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Educação Corporativa e Gestão de Competências

Este documento discute a evolução histórica da educação e sua influência na formação profissional ao longo dos tempos. Aborda as diferentes concepções de educação em períodos como o primitivo, oriental, grego-romano, medieval, renascimento e moderno, destacando como os objetivos e métodos educacionais variaram nesses contextos históricos. Por fim, introduz o tema da educação corporativa e seu papel na qualificação de funcionários.

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Marcia Abrahim
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Educação Corporativa e Gestão de Competências

Este documento discute a evolução histórica da educação e sua influência na formação profissional ao longo dos tempos. Aborda as diferentes concepções de educação em períodos como o primitivo, oriental, grego-romano, medieval, renascimento e moderno, destacando como os objetivos e métodos educacionais variaram nesses contextos históricos. Por fim, introduz o tema da educação corporativa e seu papel na qualificação de funcionários.

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Fundamentos e

Metodologia da
Educação Corporativa
Módulo

1 Educação na formação
profissional
Fundação Escola Nacional de Administração Pública

Presidente
Diogo Godinho Ramos Costa

Diretor de Educação Continuada


Paulo Marques

Coordenador-Geral de Educação a Distância


Carlos Eduardo dos Santos

Conteudista/s
Eneides Batista Soares de Araújo (conteudista, 2019)

Curso produzido em Brasília 2019.

Enap, 2019

Enap Escola Nacional de Administração Pública


Diretoria de Educação Continuada
SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF

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Sumário
1. Orientações sobre o Módulo 1....................................................... 5

2. Análise contextual......................................................................... 6

3. Concepções de educação no contexto histórico............................. 6

4. Histórico da aprendizagem............................................................ 7

5. Evolução da educação no Brasil................................................... 10

6. Concepção atual de educação...................................................... 13

7. Tendências pedagógicas............................................................... 14
7.1. Síntese das tendências pedagógicas...............................................................15

8. Modelos pedagógicos na relação ensino-aprendizagem............... 16

9. Educação corporativa................................................................... 17
9.1. Histórico da aprendizagem profissional: educação no contexto corporativo.17
9.2. Modelos de gestão.........................................................................................19
9.3. Treinamento e Desenvolvimento (T&D).........................................................21
9.4. Treinamento, Desenvolvimento e Educação (TD&E)......................................23
9.5. Modelos..........................................................................................................24
9.6. Evolução da formação profissional.................................................................25

10. Gestão das competências organizacionais.................................. 26

11. A Educação corporativa e a gestão por competência na administração


pública............................................................................................ 27

12. Qualificação profissional na Administração Pública.................... 29

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13. Encerramento............................................................................ 30

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1
Módulo
Educação na formação
profissional
1. Orientações sobre o Módulo 1
Olá! Seja bem-vindo (a) ao curso Fundamentos e Metodologia da Educação Corporativa!

Neste módulo, vamos estudar o que vem a ser educação corporativa e qual é o seu papel nas
organizações privadas e públicas.

Após o estudo, você será capaz de:

• Contextualizar a importância do papel da educação na formação profissional na


contemporaneidade.

• Definir as concepções, correntes e tendências pedagógicas que norteiam os processos


de ensino e de aprendizagem.

• Recordar a influência das correntes pedagógicas na formação profissional.

• Destacar o papel estratégico da educação corporativa na gestão de pessoas no âmbito


da Administração Pública.

• Conceituar Gestão por Competências.

• Distinguir um modelo de Gestão de Pessoas por competência na Administração Pública


e sua importância na Educação Corporativa.

• Analisar o papel estratégico do Educador Corporativo frente à qualificação profissional


dos servidores público com foco no desenvolvimento de competências.

• Descrever o processo de qualificação profissional na Administração Pública.

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2. Análise contextual
É necessário que você assista ao vídeo indicado na plataforma da Escola Virtual de
Governo.

Segue link do video

<[Link]

h,
Destaque,h
Para que possamos nos apropriar bem do conceito de educação corporativa, é
importante compreendermos a educação, sua evolução, sua influência e suas
contribuições na formação profissional.

3. Concepções de educação no contexto histórico

"De tudo que se discute hoje sobre educação, algumas das questões entre as
mais importantes estão escritas em uma célebre carta de índios americanos
[...]. Não há uma forma única nem um único modelo de educação: a escola
não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor. O ensino
escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único
praticante."
(LIBÂNEO apud BRANDÃO, C.R. O que é educação. 2011, p. 21)

Diante de tal afirmativa, podemos inferir que entender o que venha ser educação requer
inúmeras reflexões, pois o tema encontra-se envolvido por diferentes concepções. E cada uma
dessas concepções são discutidas em lugares diversos, fundamentadas em estudos profundos
realizados por educadores, sociólogos, psicólogos, filósofos, economistas e outros mais que lhes
imprimem os contextos de seus interesses.

Há consenso em relação ao que a educação representa, por exemplo, em termos de progresso,


qualidade de vida e estabilidade social. Também há consenso em relação ao que a sua falta
representa em termos de miséria, dependência e estagnação econômica, preconceitos e
corrupção.

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A educação, desde os primórdios, é instrumento essencial para garantir a sobrevivência, a
inserção social e o desenvolvimento da cultura de um povo. É a educação que assegura os papéis
sociais, as competências elementares, a introjeção da autoridade, os modelos de ensino e de
aprendizagem, além de inúmeras outras coisas necessárias à vida na sociedade.

Libâneo (2011, p. 22) escreve que:

"educação compreende o conjunto de processos, influências,


estruturas e ações que intervêm no desenvolvimento humano
de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural
e social, num determinado contexto de relações entre grupos
e classes sociais, visando a formação de ser humano". Escreve
ainda, que "a educação é, assim, uma prática humana, uma
prática social, que modifica os seres humanos nos seus estados
físicos, mentais, espirituais, que dá uma configuração à nossa
existência humana individual e grupal".

4. Histórico da aprendizagem
Para compreendermos a educação no contexto da aprendizagem profissional, no ambiente
corporativo, é interessante refletir sobre as diferentes concepções do termo educação e os
métodos utilizados para transmiti-la ao longo do tempo.

