, que
conjuga uma série de espaços culturais com a componente desportiva, num só edifício. E ainda o
projecto do Sea Pavillion do arquitecto Stefano Boeri, que conjuga a prática de desportos náuticos
com uma série de espaços culturais e museológicos referentes ao mar.

4.4. Programas

Serão ainda analisados planos e programas já realizados ou planeados para a área de intervenção.
Estes programas ajudarão a perceber diferentes perspectivas para a mesma área e as diferentes
visões e intenções, de forma que possam ajudar a conceber a solução final de projecto. São eles: o
Workshop realizado por professores e alunos da Universidade Lusíada de Lisboa relativo à Alburrica,
no Barreiro e o programa Repara no Barreiro assim como o Europan Barreiro. Pretende-se ainda ter
em conta os anteplanos e o Plano Director Municipal do Barreiro como importantes referências do
planeamento da cidade.

Dhaka Assembly Building – Louis Kahn (Ilustração do autor)

21
4. Metodologia

Para a elaboração e desenvolvimento do trabalho adopta-se uma metodologia de estudo de caso


com uma abordagem qualitativa, onde se irão mobilizar um conjunto de técnicas e instrumentos de
recolha e análise da informação, para que o fenómeno a estudar esteja coberto nas suas múltiplas
dimensões. Tanto o projecto a ser elaborado como outros de referência serão base para uma análise
em profundidade e intensiva de modo a apreender semelhanças, particularidades e diferenças.

Numa primeira fase será feita uma abordagem teórico-reflexiva sobre o tema da memória da
cidade, da relação entre cidade e rio, onde serão discutidos diversos temas como a existência do
património industrial e natural, os espaços expectantes e o seu aproveitamento na cidade e ainda da
imagem e da percepção da cidade. Numa outra fase a análise incidirá sobre a zona da Alburrica,
onde os temas discutidos serão o equipamento como elemento referencial da cidade e a Alburrica
como ponto focal do Barreiro, a paisagem envolvente que contêm o Seixal, Almada, Lisboa, Sintra e
o estuário do Tejo, os elementos naturais da Alburrica, e ainda a tipologia do projecto final de
mestrado. Para a definição do quadro teórico e conceptual relativo a estes temas será realizado um
processo de recolha de referências bibliográficas assim como a participação em conferências e aulas
que passará pela observação directa: recorrendo-se a uma abordagem directa das pessoas e seus
contextos de interacção através da observação participante e exterior da cidade. Procurar-se-á fazer
a recolha de trabalhos e casos referência nacionais e internacionais assim como a recolha de
planos, projectos e programas: esta fase terá como principal objectivo contextualizar o tema
lançado à realidade da área escolhida, balizando-o e apoiando a proposta em termos de referências
ao nível geográfico, morfológico, programático, urbanístico e arquitectónico. Tentar-se-á perceber
como foram feitos s projectos, que resultados tiveram, e estudar o seu processo de concepção.
Neste sentido, procurar-se-á aqui, princípios que possam vir a dar resposta às questões de partida
do presente trabalho, ajudando a configuração da solução final. Da mesma forma, far-se-á a recolha
de bibliografia, documentos e cartografia com o intuito de perceber a história e memória do lugar,
como um elemento preponderante na conceptualização de qualquer resposta arquitectónica para o
local em questão. De forma a tentar perceber as principais potencialidades e problemas da área de
intervenção far-se-á um diagnóstico SWOT. Serão ainda realizadas entrevistas, onde se procurará
perceber as ideias e visões dos residentes locais e intervenientes na cidade, de forma a poder
pensar na melhor intervenção para o local. Procurar-se-á atender a diversas conferências e aulas
relativas aos temas estudados que possam elucidar alguns conceitos e ideias para os mesmos
temas, de forma a ajudar na concepção da solução arquitectónica final. Uma importante fase será a
interligação da parte teórica com a proposta projectual onde os métodos apresentados
anteriormente, de pesquisa teórica e trabalho de campo, vêm servir de fundamento à proposta de

22
projecto, que resultará no desenvolvimento de uma proposta urbana seguido de um projecto
arquitectónico de um equipamento.

