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Poesia do ortónimo Fernando Pessoa

E D U C AÇ ÃO L I T E R ÁR I A| O R AL I D AD E APRECIAÇÃO CRÍTICA

1. Lê o poema “Quando vier a primavera”, de Alberto Caeiro.

Quando vier a primavera

Quando vier a primavera,


Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
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A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme


Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria


E a primavera era depois de amanhã,
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Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
15 Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.


Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

CAEIRO, Alberto, Op. cit., p. 109.

2. Explicita o sentido global do poema.

3. Mostra como a informação abaixo se aplica ao poema.

Informação Alberto Caeiro, poeta e pensador


Há dois Caeiros, o poeta e o pensador, sendo o primeiro que em teoria se desdobra no segundo. Os
motivos fundamentais do poeta consistem na variedade inumerável da Natureza, nos estados de
semiconsciência, de panteísmo sensual, na aceitação calma e gostosa do mundo como ele é. […].
Caeiro surge como lírico espontâneo, instintivo, inculto, impessoal e forte como a voz da Terra […].
O certo, porém, é que é autor de poemas; e começa aqui o paradoxo da sua poesia. Às palavras procura
transmitir Caeiro a inocência, a nudez da sua visão. Daí, algumas vezes, a simplicidade quase infantil do
estilo, as séries paratáticas, a familiaridade de algumas expressões, as imagens e comparações comezinhas,
realistas, caseiras ou de ar livre.

COELHO, Jacinto do Prado (1998). Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa (11.ª edição).
Lisboa: Verbo, pp. 23-26 [Com supressões].

ENC12COP © Porto Editora


Poesia do ortónimo Fernando Pessoa

4. Pesquisa na Internet os cinco episódios do programa Um poema por semana relativos


ao poema “Quando vier a primavera” (Alberto Caeiro) e visiona-os.
4.1. Compara as performances dos diseurs, completando a grelha.

Grelha de análise comparativa


Um Poema por Semana (RTP2)
“Quando vier a primavera” (Alberto Caeiro)

Parâmetros
Expressão
Entoação/ Dicção / Ritmo Expressão corporal
tom de voz articulação facial (gestos)

5. Faz uma apreciação crítica oral de uma das performances analisadas.

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Poesia do ortónimo Fernando Pessoa

SOLUÇÕES|SUGESTÕESMETODOLÓGICAS
“Quando vier a primavera” (p. 13)

1. Sugestão geral
Esta atividade poderá complementar ou substituir a atividade proposta na página 81 do manual.

2. Aceitação da morte com naturalidade e tranquilidade pelo sujeito poético e constatação, por parte deste, que a sua
ausência não condicionará o curso da Natureza (a sua existência ocorre integrada no Universo, com suas leis naturais).
3. Poema em que o sujeito poético se refere à natureza primaveril (vv. 3-4, 9), com o intuito de demonstrar uma atitude de
aceitação calma do mundo como ele é (vv. 5-7, 11-15); poema paradoxal, na medida em que o estilo é aparentemente
simples (ao nível do léxico e da sintaxe), mas reflete um elevado grau de abstração (reflexão sobre a sua relação com o
Universo).
4. Nota: O poema dito por Pedro Lamares está disponível no E-Manual; os restantes, podem ser consultados na internet.
5. Resposta pessoal.

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