Observem, na linha do tempo, a caracterização dos períodos e esses na perspectiva da educação


institucionalizada na sociedade.

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Primitivo

• Não existiam escolas.


• Principal objetivo era adequar a criança ao seu ambiente físico e social, por meio da
aquisição de experiências.
• Os chefes de família eram os primeiros professores, seguidos pelos sacerdotes.

Primitivo Oriental

• Surge a escrita.
• Transição da sociedade primitiva para a civilização.
• Surgimento da organização política, com cidades e estados.
• Dualismo escolar: um tipo de ensino para o povo e outro para os filhos de dirigentes.
• Educação utilizada como instrumento de manutenção da cultura dominante (regras
ideais de conduta e enquadramento das pessoas no sistema religioso).

Grego-Romano ou Clássico

• Considerado o berço da civilização.


• Principais representantes: Sócrates, Aristóteles e Platão.

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• Adota como princípio o desenvolvimento individual do ser humano.
• Educação tem a função de preparar para o desenvolvimento intelectual da personalidade
e da cidadania.
• Ideais pautados na liberdade política e moral e no desenvolvimento intelectual.
• A educação enfatizava a formação moral e física (guerreiro).
• Idealização dos direitos e deveres.
• Atribuído à mulher o papel familiar e de educadora.

Medieval

• Domínio da doutrina da Igreja Católica.


• Considerado o Período das Trevas [caracterizado assim por ter sido um período (século
IV ao século XV) de guerras, invasões bárbaras, crises da agricultura, epidemias,
imposição da igreja, inquisição em relação aos hereges, centralização da economia
restrita aos feudos, desigualdades sociais, entre outros].
• Escola - estrutura com professor que ensina muitos alunos de diversas procedências.
• Educação conservadora.
• Crítica à educação grega, considerada liberal, e à educação romana, considerada prática.
• Jesuítas - controlavam a educação.

Renascimento

• Iluminismo - saída do obscurantismo para uma nova era, iluminada pela razão, a ciência
e o respeito à humanidade.
• Razão - forma de alcance ao conhecimento.
• Privilégio à matemática e às ciências da natureza.
• Manifestação de interesse pela educação grega e romana.
• Educação era privilégio de quem detinha poder.
• Destaque a João Amós Comenius e Jean Jacques Rousseau.

Moderno

• Compreende o período que vai do século XV ao século XVIII.


• Formação e afirmação de uma nova classe: a burguesia.
• Laicização e racionalização da cultura.
• O indivíduo passa a ser visto como artífice da própria sorte.
• Pedagógico: espaço para a reconstrução da vida social.
• Ampliação dos locais formativos: família, igreja, oficina, exército, escola, novas
instituições (hospitais, prisões, manicômios).
• Pedagogização da sociedade.
• Desenvolvimento do conceito de infância.
• Reorganização disciplinar da escola e da família.
• Racionalização e controle de ensino escolar.
• Renovação do currículo: matemática, ciência, política, religião universal.
• Retorno ao humanismo clássico, com propostas de mudança nos métodos de ensino.

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Contemporâneo

• Inicia-se no século XIX e vai até os dias atuais.


• Valorização da ciência e extensão do método científico a outras disciplinas.
• Análise dos processos de ocorrência dos fenômenos.
• Desenvolvimento da lógica e da linguística.
• Visão global da realidade.
• Destaque à epistemologia (teoria do conhecimento).
• Desenvolvimento tecnológico.
• Globalização.

5. Evolução da educação no Brasil

Importante
Vejamos a evolução da educação no contexto brasileiro visualizada no quadro a
seguir. A descrição desses dez períodos foi adaptada do esquema feito por Bello
(2001). Essa visualização é importante, pois dará suporte para entendermos as
correntes, as tendências e os modelos pedagógicos que norteiam a educação
brasileira na atualidade.

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Jesuítico - 1549 - 1759

• Jesuítas - mentores da educação brasileira.


• Escolas regulamentadas por documento.
• Modelo pedagógico europeu.
• Finalidade da escolarização: escolarizar filhos dos colonos portugueses que chegavam
ao Brasil e catequizar os índios e orientá-los para o trabalho agrícola (fonte de renda da
congregação).

Pombalino - 1760 - 1807

• Jesuítas expulsos 210 anos após chegada ao Brasil.


• Marques de Pombal assume a educação brasileira e estabelece a Reforma Pombalina.
• É instituído o "subsídio literário", imposto destinado à manutenção dos ensinos primário
e médio que vem dar um caráter mais científico ao ensino.

Joanino - 1808 - 1821

• Chegada da Família Real ao Brasil.


• Rei Dom João VI desfaz de seus 60 mil livros e cria a 1ª Biblioteca Brasileira (1810).
• Criadas as Academias da Marinha e Militar.
• Escolas voltadas para a formação dos membros e servidores da Família Real.

Imperial - 1822 - 1889

• Dom João volta a Portugal e Dom Pedro assume o império no Brasil.


• Há falta de professores e, em decorrência disso, é criado o chamado Método Lancaster
ou do "ensino mútuo", em que um aluno treinado ensina um grupo de dez alunos
(decúria) sob a vigilância de um inspetor.
• São instituídos quatro graus de instrução: pedagogias, liceus, ginásios e academias.
• Ocorre o primeiro exame de seleção de professores para nomeação.
• Foram abertas escolas para meninas (economia doméstica e magistério).

1ª República - 1889 - 1929

• República proclamada sob a adoção do modelo americano.


• Organização escolar influenciada pela filosofia positivista.
• Princípios orientadores da educação brasileira, impressos pela Reforma Benjamim
Constant: liberdade, laicidade do ensino e gratuidade da escola primária.
• Há um acréscimo de matérias científicas às tradicionais, tornando o ensino brasileiro
enciclopédico.
• Em 1922, ocorre a Semana de Arte Moderna, considerada marco da revolução artística
e cultural essencialmente brasileira, embora em sintonia com as novas tendências
europeias.
• Várias reformas se seguiram, algumas na tentativa de tornar o ensino mais literário e
menos científico; outras, vice-versa.

