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NORMA ABNT NBR

BRASILEIRA 16920-1
Primeira edição
19.01.2021

Muros e taludes em solos reforçados


Parte 1: Solos reforçados em aterros
Walls and slopes in reinforced soils
Part 1: Reinforced soils in fills
Exemplar para uso exclusivo - Código identificador #458950@461384# (Pedido 782511 Impresso: 23/01/2021)

ICS 93.020 ISBN 978-65-5659-750-8

Número de referência
ABNT NBR 16920-1:2021
45 páginas

© ABNT 2021
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ABNT NBR 16920-1:2021

Sumário Página

Prefácio...............................................................................................................................................vii
Introdução............................................................................................................................................ix
1 Escopo.................................................................................................................................1
2 Referências normativas......................................................................................................1
3 Termos e definições............................................................................................................2
4 Conceito de solo reforçado................................................................................................5
5 Elementos de reforço..........................................................................................................5
5.1 Generalidades......................................................................................................................5
5.2 Metálicos..............................................................................................................................6
5.2.1 Tira metálica........................................................................................................................6
5.2.2 Tela metálica soldada.........................................................................................................7
5.2.3 Malha metálica tecida.........................................................................................................7
5.3 Geossintéticos.....................................................................................................................7
5.3.1 Geotêxtil...............................................................................................................................7
5.3.2 Geogrelha.............................................................................................................................7
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5.3.3 Geotira..................................................................................................................................7
5.4 Resistência à tração disponível de reforço geossintético e de malha
metálica tecida.....................................................................................................................7
5.5 Interação solo-elementos de reforço................................................................................8
5.6 Recebimento dos reforços na obra...................................................................................8
6 Paramentos e formas construtivas...................................................................................9
7 Material de aterro................................................................................................................9
8 Investigação geológica-geotécnica.................................................................................10
9 Fundação...........................................................................................................................10
10 Dimensionamento.............................................................................................................10
10.1 Documentos do projeto....................................................................................................10
10.2 Fatores de segurança....................................................................................................... 11
10.2.1 Método do fator de segurança global............................................................................. 11
10.2.2 Método dos fatores de segurança parciais.................................................................... 11
10.3 Combinações de ações e critérios de segurança.......................................................... 11
10.3.1 Método do fator de segurança global............................................................................. 11
10.3.2 Método de fatores de segurança parciais.......................................................................12
10.4 Estabilidade externa.........................................................................................................12
10.4.1 Capacidade de suporte do solo de fundação.................................................................12
10.4.2 Deslizamento na base.......................................................................................................12
10.4.3 Tombamento......................................................................................................................12
10.5 Estabilidade interna..........................................................................................................12
10.6 Estabilidade geral..............................................................................................................13
10.7 Verificação da conexão do reforço com o paramento...................................................14
11 Deslocamentos e deformações.......................................................................................14
12 Monitoramento de obras..................................................................................................15

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13 Sistemas de drenagem.....................................................................................................15
13.1 Sistema de drenagem interna..........................................................................................15
13.2 Sistema de drenagem externa ou superficial.................................................................15
14 Aspectos construtivos......................................................................................................16
14.1 Instalação e disposição dos reforços.............................................................................16
14.2 Drenagem superficial provisória.....................................................................................16
14.3 Execução e controle do aterro.........................................................................................16
14.3.1 Generalidades....................................................................................................................16
14.3.2 Controle da qualidade e critérios de aceitação do aterro.............................................17
Anexo A (informativo) Recomendações gerais para materiais de aterro.......................................18
A.1 Princípio.............................................................................................................................18
Anexo B (informativo) Controle estatístico da execução do aterro compactado..........................20
B.1 Valores testados................................................................................................................20
B.2 Cálculo estatístico.............................................................................................................20
B.2.1 Média aritmética da amostra  ( X ) .....................................................................................20
B.2.2 Desvio-padrão da amostra (S).........................................................................................20
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B.3 Parâmetros de aceitação..................................................................................................20


B.3.1 Grau de compactação.......................................................................................................20
B.3.2 Desvio de umidade............................................................................................................21
Anexo C (normativo) Requisitos de segurança para estabilidade geral........................................22
C.1 Princípio.............................................................................................................................22
C.2 Requisitos mínimos de estabilidade geral......................................................................22
Anexo D (normativo) Sistemas de muros em solos reforçados com paramento em placas
de concreto e reforços com tiras de aço........................................................................24
D.1 Princípio.............................................................................................................................24
D.2 Descrição dos componentes construtivos.....................................................................24
D.3 Características dos materiais para o dimensionamento...............................................24
D.3.1 Solo do aterro reforçado..................................................................................................24
D.3.1.1 Seleção de materiais de aterro para muros de solo reforçado com reforços
em aço................................................................................................................................26
D.3.1.2 Critérios geotécnicos........................................................................................................26
D.3.1.3 Critérios químicos e eletroquímicos...............................................................................28
D.3.2 As armaduras de reforço em aço....................................................................................29
D.3.3 Paramento em escamas pré-moldadas...........................................................................29
D.4 Pré-dimensionamento.......................................................................................................30
D.4.1 Notações utilizadas...........................................................................................................30
D.4.2 Comprimento de armaduras, em função da altura mecânica H...................................31
D.4.2.1 Seções transversais retangulares...................................................................................31
D.4.2.2 Seções transversais não retangulares............................................................................31
D.5 Estabilidade interna..........................................................................................................32
D.5.1 Distribuição dos esforços de tração nas armaduras.....................................................32
D.5.2 Cálculo do esforço máximo de tração Tmáx. em cada nível de reforço.......................33
D.5.3 Verificação das armaduras à tração................................................................................34

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D.5.4 Verificação das armaduras à aderência..........................................................................35


D.6 Disposições construtivas.................................................................................................36
D.6.1 Ficha e banqueta de pé.....................................................................................................36
D.6.2 Soleiras..............................................................................................................................36
D.6.3 Material de aterro..............................................................................................................36
D.6.4 Montagem..........................................................................................................................37
D.6.5 Emendas de armaduras de aço.......................................................................................37
D.6.6 Desvios na instalação das armaduras em relação ao paramento................................37
D.7 Qualidade dos materiais...................................................................................................37
D.7.1 Armaduras e ligações.......................................................................................................37
D.7.2 Concreto.............................................................................................................................37
D.7.3 Parafusos...........................................................................................................................37
Anexo E (normativo) Sistemas de muros em solos reforçados com paramento em blocos
segmentais ou em placas de concreto de pequenas dimensões.................................38
E.1 Generalidades....................................................................................................................38
E.2 Materiais.............................................................................................................................38
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E.2.1 Reforço...............................................................................................................................38
E.2.2 Blocos................................................................................................................................39
E.2.3 Face em placas de pequenas dimensões.......................................................................39
E.2.4 Conexão entre a face e o reforço.....................................................................................39
Anexo F (normativo) Sistemas de muros em solos reforçados com face
de malha ou tela metálica.................................................................................................40
F.1 Generalidades....................................................................................................................40
F.2 Materiais.............................................................................................................................40
F.2.1 Reforço...............................................................................................................................40
F.2.2 Elementos para faceamento.............................................................................................41
F.2.3 Material de preenchimento da face.................................................................................41
Anexo G (normativo) Sistemas de muros em solos reforçados com face envelopada................43
G.1 Generalidades....................................................................................................................43
G.2 Materiais.............................................................................................................................43
G.2.1 Reforço...............................................................................................................................43
G.2.2 Face em formas perdidas.................................................................................................43
G.2.3 Face em formas removíveis.............................................................................................44
G.2.4 Envelopamento da face....................................................................................................44
G.3 Proteção definitiva da face...............................................................................................44
Bibliografia..........................................................................................................................................45

Figuras
Figura 1 – Definição de zonas ativa e resistente.............................................................................13
Figura 2 – Superfície crítica passando por trás do muro ou talude em solo reforçado, sem que
os reforços tenham influência no fator de segurança...................................................13

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Figura 3 – Superfície crítica passando por dentro do muro ou talude em solo reforçado,
quando a superfície crítica de ruptura intercepta todos os elementos de reforço,
com todos os reforços contribuindo no cálculo do fator de segurança.....................14
Figura 4 – Superfície crítica interceptando parcialmente o muro ou talude em solo reforçado,
em pelo menos uma camada de reforço.........................................................................14
Figura D.1 – Variação do coeficiente de atrito solo-armadura f * com a profundidade...............26
Figura D.2 – Seção típica...................................................................................................................30
Figura D.3 – Comprimentos de armaduras mínimos a serem adotados......................................31
Figura D.4 – Comprimentos de armaduras mínimos a serem adotados
em seções transversais não retangulares......................................................................32
Figura D.5 – Distribuição dos esforços de tração ao longo das armaduras................................33
Figura D.6 – Linha de trações máximas...........................................................................................34
Figura D.7 – Ficha, soleira e banqueta de pé..................................................................................36
Figura E.1 – Elementos do sistema de muros em solos reforçados com paramento em blocos
segmentais ou em placas de concreto de pequenas....................................................38
Figura F.1 – Muros e taludes de solo reforçado com face em malha metálica e face
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em tela metálica.................................................................................................................40
Figura F.2 – Elemento de face e reforço metálico contínuos, em peça única..............................42
Figura G.1 – Envelopamento com sacarias preenchidas no local................................................43
Figura G.2 – Envelopamento com fôrmas removíveis....................................................................44

Tabelas
Tabela 1 – Ensaios mínimos para caracterização do material do aterro........................................9
Tabela 2 – Fatores de segurança mínimos para métodos de fator de segurança global............ 11
Tabela 3 – Critérios de compactação de aterros para solos reforçados......................................17
Tabela A.1 – Materiais de aterro recomendados para maciços de solo reforçado em função
do tipo de aplicação, do tipo de reforço e do tipo de paramento.................................18
Tabela B.1 – Valores dos coeficientes de confiança K e K1...........................................................21
Tabela C.1 – Nível de segurança desejado contra a perda de vidas humanas............................22
Tabela C.2 – Nível de segurança desejado contra danos materiais e ambientais.......................23
Tabela C.3 – Fatores de segurança mínimos para estabilidade geral...........................................23
Tabela D.1 – Critérios mecânicos para selção do material de aterro para
armaduras nervuradas......................................................................................................27
Tabela D.2 – Critérios mecânicos para seleção do material do aterro para armaduras lisas.....28
Tabela D.3 – Valores da espessura total de sacrifício “es”............................................................29
Tabela E.1 – Recomendação de resistência mínima à compressão dos blocos da face............39

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ABNT NBR 16920-1:2021

Prefácio

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Foro Nacional de Normalização. As Normas


Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos
de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais (ABNT/CEE), são
elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas pelas partes interessadas no tema objeto
da normalização.

Os Documentos Técnicos ABNT são elaborados conforme as regras da ABNT Diretiva 2.

A ABNT chama a atenção para que, apesar de ter sido solicitada manifestação sobre eventuais direitos
de patentes durante a Consulta Nacional, estes podem ocorrer e devem ser comunicados à ABNT
a qualquer momento (Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996).

Os Documentos Técnicos ABNT, assim como as Normas Internacionais (ISO e IEC), são voluntários
e não incluem requisitos contratuais, legais ou estatutários. Os Documentos Técnicos ABNT não
substituem Leis, Decretos ou Regulamentos, aos quais os usuários devem atender, tendo precedência
sobre qualquer Documento Técnico ABNT.
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Ressalta-se que os Documentos Técnicos ABNT podem ser objeto de citação em Regulamentos
Técnicos. Nestes casos, os órgãos responsáveis pelos Regulamentos Técnicos podem determinar
as datas para exigência dos requisitos de quaisquer Documentos Técnicos ABNT.

A ABNT NBR 16920-1 foi elaborada no Comitê Brasileiro de Construção Civil (ABNT/CB-002), pela
Comissão de Estudo de Muros e Taludes em Solo Reforçado (CE-002:152.016). O Projeto circulou em
Consulta Nacional conforme Edital nº 10, de 23.10.2020 a 23.11.2020.

A ABNT NBR 16920-1:2020 não se aplica aos projetos de construção que tenham sido protocolados
para aprovação no órgão competente pelo licenciamento anteriormente à data de sua publicação
como Norma Brasileira, nem àqueles que venham a ser protocolados no prazo de até 180 dias após
esta data.

A ABNT NBR 16920-1 cancela e substitui a ABNT NBR 19286:2016.

A ABNT NBR 16920, sob o título geral “Muros e taludes em solos reforçados”, tem previsão de conter
as seguintes partes:

— Parte 1: Solos reforçados em aterros;

— Parte 2: Solos grampeados.

O Escopo em inglês da ABNT NBR 16920-1 é o seguinte:

Scope
This Part of ABNT NBR 16920 specifies the requirements for the design and construction of walls and
slopes in continuous reinforced soil, and may be applied, in specific cases, to fills of recycled materials.

