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El Libro Negro de la Nueva Izquierda

© Nicolás Marquez, 2016


© Agustín Laje, 2016.

Tradução: Jefferson Bombachim

Ficha Catalográfica:
Laje, Agustín, 1989
Marquez, Nicolás, 1975
O livro negro da nova esquerda – Curitiba, PR: Danúbio, 2018.
ISBN: 978-85-67801-18-6
1.Ciência política. 2. História. 3. Ciências sociais. I.Título.
CDD: 320

Distribuição: CEDET - Centro de Desenvolvimento Profissional


e Tecnológico. Rua Ângelo Vicentim, 70, Campinas-SP

Os direitos desta edição pertencem à Editora Danúbio - CNPJ:


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meio ou forma, seja ela eletrônica ou mecânica, fotocópia, gravação
ou qualquer meio.

Os autores são responsáveis pela escolha e apresentação dos


fatos contidos neste livro, bem como pelas opiniões nele expressas,
que não são necessariamente as da editora, nem comprometem a
organização.
Sumário
Agradecimentos
Introdução
PARTE I: Pós-marxismo e feminismo radical por Agustín Laje
Capítulo 1: Do Marxismo ao pós-marxismo
Marx e Engels
A exceção russa e a hegemonia
A revolução teórica de Antonio Gramsci
O pós-marxismo de Ernesto Lacleu e Chantal Mouffe
Os pensadores do “socialismo do século XXI”
Capítulo 2: Feminismo e ideologia de gênero
A primeira onda do feminismo
A segunda onda do feminismo
O feminismo do socialismo real
A terceira onda do feminismo
A ideologia queer
O Dr. Money, o meninos sem pênis e algumas considerações
científicas
A mulher e o capitalismo
Da teoria à práxis
Breve comentário final da primeira parte
PARTE II
Homossexualismo Ideológico por Nicolás Márquez
Capítulo 1: Comunismo e sodomia
A “homofobia” marxista
Do extermínio à utilização proselitista
Aliança nova e eterna?
Capítulo 2: Os pensadores da perversão
A Primeira Geração
O patriarca dos progressistas
A herança envenenada
Capítulo 3
A batalha psico-política
O diálogo como armadilha de persuasão
Pela razão ou pela força
O “casamento” homossexual
A adoção homossexual
Capítulo 4
A confederação filicida
Advertência preliminar
A pergunta de cabeceira
A ciência por cima das patacoadas ideológicas
O almanaque progressista
Os métodos de “saúde reprodutiva” favoritos do direito-
humanismo
O sentimentalismo abortista
Capítulo 5
E na Argentina, como estamos?
Um amor não correspondido
Democracia e Peste Rosa
O homosexualismo noventista
As causas do internismo
O kirchnerismo e a estatização da homossexualidade
Os sindicalistas mais apresentáveis
Capítulo 6
A autodestruição homossexual
Natureza e distorção da sexualidade
AIDS e autodestruição
A autodestruição para além da AIDS
A homossexualidade como bandeira comunizante
Capítulo 7: Comentário final
Bibliografia
Agradecimentos
Quando alguém escreve um livro, agradecer muitas vezes se
torna um ato de injustiça, porque é muito difícil abarcar todas as
pessoas que, de uma forma ou de outra, ajudaram em alguma das
etapas do trabalho: pesquisa, redação e/ou publicação.
No entanto, assumindo o risco de cair nessa injustiça, não
queremos deixar de utilizar este curto espaço para agradecer,
especialmente a: Dr. Gerardo Palacio Hardy, Dr. Bernardino
Montejano, Dr. Roberto Castellano, Professor Cristián Rodrigo
Iturralde, Lic. em psicologia Andrés Irasuste, Lic. em economia Iván
Carrino, Professor Cristian Rodríguez Iglesias, Dr. Mario Caponnetto
e a Fernando Romero (Departamento de Filosofia do Centro de
Estudos LIBRE). Finalmente, agradecemos às contribuições na
correção fornecida por María José Montenegro na Parte II do livro.
Introdução

Terminavam os anos 80, o Império Soviético cambaleava e,


preocupado, o tirano e proprietário da Cuba comunista, Fidel Castro,
antecipando-se à muito provável implosão de seu patrocinador
moscovita, em 26 de julho de 1989, anunciou em discurso público o
seguinte: “porque se amanhã ou qualquer dia desses nós
despertarmos com a notícia de que uma grande guerra civil se
desenrola no seio da URSS ou, inclusive, se nós despertarmos com
a notícia de que a URSS se desintegrou, coisa que esperamos não
aconteça jamais, ainda nessas circunstâncias Cuba e a revolução
cubana seguiriam lutando e seguiriam resistindo”.[1] Mau olfato não
tinha o loquaz tirano, pois quatro meses depois caía o muro de
Berlim e essa sua histórica declaração foi uma espécie de alocução
pré-inaugural daquilo que no ano seguinte, ele mesmo (junto ao
então jovem Luiz Inácio Lula da Silva, líder do Partido dos
Trabalhadores, que se consagraria presidente do Brasil em 2002),
fabricaria como uma estrutura paralela ou suplementar diante da
evidente agonia do imperialismo russo: nos referimos ao conclave
marxista conhecido como Foro de São Paulo, criado em 1990,
justamente na cidade de São Paulo.
À convocatória do mencionado Foro compareceram 68 forças
políticas pertencentes a 22 países latino-americanos. Desde então a
dita confraria se reuniria regularmente e apenas 6 anos depois de
sua fundação (em 1996 na cidade de San Salvador), essa
assembléia revolucionária já era integrada por 52 organizações-
membro, entre as quais se encontravam grupos criminosos como o
Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (FARC),[2] sendo esse último grupo o
principal produtor mundial de cocaína, 600 toneladas anuais,[3]
motivo pelo qual, com tão extraordinária arrecadação, a supracitada
organização, com vultuosas quantias, forneceu suporte financeiro ao
nascente conluio transnacional.
Desde então, o dito Foro e as organizações afins vêm
recrutando, atualizando e reciclando toda a esquerda regional por
meio de calculadas sessões políticas e ideológicas que buscaram e
buscam intensamente dar novos impulsos a velhas idéias. Com
efeito, o começo dos anos 90 foi um momento chave para a
reconversão e reinvenção de uma ideologia que já não podia exibir
a “Foice e o Martelo”, nem oferecer expropriação de latifúndios, nem
reformas agrárias, nem divagar sobre a mais-valia, nem tampouco
seduzir aos potenciais clientes com a desgastada luta de classes. Já
mais nada de todo esse discurso mostrava-se atrativo à opinião
pública ocidental e, ademais, cheirava à naftalina.
Porém, existe um ano, no começo dessa convulsionada
década, que parecia marcar um vertiginoso ponto de inflexão: 1992.
Foi quando uma série de movimentos estranhos, inovadores e
aparentemente inconexos começaram a brotar em distintos lugares
do mundo em geral e da América Latina em particular. Com o
amparo de 458 ongs[4] criadas repentinamente para propagar um
relato pré-colombiano fictício, em 12 de outubro ocorreu na Bolívia a
primeira grande marcha “indigenista”,[5] aproveitando a data exata
dos “500 anos de submissão” (em referência à chegada de
Cristóvão Colombo às Américas em 1492),[6] na qual já se
destacava a liderança do jovem Evo Morales[7] (que se consagraria
presidente da Bolívia em 2005). Um pouco mais ao sul, na Argentina
democrática de 1992, apareceu em cena a primeira “Marcha do
Orgulho Gay”,[8] alimentada em parte pelo crescente feminismo
radical de inspiração lésbio-marxista, o qual, desde alguns meses,
vinha influenciando mundialmente através da publicação do livro
Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade[9] de
Judith Butler, texto abraçado desde então como “bíblia” por todos os
movimentos promotores da “ideologia de gênero”. Entrementes,
também em 1992, porém na coloria cidade do Rio de Janeiro,
levaram-se adiante as sessões de “ecologismo popular”, que
apareceu com 1.500 organizações de todo o mundo reunindo-se
para debater e redefinir a estratégia, incluindo a reivindicação da
chamada “deusa ecológica”.[10] E foi nesse mesmíssimo ano que, na
Venezuela, um coronel tagarela de ideologia desconhecida
chamado Hugo Chávez Frías liderou duas tentativas de golpe de
Estado,[11] nas quais não só se pretendia matar o presidente Carlos
Andrés Pérez, como de fato mataram 20 compatriotas.[12] A
intentona golpista não deu frutos; Chávez acabou preso por dois
anos, porém ganhou fama e celebridade: sete anos depois
assumiria como presidente/ditador em seu país, e o Foro obteria
outra conquista de grandes proporções.
O que ocorreu no mundo em 1992 que forjou tamanha
promoção de movimentos tão inovadores quanto heterogêneos? Por
mais que popularmente se reconheça a queda do Muro de Berlim (9
de novembro de 1989) como o marco histórico da queda de um
sistema e de uma ameaça (o socialismo), a realidade é que aquele
evento foi o prenúncio do que, política e formalmente, se
materializaria dois anos depois, ou seja, em 1992, quando a União
das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sob o comando de Boris
Yeltsin, deixou de existir oficialmente como tal.[13] Foi por ele que,
após uma implosão geopolítica, todo o império comunista no leste
europeu foi desmembrado e dividido em pequenos países ou
territórios.
Logo, ante a ausência do suporte soviético, e com a
conseqüente necessidade de solucionar esse vazio, todas as
estruturas de esquerda tiveram que fabricar ongs e organizações de
variadas índoles para acomodar não somente a sua cartilha, mas
também A sua militância, as suas bandeiras, os seus clientes e as
suas fontes de financiamento. Ao começar a última década do
século XX, um sem-número de dirigentes, escritores, delinqüentes
juvenis e organizações varidas encontraram-se desamparadas, sem
suporte discursivo e sem revolução que pudessem defender ou
enaltecer, verificando, essas correntes, a necessidade de maquiar-
se e encastelar-se por detrás de novos argumentos e bandeiras,
que oxigenariam seus envelhecidos e desacreditados slogans.
Silenciosamente, a esquerda substituiu as balas das antigas
guerrilhas por cédulas eleitorais; trocou seu discurso classista por
aforismos igualitários que ocuparam o extenso território cultural;
deixou de recrutar “trabalhadores explorados” e começou a capturar
almas atormentadas ou marginais, a fim de programá-las ou lançá-
las como provocadoras de conflitos, sob desculpas de aparência
nobre, as quais prima facie, pouco ou nada teriam que ver com o
stalinismo, nem muito menos com o terrorismo subversivo, mas,
sim, com a “inclusão” e a “igualdade” entre os homens: indigenismo,
ambientalismo, direito-humanismo, garanto-abolicionismo e
ideologia de gênero (essa última, por sua vez, subdividida em
feminismo, abortismo e homossexualismo cultural) começaram a ser
os seus cartazes modernizados de protesto e de vanguarda.
Neste entretanto, o que faziam os setores do anticomunismo
capitalista ante a crescente fabricação e proliferação das renovadas
confabulações que pululavam? Longe de tomar nota dessas súbitas
rebeliões, encontravam-se despreocupados e festivos, não somente
celebrando a queda “definitiva” do comunismo, mas também lendo
com dilatado triunfalismo o propagandístico best-seller de notável
fama mundial O fim da história e o último homem, de Francis
Fukuyama[14] (publicado no insistente ano de 1992), o qual
sentenciava o triunfo irreversível da democracia capitalista como
fato linear e inalterável, algo de agradável determinismo histórico,
agora vaticinado pela direita liberal, e que consistiu num gravíssimo
erro de menosprezo do inimigo. O comunismo não morreu com o
desaparecimento formal de seus Estados pois o mais importante
eram as organizações auxiliares, que já existiam desde muito antes
da criação da URSS, e que seguiram existindo depois da sua
extinção.
O certo é que foram poucos os que prestaram atenção nessa
metamorfose e, vinte e cinco anos depois, a esquerda não somente
se apoderou politicamente de grande parte da América Latina, como
também, o que é muitíssimo mais grave, conquistou a hegemonia
nas salas de aula, nas cátedras, nas letras, nas artes, nos meios de
comunicação e no jornalismo, tendo, em suma, seqüestrado a
cultura e modificado em muito a mentalidade da opinião pública: a
revolução deixou de expropriar contas bancárias para expropriar
mentes.
Após notar a inadvertência social que existe em torno desse
perigo e, pior ainda, a vergonhosa concessão que o acovardado
centrismo ideológico e o politicamente correto vêm fazendo a essa
dissolvente investida do progressismo cultural, decidimos
desenvolver e publicar este livro. Num primeiro momento, nossa
ambição era elaborar um ensaio que desmascarasse todas e cada
uma das faces dessa esquerda enganosamente “amável e
moderna”; contudo, percebemos que pela complexidade do assunto
seria impossível abordá-lo em um só volume. Decidimos, portanto,
primeiro abordar a máscara que influi na Argentina e na Europa: nos
referimos à ideologia de gênero, uma das principais bandeiras do
neo-marxismo hoje em voga. É nossa intensão, porém, abordar as
demais bandeiras da nova esquerda em publicações futuras.
O que é? Quando nasce? Em que consiste? Como nos afeta?
Quem a financia? Quais são suas vertentes e quem promove a
ideologia de gênero? São só algumas das inúmeras interrogações
que tentamos responder ao largo desse trabalho, que se divide em
duas partes bem diferentes, ainda que estejam ligadas entre si, e
que trabalham como ramos do mesmo tronco da ideologia de
gênero: o feminismo radical e o homossexualismo ideológico.
A respeito do primeiro, isto é, do feminismo, está dedicada a
primeira metade do livro e decidimos que a pena de Agustín Laje,
com seu tom pausado e didático, explique e desarme de maneira
exaustiva essa deletéria corrente político-cultural. Já quanto à
segunda metade do presente ensaio, referente ao lobby
homossexualista, é Nicolás Márquez o encarregado de traçar uma
provocativa radiografia de todo o movimento sodomítico com seu
característico modo polêmico, enérgico e muitas vezes sarcástico.
Essa distribuição de tarefas à hora de escrever o presente
ensaio foi assim planejada para que cada um dos autores exponha
o seu trabalho com sua marca, sua formação e sua narrativa
pessoal da maneira mais autêntica possível, a fim de dar ao leitor
uma obra pioneira na Argentina. Ambos os escritores não
economizaram estudo e consultaram um volume assombroso de
fontes bibliográficas proporcionando o trabalho mais sério e
intelectualmente honesto que poderíamos trazer a lume. De fato,
não é sem orgulho que constatamos que talvez esse seja o primeiro
livro publicado nestas plagas que ataca em cheio essas correntes
ideológicas.
Por acaso somos discriminadores? Machistas? Homofóbicos?
Pró-feminicidas? Macartistas? Pré-diluvianos? Provavelmente essa
será a preconceituosa e inexata caracterização que tanto
socialistas, com deliberada intenção, como bem-pensantes de
centro, com analfabetismo funcional, fixarão sobre nós, sem
conhecer quase nada do que vamos expor ao longo deste trabalho
que, apesar de ser mediano em sua extensão, nos custou
incontáveis horas de estudo, investigação, leitura, consultas,
debates, reflexões e análises.
Finalmente, folgamos em dizer que decidimos publicar
conscientes da quantidade de ataques que receberemos posto que,
parafraseando José Ingenieros, “nunca pretendemos apresentar-nos
como imparciais ante leitores que não o são” e, ademais, não
empenhamos tamanha energia e esforço para agradar aos
monopolizadores da correção e da bondade, mas, precisamente
para questioná-los.
PARTE I: Pós-marxismo e feminismo radical por Agustín Laje
Capítulo 1: Do Marxismo ao pós-marxismo

As mudanças que a esquerda, nos termos de sua prática


política, foi registrando ao longo da história foram acompanhadas
por transformações produzidas nas teorias que ela própria
modificava ao traçar suas estratégias revolucionárias. É a eterna
dialética entre teoria e práxis. De modo que perguntar o que veio
primeiro, a teoria ou a práxis, é uma forma incorreta ou, ao menos,
reducionista de se encarar a questão. O certo é que os fatos dão ao
intelectual a matéria-prima para que trace as suas teorias, do
mesmo modo que o intelectual freqüentemente – e com especial
importância nos grupos marxistas – confere ao homem de ação ou
ao militante a base sobre a qual pode entender “melhor” o ambiente
que o rodeia e, por conseguinte, conduzir suas ações de modo a
obter melhores resultados.
Neste capítulo pretendemos fazer um breve percurso teórico
que mostre o caminho que tomou a teoria marxista até desembocar
no que hoje se chama “pós-marxismo”, e que é precisamente o
marco teórico do qual se alimenta a nova esquerda ou “neo-
maxismo”. Daremos ênfase à questão da chamada “hegemonia”,
conceito que faz a ponte entre o marxismo e o pós-marxismo, tendo
permitido a passagem de uma “luta de classes” para uma “guerra
cultural”.

Marx e Engels

Temos que começar pela origem da teoria marxista. Em Karl


Marx e Friedrich Engels encontramos a gênese. Homens alemães
do século XIX, ambos têm o mérito intelectual de terem assentado
as bases de um pretenso “socialismo científico”, diante dos diversos
socialismo utópicos e anarquismos que naquele tempo
predominavam na esquerda.
Até Marx e Engels, tudo o que havia sido escrito para a causa
socialista, segundo a perspectiva deles mesmos, estava impregnado
de uma estreiteza que terminava sendo, involuntariamente,
favorável aos setores que desejavam frear a revolução do
proletariado. Todo o terceiro capítulo de nada menos que O
manifesto comunista – obra chave na propaganda marxista – está
dedicado a refutar as teorias socialistas precedentes: Saint-Simon,
Fourier, Owen e outros socialistas anteriores, que não teriam
conseguido dar ao socialismo um caminho científico para realizar a
revolução.
O projeto marxista era, ou pretendia ser, muito distinto daquele
de seus antecessores socialistas. Marx e Engels introduziriam as
qualidades da ciência no estudo das sociedades, fazendo frente às
“fantasias” utópicas dos colegas que queriam suplantar. Não seria
preciso mencionar que os fatos, no entanto, acabaram
desmanchando tais pretensões: as leis marxistas da história, que se
diziam capazes predizer a evolução dos acontecimentos, jamais se
comprovaram, muito pelo contrário: a Revolução Russa, como
veremos, foi a grande e paradoxal exceção; e a visão de um mundo
comunista, sem classes e sem Estado, foi tão utópica quanto as
mesmas utopias que Marx e Engels renegavam. As disputas
ideológicas entre os socialistas não deixavam de ser, portanto, uma
delirante briga entre utopistas.
A desmesurada pretensão “científica” do marxismo precisava
de um método não menos monumental para estudar o “curso da
história” e tentar predizer as transformações sociais e, mais
importante ainda, as condições para as mudanças revolucionárias.
É nesse sentido que Marx e Engels são “hegelianos”, isto é, que
tomam do filósofo alemão Georg Hegel seu célebre método: a
dialética. O que é a dialética?[15] Nos termos mais simples
possíveis, trata-se de um método que supõe o surgimento na
história de forças opostas que, em contradição, geram uma nova
etapa histórica na qual emerge uma terceira força, gerada pelas
forças antagônicas anteriores. Essa, por sua vez, entrará em
choque com uma nova força antagônica, e assim sucessivamente,
dando continuidade ao processo histórico. Em termos filosóficos
diríamos que a toda tese corresponde uma antítese, e ambas ficam,
após o entrechoque, superadas numa síntese. A história avançaria,
portanto, por meio das contradições geradas em seu seio. O método
da dialética foi utilizado por Hegel para descobrir o movimento das
idéias no mundo; para ele as idéias humanas são centrais para
explicarmos as mudanças históricas. No marxismo acontece o
oposto: a dialética é aplicada para o desvendamento do mundo
material; a isso o jargão marxista chama materialismo dialético.
Passemos a limpo. O motor da história é encontrado pelo
marxismo no mundo material, mais concretamente, na dimensão
das forças produtivas. E o que são as forças produtivas? Para dizê-
lo de forma sintética, são as distintas tecnologias e modos de
produção sobre as quais se apóia a produção propriamente dita.
Suas modificações perpassam e explicam as mudanças profundas
na história. Assim, o ateliê corporativo ficou superado pela
manufatura e sua divisão de trabalho; e esa, por sua vez, foi
substituída em pouco tempo pela indústria moderna de grandes
proporções, filha da máquina a vapor. Tal é o sentido material da
revolução produtiva que sepulta a sociedade feudal e abre caminho
para a sociedade moderna e industrial; utilizando-nos da
terminologia marxista, a “sociedade burguesa”. A idéia central desse
raciocínio é que as forças produtivas se encontram em permanente
avanço, e geram em si “relações de produção”, tais como entre
empregador e empregado, que se traduzem juridicamente em
relações de propriedade, geradoras de classes sociais específicas,
que por sua vez se definem por sua relação com os meios de
produção em disputa. O problema sobrevém quando a evolução das
forças produtivas – quer dizer, o desenvolvimento das novas
tecnologias e maneiras de se produzir – chega a um ponto no qual
as formas de propriedade privada fream a produtividade; nessa
etapa as sociedades se convulsionam e surgem as condições
materiais para uma revolução. Foi daí que se pensou que o
capitalismo conduziria a si mesmo a uma crise, pois chegaria o dia
em que a propriedade privada seria um estorvo para o próprio
sistema. A revolução comunista, em virtude disso tudo, seria
inexorável, supunham os seus partidários.
Por outro lado, o que no jargão marxista se conhece como
“materialismo histórico” foi resumido por Engels no prefácio à edição
alemã de 1883 do Manifesto Comunista que ele redigiu após a
morte do seu sócio e colega Karl Marx: “toda a história [...] foi uma
história da luta de classes, de luta entre classes exploradoras e
exploradas, dominantes e dominadas, nas diferentes fases do
desenvolvimento social; e agora essa luta chegou a uma fase que a
classe explorada e oprimida (o proletariado) não pode já emancipar-
se da classe que a explora e a oprime (a burguesia), sem
emancipar, ao mesmo tempo e para sempre, a sociedade inteira da
exploração, da opressão e da luta de classes”.[16]
Temos que destacar que o dito materialismo histórico oferece
uma sucessão de etapas necessárias no desenvolvimento da
história, que culminaria na revolução do proletariado, mas que
passa, antes de chegar ao cume, pelas revoluções burguesas, como
a que o mundo viu na França de 1789, apenas vinte nove anos
antes do nascimento do próprio Marx. O mesmíssimo Manifesto
Comunista afirma que “a burguesia desempenhou na história um
papel altamente revolucionário”.[17] A burguesia, com efeito, teria
tido uma tarefa histórica concreta: desmantelar as formas feudais de
organização. O “capitalismo burguês” seria necessário para a
história, pois, ao mesmo tempo em que acelera de maneira
impressionante as forças produtivas,[18] simplifica as contradições
existentes na sociedade, reduzindo-as a apenas uma: a contradição
entre dois grupos antagônicos fáceis de identificar: a burguesia e o
proletariado.[19]
A chamada “burguesia” foi, sem sombras de dúvidas, uma
classe revolucionária para Marx e Engels, ainda que hoje isso nos
soe estranho. Em qual sentido ela é revolucionária? No sentido em
que é a classe que destruiu o mundo feudal, rompendo assim com
os estreitos limites nacionais da antiga indústria, gerando um
mercado mundial, revolucionando as comunicações e introduzindo o
cosmopolitismo. Em outras palavras, a burguesia seria funcional
durante uma etapa da história para trabalhar como ante-sala do que
logo seria a vaticinada revolução proletária.
Segundo fantasiavam os marxistas, a burguesia desenvolveria
forças produtivas impressionantes que terminariam por liquidar a
própria “sociedade burguesa”. Por qual razão? Porque supunham
que o progresso dessas forças produtivas seria freado pelo regime
de propriedade privada, o que terminaria por gerar as condições
para o fim do capitalismo. A mesma rebelião que acabou com a
sociedade feudal deveria agora, em função da mesma “necessidade
dialética”, destruir a burguesia, em proveito do proletariado. É
precisamente isso o que Marx e Engels acreditavam estar vendo
quando escreviam suas profecias com pretensões científicas: “ante
nossos olhos se está produzindo um movimento análogo [ao da
destruição do feudalismo]. As relações burguesas de produção e de
troca, as relações burguesas de propriedade, toda essa sociedade
burguesa moderna, que fez surgir, como que por encanto, tão
potentes meios de produção e troca, se assemelha ao mago que já
não é capaz de dominar os poderes infernais que desencadeou com
os seus conjuros. Desde algumas décadas, a história da indústria e
do comércio não é mais que a história da rebelião das forças
produtivas modernas contra as atuais relações de produção, contra
as relações de propriedade que condicionaram a existência da
burguesia e sua dominação”.[20] Tudo estava dito para Marx e
Engels; eles estavam seguros de ter descoberto o movimento
necessário da história; e, por conseguinte, achavam-se capazes de
predizer o futuro político e social: “As armas de que se serviu a
burguesia para derrubar o feudalismo se voltam agora contra a
própria burguesia. Porém a burguesia não forjou somente as armas
que devem matá-la, mas produziu também os homens que
empunham essas armas: os trabalhadores modernos, os
proletários”.[21]
Os proletários são então a classe social que tem em suas mãos
a mais importante missão histórica: impulsionar uma revolução que,
ao destruir a propriedade privada que fundamenta a divisão de
classes, destruirá também as classes sociais como tais. Sua
libertação será a libertação de toda a humanidade.[22] Se toda a
história foi a história da luta de classes, o marxismo anuncia uma
última revolução na história: a revolução do proletariado, que abrirá
as portas de um paraíso chamado “comunismo”, que se realizará
após um período indeterminado de “ditadura do proletariado”. Após
essa revolução, a classe trabalhadora deverá dispor do poder
político para acabar com as relações de produção existentes,
socializando os meios de produção (quer dizer, abolindo a
propriedade privada).[23]
É aqui que a dialética produziria o seu último movimento: assim
como a burguesia, no papel de “classe dominante”, teria concebido
o proletariado como “classe dominada”; quando este se transformar
em classe dominante, dará luz à síntese que coroará o movimento
dialético, estabelecendo o fim da história, o advento do paraíso
comunista, a sociedade sem classes, sem política, sem Estado e
sem religião. Eis o que, em poucas palavras, Marx previa, de acordo
com “leis históricas” baseadas na “ciência”.
Para concluir, extraímos o seguinte: o marxismo analisa a
sociedade de maneira topográfica, metaforicamente falando, na
forma de um “edifício”. Na base ou “infraestrutura” da sociedade,
dispõe as forças produtivas e suas relações – quer dizer, as
tecnologias e as relações de propriedade. Na “superestrutura”, que
se levanta a partir desta base de caráter econômico, os marxistas
colocam o Estado, a ideologia, a religião, a cultura, etc. Seguindo a
metáfora, a maneira mais fácil de demolir um edifício consiste em
arrebentar os pilares sobre os quais ele se apóia, e o marxismo
tradicional se baseou precisamente nisso: as verdadeiras
revoluções se fazem ao nível das relações econômicas, pois tudo o
mais – ideologia, Estado, cultura, etc. – é apenas um reflexo
daquelas. O que se há de fazer é transformar o sistema econômico,
e as demais transformações se darão por acréscimo. O que isto
quer dizer? Quer dizer que não existe revolução propriamente dita
se não se acabar com o existente regime de propriedade privada de
maneira categórica. O combate no nível da “superestrutura”, o nível
ideológico ou jurídico, seria, para o marxismo clássico, o equivalente
a lutar contra uma sombra.
No prefácio de sua obra Uma contribuição à crítica da
economia política, Marx assevera: “Sempre é necessário distinguir
entre a revolução material nas condições econômicas de produção,
que caem dentro do raio da determinação científica exata; e a
jurídica, política, religiosa, estética ou filosófica, quer dizer, em uma
palavra, as formas ideológicas da aparência”. É interessante a
análise que Karl Popper, filósofo austríaco detrator do marxismo, faz
desta passagem para entendermos as modificações estratégicas e
teóricas que sofreu o marxismo clássico através do tempo: “Na
opinião de Marx, é vã a esperança de conseguir alguma mudança
importante mediante tão-somente o uso de recursos jurídicos ou
políticos; uma revolução política só pode desembocar na
transmissão do comando de um grupo de governantes para outro
grupo [...]. Somente a evolução da essência subjacente, a realidade
econômica, pode produzir transformações essenciais ou reais, isto
é, uma revolução social.[24]
Porém, o castelo de areia teórico do marxismo clássico
começou a ruir mais cedo do que se esperava, com a mesmíssima
revolução marxista por excelência, a Revolução Russa.

A exceção russa e a hegemonia

Uma revolução na Rússia nos primórdios do século XX


introduzirá, por paradoxal que pareça, um grave problema teórico
para o marxismo tradicional e sua filosofia da história. O problema
pode resumir-se numa única pergunta: como podia haver uma
revolução proletária naquela Rússia que ainda não havia passado
por uma revolução democrático-burguesa? Vale dizer que a Rússia
czarista, apesar de ter experimentado lutas revolucionárias nos anos
de 1905 e 1917, ao contrário da França de 1789, não contava com
uma burguesia significativa se esforçando para substituir o sistema
monárquico-feudal vigente. Haviam czares, porém não havia uma
burguesia que pudesse afetá-los. Segundo o raciocínio marxista
seria preciso que a burguesia primeiro fizesse a sua revolução,
removendo o czar, antes de ser, ela própria, suplantada pelo
proletariado. Portanto, as previsões marxistas entraram em cheque
quando a revolução comunista ocorreu “saltando etapas”, pulando
de uma situação feudal diretamente para o socialismo, sem passar
pela “revolução burguesa”. Um salto do térreo ao segundo andar,
antes da construção do primeiro, para seguirmos nas metáforas de
construção.
Marx e Engels tinham estabelecido uma ordem progressiva no
processo revolucionário; tinham, em uma palavra, uma concepção
“etapista” da história (um desenvolvimento por etapas), na qual as
distintas classes sociais executavam tarefas que lhes eram
“conaturais”. Para eles, as primeiras revoluções do proletariado
deveriam acontecer nos países capitalistas mais avançados, em
virtude da própria dinâmica das forças materiais que já vimos. A
revolução que se deu na Rússia de 1905[25] representava para os
espectadores, pois, um desajuste portentoso: o desajuste das
etapas da história já preditas por Marx, e o desajuste das tarefas
históricas que cada classe devia assumir conforme as leis
sociológicas inventadas pelo próprio marxismo. Diante desse
problema, dentro da social-democracia russa houve quem afirmasse
que o proletariado não deveria participar como força dirigente do
processo revolucionário (os “mencheviques”);[26] porém, também
sugiram vozes mais radicais que revindicaram a possibilidade de
constituir a classe trabalhadora russa como cabeça de uma
revolução (os “bolcheviques”).[27]
Anos depois, Antonio Gramsci, célebre filósofo italiano marxista
da primeira metade do século XX, fazendo cambalear a rigidez
ideológica do marxismo tradicional, escreverá um texto intitulado A
revolução contra ‘O Capital’, em que ironiza: “O Capital, de Marx,
era na Rússia o livro dos burgueses mais que dos proletários. Era a
demonstração crítica da fatal necessidade de que na Rússia se
formará uma burguesia, começará uma era capitalista, irá se
instaurar uma civilização de tipo ocidental, antes de que o
proletariado sequer pudesse pensar em sua ofensiva, em suas
reivindicações de classe, em sua revolução. [...] Os fatos
provocaram a explosão dos esquemas críticos em cujo limite a
história da Rússia teria que desenvolver-se, segundo os cânones do
materialismo histórico”.[28]
Como vemos, na opinião de Gramsci, nada menos que os fatos
russos – eis o paradoxo – fizeram voar em pedaços os esquemas
“etapistas” do materialismo histórico do marxismo puro. Porém não
devemos adiantar-nos tanto; a teorização de Gramsci é um tanto
posterior à revolução – de modo que ele fazia análises baseado em
fatos já consumados –, e já chegaremos a ela. A pergunta que
devemos fazer-nos agora é: como fizeram então os teóricos que
estavam observando estes desajustes para explicar o salto de
etapas que se deu na Rússia e, mais ainda, justificar a práxis
revolucionária da classe trabalhadora no momento em que a
revolução devia ser burguesa?
Do seio da Segunda Internacional Socialista[29] — a qual
funcionou entre 1889 e 1923 – se recorrerá a um conceito que virá a
suturar a teoria marxista: esse conceito foi o de hegemonia.
A que se referia a hegemonia no início? Como já vimos, as
classes sociais têm “tarefas históricas” bem precisas: a burguesia
deve acabar com a sociedade feudal, e o proletariado deve acabar,
por sua vez, com a sociedade burguesa (capitalista). A hegemonia
será o conceito utilizado pelo teórico Gueorgui Plejanov – um dos
fundadores da Segunda Internacional – para descrever e justificar o
fato de que na Rússia a classe proletária assumiu a tarefa burguesa
de sepultar a sociedade feudal. Com efeito, o estado de
desenvolvimento econômico russo estava tão pouco maduro que
uma débil burguesia não podia cumprir com suas obrigações
históricas – fazer a revolução contra o feudalismo czarista – e, por
isso, a classe trabalhadora deveria hegemonizar, quer dizer, assumir
tarefas que não eram próprias de sua natureza de classe – que
consiste em fazer a revolução contra o capitalismo burguês.
Este é o marco do surgimento do conceito de hegemonia que,
em sua origem, não pôde despojar-se do determinismo econômico
do marxismo tradicional. Por quê? Porque continuava-se
concebendo as classes sociais como grupos com tarefas históricas
bem definidas, “naturais”, e hegemonia é apenas o nome dado ao
fato excepcional da assunção por parte de uma classe social de
uma tarefa que em teoria não lhe seria própria. No caso russo, a
tarefa de fazer uma revolução proletária contra um regime feudal.
Algumas mudanças rápidas na idéia de “hegemonia” vieram
com Vladimir Ilich Lenin, o teórico bolchevique por antonomásia e
fundador da Terceira Internacional Socialista. Sua luta teórica se
enquadra em sua controvérsia contra a ala dos mencheviques, os
quais, seguindo o esquema “etapista” argumentavam que na
Rússia, “por ser um país atrasado com regime feudal, a revolução
seria realizada em duas etapas. Uma primeira, na qual o
proletariado, o campesinato e a intelectualidade se uniriam com a
burguesia liberal para derrotar a monarquia e instaurar um regime
democrático burguês, onde o proletariado ganharia espaço para
lutar pelo socialismo. [...] essa luta pelo socialismo abriria a segunda
etapa da revolução”.[30] Lenin, ao contrário, sublinhava desde o
início o caráter “reacionário” da burguesia russa e considerava que a
revolução deveria desde suas origens pôr-se em luta contra ela,
numa aliança da classe trabalhadora com o campesinato, sem
esperar etapa prévia alguma.
Neste ponto surge, pois, o conceito de “hegemonia” leninista
como “liderança política dentro de uma aliança de classes”.[31] A
classe proletária russa, apesar de seu pequeno número em relação
ao conjunto da população, se erige em classe dirigente das demais
classes subalternas – fundamentalmente o campesinato – e
estabelece com elas uma aliança política para fazer a revolução.
Esta aliança, contudo, não modifica a identidade das classes
aliadas: “Atacar juntos, marchar separados” é uma das máximas
mais eloqüentes de Lenin, que resume precisamente seu conceito
de hegemonia.

A revolução teórica de Antonio Gramsci

O grande salto qualitativo no que se refere ao conceito de


“hegemonia” será dado não um russo, mas por um italiano: Antonio
Gramsci (1891-1937), que já citamos anteriormente e que
seguiremos mencionando neste trabalho. A primeira vez que ele
falou em “hegemonia” foi no seu escrito Alguns temas da questão
meridional, e sua dívida teórica com Lenin é admitida em várias
passagens de seus Cadernos do cárcere, compilação de anotações
que o italiano fez enquanto se encontrava encarcerado pelo regime
de Benito Mussolini. No texto supracitado, Gramsci aborda o
problema da divisão existente na Itália industrial do Norte e a Itália
agrária do Sul, e o papel hegemônico que deve assumir a classe
trabalhadora diante do campesinato que, em termos leninistas,
significa o problema de gerar uma aliança de classes entre os
trabalhadores e o campesinato, na qual os primeiros tenham a
liderança. Gramsci descreve a hegemonia nestes termos: “O
proletariado pode converter-se em classe dirigente e dominante na
medida em que lhe permita mobilizar contra o capitalismo e o
Estado burguês a maior parte da população trabalhadora, [...] na
medida em que consiga obter o consenso da maior parte da massa
campesina. [...] Conquistar a maior parte da massa campesina
significa [...] compreender as exigências da classe que representam,
incorporar essas exigências ao seu programa revolucionário de
transição, pôr essas exigências entre suas reivindicações de luta”.
[32]
Até aqui a hegemonia continua sendo uma “aliança de classes”
como apregoava Lenin, ainda que comece a pôr-se em relevo a
necessidade de “absorver” “incorporar” “abarcar” – estas são as
palavras de Gramsci – as exigências dos grupos campesinos, que
parece ir mais além de uma simples aliança passageira. As
considerações do pensador italiano não se assemelham em nenhum
sentido ao “atacar juntos, marchar separados” de seu camarada
Lenin. O que Gramsci começa a enfocar é a necessidade de gerar
um vínculo muito mais forte com a classe campesina no quadro de
uma luta comum contra o capitalismo.
No mesmo texto, porém um pouco mais adiante, Gramsci dá
um novo salto quando adverte que a hegemonia sobre os
campesinos do Sul sustenta a “classe burguesa” graças a influência
dos seus intelectuais sobre essa região. O campesinato está
fortemente dominado em termos culturais e em sua “visão de
mundo” pela burguesia, e é com isto que Gramsci quer acabar. Ele
menciona, em particular, o filósofo liberal-conservador Benedetto
Croce como um dos responsáveis por esta hegemonia burguesa
sobre o campesinato, para exemplificar de que forma a mobilização
intelectual é vital: “Benedetto Croce cumpriu uma altíssima função
‘nacional’: separou os intelectuais radicais do Sul das massas
campesinas, permitindo-lhes participar da cultura nacional e
européia, e através desta cultura permitiu que fossem absorvidos
pela burguesia nacional”.[33] Aqui se produz uma mudança de
paradigmas: enquanto, para o marxismo clássico, lutar no plano
cultural, político ou jurídico era mais ou menos como lutar “contra
uma sombra”, para Gramsci, esta era a luta que realmente importa.
Existe um vínculo muito claro entre hegemonia e cultura para o
pensamento gramsciano. A dominação cultural é o caminho através
do qual a burguesia italiana logra hegemonizar o campesinato do
Sul. E é por isso que Gramsci conclui que é vital que proliferem os
intelectuais comunistas, afinal, quem melhor do que intelectuais
para conseguir mudanças culturais?: “Também é importante que na
massa dos intelectuais se produza [...] uma tendência de esquerda
no sentido moderno da palavra, ou seja, orientada para o
proletariado revolucionário. A aliança do proletariado com as
massas campesinas exige esta formação, ainda mais o exige a
aliança do proletariado com as massas campesinas do Sul”.[34]
A idéia de “hegemonia”, em Gramsci, superou a maior porção
de economicismo que continha até então. Por quê? Porque agora a
hegemonia passará a exigir um mobilização cultural que Gramsci
chamará “intelectual-moral”: a hegemonia se realiza gerando
mudanças no nível cultural, e não é uma simples aliança
econômico-política como apregoava Lenin, nem é a assunção de
tarefas externas à própria classe como concebia Plejanov. A
hegemonia em Gramsci se dá em um terreno de grande
transcendência: o dos valores, crenças, identidades e, em definitivo,
no terreno da cultura: “Toda revolução – anota Gramsci – foi
precedida por um intenso trabalho de crítica, de penetração cultural,
de permeação de idéias através de agremiações humanas no
princípio refratários e aplicados somente em resolver o dia-a-dia, um
hora por vez, e para eles mesmos, seu problema econômico e
político, sem vínculos de solidariedade com os demais que se
encontravam nas mesmas condições”.[35]
Dito de outro modo: a hegemonia já não se dá na transação de
interesses materiais, mas por meio da injeção de uma “concepção
de mundo” que aperte os laços de solidariedade orgânicos
(hegemônicos) entre os grupos que pertencem a distintas classes
sociais – trabalhadores por um lado, camponês por outro. É o
vínculo ideológico e não tanto o econômico o que dá sentido a
formação política hegemônica em Gramsci. O êxito do processo
hegemônico (quer dizer, da fusão da consciência revolucionária de
grupos distintos), depende da confecção de uma ideologia de
sentido contrário ao dominante, que questione seu “senso comum”,
sua forma de ver o mundo, sua forma de organizar a sociedade, a
economia, a política, a cultura.
Porém, em Gramsci, a classe trabalhadora continua sendo uma
classe privilegiada em algum sentido. Com efeito, é a classe que
tem a possibilidade de levar adiante processos hegemônicos que
estendam os limites de sua vontade a outros grupos sociais também
subalternos. A hegemonia parece ser uma iniciativa exclusiva do
proletariado em sua estratégia. Tanto é assim que, em seus
apontamentos obre O Príncipe de Maquiavel, Gramsci designa o
partido da classe trabalhadora como “Novo Príncipe”. E nestes
termos estabelece sua missão: “Uma parte importante do Príncipe
moderno deverá estar dedicada à questão de uma reforma
intelectual e moral, quer dizer, à questão religiosa ou de uma
concepção de mundo. [...] O Príncipe moderno deve ser, e não pode
deixar de ser, o porta-estandarte e o organizador de uma reforma
intelectual e moral, o que significa criar o terreno para um
desenvolvimento ulterior da vontade coletiva nacional popular”.[36]
A importância da batalha cultural é a esta altura coisa evidente
em Gramsci, uma vez que a revolução pode e deve acontecer num
nível cultural. Recordemos que para Lenin a revolução devia ser
violenta e nisto implicava tomar à força o Estado, impor a “ditadura
do proletariado”, abolir a propriedade privada, destruir o Exército e a
burocracia, fazendo desaparecer, posteriormente, o Estado mesmo.
[37] E o que propõe Gramsci? Propõe que o Estado pode ser tomado

desde a sociedade civil, e sua destruição como “organismo a serviço


da classe dominante” não se esgota na destruição do Exército e da
burocracia, como Lenin propusera; mas, fundamentalmente, na
destruição da “concepção de mundo” que produz e reproduz o
Estado. Gramsci está propondo, em uma palavra, fazer uma luta
cultural que corroa a hegemonia ideológica da “classe dominante”
preparada pelo Estado.[38] Essa luta deve ser encabeçada pela
classe trabalhadora, que deve antes hegemonizar os demais grupos
subalternos, resultando daí uma “vontade coletiva nacional-popular”.
A questão da revolução violenta, tão distintiva do pensamento
marxista-leninista, fica relegada. Gramsci chega inclusive a falar em
“revolução passiva” na qual as “classes dominantes” se vêem
obrigadas a absorver os pontos de vista das vontades coletivas
nacional-populares.[39]

O pós-marxismo de Ernesto Lacleu e Chantal Mouffe

Contemporâneos a nós, o argentino Ernesto Laclau e sua


mulher Chantal Mouffe geraram outro salto importantíssimo na
teoria marxista. Este salto foi tão importante que o mundo
acadêmico lhes reputa um papel indiscutível como referências do
chamado “pós-marxismo”,[40] uma corrente teórica muito recente
cuja característica fundamental é a proposta de revisar o marxismo
de modo a adequá-lo, teórica e estrategicamente, ao novo mundo
que nasceu do fracasso do “socialismo real” da União Soviética.
No entanto, Ernesto Laclau não ascendeu somente no mundo
acadêmico, mas sua imagem também chegou ao mundo da política,
que reconheceu nele um papel filosófico importante no projeto do
“socialismo do século XXI” em geral, e no caso do regime
kirchnerista em particular. Praticamente não existia meio de
comunicação nacional e internacional que, ao mencioná-lo, não
tenha mencionado o papel do “filósofo do kirchnerismo”.[41] Com sua
morte em abril de 2014, Cristina Kircher pronunciou um discurso no
qual disse: “Laclau era um filósofo muito controvertido, um pensador
com três virtudes. A primeira, pensar, algo não muito habitual nos
tempos que correm. A segunda, fazê-lo com inteligência; e a
terceira, fazê-lo em aberta contradição com as usinas culturais dos
grandes centros de poder”. Como se a nova esquerda não fosse um
deles...
Concentremo-nos, porém, em seu aporte teórico, que é o que
pretendemos destrinchar neste capítulo. E comecemos dizendo que
o mundo no qual Laclau vive é muito distinto do mundo de Marx e
mesmo do mundo de Gramsci. O que Laclau vê quando escreve
com Chantal Mouffe sua obra Hegemonia e Estratégia Socialista,
publicada em 1985, é um mundo onde o capitalismo expandiu-se
formidavelmente e, longe de agravar os seus conflitos de classe,
obteve cada vez melhores condições de existência para o
proletariado,[42] em contraste com a uma iminente queda do bloco
comunista; um mundo onde a democracia pluralista também
expandiu-se desmesuradamente e fez aflorar novos pontos de
conflito político que não têm sua raiz em fundamentos econômicos;
e onde o Estado de bem-estar se encontra em uma brutal crise e,
em seu lugar, vêem surgir com todas as suas forças o projeto do
“liberalismo neo-conservador”.
O trabalho de Laclau e Mouffe revisa e “descontrói”
(desmantela e substitui) as teorias do marxismo tradicional,
buscando desmontar o economicismo[43] para propor uma nova
teoria e uma nova estratégia para a esquerda, baseadas na idéia de
hegemonia. Nisto se resume, precisamente, os esforços de
Hegemonia e estratégia socialista, um das obras mais importantes
de nossa esquerda renascida.
O pós-marxismo de Laclau e Mouffe tem como centro a
supressão do conceito de “classe social” como elemento teórico
relevante para a esquerda. Este é o passo crucial que ambos os
pensadores dão em comparação a Gramsci, em quem, ademais,
baseiam a maior parte de sua teoria. O proletariado já não é o
sujeito revolucionário privilegiado em nenhum sentido possível; a
classe trabalhadora em Laclau não tem sequer privilégios em uma
estratégia hegemônica como na teoria gramsciana. Porém, para
além disso, tampouco há sentido procurar outro sujeito privilegiado,
como aconteceu na década de 60 na qual se discutiu, a partir
especialmente dos teóricos da Escola de Frankfurt, se o privilégio da
história passava pelos jovens, pelas mulheres, etc.[44] Contra a
intenção desesperada de descobrir novos sujeitos para a revolução
anticapitalista, Laclau e Mouffe acentuam a construção discursiva
dos sujeitos. O que significa isso? Significa, pois, que os discursos
ideológicos podem dar origem a novos agentes da revolução (o
discurso tem caráter performativo, dirá o filósofo da linguagem John
Austin). Simplificando um pouco: é preciso fabricar e difundir relatos
que gerem conflitos úteis para a causa da esquerda.
O problema neste ponto passa a ser de como explicar a
construção destas novas identidades. E a resposta será dada, uma
vez mais, pelo conceito de “hegemonia”. Porém, o que Laclau e
Mouffe chamam de “hegemonia”? Para pôr nos termos mais claros
possíveis — algo nem sempre fácil pelo obscurantismo desses
autores —, “hegemonia” é o nome de um processo sob o qual forças
sociais diferentes entre si começam a se articular e, posteriormente,
acabam modificando cada uma a sua identidade particular. Dá-se
entre elas um intercâmbio recíproco que as transforma. O conceito
de “articulação” é chave aqui, pois fica definido pelos autores como
“toda prática que estabelece uma relação tal entre os elementos que
as suas identidades ficam modificadas como resultado dessa
prática”.[45] Em termos mais fáceis: existe articulação política
quando duas frentes políticas firmam uma aliança que termina por
modificar a identidade de cada uma.
No entanto, uma articulação, para ser hegemônica, deve surgir
no quadro de um antagonismo social, isto é, num espaço dividido
pelo conflito. A hegemonia é um processo através do qual distintas
forças sociais começam a se unir para se potencializarem no
contexto dos conflitos.
Ponhamos um exemplo para aclarar a idéia: um grupo de
trabalhadores tem demandas particulares como, por exemplo, a
necessidade de um aumento salarial; grupos de mulheres, por outro
lado, pedem proteção para o sexo feminino diante dos casos de
violência contra a mulher; grupos de indígenas, por sua vez,
reclamam proporções de terras baseando-se em supostas
possessões de seus antepassados remotos. Estas demandas,
separadamente, carecem de força hegemônica. A esquerda,
contudo, tem a missão de instituir um discurso que, sobre um
terreno de conflito maior, articule estas forças em um processo
hegemônico que as faça equivalentes diante de um inimigo comum:
o capitalismo liberal. Quer dizer, a esquerda deve criar uma
ideologia na qual estas forças possam identificar-se e unir-se em
uma causa comum; a nova esquerda deve ser a cola que unifique,
invente e potencialize todos os pequenos conflitos sociais, ainda
que estes não tenham natureza econômica. A hegemonia se
conquista quando uma força política determina a rede de
significados e palavras – e por acréscimo molda a forma de pensar
– pelos quais conduzir-se-ão todos os que se encontram sob seu
controle. Como Humpty Dumpty assevera em seu diálogo com Alice
na célebre história de Alice no País das Maravilhas, de Lewis
Carroll: — Quando eu uso uma palavra – insistiu Humpty Dumpty
com um tom de voz mais desdenhoso – ela quer dizer o que eu
quero que diga... nem mais e nem menos.
— A questão – insistiu Alice – é saber se é possível fazer com
que as palavras signifiquem tantas coisas diferentes.
—A questão – encerrou Humpty Dumpty – é saber quem
manda... Isso é tudo.
A hegemonia, segundo a teoria de Laclau e Mouffe, tem sentido
a partir de um momento histórico bem concreto: a revolução
democrática. Com efeito, a dita revolução – concretamente a
francesa[46] — teria instaurado um discurso igualitário que substituiu
a doutrina teológico-política pela declaração de que o poder emana
do povo, deslegitimando uma série de subordinações,
transformando-as em opressões, ampliando em seu constante
desenvolvimento o espaço dos antagonismos sociais. A revolução
democrática seria o terreno de uma constante e ininterrupta
emergência de antagonismos que em tempos recentes estavam
contidos por outro tipo de discurso social.
Naturalmente, a estratégia que esses autores propõem ao
socialismo, longe de ter por objetivo imediato a destruição da
“democracia burguesa” – ao modo do marxismo clássico —, tem seu
eixo no fato de entender a democracia como o terreno sobre o qual
o projeto socialista pode e deve se desenvolver, aproveitando e
estimulando a multiplicidade de pontos de antagonismos possíveis
de se fazer emergir. Trata-se de tomar a democracia liberal e
fomentar o seu componente igualitário a tal ponto que ela termine
dizimada desde seu próprio seio; varrida por sua própria lógica;
trata-se de destruir a democracia por dentro, e não por fora. Esse
objetivo termina por ficar evidente no livro subseqüente de Laclau: A
Razão Populista.[47]
Sigamos, porém, com Hegemonia e Estratégia Socialista. Seus
autores não somente deixam explícitas as intenções já ditas, mas
inclusive as destacam com recursos tipográficos (os itálicos
pertencem aos próprios autores): “...é evidente que não se trata de
romper com a ideologia liberal democrática, mas sim o contrário, de
aprofundar o momento democrático ao ponto de fazer estourar no
liberalismo sua articulação com o individualismo possessivo. A
tarefa da esquerda não pode portanto consistir em renegar a
ideologia liberal democrática, mas, pelo contrário, consiste em
aprofundá-la e expandi-la na direção de uma democracia
radicalizada e plural. [...] Não é no abandono do terreno democrático
mas, pelo contrário, ao longo do campo das lutas democráticas no
conjunto da sociedade civil e do Estado onde reside a possibilidade
de uma estratégia hegemônica de esquerda”.[48]
Digamos duas coisas a respeito. Em primeiro lugar, surge da
própria pena de Laclau e Mouffe que a radicalização da democracia
não é um fim em si mesmo, mas um meio para alcançar outro fim: a
destruição do “individualismo possessivo” tipicamente liberal, quer
dizer, a destruição da noção dos direitos individuais e da
propriedade privada. Em segundo lugar, assim como as ditaduras
socialistas do século passado alegavam estar levando adiante uma
“democracia substancial” diante da “democracia burguesa” do
mundo capitalista, em Laclau e Mouffe esta distinção se mantém
vigente ainda que com um novo nome: democracia radical vs.
democracia liberal. Porém, a suposta “democracia radical” não é
muito mais que o nome dado a um socialismo que incluiu em seu
discurso uma série de demandas que excedem o tradicional terreno
das classes. E tanto é assim que os próprios autores concluem seu
livro desta forma: “Todo projeto de democracia radicalizada inclui
necessariamente, segundo dizemos, a dimensão socialista – quer
dizer, a abolição das relações capitalistas de produção – [...]. Por
conseguinte, o descentramento dos antagonismos e a construção
de uma pluralidade de espaços dentro dos quais podem afirmar-se e
desenvolver-se são as condições sine qua non de possibilidade de
que os distintos componentes do ideal clássico do socialismo [...]
possam ser alcançados”.[49]
Não é exagerado dizer que o objetivo de toda a teoria de
Laclau e Mouffe é a construção de um socialismo[50] adaptado às
condições do novo milênio que se inicia, ao qual puseram o apelido
simpático de “democracia radical” para incluir demandas que
anteriormente não tinham lugar nas teorias socialistas. “A
denominação pouco satisfatória de ‘novos movimentos sociais’ –
escrevem os autores – amalgama uma série de lutas muito diversa:
urbanas, ecológicas, antiautoritárias, anti-institucionais, feministas,
anti-racistas, de minorias étnicas, regionais ou sexuais. [...] O que
nos interessa destes novos movimentos sociais não é [...] seu
agrupamento arbitrário numa categoria que os oporia aos
movimentos de classe, mas a sua própria novidade, na medida em
que através deles se articula essa rápida difusão da confrontação
social a relações mais e mais numerosas, o que é, hoje em dia, uma
característica das sociedades industriais avançadas”.[51] É aqui
onde vamos nos concentrar neste livro: em desmantelar os
discursos destas novas máscaras da esquerda que seus teóricos
hegemonizaram.
A relevância e a autonomia da política e da ideologia aparecem
com toda sua força no traçar a estratégia hegemônica que estamos
descrevendo.[52] E sob esse guarda-chuvas teórico a esquerda
acabou por trazer, enfim, ao primeiro plano a relevância de um luta
ideológica que determinou a morte da luta de classes e o
conseguinte nascimento da batalha cultural.

Os pensadores do “socialismo do século XXI”

O “socialismo do século XXI” é a expressão latino-americana


da esquerda renascida. Como projeto, com nome e sobrenome, tal
socialismo nasceu formalmente em 27 de fevereiro de 2005, na
Venezuela, oportunidade na qual Hugo Chávez convocou os
intelectuais orgânicos ao seu sofrível programa televisivo “Alô,
Presidente” para “inventar o socialismo do século XXI”. O socialismo
não estava morto com a implosão soviética; devia “reinventar-se”
com os ajustes necessários de acordo com as condições do novo
século e dos novos postulados teóricos que os revisionistas do
marxismo tinham apresentado. De tudo isto se falou com especial
ênfase nos Foros Internacionais de Filosofia da Venezuela, que
começaram precisamente naquele ano, e que começaram a tirar o
pó de idéias que se acreditavam condenadas ao museu de
antigüidades de uma vez por todas.
O projeto do socialismo do Século XXI, neste mesmo momento
em que estas linhas são escritas, está sendo pensado e repensado
por intelectuais orgânicos dedicados a cumprir as ordens do falecido
ditador venezuelano e expandi-las para toda a região. Aqui daremos
uma passada de vistas nas idéias de alguns deles que, se bem que
em muitas coisas apresentem um pensamento mais ou menos
heterogêneo, estão todos de pés juntos em algo que não é nenhum
pormenor para a tese de nosso trabalho: o caráter cultural da
revolução esquerdista do nosso século. Eles são devedores, sem
sombras de dúvidas, do pensamento pós-marxista que passou seu
olhar da agitação da classe trabalhadora para a construção de
novos antagonismos sociais, culturais, étnicos, etários, sexuais, etc.
O uruguaio Sirio López Velasco é um caso interessante. Ele
baseou sua proposta intelectual de socialismo do século XXI em
discussões éticas que têm seu fundamento no famoso postulado de
Marx que diz: “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual,
segundo suas necessidades”. Porém admite, logo em seguida, que
a classe trabalhadora que Marx supôs ver não é a de hoje e isto o
obriga a contemplar mudanças importantes: “Em momentos em que
a classe trabalhadora diminuiu quantitativamente e modificou-se
qualitativamente, com centrais sindicais que de fato aceitam os
limites do capitalismo , já soa a museu a invocação de qualquer
‘partido trabalhador de vanguarda’; a tarefa crítico-utópica e
comunitarista hoje é colocada nas mãos de um bloco social
heterogêneo, com forma de movimento que agrupa os assalariados,
os excluídos da economia capitalista formal, as chamadas ‘minorias’
( que às vezes são maiorias, como as mulheres, e algumas
comunidades étnicas em alguns países), as minorias ativas
(sobretudo os movimentos, partidos, sindicatos e organizações não
governamentais, e em especial muitas de caráter ambientalista), os
povos indígenas que, sem assumir uma postura identitária a-
histórica essencialista, querem permanecer e transformar-se sem
aceitar o dogma dos ‘valores’ capitalistas da ganância do
individualismo, e os movimentos de libertação nacional que
combatem o recrudescido imperialismo ianque-europeu”.[53]
O argentino Atilio Borón segue a mesma linha, ainda que dê
ênfase na necessidade de “construir” – quer dizer, estimular o
conflito – no lugar de “encontrar” o sujeito da nova revolução
socialista, com claras reminiscências de Laclau: “Não existe um
único sujeito socialista. Se no capitalismo do século XIX e começo
do XX podia postular-se a centralidade exclusiva do proletariado
industrial, os dados do capitalismo contemporâneo [...] demonstram
o crescente protagonismo adquirido por massas populares que no
passado eram tidas como incapazes de colaborar – quando não
tidas como claramente opostas – na instauração de um projeto
socialista. Camponeses, indígenas, setores urbanos marginais
eram, no melhor dos casos, acompanhantes de um discreto
segundo plano da presença estrelar da classe trabalhadora”.[54]
Assim, pois, o que o novo socialismo deve fazer é recorrer,
impulsionar e agitar “as reivindicações das periferias, das mulheres,
dos jovens, dos ecologistas, dos pacifistas e dos defensores dos
direitos humanos”,[55] através da estratégia hegemônica, quer dizer,
mediante a união de todos estes micro conflitos que analisamos
anteriormente. “Em conclusão – anota Borón —, a construção do
‘sujeito’ do socialismo do século XXI requer reconhecer, antes de
tudo, que não existe somente um, mas inúmeros sujeitos. Que se
trata de uma construção social e política que deve criar uma
unidade onde existe uma ampla diversidade e heterogeneidade”.[56]
Posto nos termos da teoria pós-marxista que já vimos: trata-se de
conquistar uma hegemonia socialista que aglutine todos os
elementos de conflito social possíveis.
Dissemos antes que a hegemonia só tinha sentido em um
quadro social onde o conflito entre os distintos grupos fosse a regra.
O marxismo tradicional encontrou um único conflito fundamental que
abarca todos: o conflito entre as classes sociais – isto é, o conflito
econômico. Porém, como o novo socialismo teve que minimizar – e
praticamente abandonar – a visão estritamente classista, foi preciso
fazer irromper novos conflitos, de distintos tipos, que podem
encontrar seu fio condutor na oposição à ordem capitalista e aos
valores ocidentais sobre os quais ele se sustenta. Esta geração
permanente do conflito é recomendada pelo sociólogo venezuelano
Rigoberto Lanz quando anota que o socialismo do século XXI só
pode ter êxito “apostando seriamente na impulsão de práticas
subversivas que propaguem o efeito das rupturas, dos conflitos, das
contradições”.[57]
As coincidências entre os autores chamam a atenção e devem
ser evitadas sob risco de cairmos na redundância, pois neste padrão
repetitivo já não há uma “proposta”, mas uma clara estratégia em
marcha. Com efeito, o teórico alemão Heinz Dieterich, ex-assessor
de
Chávez e célebre acadêmico do “socialismo do século XXI”,
argumenta algo muito parecido com o que argumenta seus colegas
quando escreve que não se trata da busca de um mítico “sujeito da
libertação pré-determinado, mas sim do reconhecimento de que os
sujeitos de libertação serão multiclassistas, pluriétnicos e de todos
os gêneros”[58] e que “a classe trabalhadora continuará tendo um
destaque fundamental [...] porém provavelmente não constituirá sua
força hegemônica”.[59] Por outro lado, o pensador neomarxista russo
Alexander Buzgalin[60] também declarou que uma premissa objetiva
“do socialismo do século XXI é a associação dos trabalhadores e
cidadãos em geral [...] que se somam aos sindicatos e aos diversos
movimentos sociais (mulheres, etnias discriminadas pelo racismo,
camponeses, ecologistas, etc.), às organizaçõeos não-
governamentais e às associações informais não permanentes e
flexíveis que agrupam as pessoas movidas pontualmente por
causas comuns”.[61] Porém, López Velasco se queixa de uma
importante omissão que o escritor russo faz em seu trabalho: “nos
chama a atenção que Buzgalin omita (a não ser que o tenhamos lido
mal) os movimentos homossexuais (gays e lésbicas) no rico arco-
íris dos movimentos associativos que germinam como sementes do
associativismo participativo-decisório requerido por/no socialismo do
século XXI”.[62]
O filósofo e ex-guerrilheiro[63] boliviano Álvaro García Linera,
vice-presidente de Evo Morales, dá especial ênfase na questão
indigenista concreta e explica esta translação de sujeito
revolucionário dada entre o histórico “trabalhador explorado” para o
atual “indígena colonizado” através do fio condutor do marxismo:
“Iniciamos assim uma releitura, ou melhor, uma ampliação de nosso
olhar desde o trabalhador muito central em Marx, ao menos nas
obras clássicas de Marx e Lenin, passando pela temática nacional,
do campesino, até a temática do que se chamam as identidades
difusas. Aí nasce uma etapa – a partir do ano de 1986 – que se
mantém até hoje, de preocupação em torno da temática indígena...
consegui incorporar a temática indígena num esforço por torná-la
compreensível a partir das categorias que eu detinha; minha
autoformação era basicamente marxista. [...] começa uma
obsessão, com distintas variações, com o intuito de encontrar o fio
condutor dessa temática indígena a partir do marxismo”.[64] E a
seguir realça o projeto hegemônico do novo socialismo com base
nesses novos sujeitos: “Toda revolução implica um tipo de alianças,
será mais exitosa a guerra de classes se ela consegue isolar,
desmoralizar e debilitar o adversário, ou transformá-los em
potenciais aliados; essa é a idéia de uma hegemonia”.[65]
Extraímos como conclusão algo que a esta altura já é evidente:
se existe algum acordo estratégico no campo da reconstrução de
uma nova esquerda para o século XXI, ele precisa apoiar-se
firmemente em novos movimentos que são mencionados e
repetidos até a náusea por todos os teóricos que listamos aqui,
incluídos Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, os quais, como vimos no
subcapítulo anterior, puseram as bases teóricas para o pós-
marxismo superar de vez o economicismo que via a luta socialista
somente como um confronto de classes sociais. Esses novos
movimentos que o socialismo do século XXI deve hegemonizar são
fundamentalmente os indigenistas, ecologistas, direito-humanistas,
e os que no primeiro tomo dessa obra dedicaremos especial
atenção: as feministas e os homossexualistas (destes últimos se
encarregará Nicolás Márquez na segunda parte da presente obra),
representados pelo que ficou conhecido como a “ideologia de
gênero”.
Capítulo 2: Feminismo e ideologia de gênero

A primeira onda do feminismo

Dado que o feminismo não pode ser abordado como uma


ideologia unívoca, suas diversas expressões devem ser
diferenciadas através de “ondas” que se vão sucedendo uma atrás
da outra através da história, e que levam consigo importantes
mudanças político-teóricas em relação a suas predecessoras. De tal
sorte que, para fugir dos discursos reducionistas que nos levariam a
generalizações perigosas, torna-se necessário repassar
rapidamente as principais características destas distintas
manifestações do feminismo. Com efeito, o feminismo radical, sobre
o qual nós concentraremos nossas críticas aqui, nada tem a ver com
outros feminismos que a história registrou e que nós, longe de
criticá-los, cremos que representaram progressos sociais
necessários.
As origens do que podemos chamar a “primeira onda” feminista
encontram-se no Renascimento (séculos XV e XVI), o período de
transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. Mulheres de
grande inteligência começam a reclamar o direito de receber
educação de maneira equitativa a recebida pelos homens, começam
a perceber e a fazer percebido o papel socialmente relegado que a
mulher de então possuía. Novos ares intelectuais fazem-se sentir,
especialmente na Europa; os clássicos são relidos sem as lentes
arquetípicas do mundo medieval. E aí, neste momento da história,
são produzidas obras como A cidade das damas de Christine de
Pizan, escrita em 1405, e A igualdade dos sexos do sacerdote
Poulain de la Barre, publicada em 1671. Entre essas duas obras,
Cornelius Agrippa publica a célebre obra Da nobreza e excelência
do sexo feminino em 1529. O padre Du Boscq escreve a favor da
educação aberta ao público feminino em A mulher honesta. Ao
término do século XVII, o filósofo Fontenelle publica suas
Conversações sobre a pluralidade dos mundos. À lista se pode
acrescentar A noiva perfeita de Antoine Héroët, O discurso douto e
sutil de Margarita de Valois, entre outros exemplos destes novos
ares intelectuais concentrados no flamejante brado da mulher e pela
mulher.
Porém, a primeira onda feminista só se expressará com pleno
vigor com as novas condições sociais, políticas e econômicas
advindas das revoluções de inspiração liberal do século XVIII. Não é
de se estranhar que tenha sido assim, considerando o quadro
ideológico no qual as revoluções originaram-se e desenvolveram-se,
fundado na igualdade natural entre os homens e na liberdade
individual. E isto sem deixar de considerar, é claro, a importância do
fator econômico: estas revoluções que consigo trouxeram ao mundo
o capitalismo liberal criaram novas condições de vida para as
mulheres, que passaram a ver diante de si todo um novo universo
cheio de possibilidades na vida fora de lar.
Este primeiro feminismo surgido das entranhas das revoluções
liberais lutara, em termos gerais, pelo acesso à cidadania por parte
da mulher: o direito à participação política e o direito de acesso à
educação que, até então, estivera reservado aos homens; estas são
as demandas que estruturam o discurso do nascente feminismo de
caráter liberal. As idéias filosóficas difundidas então são essenciais
para este discurso. Voltaire postula a igualdade de mulheres e
homens, e chama às primeiras de “o belo sexo”. Diderot disse às
mulheres “compadeço-me de vós” e denuncia que ao largo da
história “foram tratadas como imbecis”. Montesquieu determina que
a mulher tem tudo o que é necessário para poder tomar parte na
vida política. Condorcet publica em 1790 o texto Sobre a admissão
das mulheres ao direito de cidadania, no qual conclui que os
princípios democráticos que foram inaugurados cabem a todos por
igual independentemente do sexo. “Por que alguns seres expostos a
gravidez e a indisposições passageiras não poderiam exercer
direitos que nunca se pensou privar àqueles que têm gota todos os
invernos ou que se resfriam facilmente?”, ironiza.
É neste contexto que nasceram estas novas demandas, ao
compasso das novas idéias, em especial no epicentro das
revoluções de inspiração liberal: Inglaterra, França e EUA.
Costuma-se tomar como obra fundamental da primeira onda
feminista o livro Reivindicação dos direitos da mulher, da inglesa
Mary Wollstonecraft, centrado na igualdade de inteligência entre
homens e mulheres e em uma reivindicação da educação feminina.
Nascida em 1759 e falecida em 1797, Wollstonecraft se destaca
como uma das importantes escritoras de seu tempo, apesar de não
ter recebido uma educação maior do que a de qualquer criado. Sua
carreira como escritora nasce quando é encarregada de escrever
Pensamentos acerca da educação das meninas, onde já começa a
formar suas idéias em defesa de uma educação que incluísse o
sexo feminino, e chega ao auge com o citado Reivindicação dos
direitos da mulher, redigido em apenas seis semanas de 1792, no
qual advoga pela participação política da mulher, o acesso a
cidadania, a independência econômica e a inclusão no sistema
educativo.
Quem reconhecerá o legado de Wollstonecraft durante boa
parte do século XIX na Inglaterra não será, no entanto, uma mulher,
mas um homem: John Stuart Mill. Seu livro A sujeição das mulheres,
publicado em 1869, é sua obra mais importante nesta matéria,
editada não somente em seu país de origem, mas também nos
EUA, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, Áustria, Suécia, Itália,
Polônia, Rússia, Dinamarca, entre outros países.
Neste livro, Mill dá uma forte ênfase na desigualdade perante a
lei entre homens e mulheres, criticando especialmente o regime
marital de sua época, o qual concedia direitos legais sobre os filhos
somente ao pai (nem com a morte do marido a mãe gozava de
custódia legal dos filhos), alienava qualquer propriedade que por
acaso a esposa tivesse em favor de seu marido, e fazia dela
praticamente uma propriedade dele: “A mulher não pode adquirir
bens senão para ele; desde o instante em que obtém alguma
propriedade, ainda que seja por herança, é para ele ipso facto”[66]
escreve John Stuart Mill. Não obstante – é justo sublinhá-lo – o seu
trabalho não foi meramente intelectual. Também levou, como
deputado da Câmara dos Comuns, estas demandas ao debate
político. Assim, propôs (sem êxito) que, no quadro de uma reforma
eleitoral que se trabalhava naqueles dias, trocassem a a palavra
“homem” por “pessoa”, de modo que pudesse habilitar o voto
feminino.
Neste cenário, em 1869, a Inglaterra vê nascer a Sociedade
Nacional do Sufrágio Feminino, e, em 1903, a União Social e
Política Feminina,[67] cujo lema “Voto para as mulheres” – nome
também de seu jornal semanal – pressiona o Parlamento para que
inclua politicamente as mulheres. O objetivo seria alcançado em
1918, depois de vários anos de muita tensão política e social.
Por sua vez, em França, a primeira onda feminista tem sua
origem na polêmica revolução de 1789, época em que surge uma
manifestação do feminismo da qual pouco se conhece, quando um
grupo de mulheres entende que ficaram excluídas da Assembléia
Geral criada após a Revolução, e então fazem ouvir suas vozes no
chamado “Caderno de Queixas”.
Com o avançar da Revolução, a exclusão das mulheres se
acentua: em 1793 os revolucionários dissolvem os clubes femininos
e estabelecem um norma segundo a qual, por exemplo, não podem
reunir-se na rua mais do que cinco mulheres. Em 1795 se proíbe
expressamente às mulheres assistirem assembléias políticas. Nas
chamadas “codificações napoleônicas” se consagra, entre outras
coisas, a perpétua menoridade das mulheres. O sistema
educacional estatal nascente exclui a mulher do nível médio e
superior, mesmo que sua educação primária se declare desejável.
Um dado dá cor a toda a época: um dos grupos mais radicais da
Revolução Francesa, “Os Iguais”, traz a lume um panfleto intitulado
Projeto de lei que proíba às mulheres de aprenderem a ler. O
mesmíssimo Jean-Jacques Rousseau, cujo pensamento influenciou
de maneira determinante a Revolução Francesa, escreve contra a
inclusão educacional e política da mulher no Emílio (é precisamente
a este livro que Wollstonecraft responde em seu Reivindicação...).
Muitas mulheres acabam sendo guilhotinadas pelos
revolucionários, como Olympe de Gouges, autora da Declaração
dos Direitos da Mulher e da Cidadã, texto publicado em 1791, que
buscava equiparar mulheres e homens juridicamente. Como um
corolário da sua obra, de Gouges escreveu: “A mulher nasce livre e
permanece igual ao homem em direitos. As distinções sociais
somente podem estar fundadas na utilidade comum”; e segue: “As
leis devem ser a expressão da vontade geral; todas as cidadãs e
cidadãos devem participar da sua elaboração pessoalmente ou por
meio de seus representantes”. É toda uma reivindicação de direitos
civis e políticos para seu sexo. Anos mais tarde quem tomará a
bandeira da mulher, como na Inglaterra fizera Mill, será um homem:
León Richier, fundador do jornal Os direitos da mulher, em 1869, e
organizador do Congresso Internacional dos Diretos da Mulher, em
1878. Em 1909 se fundará a União Francesa para o Sufrágio
Feminista, porém o direito de votar será conquistado somente em
1945.
Nos EUA, o ano que se costuma tomar como referência do
surgimento da primeira onda de feminismo é 1848, ano em que se
redige a Declaração de Seneca Falls, o texto fundacional do
sufrágio americano. Este é o resultado de uma reunião que
Elizabeth Cady Stanton, uma ativista do abolicionismo da
escravidão, convoca em uma capela metodista de Nova York, com a
finalidade de “estudar as condições e direitos sociais, civis e
religiosos da mulher”, tal como pregavam os anúncios que foram
distribuídos.
Assim como Olympe de Gouges baseou sua Declaração dos
Direitos da Mulher na Declaração dos Direitos dos Homens, a
Declaração de Seneca Falls se baseia na Declaração de
Independência dos EUA. A filósofa Amelia Valcarcel explica que o
documento surgiu sob “postulados jusnaturalistas e lockeanos,
acompanhados da idéia de que os seres humanos nascem livres e
iguais”.[68] Entre outras coisas, nota-se ali que “todos os homens e
mulheres são criados iguais; que estão dotados pelo criador de
certos direitos inalienáveis, entre os quais figura a vida, a liberdade
e a busca da felicidade”. Há especial ênfase na reivindicação dos
direitos de participação política para a mulher e contra as restrições
de caráter econômico imperantes na época, tais como a proibição
de possuir propriedades e dedicar-se a uma atividade comercial.
Importantes políticos e pensadores americanos como Abraham
Lincoln e Ralph Emerson apóiam a causa das mulheres. Em 1866, o
Partido Republicano apresenta a décima-quarta Emenda à
Constituição, na qual se concede o voto aos escravos, porém a
mulher continua excluída. Dois anos mais tarde, em 1868, os EUA
vêem nascer a Associação Nacional para o Sufrágio Feminino, e no
ano seguinte a Associação Americana para o Sufrágio Feminino.
Nesse mesmo ano de 1869 o primeiro estado americano concede o
voto para as mulheres: Wyoming. Porém, apenas em 1918, graças a
um Congresso Republicano, seria aprovada a décima-nona
Emenda, que tornou possível voto feminino, setenta anos depois da
Declaração de Seneca Falls.
Vimos, da forma mais sintética que nos foi possível expor, que
em seus princípios as revoluções liberais trouxeram igualdade e
liberdade; porém, somente para os homens. A lei continuava sendo
díspare, e as mulheres permaneciam um conjunto humano pré-
cívico, à margem do sistema educativo. Contudo, o novo quadro
filosófico e as novas realidades econômicas que as revoluções
liberais trouxeram a tona, começaram a transformar a moral da
época, fazendo com que a preocupação pela situação da mulher
surgisse com grande força. A primeira onda do feminismo, de
caráter liberal, também conhecida como “sufragismo”, caracterizou-
se fundamentalmente pelo acento na igualdade perante a lei,
reivindicando direitos cívicos e políticos para o sexo feminino, fato
que, longe de representar um mal social, foi um grande feito em
favor da justiça.
O fim desta história é bem conhecido. Em muitos países
industrializados as mulheres conquistaram os direitos políticos antes
do fim da Segunda Guerra Mundial. No pós-Guerra, o voto feminino
era universalmente reconhecido em todos os países de regime
democrático.
No entanto, o feminismo não tinha, de maneira alguma,
esgotado a sua razão de ser, mas, pelo contrário, estava chamado a
reinventar-se. Não outro senão Ludwig von Mises, um dos
referenciais máximos da Escola Austríaca de Economia, advertiu,
em 1922, que o feminismo começava a se desviar, e prenunciou por
quais caminhos seguiria o seu desenvolvimento; deixou tal aviso
plasmado num parágrafo que vale a pena reproduzir, uma
interessante leitura para muitos libertários de hoje, os quais,
culturalmente, mais parecem funcionários do neo-marxismo e, por
isso, deveriam ter em consideração essas palavras: “Enquanto o
movimento feminista se limite a buscar igualar os direitos jurídicos
de mulheres e homens, dar segurança quanto às possibilidades
legais e econômicas de desenvolver suas faculdades e de
manifestá-las mediante atos que correspondam a seus gostos, a
seus desejos e a sua situação financeira, serão somente um ramo
do grande movimento liberal que encarna a idéia de uma evolução
livre e tranqüila. Se, ao ir além destas reivindicações, o movimento
feminista crê que deve combater instituições da vida social com a
esperança de remover, por este meio, certas limitações que a
natureza impôs ao destino humano, então já é um filho espiritual do
socialismo. Porque é característica própria do socialismo buscar nas
instituições sociais as raízes das condições dadas pela natureza, e,
portanto, independentes da ação do homem, e pretender, ao
reformá-las, reformar a natureza humana mesma”.[69]
Não se equivocava Mises; e foi exatamente assim que as
subseqüentes ondas do feminismo não somente se despojaram do
discurso liberal, mas, sobretudo, postaram-se numa outra frente de
batalha.

