Faculdade de Tecnologia
Engenharia de Telecomunicações
1 Introdução .................................................................................................................... 1
1.7 Difração.............................................................................................................. 12
3.1 Método de medição do diâmetro modal pela técnica da abertura variável .................... 48
8.1 Efeito de concatenação da largura de banda em fibras ópticas multimodo ................. 112
1 Introdução
Um sistema de comunicação transmite informação de um lugar a outro, estejam eles
separados por alguns poucos quilômetros ou por distâncias transoceânicas. Informação é,
muitas vezes, transportada por uma onda portadora eletromagnética, cuja frequência pode
variar de poucos megahertz a várias centenas de terahertz. Sistemas de comunicação óptica
usam portadoras de alta frequência (~100 THz) na região visível ou próxima do
infravermelho do espectro eletromagnético. Tais sistemas são, às vezes, denominados
sistemas de ondas luminosas, a fim de distingui-los de sistemas de micro-ondas, cuja
frequência portadora é tipicamente cinco ordens de magnitude menor (~ 1 GHz). Sistemas
de comunicação por fibra óptica são sistemas de ondas luminosas que empregam fibras
ópticas para a transmissão de informação. Eles são desenvolvidos ao redor do mundo desde
1980, e revolucionaram o campo das telecomunicações. De fato, a tecnologia de ondas
luminosas, aliada à microeletrônica, levou ao advento da "era da informação" na década de
1990.
Se interpretarmos comunicação óptica em um sentido amplo, veremos que o uso da luz para
propósitos de comunicação data da antiguidade. A maioria das civilizações usou espelhos,
fachos de fogo ou sinais de fumaça para transmitir uma única peça de informação (como
vitória em uma guerra). Essencialmente, a mesma ideia foi usada até o fim do século XVIII
por meio de lâmpadas, bandeiras e outros dispositivos semafóricos de sinalização. A ideia
foi estendida ainda mais, seguindo uma sugestão de Claude Chappe, em 1792, para a
transmissão mecânica por longas distâncias (-100 km) de mensagens codificadas, utilizando
estações retransmissoras intermediárias, que atuavam como regeneradores ou repetidores, na
linguagem da atualidade. A Figura 1 mostra esquematicamente a ideia básica. O primeiro
deste "telégrafo óptico" foi posto em serviço entre Paris e Lille (duas cidades francesas
distantes 200 km uma da outra) em julho de 1794. Em 1830, a rede se expandira por toda a
Europa [1]. O papel da luz em tais sistemas era simplesmente o de tornar visíveis os sinais
codificados, de modo que pudessem ser interceptados pelas estações retransmissoras. Os
2
Estes elementos incluem uma fonte de informação que gera as mensagens a ser transmitido,
um emissor de sinal (transmissor) que acopla a mensagem a um meio de transmissão (canal)
e um receptor de sinal para receber as mensagens e entregá-las ao destinatário. O canal é o
meio que conecta o transmissor ao receptor e pode corresponder a um fio, a um guia de onda
ou à própria atmosfera. Quando o sinal atravessa o canal ele é progressivamente atenuado e
distorcido com a distância devido a ruídos do meio. A função do receptor é extrair o sinal
enfraquecido e distorcido, amplificá-lo e recuperá-lo antes de enviá-lo ao destinatário.
telefone, por Alexandre Graham Bell em 1875, a distância alcançada pela voz humana
estava limitada pela potência da voz do locutor e pela sensibilidade auditiva do ouvinte.
Apesar dos grandes avanços na tecnologia das telecomunicações os princípios de
transmissão a longas distâncias, continuam sendo o mesmo: Converte-se o sinal de voz em
sinal elétrico. A pequena potência de voz do locutor é transformada em energia elétrica no
ponto inicial de transmissão. Esta energia pode ser amplificada, digitalizada sendo
transmitida até o ponto final por diversos meios: espaço livre (wireless), linha de
transmissão (cabo coaxial, fibra óptica, fios metálicos, etc), onde é novamente transformada
em energia sonora. A descoberta do telégrafo por Samuel F. B. Morse em 1844 deu início à
era das comunicações elétricas. O uso de cabos para transmissão de informação expandiu
com a instalação da primeira central telefônica em 1878. Os cabos eram o único meio
utilizado em telecomunicações até a descoberta da radiação eletromagnética de longos
comprimentos de onda por Heirich Hertz em 1887. Hertz comprovou experimentalmente a
teoria ondulatória, usando um circuito oscilador.
Em 1672, o físico inglês Isaac Newton apresentou uma teoria conhecida como modelo
corpuscular da luz. Nesta teoria a luz era considerada como um feixe de partículas emitidas
por uma fonte de luz que atingia o olho estimulando a visão. Esta teoria conseguia explicar
muito bem alguns fenômenos de propagação da luz.
Na segunda metade do século XIX, James Clerk Maxwell, através da sua teoria de ondas
eletromagnéticas, provou que a velocidade com que a onda eletromagnética se propagava no
espaço era igual à velocidade da luz. Maxwell estabeleceu teoricamente que a luz é uma
modalidade de energia radiante que se propaga através de ondas eletromagnéticas. Quando
parecia que realmente a natureza da luz era onda eletromagnética, essa teoria não conseguia
explicar o fenômeno de emissão fotoelétrica, que é a ejeção de elétrons quando a luz incide
sobre um condutor.
4
Einstein usando a idéia de Planck (1900) mostrou que a energia de um feixe de luz era
concentrada em pequenos pacotes de energia, denominados fótons, que explicava o
fenômeno da emissão fotoelétrica. A natureza corpuscular da luz foi confirmada por
Compton (1911). Verificou que quando um fóton colide com um elétron, eles se comportam
como corpos materiais.
Num sentido bastante amplo uma onda é qualquer sinal que se transmite de um ponto a
outro de um meio com velocidade definida. A distância entre dois máximos sucessivos de
uma onda é denominada comprimento de onda λ (Figura 3) e ele pode ser visto como o
espaço percorrido durante um período T . Então a velocidade v da onda pode ser dada por:
λ
v= (1.1)
T
1 c
f = = (1.2)
T λ
Observando a equação (1.2) vemos que quanto maior a frequência, menor o comprimento
de onda e vice-versa. No vácuo a velocidade da luz c é:
c = 2,9979 × 108 m / s
Quando a luz passa de um meio para outro, sua velocidade aumenta ou diminui devido às
diferenças das estruturas atômicas dos dois materiais, ou de seus índices de refração. O
5
índice de refração absoluto de um meio pode ser obtido experimentalmente e é dado pela
relação:
c
n= (1.3)
v
v1 n2
= (1.4)
v2 n1
n2 v1 λ1
= = (1.5)
n1 v2 λ2
O índice de refração de uma substância difere para as várias cores que compõem a luz
branca. Este fato pode ser facilmente demonstrado pela conhecida experiência do prisma.
Um estreito feixe de luz branca, incidindo sobre a parede de um prisma de vidro ou de
6
O meio de transmissão usado neste espectro inclui guias de ondas para microondas, ondas
de rádio, fios metálicos, etc. Entre os sistemas de comunicação mais comuns que utilizam
estes meios está o telefone, radio AM e FM, televisão, enlaces de satélites, radar, etc. A
frequência destas aplicações variam de 300 Hz na faixa de áudio até 90 GHz na faixa de
7
As fontes de luz utilizadas nas fibras ópticas possuem comprimentos de onda, acima de 850
nm, ou seja, na região de radiação infravermelha, que é invisível ao olho humano. Similar ao
espectro de rádio frequência, na faixa óptica, dois meios de transmissão podem ser usados: o
atmosférico e o de ondas guiadas. No meio atmosférico temos a tabela 2 que fornece a
classificação de cada faixa:
· LF: Para esta faixa, até 100kHz, é empregado o mecanismo de reflexão ionosférica, muito
embora a atenuação da onda seja maior que a observada na faixa VLF.
· HF: Para essa faixa o mecanismo de propagação mais utilizado é o da refração ionosférica,
sendo que em regiões mais próximas do transmissor ainda permanece a presença das ondas
de superfície.
· VHF, UHF e SHF: Sistemas de propagação em visibilidade, uma vez que as antenas
permitem focalizar as ondas, diminuem a influência do terreno na energia propagada.
Utiliza-se também do fenômeno da difração, pois na faixa de VHF já não se torna mais
possível o uso da refração ionosférica, uma vez que as ondas não retornam à superfície
terrestre.
O grande interesse das comunicações ópticas está na é devido à ordem das frequências que
são utilizadas (5 x 1014 Hz), o que corresponde a capacidade de transporte de informação
superior aos sistemas de microondas por um fator de 105.
A partir de um ponto luminoso, infinitos raios de luz são emitidos em todas as direções
(Figura 6). Decorrido um período de tempo, estes raios terão percorrido uma distância a
partir de sua origem. A linha ou superfície que une ou contém as extremidades destes raios
denomina-se superfície de velocidade de onda ou frente de onda. Assim, em um meio
isotrópico, onde a velocidade da luz é igual em todas às direções, a superfície de onda em
qualquer instante será esférica. Observe que uma onda se propaga na direção do raio, mas a
frente de onda avança na direção da normal à onda.
As ondas eletromagnéticas radiadas por uma pequena fonte de luz podem ser representadas
por frentes de onda que são superfícies esféricas concêntricas (centros coincidentes) à fonte
e a uma distância grande da fonte, como superfícies planas (Figura 6).
Como todo o espectro eletromagnético, a luz é uma forma de energia radiante, que apresenta
natureza tanto ondulatória quanto corpuscular. No presente caso, a luz será tratada como
uma onda em movimento harmônico contínuo, representada por sua componente elétrica,
magnética, conforme ilustra a Figura 7.
Figura 8 - Uma onda eletromagnética é uma onda propagante onde os campos elétrico
e magnético variam no tempo, são perpendiculares entre si e à direção de propagação.
A frequência das oscilações não muda quando as ondas passam através de diferentes meios,
ou seja, quando um raio de luz sofre refração poderá haver mudanças em sua velocidade
e/ou em seu comprimento de onda, mas nunca na frequência.
11
Figura 9 - Reflexão.
θi = θ r (1.6)
Através do Princípio de Huygens também é possível afirmar que quando um raio de luz
atinge uma superfície que separa dois meios com índices de refração diferentes, parte da luz
é refletida e a outra penetra no meio sendo desviada ou refratada, assim como ilustra a
Figura 9.
12
Figura 10 – Refração.
Esta expressão mostra que a relação entre as velocidades das ondas em meios com índices
de refração diferentes é proporcional à relação entre os senos dos ângulos dos raios
incidentes e refratados. Assim, se o ângulo de incidência θ1 for zero, θ 2 também será zero,
ou seja, a luz incidindo normalmente sobre uma superfície plana não será refratada.
Por outro lado, se a luz incide obliquamente sobre um sólido opticamente mais denso, ou
com maior índice de refração, o raio refratado se aproximará da normal e passará a se
propagar com uma velocidade menor do que aquela em que vinha se propagando no outro
meio.
1.7 Difração
Difração é um processo que faz com que a luz mude de direção sem a mudança de meio de
propagação como ocorre na refração. A difração ocorre quando a frente de onda da luz passa
13
De acordo com a equação (1.7) se n1 for maior que n2 a relação n2 / n1 será sempre menor
Por outro lado, se o meio de incidência do raio de luz tiver um índice de refração n1 menor
que n2 , a relação n2 / n1 será sempre maior do que 1,0 e, o ângulo refratado, será sempre
maior que o ângulo incidente. Portanto para que haja refração, há necessidade que o ângulo
θ1 seja tal que leve θ 2 ser menor do que 90o, ou seja, que senθ 2 < 1 .
Nesse caso, existe uma situação limite para a refração onde um raio incidente com um
determinado ângulo menor que 90o, conhecido como ângulo crítico θc , implicando num raio
refratado que se propaga paralelamente à superfície entre os dois meios dielétricos. Então de
acordo com a lei de Snell:
n2
senθ c = (1.8)
n1
Qualquer raio incidente com um ângulo superior ao ângulo crítico não será mais refratado,
mas refletido totalmente. Esse efeito de reflexão interna total é o mecanismo básico de
propagação da luz em fibras ópticas.
14
1.9 Problemas
2) Calcule a distancia de transmissão em que a potência Óptica será atenuada por um fator
de 10, considerando três fibras ópticas com perdas de 0,2, 20 e 2.000 dB/km.
Assumindo que a potência óptica decaia com exp(-αL), calcule a (em cm-1) para as três
fibras.
3) Assuma que um sistema de comunicação digital seja operado a uma taxa de bits de até
1% da frequência portadora. Quantos canais de áudio de 64 kb/s podem ser transmitidos
por uma portadora de micro-ondas de 5 GHz e por uma portadora óptica em 1,55 µm?
7) Para uma sequência de bits digitais NRZ 010111101110, esboce um gráfico da variação
da potência óptica com o tempo, assumindo urna taxa de bits de 2,5 Gb/s. Quais são as
durações dos pulsos ópticos mais curto e mais longo?
8) Um sistema de comunicação por fibra óptica transmite sinais digitais por 100 km, a 2
Gb/s. O transmissor lança 2 mW de potência média na fibra óptica, que tem perda
média de 0,3 dB/km. Quantos fótons incidem no receptor durante um bit 1? Assuma que
os bits O não transportem potência, enquanto os bits 1 têm a forma de pulso retangular
que ocupa todo o bit slot (formato NRZ)
9) Como você esperaria ser a dependência do índice de refração das substâncias como
função das suas densidades de massa?
10) Qual deve ser a direção do raio refratado se o raio incidente for normal à superfície da
amostra? Justifique o fato utilizando a lei de Snell.
11) Quando um feixe de luz vermelha, tal como um laser de He-Ne (λ=633nm), é refratado
por um meio de índice de refração maior, qual deve ser sua cor nesse meio? Justifique
sua resposta.
12) É possível haver reflexão total quando o raio de luz passa de um meio menos
refringente para um outro mais refringente? Justifique o fato utilizando a lei de Snell.
15
13) No verão, é possível que ocorra chuva e sol ao mesmo tempo. Nessa situação
observamos as faixas coloridas na atmosfera conhecidas como arco-íris. Justifique esse
fenômeno com base no efeito da dispersão e da reflexão total.
14) Em dias quentes, as pessoas têm a impressão de ver poças de água no asfalto de uma
estrada. Esse fenômeno é conhecido como Miragem. Justifique esse fenômeno com base
na lei de Snell.
15) Dê um exemplo de instrumento óptico que utiliza prismas de reflexão total e descreva a
finalidade desses dispositivos neste instrumento.
16) Um prisma de dispersão pode ser utilizado como um analisador espectral de luz
policromática? Justifique.
17) Uma imagem virtual pode ser focalizada sobre um anteparo? Justifique.
18) Utilize o princípio de Fermat para mostrar que num espelho plano, o ângulo de
incidência é igual ao ângulo de reflexão.
