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terça-feira, 16 de dezembro de 2008 16:48

Negros são maioria nas favelas, aponta estudo do Ipea

Da Agência Brasil

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Apesar de reconhecer que nos últimos 15 anos houve uma melhoria nas condições de
habitação no Brasil, a pesquisaRetrato das Desigualdades de Gênero e Raça,
divulgada nesta terça-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada),
aponta que ainda é perceptível a diferença entre negros e brancos, especialmente no
que diz respeito aos domicílios localizados em assentamentos subnormais, ou seja,
favelas e assemelhados.

Entre 1993 e 2007, o percentual de residências que se encontravam em favelas ou


semelhantes passou de 3,2% para 3,6%. É um percentual considerado baixo, mas que
representa um universo de 2 milhões de domicílios, ou pelo menos 8 milhões de
pessoas.

Considerando a distribuição de acordo com o chefe da família, tem-se que 40,1%


dessas casas são chefiadas por homens negros, 26% por mulheres negras, 21,3% por
homens brancos e 11,7% por mulheres brancas. De acordo com o estudo, essa
distribuição mostra a predominância da população negra em favelas, o que reforça a
sua maior vulnerabilidade social.

Outro ponto analisado, referente à condição de habitabilidade da população, é o


adensamento excessivo, ou seja, o númeromuito grande de pessoas na residência. Os
valores são considerados baixos (5% em 2007) e vêm se reduzindo (eram 10% em
1993). No entanto, também nesse aspecto é marcante a desigualdade de raça e
gênero.

Se apenas 3% dos domicílios chefiados por brancos se encontram nessa situação,


entre as famílias com chefes negros o percentual mais que dobra, chegando a 7%.
Também são mais comuns os domicílios excessivamente habitados quando é o
homem quem chefia: 5,1% contra 4,5% nas famílias chefiadas por mulheres.

No que diz respeito a acesso de serviços básicos, os dados da pesquisa mostram que
98% dos domicílios urbanos já contam com coleta de lixo, um crescimento da cobertura
que já era considerada alta em 1993, com 85%.

Não chega a ser observada uma diferença significativa entre as residências chefiadas
por homens ou mulheres. Já entre as famílias chefiadas por negros e brancos, a
diferença é de três pontos percentuais (96,7% e 99%, respectivamente). No entanto, o
aumento da cobertura do serviço de coleta foi mais intenso entre as famílias negras (21
pontos percentuais) e também as que estão em situação de pobreza (25 pontos).

O serviço que oferece a menor cobertura populacional é o de esgoto sanitário, apesar


de ter crescido quase 13 pontos no período analisado pelo estudo, chegando a um
percentual de 82,3% dos domicílios. Ao contrário do que ocorre com a coleta de lixo, as
diferenças entre famílias negras e brancas são mais visíveis. Se entre as primeiras a
cobertura era de 76% em 2007, nas outras era de 88%.

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