A segunda onda do feminismo

Se a primeira onda do feminismo pode ser entendida como a


preocupação pelo lugar que a mulher ocupa numa sociedade
iluminada pelo quadro conceptual do liberalismo, a segunda onda
feminista manifesta a mesma preocupação, porém, vista com as
lentes da ideologia marxista e do socialismo.
Aqui devemos fazer um esclarecimento importante: muitos
estudiosos do feminismo costumam dar um salto da onda sufragista,
que acabamos de ver, diretamente para a “onda contemporânea”
(chamadas por eles de “segunda onda”) que tem seu ponto de
partida em 1968, ano do “Maio Francês”. Ignoramos a razão disto,
pois, neste esquema, o feminismo de viés marxista acaba
marginalizado na história do feminismo. De tal modo que decidimos
recuperá-lo, pondo-o em lugar de destaque, e designando-o como a
“segunda onda” do feminismo, pela razão de que seu ataque à
propriedade privada e ao capitalismo são elementos que
perpassarão as diversas ondas até chegar ao feminismo de nossos
tempos, constituindo a parte central do seu discurso.
As raízes mais profundas do feminismo marxista encontram-se
nos socialistas utópicos como Saint-Simon e Fournier. Com efeito,
em seu projeto utópico contrário ao capitalismo eles pensaram com
afinco na emancipação da mulher através da emancipação total da
sociedade, através do “amor fraterno” e da inclusão feminina na vida
econômica-produtiva. As utopias socialistas, além de se voltarem
contra a propriedade privada, projetaram também o
desaparecimento do matrimônio como instituição social.
No entanto, o verdadeiro ponto de partida do feminismo
marxista será dado, descartando-se o método utópico, por Friedrich
Engels. Depois que Karl Marx, seu sócio intelectual, estava morto,
ele aprofundou no materialismo dialético a questão da mulher e da
família, em sua obra A origem da família, a propriedade privada e o
Estado, publicada em 1884.
Ali, Engels apresenta um trabalho de base antropológica
(fundamentado principalmente nos estudos do célebre antropólogo
Lewis Morgan) através do qual vai seguindo um presumido
esquema de evolução do homem e da sociedade, desde o selvagem
até a civilização, focando nas mudanças acontecidas na instituição
familiar. Seu interesse final é mostrar que a família monogâmica é
apenas um tipo de família, nascida como reflexo do advento e
desenvolvimento da propriedade privada. Anteriormente a ela,
teriam existido esquemas familiares muito diferentes dos de hoje: “o
estudo da história primitiva nos revela um estado de coisas em que
os homens praticavam a poligamia e suas mulheres a poliandria e
em que, por conseguinte, os filhos de uns e outros se consideravam
comuns”.[70]
Engels, assumindo que essa afirmação era válida, para dar
sentido a sua teoria, recorre, como a forma mais antiga de ligação
entre os sexos, ao chamado “matrimônio por grupos”, no qual cada
homem teria muitas mulheres e, supostamente, cada mulher teria
muitos homens. No estado selvagem, nem mesmo o incesto
encontra limites morais, e Engels cita notas de Marx a respeito: “Nos
tempos primitivos, a irmã era a esposa, e isto era moral”.[71] De tal
sorte que a primeira exclusão moral foi feita à relação sexual entre
pais e filhos; a segunda, entre irmãos. Como veremos mais tarde, o
feminismo da terceira onda e o feminismo queer outorgaram ao
incesto e à pedofilia o lugar de uma das suas reivindicações mais
desprezíveis.
Porém, voltando ao texto que nos compete, subsiste um
problema-chave no sistema de parentesco sob esta estrutura
familiar proposta por Engels em uma suposta idade dourada: a
descendência se estabelece exclusivamente por linha materna,
posto que nos “matrimônios por grupo” só se tem segurança do
vínculo materno. Desta forma Engels nos mostra uma comunidade
primitiva e virtualmente selvagem na qual prevalece a mulher: “a
economia doméstica comunista significa o predomínio da mulher na
casa, que é o mesmo que o reconhecimento exclusivo da própria
mãe, na impossibilidade de conhecer com certeza o verdadeiro pai;
significa uma profunda estima pelas mulheres[...]. Habitualmente, as
mulheres governavam a casa; os mantimentos eram comuns,
porém, desgraçado era o pobre do marido ou amante, preguiçoso
demais ou inábil em trazer seu quinhão para o fundo de
mantimentos da comunidade!”.[72]
Neste aparente sistema de comunismo primitivo imperava,
como vemos, um regime matriarcal. A Engels não ocorre pensar em
questões tão elementares como a diferença física existente entre
homens e mulheres, e o que isto significou para a dominação dos
primeiros sobre as segundas em épocas passadas quando, como é
conhecido, o poder estava intimamente ligado à força física. Engels
chega a defender o paraíso misândrico que descreve arguindo (e
fantasiando) que as mulheres de então estavam em melhor posição
em relação às mulheres das épocas modernas: “a senhora da
civilização, rodeada de aparentes homenagens, desconhece todo
trabalho efetivo, tem uma posição social muito inferior a da mulher
bárbara, que trabalha firmemente, vê-se em seu povoado
reconhecida como uma verdadeira dama (lady, frowa, frau =
senhora) e de fato o é por sua própria posição.[73]
Como bom materialista dialético, Engels descobrirá que o
desenvolvimento das formas de instituição familiar constitui um
reflexo do desenvolvimento das condições econômicas. A
acumulação de riquezas deu início, mais cedo ou mais tarde, ao
surgimento da propriedade privada. Com efeito, a divisão do
trabalho familiar colocou sobre o homem a função de procurar
alimentos e ferramentas, e assim ele foi aos poucos se apropriando
destas coisas. O problema subsistente era que, dado que a
descendência se estabelecia por linha materna, os filhos herdavam
da mãe e não do pai. Assim, o homem tomava preeminência sobre
a mulher na medida em que aumentava a riqueza, e isso o permitirá
começar a modificar também a forma em que se estabelecia a linha
de descendência e, portanto, o direito de herança. Nasce aqui no
discurso marxista um regime cujo nome estrutura o discurso do
feminismo contemporâneo: “Resultou daí uma espantosa confusão,
a qual somente se poderia remediar e foi em parte remediada com a
transição para o patriarcado[74]”, conclui o sócio de Marx.
O que nos diz Engels em resumo? Que é a aparição da
propriedade privada que destrói o “paraíso comunista matriarcal” e
nos traz o regime de dominação masculina. A propriedade privada,
causa da exploração entre as classes, é causa também da
exploração entre os sexos. “A deposição do direito materno foi a
grande derrota histórica do sexo feminino em todo o mundo. O
homem empunhou também as rédeas na casa; a mulher se viu
degradada, convertida em servidora, em escrava da luxúria do
homem, em um simples instrumento de reprodução”[75], escrevia
Engels.
Chama a atenção o paralelo linguístico que se faz com o
conflito de classes.[76] Parece, com efeito, que se estava falando
exatamente da mesma coisa, e de fato teriam, segundo a teoria
marxista, a mesma origem na existência da propriedade privada.
Mas se coincidem na origem não deveriam também coincidir nas
formas de se provocar o desfecho? Se algo faltava para determinar
um tal paralelo, Engels cunha uma frase determinante: “O homem é
na família o burguês; a mulher representa nela o proletariado”[77]. A
operação hegemônica não pode ser mais clara: luta de sexos e luta
de classes têm a mesma origem e por isso deve se unir para acabar
com o sistema que reproduz a dominação das partes subalternas
claramente identificadas: trabalhadores e mulheres.
É importante ressaltar também o mito que se esconde por trás
destas idéias, que não é outro senão o do “bom selvagem”, mito
banal que permitiu a Thomas More compor a sua Utopia, a
Montaigne idealizar o índio americano nos Ensaios, a Rousseau
fantasiar com seu “homem em estado de natureza” (obviamente,
cada um com suas grandes diferenças), e à esquerda de nossos
tempos delirar com seu culto ao indigenismo. O mito funciona da
maneira mais simples: constrói-se uma antropologia de ficção na
qual as condições de existência são um reflexo do nosso desejo de
um mundo perfeito, em seguida busca-se um bode expiatório que
tenha provocado a “queda”, e se apresentam os meios através dos
quais é factível voltar atrás, embora seguindo-se supostamente
adiante (daí que, paradoxalmente, digam-se “progressistas”). Esses
meios não costumam ser outros senão as revoluções sangrentas –
como se faz explícito na proposta de Montaigne, ou do próprio
Engels – cujos sofrimentos são curados pela construção, ou melhor,
a devolução do paraíso à Terra. De modo que nos encontramos
diante de um mito messiânico, diante de uma secularização do
movimento milenarista sob o qual estiveram alguns cristãos dos
primeiros tempos, cuja convicção indicava que Cristo traria o seu
reino à Terra durante mil anos. Assim, mediante uma transformação
repentina, a Terra se faz Paraíso; retorna-se ao estado anterior a
queda, no caso dos milenaristas, por obra e graça de Deus; no caso
dos esquerdistas, por obra e graça da abolição da propriedade
privada. Vale notar, portanto, o caráter de religião política que
encerra o marxismo.
Quais são então as consequências estratégicas e práticas que
derivam deste feminismo marxista em comparação com o feminismo
liberal explicado anteriormente? O feminismo liberal entendia que
era possível resolver os problemas que ele mesmo apresentava
introduzindo-se reformas eleitorais e educativas[78] (foi de fato o que
John Stuart Mill tentou fazer pessoalmente), mas para o marxista a
questão só pode ser solucionada por meio de uma revolução
violenta que acabe com a propriedade privada e com a família como
instituição social, pois é nestas coisas que se encontra o germe do
mal: “A liberação da mulher exige, como condição primeira, a
reincorporação de todo o sexo feminino à indústria social, o que por
sua vez requer que se suprima a família individual como unidade
econômica da sociedade”[79], conclui Engels[80].
Isto é o que será tentado, precisamente, na União Soviética
após o triunfo revolucionário do bolchevismo, como logo veremos
com mais profundidade. Leon Trotsky, pai do Exército Vermelho[81],
já declarava nos Escritos sobre a questão feminina, em clara
sintonia com Engels, que “mudar a fundo a situação da mulher não
será possível enquanto não forem mudadas todas as condições de
vida social e doméstica”. O que significa “mudar a fundo”? Trata-se
de um eufemismo para dizer de outra forma o que Marx apontou
claramente em suas Teses sobre Feuerbach (tese 4): “Se a origem
da família celestial não é mais que a pré-figuração da mesma família
terrena humana, é esta que deve ser destruída”.
O certo é que a estratégia de hegemonizar as demandas
femininas por parte dos movimentos do proletariado, estabelecida
pelo próprio Engels, foi posta em prática antes mesmo da revolução.
Em Minhas lembranças de Lênin, a marxista alemã Clara Zetkin
conta que “o camarada Lênin falou comigo repetidas vezes sobre a
questão feminina. Efetivamente, atribuía ao movimento feminino
uma grande importância, como parte essencial do movimento de
massas, do qual, em determinadas condições, pode ser uma parte
decisiva”. O panfleto Às trabalhadoras de Kiev, lançado dois anos
antes da revolução de outubro pelos bolcheviques, vincula o
problema da mulher ao problema operário: “Na fábrica, na oficina,
ela trabalha para um empresário capitalista, em casa trabalha para a
família. Milhares de mulheres vendem sua força de trabalho ao
capital; milhares de escravos alugam seu trabalho; milhares e
centenas de milhares sofrem o jugo da família e a opressão social
(...) Camaradas trabalhadoras! Os companheiros trabalham duro
junto a nós. Seu destino e o nosso destino é o mesmo”. Poderia ser
mais clara a estratégia hegemônica?
Aleksandra Mijaylovna Kollontay foi uma das feministas
soviéticas mais reconhecidas. Um de seus escritos mais famosos é
O comunismo e a família, publicado em 1921, no qual retoma o mito
engelsiano do paraíso matriarcal original que acaba dizimado pelo
aparecimento da propriedade privada e que, com o desenvolvimento
do capitalismo, as mulheres passam a ser duplamente oprimidas:
como trabalhadoras fora do lar e como donas de casa dentro dele.
“O capitalismo impôs sobre os ombros da mulher trabalhadora um
peso esmagador; ela foi convertida em operária, sem aliviá-la dos
seus cuidados de dona de casa e mãe”.[82]
Kollontay entende que o dever do comunismo não consiste em
devolver a mulher ao seu lar, mas em despojá-las das obrigações
domésticas. Neste sentido, a feminista soviética prediz: “Na
sociedade comunista de amanhã, estes trabalhos [domésticos]
serão realizados por uma categoria especial de mulher trabalhadora
dedicada unicamente a estas ocupações”[83]. Um sistema de
planejamento central é, obviamente, a forma para se implementar
este esquema; isto é, uma sociedade na qual não é a ordem
espontânea gerada pelo mercado, mas a ordem deliberada imposta
por uma autoridade totalizadora que regerá a vida das pessoas até
nos minúsculos detalhes.
É interessante analisar as promessas que Kollontay faz em seu
escrito a respeito do que a sociedade comunista pode brindar às
mulheres. Vejamos algumas delas: “Em uma sociedade comunista a
mulher não terá que passar suas escassas horas de descanso na
cozinha, porque na sociedade comunista existirão restaurantes
públicos”;[84] “A mulher trabalhadora não terá que se afogar em um
oceano de sujeira tampouco arrebentar a sua vista remendando e
cosendo a roupa durante as noites. Não precisará fazer mais nada
além de levá-la todas as semanas até a lavanderia central para
buscá-la depois lavada e passada”[85]. “A Pátria comunista
alimentará, criará e educará a criança”;[86] etcetera.
O curioso do caso é que muitas das profecias de Kollontay se
cumpriram, não sob o comunismo mas sob o tão odiado capitalismo.
Foi com o triunfo deste sobre aquele, no final do século XX, com a
revolução tecnológica que aconteceu e o barateamento dos
eletrodomésticos que a mulher se emancipou de um sem-número de
tarefas: hoje ela pode lavar e secar a sua roupa sem nem molhar as
mãos; pode cozinhar diversos pratos apenas adicionando água a
alimentos industrializados; e em seguida pode lavar a louça suja em
uma máquina de lavar automática somente apertando alguns
botões; pode limpar o carpete da sua casa com um aspirador
elétrico e remover as manchas mais difíceis da superfície
simplesmente aplicando um pouco do produto adequado. E o
melhor de tudo é que todas essas tarefas deixaram, com o
transcorrer do capitalismo, de ser automaticamente atribuídas às
mulheres, pois também os homens começaram a se encarregar das
tarefas domésticas. Com efeito, é cada vez menos estranho ver um
homem cozinhar para a sua família, ou limpar o banheiro do seu lar,
o que é por si um importante avanço moral que se pode obter, entre
outras razões, graças ao avanço tecnológico que afrouxou a rigidez
da divisão do trabalho no interior da família e que, ao mesmo tempo,
permitiu à mulher aceder a vários postos de trabalho que antes
estavam reservados para o físico masculino. Do mesmo modo, a
competição do mercado fez os produtos domésticos baratearem
rapidamente e se massificarem, deixando de ser privilégio das
classes mais abastadas. Voltaremos a isto mais adiante.
Mas há algo sobre o qual eu gostaria agora de me deter para
demonstrar que o de Kollontay em particular, e o do comunismo em
geral, não é um projeto inocente que busque apenas aliviar o fardo
que se impõe sobre as mulheres. O que se busca é muito mais que
isso: é a geração de uma ordem planejada centralmente que, pondo
o Estado no centro da vida social, totalize todas as relações sociais
absorvendo-as e controlando-as ao seu desejo. De modo que sob o
comunismo seja previsto de forma clara a destruição da instituição
familiar, que será fagocitada pela intervenção estatal. Kollontay o diz
com total clareza: “o Estado dos trabalhadores acudirá em auxílio a
família, substituindo-a; gradualmente, a sociedade irá se encarregar
de todas as obrigações que antes recaíam sobre os pais”[87].
Curiosa concepção de “auxílio”, que longe de garantir a
sobrevivência conduz a destruição daquilo que se pretende ajudar.
Em última instância, portanto, o que a sociedade comunista
exige é a coletivização de tudo o que o homem possa ter, inclusive
seus próprios filhos. Por isso o projeto totalizante não pode
negligenciar aquilo que permite a sobrevivência de qualquer tipo de
totalitarismo: a doutrinação massiva, especialmente das novas
gerações. É assim que Kollontay determina: “O novo homem, da
nossa nova sociedade, será moldados pelas organizações
socialistas, jardins de infância, creches, etc., e muitas outras
instituições deste tipo nas quais a criança passará a maior parte do
seu dia e nas quais as educadoras inteligentes a converterão em um
comunista consciente da magnitude deste inviolável lema:
solidariedade, camaradagem, ajuda mútua e devoção a vida
coletiva”.[88]
Em resumo, a realização do feminismo marxista é a destruição
da família e a sua substituição pelo Estado totalitário e pelo partido.
O feminismo do socialismo real

Antes de abordar a terceira onda do feminismo, queremos


dedicar uma parte deste capítulo à implementação das idéias
feministas engendradas pelo marxismo, e postas em prática com a
experiência da União Soviética a partir de 1917. Com efeito, se a
propriedade privada foi a origem do patriarcado, a progressiva
abolição do regime econômico de propriedades deveria ter
produzido a tão anunciada “libertação da mulher”, como de fato a
propaganda soviética quis que o mundo livre acreditasse estar
realmente acontecendo.
Com o tempo, viríamos a saber que tal libertação não foi senão
mais uma mentira entre tantas outras que o comunismo nos contara.
E quem melhor expôs essa mentira foram um pai e um filho
soviéticos, médicos especializados em sexologia, ex-membros do
Partido Comunista, que levaram adiante um amplo trabalho
sociológico-sexológico que lhes valeu vários anos no campo de
concentração, trabalhos forçados e posterior exílio. Nos referimos
aos doutores Mikhail e August Stern.
O que ocorreu na URSS pode dividir-se em duas etapas: uma
de abertura e niilismo, que ganha força na década de 1920, pouco
depois do triunfo da Revolução; e uma outra etapa de puritanismo e
reação, na qual, mediante todos os meios existentes e por existir,
tentou-se reverter os efeitos sociais nocivos vistos após o período
de relaxamento moral.
A etapa de abertura foi, entre outras coisas, o resultado de
fazer do amor algo puramente “fisiológico”. Em uma palavra,
buscou-se tirar do amor qualquer traço espiritual e moral. Kollontai,
por exemplo, em um ensaio intitulado Um lugar para o Eros alado
instigava a realização dos atos sexuais “como um ato similar a
qualquer outro, a fim de satisfazer necessidades biológicas que só
são um estorvo, e que temos que suprimir tendo em vista o
essencial: que tais atos não interfiram na atividade revolucionária”.
[89] A protagonista do romance O amor de três gerações, de
Kollontai, esboçava: “Ao meu juízo, a atividade sexual é uma
simples necessidade física. Mudo de amante conforme meu humor.
Neste momento, estou grávida, porém não sei quem é o pai de meu
futuro filho, mas isto dá na mesma”.
Existe um “decreto” da época, da cidade de Vladmir (houve
outro similar em Saratov), que propunha uma “socialização das
mulheres”, e que ilustra bem o tipo de mentalidade que o socialismo
gerou: “A partir dos dezoito anos de idade, fica declarado que toda
mulher é propriedade estatal. Toda mulher que alcance a idade de
dezoito anos e que não seja casada está obrigada, sob pena de
denúncias e castigos severos, a inscrever-se em um centro de ‘amor
livre’. Uma vez inscrita, a mulher tem direito de escolher um marido
entre dezenove e cinqüenta anos. Os homens também têm direito
de escolher uma mulher que tenha chegado à idade de dezoito
anos, supondo que tenham provas que confirmem sua condição de
proletário. Para aqueles que quiserem, a escolha do marido ou da
esposa pode dar-se uma vez ao mês. Por interesse do Estado, os
homens entre dezenove e cinqüenta anos têm direito a escolher
mulheres inscritas no centro, sem que precisem do assentimento
destas. Os filhos que sejam fruto desse tipo de convivência tornar-
se-ão propriedade da república”.[90]
Estes delírios de “comunismo sexual” incluíam marchas de
nudez, ligas de amor livre, projetos de instalação de cabines
públicas reservadas para o ato sexual, entre outras idéias cujo pano
de fundo era o mais sórdido materialismo, que reduzia a experiência
do amor a uma necessidade fisiológica e por isso, como tal, o
Estado deveria atender e planejar.
Tanto era assim que o célebre periódico soviético Pravda
publicou em sua edição de 7 de maio de 1925 um artigo que, entre
outras coisas, dizia: “Os estudantes desconfiam das jovens
comunistas que se negam a ter relações sexuais com eles.
Consideram-nas pequeno-burguesas atrasadas que não souberam
libertar-se dos preconceitos da antiga sociedade. Existe uma opinião
segundo a qual não somente a abstinência, mas também a
maternidade provêm de uma mentalidade burguesa”. A “mulher
livre” soviética não era, pois, outra coisa que o canal através do qual
o homem satisfazia suas necessidades materiais. E quando a
mulher não se prestava a tal degradação, sua rejeição era vista, e
não podia ser de outra maneira, em termos de “luta de classes”. Em
uma carta publicada na mesma edição do Pravda, uma mulher
soviética escrevia: “Outro comunista, marido de minha amiga,
propôs que eu dormisse com ele uma só noite, somente porque sua
mulher estava indisposta, e por isso não podia satisfazê-lo no
momento. Quando me neguei, tratou-me como burguesa estúpida,
incapaz de elevar-me à altura da mentalidade comunista”.
Toda a vida sexual estava reduzida aos ditames do
materialismo dialético e, por outro lado, completamente
ideologizada. O sexo, algo tão íntimo e pessoal, se coletivizava e
passava a depender das leituras classistas que se constituíram
como uma espécie de religião oficial. Um folheto da época, editado
pelo Instituto Comunista Yákov Svérdlov em 1924, intitulado A
revolução e a juventude, baseado no trabalho teórico dos
pedagogos soviéticos Macárenco y Zálkind, dizia coisas como as
que seguem: “A única vida sexual tolerável é aquela que leva a
plenitude dos sentimentos coletivistas. [...] A escolha sexual deve
obedecer a critérios de classe, deve ajustar-se aos objetivos
revolucionários e proletários [...]. A classe tem direito de intervir na
vida sexual de seus membros. [...] Sentir atração sexual por um ser
que pertença a uma classe diferente, hostil e moralmente alheia, é
uma perversão de índole similar à atração sexual que se pode sentir
por um crocodilo ou um orangotango”. Algo similar pensava Lenin,
que em uma carta a sua amiga platônica Inessa Armand declarava:
“No que tange ao amor, todo o problema reside na lógica objetiva
das relações de classe”.
O classismo e o racismo são primos-irmãos. Ambos guardam a
mesma lógica de criar, em um plano abstrato, coletivos de pessoas
em função de determinados caracteres; pretendem o confronto
incondicional e, posteriormente, um ódio visceral. O citado folheto
dos pedagogos soviéticos dá conta disto quando sentencia que o
Partido tem “o direito total e incondicional [...] de intervir na vida
sexual da população com o objetivo de melhorar a raça praticando
uma seleção sexual artificial”. Preobrajenski, importante dirigente do
Partido, dizia algo similar quando afirmava que o sexo é um
“problema social, ainda que o tomemos meramente do ponto de
vista da saúde física da raça [...]. [O sexo deve estar orientado a
uma] melhor combinação das qualidades físicas das pessoas que se
relacionarão”.[91] Cabe recordar que o tirano Stalin acabou proibindo
o casamento de russos com estrangeiros.
Freqüentemente a esquerda, ainda nostálgica do genocídio do
século passado, por mais que lhe pese e trate de ocultá-lo,
reivindica a experiência soviética destacando os “grandes avanços”
para a mulher que teria sido incorporada ao mundo produtivo e
social. Porém, estes admiradores disfarçados do regime soviético
não notam o fato de que seus primos-irmãos, os nacional-
socialistas, fizeram o mesmo; algo que se fosse usado como
argumento para reivindicar o nazismo geraria as mais ásperas
críticas e indignações, o que jamais vemos se produzir quando o
mesmo argumento é usado para exaltação do comunismo. Com
efeito, é notório que as políticas centralizadas de obras públicas e
econômicas do nazismo, com Hjalmar Schacht como ministro da
economia e presidente do Reichsbank, deram à mulher um
relevante papel laboral no setor da indústria de serviços, em
atividades de tipo agrícola e na burocracia estatal: “até 1940, as
mulheres eram mais de 3,5 milhões no setor industrial e de serviços,
e mais de 5,6 milhões na silvicultura e na produção agrícola de alta
qualidade (aquela que requer qualificação técnica avançada), e tão
somente 1,5 milhões no setor de baixa remuneração como o serviço
doméstico”.[92] Do mesmo modo, a alegada participação política das
mulheres soviéticas é muitas vezes exaltada (diremos mais sobre
isso no final desta parte), e com isto se poderia concluir que o
comunismo é algo muito parecido com o regime nacional-socialista,
embora, novamente, isso seria motivo de escândalo: “A NSF
Nationalsozialistische Frauenschaft agrupava 800 mil mulheres no
começo, chagando a 3,5 milhões de mulheres em pouco tempo.
Havia um grande número de empregadas domésticas, assim como
mulheres da alta sociedade, nas filas da NS, e o objetivo era
aproximar a mulher do Welfare State idealizado por Hjalmar Schacht
e sua equipe técnica”.[93] Por fim, podemos falar sobre a atenção
que muitas “políticas sociais” soviéticas tiveram com as mulheres, o
que, outra vez, poderia equiparar-se ao experimento nazista,
responsável por subsidiar a maternidade e o desemprego feminino,
conceder empréstimos especiais para as mulheres, além de haver
fundado o Instituto Lebensborn, onde se provia albergues para
mulheres em situação de rua, etc. Não deveria ser necessário
esclarecer que estes exemplos não desculpam o genocídio
nacional-socialista, ainda que pareça cada vez mais necessário
esclarecer o outro exemplo: tais benefícios tampouco desculpam o
genocídio comunista, causa de homicídios em massa em
quantidades muito maiores do que as do mesmíssimo hitlerismo,
ainda que seja pecado dizer isso.[94]
Bem, voltemos à URSS: a legislação e os esforços do Estado
soviético em matéria sexual durante o período leninista,
especialmente durante a década de 20, resumem-se à destruição da
família. Como vimos, estas intenções já estavam impressas no
primeiro mestre, Karl Marx, e em seu sócio Freidrich Engels. Mas
por que o comunismo empenha-se em conseguir tal coisa? Por uma
razão: a instituição familiar representa uma salvaguarda do indivíduo
e de suas relações mais próximas diante da intromissão do Estado.
Trata-se, pois, de um espaço com amplos graus de autonomia
perante a esfera política. Vale recordar a esse respeito que a
dicotomia da esfera doméstica/esfera pública já estruturava o
pensamento social e político dos filósofos da Antigüidade (o
pensamento platônico e seu comunismo rudimentar explicitava a
intenção de abolir a instituição familiar em favor da organização
totalitária da polis). Com efeito, a família educa os filhos, reproduz
tradições, mantém crenças e valores à margem do dirigismo dos
mandatários da vez. A família é, em uma palavra, o núcleo da
sociedade civil, e a sociedade civil constitui a dimensão que será
absorvida pela política nos regimes totalitários, que invadirão todos
os aspectos da vida. De tal modo que é natural ao Partido
Comunista o interesse em anular estes espaços onde sua
intromissão não está assegurada e que, contrariamente, podem
chegar até a bloqueá-la. Já dizia Lunacharski, ministro da Educação
e Cultura em 1918, que “este pequeno centro educativo que é a
família, esta pequena fábrica [...] toda essa maldição [...] chegue a
ser um passado caduco”.[95] A Internacional Comunista reclamava o
“reconhecimento da maternidade como função social. Os cuidados e
a educação das crianças e dos adolescentes serão por conta da
sociedade”,[96] o que equivale a dizer por conta do Partido.
Bem, no período stalinista foi preciso dar um giro de cento e
oitenta graus criando o conhecido mito da “família soviética” –
quando propagou-se uma imagem distorcida da realidade familiar do
regime, apresentando-a imbuída de valores morais superiores aos
da família ocidental – por razões claras: a Rússia perdera uma
parcela considerável de sua população por conta da Primeira
Guerra Mundial, da guerra civil, da fome de 1921, da fome de 1928-
1932, dos variados expurgos, e das matanças em massa
perpetradas pelo próprio Estado. A isto devemos somar as perdas
da Segunda Guerra Mundial e das fomes subseqüentes. Para piorar,
a política de “sexualidade livre”, que além de minar a instituição
familiar havia legalizado o aborto em 1920, produziu um
impressionante decréscimo na taxa de natalidade: em 1913 ela era
de 45,5%, ao passo que em 1950 havia baixado para 26,7%.[97]
O caso das conseqüências sociais advindas da legalização do
aborto na URSS é digno de ser sublinhado. Com efeito, este
converteu-se em “o primeiro de todos os meios contraceptivos”,[98]
segundo os dados recolhidos pelo doutor Stern. Os números
documentados são determinantes: de 1922 a 1926 quadruplicou-se
o número de abortos na URSS, e em 1934 “registra-se em Moscou
um nascimento para cada três abortos; e na zona rural, no mesmo
ano, três abortos para cada dois nascimentos”.[99] Em 1963, em
Moscou, Leningrado e outras cidades centrais, 80% das mulheres
grávidas submetiam-se a abortos, o que demonstra que foi utilizado
como método contraceptivo.[100] Os doutores relataram que “ao
cabo de um certo número de abortos, [às mulheres] bastam-lhes
beber um copo de vodca, tomar um banho muito quente e dar
saltinhos até expulsar o feto. Tive que cuidar de uma mulher que
havia sofrido vinte e dois abortos. Nestas mulheres, os reiterados
abortos debilitam os músculos do útero de tal forma que correm o
risco de perder o feto somente com o caminhar”.[101]
A verdade é que a propaganda comunista sobre a virtude da
família russa, criada pelo stalinismo, nunca deixou de ser isso: pura
propaganda. A instituição da família foi destruída, o “chefe da
família” nada mais era do que uma caricatura do homem soviético, e
a esposa, que se pretendia uma valente heroína socialista na
história do regime, não passava de uma mulher indefesa que tinha
de tolerar os agravos e espancamentos de seu marido. Uma edição
da revista soviética A revista literária, de 1977, reunia artigos de
mulheres comentando sua relação conjugal: “A própria idéia de
‘homem em casa’ perdeu seu significado mais elevado. O homem
em casa é uma criança caprichosa que nunca é feliz, ou ele é um
‘leão que ruge’, que maltrata sua esposa por minúcias”.[102] Um
levantamento realizado em 1970 mostra que 74% das famílias
estudadas haviam se acostumado com as querelas e os conflitos
sistemáticos.[103]
É possível lembrar que de acordo com os postulados teóricos
do feminismo baseado no marxismo todos os problemas das
mulheres reduziam-se a uma variável claramente identificada: a
existência da propriedade privada. Uma vez anulada, caberia
esperar a “libertação da mulher”, promessa sistematicamente
alardeada pela União Soviética. Mas é difícil encontrar a dita
libertação entre os dados que mencionamos até agora. O mito do
bom selvagem mostrou-se como de fato é: uma falácia.
Enfim, para acrescentar algo, caso algo ainda falte, é
necessário dizer que os casos de estupro e violência contra as
mulheres também foram constantes durante o extenso período
comunista. Os médicos de Stern documentaram muitos deles, o que
acabou lhes custando, como dissemos, vários anos de campo de
concentração. Um desses casos, que chama a atenção pela
brutalidade, é o seguinte: “A mãe do meu paciente era camponesa
de Bachkiria. Durante os anos de fome, chegaram à aldeia de Ufa
para conseguir pão. Na plataforma da estação, um guarda armado
aproximou-se dela e levou-a consigo. Pouco experiente no amor, a
camponesa esperava receber um pedaço de pão em troca de seu
corpo. Mas quando chegaram à casa do guarda, ele ordenou que
ela tirasse suas roupas e entregou-a ao seu cão. Tanto foi a fome da
camponesa que ela não se opôs, assumindo que ela iria comer mais
tarde. Quando o cachorro soltou todo o espermatozóide, o guarda
jogou-a na rua sem dinheiro e nem comida.”[104]
Os médicos Stern contam que o estupro de mulheres também
era uma prática comum na própria família. É, segundo a leitura de
seus dados, uma conseqüência esperada do culto à força que o
regime disseminou nas relações sociais: “Conheci uma paciente que
não queria se divorciar por causa dos filhos, mas que tampouco
queria continuar a manter relações sexuais com o marido. O homem
a estuprou regularmente, sem medo de conflitos legais, porque não
havia um tribunal que levasse o caso a sério.”[105]
Foi célebre o escândalo do famoso cineasta soviético Roman
Karmen, que foi condecorado como Artista do Povo da URSS (a
mais alta distinção concedida no mundo do entretenimento),
acusado de entrar em seu carro com garotas de treze e quatorze
anos e depois estuprá-las. Mas, como ocorria com os donos do
poder e os seus amigos, o caso Karmen permaneceu em total
impunidade: lá estava o Estado para esconder a roupa suja.
Além das violações individuais, as violações coletivas também
foram frequentes, como pode ser visto nas crônicas da época. O
Diário do Professor, de 26 de junho de 1926, relatou, por exemplo,
um estupro sofrido por uma estudante nas mãos de um grupo de
colegas de classe. Outro caso em que um grupo de sete homens
estuprou duas mulheres, conhecido como “hábito de Chubarov”
(nome de uma rua de Leningrado), foi coberto pelo Pravda em 17 de
dezembro de 1926. Os doutores Stern acrescentam vários outros
casos em seu livro, que assustam pelo nível de violência.
Poderíamos continuar citando as notícias da época, mas isso já é
suficiente para determinar que a tal “libertação das mulheres”, que
supostamente se seguiu à implantação do socialismo, não passava
de uma mentira grosseira.
Além de tudo isso, as surras contra as mulheres também eram
algo corrente na Rússia comunista. A eliminação do capitalismo e as
“condições materiais da existência” não eliminaram a dominação
violenta do homem sobre a mulher, como os marxistas esperavam
com suas teorias ilusórias de uma suposta idade de ouro do
matriarcado. De fato, os espancamentos na URSS estavam
diretamente ligados ao sexo entre marido e mulher, e daquela época
vem o triste ditado russo que diz: “o único que não espanca sua
esposa é aquele que não a ama”. Inclusive chegou-se a utilizar uma
expressão para descrever a relação sexual que se originava de uma
surra: trajnut. Novamente, os doutores Stern nos permitem ilustrar
tudo isso com um fato concreto: “Em Moscou, um torneiro chamado
Merzliskov espancava regularmente sua esposa Nedejda. Espancar
é pouco, batia metodicamente primeiro com socos e chutes e depois
usava uma chave de fenda ou um martelo. Quando a mulher
desmaiava, o marido a submergia num banho de água fria e
recomeçava. A mulher morreu durante uma dessas sessões.”[106]
Nesta rápida revisão da vida das mulheres sob o socialismo
real, não podemos deixar de abordar o problema da prostituição. De
fato, o feminismo socialista sempre buscou fazer da “profissão mais
antiga da história” uma conseqüência do — qual a novidade —
regime econômico baseado na propriedade privada. Lembre-se de
que Marx e Engels já disseram no Manifesto Comunista que “com o
desaparecimento do capital também a prostituição desaparecerá”.
Kollontay afirmou que “esta vergonha [a prostituição] é devida ao
sistema econômico ora em vigor, a existência de propriedade
privada. Uma vez que a propriedade privada tenha desaparecido, o
comércio da mulher desaparecerá automaticamente”.[107]
Foram as promessas comunistas cumpridas? Por si só, não. As
prostitutas soviéticas continuaram a existir, e seus serviços, como
na atual Cuba, eram especialmente orientados para a satisfação de
estrangeiros. A repressão do regime, que perseguiu as atividades
meretrícias enviando as prostitutas para os campos de
concentração, não impediu a exploração do negócio sexual. As
prostitutas continuavam a se esconder: costumavam oferecer seus
serviços a bordo de táxis ou em ferrovias. Deste modo, as
promessas marxistas foram enterradas por uma ironia da história: as
prostitutas de Moscou eram conhecidas como “as marxistas”, não
por recitarem de memória os postulados do materialismo dialético,
mas por esperar por seus clientes sexuais em frente ao monumento
a Karl Marx.[108]
A verdade é que os teóricos marxistas acreditavam que a
derrubada do “poder econômico” e a destruição do sistema de
propriedade privada removeria a razão para as mulheres se
prostituírem. Mas o reducionismo econômico marxista negligenciou,
além da natureza complexa da ação humana, outra forma de poder:
o poder político. E assim, no socialismo real, a prostituição era um
dos muitos privilégios da classe política soviética. Na época, era
sabido por muitas mulheres que, se quisessem ter certos privilégios
ou certas posições na burocracia estatal, deveriam antes oferecer
seus serviços sexuais àqueles que manejavam os fios do poder.[109]
Os doutores Stern testemunharam sobre as formas de
prostituição soviética: “Às vezes, a fellatio alternava-se com jogos de
cartas: há prostitutas de treze, catorze anos, quase meninas,
atuando sob a mesa, enquanto quatro homens jogam os duraki; o
perdedor paga por todos”.[110] E também contam que as prostitutas
nem sempre determinavam os seus pagamentos em dinheiro: “Há
mulheres que usam seu corpo como pagamento quando pegam um
táxi ou compram algo no açougue [...]. Há muitas alcoólatras que se
prostituem precisamente para obter mais vodca”.[111] Este, e
nenhum outro, era o paraíso feminino prometido pelo marxismo.
Finalmente, há ainda um mito a ser derrubado. É aquele que
diz que sob o comunismo as mulheres adquiriram o pleno gozo dos
direitos políticos. A primeira coisa a ser dita sobre isso é que
naquele sistema de partido único os direitos políticos eram, para
todos, homens e mulheres comuns, uma fantasia impossível de ser
alcançada, devido à própria natureza do regime. Alegar a existência
de “liberdade política” sob as condições de uma ditadura totalitária é
uma contradição em seus termos. E se não é, caberia perguntar-se
sobre o lugar político de homens e mulheres não-comunistas: os
campos de concentração.
Mas, por outro lado, e mesmo aceitando a suposta extensão
dos direitos políticos para as mulheres sob o comunismo soviético,
seria interessante perguntar, então, sobre o envolvimento efetivo
delas no poder real, nas decisões políticas e na estrutura
hierárquica da URSS. É aqui que terminamos de verificar que a
participação política feminina no socialismo real foi completamente
virtual.
Façamos uma breve revisão da estrutura do poder soviético. O
Soviete da União ou o Soviete dos Deputados do Povo era uma das
duas câmaras do Soviete Supremo da União Soviética. Ao longo da
história desse corpo legislativo, uma mulher jamais pôde presidi-lo.
[112] Tampouco se viu qualquer mulher presidir uma outra câmara de

representação territorial, chamada Soviete das Nacionalidades.[113]


E, é claro, nenhuma mulher jamais ocupou o cargo de Chefe de
Estado da URSS,[114] nem o de vice-chefe de Estado. Também não
havia nenhuma mulher presidindo o Conselho dos Comissários do
Povo, a mais alta autoridade governamental do Poder Executivo
Soviético[115].
Diante desses dados, pode-se argumentar que, na época,
embora os direitos políticos das mulheres estivessem se tornando
efetivos no mundo, as mulheres ainda não ascendiam a espaços de
poder. No entanto, tal argumento ignoraria o fato de que enquanto
na URSS a estrutura política era virtualmente inteiramente
dominada por homens, em 1979, na Inglaterra, Margaret Thatcher
foi eleita Primeira-Ministra, e ocuparia o cargo até 1990, enfrentando
precisamente o comunismo, e, de alguma maneira, derrotando-o.
Permita-nos fechar esta seção com uma última reflexão.
Mencionamos que a política sexual do comunismo soviético tinha
dois estágios distintos: o leninista e o stalinista. O movimento de
recuo que Stalin teve de dar foi precisamente por causa da
desintegração social que o niilismo provocara e que oportunamente
descrevemos. Essa volta atrás foi, portanto, um redirecionamento
pragmático. Mas a experiência da “libertação sexual” e a
desintegração dos laços familiares que impulsionaram o leninismo
deixou para o regime soviético algo de fundamental importância: o
conhecimento sobre as conseqüências e o modo de implementação
dessa “arma cultural” para ser usada contra os inimigos do
comunismo.
Na verdade, existem casos notáveis de ex-agentes da KGB que
confessaram ser uma parte fundamental da estratégia da URSS
contra o Ocidente a promoção da corrupção cultural. Caso notável é
o de Yuri Bezmenov, aliás Thomas Schuman, que em 1983 declarou
publicamente: “Apenas 15% do dinheiro, do tempo e da mão-de-
obra [da KGB] é dedicado à espionagem como tal. Os outros 85%
servem a um processo lento que melhor chamamos ‘Subversão
Ideológica’, ou ‘Medidas Ativas’, ou ‘Guerra Psicológica’, o que
basicamente significa: mudar a percepção da realidade de cada um
dos americanos. Basta um pouco desse esforço para que, apesar
da abundância de informações, ninguém seja capaz de chegar a
conclusões sensatas, pensar no interesse de defender a si mesmo,
a sua família, a sua comunidade ou o seu país”. Bezmenov
acrescenta que é “um grande processo de lavagem cerebral”, que
consiste de uma série de etapas, iniciando com o que a KGB
chamava de “A desmoralização”, que leva de 15 a 20 anos, “porque
este é o número mínimo de anos necessários para educar uma
geração de estudantes no país inimigo expostos à ideologia
subversiva [...] a ideologia marxista-leninista está sendo
bombardeada nas jovens mentes de pelo menos três gerações de
estudantes americanos [...] O resultado? O resultado que você pode
ver. Muitos dos que se formaram nos anos 60, estudantes
fracassados ou sub-intelectuais, agora estão ocupando posições de
poder no governo, na administração pública, nos negócios, na
mídia, no sistema educacional [...] estão contaminados, eles são
programados para pensar e reagir a certos estímulos [...] não podem
mudar suas mentes, mesmo se você provar-lhes que o branco é
branco e preto é preto. O processo de desmoralização nos Estados
Unidos já foi basicamente concluído [...] a desmoralização atingiu
áreas onde previamente nem mesmo o camarada Andropov e todos
os seus especialistas haviam sonhado, houve um sucesso tão
tremendo que a maior parte da desmoralização é feita por
americanos mesmo, e isso graças a falta de padrões morais”.[116]
Após a desmoralização, abre-se o caminho para a etapa da
“desestabilização”, onde já começam as mudanças nas instituições
políticas e econômicas em favor da ideologia marxista-leninista, fim
primordial da etapa de desestabilização.
À luz de informações como essas, é interessante notar que
depois da virada copernicana feita pelo stalinismo, não vimos surgir
nenhuma outra teoria importante para o feminismo advinda dessas
fontes. Pelo contrário, a terceira onda, iniciada nos anos 60 —
período coincidentemente destacado por Bezmenov — será
engendrada por teóricos ocidentais, residentes em países
capitalistas, principalmente nos Estados Unidos e na França,
enquanto na URSS as revistas feministas eram fechadas e os
ativistas eram deportados.[117]
A terceira onda do feminismo

Como foi dito anteriormente, não há acordo unânime sobre o


que deve ser considerado pertencente à primeira, segunda ou
terceira onda do feminismo. Comecemos por destacar esta
advertência: alguns autores consideram que o feminismo surgido
nos anos 60 do século XX é na verdade uma segunda onda de
feminismo, enquanto outros, como nós, consideram que é uma
terceira onda feminista, sendo o sufragismo a segunda onda. Seja
como for, preferimos seguir uma abordagem diferente e considerar o
feminismo ilustrado, liberal e sufragista como uma primeira onda; o
feminismo marxista como a segunda onda; e o “feminismo
culturalista”, “radical” e/ou “neomarxista” como a terceira onda,
responsável pela germinação da chamada “ideologia de gênero”.
Esclarecido isso, o feminismo que passsamos a descrever
sucintamente tem a peculiaridade de não se mover no terreno de
reformas políticas formais, como as liberais, ou no campo quase
exclusivo da economia como o marxista, mas em um campo muito
mais vasto e, portanto, mais complexo: o da cultura.
A filósofa espanhola Amelia Valcárcel entende que o
surgimento da terceira onda feminista foi precedido pelo que ela
chama de “interregno”, que é definido pelos escritos da americana
Betty Friedan e seu livro A mística da feminidade publicado em
1963, um trabalho chave para o feminismo dos anos 70. Nele,
Friedan, em resumo, entende que as vitórias feministas no campo
dos direitos civis e políticos não alcaçaram a libertação feminina. O
que seguiria “oprimindo” as mulheres, então? Ela responde: os
aspectos culturais do “papel feminino”, isto é, as regras informais
associadas às mulheres, entre elas, a de ser esposa e mãe, por
exemplo.
Friedan não considera que as netas das sufragistas feministas
continuaram a luta de suas avós em planos renovados da vida; ao
contrário, aponta que elas simplesmente se acomodaram ao papel
de esposa e mães de filhos. Isso se deveu, segundo Friedan, a uma
superestrutura cultural que havia desenvolvido uma “mística da
feminilidade” opressora. Nas palavras da autora: “Segundo a mística
da feminilidade, as mulheres não têm outra maneira de criar e
sonhar o futuro. Elas não podem considerarem-se a si mesmas sob
qualquer aspecto que não seja o de mãe de seus filhos ou de
esposa de seu marido”[118].
Com toda honestidade, não podemos dizer que o livro de
Friedan é profundamente comprometido com idéias esquerdistas.
Daí que digamos, seguindo Valcárcel, que é um “interregno”, um
prólogo para o que será a terceira onda feminista. De fato, o
poderoso em Friedan é sua crítica culturalista, que excede em muito
o que é estritamente político, legal e econômico, e que vai para as
profundezas do lar, alcançando até mesmo dimensões estéticas que
serão tão típicas da terceira onda. Já a ativista e escritora
americana Mary Inman, em seu livro Em defesa da mulher (1940),
um dos quais precisamente inspiram Friedan, concluiu que “a
feminilidade elaborada” e a “ênfase excessiva na beleza” mantêm as
mulheres como vassalas.[119] Essas são as sementes do culto da
fealdade e do mau-gosto que caracterizam nossas feministas
radicais de hoje.
No entanto, os fatos que são geralmente identificados como
originadores da terceira onda feminista são, como não poderia ser
de outra forma, aqueles do maio de 1968 francês. E o livro que está
localizado como o fundamento dessa onda é O Segundo sexo, da
escritora existencialista Simone de Beauvoir, publicado em 1949,
quatro anos após o voto feminino na França se tornar realidade.
A ideologia de Beauvoir é bem conhecida: ela era uma marxista
convicta. Seu livro A Longa marcha, por exemplo, é uma defesa da
Revolução Cultural Chinesa, campanha liderada pelo genocida Mao
Tse Tung com o objetivo de impedir que a China abandonasse o
comunismo ortodoxo e que consistiu em assassinatos em massa,
tortura de todos os tipos, campos de concentração, destruição
cultural, fome e perseguições. Na cidade de Shantou pode-se visitar
hoje um museu que lembra muito de todos esses horrores que
Simone de Beauvoir celebrou. Com efeito, a ideologia de gênero
tem sua origem e desenvolvimento dentro da ultra-esquerda, como
veremos ao longo deste subcapítulo; não se trata de um fenômeno
ideológico separado de qualquer corrente moderada ou centrista,
apesar de a correção política de nossos tempos ter adotado a
maioria de seus postulados.
Ao escrever seu livro O Segundo sexo, Beauvoir está
advertindo que as concepções ortodoxas do marxismo, aquelas
repassadas em seção anterior, não têm sucesso em sua aplicação
real encarnada na União Soviética com promessas de libertação das
mulheres. O ideal maternal do stalinismo não iria entregar as idéias
de uma detratora da maternidade como De Beauvoir.[120] O
problema econômico é certamente determinante ao ponto de ser
condição necessária; mas claramente não é suficiente aos olhos da
nossa escritora. E é aí que ela dá um grande passo, colocando a
necessidade de uma profunda mudança cultural em primeiro plano:
nos costumes, nas crenças, na moral. Seus esforços para explicar o
conflito através de uma mistura entre marxismo e psicanálise
encontra antecedentes nada menos do que nas propostas teóricas
da Escola de Frankfurt, instituição intelectual tão importante e até
decisiva na construção teórica do que chamamos de “neomarxismo”
ou “marxismo cultural”.
No entanto, é necessário não se enganar. De Beauvoir
aparenta ter críticas apenas contra a sociedade ocidental e
capitalista. Ao longo das mil páginas de seu trabalho, dificilmente se
pode ler críticas à opressão das mulheres no bloco comunista. Pelo
contrário, lemos passagens apologéticas como a seguinte: “É na
URSS onde o movimento feminista adquire a máxima amplitude”.
[121] E chega até mesmo prever, sem sucesso, é claro, que sob o

regime comunista a libertação das mulheres estava assegurada: “O


futuro não pode deixar de conduzir a uma assimilação cada vez
mais profunda das mulheres dentro de uma sociedade outrora
masculina”.[122] Até mente ou ignora flagrantemente quando anota
que “exceto na URSS, em todos as partes é permitido às mulheres
modernas considerarem o seu corpo como um capital para explorá-
lo”.[123] De fato, pretende fazer crer o leitor que o comunismo,
condizente com a promessa de Engels, terminou com a prostituição,
quando, a rigor, isso nunca aconteceu, como já vimos
anteriormente. A pergunta que surge imediatamente é: De Beauvoir
foi maliciosa ou foi, simples e tristemente, o que Lênin chamou de
“idiota útil”?
Seja o que for, vamos direto ao conteúdo de O Segundo sexo,
a obra mais importante do feminismo do século XX. A tese central é
que “mulher” é um conceito socialmente construído, ou seja, carente
de essência, artificial, sempre definido pelo seu opressor: o homem.
A famosa frase que resume a proposta teórica de De Beauvoir é:
“Ninguém nasce mulher: torna-se”. A tarefa das mulheres como
gênero que busca se libertar é, nesse sentido, romper com o
conceito cultural das mulheres e recuperar uma suposta “identidade
perdida”.
O primeiro princípio do existencialismo, uma corrente filosófica
a qual De Beauvoir pertence e que possui como célebre referência o
seu parceiro, Jean-Paul Sartre, é a afirmação de que a existência
precede a essência do ser-humano. Isto significa, em poucas
palavras, que o ser humano nada mais é do que o que ele faz de si
mesmo. Não existe nada como uma “natureza humana”; tudo o que
diz respeito ao ser humano é o resultado dos processos históricos
que envolvem a evolução das sociedades.
Este não é o momento para fazermos uma crítica extensiva
desta visão filosófica. Mas consideremos agora o perigo de abolir
em nossa consciência qualquer determinação natural no ser
humano: teríamos como resultado a imagem de uma pessoa
humana suspensa no nada, alienada de toda realidade externa,
incapaz de orientar seus padrões culturais de acordo com o que, por
razões obviamente naturais, resulta auspicioso para sua
manutenção e crescimento. Uma sociedade poderia moralizar como
guia cultural a ingestão de gasolina, por exemplo, mas as pessoas
que se conformam a esse comportamento não poderiam evitar as
conseqüências mortais de tal prática. Da mesma forma, outra
sociedade poderia legislar sobre a abolição da maternidade, como
pareceria agradável a mais de uma feminista, embora essa
sociedade não pudesse escapar do destino que, devido à natureza
finita do ser humano, a aguarda: a extinção total.
Escusado será dizer que isso não significa que a história e a
cultura não moldem um número incontável de caracteres do ser
humano. De maneira alguma pretenderíamos negar tamanha
verdade. O homem é cultura, mas também é natureza. Ou melhor
dito, o homem é a natureza, mas também é cultura: nessa ordem.
Tão verdadeiro quanto isso é também o fato de que sua cultura
triunfa quando não vai contra sua natureza. Pode ser concebido o
desenvolvimento de uma sociedade humana, por exemplo, que
estabeleça o ritual cultural de castrar todos os varões recém-
nascidos? E o que dizer de uma sociedade cujos membros
determinam, como no experimento social de Alan Sokal,[124] que a
lei da gravidade é também uma “construção discursiva” e, além
disso, decidem que podem se atirar do arranha-céu mais alto sem
esperar conseqüências desastrosas?
Voltando ao cerne do nosso assunto, para explicar a gênese da
opressão, De Beauvoir vai oferecer uma explicação histórica e
antropológica da mulher, que retroage às primeiras e remotas
formas de comunidade do seres humanos: os grupos nômades que
precederam a agricultura, possivelmente localizado
cronologicamente na Idade do Bronze. A raiz da opressão feminina,
segundo sua tese, seria encontrada no fato de as mulheres
primitivas não poderem participar de atividades presumivelmente
valorizadas pelo grupo: fundamentalmente, a caça e a guerra. É o
perigo conatural dessas atividades que lhes dá toda a sua
importância social. Sob uma visão que anula os dados naturais, a
exclusão feminina deve ser procurada, através de um movimento
circular, novamente na cultura, e assim sucessivamente até o
infinito. Mas a verdade é que a natureza explica muito claramente o
fato de as mulheres terem sido protegidas pelo grupo dos perigos da
guerra e da caça: as condições naturais de reprodução e
maternidade, por um lado, e as características físicas dos seus
corpos por outro, estruturaram a divisão elementar de tarefas de
nossos ancestrais mais distantes. E isso parece ter sido necessário
para a conservação e reprodução da espécie.
Surpreendentemente, De Beauvoir reconhece esse fato, que,
por si só, seria suficiente para derrubar sua tese fundamental de que
nas mulheres nada mais há do que a cultura. “A gravidez, o parto e
a menstruação diminuíram sua capacidade de trabalho e as
condenaram a longos períodos de impotência; para defender-se
contra os inimigos, assegurar seu sustento e o de sua prole,
precisavam da proteção dos guerreiros e dos produtos da caça e da
pesca, aos quais se dedicavam os homens”,[125] anota a escritora.
Mas se ela aceita que a força física e a reprodução explicam a
exclusão primitiva das mulheres das tarefas que seriam relevantes,
a lógica mais elementar anuncia que a natureza teve um papel na
formação cultural e não pode ser, portanto, descuidada em uma
análise sobre a mulher e sua condição. Se foi o corpo feminino que,
de acordo com suas condições e funções biológicas, fez da mulher
uma mulher, então não parece assim tão convincente — e, inclusive,
parece até contraditória — a famosa frase “ninguém nasce mulher:
torna-se”.
As contradições da esposa de Sartre em muitas passagens são
impressionantes. O prestígio do homem é derivado, nos diz ela, de
que as atividades que lhes são próprias encontraram sua
transcendência no perigo: “para aumentar o prestígio da horda, o clã
a que pertence, o guerreiro põe em jogo sua própria existência. [...]
A pior maldição sobre as mulheres é encontrarem-se excluídas
destas expedições guerreiras: não dando a vida, mas arriscando-a,
que o homem se eleva acima do animal”.[126] Aqui a autora esquece
os perigos inerentes da maternidade, acentuada em tempos
passados, em que o parto, com elevadíssima freqüência, era a
causa da morte. De fato, se o risco oferecido ao grupo é o que dá
sentido ao prestígio do homem, não há elevados riscos também na
atividade mais especificamente feminina de todas: o parto? O
problema, talvez, é que Simone de Beauvoir não considera que
nada biologicamente próprio da mulher possa ser considerado
atividade de um projeto vital. Parece haver misoginia por trás de
seus argumentos quando decreta que “engendrar, amamentar, não
constituem atividades, são funções naturais; nenhum projeto os
afeta; por isso a mulher não encontra nessas atividades a razão de
uma afirmação altiva de sua existência; sofre passivamente seu
destino biológico.”[127] É impressionante que quem que nunca
concebeu ou amamentou faça semelhante afirmação. De onde é
que a escritora francesa tira que o fato de trazer uma nova vida ao
mundo e se esforçar por sua proteção e desenvolvimento não afeta
em nada qualquer projeto? Nada fica claro. Parece que sua própria
biografia influencia seus argumentos: ela nunca quis ter filhos e, em
vez disso, escolheu matá-los em seu ventre.[128] É paradoxal que,
para De Beauvoir, dar vida não seja um “projeto”, enquanto matar o
é. E ainda mais: o autoritarismo de Beauvoir nesta matéria ficou
claro em um diálogo de 1975, quando ela argumentou que “não
deve ser permitido a nenhuma mulher ficar em casa para criar seus
filhos. A sociedade teria que ser completamente diferente. As
mulheres não devem ter essa escolha, precisamente porque se
existe tal escolha, muitas mulheres irão toma-la”.[129] Deveriam,
então, as mulheres fazer suas próprias escolhas, ou seguir as
ordens de De Beauvoir?
Seja como for, a parte mais importante do trabalho de Simone
de Beauvoir é ter pincelado os primeiros esboços significativos da
ideologia de gênero. A distinção entre sexo e gênero aparece,
portanto, muito clara em seu trabalho: o sexo, como fato natural,
não tem nenhuma relevância; gênero é tudo. Homem e mulher nos
são apresentados como corpos cuja especificidade natural não
guarda a menor importância em relação ao que eles mesmos
podem ser; eles são como uma página em branco, uma tabula rasa,
pronta para ser escrita pelo peso supostamente autônomo da
cultura. Com efeito: “Ninguém nasce mulher: torna-se”. Em outras
palavras, não importa o que o corpo naturalmente traz; importa
exclusivamente como o indivíduo é socializado. E, como é evidente,
tudo isso implica importantes mudanças estratégicas. A estratégia
que o feminismo deve elaborar agora tem um caráter cultural
predominante: a liberação não só tem que ser concretizada com a
incorporação das mulheres no mundo econômico do trabalho e da
produtividade, como os marxistas ortodoxos pensavam seguindo
Engels, mas também, e tão importante quanto, com a destruição da
superestrutura — moral, religiosa, ideológica, legal, familiar — em
vigor. A conclusão que De Beauvoir oferece de toda a sua obra vai
nessa direção: “Não devemos acreditar que basta modificar sua
situação econômica para que a mulher se transforme; esse fator foi
e continua a ser o principal fator em sua evolução, mas desde que
não tenha as conseqüências morais, sociais, culturais etc. que
anuncia e exige, a nova mulher não poderá aparecer”.[130] Quando o
feminismo assume uma estratégia cultural e se choca com o
marxismo em sua cruzada contra a sociedade capitalista, o
resultado é uma das diversas mãos que sustentam o que temos
aqui chamado de “neomarxismo” ou “marxismo cultural”.
Simone de Beauvoir será seguida na década de 70 por uma
corrente de feministas radicais que levará os argumentos e
pretensões um passo adiante. Uma delas será a americana Kate
Millet, que vai enfatizar o conceito de “gênero” para rejeitar os dados
da biologia, e defenderá “o caráter cultural do gênero, definido como
a estrutura da personalidade de acordo com a categoria sexual”.[131]
Outra feminista especialmente controversa é a canadense
Shulamith Firestone, que declarará que “as feministas têm que
questionar, não apenas toda a cultura ocidental, mas também a
organização da própria cultura, e até mesmo a própria organização
da natureza”.[132] (O leitor lembra o que Ludwig von Mises havia
avisado já na década de 1920?).
Para o feminismo radical que nasce nos anos 70, o problema
da opressão das mulheres está em toda parte; as esferas pública e
privada são escrutinadas de igual maneira, já que a cultura é o
objetivo chave. Millet imortaliza em sua obra Política Sexual (1969)
uma frase que se encarnará como slogan de grupos feministas de
ontem e de hoje: “O pessoal é político”.[133] A noção de “patriarcado”
encontra significado especial neste contexto, como regime político
de sexo masculino que vai muito além das dimensões públicas. A
família é então considerada como a principal instituição social que
reproduz a “estrutura patriarcal”, e toda a munição feminista é usada
principalmente contra ela e o casamento: “A principal instituição do
patriarcado é a família”,[134] observa Millet. O objetivo marxista da
abolição da família e da propriedade privada é mantido; o que muda
é o sujeito da revolução e a análise das contradições.
É interessante mencionar um pouco mais sobre as idéias da já
citada Firestone, porque elas ilustram muito bem o pensamento
feminista radical-socialista da terceira onda. Sua obra A Dialética do
Sexo (1970) causou furor em seu tempo. Misturando o marxismo e o
freudismo, Firestone, desde o início, supera o reducionismo
economicista que impediu Engels de enxergar um pouco mais
longe: “Há um nível de realidade que não provém diretamente da
economia”,[135] sentencia ela. Esse nível vem da cultura, que é onde
Firestone tentará penetrar.
Firestone entende que a raiz do problema da mulher está em
sua função reprodutiva e traça um paralelo com os problemas
produtivos do proletariado, a ponto de nomear as mulheres como
“classe sexual”. Assim como o proletário — de acordo com as
teorias marxistas — faz sua revolução expropriando os meios
privados de produção, as mulheres devem realizar sua própria
revolução colocando a reprodução sob seu controle. E assim como
Engels entendeu que a partir de uma revolução socialista se
derivava a libertação das mulheres, Firestone entende o oposto: a
partir de uma revolução feminista, pode se esperar a abolição das
classes.[136]
Deste modo, Firestone proporá um tipo de programa mínimo
para a revolução feminista, composto por quatro pontos que,
resumidamente, são os seguintes: 1) Abolir a função reprodutiva das
mulheres de acordo com as tecnologias de reprodução artificial e a
legalização do aborto; 2) Conseguir a absoluta independência
econômica de mulheres e crianças, o que significa abandonar a
economia capitalista e adotar um sistema socialista (“É por isso que
devemos falar sobre o feminismo socialista”,[137] afirma Firestone);
3) Incluir mulheres e crianças em todos os aspectos da sociedade,
destruindo tudo o que protege a individualidade e destruindo as
“distinções culturais entre homens/mulheres e adultos/crianças”;[138]
4) Alcançar “a liberdade de todas as mulheres e crianças para fazer
o que quiserem sexualmente”.[139]
O propósito expresso de tudo isso é a destruição da família, já
que isso seria “a fonte da repressão psicológica, econômica e
política”.[140] A terceira onda do feminismo, como vemos, torna as
relações entre os casais uma área de luta e ódio permanentes. Se
se pode considerar que a revolução da URSS foi uma “revolução
falida” foi precisamente por ter revolucionado apenas no que
concerne à esfera econômica e não ter implementado
completamente e sustentado esta revolução no campo das relações
interpessoais e familiares.[141] Firestone está preocupada
primordialmente, além da questão feminina, com a questão das
crianças. E ela entende que o socialismo não pode ser construído
se não for possível cortar os laços de uma geração com a anterior,
de modo que o Estado possa formá-la até a raiz.[142] “Legalmente,
as crianças permanecem sob a jurisdição dos pais que podem fazer
com eles o que eles quiserem”,[143] reclama Firestone curiosamente.
Sob qual jurisdição, então, eles deveriam estar? Bem, é claro, sob o
Estado socialista.
O processo de destruição da família não pode acontecer a
qualquer momento, mas envolve mudanças graduais, que incluem
até pedofilia. Firestone os descreve da seguinte maneira: “No início,
no período de transição, as relações sexuais provavelmente seriam
monogâmicas, mesmo que o casal decidisse viver com os outros.
[...] No entanto, depois de muitas gerações de vida não-familiar,
nossas estruturas psicossexuais podem ser tão radicalmente
alteradas que o casal monogâmico se tornaria obsoleto. Podemos
apenas imaginar o que poderia substituí-lo: talvez casamentos por
grupos, grupos conjugais transexuais que também envolvam
crianças mais velhas? Nós não sabemos”.[144]
O projeto de Firestone é alcançar uma sociedade socialista
onde a família é substituída pela household, uma espécie de casa
composta de pessoas que não têm uma ligação de sangue. Aqui,
depois de “algumas gerações”, será possível que “as relações entre
pessoas de idades muito diferentes se tornem comuns”.[145] Assim,
“o conceito de infância foi abolido, as crianças têm plenos direitos
legais, sexual e econômico, suas atividades educacionais/laborais
não diferem da dos adultos. Durante os poucos anos da infância,
substituiríamos a “paternidade” psicologicamente destrutiva de um
ou dois adultos arbitrários, distribuindo a responsabilidade do
cuidado físico por um grande número de pessoas. A criança ainda
pode formar relacionamentos amorosos íntimos, mas, em vez de
desenvolver um relacionamento próximo com uma ‘mãe’ e ‘pai’
decretados, a criança pode agora formar laços com pessoas de sua
própria escolha, de qualquer idade ou sexo. Portanto, todas as
relações entre adultos e crianças serão escolhidas mutuamente”.
[146] E logo depois sentencia: “Se a criança pode escolher se

relacionar sexualmente com adultos, inclusive se ela deve escolher


a sua própria mãe genética, não haveria nenhuma razão a priori
para que ela rejeitasse os avanços sexuais, porque o tabu do
incesto teria perdido sua função. [...] As relações com crianças
incluem tanto sexo genital tal como a criança é capaz de receber —
e, provavelmente, é muito maior do que agora cremos — porque o
sexo genital já não seria o foco central da relação, porque a falta de
orgasmo não apresentaria um problema sério. O tabu das relações
adulto/criança e homossexual desapareceria”.[147] Mas as relações
pedófilas tem dois limites, diz-nos a boa Firestone, pretendendo
moderar-se: o limite do consentimento da criança por um lado e, por
outro, o limite biológico. De modo que, se um homem adulto quer ter
relações sexuais com uma menina ou um menino de quatro anos,
por exemplo, deve somente assegurar-se que as dimensões de seu
ânus ou vagina são penetráveis. O truque que Firestone usa para
legitimar a pedofilia é muito claro: pôr par a par a capacidade de
discernimento e de escolha de uma criança com a de um adulto,
como se ambos dispusessem de igual poder físico, manipulação
psicológica e maturidade emocional.
Como fica claro, Firestone atribui grande significado à
legitimidade da pedofilia como parte da revolução socialista. Mas a
sua não é uma opinião isolada dentro do feminismo dos anos 70:
também a mencionada Millet escreveu que as crianças devem “se
expressar sexualmente, provavelmente de início apenas entre elas,
mas, posteriormente, também com os adultos”.[148] Além disso, a
própria de Beauvoir, quatro meses antes do surgimento da Frente
de Libertação dos Pedófilos, em França, assinava uma solicitação
no jornal Le Monde (26 de janeiro 1977) em favor da libertação de
três pedófilos que estavam comparecendo diante do tribunal por
manter relações sexuais com crianças e produzir pornografia infantil
— “Três anos de prisão por algumas carícias e beijos, é o
suficiente!”, minimizava o assunto. E para a questão da pedofilia, as
teóricas feministas assomam também a reivindicação do incesto.
Firestone, por exemplo, recomenda que, para que as crianças não
cresçam “sexualmente reprimidas”, são os pais que devem inicia-las
em sua vida sexual. De fato, ela recomenda que a primeira felação
da criança seja praticada por sua própria mãe. Mas existe uma
maneira mais determinante de romper todos os laços familiares do
que promover relações sexuais entre adultos e crianças, e entre
pais e filhos? Ela sabe, a partir de Freud, da importância que tem
para a cultura a repressão do erotismo que a criança
presumivelmente sentiria por sua mãe; e provavelmente também
sabe, a partir de Claude Lévi-Strauss, do papel que a proibição do
incesto desempenha na cultura de toda sociedade humana. Com
efeito, não há maneira mais eficaz de destruir a cultura e a família
do que tornar condutas aceitáveis comportamentos como a pedofilia
e o incesto; da década de 1970 em diante, então, o feminismo
radical trará, às vezes mais explicitamente, outras vezes mais
implicitamente, essas afirmações horripilantes dentro de seu
programa.
Já entrando na década de 1980, outra americana, Zillah
Eisenstein, desenvolverá com mais precisão essa síntese entre o
feminismo radical e o marxismo. O objetivo do feminismo seria, em
uma palavra, estourar tanto o “regime patriarcal” quanto o sistema
capitalista, uma vez que haveria uma relação de coexistência e
dependência mútua entre eles. A destruição do primeiro é
assegurada pela destruição da família e do casamento; a destruição
do segundo vem por meio de uma gradual abolição da propriedade
privada. Ambas as coisas devem ocorrer em uníssono. O que
Eisenstein oferece é principalmente um refinamento da teoria de
Firestone na tentativa de determinar, mais especificamente, a
relação entre o suposto “patriarcado” e o capitalismo, o que lançaria
luz sobre a necessidade de que o feminismo seja socialista, e o
socialismo seja feminista.[149] Igualmente, tenta superar as
propostas teóricas de Millet, em especial o argumento de que
“devemos fazer perguntas feministas, mas tentando chegar a
respostas marxistas”; para Eisenstein, isso implicaria numa
dicotomia entre marxismo e feminismo que deve ser apagada em
favor de uma síntese harmoniosa entre as duas ideologias.
Assim, seu principal argumento é que a instituição familiar
funciona para a manutenção do capitalismo, e explica nos seguintes
termos: “A família sob o capitalismo reforça a opressão das
mulheres. A família apóia o capitalismo, proporcionando uma
maneira de manter a calma, o que é uma parte muito importante do
capitalismo. A família apóia economicamente o capitalismo,
fornecendo uma força de trabalho produtiva e o suprimento de um
mercado consumidor de massa. A família também desempenha um
papel ideológico ao cultivar a crença na liberdade, no individualismo
e na igualdade básica da estrutura de crenças da sociedade.”[150]
Por essas razões, os inimigos do capitalismo e da sociedade aberta
deveriam se concentrar em destruir a família: destruir a ordem e a
calma que ela proporciona; destruir a força de trabalho que ela gera
para o mercado; interromper a socialização que ela atinge em
valores como liberdade e respeito pelo valor dos indivíduos. Em
uma sociedade socialista, o que, na ordem capitalista, é gerado pela
família e pelo mercado por ordem espontânea, torna-se uma
responsabilidade do Estado: socialização em certos valores
escolhidos pela direção política; a direção da atividade econômica
(consumo e produção) e a manutenção da ordem tornam-se funções
do Estado e, portanto, totalitárias. O resultado nunca pode ser
libertação, mas, pelo contrário, a opressão inescrutável e a
exploração, de cuja realidade deram conta as experiências
comunistas do século XX, seus genocídios, fomes e campos de
concentração. Mais tarde veremos como o capitalismo, ao contrário
do que dizem estas teóricas que servem menos às mulheres do que
ao socialismo,[151] gerou as condições econômicas, tecnológicas e
sociais profundamente libertadoras (no sentido saudável do termo)
para a mulher.
É importante enfatizar que, além de melhorar a conjunção de
feminismo e marxismo tentada por Firestone e Millet, não menos
importante é o fato de que Eisenstein vai mais além na relativização
do dado natural em favor da teoria de gênero.[152] Ao contrário de
Firestone, que encontrava no dado biológico da reprodução a raiz
da opressão da mulher, Eisenstein concluirá, aproximando-se um
pouco mais de De Beauvoir, ainda que com um marxismo mais
explícito, que “a classe sexual não é oprimida biologicamente, mas é
culturalmente oprimida”.[153] E acrescentará como um alvo do
feminismo o modo de relação sexual que as feministas, desde então
até hoje, mais desprezam e que com maior afinco procuram destruir:
a heterossexualidade. “O agente da opressão é a definição cultural
e política da sexualidade humana como ‘heterossexual’. A instituição
da família e do casamento e os sistemas de proteção legal e cultural
que reforçam a heterossexualidade são as bases da opressão
política das mulheres”,[154] sentencia Eisenstein. A verdade é que
não fica claro o porquê a heterossexualidade é opressiva para as
mulheres; o que deve ser deduzido, em todo caso, é que sendo a
heterossexualidade a base e a gênese da unidade familiar, ela deve
ser destruída como forma indireta de destruir a esta última, e como
modo indireto, por sua vez, de derrubar um dos pilares da ordem
capitalista.
Essa é a razão pela qual tanto lesbianismo abunda nos
movimentos feministas, derivado em muitos casos de um forte
componente ideológico. O homem tornou-se alvo de desprezo
absoluto, e o simples ato de conceber um relacionamento amoroso
com ele é equivalente a “dormir com o inimigo”. Impossível, nesse
sentido, não mencionar a teórica feminista Andrea Dworkin
(Universidade de Minnesota), também pertencente ao feminismo
dos anos 70, cujas teses mais eloqüentes afirmam que toda a
relação heterossexual é um estupro contra as mulheres e que o
casamento é uma “licença legal para o estupro”;[155] ou a feminista
australiana Sheila Jeffreys (Universidade de Melbourne), para quem
a relação heterossexual é o fundamento que sustenta o “sistema
patriarcal”.[156] Ou como esquecer francesa Monique Wittig — que
aprofundaremos no próximo capítulo —, que entendia que ser
lésbica “é a rejeição do poder econômico, ideológico e político de
um homem”[157] porque “o lesbianismo oferece, no momento, a
única forma social na qual podemos viver livremente”![158]
Vimos até aqui como a terceira onda do feminismo mantém
seus laços com o socialismo, como ocorria já na segunda, embora
favorecendo uma estratégia de batalha cultural em vez do antigo
economicismo que supunha que a modificação das relações de
produção traria conseqüências lineares na modificação das formas
de vida. Agora é a modificação das formas de vida que implica em
modificações estruturais dos sistemas políticos e econômicos
(marxismo cultural). E nós vimos também o modo o qual a idéia de
gênero como algo independente do dado natural é exacerbada
como uma estratégia para destruir as instituições sociais que seriam
funcionais ao capitalismo: a família monogâmica, a proibição do
incesto e da pedofilia, a heterossexualidade, etc.
A partir daqui, surge a ponte entre essa terceira onda feminista,
desconstrutiva e culturalista, e que nos anos 90 passou a ser
conhecida como “teoria queer”, à qual dedicaremos a seção
seguinte.

