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Caracterização do típico day trader

Principiemos antes de mais por desfazer alguma ilusão que o título possa criar: o típico
day trader não existe a não ser nos filmes. Existem, isso sim, diversos tipos de day trader, com
diversos perfis psicológicos e, por isso, diferentes linhas de actuação.

Em comum, e dado o objectivo de diariamente termir com todas as posições fechadas,


todos o puro day trader tem de obedecer a determinados critérios: por isso, o day trading, dentro
da sua flexibilidade deve ser a forma mais rígida de negociar.

O day trader deve por isso ser capaz de:


a) identificar as condições ideais do mercado para day trading e
b) identificar a volatilidade necessária aos títulos sobre os quais concentrará as suas
atenções, bem como identificar o volume (ou ainda mais importante, a variação do
volume) que denota acções especulativas, tão propícias ao day trading.

Adicionalmente, e porque necessita de se mover rapidamente, o day trader deve ter o


capital necessário para tal, seja directamente, seja através da utilização de correctoras que lhe
permitam dispor de margens.

No fundo, uma correctora que lhe permita assegurar por exemplo 10% do capital com
que está a negociar, o que poderá implicar uma relação de confiança, baseada no facto de um
determinado day trader não acumular largos défices nem posições de um dia para o outro.

Uma das características fundamentais para se ser day trader, é a capacidade de gerir o
RISCO. Assim, embora vários autores divirjam nesta opinião, pensamos ser sensato dizer que
um bom day trader será capaz de identificar o risco antes de este se transformar em perdas e,
muito mais importante, quando já está a perder TEM de ser capaz de reagir, limitando as perdas,
em vez de manter posições, vendo as perdas aumentar, para depois vender.

As médias móveis no Day Trading


De entre os vários métodos de análise disponíveis, quer para o day trader quer para
qualquer outro tipo de investidor, as médias móveis revestem-se de um destaque na lista de
preferências. O motivo para tal é simples: são fáceis de calcular, fáceis de entender e fáceis de
justificar enquanto método.

Neste artigo tentar-se-á resumir os vários tipos de médias, bem como aplicação de cada
uma delas. Fazemos notar que o período em relação à qual se refere a média varia conforme a
opinião de cada daytrader, nos exemplos abaixo assume-se um período de 10 pontos, sejam eles
dias, meses, anos ou segundos, mas qualquer outro valor poderia ser usado.

Média Móvel simples:


Obtem-se somando os 10 valores anteriores e dividindo o resultado por 10.
Matematicamente, para calcular o ponto seguinte, é sempre bom manter o valor não dividido da
soma, pois basta subtrair o ponto mais antigo e somar o novo ponto (o 11º no exemplo anterior)
para actualizar a soma a ser dividida por 10. Se a média for de 120 dias, teremos 3 operações (1
soma, uma subtração e uma divisão) em vez de 120 (119 somas e uma divisão...), o que é
extraordinariamente importante em termos de eficiência computacional.
Para o daytrader, a média móvel poderá ser não dos últimos 10 dias mas, por exemplo,
dos últimos 10 meios-minutos.

Média móvel ponderada:


Cada ponto tem um peso específico. Suponha-se, para simplicidade que as cotações de
uma acção nos 3 últimos minutos são 2.5 2.6 e 2.7 A média móvel simples seria obviamente

1
2.6; se consideramos os pesos, ou importância, como sendo 1,3,4, por ordem dos pontos dados,
a média móvel ponderada será: (1*2.5+3*2.6+4*2.7)/(1+3+4) o que dará 2.635. Naturalmente
que a atribuição dos pesos é de particular importância. Cabe ao daytrader verificar em que
circunstâncias são mais importantes, ou "pesadas", as cotações mais recentes, mais antigas ou as
"do meio".

Média Móvel Exponencial:


A exponencial de cada valor é usada ou, se preferirmos, a escala de tempo é logarítmica,
o que confere uma importância exponencialmente decrescente ao tempo que decorreu desde a
obtenção de cada ponto. É por isso usada em circunstâncias em que o daytrader acredite que os
valores do mercado é que fazem variar o mercado, e não qualquer notícia ou valor fundamental
da empresa.

Média móvel Suavizada:


Cálculo de uma curva de determinado tipo (ex. uma parábola) que melhor se ajuste a um
conjunto de pontos. Note-se que não se pretende normalmente que a curva passe pelos pontos
(ie. não se calcula uma parábola só com 3 pontos, senão passará), usando-se um vez disso um
conjunto maior de pontos para descobrir qual a curva que melhor se ajusta. Esse processo é
passível de ser realizado pelo método dos mínimos quadrados, mas a sua relativa demora
necessita do recurso a ferramentas informáticas, para ser de utilidade para o daytrader.

Média móvel triângular:


Na realidade é um caso específico da média móvel ponderada, em que os pontos têm
uma importância crescente do "antigo" até o "do meio", e depois decrescente até o mais recente.
Se tivéssemos 5 pontos, os pesos seriam por ex. 1,2,3,2,1.

Técnica de interpretação de médias móveis - 01


Conforme referimos na semana passada, o sistemda de médias móveis é frequentemente
usado, dada a facilidade de cálculo e, prometemos, de compreensão dos sinais. Convem referir,
no entanto, que as médias móveis são sinais de atraso, ou seja, sinais que apenas mudam de
direcção após o mercado o ter feito. Assim, não permitem comprar enquanto uma cotação está a
descer, mas por outro lado permitem identificar se a subida é de alguma forma significativa e
fazer a compra em território interessante e, porventura, mais seguro.
Por outro lado, se a média móvel indicar uma subida e por acaso tal acabar por não se
verificar, e dado que o preço de compra não será já o óptimo, poder-se-á estar a comprar uma
acção que vai cair, resultando numa perda. É assim de extrema importância que o day trader seja
capaz de conjugar a análise de médias móveis com outras técnicas e, porque não, com o seu
instinto.

Interpretação das Médias Móveis.


Preço X Média Móvel (MM)

Ao traçar o gráfico de preço versus média móvel, a leitura é, como prometemos, muito
simples:
- Se o preço está acima da média móvel, a tendência é denominada de ALTA.
- Se o preço está abaixo da média móvel, a tendência é denominada de BAIXA.

Assim:
- COMPRAR quando o preço cruza a média móvel de BAIXA para ALTA.
- VENDER quando o preço cruza a média móvel de ALTA para BAIXA.

Esta regra pode ser interpretada em termos de cotação de fecho do dia anterior (ou da
hora anterior, ou do que for que interesse para o trading que se pretenda efectuar) - COMPRA

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quando o preço fecha ACIMA da MM e tenha estado ABAIXO da MM - VENDER na situação
contrária.

Periodo
É claro que para isto funcionar, o período da média móvel deve ser bem escolhido.
Tipicamente, períodos perto de 20 valores, embora mais lentos a reagir, são substancialmente
mais fiáveis que períodos de muito poucos pontos (baixo dos 8 valores).

Tempo
Para o day trader, só faz sentido utilizar períodos em que o TEMPO entre cada ponto
seja na ordem dos 1 aos 30 minutos, embora períodos abaixo dos 5 minutos sejam mais custosos
de manter actualizados e não fornecem grandes vantagens. Se a acção reage em períodos
inferiores a isso, então possivelmente a reacção é meramente especulativa e, como tal, a sua
previsão tem mais a ver com conhecimento da especulação que com técnicas de análise.

TPC
Sugerimos aos nossos leitores que experimentem a técnica referida no papel, até se
familiarizarem com as mesmas, e ao inserir cotações em acções com liquidez (tipicamente PSI
20 ou PSI 30), para aferirem da sua capacidade de tomar decisões. No próximo artigo iremos
fornecer um método mais complexo que combina duas médias móveis, permitindo tomar
decisões mais seguras.

Médias Móveis
Conforme vimos na semana passada, a aplicação de médias móveis é relativamente fácil
de compreender, fornecendo interpretações simples, e requerendo pouco poder de cálculo.
No entanto, e conforme referimos, a fiabilidade dos sinais é pequena, pelo que urge
recorrer a formas de eliminar os falsos sinais, de forma igualmente simples e sistemática.
É aqui que entram os duplos cruzamentos em médias móveis(MM)
Esta técnica recorre tipicamente a duas médias móveis, com o número de períodos de
uma a ser tipicamente 8x o da outra. Assim, se estiver a usar uma média móvel de 3 pontos,
deverá usar uma outra de 24 pontos.
Esta relação de 8 vezes nem sempre é aplicável, mas é um ponto de partida aceitável.
Em termos de aplicação, aplica-se tudo o visto na parte anterior deste artigo, com uma
diferença: em vez de se estudar o cruzamento das cotações com a média móvel, estuda-se o
cruzamente da média móvel "curta" (no ex. a de 3 pontos, cujo objectivo é simplesmente
suavizar oscilações) com a média móvel mais longa (a de 24 pontos, no exemplo acima).
ATENÇÃO: Este método reduz os riscos mas atrasa ainda mais a resposta. Ou seja, se
no caso cotações x MM as indicações já são dadas a posteriori, com este método esse atraso é
ainda pior. Por esse motivo, este método NÃO PODE ser aplicado com fiabilidade a acções
cujas cotações mudem de comportamento de forma muito frequente, pelo que o day trader
dificilmente a poderá usar.
Poderá ser usado, isso sim, por traders que mantenham posições mais longas, em títulos
mais estáveis, ou apenas em casos de títulos que não invertam a sua tendência mais que uma ou
duas vezes diárias, o que é por si próprio um factor de risco no day trading.
Assim, e uma vez mais, será a experiência do day-trader o factor determinante, na
correcta aplicação de um método a uma acção e ao seu contexto.
O método das médias móveis é tão usado que seria impossível chegarmos à conclusão
final sem o darmos a conhecer aos nossos leitores.
Tomando a liberdade de parafrasear Jake Bernstein, no seu excelente livro (The
Compleat Day Trader" (e é mesmo "compleat", fica aqui o enigma da grafia de algo que se
esperaria fosse apenas "complete"), atrevemo-nos a sugerir que, salvo casos muito específicos,
O USO DE MÉDIAS MÓVEIS É DESACONSELHÁVEL PARA O DAYTRADER, salvo

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como um indicador auxiliar ou complementar de outros, que viremos a estudar no próximo
artigo.

Reduzindo o risco do day trader


Embora o day trading comporte sempre um certo grau de risco, e seja de todo
desaconselhável para principiantes, a verdade é que algumas regras básicas ajudam a reduzir as
perdas potenciais.Assim, seja qual for o tipo de mercado, será indispensável que mantenha na
mente a seguinte receita.

1 - Aposte em acções que variem com suficiente liquidez para se livrar delas num
aperto, ou para rapidamente realizar mais-valias, sem perder a oportunidade por falta de
liquidez.

2 - Aposte em acções que variem em generosa percentagem, de forma mais ou menos


frequente, o que lhe permitirá aperceber-se melhor de pontos de compra e de venda.

3 - Verifique sempre que horas são: não é indiferente comprar ou vender a meio da
manhã, ou dois minutos antes de abrir a bolsa em Nova York!

4 - Se você pensa que sabe tudo sobre um determinado título e acaba por perder quase
sempre no mesmo, se calhar anda enganado... aposte noutros títulos.

5 - Tome nota da hora do início de um movimento de ascensão ou queda de um ou váris


títulos. Verificará que a curto prazo se começará a aperceber da periodicidade específica de cada
acção. Observe cuidadosamente a relação entre variação de volume e mudanças de sentido na
cotação.

6 - Limite as perdas: se perdeu os x% que estabeleceu como limite de perda, então


venda e não arrisque. Se estabelecer estes x% a priori e a frio será maior o número de vezes em
que fica satisfeito por ter limitado as perdas do que aquelas em que fica triste por verificar que o
título subiu segundos após a sua venda.

7 - PENSE DE FORMA INDEPENDENTE: dicas, sugestões, análises téncicas etc. é


tudo muito útil, mas é o SEU dinheiro. Assuma os seus riscos e aprenderá com eles. Aprenderá
até a melhor usar as informações exteriores.

Na próxima semana continuaremos o artigo anterior, por forma a complementar o


conjunto de técnicas ao seu dispor para que enfrente o day trading com armas realmente
superiores!

Métodos – Gaps
A identificação de gaps representa uma oportunidade excelente para o Day trader mais
atento, pelos seguintes motivos:
a) São de fácil identificação
b) São comparativamente objectivos
c) Não obrigam a estar com o cérebro ligado ao ecran de computador o dia todo.

Mas... o que é um gap ?


O gap é uma abertura do mercado fora dos limites da sessão anterior.
O gap up é uma abertura acima do máximo da sessão anterior.
O gap down é uma abertura abaixo do mínimo da sessão anterior.

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Assim, após um gap up parece aceitável dizer que se deve entrar short. Tal deve ser
feito no momento em que a cotação caia e perfure o máximo anterior. Assim acaba-se por
aproveitar a retracção natural que provavelmente perfura em queda o máximo da sessão
anterior.
Obviamente, que para o gap down dever-se-á entrar long a partir do momento em que a
cotação sobe acima do mínimo da sessão anterior.
No fundo, observa-se que o mercado abriu fora do contexto anterior e espera-se para
verificar que a tendência é corrigir o "exagero", optimista no gap up e pessimista no gap down.
Durante o restante da sessão, o day trader terá apenas de vigiar a possibilidade de a
abertura afinal ser interessante, o que não é mais que estimar a perda máxima admissível (stop
loss) que estabele antes de iniciar a movimentação, e que a ser atingida deverá despoletar o
fecho da posição, sem hesitações.

Explicação psicológica dos gaps


A motivação psicológica é fácil de explicar com o exemplo. Imagine que antes da
abertura as taxas de juro sobem, ou a bolsa de Tóquio cai abruptamente. Seria de esperar uma
queda na abertura. No entanto, se a queda for exagerada, é de esperar que se pense que se
sobrecompensou, estando-se perante "saldos" e aproveitando para ir aos mesmos ie. a cotação
sobe.
Psicologicamente, os limites da sessão anterior são os valores em que no dia anterior os
investidores mais arrojados compraram (no máximo) e os mais medrosos venderam (no
mínimo), o que constituirá resistência e suporte psicológicos para o dia actual.
O método dos gaps só tem um inconveniente óbvio: nem todos os dias há gaps...

Oscilador de Movimento e Rate of Change


Em Física, a quantidade de movimento, vulgarmente chamada de momento, está
directamente relacionada com a massa e a velocidade de um corpo.
Por exemplo: o lançamento de um projectil na vertical tem momento máximo quando
este é disparado (pois a velocidade é máxima) e mínimo quando chega ao topo da sua trajectória
(velocidade=zero).
Nestes casos, as alterações de momento são suaves: o seu pisa-papeis, se atirado ao ar,
irá diminuindo de velocidade e, de forma quase graciosa, atinge a velocidade zero na altura
máxima, passando então a acelerar (aumentando o momento, mas agora no sentido negativo, ou
de queda) até atingir o chão.
A não ser que bata no tecto: aí, o momento passará bruscamente a zero!
E o que tem isto a ver com Bolsa ?
Bem... imagine que uma acção subiu, há 2 dias, 1%; ontem, subiu 2% e hoje, no fecho,
subiu 3%. Isto significa que a sua subida, em vez de desacelerar, perdendo momento, até atingir
o topo (uma resistência), está a ganhar velocidade. Ora, em física, isto só acontece se houver um
foguete que a impulsione...

Passemos então aos procedimentos de cálculo:


- Para calcular o momento, subtraia o valor de uma cotação ao preço de n períodos atrás
(horas, minutos, segundos, o que for - para já é irrelevante).
- Repita o procedimento para as cotações seguintes.
- Una os valores calculados por uma linha, que é o Oscilador de Momentos.

O que fazer com o lindo gráfico obtido...

Comprar:
- APÓS ter estado abaixo do zero, QUANDO CRUZA a linha do zero.

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Vender:
- APÓS ter estado acima do zero, QUANDO CRUZA a linha do zero.

Por exemplo: conforme pode ser visto na figura, pouco depois de 1 de Abril, atinge o
zero, que é cruzado de forma decisiva. O investidor atento que aí tenha comprado, usufruiu dos
seguintes proveitos:
a) O momento não mais desceu do zero ie. não houve mais sinal de venda
b) A cotação começou a subir, tendo subido depois de forma decisiva.

Fazemos notar que antes do fim de Abril há um sinal de venda, seguido de um sinal de
compra, que permitiria preceder a pequena queda e readquirir títulos, obtendo novos ganhos!

Método Rate of Change


O Rate of Change funciona da mesma forma, mas em vez de se subtrair os preços,
divide-se o actual pelo antigo. O sinal de compra/venda é dado pelo cruzamento por 1.
A simultaneidade destes dois sinais é substancialmente mais fiável que usar um único,
obviamente.

Avisos para Daytraders mais novatos


Daytrading, Futuros, e inexperiência: uma combinação explosiva...

Pois bem, se até agora temos vindo a fornecer métodos, conselhos e até princípios que o
daytrader deve usar, a verdade é que algumas advertências básicas se impõem. Ficam aqui as
três que consideramos mais importantes.

1) Os sistemas de trading não funcionam


A maioria dos sistemas de trading tem bases convincentes, mas é apenas aplicável
dentro de um determinado mercado, num determinado contexto e para determinadas acções. Por
outro lado, os sistemas fiáveis ao longo de grandes períodos, têm uma baixa percentagem de
acertos, pelo que nem sempre proporcionam o mais conveniente e atempado aviso. Não acredite
se alguem lhe disser que tem um sistema que funciona com mais de 50% de acertos ao longo de
10 anos...

Solução:
Se tiver nervos de aço e uma autodisciplina verdadeiramente militar, pode abandonar os
sistemas e usar indicadores de momentum e intuição. O problema é que terá por vezes de
assumir perdas.
Alternativamente, poderá confiar nos insides que lhe cheguem (algo muito duvidoso e de ética
questionável) ou ainda desenvolver o seu próprio estilo.

2) As comissões engolem os seus lucros


O perigo de overtrading existe e, se estiver permanentemente a comprar e vender com
lucros de menos de 1%, quem ganha é a corretora. Você ganha, mas tão pouco que não chegará
para superar eventuais perdas. Alguns corretoras levam comissões mais elevadas porque o
aconselham. Pessoalmente penso que se precisa de conselhos então não devia ser daytrader.

3) Os profissionais ganham, o público perde


É uma verdade e é indiscutível. Como em tudo, os profissionais levam sempre a maior
fatia do bolo. Neste caso é pior, porque se não for profissional ficará mesmo a dever bolo... Por
este motivo, haja como um profissional: não se emocione em demasia, assuma perdas,
mantenha a calma para vender a ganhar o máximo e acima de tudo siga o plano que traçou
inicialmente.

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A sua probabilidade de sucesso é, actualmente, a pior de sempre.
Tendo começado o artigo de hoje com um título assustador, comecemos agora por o
explicar, em duas partes...

1) Os insiders ainda são recompensados


Embora a legislação e regulamentos tenham avançado no sentido de manter os
mercados a funcionarem de uma forma justa, o facto é que os traders que têm informação
privilegiada ainda são os grandes vencedores no mercado de futuros. Estes agentes podem ser
por exemplo os corretores e operadores, ou pessoas ligadas às empresas, etc. Este é um assunto
que não nos interessa para os nossos objectivos. Mas a boa notícia é que os mercados de futuros
representam o último bastião do capitalismo - o lugar onde qualquer pessoa com persistência,
disciplina, e algum conhecimento, pode fazer fortuna.
A má notícia é que cada vez é mais difícil vencer no mundo dos futuros, pois os
mercados estão cada vez mais competitivos, com os «insiders» a agarrarem as oportunidades
antes do público em geral ter essa oportunidade. Felizmente as regras básicas do day trading
continuam a aplicar-se. Assim, se seguir as regras, irá melhorar as suas chances de sucesso,
mesmo que elas agora sejam menores do que seriam por exemplo há 5 ou 10 anos atrás.

2) As suas chances de sucesso são agora piores do que nunca


Estou certo que esta frase vai causar admiração nos leitores, especialmente naqueles que
já especulam no mercado de futuros. Não é possível verificar se esta afirmação é verdadeira ou
falsa, mas estudos nos EUA com base nas contas de futuros revelam que nos dias de hoje a
percentagem de traders ganhadores é inferior à que existia há 15 ou 20 anos atrás.
Seria bom que fosse ao contrário, mas o importante é aceitar a realidade e descobrir-lhe
as causas. Porquê que actualmente é mais difícil ser bem sucedido no trading em futuros? A
resposta tem argumentos múltiplos, todos sem validação estatística possível.
Em primeiro lugar, existem muito mais traders inexperientes do que existiam no
passado. Vêm atraídos por um suposto mundo de lucros fáceis que não corresponde à realidade.
Abundam os cursos de iniciação à bolsa e num ápice as pessoas já se encontram na mais
complexa e exigente forma de investimento: o trading no mercado de futuros.
Em segundo lugar, os mercados estão mais voláteis do que nunca. Esta volatilidade é
óptima para quem acerta, mas pode ser fatal para quem erra e tem poucos recursos financeiros.
A volatilidade intraday pode dar cabo de uma conta de futuros num único dia, e isto pode
acontecer até aos peritos.
A terceira razão é a demasiada abundância de informação. Embora pareça que quanto
mais informação melhor, muitas vezes informação a mais pode ser prejudicial. A confusão
gerada pelo excesso de informação pode levar à quebra da disciplina, o que é muito grave.
Entre estar informado e estar disciplinado, prefira sempre a segunda hipótese antes de se
aventurar pelo mundo dos futuros.

Negociar em bolsa: modo de vida ou passatempo ?


Apesar dos avisos dos profissionais que, compreensivelmente, dirão "deixem isso para
os profissionais", a verdade é que a negociação bolsista é, para muitos investidores, um ganha-
pão. Mesmo os investidores mais novatos compreendem essa possibilidade, abstendo-se de
viver dos investimentos por uma simples questão: falta de conhecimentos adequados.

Claro que seria mais popular ter-lhe dito exactamente o oposto, ie., "ganhe a vida e
fique rico na Bolsa" é uma frase que todos gostamos de ouvir, mas que normalmente leva a
tragédias pessoais...

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Claro que para ganhar experiência tem de o fazer a tempo inteiro, e como não tem
experiência não o deve fazer...
Solução: comece por negociar como hobby

Vantagens do Trading como Passatempo:


a) continua a manter o seu emprego, afinal você tem de comer se quer chegar a
profissional...
b) ganhe experiência
c) ganhe disciplina: se vai ser um passatempo, certamente que terá de ser disciplinado
na sua análise. Esta atitude ser-lhe-á positiva, mais tarde

Por exemplo: se um conjunto de indicadores técnicos levar a concluir do baixo risco de


uma descida, associado à boa probabilidade de uma subida, o que fazer ?
Simples: comprar, certo ? ERRADO.
PRIMEIRO: estabeleça um ganho razoável.
SEGUNDO: compre
TERCEIRO: deixe a ordem de venda para o valor a atingir. Assim, não terá a tentação
do "vamos esperar a ver se sobe mais"... o que seria grave, porque se é passatempo, então TEM
de admitir que lhe podem falhar alguns detalhes porventura importantes...

Um PONTO ESSENCIAL que distingue o full-time do part-time no trading:


Utilizando (por exemplo) a breakout de 30 minutos (ver artigos anteriores), você pode
comprar em duas alturas: antes do breakout acontecer ou após este acontecer.
Se você for um profissional, poderá comprar antes, potencializando os lucros e sabendo
que está em cima da situação caso o sinal técnico não se confirme; se você estiver a exercer o
seu direito a um passatempo, espere pelo sinal técnico e, só então, compre. Ganhará menos, mas
com mais segurança.

No gráfico pode-se ver a MDEA num triângulo ascendente,com a média dos últimos 50
dias como suporte adicional. Uma situação que seria seguida ou de uma quebra da resistência ou
de uma retracção para o suporte. Como a retracção aconteceu primeiro, gerou-se a indicação de
venda... e dias depois esta acção subiu, entrou no triângulo e rompeu a resistência. Pois é, um
amador que tivesse confiado no instinto poderia , teoricamente, ter ganho mais que um
profissional que, "correctamente", teria vendido. Note-se que referimos, em artigos anteriores,
que as médias móveis não são grande coisa para o day trading, mas se vão no sentido de
confirmar outros sinais, nada de mal com isso. Uma vez mais, conclui-se facilmente que nem
sempre ser amador é ser pior. Mas não se iludam os mais afortunados amadores: se forem
rigorosos e disciplinados, podem ser tão bons como os pros; se o não forem, basta um dia de
queda em que não se livrem do lastro e irão certamente ao fundo.

