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O Que É o Mineralograma e para Que Serve e Como É Feito

O documento discute o mineralograma, um exame que mede a concentração de minerais no corpo. Pode ser feito com amostras de saliva, sangue, urina ou cabelo, sendo este último o mais comum. O exame identifica minerais essenciais e tóxicos para auxiliar no diagnóstico e tratamento de intoxicações e deficiências minerais.

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Michelle Alves
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O Que É o Mineralograma e para Que Serve e Como É Feito

O documento discute o mineralograma, um exame que mede a concentração de minerais no corpo. Pode ser feito com amostras de saliva, sangue, urina ou cabelo, sendo este último o mais comum. O exame identifica minerais essenciais e tóxicos para auxiliar no diagnóstico e tratamento de intoxicações e deficiências minerais.

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O que é o mineralograma e para que serve e como é feito

Revisão clínica: Marcela LemosBiomédica

janeiro 2020

O mineralograma é um exame laboratorial que tem como objetivo identificar a quantidade de minerais essenciais e
tóxicos no organismo, como fósforo, cálcio, magnésio, sódio, potássio, chumbo, mercúrio, alumínio, entre outros. Dessa
forma, esse exame é capaz de auxiliar o diagnóstico e a determinação do tratamento de pessoas com suspeita de
intoxicação, doenças degenerativas, inflamatórias ou relacionadas ao excesso ou deficiência de minerais no organismo.

O mineralograma pode ser feito com qualquer material biológico, como saliva, sangue, urina e até mesmo cabelo, sendo
este último o principal material biológico utilizado no mineralograma, pois é capaz de fornecer resultados relacionados à
intoxicação a longo prazo dependendo do comprimento do fio, enquanto que a urina ou o sangue, por exemplo,
indicam a concentração de minerais no organismo no momento em que foi feita a coleta do material.

Para que serve o mineralograma

O mineralograma serve para identificar a concentração de minerais presentes no organismos, sejam eles essenciais, ou
seja, que são importantes para o bom funcionamento do corpo, ou tóxicos, que são aqueles que não deveriam estar no
organismo e, dependendo da sua concentração, podem trazer prejuízos para a saúde.

O exame de mineralograma é capaz de identificar mais de 30 minerais, sendo os principais:

Fósforo; Cálcio; Sódio; Potássio; Ferro; Magnésio; Zinco; Cobre; Selênio; Manganês; Enxofre; Chumbo; Berílio; Mercúrio;

Bário; Alumínio.

A presença de chumbo, berílio, mercúrio, bário ou alumínio na amostra coletada é indicativo de intoxicação, pois são
minerais que não são normalmente encontrados no organismo e que não possuem benefícios para a saúde. Quando é
identificada a presença de algum desses minerais, o médico normalmente indica a realização de outros exames para
que seja confirmado o diagnóstico e indicado o tratamento mais adequado. Conheça mais sobre os principais minerais
do organismo.

Como é feito

O mineralograma pode ser feito com qualquer material biológico, cuja forma de coleta varia de acordo com o material e
o laboratório. O mineralograma de cabelo, por exemplo, é feito com cerca de 30 a 50g de cabelo que devem ser
retirados da nuca, pela raiz, e enviados ao laboratório, onde serão feitos testes com o objetivo de dosar a concentração
de minerais tóxicos no cabelo e, consequentemente, no organismo, indicando, assim, uma possível intoxicação. Alguns
fatores podem influenciar o resultado do teste, como colorações, uso de shampoo anti-caspa e banhos frequentes de
piscina. Assim, antes de realizar o mineralograma capilar, é importante evitar lavar a cabeça com shampoo anti-caspa e
pintar os cabelos 2 semanas antes de realizar o exame. O mineralograma não é capaz de diagnosticar doenças, mas de
acordo com o resultado do exame é possível verificar a quantidade de minerais presentes no organismo e, assim, o
médico na elaboração de um plano de tratamento, por exemplo, para que a pessoa se sinta melhor e tenha mais
qualidade de vida.

