NUCLEO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE – NEPAM MAGNA CRISTINA ASSUNÇÃO GUERRA GISELI ARRUDA DE OLIVEIRA

REUTILIZAÇÃO DA ESCÓRIA DE ALTO – FORNO À COQUE NA PAVIMENTAÇÃO ASFALTICA

Barcarena - PA 2011

MAGNA CRISTINA ASSUNÇÃO GUERRA GISELI ARRUDA DE OLIVEIRA

REUTILIZAÇÃO DA ESCÓRIA DE ALTO - FORNO À COQUE NA PAVIMENTAÇÃO ASFALTICA

Projeto de Conclusão de Curso do Núcleo de Ensino Profissionalizante – NEPAM para a obtenção de Grau Técnico em Química Industrial, orientado pelo profo. Mauro Belém.

Barcarena – PA

MAGNA CRISTINA ASSUNÇÃO GUERRA GISELI ARRUDA DE OLIVEIRA

REUTILIZAÇÃO DA ESCÓRIA DE ALTO – FORNO À COQUE NA PAVIMENTAÇÃO ASFALTICA

Projeto de Conclusão de Curso (PCC) Para obtenção do Título de Técnico em Química Industrial pelo Núcleo de Ensino Profissionalizante – NEPAM.

Data:____/____/_____ Resultado:__________________

BANCA EXAMINADORA Prof. MSc ou ESp. __________________ Assinatura: ________________________ Prof. MSc ou ESp. __________________ Assinatura: ________________________ Prof. MSc ou Esp. __________________ Assinatura: ________________________

Barcarena – PA

the slag generated in the company USIPA. blast furnace slag. Steel. particularly in the north. The granulated slag from blast furnace has excellent potential. there has been little exploited. enabling the site drainage. reuse and recycling are presented as a good alternative. asphalt. Keywords: reuse. In Brazil. better durability. . since excess water can cause damage to the pavement. skid-resistant layer that it will be before the tarmac. serving as sub-base. this project aims to develop an ability to use more effectively to the environment as well as economically viable. An alternative is the use of granulated slag in place of gravel.ABSTRAT The rising generation of waste and the obstacles that man has found to deal with it are creating the need for studies aimed at improving the productive cycle and adjust its destination. In this sense. As a result. to form a stabilized soil or ground slag. Currently the slag generated in USIPA is used to manufacture cement.

a reutilização e a reciclagem se apresentam como uma boa alternativa. resistente à derrapagem ele constituirá a camada que antecede o asfalto. da escória gerada na empresa USIPAR. As escórias granuladas de alto-forno têm grande potencial de utilização. servindo como sub-base. escória de alto-forno. No Brasil. uma vez que o excesso de água pode causar danos ao pavimento. tem sido pouco aproveitadas. que permite a drenagem do terreno. Palavras-chave: reutilização. siderurgia. principalmente na região norte. ao formar o solo estabilizado ou solo escória: melhor durabilidade. Neste sentido. este projeto visa desenvolver uma possibilidade para o aproveitamento de forma mais eficaz para o meio ambiente além de economicamente viável. Atualmente a escória gerada na USIPAR é utilizada para fabricação de cimento. asfalto. Em razão disso. E uma das alternativas é o uso da escória granulada em substituição da brita. .RESUMO A crescente geração de resíduos e os obstáculos que o homem tem encontrado para lidar com ele vêm criando a necessidade da realização de estudos com vistas a melhorar o ciclo produtivo e adequar sua destinação.

............................................................... Suporte Teórico. Conama 313...................14 8...................................................... IBS ................................................................ Características químicas e físicas da Escória ......... Discussão e Resultados...............24 .......6 2..............9...............10 5.............................12 5................... Asfalto ................................. Introdução....4....12 6........7................................ Característica química do Asfalto ..... Objetivo Geral....................7 4....... Os 3 Rs ...............................................SUMÁRIO 1...............................3........ NBR 10004 ..................................2.8 4..... Metodologia............................................................8.10 5.........................................5.......10 5.. Objetivos Específicos..........9 5.............. Processo do Ferro Gusa e geração da Escória ...........................3..........................................7 3.................................. Escória ...... DNER .............................................................. Bibliografia.........1.................................................................................................................2....................................................... Justificativa ou Situação Escolhida ............................10 5...12 5.......................................................................... Anexos................................6.................................................10..................1.................12 5.....11 5......................................................8 4...............13 7............Considerações Finais.........20 9.............................................................................8 4..............................................10 5..................... Histórico...... Objetivos..................11 5........................................................................................................... Questões Norteadoras ......22 10....