16
2 Fibras ópticas
As Fibras Ópticas são guias de onda dielétricos compostos de materiais vítreos de baixas
perdas compostos de sílica SiO2 e óxido de Germânio. Esses guias de onda dielétricos
possuem um núcleo central, por onde as ondas são guiadas, envolvidas pelo mesmo material
vítreo, SiO2, sendo o núcleo composto de SiO2 + GeO2. O GeO2, chamado de dopante, é
adicionado ao material que compõe o núcleo em pequenas porcentagens para aumentar
levemente o índice de refração do núcleo em relação ao da casca. Este incremento de valor
no índice de refração do núcleo é da ordem de 0,0045 em fibras monomodo standard SM,
0,010 nas fibras de dispersão deslocada DS e fibras de dispersão deslocada e não nula
NZDs, e entre 0,025 a 0,035 nas fibras multimodo. É esta estrutura vítrea o que compõe um
guia óptico, ou fibra óptica, ela recebe ainda um revestimento externo para isolar e proteger
o material vítreo do meio ambiente, principalmente contra a umidade e mecanicamente
contra abrasivos. Este revestimento externo pode ser material polimérico, filme metálico e
outros materiais, sendo o acrilato o mais utilizado.
Os avanços tecnológicos nos processos de fabricação de fibras, desde o grau de pureza dos
componentes utilizados a otimização dos processos envolvidos em cada etapa de fabricação
atualmente permitem a obtenção de guias ópticos com perdas tão baixas quanto 0,16 dB
(≈3,6 %) a cada quilometro de fibra percorrida.
Em todos os tipos de fibra as ondas guiadas se propagam em forma de modos, cada modo
viaja ao longo do eixo da fibra com uma constante de propagação distinta para aquele modo,
com uma velocidade de grupo característica, mantendo sempre a distribuição espacial
transversa ao eixo e mantendo seu estado de polarização. Quando o diâmetro do núcleo é
muito reduzido, menor que 6X o comprimento de onda λ que por ele viaja, a estrutura do
núcleo permite que apenas um único modo se propague pelo guia, neste caso as fibras são
17
chamadas de fibras monomodo. As fibras com diâmetro de núcleo grande, cerca de 50X o
comprimento de onda guiada, muitos modos podem ser excitados, são as fibras multimodo.
A dispersão modal das fibras multimodo foi reduzida e otimizada aumentando-se gradual e
continuamente, a partir da interface núcleo / casa para o centro do núcleo, o índice de refração
do núcleo, que começa com um valor igual índice de refração da casca e cresce gradualmente
até o centro do núcleo, estas são as chamadas fibras de índice gradual, enquanto que as fibras
em que o índice de refração do núcleo é apenas maior que o da casca, mas mantendo-se
constante por todo o núcleo são conhecidas como multimodo de índice degrau. A principal
característica ou propriedade das fibras graduais é equalizar a velocidade de propagação dos
modos excitados.
n02 − n 2 n0 − n
∆= ≈ (2.1)
2n02 n0
Onde Δ é a variação relativa do índice de refração entre o núcleo e casca, Δ << 1 e o Δn
explicitamente é a diferença entre os índices da casca e do núcleo.
CASCA
b
nNÚCLEO = n0 a
NÚCLEO
nCASCA = n
n < n0
Convém observar que o termo “fibras ópticas” era o termo usado, há 50 anos quando as
primeiras fibras eram fabricadas para guiar ondas visíveis, ondas de luz, a curtas distâncias
(L ~ 1m) como portadoras de imagem ou de luz visível, daí o termo fibras ópticas, óptica
refere-se apenas a faixa espectral que é visível, de comprimentos de onda entre 400 nm e
700 nm, ou espectro óptico. Atualmente, em telecomunicações as fibras guiam ondas da
banda infravermelho do espectro que não são visíveis e nem ópticas, uma vez que estão na
faixa de 800 nm a 1700 nm, que por serem invisíveis deixam de ser luz! mas simplesmente
radiação eletromagnética. Mesmo assim, o termo atualmente usado para todo o espectro, até
mesmo para designar as fibras que operam a 10 µm, continua sendo “ópticas”. Portanto o
termo utilizado a partir daqui será fibras ópticas em lugar de “guia de onda dielétrico
cilíndrico” e luz referir-se-á as ondas radiadas que podem ou não propagar através das fibras
desde a radiação UV até o infravermelho.
19
n
n0
(a)
n
n0
(b)
n
n0
(c)
Figura 13 - A geometria, o perfil do índice de refração n(r), o trajeto dos raios nas
fibras multimodo índice degrau (a), na fibra monomodo (b) e na fibra multimodo perfil
de índice gradual em que n0 é o valor máximo do n(r) = n(0) e n(a) = n (c).
onde o Δ está definido na equação (2.1), r está definido a direita da equação, a é o raio da
fibra MM e o α é chamado perfil do índice de refração do núcleo que no caso do índice
degrau α → ∞. Para as fibras graduais otimizadas para um determinado comprimento de
20
A abertura numérica de uma fibra, AN, é o ângulo máximo, em relação ao eixo desta, de
aceitação para que seja transmitido determinado raio de luz, que incide sobre a face da fibra
perpendicular ao eixo sobre a área do núcleo e é expresso pelo seno deste ângulo.
Modo vazante AR n = 1
CASCA n
φ
θR
θi NÚCLEO n0
θMAX
CASCA n
θ > θMAX
Figura 14.
Modo vazante AR n = 1
CASCA n
φ
θR
θi NÚCLEO n0
θMAX
CASCA n
θ > θMAX
Para entender o guiamento em uma fibra, o raio que incide sobre a interface núcleo/casca
com um ângulo de incidência φ,
Modo vazante AR n = 1
CASCA n
φ
θR
θi NÚCLEO n0
θMAX
CASCA n
θ > θMAX
Figura 14, deve ser menor ou igual ao ângulo crítico, φCRÍTICO que é o caso do raio tracejado
vermelho, calculado a partir da lei de Snell, todo raio incidindo sobre a interface com ângulo
φ menor que o φCRÍTICO
n
ϕCRITICO = sen −1 (2.4)
n0
experimenta uma reflexão interna total, perfeita e sem perdas, sucessivamente ao longo de
toda fibra que mantém uma simetria cilíndrica.
Modo vazante AR n = 1
CASCA n
φ
θR
θi NÚCLEO n0
θMAX
CASCA n
θ > θMAX
Na mesma
Figura 14, considerando o meio externo a fibra, o ar, com n = 1, um raio que incide na
entrada da fibra com ângulo de incidência θi refrata-se com um ângulo θR no interior do
núcleo onde o índice de refração é n0, a lei de Snell que relaciona os ângulos de incidência e
refratados com os valores dos índices de refração dos dois meios separados pela interface ar
/ fibra.
sen(θi ) n0
= (2.5)
sen(θ R ) 1
22
No interior do núcleo este raio sofrerá uma reflexão interna total na interface núcleo/casca a
um ângulo φ. No interior do núcleo, uma vez que o raio (laranja) e o eixo da fibra (tracejado
preto), normal à interface, formam um triângulo retângulo, onde:
n
senϕ = cos θ R > (2.6)
n0
Portanto:
1
n 2 2
n0 n
2 2 1
n02 − n 2 2
senθi < 1 − = (2.8)
1 n0 1
Pela eq. (2.8) o maior valor senθi pode tomar para que o raio incidente não vaze para fora da
fibra, mas propague-se pela fibra é dado por:
Desta forma todo cone de luz incidindo sobre a face da fibra e com o eixo do cone
coincidindo com o eixo da fibra propagar-se-á integralmente até a extremidade final desde
que o semi-ângulo do cone seja menor que θMAX. Este ângulo é uma medida da potência
óptica máxima que pode ser coletada por uma fibra, como foi dito anteriormente é a abertura
numérica da fibra, definida pela equação:
AN = ( n02 − n2 )
1
2
= senθ MAX (2.10)
Que é valido para todo tipo de fibra, excitada de forma multímodo utilizando para medição a
luz branca ou um comprimento de onda visível, especialmente no caso de fibras monomodo,
com λMEDIÇÃO<λCORTE.
23
Uma estimativa numérica pode ser feita para fibras MM 50/125 com n ≈ 1, 463 e n0 ≈ 1, 48
que a partir da eq.9 AN = 0, 223 e que corresponde ao valor de θMAX = 12, 925°.
RAIO INCIDENTE
RAIO INCIDENTE
FORA DO CONE
DE ACEITAÇÃO
CONE DE
θi ACEITAÇÃO DA AN
Y
r
φ
CON RATAD
REF
ED
OA
RAIO
θR
N
O
GUIADO
X
RAIO VAZANTE
OU RADIADO NÚCLEO DA
FIBRA GRADUAL
A Figura 15 ilustra, no caso do núcleo de uma fibra gradual, os parâmetros definidos acima,
a AN, o cone de aceitação máxima, o cone de refração no interior do núcleo, um raio que se
propaga percorrendo uma trajetória em espiral porque o raio incide a uma distância r do eixo
da fibra, chamados raios não meridionais ou parafuso por não cruzarem o eixo da fibra
enquanto viajam de um extremo a outro. A Figura 15 mostra também um raio vazante
(vinho) que incide sobre a face do núcleo mas fora do cone de aceitação, o θI e θR.
A medição da AN de uma fibra é executada em amostras com L ≈ 2 metros que devem ser
sobre excitadas na extremidade de entrada de luz, utilizando-se uma objetiva com
ANOBJETIVA maior que a AN da fibra a ser medida. Na outra extremidade da fibra mede-se
qual a distribuição da intensidade de luz em função do ângulo de saída, com um fotodiodo
móvel, montado sobre um goniômetro, que pode deslocar-se angularmente percorrendo
24
ângulos maiores que o θMAX em torno do final das amostras sob teste que são mantidas fixas
sobre uma plataforma cilíndrica no centro do goniômetro. Ou seja, é uma medição de campo
afastado. Registra-se graficamente a distribuição angular da intensidade I(θ) e mede-se qual
o θMAX @ -20 dB do pico em I(θ=0) ou pela média dos valores à direita e a esquerda onde a
tangente da curva cruza o eixo θ. A Figura 16 mostra a montagem para medir o AN por
campo afastado.
Objetiva de 2θMAX
microscópio Goniômetro
Luz vazante Fotodiodo
FIBRA
I(θ)
A partir das equações (2.3) e (2.10) que definem o Δ e a abertura numérica AN podem ser
deduzidas mais duas equações úteis que são:
1
AN = n0 ( 2∆ ) 2 (2.11)
e
1
1 senθ MAX 2
∆= (2.12)
2 n0
25
A condição de guiamento em fibras ópticas multímodo é simples de ser vista através dos
raios meridionais, são os raios que estão sempre em planos que cruzam o eixo do núcleo
fibra, Figura 17. Estes raios interceptam o eixo do núcleo da fibra e refletem no mesmo
plano sem alterar seu ângulo de incidência como se a fibra fosse para eles um guia planar.
Raios meridionais são guiados se seu ângulo θ com o eixo da fibra for menor que o
complemento do ângulo crítico no interior da fibra.
− π
θC = − θ C = arccos(n − n0 ) (2.13)
2
θ
NÚCLEO
θ
PLANO MERIDIONAL
θ
O exemplo acima ilustra o comportamento dos raios meridionais em uma fibra multímodo
perfil de índice degrau. Para o caso de fibras graduais vale a mesma definição, porém as
trajetórias não são segmentadas, são curvas e não quebra como se refletisse de um espelho,
no vértice de cada ângulo há uma curva suave ligando as duas curvas a incidente e a
refletida.
Um raio arbitrário incidindo sobre a face da fibra, na região do núcleo e dentro do cone de
aceitação da AN, em um plano de incidência que não contém o eixo do núcleo, mas paralelo
ao eixo e fazendo um ângulo com o eixo do núcleo como mostra a Figura 18(a). O plano de
incidência intercepta a interface núcleo / casca a um ângulo φ com a normal a interface e jaz
26
a uma distância R do eixo do núcleo. O raio é identificado por seu ângulo θ com o eixo do
núcleo, pelo ângulo φ e R.
Um raio parafuso reflete repetidamente nos planos que fazem o mesmo ângulo φ com a
interface núcleo casca, segue por uma trajetória helicoidal segmentada confinada dentro de
um cilindro de raio R e outro de raio a (raio do núcleo), como mostra o corte transversal do
núcleo na Figura 18(b). A projeção da trajetória sobre o plano transverso (x, y) é um
polígono regular, não necessariamente fechado. Pode ser mostrado que a condição para raios
parafuso sempre sob reflexão interna total é que seu ângulo θ com o eixo z seja sempre
menor que o θ C .
θ
R
R
φ
φ 2R
(a) (b)
Figura 18 - (a) Raio parafuso incidindo em um plano que não contém o eixo do núcleo e está afastado a
uma distância R do eixo. (b) Vista de topo do trajeto do raio parafuso.
Analisando a Figura 15 todos os raios que preenchem o cone de abertura, acima da face da
fibra, excluindo os que coincidem com o diâmetro da base do cone paralelo ao diâmetro do
núcleo, ou que seja paralelo ao r, todos os demais geram raios parafuso no interior do
núcleo.
Para estudar e entender a propagação de luz em uma fibra óptica com perfil degrau é
necessário uso da teoria eletromagnética. A solução exata das equações de Maxwell para um
guia dielétrico cilíndrico envolve muita manipulação matemática e gera resultados
complexos. A distribuição espacial na região do guia, cada componente de campo elétrico e
magnético, E e H deve satisfazer à equação de Helmholtz:
∇ 2 E + n 2 k02 E = 0 (2.14)
27
∂ 2 Ez 1 ∂Ez 1 ∂ 2 Ez ∂ 2 Ez
+ + + 2 + n2 k02 Ez = 0 (2.15)
∂ρ 2 ρ ∂ρ ρ 2 ∂φ 2 ∂z
elétrico (a mesma equação vale para o campo magnético), que são componentes axiais do
campo elétrico. O que nos interessa são as soluções da equação acima que toma forma de
onda propagante na direção z, com constante de propagação β tal que a dependência de Ez
em relação ao z seja da forma e− jβ z . Uma vez que E z seja uma função periódica de φ com
Que uma vez substituído na equação de Helmholtz (13) e fazendo as derivações resulta a
equação ordinária em F ( ρ ) :
d 2 F 1 dF l2
+ + ( n k0 − β − 2 ) F = 0
2 2 2
(2.17)
dρ2 ρ dρ ρ
A onda (luz) é guiada ou ligada se a constante de propagação for menor que o número de
onda no núcleo ( β < n0 k0 ) e maior que o número de onda na casca, β > n0 k0 . É conveniente
definir os parâmetros:
kT2 = n02 − β 2
γ = β 2 − n 2 k0 (2.18)
Tal que as ondas guiadas, dependentes de k T2 ou γ 2 sejam positivas e reais. A eq. (2.17)
com u ( ρ ) pode ser escrita de formas distintas para a região do núcleo e para a região da
casca da fibra:
28
d 2 F 1 dF l2
+ + (n kT − 2 ) F = 0 , ρ < a (núcleo)
2 2
(2.19)
dρ2 ρ dρ ρ
d 2 F 1 dF l2
+ + (γ + 2 ) F = 0 , ρ > a (casca) (2.20)
dρ2 ρ dρ ρ
Este par de equações é bem conhecido, são equações diferenciais cujas soluções são famílias
de funções de Bessel. Excluindo as funções divergentes em ρ = 0 (tendem a infinito) ou em
ρ → ∞ na região da casca, obtêm-se as soluções acopladas:
Onde J ℓ são funções de Bessel de primeira espécie e de ordem ℓ , K ℓ são funções de Bessel
modificadas de segunda espécie de ordem ℓ Gráfico 1 (A) e (B). A função J ℓ oscila como
as funções seno ou cosseno, mas com um decaimento na amplitude para o limite de x >> 1,
1 π
1
2
J l ( x) ≈ ( ) 2 cos x − (l + ) ......x >> 1 (2.22)
πx 2 2
Figura 19 - J0(x), J1(x) e J2(x) são funções de Bessel primeira espécie e ordem 0, 1 e 2 em função de x.