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• Em função da laicidade do ensino, várias escolas são abertas.
• O percentual de analfabetos brasileiros soma o quantitativo de 75% da população.
• É iniciada uma reforma educacional no Rio de Janeiro.

2ª República - 1930 - 1936

• Revolução de 1930 - marco referencial para entrada do Brasil no mundo capitalista de


produção.
• Brasil investe no mercado interno e na produção industrial.
• Essa nova realidade exige mão de obra especializada, o que requer investimento na
educação.
• Governo sanciona decretos para organização do ensino secundário e criação de
universidades.
• Publicação, em 1932, do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.
• Criada, em 1934, a primeira universidade brasileira, a Universidade de São Paulo.

Estado Novo - 1937 - 1945

• Na nova Constituição, de 1937, é enfatizado o ensino pré-vocacional e profissional,


sugerindo a preparação de um maior contingente de mão de obra para as novas
atividades abertas pelo mercado.
• Há uma clara distinção entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, com ênfase ao
ensino profissional para as classes menos favorecidas.
• As reformas de ensino empreendidas pelo Ministro Capanema, que receberam o nome
de Leis Orgânicas do Ensino, foram implementadas pelos decretos-lei que instituíram a
criação do SENAI, a regulamentação do ensino industrial, do ensino secundário, a
obrigatoriedade de as indústrias matricularem 8% do total de operários nas escolas do
SENAI e que as empresas oficiais com mais de 100 empregados deveriam manter, por
conta própria, uma escola de aprendizagem destinada à formação profissional de seus
aprendizes.

Nova República - 1946 - 1963

• É elaborado o projeto da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) em 1948.


• Depois de 13 anos, em 1961, é promulgada a LDB nº 4.024.
• Na LDB, prevalecem as reivindicações da Igreja Católica e dos donos de escolas
particulares de ensino no confronto com os que defendiam o monopólio estatal para a
oferta de educação aos brasileiros.
• São criados o Plano Nacional de Educação; o Plano Nacional de Alfabetização, inspirado
no método Paulo Freire; o Conselho Federal de Educação e os Conselhos Estaduais de
Educação.

Regime Militar - 1964 - 1985

• São fechados vários programas e exilados vários educadores do Brasil.


• É criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral).

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• É instituída a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 5.692/1971), que dá um
caráter profissionalizante ao ensino.
• Período em que mais universidades são abertas, mas com um rígido controle do governo
em seus quadros.

Abertura Política - 1986 - atual

• Decorrente do período anterior de ditadura, há pressão popular pela abertura política,


que redunda em eleição, em 1986, de um civil.
• É enviado para o Congresso, em 1988, projeto de lei para uma nova LDB, que é
reapresentado em 1992, por Darcy Ribeiro, e sancionada em 1996.
• Novos programas implementados (Fundeb, Paiub, entre outros).
• Criados sistemas nacionais de avaliação (Saeb, Sinaes, Enem).
• Criados Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).
• Preocupação com a revolução tecnológica.
• Principal problema brasileiro que impacta a economia: falta de mão de obra especializada.

Depois de traçada a linha do tempo para contextualizar as concepções e a evolução da educação


no mundo e no Brasil, podemos agora fazer algumas considerações sobre a concepção atual, as
tendências e os modelos pedagógicos que norteiam a educação brasileira.

6. Concepção atual de educação


Com a chegada do século XXI, em meio ao fenômeno da globalização e do progresso tecnológico,
a facilitação do processo comunicacional e do acesso à informação faz com que a educação
seja vista com outros olhos, ou seja, com um olhar que valorize a sociedade do conhecimento e
possibilite a aprendizagem cognitiva reflexiva em suas ações.

Na atualidade, concebe-se a educação como meio de desenvolver, de forma eficaz, as


competências do futuro. Essas competências se encontram fundamentadas na assimilação de
saberes por meio do conhecimento aprendido e apreendido, que resulte em ser mais crítico,
criativo e reflexivo, com capacidades de se adaptar ao mudo de constantes mudanças e, ainda,
para uma inserção social mais agregadora.

Nesta perspectiva, Jacques Delors (2003) coordenou, para a Unesco, o relatório da Comissão
Internacional sobre Educação para o Século XXI, o qual aborda os quatro pilares que devem
embasar a educação:

• Aprender a conhecer
Trata-se de uma aprendizagem para a compreensão e conhecimento do mundo,
uma aprendizagem de vida e para a vida num todo, que se fundamenta no prazer de
conhecer, compreender e de descobrir, de tal maneira que desperte no educando a
satisfação do conhecimento e da pesquisa individual. O aprender a aprender ativo
e reflexivo. Conhecer e compreender de forma contextualizada cada novo saber.

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No contexto do trabalho, o aprender experimentado e vivenciado na dinâmica
corporativa.

• Aprender a fazer
A fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional, mas, de uma maneira
mais ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas
situações e a trabalhar em equipe. Além disso, aprender a fazer no âmbito das diversas
experiências sociais ou de trabalho que se oferecem aos jovens e adolescentes, quer
espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente, graças
ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.

• Aprender a viver juntos


Desenvolver a compreensão e a descoberta do outro, a partir da descoberta de si
mesmo e a percepção das interdependências - realizar projetos comuns e preparar-
se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão
mútua e da paz.

• Aprender a ser
Para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir cada vez mais
com maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade
pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das potencialidades
de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas,
aptidão para comunicar-se. Uma aprendizagem voltada para a diversidade das
personalidades, com foco na autonomia e no espirito de iniciativa como suporte à
criatividade, que resulte no desenvolvimento completo do ser humano.

A uma altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao


conhecimento, em detrimento de outras formas de aprendizagem, importa conceber a educação
como um todo. Essa perspectiva deve, no futuro, inspirar e orientar as reformas educativas,
tanto em nível da elaboração de programas como da definição de novas políticas pedagógicas
(DELLORS, 1998, p. 101-102).

Dica
Podemos inferir que o processo de construção da educação, desenvolvido
com base nesses quatro pilares, resultará num conjunto de saberes, todos
essenciais ao mundo do trabalho na Era do Conhecimento.