This Part of ABNT NBR 16920 does not apply to walls with passive anchorages such as deadmen.anchors.

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ABNT NBR 16920-1:2021

This Part of ABNT NBR 16920 does not apply to cases of foundation reinforcement of embankments
over soft soil.

NOTE 1 In recognition of the fact that geotechnical engineering is not an exact science and that risks are
inherent to each and every activity that involves nature phenomena or materials, the technical criteria and
procedures of this Part of ABNT NBR 16920 attempts to reflect the balance among technical, economical,
safety and reliability requirements usually accepted by society at the time of its publication. In civil projects
that involve soil and rock mechanics, the qualified professional competent in Geotechnical Engineering is the
professional capable of achieving the proper aforementioned numerical balance.

NOTE 2 Different solutions, not described in this Part of ABNT NBR 16920 but in which there is only demonstrated
soil-reinforcement interaction, may be employed with the necessary adaptations to concepts and principles
presented herein.
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ABNT NBR 16920-1:2021

Introdução

Desde que adequadamente compactados, os solos apresentam boa resistência à compressão e ao


cisalhamento. No entanto, sua resistência à tração é baixa. A introdução no maciço de elementos
que possuam elevada resistência à tração restringe as deformações que se desenvolvem no maciço
devido ao peso próprio do solo, associado ou não à aplicação de carregamento externo. Nas estruturas
de solo reforçado, o processo de transferência de esforços para os elementos resistentes à tração
ocorre pela interação entre o solo e as inclusões de reforço.

Os elementos de reforço são capazes de resistir aos esforços e às deformações no interior do maciço
e apresentam adequada resistência à degradação, quando enterrados. O reforço pode ter naturezas
diversas como fitas, tiras, barras, grelhas ou malhas metálicas, geossintéticos (geogrelhas, geotêxteis
ou geotiras) e outros.

Os princípios fundamentais de reforço tratados nesta Parte da ABNT NBR 16920 se aplicam a qualquer
sistema de solos reforçados em aterros, independentemente do tipo de reforço adotado. Entretanto,
o dimensionamento do reforço propriamente dito e os detalhes construtivos e de face são função das
características individuais de cada material.
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Muros e taludes em solos reforçados


Parte 1: Solos reforçados em aterros

1 Escopo
Esta Parte da ABNT NBR 16920 especifica os requisitos de projeto e execução de muros e taludes em
meios terrosos contínuos reforçados e aterros com materiais reciclados em casos específicos.

Esta Parte da ABNT NBR 16920 não se aplica a muros com ancoragens passivas tipo “morto”.

Esta Parte da ABNT NBR 16920 não se aplica em casos de reforço de fundação de aterros sobre
solos moles.

NOTA 1 Reconhecendo que a engenharia geotécnica não é uma ciência exata e que riscos são inerentes
a toda e qualquer atividade que envolva fenômenos ou materiais da natureza, os critérios técnicos e procedimentos
constantes nesta Parte da ABNT NBR 16920 procuram traduzir o equilíbrio entre condicionantes técnicos,
econômicos e de segurança usualmente aceitos pela sociedade na data de sua publicação. Nos projetos civis que
envolvem mecânica dos solos e mecânica das rochas, o profissional habilitado com competência em engenharia
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geotécnica é o profissional capacitado a dar tratamento numérico ao equilíbrio mencionado.

NOTA 2 Outras soluções de solo reforçado em que haja comprovadamente apenas interação solo-reforço,
não descritas nesta Parte da ABNT NBR 16920 podem ser utilizadas com as adaptações que sejam necessárias,
a partir dos conceitos e princípios apresentados.

2 Referências normativas
Os documentos a seguir são citados no texto de tal forma que seus conteúdos, totais ou parciais, constituem
requisitos para este Documento. Para referências datadas, aplicam-se somente as edições citadas. Para
referências não datadas, aplicam-se as edições mais recentes do referido documento (incluindo emendas).

ABNT NBR 5739, Concreto – Ensaios de compressão de corpos de prova cilíndricos

ABNT NBR 6323, Galvanização por imersão a quente de produtos de aço e ferro fundido – Especificação

ABNT NBR 6457, Amostras de solo – Preparação para ensaios de compactação e ensaios de caracterização

ABNT NBR 6459, Solo – Determinação do limite de liquidez

ABNT NBR 6458, Grãos de pedregulho retidos na peneira 4,8 mm – Deteminação da massa específica,
da massa específica aparente e da absorção de água

ABNT NBR 7180, Solo – Determinação do limite de plasticidade

ABNT NBR 7181, Solo – Análise granulométrica

ABNT NBR 7182, Solo – Ensaio de compactação

ABNT NBR 7185, Solo – Determinação da massa específica aparente, in situ, com emprego do frasco
de areia

ABNT NBR 9062, Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado

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ABNT NBR 16920-1:2021

ABNT NBR 9895, Solo – Índice de suporte Califórnia (ISC) – Método de ensaio

ABNT NBR 9917, Agregados para concreto – Determinação de sais, cloretos e sulfatos solúveis

ABNT NBR 9981, Parafuso sextavado de alta resistência para uso estrutural – Dimensões

ABNT NBR 12102, Solo – Controle de compactação pelo método de Hilf – Método de ensaio

ABNT NBR ISO 6892-1, Materiais metálicos – Ensaio de tração – Parte 1: Método de ensaio à temperatura
ambiente

ABNT NBR ISO 10319, Geossintéticos – Ensaio de tração faixa larga

ABNT NBR ISO 10320, Geotêxteis e produtos correlatos – Identificação na obra

BS 1377-3, Methods of test for soils for civil engineering purposes – Chemical and electro-chemical tests

3 Termos e definições
Para os efeitos deste documento, aplicam-se os seguintes termos e definições.
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3.1
ações excepcionais
ações decorrentes de causas como impactos no paramento, explosões, incêndios e enchentes

3.2
ações permanentes
ações que ocorrem com valores constantes ou pouco variáveis em torno de sua média durante praticamente
toda a vida da construção

3.2.1
ações permanentes diretas
ações com os pesos próprios dos elementos da construção, incluindo-se o peso próprio da estrutura
e de todos os elementos construtivos permanentes, os pesos dos equipamentos fixos e os empuxos
devidos ao peso próprio de terras não removíveis e de outras ações permanentes sobre elas aplicadas

3.2.2
ações permanentes indiretas
ações referentes aos recalques de apoio e à retração dos materiais

3.3
ações variáveis
ações que ocorrem com valores que apresentam variações significativas em torno de sua média durante
a vida da construção

3.3.1
ações variáveis especiais
cargas de vento e de variações de temperatura

3.3.2
ações variáveis normais
cargas acidentais das construções, sobrecargas operacionais, efeitos de forças de frenagem, impacto
em defensas e guarda-corpos, pressões hidrostáticas e pressões hidrodinâmicas

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3.4
aterro
material natural ou artificial utilizado como elemento construtivo em obras de solo reforçado

3.5
deformação característica do reforço geossintético e da malha metálica tecida
deformação na resistência à tração característica assegurada pelo fornecedor com nível de confiança
mínimo de 95 % de não ser ultrapassada

3.6
elemento de reforço em muros e taludes em solo reforçado em aterros
inclusão, linear ou planar, resistente à tração, incorporada em um maciço de aterro, em camadas, durante
o processo construtivo, para melhorar o comportamento mecânico do solo

NOTA O reforço pode ser metálico (aço) ou polimérico (geossintéticos).

3.7
esforços resistentes
esforços disponíveis no maciço em razão da sua resistência, tanto própria quanto das inclusões
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3.8
esforços solicitantes
são os esforços sobre o maciço devidos a ações permanentes, variáveis ou excepcionais

3.9
estado-limite
qualquer condição a partir da qual a construção passa a apresentar desempenho inadequado para
atender às suas finalidades

3.10
estados-limite de serviço (ELS)
estados-limite nos quais a inadequação decorre de deformações e deslocamentos que comprometem
as condições de utilização da construção

3.11
estados-limite últimos (ELU)
estados-limite nos quais a inadequação decorre de colapso ou qualquer forma de perda de estabilidade
que determine a paralisação do uso da construção

3.12
fator de interação
relação entre a resistência ao cisalhamento da interface entre o solo e o reforço e a resistência ao
cisalhamento do solo

3.13
fator de redução
fator pelo qual a resistência à tração característica do reforço geossintético e da tela metálica tecida é
dividida a fim de se obter a resistência à tração disponível

NOTA 1 O fator de redução está associado a efeitos conhecidos que minoram a resistência do reforço ao longo
da sua vida de serviço como fluência, danos de instalação, danos ambientais e outros.

NOTA 2 O fator de redução não pode ser confundido com fator de segurança.

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3.14
geocomposto para reforço
estrutura formada pela associação de geossintéticos não similares desenvolvida para reforço

3.15
geogrelha
estrutura polimérica planar constituída por uma malha aberta e regular de elementos resistentes à tração
que podem ser unidos por extrusão, solda ou entrelaçamento

3.16
geossintético
termo genérico para designar um produto no qual no mínimo um de seus componentes é produzido
a partir de um polímero sintético ou natural

NOTA O geossintético se apresenta na forma de manta, tira ou estrutura tridimensional, utilizado em contato
com o solo ou outros materiais, em aplicações da engenharia geotécnica e civil.

3.17
geotêxtil
material têxtil plano, permeável e à base de polímero (natural ou sintético), podendo ser não tecido,
tecido ou tricotado
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3.18
geotira
produto polimérico em forma de tiras flexíveis

3.19
inclusão
elemento incorporado ou instalado em um maciço, cujas propriedades mecânicas são mobilizadas para
melhorar o comportamento do conjunto

3.20
maciço
meio terroso contínuo passível de ser reforçado por meio de inclusões

3.21
obra provisória
obra em andamento, vistoriada e com possibilidade de intervenção imediata, com vida de serviço inferior
a 2 anos a partir de seu início

3.22
paramento
face
conjunto de elementos que produzem o revestimento externo dos muros e taludes de solo reforçado
ou grampeado, podendo ter função estrutural ou não

3.23
reforço polimérico
reforço geossintético, como: geotêxtil (tecido ou não tecido), geogrelha, geotira e geobarra

3.24
resistência à tração característica do reforço geossintético e da malha metálica tecida
resistência à tração assegurada pelo fornecedor com nível de confiança mínimo de 95 % (probabilidade
não superior a 5 % de não ser atingida)

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3.25
resistência à tração disponível do reforço geossintético e da malha metálica tecida
resistência característica dividida pelos fatores de redução, calculada para as condições de projeto

3.26
resistência característica do reforço metálico em tira
força obtida a partir do valor característico da tensão de escoamento do aço (fyk) obtida em ensaio de
tração multiplicada pela seção útil

3.27
solo reforçado
sistema no qual os maciços têm sua estabilidade melhorada pela aplicação de inclusões passivas, capazes
de absorver esforços transmitidos pela interação das próprias inclusões com o material do maciço

3.28
vida de serviço
vida útil
período de tempo em que o muro ou talude em solo reforçado exerce atividades para as quais foi projetado
e construído, com atendimento aos níveis de desempenho previstos nesta Norma, considerando-se a
periodicidade e a correta execução dos processos de manutenção especificados pelo executor
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NOTA A vida útil não pode ser confundida com o prazo de garantia legal ou contratual.

4 Conceito de solo reforçado


O termo solo reforçado se refere à aplicação de reforços resistentes à tração em maciços terrosos,
de forma a se obter um compósito com melhores características mecânicas. O sistema é formado por
três elementos: solo, elementos de reforço (inclusões) e elementos de face (paramento). Esta técnica
considera a inclusão de elementos de reforço metálicos ou geossintéticos.

A inclusão de elementos metálicos ou geossintéticos no maciço confere aos muros e taludes em solo
reforçado as condições de resistência interna e estabilidade geral necessárias, limitando os deslocamentos.

Os Anexos D a G apresentam as características de sistemas construtivos usuais de muros e taludes


em solos reforçados.

5 Elementos de reforço
5.1 Generalidades

5.1.1 Os elementos de reforço podem ser do tipo metálico como tiras, grelhas soldadas, barras e malhas
ou do tipo geossintético como geotêxteis, geogrelhas, geotiras e geobarras.

Outros tipos de elementos de reforço podem ser utilizados, desde que apresentem comportamento
de tensão x deformação, resistência à tração e vida útil compatíveis com as solicitações de projeto.

O projeto deve especificar as características mínimas requeridas pelo reforço, de acordo com as premissas
de cálculo. O executor deve verificar o atendimento a essas propriedades a partir de certificação do
fabricante ou através de ensaios comprobatórios.

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5.1.2 Para reforços metálicos em tiras, barras e grelhas, devem ser especificados em projeto:

 a) o tipo de reforço metálico;

 b) a seção transversal;

 c) o tipo de aço com a tensão característica de escoamento;

 d) o tratamento superficial contra corrosão;

 e) a presença ou não de nervuras transversais;

 f) outras propriedades a critério do projetista.