29
Figura 20 - K0(x) e K1(x) são funções de Bessel modificadas de ordem 0 e primeira ordem.
1
π 4l − 1 − x
2
2
K l ( x) ≈ 1 + e x >> 1 (2.23)
2x 8x
radial no núcleo. Valor alto do γ significa decaimento mais rápido e menor penetração da
onda propagante na casca da fibra como visto nas definições do k T2 e γ 2 a soma dos
k T2 + γ 2 = ( n 02 − n 2 ) k 02 = AN 2 × k 02 (2.24)
X = kT × a e Y =γ ×a (2.25)
X 2 +Y 2 =V 2 (2.26)
30
Onde,
V 2 = AN × k 0 × a
2π .a 2π .a
⇒ V = AN = n02 − n 2 (2.27)
λ0 λ0
Explicitando tudo que foi deduzido neste subitem, os modos TE (onde o Ez = 0 ) e modos
cilíndricos, além do eixo z são tratados em duas dimensões, assim os dois inteiros ℓ e m
são necessários para especificar os modos em um guia de onda dielétrico cilíndrico. E são
referidos como os modos TEℓm e TM ℓm . Estes correspondem aos raios meridionais
propagando pelo núcleo da fibra. Os modos híbridos em que o Ez e o H z não são zero
também estão presentes nestes guias dielétricos. Estes modos correspondem à propagação
dos raios em trajetória de parafuso no interior do núcleo e são designados como os HEℓm e
A análise feita pode ser simplificada quando consideramos fibras para uso em
telecomunicações. Estas satisfazem a aproximação de guiamento fraco [Gloge “Weakly
guiding fibers” Applied Optics 10, 2252-2258, (1971)] [3] em que a diferença relativa dos
índices de refração Δ << 1. Isto corresponde a ângulos pequenos de propagação θ. De fato Δ
é usualmente menor que 0,003, ou seja:
(LP) não são os modos exatos para a fibra exceto para o modo fundamental (certamente
como Δ é muito pequeno para fibras guiando de modo fraco), o modo em par HE-EH ocorre
com as mesmas constantes de propagação. Estes modos são chamados degenerados. A
superposição destes modos degenerados caracterizada por uma constante de propagação
comum corresponde a modos particulares LP em lugar de suas configurações de campo HE,
EH, TE ou TM.
Esta combinação linear de modos degenerados obtida da solução exata produz uma
simplificação útil na análise de fibras com guiamento fraco.
Tabela 3 - Relação entre a designação tradicional, exata e a dos modos LPlm. Nos
modos exatos o termo (X2) significa que é duas vezes degenerado.
Número de modos
Linearmente Polarizada Exata
degenerados
O perfil de intensidade do campo elétrico para os três modos LP mais baixos, junto com as
distribuições de campo elétrico dos modos exatos correspondentes está mostrado na Figura
21. Pode observar-se nas configurações exatas dos modos que as amplitudes nas direções
transversais (Ex ou Ey) são idênticas para os modos que tem o mesmo modo LP, daí a
origem do termo Linearmente Polarizado. Usando a equação de Helmholtz em coordenadas
cilíndricas para condição de guiamento fraco no núcleo cilíndrico homogêneo do guia
dielétrico (fibra), obtivemos a equação escalar em Ez ( ρ ,φ , z ) (o mesmo resultado se obtem
para H z ). Usando uma solução com as variáveis separadas como um produto de três
funções F ( ρ ) e − jβ z e− jℓφ , chegamos as funções de Bessel como soluções e uma vez impostas
n=1
LP01 HE11 m=0
l=1
n=0
TE01 m=1
l=1
LP11 n=0
TM01
m=1
l=1
n=2
HE21
m=1
l=2
n=3
HE31 m=2
l=1
LP21
n=1
EH11 m=2
l=1
Figura 21 - Distribuição do campo elétrico e as formas geométricas do campo Ex para os três primeiros
modos LP
34
Pode ser observado que o campo é finito em r = 0 e pode ser representado pela função de
Bessel de ordem zero, J0. Lembrando que o campo tende a zero para r → ∞ e a solução na
região da casca da fibra são funções de Bessel modificadas, denominadas por Kl. Estas caem
exponencialmente em relação ao r.
K l (WR )
E ( ρ ) = GJ l (U ) R >1 (2.29)
K l (W )
ρ
Onde G é a amplitude e R = , coordenada radial normalizada do núcleo da fibra, U e W
a
são os autovalores na região do núcleo e da casca respectivamente já tratados como X e Y na
eq. (2.26), definidos como:
1
U = a.(n k − β ) 2
0
2 2 2
(2.30)
1
W = a.( β − n k ) 2 2 2 2
(2.31)
A soma dos quadrados de U e W definem o parâmetro muito útil e usado, já citado, que é
referido como freqüência normalizada V onde:
1
V = (U + W ) = k .a.(n − n ) = k .a. AN (2.32)
2 2 2
0
2 2
(2.33)
2π .a
1
V = AN = 2π .a.n0 (2∆ ) 2
(2.34)
λ
36
V é adimensional e trás consigo, de forma bastante útil 3 informações das variáveis que
definem uma fibra: a o raio do núcleo, Δ o índice de refração relativo e o comprimento de
onda de operação λ. Também é possível definir a constante de propagação b para uma fibra
em função de parâmetros da equação:
V = U 2 +W 2 (2.35)
β β
( ) 2 − n02 ( ) 2 − n 2
2
U
b = 1− 2 = k 2 = k 2 (2.36)
V n0 − n 2
2k 0 ∆
J l ±1 (U ) WK l ±1 (W )
U =± (2.37)
J l (U ) K l (W )
A Figura 22, complementa a idéia da Figura 21, em que os modos baixos de propagação em
uma fibra estão indicados de forma exata, com as linhas de força dos campos elétrico E e
magnético H.
guiamento em fibras ópticas multímodo e monomodo, tais como, o diâmetro modal, abertura
numérica e largura de banda, podem ser preditas, pelo menos parcialmente, partindo de
observações da distribuição transversal do n(r), ou seja, o perfil de índice de refração.
Sem que se use um método mais sofisticado e preciso é praticamente impossível controlar o
processo fabril de fibras ópticas multímodo e monomodo.
As medições de perfil de índice são realizadas em preformas o que para um processo fabril
qualquer correção, se necessária, já pode ser feita antes de submeter a preforma ao
puxamento.
O perfil do índice de refração real é expresso, em todo processo de otimização por uma série
de potências da forma:
n
ρ ρ
g ( ρ ) = ∑ k p [( )2 p − ( 0 )2 p (2.39)
p =1 a a
Onde ρ 0 denota a coordenada radial para qual n ( ρ ) é maximizado como mostra a Figura
n ( ρ0 )
n0
n
n( ρ )
ρ
0 r0 a
Figura 23 - Perfil com rebaixo na interface núcleo / casca e o valor máximo n0 em r0, deslocado de 0.
como:
n2 ( ρ ) − n2
∆( ρ ) = (2.40)
2n02
a
I i = ∫ ρ i ∆ ( ρ )d ρ (2.41)
o
4I1 I 02
2a ESI = e ∆ ESI = eq. 39
I0 2I 1
1
2π .n0 a ESI (2∆ ESI ) 2
λCORTE = (2.42)
2,4048
2ρ 2
E = E .exp( − 2 )
2 2
0 (2.43)
wf
Para uma fibra monomodo standard [D.Marcuse, Bell Syst. Tech, Journ, 56, 703-718,
(1977)] [8].
−3
w f = a (0,65 + 1,619V 2
+ 2,879V −6 ) (2.44)
2
0,29297 λc
∆ ESI = 2
(2.46)
n 0 2a ESI
3
6
wf λ 2 λ
= 0,59145 + 0,39503 + 0,0135 (2.47)
wc λc λc
onde o wc é o valor do spot-size em λ = λc. Fazendo um ajuste desta equação por mínimos
quadrados, a partir dos valores medidos de λ e wf os valores de wc e λc podem ser obtidos.
40
n(r)
n0pico
nESI
ncasca
0
rESI rnominal r
n(r) (A)
r
rProjetado
0 rESI
(B)
A Figura 24(A) mostra um perfil de índice de uma fibra NZD, onde o valor do [n(0) – n] e o
valor do rnominal na equação de V não corresponde ao valor medido do λC. É necessário
utilizar o perfil de índice equivalente a uma fibra degrau, (Equivalent Step Index - ESI) que
é calculado pelo método dos momentos descrito na pg 18. Este resultado é obtido
41
Na Figura 24(B) mostra sobrepostos: um perfil degrau ideal, com o α → ∞ , o perfil obtido
nos processos fabris, o aspecto trapezoidal (salientado) é oriundo da difusão do GeO2 das
primeiras camadas depositadas na sílica da casca óptica e o “dip” central é minimizado nos
processos atuais e o retângulo preenchido é o perfil de índice equivalente, a área do
retângulo é a mesma área sob a curva do perfil da fibra, correspondendo a um valor de pico
inferior e um raio efetivo menor que o raio correspondente ao raio do núcleo na curva do
perfil da fibra.
Quando a luz é monocromática ela propaga por um meio óptico com velocidade constante
que é a velocidade de fase
ω
v FASE = v F = (2.48)
β
A situação está sempre presente quando um pacote de ondas com frequências similares
propaga-se por um meio dispersivo, tal que, o resultado seja um grupo de ondas viajantes.
Para exemplo, a formação deste pacote de ondas resultante da combinação de 2 ondas com
frequências pouco diferentes, viajam juntas como ilustra a Figura 25. A interferência mutua
gera um novo pacote e este não se propaga no meio dispersivo com velocidade de fase de
cada componente, mas com uma velocidade de grupo dada por
δω dω
vg = = (2.49)
δβ dβ
O exemplo acima, para fim ilustrativo foi feito com apenas duas componentes, num caso de
laser, DFB ou FP, a quantidade de componentes é muito maior.
42
2π n0 ω
β = n0 = = n0 k (2.50)
λ c
Substituindo a eq. (2.50) na definição de velocidade de fase v f eq. (2.48) e com a definição
de velocidade de grupo
dω dω d λ d (n0 2π / λ ) −1 −ω
vg = = = (2.51)
d β dλ d β dλ λ
−1
−ω 1 dn c c dn
vg = ×λ 0 = = ⇒ N g = (n0 − λ 0 ) (2.52)
2πλ λ dλ dn Ng dλ
(n0 − λ 0 )
dλ
43
dn0
O N g = n0 − λ que é conhecido como índice de refração de grupo, ou índice de
dλ
grupo é sempre usado em lugar do n f quando as medições com a fibra sob teste for em
Φ M ≡ d = 2 2w (2.53)
O diâmetro modal que é preenchido radialmente pelo modo LP01 é sempre maior que o
diâmetro do núcleo da fibra e parte da luz é guiada pela casca óptica da fibra e neste caso o β
será aproximadamente igual ao nk, número de onda da casca e o nef similar ao n, índice de
refração da casca.
size” w que são a definição do campo próximo (near-field) e a definição de campo afastado
(far-field). No primeiro caso o padrão de intensidade do modo fundamental é detectado de
um ponto muito próximo a face da fibra ou utilizando uma objetiva de microscópio e é
proporcional a distribuição radial da potência do modo LP01 no núcleo da fibra.
I ( r ) ∝ ψ 2 (r ) (2.54)
Portanto é natural definir o campo próximo pelo “spot-size” wn como o valor rms da largura
da distribuição de intensidade de campo próximo I(r) que é:
1
∞
2 2 2
∫ r ψ (r ) rdr
wn = 0 ∞ (2.55)
ψ 2 (r )rdr
∫
0
Por outro lado quando observamos a face da fibra de um ponto afastado, (região de campo
afastado ou Far-Field), o efeito de propagação pelo espaço livre deve ser levado em conta.
Assumindo que a distância do final da fibra ao ponto de observação seja R e relativamente
w2
grande, isto é R >> , o efeito de propagação no espaço livre já é estudado pela teoria de
λ
difração na condição de Fraunhofer, Figura 26.
45
R
θ F(p)
Fibra
Monomodo
Figura 26 - Distribuição de campo afastado na saída de uma fibra monomodo na saída da fibra a luz é
difratada e observada a longa distância R >> w2/ λ, difração de Fraunhofer.
ik0 2π
Ψ ( R, p ) = exp(ik0 R ) cosθ .F ( p) k0 = (2.56)
R λ0
∞
F ( p) = ∫ψ ( ρ ) J 0 ( p ρ ) ρ d ρ (2.57)
0
A quantidade F2(p), que pode ser medida em prática, é a distribuição angular da potência de
saída da fibra monomodo e é chamada Intensidade de Campo Afastado. Os valores típicos
da distribuição de intensidade do campo próximo (near-field) e do campo afastado (far-
field) de uma fibra monomodo standard estão mostrados na Figura 27. Vale salientar que ρ
é a coordenada radial na face da fibra, (R,θ) as coordenadas no campo afastado e que
ψ ( ρ )
TRANSF _ HANKEL
→ Ψ ( R ,θ )
0 0
-20 -20
dB
dB
-40 -40
-60 -60
0 5 10 15 0 10 20 30
ρ (μm) θ (graus)
Figura 27 - Distribuição espacial das intensidades de campo próximo (esquerda) e o de campo afastado
(direita)
Portanto considerando apenas a luz radiada pelo topo da fibra, esta é limitada por difração na
saída do núcleo para o espaço livre, seu limite angular é dado aproximadamente pelo inverso
47
de sua largura radial (esta é uma relação exata quando os feixes de luz são gaussianos) e é
possível definir o “spot-size” wf de campo afastado por:
1
∞ 2 2
∫ F ( p) pdp
wf = ∞ 0 (2.58)
∫ p 2 F 2 ( p) pdp
0
1
dF
∞ 2
2
∫0 dp
pdp
wn = ∞ (2.59)
F ( p ) pdp
∫0
2
1
∞
2
ψ 2 (r )rdr
∫
w f = ∞0 (2.60)
dψ rdr
2
∫ dr
0
Que é conhecida na literatura como “Petermann II” para definição do diâmetro modal.
[E.Pask “Physical interpretation of Petermann’s strange spot size for singlemode fibers”
Eletr. Lett. 20, # 3, 144-145 (1978)] [12].
[J.Strckert “New method for measuring the spot size of singlemode fibers” Opt.Lett. 5, #12,
505-506, (1980)] [15].
Para uma distribuição de campo modal genérica pode ser demonstrado que os dois “spot-
sizes”, o determinado a partir de medições de campo próximo e o que é determinado pelas
medições de campo afastado estão relacionados como:
wn ≥ w f (2.61)
Φ n = 2 2wn e Φ f = 2 2w f (2.62)
A técnica de Abertura Variável (usada no WAVAU da PK) é baseada no fato que o diâmetro
do campo modal Φf pode ser expresso diretamente em termos da potência total do campo
afastado passando por aberturas circulares de diâmetros diferentes.
[C.Saravonos and R.S.Lowe “The measurement of non-Gaussian mode Field by the far-field
axial scanning technique” J. Lightwave Tech. LT-5, # 6, 306-308, (1985)] [16].
