Em nosso trabalho abordaremos a existência de Deus.
A filosofia da religião consiste em pensar filosoficamente em tópicos cujo os assuntos
centram-se na religião, onde nós como seres pensantes temos como objetivo o estudo da
dimensão espiritual do homem do princípio da perspectiva filosófica. Por
este, ser um estudo a priori não pode ser resolvido por métodos formais de prova nem por
métodos empíricos necessitando recorrer ao pensamento, reflexão crítica de ideias, análise
de razões, discussão argumentativa etc. O principal problema que se coloca em causa é
“será que há boas razões para aceitar a existência de Deus?”.
Por Deus teísta entende-se um Deus omnipotente, omnisciente, sumamente bom, criador
e pessoa, para justificar sua existência há 3 grandes argumentos.
Argumento cosmológico - Argumento da causa primeira é um raciocínio filosófico que
visa buscar uma causa primeira para o universo, tratando de um argumento a posteriori. Por
extensão, é frequentemente utilizado como a existência de um ser incondicionado e
supremo identificado como Deus.
Se as coisas no mundo foram causadas a existir por alguma outra coisa, então ou há
apenas uma cadeia causal que regride infinitamente ou há apenas uma primeira causa que
é origem da cadeia causal.
Mas não há uma cadeia causal que regride infinitamente.
Logo, há apenas uma primeira causa (Deus) que é origem da cadeia causal.
Objeção : O primeiro argumento mostra 2 possibilidades, a primeira é a hipótese de uma
cadeia causal que regride infinitamente. A segunda admite que há somente uma primeira
causa, a qual não têm causa, sendo origem de toda a cadeia causal, onde essa cadeia irá
parar numa vida primeira invalidada e sobrenatural.
Argumento teleológico : Argumento teleológico da existência de Deus, chamado de
argumento da criação ou prova psicoteológica, é um argumento a posteriori com base na
criação aparente e propósito na natureza. Seu ponto de partida é o nosso sentimento de
surpresa pelas coisas que existem no universo manifestarem ordem e desígnio. A partir
disso, procura mostrar que seja o que for que produziu o universo têm de ser um ser
inteligente.
Ex: Passeamos por uma mata, encontramos um relógio no chão, questionamos o porquê
dele estar ali e levamos em consideração suas características. Temos 2 hipóteses, ou o
relógio foi concebido por um relojoeiro ou formou-se por um acaso, se for a 1.a hipótese não
seria tão surpreendente, se a 2.a for verídica será muito mais surpreendente. Entretanto, a
hipótese que explica melhor é a do relojoeiro. Com base nisso, gera o seguinte raciocínio:
- as características específicas do relógio devem-se a um relojoeiro ou devem-se ao
acaso;
- Mas tais características não se devem ao acaso ;
- Logo, tais características devem-se a um relojoeiro.
Entretanto, a objeção que se segue é: falácia do falso dilema, uma vez que além da
hipótese de Deus e do relojoeiro há uma 3.a hipótese através do Darwinismo. Os seres
vivos resultam de um processo de evolução por seleção natural, onde as constantes físicas
estão minuciosamente afinadas para existência de vida. Temos as seguintes hipóteses para
explicar esse fenómeno:
- designer : onde deve-se a um designer sobrenatural: a um Deus.
- Acaso : fruto do acaso.
Se o universo for fruto do acaso, será surpreendente ele ter características minuciosas,
podendo estabelecer uma analogia tal como é sorpreendente que uma seta atirada aí acaso
acerte no círculo central de um alvo, assim também se o universo for um mero fruto do
acaso será bastante surpreendente que esteja tão precisamente afinado para a vida. Pelo
contrário, se o universo for resultado de algum tipo de designer inteligente, não será
surpreendente ele ter as características de afinação minuciosa.
Partindo da suposição que a vida no geral é algo bom, não será surpreendente que um
designer inteligente e sobrenatural, tendo os atributos tradicionais do teísmo, tenha criado
um universo minuciosamente afinado para a vida. Pode-se dizer que o universo exibir as
características de afinação minuciosa, resultando do acaso é baixa. Portanto, a afinação
minuciosa do universo da razão para acreditar em Deus.
