Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte I

Trotskismo X Leninismo
Lições da História

Harpal Brar
Tradução – Pedro Castro

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Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte I

Parte I Sobre o Partido de Vanguarda da Classe Operária e a Teoria de Lênin da Revolução versus a Teoria de Trotsky da 'Revolução Permanente'
Capítulo 1 Introdução à Parte I..................................................................................................................................................2 Capítulo 2 Partido do Proletariado
A Idéia de Lênin de um Partido Proletário de Novo Tipo e o Liquidacionismo de Trotsky.........................9

Capítulo 3 Teoria da Revolução
Teoria da Revolução de Lênin versus Teoria da 'Revolução Permanente' de Trotsky................................. 27

Capítulo 4 Conclusão da Parte I
O Trotskismo - Inimigo da Revolução Proletária e dos Movimentos de Libertação Nacional...................45

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Parte I
Sobre o Partido de Vanguarda da Classe Operária e a Teoria de Lênin da Revolução versus a Teoria de Trotsky da 'Revolução Permanente' "Em sua luta pelo poder, o proletariado não tem outra arma senão a organização" "Sem uma teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário" Lênin Capítulo 1 Introdução à Parte I O trotskismo é uma ideologia burguesa dentro das fileiras da classe operária. A menos e até que o trotskismo seja sepultado ideologicamente, até que seja afastado do movimento da classe operária, ele continuará a causar grande confusão e dano e continuará, portanto, a desagregar a organização do proletariado para uma revolução proletária. Daí a necessidade de extirpar o trotskismo. Daí a necessidade de entender o trotskismo como uma tendência ideológica. No momento, na Inglaterra, o trotskismo é apenas uma tendência ideológica burguesa, errônea, antileninista e anticomunista no interior do movimento da classe operária, obtendo apoio à base de uma plataforma antileninista e anticomunista, mesmo quando seus antileninismo e anticomunismo são camuflados sob a máscara de luta contra o 'stalinismo' ou contra a 'burocracia stalinista'. É por causa da natureza antileninista de seu programa que a intelligentsia pequeno-burguesa e aqueles de orientação individualista, particularmente os jovens universitários, consideram o trotskismo muito atraente. Daí a esmagadora composição pequeno-burguesa da maioria das organizações trotskistas na Inglaterra. Contudo, a despeito da composição pequeno-burguesa da maioria das organizações trotskistas, é inegável que o trotskismo continua a desfrutar de apoio entre certos segmentos da classe operária. Por quê? Porque o trotskismo, em conseqüência da bancarrota do revisionista Partido Comunista da Grã-Bretanha (PCGB), tornou-se capaz de apresentar-se como uma alternativa da 'esquerda militante' ao revisionismo; porque o movimento marxistaleninista neste país é realmente muito fraco; e porque não há ainda um verdadeiro partido marxista-leninista revolucionário do proletariado. Quando o movimento marxista-leninista crescer, entretanto, e o trotskismo se tornar correspondentemente fraco, o trotskismo cessará de ser apenas outra tendência - antileninista, anticomunista, errônea, contudo uma tendência - e tenderá cada vez mais a se tornar, como Stalin previu, "uma gangue frenética e sem princípios de vândalos, diversionistas, espiões e assassinos, agindo sob as instruções dos serviços de inteligência... "-ou seja, um destacamento avançado da burguesia. O trotskismo
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transformou-se precisamente em tal destacamento da burguesia na década de 1930. Fez uma aliança com o fascismo; tentou ao máximo provocar a derrubada do primeiro Estado da classe operária, ou seja, a URSS - e não há nenhuma dúvida em nossas mentes de que bastaria a necessidade surgir novamente para o trotskismo reverter à posição que ocupou nos anos 30. De tendência burguesa no movimento da classe operária, seria transformado em um destacamento avançado da burguesia. Esta é a razão pela qual devemos realizar um estudo do conteúdo do trotskismo e da razão de sua degeneração. Expor o trotskismo como uma ideologia contra-revolucionária, uma ideologia que é antileninista e que pode, se seguida pelos operários, apenas levar à sua própria escravização, é da maior importância, do ponto de vista do desenvolvimento do movimento revolucionário neste país. Alguns camaradas sinceros algumas vezes afirmam que 'o trotskismo é contra-revolucionário, não precisamos perder tempo com ele. Todo mundo sabe que ele é contrarevolucionário.' Esta visão é incorreta. Nem todo mundo sabe que o trotskismo é contra-revolucionário. O trotskismo exerce considerável influência. É, portanto, nosso dever, cientificamente, arrancar a máscara de ultra-esquerda' de sua face e expor sua real feição de direita. E devemos expor isso recorrendo à verdade e à documentação histórica, não a mexericos - o método favorito dos trotskistas. É nosso dever não tratar o trotskismo como uma piada (mesmo que corretamente tratemos certos trotskistas como tal), porém como uma ideologia que está causando sérios danos ao movimento da classe operária. Devemos refutar esta ideologia burguesa cientificamente e provar aos operários (não apenas a nós mesmos) que o trotskismo é uma ideologia burguesa contra-revolucionária que é anticomunista e antileninista, embora por motivos de conveniência e dissimulação prefira operar sob a bandeira do 'marxismo-leninismo'. Lênin encetou uma luta persistente e implacável contra o trotskismo, e o trotskismo foi derrotado e lançado ao monte de lixo, que era o seu lugar, pelos acontecimentos que levaram à Revolução de Outubro. O próprio fato de que, poucas semanas antes da Revolução de Outubro, Trotsky tenha sido forçado pelos acontecimentos - pela realidade - a abandonar sua posição anterior, juntando-se ao Partido Bolchevista, e aceitar o programa do Partido Bolchevista, basta para provar que o trotskismo foi completamente desacreditado e refutado. Após a morte de Lênin, o trotskismo fez outra tentativa de dar a volta por cima e substituir o leninismo. Sofreu um completo desastre, como será visto nos capítulos sobre os processos de Moscou. Foi derrotado. Desde a metade dos anos 50, o trotskismo fez outra tentativa de substituir o leninismo com algum grau moderado de sucesso. Isto porque o trotskismo foi ressuscitado e ganhou novo fôlego de vida graças à traição do marxismo-leninismo pelo grupo de renegados revisionistas dirigentes da União Soviética. No 20° Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) teve lugar um golpe de Estado que levou ao poder o grupo de renegados e pelegos chefiados por N. S. Kruchev, cujo principal objetivo era restaurar o capitalismo na União Soviética. Isto não poderia ser
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realizado, entretanto, sem ao mesmo tempo desacreditar as conquistas da construção socialista durante os 30 anos anteriores ao 20° Congresso do Partido e desacreditar também o homem sob cuja liderança essas conquistas da construção socialista tinham sido alcançadas. É sob este prisma que o ataque ao camarada Stalin tem de ser entendido. Os revolucionários de todo o mundo tinham tremendo respeito e afeição pelo grande marxista-leninista que manteve alta a bandeira do marxismo-leninismo, a bandeira da revolução proletária. Stalin defendeu, o mais resoluta e corajosamente, a ditadura do proletariado na União Soviética contra os inimigos da classe operária dentro e fora do movimento da classe operária. Mao Tse-tung, o grande líder da revolução chinesa, disse o seguinte no 60° aniversário do nascimento de Stalin: "Stalin é o líder da revolução mundial. Isto é de suprema importância. É um grande acontecimento que a humanidade tenha sido abençoada com Stalin. Enquanto o tivermos, as coisas irão bem. Como todos sabem, Marx morreu e depois também Engels e Lênin. Se não houvesse Stalin, quem daria a orientação? Porém tê-lo - isto é realmente uma bênção. Agora existe no mundo uma União Soviética, um Partido Comunista e também um Stalin. Assim, os acontecimentos do mundo podem ir bem." Isto realmente resume os sentimentos do povo revolucionário em todo o mundo sobre a questão de Stalin. Precisamente por esta razão tornou-se uma necessidade suprema para os inimigos da classe operária atacarem o camarada Stalin antes que pudessem derrotar o leninismo na terra de Lênin, antes que eles pudessem capturar a fortaleza por dentro e pavimentar o caminho para a restauração capitalista. O ataque do grupo renegado revisionista não foi um ataque a Stalin como indivíduo. Foi um ataque ao Partido Bolchevique, um ataque a seus métodos e formas de organização, um ataque à construção socialista conduzida sob a liderança do Partido Bolchevique, dirigido pelo camarada Stalin, um ataque à vitória da União Soviética sob a liderança do Partido Bolchevique e de Stalin na guerra antifascista. Foi somente quando Stalin emergiu através da luta como o porta-voz mais representativo do Partido Bolchevique que ele atraiu para si o ódio de todos os reacionários. E é nesta oposição e em seu ataque ao Partido Bolchevique e à ditadura do proletariado que os dirigentes renegados revisionistas na União Soviética são indistinguíveis dos trotskistas. Seria de surpreender, então, que aquela "campanha frenética contra Stalin por dirigentes do PCUS capacitasse os trotskistas, que tinham se tornado fazia tempo cadáveres políticos, a se soerguerem outra vez e clamarem pela 'reabilitação' de Trotsky"? (Segundo Comentário sobre a Carta Aberta do Comitê Central do PCUS, pelo Partido Comunista da China, 13 de setembro de 1963]. Assim, como uma conseqüência do 20° Congresso do Partido, o trotskismo, longamente desacreditado e sepultado pela população mundial, foi exumado do seu túmulo para causar confusão no seio do proletariado.

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Em um país como a Inglaterra, onde os trotskistas estão mais enraizados do que em qualquer outro país avançado da Europa ocidental, eles estão relativamente bem situados para iludir a classe operária e as massas militantes. Tendo em vista o que foi dito, torna-se dever de todo revolucionário marxistaleninista encetar uma feroz e implacável luta contra o trotskismo, que nada mais é do que uma influência ideológica da burguesia dentro das fileiras da classe operária. Porém, a fim de encetar uma luta contra o trotskismo, devemos antes de tudo saber a natureza do trotskismo, os métodos por ele adotados e as formas pelas quais ele faz seu aparecimento repulsivo de tempos em tempos. A essência do trotskismo repousa no fato de que há uma ideologia burguesa, não proletária, que é irremediavelmente oposta ao leninismo, ao bolchevismo revolucionário. Esta verdade deve ser plenamente compreendida pelos revolucionários e proletários de todas as partes. O trotskismo é oposto ao leninismo em questões tão importantes como a natureza e o papel do Partido, a teoria da revolução e o papel da direção. De 1903 até a Revolução de Outubro, o trotskismo como uma ideologia estava engajado em uma severa luta contra o leninismo e contra o bolchevismo. De fato, o trotskismo nunca cessou de se empenhar numa luta feroz contra o leninismo. Enquanto antes da Revolução de Outubro o trotskismo engajou-se em um ataque aberto, frontal, ao leninismo, durante e após a Revolução de Outubro ele adotou a política de sub-reptício solapamento do leninismo, sempre sob a camuflagem de 'louvar' Lênin e o leninismo, é claro. Isto porque o trotskismo tinha se tornado fraco e se mostrado inútil por três revoluções na Rússia - A Revolução de 1905, a Revolução de Fevereiro de 1917 e a Grande Revolução Socialista de Outubro, também de 1917. O leninismo, por outro lado, tinha emergido vitorioso e tinha comprovado sua correção, tendo resistido ao teste de três revoluções. Assim o camarada Stalin descreveu o fraco trotskismo, pós Revolução de Outubro: "O novo trotskismo não é uma mera repetição do velho trotskismo; suas plumas foram arrancadas e ele está um tanto murcho; é incomparavelmente mais brando no espírito e mais moderado na forma do que o velho trotskismo; porém, na essência, ele indubitavelmente mantém todos as características específicas do velho trotskismo. O novo trotskismo não se atreve a apresentar-se como uma força militante contra o leninismo; prefere operar sob a bandeira comum do leninismo, sob o slogan de interpretar e aprimorar o leninismo. Isto porque ele é débil. Não pode ser considerado um acidente que o aparecimento do novo trotskismo coincidiu com o desaparecimento de Lênin. No tempo de vida de Lênin, ele não teria se atrevido a dar este passo arriscado" (Problemas do leninismo). Agora se deve acrescentar algo a esta profunda observação do camarada Stalin sobre as características específicas do novo trotskismo, a saber, que o trotskismo não mais se atreveu a desfechar ataques diretos, abertos ou sub-reptícios, contra o leninismo. Ao contrário, agora perseguiu o mesmo objetivo de atacar o leninismo e tentar substituí-lo pelo trotskismo pelo método indireto e dissimulado, e por isso incomparavelmente mais perigoso e nocivo, de atacar todos os fundamentos do
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leninismo ao atacar Stalin e o 'stalinismo', sempre, é claro, em nome de defender o leninismo. O caráter real do trotskismo é o uso de frases 'esquerdistas' com o propósito de encobrir uma falta de fé na classe operária e nas amplas massas do povo e uma capitulação ao capitalismo. A essência do trotskismo é revelada não por sua fraseologia ultra-'esquerdista', mas por suas atividades muito distantes da esquerda: fraseologia ultra-'esquerdista' para encobrir as ações ultracontrarevolucionárias -tal é a natureza do trotskismo. Há muitas pessoas que, tendo sido doutrinadas pelas lendas e mentiras burguês-trotskistas, tendem a dizer: 'Trotsky foi um camarada em armas junto a Lênin; Trotsky nunca disse qualquer coisa contra Lênin; Trotsky foi um bolchevique que esteve engajado na defesa do leninismo na luta deste contra o stalinismo' e assim por diante. Porém, tal visão é equivocada e mostra uma falta de consciência completa, assim como uma ignorância completa da verdade histórica. Que Trotsky lutou ferozmente contra o leninismo e o bolchevismo revolucionário e que Lênin desfechou uma luta sem tréguas contra o trotskismo contra-revolucionário durante um longo período (de 1903 a 1917 - antes da Revolução de Outubro e depois) são fatos históricos bem conhecidos que 'escaparam à atenção' dos trotskistas, porque eles não querem saber a verdade ou porque são, para usar a terminologia de Lênin, completamente ignorantes e jovens de calças curtas que nunca aprenderam ou leram qualquer história do bolchevismo revolucionário, mas simplesmente ocorreu irem aos círculos trotskistas "onde a moda é andar nu", no que se refere ao conhecimento do leninismo e de tudo que ele representa. Que Trotsky desfechou ataques perversos contra o leninismo e Lênin não é uma 'invenção' de Stalin, como os trotskistas usualmente afirmam, pode ser deduzido dos seguintes trechos de uma carta de Trotsky a Chkiedze, escrita em 1913: "O edifício inteiro do leninismo é construído sobre mentiras e falsificação e carrega dentro de si os elementos venenosos de sua própria decadência." Mais adiante, na mesma carta, Trotsky descreve Lênin como: "um explorador profissional de todo tipo de atraso no movimento da classe operária russa". Aqui, da boca do próprio Trotsky, tem-se em forma pura a verdadeira visão que Trotsky tinha do leninismo: ele considera "o edifício inteiro do leninismo" como tendo sido "construído sobre mentiras e falsificação" e considera Lênin como um "explorador profissional de todo tipo de atraso no movimento da classe operária russa ". E no entanto, isso não impediu que Trotsky, após a morte de Lênin, reivindicasse ser o maior lutador leninista contra a "burocracia stalinista". Nem impediu que os trotskistas de hoje, em sua incessante luta contra o leninismo, que igualmente apresentam-se incessantemente como defensores do leninismo contra a "burocracia stalinista", usem o nome do grande Lênin e afirmem falsidades tão completas como a de que Trotsky foi camarada em armas de Lênin e um grande leninista.
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A verdade é que o trotskismo está tão longe do leninismo como a terra está longe do céu. A verdade é que o trotskismo lutou contra o leninismo no passado e está lutando contra o leninismo agora. Antes da Revolução de Outubro ele lutou contra o leninismo abertamente; desde a Revolução de Outubro engajou-se numa luta não tão aberta contra o leninismo. Atualmente luta contra o leninismo indiretamente, desfechando ataques odiosos contra Stalin e o "stalinismo". Por quê? Porque denunciar Stalin é uma precondição necessária à denúncia do leninismo e do bolchevismo, da ditadura do proletariado e da construção do socialismo na URSS durante o tempo de Lênin e Stalin. Stalin foi um grande marxista-leninista que aplicou o leninismo com sucesso, nas condições prevalecentes na URSS e no mundo, por três décadas. Foi sob sua liderança leninista, e enfrentando a direta oposição trotskista, que o povo soviético construiu o socialismo na Rússia e levou os povos do mundo à guerra antifascista. Estas são realizações certamente gloriosas. Se são negadas, o que então resta do leninismo? Não está claro, então, para todo o mundo, que este ataque ao 'stalinismo' é certamente um ataque ao leninismo, que ele representa outra - ainda outra! - tentativa de Trotsky de substituir o leninismo pelo trotskismo? É assim que o Trotskismo usa o 'leninismo' para lutar contra o leninismo. Se o trotskismo luta contra o leninismo abertamente ou não tão abertamente é uma questão de detalhe técnico. Pertence ao reino da metodologia. Porém, a realidade crua permanece imutável, isto é, o trotskismo ocupa-se em atacar o leninismo (reconhecidamente, de maneira mais sofisticada do que antes de 1917, mas de qualquer forma atacando o leninismo). Em resumo, o trotskismo é antileninista, antibolchevique. É contrarevolucionário. O leninismo, por outro lado, é o bolchevismo revolucionário: "O bolchevismo é o marxismo da era do imperialismo e da revolução proletária. Para ser mais exato, o leninismo é a teoria e a tática da revolução proletária em geral, a teoria e a tática da ditadura do proletariado em particular" (Stalin, Fundamentos do Leninismo). Estas duas ideologias - o trotskismo de um lado e o leninismo do outro -são inconciliavelmente hostis uma à outra. Não se pode aceitar uma dessas ideologias sem ao mesmo tempo descartar a outra. Não se pode ser um leninista sem rejeitar o trotskismo. Nem se pode ser um trotskista sem rejeitar o leninismo. É uma coisa ou outra: trotskismo ou leninismo. Propomo-nos agora a fundamentar essas afirmações. Para fazê-lo, isto é, mostrar a natureza real do trotskismo, mostrá-lo em sua forma oportunista, contrarevolucionária, despindo-o de toda sua fraseologia ultra-esquerdista, será necessário recorrer, ainda que brevemente, à teoria e à prática de Trotsky e seus seguidores, isto é, ao ponto de vista teórico e prático do trotskismo sobre os acontecimentos e movimentos mais importantes de um período bem mais longo que meio século. Qual foi, por exemplo, a posição adotada por Trotsky a respeito do Partido Bolchevique, e
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qual foi sua estratégia e tática para a revolução russa? Seria necessário investigar a posição de Trotsky e seus seguidores sobre a controvérsia em torno da questão da construção do socialismo em um só país e depois passar a revisar a reação de Trotsky e seus seguidores frente à derrota de sua política de oposição à construção do socialismo em um só pais: Trotsky e seus seguidores, por exemplo, recorreram às atividades anti-Partido, ao terror e ao assassinato, ao vandalismo e à sabotagem para realizar o que tinha sido derrotado pela esmagadora maioria do proletariado soviético? Eles deram ou não deram as mãos aos fascistas, para o propósito de atacar o Estado dos operários, pelos quais seu ódio era tão extremo que eles estavam dispostos a fazer aliança com os nazistas? Eles tentaram ou não tentaram sabotar os movimentos da Frente Popular ao redor do mundo, antes da Segunda Guerra Mundial? Eles sabotaram ou não, com sucesso, a Frente Popular na Espanha, com isso contribuindo para a vitória dos fascistas liderados por Franco naquele país? Também examinaremos o ponto de vista de Trotsky e do resto da oposição a respeito da revolução chinesa.