Decida se você pode ser um day trader - 01


No artigo anterior debatemos a questão da necessidade de profissionalismo e da
adaptabilidade que um "curioso" deverá ter para ser um day trader.
É no entanto necessário um auto-exame consciencioso, para que o day trading não se
transforme num pesadelo.

QUESTIONE-SE! E seja honesto nas respostas.


Pergunta 1: Porquê?
Quais são as suas motivações: enriquecer ou simplesmente "porque sim" ou, pior ainda
"porque eu também"?
Se a sua resposta foi alguma das opções acima, então DESISTA enquanto pode. O day
trading não perdoa a quem não o adora. O day trading tem de ser uma forma de vida e não um
emprego. Ou você come, bebe e respira day trading, ou está tramado.

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Como um artista, o day trader tem de ser apaixonado pelo day trader. Junte-se a isso a
experiência acumulada e, eventualmente, a riqueza surgirá; perca o amor e o divórcio deixá-lo-á
sem nada.

Para além disso, o day trading trar-lhe-á prazer se o adorar; caso esse não seja o seu
caso, apenas receberá doses ENORMES de stress e, eventualmente, problemas cardíacos...
E o que lhe vai dizer o seu médico? Provavelmente "esqueça isso, alivie o stress, poupe
a sua saúde". Permita-nos contrapor: se você adorar o que faz pode ser um dos poucos
privilegiados da espécie humana que diz "nunca mais chega Segunda-feira", em vez de "nunca
mais chega Sábado". Por outro lado, e ao contrário de outros modos de vida, não há
emergências ao fim de semana que impeçam que, tranquilamente, pratique desporto, viage...
PENSE seriamente nesta questão... que não é a única!
Para a semana teremos mais com que preocupar os nossos leitores (e leitoras, cujo número tem
vindo a aumentar, mesmo percentualmente).

Decida se você pode ser um day trade - 02


Pergunta 2- Posso arriscar este dinheiro ?
Assumindo que você adora o day trading (ver artigo anterior, porque se acha que estou a
ser sentimentalista então precisa mesmo do o ler...), há ainda toda uma série de decisões a
tomar.
Como em qualquer negócio, o risco existe. Assim, verifique se o capital em causa é
mesmo 100% para arriscar, pensando se lhe faria realmente falta se o perdesse numa noite.
Como o day trading lhe tomará o tempo todo, será esse o seu único emprego. Se assim
for, pense se pode viver de ar e vento.
Lembre-se: se o dinheiro investido for uma poupança sua e precisar dele, estará sobre
uma pressão incomportável.
Mesmo que as coisas corram bem, VOCÊ FICARÁ SEM O DINHEIRO. Disparate?
Não: se tudo corre bem, tem de ter esse dinheiro sempre disponível para investir e desinvestir
quando bem entender....
Claro que existe o compromisso de trabalhar, por exemplo, meio-horário, por forma a
financiar a sua vida pessoal e, se calhar, o day trading.
Não se torne, portanto, escravo da necessidade de ser bem sucedido, ou estará a
condenar-se ao insucesso.

Avalie Sua Experiêcia


Quantas pessoas mudam para um emprego do qual nada entendem ? Quase nenhumas.
Não pense que o day trading é diferente. Não é por um ou outro site dizerem que é tudo
muito fácil que você vai ganhar... Lembre-se: se não tem experiência, vai pagá-la com perdas.
Nada de errado com isso, mas verifique que tem estofo orçamental para tal...

Os atletas profissionais treinam anos a fio para se tornarem campeões. Se você é


arrogante e estúpido a ponto de pensar que vai ser vini vidi vice, então boa sorte, que vai
precisar.

Em suma: avalie não só o seu envolvimento sentimental, como também a sua


disponibilidade financeira, a disponibilidade para não ter ganhos e a sua experiência com
operações de bolsa.

E para que melhor se possa autoavaliar, na próxima semana teremos neste espaço uma
listinha de pontos a verificar...

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Decida se você pode ser um day trader - 03
Assumo que já chegou à conclusão que:
a) ADORA day trading
b) Tem perfil para ser um day trader.

Então... pode começar a negociar, certo ? ERRADO!

Há ainda um longo caminho a percorrer, a menos que tenha herdado uma fortuna tão
grande que possa esbanjar algum dinheiro...

1 - TREINE!
Outrora era necessária muita paciência, papel e calculadora para simular compras e
vendas; hoje em dia poderá:
a) gerir um portfolio virtual no Portaldebolsa.com (apenas deverá registar-se como
utilizador, gratuitamente)
b) gerir um portfolio competindo com outros gestores, no nosso Jogo da Bolsa onde, se
for mesmo bom, até ganhará prémios!
c) Fazer os exercícios de Bolsa da nossa sala de aula, verificando os seus conhecimentos
teóricos básicos.

Mas atenção: nada de batotice consigo próprio! Por isso é que gerir um portfolio virtual
no Portaldebolsa é melhor do que no papel... No papel é mais fácil mentir a si próprio.

Diversifique
Não use o seu treino apenas para obter o melhor resultado possível.
Sugiro fortemente que tente simular os seguintes comportamentos:
a)Alto-risco, curta duração: compre e venda onde pensa que o risco e o ganho são
maiores, obviamente numa perspectiva de curta duração. Fortalecerá os seus instintos.
b)Calculismo: recorra a análise técnica pura e invista virtualmente durante alguns dias.
Fortalecerá a sua capacidade de análise, adaptando-a ao seu modo de jogar
c)Fundamentalista: ignore a AT e as variações, use os rumores que vai ouvindo aqui e
ali, caso tenha "fontes fidedignas". Fortalecerá o seu discernimento e, sobretudo, a capacidade
de não ser facilmente crédulo...

Quanto?
Este é o ponto seguinte. Está bem, você é o maior, e vai investir e ganhar. A pergunta
que surge é: quanto é que vai investir? O dinheiro do cinema ou vai vender a casa? E quanto é
que quer ganhar? Faça exactamente como se estivesse a convencer alguém a emprestar-lhe
dinheiro para investir: afinal, se ninguém acreditar em si, porque deveria você próprio acreditar?
E, claro, como em qualquer plano de negócios, não se esqueça de estipular datas para
atingir metas ou até mesmo para repensar a vida e decidir se vai continuar ou não.
Agora está pronto para ser um day trader. Bem... quase... mas isso é para o próximo
artigo.

Decida se você pode ser um day trader PARTE 4


ONDE trabalhar?
Aparentemente a resposta é simples: em casa.
Afinal, nada como uma boa banhoca matinal, antes de se conectar e começar a ganhar
dinheiro.
Excelente, não é ?
Bonito, não é ?
Pois é... demasiado perfeito.

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Nada como ver os pontos positivos e negativos :-)

Pontos positivos em ser um day trader caseirinho:


- quando apetece...
- seja um "pijama trader" sem ser preso

Pontos negativos
- investimento inicial
- ninguém ao seu lado, com quem possa conversar, trocar ideias, comentar os seus erros,
enfim:

Aprender
Pessoalmente gosto muito do trading doméstico, mas, talvez por isso mesmo, e porque
as desvantagens podem nem ser óbvias, este artigo vai-se focar nas alternativas.

Opção: trading numa "sala de trading" de uma correctora (algumas das correctoras
online portuguesas disponibilizam salas destas para os seus clientes).

Aprendizagem
Claro que também pode aprender em casa, mas a aprendizagem exclusivamente a solo
impede a troca de experiências. Numa sala de trading encontrará todo o tipo de investidores,
grandes e pequenos, experientes e inexperientes, calculistas e impulsivos; encontrará, enfim, um
"laboratório de personalidades" que lhe permitirá uma auto-formação porventura mais fácil que
a que o seu quarto lá em casa lhe proporcionaria.

Provavelmente, encontrará até outros traders que o ajudarão ou dividirão o trabalho. Por
exemplo: se está a analisar 3 títulos que outras 2 pessoas também queiram, porque não fazer 1
análise/pessoa e obter o mesmo resultado, mas com menos trabalho ?!

No entanto, CUIDADO com os oportunistas: tal como em qualquer chat ou forum, e por
muito sério que o site seja, há sempre aqueles que gostam de dizer bem daquilo que já
compraram e dizer mal daquilo que querem comprar... e quem lhes dá ouvidos por norma sai-se
mal.

Cooperação
Numa sala de trading, um grupo de pessoas poderá evitar a situação perfeitamente idiota
de estarem todos a fazer o mesmo...
Por exemplo, uma análise técnica é uma análise técnica. Para quê repetir ?! Melhor será
que cada membro do grupo faça uma, diferente, sendo a informação partilhada e aumentando
assim a informação que cada um tem ao seu dispôr. O mesmo se aplica à busca de notícias e
rumores, seja em jornais, na rádio ou em qualquer site.
Adicionalmente, e com o Screening do Portaldebolsa, muitas das contas do tipo "o que
sobe há mais de 3 dias consecutivos" estão simplificadas; por isso, um dos membros do grupo
poderá fazer uma busca elaborada e transmitir aos restantes, aumentando a base sobre a qual as
decisões são tomadas.
Mais: uma oportunidade num título pode ser transmitida entre todos (há quem faça
segredo, mas isso é idiota porque o mercado é muito maior que o seu grupo de contactos, por
isso vale sempre a pena partilhar, desde que haja reciprocidade, claro!).
Por Outro Lado aprenda a não ser demasiado volúvel: se alguém lhe diz para comprar e
você pensa que é altura de vender, aprenda a levantar a dúvida mas, no final, tome você a
decisão: se seguir as dos outros, desista que não foi feito(a) para isto!
(O (a) na linha anterior foi por simpatia para com uma das nossas visitantes que se
queixou que, no texto, uso sempre o género masculino. Tem razão, mas é só para ser prático.
Fica aqui o esclarecimento!).

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Hardware e Software
Pois é: "Vou negociar a partir de casa. Hmmm tenho de comprar um computador só
para isto, com 2 ecrans senão não vejo nada... e depois de alguns meses vou precisar de um para
ter informação e outro para ter a correctora on-line, e uma impressora A3 é essencial, e o
modem vai à vida e vou trocá-lo por RDIS, e duas linhas telefónicas adicionais davam jeito para
falar com 2 amigos e...".
E ainda: "Agora que tenho o equipamento, tenho de comprar uns softwares porreiros;
ah, claro, depois de ler mais 300 newsgroups vou ter tudo bem configuradinho para não ir nada
abaixo nos momentos cruciais."
Resumindo: se fizer trading em casa, PREPARE-SE para gastar tempo e dinheiro na sua
infraestrutura, senão vai-se sentir desamparado nos momentos cruciais.
Numa sala de trading, já alguém teve o trabalho de preparar e manter uma estrutura.
CLARO que você pode ser capaz de fazer tudo, mas pense se realmente vale a pena!
Se você já tem o hardware, pelo menos não há grandes gastos monetários, mas se o não
tem, umas centenas de contos podem ser a sua primeira menos-valia.
E, claro, um link infobolsa ou Reuters ou outro, custa entre umas dezenas a umas
centenas de contos por mês. Na sala de trading, custa-lhe zero. Em casa, não se pode dar ao luxo
de poupar.
Felizmente que os portais (para as informações) e as correctoras on-line (para a rapidez de
transacção) já permitem, a alguns tipos de trader, evitar esse custo (e isto é muito discutível). No
day trading, é praticamente indispensável.

Stress e separação física de funções


Para aqueles para quem o trading é algo que envolve stress, o simples facto de o local
do stress não ser o local onde se come e dorme (vulgo "lar"), torna-lhes mais fácil "desligar e
relaxar" ao fim do dia. O que é muito importante.

Outros custos
Alimentação e transportes: em casa você poupa.
É um ponto a ter em consideração, até porque poupa tempo e dinheiro.
E a quantia pode nem ser nada desprezável.

Conclusão
Dependendo do seu perfil psicológico, do nível de investimento inicial e do seu modo
de aprendizagem, decida. Mas não deixe de ter em consideração todos os pontos acima.

Equipe-se!
EQUIPE-SE!!!!! - O seu trading room doméstico...
Assumindo que, depois de ler os artigos anteriores, decidiu que quer ser um day trader,
que quer negociar de pijama e que quer beber o seu chocolate quente enquanto faz (?) milhões, a
verdade é que precisa de se equipar adequadamente.
Um ambiente informático estável é, por isso, essencial. Com a colaboração do pessoal
do Departamento Técnico da PortaldeBolsa, aqui vai a nossa lista de sugestões.

SISTEMA OPERATIVO
Tem algumas hipóteses: Macintosh, Windows 9x, Windows 2000 ou Windows NT.

Nunca:
- Windows 9x. Na nossa opinião é demasiado instável.

Talvez:

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- Macintosh: os novos Mac são engraçados e relativamente fiáveis. No entanto é difícil
arranjar toda uma série de aplicações. Não recomendamos, mas é uma opção.
- Linux: para além do problema das aplicações específicas, a verdade é que este é um
bom sistema operativo... especialmente se tiver um especialista por perto. Se o não tiver, o que
poupa na licença pode-lhe sair caro em inflexibilidade

Recomendações:
Windows NT: um ambiente estável. O Windows NT Workstation 4.0 , com pelo menos
o Service Pack 5, está presente na maioria dos bancos e trading rooms. É estável, fiável, rápido
e conta com um grande leque de aplicações.
Windows 2000 Pro: no fundo é um "NT 5.0 Workstation". Mais rápido, suporta
hardware que dantes o obrigariam a usar Windows 98; verifique sempre se as aplicações que
deseja funcionam realmente bem em Windows 2000. Se fôr esse o caso, é esta a sugestão do
pessoal "cá da casa". Outros podem discordar, mas é a nossa opinião.

HARDWARE
Que PC ?
Conselhos práticos:
- ecran de PELO MENOS 17"
Se usar Windows 2000 Pro ou Win98 opte por DUAS placas gráficas e dois monitores.
Exija que o vendedor lhe configure esse sistema.
- Memória: quanto mais, melhor. Para Win2000 Pro ou WinNT4.0 recomendamos no
mínimo 128MB. Um conselho: vá pelos 192 ou mesmo 256MB. A diferença de preço
paga-se em velocidade.

- CPU: muitas vezes este é o critério. É, todavia, o menos importante. Um qualquer


Celeron ou Pentium ou AMD acima de 700MHz correrá facilmente todas as aplicações
pertinentes a uma velocidade razoável.

- Disco: os discos grandes são baratos. Equipe-se com 20GB, repartidos em 3 GB para o
sistema operativo, 10 GB para as aplicações "vitais" e 7 GB para a sua área de desorganização
geral...

COMUNICAÇÕES
Escolha um bom provider de Internet. Teste vários e fique com 2 ou 3 contas gratuitas
configuradas. Uma conta como as da Eunet pode ser uma boa opção se tiver necessidade de
frequentes deslocações ao estrangeiro, mas a sua zona geográfica pode determinar que outro
provider fornece melhor serviço.
INSTALE UMA LINHA RDIS. Note que os 64kbps da RDIS são 8kBytes/segundo,
enquanto que um modem raras vezes conecta a 44kbps que, por ser analógico, são apenas
4.4kBytes/s... metade de RDIS, que aliás pode ser usada a 128kbps. As várias Internets por cabo
podem ser uma opção, mas teste e, acima de tudo, não fique dependente de um único
fornecedor.

O nosso conselho:
RDIS como meio principal, tenha pelo menos 2 contas de acesso internet.
Cabo ou modem analógico como "backup" do seu sistema principal. Afinal, se a sua
caixa de recepção RDIS falhar você não pode ficar sem comunicações!!!

SOFTWARE:
Dados
- tenha sempre 3 tipos de fontes de informação: uma ou várias corretoras on-line
(cotações e sistema que lhe permite transacionar), o PortaldeBolsa.Com e outros sites

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(informação geral e previamente digerida) e um data feed, tipicamente InfoBolsa, Reuters,
Bloomberg, Bridge ou outro.
Gráficos
- Arranje um software decente de análise técnica. Leia as ATs do Portaldebolsa, mas
tenha a hipótese de fazer as suas próprias... o que vai poder fazer brevemente neste portal.
Poderá ter algo como o conhecidíssimo Metastock (ou outro) para ser autónomo.

Gestão de portfolio e "screening":


- Use o Screening do PortaldeBolsa para filtrar determinado tipo de movimentos; use a
gestão de portfolios do PortaldeBolsa para gerir carteiras virtuais, a par da gestão da sua carteira
real que qualquer corretora on-line que se preze disponibiliza.

COMUNIQUE:
- artilhe o seu Eudora, Outlook Express, ou outra ferramenta para usar email. Navegue
na Internet e subscreva newsletters, como a do PortaldeBolsa, que lhe poupam tempo, pré-
digerindo a informação; troque opiniões em "chats" e fóruns; comunique e aprenda.

Decida se você pode ser um day trader - 05


Transaccionar a partir de casa
Antes de começar a transaccionar "online" deverá saber o que procura. No nosso
mercado informação sobre corretoras não é muito abundante (a este propósito o
PortaldeBolsa.com publicará um artigo no 1º trimestre de 2000) e a maior parte dos "traders
online" começou a utilizar a internet porque um amigo lhe falou das vantagens que esta
proporciona. Em Portugal a maior parte das corretoras está ligada a um banco nacional, e as
transacções são na maioria realizadas através do banco comercial e com base na conta bancária
à ordem. Até há bem pouco tempo, o perfil da maior parte dos pequenos investidores aponta
para pessoas com pouca apetência pelo risco (preferem comprar "blue chips"), cujas acções
foram adquiridas em processos de privatização ou Ofertas Públicas de Venda (iniciais ou não) e
estudos estatísticos revelam que a venda dos títulos adquiridos nestes casos ocorre poucos dias
após a OPV.
No entanto, com o advento das corretoras "online", a situação começa a modificar-se.
Tal como aconteceu nos EUA, há pouco mais de 5 anos, hoje o "trader" que transacciona numa
base diária, fá-lo através da "Net".
A escolha do intermediário nas nossas compras e vendas no mercado accionista é de
extrema importância dado que uma boa escolha poderá aumentar a probabilidade de obtenção
de lucros e de diminuição de prejuízos.
No entanto, antes dessa escolha é necessário ter "hardware" e "software" adequado:
"Vou negociar a partir de casa. Hmmm tenho de comprar um computador só para isto, com 2
ecrans senão não vejo nada... e depois de alguns meses vou precisar de um para ter informação e
outro para ter a corretora on-line, e uma impressora A3 é essencial, e o modem vai à vida e vou
trocá-lo por RDIS, e duas linhas telefónicas adicionais davam jeito para falar com 2 amigos e....
Agora que tenho o equipamento, tenho de comprar uns softwares porreiros; ah, claro, depois de
ler mais 300 newsgroups vou ter tudo bem configuradinho para não ir nada abaixo nos
momentos cruciais."(in Decida se você pode ser um day-trader)
Resumindo: se fizer "trading" em casa, PREPARE-SE para gastar tempo e dinheiro na
sua infraestrutura, senão vai-se sentir desamparado nos momentos cruciais.

Após a compra do sistema informático adequado passa-se à escolha da corretora


"online", que é determinada pelas seguintes etapas:
1ª - Selecionar o(s) mercado(s) em que se quer actuar e fazer uma primeira triagem.
2ª - Fazer uma segunda triagem com base na análise das questões de segurança das
transacções.
3ª - Verificar as condições mais vantajosas em termos custos e comissões.

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4ª - Analisar e majorar a qualidade do "feed" de informação e "research" de cada
corretora.
5ª - Escolher.

Grau de comprometimento da corretora


Este é um dos principais factores a ter em conta na escolha da corretora e diz respeito ao
"carinho e cuidado" que a sua corretora lhe dá quando começa a transaccionar. A empresa deve
aceitá-lo tal como é e compreender que vai demorar o seu tempo até conseguir encontrar o
caminho dos lucros e mais-valias. Devem estar preparadas para ajudá-lo a aprender e a apoiá-lo
com conselhos ao longo do caminho.

Após escolher a corretora, basta começar.


Um último conselho a nível tecnológico: Compre uma UPS para que não seja
prejudicado pelos acidentes energéticos da nossa querida EDP...

Decida se você pode ser um day trader - 06


Os erros mais comuns do day trader
Porque é que é se contam mais histórias de pessoas que desistem de transaccionar em
activos cotados (acções, futuros, etc...) como modo de vida do que de pessoas que continuam a
fazê-lo. A resposta é simples: porque se cometem muitos erros no início do "daytrading".
Antes de começar deixem-me contar uma história acerca de uma pessoa:
Esta começou a transaccionar e aconteceu-lhe a pior coisa que pode acontecer a um
"rookie": ganhar muito em pouco tempo. Com um capital de apenas 200 contos, começou a
investir em futuros e em pouco mais de meio ano conseguiu que a sua carteira ascendesse a
100,000 contos. Parece mentira mas não é. O que é que aconteceu? Pensou que "já dominava"
perfeitamente "a arte" de transaccionar, mas na realidade havia transaccionado muito pouco. Fez
apenas 2 ou 3 negócios e aguentou as suas posições. Deu-se bem, mas continuou a apostar mais
do que o que tinha (alavancava) e aconteceu que um "belo dia", e note-se em apenas num dia,
perdeu tudo o que tinha ganho, ou seja, 100,000 contos. Isto é o chamado "Síndroma do Super-
Homem" e é um dos erros mais comuns dos "daytraders" e será abordado nas próximas linhas.
Tenham sempre em mente esta história à medida que as lerem.

1 - Quantidade
Sempre que se começa a transaccionar deve-se fazê-lo "devagar" no que diz respeito à
quantidade transaccionada. Nos primeiros 2/3 meses deve-se começar por comprar e vender
lotes pequenos entre 50 e 100 acções.
Muitas os novos "traders" querem começar logo a transaccionar grandes lotes, de 500,
1,000 e mais acções. Deve-se começar sempre com cautela, dado que se leva sempre algum
tempo a aprender a ser tão eficiente como aqueles que já transaccionam há algum tempo. Quem
assumir que se pode apostar muito mal se começa, é tolo.

2 - "Overtrading"
Ralacionada com a quantidade está o "overtrading". Muitas vezes, não se gasta o tempo
necessário e suficiente a observar e analisar o comportamento de um determinado título e está-
se sempre a saltar de título em título.
A ideia é: é preciso ter calma e ter em conta que as comissões das corretoras incidem
sobre as transacções, quer sejam mais ou menos-valias. Claro que se deixará escapar uma mais-
valia ou outra, mas de certeza que se terão menos perdas. Já é suficientemente difícil conseguir
realizar lucros antes de se entrar em consideração com as comissões, mas comece a fazer
transacções a mais e verá o resultado.

3- Falta de concentração

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Ainda relacionado com os dois aspectos anteriores está a falta de concentração, que é
normalmente provocada por "se estar em muitos títulos ao mesmo tempo". Muitos dos mais
bem sucedidos "day traders" tendem a transaccioanar um pequeno número de títulos. Assim
aprendem a características "idiossincráticas" de cada um: qual o seu comportamento, qual a sua
reacção a determinados acontecimentos, quais os indicadores técnicos que tem tendência a
respeitar.
Os "traders" mais inexperientes sentem-se compelidos a comprar muitos títulos de cada
vez. Apesar de existir uma diversificação e uma diminuição do risco, este "modus operandi"
pode causar distracções que se podem vir a revelar nefastas. Apenas os traders mais experientes
conseguem tirar conclusões acerca da "personalidade" de um título, ao observar "como se
comporta" apenas alguns minutos.
Portanto, comecem por se concentrar em apenas 1 empresa (no caso de acções, claro).

4 - Falta de auto-controlo
Já toda a gente ouviu falar da expressão "cut the losses and ride the profits", mas é mais
fácil dizer do que fazer, para a maioria. É muito fácil justificar estar numa acção com perdas
acreditando que ela vai inverter. Lembram-se de Maio/Junho deste ano, quando os mercados
tiveram uma recuperação interessante do "crash" de Março? Quantos não saíram das suas
posições?
É aqui que o "trabalho de casa" e a experiência pura e simples entram em jogo. Quando
assumir uma posição esperando uma determinada direcção e acontecer o oposto, não hesite:
SAIA.