O conceito de sustentabilidade. prolongando a vida útil das reservas naturais e reduzindo a destruição da paisagem. INTRODUÇÃO A questão ambiental vem sendo discutida em foros nacionais e internacionais de grande repercussão. A proteção do solo e água. Atualmente as escórias de alto-forno.1. reutilização e reciclagem. na pavimentação é uma alternativa lucrativa. passa por um processo de resfriamento. a escória. Substituídos por escória. a escória granular ou bruta substitui a brita. se acompanhado de um controle rigoroso de qualidade. principalmente na área de siderurgia. . que passa a apresentar um aspecto granular ou bruta. o que facilita sua utilização. ao formar o solo estabilizado ou solo escória: mais resistente. passou a ser entendido como uma alternativa plausível à degradação ambiental. Uma alternativa para o problema de geração de resíduos seria a sua redução. A viabilidade do reaproveitamento das sobras da produção industrial de ferro-gusa. O reaproveitamento de resíduos e a disposição adequada destes que são impróprios para uso. ele constituirá a camada que antecede o asfalto. E com isso. flora e fauna. como sendo o melhor aproveitamento das matérias-primas. é gerada uma escória resistente e durável. geradas na USIPAR é utilizada na fabricação de cimento. Dependendo do tipo de matéria prima utilizada no processo. Na pavimentação. servindo como sub-base. Na pavimentação de vias e estradas a escória. que possibilita a conservação de recursos naturais. a limitação de geração de resíduos e a sua reutilização são itens chave no conceito do chamado “Desenvolvimento Sustentável”. que sai do forno entre 13500C a 15000C. assumindo um papel importante na sociedade contemporânea. o seu uso é possível. Ele altera as propriedades físicas do rejeito.

2. QUESTÕES NORTEADORAS • • • • • • • • • • • • O que são os 3R`s? O que é escória? Quais as características (física e química) da escória? Qual o processo siderúrgico de geração da escória de Alto forno? O conceito de asfalto? Qual a característica química do asfalto? Qual a relação do asfalto com a escória? Quais os aspectos e impactos dessa utilização? Quais os perigos e riscos dessa utilização? Quais as vantagens e desvantagens dessa aplicação? Que medida é adotada para gerenciar esses resíduos sólidos? Qual o tratamento dado para esse resíduo? . Qual a possibilidade de aproveitamento da escória de alto-forno na pavimentação? 3. vêm criando a necessidade da realização de estudos com vistas a melhorar o ciclo produtivo e adequar sua destinação. JUSTIFICATIVA OU SITUAÇÃO ESCOLHIDA Diante da crescente geração de resíduos siderúrgicos e os obstáculos que o homem tem encontrado para lidar com ele.

Conhecer o tratamento dado para esses resíduos.4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • • • • • Conhecer as características (física e química) da escória.1. Identificar a relação do asfalto com a escória. 4. perigos e riscos dessa utilização. . OBJETIVO GERAL Demonstrar a viabilidade da utilização da escória de ferro-gusa proveniente de alto-fornos na pavimentação asfáltica.2. impactos. OBJETIVOS 4. Identificar os aspectos. Conhecer o processo de geração da escória de Alto forno.

Também em 2007. através do beneficiamento de escória. Segundo Fusinato (2004). Dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) (1999) informam que no Brasil são gerados em torno de 5. a proporção. juntamente com a adição de fundentes (calcário e dolamita) e as cinzas do coque. Com capacidade nominal de 500 mil toneladas de ferro-gusa por ano.3 a 0. foi estabelecida a parceria com a empresa Votorantim para produção de cimento. dependendo da constituição do minério utilizado.3.7 milhões de toneladas de escória de alto-forno por ano. HISTÓRICO As escórias de Alto Forno se formam pela fusão das impurezas do minério de ferro. Carajás florestal e Cosipar engenharia. . A USIPAR é o projeto de expansão do grupo COSIPAR.4 toneladas de escória gerada por tonelada de ferro produzido. em alto-fornos a coque. O grupo é composto por outras três empresas: MC log. Atualmente está operando apenas com um Alto – Forno com capacidade de 250 mil toneladas nominal. a grande maioria deles para pessoas de Barcarena e municípios vizinhos. empresa brasileira com atuação no Pará há mais de 24 anos. A Usipar gera cerca de 900 empregos diretos e indiretos. é de 0.4. A USIPAR – Usina Siderúrgica do Pará iniciou suas atividades no dia 08 de fevereiro de 2007 no município de Barcarena. no Pará. Além das unidades de COSIPAR e USIPAR. Dependendo da forma de resfriamento obtém-se o resíduo com características diferentes. sendo que para cada tonelada de ferro são geradas 320 kg de escória.