***

Antes de continuar com nossa análise da ideologia queer,


permita-nos ter um breve espaço para fazer essa digressão: o que a
esquerda começa a fazer com o feminismo a partir da segunda
onda, e depois se reforça com a terceira onda, é gerar uma
ideologia segundo a qual homens e mulheres constituem sujeitos
irreconciliáveis, cujos interesses objetivos e subjetivos não podem
ser harmonizados senão através de uma luta política, muitas vezes
até violenta. Não há melhor maneira de demonstrar o caráter
falacioso dessa ideologia do que recorrendo ao seu oposto. De fato,
pode-se demonstrar que é possível chegar às mesmas conclusões
pondo no lugar da opressão das mulheres uma suposta opressão do
homem. Poderíamos concluir que estamos diante de algo não muito
mais profundo do que um panfleto maniqueísta do bem contra o mal
facilmente invertível.
Para nossa surpresa, este trabalho foi realizado, não por um
homem, mas por uma mulher argentino-alemã, uma médica,
psicóloga e socióloga de formação, que em seu ódio contra as
mulheres escreveu um livro em que queria mostrar ao mundo que,
na verdade, o homem foi “explorado”. A reminiscência do
pensamento marxista foi tão evidente em seu trabalho que o jornal
alemão Kölner Stadtanzeiger qualificou-a de “o Karl Marx dos
homens”. Referimo-nos a Esther Vilar e seu livro El Varón Domado,
publicado em 1973.
Em uma palavra, Vilar nos diz que o mundo pertence às
mulheres, uma vez que elas exercem uma dominação sobre o
homem cujo efeito mais importante é o fato de ele ter trabalhado
para ela ao longo de toda a história. Vilar acredita que o homem é
vítima das mulheres e não o contrário. E assim é que “as mulheres
são constantemente enriquecidas por um sistema primitivo mas
eficaz de exploração direta: casamento, divórcio, herança, pensão
de viúva, aposentadoria por velhice e seguro de vida”.[159] Sua teoria
é tão maniqueísta quanto a feminista quando nos diz que “a menina
é educada para exploradora e o menino para ser objeto de
exploração”.[160] Parece incrivelmente similar a todas as teorias que
estamos revendo, embora invertendo a posição dos atores.
Mas a exploração do homem seria sustentada, por acaso, por
uma superestrutura cultural que, do berço, o programaria para
sustentar a vida da mulher que trabalhava para ela. (Essa história
toda ainda é familiar?) Assim, Vilar nos dá como exemplo até os
jogos infantis: “O menino é aplaudido por tudo que faz, a não ser
que brinque com homens em miniatura. Constrói modelos de
escolas, de pontes, de canais, desmonta carros de brinquedo por
curiosidade, dispara armas de brinquedo e se exercita em tudo o
que precisará mais tarde para manter a mulher”.[161] Lamentamos
insistir, mas o paralelismo com as feministas que rangem os dentes
contra as formas “sexistas” dos jogos infantis é óbvio demais. “O
pessoal é político”, para parafrasear Millet, também poderia ser o
slogan de uma cruzada misógina.
Também é interessante notar que esta socióloga usa as
mesmas armas que as feministas para mostrar o oposto, e usa um
léxico que é muito similar. Em seu trabalho pode-se ler frases como:
“a mulher não atribui ao homem mais valor do que sua função
alimentícia”;[162] para a mulher “o homem é um tipo de máquina que
produz valores materiais”;[163] a propriedade privada é “útil apenas
para mulheres”,[164] entre outras de calibre semelhante. Como a
história feminista, a história misógina de Vilar visa “desconstruir”
esquemas culturais e, conseqüentemente, atribui grande
importância à questão de conceitos e palavras, como o caso da
“honra viril”, do “sexo belo”. “Dar a vida pela mulher”, entre outras,
seriam criações femininas para subjugar o homem e mantê-lo sob
seu jugo.
O mais surpreendente é que, invertendo o lugar dos opressores
e dos oprimidos, Vilar acaba nos dando as mesmas conclusões que
o feminismo radical: que a instituição familiar é opressiva; que a
propriedade privada é a base da dominação de um dos sexos; que o
casamento é um desvalor; que ter filhos é supérfluo e só aumenta a
opressão; que o homem é, em uma palavra, irreconciliável e
incompatível com as mulheres.
Chegar à mesma conclusão a partir de uma hipótese
exatamente inversa nos fala do caráter imaginativo de todos esses
panfletos, feministas e misóginos, igualmente.
A ideologia queer

Não poderíamos começar esta seção sem primeiro responder a


uma pergunta que surge da própria legenda: o que chamamos de
queer? A palavra queer é de origem inglesa; apareceu no século
XVII, em seguida, emergiu como um insulto para se referir àqueles
que corrompiam a ordem social: o bêbado, o mentiroso, o ladrão.
Mas logo a palavra também começou a ser usada para se referir
àqueles que não se encaixavam bem na caracterização de mulheres
ou homens. Como a filósofa queer Beatriz Preciado diz, “eram queer
os invertidos, o bicha e a lésbica, o travesti, o fetichista, o
sadomasoquista e os zoófilos”.[165]
Mas o que no início era um insulto, desde meados dos anos 80
do século XX foi reapropriado politicamente pelos mesmos que se
pretendia ofender. Grupos homossexuais como Act Up, Radical
Furies ou Lesbian Avangers, começaram a usar a palavra queer
como autodenominação, e logo o rótulo causou furor dentro de tais
grupos. O insulto tomava com "orgulho" o insulto e o aplicava,
desafiadoramente, a si mesmo, neutralizando e logo invertendo a
sua carga valorativa.
Diz-se que queer faz parte de um movimento "pós-identidade",
isto é, de um movimento que coloca em questão todos os tipos de
identidade. Assim, o queer seria inclassificável nas categorias de
"homem", "mulher", "gay", "lésbica". Pelo contrário: o queer rejeita
abertamente a existência de algo como um homem, uma mulher, um
gay ou uma lésbica. Desse ponto, Preciado citou afirmações de que
"ser gay não é o suficiente para ser queer: é necessário apresentar
a sua própria revisão de identidade".[166]
No entanto, o queer não é apenas um movimento político;
tornou-se também uma corrente teórica que entrou com força total
na vida acadêmica, tomando universidades e centros de estudo ao
redor do mundo. Nos Estados Unidos, a primeira universidade que
contribuiu para o desenvolvimento dessa teoria foi a Universidade
de Columbia, seguida pelo Centro de Estudos Lésbicos e Gays da
Universidade da Cidade de Nova York. Hoje esta instituição possui o
Centro de Estudantes Lésbicas, Gays, Transgêneros e Queer.
Também encontramos neste país revistas acadêmicas que
promoveram o tema, como The Journal of Sex Research, The
Journal of Homosexuality, The Journal of the History of Sexuality, A
Journal of Lesbian and Gay Studies. (Lembra-se o leitor das
confissões do ex-agente da KGB, Yuri Bezmenov, sobre a
importância de invadir o mundo acadêmico do Ocidente como forma
de desmoralizar e alienar gerações inteiras?) No Canadá também é
muito forte a presença do queer nas universidades; a Universidade
de Toronto, por exemplo, tem um programa chamado “Orientação
Queer”, dependente do “Escritório de Diversidade Sexual e de
Gênero”. Neste país, podemos encontrar revistas como o Journal of
Queer Studies in Education. Na Europa, entretanto, o pioneira
nesses estudos foi a Universidade de Utrecht, localizada na
Holanda, com seu Departamento de Estudos Interdisciplinar de
Gays e Lésbicas, que também edita o Forum Homosexualität und
Literatur. Na América Latina, a Universidade Nacional Autônoma do
México tem o Programa Universitário de Estudos de Gênero, onde a
atenção foi dada ao assunto. E na Argentina, podemos encontrar
outras instituições da vida acadêmica, como o Grupo de Estudos de
Sexualidade da Universidade de Buenos Aires, ou o Centro de
Estudos Queer da Universidade Nacional de Río Cuarto (Córdoba).
Há uma expressão em inglês que os movimentos queer adotaram
para se referir a tudo isso: queering the academy, que seria algo
como “desestabilizar” ou “subverter” a academia.
Se bem que normalmente assinale-se a filósofa lésbica Judith
Butler como a referência intelectual por excelência da ideologia
queer, no pensamento da filósofa feminista (também uma lésbica)
Monique Wittig encontramos sólidos antecedentes que nos obrigam
a mencioná-la, mesmo que brevemente. De fato, sua produção
intelectual, temporalmente localizada nos anos 80, começa a
questionar a existência do sexo e gera uma ponte muito sólida entre
feminismo e movimentos que, sem incluir as mulheres, têm seu eixo
na questão de gênero. Uma de suas idéias fundamentais é que a
“opressão das mulheres” e a “opressão da homossexualidade” são
efeitos da mesma causa: um regime político de “heterossexualidade
compulsória”. Assim, em seu ensaio A Categoria do Sexo nos dirá
que “a categoria sexo é o produto da sociedade heterossexual que
impõe às mulheres a obrigação absoluta de reproduzir ‘a espécie’,
ou seja, reproduzir a sociedade heterossexual.”[167] Falácia curiosa
da escritora francesa: nenhuma sociedade ocidental legislou
qualquer obrigação reprodutiva ao sexo feminino e não pode sequer
afirmar seriamente que existe uma norma cultural “absoluta” sobre
ela; a própria Wittig, que nunca foi mãe pode dar conta com o seu
próprio exemplo de vida e suas decisões pessoais que nenhuma
obrigação reprodutiva existe em nossas sociedades, que não
poderiam ser encontrados em sistemas comunistas (afins à
ideologia de Wittig)[168] como o maoísmo chinês, que regulamentou
questões relacionadas à reprodução sexual, mas não parece
perturbar a francesa em questão. Em todo caso, é a biologia que
dita as condições sob as quais a humanidade enquanto tal pode ser
reproduzida, e daí deriva a categoria de sexo que Wittig falsamente
impõe à política.
Mas o que nos interessa sobre Wittig são, acima de tudo, suas
idéias sobre como subverter a ordem estabelecida; e aqui nós
rastreamos o queer de seu pensamento. Em resumo, sua proposta
é destruir o homem e a mulher como tais. Como? O lesbianismo
terá aqui um papel central: “por sua própria existência, uma
sociedade lésbica destrói o fato artificial (social) constituindo as
mulheres como um ‘grupo natural’.”[169] Tal como Wittig nos diz, a
lésbica não é uma mulher, é uma subjetividade que quebra o
binarismo, o que mostraria que não há nem mesmo um sexo
feminino. Com efeito, Wittig entende que “recusar-se a tornar-se
heterossexual (ou permanecer como tal) sempre significou,
conscientemente ou não, recusar-se a tornar-se mulher ou homem.
Para uma lésbica isso vai além da mera rejeição do papel da
‘mulher’. É a rejeição do poder econômico, ideológico e político do
homem”.[170] O giro de Wittig é impressionante: representa um
feminismo cujo objeto é, paradoxalmente, destruir a mulher, como
ela mesma reconhece explicitamente: “nossa sobrevivência exige
que nos dediquemos com todas as nossas forças para destruir essa
classe — as mulheres — com a qual os homens se apropriam das
mulheres. E isso só pode ser alcançado com a destruição da
heterossexualidade como um sistema social baseado na opressão
das mulheres pelos homens”.[171]
Embora Wittig fale constantemente sobre a luta de classes
entre homens e mulheres, o que pode remeter para o economicismo
do marxismo clássico, ela é uma expoente fiel do marxismo cultural,
uma vez que favorece a subversão da linguagem e da moral. Em
seu ensaio Pensamento heterossexual, ela nos diz que “a
transformação das relações econômicas não é suficiente. Devemos
realizar uma transformação política dos conceitos-chave, isto é, dos
conceitos que são estratégicos para nós. Porque existe uma outra
ordem de materialidade que é a da linguagem (...) essa ordem, por
sua vez, está diretamente ligada ao campo político”.[172] Seu
romance O Corpo Lésbico[173] é um exemplo de subversão da
linguagem, e dessas propostas práticas como as que vemos
atualmente, mesmo em textos supostamente acadêmicos ensinados
em universidades ao redor do mundo, de escrever eliminando o
gênero ao modificar as letras ‘a’, ‘e’ e ‘o’ pela letra ‘x’. É que o
maldito “patriarcado” estaria presente mesmo em ... nossa maneira
de escrever.
Deixando Wittig de lado, a teoria queer mais importante é a da
já mencionada Judith Butler, cujo trabalho O Gênero em Disputa
(1990) é considerado fundamental[174] desta nova tendência que
visa “desconstruir” ainda mais incisiva e absolutamente (se possível)
a noção de gênero e sexualidade, para torná-las peças de museu,
categorias inutilizáveis, espaços politicamente fechados pela
ideologia de gênero.
Essa etapa, da terceira onda ao chamado queer, é de alguma
forma assumida por Butler quando, em seu prólogo à edição de
1999 do citado texto, observa que “enquanto escrevia compreendi
que eu mesma mantinha uma relação de combate e antagonismo
ante certas formas de feminismo, embora eu também tenha
entendido que o texto pertencia ao próprio feminismo”.[175] Ou seja,
Butler consegue gerar um novo ponto de inflexão no feminismo, mas
não deixa de estar dentro dele. Butler é uma feminista, mas de um
novo tipo de feminismo que trata de apontar os “limites” que a teoria
feminista em geral atribuiu ao gênero, descobrindo que eles sofrem
de uma “pressuposto heterossexual dominante” que estabeleceu um
número limitado de gêneros a definir. O que Butler procura, portanto,
é “facilitar uma concordância política do feminismo, das visões gays
e lésbicas sobre o gênero”[176] e as outras “modalidades” sexuais;
em outras palavras, esticar tanto o conceito de gênero até que nele
caibam as mais estranhas formas e gostos sexuais. Hegemonia, em
outras palavras.
O livro de Butler, como uma boa pós-estruturalista, é
extremamente complicado de ler, e provavelmente mais complicado
de explicar em alguns parágrafos como propomos aqui.[177] Pode-se
dizer que todos os seus esforços visam modificar o “sujeito” político
do feminismo, recriar uma área de representação muito mais
extensa, capaz de conter todos aqueles que, além de serem
potencialmente incorporados na luta contra o homem, podem
somar-se à luta contra a sociedade heterossexual e a instituição
familiar. Mas, para isso, a filósofa deve demonstrar, em
conseqüência, que não há nada que possa ser chamado de
“mulher”. Assim, ela nos diz que as mulheres devem “entender que
as mesmas estruturas de poder através das quais se pretende a
emancipação criam e limitam a categoria de ‘as mulheres’, o sujeito
do feminismo”.[178] Conseqüentemente, ela acrescenta: “em vez de
um significante estável que exige a aprovação daqueles que
pretende descrever e representar, as mulheres (mesmo que plurais)
se tornaram um termo problemático, um lugar de refutação, uma
fonte de angústia.”[179] Seria bom perguntar: de angústia e refutação
para quem? Talvez para essa minoria conflituosa que integra o
movimento feminista e queer, mas não muito mais.
Vimos que, para as feministas da terceira onda como De
Beavouir, o gênero constituía o lado cultural do dado natural que
representava o sexo. Havia, portanto, ainda que pequena, a
aceitação das condições biológicas do corpo humano (não havia
sido a “origem” da opressão as condições de reprodução e a
fraqueza do corpo feminino? E o que dizer de Firestone, para quem
a função reprodutiva define a “classe social” das mulheres? Para
Butler, o sexo “sempre foi um gênero, com o resultado de que a
distinção entre sexo e gênero não existe como tal”.[180] Isto é, o sexo
é verdadeiramente inexistente; essa também é uma construção do
discurso, e o fato de atribuirmos certo significado a certas
características biológicas é um fato arbitrário que, em todo caso,
serve a interesses políticos. Mas a distinção dos sexos parece
realmente arbitrária à luz das diferenças anatômicas, fisiológicas e
funcionais-reprodutivas que ambos apresentam? De nenhuma
forma, como se verá com mais profundidade depois; com efeito, a
diferença dos corpos e suas funções constituem um conjunto de
dados primários para a categorização do binômio homem-mulher,
que tem sido utilizado em todas as sociedades humanas que este
mundo tem visto, em primeiro lugar, quando da divisão social do
trabalho.[181] (Butler pretende rebater essa realidade postulando o
caso dos hermafroditas, mas eles são, gostem ou não, um caso
anômalo dentro da configuração prototípica humana).
O importante para Butler é quebrar o binarismo que, segundo
ela, a sociedade heterossexual gerou:[182] “a regulação binária da
sexualidade elimina a multiplicidade subversiva de uma sexualidade
que perturba as hegemonias heterossexuais, reprodutivas e médico-
legais”[183] observa a filósofa seguindo seu colega Michel Foucault
— sobre quem Nicolás Márquez aprofundará mais tarde —,
introduzindo-nos ao cerne da questão: temos de conseguir uma
multiplicidade de gêneros que subverte o suposto “regime
heterossexual”, para desmantelar algumas instituições sociais que,
como vimos, feministas anteriores vincularam à sustentabilidade e
reprodução do capitalismo. Então, Butler diz-nos que: “se a
sexualidade é culturalmente construída dentro de relações de poder
existentes, em seguida, a alegação de uma sexualidade normativa
que esteja ‘antes’, ‘fora’ ou ‘além’ do poder é uma impossibilidade
cultural e um desejo politicamente impraticável, que adia a tarefa
concreta e contemporânea de propor alternativas subversivas de
sexualidade e identidade dentro dos próprios termos de poder”.[184]
Tudo isso deriva, como é claro, da falácia de que nosso sexo não é
a natureza, senão também, tal qual o “gênero”, cultura.
Mas por que a filósofa queer levanta essa necessidade de
“desconstruir” (desarmar) até mesmo a categoria “mulher”, tão cara
ao feminismo? Para as próprias necessidades da batalha cultural
que ela explicitamente reconhece: “Se o que aparece como meta
normativa da teoria feminista é a vida do corpo além da lei ou a
recuperação do corpo perante a lei [isto significa: mulher como
natureza], tal norma realmente distancia o foco da teoria feminista
dos termos específicos da batalha cultural contemporânea”.[185]
Uma batalha cultural, para Butler, é então aquela que procura
aniquilar qualquer consideração de uma natureza propriamente
humana. (Mais uma vez: você se lembra do que Mises alertou na
década de 1920 sobre o socialismo e a desconstrução da
natureza?) Butler pretende, então, o surgimento de vários gêneros
para quebrar a coerência existente entre sexo, gênero e desejo.
Eles seriam os sujeitos queer, aqueles cujo corpo não tem a ver
com ambos os sexos, nem com o seu desejo. Poderíamos colocar
como exemplo o caso de um homem que pensa ser mulher, e que
deseja ter relações sexuais com menores de idade. Sexo, gênero e
desejo correriam dessa maneira por faixas diferentes. E as “ficções
reguladoras que reforçam e naturalizam regimes de poder
convergentes de opressão masculina e heterossexista”.[186] Entre
essa “multiplicidade” de desejos, o caso do incesto também tem
lugar. Na verdade, estas alegações também são evidentes no
trabalho de Butler: “Já descrevemos os tabus do incesto e o tabu
anterior contra a homossexualidade como os momentos generativos
da identidade de gênero, proibições gerando a identidade das
grades culturalmente inteligível de uma heterossexualidade
idealizada e obrigatória”.[187] Então, voltamos aos mesmos objetivos
que a esquerda pretendeu para o feminismo nas duas ondas
anteriores — a destruição da família e do casamento como uma
maneira de derrubar a superestrutura que sustenta o capitalismo —
mas agora, com outra reviravolta: aniquilar a mesma concepção de
“mulher”. Mas para aniquilar o sexo, é preciso também aniquilar até
mesmo a idéia de uma “identidade de gênero”, porque isso
proporcionaria ao sexo uma aura de naturalidade, precisamente
como sua contrapartida cultural.
De tal maneira que Butler colocará em primeiro plano a
importância dos travestis, dos transexuais, das diferentes
modalidades de lesbianismo e de homossexuais, entre outras
companhias. Ela entende que, na “atuação” que esses sujeitos
fazem para se assemelhar a certos sexos ou gêneros, existem as
pistas que os levam a declarar que o gênero se reproduz sob uma
estrutura “imitativa”. De modo que na paródia que esses sujeitos
provocam onde se há de encontrar a tão aguardada “subversão” do
sistema: “a multiplicação paródica impede a cultura hegemônica e
sua crítica confirma a existência de identidades de gênero
essencialista ou naturalizadas”[188] diz Butler, ao que caberia
perguntar se não é exatamente a paródia e a percepção de uma
imitação o fato que corrobora que há originais, e a diferença
existente entre, por exemplo, uma mulher e um travesti não
corrobora precisamente a natureza de uma e a artificialidade de
outro.
Mas Butler insiste em dizer-nos que o travesti “zomba do
modelo que expressa o gênero, bem como a idéia de uma
verdadeira identidade de gênero”,[189] o qual poderia ser novamente
lido em termos exatamente opostos: a natureza é realmente a que
zomba do travesti, que apesar de sua insistência em “ser” ou pelo
menos “parecer” como uma mulher, deve conduzir uma luta
exaustiva e interminável contra suas próprias condições biológicas,
que ele jamais conseguirá superar.
O fim ao qual a estratégia butleriana leva fica plasmado na
conclusão do livro: “A perda de regras de gênero multiplicaria várias
configurações de gênero, desestabilizaria a identidade substantiva e
privaria as narrativas naturalizantes da heterossexualidade
compulsória de seus protagonistas essenciais: “homem” e “mulher”.
[190] Em outras palavras, o objetivo é a destruição sexual de homens

e mulheres como produtos da heterossexualidade, o que é,


curiosamente, a forma de vínculo sexual que permite a conservação
de nossa espécie. Não é verdadeiramente autodestrutiva do sujeito,
mas da humanidade como tal, a proposta teórica do feminismo
queer?
Antes de continuar com a evolução deste pensamento por parte
dos ideólogos mais tardios e seu equivalente na prática, vamos
parar um momento para pensar sobre os fundamentos da proposta
teórica de Butler, isto é, a idéia de que o sexo “foi sempre gênero”.
Nesse sentido, o pesquisador do Centro de Estudos Livres,
Fernando Romero, escreveu um brilhante ensaio em que responde
a esse argumento. Em Butler há uma evasão total, como já
dissemos, das condições biológicas da existência; somos
apresentados ao sujeito suspenso no nada, como um semideus que
se faz a si mesmo, que é portador das condições que nada têm a
ver com um ambiente natural distinto do que a sua própria cultura
impõe. Romero acusou os argumentos butlerianos de “monistas”
precisamente por esse reducionismo manifesto e, assim, explica:
“Sexo na biologia corresponde à capacidade das entidades
biológicas para gerar gametas através dos quais são combinados
caracteres genéticos mediante a reprodução sexual. Essa forma de
reprodução ocorre no reino animal, mas também nos reinos plantae
(vegetal), fungi (fungos) e inclusive em alguns protozoários
(bactérias). Em algumas espécies, a capacidade de produzir
gametas é dada dentro de um mesmo espécime que possui
simultaneamente órgãos “femininos” e “masculinos” ou um único
gameta (meiose monogâmica). Essa condição se aplica tanto ao
hermafroditismo quanto à partenogênese. No entanto, na maioria
dos animais e na maioria das plantas, órgãos produtores de
gametas são distribuídos em espécimes separados, resultando
numa alteração morfológica distinta de corpos sexuados, chamado
dimorfismo sexual.”[191]
Assim, as diferenças estruturais, anatômicas e fisiológicas das
espécies que são caracterizadas pelo dimorfismo sexual são
sempre verificáveis e, em alguns casos, realmente impressionantes.
No reino animal, diferenças funcionais podem ser observadas, como
na produção de veneno, enzimas, hormônios, pigmentos e sons
diversos; e anatômicas, como as diferenças encontradas na
constituição dos próprios órgãos, incluindo órgãos não-sexuais.
Nessas espécies, dentro das quais podemos localizar o próprio
homem, os dois sexos produzem diferentes componentes químicos
e têm órgãos sexuais anatomicamente e fisiologicamente
diferenciados, desenhados para que, quando se complementam,
possam gerar uma nova vida. Muitas espécies animais não-
humanas desenvolveram diferenças etológicas, isto é, formas
diferenciadas de comportamento entre os sexos, que conduzem e
possibilitam o acasalamento: sons, modos de andar, danças,
performances, etc.[192] À luz dessa realidade, e considerando que
para Butler o sexo é outro produto do “discurso heteronormativo”,
pergunta Romero: “como se explicaria desde uma postura linguística
as diferenças sexuais em organismos carentes de linguagem?”.[193]
Pode-se responder que o problema é que a realidade biológica
não pode ser abordada senão discursivamente; que a ciência cria
suas próprias categorias de identificação de seus próprios objetos
de estudo e, assim, os perverte. Em outras palavras, a realidade
biológica não seria a realidade, mas também uma contaminação
discursiva de nossa cultura. Mas tal argumento não levaria em conta
as lógicas das ciências naturais e, de fato, suporia a abolição de
qualquer possibilidade de conhecimento humano próximo da
objetividade, que curiosamente é o que as ciências naturais, dado
seu objeto particular de estudo, têm alcançado em muito maior
medida do que as ciências sociais de onde este tipo de crítica
provem.[194]
Poderíamos fechar perguntando: se tão impossível, fictício e
até absurdo é o conhecimento para as ciências biológicas e
médicas, a humanidade teria perdido algo se o ser humano nunca
tivesse tido uma ciência da natureza e do corpo humano? A
resposta que o leitor dá a essa pergunta deve ser contrastada com a
que é oferecida a essa outra pergunta: a humanidade teria perdido
alguma coisa se o ser humano nunca tivesse contado com as
teorias de Judith Butler?
***

Quanto à ideologia queer, no caso argentino, destaca-se a


filósofa Leonor Silvestri, militante que, além de escrever livros e
ensaios, tem presença considerável no mundo acadêmico e oferece
cursos queer desde sua casa, muitos dos quais podem ser vistos no
YouTube. Também integra “coletivos” chamados “Ludditas
Sexxxuales” e “Manada de Lobxs”, autores de um livro que não
podemos deixar de mencionar: Foucault para Encapuchadas (2014).
Este texto começa com uma pergunta-chave que, em sua
própria formulação, revela as intenções da ideologia que
representam: “Agora que entendemos que não há sujeitos da
revolução, quem combate o heterocapitalismo?”.[195] E a resposta
está na própria declaração, porque o que deve ser feito é destruir
toda a identidade como tal, “apagar as categorias de ‘masculino’ e
‘feminino’ de acordo com as categorias de atribuição biopolítica
‘homem/mulher’. Os códigos de masculinidade são susceptíveis de
abrir-se para que operemos sobre eles uma espécie do gender
hacking perfo-prostésico-lexical usando jogos lingüísticos que
escapem das marcas de gênero, ou pelo menos as decomponham:
proliferar até o absurdo anormalidades psicossexuais”.[196] O que
deve ser alcançado é “invalidar o sistema heteronormativo da
produção humana e as formas de parentesco — sempre a priori
heteronormais — por meio de desistir de práticas como o
casamento e todos os seus substitutos”.[197]
A ideologia queer tenta subverter o que ela chama de “relações
sexuais heteronormativas”, o que inclui não só a relação
heterossexual como tal, mas o papel em si que têm órgãos sexuais
biologicamente determinados em relações sexuais (pênis e vagina).
Assim, as teorias queer argentinas explicam que “a renúncia de
manter relações sexuais naturalizantes heteronormais permite a
ressignificação e desconstrução da centralidade do pênis e critica as
categorias ‘órgãos sexuais’ (qualquer parte do corpo ou objeto pode
se tornar brinquedo sexual)”.[198] De fato: “A abolição da prática da
sexualidade em casal, mediante a prática de prazer em grupo com
afinidades sexo-afetivas resignifica o corpo como uma barricada de
insubordinação política, de desobediência sexual, de
desterritorialização da sexualidade heteronormativa, seus regimes
disciplinares naturalizados e sua formas de subjetivação para a
posterior criação de espaços de afinidade anti-gênero e anti-
humanos: destruir até as fundações a heterossexualidade como
regime político. Esse é o nosso destino.”[199] Tudo isso merece uma
tradução: o que se quer dizer entre tanto palavreado é que renunciar
às relações heterossexuais evitaria a “naturalização” desta relação,
ou seja, evitaria que, dada a sua reiteração, apareça algo próprio da
ordem natural. Mas não só a relação heterossexual deve ser
submetido a essa “subversão”, também o próprio uso dos órgãos
sexuais no contexto do sexo, ao ponto de, também, “desnaturaliza-
los” como tais.
O ódio com o qual este texto é escrito é impressionante; não
somente ódio aos heterossexuais, mas ao homem e à humanidade
em termos gerais. As doses de violência que são incorporadas nas
páginas são altíssimas. Aqui estão algumas passagens que podem
esclarecer o leitor: “Sem nome, sem prestígios, sem passaportes,
sem famílias, experimentamos o sabor do molotov, da nafta, a
fumaça da borracha queimada cortando a ponte e abrindo o
caminho como quem experimenta um maracujá, uma manga, ou o
fisting [prática sexual de introduzir o punho no ânus]”;[200] “O mundo
pertence aos heteros que se gabam de suas liberdades em nossos
rostos. Por que eles têm que vir para nossos aniversários, nossas
festas, nossos rituais, nossas marchas, nossas cerimônias? Nós
não queremos tolerá-los, nem desejamos sua asquerosa dádiva
gay-friendy chamada ‘apoio’, ‘integração’, ‘respeito’, ‘diversidade’ ...
Não queremos suas leis anti-discriminação. Nós não os queremos.
O mundo pertence aos heteros e estamos em guerra contra o seu
regime. (...) Isto é apologia à violência, vamos lutar, vamos lutar
contra o inimigo com nossa violência (...) O mundo pertence aos
heteros e não o cederão voluntariamente. Teremos que tomá-lo à
força. Haveremos de forçar o cu para que o abram”;[201] “Um
exército de punhos não pode ser derrotado, meta no cu tudo o que
couber. E mais, jogaremos em seus rostos de heterossexuais
consternados: merda e peidos, chuvas douradas de squirt [urinação
feminina]. Um riso negro que soa diabólico e alegre brota de nossas
entranhas promíscuas. (...) Não nos identificamos com vocês,
heterossexuais, não gostamos, desprezamos, vocês são o
desprezível desperdício do capitalismo que impulsionam”;[202] “Com
grande alegria nós dizemos: não vamos ter filhxs, adoramos a
solidão, celebramos, apoiamos e insistimos na destruição de toda
relação, da monogamia, dos laços sentimentais, dos hetero-
compromissos, das paixões, do amor romântico ou dos
relacionamentos escondidas sob a merda do amor livre. Todos
estabelecem territórios e hierarquias de opressão”.[203]
Esse tipo de idéia sobre como desconstruir a sexualidade
também pode ser encontrada na referida filósofa queer espanhola
Beatriz Preciado (Professora da cátedra de História Política do
Corpo e Teoria de Gênero na Universidade de Paris VIII), que
chama para a prática da “contra-sexualidade”, estratégia inspirada
por nada menos do que Foucault: “O nome de contra-sexualidade
vem indiretamente de Foucault, para quem a forma mais eficaz de
resistência à produção disciplinária da sexualidade em nossas
sociedades liberais não é a luta contra a proibição (como a proposta
pelos movimentos de libertação sexual anti-repressivos dos anos
70), mas a contra-produtividade, isto é, a produção de formas de
prazer-saber alternativas à sexualidade moderna.”[204] Então, o que
se busca, mais uma vez, é negar a realidade biológica do nosso
corpo para inventar excentricidades que “subvertam” as funções
eróticas do pênis e da vagina: “A contra-sexualidade afirma que o
desejo, a excitação e o orgasmo não são mais que os produtos
retrospectivos de uma certa tecnologia sexual que identifica os
órgãos reprodutores como órgãos sexuais, em detrimento de uma
sexualização de todo o corpo. [...] O sexo é uma tecnologia de
dominação heterosocial que reduz o corpo as zonas erógenas de
acordo com uma distribuição assimétrica de poder entre os sexos
(feminino/masculino), fazendo coincidir certos afetos com
determinados órgãos, certas sensações com certas reações
anatômicas”[205] Então, Preciado nos oferece um exemplo pitoresco
de como resistir ao “sistema heterocapitalista”: “a prática de fist-
fucking (penetração do ânus com o punho), que teve um
desenvolvimento sistemático no seio da comunidade gay e lésbica
dos anos 70, deve ser considerada como um exemplo de alta
tecnologia contra-sexual. Os trabalhadores do ânus são os
proletários de uma possível revolução contra-sexual”,[206] diz a
professora, deixando ver as raízes marxistas de seu pensamento.
Tudo isso pode soar como uma piada, mas é uma realidade
palpável com correlatos concretos na prática. Preciado pretende
inovar com respeito a “atos contra-sexuais” e, em seguida, fornecer
um manual de prática chamada “dildotectônicas”, que seriam
implementadas com a ajuda de um “dildo” (vibrador) e contribuiriam
para outras partes do corpo serem “sexualizadas” na luta contra a
“hegemonia do pênis e da vagina” estabelecida pelo
“heterocapitalismo”. Uma delas é amarrar um vibrador a um bloco
de agulha e colocá-lo no ânus. Mas a prática em si não é suficiente;
há todo um ritual que Preciado recomenda para que a prática seja
verdadeiramente “contra-sexual”: “Tire a roupa. Prepare um enema
anal. Deite-se e fique nu por 2 minutos após o enema. Levante-se e
repita em voz alta: ‘dedico o prazer do meu ânus a todas as pessoas
com HIV’. Aqueles que já são portadores do vírus poderão dedicar o
prazer de seus ânus aos seus próprios ânus e à abertura dos ânus
de seus entes queridos. Coloque um par de sapatos com salto
agulha e amarre dois dildos com atadores nos tornozelos e sapatos.
Prepare o seu ânus para penetração com um lubrificante adequado.
Deite-se em uma poltrona e tente levar para o cu cada um dos
dildos. Use a mão para o dildo penetrar seu ânus. Toda vez que o
dildo sai do seu ânus, grite seu contra-nome violentamente. Por
exemplo: ‘Julia, Julia’. Após sete minutos de auto-penetração, emita
um grito estridente para simular um orgasmo violento. (...) A
simulação do orgasmo será mantida por 10 segundos. Então, a
respiração se tornará mais lenta e profunda, as pernas e o ânus
estarão totalmente relaxados.”[207]
Notemos o seguinte: a professora universitária deve recorrer à
simulação do orgasmo, porque em virtude da natureza biológica e
seguindo este procedimento absurdo, é difícil obtê-lo de uma
maneira real. Exatamente o mesmo deve ser prescrito quando é
recomendado “empurrar seu braço com um consolo”: “A duração
total deve ser controlada com a ajuda de um cronômetro indicando o
fim do prazer e o pico do orgasmo. A simulação do orgasmo será
mantida por 10 segundos. Depois disso, a respiração se tornará
mais lenta e profunda, os braços e o pescoço ficarão totalmente
relaxados”.[208] E o mesmo recurso de simulação deve repetir-se
uma outra vez em cada uma das práticas propostas porque
nenhuma outra ação a não ser o fingimento pode surgir de um ato
que não é acompanhado pelas regras que nosso corpo natural
estabelece. Note, finalmente, o patético da proposta queer em
questão. Esclarecemos que esses argumentos já estavam
presentes no pensamento de Butler mesma, quando argumentou
que “o fato de que o pênis, a vagina, os seios e outras partes do
corpo são chamados órgãos sexuais é tanto uma restrição do corpo
erógeno àqueles partes como uma divisão do corpo como um todo”.
[209]
Embora pareça ridículo ter que parar e demonstrar que existe
natureza na nomeação do pênis e da vagina como órgãos sexuais e
erógenos, vejamos rapidamente os dados que nos fornecem a
anatomia do corpo humano. No caso da vagina, a sensibilidade
nessa área é extrema: lá, o nervo pudendo, ramo do plexo sacro,
recolhe e conduz as impressões sensitivas através do nervo dorsal
do clitóris e dos lábios vaginais maiores. Da mesma forma, os
nervos vasomotores acompanham as artérias que, sob a excitação,
irrigam as formações eréteis. Sabe-se que a vagina contém mais de
oito mil terminações nervosas. Durante o orgasmo feminino, os
músculos perineais contraem-se ritmicamente devido a reflexos da
medula espinhal, e as intensas sensações sexuais são dirigidas
para o cérebro, causando tensão muscular em todo o corpo. No
pênis, a mais alta sensibilidade é encontrada na glande, tornada
possível e impulsionada pelos nervos genitofemoral e ilioinguinal,
ramos do plexo lombar. A ereção é viável graças aos ramos que
vêm do plexo hipogástrico inferior em que os nervos esplâncnicos
pélvicos participam. Outros importantes nervos que permitem
funções sexuais e de excitação são aqueles ramos que emergem da
folha neuro-vascular na altura da uretra membranosa. Sabe-se que
o pênis tem quatro mil terminações nervosas. Ereção é o resultado
de um massivo aporte de sangue para os tecidos eréteis que
circundam a uretra bulbar e peniana, com a ajuda de
bulboesponjosos e músculos isquiocavernosos que comprimem os
plexos venosos, impedindo o retorno do sangue.[210] Podemos
encontrar essas mesmas condições anatômicas, por exemplo, para
continuar com a proposta de Preciado, em um braço humano? Se a
resposta é obviamente negativa: não será então que a designação
dos órgãos sexuais e erógenos seja uma conseqüência dos dados
de nossa realidade anatômica e fisiológica desvendados pelas
ciências naturais, e não de uma “conspiração heterossexual” que o
capitalismo montou para nos oprimir, argüida por alguns vendedores
da fumaça das ciências sociais?
O psicólogo Andrés Irasuste tem seguido de perto os principais
estudos sobre as perversões que realizaram psicanalistas e
psiquiatras de renome como Charles Socarides, Masud Khan, Joyce
McDougall, Christopher Bollas, Albert Ellis, entre outros. Irasuste
entende que as práticas sexuais como as aqui mencionadas são
perversões, tanto é que aqueles que as praticam se relacionam uns
com os outros como objetos transicionais: “O outro não é alguém
com quem se faz amor por desejo, é um objeto ao qual se impõe
uma vontade sadística, ou é uma particularidade suscetível de
preencher pulsões parciais: um ânus que anule o dique da
sexualidade limpa e decorosa, um corpo doador de excrementos (ou
comedor de excrementos), um recipiente de esperma, uma pele,
superfície a qual flagelam para fazer sangrar, para ser mordida
(inclusive comida), um corpo com o qual praticar masturbação letal
ou o coito com enforcamento e sufocamento”.[211]
Só no âmbito dos quadros ideológicos que estamos
descrevendo pode ler-se o fenômeno chamado “pós-pornô”, que
desembarcou em muitos países latino-americanos, cujas
performances foram mesmo apresentadas em instituições
acadêmicas, como a Faculdade de Ciências Sociais da
Universidade de Buenos Aires, ante a cumplicidade ou
consentimento das autoridades. As feministas militantes praticaram
nessa ocasião, em julho de 2015, rituais sadomasoquistas nos
pavilhões públicos da Faculdade e outras práticas que Preciado
consideraria “contra-sexuais”. Como uma nota colorida, a mais
ortodoxa e “retrógrada” esquerda desaprovou a suposta
performance “artística”, porque eles deixaram excrementos e urina
humanos em espaços públicos, como coprofílicas práticas incluídas
no “show” acima referido. Os meios de comunicação analisaram e
discutiram o fato por dois dias inteiros, com pusilanimidade,
expressão arquetípica da ditadura de gênero e do politicamente
correto, que caracterizou as reflexões dos jornalistas “bem-
pensantes”, com medo de serem “antiquados” em suas
considerações.
Mas em que consiste concretamente uma performance “pós-
pornô”? Onde elas apareceram? Qual é o seu objeto? Muitas vezes
são oferecidos espetáculos “pós-pornô” em lugares freqüentados
por um punhado de pessoas, que raramente excede o número de
cinqüenta. Definir a performance é complicado, porque o objetivo é
precisamente a falta de definição. A prática anti-sexual é anti-
identidade e, portanto, difícil de caracterizar de forma determinante.
Digamos, em todo caso, que o “pós-pornô” oferece práticas sexuais
ao vivo que procuram envolver atos extremamente mórbidos —
perversos nos termos psicanalíticos de Irasuste — ultrapassando os
limites da nossa imaginação, seguindo as teorias estranhas que
temos visto. O mencionado fist-fucking é a mais moderada que se
pode ver por ali. O que na maioria das vezes excita o público é o
envolvimento de excrementos e urina nas relações sexuais e, claro,
o chamado squirting, a “ejaculação feminina”, para a qual é dada
igual importância política (não só o homem ejacularia). Mas o
público não é um agente passivo; normalmente recebe em seus
próprios corpos os fluidos citados e até o sangue daqueles que
realizam o espetáculo. Na verdade, a mutilação também
desempenha um papel importante na performance: há uma
particularmente chamativa que foi preciso assistir para fazer esta
pesquisa, na qual a teórica queer Diana Torres (autora de
Pornoterrorismo[212]), transpassava seis agulhas no seu rosto
enquanto praticava atos de masturbação. Deve-se acrescentar, no
entanto, que o espetáculo não se reduz ao que se desenrola no
palco: enquanto a performance acontece, todos os sentidos são
atacados ao mesmo tempo, por uma tela gigante que geralmente
reproduz vídeos de mutilação humana e abortos,[213] pela leitura de
poesia pós-moderna, e pela execução de música “atonal”
(desprovida de ritmo, harmonia e melodia), a qual, por coincidência,
foi considerada pelos teóricos da Escola de Frankfurt como
portadora de efeitos revolucionários.[214]
O grupo o qual a argentina Leonor Silvestri intrega redefiniu o
"pós-pornô” como “pornoterrorismo”, seguindo Torres — pois o
objetivo é aterrorizar as pessoas através de sexo —, e entende que
“como anti-arte, como arma de ação direta, como ritual de mágico
encantamento, como um exorcismo público, como uma máquina de
guerra contra o aparato de captura da norma social hétero, como
potência visual —- contra/semioses — o PornoTerrorismo é uma
maneira de construir um novo uso dos prazeres e reprogramar
nossos desejos [...]. Como também destruir a inveja e a propriedade
privada. [...] o PornoTerrorismo é uma forma de insurgência,
divergência, contra-hegemonia, subversão, uma insurreição sexual
e uma objeção de gênero”.[215] E então reforça o que já explicamos
acima, apresentando ao leitor uma lista daquilo que compõe um
espetáculo deste tipo: “Elementos dos jogos extremos BDSM[216]
como flagelação, agulhas, ou sufocamento; a superfície da pele
exposta, rosto encoberto por balaclavas típicos de insurrectos [...]
Fluidos e secreções de todos os tipos: squirt, vômito, sêmen,
sangue humano sobretudo o menstrual, merda; próteses tais como
espéculos e cadeiras ortopédicas, vibradores e arneses; justaponha-
os e brinque com eles da maneira que achar melhor”.[217]
Possivelmente o arquétipo humano mais fiel às praticas contra-
sexuais, do pós-pornô e do pornoterrorismo não é outro senão
Armin Meiwes, mais conhecido como o “canibal de Rotenburg”, que
buscava através da internet pessoas do mesmo sexo que estavam
dispostos a darem suas genitálias como comida. O final da história,
que aconteceu na Alemanha, é bem conhecido: Meiwes encontra
alguém que concorda em poder remover seu pênis para ser frito e
depois devorado por ambos os participantes. Essa história do
desejo “contra-sexual” destaca os limites de nossas práticas
culturais com relação às nossas condições naturais: o sujeito
mutilado morrerá em poucos minutos sangrando em uma banheira.
A realidade pode ser negada, mas os efeitos da realidade não
podem ser evitados.
O inevitável é a conclusão de que a ideologia queer gera um
coquetel explosivo de ódio, violência e frustração individual. A luta
interminável contra a natureza que os movimentos queer realizam
está perdida antecipadamente; e as frustrações dessa derrota
inevitável são canalizadas para sentimentos de raiva contra a
sociedade em geral e o homem heterossexual em particular.
Existem, na verdade, muitos teóricos queer que clamaram à pratica
de violência abertamente. Mas há também teóricos afins ao
movimento queer que fizeram eles mesmos a violência, como é o
caso do comunista americano Peter Gelderloose, preso pelas forças
de segurança de seu país por participar precisamente em atos de
violência política. Ele escreveu um livro intitulado Como a não-
violência protege o Estado (2007), onde propõe ao feminismo ações
como a seguinte: “Matar um policial [...] atear fogo ao escritório de
uma revista que anuncia conscientemente um padrão de beleza que
leva à anorexia e à bulimia ou seqüestrar o presidente de uma
empresa que trafica mulheres. [...] Atacar os exemplos mais
notáveis e provavelmente incorrigíveis do patriarcado é uma
maneira de educar as pessoas sobre a necessidade de uma
alternativa.”[218]
Há também livros e publicações queer onde experiências
violentas reais são relatadas como triunfos políticos contra a
“heteronormatividade” e o capitalismo. Um desses livros recentes foi
intitulado Espaços Perigosos. Resistência Violenta, Autodefesa e
Luta Insurrecionista contra o Gênero (2013), de autoria coletiva. A
dívida da ideologia queer com a esquerda é explicitada aqui: “Os
movimentos da Nova Esquerda com suas declarações nos
empurraram para o fato de que a luta está em muitas frentes mais
do que na simples luta de classes”.[219] Sua introdução começa
assim: “Há uma violência que libera. É o assassinato de um
homofóbico. [...] É o incêndio e a libertação de visões. É quebrar
janelas para expropriar comida. É o madero [policial] queimado e
motins atrás das barricadas. É rejeitar o trabalho, ter amizades
criminosas e a completa rejeição de compromissos. É o caos que
não pode ser parado”.[220] Os objetivos do texto, por outro lado, são
explicitados no final do mesmo prólogo: “Esperamos que esta
publicação possa contribuir de alguma maneira para a greve de
gênero que irá queimar totalmente este mundo”.[221]
A publicação em questão contém depoimentos de queers que
valem a pena citar, a fim de medir o lugar a que o feminismo e a
ideologia de gênero nos conduziram: “Nunca fui muito pacíficx. O
mundo me viola e eu só quero violência contra o mundo. Qualquer
um que tente tirar minha paixão por sangue e fogo, vai queimar
junto com o mundo ao qual se apega desesperadamente”,[222] nos
adverte um queer de forma ameaçadora. Significativa da luta
impossível que esses sujeitos enfrentam contra a natureza, e as
frustrações que dela derivam, é a seguinte narração de outro
travesti queer: “Com alguma tristeza, reconheço meu pai em meu
reflexo. Tanto o meu ‘spiro’ quanto as minhas pílulas de estrogênio
terminam hoje e eu estou ficando louco. Provavelmente eles iam
chegar na segunda-feira, mas talvez tenham se perdido nos correios
[...]. Quero gritar. Estou prestes a explodir. Eu estou controlando o
desejo de me dar um tapa, então eu começo sonhos de olhos
abertos no meu cubículo cinza. Eu vejo um avião de linha
seqüestrado virar e apontar diretamente para minha mesa. [...] Há
um clarão ofuscante, eu desapareço e tudo arde”.[223] Outro queer,
num sentido semelhante, admite: “Há algo dentro de mim que às
vezes quer se tornar surdo a este ritmo, mas sei que não seria
suficiente para acalmar os ecos de gênero em meu corpo e em
minha vida diária, que tentei silenciar incessantemente através de
hormônios, álcool, drogas e da escrita de ensaios estúpidos.”[224]
Outros queer usaram estas páginas para contar e celebrar atos
de violência perpetrados. Um deles relata que um vizinho que ousou
manifestar-se publicamente contra uma marcha queer foi atacado
por membros desse movimento: “Acabara de celebrar seu
quadragésimo-primeiro aniversário em 9 de junho (2009), por isso
pensamos em dar-lhe alguns presentes atrasados na forma de
fortes socos. O grupo o atingiu até que os maderos [policiais]
apareceram e fomos para a parte de trás do parque, sem nenhuma
prisão.”[225] Outro sujeito celebra o ataque preferido de todos,
aquele que é perpetrado contra a Igreja Católica: “Ontem à noite fiz
uma visita à Igreja Católica. Eu fechei com supercola várias de suas
portas e estourei algumas janelas. Estou segurx de que todas as
pessoas que cometeram um ato de sabotagem sabem como é
incrível. Se você não fez isso, você realmente deveria experimentar
por si mesmx.”[226] E com o espírito tolerante e democrático que
caracteriza essas pessoas, ele acrescenta: “A Cristandade precisa
ser presa, empalada em uma estaca”.[227]
A questão é: pode-se esperar algo mais daqueles que foram
politicamente formatados em ódio e ressentimento? Na verdade,
temos visto como a ideologia de gênero constrói discursivamente
uma guerra entre homens e mulheres em primeiro lugar, e uma
guerra entre heterossexuais e homossexuais para no final de tudo
desembocar na idéia de que nem mesmo existe o sexo como tal, e
ainda mais, a identidade não existe como tal. Assim, aqueles que
são colocados em um lugar sexual ou de “gênero” pelo “discurso
heteronormativo” seriam vítimas de uma violência planejada para
manter o capitalismo; e a violência deve ser respondida com maior
violência. A ideologia, portanto, os fecha perfeitamente; oferece a
essas pessoas conflitadas sexual e identitariamente uma explicação
que promete aliviar sua frustração, e que oferece uma saída para
tantos males internos. E essa saída não tem a ver com processos
de auto-reflexão, de superação, de inclusão; essa saída não é
individual, mas é política e, mais ainda, a saída é a violência política.
Pois o queer é incapaz de problematizar sua própria situação, sua
responsabilidade; para o queer, a responsabilidade é sempre do
fantasmático sistema no qual os teóricos da ideologia de gênero o
fizeram acreditar e odiar, chamado “falocracia”,
“heteronormatividade”, “heterocapitalismo”, ou o que quer que
inventem os imaginativos “acadêmicos” dessas correntes.
O testemunho de uma outra queer revela até que ponto a
prática é uma conseqüência da ideologia que lhes injetam: “Na
quinta-feira à noite, após uma estranha palestra motivacional radical
sobre como fazer motins, um bloco negro apareceu como o quarto
ataque de um dia de luta nas ruas. Este bloco particularmente feroz
[...] atravessou Pittsburgh destruindo inumeráveis janelas, virando
lixeiras e ateando fogo. Um colega fez uma observação: onde está o
queer em tudo isso? As pessoas só se vestiam de preto e
queimavam as coisas na rua. Nós respondemos: a prática de usar
preto e destruir tudo é o melhor e mais estranho gesto de todos. De
fato, isso nos leva ao cerne da questão: queer é negação. Ao
encontrarmos nossos corpos desviados, nos tornamos uma turba,
transformando nossos limites corporais em um grande problema. [...]
Nossos limites desapareceram completamente ante um chão
coberto de vidro e uma terra repleta de lixeiras em chamas”.[228] E
então recorre à teoria de Butler “gênero performativo”, da qual já
expusemos algo, para dar sentido ao ato criminoso: “Se estiver
correta, a idéia de que sexo é sempre performativo, então as
performances que realizamos ressoaram como o gênero mais queer
de todos: o da destruição total”.[229] Ante as destruições queer na
cidade, um vizinho tentou detê-las, mas “antes que ele pudesse
perceber seu erro, recriamos uma cena particularmente sádica e a
sangue frio sobre o idiota. Ele percebeu seu erro sob uma chuva de
chutes, socos e uma grande quantidade de spray de pimenta.”[230]
Nosso “democrático” queer fecha sua narrativa com a seguinte
conclusão: “Oferecemos um modo de vida que pode ser entendido
como a conjunção de barricadas e pernas por depilar. Mas o que há
de melhor do que a mistura de arneses com vibradores, martelos,
perucas extravagantes, tijolos, fogo, espancamentos, fisting, e,
claro, ultraviolência”.[231]
Há muitas evidências como as mencionadas aqui que foram
selecionadas ao acaso para esclarecer o leitor. Não pretendemos
abundar nisso, porque acreditamos que o objetivo foi cumprido.
Agora, é possível terminar aqui com a seguinte conclusão.
Há um fio condutor que corre a partir da segunda onda
feminista, através da terceira, com a ideologia queer. Esse fio é
dado por um projeto comum, que tem a ver com a destruição do
casamento heterossexual e da superestrutura familiar que
teoricamente contribuem para a reprodução do sistema capitalista
(estratégia de batalha cultural). Esse fio, no entanto, percorreu um
progressivo caminho teórico que foi do materialismo dialético,
passou pelo culturalismo de gênero e terminou na destruição
mesma do sexo. A questão decisiva aqui, portanto, não tem nada a
ver com as escolhas voluntárias individuais, mas sim com a intenção
expressa de transformar, até mesmo de forma violenta, o sistema
econômico e político que, paradoxalmente, permitiu que existam
essas tribos (ou alguém pode provar que eles existem ou existiram
em um país comunista?). A questão não é que uma mulher pense
que seu corpo não tem existência natural; a questão não é que um
homem acredite ser uma mulher “trancada” em um corpo masculino.
De nada deveria importar-nos os delírios de cada pessoa, enquanto
não afetem os nossos direitos individuais. O problema é que afetar-
nos é o objetivo destas ideologias e sua conseqüente militância,
como vimos amplamente. Nada deveria importar, por exemplo, que
determinado sujeito considere a si mesmo, inclusive, um crocodilo
ou uma macaca enclausurada em corpo humano, vítima da tirania
da “construção social do discurso”; o problema é que a pressão
ideológica exercida sobre o Estado leve-o a nos obrigar a
compartilhar tal loucura e pagar por ela, sob a ameaça de coerção.
De fato, como reconhecido pelas próprias teóricas feministas “desde
o feminismo o que é exigido uma e outra vez é mais intervenção do
Estado”.[232] Nada deveria importar-nos, seguimos dizendo a fim de
dissipar as dúvidas, que em particular se pratique “pós-pornô” se
aqueles que o praticam e aqueles que voluntariamente o observam,
gozam mutilando-se ou assistindo pessoas mutilando-se; o que
realmente importa é que estas práticas são realizadas em espaços
públicos, de maneira invasiva e até mesmo coercivamente, e que o
feminismo radical tenha chegado a promover incesto e pedofilia,
como parte de uma luta política e ideológica para impor formas de
sexualidade degradante.
Nada importa para nós, em uma palavra, o que a cada um
tange à sua personalidade e vida privada. O que é problemático em
qualquer caso, parafraseando um dos slogans mais arquetípicos do
feminismo radical, quando “o pessoal se faz político”.
O Dr. Money, o meninos sem pênis e algumas considerações
científicas

Como temos insistido ao longo deste capítulo, as teorias têm


conseqüências práticas; a maneira como entendemos e
interpretamos o mundo afeta o modo como nossas ações se
desdobram. Assim, há um caso que nos mostra concretamente a
aplicação da ideologia de gênero no campo da medicina e da
psiquiatria e suas conseqüências.
Em 1965 nasceram os gêmeos monozigóticos[233] Bruce e
Brian Reimer. O primeiro deles, com menos de um ano de idade, por
causa de fimose, foi submetido a uma circuncisão fracassada que
mutilou seu pênis. Seus pais, desesperados com o acidente que seu
filho sofrera, logo contactaram um famoso psicólogo chamado John
Money, que ficara afamado no mundo acadêmico, precisamente
porque levou para o campo médico as teorias de gênero que
excluem da identidade sexual qualquer relação com uma
determinação natural. Como muitas feministas contemporâneas,
Money estava envolvido na militância pela despatologização de
práticas de pedofilia e de práticas sexuais que Preciado consideraria
“contra-sexuais” como coprofilia (arremessos e ingestão de
excrementos para fins sexuais).[234] Além disso, Money era
professor da Universidade John Hopkins, foi fundador do Gender
Identity Institute — financiado por esta última — trabalhou no ramo
de mudança de sexo, e o caso em questão apareceu diante de seus
olhos como uma possibilidade excepcional de fazer um experimento
social que comprovaria a teoria de que a sexualidade não tem nada
a ver com a natureza, mas com a criação, isto é: que um ser
humano pode ser educado como homem ou mulher,
independentemente da realidade cromossômica ou gonadal ou
genital que possa ter. Na verdade, o Dr. Money tinha um bebê de
alguns meses que já não tinha pênis e com sua variável de controle
perfeita: Brian, o irmão gêmeo.
Foi assim que, aos dezessete meses de idade, Bruce se tornou
“Brenda” e, quatro meses depois, foi castrado. Os pais foram
encarregados da tarefa mais importante de todas: criar Bruce como
“Brenda” e, sob nenhuma circunstância, revelar a verdade dos fatos
aos gêmeos. As instruções eram rígidas, porque o sucesso do
experimento social dependia delas. “Eu pensei que era
simplesmente uma questão de pais, que eu poderia criar meu filho
como mulher”,[235] lamentou posteriormente a mãe.
Mas logo o plano começou a se desviar dos resultados
esperados por Money. Apesar de todos os tratamentos hormonais e
das características da criação, “Brenda” não parecia se adaptar à
identidade feminina. O pai disse a posteriori que “era tão evidente
para todos, não só para mim, que era do sexo masculino”.[236] Em
um dos fragmentos dos arquivos de Money, ele reclama: “A garota
tem muitas características de ‘machona”.[237] A questão estava
deixando as mãos do famoso professor, e ele decidiu que era hora
de intervir na criação com maior afinco a partir de seus
conhecimentos psicológicos. Então começou enfatizando que
“Brenda” estabeleceria sua nova identidade feminina ao entender a
diferença entre os órgãos sexuais de homens e mulheres,
recorrendo assim às diferenças naturais para negar... o natural. Mas
como a “menina” se recusou a adotar seu novo gênero, o médico foi
forçado a aplicar abordagens cada vez mais extremas. Ele pediu
para ter sessões conjuntas com os gêmeos, a quem tirou as roupas,
fez olharem um para o outro, ensaiar poses sexuais e passar por
sessões fotográficas. As duas crianças desempenharam um papel
não muito diferente do de dois ratos de laboratório. O já mencionado
psicólogo Andres Irasuste refletiu sobre isso: “Nós nos perguntamos
quanta distância realmente existe entre um John Money e um Josef
Mengele”.[238]
A última tentativa de Money foi tentar convencer “Brenda” a se
submeter a uma cirurgia para aperfeiçoar sua vulva rudimentar e
construir uma vagina artificial. Aos treze anos de idade, ele veio
entrevistá-la com um transexual para convencê-la sobre os
benefícios da cirurgia. Mas “Brenda” recusou, e pediu a seus pais
para nunca mais ver o Dr. Money novamente.
O experimento social não parou de ir ao contrário do que seu
mentor havia previsto. “Brenda” teve várias tentativas de suicídio, e
seus pais, desesperados, decidiram que era hora de voltar e contar
a verdade sobre sua própria história. É assim que esta “menina” de
laboratório decidiu ser o que sempre foi: uma criança. E ele se
chamou “Davi”, em referência à luta de Davi contra Golias.
Imediatamente, David deixou os tratamentos hormonais e fez um
implante peniano, mas nunca conseguiu superar o dano psicológico
criado pelo experimento de gênero. Sua família também. Brian, o
irmão gêmeo, nunca pôde aceitar a verdade e acabou caindo na
esquizofrenia, morrendo em 2002 duma overdose.
A frustração de Davi aumentou quando ele descobriu que
Money havia apresentado seu experimento social ao mundo
acadêmico como um sucesso retumbante que provava a veracidade
da ideologia de gênero. De fato, ele publicara um livro de grande
importância que se chamava Homem e Menino, Mulher e Menina.
“Seu comportamento é tão normal quanto o de qualquer menina e
claramente difere do modo masculino como seu irmão gêmeo se
comporta”, pode ser lido nas páginas sobre “Brenda”. Assim, o caso
de Bruce, ou Brenda, ou David, foi por sua vez apresentado como
um sucesso nos textos médicos e psicológicos sobre o tratamento
dos hermafroditas. Prova clara de como o campo científico funciona
quando a ideologia o filtra, e são os fatos que devem ser
acomodados ao que é pensado, e não o que é pensado aos fatos.
Em 2004, vítima de uma depressão causada por seu trauma
psicológico e existencial, David Reimer tirou a própria vida com uma
escopeta, tendo antes deixado, no entanto, um testemunho
premonitório em um documentário sobre sua história: “Eu sou a
prova viva [do fracasso da ideologia de gênero], e se você não vai
aceitar minha palavra como evangelho, porque eu vivi isso, quem
mais você ouvirá? Quem mais passou por isso? Eu vivi isso. Alguém
tem que atirar em si mesmo na cabeça e morrer para que as
pessoas possam ouvi-lo?”[239]
Anos depois de que Money vendera o suposto sucesso da
converção de Bruce em Brenda, outro cientista, Milton Diamond,
revelará a verdade sobre o experimento de Money ao descobrir que
a testosterona orienta cada ser humano antes mesmo de seu
nascimento. O sexo, então, não poderia ser reduzido à variável
“educação”. Felizmente, ainda existem homens e mulheres[240] de
ciências que se atrevem a mostrar e provar que a sexualidade não
pode ser explicada apenas recorrendo a factores culturais, mas há
todo um fundo natural que, em qualquer caso, cria espaço onde a
cultura pode se inscrever.
O psicólogo de Harvard Steven Pinker, por exemplo, escreveu
um livro revelador intitulado The Blank Slate (2002), onde se
dedicou a refutar os negacionaistas da natureza humana sob as
contribuições da psicobiologia e da neurociência, e mostra como a
ideologia de gênero do feminismo é um obstáculo à ciência pois
nega que o “gênero” possuia uma ontogênese, uma psicogênese e
uma base que não dependem exclusivamente do sociocultural. É
como nos explica o próprio Irasuste, “Hoje a neurociência já
comprovou que o que chamamos de ‘gênero’ tem um núcleo
biológico muito duro e profundo que já começa a tomar forma por
várias influências hormonais intra-uterinas, responsáveis pela
sexuação cerebral.”[241] Sabe-se que tanto o androgênio quanto o
estrogênio, hormônios masculinos e femininos, respectivamente,
têm diferentes efeitos no cérebro durante o desenvolvimento fetal.
[242] O biólogo Edward Wilson disse isso muito claramente: “A

neurobiologia não pode ser aprendida aos pés de um guru. As


conseqüências de nossa história genética não podem ser escolhidas
pelas legislaturas.”[243]
Há uma passagem muito interessante no trabalho de Pinker,
que examina um estudo que nos lembra o caso do Dr. Money e dos
gêmeos Reimer. De fato, em um caso de “vinte e cinco crianças que
nasceram sem um pênis (um defeito de nascença conhecido como
extrofia de cloaca) e que são analisados depois de castrados e
criados como meninas, todos mostravam padrões masculinos, se
dedicavam a jogos bruscos e tinham atitudes e interesses
tipicamente masculinos. Mais da metade deles espontaneamente
declarou que eram meninos, um quando tinha apenas cinco
anos.”[244] Isso jogaria fora a possibilidade de que o caso de David
Reimer seja uma simples exceção ou um acidente. E a isto
devemos acrescentar o fato de que a educação de meninos e
meninas se difere cada vez menos se analisarmos historicamente.
Há relativamente pouco tempo existe um ramo na neurociência
chamado “neurobiologia do sexo”, que se concentra em duas áreas
fundamentais: a estrutura do cérebro e a genética. Essa disciplina
também contribuiu muito para nos fazer ver que a sexualidade é
muito mais que cultura: é também natureza. Graças a cientistas
como o embriologista Charles Phoenix e outros que têm realizado
pesquisas sobre o assunto, sabemos, por exemplo, que o hormônio
testosterona desempenha um papel inexorável na definição sexual
muito antes de o bebê deixar o corpo da mãe e, portanto, muito
antes de seus primeiros contatos culturais: “Se removermos os
genitais de um embrião geneticamente masculino durante um
momento-chave do desenvolvimento embrionário, desenvolveremos
genitálias femininas. Ou seja, a testosterona atua como um
diferenciador-chave no processo de individuação biológica em uma
base pré-natal, onde o feminino — na ausência desse elemento —
irá predominar”.[245] Algo semelhante foi encontrado pelo
neurologista Simón Le Vay quando concluiu que uma diferença nos
níveis hormonais androgênicos em períodos críticos de
desenvolvimento — como o estágio intra-uterino — tem efeitos
substantivos sobre as características sexuais.[246] Inclusive foram
detectadas síndromes que afetam a sexualidade da criança, como a
chamada “síndrome por deficiência de 5-alfa reductasa”, sendo esta
última uma enzima que interage com a testosterona para o
desenvolvimento dos genitais. De modo que aqueles que sofrem
desta síndrome, nascem com genitais de aparência feminina, mas o
sexo genético é masculino, se são criados como mulheres durante a
infância, quando atingem a adolescência os níveis de testosterona
aumentam drasticamente e essas alegadas meninas começam a ver
como seus corpos estão assumindo uma forma masculina: voz
grossa, face masculina, maior musculatura e seu “clitóris” aumenta
de tamanho até parecerem mais ou menos com um pênis. Pode-se
dizer seriamente que foi a “cultura” que causou tais modificações?
No entanto, a neurociência e a genética não são o assunto
deste livro; só pretendemos, nessas breves linhas, dar uma mostra
ao leitor que, no que diz respeito à sexualidade, a ciência deu
passos enormes que estão longe do que as ideólogas feministas
reivindicam, isto é, reduzem tudo a uma explicação cultural que
permite, posteriormente, a chamada “desconstrução” (ou melhor,
destruição) de nossa cultura. Mas os neurocientistas, como vimos,
são muito claros: o cérebro, além de manter as condições pré-natais
em termos de sexualidade, realiza toda uma série de operações
muito complexas cujos padrões não estão localizados em contextos
culturais; nem no monismo explicativo, reduzindo tudo a questões
biológicas: ao contrário, eles estão muito conscientes da relevância
da cultura para os seres humanos, mas sem torná-la o fator
explicativo exclusivo. O antropólogo e sociólogo Roger Bartra
propôs, por exemplo, uma “antropologia do cérebro” na qual o
pensamento é uma ferramenta que nos serve para reconectar com o
objeto e, para isso, o cérebro deve naturalmente ter conexões com o
cultural: “O cérebro depende de usos de processos simbólicos,
através dos quais as redes neurais são imbuídas dos produtos da
cultura: é que o cérebro, se for considerado como um espaço
topológico, é tanto um interior quanto um exterior”.[247] Assim, a
sexualidade no ser humano deve ser entendida como um complexo
entrelaçamento de natureza e cultura; nem natureza prescindindo
da cultura (porque a sexualidade seria puro instinto, desprovida de
particularidade e função social); nem cultura prescindindo de
natureza (porque senão seria inapreensível auniversalidade do
sexo, suas regras e sua função natural) Mas, na dialética cultura-
natureza, as formas culturais que triunfam são aquelas que andam
de mãos dadas com as condições e limites que a natureza
estabelece; caso contrário, acabaremos fingindo orgasmos
masturbando braços com consolos coloridos e fingindo salvar o
mundo com utopias lésbicas.
A mulher e o capitalismo

Se presumimos que a vasta maioria das feministas são “de


esquerda”, isto acontece porque sua pregação geralmente está
ligada a lutas contra o capitalismo, ao menos desde aquilo que
definimos como a segunda onda até os nossos dias, como já vimos.
Isso se torna ainda mais visível se, procurando definir o que é o
capitalismo, nos voltamos para um de seus maiores intelectuais e
expoentes, ganhador do Prêmio Nobel de economia, Milton
Friedman, que em Capitalismo e Liberdade simplificou o assunto
dizendo que devemos chamar capitalismo o modo de organizar a
maior parte da atividade econômica através do setor privado
operando em um mercado livre.[248] Com efeito: não havia sido o
nascimento da propriedade privada a origem do “patriarcado”? Se
bem que muitas feministas da terceira onda entenderam que havia
um reducionismo em Engels, a verdade é que não deixaram de ver
no capitalismo o pilar que suporta o “regime patriarcal” e, além
disso, um dos alvos mais importantes de sua cruzada política.
Não está entre os objetivos deste livro fornecer uma teoria
completa sobre as ligações das mulheres e do capitalismo, mas é
nosso interesse ao menos delinear uma hipótese neste curto
subcapítulo, que no futuro pode (deve) ser aprofundado.
Houve um tempo em que o poder derivou principalmente da
força física. A opressão da mulher, pelas condições naturais de seu
corpo, não deveria estar isenta de desconfortos naqueles momentos
de nossa espécie. Tratada como escrava e como objeto sexual, a
autonomia foi completamente negada. Ela poderia ser obtida pelo
macho por concessão, rapto, compra ou troca, não importava.[249]
Seu status e o de uma coisa eram o mesmo. Em muitos dos
chamados “povos originais”, paradoxalmente idolatrados pela
mesma esquerda que se diz feminista, as mulheres eram o objeto
preferido de sacrifício aos deuses.[250] A diferença de corpos
moldava os padrões e instituições culturais que simplesmente
consolidavam as relações de poder existentes, dadas pela
assimetria física, pela diferenciação inicial substantiva. Assim, é
impossível pensar em um fator de poder anterior à própria natureza
física, porque qualquer outro fator original que possamos pensar
fora daquele, enquadra-se nos domínios da cultura.
O problema que surge é, então, como a mulher poderia quebrar
as correntes que sua condição física lhe impôs no começo (e numa
parte muito importante) da história. E eu intuo que o capitalismo teve
muito a contribuir para este processo.
É possível, antes de tudo, e pode até se compatibilizar com as
teorias de Engels, que a propriedade privada tenha nos libertado da
poligamia. Mas não dessa poligamia utópica e quimérica (em termos
corretos chamado de “poliandria”), que teria ocorrido sob regimes
matriarcais improváveis, negados a esta altura por importantes
feministas como a própria De Beauvoir e por recentes estudos
antropológicos.[251] É mais provável, por outro lado, que a poligamia
tenha sido não a cristalização do poder das mulheres, mas dos
homens: tomar quantas mulheres sua força fosse capaz de manter
ante a concorrência de outros homens foi a lógica imperante. O
direito da primeira noite[252] europeu, cujos beneficiários eram os
senhores feudais, vem confirmar essa hipótese. Nas cidades pré-
colombianas, o pacto de los macehualtin tinha a mesma função.[253]
Muitos povos indígenas, como os mapuches ou diaguitas, onde o
número de esposas era limitado pela possibilidade mantê-las
afastadas da ambição dos demais, para citar apenas dois exemplos,
podem dar conta disto. Também é amplamente conhecido que a
poligamia no povo asteca foi reservada exclusivamente para alguns
homens,[254] e a bem da vedade, os exemplos não são poucos
ainda que excedam o espaço naturalmente reduzido destas
páginas.
Mas as demandas da propriedade privada e o acúmulo de
capital têm sido um fator fundamental no ser humano para atacar
esse esquema relacional. As mulheres e seus pais — especialmente
de níveis materialmente elevados —, zelosos de cuidar das
propriedades da família nos sistemas conjugais — que eram
transferidas para o marido por regra geral —, começaram a
pressionar no sentido da monogamia, para assim evitar que
acabassem distribuídas e fragmentadas entre muitas outras
possíveis mulheres que o homem poderia tomar. E vale a pena
enfatizar: tudo isso não ocorreu como resultado do valor do amor —
que será vinculado ao casamento muito mais tarde, como outro
resultado importante da instituição do contrato —, mas por um
cálculo capitalista primitivo. A essas forças materiais devem ser
acrescentadas outras espirituais, que vieram da mão do
cristianismo: “não desejar a mulher do próximo”, um importante
mandamento cristão, fala claramente de uma nova moralidade que
sustenta a monogamia.
É interessante, e do mesmo modo afirmativo do que foi dito
antes, o que aconteceu com o mundo feudal. Com efeito, é o
esquema da propriedade feudal e do cálculo capitalista primitivo que
deriva dela, que deu lugar a novos espaços de poder e
protagonismo para as mulheres (da nobreza, é claro). De fato, a
lógica da acumulação foi enfrentada em muitos casos, sob
esquemas de herança reservada aos filhos, e a possibilidade de
perder tudo se uma família tivesse gerado apenas mulheres. Assim,
a herança, para as necessidades materiais dadas pelo atual sistema
de propriedade, foi estendida em alguns casos às herdeiras do sexo
feminino. O mesmo aconteceu com o poder político: na ausência de
crianças do sexo masculino, tornou-se necessário estender o que
hoje chamaríamos de “direitos políticos” às mulheres para manter
certas famílias no poder. A monarquia da casa de Trastámara de
Castela é apenas um exemplo da questão. Mas o importante papel
que as mulheres começaram a desempenhar nos tribunais é bem
conhecido: Isabel, a católica, Elizabeth da Inglaterra, Catarina da
Rússia, Cristina da Suécia, este último exemplo claro de como o
esquema de sucessão masculina de poder foi transformado em um
feminino a partir da ausência do filho varão. É possível acrescentar
que, ao contrário do que indica o senso comum sobre a idade
medieval, nesse processo se fez algum progresso se o
compararmos com o mundo antigo e os povos indígenas: na
Inglaterra, no sul da França e na região centro-européia, multas
severas e punições (conhecidas como legerwite) foram impostas ao
abuso e à violência sexual contra mulheres, por exemplo.[255]
Mas de volta à situação original das mulheres, Ludwig von
Mises, um dos pais da Escola Austríaca de Economia, chamaria o
tipo de relações sociais baseadas na força de “princípio despótico”,
[256] o qual vai desaparecendo com a introdução da mencionada

instituição do contrato nas sociedades, instituição cuja expansão


vem efetivamente da mão da consolidação da propriedade privada.
Com efeito, o contrato deixa a lógica da força física; estabelece um
intercâmbio guiado por regras que devem ser cumpridas
precisamente para evitar relacionar-se através da força. O papel
reservado para a coerção é depositado em um terceiro, que
monitora o cumprimento do contrato. O capitalismo, como um
sistema baseado no reconhecimento e proteção da propriedade
privada mais do que qualquer outro e parte da origem do nosso
Estado moderno — como uma organização que garante o
cumprimento de nossos contratos — é, portanto, um sistema onde o
contrato se mostra como um elemento fundador das relações
sociais mais importantes.
Pondo de lado os relacionamentos baseados na força física, o
capitalismo introduz na sociedade o que poderíamos chamar de
“lógica de mercado”, baseada na possibilidade de beneficiar-se
servindo aos outros.[257] Se a força física tem que ser eliminada de
minhas possibilidades, a maneira de conseguir algo que eu quero
não é batendo na cabeça da outra pessoa, mas oferecendo algo em
troca do qual a outra parte queira mais do que o que ela possui. O
“maldito mercado” que a esquerda tanto nos chama a temer, então,
nada mais é do que uma abstração de nós mesmos e de nossas
valorações; o mercado é simplesmente a maneira de nomear o
tempo e o lugar onde nós, as pessoas de carne e osso, podemos
trocar livremente com os outros em benefício próprio, ficando sujeito
nosso exito na troca a nossa capacidade de beneficiar os outros. É
por isso que os grandes nomes da história, com o capitalismo,
passaram de guerreiros, caciques e tiranos a inventores, cientistas e
empreendedores.
Com o estabelecimento progressivo dessa lógica que
descrevemos, a mulher estava encontrando espaços maiores na
vida social. Com efeito, o mercado é cego — deve ser cego para
alcançar eficiência — a dados não econômicos como raça, religião,
etnia e, é claro, sexo. Não anda de mãos dadas com a lógica do
mercado pagar mais por um bem simplesmente porque quem o
oferece é um homem, em detrimento do mesmo bem oferecido mais
barato por uma mulher. No mercado, qualquer empresa que seja
estúpida o suficiente para dispensar mulheres qualificadas ou pagar
a mais para homens não qualificados, mais cedo ou mais tarde será
ultrapassada por outra empresa que não discrimine com base no
sexo.
A lógica do mercado pode entender por que as sociedades
tiveram um antes e um depois, um verdadeiro ponto de viragem,
com a introdução do capitalismo em todos os aspectos materiais da
vida que, vale a pena esclarecer, segue nos transformando em
ritmos cada vez mais acelerados. A Revolução Industrial foi filha
dessa nova maneira de organizar e pensar. Com efeito, foram
criados incentivos sem precedentes para que as pessoas pudessem
se elevar econômica e socialmente, não oprimindo os outros, mas
servindo-lhes. E assim, os imensos avanços tecnológicos que desde
a consolidação do capitalismo até hoje a humanidade viveu são
fundamentalmente produtos dessa lógica. Embora pareça
politicamente incorreto, nosso bem-estar material parece depender
fundamentalmente do egoísmo dos outros, como foi dito no século
XVIII por ninguém menos que Adam Smith.
Seria absurdo ignorar o fato de que a tecnologia ajudou a
liberar as mulheres de várias maneiras. Em primeiro lugar,
compensando sua fraqueza física. O que anteriormente eram
trabalhos reservados exclusivamente ao homem por razões físicas,
como a construção, graças à maquinaria cada vez mais avançada,
abriu-se e continua a abrir-se para o mundo feminino, pois a
tecnologia reduz as necessidades físicas no trabalho e, além disso,
cria novos tipos de trabalho o tempo todo e em toda escala.[258] Hoje
praticamente não há trabalho baseado exclusivamente em força
física. Não mais o corpo, mas o conhecimento, tornou-se o fator
mais importante na produção. Por isso, diz-se que vivemos em
“sociedades do conhecimento”. A antropóloga Helen Fisher, em seu
livro O Primeiro Sexo (1999),[259] apresentou uma idéia interessante:
a cultura empresarial, em nossa economia globalizada capitalista e
baseada no conhecimento, logo favorecerá mais às mulheres do
que aos homens (daí o título da obra, que inverte o sentido de
Simone de Beauvoir). Há dados fortes que parecem validar a tese
de Fisher: hoje as mulheres vivem em média dez anos a mais que
os homens, graduam-se em universidades 33% mais que os
homens, controlam 70% dos gastos de consumo em todo o mundo e
— de acordo com a revista Fortune — são proprietárias de 65% de
todos os bens nada menos do que nos Estados Unidos.[260]
Mas a tecnologia não só ajuda as mulheres em relação a sua
relevância social e profissional, mas todos os tipos de avanços,
pequenos e grandes, que desde o início do capitalismo até hoje têm
sido experimentados, também têm ajudado a fazer sua vida diária
uma vida muito melhor. A água potável, a higiene e a medicina
moderna nos ajudaram a diminuir substancialmente a mortalidade
infantil e, assim, foi reduzido o trabalho empregado na saúde e na
assistência infantil. Os benefícios das máquinas também foram
mudando o lugar da própria prole: antes concebida como um factor
fundamental de produção, agora as mulheres podem trazer filhos ao
mundo sob critérios muito diferentes. As mamadeiras e o leite de
vaca pasteurizado, primeiro, e logo depois o leite em pó, os
extratores de leite materno e o leite congelado, reduziram em muito
a carga da mãe quanto à alimentação de seu bebê. A produção
industrial de alimentos, roupas e utensílios domésticos tornou mais
barato comprar do que produzir artesanalmente, e assim reduziram-
se incrivelmente as tarefas domésticas das mulheres; os
eletrodomésticos acabaram de libertar a mulher do que há pouco
tempo haviam sido grandes cargas de trabalho doméstico. Mas esta
realidade — talvez ainda mais importante que a anterior — também
contribuiu para relaxar os duros esquemas de divisão sexual do
trabalho de outrora, em que ao homem, por seu trabalho fora de
casa, não competia fazer praticamente nada dentro do lar. Hoje a
cozinha, por exemplo, também é um espaço masculino — basta ver
programas e publicidades relacionadas à gastronomia —; e de
modo algum o homem está eximido da limpeza, do cuidado com as
crianças e outras tarefas tradicionalmente femininas. O crescimento
econômico que veio das mãos do capitalismo também criou as
condições materiais para que as meninas, ao invés de serem
mantidas em casa com tarefas domésticas e trabalho não-
qualificado, como costumava acontecer, fossem também enviadas
cada vez mais, em maior número, para receber instrução nas
instituições educacionais (não é por acaso que os liberais do século
XIX foram os que mais lutaram por esse direito). Diferentes produtos
no mercado foram criados para ajudar as mulheres durante seus
ciclos menstruais, eles conseguiram que esses dias, antes dias
mortos quando as mulheres tinham que se abrigar em casa, se
tornassem cada vez mais semelhantes a qualquer outro momento
do mês. A impressionante extensão de expectativa de vida de nossa
espécie,[261] da mesma forma, assegura à mulher que sua
passagem por este mundo não será reduzida à maternidade como
no passado. Os exemplos nos dariam todo um outro livro. (Devemos
acrescentar como uma digressão: não são por acaso as
mesmíssimas condições materiais e ideológicas que trouxeram o
capitalismo as que possibilitaram o nascimento nada menos que do
pensamento feminista que hoje o combate?).
Sabemos agora, graças a indicadores econômicos
internacionais que os países onde há maior liberdade e abertura
econômica — quer dizer, com maiores graus de capitalismo da
maneira que definimos com Friedman — é onde as mulheres podem
desfrutar de uma mais ampla margem de liberdade e igualdade com
os homens. Um exemplo disso é o Índice de Liberdade Econômica
no Mundo (2011), realizado pelo Fraser Institute. O Cato Institute
cruzou os dados deste último com indicadores sociais relativo às
mulheres, que se desprendem do Índice de Desigualdade de
Gênero (IDG), do Programa de Desenvolvimento das Nações
Unidas (2010), e descobriu coisas assombrosas.[262] Entre outros,
verificou-se que a desigualdade entre homens e mulheres é duas
vezes menor em países com uma economia capitalista (0,34) do
que aqueles que mantêm uma economia fechada e reprimida (0,67).
Além disso, outros indicadores são significativos: em países
economicamente mais livres, 71,7% das mulheres concluíram o
ensino secundário, enquanto nos menos capitalistas, apenas 31,8%
puderam passar por ele e terminá-lo; os parlamentos dos países
economicamente mais livres têm uma média de 26,8% de
representantes mulheres, enquanto nos países menos capitalistas
essa representação é de 14,9%; a mortalidade materna em países
economicamente mais livres é de 3,1 por 100.000 nascimentos,
enquanto em países menos capitalistas esse número é de 73,1
mortes; a taxa de fertilidade de adolescentes em países
economicamente mais livres é de 22,4 por mil mulheres entre 15 e
19 anos, enquanto em países menos capitalistas encontramos 87,7
casos.
Mas, apesar de todas as evidências expostas, não devemos
nos surpreender que nossas feministas radicais detestem o
capitalismo; afinal, como vimos ao longo deste livro, o feminismo
parece servir cada vez menos às mulheres e, cada vez mais, à
revolução cultural esquerdista. Já o dizia Chantal Mouffe quando
observou que “a política feminista deve ser entendida não como
uma forma de política, destinada a perseguir os interesses das
mulheres como mulheres, mas sim como a busca de objetivos e
aspirações feministas no contexto de uma articulação mais ampla
de demandas”.[263] Ou seja, o feminismo deve fazer parte do projeto
do socialismo do século XXI, e deve usar essas bandeiras como
uma tela para ocultar essa “articulação mais ampla” que não
aparece diante dos olhos das pessoas bem-intencionadas que
apóiam suas causas.
Da teoria à práxis

