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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA

FORMULÁRIO DE DENÚNCIA CONTRA AUTORIDADE

I – IDENTIFICAÇÃO DO DENUNCIANTE:

IVAN VALENTE, Deputado Federal pelo PSOL/SP, brasileiro, casado, portador da CI no


35034877 SSP-SP, CPF no 376.555.828-15, título de eleitor no 1033244530141 – Zona 259
– Seção 627, com endereço na Praça dos Três Poderes – Câmara dos Deputados, gabinete
716, anexo IV, e endereço eletrônico dep.ivanvalente@camara.leg.br.

1. Nome completo: IVAN VALENTE

2. RG: 35034877 SSP-SP 3. CPF: 376.555.828-15

4. E-mail para recebimento de notificações/intimações: 5. Telefone(s) para contato:

dep.ivanvalente@camara.leg.br. (61) 3215-5716

II – DENUNCIADO:

6. Nome completo da autoridade: PAULO ROBERTO REBELLO FILHO

7. Cargo (s) ou emprego (s) ocupado (s): DIRETOR-PRESIDENTE DA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE
SUPLEMENTAR-ANS

III – DESCREVER A DENÚNCIA: (anexar provas)

l. DOS FATOS

1. Conforme amplamente divulgado pela mídia, o DIRETOR-PRESIDENTE


DA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR- ANS, PAULO
ROBERTO REBELLO FILHO, foi recebido na CPI da Pandemia, para tratar sobre
as ações do órgão a respeito de denúncias envolvendo a operadora de
saúde Prevent Senior.
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2. Na ocasião, REBELLO afirmou que a ANS tomou conhecimento das
irregularidades por meio da CPI e que a agência não havia sido contactada
anteriormente sobre o caso.
3. Segundo o Diretor Presidente, foram realizadas diligências para que a operadora
pudesse prestar esclarecimento, e a Prevent Senior já consta oficialmente como
investigada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar após serem encontrados
indícios condizentes com as denúncias.
4. Cumpre ressaltar que o DIRETOR-PRESIDENTE DA AGÊNCIA NACIONAL DE
SAÚDE SUPLEMENTAR-ANS, PAULO ROBERTO REBELLO FILHO, declarou
que a agência foi surpreendida pelas as acusações feitas contra a Prevent Senior
na CPI da Covid, afirmação esta em descompasso com a realidade, pois o próprio
dirigente, ainda em depoimento, afirmou que denúncias de que a operadora estaria
promovendo o uso de medicamentos sem a eficácia comprovada como principal
medida para combater à covid -19 já tinham sido investigadas pela agência em abril
e resultaram no arquivamento dos processos.
5. Tal fato revela que a direção da ANS tomou conhecimento das ilegalidades
praticadas pela empresa antes que elas fossem reveladas pela Comissão
Parlamentar de Inquérito da Covid-19.
6. Essa contradição foi apontada na própria CPI. Durante o depoimento de REBELLO,
o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) rebateu a declaração do diretor de que
somente teria tomado conhecimento dos fatos pela CPI. O Senador exibiu
mensagens mostrando que a ANS sabia das denúncias contra a Prevent Senior
desde abril deste ano, e mesmo assim não tomou providências - "Esse dossiê todo
chegou em junho à Agência Nacional de Saúde", reforçou o Senador, ao falar das
respostas do denunciante aos pedidos da agência. O Senador concluiu:

"Documentos obtidos pela CPI mostram a omissão da ANS. A agência recebeu,


de um médico, a denúncia de que a direção da Prevent Senior estava
determinando que seus profissionais adotassem o tratamento precoce. Chegou a
pedir provas ao profissional, ele encaminhou, e mesmo assim nada foi feito"

7. Resta evidente que mesmo de posse de denúncias que indicariam ilegalidades


praticadas no âmbito da Prevent Senior, o DIRETOR-PRESIDENTE DA AGÊNCIA
NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR-ANS, PAULO ROBERTO REBELLO FILHO,
não adotou as medidas a cargo da Agência para proteger a população. Mais grave ainda,
o Diretor-Presidente mentiu ao afirmar que somente tomou conhecimento das ilegalidades
da empresa mencionada após elas virem à tona na CPI.
8. Trata-se de conduta extremamente grave e que atenta contra o próprio papel da
Agência, responsável pela normalização, controle, regulação e fiscalização das atividades
relativas à assistência privada à saúde.
9. Vale ressaltar que o DIRETOR-PRESIDENTE DA AGÊNCIA NACIONAL DE
SAÚDE SUPLEMENTAR-ANS tinha o dever de agir ao tomar conhecimento do que
estava acontecendo no âmbito da operadora de saúde e ao deixar de fazê-lo colocou vidas
em risco e afrontou gravemente o Código de Conduta da Alta Administração e demais
normas éticas que regem o comportamento dos servidores públicos, o que demanda uma
atuação imediata por parte desta Comissão, conforme passaremos a expor.
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ll) DO DIREITO

10. Todo gestor público que ocupa um cargo deve agir de acordo com as competências
que lhe foram atribuídas e observando os limites impostos pela Constituição para
perseguir os objetivos e finalidades inerentes às competências do cargo que ocupa, além
de observar as normas éticas que regem sua conduta.

11. No âmbito do Governo Federal, os servidores que ocupam os cargos mais elevados
da administração são regidos pelo Código de Conduta da Alta Administração que, em seu
art. 3º, dispõe:

“Art. 3 No exercício de suas funções, as autoridades públicas deverão


o

pautar-se pelos padrões da ética, sobretudo no que diz respeito à


integridade, à moralidade, à clareza de posições e ao decoro, com vistas a
motivar o respeito e a confiança do público em geral.

Parágrafo único. Os padrões éticos de que trata este artigo são exigidos
da autoridade pública na relação entre suas atividades públicas e privadas,
de modo a prevenir eventuais conflitos de interesses.”

12. De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal, Decreto nº 1.171, de 1994, é dever fundamental de qualquer servidor
público ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter,
escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa
para o bem comum.
13. Definitivamente, ao faltar com a verdade sobre o momento em que a ANS tomou
conhecimento das ilegalidades praticadas pela Prevent Senior, o Diretor-Presidente do
órgão violou gravemente os diplomas mencionados.
14. Ao negligenciar a apuração das referidas ilegalidades, o DIRETOR-PRESIDENTE
DA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR-ANS, PAULO ROBERTO
REBELLO FILHO colocou em risco a vida da população e atentou contra a própria
existência da agência, contrariando os princípios da probidade, moralidade e legalidade,
inerentes à conduta de qualquer gestor público, conforme consagrado no art. 37 da nossa
Constituição Federal.
15. Diante da gravidade da referida conduta, torna-se imprescindível que o
comportamento da autoridade mencionada seja investigado, de maneira a resguardar a
observância das normas éticas que regem o comportamento dos servidores públicos
federais, sob pena de comprometer a confiança e a credibilidade perante a população de
agência de tamanha relevância.

lll) DOS PEDIDOS


16. Ante o exposto requer-se, a instauração de procedimento por parte deste órgão
para apurar as condutas de PAULO ROBERTO REBELLO FILHO, de maneira a
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resguardar os princípios constitucionais que vinculam a administração pública e as
normas éticas e de integridade inerentes ao exercício de qualquer cargo público.
Termos em que pede deferimento.

Brasília- DF, 07 de outubro de 2021.

IVAN VALENTE
DEPUTADO FEDERAL PSOL/SP