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Filosofia Da Religião

O documento explora a filosofia da religião, focando no problema da existência de Deus através de vários argumentos, como o cosmológico, teleológico e ontológico, além de discutir o fideísmo e a Aposta de Pascal. Também aborda o problema do mal, analisando como a existência do mal desafia a concepção de um Deus omnipotente e sumamente bom, e apresenta teodiceias que tentam justificar essa incompatibilidade. Críticas a cada argumento são apresentadas, questionando a validade e as implicações de cada posição filosófica.

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Filosofia Da Religião

O documento explora a filosofia da religião, focando no problema da existência de Deus através de vários argumentos, como o cosmológico, teleológico e ontológico, além de discutir o fideísmo e a Aposta de Pascal. Também aborda o problema do mal, analisando como a existência do mal desafia a concepção de um Deus omnipotente e sumamente bom, e apresenta teodiceias que tentam justificar essa incompatibilidade. Críticas a cada argumento são apresentadas, questionando a validade e as implicações de cada posição filosófica.

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Filosofia da religião

O problema da existência de Deus


Clarificação do problema

Deus existe ou Deus não existe. Podemos sabê-lo?


As religiões podem ser estudadas de diversas perspetivas. A filosofia,
porém, foca-se menos em factos sociais ou experiências individuais e mais
em razões, justificações e argumentos acerca das crenças religiosas
fundamentais, como a existência de Deus e a imortalidade da alma.

O conceito teísta de Deus


A maioria dos filósofos da tradição ocidental discutiu a conceção teísta de
Deus, o "Deus dos filósofos", que reúne um subconjunto de propriedades
fundamentais das divindades cristã, judaica e muçulmana: um ser único e
perfeito, logo, omnipotente, omnisciente e supremamente bom.

Argumentos sobre a existência de Deus


O argumento cosmológico (Aquino)

Se tudo o que conhecemos parece ser efeito de causas anteriores, então o


Universo, no seu conjunto, também deve ter uma causa. Poderão as causas
recuar numa sequência infinita, ou há um início da cadeia de causas e
efeitos, uma primeira causa?
É impossível que a cadeia de causas e efeitos recue infinitamente na
direção do passado, sem se poder parar algures no passado, ainda que
muito distante. Assim, tem de existir uma primeira causa do Universo
(Deus).

Críticas:
- Qual foi a causa de Deus? Se tudo o que existe teve de ter uma causa,
Deus, caso exista, também a teve. Se algo é causa da sua existência, esse
algo precedeu a existência de Deus, vem antes de Deus na sequência
causal, Logo, Deus não é a primeira causa.
- Poderia Deus ser causa única de si mesmo? Para isso, teria de existir já
antes do ato de geração. Mas se já existe, não precisaria de depois se gerar.
- O Universo pode ser incriado e eterno. O princípio de que tudo o que existe
tem uma causa não implica necessariamente uma primeira causa de tudo; é
compatível com a ideia de um mundo que sempre existiu. A cadeia de
causas pode continuar infinitamente no tempo, tanto para o futuro quanto
para o passado (um exemplo de série infinita são os números).

O argumento teleológico ou do desígnio (Aquino)


Baseia-se na analogia entre o Universo, em particular, os seres vivos, e uma
máquina. Nesses seres a grande organização de partes e suas funções,
concorrendo para a sobrevivência e multiplicação dos organismos, sugere
que também eles foram concebidos por uma força inteligente, Deus, com
um propósito.
Trata-se de um argumento por analogia, que, nunca sendo infalível (válido),
procura dar-nos boas razões para acreditar numa alta probabilidade da
conclusão,

Críticas:
- Outra explicação para a organicidade: a teoria da evolução das
espécies é uma explicação alternativa e científica para propriedades dos
seres vivos que fundamentam a analogia. A natureza produz variações, das
quais as malsucedidas desaparecem, deixando as bem-sucedidas com suas
as qualidades de adaptação que parecem propositadas.

- Limitações da prova: mesmo aceitando o argumento, ele não prova a


existência do Deus do teísmo - omnipotente, omnisciente e bondoso, eterno
e único.

O argumento ontológico (Anselmo)


É um argumento a priori (não apela à experiência, ape- nas à análise do
conceito de Deus) e por redução ao absurdo (mostra que uma proposição é
verdadeira Deus existe mostrando que admitir a sua negação como
verdadeira gera uma contradição).

• Anselmo define Deus como o ser maior do que o qual nenhum outro é
possível, ou seja, um ser que acumula em si todas as perfeições que
existam, que detém todas as propriedades positivas, e nenhuma negativa,
de tal modo que seja o máximo possível da perfeição ("maior" significa
"com o maior número de qualidades, poderes, propriedades positivas, etc.").
A estrutura do argumento:
-Deus (o ser maior do que o qual nenhum outro é possível = que possui
todas as qualidades no grau máximo e nenhum defeito) existe no
pensamento (pode ser pensado). Algo que exista só no pensamento pode
ser maior do que é - se existisse também na realidade.
-Suponha-se que Deus não existe na realidade; então é possível um ser
maior do que ele - um Deus igual, mas que exista na realidade.

Contradição: há na nossa mente um ser que é o maior que se pode pensar,


e, ao mesmo tempo, um ser maior que ele - Igual a ele em tudo, mas
existente na realidade.

Críticas:
- A existência não é uma propriedade das coisas reais. Dizer que X tem Y
não significa que X existe. Acrescentar a existência ao conceito de Deus não
"aumenta" o conceito de Deus. Não podemos provar a existência de X
apenas com base no conceito de X.