5 - O Síndroma do Super-Homem
Os erros anteriores derivam quase todos da crença que se tem de ganhar a partir do
primeiro dia. Apesar de o optimismo ser grande, isso não garante o sucesso. É preciso entrar
com uma grande dose de realismo na equação. Consultem diversos operadores e quase todos lhe
dirão que tiveram de esperar entre seis meses e um ano para realmente aprenderem a
transaccionar.
Apesar de poder estar a ter uma "performance" acima da dos outros não ignore o que
eles têm para lhe dizer. A maior parte dos grandes gurus do "day trading" perderam tudo o que
tinham no primeiro ano porque não ouviam os conselhos dos mais velhos. Quando "já tinham
apanhado muito no pêlo" pararam para pensar e começaram a tomar em consideração os
conselhos dos mais experientes.
Outros conselho: Não pense que por ter um bom dia vai conseguir ganhar sempre. Não é
um bom dia de trabalho que o faz um bom "trader".

6- Excesso de informação
Os novos "traders" querem sempre ter uma razão para estar no mercado e por isso
consideram qualquer informação por mais insignificante que seja para entrar e sair de um título.
Para além disto, com o advento da análise técnica, a consideração de muitos indicadores pode
ser confusa dado que existirão serão emitidos sinais contrários, ficando-se sempre na dúvida
relativamente ao rumo a seguir.
É portanto necessário estar concentrado e descobrir qual dos indicadores é mais
adequado para cada título. Claro que isto requer trabalho, mas não se preocupe, não é necessário
saber Análise Técnica para se ser um bom "day trader". Os melhores "day traders" conseguem
tomar decisões olhando apenas para o "ticker" de determinado título e para as ordens em espera
(a caixa).

7 - Não ter paciência


Se fizer um inquérito acerca de como definiria um bom "day trader" a grande maioria
responder-lhe-ia: "Os melhores são aqueles que fazem mais dinheiro". Este é de facto um
factor-chave, mas se fizer a mesma pergunta aos profissionais eles dir-lhe-ão que o mais
importante não é ganhar muito agora, mas sim, estar apto a fazê-lo no futuro. Por outras

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palavras: "Viva para lutar mais um dia. Controle as suas perdas e verá que mais tarde ou mais
cedo acaba por ganhar".
O que realmente importa?
Os mais inexperientes podem pensar que é o método que conta, que existe uma "receita"
que se aplica e de certeza que se ganhará, mas tal não é verdade. Muitas vezes os melhores
métodos são aplicados sem sucesso enquanto que os piores conseguem ser lucrativos.
Não, o método não é a resposta correcta. O que conta é apenas ter cabeça-fria, disciplina e ter
sempre em mente que apenas se está a gerir dinheiro. Siga o plano que traçou e o sucesso
acabará por lhe bater à porta, independentemente do método utilizado.

Decida se você pode ser um day trader 07


A Importância da Informação
No filme Wall Street (caso não tenham visto, arrisquem; é um filme de culto aqui no
PortaldeBolsa.com), Gordon Gekko (interpretado por Michael Douglas) refere-se à informação
como a melhor "mercadoria" que conhece. Com o decorrer do filme apercebemo-nos que se
referia a "insider information", mas a informação pura e simples, a legal, é na realidade o "bem"
mais precioso que existe para quem investe em qualquer tipo de mercado.
Aproveito ainda, mais uma vez, para vos contar uma história:
Há alguns anos atrás, um dos mais proeminentes empresários nacionais, por saber de antemão (e
sem qualquer espécie de ilegalidade) que a Bolsa de Nova Iorque estava em queda acentuada,
vendeu os seus interesses accionistas em Portugal e evitou um rombo na sua fortuna. Neste
caso, por ter facilidade de comunicação com intervenientes no mercado norte-americano, este
empresário conseguiu não perder (e mesmo ganhar algum tempo depois) muitos milhares de
contos.
Hoje em dia este cenário já não se coloca e existe uma riqueza e velocidade de
transmissão de dados e de informação que antigamente não existia. Hoje em dia o pequeno
investidor está, na maior parte das vezes, em pé de igualdade com os mais experientes "traders"
e muitas vezes até se encontra em vantagem, dado que a internet veio revolucionar os media e
modo como a informação chega até nós.

Mais afinal quais são as fontes mais importantes de informação?

Quote
A "Quote" é uma expressão norte-americana para designar a informação mais básica
acerca de qualquer acção:

Empresa Último (euros) Variação Volume Abertura Máximo Mínimo


EDP 3.59 +0.32% 352,542 3.57 3.60 3.56

Daqui podemos retirar informação tão importante como o preço de abertura, máximo e
mínimo de sessão e o último preço a que foi negociado determinado título. De referir também a
importância do volume negociado, a que corresponde a quantidade de acções de determinada
empresa trocadas na sessão. A variação é sempre relativa face ao preço de fecho da sessão
anterior. Uma nota importante: as variações que são acompanhadas por um elevado volume têm
tendência a ser mais fortes e mais duradouras do que aquelas que são acompanhadas por um
volume fraco.

Existem outras formas de tabelas de cotação, mais avançadas que envolvem preços e
quantidades do comprador e do vendedor, que nos podem facultar informação importante acerca
do "sentimento do mercado". Se o "gap" entre os preços do comprador e do vendedor for grande
quer dizer que o título é pouco líquido e normalmente conduz a situações de quebra das
cotações. Por vezes estão visíveis as 5 "melhores" ordens, quer de compra quer de venda. As

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ordens de compra estão dispostas por ordem decrescente de preços enquanto que as intenções de
venda estão ordenadas de forma crescente. Obviamente que o melhor preço de venda é o mais
baixo e que o melhor preço de compra é o mais alto. É o encontro de preços entre compra e
venda que provoca uma transacção. Repare que ambas as ordens estão ordenadas pelo melhor
preço.

Tape
Por "tape" - mais uma vez uma expressão de origem norte-americana - entende-se um
"arquivo" das últimas transacções realizadas em determinado título (ou até da sessão). O
número de transacções que se deve tomar em consideração para tomar uma decisão, é já uma
opção individual. A "tape" contém o preço a que a transacção foi efectuada assim como a
quantidade da transacção. A "tape" é um dos meios de se retirar o sentimento do mercado
nomeadamente relativamente a direcções e suportes/resistências.

Gráficos
Os gráficos podem ser utilizados de modo similar à "Tape", apesar de modo menos
eficaz. No entanto, quando usada em conjunto com esta pode ajudar a clarear o cenário.
Suportes e resistências podem ser localizados ao observar-se atentamente o gráfico "intraday".
Qualquer que seja a periodicidade das barras do gráfico intraday ("ticks", 1, 5, 15 ou 30
minutos), a leitura é idêntica à dos gráficos diários, semanais, mensais ou anuais.

Obrigações
O mercado obrigacionista providencia informação muito importante relativamente ao
andamento de determinado título. Isto acontece, como é claro, em mercados desenvolvidos e
maduros e não em Portugal.
Nos EUA, o mercado de futuros das T-Bonds (obrigações do Estado) é um dos
principais alvos de atenção dos investidores. Isto acontece porque as obrigações e os seus
rendimentos reflectem a percepção do mercado relativamente à taxa de juro (quanto mais baixa
for, melhor para os mercados accionistas). Sabe-se que a cotação de uma obrigação e a sua taxa
de juro estão inversamente relacionadas. Quando o "yield" (rendimento) das obrigações sobe, o
seu preço tende a descer. Normalmente, quando acontece o inverso, o mercado accionista tende
a subir, ou seja quando o preço das obrigações sobe, o preço das acções também subirá.

Câmbios
Os câmbios são observados dado que a força de uma divisa influencia em muitos
aspectos, sendo que o mais importante são os movimentos de capitais. Quando uma moeda é
forte, é natural que afluam capitais ao país dessa moeda, dado que o investidor sabe que ganhará
dinheiro apenas pelo simples facto de ter activos nessa moeda. Assim o investidor estrangeiro
pode entrar, por exemplo, na Bolsa principal desse país, impulsionando as cotações.
Para saber mais sobre a importância da informação, cosulte o manual do "Day Trading"
na próxima sexta-feira.

Decida se você pode ser um day trader - Parte 7 e ½


A Importância da Informação
Sector
Quer se transaccione um título ou vários, será importante estar atento ao comportamento
das empresas do mesmo sector. Se por exemplo estamos a transaccionar PTM será uma boa
ideia ter em atenção as acções de tecnológicas - um índice sectorial ou uma lista de acções
individual.

Se a maior parte das acções está a registar subidas de cerca de 3% e a PTM apenas
estiver a subir 0.2%, quer dizer que a PTM está fraca quando comparada com as suas
congéneres. Esta "força" (neste caso fraqueza) deve ser atentamente observada para decidir o

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momento da venda de acções da PTM, dado que, no caso de quebra, as que mais sobem
começam a ser alvo de um "sell-off", que de certeza "atingirá" mais gravemente as cotações da
PTM.

Recordem: Comprem força e vendam fraqueza. Mas lembrem-se: quando estiverem a


comprar força, faça-o nos períodos de fraqueza momentânea. Analogamente, venda fraqueza
nos momentos de força momentânea.

Notícias
Há traders que apenas compram e vendem baseados em notícias e há aqueles que nem
sequer sabem "o que se passa". A decisão de tomar ou não em consideração as notícias, é
apenas sua. No entanto, aconselhamos que comece a ganhar alguma sensibilidade relativamente
a estas reacções.

Fóruns de Discussão na Internet


Apesar de existirem muitos fóruns de discussão em que se passa informação
enganadora, existe por vezes, muita informação preciosa. No entanto, tudo o que se lê precisa de
ser tomado em consideração com o devido desconto. Não estar ciente deste facto e ao mesmo
tempo não estar em contacto com outros intervenientes no mercado, pode provocar a não
concretização de alguns negócios importantes. Quando um "post" é colocado nunca se sabe a
intenção da pessoa que o coloca. Será que o título a que se refere está a ser aclamado porque
está longo neles e os quer vender?
Adicionalmente, dado que a discussão nos fóruns não é feita em tempo real é necessária
atenção extra à informação. Pode ler alguma coisa 100% verdadeira, mas se é um "post" com
mais de 3 horas então o seu efeito já pode ter sido descontado no mercado. Se frequentar fóruns
de discussão privados durante algum tempo conseguirá distinguir com alguma facilidade os
"oportunistas" daqueles que não o são.

Salas de Chat
Aqui os cuidados a ter são os mesmos. A questão da informação não actualizada já não
se coloca, já que todos os participantes comunicam em tempo real. Tal como nos fóruns, deve
ser gasto algum tempo a tentar perceber quem se deve "ouvir" e quem se deve ignorar.

Jornais
Hoje em dia os jornais são praticamente dispensáveis dado que se consegue obter toda a
informação através da Internet. No entanto, o jornal tem ainda algumas vantagens,
nomeadamente o facto de toda a informação estar condensada. Para obter informação similar
teria de perder algum tempo a "navegar". Em Portugal há alguns jornais interessantes como o
"Diário Económico", o "Semanário Económico" e o "Jornal de Negócios".

Televisão
Por muito que as audiências da CNBC tenham subido, a maioria dos "traders" não a vê,
nem recomenda a outros que o façam. Consideram que a maior parte da informação divulgada
causa distracções. No entanto, fora de horas de negociação, a informação que passa pode ser
preciosa.

Fundamentais
Se pensa que os "traders" profissionais não tomam em consideração dados fundamentais
(informação macroeconómica de organismos públicos - INE, por exemplo - resultados e
evolução dos volumes de vendas de empresas, cash-flows descontados, etc...) está muito
enganado, claro que tomam. Portanto...

Site da CMVM

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Com o novo regime-regra sobre comunicação de factos relevantes, uma das principais
fontes de informação para os aspirantes a "traders" é sem dúvida o site da CMVM:
recomendamos que carregue frequentemente na tecla F5.

Decida se você pode ser um day-trader – 08


O Papel do "Day-trader" como gestor de "dinheiro"/"liquidez"
Um "gestor de liquidez". Na realidade esta é a melhor forma de descrever um "day-
trader". No entanto, a falta de regras e acima de tudo, "de jeito" para "a tarefa" é um dos
principais problemas do "day-trader" e uma das principais causas para o insucesso de muitos.
A preservação do capital é uma das principais ideias por trás do "day-trading" e resume-
se, como já referimos antes, na frase "viver para poder transaccionar mais um dia". Ou seja,
arriscar muito para se tentar conseguir um grande ganho não é compensador se se falhar na
tentativa de o atingir, e acima de tudo, se esse falhanço provocar o seu KO.
A noção principal a ter em conta é: quanto mais tempo tiver dinheiro em carteira maior
é a probabilidade de ganhar, isto é, quanto mais preservar o seu capital, melhor.
Existe uma antiga regra para conseguir que o capital seja preservado. Esta diz que nunca
se deve apostar mais de 2% do capital total num único negócio. Pode ter a certeza de que se
cumprir esta regra religiosamente poderá fazer muitas asneiras e mesmo assim não ser atirado
para fora do "jogo". Claro que esta percentagem assume contornos de mero exemplo, já que
uma perda de 10% do capital pode ser perfeitamente comportável para um investidor e
impensável para outro.
Por exemplo: se aplicar a regra de 2% na compra de 500 acções da Portugal Telecom a
10 euros quer dizer que tenho, no mínimo, 250,000 euros. Mesmo que acontença o improvável
(ou mesmo o impossível) e as acções passem a valer 0, vou perder apenas 2% do meu capital.
"Cortar as perdas e assumir os lucros" - este é um dos mais antigos "chavões" que existe
nos mercados de capitais, mas não deixa de ser um dos mais importantes e um dos mais
complicados de cumprir. Quantas vezes esteve com valorizações de 5%-7% na sua carteira e
não vendeu os títulos (não assumiu os lucros) com a esperança de conseguir ganhar mais e
acabou por não ganhar nada? E quantas vezes se viu a perder e esperou, esperou, esperou e
perdeu mais, mais e ainda mais?
Se mantiver as perdas pequenas vai ver que vai conseguir "durar mais tempo" e os
lucros acabarão por fluir. Não se esqueça no entanto de assumir os lucros mal os tenha.
A pergunta que se coloca é: Mas o que é uma pequena perda? E um lucro "assumível"?
Não existe uma resposta padrão: Depende de cada um. Do seu perfil de risco, da sua disciplina e
auto-controlo e acima de tudo da sua perspectiva temporal de investimento. Um conselho,
nunca, mas nunca mesmo avaliem uma perda/ganho em termos absolutos, mas sempre em
termos relativos.
Para a semana continuamos com o tema da gestão do dinheiro e da preservação do
capital.

Decida se você pode ser um «day-trader» - Parte 8 e ½


O papel do "day trader" como gestor de dinheiro/liquidez (continuação)

Normalmente, o gestor é alguém responsável pela tomada de decisão. Os "day traders"


têm de estar constantemente a tomar decisões, mas, muitos utilizam sistemas de "trading" em
que a sua actuação é menor deixando a uma panóplia de sinais e alertas accionados por um
computador o trabalho das decisões mais importantes: comprar ou vender.

Suponha agora que um experimentado "trader" se dispunha a fornecer-lhe um dos seus


variados sistemas de transacção, com diferentes taxas de sucesso.

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Assindo que só tem a seguinte informação:

Sistema Taxa de sucesso


A 20%
B 40%
C 60%
D 80%

Claro que toda a gente escolheria o sistema D. Toda a gente que decidisse efectuar a
escolha. O problema é precisamente este. A informação disponível sobre o sistema não é
suficiente.
Faltam informações tão importantes como:
- lucrabilidade: quanto lucro/prejuízo é esperado por transacção?
- tempo: quanto tempo, em média, está aberta a transacção?
- actividade: quantas trocas são efectuadas por período?

Obviamente que qualquer um dos sistemas a seguir enunciados não seria atractivo:
- lucro médio de 0.25 euros e perda média de 50 euros.
- duração média da transacção (abertura e fecho de posição) de 5 anos (recorde-se que
um day trader não é um investidor)
- transacçõa média no valor de 1,500 euros.

Tomando agora um exemplo mais complexo:


Suponha que cada um dos sistemas que lhe são oferecidos têm uma duração média e
uma actividade aceitáveis. A lucrabilidade será então o factor decisivo.
No sistema A: os ganhos são em média de 5 euros e as perdas de 1 euro
No sistema B: os ganhos são em média de 2 euros e as perdas de 1 euro
No sistema C: os ganhos são em média de 1 euro e as perdas de 1 euro
No sistema D: os ganhos são em média de 2 euro e as perdas de 7 euros

O sistema A parece ser sem qualque dúvida o melhor: grandes ganhos, perdas pouco
significativas, o rácio de risco de 5:1.
No entanto, antes de tomar a decisão considere os seguintes dados adicionais:

Sistema Probabilidade de Ganho Ganho Perda Retorno Esperado


A 20% 5 euros 1 euro 0.20 euros
B 40% 2 euros 1 euro 0.20 euros
C 60% 1 euro 1 euro 0.20 euros
D 80% 2 euro 7 euros 0.20 euros

Agora a decisão não é tão clara, dado que no longo prazo, todos os sistemas propostos
oferecem o mesmo retorno esperado. No entanto, há que tomar uma decisão.
A reposta é: depende da sua personalidade, um destes sistemas é apropriado para si e
outro não é. E você perguntará: como é que é possível haver um melhor do que outro se todos
têm o mesmo retorno esperado?
É muito simples:
Sistema A: Não se importa de estar errado a maior parte das vezes e não tem problemas
em ficar numa transacção o tempo suficiente até que compense. Gosta do elevado retorno e das
perdas baixas que este sistema oferece. Perder a maior parte das vezes não é desencorajador
para si.

21
Sistema B: Consegue aguentar errar ligeiramente mais do que o que acerta e gosta de
manter o risco em cerca de 33%.
Sistema C: Prefere acertar mais vezes do que perde e quer estar sempre a entrar e a sair,
rapidamente, das suas transacções, independentemente de estas serem com lucro ou com
prejuízo. Quer ganhe ou perca não espera muito para fechar as suas posições e ganha confiança
à medida que acerta mais vezes.
Sistema D: Quer acertar o maior número de vezes possível, mesmo que a perda
ocasional seja grande. O sentimento de estar correcto a maior parte das vezes compensa-o e
aumenta os seus níveis de confiança.
De certeza que se vai rever em algum dos sistemas, e pode ser que ao escolher tenha
outra preferência que não a inicial. Sem querer entrar muito no tema da próxima semana -
disciplina - se escolher um sistema de "trading" que não se adequa à sua personalidade, ou então
se tenta moldar a sua personalidade com base no sistema, as consequências poderão ser
desastrosas.
Necessitará sempre "manter as coisas" em perspectiva. Questione-se.
"Será que prefiro prefiro algo em que acerto apenas ocasionalmente ou a maior parte
das vezes?"
Descobrir que sistema melhor se adequa a si possibilitar-lhe-á a obtenção mais fácil de
resultados positivos. No entanto, nunca se esqueça da importância da gestão pessoal da carteira:
Afinal de que serve um sistema que acerta nove em cada dez vezes se o seu retorno esperado for
negativo?

Descubra se você pode ser um «daytrader» - 09


Disciplina
Disciplina - sujeição à regra; submissão relativamente à ordem e ao controlo; hábito de
obediência.
É pouco, mas diz tudo.
Hábito de Obediência - esta é talvez a parte da definição que mais chama a atenção,
sendo que a palavra-chave é "hábito". Ser disciplinado é apenas e somente fazer daquilo que se
faz, um hábito.
No que diz respeito ao "trading", por várias vezes uma pessoa é enfrentada com a
necessidade de tomar determinadas decisões. Precisa de actuar consistentemente de uma dada
forma padrão, como uma "receita" que se "instala" no seu plano de "trading". Assim, a
"consistência" poderia ser outra forma de descrever essa receita. E relativamente à segurança?
Não interessa com que palavra se sente mais confortável; pensamos que "hábito" é a que
melhor descreve disciplina quando se fala em "trading". Caso tenha lido a edição da passada
sexta-feira deste manual chamámos a sua atenção para os cuidados a ter quando desenvolve
planos de "trading". Obviamente que, se utiliza um determinado programa, ele dita o que
necessita de ser feito em determinadas situações. Habitualmente, ao seguir à risca o seu plano, a
probabilidade de obter os resultados esperados quando o delineou é maior.
Se a sua vontade de dar o clique no link do artigo da semana passada é pequena, então
sugerimos que observe a tabela utilizada agora recreada em toda a sua glória no artigo de hoje:

Sistema Probabilidade de Ganho Ganho Perda Retorno esperado


A 20% 5 euros 1 euro 0.20 euros
B 40% 2 euros 1 euro 0.20 euros
C 60% 1 euro 1 euro 0.20 euros
D 80% 2 euro 7 euros 0.20 euros

Dose de realidade

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O retorno esperado na tabela é um valor que parte do pressuposto de que se vai seguir
sempre as "indicações" do programa, sem qualquer desvio e sem qualquer sensação de mal-estar
relativamente a esse facto.

Mas convenhamos, a perfeição é algo inatingível. Suponha que elabora uma tabela um
pouco mais real assumindo que seguindo o seu instinto encerra uma em cada 20 transacções
antes de o programa ter dado o alarme e que com esse fecho acaba por ser com um ganho, mas
menor do que seria caso não a tivesse encerrado nesse momento. Significa que em cada 20
transacções terá uma com ganhos menores do que o esperado. Como é que estes pressupostos
afectariam o retorno esperado?

Sistema Probabilidade de Ganho Ganho Perda Retorno esperado


A 20% 5 euros 1 euro -0.05 euros
B 40% 2 euros 1 euro 0.10 euros
C 60% 1 euro 1 euro 0.15 euros
D 80% 2 euro 7 euros 0.10 euros

Não sabemos o que pensa do assunto, mas nós pensamos que existem alterações radicais
e acima de tudo, dramáticas. Um sistema torna-se perdedor, dois ficam com metade da
lucrabilidade anterior e o restante apenas consegue manter 75% dos seus retornos esperados.
Conclusão: Assumindo que pode garantir a si próprio que nunca cometerá um erro
contra si, a única coisa que falta para garantir que o seu sistema funciona é a disciplina ou falta
da mesma. Imagine que não comete qualquer erro, mas que em vez disso salta fora dos limites
do sistema uma em cada 20 vezes.
Por exemplo, talvez não queira comprar uma acção que no dia anterior subiu 10%
apesar de o seu sistema lhe enviar a ordem de compra. Ou então quer fechar uma posição curta
que abriu no dia anterior dado que lhe parece que o mercado está numa clara tendência de
subida, isto apesar de o seu sistema lhe "dizer" para continuar curto.

A falta de disciplina
Qualquer que seja a sua justificação, a falta de disciplina originará, muitas vezes, maus
resultados. Claro que, ocasionalmente, ao seguir o seu instinto terá razão e obterá um resultado
positivo ou evitará uma perda. Isto poderá ser ainda pior, dado que se o número de vezes em que
acerta superar o número de vezes em que erra, pode ficar com a sensação de que tem "o toque
de Midas" e aí sim, as consequências podem ser desastrosas. No entanto, se acompanharem os
vossos desvios, 9 em cada 10 pessoas terão prejuízo e não lucro.

Resumindo:
Realize o lucro sempre que é suposto fazê-lo
Assuma a perda sempre que é suposto fazê-lo
Não transaccione por transaccionar (não faça "overtrading")
Não duvide de si próprio
Não analise em demasia

Descubra se você pode ser um «daytrader» - Parte 10


Porque é que o Day trading continua a ganhar cada vez mais adeptos?
A resposta é muito simples - porque é sedutor. Claro que existem aqueles que acreditam
que o "day trading" é um modo muito fácil de se «cavar a sua própria sepultura». Estes são
aqueles que normalmente «acabam mortos».

