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Filosofia Da Religião

A filosofia da religião analisa criticamente as crenças sobre a existência de Deus, explorando argumentos teístas como o ontológico, cosmológico e teleológico, bem como críticas a esses argumentos. Discute-se a possibilidade de conhecer Deus através da razão ou da emoção, além de abordar a questão do mal e a teodiceia de Leibniz. O documento também menciona a Aposta de Pascal, que defende a crença em Deus por razões prudenciais, e os desafios apresentados por argumentos não teístas.

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Filosofia Da Religião

A filosofia da religião analisa criticamente as crenças sobre a existência de Deus, explorando argumentos teístas como o ontológico, cosmológico e teleológico, bem como críticas a esses argumentos. Discute-se a possibilidade de conhecer Deus através da razão ou da emoção, além de abordar a questão do mal e a teodiceia de Leibniz. O documento também menciona a Aposta de Pascal, que defende a crença em Deus por razões prudenciais, e os desafios apresentados por argumentos não teístas.

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Filosofia da Religião

A filosofia da religião, consiste na análise crítica das crenças religiosas fundamentais:


a crença que Deus existe (...)
Quem é Deus ?

Problema da definição de Deus


Iremos falar do Deus Teísta, conceito Teísta de Deus.

Será que Deus existe? - Há razões suficientemente fortes que dizem que Deus existe
ou que não existe.

Atributos do Deus Teísta:


1. Um ser único
2. O criador do Universo
3. Deus transcendente ( transcende a realidade material)
4. Entidade poderosa ( “ Todo Poderoso”)
5. Omnisciente ( que sabe tudo)
6. Omnipotente ( que pode fazer tudo)
7. Deus sumamente bom ou justo
8. Onibenevolente ( que só deseja o bem e é moralmente perfeito)
9. Deus é pessoa ( pensa, quer e sente)

● Há aqueles que afirmam Deus ( Crentes)


● Há os que negam Deus ( Ateus)
● Há os que duvidam da existência de Deus ( Agnóstico)
Podemos chegar a Deus racionalmente ( usando a razão) ou podemos chegar a Deus
emocionalmente ( usando o coração).

Nota: Precisamos saber justificar quando afirmamos , que Deus existe!


Precisamos saber justificar quando afirmamos, que Deus não existe!

epistémica
Razão

prudencial

A razão epistémica- procura descobrir a verdade


A razão prudencial- não procura encontrar a verdade mas sim

Argumentos Teístas

Argumento Ontológico ( de Anselmo de Cantuária)


a priori
Tese: Deus, o ser maior do qual nada pode ser pensado, existe.
O argumento ontológico é uma das tentativas para responder positivamente às
questões de Deus. É um argumento que tenta mostrar que a não existência de Deus
é impossível. Parte do conceito de Deus e de premissas a priori (premissas que
podem ser conhecidas independentemente da experiência do mundo) para
concluir que Deus existe na realidade.

- Deus está em nós.


- Até os ateus possuem a ideia de Deus, têm é de a “abraçar”.
- Para Anselmo, Deus, é aquela coisa maior do que qual nada pode ser pensado,
logo nada é maior no nosso pensamento do que a ideia de Deus.

Argumento:
1) Deus ( ser maior do qual nada pode ser pensado, existe no pensamento).
2) Se Deus existisse apenas no pensamento ( e não na realidade),
poderíamos pensar num ser ainda maior do que ele ( existiria no
pensamento e na realidade).
3) Não podemos pensar um ser ainda maior que Deus ( ser maior do qual
nada pode ser pensado).
4) Logo, Deus ( ser maior do qual nada pode ser pensado) não existe
apenas no pensamento, existe também na realidade.

Este argumento não exige fé ou experiência religiosa para ser compreendido e aceite.
Todo o argumento assenta no pensamento lógico e racional acessível a crentes e não
crentes. ( O ser humano crê em Deus usando a sua razão)

Exemplo: Uma coisa é ter a ideia de Deus e outra é crer na sua existência.
- É por eu ter a ideia de Deus que ele existe?
- Se Deus é apenas ideia e não existência, será na realidade o tal ser “ maior” ?
Versão Cartesiana
Redução ao absurdo:
P
absurdo de P
ㄱP

Argumento:
1) Se Deus não existir não é o ser sumamente perfeito
2) Deus é o ser sumamente perfeito.
3) Logo, Deus tem de existir

Críticas a esta teoria:


1) A ilha perfeita ( de Gaunilo Marmoutier)
Ilha perfeita- Para ser Deus um ser perfeito teria de existir na realidade e não só no
pensamento.
Como isso não acontece, Deus não pode ser o Ser perfeito.