é a forma de reaproveitar os resíduos gerados ou parte destes. atrito – estático e dinâmico. Cita-se todos os parâmetros de caráter físico mecânico. . que se separa da fase metálica por ser insolúvel e de menor densidade (Bittencourt -1992).4 – Processo do Ferro Gusa e geração da Escória: Resumidamente. • Preparação do minério e do carvão.5. presente nos processos pirometalúrgicos. conforme mostra na Tabela I e II em anexo I e figura VII do anexo V. A preparação do minério e do carvão é constituída por dois processos: a ‘coqueificação’ e a ‘sinterização’. de esmagamento. 5. • Reduzir: Envolve atividades e medidas para evitar o descarte de resíduos. no mesmo ou em outro processo produtivo (Philippe Layargues). de compressão. SUPORTE TEÓRICO 5. na umidade de equilíbrio até a saturação. 5. relacionadas com a vida em sociedade. o processo de produção do gusa em uma siderúrgica integrada a coque pode ser dividido em duas etapas seqüenciais como mostra a figura II em anexo III. incluindo a expansibilidade geométrica. • Redução do minério de ferro. variação da umidade – desde o estado seco. dos agentes de intemperismo – variações de temperaturas. • Reciclar: O mais conhecido dos 3 Rs.1 – Os 3Rs: Constitui-se de estratégias para diminuir a exploração de recursos naturais e o impacto ambiental das diversas atividades.3 – Características químicas e físicas da Escória: As escórias de alto forno utilizadas em pavimentação devem ser caracterizadas visando medir seu desempenho sob as diversas formas das solicitações. alimentarem os equipamentos de produção de ferro líquido (ferro-gusa) que são os altos-fornos. tanto no aspecto físico como no aspecto químico.2 – Escória: como sendo uma fase líquida homogênea formada por um ou mais compostos químicos. • Reutilizar: Consiste no reaproveitamento antes do descarte ou da reciclagem. 5. que preparam o carvão e a maior parte do minério de ferro para. de vários óxidos. seja à força de impacto. e ainda. juntamente com minério de ferro em pelotas e outros materiais.

Sua estrutura e propriedades são dependentes da temperatura. Alguns destes elementos misturados ao minério são: calcário. semisólidos ou líquidos obtidos por um processo de destilação. por exemplo). 5. É no alto-forno que são misturados o coque com o sinter e outras cargas metálicas (minério de ferro. que é uma liga ferro carbono com alto teor de carbono (mais de 2%) e de escória. com tamanho bem definido e poroso. 5. com o intuito de facilitar a troca e o fluxo de calor e de gases dentro de um alto-forno.6 – Característica química do Asfalto: O cimento asfáltico de petróleo (CAP) é uma mistura complexa de várias espécies químicas. etc.5 – Asfalto: Define-se asfalto como sendo um produto orgânico composto por hidrocarbonetos pesados. pegajoso. cal fina. sólidos. carvão e petrolato. Como resultado deste processo tem-se o ferro-gusa líquido. os compostos saturados e os aromáticos polares e naftênicos. óxido de titânio. semi-sólido e muito viscoso. que é um material sólido. ou seja. coque fino. À temperatura ambiente é de cor preta.A ‘coqueificação’ é um processo realizado na ‘coqueria’. graxas. É formado de aglomerados de anéis aromáticos e exerce grande influência nas propriedades reológicas. Genericamente. pois o coque é comprado da RÚSSIA. onde é feita a mistura de minérios de ferro de granulometria fina (pó) com aglomerantes de finos (ou fundentes). Segundo (Corbett). portanto. Sendo que na USIPAR não tem a coqueria. Esse processo é realizado em um ‘alto-forno’. amorfo. dunito. os principais constituintes do CAP são os asfaltenos. dolomita. A Figura I em anexo mostra a estrutura provável de uma molécula de asfalteno. facilitando o processo de redução. Asfaltos são materiais aglutinantes. . por isto o uso do termo ‘redução’. manganês. oriundos de resíduos da destilação fracionada do petróleo. óleo combustível. A Tabela III em anexo II mostra a composição química média dos principais asfaltos. podemos dizer tratar-se de um material composto de hidrocarbonetos não voláteis. A ‘sinterização’ é um processo realizado à alta temperatura no ‘forno de sinterização’. Redução do minério de ferro: A ‘redução do minério de ferro’ é a retirada do oxigênio existente no óxido de ferro. O produto gerado neste processo recebe o nome de sinter. de cor escura. a retirada de oxigênio. O asfalteno é o mais importante componente do asfalto. possuidor de uma elevada massa molecular com propriedades que variam dependendo da origem do petróleo e do processo de sua obtenção. ainda não se trata de aço. Portanto o CAP é formado essencialmente por hidrocarbonetos. alcatrão. protetores de refratários e formadores de escória (conferem basicidade à escória) e elementos protetores de ‘lança do convertedor’ (soprador de oxigênio). antracito.