- A afinação minuciosa do universo deve-se ou a um designer ou ao acaso;
- Mas não se deve ao acaso;
-Logo, deve-se a um designer.
Argumento Ontológico:
1-Deus existe no pensamento .
2-Se Deus existe no pensamento e não na realidade então é concebível um ser mais
perfeito que Deus.
3-Mas não é concebível um ser mais perfeito que Deus.
4-Logo Deus existe na realidade
(pelo raciocínio)
•Esse argumento é um argumento a priori, pois todas suas premissas podem ser
conhecidas independentemente da experiência do mundo, partindo do conceito de Deus e
usando apenas o raciocínio se conclui que Deus existe na realidade.
Objeções:
Podem se provar coisas que não existem, pensando em algo que não pode ser
concebível, como por exemplo a ilha perfeita, a qual nada maior pode ser pensado.
1-A ilha perfeita existe no pensamento.
2-Se a ilha perfeita existe no pensamento e não na realidade então uma ilha mais perfeita é
concebível.
3-Mas não é concebível uma ilha mais perfeita do que a ilha perfeita.
4-Logo a ilha perfeita existe na realidade.
Pode-se também argumentar que o argumento ontológico comete a falácia informal da
petição de princípio, pois parte da definição de Deus como absolutamente perfeito,
contendo todos os predicados e perfeições, inclusive a existência na realidade.
Assim, quando a premissa 1 fala “Deus existe no pensamento” já está comprometido.
Falácia da petição de princípio: Falácia que consiste em assumir como verdadeiro aquilo
que se pretende provar.
Argumento do mal
A presença do mal no mundo é uma das maiores razões contra a existência de Deus.
Dois tipo de Mal existente do mundo:
Mal moral:centra na origem da ação humana (roubos e assassinato por ex)
Mal natural: não tem origem na ação humana ( terremoto, furacão e doenças por ex)
Para desenvolver uma versão probabilística do mal William Rowe se baseia no sofrimento
intenso com propósito benefício. Para isso é preciso distinguir o mal justificado do mal não
justificado.
O primeiro é o mal é aquele se não existir leva a que se perca algum bem maior.
Por exemplo uma má ação que é perdoada neste caso se o mal não existir estamos
eliminando o bem maior do perdão. Neste caso o mal é justificado.
O segundo mal é aquele que se não existir não leva a perder nenhum bem maior. O que
neste caso o mal injustificado(sem sentido/gratuito).
Mal gratuito: é aquele que não serve para nenhuma finalidade, e não tem nenhum efeito no
plano de Deus que poderiam ser servidos sem aquela determinada instância ou grau de
mal.
Para explicar o mal gratuito temos duas hipóteses relevantes
O teístas: acredita que existe um designer sobrenatural,omnipotente,omnisciente e
moralmente perfeito
E o ateísmo: não acredita na existência de um designer
sobrenatural,omnipotente,omnisciente e moralmente perfeito.
Ou seja, do ponto de vista do teísmo os males gratuitos que supostamente encontramos no
mundo é muito improvável e na visão do Ateísmo não é impossível por que se o Deus teísta
existe e ele saber que pode eliminar os males gratuito mas não o faz então ele
provavelmente não existe. Com isso conclui-se que o mal gratuito contribui para o ateísmo
ao invés do teísmo.
j
Teodiceia de leibniz:
Teodiceia na qual consiste em dar uma resposta à questão "por que Deus permite o mal"
mostrando que nenhum mal é injustificável.
Teodiceia desenvolvida por Gottfried Leibniz:
(1) Deus criou o melhor de todos os mundos possíveis.
(2) O melhor de todos os mundos possíveis tem partes
indesejáveis, ou seja, males.
(3) Se 1 e 2 são verdadeiras, então Deus permite o mal.
(4) Logo, Deus permite o mal. (De 1 a 3)
Constata-se neste raciocínio que Deus permite o mal porque o melhor de todos os mundos
possíveis não implica um mundo sem males.
