FACAMP – Faculdade de Campinas Curso de Relações Internacionais Sociologia Histórica Prof.

José César 1º Semestre de 2010 2º Ano/3º Semestre - Turma B Catarina Rodrigues Duleba RA: 200910938 Gustavo Infante Prudente Correa RA: 200910990

Título: A SOCIEDADE SALARIAL – In: As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. Autor: Robert Castel O encadeamento da sequência da condição proletária, condição operária, condição salarial, que foram formas de cristalização das relações de trabalho na sociedade industrial, não foi linear. Por ser indispensável no processo de industrialização nascente, o proletário se apresentava em uma situação de quase-exclusão do corpo social, enquanto a condição operária se mostrava mais complexa, uma vez que o salário deixou de a retribuição pontual do trabalho. A partir de uma nova relação salarial, foram garantidos direitos, acesso a subvenções extratrabalho e uma maior participação na vida social no que se diz respeito a consumo, habitação, instrução e até a lazer, mesmo como forma instável de integração na subordinação. Porém, o início da sociedade salarial não foi um grande êxito da condição operária. O operário é subordinado mais uma vez com a salarização da sociedade, mesmo com um movimento de promoção em que o Estado estende serviços e proteção a quem “merecer”. O ponto de partida da condição de assalariado foi a industrialização, e relação salarial moderna se deu na grande empresa. No início da industrialização, a relação salarial se baseava em uma remuneração que assegurava apenas a reprodução do trabalhador, e não o consumo. Não havia garantias legais na situação de trabalho. O salário, então, é uma forma de remuneração da força de trabalho, que comanda o modo de vida e o modo de consumo dos operários, regulamentando o contrato de trabalho.

que adota medidas (algumas coercivas) para construir as bases dessa nova organização social. há certa competição por posições. O Estado usa o salário para regular a estrutura de desigualdade econômica e permitir que haja justiça social e inclusão. Participação e uso dos serviços públicos oferecidos pelo Estado Contrato coletivo como meio pelo qual o trabalhador é O estado faz uma diferenciação entre os trabalhadores ativos e por toda a população. que regulado pelo Estado. Reconhecimento do trabalhador como consumidor. necessário para a nova organização capitalista. portanto. auxílios. ajudando o processo de construções de classes sociais. criando assim um mercado econômico capitalista mais ativo. passa a ser constituinte de uma nova identidade social (possibilitando o consumo. pois o salário. a redução da desigualdade e o controle do excesso de exploração do capital (entre as classes). reconhecido como membro de uma categoria social. passando pela condição operária. A formação da sociedade salarial só foi possível pelo crescimento econômico e o Estado Social. lazer e acesso a outras regalias que não existiam nas condições proletárias). 2) 3) 4) 5) Fixação do trabalhador em seu posto de trabalho. que antes era a mera remuneração da forca de trabalho. por: relações do trabalhador proletário. a partir da construção de uma identidade coletiva de trabalhador assalariado que atinja todas as .). com mais oferta e mais demanda. O autor destaca 5 pontos principais dessas ações. que aumentou a produção de bens e “produziu” consumidores entre as classes mais pobres (salário mínimo. As relações antes existentes entre proletários e capitalistas foram quebradas pela revolução do sistema salarial. Essas medidas visavam uma homogeneização da sociedade. às novas relações assalariadas. Essa metamorfose é possibilitada por uma forte ação do Estado na sociedade. Nessa nova ordem. que possibilitaram a formação da nova ordem capitalista: 1) inativos. etc.O processo de transformação da sociedade pode ser descrito. formou uma nova identidade social baseada no salário.

instituiu a Seguridade Social. e uma mudança dessa relação salarial moderna. reconhecendo a condição operária. haverá mais produção e conseqüentemente aumentará a renda da população. não houve homogeneização completa da sociedade. É destacado o ano de 1936. assumem a forma de lutas pelas colocações e classificações. Formou-se também uma sociedade de consumo. diferente da sociedade de classes: a sociedade salarial em que se deu a dissolução da alternativa revolucionária e a redistribuição da conflitualidade social. a posição do salariado operário nessa estrutura salarial se degradou. pois havendo mais consumo. de trabalho alienado. invertendo esse antagonismo (na nova organização social o trabalho facilitava a aquisição de propriedades e a posse de patrimônio possibilitava o acesso a posições salariais mais elevadas). Ainda assim. há uma grande tendência à diferenciação dos blocos sociais. que antes era majoritariamente herdada e passa a ser merecida (pelas pessoas que ascenderam no sistema salarial). em que houve um momento de cristalização. A instituição dessa nova classe assalariada quebrou a antiga oposição que havia entre trabalho e patrimônio. na qual o status do individuo passa a ser definido pelos objetos que possui. processo indispensável para a consolidação do novo sistema salarial. O Estado. estendem os direitos. Houve também uma mudança na posse de propriedade. O que houve foi um novo modelo. paralelamente à homogeneização que a generalização do salário mensal provocou em grande parte da população. mais do que assumirem a forma de luta de classes. Então. São sancionadas reformas que. Mesmo com as transformações decisivas nos anos 50 e 60. Essa elevação na demanda por consumo é de grande importância para o desenvolvimento econômico. trata-se de uma relação social de subordinação. garantiu as capacidades de ganho dos trabalhadores (por vezes auxiliando com salário indireto) e mediou as relações entre empregadores e empregados – fatores indispensáveis para a ascensão do novo sistema social. não sendo homogênea nem pacificada. . No novo sistema de classes.classes. além de promover o crescimento econômico. Uma sociedade cujas contradições.

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