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Capítulo 2
Partido do Proletariado: A Idéia de Lênin de um Partido Proletário de Novo Tipo e o liquidacionismo de Trotsky Importância do Partido "Em sua luta pelo poder, o proletariado não tem outra arma senão sua organização. Desunido pelo regime da competição anárquica no mundo burguês, esmagado pelo trabalho forçado para o capital, constantemente empurrado para o fundo do poço da completa indigência, selvageria e degeneração, o proletariado somente pode tornar-se, e inevitavelmente tornar-se-á, uma força invencível, quando sua unificação ideológica, pelos princípios do marxismo, seja consolidada pela unidade material de uma organização que reunirá milhões de trabalhadores em um exército da classe operária" (Lênin:One Step Forward Two Steps Back). Devido à luta do leninismo contra o individualismo pequeno-burguês e o 'anarquismo aristocrático', é agora uma conclusão inescapável para nós, marxistasleninistas que, para haver uma revolução proletária deve haver um partido do proletariado para conduzir o proletariado e as amplas massas dos milhões de trabalhadores para fazerem tal revolução. Esta verdade, sobre a qual não é necessário insistir demais, está confirmada pela história das revoluções proletárias na Rússia, na China etc. Tomemos a Rússia, por exemplo. Com a grande Revolução socialista de Outubro, o total da humanidade deu um gigantesco passo adiante. A Revolução de Outubro conduziu a uma nova era - a era da revolução proletária e da queda do capitalismo. Após a Revolução de Outubro, dentro de muito pouco tempo, a Rússia atrasada, ignorante e bárbara tornou-se um Estado socialista altamente desenvolvido cultural e economicamente, cuja economia planejada e desenvolvimento econômico tornou-se tema de estudo nas mãos de economistas de todo o mundo. Os aplausos à Revolução de Outubro levaram o proletariado russo, inicialmente atrasado, à cabeça do movimento proletário mundial, transformaram a Rússia de uma 'prisão de povos' em uma livre fraternidade de povos. Como tal transformação, declarada absurda pela maioria dos próprios lideres 'socialistas', foi possível? Como, no curto espaço de 20 anos, sem qualquer ajuda de fora, enfrentando a mais furiosa hostilidade dos capitalistas e da oposição trotskista, a URSS foi capaz de avançar à base de seus próprios recursos e construir uma sociedade socialista? Trotskismo x Leninismo Foi possível graças a:

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(1) devoção e energias criativas das grandes massas nas fábricas, nas minas e nas terras. Sem a cooperação e a participação das massas, o tipo de transformação social bem sucedida realizada na URSS teria sido impossível. Foi por causa da cooperação e participação do povo soviético que a União Soviética fez tremendos avanços em todos os campos - econômico, militar, ideológico e cultural - a despeito do fato de que a revolução não tinha especialistas próprios e teve que se valer de especialistas que restaram do tzarismo e do capitalismo, muitos dos quais eram os maiores inimigos do bolchevismo e, conseqüentemente, da Revolução de Outubro. Sem o sincero apoio, cooperação, entusiasmo e trabalho heróico de milhões e milhões das massas russas, o tremendo avanço feito pela URSS não teria sido alcançado. (2) direção de um partido revolucionário. Não seria exagero dizer que o Estado soviético não teria sobrevivido, muito menos desenvolvido, nessas condições, se os operários russos não tivessem sido dirigidos por um partido revolucionário -um partido que à base da qualidade de seus líderes, do seu auto-sacrifício e heroísmo, ganhou sua confiança; um partido que eles estavam dispostos a seguir em todos os estágios da luta, antes, durante e depois da revolução. Sem o partido, o proletariado não poderia realizar a ditadura do proletariado nem manter, consolidar e expandir esta ditadura a fim de assegurar a criação das condições materiais e espirituais para a vitória completa do socialismo, a criação das condições para a transição da sociedade da fase mais baixa do comunismo (socialismo) para a fase mais elevada do comunismo, isto é, a criação das condições para o desaparecimento gradual do Estado, quando a humanidade será capaz de implementar a fórmula: "de cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com suas necessidades" (Marx, Crítica do Programa de Gotha). Em 1920, Lênin teve oportunidade de enfatizar a importância de um Partido verdadeiramente revolucionário e disciplinado, inseparavelmente conectado com e desfrutando a confiança e apoio da classe operária: "Certamente, quase todo mundo agora entende que os bolcheviques não poderiam ter-se mantido no poder por dois meses e meio, muito menos dois anos e meio, sem a disciplina mais rigorosa, verdadeiramente férrea, em nosso Partido, e sem o apoio mais pleno e sem reservas a este pela massa total da classe operária, isto é, de todos os seus elementos pensantes, honestos, dispostos ao auto-sacrifício e influentes, capazes de arrastar consigo o estrato mais atrasado" (Lênin, CW, Vol 31, p. 23, 'Left Wing' Communism - An Infantile Disorder). A fim de realizar, manter e expandir a ditadura do proletariado, é necessário criar "entre as massas proletárias uma força cimentadora e um baluarte contra as influências corrosivas das forças elementares pequeno-burguesas e contra os hábitos pequeno-burgueses" (Stalin, Foundations of Leninism). É necessário imbuir o proletariado a compreender-se como uma força capaz de conduzir a humanidade a seu objetivo de uma sociedade comunista sem classes. Porém, a sociedade sem classes só pode ser alcançada através de uma era da mais obstinada luta de classe, durante a

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qual o proletariado necessita de seu partido - um partido de ferro, que seja temperado na luta. "A ditadura do proletariado", diz Lênin, "é uma luta obstinada - sangrenta e sem sangue, violenta e pacífica, militar e econômica, educacional e administrativacontra as forças e tradições da velha sociedade. A força do hábito de milhões e dezenas de milhões é uma força muito terrível. Sem um partido de ferro temperado na luta, sem um partido que detenha a confiança de todos que são honestos na dada classe, sem um partido capaz de proteger e influenciar o ânimo das massas, é impossível conduzir tal luta com sucesso" (Lênin, ibid., p. 44). Quando falamos de disciplina de ferro em um partido de vanguarda do proletariado verdadeiramente revolucionário, isto significa uma 'cega' disciplina? Tal disciplina de ferro exclui todo debate e toda possibilidade de conflito de opiniões dentro do partido? Não, não é isso que significa. A disciplina verdadeiramente de ferro não apenas não exclui o debate, a crítica e a possibilidade de conflito de opinião dentro do partido, mas, ao contrário, pressupõe tal crítica, debate e conflito de opiniões. A disciplina de ferro em um partido verdadeiramente revolucionário está baseada na submissão consciente e voluntária de seus membros e em sua unidade de vontade e unidade de ação. Sem tal unidade de vontade e unidade de ação, sem submissão voluntária e consciente, a disciplina de ferro é impossível. Eis o que Lênin diz sobre a questão da manutenção da disciplina em um partido revolucionário: "E antes de tudo apresenta-se a questão: como manter a disciplina de um partido do proletariado? Como testá-la? Primeiro, pela consciência de classe da vanguarda proletária e por sua devoção à revolução, por sua perseverança, autosacrifício e heroísmo. Segundo, por sua capacidade de ligar-se com, manter-se em contato com e, até certo ponto, se necessário, unir-se com as massas mais amplas dos trabalhadores - primeiramente com o proletariado, porém também com as massas laboriosas não proletárias. Terceiro, pela correção da direção política exercida por esta vanguarda, pela correção de suas estratégia e tática políticas, desde que as amplas massas estejam convencidas, por sua própria experiência, de que elas estão corretas. Sem essas condições, a disciplina em um partido revolucionário, que seja realmente capaz de ser o partido da classe avançada, cuja missão é derrotar a burguesia e transformar o conjunto da sociedade, não pode ser realizada. Sem estas condições, toda tentativa de estabelecer a disciplina inevitavelmente cairá por terra e terminará em chavões e caretas. Por outro lado, estas condições não podem surgir todas de uma só vez. Elas são criadas somente pelo esforço prolongado e pela experiência duramente adquirida. Sua criação é facilitada pela teoria revolucionária correta que, por sua vez, não seja um dogma, mas assuma forma final somente em conexão íntima com a atividade prática de um movimento verdadeiramente de massa e verdadeiramente revolucionário" [ibid. p. 24-25). Para os marxistas-leninistas, para os revolucionários verdadeiramente proletários, o papel de um partido de vanguarda do proletariado e as conexões que tal partido deve manter com as massas mais amplas dos trabalhadores nunca devem ser superestimadas. Porém, para os intelectuais pequeno-burgueses é quase impossível
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compreender a importância de um partido revolucionário do proletariado. Esses intelectuais pequeno-burgueses nunca foram e nunca serão (mesmo que se digam 'socialistas') capazes de compreender o grande papel desempenhado pelo Partido Bolchevique durante todos os estágios - antes, durante e depois - da revolução. A massa da intelligentsia pequeno-burguesa é somente capaz de ver os dirigentes e uma massa de seguidores: Lênin fez isto, ou Stalin fez aquilo. Eles se recusam, obstinadamente, à maneira da intelligentsia de inclinação individualista, a reconhecer a importância e o papel do Partido, o papel deste instrumento singular, criado sob a direção de Lênin, que conduziu o povo russo através de todas as dificuldades ao estabelecimento da ditadura do proletariado, a lutar contra a agressão armada imperialista estrangeira, em comunhão com os reacionários e traidores internos - os guardas brancos - e, finalmente, a construir o socialismo em um país atrasado. Foi precisamente esta incapacidade da intelligentsia pequeno-burguesa e mesmo de alguns "socialistas" que levou Lênin a salientar repetidamente o importante papel representado pelo Partido Bolchevique e suas ligações e relações com as massas. Isso provocou a seguinte observação de Lênin: "Não seria melhor se as saudações em honra do poder soviético e dos bolcheviques fossem freqüentemente acompanhadas por uma análise profunda das razões pelas quais os bolcheviques foram capazes de construir a necessária disciplina do proletariado revolucionário?" Mostramos antes a importância de uma vanguarda revolucionária - um partido do proletariado - que é inseparavelmente ligado às massas trabalhadoras, proletárias e não proletárias. E reiteramos que os intelectuais pequeno-burgueses (entre esses intelectuais pequeno-burgueses devem ser incluídos os trotskistas) não podem senão reduzir as questões organizacionais e políticas a um nível pessoal-individual. Eles são incapazes de ver a luta entre duas linhas sobre questões políticas, organizacionais e táticas como outra coisa que não seja uma luta entre dois indivíduos. É por isso que, a partir de 1923, os aristocratas citados viu apenas uma luta entre Trotsky e Stalin por domínio pessoal. Isto, esperamos provar recorrendo a fatos históricos e documentação (e não pelo método adotado pelos trotskistas, a saber, o de simples conversa fiada e mentiras), está errado e continua a ser assim. A luta entre Stalin e Trotsky não foi uma luta entre dois indivíduos mas uma luta entre duas linhas; foi uma luta entre o leninismo revolucionário e o trotskismo contra-revolucionário; foi uma continuação, após a morte de Lênin, da mesma luta entre o leninismo e o trotskismo que tinha ocorrido durante o tempo de vida de Lênin, cobrindo um período de 20 anos. A única diferença era que agora Lênin estava morto, o leninismo estava sendo mantido pelo Partido Bolchevique e na sua direção estava Stalin. Trotsky e seus seguidores, tendo em vista a fraca posição do trotskismo, consideraram necessário efetuar uma mudança em sua tática. Não era mais possível aos trotskistas atacarem o leninismo aberta e diretamente, como eles tinham sido capazes de fazer antes de 1917. Eles então adotaram a sutil e tortuosa - e daí mais nociva - tática de atacar as políticas leninistas do Partido Bolchevique à guisa de estarem atacando o 'stalinismo', a fim de,
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naturalmente, atingir o leninismo. Assim foi que Trotsky e seus seguidores pensaram desacreditar as políticas leninistas do Partido Bolchevique dirigido por Stalin. Este foi de fato um exemplo clássico do uso do nome de Lênin para lutar contra o leninismo contra seu conteúdo interno completo - um exemplo óbvio de brandir a bandeira vermelha com o objetivo de opor-se a ela e um exemplo óbvio dos costumeiros embustes fraudulentos trotskistas. É neste contexto que o ataque de Trotsky a Stalin deve ser entendido. Não era um ataque dirigido contra Stalin como um indivíduo, porém contra alguém que durante o curso da luta tinha emergido como o porta-voz mais representativo do Partido Bolchevique que estava mantendo, defendendo e aplicando o leninismo. O alvo principal dos ataques de Trotsky, portanto, não era Stalin, porém o Partido Bolchevique. Era o bolchevismo-leninismo revolucionário que estava sob ataque. Era um ataque aos métodos e formas de organização do Partido Bolchevique - um ataque às políticas leninistas fundamentais perseguidas pelo Partido. Não Trotsky versus Stalin, mas trotskismo versus leninismo, esta é a formulação verdadeira das relações de Trotsky com a revolução russa; Trotsky versus o Partido Bolchevique com sua política leninista. É assim que a questão se coloca no que diz respeito às relações de Trotsky com o Partido Bolchevique, antes e depois da Revolução e antes, bem como depois, da morte de Lênin. Em praticamente todos os maiores acontecimentos, a linha de Trotsky estava em conflito com a linha adotada pelo Partido Bolchevique, e a prática provou que, m cada uma dessas ocasiões, sua linha estava inteiramente incorreta e totalmente fracassada. Todavia, isto não impediu Trotsky, após a morte do grande Lênin, de bradar, com sua usual imodéstia, que o Partido Bolchevique tinha estado errado e ele tinha estado certo todo o tempo. Pode-se entender que, quando os trotskistas atualmente dizem mentiras e são indulgentes com a vaidade pequeno burguesa, eles estão apenas emulando - ou melhor, tentando emular - o seu próprio líder, Trotsky. A luta de Lênin para construir um partido revolucionário do proletariado e a luta de Trotsky para obstruir a construção do partido Após a revolução bolchevique, Trotsky fingiu aprovar, naturalmente, o Partido Bolchevique - o Partido que, antes de 1917, ele tinha feito de tudo para impedir que se formasse. Durante o período em que Lênin estava ocupado desenvolvendo o Partido, Trotsky maliciosamente atacou Lênin e esgotou seu nada pequeno vocabulário de injúrias em opor-se a tudo que Lênin estava tentando fazer. Lênin estava tentando construir um partido revolucionário centralizado, capaz de conduzir seu trabalho em desafio à polícia tzarista. Sob as condições então prevalecentes na Rússia tzarista, era impossível construir tal partido de forma democrática aberta, sem, ao mesmo tempo, sujeitar os membros do partido a freqüentes prisões nas mãos da polícia secreta tzarista. Por isso, Lênin acreditava que a filiação ao Partido não deveria estar aberta a qualquer um que manifestasse desejo de ingressar no Partido1. Vários comitês urbanos
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do partido eram selecionados pelo Comitê Central, e todos os comitês tinham o direito de co-opção. No Segundo Congresso do Partido do Trabalho Social Democrático da Rússia (RSDLP), realizado em Londres em 1903, este conflito veio à baila e Trotsky, aliado da ala direita do Congresso, opôs-se violentamente ao ponto de vista de Lênin sobre as questões organizacionais. Lênin foi derrotado nesta questão por uma maioria de dois ou três votos. Camaradas, valerá a pena verificar em um pouco mais de detalhes os acontecimentos deste Congresso. Os três principais itens da agenda deste Congresso eram: 1. A adoção do programa do Partido; 2. A adoção dos estatutos do Partido (constituição), e 3. A eleição dos dirigentes. Embora os oportunistas no Congresso fossem totalmente contrários ao programa do Partido, e particularmente à inclusão no Programa do Partido da questão da ditadura do proletariado, das demandas sobre a questão camponesa e do direito das nações de autodeterminação, eles não deram prioridade à luta sobre a questão da adoção do programa. A principal luta entre as duas alas (a primeira sendo a ala revolucionária dirigida por Lênin e apoiada por Plekhanov2 e outros iskraístas estáveis; a outra sendo a ala oportunista dirigida por Martov e apoiada por Trotsky e outros iskraístas1 instáveis, o centro (isto é, o "pântano" - e os antiiskraístas, isto é, os economistas e os bundistas) que teve lugar no Segundo Congresso do Partido foi desenvolvida em torno da questão dos estatutos do Partido e da eleição dos dirigentes. As diferenças mais contundentes surgiram sobre a formulação do primeiro parágrafo dos estatutos, que tratava da filiação ao Partido - quem poderia ser um membro do Partido? Qual seria a natureza e a composição do Partido? Qual seria a natureza organizacional do Partido? Essas foram as questões que surgiram em conexão com o parágrafo Io dos estatutos do Partido. A formulação de Lênin versus a formulação de Martov das condições de filiação ao Partido De acordo com a formulação de Lênin, poder-se-ia ser membro do Partido somente se fossem satisfeitas as seguintes três condições: a) aceitação do programa do Partido; b) apoio financeiro ao Partido; e c) pertencer a uma das organizações do Partido, isto é, participar ativamente da organização.