Para entender o princípio da medição, considerar uma abertura circular de raio b, centrada
no eixo da fibra, a uma distância D e sobre um plano opaco e transversal ao eixo da fibra
como mostra a Figura 28.
49
θ
FIBRA b
Seja v = ksenθ , onde θ = arctg (b D ) a metade do ângulo da abertura cuja potência pode
passar pela abertura do plano opaco, a potência restante é detida pelo plano. A quantidade a
ser medida do lado direito do plano é dada por:
v
P (v ) = 2π ∫ F 2 ( p ) pdp (2.63)
0
Os efeitos de difração de borda das aberturas são desprezados na dedução desta equação.
Portanto usando a definição do Φf
50
1
∞ 2 2
∫ F ( p ) pdp
wf = ∞ 0 (2.64)
2 2
∫ p F ( p ) pdp
0
e fazendo uma integração por partes, o diâmetro de campo modal Φf pode ser expresso
diretamente em termos de potência do campo afastado da abertura variável P(v) como segue
−1
v max P (v ) 2
Φ f = 2 ∫ [1 − ]vdv (2.65)
0 P(v max)
[C.Saravanos and R.S.Love “New approach for determining non-Gaussian mode fields of
singlemode fibers from measurements in the far-field” Electr. Lett. 21, # 20, 898-899.
(1985)] [18].
O diâmetro de campo modal campo próximo também pode ser obtido combinando a eq. 56
com a eq.62, a quantidade v max corresponde ao valor máximo de θ para a abertura usada
na eq.62, a principio devemos ter v max = k , correspondendo a um ângulo θ = π / 2 ,
certamente a intensidade do campo afastado vai a zero rapidamente com v, tal que a equação
de Φf dá uma boa estimativa do Φf, por isso um valor máximo com v max < k é escolhido.
P (v )
α (v ) ≡ 1 − (2.66)
P(v max)
Isto é feito por meio do conjunto aberturas circulares (cerca de 22) precisamente localizadas,
todas com o centro a uma distância d do eixo do disco e ajustadas ao eixo da fibra, para
interceptarem o campo afastado, o disco de alumínio com as aberturas possui dois graus de
liberdade para ajuste e assim otimizar da potência transmitida pela abertura ora usada na
aquisição daquele dado o α (v) . A mesma medição pode ser feita movendo uma abertura
fixa ao longo do eixo da fibra, na região de campo afastado, ou usar uma abertura variável,
tipo íris variável, que facilita e simplifica a representação no esquema de montagem da
medição.
[Dick, Modavis, Racki, Westing “Automated-mode radius management using the variable
apertur method in the far-field” OFC’84, New Orleans Louisiania (1984) Tech. DIG. Paper
WB] [19].
52
Monocromador
Fibra
CHOPPER
f
xy
REFERENCIA
SINAL
Lock-in
WAVAU
Equipamento com aberturas de
Φ = 1,0mm a 22 mm, lentes e
fotodiodo em caixa fechada.
Computador
A potência que atravessa a abertura é coletada por um sistema óptico de alta abertura
numérica e detectada por um fotodiodo conectado ao lock-in do PK2200.
Aberturas com até 25o (AN = 0,42) e com faixa dinâmica de 40 dB para detecção de
intensidade óptica são reportados para esta montagem. Erros estão presentes pelo
desalinhamento mecânico entre o eixo da fibra e o centro das aberturas que estão
distribuídas ao redor de um disco de alumínio. O alinhamento mecânico, com dois graus de
liberdade indicado por setas cruzadas na Figura 29, é feito no início de cada varredura, que é
iniciada com a abertura de menor diâmetro caso haja imprecisão neste ajuste o erro é
progressivo para as próximas aberturas. O uso de Aberturas Numéricas reduzidas (com AN
53
entre 0,20 e 0,25) também pode causar erros, o ideal seria ir até abertura correspondente a
AN = 0,40.
A Figura 29 dá uma ideia do princípio da medição e ilustra montagem usada para esta
medição, a simplificação usada para representá-la em um plano sem perspectiva, é para
mostrar o disco giratório com as aberturas no interior do WAVAU.
J m −1 (V ) = 0 (2.67)
C
Que define o V de corte, Vmn do modo LPmn e é dado pela n-ésima raiz da função de Bessel
de ordem m-1, ou
C
Vmn = J m −1,n (2.68)
Sem perder a generalidade, como exemplo, podemos a partir dos parâmetros de uma fibra
monomodo standard saber a que comprimentos de onda correspondem os cortes dos modos
54
LPmn citados acima, uma vez que sabemos os valores das freqüências normalizadas
correspondentes. Os parâmetros da fibra são o raio do núcleo a = 4μm, o valor da
K FIBRA 2πa n0 − n
2 2
3,0425
λC LPmn
= = = (2.69)
Vmn Vmn Vmn
K FIBRA 3,0425
λC LP11
= = = 1265nm
V11 2,405
K FIBRA 3,0425
λC LP 21 = = = 794nm
V21 3,832
K FIBRA 3,0425
λC LP 02 = = = 794nm
V02 3,832
K FIBRA 3,0425
λC LP 31 = = = 592nm
V31 5,136
K FIBRA 3,0425
λC LP12 = = = 551nm
V12 5,52
K FIBRA 3,0425
λC LP 41 = = = 477 nm
V41 6,38
55
K FIBRA 3,0425
λC LP 22 = = = 433nm
V22 7,016
K FIBRA 3,0425
λC LP 03 = = = 433nm
V03 7,016
K FIBRA 3,0425
λC LP 51 = = = 400nm
V51 7,588
Os modos altos são cortados nas faixas do espectro violeta, azul, verde, amarelo, vermelho e
infravermelho, a partir do LP02 para o LP11.
Até o presente foram discutidos os cortes dos diversos modos que podem ser excitados em
uma fibra monomodo, mas nesta região do espectro em que suporta diversos modos a fibra é
multimodo.
Até o momento a prioridade é a fibra monomodo, com perfil de índice degrau, a literatura
relata o VCparabólicas = 3, 518 para as fibras monomodo com um perfil parabólico, ou utilizar o
ESI para calcular o perfil equivalente em “step-index” no caso de uma fibra com o perfil
parabólico.
1
sendo este parâmetro ∆λC ( L, ρ ) proporcional a A log L e a , que em conjunto resulta
ρ
A log L
onde o fator de correção A > 0 e com dimensão de nm.cm, para o caso de ρ
ρ
expresso em cm.
A log L Q
∆λC ( L, ρ ) ∝ + 2 (2.72)
ρ ρ
57
1
O termo proporcional a na eq. 68 multiplicado por um fator Q, que no caso de fibra
ρ2
Standard, com perfil de índice casado, onde o Q > 0 , é próximo de 0, pode ser desprezado,
mas no caso de fibras com depressão na casca, o Q < 0 e deve ser levado em conta porque
nas fibras com “depressed-clad” o ∆λC ( L, ρ ) é menos sensível a variações de curvatura e
mais dependente do comprimento L que uma fibra de índice casado.
Esta é uma propriedade das fibras monomodo que é usada para executar uma medição do
comprimento de onda de corte de uma amostra de fibra ou cabo com o comprimento padrão
e submetido a uma curva com raio ρ = 14cm para fibras e ρ = 1m para cabos.
Com os dois modos excitados, a potência óptica PBIMD guiada por uma fibra em regime bi-
modal tem 2p desta potência guiada pelo modo LP01 e 4p desta potência guiada pelo modo
LP11. Sendo PBIMD = 6p, com todos os modos igualmente excitados. Desta forma na região
do espectro abaixo do λC a potência transportada pela fibra é PBIMOD = 6p e na região do
espectro acima do λC o único modo guiado é o LP01 que tem apenas PMONO = 2p da potência
óptica inicial, no corte os 4p que eram transportados pelo LP11 são perdidos por
desacoplamento do núcleo. O valor desta perda é
58
6p
PERDA = 10 log = 10 log 3 = 4,77dB (2.73)
2p
Portanto na transição do regime bi-modal para o regime monomodo há uma perda de 4,77
dB, o comprimento de onda a partir do qual todo LP11 foi perdido é o λC medido, a transição
não é abrupta.
Vale lembrar que na faixa espectral em que a medição é feita, ∆λ = λ MAX − λmin , com o Δλ
da ordem de 300 nm, ou mais, o conjunto de equipamentos que faz a medição não tem uma
resposta plana para toda esta faixa, cada I(λj) medido tem valores distintos para cada λj
medido. Ressaltando ainda que os responsáveis por esta falta de equalização espectral são a
fonte, uma lâmpada tem propriedade de radiação de um corpo negro a 3000 oC, com o
máximo em torno de 1200 nm, o monocromador que responde com um valor máximo em
determinado λBGRADE mas cai linearmente tanto para esquerda quanto para a direita deste
λBGRADE e o fotodiodo que, tanto o de InGaAsP quanto o de Ge, também possui uma
resposta mínima e máxima em dois λs distintos. A variação da atenuação espectral da fibra é
desprezível para o comprimento da amostra ensaiada no comprimento de onda de corte.
Pelos motivos citados, é necessário fazer uma varredura espectral com a fibra acomodada
sobre base plana fazendo um circulo de r = 14 cm e a seguir uma varredura com a fibra com
uma curva introduzida com r = 1,5 mm. Para ensaio de uma amostra de fibra, L = 2,2m que
na eq. 68, dispersando o termo quadrático fica:
A'
∆λC ( ρ ) ∝
ρ (2.75)
para ρ = 14cm
A'
∆λC ( ρ = 14) ∝ (2.76)
14
59
e para ρ = 1,5cm
A'
∆λC ( ρ = 1,5) ∝ eq.70A
1,5
Dividindo a relação indicada como eq. 70A pela relação indicada como eq. 70, membro a
membro, resulta:
A'
∆λC ( ρ = 1,5) 1,5 14
= = ≅ 10 eq. 71
∆λC ( ρ = 14) A' 1,5
14
Esta relação indica que a diferença [ λCREF − λC ( ρ = 1,5) ] é cerca de dez vezes maior que a
De forma simplista, apenas intuitiva, as etapas do ensaio de λC podem ser ilustradas como é
mostrado na Figura 30, sem levar em conta que a resposta do PK2200 seja dependente do
comprimento de onda em que se mede a intensidade I(λj).
A primeira parte da medição, uma varredura no espectro entre o λmin e o λMAX para medir os
valores da intensidade óptica transmitida pela fibra, I1(λj) em intervalos de 5 nm, com a
amostra acomodada a um raio de 14 cm na base do PK2200. Na região de transição, de
bimodal (LP11 + LP01) para monomodo em que só o LP01 propaga o nível do sinal cai cerca
de 4 dB, do nível PBIMD = 6p para o nível PMOMD = 2p, λC(14cm), mostrado em (A).
A segunda parte da medição, inserir um raio pequeno, para forçar a atenuação do LP11 e
desacoplá-lo em um λC(1,5cm) menor que o λC(14cm), como mostra em (B). Com a mesma
queda de sinal, mas deslocada para esquerda.
A terceira parte, que é executada pelo PK2200 consiste em fazer a divisão, ponto a ponto
medido entre os I(λj)ρ=14cm e os I(λj)ρ=1,5cm para cada resultado da divisão expressar o valor
de A(λ ) = 10 × log(I ρ =14cm I ρ =1,5cm ) . Imprimir graficamente a função calculada ponto a ponto
Φ = 28 cm
(A)
LP01
λc λ
I2(λ) LP + LP
11 01
Φ = 28 cm
(B)
LP01
Φ = 3 cm λcρ=1,5mm λ
A(λ )
4,7
(C)
A(λ ) = 10 × log[ I1 (λ ) / I 2 (λ )]
0,0
λCmedido λ
Figura 30 - As três etapas da medição do λC de uma fibra utilizando o PK2200. Em (A) à esquerda as
condições de lançamento em (B) a direita as curvas medidas I(λ) e salvas pelo PK2200. Em (C) a curva
do λCmedido que é registrada pelo PK.
Na Figura 30(A) o gráfico I1(λ) tem um valor 6p do LP11 + LP01 antes da transição e após a
transição cai para um valor 2p com o LP01 guiado, em (B) ocorre o mesmo com I2(λ), mas a
transição é deslocada para um valor de λ menor. Em (C) é apresentado o resultado obtido
graficamente onde A(λ) é definido na equação a esquerda do gráfico.
Por outro lado ao introduzir uma curva com diâmetros maiores, 4cm, 5cm, 6cm a transição
desloca-se para direita e a curva final torna-se mais estreita.
A parte referente à monitoração óptica das faces de entrada e saída não foi incluída para
simplificar e deixar menos carregado o desenho.
FOTODIODO
XYf
ρ= 14 cm
MONOCROMADOR
λj
CHOPPER
XYf
Φ = 3 cm
REFERÊNCIA
SINAL
LOCK-IN COMPUTADOR
Um recurso alternativo para a medição do comprimento de onda de corte sem que haja
necessidade de executar duas medições, é utilizar a referência de uma fibra óptica
multimodo (L ~ 20 m) submetida à macro curvaturas forçadas, tal que o nível do sinal desta
seja da mesma ordem do nível de sinal que se mede com uma monomodo em regime
bimodal, em uma fibra MM 50/125 é possível acoplar cerca de 40X a potência acoplada em
uma monomodo em regime bimodal, o que é suficiente para saturar o fotodetector do PK. O
formato da curva de λC obtida com este método é diferente, mas o PK2200 possui esta opção
disponível.
Outro recurso que torna dispensável a medição de referência por possuir uma resposta
equalizada e corrigida é executar o ensaio utilizando um analisador de espectro óptico que
62
opere na região espectral de interesse, (600nm a 1800 nm), desde que este possua inclusa
uma fonte de luz branca, o que é um recurso opcional do equipamento.
5 Atenuação Espectral
A componente de potência óptica incidente no ponto zero da fibra que é transmitida adiante
se caracteriza em termos de comprimento e coeficiente de perdas como:
P = P0 e −αx eq. 72
10 P( L0 )
A= × log eq.73
( L − L0 ) P ( L )
FIBRA
P0 P
L0
L
A = {10log[P(L0)/P(L)]}/(L – L0)}
A atenuação em fibras ópticas é um dos parâmetros básicos para configurar uma linha de
transmissão para telecomunicações, determinando, por exemplo, qual o maior intervalo entre
63
Existem basicamente três mecanismos intrínsecos do material vítreo que impõem um limite
mínimo aceitável para a atenuação da fibra. Estão sendo consideradas apenas as fibras de
sílica.
λu
AVEUV (λ ) = A0 exp( ) eq. 74
λ
O segundo mecanismo de atenuação intrínseca da luz é a absorção AVRIV que ocorre devido
a interação da luz com a matriz vítrea, na banda do infravermelho, o que dá origem as
vibrações moleculares no meio vítreo, este efeito aparece em torno de 1400 nm onde a
AVRIV ≈ 0,005 dB/km, em torno de 1800 nm a AVRIV sobe para cerca de 10 dB/km e se
estende de forma sempre crescente até a região do espectro infravermelho em torno de 10
μm, nas fibras de sílica. Uma expressão aproximada para este mecanismo de absorção é
dada por:
−λ
AVRIV (λ ) = B0 exp i eq. 75
λ
B0 ≈ 4 × 1011 dB / km e λi = 48000nm .