5.1.3 Para reforços metálicos em malha hexagonal ou romboidal, devem ser especificados em projeto:

 a) o tipo de reforço metálico em malha;

 b) a resistência à tração característica na direção principal de tracionamento;

 c) a resistência à tração disponível na direção principal de tracionamento;


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 d) a proteção contra corrosão;

 e) o(s) fator(es) de redução considerado(s) e as condições de projeto para este(s) fator(es), conforme 5.4;

 f) o fator de interação considerado entre o solo e o reforço;

 g) outras propriedades a critério do projetista.

5.1.4 Para reforços geossintéticos, devem ser especificados em projetos:

 a) o tipo de geossintético de reforço;

 b) a resistência à tração característica na direção principal de tracionamento;

 c) a resistência à tração disponível na direção principal de tracionamento;

 d) o(s) fator(es) de redução considerado(s) e as condições de projeto para este(s) fator(es), conforme 5.4;

 e) o fator de interação considerado entre o solo e o reforço;

 f) outras propriedades a critério do projetista.

5.2 Metálicos

5.2.1 Tira metálica

A tira metálica consiste em um reforço linear na forma de barras planas de aço, de seção retangular,
com espessura mínima de 4 mm e larguras variáveis entre 40 mm e 100 mm, lisas, corrugadas ou com
nervuras transversais em ambas as faces, havendo ou não proteção de galvanização, conforme vida
útil prevista para a obra. Caso prevista, a galvanização deve atender à ABNT NBR 6323.

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5.2.2 Tela metálica soldada

A tela metálica soldada consiste em um reforço linear ou planar na forma de grelha constituído a partir
de barras de seção circular, havendo ou não proteção de galvanização, conforme vida útil prevista
para a obra. Caso prevista, a galvanização deve atender à ABNT NBR 6323. As grelhas são formadas
por barras longitudinais e barras transversais a elas soldadas, ao longo de todo o seu comprimento.

5.2.3 Malha metálica tecida

A malha metálica tecida consiste em um reforço planar, ensaiado de acordo com ABNT NBR ISO 10319,
composto por arames ou fios de aço na forma de malha hexagonal ou romboidal, galvanizadas, revestidas
ou não por material polimérico. As malhas metálicas devem ter resistência e proteção contra corrosão
compatíveis com as solicitações e vida útil de projeto.

5.3 Geossintéticos

5.3.1 Geotêxtil

O geotêxtil consiste em um produto polimérico têxtil bidimensional permeável, composto de fibras


cortadas, filamentos contínuos, monofilamentos, laminetes ou fios, formando estruturas tecidas, não
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tecidas ou tricotadas, cujas propriedades mecânicas e hidráulicas permitem que desempenhe várias
funções em uma obra geotécnica. O geotêxtil é constituído por elementos resistentes à tração, sendo
considerado unidirecional quando apresenta maior resistência à tração em uma direção e bidirecional
quando apresenta igual resistência à tração nas duas direções principais (ortogonais).

5.3.2 Geogrelha

A geogrelha consiste em um produto polimérico com estrutura em forma de grelha, com função de reforço,
cujas aberturas permitem a interação do meio em que estão confinadas, constituído por elementos
resistentes à tração, sendo considerado unidirecional quando apresenta maior resistência à tração em uma
direção e bidirecional quando apresenta resistência à tração igual nas duas direções principais (ortogonais).
Em função do processo de fabricação, as geogrelhas podem ser extrudadas, soldadas ou tecidas.

5.3.3 Geotira

A geotira consiste em um produto polimérico em forma de tiras flexíveis, com função de reforço, produzidas
geralmente a partir de feixes de filamentos sintéticos, e recobertos por um revestimento protetor.

5.4 Resistência à tração disponível de reforço geossintético e de malha metálica tecida

A resistência à tração disponível (TD) é determinada tomando como base a resistência à tração
característica do reforço (Tchar).

A Tchar é tipicamente a resistência à tração característica do reforço, com um nível de confiança mínimo
de 95 %, informada pelo fabricante e assegurada pelo fornecedor. Cabe ao fornecedor declarar e assegurar
os valores de resistência à tração característica, por meio de um sistema de qualidade assegurada pelo
fabricante ou por avaliação independente.

O fornecedor deve apresentar a curva de carga por unidade de largura versus deformação obtida
em ensaios de tração de curto prazo. Para reforços geossintéticos, o fornecedor deve disponibilizar
também a curva de carga por unidade de largura versus deformação obtida em ensaios de tração de
longo prazo (curvas isócronas).

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A resistência à tração disponível TD é obtida a partir da divisão de Tchar pelo produto dos fatores de
redução (RF) e pelo fator de incertezas (fs). Os fatores de redução incluem os efeitos de fluência, de
danos mecânicos durante a instalação, de degradação química e biológica em contato com o meio
ambiente, a saber:

— RFCR é o fator de redução devido ao efeito da fluência;

— RFID é o fator de redução devido ao efeito de danos mecânicos durante a instalação;

— RFCH é o fator de redução devido à degradação química e biológica que pode acontecer, caso
o material fique em contato com meios agressivos.

Adicionalmente aos fatores de redução, o fator de incertezas (fs) considera a variação estatística dos
fatores de redução calculados, resultando na seguinte equação:

TD = Tchar (RFCR ⋅ RFID ⋅ RFCH ⋅ fs )

O projetista pode, a seu critério, incorporar ao cálculo outros fatores de redução, caso sejam previstas
situações específicas adicionais que possam afetar a resistência do reforço, como efeitos de exposição
a intempéries (radiação UV), de cargas cíclicas, de emendas e outros.
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O projetista pode solicitar ensaios para avaliar os fatores de redução dos reforços submetidos a condições
específicas do projeto ou se valer de resultados de ensaios realizados em laboratórios idôneos ou
acreditados, disponibilizados pelo fornecedor.

Os reforços em malha metálica não estão sujeitos ao processo de fluência. Nesse caso, RFCR deve
ser igual a 1,0. Entretanto, as malhas metálicas devem ser protegidas contra a corrosão, assegurando
desempenho adequado durante a vida útil, mesmo em ambientes quimicamente agressivos aos metais.

5.5 Interação solo-elementos de reforço

Os mecanismos de interação desenvolvidos em um elemento de solo reforçado são caracterizados


pela mobilização de forças de atrito de interface e/ou resistência passiva dos elementos transversais,
ao longo do comprimento das inclusões, resultando na geração de forças de tração nos reforços.
Esses mecanismos de interação podem ser simplificados como:

 a) escorregamento do solo sobre o reforço (mecanismo de cisalhamento direto);

 b) arrancamento do reforço do solo (mecanismo de arrancamento).

5.6 Recebimento dos reforços na obra

Os produtos devem ser acompanhados dos respectivos resultados de ensaios de controle de qualidade
sob responsabilidade do fabricante, sendo imprescindíveis os resultados dos ensaios de resistência
à tração. A critério do projetista, podem ser requeridos ensaios adicionais que assegurem a adequação
do produto às especificações do projeto.

O recebimento da obra deve conferir se o material entregue está de acordo com as especificações do projeto.

Os materiais geossintéticos e as malhas metálicas devem ser identificados de acordo com a


ABNT NBR ISO 10320.

O recebimento de reforços em tiras metálicas deve atender ao Anexo D.

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6 Paramentos e formas construtivas


Os paramentos utilizados nos diversos tipos de muros e taludes de solo reforçado são parte do sistema
construtivo e fornecem proteção contra erosão do aterro compactado, tendo ou não função estrutural na
estabilidade do conjunto. São constituídos por painéis de concreto segmentados, blocos segmentados
de concreto, tela metálica soldada, elementos modulares em malha metálica, face envelopada ou outros
elementos que atendam à mesma função.

7 Material de aterro
O material a ser utilizado no aterro de estruturas em solo reforçado não pode conter turfas e argilas
orgânicas moles ou qualquer outro material inadequado ao desempenho previsto em projeto.

Os ensaios mínimos necessários para caracterização do material do aterro estão descritos na Tabela 1.

Tabela 1 – Ensaios mínimos para caracterização do material do aterro


Ensaio Norma de referência Frequência mínima
Limites de plasticidade ABNT NBR 7180 Um conjunto inicial de ensaios
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e de liquidez ABNT NBR 6459 em no mínimo três amostras


para caracterização de jazida
Granulometria ABNT NBR 7181 e sempre que houver uma
Massa específica dos grãos ABNT NBR 6458 mudança tátil visual
de material do aterro
Umidade natural ABNT NBR 6457
Ensaio de compactação ABNT NBR 7182
De acordo as especificações
Expansão ABNT NBR 9895
técnicas do projeto
De acordo com De acordo com as especificações
Ensaios para obtenção de as especificações técnicas do projeto
parâmetros de resistência técnicas do projeto
ao cisalhamento (ver recomendações do Anexo A)
(ver recomendações do Anexo A)

Em caso de conhecimento do local da jazida, os ensaios apresentados na Tabela 1 devem ser executados
previamente ao projeto. No caso de desconhecimento do local da jazida, os parâmetros geotécnicos
adotados pelo projeto devem ser confirmados através dos ensaios apresentados na Tabela 1, na fase
de execução da obra.

O projetista deve indicar o tipo de ensaio mais adequado para determinação da resistência e da expansão
do solo.

Solos expansivos podem gerar desempenho insatisfatório e seu emprego não é recomendado no corpo
do aterro reforçado. Sua utilização, em casos especiais, depende da avaliação, por parte do projetista,
da intensidade da expansibilidade e das consequências para o comportamento do maciço. Para tanto,
o projetista pode especificar ensaios especiais.

Solos lateríticos podem apresentar comportamento favorável mesmo não se enquadrando nos critérios
granulométricos do Anexo A. Sua utilização deve ser avaliada por meio de ensaios específicos.

Fica a critério do projetista ou executor a definição de ensaios e investigações complementares.

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8 Investigação geológica-geotécnica
O perfil geológico-geotécnico obtido a partir das investigações do terreno, constando de no mínimo
sondagens à percussão ou mistas, e compreendendo as camadas do solo e/ou rochas, constitui um
elemento mandatório para o estudo/projeto.

A ocorrência de solos moles, colapsíveis, expansivos, dispersivos ou cársticos deve ser avaliada na fase
de projeto e confirmada na fase de execução.

O proprietário deve identificar as interferências físicas que possam afetar a tensão admissível ou tensão
resistente de cálculo para avaliação pelo projetista.

9 Fundação
O projeto deve especificar a tensão admissível necessária no terreno de fundação. A inspeção e a liberação
do terreno de fundação devem ser feitas por profissional habilitado com competência em Engenharia
Geotécnica.

A escolha do sistema construtivo mais adequado deve considerar os recalques de fundação estimados,
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uma vez que cada sistema tem capacidade de absorver níveis diferentes de deformação.

Caso o solo de fundação não apresente características adequadas para apoio direto, devem ser adotadas
medidas complementares para aumentar a segurança e melhorar o desempenho da obra como troca
ou melhoria de solos, fundações profundas, entre outras.

10 Dimensionamento
Existem diversas filosofias para dimensionamento, citando como exemplo, métodos de homogeneização,
métodos de equilíbrio limite, métodos sob condição de trabalho, modelagem explícita do maciço reforçado,
entre outros.

Os métodos de homogeneização supõem que o solo seja reforçado com inclusões pouco espaçadas,
comportando-se, macroscopicamente, como um material composto homogêneo e anisotrópico. Os métodos
de equilíbrio limite são técnicas que consideram uma situação de ruptura, por meio de uma superfície
cinemática ou de plastificação conhecida, onde é realizado um equilíbrio de esforços solicitantes e forças
resistentes. Os métodos sob condições de trabalho consideram tanto as tensões como as deformações
que são previstas na estrutura de solo reforçado. A modelagem numérica explícita do maciço reforçado
analisa a distribuição de tensões e deformações em muros de solos reforçados, podendo simular geometrias
complexas, métodos construtivos, propriedades constitutivas do solo, do reforço e da interface.

Fica a critério do projetista definir o método de análise que melhor se adapte às condições de contorno
impostas e aos esforços solicitantes ao muro ou talude em solo reforçado, bem como ao controle que
deve ser aplicado à obra e ao longo de sua vida útil.

10.1 Documentos do projeto

O projeto deve conter o memorial de cálculo e os respectivos desenhos executivos, com as informações
técnicas necessárias para o entendimento e execução da obra.

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10.2 Fatores de segurança

Para verificação das condições de estabilidade dos muros e taludes em solo reforçado, podem ser
adotados métodos utilizando fator de segurança global ou fatores de segurança parciais.