de 6 de junho de 1990. 5. de 29 de outubro de 2002 – (Conselho Nacional do Meio Ambiente) No uso de suas competências atribuídas pela Lei nº 6.938.7 – NBR 10004:1987– (Norma Brasileira de Resíduos) Classificam os resíduos de acordo com os riscos que oferecem em: • Classe I – Resíduos perigosos.0% de expansão. solos e outros materiais. 5. Durabilidade ao sulfato de sódio: 0. em 5 ciclos.0%.7 e 50.0% para subbase. de 15 de dezembro de 1994.0 a 3.0% até 12.5 g/cm3. para que possam ser gerenciados adequadamente. • Absorção de água: 1. regulamentada pelo Decreto nº 99.0% em peso. 1º Os resíduos existentes ou gerados pelas atividades industriais serão objeto de controle específico. Anexo à Portaria nº 326.274. • Massa unitária: 1.0% entre 12. base e revestimento. e tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno. • Classe III – Inertes OBJETIVO Esta Norma classifica os resíduos Sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública. • • Desgaste por abrasão Los Angeles: no máximo igual a 25.10 – CONAMA 313.5.8 mm de abertura nominal e atender a granulometria de projeto.9 – IBS: 1999 – Instituto Brasileiro de Siderurgia. como parte integrante .7 mm e 60.7 kg/dm3.0% a 5. 5. contaminação com escória de alto forno. Resolve: Art. de 31 de agosto de 1981. • Granulometria: 40.8 – DNER: 1994 – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. • Massa específica: 3. • Classe II – Resíduos não inertes.5 a 1.0% a 2. a escória para uso em pavimentação deve obedecer aos seguintes limites: • Máximo de 3. • Isenta de impurezas orgânicas.

quando contido. Tec. textos técnicos. para obtenção de informações referentes à área de interesse do projeto. artigos científicos. de Segurança do Trabalho e Laboratoristas) para coleta de dados. Em uma pesquisa documental. Eng. . esclarecimentos de dúvidas relevantes do projeto. através de leituras de teses. documento de sistema de gestão de resíduos da empresa embasada na resolução Conama 313) para complementação de dados e principalmente uma pesquisa de campo.do processo de licenciamento ambiental. onde foram feitos contatos com a empresa USIPAR. 2º Para fins desta Resolução entende-se que: I . que abrange desde a geração da escória até a sua destinação final. gasoso . Onde nesta fase foram realizadas entrevistas com Eng. relacionados à aplicação da escória de alto forno como agregado para camada de base e sub-base na pavimentação. 6. Químicos. Art. METODOLOGIA A metodologia utilizada neste projeto consta das seguintes etapas: Com uma pesquisa bibliográfica. Supervisor de Produção. ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. semi-sólido.cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgoto ou em corpos d água. através de (planilhas de Análises químicas dos teores de óxidos presentes na escória. de Meio Ambiente. e líquido . Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água e aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição.resíduo sólido industrial: é todo o resíduo que resulte de atividades industriais e que se encontre nos estados sólido. de Qualidade. Tec.