Neste capítulo, nós nos concentramos fundamentalmente na


teoria, enfatizando, no entanto, que ela é essencial para a prática. O
que queremos dizer com isso? Dizemos que as construções
ideológicas, além de suas distorções da realidade, têm
conseqüências muito reais em nossas sociedades; isto é, em última
análise, a batalha cultural: gerar mudanças reais baseadas na
mudança cultural.
Por isso, consideramos apropriado fechar este capítulo
coletando alguns exemplos do que a militância feminista de nossos
tempos é e pode oferecer e alcançar através de sua luta política.
Vamos nos concentrar especialmente no feminismo argentino, mas,
uma vez que a origem do feminismo ideológico está dada muito
mais em outros lugares, não economizaremos referências à
organizações de outras partes do globo.
Os “coletivos feministas” na Argentina são bem variados em
relação a nomes e siglas, embora todos sejam adeptos, em última
instância, da esquerda ideológica e política, e as mais importantes
demonstrações de força agem em conjunto. Um dos mais relevantes
é “Pan y Rosas”, apêndice feminista nada menos que do ultra-
esquerdista Partido Socialista dos Trabalhadores (PTS). Em sua
carta de apresentação esta organização define a essência
ideológica que tanto temos enfatizado aqui: “Pan y Rosas acredita
que a luta contra a opressão das mulheres é também uma luta
anticapitalista e, portanto, somente a revolução social, dirigida por
milhões de trabalhadores em aliança com os pobres e todos os
setores oprimidos por este sistema, que acaba com as cadeias do
capital, pode lançar as bases para a emancipação das mulheres”.
[264] Este grupo promove uma série de cursos chamados de “oficinas

de gênero e marxismo”, alguns de seus módulos são intitulados “A


intersecção entre gênero e classe”, no qual estudam as referências
do feminismo pedófilo de Kate Millet, e “O Marxismo e Feminismo
Pós-Marxista”, onde as teorias de Laclau, Mouffe e, é claro, a teoria
queer de Butler se destacam. Pan y Rosas dedica-se principalmente
à militância de rua e à formação de quadros feministas.
Outra organização argentina que se destaca é “La Revuelta”,
em cujo site[265] pode-se ler slogans como “Abortamos irmanadas,
abortados em manada”. Dedicam-se principalmente à perturbação
urbana, estragando espaços públicos e privados com pichações.[266]
“Insubmissas ao serviço familiar obrigatório”, “Não quero tua
cantada, quero que você morra”, “Eu abortei, tua mãe também”, “O
aborto não tira férias”, “Vamos atacar úteros contra o capital!” “Putas
ou santas, mulheres abortam até na Semana Santa”, são alguns
exemplos dos grafites preferidos. Uma das dirigentes explica por
que o nome desta organização: “Alvoroço, gritaria causada por uma
ou mais pessoas, sobressalto, inquietude, motim, sedição, rebelião
contra a autoridade, revolta, revolução”. E, em seguida, o mesmo
palavreado neomarxista de sempre: “denunciamos esta construção
capitalista e patriarcal do sexo masculino hegemônico mundial, em
que os corpos das nossas mulheres têm sido e é o território no qual
foi construído, impondo-nos seu conhecimento androcêntrico”[267]
Como não poderia ser de outra forma, a organização promove o
lesbianismo como uma forma de resistir ao “heterocapitalismo”
celebrando a 7 de março o dia da “visibilidade lésbica” sob o lema
“não somos irmãs, nós comemos a buceta.”[268]
“La Revuelta” é parte de uma rede feminista para a qual várias
organizações convergem, chamadas “Salva-Vidas na Rede”.[269] O
principal objetivo é promover abortos caseiros e, por isso, difundem,
por exemplo, manuais sobre como matar de formas artesanais o
filho que a mulher carrega em seu ventre, tal qual um deles,
intitulado “Como Fazer um Aborto com Comprimidos. Instrução
passo-a-passo”.[270] Além disso, deixam em seu site linhas de
contato telefônico para informarem-se das modalidades existentes a
fim de realizar um aborto. Em 2014, eles ajudaram 1.650 mulheres a
abortarem.[271] Eles também têm um programa de rádio virtual
chamado “Experiências Corpo-Aborteiras”,[272] cujo slogan é “tornar
as práticas aborteiras visíveis como um gesto político”; as histórias
são irreproduzíveis, mas todas são estruturadas por um discurso
segundo o qual matar o feto seria uma situação de “enorme alívio” e
“felicidade feminina”.
Na Argentina também temos a presença da associação civil
“Católicas pelo Direito de Decidir”, cujo nome contém em si duas
grandes falácias: a primeira é que o chamado “direito de decidir” é
incompleto sem explicitar o que decidir. Decidir matar uma pessoa
em gestação não é igual a “pelo direito de decidir quem serão
nossos representantes políticos” ou “decidir que tipo de educação
receber”. Os direitos de um acabam onde os do outro começam;
ninguém pode arrogar-se o direito de acabar com uma vida que não
é sua, e o nascituro que a mulher carrega em seu ventre, como
explicado no próximo capítulo de Nicolás Márquez, por razões
científicas, é um ser diferente da mãe. Podemos imaginar uma
gangue de seqüestradores em série que constituem uma
associação civil “pelo direito de decidir... seqüestrar pessoas”, por
exemplo? Algo assim parece ser o grupo “Católicas pelo Direito de
Decidir”, porque estão pedindo para decidir sobre a integridade
física do ser que a mulher carrega em seu ventre, como fica claro
apenas olhando para seu site:[273] “Como fazer um aborto no
hospital e não morrer na tentativa?”, “Direito ao aborto: Decálogo
para a cobertura jornalística”, “Aborto em debate”, são algumas das
publicações e livros produzidos por esse grupo que ali podem ser
descarregados. A segunda falácia contida no nome é a do
“católicas”. De fato, essas mulheres não apenas se opõem à
doutrina católica mais elementar, mas até seus objetivos nucleares
apontam diretamente para a promoção da violação de um dos mais
importantes mandamentos do Deus cristão: “Não matarás”. Se
precisarmos de mais razões, a Bíblia ensina que o que está no seio
de uma mãe grávida é um ser humano (cf. Salmos 139: 13, 15;
Jeremias 1: 5; Lucas 1:13; Mateus 1:21). Ademais, a Bíblia condena
o assassinato direto dos inocentes (ver Êxodo 23: 7; Deuteronômio
27:25; Mateus 18:10 e 14). O que é mais inocente do que um
menino ou menina que ainda está no útero? Mas podemos continuar
a acrescentar razões: para os católicos, um filho faz parte do plano
de Deus, ele é enviado por Ele para a Terra; portanto interromper a
vida desse filho enviado por Deus é interromper os planos do
mesmo Deus. E é tão grave pecado o do aborto, que a encíclica
Evangelium Vitae do Papa João Paulo II estabeleceu a excomunhão
como punição: “A excomunhão atinge todos aqueles que cometem
este crime com conhecimento dele, e, portanto, inclui aqueles
cúmplices sem cuja ajuda o crime não teria ocorrido”. É curioso
notar que este grupo, apesar de dizer-se “católico”, não tem nenhum
tipo de atividade paroquial que não seja a promoção do pecado do
aborto.[274] Mas, neste ponto deve ficar claro para nós que o nome
da associação “Católicas pelo Direito de Decidir” é contradição tão
absurda como chamá-lo de “Católicas pelo direito de não
acreditarem em Deus e ainda se dizerem católicas.” No entanto, o
nome em questão não é de forma alguma inocente: o que se
pretende com ele é instalar na opinião pública a idéia de que há
pessoas que, pertencentes à mesma Igreja Católica que as
feministas atacam, acreditam e apóiam as demandas destas
últimas. Da mesma forma, trata-se de corroer a unidade discursiva
da própria Igreja, dando a ilusão de que suas posições mais
fundamentais não são contempladas por todos os fiéis e que há
“outro caminho”, confundindo a comunidade católica. Em uma
palavra, é a velha tática do “entrismo”.
Voltando o nosso olhar para outro lado, um caso de
organização feminista exclusivamente lésbica na Argentina é “As
Fulanas”, que na carta de apresentação de seu site diz: “Ser
feminista significa para nós reconhecer a existência de um sistema
patriarcal heteronormativo [...]. Nós acreditamos no socialismo como
um sistema de organização político-econômico, porque
consideramos justa a propriedade pública dos meios de produção e
administração em prol do interesse da sociedade em geral e não de
determinadas classes ou grupos”.[275] Note que o tema da luta
anticapitalista é uma constante que parece não ter exceção neste
tipo de agrupamentos. “As Fulanas” também gostam de grafites em
espaços públicos: “Como é difícil ser uma borboleta em um mundo
de vermes capitalistas”[276] é uma de suas “reflexões” favoritas.
É curioso notar, entretanto, que muitas dessas organizações
feministas e think tanks que promovem a ideologia de gênero e o
aborto são muito bem financiadas por ninguém menos que a ala
esquerda do poder financeiro mundial. Por exemplo, descobrimos
que muitas recebem regularmente grandes somas de dinheiro não
menos que da International Planned Parenthood Federation (IPPL)
uma organização que administra um orçamento anual de 125
milhões de dólares, uma soma composta em grande parte de
grandes doações da Ford Foundation e da Bill & Melinda Gates
Foundation. O dinheiro também vem do magnata Warren Buffett,
que já doou aqui mais de 289 milhões de dólares.[277] Foi
recentemente descoberto que a filial americana da IPPL, a Planned
Parenthood Federation of America, possui um negócio milionário
com os fetos abortados, vendendo esse “produto” para a indústria
cosmética, especialmente o colágeno, e traficando órgãos. A
pesquisa foi conduzida pelo Center for Medical Progress,[278] que
também encontrou evidências de abortos realizados até o último
trimestre da gravidez, e o uso de ferramentas que permitem
aumentar as probabilidades de conseguir retirar o bebê inteiro e até
mesmo vivo, com o objetivo de coletar “melhor e maiores tecidos”,
como admitiu um dos altos diretores da Planned Parenthood. Em
uma das câmeras escondidas, o ginecologista Deborah Nucatola,
diretor de serviços médicos da quadrilha criminosa em questão
reconhece o cuidado que deve ser tomado para não danificar certos
órgãos que têm alto valor de mercado e acrescenta: “Temos sido
muito bons em obter coração, pulmão e fígado, porque tomamos
cuidado para não esmagar essas partes [...]. Para a caixa craniana,
o bebê é removido das nádegas. Assim, se pode obter uma caixa
craniana intacta”.[279] Bem, a IPPL tem em seu site suas
informações financeiras até 2014. Revisando essas planilhas
podemos encontrar que só neste ano, várias organizações
argentinas receberam grandes somas de dinheiro: FUSA para a
Salud Integral con Perspectiva de Género y Derechos recebeu
451.718 dólares; Católicas pelo Direito de Decidir receberam
244.320 dólares; a Anistia Internacional recebeu 44.850 dólares; o
Centro de Estudos Legais e Sociais (chefiado pelo ex-montonero
Horacio Verbitsky) recebeu 32.500 dólares.[280]

***

As organizações feministas argentinas têm o seu grande


evento anual, chamado “Encontro Nacional de Mulheres” uma
reunião de três dias (onde oficinas tais como aquelas intituladas
“Estratégias para o acesso legal, seguro e livre ao aborto” ou “As
mulheres e o ativismo lésbico”), que reúne as feministas do país e é
caracterizado por fortes perturbações e atos de violência por elas
protagonizados no final das atividades, quando participam em uma
grande marcha. No final de 2015, por exemplo, a cidade escolhida
para o XXX Encontro Nacional de Mulheres foi Mar del Plata, onde
as feministas foram à Catedral, escoltadas por homens e mulheres
do Partido Revolucionário Marxista-leninista e pelo grupo H.I.J.O.S.
(que congrega filhos de guerrilheiros e terroristas de esquerda dos
anos 70), com o objetivo de atacá-la e aos católicos que ali
estavam, com paus, artefatos incendiários e garrafas de vidro.
Aqueles que tentaram impedir as feministas de continuar a destruir o
templo, disseram à imprensa que se tratou de uma “violência nunca
vista. Eles quebraram as grades da Catedral e nossas mulheres e
crianças tiveram que correr para dentro para orar por todos...
Graças à Virgem que nos protegeu, pudemos resistir à tentativa de
incendiar a Catedral. Quando eram pelo menos uns 5.000 ou 6.000
manifestantes de partidos marxistas, trotskistas, leninistas, etc.,
aqueles que estavam nos atacando, finalmente chegou a infantaria”.
[281] Também se sabia que uma célula feminista atacou um idoso

que estava rezando dentro da Catedral, atingindo-o na cabeça com


um objeto pontudo.
Na verdade, os atos de violência nesses eventos feministas
não são a exceção, mas a regra. Em 2014, a cidade que viu passar
por suas ruas essa marcha foi Salta, onde foram incendiadas
bandeiras papais, símbolos cristãos, e foram pintados slogans em
ruas e edifícios públicos, privados e religiosos. “Maria queria
abortar”, “Jesus não existiu, Maria abortou”, “O aborto é dar a vida”,
“Eu abortei e eu gostei”, “Aborte o macho”, “Somos más, podemos
ser piores”, “Morto o homem, acabou a raiva” “Nem Deus, nem amo,
nem marido, nem patrão”, “Machadada no machão”, são alguns
exemplos de slogans com os quais elas sujaram toda a cidade.[282]
Um grupo de católicos ficou na frente de uma igreja, de mãos
dadas, rezando o terço, sendo atacados por ativistas feministas que
lhes atiravam coisas, pintavam seus corpos, cuspiam-lhes e lhes
insultavam, enquanto eles, sem responder aos ataques,
continuavam rezando.[283] Feministas acabaram queimando uma
imagem da Virgem Maria enquanto faziam sexo uma com a outra
em frente ao templo.[284] Um ano atrás, esta mesma reunião tinha
sido em San Juan, e as feministas foram novamente à Catedral da
cidade onde encontraram os católicos a rezar o terço, e se
dispuseram a pintar com aerossol suásticas em seus corpos e
bigodes em seus rostos, sem que eles se perturbassem.[285] Em
Córdoba, em 2007, exatamente o mesmo: pedras contra pessoas
que rezavam na Catedral, pintavam-lhes e até jogavam garrafas
com urina humana e outros detritos contra os católicos.[286] Em
Tucumán, em 2009, novamente: eles atacaram prédios públicos,
privados e religiosos e, de acordo com o que a Polícia de Tucumán
disse depois à imprensa, “eles jogaram tinta; depois houve alguns
que fizeram suas necessidades onde estávamos e jogaram matéria
fecal no pessoal da polícia”.[287] (Como vemos, a brutalidade não
seria apenas uma fonte de prazer sexual para os ideólogos de
gênero, mas também de combate de rua). No encontro de 2010 no
Paraná, as feministas agrediram verbal e fisicamente outras
mulheres pelo simples fato de serem católicas, causando em muitas
delas lesões consideráveis.[288] A mesma coisa já havia acontecido
em Salta, quando em uma oficina em favor do aborto, um grupo de
participantes ousou questionar essa prática e foi literalmente
expulso da sala.
Nessas marchas, que o leitor pode ver em inúmeros vídeos que
foram carregados no YouTube, as bandeiras dos vários partidos
esquerdistas e comunistas estão sempre presentes e visíveis. É que
o feminismo é apenas uma nova máscara de algo muito antigo;
muitas vezes são exatamente as mesmas pessoas. É curioso notar
também que existem universidades que financiam as viagens de
ônibus dos militantes que moram em outras partes do país para que
possam inchar o evento.[289] Praticamente todo o “encontro” é
baseado em reivindicar o direito de matar o nascituro e, acima de
tudo, solicitar que o Estado financie esse genocídio. O símbolo da
foice e do martelo é um clássico dessas manifestações. E outro
clássico são as mulheres com os seios de fora, todas elas na
maioria dos casos cultivadoras da repugnância estética.
Aqui queremos fazer uma digressão: como em muitos casos o
feminismo leva a entender o lesbianismo como uma opção sexual
conforme as demandas ideológicas de suas próprias crenças
políticas, o culto da fealdade é outro fenômeno que aparece com
surpreendente freqüência em feministas militantes. Tanto assim é
que existem muitas piadas que a sabedoria popular tem inventado
sobre isso, e muitas vezes se diz que não há nada menos feminino
do que uma feminista. Tudo isso, é claro, está enraizado na teoria, e
não foi outra senão a feminista radical Naomi Wolf que, na década
de 1990, publicou O Mito da Beleza, onde disse ao feminismo que a
beleza feminina era outra das tantas opressões que o “patriarcado”
onipresente e amaldiçoado havia criado. Idéias como essas ajudam
a entender por que geralmente achamos que, independentemente
do que cada uma traz por natureza, há um esforço para acentuar a
fealdade[290] como uma maneira de construir uma identidade
estética pessoal em mulheres que militam e se comprometem com a
causa do feminismo radical de nossos tempos. Ocorre que o próprio
feminismo acaba se apresentando como uma ideologia
extremamente totalitária, na medida em que subordina as múltiplas
dimensões da vida pessoal (incluindo a maneira pela qual
apresentam rostos e corpos à sociedade!) a um único critério
político-ideológico que ordena todo o resto.
Voltando ao nosso tema central, outra questão que serviu ao
feminismo argentino para se tornar visível e conseguir apelos
realmente importantes é a chamada “violência de gênero”, um
problema que está na boca de todos e é a causa de numerosas
manifestações em todo o mundo. Foi assim que a marcha
#NiUnaMenos foi convocada em 2015, na qual milhares de pessoas
compareceram com a finalidade expressa e exclusiva de repudiar a
violência de determinados homens contra as mulheres e pedir por
uma reação do Estado (que consideramos muito louvável); mas
isso, em grande medida, tornou-se a desculpa de organizações
feministas para promover sua luta pelo genocídio contra o nascituro.
Com efeito, a manifestação foi rapidamente invadida por cartazes
em favor do aborto que diziam “Para dizer nem uma a menos é
preciso legalizar o aborto”. Além disso, entre os pedidos mais
destacados da manifestação foi encontrada a “regulamentação da
totalidade dos artigos da Lei Nacional 26.845, de Proteção Integral
da Mulher, com aprovação do orçamento acordado”. Esta lei,
desconhecida pela grande maioria dos que participaram da
manifestação, em seu artigo 3, parágrafo e), estabelece o direito das
mulheres de “decidir sobre a vida reprodutiva, o número de
gestações e quando tê-las”. O que obviamente inclui a decisão de
matar ou não matar o ser que, carregando um DNA diferente do
seu, eventualmente se encontre em seu ventre. Milhares de
pessoas assinaram petições com esse título, sem conhecer
detalhadamente o que elas estavam endossando.
Mas, além dessa manifestação particular, vamos refletir
brevemente sobre a chamada “violência de gênero”. Seria
interessante perguntar em primeiro lugar: por que a violência
deveria ter gênero? Levantar a questão sob nenhuma circunstância
implica em defender a violência contra as mulheres, exercida por
bestas que se chamam homens; antes do fanatismo dos slogans, é
sempre bom deixar algumas coisas claras. Levantar a questão não
envolve a intenção de relativizar o problema em questão; pelo
contrário, o que a questão encerra é a intenção de tornar o
problema mais refinado. Pois somente admitindo que a violência
não tem gênero podemos começar a ver uma situação muito mais
completa que aquela que apresenta uma visão que corta a realidade
social pelas faixas de gênero: o problema é a violência como tal.
Para começar, na Argentina, 83,6% dos assassinos são
homens e 16,4% são mulheres.[291] Isso prova que temos que nos
preocupar mais com o primeiro que com o segundo? A questão é
tão ridícula quanto o próprio fato de analisar o problema da violência
a partir de uma perspectiva de gênero. O problema é a violência,
independentemente do sexo. Caso contrário, o que se instala é uma
idéia tão falsa que foi de fato instalada em nossas sociedades: que
a violência de gênero é simplesmente a agressão do homem contra
a mulher, e que essa agressão é motivada em todos os casos por
um ódio de gênero. De fato, desde a própria Nações Unidas, a
violência de gênero foi definida como “aquela que atinge indivíduos
ou grupos com base em seu gênero”,[292] embora a aplicação diária
que é dada seja simples e exclusivamente a violência do homem em
relação às mulheres que, independentemente dos motivos reais,
aceitam o ódio ao sexo feminino como tal. Um grupo feminista, por
exemplo, define violência de gênero como “violência endêmica em
relações íntimas entre os dois sexos, iniciada por homens contra
mulheres com o objetivo de perpetuar uma série de papéis e
estereótipos criados para continuar com a situação de desigualdade
entre homens e mulheres”.[293] Isso é o que foi introjetado no senso
comum de nossas sociedades. Mas essa afirmação é
completamente ideológica, porque não só carece de apoio empírico,
mas há vários estudos que provam que as mulheres também podem
iniciar a violência contra os homens e, de fato, isso acontece com
freqüência.
Aqui está um breve passeio por alguns deles: em um estudo
longitudinal realizado nos Estados Unidos por Murray Straus e
Richard Gelles com mais de 430 mulheres vítimas de maus-tratos,
verificou-se que o homem deu o primeiro golpe em 42,6% dos
casos, enquanto a mulher fez isso em 52,7%.[294] A Pesquisa
Nacional de Violência Familiar nos Estados Unidos (1990) descobriu
que homens e mulheres tinham a mesma probabilidade de atacar
seu parceiro no contexto de um conflito.[295] O Departamento de
Justiça dos Estados Unidos analisou os 75 maiores condados
judiciais e descobriu que de 540 assassinatos entre os cônjuges, em
318 (59%) casos a vítima foi do sexo feminino, e em 222 (41%)
casos quem terminou morto foi o homem.[296] Martín Fiebert, da
Universidade da Califórnia Long Beach, com base em 117 estudos
que reuniram 72.000 casos, concluiu que “a violência doméstica é
mútua e, nos casos em que há apenas um agressor, este é um
homem ou uma mulher igualmente”.[297] Na Universidade de
Hampshire, estudos conduzidos pelo Laboratório de Investigações
Familiares em 1975, 1985 e 1992 descobriram que “as taxas de
abuso eram semelhantes entre maridos e esposas”.[298] No estudo
clássico de Alice Eagly e Valerie Steffen sobre a violência,
descobriu-se que os homens são pouco mais violentos do que as
mulheres.[299] Em uma pesquisa realizada na Universidade de Lima,
verificou-se que as mulheres atacaram psicologicamente em 93,2%
dos casos, enquanto os homens em 88,3%, e fisicamente as
primeiras em 39,1% dos casos, contra 28% por parte dos homens. A
Universidade Nacional do México, com a ajuda de dados do Centro
de Atenção à Violência Doméstica no México, descobriu que 2 em
cada 50 homens são vítimas de violência física e psicológica por
parte de sua parceira (algo semelhante foi encontrado na Coréia,
Japão, Índia e outros países da América Latina).[300] Na Espanha,
segundo dados do Ministério do Interior do ano 2000, o número de
vítimas entre os cônjuges naquele ano era de 64 mulheres (59,26%)
e 44 homens (40,74%),[301] embora os casos em que a pessoa
acabou morrendo foi muito maior entre as mulheres (44 contra 7),
no entanto, se acrescentarmos nessa análise os casais de fato e os
amasiados, os números voltam a aproximarem-se (67 mulheres
assassinadas contra 44 homens assassinados).[302] A socióloga
Suzanne Steinmetz publicou um artigo no qual demonstrou que os
homens também poderiam ser vítimas de violência doméstica, o que
lhe rendeu “ameaças de morte contra ela e seus filhos”.[303] Daniel
O'Leary et al. usaram uma amostra nacional representativa de
jovens adultos e descobriram que 37% dos homens e 43% das
mulheres relataram terem sido violentos contra seu parceiro pelo
menos uma vez durante o ano anterior.[304] Em Kentucky (Estados
Unidos), a Law Enforcement Asistance Administration estudou
casais com problemas violentos, descobrindo que 38% dos ataques
eram de mulheres contra homens. Na Inglaterra e no País de Gales,
a British Crime Survey revelou que 4,2% das mulheres e 4,2% dos
homens relataram ter sido agredidos fisicamente pelo parceiro.[305]
Outro estudo na Inglaterra, o de Michelle Carrado et al. examinaram
1.955 pessoas e descobriram que 18% dos homens e 13% das
mulheres disseram ter sido vítimas de violência física pelos seus
parceiros em algum momento das suas vidas.[306] No Canadá,
Reena Sommer da Universidade de Manitoba realizou uma
investigação de vários anos e descobriu que 26,3% dos homens
admitiram ser fisicamente violentos contra a parceira em algum
momento, em comparação com 39,1% das mulheres que admitiram
o mesmo com relação ao homem.[307] Na Nova Zelândia está o
“estudo de Dunedin”, no qual 1.020 pessoas foram examinadas por
vinte e um anos, e onde foi descoberto que 37% das mulheres
relataram ter sido violentas com seus parceiros, enquanto 22% dos
homens admitiram o mesmo.[308]
É surpreendente que, à luz desses dados que provam que a
violência não é exclusiva de um sexo, exista, no entanto, tanto
desequilíbrio entre o interesse dado ao caso da violência do homem
contra a mulher em comparação com a importância que se dá a
violência da mulher contra o homem (na verdade, esta última é uma
causa de humor em nossas sociedades). A academia não parece
muito interessada quando a vítima é do sexo masculino. Os
pesquisadores Ann Frodi, Jacqueline Macaulay e Pauline Thom
revelaram, por exemplo, que dos 314 estudos sobre violência
conduzidos ao longo de sete anos, apenas 8% estavam
preocupados com a violência feminina.[309] Em outros casos,
quando os números não fecham como o desejado, eles são
diretamente suprimidos, como foi o caso de um estudo conduzido
por Leslie Kennedy e Donald Dutton no Canadá para investigar a
violência entre parceiros, que trabalhou com 707 homens e
mulheres. Foram-lhes feitas perguntas para determinar quantas
vezes exerceram violência contra o parceiro. Curiosamente, os
dados sobre as respostas das mulheres foram omitidos do trabalho
publicado no Canadian Journal of Behavioral Science, e foi então
amplamente citado em um relatório da Câmara dos Comuns,
chamado “A Guerra contra as Mulheres”, que foi usado para
justificar onerosos programas e políticas públicas de gênero. No
entanto, alguns anos depois foram obtidos os dados que
deliberadamente não haviam sido publicados, sendo possível
verificar que as taxas de violência eram semelhantes: 12,8% dos
homens admitiram ter praticado violência contra as mulheres,
enquanto 12,5% das mulheres admitiram o mesmo contra os
homens.[310] Na Argentina, é interessante dar uma olhada no
Manual Masculinidades, um livro produzido e distribuído pelo
governo argentino no tempos de Cristina Kirchner, em que explica:
“Chamamos [a violência] ‘de gênero’ porque são atos de violência
perpetrados contra alguém em função de seu gênero, isto é, porque
é uma mulher, ou porque é um homem efeminado, ou porque é uma
pessoa transexual”.[311] Isto é, é exercido contra qualquer pessoa
com exceção do homem heterossexual. Há algo mais sexista do que
pedir justiça apenas para um sexo? Aquele que pede justiça para
alguns e não para os outros, não está reivindicando justiça de forma
alguma.
Finalmente, explicamos que, enquanto a violência de gênero é
definida como aquela motivada pelo ódio em relação ao outro sexo,
o uso dessa categoria foi estendido a todos os casos em que uma
mulher é atacada por um homem, criando a falsa impressão de que
a violência que vai nessa direção é sempre determinada pelo ódio
sexual e que estamos imersos em uma “guerra de homens contra
mulheres”. Mas esse reducionismo não poderia explicar, por
exemplo, por que nos Estados Unidos se descobriu que a violência
em casais de lésbicas e homossexuais é tão ou mais freqüente do
que a que ocorre em casais heterossexuais.[312] Será que aqueles
que desencadeiam comportamentos violentos são movidos por algo
um pouco mais complexo e variante do que a simples aversão pelo
outro sexo? Assim, seria muito mais interessante mudar a palavra
“violência de gênero” para uma muito menos ideológica, que não
limitasse os motivos de violência somente a um, como a categoria
“violência familiar” ou “violência entre o casal”. Eis a compreensão
da violência como um todo, levando em conta que homens e
mulheres podem ser violentos uns com os outros e por causa das
mais variadas causas, podemos avançar com muito mais força na
erradicação da violência como tal.

***

Vimos algo aqui sobre algumas organizações locais e suas


principais bandeiras e demandas políticas e ideológicas. Elas são
uma constante na maioria dos grupos feministas do mundo, embora,
é claro, quando em determinado país se consegue, por exemplo, a
legalização do aborto, o feminismo, longe de desaparecer com a
realização do objetivo em questão, se move para uma nova fase em
que a aposta é dobrada. De fato, parece que o feminismo tem, em
termos gerais, uma agenda cuja realização está gradualmente
ocorrendo, onde cada passo alcançado leva a uma reivindicação
mais radical. Portanto, o estágio da radicalidade não é o mesmo em
todos os países. Na Argentina, por exemplo, não é freqüente
encontrar, pelo menos não de maneira tão visível, a articulação que
o feminismo tem feito, a partir da teoria e muitas vezes desde a
práxis, de práticas como a pedofilia, que em outros países onde os
objetivos tais como a legalização do aborto (central para o
feminismo latino-americano) já é coisa passada porque já foi
cumprida. Um caso proeminente a ser mencionado a esse respeito
é o da Associação Feminista Holandesa, que assinou petições
públicas para obter a legalização da pedofilia. Estritamente falando,
não são poucas as organizações feministas européias e americanas
que têm laços estreitos com organizações pedófilas como NAMBLA
(North American Man/Boy Love Association) e o IPCE (International
Pedophile and Child Emancipation). Como referência do ativismo
feminista que começou a expressar suas demandas com a pedofilia
sobressaem os casos de Pat Califia,[313] Camille Paglia,[314]
Katharina Rutschky e Gisela Bleibtreu-Ehrenberg.
A questão não é menor em vista do impressionante lobby para
normalizar a pedofilia que está sendo levado adiante, usando as
ferramentas conceituais da ideologia de gênero que, como vimos,
nos repete que tudo sobre a nossa sexualidade é uma simples
“construção social” que deve ser destruída. Por que devemos nos
abster de fazer sexo com crianças por causa de critérios tão
“arbitrários” e “culturais” quanto a idade? Isso já se perguntavam
muitas feministas radicais da terceira onda como vimos. Alguns
fatos ilustram o atual estado de coisas: as principais instituições
acadêmicas como a Queen’s University (Canadá) já tem
“educadores” como o professor emérito de psicologia Dr. Vernon
Quinsey que argumentam que a pedofilia é apenas uma “orientação
sexual a mais”, comparável à heterossexualidade ou à
homossexualidade; sistemas judiciais começaram a estabelecer
jurisprudência em favor da pedofilia, como o caso da recente
decisão do Supremo Tribunal de Apelações da Itália, que beneficiou
um homem de sessenta anos que manteve numerosas relações
sexuais com uma menina de onze, com base de que o ato teria sido
consentido por ela (faz-nos lembrar dos argumentos hilários de
Firestone); em outros países se está buscando legalmente reduzir a
idade mínima do consenso sexual, como no Reino Unido, onde está
sendo debatida a proposta de Barbara Hewson para abaixá-la para
treze anos (idade legalizada no Irã); A Associação Psiquiátrica
Americana (APA) em uma das edições recentes do seu popular
“Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais” (2013),
desclassificou a pedofilia como um “transtorno” (note a estratégia:
há dez anos foi considerada “doença”) e a colocou na categoria de
“orientação sexual”, embora na edição posterior houvesse uma
retificação (ainda não haviam condições para dar este passo?); o
prestigiado Psychological Bulletin, publicado pela mesma APA,
alguns anos antes já havia publicado o estudo intitulado A Meta-
Analytic Examination of Assumed Properties of Child Sexual Abuse
Using College Samples (1998), realizado por professores da
Universidade de Michigan, Universidade de Temple e da
Universidade da Pensilvânia, onde se encontrava que o abuso
sexual de menores “não causa conseqüências negativas a longo
prazo” e, portanto, concluiu que “o sexo consensual entre crianças e
adultos, e entre crianças e adolescentes, deve ser descrito em
termos mais positivos, como ‘sexo adulto–menor’”(observe o
significado da batalha cultural no nível da linguagem); na Holanda,
inclusive, foi legalizado um partido político declaradamente pedófilo
(“Caridade, Liberdade e Diversidade”),[315] e há um grupo de
sexólogos que pede para legalizar a pornografia infantil, entre os
quais estão Erik Van Beek e Rik van Lunsen, que sugeriram que
seja o Estado a controlar, produzir e distribuir o conteúdo erótico a
pedófilos, argumentando que “se a pornografia infantil virtual é
produzida sob estrito controle governamental, com um selo que
mostra claramente que nenhuma criança foi abusada, poderiam
oferecer aos pedófilos uma maneira de regular seus impulsos
sexuais”;[316] o esquerdista Partido Verde da Alemanha também
apoiou por um longo tempo a causa do movimento pedófilo, e
descobriu que um atual euro-deputado desta facção política
confessou em um livro de sua autoria (publicado em 1975) ter
mantido relações sexuais com várias crianças enquanto trabalhava
em uma creche; nos Estados Unidos, um grupo de pedófilos
declarou o dia 23 de junho como o “Dia Internacional do Amor às
Crianças”, que é todos os anos também celebrado no resto do
mundo. Tudo isso está sendo levado adiante, sublinhemos, de
acordo com as ferramentas da ideologia de gênero, que teve sua
origem na teoria feminista. Na verdade, existem reconhecidos
ativistas e ideólogos de gênero que estiveram envolvidos e até
mesmo condenados por relações sexuais com menores, como o
psicólogo Jorge Corsi, um ex-professor da Universidade de
Palermo, que dava seminários, como o intitulado “A Construção do
sexo masculino e a violência” e, além disso, foi convocado por uma
comissão para elaborar um projeto de lei sobre “violência de
gênero”. O fato era que Corsi acabou preso por fazer parte de uma
rede de pedófilos que faziam festas sexuais com crianças; diante
das acusações, defendeu-se argumentando: “muitas das coisas que
estão sendo julgadas têm a ver com visões discriminatórias”;
“pedofilia não é um crime”; “se estamos evoluindo para a
despatologização de coisas que antes considerávamos patológicas,
pode ser que isso também aconteça”.[317] Não é isto uma confissão
de sua parte sobre a estratégia progressista que já explicamos?
Outras excentricidades que afetam as liberdades individuais
também foram inseridas no plexo das demandas políticas do
feminismo nos países desenvolvidos. O Partido de Esquerda da
Suécia,[318] por exemplo, apresentou um projeto de lei que obriga os
homens a urinar sentados, como as mulheres têm que fazer.[319] O
Partido Liberal deste mesmo país, por sua vez, propôs legalizar o
incesto e a necrofilia (fazer sexo com os mortos).[320] A pressão
ideológica e política sobre a empresa de brinquedos TOP-TOY tem
sido tão forte que a condenaram socialmente por apresentar em
seus catálogos meninos vestidos como super-heróis e meninas
como princesas. No final, eles tiveram que se reacomodar às
demandas hegemônicas e agora ilustram suas propagandas com
meninos brincando com bonecas e garotas atirando com
metralhadoras. Na Suécia, também podemos encontrar uma forte
pressão para mudar a própria linguagem do Estado: recentemente,
um novo artigo “neutro” foi incluído no idioma sueco, hen, que não
teria o fardo de gênero como han (ele) e hon (ela). Na Alemanha,
não só estão sendo feitos experimentos com a linguagem em
centros de educação pré-escolar, mas também com a maneira de se
vestir e, dessa forma, os meninos são encorajados a escolher
roupas de meninas e as meninas a escolher roupas de meninos;
ambos também não podem ser tratado como “ele” ou “ela”, para não
“incutir estereótipos de gênero”.[321] No Canadá, o primeiro-ministro
Justin Trudeau diz que as famílias devem “criar filhos feministas”[322]
e um projeto está sendo considerado para mudar o próprio hino
nacional, a fim de remover elementos “patriarcais”. Além disso, é
deste país a famosa ativista feminista Anita Sarkeesian, que quer
proibir os jogos de vídeo-game da Nintendo argumentando que a
companhia “usou as fantasias de poder de adolescentes e homens
heterossexuais para vender mais jogos de vídeo-game”; o famoso
“Mario Bros” seria um dos mais “patriarcais” porque “de todos os
jogos da saga Mario, a princesa aparece em 14 cenas e é
seqüestrada em 13.”[323] Vale acrescentar que Sarkeesiano costuma
andar pela ONU solicitando que a Internet seja censurada para lutar
contra aqueles que não aderem ao feminismo.[324] Acusações
similares as do patriarcal Mario Bros foram endereçadas contra o
cartunista dos quadrinhos Spider-Woman (“Mulher-Aranha”) da
Marvel, acusado de ser “sexista” na forma como ele retrata as
mulheres; por causa da controvérsia desencadeada pela revista em
questão, o artista acabou sendo substituído pela empresa.[325] Na
Espanha, encontramos o partido chavista “Podemos”, em que milita
a líder feminista Beatriz Gimeno (deputada autônoma), que disse
que “a heterossexualidade não é a maneira natural de viver a
sexualidade, mas uma ferramenta política e social com uma função
muito concreta que as feministas denunciaram décadas atrás:
subordinar as mulheres aos homens”; no que a deputada chama a
fomentar “a não-heterossexualidade”, já que “a heterossexualidade
causa danos às mulheres”.[326] Faltará muito tempo para que os
esquerdistas do Podemos proponham a proibição da
heterossexualidade? Não sabemos. O que se sabe é que neste país
já se apresentou um projeto de lei para proibir a “cantada”,
estabelecendo uma multa de prisão e até uma sanção financeira de
3.000 euros para quem se atreva a cantar uma mulher[327] — na
Bélgica já existe uma lei sobre o assunto que condena as cantadas
com uma multa entre 50 e 1.000 euros e penas de até um ano de
prisão; na Argentina já existem alguns projetos semelhantes a
caminho. A Andaluzia, por sua vez, já tem inspetores do Estado que
vigiam zelosamente professores, professoras e alunos para que não
usem linguagem impregnada de gênero: “alunado” deve ser usado
em lugar de “alunos”; “professorado” em vez de “professores”; “a
adolescência” em vez de “adolescentes”; “pessoal de investigação”
em vez de “investigadores”, entre outras ocorrências desse estilo.
[328] O governo autônomo do País Basco, por sua vez, quer proibir o

futebol nas escolas porque é um “jogo machista” e acabar com “a


distribuição sexista das áreas de recreação”.[329] Na França, grupos
de feministas conseguiram que a população da cidade de Cesson-
Sévigné proibisse a palavra “mademoiselle”, equivalente a
“senhorita”, como “discriminatória” e “machista”, porque revela o
estado civil sem que exista um correspondente masculino.[330] Na
Inglaterra encontramos o movimento Justice for Women, cuja co-
fundadora Julie Bindel (colunista do The Guardian) pensa e propõe
que os homens têm de ser confinados em campos de concentração
— “as mulheres que queriam ver seus filhos ou entes queridos
masculinos poderiam ir visitá-los, ou retirá-los, como um livro da
biblioteca, e depois trazê-los de volta” — e espera “que a
heterossexualidade não sobreviva”.[331] Na América Latina,
particularmente na Colômbia, as feministas estão coletando
assinaturas para proibir os mariachis, já que “as letras destas
canções perpetuam, celebram e reforçam padrões patriarcais de
comportamento.”[332] A lista é, francamente, inesgotável. Mas esses
casos servem como uma amostra de onde vem o problema.
Além de tudo isso, vale a pena notar que alguns aparatos
repressivos do Estado já estão sendo gradualmente postos em ação
contra aqueles que ousam criticar o feminismo. Isto começa a tomar
um alto grau de seriedade, porque o perigo para aqueles que não
subscrevem a ideologia de gênero não mais seria dado apenas pela
reação violenta de grupos e ativistas, mas pelo poder de polícia do
Estado. Há um caso que se tornou emblemático: em novembro de
2012, o canadense Gregory Alan Elliott foi demitido de seu emprego
e preso pela polícia de Toronto por ter discutido acaloradamente
pelo Twitter contra as feministas Stephanie Guthrie e Heather Reilly.
[333]
Se a militância feminista radical continuar a introduzir suas
proibições e perseguições, não seria exagero intuir que em breve
estaremos na porta de uma verdadeira “ditadura de gênero”.
Breve comentário final da primeira parte

Acreditamos que chegamos a este ponto tendo dado um


vislumbre da evolução do feminismo desde sua gênese até nossos
dias, não apenas do que faz a ideologia feminista como tal, mas
também das suas práticas concretas. Bem, neste caso, é necessário
dar um breve comentário final.
O feminismo teve uma origem nobre. Homens e mulheres
lutaram pelo acesso feminino aos direitos de cidadania, e isso
representou um avanço para todas as sociedades que cumpriram
com essas exigências. Mas quando o marxismo tornou-se o chefe
do feminismo, definiu e difundiu uma ideologia nociva de que “o
homem é o burguês e a mulher o proletariado” (Engels), injetando a
noção de um conflito insolúvel entre os sexos: “A guerra contra as
mulheres”, parafraseando um projeto contemporâneo do Parlamento
canadense.
A velha esquerda havia há muito tempo encontrado na mulher
um grupo social muito importante para sua revolução, mas
subordinou-a à luta dos trabalhadores. Era a revolução de classe
que libertava os sexos, e não a revolução dos sexos que libertava
as classes. Mas isto mudou com o início da crise do quadro
filosófico — produto por sua vez de crises políticas e econômicas —
que alimentou o comunismo ortodoxo: surgiu em seguida uma “nova
esquerda”, ansiosa por encontrar novos grupos sociais — diferentes
do “proletário aburguesado” — que pudessem ser guiados na luta
anticapitalista contra as superestruturas sociais e morais que
supostamente sustentam o sistema. E assim vieram as feministas
do gênero, dispostas a “desconstruir” até mesmo a nossa própria
natureza humana no âmbito de uma batalha cultural declarada, a tal
ponto que eles acabaram afirmando um paradoxo, que a mulher não
existe.
É impossível não se surpreender com a distância inelutável que
separa os primórdios do feminismo de sua atualidade radical. A
continuidade parece ser simplesmente de nome, obrigando-nos a
parar e fazer a seguinte pergunta: não seria conveniente, a fim de
evitar generalizações equivocadas, chamar por outro nome as
mulheres que lutaram séculos atrás por causas nobres? Ou então,
chamar de outra maneira nossas feministas radicais de hoje?
Alguns já começaram a usar essa estratégia, tendo batizado o
último grupo com o engenhoso rótulo de “feminazis”, em referência
ao seu ódio político declarado baseado em critérios sexuais. Outros
usam a palavra “misandria” para marcar seu caráter inverso da
ideologia “machista”. Dado que é a linguagem o terreno principal de
sua luta cultural, acho interessantes não só estes exemplos, mas
também o inovar com formas de nomear esses grupos, e evitar a
confusão que eles mesmos promovem para dar a sensação de
aprovação geral para a sua causa.
De fato, o “feminismo” é um rótulo que normalmente desperta
simpatias quase automáticas, e nosso inconsciente coletivo
automaticamente associa com objetivos nobres, como a luta para o
acesso aos direitos políticos ou o combate à violência contra as
mulheres. Mas temos certeza de que uma esmagadora maioria das
pessoas que podem ter lido este livro e que chegaram a esse ponto
em sua leitura, mesmo considerando-se “feministas”, não tinham
conhecimento prévio da maioria das informações fornecidas aqui.
Os únicos que podem aproveitar essa confusão gerada são as
feministas radicais. Para muitos poderiam argumentar: o que foi
descrito aqui não é feminismo, é um radicalismo, é um extremismo
que nada tem a ver com o “feminismo real”. Mas a verdade é que
este radicalismo exposto aqui não só se autodenomina “feminismo”,
como, apesar daqueles que pensam que o feminismo é outra coisa,
o é o feminismo mainstream no mundo político e acadêmico;
ademais, sua força como um movimento ideológico nos aparece
como uma curva que ascende vertiginosamente e que já impõe suas
demandas em muitos pontos do planeta, sem praticamente ninguém
se atrever a enfrentá-la.
PARTE II

Homossexualismo Ideológico por Nicolás Márquez


Capítulo 1: Comunismo e sodomia

A “homofobia” marxista

Dos grupos sociais que o neocomunismo cooptou como


bandeira revolucionária para sua renovada causa se encontra um
que, paradoxalmente, a esquerda mais ortodoxa tradicionalmente
odiou, marginalizou, demonizou e confinou em campos de
concentração tanto quanto pôde: a comunidade homossexual.
Para começar, foram os mesmíssimos ideólogos do comunismo
os que abominaram a sodomia e o próprio Friedrich Engels que, em
carta dirigida em 1869 ao seu amigo e camarada Karl Marx, sobre o
problema homossexual se referiu nos seguintes termos: “Isto que
me contas são revelações contra a natureza. Os pederastas
começam a se multiplicar e a dar-se conta de que eles formam um
poder dentro do Estado. Só lhes falta uma organização, porém
parece que isto já existe em segredo. E como estão infiltrando-se
em todos os velhos partidos e inclusive nos novos, desde Rösing a
Schweitzer, sua vitória é inevitável. Por sorte, nós somos muito
velhos para ter medo de ver sua vitória, e ter que dar com nossos
corpos o tributo aos vitoriosos. Porém as novas gerações... De
qualquer maneira, somente na Alemanha é possível que um homem
como este apareça e converta o vício em teoria.
Desafortunadamente, [Karl Heinrich Ullrichs][334] não é
suficientemente valente para confessar publicamente ser ‘isso’ e
todavia tem que agir às escondidas. Porém espera que o novo
código penal do Norte da Alemanha reconheça os ‘direitos do cu’, e
isto mudará bastante. Até para pobres homens como nós, com
nossa infantil atração pelas mulheres, as coisas estão indo mal. Se
alguém pudesse entrar em contato com o tal Schweitzer,
provavelmente nos inteiraríamos de quem são as pessoas das altas
esferas que praticam a pederastia; não seria difícil para ele pois
transita por esses ambientes”.[335]
Não era a primeira vez que a emblemática dupla se referia com
desdém ao assunto. Engels condenou a homossexualidade em
várias passagens de sua obra A Origem da Família, a Propriedade
Privada e o Estado (1884), descrevendo-a como “moralmente
deteriorada”, “abominável”, “desprezível” e “degradante”,[336] tanto é
que Karl Marx respaldou a abordagem apoiando-se no senso
comum: “a relação de um homem com uma mulher é a relação mais
natural de um ser humano com um ser humano”.[337]
E, embora o homossexualismo fosse, com relutância, tolerado
após a Revolução Russa de 1917, o próprio Lenin desconfiava
muito disso:
Parece-me que a superabundância de teorias sexuais [...] surge
do desejo de justificar a própria vida sexual anormal ou excessiva
ante a moralidade burguesa e de suplicar por tolerância ante a
mesma. Este velado respeito pela moralidade burguesa é tão
repugnante para mim quanto é arraigado em tudo o que tem que ver
com sexo. Não importa o rebelde e revolucionário que possa parecer,
ao fim da análise é completamente burguês. É, principalmente, um
hobby dos intelectuais e das parcelas sociais mais próximas a eles.
Não há lugar para ele no partido, no proletário consciente das classes
e lutador.[338]
[Lenin, 1933]

Porém, à medida que Stalin eclipsava o poder de Lenin até


apossar-se por completo da revolução,[339] a sodomia passou a ser
não só desprezada pela doutrina senão combatida pela práxis: “Na
sociedade soviética, com seus costumes sãos, a homossexualidade
é vista como uma perversão sexual castigável, com exceção
daqueles casos em que se manifesta uma profunda desordem
psíquica” sentenciava a Grande Enciclopédia Soviética,[340] em
consonância com o Código Penal Soviético, o qual penalizava a
homossexualidade em seu artigo 121 com ao menos cinco anos de
confinamento nos Gulags: entre 1934 e 1980 foram condenados
cerca de cinqüenta mil homossexuais.
Uma das biografias modernas mais completas publicadas sobre
Stalin nos é oferecida pelo historiador italiano Álvaro Lozano, em
cuja obra Stalin, o Tirano Vermelho dá muitos detalhes acerca do
homem “virtuoso e viril” que o Estado socialista se propunha
construir à força: “Os camponeses, considerados ignorantes e sujos,
foram objeto de campanhas para convertê-los em ‘cultos’. Eles
foram ensinados a lavarem-se e a vestirem-se elegantemente à
maneira soviética, e inclusive se realizou uma campanha para que
os homens fizessem a barba. Uma instrução do Komsomol
assinalava: ‘escovar os dentes é um ato revolucionário’. Fumar era
considerado prejudicial para o ‘corpo soviético’. Um professor,
Nikolai Gredeskul, anunciou criação de homens novos: seriam ‘o
belo homem do futuro’, parte trabalhador parte pensador [...]. A
ordem de Stalin de que vinte e oito milhões de homens bebessem
uma garrafa de vodca por dia durante quatro anos para elevar a
moral garantiu que a seguinte geração de russos tivesse uma clara
tendência ao alcoolismo. [...] O regime impôs um novo rigorismo
moral como expressão da ética proletária do trabalho, e se proibiu a
homossexualidade”.[341] Dentro dessa última perseguição, houve um
caso particularmente divulgado – na medida em que esse sistema
totalitário permitia difundi-lo —, no qual se encarcerou o diretor de
cinema Sergei Paradjanov – condenado em 1974 e liberto após
pagar vários anos de castigo nos campos de concentração. Por
conta de seu calvário, o deputado italiano Angel Pezzana organizou
em sua defesa uma conferência de imprensa no dia 29 de novembro
de 1977 em Moscou, a fim de protestar contra o impiedoso
tratamento que o totalitarismo soviético infligia aos homossexuais.
[342] Finalmente, esta normativa repressiva para com a sodomia se

manteve vigente por décadas e só foi revogada na Rússia em 1993,


durante os abrandados tempos de Boris Yelstin, quando a URSS,
vítima de seu fracasso, já havia sido formalmente desarticulada, no
ano anterior.
Apesar de tudo isso, é notável como muitos homossexuais
durante o Século XX aderiram ou se filiaram ao Partido Comunista
de seus respectivos países (que como se sabe dependiam de
Moscou), tal é o caso do argentino Héctor Anabitarte, fundador de
“Nuestro Mundo”, uma das primeiras ligas sodomitas locais criada
nos anos 60. Foi nessa contraditória militância que a Federação
Juvenil Comunista da Argentina enviou Héctor para a Rússia como
representação e participação dos festejos que ocorreriam por motivo
do 50º aniversário da revolução de outubro. Nesse contexto, o
ansioso emissário entrou em contato com Fedotov, sexólogo oficial
da burocracia moscovita e, ao perguntar-lhe sobre a
homossexualidade, o burocrata russo respondeu secamente: “Na
URSS a homossexualidade não existe”.[343] Anabitarte voltou à
Argentina cabisbaixo e compungido. Pouco depois teve que
abandonar sua militância partidária ao advertir que suas
preferências pessoais não teriam lugar nela.
Quanto ao outro grande aparato de totalitarismo comunista,
nascido em 1949 na autodenominada República Popular da China
após a revolução de Mao Tse Tung, a homossexualidade tampouco
foi privada de perseguição e castigo: os homossexuais eram
condenados não somente a penas de prisão e castração, mas
também recebiam pena capital nos casos de reincidência. Em 1997
a sodomia deixou de ser punida na China quando, ante a escassez
e as fomes ocasionadas pelo coletivismo, o país buscou
“ocidentalizar-se” e assim abrir-se para a economia de mercado.
Nas Américas, para não ser diferente, o comunismo cubano
assinou embaixo da máxima sentenciada pelo ditador Fidel Castro
que rezava: “a revolução não precisa de viado”.[344] Foi quando o
eterno manda-chuva deu vênia para seu subalterno e obediente
fuzilador, o lendário Ernesto Che Guevara – cujo rosto
paradoxalmente costuma ser exibido e enaltecido nas
manifestações homossexuais contemporâneas – para que
desenhasse a partir de 1959 aquilo que foi o tristemente célebre
campo de concentração para castigo de sodomitas situado na
península de Guanacahabibes, verdadeira ante-sala torturante do
que anos depois o próprio castrismo massificou na ilha mediante
numerosos campos de castigos sob o programa da UMAP,[345]
aquela política de repressão estatal que consistiu em seqüestrar
homossexuais e submetê-los a todo tipo de vexames, procurando
com isso a sua reabilitação: “Nunca cremos que um homossexual
possa personificar as condições e requisitos de conduta que nos
permitam considerá-lo um verdadeiro revolucionário, um verdadeiro
comunista. Um tal desvio de natureza choca com o conceito que
temos do que deve ser um militante comunista [...] serei sincero e
direi que os homossexuais não devem ser permitidos em cargos
onde possam influenciar os jovens”[346] declarou o próprio Castro,
que, coerentemente com as suas palavras, em 1968 ditou a
seguinte disposição no Primeiro Congresso Nacional de Educação e
Cultura em Havana: “Os meios cuturais não podem servir de base
para a proliferação de falsos intelectuais que pretendem converter o
esnobismo, a extravagância, o homossexualismo e outras
aberrações em manifestações de arte revolucionária, afastando-se
das massas e do espírito de nossa revolução”.[347]
Algumas passagens meramente ilustrativas sobre o que
durante décadas ocorreu com a sodomia na Cuba castrista (o
paraíso humanitário do bom progressista ocidental) podem ser
vistas no filme baseada em fatos reais “Antes do anoitecer”,[348] que
relata a vida do escritor homossexual Reinaldo Arenas, brutalmente
preso e torturado durante anos pelo castrismo. O próprio escritor
recordou que, pouco depois de Castro chegar ao poder, “começou a
perseguição e se abriram campos de concentração [...] o ato sexual
se converteu em tabu, enquanto que o ‘novo homem’ era
proclamado e a masculinidade exaltada”[349].
Reinaldo Arenas padeceu prisão e tortura até 1980, ano em
que pôde recuperar sua liberdade ao ser autorizado a emigrar para
os EUA, país onde, finalmente, o sofrido escritor passou seus
últimos dias. Padecendo de AIDS, morreu em 1990.

Do extermínio à utilização proselitista

Paradoxalmente, sem maiores intervalos nem explicações


claras, a esquerda do século XXI agita bandeiras em favor da
homossexualidade no afã de promover e glorificar tudo quanto antes
desprezou e destratou com inusual crueldade.
Porém, antes de prosseguir com este tema e refletir acerca
desta assombrosa mutação, consideramos oportuno dar ao leitor o
seguinte esclarecimento: ao referir-nos à homossexualidade de
agora em diante, o faremos tanto aludindo à sua militância como à
ideologia homossexualista que existe nela, porém de modo algum
ao indivíduo ou a indivíduos que, com prudência e descrição,
mantém em sua vida privada uma intimidade de caráter
homossexual. Dito de outro modo, os argumentos que exporemos
ao longo de nossas anotações terão como alvo não o indivíduo que
padece a dita inclinação, mas aqueles que a ideologizam fazendo
dessa inclinação um panegírico, um alarde e uma apologia militante
ao serviço voluntário ou involuntário da esquerda internacional. Vale
dizer, desde estas linhas distinguiremos sempre entre quem padece
de uma tendência homossexual inculpável (que merece todo o
nosso respeito), de quem se dedica ao proselitismo militante ou
ideológico ao serviço da expansão e consolidação de uma agenda
que hoje presta fiel assistência à reciclada causa comunista: ainda
que esta última se venda envolta numa glamourosa embalagem que
pretende apresentar-se em sociedade sob o simpático disfarce da
diversidade igualitária.

Aliança nova e eterna?

Se bem que a história da militância homossexual venha de


longa data, tomaremos como ponto referencial e inicial o ativista
americano Harry Hay,[350] personagem nascido em 1912 e filiado ao
Partido Comunista desde 1934, que, fundindo a dialética marxista à
sua fixação libidinosa, difundiu a imaginosa teoria de que os gays
constituíam uma “minoria cultural” oprimida pela “maioria
heterossexual dominante”; com isto, Harry Hay e seus incipientes
seguidores não só estreitaram laços entre os ativistas de esquerda e
o movimento homossexual – apesar de que na União Soviética os
homossexuais eram destratados —, como, à guisa de propaganda
complementária, procuraram atrair a compaixão daquelas pessoas
sentimentais que, ainda que não fossem homossexuais, se
“solidarizavam” com esta causa ante a presumida “opressão” de que
esta vitimizada “minoria cultural” seria objeto por parte da insensível
“heterossexualidade patriarcal”.
Com estas pretensões dialéticas, o infatigável Harry Hay criou
um primeiro grupo militante, conhecido como a Sociedade
Mattachine, grupo que, segundo ele mesmo confessou, “foi
inquestionavelmente o começo do moderno movimento
homossexual”; seu objetivo era “unificar, educar e dirigir toda a
massa de desviados sociais”.[351] Meta que o próprio Hay promoveu
com seu triste exemplo pessoal, dado que, além de ser líder
homossexual, foi um incansável promotor da NAMBLA[352] (North
American Man/Boy Love Association, associação norte-americana
para o amor entre homens e meninos), aberrante corporação
mundial de pedófilos na qual o próprio Hay palestrava como
convidado de honra de suas repugnantes tertúlias, onde declarava
autoreferencialmente que, quando ele tinha nove anos, vários foram
os homens que o procuraram “e lhe deram a oportunidade de
conhecer o amor e a confiança em idade tão precoce”.[353]
Foi durante essa militância que Hay também se aventurou na
promoção da androgenia, deliberadamente difundida no manifesto
de sua Sociedade Mattachine: “Nós, os andrógenos do mundo,
formamos este coletivo responsável por demonstrar por meio de
nosso esforço que nossas limitações físicas e psicológicas não são
impedimento para que sejamos 10% da população mundial a
contribuir para o progresso social da humanidade”.[354]
Como vimos, nesta espécie de “declaração de princípios”, Hay
faz menção a um dos mitos mais exitosamente repetidos pela
militância homossexual – que perdura até os nossos dias —, o qual
consiste em superestimar a parcela da população que teria tal
conduta sexual, com o objetivo de “normalizar” ou “naturalizar” a
conduta e assim exibi-la como uma prática massificada ou
corriqueira, ainda que na verdade o publicitário número de “10% de
homossexuais na população mundial” não tenha nenhuma
correspondência com a realidade. Vejamos as contas sobre este
último ponto que não é um debate menor.
A origem deste insistente truque matemático consiste em
quantificar a população homossexual em certos dados adulterados
pelo conhecido zoólogo Alfred Kinsey, um psicopata que, ademais
de ser homossexual, era conhecido por sua inclinação à pedofilia e
à zoofilia;[355] ele, em um relatório publicitário dos anos 50,
sentenciava justamente que 10% da população era homossexual
habitual e que ao menos 20% da população mundial mantivera
relações homossexuais em alguma ocasião. Esta fraude
pseudocientífica foi apresentada por Kinsey após “estudar” 5.300
casos de supostos pacientes, sem esclarecer que varias dezenas
dos consultados eram prostitutos particularmente escolhidos, outros
tantos eram pedófilos especialmente selecionados; 1.500 dos
entrevistados eram presidiários e destes mais de 1.200 sequer
foram condenados por crimes alheios ao estudo, mas por crimes
sexuais. Ou seja, de toda esta seleta fauna se nutriu Kinsey para
chegar ao seu número cabalístico e assim concluir que 10% da
população mundial era homossexual. Essa farsa contava com o
agravante nada lateral de que, como foi assinalado, a maior parte da
população estudada era parte da comunidade carcerária – e ainda
por cima condenada por delitos sexuais —, que tem maior
propensão a manter circunstancialmente alguma relação
homossexual – muitas vezes forçada – ainda que condicionada pela
situação de cárcere: “A homossexualidade dos prisioneiros não é
genuína, mas só facultativa ou ocasional, posto que quando podem
buscar uma mulher deixam de apresentar os sintomas
assinalados”[356] confirmou, após suas investigações, o eminente
neuro-psiquiatra chileno Armando Roa. Dito de outro modo: o
relatório Kinsey tem um rigor estatístico similar a tomar um avião até
Paris, pôr-se numa esquina de um bairro de classe média,
entrevistar 5000 transeuntes e então chegar à conclusão de que “a
maioria absoluta da população mundial fala francês”.
Posteriormente, um sem-fim de estudos científicos elaborados
por eminências acadêmicas — e não por pervertidos como Kinsey
que alterava variáveis para auto-justificar suas misérias pessoais –
confirmaram categoricamente que a arbitrariedade numérica dos
“10%” não tinha o menor propósito e que o quantum da população
homossexual oscilava na verdade entre 1% e 2,1% do total da
população mundial,[357] sendo que, além disso, esses números
flutuantes coincidem com aqueles que resultam da média dos
últimos 32 relatórios científicos internacionais mais reconhecidos e
cujos dados compilados de todos e de cada um deles não foram
transcritos por razões de economia, mas que o leitor pode consultar
através do link da nota de rodapé.[358]
Uma vez que tenhamos chegado à confirmação científica de
que a população homossexual é quantitativamente inferior à que
estes ativistas agitam artificialmente no afã de “naturalizar” seus
hábitos, fica mais que claro que esta parcela é muito mais ruidosa
que numerosa, e que seus protestos e reinvindicações não formam
parte de uma “necessidade da sociedade”, e não passam de
discutíveis pretensões de um setor marginal que se tornou poderoso
ao ser patrocinado por centros financeiros do progressismo
internacional,[359] pela intelectualidade de esquerda, pelo centrismo
“bem-pensante” e por parte de uma opinião pública desatenta ou
desinformada.
No entanto, é certo que, ao se multiplicar ficcionalmente os
números de homossexuais (o artificioso “10%”), o então líder Harry
Hay percebeu que se apresentava um enorme mercado cativo para
o seu ativismo político e assim o analisou o jornalista espanhol
especializado no assunto, Rafael Palacios, em A Conspiração do
Movimento Gay, seu documentado livro: “Quando leu que Kinsey
afirmava o mítico 10%, Harry Hay pensou que tinha diante de si o
começo de um movimento político que se definiria ‘não como
pessoas que praticam atos de sodomia’ (como naquela época lhes
denominavam), uma definição com base numa ação, mas como
pessoas que “são determinada coisa”. Em outras palavras: se
gerava, da noite para o dia, uma nova identidade humana, uma
classe social discriminada”,[360] adicionando que então “Harry Hay
se apropriou desta estatística para mudar o conceito de “pessoa que
pratica a sodomia” para pessoa que “é homossexual”, tomando do
comunismo (apesar de que Marx e Engels se opuseram a ele) o
conceito de “minoria oprimida” e criando, literalmente, uma classe
oprimida homossexual.[361]
Tempos depois, por invejas internas, Harry Hay se distanciou
de sua primeira criação (a Sociedade Mattachine) para em seguida
fundar outra camarilha homossexual chamada Radical Faeries
(Fadas Radicais),[362] um grupelho de travestis “neo-pagãos” que
participavam de rituais exóticos disfarçados de fadas. Este pitoresco
clube soube ramificar-se em muitos países, sempre procurando
fundir essas dissipações eróticas com o marxismo, procurando
assim implantar uma visão revolucionária de sua causa ao forçar a
adaptação da “luta de classes” marxista à agenda homossexual.
Conforme escreveu o próprio Harry Hay em seu hilariante livro:
O mundo que herdamos, o mundo da Tradição, inteiramente
orientado e dominado por heteros-machos [...] nossa história, nossa
filosofia, nossa psicologia, nossa cultura e as formas de comunicação
mesmas, tudo, está concebido desde uma perspectiva sujeito-
OBJETO [...]. Os homens e as mulheres são – sexual, emocional e
espiritualmente – uns dos outros [...]. Nós outros, fadas, devemos ser
essencialmente alheios a tudo isso. Porque esses outros com quem
ansiamos ligar-nos, relacionar-nos, deslizar-nos dentro deles, fundir-
nos, são outros como eu, são SUJEITOS. [...] Como EU. As fadas
devem começar a arrancar a asquerosa pele verde de sapo, de
heterodeterminação, e descobrir o encantador não-HOMEM,
conscientemente homossexual, que brilha debaixo daquela pele.[363]
(Hay, 1996)
Confissões dos integrantes das “Fadas Radicais” estabelecem
que eles assumiam em suas reuniões a personificação de uma fada
como uma espécie de “identidade auto-assumida”, idealizando
assim a feminilidade em um homem homossexual. Para muitos
deles, o objetivo de personificar um ente etéreo que expressa
identidade de gênero, de feminino a masculino e todos os pontos
intermediários, é o caminho para “transcender os limites da
condição humana”, segundo as suas próprias afirmações: “O núcleo
espiritual das ‘Fadas Radicais’ era o mesmo que seu fundador Harry
Hay previa para a sua sociedade original, a Mattachine: a convicção
de que os homens homossexuais eram espiritualmente diferentes
das outras pessoas. Eles tinham um maior contato com a natureza,
o prazer corporal e a verdadeira essência da natureza humana, que
abarca o masculino e o feminino” assinala o escritor homossexual
Michael Bronski em sua apologia dedicada ao seu venerado líder,
intitulada O Verdadeiro Harry Hay.[364]
Poderíamos dizer, então, que estes foram os começos e
primeiras tentativas de amálgama visivelmente militante entre
marxismo e homossexualismo, iniciativa nascida nos EUA e que
logo foi assumida e apregoada nesse país por muitos ativistas
posteriores, tal é o caso de Joan Garry, diretora da Gay and Lesbian
Alliance Against Defamation,[365] que, parafraseando os slogans da
revolução comunista na China, sustentavam que o papel de sua
organização consistia em “transformar o coração e a mente das
pessoas”, exatamente a mesma frase usada por Mao Tse Tung para
referir-se ao guerrilheiro camponês em sua revolução armada do fim
dos anos 40. “O movimento homossexual não é um movimento de
direitos dos cidadãos, nem um movimento de liberdade sexual, mas
uma revolução moral”[366] sentenciou o famoso ativista americano
Paul Vernell, que, por conta de seus costumes, morreu de AIDS no
ano de 2011.
Como vimos, na América o movimento homossexual começava
a unificar o seu discurso, suas alianças políticas e sua linguagem.
Capítulo 2: Os pensadores da perversão

A Primeira Geração

Também no começo do século XX, porém, desde o velho


continente e com maior complexidade acadêmica, começavam a
pulular alguns intelectuais cuja pregação serviu de ponta-de-lança
do que mais tarde explodiria como o que hoje conhecemos desta
revolução cultural cooptada pelo comunismo sexualizante do século
seguinte. Dentre essas vozes primogênitas, provavelmente o
pioneiro tenha sido o psiquiatra Wilhelm Reich, nascido em 24 de
março de 1897, no Império Austro-húngaro.
Advindo de uma família judia cuja vida se desenrolava num
âmbito rural, Wilhelm Reich cresceu junto a seus pais, que
conviviam num clima hostil, encenando sempre brigas fatídicas e
momentos de ciúmes entre si. Logo, o próprio Wilhelm adverte que
sua mãe era amante de seu preceptor e não hesita em revelar essa
incômoda situação para seu pai, este último, porém, não pôde
suportar tão ingrata notícia e se suicidou. Estes e outros conflitos
pessoais teriam traumatizado a vida de Reich para sempre e
marcaram o que seriam as delirantes teorias sexuais e
pseudocientíficas que esboçou durante sua desgraçada vida como
pretenso sábio.
Discípulo de Sigmund Freud, Reich se afilou ao Partido
Comunista em 1928 e tentou unir psicanálise e revolução marxista,
não sem incorporar nessa mistura proposições que escandalizavam
a próprios e estranhos. Tanto foi assim que, ante a falta de
“preocupação erótica” no seio do Partido Comunista, Reich exortou
os jovens que apoiassem sua empreitada pansexualista ao anotar
que “a consciência [da juventude] de seu direito de organizar sua
vida [sexual] os obrigaria, inevitavelmente, a lutar por ele. Só precisa
de um suporte, uma organização, um partido que a entenda, que a
ajude e a represente”,[367] e por sua militância partidária criou ele
umas poucas organizações da “juventude trabalhadora para uma
política sexual” (que se denominava SEXPOL), empreendimento
pornô-marxista no qual até o stalinismo pôs ressalvas e não tardou
em expulsar Reich do partido por suas excentricidades
concupiscentes.
Tão comunista quanto luxurioso, Reich sustentava que “a
opressão sexual está a serviço da dominação de classe. Esta se
reoproduziu ideologicamente e estruturalmente nos dominados e
constitui nesta forma a força mais poderosa e menos conhecida de
toda a espécie de opressão”, acrescentando que “a psicanálise
subverte as ideologias burguesas e, dado que a economia socialista
constitui a base para o livre desenvolvimento do intelecto e da
sexualidade, somente no socialismo tem a psicanálise um porvir”,
reflexão que arrematou classificando o ditador Lenin como “o maior
psicólogo de massas de todos os tempos”.[368]
Em seu livro A Função do Orgasmo, Reich sustentava que a
família é uma construção doente — patologia que ele chamava
“familitis” – e que a liberdade sexual seria não somente a cura mas
também um novo método revolucionário: “A sexualidade é o centro
ao redor do qual gira toda a vida social, assim como a vida interior
do indivíduo”, e se queixava de que “as leis patriarcais relativas à
cultura, à religião e ao matrimônio são essencialmente leis contra o
sexo”.[369] Para reverter tamanha injustiça, a revolução marxista
deveria passar não somente pela luta de classes mas também por
uma revolução genital, a qual consistiria em desencadear as
paixões eróticas e promover a infidelidade com a conseqüente
destruição da família: “Conforme a nossa experiência, a relação
sexual extramatrimonial, ou a tendência para tal, constitui um
elemento suscetível de promover grande eficácia contra influências
reacionárias”,[370] sentenciou.
Como bom comunista que era, ao final dos anos 30, Reich foi
morar nos EUA para gozar da liberdade de expressão e assim não
ser incomodado por suas investigações orgásmico-científicas, com
as quais soube ganhar muitos dólares enganando pessoas,
vendendo-lhes produtos e tratamentos de aparência erótica com os
quais prometia solucionar todos os males: até curar o câncer.[371]
Porém, anos mais tarde, se confirmou que suas disparatadas
elocubrações afrodisíacas eram uma verdadeira fraude, motivo pelo
qual foi condenado à prisão pela Justiça em maio de 1956, sentença
confirmada depois pela Suprema Corte em 12 de outubro de 1957;
por isso o pornógrafo, caído em desgraça, entrou para a prisão de
Danbury onde, após ser diagnosticado com esquizofrenia
progressiva, morreu apenas 20 dias após seu encarceramento, no
dia 3 de novembro, na Pensilvânia. Provavelmente um dos melhores
estudos publicados na Argentina sobre a vida e obra deste sórdido
personagem é o elaborado por Enrique Díaz Araujo no início dos
anos 80, que, após analisá-lo de trás para diante, conclui: “Reich era
um farsante ou um louco? Nossa resposta é que as provas apontam
mais para a primeira hipótese que para a segunda, ainda que se
possa admitir uma parcela da segunda hipótese em seus delírios
crônicos. Uma solução de compromisso poderia ser declarar que ele
era um farsante que, depois de tanto praticar o fingimento, já não
podia distinguir onde estavam a verdade e a mentira e acabou
ficando louco. Na dúvida, de acordo com as normas universais do
devido processo legal, caberia considerá-lo inimputável do crime de
estelionato. A evidência material está documentada em todas as
suas obras”.[372]
Contudo, com a morte de Reich sua obra não termina e,
segundo seus seguidores e discípulos, o grande continuador e
aperfeiçoador de sua pseudociência foi o sociólogo alemão Herbert
Marcuse (nascido em 1898), iconográfico expoente da então
nascente Escola de Frankfurt;[373] outro que, como bom comunista,
escapou do totalitarismo europeu para ir viver nos EUA e desde ali
desfrutar do conforto e da liberdade de cátedra – trabalhou nas
Universidades de Columbia, Harvard, Boston e San Diego. Foi,
durante esta aburguesada vida de revolucionário de gabinete que
Marcuse publicou seu influente livro de inspiração freudo-marxista –
texto-chave no tema que nos ocupamos – intitulado Eros e
Civilização (publicado em 1955), no qual sustentava que a
heterossexualidade não era mais que uma imposição da “cultura
dominante” com a finalidade produtiva e reprodutiva. Nesse texto,
Marcuse efetua uma análise da conexão intrínseca entre o “Eros” –
que é o instinto de prazer vinculado à sexualidade – instalado no
incosciente, e a “realidade condicionante” – este último viria a ser
algo similar ao conceito de “Super-Ego” de Sigmund Freud —, que
não é outra coisa que o contexto sociocultural que, segundo o autor,
nos reprime o desejo primário. Logo, o comunista Marcuse termina
culpando o capitalismo por ser a sociedade “repressora” que
deliberadamente censura e obstaculiza o prazer com o fim de que o
homem tenha que trabalhar todo o dia para produzir e subsistir e,
com isto, focalizar toda a sua libido no trabalho “pra lucro dos
poderosos”.
Mas como a “economia de mercado” – segundo erra Marcuse
— explora o homem mais que qualquer outro sistema, então, nesta
maldita sociedade de consumo, aparece o que ele denomina a
“repressão excedente”, quer dizer, aquela repressão conformada por
toda a parafernália cultural do Ocidente (religião inclusa), a qual
busca ex profeso “deserotizar” o indivíduo para que ele concentre
toda sua energia trabalhando:
Os homens não vivem suas próprias vidas, mas desempenham
funções pré-estabelecidas. Ao trabalhar, eles não atendem às suas
próprias necessidades e competências, mas trabalham alienados.
Agora, o trabalho tornou-se geral e, portanto, tem as restrições
impostas à libido: o tempo de trabalho, que ocupa a maior parte do
tempo de vida individual, é um momento doloroso, porque o trabalho
alienado é a ausência de gratificação, negação do princípio do
prazer. A libido é desviada para agir de uma maneira socialmente útil,
dentro da qual o indivíduo trabalha para si mesmo apenas enquanto
trabalha para o aparato social e está envolvido em atividades que
geralmente não coincidem com suas próprias competências e
desejos. [...] O conflito entre sexualidade e civilização se desenrola
com esse desenvolvimento da dominação.”[374]

Logo, insiste Marcuse, a ordem dominante “aceita” apenas as


relações procriativas heterossexuais de tom monogâmico fundada
na conservação da espécie, e é por isso que essa arbitrária “cultura
exploradora” considera como “perversa” qualquer forma de
sexualidade alternativa, pelo que este autor celebra enfaticamente
todas as perversões, uma vez que as considera como uma
expressão de “libertação” diante do sistema: “As perversões
expressam assim a revolta contra a subjugação da sexualidade à
ordem de procriação e contra as instituições que garantem esta
ordem”.[375] Uma vez mais – e agora sob a chancela de Marcuse –
topamos com esta identificação entre a revolução marxista e os
desvios sexuais: os pervertidos seriam os novos proletários
potenciais ante a injusta ordem vigente.
Tão insistente e notória foi a tendência dos personagens da
Escola de Frankfurt de amalgamar o marxismo com heterodoxias
sexuais, que o principal tradutor e intérprete em espanhol das obras
de seus expoentes, o literato argentino Héctor Murena,[376]
advertindo sobre essa estranha simbiose em ascensão, escreveu na
lendária revista Sur em 1959: “Sempre me chamou a atenção a
semelhança das reações do homossexual ante o heterossexual e do
comunista ante o não-comunista. Ambos revelam, como hóspedes
forçados do campo inimigo, uma cordialidade fria e distante por trás
da qual é fácil perceber uma mistura de desdém e ressentimento
[...]. Por que tal contradição? Ressentimento porque ambos
participam de ideologias “igualitárias” [...]. Mas, além do
ressentimento, o desdém. Isso ocorre porque os homossexuais e os
comunistas se consideram, não sem razão, a vanguarda de nosso
tempo”.[377]
Murena foi o primeiro argentino a reagir contra essa forma de
neo-comunismo? Seu texto parece estar adiantado meio século no
tempo.