7. Tendências pedagógicas
Agora, vejamos, expressados nas tendências pedagógicas, o papel da escola e do professor no
processo de aprendizagem na vida em sociedade.

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As tendências pedagógicas fundamentam-se nas concepções de educação, que refletem a visão
de mundo e expressam uma corrente filosófica. Saviani (2005), ao falar sobre as concepções
pedagógicas de educação, considera que, do ponto de vista da pedagogia, as concepções de
educação podem ser agrupadas em duas grandes tendências: um grupo que prioriza a teoria
sobre a prática e outro grupo que prioriza a prática sobre a teoria.

No grupo que prioriza a teoria, encontram-se as diversas modalidades da


pedagogia tradicional - com origem principal na vertente religiosa -, cuja
preocupação centra-se nas teorias de ensino. No segundo grupo, em que
a prática é priorizada, situam-se as modalidades de pedagogia nova, cuja
ênfase é colocada sobre as teorias da aprendizagem.

Assim, segundo o referido autor, na primeira tendência, a questão


fundamental é como ensinar. Na segunda tendência, trata-se de
questionar como aprender, o que leva à generalização de um dos pilares
da educação citado por Delors: aprender a aprender.

As tendências tradicionais apoiam-se na centralidade da instrução, tendo a escola como uma


agência centrada no professor, o qual tem como tarefa transmitir conhecimentos acumulados
pela humanidade, cabendo aos alunos assimilar os conteúdos que lhes são transmitidos.

tome nota
Apoiadas no movimento da Escola Nova, nas pedagogias não diretivas, na
pedagogia institucional e no construtivismo, temos as tendências renovadoras.
Essas estão pautadas na centralidade do aluno, concebendo a escola como um
espaço aberto à iniciativa dos alunos que interagem entre si, com o professor
e realizam a própria aprendizagem. Ao professor cabe a tarefa de acompanhar
os alunos, auxiliando-os no seu processo de aprendizagem.

7.1. Síntese das tendências pedagógicas

Importante
Você pode perceber que, com o passar do tempo, as concepções educacionais
imprimiram o caminho que o educador deveria seguir para conduzir as suas
ações educativas, fazendo surgir as tendências pedagógicas que, até os dias de
hoje, influenciam a educação brasileira e a atuação docente.

Quadro 1 - Síntese das tendências pedagógicas


É necessário que você acesse o módulo 1, tópico 7.1, do curso na plataforma Escola Virtual de
Governo e faça o download do arquivo “.pdf”.

Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 15


8. Modelos pedagógicos na relação ensino-aprendizagem
Três diferentes formas de representar a relação ensino-aprendizagem constam nos modelos
pedagógicos apresentados no quadro abaixo: a pedagogia diretiva, a pedagogia não diretiva e
a pedagogia relacional, que nortearam - e ainda norteiam - a educação na vida da sociedade
brasileira (BECKER, 1999).

Pedagogia diretiva Pedagogia não diretiva Pedagogia relacional


Epistemologia empirista Epistemologia apriorista Epistemologia construtivista
Chamada de inatismo, Centrada na relação, pois
sustenta que as pessoas, se trabalha a aprendizagem
Centrada no professor que
naturalmente, possuem na perspectiva de que o
ensina o aluno - este, mero
certas aptidões, habilidades, aluno construirá um novo
espectador, agente passivo no
conceitos, conhecimentos e conhecimento e se apropriará
processo de aprendizagem.
qualidades em sua bagagem do novo saber se ele agir e
hereditária. problematizar sua ação.
O aluno já traz consigo
O conhecimento é um produto um saber, a priori, que O aluno é sempre capaz de
que pertence ao professor. precisa apenas ser trazido à aprender.
consciência e organizado.

Podemos constatar, a partir do nosso estudo, que não existe uma corrente que trate
especificamente das práticas pedagógicas da formação profissional no ambiente corporativo.
Porém, podemos entender que esse ambiente formativo tem, no contexto de suas práticas, um
pouco de cada uma dessas tendências, o que possibilita ao educador corporativo não ficar preso
ou limitado a uma teoria que seja unidirecional, sem interação entre os envolvidos. Cabe ao
educador corporativo fazer a escolha por um modelo que mescle essas teorias, de forma que
possibilite ao estudante um aprender pautado na expansão da experiência e, ainda, do potencial
humano.

Hoje, com o advento das tecnologias, o processo de ensino e aprendizagem deve ser conduzido
valendo-se de diferentes metodologias ativas e apoiadas nos diversos instrumentos e veículos
tecnológicos.

Demo (2008) defende que, na educação, de um modo geral, não se deve seguir um único teórico
ou uma única corrente, porque isso pode prejudicar o processo de ensino-aprendizagem, que
é dinâmico, e, ainda, porque cada aluno tem o seu ritmo e características que influenciam
diretamente no seu processo cognitivo, de acordo com o que será estudado no Módulo 2 deste
curso.

Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 16


Importante
Para você, educador corporativo, é importante que fique evidenciado que
você será o "facilitador da aprendizagem organizacional" e, para isso, deve
se preocupar com a importância desse papel e da qualidade da sua condução
didático-pedagógica. Você deve saber que linha pedagógica vai adotar.

9. Educação corporativa
Na perspectiva de aprendizado, no âmbito organizacional, as concepções, as tendências e
os modelos pedagógicos, formulados com vistas à educação formal, impactaram a formação
profissional, conforme já vimos.

Será que a Educação Corporativa está dissociada da evolução administrativa?

É necessário que você assista ao vídeo indicado na plataforma da Escola Virtual de


Governo, para descobrir.

Segue link do video

<[Link]

9.1. Histórico da aprendizagem profissional: educação no


contexto corporativo
O histórico da aprendizagem profissional evolui no mesmo ritmo dos modelos de gestão de
pessoas e da educação corporativa. Estão apresentados, no quadro a seguir, alguns marcos
que impulsionaram mudanças de paradigmas associadas ao processo de desenvolvimento da
educação corporativa.

• Revolução Industrial
Fatos Históricos
9 Transforma-se o modo de produção, passando do manufatureiro para o industrial.