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De acordo com a formulação de Martov, apoiado por Trotsky e outros oportunistas, somente as primeiras duas condições deveriam ser preenchidas para qualificar a filiação ao partido. A terceira era, em sua visão, inteiramente desnecessária e, portanto, poderia ser dispensada. Lênin considerava o Partido como um destacamento organizado de vanguarda da classe operária e considerava, portanto, que seus membros não poderiam simplesmente ingressar no Partido. Ao contrário, eles tinham de ser admitidos no Partido por uma de suas organizações e, conseqüentemente, teriam de se submeter à disciplina do Partido. Mas de acordo com a formulação de Martov, seria possível filiarse ao Partido, se não se pertencesse a uma de suas organizações, não se teria de submeter-se à disciplina do Partido. Assim, a formulação de Martov, diferente da Lênin, continha todos os prérequisitos para escancarar a porta do Partido a todos os tipos de oportunistas, elementos instáveis e não proletários, e assim converter o Partido, de organização disciplinada, monolítica e militante da classe trabalhadora, em organização heterogênea, amorfa e frouxa do tipo burguês, isto é, convertê-la de destacamento de vanguarda da classe operária em destacamento atrasado da classe operária. Tanto era assim que Martov e outros oportunistas exigiram até que a qualquer grevista fosse dado automaticamente o direito de filiar-se ao Partido. Do mesmo modo, afirmava-se que todo intelectual que simpatizasse com o Partido, todo professor simpatizante, todo estudante do curso secundário, assim como qualquer participante de uma manifestação, pudesse ter o direito de declarar-se membro do Partido. Com a adoção do programa, o Congresso assentava os fundamentos da unidade ideológica do Partido. Tinha também de adotar regras partidárias para garantir os fundamentos da unidade organizacional e colocar um fim no amadorismo e na perspectiva paroquiana dos círculos, na desunião organizacional e na ausência de estrita disciplina no Partido. A formulação de Martov era o oposto disso. Não somente deixava a porta do Partido aberta aos elementos instáveis, anarquistas, individualistas, mas também obliterava a linha divisória entre o Partido e a classe. A distinção entre o destacamento avançado e o resto da classe operária não poderia desaparecer até que as classes desaparecessem. Quem tivesse qualquer outra visão, sejam quais fossem as suas intenções, estaria tentando obliterar a distinção entre o Partido e a classe e, ao fazê-lo, privar o proletariado de seu 'estado-maior'. Como disse Stalin: "A classe operária sem um partido é um exército sem estado-maior. O Partido é o estado-maior do proletariado" (Fundamentos do leninismo). Comentando a formulação de Martov, Lênin disse: "Nós somos o Partido de uma classe, e, portanto, quase toda a classe (e nos tempos de guerra, no período de guerra civil, toda a classe) deve agir sob a liderança
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de nosso partido, deve aderir a nosso partido tão estreitamente quanto possível. Porém, seria manilovismo e khvostism4 pensar que em qualquer época sob o capitalismo quase toda a classe, ou toda a classe, seria capaz de alcançar o nível de consciência e atividade de seu destacamento avançado ... esquecer esta distinção entre o destacamento avançado e o total das massas que gravitam em torno dele, esquecer o dever constante do destacamento avançado, de elevar estratos sempre mais amplos a esse nível avançado, significa simplesmente enganar a si próprio, fechar os olhos à imensidão de sua tarefa" (Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás). Se a formulação de Martov tivesse se enraizado no Partido Bolchevique, teria levado o Partido a tornar-se "inundado de professores e estudantes ginasianos e à sua degeneração em uma 'formação' frouxa, amorfa, desorganizada, perdida em um mar de simpatizantes, que teriam obliterado a linha divisória entre o Partido e a classe e frustrado a tarefa partidária de elevar as massas desorganizadas ao nível do destacamento avançado"(Stalin). Trotsky desempenhou um papel oportunista de destaque nesta controvérsia5. Ele ombreou-se com Martov em lançar ataques destrutivos à formulação de Lênin. Opôs-se à concepção de Lênin do Partido como a soma total das organizações do Partido e cada membro do partido como um membro das organizações do partido. Ele se opôs à idéia do Partido como um todo único, com corpos dirigentes mais altos e mais baixos. Ele negou o princípio da minoria submetendo-se às decisões da maioria. Tal foi a posição oportunista assumida por Trotsky e Martov sobre a questão da organização. Sua posição não era senão uma expressão concentrada do espírito de círculo e individualismo pequeno-burguês, que se considera acima da disciplina e vê com maus olhos a idéia da minoria submetendo-se às decisões da maioria. Na verdade, a aplicação do principio da minoria submetendo-se à maioria e o princípio das instâncias dirigentes mais baixas sendo orientadas pelas decisões das instâncias mais altas, e o princípio do trabalho de direção do partido por um centro, levaram às acusações de "burocracia" "formalismo", "aparelhos e engrenagens", levantadas pelos senhores Trotsky, Martov e outros oportunistas. Eis como Lênin descreveu estes anarquistas em seu livro Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás. "Este anarquismo aristocrático é particularmente característico do niilista russo. Ele vê a organização do Partido como uma 'fábrica' monstruosa; ele considera a subordinação da parte do partido ao todo e a minoria à maioria como 'sujeição' ..., a divisão do trabalho sob a direção de um centro evoca dele uma grita tragicômica contra o povo sendo transformado em 'engrenagem e rodas'... a menção à direção organizacional do partido provoca uma careta de desprezo e a observação desdenhosa ...de que bem se poderia dispensar por completo todas as regras. Está claro, penso, que os gritos sobre esta tão-falada burocracia são apenas um disfarce para a insatisfação com a composição pessoal dos órgãos centrais, uma folha de parreira ... você é um burocrata porque você foi nomeado pelo Congresso e não por minha vontade, mas contra ela; você é um formalista porque se apóia nas decisões formais do Congresso, e não em meu consentimento; você está agindo de forma grosseiramente mecânica porque apelou para a maioria 'mecânica' do Congresso do Partido e não prestou
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atenção ao meu desejo de ser cooptado; você é um autocrata porque você recusou-se a entregar o poder à velha gangue." Notaremos que este era o tema recorrente de Trotsky e seus colaboradores em seus ataques ao Partido Bolchevique sob a direção do camarada Stalin. Porém, "estes gritos sobre esta tão-falada burocracia ", provaremos que não eram nada mais do que "um disfarce para a insatisfação" com a derrota de sua teoria falida, a saber, a de que era impossível construir o socialismo na URSS. Trotsky e Martov eram incapazes de entender o significado de uma organização proletária e sujeitar-se à sua disciplina. Para eles, a disciplina era para os 'muitos' e não para uns 'poucos escolhidos'. E, por certo, eles se incluíam entre os últimos. Quando os delegados ao Segundo Congresso elegeram o Comitê Central e o Corpo Editorial do Iskra, o Congresso recusou-se a endossar o velho Corpo Editorial, como queriam esses cavalheiros, e daí a zombaria de Lênin sobre a cooptação na passagem acima citada - eles pegavam em armas porque a composição pessoal desses dois corpos não era do seu agrado. Eles se recusavam a aceitar as decisões do Congresso, justificandose com o uso de frases como "não somos servos", minando assim as próprias bases da unidade das fileiras do Partido. Nenhum partido como este pode preservar a unidade de suas fileiras sem a imposição de uma disciplina proletária (quanto à natureza desta disciplina, veja acima), que é imposta igualmente a todos membros do partido, dirigentes e dirigidos; que é imposta aos "poucos escolhidos", tanto quanto aos "muitos". Sem isto, o partido não pode preservar sua integridade nem a unidade de suas fileiras. "A ausência completa de argumentos sensatos da parte de Martov e Cia. contra o Corpo Editorial nomeado pelo Congresso é revelada da maneira mais clara por sua própria palavra de ordem: 'nós não somos servos'... A mentalidade do intelectual burguês que se considera um dos 'poucos escolhidos' permanecendo acima da organização de massa e da disciplina de massa é expressa aqui com clareza notável... Parece ao individualismo da intelligentsia que toda organização e disciplina proletária é servidão." E mais adiante: "À medida que seguimos com a construção de um partido real, o operário com consciência de classe deve aprender a distinguir a mentalidade do soldado do exército proletário da mentalidade do intelectual burguês que ostenta sua conversa anarquista, deve aprender a insistir que os deveres de um membro do partido não são apenas da infantaria, mas da 'gente de cima' também" (Lênin: Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás). Tal é a importância da disciplina proletária em um partido proletário. Fizemos um exame mais detalhado da controvérsia que envolveu a questão da participação no Segundo Congresso do RSDLP, com o propósito de mostrar:

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1. que a posição de Martov, Trotsky e Cia. sobre as questões de organização era oportunista e, se tivesse prevalecido, certamente teria causado grande dano, confusão e desorganização ao Partido; Diz Lênin: "Do ponto de vista do camarada Martov, a fronteira do Partido permaneceria muito indefinida, pois 'qualquer grevista' poderia 'proclamar-se membro do Partido'. Qual era a utilidade dessa imprecisão? Uma ampla extensão do título. Seu perigo é que introduz uma idéia desorganizadora, a confusão entre classe e Partido" (Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás). 2. que o individualismo pequeno-burguês e o "anarquismo aristocrático" de Martov e Trotsky tornaram impossível para eles retificarem sua posição oportunista em matéria de organização; 3. que a mentalidade pequeno-burguesa de Martov e Trotsky, com seu supremo desprezo e desconsideração pela disciplina e regras de organização proletária, tornava impossível para eles submeterem-se à disciplina e respeitarem as regras organizacionais proletárias; 4. que, conseqüentemente, Martov, Trotsky e Cia. eram contra qualquer forma de organização que fizesse da imposição de tal disciplina (proletária) tema de um de seus princípios organizacionais; 5. que, para intelectuais pequeno-burgueses, um Partido férreo, com uma disciplina férrea, não significa nada mais e nada menos que 'burocracia'; 6. que objetivamente (desejos subjetivos são irrelevantes aqui), Martov e Trotsky eram contra a revolução, pois sem um Partido disciplinado, revolucionário, não pode haver revolução alguma; e 7. que, em matéria de organização, Trotsky não era apenas um 'antistalinista' batalhando contra a 'burocracia stalinista' mas também um antileninista, que tinha batalhado contra a 'burocracia leninista'. O ódio de Trotsky à disciplina levou-o a assumir uma visão tão oportunista dos princípios organizacionais a ponto de opor-se a Lênin no Segundo Congresso. Este mesmo individualismo pequeno-burguês, equivalente ao 'anarquismo aristocrático', com seu ódio extremo à disciplina, levaria Trotsky várias vezes a opor-se ao Partido Bolchevique, formando uma aliança com os fascistas, com o propósito de derrubar o Estado soviético. Disto falaremos mais adiante. Trotsky mais tarde diria que a "Revolução foi traída" na União Soviética por Stalin. Apenas assinalaremos que, se as idéias oportunistas de Trotsky tivessem prevalecido, não teria havido o Partido Bolchevique e, portanto, nenhuma revolução que pudesse ser "traída ". Em seguida ao Segundo Congresso do RSDLP, Trotsky escreveu um texto polêmico intitulado Nossas Tarefas Políticas, no qual ele atacava a política total de
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Lênin da forma mais selvagem e mais abusiva. Porque Lênin tinha anteriormente falado sobre a divisão do trabalho no interior do partido, baseado no fato de que diferentes ramos de atividade revolucionária exigiam diferentes habilidades, Trotsky dirigiu um violento ataque a Lênin, denunciou a divisão do trabalho na fábrica moderna que reduz os operários a meras engrenagens da máquina. E este, ele assinalava, era o objeto real de Lênin - uns poucos dirigentes ditatoriais no topo com os operários do Partido reduzidos a meras "engrenagens" na máquina. Esta era uma queixa feita por Trotsky sempre que ele não conseguia o que queria. Se o Partido concordava com Trotsky, todas as coisas no Partido estavam bem; no momento em que as políticas de Trotsky eram rejeitadas pelo Partido, este imediatamente se transformava numa monstruosidade e uma 'burocracia' terrível, formidável, insuportável, a ser combatida e liquidada. Tal era a manifestação do individualismo pequeno-burguês exibido por Trotsky. Este concluiu a polêmica antes mencionada assim: "Esta suspeição perversa e moralmente repugnante de Lênin, esta caricatura superficial da intolerância trágica do jacobinismo... deve ser liquidada a todo custo, de outro modo o Partido estará ameaçado de decadência moral e teórica" (Trotsky, Our Political Tasks, 1906). Este parágrafo sozinho é suficiente para mostrar que Trotsky, que reivindicava ser um leninista quando queria liquidar o 'stalinismo' e remover Stalin, na época em que Lênin estava ocupado em construir o Partido Bolchevique, queria liquidar o leninismo e remover Lênin.. O partido centralizado revolucionário que Lênin estava tentando construir tinha alguma semelhança com os jacobinos, o partido revolucionário da pequena burguesia da revolução francesa. Porém, também tinha uma diferença muito importante em relação aos jacobinos, porque era um partido da classe operária; era a vanguarda não da pequena burguesia, porém da classe operária russa - a classe que tinha sido exortada a dirigir o povo russo contra a tirania e o despotismo. Como já se afirmou, era impossível, dentro dos confins da Rússia autocrática, construir um partido revolucionário capaz de dirigir a classe operária russa e as amplas massas do povo nas condições de uma democracia completa e aberta. Teria de ter, por força das condições prevalecentes na Rússia, alguma semelhança com os jacobinos, embora com a importante diferença já mencionada. Esta acusação de jacobinismo provocou o seguinte comentário de Lênin e conferiu a Trotsky o merecido título de oportunista: "Todos esses 'horríveis clichês' sobre jacobinismo expressam nada mais do que oportunismo. Um jacobino que está inseparavelmente ligado à organização do proletariado, que é consciente de seus interesses de classe, é um social-democrata revolucionário. Um girondino que se sente atraído por professores e ginasianos, que tem medo da ditadura do proletariado e que suspira sobre o valor absoluto das demandas democráticas é um oportunista" [Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás).

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Deixe-nos dar outro exemplo, camaradas, do mesmo livro, Our Political Tasks, de Trotsky, que constitui a maior prova do menchevismo de Trotsky e de seu ódio às políticas bolcheviques de Lênin. Trotsky neste livro aprova uma questão colocada pelo menchevique Axelrod, que argüia: "Por que não deveria esta história brincalhona dotar a democracia burguesa revolucionária de um líder da escola do marxismo revolucionário? Ora, não foi o marxismo "legal" que providenciou um líder para os liberais? De fato, por que não?" Em outras palavras, Lênin era o provável líder da classe burguesa russa! Camaradas, pergunto a vocês: para alguém que tenha tal visão de Lênin e sua política, será difícil ver porque mantém uma visão similar à de Stalin e sua política? É desnecessário provar, camaradas, que para alguém que chamou Lênin de futuro líder das classes médias russas, não era nada difícil acusar Stalin de ajudar o campesinato rico e dizer que o 'stalinismo' "deveria ser liquidado a todo custo, do contrário o Partido está ameaçado de decadência moral e teórica". O fato é que Trotsky fez este apelo contra o leninismo - contra "a suspeição maliciosa e moralmente repugnante de Lênin, esta caricatura da intolerância trágica do jacobinismo", em 1906. Ele repetiu este apelo muitas vezes, até a Revolução de Outubro. A Revolução de Outubro foi ao mesmo tempo uma contestação muito profunda do trotskismo, e enfraqueceu o trotskismo. O trotskismo foi "depenado" e tomou uma aparência um tanto "esfarrapada". Foi precisamente por essa razão que, após a morte de Lênin, o trotskismo adotou a tática de não atacar o leninismo abertamente, isto é, a tática de não lançar assaltos frontais ao leninismo. Em lugar disso, adotou a tática desonesta de atacar o leninismo em nome e à guisa de defender o leninismo. É neste contexto, camaradas, que o ataque ao camarada Stalin deve ser entendido. É uma continuação do ataque do trotskismo ao leninismo. O Bloco de Agosto de liquidacionistas e Trotsky Em seguida à derrota da Revolução de 1905 na Rússia, aflorou um grupo de "socialistas" da ala direita chamado de liquidacionistas, porque queriam liquidar o Partido centralizado que era capaz de dirigir as massas na revolução. Os liquidacionistas declaravam que a era das revoluções havia acabado e somente poderia haver progresso lento, dentro do ambiente da Constituição tzarista. Portanto, argüiam os liquidacionistas, o Partido centralizado do proletariado, com sua rede de organizações secretas, deveria ser desmontado, e eles apelaram pela criação de um Partido Liberal Trabalhista, operando legalmente para reformas dentro do contexto do tzarismo. Os bolcheviques, encabeçados por Lênin, empreenderam uma luta severa contra os liquidacionistas, cujas fileiras incluíam Trotsky. Este não advogava abertamente o liquidacionismo, mas por todas as formas prestou assistência ativa aos liquidacionistas, por sua 'submissão' e 'capitulação aos liquidacionistas'. Foi assim que Lênin descreveu a posição de Trotsky: "Gente como Trotsky, com suas frases cheias de entusiasmo sobre o Partido Operário Social-Democrata da Rússia, com sua reverência aos liquidacionistas,
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que nada têm em comum com o Partido Social-Democrata. são o mal da nossa época... Em realidade são emissários da capitulação aos liquidacionistas. ansiosos para formar um Partido Operário na linha de Stolypin." "Os liquidacionistas reais escondem-se atrás de sua fraseologia e fazem todo esforço para frustrar o trabalho dos antiliquidacionistas, isto é, os bolcheviques. Trotsky e os trotskistas e oportunistas como ele são mais nocivos do que todos os liquidacionistas. pois os liquidacionistas convencidos expõem suas visões abertamente e é fácil para os trabalhadores reconhecerem os erros destas visões. Contudo, Trotsky e os semelhantes a ele enganam os operários, escondem o mal e tornam impossível expô-lo e remediá-lo" [ênfase minha]. Tal era a atitude de Trotsky para com o Partido Revolucionário durante os anos da reação seguinte à derrota da revolução de 1905, isto é, Trotsky ajudou os liquidacionistas que se levantaram pela liquidação do Partido. Ele foi "mais nocivo" do que os liquidacionistas durante este período e por esta razão Lênin empreendeu uma luta implacável contra o liquidacionismo oculto de Trotsky, que era "mais nocivo" do que o liquidacionismo aberto dos liquidacionistas. O ano de 1912 viu o começo de uma agitada atividade revolucionária em toda a Rússia. Em resposta a esta agitação, em janeiro de 1912, os bolcheviques convocaram uma conferência de todas as organizações clandestinas do Partido para discutir a política e as linhas de orientação a serem seguidas adiante na luta revolucionária. A conferência decidiu fortalecer as organizações clandestinas na Rússia, as organizações partidárias foram instruídas a aumentarem sua atividade na direção da educação socialista dos operários, no sentido de capacitar a classe operária a dirigir as massas em sua luta para a derrota da autocracia tzarista e para o estabelecimento de uma república democrática - uma ditadura democrática da classe operária e do campesinato. E qual foi a resposta de Trotsky à Conferência de Praga de 1912 dos bolcheviques? Sua resposta foi promover uma reunião em Viena, em agosto de 1912, de todos os grupos russos que viviam no exílio que se opunham aos bolcheviques, única coisa que unia esses grupos. Todos esses grupos eram favoráveis à liquidação das organizações partidárias clandestinas, à liquidação do Partido revolucionário do proletariado e sua substituição por um "Partido Operário da Linha Stolypin". Os grupos representados - a Organização Socialista Judaica (o 'Bund'), os SocialDemocratas Letões, o Partido Socialista Polonês pequeno-burguês, Trotsky e uns poucos seguidores dele - vieram a chamar-se o "Bloco de Agosto". O Bloco de Agosto notabilizou-se por ter, em sua conferência em Viena, aprovado resoluções antibolcheviques e contra-revolucionárias. Para todos os propósitos práticos, a Conferência de Viena do Bloco de Agosto revelou-se abortiva, pois nenhum dos grupos representados nesta conferência tinha qualquer conexão significativa com as organizações clandestinas dos trabalhadores na Rússia. Porém a conferência mostrouse de valor inestimável, por expor ao ridículo o menchevismo oportunista de Trotsky e outros participantes nessa conferência farsesca em Viena.
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Em maio de 1914, Lênin escreveu um artigo intitulado Rompimento da Unidade sob a Camuflagem dos Clamores pela Unidade. Nesse artigo Lênin faz uma brilhante exposição das frases "altissonantes e vazias" de Trotsky, seu facciosismo, seu liquidacionismo e a derrota do Bloco de Agosto, de Trotsky. Lênin termina seu artigo com uma descrição inesquecível de Trotsky. Essa descrição é considerada muito importante para o entendimento do oportunismo de Trotsky. Citá-la-ei, portanto, na integra, e minha esperança é de que os camaradas não a verão como uma digressão desnecessária. Foi assim que Lênin descreveu Trotsky, em maio de 1914: "Os antigos participantes do movimento marxista conhecem muito bem a personalidade de Trotsky, e não vale a pena falar-lhes sobre isto. Porém, a geração mais jovem dos operários não a conhece, e é, portanto, necessário discuti-la, pois sua trajetória é típica de todos os cinco grupelhos no exterior, que de fato são também vacilantes entre os liquidacionistas e o Partido. Nos dias do velho Iskra (1901-3), esses vacilantes, que passam rapidamente dos economicistas para os iskraístas e retornam outra vez, foram apelidados de "viracasacas tushinos" (nomes dados nos tempos turbulentos da Rússia para pessoas que passavam sempre de um campo para outro). Quando falamos de liquidacionismo, falamos de uma tendência ideológica definida, que gerou, ao longo de vários anos, ramos do menchevismo e do economicismo, nos vinte anos de história do marxismo, e está conectada com a política e ideologia de uma classe definida - a burguesia liberal. "A única base que os 'renegados tushinos' têm para sustentar que estão acima dos grupos era que eles 'tomam emprestadas' suas idéias de um grupo um dia e de outro no dia seguinte. Trotsky foi um ardente iskraísta em 1901-3, e Ryazanov descreveu seu papel no Congresso de 1903 como o de um 'porrete de Lênin'.6 Ao final de 1903, Trotsky era um ardente menchevique, isto é, ele desertou dos iskraístas e foi para os economicistas. Ele disse que 'entre a velha e a nova Iskra há um abismo'. Em 1904-5, ele desertou dos mencheviques e ocupou uma posição vacilante, ora cooperando com Martynov (o economicista), ora proclamando sua teoria esquerdista absurda da 'Revolução Permanente'. Em 1906-7 ele se aproximou dos bolcheviques e, na primavera de 1907, declarou que estava de acordo com Rosa Luxemburgo. No período da desintegração, após longa vacilação 'não faccionista', ele outra vez foi para a direita e, em agosto de 1912, entrou em um bloco com os liquidacionistas. Agora ele desertou outra vez, embora na essência reitere suas idéias esfarrapadas. Tais tipos são característicos como fragmentos dos fundamentos históricos de ontem, quando o movimento operário de massa da Rússia estava ainda adormecido e qualquer grupelho estava 'livre' para apresentar-se como tendência, grupo, facção, em uma palavra, uma 'grande potência' falando, negociando em amálgama com outros.