Imagina que algures no oceano existe uma ilha a que chamam “ilha perdida”. A ilha é
dotada com uma abundância máxima de todas as riquezas, sendo superior a todas as
outras terras que os seres humanos habitam ( Suponhamos que alguém nos conta isto
tudo) .
E diz-nos que não podemos duvidar que esta ilha, mais excelente que todas as outras,
existe verdadeiramente algures na realidade.
Pois, se não duvidamos que a ilha existe no nosso pensamento e se é mais excelente
existir não apenas no pensamento, mas também na realidade, esta ilha também deve
existir na realidade.
Anselmo responde a Gaunilo, dizendo que podemos pensar que a ilha perdida existe
apenas no pensamento e não na realidade, pois trata-se de algo, uma coisa que teve um
início e terá ( ou teve) um fim.

O conceito de Deus como ser supremo, implica necessariamente a sua existência,


senão não seria o ser maior do qual nada pode ser pensado.
Deus é um tipo especial de identidade, é um ser necessariamente existente- não teve
início nem terá um fim ( senão não seria o ser maior do qual nada pode ser pensado)

2) A existência não é uma característica

Quer Anselmo quer Descartes apresentam a “existência” como uma característica que
se atribui a Deus. Mas é errado pensar na “existência” como uma coisa que se
atribui a outra coisa.
A existência não é uma propriedade das coisas como o peso, a forma ou a cor.
O argumento trata o conceito como se fosse.

Argumento Cosmológico ( Tomás de Aquino)


a posteriori
( segunda via)
Tese: Deus, a primeira causa de tudo o que ocorre no universo, existe.
Porquê o ser, e não o nada?
Argumento:
1) Tudo o que acontece ou existe tem uma causa.
2) Se tudo o que acontece ou existe tem uma causa então, ou cada evento se causa
a si mesmo ou há uma regressão infinita de cadeias causais, ou há uma primeira
causa.
3) Nenhuma coisa é causa de si próprio.
4) É impossível haver regressão infinita de cadeias causais.
5) Logo, tem de haver uma primeira causa, eficiente. ( Deus)

O crente defende que o universo tem um princípio.


O ateu defende que o universo sempre existiu, existe e existirá.

Tem de existir sempre uma causa primeira para podermos afirmar que existem outras
causas.
Nota: nada acontece por acaso ou de forma aleatória.

● O argumento cosmológico, ao contrário do argumento ontológico, é um


argumento posteriori. Isto significa que procura provar a existência de Deus a
partir das nossas observações do mundo e não, como o argumento ontológico,
a partir da mera análise lógica da definição de Deus.

A exposição do argumento começa por constatar que os eventos do mundo natural


estão ligados por cadeias causais ( decorre diretamente da observação empírica).
3 premissa) Nenhum evento pode ser a causa de si próprio já que as causas
precedem os efeitos. Se um evento fosse causa de si próprio teria de ser anterior a si
próprio, o que é impossível.

4 premissa ) É impossível que existam sequências causais que regridem infinitamente.


Sem a causa, não pode haver efeito, suprimindo a primeira causa, suprime-se toda
a sequência causal.

críticas a esta teoria:

1) Existem regressões infinitas


A sucessão de eventos não exige que exista um começo, uma vez que é racionalmente
aceitável imaginar que ela regride infinitamente.

2) Falácia da composição
Afirmar que todos os eventos têm uma causa é apenas suposição, pois nem
observamos todos os eventos que ocorreram ( ocorrem e ocorrerão), nem sequer
conseguimos explicar causalmente todos os fenómenos que constatamos.
Esta ideia é uma indução por generalização.

3) Provar uma causa primeira não é provar a existência de Deus.


A primeira causa se existir não é necessariamente o Deus Teísta.

Argumento do desígnio ou teleológico ( Tomás de Aquino)


a posteriori
Tese: Deus, a inteligência criadora das coisas naturais, existe.

Argumento:
1) Algumas coisas sem inteligência agem em vista de uma finalidade.
2) Ou alcançam essa finalidade por mero acaso, ou são guiadas por algo
inteligente.
3) Não é por acaso que alcançam essa finalidade.
4) Logo, existe algo inteligente que dirige essas coisas ( Deus).

1. As maravilhas da natureza são criação de Deus ou então devem-se ao acaso


2. Mas não podem dever-se ao acaso
3. Logo, são criação de Deus

Exemplo: As laranjeiras são seres desprovidos de inteligência e agem com a


finalidade de originar laranjas.
Será por acaso que originam laranjas? Ou será porque algo inteligente guia-as para
atingirem esse fim ?