Processo de aprendizagem
9 Não há mão de obra especializada para os novos postos de trabalho e ainda não há
um desenvolvimento planejado para suprir essa necessidade.
9 Há necessidade de rever o modo de administrar organizações e pessoas.

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• Fim do século XIX e início do século XX
Fatos Históricos
9 Taylor (pai da administração científica) revolucionou a administração com suas
novas ideias.

Processo de aprendizagem
9 Foco: eficiência e eficácia na administração industrial.
9 Elaborou os primeiros estudos sobre desenvolvimento de pessoal e seus resultados.
9 Taylor acreditava que a produção e a qualidade aumentavam com o treinamento
sistemático e adequado ao pessoal.
9 Juntamente com Ford, indicou como deveria funcionar a administração:
1. Estruturas verticais.
2. Centralização.
3. Tarefas fragmentadas e padronizadas.
4. Rígida divisão entre o trabalho manual e mental.
9 Nessa dimensão, as áreas de treinamento e desenvolvimento tinham como papel
fundamental a entrega de cursos prontos com o objetivo de desenvolver habilidades
específicas para suprir demandas concretas.

• Produção em massa
Fatos Históricos
9 1910 - criadas, por Henry Ford, as linhas de produção industrial.
9 Revolucionou a indústria automobilística introduzindo a primeira linha de montagem
automatizada.
9 Desenvolveu técnicas de administração inovadoras para a época - acredita-se que
inspirado pelas ideias de Taylor.
9 Criado o ideal fordista, que tinha por base um novo homem na linha de produção,
cuja função era repetir indefinidamente movimentos padronizados.

Processo de aprendizagem
9 Fixo no seu posto de trabalho, o homem passou a ser quase um componente da
máquina.
9 Os movimentos deveriam ser feitos mecanicamente, sem interferência de sua
mente, guardando, assim, perfeita harmonia com o conjunto da linha de montagem.
9 Seguia os princípios de padronização e simplificação orientados por Taylor.
9 Sobre a aprendizagem: "uns 43% de todos os serviços não requerem mais do que
um dia de aprendizagem; 36% requerem de um até oito dias; 6%, de uma a duas
semanas; 14%, de um mês a um ano; 1%, de um a seis anos. Este último trabalho é
a fabricação dos instrumentos que, como a soldadura, requerem uma aprendizagem
especial" (FORD).

• Recursos Humanos
Fatos Históricos
9 Surge, em 1955, o primeiro centro de treinamento - da General Eletric -, primeira
iniciativa de escola corporativa.

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9 Nos Estados Unidos, a estrutura de treinamento e desenvolvimento recebe inovações
na organização e no foco de trabalho.

Processo de aprendizagem
9 São formados grupos para ensinar aos trabalhadores como desempenhar, de melhor
maneira, suas tarefas, por meio de formações em centros de treinamento.

• Revolução Tecnológica
Fatos Históricos
9 A partir da década de 1980, em decorrência do grande desenvolvimento das
tecnologias de informação, surge a necessidade de reestruturar o sistema capitalista.

Processo de aprendizagem
9 Conhecimento e processamento de informação tornam-se elementos fundamentais
dos novos processos produtivos.

Antes da Revolução Industrial, pode-se entender que os modelos de produção eram artesanais e
buscavam suprir as necessidades da comunidade com a oferta de produtos e serviços de ferreiros,
alfaiates, padeiros, sapateiros, marceneiros, oleiro etc. A formação profissional tinha caráter
familiar, pois as profissões eram transmitidas de pai para filho ou do mestre para o aprendiz.

Pode-se inferir que, a partir da Revolução Industrial, o conhecimento passou a ser parte
integrante das indústrias e, cada vez mais, se tornou necessário. Isto porque se passou a exigir
novas técnicas de trabalho para atender às demandas de mercado, de forma que as empresas
buscavam alcançar os seus objetivos e, consequentemente, serem notadas, surgindo assim a
competitividade.

9.2. Modelos de gestão


No quadro a seguir, para que você possa compreender as influências dos diversos modelos
de gestão apresentados, estão destacadas as quatro ondas (TOFFLER, 1980) que mudaram
fortemente os paradigmas associados ao processo da educação-aprendizagem no ambiente
corporativo, isto é, no cenário competitivo.

Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 19


Tipo de Tipo de
Características
Ondas Revolução Pedagogia Resultados
da Revolução
causada aplicada
Tratava-se de um
Esperava-se apenas
forma de produção de
que as pessoas riquezas que resultou
fossem capazes em transformações
1ª onda de se apropriarem
sociais, culturais,
Revolução Pedagogia do mínimo políticas, filosóficas,
Era da Agrícola Tradicional conhecimento sobre
instrumentais, entre
agricultura quando e como outras, em relação
plantar e colherao que existia na
e a força físicacivilização que a
para trabalhar. precedeu (Civilização
Nomádica)
Ainda uma forma de
Passou-se a esperar
produção de riquezas
2ª onda das pessoas que
que trouxe significativas
se pudessem
transformações
Era da entender ordens
sociais, culturais,
Manufatura Revolução Pedagogia e instruções, que
políticas, filosóficas,
Industrial Tecnicista fossem disciplinadas
instrumentais, entre
Industrial e e que, na maioria
outras, em relação ao
do Comércio das situações,
que existia na civilização
de Bens tivessem força física
predominantemente
para o trabalho.
agrícola.
Diversas características
demarcaram o futuro
dos cidadãos e das
grandes corporações.
Surge o homem-
Essas corporações
robô. Esses são
transformaram homens
3ª onda bombardeados
em máquinas de
por informações
informações rápidas
Era do vindas por meio
Revolução da Pedagogia e desnecessárias
Conhecimento, dos aparelhos de
Informação Escola Nova na maioria das
da Tecnologia transmissão de
situações. A sociedade
e da dados, tais como:
da informação se
Informação smarthphones,
complexou, já não
computadores,
se é possível gerir
tablets etc.
as informações
sem as tecnologias
da informação de
comunicação - TICs.