O mineralograma feito a partir da amostra de cabelo permite verificar a concentração de minerais nos últimos 60 dias,
enquanto que o exame de sangue fornece resultados referentes aos últimos 30 dias, além de fornecer resultados mais
rápidos. Para que o exame de mineralograma seja realizado a partir do sangue, é recomendado que a pessoa fique em
jejum por cerca de 12 horas.

[Link]

Tecnologia BioAS Uma maneira simples e eficiente de avaliar a saúde do solo

Até julho de 2020, quando um agricultor enviava uma amostra de solo para análise em laboratório, ele podia acessar
apenas os aspectos químicos (componentes de acidez, macro e micronutrientes) e alguns aspectos físicos (em grande
parte, determinações dos teores de argila, silte e areia) do solo. Havia uma grande lacuna nessas análises, que era a
ausência do componente biológico. E a biologia é a base da saúde do solo. Enquanto as plantas fazem a conexão da
atmosfera com o solo por meio da fotossíntese, a maquinaria biológica do solo (macro, meso e microrganismos) é a
responsável pelo seu “funcionamento” e participa de processos que vão desde a gênese até a decomposição de
resíduos orgânicos, o que resulta na ciclagem dos nutrientes minerais utilizados pelas plantas e depositados em seus
tecidos (Mendes et al., 2019). Ao atuar nos processos de formação/decomposição da matéria orgânica do solo (MOS), o
componente biológico influencia a estrutura do solo, com reflexos na dinâmica da água e também nos processos que
envolvem o sequestro/perda de carbono e a mitigação/emissão de gases de efeito estufa (GEE). A capacidade de o solo
funcionar para a prestação desses importantes serviços ambientais é a base do conceito de “qualidade/saúde do solo”
e, por isso, a importância da inclusão de parâmetros ligados ao componente biológico do solo (aqui denominado
bioindicadores) nas análises de rotina de solos. O solo também abriga a maior biodiversidade do planeta. Trata-se de um
verdadeiro universo paralelo e pouco conhecido debaixo dos nossos pés. Estima-se que um único grama de solo pode
abrigar cerca de 1 bilhão de bactérias, 1 milhão de actinomicetos e 100 mil fungos. Em termos de número de espécies
por grama de solo, os números variam de 2 mil a 8,3 milhões (Gans et al., 2005; Schloss; Handelsman, 2006).
Independente do grau de conservadorismo da estimativa utilizada, esses valores dão uma ideia da imensa diversidade
das comunidades microbianas do solo e, consequentemente, da diversidade de processos em que elas atuam. A
despeito da importância do solo para a humanidade, o interesse pelo tema “qualidade ou saúde do solo” é
relativamente recente (Doran; Parkin, 1994).

O conceito de qualidade do solo é amplamente definido como “a capacidade de um solo de funcionar dentro dos limites
do ecossistema e do uso da terra para sustentar a produtividade biológica, manter a qualidade ambiental e promover a
saúde vegetal e animal” (Doran; Parkin, 1994). O conceito de saúde do solo, por sua vez, é ilustrado por meio da
analogia com a saúde de um organismo ou comunidade (Larson; Piece, 1991; Doran; Parkin, 1994) e se origina da
observação de que a qualidade do solo influencia a saúde de animais e humanos por meio da qualidade das plantas nele
cultivadas (Warkentin, 1995). De acordo com Pankhurst, et al. (1997), a saúde do solo engloba a natureza viva e
dinâmica do solo, focando mais em sua capacidade contínua de sustentar o crescimento das plantas e manter suas
funções. Dessa forma, verifica-se que os conceitos de “qualidade” e “saúde” do solo se sobrepõem em grande parte
(Pankhurst, et al., 1997; Karlen et al., 2017) e, em muitos casos, como no presente texto, serão usados indistintamente.