também líquido. que é uma reação exotérmica Pela lei de Hess temos: 2C + O2 3) Em frente a ventaneira tem-se também a reação de formação do gás dágua: . DISCUSSÃO E RESULTADOS As escórias de alto-forno são geradas mediante a produção do ferro-gusa. com o monóxido de carbono (CO). e corresponde ao líquido menos denso e insolúvel. a canga do minério. menos densa. cristalizando-se ou não. Dessa maneira. é separada da não metálica pela fusão a aproximadamente 1500ºC.7. A principal função do alto-forno consiste na remoção do oxigênio do minério de ferro através da redução dos óxidos contidos nos minerais de ferro. Reação química do processo: O princípio de funcionamento de um AltoForno em Anexo III (figura III) é o carregamento de matérias primas (figura X em anexo VII) com minério de ferro (ou pelotas ou sinter). transformando estes em ferro metálico (Fe0) e separando-o das partes não metálicas. O CO resulta da combustão do carvão mineral. o CO2 formado reage com o carbono: CO2 + C 2CO 2 CO. o coque. a escória. A fabricação do gusa é realizada nas siderúrgicas em unidades industriais chamadas altos-fornos. Esses gases ascendentes em contato com a carga de minérios descendentes reagem. como o calcário e a dolomita. A separação do ferro é obtida a partir da reação do óxido de ferro. ao ser resfriada. as regiões e as reações que surgem no seu interior encontram-se definidas. Então. formando gases redutores em alta temperatura. As escórias se formam não apenas pela fusão das impurezas do minério de ferro. que incorpora todas as impurezas indesejáveis. C + O2 CO2 2) Devido a alta temperatura. ou do carvão vegetal. A parte metálica. a partir das ventaneiras temos as seguintes reações: 1) O ar soprado pelas ventaneiras reage com o carbono do coque segundo. mas também pela incorporação dos fundentes. coque (combustível e redutor) e fundentes (calcário e/ou dolomita). quando é formada a escória. sobrenadante que se separa do gusa. Que são carregados pelo topo e o sopro de ar pelas ventaneiras é insuflado na parte inferior do forno. e das cinzas do coque. por sua vez. e posteriormente se solidifica. reduzindo e fundindo o minério originando o gusa e escória. O carbono do coque e PCI (processo de injeção de carvão pulverizado) reagem com o oxigênio do ar nas ventaneiras.

exotérmica) 3Fe2O3 + CO Fe3O4 + CO FeO + CO 2Fe3O4 + CO2 3 FeO + CO2 Fe + CO2 2CO Redução pelo H2: (redução direta . onde a temperatura é elevada) . oriundo da reação: SiO2(S)CZ + C(S) SiO(V) + CO(g) REDUÇÃO DOS ÓXIDOS FERROSOS A redução dos óxidos de ferro por estes agentes pode ser expressa pelas seguintes fórmulas: CO2 + C Redução pelo gás CO: (redução indireta .endotérmica) 3Fe2O3 + H2 Fe3O4 + H2 FeO + H2 2Fe3O4 + H2O 3FeO + H2O Fe + H2O Redução pelo carbono sólido: (redução direta . H2 a temperaturas de ± 2.endotérmica) FeO + C Fe + CO REDUÇÃO DOS ÓXIDOS DA GANGA • Redução do Silício (Si): SiO2(S) + C SiO(g) + CO (esta reação se dá em frente à ventaneira.400oC 4) Também encontra-se em frente a ventaneira a presença do gás SiO. CO.H2O (umidade do sopro) + C (coque) CO (gás) + H2 Com isso tem-se na Zona de Combustão: N2.

pois se comportam termodinamicamente instáveis e hidraulicamente latentes podendo ser ativadas. Origina um produto similar em granulometria às areias – Utilizada tradicionalmente pela indústria cimenteira como aditivo na produção do cimento. dependendo do sistema de resfriamento poderá apresentar quatro ou mais tipos de materiais predominantes e distintos. Estocado e posteriormente britado dão origem aos agregados para construção civil e para a pavimentação. 2º Tipo – Vítrea – Resfriamento “rápido” ao cair em tanques com água – Tanques de granulação. pois o [P] se configura como um elemento dos mais nocivos do aço) (P2O5) + 5C 2[P] + 5CO Após a escória ser recolhida do alto forno. . comportando-se relativamente como agregados inertes. As escórias vítreas mantêm as propriedades hidráulicas desejadas para a indústria cimenteira. 1º Tipo – Cristalizada – Resfriamento “lento” em estoques / pilhas ao ar livre. que irão definir suas mais variadas aplicações. em função de sua granulometria em meio aquoso. termodinamicamente estáveis. e são classificados na classe 3 – NBR 1004 – materiais inertes. Carecem de propriedades hidráulicas e são em sua maioria. Origina um produto maciço e cristalizado.SiO(g) + C SiO2) + 2C [Si] + 2(FeO) [Si] + CO [Si] + 2CO (SiO2) + 2 F • Scoque 1/2S(g) Reações do Enxofre (S): 1/2 S2(g) S (na forma de FeS) (MnS) + Fe [Mn] + [FeS] • Redução do Manganês (Mn): [Mn] + CO (que é uma reação endotérmica) (MnO) + C • Redução do Fósforo (P): (Essa é uma reação importante. comparativamente às escórias vitrificadas.