10.2.1 Método do fator de segurança global

Método em que a relação entre os esforços resistentes (R) e os esforços solicitantes (S) é expressa por
um único fator de segurança global (FSg), para as verificações de cada mecanismo de estabilidade, onde:

R ≥ S ⋅ FSg

10.2.2 Método dos fatores de segurança parciais

Método em que os esforços resistentes (R) são divididos por fatores de minoração  (γ m )  e os esforços
solicitantes (S) são multiplicados por fatores de ponderação  (γ f ) , onde:

R
≥ S ⋅γ f
γm
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10.3 Combinações de ações e critérios de segurança

10.3.1 Método do fator de segurança global

Compõem os esforços solicitantes e os carregamentos devidos a ações permanentes, variáveis e


excepcionais, conforme definidas na Seção 3.

As verificações de segurança devem considerar os esforços solicitantes devidos a ações permanentes


diretas e ações variáveis normais, utilizando os critérios de segurança especificados nesta Norma,
conforme os fatores de segurança mínimos da Tabela 2.

Nas análises de estabilidade geral, pressupõe-se que toda a contribuição do reforço ocorre no sentido
de aumentar as forças resistentes (no numerador da expressão do fator de segurança).

Tabela 2 – Fatores de segurança mínimos para métodos de fator de segurança global


Estabilidade Mecanismo Subseção Fator de segurança global mínimo
Tensão admissível da fundação a 10.4.1 2,0 no bordo mais carregado
Externa Deslizamento 10.4.2 1,5
Tombamento 10.4.3 2,0
Ruptura estrutural do reforço 10.5 1,5
Interna
Arrancamento do reforço 10.5 1,5
Geral – 10.6 ver Anexo C
Conexão com
– 10.7 1,5
o paramento
a No caso de tratamento de fundação, cabe ao projetista apresentar a justificativa de fator de segurança adotado.

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ABNT NBR 16920-1:2021

Adicionalmente, a critério do projetista, ações permanentes indiretas, ações variáveis especiais, ações
excepcionais e outras podem ser consideradas segundo critérios de segurança justificados pelo projetista.

Para obras de caráter provisório, os fatores de segurança podem ser reduzidos a critério do projetista,
desde que devidamente justificado, considerando-se o valor mínimo de 1,20.

10.3.2 Método de fatores de segurança parciais

Os dimensionamentos e as verificações de cálculo nesta Norma podem ser executados, a critério do


projetista, pelo método do estado-limite último, com a aplicação de fatores de ponderação (majoração
ou minoração) das ações e de fatores de redução (fatores parciais) que incidem sobre os parâmetros de
resistência do solo (ou diretamente nas forças resistentes) da fundação e dos materiais dos elementos
de reforço. A memória de cálculo deve citar a publicação de referência para os fatores e metodologia
adotados.

10.4 Estabilidade externa

A estabilidade externa pressupõe que o maciço de solo reforçado se comporta como um bloco monolítico
e deve ser aplicada a muros e taludes com inclinação de face acima de 70° em relação à horizontal.
O dimensionamento deve analisar a capacidade de suporte do solo de fundação e a segurança ao
deslizamento na base e ao tombamento.
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A estabilidade externa de uma obra em solo reforçado deve ser verificada tanto nas fases construtivas
quanto na situação final de obra em serviço. Os muros devem ter um embutimento mínimo da base conforme
Anexos D a G, quando especificado, sendo a contribuição da resistência passiva desconsiderada, salvo
situações específicas a critério do projetista.

10.4.1 Capacidade de suporte do solo de fundação

A máxima tensão vertical aplicada na base do muro deve ser menor do que a tensão admissível ou
tensão resistente de cálculo do solo de fundação.

10.4.2 Deslizamento na base

A verificação da estabilidade ao deslizamento do maciço sobre a base deve levar em conta os parâmetros
de resistência do solo da fundação, ou do maciço imediatamente acima dela, considerando o pior dos
dois casos.

10.4.3 Tombamento

A verificação da estabilidade do maciço quanto ao tombamento deve considerar o equilíbrio de momentos


em relação ao pé do maciço. No cálculo dos momentos, devem ser consideradas as resultantes de todas
as ações solicitantes e resistentes.

10.5 Estabilidade interna

Para a verificação da estabilidade interna em equilíbrio local, é necessário inicialmente calcular os esforços
solicitantes em cada camada de reforço individualmente. A estabilidade interna considera dois modos
de ruptura para cada camada de reforço: arrancamento do reforço devido a um comprimento de ancoragem
insuficiente e ruptura estrutural por tração no ponto de atuação da força de tração máxima.

O tipo e posição da superfície de ruptura dependem de diversos fatores como geometria, cargas
aplicadas, resistência e deformabilidade do solo e dos elementos de reforço, podendo ser utilizadas
superfícies lineares, bilineares, circular ou em espiral logarítmica, cabendo ao projetista a definição da
superfície a ser considerada.

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ABNT NBR 16920-1:2021

Seu dimensionamento consiste na divisão do maciço reforçado em duas zonas: uma zona ativa e
uma zona resistente (ver Figura 1). A estabilidade da zona ativa do solo é mantida pela presença dos
reforços, que transferem os esforços solicitantes para a zona resistente. Os elementos de reforço na
zona resistente funcionam como elementos de ancoragem da zona ativa.

Legenda

Le Trecho ancorado

Figura 1 – Definição de zonas ativa e resistente


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A máxima solicitação no reforço ocorre no local geométrico que corresponde à superfície potencial de
ruptura. Essa máxima solicitação deve ser inferior à resistência à tração do reforço e à resistência ao
arrancamento mobilizada no trecho ancorado (Le), atendendo aos critérios de segurança de 10.3.1 e 10.3.2.

As verificações de ruptura estrutural por tração e por arrancamento do reforço devem ser feitas de modo
que assegurem a segurança de cada camada.

10.6 Estabilidade geral


A verificação da estabilidade geral deve considerar a análise de superfícies potenciais de ruptura,
tanto as que não interceptam quanto aquelas que interceptam total ou parcialmente os elementos de
reforço, buscando-se a superfície crítica, conforme exemplos nas Figuras 2 a 4.

Figura 2 – Superfície crítica passando por trás do muro ou talude em solo reforçado, sem
que os reforços tenham influência no fator de segurança

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ABNT NBR 16920-1:2021

Figura 3 – Superfície crítica passando por dentro do muro ou talude em solo reforçado,
quando a superfície crítica de ruptura intercepta todos os elementos de reforço, com todos
os reforços contribuindo no cálculo do fator de segurança
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Nesse caso, somente as camadas interceptadas pela superfície crítica de ruptura são consideradas no cálculo
do fator de segurança da superfície crítica.

Figura 4 – Superfície crítica interceptando parcialmente o muro ou talude em solo reforçado,


em pelo menos uma camada de reforço

Devem ser consideradas superfícies potenciais de ruptura com formato mais adequado à geometria e
aos parâmetros dos solos de cada obra. A superfície crítica obtida deve atender aos critérios de segurança
conforme 10.3.1 e 10.3.2.

10.7 Verificação da conexão do reforço com o paramento

O paramento tem como funções assegurar a estabilidade local, evitar erosão na face e dar acabamento
adequado ao uso e vida útil da obra. A solicitação na conexão depende da geometria e das características
do sistema construtivo e pode ser considerada ou não na estabilidade.

Para os sistemas nos quais houver solicitação na conexão, sua resistência deve ser verificada atendendo
aos critérios de 10.3.1 e 10.3.2. Para cada sistema construtivo, a resistência da conexão deve ser
declarada pelo fabricante e informada pelo fornecedor, obtida em ensaios específicos.

11 Deslocamentos e deformações
Os reforços são elementos passivos, cuja resistência é mobilizada somente pela tendência de movimento
relativo entre o reforço e o solo. A maior parcela dessa mobilização ocorre durante o período construtivo.

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Deformações e deslocamentos são mitigados pela escolha adequada do sistema de solo compactado-
reforço-paramento, bem como pelo processo executivo e controle tecnológico adequados, e dimensionamento
apropriado, em conformidade com os Anexos A a G.

O projeto deve considerar o estado-limite de serviço (ELS) da obra e seu entorno. Devido a incertezas
na previsão dos deslocamentos e deformações, as obras podem ser monitoradas durante e após o término
da construção, de acordo com um plano de instrumentação e monitoramento fornecido pelo projetista.

12 Monitoramento de obras
O projeto define a necessidade e o nível de monitoramento, que pode variar desde inspeções visuais
periódicas até instrumentação.

Obras mais sensíveis a deslocamentos, a critério do projetista, devem ser instrumentadas de acordo
com especificação fornecida pelo projeto, a qual deve incluir os tipos, a disposição e a quantidade de
instrumentos a serem utilizados, bem como a frequência e o critério de início e de interrupção das leituras.

A instrumentação pode ser instalada no início da obra, durante sua fase de construção ou pós-construção,
oferecendo subsídios para o acompanhamento do comportamento de um muro ou talude em solo reforçado.
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A análise e a interpretação do monitoramento devem ser feitas de modo contínuo com base nas previsões
constantes no projeto, por profissional habilitado.

13 Sistemas de drenagem
A drenagem é essencial para o bom desempenho de uma estrutura de contenção em solo reforçado e
é composta por dispositivos internos e externos. O sistema de drenagem interno deve estar detalhado
no projeto do muro ou contenção, de acordo com a concepção do projeto. O sistema de drenagem
externo deve estar contemplado no projeto geral de drenagem do entorno ou no próprio projeto do
muro ou contenção.

Muros e contenções que não contemplem drenagem interna devem ser dimensionados considerando
os esforços devidos a ações da água (empuxos hidrostáticos e outros). A ausência do sistema de drenagem
interna deve ser justificada pelo projetista.

13.1 Sistema de drenagem interna

A função do sistema de drenagem interna é a captação e condução de eventuais águas que atingem
o maciço. O sistema de drenagem interna não pode permitir a captação das águas superficiais.

O sistema de drenagem interna pode ser composto, concomitantemente ou de forma isolada, pelo seguinte:

 a) colchão ou tapete drenante na base do muro;

 b) dreno de tardoz, vertical ou inclinado;

 c) dreno de face.

13.2 Sistema de drenagem externa ou superficial

A função do sistema de drenagem externa é a captação e a condução de águas superficiais, minimizando


o acúmulo e infiltração no maciço.

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Reconhecendo que os muros e contenções em solo reforçado são estruturas flexíveis, as tubulações
e as canaletas de água devem ser analisadas à luz de deslocamentos e estanqueidade e tomadas
as providências de projeto e execução.

14 Aspectos construtivos
14.1 Instalação e disposição dos reforços
É comum a especificação e o uso de reforços de diferentes resistências em uma mesma estrutura.
Em alguns casos, há ainda a possibilidade de emprego de diferentes tipos de reforço desde que seja
considerada compatibilidade de deformações. Desse modo, o projeto deve indicar adequadamente
o posicionamento, quantidade, tipo e resistência de cada reforço.

A superfície para instalação dos reforços deve ser plana, limpa e livre de materiais que possam danificar
o reforço.

Os reforços planares devem ser instalados com sua correta orientação, de acordo com o projeto, visto
que estes podem apresentar resistências diferentes nas duas direções. Os reforços lineares devem
ser instalados perpendicularmente ao paramento, salvo indicação em projeto.
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Todo reforço deve ser instalado esticado para minimizar rugas e dobras. É recomendado fixar as suas
extremidades para assegurar sua geometria no processo de instalação e de lançamento e compactação
do aterro. Os equipamentos de terraplenagem não podem trafegar diretamente sobre os elementos
de reforço.

Caso haja cantos, curvas ou interferências, o projeto deve definir a adequada disposição dos reforços
nesses locais, inclusive a necessidade de traspasse e reforços complementares.

O espaçamento vertical entre os reforços pode ser variável e deve ser indicado em projeto.

Convém que não haja emendas de reforços na direção do esforço principal. Caso necessárias, estas
devem estar dimensionadas e detalhadas em projeto.

14.2 Drenagem superficial provisória


O executor deve prever, instalar e manter sistema de drenagem superficial provisória durante a execução
da obra.

14.3 Execução e controle do aterro


14.3.1 Generalidades

Durante todo o tempo de execução do aterro compactado, os materiais e os serviços devem ser
protegidos contra a ação destrutiva das águas pluviais, do trânsito e de outros agentes que possam
danificá-los. A drenagem superficial, a proteção contra erosão do aterro e a sedimentação no período
construtivo são de responsabilidade do executante.

O projeto deve especificar a espessura máxima da camada de compactação, o grau de compactação


mínimo a ser obtido e o desvio máximo do teor de umidade em relação à umidade ótima. Adicionalmente,
outros parâmetros podem ser definidos, a critério do projetista.

O executor deve definir equipamentos e procedimentos para que os critérios de compactação especificados
em projeto sejam atendidos em todo o maciço compactado. No início dos trabalhos e sempre que houver
mudança do material de empréstimo, recomenda-se a execução de uma camada experimental para
ajuste dos procedimentos de compactação, de forma que atenda às especificações do projeto.