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A geração mais jovem de operários deve saber exatamente com quem estão tratando, quando os indivíduos se apresentam a eles com propostas incrivelmente pretensiosas, relutando absolutamente a levar em conta as decisões do Partido, que desde 1908 tem definido e estabelecido nossa atitude frente ao liquidacionismo, ou com a experiência do movimento da classe operária atual na Rússia, que tem conseguido a unidade da maioria sobre a base do reconhecimento pleno das decisões acima citadas" (Lênin, CW Vol 20, pp. 346-47). Esta é uma descrição perfeita não só de Leon Trotsky, o maior "vira-casaca tushino" de sua época, mas também de seus seguidores dos nossos dias, isto é, os trotskistas da Internacional Socialista (IS), do Grupo Marxista Internacional (IMG), da Liga Operária Socialista (SLL) etc., que acreditam em uma coisa hoje e outra amanhã, que tomam emprestadas suas idéias de Trotsky hoje e do Partido Operário no dia seguinte, que denunciam a Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul hoje e 'apóiam-na' no dia seguinte (ver o capitulo sobre a Revolução Chinesa). Trotsky continuou a se opor a Lênin, na tentativa deste de construir o partido da vanguarda revolucionária do proletariado, até 1917, e não foi senão apenas umas poucas semanas antes da Grande Revolução Socialista de Outubro que Trotsky juntouse ao Partido Bolchevique. Contudo, este fato histórico bem conhecido é convenientemente 'esquecido', desprezado e obscurecido pelos trotskistas mentirosos e pela inteligência radical burguesa que, fugindo de enfrentar a verdade histórica, quase diariamente afirma ad nauseam que Trotsky foi um bolchevique - um leninista. Podemos perguntar à inteligência burguesa radical e aos aristocratas trotskistas: como é que alguém que foi sempre um 'bolchevique', sempre um 'leninista', simplesmente sempre se opôs a Lênin? Este é um tipo estranho de 'bolchevismo-leninismo'! De acordo com esta formulação, tem-se de permanecer fora do Partido Bolchevique e opor-se perpetuamente a Lênin para ser chamado de um 'bolchevique leninista'. Não é estranho? Não, senhores trotskistas e intelectuais burgueses, isso não é possível. A resposta a nossa questão é: Trotsky nunca foi um bolchevique, nunca um leninista. Ele foi um antibolchevique, um antileninista. Trotsky nunca deixou sua posição menchevique sobre questões organizacionais, isto é, sobre o Partido, mesmo após juntar-se ao Partido Bolchevique. Em 1921, quando a proposta de Trotsky de que os sindicatos deveriam ser modificados e transformados em órgãos estatais foi rejeitada pelo Comitê Central do Partido, Trotsky dirigiu-se à casa onde o Comitê Central estava reunido e tentou ganhar uns poucos apoiadores ao seu propósito de luta contra o Comitê Central. Este incidente mostra a profunda discordância e aversão dos intelectuais burgueses pelo Partido e pela disciplina do Partido. O que Lênin pensava das pessoas, como Trotsky, que zombavam da disciplina do Partido? "Quem quer que enfraqueça ao mínimo que seja a disciplina de ferro do Partido do proletariado (especialmente durante a época de sua ditadura), realmente ajuda a burguesia contra o proletariado" (CW Vol. 31, p. 45).
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Sim, camaradas, Trotsky enfraquecia "a disciplina férrea do Partido", não ao mínimo, ao máximo grau, antes e depois da Revolução de Outubro. O incidente sindical e o comportamento de Trotsky levaram Lênin a dizer: "Pensem, simplesmente! Após dois plenos do Comitê Central (9 de novembro e 7 de dezembro) que foram devotados a uma discussão detalhada, longa e acalorada do projeto original do esboço das Teses do Camarada Trotsky e da política sindical inteira que ele advoga para o Partido, um membro do Comitê Central (isto é, Trotsky), um entre dezenove, elege um grupo de fora do Comitê Central e apresenta o 'trabalho' 'coletivo' deste grupo como uma 'plataforma', aconselhando o Congresso do Partido a 'escolher entre as duas tendências'! Lênin continuava: "Pode-se negar que, mesmo que as 'novas tarefas e métodos' fossem indicados por Trotsky tão corretamente quando ele de fato indicou incorretamente, o simples enfoque de Trotsky para a questão teria causado prejuízo a si próprio, ao Partido, ao movimento sindical, ao trabalho de treinamento de milhões de membros de sindicatos e à República?" (Lênin, CW Vol 32, p. 74, Outra Vez sobre os Sindicatos, a Situação Atual e os Erros de Trotsky e Bukharin). Este incidente alarmou tanto Lênin que ele tentou no 10° Congresso do PCUS(B) passar uma resolução especial contra a "formação de blocos separados, grupos e facções dentro do Partido. Lênin era de opinião de que os membros do Partido estavam autorizados a divergirem uns dos outros e resolverem suas diferenças através das discussões. Mas uma vez que se chegasse a uma decisão, após uma discussão exaustiva, e a crítica estivesse exaurida, a unidade de propósito e ação dos membros do Partido era necessária, pois sem esta unidade um Partido do proletariado e a disciplina proletária são inconcebíveis. Isto Trotsky nunca poderia entender. Quando estava em minoria, ele corria a formar uma facção dentro do Partido - assim pondo em risco o Partido e a República Soviética. Para resumir, camaradas, sobre a questão do Partido, o trotskismo não seguia a posição do leninismo, ele tinha uma posição antileninista. Sem uma organização de vanguarda (o Partido), o proletariado nunca chegaria ao poder. A organização é a arma mais potente que o proletariado tem para sua própria libertação. Sem organização, sem o Partido, não haverá revolução proletária. Sobre esta importante questão do Partido de vanguarda do proletariado, a posição do trotskismo é similar àquela dos políticos burgueses radicais e sindicais liberais. Sobre a matéria de organização, o trotskismo se posiciona pelo liberalismo, isto, é, a criação de tipos de organização do Partido Operário com a finalidade de serem máquinas eleitorais dentro do capitalismo, e pela destruição dos partidos do tipo bolchevique -os partidos comunistas revolucionários com disciplina férrea. Se se posicionam pela desorganização do Partido de vanguarda do proletariado, como o trotskismo faz na prática, onde está o bolchevismo de tais pessoas? De pessoas
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como Trotsky, que trabalhavam pela destruição do Partido Bolchevique, pode-se dizer que objetivamente trabalharam pela continuação da autocracia tzarista e pelo imperialismo feudal-militarista tzarista. Mesmo que não tivéssemos nada contra o trotskismo, camaradas, a posição do trotskismo sobre a questão do Partido de vanguarda do proletariado por si só condená-lo-ia, confirmaria e provaria nossa acusação de que o trotskismo é uma tendência antileninista, antibolchevique, dentro do movimento da classe operária que, quando o movimento marxista-leninista se desenvolve, é conduzido, por sua lógica interna, cada vez mais, a terminar se tornando um destacamento avançado da burguesia. Mas não se aflijam, camaradas, a posição do trotskismo sobre a organização não é a única coisa que constitui seu antibolchevismo e antileninismo. E isto leva-me ao segundo tópico com que desejo terminar esta parte, a saber, a teoria de Lênin da revolução e a teoria 'absurdamente esquerdista' de Trotsky, da 'revolução permanente'. Notas 1. Este princípio é verdadeiro para todas as circunstâncias e é agora aceito universalmente pelos partidos marxistas-leninistas em todo o mundo. A experiência histórica e as necessidades da luta demandam que a filiação ao partido de vanguarda não deve ser aberta a qualquer um que queira filiar-se a ele - a pessoa deve ser admitida no partido pelo próprio partido. Somente os revisionistas, trotskistas e diversos outros elementos burgueses violam este principio de organização leninista. 2. Após este Congresso, Plekhanov, seguindo a política de "matar com bondade", afastou-se de Lênin e juntou-se a Martov e Cia. 3. Estas condições de filiação ao partido são violadas pelos revisionistas e trotskistas hoje tal como eram há 60 anos. 4. Manilovismo e khvostismo: manilovismo vem do nome de Manilov, em Almas Mortas, de Gogol, e significa acomodação complacente e devaneios sentimentais e vazios. Khvostismo significa reboquismo. 5. Comentando sobre as "concepções anarquistas" contidas na formulação de Martov e descrevendo as visões oportunistas de Martov, Trotsky e outros, Lênin disse isto, especificamente sobre os argumentos oportunistas de Trotsky: "A esta categoria de argumentos (argumentos oportunistas - acrescento) que surgem inevitavelmente quando se tenta justificar a formulação de Martov, pertence, em particular, a declaração do camarada Trotsky... de que 'o oportunismo é criado pelas mais complexas (ou: é determinado por mais profundas) causas do que por uma ou outra cláusula nas regras; é produzido pelo nível relativo de desenvolvimento da democracia burguesa e do proletariado...' A questão não é que cláusulas nas regras podem produzir oportunismo; a questão é forjar com a ajuda das regras uma arma mais ou menos contundente contra o oportunismo. Quanto mais profundas as causas, mais contundente deve ser a arma. Portanto, justificar
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uma formulação que abre a porta ao oportunismo pelo fato de que o oportunismo tem 'causas profundas' é o mais puro khvostismo (reboquismo). Quando o camarada Trotsky opôs-se ao camarada Lieber, ele entendia que as regras constituíam a 'desconfiança organizada' do todo para a parte, da vanguarda para o destacamento atrasado; porém, quando o próprio camarada Trotsky colocou-se ao lado do camarada Lieber, ele esqueceu isto e começou mesmo a justificar a fraqueza e a instabilidade de nossa organização desta desconfiança (desconfiança do oportunismo) ao falar sobre 'causas complexas', o 'nível de desenvolvimento do proletariado' etc. Aqui está outro dos argumentos de Trotsky: 'E muito mais fácil para o jovem intelectual, organizado de uma forma ou de outra, ingressar nas fileiras do Partido'. Isso mesmo. Por isso a formulação pela qual mesmo elementos desorganizados podem proclamar-se filiados ao Partido sofre da vagueza típica do intelectual, e não a minha formulação, que remove o direito de 'ingressar por si' nas fileiras. O camarada Trotsky diz que se o Comitê Central 'não reconhecesse' uma organização de oportunistas seria somente por causa do caráter de certas pessoas e que, uma vez estas pessoas fossem conhecidas como indivíduos políticos, elas seriam perigosas e poderiam ser removidas por um boicote geral do Partido. Isto é apenas verdadeiro em casos em que a pessoa tem de ser removida do Partido (e somente meia verdade, porque um partido organizado remove membros por votação e não por boicote). É absolutamente inverídico diante dos casos mais freqüentes: quando a remoção seria absurda e quando tudo o que se precisa é de controle. Para os propósitos de controle, o Comitê Central pode, em certas condições, deliberadamente, admitir no Partido uma organização que não era muito confiável mas que era capaz de trabalhar: pode fazer isso com o objetivo de testá-la ou tentar dirigi-la para o caminho correto, de corrigir suas aberrações parciais para uma linha apropriada etc. Isto não seria perigoso se em geral o 'auto-ingresso' nas fileiras do Partido não fosse permitido. Seria muitas vezes útil para uma expressão (e discussão) aberta, responsável e controlada de visões e táticas erradas. 'Porém, se as definições legais têm de corresponder a relações reais, a formulação do camarada Lênin deve ser rejeitada', dizia o camarada Trotsky e outra vez ele falava como um oportunista. Relações reais não são uma coisa morta, elas vivem e se desenvolvem. Definições legais podem corresponder ao desenvolvimento progressivo dessas relações, porém elas podem também (se essas definições são más) 'corresponder' a retrocesso ou estagnação. O último caso é o do camarada Martov" (Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás, ênfase inteiramente de Lênin). 6. Na realidade, a designação de Ryazanov era incorreta. Como a Nota 5 mostra, no Segundo Congresso, Trotsky desempenhou um papel oportunista sobre a questão importante do Partido e juntou-se a todos os outros oportunistas em oposição a Lênin. 1 Nota do tradutor: seguidores da linha editorial do jornal "Iskra" ("Centelha"), órgão oficial do RSDLP.