Um solo saudável é um solo biologicamente ativo, produtivo, capaz de armazenar água, sequestrar carbono (C) e
promover a degradação de pesticidas, entre outros importantes serviços ambientais. O conceito de qualidade de solo
inovou ao destacar a importância do funcionamento do solo não só para a produção biológica (grãos, carne, madeira,
agroenergia, fibras, etc.), mas também para o funcionamento global dos ecossistemas. Aspectos relacionados à saúde
humana, vegetal e animal (solos saudáveis, ambientes saudáveis) e à qualidade do ar e da água (emissão de gases de
efeito estufa, sequestro de carbono, armazenamento e filtragem de água, etc) deixam claro que a qualidade do solo vai
muito além da produção de grãos, carne, madeira, agroenergia e fibras. Por isso, é possível ter um solo com baixa
qualidade, mas cujas elevadas produtividades estejam relacionadas a entradas massivas de adubos e pesticidas, uma
condição que não é sustentável em longo prazo. No caso específico do Brasil, a expansão e o uso continuado de
sistemas de manejo conservacionistas, como o sistema de plantio direto (SPD) e a integração-lavoura-pecuária (iLP),
com destaque para a inserção das braquiárias e outras gramíneas forrageiras nos sistemas agrícolas tropicais,
representam um marco fundamental para a construção de um ambiente edáfico biologicamente mais ativo e saudável.
A integração de pastagens e florestas às áreas sob cultivos de grãos em SPD (iLPF) também aumentou a complexidade
dos Tecnologia BioAS: uma maneira simples e eficiente de avaliar a saúde do solo 13 agroecossistemas tropicais e
alterou as relações entre os vários omponentes do sistema agrícola. A expansão e a adoção por longos períodos de
sistemas de manejo conservacionistas, como o SPD e a ILP, também permitiram verificar que os aumentos de
produtividade das culturas ou a manutenção da produção frente a situações ambientais adversas, muitas vezes, não são
explicados pelos resultados das análises químicas de solos (Drinkwater; Snapp, 2007; Nicolodi et al., 2008; Mendes et
al., 2017, 2020). Essa constatação de que solos quimicamente semelhantes podem apresentar desempenhos
diferenciados demonstrou a necessidade da inclusão de parâmetros relacionados ao funcionamento biológico do solo
(bioindicadores) nas análises de rotina agregação de dois indicadores relacionados ao funcionamento da maquinaria
biológica do solo (enzimas arilsulfatase e β-glicosidase) às análises de rotina, preencheu a lacuna deixada pela ausência
do componente biológico nas análises de solo.

Nos últimos 20 anos, o grupo de pesquisa em bioindicadores de qualidade de solo da Embrapa dedicou-se à seleção de
bioindicadores robustos, que permitissem que o agricultor brasileiro pudesse monitorar a saúde de seu solo, sabendo
exatamente o que avaliar, porque avaliar, como avaliar, quando avaliar e, principalmente, como interpretar o que foi
avaliado (Mendes etal., 2019a). Lançada em julho de 2020, a BioAS é uma tecnologia que agregam componente
biológico às análises químicas tradicionais de rotina solos (pH, H+Al, P, Ca, K, Mg etc.). Consiste na análise das enzimas
arilsulfatase e β-glicosidase, associadas aos ciclos do enxofre e do carbono, respectivamente, preenchendo a lacuna
deixada pela ausência do componente biológico nas análises do solo. O uso de sistemas de manejo que degradam o solo
leva a sua perda de qualidade ou “adoecimento”. A tecnologia BioAS permite ao agricultor saber se o sistema de manejo
adotado na propriedade agrícola está promovendo ou não o incremento na qualidade do solo ou, em outras palavras,
promovendo a saúde ou favorecendo o adoecimento do solo onde ele cultiva suas lavouras. Um ano após o lançamento
da BioAS, percebeu-se a necessidade de um texto em que fosse possível discutir as bases do desenvolvimento dessa
tecnologia e como ela pode ser utilizada para acessar a “memória” e avaliar a saúde dos solos. Aspectos relacionados à
importância da manutenção de solos saudáveis para a sustentabilidade agrícola, aos principais tipos de laudos da BioAS
e à sua utilização como suporte para tomadas de decisão de manejo nas áreas agrícolas também serão abordados.