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O "day trading" parece ser libertador, dado que nunca se dorme com pesadelos acerca
das posições que se dexaram abertas, sujeito a que aconteça alguma catástrofe durante as horas
em que a outra metade do mundo está acordada.
Apesar de ser sedutor são mais aqueles que fazem "day trading" apenas porque é
"excitante" e não têm capital suficiente por trás, e são normalmente estes que acabam por
morrer no deserto financeiro.
Na realidade, "day trading" é muito mais esgotante do que "position trading" (admitem-
se posições abertas de dia para dia), porque requer concentração total e porque os "day traders"
são meros "escravos" dos seus monitores.
É claro que os avanços tecnológicos e a Internet oferecem oportunidades únicas para os
"day traders". A disseminação mais livre da informação aumentou o âmbito de oportunidades de
investimento e hoje em dia os "day traders" já não necessitam de esperar por um telefonema dos
seus "corretores" para saber se as suas ordens foram satisfeitas. No entanto, as probabilidades de
sucesso ainda jogam contra os day traders. A questão que se coloca é: Então porque é que há
cada vez mais "day traders"?
Bem, nem tudo é mau no "day trading". Não se sofre do "stress" de estar exposto ao
risco de variação de cotações durante a noite e todos os dias são um novo começo para os "day
traders". Dormem como bébés, não tendo que se preocupar com intervenções dos bancos
centrais, com cortes de produção de petróleo por parte da OPEP ou por tempestades e ciclones
que arrasam as colheiras.
Para além disto há o factor da "recompensa instantânea que é na maior parte das vezes,
extremamente gratificante. O facto de a janela temporal de operacionalidade ser menor faz com
que o risco também diminua e isso é também reconfortante.
Os detractores do "day trading" «apontam o dedo» ao elevado valor gasto em
comissões, fruto do elevado número de negócios. Mas mais crucial para o sucesso dos "day
traders" do que as taxas de bolsa, são as ordens cumpridas aos preços antecipados. O fenómeno
inverso é conhecido como "slippage" e consiste no cumprimento de ordens a preços não
antecipados ou então, a preços "que não estavam no monitor" quando observava a "quote". Por
isso é que a escolha de uma corretora que tenha excelentes capacidades a nível de rapidez no
cumprimento de ordens é tão importante para os "day traders"

As nove (dez) regras essenciais do day trading


Tal como prometemos na semana passada aqui estão os nove (dez) mandamentos da
religão "day tradianismo":

1 - Não será um "scalper"


Tal como o "day trader", um "scalper" segue uma estratégia em que procura tirar partido
das pequenas diferenças entre os preços da procura e da oferta, o que exige uma grande rapidez
de intervenção. A sua actuação consiste comprar a um preço baixo e revender nos minutos
seguintes, ou no mais curto espaço de tempo posssível, a um preço mais elevado. A diferença
consiste no facto de que o "day trader" devido ao facto de não estar tão próximo do mercado,
(no "pit" por exemplo, onde é negociado um contrato de futuros, ou acção ou conjunto de
acções de um mesmo sector) não tem tanto controle sobre as movimentações de preços, dado
que não consegue "ouvir o barulho a aumentar", nem saber que algo está prestes a acontecer.
Por outro lado, o facto de não estar presente no "pit" proporciona ao "day trader" a vantagem de
não ser apanhado pela emoções fortes, que muitas vezes resultam em perdas desastrosas. Para
além disso, o "scalper" por actuar num "nicho de mercado" área muito específico perde muitas
oportunidades noutros mercados.

2 - Será um "day trader", não um "trader" diário


Um day trader é por definição um indivíduo que abre e fecha posições no mesmo dia,
ou seja, nunca vão para casa com posições abertas. Como nem sempre os mercados têm
condições "para serem transaccionados" devido a más condições psicológicas, torna-se

24
praticamente impossível estar "sempre no mercado". Uma das grandes vantagens do "day
trader" é a liberdade de escolha: não é necessário seguir todos os sinais nem estar em todos os
mercados. Pode dar-se ao luxo de esperar e testemunhar a reacção do mercado antes de tomar a
sua posição. Se um mercado está sem notícias, calmo e num "trading range" então pode sempre
relaxar e esperar pacientemente por algo importante.

3 - Olhará para o "day trading" como um negócio


O "day trading" não pode ser considerado um negócio de "part-time" porque exige
muito de si, Precisa de concentração total e de pensar esquecer tudo o resto que o rodeia.

4 - Tem de estar em perfeita saúde


Por incrível que possa parecer é necessário estar fisicamente apto para o "day trading".
Se na noite anterior saiu até, bebeu demais, se se sente doente ou se está com "stress" então
esqueça. Não está preparado para transaccionar. Tem de estar completamente preparado para
reagir mais rapidamente do que os seus concorrentes. Mais atento, com maior capacidade de
reacção e acima de tudo mais rápido. Se estiver de boa saúde e com força verá que não vai
hesitar perante um "back-ground" negativo.

5 - Será completamente desciplinado


Não devia ser necessário escrever mais nada, já que esta é "tecla" em que mais temos
vindo a bater ao longo do nosso manual: DISCIPLINA, DISCIPLINA, DISCIPLINA.
Com disciplina queremos dizer "seguir sistematicamente um conjunto de regras escritas
e bem definidas". Esta será a única forma de conseguir evitar o emocionante mundo do mercado
de capitais. Por outras palavras. Vai construir um "plano de jogo" que terá de seguir sem
desvios. Os principais day traders têm as suas principais perdas quando têm uma opinião forte
relativamente a dado activo/mercado e tomam posições contrárias às que tomariam se seguissem
o seu "plano de jogo". Se não seguir o seu plano, vai também perder algumas das melhores
oportunidades de lucro.
A pergunta que deve estar a colocar neste momento a si próprio deve ser:
Mas como será esse plano?
É muito simples:
- Deve ter regras bem definidas de entrada e saída num dado activo, regras essas que
foram testadas por si, virtualmente, durante um largo período de tempo e que poderão tornar-se
muito lucrativas no longo prazo. O seu sistema terá obviamente de ser lucrativo, mas não é
preciso ser uma "mina".
- Estas regras serão muito rígidas em termos de preservação de capital, especialmente
em períodos de baixa.

Exemplo de regras de um sistema:


- Não tolero uma perda de 5% num único dia;
- Se estou a ganhar mais de 5% então subo as minhas ordens "stop" 1%;
- Nunca tenho uma posição superior a 5% do meu capital;
- Nunca elimino uma ordem "stop" só porque o preço se aproxima dela;
- Nunca faço preço médio quando estou uma posição perdedora.

6 - Nunca vai deixar um lucro decente transformar-se numa perda


Uma boa maneira de o fazer é subir as suas ordens "stop" quando está a ganhar de modo
a que ganhe sempre pelo menos metade do que a cotação subiu entretanto. Assim terá sempre
algum lucro mesmo que as cotações caiam.

7 - Terá sempre muito cuidado depois de uma transacção em grande


Depois de ter um lucro avultado a tendência para transaccionar em demasia aumenta
exponencialmente. Conselho: depois de um grande lucro, vá de férias.

8 - Vai entrar em mercados liquidos e voláteis

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É essencial estar atento ao seu ambiente de "trading". O "day trading" requer
volatilidade e liquidez. Nem todos os mercados são voláteis o suficiente para se tornarem
lucrativos. Para além disso, os mercados devem ser suficientemente liquidos para que as suas
ordens sejam cumpridas ao preço que anseia. Claro que ocasinalmente vai entrar em mercados
que o vão desiludir, e se assim fôr não hesite: Saia.

9 - Vai entrar em mercados "ideais para si"


Nem todos os mercados são adquados ao seu perfil e não existe qualquer regra que o
obriga a transaccionar em qualquer mercado e em qualquer altura. Faça uma escolha pessoal,
não entre num determinado mercado se não se sentir à vontade nele.

10 - Não estava prevista mas a última regra e aquela que se calhar é a mais importante:
Se não tiver perfil para tomar decisões e arriscar não seja um "day trader".
Com isto queremos dizer que caso tenha um temperamento que o impele a tomar
decisões somente após uma investigação extensiva e confirmada vezes sem conta por diversos
indicadores, então "dedique-se à agricultura".

Como diz o velho ditado: KEEP IT SIMPLE, STUPID!!!!!!!!

A importância dos dados macroeconómicos no «day trading»


Quantas vezes já se deparou com uma quebra/subida abrupta das cotações para a qual
não encontra qualquer explicação imediata?
Se isto lhe acontece muitas vezes, é porque, muito provavelmente, tem vindo a descurar
os relatórios macro-económicos diários/semanais/mensais do seu país e ainda mais importante,
dos EUA. Os indicadores macroeconómicas têm um grande influência sobre o valor
intrínseco/fundamental das empresas, acabando muitas vezes, por se reflectir nas cotações
dessas empresas.
Assim, durante as próximas semanas daremos atenção a variáveis tão importantes como
a taxa de juro, taxa de inflação, a taxa de crescimento do PIB, os indicadores do
emprego/desemprego, a evolução dos preços das mercadorias (as "commodities") como o
petróleo, cobre, ouro, prata, produtos agrícolas, as taxas de câmbio (euro/dólar, dólar/iene,
euro/iene, etc.), o mercado de obrigações e o Mercado Monetário Interbancário (que reflectem
as expectativas dos obrigacionistas e dos bancos relativamente ao andamento da taxa de juro),
os mercados de derivados (futuros, opções, warrants, etc...), factores políticos e sociais e ciclos
económicos. Para além de explanarmos todos estes indicadores, iremos centrar-nos na sua
explicação pormenorizada e na influência dos mesmos no mercado de capitais.
Porque a economia dos EUA é a maior e mais importante do mundo, e porque os seus
mercados de capitais são os mais maduros do mundo, utilizaremos este país como referência
para todas as explicações. Com "mercado maduro" queremos dizer que a velocidade com que os
investidores incorporam toda a informação na formação de preços é superior à dos seus
congéneres.

Aprenda a ser um day trader/economista


A série de artigos que é hoje iniciada parte de um princípio muito importante: para se
transaccionar nos mercados de capitais é necessário ter um conhecimento, não vasto, mas
abrangente da lógica subjacente às economias de cada região e, acima de tudo, é preciso ter uma
visão global da economia e dos mercados mundiais. Por isso é que é importante, mesmo para o
"day trader", ter conhecimentos de economia. Esta é a razão de ser destes artigos.

E por onde começar? Muito simples, pelas noções básicas de contabilidade nacional e
mais especificamente do PIB. O Produto Interno Bruto de um dado país é o valor da produção

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de bens e serviços finais ocorrida nesse país durante um ano. Esta noção simplista é talvez a que
melhor ilustra o conceito de PIB. Atente bem para o facto de se utilizar na definição a noção de
"produto final", que é aquele que é produzido e vendido para consumo ou investimento. Ou seja,
são excluídos os bens de consumo intermédio (utilizados para a produção de outros bens). Isto
acontece de modo a evitar a dupla contabilização dos bens.

O cálculo do PIB pode ser efectuado através de três ópticas: a da despesa, a do produto
e a do rendimento. Dado que as ópticas do rendimento e do produto não são as mais utilizadas,
nem as mais intuitivas para o "day trader", vamo-nos centrar na explicação da óptica da despesa,
que pode ser sintetizada na seguinte fórmula: Y = C + G + I + X - M
onde:

Y - PIB
C - Consumo Privado
G - Consumo Público
I - Investimento
X - Exportações
M - Importações

Como vemos há muitos componentes, sendo que todos - excepto as importações -


contribuem positivamente para o valor do PIB, ou seja, à medida que aumentam, aumenta o
PIB.

O Consumo Privado representa as despesas das famílias em bens e serviços, enquanto


que as despesas em bens de investimento são dadas por I. O Consumo Público engloba as
despesas do Estado em bens e serviços, assim como as despesas de investimento. O saldo da
balança de bens e serviços é também uma das componentes.

Explicando mais pormenorizadamente cada um dos componentes:

* Consumo privado: O consumo privado consiste no valor final de todos os bens e


serviços adquiridos pelos particulares. Ou seja, quando compramos uma banana ou quando
pagamos uma consulta no dentista estamos a aumentar o valor do PIB. O valor das despesas de
consumo depende da riqueza das famílias e, acima de tudo, do seu rendimento disponível
(rendimento menos impostos directos mais empréstimos). Estes valores afectam positivamente o
consumo, isto é, à medida que a riqueza e o rendimento disponível aumentam, aumenta também
o consumo.

* Investimento: Para além de pão, fruta e outros bens, grande parte da riqueza de um
país é gasta em bens de investimento. Ao contrário do que muitos possam pensar, estes gastos
não incluem compra de acções ou outros instrumentos financeiros. Apesar de estes activos
serem muitas vezes utilizados por firmas para financiar a compra de equipamentos de produção,
a sua mera aquisição ou venda não dá origem àquilo a que os economistas se referem como
"Investimento". Para os economistas, o investimento é a criação de capacidade produtiva, ou
seja, significa a produção de bens de capital duráveis. Os bens de investimento são adquiridos
com o objectivo de, no futuro, darem origem à produção de bens de consumo. Exemplos de
bens de investimento são edíficios para habitação, máquinas e efíficios fabris e a variação de
existências das empresas (mercadorias em stock (armazém)). O investimento é portanto o
sacrifício do consumo corrente para que o consumo futuro aumente, e.g., em vez de comerem
mais pizzas agora, as pessoas constroem mais fornos para tornar possível a produção de mais
pizzas para consumo futuro - aqui os gastos de investimento são todos aqueles que dizem
respeito à construção dos novos fornos. Dado que a maior parte do Investimento é realizado
pelas empresas, e dado que estas investem para obterem lucro, as decisões de investimento
dependem de três factores: a) Da procura do bem de consumo produzido pelo bem de

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investimento; b) Das taxas de juro e dos impostos que influenciam os custos de investimento; c)
Das expectativas quanto ao estado da economia.

* Exportações-Importações: as também denominadas exportações líquidas são


simplesmente as exportações de bens e serviços subtraídas das importações de mercadorias e
serviços das empresas/pessoas de um país. Repare que as exportações e importações de um
Estado não entram para este ítem, mas sim para o Consumo Público. Tenha em atenção que este
não é o saldo da balança comercial, dado que neste apenas se consideram as exportações e
importações de mercadorias.

* Consumo Público: para além dos consumidores privados (todos nós), existe um que é
o maior consumidor individual - a administração pública (o Estado). As despesas públicas
consistem na soma das compras de bens e serviços por parte do Estado com as despesas de
investimento do Estado e com as exportações líquidas do Estado. No fundo, as despesas do
Estado em bens e serviços constituem um "sub-PIB". Dentro destas despesas incluem-se os
gastos em bens e serviços comprados à indústria privada (quer nacional, quer estrangeira), na
construção de estradas, nos salários pagos aos funcionários públicos, etc....
É importante ter em atenção um aspecto. Os gastos públicos incluídos no cálculo do PIB
não são as despesas contidas no Orçamento de Estado. Estas despesas incluem, para além das
que entram para o cálculo do PIB, as transferências do Estado como, por exemplo, as despesas
da Segurança Social com as pensões de pobreza - estas são omitidas no cálculo do PIB porque
não são destinadas à compra de bens ou serviços.

Aprenda a ser um «day trader» economista - 02


Depois da explicação do cálculo que realizámos na passada semana relativa ao Produto
Interno Bruto, passamos agora a explicar a sua influência nos mercados de capitais. Sendo a
medida mais abrangente da actividade económica de determinado país, é muito importante
seguir com atenção este indicador e acima de tudo, a sua evolução - afinal de contas, se o PIB
de um país cresce acentuadamente é porque as empresas que aí produzem estão «em boa
forma». Consequência - as cotações das mesmas podem subir.

O crescimento económico de um país pode ser muito volátil, e por isso, normalmente, o
PIB segue-se atentamente com uma periodicidade mais restrita, nomeadamente através do
cálculo da taxa de crescimento trimestral anualizada. A componente da balança de bens e
serviços (exportações líquidas) em particular, pode provocar uma volatilidade acrescida no PIB
de determinado país, principalmente se essa economia for uma economia aberta ao exterior*.

No caso dos EUA, onde os investidores são bastante mais sensíveis em relação aos
relatórios macro-económicos, este indicador é um dos mais importantes e mais relevantes no
que toca às decisões de compra e venda das acções, principalmente para investimentos de
médio/longo prazo.

Para além do PIB é importante seguir a evolução de cada um dos seus componentes. Por
exemplo, os números do consumo privado são os mais importantes no que diz respeito à
economia norte-americana, dado que representam aproximadamente 2/3 do PIB daquele país.

Suponhamos agora que a taxa de crescimento anualizada do PIB dos EUA ascendeu, no
primeiro trimestre, a 2.3%, depois de se ter cifrado em 2.5% no trimestre anterior. Ora, os
investidores no mercado de capitais são muito agressivos e não esperam pela divulgação de
indicadores, mas tentam antecipá-los (e à sua evolução) de forma a conseguirem obter mais-
valias com essa antecipação. Assim, se os intervenientes no mercado esperavam uma taxa de
crescimento anualizada do PIB de 2.1% no primeiro trimestre de 2001, então os mercados
reagiriam positivamente, dado que, apesar de ter descido relativamente ao trimestre anterior foi

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superior ao esperado. Conclusão: mais importante do que analisar a evolução dos mercados "a
posteriori" é importante saber o que é que o mercado espera.

Apesar de ser prioritário analisar a evolução do PIB "de per si", é fulcral combinar a
interpretação deste indicador com o deflactor do PIB. Na próxima semana vamos indicar
explicar o que é este indicador e sua influência em conjunto com o próprio PIB nos mercados de
capitais.

*O grau de abertura de determinada economia pode ser calculado da seguinte forma:


(Exportações +Importações)/PIB

Aprenda a ser um «day trader» economista - parte III


Na semana passada discorremos sobre o PIB e a sua influência nos mercados de
capitais, e chegámos à conclusão que estes reagem favoravelmente a uma evolução positiva do
PIB e negativamente, caso contrário. Também esclarecemos o facto de que os preços nos
mercados accionistas reflectem as expectativas dos investidores relativamente à evolução de
todos os indicadores da economia e por isso também do PIB. Quando essas expectativas saem
defraudadas, o resultado é normalmente uma quebra das cotações. A importância das previsões
dos especialistas é também grande.

Comprometemo-nos também a explicar a importância de um conceito subjacente ao


PIB, o seu deflator. Antes é importante fazer uma ressalva: apesar de em momentos de
crescimento económico as bolsas apresentarem, em geral, performances positivas, se uma
economia apresentar crescimentos do PIB muito elevados isso poderá implicar algumas
pressões inflacionistas por via do aumento do Consumo e dos Gastos Públicos, o que é
prejudicial à "performance" dos mercados. Inflação, aqui está um conceito que ainda não foi
abordado - a inflação é a subida generalizada e sustentada dos preços dos bens e serviços. E
porque é que as pressões inflacionistas são prejudiciais à "performance" dos mercados? Na
próxima semana vamos explicar este ponto. Por enquanto tenham em mente apenas isto: a
subida dos preços dos bens e serviços pode ser prejudicial ao comportamento dos mercados de
capitais.

Conclusão: para que o crescimento económico seja positivo para as bolsas, é necessário
que o mesmo seja ponderado, de forma a não criar pressões inflacionistas. Aqui é que reside a
importância do deflator do PIB, dado que este indicador é uma das medidas mais abrangentes e
importantes da Inflação. Ao contrário do Índice de Preços do Consumidor (a medida mais fiel
da inflação), o deflator do PIB não é calculado com base num cabaz fixo de bens e serviços.
Assim, as mudanças no padrão de consumo e a introdução de novos produtos ou serviços é
reflectida no deflator.

Considere agora o seguinte exemplo:


Todos os índices europeus registavam uma variação negativa de mais de 1% quando
foram divulgados, nos EUA, o crescimento económico e o deflator do PIB:

Indicador Anterior Estimado Verificado


Crescimento do PIB +5.2% +4.7% +5.8%
Deflator de Preços do PIB +2.0% +1.8% +1.4%

Pelos números que constam do quadro o que seria de esperar? Uma inversão da
tendência negativa ou o acentuar dessa tendência? Pelo que já explicámos, já consegue
responder por si, mas aqui fica o que aconteceu:

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Após a divulgação destes indicadores as bolsas europeias inverteram a sua tendência
negativa, passando rapidamente para ganhos superiores a 2%. Esta inversão deveu-se a dois
factores:

1 - Estimava-se que a economia registasse algum abrandamento, o que não aconteceu


(+5.8% vs +5.2%). Ainda mais importante foi o facto de esse crescimento ter ficado acima das
estimativas dos analistas (+5.8% vs +4.7%).

2 - Para além da surpresa do valor do crescimento "de per si", a coadjuvar este
crescimento esteve o deflator de preços do PIB, que foi não só inferior ao do mês anterior, como
também inferior ao esperado. O que tudo isto queria dizer era que a economia estava a crescer
com pujança, sem que isso representasse um aumento do nível geral dos preços.

Aprenda a ser um «day trader» economista - Parte IV


Como vimos na semana passada, a taxa de inflação e o crescimento económico são
variáveis macro-económicas que afectam o mercado no seu todo e ficámos de explicar porque é
que as pressões inflacionistas são prejudiciais à "performance" dos mercados. No entanto,
devido à complexidade dessa explicação resolvemos dividi-la em duas partes. Aqui vai a
primeira:

A relação entre a taxa de inflação e a taxa de juro


Se se comparar a curva temporal da taxa de juro com a curva temporal da inflação
concluímos precisamente que a taxa de juro varia positivamente com a taxa de inflação, isto é,
quando a taxa de inflação sobe, a taxa de juro também sobe. Analogamente, quando a taxa de
inflação desce, a taxa de juro também desce. Ou seja, a influência negativa da inflação sobre os
mercados de capitais não é directa, dado que a inflação é o mais importante componente da taxa
de juro.

E o que é a taxa de juro?


Academicamente: "A taxa de juro é vista como o preço a pagar pelo empréstimo de um
montante durante um determinado período de tempo, habitualemente indicado como uma
percentagem anual do capital aplicado."
Ou seja, a taxa de juro é o preço do dinheiro. É o valor que se cobra pelo facto de se ter
dinheiro emprestado/depositado em detrimento de o utilizar para outros fins (por exemplo -
consumir). Basicamente, é o valor cobrado pelo abdicar do "consumo hoje" para se poder fazer
"consumo amanhã".
Obviamente, o valor da taxa de juro terá de ser superior ao da inflação, dado que no
caso de não ser depositado nem consumido, mas apenas guardado, o dinheiro vai
obrigatoriamente perder valor, devido ao simples facto de os preços aumentarem com a
passagem do tempo.
Explicando através de um exemplo: Se recebe 1000 euros hoje e os guarda em casa,
passado 1 ano tem na mesma 1000 euros. No entanto se nesse ano os preços dos bens subissem
4%, a quantia de mil euros já não valeria o mesmo, dado que não conseguiria comprar a
quantidade de bens nessa altura, que compraria caso tivesse gasto esses mil euros hoje.
Conclusão: mais vale depositar esses mil euros no banco, dado que a taxa de juro será superior à
inflação e portanto poderá até comprar mais produtos passado esse ano. Outra hipótese é gastar
esse dinheiro no momento actual. Por isto é que se costuma dizer que "o dinheiro no bolso,
queima".
Mas qual é o raciocínio que se aplica na influência da subida dos preços na taxa de juro?
O raciocínio é bastante simples, mas envolve o conhecimento prévio dos conceitos de
crescimento económico e de taxa de inflação (ver artigos anteriores): Quando existe um
crescimento económico acentuado e quando esse crescimento é fruto do aumento do consumo
privado, o que pode acontecer é a subida dos preços dos produtos em consequência do aumento

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da procura de bens se serviços - deriva da simples aplicação da lei da oferta e da procura:
quando a procura aumenta os preços sobem. Ora, como vimos atrás, quando os preços
aumentam, a taxa de juro também.
Para além disso, situações de aumento acentuado do consumo em conjunturas com taxa
de juro reduzida podem levar a que as famílias peçam empréstimos de modo a poderem
consumir mais, o que no longo prazo leva ao aumento da inflação e portanto das taxas de juro.
Esta situação aconteceu em Portugal até há bem pouco tempo e o resultado é visível: os preços
aumentaram e o BCE viu-se obrigado a subir a taxa de juro.
Apesar de a explicação da relação entre inflação e juros já estar dada, provavelmente
ainda não se apercebeu da influência positiva da descida da taxa de juro nas cotações das
empresas. Essa é a segunda parte deste artigo. Até para a semana.

Aprenda a ser um «day trader» economista - Parte V


Tal como prometemos na passada semana, hoje «daremos umas luzes» a todos os
utilizadores sobre a influência das taxas de juro nas cotações das acções. Antes de mais nada
façamos um «resumo da matéria dada»:
* As bolsas variam no mesmo sentido que o crescimento económico.
* O crescimento económico pode levar ao aumento das pressões inflacionistas.
* A taxa de juro aumenta com o aumento do nível geral dos preços.

Falta apenas perceber porque razão o aumento/diminuição dos juros pode


prejudicar/beneficiar as cotações das empresas.
Para perceber esta relação, vamos colocar-lhe três perguntas e dar as respectivas
respostas. Após estas respostas certamente que já não terá qualquer dúvida acerca da relação
juros altos/baixos = bolsa baixa/alta.

