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FONOLOGIA E ACENTUAÇÃO GRÁFICA...............................................................................................................153

ORTOGRAFIA E ESTRUTURA DA PALAVRA..........................................................................................................154

FLEXÕES VERBAIS..........................................................................................................................................................155

MORFOLOGIA – CLASSES GRAMATICAIS.............................................................................................................157

SINTAXE INTERNA: PERÍODO SIMPLES..................................................................................................................160

SINTAXE EXTERNA: PERÍODO COMPOSTO..........................................................................................................162

EMPREGO DOS CONECTORES..................................................................................................................................163

CONCORDÂNCIA VERBAL...........................................................................................................................................164

CONCORDÂNCIA NOMINAL UNIFORMIDADE...................................................................................................166

REGÊNCIA – PRONOMES.............................................................................................................................................166

REGÊNCIA – CRASE.......................................................................................................................................................167

PONTUAÇÃO....................................................................................................................................................................168

COLOCAÇÃO PRONOMINAL.....................................................................................................................................169

SEMÂNTICA......................................................................................................................................................................169

INTERPRETAÇÃO............................................................................................................................................................171

NORMAS LINGUÍSTICAS..............................................................................................................................................175

FIGURAS DE LINGUAGEM...........................................................................................................................................175

LITERATURA.....................................................................................................................................................................176

ANEXOS.............................................................................................................................................................................187
FONOLOGIA E ACENTUAÇÃO GRÁFICA 14| |2018.2| ( ) No conjunto de palavras “infância”, “gló-
ria”, “ocasião”, “ciência” e “ausência”, todas seguem a mesma
regra de acentuação gráfica.
01| |2004| ( ) Há várias palavras acentuadas, sen-
do que algumas podem ser distribuídas em dois grupos,
15| |2019.1| ( ) No verso “Em comer os hiatos!”, a palavra
de acordo com duas diferentes regras de acentuação:
grifada apresenta um hiato.
A) práticas, década, econômicos, anônimos;

B) extraordinários, viés, história, operários. 16| |2020.1| ( ) As palavras “número”, “subtraído”, “literá-
rio” e “mistério” recebem acento gráfico agudo decorrente da
mesma regra de acentuação.
02| |2006| ( ) Os acentos gráficos em “corrupião”, “lá” e
“baldeação” são justificados pela mesma regra.

03| |2006| ( ) São classificadas como oxítonas as palavras


“corrupião”, “poder” e “conduzi-lo”.

04| |2006| ( ) As palavras “beira”, “aérea” e “tédio” pos-


suem a mesma classificação quanto à posição da sílaba tônica.

05| |2006| ( ) Os acentos gráficos dos vocábulos “você”,


“protegê-los” e “contém” seguem as regras de acentuação das
oxítonas.

06| |2006| ( ) Em “idade”, “ainda” e “fluido” temos três pa-


lavras com o mesmo número de sílabas.

07| |2006| ( ) As palavras “gratuito”, “debaixo” e “implicou”


são trissílabas.

08| |2007| ( ) Os vocábulos “está”, “vê”, “porém”, “três”,


“agarrá-las” recebem acento gráfico pela mesma regra, ou seja,
por serem todos oxítonos, condição suficiente para que os vo-
cábulos sejam acentuados.

09| |2008| ( ) As palavras “hídrico”, “termodinâmica”, “obs-


táculo” e “científico” não obedecem à mesma regra de acentu-
ação gráfica.

10| |2010| ( ) As palavras “senhô”, “cortá” e “podê”, repre-


sentando a fala de Zeferino, estão acentuadas por serem oxí-
tonas terminadas em –o, –a e –e, respectivamente.

11| |2014| ( ) As palavras “domínio” e “juízo” são ambas


acentuadas por serem paroxítonas terminadas em “o”.

12| |2015| ( ) Os vocábulos “resistência”, “veículos”, “len-


dárias” e “público” recebem acento gráfico com base na mes-
ma regra de acentuação: todas são paroxítonas.

13| |2015| ( ) Há presença de dígrafos, ou seja, do encon-


tros de duas letras para representar um único fonema, nos vo-
cábulos: “Espanha”, “assassinatos” e “porque”.

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ORTOGRAFIA E ESTRUTURA DA PALAVRA 12| |2019.2| ( ) Em “Dentro de uma visão convencional e
simplista de economia, eliminar incentivos fiscais é positivo, pois
reduz distorções do mercado”, a palavra “pois” pode ser trocada
01| |2004| ( ) O prefixo des-, em “desencadear”, tem o mes- por “por que” mantendo-se a mesma relação de sentido entre
mo significado do prefixo da palavra “desinteressar” em: “Desde os períodos da oração.
que enviuvou, desinteressou-se de seu aspecto pessoal”.
13| |2020.1| ( ) As palavras “transformo”, “instigantes”
02| |2004| ( ) As palavras “correção”, “criação”, “organiza- e “desinteressantes” são formadas por prefixo acrescido de
ção” e “adaptação” são nomes abstratos derivados de verbos. radical.

03| |2005| ( ) A fala de Odorico Paraguaçu apresenta,


em grande escala, o uso de neologismos, que são possíveis,
considerando o processo de derivação linguística, como nos
exemplos: “descompetente” e “desinaugurado”, para indicar
negação. O mesmo processo pode ser encontrado em for-
mas já reconhecidas, como “descontente” e “descuidado”.

04| |2008| ( ) As palavras “insuspeitos”, “indefensável”,


“imprescindível”, “despercebida” e “ilimitados” apresentam
prefixo com valor de negação.

05| |2008| ( ) Entre as palavras “liberação”, “substituição”,


“identificação”, “reversão”, há duas que não são derivadas de
verbo pelo acréscimo de sufixo.

06| |2010| ( ) As palavras “liderança”, “produção” e “quei-


ma” são substantivos derivados de verbos.

07| |2011| ( ) A resposta à pergunta “Por quê?” poderia


ter sido: “Porque ele só pensa em gramática”, sem entrar em
desacordo com a norma culta da língua.

08| |2013| ( ) No fragmento “José Maria, apesar dos de-


feitos, era irmão do outro, santo e milagroso por sua vez. Os
caboclos acreditavam nele. Era o jeito. Em nada mais acredita-
vam. Não tinham no quê.“, o trecho “Não tinham no quê.” pode-
ria ser reescrito como “Não tinham um porquê.” sem que isso
implicasse desrespeito à norma padrão.

09| |2014| ( ) As palavras sublinhadas nos trechos “[...] o


ser humano começou a perguntar-se por qual razão as socie-
dades diferenciavam [...]”, “[...] os numerosos motivos relativos
à condição da mulher [...]” e “[...] sob um ponto de vista mágico,
até melhor, pois a fertilidade era seu reino [...]”podem ser subs-
tituídas por por que, porquês e porque, respectivamente, sem
que isso acarrete erro.

10| |2018.1| ( ) As palavras “higienização”, “embranqueci-


mento”, “gramatiqueiros” e “desqualificação” são formadas pelo
mesmo processo: são nomes abstratos derivados de verbos
pelo acréscimo de sufixos.

11| |2018.2| ( ) As palavras “mobilização”, “mapeamento” e


“transmissão” são formadas por um processo de derivação si-
milar: são nomes derivados de verbos por acréscimo de sufixo.

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FLEXÕES VERBAIS no tempo. “Era impetuoso, arrastava tudo,...” / “Por isso lutava
ainda”.
01| |2004| ( ) No trecho “O vento norte gelara o seu Nô,
13| |2012| ( ) O uso do pretérito imperfeito do subjuntivo
secara o verde de suas folhas”, as palavras sublinhadas podem
em “como se já esperasse por aquilo” confere ao evento um
ser substituídas por “tinha gelado” e “tinha secado”, respectiva-
grau de certeza maior do que se conseguiria com o uso do pre-
mente, sem alteração de seu valor temporal.
térito imperfeito do indicativo – “como já esperava por aquilo”.
02| |2005| ( ) A expressão verbal “deixei de cumprir” foi
14| |2013| ( ) Se, no trecho “Não que a gente vá apren-
empregada para indicar anterioridade ao marco temporal pas-
der”, em vez do verbo ir tivéssemos o verbo pronominal dis-
sado “vim a entender”, no trecho “Na hora achei esse segredo
por-se, a frase deveria ser reescrita como “Não que a gente se
meio sem graça. Só bem mais tarde vim a entender o conselho
dispunha a aprender”.
que tantas vezes na vida deixei de cumprir”.

03| |2006| ( ) Em “Quando homem branco veio, disse que 15| |2014| ( ) Com a forma verbal “disséreis” – segunda
índios falavam com espíritos maus e índio deixou de escutar a pessoa do plural do pretérito mais-que-perfeito do indicativo
voz de dentro”, os verbos destacados indicam, respectivamen- do verbo dizer –, o narrador dirige-se aos leitores, o que é um
te, uma ação concluída e uma ação habitual no passado. recurso comum na prosa de Machado de Assis.

04| |2006| ( ) A exclamação em “Uma flor nasceu na rua!” 16| |2015| ( ) Os verbos “apresentara”, “ocupara” e “vaiara”
encerra uma frase imperativa. têm como variantes as formas compostas pelos verbos auxilia-
res “ter” e “haver”. Assim, sem que houvesse mudança de sen-
05| |2007| ( ) Em “Fala, Kleid. Bem que tu poderias. Tu que
tido, poderíamos substituí-los por “tinha/havia apresentado,
a tudo assististe. Tu que tudo guardaste. Vê só. Estou sozinho”,
ocupado e vaiado”, respectivamente.
o verbo destacado se encontra no modo imperativo; porém,
houve um deslize quanto à norma padrão da língua; a forma
17| |2015| ( ) As formas verbais “vem” e “vêm” são varian-
adequada seria “Veja”, já que o narrador utiliza a 2a pessoa do
tes da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo do verbo
singular para referir-se a Kleid.
“ver”.
06| |2007| ( ) Os verbos “poderias”, “assististe”, “seria” e
“foi” estão todos no pretérito perfeito, o que significa dizer 18| |2015| ( ) O texto diz respeito a fatos que acontece-
que representam ações acabadas, como ocorre na sentença ram repetidamente na vida da menina, o que pode ser obser-
“Naquela época, as brincadeiras faziam a plateia muito feliz”. vado pelo uso de formas verbais como “brincava”, “largava”,
“enfeitava”, “dirigia”, “desenhava”, “cobria” e “reproduzia”, entre
07| |2007| ( ) Na frase “Entrei em centenas de casas de outras.
Manaus”, pode-se substituir a forma verbal por “entrava”, sem
prejuízo do sentido. 19| |2016| ( ) Em “A luz pode ser produzida de diversas
formas”, “pode” é um verbo auxiliar que apresenta o mesmo
08| |2009| ( ) As palavras há e uso, sublinhadas no trecho
valor de incerteza verificado em “Pode ser que chova”.
“é resultado da ideia de que há uma modalidade de escrita
pura, associada seja à norma culta padrão, seja à gramática, 20| |2016| ( ) Em “[...] eu enfiava as mãos avermelhadas
seja à imagem de seu uso por autores literários consagrados”, no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as poças
são formas verbais flexionadas no tempo presente do modo d’água”, as formas verbais sublinhadas intensificam a duração
indicativo. da ação expressa pelo verbo “ir”.
09| |2009| ( ) A substituição dos tempos verbais subli- 21| |2016| ( ) Se a ideia contida em “não queria que ele
nhados em “Haveria, assim, um tipo de escrita sem ‘interferên- pensasse” fosse expressa no tempo presente, a construção
cias da fala’, que deveria ser seguido por todos, [...]” por há e resultante seria “não quero que ele pensa”, em conformidade
deve, respectivamente, resultaria numa afirmação mais cate- com a variedade padrão da língua escrita.
górica.

10| |2009| ( ) Se em, “alguém que soubesse ler”, a forma 22| |2017| ( ) Em “A escritora Luna Miguel destaque esse
verbal soubesse fosse substituída por sabia, não haveria alte- modo de trabalhar em rede, apesar de alertar para o fato de ser
ração do significado temporal. cedo”, o segmento sublinhado pode ser substituído por “em-
bora alerta”, sem prejuízo de sentido e sem desvio da varieda-
11| |2010| ( ) O verbo auxiliar na locução destacada em de padrão escrita da língua portuguesa.
“A Petrobras deve iniciar a produção comercial de etanol de
segunda geração feito a partir de material celulósico em 2012”
pode ser substituído, sem alteração de significado, por pode, 23| |2017| ( ) Em “Se não gostam do enfoque de seu profes-
tem que ou precisa, pois indica projeção futura de um fato que sor, ou não o entendem, buscarão alguém online”, a substituição
certamente se concretizará. das duas formas verbais sublinhadas por “gostarem” e “enten-
derem”, respectivamente, resulta em uma correlação entre
12| |2011| ( ) As formas verbais em evidência nos frag- tempos e modos verbais, no período, que está de acordo com
mentos a seguir se encontram no mesmo tempo verbal e ex- a variedade padrão escrita da língua portuguesa.
pressam, respectivamente, estado e ação que se prolongam

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24| |2018.1| ( ) As locuções verbais “havia chegado”, 33| |2020.1| ( ) Em “Os homens as mulheres nascem, cres-
“havia surgido” e “tinha sido” equivalem, respectivamente, às cem, veem como os outros nascem, como desaparecem” , a vogal
formas verbais simples “chegara”, “surgira” e “fora” e expressam dobrada na forma verbal destacada sinaliza a flexão do verbo
situações passadas que são anteriores a outras também passa- “ver” na terceira pessoa do plural do presente do indicativo,
das. tendo como sujeito “Os homens as mulheres”.

25| |2018.2| ( ) A locução verbal “vai ter” expressa noção


temporal de futuro do presente, projetando um evento hi-
potético que ainda não se realizou, em “No século XVIII, num
primeiro momento, ocorreu o silenciamento das línguas indí-
genas para colocar no lugar o português. Num segundo mo-
mento, você vai ter no Brasil o silenciamento das variedades
populares da língua”.

26| |2018.2| ( ) Em “[...] uma linda moça, que parara um


instante”, a forma verbal sublinhada pode ser substituída por
“tinha parado”, sem prejuízo do significado temporal do verbo.

27| |2018.2| ( ) Em “ Você é daqui? Ser, sou, por quê? Por


seu sotaque, vê que o meu é diferente” e “[...] agora você é que
precisa ir conhecer minha terra, indo lá, me procure,”, o perso-
nagem dirige-se ao interlocutor usando formas verbais impe-
rativas, em conformidade com a variedade padrão escrita da
língua.

28| |2018.2| ( ) Em “Quando apareceu gente, Sônia já es-


tava morta”, a situação expressa na primeira oração é tempo-
ralmente posterior àquela expressa na segunda oração.

29| |2019.1| ( ) Os termos destacados nos trechos “O


Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”, “Eu vim
ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que
não tinha mais passado” e “Sua família tinha tentado inventar
um país e o fundaram sobre corpos humanos” expressam noção
de existência, noção de posse e noção temporal de passado
mais que perfeito, respectivamente.

30| |2019.2| ( ) A pontuação utilizada reforça o emprego


de verbo no imperativo na fala da personagem em “Depressa!
A barragem pode se romper a qualquer momento!”.

31| |2019.2| ( ) A expressão destacada em “Ele não con-


corda que a descrição tenha sido, de fato, preconceituosa, e
afirmou que considera o assunto fechado” marca uma ação de
passado anterior a outra ação, equivalente à forma verbal
“fora” do pretérito mais-que-perfeito.

32| |2019.2| ( ) As formas verbais grifadas em “O homem


deixou cair o cigarro. Amassou-o devagarinho na sola do sapato.
Apertou os maxilares numa contração dolorosa. [...] Mas detrás
das folhas, através das manchas pressentia o vulto arquejante da
caça” estão no pretérito perfeito para indicar ações posteriores
à caçada na floresta.

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MORFOLOGIA – CLASSES GRAMATICAIS 09| |2006| ( ) O vocábulo em evidência no trecho “[...] in-
clinavam-se as asas do aparelho que Setembrino de Carvalho
tinha mandado para localizar redutos” é um pronome relativo
01| |2004| ( ) Os vocábulos “que” destacados em “Fica cujo antecedente é “aparelho”.
fácil chegar a esses temas – que não fazem parte do cotidiano
deles” e em “[...] essa é a melhor forma de mostrar que a História
10| |2007| ( ) Em “Dali se transformam em duas pombas
é feita por todas as pessoas”, estão funcionando como prono-
brancas e voam pelo mesmo caminho que vieram; porém en-
mes relativos, pois, ao mesmo tempo em que ligam orações,
tão são perseguidas por três corvos que procuram agarrá-las,
também apontam para um antecedente.
o pronome oblíquo faz referência à palavra “corvos”.

02| |2004| ( ) Em “Seguro de que a sabedoria dos legisla-


11| |2007| ( ) Os pronomes destacados em “Capitu
dores saberá encontrar meios para realizar semelhante medida
deu-me as costas”, “voltando-se para o espelhinho” e “[...] pediu
e cônscio de que a Câmara e o Senado pesarão o seu alcance
que se sentasse” são todos reflexivos, pois o mesmo indivíduo,
e utilidade”, o pronome possessivo em evidência refere-se ao
ao mesmo tempo que exerce a ação expressa pelo verbo, rece-
termo “medida”.
be os efeitos dessa ação.

03| |2004| ( ) Em “O vento norte gelara o seu Nô, secara


12| |2007| ( ) Em “Imaginemos que o mundo inteiro este-
o verde de suas folhas. Estava seco, frio, duro, ao abandono,
ja em paz”, a palavra destacada é conjunção coordenativa, pois
acabado para sempre”, as palavras “verde” e “abandono” estão
estabelece relação entre duas orações independentes entre si.
funcionando como substantivos.

13| |2007| ( ) Em “As desilusões que ele sofreu [...]”, que


04| |2005| ( ) Os termos sublinhados no trecho “Ao fun-
é pronome relativo e pode ser substituído, sem alteração de
do, à entrada do saguão, dei com os dois velhos sentados,
sentido, por “as quais”.
olhando um para o outro. Vi-lhes no rosto e na atitude uma
expressão a que não acho nome certo ou claro” são pronomes,
que se referem, respectivamente, aos “dois velhos sentados” e 14| |2008| ( ) As expressões sublinhadas em “aqueci-
à palavra “atitude”. mento futuro da atmosfera” e “manchetes dos jornais” têm va-
lor de substantivo nesses contextos.
05| |2005| ( ) A palavra “que”, nas três ocorrências abai-
xo, está funcionando como pronome relativo, pois, ao mesmo
tempo em que liga orações, também aponta para um antece- 15| |2008| ( ) No trecho “Se eu pagar a comissão que eles
dente. exigem pra eu poder continuar trabalhando na arquibancada,
“O homem disse que tinha de ir embora [...]”. onde o pessoal tem mais grana, não sobra nada pra mim”, to-
“O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou das as palavras sublinhadas são pronomes.
[...]”
“Só bem mais tarde vim a entender o conselho
16| |2009| ( ) A palavra que, sublinhada no trecho “Os
que tantas vezes na vida [...]”
avessos a essa prática de escrita consideram que os adeptos
do internetês podem ser encontrados em inúmeros materiais
06| |2005| ( ) Os pronomes sublinhados no trecho “Só que circulam na sociedade”, desempenha a mesma função sin-
bem mais tarde vim a entender o conselho que tantas vezes tática nos dois casos.
na vida deixei de cumprir. Mas que sempre deu certo quando
me lembrei de segui-lo” fazem referência ao mesmo termo.
17| |2009| ( ) Em “e depois deixar o amargo descer deva-
garinho, faringe e esôfago abaixo”, a palavra amargo pode ser
07| |2006| ( ) Os pronomes “onde” e “que”, em “Foi lá na classificada como adjetivo da mesma forma que em “Gosto de
zona da Serra, lá bem distante do mar, onde a riqueza é o pi- mate amargo”.
nheiro, que se transforma em dinheiro”, se referem, respectiva-
mente, a “mar” e “pinheiro”.
18| |2009| ( ) As palavras sublinhadas em “escapar do
todo dia tão apressado e cinzento” e “alegrar toda a família” es-
08| |2006| ( ) No trecho “Do alto tinham aguardado o so- tão usadas com o mesmo sentido, significando “dia inteiro” e
corro, o do exército encantado, e no alto voava o instrumento “família inteira”.
da morte”, as palavras sublinhadas apresentam contração de
preposição com artigo, relacionam-se à palavra “alto” e signifi-
cam, respectivamente, procedência e localização. 19| |2009| ( ) Em “cuidar da sacolinha onde vai chover di-
nheiro”, onde é um pronome relativo que se refere a dinheiro.

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20| |2009| ( ) A palavra se está funcionando como con- 29| |2015| ( ) A palavra “que”, em destaque nos trechos
junção condicional nas duas ocorrências: “nos sertões que “[...] enfeitava-lhe a cabeça com as papoulas que colhia”, “So-
atravessou, disseram que se levava folheto para alegrar toda raya, que parecia uma sonâmbula assustada” e “[...] na super-
a família e os vizinhos, se ali tivessem, por sorte, alguém que fície de um pano que cobria a mesa”, poderia ser substituída,
soubesse ler”. sem que houvesse prejuízo do sentido, por “as quais”, “a qual” e
“o qual”, respectivamente.
21| |2010| ( ) Os vocábulos sublinhados no trecho “Um
planeta onde ele realizou estudos minuciosos, que lhe rende- 30| |2015| ( ) O vocábulo destacado em “Diferentemen-
ram fama internacional e o apelido de “príncipe dos explorado- te de outras ditaduras, como na Espanha, não houve uma só
res” estão funcionando como pronome relativo e conjunção, capa dizendo claramente que o jornal estava sob censura ou
respectivamente. mesmo espaços em branco que indicassem isso” retoma espa-
ços em branco e poderia ser substituído, sem que houvesse
prejuízo de sentido, pelo pronome oblíquo os: “[...] ou mesmo
22| |2010| ( ) As palavras alemão e alemã estão ambas espaços em branco que os indicassem.”
funcionando como substantivo nos fragmentos a seguir e se
opõem quanto à flexão de gênero. “Quando o alemão Fritz
Müller chegou ao interior de Santa Catarina...” e “Hermann Blu- 31| |2016| ( ) Em “Nosso corpo, que normalmente fica na
menau havia criado uma colônia alemã batizada...”. temperatura de 36 ºC, emite luz na faixa do infravermelho [...]”
e em “Os LED que emitem luz branca estão cada vez mais pre-
sentes no nosso dia a dia”, a palavra sublinhada é um pronome
23| |2011| ( ) Nos trechos “Parecia mesmo que o meu relativo que, no primeiro caso, introduz uma oração explicati-
alemão melhorava” e “Eu representava aqui uma célula, um va e, no segundo caso, uma oração que restringe o significado
átomo que teria de se desenvolver”, o vocábulo “que” funciona do termo anterior.
como pronome relativo, pois retoma um termo antecedente e,
ao mesmo tempo, liga orações.
32| |2016| ( ) A palavra “que”, no período “Às vezes, eu
acho que o indício mais óbvio de que existem formas de vida
24| |2012| ( ) No trecho “essa voz era abafada por outra, inteligente fora da Terra é que nenhuma delas tentou entrar
mais incisiva: a do meu avô, que evocava episódios de um Lí- em contato conosco”, exerce a mesma função morfossintática:
bano cada vez mais distante”, ocorre uma ambiguidade quan- pronome relativo, substituindo o substantivo ou o pronome
to à referência do pronome que, a qual poderia ser resolvida antecedente na oração.
pelo uso do pronome o qual / a qual. O pronome o qual faria
referência ao avô, enquanto a qual faria referência a sua voz.
33| |2017| ( ) Nos trechos “Há uma geração que quer sal-
var o mundo, mas ainda não sabe como”, “A teoria do consumo
25| |2014| ( ) No período “Engels sustentava que a sujei- diz que o segmento populacional dos 18 aos 24 anos é o mais
ção da mulher se originou ao mesmo tempo que a proprieda- influente” e “Se não gostam do enfoque de seu professor, ou
de privada e a família, quando os humanos deixaram de ser não o entendem, buscarão alguém online que o explique me-
nômades e se assentaram em povoados de agricultores”, o lhor”, o vocábulo “que” exerce a mesma função nas três ocor-
pronome relativo quando pode ser substituído por onde, sem rências sublinhadas: introduz oração subordinada que retoma
que isso implique desvio em relação à norma padrão. um antecedente.