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Não importa mais
o modelo do
homem-robô, mas
o surgimento de
uma sociedade O conhecimento torna-
4ª onda baseada em pessoas se parte do cotidiano
Revolução da criativas, que têm das pessoas e passa a
Pedagogia
Era da Sociedade do iniciativa e com ser possível reduzir a
Holística
Sociedade do Conhecimento habilidades para participação de todos
Conhecimento aprender de forma os outros meios no
mais sistêmica. processo de produção.
Uma sociedade
preocupada com o
meio ambiente e
com as pessoas.

No próximo tópico, com o advento da área de Treinamento e Desenvolvimento, veremos os


impactos dessas ondas na formação profissional.

9.3. Treinamento e Desenvolvimento (T&D)


A cada revolução/onda, a prática educativa profissional evolui de forma que os profissionais se
tornem aptos ao fazer laboral, a executar novas tarefas e a internalizar procedimentos.

Na década de 1980, frente a esse cenário e com o objetivo de atender às demandas de formação
profissional, surgem os departamentos e as divisões de treinamento, passando a existir a área de
treinamento e desenvolvimento (T&D). Essa área tinha uma ação muito passiva, pois aguardava
ser provocada para atuar e ofertar os programas de treinamento profissional. Para tanto, esses
programas, basicamente, investiam no ensino correto do trabalho; nas relações humanas; nos
métodos do trabalho e na capacitação de supervisores.

Eboli (2004) destaca que o objetivo principal dos programas de treinamento era desenvolver
habilidades específicas, sem nenhuma interação com os objetivos estratégicos da organização,
enfatizando necessidades individuais, atuando no nível tático operacional.

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Pergunta
Quando surge a educação corporativa (EC)?

Resposta
Na década de 1990, surge a EC, que tem por objetivo alinhar os conhecimentos
das pessoas que compõe a organização às estratégias organizacionais.

Daí em diante, as áreas de treinamento e desenvolvimento (T&D) passam


por uma modificação significativa, uma vez que o conhecimento começa a
ser tratado como vantagem competitiva. Os ambientes de aprendizagem se
reestruturam, tornam-se proativos e descentralizados, porém integrados aos
objetivos estratégicos organizacionais.

As áreas de T&D passam por significativas mudanças adequando-se para


atender, de forma efetiva e eficiente, à formação e ao desenvolvimento dos
profissionais, com foco em resultados. O que veio possibilitar aos trabalhadores
o desenvolvimento da capacidade de aprender e de transpor o aprendido ao seu
fazer. Tais mudanças foram transformando a dinâmica do ensinar e do aprender
no ambiente corporativo, levando à uma gestão de pessoas com base na gestão
do conhecimento e no desenvolvimento de competências, influenciando de
forma positiva nos resultados das organizações.

Com base nas possibilidades da formação e do desenvolvimento profissional


firmados na EC, a área de T&D passa assumir total responsabilidade na oferta
da educação profissional e, a partir de então, com foco em competências,
surge o Treinamento, Desenvolvimento e Educação (TD&E), que faz com que
os processos de capacitação, formação e desenvolvimento sejam contínuos nas
organizações, com vista à profissionalização competente do corpo funcional

Percebe-se que a EC assume a importante missão de desenvolver as competências da força de


trabalho organizacional e as suas ações passaram a permear toda a organização.

A educação corporativa mobilizou as organizações para o gerenciamento do seu principal


ativo, o conhecimento, até então pouco valorizado. Surgiu, assim, a necessidade de gerenciar o
conhecimento explícito e tácito existente na organização.

Conhecimento explícito

É passível de transmissão sistêmica, por meio da


linguagem formal, ou seja, formalizado em textos,
manuais, diagramas etc., relacionados a eventos ou
objetos. Pode ser transmitido por meio da realização
de cursos ou do estudo de manuais e documentos ou,
ainda, da junção das duas situações.

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Conhecimento implícito

É pessoal, adquirido por meio das experiências


enfrentadas ao longo da vida, de difícil formalização
e comunicação por estar na cabeça das pessoas. Está
relacionado a um contexto específico.

9.4. Treinamento, Desenvolvimento e Educação (TD&E)

"No modo de desenvolvimento informacional a fonte primordial


de produtividade reside na tecnologia de conhecimentos,
de processamento da informação e de comunicação de
símbolos. Conhecimento e informação sempre foram variáveis
importantes nos processo de desenvolvimento, no entanto,
nos dias atuais, sua centralidade se dá na medida em que os
conhecimentos são aplicados sobre os próprios conhecimentos,
e aí residem os ganhos de produtividade".

(CASTELLS, M., A sociedade em rede - a era da


informação: economia, sociedade e cultura.
Vol. 1. São Paulo: Paz e Terra, 1999. p 35.)

Podemos perceber que, neste cenário desenhado no mundo do trabalho, surgiu a necessidade
de investimento em novas práticas e novos modelos de ensino-aprendizagem que privilegiem
as experiências e as trocas de conhecimentos acumulados na dinâmica corporativa, sejam
eles adquiridos de forma explícita ou tácita, disponibilizando-os para o alcance dos objetivos
estratégicos.

No novo cenário organizacional, a área de T&D passa a se preocupar com a educação integral
das pessoas, que automaticamente são inseridas em um novo cenário organizacional. Com isto,
essa área passa a ser denominada como Treinamento, Desenvolvimento e Educação (TD&E).
A partir daí, as novas abordagens de formação profissional passam a ser conduzidas de forma
continuada com o propósito de possibilitar o aprendizado permanente para que as pessoas
continuem produtivas e possam acompanhar as mudanças no mercado do trabalho.

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9.5. Modelos
A EC, portanto, ganha destaque ao adequar a qualificação dos profissionais às suas competências
individuais com as estratégias de cada negócio, ou seja, ligando conhecimentos, hábitos e atitudes
dos profissionais às competências da organização.

Dica
Nesta dinâmica, e ao traduzir os saberes profissionais em algo que seja
produzido e que possa gerar resultados por meio das entregas laborais, a gestão
de pessoas torna-se o ponto central da organização ao adequar as políticas e
práticas de recursos humanos aos objetivos estratégicos organizacionais.