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Capítulo 3 Teoria da Revolução:
Teoria da Revolução de Lênin versus Teoria da 'Revolução Permanente' de Trotsky "Sem uma teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário" (Lênin ) "O papel de vanguarda combatente só pode ser preenchido por um Partido que seja guiado pela teoria mais avançada" (Lênin) "...a prática tateia no escuro se seu caminho não é iluminado pela teoria revolucionária" (Stalin)

Divergências entre os bolcheviques, os mencheviques e Trotsky sobre o caráter da revolução russa A posição menchevique sobre o caráter da revolução russa Os mencheviques (os socialistas reformistas) defendiam que a revolução vindoura na Rússia era uma revolução burguesa e que, em razão de sua natureza democrático-burguesa, a revolução deveria ser conduzida pela burguesia liberal. O proletariado não deveria estabelecer relações estreitas com o campesinato, mas com a burguesia liberal. A tática do proletariado deveria ser ajudar a burguesia liberal a assumir o poder do Estado. O proletariado não deveria assumir a liderança da revolução, pois uma exibição vigorosa do ardor revolucionário pelo proletariado poderia jogar a burguesia liberal nos braços da autocracia. O proletariado não deveria tomar parte em qualquer governo revolucionário provisório, pois isso equivaleria a repetir o erro cometido pelos socialistas franceses ao juntarem-se ao governo burguês. Ao contrário, o proletariado deveria exercer pressão de fora, para compelir a burguesia liberal a levar a revolução burguesa-democrática até o fim. Para resumir, os mencheviques argüiam, o proletariado deveria desempenhar um papel subsidiário - o papel de um apêndice da burguesia liberal. Ele não deveria assumir um papel de dirigente e não deveria estabelecer relações estreitas com o campesinato, pois isto poderia "levar as classes burguesas a recuarem da revolução e assim diminuir sua abrangência".
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A posição leninista-bolchevique Por outro lado, os bolcheviques, os socialistas revolucionários, defendiam que, a despeito do caráter burguês-democrático da revolução iminente, era principalmente o proletariado que estava interessado em sua vitória completa, pois a vitória desta revolução capacitaria o proletariado a organizar-se, a crescer politicamente e ganhar experiência na direção política das massas trabalhadoras e, portanto, passar do estágio da revolução burguesa para aquele da revolução socialista. O proletariado estava mais interessado na vitória completa da revolução democrática burguesa do que a burguesia, porque "em certo sentido, uma revolução burguesa é mais vantajosa para o proletariado do que para a burguesia" (Lênin, Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática). Portanto, o proletariado deveria assumir a direção da revolução. Porém, o proletariado sozinho não poderia cumprir com sucesso sua tarefa de dirigir a revolução democrática burguesa e conduzi-la até o final sem a assistência e a participação ativa de um aliado confiável1. Este aliado confiável, sustentavam os bolcheviques, não poderia ser outro senão o campesinato. O campesinato estava interessado no sucesso da revolução, pois somente tal perspectiva poderia capacitá-lo a ajustar as contas com a classe latifundiária e obter a posse de suas terras. Lênin trata do papel do campesinato russo - o papel que tinha sido atribuído a ele por sua posição de classe na revolução vindoura - nos seguintes termos: "O campesinato inclui um grande número de semiproletários, assim como elementos pequeno-burgueses. Isto causa certa instabilidade e compele o proletariado a unir-se em um partido estritamente de classe. Porém a instabilidade do campesinato difere radicalmente da instabilidade da burguesia, pois no presente o campesinato não está tão interessado na preservação absoluta da propriedade privada quanto no confisco dos latifúndios, uma das principais formas de propriedade privada. Embora isto não leve o campesinato a tornar-se socialista ou cessar de ser pequeno-burguês, o campesinato é capaz de tornar-se um integral e muito radical adepto da revolução democrática. Tal se tornará o campesinato, inevitavelmente, somente se o progresso dos acontecimentos revolucionários do qual ele está sendo esclarecido não for interrompido pela traição da burguesia e derrota do proletariado. Sujeito a essas condições, o campesinato tornar-se-á inevitavelmente um baluarte da revolução e da república, pois apenas uma revolução completamente vitoriosa pode dar ao camponês todas as coisas na esfera da reforma agrária - tudo aquilo que o camponês deseja, com que ele sonha e de que ele se encontra verdadeiramente necessitado" (Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática). Além disso, os bolcheviques defendiam que a burguesia liberal deveria ser isolada, pois sem o isolamento dessa classe traidora e instável não haveria uma revolução democrática burguesa com sucesso, sob a direção do proletariado. Tratando da objeção menchevique de que as táticas bolcheviques "levariam as classes
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burguesas a se retraírem da revolução e com isso diminuírem seu entusiasmo" e rejeitando estas objeções como "táticas de traição à revolução" e como "táticas que converteriam o proletariado em apêndice infeliz das classes burguesas", Lênin escreveu: "Aqueles que realmente entendem o papel do campesinato em uma revolução russa vitoriosa sequer sonhariam em dizer que o alcance da revolução diminuiria se a burguesia se retraísse dela. Pois na verdade, a revolução russa começará a assumir seu alcance real, assumirá realmente o mais amplo alcance revolucionário possível na época da revolução democrática burguesa, apenas quando a burguesia se distanciar dela e quando as massas do campesinato se tornarem revolucionárias ativas, lado a lado com o proletariado. Para que ela possa ser consistente-mente conduzida a sua conclusão, nossa revolução democrática deve apoiar-se em forças que sejam capazes de paralisar a inevitável inconsistência da burguesia, isto é, capaz precisamente de 'causar-lhe a retirada da revolução'." (Duas Táticas...) De acordo com os bolcheviques, a vitória decisiva sobre o tzarismo resultaria no estabelecimento de um governo provisório que seria uma ditadura revolucionária do proletariado e do campesinato. Seria função de tal governo assegurar a vitória decisiva sobre o tzarismo, esmagar pela força a resistência da autocracia, neutralizar a instabilidade da burguesia, empreender as reformas agrária e outras democráticas e, assim, conduzir a revolução democrática burguesa até o fim. Citando a famosa tese de Marx que: "após uma revolução, toda organização provisória do Estado requer uma ditadura e por sinal uma ditadura enérgica", Lênin chega à conclusão de que: "Uma vitória decisiva da revolução sobre o tzarismo é a ditadura revolucionária do proletariado e do campesinato... E tal vitória será precisamente uma ditadura, isto é, deve inevitavelmente apoiar-se na força militar, em armar as massas, em uma insurreição e não em instituições de um tipo ou de outro, estabelecidas de modo legal ou pacífico. Somente pode ser uma ditadura, para a realização das mudanças que são urgentes e absolutamente indispensáveis, pois o proletariado e o campesinato enfrentarão a resistência desesperada dos latifundiários, da grande burguesia e do tzarismo. Sem uma ditadura, é impossível quebrar a resistência e repelir as tentativas contrarevolucionárias. Porém, certamente, será uma ditadura democrática, não uma ditadura socialista. Não será capaz (sem uma série de estágios intermediários do desenvolvimento revolucionário) de afetar os fundamentos do capitalismo" [Duas Táticas...). E, finalmente, os bolcheviques não tinham a intenção de clamar por um freio no momento de consumação da revolução democrática burguesa. Eles acreditavam que não haveria barreiras insuperáveis entre a revolução democrática burguesa e a socialista. Eles defendiam que, em conseqüência do cumprimento das tarefas democráticas, o proletariado e outras massas exploradas teriam de começar uma luta pela revolução socialista. Para os bolcheviques, a república democrática burguesa não era um fim em si, mas um meio para um fim, isto é, uma república socialista; a
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república democrática burguesa era um passo necessário na direção de uma república socialista - um estágio intermediário no desenvolvimento do movimento revolucionário em sua marcha adiante inexorável para o estabelecimento da ditadura do proletariado. Contudo, isto seria realizado somente se o proletariado estivesse na chefia de todo o povo, particularmente o campesinato, na fase da revolução democrática, e na direção dos trabalhadores e explorados no período da luta pelo socialismo. Em seu livro Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática, escrevendo sobre o escopo da revolução burguesa e as tarefas do partido proletário, Lênin brilhantemente resumiu a estratégia e a tática do partido do proletariado no período da revolução democrática burguesa e tratou de uma vez por todas, de modo mais claro, da questão da relação entre a revolução burguesa e a revolução socialista. Ele escreveu: "O proletariado deve levar até o fim a revolução democrática, aliando-se à massa do campesinato a fim de esmagar pela força a resistência da autocracia e paralisar a instabilidade da burguesia. O proletariado deve perseguir a revolução socialista, aliando-se à massa dos elementos semiproletários da população, no sentido de esmagar pela força a resistência da burguesia e paralisar a instabilidade do campesinato e da pequena burguesia. Tais são as tarefas do proletariado, que os novos iskraístas [isto é, os mencheviques - nota do autor] sempre apresentam de forma tão estreita em seus argumentos e resoluções sobre o escopo da revolução. E adiante: "Na direção de toda a população, e particularmente o campesinato - pela liberdade completa, por uma revolução democrática consistente, por uma república! Na direção de todos os trabalhadores e explorados - pelo socialismo! Tal deve ser, na prática, a política do proletariado revolucionário, tal é o slogan de classe que deve permear e determinar a solução de todos os problemas táticos, de todos os passos práticos do partido dos operários durante a revolução" [Duas Táticas...). Essa era a teoria da revolução continuada - a teoria da revolução democrática burguesa passando para a revolução socialista. A posição de Trotsky: sua teoria da 'revolução permanente' Trotsky ocupou uma posição 'intermediária', que era formalmente diferente tanto da dos bolcheviques quanto da dos mencheviques, porém, na essência e objetivamente, mais próxima da dos últimos, para todos os propósitos práticos. Ele concordava com os bolcheviques, em sua avaliação sobre a burguesia liberal russa (capitalistas), e não queria saber dela. Ao mesmo tempo, estava em completo acordo com os mencheviques, em sua avaliação sobre o campesinato. Portanto, não tinha nada a fazer também com o campesinato. O campesinato não poderia ser um aliado confiável, ele argüiu. O movimento espontâneo e a insurreição do campesinato podia ajudar a classe operária em sua luta contra o despotismo tzarista, porém não era o mesmo que o campesinato desempenhar o papel de um aliado revolucionário da classe operária revolucionária, em sua luta contra a autocracia. O tzarismo, de acordo com Trotsky, poderia apenas ser substituído por um governo dos operários. Em nenhuma hipótese poderia ser substituído por uma ditadura conjunta da classe
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operária e do campesinato. E, ao ascender ao poder, deveria ser função deste governo dos operários atacar a propriedade privada, incluindo as posses dos camponeses. Com seu ataque sobre a propriedade privada, o governo dos operários alienaria e despertaria a hostilidade e a resistência (graças a Trotsky) da maioria da população, ou seja, do campesinato. A resistência do campesinato poria em risco a própria existência do governo dos operários. Porém, por outro lado, o governo dos operários estimularia a classe operária dos países europeus industrialmente avançados a desfechar uma luta implacável contra suas 'próprias' burguesias, a capturar o poder do Estado e estabelecer o socialismo. E, por sua vez, a classe operária vitoriosa dos países europeus ocidentais avançados viria em ajuda ao governo dos operários na Rússia e ajudaria estes a esmagar pela força a resistência do campesinato. Trotsky chamou esta teoria de teoria da 'revolução permanente', e ela foi causa e objeto de severas controvérsias entre Lênin e Trotsky. Uma coisa que deve ser ressaltada sobre Trotsky é que, a cada vez que ele assumia uma posição incorreta e oportunista, ele sempre a cobria com o uso de frases 'esquerdistas' e ultra-'revolucionárias'. Ele foi, por exemplo, a favor de se saltar arbitrariamente sobre o primeiro estágio da revolução russa. Ele foi contra o estabelecimento da ditadura do proletariado e do campesinato como pré-requisito necessário ao estabelecimento da ditadura do proletariado. Por quê? Porque, ele argüia, "estamos vivendo na era do imperialismo, e o imperialismo não opõe a nação burguesa ao velho regime, mas a nação proletária à burguesa" (Trotsky, Nossa Revolução, 1906). Em vista do que foi dito antes, as duas conclusões que emergem são: (1) A hostilidade de Trotsky e sua falta de fé no campesinato, sua incapacidade de apreciar o papel revolucionário que o campesinato é capaz de desempenhar em certo estágio do desenvolvimento da revolução. (2) Desta incapacidade de apreciar o papel revolucionário do campesinato seguia seu desejo subjetivo de saltar sobre o estágio democrata-burguês da revolução e estabelecer o socialismo diretamente. Daí a exortação a um governo dos operários, para substituir o tzarismo. O que isso significava, na prática, era que o primeiro estágio da revolução não deveria ser a maioria do povo russo, particularmente o campesinato, contra o tzar, mas apenas a classe operária (constituindo uma pequena minoria na população da Rússia) contra o tzar e a "nação burguesa", inclusive o campesinato. A aceitação desta teoria da 'revolução permanente' teria significado uma aceitação da contra-revolução permanente, pois teria significado uma negação do papel revolucionário que o campesinato era capaz de desempenhar e desempenhou; teria significado privar a classe operária russa de um aliado extremamente importante e confiável e tornar o campesinato um instrumento da burguesia liberal. Trotsky alegaria mais tarde que a revolução foi traída por Stalin. No momento, simplesmente diremos que não teria havido revolução alguma e, conseqüentemente, nenhuma 'traição', se Trotsky tivesse sido seguido, se sua teoria da 'revolução permanente' tivesse sido posta em prática, pois não teria havido nenhuma revolução na Rússia sem
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o papel revolucionário desempenhado pelo campesinato russo. Lênin rejeitou a teoria da 'revolução permanente' em seu Duas Linhas da Revolução (1915), no qual ele escreveu: "Trotsky repete sua teoria 'original' de 1905 e se recusa a parar para pensar porque, por dez anos inteiros, a vida passou por esta bela teoria." E adiante: "Trotsky está de fato ajudando os políticos trabalhistas liberais na Rússia que, ao 'repudiarem' o papel do campesinato, pretendem recusar o despertar do campesinato." Foram precisos apenas dois anos para provar a correção da avaliação de Lênin do papel do campesinato. Tendo em vista esta avaliação de Trotsky e sua conseqüente rejeição do campesinato como uma força revolucionária e, finalmente, sua rejeição dos estágios no desenvolvimento de uma revolução, não é de forma alguma surpreendente que os trotskistas de hoje, na Inglaterra, bem como em outros lugares, ataquem a Frente de Libertação Nacional (FLN) do Vietnã do Sul e seu programa. Não é surpreendente que eles caracterizem e rejeitem o programa da FLN como um programa burguês e lancem injúrias sobre ele, ou que deixem de ver seu caráter revolucionário antiimperialista. Eles se recusam a aprender com a própria vida e 'se recusam a parar para pensar por quê', durante nada menos de 60 anos, 'a vida passou por esta bela teoria', a teoria da 'revolução permanente'. Mas disto falaremos mais adiante. A teoria da 'revolução permanente' levou Trotsky a chegar à seguinte conclusão em 1906, que ele repetiria em 1922: "Na ausência do apoio direto do Estado por parte do proletariado europeu, a classe operária russa não será capaz de ascender ao poder e transformar seu domínio temporário em uma ditadura socialista estável. Não há dúvida sobre isso" (Trotsky, Our Revolution, 1906). Trotsky chegou à conclusão acima em 1906. Desta posição ele nunca se afastou. De acordo com ele, a revolução russa não poderia sobreviver, muito menos construir o socialismo, sem a ajuda do movimento operário vitorioso dos países da Europa ocidental. Com este ponto de vista, o que se deveria fazer, se a classe operária européia não tivesse êxito em fazer uma revolução social? Veremos que, à medida que as chances de uma revolução socialista nos países europeus ocidentais se enfraqueceram (e não podemos aqui entrar nas razões de não ter ocorrido uma revolução européia), Trotsky começou a advogar uma política de aventureirismo desesperado, alternada, de tempos em tempos, com uma política de completa capitulação ao capitalismo monopolista internacional. Isto era conseqüência natural e lógica de sua posição incorreta e totalmente oportunista, ao considerar a estratégia e as táticas da revolução russa. Se se tomasse a posição, como Trotsky fez, de que a revolução russa não poderia sobreviver sem o apoio da revolução social européia, só