26| |2015| ( ) Em “[...] não houve uma só capa dizendo 34| |2017| ( ) No trecho “Essa geração usa o Youtube de
que o jornal estava sob censura ou mesmo espaços em branco forma periódica para sua lição de casa. [...] Se não gostam do
que indicassem isso”, o uso dos vocábulos “que” é um recurso enfoque de seu professor, ou não o entendem, buscarão al-
de coesão textual utilizado para retomar os termos que os an- guém online que o explique melhor”, os pronomes “seu”, “o” e
tecedem: “capa” e “espaços”, respectivamente. “o” remetem ao mesmo referente.

27| |2015| ( ) No trecho “Eu sou senhor de um sítio que 35| |2018.1| ( ) Em “Não à toa essa elite defendeu o que
está na beira do rio, aonde dá muito boas bananas e laranjas, se costumava chamar higienização da raça, ou seja, a imple-
e como vem de encaixe, peço o favor de aceitar um cestinho mentação de políticas que resultassem no embranquecimen-
das mesmas que eu mandarei hoje à tarde”, os trechos subli- to do país”, o vocábulo sublinhado funciona como pronome
nhados podem ser substituídos, sem que lhes seja modificado relativo, estabelecendo relação entre as orações e retomando
o sentido, por “onde”, “aproveitando a oportunidade” e “frutas”, um antecedente.
respectivamente.

36| |2018.2| ( ) Em “Estima-se que mais de 250 línguas se-


28| |2015| ( ) Na frase “[...] ao passo que há no rosto de jam faladas no Brasil” e “Esse patrimônio cultural é desconheci-
Garcia uma expressão de severidade, que lhe não é habitual”, do por grande parte da população brasileira, que se acostumou
o pronome em destaque retoma “expressão de severidade”. a ver o Brasil como um país monolíngue”, o vocábulo sublinha-
do indica que o sujeito é indeterminado nos dois casos.

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37| |2018.2| ( ) Em “O INDL é o instrumento oficial de 46| |2019.2| ( ) No excerto “Muitos acreditam que deve-
reconhecimento de línguas como patrimônio cultural e seu mos desenhar políticas econômicas sem analisar suas consequ-
objetivo é a “identificação, documentação, reconhecimento e ências ambientais”, o termo “muitos” indica uma quantidade
valorização das línguas”, o pronome possessivo faz referência indeterminada de pessoas.
a “patrimônio cultural” e, em “Por ser um instrumento com a
dupla finalidade de pesquisar as línguas e de reconhecê-las
como patrimônio cultural, o INDL deve permitir o mapeamen- 47| |2019.2| ( ) Os vocábulos destacados em “Porém,
to”, o pronome pessoal faz referência a “as línguas”. quando ocorre um desastre ambiental, o que há é uma socializa-
ção dos prejuízos, que são pagos pela sociedade como um todo.
Esse prejuízo ocorre na forma de morte de pessoas” e em “Den-
38| |2018.2| ( ) A preposição sublinhada em “Esse patri- tro de uma visão convencional e simplista de economia, eliminar
mônio cultural é desconhecido por grande parte da população incentivos fiscais é positivo, pois reduz distorções do mercado e
brasileira” e em “Por ser um instrumento com a dupla finalida- contribui para o aumento da competitividade. Essa visão está ul-
de de pesquisar as línguas e de reconhecê-las como patrimô- trapassada” são pronomes com função de retomada anafórica.
nio cultural, o INDL deve permitir o mapeamento” introduz,
no primeiro caso, o agente de uma oração na voz passiva e,
no segundo caso, introduz a causa da informação expressa na 48| |2019.2| ( ) As palavras grifadas em “Isso está
oração principal. profundamente equivocado” e em “A visão de que o que
importa é fazer o bolo crescer para depois dividir a renda e
limpar a poluição está totalmente ultrapassada” são advérbios
39| |2018.2| ( ) Em “[...] como referência identitária para utilizados para intensificar a ideia expressa pelos adjetivos nos
os diversos grupos sociais que vivem no país” e em “[...] o país respectivos contextos.
tem uma história, uma dinâmica social que atropela tudo isso”,
o vocábulo “que” retoma um antecedente e introduz uma ora-
ção subordinada em cada uma das ocorrências. 49| |2019.2| ( ) Em “Não entra nessa perspectiva a análise
do custo das vidas e da degradação ambiental de desastres como
Brumadinho ou Mariana (este foi o maior da história do Brasil)”,
40| |2018.2| ( ) As palavras destacadas em “Mas não deu o termo “este” retoma o referente “Mariana”.
muita confiança à morte, porque ia tocando mais... porém, a
cabeça desabou sobre o teclado... Quando apareceu gente,
Sônia já estava morta” funcionam, respectivamente, como 50| |2019.2| ( ) Em “Homem que bate em mulher, Penha
substantivo e adjetivo. nele”, o vocábulo “que” funciona como pronome relativo, an-
tecipando o substantivo “mulher”.

41| |2019.1| ( ) Em “O excesso de realidade nos joga no


não tempo. No sem tempo. No fora do tempo”, os termos grifa- 51| |2019.2| ( ) Em “Homem que bate em mulher, Penha
dos apresentam a mesma função gramatical. nele”, o vocábulo “nele” estabelece relação entre orações e re-
toma o antecedente “homem”.

42| |2019.1| ( ) Em “O Brasil perdeu a possibilidade da


metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga 52| |2020.1| ( ) Em “Este textão aqui não quer passar nem
no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo”, o pronome perto de te dar uma lição de moral”, os termos “Este” e “aqui”
“Isso” tem como referente “O excesso de realidade”. pertencem a classes de palavras diferentes, mas desempe-
nham o papel de indicar que a autora refere-se ao seu próprio
texto.
43| |2019.1| ( ) O termo “aqui” funciona como advérbio
de lugar e refere-se à palavra “Brasil” em “Aqui jaz o Brasil”.
53| |2020.1| ( ) Em “Fui assediada sem esboçar reação,
porque estava começando a chover e não quis ficar discutindo
44| |2019.1| ( ) Os vocábulos “que” – Aprendi com ele com um estranho enquanto meu cabelo se desfazia”, as palavras
que palavrão em boca de mulher é como lesma em corola de “assediada”, “começando” e “discutindo” desempenham a mes-
rosa –, “logo” – Sou mulher, logo, só posso dizer palavrão em ma função gramatical.
língua estrangeira – e “se” – Uma puta erudita, tão erudita que
se quisesse podia dizer as piores bandalheiras – funcionam,
respectivamente, como conjunção integrante, conjunção con- 54| |2020.1| ( ) o pronome oblíquo “lhes” retoma o refe-
clusiva e conjunção condicional. rente “indigentes” em “Nas imediações dessa cidade, um lugar
apropriado de domínio público era reservado aos indigentes que
se sentiam morrer. Dava-se-lhes comida, roupa e o caixão fúne-
45| |2019.1| ( ) No recorte do livro Nós, de Salim Miguel, bre em que se deviam enterrar”.
“Estou aqui é para ajudar a desfazer os nós”, ao contrário do
que acontece no restante da obra, a remissão a “nós” diz res-
peito a um substantivo concreto e não a um pronome pessoal.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 159


55| |2020.1| ( ) Os termos sublinhados em “O João
entrou dizendo que estava com dor de barriga. Percebi que foi
SINTAXE INTERNA: PERÍODO SIMPLES
por ele ter comido melancia deturpada” e em “Não sei porque
é que estes comerciantes inconscientes vem jogar seus produtos 01| |2006| ( ) Em “Do alto tinham aguardado o socorro,
deteriorados aqui perto da favela” são formas nominais o do exército encantado”, o vocábulo sublinhado refere-se ao
cuja função é qualificar os nomes “melancia” e “produtos”, complemento do verbo da sentença anterior.
respectivamente.

02| |2006| ( ) Em “Ria-se das pedradas [...]”, o se é indicati-


56| |2020.1 ( ) As ocorrências sublinhadas do termo “se”, vo de um sujeito indeterminado.
em “E se cheguei até aqui é porque vou morrer. Já?, horrorizou-se
olhando para os lados mas evitando olhar para trás. A vertigem
o fez fechar de novo os olhos. Equilibrou-se tentando se agarrar 03| |2007| ( ) Em “Quando a noite está escura, e cai o
ao banco, Não quero!, gritou” integram o verbo que o segue ou vento noroeste, vê-se dois vultos brancos como a neve atra-
o antecede, denotando atitudes próprias do sujeito. vessarem o mar, vindos da Ilha do Mel à Ponta Grossa, e irem
costeando até a Ponta da Pedreira. Dali se transformam em
duas pombas brancas [...]”, o sujeito do verbo em destaque
está em elipse.

04| |2007| ( ) O antecedente de que em “Durante a tarde,


os manifestantes que reivindicavam melhorias salariais foram
às ruas” é “manifestantes”, e a palavra que representa o agente
do verbo “reivindicar”.

05| |2007| ( ) O verbo “toma”, em “[...] justificam as deci-


sões que ele toma hoje em dia [...]”, tem como sujeito a palavra
“que” cujo antecedente é “decisões”.

06| |2008| ( ) Tanto o sujeito de “Conversam o carcereiro


e o assassino de alta periculosidade”, como o sujeito de “Não
se deixe explorar pela concorrência!” é indeterminado.

07| |2009| ( ) Os termos sublinhados a seguir desempe-


nham a mesma função sintática: “saco de plástico”, “trapos de
vestir”, “provar da vida livre”.

08| |2014| ( ) Em “Eu gosto dela, minha mãe; é um gosto


que não me sai nunca da boca, um gosto que sabe a tudo o
que de bom já tive...aos seus beijos de mãe quando eu me-
nino, à primeira canção que fiz, ao sonho que tive de chegar
onde estou hoje...” o verbo “saber” tem sentido de “ter sabor/
gosto de”; seu longo objeto compreende o trecho sublinhado.

09| |2015| ( ) No período destacado em “Orelana, cê pre-


cisa fazer alguma coisa pelo Zeferino. Tá tão abatidinho, tão
jururu porque não pode votar...”o sujeito da frase que foi omi-
tido corresponde a Zeferino.

10| |2015| ( ) O vocábulo “lhe” tem a mesma função sin-


tática e o mesmo referente em todas as ocorrências em que
aparece no trecho “Soraya nunca largava a boneca; enfeitava-
-lhe a cabeça [...], oferecia-lhe pedaços de frutas, dirigia-lhe os
mesmos gestos com a mão [...], passava-lhe água-de-colônia
no corpo, acariciava-lhe os cabelos [...]”.

11| |2016| ( ) A expressão destacada em “Às vezes, eu


acho que [...]” denota uma ideia de temporalidade.

160 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


12| |2016| ( ) A oração destacada em “[...] não queria que 21| |2019.1| ( ) No segundo período do trecho “Brasil é
ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia você. Não posso ser aquele que não é”, há a retomada por elip-
um bom pretexto [...]” tem o sentido de “e eu caminhava” e in- se do sujeito posto na oração imediatamente anterior.
dica que a caminhada do personagem foi longa, demorada e
cheia de obstáculos concretos a serem transpostos.
22| |2019.1| ( ) Em “– Dona Ida peço-te se pode me ar-
ranjar um pouco de gordura”, os termos em destaque servem
13| |2016| ( ) As orações “[...] quando a lâmpada incan- como vocativo, apesar da ausência de vírgula.
descente foi inventada”, “[...] a lâmpada incandescente foi
desenvolvida como produto comercial [...]” e “[...] a lâmpada
incandescente é usada até hoje”, estão na voz passiva, tendo 23| |2019.1| ( ) Em “Anoiteceu e faz frio”, temos uma ora-
como agente das ações “a lâmpada incandescente”. ção com sujeito oculto e com verbos na terceira pessoa do sin-
gular.

14| |2016| ( ) Em “Ela pode se comportar” e em “usava-


-se fogo”, o pronome “se” é um recurso gramatical empregado 24| |2019.1| ( ) Os verbos “ocuparam”, “interessaram”,
para indicar que o sujeito, em ambos os casos, é indetermina- “esperavam” e “pediram” têm como sujeito parte do grupo de-
do. nominado Capitães da Areia no recorte “Ocuparam a mesa do
canto, o Gato puxou o baralho. Mas nem Pedro Bala, nem João
Grande, nem Professor, tampouco Boa-Vida se interessaram. Es-
15| |2016| ( ) Em “tudo o que eu andava fazendo e sen- peravam o Querido-de-Deus na Porta do Mar. As mesas estavam
do eu não queria que ele visse nem soubesse” , a sequência cheias. Numa mesa pediram cachaça. Houve um movimento de
sublinhada funciona como complemento verbal de “visse” e copos no balcão”.
“soubesse”.
25| |2019.1| ( ) O termo “modernizar”, em “Governo
16| |2016| ( ) Poderia haver a substituição da forma ver- anuncia propostas para modernizar leis trabalhistas de 1940”,
bal “existem” pela forma verbal “há”, sem acarretar qualquer complementa o verbo com a ideia de finalidade.
mudança semântica e morfossintática no restante do texto,
em “Às vezes, eu acho que o indício mais óbvio de que existem
formas de vida inteligente fora da Terra é que nenhuma delas 26| |2019.2| ( ) O fragmento sublinhado em “Anos de-
tentou entrar em contato conosco”. pois os jornais de classe, pequenos jornais, dos quais vários não
tinham existência legal e se imprimiam em tipografias clandes-
tinas” é um aposto que serve para explicar o que seriam os
17| |2017| ( ) As palavras destacadas em “Papai, sabe o “jornais de classe”.
que eu descobri? Que o significado das palavras não é uma coi-
sa fixa!” e em “Você não acha isso muito fiambre? Remetem ao
mesmo referente, porém exercem funções morfossintáticas 27| |2019.2| ( ) A sentença “Ele afirmou que fez as modifi-
distintas. cações necessárias no texto” está na voz passiva por se tratar de
uma citação do biógrafo feita por uma revista.

18| |2017| ( ) Em “Quando a gente dá novos significados


às palavras, nosso velho idioma se transforma em um código ex- 28| |2019.2| ( ) A frase “Homem que bate em mulher, Pe-
cludente!” e em “Já que é assim, vou inventar novos significados nha nele” tem como predicativo “Penha nele”.
para as palavras e aí a gente não vai mais conseguir se comuni-
car”, “a gente” é usado como pronome pessoal em referência 29| |2019.2| ( ) Em “Homem que bate em mulher, não gos-
à primeira pessoa do plural e desempenha a mesma função ta da mulher”, o verbo “bater” está flexionado na terceira pes-
morfossintática nas duas ocorrências. soa do singular e tem o substantivo “mulher” como sujeito da
oração.
19| |2017| ( ) Nos trechos “Há uma geração que quer sal-
var o mundo, mas ainda não sabe como” e “Para as empresas, no 30| |2019.2| ( ) Em “Quem brinca com fogo, se dá mal”, o
entanto, a aventura com seus irmãos mais novos consiste agora termo “se” desempenha a função de índice de indeterminação
em decodificá-los no laboratório”, os termos “o mundo” e “no la- do sujeito.
boratório”, respectivamente, desempenham a mesma função
sintática, remetendo à ideia de lugar.
31| |2020.1| ( ) No trecho “Chagas decidiu, então, montar
uma “enciclopédia” por conta própria. Criou com sua equipe
20| |2018.2| ( ) Os termos sublinhados em “Poucos dias o #MUSEUdeMEMES, um site que reúne as intervenções mais
depois da minha chegada, um amigo e companheiro de infân- difundidas e influentes”, em todas as orações o sujeito é o
cia, o Dr. Sá, levou-me à festa da Glória” e “– Não é uma senho- nome “Chagas”, o qual é retomado pelas formas nominal e
ra, Paulo! É uma mulher bonita” funcionam, respectivamente, pronominal.
como aposto e vocativo.

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32| |2020.1| ( ) As sentenças “Viver de textão faz com que
a gente jamais tenha certeza do que está dizendo” e “se te falta
SINTAXE EXTERNA: PERÍODO COMPOSTO
coragem para pôr em prática o que colocamos na internet, desli-
gue o textão e vá ver TV” são escritas com verbos impessoais. 01| |2006| ( ) “O avião ia e vinha, subia, baixava, girava.”
constitui um período formado por cinco orações independen-
tes entre si.
33| |2020.1| ( ) Os termos “crescem”, “nascem”, “desapa-
recem” e “esquecem” atuam como verbos intransitivos, uma vez
que não necessitam de complemento no período “Os homens 02| |2009.1| ( ) Em “O tempo escorre, vamos ao que impor-
as mulheres nascem, crescem, sabem que um dia nascem, noutro ta”, observa-se uma relação de coordenação em que a segun-
desaparecem, mas nem por isso se esquecem de apagar o gás e a da oração manifesta resultado ou consequência da primeira.
luz”.

03| |2020.1| ( ) Na frase “Ver um meme na parede de um


34| |2020.1| ( ) Em “Cumpriu a rotina da manhã com uma museu: essa provocação sempre foi nossa intenção”, os dois-
curiosidade comovida, atento aos menores gestos que sempre -pontos introduzem uma oração subordinada.
repetiu automaticamente e que agora analisava, fragmentando-
-os em câmara lenta, como se fosse a primeira vez que abria uma
torneira”, a coesão é estabelecida pela manutenção do verbo 04| |2020.1| ( ) O trecho “por incrível que pareça” man-
na primeira pessoa do singular com sujeito oculto. tém uma relação de coordenação a fim de marcar uma ideia
de conclusão no período “Sai zombando, mas não consegue ul-
trapassar a porta. O velho militar retira um antigo punhal de suas
costas. A polícia ainda o está investigando e os seus depoimen-
tos, por incrível que pareça, são considerados contraditórios”.

162 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


EMPREGO DOS CONECTORES 11| |2010| ( ) Existe uma relação semântica de proporcio-
nalidade entre as orações do período “A safra de cana do Brasil
deve chegar a 630 milhões de toneladas nesta temporada, com
01| |2005| ( ) A expressão destacada em “[...] nosso ouvin- as quais serão produzidos 28 bilhões de litros de etanol”.
te vai julgar não somente o que se diz, mas também quem diz
[...]” estabelece uma relação de retificação do argumento da
12| |2010| ( ) No período “Quando o alemão Fritz Mül-
primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescen-
ler chegou ao interior de Santa Catarina, em 1852, era como
ta uma nova informação.
se pousasse em outro planeta”, há uma relação semântica de
temporalidade e outra de comparação entre os conteúdos das
02| |2006| ( ) A segunda oração indica finalidade em rela- orações.
ção à primeira em “Um pai matou sua filha, com a intenção de
se vingar”.
13| |2011| ( ) A conjunção destacada em “Parecia mesmo
que o meu alemão melhorava, enquanto o português deles ia
03| |2006| ( ) Em “É feia. Mas é uma flor”, a conjunção indi- para trás” expressa, simultaneamente, as noções de ao mesmo
ca que “ser flor” é um elemento adicional ao fato de “ser feia”. tempo em que e ao passo que.

04| |2006| ( ) O vocábulo destacado em “O avião ia e vi- 14| |2014| ( ) O trecho “apesar da resistência apresentada
nha [...]” inicia um período subordinado ao anterior, indicando por muitos e muitas” poderia ser reescrito “devido à resistência
uma adição. apresentada por muitos e muitas”, sem que isso implicasse mu-
dança no sentido da frase.

05| |2007| ( ) Em “[...] lançam gritos tão agudos que fazem


acordar as crianças em seus berços”, temos, na segunda oração, 15| |2015| ( ) Em “Quando o regime se instalou, as lendá-
uma relação de consequência. rias receitas de bolo ou poemas de Camões publicados para in-
dicar ao público que o veículo estava sob censura revelam mais
uma postura de conivência do que de resistência”, os trechos
06| |2007| ( ) Em “Quando a noite está escura, e cai o vento destacados denotam tempo, finalidade e comparação, respec-
noroeste, vê-se dois vultos brancos como a neve atravessarem o tivamente.
mar [...]” percebe-se que só é possível ver dois vultos brancos
como a neve mediante duas condições.
16| |2015| ( ) Em “Vossa Senhoria não pode prender-me à
toa: a Constituição não manda”, há uma relação de adversida-
07| |2008| ( ) As expressões sublinhadas em “O conhe- de entre as orações que estão separadas pelos dois-pontos,
cimento científico tem participação ampla e profunda tanto no que poderiam ser substituídos por “todavia”.
processo de aquecimento da Terra como nos encaminhamentos
para evitar uma tragédia [...]” e em “Quais as possibilidades de o
atual conhecimento científico permitir uma reversão deste pro- 17| |2016| ( ) As orações sublinhadas em “[...] todo corpo,
cesso, ainda que nem tudo volte a ser como antes?”, podem ser quando aquecido, emite luz” e “Até meados do século XIX, quan-
substituídas, respectivamente, por não só [...] mas também, e do a lâmpada incandescente foi inventada [...]”, embora sejam
mesmo que, sem prejuízo para o sentido de cada frase. introduzidas pelo mesmo conector, apresentam sentidos dife-
rentes: no primeiro caso, aproxima-se de um valor condicional;
no segundo caso, tem valor temporal.
08| |2008| ( ) No trecho “Momento houve em que os olhos
de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem
palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá 18| |2016| ( ) Em “À medida que aumentamos a tempe-
fora [...]”, as palavras sublinhadas introduzem comparações. ratura”, a locução sublinhada poderia ser substituída por “À
proporção em que” ou “Ao passo em que”, de acordo com a va-
riedade padrão da língua escrita.
09| |2010| ( ) A conjunção mas estabelece uma oposição
entre produção de etanol e produção de biocombustível em:
“A produção de etanol de segunda geração ainda não atingiu 19| |2016| ( ) O conector “Mas” expressa mudança na di-
a escala comercial, mas algumas empresas apostam no uso de reção argumentativa em “A lâmpada incandescente [...] foi de-
material celulósico [...] para a produção de biocombustíveis”. senvolvida como produto comercial [...]. Mas, devido à sua baixa
eficiência [...], essa invenção tem seus dias contados”.

10| |2010| ( ) Existe uma relação semântica de causalida-


de entre as orações do período “A forte expansão da produção 20| |2017| ( ) As construções “São mais realistas que seus
de etanol nos EUA nos últimos anos foi amplamente criticada por irmãos mais velhos” e “são mais populares do que as da indústria
contribuir para a inflação dos alimentos”. do entretenimento tradicional” expressam ideia de comparação
de superioridade sem desvio da variedade padrão escrita da
língua portuguesa.

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21| |2017| ( ) No trecho “Para as empresas, no entanto, a
aventura com seus irmãos mais novos consiste agora em decodi-
CONCORDÂNCIA VERBAL
ficá-los no laboratório”, a expressão “no entanto” introduz uma
ideia de contraste, podendo ser substituída por “entretanto”, 01| |2006| ( ) Ambas as formas verbais do trecho “Resta-
sem prejuízo de sentido à frase. belecer-se-iam, de imediato, as ligações, se houvessem técnicos
de plantão” estão corretamente conjugadas no plural.
22| |2018| ( ) Em “Quando se acirrou, no século XIX, a ques-
tão da norma culta, nossas diferenças foram logo interpretadas 02| |2006| ( ) No período “Se todos houvessem seguido as
como deturpações da língua”, o vocábulo sublinhado funciona normas, não haveria tantas reclamações”, houve um desvio da
como conector que introduz uma oração conclusiva. norma padrão da língua portuguesa.