é necessário que a escória seja solúvel. constatou que a adição de uma mistura de escória de alto-forno granulada moída. governa a microestrutura. Esta apresenta alto grau de vitrificação e excelentes moabilidade para a indústria cimenteira. que é chamado de Escoria Peletizada. Existe um 5º tipo. com enormes implicações nos seus comportamentos e nas suas aplicações finais. desde que misturada com brita e cal. Tal solubilidade é favorecida pelo teor de óxidos de cálcio (CaO) presente na escória. passível de ataque pela água. Neste contexto. e este. segundo Valten (2005). Enquanto a escória bruta que é composta de grãos com dimensões habituais das britas utilizadas em pavimentação. a adição de escória de alto-forno a mistura empregadas em pavimentos. Portanto. sejam como agregado ou como aglomerante. isto é. para que os elementos formadores dos compostos hidráulicos sejam liberados. torna-se acelerada. que tem alto poder aglomerante devido à sua reatividade pode ser utilizada como base ou sub-base de pavimentos. quando é peletizada (pulverizada) com ar sob pressão em grandes tambores. aumentou consideravelmente a resistência mecânica do pavimento. pode ser empregada na construção de bases e sub-bases de pavimentos. A escória granulada. Segundo Velten (2005). a cal atua como agente de ativação de reações de hidratação da escória. a reação é lenta. Senço (2001) as classifica em granulada e bruta. amostra de solo residual jovem de gnaisse e cal hidratada a camada de pavimento de estradas. com propriedades isolantes. sendo a velocidade de reação favorecida pela finura da escória. Segundo o mesmo autor. Origina-se a lã de vidro. Para o uso na pavimentação. . 4º Tipo – Lã de vidro – Resfriamento “rápido” por ar sob pressão. cristalina ou vítrea. em meio fortemente alcalino e/ou através da ação de sulfatos. Origina a escória expandida.3º Tipo – Expandida – Resfriamento “rápido” por jatos d’água sob pressão. apenas com adição de cal. aumenta a resistência mecânica do mesmo. Esse fator comprova a ação positiva da escória como agente estabilizante do solo utilizado. Dessa forma. para o emprego da escória como aglomerante. Constata-se que as características finais da escoria é dependente do processo de resfriamento. térmicas e acústicas. geralmente utilizada como agregados leves para concretos especiais. desenvolvido no Canadá. mas.

através do seu Sistema de Gestão de Resíduos é embasado na Resolução COMAMA 313. pois pode haver reações químicas que. que vai depender do tipo de matéria prima utilizada no processo. A USIPAR há alguns anos trás reaproveitou a escória bruta como piçarra para pavimentar a estrada de acesso a empresa. e são vendidos os cem por cento de escória granulada para a Votorantim. O tratamento dado para essas escórias na USIPAR. ou seja. As vítreas de granulometria fina saem do tanque de resfriamento rápido. Sendo que essas escórias não têm nenhum reaproveitamento por parte da empresa. mesmo com tal diferencial. devidas principalmente pela hidratação de certos compostos cálcicos e magnesianos na forma de óxidos livres. capaz de resistir à ação mecânica das cargas dos veículos. Para um projeto de pavimentação é necessário que se conheça as funções exercidas pelo asfalto e o comportamento da escória. Também proporciona ao asfalto características de flexibilidade. A (figura IV) em anexo IV mostra como a utilização de agregados reduz o consumo de matérias-primas.Os tipos de escória gerada na USIPAR são a Vítrea (granulada) e a Cristalizada (bruta). faltaram incentivos e investimentos. e a variações de pequenos intervalos de temperaturas. e ter. através de testes físicos para se determinar a sua resistência e durabilidade. Como aglutinante proporciona uma íntima ligação entre agregados. Como impermeabilizante proporciona vedação eficaz contra a penetração da água de chuva às camadas estruturais do pavimento. As brutas ficam estocadas ao ar livre para resfriamento e depois vão para um galpão coberto. não combinados. portanto. diferentes propriedades físicas) do C2S – (2CaO2SiOs – silicato dicálcico ou ortossilicato). que podem estar presentes superficial ou internamente nos alvéolos ou capilar. as escórias podem apresentar sensíveis aos estados de saturação em água. onde são feitos apenas análises químicas (espectômetro) nas escórias brutas para determinar os teores de óxidos presentes como mostra a figura VIII e IX em anexo VI. A desagregação / desintegração / decomposição por sua vez. visto que ela é mais resistente. ou ainda. na possibilidade das mudanças nas formas alotrópicas (alotropia-fenômeno que consiste o elemento químico em poder cristalizar em mais de um sistema cristalino. serem avaliadas sob a possibilidade de sua desagregação / desintegração / decomposição. e . As funções exercidas pelo asfalto na pavimentação são: aglutinadora e impermeabilizadora. O uso da escória para base e sub-base é menor que o uso de brita e/ou brita com cimento. Porém. há um problema: A durabilidade. e quando excede vão para o pátio de estoque. por isso. mas não houve um projeto de terra planagem por parte da empresa. devendo. diz respeito à sua instabilidade volumétrica e as conseqüências destas.