O patriarca dos progressistas

Embora existissem vários expoentes da Escola de Frankfurt e


pensadores afins que, na primeira metade do século XX, acenderam
a tocha desta espécie de pornô-comunismo que estamos
estudando, a realidade é que o posto ideológico seria tomado anos
mais tarde e com uma difusão internacional muito maior pelo
francês Michel Foucault, uma intrincada personagem nascida em
1926 e cujo auge surgiu nos anos 60, em plena ebulição juvenil-
cultural que levou aos conhecidos eventos de maio de 1968 na
mesmíssima Paris.
Sem a menor intenção de desenhar uma biografia de Foucault,
a verdade é que esse indivíduo não pode ser ignorado, pois foi
direta ou indiretamente o atormentado patriarca doutrinal — ou pelo
menos o mais influente — de tudo o que hoje se chama de
marxismo cultural, e tanto sua pena e como sua pessoa são
referências obrigatórias para todos os intelectuais, ideólogos e
ativistas esquerdistas que o sucederam.
Michel Foucault foi uma personagem multidisciplinar: penetrou
na sociologia, na filosofia, na psicologia e também quis fazer-se
historiador, dedicando sua vida curta e intensa a questionar o
mundo ocidental e suas instituições.[378] E, apesar de se definir
como “nietzschiano”,[379] nem por isso deixou de ser um comunista –
filiou-se ao Partido Comunista francês em 1950[380] —, também
flertou com certas idéias estruturalistas e em suas teses
insistentemente via em toda a ordem que o cercava uma espécie de
conspiração inconstante de dominação por parte do “sistema”[381] de
poder capitalista, cujos dominadores contaminados não eram
necessariamente os detentores dos meios de produção — como
afirmou o marxismo clássico —, mas principalmente os detentores
do “saber”, que Foucault acreditava ser usado pelas faculdades
como um complexo mecanismo criado, não para ajudar o homem,
mas para vigiá-lo e controlá-lo. Inclusive Foucault transpôs a relação
de exploração ou domínio econômico que o marxismo sustentava
aos laços socioculturais interpessoais: o sacerdote em relação ao
paroquiano, o médico em relação ao paciente ou a polícia em
relação ao bandido, por exemplo. Portanto, a maior parte de seus
livros tem por finalidade questionar as instituições nas quais esses
“agentes do conhecimento” atuam: a Igreja, o hospital, e assim por
diante.
Dentro dos sistemas disciplinares que ele denunciou, manteve
sempre um especial furor para com hospitais e, além disso, para
com a medicina.[382] Mas aqui está um detalhe que não podemos
ignorar: Foucault era um bisneto, um neto, um filho e um irmão de
médicos que sempre insistiam e promoviam nele a idéia – que
nunca se materializou — de continuar profissionalmente com essa
tradição familiar. Foucault teria tentado resolver catarticamente os
conflitos familiares em seus escritos, que ele então disfarçou com
um verniz acadêmico revolucionário? A questão é interessante
porque, embora ele não tenha escrito livros auto-referenciais, ele
sempre explorou questões que estavam claramente relacionadas
aos seus traumas pessoais. Por exemplo, sabe-se que Foucault
estava à beira da loucura e na busca provável de sua própria
identidade quando ele escreveu sua obra História da Loucura na
Idade Clássica, publicada em 1961: “Tendo estudado filosofia,
queria ver o que era a loucura: eu estava louco o suficiente para
estudar razão e era razoável o suficiente para estudar loucura”,[383]
reconheceu. Foucault não exagerou quando confessou ter ficado
louco. Na juventude, tentou se matar várias vezes[384], sofreu uma
depressão aguda e, por essa razão, foi levado por seu pai ao
hospital psiquiátrico de Santa Anna, um período em que ele se
familiarizou e se fascinou com a psicologia.
Em seu mencionado livro sobre a loucura, Foucault sustentava
que esta não era uma doença, mas uma classificação injusta e
arbitrária da modernidade capitalista: “Na Idade Média o louco se
movia com liberdade e até mesmo foi visto com respeito, mas em
nossa época confinam-no em asilos e tratam-no como um doente, o
triunfo de uma ‘equivocada filantropia’”[385], anotou. Exatamente o
mesmo argumento usaram os sodomitas foucaultianos ao negar que
a homossexualidade seja uma doença.
A verdade é que Foucault se caracterizou por clamar
insistentemente pelos loucos, os pervertidos e os criminosos, que
ele considerava “vítimas do sistema” e, mais especificamente,
alegava que esses elementos eram parte de uma arbitrária
categorização estigmatizante do mundo moderno: Foucault não
sabia que, na Idade Média, esses párias receberam um tratamento
muito mais hostil do que aquele que ele denunciava?
Justamente, para Foucault, o delinqüente era uma vítima que o
sistema capitalista havia inventado e classificado no contexto dum
mecanismo de controle planejado. Mas se a sua tese fosse
verdadeira, por que então na Rússia soviética, onde o capitalismo
não existia, não havia apenas criminosos, mas estavam lotados e
torturados no Gulag junto com mulheres, idosos e filhos? Antes
disso Foucault minimizava a crueldade do sistema penal comunista,
o qual era de longe muito mais brutal e arbitrário do que qualquer
sistema prisional da órbita capitalista-ocidental.
De fato, o ódio irracional pelo sistema de vida em que ele viveu
(e desfrutou) levou Foucault a não notar que “os excluídos” (com
quem ele fingia preocupar-se) eram muito mais bem tratados na
civilização que denunciava, não apenas em comparação com a
União Soviética, mas também em relação aos campos penais da
China comunista, para não falar do barbarismo das teocracias pré-
modernas do Oriente Médio, que Foucault não só não condenou,
mas apoiou com cruel deslumbramento. Tal é o caso do regime
iraniano do Ayatollah Khomeini (de quem foi panegirista em 1979),
que decepou adúlteros, massacrou prostitutas e enforcava os
homossexuais com habitualidade.
Porém, por mais delirantes que essas posturas soassem, é
indiscutível que suas obras influenciaram e muito em diferentes
disciplinas. Seu livro Vigiar e Punir, por exemplo, é uma espécie de
catecismo da corrente de garantismo-abolicionismo do direito penal,
onde Foucault exalta com entusiasmada admiração a figura do
delinqüente e sustenta que o crime é “um protesto reativo da
individualidade humana” acrescentando que “pode , portanto,
acontecer que o crime constitua um instrumento político que
acabará por ser tão precioso para a libertação da nossa sociedade
como foi para a emancipação dos negros”.[386] O insólito é que este
tipo de absurdo foi levado à sério por muitos advogados de
esquerda e não por acaso, na Argentina, o principal divulgador
foucaultiano tem sido o ativista homossexual, locador de bordeis e
sonegador fiscal Eugenio Zaffaroni, apresentado à sociedade não
como um criminoso – seus erros judiciais sempre tenderam a
desculpar ou justificar os criminosos e delinqüentes sexuais — mas
como uma “eminência jurídica”, benefício de que goza qualquer
degenerado pertencente ao establishment progressista: o falecido
delinqüente e ex-presidente Néstor Kirchner premiou Zaffaroni
nomeando-o Juiz do Supremo Tribunal de Justiça, uma das muitas
vergonhas institucionais que sofremos neste infeliz país.
Nos criminosos, licenciosos, loucos e, em suma, em toda a
escumalha social que considerava “excluídos do sistema”, Foucault
sempre viu o terreno fértil para atentar contra a ordem estabelecida
e promover assim uma revolução: “Existe uma pluralidade de
resistências, cada uma delas é um caso especial”,[387] escreveu em
História da Sexualidade, sua obra inacabada, enquanto chamava os
delinqüentes não para refletirem e cessarem seus crimes, mas sim
para semearem a violência e o caos social com suas próprias mãos,
uma vez que desprezava o poder judiciário e as garantias legais do
estado de direito: “Quando se ensina a descartar a violência, a estar
a favor da paz, a não querer se vingar, a preferir a justiça à luta, o
que é que se está ensinando? Se ensina a preferir a justiça
burguesa à luta social, se ensina a se preferir um juiz à vingança”,
acrescentando que o sistema judicial era um tenebroso mecanismo
de dominação: “O sistema de justiça que se propõe, que se impõe, é
na realidade um instrumento de poder”.[388] Logo, Foucault preferiria
para o delinqüente não o julgamento com um advogado de defesa,
mas a forca, o exílio ou a tortura de outrora?
Tudo indica que, paradoxalmente, seu ódio contra a ordem
existente convertia Foucault involuntariamente num
ultraconservador contrariado, porque de seus escritos se conclui
que ele via seus queridos “marginais” viverem de maneira muito
melhor na Idade Média do que na Modernidade, a qual é a culpada
por marginalizá-los ou estigmatizá-los. Foucault, por acaso, não
sabia que na Idade Média aos loucos, aos pervertidos e aos
delinqüentes se dava um tratamento muito mais hostil que no
mundo que ele questionava através de seus textos e desde a
liberdade de sua cátedra bem remunerada?
Nos parece impensável supor que Foucault desconhecia a
história de uma maneira tão grosseira a ponto de reivindicar
implicitamente uma antiga ordem social que por sua adesão
ideológica esquerdista ele deveria tomar como injusta, e é por isso
que tomamos nota de uma boa interpretação que o sociólogo Juan
José Sebrelifez fez desse intrincado indivíduo, sustentando que
Foucault “manipulava os dados históricos ao seu capricho e às
vezes os falseava; os historiadores o perdoavam por ver nele um
grande filósofo, os filósofos também o desculpavam porque criam
que era um grande historiador”.[389]
Com efeito, Foucault nunca esteve interessado em descobrir a
verdade, mas sim em dar ares de verdade a argumentos enganosos
de aparência científica com a intenção de obscurecer a verdade e
assim dar seqüência à sua doentia batalha existencial contra o
mundo. E talvez esta necessidade traumática e egocêntrica de não
procurar a verdade, senão de sujá-la e ganhar debates foi que o
levou a sentir admiração pelos sofistas gregos: “Eu acho que eles
são muito importantes porque neles existe uma pregação e uma
teoria do discurso que são essencialmente estratégicas;
estabelecemos discursos e discutimos não para alcançar a verdade,
mas para superá-la. [...] Para os sofistas falar, discutir e procurar
alcançar a vitória a qualquer preço, mesmo usando artimanhas
grosseiras, é importante porque para eles a prática do discurso não
está dissociada do exercício do poder”.[390] Quero dizer, Foucault
poderia muito bem ter sido um mentiroso orgânico. Orgânico a
serviço de quem? Provavelmente de suas loucuras e taras
personalíssimas, que não eram poucas: os problemas de identidade
em Foucault foram tão agudos que, em uma carta a uma amiga sua
escrita quando tinha 30 anos de idade, confessou “ter vacilado entre
se tornar um monge ou tomar o desvio dos caminhos da noite”.[391]
Ele escolheu o segundo caminho, e manteve uma vida insana
marcada por drogas, sadomasoquismo e homossexualidade —
eleição de vida que anos depois pagaria muito caro —, sendo o seu
amante mais conhecido o sociólogo comunista Daniel Defert.
E assim como elogiou a loucura e elogiou o criminoso, também
Foucault elogiou a sodomia e a considerou como um tipo de vida
orientadora: “A homossexualidade surgiu como uma das formas de
sexualidade quando passou da simples prática de sodomia a um
tipo de androginia superior, hermafroditismo da alma”,[392]
acrescentando que “a homossexualidade não é um desejo, mas
algo desejável. Portanto, devemos insistir em nos tornarmos
homossexuais”.[393] Declaração bastante inofensiva se comparada
com o sua aberrante apologia da pedofilia: “A propósito”, disse ele
no rádio em 1978, “é muito difícil estabelecer barreiras à idade de
consentimento sexual”, porque “pode acontecer de ser o mais
jovem, por sua própria sexualidade, aquele que deseje o adulto”
exortando então a revogação de todas as sanções penais que
regem crimes sexuais: “Em nenhuma circunstância deveria
submeter-se a sexualidade a algum tipo de legislação... Quando se
pune o estupro dever-se-ia punir a violência e nada mais. E dizem
que é apenas um ato de agressão: que não há diferença em
princípio entre inserir um dedo no rosto de alguém ou o pênis em
suas genitálias”.[394]
Mas Foucault não ficou para trás em sua pretensão
“libertadora”, pois propôs adotar meninos para levá-los viver consigo
e assim manter um “relacionamento enriquecedor”: “Vivemos em um
mundo relacional que as instituições empobreceram
consideravelmente. A sociedade e as instituições que constituem
sua estrutura limitaram a possibilidade de estabelecer
relacionamentos, porque um mundo relacional rico seria
extremamente complicado de administrar. Devemos lutar contra
esse empobrecimento do tecido relacional. Devemos alcançar o
reconhecimento das relações de coexistência provisória, de
adoção”, e então, o entrevistador Gilles Barbedette, seguindo a
lógica do raciocínio de Foucault, perguntou: “GB — [adoção] De
crianças?
MF — Ou — porque não? — de um adulto por outro. Por que
eu não adotaria um amigo dez anos mais novo que eu? E até dez
anos mais velho? [...] deveríamos tentar imaginar e criar uma nova
lei relacional que permita a existência de todos os tipos possíveis de
relacionamentos”.[395]
Como um bom “esquerdista infantil” — arquetipicamente
ridicularizado por Lenin — Foucault gritou contra a atual ordem sem
nunca propor uma saída para o que ele tanto reclamava, e quando
questionado sobre o futuro que ele imaginava ou desejava para a
humanidade, ele se entusiasmava com um mundo marcado por
orgias e alucinógenos: “É possível que o perfil aproximado de uma
sociedade futura seja proporcionado por experiências recentes com
drogas, sexo, comunas”.[396] Está com a razão o pensador Plínio
Correa de Oliveira quando condena: “Se o comunismo não é nada
como força de construção, é algo como força de destruição”,[397] e
Foucault se enquadrava e cumpria perfeitamente essa função
destrutiva.
Assim como é surpreendente observar a ignorância histórica de
Foucault (embora nós suspeitemos que ele alterava dados de
propósito), seus acríticos seguidores aceitam os princípios do livro
de seu conflituoso patriarca e, em seguida, acreditam que antes do
advento do capitalismo, a homossexualidade foi admitida com
alegria e sem preconceito, mas que o advento do capital conspirou
para demonizar essas tendências e, assim, uma “cruel conspiração
hetero-sexista” foi concebida. Sem dúvida, estas afirmações frágeis
são nada mais do que uma repetição do que já havia “dado”
Foucault em seus escritos mais antigos: em 1964, em sua História
da Loucura na Época Clássica, ele observou que “A
homossexualidade, para a qual o Renascimento deu liberdade de
expressão, daí em diante entrará no silêncio, e passará para a
proibição, herdando velhas condenações de uma sodomia já aí
dessacralizada”,[398] e quase uma década depois, em 1975, reforçou
a idéia em sua obra Os Anormais: “Podemos imaginar (...) que a
regra do silêncio sobre a sexualidade apenas começou a vigorar no
século XVII (na época, digamos, da formação das sociedades
capitalistas), porém que anteriormente todos podiam dizer qualquer
coisa sobre ela. Talvez! Talvez fosse esse o caso na Idade Média,
talvez a liberdade de enunciação da sexualidade fosse muito maior
nela do que nos séculos XVIII e XIX. [...] Olhem o que acontece
agora. Por um lado, temos em nossos dias toda uma série de
procedimentos institucionalizados de confissão da sexualidade:
psiquiatria, psicanálise, sexologia”.[399] Mas sete anos depois, em
1982, quando a saúde de Foucault foi corroída pela AIDS, foi ele
que disse exatamente o oposto do que ele sempre pregou, deixando
seus fãs ridicularizados: “O que chamamos de moral sexual cristã, e
mesmo judaico-cristão, é um mito. Basta olhar para os documentos:
essa famosa moral que localiza as relações sexuais no casamento,
que condena o adultério e qualquer conduta não-procriativa e não
matrimonial, foi construída muito antes do cristianismo. Todas essas
formulações são encontradas nos textos estóicos e pitagóricos, e
elas já são tão “cristãs” que os cristãos as retomam tal como
chegam a eles”.[400]
Ou seja, pouco antes da sua morte, Foucault não só renegou
seu historicismo de botequim reconhecendo que o ideal
heterossexual não era “uma invenção moderna”, mas com seu
exemplo pessoal também contradisse sua tese sobre suas
demonizadas “instituições disciplinares”: terminou seus dias
agonizando em um hospital e cercado por médicos, instituição e
agentes que ele sempre desprezou e tratou com desdém em seus
trabalhos mais emblemáticos (tanto em O Nascimento da Clínica.
Uma Arqueologia do Olhar Médico — 1963 — como em seu
trabalho posterior A Microfísica do Poder — 1977). E embora ele
gostasse de falar contra “preconceito e estigma”, quando descobriu
que tinha AIDS, manteve um discretíssimo silêncio e ordenou a seus
amigos e familiares que escondessem um rótulo tão infame.
Embora a militância homossexualista sempre tome Foucault
como sua referência intelectual por excelência, aparentemente não
é tanto pelo que ele realmente fez por ela, porque, enquanto visitava
a cidade americana de San Francisco — que freqüentava envolto
em couro procurando “machões golpeadores” que o penetrassem
sexualmente em banheiros públicos em sessões sadomasoquistas
— manteve uma breve conversa com um jovem gay que se
aproximou dele para lhe agradecer por tudo o que ele tinha feito
pelo “movimento gay” e Foucault respondeu: “Meu trabalho, na
verdade, não tem relação com a liberação gay”. E acrescentou: “Na
realidade eu gostava da situação antes da liberação gay, quando
tudo era mais escondido. Era como uma comunidade subterrânea,
excitante e um pouco perigosa. A amizade significava muito,
significava muita confiança, protegíamos uns aos outros, nos
vinculávamos mediante códigos secretos”.[401]
Homossexual promíscuo, sadomasoquista doentio, comunista
bon vivant, alcoólico perdido, suicida frustrado, fumante
empedernido e drogadicto irrefreável — o consumo de LSD foi o seu
passatempo favorito —, Michel Foucault era o arquétipo humano
perfeito para acabar sendo a idolatrada referência de viciados,
delinqüentes e depravados que a nova estratégia esquerdista tem
cooptado para si, sob as supostas pretensões nobres que aqui
tentamos transparecer, sendo que para sua envenenada herança de
intelectuais que hoje o emulam — em seus textos e em seus hábitos
— Foucault é o ponto de referência obrigatório para promover a
revolução cultural, tão simpaticamente igualitária no mundo
aparente, como perversa e autodestrutiva no mundo real.
A herança envenenada

Avançando nos anos, esta simbiótica tendência ideológica —


marxismo e sodomia — foi bem aprofundada pelo teórico
homossexual Guy Hocquenghem (nascido em 1946, vinte anos
depois de Foucault), romancista francês filiado ao Partido
Comunista (para variar), que tinha entrado nas Jeunesses
Communistes Revolutionaires quando tinha apenas 15 anos de
idade, mas logo percebeu que sua obsessiva falo-adicção era um
obstáculo para ser aceito ante os dogmas de um partido stalinista, e
por isso teve que deixar suas fileiras em 1965: “Na verdade, Guy
tinha lido Freud enquanto chupava picas nas reuniões do partido
comunista francês”,[402] indiscretamente confessou sua principal
discípula e difusora, Beatriz Preciado, outra lésbica comunista
nascida na Espanha que finge ser pensadora e a quem vamos nos
referir mais tarde.
Incompatibilidades partidárias de lado, foi este autor francês
que repotencializou e amplificou esta retorcida conjunção em seu
histórico livro O Desejo Homossexual, lido e tomado como um credo
para todo o ativismo ligado à “ideologia de gênero” tão em voga: “A
sociedade capitalista fábrica o homossexual como produz o
proletário, sucitando a todo momento seu próprio limite. A
homossexualidade é uma invenção do mundo normal”[403] nos diz
Hocquenghem, tentando assim personificar a comunidade
homossexual como o setor “oprimido” pela “heterossexualidade
dominante”. Ele acrescenta: “A constituição da homossexualidade
como uma categoria separada vai ao par de sua repressão”,[404]
sugerindo então que a homossexualidade é tão natural como a
heterossexualidade, mas “o poder dominante” a reprime. “A
homossexualidade atinge todo o mundo; no entanto, é proibida em
todos os lugares”,[405] acrescentando que tanto o comportamento
heterossexual como o homossexual são iguais, mas há uma
“superestrutura moral” imposta pelo capitalismo heterossexista que
subjuga e estigmatiza: “Nenhuma civilização baseada
exclusivamente na dominação pela força de uma forma sexual sobre
todas as demais pode sobreviver por um longo tempo: o colapso
das crenças religiosas precisa de novas barreiras morais
internas”[406] afirma. E comparando a cultura homossexual com o
igualitarismo marxista, em contraposição à sociedade “hierárquica”
(ou seja, capitalista e heterossexual), o rebuscado francês anota:
“Sem filhos [...] A produção homossexual é feita sobre um
relacionamento horizontal não limitativa, a reprodução heterossexual
no modo de sucessão hierárquica”,[407] referindo-se assim à
autoritária sucessão vertical/dominante pai–filho.
Mas como Guy Hocquenghem vê sua pretendida transição de
um marxismo tradicionalmente “homofóbico” a um posterior
“marxismo-abichalhado”, como o que ele propõe? Bem, com pouca
originalidade o autor argumenta que não é suficiente que a
revolução se forje em torno de um conflito fundado nas relações
econômicas entre as classes sociais, como no caso de uma
revolução comunista clássica — com um proletariado vitorioso sobre
as “classes proprietárias” —, mas que a revolução teria que ir um
passo além e não deveria ser o resultado de um conflito entre as
classes econômicas, mas principalmente entre “classes culturais”,
isto é, uma insurgência de subculturas (como a homossexual) que
se rebelassem contra cultura oficial (que seria a heterossexual). Por
que tal readaptação do objetivo revolucionário? Porque, com uma
revolução tradicional, na qual o proletariado se imporia à “classe
dominante”, mudando a relação de forças econômicas, ocorreria
apenas uma transferência de bens materiais e não a mudança de
mentalidade trabalhadora, uma vez que esta ainda seria fortemente
influenciada por “preconceitos burgueses”. Em vez disso, com esta
nova proposta revolucionária que Hocquenghem difunde, a
mudança de paradigma seria não só econômica, mas
fundamentalmente cultural: “Não só um novo modelo revolucionário
é necessário, mas também uma reformulação do conteúdo
vinculado tradicionalmente ao termo revolução”, de modo que o
autor reclama da existência de “um proletariado viril, grosseiro e
arrogante” e, portanto, por mais revolucionários que sejam esses
trabalhadores viris, ao estarem contaminados pela “cultura
heterossexual”, a revolução se tornaria insuficiente: “a burguesia
engendra a revolução proletária, mas ela mesma define o quadro
geral em que a batalha se desenvolve”, diante do que se propõe
“adicionar à luta política e econômica uma luta cultural e sexual”.[408]
Mas Hocquenghem não pregou no deserto e, apesar de sua
vida sexual desenfreada levá-lo a morrer de AIDS em 1988 (aos 42
anos de idade), também soube deixar muitos discípulos com
pregação vigente, como no caso do recalcitrante escritor
homossexual Jacobo Schifter Sikora,[409] um gay costarriquenho que
em seu livro Olhos Que Não Vêem... Psiquiatria e Homofobia
observa não só que o homossexual é uma espécie de tipo humano
superior, mas que é a corrente revolucionária por excelência: “o
patriarcado é um modelo de dominação do homem sobre a mulher;
um sistema de exploração baseado no gênero. Se sustenta no
controle, por parte dos homens, dos aspectos mais importantes da
economia, da cultura, da ideologia e dos aparatos repressivos da
sociedade”, e ante esta injustiça “as mulheres encontrariam no
lesbianismo um refúgio contra a submissão e dominação dos
homens [...] as lésbicas são capazes, através de sua rejeição do
homem, de escapar do controle e das expectativas do patriarcado”,
e por sua vez, este insólito filósofo exalta a superioridade moral do
homossexual: “Os homens gays são seres que, apesar de terem
acesso direto ao poder, o rejeitam e o negam. Não participam do
sistema de domínio sobre as mulheres, eles não têm interesse em
sua submissão. E para piorar, o mundo gay representa a
possibilidade de amor e solidariedade entre os homens. Este
princípio também é subversivo ao patriarcado, porque questiona a
hierarquia, a competitividade e a agressividade, bem como a
necessidade de dominação sobre as mulheres e a natureza”.[410]
Não menos bizarra e influente tem sido na língua espanhola o
escritor e ativista espanhol Paco Vidarte, autor de um escatológico
livro chamado La Ética Marica, no qual, assim como Hocquenghem,
lamenta o sentimento hostil da tradicional esquerda em relação aos
homossexuais e, em seguida, para resolver este “preconceito” infeliz
do proletariado histórico, a bicha prepotente também pretende unir à
luta de classes marxista o pansexualismo liberticida: “Uma ética gay
deveria restaurar a solidariedade entre os próprios oprimidos,
discriminados e perseguidos, evitando colocar ao serviço da ética
neoliberal criptorreligiosa”.[411] E mimetizando o jargão
revolucionário que usavam os marxistas “viris” do século passado,
Vidarte ambiciona uma espécie de “ditadura do proletariado”, em
versão homossexual: “A democracia é por definição, tradição e
futuro heterossexista, homofóbico e transfóbica. Ninguém me venha
com bobagens ou essencialismos democráticos. Até me ocorre
pensar em um totalitarismo que abolisse a homofobia, uma ditadura
não transfóbica”[412] e, em seguida, Vidarte se sai com uma
desagradável exortação militante de inspiração retal: “Fazer do cu o
nosso instrumento político, o mote fundamental da outra militância
LGTBQ, desenhar uma política anal muito básica: tudo dentro,
recebendo tudo, deixar que tudo penetre e para fora soltar apenas
merda e peidos, esta é a nossa contribuição escatológica para o
sistema”.[413] Mas Vidarte não pôde sustentar por muito tempo sua
“malcheirosa contribuição para o sistema”: por seus hábitos
licenciosos, morreu de AIDS no ano de 2008. Tinha apenas 38 anos
de idade.
Mas entre os modernos admiradores foucaultianos, hoje a mais
badalada e credenciada no mundo de língua espanhola é a já
mencionada Beatriz Preciado, uma lésbica comunista nascida em
Burgos (Espanha), que confessou ser viciada no consumo de
testosterona e portadora de uma estética pseudomasculina, dá
aulas de “filosofia de gênero” em Paris e não apenas não se assume
“nem como mulher nem como homem”, mas, para fomentar a
confusão própria e alheia, denomina-se, agora, “Paul” Beatríz
Preciado,[414] para parecer nominal e visualmente como uma
orgulhosa caricatura da maria-moleque de vanguarda: inclusive
aparece em suas aulas com bigodes, que supomos pintados ou
falsos.
Assim como Guy Hocquenghem se queixava que até agora a
revolução comunista tradicional não vinha acompanhada de uma
revolução cultural que desestimasse os “preconceitos burgueses”,
aparece Dona “Paul” e diretamente afirma que é preciso negar as
qualidades de “homem”, “mulher”, “heterossexualidade”,
“homossexualidade”, uma vez que estas não são categorias reais
nem científicas, mas meras “ficções políticas”,[415] ou seja,
invenções feitas pela propaganda heterossexista e, em seguida, o
indecifrável personagem nos convida ao paroxismo do “igualitarismo
sexual”, oferecendo seu texto intitulado Terror Anal, no qual nos
revela que o ânus é algo que todos nós seres humanos temos e que
isto não é apenas algo que nos iguala diante de qualquer
“classificação discriminatória”, mas que o dito orifício confirma a
indiferenciação sexual humana. Porém, de acordo com Preciado,
apesar desta prova antropológica, o capitalismo insensível a fim de
promover a desigualdade nos “castrou” o conceito de ânus como
objeto de prazer erótico, para então impor a desigualdade
enfatizando nas pessoas o conceito de genitalidade (pênis e vagina)
e forçando assim diferenças discriminativas e hierarquizantes entre
as pessoas: “O ânus não tem sexo ou gênero, e como a mão,
escapa à retórica da diferença sexual. Localizado nas costas e na
parte inferior do corpo, o ânus também apaga as diferenças
despersonalizadoras e privatizantes do rosto”. E acrescenta: “O
ânus desafia a lógica da identificação do masculino e do feminino.
Não há divisão do mundo em dois [...] Rechaçando a diferença
sexual e a lógica antropomórfica do rosto e do genital, o ânus (e sua
extremidade oposta, a boca) estabelece as bases de uma igualdade
sexual inalienável: todo o corpo (humano ou animal) é primeiro e
acima de tudo o ânus. Nem pênis, nem vagina, mas tubo oral–anal.
No horizonte da democracia sexual pós-humana está o ânus, como
cavidade orgásmica e músculo receptor não-reprodutivo,
compartilhada por todos. [...] Não se trata de fazer do ânus um novo
centro, mas de pôr em marcha um processo de desierarquização”.
E, em desconcertante discurso retal, acrescenta: “Diante da
máquina heterossexual, se levanta a máquina anal. A conexão não-
hierárquica dos órgãos, a redistribuição pública do prazer e a
coletivização do ânus anuncia um ‘comunismo sexual’ por vir”,[416]
vaticina Preciado, cujas excrementosas composições foucaultianas
alimentam a admiração do seu clube de leitoras, integrado
majoritariamente por lésbicas de ideologia comunista, militância
feminista e adictas às drogas (completinhas as meninas); as quais
festejam a científica elocubração de sua líder, que erige o esfíncter
como fétida bandeira da neo-revolução sexual igualitária.
Mas Preciado não se priva de ir além com suas maquinações e
questiona inequivocamente o injusto “estigma” sofrido pelos
“pobres” pedófilos; e diz:
“As estratégias de conhecimento e controle que levam à
estigmatização ou criminalização sociais estavam movendo-se da
figura do homossexual do século XIX, absorvida e normalizada pela
‘cultura gay’, para a figura do pedófilo como um novo limite do humano
[...] O que significa pedofilia? Qual é a relação política que existe entre
os construtores de idade e de sexualidade? Qual é a máquina social
que a pedofilia encarna? O que esta máquina de pedofilia produz e
consome? Que prazer coletivo a sexualização da infância nos
proporciona? Qual é o desejo sublimado por trás do delírio paranóico
em face da pedofilia? Não é medo de reconhecer os desejos pedófilos
coletivos que se codificam e territorializam através da instituição da
família que nos faz ver e inventar o pedófilo como uma figura de
abjeção?”.[417]

É claro que Preciado, em sua defesa da pedofilia, é uma fiel


discípula de seus ilustres mestres da pornocracia marxista: em 1977
uma petição foi dirigida ao parlamento francês pedindo a revogação
da lei sobre a descriminalização de todas as relações consensuais
entre adultos e menores. Este documento foi assinado por Michel
Foucault, Jacques Derrida, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre,
Simone de Beauvoir, Roland Barthes e Guy Hocquenghem, entre
outros.[418]
Pergunto ao leitor: você deixaria seu filho sob a custódia e a
confiança de alguém do grupo de ideólogos “da diversidade” a qual
nos referimos ao longo do texto?
Se sua resposta for sim, nós valorizamos sua abertura e
imparcialidade. Se a sua resposta for não, nós o parabenizamos
pelo seu senso correto de responsabilidade parental.
Capítulo 3
A batalha psico-política
O diálogo como armadilha de persuasão

Se existe alguma ferramenta usada por esses setores quando


se trata de forjar a confusão e ganhar terreno nessa batalha
psicológica, é precisamente o da linguagem. Para este fim, estes
lobistas não têm poupado em manipular a língua e o significado das
palavras para embasar não só sua propaganda ofensiva, mas
também a quimera amigável do “diálogo” como uma ferramenta de
“persuasão civilizada”: “Não existe dicotomia entre o diálogo e a
ação revolucionária. Não há uma etapa para o diálogo e outra para
a revolução. Pelo contrário, o diálogo é a própria essência da ação
revolucionária”[419] sustentava o agente marxista Paulo Freire, um
pedagogo brasileiro oriundo de Pernambuco (uma espécie de
Antonio Gramsci terceiro-mundista), que tanto influenciou com seu
famoso livro Pedagogia do Oprimido, publicado em 1968. Mas, três
anos antes e com notável vocação visionária, outro brasileiro
nascido em São Paulo, pensando desde os antípodas ideológicos
de Freire, já estava denunciando a incipiente armadilha “dialoguista”
em seu livro Baldeação Ideológica Inadvertida e Diálogo (1965): nos
referimos a Plínio Correa de Oliveira. É nesta imprescritível obra em
que o experiente intelectual advertiu que, desde a técnica do diálogo
as palavras “ecumenismo”, “diversidade”, “pacifismo” e similares,
seriam as que de agora em diante cunhariam a estratégia de
comunicação revolucionária para enganar a população e, assim,
“baldear ideologicamente” para o interlocutor não-esquerdista. Estas
palavras especialmente selecionadas foram chamadas por Plínio de
“palavras-talismã” e de acordo com o autor “se tratam de palavras
cujo sentido real é simpático e às vezes até nobre”,[420] porque “os
conferencistas, oradores ou escritores que empregam tais palavras,
só por esse fato, aumentam suas chances de boa recepção na
imprensa, no rádio e na televisão. Esta é a razão pela qual o
ouvinte, o espectador, o leitor de jornais ou revistas encontrará
essas palavras sendo usadas por qualquer motivo, e que
repercutirão mais e mais profundamente em sua alma” e, ante a
isso, os comunicadores terão “a tentação de usá-las com freqüência
crescente e assim eles conseguirão aplausos mais facilmente. E,
para multiplicar as oportunidades de usar essas palavras, vão
utilizando-as em sentidos analógicos sucessivamente mais audazes,
aos quais sua elasticidade natural se presta quase até o absurdo”.
[421] Com este mecanismo de ação psicológica, argumentou Plínio

que “um anticomunista ardente pode ser ‘baldeado’ a um


anticomunismo adepto exclusivamente das contemporanizações,
concessões e recuos”,[422] acrescentando que o objetivo é “debilitar
nos não-comunistas a resistência ao comunismo, inspirando-lhes
um clima propício à condescendência, à simpatia, à não-resistência
e até à rendição. Em casos extremos, a distorção chegava ao ponto
de transformar os não-comunistas em comunistas”. Assim, os
comunistas “esperam melhores resultados da propaganda do que
da força”,[423] uma vez que “já não é mais dos partidos comunistas
existentes em países, mas da técnica de persuasão implícita, que o
comunismo espera a conquista da opinião pública”.[424] Além disso,
Plinio dizia que quanto menos o comunicador estiver relacionado ao
comunismo, mais sua mensagem penetrará nas massas. Não é
coincidência, então, que a “ideologia de gênero” esteja hoje sendo
apoiada por muitos porta-vozes sem ideologias ou semi-cultos,
muitas vezes do mundo do show business, dos esportes ou do
jornalismo de claque: “O Partido Comunista não pode ser mostrado.
Deve escolher agentes de aparência não-comunista, ou mesmo
anticomunistas, que atuem nos mais diversos setores do corpo
social. Quanto mais insuspeito o comunismo parecer, mais eficaz
ele será”,[425] concluiu Correa de Oliveira, com uma certeza
impecável.
Então, com esse consenso comunicacional hegemonizado e as
bases deste “diálogo” sedimentadas, os sofistas de subversão
cultural começam a brincar com as palavras cujo significado foi
previamente manipulado, enfatizando aquelas que seriam funcionais
para a sua causa e removendo aquelas que poderiam ser
inconvenientes. É por isso que desde há tempos vem sendo
erradicada, por ser “reacionária e arcaica”, a denominação binária
“homem–mulher”; e em sentido contrário mutiplicaram seus slogans
com a sigla “LGBT” (visualmente acompanhada por bandeiras
multicoloridas) correspondentes aos “Gays” (homens
homossexuais), Lésbicas (mulheres homossexuais), “Bissexuais”
(pessoas que praticam atividade venérea com pessoas de ambos os
sexos alternadamente) e conforme o caso, a letra ‘T’ que
corresponde a “Travestis”, “Transgêneros”, “Transexuais” e
elementos relacionados, cujos significados terminológicos estão em
“plena evolução” de acordo com seus glamourosos catequistas.
Tanto é assim que os grupos LGBT em seus comunicados
catalogaram um total de 23 “identidades sexuais” (“agenéricos”,
“pansexual”, “intersexuais” e muitas outras ocorrências); esta
flexibilidade quer liquefazer todos os paradigmas sexuais
estabelecendo uma verdadeira confusão discursiva em que
qualquer princípio orientador é diluído; procura-se arrastar
sutilmente o desprevenido interlocutor para sua causa ou, pelo
menos, para ficar indiferente a ela.
Com esse entendimento, uma das principais vitórias filológicas
alcançadas pela máquina de propaganda de “gênero”, sem dúvida,
tem sido impor ao léxico popular a palavra “gay” (palavra anglo-saxã
que soa “cool” e vanguardista), o que não significa absolutamente
nada em termos sexuais — “alegre” é a tradução de “gay” do inglês
para o português — e, assim, uma conotação sorridente e festiva é
dada a um comportamento que está em desacordo com a natureza:
“a própria palavra ‘gay’ é um catalisador que tem o poder de anular
o que expressa a palavra ‘homossexualidade’” comenta, em 1981, o
jornalista Gilles Barbedette em conversa com Michel Foucault,
entrevistado que celebra esta vitória idiomática respondendo o
seguinte: “É importante porque, ao escapar da categorização
‘homossexualidade-heterossexualidade’, penso eu, os gays deram
um passo significativo e interessante. Eles definem seus problemas
de maneira diferente, tentando criar uma cultura que só faz sentido
a partir de uma experiência sexual e de um tipo de relacionamento
próprio. Fazer com que o prazer da relação sexual evada o campo
normativo”.[426] Ou seja, com este revestimento simpático e
auspicioso, a irmandade homossexual toma mais impulso para
vangloriar-se publicamente de seus hábitos procurando assim, não
que a homossexualidade seja tolerada — ninguém se opõe à
existência da dita tolerância —, mas que esta prática seja
catalogada de uma maneira tão valiosa e frutífera quanto a
heterossexual ou até mesmo superior a ela: “Os homens e mulheres
gays, ao conhecer melhor seus próprios corpos, poderiam estimular
e satisfazer os seus pares de forma mais eficaz do que os homens e
mulheres”,[427] sustenta o já mencionado homossexualista Jacobo
Schifter Sikora, cujo maciço livro se desvia para “provar” a
superioridade moral do homossexual em relação ao heterossexual.
E assim como foi tentada com sucesso a adulação de todas as
manifestações culturais relacionadas à homossexualidade, de
maneira inversamente proporcional se buscou (também com
sucesso) demonizar qualquer um que questione esse paradigma,
impondo ao circunstancial contraditor o rotulo pseudocientífico de
“homofóbico”, insulto fabricado por George Weinberg — psicólogo
esquerdista aliado da causa homossexual —, que inventou dito
estigma para regozijo e gratidão de Arthur Evans, co-fundador da
Gay Activists Alliance:[428] “A invenção da palavra ‘homofobia’ é um
exemplo de como uma teoria pode lançar raízes na prática”[429]
sustentada com júbilo. Escusado será dizer que a designação não
só não tem o menor traço de científica, mas a natureza da palavra
incorre em uma contradição óbvia: se o prefixo grego “homo”
significa tanto “homem” como “igual” e do mesmo grego surge que
“fobia” é um “medo” ou “aversão”, teríamos que “homofobia” é um
“medo ou aversão aos homens ou iguais”. Isto é, num sentido literal,
a palavra “homofobia” é um contra-senso que consiste em alguém
ter medo do que lhe é igual, quanto a existir alguma “fobia” deveria
ser do diferente e nunca do que lhe é afim: a menos que os
homossexuais confessem que eles não se sentem iguais, mas
diferentes, mas essa confissão estaria em contradição com o
igualitarismo ideológico tão caro ao discurso de suas respectivas
agendas.
Em outras palavras, a “ideologia de gênero” impôs o paradoxo
de dar uma conotação patológica não àqueles que atentam contra a
ordem natural, mas àqueles que a defendem. Não é para menos;
exoneração de qualquer um que resista ao engano cultural é uma
técnica conhecida, que também soube ser definida pelo précito
delinqüente idiomático Paulo Freire: “Quando a criação de uma nova
cultura é apropriada, mas é retardada por um ‘desperdício’ cultural
internalizado, é necessário expulsar esses resíduos por meios
culturais. A ação cultural e a revolução cultural constituem, em
diferentes momentos, as formas adequadas para essa expulsão”.
[430] Em seguida, nada mais eficaz do que impor a todo detrator da

ideologia de gênero o rótulo infame de “homofóbico” e, assim,


expulsá-lo da contenda dialética: injúria artificial que já foi
indulgentemente reconhecido como própria dos acovardados
expoentes do centrismo bem-pensante e do libertarianismo
funcional.
Mas, postas de lado as estratégias sujas, perguntamos: se os
defensores da ordem natural são considerados “homofóbicos” e,
portanto, doentes (dado que a fobia é uma doença), como pode ser,
então, que se acuse de modo insultuoso de “homofóbico” alguém
que, sendo um doente, não só não deveria ser reprovado por sua
“fobia”, mas sim deveria ser compreendido e ajudado? Sem dúvida,
a incorporação acrítica da dita fabricação lingüística com pretensão
depreciativa é outro grande triunfo publicitário da nova esquerda.
Se o insulto não é “homofobia”, a palavra-talismã usada em seu
lugar pelos porta-vozes do gênero e seus bem-pensantes
companheiros é justamente “discriminação”, palavra-gatilho por
excelência, aplicada a qualquer um que não aceite docilmente
conceder à Internacional Pink os caprichos de agenda. Até a palavra
discriminação também foi corrompida como se todo ato
discriminatório fosse ruim em si mesmo, quando, em seu pleno
sentido, discriminar significa “distinguir ou discernir”. Em uma
palavra: discriminar é o oposto de confundir. O que não se diz sobre
o assunto que nos preocupa é que existem discriminações que não
surgem de preconceitos nem da lei, nem de qualquer “construção
cultural”, mas da própria natureza: “Ao se condenar qualquer
discriminação, deveria-se, portanto, reprovar as tarefas da
membrana plasmática: as tarefas que realiza para o bem do nosso
corpo, uma vez que esta membrana seleciona e discrimina as
moléculas que devem entrar na célula e as que devem sair. Assim,
também deveríamos castigar a nós mesmos por distinguirmos o
verdadeiro do falso, o bem do mal, o natural do artificial”[431]
sentencia o jovem ensaísta Juan Carlos Monedero, em seu ensaio
Línguagem, Ideologia e Poder, livro precisamente dedicado a
estudar as armadilhas linguísticas usadas pelos agentes da
subversão cultural.
Outro apelo recorrente da propaganda homossexual é o termo
“diversidade” — que, segundo a Real Academia Espanhola significa
“dessemelhança”[432] —, palavra estranha, posto que precisamente
o que caracteriza a relação sexual de uma pessoa com outra do
mesmo sexo é que o outro não é um “diverso” mas um “similar” —
isto é, o oposto da diversidade. Assim, a relação homossexual,
longe de honrar o mantra alardeado da “diversidade”, faz o
contrário: ela representa o redundante, o equivalente, o imitativo:
“No ato homossexual não se realiza esse assombroso transcender
até a união dos opostos; ao se fechar em si, une apenas o mesmo
com o mesmo, incapaz de saltar para os diferentes”[433] observou o
mencionado neurologista e psiquiatra Armando Roa.
Da mesma forma, um dos recorrentes truques linguísticos
propagados é o referido a pretensão manifesta de alguns travestis,
que consiste em operar-se e, assim, “mudar de sexo”. Porém, o
sexo não se troca jamais na vida; em todo caso, o que um travesti
pode esperar é se submeter cirurgicamente a uma auto-mutilação
corporal que consiste em amputar os genitais, mas esta decisão
insana de arrancar o que se tem entre as pernas de modo algum
implica que o homem mutilado deixe de ser do sexo masculino:
nasceu homem e morrerá homem, com ou sem corte.
Esse tipo de farsas dialéticas como as exemplificadas são
muito semelhantes às promovidas pelas filicidas, ou seja, as
mulheres pró-aborto, aquelas que lutam pelo poder de assassinar
seu filho antes do nascimento, argumentando que perseguem o
“direito de dispor de seu corpo”: ninguém lhes nega esse direito,
mas uma coisa é ter “seu corpo” — por exemplo fazer uma
tatuagem, tingir o cabelo ou operar os seios — e a outra bem
diferente é dispor do corpo de um terceiro, que ainda por cima não é
nada mais do que seu próprio filho, e cuja “disposição” consistiria
em assassiná-lo. Apesar de insistirem no enganoso eufemismo de
chamar o dito crime como “interrupção da gravidez”, encobrindo o
assassinato com uma linguagem polida, uma vez que a gravidez
não é “interrompida”, porque a interrupção é a cessação temporária
de uma atividade para a retomada posterior, mas o aborto é um ato
de natureza definitiva e irreversível: precisamente porque a morte é
um fato de caráter definitivo e irreversível. Mas este item de ponto
do aborto veremos in extenso em outro capítulo posterior.
Digressão: não são poucas nem desautorizadas as vozes que
sustentam que a confusão comunicacional que se tenta semear não
é apenas lingüística, mas também visual, daí que desde há muitos
anos se vêm promovendo a estética “unissex” na indumentária. É de
conhecimento público que a maior parte dos estilistas são gays e
não é por acaso que as modelos femininas dos principais
costureiros do vestuário ocidental sejam extremamente magras e
com tendência anoréxica (sem seios ou curvas acentuadas), ou
seja, eles apresentam uma imagem muito semelhante ao de efebos,
que são o arquétipo da mulher que agrada aos homossexuais — os
estilistas gays exigem para vestir suas roupas uma magreza
enfermiza —, mas não é necessariamente o perfil físico que excita
aos heterossexuais.
Mas voltando às questões de linguagem: qual foi o segredo de
uma estratégia de comunicação tão bem-sucedida? Além das
muitas contribuições de Paulo Freire e de vários dos ideólogos já
mencionados, nos anos 70, foi publicado um extenso documento de
marketing sodomita intitulado “Vendendo a homossexualidade para
a América”[434] (Selling homosexuality to America). Em tal
documento se detalhava os pormenores da campanha iniciada por
grupos de pressão naquele tempo, os quais, para esse fim,
contrataram especialistas em comunicação formados pela
Universidade de Harvard, que puseram em prática a aplicação do
conceito “os quatro P” de marketing para transferir massivamente a
idéia normalizadora da homossexualidade.[435]
Este texto original serviu como prelúdio para que em 1989 um
par de publicitários homossexuais (Marshall Kirk e Hunter Madsen)
se associassem, entre outras coisas, para publicar nos Estados
Unidos um livro chamado After the Ball: How America Will Conquer
Its Fear and Hatred of Gays in the 90’s, em que detalhavam uma
série de passos a serem seguidos na estratégia para impor os
objetivos de sua agenda. Esse livro tornou-se então o manual por
excelência usado por todos os movimentos pansexualistas
modernos.[436] Nesse trabalho, os autores sustentam que o público
prioritário a conquistar é o dos indecisos de centro — “os céticos
ambivalentes”, de acordo com as suas palavras — e a principal
tática comunicacional deve apontar para o lado emocional do
interlocutor a ser convencido: “A dessensibilização tem como
objetivo reduzir a intensidade das reações emocionais anti-
homossexuais a um nível próximo da total indiferença; o bloqueio
intenta obstruir ou se opôr ao ‘orgulho de ser preconceituso’ [...]
ligando o ódio contra os homossexuais a um sentimento prévio e
autocastigador de vergonha por ser intolerante [...] Tanto a
insensibilidade como o bloqueio [...] são meros prelúdios para o
nosso objetivo máximo, embora infalivelmente muito mais lento de
se obter, que é a conversão”.[437]
Uma vez esgotada esta instância, a estratégia apela ao
sentimentalismo e tenta concentrar o debate recorrendo à
“compaixão”. Dessa forma, assume-se que quem apoia a agenda
homossexual mostra compaixão e quem não, insensibilidade. Mas,
na verdade, essa dicotomia é outra distorção deliberada. Para
começar devemos esclarecer que a compaixão é um sentimento
humano nobre relacionado à consciência do sofrimento dos outros e
ao conseqüente desejo de aliviá-lo. Mas acontece que este
sentimento é manipulado pela ideologia de gênero, que não entende
como compassivo a todo aquele que se aproxima do homossexual
com o propósito de ajuda-lo, mas sim aquele que o elogia por seus
hábitos. Quer dizer, o conceito de compaixão tem sido habilmente
manobrado nos debates e o sentimento reduzido somente ao seu
aspecto emocional, despojando de qualquer intervenção da razão,
dado que se alguém forma sobre o tema que nos ocupa um juízo
refratário (seja moral, biológico, antropológico ou científico), esse
alguém “carece” de toda a compaixão. Assim, com essa abordagem,
a um amigo alcoólatra, a compaixão não seria tentar resgatá-lo de
seu desarranjo, mas provê-lo de maiores doses de bebida para que
não enjoe ou sofra de abstinência etílica.
Portanto, uma compaixão que não é guiada pela razão seria
reduzida a um simples impulso desprovido de prudência e
discernimento. Em suma, a “compaixão” como exposta e concebida
em debates televisivos manipulados, acaba sendo uma piedade
equivocada, o que nos leva a dar ao paciente os meios para que
siga ligado a seus vícios e não o resgate dos mesmos: tal ação
favoreceria não a pessoa, mas a permanência de seus maus
hábitos.
Os exemplos abundam e deturpações idiomáticas são
trabalhadas de forma permanente, dado que esta constante
distorção da linguagem é parte do catecismo dado pelo “pedagogo”
Freire: “Para ser autêntica, uma revolução deve ser um evento
permanente ou deixará de ser uma revolução e se tornará uma
burocracia esclerosada [...] o processo revolucionário se converte
em revolucionário cultural”.[438] León Trotsky publicou A Revolução
Permanente em 1930, algumas décadas mais tarde Freire também
propôs a revolução permanente, mas não pela agitação de rua
como seu antecessor, mas como revolução de deformação
idiomática e cultural: novos ventos para bandeiras velhas. Mesmos
objetivos, mas estratégias diferentes. Aquela revolução foi
barulhenta, hostil, armada e dolorosa. Esta é silenciosa, amigável,
desarmada e com anestesia.
Não foi em vão que, nos anos 30, Charles Maurras, com
sentida preocupação, advertiu: “A verdadeira revolução não é a
revolução nas ruas, é a maneira revolucionária de pensar”.[439]
Pela razão ou pela força

Com o passar do tempo, essas tendências foram escalando


posições e a ideologia de gênero conseguiu intermináveis êxitos
políticos não só conseguindo forçar a aceitação popular de seus
princípios, mas também impondo a amável “aprovação científica” de
muitos de seus comportamentos divulgados, mas não por surgirem
pesquisas acadêmicas superadoras, mas por causa da brutal
coerção política.
Foi no início dos anos 70 quando o piquetero sodomita Frank
Kameny liderou um grupo chamado ‘Frente de Libertação Gay’ e
irrompeu no simpósio anual psiquiátrico da APA (American
Psychiatric Association), tomou o púlpito, pegou o microfone e
discursou: “A psiquiatria é o inimigo encarnado do movimento gay,
ao qual fizemos guerra para exterminar, esta é uma declaração de
guerra que fazemos contra os psiquiatras”.[440] Dois anos depois,
estas e outras constantes prepotências e extorsões deram seus
frutos e conseguiram descatalogar a homossexualidade da
classificação de doenças mentais: “A categoria da
homossexualidade desaparece da MSD[441] em 1973, em parte
devido à pressão de grupos homossexuais”[442] confessou a
mesmíssima Beatriz Preciado. Mas, apesar de tamanha coerção, há
cientistas que resistiram em mudar os critérios científicos na
ausência de outro grande argumento a não ser a chantagem
política; assim nasceu a Fundação NAHRT (National Association for
Research & Therapy of Homosexuality),[443] instituição médica que
sustenta que as pessoas com sentimentos homossexuais podem
curar-se e reconverter-se à heterossexualidade: escusado será dizer
que a NAHRT é ferozmente atacada e combatida pelo lobby
sodomita e todas as organizações de esquerda que o acompanham,
não só intimidando seus membros, mas também sabotando seus
patrocinadores.
Não é para menos. A prepotência psico-política dos partidos da
ideologia de gênero e sua revolução permanente, a qual já fizemos
menção, não só não diminuiu, mas, a sua ambição de “normalizar”
até mesmo os hábitos mais repugnantes no simpósio realizado na
cidade de San Francisco pela Associação Americana de Psiquiatria
(maio de 2003) violentamente pressionado para também remover o
sadomasoquismo e a pedofilia do Manual Diagnóstico de
Psiquiatria.[444] Sobre esta última aberração, esclarecemos que seus
porta-vozes tiveram o cuidado de evitar chamá-la dessa forma e
para facilitar a aceitação social referem-se sutilmente com o
democrático nome de “sexualidade inter-geracional.”
Não conseguindo o último objetivo assinalado, no verão de
2011 os homossexualistas buscaram novamente descatalogar da
lista de doenças mentais a pedofilia: desta vez o passo foi dado em
31 de agosto daquele ano, quando foi realizada uma conferência
com o auxílio de médicos e sexólogos (organizados pelo grupo
pedófilo B4U-ACT[445] e a Universidade John Hopkins). Ali foi dito
que “os pedófilos são injustamente estigmatizada pela sociedade”,
“que as crianças não são incapazes de decidir com quem eles
querem ter sexo”, “que o desejo sexual de um adulto por uma
criança é normal” e rematou sentenciando que “os pedófilos sentem
desejos amorosos pelas crianças da mesma maneira que os adultos
sentem desejos uns pelos outros”.[446]
Como a NAMBLA e outras abomináveis organizações pedófilas
ainda não lograram alcançar aceitação popular o suficiente, já
apareceu outra rede que pretende ser menos chocante e que se
autodenomina “Pedófilos Virtuosos” (Virtuous Pedophiles),[447] cujos
defensores pedem a plena aceitação social, uma vez que dizem
seomente “fantasiar sexualmente com crianças”, enquanto
“garantem” não ter relações sexuais com elas, pois “se esforçam”
para não materializar o ato concreto e limitar o desejo perverso
apenas ao “erotismo mental”. Inclusive a propaganda desta
corporação — que excede os 1.200 membros — confessa em seu
portal de internet esforçar-se em “oficinas de reflexão” para manter o
“autocontrole”, mérito pelo qual não haveria razão para sofrer
qualquer estigma.
O certo é que, com ou sem abuso sexual concreto, esta
repugnância felizmente continuará a ser considerada um desvio
sexual grave em catálogos científicos, e pressões políticas da
militância homossexual até agora não puderam erradicar esse
“preconceito burguês”:[448] é uma questão de tempo?
O “casamento” homossexual

A polêmica mais incendida da agenda homossexual nos últimos


tempos, ocorre em torno da imposição do chamado “matrimônio
igualitário” (aprovado na procaz Argentina kirchnerista no ano de
2010);[449] em seu favor, os lobistas brandiram vários argumentos
colaterais, porém eficazes, tais como dizer que caso fosse aceita
essa experiência legal, no caso de morte de um dos parceiros, o
“viúvo” teria direito a herdar os bens do falecido. Mas, se a herança
era a verdadeira preocupação dos sodomitas queixosos, era
suficiente pedir não a imposição jurídica de artifícios conjugais, mas
uma simples modificação ou ampliação de liberdade testamentária
e, assim, o alardeado probleminha estaria resolvido. Esse
“argumento” não é o único aplicado pelo catecismo homossexual.
Muito se enfatizou também a necessidade de que, no seio de um
casal invertido, “não se tem direito de obter o trabalho social ou a
cobertura mútua de seu parceiro”. No entanto, a lei concedeu a
extensão da cobertura do afiliado ao seu parceiro em casais
heterossexuais não por uma devoção generosa à matemática
transitiva, mas porque os vínculos heterossexuais são, por sua
natureza, de ordem pública. Em outras palavras, deles surge
potencialmente a prole e é do interesse social salvaguardar o
Princípio de Subsidiariedade[450] à família e sobretudo à crianças
(sejam estes últimos de existência atual ou potencial). No entanto,
nada disso tem qualquer relação com a alegação de uma minoria de
inférteis por definição que exigem privilégios pecuniários à custa do
Estado ou das obras sociais, posto que se essa também fosse a sua
pretensão, para além de seus argumentos discutíveis, o que na
verdade teriam solicitado seria uma modificação na lei de serviços
sociais e não uma rebuscada engenharia matrimonial.
Além disso, estas incendidas exigências constituem um agravo
comparativo em relação às pessoas que vivem em conjunto com um
projeto comum que não inclui a relação sexual. Duas irmãs, dois
amigos, ou uma tia com seu sobrinho compartilham amor,
compromisso, convivência e custos comuns, do mesmo modo em
que podem fazer duas pessoas com a atividade homossexual. No
entanto, aquelas não poderiam gozar dos direitos do matrimônio
simplesmente por não terem relações sexuais entre si. Ou seja,
está-se premiando imerecidamente e por pressão política um
sindicato de interesse genital e punindo por não participar de
qualquer espécie de sexo aqueles que também convivem, porém
impulsionados apenas pelo afeto e cooperação mútua. Com efeito, o
direito não protege nenhum relacionamento humano, senão apenas
aqueles essenciais para a organização comunitária.
Conseqüentemente, a razão pela qual o casamento em si tem um
estatuto especial dentro do sistema jurídico é porque as futuras
gerações surgem precisamente a partir dessas uniões.
Como podemos ver, nenhum dos argumentos propagados pela
ideologia de gênero vai ao centro do debate, mas baseia tudo na
alegada discriminação existente ante a ausência de certos
benefícios que poderiam ser discutidos em outro nível e sem a
necessidade de inventar enteléquias parentais que afetam a
instituição do casamento verdadeiro, o qual se vê agressivamente
degradado após ser equiparado ao amontoado de relações
antinaturais: não pode haver discriminação injusta quando o
elemento fundante e a condição de possibilidade para a existência
de um matrimônio não se cumpre.
Apesar disso, os ideólogos homossexuais freqüentemente
alegam que o casamento heterossexual não seria afetado pelo
aparecimento do “casamento homossexual”, uma vez que poderia
coexistir pacificamente com o primeiro. No entanto, esta tese é
prejudicial para o casamento de verdade, porque se o vício se senta
ao lado da virtude sob o disfarce de “coexistência pacífica”, se sabe
que a virtude é que se degrada ao ser equiparada a um subproduto
irregular. Em outras palavras, ao colocar o melhor em pé de
igualdade com o inconveniente, se nivela por baixo; e assim
confessa e reconhece com burlesca alegria o homossexual
espanhol Paco Vidarte: “Rimos quando vemos a irritação que pomos
nos facistas por havermos despedaçado o significado de seu tão
querido 'matrimônio'. Eu os compreendo. Têm toda a razão. Se duas
lésbicas podem casar-se de igual maneira que o filho da marquesa
com a filha do empresário, então o matrimônio já deixou de ter
significado, já não tem nenhum sentido para aqueles que o
inventaram”.[451] Deixando de lado o tom zombeteiro de Vidarte, a
verdade é que a este delito declarado caberia acrescentar o fato de
que o casamento entre homem e mulher se tornaria uma simples
espécie dentro de um impreciso gênero matrimonial, o qual passaria
a ser não um nobre ideal a ser alcançado, mas uma mera conjunção
de vontades amatórias sem qualquer outro requisito que a
constatação do desejo ocasional das partes indeterminadas de se
juntar, seja se esse apetite sexual vem de um homem e uma mulher,
de duas pessoas do mesmo sexo, ou de mais pessoas buscando
formar uma espécie de amontoado multilateral: “Agora nos sentimos
como um verdadeiro matrimônio”, disse o garanhão holandês Victor
Bruijn ao “casar-se” simultaneamente com duas esposas (Bianca de
Bruijn, 31, e a namorada de ambos, Mirjam Geven, 35). De fato,
Victor e sua esposa se encontraram com Mirjam (divorciada da
cidade de Middelburg) por meio de uma sala de bate-papo na
Internet, e apenas dois meses após esse contato, Mirjam mudou-se
para viver com o casal, que tomou a precaução de comprar uma
cama maior, a fim de facilitar espacialmente os arranjos triangulares
de amor: “Elas são bissexuais. Teria sido mais difícil se elas fossem
heterossexuais, então não temos ciúmes”, explicou o presumível
contorcionista do tripé conjugal.[452]
Tampouco gerou grandes problemas de ciúme o “casamento”
entre um adulto australiano de 20 anos (Joseph Guiso) e sua
cadela, uma vez que a boa predisposição emocional do animal pelo
seu mestre iria confirmar que o cão prestava consentimento tácito
para materializar o zoofílico vínculo “familiar”.[453]
“Registraram o primeiro bebê com filiação tripla na
Argentina”[454] encabeçava o diário Infobae em 23 de Abril de 2015,
dando conta de uma criatura chamada Antonio, cujo pai engravidou
uma lésbica que por sua vez é “casada” com outra lésbica e,
portanto, a criança foi noticiada pelos jornais por ter o “privilégio” de
levar o sobrenome dos três: das duas lésbicas que moram juntas e
do provedor do sêmen. Antes se dizia que um pai poderia ter vários
filhos. Agora a questão é saber quantos pais um único filho terá?
Mas as extravagâncias sempre podem ir um passo além e, na
Suécia, a juventude do Partido Popular Liberal acaba de aprovar
uma moção para promover que em seu país seja permitido o incesto
entre irmãos e a necrofilia (antecâmara do casamento incestuoso e
do casamento com os mortos): “Eu entendo que (a necrofilia e o
incesto) podem ser vistos como incomuns e repugnantes, mas a lei
não pode tomar por base se algo é desagradável ou não”, disse a
libertária Cecilia Johnson (versão euro-nórdica da stand-upista
Gloria Alvarez), presidente da LUF em Estocolmo. A líder tomou a
burocrática precaução de esclarecer, a respeito da necrofilia, que
deve existir uma autorização por escrito por parte da pessoa antes
de sua morte, e, portanto, “deve ser a sua própria decisão o que
acontece com seu corpo depois da morte: se você quiser deixar
seus restos mortais para um museu ou se quiser permitir que
alguém durma com eles”.[455] Em suma, já se sabe há algum tempo
que os libertários não têm muito a ver com os liberais históricos.
Quer dizer, com aqueles que em um mundo marcado pelo
totalitarismo defendiam legitimamente a liberdade individual sem
perder de vista que existem limitações e restrições razoáveis para
isso (tanto seja por deficiências de ordem natural e da vida em
comunidade). Trabalho muito diferente do que hoje certos grupelhos
estudantis, espécie de neo-hippismo e utopismo twittero que tão
gratuita e funcionalmente trabalham para o marxismo cultural, ainda
que seus ativistas não o percebam. Mas quem, sim, percebeu e
retratou com sarcástica alegria foi o próprio freudiano-marxista
Herbert Marcuse, que ridicularizando estes anarquistas de
brincadeira, anos atrás escreveu: “O inimigo tem já sua ‘quinta
coluna’ dentro do mundo limpo: os hippies e sua laia, com cabelos e
barbas longas e calças sujas: aqueles que são promíscuos e têm
liberdades que são negadas àqueles que são limpos e ordenados”,
[456] maneira elegante de Marcuse chamar de idiotas úteis aqueles

que, acreditando-se seus inimigos, trabalham gratuitamente em seu


favor.
Em suma, a disparatada casuística de “casamentos”
rebuscados poderia acumulá-la e citá-la em um livro separado, mas
apenas um punhado de bons exemplos atuais para advertir até onde
se pretende naturalizar a insensatez sob o pretexto de não ser um
“discriminador” insensível. Porém a respeito pontualmente do
casamento gay, de acordo com a lógica aristotélica, a não
discriminação consiste em “igualdade de tratamento entre iguais”,
portanto, não dar a eles o direito de contrair “casamento” não
incarna qualquer tipo de discriminação, uma vez que eles não são
“iguais” mas apenas homossexuais. A condição homossexual de
uma pessoa não a torna mais digna ou menos digna do que a de um
heterossexual, ela a torna diferente. E pelas próprias características
de seu modo sexual de vincular-se, não é pertinente obter qualquer
artifício legal para exercer uma função social que a própria natureza
nega. Em outras palavras: acusar de discriminação o Estado por
não endossar “casamento gay” equivale a considerar que o Estado
é discriminatório quando se recusa a conceder uma carteira de
motorista a um cego.
Mais uma vez, temos que voltar aos princípios gerais do senso
comum: somos iguais perante a lei, mas não pela lei. O que isso
significa? Que em condições iguais todos nós temos os mesmos
direitos, mas um homossexual, como um homem cego, não carrega
condições iguais, mas, infelizmente desiguais, portanto, merecem
um tratamento decente, mas fora da regra geral. A lei não deveria
forçar equações que não são eqüitativas de maneira alguma: a
igualdade jurídica não pode e não deve suplantar a desigualdade
biológica.
Precisamente, igualdade legal significa que todos aqueles que
têm a capacidade de dirigir um carro têm o direito de obter tal
licença. Mutatis mutandis, todos aqueles que têm a capacidade de
se casar têm o direito de ser capacitados a fazê-lo. Isso significa
que um homossexual não tem o direito de viver com um análogo e
compartilhar um projeto emocional-sexual comum? Claro que não, e
nunca discutimos esse ponto. Mas, como esse ato privado não é de
interesse público, o Estado não tem e não deve conceder qualquer
garantia oficial, nem dar-lhes privilégios que a própria natureza do
vínculo que escolheram impeça.
As leis positivas — isto é, as leis escritas — devem estar
subordinadas às leis naturais e não colidir com elas. Por mais que
uma lei legislada no Parlamento declararasse a abolição da lei da
gravidade, esta lei sem sentido não impediria que se um deputado
saísse da sessão e saltasse pela janela, se estatelasse no piso: o
alegre consenso democrático não pode, por mais quorum que
alcance, violar a natureza, mas apenas parodiar uma
“compensação” pelas aparentes “injustiças” que a união
homossexual afirma sofrer. Pode-se argumentar em contrário que “o
comportamento homossexual é observável em animais[457] e como
os animais seguem seus instintos conforme a natureza e o homem
também é um animal, a homossexualidade deve, então, concordar
com a natureza”. Esta comparação teria que aceitar como bom ou
natural o canibalismo, o incesto ou os pais matarem ou comerem os
seus filhos — práticas recorrentes em algumas espécies — e
legitimar tal conduta por uma lei: mas é a natureza que impõe ao
comportamento humano o detalhe de que esta se subordine à razão
e não ao impulso selvagem, daí os comportamentos bestiais
mencionados acima tenderem provocar aversão instintiva ou
espontânea na consciência do homem.
E por que ao Estado interessa legitimar e regular o vínculo
matrimonial e não o mero vínculo de amizade, por exemplo? Porque
do vínculo matrimonial surge a prole, quer dizer, seres inocentes e
indefesos que em dado momento podem exigir a protecção
subsidiária ou uma cobertura legal complementar, e é por isso que
os pais não só têm obrigações um para com o outro, mas
fundamentalmente deveres afetivos e materiais para com a criatura
que eles geram, daí que brota a necessidade de contemplar
legalmente a situação, pois é ordem pública e toca o interesse do
bem-comum da comunidade. Por outro lado, o Estado não está
interessado em saber se João e Pedro são apenas amigos, e nem
eles têm que registrar a sua amizade em qualquer repartição, uma
vez que a amizade é um afeto particular, sem qualquer conotação
de ordem pública. Da mesma forma, não importa para o Estado se
João e Pedro, além de amigos, têm vínculos genitais entre si.
Poder-se-ia argumentar depois que, se tudo depende da
capacidade de procriar, quando um homem e uma mulher são
estéreis ou têm idade avançada, o Estado também não deveria
permitir que se casassem. Mas esse argumento é uma pequena
bravata: não há comparação possível entre a esterilidade natural de
um casal e a esterilidade de um relacionamento homossexual. No
primeiro caso, o ato conjugal praticado pelo marido e pela esposa
tem a possibilidade de engendrar uma nova vida. A concepção pode
não ocorrer devido a uma disfunção orgânica em qualquer um dos
cônjuges ou em qualquer outra circunstância. Mas essa falta de
concepção surge por motivos contingentes, volitivos ou
circunstanciais. Portanto, é uma esterilidade acidental. Por outro
lado, na relação homossexual, a esterilidade não é acidental, mas
se torna inerente à fisiologia do ato, que é infértil por natureza e
definição.
Finalmente, concluímos este subcapítulo com a seguinte
reflexão: o Estado deve ser abstencionista e limitar-se apenas a
garantir aos homossexuais seu direito legítimo de viver sua
intimidade carnal como quiserem, mas não o direito de receber
privilégios alheios à natureza do homossexualismo. Vale dizer, não
pretendemos que o Estado proíba os vícios sexuais desde que não
prejudiquem os direitos de terceiros. Simplesmente entendemos que
o Estado não deve incentivar ou institucionalizar esses distúrbios,
atribuindo status social e legal à formas de vida que não são e não
podem ser matrimoniais.
A abstenção do Estado não só não se opõe à Justiça, mas,
pelo contrário, é exigida por ela.

A adoção homossexual

O casamento em sua concepção heterossexual não constitui


uma instituição importante por mera imposição cultural, mas porque
dessa união deriva a procriação da espécie e dela depende a
própria sobrevivência da humanidade, nada menos.
Nós já vimos como a proclamação do “casamento gay” é
baseada em “exigências hereditárias”, em reivindicações relativas à
“cobertura social”, em aforismos ligados a “não-discriminação” e em
alguns outros slogans de pouca importância argumentatiava. Nada
essencial é discutido e alegado que não possa ser resolvido por
qualquer outra maneira que não por coerção legal. Por que então
tanta insistência? É difícil dar uma resposta categórica. Uma
possível resposta poderia ser que, na verdade, o que se buscou
com essa pressão não foi necessariamente o próprio casamento,
mas que este atue como antessala para a obtenção do direito à
adoção de crianças.
Em geral, as crianças disponíveis para adoção estão em
situações vulneráveis. Muitos perderam ambos os pais. Outros os
têm separados ou empobrecidos. Muito frequentemente a criança foi
concebida fora de vínculos estáveis e como resultado de
relacionamentos fugazes ou promíscuos. Portanto, o bem-estar
dessas crianças depende de tirá-las da situação irregular o mais
rápido possível e pô-las o mais próximo possível de um ambiente de
normalidade familiar. Então, não é incomum para casais generosos
— muitas vezes sem filhos — adotá-los, dando-lhes afeto e
estabelecendo conexões afetivas talvez tão intensas quanto
costumam ser com seus próprios filhos de sangue.
Nesta pretensão adotiva, o lobby homossexual argumenta que
“eles têm tanto direito de desfrutar da paternidade como em
qualquer outro casamento” e, portanto, exigem que lhes seja dada
uma porção de crianças em adoção. No entanto, as crianças não
devem estar lá para satisfazer o prazer de uma minoria sexualmente
sindicalizada. O menor tem o direito de ser adotado por sua
dignidade de criança, não como um passatempo ou regozijo de um
casal de homossexuais que ocasionalmente vivem juntos. E
dizemos “que ocasionalmente coabitem” porque a vida de um casal
homossexual é muito mais promíscua, infiel, viciosa, temporária e
instável do que de um casal heterossexual: um homossexual médio
tem relações sexuais com diferentes amantes em uma quantidade
12 vezes maior do que um heterossexual, sendo que cada
homossexual que tenha um parceiro estável freqüenta ao mesmo
tempo (provavelmente escondido) uma média de oito amantes por
ano[458] e foi justamente o Dr. Barry Adam (professor homossexual
na Universidade de Windsor, no Canadá), que apresentou um
trabalho em que chegou à conclusão de que apenas 25% dos
casais sodomitas eram fiéis um ao outro.[459]
Mas vamos voltar ao assunto. Embora gerar ou adotar uma
criança traga satisfação legítima aos pais, essa satisfação não é o
objetivo final da adoção ou procriação, mas proporcionar à criança
um bem-estar material, emocional e moral. Isto é, os interesses
genuínos dos pais são subordinados aos da criança e, portanto, mal
poderiam as crianças serem disputadas como uma espécie de
troféu a partir de uma confederação: A criança. O que aconteceu
quando o meu namorado e eu decidimos engravidar era o título do
livro publicado pelo jornalista homossexual americano Dan Savage,
[460] no qual ele narra em primeira pessoa quais foram as

motivações que o levaram a adotar uma criança: “Ter filhos não é


uma questão de propagar a espécie (...) é algo para adultos, um
passatempo, um hobby. Então, por que não ter crianças? Os
homossexuais também precisam de hobbies ... eu fiz travestismo.
Eu tenho me travestido de Barbie, de dominadora, de freira e de
glamourosa. Agora vou me vestir de papai”.[461]
A adoção é uma instituição que existe para acolher uma criança
que tenha sido privada de sua família, e, portanto, tem o objetivo de
dar à criança um ambiente o mais apropriado possível para o seu
desenvolvimento, o que significa que a adoção tenta replicar o
âmbito afetivo e vincular perdido pela criança, que dificilmente
poderia ser o caso se adotado por “casais” sodomitas, que muitas
vezes são formados em uma atmosfera artificial e surreal onde os
papéis naturais são apagados e, para piorar a situação, os
homossexuais geralmente têm amigos e contatos pertencentes a
seu próprio clã, diante dos quais a criança cresceria e seria educada
em um microclima fechado marcado pela extravagância,
promiscuidade e confusão.
“Havendo tantas crianças desabrigadas, não é preferível que
elas sejam adotadas por dois homossexuais antes de continuarem
nesse estado de abandono?”, costumam perguntar os defensores
desse experimento. Mas essa é uma falsa escolha, porque o dilema
não é o caso que, se as crianças de rua estão com fome, então é
aconselhável roubar: o ideal é que não padeçam de fome nem
estejam na rua. Em outras palavras, se há crianças desamparadas,
o que se deve procurar é que sejam adotadas por uma família
normal, pois o ideal deve ser mantido, uma vez que os valores não
valem a pena por resolverem um problema fortuito ou passageiros,
senão porque per si e universalmente são valores objetivamente
bons e fecundos. Ao que se deve acrescentar o fato de que a
demanda de pais que querem adotar crianças é muito maior do que
o número de filhos em possibilidade de adoção (outro argumento
que joga fora esse falso dilema). A prova disso é que muitos pais
tendentes a adotar, sentindo-se cansados por esperar tanto tempo e
pela burocracia, decidam tentar no exterior, algo que se tornou muito
visível após o brutal terremoto de 2010 no Haiti,[462] quando muitos
pretendentes que estavam tramitando a adoção viram os
procedimentos complicarem após a tragédia.
“E os casais heterossexuais que maltratam seus filhos? Os
menores não estariam mais protegidos com um casal homossexual
que os ama?” Aqui está outro falso dilema. Por causa dum erro não
se pode perder o valor. Por causa do fato de que existem juízes
desonestos, o Poder Judiciário deve ser anulado? O que se deve
fazer é preservar os juízes honestos, expulsar os desonestos e
substituir essa ausência por um número de juízes probos. Mutatis
mutandis, os pais abusivos devem perder a guarda de seus filhos e
estes devem ser entregues a famílias que saibam como dar-lhes o
amor que merecem, mas esse abuso não abre nenhuma porta para
áreas arriscadas e antinaturais.
Não seria discriminatório negar a criança para adoção a dois
sodomitas que a exigissem? Seria tão “discriminativo” quanto
quando um casal heterossexual tem freqüentemente a adoção
negada (como é geralmente o caso) porque que não cumpre os
requisitos ambientais, psicológicos ou de idade, saúde ou economia
e, no entanto, nesses casos, ninguém grita “discriminação”, já que é
de senso-comum advertir que a prioridade é sempre que o ambiente
seja propício por todos os conceitos ao bem-estar da criança.
Por mais que se pretenda fabricar argumentos, o fato é que na
adoção sodomítica a criança não só é privada de uma mãe ou um
pai (conforme o caso), mas também é lançada em uma aventura
experimental onde em está em risco não só sua integridade
psicológica, mas física, sendo forçada a conviver num ambiente tão
propenso a doenças venéreas ou patologias características desse
círculo, além do risco percentualmente elevado, e contra o qual
muitos alertam, de serem abusados por seus próprios pais adotivos,
tal como indicado pelos relatórios que veremos mais adiante.[463]
Do dito acima, é preciso acrescentar o fato de que um menor
educado em uma “família” homossexual é mais propenso a repetir
esse padrão de comportamento em comparação com menores
educados em uma família heterossexual: a presença do
comportamento homossexual em crianças criadas por casais do
mesmo sexo é oito vezes mais freqüente que a média.[464] Em 1995,
um estudo científico foi elaborado por Bailey et al., no qual
trabalhou-se com 85 filhos adultos de uma idade média de 25 anos
criados por pais homossexuais ou bissexuais. As conclusões
mostraram uma percentagem de crianças com uma identidade
homossexual ou bissexual de 9%, quando a média geral é de pouco
mais de 1% nos EUA.[465] Dois anos mais tarde (1997), conforme
um novo estudo longitudinal publicado no Journal of Ortopsychiatry
(Golombok e Tasker), indicou-se que de 46 casos de crianças
adotadas (20 homens e 26 mulheres) 25 delas que foram criadas
por mães lésbicas e 21 por mães heterossexuais (cada adotado foi
questionado em uma idade média de 23 anos), as respostas destes
jovens foram como se segue: quando questionado se eles
consideravam possível manter uma relação homossexual, 56% dos
educados por casais homossexuais disseram que sim, enquanto
apenas 14% daqueles que foram educados por casais normais
responderam afirmativamente. 24% daqueles criados por casais
homossexuais já tiveram relações homossexuais, enquanto nenhum
daqueles criados por mães normais tiveram relações homossexuais.
Finalmente, 8% daqueles criados por mães lésbicas considerarem-
se homo ou bissexuais, enquanto que nenhum daqueles educados
por casais heterossexuais se assumia dessa forma.[466] Outro
estudo muito ilustrativo pela quantidade (4640 casos estudados) foi
o de Cameron e Cameron (elaborado em 1996), em que, de toda a
grande amostra, 17 jovens afirmaram ter pelo menos um pai
homossexual. Dessa pequena parcela, 35% do total se identificaram
como homossexuais e, quando perguntados se tinham tido relações
sexuais incestuosas (isto é, se tinham sido abusados por seus pais),
a resposta era que 5 de 17 (ou seja, 29%) sofreu tal aberração,
enquanto que apenas 28 dos restantes 4623 entrevistados restantes
(ou seja, 0,6% das crianças de pais heterossexuais) sofreram a
repugnante agressão.[467]
Além dos riscos expostos, em 2010 o Dr. George A. Rekers
(professor de neuropsiquiatria e ciências comportamentais da
Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Sul nos
EUA) apresentou seu relatório científico sobre outras conseqüências
que seriam sofridas por crianças adotadas por casais gays em um
simpósio no México dedicado ao assunto, e chegou às seguintes
conclusões: “havia uma maior probabilidade de que as crianças
adotadas desenvolvessem uma tendência homossexual, do que
aquelas que vivem com mãe e pai, pois os menores tendem a viver
e copiar os papéis da vida de seus pais” acrescentando que eles
também sofrem “maior promiscuidade na adolescência ou
maturidade, vícios, transtornos psiquiátricos, tendências suicidas e
elevado número de doenças sexualmente transmissíveis”.[468]
E, embora seja verdade que ainda não existam dados
suficientes ou categóricos para chegar a conclusões definitivas e
ainda não há estudos estatísticos que nos permitam pôr fim à
controvérsia,[469] já existem inúmeros livros com testemunhos de
pessoas que foram educadas por pais homossexuais que narram as
suas experiências tão dolorosas quanto desagradáveis e que, por
razões de decoro, nos recusamos a transcrever.[470]
Por ora e diante da “dúvida”, é evidente que o que deveria ter
sido feito tanto na Argentina como nos países que legalmente
aprovaram essa transgressão arriscada, é ter preservado a situação
anterior e de forma alguma expor as crianças a especulações de
resultados incertos e sem dados científicos suficientes para nos
permitir chegar a uma conclusão definitiva.
Capítulo 4
A confederação filicida
Advertência preliminar
Embora o tema que abordaremos a seguir esteja mais
relacionado ao feminismo do que ao lobby homossexual (ou seja,
com o que foi desenvolvido por Agustín Laje), por fazer parte da
agenda político-legal progressista dos ideólogos de gênero,
decidimos incluí-lo nesta seção do livro, porque, como a matemática
diz corretamente: a ordem dos fatores não altera o produto.
A pergunta de cabeceira

O que é aborto? Esta discussão eterna e trivial nunca é definida


porque precisamente as barulhentas próceres do assassinato de
crianças usam um sofisma semântico permanente para confundir o
debate. Mas para que a discussão mantenha algum sentido, é
necessário partir desta questão que encabeça este parágrafo.
“O aborto é a interrupção da gravidez”, o militante do aborto
responderia mecanicamente, para encobrir o filicídio com linguagem
cortês. Mas desde que a “interrupção”, por definição, é a cessação
temporária de uma atividade para a retomar posteriormente, a dita
resposta seria errônea, pois que a gravidez não se “interrompe” e,
portanto, o aborto é um ato de natureza permanente e irreversível
justamente porque a morte é um fato definitivo e irreversível:
“enforcar é interromper a respiração”, disse sarcasticamente Julián
Marías.
Vamos voltar à questão de origem. O que é o aborto, então?
O aborto é a morte do concebido. Essa morte pode ocorrer por
causas naturais ou interferência externa. Diferente é o caso do bebê
nascido vivo e posteriormente assassinado; isso seria um homicídio
do subtipo infanticídio. Mas se é morto antes do nascimento, então
tecnicamente há um aborto. Apesar dos diferentes momentos do
crime, ambos os homicídios compõem o que é conhecido como
filicídio, se o assassinato foi causado pela ação ou consentimento
da mãe e/ou do pai.
No entanto, os defensores do aborto minimizam esta situação
em função de uma série de arbitrariedades que eles escolhem no
calendário, e depois inventam que se a gravidez é recente, o aborto
pode ser viável porque “a pessoa ainda não está formada” — é
comum que feministas e psico-bolcheviques que lhes dão suporte
justifiquem isso até pelo menos os três primeiros meses de
gravidez. Mas então, a partir de que semana e de que horas
começa a vida? Com a união do óvulo e do esperma ou quando o
supersticioso almanaque progressista nos impõe?
De fato, os ideólogos de gênero argumentam que antes de um
certo número de semanas não existe tal vítima, uma vez que o
produto da concepção “ainda” não é um ser humano, mas uma
simples massa de protoplasma e, portanto, o aborto não seria muito
mais do que remover um parasita (tal como o definiu textualmente a
maoísta Simone de Beauvoir), isto é, no momento, o bebê não é
mais do que uma massa de carne irritante e descartável instalada
no útero materno.
A ciência por cima das patacoadas ideológicas