23| |2018| ( ) Em “E o que a princípio tinha sido um mero 03| |2006| ( ) O termo em evidência no segmento “Havia
pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em apenas uma saída para o problema, mas outras poderiam haver
uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusativo. Então caso analisássemos o problema com mais calma” é o responsá-
eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe?”, o vo- vel pelo plural do verbo “poderiam”.
cábulo sublinhado funciona como conector que estabelece
relação de condicionalidade entre as informações.
04| |2006| ( ) O verbo destacado em “O desrespeito à na-
tureza é tanto que, naquele lugar, já não existem animais daque-
24| |2018.2| ( ) Em “eu ia até mais adiante, não tenho la espécie” segue as normas da concordância verbal.
como”, as orações estabelecem entre si uma relação semântica
de adição, combinando informações de valor equivalente.
05| |2006| ( ) “Hão de trazer o que me prometeram! Ora, se
hão!”. O verbo “haver” é um auxiliar que se flexionou de forma
25| |2018.2| ( ) Os conectores destacados em “Mas não adequada no plural.
deu muita confiança à morte, porque ia tocando mais... porém,
a cabeça desabou sobre o teclado” têm valor adversativo e am-
bos introduzem informações que contrastam com “ia tocando 06| |2007| ( ) De acordo com a norma culta, na frase “Vê-
mais”. -se dois vultos brancos como a neve atravessarem o mar [...]”, há
problema de concordância verbal, uma vez que o verbo “Vê”
deveria estar no plural, por ter como sujeito “dois vultos bran-
26| |2018.2| ( ) No trecho “Aquela menina. Uma que to- cos como a neve”.
cava muito bem. E sabia francês. Natural. Estudou nos melhores
colégios”, há uma relação semântica de causalidade entre as
situações apresentadas. 07| |2009| ( ) A forma verbal fazem está flexionada na ter-
ceira pessoa do plural, pois concorda com o sujeito “usos” no
fragmento “Esse mesmo conceito é o que, muitas vezes, se atribui
27| |2019.2| ( ) Em “Isso é bom para as empresas e seus aos usos que fazem os indivíduos não dotados da tecnologia da
acionistas. Porém, quando ocorre um desastre ambiental, o que escrita alfabética...”,
há é uma socialização dos prejuízos”, o termo “porém” pode ser
substituído pela expressão “sendo assim” mantendo-se a no-
ção de adversidade. 08| |2010| ( ) O plural de “haverá matéria-prima conside-
rável”, de acordo com a norma culta da língua portuguesa, é:
“haverão matéria-primas consideráveis”.

09| |2011| ( ) No trecho “mas essa mesma lei é redigida


numa língua que só uma pequena parcela dos brasileiros con-
segue entender”, o verbo conseguir poderia ser conjugado na
terceira pessoa do plural, sem que houvesse erro de concor-
dância verbal, considerando a norma culta escrita.

10| |2012| ( ) No trecho “e outras sementes que na terra


dá”, segundo as regras gramaticais atuais, há um problema de
concordância verbal. Esse problema poderia ser resolvido al-
ternando-se a redação para: a) e outras sementes que a terra
dá; ou b) e outras sementes que na terra dão.

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11| |2012| ( ) No trecho “um grande número de pessoas se 19| |2018.2| ( ) O período “Entre as ações de valorização
reuniu e, com parelhas de bois, arrastaram e mudaram de lugar previstas, encontra-se o reconhecimento da importância das lín-
nada menos que a casa inteira de um morador”, todos os verbos guas como elemento de transmissão da cultura” pode ser rees-
poderiam ser conjugados na terceira pessoa do singular ou na crito, sem prejuízo de significado, no texto, e sem desvio da
terceira pessoa do plural, sem que isso implicasse desobediên- variedade padrão escrita da língua, como: “O reconhecimento
cia às regras de concordância verbal. da importância das línguas como elemento de transmissão da
cultura encontram-se entre as ações de valorização previstas”.
12| | 2013| ( ) Se a palavra “muito”, em “Existe muito para
nós aprendermos sobre o mundo”, fosse substituída por “muitas 20| |2018.2| ( ) Em “[...] e tu, é donde?” e “[...] o que prefe-
coisas”, o verbo existir poderia ser mantido no singular – Exis- res”, as formas sublinhadas seguem a regra de concordância
te muitas coisas para nós aprendermos sobre o mundo – sem verbal da variedade padrão escrita da língua.
que isso implicasse desrespeito à norma padrão escrita da lín-
gua portuguesa.
21| |2020.1| ( ) A reescrita da sentença “Fui assediada
sem esboçar reação, porque estava começando a chover e não
13| |2014| ( ) Na sentença “As linhas puras e severas do ros- quis ficar discutindo com um estranho enquanto meu cabelo se
to parecia que as traçara a arte religiosa”, ocorre um desvio de desfazia”, com o sujeito no plural, fica “Fomos assediadas sem
concordância, pois o verbo parecer deveria estar flexionado esboçar reações, porque estava começando a chover e não que-
no plural para concordar com o sujeito “as linhas puras e se- ríamos ficar discutindo com um estranho enquanto nosso cabelo
veras do rosto”. Isso constitui um exemplo da liberdade formal se desfazia”.
dos românticos.

14| |2014| ( ) No trecho “Há séculos, o ser humano come-


çou a perguntar-se [...]”, caso o verbo haver fosse substituído
por fazer, seria necessário flexionar este verbo na terceira pes-
soa do plural – “Fazem séculos [...]” – para estabelecer a concor-
dância com o sujeito.

15| |2015| ( ) A frase “Havia já cinco minutos que nenhum


deles dizia nada” poderia ser reescrita, sem que a variedade
padrão escrita da língua portuguesa sofresse desvios, da se-
guinte forma: “Faziam já cinco minutos que nenhum deles dizia
nada”.

16| |2015| ( ) O trecho “[...] não houve uma só capa dizen-


do claramente que o jornal estava sob censura ou mesmo espa-
ços em branco que indicassem isso” poderia ser assim reescrito,
sem que houvesse mudança de sentido e desrespeito à varie-
dade padrão escrita da língua portuguesa: “[...] não houve uma
só capa que dissesse claramente que o jornal estava censurado,
assim como não houveram espaços em branco que indicassem
esse fato”.

17| |2017| ( ) As formas verbais sublinhadas em “Há uma


geração que quer salvar o mundo, mas ainda não sabe como [...].
São mais realistas que seus irmãos mais velhos” e em “Essa gera-
ção usa o Youtube de forma periódica para sua lição de casa [...].
Se não gostam do enfoque de seu professor, ou não o entendem,
buscarão alguém online que o explique melhor” estão no plural
em concordância com a noção de conjunto de pessoas expres-
sa pela palavra “geração”.

18| |2017| ( ) No trecho “Acabou o egoísmo, o narcisismo


selfie, a obsessão pelo consumo e a passividade que isso acarre-
ta”, a forma verbal “Acabou” poderia ser substituída por “Aca-
baram”, em concordância como o sujeito posposto que está
no plural.

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CONCORDÂNCIA NOMINAL UNIFORMIDADE REGÊNCIA – PRONOMES
01| |2004| ( ) As palavras “autora” e “historiadora” encon- 01| |2004| ( ) No trecho abaixo, o pronome sublinhado
tram-se no feminino e apresentam flexão de gênero, como faz referência a povo brasileiro, substituindo, assim, um nome
pode ser observado nos pares: autor - autora, historiador - his- mencionado posteriormente no texto.
toriadora. O mesmo processo morfológico de flexão verifica-
“Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, cer-
-se nos pares: galo - galinha e homem - mulher.
to de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo tam-
bém de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo
02| |2008| ( ) O pronome possessivo destacado em “O nos campos das letras, se vêem na humilhante contingência de so-
melhor de tudo é que a decisão será sua e de mais ninguém” se frer continuamente censura áspera dos proprietários da língua; sa-
refere à segunda pessoa do discurso você. bendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores,
com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à
correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmi-
03| |2013| ( ) Considerando que Amado trata Aprígio em cas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma – usando
terceira pessoa – Aprígio, você não me compra –, o uso do pro- do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congres-
nome “teu” – “Botei que teu genro esbarrou no rapaz” –, assim so Nacional decrete o tupi-guarani, como língua oficial e nacional
como das formas imperativas “canta” – Me canta! – e “presta” do povo brasileiro”.
– Presta atenção –, representa sinal de coloquialidade.

04| |2013| ( ) No trecho abaixo, temos um desvio na con- 02| |2006| ( ) Ocorreu desvio da norma padrão escrita no
cordância nominal, porque o adjetivo “primeira” deveria estar segmento “O desafio que me refiro implica em fazer escolhas”.
no masculino, de forma a concordar com “José Manuel”.
“O leitor não se deve admirar disto, pois não temos cessado de 03| |2007| ( ) Em “Peguei-lhe dos cabelos”, “[...] desde a tes-
repetir-lhe que o Leonardo herdara de seu pai aquela grande có- ta até as últimas pontas, que lhe desciam à cintura” e “Pedi-lhe
pia de fluido amoroso que era a sua principal característica. Com que se sentasse”, a palavra destacada, embora sendo um pro-
esta herança parece porém que tinha ele tido também uma ou- nome pessoal oblíquo, tem valor possessivo.
tra, e era a de lhe sobrevir sempre uma contrariedade em casos
semelhantes. José Manuel fora a primeira; vejamos agora qual
era, ou antes quem era a segunda”. 04| |2008| ( ) O pronome pessoal destacado em “É por
isso que a Editora Abril está lançando o Guia do estudante. Por-
que o que ele mais tem é exatamente o que você mais precisa
saber” faz referência ao estudante que busca uma faculdade
para cursar.

05| |2009| ( ) O pronome lhe apresenta valor possessivo


em “aquecer-lhe o peito”.

06| |2012| ( ) A palavra “Beirute” aparece três vezes se-


guidas em “...aprendi a amar Beirute quando perdi Beirute, es-
queci Beirute e aprendi a amar a América...”. As duas últimas
ocorrências poderiam ser substituídas pelo pronome oblíquo
a – quando a perdi, esqueci-a – porque, em ambos os casos,
“Beirute” funciona como objeto direto.

07| |2013| ( ) No trecho “[...] ele reuniu os 6 mil verbetes


que compõem o estudo de 400 páginas [...]”, o pronome relativo
“que” poderia ser substituído por “cujos”, caso se desejasse um
estilo mais formal.

08| |2013| ( ) No trecho “Ameacei resistir ao uso de grava-


tas, por considerá-lo um costume idiota e incômodo”, a substitui-
ção de “considerá-lo” por “considerar-lhe” estaria em desacordo
com a norma padrão escrita da língua portuguesa.

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09| |2013| ( ) O trecho “[...] traços que mais caracterizam
uma língua em relação a outras que lhe são cognatas.” poderia
REGÊNCIA – CRASE
ser reescrito como “[...] traços que mais caracterizam uma lín-
gua em relação a outras que são cognatas delas.”, sem prejuízo 01| |2013| ( ) No período “A família gratificará bem quem
ao sentido do texto. der notícias do pequeno Augusto e o conduzir a sua casa.”, a
expressão “a sua casa” poderia ser escrita como “à sua casa”,
sem que isso implicasse desrespeito à norma padrão.
10| |2014| ( ) Se o pronome “lhes” fosse substituído por
“as” – “a lenda lhes atribui um papel agridoce” –, haveria erro
quanto à regência do verbo atribuir. 02| |2013| ( ) No trecho “Eles podem, assim, induzir a erro
e oficializar versões equivocadas [...]”, se a palavra “erro” fosse
substituída por “falha”, seria necessário escrever “Eles podem,
11| |2018| ( ) Em “o quarto da nova casa em que eu es-
assim, induzir à falha e oficializar versões equivocadas [...]”,
tava morando”, o pronome relativo precedido de preposição
porque a presença do substantivo feminino implicaria uma
pode ser substituído por “a qual” ou por “aonde”, sem prejuízo
crase, nesse contexto.
de significado no texto e em conformidade com a norma culta
da língua escrita.
03| |2014| ( ) No trecho “Levar o dentista ao cemitério era
quase uma afronta ao coronel Jesuíno e à sociedade”, caso substi-
12| |2018| ( ) Em “Avista uma mulher vestindo uma ban-
tuíssemos as palavras sublinhadas, respectivamente, por “última
dalheira preta que lhe lança um olhar cheio de betume e ca-
morada” e “todos da cidade”, seria necessário usar o acento indica-
briolé. Segue-a através dos becos de Cântaro”, a construção
tivo de crase em ambos os casos: Levar o dentista à última mora-
destacada pode ser reescrita como “Segue ela através dos be-
da era quase uma afronta ao coronel Jesuíno e à todos da cidade.
cos de Cântaro”, sem desvio da norma culta da língua escrita.

04| |2014| ( ) No trecho “o homem [...] precisava assegu-


rar-se filhos próprios, aos quais pudesse transferir suas posses”,
se substituíssemos o substantivo “filhos” por “descendência”,
teríamos: “o homem [...] precisava assegurar-se descendência
própria, à qual pudesse transferir suas posses”..

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PONTUAÇÃO 09| |2020.1| ( ) Em “Não é mais o dia azul-cobalto e o céu
ofuscante, não é mais o negror da noite picado de estrelas pal-
pitantes; é a treva absoluta, é toda ausência de luz”, o ponto e
01| |2007| ( ) Em “Eu era moleque, e eles, uns curumins vírgula pode ser substituído por dois-pontos sem prejuízo ao
que já carregavam tudo”, houve, na segunda oração, elipse de sentido do texto.
um verbo, cuja compreensão é possível a partir do emprego
da vírgula após o sujeito.

02| |2013| ( ) Observa-se que, nos trechos “[...] pelo lexicó-


grafo Francisco da Silva Borba, organizador do Dicionário Unesp
do Português Contemporâneo, [...]” e “[...] analisa o lexicógrafo
Francisco Filipak, autor do Dicionário Sociolinguístico do Para-
ná, [...]”, quando o nome de um pesquisador é introduzido no
texto, segue-se um aposto, separado do restante do texto por
vírgula(s), conforme previsto nas regras de pontuação.

03| |2013| ( ) Por influência do Futurismo, com que teve


contato na Europa, Oswald de Andrade usa pontuação míni-
ma, como se pode perceber nos trechos abaixo, nos quais se
omitiram vírgulas que seriam obrigatórias segundo as regras
de pontuação da norma padrão escrita.

“E minha mãe entre médicos num leito de crise decidiu meu


apressado conhecimento viajeiro do mundo”. (Férias).
“Nunca mais vi o Seu Carvalho que foi para o Inferno”. (Fraque
do ateu).

04| |2014| ( ) No trecho “Uma ou outra mulher especial-


mente intrépida já se havia feito essas perguntas [...]”, se res-
peitadas as regras de pontuação, deveria haver uma vírgula
após a palavra intrépida.

05| |2015| ( ) No trecho “No livro, que é nada palatável


para a imprensa brasileira e foi pouco divulgado, a doutora em
história lembra que [...]”, a informação que aparece entre as vír-
gulas é uma oração explicativa.

06| |2018.2| ( ) Em “[...] descobri nessa ocasião, a alguns


passos de mim, uma linda moça, que parara um instante”, o
termo sublinhado encontra-se entre vírgulas por estar interca-
lado na sentença.

07| |2019.2| ( ) Em “Porém, quando ocorre um desastre


ambiental, o que há é uma socialização dos prejuízos, que são
pagos pela sociedade como um todo” a vírgula que antecede
o termo “que” serve para marcar uma explicação referente à
expressão “os prejuízos”.

08| |2020.1| ( ) Na frase “Chagas, porém, sentia falta des-


ta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual
numa exposição real”, os dois-pontos são empregados para
apresentar um esclarecimento.

168 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


COLOCAÇÃO PRONOMINAL SEMÂNTICA
01| |2013| ( ) Se seguidas à risca as regras de colocação 01| |2005| ( ) As expressões em destaque no trecho
pronominal previstas na norma padrão, o pronome “se” deve- “Roma é um nome que até hoje impõe respeito; já a denomi-
ria aparecer anteposto ao verbo “tenha” em “[...] diz desconhe- nação Pau Seco tem sido motivo de piadas e brincadeiras” ser-
cer outro dicionário regional que tenha se guiado pelo mesmo vem para estabelecer contraposição entre Roma e Pau Seco.
rigor metodológico.”.
02| |2005| ( ) No trecho “[...] a linguagem também é um
02| |2017| ( ) Em “Peço a ela encarecidamente que me índice de poder”, o uso da palavra em evidência faz pressupor
faça o favor de lembrá-los” e em “Saí ao sol onde tentei um algum outro significado, além do fato apresentado.
do-in, me sinto exaurida”, a colocação pronominal poderia ser
alterada para “faça-me” e “sinto-me”, pois a ordem do pronome
em relação ao verbo é opcional nos dois casos. 03| |2005| ( ) No trecho “[...] ela não transmite só infor-
mações neutras”, as palavras sublinhadas indicam que existem
informações neutras, além de outras informações.

04| |2005| ( ) O fragmento “Mas que sempre deu certo


quando me lembrei de segui-lo, fazendo-me feliz como um
menino.” aponta uma causa com sua respectiva consequência.

05| |2005| ( ) O trecho “Queriam ser risonhos e mal se po-


diam consolar” poderia ser reescrito como “Queriam ser riso-
nhos e mal podiam se consolar”, sem alteração de sentido.

06| |2005| ( ) O verbo “dar”, na frase “Ao fundo, à entrada


do saguão, dei com os dois velhos sentados” foi usado com o
sentido de “deparar-se”.

07| |2011| ( ) Se a palavra só em “Ele só pensa em gramá-


tica”, for deslocada para o início da oração, o sentido da frase
muda.

08| |2012| ( ) O advérbio destacado em “Acerca disso são


de grande inocência” também pode ser usado para indicar
tempo decorrido, como em “Ele saiu acerca de duas horas”.

09| |2015| ( ) Considerando o sentido da palavra “opró-


brio”, ela está empregada adequadamente na frase “Nas ruas,
as multidões comemoravam mais uma vitória repletas de
opróbrio”.

10| |2015| ( ) Os termos grifados nos trechos “A resis-


tência, quando houve, deu-se na imprensa alternativa [...]” e
“Quando o regime se instalou, as lendárias receitas de bolo ou
poemas de Camões publicados [...]” poderiam ser substituídos,
sem que houvesse prejuízo de sentido, pelos sinônimos “con-
trária”, “dieta” e “fabulosas”.

11| |2016| ( ) A palavra “Aliás” introduz uma retificação da


informação precedente, equivalendo a “Isto é” e “Ou seja” em
“A luz é um dos fenômenos físicos mais interessantes da natu-
reza. Aliás, só podemos observar a natureza a partir da luz”.

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12| |2016| ( ) A palavra “indício” poderia ser substituída 22| |2018.2| ( ) Em “Só então notei que aquela moça es-
por “sinal”, sem alteração de sentido, no trecho “Às vezes, eu tava só”, os vocábulos sublinhados significam, respectivamen-
acho que o indício mais óbvio de que existem formas de vida te, “somente” e “sozinha”.
inteligente [...]”.
23| |2018.2| ( ) A oração “Quando apareceu gente, Sônia
13| |2016| ( ) Em “meus olhos ardiam de frio”, o termo su- já estava morta” pode ser reescrita como “Quando nós apare-
blinhado expressa ideia de causalidade. cemos, Sônia já estava morta”, sem prejuízo de significado no
texto.
14| |2017| ( ) A forma verbal destacada em “Diário não
tem graça, mas esquenta, pega-se de novo a caneta abandona- 24| |2018.2| ( ) Em “Governo anuncia propostas para
da” é usada com sentido denotativo, em referência direta ao modernizar leis trabalhistas de 1940”, a palavra “modernizar”
calor do sol. pode ser substituída por “ampliar”, sem prejuízo de significado.

15| |2017| ( ) As formas verbais destacadas em “Qualquer 25| |2018.2| ( ) Na expressão “A brisa da modernidade
palavra pode ter qualquer significado” e em “Duas gerações po- trabalhista!”, o substantivo “brisa” é utilizado em sentido figu-
dem ser divididas pelo mesmo idioma” são usadas para expres- rado, remetendo, por associação, à noção de “bons ventos”,
sar a ideia de possibilidade. “novidade” e “progresso”.

16| |2017| ( ) Em “Essa geração já não se conforma em ser 26| |2019.2| ( ) A sentença “Homem que bate em mulher,
sujeito passivo” e em “Não querem mais ser o artista jovem e in- não gosta da mulher” pode ser reescrita como “Homem que bate
comum”, os termos sublinhados indicam que as situações ex- em mulher, não gosta de mulher”, sem alteração de sentido.
pressas em cada frase não ocorriam no passado e continuam a
não ocorrer no presente.
27| |2019.2| ( ) Em “Homem que bate em mulher, não gos-
ta da mulher”, a primeira ocorrência do termo “mulher” aponta
17| |2017| ( ) Em “por meio de aplicativos como o Vine” e para uma generalização, enquanto a segunda para uma deter-
em “plataformas online como o Playbuzz”, o vocábulo sublinha- minação.
do nas duas ocorrências introduz uma exemplificação.
28| |2020.1| ( ) A expressão “a política dos memes” difere
18| |2017| ( ) O sinal de dois pontos em “Primeira noite semanticamente de “os memes da política”.
decente. Sonhei com o consultório da Mary atravessado de pa-
pel higiênico, grande confusão: seria quem? Analista, amiga ou
namorada? Nenhuma das três?” é usado para introduzir uma 29| |2020.1| ( ) Em “Viver de textão faz com que a gente
retificação acerca do termo precedente. jamais tenha certeza do que está dizendo”, a locução “a gente”
apresenta valor semântico de pronome de primeira pessoa do
plural.
19| |2018.1| ( ) Em “Boa parte de nossa elite letrada do
século XIX desejava ardentemente viver numa sociedade
branca e europeia. Tinha, portanto, de virar as costas para o 30| |2020.1| ( ) Na frase “só sei que de tudo eu sei...”, é
país real, figurá-lo diferente do que era. Não à toa essa elite possível substituir a expressão “de tudo” por “sobretudo” sem
defendeu o que se costumava chamar higienização da raça”, prejuízo ao sentido do texto.
a expressão sublinhada pode ser substituída no texto por “ao
acaso”, sem prejuízo de significado. 31| |2020.1| ( ) A frase “só sei que nada sei...” pode ser
substituída por “não sei nada” sem prejuízo ao sentido do
20| |2018.2| ( ) A palavra “pluralidade” pode ser substitu- texto.
ída por “homogeneidade”, sem prejuízo de significado no tex-
to “[...] o INDL deve permitir o mapeamento, a caracterização 32| |2020.1| ( ) A flexão verbal “há” pode ser substituída
e o diagnóstico das diferentes situações relacionadas à plurali- por “faz” sem prejuízo ao sentido do trecho “Há dez anos con-
dade linguística brasileira”. versa com o homem de branco e de misteriosos cabelos verdes
que se mantém de pé, bem perto da mesa de snooker”.
21| |2018.2| ( ) A preposição “para” introduz circunstân-
cia com ideia de finalidade em “Entre as ações de valorização
previstas, encontra-se o reconhecimento da importância das
línguas como elemento de transmissão da cultura e como re-
ferência identitária para os diversos grupos sociais”.

170 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


INTERPRETAÇÃO Com base no texto 23 em Anexos, responda as 12 questões a
seguir:

01| |2017| ( ) A geração Z, que vive em tempos de reces-


12| |2018| ( ) O assunto principal do texto é a política de
são, terrorismo e mudanças climáticas de tonalidades apoca-
“embranquecimento” do Brasil, a qual seimplementou com a
lípticas, é marcada por egoísmo, consumismo, passividade e
vinda de imigrantes europeus, que contribuíram significativa-
narcisismo.
mente para a chamada “higienização da raça”.
02| |2017| ( ) A geração Z sinaliza uma mudança de inte-
resses em relação a práticas educativas, buscando caminhos 13| |2018| ( ) O autor tem uma atitude conservadora em
de aprendizagem que extrapolam os muros da escola. relação à língua, o que se percebe pela defesa que faz dos
autores clássicos lusitanos e por críticas dirigidas a autores
03| |2017| ( ) A geração Z compartilha com as gerações brasileiros do romantismo e do modernismo e aos falantes
anteriores o interesse pelas vocações profissionais, a tendên- brasileiros em geral.
cia para trabalhar em rede e o espírito de solidariedade.
14| |2018| ( ) O texto é de caráter narrativo, pois relata,
04| |2017| ( ) A geração Z, que é precedente à geração Y, de forma objetiva e imparcial, uma sequência cronológica de
compreende, só nos EUA, um espectro de cerca de 80 milhões fatos passados no século XIX, expressos no tempo verbal pre-
de pessoas, com uma capacidade de compra equiparada a térito perfeito, sem a presença de comentários opinativos do
mais de 100 bilhões de reais. autor.