Para tanto, se valem das educações técnicas, pessoais e organizacionais, demonstradas no quadro
a seguir, para, no contexto do TD&E, nortear a capacitação e o desenvolvimento profissional nas
organizações.

Educação Técnica Educação Pessoal Educação Organizacional


O centro de atenção está Tem como centro de atenção Focaliza o conhecimento da
nas tarefas: trata-se da o conhecimento da própria realidade organizacional, suas
educação que visa qualificar pessoa e o desenvolvimento de origens e tendências.
tecnicamente as pessoas habilidades que a credenciem Trata dos valores e da
por meio da transmissão de a assumir a responsabilidade cultura da organização que
conceitos, valores e técnicas pelo seu futuro pessoal e propiciam a integração
profissionais. profissional. dessa pessoa à equipe e à
É uma educação que organização, resultando em
possibilita à pessoa conhecer uma educação que torna a
a si mesma, identificando seu pessoa conhecedora do seu
potencial para saber utilizá-lo papel e da sua importância
no momento certo e planejar como parte de uma equipe
estrategicamente o próprio de trabalho, compreendendo
futuro, desenvolvendo toda a trajetória da
habilidades para ser criativa e organização, visão, missão,
crítica. valores, objetivos, estruturas
e sistemas, o que leva
ao desenvolvimento das
habilidades para atuar com
eficiência e efetividade.
Fonte: adaptado de Macedo (1988).

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9.6. Evolução da formação profissional
Para o entendimento da evolução da educação profissional no contexto da EC, apresentamos a
seguir o fluxo dessa evolução.

Desenvolver habilidades específicas, individuais e tático-


operacionais para o fazer do dia a dia laboral da pessoa na
organização.

Desenvolver a capacidade de aprender e a capacidade de praticar o


aprendido no ambiente do trabalho.

Desenvolver as competências técnicas, pessoais e organizacionais


para consecução dos objetivos estratégicos da organização.

Frente aos desafios interpostos à educação, principalmente à educação corporativa, em razão


da dinâmica social e profissional, as organizações passam a considerar as pessoas na sua
essência, valorizando suas competências, sendo essas cada vez mais importantes e necessárias
à organização.

Neste cenário, as pessoas passam a ser as ativadoras dos recursos organizacionais, capazes de,
por seu próprio pulso, investir o melhor de si, dinamizando a organização e conduzindo-a à
excelência e ao sucesso.

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Nos processos de gestão atuais, as pessoas que compõem a organização constituem-se em talentos
fornecedores de conhecimentos, elementos vivos e portadores de competências essenciais
ao sucesso organizacional, ou seja, elas se constituem no capital humano da organização, o
principal ativo que agrega inteligência ao negócio. Surgindo, portanto, a necessidade de que as
organizações passem a investir na gestão de pessoas com pessoas.

Pergunta
O que é gestão de pessoas ?

Resposta
Modelo de gerenciamento que tem por objetivo o desenvolvimento do
capital humano nas organizações. Vale-se de diferentes ações e técnicas sobre
alinhamento de propósitos, atração, retenção de pessoal e promoção de ações
de capacitação e desenvolvimento, planejados com foco no desenvolvimento
contínuo das competências individuais. Busca-se, então, desenvolver os
domínios das competências das pessoas, para com isso desenvolver e qualificar
a organização continuamente.

Treinamento de Desenvolvimento: Desenvolver habilidades específicas, individuais e tático


operacionais para fazer o dia a dia laboral da pessoa na organização. Educação Corporativa:
Desenvolver a capacidade de aprender e de praticar o aprendido no ambiente de trabalho.
Treinamento, Desenvolvimento e Educação: Desenvolver as competências técnicas, pessoais e
organizacionais para a consecução dos objetivos estratégicos da organização.

10. Gestão das competências organizacionais


As organizações, para cumprirem a sua missão e realizarem as ações definidas em seu Planejamento
Estratégico, necessitam desenvolver e deter um conjunto de competências organizacionais e
individuais que as instrumentalize para isso.

O aprendizado para o desenvolvimento de competências concentra-se em três níveis: individual,


grupal e organizacional, conforme destacado no quadro a seguir.

Individual Grupal Organizacional


Tácito/explícito Tácito/explícito Tácito/explícito
Excelência pessoal Expertise da equipe Capacidade de organização
Conhecimento científico Compreender as Desenvolvimento/
aplicações específicas competências
Criatividade/imaginação Projeção/capacidades Construir empresas
especiais e competir
Fonte: Prahalad (1999, p.46).

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Nesta dimensão, a organização parte da premissa de que os conhecimentos constituem o saber
e que este é o conjunto de informações, conteúdos, teorias, legislação e diretrizes que gerentes
e empregados conhecem. Já as habilidades constituem o fazer, o conjunto de ações que gerentes
e servidores têm de realizar por meio de atividades convergentes da aplicação de métodos,
técnicas e da própria legislação - é o desempenho profissional. Por fim, as atitudes constituem
o ser, ou seja, o conjunto de valores, princípios éticos e morais que norteiam a interação; o
conjunto de atributos da personalidade expressos no comportamento humano - reúne aspectos
sociais e afetivos.

Podemos observar que, em qualquer organização, é essencial a existência dos programas de


capacitação e de desenvolvimento profissional para que o corpo funcional adquira ou desenvolva
continuamente as competências desejadas pela organização. Só dessa forma será possível
acompanhar as necessidades organizacionais, que se renovam em todos os aspectos a cada dia.

Nesse cenário, a gestão de pessoas segue pautada nas premissas da gestão por competências -
que valoriza o mapeamento das competências humanas relevantes à organização, identificando
também as lacunas de competências - norteia as ações da EC na identificação de necessidades de
aprendizagem, na execução e na avaliação da efetividade dos eventos formativos.

Com isto, a EC busca então articular e desenvolver as competências individuais e organizacionais no


contexto macro da organização e a suprir as lacunas existentes. Suas ações estão intrinsecamente
relacionadas ao processo de desenvolvimento das competências identificadas como necessárias
à organização e ao preenchimento dos chamados gaps de competências, ou seja, trabalhar para
suprir e complementar o corpo de competências funcionais, de forma que possam garantir o
alcance dos objetivos estratégicos da organização, definidos como desafios a serem alcançados
e que resultarão na concretização da sua visão de futuro.