Mas não são os fetichismos progresssistas, e sim a ciência da


embriologia e da biogenética que demonstraram com absoluta
certeza que a vida humana começa no momento em que o gameta
masculino (esperma) e o gameta feminino (óvulo) se unem, e é
nesse processo de fusão que 23 cromossomos do espermatozóide
são acoplados a 23 cromossomos do óvulo materno. Isto forma o
zigoto, isto é, um novo ser formado inicialmente por 46
cromossomas, com o seu material genético próprio e um sistema
imunológico diferente do da mãe. Ou seja, após a fertilização do
óvulo não há outro estágio em que o embrião receba uma nova e
essencial contribuição genética para ser o que já é. Desde então, o
embrião só precisa de nutrição, oxigênio e tempo para atingir a
plena maturação de um homem adulto. Este novo ser humano
começa a se desenvolver como tal desde o momento da concepção.
Então, o zigoto não é um ser humano em potencial: é um ser
humano com grande potencial.
O desenvolvimento do sistema nervoso começa 14 dias após a
concepção. Após 21 dias o coração começa a bater e bombear
sangue. Nesse mesmo período, o cérebro começa a se diferenciar e
a esboçar o que mais tarde se tornarão as pernas e os braços.
Depois de quatro semanas, os olhos começam a se formar. A partir
da quinta semana, estima-se que o bebê já sente o gosto, o toque e
a dor. Em seis semanas, a cabeça tem sua forma quase final, o
cérebro já está bem desenvolvido, mãos e pés começam a se
formar, e logo as impressões digitais (as mesmas que terá toda sua
vida) aparecerão. Depois de quarenta dias, a atividade cerebral já é
capturada pelo eletroencefalograma. Com oito semanas o estômago
começa a secreção gástrica. Aparecem unhas. Às nove semanas, a
função do sistema nervoso é melhorada: reage a estímulos e
detecta sabores, pois verificou-se que quando se adoça o líquido
amniótico — líquido no qual o bebê nada no útero materno — ele
come mais, enquanto que, quando se salga, ele rejeita. Às onze
semanas, o bebê já está chupando o dedo — algo que pode ser
visto perfeitamente em um ultrassom. E, finalmente, a partir do
nascimento, tecnicamente a única mudança pela qual a criança
passa é aquela relacionada à modificação do sistema de suporte
externo para a vida inerente aos seus métodos de alimentação e
obtenção de oxigênio.
O almanaque progressista

Então, o que é esse passatempo progressista que consiste em


especular com as semanas do almanaque como quem joga “Batalha
Naval”[471] para ver se matamos o bebê nesta terça-feira ou o
salvamos na próxima semana? O bebê ainda não nascido tem mais
dignidade de acordo com a idade gestacional? Podemos salvá-lo
duas horas após o prazo “aprovado” pela vanguarda solidária, mas
não duas horas antes do prazo dado pelo socialista benevolente?
Questões interessantes porque outras pseudo-argumentações do
aborto nos dizem que “na barriga o bebê é totalmente dependente
da mãe”, portanto, por causa dessa dependência, “a coisa” ainda faz
parte do corpo da mãe e está sob seu poder decidir matar a criança
ou não. Mas o fato de que, em certa fase de sua vida, o filho precise
do ambiente do ventre da mãe para subsistir, não implica que ele
seja uma parte da mãe. Como afirmado, desde a fecundação, a
criança já tem seu patrimônio genético e seu próprio sistema
imunológico diferente daquele da mãe com quem tem uma relação
que, para exemplificar, diríamos que é comparável àquela que um
astronauta mantém em relação a sua nave: deixá-la significaria
morrer, mas não é por estar temporariamente dentro dela que é uma
parte sua.
Ninguém nega às mulheres o direito de dispor de seu corpo,
mas uma coisa é dispor do “corpo” e outra coisa é dispor do corpo
de um terceiro, e ainda por acima quando esse terceiro é nada mais
e nada menos do que seu próprio filho, cuja “disposição” consistiria
em assassiná-lo. Tão independente é o corpo da criança em relação
ao corpo da mãe, que nem sequer forma parte do corpo da mãe a
placenta, ou o cordão umbilical, nem mesmo o líquido amniótico;
esses órgãos foram gerados pelo filho desde sua etapa de zigoto,
porque são necessários para as primeiras fases de seu
desenvolvimento e serão abandonados ao nascer, da mesma forma
que anos após o nascimento, a criança abandona os dentes de leite
quando eles não são mais úteis para continuar crescendo. Portanto
argumentar que a criança faz parte do corpo da mãe constitui ou
má-fé ou ignorância: conste que, em geral, os ideólogos e
intelectuais do progressismo podem ser descritos como pérfidos,
mas raramente como ignorantes.
Mas voltando ao insistente tema da “dependência da criança
em relação à mãe”, deve-se acrescentar que, por outro lado, um
bebê recém-nascido também mantém um alto grau de dependência
dos cuidados da mãe — mesmo que depois do nascimento respire
sozinho ou se alimente sem o cordão umbilical —, dado que se ela o
ignorar por apenas algumas horas, a criança expirará em breve:
Tem mais dignidade uma criança de cinco anos de idade do que
uma que tenha nascido há cinco dias, uma vez que esta é mais
dependente do que aquela por não saber falar ou andar?
O maior paradoxo é que as feministas hipócritas que agitam
bandeiras em olímpico desprezo pela vida do nascituro são a
mesma gangue que, em seguida, milita a serviço de milionárias
ONG’s “ambientalistas” para lutar contra a caça de baleias na
Rússia, enfurecer-se pelo óleo incrustado em pinguins da
Patagônia, preocupar-se com mosquitos africanos em aparente
perigo de extinção ou resmungar sobre brigas de galo que ainda
persistem em algumas cidades da América Latina: propõem o
genocídio infantil, mas brigam contra o desmatamento.
Sem dúvida, o agitador urbano do tipo lumpen-progressista (na
versão lesbo-feminista ou trotskista-varonil) não é apenas um
verdadeiro idiota útil a serviço dos grandes laboratórios abortistas,
que ganham milhões vendendo órgãos de crianças abortadas; ele
também serve de auto-falante gratuito da Internacional filicida
financiada pela Fundação Ford, a Fundação Rockefeller, a Planned
Parenthood[472] e a Fundação Bill & Melinda Gates, não sem os
auspícios do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o
qual, por sua vez, envia enormes somas de recursos para os
esquerdistas milionários da Anistia International, para o Grupo de
Ativistas Lésbicas Feministas (GALF), para o Movimento Amplo de
Mulheres e outras corporações transnacionais de esquerda com
boas rendas em dólar, e cujos líderes levam uma confortável vida
rentista, bem dispostos a desfrutar dos benefícios da “sociedade de
consumo”, contra a qual se opõem seus militantes barulhentos e
maltrapilhos de escala territorial.
Os métodos de “saúde reprodutiva” favoritos do direito-
humanismo

Os métodos para matar o bebê no útero materno são muitos e


variados — ao menos meia-dúzia de métodos conhecidos são
aplicados[473] —, mas dois são os mecanismos por excelência e os
mais comuns, que explicaremos muito brevemente.
O primeiro é a de “sucção”, que consiste em inserir na vagina
materna um tipo de tubo com um potencial vinte vezes mais potente
do que um aspirador de pó, o qual aspira o bebê destacando seus
membros, gradualmente desintegrando-o e transformando-o
finalmente em uma espécie de purê de sangue, que é depositado
em um recipiente.
Porém, se a criatura tem entre 3 e 9 meses de gestação, então,
por conta de seu desenvolvimento físico, já não é possível
desmembrá-la somente com a sucção, fazendo-se necessárias
outras armas de destruição. Então, o que é conhecido como
“dilatação e evacuação” é comumente usado. Nesta última técnica,
o colo do útero é amplamente dilatado e, como os ossos da criança
já estão calcificados, são introduzidas pinças para arrancar seus
braços e pernas, então a criança tem a coluna vertebral destroçada
e, finalmente, esmaga-se o crânio por completo.
Uma vez que o bebê esteja completamente destruído, os restos
estão prontos para a sucção subseqüente. Extraídas as partes da
criança esquartejada, para não deixar dúvidas, o aborteiro deve
reconstituir todo o corpo do bebê a fim de garantir que não há mais
nada no útero da mãe, caso contrário, ela poderia sofrer uma
infecção.
Garantida a reconstrução do cadáver, os restos da criança já
estão prontos para serem atirados fora (no caso dos seus órgãos
não serem removidos para o tráfico).
O sentimentalismo abortista

Como a evidência científica está muito acima do charlatanismo


progressista, no fim das contas, os grupos feministas e
organizações que pretendem defender os direitos humanos (mas
brigam pelo direito de matar crianças) terminam com argumentos de
cunho sentimental, como a sucessiva fabricação de histórias
traumáticas que — de acordo com seus pesarosos cronistas — a
mãe grávida sofre e, assim, justificam como um “mal menor” o
suposto assassinato da criança: “A mãe é pobre e ainda por cima
tem outros três filhos para sustentar: um de dois, um de quatro e
outro de seis anos. Obrigá-la a ter outro filho indesejado é um ato de
insensibilidade”. Em outras palavras, em vez de ajudar a resgatar as
mulheres da pobreza, o que seus porta-vozes propõem é matar o
feto por razões econômicas. Pois bem, como é bem sabido que a
economia não é o mais forte dos filósofos do progressismo, nós que
estamos na direita e que tendemos a ser mais entendidos do
assunto, sugerimos a esses bons mocinhos uma oferta superadora
e mais barata: matar o filho mais velho (seis anos, neste caso), que
naturalmente gera mais despesas, e preservar a criança em
gestação, pois no momento é ela mais barata de manter. Mas,
independentemente destas decisões sobre a economia familiar, vale
acrescentar que o aborto não é um problema de classe social: é
praticado por mulheres ricas ou pobres, é feito de forma clandestina
ou sob a proteção do Estado; se é executado sem meios ou com a
mais sofisticada tecnologia, é sempre o mesmo homicídio contra a
vida de um inocente indefeso. Todo o resto é parte de um
anecdotário lateral que nos distrai do debate real: ninguém pretende
forçar a mãe a ter um filho não desejado, mas acontece que “a
criança indesejada” já existe nela, não é uma existência potencial,
mas atual.
Outro argumento piegas que os filicidas trazem à mão, é o
relacionado com a possibilidade de o feto sofrer de alguma doença
ou malformação. Isto é, o feminismo neo-marxista nos diz agora que
se a criança tem uma deficiência deveria ser morta, tal como era
feito sete séculos antes de Cristo, no estado rígido e militarista de
Esparta. Ou como foi feito, do mesmo modo, sob as leis eugênicas
do nacional-socialismo, que ordenaram o extermínio dos nascidos
com deficiência ou malformações. Pois bem, além de acreditarmos
que a solução neste caso não seria matar a criança, mas auxiliá-la
medicamente diante da sua eventual malformação ou disfunção, nos
interessa o seguinte testemunho dado pelo renomado
constitucionalista brasileiro Celso Bastos: “Participei de uma
discussão em que um médico, dono de diversas clínicas, defendia o
aborto. Ele dizia que, com um aparelho de ultra-som, se pode saber
com 80% de certeza se o feto sofre de mongolismo, caso em que
poderia ser abortado. Então lhe perguntei. Já que admitia 20% de
insegurança: por que não deixar o bebê nascer e matá-lo depois?
Então teríamos 100% de certeza”.[474]
Uma vez esgotados os truques sentimentalistas, o ativista
progressiva vai sugerir a legalização do aborto, mas por razões
práticas: “Apesar de proibido pelo Código Penal, os abortos ainda
assim são realizados. Portanto, eles devem ser legalizados para
evitar o risco de saúde da mãe que é submetida a um aborto em
locais clandestinos e inseguros.” Para começar, a mãe que quer um
aborto não “é submetida” a locais clandestinos, mas sim “se
submete voluntariamente” a esses antro para a prática de
assassinato. Há mulheres que correm risco de morte após abortar
em ambientes não equipados? Sim, e é lamentável. Mas o detalhe é
que a mulher que morre ao submeter-se livremente ao experimento
filicida não é vítima, mas algoz; e em sua qualidade de algoz acaba
acidentalmente morrendo: a verdadeira vítima em tudo isso é a
criança. Da mesma forma, se um ladrão quer roubar um banco e
neste empreendimento ilegal é baleado pela polícia, escusado será
dizer que esta morte foi um resultado indesejado da atividade
criminosa: temos que descriminalizar o roubo para que o ladrão não
corra risco de morte, então?
Mas há mais silogismos dentro do sofisma abortista, como o
caso do argumento “democrático”, que consiste em citar pesquisas
de opinião nas quais a maioria da população “aprova” um possível
projeto de lei que legalizaria a prática. Independente da
verossimilhança destes números e do suposto consenso popular
existente apenas nas fontes que os abortistas citam, a verdade é
que, se essa mesma pesquisa pudesse ser feita com os verdadeiros
e legítimos interessados (as crianças por nascer) o resultado seria
100% para o NÃO.
Outra questão que quase deixou de ser discutida, mas que na
época era um dos argumentos mais fortes dos filicidas, foi o
exemplo em que a mãe corria o risco de morrer no caso de
continuar com a gravidez. Hoje este dilema entre duas vidas em
conflito foi esquecido, porque felizmente faz tempo que a ciência
médica descobriu como resgatar os dois pacientes sem maiores
complicações, tanto que, já em 1979, o renomado biólogo da
Universidade Complutente José Botella Llusia, afirmou que “o
progresso da medicina tem sido tal que hoje qualquer paciente
cardíaco pode lidar com a gravidez e as complicações mais graves
da gravidez podem ser resolvidas sem ter que interrompê-la”,
acrescentando que “felizmente, pode ser considerado como um
dilema obsoleto”,[475] uma afirmação que foi posteriormente
confirmada pela própria Organização Mundial da Saúde.[476]
Para terminar, o abortista não terá escolha a não ser marcar-
nos como “intrometidos” ao tentar interferir em um assunto que
parece ser alheio: “Que direitos têm esses” inquisidores beatos
“entrando no ventre que é a privacidade da mãe?” Acontece que a
privacidade do útero não autoriza o seu dono a matar em seu
interior, assim como a privacidade de uma casa não autoriza seus
donos a cometerem o assassinato de seus filhos dentro dos limites
geográficos de sua propriedade. Portanto, qualquer vizinho que
perceba a situação seria moral e legalmente autorizado a chamar a
polícia ou a fazer a respectiva denúncia diante da iminência do
pretendido infanticídio intramuros: tenha a criança 5 meses de
gestação ou 5 anos de idade.
No final, como os argumentos do abortista acabam caindo um
por um, geralmente vai-se parar no estranho caso de “gravidez
gerada por estupro” e, então, por exceção, argumentam que aqui o
aborto deveria ser autorizado. Mas essa desculpa não é tão
excepcional: curiosamente todas as mulheres que querem fazer um
aborto dizem que “foram estupradas” sem nunca terem que provar o
estupro ou a identidade do estuprador. Na verdade, a grande
maioria destes casos são mentiras muitas vezes flagrantes com
reivindicações filicidas dado que a legislação local habilita as
mulheres a dizerem que foram estupradas e com tão somente o seu
testemunho verbal obterem a autorização judicial para matar a
criança; sabe-se, além disso, que os casos de gravidez de estupro,
justamente devido ao estresse e trauma da situação, são muito
estranhos e isolados: o Centro de Apoio à Mulher no México
confirmou que apenas 2,2% dos casos em que a violação foi
configurada, houve um estado de gravidez posterior, por exemplo.
Mas suponhamos por um momento um caso que se apresente
como verdadeiro: que uma mulher realmente teve a infelicidade de
ser submetida à humilhação terrível dessa situação, em seguida
teve a infelicidade de ficar grávida e, portanto, a vítima não quer ter
nem criar a criatura que ela carrega em sua barriga. Será que em
uma situação onde a mãe é vítima de um crime sexual, em vez de
punir o estuprador, deve-se matar a criança? Nem mesmo o
estuprador está sujeito à pena de morte porque o progressivismo
garantista se opõe a isso: mas se pretende condenar o bebê a essa
sanção?
Obviamente, o estupro é um crime abominável, especialmente
se a mulher tiver que sofrer uma gravidez fortuita e indesejada
durante meses. É uma tragédia relativamente comparável a de
alguém que é roubado por um criminoso e baleado; e por conta de
seus ferimentos fica submetido a meses de recuperação, ou pior,
passa o resto dos seus dias em uma cadeira de rodas: essa terrível
desgraça dá ao desafortunado o direito de matar um terceiro alheio
ao crime detestável?
Que a mãe não queira ter um filho é um infortúnio insuperável:
a criança já nasce malfadada. Que não queira criar e ter o encargo
de se encarregar da criatura, sim, é algo superável, já que pode dá-
lo em adoção. Ou seja: a infeliz mãe não tem o direito de matar a
criança inocente e tem a obrigação de dar à luz a ele, e então tem a
liberdade de escolher se quer ou não dá-lo em adoção. Ao mesmo
tempo, é o Estado que deve conter afetiva e psicologicamente a
mãe em tão fatídico trânsito e, claro, dar uma punição rigorosa e
exemplar ao depravado.
Os filicidas dizem que, apesar dos nossos argumentos,
“metade da bibliografia sustenta que a vida começa desde a
concepção, mas há outra metade da bibliografia que sustenta que a
vida começa mais tarde”. Curiosamente, metade da biblioteca que
promove o aborto nunca diz em que momento exato a vida ocorre e
apenas levanta especulações e hipóteses que a ciência já refutou.
Mas suponhamos que a questão ainda esteja sujeita a discussão,
há uma disparidade de pontos de vista e ainda não é possível saber
quem está certo. Neste caso deveria se agir com prudência e
cautela e proibir o aborto, pois seria ridículo diante da dúvida decidir
abortar: raciocínio semelhante cabe ao juiz que diante da “dúvida”
nunca pode condenar o réu. O famoso princípio legal in dubio pro
reo ordena justamente ao juiz que, em caso de dúvida, deve-se
estar sempre em favor da inculpabilidade do réu. Da mesma forma,
na discussão do aborto, se aceitarmos “a dúvida” como válida ou
relativizarmos o momento em que a vida se origina, é óbvio que a
escolha deve ser sempre pela busca de proteger a criança, ou seja,
considerar a vida como presente desde a própria concepção, até
que o “enigma” seja dissipado: jamais sujeitar a criança a um jogo
de roleta russa especulativa com verniz terapêutico. “Observei que
todos que são favoráveis ao aborto já nasceram”, sentenciava
magistralmente Ronald Reagan.
Em resumo, poderíamos escrever um outro livro somente com
a casuística argumentando e contra-argumentando situações
conflitivas ou excepcionais ad infinitum; porém, desenvolver um
trabalho abrangente sobre isto não é o propósito do presente livro,
ainda que não quiséssemos contornar um tema delicado e tão
arraigado na agenda da ideologia de gênero.
Além disso, por serem confusos, intrincados e envolventes os
aforismos astuciosos do ativismo filicida, advertimos que a lógica sã
em favor da vida nem sempre poderá vencer a batalha política, mas
vencerá a disputa moral e racional, já que em suma: seja legal ou
ilegal, o aborto igualmente mata.
Capítulo 5
E na Argentina, como estamos?
Um amor não correspondido

Entre muitas das questões já discutidas nesta segunda parte do


livro, analisamos a evolução intelectual e/ou militante do
homossexualismo ideológico a partir da perspectiva de gênero tanto
na Europa como nos Estados Unidos, e uma vez que a Argentina de
hoje, em geral, e a cidade de Buenos Aires, em particular, tornou-se
uma espécie de reconhecido “epicentro gay” na América Latina,
cremos ser indispensável abordar brevemente a evolução dos
grupos e ideólogos locais desde a sua criação no início dos anos 70
até tempos recentes, quando essas correntes alcançaram seu
esplendor no calor do longo regime dos Kirchner.
Embora tenham existido alguns pequenos antecessores dos
grupos argentinos que tentaram, sem maior importância, fazer
algum tipo de militância nos anos 60,[477] muitos argumentam que o
primeiro precedente importante foi em 1971, quando se formou a
‘Frente de Libertação Homossexual’ (FHL), composta por
personalidades de esquerda como o já mencionado líder comunista
Hector Anabitarte, o escritor Manuel Puig (que morreu de AIDS em
1990 e era famoso por seu romance homossexual O Beijo da
Mulher Aranha), o jornalista Blas Matamoro e o reconhecido
sociólogo de origem marxista Juan José Sebreli.
Provavelmente este grupo foi o primeiro testemunho de uma
organização local que misturava o marxismo e a sodomia, tal como
eles exibiam em suas declarações oficiais, “homossexuais são
oprimidos social, cultural, moral e legalmente. Eles são
ridicularizados e marginalizados, sofrendo duramente o absurdo
imposto pela sociedade heterossexual monogâmica” sendo que
“esta opressão vem de um sistema social que considera a
reprodução o único propósito do sexo. Sua expressão concreta é a
existência de um sistema heterossexual compulsório nas relações
humanas, onde o homem desempenha o papel de patrão autoritário,
e as mulheres e os homossexuais de ambos os sexos são
inferiorizados e reprimidos [...] a luta contra a opressão que sofrem é
inseparável da luta contra todas as formas de opressão social,
política, cultural e econômica [...] todos aqueles que são explorados
e oprimidos pelo sistema que marginaliza os homossexuais podem
ser nossos aliados na luta pela libertação”.[478]
Muitos consideram que essa pequena frente teria uma tônica
tão radical graças à influência de um elemento que logo após sua
fundação se integrou e virtualmente dominou e personalizou a
organização. Referimo-nos ao escritor e sociólogo Nestor
Perlongher, homossexual nascido em 1949, de tendência ultra-
esquerdista, que à distância era visto como o ativista mais
representativo do grupo e cujo desejo de protagonismo pessoal não
tardou em converter-se em sua referência mais visível. Segundo o
relato de Sebreli: “Perlongher era um personagem pitoresco, parecia
uma senhora [...] a partir da entrada de Perlongher o ‘FLH’ cresceu
muito, porque ele foi em busca de militantes na faculdade, e as duas
carreiras nas quais ele ganhou mais seguidores foram psicologia e
sociologia”, ao que Sebreli acrescenta a influência insana deste
sujeito, dado que “Perlongher introduz a droga no grupo”.[479]
Obviamente, Perlongher não era um indivíduo que pudesse ser
valorizado como intranscendente. Enquanto se pavoneava nas ruas
de Buenos Aires usando saltos altos excêntricos e misturava
trotskismo visceral com a homossexualismo escandalosa, ele
chamava a si mesmo como “La Rosa”, em homenagem a Rosa
Luxemburgo, a icônica agitadora e pioneira do que foi o Partido
Comunista Alemão: “A grande contradição da vida de Perlongher foi
que ele pregou o anti-autoritarismo, mas ele era uma pessoa
autoritária”[480] resume Sebreli.
Devoto da exibição, “La Rosa Perlongher” e seu excêntrico
grupelho decidiram apresentar dois atos políticos de vital
importância para a época. Primeiro, ele assistiu à posse presidencial
de Hector Campora em maio 1973 e, em seguida, participou do
evento histórico do regresso ao país do ex-ditador Juan Perón em
junho desse mesmo ano, em Ezeiza. Foi nesses eventos de massa
quando Perlongher e os seus tentaram congraçar-se com as
massas peronistas indo aos atos com um cartaz grotesco que
parafraseava a marcha partidária com o lema “para que reine o
povo, o amor e a igualdade.” Mas a presença dele e de seus
ativistas não foi muito bem aceita pela multidão peronista lá
presente, a qual, em concordância com as idéias de seu líder, olhou
com particular repugnância os expoentes desta seita carnavalesca.
Assinala Sebreli que “a presença de Perlongher e de sua facção
nesses atos foi verdadeiramente representativa do ponto de vista da
história da homossexualidade na Argentina, porque aí se mostrou
mui claramente que os peronistas, especialmente os peronistas de
esquerda de quem Perlongher queria se aproximar, eram
homofóbicos. Eles foram com cartazes e tudo o mais, mas as
pessoas se afastaram deles para não serem fotografadas. Criaram
um vazio ao redor deles, que fugiram assustados. Eles ficaram
completamente sós. Só serviu para que a direita (especialmente o
coronel Osinde, que organizava esses eventos de massa) dissesse
que os Montoneros eram “viciados em drogas e homossexuais”.[481]
Acusação que indignou estes últimos, que responderam ao infame
insulto com a histórica canção: “Não somos putos, não somos
drogados, somos soldados de Evita e Montoneros”.
Em janeiro de 1976, o regime peronista encarcerou Perlongher
por causa de suas ligações com drogas. Este encerramento durou
três meses, posto que logo assumiu o governo cívico-militar, em
março de 76, e o ativista foi liberado. Perlongher decidiu não
prosseguir com sua militância e em 1981 emigrou para o Brasil,
onde se estabeleceu e continuou escrevendo e criando conflitos
histéricos dentro de seu ambiente. Porém, como antes ele se
queixava que os homossexuais eram “marginalizados”, durante o
novo governo de Raúl Alfonsín (1983-1989) também se queixava,
mas pelo oposto, ou seja, pela criação e existência formal da CHA
(“Comunidade Homossexual Argentina” fundada em 1984), acusada
por Perlongher de ser “conservadora” ao ter um discurso não-
trotskista revolucionário, mas integracionista (a CHA não propôs
uma revolução homossexual, mas apenas equiparar direitos com os
heterossexuais). Ao mesmo tempo, a partir da cidade de São Paulo,
onde este insatisfeito crônico residia, disparava também contra a
proliferação de boates gays em Buenos Aires, alegando que elas
eram “um campo de concentração confortável”.
Promíscuo irrecuperável, drogadicto perdido, membro da seita
afro-espírita “O Santo Daime”[482] e comunista radicalizado, ao
explorar a AIDS como doença característica dos homossexuais nos
anos 80, Perlongher, em vez de tomar precauções estritas em sua
desordenada vida pessoal, descreu da existência de tal mal e
publicou em 1988 — quando já tinham morrido desse mal inúmeros
homossexuais conhecidos e desconhecidos — um livro delirante
intitulado O Fantasma da AIDS, cuja tese central dizia que não havia
nenhuma doença e que tudo isso era nada mais do que uma
invenção comercial e publicitária do “imperialismo americano”
promovida com o fim de “controlar os corpos” e “vender
medicamentos”. A realidade não demorou muito em fazê-lo mudar
de idéia: no ano seguinte, em 1989, ele mesmo soube que padecia
de uma AIDS fulminante e a sua perspectiva de vida diminuiu
drasticamente: ele morreu em 1992, em São Paulo, aos 43 anos,
vítima de uma doença causada não pela “conspiração capitalista”
que ele havia relatado um ano atrás, mas por causa de suas
frenéticas rotinas pessoais.
Apesar do próprio Perlongher, seus correligionários o
classificaram como “um notável pensador”, embora o “mérito” real
desse agitador viciado não tenha sido outro senão ser considerado
por seus pares como o “pai do movimento homossexual”; além
disso, atribuiem a ele o “prêmio” de ser o primeiro ativista queer de
origem local.
A mais profunda reflexão de que se recorda é: “A revolução
sexual só será possível quando os heterossexuais socializarem o
seu cu”.[483]
Democracia e Peste Rosa

Como foi mencionado, durante 1984, em Buenos Aires se


funda a CHA (Comunidade Homossexual Argentina), liderada por
Carlos Jáuregui e apoiada por Roberto, seu irmão dois anos mais
novo, nativos de La Plata. Tudo indica que os Jáuregui eram uma
família atípica: não só os dois irmãos eram homossexuais, mas suas
outras duas irmãs eram lésbicas.
Carlos Jáuregui estreou (como ativista) na revolta parisiense de
maio, porém do ano de 1981, quando os homossexuais franceses
foram às ruas para celebrar a vitória socialista de François
Mitterrand: “Esse foi o motor que decidiu minha posterior militância
no movimento gay”,[484] apontou. Desde então, ele manteve durante
toda a década de 80 uma intensa atividade militante depois de
fundar o CHA, organização que presidiu em 1984, mas que mais
tarde teve que renunciar em 1987 por ciúmes e disputas internas.
Seu irmão Roberto — em quem Carlos se apoiava politicamente —
também teve uma participação militante, mas não na CHA, mas
noutra organização colateral que ficou conhecida como “Fundação
Hóspede”,[485] que punha um contraditório foco na luta contra o
AIDS: essa organização elogiava a homossexualidade e depois
lutava para curar essa doença, ou seja, exaltava a causa que a
gerava e depois lutava contra sua infeliz conseqüência.
Durante o período compreendido entre os anos 80 e parte dos
90, as estratégias dos movimentos homossexuais foram divididas
entre os que queriam promover a ideologia de gênero de corte
neomarxista, que já vimos, e aqueles que, em vez disso,
priorizavam campanhas informativas de prevenção contra a AIDS,
que na época grassava entre a população homossexual. Contudo,
apesar da promoção dissolvente do gramscismo educacional, que
desde o Estado impunha o regime eurocomunista de Raul Alfonsin,
muitos promotores da homossexualização cultural decidiram, por
ora, deixar de lado os seus esforços de propagação das suas
teorias pansexualistas; não porque essas idéias não lhes eram
simpáticas, mas por verem que não podiam perder tempo com estes
lemas ideológico enquanto a “Peste Rosa” estava destruindo seus
membros: por exemplo, os dois irmãos Jáuregui morreram de AIDS.
Roberto em 1994 e Carlos dois anos depois.[486]
Digressão: quando, no início dos anos 80, a AIDS encurralava
a comunidade homossexual em todo o mundo, desde o início da
epidemia o Cardeal de Nova York, John O’Connor, inaugurou o
primeiro centro a-religioso de cuidados para pacientes com AIDS
dos Estados Unidos. Desde então, a Igreja Católica —
freqüentemente ultrajada e agredida pelo ativismo feminista e
sodomítico — é a instituição privada mais empenhada em todo o
mundo na luta contra este mal tão comum na população agressora:
atualmente um em quatro pacientes com AIDS (25%) está sendo
atendido por instituições da Igreja Católica; inclusive, em países
pobres, a Igreja assiste 60% das pessoas afetadas, sendo que os
recursos para esses serviços são levantados pela própria Igreja, a
partir de fontes privadas e não de governos.[487]
Mas voltando à militância homossexualista local, é de salientar
que, embora até então as prioridades foram clínicas e não
ideológicas, não obstante, na intelectualidade surgiram algumas
penas de valor destacado, sendo a mais reconhecida a do escritor
Oscar Villordo, cultor de um gênero literário a que denominou
“homo-erotismo”, cujos livros são considerados cult nesses circuitos.
[488] Villordo tampouco escapou da AIDS: ele morreu dessa doença

em 1993.
Não sem fundamento, a “Peste Rosa” causava pânico na cena
homossexual e várias celebridades morreram em todo o mundo
como resultado dela, no que toca a Argentina, agitou a opinião
pública a morte de muitos artistas homossexuais, tal como no caso,
em 1988, de Federico Moura (cantor da banda “Virus”), de Miguel
Abuelo (cantor da banda “Los Abuelos de la Nada”), também em
1988, ou a morte do dançarino clássico Jorge Donn em 1992.
Diante do efeito dominó da AIDS, qualquer lugar ou espaço era
aproveitado por membros desta comunidade para tentar sensibilizar
a si ou a outros: o comediante Antonio Gasalla — humorista que
normalmente se travestia representando personagens femininos —
desde seu programa de TV aconselhava seus companheiros com
uma exortação desesperada: “Não seja um trouxa, use camisinha!”.
O homosexualismo noventista

Enquanto isso, a CHA não parara após a expulsão de Jáuregui


e, embora tenha sido sempre uma organização que sobreviveu
ferida pelo ciúme doentio entre os seus membros e líderes, o seu
funcionamento e sua presença freqüente na mídia subsistem até
hoje. Com efeito, após a exclusão de Jáuregui a condução desta
instituição foi assumida brevemente pelo ativista Alfredo Salazar,
que logo foi obrigado a delegar o cargo ao então mediático Rafael
Freda, um professor de esquerda que costumava freqüentar
programas de televisão de alto impacto agitando suas bandeiras, e
assumiu a presidência da CHA em julho de 1991. Mas apenas cinco
meses depois, Freda foi deposto e expulso da entidade, levando
consigo uma fração de outros vinte e cinco seguidores, e com isso
fundando uma organização paralela autodenominada SIGLA
(Sociedade de Integração Gay-Lésbica da Argentina).[489] Tão
ingovernável tornou-se a CHA — apesar de receber apoio maciço
de estruturas internacionais como as Nações Unidas,[490] ou locais
como a de CELS do agente duplo Horacio Verbitsky[491] —, que
pelas panelinhas então em disputa não puderam sequer concordar
sobre quem iria substituir o comando do líder deposto. Porém, por
meio da bagunça interna soube tomar o poder da seita um
triunvirato liderado por Monica Santino, muito temida pelos
poderosos esquerdistas do clube All Boys, onde se destacou
jogando futebol feminino.[492] Mas a disputa não termina aí. Em
1991 houve outro cisma na CHA e foi fundada a “Gays pelos
Direitos Civis” — encabeçada por Jáuregui, que tinha sido
marginalizado da mesma organização que havia fundado —,
enquanto outros desertores do CHA decidiram por sua vez
reagruparem-se em uma espécie de “ateneu científico”, dirigido pelo
psicólogo homossexual Carlos Barzani,[493] intitulado com o nome
quilométrico de “Grupo de Investigação em Sexualidade e Interação
Social”,[494] sinteticamente conhecido como “Grupo ISIS” (sigla
exatamente igual ao do terrorismo jihadista ISIS,[495] mas de ação
menos perigosa).
Finalmente, a suspeita sem fim foi gerada também no interior
d0 ISIS, surgindo assim a enésima divisão chamada “Grupo de
Reflexão Autogestiva Lesbianas” (GRAL) e agora, diante da fatídica
partição burocrática destas infinitas tribos dentro da comunidade
homossexual argentina, não seria desacertado ou calunioso definir
esse cenário da seguinte forma: um verdadeiro puteiro.
Apesar de sua guerra civil travada desde de 1996 até o
momento de escrever estas linhas a CHA sobrevive e é atualmente
presidida por César Cigliuti, ativista conhecido por ter “casado” com
seu parceiro Marcelo Suntheim[496] em 2003.[497]
Em paralelo com a CHA e seus desmenbramentos, durante a
década de 90 apareceram outras congregações complementares
como o “Fundação Buenos Aires AIDS” (dirigida por Alex Freyre) ou
a camarilha “coletivo Eros” (constituída por estudantes da Faculdade
de Filosofia e Letras da UBA)[498] que não demoraram muito para
lutarem entre si e se dissolverem, e depois ingressarem em outros
espaços com práticas similares. Foi também na segunda metade da
década de 90 que entra em cena um outro arquétipo do
homossexual masculino autodenominado como “ursos”, agrupados
em uma espécie de clube social[499] e que se caracteriza por uma
estética marcada pelo excesso de peso, a barba, o o atípico
emprego de gestos rústicos e viris, uso infreqüente em ambientes
marcados pela histeria e pelo efeminamento.
Mas foi nestes tempos de liberdade do início do governo de
Carlos Menem, quando se fez mais visível na militância a presença
de mulheres (por assim dizer), como por exemplo a organização
lesbo-marxista “Las Lunas e las Outras”;[500] o grupo pseudo-
religioso de abortistas autodenominado “Católicas pelo Direito de
Decidir”;[501] a organização “Las Fulanas”[502] fundada pela
conhecida trotskista Maria Rachid, menina de um tamanho físico
intimidante e que anos mais tarde, em 2011, entrou em uma luta
contra o comediante Claudio Morgado, kirchnerista e viciado em
drogas confesso, por conta de acusações mútuas de corrupção
quando ambos dirigiram o INADI[503] — diante do incidente físico
Morgado ficou aterrorizado e pediu ajuda da polícia.[504] Finalmente,
nos encontramos nesses anos com o aparecimento da revista
“Cuadernos de Existencia Lesbiana”,[505] uma publicação que
circulou a partir de 1987 e cujos fascículos foram recentemente
digitalizados em um curioso portal da Internet de denominação
gostronômica: “Potencia Tortillera”.[506]
Mas, neste ponto, o lobby homossexual tinha aumentado muito
e tornou-se tão complexo que até tinha sua própria religião: foi
também na década de 90 e sob o disfarce de “Igreja da Comunidade
Metropolitana”, que se estabeleceu em Buenos Aires um tipo de
“espiritualidade gay”, dirigida por um tal de Roberto Gonzalez, um
pregador vestindo uma berrante batina multicolor, que agia com
“padre” e parodiava a liturgia católica enquanto “casava” seus fieis
entre si. De acordo com testemunhos recolhidos pelo sociólogo
homossexual Ernesto Meccia, esta “igreja” cumpriu o papel de
aplacar a promiscuidade desenfreada de seus acólitos: “Talvez seja
uma coisa da idade, mas chega um ponto em que você fica cansado
da noite, de sair toda noite para terminar em uma pista de dança”
disse um paroquiano, enquanto outro fiel confessou: “Quando
conheci a Igreja tinha uma vida noturna, eu descobri que tinha o
vírus, mas ainda saía à noite para procurar algo. Uma vez que tive
uma história violenta na rua com um homem, vi as estrelas... Não
sei porque parei por aí. Um amigo me falou da Igreja da
Comunidade Metropolitana e comecei a ir”; enquanto outro
paroquiano observa: “E em um certo ponto eu me perguntava, eu
quero esta vida, viver como um louco durante todo o dia?”. Um dos
entrevistados reconheceu que na igreja homossexual “vinham
muitas pessoas que tinham o problema do HIV”.[507]
Mas, como se ao complexo mapa sociológico de tribos
sodomitas faltassem referências, apareceram em cena os travestis,
não só para fazerem notar as suas fantasias, mas para exibirem
reivindicações políticas e sindicais: em maio de 1991 surgiu uma
loja chamada “Transsexuais pelo Direito à Vida e à Identidade”
(Transdevi), grupo liderado por uma pessoa que dizia se chamar
“Karina Urbina” e dois anos depois em maio de 1993, nasceu a
ordem “Travestis Unidas” (TU) da mão de um tal “Kenny de
Michelis”. Porém, foi no mês seguinte (junho daquele ano), quando
fez estréia o conclave mais colorido, nos referimos à “Associação de
Travestis Argentinas” (ATA), liderada por um menino nativo de Luján
(Buenos Aires) que, sob o pseudônimo de “Belén Correa” alcançou
a fama.
No início, talvez devido ao seu especto estético tão chocante e
burlesco, o aparecimento de travestis no palco gerava aversão não
só na maior parte da opinião pública, mas mesmo entre aqueles que
agiram intelectualmente nos ambientes mais recalcitrantes da
esquerda cultural local: “Os travestis nunca, nunca, vão conseguir
ser o que eles desejam parecer: mulheres [...] eles não são nada,
nem homens nem mulheres, vivem em um mundo de aparência e
não no ser [...] a sua transgressão alardeada nada mais é que um
abrupto ruído que só fode com donas de casa, triste escumalha,
autodestruição sem grandeza, hecatombe que se instala nas
páginas amarelas das crônicas e não nos grandes labirintos da
genealogia da moral, de Nietzsche”[508] notou na década de 90, para
o espanto de amigos e desconhecidos, o radialista José Pablo
Feinmann, deixando claro que nesta questão mesmo aqueles que
estão fatalmente ideologizados têm esporádicos intervalos de
lucidez em que o senso comum parece sobrepujar suas respectivas
quimeras ideológicas. Mas, avançando os anos, esta “triste
escumalha” do travestismo foi sendo “naturalizada” e aceita com
lisonjas, e seu mais famoso expoente era uma “vedette” chamado
Gerardo Vírguez que se tornou popular com o pseudônimo de “Cris
Miró” divulgado também por sua relação pessoal com o ex-jogador
de futebol Diego Maradona[509] e por ter conseguido encabeçar
elencos em teatros de revistas: morreu de AIDS em 1999 aos 33
anos de idade. Mas sua ausência “artística” foi rapidamente
substituída por outro travesti em ascensão, um opulento moreno
chamado Roberto Carlos Trinidad (conhecido como “Florencia de la
V”), que no início teve o auspício midiático do pornocomediante
Gerardo Sofovich. Finalmente, o regime de Cristina Kirchner
concedeu ao Sr. Trinidad a possibilidade de mudar seu nome no
documento de identidade e formalmente se passar por mulher.
Linhas menores merecem alguns travestis “de qualidade
inferior”, já que, embora com alguma fama de mídia, elas nunca
chegaram a um posto “top” no entretenimento, apesar de flertarem
fugazmente com isso. Referimo-nos a certos “marginalizados” que
foram usados pela indústria do entretenimento para escárnio e
ridículo, como no caso de Miguel “Cacho” Dekleve, mais conhecido
como “Zulma Lobato” — insano personagem caracterizado por um
estrabismo marcante e dentes incompletos — ou um outro que se
autodenomina “Naty Menstrual”,[510] sodomita periférico que atua
como escritor e teve o luxo de publicar um livro bizarro de “porno-
poesia”, prontamente difundido pelo jornal Página 12 em sua “
seção cultural”.
Sem dúvida, os anos 90 foram de esplendor e consolidação
para essas correntes; elas tornaram-se midiaticamente visíveis
disputando espaço físico com suas respectivas bandeiras nas
“Marchas do Orgulho Gay”, colorida peregrinação anual de corte
transnacional que na Argentina começou a implementar-se a partir
do ano de 1992[511] e que desde então é mobilizada e sempre
organizada em novembro, com reivindicações sucessivamente mais
arrojadas e proativas, sendo que todo esse ambiente rarefeito está
repleto de grupos e subgrupos que se odeiam, mas, de qualquer
modo, lutam com sucesso por obsessões comuns.
As causas do internismo

O citado sociólogo homossexualista Ernesto Meccia, sobre o


feroz internismo operante no seio do ambiente nacional observa que
“há várias organizações que denunciam que o trabalho político de
outras organizações não inclui uma crítica cultural do sistema
social.”, acrescentando que “não é coincidência que o conflito
interno envolva, por um lado, a organização mais antiga, a
Comunidade Homossexual Argentina (CHA) e, por outro lado,
organizações e/ou empreendedores independentes da causa que,
baseados em espaços acadêmicos, implantem o arsenal conceitual
da teoria queer”[512]; e segue: “chama a atenção a virulência com a
qual algumas organizações atacam as outras”.[513]
Contudo, aparentemente, neste microclima não há apenas luta
por nuances ideológicas e personalismos políticos, mas também são
freqüentes as lutas entre diferentes “arquétipos” visuais de
homossexuais, os quais, por pertencerem a diferentes clãs
estéticos, desprezam-se uns aos outros, como nos explica Meccia:
“As figuras clássicas de ‘louca’, cujo papel tem sido dar notas
cômicas em vários filmes e programas de TV, e o gay macho, fetiche
(com freqüência militares ou policial) presentes a partir dos anos 80
em toda uma iconografia principalmente americana e principalmente
pornográfica são os nítidos protótipos (tipos ideais, de acordo com a
conceituação clássica de Max Weber) imaginários ou tidos como
reais de homossexualidade masculina feminizada (HFM) e da
homossexualidade masculina monosexualizada (HMM)”, porém,
este última exemplo de homossexual virilizado, segundo Meccia,
não deixa de ter uma alta dose de impostura: “Neste sentido, exibir
na biblioteca um livro de Borges não lido cumpriria a mesma função
de reforço que revela o quão pouco efeminado são e,
concomitantemente, quão iguais aos heterossexuais são alguns
homossexuais, apesar de serem homossexuais, reconfortante ponto
de chegada de uma eficiente estratégia simbólica”.[514] No fundo,
este exagero de invertidos musculosos não faz mais do que
confirmar aquela confissão implacável de Guy Hocquenghem: “você
sempre sente um pouco de vergonha por sentir orgulho de ser
homossexual”.[515]
A respeito das “loucas” as quais se refere Meccia, estas se
caracterizam pela sua obsessão em alcançar a magreza extrema
própria das modelos, e se bem que 95% da população que sofre de
distúrbios alimentares do tipo da anorexia ou bulimia são mulheres,
dos 5%[516] restantes, que afeta homens, a esmagadora maioria
deles são sodomitas: a Escola de Saúde Pública da Universidade de
Columbia confirmou que os homossexuais têm o triplo do risco dos
heterossexuais de sofrer de anorexia.[517]
No que diz respeito ao segundo arquétipo apontado, o
homossexual que emula o “macho”, na Argentina dos últimos anos
provavelmente o mais famoso expoente foi o figurão de televisão
Ricardo Fort, indefinível personagem cujo corpo esculturalmente
operado e anabolizado, junto com as namoradas fictícias alugadas
que ele apresentava midiaticamente para disfarçar sua
homossexualidade, acabou desmoronando quando descobriram não
apenas seu vício pelos “táxi boys”,[518] mas a sua fama nas saunas
e bares gay friendly de Miami. Mas Fort pôde ser “o macho” por
pouco tempo. Ele morreu aos 42 anos de idade, intoxicado pelas
obsessivas e infinitas operações estéticas pelas quais passou, para
parecer musculoso e viril, o que deteriorou progressivamente sua
saúde. Foi um triste gigante de papelão.
Mas não há apenas rivalidades ou hierarquias na idiossincrasia
homossexual sobre formas estéticas, mas também em termos de
papéis (de acordo com quem é o sujeito ativo ou o passivo na
atividade venérea) e sobre isso o sociólogo marxista Pierre
Bourdieu, em seu livro A Dominação Masculina sustenta que, no
caso da sodomia, a dominação “não está ligada a sinais sexuais
visíveis, mas à prática sexual. A definição dominante da forma
legítima dessa prática como uma relação de domínio do princípio
masculino (ativo, penetrante) sobre o princípio feminino (passivo,
penetrado) envolve o tabu da feminilização sacrílega da
masculinidade, ou seja, do princípio dominante que se inscreve na
relação homossexual”.[519] Mesmo no jargão popular, há uma
espécie de mitigação ou pedido de desculpas ao elemento ativo,
como se ele não fosse tão responsável quanto o passivo pelo
encontro sexual. Mas muito particularmente na Argentina, o
homossexual ativo não só goza de uma sanção social menor do que
a passiva, mas muitas vezes esse papel fornece “boa reputação” em
alguns ambientes, como pode ser visto nos cantos de fãs de futebol,
cujas letras ufanam muitas vezes o “comer” o rival.
Essa absolvição ou glorificação que se faz do homossexual
ativo já havia sido advertida e denunciada com horror pelo próprio
Jorge Luis Borges nas páginas da revista Sur: “Vou acrescentar
outro exemplo curioso. O da sodomia. Em todos os países da Terra,
uma indivisível reprovação recai sobre os dois executores do
inimaginável contato. Ambos terão praticado abominação;
certamente serão mortos, diz o Levítico. Não é assim entre os
delinqüentes de Buenos Aires, que reivindicam uma espécie de
veneração pelo agente ativo — porque ele enganou seu parceiro.
Entrego essa dialética fecal aos apologistas da vivacidade, do
maledicente e da chalaça, que tanto inferno descobrem”.[520]
Finalmente, vale mencionar que este rancor tão violento quanto
freqüente em ambientes homossexuais, além do já exposto, revela
que a denominada “homofobia” de fato existiria, mas entre os
próprios homossexuais, dado que muitos deles sentem por sua vez
desprezo pela condição homossexual de seus pares. O que parece
uma contradição flagrante (um homossexual desprezando outro
homossexual por ser homossexual), foi desenvolvido in extenso pelo
escritor homossexual James Shifter Sikora em um capítulo chamado
“homofobia internalizada” do seu livro já referido, em que o autor diz
sinteticamente: “O ódio é para consigo mesmo. No entanto, o
subconsciente o oculta acreditando que o ódio é para com um
outro”.[521] Vale dizer que além das causas que se queram
encontrar, a verdade é que muitos homossexuais desprezam essa
condição, porém, para evitar a angústia ou desconforto de
desprezarem a si mesmos, exteriorizam seu desprezo em seus
análogos. Conseqüentemente, é-nos impossível não beber daquele
elemento do inconsciente que em psicologia o próprio Sigmund
Freud chamou de “projeção negativa”, a qual é justamente um
mecanismo de defesa pelo qual um sujeito atribui a outros os
sentimentos, impulsos ou pensamentos que lhe são próprios. Ou
seja, esse mecanismo opera em situações de conflito emocional em
que o indivíduo imputa a terceiros os sentimentos, impulsos ou
pensamentos inaceitáveis para si mesmo. Desta forma, a defesa
psíquica consegue colocar esses conteúdos ameaçadores no
exterior. Por isso, é comum que muitos homossexuais se odeiem a
si mesmo por aquilo que são, no entanto, expulsam esse sentimento
destratando os seus pares, pelas mesmas razões pelas quais
inconscientemente se auto-desprezam.
O kirchnerismo e a estatização da homossexualidade

Retomando a questão local e fora do ciúme entre gangues,


mecanismos de projeção, estéticas pré-fabricadas e papéis carnais,
a verdade é que nos últimos anos — principalmente durante o longo
período de corrupção e imoralidade kirchnerista —, o movimento
homossexual se tornou cada vez mais presente na mídia televisiva
até atingir uma obcena quotidianidade. Durante este período, a
maior parte dessas organizações e seus agentes gozaram do
deliberado respaldo e financiamento estatal, tendo seus líderes e
estruturas cooptadas para servir militantes do partido no poder.
Foi durante este período que a lei do “casamento igualitário” foi
decretada: em 2010,[522] depois de acaloradas sessões
parlamentares em que pela primeira e única vez o deputado Néstor
Kirchner — sendo marido da Presidente da Nação — passou a
trabalhar no Congresso para votar em favor do projeto de lei, o qual
confirmava uma vez mais os compromissos da esquerda política em
congraçar-se com as pretensões lobistas interessadas nesta
legislação.
Mas durante o kirchnerismo a homossexualidade chegou ao
seu auge, não só por suas vitórias políticas, mas principalmente
pela constante presença na mídia de suas referências, quer sejam
ativistas explícitos ou elementos do show business, que proclamam
suas intimidades em plena luz do dia a partir da mídia televisiva até
chegar a uma imprudente aparição em programas adequados para
todos os públicos não sem o aplauso festivo de seus participantes e
palestrantes do momento.
Um dos casos mais emblemáticos por seu tom escandalizador
foi o do comediante Fernando Peña, loquaz tagarela que costumava
aparecer na televisão vestido como andrógino enquanto se ufanava
presunçosamente de sua dependência de drogas, sua predileção
por “taxy boys” e sua jactanciosa infecção de HIV:[523] morreu em
2009 aos 46 anos de idade. Contemporaneamente, o apresentador
de televisão Juan Castro, também anunciava sua tendência e
promovia a ideologia homossexual desde sua série de televisão
“Kaos na cidade”, que foi interrompida em 2004, quando o próprio
apresentador, atormentado por seu incontrolável vício drogas e
alterado pelo resultado do seu último teste de HIV,[524] saltou da
varanda do primeiro andar de seu apartamento, ficou gravemente
ferido e morreu alguns dias depois no hospital.
Foi também no novo milênio e ao calor do kirchnerismo que o
lobby homossexual conseguiu enormes recursos estatais —
ademais dos mencionados direitos ao “casamento” e a adoção de
crianças —, recompensando muitas das suas lideranças com um
cargo público bem remunerado na burocracia governamental —
principalmente no “INADI”[525] e na “Secretaria de Direitos Humanos”
—, sendo, em seguida, o emissário mais extravagante e turbulento
Alex Freyre, agitador histriônico em cuja conta no Twitter se define
como “peronista e ativista gay” contradição intransponível
semelhante a considerar-se “sionista e nazista”. Aparentemente, o
iletrado e irreverente Freyre desconhece que durante a histórica
ditadura de Juan Perón (1946–1955) não só os homossexuais foram
impedidos do direito de voto em 1947,[526] mas através de editais
policiais intermináveis foram impedidos de reunirem-se em suas
casas e em bares, assim como exibir-se publicamente com seus
sobrinhos, e muito menos entrar na Academia Militar e, segundo
resume Osvaldo Bazán em seu grosso livro sobre a
homossexualidade na Argentina: “Eles não tinham voz, voto, opinião
ou visibilidade” e “todos os que a polícia detectou como gays foram
presos”.[527]
Apesar destes antecedentes históricos não muito favoráveis à
causa de Freyre e seus séquitos, esse sujeito não só se proclamou
peronista, mas foi um burocrata kirchnerista solícito que lucrava com
a sua pregação igualitária obtendo salários lucrativos de fundos
públicos para “trabalhar” em questões relacionadas à “diversidade
sexual”. O peronismo sempre deu para tudo: um argumento
recorrente entre os homossexuais arrendados ao kirchnerismo para
justificar o seu alarde erótico com sua filiação partidária foi que “este
espaço” reivindicava a “ala esquerda do movimento”, isto é, aquela
que se considerava herdeira não tanto do General do Exército Juan
Perón, mas do camporismo montonero[528], argumento curioso: o
terrorismo montonero não hesitou em banir qualquer vestígio
homossexual entre suas fileiras chegando a fuzilar seus militantes
quando eles eram suspeitos de uma tal inclinação sexual. Os
guerrilheiros viram em cada maricas um delator[529] e segundo
sarcástica expressão de Sebreli: “O amor entre os gays peronistas
de esquerda e os montoneros foi um amor não correspondido”.[530]
A verdade é que Alex Freyre andou nos últimos anos por todos
os meios possíveis de comunicação disfarçado em uma espécie de
capa colorida (distintivo de seu grupo) ao lado de um alterego
chamado José María Di Bello, um homossexual portador de HIV que
parodiava ser o parceiro de Freyre. Ambos promoveram o
“casamento igualitário” usando todos os tipos de artimanhas
conhecidas para enganar a opinião pública: “Freyre se cansou de
envergonhar-nos a nós todos. E alguém tinha que dizer [...] No início
era por uma causa justa, mas Freyre acabou se tornando na mídia
uma pessoa ambiciosa, que acreditou no personagem e o usou para
lucrar [...] e já ultrapassou todos os limites”,[531] disse o jornalista e
ativista homossexual Bruno Bimbi, que revelou os detalhes desta
farsa na qual ressaltou que não havia ligação nenhuma entre Freyre
e Di Bello, mas tudo era uma paródia militante, com a finalidade de
implantar o “casamento igualitário” e com ele a ideologia de gênero.
Essa acusação foi um escândalo, mas cuja veracidade foi mais
tarde reconhecida pelo próprio José Di Bello, ou seja, o ativista que
fingiu ser “marido” de Freyre.
Mas para Freyre este erro não foi ruim: cobrou caras comissões
para trabalhar como “assessor da diversidade” no Senado da
Nação,[532] ocupando e ganhando honorários por cargos inúteis ou
inventados, mas que permitiram ao personagem beneficiar-se à
custa de impostos que pagamos todos nós, para ainda por cima
termos que suportar suas declarações nos meios de comunicação e
redes sociais tais como vaticinar e desejar a morte por AIDS do
bailarino homossexual Anibal Pachano[533] — criticado por Freyre
por não aderir ao governo de Cristina Kirchner — ou rir-se
publicamente do assassinato do promotor Alberto Nisman[534]
funcionário que entrou com uma ação contra Cristina Kirchner por
sua cumplicidade com o terrorismo internacional e foi encontrado
morto horas mais tarde, com uma bala na cabeça.
Como de costume entre seu clã, Alex Freyre tem AIDS além da
hepatite C, doenças venéreas que este indivíduo teria pego em seus
maus caminhos, mas felizmente foi capaz de controlar levando uma
vida relativamente convencional e controlada através de tratamentos
e avanços médicos fornecidos pelo sistema ocidental e capitalista
(que Freyre detesta e vitupera publicamente), os quais obtiveram
resultados auspiciosos, a fim de evitar a evolução de uma doença
tão delicada como enraizada nesta porção da população.
Os sindicalistas mais apresentáveis

Mas nem todas as referências homossexuais locais foram tão


caricaturais quanto várias daquelas nomeadas. Andando os anos e
com toda a infra-estrutura que hoje poderia alcançar, a irmandade
pôde contar com uma espécie de “historiador oficial”, o jornalista
Osvaldo Bazán, autor de um grosso livro de 650 páginas intitulado
História da Homossexualidade na Argentina, que, apesar de trazer
fatos interessantes e ser um trabalho bem escrito, é eivado de um
ódio visceral contra toda noção heterossexual de vida e vai com
fúria desenfreada contra qualquer opinião divergente, incorrendo até
mesmo em erros historiográficos notórios, tal como a reivindicação
de que a chamada “homofobia” é uma espécie de crueldade cultural
imposta pela colonização espanhola e pela Igreja Católica, mas
antes da chegada do “invasor europeu” os homossexuais pré-
colombianos viviam sua condição em um clima amigável, libertário e
de gentil respeito no seio de suas tribos de pertencimento, o que
constitui um erro que não podemos ignorar: até o historiador
indígena Fernando de Alva Cortés Ixtlilxochitl documenta que o
respeitado e justo governante de Texcoco e imperador dos
chichimecas (povos mesoamericanos), Nezahualcoyotl, promulgou
leis severíssimas de repressão contra os homossexuais, tal como o
castigo de extrair as entranhas do considerado culpado do crime de
sodomia. Ao traidor se fazia seu corpo em pedaços partindo suas
articulações, saqueva-se sua casa e seus filhos eram tomados
como escravos até a quarta geração. Na verdade, era tão mal vista
a sodomia que as punições eram aplicadas a todos igualmente, sem
privilégios, nem excepções: o próprio monarca não hesitou em
executar a sentença de morte de um de seus filhos, considerado
culpado de ato imperdoável.[535] Conta o arqueólogo Enrique Vera,
responsável e editor da renomada revista Arqueologia Mexicana,
que entre as tribos da região do México havia uma nítida distinção
entre os homossexuais passivos e ativos: “Enquanto o ativo ainda
representava o seu papel masculino genérico, o passivo, ao ser
penetrado no ato sexual, violava seu papel de homem e se
feminizava. Por esta razão, o passivo tinhas suas entranhas
arrancadas (N.A.: pelo orifício anal) e ateavam-lhe fogo, sendo as
cinzas utilizadas para enterrar vivo o ativo, que assim morria.[536]
Quanto à mulher homossexual, a pena prevista pela lei era a morte
por garrotte. E sobre os “admirados” astecas, eles não eram muito
contemplativos com a homossexualidade: suas leis estabeleciam a
punição de morte aos sodomitas. Enquanto essas sanções eram
aplicadas apenas em casos extremos no interior do império, na
capital imperial a pena foi cumprida fielmente, tendo eles também
tratado as suas tribos inimigas, a exemplo dos toltecas, como
“sodomitas”,[537] em sinal de desprezo. Quanto às tribos
pertencentes à região da Nicarágua, a homossexualidade era
punida com a morte, conforme acabou por reconhecer um dos seus
principais caciques ao frade Bobadilla depois de perguntado sobre o
tratamento que recebiam os putos: “Os rapazes os apedrejam e lhes
fazem mal, e às vezes morrem do mal que os fazem”.[538] Em
relação aos incas, embora seja verdade que os historiadores
atribuem a eles um maior grau de tolerância em comparação com
outras tribos em torno dessas práticas, também é verdade que,
como confirmado por Garcilaso de la Vega, o quinto Inca Capac
Yupanqui quando submetido aos Aymara “mandou que fossem
queimados vivos os sodomitas encontrados e que suas casas
fossem queimadas”.[539]
Exemplos de maus tratos em relação à homossexualidade no
mundo pré-colombiano são infinitos e para quem quiser aprofundar,
nada é melhor do que consultar um historiador de verdade como
Cristian Rodrigo Iturralde, provavelmente um dos especialistas mais
experientes que falam sobre o assunto, autor de dois sólidos
volumes de leitura indispensável para qualquer um que pretenda
expandir o conhecimento da questão.[540]
Mas por que na América pré-colombiana existia tanta aversão à
sodomia se eles não tinham os “preconceitos católicos” nem
conheciam o demonizado “capitalismo heterossexista”? Por que em
linhas gerais a aversão a sodomia longe de ser um “viés cultural” é
um instinto ou reação espontânea em seres humanos para além da
sua língua, raça, cultura, religião ou tempo histórico em que lhe foi
dado viver. Essa rejeição é tão automática quanto poderia ser ficar
impressionado com aqueles que querem comer excremento. Uma
pessoa tem o direito de comer fezes? Consideramos que sim e que
o direito deve ser inviolável. Mas seria ridículo ignorar que esse
transtorno alimentar cause repulsa em pessoas que testemunham a
desagradável ingestão fecal. Pode-se argumentar que, em algumas
culturas antigas, a sodomia foi aceita ou pelo menos não foi
repelida. É verdade, mas também em certas comunidades humanas
o canibalismo, o sacrifício humano, a pedofilia, a escravidão ou a
decapitação de inimigos de guerra foram tomados como hábitos de
uso corrente. Mas a particular e excepcional habitualidade de
comportamentos objetivamente inferiores em determinadas
populações da história não os torna bons e frutíferos pelo simples
fato de que eles foram tolerados em comunidades que
desapareceram ou estão superadas.
Mas voltando a Osvaldo Bazán e seu livreco, se há algo
permanente em sua quilométrica obra é que seu autor abomina os
“preconceituosos” e “discriminadores”. Mas em sua obra nada que
não seja devoto do homossexualismo ideológico se salva, e mesmo
Bazán se dá o gosto de atacar de maneira particularmente incisiva o
célebre médico, psicólogo, farmacêutico, criminologista, filósofo e
escritor socialista José Ingenieros, posto que, como ele nunca
aplaudiu o comportamento homossexual, Bazan o ataca,
paradoxalmente, com um argumento discriminativo, alegando que
pelo nível acadêmico de seus escritos ou opiniões, Ingenieros “hoje
seria apenas um taxista reacionário”.[541] Desqualificação
preconceituosa que rebaixa o célebre pensador socialista em função
de uma atividade de trabalho, coisa que o segregacionista Bazán
evidentemente considera de condição “inferior”.
Mas não apenas charlatães com pretensões historiográficas se
dedicaram a fazer parte da “elite intelectual” dos homossexuais
contemporâneos locais. Provavelmente o militante mais bem
preparado academicamente entre todos os que pudemos consultar
é o repetidamente mencionado Ernesto Meccia, sociólogo cujo
trabalho, embora não vá além da repetição argentinizada dos
argumentos típicos de inspiração foucaultiana, é muito mais
apresentável do que o resto dos textos nacionais sobre o assunto.
De fato, Meccia — que também trava sua batalha contra a
AIDS — em seu livro A Questão Gay: Uma Abordagem Sociológica
se dedica a criticar o mundo ocidental “insensível” porque tolera a
homossexualidade, mas não a diviniza: “Em um regime de
tolerância, os grupos dominantes têm a atitude (legitimada também)
de dizer o que e quais são os tolerados”, e lamenta porque
“‘tolerância’ vem do latim tolerare. É uma acepção física do termo
que se refere à capacidade de suportar”. Assim, entre o tolerante e
tolerado há uma relação vertical, ou seja, uma hierarquia e então,
segundo Meccia, “a tolerância é inseparável do exercício de
violência simbólica e não valoriza a diversidade sexual”.[542] Incrível
raciocínio: como um bom esquerdista, Meccia em seu livro não
dedica uma única linha para reclamar dos homossexuais torturados
em gulags soviéticos, nem pelos invertidos castrados na China
maoísta, ou uma linha dedicada a reclamar dos hereges enforcados
e/ou jogados do alto no Irã em pleno século XXI, muito menos
menciona o autor os homossexuais fuzilados na Cuba castro-
guevarista, mas dedica litros de tinta para se queixar de que a
homossexualidade não é tolerada no mundo ocidental, capitalista e
cristão. Ou seja, o ingrato Meccia está zangado porque nesta parte
do mundo em que ele e os seus podem ter acesso a pubs
dedicados ao seu ambiente, organizar-se com estatutos legais,
gozar do pleno direito à privacidade, publicar livros, usar o direito
inalienável de caminhar em marchas auto-elogiosas, ufanar-se aos
quatro ventos de seus hábitos e podem até mesmo dar-se ao luxo
de contrair AIDS e contar com a assistência da medicina ocidental, a
qual já se ocupou de avançar e criar o tratamento pertinente a fim
de neutralizar a morte que uma doença tão grave ocasionava anos
atrás. Bem, o mundo livre e capitalista deu a Meccia uma condição
plena para levar a cabo sua vida pública e privada de acordo com
seus apetites, mas ele não tem o suficiente. Parece afirmar que os
heterossexuais devem pedir perdão por incorrer no arcaísmo
colonialista, inquisitorial e burguês de sentir atração por pessoas do
sexo oposto: reacionária tendência que segundo suspeitamos
também apetecia os pais de Meccia, caso contrário eles não o
teriam beneficiado com a vida.
Pode ser tão carente de critério alguém que a princípio nos
parece equivocado, mas inteligente? E olha! Estamos falando do
sociólogo e escritor Ernesto Meccia, ou seja, de um estudioso que
em seu livro não escreve mal, oferece aulas na universidade e é
valorizado entre os seus com respeito intelectual. Em outras
palavras: embora seja verdade que Meccia não é uma lâmpada, é
verdade que ao lado de um Alex Freyre é um gênio.
Seja como for, provavelmente Bazán e Meccia são hoje os
expoentes mais bem treinados e mais apresentáveis entre os
expostos e trabalham ativa ou midiaticamente para defender estas
posições ideológicas. Apesar dos erros mencionados, eles ainda
são seus sindicalistas mais talentosos.
Capítulo 6

A autodestruição homossexual

Natureza e distorção da sexualidade

Devido à sua própria constituição anatômica, antropológica,


fisiológica e psicológica, o homem e a mulher são atraídos um pelo
outro tanto espiritual como fisicamente e é precisamente dessa
atração que deriva a prole. A complementaridade entre os órgãos
sexuais feminino e masculino não é uma constatação convencional,
nem um “preconceito religioso”, nem muito menos fruto de uma
estipulação cultural: é uma determinação da natureza.
Partindo da base de que o objetivo por excelência do ato sexual
é a propagação da espécie, é sabido que, precisamente para que o
ser humano se sinta constantemente motivado e propenso à
propagação é que o sexo carrega um alto prazer físico, posto que se
não se produzisse esse intenso gozo que nos motiva a consumá-lo,
a sobrevivência da espécie estaria ameaçada.
Logo, é um dado objetivo que a finalidade principal do ato
sexual não é o prazer, mas a expansão da humanidade e que,
portanto, transformar o prazer em motivo primário do ato sexual
seria substituir o objetivo principal por seu corolário. Não obstante
isso, escusado será dizer que geralmente as pessoas fazem sexo
não com o propósito deliberado da procriação, da mesma forma que
normalmente todos que se preparam para comer um prato de
comida geralmente não o fazem com o desejo calculado de adquirir
nutrientes, mas para apreciá-lo: porém é justamente esse desfrute
físico que a natureza oferece na vida sexual (tanto como na
alimentação) que nos incentiva constantemente e tendencialmente a
manter comportamentos propensos a nossa conservação e/ou
propagação biológica. E, como em questões nutricionais, há aqueles
que têm uma dieta desordenada ou autodestrutiva — os obesos, os
bulímicos, os copógrafos ou os anoréxicos, por exemplo —, no
plano sexual há aqueles que mantêm uma sexualidade trantornada
ou contrária à natureza.
Uma pessoa obesa tem que ser forçada a não ser? Claro que
não, é por isso que terceiros devem abster-se de intervir na
obesidade daqueles que sofrem com isso. A menos que ele peça
ajuda, caso em que ele será acolhdo, mas a fim de ajudá-lo em vez
de aplaudir ou incentivar seus excessos: “Se uma pessoa come
mais do que precisa e faz menos exercício do que o seu corpo
necessita, sofre conseqüências. Seria incorreto dizer que tal pessoa,
ou o fumante ou o etílico em excesso, age contra sua própria
‘natureza’? A AIDS não seria, nessa interpretação, uma punição
mais severa (para os homossexuais) do que o excesso de colesterol
às condutas irracionais. Os seres humanos vêem ao mundo
munidos de certas condições e tendências naturais: cumpri-las é
prudente e violá-las implica num preço”,[543] notou com bom senso o
pensador argentino Mariano Grondona. No entanto, Grondona
acrescenta o seguinte: “Para a maioria das pessoas, a
homossexualidade é uma prática aberrante. A questão não é se eles
estão certos, mas outra: ainda que estivessem, possuem o direito de
impor isso àqueles que não pensam como eles?” A resposta do
autor é não, já que “uma pessoa é tolerante quando, apesar de
condenar certo tipo de comportamento, não tenta proibir por leis
estatais pois a tentativa de moralizar imperativamente poderia trazer
males maiores do que os que se pretende erradicar”.[544]
Subscrevemos: o Estado não deveria jamais perseguir a
homossexualidade, mas o que não deve fazer é promover e celebrar
essa prática por uma variedade de razões, incluindo que ela é
autodestrutiva tanto emocional quanto fisicamente, como veremos
depois.
Desde o início deste trabalho, temos sido a favor do sujeito
homossexual ter todo o direito de viver sua intimidade dessa
maneira, mesmo que seja tão estranho ao que a natureza indica.
Mas precisamente por causa das características desse ardil erótico
irregular segue-se que a sua sexualidade é objetivamente
desordenada, posto que sofreu uma tendência oposta à finalidade
para a qual a sexualidade foi projetada: a relação homossexual é,
por definição, intranscendente e sua prática se reduz ao alegado
prazer que seus cultistas dizem sentir. Vale dizer, o ato homossexual
não tem raízes no passado e não se projeta para nenhum futuro, é
uma atividade subalterna equivalente a um anti-higiênico
passatempo que se esgota em si mesmo.
Mas também é certo que a homossexualidade não se reduz ao
ato sexual, mas se trata de uma realidade muito mais complexa:
“está na moda dizer que a homossexualidade é uma alternativa tão
válida quanto qualquer outra. Mentira. Ser homossexual é muito
complicado. Devem merecer todo o nosso entendimento, mas para
tentar curá-los, não para encorajá-los a sê-lo”[545] sentenciou o
psiquiatra Juan Antonio Vallejo-Nágera em seu livro A Porta da
Esperança.[546] Quer dizer, além do vínculo genital, a sodomia não
constitui uma simples pirueta carnal minoritária tão inócua e
inconseqüente como a de quem possui um gosto não-majoritário na
hora de escolher um sabor na sorveteria do bairro. Precisamente
por isso é que existem não poucas ou desautorizadas vozes que
consideram a homossexualidade como um distúrbio que poderia
muito bem ser um sentimentalismo neurótico:[547] “Há um equívoco
generalizado de que entre uma pessoa com atividade homossexual
e outra que não a possua não há grandes diferenças, exceto pela
‘orientação sexual’. Na realidade, as pessoas com comportamento
homossexual apresentam, de fato, mais problemas de saúde
específicos de sua condição e/ou estilo de vida. Em um estudo
publicado em 1997 descobriu-se que grupos de homens com
atividade homossexual tinham uma expectativa de vida semelhante
a existente em 1871”[548] concluiu o cientista-médico Jokin de
Irala[549] em seu livro Compreendiendo la homossexualidad.
Então a homossexualidade é uma anormalidade? Não somos
as pessoas autorizadas a responder esta questão controversa,
porém, a partir de uma perspectiva positiva e com pedagógica
exposição televisiva o credenciado médico dominicano Miguel
Núñez disse sem rodeios que “A homossexualidade é anormal. Da
simples observação da composição de um homem nos permite
inferir que ele não tem um órgão sexual receptor para receber outro
homem como um parceiro, e com a simples observação das
mulheres, vemos que elas não têm um órgão de penetração para ter
outra mulher como parceira. Além disso, o genótipo (composição
genética) do homem é XY, isso define o que é um homem
geneticamente e se você olhar do lado de fora, que é o que
chamamos fenótipo (o que alguém parece por fora), você vai notar
que o indivíduo também parece como homem: então um indivíduo
que é homem dentro (geneticamente) e homem fora
(fenotipicamente), e que quer entrar em uma prática contrária à sua
natureza, como não podemos chamar isso de anormal? Algo que é
tão básico em genética deveria nos dar uma idéia de como devemos
reagir para orientar essa pessoa para que isso que é anormal não
se desenvolva”.[550] Por essas e outras razões, há muitos que
também argumentam que a sodomia não seria uma prática “normal”,
dado que, conceitualmente, a Real Academia Espanhola define o
“normal” da seguinte forma: “Diz-se de uma coisa que, por sua
natureza, forma ou magnitude, se ajusta a certas normas fixadas
antecipadamente”,[551] isto é, de acordo com este axioma, anormal
constituiria qualquer conduta que não sirva nem siga a “norma”.
Qual norma? Neste caso, a norma ou as regras que emanam da
ordem natural, ordem em que o comportamento humano é
introduzido, além de suas tendências inerentes, a inteligência, que é
o que, em última análise, guia nossas ações. Dito de outra forma: a
ordem é a reta disposição das coisas segundo o seu fim e o natural
é aquilo que nos é dado pela própria natureza. Isto é, a ordem
natural é tudo o que indica uma disposição ou ordenação para um
certo fim, de acordo com o que cada coisa é. Então, as pernas
foram dadas aos humanos para andarem. Nós também poderíamos
andar em “quatro pernas” usando nossas mãos emulando os cães.
Mas se fizéssemos isso, além de “andar” muito mais lentamente do
que o habitual, em breve iríamos sentir dor corporal com seqüelas
físicas graves, uma vez que não estaríamos usando o que foi nos
dado para o fim determinado (neste caso, faria-se um uso insano e
irregular de nossas extremidades), mas conforme contorções
incômodas que atacariam não apenas nossa boa caminhada, mas
também nossa saúde física. Ou seja, para que o uso daquilo que
nos foi dado ser correto, deve-se estar em harmonia com sua
natureza; e, na direção oposta, esses comportamentos em
desacordo com nossa natureza seriam considerados incorretos ou
antinaturais.
O que tentamos explicar da maneira mais simples e doméstica
possível já foi desenvolvido extensamente por filósofos de peso e
não é nosso objetivo entrar em matéria tão delicada, mas apenas
fornecer uma aproximação exemplificativa.[552]
Escusado será dizer que os ideólogos da “teoria do género”
não vão partilhar destas posições “autoritárias” e vão argumentar
que, na verdade, “todos são o que eles sentem que são” e que
qualquer outra conotação ou classificação que do tema se pretenda
elaborar não deixaria de ser uma “arbitrariedade cultural”. De fato,
como vimos, de acordo com esses setores, a identidade de si
mesmo é baseada apenas na “autoconstrução” ou na mera
“autopercepção”. Quanto a este último, um profundo documento
elaborado por médicos, filósofos, teólogos e psicólogos chilenos que
foi devidamente publicado localmente pela UCA[553] afirma que: “A
identidade prática está condicionada ou limitada, em primeiro lugar,
pela mesma identidade constitutiva sobre a qual repousa. Se
alguém mede 1,80 metros de altura, não pode auto-interpretar-se
como uma pessoa anã e, se o fizesse, evidenciaria um desequilíbrio
na sua relação com a realidade [...] Negar a ligação estreita entre a
pessoa, sua corporidade e seu ser para os outros, é o fruto do
desconhecimento da finalidade inerente à condição sexuada do ser
humano”.[554] Além disso, o filósofo argentino Carlos Sacheri (que foi
morto por guerrilheiros marxistas em 1974), em conhecido livro
intitulado A Ordem Natural, com linguagem simples exemplifica
observando que “a experiência cotidiana mostra-nos que as pereiras
dão sempre pêras. Por não sei que deplorável ‘estabilidade’ vacas
sempre têm bezerros e não girafas ou elefantes, e, o que é ainda
mais ultrajante, os bezerros sempre têm uma cabeça, uma cauda e
quatro patas... E quando numa ocasião você vê um com cinco
pernas ou com duas cabeças, o bom senso exclama ‘Que
barbaridade, pobre animal, como é defeituoso!’ Reações que não
fazem senão provar que não existe só a natureza, mas há uma
ordem natural”.[555] Mas, acerca da ideologia de gênero,
continuamos indagando e exemplificamos o seguinte: se um jogador
de tênis diz “ser mulher” e decide inscrever-se no circuito feminina
da competição, deve ser aceito neste campeonato para não ser
“discriminado”? Não é preciso dizer que aceitar isso implicaria num
erro que consiste em afetar as mulheres com a presença
competitiva de uma pessoa de natureza diferente e com uma força
física significativamente maior. Superioridade que não surge de
qualquer preconceito religioso, mas da condição imutável deste
confuso (e trapaceiro) e homem. Não sem sarcasmo o jurista
Roberto Castellano (Presidente da PRO-VIDA na Argentina) ilustrou
a questão de uma forma ainda mais ousada: “Se eu me auto-
percebo como ‘Katy’ e portanto tenho o direito de exigir do Estado
um novo documento identidade, amanhã eu também posso me
auto-perceber como um carro e então teria o direito de exigir o
registro de veículos que me outorgue um ‘Formulário 08’.[556] O
Presidente do PRO-VIDA exagera? Eventos recentes indicam que
não: “Ela é um gato preso em um corpo de mulher”,[557] manchete
de 28 de janeiro de 2016 da National Review, relatando o caso de
uma jovem norueguesa que se sente como um felino,
“autoconstrução” que vem se repetindo em vários adolescentes e
cujos cultores — que se autodenominam “transespécies” — já
formaram seu sindicato e seu conseqüente lobby com uma série de
exigências do Estado. Mais uma vez, não devemos nos surpreender
que seja a esquerda que apóia essa acumulação de fantasias e
tolices, pois Jacques Maritain corretamente condenou: “o homem de
esquerda detesta o ser e prefere o que não é ao que é”.[558]
AIDS e autodestruição

Independentemente de todo credo, ideologia e catalogação


moral, a homossexualidade é um comportamento objetivamente
autodestrutivo. Quem quer praticar a sodomia tem toda a liberdade
de fazê-lo, mas as estatísticas mais atualizadas no mundo ocidental
não fazem mais do que confirmar o quão desaconselhável essa
conduta é, contra-indicação que não elucubramos nós, mas as leis
ultrajantes da natureza. Vamos às contas.
No que diz respeito ao HIV-AIDS (uma doença na qual nos
centraremos agora), em novembro de 2014, um relatório publicado
pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças,
registrou no “Espaço Econômico Europeu” (computando os 28
países da UE mais a Islândia, Liechtenstein e Noruega) que o
contágio desse mal se estabilizou ou tende a diminuir entre a
população heterossexual, mas ao contrário, os contágios entre a
população sodomita têm crescido na Europa, em 33% desde 2004
até hoje,[559] números alarmantes que levaram cinqüenta países da
comunidade internacional a proteger sua população, proibindo os
homossexuais de doar sangue (entre os países que se defendem
com essas medidas estão Alemanha, França, Colômbia e EUA).[560]
“Há uma tendência global que é o crescimento da epidemia entre os
homossexuais, entre os homens que fazem sexo com outros
homens. Está acontecendo em todas as regiões, sem exceção”,[561]
disse o cientista brasileiro Luis Loures,[562] atual diretor executivo do
Unaids (Programa de luta contra a AIDS das Nações Unidas), ao
apresentar o relatório anual daquela entidade (julho de 2014). E não
é à toa. Segundo a própria ONU — uma organização não hostil
quando se trata de financiar atividades de ideologia de gênero —
“homens gays e outros homens que fazem sexo com homens têm
19 vezes mais chances de viver com o HIV do que a população em
geral”, e “as mulheres transgênero têm 49 vezes mais chances de
viver com o HIV do que outros adultos em idade reprodutiva” (dados
do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS —
UNAIDS).[563]
Esses contundentes dados científicos de uma organização
global relacionada à agenda homossexual jogam no lixo os
aforismos igualitários e demagógicos que afirmam que “todos temos
as mesmas chances de pegar AIDS”. É claro que todos podemos ter
AIDS, mas nem todos temos as mesmas chances. Mutatis mutandis,
todos nós podemos ter a infelicidade de lesionar o ouvido, mas
quem tem o fetiche erótico de introduzir um picador de gelo no
ouvido tem muito mais chances de ensurdecer do que aqueles que
não incorrem em tal desatino. Dito de uma forma mais convencional:
todos nós podemos morrer de câncer de pulmão, mas o não-
fumante não tem as mesmas chances que o fumante habitual. Se o
último aviso é de conhecimento público e até mesmo o Estado
obriga alertar o fumante nos maços de cigarros sobre as
conseqüências do seu hábito, por que o Estado castiga como
“discriminador” todos os que apontam a relação intrínseca entre a
sodomia e AIDS?[564]
Tomemos por exemplo a experiência americana: embora nos
Estados Unidos a população homossexual seja apenas 1,6% do
total, de acordo com números já citados do CDC (Center for Disease
Control and Prevention), orgão dependente do Ministério da Saúde
dos EUA,[565] revelou-se pela mesma entidade que no ano de 2010,
em termos de portadores de HIV, homens jovens homo e bissexuais
(entre 13 e 24 anos) daquele país representavam não o equivalente
proporcional de 1,6% da população homossexual, mas um
escandaloso 72% sobre o total das novas infecções. Além disso, em
23 de setembro daquele ano, a mesma agência realizou um estudo
epidemiológico da AIDS nas 21 principais cidades dos EUA
chegando à seguinte conclusão: 20% dos homens homossexuais
têm o HIV,[566] sendo o caso mais preocupante na cidade de San
Francisco (paraíso homossexual por excelência do estado da
Califórnia), onde os homossexuais de todo o mundo instalam-se
para desfrutar duma vida “festiva e sem preconceitos”, um centro
urbano rentável promovido por agências de “turismo sexual”,
também um lugar venerado nas canções da “cultura gay-pop”, como
no caso do hit musical do grupo coreográfico de travestis Village
People,[567] que leva justamente o nome da cidade promíscua. Mas
como já foi dito, nem tudo soa tão “divertido” em San Francisco: a
autoridade de saúde do estado alerta que naquela cidade um em
cada cinco homens com mais de 15 anos é homossexual e que,
destes, um em cada quatro (um 25,8 por cento) está infectado com
o vírus HIV, dando a San Francisco um recorde triste e alarmante,
[568] de concentração da taxa de HIV mais assustadora da

civilização ocidental contemporânea, o que contrasta com o


“encanto libertário” divulgado pela indústria de entretenimento
pansexualista.
Mas os números foram piorando nos Estados Unidos. Em 2013,
homens homo e bissexuais representaram 81% (30.689) dos 37.887
diagnosticados com HIV[569] naquele ano.[570] Você entende o que
estamos expondo? Muito menos do que 2% da população é
homossexual, mas mais de 80% do total da população norte-
americana infectada pelo HIV é homossexual. Além disso, entre a
pequena porção restante da população com o HIV que não é
homossexual, a maior parte foi infectada por transfusões infelizes
(hemofílicos) ou por partilhar drogas injetáveis; quer dizer, nem
sequer nessa minoria excedente de infectados não-homossexuais a
doença foi necessariamente conseqüência de relações
heterossexuais, mas principalmente de outras causas.
Estes detalhes escabrosos comovem e preocupam, não sem
razão, os ativistas de “gênero” mais recalcitrantes: conforme
números globais retirados do relatório Homosexuality and the
Politics of Truth, desenvolvido pelo grupo liderado por Jeffrey
Satinover, psiquiatra e físico formado nas universidades de Yale e
de Harvard,[571] a incidência de AIDS entre homens homossexuais
com idade entre 20 e 30 anos é 430 vezes maior do que em
comparação com a população heterossexual como um todo.[572] O
relatório acrescenta que a maioria significativa de homossexuais
está infectada, por um lado, em razão do sexo anal, do qual os
homens gays são devotos, e que é um foco infectocontagioso de
escandalosa relevância; e, por outro lado, por conta dos hábitos
desordenados e promíscuos de que participam, e que em grande
medida os predispõem ao contágio. Vamos por partes analisar as
duas situações.
Em relação ao insano da penetração anal, vale observar que
ela é praticada por 90% dos homossexuais e dois terços participam
regularmente de acordo com um estudo publicado pelo Centro
Nacional de Bioética[573] do governo dos EUA. Porém o ânus e o
reto são órgãos que têm a única função de excretar resíduos
digestivos do corpo, não têm produção própria de lubrificantes, a
mucosa é extremamente delicada e os vasos sanguíneos podem
rasgar facilmente causando sangramento. Segue-se que as
prováveis conseqüências desta prática são: a incontinência fecal,
hemorróidas, fissura anal, corpos estranhos alojados no reto,
descargas de retossigmoideos, proctite alérgica, edema peniano,
sinusite química, queimaduras de nitrito inalado, e assim por diante.
No que diz respeito à AIDS, o último documento do CDC revela que
a cada 10 mil casos de relações sexuais na penetração vaginal, o
risco de contrair o HIV é de 4 casos para homens e 8 para
mulheres. Em contraste, em uma relação anal, a cada 10 mil
exposições sexuais o sujeito ativo representa 11 casos e o receptivo
138 casos de risco. Isso quer dizer que na relação homossexual o
sujeito ativo triplica suas chances de risco em relação ao homem
heterossexual e o sujeito passivo homossexual multiplica em 18
vezes as chances de infecção[574] em relação a uma mulher
heterossexual. Ao que foi dito deve-se acrescentar que em relações
homossexuais geralmente alternam-se os papéis, expondo-se assim
a uma soma dos dois coeficientes, multiplicando as suas já muito
elevadas chances de contágio. Dito de outra forma: pela própria
natureza do vínculo, o risco de contrair o HIV na relação
heterossexual é mínimo comparado ao homossexual.
Quanto à vida promíscua e orgiástica tão característica da
comunidade homossexual (outro fator que aumenta o risco potencial
em quantias astronômicas), é apontado no relatório Satinover que a
diferença entre o comportamento dos homens homossexuais e dos
heterossexuais é a seguinte: um homossexual tem uma média de
relações sexuais com diferentes amantes 12 vezes maior[575] do que
um heterossexual: “O homossexual típico (escusado será dizer que
existem exceções) é um homem que pratica freqüentes episódios de
penetração anal com outros homens, muitas vezes com muitos
homens diferentes. Esses episódios são 13 vezes mais freqüentes
que os atos heterossexuais de sexo anal, com 12 vezes mais
parceiros distintos do que os heterossexuais”.[576]
Estes dados parecem transparecer situações que de alguma
forma são de conhecimento público: na gíria homossexual são
famosos os encontros fugazes com estranhos em estações de trem,
cabines telefônicas, felações em banheiros públicos, estações de
metrô, saunas, cinemas marginais e qualquer lugar que permita que
seus cultores aliviem cegamente sua caótica ansiedade genital. E
como a homossexualidade está principalmente focada no sexo
(embora isso não negue de forma alguma o fato de que dois
sodomitas possam vir a sentir carinho um pelo outro), os membros
da relação acabam majoritariamente transformando-se em meros
objetos de desejo ou em concorrentes no mercado das paixões
genitais, que estimula a hiperatividade sexual com muitas pessoas
em porcentagens muito mais altas do que a das pessoas
heterossexuais. Deste modo, confirmado por outro estudo com
pacientes homossexuais em Amsterdã (preparado pela cientista
Maria Xiridou[577]), chegou-se à conclusão de que cada
homossexual tinha em média oito amantes colaterais por ano (além
de seu parceiro “estável”);[578] já o Dr. Barry Adam, professor
homossexual da Universidade de Windsor, no Canadá, apresentou
um trabalho complementar no qual faz a análise de 60 casais gays e
conclui que apenas 25% deles eram fiéis um ao outro,[579] confusão
comportamental que também percebeu o Ministério da Saúde dos
Estados Unidos: “Por terem mais parceiros sexuais em comparação
aos outros homens, os homossexuais e bissexuais são mais
propensos a ter relações sexuais com alguém que pode transmitir o
HIV ou outras doenças sexualmente transmissíveis”.[580] Isso
significa que não há promiscuidade ou infidelidade no mundo
heterossexual? É óbvio que sim e nós desde estas linhas não
negamos ou reivindicamos tal coisa. Além disso, consideramos uma
leviandade do espírito que algo tão sério e íntimo como a
sexualidade seja freqüentemente tomado como um mero desafogo
passageiro. Mas o que se deseja expor ao tocar em cifras do mundo
científico é que a libertinagem e a promiscuidade em relações
homossexuais têm números categoricamente superiores em todos
os aspectos em comparação com os números heterossexuais, cujas
taxas são reduzidas à insignificância ao lado dos dígitos provindos
da atividade venérea desenfreada da comunidade homossexual.
Para mais informações e para completar o mapa do mundo
ocidental, no que toca a América Latina e conforme os números da
ONU atualizados em 2011 em seu site oficial, somos informados de
que a prevalência do HIV na população adulta na América Latina é
estimada em 0,4%, e que de toda esta porção, 54,3% são
homossexuais,[581] as prostitutas representam 4,9%, os “taxi boys”
homens 22,8% e os usuário de drogas intravenosas representam
5%.[582] Todos estes grupos de risco identificados chegam a 93% do
total da população com HIV examinada, mas o relatório não inclui
dados sobre os 7% restantes, o qual caberia supor que, quiçá,
comtemplaria heterossexuais não pertencentes a grupos de risco,
quer dizer, não viciados em drogas ou à vida dos prostíbulos, mas
oficialmente nada diz o documento sobre esse excedente, por cuja
insignificância nem sequer se anota o menor esclarecimento.
Pontualmente, na Argentina, de acordo com os últimos dados
oficiais do site do Ministério da Saúde (acessados em novembro de
2015, na fase final do regime corruptor de Cristina Kirchner) sobre o
total da população local com HIV os números publicados foram os
seguintes: 49% são homossexuais, viciados em drogas são 7%,
outros 5% é composto por prostitutas e somente um baixíssimo
0,3% constitui o impreciso item “jovens e velhos” não identificado
em qualquer um desses comportamentos de risco.[583] O leitor
perguntará: mas e os 37% restantes não estão incluídos na
amostra? Um mistério: nada diz o sítio governamental dessa porção
remanescente, provavelmente porque o próprio Ministério não
conhece a fonte de contágio dessa outra massa populacional. Ao
fim e ao cabo, durante a Argentina kirchnerista pouca ou nenhuma
seriedade das estatísticas oficiais de qualquer setor foi política do
Estado.