William Paley: Vai usar o exemplo do relógio ( consiste em partes interligadas com
um propósito específico).
Se as partes não tivessem sido adequadamente organizadas, o relógio não
funcionaria corretamente. Como funciona corretamente, podemos dizer que houve
um relojoeiro ( ser inteligente) que criou essa organização .
William defende que se pode construir racionalmente um argumento semelhante para
provar que existe um arquiteto inteligente do Universo.
Se as partes constituintes do mundo não tivessem sido organizadas de uma maneira
específica, o Universo e os seus habitantes não funcionariam corretamente .
como funcionam é porque há um arquiteto inteligente do Universo.

críticas a esta teoria:

1) A seleção natural explica a adaptação

A evolução por seleção natural explica a adequação dos seres vivos aos seus fins sem
recorrer a uma entidade criadora.
Tal como as espécies naturais evoluíram por seleção natural é racional aceitar que a
ordem do Universo teve origem num processo de seleção natural e não num criador
inteligente.

2) Falácia da falsa analogia

A analogia entre o Universo e os artefactos é uma má analogia, pois existem diferenças


cruciais.

Outra das objecções possíveis ao argumento do desígnio, e que voltam a mostrar o


quão frágil e remota é a analogia do relojoeiro, assenta no facto de que, enquanto nós
temos experiência da construção de relógios, casas, entre outras obras e segundo os
mais diversos fins, não temos qualquer experiência da construção de universos, muito
menos de qualquer desígnio respeitante a estes. Não tendo esta experiência
informação crucial que dela resultaria para apoiar a analogia do relojoeiro, este
argumento é claramente inválido.
Aposta de Pascal (Blaise Pascal)
Tese: Devemos, por razões prudenciais, acreditar que Deus existe.

A razão nada aqui pode determinar, a “aposta de Pascal” , baseia-se no fideísmo, a


crença em Deus baseia-se na Fé e não em dados puramente racionais.

argumento:
1) acredito em Deus ou não acredito em Deus
2) Deus existe ou Deus não existe

A) Acredito em Deus e Deus existe - Felicidade infinita = ganho máximo;


nenhuma perda.

B) Acredito em Deus e Deus não existe - Alguma felicidade finita = ganho de uma
vida virtuosa com imensos aspectos positivos; perda de tempo dedicado a
atividades religiosas e do fruição de alguns prazeres.

C) Não acredito em Deus e Deus existe - Alguma felicidade finita = ganho do


tempo não dedicado a atividades religiosas; perda da felicidade eterna.

D) Não acredito em Deus e Deus não existe - Alguma felicidade finita = ganho do
tempo não dedicado a atividades religiosas fruição de alguns prazeres; perda de
uma vida virtuosa e dos seus benefícios.

críticas a esta teoria:


1) Falácia do falso dilema

- O argumento baseia-se num falso dilema : Ou o Deus Teísta existe ou


não existe nenhum Deus.

2) Crença sem valor moral


- Ter a crença em Deus com base no interesse próprio não tem valor moral.
Logo, acreditar devido à aposta anula o efeito positivo da crença.

Argumentos Não Teístas

Problema do mal ( Epicuro)

Tese: A existência de Deus é incompatível com a existência do mal.

Se Deus existe, por que razão existe o mal?


Se Deus, um ser Onipotente e Onibenevolente e perfeitamente bom, tem estas
características, porque é que ele não procura tirar o mal do mundo?

Argumento:
1) Se Deus existe, então não existe mal no mundo.
2) Logo, se existe mal no mundo, Deus não existe.

Teodiceia de Leibniz
Para entender a teodiceia de Leibniz temos de entender dois conceitos de mal: o mal
existe como meio para alcançar um bem maior e o mal gratuito sem sentido, propósito
ou significado.
Para Leibniz o mal tem dois propósitos, o propósito do bem,

Para Leibniz o mal é o melhor dos dois mundos possíveis : existe como meio para
promover bens maiores anulando o peso negativo desses males, portanto não existem
males sem sentido.

Críticas à Teodiceia de Leibniz

1) Existe mal injustificado


Existem “males horrendos” que tornam a vida de quem os sofre insuportável e
impossível. Como se justifica a anulação da felicidade do Ser humano em prol do bem
maior da totalidade da Humanidade?
A existência de males horríveis representa uma crítica à teodiceia de Leibniz - alguns
males são tão horríveis que são injustificáveis.

Existem sofrimentos terríveis sem propósito ou finalidade ( males sem sentido).

argumento ( William L. Rowe)


1) Provavelmente há males sem sentido.
2) Se Deus existe, não há males sem sentido.
3) Logo, provavelmente, Deus não existe.
2) O nosso mundo será o melhor dos mundos possíveis?
Deus criou o melhor dos mundos possíveis.
Este mundo tem de incluir o mal como meio de promoção de bens maiores . Logo Deus
permite o mal como meio de promoção de bens maiores.

3) Teologia do silêncio

O problema do mal tem apenas uma resposta prática e não teórica.


O teísmo é melhor que o ateísmo a ajudar o ser humano a enfrentar o sofrimento.

Ou a nossa capacidade racional é capaz de conhecer Deus ou não é. Assumir uma


dimensão divina para lá do alcance da racionalidade humana parece apenas uma
forma de fugir ao problema do mal.

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