05| |2017| ( ) A geração Z mudará o mundo através da 15| |2018| ( ) A defesa da “higienização da raça” pela elite
disseminação do uso da Internet, com vistas a difundir a prá- brasileira do século XIX repercutiu na língua, de modo que as
tica da interiorização, em busca de autoconhecimento e tam- diferenças do português brasileiro em relação ao português
bém de mecanismos de defesa de ameaças externas. europeu foram consideradas como erros que precisavam ser
corrigidos.
06| |2017| ( ) A geração Z caracteriza-se por grande po-
tencial para produção de conteúdos e por inclinação para o
16| |2018| ( ) O autor contrapõe fatos sócio-históricos
consumo, razão pela qual as marcas ainda buscam identificar
que envolvem aspectos gramaticais e literários a um imaginá-
traços reais de seu comportamento.
rio de certezas que emergiu fortemente no século XIX, e que
ainda persiste, segundo o qual o brasileiro fala e escreve mal a
Com base no texto 1 em Anexos, considere as afirmativas abai- língua portuguesa.
xo para responder as 5 questões a seguir:

I. Os conteúdos do site de histórias virais Buzzfeed são 17| |2018| ( ) O título do texto remete ao contraste que
postados pelos usuários. existe, desde o século XIX até os dias atuais, entre o português
II. Os jovens fazem uso recorrente de aplicativos como o europeu e o português brasileiro: àquele corresponde a nor-
Vine e de plataformas online como o Playbuzz. ma culta, efetivamente usada em Portugal; a este, a norma
III. Tavi Gevinson é um exemplo de blogueira jovem e in- curta, efetivamente usada no Brasil.
fluente.
IV. O grupo demográfico nascido entre 1994 e 2010 repre- 18| |2018| ( ) José de Alencar é representante de um
senta mais de um quarto da população mundial. ideário romântico de abrasileiramento que defendia uma lite-
V. A expressão “nativos da Internet” remete a uma questão ratura que expressasse a língua do “vulgo”, contrapondo esta
quase genética. língua ao padrão europeu.

07| |2017| ( ) A afirmativa (I) refere-se a dados do relató-


rio Cassandra Report e diz respeito à geração Z. 19| |2018| ( ) Os termos “norma culta” e “norma curta”
remetem a realidades distintas no Brasil, respectivamente: à
norma praticada de fato, que corresponde ao português culto
08| |2017| ( ) A afirmativa (II) refere-se a dados do Google
brasileiro, e à norma artificial, um padrão categoricamente fi-
Analytics e diz respeito à geração Z.
xado, que desqualifica ofalante brasileiro.

09| |2017| ( ) A afirmativa (V) está associada a uma expli-


cação da escritora Luna Miguel sobre a geração X. 20| |2018| ( ) Infere-se que o Brasil ainda vive duas reali-
dades normativas conflitantes no que se refere à língua: o por-
tuguês brasileiro versus o português europeu e o português
10| |2017| ( ) A afirmativa (IV) representa o foco da teoria
brasileiro culto versus o português brasileiro popular.
do consumo e aplica-se às gerações X e Y.

11| |2017| ( ) A afirmativa (III) ilustra uma explicação da 21| |2018| ( ) Infere-se que a noção de norma linguística
escritora Luna Miguel e diz respeito à geração Z. é complexa, pois envolve um entrelaçamento de fatores diver-
sos, além de poderosos elementos do imaginário social.

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22| |2018| ( ) Os termos “gramatiqueiros” e “pseudopu- 32| |2018.2| ( ) Inteligibilidade linguística independen-
ristas” designam os estudiosos que descrevem a norma culta temente da situação ou da região.
efetivamente usada pelos brasileiros.
33| |2018.2| ( ) O texto está escrito em registro formal na
23| |2018| ( ) A escrita brasileira, no século XIX, apresen- variedade padrão da língua, conforme requer o gênero entre-
tava fatos da língua diferentes daqueles encontrados em au- vista.
tores clássicos antigos, por isso José de Alencar a considerava
uma deturpação da norma europeia.
34| |2018.2| ( ) Faraco expõe três momentos que, his-
toricamente, sinalizam diferentes políticas de silenciamento,
24| |2018| ( ) No Texto 6 em Anexos, algumas palavras seja de línguas, seja de variedades de uma língua, em busca
são ressignificadas, ou seja, passam a ter outras acepções no de uma pureza linguística.
contexto, como é o caso de “trovador”, “bandalheira”, “cabriolé”,
“escrutínio”, “porciúncula” e “balada”.
35| |2018.2| ( ) A palavra “pretoguês” remete à ideia de
português popular.
Com base no texto 24 em Anexos, responda as 6 questões a
seguir:
36| |2018.2| ( ) A forma verbal “começamos a trabalhar”
indica que o entrevistado se inclui entre aqueles que defen-
25| |2018.2| ( ) A ideia principal é apresentar o INDL, dem o cultivo da variedade de prestígio em detrimento de va-
informando seu objetivo e suas finalidades, com ênfase na riedades populares.
pluralidade linguística brasileira e no papel das línguas na pre-
servação cultural e identitária dos grupos que constituem a Com base nos textos 24 e 25, responda as 6 questões a seguir:
sociedade brasileira.

37| |2018.2| ( ) Os textos são tematicamente convergen-


26| |2018.2| ( ) O INDL é um decreto que oficializa o pa- tes, pois ambos colocam em destaque o reconhecimento das
pel unificador do Estado com vistas ao fortalecimento de uma variedades linguísticas do português, bem como a defesa de
língua nacional. uma nação monolíngue.

27| |2018.2| ( ) O Brasil figura entre os países com maior 38| |2018.2| ( ) Ambos os textos contêm, predominan-
diversidade linguística, não obstante o esforço do colonizador temente, trechos narrativos que contextualizam cronologica-
português em impor sua língua pátria, extinguindo os sota- mente a situação linguística do Brasil e só diferem quanto ao
ques locais. gênero: o primeiro é uma notícia de jornal; e o segundo, uma
entrevista publicada em revista.
28| |2018.2| ( ) Entre suas ações, o INDL prevê demarca-
ção de fronteiras geográficas, de modo a delimitar o espaço 39| |2018.2| ( ) Ambos os textos mencionam a percep-
das diferentes línguas faladas no território brasileiro e, assim, ção geral da população de que o Brasil é um país monolíngue.
preservá-las.

40| |2018.2| ( ) Ambos os textos mencionam não só va-


29| |2018.2| ( ) O INDL foi instituído com vistas à amplia- riedades do português, mas também outras línguas faladas no
ção do nosso patrimônio cultural, incentivando tanto o surgi- Brasil que são diferentes do português.
mento de novas línguas faladas quanto o de novas variedades
do português.
41| |2018.2| ( ) Os textos divergem quanto ao seguinte
aspecto: enquanto o primeiro defende o multilinguismo, o se-
30| |2018.2| ( ) Embora na percepção de grande parte gundo defende o monolinguismo.
do povo brasileiro o nosso país seja monolíngue, o Brasil é,
de fato, multilíngue, pois não há apenas uma língua falada no
Brasil. Com base no texto 24, considere as afirmações abaixo e res-
ponda as 2 questões a seguir.

Com base no texto 25 em Anexos, responda as 6 questões a I. [...] o INDL deve permitir o mapeamento, a caracterização e
seguir: o diagnóstico das diferentes situações relacionadas à plu-
ralidade linguística brasileira. (Texto 24)
31| |2018.2| ( ) Faraco concorda com a visão geral da II. Entre as ações de valorização previstas, encontra-se o re-
população de que o Brasil é monolíngue porque há conhecimento da importância das línguas como elemen-
to de transmissão da cultura e como referência identitária
para os diversos grupos sociais que vivem no país. (Texto
24)

172 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


III. Cria-se a imagem de uma pureza em direção a que se deve 52| |2019.1| ( ) A chegada dos caminhões-pipa marca
caminhar. Só que o país tem uma história, uma dinâmica o fim do incêndio, como evidencia a declaração do chefe de
social que atropela tudo isso. bombeiros em uma coletiva diante do Museu Nacional “Está
tudo sob controle” .

42| |2018.2| ( ) Em I, a palavra “pluralidade” pode ser


substituída por “homogeneidade”, sem prejuízo de significado 53| |2019.1| ( ) O trecho “O Brasil é um construtor de ru-
no texto. ínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.” (li-
nhas 46-47) evidencia o tom de revolta e indignação diante do
descaso das autoridades para com o acervo do Museu Nacio-
43| |2018.2| ( ) Em III, a expressão “Só que” introduz um nal e para com o Brasil.
argumento que se opõe a tudo o que foi dito antes, eviden-
ciando o ponto de vista do entrevistado sobre o assunto.
54| |2019.1| ( ) O uso de aspas serve para marcar a voz
do outro por meio de discurso indireto.
De acordo com o Texto 12 em Anexos, responda as 6 questões
a seguir.
55| |2019.1| ( ) O trecho “E eu preciso alcançar o Museu
do Amanhã” faz alusão ao fato de que a autora estava na cida-
44| |2018.2| ( ) A tirinha faz uma crítica humorística a um de para visitar aquele museu, mas devido ao incêndio do Mu-
comportamento social autoritário que busca modificar a vida seu Nacional do Rio perderia, simbolicamente, a possibilidade
pessoal e profissional das pessoas. de acessar tanto o passado quanto o futuro do Brasil.

45| |2018.2| ( ) A resposta de Miguelito, reforçada por 56| |2019.1| ( ) Os termos “tinha”, “tinha” e a locução “tinha
sua expressão fisionômica no segundo quadrinho, contradiz o tentado” expressam noção de existência, noção de posse e no-
conteúdo da pergunta feita por Mafalda. ção temporal de passado mais que perfeito, respectivamente.

46| |2018.2| ( ) No segundo quadrinho, a informação in- 57| |2019.1| ( ) O incêndio queimou o crânio da primeira
troduzida pelo sinal de dois-pontos retifica o conteúdo de “É múmia brasileira conhecida como Luzia.
isso mesmo”.

58| |2019.1| ( ) É nítida a interface entre o conteúdo jor-


47| |2018.2| ( ) No último quadrinho, “será” não funcio- nalístico e o tratamento literário, como é característico no gê-
na como verbo no futuro, mas como parte da expressão “será nero resenha acadêmica.
que”, acentuando a dúvida na indagação de Mafalda.

59| |2019.1| ( ) Na frase “E o meteorito estava dentro do


48| |2018.2| ( ) A construção “[...] ficar sentado esperan- museu”, a autora defende a tese de que a presença do mete-
do”, presente no primeiro quadrinho e reforçada no segundo, orito pode ser a causa do incêndio.
expressa o comportamento passivo e sem ação de Miguelito
diante da vida.
60| |2019.1| ( ) No fragmento “[...] como se mais uma vez
fossem eles que estivessem queimando”, há referência direta a
49| |2018.2| ( ) No primeiro e no segundo quadrinho, “a um momento específico da história brasileira, o qual a autora
vida” é vista como se pudesse ser personificada, o que é refor- define como uma tentativa de invenção de um país, promovi-
çado pelo verbo de ação “dar”, na resposta de Miguelito. da por Dom Pedro II e seus predecessores.

Com base na leitura do Texto 13 em Anexos e de acordo com 61| |2019.1| ( ) A autora organiza o texto expandindo o
a variedade padrão da língua escrita, responda as 14 questões significado de “queimar” de uma dimensão denotativa para
a seguir. uma conotativa, para evidenciar como o incêndio do museu
está relacionado a um fenômeno mais amplo, de natureza his-
tórica e de relevância social.
50| |2019.1| ( ) A publicação de Eliane Brum no site do
jornal El País, tendo em vista sua natureza histórica e arqueoló-
gica, configura-se como um exemplo de texto acadêmico. 62| |2019.1| ( ) Na frase “Está tudo sob controle”, o refe-
rente de “tudo” é o incêndio.
51| |2019.1| ( ) O trecho “Nunca salvaram. Há 500 anos
não salvam.” , faz referência à estátua de Dom Pedro II e ao le- 63| |2019.1| ( ) As referências ao crânio de Luzia personi-
gado deixado por sua família, informação retomada no pará- ficam o objeto e reforçam a noção de identificação entre a au-
grafo posterior, em “As costas de Pedro ferviam.”. tora e aquela que reconhece como sua ancestral, seu passado
que se perde.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 173


Considere os trechos a seguir, extraídos do Texto 13 em Ane- 73| |2019.1| ( ) O Texto 21 é um exemplo de reportagem,
xos, e a variedade padrão da língua escrita e responda as 3 no qual elementos constitutivos do gênero são claramente
questões a seguir. identificáveis: título, manchete e lide.
I. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabí-
amos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem 74| |2019.1| ( ) Na expressão “A brisa da modernida-
tempo. No fora do tempo. de trabalhista ” (Texto 22), o substantivo “brisa” é utilizado
II. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de em sentido figurado, remetendo, por associação, à noção de
quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos “bons ventos”, “novidade” e “progresso”, interpretação funda-
portões tentando compreender como viver sem metáforas. mental para a charge operar o efeito de humor.
III. Brasil é você. Não posso ser aquele que não é.
IV. Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o
palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom Pedro
II em estátua.

64| |2019.1| ( ) Em IV, a passagem “[...] de frente para


onde deveria estar o povo” apresenta uma crítica ao povo, que
não se fez presente para ajudar a apagar o incêndio.

65| |2019.1| ( ) Em IV, o período apresenta sentido denota-


tivo.

66| |2019.1| ( ) O patrimônio cultural é o que está na


base dos acervos dos museus.

67| |2019.1| ( ) O museu é a única forma de preservação


das culturas.

68| |2019.1| ( ) A composição imagética do museu em


chamas é construída por meio da linguagem verbal e da lin-
guagem não verbal.

Com base na leitura dos Textos 21 e 22 em Anexos e de acordo


com a variedade padrão da língua escrita, responda as 6 ques-
tões a seguir.

69| |2019.1| ( ) O substantivo “Modernidade”, no balão


do Texto 22, faz alusão a um contexto histórico que denota a
ideia de progresso, o que contrasta com a imagem do navio
sendo movido por pessoas em trabalho análogo à escravidão.

70| |2019.1| ( ) O termo “modernizar”, no que se refere


às leis trabalhistas (Texto 21), pode ser compreendido como
objeto de crítica pela charge de Laerte (Texto 22).

71| |2019.1| ( ) Os Textos 21 e 22 expressam posiciona-


mentos convergentes em relação ao mesmo fato social: a alte-
ração das leis trabalhistas.

72| |2019.1| ( ) No título do Texto 21, a palavra “moderni-


zar” pode ser substituída por “ampliar”, sem prejuízo de signifi-
cado.

174 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


NORMAS LINGUÍSTICAS 07| |2019.1| ( ) O sentido metaforizado da expressão
“Aqui jaz o Brasil” é “Aqui queima o Brasil”.

01| |2018| ( ) A terceira frase do Texto 3 (linhas 02-03)


08| |2019.1| ( ) O emprego de metáforas e comparações
pode ser assim reescrita, sem prejuízo de significado no texto
auxilia na recriação ficcional do cotidiano da favela, como é o
e em conformidade com a norma culta da língua escrita: “Ves-
caso do adjetivo “acinzentado”, tomado como a cor da fome,
tindo uma bandalheira preta, avista uma mulher que lança a
numa clara alusão às casas sem reboco do entorno, e do subs-
ele um olhar cheio de betume e cabriolé.”.
tantivo “corvos”, num comparativo com os favelados, os ho-
mens e as mulheres sempre à procura de comida.
02| |2018| ( ) No Texto 3, a construção “Segue-a através
dos becos” (linhas 03-04) pode ser reescrita como “Segue ela
através do becos”, sem desvio da norma culta da língua escrita.

FIGURAS DE LINGUAGEM
Com base na leitura do Texto 13 em Anexos e de acordo com a
variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:

01| |2019.1| ( ) No título e no subtítulo, as palavras


“água” e “fogo” , “Amanhã” e “passado” são exemplos de antíte-
se, figura de linguagem em que opõem ideias a fim de reforçar,
por meio do contraste, o significado dos termos.

02| |2019.1| ( ) A repetição desnecessária do verbo quei-


mar configura-se como um vício de linguagem chamado hi-
pérbole.

Considere os trechos a seguir, extraídos do Texto 13 em Ane-


xos, e a variedade padrão da língua escrita e responda as 3
questões a seguir.
I. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabí-
amos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem
tempo. No fora do tempo.
II. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de
quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante
dos portões tentando compreender como viver sem metáfo-
ras.
III. Brasil é você. Não posso ser aquele que não é.
IV. Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o
palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom Pedro
II em estátua.

03| |2019.1| ( ) Em III, há uma relação metonímica entre


“você” e “Brasil”.

04| |2019.1| ( ) Em I e II, há o emprego da figura de lin-


guagem metáfora.

05| |2019.1| ( ) Na segunda oração de III, há a retomada


por elipse do sujeito posto na oração imediatamente anterior.

06| |2019.1| ( ) A fumaça pode ser entendida como uma


metonímia da falta de ações políticas para a manutenção do
museu.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 175


LITERATURA 11| |2017| ( ) Marcas textuais presentes no texto 2 em
Anexos e que o caracterizam como pertencente ao gênero di-
ário são: discurso em primeira pessoa, entrada de data, tom
De acordo com o Texto 1 em Anexos, responda as 6 questões
intimista e confessional.
a seguir:
Com base no texto 3 em Anexos e na leitura integral do ro-
01| |2017| ( ) Pode-se dizer que o autor catarinense cons- mance de Machado de Assis, Esaú e Jacó, publicado pela pri-
trói um livro dentro de outro porque apresenta os textos da meira vez em 1904, responda as 6 questões a seguir:
personagem Copi nos capítulos “A solidão das coisas” e “Poesia
completa de Copi”.
12| |2017| ( ) O romance de Machado de Assis está situ-
ado dentro da escola literária do Realismo brasileiro e possui
02| |2017| ( ) O romance põe em xeque o imaginário como pano de fundo a transição do Império para a República,
popular de que ser travesti é uma condição de vida à qual as tendo referências explícitas ao contexto histórico da época em
pessoas se associam por falta de opção, pois Copi abandona que os fatos são narrados.
voluntariamente sua profissão anterior, a de jornalista.
13| |2017| ( ) Esaú e Jacó vale-se de intertexto com a
03| |2017| ( ) A partir da busca de significado para uma narrativa bíblica, seja em razão dos nomes dos protagonistas,
fotografia – a da garota sentada nos trilhos do trem –, Copi faz Pedro e Paulo, assim nomeados em referência aos apóstolos
longa reflexão sobre a ausência de afeto na cena contemporâ- homônimos, seja em virtude dos nomes dos personagens que
nea. dão título à obra.

04| |2017| ( ) Embora haja uma amizade sincera entre 14| |2017| ( ) O romance de Machado de Assis ilustra
Renê e Copi, o tema sexual é um tabu, pois aquele repudia um aspecto fundamental nas histórias literárias sobre irmãos
qualquer conversa que envolva as práticas sexuais do travesti. gêmeos, narrativas nas quais cada gêmeo possui uma perso-
nalidade diferente, diametralmente oposta, sendo os irmãos
frequentemente rivais na disputa por um objeto amoroso.
05| |2017| ( ) A lógica do senso comum afirma que “uma
imagem vale por mil palavras”, concepção que indica o fato 15| |2017| ( ) Em Esaú e Jacó, Machado de Assis pratica
de a imagem bastar por si mesma, razão pela qual Copi não uma forma de intertexto ao resgatar personagens presentes
consegue produzir textos com base nas fotografias que tira. em outros de seus consagrados romances, como é o caso de
Dom Casmurro e os sujeitos ficcionais Bentinho e Capitu.
06| |2017| ( ) No que se refere a questões estruturais da
obra, a história de Renê, alcunhado Ratón e Mr. Álcool, é conta- 16| |2017| ( ) Esaú e Jacó pode ser classificado como um
da nos capítulos “S de sangue” e “As fantasias eletivas”, ambos romance histórico, muito embora o formato apresentado seja
fragmentados em capítulos menores. o de um diário irônico e sagaz de Conselheiro Aires sobre a
implantação da República em território brasileiro, projeto con-
siderado pelo narrador como algo impossível dado o passado
07| |2017| ( ) O tema central da obra de Carlos Henrique colonial, retrógrado e agrário do país.
Schroeder é o mercado da prostituição nas cidades litorâneas
brasileiras, e o livro tem como cenário narrativo a cidade de
Balneário Camboriú. 17| |2017| ( ) No romance de Machado de Assis, a liber-
tação dos escravos é um tema político sobre o qual os dois
irmãos, Pedro e Paulo, expressam mesma postura ideológica,
08| |2017| ( ) O excerto “Da cama do hospital. A lesma momento em que se dá uma trégua na rivalidade entre os
quando passa deixa um rastro prateado. Leiam se forem capa- dois.
zes” (linhas 11 e 13 do texto 2 em Anexos) constitui uma provo-
cação de Ana Cristina Cesar para que o leitor decifre a natureza Levando em conta a obra de Elvira Vigna, Vitória Valentina, as-
do testemunho registrado. sim como outros livros recomendados pelo VESTIBULAR UFSC
2017, responda as 6 questões a seguir:

09| |2017| ( ) As cinco perguntas (linhas 02, 08 e 09 do 18| |2017| ( ) A narrativa de Vitória Valentina tem como
texto 2 em Anexos) produzem uma impressão de colóquio, ponto de partida um espaço similar ao do romance de Carlos
isto é, de conversa, ainda que seja uma fala de si para si em um Henrique Schroeder, As fantasias eletivas, porque a ação se de-
texto escrito. senrola em um hotel de uma cidade litorânea.

10| |2017| ( ) A organização do texto 2 em Anexos obe- 19| |2017| ( ) O formato característico de Vitória Valentina
dece à natureza tradicional dos diários íntimos ao exigir um é o do romance gráfico (também conhecido por novela gráfi-
interlocutor externo, alguém diferente da própria pessoa que ca ou graphic novel), uma forma de expressão artística na qual
os escreve. palavra e imagem se complementam para contar uma história
na arte sequencial dos quadrinhos.

176 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


20| |2017| ( ) Carla Vitória Valentina, a protagonista, vive 29| |2017| ( ) Na busca incansável por Cícero Araújo, imi-
uma história de superação, tendo como pontos marcantes de grante paraibano, filho de Socorro, a protagonista de Quaren-
sua trajetória a infância pobre, a passagem por um orfanato, a ta dias acaba redescobrindo os laços familiares que unem tão
formatura em um curso superior de licenciatura e a estabilida- fortemente pais e filhos e reconcilia-se com Norinha, sua pró-
de socioeconômica. pria filha, encorajada pelos conselhos familiares da catadora
de lixo Lola.
21| |2017| ( ) Os temas centrais da obra de Elvira Vigna,
exclusão social e meninos de rua, também integram contos de 30| |2017| ( ) Ironizando o modo pelo qual o senso co-
Conceição Evaristo em Olhos d’água. mum se refere ao Nordeste como uma massa homogênea,
sem diferenciação dos estados que o compõem, a protago-
nista do romance de Maria Valéria Rezende passa a empregar
22| |2017| ( ) Vitória Valentina possui um desfecho mora- a expressão “os de lá” para se referir aos que têm sua origem
lizante porque o dinheiro roubado por Carla, Nando e Hard, naquela região brasileira.
ainda que a ação remeta ao sentido de Robin Wood de roubar
dos ricos para dar aos pobres, no final das contas é perdido, Sobre a correlação entre as obras de Maria Valéria Rezende,
não ficando com nenhum dos três. Quarenta dias, e Vitória Valentina, de Elvira Vigna, responda as
6 questões a seguir:
23| |2017| ( ) Similarmente aos contos de fadas, no qual
há a transformação de uma modesta camponesa em princesa, 31| |2017| ( ) A personagem Carla sai da condição de vul-
especialmente mediante casamento com alguém da casa real, nerabilidade social e torna-se professora, ao passo que Alice,
Vitória Valentina, ao final, casa-se com o grande latifundiário uma professora aposentada, assume voluntária e temporaria-
Silvério Tancredo, alcunhado Stan, passando a fazer parte da mente a condição de sem-teto.
elite econômica.

A partir da leitura e interpretação da obra de Maria Valéria 32| |2017| ( ) Por terem uma relação contundente com a
Rezende, Quarenta dias, e de outras obras listadas como literatura, tendo em vista suas profissões, as protagonistas de
leitura obrigatória para o VESTIBULAR UFSC 2017, responda as ambas as obras se valem de intertextos para criar metáforas
7 questões a seguir: comparativas com seus estados dramáticos, sendo de uso co-
mum o clássico Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll.