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ABNT NBR 16920-1:2021

Os critérios mínimos para execução dos aterros são apresentados na Tabela 3.

Tabela 3 – Critérios de compactação de aterros para solos reforçados


Característica Solos laterizados e outros Solos arenosos
Grau de compactação mínimo
≥ 98 % ≥ 95 %
(Proctor Normal)
Teor de umidade (w) em relação
0,9 wot ≤ w ≤ 1,05 wot 0,8 wot ≤ w ≤ 1,1 wot
à umidade ótima (wot)
Espessura máxima da camada
≤ 20 cm ≤ 25 cm
acabada (compactada)
Os critérios nesta Tabela podem ser alterados, desde que justificados pelo projeto. A espessura máxima da
camada lançada (não compactada) deve ser ajustada e controlada no decorrer da obra para atender aos critérios
desta Tabela.
NOTA 1 Alternativamente, para areias, quando não for possível definir a curva de compactação, o controle
de compactação é feito pelo ensaio de compacidade relativa. A compacidade relativa mínima é de 70 %.
NOTA 2 Para efeitos desta Tabela, a classificação dos solos arenosos, laterizados ou outros é baseada no
Anexo A.
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Em uma faixa de até 1,5 m de largura junto ao paramento, ou próximo a estruturas sensíveis, deve
ser realizada a compactação leve com compactadores compatíveis com o tipo de solo e com o tipo de
paramento, de forma a não causar danos na face do solo reforçado, atendendo aos critérios mínimos
da Tabela 3.

A compactação deve ser gerenciada e atender à ABNT NBR 7182, além das especificações de projeto,
considerando-se o tipo de solo, tipo de reforço e a resistência que se almeja na zona reforçada.
O controle de qualidade da compactação do aterro deve ser realizado pelo Método de Hilf (ver
ABNT NBR 12102) ou outro indicado pelo projetista.

A compactação deve ser controlada com base em requisitos de especificação e distribuição vertical
de elementos de reforço.

É conveniente manter o teor de umidade no lado seco da curva de Proctor, principalmente nos materiais
de aterro classificados como intermediários, a fim de evitar dificuldades na compactação.

14.3.2 Controle da qualidade e critérios de aceitação do aterro

O aterro compactado deve apresentar propriedades geotécnicas compatíveis com as especificadas


em projeto. Caso os valores obtidos na obra não estejam de acordo com o projeto, deve ser feita uma
nova avaliação de conformidade por parte do projetista, a pedido do proprietário.

O controle da compactação deve ser realizado em todas as camadas de terraplenagem com um


ensaio a cada 200 m2 do trecho reforçado, sendo no mínimo três ensaios por camada distribuídos de
forma a representar toda a área. Esse critério pode ser alterado, desde que justificado pelo projetista.
O controle de compactação do trecho a montante do solo reforçado não é objeto desta Norma.

Se todos os ensaios de cada camada atenderem aos critérios de compactação da Tabela 3, a camada
de compactação pode ser aceita. Caso qualquer um dos resultados não atenda às especificações,
a camada deve ser rejeitada ou, alternativamente, devem ser realizados mais ensaios de verificação
e os resultados devem ser tratados estatisticamente, de acordo com o Anexo B.

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Anexo A
(informativo)

Recomendações gerais para materiais de aterro

A.1 Princípio
As combinações típicas da Tabela A.1 são dadas como recomendação geral, sem pretender ser uma
especificação. As breves descrições para os tipos de aterro referem-se apenas a algumas de suas
principais características e não necessariamente descrevem a totalidade de suas propriedades.

Os documentos de projeto devem especificar as propriedades do solo de aterro, critérios e procedimentos


a serem utilizados na compactação. O controle de compactação é essencial para o sucesso de qualquer
obra de solo reforçado. Todos os solos podem ser difíceis de compactar e ocasionar desalinhamentos
e desaprumos no paramento, quando utilizados com umidade fora da especificação ou lançados em
condições climáticas adversas. Solos com matéria orgânica, mica e dolomita não podem ser empregados
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como aterro.

Tabela A.1 – Materiais de aterro recomendados para maciços de solo reforçado em função
do tipo de aplicação, do tipo de reforço e do tipo de paramento (continua)
Materiais de aterro recomendados Tipos de aterro
Características geomecânicas Arenosos Solos laterizados f h Outros f h
% com diâmetro inferior a 0,075 mm < 35 % ≥ 35 % –
IA = Índice de Atividade de Skempton f < 0,75 –
Aplicação a b c
Maciços com partes sujeitas a inundação e/ou
B B C
rebaixamento rápido de nível d’água
Maciços do tipo encontro portante e/ou com
B B C
limitações de deformação
Muros com inclinação > 70° e de altura > 12 m B B C
Taludes reforçados com inclinação ≤ 70° e
A A C
com altura > 12 m
Muros verticais e taludes reforçados, com
A A C
altura ≤ 12 m, sem restrições a deformação
Tipo de reforço
Tiras metálicas lisas ou geotiras lisas A Cd Cf
Tiras metálicas nervuradas ou grelhas metálicas A A Cf
Geogrelhas, geotêxteis, malhas tecidas
A A Cf
metálicas ou poliméricas

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Tabela A.1 (conclusão)


Materiais de aterro recomendados Tipos de aterro
Características geomecânicas Arenosos Solos laterizados f h Outros f h
Paramento
Rígido: painéis inteiriços, paramentos em
B B C
concreto projetado
Semiflexível: placas pré-moldadas, blocos
A A C
estruturais de concreto com junta seca
Flexível: paramento em gabiões,
envelopameno com geossinético, telas A A Ce
metálicas e outros
Legenda

A aplicável
B aplicável a critério do projetista
C aplicação depende de ensaios e estudos específicos adequados à finalidade, a critério do projetista
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NOTA 1 As combinações típicas desta Tabela são dadas como recomendação geral, sem pretender ser
uma especificação.
NOTA 2 As breves descrições desta Tabela para os tipos de aterro se referem apenas a algumas de suas
principais característica e não necessariamente descrevem a totalidade de suas propriedades.
a Caso a compactação não seja feita de forma adequada, podem ocorrer deformações diferenciais entre
os reforços e o paramento, ocasionando sobrecarga nas conexões.
b Em aterros a capacidade drenante do maciço deve ser avaliada, eventualmente com acréscimo de
dispositivos.
c Atenção especial deve ser dada à determinação do ângulo de atrito interno, ao controle rígido de
procedimentos de compactação e à introdução de camadas e/ou dispositivos drenantes.
d Nesses casos, deve-se dar especial atenção à avaliação da interação solo-reforço que deve ser verificada,
tanto para a situação definitiva quanto para as fases construtivas.
e Atenção especial deve ser dada ao controle de alinhamento do paramento (se houver) durante a construção.
f IA é o Índice de Atividade de Skempton, relação entre o Índice de Plasticidade IP e o percentual de finos
inferiores a 0,002 mm. Para solos finos ativos com IA > 0,75 deve ser dada maior atenção no caso de
reforços metálicos uma vez que tais solos podem ser potencializadores do processo de corrosão.
g Os ensaios e estudos têm o objetivo de avaliar o desempenho do muro ou talude em solo reforçado,
de forma a atender ao ELU (Estado-Limite Último) e ao ELS (Estado-Limite de Serviço).
h A variação das curvas granulométricas obtidas em ensaios com e sem a utilização de defloculante
possibilita avaliar a agregação do material fino e indiretamente o processo de laterização. Este processo
promove a agregação da parcela mais fina do solo, levando a grumos que podem apresentar dimensão de
areia. A presença do  defloculante quebra estas ligações, disponibilizando  as partículas finas do solo.
A variação dos resultados desses ensaios é forte indicador de um processo de laterização, sendo que
os sem defloculante levam a curvas que representam, basicamente, pacotes com dimensão de areia.

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Anexo B
(informativo)

Controle estatístico da execução do aterro compactado

B.1 Valores testados


Os resultados de avaliação de massa específica aparente seca máxima, do respectivo grau de
compactação e do teor de umidade podem ser objeto de avaliação estatística. A massa específica
aparente seca máxima deve ser avaliada conforme a ABNT NBR 7185.

NOTA O teor de umidade é definido conforme a DER-SP M145.

Devem ser tomadas no mínimo quatro amostras para aplicação do controle estatístico nos valores testados.

B.2 Cálculo estatístico


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B.2.1 Média aritmética da amostra  ( X )


A média aritmética da amostra para controle estatístico da execução do aterro compactado é calculada
segundo a equação:

X=
∑ Xi
N
onde

Xi é o valor individual da amostra;

N é o número de determinações efetuadas.

B.2.2 Desvio-padrão da amostra (S)


O desvio-padrão da amostra é calculado conforme a seguinte equação:

2
S=
∑ ( X − Xi )
N −1

B.3 Parâmetros de aceitação

B.3.1 Grau de compactação


A conformidade do grau de compactação das amostras avaliadas ocorre quando:
X = X − K ⋅ S ≥ LIE

onde

X é o valor testado;

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K é o coeficiente de tolerância unilateral em função do número de amostras na Tabela B.1;

LIE é o limite inferior especificado.

B.3.2 Desvio de umidade

A conformidade do desvio das amostras avaliadas ocorre quando:

X = X − K1 ⋅ S ≥ LIE e X = X − K1 ⋅ S ≤ LSE

onde

X é o valor testado;

K1 é o coeficiente de confiança bilateral em função do número de amostras na Tabela B.1;

LSE é o limite superior especificado.

Tabela B.1 – Valores dos coeficientes de confiança K e K1


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N K K1
4 0,95 1,34
5 0,89 1,27
6 0,85 1,22
7 0,82 1,19
8 0,80 1,16
9 0,78 1,14
10 0,77 1,12
12 0,75 1,09
14 0,73 1,07
16 0,71 1,05
18 0,70 1,04
20 0,69 1,03
25 0,67 1,00
30 0,66 0,99
40 0,64 0,97
50 0,63 0,96
100 0,60 0,92
> 100 0,52 0,84

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Anexo C
(normativo)

Requisitos de segurança para estabilidade geral

C.1 Princípio
Este Anexo aborda os requisitos de segurança para a estabilidade do tipo geral em estruturas de solo
reforçado e grampeado, para o caso de dimensionamento através do método de fator de segurança global.

C.2 Requisitos mínimos de estabilidade geral


A verificação da estabilidade geral de estruturas de solo reforçado por meio do método de fator de
segurança global deve ser efetuada por meio de métodos consagrados em mecânica dos solos baseados
no equilíbrio-limite. Esta verificação deve considerar todas as condicionantes geológicas, geométricas,
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de sobrecarga, de interferências no entorno e outras.

O projeto deve ser enquadrado em uma das classificações de nível de segurança contra a perda de
vidas humanas, conforme a Tabela C.1, e contra danos ambientais e materiais, conforme a Tabela C.2.
A Tabela C.3 apresenta os fatores de segurança mínimos para estabilidade geral.

Tabela C.1 – Nível de segurança desejado contra a perda de vidas humanas (continua)
Nível de segurança Critérios
Áreas com intensa movimentação e/ou permanência de pessoas:
Via principal de ferrovias e rodovias de tráfego intenso.
Vias públicas de centros urbanos.
Alto Edificações ocupadas (por exemplo, residências, escolas, estádios,
prédios comerciais, indústrias e fábricas).
Construções e/ou áreas com bens ou produtos perigosos
(por exemplo, barragens de água e rejeito).
Áreas com movimentação e permanência restrita de pessoas:
Fora da via principal de ferrovias e rodovias de tráfego intenso.
Via principal de ferrovias e rodovias de tráfego moderado.
Médio Vias de serviço.
Áreas de espera de serviços públicos em centros urbanos
(por exemplo, plataformas de trem e metrô, pontos de ônibus).
Instalações de edificações (por exemplo, estacionamentos,
vias internas, áreas de lazer).

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Tabela C.1 (conclusão)


Nível de segurança Critérios
Áreas com movimentação e permanência eventual de pessoas:
Vias de ferrovias e rodovias de tráfego reduzido.
Vias rurais.
Baixo Áreas públicas abertas em centros urbanos
(por exemplo, praças, estacionamentos, parques).
Obras rurais.
Obras temporárias com circulação restrita de pessoas e com equipe
de obra e/ou monitoramento em operação.