Os pontos mais fortes desta utilização são a economia de material e os benefícios ambientais. . durante os processos de hidratação. a escória ainda é uma opção lucrativa. Através de compra de equipamentos e incentivo à pesquisa e acompanhada de um controle rigoroso de qualidade. o óxido de magnésio (MgO) procedente dos calcários dolomíticos utilizados como fundentes ou carreados devido ao desgaste dos revestimentos refratários do forno.finalmente. hidrata-se lentamente: MgO(s) + H2O(l) Mg (OH)2(s) Com isso aparecerá rachaduras. Porque não libera particulados mesmo no verão e quando chove esses resíduos se tornam benéficos e possui em quantidades maiores Cálcio que serve como fertilizantes para o solo. basta que cada empresa invista em técnicas de homogeneização. Os riscos ligados à saúde e associados com as escórias siderúrgicas não são significativos para populações urbanas e rurais ou trabalhadores em manutenção. Pois a escória não ocasiona impacto ao ser humano e nem ao meio ambiente. Como mostra a figura V em anexo IV e figura VI em anexo V que são exemplos de pavimentos que foi utilizado escória de aciaria. pois no Brasil a utilização da escória de altoforno em pavimentação ainda é incipiente. as expansões devidas à corrosão e oxidação do ferro metálico residual. Mesmo que ocorra algum problema de redução da vida útil do pavimento. ainda compensa-se devido ao baixo custo do pavimento escórico em relação ao feito com CPC (concreto de cimento portland). não havendo exemplos marcantes deste uso e sim na indústria cimenteira. ocorrem de acordo com as equações: Óxido de cálcio livre (CaO) forma o hidróxido de cálcio (Ca (OH)2) CaO(s) + H2O(l) Ca (OH)2(s) De forma análoga. Mas com todo esse inconveniente. que em contato com umidade. As transformações dos óxidos para o estado dos hidróxidos correspondentes. com presença bastante inferior. sejam no laboratório ou no campo. fissuras no pavimeto. porque a composição da escória é heterogênea e varia até mesmo de forno para forno. indústria e construção potencialmente expostas. criam a presença destes na escória. porém.

A escória é um material inerte e não polui o ambiente ao seu redor (NBR. Percebeu – se grande disparidade entre o Brasil e os demais países que já usufruem desta tecnologia de reaproveitamento. . Sendo que a bruta é a melhor para se aplicar na pavimentação. França. caminha – se a curtos passos.8. que mostra – se tão boa quanto à de aciaria. entre outros. conseguiu-se os objetivos do projeto. pois sua utilização é ampla e diversificada. pois é preciso determinar a sua resistência e durabilidade. Outro fato que comprova tal afirmação é a ausência / escassez de dados e estudos sobre a escória de alto – forno. Estados Unidos. controle rigoroso de qualidade e interesse da empresa em colocar isso em projeto piloto. que antes era tida como rejeito. 1994). O pavimento que utiliza escória tem uma economia de material em relação ao pavimento que utiliza brita e CCP. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da revisão bibliográfica e da metodologia aplicada. pois não há grandes investimentos tampouco incentivos. apesar da durabilidade do pavimento ser razoavelmente baixa em relação ao feito com brita e concreto de cimento portland. Observou-se que realmente as pesquisas estão em fase inicial. Além disso. O resíduo que fica estocado em pátios e galpões é até benéfico para o solo por possuir nutrientes como o Cálcio. Não se pode definir onde será melhor utilizar a escória. este iniciou as pesquisas por volta da década de 90. forma de resfriamento. Para se obter uma matéria final devidamente controlada e certificada. O uso da escória como agregado em pavimentos depende da matéria prima utilizada no processo e no tipo de resfriamento. onde se obtêm uma escória cristalizada (bruta) ou vítrea (granular). pois o preço da tonelada de escória chega a custar R$ 30. e em todos os aspectos traz tanto vantagens quanto desvantagens. vantagens e desvantagens de seu uso e os benefícios ambientais e econômicos. Para que não ocorram os inconvenientes no pavimento é preciso que se façam testes físicos na escória que será utilizada. iniciaram os estudos em 70 e hoje possuem extensas rodovias com agregado escórico.00 reais e a empresa não gastaria com transporte por causa da proximidade. Mesmo assim com todos os inconvenientes o seu uso ainda é econômico. os tipos de escória gerada na USIPAR. deve – se trabalhar segundo as normas estabelecidas pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). conhecendo o processo de geração da escória. pois possui o aspecto da brita e para isso precisam-se estabelecer estudos científicos. enquanto Japão. Conclui-se que a escória de Alto – Forno. Sendo que é viável. pode ser reaproveitado seja na pavimentação ou na indústria cimenteira.