24| |2017| ( ) Ao final de quarenta dias de peregrinação


33| |2017| ( ) Quarenta dias e Vitória Valentina são roman-
simbólica pela capital do Rio Grande do Sul, a protagonista
ces brasileiros contemporâneos escritos com foco narrativo
da obra de Maria Valéria Rezende, Alice, é agraciada com uma
em primeira pessoa, recurso que confere a ambos os textos
compreensão súbita e decide, ao término da narrativa, aceitar
tom confessional e natureza memorialística.
o compromisso de ser avó.

34| |2017| ( ) Do mesmo modo que Alice nega o dese-


25| |2017| ( ) A questão da crença religiosa e dos ex-votos jo de cumprir em caráter de função profissional a identidade
é central no livro Quarenta dias, o que estabelece certa pro- de avó, Carla repudia o cumprimento ocasional da função de
ximidade temática do episódio com a obra dramatúrgica de babá.
Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.
35| |2017| ( ) O tema da homossexualidade aparece de
26| |2017| ( ) O conflito central do romance Quarenta forma sutil em ambas as obras, seja na figura de Cícero Araú-
dias é instaurado quando Alice, uma professora aposentada, jo, paraibano, seja na de Nando, carioca, pois ambos precisam
vê-se presa a intensa chantagem emocional, por meio da qual reprimir o desejo em função da sociedade machista em que
é infantilizada pela própria filha, de quem recebe o encargo vivem e aderir ao casamento heterossexual tradicional.
obrigatório de ser avó.
36| |2017| ( ) A favela é apenas um dos cenários urbanos
evocados tanto pela obra de Elvira Vigna quanto pela de Maria
27| |2017| ( ) O projeto gráfico do livro Quarenta dias uti- Valéria Rezende, mas não ocupa centralidade na abordagem
liza cartões de visitas e panfletos de propaganda na abertura espacial das obras.
dos capítulos para cumprir uma função de epígrafe visual e
reforçar o conteúdo textual, função igualmente empregada Sobre a coletânea de contos Olhos d’água, de autoria de Con-
no jogo fotografia-poema da obra As fantasias eletivas, do ca- ceição Evaristo, responda as 6 questões a seguir:
tarinense Carlos Henrique Schroeder.
37| |2017| ( ) Conceição Evaristo, representante da lite-
ratura brasileira contemporânea, por meio de sua obra Olhos
28| |2017| ( ) Insinua-se na obra de Maria Valéria Rezen- d’água, permite ao leitor tomar contato com questões de lite-
de uma inquietação típica do mundo contemporâneo: Nori- ratura e consciência negra, não apenas em razão do conteúdo
nha acredita que a maternidade não constituiria uma ameaça desses contos, mas também em vista da figura politizada da
à sua carreira profissional se contasse com o auxílio da mãe na autora – negra e de origem humilde.
criação do filho.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 177


38| |2017| ( ) O conto “Ana Davenga” explora a violência 47| |2018| ( ) No Texto 5, a natureza e a beleza da mulher
urbana, o espaço criminoso e marginal das favelas, a luta pela brasileira são exaltadas para registrar a permanência dos valo-
sobrevivência de uma faixa ignorada da população, além do res primordiais da literatura romântica, e a identidade nacio-
tema do preconceito de classe expresso pelo relacionamento nal é valorizada em relação à estrangeira – a europeia.
às escondidas de Davenga com Maria Agonia, filha de pastor.

39| |2017| ( ) Em sua maioria, os contos possuem como 48| |2018| ( ) O narrador do romance esboça em Lúcia
título o nome dos seus protagonistas, evidenciando a simpli- um perfil de mulher burguesa da segunda metade do século
cidade de sua origem social, fato destacado pela escolha de XIX: diverte-se em bailes e festas, frequenta teatros, toca pia-
nomes comuns, tais como os dos personagens Zé Ninguém, no, lê romances de autores franceses e faz compras na Rua do
Creuza, Mariazinha, João, Silva. Ouvidor.

40| |2017| ( ) O conto “O cooper de Cida” apresenta a


49| |2018| ( ) O Texto 5 retrata, com foco narrativo em pri-
trajetória de uma atleta negra, sem condições econômicas
meira pessoa, uma personagem diante de um cenário externo;
propícias à prática desportiva competitiva, que precisa treinar
trata-se de uma descrição em linguagem puramente denotati-
na orla da praia de Copacabana, sem qualquer patrocínio ou
va, objetiva, dinâmica, isenta de opiniões.
equipamento qualificado.

41| |2017| ( ) “Ei, Ardoca” desenvolve conteúdo simbóli- 50| |2018| ( ) O Texto 5 é rico em descrição, mesclando
co poético com base no meio de transporte do conto: a linha sensações e percepções, como se percebe em “céu azul e es-
do trem é uma metáfora da jornada da vida, e o “fim da linha” trelado” (linha 03), “muda contemplação” (linha 07) e “doce me-
para Ardoca se dá quando ele decide suicidar-se com veneno, lancolia” (linha 07).
tendo na morte sido despojado de todos os seus bens por um
assaltante, ironicamente, um conhecido dele.
51| |2018| ( ) A imagem de Maria da Glória apresentada
42| |2017| ( ) Olhos d’água é uma coletânea de narrativas no Texto 5 é mantida ao longo do romance, mesmo que ela
curtas na qual está ausente sentimentalismo ou julgamentos tenha tido a oportunidade de se redimir de suas ações diante
de valor moral, sendo caracterizada essencialmente pela crue- do jovem pernambucano.
za e complexidade no tratamento da realidade, podendo-se
citar, por exemplo, o caso da personagem-título de “Quantos Levando em conta os livros As fantasias eletivas (Texto 8 em
filhos Natalina teve?”, vítima de violência sexual que vê na Anexos) e Quarenta dias, responda a questão abaixo:
criança a única gravidez desejada.
52| |2018| ( ) A escrita exerce a mesma função na vida
Com base na leitura do Texto 4 em Anexos e de acordo com a
da personagem Copi, do romance As fantasias eletivas, e da
variedade padrão escrita da língua portuguesa, responda as 3
personagem Alice, do romance Quarenta dias: ambas escre-
questões a seguir:
vem para se entender melhor, veem na escrita literária uma
forma de libertação e pretendem publicar os seus escritos
43| |2017| ( ) A ideia principal da tirinha é a criação de
para atingir a fama.
novas palavras na língua.
Levando em conta os livros Olhos d’água (Texto 7 em Anexos)
44| |2017| ( ) A partir da leitura do texto 4, infere-se que a
e Quarenta dias, responda a questão abaixo:
língua pode se tornar um mecanismo de exclusão social.

53| |2018| ( ) A personagem Duzu-Querença, da coletâ-


45| |2017| ( ) No quarto quadrinho do texto 4 em anexos,
nea de contos Olhos d’água, e a personagem Póli, de Quarenta
as palavras “fiambre” e “lubrificado” e as palavras “jóia”, “manei-
dias, tornaram-se moradoras de rua na velhice.
ro” e “demorô” são usadas pelos dois personagens, respecti-
vamente, com a mesma intenção: marcar expressões que são
Com base no livro Quarenta dias, responda as 4 questões a
típicas da fala de duas gerações.
seguir:
Com base na leitura e interpretação do Texto 5 em anexos, na
leitura integral do romance Lucíola, de José de Alencar, publi- 54| |2018| ( ) Alice, protagonista de Quarenta dias, em
cado pela primeira vez em 1862, bem como no contexto só- sua trajetória pela cidade de Porto Alegre, motivada pela pro-
cio-histórico e literário, é correto afirmar que: cura por Cícero Araújo, coloca-se em uma condição de pere-
grinação para resgatar sua origem – a Paraíba – quando se
aproxima daqueles que de lá vieram.
46| |2018| ( ) Pode-se perceber a idealização do par
romântico do século XIX que se materializa com o casa-
mento burguês: a jovem graciosa, meiga, contida e angelical, 55| |2018| ( ) No romance Quarenta dias, na busca de Ali-
atributos da personagem Lúcia, e o rapaz belo, corajoso, forte ce pelo filho de Socorro, pode-se perceber, em vários momen-
e robusto, qualidades do personagem Paulo. tos da narrativa, a força do apelido, tão requerido como marca
de identidade dos indivíduos em lugar do nome próprio.

178 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


56| |2018| ( ) Em Quarenta dias, a professora de meia- 64| |2018| ( ) Toda a ação da peça de Nelson Rodrigues se
-idade percorre bairros e vilas de uma cidade do sul do país desenrola no plano da alucinação, do desequilíbrio mental da
e vai desenvolvendo uma relação de intimidade com ruas e personagem principal, que, enquanto toca ao piano a “Valsa
o
avenidas, que passam a ser seu espaço de pertencimento, de n 6”, de Chopin, é executada por Junqueira.
enraizamento temporário e de lembranças emergentes.
65| |2018| ( ) A peça enfatiza diferentes momentos de
57| |2018| ( ) As frases inacabadas ao final de capítu- transição da personagem adolescente: a passagem da vida
los do romance Quarenta dias ora sinalizam a suspensão do para a morte e a transformação de menina para mulher, mar-
pensamento elaborado pelo narrador em terceira pessoa, ora cada pela descoberta dos primeiros desejos em relação ao
intensificam as inquietações que envolvem seus direitos de ci- amor e pelo abandono das brincadeiras da infância.
dadania.

Com base na leitura e interpretação do Texto 6 em Anexos, na 66| |2018| ( ) A descrição do cenário do primeiro ato de
obra Comédias para se ler na escola, de Luis Fernando Verissi- Valsa no 6 faz referência a um piano branco e cortinas verme-
mo, bem como no contexto sócio-histórico e literário, respon- lhas e contrasta com a descrição do cenário do segundo ato,
da as 4 questões a seguir: que inclui outros itens de mobiliário da casa de uma família
burguesa.

58| |2018| ( ) Embora as crônicas da coletânea sejam Levando em conta os livros Lucíola (Texto 5 em Anexos) e Val-
predominantemente narrativas – podendo-se, por vezes, con- o
sa n 6, responda a questão abaixo:
fundi-las com contos –, algumas delas ultrapassam a estrutura
prevista para o gênero crônica, aproximando-se de poemas e
de anúncios classificados. 67| |2018| ( ) Mocinha, de Valsa no 6, apaixona-se por um
homem mais velho e se envolve voluntariamente com ele da
mesma forma que Lúcia, a cortesã do romance Lucíola, rela-
59| |2018| ( ) As crônicas estão organizadas em seções ciona-se amorosamente com o personagem Couto e pretende
que reúnem textos com temas semelhantes e que abordam construir uma vida ao lado dele.
questões relacionadas a infância, adolescência e memória,
bem como assuntos de fundo moralizante que têm animais o
Com base nos livros Valsa n 6 e Nós, responda a questão
como personagens. abaixo:

60| |2018| ( ) O texto “Palavreado” apresenta três nar-


68| |2018| ( ) A peça Valsa no 6 e a novela Nós, de Salim
rativas motivadas por reflexões sobre as palavras “fornida”,
Miguel, abordam assaltos e assassinatos de mulheres e carac-
“falácia” e “lorota”, respectivamente; é na primeira delas que
terizam-se por serem narrativas policiais, suscitando discus-
o narrador explora uma situação amorosa entre o jovem tro-
vador e a imperatriz de Cântaro, revelando, em seu desenlace, sões sobre casos de feminicídio na sociedade contemporânea.
um final infeliz.
Considerando o Texto 7 em Anexos, o livro Olhos d’água, de
Conceição Evaristo, bem como o contexto sócio-histórico e li-
61| |2018| ( ) “Palavreado” dialoga com outras crônicas terário, responda as 6 questões a seguir:
da coletânea no sentido de promover reflexões sobre a signifi-
cação das palavras, para as quais são sugeridos outros signifi-
69| |2018| ( ) O conto “Olhos d’água” explora relações
cados.
de descendência da inominada personagem que recorre
Com base na leitura e interpretação da peça Valsa no 6, de Nel- aos tempos da infância, com suas dificuldades na favela, em
son Rodrigues, e dos livros recomendados pelo Vestibular da busca de respostas a uma pergunta que lhe ocorre em vários
UFSC/2018, bem como no contexto sócio-histórico e literário, momentos do texto.
responda as 5 questões a seguir:
70| |2018| ( ) A narradora do conto “Olhos d’água”
elabora uma construção metafórica do olhar, motivada por
62| |2018| ( ) A peça Valsa no 6, um monólogo represen-
uma pergunta que revela seu veemente esquecimento da
tado pela personagem Mocinha, cuja adolescência é ambien-
cor dos olhos de sua mãe e da cor dos olhos dos parentes
tada na década de 1950, está estruturada em três atos, e os
africanos, cuja resposta é dada ao final do texto pela última
fatos são apresentados cronológica e linearmente.
descendente.

63| |2018| ( ) Na peça, Sônia representa mais de um per-


71| |2018| ( ) Alguns contos da coletânea, como “Ana
sonagem, alternando sentimentos e emoções que, para os lei-
Davenga” e “Maria”, exploram a condição de personagens à
tores, são vislumbrados nas descrições que acompanham as
margem da sociedade, evidenciando a pobreza e a violência
falas dos personagens revividos pela adolescente.
urbanas, ao passo que outros, como “Ei, Ardoca” e “Lumbiá”,
abordam a prosperidade e a tranquilidade da vida rural.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 179


72| |2018| ( ) O conto “Beijo na face” permite realizar 81| |2018| ( ) Para a personagem Copi, as fotografias são
discussões tanto sobre gênero e diversidade, porque revela as fantasias eletivas, antecipadas no título do livro, porque são
o relacionamento entre duas mulheres, quanto sobre responsáveis por imortalizar o tempo e recortar uma realida-
relacionamentos abusivos, porque aborda um casamento de, a da solidão e da singularidade das coisas.
infeliz e violento.
82| |2018| ( ) É possível perceber duas experiências em
73| |2018| ( ) No Texto 7, em “não conseguia me lembrar
relação à fotografia da menina sentada sobre os trilhos do
de como havia chegado até ali” (linhas 03-04), a narradora
trem: a do sujeito que fotografa (Copi), que descreve suas im-
dá os primeiros indícios de perda de memória, a qual envol-
pressões a Renê antes de fotografar a menina, e a do sujeito
ve suas relações afetivas com a mãe, e recrimina-se constan-
fotografado (a menina), cuja sensação de ser observada é re-
temente, ao longo da narrativa, por não conseguir recuperar
velada pelo narrador no final do romance.
suas lembranças.
Com base no livro Melhores poemas, responda as 5 questões
74| |2018| ( ) Com exceção de “Olhos d’água” e “A gente a seguir:
combinamos de não morrer”, os demais textos da coletânea
são escritos com foco narrativo em primeira pessoa e têm pre- 83| |2018| ( ) A seleção de textos feita por Francisco de
dominantemente figuras masculinas como personagens prin- Assis Barbosa apresenta poemas relacionados a uma diversi-
cipais, o que caracteriza a sociedade patriarcal da época. dade de temas, dentre os quais se destacam o amor, a morte, a
natureza, o erotismo e as recordações de infância.
75| |2018| ( ) As construções “De que cor eram os olhos
de minha mãe?” (linha 02) e “eu me pegava pensando de que 84| |2018| ( ) Considerado um poeta modernista, Ma-
cor seriam os olhos de minha mãe” (linhas 06-07) remetem, nuel Bandeira dedicou-se exclusivamente ao verso livre, o que
respectivamente, a um mero pensamento interrogativo e à pode ser comprovado na seleção de poemas da coletânea.
explosão de uma inesperada pergunta.

85| |2018| ( ) A coletânea reúne os poemas mais signi-


76| |2018| ( ) Existe uma linearidade cronológica no tex- ficativos e expressivos de Manuel Bandeira, organizados em
to: a expressão “Uma noite, há anos” (linha 01) situa tempo- seções temáticas e dispostos em ordem cronológica.
ralmente a pergunta que explodiu da boca da narradora, e as
expressões “há dias” e “há meses” (linha 05) aproximam do pre-
sente a mesma indagação que continuou se repetindo. 86| |2018| ( ) Na coletânea, constam o poema “Vou-me
embora pra Pasárgada”, que apresenta Pasárgada como um
lugar de refúgio (um “lá”) em comparação com um lugar de
Com base nos livros As fantasias eletivas (Texto 8 em Anexos) e infelicidades (um “cá”), e o poema “Os sapos”, que satiriza a po-
Lucíola (Texto 5 em Anexos), respoinda as 2 questões a seguir: esia parnasiana.

77| |2018| ( ) A exemplo da cortesã Lúcia, protagonista


do romance Lucíola, de José de Alencar, Copi ingressa muito 87| |2018| ( ) A vida de Manuel Bandeira está pratica-
jovem na prostituição com o propósito de auxiliar no sustento mente refletida em sua produção poética, havendo a transpo-
de sua família, que vive na cidade de Mendoza, Argentina. sição de experiências pessoais do autor para a esfera artística.

78| |2018| ( ) Os romances As fantasias eletivas e Lucío- Com base na leitura do Texto 9 em Anexos, na leitura integral
la abordam a temática da prostituição em centros urbanos e do romance Lucíola, de José de Alencar, publicado pela pri-
comparam dois momentos históricos: o Rio de Janeiro do sé- meira vez em 1862, bem como no contexto sócio-histórico e
culo XIX e a cidade de “Bregário Camboriú” dos tempos atuais. literário, responda as 9 questões a seguir:

Com base no livro As fantasias eletivas (Texto 8 em Anexos),


responda as 4 questões a seguir: 88| |2018.2| ( ) Lucíola é um romance urbano, pois retra-
ta a cidade do Rio de Janeiro de meados do século XIX com
seus costumes e valores sociais.
79| |2018| ( ) No Texto 8, pode-se perceber o momento
da narrativa em que Ratón, retrato do homem que sofre des-
graças na vida, revela-se homofóbico e preconceituoso em re- 89| |2018.2| ( ) O narrador do romance coloca-se em po-
lação à ocupação de Sebastián Hernández. sição externa ao enredo e apresenta uma crítica social do lugar
de testemunha dos fatos.

80| |2018| ( ) Para a travesti Copi, existe o entendimento


amplo acerca da ideia de prostituição, que pode ser encarada 90| |2018.2| ( ) “A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro”
como uma forma de troca e de favor nas relações interpesso- (linha 01) é uma fala de Paulo, que, desde essa ocasião, apai-
ais, não se restringindo ao âmbito sexual. xona-se pela “senhora” ou “moça”, que é Lucíola, a protagonista
do romance.

180 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


91| |2018.2| ( ) Infere-se, da leitura do Texto 9, uma crí- 102| |2018.2| ( ) A estrutura geral da obra apresenta gê-
tica ao falso moralismo que imperava à época, exigente com neros embutidos, como notícia de jornal, poema e verbete de
o comportamento das mulheres e permissivo com o dos ho- dicionário.
mens.
103| |2018.2| ( ) Em “[...] eu ia até mais adiante”, “[...] e tu,
92| |2018.2| ( ) Lúcia ou Lucíola é uma prostituta que vai é donde?” e “[...] o Você pede uma cerveja”, os pronomes
sofrendo um processo de purificação ao longo do romance e, sublinhados referem-se ao mesmo personagem.
ao final, ao encontrar-se com sua irmã Maria da Glória, conse-
gue total transformação interior.
Com base na leitura do Texto 11 em Anexos, na leitura inte-
gral da peça Valsa no 6, de Nelson Rodrigues, bem como no
93| |2018.2| ( ) Dr. Sá representa bem o ponto de vista contexto sócio-histórico e literário, responda as 6 questões a
de uma sociedade patriarcal dos elegantes da corte, que, de seguir.
acordo com os padrões sociais de hoje, poderíamos classificar
como preconceituosa.
104| |2018.2| ( ) Sônia é a protagonista da peça e apre-
senta-se rodeada de outros personagens, como Paulo e Dr.
94| |2018.2| ( ) Dr. Sá foi o conselheiro de Paulo, que fez Junqueira, os mesmos que chamam por ela no momento de
com que este percebesse a diferença entre uma “senhora” e sua morte.
uma “mulher” e, dessa forma, não se deixasse envolver emo-
cionalmente por Lucíola.
105| |2018.2| ( ) A peça revela a paixão de Sônia pela “Val-
sa n° 6” de Chopin, o que é percebido pela insistência da meni-
95| |2018.2| ( ) Em “– Não é uma senhora, Paulo É uma na na execução da obra até mesmo quando estava morrendo.
mulher bonita.”, as palavras sublinhadas apresentam o mesmo
valor conotativo.
106| |2018.2| ( ) A adolescente que apreciava tocar Cho-
pin tenta recuperar fatos de sua vida, trazendo um tom de crí-
96| |2018.2| ( ) Em “Só então notei que aquela moça es- tica social na fala das vizinhas fofoqueiras, conforme ilustra o
tava só”, os vocábulos sublinhados significam, respectivamen- excerto.
te, “somente” e “sozinha”.
107| |2018.2| ( ) Valsa nº 6 é classificada como uma “peça
Com base na leitura do Texto 10 em Anexos, na leitura integral psicológica”, pois Nelson Rodrigues, em tom confessional, quis
da obra Nós, de Salim Miguel, bem como no contexto sócio- retratar um momento peculiar de sua própria vida.
-histórico e literário, responda as 7 questões a seguir.
108| |2018.2| ( ) As rubricas, apontamentos que figuram
97| |2018.2| ( ) Nós apresenta marcas textuais do gênero em itálico e entre parênteses ao longo da peça, orientam o com-
literário proposto pelo autor: é uma novela policial repleta de portamento da atriz, como em “(golpe no teclado)” e “(grita)” .
suspense, suspeitos, interrogatórios e investigações.

109| |2018.2| ( ) O drama não foi escrito para representa-


98| |2018.2| ( ) Há uma fragmentação na forma de apre- ção teatral, apenas para leitura dramática, devido à dificulda-
sentação da novela, detectada na multiplicidade de vozes e de de em se criar um cenário verossímil aos olhos do espectador
assassinatos ocorridos ao longo do texto. no episódio da morte de Sônia.

99| |2018.2| ( ) Diante da situação confusa, proporcio- Com base na leitura do Texto 15 em Anexos e na leitura integral
nada pela arquitetura da trama e pelo mistério que envolve da obra Quarto de despejo: diário de uma favelada, publicada
o assassinato, pode-se deduzir que os “nós” da palavra que dá pela primeira vez em livro em 1960, no contexto sócio-histó-
título à obra não foram desfeitos pelos investigadores. rico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da
língua escrita, responda as 5 questões a seguir.
100| |2018.2| ( ) A conclusão da novela em primeira pes-
soa de que o autor é o culpado revela um dado autobiográfico 110| |2019.1| ( ) Quarto de despejo é uma coletânea de re-
de Salim Miguel, que confessa sua dificuldade na produção do latos pessoais dedicados a narrar o dia a dia do ano de 1958
gênero policial. na vida de Carolina Maria de Jesus, de sua família e da comuni-
dade.

101| |2018.2| ( ) A novela é ambientada na cidade natal


de Salim Miguel – Biguaçu, na Grande Florianópolis –, o que 111| |2019.1| ( ) Reforçando o mito do “homem cordial”
pode ser percebido pelo sotaque apresentado no excerto. na tradição literária brasileira, a obra revela como os morado-
res da favela do Canindé e arredores são acolhedores, solidá-
rios e solícitos com Carolina e com seus filhos.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 181


112| |2019.1| ( ) Há remissão ao dia em que se comemora 120| |2019.1| ( ) A identificação da fala “MOCINHA” pode-
oficialmente a Abolição da Escravidão no Brasil, numa crítica ria ser substituída desde o início pelo nome próprio “SÔNIA”,
ao controle social exercido pela fome, que marca a existência sem prejuízos para a dramaticidade da peça.
de outro modo de escravidão.
121| |2019.1| ( ) O trecho faz menção a uma brincadeira
113| |2019.1| ( ) A autora emprega frases e orações curtas, infantil em que um dos participantes dá uma ordem e os de-
o que confere maior ênfase e ritmo ao texto, recurso linguísti- mais devem obedecer, recurso utilizado em outras passagens
co utilizado com frequência por autoresda literatura brasileira para reforçar a relação que a protagonista ainda mantém com
contemporânea. a infância.

114| |2019.1| ( ) A obra tem sido revisitada por críticos 122| |2019.1| ( ) Embora a intenção original de Nelson Ro-
contemporâneos em nova abordagem que confere ao texto drigues fosse a elaboração de um monólogo, o dramaturgo
valor literário, superando uma leitura sociológica, pois reco- optou por incluir em cena atores que representam Paulo e Dr.
nhece nele a existência de um projeto estético próprio da au- Junqueira, a fim de aumentar a tensão presente nos diálogos
tora. com Sônia.