Como acessar a memória do solo e avaliar sua saúde

O grau de revolvimento mecânico, em associação com a qualidade e a quantidade dos resíduos vegetais que são
aportados ao solo, interferem nas interações dos diversos componentes dos sistemas agrícolas, fazendo com que os
diferentes sistemas de manejo deixem sua “impressão digital”, sua “assinatura biológica” no solo (Figura 2). A
capacidade que o solo tem de guardar em sua “memória” o tipo de manejo ao qual ele foi submetido está intimamente
relacionada à sua parte viva, ao seu componente biológico. Assim, além dos aspectos relacionados à saúde do solo, as
determinações de atividade

enzimática são uma das vias de acesso à memória do solo. Tecnologia BioAS: uma maneira simples e eficiente de avaliar
a saúde do solo acesso à memória do solo, por meio de determinações da atividade enzimática, é possível devido ao
fato de que esta representa o somatório da atividade de enzimas dos organismos vivos (microrganismos, plantas e
animais) e de gerações passadas de organismos que estiveram presentes no solo (componente abiótico). As enzimas
que constituem o componente abiótico estão associadas à fração não viva e se acumulam no solo protegidas da ação de
proteases por meio de sua adsorção em partículas de argila e na matéria orgânica (Figura 3) (Wallenstein; Burns, 2011).
A capacidade do solo de estabilizar e de proteger enzimas está relacionada à sua capacidade de armazenar e estabilizar
a matéria orgânica do solo (MOS) (afinal a enzima é uma molécula orgânica) e outras propriedades estruturais
associadas como agregação e porosidade. Entretanto, alterações na MOS ou em propriedades estruturais do solo
podem levar anos para serem detectadas, diferentemente da atividade enzimática (Bandick; Dick, 1999; Dick; Burns,
2011). Por essa razão, ao longo do tempo, o aumento sistemático da atividade enzimática (refletindo o aumento na
atividade biológica) pode ser um prenúncio de que o sistema está favorecendo o acúmulo de MOS, apesar de nem
sempre esse aumento de atividade estar acoplado a aumentos efetivos nos teores de MOS, nos estágios iniciais. Na
Figura 4, mostra-se que o aumento na atividade biológica, evidenciado pela atividade enzimática, constitui o primeiro
degrau na escala de melhoria de um solo. Com o passar do tempo, esse aumento na atividade biológica pode resultar
em aumento na MOS, impactando positivamente a qualidade química (ex., melhor armazenagem de nutrientes) e física
do solo (ex., melhor estrutura, com reflexo no armazenamento e infiltração de água). Um exemplo emblemático de
como o histórico de uso do solo expressa a sua saúde atual é o do experimento de rotação de culturas na soja (RCS),
conduzido desde 2008 pela Fundação MT, na estação experimental Cachoeira (Itiquira, MT). Nesse experimento, são
avaliados oito sistemas de cultivos/produção incluindo o monocultivo, sucessão e rotação de culturas (Mendes et al.,
2017, 2020). Na Figura 5, é possível visualizar as diferenças entre os tratamentos, com base na cobertura do solo pelos
resíduos vegetais, no oitavo cultivo de soja.
Um solo com boa fertilidade melhora a qualidade dos alimentos e é fundamental para a
saúde humana
23/11/2018

Um solo com boa fertilidade melhora a qualidade dos alimentos e é fundamental para a saúde humana. Nutrir com
equilíbrio frutas, legumes e verduras também é relevante no enfrentamento do desperdício.

Alimentos com deficiência de nutrientes não apresentam aparência saudável, se deterioram rapidamente e têm menor
tempo de validade. Além disso, quanto maior o desperdício, mais cara fica a comida que chega à mesa das pessoas.

Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) dão conta de que 46% do
desperdício de alimentos no planeta ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Os outros 54%
acontecem nas fases de manipulação pós-colheita e a armazenagem.

O Brasil é o 10° colocado no ranking mundial de desperdício. Em nosso país, as perdas diárias chegam a 40 mil toneladas
de alimentos, quantidade que daria para suprir aproximadamente 19 milhões de cidadãos diariamente ao longo de um
ano, o mesmo que toda a população do Chile.

Poucos sabem, mas os solos brasileiros são de baixa fertilidade, ou seja, possuem baixa disponibilidade de nutrientes
para as plantas. Estamos falando do fundamento da cadeia alimentar. São os nutrientes que regulam o metabolismo da
planta, formando a base da produção vegetal para alimentar diretamente o homem.

Independentemente da fonte do adubo: mineral ou orgânico, as culturas têm necessidades de quantidades equilibradas
de nutrientes de forma assimilável. O adubo é a fonte de alimento para as plantas. Os adubos minerais são produzidos
a partir de depósitos da natureza ou extraídos do ar.