Tabela C.2 – Nível de segurança desejado contra danos materiais e ambientais


Nível de segurança Critérios
Danos materiais: Locais próximos a propriedades de alto valor
histórico, social ou patrimonial, obras de grande porte e áreas
Alto que afetem serviços essenciais por elevado período de tempo.
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Danos ambientais: Locais sujeitos a acidentes ambientais graves


(por exemplo, oleodutos, aterros sanitários, barragens de rejeito).
Danos materiais: Locais próximos a propriedades de valor moderado,
vias e estradas principais de acesso e áreas que afetem serviços
essenciais por curto período de tempo.
Médio
Danos ambientais: Locais sujeitos a acidentes ambientais moderados
(por exemplo, vias com circulação de produtos perigosos e fábricas
de produtos químicos tóxicos próximos a áreas de proteção ambiental).
Danos materiais: Locais próximos a propriedades de valor reduzido
Baixo e vias e estradas secundárias de acesso.
Danos ambientais: Locais sujeitos a acidentes ambientais reduzidos.

Tabela C.3 – Fatores de segurança mínimos para estabilidade geral


Nível de segurança contra
Nível de segurança contra danos às vidas humanas
danos materiais e ambientais
Alto Médio Baixo
Alto 1,5 1,5 1,4
Médio 1,5 1,4 1,3
Baixo 1,4 1,3 1,2

O enquadramento nos casos previstos nas Tabelas C.1 e C.2 deve ser justificado pelo profissional
habilitado. O enquadramento dos níveis de danos materiais e ambientais deve atender aos requerimentos
dos órgãos públicos competentes e da legislação vigente. A classificação dos custos dos danos
materiais e ambientais deve ser feita em comum acordo com o contratante do projeto.

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Anexo D
(normativo)

Sistemas de muros em solos reforçados com paramento em placas


de concreto e reforços com tiras de aço

D.1 Princípio
Este Anexo trata de aspectos construtivos e de dimensionamento interno para o caso particular de muros
em solo reforçado com paramento vertical em placas de concreto e elementos de reforço compostos
por tiras de aço.

D.2 Descrição dos componentes construtivos


Os elementos construtivos que compõem este tipo de muro de solo reforçado, além do solo selecionado
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para o aterro, cujos critérios de seleção são definidos nas Tabelas D.1 e D.2, são os seguintes:

 a) armaduras: elementos de reforço formados por tiras de seção transversal retangular;

 b) escamas: placas de concreto pré-moldado para revestimento do paramento do maciço;

 c) dispositivos de conexão: elementos de aço que são embutidos nas escamas de concreto, com
duas talas salientes que servem para conectar as armaduras ao paramento por meio de parafusos
de aço;

 d) conectores: parafusos de aço para conexão das armaduras;

 e) juntas filtrantes: tiras de geotêxtil não tecido ou outro material equivalente que tenha função de
filtro, aplicadas no tardoz do paramento;

 f) placas de apoio: peças em elastômero com densidade compatível com as pressões verticais solicitantes,
aplicadas entre as escamas, de modo a permitir a articulação do paramento.

NOTA O aço empregado nos elementos de reforços e dispositivos de conexão pode ser ou não galvanizado,
dependendo da vida útil projetada para a obra. As espessuras de sacrifício devidas à corrosão são especificadas
na Tabela D.3.

D.3 Características dos materiais para o dimensionamento

D.3.1 Solo do aterro reforçado

As características mecânicas do material de aterro, para efeito de dimensionamento interno, são as seguintes:

 a) peso específico aparente, devendo seu valor ser justificado;

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 b) coeficiente de atrito aparente solo-armadura definido como:


τ
f * = máx
σv

onde

τmáx é a tensão tangencial máxima mobilizada no contato solo-armadura, expressa em qualquer


unidade do SI desde que coerente entre si;

σv é a tensão efetiva vertical média do nível considerado calculada a partir do peso de solos
a montante e das sobrecargas, expressa em qualquer unidade do SI desde que coerente
entre si.

O coeficiente f * é considerado constante ao longo do comprimento de uma determinada armadura.

Para o caso de armaduras nervuradas e aterros compactados cuja granulometria atenda aos critérios
definidos para os solos dos grupos A e B da Tabela D.1, o valor de f * varia em função da profundidade Z,
contada do topo para a base, ao longo da altura mecânica. Esta variação atende às seguintes equações:

 Z Z
f * = f0*  1 −  + tgφ   para Z < Z0 e
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 Z0   Z0 

f * = tgφ para Z ≥ Z0

onde

Z0 é igual a 6 m;

ϕ é o ângulo de atrito interno mínimo de solos que atendam aos critérios estabelecidos conforme
Tabela D.1 (determinado por ensaio de cisalhamento direto rápido em amostra moldada na
umidade ótima e compactada até atingir 95 % do peso específico aparente seco máximo do
ensaio de compactação, com energia Proctor Normal).

O valor de ϕ deve ser limitado a um máximo de 40°, mesmo que os ensaios apresentem valores superiores.

Para fins de correlação, permite-se, no caso de emprego de solos granulares dos grupos A e B da
Tabela D.1, considerar um valor de ϕ igual a 36°.

O trecho inclinado da reta representativa de f * = f (Z) é decorrente da influência do fenômeno da dilatância
do material de aterro nas vizinhanças da armadura. A influência da dilatância decresce com a profundidade
e passa a ser desprezível a partir de Z = 6 m.

O coeficiente  f0*  pode ser avaliado pela seguinte equação:

f0* = 1, 2 + log10 Cu

sendo

D
Cu = 60
D10

onde

Cu é o coeficiente de uniformidade do aterro;

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D60 é o diâmetro correspondente ao ponto de 60 % da porcentagem passante da curva granulométrica;

D10 é o diâmetro correspondente ao ponto de 10 % da porcentagem passante da curva granulométrica.

Em todos os casos, o valor de  f0*  não pode ser superior a 2,00.

Para solos granulares dos grupos A e B da Tabela D.1, na falta de informações mais precisas,
permite-se adotar de forma conservadora o valor de f0*  = 1,50, a ser confirmado na fase de execução.

Para os solos que se enquadrem no tipo D da Tabela D.1 ou no caso de utilização de armaduras lisas,
não se considera o efeito da dilatância, devendo-se tomar f * = tg ϕ (constante).

tgϕ f0* f*
0

Z
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H
Arc tg 0,3

H1

Z0 = 6 m

Figura D.1 – Variação do coeficiente de atrito solo-armadura f * com a profundidade


D.3.1.1 Seleção de materiais de aterro para muros de solo reforçado com reforços em aço

Podem ser utilizados solos naturais ou materiais de origem industrial. Não podem conter terra vegetal
nem tampouco detritos orgânicos. Sua seleção deve atender aos:

 a) critérios geotécnicos;

 b) critérios químicos e eletroquímicos.

D.3.1.2 Critérios geotécnicos

Para armaduras nervuradas, deve-se atender aos limites indicados pela Tabela D.1, para critérios de
seleção granulométrica e para ângulo de atrito interno.

Para armaduras lisas, deve-se atender aos limites indicados pela Tabela D.2, para critérios de seleção
granulométrica e para ângulo de atrito interno.

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Tabela D.1 – Critérios mecânicos para selção do material de aterro


para armaduras nervuradas
Solo grupo Granulometria e IP Atrito interno Atrito solo-armadura

f0*
f*
0,075 mm ≤ D15
A Critério mecânico 6m
ou
(Arenoso) atendido
0,020 mm ≤ D10
tgϕ
Z

f0*
f*
D20 ≥ 0,020 mm > D10
B Critério mecânico 6m
e
(Arenoso) atendido
IP < 6
tgϕ
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Se ϕ ≥ 30°
tgφ
f1* = f0* × f1*
tg36° f*
C
(Intermediário) D40 ≥ 0,020 mm > D20 Critério mecânico 6m
Obras protegidas de e atendido
águas superficiais e IP < 25 Utilização limitada tgϕ
subterrâneas a casos especiais
com menor restrição Z
a deformações
horizontais
Se 30° > ϕ ≥ 25°
f*
Critério mecânico
D40 ≥ 0,020 mm > D20 atendido
D Utilização limitada
e
(Intermediário) a casos especiais
IP < 25
com menor restrição tgϕ
a deformações Z
horizontais
0,020 mm > D40
E
ou Ou ϕ < 25° Não recomendado.
(fino)
IP > 25
NOTA 1 ϕ é o ângulo de atrito interno do solo, determinado por ensaio de cisalhamento direto rápido, sobre
a amostra moldada na umidade ótima e compactada até atingir 95 % do peso específico aparente, seco e
máximo do ensaio de compactação com energia Proctor Normal.
NOTA 2 Dn é o diâmetro correspondente à porcentagem passante de n % na curva granulométrica.

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Tabela D.2 – Critérios mecânicos para seleção do material do aterro para armaduras lisas
Granulometria e IP Atendimento aos critérios mecânicos
0,075 ≤ D15 Critério mecânico atendido
0,020 mm ≤ D10 Critério mecânico atendido
Critério mecânico
ângulo de atrito solo-armadura a ≥ 22°
atendido
D20 ≥ 0,020 mm > D10
0,075 mm> D15 e IP < 6 Utilização restrita.
ângulo de atrito solo-armadura a < 22° Depende de
estudos especiais
0,020 mm > D20
Utilização restrita. Depende de estudos especiais
ou IP > 6
a Em todos os casos descritos, o ângulo de atrito solo-armadura deve ser obtido de ensaios de cisalhamento
direto rápido, feitos em laboratório, sobre amostras moldadas em condições de umidade e densidade equivalentes
a 95 % do Proctor Normal, que devem atingir no mínimo 22°.

D.3.1.3 Critérios químicos e eletroquímicos


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Os critérios químicos e eletroquímicos de qualificação de aterro, dos quais depende a durabilidade das
armaduras, são os indicados conforme D.3.1.3.1 a D. 3.1.3.3.

D.3.1.3.1 Resistividade

As medidas de resistividade do material de aterro, realizadas por meio de ensaios conforme a BS-1377-3,
em amostras saturadas a 20 °C, devem apresentar resultados superiores a 10 Ω.m para obras não
inundáveis e superiores a 30 Ω.m para obras inundáveis.

D.3.1.3.2 Atividade em íons hidrogênio (pH)

O pH do material de aterro, determinado igualmente por meio de ensaios conforme a BS-1377-3 deve
estar compreendido entre 5 e 10.

D.3.1.3.3 Teores de sais solúveis – íons (Cl)– e (SO4)–

Os teores de sais solúveis devem ser determinados conforme a ABNT NBR 9917 apenas para os casos
em que a resistividade apresentar valores compreendidos entre 10 Ω.m e 50 Ω.m e para materiais de
aterro de origem industrial. Os valores das concentrações iônicas devem atender ao seguinte:

 a) obras não inundáveis:

(Cl)– ≤ 200 mg/kg;

(SO4)– ≤ 1 000 mg/kg;

 b) obras inundáveis:

(Cl)– ≤ 100 mg/kg;

(SO4)– – ≤ 500 mg/kg.

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D.3.2 As armaduras de reforço em aço

A característica mecânica do aço das armaduras, a ser usada nos cálculos, é sua tensão de escoamento (fy).

A tensão de escoamento (fy) é verificada por ensaios de tração efetuados em amostras de armadura,
descritos em D.7.1.

A espessura de cálculo “ec” a ser considerada no dimensionamento é definida pela seguinte equação:

ec = en − es

onde

en é a espessura nominal, expressa em milímetros (mm);

es é a espessura total de sacrifício, representando a espessura de metal suscetível de ser consumida


por corrosão, uniforme ou quase uniforme, ao longo da vida da obra, expressa em milímetros (mm);

Os valores de es estão indicados na Tabela D.3, em função da vida útil projetada da obra, da agressividade
do meio e do material das armaduras.
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A área da seção de cálculo despreza a redução da largura da fita por corrosão.

Tabela D.3 – Valores da espessura total de sacrifício “es”


Dimensões em milímetros
Vida útil mínima projetada
5 anos 30 anos 50 anos 70 anos
Classificação da obra
Material da armadura
A AZ A AZ A AZ A AZ
Obras não inundáveis 0,50 0 1,50 0,50 2,25 0,75 3,00 1,00
Obras inundáveis por água doce 0,50 0 2,00 1,00 3,00 1,25 4,00 1,50
Obras inundáveis por água salgada 1,00 0 3,00 3,00 4,00 4,00 5,00 5,00
Obras especiais A ser determinado em cada caso, por estudo especial.
A = aço de baixo teor de carbono sem revestimento
AZ = aço galvanizado
NOTA Na região das conexões, onde as duas faces da armadura galvanizada permanecem cobertas pelas
talas de aço galvanizado dos elementos de conexão, a espessura de sacrifício es pode ser tomada com uma
redução de 50 % para efeito de cálculo.

D.3.3 Paramento em escamas pré-moldadas


O paramento é contituído de placas pré-moldadas de concreto armado (escamas), articuladas umas
em relação às outras.

As placas de concreto armado com resistência característica (fck) compatível com as hipóteses de
cálculo estrutural devem ser dimensionadas para suportar as tensões horizontais e verticais máximas
às quais são submetidas.