Com base na leitura integral da obra Melhores poemas: Manuel 123| |2019.1| ( ) Valsa nº 6 narra o assassinato cometido
Bandeira e do poema “OS SAPOS” (texto 16 em Anexos) , no por uma adolescente de 15 anos que tocava, de forma com-
contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a pulsiva, a peça musical homônima de Chopin.
variedade padrão da língua escrita, responda as 5 questões a
seguir.
124| |2019.1| ( ) A instrução à paródia consiste na recria-
ção de uma obra já existente a partir de um ponto de vista
115| |2019.1| ( ) Em “OS SAPOS”, evidencia-se o caráter predominantemente sisudo com fins de reproduzir o mesmo
lúdico e descontraído que marcaria a poesia de Manuel conteúdo de outrem.
Bandeira até o final da vida, quando supera os temas clássicos
da juventude, como o amor, a morte e uma visão melancólica
da existência. 125| |2019.1| ( ) As linhas postas em itálico são denomi-
nadas rubricas e servem para orientar o comportamento dos
atores e/ou descrever o cenário e a cena.
116| |2019.1| ( ) Embora inicialmente tenha escrito poe-
mas ligados à poesia simbolista e à parnasiana, Manuel Ban-
deira é considerado um dos autores mais importantes do 126| |2019.1| ( ) Nelson Rodrigues, referência do nosso
modernismo brasileiro. modernismo teatral e crítico da moral pequeno-burguesa bra-
sileira, banaliza o significado trágico da morte por meio do de-
boche, da ironia e do ataque pessoal à vítima e ao agressor.
117| |2019.1| ( ) No poema, vários sapos debatem de
modo inflamado, até que um sapo-tanoeiro ofende a figura
de um “parnasiano aguado” e prescreve ao fim de cada estrofe Com base na leitura do Texto 18 em Anexos, da coletânea
como deveria ser o novo cancioneiro nacional. Melhores contos de Lygia Fagundes Telles e dos demais livros
recomendados para o Vestibular UFSC/2019, no contexto só-
cio-histórico e literário das obras e, ainda, de acordo com a
118| |2019.1| ( ) Embora o sapo-tanoeiro recomende que variedade padrão da língua escrita, responda as 5 questões a
nunca se rimem termos cognatos), o eu-poético desrespeita seguir.
essa orientação ao rimar “deslumbra” e “penumbra” na primei-
ra estrofe do poema.
127| |2019.1| ( ) A obra de Telles é escrita em prosa, no
contexto do pós-modernismo, cuja ficção intimista e de pene-
119| |2019.1| ( ) A obra de Manuel Bandeira evoca o coti- tração psicológica desenvolve-se em narrativas permeadas de
diano das metrópoles, a fala simples do povo e as misturas de fluxo de consciência.
variedades linguísticas, ao abordar temas como o amor irrea-
lizável, o jogo erótico, a nostalgia da infância, a ausência e a
128| |2019.1| ( ) “Xenofonte” é um apelido carinhoso que
morte.
Luisiana, narradora protagonista, dá ao seu estimado saxofo-
Com base na leitura do Texto 17 em Anexos e da peça Valsa nº ne.
6, montada pela primeira vez em 1951, no contexto sócio-his-
tórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão 129| |2019.1| ( ) A exemplo da personagem Carolina Maria
da língua escrita, responda as 7 questões a seguir. de Jesus, do romance Quarto de despejo: diário de uma favelada,
a protagonista do conto “Apenas um saxofone” se prostitui,
porém, diferentemente daquela, o faz não para sustentar os
filhos, mas para ostentar um padrão de vida glamouroso.

182 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


130| |2019.1| ( ) O jogo de luz e de sombra, característi- Com base no Texto 28 em Anxos e na leitura integral da obra
co na obra de Telles, também está presente nesse conto, em Capitães da Areia, publicada originalmente em 1937, no con-
que as reflexões da narradora sobre a passagem do tempo se texto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a va-
materializam na sala que escurece com ela, numa espécie de riedade padrão da língua escrita, responda as 5 questões a
lamento pela juventude que se foi. seguir.

131| |2019.1| ( ) Ao final do conto “Apenas um saxofone”, 140| |2019.2| ( ) A referência ao ano, caracterizado como
a personagem se dá conta de que envelheceu, de que os ho- de terror, faz alusão ao contexto sociopolítico do golpe civil-
mens se foram, de que o amor não resistiu, e comete suicídio. -militar de 1964.

Com base na leitura do Texto 19 em Anexos e da obra Capi- 141| |2019.2| ( ) A sequência de termos “como” marca o
tães da Areia, publicada originalmente em 1937, no contexto conjunto de acusações pelas quais Pedro Bala foi julgado e
sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade condenado.
padrão da língua escrita, responda as 4 questões a seguir.
142| |2019.2| ( ) O substantivo “bocas” é empregado, res-
132| |2019.1| ( ) Os termos “menino”, “tu”, “frangote” e “fi- pectivamente, como metonímia dos trabalhadores e como
lho do Loiro” têm como referente Pedro Bala. metáfora dos jornais de classe.

133| |2019.1| ( ) O emprego do termo “frangote” pode ser 143| |2019.2| ( ) A frase “Porque a revolução é uma pátria
tomado como exemplo de personificação por adjetivação. e uma família”, por analogia, sugere que Pedro Bala engaja-se
na revolução por não ter uma família e sentir-se alijado de sua
pátria.
134| |2019.1| ( ) No texto, a palavra “destino” é tratada pe-
las personagens de modo distinto, até antagônico, revelando
a visão delas sobre a vida, compreendida de modo fatalista ou 144| |2019.2| ( ) Os termos “militante proletário”, “cama-
como resultado da ação humana. rada” e “inimigo da ordem” caracterizam a personagem Pedro
Bala e evidenciam seu alinhamento político ideológico, com-
batido à época.
135| |2019.1| ( ) A obra Capitães da Areia foi perseguida
após sua publicação devido à perspectiva comunista, dada a
Relacionando os Textos 29 e 30 em Anexos, a obra Capitães
atuação política do escritor Jorge Amado.
da Areia, o contexto sócio-histórico e literário do romance e,
ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita,
Com base na leitura do Texto 20 em Anexos e da obra Nós, pu- responda as 5 questões a seguir.
blicada originalmente em 2015, no contexto sócio-histórico e
literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua
145| |2019.2| ( ) Nos Textos 29 e 30, as crianças de-
escrita, responda as 4 questões a seguir. monstram facilidade para estabelecer relações entre si,
mesmo percebendo a existência de diferenças étnicas, raciais
136| |2019.1| ( ) A obra explora a intertextualidade e socioeconômicas.
com a tradição do romance policial, como atestam as
referências a Edgar Allan Poe e a investigadores famosos na 146| |2019.2| ( ) A ironia presente na charge consiste no
literatura, como Sherlock Holmes e Nero Wolfe. fato de o adulto e a criança compartilharem a mesma visão de
mundo.
137| |2019.1| ( ) O escritor líbano-catarinense Salim Mi-
guel é um dos expoentes da literatura catarinense contempo- 147| |2019.2| ( ) Os Textos 29 e 30 pertencem ao mesmo
rânea e tematiza em Nós a chegada dos imigrantes libaneses gênero textual, mas se diferenciam pela temática.
ao Brasil.

148| |2019.2| ( ) No Texto 30, o que é denominado no jor-


138| |2019.1| ( ) Em “Estou aqui é para ajudar a desfazer nal como “outro delicado problema” são os filmes que influen-
os nós”, ao contrário do que acontece no restante da obra, a ciam os meninos com ideias erradas.
remissão a “nós” diz respeito a um substantivo concreto e não
a um pronome pessoal.
149| |2019.2| ( ) O Texto 30 é característico da esfera jor-
nalista e integra, junto com outros textos, a parte inicial do ro-
139| |2019.1| ( ) Salim Miguel recria ficcionalmente a ci- mance para problematizar a vida dos meninos de rua.
dade de Florianópolis, onde vivia quando escreveu a obra,
tratando-a como uma espécie de polo para onde convergem
personagens oriundas das cinco regiões brasileiras.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 183


Com base no Texto 31 em Anexos e na leitura integral da obra 158| |2019.2| ( ) De acordo com o texto, a acusação de ra-
Quarto de despejo: diário de uma favelada, publicada pela pri- cismo partiu da autora mineira Ana Maria Gonçalves, que se
meira vez em livro em 1960, no contexto sócio-histórico e li- lembrava do evento do qual participou com Clarice Lispector
terário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua e Carolina Maria de Jesus.
escrita, responda as 6 questões a seguir.
159| |2019.2| ( ) O escritor e historiador Benjamin Moser
150| |2019.2| ( ) O vocábulo “leito” sugere que a narrado- não reconhece a importância literária da obra Quarto de des-
ra deixou o hospital durante a madrugada, após mais uma de pejo.
suas internações hospitalares, situação corriqueira agravada
pela alimentação inadequada e pela falta de água tratada na
região onde morava. 160| |2019.2| ( ) O Texto 32 noticia o lançamento de um li-
vro da escritora Clarice Lispector ao qual compareceu Carolina
Maria de Jesus.
151| |2019.2| ( ) No Texto 31, a narradora reitera a impor-
tância da escrita em sua vida, pois a literatura era uma das úni-
cas possibilidades de esquecer seu entorno. 161| |2019.2| ( ) A expressão “tenha sido” marca uma ação
de passado anterior a outra ação, equivalente à forma verbal
“fora” do pretérito mais-que-perfeito.
152| |2019.2| ( ) O projeto estético, marcado por uma vi-
são fantasiosa da vida, permite que a narradora ignore as difi-
culdades cotidianas, razão pela qual se atém apenas à beleza 162| |2019.2| ( ) A sentença “Ele afirmou que fez as modi-
do despontar de uma estrela. ficações necessárias no texto” está na voz passiva por se tratar
de uma citação do biógrafo feita pela revista CULT.

153| |2019.2| ( ) O cotidiano da favela evidencia a brutali- Com base no Texto 35 em Anexos e na leitura integral da obra
dade e a violência sistêmica a que todos os moradores estão Melhores Contos de Lygia Fagundes Telles, no contexto sócio-
submetidos, fazendo com que brigas, episódios de violência -histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade pa-
doméstica e surras sejam vistos como entretenimento pela vi- drão da língua escrita, responda as 5 questões a seguir.
zinhança.

163| |2019.2| ( ) O conto “A caçada” narra as desventu-


154| |2019.2| ( ) Em suas peregrinações como catadora, a ras de um homem de meia-idade que, mesmo sem gostar
protagonista revela seu desprezo pela cidade de São Paulo, de de caçadas, decide adentrar a floresta à noite e enfrentar os
luxo e opulência para poucos, razão pela qual prefere manter perigos da selva como forma de encarar os temores de sua
distância desse espaço, habitando na favela. mente conturbada.

155| |2019.2| ( ) Vera, João e José Carlos, filhos da narra- 164| |2019.2| ( ) Em “nas narinas o perfume dos eucalip-
dora, adaptam-se com mais facilidade do que a mãe à vida na tos” e “morder-lhe a pele o frio úmido da madrugada” , o narra-
favela, sendo caracterizados como bajuladores, que pedem dor faz uso da sinestesia, recurso frequentemente empregado
esmolas e obedecem à mãe. pela autora com o intuito de estimular os sentidos do leitor.

Com base no Texto 32 em Anexos e na leitura integral da obra


Quarto de despejo: diário de uma favelada, no contexto sócio- 165| |2019.2| ( ) No Texto 35, o autor faz uso do discurso
-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade pa- indireto livre a fim de misturar as falas de narrador e persona-
drão da língua escrita, responda as 7 questões a seguir. gem.

156| |2019.2| ( ) As locuções “proverbialmente linda” e 166| |2019.2| ( ) Em “A caçada”, o protagonista parte de
“uma estrela de cinema” estabelecem uma relação de forte uma loja de antiguidades, deslocando-se para outro tempo e
contraste com o “tensa e fora do lugar” e “empregada domés- outro lugar, estratégia usada de forma recorrente pela autora.
tica de Clarice” , sugerindo a superioridade de Clarice sobre
Carolina. 167| |2019.2| ( ) No conto “A caçada”, a personagem de-
nuncia o prazer perverso de um caçador ao perseguir um ani-
157| |2019.2| ( ) Após ser procurado pela revista, Moser mal inocente.
reconheceu seus equívocos, mas não fez modificações na bio-
grafia de Clarice Lispector, pois o original da obra já estava“fe- Com base no Texto 41 em Anexos, na leitura integral de Um
chado”. útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas, original-
mente publicada em 2012, no contexto sócio-histórico e lite-
rário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da
língua escrita, responda as 4 questões a seguir.

184 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


168| |2020.1| ( ) O termo “pós” no poema remete à passa- 177| |2020.1| ( ) O sucesso de Quarto de despejo promo-
gem da vida e também pode ser associado pontualmente a veu também o sucesso da autora, que saiu da marginalidade
um curso acadêmico. para conquistar a cidade e se afirmar como escritora integrada
à elite econômica paulistana.

169| |2020.1| ( ) A última estrofe do poema sintetiza a ba-


nalidade da vida, razão pela qual o eu poético afirma que é 178| |2020.1| ( ) Podemos observar, em Quarto de despe-
indiferente apagar o gás ou a luz. jo, traços da estética realista, entre os quais o registro minucio-
so do cotidiano, a linguagem simples e direta e a animalização
de personagens.
170| |2020.1| ( ) Em “veem”, a vogal dobrada sinaliza a fle-
xão do verbo “ver” na terceira pessoa do plural do presente do
indicativo, tendo como sujeito “os homens as mulheres”. 179| |2020.1| ( ) As obras Quarto de despejo e O cemitério
dos vivos apresentam em comum o valor documental, uma vez
que ambas são depoimentos pessoais elaborados estetica-
171| |2020.1| ( ) O poema equipara o ciclo da vida de ho- mente por autores que passaram por internação em hospital
mens e de mulheres, o que contrasta com a maior parte da psiquiátrico.
obra Um útero é do tamanho de um punho, em que são explo-
radas questões biológicas, construções sociais e relações afeti-
vas da mulher. 180| |2020.1| ( ) A política de César conhecida como “Pão
e Circo” consistia em promover espetáculos e distribuir alimen-
Com base na leitura do Texto 43 em Anexos e na leitura inte- tos para manter a população de Roma sob controle, prática re-
gral de O cemitério dos vivos, escrita entre os anos de 1919 e tomada por autoridades políticas em São Paulo e condenada,
1920, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, no excerto, pela narradora.
de acordo com a variedade padrão da língua escrita, responda
as 5 questões a seguir.
181| |2020.1| ( ) De acordo com o excerto, para sobreviver
ao César da atualidade, a fome, é necessário deixar de amar a
172| |2020.1| ( ) A obra é um romance ficcional, ainda que Cristo.
escrito com base em memórias e reflexões presentes no diário
em que Lima Barreto relata sua experiência como interno em Com base na leitura de três fragmentos do conto “A mão no
um hospício. ombro”, da coletânea Melhores contos de Lygia Fagundes Telles
(Texto 45 em Anexos), originalmente publicada em 1983, no
contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo
173| |2020.1| ( ) A escrita autobiográfica do autor de ori- com a variedade padrão da língua escrita, responda as 6 ques-
gem humilde, discriminado como mulato, denuncia a vida de tões a seguir.
seus antepassados quando trazidos para o Brasil em navios
negreiros.
182| |2020.1| ( ) O conto evidencia três passagens: o mo-
mento em que o protagonista sonha com a morte; o instante
174| |2020.1| ( ) A narrativa explora o remorso do prota- em que ele retoma a rotina da vida imbuído da reflexão sobre
gonista Mascarenhas, que, num momento de perda da razão, o sonho; e o momento derradeiro em que ele se depara nova-
assassina a própria esposa e é internado em um hospício. mente com a morte.

175| |2020.1| ( ) Na frase sublinhada (linhas 18-19), o pon- 183| |2020.1| ( ) O título do conto expressa o gesto pro-
to e vírgula pode ser substituído por dois-pontos sem prejuízo duzido pela mão que desperta o protagonista do sonho e o
ao sentido do texto. salva da morte.

176| |2020.1| ( ) O excerto faz referência à existência de 184| |2020.1| ( ) O conto constrói-se em torno de uma re-
um livro chamado “O cemitério dos vivos”, publicado na China, flexão sobre a vida diante da iminência da morte.
que inspirou o título da obra de Lima Barreto.

Com base no Texto 44 em Anexos e na leitura integral de Quar- 185| |2020.1| ( ) As ocorrências sublinhadas do termo “se”,
to de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Je- no Fragmento 1, integram o verbo que o segue ou o antecede,
sus, publicada pela primeira vez em livro em 1960, no contexto denotando atitudes próprias do sujeito.
sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a
obra O cemitério dos vivos, de Lima Barreto, e com a variedade
padrão da língua escrita, responda as 5 questões a seguir. 186| |2020.1| ( ) As ocorrências sublinhadas da palavra
“agora”, nos Fragmentos 1 e 3, indicam circunstância de tempo
e referem-se ao momento em que o protagonista estava so-
nhando.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 185


187| |2020.1| ( ) No Fragmento 2, a coesão do parágrafo
é estabelecida pela manutenção do verbo na primeira pessoa
do singular com sujeito oculto.

Com base no Texto 46 e na leitura integral de Capitães da


Areia, de Jorge Amado, originalmente publicada em 1937, no
contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acor-
do com a variedade padrão da língua escrita, responda as 5
questões a seguir.

188| |2020.1| ( ) Em “sua mãe, irmã e noiva”, o autor faz re-


ferência a três personagens diferentes que integram o bando.

189| |2020.1| ( ) A febre que acomete a personagem é re-


sultado de uma tuberculose, da qual Dora acaba se recuperan-
do mais tarde.

190| |2020.1| ( ) O excerto explora a sinestesia em “Os


olhos febris de Dora sorriem” .

191| |2020.1| ( ) Ao longo da obra, ocorre uma epidemia


entre as personagens mais pobres que não atinge a elite baia-
na, branca, rica e bem nutrida.

192| |2020.1| ( ) Jorge Amado é um dos integrantes da


Geração de 30, importante momento do romance brasileiro,
ao lado de escritores como Graciliano Ramos, Erico Verissimo
e Rachel de Queiroz.

Com base no Texto 47 em Anexos e na leitura integral de Os


milagres do cão Jerônimo, de Péricles Prade, originalmente
publicada em 1970, no contexto sócio-histórico e literário da
obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua es-
crita, responda as 4 questões a seguir.

193| |2020.1| ( ) Péricles Prade constrói narrativas fantás-


ticas personificando objetos, como é o caso do relógio, das
bolas, do taco, dos lampiões e da mesa de snooker.

194| |2020.1| ( ) O trecho “[...] por incrível que pareça [...]”


mantém uma relação de coordenação a fim de marcar uma
ideia de conclusão.

195| |2020.1| ( ) As expressões “O pintor de roxas faces,


frustrado” e “odiava Van Gogh” sugerem que o pintor visitante
tinha inveja de Van Gogh.

196| |2020.1| ( ) A pergunta “São velhos amigos?” marca a


relação de afastamento sentida pelo pintor de roxas faces em
relação à obra e ao homem de branco e de misteriosos cabelos
verdes, mesmo com suas visitas diárias.

186 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


ANEXOS

Texto 1
Geração Z mudará o mundo

01 Acabou o egoísmo, o narcisismo selfie, a obsessão pelo consumo e a passividade que isso acarreta. Há uma
02 geração que quer salvar o mundo, mas ainda não sabe como. Nasceu ou cresceu em plena recessão, em
03 um mundo fustigado pelo terrorismo, índices de desemprego galopantes e uma sensação apocalíptica
04
provocada pelas mudanças climáticas. São mais realistas que seus irmãos mais velhos, indicam todas as
05
consultorias de marketing (sempre preocupadas com seus futuros consumidores). São a geração Z, o gru-
06
07 po demográfico nascido entre 1994 e 2010, que representa 25,9% da população mundial. Os especialistas
08 já analisam todos os traços de sua personalidade.
09 Deixando de lado os riscos e a evidente frivolidade de atribuir uma letra e um só rosto a um espectro de
10 dois bilhões de pessoas, há alguns elementos que podem ser extraídos das múltiplas pesquisas. Especial-
11 mente em contraposição a seus predecessores, os chamados millennials (ou Geração Y), que as marcas
12 ainda vivem obcecadas em decifrar. Fundamentalmente porque são um grupo de 80 milhões de pessoas
13 nos EUA e pouco mais de oito milhões na Espanha, que em 2025 representará – de acordo com prognós-
14 tico da consultoria Deloitte – 75% da força de trabalho do mundo. O potencial produtivo e de consumo
15
dos millennials já é algo tangível (somente nos EUA têm uma capacidade de compra equivalente a 112
16
bilhões de reais). Para as empresas, no entanto, a aventura com seus irmãos mais novos consiste agora em
17
18 decodificá-los no laboratório.
19 A teoria do consumo diz que o segmento populacional dos 18 aos 24 anos é o mais influente. As gerações
20 anteriores e as posteriores sempre querem se parecer com ele. É a referência estética. Os Z – assim chama-
21 dos por virem depois das gerações X e Y – começam a posicionar-se no topo dessa pirâmide de influência,
22 e em cinco anos a terão dominado.
23 Essa geração já não se conforma em ser sujeito passivo de marcas e publicações, deseja produzir seus
24 conteúdos. E consegue através do YouTube, onde as novas celebridades surgidas nessa mídia já são mais
25 populares do que as da indústria do entretenimento tradicional (63% contra 37%, segundo o Cassandra
26
Report, um dos relatórios mais utilizados pelas grandes empresas para sondar os gostos da juventude). Ou
27
por meio de aplicativos como o Vine (para vídeos em loop) e plataformas online como o Playbuzz, a guina-
28
29 da do popular site de histórias virais Buzzfeed, onde agora os conteúdos são postados pelos usuários, que
30 já somam 80 milhões por mês, segundo o Google Analytics.
31 O tempo livre está cada vez mais direcionado para as vocações profissionais (blogs, desenho de moda,
32 fotografia...) e as comunidades se formam em torno disso. A escritora Luna Miguel destaca esse modo de
33 trabalhar em rede, apesar de alertar para o fato de ser cedo para analisar uma geração que ainda compar-
34 tilha muitos códigos com a anterior. “São figuras importantes, mas ajudam os demais e criam comunidade.
35 A solidariedade será um valor importante. Não querem mais ser o artista jovem e incomum. Até os ‘nativos
36 da Internet’ soam como algo velho, é uma questão quase genética. Um exemplo seria Tavi Gevinson, que
37
desde os 13 anos tem um dos blogs mais importantes do mundo”, afirma, referindo-se à multifacetada e
38
influente blogueira e editora norte-americana, nascida em 1996, um dos ícones da geração Z.
39
40 A tendência também se estende à educação e aos novos canais de acesso. Para Anne Boysen, consultora
41 em estratégia e especialista em questões geracionais da empresa After the Millennials, grande parte da
42 aprendizagem se dá fora da sala de aula. “Essa geração usa o YouTube de forma periódica para sua lição de
43 casa, o que indica que quer um maior grau de personalização na educação. Se não gostam do enfoque de
44 seu professor, ou não o entendem, buscarão alguém online que o explique melhor”, afirma. O mundo, tal
45 qual deixaram seus antecessores, não lhes parece um lugar habitável.

VERDÚ, Daniel. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/02/sociedad/1430576024_684493.html>. [Adaptado].


Acesso em: 27 jun. 2016.