As matérias-primas para a produção de adubos são processadas para eliminar certas impurezas e tornar os nutrientes
mais assimiláveis para as plantas e reduzir o custo de transporte para a aplicação no campo. Contudo, sua composição
continua sendo de moléculas naturais, e não artificiais.

Vale destacar que a agricultura brasileira está cada vez mais comprometida com a sustentabilidade. Isso é comprovado
pelo aumento das áreas com o sistema de plantio direto, no qual preserva-se o solo, valoriza-se a reciclagem dos
nutrientes e estimula-se a microbiologia do solo.

A tendência, nos últimos anos, tem sido de crescimento da produção agrícola. No Brasil a produção de grãos cresceu
acima de 130%, com ganho de produtividade de aproximadamente 70%, enquanto a área agrícola cresceu pouco acima
de 40%. Da mesma forma, o consumo de adubos acompanhou o crescimento da agricultura brasileira, demonstrando a
contribuição deste insumo para o fornecimento de alimentos e a preservação ambiental.

Com isso estamos produzindo mais, sem a necessidade de abertura de novas áreas, ou seja, sem a necessidade de
desmatamento. Certamente, as perspectivas podem ser cada vez melhores. Daí a necessidade de esclarecer e informar
a sociedade brasileira, com base em estudos científicos, sobre a importância e benefícios das boas técnicas de adubação
na produção e qualidade dos alimentos.
Sem solos saudáveis, a segurança alimentar está em risco
O solo é um recurso não renovável; ele fornece 95% dos alimentos. "Precisamos aumentar a produção agrícola em pelo
menos 50% até 2050, quando chegarmos a 9.100 milhões de pessoas. Como podemos alcançá-lo se não protegermos os
solos?"

Entrevista a José Perdomo, presidente da CropLife Latin America, que chama os agricultores para cuidar seus solos e
mudar práticas culturais como o excesso de lavoura, o uso excessivo de insumos e a queima. Dia Internacional do Solo
2019. Atualizada junho 2020.

Jose Perdomo Por que é importante falar sobre o solo?

Para dimensionar a quantidade de solo adequada para a agricultura no planeta, basta imaginar que a terra é do
tamanho de uma maçã na qual um círculo de um centímetro de diâmetro é igual à área agrícola global. A partir desse
ponto provêm 95% dos alimentos que consumimos e a cada ano perdemos um pouco dessa área devido à erosão1.

Qual é o impacto da erosão?

O solo se degrada, erode e perde a fertilidade, o suprimento de nutrientes é reduzido porque a camada vegetal onde
são gerados é perdida e a produtividade da colheita é afetada. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação (FAO) estima que, em média, o rendimento anual da colheita seja reduzido em 0,3% devido à erosão. Se
isso for mantido, poderá haver uma redução de 10% no rendimento potencial anual até 2050 e isso tornaria os
alimentos mais caros2.

Quais são as principais causas de erosão?

Existem causas naturais, como chuvas excessivas, secas e ventos intensos. Também existem causas geradas por más
práticas agrícolas, como demasiada aração ou lavoura, plantio em encostas excessivas e sem linhas de contorno, deixar
o solo exposto sem cobertura vegetal, queimar como uma prática cultural ancestral antes do plantio, o uso excessivo de
insumos e a falta de rotação de culturas, entre outros.

Por que a prática de queima é mantida se ameaça a proteção dos solos?

É uma prática cultural profundamente enraizada, que no lado positivo controla pragas e ervas daninhas a um custo
mínimo antes do plantio, mas a longo prazo a queima acaba erodindo o solo; além disso, o fogo pode ficar fora de
controle. Da CropLife Latin America, apelamos à conscientização dos agricultores para abandonar a queima de solos e
implementar outros tipos de ações que protegem a camada vegetal. Queimar o chão está queimando vida. A queima do
solo prejudica os organismos e microrganismos que degradam a matéria orgânica, arejam o solo, melhoram sua
estrutura e liberam nutrientes. Além disso, a queima contribui para o aquecimento global pela liberação de CO2 e afeta
a qualidade do ar.