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D.4 Pré-dimensionamento
Inicialmente, lançam-se, a título de pré-dimensionamento, seções transversais com comprimentos de
armaduras em função da altura mecânica e da configuração geométrica, conforme D.4.2. Executam-se
em seguida as verificações de estabilidade externa, conforme 10.4. Se necessário, o processo deve
prosseguir, por iterações sucessivas, com a fixação de novas dimensões geométricas, até que as condições
de estabilidade venham a ser satisfeitas.

D.4.1 Notações utilizadas


Devem ser utilizadas as notações na Figura D.2.

Solo 1
K1 ϕ ’1 γ1 c’1
Solo 2
K2 ϕ ’2 γ2 c’2
Ht H

H1
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Ev E
1,00
δ
Eh

R
e
D

Fundação
βs
L c’f ϕ’f γf
B

Legenda

H1 altura do paramento
H altura mecânica para fins de dimensionamento interno
Ht altura total
L comprimento das armaduras de reforço
B largura da base do maciço
D profundidade do embutimento do paramento (ficha)
α ângulo de inclinação do talude a montante com a horizontal
βs ângulo de inclinação do talude a jusante com a horizontal
c’1, c’2, c’f coesão efetiva
ϕ’1, ϕ’2, ϕ’f ângulo de atrito interno
γ1, γ2, γf peso específico úmido aparente
K1, K2 coeficientes de empuxo de terra
E empuxo sendo Eh e Ev suas componentes horizontal e vertical
δ ângulo de inclinação do empuxo E atuante no tardoz do maciço
e excentricidade resultante dos esforços solicitantes em relação ao centro da base
Rv resultante dos esforços verticais

Figura D.2 – Seção típica

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D.4.2 Comprimento de armaduras, em função da altura mecânica H

Para fins de pré-dimensionamento, o lançamento inicial do comprimento L das armaduras deve atender
aos valores mínimos indicados nas Figuras D.3 e D.4, para as diversas configurações geométricas.

D.4.2.1 Seções transversais retangulares

Nas seções transversais retangulares, o comprimento das armaduras de reforço é constante em toda
a altura do muro.
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L ≥ 0,67 H L ≥ 0,67 H
L ≥ 3,00 m L ≥ 7,00 m

a) Greide ou pé de talude b) Encontro portante

L ≥ 0,6 H
L ≥ 0,67 H
L ≥ 3,00 m
L ≥ 3,00 m

c) Reforço transpassado d) Dique de contenção

Figura D.3 – Comprimentos de armaduras mínimos a serem adotados


D.4.2.2 Seções transversais não retangulares

Os muros com seções transversais não retangulares, nos quais o comprimento de algumas armaduras
inferiores pode ser reduzido em relação ao comprimento usual, devem ser objeto de uma justificativa
de estabilidade geral, por superfícies envoltórias ou que interceptem as camadas de reforço, conforme
descrito em 10.6. Estas seções são em geral adotadas em casos de maciços a meia encosta ou sobre
bases rochosas, e os comprimentos das armaduras devem atender aos condicionantes mínimos
na Figura D.4.

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≥ 0,7 H
≥ 0,7 H

Arc tg 0,3
H
H

D
Concreto

> 0,4 H
L ≥ 3,0 m
> 0,4 H Rocha

Figura D.4 – Comprimentos de armaduras mínimos a serem adotados


em seções transversais não retangulares
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D.5 Estabilidade interna


O cálculo da estabilidade interna consiste na verificação, em cada nível de reforço, da segurança das
armaduras, tanto à ruptura por tração, quanto à aderência com o solo, quando submetidas aos esforços
solicitantes.

D.5.1 Distribuição dos esforços de tração nas armaduras

A distribuição dos esforços de tração ao longo das armaduras, nos diversos níveis (ver Figura D.5),
deve atender ao seguinte:

 a) em qualquer nível de armaduras, a tração máxima ocorre no interior do maciço, em um ponto que
define a separação das zonas ativa e resistente;

 b) o lugar geométrico dos pontos de tração máxima, nos diversos níveis de armadura, passa pelo
pé do muro e atinge o topo do maciço a uma distância do paramento de aproximadamente 0,3 H;

 c) o lugar geométrico da linha de trações máximas separa as duas zonas no interior do maciço:
a zona ativa na qual as tensões tangenciais sobre as armaduras, no contato com o solo, estão
orientadas em direção ao paramento e zona resistente na qual estas tensões estão orientadas
para o tardoz do volume armado.

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0,3 H

La

0,4 H

0,2 H
L

Legenda
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La comprimento da armadura na zona resistente (comprimento de ancoragem)

Figura D.5 – Distribuição dos esforços de tração ao longo das armaduras

D.5.2 Cálculo do esforço máximo de tração Tmáx. em cada nível de reforço

O esforço solicitante máximo de tração em cada armadura, em cada nível, definido como Tmáx., é calculado
a partir das tensões que ocorrem no interior do maciço (ver Figura D.6).

No ponto M de tração máxima, em cada nível de reforço, a tensão tangencial entre o solo e a armadura
é nula, e as tensões horizontal e vertical são principais, respectivamente σ3 e σ1. Portanto, as tensões σ3
são equilibradas pelas armaduras ao longo da linha de trações máximas.

Sendo ΔH o espaçamento vertical entre duas camadas de armaduras, dispostas à razão de N unidades
por metro linear longitudinal de paramento, cada armadura equilibra uma força de:
∆H
Tmáx. = σ 3 sendo σ 3 = K ⋅ σ1 + ∆σ 3
N
onde

Δσ3 é o acréscimo de tensão horizontal proveniente de esforços horizontais externos de qualquer


natureza;

K é o coeficiente de empuxo adequado à hipótese de cálculo.

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AS
S
PONTO
MÁXIM
AÇÕES
L DOS
VARIAÇÃO DO ESFORÇO DE
TRAÇÃO NA ARMADURA AO
LONGO COMPRIMENTO

LOCA
DE TR
σ1
τ=0 σ3
∆H
M
τ=0

ZONA ZONA
ATIVA RESISTENTE

Legenda

ΔH espaçamento vertical entre dois níveis de armaduras


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τ tensão tangencial entre o solo e a armadura


σ3 tensão horizontal principal
σ1 tensão vertical principal

Figura D.6 – Linha de trações máximas

D.5.3 Verificação das armaduras à tração

Quanto aos critérios de resistência à tração das armaduras, deve-se considerar que duas seções
são críticas: a seção submetida a Tmáx, que ocorre no interior do maciço, e a seção de fixação da
armadura ao paramento, onde, devido ao furo para passagem do parafuso, há uma redução de seção.
Nesta última seção, ocorre uma força de tração reduzida, nunca superior a αTmáx., conforme verificado
experimentalmente.

As condições a serem verificadas são as seguintes:

1 e
Tmáx. ≤ T r1 = ⋅ Tr ⋅ c
γr eo

onde

T r1 é a força-limite de tração na armadura, em seção plena, afetada pela redução da espessura


de sacrifício e pelo coeficiente de segurança, expressa em quilonewtons (kN);

γ r é o coeficiente de segurança à tração que deve ser igual ou superior a 1,50;

Tr é a carga correspondente ao limite elástico (fy, expresso em kPa) na seção plena da armadura,
sendo:  Tr = fy ⋅ eo ⋅ b , expressa em quilonewtons (kN);

eo é a espessura nominal da armadura, expressa em metros (m);

e c é a espessura de cálculo, conforme definido em D.3.2, expressa em metros (m).

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e também:
1 b' ec
α ⋅ Tmáx. ≤ T r2 = ⋅ Tr ⋅ ⋅
γr b eo

sendo

α = 0,75 (para paramentos flexíveis – por exemplo, tela metálica);

α = 0,85 (para paramentos semiflexíveis – por exemplo, escamas pré-moldadas de concreto);

α = 1,00 (para paramentos rígidos – por exemplo: painéis monoblocos de concreto).

onde

T r2 é a força-limite de tração na armadura, na seção do furo, afetada pela redução da espessura


de sacrifício e pelo coeficiente de segurança, expressa em quilonewtons (kN);

γr é o coeficiente de segurança à tração que deve ser igual ou superior a 1,50;

Tr é a carga correspondente à tensão de escoamento (fy, expressa em kPa) na seção plena


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da armadura, sendo:  Tr = fy ⋅ eo ⋅ b , expressa em quilonewtons (kN);

e o é a espessura nominal da armadura, expressa em metros (m);

ec é a espessura de cálculo, conforme definido em D.3.2, expressa em metros (m);

b é a largura nominal da armadura, expressa em metros (m);

b’ é a largura reduzida pelo furo, expressa em metros (m).

D.5.4 Verificação das armaduras à aderência


A verificação das armaduras à aderência visa assegurar que estas não deslizem quando submetidas
ao esforço de tração. A força de tração Tmáx. deve então ser igual ou inferior a uma força-limite resistente
de aderência  T f , calculada, em cada nível z de reforço, conforme a seguir:
1
Tmáx. ≤ T f sendo T f = ⋅ f * ( z ) ⋅ σ V ( z ) ⋅ La ( z )
γf
onde

T f é a força-limite mobilizada de aderência na armadura, no nível z, já afetada do coeficiente


de segurança γf, expressa em quilonewtons (kN);

γf é o coeficiente de segurança que deve ser igual ou superior a 1,50;

f * (z) é o coeficiente de atrito aparente de cálculo atuante no nível z;

σV (z) é a tensão vertical atuante no nível z, expressa em quilopascal (kPa);

La (z) é o comprimento da armadura na zona resistente no nível z (ver Figura D.5), expressa em
metros (m);

NOTA Os coeficientes de segurança γ f e γr, em D.5, podem eventualmente ser reduzidos, caso seja adotado
método de cálculo de fatores de segurança parciais, conforme 10.3.2.

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D.6 Disposições construtivas

D.6.1 Ficha e banqueta de pé

O risco de descalçamento localizado do solo na região do pé do muro, além de outras considerações


práticas (como a possibilidade de erosão ou pequenas escavações a jusante da obra), impõe a adoção
de uma ficha externa para os muros (ver Figura D.7).

Em condições normais, quando não há evidência de maiores riscos de erosão ou escavações futuras
no pé do muro, adota-se o seguinte critério de profundidade de ficha (D):

 a) D = 0,1 H, quando o terreno a jusante do maciço for horizontal;

 b) D = 0,1 H a 0,2 H, quando o terreno a jusante do maciço for inclinado;

 c) em qualquer caso, Dmín. = 0,40 m;

 d) quando os muros em solos reforçados forem implantados sobre terrenos inclinados, deve-se prever
uma banqueta com largura não inferior a 1 m junto ao paramento (ver Figura D.7).
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NOTA 1 A ficha pode ser dispensada no caso de assentamento do maciço em rocha, ou sobre estruturas rígidas.

NOTA 2 A banqueta pode ser dispensada no caso de assentamento do maciço em base rígida (rocha ou
estruturas rígidas), desde que seja assegurada a estabilidade da base.

≥ 1,00 m

Figura D.7 – Ficha, soleira e banqueta de pé

D.6.2 Soleiras

O paramento em escamas deve ser assentado sobre uma soleira de concreto simples, cujas dimensões
típicas são: largura de 35 cm e altura de 15 cm. A soleira tem como único objetivo prover uma superfície
limpa e nivelada para o início de montagem das escamas, não tendo função estrutural (ver Figura D.7).

D.6.3 Material de aterro

O conhecimento do material de aterro é obtido através de ensaios geotécnicos (ver Seção 7), devendo este
se enquadrar nos critérios descritos nas Tabelas D.1 e D.2, além de atender aos critérios eletroquímicos
em D.3.1.

O grau de compactação do corpo do aterro armado deve atender à Tabela 3.

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Recomenda-se manter o teor de umidade no lado seco da curva de Proctor, principalmente nos materiais
de aterro classificados como intermediários, a fim de evitar dificuldades na compactação.

A dimensão máxima dos grãos do material de aterro não pode ultrapassar 150 mm.

D.6.4 Montagem

A sequência executiva básica para montagem consiste em:

 a) posicionar a primeira linha de escamas sobre a soleira, travadas e escoradas, colocar as juntas e
em seguida lançar as primeiras camadas de aterro compactadas até que se atinja o primeiro nível
de armaduras, quando estas forem conectadas ao paramento;

 b) montar uma nova linha de escamas, aprumadas e niveladas, colocar as juntas e prosseguir com as
camadas de aterro compactado até o ponto onde deve ser instalado o segundo nível de armaduras.
O processo deve ser repetido até o topo do muro.

D.6.5 Emendas de armaduras de aço

As emendas devem ser dimensionadas pelo projetista e devem considerar a redução da seção transversal
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de aço na seção da conexão e a capacidade de resistência ao cisalhamento dos conectores (em geral
parafusos).

D.6.6 Desvios na instalação das armaduras em relação ao paramento

As armaduras de aço devem ser instaladas perpendicularmente ao paramento, com tolerância de ± 15°.
Qualquer instalação de armaduras com desvio superior a 15° em relação à normal ao paramento deve
ser justificada em projeto.