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se poderia chegar às seguintes conclusões na hipótese de a classe operária européia não conseguir chegar ao poder: Uma - que por algum tipo de aventureirismo a revolução deveria ser 'exportada' para os países europeus ocidentais; Duas - rendição completa ao capitalismo monopolista internacional. Trotsky chegou a essas duas conclusões e advogou-as de vez em quando. Aventureirismo de mãos dadas com o capitulacionismo, ambos resultantes de uma falta de fé nas massas e de uma superestimação dos reacionários, é a essência do trotskismo. Por causa de sua teoria da 'revolução permanente' - com sua negação do papel do campesinato, com sua falta de fé na habilidade do proletariado em dirigir as amplas massas da classe trabalhadora para realizar a vitória do socialismo em um só país, com sua crença religiosa, acientífica e não marxista, de que a vitória do socialismo só seria possível no caso de uma revolução simultânea "nos mais importantes países da Europa" - Trotsky nunca foi capaz de compreender o contexto peculiar da Revolução de Outubro. É necessário para nós tratarmos deste contexto peculiar da Revolução de Outubro e à luz destes aspectos peculiares determinar as respectivas posições (irreconciliáveis) do leninismo e do trotskismo. Os aspectos peculiares da Revolução de Outubro Quais são os aspectos peculiares da Revolução de Outubro? A Revolução de Outubro tem dois aspectos peculiares cujo entendimento é uma precondição para compreender o significado nacional e internacional, desta revolução. Estes dois aspectos são: (1) a ditadura do proletariado aconteceu na Rússia com base numa aliança entre o proletariado e o campesinato trabalhador, o campesinato sendo liderado pela classe operária; (2) a ditadura do proletariado estabeleceu-se em um único país - e um país atrasado, do ponto de vista de seu desenvolvimento capitalista - enquanto o capitalismo era preservado em outros países, alguns dos quais capitalisticamente altamente desenvolvidos. Estes dois aspectos são da maior importância para nós, pois não apenas representam a essência da Revolução de Outubro e uma brilhante aplicação da teoria de Lênin da ditadura do proletariado e sua teoria da revolução proletária como também revelam a natureza altamente oportunista da teoria da 'revolução permanente' de Trotsky. Examinemos então estes aspectos, brevemente: (1) A aliança entre o proletariado e o campesinato, este sendo liderado pelo proletariado.
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A questão das alianças é de imensa importância. Quem as massas trabalhadoras da cidade e do campo apóiam; de quem elas se tornarão reserva reserva do proletariado ou da burguesia? Nisto reside a realidade, o resultado, da revolução. As revoluções francesas de 1848 e 1871 tiveram um fim ruim porque o campesinato tornou-se reserva da burguesia. A Revolução de Outubro foi vitoriosa porque o campesinato tornou-se reserva do proletariado, porque o proletariado foi capaz de evitar que o campesinato fosse reserva da burguesia. Como Stalin disse: "Aquele que não entende isso nunca entenderá o caráter da Revolução de Outubro, ou a natureza da ditadura do proletariado ou as características peculiares da política interna de nosso poder proletário" (Problemas do leninismo). Assim, pode-se ver que a ditadura do proletariado é uma aliança de classes do proletariado e do campesinato, este dirigido pelo proletariado, para a derrubada revolucionária do capitalismo e para realizar a vitória final do socialismo. Portanto, não é uma questão, como dizem alguns, de superestimar 'levemente' ou subestimar 'levemente' o papel do campesinato, é uma questão que diz respeito ao próprio caráter e aos fundamentos da ditadura do proletariado. Qual é, então, a teoria de Lênin da ditadura do proletariado? Assim Lênin a formulou: "A ditadura do proletariado é uma forma especial de aliança de classes entre o proletariado, a vanguarda dos trabalhadores e os numerosos estratos de trabalhadores não proletários (a pequena burguesia, os pequenos proprietários, o campesinato, a intelligentsia etc.) ou a maioria destes; é uma aliança contra o capital, uma aliança visando a completa derrubada do capital, a supressão completa da resistência da burguesia e de qualquer tentativa de sua parte de restauração, uma aliança visando o estabelecimento final e a consolidação do socialismo" (Lênin). E mais adiante: Se traduzirmos a expressão latina, científica, histórica e filosófica "ditadura do proletariado" para uma linguagem mais simples, ela significa simplesmente o seguinte: apenas uma classe definida, a saber, os operários urbanos e operários industriais em geral, é capaz de dirigir a massa total dos trabalhadores e explorados na luta pela derrubada do jugo do capital, no processo desta derrubada, na luta para manter e consolidar a vitória da luta total para a completa abolição das classes" (Lênin). Tal é a teoria de Lênin da ditadura do proletariado, e a Revolução de Outubro "representa a aplicação da teoria de Lênin da ditadura do proletariado" (Stalin). Estas, então, são as características do primeiro aspecto da Revolução de Outubro. Qual é a posição do trotskismo à luz do primeiro aspecto peculiar da Revolução de Outubro, isto é, como a questão é vista pela teoria da 'revolução permanente' de Trotsky?
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Não nos preocuparemos em enunciar detalhadamente a posição de Trotsky em 1905 quando ele expressou o slogan "Não tzar, mas governo dos operários", isto é, uma revolução sem o campesinato! Nem nos deteremos longamente sobre a posição de Trotsky em 1915, quando, a partir do fato de que "estamos vivendo na era do imperialismo" e que o imperialismo "estabelece não a nação burguesa em oposição ao velho regime, mas o proletariado em oposição à nação burguesa", ele chegou à conclusão, em seu artigo, A Luta pelo Poder, de que o papel do campesinato estava destinado a declinar, que o campesinato não estava mais destinado a desempenhar o papel importante que tinha até aí sido atribuído a ele. que o slogan do confisco de terra não tinha mais a importância do passado. Como é geralmente sabido, Lênin naquela época repreendeu Trotsky nos seguinte termos, por defender tal tese: "Trotsky está de fato ajudando os políticos trabalhistas liberais na Rússia, que ao 'negarem' o papel do campesinato pretendem assim recusar-se a despertar o campesinato para a revolução". Passemos, portanto, às ultimas obras de Trotsky sobre este tema - obras do período após o estabelecimento da ditadura do proletariado. Tomemos, por exemplo, o Prefácio de Trotsky ao seu livro O Ano de 1905, escrito em 1922. Eis o que diz Trotsky neste Prefácio à sua teoria da 'revolução permanente': "Foi precisamente durante o intervalo entre 9 de janeiro e a greve geral de outubro de 1905 que a visão do caráter do desenvolvimento revolucionário da Rússia, que veio a ser conhecida como a teoria da 'revolução permanente', cristalizou-se no pensamento do autor. Esta expressão complexa representava a idéia de que a Revolução Russa, cujos objetivos imediatos eram de natureza burguesa, não deveria, entretanto, parar quando estes objetivos tivessem sido conquistados. A revolução não seria capaz de resolver seus problemas burgueses imediatos exceto colocando o proletariado no poder. E este, assumindo o poder, não seria capaz de confinar-se aos limites burgueses da revolução. Ao contrário, precisamente a fim de assegurar sua vitória, a vanguarda proletária foi forçada no próprio estágio inicial de seu domínio a fazer incursões profundas não apenas na propriedade feudal porém da propriedade burguesa também. Com isto, entrou em colisão hostil não somente com todos os grupos burgueses que apoiaram o proletariado durante os primeiros estágios da luta revolucionária, porém também com as amplas massas do campesinato, que tinham sido vitais para a sua ascensão ao poder. As contradições na posição de um governo dos operários em um país atrasado, com esmagadora maioria de camponeses, só podem ser resolvidas numa escala internacional, na arena da revolução proletária mundial." Tal é a teoria de Trotsky da 'revolução permanente'. Tal é a posição do trotskismo sobre a ditadura do proletariado. Esta é a situação no que diz respeito à teoria da 'revolução permanente', à luz do primeiro aspecto peculiar da Revolução de Outubro, a saber, que a ditadura do proletariado foi estabelecida na Rússia com base numa aliança entre o proletariado e o campesinato, sendo o proletariado a força-guia desta aliança.

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Camaradas, há alguma coisa em comum entre a teoria de Lênin da ditadura do proletariado e a teoria de Trotsky da 'revolução permanente'? Não é preciso provar que nada há em comum entre as duas. Basta comparar a citação anterior, do Prefácio de Trotsky, com as duas citações dos escritos de Lênin "para perceber o grande abismo que existe entre a teoria de Lênin da ditadura do proletariado e a teoria de Trotsky da 'revolução permanente'". Permita-me, camaradas, resumir este ponto, o da comparação entre a teoria de Lênin da ditadura do proletariado com a teoria de Trotsky da 'revolução permanente', com a linguagem imortal do camarada Stalin. O camarada Stalin disse: "Lênin falou da aliança entre o proletariado e o estrato trabalhador do campesinato como a base da ditadura do proletariado. Trotsky vê uma 'colisão hostil' entre a 'vanguarda do proletariado' e as 'amplas massas dos camponeses'. Lênin fala da direção das massas trabalhadoras e exploradas pelo proletariado. Trotsky vê 'contradições na posição de um governo dos operários em um país atrasado, com uma maioria esmagadora de camponeses'. De acordo com Lênin, a revolução retira sua força principalmente dentre os operários e camponeses da própria Rússia. De acordo com Trotsky, a força necessária pode ser encontrada somente 'na arena da revolução proletária mundial'. Mas e se a revolução mundial estiver fadada a chegar com algum atraso? Há alguma fagulha de esperança para nossa revolução? Trotsky não vê fagulha de esperança, pois 'as contradições na posição de um governo dos operários' ... podem ser resolvidas apenas ... na arena da revolução proletária mundial. De acordo com este plano, há porém uma proposta esquerdista para a nossa revolução: vegetar em suas próprias contradições e apodrecer enquanto espera pela revolução mundial. O que é a ditadura do proletariado, de acordo com Lênin? A ditadura do proletariado é um poder que se apóia em uma aliança entre o proletariado e as massas trabalhadoras do campesinato 'pela completa derrubada do capital' e pelo 'estabelecimento e consolidação final do socialismo'. O que é a ditadura do proletariado, de acordo com Trotsky? A ditadura do proletariado é um poder que entra em 'colisão hostil... com as amplas massas do campesinato' e busca a solução de suas 'contradições' somente 'na arena da revolução proletária mundial'. Que diferença há entre a 'teoria da revolução permanente' e a teoria bem conhecida do menchevismo, que repudia o conceito de ditadura do proletariado? Na substância, não há diferença.
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Não há duvida sobre isso. A 'revolução permanente' não é uma mera subestimação das potencialidades revolucionárias do movimento camponês. A 'revolução permanente' é uma subestimação do movimento camponês que leva ao repúdio da teoria de Lênin da ditadura do proletariado. A 'revolução permanente' de Trotsky é uma variedade do menchevismo" [Problems of Leninism). É assim que se configura a questão, a respeito do primeiro aspecto peculiar da Revolução de Outubro. Passemos ao segundo aspecto peculiar daquela revolução: (2) A vitória da revolução em um único país - capitalisticamente pouco desenvolvido - enquanto o capitalismo é preservado em outros países capitalisticamente mais avançados. Lênin, com seus estudos do imperialismo, chegou à lei do desenvolvimento econômico e político desigual dos diversos países capitalistas. De acordo com esta lei, o desenvolvimento capitalista dos diversos países não acontece de acordo com um plano definido, com o que um país capitalista está sempre adiante de outros, enquanto outro permanece regularmente atrás dele. Ao contrário, o desenvolvimento de países capitalistas ocorre espasmodicamente - por saltos adiante no desenvolvimento de alguns e interrupções no desenvolvimento de outros. Esta situação conduz a esforços 'inteiramente legítimos', por parte daqueles países que costumavam estar à frente dos outros mas ficaram para trás, para recuperarem suas velhas posições e a esforços igualmente 'legítimos', por parte dos países que saltaram adiante, para efetuar uma mudança da situação e galgar novas posições. Estes dois esforços igualmente 'legítimos' e irreconciliáveis não podem senão levar a conflitos armados e a guerras inter-imperialistas. Foram estas contradições que geraram as Primeira e Segunda Guerras Mundiais. A Alemanha, de país atrasado com capitalismo pouco desenvolvido, saltou adiante da França e pressionou a Inglaterra no mercado mundial. Os esforços 'legítimos' da Inglaterra e da França para manterem-se nas velhas posições e os esforços 'legítimos' da Alemanha para alcançar novas posições levaram à Primeira Guerra Mundial inter-imperialista. A lei do desenvolvimento desigual origina-se do seguinte: (1) "O capitalismo transformou-se num sistema mundial de opressão colonial e de estrangulamento financeiro da maioria esmagadora da população do mundo por um punhado de 'países avançados'. (Lênin, Prefácio à edição francesa de Imperialism, the Highest Stage of Capitalism, SW Vol. 5, p. 9). (2) Este saque é repartido entre dois ou três saqueadores mundiais poderosos, armados até os dentes (América do Norte, Inglaterra e Japão), que envolvem todo o mundo em sua guerra pela repartição do seu saque" (ibid.); (3) Por causa da intensificação da contradição catastrófica dentro do sistema do imperialismo, resultando em guerras imperialistas e no crescimento dos movimentos
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revolucionários, a frente mundial do imperialismo torna-se facilmente vulnerável à revolução, e uma brecha nesta frente, em países individuais se torna provável; (4) Onde esta brecha tem lugar? No elo mais fraco da cadeia da frente mundial do imperialismo, onde o imperialismo é fraco e as forças revolucionárias exercem força suficiente para efetuar uma tal brecha; (5) Portanto, a vitória do socialismo em um país (mesmo um país onde o capitalismo é pouco desenvolvido), enquanto o capitalismo é preservado em outros países (mais desenvolvidos no sentido capitalista) torna-se provável. "O desenvolvimento econômico e político desigual", dizia Lênin, "é uma lei absoluta do capitalismo. Daí, a vitória do socialismo é possível primeiro em alguns ou mesmo em um único país capitalista, tomado isoladamente. O proletariado vitorioso daquele país, tendo expropríado os capitalistas e organizado sua própria produção socialista, deveria posicionar-se contra o resto do mundo, o mundo capitalista, atrair para sua causa as classes oprimidas de outros países, apoiando as revoltas naqueles países contra os capitalistas e, caso seja necessário, investir mesmo com força armada contra as classes exploradoras e seus Estados." Pois "a livre união das nações no socialismo é impossível sem uma luta mais ou menos prolongada e obstinada pelas repúblicas socialistas contra os Estados atrasados" (Lênin: SW Vol. 5, p. 141, The United States of Europe Slogan). E adiante: "O desenvolvimento do capitalismo ocorre de maneira extremamente desigual nos vários países. Não pode ser diferente sob o sistema de produção de mercadorias. Disto segue-se inevitavelmente que o socialismo não pode alcançar a vitória simultaneamente em todos os países. Alcançará vitória primeiro em um ou alguns países, enquanto outros permanecerão burgueses ou pré-burgueses por algum tempo" (Lênin, Military Programme of the Proletarian Revolution). Tais são os fundamentos da teoria de Lênin da revolução proletária. Os oportunistas (sejam eles trotskistas, revisionistas ou social-democratas) de todos os países afirmam que uma revolução proletária só pode começar em países altamente industrializados. Mais do que isto - de acordo com eles, a vitória do socialismo em um só país, particularmente um país onde o capitalismo não é altamente desenvolvido, está totalmente fora de questão. Lênin lutou contra esta teoria oportunista já no período da Primeira Guerra Mundial, e, apoiando-se na lei do desenvolvimento desigual do capitalismo, opôs aos oportunistas a sua teoria da revolução proletária. O que distingue a teoria de Lênin da revolução proletária das várias teorias oportunistas? A possibilidade e a probabilidade da vitória do socialismo em um só país mesmo se aquele país não é altamente desenvolvido no sentido capitalista - é o que distingue a teoria de Lênin da revolução proletária de todas as teorias oportunistas
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que afirmam que o socialismo não pode ser vitorioso em um único país, e aliás um país atrasado. A Revolução de Outubro forneceu eloqüente prova da correção da teoria de Lênin da revolução proletária e prova igualmente eloqüente das incorreções e da natureza oportunista das varias teorias de acordo com as quais a vitória do socialismo não pode ser conquistada em um único país, particularmente em um país atrasado: "O segundo aspecto peculiar da Revolução de Outubro", dizia Stalin, repousa no fato de que esta revolução representa um modelo da aplicação prática da teoria de Lênin da revolução proletária. Aquele que não entender este aspecto peculiar da Revolução de Outubro nunca entenderá a natureza internacional da revolução, ou sua força internacional colossal, ou sua política externa peculiar" (Stalin, Problems of Leninism). Como a teoria da 'revolução permanente' de Trotsky se relaciona com a teoria da revolução proletária de Lênin? Em seu livro Nossa Revolução (1906), Trotsky escreveu: "Sem o apoio estatal direto do proletariado europeu, a classe operária da Rússia não será capaz de manter-se no poder e transformar seu domínio temporário em uma ditadura socialista sustentável. Disso não podemos duvidar um só instante." Qual o significado desta citação? Seu significado é que o socialismo não pode ser vitorioso em um só país -a Rússia, neste exemplo - "sem o apoio direto do proletariado europeu". Seu significado é que na Rússia o proletariado não podia"manter-se no poder", construir sozinho o socialismo, antes da tomada do poder pelo proletariado europeu. Há qualquer coisa em comum entre esta "teoria" e a teoria de Lênin da revolução proletária sobre a vitória do socialismo em um só país, mesmo que este país não seja altamente desenvolvido no sentido capitalista? É quase desnecessário dizer que não há nada em comum entre as duas. Pode-se argüir que o livro de Trotsky Nossa Revolução foi publicado em 1906, quando era difícil determinar precisamente o caráter da revolução russa, que ele contém alguns erros e que, portanto, não correspondia à visão de Trotsky mais tarde. Porém, examinemos a visão de Trotsky contida em outro dos seus panfletos, O Programa da Paz. Este panfleto foi publicado antes da Revolução de Outubro e reimpresso em 1924 no livro de Trotsky O Ano de 1917. Neste panfleto Trotsky ataca a teoria de Lênin da revolução proletária sobre a vitória do socialismo em um só país e opõe a ela sua teoria de um Estados Unidos da Europa. Trotsky argumenta que a vitória do socialismo só é possível se tal vitória for alcançada em vários dos principais estados europeus, que deve combiná-los, então, em um Estados Unidos da Europa. De
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acordo com Trotsky, uma revolução na Rússia não poderia ser vitoriosa sem uma revolução proletária na Alemanha. Nem poderia haver revolução vitoriosa na Alemanha sem uma revolução em outros países europeus avançados. Trotsky disse: "O único argumento histórico mais ou menos concreto apresentado contra o slogan de um Estados Unidos da Europa foi formulado na Social-Democracia Suíça (nesta época o órgão central dos bolcheviques) na seguinte sentença: 'Desenvolvimento econômico e político desigual é uma lei absoluta do capitalismo'. Disto a Social-Democracia sacava a conclusão de que era possível a vitória do socialismo em um só país e que, portanto, não havia por que colocar a criação de um Estados Unidos da Europa como condição para a ditadura do proletariado em cada país separado. Que o desenvolvimento capitalista em diferentes países é desigual é um argumento absolutamente incontestável. Mas esta desigualdade é em si extremamente desigual. O nível capitalista da Inglaterra, Áustria, Alemanha ou França não é idêntico. Mas em comparação com a África e a Ásia, todos estes países representam a 'Europa' capitalista, que se tornou madura para a revolução social. Que nenhum país isolado deveria 'esperar' por outros em sua própria luta é uma idéia elementar, que é útil e necessário repetir, a fim de evitar a substituição da idéia da inação internacional expectante pela idéia de ação internacional simultânea. Sem esperar pelos outros, comecemos e continuemos nossa luta em nosso solo nacional, confiantes em que nossa iniciativa dará ímpeto ã luta em outros países; mas se isto não acontecer, é sem esperanças, à luz da experiência histórica e à luz do raciocínio teórico, pensar que uma Rússia revolucionária, por exemplo, poderia manter-se frente a uma Europa conservadora, ou que uma Alemanha socialista poderia permanecer isolada em um mundo capitalista". Assim, o que temos diante de nós é a velha teoria da "revolução permanente", que demanda uma vitória simultânea da revolução proletária nos mais importantes países da Europa. A teoria de Trotsky da 'revolução permanente' excluía a teoria de Lênin da revolução proletária; a teoria de Trotsky da desesperança 'permanente' nada tem em comum com a teoria de Lênin da revolução proletária após a vitória do socialismo em um só país. Talvez a citação anterior do livro de Trotsky O Ano de 1917 também não corresponda à visão mais madura de Trotsky. Examinemos, então, seus últimos trabalhos, aqueles escritos após a vitória da revolução proletária na Rússia, em um único país. Tomemos, por exemplo, o Posfácio de Trotsky à nova edição de seu panfleto A Programme of Peace, escrito em 1922. Eis o que diz Trotsky neste posfácio: "A afirmação, repetida várias vezes em 'Um Programa de Paz', de que uma revolução proletária não pode ser conduzida a uma conclusão vitoriosa dentro dos limites de um só país, pode parecer a alguns leitores ter sido refutada pela experiência de quase cinco anos de nossa república Soviética. Porém, tal conclusão seria infundada. O fato de que o Estado dos operários tem se mantido contra todo o mundo em um só país, e em um país atrasado, atesta a força colossal do proletariado que em outros países, mais avançados, mais civilizados, seria capaz de operar verdadeiros milagres. Porém, embora tenhamos resistido no sentido político e militar, como um Estado, não
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empreendemos, nem chegamos perto, da tarefa de criar uma sociedade socialista... Enquanto a burguesia permanecer no poder nos outros países europeus, seremos compelidos, em nossa luta contra o isolamento econômico, a buscar um acordo com o mundo capitalista; ao mesmo tempo pode-se dizer que, certamente, acordos assim podem ajudar-nos a mitigar alguns de nossos males econômicos, dar um ou outro passo adiante, porém, um genuíno avanço da economia socialista na Rússia tornar-seá possível somente após a vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa" (ênfase minha). Permitam-me, camaradas, concluir este argumento citando o que o camarada Stalin teve a dizer sobre a citação acima do posfácio de Trotsky a seu panfleto A Programme of Peace: "Assim fala Trotsky", diz Stalin, "claramente ignorando a realidade e teimosamente tentando salvar sua 'revolução permanente' do naufrágio final. Parece, então, que, por mais malabarismos que se façam, não temos somente 'não empreendemos' a tarefa de criar uma sociedade socialista como 'nem chegamos perto disso'. Parece que algumas pessoas tem estado esperando por 'acordos com o mundo capitalista', porém também parece que nada sairá destes acordos, pois, por mais que se queira, um 'avanço genuíno da economia socialista' não será possível até que o proletariado tenha sido vitorioso nos 'mais importantes países da Europa'. Bem, então, desde que não há ainda nenhuma vitória no Ocidente, a única 'escolha' que permanece para a revolução na Rússia é: apodrecer ou degenerar em um Estado burguês. Não é por acidente que Trotsky tenha estado falando já por dois anos sobre a 'degeneração' de nosso Partido. Não é por acidente que no último ano Trotsky tivesse previsto a ruína de nosso país. Como se pode conciliar esta 'proposta' estranha' com a visão de Lênin de que a Nova Política Econômica (NEP) nos capacitaria a 'lançar as fundações da economia Socialista' ? Como se pode conciliar esta desesperança 'permanente', por exemplo, com as seguintes palavras de Lênin: 'O socialismo não é mais uma questão do futuro distante, ou um quadro abstrato, ou um ícone. Nós ainda mantemos nossa velha má opinião sobre os ícones. Trouxemos o socialismo para a vida cotidiana, e aqui devemos ser capazes de manter nossas posições. Esta é a tarefa de nossos dias, a tarefa de nossa época. Permitamme concluir expressando a convicção de que. por difícil que seja esta tarefa, por nova que seja quando comparada com nossas tarefas anteriores, e por mais dificuldades que encerre, nós todos - não em um dia. porém no curso de vários anos - todos nós
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juntos a cumpriremos a qualquer preço; e a Rússia da NEP será transformada na Rússia Socialista" (Lênin, SW Vol 9, p. 381).' Como se pode conciliar esta desesperança 'permanente', por exemplo, com as seguintes palavras de Lênin: 'Na realidade, o poder do Estado sobre todos os meios de produção de larga escala, o poder do Estado nas mãos do proletariado, a aliança deste proletariado com os muitos milhões de pequenos e muito pequenos camponeses, a direção do campesinato assegurada pelo proletariado etc. - não é isso tudo que é necessário no sentido de construir uma sociedade socialista completa a partir das cooperativas e apenas das cooperativas, que antigamente tratamos como ambulantes e que sob certo aspecto temos o direito de tratar como tal agora, sob a NEP? Não é isso tudo que ó necessário para o propósito de construirmos uma sociedade socialista completa? Isto não é ainda a construção da sociedade socialista, mas é tudo que é necessário para esta construção.' (SW Vol. 9, p. 403). E claro que estas duas visões não podem ser conciliadas. A 'revolução permanente' de Trotsky é a negação da teoria de Lênin da revolução proletária; e, inversamente, a teoria de Lênin da revolução proletária é a negação da teoria da 'revolução permanente'. Falta de fé na força e capacidades de nossa revolução, falta de fé na força e capacidades do proletariado russo - isto é o que está na raiz da teoria da 'revolução permanente'. Até aqui, só um aspecto da teoria da 'revolução permanente' tem sido geralmente notado - a falta de fé nas potencialidades revolucionárias do movimento camponês. Agora, para fazer justiça, isto deve ser acrescido de outro aspecto - a falta de fé na força e capacidades do proletariado na Rússia. Que diferença há entre a teoria de Trotsky e a teoria menchevique ordinária, de que a vitória do socialismo em um só pais, e por sinal um país atrasado, é impossível sem a vitória preliminar da revolução proletária 'nos principais países da Europa ocidental'? De fato, não há diferença. Não pode haver dúvida sobre isso. A teoria de Trotsky da 'revolução permanente' é uma variedade do menchevismo." Esta é a situação no que se refere ao segundo aspecto peculiar da Revolução de Outubro. Os trotskistas e a intelligentsia burguesa, em sua tentativa desesperada de fazer crer que a teoria da 'revolução permanente' é compatível com o leninismo, muitas vezes afirmam que a preocupação com Trotsky era que ele ia muito mais adiante; que, embora a teoria de Trotsky estivesse errada para o ano 1905, ela provara estar correta
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em outubro de 1917. Afirmam, além disso, que, em abril de 1917, Lênin dera seu ponto de vista pela 'revolução permanente de Trotsky'. É necessário cuidado com esta afirmação, pois, se ela fosse verdadeira, seria correto dizer que Lênin foi um trotskista. Mais do que isso - não haveria algo como mar-xismo-leninismo, e sim marxismotrotskismo. Assim, pode-se ver claramente, camaradas, que os trotskistas não se contentam em tentar fazer o trotskismo parecer compatível com o leninismo - eles estão de fato tentando substituir o leninismo pelo trotskismo. Não é a primeira vez que o trotskismo faz tal tentativa, nem será a última. Contudo, podemos dizer com certeza que, como todas as anteriores, a tentativa atual do trotskismo de substituir o leninismo e afirmar-se como a única ideologia proletária (!) (tanto quanto as futuras), será esmagada. Uma tentativa de manipular o trotskismo para fazê-lo parecer compatível com o leninismo foi feita já em 1924, por Radek. Stalin, como resultado desta tentativa, chamou Radek de "diplomata podre".Eis o que Radek disse: "A guerra criou uma cisão entre o campesinato, que estava lutando para ganhar terra e paz, e os partidos pequeno-burgueses; a guerra colocou o campesinato sob a direção da classe operária e de sua vanguarda, o Partido Bolchevique. Isto tornou possível, não a ditadura da classe operária e do campesinato, mas a ditadura da classe operária, apoiando-se no campesinato. O que Rosa Luxemburgo e Trotsky defenderam contra Lênin em 1905 (isto é, a 'revolução permanente'], provou, na realidade, ser o segundo estágio do desenvolvimento histórico." Nenhuma refutação melhor das afirmações contidas na citação anterior pode ser encontrada em qualquer lugar senão nas seguintes linhas do camarada Stalin: "Aqui [isto é, na citação de Radek] todas as declarações são distorções. Não é verdade que a guerra "tornou possível, não a ditadura da classe operária e do campesinato, mas a ditadura da classe operária, apoiando-se no campesinato'. Na realidade,, a Revolução de Fevereiro de 1917 foi a materialização da ditadura do proletariado e do campesinato, entrelaçada de forma peculiar com a ditadura da burguesia. Não é verdade que a teoria da 'revolução permanente', que Radek modestamente evita mencionar, tenha sido defendida em 1905 por Rosa Luxemburgo e Trotsky. Na verdade, esta teoria foi defendida por Parvus e Trotsky. Agora, dez meses mais tarde, Radek corrige-se e considera necessário reprovar Parvus pela teoria da 'revolução permanente'. Porém, com toda a justiça, Radek deveria ter também reprovado o parceiro de Parvus, Trotsky. Não é verdade que a teoria da 'revolução permanente', que foi posta de lado pela Revolução de 1905, tenha provado estar correta no 'segundo estágio do desenvolvimento histórico', isto é, durante a Revolução de Outubro. O desenvolvimento total demonstrou e provou a bancarrota total da teoria da 'revolução permanente' e sua absoluta incompatibilidade com os fundamentos do leninismo. Discursos adocicados e diplomacia podre não podem ocultar o imensa abismo que existe entre a teoria da 'revolução permanente' e o leninismo."
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Notas 1. "O problema das massas trabalhadoras da pequena burguesia, tanto urbana quanto rural, o problema de atrair essas massas para o lado do proletariado, é de excepcional importância para a revolução proletária. A quem a população trabalhadora da cidade e do campo apoiará na luta pelo poder, a burguesia ou o proletariado; de quem se tornará reserva, reserva da burguesia ou reserva do proletariado - disto depende o destino da revolução e a estabilidade da ditadura do proletariado. A Revolução na França em 1848 e 1871 acabou fracassando principalmente porque as reservas camponesas provaram estar do lado da burguesia. A Revolução de Outubro foi vitoriosa porque foi capaz de privar a burguesia de suas reservas camponesas, porque foi capaz de conquistar estas reservas para o lado do proletariado e porque, nesta revolução, o proletariado provou ser a única força-guia para as vastas massas da população laboriosa da cidade e do campo. Quem não entender isto nunca compreenderá o caráter da Revolução de Outubro, ou a natureza da ditadura do proletariado, ou as características peculiares da política interna de nosso poder proletário" (Stalin, Problems of Leninism).