Os dois mecanismos descritos acima, para o caso da sílica, estão posicionados no espectro
de tal forma que o espectro que pode ser utilizado fica exatamente num estreito vale
espectral entre as duas regiões a de absorção por excitação eletrônica no UV e a de absorção
do infravermelho por vibrações de rede.
C0
AER (λ ) = eq. 76
λ4
A atenuação intrínseca total de uma fibra é a soma das três contribuições o que está
mostrado na Figura 33. A curva resultante da participação dos três efeitos, em formato de
um V ou como um vale em que região do mínimo está em torno de 1550 nm. A operação da
fibra em regiões afastadas deste mínimo fica limitada a cerca de 1700 nm, devido à absorção
por vibração de rede no infravermelho.
O espalhamento Rayleigh pelo vidro ainda é o maior contribuinte para as perdas em fibras,
seja monomodo ou multímodo e sua contribuição é maior nas fibras multímodo por conter
uma quantidade maior de óxido de germânio GeO2 para que tenha uma AN da ordem de
0,20 na fibra de 50/125 e 0,30 na fibra de 62,5/125.
100 ABSORÇÃO DE
INFRAVERMELHO
10 ATENUAÇÃO
ATENUAÇÃO (dB/km)
1
RAYLEIGH
0,1 ABSORÇÃO DE
ULTRAVIOLETA
0,01
A presença deste tipo de contaminante é problemática na região espectral entre 500 e 1000
nm, podendo estender até 1300 nm caso o nível de íons metálicos se eleve para ordem de
ppm.
O núcleo da fibra (SM e MM) pode apresentar em certos segmentos defeitos distribuídos ao
longo da fibra defeitos maiores que 1 μm ou mais, próximos ao valor do λ usado que dá
origem a um outro mecanismo de espalhamento e que é referido como o Espalhamento Mie
que está associado a separação de fase dos dopantes na matriz SiO2, ou a presença de bolhas
microscópicas de gás, ou a inclusão de partículas. Estes defeitos distribuídos ou localizados
e relativamente grandes são causadores do espalhamento de luz para fora da região do
núcleo da fibra (SM ou MM).
Outro tipo de perda extrínseca que se apresenta nas fibras (MM e SM) são as perdas
induzidas: por macrocurvaturas e microcurvatura. Podem ser induzidas em fibras por curvas
e microcurvas que são distorções mecânicas do eixo do núcleo com pequeno raio de
curvatura.
Ambos causam o acoplamento da luz guiada a modos de radiação, o que gera perdas. Nas
condições operacionais atuais as curvaturas da fibra no interior do cabo e em caixas de
emenda são inevitáveis.
Para fibras monomodo existem expressões bem aproximadas para determinar o coeficiente
de perda por curvatura e que não são tão simples, mas esclarecem sempre que o coeficiente
de perda, γ C é sempre inversamente proporcional ao raio de curvatura R . Apenas como
exemplo, ou citação de quão complexa pode ser uma expressão para determinar o
coeficiente de perdas por curvatura em uma fibra monomodo, lembrando que este
coeficiente é dado em neper, para converter para dB é necessário multiplicar a expressão por
ln10 = 2,302 .
1
w 3
2 − 8R
γ C = F0 ∞
× exp
R ( )
2 2 eq. 77
3 2 ⋅ k1 w∞
1
2 2
w∞ = 2
( )
2
β 0 − k1
,
68
( )
1
π V 2 −W 2 2
F0 =
2aω03 Wk1 ( w)
No caso de microcurvatura é difícil chegar a uma equação geral porque as perdas dependem
da distribuição de microcurvaturas, uma expressão aproximada para o coeficiente de
atenuação por microcurvatura α m (neper) em fibra multimodo é
Ka X
αm = Y Z eq. 78
∆ ⋅b
Para fibras monomodo, assumindo uma distribuição Ø da freqüência espacial (axial) em que
as microcurvaturas estão randomicamente presentes, Ω da curvatura dada por:
k12ω n2
γm ≈
2
[ ]
⋅ A ⋅ k1ω 2 ( p) eq. 79
2p
−1
3 1 W∞
2
2p
ω ( p ) = W∞ − p + p −
2 2 Wn
Está claro que perdas por microcurvatura em fibras monomodo dependem do raio e diâmetro
de campo modal, que se torna dependente de um parâmetro muito sensível no projeto de
fibras monomodo.
69
Levando em conta todas as perdas descritas, todas as intrínsecas e todas as extrínsecas, que
dependem de forma explícita (as intrínsecas), ou implícita (as extrínsecas que dependem de
k1 & β 0 ouω ( p ) ) do comprimento de onda λ , além dos componentes tratados, há mais um
tipo de perda extrínseca, mas que é independente do comprimento de onda, este é designado
termo constante, perda de acoplamento em conectores é um exemplo outro o espalhamento
Mie. Que definem a atenuação da fibra A(λ ) dada por
−G
A Dλ
A(λ ) = + B + Ce + E (λ ) + Fe λ
eq. 80
λ 4
A medição da atenuação espectral, medir o A(λ ) , permite a partir dos resultados medidos,
calcular todos os termos, coeficientes e expoentes da eq. 78, exceto o termo E (λ ) que uma
vez fora da banda de absorção do OHˉ, contribui com o termo B , assim como o termo
correspondente a absorção de UV e de IR, desde que esteja abaixo de 1650 nm, são muito
pequenos e constantes na região espectral entre 1000 nm e 1650 nm.
70
Uma vez determinados os coeficientes A e B no intervalo entre 1000 e 1650 nm, para
determinar os coeficientes C e D é necessário medição do A(λ) na faixa espectral entre 300 e
700 nm, onde a participação do termo correspondente ao espalhamento Rayleigh e do termo
constante são conhecidos, a absorção no infravermelho desprezível e o parâmetro Ce Dλ é
calculado entre 300 e 700 nm a partir do resultado experimental como:
A
Ce Dλ = A(λ ) MEDIDO − − B eq. 81
λ4
−G
A
Fe λ
= A(λ ) MEDIDO − − B eq. 82
λ4
O procedimento de medição para a atenuação espectral em uma fibra (SM ou MM) é o que
foi mostrado na Figura 32, denominado “cut-back” em que o A é medido em uma faixa
espectral em vários comprimentos de onda A(λj), o corpo de prova, uma bobina com vários
km de fibra tem o P(L, λj) medido e em seguida, sem alterar a posição de lançamento na
entrada da fibra, esta é cortada a cerca de 2-3 metros da origem e a seguir mede-se o
P(L0,λj). O comprimento L deve ser previamente medido utilizando o OTDR.
1,0
0,8
1/λ4
ATENUAÇÃO (dB/km)
0,6
OH‾
0,4
0,2
0,0
1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700
COMPRIMENTO DE ONDA (nm)
A Figura 35, em que o pico de absorção OH‾ não levado em conta, mostra as perdas
induzidas por microcurvatura e por macrocurvatura nas fibras SM e MM comparadas às
curvas de atenuação intrínseca da das fibras. As perdas por macrocurvatura nas fibras
monomodo não comprometem o desempenho das fibras monomodo em comprimentos de
onda abaixo de 1400 nm, mas comprometem na faixa de 1500 nm.
SM INICIAL
SM SUBMETIDA À
MACROCURVATURAS
4
SM SUBMETIDO À
MICROCURVATURAS
ATENUAÇÃO (dB/km)
Nas fibras monomodo a perda induzida por macrocurvatura em uma amostra manifesta-se
de forma mais acentuada nos λ’s mais altos com determinado raio de curvatura R1, ao
diminuir o valor do raio para R2, ou elevar o número de voltas o aumento da atenuação
migra para esquerda em λ’s menores. De forma parecida, aumentando a quantidade de
microcurvatura ao longo da fibra há uma separação cada vez mais pronunciada, na vertical,
da curva de atenuação com amostra submetida a microcurvaturas em relação a amostra
inicial.
73
Para medição da atenuação espectral de uma fibra, libera-se cerca de 2 a 3 metros de fibra da
extremidade externa da bobina e prepara-se para que seja fixada na porta de saída de luz do
equipamento. Libera-se parte da extremidade interna da bobina, em L, prepara-se para fixar
na porta de entrada do equipamento, no fotodiodo. Ao especificar o comprimento da
amostra, o valor de L0 já deve ser descontado.
É feita a varredura espectral na faixa de interesse e uma vez concluída, corta-se a fibra em L0
que já foi previamente liberado para manipulação da amostra. A extremidade L0 é então
fixada em frente ao fotodiodo e é feita uma nova medida espectral de referência e uma vez
concluída o equipamento apresenta a curva da atenuação espectral graficamente e listagem
dos valores obtidos.
75
O exemplo ilustrado é para fibras monomodo, para monomodo é necessário passar a fibra
por um misturador de modos ou “mode-scrambler”.
No caso de fibra SM tipo NZD, com o λCORTE alto, em torno de 1400 nm, é necessário
inserir duas voltas com ρ = 1,5 cm logo após a extremidade de entrada da fibra, em L0 que
deve ser mantidas durante as duas varreduras de tal forma que não sejam alteradas. Desta
forma o λCORTE migra para valores menores sem sobrepor a curva da atenuação espectral.
Outro método, este indireto, para fazer medição da atenuação em fibras (SM e MM) é por
retro espalhamento da luz e que utiliza o principio de um refletômetro óptico no domínio do
tempo (OTDR).
A luz espalhada em cada ponto ao longo do eixo da fibra, quando uma frente de onda passa
por ele, por espalhamento Rayleigh, é espalhada em todas as direções a 4π srd em torno de
cada ponto e a fração da luz espalhada, coletada pela AN da fibra retorna em sentido oposto,
para extremidade em que a luz foi lançada. Utilizando pulsos de luz, como pacotes de luz
enviada em intervalo de tempo suficiente para que o pacote precedente possa chegar ao final
da fibra e retornar a origem tal que não haja superposição de sinal e então fazendo uma
medida sincronizada dos pacotes de luz que retornam consecutivamente a origem, mede-se a
potência relativa e o ponto de procedência de cada pacote, a partir do valor inicial P(L=0) =
P0 e dos P(L) que retornam mede-se com um osciloscópio a curva retroespalhada.
O método fica restrito a poucos comprimentos de onda (de 1 a 10) para medição uma vez
que as fontes são independentes para cada comprimento de onda e são lasers DFB ou FP.
Sendo este o método mais flexível para medições de atenuação e comprimento de fibra em
uma amostra, necessita apenas uma extremidade da fibra para cada medição, embora seja
necessário medir uma amostra em ambos os sentidos, porque uma fibra pode apresentar
características diferentes em cada sentido de propagação e que resultam em atenuações
diferentes para cada extremidade medidas. Um defeito que pode estar presente em uma
76
amostra e varia de acordo com o sentido, é o afunilamento do núcleo da fibra que pode
variar em cerca de 2-5 μm em uma fibra (SM- MM) em 10 km de fibra. Outro problema que
torna a fibra com propriedades distintas em cada direção é a variação (subida ou descida) do
n0 índice de refração do núcleo em dado sentido.
Ao utilizarmos pulsos com uma largura maior ou igual a 1 μs, devido a presença da zona
morta, torna-se necessário o uso de uma fibra lançante com mais de 2 km. O pulso inicial se
sobrepõe a curva de retroespalhamento e impossibilita que este trecho possa ser analisado.
Estes comprimentos de sobreposição nas amostras correspondem aos primeiros 100 m para
pulsos de 1 μs, 1 km para pulsos de 10 μs e 2 km para pulsos de 20 μs.
A velocidade de propagação da luz no meio vítreo da fibra é 2 x 108 m/s, durante o intervalo
de tempo de 1 μs = 10-6 s o comprimento percorrido é de 2x108x10-6 = 2x102 = 200 m, sendo
estes 200 m o comprimento percorrido para ir do ponto zero da fibra até 100 m e em seguida
retornar pelos mesmos 100 metros até o OTDR. Para pulsos de 10 e 20 μs basta aplicar um
fator multiplicativo e verificar os comprimentos correspondentes de 1 e 2 km.
LASERS CEO
CM
GERADOR λ4
DE PULSO COM
AO
FIBRA
λ3
A
λ2
λ1
CM
FOTODIODO E
AMPLIFICADOR
CONVERSOR
A/D
A D DISPLAY
PROCESSADOR DE SINAIS
O OTDR permite localização de falhas, medir o nível de perdas por emendas e resolver a
atenuação para diferentes segmentos da fibra, o que fornece a uniformidade de atenuação da
fibra.
Ao medir trechos com conectores ópticos, emendas mal feitas que dêem origem a reflexões
altas, o pulso refletido de alto nível pode ser re-refletido no OTDR, podem ser observados os
pulsos fantasmas porque pulsos múltiplos estão se propagando simultaneamente.
79
ACOPLADOR
FIBRA
PULSO RETROESPALHADO
FOTODIODO
6 Dispersão Cromática
As fibras produzidas para uso em telecomunicações podem ser limitadas por um dos dois
maiores fenômenos dominantes: a atenuação e a dispersão.
O limite imposto pela atenuação é atingido quando o sinal transmitido degrada abaixo do
limite do receptor óptico usado. Caso haja disponível um nível de potência óptica suficiente,
a dispersão da fibra determina o limite para a possibilidade de um pulso individual ser
discernível em relação ao ruído que se faz presente com o sinal e tende a ser outro fator
limitante.
A dispersão cromática é composta pela dispersão material e pela dispersão de guia de onda.
A dispersão material é o fenômeno causado pelo índice de grupo da fibra e pela composição
espectral do sinal óptico. Um pulso óptico propagando por uma fibra deforma-se devido a
interação da luz com o meio em que esta se propaga.
c
v FASE = ,...em..λ eq. 83
n
c
vGRUPO = eq.84
N (λ )
dn
N ( λ ) = n ( λ0 ) − λ 0 eq. 85
dλ 0
L L dn L × N (λ0 )
τ = τ ( λ0 ) = = n(λ0 ) − λ0 = eq. 86
vGRUPO c d λ0 c
No caso de uma fonte (laser ou LED) caracterizado por uma largura espectral ∆λ0 , então
dτ − L d 2n
∆τ = ∆λ0 = λ0 2 ∆λ0 ou
dλ0 c dλ0
L d 2 n ∆λ
∆τ = − λ20 2 0 eq. 87
c dλ0 λ0
O termo ∆τ a variação do atraso que é definida pela a dispersão material da fibra e está
sempre presente quando um pulso óptico propaga-se por um meio dispersivo. Pela eq. 87
pode-se ver que a dispersão material é diretamente proporcional a largura espectral da fonte
∆λ0 e ao comprimento da fibra. Um dos meios para redução desta é utilizar fontes com o
A dispersão material de uma fibra é expressa em pico segundos por nanômetros por
quilômetros (ps / nm.km) e é definida por:
∆τ 1 2 d 2n
DM = =− λ0 2 × 10 9 ( ps
L∆λ0 λ0 c dλ0 nm ⋅ km) eq. 88
82
O índice de refração da sílica dopada com germânio a 6,3% pode ser representado pela
fórmula empírica
onde:
b3 = 0,8663412 .
[T. Kimura “Basic Concepts of the Optical Waveguides” Optical Fiber Transmission 6
North Holland] [21].
Os valores das mesmas constantes a1 , a2 , a3 , b1 , b2 , b3 são encontrados para sílica pura e para
sílica com outros dopantes e a partir daí é possível ver que a sílica SiO2 tem dispersão
material nula em 1270 nm e a sílica dopada com germânio a cerca de 6,5% (fibra
monomodo) a dispersão material é aproximadamente 1300 nm.