a pavimentação asfáltica com escória. está mais do que comprovado que.).. evitando uso de outros agregados e reduzindo gastos com concreto de cimento portland.Portanto. Como ela é mais densa. . consome – me uma menor quantidade de mistura para uma mesma área pavimentada.. separação. tanto de aciaria quanto de alto – forno é vantajosa e reduz custos. armazenamento. mesmo mediante custos de análises periódicas e processamentos (moagem. britagem.

120 f. R. JOHN. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • LAYARGUES. Utilização de escória de alto-forno à carvão vegetal como adição no concreto. CINCOTTO. Philippe.. Goiânia.. 1987. Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Universidade Federal de Minas Gerais. Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil-Universidade Federal de Viçosa. Rio de Janeiro. DNER 1994: Departamento Nacional de Estradas e Rodagens IBS: Instituto Brasileiro de Siderúrgia RESOLUÇÃO CONAMA Nº 313. MASSUCATO.Estudo da expansibilidade em escória de aciaria para uso em pavimentação rodoviária. Campinas. Joni.. Escórias de alto forno como aglomerante. Arquitetura e Urbanismo. C. Características e desempenho da escória de Alto-Forno como agregado para utilização em camadas granulares de pavimentos. CASTRO. Dissertação (Mestrado) . LAYARGUES.Caracterização mecânica de misturas solo-escória de alto-forno granulada moída para aplicações em estradas florestais. Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP. 179-220. 2002. Goiânia. Belo Horizonte. São Paulo: Cortez. O cinismo da reciclagem: o significado ideológico da reciclagem da lata de alumínio e suas implicações para a educação ambiental.Dissertação(Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Saneamento. 2005.) Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania. In: ENCONTRO NACIONAL DE CONSERVAÇÃO RODOVIÁRIA. 2004. DE 29 DE OUTUBRO DE 2002 Empresa USIPAR • • • • • • • • • • • . Universidade Federal de Santa Catarina. 177f.Engenharia de Produção. NASCIMENTO. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Engenharia Civil. 153 f. MOREIRA. J. LOUREIRO. 2006. J. FUSINATO.. Estudo da viabilidade técnico-ambiental para incorporação da escória férrica na pavimentação asfáltica como agregado miúdo. Rodrigo Zorzal et al. 2005. VELTEN. 1995. Viçosa. P. Maria Alba.F. Vanderley Moacyr. F. (Orgs. 2006.9. 2003. Florianópolis. Cristiano Costa. NBR 10004: Resíduos sólidos. 11. Universidade Estadual de Campinas. Anais.

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) Tabela II Especificações . ANEXOS I: Tabela I – Composição de escórias de alto-forno a coque. (Fonte: MASSUCATO.10. 2005.

ANEXOS II: Tabela III (Corbett. (Fonte: Corbett. 1984) . Estrutura provável de uma molécula de asfalteno. 1984) Figura I.

ANEXOS III: Figura II – Fluxograma do processo (fonte: COSIPAR) Figura III (Alto – Forno) .

ANEXOS IV Figura IV – Comparação entre pavimentos com e sem agregado escórico Fonte: NASCIMENTO. 2003. Figura V .Detalhe de uma trinca no pavimento com escória de aciaria .

ANEXOS V Figura VI . Figura VII ."Quebra-mola" formado pela expansão da escória.

ANEXOS VI Figura VIII (Fonte USIPAR) – Espectômetro Figura IX (Fonte USIPAR) – Amostra de escória e ferro gusa. .

Matéria Prima do Processo .ANEXOS VII Figura X (Fonte USIPAR) .

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