A autodestruição para além da AIDS

Mas as graves conseqüências do comportamento homossexual


ultrapassam em muito o drama pontual da AIDS. Um relatório do
serviço de saúde pública inglês (Public Health England) emitido no
final de junho de 2015, revelou um forte aumento das doenças
sexualmente transmissíveis (DST) entre os homens homossexuais
do país, em uma proporção consideravelmente maior do que o resto
da população. As cifras indicam que enquanto a sífilis aumentou em
33% no total, o aumento foi de 47% entre os homens homossexuais.
Da mesma forma, a gonorreia teve um aumento de 19% na
população em geral, mas entre os sodomitas cresceu quase duas
vezes: 32%.[584] Situação similar ocorreu, por exemplo, na Espanha,
onde, de acordo com dados do governo (fornecidos pelo Instituto
Carlos III[585] de biomedicina), entre a década de 2000-2010, os
casos de sífilis e gonorreia duplicaram e triplicaram respectivamente
entre a população homossexual. Praticamente todas as doenças
sexualmente transmissíveis (DST) aumentaram nesse país
(papiloma, sífilis, gonorréia, clamídia e HIV) revelou o diretor da
Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia
Clínica (SEIMC) Doutor Rafael Canton, que detalhou que os mais
afetados são os homossexuais: 89% dos diagnósticos de HIV, 83%
dos de gonorréia, 91% dos de sífilis e 55% dos de clamídia estavam
na população sodomita.[586] Mas esses coeficientes pioram ainda
mais no caso linfogranuloma venéreo, patologia que aparece 99,5%
das vezes em homossexuais[587] e apenas 0,5% no resto da
população. Em outra latitude, o Canadian Medical Association
Journal informou em 2015 sobre essa nova doença sexualmente
transmissível causada pela bactéria chamada linfogranuloma
venéreo (LGV): 100% das pessoas afetadas por esta triste novidade
eram homossexuais.[588]
Se entramos em outros planos, como o emocional e o
psicológico, cabe acrescentar dados adicionais significativos que
confirmam a evidente propensão ao desequilíbrio das pessoas com
distúrbios homossexuais. A primeira Pesquisa Nacional do CDC, o
várias vezes citado órgão oficial de saúde do governo dos Estados
Unidos, revelou que lésbicas, gays e bissexuais enfrentam maior
inclinação para ao vício e sofrem “graves problemas psicológicos”
em comparação aos heterossexuais. De acordo com o estudo, uma
alta percentagem de adultos entre as idades de 18 e 64, identificado
como homens homossexuais (27,2 por cento) eram fumantes,
enquanto que entre os heterossexuais o número é de apenas
19,6%. Além disso, 27,2% das mulheres que se identificaram como
lésbicas e 29,4% das mulheres que se identificaram como
bissexuais fumavam cigarros, quase o dobro do 16,9% das
mulheres que fumam identificadas como heterossexuais. Esse
mesmo estudo também indicou que consumo de álcool entre
homossexuais é maior do que entre heterossexuis: uma
percentagem mais elevada de adultos entre as idades de 18 e 64
que se identificaram como homossexuais ou lésbicas (35,1%) ou
bissexuais (41,5%) relataram ter tido problemas com o excesso de
bebida pelo menos um dia no ano passado, em contraste com
aqueles que se identificaram como heterossexuais, cuja cifra é de
apenas 26%.[589] Em seguida, o governo dos EUA também relata
que 11% dos adultos[590] que se identificaram como bissexuais
experimentaram graves problemas psicológicos nos últimos 30 dias,
enquanto apenas 3,9% dos heterossexuais padeceram desse mal.
[591]
Sobre as tendências à depressão e outras doenças, conforme
informações transcritas na revista Archives of General Psychiatry:
“As pessoas homossexuais têm um risco substancialmente maior
diante de algumas formas de problemas emocionais, incluindo
suicídio, depressão grave, transtorno de ansiedade, transtorno de
conduta e dependência da nicotina”,[592] dados científicos
complementados pelo jornal Clinical Psychology Review, que depois
de rever estudos sobre violência doméstica homossexual chegou à
seguinte conclusão: a violência física foi registrada em 48% dos
casais de lésbicas e em 38% dos casais gays.[593]
Como se a acumulação de dados obtidos não confirmasse que
a tendência homossexual é auto-destrutiva, deve acrescentar-se o
artigo científico sobre 750 casos publicados pelo governo dos EUA
(desenvolvido pelo National Center for Biotechnology Information),
que nos diz que a população sodomita sofre uma preocupante
tendência ao suicídio: homens homossexuais e bissexuais têm 14
vezes mais probabilidade de tentar o suicídio do que uma pessoa
não-homossexual.[594] Quanto a isto, o psiquiatra espanhol Aquilino
Polaino disse que o transtorno obsessivo é um traço comum entre a
comunidade homossexual, o que poderia explicar as altas taxas de
suicídio,[595] dado que a população sodomita, embora em termos
percentuais pequena, contitui no entanto 62,5% do total de suicídios
analisados no relatório supracitado.
Mas há mais sobre este desprezo pela vida e esse patológico
apego homossexual à autodestruição: “Eu joguei a roleta russa da
AIDS” é o espantoso título de um longo e abrangente relatório
publicado pelo jornal El Mundo da Espanha em 2010: “A excitação
começa antes de você passar pela porta, muito antes de contemplar
os corpos nus e ter contato físico. A partir do momento em que
através da Internet se fixa um dia e um lugar, os nervos ficam a flor
da pele. Aqueles convocados imaginam repetidas vezes como se
desenvolverá a particular orgia a que irão assistir, quem será quem
na roleta russa sexual. Um encontro peculiar em que um dos
participantes tem uma arma que excita o resto. Não é uma pistola. É
a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). O
fenômeno surgiu nos Estados Unidos nos anos 90, justamente
quando o coquetel de drogas antirretrovirais parecia capaz de
manter a doença sob controle. Agora, essas festas estão
começando a ganhar apoio na Espanha [...] As autoridades
sanitárias já sabem há algum tempo da existência dessa prática
perigosa. Os próprios Centros de Prevenção e Controle de Doenças
dos EUA (CDC) realizaram pesquisas sobre o assunto, tentando
descobrir por que alguém quer pegar um vírus que mata dois
milhões de pessoas a cada ano e cuja incidência dobrou em
homens que mantêm relações homossexuais, especialmente entre
os mais jovens. Gordon Mansergh, da Divisão de HIV dos CDC e
autor de um desses estudos, concluiu após pesquisa com 554
homens homossexuais e bissexuais em San Francisco que “a
principal razão para se ter relações sexuais sem proteção e sem
preocupação é que experimentam muito mais prazer e se sentem
emocionalmente mais ligados ao parceiro, sem barreiras de
qualquer tipo”.
Mas não é só isso. Alguns participantes das festas de roleta
russa o fazem porque se sentem isolados e diferentes, e até porque
viveram tanto tempo com medo de se infectar que qaundo
finalmente conseguem o vírus, sentem-se aliviados [...] As orgias de
sexo entre soropositivos e soronegativos há duas décadas se
espalham de forma subterrânea nos Estados Unidos”.[596]
Tanto pelo que foi exposto quanto por muitos outros motivos
não é por acaso que um estudo publicado no jornal médico da
Universidade de Navarra, em 1997, argumentou que os homens
gays tinha expectativa de vida equivalente ao que se tinha em 1871;
[597] outro trabalho de origem canadense proveniente de fontes do

mesmo lobby homossexualista (preparado pela junta médica


Rainbow Health) nos diz que a expectativa de vida média de um
sodomita é 20 anos menor do que a de um heterossexual[598]
enquanto que em outros países a diferença se tornaria ainda mais
alarmante: durante a convenção anual da Eastern Psychological
Association (EPA) dos Estados Unidos (2007), se indicou que, na
Dinamarca, o país com a mais longa história em termos de
“casamento” homossexual os homens heterossexuais casados
morrem com a idade média de 74 anos, enquanto os homossexuais
“casados” morreram com a idade média de 51 anos. Enquanto na
Noruega, os heterossexuais casados morrem aos 77 anos em
média, os homossexuais morrem em média com 52. Para as
mulheres a diferença é semelhante: as casadas morrem em média
com 78, enquanto as lésbicas em união homossexual legal com 56,
como os estudos apresentados pelos conhecido médicos Paul e Kirk
Cameron.[599]
Ao exposto acima, deve-se acrescentar que quanto mais
claramente uma pessoa tem um comportamento marcadamente
homossexual, menor é sua expectativa de vida. Por exemplo,
enquanto na Argentina a expectativa de vida é de 76 anos de idade,
[600] os homossexuais na sua versão transexual não chegam aos 35

anos,[601] muito menos do que a metade da média de vida.


Por que razão é gerada essa desproporção esmagadora em
todas as estatísticas científicas que se consulte se uma tendência é
“tão válida” quanto a outra? Simples: um vínculo é contrário à
natureza e o outro é concorde com ela. Vale dizer: um é propenso a
gerar doenças e o outro a gerar vida. Nossa conclusão parece
“discriminativa”? Em qualquer caso, não discriminamos nós, mas a
mesma natureza. Quanto ao resto, pouco nos importamos se o que
dizemos parece bom ou ruim aos ouvidos ou aos olhos do atual
politicamente correto. Nossa conclusão não decorre de qualquer
“dogma pré-conciliar” intolerante, mas de dados estatísticos obtidos
a partir das fontes de agências internacionais, instituições
governamentais ou não-governamentais e estudos científicos
privados de reputação suficiente. A partir daí cada um fica livre para
tomar as deduções que julgar convenientes.
Da mesma forma, deve-se acrescentar que esse espírito
deliberadamente autodestrutivo da prática homossexual tem duas
facetas muito claras e diferenciadas. Por um lado, é autodestrutivo,
implicitamente, uma vez que através de uma relação homossexual
nunca se pode propagar a espécie humana, e se a porcentagem de
homossexuais ao invés de ser insignificante fosse massiva, a
humanidade estaria em sério risco de extinção. Além disso,
descobrimos que a homossexualidade é um comportamento
destrutivo diretamente, porque qualquer um que a pratique está
exposto a situações de alto risco e à espera de várias doenças, tal
como foi mostrado de maneira suficiente nas páginas anteriores.
Ou seja, tudo o que já dissemos neste capítulo sobre a loucura
que significa praticar a homossexualidade não tem outro propósito
além de mostrar que a ideologia de gênero não é apenas prejudicial
e perigosa pelo fato de se esconder atrás de uma modernizada
proposta comunizante, mas também porque o instrumento utilizado
para a imposição política velada é objetivamente prejudicial para
aqueles que são encorajados a praticá-la, além disso, é
desnecessário repetir até o enjôo: não negamos o direito de cada
um viver a sua intimidade como lhe agrade, desde que os direitos de
terceiros não sejam prejudicados.

A homossexualidade como bandeira comunizante

Depois de tudo o que foi dito: o que tem a ver o “homem novo
esquerdista” com um homossexual? Absolutamente nada. Levando-
se em conta as limitações naturais do caso, o único sistema
conhecido no qual o sodomita foi capaz de desenvolver sua vida
afetivo-sexual é no capitalismo ocidental. No entanto, o sujeito
homossexual de hoje foi capturado pelos mesmos setores que há
não muito tempo o castigava a chicotadas, mas que hoje injetam um
discurso ideológico que lhe serve de alívio pessoal e de cruzada
militante a serviço de uma causa que nem mesmo é sua.
Um jovem homossexual provavelmente sofreu de angústia,
dúvidas, conflitos de identidade e confusões. Talvez por causa de
sua condição desacomodada nunca se sentiu bem estabelecido em
sua vida social (escola, clube, aniversário, passeios) e gastou muita
energia não em politizar-se, mas em tentar se auto-encontrar ou se
definir e ver exatamente em que lugar vai parar sua vida social e
familiar. Então, aparecem esses grupos de esquerda que no afã de
recrutá-lo exaltam, acolhem e o apresentam a outros recrutas na
mesma situação; os manipuladores que o capturam dizem a este
jovem homossexual que suas insatisfações não são o resultado de
sua tendência contrariada, mas que ele é “vítima” de uma herança
cultural opressora. E quais são essas instituições opressivas? A
Igreja, a família e a tradição: isto é, “coincidentemente”, os pilares
da civilização ocidental que a esquerda sempre procurou destruir.
Condizente com o espírito esquerdista que cancela a
responsabilidade pessoal e sempre culpa o outro, o homossexual
recém-capturado encontra agora um inimigo externo e ademais
culpado de sua inquietude interna, o que gera nele uma espécie de
alívio psicológico circunstancial, e como ele nunca teve tempo para
politizar-se o suficiente, os líderes do grupo lhe dão uma bandeira
multicolorida em uma mão e uma de Che Guevara na outra, e o
ativista inexperiente é lançado na militância catártica com um roteiro
básico, mas efetivo, de tal maneira que acaba se tornando um
militante furioso de uma causa que no final lhe é muito alheia,
embora ele a suponha como própria.
Mas por que razão a nova esquerda escolheu e promoveu a
homossexualidade como um dos grupos militantes para direcionar
para sua causa? As respostas são muitas e procuraremos oferecer
as que consideramos mais relevantes.
Por um lado, é fato que vários dos pensadores e líderes
homossexuais (sejam eles homossexuais ou não) que nós
analisamos são de esquerda (Reich, Marcuse, Hay, Foucault,
Freyre, Hocquenghem, Schifter Sikora, Vidarte e Preciado além dos
locais Perlongher, Anabitarte, Jáuregui ou Meccia, entre muitos
outros que vimos) e em suas teses sempre especularam, em maior
ou menor medida, a promoção deste tipo de simbiose que consiste
em transferir a velha luta de classes para outros tipos de conflitos
sociais, tentando manter a tensão dialética em vigor,
independentemente da causa que a gera.
De igual forma, a esquerda, diante destes novos parceiros, os
homossexuais, pode seguir brandindo fantasias igualitárias,
anteriormente econômicas e agora culturais; embora não seja
propriamente de esquerda falar em favor da “liberdade”, pois
historicamente ela sempre promoveu o conceito de “libertação”, hoje
readaptado; ademais, essa exortação liberacionista tem uma
conotação inseparavelmente ligada à de “rebelião”: ninguém se
liberta se não se rebela. Rebelar-se e libertar-se diante do quê ou
diante de quem? Antes era contra o “imperialismo”, “os poderosos”,
os “detentores dos meios de produção” e várias outras abstrações;
porém, no assunto em questão, é proposto aos homossexuais
libertarem-se da “superestrutura patriarcal”, que tanto os marginaliza
e destrata, formada pela Igreja Católica e pela família tradicional.
Assim, incita-se ao sodomita recrutado romper com a Igreja, com a
família e com a tradição cultural do Ocidente, que são acusadas de
serem culpadas de problemas emocionais que ele sofreu pelo mero
fato de “ser diferente”. E por que a esquerda toma esses três itens
como alvos (Igreja, família e tradição)? Na verdade, ela sempre
procurou combatê-los, só que agora encontrou novos pretextos e
um exército gratuito composto de almas conflituosas dispostas a
renovar o enfrentamento aberto.
Contra a Igreja, guerra irrompe porque além das questões de fé
e de toda a conotação sobrenatural ou teológica, esta sempre foi a
favor das hierarquias, da propriedade privada, das classes sociais
viverem em harmonia e do respeito pela ordem natural. Ou seja, por
sua própria composição doutrinal e institucional, a Igreja sempre foi
um importante baluarte cultural e espiritual contra o avanço das
idéias de esquerda, que condenou em inúmeros documentos: não
só em encíclicas, como Quod Apostolici Muneris, Immortale Dei ou
Divinis Redemptoris, como até por um decreto do Santo Ofício (atual
Congregação para a Doutrina da Fé) ordenado por Pio XII em 01 de
julho de 1949 proibindo aos católicos “inscrever-se nos partidos
comunistas ou mesmo lhes prestar favores” e quem “defende ou
propaga a doutrina materialista e anticristã dos comunistas incorre,
por este fato, em apostasia da fé católica, e em excomunhão
reservada à Sé Apostólica”.[602]
Mas não é necessário ser um estudioso em questões
eclesiásticas, já que os pontos mais básicos e populares do
cristianismo se opõem ao comunismo em todas as suas
manifestações de ponta a ponta; nos referimos aos Dez
Mandamentos, que são conhecidos e aprendidos até mesmo por
qualquer criança que deseje se aventurar no catecismo paroquial.
Na verdade, o Decálogo nos ordena a “amar a Deus sobre todas as
coisas”, “não tomar o seu santo nome em vão” e “guardar os
domingos e dias de preceitos” (o comunismo por seu materialismo
dogmático é declaradamente ateu). “Honra pai e mãe” (aqui, não
apenas o conceito de hierarquia natural, mas também o da família é
destacado). “Não praticar atos impuros” e “não desejar a mulher do
próximo” (novamente são preceitos que não apenas defendem a
família tradicional, mas que lutam contra o pansexualismo). “Não
roubar” e “não cobiçar a propriedade dos outros” (o comunismo
nega a existência da propriedade de outras pessoas ao não
reconhecer o direito à propriedade). “Não matar” (o comunismo
excedeu cem milhões de assassinatos no século XX e hoje promove
o genocídio infantil por meio do aborto). Finalmente, o Decálogo diz:
“Não mentir” (para enumerar as mentiras históricas e presentes do
comunismo deveríamos escrever um livro separado). Finalmente,
além de alguns desvios ou atualizações sofridas ao longo do tempo,
é um fato que o cristianismo em geral ou o catolicismo em particular
não tem nenhum ponto de contato com o comunismo e seus
derivados. Rebelar-se ideológica e politicamente contra isso é uma
frente de batalha que a esquerda nunca pode negligenciar, e a
comunidade homossexual é um terreno fértil para enviá-la à frente
com o propósito de lutar sem críticas: marchas geralmente violentas
tanto feministas como homossexuais costumam ocorrer diante de
igrejas ou catedrais no desejo de “erradicá-las” ou atacá-las em
seus bens físicos e humanos, como Laje explicou na primeira parte
deste trabalho.
Em relação ao ataque da esquerda contra a família,
encontramos elementos de ordem ideológica, mas também de
natureza prática. Para começar, a família é o núcleo afetivo e de
contenção por antonomásia. A primeira coisa que todo mundo
conhece é sua família, e assim adverte para a existência de
hierarquias naturais sucessivas que devem amorosamente
obedecer e depender: pai, mãe, irmão, etc., a criança vai
internalizando essa ordem hierárquica, que nada tem a ver com o
utopismo igualitário e horizontal que a esquerda pretende promover
(embora mais tarde seus regimes sejam autocracias verticais
cruéis).
É claro que em um casamento pode ser que a mãe é quem
tenha uma personalidade mais imponente que a do pai ou que a
opinião de um irmão mais novo tenha maior peso e influência que a
de um irmão mais velho por causa das características da
personalidade de cada um. Porém, para além das possíveis trocas
de certos papéis não essenciais, a verdade é que a hierarquia como
conceito é o que a criança aprende e absorve como natural e como
modelo desde o primeiro dia de vida. Por isso à esquerda interessa
romper com a noção de família, dissolvê-la e substitui-la
gradualmente em experimentos voltados a um relativismo igualitário
e, assim, incentivar as novas gerações, ou a desierarquização, ou,
na falta deste, ao conflito familiar.
Precisamente, como regra, a família não pretende fazer de
seus filhos revolucionários frenéticos, mas homens de proveito que
sejam continuadores, aperfeiçoadores ou superadores de sua
tradição familiar e, portanto, ter as melhores ferramentas para entrar
no mercado. A esquerda teve isso tão claro que nos anos 70 as
organizações terroristas ERP e Montoneros, na Argentina, não
buscavam somente que os guerrilheiros tivessem o mínimo contato
com sua família de origem, mas também constituíam a própria
organização como substituto dela: a organização terrorista tentou
erigir-se em uma espécie de família coletiva que substituiu e rompeu
com a estrutura “burguesa” na qual cada guerrilheiro se educou.
Além disso, em muitos casos, os guerrilheiros recrutados eram
então programados e instigados a atentar contra a vida de seus
próprios pais como um sinal de lealdade e fidelidade à causa
revolucionária. Da mesma forma, já vimos na primeira parte do livro
escrito por Agustín Laje, como o sistema comunista soviético
sempre procurou substituir a família pelo Estado.
Com tudo o que foi exposto, a esquerda, que por um bom
tempo ficou sem argumentos sérios para fazer uma revolução,
conseguiu se reinventar política e discursivamente. Com isso ela
procura recrutar militantes livres, que hoje alegremente engrossam
suas fileiras para lutar nas frentes de batalha que ela sempre
considerou indispensáveis. Dessa forma pretende continuar
semeando o conflito social, mas também esses novos conceitos de
homossexualização permitem à esquerda a “redenção” de suas
crueldades e assassinatos em massa cometidos durante o último
século. Na verdade, embanderar-se com a causa homossexual é
funcional para o neo-comunismo para deixar no passado o estigma
do stalinismo e do maoísmo, que se sabe, foram os grandes
genocídios do século XX, superando de longe seus primos-irmãos
do nacional-socialismo. Nem Lenin nem Stalin, nem Mao e nem Ho
Chi Min, nem Pol Pot, ou qualquer um dos antigos tiranos da
esquerda dura viveram para ver a grande mudança de estratégia e
paradigma revolucionário; portanto, todos os líderes comunistas ou
pró-comunistas das gerações posteriores acabaram sendo, diferente
dos seus velhos ídolos, pró-homossexual. Assim, o trotskista,
fundador do Foro de São Paulo e ex-presidente Luis Inácio Lula da
Silva apoiou abertamente o “casamento gay” no Brasil;[603] a
presidente socialista chilena Michelle Bachellet (exilada em sua
época na Alemanha comunista) falou abertamente a favor não só do
casamento homossexual, mas também do crime do aborto;[604] o
ditador equatoriano Rafael Correa, depois de muita hesitação,
acabou impondo em seu país a união legal homossexual em 2014;
[605] o ex-guerrilheiro que virou presidente do Uruguai, José Mujica

Tupamaros manifestou-se a favor do casamento gay[606] e, é claro, a


montonera Cristina Kirchner foi durante sua presidência a madrinha
e porta-bandeira do que vociferava a agenda homossexual na
Argentina (tema que já desenvolvemos anteriormente).
É claro que entre a esquerda tradicional e a nova esquerda há
um personagem excepcional que participa de ambas em uníssono,
uma vez que não só viveu todos os processos, mas para a miséria
do sofrido povo cubano não acaba e não morre nunca. Referimo-
nos ao tirano vitalício Fidel Castro, que depois de massacrar gays
de direita e esquerda nos campos de extermínio de UMAP
(construídos a mando de Che Guevara), em 2010 “modernizou” sua
cartilha de acordo com a nova estratégia revolucionária e na ocasião
de uma reportegem, pediu um “perdão” tardio para a comunidade
homossexual: — “Cinco décadas atrás, e por causa da homofobia,
os homossexuais foram marginalizados em Cuba e muitos foram
enviados para campos de trabalho agrícola-militares, acusados de
contra-revolucionários”, lembra-o a autora da entrevista Carmen Lira
Saade — F. Castro: “Foram momentos de grande injustiça, uma
grande injustiça!, quem quer que tenha feito. Se nós fizemos, nós...
Estou tentando definir minha responsabilidade em tudo isso porque,
é claro, pessoalmente, eu não tenho esse tipo de preconceito [...]
Tínhamos tantos problemas de vida e morte que não lhes prestamos
atenção... Se alguém é responsável, sou eu”.[607]
Tanto mudou o castrismo em torno desta questão, que embora
ainda não respeite o menor direito individual na ilha, neste item
pontual, sim, encarregou-se de organizar na sequência o “Dia
Cubano pelo Dia Mundial contra a Homofobia”. E quem serve em
Havana como o campeão desta nova bandeira para “diversidade”?
Mariela Castro, filha do ditador Raúl Castro e sobrinha de Fidel, que
também dá o gosto tolerante de liderar o “Centro Nacional de
Educação Sexual”.
Sem dúvida, a revolução tem muita autenticidade: não só é um
herege, mas sua necessidade também tem o rosto de um herege.
Capítulo 7: Comentário final

Em conclusão, a ideologia de gênero, com suas diferentes


máscaras e variantes, é uma das fachadas visíveis da revolução
cultural esquerdista. Nós tentamos aqui desmascará-la abordando
aspectos históricos, teóricos, ideológicos, antropológicos e
filosóficos. Naturalmente, este trabalho não é exaustivo nem
pretende ser. O debate está aberto, é incipiente, tem plena vigência
e nunca pretendemos ser os donos da verdade, mas apenas
escravos dela, motivo pelo qual procuramos sempre ser muito
cuidadosos ao colocar em detalhe os documentos e fontes que
apóiam todas e cada uma de nossas afirmações, posições e
transcrições.
Que a ideologia de gênero é uma face da nova esquerda não
significa que é a única, razão pela qual devemos ao amigo leitor o
Volume II desta tese, o qual abarcará as máscaras restantes que
esta causa revolucionária renovada traz consigo,[608] e que serão
oportunamente descobertas em um livro complementário que
estimamos publicar em breve como uma espécie de continuação de
tudo o que apresentamos no presente trabalho, o qual esperamos
tenha servido para despertar consciências e contribuir com o atual
debate.
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II – Jornais e revistas
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Diario ABC (Espanha).
Diario Clarín (Argentina).
Diario Correo (Peru).
Diario de Cuyo (Argentina).
Diario El País (Espanha).
Diario La Capital (Argentina).
Diario La Gaceta (Argentina).
Diario La Tercera (Chile).
Diario Perfil (Argentina).
Diario Pravda (Russia).
Diario The Guardian (Inglaterra).
Diario El Mundo (Espanha).
Diario El Tribuno de Salta (Argentina).
Diario La Crónica de Hoy (Argentina).
Diario La Gaceta (Espanha).
Diario La Nación (Argentina).
Diario La Nueva Provincia (Argentina).
Revista Les Lettres Nouvelles (França).
Diario Página/12 (Argentina).
Revista Gente (Argentina).
Revista La Joven Guardia.
Revista Nuestro Tiempo (Argentina).
Revista Sur (Argentina).

III – Páginas de Internet


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https://www.aciprensa.com https://www.facebook.com
https://www.lifesitenews.com https://www.notifam.com
https://www.prevencion.adeslas.es https://www.youtube.com
IV - Filmes e documentários
“Aconsejando al Homosexual Miguel Núñez”
“Antes que anochezca”
“El Dr. Money y el niño sin pene”
“Hugo Chávez, Latinoamérica y el Foro de Sao Paulo”
“Las Lunas y Las Otras”
“Néstor Perlongher”
“The Kinsey Cover Up”

[1] www.orvex.org. “Hugo Chávez, Latinoamérica y el Foro de Sao Paulo”. Ver filme no
seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=gSOhGQLrgJk
[2] Peña Esclusa, Alejandro. El Foro de Sao Paulo. Una amenaza continental. Colombia,
Editorial Grijaldo, 2010, p. 24.
[3] As FARC e o meio ambiente. 26/01/2015. Ver relatório completo no seguinte link:
http://www.eldiariohoy.com/las-farc-y-el-medio-ambiente/

[4] Svampa, Maristella; Stefanoni, Pablo; Fornillo, Bruno. “El ‘laboratorio boliviano’:
cambios, tensiones y ambivalencias del gobierno de Evo Morales”. IN: Debatir Bolivia,
Perspectivas de un proyecto de descolonización, Buenos Aires, Ediciones Taurus, 2010, p.
67-68.
[5] Stefanoni-Herve Do Alto, Pablo. La Revolución de Evo Morales: de la coca al Palacio.
Colección “Claves Para Todos, Editorial Capital Intelectual, 2006, p. 45.
[6] Apesar de ter havido em 1990 um antecedente da primeira caminhada indigenista
encabeçada por Asencio Teco (no dia 15 de agosto, do departamento de Beni com destino
à cidade de La Paz), foi em 1992 que ela se massificou e juntou ativistas do oriente e do
ocidente da Bolívia.
[7] Já em 1988 Evo Morales fora eleito secretário executivo da Federação do Trópico de
Cochabamba.
[8] Aconteceu em Buenos Aires no dia 28 de junho de 1992.
[9] O livro de Judith Butler foi intitulado de início “Gender trouble: feminism and the
subversion of identity” e foi publicado nos Estados Unidos em 1990 pela Routledge. Há
uma edição brasileira: BUTLER, Judith P. Problemas de gênero: feminismo e subversão da
identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2003
[10] Martínez Alier, Joan; Sejenovich, Héctor; Baud, Michiel. “El ambientalismo y
ecologismo latinoamericano. Parte VI. Una agenda propia para los gobiernos y
organizaciones regionales internacionales”. Ver relatório completo no seguinte link.
https://ecopolitica.org/el-ambientalismo-y-ecologismo-latinoamericano-parte-vi/
[11] Sua primeira tentativa de golpe foie m 4 de fevereiro de 1992 e a segunda em 27 de
novembro do mesmo ano.
[12] Marcano, Cristina; Barrera Tyszka, Alberto. Hugo Chávez sin uniforme, una historia
personal. Buenos Aires, Editorial Debate, 2005, p. 127.
[13] O anúncio formal da dissolução da URSS aconteceu em 25 de dezembro de 1991. As
suas estruturas burocráticas, porém, permaneceram em funcionamento durante os
primeiros meses de 1992.
[14] Fukuyama, Francis. The end of the history and the last man. Nueva York, 1992. O
trabalho de Fukuyama ilustrou o sentimento compartilhado por setores liberáis diante do
colapso comunista: o mundo havia chegado a um “fim da historia” diametralmente oposto
ao predito pelo marxismo, “ a última e definitiva forma de governo humano” em palavras do
próprio autor: a democracia capitalista. Naturalmente isto ocorreu em detrimento do
significado que se outorgava à luta ideológica, e as luvas foram penduradas com a fantasia
de um triunfo definitivo que não aconteceu. Uma boa análise da obra pode ser encontrada
em Anderson, Perry. Los fines de la historia. Barcelona, Editorial Anargama, 1996.
[15] Nos referiremos aqui ao conceito hegeliano de dialética, não ao aristotélico, pois é
aquele que nos interessa para os objetivos de nosso estudo.
[16] Engels, Firedrich. Prefácio à edição alemã de 1883. Extraído de Marx, Karl.
Engels, Friedrich. El manifiesto comunista. Buenos Aires, Editorial Sol 90, 2012, p. 17.
[17] Marx, Karl. Engels, Friedrich. El manifiesto comunista. Cit., p. 40.
[18] Popper cita a seguinte passagem de Marx em sua obra: o capitalista compele o
operário a “desenvolver as forças da produtividade social e a criar aquelas condições
materiais da produção que são as únicas capazes de formar a base material de uu tipo
superior de sociedade cujo princípio fundamental seja o desenvolvimento pleno e livre de
todos os indivíduos humanos”. Popper, Karl. La sociedad abierta y sus enemigos. México
DF, Paidós, 2010, p. 297.
[19] “Uma revolução contínua na produção, uma incessante comoção de todas as
condições sociais, uma inquietude e um movimento constante distinguem a época
burguesa de todas as anteriores”. Marx, Karl. Engels, Friedrich. El manifiesto comunista.
Cit., p. 42.
[20] Marx, Karl. Engels, Friedrich. El manifiesto comunista. Cit., p. 45.
[21] Marx, Karl. Engels, Friedrich. El manifiesto comunista. Cit., p. 46.
[22] “De todas as classes que hoje se enfrentam con a burguesía —anotam os autores do
Manifiesto—, somente o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. As
demais classes vão se degenerando e desaparecem com o desenvolvimento da grande
indústria; o proletariado, em transformação, é seu produto mais peculiar”. Marx, Karl.
Engels, Friedrich. El manifiesto comunista. Cit., p. 51.
[23] “Os proletários não têm nada para salvaguardar; têm que destruir tudo o que até agora
vem garantindo e assegurando a propriedade privada existente”. Marx, Karl. Engels,
Friedrich. El manifiesto comunista. Cit., p. 53.
[24] Popper, Karl. Ob. Cit., pp. 292-293.
[25] Mobilização de operários e camponeses contra o regime que não conseguiu derrubar o
Czar, mas conseguiu que a Rússia se transformasse em uma monarquia constitucional.
[26] Eram a facção moderada do Partido Operário Socialdemocrata da Rússia. Foram
muito ativos na revolução de 1905, mas ao constatar seu fracasso, modificaram sua
estratégia e defenderam, em consequência, a liquidação progressiva do czarismo mediante
uma “revolução burguesa”.
[27] Eram a facção mais radicalizada do Partido Operário Socialdemocrata da Rússia. Após
a derrota de 1905 mantiveram a estratégia de uma revolução operária comunista, que
saltasse a etapa burguesa. Esta facção foi liderada por Lenin.
[28] Gramsci, Antonio. Para la reforma moral e intelectual. Madrid, Libros de la Catarata,
1998, pp. 35-36.
[29] O socialismo de todo o mundo coordenou sua estratégia através de que se chamou
“Internacional Socialista”. Houveram no total quatro Internacionais, que foram se
sucedendo por conta de conflitos estratégicos, políticos e ideológicos internos. No caso da
Segunda Internacional, ela funcionou entre 1889 e 1923. Seu primeiro congresso foi na
França, onde se constituiu como “Federação de Partidos Socialdemocratas” (a Primeira
Internacional havia tentado formar um partido único mundial). Ver Sagra, Alicia. La
internacional. Un permanente combate contra el sectarismo y el oportunismo. Buenos
Aires, Deeksha Ediciones, 2007.
[30] Sagra, Alicia. Ob. Cit, p. 40.
[31] Laclau, Ernesto; Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista. Hacia una
radicalización de la democracia. Bs. Aires, Fondo de Cultura Económica, 2011, p. 86.
[32] Gramsci, Antonio. Antología. Volumen 1. Bs. Aires, Siglo XXI, 2014, p. 192.
[33] Gramsci, Antonio. Antología. Volumen 1. Cit, p. 197.
[34] Gramsci, Antonio. Antología. Volumen 1. Cit., p. 199.
[35] Gramsci, Antonio. Para la reforma moral e intelectual. Madrid, Libros de la Catarata,
1998, p. 25.
[36] Gramsci, Antonio. Notas sobre Maquiavelo, sobre la política y sobre el Estado
moderno. Buenos Aires, Ediciones Nueva Visión, 1972, p. 15.
[37] “Se o Estado é um produto do caráter irreconciliável das contradições de classe, se é
uma força que está por cima da sociedade r que «se divorcia cada vez mais da
sociedade», é evidente que a liberação da classe oprimida é impossível, não apenas sem
uma revolução violenta, como também sem a destruição do aparato de poder estatal”.
Lenin, V.I. El Estado y la revolución. Buenos Aires, Editorial Sol 90, 2012, p. 17.
[38] Um grupo de estudiosos de Gramsci resume sua estratégia com estas palabras:
“Construir uma contrahegemonia política e civil que vá muito mais além da anterior direção
política, intelectual e moral, através de uma complexa luta de posições”. Oliver, Lucio.
Goutman, Ana. Guevara, Aldo. López De la Vega, Mariana. Morales, Emiliano. Nieto,
Laura. Ortega, Jaime. Quintero, Roberto. Savoia, Francisco. Gramsci: la otra política.
Descifrando y debatiendo los cuadernos de la cárcel. México DF, Universidad Nacional
Autónoma de México, 2013, p. 79.
[39] Em linguagem hegeliana, Gramsci assevera: “[…] as necessidades da ‘tese’ se
desenvolver inteiramente, até chegar a incorporar uma parte da antítese mesma, para não
se deixar ‘superar’; ou seja, que na oposição dialética apenas a tese, na realidade,
desenvolve todas suas possibilidades de luta até conquistar aos que se dizem
representantes da antítese: precisamente nisto consiste a revolução passiva”. Citado em
Campione, Daniel. Leer Gramsci. Vida y pensamiento. Buenos Aires, Ediciones Continente,
2014, p. 113.
[40] Ver por exemplo Meiksins Wood, Ellen. ¿Una política sin clases? El post-marxismo y
su legado. Buenos Aires, Ediciones RyR, 2013. Também ver Howart, David. “Teoría del
discurso” IN: Marsh y Stoker. Teoría y método de la Ciencia Política. Dado curioso: na
popular enciclopedia virtual Wikipedia o verbete do “pós-marxismo” menciona Laclau e
Mouffe como pais desta nova corrente teórica e na “bibliografía”, de seis títulos, quatro
correspondem a Laclau, ou seu título menciona seu nome de forma explícita.
[41] Eis aqui alguns exemplos de manchetes por ocasião de sua morte: “Ernesto Laclau, o
ideólogo da Argentina dividida”, na Revista Noticias, Argentina, 13 de abril de 2014.
“Morreu Ernesto Laclau, proeminente intelectual do kirchnerismo”, no jornal La Nación,
Argentina, 13 de abril de 2014. “Morre Ernesto Laclau, sussurro intelectual de Cristina
Kirchner”, jornal El Mundo, Espanha, 14 de abril de 2014. “Morreu Ernesto Laclau, o
pensador favorito da Presidenta”, diário Clarín, Argentina, 13 de Abril de 2014. “Morre
Ernesto Laclau, proeminente intelectual do kirchnerismo”, El País, Espanha, 14 de Abril de
2014. “Morreu Ernesto Laclau, o filósofo preferido de Cristina”, jornal La Nueva Provincia,
Argentina, 14 de Abril de 2014.
[42] Laclau e Mouffe advertem que “…ao passo que o capitalismo avançou o modelo
salarial se generalizou, as classes dos trabalhadores industriais não fizeram senão diminuir
em número e significado”. Hegemonía… Cit., p. 119. Além disso: “É portanto impossível
falar hoje em dia de uma homogeneidade da classe trabalhadora, e menos ainda referir-la
a um mecanismo que esteja inscrito na lógica da acumulação capitalista”. Hegemonía y
estrategia socialista. Cit., p. 121.
[43] “Nem o campo da economía é um espaço autorregulado e submetido a leis
endógenas; nem há um princípio constitutivo dos agentes sociais que possa ser fixado no
último núcleo de classe; nem os posicionamentos de classe são a sede necessária de
interesses históricos”. Laclau, Ernesto. Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista.
Cit., p. 124.
[44] “Não há posição privilegiada única a partir da qual se seguiria uma continuidade
uniforme de efeitos que acabariam por transformar a sociedade em seu conjunto”. Laclau,
Ernesto. Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista. Cit., p. 213.
[45] Laclau, Ernesto. Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista. Cit., pp. 142-143.
[46] “O momento-chave nos princípios da revolução democrática pode ser encontrado na
Revolução francesa, uma vez que, (…) foi no nível do imaginário social que surgiu então
algo verdadeiramente novo com a afirmação do poder absoluto do povo. (…) o
estabelecimento de uma nova legitimidade, na invenção da cultura democrática”. Laclau,
Ernesto. Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista. Cit., p. 197.
[47] Laclau, Ernesto. La razón populista. Buenos Aires, Fondo de Cultura Económica, 2005.
[48] Laclau, Ernesto. Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista. Cit., p. 222.
[49] Laclau, Ernesto. Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista. Cit., p. 239.
[50] Deste modo eles mesmos deixam claro quando propõem o “projeto de uma
democracia radicalizada como alternativa à esquerda”. Laclau, Ernesto. Mouffe, Chantal.
Hegemonía y estrategia socialista. Cit., p. 236.
[51] Laclau, Ernesto. Mouffe, Chantal. Hegemonía y estrategia socialista. Cit., p. 203.
[52] “Laclau apresenta uma teoria da ideologia que amplia a autonomia da ideologia ao
dissociar-la o mais que for possível das relações de classe. (…) já que confere grande
importância à ideologIa, pode se dizer que estes elementos ideológicos autônomos
representam o terreno central da luta de classes”. Meiksins Wood, Ellen. Ob. Cit., p. 120.
[53] López, Velasco. Sirio. El socialismo del siglo XXI. En perspectiva ecomunitarista a la
luz del “socialismo real” del siglo XX. México DF, Ed. Torres Asociados, 2010, p. 40.
[54] Boron, Atilio. Socialismo Siglo XXI. ¿Hay vida después del neoliberalismo? Buenos
Aires, Ediciones Luxemburg, 2008, p. 171-172.
[55] Boron, Atilio. Ob. Cit., p. 176.
[56] Boron, Atilio. Ob. Cit., p. 178.
[57] Citado em López, Velasco. Sirio. Ob. Cit., p. 89.
[58] Dieterich, Heinz. Hugo Chávez y el socialismo del Siglo XXI. Buenos Aires, Editorial
Nuestra América, 2005, p. 144.
[59] Dieterich, Heinz. Ob. Cit., p. 147.
[60] Seu livro mais conhecido se intitula precisamente “Socialismo del Siglo XXI”. Buzgalin,
Alexander. Socialismo del Siglo XXI. Moscou, Editorial URSS, 2004.
[61] Citado em López, Velasco. Sirio. Ob. Cit., p. 54.
[62] López, Velasco. Sirio. Ob. Cit., p. 55.
[63] Por suas atividades terroristas no “Exército Guerrilheiro Tupak Katari” (EGTK), grupo
autor de numerosos homicídios e outros delitos, García Linera esteve preso cinco anos,
tendo sido solto por atraso judicial.
[64] Stefanoni, Pablo. Ramírez, Franklin. Svampa, Maristella. Las vías de la emancipación.
Conversaciones con Álvaro García Linera. México, Ocen Sur, 2009, pp. 11-13.
[65] Stefanoni, Pablo. Ramírez, Franklin. Svampa, Maristella. Ob. Cit., p. 63.
[66] Mill, John Stuart. La sujeción de la mujer. Biblioteca Virtual Universal, 2003, p. 33.
[67] WSPU por sua sigla em inglês (Woman Social and Political Union).
[68] Valcárcel, Amelia. Qué es y qué retos plantea el feminismo. Barcelona, Urbal, 2004, p.
19.
[69] Von Mises, Ludwig. Socialismo. Análisis económico y sociológico. Madrid, Unión
Editorial, 2007, pp. 107-108.
[70] Engels, Friedrich. El origen de la familia, la propiedad privada y el Estado. La Plata, De
la Campana, 2011, pp. 28-29.
[71] Engels, Friedrich. Ob. Cit., p. 34.
[72] Engels, Friedrich. Ob. Cit., pp. 43-44.
[73] Engels, Friedrich. Ob. Cit., p. 44.
[74] Engels, Friedrich. Ob. Cit., p. 51.
[75] Engels, Friedrich. Ob. Cit., p. 51.
[76] “O primeiro antagonismo de classes que apareceu na historia coincide com o
desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia; e a primeira
opressão de classes, com a do sexo feminino pelo masculino”. Engels, Friedrich. Ob. Cit.,
pp. 58-59.
[77] Engels, Friedrich. Ob. Cit., pp. 66.
[78] Engels debocha das reformas jurídicas anotando que “nossos juriconsultos estimam
que o progresso da legislação vai retirando cada vez mais das mulheres todo motivo de
queixa. (…) Esta argumentação tipicamente jurídica é exatamente a mesma da qual se
valem os republicanos radicais burgueses para dissipar os receios dos proletários”. Engels,
Friedrich. Ob. Cit., pp. 64-65.
[79] Engels, Friedrich. Ob. Cit., p. 66.
[80] Marx ja dizia em uma carta a Kugelmann: “Alguém que saiba algo de historia sabe que
são impossíveis as transformações sociais importantes sem a agitação entre as mulheres”.
[81] “Exército Vermelho” é o nome oficial das Forças Armadas que organizaram os
bolcheviques em 1918.
[82] Kollontay, Aleksandra Mijaylovna. El comunismo y la familia. Marxists Internet Archive,
2002, p. 4.
[83] Kollontay, Aleksandra Mijaylovna. Ob. Cit., p. 8.
[84] Idem.
[85] Idem.
[86] Kollontay, Aleksandra Mijaylovna. Ob. Cit., p. 12.
[87] Kollontay, Aleksandra Mijaylovna. Ob. Cit., p. 9.
[88] Kollontay, Aleksandra Mijaylovna. Ob. Cit., p. 11.
[89] Publicado na revista La Joven Guardia, N° 10, 1923.
[90] Citado em Stern, Mijail. Stern, August. La vida sexual en la Unión Soviética. Espanha,
Bruguera, 1980, pp. 42-43.
[91] Citado em Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 54.
[92] McNab, Chris. Datos clave. El Tercer Reich, 1933-1945. Las cifras y los hechos más
destacados de la Alemania de Hitler. Madrid, Libsa, 2010, p. 58. Citado em Irasuste,
Andrés. “La opresión de la mujer en la historia occidental: una mirada revisionista”.
Publicado online em: http://debatime.com.ar/psic-andres-irasuste-la-opresion-de-la-mujer-
en-la-historia-occidental-una-mirada-revisionista/
[93] Ver Van Cleveld, Martin. The privileged sex. Israel, DLVC Enterprises, 2013. Citado em
Irasuste, Andrés. “La opresión de la mujer en la historia occidental: una mirada
revisionista”. Publicado online em: http://debatime.com.ar/psic-andres-irasuste-la-opresion-
de-la-mujer-en-la-historia-occidental-una-mirada-revisionista/
[94] As sérias investigações do Libro negro del comunismo falam de 100 milhões de mortos
em função desta ideologia. Ver Courtois, Stéphane; Werth, Nicolas; Panné, Jean-Louis;
Paczkowski, Andrzej; Bartosek, Karel; Margolin, Jean-Louis. El libro negro del comunismo.
Barcelona, Ediciones B, 2010.
[95] Lunacharski, A. La educación y la instrucción. Moscou, 1976. Citado em Stern, Mijail.
Stern, August. Ob. Cit., p. 51.
[96] Citado em De Beauvoir, Simone. El segundo sexo. Bs. Aires, Debolsillo, 2015, p.123.
[97] Ver Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit.
[98] Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 45.
[99] Idem.
[100] Ver Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 169.
[101] Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 170.
[102] Citado em Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 68. Em uma nota do editor ao
finalizar a coluna, se pode ler o seguinte: “Acreditávamos que a autora da carta tendia
demasiado a generalização de sua triste experiência. Contudo, a medida que chegava o
correio, não houve outro modo a não ser admitir que sua opinião era a típica de nossas
leitoras”.
[103] Investigaciones sociológicas. N° 4, 1970. Citado en Citado en Stern, Mijail. Stern,
August. Ob. Cit., p. 79.
[104] Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 49.
[105] Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 246.
[106] Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 250.
[107] Kollontay, Aleksandra Mijaylovna. El comunismo y la familia. Cit., p. 13.
[108] Ver Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 235.
[109] Na URSS a prostituição gerou a seguinte piada: “Uma secretária chega uma manhã
na sala do chefe e, ao ver que removeram o sofá, lhe pergunta: - O que aconteceu? Já me
despediram?”. Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 236.
[110] Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., p. 235.
[111] Stern, Mijail. Stern, August. Ob. Cit., pp. 239-240.
[112] Os Presidentes foram: Andrei Andreyev (1938-1946); Andréi Zhdánov (1946-1947);
Iván Parfenov (1947-1950); Mijail Yasnov (1950-1954); Alexander Volkov (1954-1956);
Pavel Lobanov (1956-1962); Ivan Spisidonov (1962-1970); Alexei Shitikov (1970-1984);
Yuri Christoradnov (1984-1989); Yevgeni Primakov (1989-1990); Ivan Laptev (1990-1991);
Konstantin Lubenchenko (1991-1991).
[113] Os Presidentes foram: Nikolái Shvérnik (1938-1946); Vasili Kuznetsov (1946-1950);
Zhumabay Shayakhmetov (1950-1954); Vilis Lācis (1954-1958); Janis Peive (1958-1966);
Justas Paleckis (1966-1970); Yadgar Sadikovna Nasriddinova (1970-1974); Vitalijs Rubenis
(1974-1984); August Voss (1984-1989); Rafiq Nishonov (1989-1991).
[114] Os Chefes de Estado da URSS foram: Mijaíl Kalinin, Nikolái Shvérnik, Kliment
Voroshílov, Leonid Brézhnev, Anastás Mikoyán, Nikolái Podgorni, Vasili Kuznetsov, Yuri
Andrópov, Konstantín Chernenko, Andréi Gromyko, Mikail Gorbachov.
[115] Os Presidentes do Conselho foram: Vladímir Lenin (1917-1924); Alekséi Rýkov (1924-
1930); Viacheslav Mólotov (1930-1941); Iósif Stalin (1941-1953); Georgi Malenkov (1953-
1955); Nikolái Bulganin (1955-1958); Nikita Jrushchov (1958-1964); Alekséi Kosygin (1964-
1980); Nikolái Tíjonov (1980-1985); Nikolái Ryzhkov (1985-1991). Em 1991 o cargo passa
a se chamar Primeiro-Ministro, e Valentin Pávlov e Iván Siláyev ocupam este cargo neste
ano.
[116] Pode ser visto online em YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=d18Hy5UouN8
[117] En 1980, tres mujeres de Leningrado efectuaron diez copias de una revista femenina
llamada Almanac. La KGB cerró la revista y deportó a Alemania Occidental a estas
activistas. (Pos 613)
[118] Friedan, Betty. La Mística de la feminidad. Barcelona, Ed. Sagitario, 1965, p. 78.
[119] Makow, Henry. Estafa cruel. Feminismo y el nuevo orden mundial. Inglaterra, E-book
(Silas Green), 2012, Pos 574.
[120] Tanto é assim que a autora cita em tom crítico Olga Michakova, secretária do Comitê
Central da Organização da Juventude Comunista, que em 1944 declarou: “As mulheres
soviéticas devem tratar de se fazer tão atrativas quanto permita a Natureza e o bom gosto.
Depois da guerra, deverão se vestir como mulheres e caminhar com porte feminino”.
[121] De Beauvoir, Simone. Ob. Cit., p. 123.
[122] De Beauvoir, Simone. Ob. Cit., p. 125
[123] De Beauvoir, Simone. Ob. Cit., p. 133.
[124] Este doutor em física avançou contra a patacoada pós-moderna por meio de uma
brincadeira muito original: escreveu um artigo pretensamente acadêmico intitulado
“Transgressão das fronteiras: para uma hermenêutica transformadora da gravidade
quântica”, no qual, com linguagem rebuscada e repleto de citações impactantes,
sustentava inúmeros absurdos tais como que a gravidade quântica era uma construção
cultural. O escrito foi publicado na revista especializada Social Text em 1996, e foi muito
discutido pelo mundo acadêmico de então. De repente, Sokal revelou que tudo havia sido
brincadeira cujo objetivo era evidenciar o péssimo conhecimento das ciências naturais que
têm aqueles que se dedicam às ciências sociais e aderem às correntes pós-modernas. Ver
Sokal, Alan. Bricmont, Jean. Imposturas intelectuales. Barcelona, Paidos, 1999.
[125] De Beauvoir, Simone. Ob. Cit., p. 66.
[126] De Beauvoir, Simone. Ob. Cit., p. 66.
[127] De Beauvoir, Simone. Ob. Cit., p. 65.
[128] Simone de Beauvoir foi a redatora do “Manifesto das 343”, declaração publicada em
1971 que foi assinada por mulheres que admitiam publicamente, e com orgulho, haver
abortado. Assim comença o texto de Beauvoir: “Um milhão de mulheres abortam a cada
ano na França. Elas o fazem em condiçõess perigosas devido à clandestinidade a que são
condenadas quando esta operação, praticada sob controle médico, é uma das mais
simples. Desaparece no silêncio para estas milhões de mulheres. Eu declaro que sou uma
delas. Declaro haver abortado. Do mesmo modo que reclamamos o livre aceso aos meios
contraceptivos, reclamamos o aborto livre”.
[129] Citado em Pinker, Steven. The blank slate. Edição digital traduzida, p. 278.
[130] De Beauvoir, Simone. Ob. Cit., p. 719.
[131] Citado em Beltrán, Elena. Maquieira, Virginia. Álvarez, Silvina. Sánchez, Cristina.
Feminismos. Debates teóricos contemporáneos. Madri, Alianza Editorial, 2008, P. 106.
[132] Firestone, Shulamith. The dialectic of sex. The case feminist revolution. New York,
Bantam Book, 1971, p. 2.
[133] Millet, Kate. Sexual politics. Illinois, University of Illinois Press, 2000.
[134] Millet, Kate. Ob. Cit., p. 33.
[135] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 5.
[136] “Vamos precisar de uma revolução sexual muito maior do que uma socialista para
erradicar verdadeiramente todos os sistemas de classe”. Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p.
12.
[137] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 207.
[138] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 209.
[139] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 209.
[140] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 212.
[141] “O fracasso da Revolução Russa é diretamente atribuído ao fracasso de
seus intentos de eliminar a família e a repressão sexual”. Firestone,
Shulamith. Ob. Cit., p. 212.
[142] “A natureza da unidade familiar é tal que penetra no indíviduo mais
profundamente do que qualquer outra organização social que tenhamos”
reconhece Firestone. Ob. Cit., p. 227.
[143] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 218.
[144] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 229.
[145] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 233.
[146] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 239.
[147] Firestone, Shulamith. Ob. Cit., p. 240.
[148] Citado em Serrano, Francisco. La dictadura de género. Una amenaza contra la
Justicia y la Igualdad. Espanha, Almuzara, 2012, p. 55.
[149] “A análise marxista busca uma explicação histórica da existência das relações de
poder em termos de relações econômicas de classe, e o feminismo radical busca na
realidade biológica do poder. O socialismo feminista, por sua parte, analisa o poder em
termos de suas origens de classe e sua raiz patriarcal. Em tal análise, capitalismo e
patriarcado não são nem autônomos nem idênticos: são, em sua presente forma,
mutualmente dependentes”. Eisenstein, Zillah. Capitalist patriarchy and the case for
socialist feminism. New York, Monthly Review Press, 1979, p. 22.
[150] Eisenstein, Zillah. Ob. Cit., p. 26.
[151] Um exemplo claro destas prioridades é trazido por outra teórica norte-americana,
Nancy Hartsock, que anota: “Quero sugerir que o movimento de mulheres pode prover a
base para construir um novo e autêntico socialismo norte-americano. Pode prover um
modelo para construir uma estratégia revolucionária e caminhos para desenvolver teorias
revolucionárias que se articulem com a realidade do capitalismo avançado”. Hartsock,
Nancy. “Feminist theory and the development of revolutionary strategy”. Em Eisenstein,
Zillah. Ob. Cit., p. 57. Nesta passagem se vê claramente como a mulher e suas
organizações terminam sendo apenas uma ponte para se chegar ao verdadeiro objetivo:
teorias e práticas socialistas revolucionárias viáveis no marco de um estágio do capitalismo
que ofereceu ao proletariado um bom nível de vida.
[152] “A mulher não é oprimida pelo fato biológico da reprodução, mas é oprimida pelo
homem que define esta ‘capacidade’ reprodutiva como uma função” diz Eisenstein.
Eisenstein, Zillah. Ob. Cit., p. 44. Disto poderíamos perguntar: se a reprodução não é uma
função biológica, então o que é? A reprodução não tem consequências e exigências
naturais que geram efeitos culturais?
[153] Eisenstein, Zillah. Ob. Cit., p. 44.
[154] Eisenstein, Zillah. Ob. Cit., p. 44.
[155] Esta tese pode ser lida em suas Cartas desde una zona de guerra, publicado em
1989. Este tipo de teorias ridículas são tão insustentáveis, que podem ser elaboradas com
o objetivo completamente opoesto: vitimizar o homem. É o caso da teoria da misógina
Esther Vilar: “Não depois dos doze anos —idade na qual a maioria das mulheres decidiu já
empreender a carreira de prostituta (ou seja, a carreira que consiste em fazer que um
homem trabalhe para ela em troca de colocar intermitentemente a sua disposição, como
contrapartida, a vagina) …”. Vilar, Esther. El varón domado. P. 10. Edição digitalizada
disponível em http:// es.wikimannia.org/images/Esther-Vilar_El-Varon-Domado.pdf
[156] Ver Jeffreys, Sheila. La herejía lesbiana. Una perspectiva feminista de la revolución
sexual lesbiana. Madri, Cátedra, 1996, p. 98.
[157] Wittig, Monique. “No se nace mujer”. Em El pensamiento heterosexual y otros
ensayos. Madri, Egales, 2010, p. 36.
[158] Wittig, Monique. “No se nace mujer”. Em El pensamiento heterosexual y otros
ensayos. Cit, p. 43.
[159] Vilar, Esther. Ob. Cit., p. 25.
[160] Vilar, Esther. Ob. Cit., p. 30.
[161] Vilar, Esther. Ob. Cit., p. 30.
[162] Vilar, Esther. Ob. Cit., p. 15.
[163] Vilar, Esther. Ob. Cit., p. 21.
[164] Vilar, Esther. Ob. Cit., p. 25.
[165] Preciado, Beatriz. “Queer: historia de una palabra”. Disponível online em
http://es.scribd.com/doc/283973996/Queer-Historia-de-Una-Palabra-Paul-Beatriz-Preciado-
en-Parole-de-Queer#scribd
[166] Idem.
[167] Wittig, Monique. “La categoría de sexo”. En El pensamiento heterosexual y otros
ensayos. Cit., p. 26.
[168] A esta altura isto não deveria nos surpreender: o pensamento de Wittig é devedor em
sua maior parte também do marxismo, e as referências a Marx e ao pensamento marxista
em seus trabalhos são incontáveis.
[169] Wittig, Monique. “No se nace mujer”. El pensamiento heterosexual y otros ensayos.
Cit., p. 31.
[170] Wittig, Monique. “No se nace mujer”. El pensamiento heterosexual y otros ensayos.
Cit., p. 36.
[171] Wittig, Monique. “No se nace mujer”. El pensamiento heterosexual y otros ensayos.
Cit., p. 43.
[172] Wittig, Monique. “El pensamiento heterosexual”. El pensamiento heterosexual y otros
ensayos. Cit., p. 54.
[173] Wittig, Monique. The lesbian body. Boston, Beacon Press, 1986.
[174] Arigor, quem cunhou na academia o conceito de “queer” foi, pela primeira vez, a
feminista Teresa De Lauretis em um artigo publicado em 1990 (“Queer Studies”). Porém o
trabalho de Butler foi massivamente reconhecido, e portanto é comum lhe outorgar o lugar
de “fundador”.
[175] Butler, Judith. El género en disputa. El feminismo y la subversión de la identidad.
Barcelona, Paidós, 2007, p. 7.
[176] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 41.
[177] Ela se desculpa pela complexidade de su prosa nos seguintes termos: “Considerar
que a gramática aceitada é o melhor veículo para expor pontos de vista radicais seria um
erro, dadas as restrições que a gramática mesma exige do pensamento; de fato, ao
pensável”. Butler, Judith. Ob. Cit., p. 22. Popper diria que sua complicação deliberada
oculta uma simplicidade que, de outra maneira, resultaria fácil de derrubar.
[178] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 48.
[179] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 49.
[180] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 55.
[181] A divisão do trabalho apareceu inclusive em uma cultura em que todos tinham a
obrigação de erradicar-la: o kibbutz israelense.
[182] “Instituir uma heterosexualidade obrigatória e naturalizada reduz e aprisiona o gênero
a uma relação binária em que o termo masculino se distingue do femenino, e esta
diferenciação se consegue mediante as práticas do desejo heterosexual” diz Butler,
seguindo Monique Wittig. Butler, Judith. Ob. Cit., p. 81.
[183] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 75.
[184] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 94.
[185] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 106.
[186] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 99.
[187] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 265.
[188] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 269.
[189] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 267.
[190] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 284.
[191] Romero, Fernando. “Teoría de género, su práctica discursiva y sus consecuencias
políticas y sociales”. P. 7. Disponível online em: http://www.libertadyresponsabilidad.
org/wp-content/uploads/2013/12/genero.pdf
[192] Romero se refere a estas condições naturais do mundo animal e, problematizando a
relação cultura/natureza, e invirtendo o sentido do argumento butlereano, se pergunta:
“Desta maneira, e considerando uma vez mais o homem como pertencente ao reino
animal, e, portanto, sujeito ao princípio da adaptação, não se inscreveriam acaso, as
diversas construções culturais de gênero dual como respostas de adaptação etológica
formulada pelo animal humano? Se assim fosse, o gênero deixaria de ser algo alienado do
natural, e portanto, como derivação de um princípio inerente a todas as espécies, o gênero
(homem, mulher) seria tão natural como a abertura das penas de um pavão, ou o canto das
gaviotas.” Romero, Fernando. Ob. Cit., p. 16.
[193] Romero, Fernando. Ob. Cit., p. 9.
[194] A este argumento que aqui analisamos, Romero responde: “Esta neutralização do
campo biológico não se efectua tendo em conta as lógicas proprias da ciência em questão,
mas desde uma presunção externa à categoria que nega. Põe em dúvida a possibilidade
do conhecimento, ao não dispor das ciências de uma metalinguagem impoluta e
absolutamente objetiva através da qual se pudesse apreender a realidade livre de todo
condicionamento cultural; supondo que isso verdadeiramente pudesse existir, ou como se
nisso consistisse o conhecimento. Quer dizer, se trata de uma negação sobre a base de
um modelo de referência implícito, absolutamente ideal e ficcional, mas que no entanto
opera para neutralizar e reduzir aqueles campos que dispersan os fatores mais além do
monismo semiótico-lingüístico presente nesta obra. Ademais de que esta concepção se
move implicitamente entre dois extremos que só contemplam um predomínio absoluto da
linguagem ou um determinismo que o nega”. Romero, Fernando. Ob. Cit., p. 9.
[195] Manada de Lobxs. Foucault para encapuchadas. Buenos Aires, Colección
(im)pensados, 2014, p. 23.
[196] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 24.
[197] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 25.
[198] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 25.
[199] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 25.
[200] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 27.
[201] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 67.
[202] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 68.
[203] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 72.
[204] Preciado, Beatriz. Manifiesto contra-sexual. Prácticas subversivas de identidad
sexual. Madrid, Opera Prima, 2002, p. 19.
[205] Preciado, Beatriz. Manifiesto contra-sexual. Cit., pp. 20–22.
[206] Preciado, Beatriz. Manifiesto contra-sexual. Cit., p. 26.
[207] Preciado, Beatriz. Manifiesto contra-sexual. Cit., pp. 46–47.
[208] Preciado, Beatriz. Manifiesto contra-sexual. Cit., p. 51.
[209] Butler, Judith. Ob. Cit., p. 230.
[210] Ver Latarej-Ruiz, Liard. Anatomía humana. Buenos Aires, Editorial Panamericana,
2007. Guyton, Arthur. Tratado de fisiología. Madrid, Elsevier, 2006.
[211] Irasuste, Andrés. La revolución sexual anglosajona y la psiquiatría hoy. El ascenso de
Gamínedes. Montevideo, Edición de autor (Licencia Creative Commons), 2015, p. 246.
[212] Neste livro também, como se ainda fosse pouco, se reivindica a sexualização das
crianças e se relativiza o mal da pedofilia. Com efeito, aparece a mesma falácia que
Firestone havia usado várias décadas antes para justificar o sexo entre adultos e menores
sempre que se cumpra o requisito do “consentimento”: “O realmente traumático de um
adulto foder um menino ou uma menina não reside no ato en si, mas no modo impositivo
com que o adulto se aproxima da sexualidade infantil (…).sobra dizer que temos
sexualidade desde idade muito tenra na qualidade de seres vivos e que esta não esteja
submetida às normas sociais ou condicionada pela experiência não é motivo legítimo para
negar sau existência.” Torres agrega logo: “Nunca me deitei com um menor (salvo quando
eu também o era) e não sei desde minha experiência como deve se sentir, talvez não
aconteça nada de mal se a mente do adulto estiver o suficientemente sã ou se a do menor
for o suficientemente desperta para canalizar as sensações”. Torres, Diana.
Pornoterrorismo. Tafalla, Editorial Txalaparta, 2011, pp. 100-102.
[213] Diana Torres conta que nas suas performances há gente que vomita porque “eu
ponho vídeos de autópsias, de abortos, de decapitações, de ejaculações”. A entrevista
onde Torres explica os elementos de sua performance pode ser ouvida em:
http://www.ivoox.com/ludditas-sexuales-7-audios-mp3_rf_243191_1.html
[214] No YouTube os videos de pós-porno costumam ser eliminados rapidamente. No
entanto, há um que continuou porque não chega a ser exibido de maneira explícita nada e
porque resulta mais moderado que o comum, porém pode dar uma ideia ao leitor sobre
como se desenvolve a performance (sua protagonista não é outra senão Leonor Silvestri):
https://www.youtube.com/watch?v=XxGWk5U6aCc. Fuera del marco de YouTube, pueden
verse los videos pornoterroristas de Diana Torres aquí:
http://pornoterrorismo.com/mira/video-de-performances/
[215] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 116.
[216] Se trata de uma sigla criada para agrupar práticas sexuais vinculadas ao
sadomasoquismo, cujo significado é: Bondage e Disciplina; Dominação e Submissão;
Sadismo e Masoquismo.
[217] Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 117.
[218] Gelderloose, Peter. Cómo la no violencia protege al Estado. Barcelona, Anomia,
2010, p. 83.
[219] Anônimo. Espacios peligrosos. Resistencia violenta, autodefensa y lucha
insurreccionalista en contra del género. Distribuidora Coños como Llamas, 2013, p. 5.
[220] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 3.
[221] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 4.
[222] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 3.
[223] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 25.
[224] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 29.
[225] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 39.
[226] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 40.
[227] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 41.
[228] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 42.
[229] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 43.
[230] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 43.
[231] Anônimo. Espacios peligrosos…, Cit., p. 44.
[232] Beltrán, Elena. Maquieira, Virginia. Álvarez, Silvina. Sánchez, Cristina. Ob. Cit., p. 93.
[233] São gêmeos monozigóticos aqueles que se originam a partir de um único óvulo e um
único espermatozóide e portanto compartilham a mesma carga genética.
[234] Colapinto, John. As Nature made him. The boy who was raised as a girl. New York,
HarperCollins, 2001, pp. 29–30
[235] Documentário “El Dr. Money y el niño sin pene”. Pode ser visto online em:
https://www.youtube.com/watch?v=ytincaGVe7s
[236] Idem.
[237] Idem.
[238] Irasuste, Andrés. “Género: reseña de un concepto ficticio”. Consultado online em:
http://prensarepublicana.com/genero-resena-de-un-concepto-ficticio-por-andres-irasuste/.
Mengele foi um médico e antropólogo alemão, oficial das SS. Em Auschwitz, se dedicou a
realizar experimentos genéticos com os prisioneiros, dando especial atenção aos gêmeos.
[239] Documentário “El Dr. Money y el niño sin pene”. Pode ser visto online em:
https://www.youtube.com/watch?v=ytincaGVe7s
[240] “Os estudos de base biológica das diferenças de sexo foram dirigidos por mulheres.
Como se diz tanto que estas investigações são um complô para manter submetidas as
mulheres, terei que dar nomes. Entre as investigadoras sobre a biologia das diferenças de
sexo estão as neurocientistas Raquel Gur, Melissa Hines, Doreen Kimura, Jerre Levy,
Martha McClintock, Sally Shaywitz e Sandra Witelson, e as psicólogas Camilla Benbow,
Linda Gottfredson, Diane Halpern, Judith Kleinfeld e Diane McGuinness. A sociobiologia e
a psicologia evolutiva, contra a qual muitas vezes se aplica o estereótipo de «disciplina
sexista», talvez sejam o campo acadêmico de maior duplicidade de gênero dentre os que
me são familiares. Entre suas principais figuras estão Laura Betzig, Elizabeth Cashdan,
Leda Cosmides, Helena Cronin, Mildred Dickeman, Helen Fisher, Patricia Gowaty, Kristen
Hawkes, Sarah Blaffer Hrdy, Magdalena Hurtado, Bobbie Low, Linda Mealey, Felicia Pratto,
Marnie Rice, Catherine Salmon, Joan Silk, Meredith Small, Barbara Smuts, Nancy Wilmsen
Thornhill y Margo Wilson”. Pinker, Steven. Ob. Cit., pp. 546-547.
[241] Irasuste, Andrés. Ob. Cit., p. 56.
[242] Existem problemas de desenvolvimento hormonal que afetam condutas posteriores.
Pinker brinda um exemplo interessante: “As meninas com hiperplasia adrenal congênita
produzem um excesso de androstenediona, o hormônio andrógeno que tornou famoso o
magnífico rebatedor de beisebol Mark McGwire. Estas meninas, ainda que seu hormônios
alcancem um nível normal pouco depois de nascer, iniciam um desenvolvimento de
características pouco femininas, com muitas brincadeiras agressivas, (…) quando se
tornam maiores, mais fantasías e desejos sexuais em que intervém outras meninas. As que
não recebem um tratamento com hormônios até as últimas fases da infância mostram
alguns padrões sexuais masculinos ao chegar à juventude, entre eles uma rápida excitação
diante de imagens pornográficas, um instinto sexual autônomo centrado na estimulação ge-
nital e o equivalente às poluções noturnas”. Pinker, Steven. Ob. Cit., p. 558.
[243] Wilson, Edward. On human nature. Massachussetts, Harvard University Press, 1978,
pp. 6–7.
[244] Pinker, Steven. Ob. Cit., p. 559.
[245] Irasuste, Andrés. Ob. Cit., p. 265.
[246] Le Vay, Simon. Gay, straight, and the reason why. The science of sexual orientation.
New York, Oxford University Press, 2011.
[247] Irasuste, Andrés. Ob. Cit., p. 203.G
[248] Ver Friedman, Milton. Capitalism and freedom. Chicago, The University of Chicago
Press, 1982.
[249] Lehmann documentou como os chamados “povos originários” usavam a mulher como
mercadoria de troca, usavam-nas como prostitutas ou, no melhor dos casos, as ofereciam
como concubinas. Henri Lehmann, Las culturas precolombinas, Buenos Aires, Eudeba,
1986. Cristian Iturralde agrega sobre estes povos indígenas que “da morte não se
salvavam muitas vezes nem as empregadas domésticas que trabalhavam na casa dos
nobres, no que comenta Diego Duran que quando morriam seus amos, as vezes matavam
as moedeiras para que fossem para o além amassar pão no outro mundo”. Iturralde,
Cristian. 1492: Fin de la barbarie. Comienzo de la Civilización en América. Tomo II (a ser
publicado pela Unión Editorial), p. 41.
[250] María J. Rodríguez Shadow em sua obra La mujer azteca conta por exemplo que “ao
estarem as mulhes submetidas à dominação masculina elas não ocupavam nenhum posto
relevante nos cargos religiosos, ao contrário, dada sua posición relegada um grande
número de mulheres eram levadas para a pedra sacrificial”. La Mujer Azteca, México,
Universidad Autónoma del Estado de México, 2000, p. 41. Citado em Iturralde, Cristian. Ob.
Cit., p. 40. Algo interessante a respeito é constatar que as mulheres a sacrificar não eram
necessariamente oriundas dos setores sociais mais deprimidos. Entre as familias dos
nobres era costume escolher duas donzelas virgens para sacrificar em honra de
Xochiquetzal. Na tal ceremônia “matavam aquelas donzelas cortando-lhes o peito e
arrancando-lhes o coração”. Henri Lehmann. Ob. Cit., p. 86.
[251] O antropólogo Marvin Harris documenta que três quartos dos aldeões e das tribos
tinha linhagens patriarcais, e somente um décimo seguiam uma linhagem materna. Por sua
vez, a poligamia era 100 vezes mais comum do que a poliandria. Marvin Harris, Caníbales
y Reyes. Los orígenes de la cultura, Barcelona, Salvat, 1986.
[252] Direito segundo o qual os senhores feudais podiam manter relações sexuais com
qualquer serva de seu feudo.
[253] “Na época de Itzcoatl, quarto imperador asteca, se estabeleceu o chamado pacto dos
macehualtin, que obrigava o povo a dar suas filhas, irmãs e sobrinhas ao nobres para que
se servissem delas. O historiador indígena Poman confirma o exposto, assinalando
ademais que o imperador podia tomar como concubina qualquier mulher, tanto das classes
privilegiadas quanto do povo”. Iturralde, Cristian. Ob. Cit. P. 41. Em outra tribo, os chibchas,
era costume que o tributo aos caciques fosse pago em mulheres.
[254] Iturralde, Cristian. Ob. Cit. Garcilaso de la Vega contou em La Florida sobre um
frequente costume praticado por vários povos pré-incas, no qual os parentes do noivo
tinham direito a tomar sexulamnete a mulher antes de ser entregue ao esposo. O cronista
indígena Felipe Poma de Ayala, por sua parte, deixou documentado os terríveis castigos
que se aplicavam sobre as mulheres que violavam seus votos de castidade, os quais
incluem a pena de oferecer o corpo da mulher aos índios Anti para que estes a comam
viva. Henri Lehmann documenta que entre os chimúes, cultura andina, se atirava a mulher
adúltera desde um precipício. Os exemplos ajudam a enterrar o mito de que a poligamia
era praticada por homens e mulheres em igualdade, ao invés, como afirmamos, se tratava
de um sistema relacional baseado na força do homem.