A dispersão de guia de onda ocorre nas fibras porque a propagação da luz no núcleo e na
casca é diferente. Esta dependência do τ G = τ GUIADEONDA em função do comprimento de onda
dτ G L 2 ∂ 2 β
= − V eq. 90
dλ 2πc ∂V 2
onde os termos:
L é o comprimento da fibra e
83
1 dτ G 1 2 ∂ 2 β
= − V eq. 91
L dλ 2πc ∂V 2
Para fibras com o núcleo com um n0 cerca de 0,1% acima do índice de refração da casca n, a
dispersão de guia de onda é cerca de uma a duas ordens de grandeza menor que a dispersão
material.
Deve ser notado através do gráfico que as duas dispersões, material e dispersão de guia de
onda possuem sinais diferentes. A material cresce com o λ e a de guia de onda decresce e é
negativa, por isso a soma, dispersão cromática está deslocada para direita. Assim as duas
dispersões podem ser balanceadas, alterando a estrutura do perfil de índice tal que a
dispersão nula desloque-se para direita ou algum ponto de interesse, por exemplo para
λ=1550 nm onde a atenuação da fibra de sílica é mínima. Neste caso o perfil é modificado
de retangular para um formato quase que triangular ou triangular com lobos laterais de
menor amplitude, são os casos das fibras DS e da NZD.
20
MATERIAL
DISPERSÃO (ps/nm.km)
10
TOTAL CROMÁTICA
-10
GUIA DE ONDA
-20
1200 1300 1400 1500 1600
COMPRIMENTO DE ONDA (nm)
dτ ( λ ) ∆τ
D (λ ) = ≈ eq. 92
dλ ∆λ
A aproximação da eq. 92 tem em prática. Com erro da ordem de 0,005 ps/nm.km em 1310
nm com intervalos de 20 nm e de 0,002 ps/nm.km em 1550 nm na mesma condição, uma
precisão extremamente alta.
As implementações deste método permitem uma medição direta da dispersão superando hoje
todas as desvantagens do método preliminar, mantendo o princípio de medição. Este sistema
usa como fonte de luz dois LEDs centrados em 1330nm e 1500 nm, cobrindo assim todo
espectro óptico de 1200 nm a 1610 nm. Os lasers devem ser evitados [Barlow et al idem]. O
λ selecionado é modulado em tempo, tal que ao passar pela fibra gere um sinal com atraso
modulado ( uma fase), que é subseqüentemente demodulada para obter o atraso diferencial
∆τ entre os comprimentos de onda ora usados e daí a dispersão.
O método é chamado dupla demodulação o método não tem desvantagens tais como
complexidade óptica, ajuste de curvas, pontos espúrios, além de rejeitar efeitos de ‘drifts’
térmicos e ruído eletrônico de fase 1 f sendo assim capaz de medir diretamente a dispersão
cromática em todo tipo de fibra com excelente repetibilidade e estabilidade.
modulação senoidal do sinal óptico recebido, produzindo uma voltagem que representa o
atraso instantâneo na fibra em relação ao sinal de referência, que pode ser elétrico ou um
sinal óptico. Um oscilador de baixa freqüência é usado como sinal de referência para
controle do comprimento de onda selecionado pelo monocromador e para um segundo
demodulador (um amplificador lock-in). O λ é chaveado entre dois valores λ1 e λ 2 na
freqüência F, de centenas de Hz. A luz do LED modulada em alta freqüência, em
sincronismo o com o oscilador de baixa freqüência o monocromador de estado sólido
seleciona ou λ1 , ou λ 2 para fibra sob teste, cada λ experimenta um atraso ou deslocamento
de fase Φ 1 e Φ 2 , respectivamente. O sinal óptico no receptor é uma combinação destes dois
sinais e a saída deste é um sinal de alta freqüência com modulação de fase em baixa
freqüência ∆Φ = Φ 1 − Φ 2 . O medidor de fase detecta a fase instantânea, produzindo uma
saída que consiste de um nível DC representando o atraso médio da fibra em relação ao sinal
de referencia e um sinal síncrono de baixa freqüência com amplitude proporcional ao atraso
diferencial cromático ∆τ = τ (λ 2 ) − τ (λ1 ) entre λ1 e λ 2 .
87
LEDs
CHAVE
1330nm ÓPTICA
MONO
CROMADOR
Tx
1550nm
Fb
Monitoração
33 MHz
PHASE
SHIFTER
PHASE 33 MHz
METER CLOCK
RECOVERY
REF
LF CLOCK
DATA RESTAURAÇÃO
LF CLOCK DE DADOS
CONTROLADOR
DE λ
MÓDULO
MICROPROCESSADOR Tx
SINAL
PHASE SINAL
LOCK-IN METER
REFERÊNCIA
33 MHz
CONTROLE
REFERÊNCIA
ATENUADOR
OUT
90%
DIGITAL PHASE
SHIFTER LASER
1300nm
OSCILADOR
HF 33 MHz
OSCILADOR DATA RF
LF 217 Hz CLOCK
MICROPROCESSADOR
TECLADO MÓDULO
DISPLAY E Rx
IMPRESSORA
O amplificador lock-in detecta esta modulação uma segunda vez para medir o atraso
diferencial de forma independente do atraso médio, produzindo uma saída proporcional ao
∆τ . A aquisição, média e calculo são executados pelo computador para dar:
∆Φ V
D (λ ' ) = = OUT × Constte eq. 93
360 ⋅ L ⋅ f ⋅ ∆λ ∆λ
λ1 + λ 2
∆λ = λ2 − λ1 e λ ' = = ComprmOndaMédio
2
em λ0 , o S0 que caracterizam uma fibra. Para ajustar a curva de dispersão cromática aos
pontos medidos utiliza-se a equação de Sellmeier com 3 termos
D (λ ) = 2 B ⋅ λ − 2Cλ−3 eq. 94
Sλ λ0 4
D (λ ) = 0 1 − eq. 95
4 λ
1
C 4
λ0 = ...(nm) e S 0 = 8B...( ps / nm 2 km) eqs 96
B
89
Para as fibras DS, NZD, com dispersão plana entre 1310 e 1550 nm, utiliza-se para ajuste
dos pontos a derivada da equação de Sellmeier com 5 termos onde
Desta forma o princípio do método de fase diferencial com dupla demodulação é medir os
atrasos diferenciais de grupo τ (λ ) para dois λ ' s separados por ∆λ e obter um conjunto de
Nos últimos 15 anos o estudo e medição do PMD para sistemas de comunicação óptica
cresceram como conseqüência de dois outros desenvolvimentos. Um deles o
desenvolvimento dos amplificadores ópticos a fibra que aumentaram significativamente as
distâncias LTOTAL atingidas por linhas de fibras monomodo, sem regeneradores e ao mesmo
tempo aumentando o número de elementos ópticos em linha que contribuem para aumentar
o PMD das linhas.
Os efeitos de polarização nas fibras ópticas monomodo são tratados levando sempre em
conta um regime de Tx-Rx. Nas fibras monomodo, uma onda óptica de polarização
arbitrária pode ser representada como a superposição linear de 2 modos ortogonalmente
polarizados HE11. Em uma fibra ideal, os dois modos HE11 são indistinguíveis (degenerados)
em termos de propriedade de propagação por uma simetria cilíndrica da fibra.
90
Esta degenerescência que dá validade ao termo monomodo ocorre sempre com um grau
maior ou menor em fibras reais dependendo do processo de fabricação e a extensão de
forças mecânicas agindo (atuando) externamente ao longo da fibra após a fabricação.
Uma fibra real contém certas anisotropias, distribuídas por todo comprimento, oriundas do
processo de fabricação tais como a não circularidade do núcleo, ou não circularidade da
fibra e a descentralização núcleo / casca que dão origem a campos de trações / tensões
assimétricas ao longo da fibra, que são os mecanismos de geração de anisotropias
intrínsecos de fibra. Além disso, uma fibra cabeada está sempre exposta a ações mecânicas
tais como curvatura, pressionamento da fibra, ou torção da fibra que geram uma
birrefringência distribuída randomicamente por todo comprimento da fibra em questão que
são os mecanismos extrínsecos.
n f < ns .
ω ⋅ ns ω ⋅ nf
βs − β f = − = ω.∆nef eq. 98
c c
(A)
(B)
CURVATURAS TORÇÃO
STRESS LATERAL AXIAL
EXTERNO
Uma fibra com birrefringência excitada por luz linearmente polarizada, orientada entre os
dois eixos de birrefringência da fibra terá duas componentes de propagação, uma orientada
no sentido X outra componente no sentido Y, a Figura 42 ajuda entender este mecanismo,
onde o eixo X foi escolhido como o eixo lento e o Y eixo rápido a variação periódica mostra
em cada eixo corresponde a variação de intensidade, não do campo elétrico. Lembrar que a
intensidade de luz é proporcional ao quadrado do campo elétrico incidente,
I∝ E
2
92
assim como para a luz acoplada a fibra, a intensidade de cada componente X e Y (ou slow e
fast) é proporcional ao quadrado de cada componente do campo elétrico e a freqüência de
2 2
E é o dobro da freqüência do campo elétrico E (O E em função de L, tem o formato da
entrada da fibra.
X eixos X Y da fibra
LB
LB = λ / Δnef
Figura 42 - Propagação das componentes fast (Y) e slow (X) por uma fibra com
birrefringência e a possível evolução dos estados de polarização no trecho de batimento
LB.
λ
LB = eq. 100
∆nef
93
Em uma linha com cerca de 100 km ou mais, o valor do LB não é uma constante da fibra, ele
varia de forma quase que aleatória de trecho em trecho da fibra.
No caso de uma fibra birrefringente que seja excitada por pulsos de luz linearmente
polarizada a 45o, fazendo um ajuste com um polarizador externo, antes da fibra, para orientar
a polarização do pulso de entrada a 45o de tal forma que os dois modos, o fast e o slow,
sejam excitados com a mesma intensidade e simultaneamente. Da forma como está ilustrada
na Figura 43.
Após viajar por um comprimento L (da ordem de km) mede-se a diferença de tempo de
chegada ∆τ entre estes dois modos excitados. O valor medido do ∆τ está diretamente
relacionado ao valor médio da birrefringência da fibra:
∆τ d (β s − β f ) ∆nef ω d∆nef
= = − × eq. 101
L dω c c dω
Y
Δ
45°
O valor do ∆τ medido varia linearmente com o comprimento L, em lances curtos. Para este
percurso não ocorre de forma significativa o acoplamento de modos fast e slow.
94
1
σt = L.LC eq 102
2 ∆V
A Figura 44 ilustra o que vem a ser o acoplamento forte entre os modos de polarização em
uma fibra monomodo. Nesta figura não foi desenhada a fibra, mas deve-se considerar que os
dois modos correspondem aos modos de polarização de uma fibra.
Neste caso considerar que a fibra foi excitada em apenas um dos modos, o fast, na linha
superior do diagrama, o slow na linha inferior.
MODO F
FORMA DO
PACOTE F+S
MODO S
Na Figura 44 as setas verticais tracejadas indicam a fração de energia sendo transferida nos
sentidos F→ S e S→F.
∆τ d∆ β ∆τ
= ≅ eq. 103
L.LC dω L.
[Menyuk and Wai “Polarization evolution and dispersion in fibers with spatially varying
birefringence” Journ Opt. Soc. Amer. B, 11, 1288-1296, (1994)] [24].
para uso em telecomunicações é feita usando uma variedade de técnicas de medição, com
certas vantagens e desvantagens. Em referências podem ser encontrados cerca de seis
métodos, que não serão discutidos aqui. A maioria destas técnicas tendem medir o atraso
diferencial médio ∆τ entre os principais estados de polarização, no domínio do tempo ou
no domínio de freqüência.
3π
∆τ RMS = ∆τ 2 = ∆τ eq. 104
8
Os valores médios indicados na eq. 104 são usualmente obtidos variando o comprimento de
onda da fonte ou a temperatura da fibra para medição da fibra variando os atrasos
96
Uma das principais técnicas utilizadas para medição do PMD em fibras monomodo, talvez
uma das mais antigas, usa um interferômetro de Michelson para medir o atraso relativo entre
os dois modos de polarização.
A Figura 45 mostra o diagrama de blocos da montagem deste aparato usado para medir o
PMD em que o divisor da frente de ondas de um interferômetro convencional é substituído
por um acoplador óptico a fibra, com a polarização mantida.
Nesta montagem uma fonte de banda espectral larga com um polarizador é usada para enviar
luz através da amostra de fibra sob teste e a saída da fibra está conectada a porta do
interferômetro. No interferômetro um padrão de franjas é gerado do detector em função da
variação da posição do espelho móvel em um dos braços do interferômetro.
As fibras que caem no regime de comprimentos longos produzem um padrão de franjas que
cotem um grande número de picos distribuídos em torno de um ponto central.
[Ginsin, Von der Weid, Pellaux “Polarization mode dispersion of short and long single-
mode fibers Jouurn. Lightwave Technol. LT-9, 821-827, (1991)] [25].
Embora esta técnica não meça o valor absoluto do atraso diferencial entre os principais
estados depolarização diretamente, o atraso diferencial médio pode ser inferido usando a
equação
As vantagens deste método são a resolução temporal de fentosegundo, faixa dinâmica alta
(50 dB) e boa estabilidade sob variações nas condições da fibra.
97
FIBRA
ESPELHO
MOVEL
ACOPLADOR A
FIBRA COM
POLARIZADOR POLARIZAÇÃO
MANTIDA MOTOR
LED
FIBRA ESPELHO
COMPUTADOR FIXO
DETECTOR
A curva espectral medida tem uma característica de vales e picos. E uma segunda medição
de referência pode ser necessária sem o analisador.
A Figura 46 mostra o esquema de montagem óptico utilizado para execução desta medição.
98
FOTODIODO
POLARIZADOR
FIBRA
MONOCROMADOR
POLARIZADOR
CHOPPER
REFERÊNCIA
SINAL
LOCK-IN
COMPUTADOR
MONITOR
O formato da curva obtida nesta medição é algo semelhante ao que está mostrado na Figura
47.
A informação desta curva está nos extremos localizados no 1º, 2º, 3º,....10º pico e na
transformada de Fourier. O valor médio do atraso de grupo da fibra sob teste é determinado
pela contagem de extremos distribuídos entre o λ MIN e o λ MAX
kN e λ MIN × λ MAX
∆τ = eq. 106
λ
2(λ MAX − λ MIN ).c
99
4º
I (λ ) 9º
2º
3º
1º 10º
λ
λ MAX
λMIN
Uma forma alternativa de expressar o resultado da eq. 106 é usar em lugar dos valores de
λMINIMO e λ MAXIMO os valores de λ NOPRIMEIROEXTREMO e o λ NOULTIMOEXTR EMO , o valor do atraso
médio entre os modos de polarização é dado por
( N E − 1) × k × λ NOPRIMEIROEXTREMO × λ NOULTIMOEXTREMO
∆τ = eq. 107
λ
2 × (λ NOULTIMOEXTREMO − λ NOPRIMEIROEXTREMO ) × c
L = 100km , apresenta um ∆τ λ
≈ 1 ps e requer um
100
7,8 ps.nm
∆λ (nm) = = 7,8nm / extremo
1 ps
É importante que haja sempre uma margem para medição em λ , abaixo e acima do λ de
interesse.