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Texto 2
dia 16 de outubro de 1983

01 Primeira noite decente. Sonhei com o consultório da Mary atravessado de papel higiênico, grande con-
02 fusão: seria quem? Analista, amiga ou namorada? Nenhuma das três?
03 Não quero agora computar as perdas. Perder é uma lenha. Lá fora está sol, quem escreve deixa um
04 testemunho. Reesquentando. Joguei fora algumas coisas já escritas porque não era o testemunho que eu
05 queria deixar. É outro. Outro agora. Acredite se puder. Rejane por perto, acompanhando meus progressos.
06 Peço a ela encarecidamente que me faça o favor de lembrá-los. Eu mesma me exercito, mas que péssima
07 memória! Notas, Armando. A memória Fraca para os progressos! Chega desse lero, Poesia virá quando pu-
08 der. Por enquanto, Filho, é isso aí apenas. Saí ao sol onde tentei um do-in, me sinto exaurida. Lembra que
09 o diário era alimento cotidiano? Que importa a má fama depois que estamos mortos? Importa tanto que
10
abri a lata de lixo: quero outro testemunho. Diário não tem graça, mas esquenta, pega-se de novo a caneta
11
12 abandonada, e o interlocutor é fundamental. Escrevo para você sim. Da cama do hospital. A lesma quando
13 passa deixa um
14 rastro prateado.
15 Leiam se forem capazes.

CESAR, Ana Cristina. Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 309.

Texto 3

Os filhos chegaram tarde, cada um por sua vez, e Pedro mais cedo que Paulo. A melancolia de um ia com a alma
da casa, a alegria de outro destoava desta, mas tais eram uma e outra que, apesar da expansão da segunda, não
houve repressão nem briga. Ao jantar, falaram pouco. Paulo referia os sucessos amorosamente. Conversara com
alguns correligionários e soube do que se passara à noite e de manhã, a marcha e a reunião dos batalhões no
campo, as palavras de Ouro Preto ao Marechal Floriano, a resposta deste, a aclamação da República. A família
ouvia e perguntava, não discutia, e esta moderação contrastava com a glória de Paulo. O silêncio de Pedro prin-
cipalmente era como um desafio. Não sabia Paulo que a própria mãe é que o pedira ao irmão com muitos beijos,
motivo que em tal momento ia com o aperto do coração do rapaz.

ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Ática, 1999, p. 119

Texto 4

Disponível em: <http://novaescola.org.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml>. [Adaptado]


Acesso em: 24 jun. 2016

188 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


Texto 5
01 A lua vinha assomando pelo cimo das montanhas fronteiras; descobri nessa ocasião, a alguns passos de mim, uma
02 linda moça, que parara um instante para contemplar no horizonte as nuvens brancas esgarçadas sobre o céu azul
03 e estrelado. Admirei-lhe do primeiro olhar um talhe esbelto e de suprema elegância. O vestido que o moldava era
04 cinzento com orlas de veludo castanho, e dava esquisito realce a um desses rostos suaves, puros e diáfanos que
05 parecem vão desfazer-se ao menor sopro, como os tênues vapores da alvorada. Ressumbrava na sua muda contem-
06 plação doce melancolia, e não sei que laivos de tão ingênua castidade, que o meu olhar repousou calmo e sereno na
07 mimosa aparição.
ALENCAR, José de. Lucíola. 4. ed. SãoPaulo: FTD, 1997, p. 14-15

Texto 6
01 Um dia chega a Cântaro um jovem trovador, Lipídio de Albornoz. Ele cruza a Ponte de Safena e entra na cidade
02 montado no seu cavalo Escarcéu. Avista uma mulher vestindo uma bandalheira preta que lhe lança um olhar cheio
03 de betume e cabriolé. Segue-a através dos becos de Cântaro até um sumário – uma espécie de jardim enclausurado
04 –, onde ela deixa cair a bandalheira. É Lascívia. Ela sobe por um escrutínio, pequena escada estreita, e desaparece por
05 uma porciúncula. Lipídio a segue. Vê-se num longo conluio que leva a uma prótese entreaberta. Ele entra. Lascívia
06 está sentada num trunfo em frente ao seu pinochet, penteando-se. Lipídio, que sempre carrega consigo um fanfarrão
07 (instrumento primitivo de sete cordas), começa a cantar uma balada. […]
VERISSIMO, Luis Fernando. Palavreado. In: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 73-74.

Texto 7
01 Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os
02 olhos de minha mãe? Atordoada, custei a reconhecer o quarto da nova casa em que eu estava morando e não con-
03 seguia me lembrar de como havia chegado até ali. E a insistente pergunta martelando, martelando. De que cor eram
04 os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu
05 me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento
06 interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusativo. Então eu
07 não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe?
EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. In: Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, Fundação Biblioteca Nacional, 2015, p. 15. [Adaptado].

Texto 8
01 “Quando você se transformou...”
02 “Nisso?! Nessa coisa?”
03 “Não foi isso que...”
04 “Há duas maneiras de lidar com o desejo: ou você apaga com o extintor, que é o que as pessoas geralmente fazem,
05 ou você deixa o fogo se alastrar. Eu resolvi me incendiar.”
06 “Mas você tinha um bom emprego...”
07 “Um bom emprego? Jornalista? Em Mendoza? É tudo prostituição, meu caro, tudo, uns vendem o corpo, outros a
08 cabeça, alguns seu tempo, é tudo putaria [...].”
SCHROEDER, Carlos Henrique. As fantasias eletivas. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 50.

Texto 9
01 A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro foi em 1855.
02 Poucos dias depois da minha chegada, um amigo e companheiro de infância, o Dr. Sá, levou-me à festa da Glória;
03 uma das poucas festas populares da corte. Conforme o costume, a grande romaria desfilando pela Rua da Lapa e ao
04 longo do cais, serpejava nas faldas do outeiro, e apinhava-se em torno da poética ermida, cujo âmbito regurgitava
05 com a multidão do povo.
06 [...]
07 A lua vinha assomando pelo cimo das montanhas fronteiras; descobri nessa ocasião, a alguns passos de mim, uma
08 linda moça, que parara um instante para contemplar no horizonte as nuvens brancas [...].
09 [...]
10 Quem é esta senhora? perguntei a Sá.
11 A resposta foi o sorriso inexprimível, mistura de sarcasmo, de bonomia e fatuidade, que desperta nos elegantes da
12 corte a ignorância de um amigo, profano na difícil ciência das banalidades sociais.
13 Não é uma senhora, Paulo É uma mulher bonita. [...]
14 [...] Só então notei que aquela moça estava só; e que a ausência de um pai, de um marido, ou de um irmão, devia-me
15 ter feito suspeitar a verdade.
ALENCAR, José de. Lucíola. 4. ed. São Paulo: FTD, 1997, p. 14-15.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 189


Texto 10
01 Alguém tropeça, cai, geme, exclama com dificuldade, “me parece luxação no tornozelo, eu ia até mais adiante, não
02 tenho como, posso me estirar a seu lado?”“poder pode, a praia não é minha, e tem espaço.”“grato, você é daqui?”“ser,
03 sou, por quê?”“por seu sotaque, vê que o meu é diferente.”“e tu, é donde?”“venho lá das securas, adoro surfe, e queria
04 conhecer a chamada ilha da magia e do fantástico.” [...]
05 Sentam no bar, o Você pede uma cerveja, pergunta: “um ou dois copos?” “dois copos, dessa não me libertei.” O Você
06 diz: “qual o prato típico dessas bandas?”“típico não sei, mas tem umas coisas bem gostosas: casquinha ou bolinho de
07 siri, ostra, fritada de camarão, que hoje desapareceu substituída pela pretensiosa omelete, o que preferes?” “vamos
08 ficar na casquinha de siri e nas ostras cruas.” Pedem uns beliscos, emendam um papo que se prolonga, agora sim,
09 conversa flui, cada um fala um pouco de si, do que faz ou não faz, e antes de se despedirem, o Você te dá um cartão,
10 enquanto vai dizendo: “lhe agradeço pela ajuda e pelo papo, sem sair desta mesa fiquei conhecendo um pouco da
11 ilha, agora você é que precisa ir conhecer minha terra, indo lá, me procure, até mais ver.”[...]
12 [...]
13 Dupin foi sucinto: é, na verdade jamais encontrei em toda minha carreira de investigador um caso mais difícil. Não
14 consigo desfazer os nós, infelizmente tenho insistido, porém Edgar está trabalhando em um novo livro “O barril de
15 amontillado” e se recusa a vir me ajudar, só com a ajuda dele e retomando os interrogatórios talvez venha a descobrir
16 o mandante. Enquanto isso só posso dizer que até prova em contrário:
17 Não tenho dúvidas, até prova em contrário, por enquanto, o culpado é o Autor.
MIGUEL, Salim. Nós. Florianópolis: Editora da UFSC, 2015, p. 25-26, 79. [Adaptado].

Texto 11
01 Mas não deu muita confiança à morte,
02 Porque ia tocando mais... Porém, a cabeça desabou sobre o teclado...
03 (golpe no teclado)
04 Quando apareceu gente, Sônia já estava morta.
05 (grita)
06 SÔNIA
07 (baixo)
08 Sônia, disseram Sônia?
09 (cochicho)
10 Sônia, sim, como não? Aquela menina.
11 Uma que tocava muito bem. E sabia francês.
12 Natural.
13 Estudou nos melhores colégios.
RODRIGUES, Nelson. Valsa no 6. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, p. 43

Texto 12

Disponível em: <www.futuroacademico.com.br>. Acesso em: 2 maio 2018.

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Texto 13

01 O Brasil queimou – e não tinha água


02 para apagar o fogo
03 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado
04
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado.
05
Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.
06 O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas coleções
07 de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do
08 antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam.
09 Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam.
10 O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No
11 sem tempo. No fora do tempo.
12 O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira um pouco maior do que a
13 que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem água em parte dos hidrantes, depois de quatro
14 horas de incêndio ainda chegavam caminhões- pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe
15 tentava tirar água do lago da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar
16 para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira
17 de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem
18 metáforas.
19 Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. O Museu Nacional queimando.
20 O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou além da interpretação?
21 Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom
22 Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom
23 João VI, criou aquele museu no Palácio de São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito
24 de pedra, um imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as chamas
25 como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior acervo de línguas indígenas da
26 América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter
27 salvo, e não salvaram, ele grita.
28 Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam. As costas de Pedro ferviam.
29 Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e uma atriz brasileira com
30 uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto com ele estivesse
31 também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou
32 Gabriela Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.”
33 Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã,
34 sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do
35 lado de fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar
36 nenhum.
37 A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva.
38 “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.”
39 A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso
40 ser eu?
41 O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um
42 palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro.
43 E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de
44 imaginar um futuro. O Brasil está em chamas.
45 O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu Nacional fazendo vaquinha na
46 Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção.
47 O Rio de Janeiro. Flagelado e roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser oRio.
48 Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as labaredas lambem o cenário
49 atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele
50 declara: “Está tudo sob controle”.
51 Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para poder gritar para sempre a
52 única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está queimando O Museu Nacional está queimando ”.
53 O Brasil está queimando.
54 E o meteorito estava dentro do museu.
BRUM, Eliane. “O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”. El País: coluna. São Paulo, 3 set. 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.
com/brasil/2018/09/03/opinion/1535975822 _774583.html>. [Adaptado]. Acesso em: 3 out. 2018.

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Texto 14

Disponível em: <https://www.diariodocentrodomundo.com.br/aqui-jaz-o-brasil-incendio-no- museu-nacional-por-carlos-latuff/>. [Adaptado]. Acesso em: 16 set. 2018.

Texto 15
01 13 de maio [...]
02 – “Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouco de gordura, para eu fazer uma sopa para os meninos. Hoje
03 choveu e eu não pude ir catar papel. Agradeço.Carolina.”
04 ... Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A Vera começou pedir comida. E eu
05 não tinha. Era a reprise do espetaculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para
06 fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando
07 comemos.
08 E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2018, p. 30-32.

Texto 16
OS SAPOS

Enfunando os papos, Consoantes de apoio. Tudo quanto é vário,


Saem da penumbra, Canta no martelo.”
Vai por cinquenta anos
Aos pulos, os sapos.
Que lhes dei a norma: Outros, sapos-pipas
A luz os deslumbra.
Reduzi sem danos (Um mal em si cabe),
Em ronco que aterra, A fôrmas a forma. Falam pelas tripas:
Berra o sapo-boi: – “Sei ” – “Não sabe ” – “Sabe ”
“Meu pai foi à guerra ” Clame a saparia
“Não foi ” – “Foi ” – “Não foi ” Em críticas céticas: Longe dessa grita,
Não há mais poesia, Lá onde mais densa
O sapo-tanoeiro, Mas há artes poéticas…” A noite infinita
Parnasiano aguado, Verte a sombra imensa;
Diz: – “Meu cancioneiro Urra o sapo-boi:
É bem martelado. “Meu pai foi rei” – “Foi ” Lá, fugido ao mundo,
“Não foi ” – “Foi ” – “Não foi ” Sem glória, sem fé,
Vede como primo No perau profundo
Em comer os hiatos Brada em um assomo
E solitário, é
Que arte E nunca rimo O sapo-tanoeiro:
Os termos cognatos. “A grande arte é como Que soluças tu,
Lavor de joalheiro. Transido de frio,
O meu verso é bom Sapo-cururu
Frumento sem joio. Ou bem de estatuário. Da beira do rio...
Faço rimas com Tudo quanto é belo,
BANDEIRA, Manuel. Melhores poemas: Manuel Bandeira. Seleção de Francisco de Assis Barbosa. 17. ed. São Paulo: Global, 2015, p. 32-33.

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Texto 17

Segundo ato
01 (Mesmo cenário. Detrás da cena, o bombo, com o seu obstinado acompanhamento. A menina já não está no piano. No
02 meio da cena, faz a sua encantada viagem ao passado. É, agora, uma menina em pleno jogo infantil.)
03
MOCINHA – Bento que o bento, ó frade Frade
04
Na boca do forno Forno
05
Virai um bolo Bolo
06 Faremos tudo o que seu mestre mandar? (erro de português bem enfático) “Fazeremos” todos
07 (paródia de um delirante riso infantil transfigura-se. Lamento) Não sei, meu Deus
08 Isto é, sei Foi assim.
09 (senta-se ao piano. Breve trecho da “Valsa no 6”)
10 Eu estava tocando a “Valsa”, a pedido de alguém.

RODRIGUES, Nelson. Valsa no 6. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, p. 29.

Texto 18

Apenas um saxofone
01 Anoiteceu e faz frio. “Merde! voilà l’hiver” é o verso que segundo Xenofonte cabe dizer agora. Aprendi com ele que
02 palavrão em boca de mulher é como lesma em corola de rosa. Sou mulher, logo, só posso dizer palavrão em língua
03 estrangeira, se possível, fazendo parte de um poema. Então as pessoas em redor poderão ver como sou autêntica e
04 ao mesmo tempo erudita. Uma puta erudita, tão erudita que se quisesse podia dizer as piores bandalheiras em grego
05 antigo, o Xenofonte sabe grego antigo.
TELLES, Lygia Fagundes. Melhores contos de Lygia Fagundes Telles. Seleção de Eduardo Portella. 12. ed. São Paulo: Global, 2003, p. 19-20.

Texto 19

Destino
01 Ocuparam a mesa do canto, o Gato puxou o baralho. Mas nem Pedro Bala, nem João Grande, nem Professor, tampou-
02 co Boa-Vida se interessaram. Esperavam o Querido-de-Deus na Porta do Mar. As mesas estavam cheias. Muito tempo
03 a Porta do Mar andara sem fregueses. A varíola não deixava. Agora que ela tinha ido embora, os homens comenta-
04 vam as mortes. Alguém falou no lazareto. “É uma desgraça ser pobre”, disse um marítimo.
05 Numa mesa pediram cachaça. Houve um movimento de copos no balcão. Um velho então disse:
06 Ninguém pode mudar o destino. É coisa feita lá em cima – apontava o céu. Mas João de Adão falou na outra mesa:
07 Um dia a gente muda o destino dos pobres...
08 Pedro Bala levantou a cabeça, Professor ouviu sorridente. Mas João Grande e Boa-Vida pareciam apoiar as palavras
09 do velho, que repetiu:
10 Ninguém pode mudar, não. Está escrito lá em cima.
11 Um dia a gente muda... – disse Pedro Bala, e todos olharam para o menino.
12 Que é que tu sabe, frangote? – perguntou o velho.
13 É filho do Loiro, fala a voz do pai – respondeu João de Adão olhando com respeito. – O pai morreu pra mudar o des-
14 tino da gente.
15 Olhou para todos. O velho calou e também olhava com respeito. A confiança foi de novo chegando para todos. Lá
16 fora um violão começou a tocar.
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 159.

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Texto 20
01 Interrompi-o, “por que não o Sherlock Holmes”
02 – Este, jamais, é um plagiador, o método dedutivo é do Edgar e meu, o sacana bota banca, se utiliza do pobre Doutor
03 Watson, e insiste que suas miúdas células cinzentas funcionam melhor graças ao ópio. Antes de entrar no que de fato
04 interessa, preciso explicar a ausência do Edgar, insisti, ele pede desculpas por não ter vindo, o homem anda obceca-
05 do, não se cansa de mexer e remexer no Corvo, sem conseguir trocar uma única palavra, embora continue achando
06 que o verso “quoth the raven, ‘nervermore!’”, o mais famoso, precisa ter uma palavra alterada, entre uma dose e outra
07 de bourbon, repete e repete “a palavra é o núcleo central de tudo, tem som, tem sabor, tem cheiro, tem cor”. Pede ain-
08 da que lhe diga, não gosta da tradução do Machado de Assis, do Gondim da Fonseca, nem do Fernando Pessoa, única
09 que considera razoável é a do Baudelaire; no entanto reconhece que traduzir poesia é mesmo o mais difícil, citando
10 sempre o “traduttore-traditore”, poesia, insiste Edgar, não é simplesmente passar para outro idioma o que está no
11 idioma original, é imprescindível recriar; esta conversa nos levaria longe, está tudo em sua “Filosofia da composição”.
12 O tempo escorre, vamos ao que importa. Estou aqui é para ajudar a desfazer os nós, a meu ver a melhor sugestão é
13 a do Nero Wolfe, cuja técnica de interrogatório admiro: vamos reunir nesta sala os principais envolvidos na trama.
MIGUEL, Salim. Nós. Florianópolis: Editora da UFSC, 2018, p. 68.

Texto 21
Edição do dia 22/12/2016
22/12/2016 21h10 – Atualizado em 22/12/2016 21h57

Acordos fechados pelas categorias terão peso legal. Férias poderão ser parceladas em até três vezes.
Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/12/governo-anuncia-propostas-para-modernizar-leis-trabalhistas-de-1940.html>. [Adaptado]. Acesso em:
26 jan. 2017.

Texto 22

Disponível em: <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/51254-charges-julho-de-2017#foto-697131>. Acesso em: 30 jul. 2017.

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Texto 23

O Brasil entre a norma culta e a norma curta


01 Boa parte de nossa elite letrada do século XIX desejava ardentemente viver numa sociedade branca e europeia. Ti-
02 nha, portanto, de virar as costas para o país real, figurá-lo diferente do que era. Não à toa essa elite defendeu o que
03 se costumava chamar “higienização da raça”, ou seja, a implementação de políticas que resultassem no “embranque-
04 cimento” do país.
05 Em matéria de língua, essa elite vivia complexas contradições. Duas realidades eram evidentes para todos: o portu-
06 guês de cá tinha diferenças em relação ao português europeu; e aqui dentro o “nosso” português diferia do portu-
07 guês do “vulgo”. Na construção do novo país, como resolver esse duplo eixo de diferenças?
08 Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo interpretadas como detur-
09 pações da língua. Não adiantou José de Alencar, no seu esforço para abrasileirar a norma escrita, apelar para os clás-
10 sicos, a fim de mostrar a antiguidade de fatos da língua do Brasil. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma
11 sociedade que fala e escreve mal a língua portuguesa. E tudo o que – no português culto brasileiro – não coincidia
12 com certa norma lusitana passou a ser listado por gramatiqueiros pseudopuristas como erro.
13 Nessa guerra, venceram os conservadores, definindo certa norma lusitana do romantismo como modelo para nossa
14 escrita. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças da norma culta brasileira em relação a esse padrão
15 artificialmente fixado, foi preciso construir uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação
16 do falante brasileiro.
17 Nem o desenvolvimento dos estudos filológicos e linguísticos, nem a rebelião literária de 1922, nem a crítica da norma
18 curta por nossos melhores filólogos, nada disso conseguiu romper a força do imaginário construído no século XIX.
19 Ainda se diz que os brasileiros falam errado, não sabem falar português, tratam mal sua língua e assim por diante.
20 Não é difícil mostrar com fatos e argumentos lógico-racionais que essas certezas não existem. Mas o imaginário resis-
21 te aos fatos, aos argumentos lógico-racionais. Fica, então, a pergunta que não quer calar: como enfrentar poderosos
22 imaginários?
FARACO, C. A. O Brasil entre a norma culta e a norma curta. In: LAGARES, X. C.; BAGNO, M. (Org.). Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo:
Parábola, 2011, p. 259-275.[Adaptado].
Obs.: A noção de “norma culta” equivale à noção de “variedade padrão”, termo utilizado no Edital 06/Coperve/2017 e no Programa das Disciplinas

Texto 24

O Inventário Nacional da Diversidade Linguística


01 Estima-se que mais de 250 línguas sejam faladas no Brasil, entre línguas indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e
02 afro-brasileiras, além do português e de suas variedades. Esse patrimônio cultural é desconhecido por grande parte
03 da população brasileira, que se acostumou a ver o Brasil como um país monolíngue. O resultado da mobilização que
04 envolveu setores da sociedade civil e governamentais interessados em mudar esse cenário é o Decreto n. 7.387, de 9
05 de dezembro de 2010, que instituiu o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL).
06 O INDL é o instrumento oficial de reconhecimento de línguas como patrimônio cultural e seu objetivo é a “identifi-
07 cação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas portadoras de referência à identidade, à ação e à
08 memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. Por ser um instrumento com a dupla finalidade
09 de pesquisar as línguas e de reconhecê-las como patrimônio cultural, o INDL deve permitir o mapeamento, a carac-
10 terização e o diagnóstico das diferentes situações relacionadas à pluralidade linguística brasileira.
11 Entre as ações de valorização previstas, encontra-se o reconhecimento da importância das línguas como elemento
12 de transmissão da cultura e como referência identitária para os diversos grupos sociais que vivem no país. Além de
13 possibilitar a ampliação do mapa da diversidade linguística brasileira, os inventários também fomentam a mobiliza-
14 ção das comunidades em torno dos temas da sua língua, da sua cultura e da sua identidade, contribuindo para o seu
15 fortalecimento como gestores do seu próprio patrimônio cultural.
Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/139>. [Adaptado]. Acesso em: 20 mar. 2018.

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Texto 25
01 Trecho de entrevista realizada pela revista Na Ponta do Lápis com o professor Carlos Alberto Faraco
02 Qual é a visão geral da população sobre a nossa situação linguística?
03 O Brasil é monolíngue. É porque se fala uma única língua que se compreende em todos os rincões do território nacio-
04 nal, em todas as situações [...] No século XVIII, num primeiro momento, ocorreu o silenciamento das línguas indíge-
05 nas para colocar no lugar o português. Num segundo momento, você vai ter no Brasil o silenciamento das variedades
06 populares da língua. Começamos a trabalhar numa ideia de que tem uma variedade da língua que merece cultivo e
07 prestígio, enquanto é preciso silenciar a outra, o “pretoguês”, a língua da maioria. Na década de 1930, vai acontecer
08 o terceiro momento, agravado com a Segunda Guerra: o silenciamento das línguas de imigração. O Estado brasileiro
09 vai proibir o uso e o ensino de italiano, de japonês, de alemão. São mais de trezentos anos em que se estabelece e
10 se impõe uma visão monologuista de silenciamento de toda a diversidade, seja ela dos indígenas, dos imigrantes ou
11 dos falantes do português popular. Cria-se a imagem de uma pureza em direção a que se deve caminhar. Só que o
12 país tem uma história, uma dinâmica social que atropela tudo isso.
Disponível em: <https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/revista/entrevistas/artigo/858/entrevista-
-oIhai-a- beleza-da-diversidade-linguística>. [Adaptado]. Acesso em: 20 mar. 2018.