1 - O que é acontece ao seu empréstimo para compra de habitação quando os juros


sobem?
Dado que a maior parte dos empréstimos bancários é feito com taxa de juro variável
(normalmente «Euribor 6 meses + "spread"», sendo a Euribor a componente variável), o que vai
acontecer é que de seis em seis meses, a taxa de juro é revista, com as seguintes consequências:
- se subiu*, durante os seis meses seguintes vai ter de pagar um valor superior ao banco;
- se desceu*, acontece precisamente o contrário, os juros que paga vão ser menores.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado às empresas: tal como nós, se as empresas
necessitam de fazer investimentos (o que equivale à compra de casa do nosso exemplo) quando
as taxas de juro sobem, significa que as taxas a que as empresas se financiam também
aumentam, incrementando os seus custos financeiros e diminuindo os seus lucros, o que
prejudica as cotações das empresas. O que acontece? Os índices bolsistas caem. Se os juros
descem, os custos financeiros descem e os lucros sobem; resultado: as cotações sobem.

2 - Tem algum incentivo para comprar acções quando os seus depósitos bancários lhe
dão um rendimento periódico interessante?
A resposta a esta pergunta é, à primeira vista, não. Claro que dependerá do perfil de
risco de cada investidor, mas naturalmente que se um indíviduo consegue obter um bom
rendimento proveniente de depósitos num banco, terá mais dificuldade em alocar esse dinheiro
noutras aplicações, nomeadamente acções. Assim, quando há alguns meses, a taxa de juro
desceu para níveis muito baixos, os indivíduos procuraram investimentos alternativos, alocando
parte das suas poupanças no mercado de capitais. Ora, todos sabemos que as cotações das
acções variam de acordo com a procura e a oferta de títulos. Dado que há incentivo a uma maior
procura de acções quando os juros são baixos. Logo, as cotações das empresas sobem.

3 - O valor actual de uma receita que vai ter daqui a um ano é maior com a taxa de juro
alta ou com a taxa de juro baixa?

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A resposta a esta pergunta é: quando a taxa de juro é elevada o valor actual de uma
receita diferida no tempo é menor do que quando a taxa de juro é mais baixa. Este facto é de
difícil explicação/compreensão, e portanto, ficará para mais tarde. Em termos práticos o que
temos é que quando a taxa de juro desce, o valor actual dos "cash-flows" futuros das empresas
aumenta e, consequentemente, aumenta também o valor das próprias empresas.
Com a resposta a estas três questões fica esclarecida a influência da taxa de juro nas
cotações das empresas e consequentemente nos índices.
Na próxima semana faremos um resumo das primeiras cinco lições e relacionaremos os
conceitos Economias, Bolsas, Inflação, Taxa de juro e crescimento económico.

* A taxa de juro é fixada dentro de cada região/país pelo respectivo banco central. Essa
taxa de juro é referida como taxa de juro de referência dado que é com base nessa que os bancos
comerciais (aqueles que lhe concedem o empréstimo para compra de habitação) fixam a taxa do
seu espréstimo. Por exemplo, neste momento a taxa de juro de referência da zona euro é 4.75%.
A Euribor é fixada com base neste valor e o "spread" é negociado de acordo com o risco do
indivíduo que contrai o empréstimo - se o risco é baixo, i.e. o indivíduo tem rendimentos e
património que garantem ao banco o atempado pagamento dos juros e o reembolso do capital, o
"spread" é baixo, e se o risco é elevado, o "spread" é elevado.

Aprenda a ser um day trader economista - Parte VI


Os mercados de capitais são o "local" onde afluem as ordens, ordens estas que são os
únicos "factores" influenciadores da formação de preços - correcto, mas...; e neste "mas" é que
reside o cerne da questão. As ordens de compra e venda que cada indivíduo "envia" para a sua
corretora são reflexo de muitos factores. Claro que existem pessoas "que não ligam puto" a
esses factores e que vêem a bolsa como um grande casino onde a sorte é a única condicionante
para o "sucesso" (traduzido em unidades monetárias).
Esta série de artigos serviu, acima de tudo, para tentar elucidar e prevenir estes
"jogadores" de que existe uma clara influência dos dados macroeconómicos nas cotações das
empresas e consequentemente nos índices bolsistas, e portanto, nas carteiras de todos aqueles
que investem em valores mobiliários.
Pensamos que esse objectivo foi atingido e assim a equipa do PortaldeBolsa.com já fez
a sua boa acção do ano. Mas para termos uma melhor noção do "the whole picture" resolvemos
fazer hoje um resumo da matéria dada.
Não sabemos se se apercebeu ao longo destas seis semanas, mas todas as "lições" estão
interligadas e têm algo em comum. Isto porque as relações que se estabelecem entre todos os
indicadores de que já falámos são muito complexas e não tão lineares "como as pintámos".
Por esta altura já deve ter a noção de que:
- o crescimento económico influencia as cotações e a inflação directamente (artigo 1, 2
e 3);
- a taxa de juro sobe/desce quando a inflação sobe/desce (artigo 4);
- a taxa de juro influencia a cotação das empresas (artigo 5);
- as economias internacionais influenciam a bolsa nacional, a inflação nacional e a taxa
de juro nacional e por acréscimo o próprio PIB nacional (artigo de hoje);

Este último ponto é a razão porque as relações que vimos antes entre os diversos
indicadores não bastam para ter o tal "whole picture".
Não basta a uma bolsa de determinado país, que a taxa de juro seja baixa, que o
crescimento do PIB seja pujante e que esse crescimento não suscite pressões inflacionistas, para
que automaticamente, as cotações das empresas desse país subam, principalmente hoje em dia,
em que a noção de mercado é muito mais abrangente.

Explicando através de um exemplo:


- 60% da facturação de uma empresa portuguesa é proveniente do Brasil;

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- a taxa de juro em Portugal é baixa;
- a economia portuguesa cresce "saudavelmente";
- este crescimento não causa pressões inflacionistas.

Agora considere o cenário de economia brasileira (basicamente o oposto):


- a inflação no Brasil é galopante;
- o real desvaloriza a olhos vistos;
- o consumo no Brasil diminui;
- a taxa de juro é elevada.

Certamente que esta empresa, mais tarde ou mais cedo, passará por dificuldades devido
à diminuição das vendas, quer pelo efeito volume, quer pelo efeito preço. Agora generalize-se
cautelosamente este raciocínio. No caso extremo o que acontece? Simples, o crescimento do
PIB português começa a abrandar e pode mesmo a entrar num período de retracção.

Através de um exemplo mais real: Cerca de 80% das exportações portuguesas são
direccionadas para os países da UE. Por quanto tempo é que acha que a economia portuguesa
pode crescer a bom ritmo, caso a economia dos restantes países da UE esteja num mau
momento?

Assim, chegamos a uma conclusão muito importante: nunca podemos retirar "verdades
absolutas" do números divulgados. Isto porque tudo está interligado e as relações causa e efeito
(que existem) não podem ser consideradas "de per si".

A partir da próxima semana começaremos a aprofundar algumas noções já abordadas e


iniciaremos o estudo de outros importantes indicadores, começando pela taxa de câmbio.

Aprenda a ser um «day trader» economista - Parte VII

A taxa de Câmbio
A taxa de câmbio é, desde os primórdios das trocas comerciais, uma das mais
importantes variáveis determinísticas dos lucros das empresas e da economia de um país como
um todo. O comércio internacional permite a especialização dos países nas áreas em que têm
vantagens comparativas, ou seja, exportam bens cuja produção se reveste de eficiência e
importam bens em que sejam relativamente ineficientes. É, portanto, no comércio internacional
que a taxa de câmbio se assume de grande importância. Mas o que é a taxa de câmbio?
A taxa de câmbio é a relação de preço entre duas moedas. Corresponde ao preço de uma
moeda de um país estrangeiro em termos de moeda do nosso país. Por exemplo, o preço do euro
em termos de dólares é hoje de 0.86, o que significa que por cada euro que um qualquer detentor
de dólares quiser comprar, terá de desembolsar 0.86 dólares. A taxa de câmbio dólar-euro é
exactamente o inverso (1/0.8600) da euro-dólar, ou seja, 1.1627 euros é a quantia que o detentor
de um dólar receberá quando o trocar por euros.
Importa, antes de avançar, conhecer os sistemas de taxas de câmbio:
- o sistema de câmbios fixos;
- o sistema de câmbios flexíveis/flutuantes;
- o sistema de câmbios controlados.

No primeiro, o câmbio entre duas moedas é fixo. Dentro deste sistema englobam-se, por
exemplo, todos os países que pertencem à Zona Euro. O sistema de câmbios fixos tem a grande
vantagem de eliminar a incerteza do preço nas trocas internacionais. No entanto, em casos de
grandes diferenças de taxas de inflação entre dois países, corre-se o risco de, com este sistema,

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os produtos exportados do país com a taxa de inflação maior para o país com a menor taxa,
ficarem menos competitivos, o que pode diminuir a competitividade.
No segundo, a taxa de câmbio entre duas moedas é determinada exclusivamente pela
oferta e pela procura "natural" dessas moedas. Com "natural" queremos dizer sem intervenção
governamental. Caso esta aconteça caímos numa situação de sistema de câmbios controlados.
Este controlo é efectuado através da compra ou venda de moeda, por parte de um governo/banco
central (normalmente actuam concertadamente). Normalmente, as entidades monetárias
estabelecem bandas de flutuação (um valor máximo e um valor mínimo) que têm de ser
cumpridas e só intervêm caso o preço saia fora desse intervalo.
Ilustremos o terceiro sistema com um exemplo real. No ano passado, o câmbio euro-
dólar chegou a um mínimo na casa dos 0.82 USD. O BCE como não via razões para a moeda
única europeia estar tão depreciada face ao dólar resolveu intervir no mercado cambial.
Obviamente, entrou no mercado a comprar euros e a vender dólares. Com esta actuação,
provocou um aumento da quantidade procurada de euros e da quantidade oferecida de dólares.
Ao fazê-lo provocou uma apreciação da moeda única face ao dólar que levou o Euro para os
0.895 USD. Diz-se que o dólar se depreciou face ao euro e que o euro se apreciou face ao dólar.
Só se devem considerar as expressões desvalorização/valorização, quando a descida/subida seja
fruto da intervenção de autoridades monetárias, ou seja, quando num sistema de câmbios
fixos/controlados se muda a taxa de câmbio.
Como vemos, caso os bancos centrais não resolvam intervir no mercado cambial, os
preços das divisas são medidos pelo simples equilíbrio da procura e da oferta das mesmas. A
pergunta que se coloca agora é: Mas quem é que quer comprar ou vender moeda estrangeira?
Por exemplo, a procura de euros é a das pessoas/empresas, que não pertencem à Zona
Euro, que precisam de euros para comprar bens, serviços e instrumentos financeiros nos países
da Zona Euro (o Euro ainda não está em circulação física, mas é já uma realidade, por exemplo,
no mundo financeiro), o mesmo valendo para outras divisas. Os habitantes da Zona Euro
oferecem a sua moeda quando importam bens, serviços e activos. Dando um exemplo; um
residente da Zona Euro que faz uma viagem aos EUA, precisa de comprar dólares para aí poder
fazer as compras que deseja. Ao comprar dólares está a fazê-lo por troca com Euros, ou seja está
a oferecer euros.
No próximo artigo continuaremos a abordar este tema, nomeadamente a relação da taxa
de câmbio com os saldos da balança comercial e com os saldos orçamentais.

Aprenda a ser um «day trader» economista - Parte VIII


No artigo anterior percebemos a noção de taxa de câmbio e quais os sistemas de taxa de
câmbio mais comuns. Neste artigo explicaremos a importância da relação entre duas divisas no
saldo da balança comercial. Antes disso distinguiremos taxa de câmbio real de taxa de câmbio
nominal. A taxa de câmbio nominal foi o conceito que explicámos no artigo anterior: "é a
relação de preço entre duas moedas. Corresponde ao preço de uma moeda de um país
estrangeiro em termos de moeda do nosso país."
A taxa de câmbio real entre duas moedas é algo mais do que isso. Esta tem em
consideração o poder de compra de uma divisa em termos de outra. Assim, a taxa de câmbio
real pode ser sintetizada:
Outra forma simples de explicar a taxa de câmbio real é através do preço relativo das
importações face às exportações:

Er= (En * Pm)/Pz


onde:

Er = taxa de câmbio real


En = taxa de câmbio nominal
Pm = preço, em moeda estrangeira, das importações
Pz = preço, em moeda nacional, das exportações

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Quando Er diminui diz-se que há uma apreciação real da moeda e quando Er aumenta,
há uma depreciação real da moeda.
O inverso desta taxa (1/Er) pode ser definida como termos de troca, um valor que mede
quantos bens estrangeiros podem ser adquiridos com uma unidade de produção nacional.
Quando os termos de troca sobem - há uma apreciação real - quer dizer que os residentes de um
país recebem mais importações pela mesma quantidade de exportações. A paridade dos termos
de troca ocorre quando a taxa de câmbio real é igual a 1.

Ilustremos com um exemplo:


Consideremos o cenário hipotético em que os EUA e Portugal apenas trocam dois bens.
Portugal importa trotinetes e exporta, para os EUA, bicicletas. Suponhamos ainda que a taxa de
câmbio nominal euro-dólar é de 0.90.
Como podemos observar pela imagem, os termos de troca são claramente favoráveis a
Portugal, na primeira fase. No entanto, após a subida do preço das trotinetes, e sem qualquer
modificação da taxa de câmbio nominal, assiste-se a uma diminuição dos termos de troca de
Portugal.
As taxas de câmbio podem ser influenciadas por uma panóplia de factores, dos quais
destacamos:

* Défices/Superavites orçamentais: normalmente os mercados cambiais reagem


negativamente a aumentos do défice orçamental, e positivamente a diminuições dos défices.
* Tendência e valor das balanças de pagamentos: os fluxos comerciais entre países
ilustram a procura de bens e serviços entre os países em questão, que por sua vez são indicativos
da procura de moeda. Para além disso mostram a competitividade dos mesmos. Os défices
comerciais têm, normalmente, um impacto negativo na moeda de determinada economia.
* Tendência e níveis de inflação: tipicamente, uma divisa perderá valor se existir um
elevado nível de inflação no país ou se prevê uma subida da inflação. Isto acontece porque a
inflação afecta o poder de compra e portanto a procura de determinada moeda para efectuar
essas compras.
* Crescimento e desenvolvimento económico: relatórios como o PIB, níveis de
desemprego/emprego, vendas a retalho, etc, etc... fornecem detalhes preciosos para a
compreensão da saúde económica de determinado país. Geralmente, quanto mais robusta for
uma determinada economia, mais valiosa será a moeda desse país, dado que existirá maior
procura da sua moeda.

Assim, podemos confirmar que as taxas de inflação de dois países têm influência na
taxa de câmbio das divisas de ambos. O que ainda não sabemos é o como é que essa taxa de
câmbio pode influenciar os saldos das balanças comerciais. E passamos a explicar este ponto.
Sabemos também que o saldo da balança comercial é a diferença entre as exportações e as
importações de bens. O saldo desta balança é tanto maior quanto mais um país exportar e menos
importar.
O euro deprecia quando são precisos mais euros para comprar um dólar. Em termos
práticos, medimos esta variação pensando "Se agora fosse aos EUA, e trocasse 1000 euros por
dólares, com quantos dólares é que ficava?". No entanto, a mudança da taxa de câmbio não tem
influência apenas a nível "turístico". Quando uma empresa portuguesa produz um determinado
produto, marca o seu preço em euros. Obviamente, que o preço de venda da mercadoria é igual,
independentemente do comprador, certo? Errado.
É neste ponto que reside a importância da taxa de câmbio. Imagine a seguinte situação:
É administrador de uma empresa de têxteis portuguesa que exporta 90% da sua produção para
os EUA, sendo o preço unitário dos seus produtos de 10 euros. Suponha agora que a taxa de
câmbio do euro face ao dólar desce de 1 para 0.90. Logo, os seus produtos nos EUA ficarão
mais baratos - passam de 10 (10*1) para 9 (10*0.9) dólares. Sendo mais competitivos, os seus
têxteis podem ser vendidos em maior quantidade.

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Se alargarmos este raciocínio para todas as empresas portuguesas chegamos à conclusão
que as exportações aumentam, dado o aumento da procura dos produtos portugueses, que
entretanto se tornaram mais competitivos. Ao mesmo tempo que sobem as exportações,
diminuem as importações, dado que os produtos norte-americanos que se vendem em Portugal
ficam mais mais caros. Neste cenário, o saldo da balança comercial melhoraria.
Raciocinando da mesma forma percebemos que se a taxa de câmbio subir para 1.1,
então, o contrário sucederá. Ou seja, as importações aumentam e as exportações diminuem.
Resultado - o saldo da balança comercial diminui.

Aprenda a ser um day-trader economista - Parte IX


Nos próximos dois artigos vamos explicar o que são commodities, porque são
transaccionados futuros sobre commodities e qual a influência de algumas commodities nas
cotações das acções. Commodities são matérias-primas: o trigo do pão, a prata das jóias, o
petróleo e a gasolina e muitos outros produtos. A maioria dos produtores e consumidores
compra e vende commodities no mercado à vista, sendo que o seu preço é definido pela oferta e
procura das mesmas, ou seja, se uma commodity existe em abundância - a quantidade oferecida
excede a quantidade procurada - então o preço cai, e no caso de ser escassa - a quantidade
procurada excede a quantidade oferecida -, então o seu preço sobe.
A procura e oferta de muitas commodities movem-se em ciclos mais ou menos
prevísiveis. Por exemplo, em invernos rigorosos é natural que se consuma mais petróleo do que
o normal, dado que muitos sistemas de aquecimento funcionam ainda a derivados do petróleo -
óleo para aquecedores, por exemplo. Logo, a procura de petróleo é maior, o que provoca uma
escassez e, consequentemente, um aumento dos preços. No Verão, acontece precisamente o
contrário, a procura é menor e os preços caem.
Mas nem sempre se passa isto. Muitas vezes, acontecimentos não previstos podem levar
ao aumento do preços das commodities. A "Guerra do Golfo" pode ser apontada como um
exemplo bem real. Como se pode ver no gráfico, a partir do momento em que as crises
petrolíferas acabaram, os preços do petróleo começaram a cair e somente voltaram a subir com a
escalada de tensão entre os EUA e o Iraque que culminou com a guerra do Golfo. Os preços
subiram porque a instabilidade militar colocou em perigo o equilíbrio entre a oferta e a procura.
Outro exemplo é a existência de um furacão que destrói as colheitas de trigo, o que leva ao
encarecimento deste cereal. Portanto, o acaso é sempre um factor importante na definição da
procura e da oferta.
Dado que as pessoas não sabem "a priori" quando estes acontecimentos tomam lugar
devido ao seu carácter extraordinário, não podem estabelecer com segurança o seu plano de
acção, certo? Errado. Foi precisamente para isso que surgiram os contratos de futuros - de modo
a minimizar o risco. Agricultores, madeireiros e outros produtores de commodities apenas
podem planear a sua produção com base em estimativas para a procura dos seus produtos e
podem ser afectados por demasiada oferta (da concorrência) ou por pouca procura e vice-versa.
Similarmente, as indústrias recebem encomendas para entrega futura sem saberem os custos das
matérias-primas que necessitam para fabricarem os seus produtos.
Todos estes intervenientes no processo produtivo compram e vendem contratos de
futuros para evitarem surpresas fruto de acontecimentos inesperados. O mercado de futuros é,
portanto, diferente do mercado à vista, dado que, neste mercado, nos preços das commodities
estão englobadas as expectativas sasonais, os preços do mercado à vista, as mudanças
climatéricas antecipadas, o cenário político, etc... No entanto, apesar de ser diferente, a
tendência dos preços é comum e os preços do mercado de derivados têm subjacente a evolução
dos preços no mercado à vista.
Quanto pensamos em commodities, pensamos em ouro, prata, cobre, petróleo, trigo,
milho, soja, carne de vaca, etc, mas para além destas também podemos pensar nas taxas de
câmbio, nas taxas de juro, nas obrigações do tesouro e noutros activos financeiros. A estas
damos o nome de commodities financeiras. Ao fim e ao cabo, o dinheiro é a matéria-prima do
comércio, tanto nacional como internacional. Quanto será a taxa de juro e quanto valerá o dólar

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contra o Euro no próximo Verão são questões que preocupam as pessoas com negócios que
dependem da oferta de dinheiro e do custo dos bens importados. Estas pessoas transaccionam
futuros de commodities financeiras para prevenirem mudanças súbitas no valor dos seus activos.
No próximo artigo esclareceremos como é que os preços das commodities podem term
influência no mercado accionista.

Nota 1: para saber tudo sobre contratos de futuros consulte o nosso manual, revisto, que
ficará disponível no nosso site, dentro de aproximadamente duas semanas.
Nota 2: posteriormente ao aparecimento dos primeiros contratos de futuros sobre
commodities, surgiram as opções, que consignam aos seus compradores/vendedores o direito,
mas não a obrigação de comprar/vender, uma determinada quantidade de uma commodity a um
preço pré-determinado. Apesar de ligeiramente diferentes, o objectivo das opções é na sua base,
o mesmo.

Aprenda a ser um «day trader» economista - Parte X


Com o advento dos mercados de capitais, as acções, as obrigações, os warrants, os
fundos de investimento e outros activos financeiros passaram a poder ser transaccionados como
qualquer commodity. A partir daí logo se tentou perceber se existia alguma relação entre os
mercados de commodities - normalmente transaccionadas na forma de futuros e opções, mas
também no mercado à vista - e os restantes mercados.
Confirmou-se que poderiam existir muitas relações, que à primeira vista, não
pareceriam muito claras. Nada melhor do que dois exemplos para explicar esta relação. No
primeiro explicaremos a exposição de uma empresa produtora de papel, ao preço da pasta e da
madeira. No segundo explicaremos o facto de os mercados accionistas reagirem, normalmente,
no sentido inverso do mercado obrigacionista e do ouro.

1 - Acções de empresa produtora de papel


Consideremos as acções de uma empresa portuguesa produtora de pasta de papel e
papel. A principal matéria-prima de uma empresa produtora de papel é a pasta para papel que,
por sua vez, é produzida a partir da madeira. Da pasta que a empresa produz, 40% é para
consumo próprio (para a produção do papel da sua fábrica) e os restantes 60% são destinados à
venda a outras empresas produtoras de papel.
Assim, como podemos ver, no ciclo produtivo do papel existem dois produtos
transaccionados em mercados organizados e cujo preço é, portanto, apenas resultado da procura
e da oferta desse mercado. São eles a madeira e a pasta de papel.

Imaginemos agora o seguinte cenário:


Num Verão bastante mais quente do que o habitual, grandes superfícies de floresta
própria são consumidas pelas chamas. A empresa vê-se assim obrigada a comprar a madeira
noutros locais, o que encarece o seu preço, já de si mais elevado pela escassez provocada pelos
incêndios. Ao mesmo tempo, o governo Indonésio resolve conceder importantes subsídios e
isenções fiscais a empresas produtoras de pasta e papel locais, o que permite a oferta do seu
produto a preços mais baixos.

Qual é o resultado prático deste cenário?


1 - O preço da madeira aumenta por duas vias. Pelo lado da dimuição da oferta
decorrente do incêndio e pelo lado da procura porque a empresa portuguesa passa a ter de "ir ao
mercado" comprar a madeira, aumentando, deste modo, a procura. Assim, o preço da matéria-
prima aumenta o que, "ceteris paribus", leva à diminuição da margem. Recorde-se que para
além de ter custos imediatos, a empresa vai ter de replantar a área ardida e ficar sem acesso a
essa madeira durante largos anos.

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2 - O facto de a empresa ter de comprar madeira a terceiros torna a produção da pasta
mais cara devido ao aumento dos custos de transporte, o que diminuiria só por si, a margem de
exploração da empresa.
3 - O preço de venda da pasta teria de ser diminuido (recorde-se que a empresa vende
60% da pasta que produz), dado que este é um produto transaccionado em mercado e, portanto,
a empresa para vender teria de, pelo menos, igualar o preço dos indonésios. Por via deste ajuste,
a margem diminui ainda mais.
4 - Caso a empresa não opte entrar em concorrência de preços, deixa de vender pasta e
acumula "stocks", o que prejudica a sua tesouraria e diminui o volume de vendas.
5 - Em consequência, quer do aumento dos preços das matérias-primas, quer da
diminuição dos preços nos mercados internacionais, as margens na venda do papel seriam,
obrigatoriamente, menores.