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Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte I

Capítulo 4 Conclusão da Parte I
O Trotskismo - Inimigo da Revolução Proletária e dos Movimentos de Libertação Nacional À luz do que já foi dito, torna-se nosso dever imperativo, camaradas, rejeitar o trotskismo, denunciá-lo e opor-nos a ele como uma ideologia burguesa perniciosa. Isto é de especial importância para nós, vivendo como vivemos em um país imperialista, pois a aceitação do trotskismo pelos operários pode apenas levá-los a fazer uma aliança com sua 'própria' burguesia imperialista. Por que isso? Porque, de acordo com o trotskismo "um avanço genuíno da economia socialista ... tornar-se-á possível somente após a vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa", e mais: "Sem o apoio de Estado direto do proletariado europeu, a classe operária ... não será capaz de manter-se no poder e transformar seu domínio temporário em uma ditadura socialista duradoura. Disto não podemos duvidar por um instante sequer." Assim, de acordo com o trotskismo, a revolução socialista não pode ter êxito em países capitalistas menos avançados; o socialismo não pode ser construído nesses países - não até depois da 'vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa'. Porém, o que acontece se o proletariado de um país atrasado é vitorioso em fazer uma revolução, porém seu sucesso não é seguido pela "vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa"?Resposta do trotskismo: "...porém, se isto não acontecer (isto é, se a vitória do proletariado em um país atrasado, tal como a Rússia era antes de 1917, não é seguida pela vitória do proletariado europeu) seria sem esperanças, à luz da experiência histórica e à luz do raciocínio teórico, pensar que uma Rússia revolucionária (ou, pela mesma razão, qualquer outro país atrasado), por exemplo, pudesse manter-se frente a uma Europa conservadora, ou que uma Alemanha socialista poderia permanecer isolada em um mundo capitalista". Em outras palavras, o conselho do trotskismo para o proletariado vitorioso de um país atrasado, nestas circunstâncias, seria: rendam-se incondicionalmente capitulem - façam sua paz com sua 'própria' burguesia e com o imperialismo, pois sua posição é "desesperadora"; desde que em seu país, à luz da experiência histórica e à luz do raciocínio teórico" vocês não podem manter-se "frente à Europa

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conservadora"; visto que "a revolução proletária não pode ser levada a uma conclusão vitoriosa, dentro dos limites de um só país", e assim por diante. Esta posição do trotskismo, incorporada à teoria de Trotsky da 'revolução permanente', constitui sua real essência contra-revolucionária. Nenhuma quantidade de palavreado ultra-'esquerdista' pode ocultar a essência contra-revolucionária do trotskismo. É esta posição do Trotskismo que o torna o mais firme apoiador do imperialismo; se sua opinião fosse seguida pelo proletariado vitorioso de um país atrasado, ela levaria à restauração do capitalismo nesse país e assim fortaleceria o imperialismo. O efeito do fortalecimento do imperialismo, por sua vez, tornaria ainda mais difícil "a vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa". Assim, nunca teremos a ditadura do proletariado em dado país, nem estaremos nunca mais próximos a uma Europa socialista, graças à recomendação do trotskismo. O resultado só poderia ser o fortalecimento do imperialismo e a sua capacitação a manter mais facilmente o proletariado sob seu domínio. O proletariado europeu estará mais próximo da vitória precisamente quando o imperialismo tiver se tornado fraco, e não em conseqüência de seu fortalecimento. A estrada do trotskismo, a estrada da teoria da 'revolução permanente', leva à reação permanente e à contra-revolução permanente - é a estrada da desesperança permanente. A teoria de Trotsky da 'revolução permanente', por causa de sua negação do papel revolucionário do campesinato, sustenta que naqueles países em que o feudalismo é ainda força predominante, o feudalismo só pode ser substituído por um governo dos operários; em outras palavras, o trotskismo nega os estágios da revolução - nega o estágio intermediário de uma revolução democrática do povo, isto é, uma revolução que põe fim ao feudalismo mas não institui ainda o socialismo, uma revolução que se torna socialista somente após ter cumprido suas tarefas democráticas, e no curso da qual tem lugar um realinhamento necessário das forças de classe. O trotskismo nega a teoria da revolução democrática nova, que é a teoria marxísta-leninista da revolução por estágios, assim como a teoria marxista-leninista da revolução continuada. O trotskismo acredita, e não poderia senão acreditar, por conta de sua negação do papel revolucionário do campesinato, em saltar subjetivamente os estágios1 da revolução. O resultado disso é duplo: (1) ele está se preparando para as tarefas futuras e negligenciando as tarefas do presente; e (2) deixa de dar apoio às lutas de libertação nacional, tais como a heróica luta do povo vietnamita pela libertação nacional, sob o pretexto de que o Programa da Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul é 'burguês'. Ao fazê-lo, o trotskismo age como uma força desorganizadora dentro do movimento de solidariedade com os povos dos países oprimidos, coloca uma cunha entre o proletariado europeu e os povos oprimidos do mundo, em sua luta contra o imperialismo, e fornece um apoio todo-poderoso ao imperialismo. Tal, por exemplo, tem sido o caso com o movimento neste país pela solidariedade com o heróico povo vietnamita. Os trotskistas, ombreados com os revisionistas, têm feito tudo que podem para sabotar o movimento de solidariedade e têm tido algum sucesso. Não estou escrevendo uma história completa do movimento de solidariedade ao Vietnã. Isto deveria ser feito em outro lugar e em outra época. Porém, serão oportunos uns poucos exemplos, para demonstrar as posições contra-

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revolucionárias a que a aceitação da teoria da 'revolução permanente' tem levado os trotskistas. Os trotskistas têm todo o tempo se recusado a apoiar o programa da FLN, sob o argumento de que seria um 'programa burguês'. Eles fazem isso porque, sendo seguidores da teoria da 'revolução permanente', que nega o papel revolucionário do campesinato, não reconhecem os estágios da revolução vietnamita. Eles subjetivamente querem saltar ou passar por cima do estágio de libertação nacional. Em outras palavras, querem o socialismo estabelecido na metade sul do Vietnã antes que o povo vietnamita tenha alcançado a libertação nacional, com a derrota dos agressores imperialistas dos EUA e antes que tenham completado as tarefas democráticas da revolução vietnamita. De acordo com os trotskistas, o domínio do feudalismo e do imperialismo no Vietnã do Sul só pode ser substituído por um governo dos operários. Tudo isso soa muito revolucionário, porém, em essência, é um contrasenso reacionário. O resultado de perseguir tal curso, como advogam os trotskistas, seria que não apenas o socialismo não pode ser estabelecido no Vietnã do Sul, como nem mesmo se pode conseguir a libertação nacional. A vasta maioria do povo do Vietnã do Sul, que tem lutado uma batalha gloriosa contra o imperialismo e pela salvação nacional, o tem feito porque estão todos de acordo e unidos em sua determinação de derrotar a agressão dos EUA, alcançar a libertação nacional e estabelecer uma república democrática popular. Neste estágio, um programa socialista poderia somente ter o efeito de causar uma cisão na frente única contra o imperialismo; neste estágio, um programa socialista prestaria a mais profunda ajuda ao imperialismo. Assim, pode-se ver que, quando os trotskistas condenam a FLN, estão prestando um precioso serviço ao imperialismo dos EUA. É a isto que eqüivale seu palavreado ultra-'esquerdista': a derrocada da luta de libertação, transformada em servilismo ao imperialismo. Os trotskistas têm a todo tempo injuriado o grande líder do povo indochinês, camarada Ho Chi Minh. O que fez o camarada Ho Chi Minh para merecer tal tratamento? A resposta é que ele agiu de uma forma altamente revolucionária, conduzindo o povo vietnamita de vitória em vitória, levou-o a estabelecer o socialismo na República Democrática do Vietnã e, assim, provou na prática a natureza falida e reacionária da teoria da 'revolução permanente', de acordo com a qual o socialismo não pode ser construído em um único país atrasado. Em outras palavras, ele fez o mesmo que já tinha sido feito na URSS, sob a liderança de Stalin. Será de admirar que os trotskistas chamem o camarada Ho Chi Minh de "burocrata stalinista"? Qualquer um que não siga a teoria derrotista e reacionária da 'revolução permanente' é um 'burocrata stalinista', no que diz respeito a esses degenerados, os trotskistas. Ao chamarem Ho Chi Minh de burocrata e lançarem injúrias à FLN, os trotskistas são capazes de apresentar à classe trabalhadora, aqui, a luta do povo vietnamita como uma luta reacionária que, portanto, não vale a pena apoiar. O resultado é que o movimento de solidariedade é subvertido e o proletariado britânico continua a acreditar nas mentiras expressas sobre essa questão pelo governo imperialista britânico e pela imprensa imperialista. Estes retratam o povo vietnamita em luta como assassinos sedentos de sangue que têm empreendido agressões contra
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os EUA por anos, e os EUA como empreendendo apenas uma guerra defensiva! É fácil para o proletariado britânico acreditar nestas mentiras por duas razões: (a) porque vive em um país imperialista e (b) porque há 'comunistas' tais como os trotskistas, que dão eco às mentiras do imperialismo. Está claro então que os trotskistas são o principal impedimento ao proletariado britânico cumprir com seus deveres internacionais. O proletariado europeu, inclusive o britânico, nunca será capaz de fazer uma revolução a menos e até que se torne completamente imbuído do espírito do internacionalismo proletário, até que ligue sua própria luta com a luta dos povos oprimidos e proletários pela libertação nacional e revolução proletária e forneça a mais profunda assistência fraterna a tais lutas. Não se pode insistir nesta verdade com excessiva freqüência. E aquele que obste o proletariado britânico a cumprir seu dever está adiando o dia da revolução aqui e é um contra-revolucionário. Os trotskistas são precisamente tais contra-revolucionários. Não há como insistir nesta verdade muito freqüentemente. O que se aplica à luta do povo vietnamita também se aplica, por extensão lógica, às lutas dos povos oprimidos em todas as partes, e os trotskistas fazem aí o seu mesmo trabalho desprezível. Para demonstrar a profundidade desta total degeneração a que chegaram os trotskistas, gostaríamos de citar recente folheto lançado por uma das organizações trotskistas, o Solidariedade. Quando se lê esta passagem, não se pode senão ter sentimentos de repulsa por estes trotskistas. Estejam precavidos, camaradas. De acordo com este panfleto, a guerra do Vietnã não é uma guerra imperialista de agressão infligida pelo imperialismo dos USA contra o povo vietnamita amante da paz, mas "um conflito interimperialista". Portanto, exortam os degenerados autores trotskistas deste panfleto, a "esquerda bolchevique"não deveria tomar partido. Eles, então, seguem denunciando aqueles que apresentam a guerra como um "esforço unilateral, um produto do bicho-papão norte-americano". A seguir, o panfleto denuncia a teoria marxista-leninista da revolução por estágios: "a experiência do Vietnã... mostra o deplorável enfoque stalinista baseado em dois estágios". Passa então a difundir a calúnia maliciosa de que, em 1945, "operários sem conta foram assassinados pelo sanguinário Ho Chi Minh..." De acordo com os escritores trotskistas deste panfleto "a vitória de qualquer lado (na guerra do Vietnã) é prejudicial á luta pelo socialismo mundial". Para encobrir sua deslealdade odiosa, os agentes trotskistas da burguesia terminam seu panfleto clamando pelo "estabelecimento de um autogoverno de amplitude mundial". Para familiarizá-los com o trotskismo real, o trotskismo em forma contra-revolucionária sem disfarces, propomos citar este folheto na íntegra. Não temos dúvidas, camaradas, de que, quando vocês se informarem do conteúdo deste panfleto, entenderão completamente nossa posição e concordarão conosco quando dizemos que o trotskismo é contra-revolucionário e constitui um apoio confiável para o imperialismo. Eis, então, o que diz este panfleto:

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"VIETNÃ — Vitória para quem? A recente escalada da guerra do Vietnã ilustra plenamente as realidades de nossa época; a política das grandes potências contra o povo operário. A ofensiva de nove semanas atrás da DRVN/FLN, lançada com maciça ajuda russa e chinesa contra o regime de Saigon, alterou o quadro no Sudeste da Ásia. A guerra é um conflito interimperialista, cuja solução política está sendo decidida em Moscou, Washington, Pequim e Paris, em detrimento das massas no Vietnã, Camboja, Laos e Estados Unidos. Incapaz de ver isto, a esquerda bolchevique na Inglaterra nos conclama a tomar partido neste conflito bárbaro. "A guerra é apresentada por eles como um esforço imperialista unilateral. um produto do bicho-papão norte-americano. O lado DRVN/FLN é pintado com cores incandescentes: '... uma vitória vietnamita no sul seria um grande auxílio à revolução socialista em outras partes do mundo'. (Red Mole, 15 de maio de 1972). A IS, ansiosa para recrutar na base do oportunismo, grita: 'Vitória para a FLN! Derrota ao bloqueio de Nixon!' (Socialist Worker, 3 de junho de 1972). Outros, como o PC, clamam pela 'paz' e implementação do Acordo de Genebra de 1954. A premissa é que o povo operário não deveria dirigir suas próprias vidas e que as burocracias políticas deveriam negociar em seu nome. Outra premissa é que a luta pelo socialismo no Vietnã está fora de questão 'agora'. Os bolcheviques mais degenerados superam este problema identificando 'libertação nacional' com 'socialismo'. Em qualquer caso, uma falsificação monstruosa. Esses enfoques são exemplificados pelas seguintes pérolas: '...quando a questão do poder americano estiver resolvida, sabemos que tipo de regime e de políticas a FLN escolherá - e será forçada a escolher pela lógica de sua situação. Porém, isto é, no momento, outra luta, a luta real pelo socialismo' (IS 32, Neither Washington neither Moscow-But Vietnam?). "A experiência do Vietnã (como na Espanha de 1936) mostra o deplorável enfoque stalinista baseado nos 'dois estágios' (ambos dirigidos, por certo, pelo 'Partido'). Será necessário lembrar a comuna de Saigon de 1945, quando operários vietnamitas foram assassinados pelo sanguinário Ho Chi Minh em conluio com o imperialismo francês e britânico? Ali houve uma insurreição socialista incipiente, sufocada pelos próprios gangsters que a esquerda bolchevique apóia tão histericamente. O esmagamento da resistência camponesa à coletivização na província de Ngh Na por Hanói, em 1956, é também convenientemente esquecido. Os adolescentes camponeses recrutados que estão perecendo justamente agora em Hue, Kontum e Na Loc testemunharam a insensibilidade da nova ofensiva do regime de Hanói; a fuga da população e a falta óbvia de apoio civil fornecem prova adicional de que a população nada tem a ganhar com a vitória de qualquer lado. O que significam todas as mistificações bolcheviques? Elas simplesmente ocultam a essência do conflito: ambos os lados na guerra do Vietnã representam os interesses imperialistas. Embora o regime de Hanói tenha uma dependência ideológica e militar da Rússia e China diferente daquela de Thieu para com o regime dos EUA, a vitória de qualquer lado será em detrimento da luta pelo
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socialismo mundial. A vitória da FLN e de Hanói fortalecerá os imperialismos russo e chinês contra o imperialismo dos EUA. Um 'acordo negociado' simplesmente estenderá a guerra por mais uma geração. Deixamos aos patriotas sociais do capitalismo de Estado escolherem o imperialismo de seu gosto. Assim como advogam 'Vitória ao IRA' na Inglaterra, eles advogam soluções reacionárias similares em outras partes do mundo. Seu raciocínio é de que tais 'vitórias' enfraquecem o imperialismo ocidental, porém os 50 anos passados de lutas de libertação nacional desmentem tais afirmações. Vitórias obtidas com base em nacionalismo ou raça não têm ligação com o socialismo e de fato fortalecem as ideologias burguesas e autoritárias, que desmoralizam mais o povo operário. Acreditamos que o principal inimigo está em casa. Somos a favor de uma campanha efetiva contra a colaboração do governo britânico com o imperialismo norte-americano no Vietnã. Isto não significa, entretanto, apoio ã FLN. Em lugar disto, que tal uma manifestação contra a Embaixada da Rússia no bairro chique? Finalmente, a única solução para este bárbaro conflito é una solução socialista: contra o imperialismo americano, contra a FLN e os burocratas de Hanói, pela confraternização das tropas estadunidenses e vietnamitas, pela derrota de ambos os lados em seus países de origem, pela irrupção de uma guerra civil de classe contra classe na retaguarda imperialista - isto é, pelo estabelecimento de um autogoverno de amplitude mundial". Este panfleto fala por si, e nenhum comentário é necessário sobre esta peça revoltante do trotskismo contra-revolucionário - ele corrobora tudo que já foi dito2. Há dois pontos, contudo, que gostaria de mencionar a título de esclarecimento, a fim de desembaraçar a trama de confusão traçada por este panfleto. (1) Os trotskistas do Solidariedade, os autores do panfleto acima, descrevem outras organizações trotskistas degeneradas e contra-revolucionárias tais como o Grupo Marxista Internacional (IMG), que são os editores do Red Mole e a Internacional Socialista (IS), que produz o Socialist Worker como a 'esquerda bolchevique'. Esta é uma tentativa de fazer passar as organizações burguesas trotskistas por organizações do tipo bolchevique e confundir o trotskismo contra-revolucionário com o bolchevismo revolucionário - o leninismo. A verdade é que as várias organizações trotskistas, em seu conjunto, constituem não a esquerda bolchevique, mas a direita menchevique. (2) Os autores deste panfleto produzem algumas citações do Red Mole e do Socialist Worker. no esforço de mostrarem que o IMG e a IS apoiam a luta do povo vietnamita contra a agressão imperialista dos EUA e pela libertação nacional. Isto não é verdade. O IMG e a IS não apoiam a luta do povo vietnamita pela libertação nacional. Como dito antes, eles têm por anos denunciado a FLN e acumulado ofensas contra o grande dirigente do povo vietnamita, o camarada Ho Chi Minh. Gente como Tariq Ali, do IMG, e escórias semelhantes da IS, da Liga Trabalhista Socialista etc., têm muitas vezes condenado o Camarada Ho Chi Minh como um 'burocrata stalimsta'. Eles racharam a grande manifestação de 27 de outubro de 1968 sobre o Vietnã, contra a agressão imperialista dos EUA e se recusaram a marchar até a Embaixada dos Estados
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Unidos. Em lugar disso, reuniram 50.000 pessoas em um piquenique diversionista no Hyde Rark Comer. Recusaram-se a aceitar os três slogans da Marcha, isto é, AGRESSORES DOS EUA FORA DO VIETNÃ AGORA!' 'VITÓRIA À FLN!' e 'LONGA VIDA A HO CHI MINH!'. Tariq Ali fez objeções aos segundo e terceiro slogans sob o argumento de que o programa da NLF era burguês e que Ho Chi Minh era um burocrata stalinista. Dissemos-lhe que, se era isso que ele achava, então que ele conduzisse um cartaz com slogans desta natureza. Ele não teve coragem, é desnecessário dizer. Tivesse ele conduzido tal cartaz, as milhares de pessoas reunidas na demonstração tê-lo-iam linchado. Em lugar disso, sob a pressão dos manifestantes, e em frente às câmeras de TV, Tariq Ali deu-nos um exemplo de sua hipocrisia, gritando slogans como 'Vitoria à FLN' e 'Longa Vida a Ho Chi Minh'. Tudo isso feito para iludir as massas e ser capaz de subverter o movimento de solidariedade. É inconcebível que esses mesmos trotskistas subitamente tivessem mudado sua linha. Se tinham mudado, então, deveriam dizê-lo. Se genuinamente mudassem de linha, então deixariam de ser trotskistas. Na verdade, entretanto, eles não tinham mudado em nada de linha. A IS 'apóia' a FLN, como a citação no panfleto da IS 32 mostra, porque ela pensa que a FLN está engajada em estabelecer o socialismo sem estágios. Este não é realmente um apoio para a FLN, mas uma tentativa desesperada de explicar sua própria conduta no passado e salvar a teoria da 'revolução permanente' do naufrágio final. Anos de luta provaram a correção absoluta do programa da FLN e a bancarrota total da linha dos trotskistas. Em lugar de agora admitir a bancarrota do trotskismo e alijá-lo, a bancarrota de sua própria linha por vários anos, os trotskistas da IS preferem distorcer a linha e o programa da FLN. Os próprios autores deste panfleto são capazes de perceber esta distorção e por isso descrevem-nos como "bolcheviques degenerados!", isto é, trotskistas degenerados. O socialismo será estabelecido no Vietnã do Sul somente após o povo vietnamita ter ultrapassado o estágio da libertação nacional e completado as tarefas democráticas da revolução vietnamita. Esta é a simples verdade, senhores trotskistas, que vocês nunca entenderam, nem entenderão no futuro, a menos que desistam de se ajoelhar em oração diante da 'absurdamente esquerdista teoria da revolução permanente'. Do mesmo modo, o IMG não apóia a VLF também. Ambos, a IS e o IMG, "apoiam" a FLN não pelo que ela sustenta agora atualmente, mas pelo que eles pensam que ela sustenta, e as duas situações são muito diferentes. Ultimamente eles tem publicado material que dá a impressão de que os trotskistas começaram a "apoiar' a FLN porque esta corrigiu sua posição inicial e adotou a linha trotskista. Nada pode estar mais longe da verdade do que esta absurda sugestão. Qual é, então, a razão para o 'apoio' aparente que os trotskistas do IMG e da IS estariam dando ultimamente à FLN? A razão é que a FLN está à beira da vitória: por perseguir seu programa correto, ela tem derrotado os agressores imperialistas dos EUA. Por isso, os trotskistas apressam-se a se associar com a iminente vitória total do povo vietnamita. Apressamse a apresentar a vitória do povo vietnamita, vitória que eles fizeram tudo que podiam para sabotar, como sua própria - como o resultado de suas ações de 'solidariedade'.

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Mais do que isso, a virada na linha trotskista sobre o Vietnã coincidiu com a viagem de Nixon à China. Os trotskistas tinham espalhado propaganda no sentido de que os chineses estavam se encontrando com Nixon para 'tratar' da questão do Vietnã, sem consulta ao povo vietnamita. Esta era parte integral de sua propaganda diária contra este bastião do socialismo. A verdade é que o governo, o Partido e o povo chinês tinham demonstrado na pratica que eram os mais confiáveis aliados do povo vietnamita e que nunca fariam um 'negócio' com o imperialismo dos EUA à custa do povo vietnamita. Nixon foi à China em reconhecimento da posição enfraquecida do imperialismo dos EUA. O imperialismo dos EUA não poderia por muito tempo recusarse a reconhecer a realidade da existência da China. Nixon pode ter esperado todo tipo de "negócios' (todos os reacionários fazem isso) porém certamente não conseguiria um na China. Os trotskistas, no intuito de difamar a China e difundir calúnias maliciosas, começaram a gritar que "os burocratas chineses estão traindo a luta do povo vietnamita". A fim de tornar convincente esta calúnia maliciosa, os trotskistas contra-revolucionários tinham de dar a impressão de que apoiavam a FLN. Esta, então, é a explicação. A verdade é que foram os burocratas trotskistas que o tempo todo fizeram o melhor que podiam para solapar a luta do povo vietnamita. Os camaradas chineses, por outro lado, tinham dado apoio total, tanto material quanto político, ao povo vietnamita. Em adição às razões dadas acima, também devemos rejeitar o trotskismo porque, de acordo com o trotskismo, uma vitória do socialismo não é possível em um só país, mesmo que este pais seja o mais avançado capitalisticamente, pois "seria sem esperanças ... pensar que uma Rússia revolucionária, por exemplo, poderia manter-se diante de uma Europa conservadora, ou que uma Alemanha socialista poderia permanecer isolada em um mundo capitalista" (Trotsky). Em outras palavras, se o proletariado britânico fosse vitorioso em derrubar o capitalismo e estabelecer a ditadura do proletariado, tudo estaria perdido, a menos que a vitória do proletariado britânico fosse seguida pela vitória do proletariado em outros 'países europeus importantes' e talvez nos EUA também. O que o trotskismo busca, portanto, é uma vitória mundial simultânea do socialismo. Isto é impossível um mero sonho. A revolução proletária não pode ter lugar em todo o mundo de uma só vez; será bem sucedida, diz o leninismo, primeiro em um ou uns poucos países e depois em outros e eventualmente em todos os países do mundo. De fato, podemos dizer "à luz da experiência histórica e à luz do raciocínio teórico" que a revolução mundial não terá lugar simultaneamente. Desde que o curso da revolução não se desenvolve de acordo com os esquemas preconcebidos do trotskismo, este, em lugar de admitir sua bancarrota, está advogando que nenhuma revolução deva ser defendida - que nenhum socialismo deveria ser construído em países individualmente. E se os revolucionários não aceitam este conselho deles, então, eles são 'traidores e burocratas stalinistas' que estão 'traindo a revolução'. Tal é a natureza reacionária do trotskismo. Em suma, camaradas, devemos denunciar e nos opor ao trotskismo, como uma ideologia burguesa que é contrária à construção do socialismo e da libertação nacional
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- uma ideologia que constitui um apoio extremamente confiável ao imperialismo. Devemos orientar-nos para a consciência de classe do proletariado e ajudá-lo a educar-se no espírito da intolerância com a ideologia burguesa do trotskismo. É nossa tarefa enterrar esta ideologia. Se a atual série de palestras contribuir para isto, que é seu principal objetivo, nós, na Associação dos Trabalhadores Comunistas, consideraremos uma honra termos desempenhado algum papel.

Notas 1. "É muito nocivo confundir os dois estágios, isto é, as revoluções nacionaldemocrática e socialista. O Camarada Mao Tsé-tung criticou a idéia errada de cumprir ambas de um só golpe e observou que esta idéia utópica pode somente enfraquecer a luta contra o imperialismo e seus lacaios, a tarefa mais urgente nesta época. Os reacionários do Kuomintang e os trotskistas tentaram, durante a Guerra de Resistência, deliberadamente, confundir esses dois estágios da revolução chinesa, proclamando a "teoria de uma revolução única' e apregoando o 'socialismo' assim chamado, sem qualquer Partido Comunista. Com esta teoria absurda, eles tentaram engolir o Partido Comunista, eliminando qualquer revolução e evitando o avanço da revolução nacional-democrátíca, e usaram isso como pretexto para sua nãoresistência e capitulação ao imperialismo. A teoria reacionária foi varrida há longo tempo pela história da revolução chinesa" (Lin Piao, Long Live the Victorv of People's War). 2. Em seu número 557, o documento trotskista pouco conhecido Socialist Organizer veiculou com alegria maliciosa a seguinte peça revoltante a propósito de Chris Hani, um dos maiores de todos os lutadores pela libertação do povo negro da África do Sul, por ocasião de seu assassinato pelas mãos do fascismo da África do Sul: "Um lutador, porém um stalinista Chris Hani foi um lutador. Ele nasceu na pobreza no Transkel rural. Sua mãe era analfabeta e seu pai, um mineiro que trabalhava a centenas de milhas de distância, no Transvaal. Ele dedicou sua vida à derrubada do regime racista branco na África do Sul, e por esta dedicação ele foi assassinado. Porém, Hani não foi apenas um lutador. Ele foi também um stalinista perverso. Em 1984, Hani tornou-se comissário político e comandante do braço armado da ANC, Um khonto we Sizwe. Aquele foi o ano dos motins nos campos angolanos da ANC. A juventude da 'geração Soweto', que se tornou radical na revolta de 1976, rebelou-se quando foi rejeitada sua reivindicação de voltar à África do Sul para lutar. Hani foi responsável pela supressão dos motins e pelo encarceramento dos guerrilheiros dissidentes da ANC no notório campo de prisão Quatro em Angola, que
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era dirigida por pessoal treinado pela KGB e pela rancorosa polícia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi. O fato de que a imprensa liberal está agora cheia de elogios a este 'homem supremamente honesto' mostra quão profundamente verdadeiro é o velho ditado de que 'quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas'. Nos anos 30, as câmaras de tortura da URSS, seu Gulag e o governo de mentiras de Stalin foram defendidas e justificadas pelos liberais e stalinistas como 'mal menor'. Assim, hoje os liberais, os stalinistas e os terceiro-mundistas parecem estar preparados para esquecer que, se Hani tivesse subido ao poder, teria sido como uma peça da máquina do Estado impondo uma tirania de ferro sobre a classe operária. Mesmo após 1989 é ainda possível ser ambas as coisas, um lutador contra o capitalismo e um inimigo do socialismo da classe operária. Chris Hani o provou."

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