2
∆τ ≅ ∆τ + ∆τ 2
2
1+ 2
eq. 108
O mesmo procedimento vale para um lance composto por N fibras com os atrasos médios
conhecidos
2
∆τ ≅ ∆τ + ∆τ 2 + ..... + ∆τ N
2 2
LINHA
eq. 109
O coeficiente de PMD é o atraso médio dividido pela raiz quadrada do produto L.LC, onde o
LC é aproximadamente 1km e o coeficiente passa a ser uma função de L , a menos de um
fator multiplicativo se o LC for muito diferente de 1km.
∆τ 1 ∆τ 1
c1 = ≈ eq. 110
L.LC L
∆τ 1 ∆τ 2 ∆τ N
2 2 2
Da mesma forma este calculo aplica-se para saber o valor do ∆τ 2 de uma fibra que
∆τ ≅ ∆τ TOTAL − ∆τ 1
2 2
2
eq. 113
Os resultados destas medições são as curvas de resposta ao impulso da fibra, indicado por
h(τ ) no domínio do tempo e da função de transferência H (ω ) no domínio da freqüência,
onde a freqüência angular ω = 2π ⋅ f . Os resultados destas medições, as funções h(τ ) e
H (ω ) , são diretamente relacionados pela transformada de Fourier, medindo-se no domínio
do tempo e calculando-se a resposta em freqüência. Ou usando a transformada de Fourier
inversa para obter a resposta ao impulso h(τ ) a partir do H (ω ) .
Valores específicos destas medições, tal como o valor rms da curva de dispersão modal e o
valor da largura de banda passante a 3 dB na curva da função de transferência são
inversamente proporcionais, quanto menor o σ H maior o H (ω ) 3dB .
Em ambas as medições as fontes de luz utilizadas são lasers diretamente modulados e com
uma faixa espectral ∆λ ≤ 1nm o que contribui em 0,08 ns / km em 850 nm e pode ser
102
deconvoluido após medição em lances longos, L > 4km , levando em conta a dispersão
cromática da fibra que em 850 nm que é da ordem de 80 ps / nm / km. Mas anula-se em
torno de 1300 nm.
A dispersão intermodal é causada pelas diferenças dos atrasos de grupo entre os vários
modos que uma fibra multimodo suporta (cerca de 500 na 50/125 e 1000 na 62,5/125).
Como nas perdas, a dispersão intermodal depende da distribuição radial da potência de luz e
número de modos excitados pela fonte de luz, das perdas diferenciais entre os modos
excitados e a da presença de acoplamento forte entre os modos, ou conversão de modos o
que determina um fator de concatenação γ (gama) da fibra. Os resultados da dispersão
modal são, portanto diretamente relacionados às condições de lançamento tais como: a
abertura numérica AN totalmente preenchida ou parcialmente preenchida que neste caso
reduz a dispersão modal, o spot-size sobre a face da fibra e a posição radial.
do pulso de entrada PIN (t ) e o pulso detectado na saída da fibra POUT (t ) é dada por
+∞
POUT = ∫P IN (t − τ )h(τ )dτ eq. 114
−∞
103
que poderia não ser muito segura, do mesmo modo poderíamos ficar inseguros ao utilizar a
relação
+∞ _ _
σ = ∫ (τ − τ ) 2 P (τ )dτ eq. 116
2
−∞
_ +∞ _
τ = ∫ τ P (τ )dτ eq. 117
−∞
+∞
∫ P(τ )dτ = 1
−∞
eq. 118
104
Assumindo que o pulso de entrada PIN (t ) , o pulso de saída POUT (t ) e a resposta ao impulso
h(t ) , todos normalizados como na eq. 118 e reescrevendo a eq. 116 como
+∞ 2
+∞
σ OUT
2
= ∫ t POUT (t ) dt − ∫ tPOUT (t ) dt eq. 119
2
−∞ −∞
2
σ 2
OUT = ∫∫ t PIN (t − τ )h(τ )dτ .dt − ∫∫ tPIN (t − τ )h(τ )dτ .dt eq. 120
2
−∞ −∞
Mudando as variáveis:
t = x+ y, t 2 = x 2 + y 2 + 2 xy eq. 122
Trocando as variáveis de integração nas integrais duplas da eq. 120 para x.....e.... y e
substituindo nas eqs 122, encontramos que as integrais podem ser fatoradas. Alguns fatores
são reduzidos ao valor 1 por normalização, eq. 118 e aplicando a definição da eq. 119 da
largura rms do pulso para o pulso de entrada PIN (t ) e para a resposta ao impulso h(t )
imediatamente obtém-se
σ H2 = σ OUT
2
− σ IN
2
eq. 123
Esta equação é prática e importante porque permite o cálculo direto da largura rms da
resposta função de resposta ao impulso h(t ) a partir das medições da largura dos pulsos de
entrada e de saída da fibra.
[Gloge, Chinnock and Lee “Self-pulsing GaAS laser for fiber-dispersion measurements”
IEEE J. Quant. Electron. QE-8, 844- (1972)] [28] e [Gloge and Chinnock “Study of pulse
distortion in SELFOC fibers” Electron. Lett. 8, 526-527, (oct 19, 1972)] [29].
MODE-SCRAMBLER
LASER
PULSADO
FIBRA
EMENDA [km]
OBJETIVAS
2
FOTODIODO
1
SINAL
OSCILOSCÓPIO
DIGITAL
SINAL
REFERÊNCIA
COMPUTADOR
Os pulsos de entrada e saída são salvos e processados por um computador que obtém as
transformadas de Fourier destes pulsos e calcula a função de transferência da fibra, o H (ω )
que tem a característica de um filtro passa-baixa.
impulso F. [h(t )] = H (ω ) pode ser obtida da Eq. 2, no domínio do tempo pelas medições de
106
FOUT (ω )
H (ω ) = eq. 115
FIN (ω )
Quando as medições executadas no domínio do tempo são obtidas com valores altos da
[largura rms do hOUT (t )] > 1 , não é necessário deconvolução uma vez que o quadrado desta
também é maior que 1 e o quadrado da [largura rms do hIN (t ) ≅ 0,1ns ] ≈ 0,01 e a raiz da
diferença 0,99 ≅ 1 .
A Figura 49 mostra a montagem utilizada para medição direta da largura de banda de uma
fibra no domínio de freqüência. A fonte é de intensidade modulada, com freqüência
variando de 10kHz a 2,5 GHz, o mode-scrambler é o mesmo usado na montagem da Figura
48.
MODE-SCRAMBLER
LASER
MODULADO FIBRA
EMENDA [(km]
OBJETIVAS
2
FOTODIODO 1
SINAL
ANALISADOR DE 2
ESPECTRO
1
SINAL
GERADOR DE
VARREDURA COMPUTADOR
Figura 49 - Esquema de montagem usado para medir a largura de banda de uma fibra
MM, 2 é o sinal de entrada e 1 é o sinal de saída das fibras medida e a referência. O
sinal ilustrado é um valor instantâneo, a freqüência deste varia de 10kHz a 2500MHz.
Como foi destacado no início deste trabalho, parte introdutória, a largura de banda de uma
fibra, ou o valor rms da largura temporal da resposta ao impulso, estão diretamente ligados
ao valor α do perfil de índice de refração. Lembrando que
108
1
α
r 2
n(r ) = n0 1 − 2 ∆ .. para..r < a da eq. 2
a
Onde o ∆ é:
n02 − n n0 − n
∆= ≈ da eq. 1
2n02 n0
4,0
LARGURA RMSσRMS (ns/km)
3,0
2,0
1,0
0,0
1,0 2,0 3,0
PERFIL α
[Marcuse “Calculation of bandwidth from índex profiles of optical fibers, 1: Theory” Appl.
Optics 18, 2073- (1979) e Correction ibd, 19, 188- (1980)] [30].
[Olshansky and Keck, “Pulse broadening in graded-index optical fibers” Appl. Optics 15,
483- (1976)] [31].
Uma curva similar, no domínio de freqüência está mostrada na Figura 38 que mostra a
largura de banda B (MHz.km), escala logarítmica, em função do perfil α .
105
LARGURA DE BANDA B (MHz.km)
∆n = 0,02 ou
∆ = 0,0135
104
103
102
1,6 2,0 2,4
PERFIL α
A Figura 51 mostra o valor a que B pode chegar para fibras com este perfil α = 1,968
operando em λ = 1000nm , mas se deslocada para operar em λ ’s maiores ou menores que
1000 nm, o valor de B cai rapidamente.
menor. Os modos altos apenas cruzam esta região com o n(r) maior, mas aceleram-se na
periferia do núcleo onde o n(r) é aproximadamente igual ao n da casca da fibra.
A Figura 52B ilustra o caso de uma fibra com um perfil de índice supercompensado, o
formato do n(r) aproxima-se de um triangulo com o vértice superior em r = 0. onde o valor
do n0 é muito alto e retarda demais os modos baixos, menos atenuados mas chegam
atrasados em relação aos modos altos, o formato do pulso no final da fibra, composto pelos
modos altos atenuados, menor intensidade, chegam primeiro seguidos dos modos
intermediários e por fim os modos baixos com maior amplitude.
A Figura 52C ilustra o caso de uma fibra com o perfil de índice otimizado, de forma a
equalizar o tempo de transito de todos os modos, os baixos trafegam por uma região com o
n(r) que tende a reduzir a velocidade destes modos para equalizar com a velocidade média
dos modos altos, que aceleram na região afastada do eixo e reduzem a velocidade apenas ao
cruzar o centro, mantendo uma velocidade média maior que a dos modos baixos de forma a
compensar o trajeto maior que percorrem.
E a Figura 52D ilustra o caso de uma fibra com um α > 2,1 e comporta-se como
subcompensada, ou com perfil trapezoidal, sem arestas vivas, em que modos baixos
próximos ao eixo viajam mais rápidos que modos altos fazendo zig-zag, atenuando-se e
atrasando-se mais. Os modos axiais que chegam antes menos atenuados compõem o início
do pulso no final da fibra. Os modos altos que se atrasam mais e atenuam mais compõem a
parte final do pulso que chega ao final da fibra.
111
125µm
CASCA
62,5µm
50 ou
NÚCLEO
SINAL DE
ENTRADA SINAL DE
SAIDA
Figura 39A - Sinal de entrada (uma função delta) e sinal de saída, após percorrer km de uma
fibra com perfil de índice degrau, α → ∞ .
CASCA
NÚCLEO
SINAL DE SINAL DE
ENTRADA SAÍDA
Figura 39B - Sinal de saída de uma fibra multímodo índice gradual, com um perfil de índice
~ triangular, fibra super-compensada, 1 < α < 1,9
CASCA
NÚCLEO
CASCA
NÚCLEO
Figura 39D - Sinal de saída de uma fibra multímodo índice gradual, com um perfil de índice
~ trapezoidal, fibra sub-compensada, 2,1 < α < ∞
112
A largura de banda das fibras ópticas multímodo deve ser sempre considerada
levando em conta vários fatores simultâneos que de forma independente contribuem para
fortificar o acoplamento de modos, que são:
A excitação uniforme dos modos na entrada da fibra, tal que gere tanto raios
meridionais e em parafuso no interior da fibra, estes em parafuso podem excitar a
fibra parcialmente.
Ter em conta que é sempre possível uma equalização dos atrasos relativos entre os
modos excitados numa linha composta alternadamente por fibras com perfil subcompensado
e supercompensado (ver Figuras 39). Ou seja, alternar em comprimentos similares fibras que
estão à direita e a esquerda do ponto ótimo de operação.
Ao excitar uma fibra MM na porta de entrada, vários modos, da ordem de 500 modos
ou mais, são simultaneamente excitados e estão diretamente relacionados ao ângulo de
propagação θ em relação ao eixo da fibra. Nas fibras MM o número de modos excitados M
V2 2πa
é dado por M = , onde V = × AN .
2 λ0
Os modos altos viajam por uma trajetória em zig-zag com um valor de θ elevado,
AN
para manter-se confinado é necessário que θ < arcsen( ) , onde AN é a abertura
n0
Os modos baixos viajam por outro trajeto em zig-zag com um valor baixo de θ ,
próximo ao eixo da fibra.
Figura 53 - Uma fibra com acoplamento de modos forte ao ser excitada seletivamente
por um ângulo θ na porta de entrada
Em uma fibra com conversão de modos alta, ou acoplamento de modos forte, quando
excitada seletivamente por um ângulo θ, entre 00 e θMAX, após L metros ou km de fibra na
saída da fibra estão presentes tanto os modos altos, os médios e os baixos, como se a fibra
fosse excitada com toda sua Abertura Numérica preenchida, conforme ilustrado na Figura
53.
Figura 54 - Fibra óptica multímodo que não apresenta conversão de modos forte
tc tc
(A) (B)
2,1 Subcompensada
λÓTIMO = 950 nm
αÓTIMO
2,0
1,9 Supercompensada
B0
proporcional a L , em que o B ( L) = ,
L
118
Para fibras longas com o comprimento maior que o LC esta dependência passa a ser
B0
B( L) = em que o B0 caracteriza o valor da largura de banda em MHz e a constante γ o
Lγ
grau de sua dependência com o comprimento da fibra.
LC a inclinação passe para γ > -1 significa que nos segmentos medidos o valor de LC foi
B( L) = B0 /( L / L0 ) γ eq. 125
Onde:
bastante precisa e uma faixa de reserva em Largura de Banda deve ser previamente
considerada.
L 2 L 3L
X = ,.. ,.. ,....e..L . Neste caso a seqüência dos segmentos deve ser mantida.
8 8 8
Uma regra prática para calcular a concatenação de modos ao compor um enlace com
várias fibras MM, usando apenas o valor da largura de banda de cada segmento em MHz, @
-3dB é expressar o B final por:
B = (∑ Bi−1 / γ ) −γ = 1 /(∑ Bi
1/ γ
)γ eq. 126
valores das larguras de banda dos segmentos que compõem o enlace e γ é o Fator de
Concatenação a ser calculado para validar a equação onde 0,5 ≤ γ ≤ 1,0 em que o valor
γ = 0,5 corresponde a uma completa conversão de modos e que o valor γ = 1 corresponde a
uma conversão de modos desprezível.
−γ
N
BTOTAL = ∑ ( Bi ) −1 / γ
i =1
1
BTOTAL = γ
N −1 / γ
∑
i =1
( Bi )
1
BTOTAL = γ
N 1 1/ γ
∑ ( )
i =1 Bi
Este método não depende explicitamente dos comprimentos de cada segmento que
compõe o enlace e não depende da seqüência, na última expressão matemática, quaisquer
das parcelas da esquerda podem ser comutadas e o valor da soma permanece o mesmo.
Uma vez determinados os valores das Larguras de Banda de cada segmento (GHz ou
MHz) e do enlace construído, o BTOTAL , a partir da expressão acima, uma equação
Uma análise mais refinada e trabalhosa é verificar como as diferenças dos atrasos de
grupo entre os modos excitados são afetadas pela mistura de modos.
Desde o advento das comunicações por fibra óptica até cerca de dez anos atrás, a técnica
predominante para efetuar a modulação dos sinais ópticos foi através de multiplexação
temporal ou TDM (Time Division Multiplexing). Esta técnica que permite o transporte
digital das informações foi estruturada nas hierarquias PDH até o início da década de 90 e
posteriormente na síncrona SDH. A hierarquia SDH, hoje padronizada em diversos
documentos do ITU-T, é comumente usadas pelas operadoras de telecomunicações hoje em
dia, fazendo uso de taxas que vão desde 45 Mb/s até 40 Gb/s comercialmente e até 160 GB/s
em laboratório.