Quais tecnologias ajudam a preservar solos saudáveis?

Todas as tecnologias usadas na agricultura desempenham um papel essencial no aumento da produção em menos área,
em menos terra, em menos solo. E isso ajuda a preservar a fronteira agrícola e proteger as áreas florestais. O aumento
da área dedicada à produção agrícola de 1960 a 2010 foi de apenas 12%. Ou seja, a produtividade agrícola mundial
aumentou de 150 a 200% e não precisamos usar mais terra para produzir mais alimentos.

Então, produzimos mais comida em menos terra?

É isso mesmo, em 1960 com um hectare foram alimentadas 2 pessoas e em 2006 com um hectare foram alimentadas 9
pessoas. Isso é possível graças ao uso de tecnologias como as sementes melhoradas, sementes tratadas, irrigação,
fertilização, controle mais eficiente de pragas e doenças, com a biotecnologia e hoje com as tecnologias da agricultura
de precisão e da agricultura digital.

Você poderia dar um exemplo específico de como uma dessas tecnologias, além de economizar no solo, ajuda a
preservá-lo?
Eu posso citar vários; o primeiro é que, com o uso da biotecnologia, o uso de produtos fitossanitários ou pesticidas foi
reduzido porque eles incorporaram a bactéria Bacillus Thuringiesis, BT, que possui propriedades inseticidas. As
sementes biotecnológicas resistentes a herbicidas não requerem lavoura antes do plantio, o que evita a erosão do solo e
mantém a cobertura do solo protegendo-o e preservando a umidade. Outro exemplo, são os avanços nos produtos
fitossanitários, hoje encontramos formulações feitas com água; não são inflamáveis e são biodegradáveis. Ingredientes
ativos que são liberados sob condições precisas também podem ser encontrados no mercado; pode ser com a luz solar,
umidade ou temperatura, resultando em maior precisão.

Como está avançando a indústria representada pela CropLife Latin America com produtos biológicos provenientes do
solo?

Esse campo de trabalho com produtos biológicos é enorme, porque todos os microrganismos do solo têm grandes
qualidades para protegê-lo, portanto não deve ser queimado. Por exemplo, os inoculantes são desenvolvidos com
microrganismos que atraem nitrogênio ou fósforo do ar para o solo e depois para a raiz das plantas, nutrindo-as,
ajudando-as a crescer e a ter uma melhor capacidade de reação quando atacadas por uma praga. Eles desempenham o
papel de protetor e fertilizante ao mesmo tempo.

Os biológicos estão na natureza, no solo, por exemplo, o que a indústria faz para desenvolvê-los?

O desenvolvimento de produtos biológicos consiste em identificá-los e produzi-los com precisão em laboratório; por
exemplo, 300 gramas de um inoculante produzido pela indústria contêm a mesma quantidade de Rizóbios que um
caminhão com 4 toneladas de solo. Os Rizóbios são um microrganismo que atrai nitrogênio e que vive no solo. Em
outras palavras, é produzido um produto que aumenta o efeito de um organismo natural.

As pragas, ervas daninhas e doenças que atacam as culturas exigem o uso de pesticidas; como pode o seu uso
responsável ser melhorado?

Sem dúvida, a adoção de Boas Práticas Agrícolas tem sido e é hoje uma exigência imperativa para todos os agricultores.
Há uma variedade de listas de verificação que permitem aos agricultores reduzir e gerenciar riscos, como o uso de
equipamentos de proteção individual, EPI; ler, entender e seguir as instruções do rótulo; fazer a aplicação em condições
climáticas específicas; receber aconselhamento de técnico agrícola, fazer uso correto dos insumos, entre outros.

O que você diria aos agricultores para incentivá-los a proteger seu solo?

Que em um punhado de terra ou solo pode haver mais microrganismos do que todos os seres humanos e que eles são
os que dão estrutura ao solo, conferem fertilidade para que a semente possa germinar, crescer e dar uma boa colheita.
Pense nisso antes de queimá-lo, sobredosar produtos ou arar demais para que o vento o leve embora. Você precisa
protegê-lo e, se necessário, recuperá-lo.
Infográfico: Menos área, mais comida

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