Neste cenário, é óbvio que a empresa vai sofrer consequências a vários níveis, quer no
curto, quer no longo prazo. O facto das margens serem espremidas vai afectar os resultados
líquidos, o que levará à quebra das cotações da empresa. Para além disso, as obrigações da
empresa também podem perder valor, já que a empresa poderá ter de se endividar ainda mais
para replantar a área ardida.
Como podemos constatar, as acções da empresa podem ser afectadas pelo preço da pasta. Se
transpusermos este raciocínio para um conjunto alargado de indústrias cuja principal matéria-
prima é negociada em mercados organizados, e portanto, cujo preço é fruto do jogo da oferta e
da procura, então podemos ver como o preço das commodities influencia essas indústrias e
consequentemente o valor de todos os instrumentos de financiamento que emite (acções,
obrigações, warrants, etc...).

2 - Ouro, obrigações e acções


Porque é que a maior parte dos portugueses quando pensa em investimento, se lembra
de acções? De facto, as acções são um dos principais meios de investimento ao dispor de
qualquer cidadão. No entanto, não são o único. As commodities, por exemplo, podem ser um
investimento frutuoso, por vezes melhor, por outras pior.
Se, por exemplo, no início de 1996 o seu pai/avô desejasse investir algum dinheiro e
fosse confrontado com duas hipóteses - comprar ouro ou acções da Microsoft - quase de certeza
que a escolha recairia sobre o primeiro. Porquê, porque para o seu pai/avô, ouro, representa
valor. No entanto essa seria, sem dúvida, a pior opção. Se não acredita confirme nos gráficos.
Como se pode comprovar facilmente, se tivesse comprado ouro estaria hoje
consideravelmente mais pobre, enquanto que se tivesse comprado acções da Microsoft estaria
quase 5 vezes mais rico.
O que queremos alertar aqui é precisamente o facto de ouro e acções serem
investimentos alternativos. Normalmente, quando a cotação do ouro começa a subir passa-se
exactamente o oposto no mercado accionista. Nesse sentido, é importante pensar em todas as
commodities que podem revelar-se investimentos alternativos à compra de acções. Ouro,
divisas, obrigações, trigo...
Nunca se questionou acerca da razão pela qual os analistas norte-americanos observam
o mercado obrigacionista de forma a tentarem prever a abertura do mercado accionista?
Também aqui a relação é inversa. Se as T-Bonds (obrigações do tesouro norte-americano, e que
são uma commodity financeira) forem transaccionadas a preços superiores, significa,
normalmente que os investidores estão a alocar investimento em dívida pública, em detrimento
de investimento em acções. Como a dívida pública é, teoricamente, investimento sem risco, a
sua procura aumenta, habitualmente, em períodos de crise ou de incerteza. A comprová-lo está,
por exemplo, o facto de os contratos de futuros de Março de 2000 das T-Bonds, estarem cotados
em Janeiro do mesmo ano nos 88 dólares, enquanto que o contrato de futuros de Março de 2001,
valia em Janeiro deste ano, cerca de 102 dólares. Se compararmos os mesmos meses em termos
de mercado accionista, passa-se exactamente o inverso. O Nasdaq Composite marcava mais de
5,000 pontos em Março de 2000 e em Março deste ano cotava nos 1,800 pontos...

38
O que queremos deixar bem claro com este capítulo é que os mercados accionistas estão
relacionados com um conjunto de outros mercados e que são essas relações que tornam a/o
análise/"estar" dos/nos mercados financeiros algo tão complexo. Os melhores traders sempre
tiveram uma óptima percepção destas relações e, por causa disso, reagiam muito mais depressa
a acontecimentos num mercado do que outro. O que é que acha que aconteceu aos preços do
cobre, do aluminio e até do ouro, quando a venda computadores disparou? Aumentou, porque
são matérias-primas essenciais à produção de componentes de computadores (processadores,
memórias, etc...) e a sua procura aumentou. Será que alguém antecipou este aumento? Com
certeza que sim...

Aprenda a ser um «day trader» economista - Parte XI


Ficámos hoje de explicar como se processa a influência da taxa de câmbio na economia
de um país. Sendo os EUA um dos principais intervenientes a nível mundial nas trocas
comerciais, o câmbio do dólar face às principais divisas é um factor importante a definição do
saldo da balança comercial. Após as crises petrolíferas no final dos anos 70 e após o colapso do
sistema "Bretton Woods" (câmbios fixos), mais precisamente a partir de 1982, o dólar entrou
num ciclo de valorização face às principais moedas estrangeiras que apenas terminou em 1995.
Porquê?
Porque a política de então era dominada por uma lógica conservadora em que os
impostos eram baixos e as taxas de juro elevadas, sendo que ao mesmo tempo, na Europa e na
América Latina existia instabilidade económica. Assim, o investimento racional era nos EUA, já
que a lógica da precaução imperava. Afinal de contas era muito mais seguro colocar as nossas
poupanças num país com elevadas taxas de juro e cuja moeda se apreciava do que no Brasil ou
em Espanha. Assim, como os estrangeiros não possuiam dólares para fazer investimentos nos
EUA, tiveram de os comprar, o que aumentou tremendamente a procura de dólares e levou a
que a taxa de câmbio do dólar aumentasse 80% nos primeiros cinco anos da década de oitenta.
Para além do aumento do valor do dólar, a política económica restritiva norte-americana
com taxas de juro elevadas, provocou uma diminuição do investimento das empresas e da
compra de habitação e levou ao aumento do desemprego. Como?
Quando o dólar começou a valorizar, o preço dos produtos norte-americanos vendidos
para o estrangeiro também aumentou, isto é, o preço das exportações norte-americanas subiu.
Ao mesmo tempo, os produtos estrangeiros que entravam nos EUA ficavam mais baratos.
Logicamente, as exportações norte-americanas diminuiram enquanto que as importações
aumentaram. Até 1986, o saldo da balança comercial norte-americana caiu mais de 200 mil
milhões de dólares, o que representava sensivelmente 6% do produto daquele país. A
diminuição do saldo da balança comercial (X-M, recordem lição nº1 sobre o PIB), teve um
efeito directo no PIB dos EUA, mas também teve efeitos indirectos. Com diminuição da procura
de produtos norte-americanos, as empresas tiveram que reduzir a produção e "emagrecer",
despedindo pessoas. Ora, os despedimentos levaram à diminuição do rendimento disponível das
famílias, o que por sua vez, provocou a diminuição do consumo. Esta diminuição traduziu-se na
contracção do PIB.
Até 1985, o dólar registou fortes valorizações, mas a partir daí, o valor da moeda norte-
americana face às principais divisas mundiais não parou de cair tendo perdido todo o terreno
ganho até 1985, em pouco mais de 5 anos e porque aconteceu esta desvalorização?
Depois de vários anos com uma política económica muito restritiva e conservadora (que
ficou conhecida como Reagenanismo), as autoridades norte-americanas tiveram que optar por
uma mudança de rumo, com taxas de juro menores. Entretanto, os mercados cambiais
começaram a assimilar a ideia que o dólar estava sobreavaliado e começaram a vender dólares
para realizarem mais-valias. Os bancos centrais começaram também a vender moeda norte-
americana e ao mesmo tempo a que se assistia à diminuição do valor do dólar as exportações
norte-americanas começaram a subir, pelas razões inversas do aumento registado nos cinco anos
anteriores.

39
Como se pode verificar pela imagem, a recuperação do saldo da balança comercial
norte-americana foi custosa, mas contínua. No entanto, as modificações da política económica
norte-americana só se reflectiram totalmente na sua balança comercial já na década de 90,
dando origem (com o atraso visível) ao período de crescimento económico mais espectacular
dos últimos trinta anos naquele país.

Feiticeiros do Mercado
Os próximos vinte artigos desta secção do PortaldeBolsa.com vão ser extremamente
proveitosos para todos os aspitrantes a "day traders" e afins. De duas em duas semanas
centraremos a nossa atenção nas páginas do excelente livro "Market Wizards - Interviews with
Top Traders". Trata-se de uma compilação de entrevistas que o autor, Jack D. Schwager* ,
realizou na década de oitenta, a diversos "traders" de sucesso, tentanto perceber os seus
métodos, segredos, sucessos e insucessos.

Consideramos este livro muito importante porque relaciona um conjunto de conceitos


alargado e multidisciplinar - da economia à psicologia, da análise técnica à análise fundamental
-, mostrando quão ténue é a linha que separa o sucesso do insucesso. O livro utiliza o formato
de entrevista para desvendar os métodos, tácticas, estratégias e personalidade dos grandes
traders das décadas de 70 e 80. O calibre dos 17 entrevistados é extremamente elevado, sendo
que vários deles transformaram pequenas quantiais em fortunas superiores a 100 milhões de
dólares em cerca de 10/15 anos. São entrevistados "floor/pit traders", "scalpers", especuladores
de médio prazo em commodities e até investidores de longo prazo onde a macroeconomia
desempenha um papel preponderante. Um dos aspectos mais importantes deste livro é, sem
dúvida, o início das carreiras de cada um dos entrevistados e a explicação de forma clara e sem
qualquer demagogia, do insucesso inicial de muitos, o que, numa primeira análise, acaba por se
tornar extremamente importante para qualquer aspirante a "trader". Aconselhamos, desde já, a
compra deste excelente livro.

Ao longo destas semanas poderá conhecer alguns dos "traders" mais bem sucedidos, as
suas experiências, frustrações, alegrias e tristezas, erros e lições. A excelência destes "traders"
não se mede pelo valor absoluto dos ganhos que obtiveram, mas sim pela sua regularidade e
longevidade no mercado. É muito raro encontrar alguém que esteja "em forma" por um período
superior a 10-20 anos, mas muitos dos entrevistados conseguiram-no.

Conhecerá feitos fantásticos:


- Um trader que depois de ter perdido tudo diversas vezes na sua carreira, transformou
uma conta de 30 mil dólares emm 80 milhões de dólares;
- Um gestor de fundos, cujo fundo apresentou um retorno médio anual de 30% durante
21 anos consecutivos;
- Um gestor de fundos que atingiu o que muitos consideram impossível - retornos
anuais superiores a 100% durante 5 anos consecutivos;
- Um antigo analista que durante 7 anos conseguiu um retorno médio mensal de 25%
(mais de 1,400% anualizados) através da transacção de futuros de índices;
- Um engeheiro electrotécnico formado no MIT que através de um sistema de "trading"
computorizado conseguiu um retorno de 250,000% em 16 anos.
- e muito mais...

Provavelmente já se devem estar a questionar sobre a razão porque apenas agora


falamos deste livro. Muito simples: é um livro, que pelo seu grau de abrangência exige o
conhecimento prévio de muito conceitos relacionados com os mercados financeiros e que foram
explicitados nos diversos manuais do PortaldeBolsa.com. Todos os conceitos que da análise do
livro surgirem e cuja explicação ainda não se encontre disponível no nosso portal, trataremos de
explicitar. Esperamos que estes artigos venham a ser úteis.

40
* o autor do livro é o director da "Futures Research and Trading Strategy" da
Prudential-Bache Securities, Inc. É o autor do aclamado pela crítica "A Complete Guide to the
Futures Markets" e é um conferencista habitual sobre um variado número de temas relacionados
com os mercados financeiros. Também escreveu "Getting Started in Technical Analysis",
"Technical Analysis", "Stock Market Wizards: Interviews with Americas Top Stock Traders",
"The New Market Wizards : Conversations With America´s Top Traders", "Smarter Trading :
Improving Performance in Changing Markets", "Schwager on Futures : Fundamental Analysis"
e "Managed Trading: Myths & Truths".

Os Feiticeiros do Mercado» - Michael Marcus


«If you don´t stay with your winners you are not going to able to pay for the losers»

Antes de entrarmos a fundo no livro de Schwager temos de alertar o leitor para dois
factos bastante relevantes. Quase todos os "traders" que são entrevistados neste livro
transaccionam hoje com valores muito elevados, maioritariamente em mercados de futuros.
Portanto, para melhor perceber toda a forma de actuar destes traders, deverá, em primeiro lugar,
consultar os nosso manuais de futuros e de warrants, de forma a perceber expressões como
"tick", curto, longo, futuros, opções, etc...

A primeira entrevista do autor do livro é efectuada a Michael Marcus, um dos traders


mais bem sucedidos de sempre. Mas engana-se se pensa que o sucesso deste "trader" foi
imediato. Michael Marcus teve uma formação académica com distinção tendo sido sempre um
dos melhores alunos pelos sítios em que passou. Formou-se em Psicologia e provavelmente
teria seguido a carreira de professor universitário caso não tivesse conhecido um amigo de um
amigo que lhe disse: "consigo duplicar o teu dinheiro de duas em duas semanas". Sem ponderar
muito o que estava a fazer, Michael Marcus contratou o amigo do seu amigo por cerca de 30
dólares por semana para ser o seu "Commodity Trading Advisor" (conselheiro de investimento
em futuros).

Fez a sua primeira transacção num mercado de futuros no ano de 1969 e não percebia
minimamente o que estava a fazer. Comprou um contrato de futuros de soja, sem saber o valor
global do contrato e sem saber nada sobre produtos derivados. Apenas sabia que por cada "tick"
que a cotação caísse perdia um certo valor. Quando fechou a posição (vendeu um contrato)
registou uma perda de 100 dólares, o que em 1969 era já uma quantia considerável. As duas
transacções seguintes também resultaram em perdas (milho e trigo). A quarta transacção
resultou em ganho, mas ao fim de três dias já tinham voltado ao início. Apesar de ser totalmente
inexperiente, Michael Marcus, sempre que se via a perder 100 dólares fechava a posição, ou
seja, já aí tentava ser disciplinado. Comicamente, Marcus afirma que "media o sucesso pelo
número de dias que demorava a perder o dinheiro". Após a quinta aposta, Michael Marcus
perdeu os 1,000 dólares com que tinha começado e via-se assim, na falência. Apesar de todo
este insucesso inicial, nunca se deixou convencer de que o "trading" não era para ele. Assim,
levantou o dinheiro do seguro de vida que o pai lhe havia deixado em herança, 3,000 dólares, e
começou a estudar os mercados de soja, milho, trigo e outros cereais de forma a conseguir
transaccionar futuros com algum conhecimento a nível teórico. Baseado numa recomendação de
uma "newsletter" que havia subscrito, comprou, no Verão de 1970, três contratos de Dezembro
de milho. Nesse Verão, o míldio (doença/praga) arrasou as colheitas e o preço dos futuros de
Dezembro disparou. Marcus foi aumentando a sua exposição em cereais e no início do Outono a
sua conta estava já com 30,000 dólares. Em Dezembro de 1970 abandonou a escola e lançou-se
definitivamente na "carreira de especulador", mudando-se para NYC. Na Primavera de 1971,
Marcus apostou todo o seu dinheiro (30,000 dólares), mais 20,000 que pediu emprestados à sua
mãe, na compra de contratos de trigo e milho, baseando-se na premissa que o míldio havia
sobrevivido ao inverno. Aplicou em margens 50,000 dólares e aprendeu, mais tarde, a maior
lição da sua vida. Num certo dia o Wall Street Journal publica uma notícia com o seguinte título

41
"Mais míldio no CBOT (Chicago Board of Trade) do que nos campos de milho do Midwest".
Rapidamente os futuros de todos os cereais caem abruptamente e encerram "limit-down" (os
contratos de futuros têm um limite diário de variação de preço). Existia um número enorme de
vendedores e virtualmente não existiam compradores. O preço caía a pique e Marcus não
conseguia reagir. Em vez de tentar encerrar logo as suas posições, deixou-as abertas e apenas as
encerrou no dia seguinte. Quando o fez, tinha perdido todo o seu dinheiro (30,000 dólares) e
mais 12 mil dos 20,000 que havia pedido emprestado à sua mãe. Com esta perda aprendeu uma
das grandes lições - nunca apostar tudo numa só ideia de "trading". Depois de ficar sem
ninguém que lhe emprestasse dinheiro, Marcus teve de arranjar um emprego como «Commodity
Research Analyst".

Em 1972, Michael Marcus voltou ao mercado depois de conseguir juntar 700 dólares.
Abriu uma conta com um amigo e começou novamente a transaccionar. O arranque foi custoso,
mas depois de algumas transacções no mercado de futuros de contraplacado de madeira,
conseguiu subir a sua conta para 12 mil dólares e depois de uma fase de altos e baixos,
conseguiu acumular 24,000 dólares. Nessa altura, um dos grandes "bull markets" da história
"podiam-se cometer muitos erros, e mesmo assim, ganhar muito dinheiro", reflectindo o facto
de se estar num mercado com clara tendência de alta. Marcus recorda-se de que um dos
momentos mais difíceis da sua carreira ocorreu quando saiu cedo demais de uma posição longa
em futuros de soja e viu o mercado a fechar "limit-up" vários dias consecutivos sem conseguir
entrar. Considerou essa como uma das piores experiências da sua vida. Apercebeu-se também
que o ambiente competitivo em que vivia era muito forte e resolveu sair da empresa em que
trabalhava para se afastar desse ambiente. Recorda-se perfeitamente da altura em que tomou
essa decisão. A conselho de Ed Seykota (trader que também é entrevistado no livro e um dos
seus grandes gurus), compra contratos de futuros de café, mas coloca uma "stop" um pouco
abaixo. O mercado vira e Marcus sai rapidamente da sua posição enquanto que Seykota não
consegue encerrar as suas posições, pois o mercado abre vários dias consecutivos em "limit
down". Quando dá conta da felicidade que sentia por estar fora dessa transacção, resolve
abandonar o seu local de trabalho e ir em 1973 para "floor trader" na New York Cotton
Exchange. Como eram necessários 100 mil dólares para iniciar a actividade no "pit" desta bolsa
e apenas possuia 64 mil, continua a transaccionar nos mercados habituais e acabou por angariar
essa quantia. Apesar de reconhecer que a experiência de "floor trader" foi um pouco fracassada -
não se conseguia fazer ouvir no "pit", dada o seu carácter reservado e tímido -, Marcus
considera que foi muito frutífera em termos de análise de gráficos intraday, pois aprendeu a
reconhecer "breakouts" significativos muito mais rapidamente.

Depois de abandonar a sua carreira como "floor trader", Michael Marcus foi contratado
pela prestigiada Commodities Corporation. Esta empresa, que tinha nos seus quadros gente
como Paul Samuelson, apenas contratava profissionais com o grau de "Doutor". Marcus foi o
primeiro sem esse estatuto a entrar para o lugar de "trader" nesta empresa. Começou com uma
conta de 30,000 dólares e ao fim de 10 anos, a sua conta ascendia a 80 milhões de dólares. Mais
impressionante é ainda o facto de que durante todos estes anos, anualmente, 30% do valor da
conta era levantado, o que quer dizer que durante vários anos obteve rentabilidades anuais
superiores a 100%. De todos estes anos Marcus recorda dois episódios, um positivo e um
negativo. Numa dada altura, estava a transaccionar na California, e por isso, estava acordado
quando soube da notícia da invasão do Afeganistão por parte da URSS. Telefonou para Hong
Kong, cujo mercado de futuros estava aberto e apercebendo-se que ninguém sabia do
acontecimento comprou 2,000 contratos de futuros de ouro. Nessa altura, o ouro atravessava um
grande "bull market" e esta notícia fez com que a onça de ouro subisse ainda mais. Ganhou
vários milhões de dólares em muito pouco tempo, o que fez o ano de 1979 o grande ano de
glória da sua carreira. Declarou mais tarde que foi a primeira e a única vez que ganhou dinheiro
com base numa notícia. A pior experiência desses dez anos aconteceu quando se viu a perder
2.5 milhões de dólares quando especulava na subida do marco e o Bundesbank entrou no
mercado a divisa de então República Federal da Alemanha. Viu a cotação cair, fechou as
posições quando perdia 2.5 milhões de dólares e viu a cotação cair ainda mais, até um valor em

42
que se tivesse a sua posição aberta, perderia 10 milhões de dólares. Depois, em pouco mais de
meia hora viu a cotação do marco recuperar até ao nível inicial. Mesmo assim, este investimento
não foi aquele em que Marcus perdeu mais dinheiro. Marcus revelou-se um aplicador de
poupanças muito mal sucedido. Comprou mais de 10 casas e uma companhia de "charters",
revelando-se estes investimentos, todos desastrosos. Até que um dia decidiu vender tudo.
Durante os anos mais difíceis, Michael Marcus "refugiou-se" em futuros do cacau, um mercado
no qual transaccionava e conhecia melhor que ninguém.

Quando perguntado se considerava necessário ter qualidades inatas para se ser um


"trader" excepcional, Marcus respondeu afirmativamente, mas também considerou ser possível,
com trabalho árduo, ser competente e ganhar dinheiro. Marcus chega a afirmar, bastante
humildemente até, que em meados dos anos 70 considera que não fez nada de especial, porque
se viveu um período de mercados extremamente "bullish" em que bastava ficar longo e esperar
para se ganhar muito dinheiro.

Os maiores conselhos que Marcus dá a quem deseja optar por uma carreira de "trader"
são:
aplicar apenas 5% do seu capital disponível numa ideia de trading. Marcus considera
que, por exemplo, ficar longo em dois mercados relacionados (milho e trigo) é apenas uma ideia
e não duas;
- estabelecer sempre "stops loss" imediatamente na abertura da posição;
- à mínima dúvida acerca da posição que se acabou de abrir, encerrar;
- não entrar no mercado só porque não se quer estar fora;
- parar para pensar quando se está num mau momento;
- não copiar estratégias e estilos de trading de outros e ter ideias próprias;
- não ser ganancioso quando se está a ganhar e cortar as perdas;
- estar atento aos sinais dados pelo mercado. Isto é, quando é suposto o mercado reagir
de uma determinada forma e acaba por reagir da forma contrária, pode ser mau sinal;
- não acreditar em mitos como "há uma conspiração no mercado" e acreditar que não há
ninguém (pessoa ou instituição) capaz de manipular o mercado.

Michael Marcus conseguiu ganhar muito dinheiro ao longo da sua carreira através de
métodos que na altura estavam ao dispor de muito poucos. Como o próprio afirma: "Estávamos
na bolsa, viamos o preço ultrapassar um ponto-chave do gráfico e comprávamos. No dia
seguinte a pessoas que trabalham nas bolsas compravam e o preço subia mais. Ao terceiro dia,
as corretoras recomendavam a compra e os preços continuavam a subir, até que nos dias
seguintes eram "os dentistas espalhados pelo mundo que compravam". Como o próprio
reconhece: "era um dos primeiros a comprar e vários dias depois vendia aos dentistas". Hoje em
dia, como muito gente já partilha dos mesmo pontos de vista, como existem muitos mais "trend
followers" e como a informação circula muito mais rapidamente é muito mais complicado fazer
dinheiro. Para além disso, os intervenientes no mercado são quase sempre profissionais e os
"dentistas do mundo" preferem comprar unidades de participação em fundos de investimento
mobiliários. Marcus acrescenta que devido à existência de cada vez mais falsos "breakouts", os
sistemas computorizados de trading ("trend followers") estão votados à mediocridade,
exceptuando os casos em que existem forças estranhas, como por exemplo, grandes ambientes
inflacionários ou deflacionários. Marcus dá o exemplo actual do mercado de divisas. Agora,
afirma ele, é quase impossível definir uma tendência em determinado câmbio, porque os bancos
centrais assumem, normalmente, a posição contrária à do mercado. É preciso adivinhar o que é
que os bancos centrais vão fazer. Michael Marcus considera que a transacção de divisas é uma
actividade extremamente stressante, já que é um mercado que funciona 24 horas por dia. Ir para
a cama com posições abertas é sinónimo de uma noite mal dormida.

Nos últimos anos da sua carreira, Michael Marcus começou a transaccionar acções, mas
não mudou o seu estilo, continua à procura de sinais técnicos, fundamentais e de mercado para
entrar no título, mas afirma preferir sempre mercados em que não existem muitos tubarões.

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Prefere transaccionar acções do OTC (Over the Counter) do que do Dow Jones. Michael Marcus
finaliza afirmando que quem consegue transaccionar num mercado, consegue transaccionar em
todos, pois os princípios são os mesmo. «"Trading" é emoção. É psicologia de massas, ganância
e medo.» E isto é tudo comum a qualquer mercado.

Os Feiticeiros do Mercado» - Bruce Kovner


Bruce Kovner, o segundo entrevistado do livro é um trader que privilegia o mercado
cambial (FOREX) para as suas transacções e é daí que advêm cerca de 60% dos seus lucros.
Aliás, na altura da realização da entrevista do autor do livro, Kovner era talvez o maior "player"
neste mercado (exceptuando os bancos, claro). No ano de 1997, conseguiu obter lucros de 300
milhões de dólares e entre 1978 e 1998 o retorno médio anual dos fundos por si geridos
ascendeu a 87%. Quem em 1978 tivesse investido 2 mil dólares no seu fundo, teria, passados 10
anos, cerca de 1 milhão de dólares.