11. A Educação corporativa e a gestão por competência


na administração pública

"As organizações públicas [...] são autênticas organizações


intensivas em formação."

(MARTINEZ, LARA-NAVARRA e BELTRAN, 2006)

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As mudanças culturais que se iniciaram em meados do século XX afetaram a Administração Pública
em todos os níveis. Se antes o controle e a autoridade burocrata eram regra, havendo delimitação
de funções e procedimentos de trabalho, hoje, a cultura da sociedade do conhecimento, resultante
de um mudo globalizado, leva o Estado a corresponder com as expectativas e os interesses de
uma sociedade mais ativa e exigentes de serviços de qualidade, requerendo uma execução
orçamentária e financeira eficiente e transparente, repudiando e combatendo a corrupção. Tais
mudanças sociais têm levado as organizações públicas a buscarem aprimorar continuamente a
sua razão de existir e com isto agregar valor às informações tratadas e geradas, transformando-
as em conhecimentos para a mediação da tomada de decisões e do aprimoramento contínuo do
seu fazer constitutivo.

Aliado às novas formas de gestão do Estado, especificamente nos momentos de ajustamentos


nos modelos sociais e econômicos, alicerçados em novas ferramentas de planejamento,
surge a preocupação com a EC também no âmbito dos órgãos de governo para o contínuo
desenvolvimento profissional dos servidores.

Neste movimento, a função “desenvolvimento profissional” nas organizações públicas passou a


ser constituída pela capacitação e treinamento, pelo planejamento de carreira e pela promoção
funcional e sua prática mais relacionada com os modelos de administração. Trata-se da prática
coordenada da gestão de pessoas e da gestão do conhecimento, tendo por orientação os objetivos
estratégicos da organização. Confira como se dá essa coordenação no link do vídeo abaixo.

<[Link] >

Diante de intensas transformações, em que os conhecimentos se tornam rapidamente


ultrapassados, é essencial que as organizações públicas adotem o desenvolvimento profissional
como prática institucionalizada. Macedo (1988) defende que nas organizações pode-se distinguir
três tipos de educação:

I. Educação Técnica: cujo centro de atenção está nas tarefas: trata-se da educação
que visa a qualificar tecnicamente as pessoas por meio da transmissão de conceitos,
valores e técnicas profissionais.

II. Educação Pessoal: que tem como centro de atenção o conhecimento da própria
pessoa e o desenvolvimento de habilidades que a credenciem a assumir a
responsabilidade pelo seu futuro pessoal e profissional; é uma educação que
possibilita à pessoa conhecer a si mesma, identificando seu potencial para saber
utilizá-lo no momento certo e para planejar estrategicamente o próprio futuro,
desenvolvendo habilidades para ser criativa e crítica.

III. Educação Organizacional: focaliza o conhecimento da realidade organizacional, suas


origens e tendências; trata dos valores, da cultura da organização, que propiciam a
integração dessa pessoa à equipe e à organização, resultando em uma educação que
torna a pessoa conhecedora do seu papel e da sua importância como parte de uma
equipe de trabalho, compreendendo toda a trajetória da organização, sua visão,

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missão, valores, objetivos, estruturas e sistemas, o que leva ao desenvolvimento das
habilidades para atuar com eficiência e efetividade.

Essas competências, traduzidas em qualificação profissional, dizem respeito não apenas aos
saberes cognitivos e técnicos, mas também aos saberes implícitos, ou seja, a capacidade do
servidor de resolver problemas, de lidar com situações imprevistas, de compartilhar e transferir
conhecimentos.

Dica
Portanto, no contexto da Administração Pública, representada nos diferentes
órgãos e organizações públicas, é importante considerar que, com o passar
do tempo, se o servidor não for submetido a programas de desenvolvimento
profissional nos temas institucionais, aumentará o desnível entre as exigências
do cargo e o saber de seu ocupante, com prejuízos para ele, para a organização
e para a sociedade, resultando num processo de obsolescência do servidor e
da organização.

12. Qualificação profissional na Administração Pública


Em busca da qualificação contínua dos seus serviços e do seu corpo funcional, o governo federal
implementou a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal (PNDP) e as diretrizes para
a formação permanente dos servidores da Administração Pública federal direta, autárquica e
fundacional, com vistas à adequação das competências necessárias à realização das ações
governamentais.

As atividades de desenvolvimento que devem ser conduzidas no âmbito dos órgãos da


Administração com:

i) eficiência, eficácia e efetividade dos serviços públicos prestados ao cidadão;

ii) desenvolvimento permanente do servidor público;

iii) adequação das competências requeridas dos servidores aos objetivos das
instituições, tendo como referência o Plano Plurianual (PPA);

iv) divulgação e gerenciamento das ações de capacitação; e

v) racionalização e efetividade dos gastos com capacitação.

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Importante
Essa política trouxe temas considerados importantes para o TD&E a serem
realizados no âmbito da Administração Pública, bem como uma visão gerencial
da capacitação, que passa a ser considerada como um processo contínuo que
busca o desenvolvimento de competências individuais e organizacionais.

13. Encerramento
Encerramento do Módulo 1

Neste módulo, você refletiu sobre diferentes concepções da educação formal, estudou as
tendências e modelos pedagógicos que influenciam também a Educação Corporativa.

Neste âmbito, pode contemplar os marcos que impulsionaram o desenvolvimento da Educação


Corporativa no contexto das quatro ondas (Revolução Agrícola, Revolução Industrial, da
Informação e da atual Sociedade do Conhecimento) que provocaram transformações no processo
de treinamento até chegar a Gestão de Competências.

E, a partir dos quatro pilares da educação de Jacques Delors, lhe foi possível refletir a respeito da
importância da educação, no âmbito profissional, para possibilitar uma inserção ativa, reflexiva
e agregadora.

Não deixe de responder o questionário avaliativo do Módulo 1, ele é importante para que você
obtenha um bom desempenho no curso.

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