Análise das premissas 1 e 2.
A premissa 1 diz que Deus criou o melhor de todos os mundos possíveis, portanto se Deus
existe o nosso mundo é o melhor mundo. Mas haverá realmente "o melhor mundo"?.Leibniz
acredita que não existe o melhor de todos os mundos pois não há razões suficientes para
explicar o porquê de Deus cria o nosso mundo e não qualquer outro. Portanto essa
premissa defende que "o mundo como um todo é o melhor mundo possível"
Premissa 2 diz que o mundo sem males não seria o melhor de todos os mundos possíveis.
Por exemplo o ato de perdoar, é impossível perdoar sem haver algum tipo de ofensa ou
seja,algum tipo de mal. E com isso se torna aceitável a ideia de existir partes indesejáveis
são necessárias para haver uma maior perfeição em todos. Leibniz acredita que é
impossível saber se é possível criar um mundo melhor sem os aspetos negativo
Com isso concluímos que Deus tem razões para permitir a existência do mal, logo não
existem males gratuitos ou injustificados.
O Fideismo de Pascal-
Seria assim racional acreditar que Deus existe? Para entender melhor esta questão pode
fazer-se distinção entre dois tipos de racionalidade a racionalidade epistémica (justificação)
e a racionalidade prudencial (benefícios práticos).
De acordo com Blaise Pascal, mesmo sem argumentos a favor da existência de Deus, o
mais racional, do ponto de vista prudencial, é acreditar que Deus existe, dado que está é a
melhor aposta, a que trás mais benefícios práticos para nós. O fideísmo é a posição de que
se pode acreditar legitimamente em Deus sem qualquer racionalidade epistemica.
É importante sublinhar que Pascal, sendo fideista, não está a procura de provar que Deus
existe ou que a existência de Deus é mais provável do que não a existência. Pelo ao
contrário, esta simplesmente a sustentar que, tendo em conta os custos e benefícios para a
nossa vida, apostar e acreditar na existência de Deus é uma boa coisas para nós; por isso,
a racionalidade prudencial leva-nos a acreditar em Deus.
O raciocínio de Pascal pode ser dividido em duas partes.
Na primeira parte, Pascal começa por dizer trivialmente, que ou Deus existe ou não existe;
contudo, perante a isso, não podemos ficar indiferentes temos de escolher ou apostar e
para isso temos que olhar para o custo e benefício de cada opção, apostando naquela que
temos uma maior hipótese de sermos recompensados. Assim, segundo Pascal, perante a
proposição de que ou Deus existe ou não existe, temos duas questões: ou acreditamos que
Deus existe ou não acreditamos que Deus existe mas qual é a melhor opção?
Para ver qual é a opção mais racional do ponto de vista prudencial Pascal começa por
explicar que, se Deus existe e acreditamos nele, a recompensa é uma felicidade eterna, ou
seja, um resultado finito com valor infinito (o paraiso)
Contudo, se Deus existe e não acreditarmos nele a punição será eterna e receberemos um
resultado negativo com valor infinito (inferno).
De qualquer forma se Deus não existe o resultado de acreditar em Deus será praticamente
igual ao resultado de não acreditar Valor finito(como ganhar alguma paz interior).
Com isso damos início a segunda parte do raciocínio de Pascal, está parte consiste em
aplicar o princípio da racionalidade
Prudencial. Segundo este princípio, exige se que devemos escolher a opção que tem para
nós o melhor resultado em termos de benéficos.
Em síntese o raciocínio de Pascal pode ser representado nesses termos:
(1) ou Deus existe ou Deus não existe.
(2) Se Deus existe estaremos melhor como crentes em Deus do que como não crentes.
(3) Se Deus não existe não é o pior acreditar do que não acreditar.
(4) Logo, quer Deus exista quer não exista acreditar que Deus existe tem o melhor
resultado do que não acreditar em Deus, e nunca um resultado pior.
(5) Se o passo 4 é verdadeiro então devemos acreditar que Deus existe.
(6) Logo, devemos acreditar que Deus existe(de 4 e 5 por modus ponens).