A elaboração do projecto final de mestrado será também faseada de acordo com as diferentes
metodologias abordadas. Sendo que a proposta final incidirá primeiramente numa escala de contexto
da cidade, até a uma escala de projecto de execução de forma a mostrar as diferentes valências do
projecto urbano e arquitectónico. Assim sendo, a proposta projectual terá o seguinte faseamento:

Fase I - Análise do Sítio (1:5000 / 1:2500)

-Leitura Histórica

-Leitura do lugar, estrutura implícita do lugar

-Análise e diagnóstico do lugar, do bairro e da cidade

-Estratégia e conceito associados ao lugar e à envolvente de intervenção

Fase II – Desenho Conceptual (1:2000/1500)

-Poética

-Construção de cenários desenhados e hipóteses

Fase III – Estratégia (1:1500)

-Plano Estratégico

Fase IV – Projecto Urbano (1:1000 / 1:500)

-Desenvolvimento do projecto do espaço público

-Ocupação do solo, relação público/privado

-Sistemas de relação de edifícios/espaço público: sequencial, profundidade, distanciamento,


transições e permeabilidade

-Sistemas de relação de nível, rebaixado e superior

-Sistemas de relação em continuidade e ou quebrado

23
Fase V – Análise do Programa (1:500)

-Análise dos Projectos Referência

Fase VI - Estudo Prévio (1:200)

-Referências de Projecto

Fase VII – Projecto Arquitectónico (1:500/1:200/1:100/1:50/1:20/1:5)

-Projecto de Arquitectura – equipamento

-Construção de um programa de intervenção

Fase VIII – Projecto de Execução (1:50 / 1:5)

24
Entrega Final
5. Calendarização

2016 2017
Tarefas Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul
-Elaboração da Proposta
Final de Mestrado

-Análise do Caso de Estudo

-Investigação Teórico-
Reflexiva
-Observação Directa

-Recolha e análise de
projecto de Referência
Nacionais e Internacionais
-Recolha e análise de
Bibliografia | Documentos |
Cartografia
-Recolha e análise de
Planos | Programas |
Projectos
-Conversas e Entrevistas
com técnicos Especialistas e
com os residentes
-Casos de Estudo /
Projectos Referência
-Diagnóstico SWOT

-Interligação da parte teórica


com a proposta projectual
-Análise do Lugar

-Desenho Conceptual

-Estratégia

-Projecto Urbano

-Análise do Programa

-Estudo Prévio

-Projecto Arquitectónico

-Projecto de Execução

-Elaboração de Peças Finais

-Trabalho Final Escrito

25
6. Plano do Projecto Final de Mestrado

Resumo

Abstract

Agradecimentos

Índice Geral

Índice de Figuras

Índice de Tabelas

Lista de Siglas / Acrónimos

1. Introdução

1.1 Tema e Justificação

1.2. Área de Trabalho

1.3. Objectivos e Questões de Trabalho

1.4. Metodologia

1.5. Estrutura do Projecto Final de Mestrado

2. A Imagem, a memória e a identidade da Cidade: a relação do Rio com a Paisagem

2.1. O Desenvolvimento da Cidade, e da Relação entre Cidade e Rio

2.2. Potencialidade do Património Industrial e da Paisagem Natural para a Requalificação da Cidade

2.3. Os Vazios Urbanos e o seu aproveitamento como requalificação do espaço nas cidades

2.4. A Imagem e a Percepção da Cidade

3. Contextualização: Alburrica

3.1. O Lugar – Ponto Focal

3.2. Estrutura Ambiental da Alburrica – A Memória

3.3. Lisboa como Pano-de-Fundo – A Imagem

3.4. (H)À OUTRA MARGEM, O Equipamento como Elemento Referencial do Barreiro-Alburrica

3.5. A Cultura e o Desporto como Intervenção Arquitectónica

26
4. Casos de Estudo e Projectos de Referência

4.1. Programa Cultural

4.2. Programa Desportivo/Náutico

4.3.Programa Cultural/Náutico

4.4.Programas

5. Proposta de Projecto

5.1. Análise do Sitio

5.2. Desenho Conceptual

5.3. Proposta Esquemática

5.4. Projecto Urbano

5.5. Projecto Arquitectónico

5.6. Ante Projecto

5.7. Projecto de Execução

6. Considerações Finais

Bibliografia

Anexos

27
7. Bibliografia

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