D.7 Qualidade dos materiais

D.7.1 Armaduras e ligações

As armaduras e ligações devem ter verificadas suas propriedades mecânicas conforme a


ABNT NBR ISO 6892-1.

No tocante à galvanização, deve-se atender à ABNT NBR 6323.

D.7.2 Concreto

A fabricação das escamas deve atender à ABNT NBR 9062.

O concreto utilizado na fabricação das escamas deve ser ensaiado conforme ABNT NBR 5739.

Devem ser evitados aceleradores de pega ou outros aditivos que contenham cloretos ou sulfatos que
possam ser nocivos à galvanização das ligações embutidas nas escamas.

D.7.3 Parafusos

Os parafusos devem atender às dimensões e especificações mecânicas conforme a ABNT NBR 9981.

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Anexo E
(normativo)

Sistemas de muros em solos reforçados com paramento em blocos


segmentais ou em placas de concreto de pequenas dimensões

E.1 Generalidades
Muros em solo reforçado com face em blocos segmentais ou placas de concreto de pequenas dimensões
são estruturas com inclinação de face entre 60° e 90°, executadas em sistemas de aterro compactado
intercalado com reforços geossintéticos e construção simultânea da face através da montagem de
blocos ou placas de concreto pré-moldado, maciços ou vazados, encaixados entre si sem argamassa
(junta seca) e conectados com o reforço. A montagem dos elementos da face na obra é feita usualmente
de forma manual (ver Figura E.1).
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Figura E.1 – Elementos do sistema de muros em solos reforçados com paramento em blocos
segmentais ou em placas de concreto de pequenas

E.2 Materiais

E.2.1 Reforço

São utilizados reforços geossintéticos em forma de geotêxteis tecidos e/ou geogrelhas de polipropileno (PP),
polietileno de alta densidade (PEAD), poliéster (PET) ou álcool polivinílico (PVA) que possuam propriedades
mecânicas adequadas para assegurar a estabilidade e deslocamentos do muro de solo reforçado em níveis
compatíveis com a finalidade da estrutura.

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E.2.2 Blocos
Compõe-se de blocos de concreto com dimensões tipicamente de 30 cm a 50 cm de largura, 15 cm
a 20 cm de altura e 20 cm a 50 cm de profundidade. Os blocos são fabricados por vibro-prensas
hidráulicas, em formato maciço ou vazado, com resistência à compressão mínima de 6 MPa, conside-
rando a área bruta dos blocos (sem descontar os vazios). Os blocos pesam tipicamente 20 kg a 50 kg.

É recomendável a utilização de blocos com resistência à compressão simples (fck) conforme a Tabela E.1.

Tabela E.1 – Recomendação de resistência mínima à compressão dos blocos da face


Altura do muro reforçado (H) Resistência mínima à compressão simples (fck) do bloco
Até 6 m Altura total (H ≤ 6 m): fck ≥ 6 MPa
Trecho inferior (H ≤ 6 m): fck ≥ 12 MPa
De 6 m a 12 m
Trecho superior (6 m < H ≤ 12 m): fck ≥ 6 MPa
Trecho inferior (H ≤ 6 m): fck ≥ 18 MPa
De 12 m a 18 m Trecho médio (6 m < H ≤ 12 m): fck ≥ 12 MPa
Trecho superior (12 m < H ≤ 18 m): fck ≥ 6 MPa
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Para muros com altura superior a 18 m, o projetista deve especificar e justificar a resistência necessária
dos blocos.

A tolerância máxima de desvios nas dimensões dos blocos é de ± 3 mm para a largura e profundidade
e ± 2 mm na altura. Os blocos devem ser íntegros, sem trincas e rebarbas.

E.2.3 Face em placas de pequenas dimensões


Compõe-se de painéis de concreto armado ou reforçado com fibras, com dimensões tipicamente de 50 cm
a 100 cm de largura, 30 cm a 60 cm de altura e 5 cm a 15 cm de profundidade/espessura e pesam
tipicamente entre 30 kg e 60 kg. As peças são pré-fabricadas ou pré-moldadas e são montadas para
compor a face por meio de encaixes entre elas ou por sistemas complementares de apoio.

As peças devem atender aos critérios de projeto (resistência e durabilidade), sendo que a resistência
característica à compressão do concreto (fck) não pode ser inferior a 30 MPa.

A tolerância máxima de desvios nas dimensões das placas é de ± 6 mm para a largura, altura e
profundidade. As placas devem ser íntegras, sem trincas e rebarbas.

E.2.4 Conexão entre a face e o reforço


A conexão entre a face e o reforço assegura a estabilidade da face quando recebe os empuxos decorrentes da
compactação do solo e em condições de trabalho. A conexão pode ser por atrito (com ou sem preenchimento
com material granular), encaixe, pinos, grampos, ou outro sistema de ligação. A conexão deve ser ensaiada
em laboratório para cada tipo de reforço, tipo de bloco ou placa e tensão de confinamento que se pretende
utilizar. Sistemas construtivos comerciais devem ter ensaios realizados por laboratórios independentes
que atestem a eficiência da conexão dos reforços e dos blocos ou placas que o sistema utiliza. Sistemas
que não possuem ensaios específicos entre reforços e blocos devem ser ensaiados previamente ao início
da obra.

O fornecedor deve disponibilizar a resistência da conexão do sistema de face/reforço obtida nos ensaios
de laboratório.

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Anexo F
(normativo)

Sistemas de muros em solos reforçados com face


de malha ou tela metálica

F.1 Generalidades
Sistemas de muros em solos reforçados com face de malha ou tela metálica são estruturas de solo
reforçado que utilizam malhas tecidas metálicas ou telas eletrosoldadas metálicas para a constituição
do paramento frontal (face). Estas estruturas se apresentam com inclinação de face entre 30° e 90°,
sendo executadas por meio da compactação de camadas de solo, entre as quais são inseridos os reforços,
sendo simultaneamente constituído o paramento frontal (ver Figura F.1).
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a) Face em malha metálica b) Face em tela metálica

Figura F.1 – Muros e taludes de solo reforçado com face em malha metálica
e face em tela metálica

F.2 Materiais

F.2.1 Reforço

Utiliza-se reforços metálicos e geossintéticos em forma de geotêxteis tecidos e/ou geogrelhas de


polipropileno (PP), polietileno de alta densidade (PEAD), poliéster (PET) ou álcool polivinílico (PVA),
que possuam propriedades mecânicas adequadas para assegurar a estabilidade da estrutura de solo
reforçado, em níveis compatíveis com a finalidade da estrutura.

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Os efeitos da corrosão nos elementos metálicos (malhas e telas) utilizados como reforço devem ser
considerados no dimensionamento frente à vida útil de projeto. A determinação da resistência disponível
difere de acordo com a proteção contra corrosão adotada.

Os elementos metálicos, malhas e telas utilizadas como reforço, que não possuam proteção contra
corrosão ou que sejam galvanizados unicamente com Zinco (Zn), devem ter seu valor de Tchar (ver 5.4)
reduzido por meio da consideração de uma espessura de sacrifício. O diâmetro útil das barras, arames
ou fios é o diâmetro nominal menos a espessura de sacrifício.

Para malhas fabricadas com fios ou arames protegidos contra corrosão por galvanização com ligas
metálicas compostas, revestidas ou não por materiais poliméricos, o desempenho do produto frente
à vida útil desejada deve ser assegurado pelo fabricante com base em ensaios realizados por laboratórios
independentes a fim de justificar o valor de RFCH a ser empregado no cálculo de TD (ver 5.4). O valor
de RFCH deve considerar os efeitos indutores de corrosão devidos aos danos da camada de proteção
durante a instalação.

F.2.2 Elementos para faceamento

Compõem-se de elementos de face pré-fabricados, que podem ser preenchidos manualmente ou


mecanicamente com solo ou agregados de qualquer natureza (naturais, artificiais e industrializados).
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Estes elementos servem de forma permanente, para permitir o lançamento e compactação do material
de aterro ao seu tardoz e como ancoragem para o reforço da face.

Os efeitos da corrosão nos elementos metálicos (malhas e telas) utilizados como paramento devem
ser considerados no dimensionamento frente à vida útil de projeto.

F.2.3 Material de preenchimento da face

Os agregados ou solos a serem utilizados devem apresentar em projeto as características mecânicas


e durabilidade compatível com a obra, bem como dimensionais definidas em função do tipo e abertura
de malha utilizada.

A possibilidade de erosão interna entre materiais de granulometrias diferentes deve ser verificada e,
caso necessário, deve ser executada uma zona de transição ou aplicação de filtro geossintético.

Conexão entre o elemento de face e o reforço A conexão entre o elemento de face e o reforço assegura
a estabilidade da face frente aos empuxos decorrentes da compactação do solo, durante a construção
e, em condições de trabalho, ao longo da vida da estrutura. A conexão pode ser por atrito, encaixe, pinos,
grampos, ou outro sistema de ligação. Esta conexão deve ser ensaiada em laboratório, ou assegurada
por meio de análise de verificação ao arrancamento para cada tipo de reforço, tipo de face e tensão de
confinamento que se pretende utilizar. Sistemas construtivos comerciais devem ter ensaios realizados
por laboratórios independentes que atestem a eficiência da conexão dos reforços e faces que o sistema
utiliza. Sistemas que não possuem ensaios específicos entre reforços e faces devem ser ensaiados
previamente ao início da obra.

O fornecedor deve disponibilizar a resistência da conexão do sistema de face-reforço obtida nos ensaios
de laboratório.

Há sistemas em que o elemento de face e o reforço são contínuos, constituindo uma peça única, conforme
apresentado na Figura F.2. Nesses casos, dispensa-se a análise da conexão entre a face e o reforço.

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Figura F.2 – Elemento de face e reforço metálico contínuos, em peça única


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Anexo G
(normativo)

Sistemas de muros em solos reforçados com face envelopada

G.1 Generalidades
Muros e taludes em solo reforçado com face envelopada são estruturas com inclinação de face entre 30°
e 90°, executadas por meio da compactação de camadas de solo, entre as quais são inseridos os reforços,
sendo simultaneamente constituído o paramento frontal, por envelopamento do solo pelo reforço ou pela
simples conexão dos reforços com a face da estrutura. A montagem dos elementos da face na obra é
feita usualmente de forma manual com auxílio de formas perdidas ou removíveis.

G.2 Materiais
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G.2.1 Reforço
Utiliza-se reforços geossintéticos e/ou metálicos em forma de geotêxteis e/ou geogrelhas de
polipropileno (PP), polietileno de alta densidade (PEAD), poliéster (PET), álcool polivinílico (PVA) ou
malha metálica que possuam propriedades mecânicas adequadas para garantia da estabilidade e
deslocamentos do muro de solo reforçado em níveis compatíveis com a finalidade da estrutura.

Todo elemento de reforço deve ter sua resistência à tração disponível calculada de acordo com 5.4.

G.2.2 Face em formas perdidas


Compõe-se de elementos não recuperáveis, pré-fabricados ou montados in situ (ver Figura G.1),
que servem de forma para o confinamento do solo no paramento frontal das estruturas, permitindo
o envelopamento deste com o material de reforço. Estes elementos permitem o lançamento e a posterior
compactação do solo na região da face dos muros. Usualmente são empregadas sacarias preenchidas com
solo ou telas metálicas protegidas ou não contra corrosão, podendo ser associados outros geossintéticos
para auxiliar no confinamento do solo, como biomantas, geomantas, geotêxteis, georredes, entre outros.

Figura G.1 – Envelopamento com sacarias preenchidas no local

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G.2.3 Face em formas removíveis

A forma é composta de elementos recuperáveis, para permitir o envelopamento do solo pelo reforço e
o lançamento e compactação do solo na região da face dos muros (ver Figura G.2). Usualmente são
utilizadas formas removíveis de madeira ou metálicas, encaixadas na face do muro a cada camada,
podendo ser empregadas outras técnicas.
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Figura G.2 – Envelopamento com fôrmas removíveis

G.2.4 Envelopamento da face

O comprimento de ancoragem de envelopamento da face deve ser calculado para cada camada, com
recomendação de um valor mínimo de 1,0 m.

G.3 Proteção definitiva da face


Em obras permanentes, a face envelopada, com reforços suscetíveis a danos por exposição ao meio
ambiente (ultravioleta, ambientes quimicamente agressivos aos reforços etc.), deve ter uma proteção
para evitar a exposição do reforço à degradação ambiental e a danos por vandalismo. Usualmente são
utilizadas como proteção paredes de alvenaria, concreto projetado e vegetação, podendo ser empregadas
outras técnicas.

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Bibliografia

[1]  Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo. DER-SP M145. Método de
determinação da umidade de solos pelo speedy. São Paulo, 1960.
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