Mas como se interessou Kovner pelo "trading"? Após obter a licenciatura em Harvard,
começou uma carreira de professor, mas depressa se apercebeu que não era aquilo que queria
fazer para o resto da sua vida. Afirma com alguma ironia "Não gostava do processo de ter de
confrontar uma página em branco todas as manhãs e pensar em alguma coisa brilhante para
escrever". Após desistir da carreira académico interessou-se por política, mas também
rapidamente abandonou essa ideia pois não estava "disposto a começar por baixo". Em meados
dos anos 70 começou a interessar-se nos mercados financeiros e deu particular atenção ao
estudo da curva de rendibilidade ("yield curve" *).

Assim, depois de um intensivo ano de estudo dos mercados financeiros da leitura de


muitos livros, Kovner começou a transaccionar. Os seus três primeiros negócios consistiram na
aplicação da teoria sobre mercados de futuros e do aproveitamento de diferenças de preços entre
contratos sobre o mesmo activo com prazos de expiração diferentes. Assim, para aproveitar
essas ligeiras anomalias comprou um "spread" ** de taxa de juro (comprar um contrato de
futuros da taxa de juro e vender um contrato de taxa de juro com um prazo de expiração
posterior). A sua segunda transacção também foi idêntica, comprou um contrato de futuros do
cobre com expiração mais próxima e vendeu o contrato de futuros do cobre com data de
expiração num mês posterior. No final destas duas transacções a sua conta tinha subido de 3,000
para 4,000 dólares. A sua transacção seguinte tratou-se de outra compra de um "spread" de soja
em 1977. Nessa altura estava a desenvolver-se uma aparente escassez no mercado da soja pois a
cada semana que passava o "crush" (processamento da soja de forma a fazer óleo e refeição) era
maior e ficava sempre acima das estimativas, ou seja, os consumos de soja eram mais elevados.
Na altura, Bruce Kovner observava o "spread" entre os contratos de Julho e os de Novembro e
comprou um "spread" (comprou um contrato de Julho e vendeu um de Novembro). O raciocínio
foi: "Como vai deixar de haver soja no mercado, o prémio do "spread" (diferença entre a subida
do preço do contrato de Julho e a subida do preço do contrato de Novembro) vai aumentar". O
seu raciocínio acabou por se revelar completamente correcto e o prémio do spread começou a
aumentar. À medida que tal sucedia, Bruce Kovner continuou a aumentar a sua posição
("pyramiding"), comprando mais "spreads". A certa altura, a posição já ascendia a 15 contratos
(30, pois quinze eram vendedores e quinze eram compradores). Desde o primeiro "spread"
aberto a 25 de Fevereiro até ao último a 12 de Abril, a conta deste trader subiu de 4,000 dólares
para 35,000 dólares, virtualmente sem risco absolutamente nenhum. Nesta altura o leitor deve
estar a questionar-se: "Mas se o mercado estava em alta porque é que ele mantinha as posições
curtas nos contratos de Novembro abertas? Se fechasse essas posições curtas poderia ganhar
muito mais!" Foi precisamente isto que o corretor que processava as suas ordens na altura disse
a Bruce Kovner ao ver que o preço da soja continuava a subir. No dia 13 de Abril convencido
pelo seu corretor, Kovner cobre todas as suas posições curtas no contrato de Novembro. Muitos
depois, o mercado estava a transaccionar "limit-down" e o trader, desperado por ver diminuir
um saldo positivo de 45 mil dólares para 22 mil dólares em poucos minutos, decide fechar as

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posições longas nos contratos de Julho. Apesar de ter subido o seu saldo de 4 mil dólares para
22 mil dólares, Kovner não conseguiu dormir nem comer durante largos dias, não pelo dinheiro
que deiou de ganhar, mas sim pelo facto de ter reagido de uma forma primária, exactamente
oposta aquela a que se tinha proposto aquando da sua entrada no mercado. Um pouco
surpreendentemente, o entrevistado afirma que pensava ter destruído a sua carreira de "trader" e
que ao mesmo tempo esta transacção foi a pior transacção de toda a sua carreira (em termos
psicológicos), apesar de ter multiplicado por 5.5 o seu capital inicial.

Desta transacção Kovner retirou um dos príncipios pelos quais sempre regeu a sua
carreira: "Nunca te deixes apanhar numa situação em podes perder muito dinheiro por razões
que não compreendes ou desconheces." "Quando me vejo numa dessas situações encerro as
minhas posições", acrescenta e dá o exemplo do dia 19 de Outubro de 1987 (altura de um dos
mais famosos "crashes" da história), quando decidiu encerrar todas as suas posições (quer
perdedoras, quer vendedoras).

Depois da transacção em soja, o entrevistado esteve um mês sem transaccionar, afastado


do mercado e poucos meses depois o saldo da sua conta já ascendia a 40 mil dólares. Por essa
altura candidatou-se a um emprego na Commodities Corporation, tendo sido entrevistado por
Michael Marcus (o primeiro entrevistado do livro), que lhe ensinou duas coisas
muito importantes: "É possível ganhar um milhão de dólares" e "É preciso estar disposto a
cometer erros regularmente". Conseguiu o emprego e começou a transaccionar futuros com um
saldo inicial de 35 mil dólares.

* relação entre a rendibilidade de uma obrigação (do tesouro, por exemplo) e o tempo
que falta para a sua maturidade.

** Imaginemos a seguinte transacção:


Compra de um contrato de futuros de "light sweet crude" na NYMEX com expiração
em Novembro a 20.15 dólares e vende um contrato de futuros do petróleo da NYMEX com
expiração em Dezembro por 20.90 dólares. Imagine agora que a cotação dos futuros de
Novembro sobe para 20.30 dólares e a cotação dos futuros de Dezembro sobe apenas para os
21.00 dólares. Na posição longa coseguir-se-á obter um lucro de 150 dólares (0.15x1000). No
entanto, na posição curta (a do contrato com expiração em Dezembro, o prejuízo será de apenas
100 dólares (0.1x1000). Assim com uma posição com risco reduzido obtém-se um lucro de 50
dólares. Claro que se se tivesse apenas comprado o contrato de expiração em Novembro,
ganhar-se-iam mais 100 dólares, mas a posição seria mais arriscada e mais cara, já que a compra
de um "intramarket spread" paga uma margem consideravelmente menor do que uma posição
líquida apenas longa ou apenas curta.

Quando questionado sobre quais as características de um bom "trader", Bruce Kovner


afirma que este deve ser independente, capaz de assumir posições que outros não estão
dispostos a assumir, disciplinados, e nunca, mas nunca gananciosos, ou seja, que nunca
transaccionem posições muito grandes (mais arriscadas). Para além disto, considera que um
trader nunca deve personalizar as suas perdas. O único ano em que registou uma desvalorização
no fundo que gere foi o de 1981 (perdeu 16%), o primeiro ano em que «me vi confrontado com
um "bear market" em commodities», afirma, acrescentando que as principais causas do seu
falhanço nesse ano foram a imprecisão no "timing" de fecho e abertura de posições e a abertura
de muitas posições correlacionadas ***. Isto porque um "bear market" se caracteriza pela
quebra acentuada das cotações intermediada por rápidas e efémeras retracções "bullish".
"Vendia sempre tarde de mais" (...) Num "bear market" temos de usar as retracções "bullish"
para entrar curto no mercado."

Uma das partes mais interessantes da entrevista ocorre quando Schwagger questiona o
entrevistador sobre o tipo de análise que utiliza. Kovner afirma que utiliza muito análise técnica,
mas que não consegue manter uma posição aberta se não achar que existe uma razão

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fundamental para o mercado se mover em determinada direcção. Compara um fundamentalista
que não presta atenção ao gráfico de determinado título para tomar as suas decisões de
investimento a um médico que não faz um diagnóstico de um doente antes de lhe receitar um
medicamento.

Um exemplo da utilização da análise técnica que o entrevistado dá é o facto de seguir


sempre um "breakout" que acontece após um período de consolidação ou congestionamento,
mesmo que não exista qualquer explicação para o mesmo. Age assim porque pensa que a
direcção primária do mercado é sempre a correcta. Aliás, Kovner afirma que um "breakout" em
consequência de uma notícia publicada num jornal é, quase sempre, menos fiável do que um
que aconteça sem qualquer explicação.

Tal como Michael Marcus (ver primeira entrevista), Bruce Kovner afirma que sempre
que abre determinada posição tem pré-estabelecida uma "stop loss". O tamanho da posição que
abre é determinada pela "stop", que por sua vez, é determinada pela análise técnica. A colocação
da "stop" de protecção é sempre efectuada para lá de alguma barreira técnica (suporte ou
resistência). Ao mesmo tempo é necessário pensar num valor suficientemente afastado do preço
de mercado de forma a que os "floor traders" não consigam lá chegar facilmente. A razão de ser
deste "modus operandi" é "Coloca a tua stop de protecção num ponto que caso seja atingido te
indique com poucas margens para dúvidas que a tua ideia está errada e não pela quantia máxima
que estás disposto a perder". Devido aos elevados volumes que transacciona, as suas "stop loss"
não estão no mercado mas antes é encarregue uma pessoa para accionar a ordem caso o preço
chegue ao valor pré-definido.

No momento em que a entrevista a Bruce Kovner foi realizada (fim de 1989) a quantia
que este geria ascendia a sensivelmente 650 milhões de dólares, mas como acreditava muito
pouco nos sistemas de trading, apenas alocava 5% deste montante a este tipo de ferramenta.
Kovner pensa que no que ao trading diz respeito, a melhor performance da máquina nunca vai
ultrapassar a melhor performance do homem.

Apesar de existirem muitas vantagens de se gerir mais dinheiro, em muitos aspectos


torna-se mais complicado. Um destes é o facto de existirem alguns mercados que se tornam
virtualmente impossíveis de transaccionar devido à reduzida liquidez, como o cobre e o café,
isto apesar de serem extremamente voláteis e atractivos. Por isso, este é da opinião que os
melhores mercados são o cambial, o de taxas de juro e o de petróleo, pois a liquidez acaba por
não ser problema. O mercado cambial é mesmo a sua maior fonte de lucros (entre 50% e 60%
do lucro total). Kovner enumera as vantagens de transaccionar no MMI (Mercado Monetário
Interbancário - tem a possibilidade de experimentar transaccionar neste mercado em
"fxgame.oanda.com"): enorme liquidez, custos de transacção reduzidos e transacção 24 horas
por dia.

No que diz respeito ao mercado accionista, este experimentado trader considera que há
nuances importantes face ao mercado de futuros de mercadorias. Existem mais movimentos de
curto prazo contra a tendência no mercado accionista enquanto que os mercados de
commodities são guiados pela procura de bens físicos e quando existe escassez desses bens a
tendência de alta não falha. Assim, torna-se muito mais complicado apanhar a tendência de
longo prazo.

Para finalizar, o entrevistador perguntou a Bruce Kovner quais eram os conselhos que
daria a alguém que quisesse começar a transaccionar. O entrevistado respondeu: "Qualquer que
seja o tamanho da posição que acha que deve abrir, corte-a pelo menos para metade" e
acrescentou "Não personalizem o mercado". Com o primeiro conselho Kovner quer alertar para
o facto de uma dos factores mais importantes para se ter sucesso no mercado é estar muito
tempo no mercado. Quanto mais pequena for cada aposta, maior é probabilidade de se
sobreviver para ver o dia seguinte. O segundo conselho chama a atenção para os traders que se

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vêem muitas vezes a pensar para consigo "Só espero que...". Quando isto acontece é sinal de
que o trader está a entrar num processo destrutivo pois está a descurar um dos aspectos mais
importantes: o diagnóstico e a procura de novas oportunidades de negócios.

*** A correlação mede a ligação entre dois pares de dados. Se se abrem duas posições
em mercados extremamente correlacionadas (o coeficiente de correlação é um valor muito perto
de 1), como por exemplo comprar contratos de futuros de milho e de trigo, será natural que o
resultado nas duas transacções seja idêntica (ou se perde nos dois ou se ganha nos dois), ou seja,
na realidade só estamos a aplicar uma ideia de "trading" e o risco é maior.

Os Feiticeiros do Mercado» - Richard Dennis


Richard Dennis é a personificação do "American Dream". Começou a interessar-se pela
transacção de futuros, quando em meados da década de 1960 arranjou um emprego de Verão no
"floor" duma bolsa norte-americana. Em 1970, decidiu começar a transaccionar por sua conta e
com 1,600 dólares emprestados pela sua família, comprou um lugar na Mid America Exchange,
uma bolsa especializada na negociação de contratos de futuros "mini" (margens mais
diminutas), e que se direcciona claramente para o segmento de pequenos investidores, para os
quais uma posição aberta num qualquer contrato de futuros normal já representa uma grande
posição. Na aquisição do lugar, Dennis gastou 1,200 dólares ficando com somente 400 dólares
para transaccionar no "pit". Passados vários anos, Dennis tinha transformado esses 400 dólares
em cerca de 200 milhões de dólares. Apesar de ser considerada uma lenda entre os traders norte-
americanos, ao longo da sua carreira de "trader", Dennis teve alguns "contratempos" graves e na
altura em que a entrevista para o livro de Schwager foi realizada, Dennis atravasseava um
desses momentos, derivado do crash de Outubro de 1987.

Richard Dennis considera que a melhor altura para se cometerem todos os erros
possíveis é quando se começa a "carreira" de trader, pois muito provavelmente é nesse período
que se transsacionam valores pouco arriscados. Pelo menos foi o que se passou consigo.
Considera que o sucesso inicial pode criar vícios. Contudo, também considera que nem sequer é
importante se as primeiras transacções foram lucrativas ou não; o que interessa é se a primeira
transacção lucrativa foi obtida com uma posição longa ou curta. De acordo com o entrevistado
essas pessoas tendem a ser eternos "bulls" ou "bears".

Com 400 magros dólares no bolso para iniciar a sua carreira, Dennis acabou por ser
bafejado com o míldeo (praga que ataca os cereais) e rapidamente transformou esses 400
dólares em 2,000, já que detinha posições longas abertas em milho, trigo e soja. Ao fim dos
primeiros três meses de trading tinha conseguido obter 3,000 dólares e estava impressionado
consigo próprio. Mesmo assim, decidiu increver-se na Universidade, mas ao fim de uma semana
já tinha desistido de estudar e estava em Chicago novamente, desta vez para sempre. Logo a
seguir ao sucesso inicial, aconteceu aquela que Richard Dennis considera ser a sua maior perda
de sempre. Passado pouco tempo de ter aberto uma posição, viu-se confrontado com uma perda
de 300 dólares. De forma a tentar compensar essas perdas, inverteu a posição, acabando por
incrementar a sua perda. Voltou a inverter a sua posição para a original e novamente voltou a
perder. No fim do dia tinha perdido 1,000 dólares, 33% do seu capital inicial. Com este dia
particularmente infeliz, Dennis aprendeu que uma perda relevante afecta o julgamento de uma
transacção, portanto, o melhor é ir para casa e descansar...

Em 1973, coseguiu juntar capital suficiente para comprar um lugar na CBOT (Chicago
Board Of Trade), a maior e mais antiga bolsa de derivados do mundo. Continuou a
transaccionar no "pit" durante 5 anos e viu muita gente a cometer erros completamente infantis.
Recorda acima de tudo que via muita gente a não conseguir manter abertas posições claramente
ganhadoras, mesmo quando o mercado fechava vários dias consecutivos em "limit-up". A este
propósito, Richard Dennis é particularmente crítico, já que é um "trend follower" (seguidor de

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tendência) assumido e que não gosta de mercados "a andar de lado" porque dão origem a muitos
"breakouts" falsos. Por isso, segue sempre a tendência e apenas quando existem fortes indícios
(confirmados sempre pelo mercado) de que a inversão de tendência já ocorreu, é que resolve
inverter as suas posições, ou seja, nunca procura "encontrar" os topos ou fundos. Esta "filosofia"
assenta na premissa de "esperar o inesperado", isto é, nunca partir do pressuposto que
determinado activo transaccionado em bolsa está demasiado caro ou demasiado barato. Não
existem barreiras para o mercado. As pessoas não se devem limitar a seguir o passado. Neste
momento da entrevista, Schwager considerou ter encontrado uma incoerência no discurso de
Richard Dennis, pois ao fim e ao cabo, como analista técnico e "trend follower", o estudo do
passado seria sempre o mais importante para Dennis. Este contrapõe esta afirmação com um
exemplo real. De acordo com um estudo que realizou, em 1972, os futuros da soja sempre que
subiam ou desciam 0.50 dólares era altura de inverter posições, pois a variação não excedia esse
valor. Historicamente, inverter a posição seria a decisão mais acertada. Na prática, a decisão
seria a errada, já que após mais uma subida de 0.50 dólares, o preço da soja acabou por subir
mais 8 dólares. Dennis considera que um bom sistema "seguidor de tendência" captaria sempre
esta subida e possibilitaria um lucro avultado. Adepto confesso de sistemas de "trading" que
geram sinais automáticos, Dennis afirma que na escolha de um sistema de trading deste género
o factor principal é a coerência: para qualquer "commodity", o mesmo sistema de trading tem de
despoletar os mesmos sinais, caso contrário, não é utilizado. O entrevistado considera que estes
sistemas não resultam no mercado accionista, já que, ao contrário do que acontece em mercados
de "commodities", os preços têm um comportamento muito mais aleatório e não dependem
apenas da procura e da oferta. Ainda assim, independentemente "do mercado que se
transacciona", considera que, no longo prazo, a sorte e o azar não desempenham qualquer papel
na performance do trader.

Richard Dennis identifica facilmente as suas más ideias de "trading": Quando tem uma
posição aberta perdedora mais do que duas ou três semanas é porque essa posição está errada,
independemente do montante. Normalmente, a frase do detentor de uma posição aberta
perdedora é qualquer coisa como "Bolsa, nem quero ouvir falar disso...". A este propósito,
Dennis considera que ao contrário do que o senso comum possa indiciar, um período menos
bom (com prejuízos) é precisamente a altura na qual uma pessoa se deve concentrar mais nas
posições que tem abertas e que vai abrir. O ano da sua carreira que destaca pela negativa é o ano
de 1978, mas justifica a sua fraca performance com a mudança do "pit" para o escritório. O
factor catalisador desta mudança foi a crescente necessidade de transaccionar mercados mais
líquidos, como câmbios e petróleo e implicou modificações no estilo e na perspectiva temporal
dos investimentos, que de "intraday" passou para uma perspectiva de mais longo prazo. Apesar
disto, nunca incorpora cenários macroeconómicos (taxa de juro, balança comercial, etc...) nas
decisões individuais de "trading", pois considera que a performance de cada transacção em nada
depende de factores macroeconómicos.

Uma fase da sua carreira que Dennis fala com particular agrado é o início da formação
de traders e assombro que lhe causou o facto de estes formandos terem sido tão bem sucedidos.
A decisão de entrar no campo da formação deveu-se a uma discussão particularmente aguerrida
com um dos seus sócios, que advogava que um trader de sucesso nunca poderia ser criado, pois
estes necessitam de ter capacidades inatas especiais. Dennis defendia precisamente o contrário:
pode-se criar um trader de sucesso. De forma a esclarecer quem tinha razão. Nos anos de 1984 e
1985 formou dois grupos de traders juntamente com os seus colaboradores. Em 1984 receberam
1,000 candidaturas, que foram reduzidas para 40. Posteriormente procederam a nova triagem e
escolheram 10, que tiveram formação apenas 2 semanas. Em 1985, escolheram outro grupo de
13 pessoas, que posteriormente foi reduzido a 10. Este último grupo teve apenas 1 semana de
formação. Todas estas pessoas iniciaram a sua actividade com 100,000 dólares cada uma, valor
que em 1988 ascendia, em média, a 2 milhões de dólares. Richard Dennis havia provado o seu
ponto de vista.

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Após o "crash" de Outubro de 1987, a entrevista continuou, já que existiam motivos de
interesse para que tal acontecesse. Derivado do "crash", os fundos geridos por Richard Dennis
deixaram de ser transaccionados pois em Abril de 1988 foi accionada automaticamente o
mecanismo de protecção do cliente, o que acontece quando um fundo perde metade do seu
capital. Após estes acontecimentos Dennis decidiu retirar-se do "trading" e dedicou-se à
política. Os fundos que geria, tiveram uma fraca performance no seu último ano de vida, mas
quem tivesse investido 1,000 dólares na subscrição inicial do fundo, teria chegado a Abril de
1988 com 3,833 dólares, ao que corresponde uma valorização média anual de 25%. Da conta
pessoal, Dennis perdeu 10% em termos líquidos, mas se se considerarem todas as doações que
fez ao longo da sua carreira, essa percentagem sobe para valores consideravelmente mais
elevados.

Como corolário, Dennis afirma que o maior erro de trading é perder uma oportunidade
de obtenção de um gordo lucro por ter o dinheiro empatado em transacções inócuas. Segundo as
suas estimativas, 95% dos seus lucros advieram de apenas 5% das suas transacções.

Os Feiticeiros do Mercado - Paul Tudor Jones


Em Outubro de 1987, um mês negro para a maioria dos investidores no mercado
accionista, os fundos geridos por Paul Tudor Jones registaram uma valorização de 62%. São
performances como esta que distinguem um grande trader de um bom trader, e foi este mês que
serviu para "separar as águas". Mas não foi apenas em Outubro de 1987 que registou bons
momentos na sua carreira. O seu percurso está recheado de sucessos e foi sempre bem sucedido
em todos os projectos em que enveredou. Começou como corretor e no seu segundo ano de
trabalho conseguiu ganhar um milhão de dólares em comissões. Depois foi para o floor da New
York Cotton Exchange e em três anos e meio apenas registou um mês negativo. Em 1984,
porque estava prestes a perder a voz (um dos males dos "pit traders"), lançou o Tudor Futures
Fund, com 1.5 milhões de dólares sob gestão. Cada mil dólares investidos no fundo valiam no
fim de Outubro de 1988 17,482 dólares, sendo que a capitalização do fundo ascendia a 330
milhões de dólares. A mudança de corretor para "trader" deveu-se sobretudo ao facto de Paul
Tudor Jones se aperceber que existe um conflito de interesses entre o "broker" e o seu cliente. O
rendimento do corretor é proveniente das comissões que angaria e independentemente de o seu
cliente ganhar ou perder, o corretor ganha sempre. Jones não achava isto bem e não queria ser
compensado quando o seu cliente perdesse, daí a mudança para gestor de fundos. Como grande
parte do seu capital (85%) está também contido no fundo que gere, Paul Tudor Jones, a sua
performance individual estaria certamente bastante correlacionada com a performance do fundo.

Curiosamente, Paul Tudor Jones interessou-se pela primeira vez pelo "trading" quando
leu um artigo sobre Richard Dennis, o anterior entrevistado. Considerava que este último tinha o
melhor emprego do mundo e decidiu que era aquilo que iria fazer. Em 1976, quando terminou a
universidade pediu ajuda ao seu tio que negociava algodão, que por sua vez o apresentou a Eli
Tullis, um dos principais negociadores de contratos de futuros desta matéria-prima. Jones
recorda que foram os seus conselhos que o lançaram como trader. Com ele aprendeu "grandes
máximas" como por exemplo «o mercado "vai para onde quer" e não há nada que possas fazer
quanto a isso». Aprendeu também a transaccionar elevados volumes (ao contrário do que muitos
pensam, é mais complicado obter retornos percentuais maiores quando se transacciona maior
volume) e acima de tudo que, até certo ponto, os grandes traders são "contrarians" (assumem
posições inversas à maioria das pessoas) e fecham posições ganhadoras quando o mercado
parece melhor do que nunca. A este propósito, Jones aprendeu sobretudo a liquidar parte das
suas posições sempre abaixo de novos máximos e acima de novos mínimos, ou seja, a não
arriscar deixar grandes posições abertas para além destes pontos.