196 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


Texto 26
Não há desenvolvimento sem proteção ambiental
01 O desastre de Brumadinho é uma boa oportunidade para refletir sobre uma visão muito disseminada no Brasil de
02 que a proteção ambiental é um entrave ao desenvolvimento. Tem aumentado o número de pessoas que acreditam na
03 ideia de que o Brasil deveria afrouxar as políticas ambientais como forma de acelerar a economia. Muitos acreditam
04 que devemos desenhar políticas econômicas sem analisar suas consequências ambientais. Isso está profundamente
05 equivocado.
06 Não há desenvolvimento sem proteção ambiental. Os livros de economia das melhores universidades do mundo
07 já não falam mais de crescimento sem considerar os seus impactos ambientais, que no passado eram tratados como
08 simples “externalidades”. A visão de que o que importa é fazer o bolo crescer para depois dividir a renda e limpar a
09 poluição está totalmente ultrapassada.
10 Na visão antiga, qualquer forma de produzir minério é boa porque faz a economia crescer, gerando empregos,
11 e isso basta. Não entra nessa perspectiva a análise do custo das vidas e da degradação ambiental de desastres como
12 Brumadinho ou Mariana (este foi o maior da história do Brasil). Se os órgãos ambientais tivessem exigido maiores
13 investimentos da Vale na segurança das barragens antes de conceder a licença, isso teria sido visto como um “entrave
14 ambiental”.
15 O que ocorre quando há um afrouxamento do licenciamento ambiental é que, de fato, aumenta-se a margem de
16 lucro das empresas, em função da redução dos custos. Isso é bom para as empresas e seus acionistas. Porém, quando
17 ocorre um desastre ambiental, o que há é uma socialização dos prejuízos, que são pagos pela sociedade como um
18 todo. Esse prejuízo ocorre na forma de morte de pessoas, traumas psicológicos, perdas de pertences pessoais, doenças,
19 degradação dos rios e lagos, contaminação dos mananciais de água potável, destruição das florestas que mantêm o
20 regime de chuvas, a vazão dos rios e os insetos que polinizam as lavouras; dentre muitos outros. Portanto, interessa às
21 empresas, mas não interessa à sociedade o afrouxamento do licenciamento ambiental.
22 Indo além das tragédias de Brumadinho e Mariana, podemos estender essa reflexão para o desenho de políticas
23 econômicas e suas consequências ambientais. Dentro de uma visão convencional e simplista de economia, eliminar
24 incentivos fiscais é positivo, pois reduz distorções do mercado e contribui para o aumento da competitividade. Essa
25 visão está ultrapassada. É essencial considerar os impactos ambientais das políticas econômicas.
26 [...]
27 O trágico desastre de Brumadinho deve servir de alerta para toda a sociedade brasileira. Promover o desenvolvimento
28 econômico às custas da destruição ambiental é burrice e é contrário ao interesse nacional. Não há desenvolvimento
29 sem proteção ambiental. Devemos ter a competência de construir um estilo de desenvolvimento que seja, de fato,
30 sustentável.

31 Virgílio Viana é engenheiro florestal pela ESALQ, Ph.D. pela Universidade de Harvard, ex-secretário de Meio Ambiente e
32 Desenvolvimento Sustentável do Amazonas e superintendente da Fundação Amazonas Sustentável.
VIANA, Virgílio. Não há desenvolvimento sem proteção ambiental. El País: Opinião, 16 mar. 2019. Disponível em: https://brasil. elpais.com/bra-
sil/2019/03/15/opinion/1552674544_685747.html. [Adaptado]. Acesso em: 30 mar. 2019.

Texto 27

DUKE. Disponível em: http://www.tribunadainternet.com.br/charge-do-duke-1537. Acesso em: 30 mar. 2019.

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Texto 28
01 ...UMA PÁTRIA E UMA FAMÍLIA
02 ANOS DEPOIS OS JORNAIS DE CLASSE, pequenos jornais, dos quais vários não tinham existência legal e se imprimiam
03 em tipografias clandestinas, jornais que circulavam nas fábricas, passados de mão em mão, e que eram lidos à luz dos
04 fifós, publicavam sempre notícias sobre um militante proletário, o camarada Pedro Bala, que estava perseguido pela
05 polícia de cinco estados como organizador de greves, como dirigente de partidos ilegais, como perigoso inimigo da
06 ordem estabelecida.
07 No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais
08 (únicas bocas que ainda falavam) clamavam pela liberdade de Pedro Bala, líder da sua classe, que se encontrava preso
09 numa colônia.
10 E, no dia em que ele fugiu, em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia. E,
11 apesar de que lá fora era o terror, qualquer daqueles lares era um lar que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia.
12 Porque a revolução é uma pátria e uma família.
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 262.

Texto 29

Disponível em: https://www.topimagens.com.br/outros/15801-na-minha-escola.html. Acesso em: 30 mar. 2019.

Texto 30
CARTAS À REDAÇÃO
01 A OPINIÃO DA INOCÊNCIA
02 A nossa reportagem ouviu também o pequeno Raul, que, como dissemos, tem onze anos e já é dos ginasianos mais
03 aplicados do Colégio Antônio Vieira. Raul mostrava uma grande coragem, e nos disse acerca da sua conversa com o
04 terrível chefe dos Capitães da Areia.
05 – Ele disse que eu era um tolo e não sabia o que era brincar. Eu respondi que tinha uma bicicleta e muito brinquedo.
06 Ele riu e disse que tinha a rua e o cais. Fiquei gostando dele, parece um desses meninos de cinema que fogem de
07 casa para passar aventuras.
08 Ficamos então a pensar neste outro delicado problema para a infância que é o cinema, que tanta ideia errada infunde
09 às crianças acerca da vida. Outro problema que está merecendo a atenção do dr. juiz de menores. A ele volveremos.
10 (Reportagem publicada no Jornal da Tarde, na página de “Fatos Policiais”, com um clichê da casa do comendador e um
11 deste no momento em que era condecorado.)
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 12.

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Texto 31
01 12 de junho
02 Eu deixei o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa pensar nas misérias que nos rodeia.
03 [...] Deixei o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz
04 do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as
05 flores de todas as qualidades. [...] É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela.
06 Fiz o café e fui carregar agua. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2018, p. 58.

Texto 32
Escritor é acusado de racismo por trecho em biografia de Clarice Lispector

As escritoras Clarice Lispector e Carolina de Jesus durante o lançamento de um livro (Foto: Acervo de divulgação/
Editora Rocco)
01 O escritor e historiador Benjamin Moser, autor da mais recente biografia de Clarice Lispector, vem sendo acusado
02 de racismo desde que um trecho do livro, publicado no Brasil em 2011, foi resgatado nas redes sociais.
03 A lembrança veio da autora mineira Ana Maria Gonçalves. No último sábado (14), ela republicou uma passagem
04 de Clarice em que Moser descreve uma imagem na qual Lispector aparece conversando com Carolina Maria de Jesus
05 durante o lançamento de um livro.
06 “Numa foto, ela aparece em pé, ao lado de Carolina Maria de Jesus, negra que escreveu um angustiante
07 livro de memórias da pobreza brasileira, Quarto de despejo, uma das revelações literárias de 1960. Ao lado da
08 proverbialmente linda Clarice, com a roupa sob medida e os grandes óculos escuros que a faziam parecer uma estrela
09 de cinema, Carolina parece tensa e fora do lugar, como se alguém tivesse arrastado a empregada doméstica de Clarice
10 para dentro do quadro”, escreve o biógrafo na página 25. [...]
11 Procurado pela CULT, Benjamin Moser não quis dar entrevista. Ele afirmou que fez as modificações necessárias
12 no texto para que, nas próximas edições da biografia, “suas intenções fiquem mais claras”. Ele não concorda que a
13 descrição tenha sido, de fato, preconceituosa, e afirmou que considera o assunto “fechado”.
Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/escritor-e-acusado-de-racismo-por-trecho-em-biografia-de-clarice-lispector. [Adaptado].
Acesso em: 30 mar. 2019.

Texto 33

Disponível em: http://www.colunistas.com.br/anos/pc2013/nn/exterior/MOTA-violencia_contra_a_mulher-1.jpg. Acesso em: 30 mar. 2019.

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Texto 34

Disponível em: http://www.colunistas.com.br/anos/pc2013/nn/exterior/MOTA-violencia_contra_a_mulher-1.jpg. Acesso em: 30 mar. 2019.

Texto 35
A caçada
01 O homem deixou cair o cigarro. Amassou-o devagarinho na sola do sapato. Apertou os maxilares numa contração
02 dolorosa. Conhecia esse bosque, esse caçador, esse céu – conhecia tudo tão bem, mas tão bem Quase sentia nas
03 narinas o perfume dos eucaliptos, quase sentia morder-lhe a pele o frio úmido da madrugada, ah, essa madrugada
04 Quando? Percorrera aquela mesma vereda, aspirara aquele mesmo vapor que baixava denso do céu verde... Ou subia
05 do chão? O caçador de barba encaracolada parecia sorrir perversamente embuçado. Teria sido esse caçador? Ou o
06 companheiro lá adiante, o homem sem cara espiando entre as árvores? Uma personagem de tapeçaria. Mas qual?
07 Fixou a touceira onde a caça estava escondida. Só folhas, só silêncio e folhas empastadas na sombra. Mas detrás das
08 folhas, através das manchas pressentia o vulto arquejante da caça. Compadeceu-se daquele ser em pânico, à espera de
09 uma oportunidade para prosseguir fugindo. Tão próxima a morte O mais leve movimento que fizesse, e a seta...
TELLES, Lygia Fagundes. Melhores Contos de Lygia Fagundes Telles: seleção de Eduardo Portella. São Paulo: Global. 2003, p. 163-164.

Texto 36

Disponível em: https://rafaelazevedoandrade.wordpress.com/2013/03/05/campanha-cigarro-e-arma. Acesso em: 30 mar. 2019.

200 PORTUGUÊS COC Floripa | Escola SEB


Texto 37
Memes no museu
Um fenômeno em exposição

01 O professor Viktor Chagas chegou ao Museu da República, no Rio de Janeiro, cumprimentou os seguranças e
02 apontou para a maior tela do salão térreo. “Esta é a famosa pintura da confecção da bandeira, de Pedro Bruno”,
03 disse, apressado. O quadro A Pátria, de 1919, retrata uma criança agarrada a uma imensa bandeira do Brasil que está
04 sendo confeccionada por um grupo de mulheres. É uma das imagens emblemáticas da virada republicana do país.
05 O professor subiu as escadas, atravessou uma sala, depois outra, e por fim se postou diante de uma imagem menor
06 que reproduzia a tela de Pedro Bruno, mas coberta de letras brancas que diziam: “Ordem e Progresso: é verdade esse
07 bilete.”
08 Trata-se de uma das montagens que Chagas pinçou da internet para integrar a exposição “A política dos memes
09 e os memes da política”, organizada por ele. “O meme, em essência, é tudo que é replicado. E sempre pressupõe
10 muitas camadas de significados”, afirmou o professor, diante da imagem. “Este meme, por exemplo, só ganha sentido
11 ao conhecermos o quadro original, o contexto político do momento e outro meme que mostrava o recado de um
12 menino para a sua mãe” (“Senhores paes, amanhã não vai ter aula poorque pode ser feriado. Assinado: Tia Paulinha.
13 É verdade esse bilete”). A frase final do recado virou mote para diversos memes.
14 A exposição espalha-se por quatro salas que tratam da relação dos memes com os símbolos nacionais,
15 a propaganda política, a persuasão e a desinformação, entre outros temas. Tudo é acompanhado de textos que
16 mostram a complexidade das forças políticas e sociais em jogo nas imagens. “Ver um meme na parede de um museu:
17 essa provocação sempre foi nossa intenção”, disse Chagas, do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade
18 Federal Fluminense (UFF). “Queremos que as pessoas encarem o objeto do meme como algo relevante, fugindo do
19 oba-oba, do besteirol, da balbúrdia.” [...]
20 Formado em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado e doutorado
21 em história pela Fundação Getulio Vargas, Chagas sempre trabalhou com temas relacionados à mídia e ao poder.
22 Quando foi contratado pela UFF, em 2011, começou a ser indagado pelos alunos sobre fenômenos da internet.
23 Leigo no assunto, ele passou a pesquisar sobre memes e percebeu que tinham muito a ver com seus temas de
24 estudo. Organizou, então, um grupo de alunos para catalogar os memes e analisá-los. A ideia era colocar as pesquisas
25 como verbetes na Wikipédia, mas seus colegas na universidade não endossaram a proposta. Disseram que uma
26 enciclopédia deveria prezar pela relevância e, para a academia, memes não eram importantes.
27 Chagas decidiu, então, montar uma “enciclopédia” por conta própria. Criou com sua equipe o #MUSEUdeMEMES,
28 um site que reúne as intervenções mais difundidas e influentes, que explica em que contexto surgiram e que impacto
29 político e/ou social tiveram. Na última contagem feita, estavam catalogadas e analisadas no museu cerca de 200
30 famílias de memes, séries com o mesmo tema.
31 O site também abriga cerca de 1.200 trabalhos escritos cadastrados (teses, artigos etc.) e tornou-se referência no
32 assunto. Em quatro anos de existência, teve mais de 2 milhões de visitantes, marca considerável para um projeto
33 acadêmico. Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa
34 exposição real. E assim ele chegou ao Museu da República, que hospeda a mostra até o dia 24 de agosto. [...]
PAVARIN, Guilherme. Memes no museu. Revista Piauí, ed. 155, ago. 2019. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/memes-no-museu.
[Adaptado]. Acesso em: 2 set. 2019.

COC Floripa | Escola SEB PORTUGUÊS 201


Texto 38 Texto 39

Disponível em: https://m.educador.brasilescola.uol.br e em: https://exercícios.mundoeducacao.bol.uol.com.br. [Adaptado]. Acesso em: 30 set. 2019.

Texto 40

Luiza Sahd 23/02/2018 5h


Você vivencia realmente o textão que publica na internet?
01 Este textão aqui não quer passar nem perto de te dar uma lição de moral. Viver de textão (como é o meu caso e de outros
02 tantos colegas) faz com que a gente jamais tenha certeza do que está dizendo, principalmente porque as palavras escritas
03 são estáticas. O mundo, não.
04 Quando pergunto se você realmente vivencia o textão que compartilha na internet, minha preocupação não é com apon-
05 tar hipocrisia ou incoerência na sua vida, mas que a gente consiga experimentar de verdade as coisas que prega exausti-
06 vamente.
07 Ontem fui visitar um amigo e ele levantou a lebre do textão versus vida real. Particularmente, fiquei bolada com a quanti-
08 dade de vezes em que exaltei iniciativas que nunca consegui ter na vida fora dos ecrãs.
09 A gente se empolga com a hashtag #MeToo e tolera vagabundo assediando a colega de trabalho; reclama da piada imper-
10 tinente do Silvio Santos, mas não consegue retrucar o primo mala que fez a mesma coisa no almoço de família; fica choca-
11 do com a negligência política em relação à saúde pública enquanto se enche de comida ensebada e cachaça. O textão tem
12 sido um ensaio sem fim para o que queríamos da vida real – mas não temos muita disposição de bancar.
13 Depois da conversa que tivemos sobre isso, saí da casa do amigo decidida a só abrir a boca para pregar sobre o que eu
14 realmente fosse capaz de realizar no dia a dia. Não se passaram 24 horas desde então e eu já:
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• Fui assediada sem esboçar reação, porque estava começando a chover e não quis ficar discutindo com um estranho
16
enquanto meu cabelo sedesfazia;
17
18 • Me atrasei para a terapia, tempo contado eprecioso de organização da minha vida;
19 • Julguei secretamente uma mulher dando refrigerante para um moleque de fralda;
20 • Ri da letra de uma música que, na verdade, deveria me dar motivos para chorar;
21 • Burlei o boicote de anos a um restaurante porque estava morrendo de fome e pressa.
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Pode ser que eu esteja enganada (adoraria!), mas como parte responsável pela existência de textões, meu único conselho
23
útil nesse sentido, hoje, seria: se te falta coragem para pôr em prática o que colocamos na internet, desligue o textão e vá
24
ver TV.
Disponível em: https://luizasahd.blogosfera.uol.com.br/2018/02/23/voce-vivencia-realmente-o-textao-que-publica-na-internet. [Adaptado].
Acesso em: 31 ago. 2019.

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Texto 41
pós
01 os homens as mulheres nascem crescem
02 veem como os outros nascem
03 como desaparecem
04 desse mistério brota um cemitério
05 enterram carcaças depois esquecem
06 os homens as mulheres nascem crescem
07 veem como os outros nascem
08 como desaparecem
09 registram registram com o celular fazem
10 planilhas depois esquecem
11 torcem pra que demore sua vez
12 os homens as mulheres
13 não sabem o que vem depois
14 então fazem uma pós
15 os homens as mulheres nascem crescem
16 sabem que um dia nascem
17 noutro desaparecem
18 mas nem por isso se esquecem
19 de apagar o gás e a luz
FREITAS, Angélica. Um útero é do tamanho de um punho. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 54.

Texto 42

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Texto 43
01 Olham-se os quartos e todos aqueles homens, muitas vezes moços, sem moléstia comum, que não falam, que não
02 se erguem da cama nem para exercer as mais tirânicas e baixas exigências da nossa natureza, que se urinam, que se
03 rebolcariam no próprio excremento, se não fossem os cuidados dos guardas e enfermeiros, pensa-se profundamente,
04 dolorosamente, angustiosamente sobre nós, sobre o que somos; pergunta-se a si mesmo se cada um de nós está
05 reservado àquele destino de sermos nós mesmos, o nosso próprio pensamento, a nossa própria inteligência, que,
06 por um desarranjo funcional qualquer, se há de encarregar de levar-nos àquela depressão de nossa própria pessoa,
07 àquela depreciação da nossa natureza, que as religiões querem semelhante a Deus, àquela quase morte em vida.
08 Parece tal espetáculo com os célebres cemitérios de vivos que um diplomata brasileiro, numa narração de viagem,
09 diz ter havido em Cantão, na China.
10 Nas imediações dessa cidade, um lugar apropriado de domínio público era reservado aos indigentes que se sen-
11 tiam morrer. Dava-se-lhes comida, roupa e o caixão fúnebre em que se deviam enterrar. Esperavam tranquilamente
12 a Morte.
13 Assim me pareceu pela primeira vez que deparei com tal quadro, com repugnância, que provoca a pensar mais
14 profundamente sobre ele, e aquelas sombrias vidas sugerem a noção em torno de nós, de nossa existência e a nossa
15 vida, só vemos uma grande abóbada de trevas, de negro absoluto. Não é mais o dia azul-cobalto e o céu ofuscante,
16 não é mais o negror da noite picado de estrelas palpitantes; é a treva absoluta, é toda ausência de luz, é o mistério
17 impenetrável e um não poderás ir além que confessam a nossa própria inteligência e o próprio pensamento.
LIMA BARRETO, Afonso Henriques de. O cemitério dos vivos. In: LIMA BARRETO, Afonso Henriques de. Diário do hospício; O cemitério dos vivos. São
Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 168-169.

Texto 44
01 25 de dezembro... O João entrou dizendo que estava com dor de barriga. Percebi que foi por ele ter comido me-
02 lancia deturpada. Hoje jogaram um caminhão de melancia perto do rio.
03 Não sei porque é que estes comerciantes inconscientes vem jogar seus produtos deteriorados aqui perto da fave-
04 la, para as crianças ver e comer.
05 ... Na minha opinião os atacadistas de São Paulo estão se divertindo com o povo igual os Cesar quando torturava
06 os cristãos. Só que o Cesar da atualidade supera o Cesar do passado. Os outros era perseguido pela fé. E nós, pela
07 fome!
Naquela epoca, os que não queriam morrer deixavam de amar a Cristo. Mas nós não podemos deixar de comer.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2018, p. 146.

Texto 45
A mão no ombro
Fragmento 1
E se cheguei até aqui é porque vou morrer. Já?, horrorizou-se olhando para os lados mas evitando olhar para trás. A vertigem
o fez fechar de novo os olhos. Equilibrou-se tentando se agarrar ao banco, Não quero!, gritou. Agora não, meu Deus, espera
um pouco, ainda não estou preparado! Calou-se, ouvindo os passos que desciam tranquilamente a escada. Mais tênue que a
brisa, um sopro pareceu reavivar a alameda. Agora está nas minhas costas, ele pensou, e sentiu o braço se estender na dire-
ção do seu ombro. Sentiu a mão ir baixando numa crispação de quem (familiar e contudo cerimonioso) dá um sinal, Sou eu.
O toque manso. Preciso acordar, ordenou se contraindo inteiro, isso é apenas um sonho! Preciso acordar!, acordar. Acordar,
ficou repetindo e abriu os olhos. (p. 149)
Fragmento 2
Cumpriu a rotina da manhã com uma curiosidade comovida, atento aos menores gestos que sempre repetiu automatica-
mente e que agora analisava, fragmentando-os em câmara lenta, como se fosse a primeira vez que abria uma torneira. Podia
também ser a última. Fechou-a, mas que sentimento era esse? (p. 150-151)
Fragmento 3
A alegria era quase insuportável: da primeira vez, escapei acordando. Agora vou escapar dormindo. Não era simples? Recos-
tou a cabeça no espaldar do banco, mas não era sutil? Enganar assim essa morte saindo pela porta do sono. Preciso dormir,
murmurou fechando os olhos. Por entre a sonolência verde-cinza, viu que retomava o sonho no ponto exato em que fora
interrompido. A escada. Os passos. Sentiu o ombro tocado de leve. Voltou-se. (p. 153)
TELLES, Lygia Fagundes. A mão no ombro. In: TELLES, Lygia Fagundes. Melhores contos de Lygia Fagundes Telles. Seleção de Eduardo Portella. 13. ed. São Paulo:
Global, 2015. [Fragmentos].

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Texto 46
NOITE DE GRANDE PAZ
01 OS CAPITÃES DA AREIA OLHAM MÃEZINHA DORA, a irmãzinha Dora, Dora noiva, Professor vê Dora, sua amada. Os
02 Capitães da Areia olham em silêncio. A mãe-de-santo Don’Aninha reza oração forte para a febre que consome Dora
03 desaparecer. Com um galho de sabugueiro manda que a febre se vá. Os olhos febris de Dora sorriem. Parece que a
04 grande paz da noite da Bahia está também nos seus olhos.
05 Os Capitães da Areia olham em silêncio sua mãe, irmã e noiva. Mal a recuperaram, a febre a derrubou. Onde está
06 a alegria dela, por que ela não corre picula com seus filhinhos menores, não vai para a aventura das ruas com seus
07 irmãos negros, brancos e mulatos? Onde está a alegria dos olhos dela? Só uma grande paz, a grande paz da noite.
08 Porque Pedro Bala aperta sua mão com calor.
09 A paz da noite da Bahia não está no coração dos Capitães da Areia. Tremem com receio de perder Dora. Mas a
10 grande paz da noite está nos olhos dela. Olhos que se fecham docemente, enquanto a mãe-de-santo Aninha enxota
11 a febre que a devora.
12 A paz da noite envolve o trapiche.
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 219.

Texto 47
No museu
01 O pintor de roxas faces disse adeus à mãe e foi direto ao museu conversar com o seu quadro predileto. Trata-se
02 do Café à noite, de Van Gogh.
03 Todos os dias, após o almoço, bate na porta da conhecida casa de arte, sendo recebido por Lipont, simpático
04 general responsável pela guarda das telas.
05 Há dez anos conversa com o homem de branco e de misteriosos cabelos verdes que se mantém de pé, bem perto
06 da mesa de snooker. São velhos amigos?
07 O que o público não tem notado é a sensível modificação da bela pintura. O pintor de roxas faces, frustrado, fez
08 um pacto com o homem de branco e de misteriosos cabelos verdes: libertá-lo-ia do quadro se subvertesse todo o
09 ambiente, pois odiava Van Gogh, o grande gênio. E assim foi feito.
10 O relógio, que no quadro antes marcava doze horas e quatorze minutos, agora está atrasado, assinalando quinze
11 para as oito; sobre a mesa, sete bolas coloridas; desaparecido o taco; dos três lampiões, um apenas se encontra aceso;
12 no chão manchas de sangue sugerindo luta; na parede vermelha uma rachadura em forma de V e a cabeça de todos
13 os fregueses pendidas sobre as cadeiras. A famosa obra está finalmente transformada.
14 Quando faz menção de levantar-se, o homem de branco e de misteriosos cabelos verdes pergunta, baixinho, se
15 não irá libertá-lo.
16 – Ora, a libertação está em ti.
17 Sai zombando, mas não consegue ultrapassar a porta. O velho militar retira um antigo
18 punhal de suas costas. A polícia ainda o está investigando e os seus depoimentos, por incrível que pareça, são
19 considerados contraditórios.
PRADE, Péricles. No museu. In: PRADE, Péricles. Os milagres do cão Jerônimo; Alçapão para gigantes. Florianópolis: Editora da UFSC, 2019, p. 43-44.

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