- Aplicar este argumento leva a absurdos: se penso na ilha mais


perfeita concebível, ela tem de existir, senão não seria a mais perfeita, pois
lhe faltaria a existência. Isso nos obrigaria a admitir que qualquer entidade
imaginada no seu grau mais perfeito provaria que essa entidade existe.

Fideísmo
O fideísmo é a posição que defende que razão e fé religiosa se opõem, e
que só a fé que sentimos nos deve levar à crença em Deus (Pascal,
Kierkegaard).

Críticas:
-Se o sentimento interior é o nosso único guia em matéria religiosa, todas as
religiões estão corretas acerca daquilo em que os seus crentes acreditam/
sentem. Mas como pode isso ser, se as religiões sus- tentam crenças
contraditórias entre si?

- Algumas versões recomendam que se creia na existência de Deus sem


apelo à razão, ou mesmo contra ela. Isto é problemático porque, se a razão
não mostrar que Deus existe, mesmo assim devemos acreditar que ele
existe. Mas escolher em que acreditamos, forçar a mente a acreditar em
algo, é muito provavelmente impossível.

-Geralmente, seguir o sentimento para identificar a verdade contra a razão


e os factos, a fé cega e o ignorar da avaliação de razões e argumentos
levam as pessoas ao fanatismo, ao ódio e à violência contra as outras
perspetivas sobre a religião.

A Aposta de Pascal
O argumento sugere que é preferível acreditar em Deus, comparando a
decisão a uma aposta. Para alguém sem razões convincentes para acreditar
ou não acreditar, as possibilidades são:

- Se acreditarmos em Deus e Ele existir, ganhamos o máximo.


- Se acreditarmos em Deus e Ele não existir, perdemos pouco (tempo
dedicado ao culto e alguns prazeres).
- Se não acreditarmos em Deus e Ele existir, corremos o risco de sofrer
penalizações.
- Se não acreditarmos em Deus e Ele não existir, ganhamos pouco.

Portanto, é mais vantajoso apostar na existência de Deus: se acertarmos,


ganhamos muito, e se errarmos, perdemos pouco; a aposta contrária tem
mais a perder e pouco a ganhar.

Críticas:
- Não podemos decidir ou obrigar-nos a acreditar.
- Não dá razões para seguir uma fé teísta em vez de outra.
- Deus pode decidir em função do comportamento e não da crença e do
culto; ou pode perdoar a todos.
- Acreditar em função da contabilização de lucros e prejuízos parece imoral
e hipócrita, podendo desagradar a Deus.

Deus e o argumento do mal


O problema do mal sugere que a existência do mal é incompatível com um
Deus omnipotente, omnisciente e sumamente bom. Um Deus omnisciente
sabe sobre todo o mal no Universo, um Deus omnipotente teria criado um
mundo sem mal, e um Deus sumamente bom não desejaria a existência do
mal. Logo, a existência do mal implica que Deus não possui um desses
atributos ou não existe.

• Uma teodiceia procura negar a incompatibilidade.

A justificação do mal moral: livre-arbítrio


• O mal moral pode ser necessário para termos livre-arbi- trio. Sem ele, não
seriamos livres nem bons (ou maus). Faríamos o bem, não por escolhermos
ações boas sobre as más, mas porque Deus suprimiu o mal.

Críticas:
- O livre-arbítrio exigirá a possibilidade do mal moral?

- Suponhamos que Deus nos cria capazes de escolher entre ações que
nunca originam mal. As nossas ações variam entre bondade e neutralidade,
mantendo o poder de escolha, mas sem causar mal.

- Deus podia dar-nos livre-arbítrio para escolher o mal, mas criar-nos de


modo a pensarmos sempre corretamente em termos morais. Se
quiséssemos fazer o mal, Deus não nos impediria, mas nunca realmente
quereríamos fazê-lo. (Réplica: em ambas as situações, não há livre-arbítrio
genuíno).

- Esta justificação do mal moral pressupõe que um mundo com mal moral e
livre-arbítrio é melhor que um mundo sem ambos. Podemos pensar que a
ausência de livre-arbítrio é um preço pequeno a pagar por um mundo sem o
sofrimento causado pela maldade humana.

- Deus poderia ter criado um mundo sem mal moral, dando-nos a ilusão de
sermos livres.

- Esta justificação pressupõe que o livre-arbítrio é compatível com a


existência de um Deus omnisciente. Mas será? Se Deus sabe todas as
nossas escolhas antes de as fazermos, somos realmente livres?

A justificação do mal natural


Leibniz: este é o melhor Universo possível, e qualquer estado de coisas
alternativo a este teria a mesma quantidade de mal, ou mais, do que aquele
que Deus efetivamente originou.
A ideia não implica que Deus não seja omnipotente, mas que certas
alternativas não são possíveis, como fazer 2 + 2 ser 5 ou criar quadrados
redondos. Não ser capaz de realizar essas impossibilidades não afeta a sua
omnipotência.

Um mundo com menos mal pode ser impossível porque, se Deus evitasse
alguns males, outros piores surgiriam. Podem existir leis naturais ou
metafísicas que determinam que este mundo tem o melhor equilíbrio
possível entre bens e males.

• Crítica:

- Justificação é mera suposição. Não dá razões para aceitar uma hipótese


especulativa, complexa rebuscada, como é a de que este é o melhor dos
mundos possíveis, apesar de conter tanto mal.

- Deveria dar pelo menos alguns fundamentos para percebermos por que
razões um mundo com menos mal seria impossível, e esses fundamentos
não podem recorrer à mera hipótese de que Deus é bom e omnipotente.

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