Quando questionada acerca da transacção de que melhor se recorda, Jones afirma que se
tratou de um perda. Ao fim de três anos e meio fez uma transacção na qual perdeu cerca de 60%

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do seu património. Com esta perda aprendeu duas grandes lições: nunca "brincar" com o
mercado e nunca arriscar tudo numa só transacção. Esta afirmação por parte de Jones mostra
algo particularmente incrível: que apenas ao fim de 3 anos e meio é que Jones se mentalizou que
teria de gerir o seu risco de forma mais adequada. A partida de então deixou de pensar em
quanto poderia ganhar com a abertura de uma posição "se a coisa corresse bem" e passou a
pensar em quanto é que poderia perder "se a coisa corresse mal". Mudou também o estilo de
"trading" passando a ter posições abertas durante menos tempo e passou também a diversificar
bastante, apostando cada vez menos capital numa ideia de trading. Passou a incrementar
posições ganhadoras e a cortar posições compradoras. Considera aliás, que o maior erro que um
trader pode cometer é fazer preços médios com posições perdedoras. Outra coisa que não faz é
transaccionar em situações nas quais não tem ideia qual a direcção que o mercado vai seguir.
Por exemplo, não abre posições antes da divulgação de importantes relatórios
macroeconómicos. Para Jones, isso é jogar e não transaccionar. Outro aspecto importante é estar
confortável com as posições que se tem abertas, independentemente de serem ganhadoras ou
perdedoras. Se de facto, tal acontecer, "mais vale sair", afirma o entrevistado. Esta forma de
estar no mercado mostra claramente um dos traços que melhor define Paul Tudor Jones: o de
trader que não tem qualquer laço de lealdade às suas posições no mercado. O próprio considera
que esse é um dos seus principais pontos fortes. Na sua auto-avaliação, o mesmo acrescenta
ainda o seu desprendimento relativamente à performance passada como ponto forte. Não perde
tempo a pensar na perda que "obteve há três segundos atrás, ou seja, tenta evitar qualquer
envolvimentoa nível emocional com o mercado e tenta evitar que as suas ideias de trading em
determinado mercado sejam influenciadas por juízos sobre a sua performance passada no
mesmo mercado.

Ao contrário da opinião geral dos grandes traders, Jones considera que a melhor altura
para ganhar dinheiro no mercado é nos momentos de inversão e não em períodos de tendência.
Isto porque, de acordo com o entrevistado, os mercados estão em tendência apenas 15% do
tempo. Esta é uma das razões porque não se considera um "trend follower". Outra é o facto de
ter de utilizar stops muito afastadas do preço da abertura de posição, situação na qual se sente
desconfortável. Por ter esta atitude claramente contrária ao consenso geral, Jones conseguiu
prever com exactidão o crash de Outubro de 1987. Desde meados de 1986, a sua firma tinha
planos de contigência para um crash. Os primeiros sinais de que as suas posições curtas no
mercado accionista estavam correctas surgiram quando na sexta-feira 16 de Outubro o mercado
encerrou em baixa com um volume muito elevado e foram posteriormente confirmadas quando
o secretário de Estado James Baker afirmou que os EUA não defenderiam o dólar nos mercados
cambiais no fim-de-semana. Na segunda-feira 19 de Outubro de 1987 chegou ao seu escritório e
tinha a certeza que o mercado se iria afundar. Tinha razão. O retorno de 62% que obteve nesse
mês é, a todos os títulos, extraordinário.

Os feiticeiros do Mercado - Gary Bielfeldt


O protagonista da quinta entrevista do livro de Jack Schwager, Gary Bielfeldt, esteve
prestes a ser excluído da lista de elegíveis para o livro, sobretudo pelo seu carácter introvertido,
que condicionou o conteúdo e tempo das suas respostas. No entanto, o entrevistador acabou por
incluir o material da entrevista no livro, pois considerou a história deste trader extremamente
interessante. Por diversas vezes, Bielfeldt já tinha ouvido falar de BLH como um dos maiores
"jogadores" no mercado de futuros, particularmente no de T-Bonds (obrigações do tesouro
norte-americanas). Sempre pensou que BLH seria uma firma de tradingmas mais tarde veio a
descobrir que era a forma como Bielfeldt era conhecido no mercado.

O entrevistado é aquilo que pode ser encarado como a personificação do "American


Dream". Começou a transaccionar futuros nos anos 60 com um capital inicial de apenas 1,000
dólares, um valor tão baixo, que apenas se podia dar ao luxo de transaccionar 1 contrato de cada
vez (futuros de milho, o mais pequeno entre os diversos contratos de futuros de cereais).

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Tornou-se um dos maiores traders de T-Bonds do mundo devido a série de circunstâncias
extraordinárias. Antes de mais importa realçar que este trader de excepção não acredita em
diversificação, isto é, a especialização e o profundo conhecimento de um mercado é a base da
sua filosofia de trading. Tornar-se um perito em determinado mercado e concentrar todo o
estudo e energias no mesmo é, portanto, a primeira condição para o sucesso. Durante os
primeiros anos todos os mercados de futuros relacionados com a soja (refeição, óleo e sementes)
foram a sua área de especialização. Apesar de pretender dedicar-se exclusivamente ao trading, o
seu capital inicial não lho permitia e nos primeiros anos desenvolvia uma actividade paralela de
corretagem. Assim, o seu problema era "como é que posso ganhar dinheiro suficiente para me
dedicar a tempo inteiro a isto?" Em 1965, abriu uma enorme e imprudente posição longa em
futuros de sementes de soja, pois acreditava que se estava a desenvolver uma escassez no
mercado. Na altura aplicou 10,000 dólares em margens, o que lhe possibilitou a compra de 20
contratos. Um quebra de apenas 10 cêntimos na cotação levaria imediatamente à perda de todo o
seu capital inicial e uma quebra ligeiramente menor levaria ao accionar da "margin call"
(encerramento automático devido à necessidade de reposição da margem inicial) e ao
consequente depauperar da sua conta. Incialmente, os preços chegaram a cair mas a "margin
call" não chegou a ser accionada. e eventualmente, os preços acabaram por subir. Quando
encerrou a sua posição, tinha duplicado o seu capital e passou a dedicar-se exclusivamente ao
trading.

Durante quinze anos a sua conta cresceu consistentemente e no início dos anos 80, o
mercado de soja já se tornava demasiado pequeno para as posições que abria, pois existe um
limite máximo de 600 posições. Em 1983 este facto em conjunto com uma má transacção
levaram Bielfeldt a mudar-se "de armas e bagagens" para o maior e mais líquido mercado de
futuros do mundo, o das obrigações do tesouro norte-americanas (T-Bonds), no qual a posição
limite ascendia a 10,000 contratos. O timing desta mudança foi fulcral para o seu sucesso, pois
coincidiu com o desenvolvimento de um fundo no mercado obrigacionista. Bielfeldt
considerava que esse fundo estava próximo e começou a tentar apanhá-lo quando os as
obrigações cotavam entre os 63 e 66 dólares. Sempre que abria uma posição longa colocava
uma stop de protecção um dólar e meio abaixo (caso fosse despoletada perdia em cada contrato
cerca de 1,500 dólares) e tendo em conta que as T-Bonds desceram até a um mínimo de 55
USD, o período de tentativa de "apanhar o fundo" acabou por ser um período de algumas
perdas. No entanto, a sua perspectiva era correcta e quando em 1984 o mercado das T-Bonds
explodiu, Bielfeldt estava perfeitamente posicionado para apanhar o uptrend que se seguiu e que
durou até 1986. Foi construindo uma posição longa muito grande e a sua perspectiva de longo
prazo permitiu-lhe obter uma mais-valia muito superior à que uma grande parte dos seus colegas
conseguiria. Foi a sua melhor transacção e transportou-o para um novo estrato, ao nível dos
grandes investidores institucionais.

Bielfeldt desenvolveu o seu próprio sistema de tranding (que privilegia os sinais de


saída de determinada posição), mas prefere sempre seguir o seu julgamento. Considera que os
bons sistemas de trading são desenhados tendo em vista uma perspectiva de médio/longo prazo,
o que não acontece na grande maioria, que despoleta sinais a mais, tornando incomportáveis os
custos de transacção (comissões). Gary Bielfeldt afirma mesmo que o erro mais cometido pelos
traders o "overtrade", o que significa que têm de estar correctos muitas vezes só para cobrirem
as comissões. Na sua opinião, as principais características de personalidade de um trader de
sucesso são disciplina, paciência, coragem (para assumir posições muitas vezes contrárias à
prevalecente no mercado) e predisposição/disponibilidade para assumirem perdas.

No final da entrevista, Bielfeldt fez uma interessante analogia entre transaccionar e


jogar poker. No poker deve-se jogar tendo em mente o conceito das probabilidades. Nunca se
devem jogar todas as "mãos" porque se se o fizer existirá uma maior probabilidade de perder.
Devem-se jogar apenas as boas "mãos" e sair do jogo quando as "mãos" são más (assumindo a
perda correspondente à aposta de abertura. Quanto maior for o número de cartas em jogo quanto
mais forte for a nossa "mão", maior é a probabilidade de se ganhar. É nestas alturas que se deve

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subir a nossa aposta até ao máximo possível. De acordo com o entrevistado se se aplicar este
princípio ao trading, podemos aumentar as nossas probabilidades de sucesso. Paciência é
necessária para esperar pela oportunidade ideal para entrar no mercado (é necessário esperar
pela mão boa). Se uma uma transacção (mão) não se revelar correcta é melhor sair e assumir
uma pequena perda (sair e assumir a perda da aposta inicial). Por outro lado, quando parece que
a abertura de posição foi correcta (quando a mão é boa) deve-se ser agressivo e e construir uma
posição de forma a alavancar ao máximo o ganho potencial (deve-se subir a aposta ao máximo
de forma que se a nossa mão é realmente a melhor da mesa, o nosso ganho seja o maior
possível).

Os feiticeiros do mercado - Ed Seykota


Ed Seykota é, hoje em dia, um nome quase mítico no mundo financeiro norte-
americano, mas nem sempre foi assim. Na altura em que Jack D. Schwagger resolveu fazer o
livro, Seykota nem sequer constava da lista de pré-candidatos. No entanto, os elogios que
Michael Marcus lhe fez, levaram Schwagger a entrar em contacto com este trader licenciado em
engenharia eléctrica no prestigiado MIT.

O entrevistado é um analista técnico puro, que desenvolveu o primeiro sistema de


trading completamente computorizado. Interessou-se pelo trading no fim da década de 60,
quando soube que o tesouro norte-americano iria deixar de vender prata. Decidiu comprar prata
pois considerava que o preço desta iria subir. Para isso, optou por abrir uma conta de futuros de
forma a alavancar ao máximo a sua ideia. No entanto, logo após a compra dos contratos de
futuros de prata, o preço deste metal começou a cair e chegou rapidamente à sua stop de
protecção. Com este primeiro falhanço, Ed Seykota aprendeu rapidamente a forma como o
mercado desconta as notícias. A partir dessa altura ficou cada vez mais fascinado pelos
mercados e depois de testar, através de um programa de trading, a teoria de que os seguidores de
tendência batem o mercado, decidiu dedicar-se ao estudo e transacção nos mercados financeiros
e de commodities.

Nos primeiros tempos, devido ao seu grau no MIT, conseguiu imediatamente um lugar
como analista numa corretora de Wall Street. No entanto, este emprego não durou muito. Para
além de não lhe ser permitido o seu acesso aos computadores da empresa, desaprovava a postura
da gestão da corretora, que pressionava os analistas a fazerem recomendações, mesmo quando
não existiam oportunidades nos mercados. Quando saiu foi trabalhar para uma corretora em
processo de reestruturação. Como o seu objectivo era, acima de tudo, estar envolvido no mundo
financeiro, aceitou um mero trabalho de ajuda administrativa: era responsável pela troca do
papel da máquina da Reuters e pela distribuição das notícias pelos traders e analistas. Durante
seis meses, foi para a empresa nos fins-de-semana e utilizava os computadores da mesma para
testar os seus sistemas de trading. O seu sistema acabou por ser adoptado pela corretora e
tornou-se no primeiro sistema de trading a ser utilizado em larga escala (geria vários milhões de
dólares). No entanto, a sua performance era prejudicada pelas segundas opiniões dos analistas e
traders da corretora. Este facto desagradava a Seykota e começou a ponderar a sua saída. A
"gota de água" foi o facto de a administração da corretora lhe ter pedido para redesenhar o seu
sistema de forma a que este gerasse mais sinais (o que se traduziria em mais comissões). Depois
de abandonar o departamento de investigação, durante dois anos dedicou-se à actividade de
corretor. Em 1972 enveredou definitivamente pela gestão de dinheiro, com o objectivo de
maximização de lucros em mente, por oposição à maximização das comissões. Não deixou de
utilizar o seu sistema de trading, cuja performance é absolutamente espantosa. Quem, em 1972,
tivesse investido 5 mil dólares, ver-se-ia na posse de 15 milhões de dólares em 1989, ou seja,
teria ganho qualquer coisa como 3000%. Se a este montante fossem adicionados os montantes
entretanto levantados, o retorno seria substancialmente maior. Seykota não geriu apenas
dinheiro seu, mas também não o fez para muita gente. Seleccionou 6 pessoas no início dos anos
70, sendo que dessas seis restam 4. Dos dois que resolveram levantar o seu dinheiro, um foi

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para casa com 15 milhões de dólares e dedicou-se sozinho à sua gestão e o outro, com os 10
milhões de dólares que ganhou, comprou uma casa de praia e reformou-se.

É incrível a simplicidade do seu primeiro gerador de sinais, qualquer coisa como o


cruzamento de duas médias móveis exponenciais de períodos diferentes. Quando a média móvel
exponencial de período mais curto cruzava a média móvel exponencial de período mais longo,
comprava. Caso contrário, vendia. Apesar de acreditar em sistemas de trading automáticos,
Seykota considera que o trader tem sempre poder discricionário, mesmo no caso em que opta
por utilizar o sistema. Isto porque há que tomar um série de decisões - quanto arriscar, que risco
aceitar, que mercado transaccionar e quão agressivo vai ser o aumento ou diminuição das
posições base - que são, muitas vezes, tão ou mais importantes que o timing da entrada ou saída.
Ed Seykota continua a acreditar nos sistemas de trading que seguem a tendência, apesar de ser
cada vez maior o número de pessoas que os utiliza. Vê, também, com algum cepticismo a
análise fundamental - chama àquilo que usualmente consideramos os dados fundamentais de
"funny-mentals" e "surprise-a-mentals".

Ed Seykota segue uma metodologia de trading bastante simples, constituída por três
fases:
1 - Análise da tendência de longo prazo
2 - Análise da tendência de curto prazo
3 - Escolha de um ponto de entrada em sintonia com a análise de tendência de longo
prazo

Precisamente por ser um "trend-follower", Seykota teve um mau ano em 1980, pois o
"bull market" que durou na década precedente terminou precisamente nesse ano. Os mercados
caracterizavam-se pela enorme volatilidade e a tentativa de os transaccionar revelou-se um erro.
O trader associa as suas piores transacções a alturas em que estava emocionalmente envolvido
nas posições que detinha. Sentimentos como orgulho, esperança, medo ou ganância estarão
sempre ligados aos seus maus períodos. Para o entrevistado, quem conseguir evitá-los, será
sempre um trader melhor.

Para o entrevistado, a regra essencial quando se opta por este estilo de vida é: cortar
perdas, cortar perdas, cortar perdas. A seguir a estas vêm as habituais "deixar fluir os ganhos",
"manter as apostas pequenas", "seguir as regras sem dúvidas" e "ter a certeza do que se está a
fazer quando se desrespeitam as regras". Apesar destes conselhos, Ed Seykota acredita que, tal
como algumas pessoas têm um dom para a música ou para a pintura, também para se ser um
bom trader, é necessário um dom. É, portanto, difícil "adquirir" talento para esta actvidade,
segundo o entrevistado. Por pensar assim, o seu principal conselho para o trader mediano ou
mau é: "Encontre alguém muito melhor do que você para gerir o seu dinheiro e fazer aquilo que
realmente gosta de fazer." Para Seykota "Um mau trader não pode fazer muito para se
transformar num bom trader. Um mau trader resiste à mudança. A vontade/disponibilidade para
mudar está, apenas, ao alcance do bom trader."

Os feiticeiros do Mercado - Larry Hite


Larry Hite é o exemplo do indivíduo que levou algum tempo a descobrir qual era o seu
verdadeiro interesse - mercados financeiros. Antes de fazer do trading o seu sustento,
desempenhou inúmeras profissões, desde actor a argumentista. Certo dia, ouviu H. L Hunt a
explicar, num programa de rádio, como havia feito a sua fortuna comprando opções de compra.
A escolha de opções como instrumento financeiro possibiliva a obtenção de avultados lucros,
com risco mínimo. Nessa mesma noite, Hite conheceu Brian Epstein, o "manager" dos Beatles.
Ao lembrar-se das declarações de Hunt, Hite deu consigo a pensar: "Aqui está uma profissão
(empresário de grupos de música), que tem potencila de gerar muito dinheiro com investimento
mínimo." A partir daí dedicou-se a esta profissão, mas mais uma vez, o seu sucesso foi limitado.

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A pergunta que ocorre imediatamente é: "Como é que um actor-argumentista-
empresário de bandas acaba como trader?" O seu interesse pelos mercados financeiros nasceu
na universidade. Um dos seus professores apresentava em certa aula, os diversos instrumentos
financeiros. Depois de falar dos mercados accionista e obrigacionista, introduziu o mercado de
futuros da seguinte forma: «Bem, agora chegamos ao mercado mais louco de todos - o mercado
de "commodities" (na altura sinónimo de mercado de futuros) - é "constituído" por pessoas que
pagam 5% (as margens) do valor do activo e a maior parte dessas pessoas pede dinheiro
emprestado para o fazer.» Ao contrário da maioria dos seus colegas, Hite não se riu após esta
frase e achou que a ideia fazia todo sentido. Em 1968, depois de anos a saltar de carreira em
carreira, decidiu dedicar-se à transacção de futuros. No entanto, nada sabia sobre mercados
financeiros e decidiu começar como corretor. Logo na primeira entrevista de emprego, deparou-
se com um interlocutor que declarou que a firma só comprava "blue chips". Na altura não estava
familiarizado com o conceito, mas quando soube que se tratava da mais cara ficha do casino de
Monte Carlo e que se atribuía esse nome às acções das mais sólidas empresas, deitou fora o
livro "Principles of Security Analysis" (considerado por muitos a bíblia do analista de acções) e
comprou "Beat the Dealer". Ficou, desde então, com a ideia que o investimento com sucesso era
apenas uma questão de probabilidades e que se fosse possível descobrir essa probabilidade,
poder-se-iam encontrar métodos de bater o mercado. De acordo com o entrevistado, isto
acontece porque os mercados são ineficientes. Ironicamente, Hite afirma que toda a gente que
conhece que acredita no contrário, é pobre.

Este excepcional trader acredita piamente no trading computorizado e confia


plenamente no sistema que desenvolveu. Confrontado com perguntas do género "Não é chato
estar à espera dos sinais?", responde simplesmente "Não transacciono por excitação,
transacciono para ganhar". Larry Hite é um trader que privilegia a gestão do risco e não a gestão
de activos, isto é, não importa qual o mercado que está a transaccionar, mas sim o risco. É
indiferente transaccionar café, petróleo, ouro, acções, milho, câmbios ou carne de porco; Hite
apenas transacciona dinheiro, não mercados. As principais regras pelas quais se rege e cumpre
sempre são:

1 - Respeitar sem qualquer dúvida os sinais do sistema de trading e apenas arriscar


perder 1% do dinheiro investido (i.e. coloca a stop de protecção a 1% do preço de compra). Ao
arriscar 1%, Hite fica indiferente a qualquer transacção individualmente.

2 - Nunca ir contra a tendência.

3 - Diversificar, quer em termos geográficos, quer em termos de activos


transaccionados, quer em termos de período (usar diferentes sistemas conforme a perspectiva
temporal do investimento).

4- Nunca transaccionar em mercados muito voláteis.

Hite resume a sua postura utilizando uma analogia com um semáforo:


Sinal verde: todos os sinais são transformados em transacções;
Sinal amarelo: liquidam-se algumas posições de acordo com os sinais, mas não se
abrem novas posições;
Sinal vermelho: liquidam-se automaticamente todas as posições e não se abrem novas
posições.

Hite ilustra com um exemplo: Em 1986, quando o café subiu de 1.30 para 2.80
dólares/bushell e recuou novamente para 1 dólar, Hite liquidou a sua posição longa durante a
subida do preço quando o bushell de café cotava nos 1.70 dólares e ficou fora do mercado o
resto da subida e toda a descida do preço. Apesar de ter perdido algum lucro adicional, estar
fora do mercado em situações análogas, permitiu que a sua empresa, a Mint Investment

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Management Company, mantivesse um apertado controlo do seu risco. Esta postura avessa ao
risco, permitiu que a Mint registasse entre Abril de 1981 e Junho de 1988 um retorno médio
anual superior a 30% (+13% no mínimo e +60% no máximo). A maior perda num período de 6
meses (qualquer) foi de 15% e a sua maior perda num período de 12 meses (qualquer) foi de
apenas 1%. Em termos absolutos, a Mint iniciou a gestão de um fundo de futuros com 2 milhões
de dólares. Sabemos hoje que este fundo chegou a ultrapassar os mil milhões de dólares. Hite
acredita que é essencial respeitar o risco e nunca ir contra o mercado. Conta duas histórias sobre
pessoas que conheceu que não o fizeram e que se arrependeram. Tinha um amigo que conseguiu
fazer uma fortuna como arbitragista e que comprou um palácio em Inglaterra. A partir de então
instalou-se e dedicou-se ao trading, tendo desenvolvido um sistema. Certo dia, numa conversa
com Hite afirmou: "O meu sistema de trading despoletou um sinal de venda em ouro, mas não
me parece correcto e não vou respeitá-lo; de qualquer forma, metade dos sinais que o sistema dá
estão errados, portanto...". Hite instou-o a encerrar a posição, o que não fez, tendo até
incrementado a posição longa. Perdeu tudo o que tinha ganho e nunca mais transaccionou na
vida. Outro exemplo do perigo que há em não respeitar os sinais é o de um primo. Esse primo
transformou 5,000 dólares em 100,000 dólares a transaccionar opções. Hite perguntou-lhe, certo
dia, como tinha conseguido. "É muito fácil", respondeu, "compro uma opção e quando sobe vou
incrementado a posição. Se o preço baixar, só liquido a posição quando volta ao preço original".
Hite respondeu-lhe que a sua estratégia não iria resultar no longo prazo. Tinha razão...

As 10 regras de ouro de um investidor sensato


1. Em mercados «bullish», um investidor deve manter posições «long». Apesar desta
regra de ouro ser evidente, a realidade é que muitos investidores fecham as posições «long» ao
primeiro sinal que o rally está a desvanecer-se. O argumento que geralmente sustenta esta
postura é que o mercado foi longe demais, muito rapidamente («too far, too fast»). A realidade é
que na maior parte dos casos os investidores perdem uma excelente oportunidade de ir
engordando os lucros à medida que o mercado «bullish» se vai desenvolvendo.

2. Um investidor deve sempre investir nos títulos que mostram mais força em
detrimento das acções que dão sinais de fraqueza. Muitas vezes os «traders» amadores investem
em títulos que estão em queda na esperança que a tendência inverta. O problema é que muitos
dos casos, o segredo é comprar caro e vender ainda mais caro.

3. Quando acontecem correcções menores num mercado com a tendência bem definida,
não tenha medo em reforçar a sua posição. Por exemplo, se acontecer uma pequena correcção
numa acção que tem em carteira, e que se encontra numa tendência de subida bem definida, não
hesite e reforce a sua posição.

4. Um dos grandes segredos dos traders mais bem sucedidos é a PACIÊNCIA. Se falhar
o tempo de entrada numa dada acção, não desespere porque outras oportunidades hão-de surgir.

5. Um dos grandes segredos dos traders mais bem sucedidos é a PACIÊNCIA. A partir
do momento em que define uma posição «short» ou «long» num dado título, dê tempo ao tempo
ainda que o lucro não surja imediatamente. O que importa é que as razões que motivaram o
negócio se mantenham.

6. Um dos grandes segredos dos traders mais bem sucedidos é a PACIÊNCIA. Os


investidores menos experientes tendem a fechar posições mal estejam numa posição ganhadora,
ainda que o lucro seja pequeno. Nunca se esqueça que o lucro a sério é conseguido em 2 a 3
negócios por ano. Tem que ser paciente e esperar que cada negócio se torne num grande
negócio.

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7. Não abra uma posição numa dada acção até que a análise técnica e a análise
fundamental da empresa estejam de acordo.

8. Sempre que registe avultadas perdas em negócios sucessivos, meta férias. A


tendência natural de um investidor amador numa situação destas é a de continuar a transaccionar
por forma a recuperar as perdas. Descanse e tente encontrar as razões que estiveram por detrás
das perdas registadas.

9. Sempre que registe fortes ganhos em negócios sucessivos, não hesite e continue a
transaccionar, se possível arriscando ainda mais capital. No basquetebol chama-se a isto «ter a
mão quente».

10. Os mercados chegam ao topo com grande volatilidade. Os mercados formam os


mínimos com grande calma.

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