Com a introdução do protocolo IP (Internet Protocol) sobre fibra óptica no início do século
21 uma formatação de transmissão vem ganhando força nas operadoras de
telecomunicações, em grande parte impulsionada pelas aplicações da Internet. Estes novos
protocolos de transmissão de transmissão de dados tais como Fast Ethernet, Gigabit
Ethernet, 10 Gigabit Ethernet e o recente 100 Gigabit Ethernet.
Por outro lado são bem conhecidas as vantagens dos sistemas ópticos que usam a técnica
WDM (Wavelength Division Multiplexing). Dentre as vantagens de utilização dos sistemas
WDM densos (DWDM) pode-se citar: a elevação da capacidade de transmissão dos sistemas
ópticos, a economia de fibras e equipamentos de transmissão, o aumento da flexibilidade e
da “escalabilidade” na operação. O rápido crescimento de usuários e serviços providos pela
Internet levou as operadoras de telecomunicações a instalar em grandes proporções este tipo
de tecnologia nos últimos anos. Sistemas DWDM de longa distância foram os primeiros a
serem instalados e permitiram uma drástica redução dos custos de instalação de novas fibras
122
O uso de WDM tem sido feito já desde o início das transmissões por fibra óptica, porém
utilizando baixa densidade de portadoras. Uma aplicação típica de baixa densidade é o uso
simultâneo de um canal na janela de 1300 nm e outro na janela de 1550 nm. Esta aplicação é
muito usada na duplicação da capacidade de cabos ópticos entre estações metropolitanas e
para atendimento a grandes clientes pelas operadoras de telecomunicações. Porém o uso de
sistemas DWDM tornou-se muito atraente com o advento dos amplificadores ópticos a fibra
na dopada com érbio. Um único amplificador a fibra amplifica diversos comprimentos de
onda simultaneamente. Sistemas DWDM de longa distância amplificados opticamente
permitem uma drástica redução dos custos de instalação de novas fibras e equipamentos.
Um sistema DWDM (Figura 57) de longa distância é composto por terminais de transmissão
com transponders, multiplexadores e demultiplexadores de canais, amplificadores ópticos de
potência e pré-amplificadores de linha. Lasers do tipo DFB usados nos transponders podem
ser escolhidos segundo a grade do ITU-T-G.694.1 [32] que disponibiliza aproximadamente
40 opções de freqüência, com espaçamento de 100 GHz entre si (Ver Figura 58). Iniciando
em 196,1 THz (1528,77 nm) e finalizando em 192,1 THz (1560,61 nm). Espaçamentos de
50 GHz também são disponíveis comercialmente.
Add-Drop
Multiplexadores
Fibra
Amplificadores
Transponders Demultiplexadores
De forma geral, o ciclo de vida de um sistema DWDM começa pelo seu dimensionamento,
seguido pelas fases de implantação, operação e ampliações. A fase de dimensionamento é
caracterizada pela escolha da capacidade de transmissão em termos de números de canais
(portadoras ópticas) (ITU-T, G.692, 1998) e pela taxa máxima de transmissão em Gb/s.
Outras importantes decisões recaem na escolha de fibras dos cabos ópticos, que em geral já
se encontram instalados. Existe um importante vínculo do desempenho do sistema DWDM
com o tipo ou com a qualidade da fibra instalada, principalmente para altas taxas de
transmissão (acima de 2,5 Gb/s). Normalmente, as fibras dos cabos a serem utilizados são
caracterizadas pelo menos em termos de atenuação e dispersão do modo de polarização.
124
Sistemas CWDM
O tempo de aprovisionamento deve ser rápido e a agregação dos diferentes sinais de clientes
deve ser flexível, para atender à demanda dinâmica característica desta rede.
A rede deve permitir uma grande multiplicidade de classes de serviços com banda sob
demanda, o que leva às considerações específicas sobre topologia e tecnologias para o
âmbito metropolitano.
Uma combinação de diferentes tecnologias pode ser usada em redes metropolitanas, sendo
os exemplo mais comuns: SONET/SDH, DWDM, CWDM, Optical Ethernet, Resilient
Packet Ring, GPON e EPON. Hoje estas tecnologias podem coexistir na rede e existem
fóruns e organizações discutindo suas padronizações.
Para enlaces com alcances mais longos, que requerem amplificação óptica, pode ser mais
eficiente trabalhar com uma faixa espectral mais limitada, para evitar a necessidade de usar
vários amplificadores para cobrir diferentes bandas. Neste caso, pode ser mais interessante
utilizar o DWDM. As exceções a este caso ocorrem quando se tem baixa demanda de
capacidade ou quando existem amplificadores de baixo custo disponíveis.
A separação entre canais recomendada para o DWDM varia entre 100 e 25 GHz.
Dependendo do número de bandas utilizadas e do espaçamento entre canais, pode-se chegar
até várias centenas de canais nos sistemas DWDM. A separação entre canais para o CWDM
é de 20 nm. Utilizando todas as bandas recomendadas para os sistemas CWDM (O, E, S, C e
L), o máximo número de canais é de 18 (Figura 59). As grades espectrais do CWDM estão
padronizadas na recomendação ITU-T G.694.2 [33].
As três arquiteturas básicas para redes de acesso por fibras são descritas abaixo:
• Ponto a ponto, na qual cada usuário está ligado ao Terminal de Linha através de uma
fibra dedicada.
• Estrela ativa, a qual utiliza switches Ethernet nos nós remotos para distribuir e agregar
o tráfego.
A arquitetura ponto a ponto não exige compartilhamento de banda, porém apresenta altos
custos de instalação, pois requer uma fibra para cada usuário.
127
As redes PON são padronizadas pelo ITU-T através dos documentos ITU-T G.984.1, ITU-T
G.984.2, ITU-T G.984.3 e ITU-T G.984.4 e são transparentes à taxa de bit, aos formatos de
modulação e ao protocolo (SDH, ATM, Ethernet). Essa característica permite a combinação
de serviços e facilita a atualização destas redes, tanto no que diz respeito ao aumento da taxa
de bit, quanto ao número de usuários e de serviços.
O segmento entre os dois pontos de referência (IFPON) conforme pode ser visto na Figura 60,
que consiste na fibra ótica e em um divisor ótico, é chamado uma rede de distribuição ótica
(ODN). A G.983.3 e G.984.2 classificam ODNs nas classes A, B e C dependendo da perda
(isto é, atenuação ótica) neste segmento, e especificam parâmetros das interfaces ópticas
para cada classe. As perdas máximas das classes A, B, e C da ODN são definidas em 20, 25,
e 30 dB respectivamente. Uma adição recente é a classe B+ com uma perda máxima de 28
dB. A perda da ODN depende principalmente da distância da transmissão (isto é, o
comprimento de cabos de fibra ótica) e do número de divisões do splitter ótico. Para redes
BPON (ver mais abaixo), a distância máxima da transmissão é especificada em 20
quilômetros e número de divisões do splitter de 16 ou 32. Para GPON (ver mais abaixo), à
distância da transmissão é 20 quilômetros e número de divisões do splitter é de 16, 32 ou 64.
Existem várias tecnologias que podem ser utilizadas para rede óptica passivas. Algumas
delas não têm sido mais utilizadas, pois não atendem aos requisitos dos serviços e aplicações
existentes hoje.
O primeiro tipo de Rede Óptica Passiva proposta para banda larga utilizava ATM, de tal
forma que a rede era denominada APON (ATM PON). Esta tecnologia de rede de acesso foi
rapidamente substituída pela BPON (Broadband PON), que trabalhava com larguras de
banda maiores do que a APON.
A tecnologia BPON foi padronizada pelo ITU-T, através das normas G.983. A tecnologia
BPON funciona nas taxas de 622 Mbit/s e 1.2 Gbit/s para os sinais ascendente e
descendente, respectivamente. Além disso, a tecnologia BPON apresenta proteção, suporte
WDM para sobreposição de vídeo analógico, maiores taxas de sinal ascendente e alocação
dinâmica de banda ascendente, características que a tecnologia APON não apresenta. Redes
usando a tecnologia BPON foram produzidas e instaladas em algumas regiões, como
Estados Unidos e países da Ásia.
Recentemente foram propostos dois novos padrões que permitem um aumento ainda maior
da largura de banda, o EPON (Ethernet PON), padronizado pelo IEEE 802.34h, e o GPON
(Gigabit capable PON), padronizado pelo ITU-T G.984.
compatibilidade com serviços TDM, a tecnologia GPON tem sido a opção preferencial da
maioria das operadoras de telecomunicações.
A tecnologia EPON é baseada em Ethernet e apresenta aplicação em redes novas, como por
exemplo, de provedores de serviços de internet ou redes para campus.
São apresentados a seguir na Tabela 4 a influência dos parâmetros ópticos na limitação dos
sistemas ópticos e nos itens 11.1 e 11.2 e a aplicação dos diferentes tipos de fibras ópticas
multimodo e monomodo em função das características dos parâmetros ópticos e da
cobertura espectral dessas fibras.
Em redes FDDI as fibras MM 62,5/125 podem operar em 850 nm ou 1300 nm, permitindo
um tráfego de 100 MHz em 300 m de fibra operando em 850 nm, ou em 2 km de fibra em
1300 nm, usando como fontes LEDs.
Embora utilizada em menor porcentagem as fibras MM 50/125 não foram abandonadas por
completo tendo em vista as facilidades de operação e instalação da fibra MM 62,5/125
mesmo com menor largura de banda e preço mais elevado que a MM 50/125.
Com uma diferença significativa entre ambas, desde o diâmetro do núcleo que determina o
número de modos suportados pela fibra, a fibra MM 50/125, com a = 25µm , área do núcleo
A fibra MM 50/125 apresenta atenuações tanto em 850 quanto 1300 nm inferiores a fibra
MM 62,5/125.
131
Há cerca de 10 anos ao surgir o Gigabit Ethernet (tráfego de 1,0 Gb/s), já era um fato prever
que a curtas distâncias, ~100 m, chegar-se-ia a taxas de 10 Gb/s. As redes Gigabit Ethernet
permitiam um tráfego de 1,0 Gb/s em 1,0 km de fibra em 850 nm ou 600 m de fibra em
1300 nm, utilizando um LED como fonte, utilizando fibras otimizadas em 850 nm, com
larguras de banda de 2,0 GHz.km e cerca de 500 MHz.km em 1300 nm.
Atualmente as fibras MM 50/125 podem ser otimizadas em 850 nm, ou em 1300 nm, ou em
um valor intermediário permitindo larguras de banda entre 2 e 4 GHz.km que podem operar
em 850 nm excitadas por laser de cavidade vertical, (VCSEL- Vertical Cavity Surface
Emitting Lasers) mas preenchendo parcialmente a abertura numérica e um diâmetro menor
devido às características de emissão do VECSEL, reduzindo assim o número de modos
excitados, o que reduz a dispersão modal e aumenta a largura de banda.
Em 850 nm, outro fator significativo para limitar o desempenho de uma fibra multímodo é a
dispersão cromática, cerca de 80 a 100 ps/nm/km, que ao ser excitada por um laser FP com
1nm < ∆λ < 3nm , mesmo selecionado um laser com ∆λ = 1nm a contribuição da dispersão
cromática é cerca de 0,1 ns/km, uma fibra com largura de banda de 2200 MHz.km apresenta
uma dispersão modal de 0,2 ns/km. Em um lance de 300 m (0,333 km), a contribuição da
dispersão cromática é 0,0333 ns e da dispersão modal 0,06666 e soma quadrática, dispersão
não permite que 300m de fibra de 2200 MHz.km seja utilizada para trafego de 10G/s, com a
AN totalmente preenchida, mas com laser VECSEL 850 nm, o 0,4nm < ∆λ < 0,8nm e com
preenchimento parcial é possível chegar a 10 Gb/s em 300 de fibra 50/125 com 2200
MHz.km de largura de banda.
acoplamento VECSEL / fibra pode ser otimizado através da medição do DMD (Differential-
Mode-Delay) da fibra usada, que fornece a largura de banda efetiva, (EMB- Effective Modal
Bandwidth).
Atualmente são comercializadas fibras de até 4,4 GHz.km, o que permite o tráfego de 10
Gb/s em até 500 m de fibra.
Enquanto que a fibra MM 62,5/125 não possui toda esta versatilidade para tráfego de
10Gb/s, os equipamentos de 10 Gigabit Ethernet também são dotados de portas com fibras
MM 50/125, o que geraria perdas de 4,0 dB em cada porta se conectadas utilizando cordões
com fibra MM 62,5/125. Mas as fibras MM 62,5/125 já não requerem os mesmos cuidados
de manipulação de uma SM ou uma fibra MM 50/125. Atualmente trafegam até 1,0 Gb/s em
500 m de fibra.
O aumento constante das taxas de transmissão chegando aos dias de hoje a 10,0 Gb/s e
caminhando para 40Gb/s exigiram a redução constante no coeficiente de PMD para suportar
estas transmissões. Além disso, os requisitos para possibilitar a transmissão CWDM no
espectro inteiro da fibra óptica exigem fibras com atenuação reduzida em 1383 nm.
Atualmente as redes de acesso estão chegando na última milha e características de baixa perda
devido a curvaturas são requeridas. Portanto houve a necessidade do desenvolvimento de
133
novos cabos de fibras ópticas ao longo do tempo para suportar as exigências destas novas
aplicações.
A seguir na Tabela 5 estão apresentados os diferentes tipos de fibras ópticas monomodo com
suas características principais, a região espectral coberta e alguns detalhes de suas aplicações
[43].
Tabela 5 - Resumo das aplicações dos diferentes tipos de fibras ópticas monomodo
Tipos de Cobertura
Características Aplicações
fibras Espectral
Tipos de Cobertura
Características Aplicações
fibras Espectral
nm)
Suporta transmissão de
Máx. PMD = 0,5 ps/√km
G.653.A 1550 nm altas taxas em 1550 nm em
Máx. λcc = 1270 nm
longas distâncias
Similar a G.653.A
Suporta transmissão
Máx. PMD = 0,5 ps/√km DWDM (G.692) na Banda
G.655.A Banda C
Máx. λcc = 1450 nm C com espaçamento de
canais de 200GHz
135
Tipos de Cobertura
Características Aplicações
fibras Espectral
Suporta transmissão
DWDM (G.692) nas
Máx. PMD = 0,5 ps/√km
G.655.B Bandas C+L Bandas C+L com
Máx. λcc = 1450 nm
espaçamento de canais de
100GHz
Similar G.655.B
TBD – To Be Determined
Os parâmetros das fibras ópticas anteriormente não especificados ou com margens mais
brandas são nos dias de hoje especificados com margens bem apertadas. Um destes
parâmetros é a Dispersão de Modos de Polarização – PMD que até 1996 não era um requisito
especificado e cuja recomendação nas fibras atuais é de 0,2 ps/√km para possibilitar a
transmissão de sinais com taxas iguais ou superiores a 10 Gb/s. Outro parâmetro é a atenuação
óptica em 1383 nm cuja atenuação em alguns tipos de fibras deve ser menor ou igual a
atenuação em 1310 nm e 1625 nm para permitir a transmissão de sistemas CWDM.
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