[255] Ver Otis-Cour, Leah. Historia de la pareja en la Edad Media. Placer y amor. Madrid,
Siglo XXI, 2000. Citado em Irasuste, Andrés. “La opresión de la mujer en la historia
occidental: una mirada revisionista”. Publicado online en: http://debatime.com.ar/ efecpsic-
andres-irasuste-la-opresion-de-la-mujer-en-la-historia-occidental-una-mirada-revisionista/
[256] Ver Von Mises, Ludwig. Ob. Cit., pp. 95-112.
[257] Ver Friedman, Milton. Libertad de elegir. Madrid, Ediciones Orbis, 1983. Sobretudo o
primeiro capítulo..
[258] Para uma análise interessante sobre papel de risco no capitalismo liberal e os
espaços cada vez crescentes que a mulher foi encontrando graças a este, ver Romero,
Fernando. “Las mujeres y el riesgo”, publicado em
http://www.libertadyresponsabilidad.org/?p=1329
[259] “À medida que as mulheres passam a integrar a população ativa e alcançam
posições de poder criam-se, por sua vez, oportunidades laborais para outras mulheres. As
mulheres já são mais numerosas que os homens no setor de serviços, em empregos em
que se prefere pessoas do sexo feminino. Ao mesmo tempo que a participação feminina
em praticamente todos os setores do mercado de trabalho não cessa de aumentar, a
presença do homem entre a população ativa está declinando em quase todos os países”.
Fisher, Helen. El primer sexo. Las capacidades innatas de las mujeres y cómo están
cambiando el mundo. Madrid, Santillana, 2001, p. 314.
[260] http://www.lanacion.com.ar/1814990-critica-al-feminismo-radical-despues-de-
niunamenosensayo
[261] Até pouco antes da Revolução Industrial, a expectativa de vida era de 30 anos. Em
2010 já estava em 70 anos, sendo muito maior nos países onde o capitalismo está
maiormente consolidado, como Estados Unidos (73 anos), Suiça (80,5 anos), Japão (82
anos), entre outros. O caso da China é impressionante: desde a mudança para o
capitalismo, a expectativa de vida não parou de crescer para ambos os sexos (mais para
as mulheres que para os homens). De 1990 a 2013 cresceu 8,5 anos, ficando em média
nos 75,3 anos. Recordemos que em 1978, quando começa a reforma económica
capitalista, a a expectativa de vida sob o comunismo era de somente 66,5 anos.
[262] O relatório pode ser lido em: http://www.elcato.org/pdf_files/efw2011/capitulo4-
efw2011.pdf
[263] Mouffe, Chantal. El retorno de lo político. Comunidad, ciudadanía, pluralismo,
democracia radical. Barcelona, Paidós, 1999, p. 125.
[264] Esta informação pode ser lida online no site oficial da organização:
http://www.panyrosas.org.ar/
[265] http://larevuelta.com.ar/
[266] Elas mesmas sobem as fotografias em sua página de Facebook:
https://www.facebook.com/larevuelta.colectivafeminista/
[267] http://larevuelta.com.ar/2014/09/26/experiencias-de-resistencias-de-la-colectiva-
feminista-la-revuelta/
[268] As imagens podem ser vistas na página do Facebook citada acima.
[269] http://socorristasenred.org/
[270] Pode ser visto em http://sincloset09.wix.com/aborto-misoprostol
[271] http://socorristasenred.org/index.php/2015/12/11/declaracion-de-la-4ta-reunion-
plenaria-nacional-de-socorristasen-red-feministas-que-abortamos/
[272] http://larevuelta.com.ar/2015/03/23/audios-del-simposio-narrativas-sobre-
experiencias-corpo-aborteras/
[273] http://www.catolicas.com.ar/
[274] Veja-se a atividade de sua página de Facebook como exemplo ilustrativo:
https://www.facebook.com/cddargentina
[275] http://www.lafulana.org.ar/quienes-somos-main/
[276] É possível ver sua página de Facebook em
https://www.facebook.com/151324701611005/
[277] Ver o jornal AciPrensa, “Warren Buffett dona más de mil 200 millones de dólares a
industria del aborto”, disponível online em https://www.aciprensa.com/noticias/warren-
buffett-dona-mas-de-mil-200-millones-de-dolares-a-industria-del-aborto-80543/
[278] http://www.centerformedicalprogress.org/
[279] Os vídeos de câmera escondia podem ser vistos no site do Center for Medical
Progress: https://www.youtube.com/channel/UC74zBGLz2jVx8a3Rj2tDmXA/videos
[280] Ver o relatório do IPPF en http://www.ippf.org/sites/default/files/financialreport_2014-
2015.pdf
[281] Diário digital Infobae, “Mar del Plata: incidentes en la marcha central del XXX
Encuentro Nacional de Mujeres”, 12/10/15. Consultado online em:
http://www.infobae.com/2015/10/12/1761663-mar-del-plata-incidentes-la-marcha-central-
del-xxx-encuentro-nacional-mujeres
[282] Imagens disponíveis em http://www.cronicadelnoa.com.ar/congreso-de-mujeres-el-
dia-despues/
[283] Ver jornal El Tribuno de Salta, “Mirá los incidentes que se produjeron en la Catedral”,
12/10/14. Consultado online em: http://www.eltribuno.info/mira-los-incidentes-que-se-
produjeron-la-catedral-n454059
[284] Ver imagens no diário digital Notifam, “Feministas radicales queman a la Virgen Maria
en Argentina”, disponível online em https://notifam.com/2014/feministas-radicales-queman-
la-virgen-maria-en-argentina/
[285] Ver diário digital La Rioja, “Bochornoso: Mujeres agreden a fieles católicos en marcha
a favor del aborto”, consultado online em http://www.riojalibre.com.ar/nacionales-
internacionales/7227-san-juan-marcha-a-favor-del-aborto-agresion/
[286] Pode ser visto no jornal cordobês “Telenoche” em https://www.youtube.com/watch?
v=RMaEboSX_mA
[287] Jornal La Gaceta, “Mujeres les tiraron materia fecal a policías y fueron reprimidas “,
12/10/15, Tucumán, consultado online em
http://www.lagaceta.com.ar/nota/657086/sociedad/mujeres-les-tiraron-materia-fecal-
policias-fueron-reprimidas.html
[288] Pode ser visto um video a respeito em https://www.youtube.com/watch?
v=asrhKInQCiI
[289] Ver http://www.panyrosas.org.ar/Conquistamos-que-las-autoridades-subsidien-los-
viajes-al-Encuentro-Nacional-de-Mujeres
[290] Eva Perón já havia notado em seus tempos o mesmo: “Confesso que o dia em que
me vi diante do caminho feminista, tive um pouco de medo. (…) Cair no ridículo? Integrar ol
grupo de mulheres ressentidas com a mulher e com o homem, como aconteceu com
inumeráveis líderes feministas? Não era solteira envelhecida, nem era tão feia, por outro
lado, para ocupar um posto desses… que, geralmente, em todo o mundo, desde as
feministas inglesas até aqui, pertence quase que exclusivamente às mulheres deste tipo…
mulheres cuja primeira vocação deve ter sido, sem dúvida, serem homens”. Citado em
Celli, Anselmo Francisco. Feminismo radical y genocidio mundial. Buenos Aires, Edición de
autor, 2015, p. 100.
[291] http://www.datosmacro.com
[292] United Nations High Commissioner for Refugees (mayo, 2003). Sexual and Gender-
Based Violence against Refugees, Returnees and Internally Displaced Persons: Guidelines
for Prevention and Response.
[293] Toldos Romero, María de la Paz. Hombres víctimas y mujeres agresoras. La cara
oculta de la violencia entre sexos. Alicante, Editorial Cántico, 2013, E-book, Pos 551.
[294] Straus, M.A. (1993): “Physical assaults by wives: A major social problema”. Citado en
Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 599.
[295] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 607.
[296] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 1935.
[297] Celli, Anselmo Francisco. Ob. Cit., p. 57.
[298] Celli, Anselmo Francisco. Ob. Cit., p. 57.
[299] Eagly, A.H. y Steffen, V.J. (1986): “Gender and aggressive behavior: A meta-analytic
review of the social psychological literature”, Psichological Bulletin, 100, 3, pp. 309-330.
Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 706.
[300] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 714.
[301] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 778.
[302] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 778.
[303] Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 1293.
[304] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 1904.
[305] Mirriess-Black, C. (1999): “Domestic Violence: Findings from a new British Crime
Survey self-completion question-naire”. A Research, Development and Statistics Directorate
Report. Home Office Research Study 191. Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob.
Cit., pos 1952.
[306] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 2041.
[307] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 1919.
[308] Citado em Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 1969.
[309] Fordi, A., Macaulay, J. y Thome, P. R. (1997): “Are women always less aggressive
than men? A review of the experimental literature”, Psychological Bulletin, 84, pp. 634-660.
[310] Ver Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 1285.
[311] Manual Masculinidades. Y con los varones… ¿Qué?. P. 14. Disponível online em
http://www.cnm.gov.ar/Varios/ManualMasculinidades.pdf
[312] Ver Toldos Romero, María de la Paz. Ob. Cit., pos 591.
[313] Esta escritora lésbica e ativista feminista anotou em The Advocate (1980) que “Os
boylovers e as lésbicas que têm amantes jovens são as únicas pessoas que estendem
uma mão aos jovens para lhes ajudar a atravessar o dificultoso terreno entre a sociedade
heterossexual e a comunidade gay. Não são abusadores de menores. Os abusadores de
menores são os sacerdotes, professores, psiquiatras, policiais e pais que impõem sua
rançosa moral aos jovens sob seu cuidado. Em lugar de condenar os pedófilos por terem
relações com jovens gays e lésbicas, deveríamos lhes apoiar”.
[314] Prega pela despenalização da pornografia infantil argumentando que os gregos na
Antiguidade o fazim (Também acreditará que porque os griegos tinham escravos seria
auspicioso despenalizar isso em nosso mundo também?).
[315] Ad van den Berg busca legitimar a pedofilia com todos os recursos discursivos da
ideologia de gênero, e termina concluindo: “há gente maior de 16 anos que não está
preparada para ter relações sexuais, no entanto, é certo que há pessoas de 10 anos
desejosas de experimentar”. Diário digital Forum Libertas, “Legalizar el sexo con niños y
animales, objetivo de un nuevo partido político en Holanda”, 31/5/06, disponível online em
http://www.forumlibertas.com/legalizar-el-sexo-con-ninos-y-animales-objetivo-de-un-nuevo-
partido-politico-en-holanda/
[316] Diário Publicable, “La trama secreta de la pedofilia”, 20/11/13, consultado online em
http://www.diariopublicable.com/sociedad/2035-activismo-pedofilo.html
[317] Ver o jornal Perfil (Argentina), “Jorge Corsi con Fontevecchia: ‘La pedofilia no es
delito’”, 17/3/12, video disponível online em
http://www.perfil.com/contenidos/2011/03/17/noticia_0016.html
[318] O partido se define em sua página do Facebook conforme estes objetivos: “queremos
uma melhor Suécia, construída sobre uma base socialista, feminista e ecológica”.
[319] Ver diário online Periodista Digital, “Na Suécia querem agora que os homens urinem
sentados e não de pé”, 8/7/12, disponível online em
http://www.periodistadigital.com/mundo/europa/2012/07/08/suecia-donde-quieren-que-los-
hombres-orinen-sentados.shtml
[320] Ver diario Correo (Perú), “Suecia: Polémica por pedido de legalizar la necrofilia y el
incesto”, 25/2/16, disponível online em http://diariocorreo.pe/mundo/suecia-polemica-por-
pedido-de-legalizar-la-necrofilia-y-el-incesto-656269/
[321] Irasuste, Andrés. La revolución sexual anglosajona… Cit., p. 74.
[322] Diário digital La Red 21 (Uruguay), “El primer ministro canadiense habla de la
importancia de criar hijos feministas”, 7/2/16, disponível online em
http://www.lr21.com.uy/mujeres/1275219-justin-trudeau-criar-hijos-feministas-importancia-
canada
[323] Jornal La Nación (Argentina), “Feministas contra los videojuegos: ¿es Súper Mario
machista?”, 1/1/16, disponível online em http://www.lanacion.com.ar/1856542-feministas-
contra-los-videojuegos-es-super-mario-machista
[324] Ver portal El Acontecer (Chile), “La ONU va a censurar el Internet para proteger los
sentimientos de las feministas”, 31/7/12, disponível em
http://elacontecer.cl/index.php/world/item/127-la-onu-va-a-censurar-el-internet-para-
proteger-los-sentimientos-de-las-feministas/127-la-onu-va-a-censurar-el-internet-para-
proteger-los-sentimientos-de-las-feministas
[325] Ver jornal ABC (Espanha), “La portada de la nueva SpiderWoman, acusada de ser
sexista”, 22/08/14, disponível online em http://www.abc.es/cultura/libros/20140822/abci-
comic-spiderwoman-sexista-201408211658.html
[326] Jornal La Gaceta (Espanha), “La heterosexualidad provoca daños en la mujer”,
15/6/15, disponível online em http://gaceta.es/noticias/heterosexualidad-herramienta-
politica-15062015-1352
[327] Ver diário digital Alerta digital (Madrid), “Piropear a una mujer podría tener pena de
cárcel y una sanción económica de 3.000 euros”, 31/05/2011, disponível online em
http://www.alertadigital.com/2011/05/31/piropear-a-una-mujer-podria-tener-pena-de-carcely-
una-sancion-economica-de-3-000-euros/
[328] Ver diário digital Religión en Libertad, “Los inspectores vigilarán en Andalucía que
maestros y alumnos usen el absurdo idioma no-sexista”, 6/4/16, disponível online em
http://www.religionenlibertad.com/los-inspectores-vigilaran-en-andalucia-que-maestros-y-
alumnos-usen-el-48847.htm
[329] Ver diário ABC (Espanha), “El País Vasco quiere limitar que los niños jueguen al
fútbol en el recreo”, 28/01/2014, disponível online em
http://www.abc.es/sociedad/20140128/abci-futbol-pais-vasco-ninos-201401272111.html
[330] Ver diário digital Libertad Digital (Espanha), “Un pueblo francés prohíbe la palabra
'mademoiselle' por presiones feministas”, 12/01/12, disponível online em
http://www.libertaddigital.com/sociedad/2012-01-12/prohiben-la-palabra-mademoiselle-en-
un-pequeno-pueblo-de-francia-1276446673/
[331] Organização RadFem Collective, “An interview with Julie Bindel”, 7/9/15, disponível
online em http://www.radfemcollective.org/news/2015/9/7/an-interview-with-julie-bindel
[332] Diário digital Actualidad Panamericana (Colômbia), “Feministas reúnen firmas para
prohibir mariachis”, 15/12/14, disponível online em
http://www.actualidadpanamericana.com/feministas-reunen-firmas-para-prohibir-mariachis/
[333] Ver jornal The Guardian (Inglaterra), “Canadian man found not guilty in Twitter
harassment case”, 22/01/16, disponível online em
http://www.theguardian.com/technology/2016/jan/22/canada-man-twitter-harassment-not-
guilty-gregory-alan-elliot
[334] Na carta, Engels se refere à falta de valentIa do teórico homossexual Karl Heinrich
Ullrichs.
[335] Werke, German. Engels to Marx. Edição vol.32, p. 324/325 (1869, 22 de Junio). Em:
Palacios, R. La conspiración del movimiento gay. Apoteosis de la Guerra de Sexos. Madri,
Mandala Ediciones, 2011, p. 71.
[336] Engels, F. The Origin of the Family, Private Property and the State. New York, In-
ternational, 1972, pp. 61–62.
[337] Marx, K. Early Writings. New York, McGraw-Hill, 1964, p. 154. Em: Economic and
Philosophical Manuscripts. Terceiro manuscrito, seção sobre propriedade privada e co-
munismo. P. 154.
[338] Reminiscences of Lenin (1934): Zetkin, C. Lenin on the Woman Question. New York,
International, p. 7.
[339] Lenin morre em janeiro de 1924 e desde então Stalin não deixou de avançar até
controlar o poder de maneira absoluta até sua morte em 1953.
[340] A Grande Enciclopédia Soviética é uma das mais extensas já publicadas nesse
idioma eslavo. A obra tinha um natural viés a favor do marxismo-leninismo, a ideologia
oficial do sistema soviético.
[341] Lozano, Álvaro. Stalin, el tirano rojo. Espanha, Nowtilus, 2012, pp. 460-461.
[342] Stern, M y Stern, A. La vida sexual en la Unión Soviética. Espanha, Brugera, 1980, p.
259.
[343] A anedota é relatada em Bazán O. Historia de la Homosexualidad en la Argentina. De
la conquista de América al Siglo XXI. Buenos Aires, Marea Editorial, 2010, p. 336.
[344] Citado em Gorbato, V. Montoneros de Menem. Soldados de Duhalde. Buenos Aires,
Sudamericana, 1999, p. 300.
[345] As Unidades Militares de Ajuda a Produção (UMAP) foram campos de trabalho
forçado que existiram em Cuba entre 1965 e 1968. Ali estuveram por volta de 25.000
homens, basicamente jovens que por diversos motivos (homossexualismo, atividades
religiosas ou condutas “contra-revolucionárias”) eram confinados e só tinham livres os dias
de domingo.
[346] Entrevista concedida por Fidel Castro ao jornalista Lee Lockwood e publicada em
Castro’s Cuba, Cuba’s Castro. Citado em Zayas, M. Mapa de la homofobia. Cronología de
la represión y censura a homosexuales, travestis y transexuales en la Isla, desde 1962
hasta la fecha. (2006). Ver material completo em: http://www.cubaencuentro.com/
cuba/articulos/mapa-de-la-homofobia-10736
[347] Citado em Bazán, Osvaldo, Ob. Cit., p. 330.
[348] Julian Schnabel (Diretor) e Javier Bardem (Protagonista): “Antes do anoitecer” [filme],
obteve a indicação ao Prêmio Oscar de melhor ator pela interpretação de Javier Bardem do
poeta cubano Reinaldo Arenas.
[349] Arenas, R. Before Night Falls. Canadá, Penguin Books, 1994.
[350] Harry Hay (7 de abril de 1912, Worthing, Inglaterra – 24 de outubro de 2002) foi um
ativista e líder do movimento homossexual nos Estados Unidos, conhecido por fundar a
Mattachine Society em 1950 e as Radical Faeries (“fadas radicais”) em 1979. .
[351] Timmons, S. The Trouble With Harry Hay. Boston, Alyson Publications, 1990, p. 154.
[352] A North American Man/Boy Love Association (NAMBLA) (Associação norte-a-
mericana pelo amor entre homens e meninos) é uma organização estadounidense de
pedófilos radicada em Nova York e San Francisco.
[353] Discurso de Harry Hay ditado em 7 de outubro de 1984, na conferência de NAMBLA,
San Francisco, disponível em www.nambla.org/sanfrancisco1984.htm.
[354] Hay, H; Roscoe, W (ed.). Radically Gay: Gay Liberation in the Words of Its Founder.
Boston, Beacon Press, 1996, p. 64.
[355] Seu colaborador Paul Gebhard, no documentário inglês “História secreta, os pedófilos
de Kinsey”, revelou que “o doutor Kinsey gostava de praticar sexo com homens, meninos e
animais”. Em seus estudos sobre a sexualidade humana, Kinsey contou com a ajuda do
nazista condeando por pederastia Von Bullaseck, que entregou a Kinsey os diários sobre
suas relações com meninos, querendo demonstrar a sexualidade inerente aos infantes. Um
informe completo sobre este degenerado pode ser visto no seguinte documentário “The
Kinsey Cover Up” (FOX Pictures). Disponível na internet nos seguintes links: Parte 1):
https://www.youtube.com/watch?v=Jp4Gfl5vroE e Parte 2):
https://www.youtube.com/watch?v=JaotEKtrmr0
[356] Roa, A. Ética y Bioética. Andrés Bello, Santiago, 1998, pp. 219-220.
[357] Tal como acreditam investigações impecáveis como a efetuada pelo sociólogo
Edward Laumann Otto (nascido em 31 de agosto 1938), professor distinto no
Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago. Laumann obteve seu doutorado
em sociologia na Universidade de Harvard em 1964.
[358] Os 32 estudos científicos e internacionais mencionados foram atualizados em
dezembro de 2012 motivo pelo qual conservam plena vigência. Para ver os documentos
completos pode-se consultar a compilação que consta neste link e desde ali navegar nos
links subsequentes: http://www.cronicas.org/cm_armario.htm
[359] Além de setores do Partido Democrata dos Estados Unidos, um dos principais
financiadores destas correntes é o “Center for Constitutional Rights”, institução
apadrinhada pelo polêmico magnata de esquerda George Soros. Também se sabe que a
Playboy Foundation é assídua doadora destes empreendimentos junto com outras
multinacionais, Ongs (como a Fundação Rockefeller) ou particulares com muito dinheiro
(tais como o cineasta de reconhecida filiação esquerdista Steven Spielberg) que também
desembolsam para a causa. Do mesmo modo, em Wall Street funciona um lobby chamado
Out on the street e seu líder é um tal Todd Sears, um alto executivo que agrupa uma série
de agentes bancários comprometidos com a agenda cor-de-rosa. Sobre este último grupo
sugerimos ver a seguinte nota: “¿Quién financia al lobby gay? Cumbre de banqueros en
Londres” (18/11/2012). Os detalhes podem ser lidos no seguinte link:
http://www.hazteoir.org/noticia/49701-quien-financia-lobby-gay
[360] Palacios, R. Ob. Cit., p. 27.
[361] Palacios, R. Ob. Cit., p. 28.
[362] As Radical faeries (literalmente “fadas radicales”) são um grupo de organizações
homossexuais. É um movimento contracultural e antisistema que rechaça a “imitação dos
heterosexuais” e tenta redefinir a identidade sodomita. Sua filosofia está influenciada pela
forma de vida dos nativos americanos e pelos neopaganismo de muitos de seus membros.
[363] Hay, H. Toward The New Frontier Of Fairy Vision: Subject Consciousness, en Roscoe
Radically Gay, p. 258:263. Citado em Tradición y Acción. ¡Defendamos la familia!. Por qué
debemos oponernos al “matrimonio” entre personas del mismo sexo y al movimiento
homosexual. Lima, Ed. Tradición y Acción por un Perú Mayor, 2011 p. 90.
[364] Bronsky, M. “The real Harry Hay”. Consultado online en http://www.bos-
tonphoenix.com/boston/news_features/other_stories/documents/02511115.htm
[365] A GLAAD (http://www.glaad.org/) foi fundada em 1985 em Nova York com a finalidade
de contrabalançar a cobertura supostamente inexata, difamatória e sensacionalista da
epidemia de AIDS do jornal New York Post. Desde então, a GLAAD expandiu seu trabalho
para cimentar as relações com os meios de comunicação, líderes da comunidade,
jornalistas e ativistas procurando impor uma representação favorável a respeito da
homossexualidade.
[366] Paul Varnell. “Defending Our Morality”, Reproduzido em:
http://igfculturewatch.com/2000/08/16/defending-our-morality/
[367] Wilhelm, R. Materialismo dialéctico y psicoanálisis. México, Siglo XXI, 1979, p. 235.
[368] Wilhelm, R. Materialismo dialéctico y psicoanálisis. Cit., p. 72:74-80:219.
[369] Wilhelm, R. La función del orgasmo. El descubrimiento del orgón. Problemas eco-
nómico-sexuales de la energía biológica. Buenos Aires, Paidós, 1955, p. 17:2-161. .
[370] Wilhelm, R. Materialismo dialéctico y psicoanálisis. Cit., p. 153-154.
[371] Seus estudos se centraram no orgón, palavra que combina “organismo” e “orgasmo”.
Para Reich, o orgón é a energia vital de todo organismo, é a força motora do reflexo do
orgasmo. Com o intuito de fazê-lo visível, constrói em 1940 o primeiro “Acumulador de
Energia Orgônica”, uma caixa com revestimento interno de metal, pois a primeira
absorveria a energia orgônica enquanto a segunda a atraiira e com isso poderia inclusive
curar doentes terminais de câncer: ficou rico mas não curou ninguém.
[372] Díaz Araujo, E. La Rebelión de la Nada, o los ideólogos de la subversión cultural.
Buenos Aires, Cruz y Fierro Editores, 1983, p. 87.
[373] É conhecida como Escola de Frankfurt um grupo de investigadores que aderiam às
teorias de Hegel, Marx e Freud e cujo cerne estava constituído no Instituto de Investigação
Social, inaugurado em 1923 em Frankfurt. No início, seus intelectuais mais representativos
foram Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Friedrich Pollock, Erich Fromm e o próprio
Herbert Marcuse.
Héctor Álvarez Murena, (1923-1975), foi um escritor, ensaísta, poeta e tradutor argentino.
Escreveu vinte livros de todos os gêneros literários e foi habitual colaborador da revista Sur
y do jornal La Nación.
[374] Marcuse, H. Eros y Civilización. Madrid, Sarpe, 1983, p. 56-57.
[375] Marcuse, H. Ob. Cit., p. 60.
[376] Héctor Álvarez Murena, (1923-1975), foi um escritor, ensaísta, poeta e tradutor
argentino. Escreveu vinte livros de todos os gêneros literários e foi habitual colaborador da
revista Sur y do jornal La Nación. Realizou uma importante tarefa de difusão e tradução em
espanhol de pensadores como Jürgen Habermas, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Max
Horkheimer e Walter Benjamin
[377] Sur (Nº256, Enero 1959) Murena, H. La erótica del espejo, p. 19. Citado em Bazán,
Ob. Cit., p. 284.
[378] Foi docente em várias universidades francesas e estadounidenses e catedrático de
Historia dos sistemas de pensamento no Collège de France (1970-1984).
[379] Entrevista a Gilles Barbedette, publicada em Les Lettres Nouvelles, 28/6/1985.
[380] Ainda que em 1953 tenha renunciado por dissidências internas.
[381] Para diferenciar-se dos estruturalistas, justamente ele não falava de “estrutura” de
poder mas de “sistema”, um eufemismo lingüístico que no essencial não variava
demasiado sua afinidade para com aqueles.
[382] Fundamentalmente Foucault manteve um obssessiva cólera para com a psiquiatria.
[383] Alix Fillingham, L. Foucault Para Principiantes. Buenos Aires, Era Naciente, 2001.
[384] Eribon, D. Michel Foucault. Cambridge, Harvard University Press, 1991.
[385] Citado em Miller, James. La Pasión de Michel Foucault. Chile, Andrés Bello, 1996, p.
20.
[386] Foucault, M. Vigilar y Castigar. Nacimiento de la Prisión. Bs.As., Siglo XXI, 2002, p.
177.
[387] Citado em Sebreli, Juan José. El Olvido de la Razón. Bs.As, Sudamericana, 2006, p.
315.
[388] Foucault, M. Obras esenciales. Volumen 2: Estrategias de Poder. Buenos Aires, Pai-
dós, 1999, p. 139:140.
[389] Sebreli, J.J. El Olvido de la Razón. Cit., p. 304.
[390] Conferência de Michel Foucault no Rio de Janeiro (21 de maio de 1974). Citada em
Jalón, Mauricio. El Laboratorio de Foucault: descifrar y ordenar. Madrid, Antrophos, 1994,
p.155-156.
[391] Citado en Sebreli, J.J. Ob. Cit., p. 292 .
[392] Foucault, M. The History of Sexuality: Volume 1 and Introduction. New York, Vintage,
1980, p. 43.
[393] Citado em Miller, J. Ob. Cit., p. 348
[394] Miller, J. Ob. Cit., p. 347.
[395] “Una conversación con M. Foucault: Michel Foucault; El triunfo social del placer
sexual”. [Entrevista com Gilles Barbedette, 1981]. Em Foucault, M. La inquietud por la
verdad. Escritos sobre la sexualidad y el sujeto. Siglo XXI editores, 2013. Ver nota
completa no siguiente link: http://perrerac.org/francia/michel-foucault-el-triunfo-social-del-
placer-sexual-una-conversacin-con-m-foucault/876/
[396] Citado em Sebreli, J.J. El olvido de la razón. Cit., p. 315.
[397] Correa de Oliveira, P. Trasbordo ideológico inadvertido y diálogo. Santiago de Chile,
Corporación Cultural Santa Fe, 1985, p. 26.
[398] Foucault, M. Historia de la locura en la época clásica I. Colombia, Fondo de Cultura
Económica, 1998, p. 67.
[399] Foucault, M. Los anormales: Michel Foucault, Curso del College de France 1974-
1975. España, Akal Ediciones, 2009, p. 156.
[400] Foucault, M. La inquietud por la verdad. Escritos sobre la sexualidad y el sujeto. Cit.,
p. 101.
[401] Miller, James E. Ob. Cit., p. 342
[402] Preciado, B. Terror anal. Em Hocquenghem, G: El deseo homosexual. Espanha,
Melusina, 2000, p. 135.
[403] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 23.
[404] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 27.
[405] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 46.
[406] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 49.
[407] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 86.
[408] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 116.
[409] Jacobo Schifter Sikora nasce em San José em 14 de setembro de 1952. Estudou
historia. Publicou grande quantidade de livros relativos à defesa e promoção da sodomia.
[410] Schifter Sikora, J. Ojos que no ven…psiquiatría y homofobia. San José, Editorial
ILPES, 1997, pp. 2–4.
[411] Vidarte, P. Etica Marica. Proclamas libertarias para una militancia LGTBQ. Espanha,
Espa E-book, 2007, p. 18.
[412] Vidarte, P. Ob. Cit., p. 116.
[413] Vidarte, P. Ob. Cit., p. 82.
[414] Em provável homenagem ao seu referente Michel Foucault, cujo primeiro nome era
Paul: Paul Michel Foucault.
[415] Ver conferência completa de Beatriz Preciado eM Bogotá, Colômbia no HAY Festival,
2 de fevereiro de 2014. No seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=4o13sesqsJo
[416] Hocquenghem, G. Ob. Cit., pp. 170–172.
[417] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 169–170.
[418] Alerta Digital, “Pedofiilia, Intelligentsia francesa y progresía” [Nota Editorial de 3 de
junho de 2012]. Ver informe completo no seguinte link:
http://www.alertadigital.com/2012/06/03/pedofilia-intelligentsia-francesa-y-progresia/

[419] Bandera, A. Paulo Freyre. Un Pedagogo. Caracas, Universidad Católica Andrés Bello,
1981, p. 92.
[420] Correa de Oliveira, P. Ob. Cit., p. 48.
[421] Correa de Oliveira, P. Ob. Cit., p. 49.
[422] Correa de Oliveira, P. Ob. Cit., p. 18.
[423] Correa de Oliveira, P. Ob. Cit., p. 14:20.
[424] Correa de Oliveira, P. Ob. Cit., p. 31.
[425] Correa de Oliveira, P. Ob. Cit., p. 35.
[426] Foucault, M. El triunfo social del placer sexual. Una conversación con M. Foucault.
[Entrevista con Gilles Barbedette, 1981]. Em Michel Foucault: La inquietud por la verdad.
Escritos sobre la sexualidad y el sujeto, Cit. Ver nota completa no seguinte link:
http://perrerac.org/francia/michel-foucault-el-triunfo-social-del-placer-sexual-una-
conversacin-con-m-foucault/876/
[427] Schifter Sikora, J. Ob. Cit., p. 4.
[428] A Aliança de Ativistas Gays (“Gay Activists Alliance”) foi fundada em Nova York em

21 de dezembro de 1969 por membros dissidentes do Gay Liberation Front (GLF; “Frente
de libertação gay”, em português), entre os que se encontravam além do citado Arthur
Evans, Sylvia Rivera, Marsha P. Johnson, Jim Coles, Brenda Howard, Christopher Charles
e Altan Zimbabwe.
[429] Evans, A. The Logic of Homophobia. [Nota jonalística]. Ver informe completo no
seguinte link: http://gaytoday.badpuppy.com/garchive/viewpoint/101600vi.htm.
[430] Prólogo a Freyre, Paulo. Concientización. Buenos Aires, Búsqueda, 1974, p. 31.
Citado em: Díaz Araujo, E. Ob. Cit., p. 187.
[431] Citado em Monedero (h), J.C. Lenguaje, ideología y poder. La palabra como arma de
persuasión ideológica: cultura y legislación. Buenos Aires, Ediciones Castilla, 2015, p. 81.
[432] Definição fornecida pela Real Academia Española, que pode ser vista digitalmente no
seguinte link: http://dle.rae.es/?id=E0b0PXH
[433] Roa, A. Ob. Cit., p. 217.
[434] Rondeau, P.E. Selling Homosexuality to America. EUA., Regent University Law
Review, 2002.
[435] Os “quatro P” consistem em: Product (conceitualizar o produto que se deseja vender),
Price (focando no preço de venda), Promotion (mecanismos que serão utilizados para
promover a idéia ao público) e finalmente Place (lugar ou clientes que serão objeto da
campanha).
[436] O nome é um neologismo que provem do prefixo grego pan-, que significa "tudo".
Pansexual se refere às pessoas que se seenten atraídas por todos os gêneros e sexos de
maneira indistinta.
[437] Kirk, Marshall; Madsen, Hunter. After the Ball: How America Will Conquer Its Fear and
Hatred of Gays in the 90's. New York, Penguin Books, 1990, p. 153.
[438] Citado em Díaz Araujo, E. Ob. Cit., p. 185.
[439] Maurras, Ch. Mis ideas políticas. Buenos Aires, Huemul, 1962, p. 183.
[440] Citado em: Celli, A.F. Feminismo radical y genocidio mundial. Buenos Aires, Edición
de autor, 2015, p. 191.
[441] O MSD ou DSM é o manual diagnóstico e estatístico das enfermidades mentais (em
inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, DSM) da Associação
Estadounidense de Psiquiatria (em inglês American Psychiatric Association ou APA), o qual
contem uma classificação dos transtornos e proporciona descrições das categorias
diagnósticas, com a finalidade de que os clínicos e os investigadores das ciências da
saúde possam estudar e tratar os distintos transtornos mentais. A edição vigente é a
quinta, DSM-5 (publicada em 18 de maio de 2013). Essas publicações costumam ser
habitual motivo de polêmica e disputa no mundo científico por suas arbitrariedades e
definições cambiantes.
[442] Hocquenghem, G. Ob. Cit., p. 160.
[443] A Associação Nacional para a Investigação e Terapia da Homossexualidade
(NARTH), é uma organização fundada em 1992 com sede na California, a qual oferece
terapia de conversão da orientação sexual das pessoas que padecem de atração pelo
mesmo sexo.
[444] Jokin de Irala. Comprendiendo la homosexualidad. Pamplona, Ediciones Universidad
de Navarra, p. 29.
[445] A página oficial desta organização é: http://www.b4uact.org/
[446] Citado em Palacios, R. Ob. Cit., p. 200.
[447] O link oficial desta suspeita rede pedofílica é o seguinte: http://www.virped.org/
[448] Para quem querra ampliar, resenhamos que toda a larga trajetória que conduziu à
eliminação da homossexualidade do manual diagnóstico de psiquiatria se documenta em
detalhe em um livro publicado pelo professor Ronald Bayer intitulado “A homossexualidade
e a psiquiatria americana. A política de Diagnóstico”. Basic Books (Paperback), Princeton
University Press, 1981/1987.
[449] A República Argentina aprovou “matrimônios” entre pessoas do mesmo sexo em 15
de julho de 2010, convertendo-se no primeiro país da América Latina a sancionar tal coisa
e no décimo a legalizar estas uniões a nível mundial. Até julho de 2015, ou seja, quase 5
anos depois da lei ser aprobada, sabia-se que 9.423 casais haviam se formado. Ver
Verónica Dema. “Após 5 anos da lei do casamento igualitário, quase 10.000 casais se casaram:
O que mudou na familia argentina?” No jornal La Nación, 15 de julho, 2015. Ver notícia
completa no seguinte link: http://www.lanacion.com.ar/1810125-a-5-anos-de-la-ley-de-
matrimonio-igualitario-casi-10000-parejas-se-casaron-que-cambio-en-la-familia-argentina
[450] Segundo a doutrina social da Igreja, é o principio em virtude do qual o Estado executa
um esforço orientado ao bem comum quando percebe que os particulares não o realizam
adequadamente, seja por impossibilidade ou qualquer outra razão. Ao mesmo tempo, este
principio pede ao Estado que se abstenha de intervir onde os grupos ou associações
menores são suficientes nos seus respectivos ámbitos.
Un trabajo académico y enriquecedor al respecto fue publicado por el jurista Gerardo
Palacio Hardy, se titula “Las organizaciones sociales intermedias y el principio de
subsidiariedad” y puede leerse de manera completa vía digital en el siguiente enlace:
http://prensarepublicana.com/las-organizaciones-sociales-intermedias-principio-
subsidiariedad-apuntes-argentinos/
[451] Vidarte, La Ética Gay, p. 146.
[452] Jornal El Mundo: “Poligamia: ¿Provocación o primer paso? El primer trío ‘casado’ en
Holanda”. Espanha, 16/10/ 2005. Ver notícia completa no seguinte link:
http://www.elmundo.es/suplementos/cronica/2005/522/1129413605.html
[453] Ver Daily Mail: “Sealed with a kiss: Man 'marries' his dog in sunset ceremony - but
assures guests 'it's not sexual'”. Consultado online em:
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1334993/Joseph-Guiso-marries-dog-Honey-sunset-
ceremony.html
[454] Ver diario digital Infobae: “Anotaron al primer bebé con triple filiación en la Argentina”.
15/04/15. Consultado online em: http://www.infobae.com/2015/04/23/1724315-anotaron-al-
primer-bebe-triple-filiacion-la-argentina
[455] López Marina, D. “Partido político juvenil busca legalizar incesto y necrofilia en
Suecia”. Artigo em Aciprensa, 24/2/16. Consultado online em:
https://www.aciprensa.com/noticias/partidos-politico-juvenil-busca-legalizar-incesto-y-
necrofilia-en-suecia-63878/
[456] Marcuse, Eros y Civilizacion., p. 79.
[457] Pardo, A. (Departamento de Bioética, Universidade de Navarra): “Propriamente dita,
não existe homosexualidade nos animais. Mas isto não implica que sua conduta seja
excluisivamente heterosexual. De fato, tem-se observado que a conduta sexual animal, ao
menos dos mamíferos mais evoluídos, é muito variegada: além disso, pelo complexo
controle fisiológico da reprodução (especialmente hormonal), intervém na conduta sexual
animal fatores distintos aos meramente reprodutivos (…) Por motivos de sobrevivência, o
instinto reprodutor dos animais sempre se dirige aos individuos do sexo oposto. Portanto, o
animal nunca pode ser propriamente homossexual. No entanto, a interação com outros
instintos (especialmente o de domínio) pode produzir condutas que se manifestam como
homossexuais. Tais condutas não equivalem a uma homossexualidade animal”. Fragmento
extraído de “Aspectos médicos de la homosexualidad”, [artigo] Revista Nuestro Tiempo,
Julho-Agosto de 1995, p. 82:89. Texto completo disponível no siguinte link:
http://www.unav.es/cdb/dhbaphomosexualidad.html
[458] Xiridou, M. “The contribution of steady and casual partnerships to the incidence of HIV
infection among homosexual men in Amsterdam”. [Artículo] en: AIDS, vol. 17, Nº 7 (2 de
mayo 2003), p. 1031. Citado em Tradición y Acción por un Perú Mayor. Ob. Cit., p. 133.
[459] Lee, R. “Gay Couples Likely to Try Non-monogamy, Study Shows”. [Artigo]

Washington Blade (August 22, 2003). Citado em Tradición y Acción por un Perú Mayor. Ob.
Cit., p. 134.
[460] Daniel Keenan Savage (Chicago, 7 de outubro de 1964) é um multimediático
homossexual que atua como escritor, comentarista, periodista e podcaster estadounidense
e escreve escandalosas e escatológicas colunas de “conselhos sexuais”, as quais são
publicadas internacionalmente sob o nome Savage Love (em português, "amor selvagem").
[461] Savage, D. The Kid: What Happened After My Boyfriend and I Decided to Go Get
Pregnant. EUA., Penguin Books, 1999. Citado em Tradición y Acción por un Perú Mayor.
Ob. Cit., p. 223.
[462]
Mauricio Giambartolomei. “Padres adoptivos de niños haitianos viajaron a rescatar a sus
hijos”.
[Artigo] publicado no jornal La Nación, 29 de janeiro de 2010. Pode ser consultado online em:
http://www.lanacion.com.ar/1226840-padres-adoptivos-de-ninos-haitianos-viajaron-a-
rescatar-a-sus-hijos
[463] Hazte Oir (Ed e Coord): Fontana, M; Martínez, P; Romeu, P. “No es igual. Informe
sobre el desarrollo infantil en parejas del mismo sexo”. España, 2005. Ver informe completo
no seguinte link: http://www.noesigual.org/manifestacion/documentos/noesigual3.pdf
[464] Hazte Oir (Ed e Coord): Fontana, M; Martínez, P; Romeu, P. Ob. Cit.
[465] Bailey, J.M.; Bobrow, D.; Wolfe, M.;Mikach, S. Sexual orientation of adult sons of gay
fathers. Developmental Psychology. (1995). 124-129. Citado em Fontana, M; Martínez, P.;
Romeu, P. Ob. Cit.
[466] Citado em Fontana, M; Martínez, P.; Romeu, P. Ob. Cit., p. 11.
[467] Cameron, P. e Cameron, K. Homosexual parents. Adolescence (1996) p. 757:776.
Citado em Fontana, M; Martínez, P.; Romeu, P. Ob. Cit., p. 11.
[468] Pérez, C. “Niños adoptados por parejas gay sufren trastornos psicológicos: científico
de EU”. [Artigo] publicado no jornal La Crónica de Hoy, Méjico, 17/2/2010. Ver nota
completa em: http://www.cronica.com.mx/notas/2010/488443.html
[469]
ACI/EWTN Noticias. “¿Cómo son los hijos adoptados por homosexuales? Esto
revelan los estudios”. Washington D.C, 25 de março de 2015. Consultado online em:
https://www.aciprensa.com/noticias/como-son-los-hijos-adoptados-por-homosexuales-esto-
revelan-los-estudios-85128/
[470] Um dos testemunhos mais impressionantes nos brinda a canadense Dawn
Stefanowicz, que publicou o livro Fuera de la oscuridad. Mi vida con un padre gay (Out
from Under: The Impact of Homosexual Parenting), onde narra sua abominável experiência
pessoal ao ser vítima de um progenitor homossexual.
[471] A batalha naval é um jogo de tabuleiro que consiste em afundar barcos do inimigo
mediante um mecanismo de inteligência mas também de sorte. O nomre em inglês é
battleship.
[472] Infovaticana. “Las empresas que financian el negocio del aborto en Estados Unidos”.
27/07/2015. Consultado online em: http://www.infovaticana.com/2015/07/27/las-empresas-
que-financian-el-negocio-del-aborto-en-eeuu/
[473] Sucção (se aplica em 85% dos casos). Dilatação e curetagem. Dilatação e
evacuação. Injeção salina. "D e X”. Prostaglandinas. Histerectomia. Operação cesárea. Ver
informe e resumo completo de cada uma destas principais técnicas de filicídio em:
http://www.embarazoinesperado.com/metodos.htm
[474] Revista Catolicismo, São Paulo, N 525, setembro 1994. Citado em Tradición y Acción
por un Perú Mayor. Aborto: la Verdad sin Disfraces. Por qué debemos defender la vida del
no nacido. Lima, Edição Tradición y Acción, 2008, p. 76.
[475] Ya. “Razones de un Biólogo” [Artigo]. Madri, 1979, pp. 4-11. Citado em Tradición y
Acción por un Perú Mayor. Aborto la Verdad sin Disfraces. Por qué debemos defender la
vida del no nacido. Cit., p. 70.
[476] “Acción Familiar”, [publicação] p. 67. Citado em Tradición y Acción por un Perú Mayor.
Aborto la Verdad sin Disfraces. Por qué debemos defender la vida del no nacido. Cit., p. 70.
[477] Tal é o caso de “Nuestro Mundo”, a fugaz agrupação dirigida pelo comunista Héctor
Anabitarte.
[478] Citado em Bazán, Osvaldo. Ob. Cit., p. 342.
[479] Néstor Perlongher [documentário] emitido em Soy lo que Soy, programa de TV
conduzido por Sandra Mihánovich na TV a cabo TN. Ver filme completo no seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=LinNaiusJ3w
[480] Idem.
[481] Idem.
[482] Santo Daime é um culto sincrético brasileiro que reune certa tradição espiritistas com
superstições indígenas e africanas, ao que se soma o “ritual” de consumir uma droga
chamada ayahuasca, a qual produz uma perigosa alteração da consciência.
[483] Bazán, O. Ob. Cit., p. 342.
[484] Bellucci, M. “El orgullo continúa. Una marcha en el origen”. [Artigo] publicado em
Página/ 12, 5 de maio de 2010. Ver nota completa em:
http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/soy/1-1702-2010-11-06.html
[485] http://www.huesped.org.ar/
[486] Bellucci, M. “El camino de un luchador”. [Artigo] Publicado no jornal La Nación , 12 de
Abril de 2010. Ver nota completa em: http://www.lanacion.com.ar/1330654-el-camino-de-
un-luchador
[487] De Irala, J. Ob. Cit., p. 29.
[488] Os romances La brasa en la mano (1983), La otra mejilla (1986) e El ahijado (1990),
constituem uma verdadeira trilogia da visibilidade homoerótica, através da vida e dos
costumes dos personagens, homens homosexuais portenhos das décadas de cinquenta a
oitenta doo século XX. A primeira biblioteca sodomítica da Argentina (fundada por Pietro
Salemme) leva o nome do escritor.
[489] “A batallar. La Sociedad de Integración Gay Lésbica Argentina fue creada por Rafael
Freda en 1992”. [Artigo] publicado no jornal Página/12, 28 de junho de 2009. Ver notícia
completa em: http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/soy/subnotas/831-44-2009-
06-26.html
[490] O CELS (Centro de Estudios legales y Sociales) é uma Ong de extrema esquerda
com fachada “humanista” presidida pelo ex agente de inteligência montonero e
propagandista de aluguel do kirchnerismo Horacio Verbitsky. Este obscuro personagem
também foi numerosas vezes chamado de “agente duplo”, posto que durante a guerra
antisubversiva dos anos 70, apesar de revestir condição de Montonero, trabalhava
paradoxalmente para a Força Aérea.
[491] Estes apoios são expressamente reconhecidos na página oficial da CHA:
http://www.cha.org.ar/nosotros/
[492] “Mónica Santino, ex jugadora y pionera en dirigir fútbol femenino en el país”. [Artigo]
publicado no jornal La Capital de Rosario. 28 de maio de 2014. Ver notíca completa em:
http://www.lacapital.com.ar/ovacion/Monica-Santino-ex-jugadora-y-pionera-en-dirigir-futbol-
femenino-en-el-pais-20140528-0002.html
[493] Carlos Barzani promove suas ideias favoráveis à sodomIa e ao consumo de drogas
escrevendo no jornal Página/12 (aonde mais seria?) e em revistas afins, mas
fundamentalmente através do seu site pessoal: http://www.carlosbarzani.com.ar/
[494] Apesar de que seu site não é atualizado desde 2006, ele segue no ar:
http://isisweb.com.ar/index.htm#Principio
[495] Isis é a sigla em inglês com a que se denomina a organização que diz representar o
Estado Islâmico, formanda por um grupo terrorista juhadista wahabita, e assentada em um
amplo território do Iraque e da Síria.
[496] “Se unieron dos hombres en el registro civil porteño”. [Artigo] publicado no jornal La
Nación em 18 de julho de 2003. Ver notícia completa em:
http://www.lanacion.com.ar/512379-se-unieron-dos-hombres-en-el-registro-civil-porteno
[497] Naquele momento o vínculo revestiu-se da forma de “União Civil” atuante só na
cidade de Buenos Aires.
[498] Universidade de Buenos Aires
[499] http://www.ososbue.com/
[500] Na internet existe um ilustrativo video com a historia do grupo, elaborado por aqueles
que foram seus integrantes e protagonistas, e que pode ser visto em três capítulos nestes
links: Las Lunas y Las Otras (Parte 1): https://www.youtube.com/watch?v=pqMjGwrL9j8
Las Lunas y Las Otras (Parte 2): https://www.youtube.com/watch?v=FUptLz3w26s
Las Lunas y Las Otras (Parte 3): https://www.youtube.com/watch?v=X1fg_4k3qhQ
[501] http://www.catolicas.com.ar/portal/
[502] http://www.lafulana.org.ar/
[503] “Cómo se desató la violenta pelea entre Morgado y Rachid en el INADI”. [Artigo] publicado
em Diario Perfil, 09 de junho de 2011. Ver notícia completa no seguinte link:
http://www.perfil.com/politica/Como-se-desato-la-violenta-pelea-entre-Morgado-y-Rachid-
en-el-INADI-20110609-0028.html
[504] Iturralde, Cristián Rodrigo. El libro negro del INADI o la policía del pensamiento.
Buenos Aires, Unión Editorial, 2015, pp. 286-291.
[505] Os Cadernos de Existência Lésbica aparecem em 1987 e as iniciadoras foram Ilse
Fusková e Adriana Carrasco. Em 1992 se incorpora ao staff Claudina Marek. Foram
publicados em um total de 17 números.
[506] http://potenciatortillera.blogspot.com.ar/
[507] Meccia, E. La cuestión gay. Un enfoque sociológico. Buenos Aires, Gran Aldea
Editores, 2006, p. 159.
[508] Feinmann, J. P. [Artigo] em Página/12, 15 de junho de 1998, citado em: Bazán, O.
Ob. Cit., p. 437.
[509] Sebreli, J. J. Comediantes y Mártires, Ensayo contra los Mitos. Buenos Aires, Editorial
Debate, 2008, p. 189.
[510] http://natymenstrual.blogspot.com.ar/
[511] Em 28 de junho de 1969, um bar homossexual chamado Stonewall Inn, na cidade de
Nova Iorque foi incendiado pelo policia. Nessa oportunidad os frequentadores decidiram
resistir contra a autoridade e inclusive a luta se prolongou por três dias e se popularizou o
slogan "Estou orgulhoso de ser gay". Um ano depois, em 1970, em comemoração ao
ocorrido uma importante concentração de homossexuais se reuniu na rua Christopher
diante das portas do Stonewall Inn e dali marcharam espontaneamente pela Quinta
Avenida até o Central Park. Essa foi considerada a primeira “Marcha do Orgulho Gay” da
história. Na Argentina, no dia 28 de junho de 1992, cerca de 200 homossexuais realizaram
a primeira marcha de Buenos Aires. O público se concentrou diante da Catedral da cidade
e em sua maioria cobriu o rosto utilizando máscaras.
[512] Meccia, E. Ob. Cit., p. 105-106.
[513] Meccia, E. Ob. Cit., p. 111.
[514] Meccia, E. Ob. Cit., p. 145.
[515] Hocquenghem, G; Preciado, A. Ob. Cit., p. 123.
[516] Prevenção da Anorexia e da Bulimia. Ver informe completo em:
https://www.prevencion.adeslas.es/es/trastornoalimenticio/masprevencion/Paginas/cifras-
anorexia-bulimia.aspx
[517] “Los homosexuales tienen triple riesgo de padecer anorexia o bulimia; las lesbianas
no”: A Escola de Saúde Pública da Universidade de Columbia publicou um estudo no
International Journal of Eating Disorders (número de abril de 2007), no qual se afirma que
15% dos homens homossexuais ou bissexuais desenvolvem desordens da alimentação,
enquanto apenas 5% dos homens heterossexuais demonstram esta desordem. Ver informe
completo em: http://www.forumlibertas.com/los-homosexuales-tienen-triple-riesgo-de-
padecer-anorexia-o-bulimia-las-lesbianas-no/
[518] Se denomina Taxi Boy a uma forma de prostituição de rapazes que prestam serviços
sexuais a pessoas do mesmo sexo.
[519] Bourdieu, P. La dominación masculina. Barcelona, Anagrama, 1998, p. 86.
[520] Borges, J.L. “Nuestras imposibilidades”. [Artigo] publicado na Revista Sur. Buenos
Aires: año 1, 1931. Citado em Bazán, O. Ob. Cit., p. 174.
[521] Schifter Sikora, J. Ob. Cit., p. 118.
[522] A República Argentina aprovou os “matrimônios” entre pessoas do mesmo sexo
desde 15 de julho de 2010. Desta forma, o país se converteu no primeiro da América Latina
a sancionar tal coisa e foi o décimo país a legalizar este tipo de uniões no mundo. Até 15
de julho de 2015, isto é, quase 5 anos depois da lei ser sancionada, haviam se “casado”
9.423, segundo informou o jornal La Nación. “Após 5 anos da lei de matrimônio igualitário,
quase 10.000 casais se casaram: O que mudou na família argentina?” Verónica Dema, 15 de
julho, 2015. Ver nota completa no seguinte link: http://www.lanacion.com.ar/1810125-a-5-
anos-de-la-ley-de-matrimonio-igualitario-casi-10000-parejas-se-casaron-que-cambio-en-la-
familia-argentina
[523] Peña, F: “Dejé de tomar el cóctel contra el SIDA, sé que puedo morir… ¿Y?" .
[Entrevista] publicada na Revista Gente. 15 de março de 2004. Ver notícia completa em:
http://www.gente.com.ar/actualidad/deje-de-tomar-el-coctel-contra-el-sida-se-que-puedo-
morir-y/6807.html
[524] Gorodischer, J. “Pecados que se pagan así de caros”. Se falou de transplante de
orgãos, de morte cerebral, de uma ordem de Kirchner para desconectar Castro, de vida
promíscua, se leram supostas cartas íntimas. Sob o disfarce de informação, alguns meios
deram aula sobre como ensinar moral a partir da desgraça alheia. [Artigo] publicado no
Diario Página/12 em 7 de março de 2004. Ver nota completa no seguinte link:
http://www.pagina12.com.ar/diario/espectaculos/6-32342-2004-03-07.html
[525] O “Instituto Nacional contra la Discriminación, la Xenofobia y el Racismo” (INADI) é
um organismo vergonhoso criado durante o menemismo e aumentado durante a
delinquência kirchnerista, este orgão nunca teve maiores funções além de perseguir
cidadãos por suas opiniões e dar “trabalho” a um sem-fim de burocratas que ali vegetam
sem produzir nada exceto perseguições e censuras a dissidentes.
[526] Mediante lei bonaerense número 5109 se proibiu aos invertidos todo acesso e direito
ao sufrágio.
[527] Bazán, O. Ob. Cit., p.253:276.
[528] Refere-se a Héctor José Cámpora (1909-1980), político argentino, homem de
confiança de Perón, presidente da República Argentina entre maio e julho de 1973. [Nota
do Editor]
[529] Bazán, O. Ob. Cit., p.360.
[530] Citado em Gorbato, V. Ob. Cit., p.301
[531] “Revelan que el matrimonio de Alex Freyre y José Di Bello fue por militancia”. [Artigo
jornalístico] publicado no Diario La Nación, 27 de fevereiro de 2015. Ver em:
http://www.lanacion.com.ar/1771984-revelan-que-el-matrimonio-de-alex-freyre-y-jose-di-bello-fue-
por-militancia
[532] “Alex Freyre cobra más de $20 mil por un contrato en el Senado.” [Artigo jornalístico]
publicado em Infobae, 16 de outubro de 2014. Ver em:
http://www.infobae.com/2014/10/16/1602098-alex-freyre-cobra-mas-20-mil-un-contrato-el-
senado
[533] “Alex Freyre vaticinó la muerte de Pachano si apoya a Massa”. El funcionario K y militante
por los derechos de la comunidad homosexual advirtió que si el tigrense gana no
ingresarán más medicamentos. [Artículo jornalístico] Publicado em Diario Perfil, 14 de
outubro de 2014. Ver em: http://www.perfil.com/politica/Audio—Alex-Freyre-vaticino-la-
muerte-de-Pachano-si-apoya-a-Massa-20141014-0010.html
[534] “Bronca en Twitter por los dichos de Alex Freyre tras la muerte de Nisman”. [Artigo jornalístico]
publicado em Diario Clarín, 20 de Enero de 2015. Ver nota completa en el siguiente enlace:
http://www.clarin.com/politica/Bronca-Twitter-tuits-Alex-Freyre_0_1288671431.html
[535] Iturralde, C.R. 1492. Fin de la barbarie, comienzo de la civilización en América. (Tomo
1). Buenos Aires, Buen Combate, 2014, p. 141-143.
[536] Revista Arqueología Mexicana. Informaçãotomada de seu site
http://www.arqueomex.com. A informação que retiramos desta revista corresponde ao
bimestre julho-agosto de 2012, e puede ser consultada no mesmo site). Citado em
Iturralde, C. Ob. (Tomo II) Cit., p. 89.
[537] Mencionado pelo cronista missioneiro Bernardino de Sahagún. Se recomenda
consultar o trabalho que o antropólogo brasileiro homossexual Luiz Mott fez sobre o
assunto, intitulado ¨Etno-Historia da homossexualidad na América Latina¨, 1994. Pode ser
consultado por completo em: http://www.bdigital.unal.edu.co/23403/1/20304-68470-1-
PB.pdf
[538] Fernández de Oviedo, G. Historia General y Natural de las Indias. Madri: Colección
Cultural (digitalizado pela Fundación Enrique Bolaños), parte III, libro XLII, p. 404. Citado
en Iturralde, C., Ob. (Tomo II) Cit., p. 102.
[539] Comentarios Reales de los Incas I, p. 164. Citado em Iturralde, C. Ob. (Tomo II) Cit.,
p.124.
[540] Iturralde, C. Ob. (Tomo I y II). Cit.
[541] Bazán, O. Ob. Cit., 126.
[542] Meccia, E. Ob. Cit., p.71, 81:86, 22.
[543] Grondona, M. Bajo el Imperio de las ideas Morales. Las causas no económicas del
desarrollo económico. Buenos Aires, Sudamericana, 1993, p.157.
[544] Grondona, M. Ob. Cit., p. 159.
[545] Juan Antonio Vallejo-Nágera Botas (Oviedo, 14 de novembro de 1926 - Madrid, 13 de

março de 1990) foi um eminente psiquiatra e escritor espanhol de reconhecidíssima


trajetória científica e universitária. Havia iniciado seus estudos universitários na Facultade
de Medicina de Madri com apenas 16 anos (1943).
[546] Vallejo-Nágera, J.A La puerta de la esperanza. Barcelona, Planeta, 1991, p.255.
[547] A neurose é um padecimento funcional caracterizado principalmente pela
instabilidade emocional.
[548] Schlatter, J; Irala, J; Escamilla, I. “Psicopatología asociada a la homosexualidad”.
[Artigo de divulgação científica] na Revista Medicina Universidad de Navarra, 2005, p.3:69-
79.
[549] Licenciado em Medicina e Cirurgia e Doutor em Medicina pela Universidade de
Navarra. Mestre em Saúde Pública pela Universidade de Dundee (Escócia) e doutor em
Saúde Pública pela de Massachusetts.
[550] Dra. Elaine Moscoso (condução). “Respuestas. Verdades absolutas para un mundo
relativo” [ciclo televisivo] emissão para os Estados Unidos e para toda a América Latina.
Programa especial Aconsejando al Homosexual Miguel Núñez. Ver video completo em:
https://www.youtube.com/watch?v=ffoTW3dtMFg&nohtml5=False
[551] A expressão “normal” é definida pela Real Academia Espanhola em três acepções: 1.
adj. Dito de algo: Que se acha em seu estado natural.
2. adj. Que serve de norma ou regra.
3. adj. Dito de algo: Que, por sua natureza, forma ou magnitude, se ajusta a certas normas
fixadas de antemão.
[552] Quem queira indagar seriamente sobre o assunto nada melhor que consultar os
tratados de Santo Tomás, provavelmente o pensador que obrigatoriamente deveria ser lido
por todo aquele que queira mergulhar em assuntos filosóficos relacionados com o que se
denomina Ordem Natural.
[553] Universidad Católica Argentina
[554] Mons. Fernando Chomali (Dir.) “Homosexualidad, algunas consideraciones para el
debate actual acerca de la homosexualidad”. (2010). [Documento] Grupo de Investigación
Instituto para el Matrimonio y la Familia. Bs. As: Pontificia Universidad Católica Argentina.
P. 53:56.
[555] Sacheri, C.A. El orden natural. Buenos Aires, Vórtice, 2008 p. 47.
[556] Declaração de Roberto Castellano em conversa radiofônica com o autor no ciclo
“Salir Vivo”, transmitido por GDSRadio, Mar del Plata, 2015. O “Formulario 08” é conhecido
na Argentina por ser o documento por meio do qual se registra um veículo automotor.
[557] “Woman Claims She’s a Cat Trapped in a Human’s Body. Don't judge what you don't
understand!” Ver em: http://www.nationalreview.com/article/430434/cat-trapped-woman-
body-norway
[558] Carta sobre a Independência, página 17. Texto completo pode ser visto no PDF em:
http://www.jacquesmaritain.com/pdf/09_FP/01_FP_CartaInd.pdf
[559] “Cerca de 50 países impiden a los hombres homosexuales donar sangre”. [Artigo] publicado no
El País da Espanha, em 1 de dezembro de 2014. Ver notícia completa em:
http://elpais.com/elpais/2014/11/28/ciencia/1417191728_587426.html
[560] “España, por encima de la media europea en diagnósticos de VIH”. [Artigo] publicado no El País
da Espanha, em 27 de novembro de 2014. Ver em:
http://elpais.com/elpais/2014/11/27/ciencia/1417049192_049421.html
[561] “Aids cresce entre homens gays; Brasil é um dos países com mais casos novos.” [Artigo]
Agência EFE 16 de julho de 2014. Ver em:
http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/2014/07/aids-cresce-entre-homens-gays-brasil-e-um-
dos-paises-com-mais-casos-novos.shtml
[562] O Dr. Luiz Loures é médico e se incorporou a ONUSIDA em 1996. Foi nomeado
diretor executivo da área do Programa e subsecretário geral das Nações Unidas em janeiro
de 2013. Conta com quase 30 anos de experiência no âmbito do combate à aids.
[563] UNAIDS. “The Gap Report”. (2014). [Informe da ONU] Ver informe completo das
Nações Unidas em:
http://www.unaids.org/sites/default/files/en/media/unaids/contentassets/documents/unaidsp
ublication/2014/UNAIDS_Gap_report_en.pdf
[564] Quando mencionamos que o Estado regula na indústria do tabaco as advertências
sobre enfermidades cancerígenas, não estamos avalizando necessariamente esta
intervenção, mas apenas assinalando um fato.
[565] Enquete Nacional dos “Centers for Disease Control and Prevention” (Centro para o
Controle e Prevenção de Enfermidades -CDC-).
[566] Citado em “1 de cada 5 gays tiene SIDA… y en aumento descontrolado”. Por Juanjo
Romero. Ver informe completo em: http://infocatolica.com/blog/delapsis.php/1009280724-1-
de-cada-5-gays-tiene-sida-y
[567] Seu conhecido hit dançante San Francisco foi editado em 1977 pela citada banda,
cujas festivas canções são obrigatoriamente dançadas em carnavais e desfiles
homossexuais de todo o mundo.
[568] Conforme estatísticas sobre AIDS do Departamento de Saúde Pública de San
Francisco, dirigido pelo Dr. William McFarland. “San Francisco tem o maior percentual
mundial de homosexuais. Um em cada cinco homens maiores de 15 anos da cidade
californiana é gay, segundo afirmou uma autoridade do Departamento de Saúde Pública”.
Cooperativa, Chile, 8 de abril 2006.
http://www.cooperativa.cl/noticias/sociedad/homosexualidad/sanfrancisco-tiene-el-
porcentaje-mundial-mas-grande-de-homosexuales/2006-04-08/164058.html
[569] A estatística compreende todos os homens maiores de 13 anos.
[570] O HIV entre os homens homossexuais (gay) e bissexuais. (CDC - EEUU). Ver informe
completo no seguinte link: http://www.cdc.gov/hiv/spanish/risk/gender/hsh_factsheet.html
[571] Satinover, J. Homosexuality and the Politics of Truth. Michigan, Hamewith Books,
2003
[572] Satinover, J. Ob. Cit., p. 57. Citado em http://www.sinsida.com/montador.php?
tipo=homosexualidad
[573] Citado em http://www.sinsida.com/montador.php?tipo=homosexualidad Final do
formulário
[574] Vázquez, M. “Nuevos estudios actualizan las estimaciones del riesgo de adquirir el
VIH según la vía de transmisión”. Também se mediu o efeito protetor de diversas
estratégias preventivas sobre o risco por ato e o acumulado a 10 anos. [Artigo de
divulgação] – 12 de junho de 2014. Ver notícia completa no seguinte link médico
especializado: http://gtt-vih.org/actualizate/la_noticia_del_dia/12-06-14
[575] Jeffrey Burke Satinover é um americano judeu, psiquiatra, psicoanalista, e físico
nascido em 1947. É conhecido por seus libros sobre física e neurociência, mas sobretudo
por seus escritos e políticas públicas relacionadas com a homosexualidade e o matrimônio
homossexual.
[576] Satinover. Ob. Cit., p. 54-55 (Dados tomados de The Social Organization of Sexuality:
Sexual Practices in the United States, e de uma série de estudos sobre comportamento
homossexual e mudança do comportamento, incluindo o estudo Multicenter AIDS Cohort
Study, baseado em quase 5.000 homens homosexuais). Citado em
http://www.sinsida.com/montador.php?tipo=homosexualidad
[577] María Xiridou estudou Matemática (Licenciatura 1993, da Universidade de Ioannina,
Grécia) e Investigação Operativa (MSc 1995, da Universidade de Columbia, EUA) Em 2001
começou a trabalhar no Serviço de Saúde Municipal de Amsterdam em modelos
matemáticos que descrevem a dinâmica de transmissão do HIV. Desde 2006 trabalha no
Centro de Controle de Enfermedades Infecciosas do RIVM.
[578] Xiridou, M. “The contribution of steady and casual partnerships to the incidence of HIV
infection among homosexual men in Amsterdam”. [Artigo] Publicado em Revista AIDS, Vol.
17, Nº7 (2 de maio 2003). Citado em Tradición y Acción por un Perú Mayor. ¡Defendamos
la familia! Cit., p. 133.
[579] Lee, R. “Gay Couples Likely to Try Non-monogamy, Study Shows”. [Artigo] Publicado
em Washington Blade (22 de agosto de 2003). Citado em Tradición y Acción por un Perú
Mayor. ¡Defendamos la familia! Cit., p. 134.
[580] O HIV entre os homens homossexuais (gay) e bisexuais. (CDC - EEUU). Ver informe
completo no seguinte link oficial:
http://www.cdc.gov/hiv/spanish/risk/gender/hsh_factsheet.html
[581] Este número surge da soma tanto de homossexuais convencionais como em sua
versão transsexual.
[582] ONUSIDA. “Epidemia de VIH/SIDA en América Latina. Avance de resumen UNGASS
2011”. Ver informe completo no seguinte link oficial: http://onusida-latina.org/es/sobre-
onusida2/52-epidemia-de-vihsida-en-america-latina.html
[583] “Síntesis sobre la epidemia del VIHsida en Argentina”. Ministério da Saúde.
Presidência da Nação. Ver informe completo no seguinte link oficial:
http://www.msal.gob.ar/sida/index.php/comunicacion/informacion-para-periodistas/sintesis-
epidemiologica
[584] Bourne, L. “UK study shows massive surge in deadly STDs among gay men”. [Artigo]
Publicado em Life Site News (25 de junho de 2015). Ver informe completo em:
https://www.lifesitenews.com/news/uk-study-shows-massive-surge-in-deadly-stds-among-
gay-men
[585] http://www.isciii.es/
[586] Dados do ano de 2010 comunicados pelo Centro Sandoval de Madri (especializado
em ETS).
[587] “Las enfermedades de transmisión sexual se elevan al perderse el miedo al VIH”. [Artigo]
publicado no jornal El País, da Espanha. (13 de fevereiro de 2012). Ver notícia completa em:
http://sociedad.elpais.com/sociedad/2012/02/13/actualidad/1329147083_794280.html
[588] ACI Prensa. “Nueva enfermedad de transmisión sexual afecta a homosexuales y
bisexuales”. Ottawa, 6 de junho de 2005. Ver informe completo em:
https://www.aciprensa.com/noticias/nueva-enfermedad-de-transmision-sexual-afecta-a-
homosexuales-y-bisexuales/
[589] ACI/EWTN Noticias. “Gays sufren más adicciones y problemas psicológicos, revela
estudio del gobierno de Estados Unidos”. Atlanta, 16 de julho de 2014. Ver informe
completo no seguinte link do CDC: http://www.cdc.gov/nchs/data/nhsr/nhsr077.pdf
[590] A pesquisa em questão se refere a adultos com idades oscilantes entre os 18 e 64
anos.
[591] Para ler o texto completo do informe (em inglês), pode-se ingresar em: National
Health Statistics Report. Sexual Orientation and Health Among U.S. Adults: National Health
Interview Survey, 2013 by Brian W. Ward, Ph.D.; James M. Dahlhamer, Ph.D.; Adena M.
Galinsky, Ph.D.; and Sarah S. Joestl, Dr.P.H., Division of Health Interview Statistics.
http://www.cdc.gov/nchs/data/nhsr/nhsr077.pdf
[592] Whitehead, N. “Homosexuality and Mental health Problems”.
www.narth.com/docs/whitehead.html (citando 3 palestras com comentários de Archives of
General Psychiatry, uma revista de reconhecido prestígio médico. Um comentário diz: "la
fuerza de los nuevos estudios es su grado de control".)
[593] Traditional Values Coalition. “Domestic Battering” (2002). Ver informe completo em:
http://traditionalvalues.org/pdf_files/DomesticBattering.pdf
[594] “Suicidal behaviors in homosexual and bisexual males”. Ver informe no seguinte link
oficial: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9141776
[595] Palacios, R. Ob. Cit., p. 140.
[596] Lantigua, I.F. “Yo jugué a la ruleta rusa del sida”. [Notícia jornalística] publicado em
Diario El Mundo, Madri, 7 de março de 2010. Ver notícia completa no seguinte link:
http://www.elmundo.es/elmundosalud/2010/03/05/hepatitissida/1267808100.html
[597] Schlatter, J.; Irala, J.; Escamilla, I. Ob. Cit., p. 3:69-79
[598] “Lobby gay admite los riesgos de la vida homosexual… y pide más financiación por
ello”. [Informe] Citado por Forum Libertas, baseado em relatório canadense elaborado pela
junta médica Rainbow Health, que por sua vez trabalha a favor do lobby gay. Ver informe
completo em: http://www.forumlibertas.com/lobby-gay-admite-los-riesgos-de-la-vida-
homosexualy-pide-ms-financiacin-por-ello/
[599] ACI. “Estilo de vida homosexual reduce más años de vida... que fumar”. Filadelfia, 11
de Abril de 2007 Ver link completo: https://www.aciprensa.com/noticias/estilo-de-vida-
homosexual-reduce-mas-anos-de-vida-que-fumar/
[600] Infonews. “Según la OMS, la esperanza de vida en Argentina aumentó un promedio
de tres años”. [Informe jornalístico] citado em Infonews, 19 de mayo 2014. Segundo o novo
informe de Estatísticas Sanitárias Mundiais 2014 da Organização Mundial da Saúde
(OMS), que recompilou dados mundiais correspondentes ao período comprendido entre
1990 e 2012, a expectativa de vida na Argentina aumentou uma média de três aNos.
Informe citado em Infonews, 19 de maio 2014.Ver paper completo em:
http://www.infonews.com/nota/144771/segun-la-oms-la-esperanza-de-vida-en-argentina
[601] TELAM. “Advierten que la expectativa de vida para trans es de 35 años”. [Artigo
jornalístico] Citado em Diario de Cuyo. Ver informe completo em:
http://www.diariodecuyo.com.ar/home/new_noticia.php?noticia_id=622535
[602] “Del día en que la Iglesia excomulgó a los comunistas”. Ver notícia e texto completo
do Decreto em: http://www.religionenlibertad.com/del-dia-en-que-la-iglesia-excomulgo-a-
los-comunistas-33364.htm
[603] “Lula defiende unión de homosexuales en Brasil”. O presiente brasileiro defendeu a
união civil entre pessoas do mesmo sexo e em uma entrevista televisiva afirmou que temos
que parar com a hipocrisia. [Artigo] publicado no jornal La Tercera do Chile, Setembro de
2008. Ver notícia completa no seguinte link:
http://www.latercera.com/contenido/24_52250_9.shtm
[604] Emol.com. “Bachelet a favor del matrimonio homosexual y el aborto terapéutico”. A
ex-Chefe de Estado comentou questões de valores durante sua primeira entrevista
televisada. [Artículo Periodístico] publicado en Sitio Online de Noticias Emol.com, 15 de
abril de 2013. Ver notícia completa em:
http://www.emol.com/noticias/nacional/2013/04/15/593443/bachelet-en-frente-al-
espejo.html
[605] “Rafael Correa aprueba uniones de hecho homosexuales luego de almuerzo con
Silueta X”. Ver filme no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=B9FZnecty9k
[606] Montevideo Portal. “Reconocer el consumo de marihuana y el matrimonio
homosexual es solamente ‘ver la realidad’” disse José Mujica na Costa Rica, onde criticou
a falta de progresso na Latinoamérica apesar dos “discursos de irmandade”. [Artigo
jornalístico] publicado no portal de notícias Montevideo Portal, 20 de agosto de 2015. Ver
link completo em: http://www.montevideo.com.uy/auc.aspx?281620
[607] “Fidel políticamente correcto: pidió perdón por la homofobia”. [Artigo jornalístico]
Publicado no Portal Infobae, em 31de agosto de 2010. Ver notícia completa em:
http://www.infobae.com/2010/08/31/1007865-fidel-politicamente-correcto-pidio-perdon-la-
homofobia
[608] No próximo livro abordaremos, entre outros tópicos, o Indigenismo, ambientalismo,
direito-humanismo, garanto/abolicionismo e outros itens usados pelo progressismo cultural
hoje em voga na nova revolução silenciosa.